Não seria exagero dizer que a Teoria Monetária Moderna (TMM) ganhou a disputa — pelo menos temporariamente.
Sem muito alarde, e sem que tivesse havido qualquer debate, os governos e bancos centrais ao redor do mundo simplesmente adotaram seus pressupostos.
Parodiando a frase supostamente atribuída ao general romano Júlio César, a TMM surgiu (ou melhor, ressurgiu), dominou e venceu.
O básico da TMM
Um dos pilares básicos da TMM é a tese de que um governo que tem a liberdade de imprimir a própria moeda não sofre de nenhuma restrição fiscal.
Sempre que quiser incorrer em qualquer gasto (ou em qualquer aumento de gasto), basta o Banco Central imprimir a quantidade de moeda necessária.
É realmente simples assim. (Mas jamais mencione que o governo brasileiro fez exatamente isso na década de 1980, pois aí você estraga a narrativa).
Se os fatores de produção (mão-de-obra e todos os maquinários industriais) não estiverem 100% ocupados — ou seja, se a economia não estiver a pleno emprego, com o PIB crescendo aceleradamente —, não há por que se preocupar com qualquer pressão nos preços. O Banco Central pode imprimir sem medo.
No entanto, caso a inflação de preços porventura comece a incomodar, basta o governo aumentar impostos. Isso irá “enxugar” todo esse excesso de moeda da economia.
Sim, para os adeptos da TMM, a função da tributação não é “obter receitas” para o governo (ele não precisa de receitas, pois pode simplesmente imprimir moeda).
A tributação, ao contrário, tem duas funções: a) retirar moeda da economia quando esta se torna excessiva e começa a pressionar os preços; e b) motivar o uso da moeda nacional e obter sua aceitação geral, pois é essa unidade de conta que o estado reconhece como meio de pagar impostos.
Sim, você leu corretamente: uma das funções da tributação é obrigar o público a usar a moeda, pois, segundo a teoria, a aceitação da moeda decorre do fato de que ela pode ser usada para quitar impostos.
A tributação, portanto, tem uma função reguladora: ela reduz o excesso de demanda e modifica o comportamento individual.
Como consequência de tudo isso, todos os gastos do governo podem ser financiados ou pela criação direta de moeda pelo Banco Central ou pelo endividamento do governo. O endividamento seria apenas uma espécie de “alternativa de luxo”, a qual não geraria nenhuma consequência negativa, pois o estado pode emitir dívida e, depois, imprimir moeda para quitar esta dívida.
E como os gastos públicos levam à criação de moeda, os próprios gastos criam a poupança necessária para financiar o déficit orçamentário (as pessoas recebem a moeda criada pelo governo e, em seguida, podem utilizar essa moeda para comprar novos títulos do governo). Consequentemente, o governo pode definir a taxa de juros em qualquer nível que desejar, de preferência em zero (André Lara Resende propõe a manutenção da taxa básica de juros sempre abaixo da taxa de crescimento da economia.)
Confira com seus próprios olhos
Em decorrência da pandemia de Covid-19, os governos fecharam suas economias ao redor do mundo. Como consequência desta violenta intervenção estatal, a atividade econômica entrou em colapso. PIBs desabaram, o desemprego disparou, as receitas tributárias caíram e os gastos governamentais voltados para o “combate” da pandemia — o que majoritariamente inclui o repasse de auxílios financeiros a desempregados e autônomos — aumentaram substantivamente.
Como houve uma queda nas receitas e um aumento nas despesas, uma parte desse buraco foi coberta por endividamento do governo (a juros reais negativos ao redor do mundo) e outra parte foi coberta via impressão monetária.
Os mecanismos e as leis que permitiram essa impressão monetária já foram detalhados nestes artigos (aqui para o Brasil e aqui para os EUA), de modo que, no presente artigo, estamos interessados apenas nas consequências.
Por uma questão de brevidade, vamos abordar apenas EUA e Brasil. Mas creia-me: os efeitos abaixo são similares para todos os principais países do mundo, da zona do euro ao Japão, passando por Reino Unido, Suíça, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.
O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.
Gráfico 1: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.
Observe a disparada ocorrida a partir de março, um movimento completamente atípico e inaudito. Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento foi de 40%.
O mesmo fenômeno pode ser observado nos EUA.
O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 nos EUA.
Gráfico 2: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) nos EUA.
Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento também foi de 40%.
Vale ressaltar que, em um cenário normal, a oferta monetária aumenta quando pessoas e empresas pegam empréstimos bancários. No arranjo monetário e bancário do mundo moderno, a oferta monetária aumenta quando há endividamento de pessoas e empresas.
Em momentos de normalidade, o Banco Central não injeta moeda diretamente na economia; ele injeta moeda apenas nos bancos (aumentando a base monetária), e os bancos é que decidem se irão despejar esta moeda na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não expandirem o crédito, o dinheiro simplesmente não entra na economia. Não há outra maneira de o dinheiro entrar na economia que não seja pelo sistema bancário.
Agora, porém, os Bancos Centrais deram um jeito de contornar esse arranjo e, em vez de depender de emprestamos concedidos pelo sistema bancário, passaram a jogar moeda diretamente na economia (de novo: ver aqui e aqui).
Essa mudança de comportamento é o que explica a explosão do M1 nos gráficos 1 e 2 após anos de “crescimento normal”.
Como consequência dessa acelerada inflação monetária e do fato de os juros reais estarem negativos, o preço do ouro está batendo seguidos recordes — afinal, é para o ouro que sempre correm os investidores experientes quando estes prenunciam uma futura desvalorização da moeda e os juros reais estão baixos. É no ouro que eles protegem seu patrimônio.
O gráfico a seguir mostra a evolução do preço do ouro em dólares:
Gráfico 3: evolução do preço do ouro em dólares
Máxima histórica.
E agora, a evolução do preço do ouro em reais:
Gráfico 4: evolução do preço do ouro em reais
Também na máxima histórica.
O que podemos comprovar, por ora, é que toda essa criação de moeda perpetrada pelos Bancos Centrais está pressionando o preço do ouro, o que indica que os investidores estão em busca de proteção.
(Uma boa parte dessa moeda também está indo para os mercados acionários, sendo a Nasdaq a bolha mais explícita de todas. Quem souber a hora certa de sair colherá formidáveis lucros. Mas isso é só para especulador experiente.)
Como ainda não está havendo uma explícita inflação de preços (devido às enormes incertezas econômicas, as pessoas estão preferindo poupar os valores recebidos do governo, em vez de gastar), os governos ainda não estão preocupados em interromper toda essa inflação monetária. E enquanto ela perdurar, haverá gás para o preço do ouro.
Esta prática de injetar moeda diretamente na economia para bancar os gastos do governo (dando um drible no sistema bancário) foi retirada diretamente do manual da Teoria Monetária Moderna. Assim, pode-se dizer que metade de TMM já foi implantada (criação de moeda para financiar gastos do governo, o que gera juros reais zero). A outra metade — aumentar impostos para enxugar o excesso de moeda da economia — ainda não precisou ser implantada porque, em tese, a inflação de preços ainda não incomoda.
A conferir o futuro.
Falsificando preços para reativar a economia — e a inflação do day traders
Além de todos os outros problemas, essa política de criação livre de moeda é nefasta porque ela destrói aquele que é o mais importante recurso de uma sociedade livre: preços corretos gerados pela oferta e pela demanda.
Estes preços são a baliza que os empreendedores utilizam para decidir quanto pagar por bens de capital, fatores de produção (como mão-de-obra) e serviços, na expectativa de obter uma maior renda no futuro com a venda do serviço e do bem de consumo final.
Mas o sistema de preços está sendo destruído pelas políticas de déficits e criação de moeda. A ausência de poupança foi mascarada pela criação de moeda. A forte queda observada nas taxas de juros de longo prazo precifica isso: a moeda criada pelo Banco Central está fazendo parecer que há uma abundância de poupança disponível para bancar novos projetos.
Logo, aqueles que preveem uma recuperação rápida em decorrência dessa manipulação monetária estão realmente dizendo o seguinte: “Informações erradas são essenciais para a recuperação econômica. Sem a completa distorção do sistema de preços por meio de aumento de gastos, déficits orçamentários e criação de moeda, estaríamos em depressão.”
Em outras palavras, as atuais condições de oferta e demanda gerariam uma depressão; e a única maneira de a depressão ser evitada, e a plena prosperidade ser recuperada em um ano, é essa: sinais de preço falsificados pela intervenção governamental.
Ou seja, falando no popular, fake news é a base necessária para uma recuperação econômica real.
É óbvio que não tem como dar certo. Tais políticas, repetindo, apenas fazem com que os preços (principalmente o mais crucial deles, que são os juros) na economia não mais reflitam as condições de oferta e demanda. Isso significa que os empreendedores passam a receber informações erradas. E eles tomarão suas decisões baseando-se nessas informações erradas. Isso irá gerar perdas. Empreendedores que acreditam em informações erradas e que investem segundo estas informações erradas terão perdas no futuro.
Se não sabemos quanto algo custa em termos das atuais condições de oferta e demanda, não sabemos qual é o seu real valor na economia.
Consequentemente, não é possível estimar qual será o seu valor daqui a um ano. Criação de moeda pelo Banco Central e um maciço aumento de gastos governamentais não geram alocação racional de capital. Ao contrário: geram alocação irracional de capital.
E é isso o que explica essa verdadeira inflação de day traders — normalmente amadores que nunca operaram ações, mas que, vendo os contínuos aumentos da bolsa de valores, acreditam ser fácil enriquecer comprando e vendendo ações no mesmo dia.
Recentemente, uma famosa influencer de Instagram — que ganhou fama dando dicas de alimentação e atividades físicas — anunciou que agora iria se dedicar a ganhar dinheiro fazendo day trade na bolsa, pois era ganho garantido. Após alguns ganhos, ela disse ter constatado que “nasceu para isso“.
Assim como ela, várias outras pessoas físicas estão fazendo o mesmo. (Eu mesmo conheço um cirurgião que deixou a medicina para virar day trader. Segundo ele: “Estudei dois anos. Já consigo fazer”.)
Nos EUA, esse fenômeno é muito mais intenso. A injeção monetária está sendo tão intensa, que todas as ações estão subindo e, com isso, vários investidores pessoas físicas que recém-entraram na bolsa estão tendo retornos maiores que muitos fundos de investimento famosos.
Um destes, que se tornou famoso, chegou a dizer que day trade é o jogo mais fácil que já jogou na vida, e que Warren Buffet é um idiota.
E já há casos de suicídio em decorrência das perdas vivenciadas.
Todo esse fenômeno é apenas um exemplo de toda a distorção de preços e de incentivos gerada pela impressão de moeda.
No final, é disso que se tratam os pacotes de socorro, principalmente a impressão de moeda feita pelo Banco Central: a crença de que preços falsificados, bolhas e alocação irracional geram retomada econômica.
Para concluir
Se você é especulador profissional e experiente, esse é um ótimo momento para você aumentar seu patrimônio. Sabendo a hora certa de entrar e de sair, você pode se aposentar. A Teoria Monetária Moderna foi feita para você.
Já se você é apenas um amador (popularmente conhecido como “sardinha”), resista ao impulso, contenha-se e concentre-se apenas em proteger o seu patrimônio — o que já é um grande desafio neste cenário dominado pela TMM, a qual é contra indivíduos frugais e poupadores.
O que é realmente certo é que tal arranjo não é propício para a racionalidade econômica. E muito menos para um progresso econômico saudável.
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Leia também:
O tenebroso conto de fadas da Teoria Monetária Moderna – e de André Lara Resende
Eis a promessa da Teoria Monetária Moderna: as utopias são alcançáveis sem consequências nefastas
A Teoria Monetária Moderna foi aplicada na Argentina. Eis os resultados




E hoje o Banco Central anunciou que vai começar a imprimir a nota de R$ 200.
Exemplo mais explícito de inflação não há.
Nos EUA, o Fed comprou ações até da Hertz, depois que ela pediu concordata!
Isso é MMT com esteroides.
http://www.zerohedge.com/markets/fed-now-proud-owner-bankrupt-hertz-bonds
Artigo excelente. Eu só discordo da afirmação de que a inflação de preços ainda não incomoda. Sim, gasolina caiu (porque o barril de petróleo desabou) e isso trouxe um grande impacto desinflacionário no IPCA, mas a inflação de alimentos está a todo vapor.
ibb.co/gWQsVrY
E o índice de preços no atacado já começou a ir embora:
ibb.co/gDCSyM1
O preço do Boi Gordo na B3 já superou as máximas de novembro do ano passado, e o preço dos suínos nas granjas também está na máxima histórica.
Por enquanto, os "malvados” supermercados estão segurando os repasses. Resta saber até quando.
A civilização brasileira poderá respirar melhor quando pudermos trocar todos os funcionários do Ministério da Economia por macacos.
Alguém aqui conhece pessoas que regularmente ganham dinheiro fazendo daytrading?
Existe alguma sustentação nessa alta da bolsa?
Recomendam apostar em ações ou se garantir no ouro?
Eis alguns dados e gráficos interessantes:
– Inflação dos alimentos nos EUA disparou: 4,5% para um americano já é pornografia.
– No Brasil não foi diferente, mas foi pior: a inflação começou no segundo semestre passado, graças às besteiras cambiais faladas pelo sr. Guedes, assim como a desastrada política de buscar juros baixos na marra. Gráfico dos últimos 25 anos.
– Bulgária, com Currency Board: a inflação de preços havia disparado meses antes, mas arrefeceu nos últimos meses. Sabem o que descobri também? Na Bulgária eles não impuseram lockdown na economia.
Em suma, sorte a dos equatorianos, mais espertos que nós e que usam dólares. Aqui, em nome do nacionalismo, da vaidade e do poder maior de financiar obras estatais pornográficas, ainda tem quem confie no BCB. Vejam como o M1 se comportou de maneira mais civilizada no Equador.
Eis o índice de commodities em real.
Vale lembrar que, há quase 10 anos (em 23/07/2010):
– Um dólar americano custava R$ 1,76;
– Uma onça de ouro custava R$ 2,08 mil;
– Um euro custava R$ 2,23;
– Um bitcoin custava por volta de R$ 0,21; [1]
– Um peso argentino custava R$ 0,44 (sim, o peso argentino era mais forte que o bitcoin); [2]
– Um bolívar fuerte custava R$ 0,01; [3]
[1] http://www.bitcointoyou.com/criptomoedas/mercado-bitcoin/valor-do-bitcoin-em-2009/
[2] Sim, cotação baseada no dólar paralelo
[3] vef.currencyrate.today/usd/2010
Interessante que nem na China existe notas de 200 Renminbis, apesar da moeda chinesa ter valor nominal maior. Esse é o M1 de lá.
Pergunta, com esse M1 subindo alucinadamente, devemos esperar aumento de preços logo?
O que segurava o IPCA no Brasil, um pouco, era as commodities, mas como o dolar também está sendo criado a velocidades altas e o ouro esta subindo, devemos esperar aumento de preços dos insumos, junto do cambio alto. Acho que nosso IPCA vai subir futuramente além do que gostariam
Sem sacanagem nenhuma, alguém consegue explicar qual é a estratégia do Guedes? No caso o por que de ele estar tomando as medidas que vem tomando (Ex: A baixa na SELIC).
Ele só está fazendo besteira ou tem algum objetivo por trás? Por exemplo, baixar a SELIC para pagar menos juros da dívida e desvalorizar o câmbio para as reservas de dolar valerem mais.
Acalmem-se pessoas, ainda falta o Banco Central lançar as notas de 500 e 1000 reais, e então a nossa moeda ficará igual ao peso argentino.
o zimbabwe teve a proeza de chegar a notas de 100 trilhoes de dolares no passado
en.wikipedia.org/wiki/Zimbabwean_dollar
Pessoal, alguém sabe aquele ditado que fala algo que se tem gente trabalhadora falando de ações na Bolsa, é sinal de problema? Se não me engano, esse ditado está relacionado à crise de 1929.
Não creio, profundamente, que a nova nota de R$ 200,00 seja puramente por conta da desvalorização acumulada desde 1994. Tampouco por causa, apenas, da demanda alta por liquidez (o entesouramento). Acredito que o IPCA suba significativamente nos próximos meses. E iremos voltar em círculos a 1989! Concordam?
Em países sem Banco Central ou com Currency Board, a expansão monetária está sendo muito mais contida. Esses países sofrerão menos com inflação (monetária e de preços).
Equador, Bulgária, Hong Kong e Panamá são exemplos.
Sem Banco Central, fica politicamente mais caro financiar as dívidas e a gastança governamental. Com o BC e os títulos de dívida emitidos pelo Tesouro, esses custos ficam dispersos e ocultos.
Na década de 80, no Brasil, era comum que grandes empresas já repassassem seus lucros todos para dólar imediatamente, para se proteger da destruição do poder de compra. Então, quando tinham de usar o dinheiro para pagar as contas e outras coisas, reconvertiam esse dinheiro (no caso o cruzeiro, o cruzado e o cruzado novo). Hoje isso é possível para uma pessoa física? Por exemplo, todo o salário que ela ganha já repassa diretamente para título de ouro e, na hora de fazer os pagamentos, ela reconverter para reais?
É verdade que, na prática, o surto de moeda reflete uma faceta da TMM. Mas, daí a concluir que a TMM entrou em jogo – mesmo que “na prática” – é forçar a barra. Usando o mesmo argumento podemos afirmar que “na prática” o keynesianismo voltou. Não é assim, né?
No meio de toda taxonomia filosófica, é uma péssima notícia de qualquer forma. 🙁
Ola Leandro,
Faz sentido comprar fundos de ouro atrelados aos dolar (como da Orama) mesmo sabendo que o dolar esta enfraquecendo a cada dia? (Por conta da impressao de dolares pelo FED). O Real vai conseguir essa proeza de cair perante o dolar?
Para os sardinhas protegerem seu patrimônio apenas, o ideal seria alocar recursos para o Ouro?
www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/07/sob-pandemia-contas-publicas-tem-rombo-recorde-de-r-417-bilhoes-no-semestre.shtml?origin=uol
Olha o rombo!!!! Quase 500 bilhões
Por que o Milton Friedman e os demais monetaristas defendem câmbio flutuante? Qual a preocupação deles com o padrão-ouro? Eles também defendem controle da taxa de juros, como é hoje feito nos EUA e Brasil?
Como era o mercado financeiro quando ainda existia o padrão-ouro? No Brasil houve padrão-ouro puro durante o período colonial e no imperial?
Olhem que beleza, a “nossa” moeda hoje só não está afundando mais que o peso argentino.
Leandro,
Alguns dizem que o dólar Index nas mínimas é sinal da desvalorização que o dólar irá sofrer perante as moedas mundiais e que esse movimento irá continuar?
Outros economistas (exemplo o Tavi Costa), me parece que creêm que não. O dólar Index está nas mínimas mas voltará a subir, e o dólar irá ganhar força novamente (principalmente sobre as moedas dos emergentes).
Sei que você não tem bola de cristal….rsrss…mas se fosse pra arriscar um palpite, seria em qual das duas teses?
Minha mãe tem uma pequena mercearia de bairro na garagem de casa. Em tempos de pandemia, orientei ela a vender o seu carro popular (que ela estava usando pouco e conseguia viver sem).
Ela vendeu e eu apliquei o dinheiro para ela num Fundo Multimercado Ouro, no Banco do Brasil onde ela tem conta. (“O fundo tem como objetivo a valorização de seu patrimônio pela exposição ao Ouro. Os recursos investidos pelo fundo não possuem exposição à variação cambial”)
Apliquei R$ 15.000,00 mais ou menos na metade de junho e o saldo atual já está em R$ 16.030,00.
Sem contar as despesas com seguro e IPVA que serão evitadas.
É o único jeito de nos protegermos das trapalhadas dos políticos.
Teoria do Massacre da Moeda?
Vale ressaltar também que o BC está fazendo uma desavergonhada “operação twist". Ele está comprando títulos públicos de longo prazo com o claro intuito de derrubar os juros longos.
Os juros dos prefixados 2026 e dos IPCAs 2035 e 2045 estão ridículos e irreais. Quem já tinha esses papeis, como eu, obteve expressivos ganhos de capital. Está sendo uma belíssima redistribuição de renda às avessas.
Mas como todo mundo apoia qualquer tipo de redução de juros, então tá tudo de boa.
O Ranking dos Políticos expôs a inflação absurda acumulada na nossa moeda no Instagram. Eu então falei que o real brasileiro só não desvalorizou mais que o peso argentino e o bolívar, e que câmbio flutuante “era isso aí”. Por causa disso, fui atacado por algumas pessoas (eu bloqueei porque rede social não é lugar de discussão séria). A Escola Austríaca é detestada pela economia mainstream. Expus o fato e fui acusado de arrogante…
Sinceramente, se o indivíduo não comecar como sardinha nunca vai se profissionalizar, a teoria da análise técnica descrita por Martin J Spring e Al Brooks estudada corretamente é o caminho, mas se a pessoa nunca aplicar seus conhecimentos ela vai ficar só com a teoria e todo mundo tem um plano perfeito pra luta até levar um soco no queixo. Day trade não é brincadeira e se não tiver gerenciamento de risco por que mesmo com a teoria sendo correta ainda existem fatores externos que podem intervir. Day trade é difícil e se o indivíduo não tem planos reservas é burrice, day trade tem que ser acompanhado de hold de ações, ouro e bitcoin, comprar terrenos e fazer casas ou kitnets de aluguel. Day trade não é apenas uma forma de ordem ou profissão, é ofício, é empreendedorismo.
Vocês concordam com este tuíte?
Acho que esses juros artificialmente manipulados não vão durar para sempre. Não tem como durar. Os políticos eleitos possuem realmente visão de curto prazo, mas o deep state não. Eles ficam lá por décadas e décadas.
Em um artigo daqui (não este, obviamente), já disseram que os juros negativos nos EUA serão sustentáveis enquanto houver gente para financiar a dívida americana.
O que acham? Faz sentido?
PS: Leandro, por favor, volte a participar dos podcasts, você é o melhor economista deste país.
Gente, eu estive pensando e acho um questionamento meio bobo: vocês acham que pode ter algo que explica melhor a economia do que a praxeologia? Por exemplo, a praxeologia pode estar certa pois é a melhor em explicar os fenômenos de mercado, ou seja, que se aproxima da verdade, mas não é necessariamente a verdade. Pode existir outras verdades que fundamentam a ação humana. O que vocês acham?
O fato de o peso colombiano usar cédulas de alto valor de face pode ser explicado pelo fato de a moeda no país ser bastante antiga e em ter um histórico de instabilidade política e econômica?
Se for pegar o histórico deles de inflação dos últimos 40 anos, perto de Brasil e Argentina, estavam mais civilizados até.
Leandro,
Veja a afirmaçao dessa economista:
“O Brasil não foi o único, vários outros países experimentaram um processo de hiperinflação ou inflação alta nos 1980s e 1990s.”
Se isso é verdade, a causa seria o fim do padrão ouro?
Ela ainda afirma:
“A tendência agora é seguir o movimento mundial de inflação baixa.
A previsão do Outlook do FMI (de junho) é de inflação próxima a zero em 2020 e 2021, na média, para o grupo de economias emergentes e em desenvolvimento.”
twitter.com/juliambraga/status/1289034933869191168
Encontrei um artigo interessante na Forbes
http://www.forbes.com/sites/nathanlewis/2020/07/29/the-federal-reserve-works-best-when-it-sticks-with-gold/#4e3876e78142
Basicamente, existe forte correlação nos EUA entre o dólar estar estável em relação ao preço do ouro e crescimento econômico;
É quase um padrão ouro não-oficial..
E ainda temos de ouvir que é pra ajudar a economia depreciar a moeda.. Com base nisso também não da pra esperar economia forte daqui pra frente já que o dólar descolou totalmente do Ouro.. (Não para de subir, assim como as criptomoedas)
Alguém sabe como que o Líbano afundou em hiperinflação? No momento, é o primeiro país do Oriente Médio a entrar em hiperinflação.
A libra libanesa opera atualmente em câmbio atrelado ao dólar americano (ou fixo?). Notem que antes a inflação de preços estava em níveis civilizados, com anos de deflação até.
O que eu encontrei:
– No começo desse ano o Líbano deu calote na dívida externa.
– O M1 explodiu quase no mundo inteiro, mas no Líbano foi algo espetacular.
– Querem colocar câmbio flutuante. Outro fato interessante: o dólar no mercado paralelo está bem mais caro do que na taxa de câmbio oficial. Há algo errado. Me cheira a espécie de cepo cambial. Ficaram furiosos também porque teve ministro sugerindo cobrar imposto no WhatsApp. Aqui o Guedes quer voltar com a porcaria da CPMF, parece que pouca gente se revoltou.
– Os déficits deles fazem os do Brasil parecerem civilizados. Dívida deles está em níveis pornográficos.
– Eis o comportamento do PIB deles.
Foi alegado de que as reservas internacionais do país despencaram, mas eu não encontrei nada sobre. Não existe esses dados no Trading Economics e não encontrei nem no site do Banco Central deles.
PS: Alguém chame o Steve Hanke para substituir o Paulo Guedes.
Hong Kong que foi referência de combate ao novo coronga agora chega a sua terceira onda
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-53609113
E ainda obrigavam as pessoas a usarem pulseiras para que o governo rastreasse os movimentos de ir e vir da pessoa.
Mas acabaram cedendo às pressões e deixaram executivos de empresas listradas em bolsa circularem sem necessidade de quarentena …
Horas atrás, eu dei uma pesquisada sobre o chamado West African Economic and Monetary Union (o WAEMU), que é uma união de vários países do oeste africano que compartilham a mesma moeda, o franco CFA do oeste africano. Assim sendo, eles possuem um banco central para oito países. Esse nome é porque esses países em grande parte foram colônias francesas, da época onde a França ainda tinha a sua própria moeda. Atualmente, metade das reservas internacionais precisa ficar retida no Tesouro Francês. Antes era fixada em relação ao franco francês, hoje a moeda é atrelada ao euro. Entre os membros está a Costa do Marfim, maior exportadora de cacau do mundo.
Nesse ano a moeda se chamará “eco”, pretendendo retirar essa obrigatoriedade de mandar as reservas para a França, assim como qualquer influência de representantes franceses acerca das políticas da união monetária.
Espero que, caso eles vão para câmbio flutuante, eles façam uma transição civilizada, como fez a Coreia do Sul (onde o won sul-coreano se valorizou e se manteve estável desde a disparada cambial em 1997).
Agora vejam as taxas de inflação nos membros originais: Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau (a queda foi espetacular), Mali, Níger, Senegal e Togo. São todos países mais pobres que o Brasil e principalmente agrários. Compare essa inflação agora com outros países do continente, como o Egito (com forte setor turístico), Líbia, Sudão, Quênia e Etiópia. A África do Sul fica mais próxima.
Quase todos eles possuem mais liberdade econômica que o Brasil, mas ainda estão atrasados. Guiné-Bissau é o único deles que está pior que o Brasil nesse quesito.
Vocês se lembram da ideia maluca do “peso-real” do ano passado? Imagina só, juntar Fernández e Guedes, dois defensores da desvalorização cambial. Aí teremos cédulas de 5000, 10 000 pesos-reais.
Desvalorizar moeda deveria ser crime.
Ouro acabou de furar os dois mil dólares a onça.
O que realmente impressiona é a velocidade com que ele foi de 1.899 para 2.000 dólares. Ele ficou apenas 6 dias úteis no intervalo dos 1.900 dólares. Absolutamente espantoso.
A TMM está com o acelerador a fundo.
Obviamente, em reais, o ouro também está nas máximas históricas, mas isso não é surpresa…
Chile é o único país da América Latina que está na categoria “Majoritariamente livre”, próxima dos Estados Unidos e do Canadá. Comunistas vagabundos querem destruir isso lá a todo custo.
Brasil está entre os piores, perdendo nesse quesito vergonhoso para os seguintes países, na ordem: Argentina, Haiti, Equador, Suriname, Bolívia, Cuba e Venezuela.
Em 2014, foi constatado de que o Brasil tem o maior percentual populacional de pessoas com acesso a serviços financeiros ou contas na América do Sul, com taxa de 68,12%.
Hoje essa taxa deve estar maior, já que a chegada de fintechs como a Nubank acabou popularizando isso.
É um fenômeno bastante interessante, apesar do setor informal brasileiro ser grande.
No México essa taxa é de 38,7%.
Não entendí o porque que uma taxa básica de juros seria algo intrinsicamente ruim. Alguém teria como me explicar?
Si, estava previsto. Mas até onde eu vi, essa medida estava sendo mais uma sinalização, pois o BC ainda não tinha feto nenhum programa de compras concreto.
Pode ser que eu esteja errado.
Pessoal, por que a hiperinflação venezuelana teve uma queda brutal no começo de 2019?
Olhando de perto: inflação do ano de 2019 inteiro e do começo desse ano até o momento (inflação acumulada de 12 meses).
Olá. Pergunto se alguém pode me dar uma dica de investimento.
Acompanho o Mises há algum tempo, mas sou leigo em economia e quanto mais leio, mais sinto-me leigo….
Penso em fazer um mestrado a partir do ano que vem, mas tenho receio de ser melhor proteger meu dinheiro até saber o que vai ser dos próximos anos.
Vale a pena investir 80 mil no curso, sendo que isso pode dar um retorno salarial interessante (até 4 mil a mais), ou esse retorno pode virar água com a inflação que pode vir?
A dúvida é sobre o quanto essa expansão monstruosa de oferta monetária pode gerar de inflação de preços no futuro. Alguém pode prever uma quantificação?
Apesar da maluquice quase mundial de juros negativos ou baixíssimos e com a Teoria Monetária Moderna, encontrei uma exceção interessante.
Pegando o agregado M1 (que é a soma de todas as cédulas e moedas metálicas em poder do público mais todos os depósitos à vista) e comparando o Equador ao Brasil e aos Estados Unidos, obtém-se esses dados:
– No Equador, de janeiro a agosto de 2020, o M1 cresceu 6,06%. No mesmo período no ano passado, o M1 cresceu 1,58%.
– No Brasil, para esse mesmo período em 2020, o M1 cresceu 35,95%. No ano passado, no mesmo período, o M1 cresceu 1,04%.
– Nos Estados Unidos, de janeiro a agosto de 2020, o M1 cresceu 35,65%. No mesmo período em 2019, o agregado subiu 3,01%.
Ou seja, nos três países acima o M1 subiu mais nesse ano, mas o crescimento ficou muito mais contido no Equador. Isso inevitavelmente aconteceria no Equador pois quem comanda a política monetária no país é o Federal Reserve. O dinheiro que é injetado na economia nunca irá chegar de maneira uniforme para toda a economia, tampouco chegará de maneira uniforme para todos os países que usam o dólar como moeda corrente. Além do Equador, países como Peru e Panamá utilizam o dólar como moeda corrente. Não é por acaso que o país teve deflação de preços em alguns meses desse ano.
Para nos blindarmos de TMM, é simples: basta abolir o banco central.
Olá pessoal tenho uma dúvida, o governo anunciou a nova nota de 200 reais , porém ele irá imprimir e colocar em seus cofres ou apenas repor as notas que forem estragada,? Não se cria dinheiro do nada ne .
Eu fico achando que a tal da TMM na verdade repete o modelo IS/LM… me corrijam se eu estiver errado por favor!?
Excelente artigo, porém estragado pelo último parágrafo.
Cara, não existe isso de trader experiente x apenas um amador.
Todo day trader se ferra. A diferença é que uns fazem isso com o dinheiro dos outros (esses são os que se dão bem).
"Liberdade significa realmente a liberdade de cometer erros."
Mises
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As Lojas Americanas entraram com pedido de recuperação judicial.
Os valores das ações já estão menores do que os da Petrobras durante o governo Dilma.
De curiosidade, a atual lei que regula as falências e recuperações judiciais é de 2005. Até aquele ano, vigorava uma lei de 1945!
Não é exatamente um tema austríaco (apesar de achar legal a questão do mercado financeiro), mas poderiam fazer um artigo sobre a situação das Americanas. Dá para fazermos um paralelo com outras grandes empresas no Brasil e mundo?
PS: Haddad, dias atrás, confundiu CMN com CVM…
“Influencer Gabriela Prioli recomenda compra de stablecoins: ‘Protege da inflação'”
Eu já perguntei aqui: as stablecoins seriam um exemplo de Currency Board? O que sei é que várias stablecoins já colapsaram.
Não faço recomendação de investimento, mas a lei do Marco Cambial já melhorou bastante a questão dos dólares (entrou em vigor neste ano). Vamos ver quanto tempo vai durar. Brasil pelo menos ainda não tem o problema de reservas internacionais, como a Argentina e a Bolívia.