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Gargalos? Quebras nas cadeias? Não. A inflação geral de preços sempre é um fenômeno monetário
No Brasil, a nossa banheira inflacionária está começando a transbordar

No Brasil, o índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) subiu 10,25% nos últimos 12 meses. Trata-se do maior valor desde 2015.

IPCA.png

Gráfico 1: evolução do IPCA acumulado em 12 meses desde 2004

A justificativa apresentada — e tal comportamento é um fenômeno mundial, utilizado por praticamente todos os governos do mundo — é que esta inflação de preços se deve a "choques de oferta" e a "gargalos nas cadeias de suprimento".

Embora de fato haja alguns gargalos localizados, que afetam produtos específicos, o fato é que não há como um choque localizado de oferta produzir um aumento generalizado de preços.

Só é possível ocorrer um aumento generalizado de preços — isto é, só é possível ocorrer um aumento simultâneo de preços em todos os setores da economia, de commodities a serviços, passando por produtos industriais e vestuário — se a quantidade de dinheiro dentro da economia estiver aumentando.

Questão de lógica

Se a recente disparada de preços fosse realmente causada por gargalos que gerassem uma escassez de produtos, e não por um aumento da oferta monetária, então o PIB mundial estaria em forte queda. Mas este não é o caso. A própria OCDE estima que o PIB mundial crescerá 5,7% em 2021, após ter caído 3,4% em 2020. Ou seja, toda a produção perdida durante a pandemia será mais do que recuperada.

Esta tese de escassez de oferta baseia-se majoritariamente na evidência anedótica de que há demandas não-atendidas e aumentos de preços em determinados setores. Mais especificamente, é dito que "estão faltando" chips e semicondutores — e, consequentemente, faltam carros novos à venda —, bem como alguns móveis, metais e petróleo.

Certo.

Mas aqueles que alegam que a oferta destes produtos está insuficiente não se dão ao trabalho de investigar se este aperto na oferta se deve a uma escassez crônica na produção ou a um excesso de demanda. São coisas muito distintas.

Adicionalmente, ainda que a oferta realmente estivesse escassa para determinados produtos — como é o caso do petróleo —, não teria como haver um forte aumento generalizado em todos os preços da economia se a oferta monetária — e, por conseguinte, a demanda agregada — se mantivesse relativamente inalterada. 

O aperto em determinadas cadeias de suprimento seria contrabalançado por uma menor demanda por outros bens e serviços, de modo que apenas os preços relativos iriam se alterar. Preços maiores para a energia levariam a um menor consumo de bens relativos ao setor de serviço e ao comércio em geral. 

Se os preços da gasolina e do diesel sobem, mas a oferta monetária se mantém constante (o que significa que não há como haver um aumento na demanda geral), então terá de haver um menor consumo de automóveis e de materiais de construção, menos gastos em lazer, menos compras de roupas elegantes, menos viagens, menos saídas para jantar etc. Consequentemente, estes preços não terão como subir. 

Se subirem, então é porque está havendo um aumento generalizado na demanda. E tal aumento só pode ocorrer se a quantidade de dinheiro na economia estiver em ascensão.

A banheira com três drenos

Uma boa analogia para se entender o que está acontecendo é pensar a economia como se fosse uma banheira. O dinheiro é injetado na banheira através da torneira. A banheira possui três drenos.

O primeiro dreno é o crescimento econômico. 

Quanto maior o crescimento econômico, maior é a produção de bens e serviços. Maior a oferta de bens e serviços, menor a pressão para o aumento de preços.

O segundo dreno é a demanda por moeda, a qual também está relacionada ao crescimento econômico. 

Quanto mais empresas estiverem sendo criadas, quanto mais investimentos estiverem sendo feitos, quanto mais pessoas estiverem sendo contratadas, maior será a demanda pela moeda. Afinal, é necessário dinheiro para fazer tudo isso. Empreendedorismo, investimentos, expansão dos negócios e produção significa mais pessoas demandando moeda.

O simples ato de um empreendedor ir ao banco ou ao mercado de capitais tentar empréstimo para abrir uma empresa, para comprar maquinário ou para expandir suas instalações já representa um aumento na demanda pela moeda. Antes, a moeda iria apenas para aplicações financeiras e títulos públicos; agora, ela poderá também ser direcionada para financiar a produção deste empreendedor. Ou seja, aumentou a concorrência para obter esta moeda. Aumentou a demanda pela moeda.

A taxa básica de juros também atua por este dreno. Um aumento nos juros tende a fazer com que estrangeiros venham para o país aplicar na renda fixa. Ao fazerem isso, trocam moeda estrangeira pela moeda nacional, o que aumenta a demanda por esta.

Em períodos da baixa inflação de preços, o fluxo de entrada oriundo da torneira é aproximadamente igual ao fluxo de saída destes dois drenos.

No entanto, se mais dinheiro estiver entrando do que saindo da banheira — isto é, a oferta monetária estiver aumentando a um ritmo maior do que o crescimento econômico e a demanda por moeda —, então o nível da água na banheira (preços) irá aumentar. 

E irá seguir aumentando até finalmente alcançar o terceiro dreno, que é o dreno de transbordamento, também conhecido como o dreno da inflação de preços. Este dinheiro em excesso, que não está sendo absorvido nem pelo crescimento econômico e nem pela demanda por moeda, só poderá ser escoado da banheira via aumento de preços, que é o terceiro dreno.

Ou seja, apenas após todos os preços terem aumentado, de modo a refletir a nova realidade de mais moeda na economia, é que o nível da água na banheira para de subir.

No Brasil

Vejamos a banheira brasileira. Desde os meses iniciais da Covid-19, a torneira se manteve totalmente aberta. Entre janeiro de 2020 e setembro de 2021, a oferta monetária cresceu mais que 50%.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

M1a.png

Gráfico 2: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Para se ter uma ideia do significado de tudo isso: um aumento de mais de 50% no M1 significa que, em um ano e meio, foi injetada na economia brasileira simplesmente a metade de todos os reais que já haviam sido criados entre julho de 1994 até janeiro de 2020.

E ainda há quem estranhe que os preços de tudo estão aumentando?

Já o M2 (que engloba todo o M1 mais caderneta de poupança e depósitos a prazo) aumentou quase 40% no mesmo período.

M2.png

Gráfico 3: evolução do M2 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente, mais caderneta da poupança, mais todos os tipos de depósitos a prazo) no Brasil. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Basicamente o que houve é que, com a Covid-19, o Banco Central — por meio do Orçamento de Guerra — passou a imprimir moeda para comprar ativos em posse dos investidores (os mecanismos e as leis que permitiram essa impressão monetária já foram detalhados aqui). 

Foi uma política monetária claramente inspirada na Teoria Monetária Moderna, que está à esquerda de Keynes e que já foi considerada radical até mesmo por Paul Krugman.

A disparada nos preços dos combustíveis e dos alimentos são apenas a parte mais sensível desta política monetária.

Caso a quantidade de dinheiro na economia se mantenha em seus atuais níveis, ainda há muito espaço para futuros aumentos de preços. Ou seja, em nossa metáfora, o nível da água na banheira ainda não alcançou o dreno de transbordamento, e continuará subindo.

Para evitar que isso aconteça, há três alternativas: a economia passar a crescer velozmente (o que exigiria várias reformas econômicas do lado da oferta), a demanda por moeda aumentar muito (o que envolve uma mistura de crescimento econômico e juros), ou o Banco Central adotar uma política monetária fortemente contracionista (o que envolve juros muito altos), ao estilo daquela ocorrida em 2015. 

Ou seja, ou os dois primeiros drenos são acionados, ou então não apenas fecha-se inteiramente a torneira, como esta ainda passa a sugar a água de dentro da banheira.

A conferir.

Conclusão

As causas de um aumento generalizado de preços não são "múltiplas e complexas". Não decorrem de gargalos localizados (os quais não têm o poder de gerar carestia em todos os setores da economia). 

Elas são simplesmente a consequência inevitável de uma criação excessiva de dinheiro. Não existe algo como "inflação de preços gerada pelo aumento dos custos". 

Se houver gargalos localizados na cadeia produtiva, mas não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, não há como haver aumentos generalizados de preços. Preços maiores nos setores atingidos pelos gargalos levariam a uma redução do consumo nestes setores ou em outros setores. 

A única maneira de haver aumentos generalizados de preços em todos os setores é se a quantidade de dinheiro na economia estiver aumentando. Preços maiores só se mantêm quando os consumidores têm mais dinheiro para pagar por estes preços mais altos. 

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Leia também:

Sim, a inflação é mundial, mas não decorre só de gargalos - e pode abortar a retomada econômica



autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Edson  08/11/2021 19:21
    Dado que o PIB não vai crescer 50%, e dado que a demanda por reais não irá disparar sensivelmente (ao contrário: ao redor do mundo a demanda por papel-moeda só faz cair, inclusive em relação a dólar, euro e franco-suíço), a única solução será uma contração da oferta monetária — algo que, convenhamos, não é muito difícil após uma subida de 50% (uma contração de 10% fará com que o aumento total do M1 tenha sido de 35%).
  • Yuri  08/11/2021 19:31
    Sim, mas a recessão que isso causará será brutal.
  • William  08/11/2021 19:36
    A eleição do ano que vem está nas mãos do BC.
  • Humberto  08/11/2021 19:44
    Meus caros, a eleição já foi decidida pelo BC em 2020. Estamos apenas esperando a data chegar.
  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  08/11/2021 22:56
    A eleição já era. E o Bolso nem sabe por que perderá.
  • Pobre Mineiro  09/11/2021 03:40
    Mas Lula ou o Cirão da Massa tem alguma chance ?.

    Eu espero que não, mas no final é irrelevante, basta outro com o mesmo perfil.

    Lembrando que engravatados, ricos e bem sucedidos como o Sérgio Moro, Amoedo, etc... não vencem no Brasil.
  • Bernardo  09/11/2021 04:16
    Nem Lula nem Bolsonaro serão candidatos. O STF vai garantir isso, até mesmo para que seus ministros voltem a ter sossego. Barrar a candidatura dos dois é a única maneira de os ministros voltarem a poder andar pelas ruas.

    Lula será indiciado em um de seus dezenas de crimes e ficará de fora pela lei da Ficha Limpa. Bozo fará um acordo com o STF para proteger seus filhos e, em troca, abrirá mão da reeleição, que é uma exigência do STF (aquela trégua costurada por Temer é só o início disso). Concorrerá ao Senado, manterá imunidade parlamentar e indicará Tarcísio.

    A eleição, portanto, será entre Tarcísio, Leite, Moro, Haddad e Ciro.

    Ciro não passa dos 12%, ainda mais agora que brigou feio com o PT. Mas vale ressaltar que o jogo de Ciro Gomes NUNCA foi a presidência. Desde 2002, ele tem um só objetivo: conseguir o máximo possível de votos para eleger uma boa bancada para seu partido e, com isso, viver de fundo partidário.

    Ciro Gomes não trabalha e não exerce cargo público há anos. Ele próprio já admitiu em entrevistas que vive de estipêndios que seu partido lhe repassa via fundo partidário (algo que não é ilegal, ressalte-se).

    Seu objetivo é, de 4 em 4 anos, manter esse arranjo.

    Leite será idolatrado pela imprensa e será também o candidato de todo o Beautiful People, mas não tem nenhuma penetração popular, principalmente no Nordeste, que não vota nem em sulista nem em homossexual (quem é nordestino sabe disso).

    Moro terá seguidores fieis entre os lava-batistas, mas estes são uma espécie em extinção.

    Haddad tem o recall e o apoio de Lula. Está no segundo turno.

    Tarcísio tem inúmeras vantagens: tem um currículo incriticável, possui várias realizações efetivas no Nordeste, e não é almofadinha nem mauricinho. Ainda mais importante: tem uma feição (no sentido de aparência mesmo) bem popular. Está longe de passar a imagem de um bacana rico. Isso dialoga com o povo. Também é bom de debate e é carismático. Nem mesmo a imprensa anti-bolsonarista delirante consegue criticá-lo.

    Se fizer tudo direitinho, dá pra levar. Mas vai depender inteiramente de como estará a economia até lá.
  • Felipe  09/11/2021 12:46
    Se o Lula não será candidato, então por que eles liberaram ele nesse ano para candidatura? E por que sem o Lula os ministros teriam sossego?
  • Bernardo  09/11/2021 13:54
    "por que eles liberaram ele nesse ano para candidatura?"

    Praticamente todos os ministros do STF foram indicados pelo PT. Até os que não foram, como Mendes, se revelaram ainda mais lulistas.

    Nenhum poderoso quer ver outro poderoso na cadeia. Isso não só atenta contra o status deles, como também é um indicativo de que ninguém está imune, e que eles próprios podem vir a ser presos.

    Em suma: liberaram Lula por interesse próprio.

    Ademais, uma coisa é um Lula inelegível comandar uma campanha (isso é péssimo para a imagem de quem quer que seja o petista escolhido, bem como péssimo para a imagem das instituições brasileiras). Outra, bastante distinta, é um Lula livre e ficha-limpa fazendo o mesmo.

    "E por que sem o Lula os ministros teriam sossego?"

    Com a polarização do país, os atuais ministros do STF, que antes nem sequer eram reconhecidos, não mais conseguem nem andar em aeroportos sem serem xingados. São assediados aonde quer que vão. Ninguém gosta de viver assim.

    Tudo o que essa gente mais quer é voltar a ter sossego.

    Não terão sossego se um dos dois for eleito. E também não terão sossego se apenas um deles tiver a candidatura melada.

    Logo, a maior aposta é tirar os dois, posar de isentão, e torcer para um tucaninho progressista ganhar.
  • Felipe  09/11/2021 14:05
    Se eles tornarem Bolsonaro inelegível, ainda que o Lula fique junto nessa, os ministros terão ainda menos sossego.
  • Bernardo  09/11/2021 14:33
    Eles não farão isso. Leia de novo o que escrevi lá em cima, na primeira postagem. Haverá um acordo para que o próprio abra mão da candidatura à presidência e concorra a outro cargo.
  • Rachel Francisca oliveira e Borges  09/11/2021 16:42
    Eu acho que comentario do Bernado faz muito sentido. Tanto e que tinha ate uma PEc para ex presidente. Os dois vao sair da disputa. o STF nao vai tirar so um. Na verdade vai tirar nenhum. e vao fazer acordo. E to jeito que a situacao esta, sera o melhor para país
  • Gabriel M  09/11/2021 14:49
    Vou até salvar o link para voltar daqui a um ano e perguntar que erva o Bernardo usou antes de escrever o comentário ou pra bater palmas.
  • Observador  09/11/2021 16:18
    Embora eu ache o Bernardo otimista, devo dizer que a lógica dele faz sentido. Analisando pelo lado prático, nem Lula nem Bolsonaro teriam qualquer governabilidade. Uma coisa é você sofrer oposição de 50% da população. Outra coisa, bem distinta, é você ser odiado mortalmente por estes 50%.

    Ninguém governa sendo odiado pela população e tendo toda a imprensa contra. Ambos sabem disso, pois de bobos não têm nada. Sendo assim, por que iriam querer ser eleitos se sabem que não poderão fazer nada? Você assumiria a chefia de uma empresa tendo todos os funcionários, auxiliares, fornecedores e contratantes totalmente contra você?

    Os dois apenas iriam queimar a própria reputação (ainda mais).
  • Felipe  09/11/2021 17:40
    Se isso do Bolsonaro tivesse sentido, ele já teria caído há muito tempo. O cara é popular e tem apoio de parte do Congresso. A imprensa tradicional está perdendo poder. Se tivesse o mesmo poder de décadas atrás, Bolsonaro nem eleito seria.

    Quem melhor analisa isso é o Peter Turguniev, do canal Ancap.SU.
  • cmr  10/11/2021 03:17
    Quem melhor analisa isso é o Peter Turguniev, do canal Ancap.SU.

    Peter Turguniev do Ancap.su, eu sigo os canais dele, infelizmente o nível já caiu bastante...
    Hoje só o Ancap.su Classic que se salva.

    Os comentários lá são ainda mais sofríveis, era para ser majoritariamente de libertários mas o que predomina são estatistas de direita, bolsominions e trumpminions. (sério, tem gente lá até hoje esperando a volta do Trâmpi para nos proteger do malvadão do ursinho Pooh)
    E o Peter; por sua vez, alimenta esse público. (Até entendo a situação dele, ainda assim critico a queda no nível)

    Verifique o Ancap.su Classic e veja, são verdadeiras aulas...
  • Pobre Mineiro  11/11/2021 11:12
    Você assumiria a chefia de uma empresa tendo todos os funcionários, auxiliares, fornecedores e contratantes totalmente contra você?

    Só que o estado não é uma empresa e político não é empregado.
    Empregado é cobrado, se não corresponder às expectativas do patrão, é demitido.

    E políticos ?, como é que são as coisas para eles ?.

    Se tem uma coisa que políticos não dão a mínima, essa coisa é a governabilidade; caso contrário, muitos políticos na história teriam renunciado aos seus cargos muito antes do fim. (isso no mundo inteiro)
    O interesse deles é outro.

    Cite um político, em qualquer lugar do mundo, em qualquer época, que renunciou voluntariamente, consegue citar pelo menos um ?. Todos os que renunciaram o fizeram sob forte pressão. (que eu saiba)
  • Marcelo  10/11/2021 12:53
    Na retração, os juros sobem e os bancos ganham.
    Na inflação, os juros inflacionários são drenados para os bancos.
    De dreno e dreno, quem ganha são sempre os bancos.
    Quem manda no mundo?
  • Trader  10/11/2021 14:23
    "Na retração, os juros sobem e os bancos ganham."

    Juros em alta reduzem o valor nominal dos títulos públicos em posse dos bancos. Consequentemente, eles têm uma perda de capital.

    Igualmente, juros maiores levam a uma redução do crédito. Dado que bancos ganham ao emprestar para pessoas e empresas, se houver uma redução nos empréstimos, eles passam a ganhar menos.

    Matemática básica.

    "Na inflação, os juros inflacionários são drenados para os bancos."

    São drenados para qualquer pessoas em posse de títulos atrelados à inflação. Você mesmo pode tê-los. Inclusive, sugiro fundos de infraestrutura negociados em bolsa. IFRA11 e KDIF11. Passarão a pagar dividendos mensais: o IPCA do mês anterior mais um juro real (hoje, por volta de 5,50% ao ano). Ou seja, no momento, estão pagando 10,67% + 5,50%. Ou seja, 16,75% ao ano, com pagamentos mensais. Melhor que qualquer fundo imobiliário.

    Estão lá dando sopa, para quem quiser. E você aí se vitimizando.

    "De dreno e dreno, quem ganha são sempre os bancos."

    Quem ganha são os espertos. Há várias maneiras de qualquer pessoas física, com taxa zero, ganharem com a inflação. Sugiro ser uma delas.

    "Quem manda no mundo?"

    Os espertos.
  • Pensador Ancap  10/11/2021 19:26
    No mundo ganha quem é mais bem informado, não necessariamente os espertos, a não ser que você considere esperto os mais bem-informados, ou seja tem pessoas que se acham as espertas, mas é só papo...
  • Trader  08/11/2021 19:30
    Na altamente inflacionária década de 1970, com dois choques de petróleo, o IPCA da Alemanha mal se moveu.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/germany-inflation-cpi.png?s=grbc20yy&v=202110281232V20200908&d1=19760108&d2=19861108

    Subiu pontualmente por conta dos preços da energia, que representam uma parcela grande da cesta de consumo, mas não houve inflação generalizada. Isso diz bastante sobre a seriedade de um Banco Central.
  • Bernardo  08/11/2021 19:35
    Nem precisa ir para a Alemanha. O próprio Brasil em 2017 foi um bom exemplo. Gasolina subia semanalmente nas bombas, mas o IPCA era comportado. Com um BC mais austero naquela época (M1 crescendo pouco), esses "choques" não se transmitiam por toda a economia.
  • Felipe  08/11/2021 23:45
    Analisando o gráfico com mais amplitude, a inflação de preços deu uma disparada para a Alemanha. É óbvio que nem se compara ao Brasil. Mas o abrupto fim do acordo de Bretton Woods afetou todas as moedas do mundo. O engraçado é que no caso brasileiro nessa época, a inflação de preços foi se descontrolar no fim da década de 1970.

    Para um germânico, uma inflação de preços de 4 % já é muito preocupante. Aqui em terras tupiniquins é que acham que isso é uma maravilha e está tudo bem.
  • Daniel Cláudio  08/11/2021 20:19
    O BC está totalmente perdido. Hoje mesmo um diretor já admitiu que a instituição poderá aumentar a Selic em mais de 1,5 p.p. na próxima reunião.

    valor.globo.com/financas/noticia/2021/11/08/diretor-do-bc-admite-possibilidade-de-alta-da-selic-maior-que-15-pp-na-proxima-reuniao.ghtml
  • anônimo  08/11/2021 20:24
    O BC até agora:

    - Selic a 2% é o novo "lower bound"
    - Foward guidance
    - Dólar alto não incomoda
    - Inflação é passageira
    - Susto
    - Três aumentos de 0,75 ponto percentual
    - Dois aumentos de 1 ponto percentual
    - Um aumento de 1,5 ponto percentual
    - Acreditamos que talvez será necessário um aumento ainda maior

    Nem adolescente tem tanta instabilidade de comportamento.
  • Fraude Eleitoral  08/11/2021 22:15
    Paulo Jegues errou na mão.
  • Vladimir  08/11/2021 23:24
    A julgar pela opção demonstrada pelo Bacen, eles vão elevar a Selic até causar uma forte contração monetária.

    Até vai resolver a carestia, mas vai causar uma brutal recessão econômica. A eleição de 2022 vai cair gratuitamente no colo da oposição. Não vai precisar nem fazer campanha.
  • Elias  08/11/2021 23:31
    Teria outra solução?
  • Trader  08/11/2021 23:37
    Não mais. Já passou do ponto. Antes, até dava para vender dólares e, com isso, manter o câmbio em valores mais realistas.

    Mas com esse estúpido aumento de 50% no M1, esquece. Vender dólares seria apenas enxugar gelo.
  • Daniel  08/11/2021 23:38
    O BC está sentado em cima de US$ 340 bilhões de reservas. É absolutamente incompreensível essa passividade dele.

    Ainda mais incompreensível é ele preferir disparar a Selic em vez de atuar no câmbio.

    Há vários especialistas mundiais na área de câmbio dizendo que, levando em consideração o balanço de pagamentos, os juros atuais, os preços das commodities e os termos de troca, o valor correto do câmbio é de R$ 4,50.

    Com três leilões o BC resolveria isso. Não gastaria mais do que US$ 50 bilhões (uma ninharia) e resolveria o problema da inflação sem ter de disparar juros e jogar a economia em recessão.

    Tombini foi péssimo, mas de 2012 até o fim de 2014 ele segurou a inflação no câmbio. E olha que absolutamente tudo conspirava contra: BNDES descontrolado e bancos estatais concedendo crédito a juros de 2% ao ano. Conseguiu reeleger aquela completa inapta da Dilma.

    Em 2015, ele foi seguir os conselhos do chicaguista Levy, e parou de atuar no câmbio para mexer exclusivamente nos juros. Jogou a Selic para 14,25%, arregaçou a economia e não segurou a inflação (a qual só começou a cair depois que trocou o governo).

    Espero, MUITO, que o atual BC não siga pelo mesmo caminho. Mas parece que será.
  • Leandro  08/11/2021 23:49
    Não tem mais jeito de se fazer isso. Já passamos do ponto. Isso era para ter sido feito ainda em 2019, ou, no mais tardar, no primeiro semestre de 2020. Agora já era.

    A partir do momento em que o câmbio passa de um determinado valor, ele não retrocede apenas com a venda de dólares. Como bem dito acima, seria enxugar gelo. Reservas seriam queimadas e o efeito seria totalmente passageiro. Sendo assim, passa a ser necessário um constante influxo de capital estrangeiro. E este só vem para arbitrar juros. Mas os juros reais precisam ser positivos. Os nossos estão em bizarros -6%.

    Vale também lembrar que, em última instância, a taxa de câmbio reflete o poder de compra entre as duas moedas. Dado que o real perdeu muito poder de compra em 2020 e em 2021, como consequência da nossa adoção da Teoria Monetária Moderna (de janeiro de 2020 até hoje, o IGP-M subiu 42%), o "preço correto" do dólar inevitavelmente está maior. Esqueça dólar abaixo de R$ 4. Só volta a este valor se o próprio dólar também se desvalorizar muito. Ou então se houver uma grande contração monetária (diminuição da quantidade de reais na economia).

    Como eu disse em outro comentário, até seria possível — dado o nível de nossas reservas — criar um arranjo em que o BC atuaria como atua um formador de mercado de um ETF: ele diariamente entraria estabelecendo um teto e um piso para o câmbio (com US$ 375 bi de reservas, isso seria sopa), e a cada dia ele iria diminuindo o valor do teto e do piso. Ou seja, ele estabelecia bandas superiores e inferiores, e a cada dia iria reduzindo essas bandas.

    Seria como foi no início do Plano Real (de 1995 a 1998), só que fazendo o movimento contrário: lá, o dólar se desvalorizava (pouco) diariamente; aqui, ele teria de se valorizar diariamente.

    No curto prazo, tal arranjo funcionaria perfeitamente como medida anti-inflacionária, o câmbio iria para onde o BC quisesse, e isso abateria a carestia.

    Mas, a longo prazo, isso secaria completamente o mercado de câmbio. Ninguém mais iria atuar; o BC seria o único demandante e ofertante. Adicionalmente, perder-se-ia toda e qualquer noção do valor real do dólar. Ainda pior: isso liberaria o populismo fiscal dos políticos, pois, com o dólar controlado (temporariamente), não haveria punição para farras fiscais.

    Sendo assim, tão logo este arranjo fosse abandonado, haveria o risco de um forte overshooting cambial (dependendo das condições econômicas vigentes), o que desorganizaria ainda mais a economia.

    No fim, não tem mágica: sendo o câmbio flutuante, você só controla a inflação via oferta monetária (a qual é alterada via juros).
  • Paulo  08/11/2021 23:30
    Se a economia fosse dolarizada, e dado que já existe preços em dolares para a economia se basear(não precisa descobrir eles).. Seria recessivo uma dolarização para abater a carestia?
  • Leandro  08/11/2021 23:42
    Não. Com efeito, uma troca de moeda é a única medida de abatimento quase que instantâneo da carestia sem nenhum efeito recessivo.

    A inevitável consequência de todo boom inflacionário é uma recessão. Mises e Hayek dedicaram suas vidas a explicar isso. A única maneira de se sair de um boom inflacionário sem recessão é quando se faz uma reforma monetária completa e se troca o regime cambial — como, por exemplo, quando se sai de uma hiperinflação trocando a moeda e adotando um regime de câmbio fixo. Ou quando se dolariza.

    Como isso não será feito, não há alternativa.
  • Paulo  08/11/2021 23:52
    Eu só não entendi direito porque isso não provoca uma recessão. Se deve pela razão explicitada? Já existe os preços dos bens e serviços em dolares para a economia nacional se basear? Os juros passam a ser próximos aos americanos? Por que me parece que as má alocações de recursos já ocorreram com a moeda antiga(assim como os investimentos dependentes da inflação), não é como se eles ''sumissem'' só por trocar a moeda;
  • Leandro  09/11/2021 00:30
    Porque tal medida não envolve alteração na oferta monetária.

    No arranjo atual, uma moeda contaminada e de baixa demanda (logo, com poder de compra decrescente) tem de passar por um processo de redução forçada em sua oferta para que seu poder de compra pare de cair. Esta redução da oferta monetária é recessiva.

    Já no arranjo que envolve troca de moeda, uma moeda contaminada e de baixa demanda (logo, com poder de compra decrescente) é trocada por outra moeda menos contaminada (e, logo, mais estável). Não se provoca nenhuma redução forçada na oferta monetária. Apenas troca-se uma moeda ruim por outra melhor, que já existe e que é mais estável.

    Utilizando uma metáfora, estamos utilizando uma relógio errático, que vive atrasando e informando as horas erroneamente. Temos duas alternativas: tentar consertar o relógio (o que significa que não poderemos utilizá-lo durante este período de conserto, ficando sem saber as horas) ou trocar imediatamente de relógio.


    P.S.: um surto inflacionário, causado por expansão monetária direta, é diferente de um boom econômico causado por expansão do crédito. Neste último, a inflação é menor e mais lenta, e, exatamente por causa deste período de tempo mais prolongado, há uma maior má alocação de recursos. Nosso problema atual não é de má alocação de recursos (mesmo porque nem tivemos um boom econômico), mas sim de inflação monetária pura.
  • Paulo  09/11/2021 01:03
    Entendi, bom exemplo o do relógio, ficou claro. Muito obrigado pela resposta;
    Atualmente nossas reservas internacionais devem estar abaixo da base monetária, ficaria um pouco mais complexo, até pouco antes da pandemia o Brasil poderia fazer um BC facilmente, uma pena
  • Leandro  09/11/2021 02:15
    Ao contrário: as reservas são de US$ 340 bilhões (R$ 1,8 trilhão), e a base monetária é de R$ 400 bilhões.

    Dá pra fazer quatro Currency Boards.

    Mas chance zero de isso acontecer.
  • Paulo  09/11/2021 14:33
    Vi que ainda preciso aprender bastante. O CB não seria 1 dolar para cada real na base monetária e a cotação fixada?(Por exemplo, uns 3,80 caso o mercado levasse para isso após o anuncio) Então, teria menos dolares nas reservas que a quantidade de dinheiro na base monetária
  • Leandro  09/11/2021 16:15
    Se o dólar caísse para R$ 3,80 e a base monetária se mantivesse em R$ 400 bilhões, então seriam necessários apenas US$ 105 bilhões de reservas, pois 105 bilhões de dólares vezes 3,80 são 400 bilhões de reais.

    Para um Currency Board, é necessário que as reservas em dólares tenham o mesmo valor (em moeda nacional) que a base monetária (que é em moeda nacional).

    Quando isso ocorre, diz-se que a base monetária está 100% lastreada em reservas internacionais.

    Eu realmente recomendo a leitura:

    www.mises.org.br/article/2196/os-tres-tipos-de-regimes-cambiais-existentes--e-qual-seria-o-mais-adequado-para-o-brasil
  • Artista Estatizado  09/11/2021 01:51
    Mas, se não houve má alocação de recursos, por que uma contração da oferta monetária geraria uma recessão? Seria uma redução apenas na demanda, sem o fechamento de empreendimentos?
  • Leandro  09/11/2021 02:12
    Porque, no curto prazo, os preços continuam subindo (embora a um ritmo menor), mas a quantidade de dinheiro (portanto, a renda nominal) está caindo.

    Passa a haver menos dinheiro para lidar com preços mais altos.

    Gastos dos consumidores caem, receitas das empresa caem, mas preços e custos ainda sobem. Demissões e redução de investimentos são a consequência.

    Surge aquela sensação, real, de "falta de dinheiro" - algo que, hoje, ainda não está nem perto de acontecer.

    Até seria possível evitar isso: bastaria permitir que preços e salários caíssem livremente. Como o segundo é constitucionalmente proibido (só se os sindicatos autorizarem), os primeiros também se tornam mais rígidos.
  • Felipe  08/11/2021 23:40
    Cansei de falar isso, mas parece que há pessoas que insistem em não querer aprender e entender.

    É muito gostoso o Bolsonaro falar que a culpa da inflação é dos políticos e burocratas que proibiram as pessoas de trabalhar. "A economia a gente vê depois?". Pois é, mas como eles explicam sobre a inflação dos alimentos, já que houve recorde de safras no ano passado, com até alimentos e demais commodities exportados? Detalhe que teve país que importa alimento com inflação no setor menor do que aqui (como Singapura). Essa frase de efeito do Bolsonaro não difere muito do Powell que coloca a culpa da inflação somente nas cadeias de suprimento.

    E um adendo importante: conforme eu falei no ano passado (não achei o meu comentário, se alguém achar eu agradeço), o índice de preços ao produtor brasileiro explodiu já em 2020, antes de quase todo o resto do mundo. Nos países desenvolvidos, o negócio começou só nos últimos meses, sendo que no ano passado muitos vivenciaram deflação de preços ao produtor, em pleno lockdown.
  • Milton  08/11/2021 23:51
    A inflação generalizada de preços é um fenômeno estritamente monetário. Embora lockdowns sejam completamente nefastos e devam ser criticados sempre, eles por si sós não têm como gerar carestia generalizada. Isso é (in)competência de BC.
  • anônimo  09/11/2021 11:39
    "mas como eles explicam sobre a inflação dos alimentos, já que houve recorde de safras no ano passado, com até alimentos e demais commodities exportados?"

    Isso é um fator MUNDIAL, produto da subida das commodities pela desvalorização do dólar. A inflação subiu até nos EUA. Acham mesmo que numa conjuntura como essa o impacto inflacionário iria ficar só no Brasil?

    Preços altos é uma situação CONJUNTURAL e MUNDIAL e não tem nada a ver com a política econômica do governo. Estados Unidos, Alemanha e China também estão com inflação alta. Isso é culpa do governo brasileiro?

    A única forma de arrumar esse problema seria obrigando o FED aumentar a taxa de juros. Ou intervindo na marra nas decisões do BC, que é o pior dos mundos.

    O que o Guedes deveria fazer? Passar por cima das decisões do BC e subir os juros na marra? Se tivesse feito isso, a galera estaria falando que o Guedes deveria ser processado por invadir a prerrogativa do BC. Então se decidam gente: o BC deve ser independente como em todas as economias avançadas, ou o BC deveria ser uma sucursal do Ministério como na Venezuela ou Argentina?

    E, mesmo assim, o Brasil está batendo quase 300 bilhões em exportações, superávit comercial batendo quase 90 bilhões em 2021, indústria puxando retomada em 2020 e em 2021, foi o primeiro setor a recuperar o patamar pré-crise, os estados industriais do Sul/SE batendo recordes de geração de emprego etc, o que mostra que nossa política econômica está no caminho certo.
  • Trader  09/11/2021 14:01
    "Isso é um fator MUNDIAL, produto da subida das commodities pela desvalorização do dólar. A inflação subiu até nos EUA. Acham mesmo que numa conjuntura como essa o impacto inflacionário iria ficar só no Brasil?"

    Mesmíssima coisa aconteceu no período 2004-2011. Com ainda mais intensidade. As commodities encareceram em dólar por causa da desvalorização mundial do dólar.

    Mas o Brasil sentiu bem menos. Por quê? Porque aqui ainda havia uma política monetária sensata, com juros reais positivos.

    O câmbio, em vez de virar a putaria atual, se apreciou. Ou seja, em reais, as commodities pouco mudaram (você acha que Lula é popular por quê?)

    Querer que uma expansão de 50% no M1 acoplada a juros reais binariamente negativos não se traduza em explosão do câmbio é querer revogar a economia básica.

    Sim, a lambança atual é coisa nossa.

    A boa notícia é que dá pra reverter. A má é que não será indolor.

    "Estados Unidos, Alemanha e China também estão com inflação alta"

    Algum deles chegou a ter inflação no atacado de 50%? Pois é. Nosso IPA bateu esse valor em maio.

    Dica: em vez de tentar proteger burocratas, aponte com sinceridade seus erros para que eles aprendam e evitem repeti-los no futuro.
  • Edson  09/11/2021 14:27
    Exato. Pessoal ainda acha que Lula é popular por causa do discurso, da aparência ou memo do histórico pessoal.

    Lula é popular simplesmente porque escolheu para o Banco Central uma equipe comprometida com moeda forte (o que exige juros reais altos). Mesmo o Bolsa-Família não teria função nenhuma se fosse feito sob um arranjo de moeda fraca.

    Já Dilma fez o oposto e foi pra lata de lixo de história.

    Sem moeda forte, nenhum governante se mantém. Procure encontrar alguma exceção. Não há.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  09/11/2021 16:52
    "Sem moeda forte, nenhum governante se mantém. Procure encontrar alguma exceção. Não há."

    Vejamos o Brasil nas últimas décadas:

    Militares: confere.
    Sarney: confere.
    Collor: confere.
    FHC: confere.
    PT (Dilma): confere.

    É, não há mesmo.
  • Pobre Mineiro  16/11/2021 02:31
    Não me lembro onde li...

    Se um país está com a economia indo bem, o povão pouco se importa com o que está acontecendo na política.
    Isso no mundo todo...
  • Marcelo  09/11/2021 00:31
    Peraí..... existe a inflação de custos que todo economista fala. O petróleo subiu porque um grupo de produtores resolveu repor os lucros perdidos na pandemia. Não tem relação com moeda alguma. Pelo menos imagino isso. Então os prejuízos da pandemia são repostos aumentando e aí os custos de toda a cadeia mundial de petróleo e produção aumenta. Então não seria somente monetário.
  • Trader  09/11/2021 00:54
    Não, não existe "inflação de custo". Só é possível repassar inflação de custos quando há expansão monetária. Não houvesse expansão monetária não haveria como repassar eventuais aumentos de custos.

    Se salários e outros custos trabalhistas ou de produção forem forçados para cima, mas não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia, e os produtores tentarem repassar estes aumentos aos consumidores elevando os preços de venda, a maioria deles irá apenas vender menos produtos. O resultado será um menor nível de produção e a perda de empregos. Custos maiores podem ser repassados para os preços somente quando os consumidores têm mais dinheiro para pagar por estes preços mais altos. 

    Isso vale para tudo: de petróleo e comida, a carros e roupas.


    P.S.: falando especificamente sobre petróleo, leve em conta isto aqui:

    Como a agenda ambientalista e a imposição do ESG estão causando uma crise energética global

    Houvesse aumento de preços apenas de petróleo, tudo certo. Mas havendo aumentos de preços de absolutamente todos os bens e serviços, então só há uma explicação: oferta monetária.
  • George  09/11/2021 00:56
    Vale ressaltar, inclusive, que é exatamente a expansão da oferta monetária o que permite que aumentos do salário mínimo por decreto não se traduzam em desemprego da mão de obra menos qualificada.

    Aumento do salário mínimo por decreto significa aumento de custos para o produtor. Sendo assim, se o salário mínimo sobe, mas a oferta monetária também sobe (ou sobe ainda mais), então, obviamente, o efeito prático é que não há aumento real dos custos.

    Mais dinheiro na economia, maior o volume de gastos, maiores as receitas das empresas, maior a facilidade de se pagar maiores salários.

    Sendo assim, aumento do salário mínimo em um cenário de aumento da oferta monetária não gerará desemprego.
  • Imperion   09/11/2021 23:28
    O que não existe é isso de inflação subiu porque os "produtores estão repondo os lucros".

    Se eles pudessem ir aumentando os lucros indefinidamente, somente aumentando os preços, eles já teriam feito isso há muito tempo.
    Por que esperariam para só agora fazer isso, se tivesse lógica?

    O preço é resultado do equilíbrio entre a demanda e a oferta, e está sempre no máximo. Ele não pode ser elevado acima desse máximo só porque o produtor quer. Ele perde cliente.

    Somente quando há mais demanda (dinheiro em circulação) é que se pode subir os preços à vontade.
  • Marcelo  11/11/2021 17:59
    Eu entendi. Os países emitiram moeda, inclusive o Brasil.
  • Lucas  09/11/2021 00:40
    Programa 'Direto ao Ponto' entrevista Maílson da Nóbrega, ministro da fazenda do governo Sarney que enfrentou uma inflação de 1000%:

  • Guilherme  09/11/2021 00:42
    Se observarmos a explosão da oferta monetária, e levarmos em conta que a economia já está totalmente aberta, concluímos que ou esse M1 cai forte ou teremos um ensaio de um retorno à década de 1980.

    Não há motivo nenhum de termos esse M1 com uma economia plenamente operante. A economia está mais ativa do que estava em 2016 e com um desemprego menor.

    Todo esse M1 terá de vazar para algum lugar. O dreno maior até agora está sendo o dólar (que é um produto como qualquer outro), a gasolina e os alimentos.
  • weberth mustapha  09/11/2021 15:34
    Isso em efeitos práticos para pessoas significa o que? (claro, sabendo que nínguem tem bola de cristal)
    - gasolina a 10 reais?
    - preço dos alimentos mais caro?
    - botijão de gás a 150 reais?
    - desemprego em massa?
    - salário mínimo de 2000 reais?
  • Leandro  09/11/2021 16:20
    Vai depender de como irá se comportar o M1 daqui em diante. A ótima notícia é que está em tendência de queda. Se isso se confirmar, apenas o seu quarto item irá se realizar, embora parcialmente.
  • BFJ  09/11/2021 23:59
    Pessoal, eu sempre passo mais tempo lendo os comentários do que as reportagens em si. Obviamente eu não concordo com tudo que leio, mas os comentários costumam ser um contraponto interessante, pois acho as respostas interessantes e pelo menos bem pensadas.

    Daí fiquei na dúvida se não tem alguma comunidade online no Facebook, telegram etc na qual a galera possa conversar de uma maneira mais direta.
  • MARINHO, Bruno  10/11/2021 00:51
    Então a justificativa da inflação em mais de 10% é a impressão do papel moeda?
    Não sei se entendi.
  • Edson  10/11/2021 14:08
    Em maio deste ano, o índice de preços no atacado (IPA), no acumulado de 12 meses, subiu 50%. Ver página 3:

    portalibre.fgv.br/sites/default/files/2021-05/igp-m_fgv_press-release-resumido_mai21_0.pdf

    Praticamente pari-passo com o M1.
  • imperion turbo nuclear quantico com equio  10/11/2021 17:51
    e como os investidores sabiam que a impressão ia causar inflacao, eles começaram a comprar papéis vinculados a inflacao antes dela explodir.
  • imperion turbo nuclear quantico com equio  10/11/2021 12:14
  • Jovem mediano  11/11/2021 00:20
    O que acharam do discurso do Moro? Votariam nele?

    O que o Governo BOlsonaro pode fazer pra diminuir a inflação ano que vem?

    www.gazetadopovo.com.br/economia/propostas-de-sergio-moro-para-economia-reformas-pobreza/
  • Paulo  11/11/2021 01:11
    Mais importante que as propostas é a técnica para aplica-la. Se ele chamar um lisboa, um gustavo franco, pode dar certo(ou menos errado), mesmo que tenha um viés social-democrata. Essa gente entende de técnica para sistema tributário, defende abertura comercial. São um dos maiores gargalos da nossa economia.

    Outra coisa importante é a moeda. Esse governo atual é a prova que não da para só focar em fiscal e destruir o poder de compra da população via medidas erradas do BC.

    Ainda assim, qualquer um que defenda o Teto de Gastos, que eu creio ser a única coisa que mantem o país de pé, é melhor que quem busca fura-lo .

    Diante de um Lula unicamp. Até o Guedes continua sendo opção razoável que dira o Moro
  • Roberto  11/11/2021 09:37
    Parece um social democrata, ou seja, um socialista light quando fala que "acredita ser possível criar um mutirão para combater pobreza", utilizando servidores e especialistas das estruturas já existentes", oras, como que servidor vai reduzir pobreza e melhorar a economia, pedindo demissão em massa permitindo portanto a redução de tributos para quem realmente produz algo reduzir a pobreza???


    Ainda: "Será uma força-tarefa permanente e atuará como uma agência independente, sem interesses eleitoreiros", mais uma agência? Que bela solução, mais um bando de parasitas acomodados, burocratas que só farão aumentar a burocracia. Vai fazer oq mais, criar o fundo de erradicação da pobreza que será usado por essa agência?

    Ele continua: "precisamos identificar o que cada pessoa necessita para sair da pobreza" e ""Isso muitas vezes pode ser uma coisa simples. Uma vaga no ensino, um tratamento de saúde ou uma oportunidade de trabalho. As pessoas querem trabalhar e gerar seu próprio sustento. Precisamos atender a essas carências com atenção específica", oq isso significa? Os agentes de sua super agência anti miséria irão de casa em casa perguntando às pessoas oq as impedem de conseguir empregos de crescer na vida? Será no lugar (no lugar não, pq ele já disse que será algo além) do bolsa família uma equipe de burocratas decidindo para cada região que outro auxílio dar para permitir a auto realização individual, que piada!!

    E quanto às suas críticas a estatais ineficientes, qual estatal não é ineficiente??? Então ele vai privatizar todas, vai privatizar o governo para ser eficiente também? Sério, esse discurso de temos que privatizar estatal ineficiente já é usado pelo socialismo light há mais de meio século, só os comunistas hardline e estatistas presos no início do século 19 ainda defendem estado como motor de crescimento, esses não foram avisados ainda que a onda do momento é estado como promotor de "bem estar social" (era do momento, 50 anos atrás, hoje já se mostrou falida).

    As outras críticas também são vagas, tributos são complicados e pesam demais no Brasil, sim, até minha avó sabe isso, vai fazer oq sobre isso? Outra força tarefa 'independente' formada por servidores de carreira?

    Sinceramente, a cartilha de generalidades dele parecem saídas de um PSDB, vai e se alia e entra como vice do leite de uma vez pq vai dar na mesma e no fim teremos mais um estatista contra liberdade individual, e que já se colocou contra coisas como porte de armas supremacia da propriedade privada contra abuso do estado, no governo... De novo.
  • Felipe  11/11/2021 12:45
    Estou curioso em como seria essa agência para erradicar a pobreza. Seria tipo uma US AID?

    Pelo menos ele tem um discurso bom sobre privatizações e abertura econômica, e defesa do livre mercado.

    Fez uma crítica fundamentada na lentidão das reformas. É isso mesmo, o Congresso está mais preocupado com as eleições do que com reformas estruturais, e o governo passou a correr atrás só nesse ano.

    Queria saber sobre o que ele entende como "capitalismo cego".

    Mas mesmo que ele ganhe (o que me parece difícil), fico me perguntando sobre a aplicabilidade desses discursos.
  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  11/11/2021 14:17
    O discurso tá bem genérico. Quanto ao bolsa: não pagaria auxílio, cortava os penduricalhos, cortava impostos, desestatizava tudo. Extinguia processos públicos burocráticos, e com isso a burocracia e o cargo do burocrata que o executa. Sem excesso de gasto, não teria déficit e não teria se que injetar dinheiro sem lastro na economia.
  • jeng puga  11/11/2021 15:57
    de onde tiraram que inflação é sempre um fenômeno monetário ? kkkk ,cada uma
  • Felipe  11/11/2021 20:43
    O interessante é que estamos voltando para algo que ocorreu há alguns meses: o real se fortalecendo, junto com a subida do DXY. DXY subiu forte nessas últimas horas.

    Com a substituição do Kanczuk depois de dezembro, tomara que o substituto pelo menos use o gogó para defender um real forte. É algo tão fácil, que é inacreditável que poucos tenham percebido isso. Meirelles já disse que um câmbio estável é bom para a economia, o Gustavo Franco já defendia abertamente um real forte. Acho que ele era o único que não tinha medo de falar isso.
  • Trader  12/11/2021 00:06
    A saída do Kanczuk foi a melhor notícia dos últimos tempos da área monetária. Não foi à toa que o real se valorizou fortemente hoje.

    Kanczuk era o número 2 do BC, e foi o pior sujeito a ocupar a área (diretor de política econômica) desde o início do real. Foi (muito) tarde.

    Já o novo indicado tem um trabalho interessante, em que critica o Focus. Ela também fala bastante de depreciação cambial e reconhece que tem um grande peso no IPCA (chega a ser bizarro eu estar comemorando o fato de alguém no BC reconhecer esta obviedade).

    livros01.livrosgratis.com.br/cp070045.pdf

    Oremos.
  • Felipe  12/11/2021 12:16
    Por que ele foi pior? Pior do que os que entraram no governo Lula e Dilma?

    Dentro do COPOM, além do Roberto Campos e do Kanczuk, quais são os cargos mais importantes?
  • Trader  12/11/2021 13:49
    Ele era o mais pomba de todos. O grande entusiasta da Selic a 2%. Em junho de 2020, quando o dólar estava caindo forte, ele veio a público dizer que se o mercado ficasse muito otimista, o BC iria comprar dólares.

    Se você duvida, tá tudo escrito aqui:

    www.reuters.com/article/us-brazil-economy-cenbank-idUKKBN23A34T

    O terceiro cargo mais importante é o de diretor de política monetária (Bruno Serra).
  • Lucas  12/11/2021 01:26
    O interessante é que estamos voltando para algo que ocorreu há alguns meses: o real se fortalecendo, junto com a subida do DXY. DXY subiu forte nessas últimas horas.

    DXY subindo, USDBRL caindo... Meus bitcoins (ou satoshis) não curtiram isso... :(
  • YURI SAO CARLENSE  12/11/2021 18:23
    Não sou economista, mas já li manuais de economia mainstream trabalhando com essa ideia de inflação de custos, como algo que contaminaria todos os outros preços da economia.

    Demorei um tempo até entender que era um fenômeno monetário. Mas melhor aprender isso tarde do que nunca.

    Leandro, e a tal da inflação inercial? é outra falácia?
  • Leandro  12/11/2021 19:15
    A única "inflação inercial" que existe é aquela cuja oferta monetária sobe continuamente, como que por inércia.

    Como era na década de 1980. Vide os gráficos destes dois artigos:

    www.mises.org.br/article/3258/tres-breves-historias-hiperinflacionarias-do-brasil
    www.mises.org.br/article/1294/uma-breve-historia-do-plano-real-aos-seus-18-anos

    Impossível preços subirem contínua e aceleradamente se a oferta monetária estiver parada.

    Imagine — em um exercício de lógica — que a oferta monetária hoje fosse a mesma de julho de 1994, quando surgiu o real (lembra como a cédula de R$ 100, naquela época, era praticamente uma peça de ficção?). Como seria possível haver aumentos de preços contínuos neste arranjo?

    Ao contrário, os preços só iriam cair, em decorrência do aumento da produção e da maior oferta de bens e serviços.


    P.S.: em tempo: forçando um pouco, há sim um exemplo prático que se aproxima de uma "inflação (de preços) inercial. Após um período de forte carestia, como o atual, o BC interrompe a expansão monetária, mas os preços ainda continuam subindo, "inercialmente". Sobem hoje porque subiram mês passado.

    Tal arranjo, obviamente, irá durar apenas até as vendas começarem a cair, por absoluta falta de dinheiro. Se a oferta monetária está parada, mas os preços estão subindo, então haverá um momento em que as vendas inevitavelmente terão de cair, pois não haverá dinheiro para os preços praticados. Isso aconteceu no final de 2015 e em todo o ano de 2016.

    www.mises.org.br/article/2694/como-o-governo-brasileiro-transformou-uma-recessao-em-uma-profunda-depressao
  • YURI SAO CARLENSE  13/11/2021 01:28
    Valeu, Leandro. Explicação claríssima.

    Muito obrigado.
  • Matiasz Argos  12/11/2021 23:26
    Uma dúvida: Como é que o mercado e os empreendedores [r]percebem ao mesmo tempo[/r] esse aumneto na oferta monetária?

  • Leandro  13/11/2021 01:26
    A demanda aumenta fortemente.

    Como empreendedor, você aumenta seus preços quando:

    a) sente que a demanda está alta o bastante a ponto de não ser afetada por esta alta de preços que você pretende fazer;

    b) tem pouca concorrência;

    c) sabe que sua concorrência também irá subir os preços pelo mesmo motivo que você.


    O item (a) é ditado pelo aumento da renda disponível, a qual, por sua vez, é afetada pela variação da oferta monetária.

    O item (b) é determinado pela liberdade de empreendimento.

    O item (c) é determinado tanto pela liberdade de empreendimento quanto pela oferta monetária. De um lado, uma livre concorrência pode inibir você a aumentar seus preços. De outro, mesmo havendo livre concorrência, se a oferta monetária estiver aumentando — de modo que o consumo esteja subindo forte —, você poderá aumentar os preços, pois sabe que seu concorrente também terá de fazê-lo.

    É por isso que países que têm moeda estável e liberdade empreendedorial (EUA, Suíça, Alemanha, Cingapura, Hong Kong, Austrália, Nova Zelândia) têm inflação de preços relativamente baixa, em termos históricos.
  • Felipe  13/11/2021 01:49
    E essa maior liberdade econômica também explica o motivo de as expansões monetárias terem efeitos maléficos suavizados. Por exemplo, o M1 do vizinho Chile subiu mais do que no Brasil, mas a inflação de preços deles está menor do que a nossa, além da moeda mais sólida (taxa cambial de lá está quase a mesma do que em 25 de novembro de 2019). Se o Cast se eleger e ele apenas fazer o básico, a economia chilena bomba (e já bombou no passado, crescendo mais do que o próprio Brasil).

    Como o Brasil é uma zona e continua hostil aos investimentos - apesar dos recentes avanços -, a política monetária precisa ser ainda mais contracionista. Os juros precisam ser altos. Nos anos Lula, o Brasil talvez fosse o país com os maiores juros reais do mundo. Claro que hoje nem precisa mais de uma SELIC de 20 % (pelo menos eu acho).

    Um país grande como o Brasil, era para a economia estar crescendo de 4 % para mais, se o País fosse economicamente livre. PIB é um mensurador ruim, mas é o que tem.
  • Matiasz Argos  13/11/2021 12:33
    Obrigado Felipe.
  • Felipe  13/11/2021 13:56
    Leandro pode me dar sermões se eu estiver errado.
  • Matiasz Argos  13/11/2021 12:33
    Obrigado, Leo está claro.
  • Estudando EA  14/11/2021 00:54
    Ciro veio novamente com essa idéia de alterar de preços da Petrobrás.

    twitter.com/cirogomes/status/1459154445120544773?t=UjWg5c_AQof5zMDHwJKlRQ&s=19

    Pior que para um leigo, a medida parece sensata. (A empresa ainda teria lucro e o combustível seria mais barato).

    Porque essa medida não seria viável/ recomendavel ?

    *(Pergunta de um leigo em economia, conhecendo recentemente as ideias liberais. Já li o artigo sobre a nossa moeda como causa principal da alta, mas gostaria de ver uma explicação sobre o equívoco dessa proposta de Ciro)
  • Trader  14/11/2021 13:34
    Já explicado várias vezes, inclusive no próprio artigo a que você se refere.

    www.mises.org.br/article/3331/eis-o-responsavel-pela-disparada-dos-combustiveis-o-banco-central-e-sua-politica-ultra-keynesiana

    Vamos tentar de novo:

    A Petrobras não é autossuficiente. Ela precisa importar gasolina. E o preço da gasolina importado é determinado pelo mercado internacional de commodities. É o mesmo valor para o mundo inteiro.

    Eis aqui a evolução do preço de um litro de gasolina, em reais, no mercado de commodities:

    ibb.co/nzmb13X

    Esse é o preço que a Petrobras, que não é autossuficiente, paga para importar gasolina. Não tem como escapar disso. O mundo não vai vender gasolina mais barata exclusivamente para o Brasil.

    A Petrobras até poderia ser autossuficiente se as refinarias que começaram a ser construídas, mas que não foram terminadas (porque o dinheiro foi desviado no Petrolão), existissem.

    Ademais, a Petrobras não abastece inteiramente o mercado interno. Importadores privados fazem o serviço. Se a Petrobras passar a vender gasolina abaixo dos preços de mercado, os importadores privados irão à falência e, consequentemente, faltará gasolina no mercado interno.

    É tudo questão de lógica básica, que qualquer leigo inteligente não demora mais do que dois minutos para entender.


    P.S.: muito embora seja errado dizer que "a gasolina subiu por causa do ICMS", é um fato matemático que a arrecadação do ICMS aumenta quando o preço da gasolina sobe. Neste sentido, governos estaduais têm sim que entrar no jogo. Aumentar a arrecadação (e com isso dar aumentos para os nababos do funcionalismo público) simplesmente porque o barril e o câmbio subiram é muito gostoso. Tá na hora dessa gente começar a dar sua "cota de sacrifício".
  • Ex-Keynesiano  14/11/2021 23:33
    Explicação perfeita!!!!
  • Estudando EA  16/11/2021 03:54
    Obrigado pela explicação.

    A questão é que eles vêem a Petrobrás dando um grande lucro maior e acham que é isso a causa do aumento de preços dos combustíveis.

    Outra questão que eles argumentam é que 80% do setor de petróleo ao redor do mundo está sob o controle do estado. Com a privatização da Petrobrás só o Brasil seria diferente do modelo "correto" do resto do mundo.

    Inclusive citam o exemplo norueguês como "extraordinário", principalmente pelo fato das operadoras de petróleo no país escandinavo "pagarem 78% de imposto ao governo norueguês, sem reclamarem", gerando um fundo soberano milionário que será útil para economia do país ao longo dos anos.
  • Régis  16/11/2021 15:09
    É serio que citaram a Noruega como exemplo? O país tem simplesmente a segunda gasolina mais cara do mundo!

    money.cnn.com/pf/features/lists/global_gasprices/

    Isso mostra como esse pessoal é completamente despreparado, citando coisas de apenas "ouvir falar". Não fazem uma mísera pesquisa.

    Ah, sim, a gasolina na Noruega está 100% sob controle do estado. Tem certeza de que devemos importar este modelo?
  • Felipe  16/11/2021 15:18
    Os noruegueses só não estão em pior situação porque eles são ricos, produtivos e a moeda é forte, o que ameniza essa gasolina vendida lá que, além disso, não é a mistura que vendem aqui no Brasil como gasolina.
  • Pensador Ancap  22/11/2021 19:05
    Encontrei este trecho em uma monografia

    Caso o Tesouro não consiga vender os títulos de longo prazo no mercado primário, pois os compradores não estão interessados, não há problema, porque ele pode se financiar com a venda de títulos de curto prazo com a atuação do Banco Central no mercado secundário, além disso, com essas operações de curto prazo o Banco Central também conseguiria manter na meta a taxa de juros de curto prazo. Então, o maior impacto sobre a dívida seria apenas uma mudança dos perfis dos títulos, de longo para curto prazo, essa mudança não aumentaria ou geraria um risco maior do país de calote da dívida, pois a dívida está na sua própria moeda.

    Onde está a falácia neste trecho,pois fica parecendo que o Bacen financia o Tesouro, seria esta a interpretação correta e onde está o equívoco?
  • Leandro  22/11/2021 20:08
    A primeira parte está parcialmente correta: o Tesouro consegue vender títulos com alguma facilidade porque os bancos sabem que podem se desfazer destes títulos vendendo-os ao Banco Central. É o BC quem realmente dá liquidez ao mercado de títulos públicos. É ele quem possibilita a contínua venda de títulos públicos.

    Isso foi explicado em mais detalhes aqui:

    www.mises.org.br/article/1015/por-que-o-banco-central-e-a-raiz-de-todos-os-males

    Já a conclusão da segunda parte é errada. O fato de um país ser emissor da própria moeda não significa que ele pode ter impunemente uma dívida infinita. Em última instância, ele teria de monetizar essa dívida, e o resultado seriam Argentina e Venezuela.

    www.mises.org.br/article/2800/governos-nunca-quebram-pois-podem-imprimir-dinheiro-dizem-a-venezuela-prova-o-contrario
  • Imperion turbo nuclear quântico com equio  23/11/2021 00:40
    Seria o golpe do século! Ao invés de arrecadar 2 trilhões de reais em impostos, por que não imprimir de uma vez 20 trilhões, 40, 200, um quintilhão de reais pra sair gastando? Pois segundo os defensores do cálculo do PIB, quanto mais o governo gasta maior o PIB.

    Gastar um quintilhão de reais de um vez, dá 5.000 vezes o PIB americano. Por que não botam em prática essa ideia estupenda via o tesouro imprime os título, o BC compra ...parece Freddie Mac e o Fannie Mae que gerou o mercado podre de títulos e a crise de 2008.

    Aí eu acordei …

    O golpe ficaria impraticável a essa escala, pois o BC não teria dinheiro infinito pra comprar título para o governo se financiar e gastar. Os títulos virariam podres antes de chegarem a 5 trilhões de reais, quanto mais 1 quintilhão. Logo ninguém ia querer esses títulos e o BC não poderia se desfazer deles. Ele não teria capital pra continuar comprando e financiando o tesouro. Correto Leandro? 
  • Emerson Luis  23/11/2021 13:10

    Ou seja: existem soluções eficientes, mas elas contrariam interesses.


    * * *


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