clube   |   doar   |   idiomas
"A solução para a inflação é congelar os preços", diz a grande mídia. São 4 mil anos de ignorância
Não esqueceram nada e não aprenderam nada

A imprensa descobriu a pólvora. E está em polvorosa. A manchete está em destaque no jornal britânico The Guardian, e repercutiu com vigor nas redes sociais.

Ei-la, em toda a sua glória:

guardian.png

"Temos uma arma poderosa para combater a inflação: controle de preços. Está na hora de usá-la."

Simples assim.

Aqui está a matéria na íntegra. O leitor pode conferir que não é trote. Realmente está-se defendendo, com ares de grande novidade, o controle de preços.

Aparentemente, para a mídia, ninguém nunca pensou nisso antes…

A causa da atual carestia

A causa da atual carestia generalizada ao redor do mundo já foi repetidas vezes exposta nas páginas deste Instituto. Ao contrário do que se imagina, não se trata de um choque de oferta, mas sim de um excesso de demanda.

As coisas não estão caras porque "as fábricas estão fechadas" (não estão), ou porque "o agronegócio mundial parou" (nunca parou). As coisas estão caras porque os Bancos Centrais mundiais, em uma medida inédita e coordenada, em resposta à pandemia de Covid-19, injetaram na economia um volume sem precedentes de moeda. Em apenas um ano, a quantidade de moeda injetada na economia aumentou 50%. (Confira todos os detalhes aqui, aqui e aqui).

Com moeda em excesso, a demanda dos consumidores aumenta. É realmente simples e direto assim.

A tão famosa escassez de chips — que está encarecendo os carros novos e, consequentemente, os usados — não se deve um problema nas fábricas de chips. Semicondutores estão sendo produzidos em volumes inéditos. Taiwan acabou de bater um recorde na produção de chips (esta monografia da Bridgewater comprova que nunca se produziu tanto chip na história do mundo).

Estão faltando chips pelo simples motivo de que a demanda por eles está excessiva — demanda esta causada pelo acentuado aumento da oferta monetária global.

Não há, portanto, nenhum problema generalizado na oferta. Há, isso sim, um excesso de demanda, a qual aumentou abruptamente (de novo: a quantidade de moeda na economia mundial aumentou 50% em 2020) e a qual simplesmente está superando em muito a oferta.

Consequentemente, é natural e até desejável que os preços subam. É exatamente este aumento de preços, em reação a um aumento da demanda, que irá garantir a continuidade da oferta de bens e serviços no mercado.

Qualquer tentativa de proibir esta liberdade de preços irá garantidamente gerar escassez e desabastecimento.

Nada menos que 4 mil anos de história nos ensinam isso.

Um breve histórico

O argumento contra os controles de preços não é meramente um exercício acadêmico, algo restrito aos manuais de economia. Há realmente um histórico de quatro mil anos de catástrofes econômicas causadas pelos controles de preços.  

Este histórico está parcialmente documentado em um excelente livro intitulado Forty Centuries of Wage and Price Controls (Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários), de Robert Schuettinger e Eamon Butler, publicado originalmente em 1979.

Todas as citações a seguir foram retiradas do livro, com a preciosa ajuda do professor Thomas DiLorenzo.

O Código de Hamurabi

Na Babilônia, aproximadamente em 1772 a.C., o Código de Hamurabi, de 282 leis, estabeleceu: tabelas de preços fixos de aluguel de carroças, de armazenamento de grãos, de serviços médicos, aluguel de barcos, e outros. 

O Código de Hamurabi continha uma barafunda de regulamentações e controle de preços, do tipo: "Se um homem contratar um camponês, deverá dar a ele oito gurs (unidade de medida hamurábica) de cereais por ano";  "Se um homem contratar um boiadeiro, deverá dar a ele seis gurs de cereais por ano"; "Se um homem alugar um barco de seis toneladas, deverá pagar um sexto de um shekel de prata por dia por esse aluguel".  

E os decretos não paravam mais.

Tais imposições "sufocaram o progresso econômico no império por vários séculos", como mostram os registros históricos. Assim que estas leis foram implantadas, "houve um acentuado revés na prosperidade das pessoas".

O comércio declinou continuamente durante o reinado de Hamurabi, após comerciantes e mercadorias escassearem. O tabelamento teve por consequência um castigo não premeditado àqueles que o código pretendia apoiar.

Sofismas gregos

Durante o período clássico de Atenas, em 400 a.C., fiscais denominados "sitophylakes" impediam preços 'abusivos' dos grãos, em uma antevisão do Código de Defesa do Consumidor.

Lísias, escritor de discursos, em sua peça oratória 22, "Contra os Comerciantes de Grãos", pediu em tribunal ateniense a pena de morte para os comerciantes que acumulassem ou aumentassem preços em tempos de escassez. 

Foi criado "um exército de fiscalizadores nomeados para a função de estabelecer o preço do cereal em um nível que o governo ateniense julgasse justo". Os atenienses chegaram até mesmo a executar fiscais que não logravam êxito no tabelamento.

Esse controle de preços grego inevitavelmente levou à escassez de cereais. Por sorte, vários empreendedores corajosamente conseguiram se esquivar destas leis ignaras e, com isso, salvaram milhares da inanição. Não obstante a imposição de pena de morte para aqueles que desobedecessem às leis de controle de preços, tais leis "eram praticamente impossíveis de serem impingidas".

A escassez criada pelo controle de preços criou grandes oportunidades de lucro no mercado negro, para a grande sorte do povo grego.

Uma nova praga no Egito

À mesma época, no Egito, "havia uma verdadeira onipresença do estado" na regulação da produção e da distribuição de grãos. "Todos os preços foram congelados por decreto em todos os níveis". 

Este "controle assumiu proporções assustadoras. Havia um exército de burocratas que inspecionavam diariamente o cumprimento do decreto".

Os agricultores egípcios ficaram tão enfurecidos com esse controle de preços, que vários deles simplesmente abandonaram suas fazendas. Ao final do século, "a economia egípcia havia entrado em colapso, junto com sua estabilidade política".

Roma não caiu em um dia

Até essa altura, as altas de preço eram geralmente pontuais e derivadas dos chamados "choques de oferta", ou quebras de safras. Já no Império Romano, entrou em cena uma novidade: o fenômeno da inflação, ou alta generalizada de preços, que se tornou política pública.

Desde 269 a.C., ainda na República, o templo de Juno Moneta (origem da palavra "moeda") cunhava o "denarius" contendo 100% de prata. Mas, a partir de 64 d.C., os imperadores passaram a recunhá-lo misturando metais mais baratos. 

Faziam-se moedas menores, ou aparavam-se pequenas nervuras das beiradas das moedas de ouro, serrilhando-as, com o objetivo de cobrar impostos, quando entravam nos prédios do governo. Posteriormente, essas aparas eram derretidas para se transformar em mais moedas. 

Obviamente, assim como também fizeram os gregos, os romanos misturavam, às moedas de ouro e prata, metais menos nobres como o cobre. Adicionalmente, inventaram a não tão sutil arte da revalorização, o que significava que cunhavam as mesmas moedas novamente, porém com valor de face superior ao anteriormente gravado.

Nero reduziu o conteúdo de prata para 88% (lucro e inflação instantâneos de 15%). O "denarius" seguiu sendo continuamente depreciado por ligas metálicas até conter apenas 0,5% de prata, em 268 d.C.

Quando Diocleciano subiu ao trono em 284 d.C., a inflação (e a população romana) estava ensandecida: as moedas romanas eram apenas uma placa de estanho folheada a cobre ou a bronze.

Em 301 d.C., Diocleciano lançou seu infame Édito Máximo, que impôs pena de morte a qualquer um que vendesse mercadorias acima dos preços estipulados pelo governo. Além do controle dos preços, os salários também foram congelados. 

Diocleciano "estipulou um teto de preços para carnes, cereais, ovos, roupas e outros bens, e instituiu a pena de morte para qualquer um que vendesse seus artigos a um preço maior do que o estabelecido".

Diocleciano atribuía a culpa da inflação generalizada à ganância de comerciantes e especuladores. Além de instituir a pena de morte aos vendedores, instituiu também para aqueles que comprassem acima do preço de tabela.

Entretanto, para surpresa de Diocleciano, os preços continuaram subindo. Os comerciantes não podiam vender seus artigos com lucro; assim, fechavam as portas. As pessoas deixavam suas carreiras de escolha em busca de empregos nos quais os salários não fossem fixos ou desistiam e aceitavam a ajuda do governo, uma espécie de seguro-desemprego ou mesmo bolsa família. 

Sim, foram os romanos que inventaram esse tipo de assistência social. Roma tinha uma população de cerca de 1 milhão de pessoas nesse período, e 200 mil delas, cerca de 20%, recebiam ajuda do governo.

Os resultados foram que "as pessoas simplesmente pararam de colocar seus bens à venda no mercado, dado que elas não mais poderiam obter um preço sensato por eles. Isso aumentou tão acentuadamente a escassez, que, após a morte de várias pessoas, a lei foi finalmente revogada."

No fim, foi a adulteração da moeda e o déficit das contas públicas – despendido para financiar o exército, o funcionalismo público, os programas sociais e a guerra – que derrubaram o Império Romano.

Washington e os soldados famintos

Já em épocas mais modernas, foi por muito pouco que o exército revolucionário de George Washington não morreu de fome no campo de batalha graças ao controle de preços sobre alimentos que havia sido instituído pelo governo da Pensilvânia e por outros governos coloniais.

A Pensilvânia impôs controle de preços especificamente sobre "aquelas mercadorias imprescindíveis para o exército", criando uma desastrosa escassez de tudo que o exército mais necessitava.

Congresso Continental sabiamente adotou uma resolução anti-controle de preços no dia 4 de junho de 1778, a qual dizia: 

Considerando que já foi descoberto pela experiência que limitações impostas aos preços das mercadorias não apenas são ineficazes para o objetivo proposto, como também são igualmente geradoras de consequências extremamente maléficas, fica resolvida a recomendação aos vários estados para que revoguem ou suspendam todas as leis limitando, regulando ou restringindo o preço de qualquer artigo. 

Ato contínuo, "Já no outono de 1778, o exército já estava suficientemente bem provido como resultado direto dessa mudança de política".

Robespierre conhece a guilhotina

Os políticos franceses repetiram os mesmos erros após sua revolução, instituindo a "Lei de Maximum" em 1793, a qual impôs controle de preços sobre pão, cereais e, depois, sobre uma longa lista de vários outros itens.

Quando essas medidas se revelaram incapazes de aumentar a oferta de alimentos, o comitê enviou soldados para o interior do país com o intuito de confiscar violentamente os cereais dos perversos agricultores, que estavam "entesourando" tudo.

Previsivelmente, "em algumas cidades francesas, as pessoas estavam tão mal alimentadas, que estavam literalmente caindo pelas ruas por desnutrição".

Uma delegação representando várias províncias escreveu para o governo em Paris que, antes da lei do controle de preços, "nossos mercados estavam bem providos; porém, tão logo congelamos os preços do trigo e do centeio, estes cereais nunca mais foram vistos. Os outros tipos que não estão submetidos ao controle de preços são os únicos que podem ser encontrados à venda".

O governo francês se viu então obrigado a abolir sua maléfica lei de controle de preços após ela ter literalmente dizimado milhares de pessoas.

Quando Maximiliem Robespierre estava sendo carregado pelas ruas de Paris a caminho de sua execução, a plebe gritava "Lá vai o maldito Maximum!".

Um sermão nazista

Ao final da Segunda Guerra Mundial, os planejadores centrais americanos haviam se tornado ainda mais totalitários em termos de política econômica do que os nazistas derrotados.

Durante a ocupação americana da Alemanha, no pós-guerra, os "planejadores" americanos se mostraram muito entusiasmados com os controles econômicos impostos pelos nazistas, inclusive o controle de preços. Desnecessário dizer que eram estes controles econômicos que estavam impedindo a recuperação econômica alemã.

O notório nazista Hermann Goering chegou até mesmo a passar um sermão no correspondente de guerra americano Henry Taylor sobre o assunto. Como relatado no livro de Schuettinger e Butler, Goering disse:

Todas as coisas que a sua América está fazendo no campo econômico estão nos causando vários problemas.

Vocês estão tentando controlar os preços e os salários das pessoas — ou seja, o trabalho das pessoas.

Se você faz isso, você inevitavelmente tem de controlar a vida das pessoas. E nenhum país pode fazer isso pela metade.

Eu tentei e não deu certo.

Tampouco pode um país fazer isso integralmente, indo até as últimas consequências. Eu tentei isso também e, de novo, não deu certo.

Vocês não são melhores planejadores do que nós. Eu imaginava que seus economistas haviam lido e estudado o que ocorreu aqui.

Os controles de preços foram finalmente abolidos na Alemanha, em 1948, pelo Ministro da Economia Ludwig Erhard. A abolição ocorreu de uma só vez, em um domingo, quando as autoridades de ocupação americanas estavam ausentes de seus escritórios, incapazes de impedi-lo. Tal revogação produziu o "milagre econômico alemão".  [Veja todos os detalhes do milagre alemão neste artigo].

Modernidades

Nos EUA, controles de preços foram a causa da "crise energética" da década de 1970 e dos apagões na Califórnia na década de 1990 (os preços do setor de geração de energia foram liberados, mas continuam congelados no setor de transmissão e distribuição). 

No Brasil, em 1986, após anos de crescente inflação (monetária e de preços), o presidente Sarney baixou um decreto congelando os preços de todos os bens e serviços da economia brasileira.

Como consequência, carros usados tornaram-se mais caros que carros novos, as carnes desapareceram dos açougues (mas prontamente reapareciam tão logo o comprador ofertasse uma quantia extra por baixo do balcão) e o governo acabou tendo de literalmente prender bois no pasto para impedir suas exportações, que eram bem mais vantajosas. 

Recentemente, Argentina Venezuela nos forneceram os mais atualizados, didáticos e escabrosos exemplos. Na Argentina, durante o governo de Cristina Kirchner, houve falta de absorventes e supermercados desabastecidos foram saqueados. Na Venezuela, onde o congelamento foi total, acabou tudo, até o papel higiênico.

Para concluir

Ao longo de mais de quatro mil anos, ditadores, déspotas e políticos de todos os naipes viram nos controles de preços uma forma suprema de prometer ao público "alguma coisa em troca de nada".

E, por mais de quatro mil anos, os resultados têm sido exatamente os mesmos: escassez e desabastecimento, várias vezes com consequências catastróficas; deterioração da qualidade do produto; proliferação dos mercados negros, em que os preços são maiores do que seriam em um mercado livre e os subornos são desenfreados; destruição da capacidade produtiva daquelas indústrias cujos preços são controlados; distorções grosseiras dos mercados [no Brasil do Plano Cruzado, carro usado era mais caro do que carro novo]; criação de burocracias tirânicas e opressivas para fiscalizar o controle de preços; e uma perigosa concentração de poder político nas mãos destes burocratas controladores de preços.

Tabelar os preços sempre teve a mesma consequência: o comerciante tende a deixar de negociar o produto tabelado porque terá prejuízo; então, restringirá a oferta, buscará outros ramos de atuação (de produtos não tabelados), e o consumidor acaba com o prato vazio. 

Como bem resumiu Roberto Campos: "Como as damas balzaquianas, de vida airada, o tabelamento de preços rejuvenesce à medida que se esquecem as experiências passadas. É a teoria dos que não têm teoria.


autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Felipe  30/12/2021 16:31
    Interessante é que, no meio desse caos, a Bolívia tem ficado com índice de preços bastante comportado.

    Em novembro, a inflação de preços (anual) foi só de 0,96 %. Está entre as menores do mundo.

    É claro que o índice de preços não será totalmente preciso (ainda mais sendo um governo abertamente de esquerda), mas olhando o M1 do país, ele cresceu em ritmo menor do que na Alemanha, bem próximo ao ritmo suíço. O M1 boliviano, de janeiro de 2020 a setembro de 2021, cresceu 13,92 %. Na Alemanha, 21,02 %; 13,27 % para Suíça; 115,8 % para Argentina e 50,11 % para Brasil. Isso, embora as reservas internacionais bolivianas continuem em baixa recorde.

    Como o boliviano usa o dólar como âncora, o fortalecimento do dólar também ajuda em conter pressões inflacionárias no país.

    Curioso ver que os planejadores americanos na Alemanha no pós-Guerra conseguiram ser piores no controle de preços do que os próprios nazistas. Coisa de profissional.
  • Leandro  30/12/2021 16:56
    A Bolívia pratica câmbio atrelado (o mesmíssimo arranjo que o Brasil usou de 1995 ao fim de 1998). Enquanto houver reservas, e enquanto o M1 crescer menos que as reservas, o arranjo dura.

    É bastante interessante que um governo tido como "de esquerda" tenha adotado (desde 2009) um arranjo idêntico ao implantado aqui por Gustavo Franco.
  • Felipe  30/12/2021 22:21
    Durante o governo Morales, houve até uma relativa austeridade fiscal (foi depois de 2014 que a encrenca veio). O endividamento seguiu
    quase o mesmo caminho.
    De 2020 em diante, houve uma leve queda nos gastos governamentais. Por lá deve ter ocorrido o mesmo problema que no Equador: depois de 2014, o preço do gás natural despencou, e com isso vieram junto a queda nas reservas e nas coletas de impostos do governo. Se houvesse alguma super-tecnologia de transporte de gás natural, Arce poderia se dar bem em vender gás natural para a Europa.
  • Fraude Eleitoral  30/12/2021 17:02
    Sei não, hein. Acho que esse índice é fraudado. Estão faltando produtos nas prateleiras da Bolívia.
  • Felipe  30/12/2021 18:01
    Está mesmo faltando? Porque eu nunca soube de nada.
  • Felipe  09/01/2022 15:08
    Falando em Bolívia, o índice de preços em dezembro continua baixo: 0,9 % no acumulado dos últimos doze meses. O menor índice do continente americano. No Equador o índice ficou em 1,94 %.
  • Felipe  30/12/2021 16:36
    Reagan começou o seu mandato acabando com os controles de preços do gás e do petróleo. Além disso, quais foram as suas demais desregulações? Das reduções de impostos eu já sei, houve o ERTA, o TEFRA e o TRA de 1986.

    Vi alguns materiais na Internet, com gente falando que a desregulação no setor bancário foi ruim e causou o Savings and Loan Crisis de 1989, além de que as desregulações nas tarifas aéreas deram mais poder para grandes empresas aéreas (mas pelo que me lembre, essa desregulação nas tarifas veio no governo Carter) e prejudicou as pequenas (queria saber como que isso aconteceu).
  • Leandro  30/12/2021 17:22
    "Reagan começou o seu mandato acabando com os controles de preços do gás e do petróleo. Além disso, quais foram as suas demais desregulações? Das reduções de impostos eu já sei, houve o ERTA, o TEFRA e o TRA de 1986."

    Quase todas começaram no final do governo Carter. Reagan teve o bom senso de dar continuidade e de intensificá-las.

    Seu grande saque foi a conjunção de moeda forte, preços livres, redução de impostos sobre ganhos de capital (o que estimulou todos a virarem empreendedores, criarem valor e, posteriormente, venderem suas empresas, pagando menos imposto sobre esse ganho de capital) e maior liberdade empreendedorial (o que, em conjunto com menos impostos sobre ganhos de capital, criou um boom notável de empreendedorismo na economia americana).

    Após ele, Bush pai veio e aumentou impostos sobre ganhos de capital e aumentou a maior a alíquota do imposto de renda.

    Em seguida, veio o Clinton e voltou a reduzir o imposto sobre ganhos de capital (reduziu para uma alíquota ainda menor que a de Reagan) e entregou uma moeda ainda mais forte, e com zero controle de preços.

    "Vi alguns materiais na Internet, com gente falando que a desregulação no setor bancário foi ruim e causou o Savings and Loan Crisis de 1989,"

    As S&L (conhecidas como Caixas de Poupança e Empréstimo) eram amplamente reguladas pelo governo, que, até o fim da década de 1970, determinava uma taxa máxima de juros que elas podiam pagar para seus correntistas. Na prática, o governo as proibia de pagar juros altos sobre os depósitos dos poupadores. E os juros pagos eram menores que a inflação de preços.

    E aí surgiu a indústria de mutual funds (nada mais do que fundos de investimento com liquidez diária), cujos juros pagos eram liberados. E então começou a debandada. Quem tinha grana pesada começou a sair das S&L e ir para os mutual funds.

    As S&L foram ficando descapitalizadas.

    Ato contínuo, o governo, corretamente, acabou com esse controle de juros sobre as S&L. Agora elas, para manter seus clientes, poderiam pagar os juros que quisessem.

    Só que, para concorrer com os mutual funds, as S&L (que eram voltadas para empréstimos imobiliários) tiveram de sair fazendo empréstimos arriscados, pois só assim conseguiriam auferir juros altos para pagar juros atraentes para seus depositantes.

    Com o estouro da bolha imobiliária nos EUA e no Japão ao fim da década de 1980, esses empréstimos foram caloteados, e as S&L foram liquidadas.

    "além de que as desregulações nas tarifas aéreas deram mais poder para grandes empresas aéreas (mas pelo que me lembre, essa desregulação nas tarifas veio no governo Carter) e prejudicou as pequenas (queria saber como que isso aconteceu)."

    Isso é totalmente o contrário do que houve.

    Com o fim da Civil Aeronautics Board, e com a liberação dos preços das passagens, a grandes empresas aéreas, que monopolizavam o mercado (exatamente porque o governo proibia a entrada de concorrentes e proibia preços baixos), quebraram. PanAm e TWA, duas gigantes, sucumbiram. E várias pequenas empresas, como a Sothwest, sugiram e cresceram.

    A desregulamentação aniquilou as grandes e ineficientes, e permitiu o surgimento de pequenas a preços baixos. Antes, voar era coisa restrita a magnata. Hoje, é para o povão (nos EUA e na Europa).
  • Felipe  31/12/2021 16:13
    "Seu grande saque foi a conjunção de moeda forte, preços livres, redução de impostos sobre ganhos de capital (o que estimulou todos a virarem empreendedores, criarem valor e, posteriormente, venderem suas empresas, pagando menos imposto sobre esse ganho de capital) e maior liberdade empreendedorial (o que, em conjunto com menos impostos sobre ganhos de capital, criou um boom notável de empreendedorismo na economia americana)."

    O interessante é o seguinte: depois do Acordo de Plaza, o DXY despencou com força sem igual, quase que ao mesmo tempo em que Donald Regan sairia do Departamento do Tesouro (Regan não via problema com déficits na balança comercial e dizia que o dólar forte era um voto de confiança nos Estados Unidos). O ouro acompanhou quase que perfeitamente. Todavia, apesar de o DXY nunca mais ter chegado aos incríveis níveis de 160 pontos, o ouro chegou a mínima histórica em setembro de 1999 e no começo de 2001. E aí depois foi só desvalorização, como já vimos com o Bush e as aventuras militares, além de sua defesa de dólar fraco. O relativo sucesso do governo Reagan acabou garantindo eleição para o George H. W. Bush. O filho acabaria ganhando em 2000 após o governo Clinton.

    Essa guerra cambial é uma faca de dois gumes: se o dólar afundando beneficiaria alguns grupos, isso prejudicaria outros grupos corporativistas, como ocorreu com o Japão. Legado do câmbio flutuante. Alguém aqui acha que estaríamos melhor se cada município brasileiro tivesse sua própria moeda de papel sendo emitida, sem lastro?
  • Leandro  31/12/2021 19:01
    O DXY "despencou com força" após ter chegado ao insano valor de 160, e encerrou o governo Reagan em 95 (mesmíssimo valor de hoje). E vale ressaltar: o dólar estava concorrendo com o marco alemão, o franco suíço e o iene, as três moedas mais fortes do mundo. Você chegar a 160 contra estas três moedas é uma façanha, e mostra realmente quão brutalmente forte estava o dólar.

    Durante o governo Clinton o ouro barateou em dólar porque o dólar se valorizou continuamente (de 80 para 116) e também porque os juros longos se mantiveram relativamente altos (como tem de ser com qualquer economia saudável), com os títulos de 30 anos se mantendo entre 6% e 8%.
  • Felipe  31/12/2021 20:36
    Ok, mas essa desvalorização do dólar foi ruim para os EUA, embora não como foi no governo Bush filho.

    O que aconteceria se hoje os juros longos subissem, com o Fed deixando de intervir, deixando eles flutuantes?
  • Estudante  04/01/2022 05:31
    Leandro, porque teve recessão nos EUA no anos 90?
  • Leandro  04/01/2022 14:56
    1) Houve várias intervenções no sistema bancário, que começaram em 1988 e foram implantadas pelo Congresso americano. Isso afetou a concessão de crédito e reduziu a expansão monetária.

    2) Em simultâneo, o Fed também elevou a taxa básica de juros continuamente. Estava em 6% no início de 1987 e foi para 9,75% em meados de 1989.

    3) Houve a Guerra do Golfo, que fez explodir rapidamente o preço do petróleo. Em dois meses, o Brent foi de US$ 16 para US$ 40.

    4) Para completar, houve um grande aumento de impostos do governo Bush, tanto do Imposto de Renda quanto do imposto sobre ganhos de capital (aumentar imposto sobre ganhos de capital significa punir pessoas que se arriscam criando empresas com o intuito de gerar valor para posteriormente vendê-las; reduzir impostos sobre ganhos de capital foi o segredo dos governos Reagan e Clinton, e seu aumento foi o desastre do governo Bush I.)
  • Régis  30/12/2021 16:52
    Vale recordar que desde o fim 2019, quando o preço da carne subiu forte por causa da liberação de importações pelo governo chinês, a mídia brasileira passou a defender congelamento da carne.

    É só você ver o tom das chamadas da época. Uma simples googlada traz as seguintes manchetes:

    "Apesar da forte alta, Bolsonaro diz que não vai tabelar o preço da carne" (Estadão)

    "Bolsonaro diz que, mesmo com alta, não vai tabelar ou congelar o preço da carne (Globo)

    "Mesmo com alta, Bolsonaro defende "mercado aberto" e diz que não vai tabelar preço da carne" (Revista Fórum)

    "Apesar da alta recorde, Bolsonaro descarta tabelar o preço da carne" (Jovem Pan News)

    "Bolsonaro não vai fazer nada para impedir alta da carne bovina" (Conversa Afiada)

    "Bolsonaro descarta ação do governo para conter alta da carne bovina" (Correio do Povo)
  • Alexandre  30/12/2021 17:23
    Que se reconheça, a governança do Brasil melhorou. Em outros tempos teria havido intervenção, ao modo portenho, diga-se.

    Tivemos inflação do arroz (do qual ninguém fala mais) e de outros alimentos, e o governo se negou a se lançar sobre o varejo para controlar preços...

    Por outro lado, fez o certo, zerou o imposto sobre grãos, algo que jamais foi feito em outros governos.

    Isso tudo apesar do clamor midiático por mais controle...
  • Felipe  01/01/2022 02:12
    Para refrescar a memória:

    "Governo barra exportação de arroz"

    O que aconteceu na prática? Governo Lula desistiu da medida?
  • Trader  01/01/2022 15:18
    Nada. A medida, felizmente, nunca foi implantada.

    veja.abril.com.br/brasil/governo-vendera-arroz-e-exportacao-segue-normal/amp/

    Ademais, 4 meses depois estourou a crise financeira mundial, a qual aniquilou os preços das commodities. Com oferta sobrando e os preços lá embaixo, a ideia morreu.
  • Felipe  01/01/2022 21:17
    O Lula pelo jeito sabia mais de Economia do que os seus colegas da Argentina e da Venezuela.
  • Ulysses  02/01/2022 00:17
    De bobo ele não tem absolutamente nada. Não é à toa que conseguiu a façanha de desviar centenas de bilhões de reais das estatais, repassar todo o butim aos seus companheiros, e ainda assim segue adorado por milhões de jumentos.

    Quem consegue fazer isso é sim espertíssimo.
  • Fraude Eleitoral  02/01/2022 14:22
    Não sabia. Ele só não partir pro modo Chavéz porque seria impchado rapidinho.
  • Ronald ''Ronnie'' Mccrea  03/01/2022 00:01
    ''Por outro lado, fez o certo, zerou o imposto sobre grãos, algo que jamais foi feito em outros governos.''

    E por outro lado, governadores birrentos e medonhos subiram os impostos simplesmente por birra política mesmo.

    ''Isso tudo apesar do clamor midiático por mais controle... ''

    Só querem de volta a grana estatal! Por isso que ''clamam'' por controle.
  • weberth mustapha  30/12/2021 18:37
    Para mim, o mais incrivel foi que na época que o preço da carne subiu, muitos pediam que o BONORO congelasse o preço da carne !!!
    Dentre esses muitos, estava grande parte da mídia. O que deixa claro o poder de fazer cagadas monumentais que eles tem, destacando a GLOBO.
    Ainda bem que o BONORO não entrou nessa furada. Mas muita gente, acuada por achar caro demais o preço, até gostaria que tal medida fosse aplicada.
    Imagino o desastre que teria sido aplicar isso.
  • Citadini  30/12/2021 20:08
    Esse negócio de controle de preços, me lembra a época de hiperinflação, época que eu tenho lembranças bem marcantes.
    As vezes a minha mãe substituía o café com leite por chá de mate leão, que era mais barato e rendia mais. Quando sobrava um dinheiro, a gente tinha mais chance de tomar café com leite.

    Refrigerante? Só as tubaínas, e bem de vez em quando, com o dono do bar emprestando o casco.

    Quando ela recebia o salário, a gente ficava um tempão na fila do banco, e com o dinheiro na mão, já ia correr para o mercado para fazer a "despesa" do mês, senão você só comprava o básico, e ficaria sem dinheiro para comprar a "mistura", que podia ser salsicha, ovos, coxa de frango.

    Nugets, e outros congelados só no sonho.

    Na época do Plano Cruzado, lembro do discurso do Sarney na televisão, e da festança que o povo fazia. Nego ia no mercado e na padaria, com aquelas tabelas da Sunab que muitos pegavam no jornal, principalmente do jornal "Notícias Populares", que toda a semana tinha uma chamada na capa com tabela da Sunab, com novas atualizações de produtos.

    É nessa época o surgimento dos famosos "Fiscais do Sarney".

    Gerente de mercado, ou até mesmo o dono de mercado, padaria ou açougue era tratado como se fosse bandido. Tinha gente que achava que tinha poder de polícia só por que o Sarney falou que as pessoas eram os próprios fiscais do plano.

    Loucura.

    Lembro até hoje, quando começou a faltar os produtos e as prateleira ficarem vazias, a Globo fez algumas propagandas do tal "Tem que dar Certo", que tinha a Lucélia Santos e até os trapalhões, falando que a falta das coisas era culpa do comércio, e que o plano "Tinha que dar certo", como se fosse na base da boa vontade.

    Aí veio a dureza para fazer despesa: Não precisava correr para o mercado, mas tinha que levar os filhos juntos para garantir a cota do que podia comprar. Quem não se lembra das famosas filas do leite?

    Lembro que o PMDB ganhou disparado aqui em São Paulo naquela época. O Quércia virou governador, e que anos depois acabaria com o Banespa.

    Aí depois da eleição os preços dispararam. Tinha voltado o costume de correr para o mercado pra fazer a despesa do mês. Pior era pra aqueles que tinham tripudiado dono de padaria e mercado, tiveram que voltar com o rabo entre as pernas.
    Dose é que o pessoal mais novo (abaixo dos 40 anos) não viveu aquela época, e acha que é só congelar os preços que resolve.

    Controle de preços não funciona desde a Roma Antiga. Ingenuidade achar que "agora é diferente".
  • eugenio  30/12/2021 20:15
    Muito bom o seu relato. Faça mais!

    Quem viveu sob o socialismo sabe que se trata de um verdadeiro inferno na Terra. Quem não sofreu com ele acha que se trata da maior maravilha do mundo.
  • Citadini  30/12/2021 20:33
    Cara, antes do Plano Cruzado, no final do Regime Militar, a gente tinha uma inflação braba aqui, mas era contornável.
    Quero dizer, o pobre da minha redondeza ainda conseguia sobreviver, mesmo que pra isto tivesse que gastar logo o dinheiro que recebia com comida e pagar as contas.

    Ou que precisasse de vez em quando pedir emprestado para o vizinho uma xícara de açúcar ou uma xícara de farinha de trigo pra fazer bolinho de chuva.

    Era uma situação confortável? Claro que não. Mas o brasileiro pobre e classe média tinha um padrão de consumo, mesmo que seja com produtos mais baratos, por exemplo, beber Leite C, aquele de saquinho que nem era pasteurizado, e que tinha que ferver pra tomar com café.

    Lembro até hoje, de quando eu tinha 11 anos, a vizinha pediu a mim e um outro colega meu pra ajuda-la a carregar uns tijolos baianos pra dentro do quintal dela.

    Eu e o meu amigo levamos cerca de 20 tijolos cada um, da calçada para o quintal, e no fim ganhamos 2 moedas de 50 cruzeiros, que logo gastamos no bar ao lado com uma tubaína bem gelada.

    Mas depois do Plano Cruzado, a inflação descambou.

    Poha, o dinheiro perdia 3 zeros a cada 3 anos, como se fosse país africano saído da guerra.

    Eu tive sorte que naquela época não tinha estas merdas de ECA e eu pude trabalhar, senão estaríamos lascados.

    Quando eu trabalhava eu finalmente pude comer lanche fora e beber refrigerante, mas só lá para os anos de 1994, com o Plano Real, é que pudemos colocar coisas mais gostosas pra casa, e mais carne.

    Melhor argumento pessoal que eu tenho em favor de moeda forte.

    Socialismo não foi só na época do Sarney. Collor também foi outro que roubou a riqueza das pessoas com o confisco forçado.

    E o que deixa indignado é que estes merdas ainda estavam na política, mesmo com o Socialismo e o roubo descarado que fizeram, quando na verdade mereciam ter sido jogados ao mar por helicópteros.
  • anônimo  30/12/2021 22:06
    Pior que tem gente na minha família que viveu aquela época e afirma que o congelamento de preços foi a melhor coisa que o Sarney fez - ou que teria sido a única medida dele "que prestou". Afirma que foi nessa época que pôde comprar coisas a um "preço justo". Diz que o congelamento só fracassou "porque os fabricantes mudavam o nome/marca dos produtos para burlar o tabelamento e poder cobrar mais caro".

    É ilusão acreditar que as pessoas vão "aprender" algo quando o socialismo fracassa. Sempre vai ter uma desculpa ou algo ou alguém para colocar a culpa.
  • Citadini  30/12/2021 22:13
    A sua família não deve ter sido a única a ficar deslumbrada e achar que o Sarnento foi o melhor presidente de todos.
    Afinal, o Sarnento tava congelando os preços, dando aumento, e dizendo pro povão brigar com padeiro, açougueiro, dono de mercado, por causa da lista da SUNAB.

    Época maravilhosa pra encher o carrinho.

    E pra piorar, a televisão e os jornais populares davam a idéia para o povão de que comerciante era o desonesto, e que era culpa dele que estava faltando comida, ou que estava roubando o povo porque tal coisa não estava na lista da SUNAB.

    Um exemplo: Lembro até hoje de um quadro nos trapalhões, no qual o Didi vai no mercado, e começa a brigar com o gerente, que era o dublador do Wolverine, falando que ele tava cobrando caro, agitando o pessoal, ia chamar a polícia, e o gerente do mercado pedindo pro Didi ficar calmo e não chamar a polícia.

    Povão foi feito de pato no final.

    Hoje graças a Deus temos a internet, e os vídeos daquela época socialista. Povão pode não aprender, mas pelo menos tem um aviso.
  • Antônio Carlos  30/12/2021 23:05
    Cortaram três zeros da moeda duas vezes! Uma em fevereiro de 1986 (do cruzeiro para o cruzado) e outra em janeiro de 1989 (do cruzado para o cruzado novo).

    A coisa era tão ridícula que no segundo corte de zeros (do cruzado para o cruzado novo), o governo continuou emitindo as mesmas moedas do cruzado, mas meteu um carimbo nas cédulas dizendo que eram aqueles valores (o do carimbo) que importavam, o não o valor de face da cédula.

    Aqui tem um foto:

    produto.mercadolivre.com.br/MLB-909971910-50-cedulas-de-1-cruzado-novo-com-carimbo-fe-sequncia-_JM
  • Arthur G.  30/12/2021 23:15
    O plano cruzado foi um exemplo para história, pena que isso não é mostrado na escola, também com o conhecimento de economia que tem os nossos professoras, a maioria são todos marxista e admiradores do PT.

    Neste tempo de plano cruzado os pais, principalmente as mães tinham que acordar bem cedo para comprar carne no supermercado do bairro; formava-se filas enormes. A minha mãe comprava lata de óleo; o supermercado vendia as latas grandes; eles deixavam poucas latas para a venda.

    Sumiu tudo leite; carne; ovos; cerveja. O governo para piorar criou um tal de gatilho para os salários isso aumentou mais ainda os salários colocando mais pressão inflacionária, era um Deus nos acuda.

    Isso deve ser ensinado nas escolas, o perigo do controle de preço, o perigo dos reajustes de salários sem produção.
  • Ismael  30/12/2021 23:33
    Houve um momento que não tinha leite, as mães quase saiam no tapa por uma lata de leite em pó. Minha mãe comprava leite condensado, e aumentava com água.
  • Andre de Lima  01/01/2022 08:52
    Cara eu lembro até hoje de algo que ficou encravado na minha memória nessa época. Estávamos no supermercado e minha mãe fazendo as compras no sentido contrário ao do etiquetador marcando os preços dos produtos, ela queria pegar os preços antes de serem alterados, e pagaria no cheque! Meu pai estava no serviço.
    Eu com meus 7 anos e meu irmão com 5, de galinhagem no supermercado, fazendo besteiras de crianças. Ela vai ao caixa, paga e fala para não mexermos no carrinho (com muitas compras, afinal, era compra do MÊS INTEIRO). Eu e meu irmão, desobedecemos, fomos brincar com o carrinho e ficamos empurrando e fazendo curvas, como se fosse um carro de brinquedo. Uma hora, não conseguimos segurar seu peso ele tombou.
    Ovos, leite (de saquinho), frutas (a melancia estourou) shampoos... tudo que podia quebrar e/ou estourar aconteceu.
    Jamais esqueci o olhar dela naquele dia. Ela voltou pra casa chorando, entregou o cheque chorando para o caixa e não disse uma palavra no carro, apenas ordenou que eu e meu irmão não abrissemos a boca, porque ela não queria nos corrigir com ira.
    Chegando em casa, sentamos, ela esperou meu pai chegar, fez o chá (nunca fomos adeptos ao café, sempre tomamos chá em casa) e falou pra ele o que aconteceu. Meu pai deu um de seus memoráveis esporros e fomos devidamente disciplinados com vara, sim vara mesmo.
    Hoje, com meus 36 anos, 2 filhos, e as contas vindo todos os meses para pagar... espero nunca passar por um período como aquela década perdida. Fico imaginando qual seria minha reação se meus filhos fizessem algo semelhante. O dinheiro é suado! Você rala pra conseguir e luta para colocar o melhor para dentro de sua casa.
    Que esse ano que inicia hoje (escrevo em 1/1/2022) seja positivo, com Deus dando forças ao presidente para continuar a suportar tanta porrada que vem levando desde antes de assumir aquela cadeira (a mídica é implacável e totalmente parcial, não há como negar isso)... Devemos reconhecer que apesar de estar muito aquém de um modelo liberal economicamente (como gostaríamos que fosse) está muito melhor do que seria com o poste do Lula ou com o Cangaceiro Gomes.
    Comunismo e socialismo, jamais, lutemos com unhas e dentes para jamais permitir que esse câncer tome nosso país novamente!
  • Pedro  01/01/2022 15:21
    Cara, que sensacional o seu relato. Isso é semore algo que passa despercebido: relações familiares tensionadas por causa de uma intervenção estatal.
  • Ronald ''Ronnie'' Mccrea  02/01/2022 23:59
    ''Lembro que o PMDB ganhou disparado aqui em São Paulo naquela época. O Quércia virou governador, e que anos depois acabaria com o Banespa.''

    Esses Politicos! Bestas feras que sempre acabam com tudo que há de bom e todos que se aproveitam e fornecem tudo que há de bom! E depois que morrem, viram santos, nomes de rua e por aí vai! Que maravilha!

    Políticos como Collor chamou o Miura, carro genuinamente brasileiro de carroça!
    Políticos como Ciro Gomes destruiram a Gurgel, fabricante de carros genuinamente do Brasil!

    Por essa raça que o país não vai pra frente!
  • Ex-microempresario  03/01/2022 22:24
    Menos, Ronnie.

    O Miúra era um chassi de fusca com uma casca de fibra de vidro por cima. Os Gurgel também, menos o famoso BR800 que era um Frankenstein de peças (caixa de câmbio e diferencial eram do Chevette).

    O BR800 só seria viável com fortes subsídios e benefícios tributários. Quando apareceu o Uno Mille, ficou evidente que não havia como competir.

  • anônimo  04/01/2022 10:52
    Caros.

    Em outro artigo aqui do Instituto Mises (procurei mas não o encontrei), foi comentado que a FIAT já sabia dos incentivos fiscais para a fabricação de carros com até 1000 cilindradas, tanto que o Mille foi o primeiro carro fabricado com esse motor e durou mais de um ano até que a GM lançou o Chevette Jr.

  • Leitor Antigo  04/01/2022 15:08
    No dia 27 de junho de 1990, o governo publicou o decreto 99.349, que reduziu o IPI dos veículos até 1.000 cm³ para 20%.

    Até então, automóveis pagavam de 37% a 42% de IPI, à exceção dos "veículos automotores movidos por motor de dois cilindros no máximo e de cilindrada inferior a 800 cm³, sendo o veículo de comprimento inferior a 320 cm e peso em ordem de marcha inferior a 650 kg", que pagavam 5%, categoria em que apenas o Gurgel BR800 se encaixava, pois havia sido feita sob medida para ele. Na prática, era uma forma de incentivar a Gurgel e seu projeto nacional.

    Pelo citado decreto 99.349, a alíquota do carro com motor de até 1.000 cm³ era reduzida de 37% para 20%, o que acabou prejudicando o BR800: O art 3º dizia "Revogam-se as disposições em contrário".

    Isto significava que a "categoria BR800" de IPI estava extinta. Ou seja, o carro passaria a pagar 20% de IPI, como todo carro até 1.000 cm³.

    Só havia um problema: à exceção do Gurgel BR800, não havia nenhum carro nacional com motor de menos de 1.000 cm³.

    Menos de dois meses depois, a Fiat lançou o Uno Mille, em agosto de 1990. Não há nenhuma prova de que isto tenha acontecido, mas pode-se suspeitar fortemente que o "decreto do carro 1000" tenha sido encomendado pela Fiat a Collor, pois dois meses é um tempo muito curto para se desenvolver uma alteração num carro e colocá-lo no mercado. Mas também é possível que o Mille já estivesse sendo gestado e que por isso a Fiat sugeriu ao governo que desse o incentivo para carros abaixo de 1.000 cm³, uma vez que seus concorrentes levaram mais de um ano e meio para começarem a aparecer. O Chevette Junior, primeiro dos concorrentes a chegar, só seria lançado em março de 1992.

    autoentusiastas.com.br/2012/04/10-uma-aberracao-tributaria/
  • Justiceiro Social  30/12/2021 20:11
    A economia é importante? É. Mas tem certas coisas que eu não aceito. Tem certas coisas que não são justas.

    Por exemplo, imagine que ocorra um desastre natural em uma cidade — um furacão — e centenas de famílias fiquem desabrigadas. A demanda por habitação aumenta. É justo que os preços das habitações nesta cidade aumente 100% porque a demanda por habitação aumentou devido ao desastre natural? Por essas e por outras que devemos pensar se a lei da oferta e demanda.
  • Alexandre  30/12/2021 20:17
    Com o controle de preços, simplesmente não haverá incentivos para construir novas moradias (aumentar a oferta de habitação).

    E mais: ninguém irá transportar mantimentos de outras cidades para esta cidade atingida.

    A escolha é: moradias, alimentos e mantimentos com preços mais altos, ou nenhuma moradia, nenhum alimento e nenhum mantimento.

    Os preços mais altos incentivam a construção de novas moradias e a venda de alimentos e mantimentos trazidos de outras cidades.
  • William  30/12/2021 20:18
    Se isso que você defende fosse implantado, seriam exatamente os pobres (ou seja, os mais necessitados), que ficariam absolutamente sem nada.

    Explicação desenhada aqui:

    www.mises.org.br/article/2898/em-um-cenario-de-escassez-abrupta-o-preco-abusivo-e-a-unica-solucao-realmente-humanista
  • Ex-microempresario  30/12/2021 20:18
    O artigo do "Guardian" afirma que o controle de preços funcionou durante e depois da 2ª guerra, e portanto pode funcionar agora.

    O controle de preços funcionou tão bem que o racionamento de comida na Inglaterra só acabou nove anos depois do fim da guerra. (e não custa lembrar que a Inglaterra ganhou a guerra)
  • Leitor Antigo  30/12/2021 20:24
    Mises comentou sobre isso em uma palestra em 1950. Trecho:

    A Grã-Bretanha e todos os outros países que durante a Primeira Guerra Mundial adotaram medidas de controle de preços tiveram de vivenciar o mesmo fracasso [da Alemanha]. Esses países também tiveram de aprofundar cada vez mais suas medidas intervencionistas na esperança de fazer os decretos iniciais funcionarem. 

    Porém eles ainda estavam em um estágio rudimentar desse processo quando a vitória na guerra e a oposição do público removeram todos os esquemas de controle de preços.
    Mas tudo foi diferente na Segunda Guerra Mundial. 

    A Grã-Bretanha novamente recorreu ao controle de preços para algumas mercadorias vitais e teve novamente de repetir todo o repertório, implantando seguidamente diversas medidas intervencionistas até o ponto em que acabou por substituir toda a sua liberdade econômica pelo planejamento total da economia. 

    Quando a guerra chegou ao fim, a Grã-Bretanha era uma nação socialista.

    É válido relembrar que o socialismo britânico não foi implantado pelo governo trabalhista do Sr. Clement Attlee [que sucedeu a Churchill], mas sim pelo gabinete de guerra do Sr. Winston Churchill. 

    O que o Partido Trabalhista inglês fez não foi estabelecer o socialismo em um país livre, mas apenas manter o socialismo que havia se desenvolvido durante a guerra e o período do pós-guerra. 

    Esse fato tem sido obscurecido pela grande comoção feita acerca da nacionalização do Bank of England, das minas de carvão e de outros setores empresariais. Entretanto, a Grã-Bretanha é hoje um país socialista não porque algumas empresas foram formalmente expropriadas e nacionalizadas, mas porque todas as atividades econômicas de todos os cidadãos estão sujeitas ao total controle do governo e de suas agências. 

    As autoridades dirigem a alocação de capital e de mão-de-obra aos vários ramos industriais. Elas determinam o que deve ser produzido. Supremacia em todas as atividades empresariais é exclusivamente garantida ao governo. As pessoas são reduzidas ao status de soldados rasos, incondicionalmente limitadas a seguir ordens. 

    À classe empresarial, os antigos empreendedores, restaram funções meramente subservientes. Tudo o que lhes é permitido fazer é pôr em prática, dentro de uma área rigidamente limitada, as decisões dos departamentos do governo.

    O que dever ser definidamente compreendido é que controles de preços direcionados a apenas algumas mercadorias fracassam em atingir os fins desejados. O que ocorre é o exato oposto. Eles produzem efeitos que, do ponto de vista do governo, são ainda piores que o estado anterior em que as coisas se encontravam quando o governo decidiu alterá-las. 

    Se o governo, a fim de eliminar essas inevitáveis porém indesejáveis consequências, seguir aprofundando suas medidas intervencionistas, ele irá finalmente transformar o sistema capitalista e de livre iniciativa em um socialismo de padrão Hindenburg.
  • Régis  30/12/2021 20:31
    Detalhe: após os controles de preços, o Reino Unido entrou em uma ininterrupta espiral de regresso. A cada década, a nação ficava mais próxima do Terceiro Mundo. Ela ficou muito atrás da França e chegou a ser amaçada pela Espanha e pela Itália.
    Dizia-se que a Inglaterra seria o primeiro país desenvolvido a se tornar um país em desenvolvimento.
    Em 1976, a Grã-Bretanha foi obrigada a ir com o pires na mão ao FMI implorar por ajuda financeira e, com isso, ceder sua soberania fiscal àquela instituição. Já no final da segunda metade da década de 1970, a Grã-Bretanha estava uma completa bagunça. Não foram poucas as previsões da imprensa de que a derrocada do país era definitiva.

    E então entrou a Thatcher na década de 1980 e reverteu a tendência.

    Mas tudo começou com o controle de preços do pós-guerra. Não é à toa que a mídia de esquerda, que anseia pela destruição do Reino Unido, defende que isso seja feito de novo. Tem método.
  • Felipe  30/12/2021 21:36
    Thatcher cometeu erros, mas fez muita coisa boa. Ela enfrentou os sindicatos com uma inteligência sem igual, algo que o Bolsonaro deveria muito aprender. Reagan foi outro que minou o poder dos sindicatos.
  • Yuri  30/12/2021 21:49
    "Mas tudo começou com o controle de preços do pós-guerra. Não é à toa que a mídia de esquerda, que anseia pela destruição do Reino Unido, defende que isso seja feito de novo. Tem método."

    Isso me lembra uma cena do hilário seriado britânico "Yes, Prime Minister". O primeiro-ministro explica exatamente qual tipo de leitor cada jornal tem.

    Segundo ele, a imprensa britânica é majoritariamente composta por pessoas que ou acham que elas é que deveriam mandar no país ou acham que o país deveria ser mandado por outro país.

  • anônimo  30/12/2021 20:55
    e o dollyinho vai a 5.57 reecas.
  • Copy  30/12/2021 22:33
    Se há algo que História sempre nos ensinou é que a maioria das pessoas não aprende com a História.

    Aqueles antigos desenhos animados que mostram pessoas de séculos ou milênios anteriores pensando e agindo como nós hoje não são tão fantasiosos quanto parecem.
  • Implicante  30/12/2021 22:35
    Suponhamos um Estado totalitário. O governo estabelece pena de morte para quem aumentar os preços. As consequências lógicas seriam a escassez. Entretanto, para contornar esse problema, o governo resolve então aplicar a pena de morte para quem diminuir a produção. Qual seria a consequência lógica dessa medida?
  • Ulysses  30/12/2021 22:51
    Essa é fácil.

    Trabalho escravo. Comunismo pleno (você não é nem proprietário do seu próprio corpo, pois você tem de seguir decretos de políticos). Produção apenas para cumprir ordens, e não para satisfazer demandas.

    E todas as consequências desse arranjo: desperdícios, destruição de capital, queda no padrão de vida, fome, miséria e, é claro, milhões de mortos.
  • Bob Fields  30/12/2021 22:50
    O citado "Verbetes de um Dicionário", do Roberto Campos, é hilário.

    CONGELAMENTO DE PREÇOS

    Conjunto de medidas destinadas a transmitir ao mercado os sinais errados — aumentar a procura e diminuir a oferta — com o propósito patriótico de desorientar os especuladores.

    Na forma mais branda, o burocrata se arroga das funções do mercado e os preços são "cipados". Na versão mais radical, os preços são "congelados", o que significa o triunfo definitivo do burocrata sobre o mercado, coisa plenamente justificável à luz da melhor informação, maior sensibilidade social e superior velocidade de reação, características das entidades governamentais.

    Isso faz emergir uma nova classe sociológica, dotada do poder de vida e morte sobre as empresas — a dos "tabuladores" — que se sobrepõe à tetralogia medieval dos "oradores", "bellatores", "mercatores" e "fabricatores".



    COMBATE À INFLAÇÃO

    Expressão que denota o engajamento do Governo na "guerra à carestia". Mais precisamente, é o combate à alta de preços provocada por acidentes climáticos, ou pelos atravessadores e especuladores, não devendo ser confundido com o combate à inflação propriamente dita, resultante da expansão monetária.

    A expressão abrange várias modalidades de ação.

    Na chamada variante "corpo-a-corpo", o Ministro da Fazenda e altas autoridades inspecionam pessoalmente e diariamente os preços da cebola e do chuchu.

    Na variante "estatística", o índice de preços é encurtado ou alongado durante o mês, introduzindo-se, quando oportuno, um "fator de acidentalidade".

    Na variante "estrutural", os preços do petróleo e tarifas de utilidades públicas são acelerados ou repassados em função do preço do feijão.
  • Jussara  30/12/2021 23:22
    Eu já era adulta no episódio "Confisco do boi no pasto". Foi hilariante! Serviu, com garbo, para mostrar como os silvícolas sabem fazer seu trabalho, e como os funcionários públicos, ao tentarem o mesmo, cumpriram um episódio ridículo. Lembro de meu pai relatando que, por não saberem montar a cavalo, e muito menos distinguirem um boi de uma vaca, fizeram a peonada gargalhar.

    Funça tentando domar boi para confiscá-los era uma cena impagável. Pena que não tinha celular nem youtube na época. Seria uma desmoralização eterna.
  • Ismael  30/12/2021 23:32
    Nessa época eu tinha uns dez anos e meu pai trabalhava como operário no grupo Votorantim. Meu pai não recebia o salário no banco, e quando ele vinha pra casa e contava o dinheiro eu achava que ele era rico (o salário do meu pai era um bolo de notas).

    Mas quando íamos ao supermercado eu não entendia duas coisas: por que mesmo com meu pai sendo rico nós não podíamos comprar bolachas recheadas (passei toda a minha infância sem comer essas guloseimas) e por que minha mãe passava 2 latas de óleo em um caixa, meu pai passava mais duas latas de óleo em outro caixa, eu e meu irmão passávamos cada um duas latas de óleo em mais dois caixas diferentes e ainda por cima tínhamos de agir como se não nos conhecêssemos?

    Foi só alguns anos mais tarde que entendi.
  • Carlos Maurício  30/12/2021 23:36
    Eu era criança e lá em casa nunca faltava carne.

    Meus pais negociavam uns esquemas com aqueles açougues de esquina; leia-se, pagava valores bem acima da tabela, para poder ter carne. Me lembro de ir ao açougue, ver as prateleiras vazias, o açougueiro dizer "estamos em falta de carne". Eu dizia, sou filho da Maria e vim aqui buscar 2kg de contra-filé que a minha mãe já disse ter pago. O açougueiro assustado, gesticulando: "quieto garoto !!!!" me chamou lá dentro do açougue, onde se via alguma carne, e me entregou um pacote de carne para eu colocar na mochila.

    E ainda disse para que eu fosse direto para casa, não abrisse a mochila para ninguém, se alguém tentasse me abordar, tentando ver o que eu tinha na mochila, era para eu correr, gritar socorro polícia, etc... Tinha uma expressão de horror, de medo no açougueiro.

    Meses depois o tal açougue fora fechado e o açougueiro preso, algum fiscal do Sarney o denunciara.

    Meus pais, que são do interior, passaram então a comprar bois inteiros de boiadeiros conhecidos de suas cidades de origens, para encher o freezer de carne. Mas a festa durou pouco, vários colegas de infância deles foram presos por vender bois acima da tabela, mas quando a carne do freezer acabou, o plano cruzado também acabara. Ufa!!!!

    Meus pais tinham a consciência de que o plano cruzado era uma furada, que nunca daria certo, por isso nunca foram fiscais do Sarney. E eu não entendia nada do que estava acontecendo, mas como era criança, ainda confiava neles. Imaginem se eu já fosse adolescente esquerdizado pelos professores de história! De repente eu denunciaria os meus próprios pais!
  • Rodrigo  30/12/2021 23:44
    Minha avó criava galinhas no terreiro. Quando o pior do desabastecimento começou ela passou a trocar as galinhas e os ovos por toda sorte de produtos.

    Com essa negociação de escambo, acabou passando bem pela crise.

    Até hoje ela mantem uma horta, e sempre diz: "e bom ter algo para quando aperta".

    O trauma ficou...
  • anônimo  31/12/2021 05:19
    E ainda tinha a história do carro usado mais caro que carro novo. Enfim, bizarrices do Brasil.
    Mas convenhamos, até pra solapar a hiperinflação tivemos que recorrer a uma bizarrice.
    Não bastou um ajuste fiscal, até pq o gato do governo nem caiu tanto no plano real. Tiveram que criar um superindexador pra fazer ter duas moedas ao mesmo tempo, uma delas sendo o real, pra poder vencer a inflação
  • Mais Mises  03/01/2022 01:23
    Cara, passei por algo parecido. Mas pelas vias 'tortas' da vida. Em 1984, meus pais presenciaram uma palestra de um médico naturalista de Belo Horizonte, que falava dos males dos enlatados, conservantes, edulcorantes, mas também desceu a ripa em carne de porco e boi, além de produtos industrializados em geral. Como resultado, dias depois comíamos arroz integral (troço horrível, empapado, cheio de casca ainda... imagine uma criança com 9 anos, morrendo de fome e vendo aquele arroz que insistia em não sair da colher pro prato! rsrsrs).

    Nessa mesma época, meu pai havia feito cirurgia para retirada de um trecho do intestino delgado, ferido por ulceras e aí, as carnes vermelhas foram cortadas da nossa dieta de forma definitiva. Minha mãe, que criara galinhas, intensificou a criação, ampliou o galinheiro e ovos e carne de galinha (principalmente aos domingos) passaram a ser as proteínas animais que nos alimentavam.

    Foram 2 anos 'xiitas' até que em 86 ao menos meus pais relaxaram um pouco e compravam refrigerante Baré (Cola e Tutti-frutti) pra gente. Sobremesa, só o que minha mãe (raramente) fazia. No dia do reveillon, o auge era, claro, frango (kkkkk) assado na cerveja.

    Achocolatado em pó e leite condensado e outras coisas demoraram mais um tempo até voltarmos a consumir.

    Enfim... por causa disso, aqueles loucos anos de hiper inflação acabaram não sendo tão sentidos por nós em razão dessa mudança drástica na dieta da nossa família.

    Não sei se alguns aqui vão lembrar, mas no auge da escassez de produtos (tinha 10 anos e lembro de prateleiras vazias, uma sensação bem ruim, diga-se), acho que por volta de 1986 mesmo, teve uma marca de produtos que era chamado de 'genérico', cujo rótulo era branco com duas listras laranja e preto. Posso estar enganado, mas eram produtos que o governo 'vendia' como forma de amenizar a escassez e esses produtos, obviamente eram tabelados no intuito de ser opção aos demais, que aumentavam de preço. (quanta ingenuidade... ou seria burrice mesmo! rsrsrs). Desnecessário dizer que em poucos meses, nem esses produtos de marca 'Genérico' haviam nas prateleiras!

    Por fim, lembro-me de fato que pra fazer compras naqueles tempos, ia a família inteira. Por conta de restrições, meus pais iam e como eu, mais velho, tinha apenas 10 anos e não poderia ficar em casa tomando conta dos meus irmãos, acabávamos indo também e ficávamos 'mofando' dentro do carro até que terminavam as compras. E isso tudo no mesmo dia em que recebia o salário! Lembro que foi nessa época ainda que começamos a ir aos grandes supermercados em cidades vizinhas (em Ipatinga, MG, era o Jumbo Eletro), onde as compras eram feitas... e lá eu estranhava ver eletrodomésticos e até pneu sendo vendido ali, onde, na minha cabeça, só se vendia comida e bebida. Ao perguntar isso pro meu pai, a resposta dele, mesmo vindo de alguém com zero conhecimento de economia, fazia muito sentido: "Ah filho, o dinheiro tá perdendo tanto valor de um dia pro outro que se você deixar pra comprar o pneu pro carro amanhã, já não consegue comprar com o mesmo preço. Então, o dono do supermercado deve ter enxergado isso e botou pra vender aqui né?!" De uma certa forma, aquele padrão de consumo todo em um só dia, deu impulso aos hipermercados no Brasil, onde você achava de A a Z, sem ter que deixar pra ir em outro lugar no dia seguinte.

    Tenho imensas saudades dos anos 80, mas nada ligado à economia! Realmente, uma década perdida, como dizem!
  • Pobre Mineiro  31/12/2021 05:47
    Carlos Maurício.

    Esse texto é meu, foi escrito por mim ou pelo meu outro alter ego (uma versão fictícia, intolerante e as vezes imbecil de minha pessoa, na qual eu o uso para me divertir).

    A história contada narra um episódio ocorrido durante a minha infância...

    Você copiou o meu texto sem alterar uma única palavra.

    Bom, propriedade intelectual não existe, pois não é um bem escasso.
    E vejo que o meu texto teve um certo alcance...
  • Pobre Mineiro  31/12/2021 08:38
    Funça tentando domar boi para confiscá-los era uma cena impagável.

    Me faz lembrar uma piada na qual uma autoridade estatal fora alertada por um roceiro de que, naquele pasto havia um touro pegador.

    A autoridade estatal, em um olhar que irradiava prepotência e arrogância, mostrou ao matuto sua carteira e disse que tinha credenciais de acesso a qualquer lugar naquela propriedade.

    Ao adentrar no pasto, o touro pegador partiu para cima do capanga da máfia estatal.
    O capanga correndo gritou socorro !!!.

    O roceiro gritou de volta: "Mostre suas credenciais para ele..."
  • ELCIO ROBERTO FERREIRA MAIOLINI  31/12/2021 18:57
    Estado e seus colaboradores denunciantes sempre andaram juntos ao longo da história do século XX. O estado é uma fábrica de psicopatas. Posso afirmar isso com muita certeza.
  • Paulo Benigno  31/12/2021 21:54
    Deviria congelar os gastos do governo isso sim
  • Felipe  01/01/2022 17:35
    Recentemente o governo publicou uma MP com a pretensão de deixar os cartórios com maior acessibilidade, sem precisar ficar indo para uma outra cidade para pegar algum documento. Todavia, o lado ruim é que isso dá mais poder para o governo, já que agora será mais centralizado.

    O que poderia ser feito no lugar disso? Como que essa estrutura cartorial surgiu no Brasil? Em países desenvolvidos, como funciona? Um americano por exemplo não entende o que é despachante, quando falamos para ele de que isso existe no Brasil.
  • Elias  02/01/2022 00:20
    Nenhum país rico que eu conheça tem disso. Tudo vai na base do contrato e do aperto de mão.

    Não sei se em outros países pobres tem isso. Mas o poder que têm no Brasil é sem paralelos.

    Qualquer medida que retire o poder desta máfia -- ainda que centralize mais o poder na outra máfia (e estatal) -- já é um avanço.
  • Felipe  02/01/2022 03:54
    O Peter Turguniev fez um vídeo com bons argumentos contrários à MP, alegando que isso pode ser usado para facilitar perseguição ao indivíduo, caso quiser. Não sei se faria diferença.
  • capitalista chinês  02/01/2022 01:36
    Normalmente, um contrato é assinado pelas partes e pelas testemunhas acordadas. As testemunhas são um reforço para garantir a integridade dos termos no contrato em caso de disputa, pois elas também podem apresentar suas cópias.

    Na lógica estatal, o estado, através da sua concessão cartorial, seria a testemunha imaculável e de boa-fé. Trata-se de um serviço que o estado oferece e você é obrigado a usá-lo, pois juízes, bancos e outras instituições, aquelas onde o estado mantém a sua mão pesada, não reconhecem a validade de um documento sem o carimbo do cartório.

    Se você for a um banco com um "contrato de gaveta", não conseguirá um empréstimo. Se for a justiça, o juiz não validará o documento como prova.


    A Medida Provisória correta seria liberar a todos, pessoas físicas e jurídicas, fazerem acordos como bem entender. O que bolsonaro fez foi transferir a burocracia do balcão para o computador.

    É mais uma medida provisória preguiçosa e frívola. Hoje você pode usar certificados digitais para assinar contratos, sem qualquer custo e com mais integridade e segurança que as testemunhas ou carimbo de cartório.
  • Felipe  03/01/2022 01:53
    Nesse ano de 2022, fará 20 anos que o Henrique Meirelles seria aprovado no Senado (no fim de 2002). Heloísa Helena foi uma das opositoras da nomeação dele. Como era o Lula e ele sempre foi a personificação do PT, então não houve grandes problemas.

    Esse trecho mostra o que viria à frente (negritos meus):

    "O escolhido pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência do BC disse ainda que irá trabalhar para a redução da taxa de juros, desde que isso não ponha a moeda em risco."

    Infelizmente não encontrei a sabatina completa com as perguntas. Achei até a do Alan Greenspan em 1987, mas a do Meirelles não.

    Banqueiro central raiz. Está em extinção nos tempos atuais.
  • Felipe  03/01/2022 02:00
    Esqueci de colocar também esse vídeo, que mostra a indicação do Alan Greenspan em 1987. Paul Volcker, só com a voz grossa, já faz o DXY disparar.
  • Régis  03/01/2022 15:55
    Que achado! Obrigado pelo vídeo. Realmente, era outras era. Banqueiro central tinha postura, sabia se impor e era temido. Como tem de ser. Comparados às pombinhas de hoje, não eram nem falcões. Eram predadores.
  • Felipe  03/01/2022 22:31
    Nesse dia 1º de janeiro, fez 20 anos que o euro entraria em circulação para vários países europeus. O euro foi um caso de arranjo ruim para os países com governos mais responsáveis com as finanças e com a moeda (como a Alemanha) e bom para os países com governos mais pródigos fiscalmente e não muito cautelosos com a moeda, como a Grécia e a Itália. Os italianos talvez vissem estabilidade (ou mesmo queda) de preços somente na época do padrão-ouro clássico, algo também no caso dos gregos.

    Onde você estava nessa época, Leandro? Achava que o euro iria substituir o dólar, como muitos naquela época?

    Olhem essa notícia:

    "Que previsões se concretizaram após 20 anos de euro?"

    No item 4, eles compararam a estabilidade do euro com a do marco alemão. Será que faria sentido essa comparação?

    Vejam a matéria de época do Estadão. De curiosidade, um euro custava aproximadamente R$ 1,85 no dia 03/01/2002.

    E claro, ali eles falaram que agora, sem a possibilidade de desvalorizarem a moeda, os países do sul da Europa não podem incentivar o turismo e o emprego. Para a Itália, a taxa de desemprego está alta, mas está menor do que no Brasil e não está em alta histórica. Para a Grécia, não há dados de muitos anos antes de 2002. Agora, vendo nesse site, realmente era mais baixo o desemprego. Chama atenção essa taxa de desemprego nos anos 1970. Houve algum milagre econômico grego? Até meados de 1972, o índice de preços do país até que estava bom.
  • Felipe  04/01/2022 13:18
    Juros longos americanos em alta, quase em 1,67 %, maiores valores desde 23 de novembro de 2021. No Brasil, voltaram a subir.

    É possível que eles até tenham que antecipar a alta dos juros, embora lá seja muito fácil resolver... é só usar o gogó que o DXY dispara. Aqui no Brasil que é complicado, embora essas reformas passadas pelo Bolsonaro devam ajudar o câmbio (e o Ricardo Barros falando do teto de gastos atrapalhando a taxa cambial).
  • Felipe  04/01/2022 21:16
    Por que a alta nos juros de dez anos nos EUA possui um significado diferente do que em países como o Brasil?

    Para o Brasil, a alta nos juros longos (estou falando dos de 10 anos) indica que os investidores possuem a perspectiva de que a inflação de preços será maior no longo prazo. Haveria outras indicações? Quais e por quê?

    Para o caso americano, essa alta é vista como um sinal pelos investidores de que a economia americana irá se comportar bem no futuro, e ela quase sempre significa uma alta no índice DXY, ou seja, ela vai apreciar o dólar. Na leitura do Trading Economics, isso está relacionado às perspectivas falconistas do Federal Reserve System.

    De qualquer forma, em ambos os casos, os juros maiores nesses títulos governamentais indicam de que o preço deles no mercado está menor.

    Estou correto? Qual é a explicação austríaca para o funcionamento desses juros de longo prazo?
  • Trader  05/01/2022 00:31
    "Por que a alta nos juros de dez anos nos EUA possui um significado diferente do que em países como o Brasil?"

    Nos EUA, juros em ascensão significam crescimento econômico (ou perspectiva de maior crescimento econômico) futuro.

    No Brasil, juros em alta significam maior risco fiscal e, consequentemente, fuga de capitais.

    Isso, realmente, é tudo o que você precisa saber.

    "Para o Brasil, a alta nos juros longos (estou falando dos de 10 anos) indica que os investidores possuem a perspectiva de que a inflação de preços será maior no longo prazo. Haveria outras indicações? Quais e por quê?"

    Maior inflação, maiores déficits e maior risco fiscal.

    "Para o caso americano, essa alta é vista como um sinal pelos investidores de que a economia americana irá se comportar bem no futuro, e ela quase sempre significa uma alta no índice DXY, ou seja, ela vai apreciar o dólar."

    Correto.

    "De qualquer forma, em ambos os casos, os juros maiores nesses títulos governamentais indicam de que o preço deles no mercado está menor. Estou correto?"

    Correto.

    "Qual é a explicação austríaca para o funcionamento desses juros de longo prazo?"

    Não há uma "explicação austríaca"; há apenas a explicação correta.

    Juros longos em ascensão, nos EUA, indicam expectativa de maior crescimento econômico. Investidores vendem títulos longos (passam a exigir maiores taxas) e investem em ações ou na própria economia real.

    Quase nunca juros longos sobem por "preocupações fiscais". Tanto é que o fiscal do país só fez piorar e os juros longos só fizeram cair.
  • Felipe  05/01/2022 01:17
    Alguém sabe qual a mágica com o nuevo sol peruano? Ele voltou a se valorizar nas últimas semanas, apesar do governo abertamente de esquerda.

    Vi o ministro das finanças do país repetindo de que eles irão respeitar à risca os contratos e as instituições (e que vai "equilibrar setor minerador, meio ambiente e desenvolvimento social"), assim como o Pedro falando que vai respeitar a independência do Judiciário, junto com as falas do ministro das relações exteriores.

    Apesar dessa baderna, o Peru continua tendo um dos menores risco-país da América Latina.
  • Edson  05/01/2022 16:37
    O presidente peruano já virou um pato-manco. Poder zero. Sua mais ambiciosa meta agora é terminar o mandato. Sorte dos peruanos.
  • Vladimir  05/01/2022 16:50
    O que apenas comprova algo que venho dizendo aqui há tempos. É bobagem, tanto esquerda quanto direita, sonharem que "o seu eleito" irá implantar sua agenda. No final, quem manda é o establishment. Se as mudanças almejadas, tanto à esquerda quanto à direita, forem contra o establishment, elas simplesmente não serão aceitas.

    O establishment irá aceitar apenas aquilo que não lhe causar nenhum incômodo. No governo Bolsonaro, a única coisa que me surpreender ter sido permitida foi a maior liberdade para a aquisição de armas. Como foi feito logo no início do governo, o establishment foi pêgo cochilando. Mas é óbvio que isso não irá durar. No próximo governo, tudo voltará a ser como era antes. O próprio Lula já deixou explícito, em várias entrevistas, que irá implantar um programa nacional de confisco de armas — algo facílimo, pois os nomes de todos os que compraram legalmente estão no banco de dados da Polícia Federal e do Exército; basta o STF chanceler (e ele vai), e começarão as visitas conficatórias dos agentes fardados.

    (Por isso eu sugiro todo mundo se estocar agora, comprando tudo no mercado paralelo).

    Dito iss, a turma que hoje ejacula a cada vez que o STF barra alguma medida (sensata e pró-liberdade) do atual governo é a mesma que vai espernear copiosamente quando o mesmo STF barrar alguma medida (autoritária e anti-liberdade) de um eventual governo do PT.

    A propensão aqui sempre foi ao imobilismo. Em termos de América Latina isso é até bom.
  • An%C3%83%C2%B4nimo  05/01/2022 21:25
    Só um tolo acredita em palavra de comunista. Até o Lênin sacou que arruinar a economia nacional logo nos primeiros anos levaria ao colapso da revolução.
    No Brasil, os 13 anos de PT começaram com a ortodoxia monetária de um Henriqie Meirelles e terminaram com as iniciativas tresloucadas da Dilma (contabilidade criativa, tabelamento do preço da energia, conselhos populares, proposta de nova Assembleia Constituinte).
  • Elias  04/01/2022 14:57
    E funça ameaçando parar tudo para ter aumento. Esta é a verdadeira máfia do país.
  • Anônimo  04/01/2022 15:51
    Trinta anos depois, eis que pulula uma miríade de petistas e ciretes querendo tabelar o preço da gasolina. Quero crer que o povo brasileiro não está disposto a eleger esses demagogos comunistas no pleito de outubro.
  • Paulo Benigno  04/01/2022 19:06
    Uma dúvida, eles SABEM que isso faz mal para o país, ou sabem mas não estão nem aí pois eles não serão prejudicados memso.
  • Artista Estatizado  04/01/2022 23:24
    Eles sabem. Quem está envolvido mais intensamente com política, principalmente na era da internet, já trombou com todos os tipos de explicações/ensinamentos por aí, inclusive a escola austríaca, em muitos casos. A nata da política costuma ser formada de pessoas com algum grau de inteligência, e são perfeitamente capazes de entender o efeito maléfico do controle de preços. Fazem por maldade e conveniência mesmo.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  05/01/2022 02:08
    Sim, muitos deles sabem sim. Fazem discursos desse naipe por demagogia pura e simples.
  • Artista Estatizado  05/01/2022 16:25
    Inclusive já vi um vídeo de um evento (palestra ou algo do tipo) em que o Ciro Gomes começa a xingar uma pessoa da platéia simplesmente por que, durante uma pergunta, o mesmo menciona a Escola Austríaca.

    Ele imediatamente fala algo do tipo "porra de escola austríaca" e já fica vermelho de nervoso. Os caras tem ódio da liberdade.
  • anônimo  04/01/2022 23:00
    Vejam o péssimo nível dos candidatos a presidência em 2022:
    Lula: semi letrado , inepto, dificuldades tremendas para se comunicar, ficha suja, fará vista grossa para roubalheira
    Bolsonaro: incompetência, tumultuador, desdém com cargo e inépcia.
    Ciro: radicalismo, pautas poderão arruinar a economia levando ao caos.
    Moro: ao abrir a boca dificuldades no falar, pauta central contra corrupção e inepto aos demais problemas do país.
    Dória: marqueteiro sendo que os problemas não são resolvidos, desdém com a seriedade do cargo muita rejeição no cargo atual.
    Demais candidatos nada a comentar pois não chegam a 1% por nada mostrarem capacidade no cargo que ocupam.
    Precisamos da ajuda Divina para um livramento!
  • Fraude Eleitoral  05/01/2022 04:11
    Bolsonaro 2022.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  05/01/2022 07:14
    Mas isto não é de agora, é desde sempre. Raríssimos foram os candidatos a presidente que tinham um currículo digno de nota e boa postura. De uns 50 anos pra cá, deixando ideologias de lado, só me recordo do FHC ter essas características. Enéas entraria também, mas à época, nunca era levado a sério. Mais algum pra por na lista?
  • Analista de Risco  05/01/2022 14:47
    Em questão de currículo, podemos incluir o Meirelles e Amoedo.
    Agora, se tiveram alguma chance ou se seriam bons presidentes, aí já é outra história.

    Ademais, sempre vale a menção honrosa a Michel Temer, que tem um currículo invejável, embora nunca tenha sido candidato.
  • Anônimo  05/01/2022 17:28
    Não sejamos tecnocratas, currículo não importa nada na qualidade de um homem público. Haddad e Boulos são ambos pós-graduados na USP. Gilmar Mendes fez seu doutorado em Berlim, Barroso tem mestrado em Yale.
    Trocaria qualquer um desses por uma pessoa com Ensino Médio completo e o mínimo de senso de justiça.
  • Paulo Benigno  05/01/2022 21:02
    Jânio quadros, Getúlio...todos os ex-presidentes antes de vargas
  • Ulysses  06/01/2022 14:24
    "Mais algum pra por na lista?"

    Collor e Temer.

    Ambos tinham postura e comunicação impecáveis. Respeitavam o idioma, se expressavam com português escorreito e sabiam se apresentar em público.

    E foram também os que tiveram a mais baixa popularidade.

    Já foi dito aqui várias vezes: brasileiro não gosta de pessoas com etiqueta. Isso é visto como elitista e almofadinha.
  • Anão  05/01/2022 15:38
    Bolsonaro é um homem de bem, 99% dos tumultos foram provocados pelo Rodrigo Maia, pelo Alcolumbre ou por ministros do STF abusando de seus cargos.
  • Luan  06/01/2022 00:33
    Dessa lista aí, iria de Bolsonaro sem nem pestanejar! É o único que, ao menos no discurso, não é adepto da social-democracia!
  • Pobre Mineiro  06/01/2022 07:54
    Eu iriei no consulado do Brasil votar no "Bolsomerda" de novo.
    Sei que o cara é uma tranqueira, mas os outros são ainda piores. Democracia é esse lixo mesmo.

    Não votaria nunca no Moro, pois o mesmo é desarmamentista, abortista, estatista e progressista.
    (Aquele tipo de sujeito que acredita que o estado tem conserto, que é só votar nas pessoas certas...)

    A única coisa boa que o Moro fez foi ter colocado o Lula na cadeia, para depois a incompetência política do Bolsonaro culminar na sua soltura e ainda por cima, o tornar elegível novamente.

    O resto é resto, não valem nem um comentário, um bando de oportunistas.

    Aqui na China vigora um regime autocrático de politiburo, este formado por uma aristocracia politicamente madura que já se tocou que o melhor é não perturbar muito o povo.
    Menos ruim que essa democracia tupiniquim e do resto da América Latina, embora não seja o ideal.

    Mas no Brasil e na América Latina nem isso daria certo, pois não temos nenhuma aristocracia política e sim uma cleptocracia demagoga, imbecilidade progressista, vitimista, etc...

    Desconfio que nem o ancapistão funcionaria no Brasil, rapidinho o povo recriaria a democracia tupiniquim 2.0

  • Ex-microempresario  06/01/2022 15:28
    Pobre Mineiro, vc reclama que o Moro é "aquele tipo de sujeito que acredita que o estado tem conserto" e prefere votar no Bolsonaro?

    O Bolsonaro, como militar que nunca deixou de ser, não apenas acredita que o estado pode tudo, como acredita que seu poder deve incluir a chamada "pauta de costumes", ou seja, regular o comportamento de todo mundo segundo seus padrões, incluindo dizer que menino veste azul e menina veste rosa.
  • Anônimo  06/01/2022 17:34
    É falso dizer que o Bolsonaro tentou regular o costume das pessoas. Pelo contrário, quem faz isso é o lobby homossexual, que logrou via STF transformar em crime qualquer crítica em relação ao homossexualismo.
    No mais, a estabilidade do núcleo familiar tem mais é que ser promovida mesmo. Sem coerção estatal, claro, mas é preciso enfatizar que esse é o único caminho para uma sociedade estável.
  • Luan  07/01/2022 01:24
    O Bolsonaro, como militar que nunca deixou de ser, não apenas acredita que o estado pode tudo, como acredita que seu poder deve incluir a chamada "pauta de costumes", ou seja, regular o comportamento de todo mundo segundo seus padrões, incluindo dizer que menino veste azul e menina veste rosa.

    Nesses três anos de governo, ele chegou a fazer algo assim? Pergunta sincera, pois não lembro de ter visto algo desse tipo durante esse governo. O que eu sei que foi feito nesse sentido foi o estado deixar de financiar coisas que promovessem pautas contrárias à "pauta de costumes", mas não lembro de algo que tenha impedido os indivíduos de fazê-lo com seus próprios recursos. O mais perto disso que eu me lembro foi a Damares Alves horrorizada naquela reunião ministerial com a proposta de liberar os cassinos, com ela dizendo que isso seria um "pacto com o diabo" e sendo prontamente refutada pelo Paulo Guedes.
  • Pobre Mineiro  07/01/2022 05:38
    Ex-microempresário...

    Pior é que é...

    Você me fez retornar à realidade, não temos em quem votar...

    Eleição após eleição e o estado só cresce,
    o povo vai às ruas protestando contra tudo que está aí, pedindo mais do que está aí...
  • Anônimo  06/01/2022 13:46
    Com essa descrição, acho que o melhor a fazer seria NINGUÉM ir votar nessas figuras. O sistema político do país está todo corrompido, putrido, e o único que tem o poder de mudar isso é o Zé Povinho.

    Se todo mundo tirasse o traseiro do sofá para pedir por uma Nova Constituição Federal com a reforma de todas as Leis, tendo como base países sérios, aí sim o país daria certo, passaríamos a Alemanha como potência econômica de destaque, PORÉM, acho que o próprio Zé Povinho é corrupto por natureza, está no DNA brasileiro.

    Por outro lado, seria divertido ver o sistema político vigente implodindo se ninguém mais fosse votar, seria hilário ver os colares brancos implorando para as pessoas votarem!

    Seria bom votar se isso fosse um país sério.
  • Pobre Mineiro  07/01/2022 05:33
    Se todo mundo tirasse o traseiro do sofá para pedir por uma Nova Constituição Federal com a reforma de todas as Leis...

    Ou seja, você acredita que o estado tem conserto...

    Como você acha que seria essa nova constituição federal ?, eu fico com a opinião do Peter Turguniev, que defende que não devemos mexer em nada, pois qualquer reforma será sempre para piorar ainda mais a nossa situação.

    Deixemos o estado ruir, diz ele.
  • Anônimo  06/01/2022 14:00
    Fugindo um pouco do assunto do vídeo, gostaria de saber qual será o futuro do dólar americano e de outras moedas fiduciárias como a Libra Esterlina Inglesa, o Franco Suíço, o Euro e o Dólar Canadense.

    Se o Dólar Americano cair e não for mais a moeda de reserva mundial, qual das 4 teria peso suficiente para substituir a moeda norte americana?

    Ou seria mais certo um cenário onde todas as moedas fiduciárias serão substituídas pelo Bitcoin e outras criptomoedas privadas?

    Tem muitos economistas falando do fim do Dólar Americano, até o próprio Fernando Ulrich, aluno da Escola Austríaca, fala disso de vez em quando mas com base em quê eles estão afirmando isso? Vale a pena tirar capital do Dólar Americano neste momento e colocar nas outras 4 principais moedas? Ou somente nas criptomoedas?

    Agradeço desde já para quem responder, abraço.
  • Gustavo  06/01/2022 15:16
    "Se o Dólar Americano cair e não for mais a moeda de reserva mundial, qual das 4 teria peso suficiente para substituir a moeda norte americana?"

    Nenhuma. A que mais chega perto é o euro, mas simplesmente não há nenhum cenário em que seja preferível portar a moeda de economias completamente amarradas (França, Espanha, Itália, Portugal, Grécia) a portar a moeda americana (que é uma economia bem mais dinâmica).

    O dólar manterá seu status pelas próximas décadas. Até porque, se o dólar implodir, toda a economia mundial entrará em colapso, pelo simples fato de que, se o dólar for para o saco, todas as outras moedas já terão ido bem antes.

    www.mises.org.br/article/1673/quais-as-chances-de-o-dolar-deixar-de-ser-a-moeda-de-reserva-internacional

    "Ou seria mais certo um cenário onde todas as moedas fiduciárias serão substituídas pelo Bitcoin e outras criptomoedas privadas?"

    Pode até acontecer, mas não nesta geração. Para começar, cada habitante do mundo teria de ter BTC para que tal cenário começasse a ser viável. Isso está perto de ocorrer? Não acho.
  • anônimo  06/01/2022 21:24
    "Ou seria mais certo um cenário onde todas as moedas fiduciárias serão substituídas pelo Bitcoin e outras criptomoedas privadas?"
    o bit coin faz parte de uma cenario mais como o padrao ouro, sem inflação.pra ele dominar, teria que se derrubar os gov, ou mudar totalmete a maneira e fazer politica.
    seia o fim do assistencialismo , do comunusmo e do estatismo
    o bit coin esta mais pra uma comunidade mundial paralela, de pesoas a fugir dos gov. um novo pais mundial virtual. a grande maioria dos paises vai ser hostil a quem segue o bitcoin. então é improvavel que ele seja moeda mundial.
  • Felipe  06/01/2022 21:35
    As economias mais relevantes do euro são economias como a Alemanha. Mas eles continuam perdendo para a economia americana. Ainda mais agora, com economias europeias amarradas também por lockdowns.

    Com certeza economias como Singapura, Taiwan e Suíça são mais pujantes, mas elas não possuem um tamanho da economia americana. A economia chinesa é gigante, mas a moeda é pouco conversível e o ambiente é ainda hostil aos investimentos.

    As pessoas não entendem isso, elas acham que é só entrar um cara de esquerda na presidência americana, que em 4 anos o dólar vai evaporar e então as moedas dos países emergentes vão disparar. Muitos não sabem nem o que é o índice DXY.

    O Ulrich disse isso do dólar (de certa maneira), mas ele não fez nenhuma previsão catastrofista e nunca disse que seria um colapso no curto prazo, inclusive ele fala sobre a importância de se dolarizar.

    O Bitcoin tem sim um futuro promissor, mas vai demorar ainda.
  • Lucas  07/01/2022 14:03
    Tem muitos economistas falando do fim do Dólar Americano, (...) mas com base em que eles estão afirmando isso?

    Explicado em detalhes no vídeo a seguir:

  • Felipe  10/01/2022 23:37
    Isso pode acontecer, mas vai demorar. E quando ocorrer, o risco maior é a sobrevivência dos estados.
  • Felipe  05/01/2022 22:40
    "Balança Comercial registra superávit de US$ 61 bilhões em 2021"

    A gente pode dizer que isso foi graças ao mercantilismo promovido pela atual equipe econômica?

    Houve também aumento nas importações.
  • Trader  06/01/2022 00:32
    Eis a evolução da balança comercial desde 2000.

    Atenção para o período de recorde (não conte para os mercantilistas qual era o câmbio da época; eles vão se suicidar).

    ibb.co/Ws7NK5g
  • Felipe  06/01/2022 02:03
    Esse seria o método melhor, ao invés do que foi divulgado à imprensa?
  • Trader  06/01/2022 17:17
    Ué, estes são os dados mensais oficiais. Não tem "melhor método". Apenas estou demonstrando a realidade.
  • anônimo  06/01/2022 01:16
    Balança comercial é o tipo de dado que eu não dou muita importância. Se tem deficit, ou superavit, não significa muita coisa.
    www.mises.org.br/article/2477/por-que-ainda-ha-histeria-em-relacao-a-deficits-na-balanca-comercial

    O alarde que a mídia da para esse tipo de informação é triste
  • anônimo  06/01/2022 13:35
    unico defict ou superavit que interessa é o das contas do gov. esses determinam o quanto ogoov toma da sociedade
  • Priscila Pacazevicz  07/01/2022 17:45
    O governo imprimere reais para pagar sua dívida em REAIS. E as dívidas em dólar? como e que faz?
  • Régis  07/01/2022 17:55
    Aí ele tem de comprar dólares. E estes dólares são oriundos ou das exportações ou dos investimentos estrangeiros diretos ou em portfólio.

    Na década de 1980, o BC imprimia cruzeiros e cruzados para comprar esses dólares. E o resultado vinha nos preços.
  • Priscila Pacazevicz  07/01/2022 19:21
    Onrigado Régis. Respostas clara e sucinta!
  • anônimo  10/01/2022 21:38
    Para quem acompanha o mercado financeiro, essa notícia é preocupante (publicada em 27/09/2021).

    einvestidor.estadao.com.br/mercado/entrevista-mailson-da-nobrega-mercado/
  • Felipe  11/01/2022 23:49
    Saiu já a carta do BCB sobre o descumprimento do teto da meta.

    O índice de preços deu uma caída, ficando em 10,06 % em dezembro.

    O que acharam da carta?
  • Leandro  12/01/2022 01:08
    Ele segue mantendo um tom negacionista: culpa a tudo e a todos pela carestia, exceto a própria política monetária.

    A culpa toda foi das bandeiras tarifárias, da disrupção nas cadeias de suprimento, da política fiscal, e das commodities, que "magicamente encareceram em reais" (não há qualquer reconhecimento de que a desvalorização cambial foi causada pela política monetária expansionista; no item 9, o BC demonstra surpresa com o fato de que, pela primeira vez na história, um encarecimento das commodities em dólares não resultou em uma apreciação do câmbio).

    Não há uma mísera menção a "agregados monetários" e "expansão monetária".

    E o pior é que ainda continua utilizando as previsões do Focus como Bíblia.

    www.bcb.gov.br/content/controleinflacao/controleinflacao_docs/carta_aberta/OF_CIO_823_2022_BCB_SECRE_01.pdf

    A única notícia boa é que, ao contrário de 2020, ele agora parece finalmente ter entendido que a carestia (cantada por este Instituto desde meados de 2019) realmente é séria e disruptiva, e parece realmente disposto a "fazer de tudo" para trazer a inflação à meta já em 2022. O linguajar utilizado tem sido mais severo, em forte contraste ao adotado em 2020, quando parecíamos ter virado a Suíça.

    A mudança veio muito tarde, mas já é algo. Ao menos a postura totalmente negligente em relação à moeda (adotada desde agosto de 2019) parece ter sido revertido.

    A julgar pelo que foi dito — e, mais ainda, pelo que não foi dito —, eles não irão se conduzir nem por agregados monetários e nem por câmbio, mas sim por juros reais. Longe do ideal e garantia de recessão, mas ao menos não há mais desprezo pelo moeda.
  • Felipe  12/01/2022 10:13
    Sendo essa negação por ignorância ou não, isso mostra como o banco central regrediu... quase todos tiveram o mesmo caminho.

    Você disse em se conduzir por agregados monetários. Quando diz isso, seria de que forma? Igual nos primeiros anos do Paul Volcker no Fed? Porque naquele caso, você falou que provocava muita oscilação na economia.
  • Leandro  12/01/2022 14:18
    Naquela época (1978-1982), o Fed não sabia qual indicador seguir.

    Era uma época de modernização econômica, com o surgimento de várias modalidades de investimento com liquidez diária, como fundos mútuos e depósitos em instituições de poupança que permitiam cinco saques por mês. Ninguém sabia exatamente em quais agregados incluir estas modalidades.

    Criaram base monetária, M1-a, M1-b, M2, M3, MZM etc, e o Fed não sabia exatamente qual destes deveria ser sua baliza.

    Consequentemente, cada hora ele atacava um indicador. Em um dado momento, a base monetária explodia, mas os M1s ficavam parados. Aí o Fed expandia a base monetária. Em seguida, M1 explodia, mas M2 ficava parado. Aí o Fed panicava e contraía a base monetária para tentar restringir o M1. Isso fazia migrar dinheiro do M1 para o M2. E por aí vai.

    Essas seguidas intervenções estabanadas e erráticas em todos os indicadores — sendo que estes indicadores variavam de maneira não-uniforme, e muitas vezes inversa — criavam flutuações violentas na economia.

    E isso, obviamente, eu não defendo.

    Mas também não defendo uma política de total desconsideração pela oferta monetária, guiando-se exclusivamente por juros nominais e reais (que é basicamente a regra de Taylor, a qual o Bacen — a julgar por sua carta — irá utilizar cegamente neste processo de desinflação).

    Basear-se exclusivamente em juros — além de ser um óbvio controle de preços — é um voo cego: no fim, a política monetária pode acabar sendo pouco ou excessivamente contracionista.

    Na prática — e deixando de lado todos os tecnicismos —, o BC fixa um preço (a taxa básica de juros) e "torce para tudo dar certo". Sem exagero. É assim que funciona. Ele avisa que vai subir juros e, com isso, ele espera que tais comunicados façam com que as pessoas parem de reajustar preços.

    Só que, com os juros fixados arbitrariamente, a oferta monetária pode tanto disparar quanto contrair fortemente. Não dá para saber.

    E o BC — caso siga exclusivamente a regra de Taylor — não se importará com isso, pois a oferta monetária não entra no modelo.

    Ignorar a variação da oferta monetária é um erro grave. A explosão do M1 em 2020 Isso levou à atual pressão nos preços, e uma eventual contração forte no M1 (causada por juros reais artificialmente altos) pode gerar uma desnecessária recessão.

    Em todo caso, como eu disse, seguir a regra de Taylor é melhor do que negligenciá-la, como fizeram em 2020.


    O arranjo que eu defendo pragmaticamente é o de sound money: aquele que não tem grandes e abruptas flutuações na oferta monetária.

    Neste arranjo, a base monetária deveria ser a mais estável possível, com o Banco Central proibido de comprar e vender títulos públicos, e servindo exclusivamente de emprestador de última instância, emprestando dinheiro para bancos insolventes via janela de redesconto a juros punitivos. Os juros de mercado, inclusive Selic, flutuariam livremente.

    Os agregados monetários variariam livremente de acordo com a oferta de poupança e a demanda por crédito. No entanto, como não há expansão da base monetária, os Ms obviamente não teria como crescer para sempre. E, sempre que um banco expandisse muito o crédito e necessitasse de reservas, ele teria de recorrer à janela de redesconto, com juros punitivos.

    Neste arranjo, obviamente, não teria como haver metas de inflação —que também são uma forma de controle de preços —, mas seria o arranjo mais próximo possível de um sound money (excluindo-se padrão-ouro e criptomoedas), com intervenção mínima do estado na moeda.

    E seria também o arranjo mais condizente ao de preços genuinamente livres: não há imposição de juros e não há intervenção para se "levar o nível de preços ao valor desejado".

    O atual arranjo — metas de inflação e controle da taxa básica de juros — nada mais é do que uma forma branda de controle de preços.
  • Felipe  12/01/2022 15:00
    Sem contar que essas reuniões do COPOM só geram incertezas. Não dá para saber como ficará o comportamento da economia.

    Equatorianos não se preocupam com isso (bom, eu acho).
  • YURI SAO CARLENSE  14/01/2022 05:23
    Leandro,

    Em condições normais o encarecimento das commodities em dólar leva a uma valorização do Real (e das moedas dos países exportadores de commodities), correto?

    A expansão monetária foi tão grande que anulou esse efeito? A explosão do M1/M2 foi maior em 2020 ou 2021?

    Aproveitando, como você é morador do interior de MG, espero para que estragos das chuvas não tenham sido grandes na sua região. Torço para que esteja tudo bem e que você e seus familiares não tenham tido prejuízos.
  • Leandro  14/01/2022 14:11
    "Em condições normais o encarecimento das commodities em dólar leva a uma valorização do Real (e das moedas dos países exportadores de commodities), correto?"

    Correto. Na prática, o que ocorre é que, como as commodities são cotadas em dólar, se elas encarecem, isso significa que o dólar enfraqueceu. É exatamente pelo fato de o dólar estar mais fraco, que as commodities (cotadas em dólar) ficam mais caras (em dólar).

    Sendo assim, o real se fortalece perante o dólar por dois motivos: o dólar está mais fraco, e há um maior volume de dólares entrando na conta da exportação (para um mesmo volume de commodities exportadas, há uma maior quantidade de dólares sendo pagos por elas).

    "A expansão monetária foi tão grande que anulou esse efeito?"

    Isso foi crucial. E, para piorar, houve outros dois fatores.

    1) Os exportadores não internalizaram seus dólares. De todo o volume exportado em dólares, apenas 12% foi convertido para reais. Ou seja, praticamente não houve a conversão de dólares para reais por parte dos exportadores.

    2) Os juros reais extremamente negativos certamente contribuíram para o item 1.

    Então ficamos assim: a expansão monetária desvalorizou a moeda. Como sempre tentamos mostrar aqui, a taxa de câmbio, no longo prazo, é determinada pelo poder de compra das duas moedas. E os juros reais extremamente negativos fizeram com que quase nenhum exportador quisesse trocar seus dólares por reais.

    "A explosão do M1/M2 foi maior em 2020 ou 2021?"

    Em 2020. Aumentou quase 50%.

    Em 2021, nem tinha mais como subir. Ambos não subiram mais do 5%. Por isso, se continuar assim, a tendência é de arrefecimento inflacionário em 2022.

    "Aproveitando, como você é morador do interior de MG, espero para que estragos das chuvas não tenham sido grandes na sua região. Torço para que esteja tudo bem e que você e seus familiares não tenham tido prejuízos."

    Muito obrigado pelos votos. Os familiares estão bem, graças a Deus. Mas a coisa foi feia. Sem água por três dias, sem luz por um e sem estradas. Mas estamos voltando ao normal.

    Grande abraço!
  • Felipe  14/01/2022 16:43
    "1) Os exportadores não internalizaram seus dólares. De todo o volume exportado em dólares, apenas 12% foi convertido para reais. Ou seja, praticamente não houve a conversão de dólares para reais por parte dos exportadores."

    Eu vi o tuíte, mas há estatísticas disso, inclusive para comparar com dados de anos anteriores e de outros países?

    Não sei como está onde você mora, mas no sul de MG peguei uma forte chuva na estrada, forte a ponto de atrapalhar a visão do motorista no para-brisa...
  • Rene  13/01/2022 01:57
    Com o histórico de fracassos do controle de preços, só demitir quem escreve um artigo sugerindo isso não basta. Deveriam é revogar o diploma de jornalista e manter ela longe de qualquer atividade intelectual.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.