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Três breves histórias hiperinflacionárias do Brasil
Este é o risco de se deixar políticos livres para imprimir moeda

"A burrice no Brasil tem um passado brilhante e um futuro promissor" – Roberto Campos


Em junho de 1961, o economista institucionalista Douglass North fez uma visita ao Brasil por três semanas

Enviado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, buscava avaliar e discutir a qualidade do ensino da ciência econômica no país. 

Apesar disso, o real motivo era encontrar possíveis think tanks que propagassem a democracia liberal pela América Latina, evitando, assim, que surpresas soviéticas brotassem no quintal norte-americano.

Naquele momento de nossa história como nação, estávamos gestando uma das maiores desvalorizações monetárias já observadas no universo conhecido

O gráfico abaixo mostra a evolução da base monetária e do M1 desde janeiro de 1946 (início da série histórica) até junho de 1961.

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Gráfico 1: base monetária (linha vermelha) e M1 (linha azul), de janeiro  de 1946 a junho de 1961

O governo JK havia acabado cinco meses atrás, Jânio Quadros era o presidente e João Goulart, o vice. Estávamos a três anos de um golpe militar que moldaria gerações e marcaria para sempre a economia e as instituições de nosso país.

Em meio ao caos geopolítico mundial, Douglass North passeava pela cidade do Recife e se encaminhava para um encontro com Celso Furtado, então presidente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE).

Antes de encontrar Furtado, porém, escreveu em seu diário um diagnóstico preciso do que parece ser a grande doença econômica brasileira: "Dirigindo pela cidade, vejo uma linda praia rodeada de adensamentos residenciais e comerciais bem pobres, com massas de desempregados e subempregados".

O encontro ocorreu e os dois economistas concordaram em tantos pontos que Douglass North acreditou que Furtado estava apenas sendo cínico ou educado. North voltaria aos Estados Unidos e recomendaria investimentos no IBRE/FGV. Já Furtado permaneceria no Brasil e, para sua frustração, observaria que é impossível reduzir desigualdade social sem antes consertar a moeda circulante na economia.

O breve encontro ilustra perfeitamente o tema deste artigo. Aqui vamos contar três histórias, sobre as quais você realmente deveria perguntar aos seus pais durante a quarentena, a respeito de como nosso vício em inflação nos transformou no eterno "país do futuro".

Claro que é muito difícil selecionar apenas três histórias inflacionistas. O Brasil é um prato cheio de caos social e políticas econômicas desastrosas. Via de regra, seguimos a América Latina e estamos fadados a incorrer em populismos econômicos que, ao primeiro sinal iminente de falha, buscam remédios milagrosos e curas esotéricas

Mas a verdade é uma só, e muito bem sintetizada por Pedro Malan, ex-ministro da fazenda: No Brasil, o futuro é duvidoso e o passado é incerto.

Milagre Econômico

"O Milagre da Produtividade: Deus é brasileiro, é carioca, é funcionário do Estado e é agente fiscal!" – afirmava ao Jornal do Brasil um "fiscal" que havia acabado de ganhar um bônus de produtividade por seu trabalho. 

Nada resume melhor o que foi o Milagre Econômico de Delfim Netto do que um "fiscal" — sem qualquer especificação sobre o que fiscalizava — receber um aumento em meio a um dos maiores erros de política econômica na história do Brasil.

A história do Milagre começa com o Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG). Ele foi implementado no começo da ditadura, trazendo medidas de cunho ortodoxo que reduziram inflação, o déficit fiscal e a emissão de moeda, além de corrigir algumas distorções tributárias. 

O gráfico a seguir mostra a desaceleração na taxa de crescimento da oferta monetária e da base monetária a partir do final de 1965 até o corte de três zeros de março de 1967 (quando o gráfico perde a validade). 

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Gráfico 2: evolução da base monetária e do M1 até março de 1967, quando são cortados três zeros da moeda

Agora, o mesmo gráfico, só que mostrando a taxa de crescimento acumulado em 12 meses de ambas as variáveis. A base monetária, que chegou a crescer 100% em 12 meses, passou a crescer "apenas" 20%.

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Gráfico 3: taxa de crescimento acumulada em 12 meses da base monetária e da oferta monetária

E a inflação de preços começou a ceder. O gráfico a seguir mostra a evolução do IGP-DI (único índice nacional disponível desde aquela época). Como se trata de uma média móvel de 12 meses, o valor na coluna da esquerda se refere a valores mensais. Para saber o valor acumulado a cada 12 meses, basta elevar o valor da coluna da esquerda ao expoente 12. Assim, o valor de 5,75 significa uma inflação de preços de 95% em 12 meses (1,0575ˆ12).

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Gráfico 4: evolução mensal do IGP-DI (média móvel acumulada em 12 meses).

No entanto, políticas Econômicas acertadas no Brasil parecem apenas  desculpas para incorrer em devaneios inflacionistas pouco tempo depois.

E foi exatamente isso o que aconteceu quando o 1º Choque do Petróleo atingiu o Brasil em 1973. Emílio Garrastazu Médici, então ditador do Brasil, viu-se obrigado a escolher entre duas soluções para a crise externa: i) Continuar as reformas ortodoxas e tentar corrigir a trajetória inflacionária da moeda; ou ii) Gastar, se endividar e criar infraestrutura por meio da inflação.

E foi construindo a TransAmazônica, Itaipú e a Ponte Rio-Niterói que o governo militar optou por destruir a terceira moeda brasileira e inaugurar os Planos Nacionais de Desenvolvimento I e II, os famosos PNDs. Foi nessa época que o regime decidiu massificar a corrupção ao criar 231 novas empresas públicas, desmembrando a Vale do Rio Doce e a Petrobrás em imensos conglomerados com diversas subsidiárias.

Apesar da cortina de fumaça da ditadura, alguns casos de corrupção, como os superfaturamentos da Odebrecht em Angra I e II, ganharam a mídia internacional e chegaram a ser denunciados pela revista alemã Der Spiegel. A construtora, que começou o regime como uma pequena empreiteira local, apresentaria o segundo maior faturamento do país em 1979, ao diversificar seus nefastos conluios com o Estado ao setor petroquímico.

Em 1985, a Ditadura Militar acabou. Eis o legado monetário e inflacionário. 

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Gráfico 5: taxa de crescimento acumulada em 12 meses da base monetária e da oferta monetária, de março de 1967 ao início de 1985. 

Observe que, até 1973, o valor médio de crescimento da base monetária foi de 30% ao ano. A partir de 1975, a taxa explode e começa a verdadeira hiperinflação monetária.

Ao final de 1984, a base monetária está se expandindo a uma taxa de quase 200% ao ano, o que significa que ela está sendo triplicada a cada 12 meses.

E eis a taxa de crescimento do IGP-DI (média móvel acumulada de 12 meses). No início de 1985, a taxa de crescimento em 12 meses estava em 231% (1,1050ˆ12). 

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Gráfico 6: evolução mensal do IGP-DI (média móvel acumulada em 12 meses).

Incorrendo em clichês, as consequências econômicas lúgubres do regime são observadas até hoje. E a primeira delas caiu no colo de um maranhense extremamente culto.

Os Fiscais do Sarney e a Hiperinflação Inercial

José Sarney se formou em Direito em 1953 e adentrou a cena de emergentes poetas maranhenses no auge do Realismo Mágico latino-americano. Como no Brasil a maioria das pessoas não gosta de poesia, Sarney acabou se tornando Deputado Federal pela UDN em 1958. 

Durante a Ditadura, escondeu-se na ARENA e, por meio de uma estranha diverticulite, assumiu a presidência de um país completamente dilacerado em 1985.

Sarney assumia o Brasil no 5º ano consecutivo de inflação anual acima de 200%. Na verdade, o Brasil enfrentaria quinze anos seguidos de inflação acumulada bem maior do que 100%

Pense dois segundos sobre o que isso significa: se você guardasse em seu colchão o seu 13º, ele perderia mais da metade de seu poder de compra até o Natal seguinte. E isso apenas se analisarmos em média, porque, em alguns momentos, a inflação alcançava inacreditáveis 42% mensais.

E foi tentando consertar a moeda que José incubiu João Sayad de promover uma saída heterodoxa para o problema inflacionário. Assim nascia o Plano Cruzado, três zeros a menos aqui, congelamento amplo de preços por doze meses acolá, algumas pitadas de reajuste salarial automático sempre que a inflação atingisse ou ultrapasse 20%, e pronto! A receita para o desastre já estava no forno e seria servida a qualquer momento.

O plano não deu certo, mas não foi por falta de tentativa. Já que ressuscitando no melhor espírito ufanista de que "Deus é Agente Fiscal", Sarney decidiu convocar o que ficou batizado popularmente de: "Fiscais do Sarney". Recriando à moda brasileira o dilema regulatório: "Who Watches the Watchmen", todo e qualquer cidadão que observasse um supermercado aumentando o preço de seus produtos, e furando o congelamento, poderia denunciar ao governo a prática e restaurar um ininteligível equilíbrio econômico.

Mas o sistema de preços é algo inerente à vida em sociedade e, não adiantava subverter seu funcionamento, porque as consequências de qualquer intervenção desta magnitude sempre serão implacáveis. O governo do poeta se encerraria em 1990. O Brasil estava sem reservas internacionais, havia declarado uma moratória em 1987, estava com uma inflação galopante, em um crescimento econômico insustentável e às vésperas de escolher um presidente pela primeira vez em trinta anos.

Eis a evolução do IGP-DI desde 1967 (média móvel mensal em 12 meses). Em março de 1990, a taxa acumulada em 12 meses foi de 6.910%. 

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Gráfico 7: evolução mensal do IGP-DI (média móvel acumulada em 12 meses). Observe a queda artificial durante ao Plano Cruzado, em 1986.

O confisco da poupança

Retomando a desvalorização da moeda como uma visão de estado, tem início o governo de Fernando Collor de Mello. Apesar de prometer em campanha uma agenda liberal de abertura econômica, privatizações de estatais e caça aos marajás, Fernando traumatizou uma geração de brasileiros ao determinar o confisco da poupança em seu Plano Collor I.

Tudo começou como sempre começava: completa mudança da equipe econômica, alteração do nome da moeda circulante e corte na quantidade de zeros. No dia 16 de Março de 1990, Zélia Cardoso de Mello, então Ministra da Fazenda, determinou que 80% de todos os depósitos do overnight que excedessem NCz$ 50.000,00 fossem congelados por dezoito meses. A medida era uma tentativa desesperada de conter a hiperinflação que corroía o poder de compra e o futuro dos brasileiros.

Não deu certo. E não deu pelo que talvez seja a história mais surreal de toda a economia brasileira: o Brasil não tinha um Banco Central, propriamente dito, em 1991. A Base Monetária poderia ser expandida, sem um controle centralizado, por qualquer banco estadual (narrado em mais detalhes aqui). Qualquer ente federativo poderia emitir a própria dívida, ao invés de recorrer ao Tesouro Nacional e solicitar recuperação fiscal.

Com a novela em andamento, e nenhum esforço político de um Presidente da República que caminhava para o seu próprio impeachment, o brasileiro observou inerte a inflação anual de 1993 alcançar 2.447,15%. (Confira aqui os gráficos da evolução da Base Monetária e da Oferta Monetária no período Collor).

Não existem analogias palpáveis para compreender o que é vivenciar uma inflação de mais de dois mil por cento ao ano. Não há patrimônio que aguente quando o Brasil decide ser o Brasil. 

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Gráfico 8: evolução mensal do IGP-DI (média móvel acumulada em 12 meses). Após forte queda com o congelamento do Plano Collor, tudo volta ao "normal".

O preço de nascer brasileiro

Em 1994, após o impeachment e o governo interino, veio a estabilização da moeda. O Real, ao seu modo, curou o Brasil da hiperinflação. No entanto, o problema institucional gerado por essa ferida é incurável no curto e no médio prazos.

A realidade é que a hiperinflação não corroeu apenas o patrimônio de sua família durante quinze anos. O problema inflacionário corroeu a sensibilidade do brasileiro em perceber de forma acurada fenômenos de encarecimento generalizado nos preços.

Possivelmente, o melhor exemplo disso é a crença popular que o Real estabilizou a inflação e que nós, brasileiros, não temos mais que lidar com esse problema. A melhor e mais estável moeda brasileira já sofreu 452,9% de inflação nos últimos 26 anos. O dólar, mesmo sendo uma moeda fiduciária, precisou de mais de 50 anos para produzir a mesma quantidade de inflação. Já o Bitcoin e o ouro, por exemplo, jamais conseguirão produzir essa quantidade inflação.

Na verdade, não existe forma melhor de visualizar a história monetária brasileira do que realizar a conversão monetária entre um cruzado, quando foi concebido em 1942, e um real, em seu valor atual (maio de 2020): R$ 1 = Cr$ 3.741.195.622.457.685,77 (três vírgula sete quatrilhões de cruzeiros). 

São 374 quatrilhões por cento de inflação.

Esse é o verdadeiro preço de nascer brasileiro e se expor às nossas moedas e políticas econômicas no longo prazo.


Este artigo foi originalmente publicado no site blocktrends.com.br


autor

Marcelo Campos
é colunista do site Blocktrends, pertencente à fintech QR Capital.


  • Antônio Carlos  18/06/2020 20:17
    Ótimo apanhado. Na década de 80, cortaram três zeros da moeda duas vezes! Uma em fevereiro de 1986 (do cruzeiro para o cruzado) e outra em janeiro de 1989 (do cruzado para o cruzado novo).

    A coisa era tão ridícula que no segundo corte de zeros (do cruzado para o cruzado novo), o governo continuou emitindo as mesmas moedas do cruzado, mas meteu um carimbo nas cédulas dizendo que eram aqueles valores (o do carimbo) que importavam, o não o valor de face da cédula.

    Aqui tem um foto:

    produto.mercadolivre.com.br/MLB-909971910-50-cedulas-de-1-cruzado-novo-com-carimbo-fe-sequncia-_JM
  • Marcos  18/06/2020 20:36
    Na hiperinflação alemã da década de 1920, as pessoas chegaram a utilizar papelões, pedaços de madeira e cartas de baralho como moeda, simplesmente escrevendo o valor no papelão.

    Veja entre 13:30 e 14:40.


  • MARCELO GURGEL DA SILVA  04/10/2020 13:31
    Na inflação alemã eles também tiveram de fazer cédulas só com um lado por não terem mais dinheiro para fazer dinheiro. Horrível!
  • Imperion  18/06/2020 21:01
    Coisa impressionante. O governo vivia emitindo moeda, acabou com a vida de muito gente. Vem a esquerda, fala que a culpa é do fmi, pra quando assumir emitir moeda também.

    E o povo sem memória aplaude uma emissão pra poder receber sem trabalhar.

    Não aprendeu a lição. Nos próximos anos mais da mesma novela
  • Rubens  19/06/2020 15:40
    E a impressão de moeda tem o poder de fazer as pessoas receberem sem trabalhar?
  • Imperion  19/06/2020 17:27
    Nao tem , mas estao imprimindo dinheiro pra dar pras pessoas ficarem sem trabalhar, sem produzir.
  • Tomás  18/06/2020 21:12
    E no Plano Real indexaram a moeda antiga em outro indexador para depois transformar em reais e tirar a "memória inflacionária".
    não há problema algum em cortar os zeros
  • Turbano  18/06/2020 21:27
    E quem está falando que o problema está em cortar os zeros? Cortar os zeros é consequência de um desastre (hiperinflação), e não a causa dele. É sintoma e não a doença.

    Tampouco apenas cortar os zeros é solução.

    Quanto ao real, a moeda surgiu e foi aceita (ao contrário das anteriores) porque estava 100% lastreada em dólares. Esse é o segredo de toda e qualquer reforma monetária. Uma moeda nova só surge sendo confiável se estiver 100% lastreada em outra completamente confiável.
  • Felipe L.  18/06/2020 21:38
    Por isso que o Plano Real deu certo. Se fosse criar uma outra moeda fiduciária, do nada, com câmbio flutuante, ninguém iria levar a sério.

    Hoje ainda é muito comum esse arranjo de câmbio atrelado, principalmente em países mais pobres e com pouca relevância na economia internacional.
  • Tomas  19/06/2020 16:40
    Primeiro: Vocês são a favor do cambio fixo?
    Ou seja, o governo tem que intervir no mercado constantemente para garantir uma taxa de cambio? Às custas do nosso dinheiro? Proteção cambial para os produtores internos?
    Tem que ser o cambio real ou o nominal que vocês defendem como fixo? Se real, qual indicador de inflação?
    Do meu ponto de vista, me desculpa, mas eu como um liberal, nao concordo que o Banco Central deva fixar taxa de cambio nenhuma. Até mesmo porque isso tem custo fiscal e o pato depois quem paga é a gente.

    Segundo: O sucesso do real é estar lastreado no dolar? E o dolar está lastreado em que para ter seu sucesso, sobretudo após o Quantitative Easing cavalar que ocorreu pós 2008?
  • Trader  19/06/2020 16:47
    Você claramente nada sabe sobre o assunto:

    Os três tipos de regimes cambiais existentes - e qual seria o mais adequado para o Brasil

    Agora, dito isso, para mim, especificamente, tanto faz qual é o regime cambial: como minha reserva de emergência está no ouro, meu padrão monetário efetivo é o ouro. A moeda de papel sob o controle de políticos eu deixo para o populacho.
  • Tomas  19/06/2020 20:56
    Você que é muito esperto, Trader.
    Deve ter sua renda também atrelada ao ouro ou só "sua reserva de emergencia"?
    E não perguntei o que você pensa e sim qual é a posição da Escola Austríaca segundo o ponto de vista de quem aqui comenta .
    A política cambial pode estar te prejudicando mais do que vc imagina ao criar uma economia disfuncional.
    Poderíamos estar ganhando muito mais como sociedade do que simplesmente com todo mundo investindo em ouro (que por sinal ja caiu mais de 10% nas últimas 6 semanas.
  • Trader  20/06/2020 00:55
    "Você que é muito esperto, Trader."

    Bondade sua.

    "Deve ter sua renda também atrelada ao ouro ou só "sua reserva de emergencia"?"

    Não tenho como ter minha renda atrelada ao ouro porque não é possível que receber salário, aluguéis e dividendos em ouro, mas sim apenas em reais (uma obviedade que me deixa até constrangido de ter de falar aqui).

    "E não perguntei o que você pensa e sim qual é a posição da Escola Austríaca segundo o ponto de vista de quem aqui comenta ."

    O artigo linkado foi exatamente para isso. Vejo que perdi tempo.

    "A política cambial pode estar te prejudicando mais do que vc imagina ao criar uma economia disfuncional."

    Duh, é claro que está e eu sei disso. É claro que eu estaria em melhor situação caso a política cambial, monetária e fiscal fosse a que eu defendo. Mas o que eu posso fazer? Sou apenas um indivíduo qualquer. Não sou político, nem ministro da economia e nem presidente do Banco Central. Logo, meu poder é nulo.

    Não posso mudar nada. Mas faço exatamente aquilo que eu posso: tentar melhorar meu padrão de vida e o da minha família. Nada mais posso fazer além disso.

    Seria melhor se o país estivesse com a política cambial que julgo ideal? Nem me fale. Mas eu tenho poder para fazer isso? Nenhum. O que eu posso de fato fazer? Agir para me proteger com os meios que estão à minha disposição.

    Se eu posso fugir da moeda estatal e me refugiar no ouro, pode ter a certeza de que eu o farei. E se outros não o fazem, pois preferem ficar em CDB de bancão ganhando 1,6% ao ano, nada posso fazer por eles. Apenas lamentar o futuro.

    "Poderíamos estar ganhando muito mais como sociedade do que simplesmente com todo mundo investindo em ouro (que por sinal ja caiu mais de 10% nas últimas 6 semanas."

    Eu, hein? O ouro sobe 52% neste ano. Em 12 meses, sobe 179%. Eu tô nele desde 2015, comprando mensalmente desde março daquele ano (quando vi que o real estava indo pra calendas). Por enquanto, nenhum outro investimento meu rendeu mais. E olha que eu nunca comprei ouro pensando que ele fosse o de maior rentabilidade. Meu humilde objetivo era só ter um ganho a mais sobre a inflação.

    Infelizmente, eu queria que tivesse caído no mínimo 30% do topo de maio, pois aí dava pra comprar mais barato (não sei quanto a você, mas eu adoro promoções; sempre que o ouro cai, fico feliz, pois compro com desconto). Mas não deu. Vou ter de me contentar com apenas esses irrisórios 10% de desconto. Paciência. Mas sigo torcendo muito para que caia. Meu sonho seria ele voltar para R$ 250 o grama. Aí encheria o carrinho. Em dólar, aliás, voltou às máximas hoje. Se romper, um abraço.

    Quanto ao "poderíamos estar ganhado muito mais como sociedade do que simplesmente com todo mundo investindo em ouro", ué, concordo plenamente. E sabe qual seria uma maneira de fazer isso? Com uma política monetária que não estimulasse as pessoas a fugir da moeda. Alguém defende esta política? Desconheço. O que vejo por aí, inclusive também na esquerda, é nêgo defendendo ainda mais desvalorização e juros negativos.

    Ora, se todo mundo, esquerda e direita, defende moeda fraca, por que caraios eu vou ficar nesta merda? Eu não serei o otário a me f…er mantendo minha poupança e minha futura aposentadoria num papel-moeda manipulado livremente por burocratas, os quais estão dizendo explicitamente que querem detoná-la. Se você quer fazer isso, boa sorte. Mas minha família eu não vou ferrar, não.
  • Felipe L.  20/06/2020 02:36
    "Poderíamos estar ganhando muito mais como sociedade do que simplesmente com todo mundo investindo em ouro (que por sinal ja caiu mais de 10% nas últimas 6 semanas."

    Quer dizer... o estado asfixia a vida dos assalariados, empregadores e outros investidores privados o tempo todo, e está cada vez pior por aqui no Brasil. Claro que seria bom. Lembra dos rentistas da era da Dilma? A culpa é deles? Claro que não, a culpa é do governo que atrapalha o setor privado e fica se endividando. Realmente, as perdas econômicas e sociais são incalculáveis.

    Hoje os rentistas vão para ouro e dólar americano.

    Tem gente que defende o Guedes e que acha que, com a SELIC negativa, logo teremos uma reencarnação da Gurgel se acotovelando com a Volkswagen para pegar os consumidores europeus.
  • Fernando  20/06/2020 14:06
    Trader,

    Sempre leio os comentários dos artigos e acompanho suas dicas quanto ao investimento em ouro. Estou migrando minhas reservas para o padrão ouro utilizando o fundo Órama Ouro. Você também utiliza este? Se não, qual utiliza?

    Obrigado!
  • Imperion  20/06/2020 16:02
    Segundo: o real estaria mais forte se estivesse atrelado ao dólar. Mas esse não é o melhor dos caminhos, pois o dólar, embora melhor que o real, também tá longe dos 100 por centos de efetividade. Sua base não é 100 por cento garantida.

    Qual a força do dólar? Sua inflação ainda é baixa, ainda é moeda mundial. Mas ninguém garante que no futuro ainda vai ser assim. Governos metem inflação em moedas fiduciárias, como o real e o dólar e ninguém garante que algum louco vai chegar ao poder no futuro e derreter as moedas. Tão fazendo isso agora mesmo e o povo vai deixando.
  • Marcelo  20/06/2020 14:41
    Ditadura?!
    Com congresso e judiciário funcionando melhor do que hoje?
    Você precisa estudar história e ciência política.
    Em 1964 iriam implantar o comunismo no Brasil e os militares não deixaram.
    Agora sim, vivemos uma ditadura do judiciário no país.
    A esquerda repetiu, hipnoticamente, "decisão judicial não se discute", como preparação da ditadura por meio da toga.
    Toda decisão judicial é fruto de uma discussão que a precede e o fruto não é maior do que a árvore.
    Como diria Mises, o economista que não conhece filosofia e política é como um machado sem corte no meio da floresta em uma noite escura.
  • Erick  18/06/2020 20:53
    Legal o artigo.
    Agora nós temos uma inflação controlada e um crescimento pífio.
    O que é melhor: crescimento com inflação ou estagnação sem inflação?
    Abstraia se esse é um trade-off verdadeiro, dado que é uma discussão, não nego, mas não o ponto da pergunta. Digam só o que melhor.
  • Régis  18/06/2020 21:28
    "O que é melhor: crescimento com inflação ou estagnação sem inflação?
    Abstraia se esse é um trade-off verdadeiro, dado que é uma discussão, não nego, mas não o ponto da pergunta. Digam só o que melhor."


    Se você próprio admite que o trade-off não é verdadeiro (com efeito, é completamente irreal), por que ir adiante?

    Não existem apenas essas duas opções. Não é 8 ou 80.

    O ideal: crescimento forte com deflação (EUA de 1865 a 1913).

    O segundo melhor arranjo: crescimento econômico contínuo com inflação ínfima (Suíça, qualquer período; Austrália desde 1990).

    O terceiro melhor arranjo: crescimento baixo com ligeira deflação (Japão, pós-1990).

    O ruim: crescimento econômico com inflação (qualquer período não recessivo brasileiro)

    O igualmente ruim: contração econômica com deflação (muito raro)

    O pior de todos: contração econômica com inflação (Brasil da década de 1980 e primeira de 1990; Venezuela atual).

    Escolha o seu cardápio.
  • Anti-BC  18/06/2020 20:55
    E o excelentíssimo BACEN continua com a mesma mentalidade de que imprimir cédulas e dígitos eletrônicos é a solução mágica.

    A SELIC (taxa do juro interbancário) está em ridículos 2,25%.

  • Trader  18/06/2020 22:01
    M1 aumentou quase 40% em 12 meses.

    www.bcb.gov.br/content/indeco/indicadoresselecionados/ie-07.xlsx

    Got gold?
  • Observador  19/06/2020 00:51
    Sobre isso, o atual cenário está bizarro. E inédito. O IPA (índice de preços no atacado) está subindo. E o IPC (índice de preços ao consumidor) está caindo.

    Isso nunca tinha acontecido antes. Eles sempre andam em conjunto.

    ibb.co/c8bvJ5b

    Em algum momento eles vão voltar a andar juntos. A questão é saber quem vai puxar quem…
  • Felipe L.  19/06/2020 03:22
    Devo supor que seja culpa das commodities.
  • Trader  19/06/2020 03:41
    Em reais, as commodities repentinamente passaram a subir forte.
  • Imperion  19/06/2020 03:32
    Na origem já está subindo. Demora um tempo pra essa subida chegar ao consumidor. Mas chega. Logo esse preço no atacado vai se alinhar com o consumidor. Este então vai subir.

    A produção parou, já ocorre escassez e então ocorre aumento de preço, pois há menos produtos entrando pra reabastecer os que já foram consumidos.

    O novo preço vem sempre da origem. Se a produção subiu, ocorre retração de preços, se a produção caiu ocorre aumento de preços.

    No consumidor está a maior parte da demanda. Este vai ter dinheiro pra aceitar o novo preço? Em épocas de escassez este não tem alternativa. Pode fazer a campanha pra comprar menos o que for, quem tá com dinheiro compra. E os preços se reajustam. 
  • 4lex5andro  03/11/2020 16:25
    De novo, ''Mizeravi'', acertô, inflação de alimentos já tá nos dois dígitos (no acumulado de 12 meses).

    Tem que ter cada vez mais Reais pra encher o carrinho no supermercado...
  • Felipe L.  18/06/2020 21:11
    "Antes de encontrar Furtado, porém, escreveu em seu diário um diagnóstico preciso do que parece ser a grande doença econômica brasileira: "Dirigindo pela cidade, vejo uma linda praia rodeada de adensamentos residenciais e comerciais bem pobres, com massas de desempregados e subempregados".

    Caramba, fiquei até curioso (será que ele tirou fotos?). Bom, vindo de um americano que estava vivenciando um dos períodos de maior expansão econômica do país, então é normal ele ter essa visão. Melhorou depois do Plano Real, mas continuamos na mediocridade e o Brasil continua um grande recanto de informalidade. Se analisado só pelas fotos das décadas de 50 e 60, muitos pedaços de cidades brasileiras eram realmente muito bonitos e elegantes.

    Poxa! Eu fiquei com um rascunho parado sobre a economia do regime militar, e ia escrever sobre o Plano Collor, e eis que o autor já conseguiu condensar aquilo que eu fiquei procurando. Que bom! Inclusive conseguiram achar vários dos dados que eu não conseguia achar nem a pau, como o M1 (eu acabei achando em um texto em Inglês publicado no Fed de Minneapolis, eu pedi autorização para os autores para eu usar no meu artigo, mas eu nunca recebi retorno). Parabéns Marcelo.

    Uma pergunta meio estúpida: se o Collor tivesse confiscado esses ativos, mas todos os bancos parassem de expandir a base monetária, o que aconteceria, afinal?

    Pena que o Plano Real apesar de ter dado certo, recorreu ao erro: talvez por querer inovar ou por vaidade, ao invés de dolarizarem a economia como no Equador, El Salvador e Panamá, criaram uma moeda nova por um esquema mirabolante e hoje estamos vivenciando as consequências de termos políticos controlando a nossa moeda. Houvesse adotado o dólar em 1993, nosso padrão de vida hoje estaria muito maior. Talvez nem o Lula tivesse sido eleito em 2002.
  • Guilherme  18/06/2020 21:36
    "Uma pergunta meio estúpida: se o Collor tivesse confiscado esses ativos, mas todos os bancos parassem de expandir a base monetária, o que aconteceria, afinal?"

    Banco não expande a base monetária. A base monetária é inteiramente controlada pelo Banco Central. Bancos multiplicam depósitos; logo, eles aumentam o M1.

    Mas, ainda assim, o aumento do M1 pode ser controlado pelo BC. Se o BC interromper a expansão da base monetária, não haverá criação de reservas bancárias. Sem novas reservas bancárias, e com o compulsório fixo, não há como os bancos expandirem o M1 eternamente.

    Por fim, eis a evolução da base monetária no governo Collor. Foi o próprio BC (como sempre) quem expandiu e destruiu a moeda. O crescimento é tão exponencial que tem que separar em dois gráficos:

    ibb.co/8NDPZLP

    ibb.co/5KDtFD3
  • Felipe L.  18/06/2020 21:43
    É, eu errei na pergunta, escrevi na pressa. Eu perguntei sobre o que aconteceria se com esse congelamento, ocorresse um congelamento também na expansão da base monetária pelo BC.
  • Guilherme  18/06/2020 22:00
    Se o BC congelasse a base monetária, a inflação de preços continuaria subindo normalmente no curto prazo (tanto por "inércia" quanto pelo fato de que não haveria nenhuma confiança ou certeza de que tal política continuaria).

    Porém, no médio prazo, com os preços mais altos mas com a renda nominal estagnada (pois não está havendo expansão da moeda), haveria uma forte correção (recessão).

    É por isso que esse tipo de política é ineficiente: demora a aparecer os resultados, e ainda gera uma desnecessariamente brutal recessão.

    A única maneira de se abolir uma hiperinflação e ainda manter a economia funcionando é lastreando a moeda e adotando taxa de câmbio fixa com o lastro. Se for Currency Board, a correção se dá literalmente em menos de uma semana.
  • Imperion  19/06/2020 03:39
    Bonito os caras.

    Congela os ativos das pessoas. Confere.

    Deixa todo mundo acabado. Confere

    A única alternativa é fazer empréstimo num banco. Confere.

    Expande-se a base, faz-se muitos empréstimos e o dinheiro continua jorrando na economia. Confere.

    Inflação não baixa. Confere.

    E você com dinheiro parado, agora endividado. Confere.

    Vc vai pagar juros e o governo no final devolveu menos dinheiro do que ele confiscou.

    Vc foi roubado duplamente, não ocorreu o fim da inflação, mas alguém ganhou com isso.
  • Lusca  18/06/2020 21:13
    Para se proteger Da inflação faça uma placa assim: Compro ouro! Hahahaha
  • Bostileiro  18/06/2020 23:27
    Coisa linda. Esse é o legado dos ditos direitistas anteriores ao petismo.
  • Carlos Brodowski   19/06/2020 00:45
    Ditos, não. Rotulados. Há uma diferença crucial aí.

    Quem deu esse rótulo foram os "intelectuais", e não os próprios.

    Aliás, segundo Luís Roberto Barroso, o regime chavista da Venezuela é "de direita".



    Sim, o mesmo governo venezuelano idolatrado pelo PT e pelo PSOL, que estatizou absolutamente tudo e que vive deblaterando conta o neoliberalismo, é "de direita" para Sua Excelência.

    Já vi também intelectual da USP dizendo que Stálin era de direita.

    Daqui a pouco, Boulos, Manoela d'Ávila, Gleisi Hofman, Jandira Feghali, Haddad e o resto da putada também serão direitistas reacionários.

    Não há ninguém de esquerda, impressionante...
  • Consagrado  19/06/2020 02:30
    Nem precisa ir muito longe. PCO e PSTU chamam o PSOL e PT de direita por querer "humanizar o capitalismo".
  • Anônimo  19/06/2020 13:52
    Essa é uma estratégia retórica aparentemente antiga da esquerda. Acho que a maioria dos esquerdistas fazem isso de forma inconsciente, mas com certeza os responsáveis por fomentar a narrativa da esquerda reforçam esse senso distorcido dos espectros políticos.

    Basta ver que na visão do esquerdista padrão, o PT (extrema-esquerda) é empurrado para centro-esquerda, e a centro-esquerda de verdade (PSDB) é empurrado para a Direita, e eles reforçam essa narrativa para tentar revestir e justificar seu voto e apoio ao PT como algo perfeitamente democrático e moderado.

    Não sei em qual livro já li isso, mas lembro de ter visto um livro mencionar que um dos segredos para se manter o poder é fingir que você é impotente, então o que a extrema-esquerda faz é fingir que o Brasil é um país plenamente capitalista, que o estado é pequeno, que não há onde reduzi-lo e que coisas sensatas como austeridade fiscal são necessariamente apenas de Extrema-Direita. Não sei se consegui explicar de forma precisa, mas em resumo é isso...
  • Imperion  19/06/2020 17:15
    As 48 leis do poder
    Lei 3: oculte suas intenções
    Lei 11: deixe as pessoas dependendo de vc

    LEI 21: FAÇA-SE DE OTÁRIO PARA PEGAR OS OTÁRIOS – PAREÇA MAIS BOBO DO QUE O NORMAL
  • anônimo  19/06/2020 15:29
    basico do espectro politico : pra quem esta na extrema-esquerda todo o resto eh direita , e qualquer coisa alem do centro vira extremo
    todo dia tem algum veiculo de noticias falando sobre "extrema-direita" , mas voce nunca ve algo sobre uma extrema-esquerda .. radicais sao os outros , a referencia sao eles mesmos
    a partir dai ate depedrar propriedades eh ato democratico .. mas se essa propriedade for o supremo ou a folha de sao paulo , ai eh anti-democratico
    com mais de 30 anos de brasil aprendi que rotulos sao perfeitos pra chancelar ou desqualificar algo ou alguem
  • 4lex5andro  25/06/2020 17:10
    Ter que constatar que declarações desse ''nível'' são aceitas no mainstream da mídia e universidades chega a ser distópico.
    Isso é resumo do quanto a janela de Overton foi deslocada no Brasil.

    Simplesmente não existe (ou existia até as eleições em 2018) direita no espectro político do país.
  • Ninguém Apenas  18/06/2020 23:48
    Que artigo incrível, é absurdo a forma como a inflação destrói de maneira implacável a renda e ao mesmo tempo é tão defendida. Pesquisando sobre o Encilhamento e o período anterior, eu logo descobri que a inflação é característica do Brasil desde antes dele existir de fato, já havia inflação e desvalorização desde o primeiro reinado (o mais antigo que encontrei de informação).

    Independente disso, ainda é possível um futuro mais promissor, mas vai demorar, não será amanhã e nem nas próximas eleições.

    Mas o medo do Brasil resolver voltar a ser de fato Brasil é muito grande. Não há patrimônio que seja capaz de resistir.
  • Felipe L.  19/06/2020 01:18
    Vou te falar que essa história do encilhamento me deixou muito intrigado recentemente. Eu estou lendo o livro "A história da riqueza do Brasil", do Jorge Caldeira, e ele até mostrou os aspectos positivos nesse período, da expansão bancária e outras coisas, como aumento nos transportes ferroviários e exportações. Mas aí isso poderia ser aquele fenômeno de bolha criado por expansão monetária, o que é o que eu deduzo, tanto é que depois veio a conta, com o endividamento e outros problemas. Depois aí ele abordou alguns dos aspectos negativos do Campos Sales, a renegociação da dívida externa com os banqueiros londrinos e também mencionou algumas falas estranhas do Joaquim Murtinho. Inflação houve na Guerra do Paraguai, agora nos demais períodos eu não sei.

    Tenho os prints do livro e depois quero erguer uma discussão com vocês.
  • Leandro  19/06/2020 03:57
    O encilhamento, na verdade, foi uma consequência de uma política de governo.

    Logo após a Proclamação da República, o déficit público explodiu. Segundo Mario Henrique Simonsen, o governo simplesmente imprimiu papel-moeda para pagar esse déficit. Em 1890, o papel-moeda em circulação aumentou 51,6%; em 1891, mais 71,8%.

    Essa avalanche inflacionária, causada pela monetização dos déficits, levou a uma especulação financeira, que foi o encilhamento propriamente dito. Sem essa criação de moeda para financiar os déficits do governo, não havia como os bancos da época saírem emprestando a rodo para bancar a especulação.

    Veja que, em economia, mudam-se os métodos, mas as causas e consequências são basicamente as mesmas. Se você joga moeda na economia, essa moeda será utilizado em algum investimento voltado ou para se proteger da inflação ou para lucrar.


    No entanto, e como já abordado em outro artigo, domado o encilhamento, instituiu-se um Currency Board lastreado em ouro, o período 1902 a 1915 foi de grande estabilidade monetária. Foi justamente durante esse período que o país vivenciou um grande período de prosperidade, e isso segundo fontes de esquerda (as únicas existentes no Brasil):

    "No terreno econômico pode-se observar a eclosão de um espírito que se não era novo, se mantivera na sombra ou em plano secundário no Império: a ânsia de enriquecimento, de prosperidade material que na Monarquia não era tido como um ideal legítimo e plenamente reconhecido.

    O novo regime fez despontar o homem de negócios, isto é, o indivíduo inteiramente voltado para o objetivo de enriquecer. A transformação foi tão brusca que classes e indivíduos dos mais representativos da Monarquia, antes ocupados unicamente com política e funções similares, que no máximo se preocupavam com suas propriedades rurais, se tornaram ativos especuladores e negocistas, com o total consentimento de todos.

    As atividades brasileiras foram estimuladas por finanças internacionais mais multiformes e ativas que as inversões esporádicas de capital que antes se fazia, mas que passaram a ter participação efetiva, constante e crescente em diversos setores que ofereciam oportunidades de bons negócios. A produção cafeeira, a grande atividade econômica do país, foi naturalmente atingida e em torno dela se travou uma luta internacional, boa parte dos fundos necessários ao estabelecimento das plantações e custeio da produção foi proveniente dos bancos ingleses e franceses, ou então de casas exportadoras estrangeiras ou financiadas com capitais estrangeiros.

    O Brasil tornou-se neste momento um dos grandes produtores mundiais de matérias-primas e gêneros tropicais e ao café foi acrescentada na lista dos grandes produtos exportáveis, a borracha, que chegou quase a emparelhar-se a ele, o cacau, o mate, o fumo. A produção de gêneros de consumo interno, no entanto, diminuiu e se tornou cada vez mais insuficiente para as necessidades do país obrigando a importar do estrangeiro a maior parte até dos mais vulgares artigos de alimentação. As exportações maciças compensavam estas grandes e indispensáveis importações levando os saldos comerciais a patamares apreciáveis."

    […]

    "O programa de valorização e a Caixa de Conversão resultaram em maior disponibilidade de divisas, inclusive para a importação de equipamentos pela indústria, e os embarques de café aumentavam sem prejudicar os preços.

    A trajetória da economia nos anos que se seguem é de vigorosa expansão."



    Aí, a partir de 1915, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e a abolição do Currency Board, houve vários desarranjos, e a inflação de preços, até então imperceptível, passou a crescer 8% ao ano. Aí a coisa degringolou.
  • Felipe L.  20/06/2020 04:43
    Leandro, isso que o Mário disse está em algum livro dele? Agora, de curiosidade, ele não tinha sido ministro no regime militar?
  • Leandro  20/06/2020 16:04
    Está no livro "30 Anos de Indexação". Sim, foi ministro da fazenda do governo Geisel. À época, não havia muito o que fazer, pois quem realmente mandava era o ministério do planejamento, o presidente do Banco do Brasil e o presidente do Banco Central.
  • Ninguém Apenas  20/06/2020 16:07
    Leandro, eu consegui os dados da desvalorização do câmbio e da inflação monetária no Encilhamento.

    No entanto, não consegui dizer qual parte dessa inflação foi por monetização de dívida (Inflação Simples, que afeta inicialmente o setor de consumo e afeta os juros só em um segundo momento) e qual parte foi Inflação de Crédito (Que causa os ciclos econômicos por afetar primeiro o mercado de crédito e a taxa de juros e afeta o consumo em um segundo momento).

    Você teria informação de qual foi o tipo de inflação praticada? Eu acredito que foram as duas ao mesmo tempo, mas não tenho dados que comprovem 100%.
    E nem dizer qual prevaleceu. Já que eu não entendi como funcionava o esquema da carteira de redesconto do Banco do Brasil.
  • Leandro  20/06/2020 16:16
    Não. Não há esses dados específicos para a época. A informação que tenho eu li em um livro do Mário Henrique Simonsen chamado "30 Anos de Indexação".
  • Ninguém Apenas  20/06/2020 16:43
    Alguma alma bondosa teria o pdf desse livro "30 anos de indexação" para me passar? kkk

    Mas obrigado pela resposta Leandro.
  • Imperion  21/06/2020 02:38
    Já em 1890 ocorreu uma mudança na lei bancária para criar crédito farto, com aumento dos bancos emissores. Aumentou se a oferta monetária, achando se que iria aumentar os investimento, mas o que ocorreu foi aumento da especulação. Esse aumento deixou o lastro em ouro para trás. Criou moeda podre e desvalorização dessa. O resultado foi inflação da moeda

    Na bolsa, não tinha mercado secundário, os títulos então não podiam ser trocados. Comprou um título de um investimento mal feito, não demandado, só porque ele foi criado porque tinha dinheiro farto dado pelos bancos? Já era. Investimentos ruins pipocavam e não dava pra passar, vender esses títulos.

    Era lançar o título, vender e sair vazado. Tinha pouca punição aos agentes econômicos dos bancos na emissão de papeis que poderiam se tornar moeda morta.

    Mas enquanto o crédito era farto se especulou a vontade (febre das tulipas versão rapadura).
  • Zuca em Tuga  19/06/2020 08:56
    Hitler tentou ser artista, não foi reconhecido como alguém talentoso e virou político. Detonou a Alemanha.
    Sarney tentou ser artista, não foi aclamado pelas massas e virou político. Detonou o Brasil.

    Senhoras e senhores, eu creio que o pós-modernismo tem até um fundo de razão em aceitar que "tudo é arte". Talvez estejam agindo como uma barragem, impedindo diversos Hitlers e Sarneys de engendrarem pelo mundo político? :thinkingemoji:
  • reinaldo  19/06/2020 10:59
    Algo que me lembrei ao ler este artigo, é de que JAMAIS em minha vida escolar foi-me dito que é o governo que imprime moeda a torto e a direito.
    Curiosamente, nunca consegui ligar o fato de a impressão de dinheiro é que causa a inflação. Na verdade, ficava me perguntando como seria possível negociar cada vez mais bens e serviços, se não houvesse mais dinheiro disponível na economia. Na minha infância e adolescência ( anos 80 e 90), nunca alguém falou que preços poderiam diminuir, caso a oferta de produtos aumentasse. Só fui descobrir o conceito de deflação e seus benefícios lendo os artigos do Instituto Mises.
    Nunca tive uma aula de economia desde o fundamental até a faculdade (em parte porque eu escolhi mecânica), e percebo hoje como faz falta uma formação mais voltada para o mundo real, e não apenas as tecnicidades do currículo do MEC.
    Como bem diz o artigo, tantos anos de hiperinflação, destruíram o sentido de valor econômico no brasileiro, tanto que muitos ainda acham que comprar carro é investimento, comprar ouro é excentricidade, e que pessoas só ficam ricas ususrpando outros ( se um tem é porque outro não tem)
  • Drink Coke  19/06/2020 15:54
    Por isso acho que o ensino de economia é muito mais importante do que aulas de física e quimica PARA um adolescente no ensino médio.

    No meu mundo ideal aulas de economia pela perspectiva austriaca, matematica financeira e estatistica deveriam ser matérias básicas e ensinadas na escola.
  • Thiago  19/06/2020 12:33
    A questão que já deveríamos abordar seria:

    Como sair da próxima inflação de dois dígitos?

    1 - Déficit das contas publicas em 2 dígitos (sem perspectiva nenhuma de mudança nisso com o congresso e suprema corte que temos atualmente.

    2 - Base monetária a 40% e M2 também alto (dinheiro fiduciário indo diretamente na veia da economia).



    Já sabemos que a solução austríaca (corte profundo nas despesas num tapa só e ancoragem da moeda em algo estável não será opção (devido ao fato número 1 e ao fato da escola de Chicago estar no comando da economia.).

    O que resta? Voltar a SELIC pra dois dígitos? Se a inflação estiver entre 10 e 20%, a SELIC teria que estar acima de 20%. E isso, como já sabemos, ativa uma espiral de desastres, a divida continuara a subir cada vez mais e voltaríamos a viver as décadas que esse artigo nos descreveu.

    E mais um adendo, a próxima eleição já é em 2022 (já viram o que está acontecendo na Argentina?), algo me diz que a esquerda fará isso (onde conseguir retornar ao poder) na america do sul inteira.

    O futuro é sombrio, senhores.
  • Felipe L.  19/06/2020 15:08
    "Já sabemos que a solução austríaca (corte profundo nas despesas num tapa só e ancoragem da moeda em algo estável não será opção (devido ao fato número 1 e ao fato da escola de Chicago estar no comando da economia.).

    O que resta? Voltar a SELIC pra dois dígitos? Se a inflação estiver entre 10 e 20%, a SELIC teria que estar acima de 20%. E isso, como já sabemos, ativa uma espiral de desastres, a divida continuara a subir cada vez mais e voltaríamos a viver as décadas que esse artigo nos descreveu.

    E mais um adendo, a próxima eleição já é em 2022 (já viram o que está acontecendo na Argentina?), algo me diz que a esquerda fará isso (onde conseguir retornar ao poder) na america do sul inteira."


    Simplesmente acaba com a SELIC. Deixa os juros flutuarem, como faz Cingapura. Depois de acabar com a SELIC, libera a entrada de dólar americano. E aí haverá real brasileiro e dólar americano. O sol-peruano é uma das moedas mais estáveis e fortes da América Latina justamente por causa disso.

    O eleitorado argentino é muito mais estatista que o brasileiro. Nem se compara. Inflação de 10% aqui derruba governo. Já por lá, isso de inflação é pouca coisa.

    Se não der para fazer essas reformas, troque todos os funcionários, burocratas e ministros do Ministério da Economia por bonecos vudu.

    Solução individual é fugir dessa porcaria de moeda e, se possível, do país. Não vai ser o gradualismo, nem o Livres e nem o NOVO que irão trazer reformas supply-side.
  • Supply-sider  19/06/2020 15:25
    Bom, se você pede soluções, mas ao mesmo tempo já proíbe que determinadas soluções sejam apresentadas, interditando completamente o debate, então não há o que debater.

    A maneira certa de se aniquilar uma eventual inflação de preços não é necessariamente subindo juros, mas sim adotando medidas para tornar a moeda mais forte. Inflação de preços em alta significa, por definição, moeda fraca. Logo, a solução é tornar a moeda forte.

    E juros altos não necessariamente fazem isso. Podem até conseguir, mas não é sempre.

    Estabilizar a moeda em relação a outra moeda forte, ou em relação a uma cesta de commodities é a solução mais garantida e mais indolor.

    Isso foi discutido aqui:

    www.mises.org.br/article/3190/economistas-do-lado-da-oferta-vs-economistas-do-lado-da-demanda--entenda-esta-distincao-crucial


    E sim, se a esquerda voltar ao poder, vai ser, no mínimo, ao estilo argentino (percebeu como a Argentina, até então vista com carinho pela mídia, simplesmente sumiu do noticiário depois que o Fernandez radicalizou? Como se isso tivesse sido inesperado...). Quem faz militância contra o atual governo (repleto de defeitos, vários já apontados neste site, mas é o que tem pra hoje) está ativamente militando pela argentinização do Brasil. Não haverá meio-termo, e é isso que o pessoal ainda não entendeu. "Fora Bozo!"? Ok, mas "dentro quem"? Haddad? Ciro? Passo.

  • Antonio  22/06/2020 21:55
    Olavete.
  • Bostileiro  19/06/2020 13:28
    Venezuela supera Brasil em hiperinflação e em número de mortos.

    sensoincomum.org/2020/06/18/ditadura-venezuelana-matou-11-328-pessoas-desde-2012/
  • Mauri Marcos  19/06/2020 13:37
    Para um país que construiu a sua capital usando apenas papel impresso na Casa da Moeda a inflação é mereca. Entravam caminhões em Brasília com madeira, cimento, areaia, etc. e saiam do Rio de janeiro caminhões de notas fresquinhas impressas às pressas na Casa da Moeda.
    Estamos pagando até hoje a construção de Brasília. O projetista de Brasília, Lúcio Costa, falou que foi maior empreendimento da história da humanidade, maior que as pirâmides do Egito. Acredito que ele está certo, pois afinal de contas o que tem de múmia enterrada lá não dá para comparar.

    O maior mistério das Pirâmides do Egito não é como foram construídas e sim o quanto as empreiteiras desviaram para construir estas obras, imagina o que foi desviado na construção da nosssa capital.

    Jogar nas costas da ditadura a culpa da inflação é uma visão míope da realidade brasileira. O roubo nestas terras começou em 1500 e nunca mais parou. Concordo com o Kanitz sobre o porquê do ataque à ditadura,
    blog.kanitz.com.br/erro-ditadura-militar/
  • Túlio  19/06/2020 14:52
    Não sei se você percebeu, mas sob Sarney e a democracia, a inflação e a destruição econômica foram várias vezes piores do que sob os militares. Comparada a Sarney, a inflação dos militares é praticamente tímida. Logo, não sei onde você viu essa crítica.

    De resto, houve três governos distintos entre os militares: Castello Branco foi reformista e austero; Médici começou a destruir tudo; e Geisel detonou tudo, foi uma Dilma de fardas (um dos piores da história). Figueiredo só entregou a rapadura depois de não ter mais dentes para comê-la.

    Mas aí vieram os civis-democratas e cagaram ainda mais. Comparados a Sarney, os militares eram gênios econômicos (com a exceção de Geisel).
  • Bostileiro  19/06/2020 16:32
    E pensar que os milicos tinham a faca e o queijo na mão pra fazer esse país sair de vez do subdesenvolvimento.

    Era só pedirem ajuda pros seus aliados, os americanos, durante a Guerra Fria que hoje o país seria completamente diferente. Mas não, preferiram o caminho mais fácil, ou seja, deixar o sistema brasileiro exatamente como estava.
  • Felipe L.  20/06/2020 00:10
    E imagina se o STF fosse bem no centro do Rio de Janeiro, perto do Aeroporto Santos Dumont e do povo, como era décadas atrás. Nunca que eles estariam fazendo isso. O Congresso ficaria um pouco mais longe. Seriam assediados o tempo todo e teriam que fugir de helicóptero.

    O Brasil hoje estaria muito melhor. A construção de Brasília foi a maior aberração da história brasileira do século passado. Só concorre com a entrada e a reeleição do Getúlio Vargas.
  • Marcelo  19/06/2020 19:22
    Pergunta aos seguidores do Instituto Mises: eu vejo em todo o debate entre marxistas e liberais, vejo sempre uma discussão semântica a cerca de certas palavras, especialmente capitalismo. Eu pergunto: qual é a definição de vocês de capitalismo e como vocês sustentam essa definição como certa e qual seria o erro da definição marxista?
  • George  19/06/2020 19:33
    O capitalismo é um sistema social baseado na propriedade privada dos meios de produção. É caracterizado pela busca do interesse próprio em termos materiais — em um ambiente livre da iniciação de força física —, e seus alicerces são culturalmente influenciados pela razão. 

    Baseado em suas fundamentações e em sua natureza essencial, o capitalismo é mais detalhadamente caracterizado pela poupança e pela acumulação de capital; pelas trocas voluntárias intermediadas pelo dinheiro; pelo interesse próprio financeiro e pela busca do lucro; pela livre concorrência e pela desigualdade econômica (os mais bem-sucedidos em atender os consumidores prosperam mais); pelo sistema de preços; pelo progresso econômico; e por uma harmonia da busca pelo interesse próprio material de todos os indivíduos que dele participam.
  • Marcelo  19/06/2020 22:29
    Eu peço também que sustente o que fala, porque essa definição está correta, pois tem muitos que não concordam com ela, principalmente na parte que o capitalismo seria baseado em trocas voluntárias.

  • George  20/06/2020 00:58
    Sei lá do que você está falando. Você mal sabe se comunicar direito.
  • Estado o Defensor do Povo  20/06/2020 19:30
    esquece o termo "capitalismo" então e adota "voluntarismo".
  • 4lex5andro  25/06/2020 17:28
    Capitalismo de fato segundo a perspectiva liberal, é livre-mercado.

    Quanto mais fechado ou embaraços houverem à livre iniciativa, menos livre o mercado é.

    E mercado ''não-livre'' é capitalismo de Estado, como é o Brasil, e como se tentou fazer na Urss, com a diferença que lá era partido único e no Brasil o ''partido único'' foi ''re-subdividido'' em legendas (do MDB para mais de 30 hoje), mas no fundo, todas com um mesmo fim.
  • Nycolas  29/06/2020 14:05
    Peço que explique porque a definição liberal está correta, e não marxista ou qualquer outra
  • 4lex5andro  25/06/2020 17:37
    Esse ''marco'' regulatório para universalização das redes de saneamento no país em 13 anos, parece uma jogada de acomodação no tabuleiro.

    Com poucos - caso hajam - avanços de fato.

    O governo pra mobilizar o plano de ajuda financeira aos municípios e estados, cobrou em contrapartida, além da renúncia judicial desses últimos (em ações correntes contra a união), também a venda/privatização de estatais locais.

    Daí se insere o tal marco regulatório do saneamento.

    Em vez de vender - como intentavam Mg e Rio - estatais como Copasa e Cedae, se optariam esses estados, pela via das concessões ou PPP.

    Privatizar no Brasil sempre foi um tabú, mas depois do período 2003-2016, ficou ainda mais difícil.

    E depois de ontem, e de cada artigo (que reluz de lucidez) do IMB, se constata que o Brasil vai quebrar - especialmente depois da votação do STF sobre a LRF e ''irredutibilidade dos salários''.

    O país vai falir. Simplesmente isso, vai falir.

    Não é questão de ''se''... mas de ''quando''...
  • Luís Eduardo  20/06/2020 00:39
    Olá pessoal. Excelente artigo e ótimos debates, como sempre aqui no Mises. Pergunto: diante da atual realidade, de selic 2,25% e déficit primário projetado de no mínimo 10% do PIB, o que o governo deve fazer, considerando o desenho constituicional e as forças políticas? Sabemos do ideal, mas até chegar neste liberalismo almejado, o que fazer?
  • Supply-sider  20/06/2020 01:04
    Agora já era. Já arrebentou tudo. Não há mais qualquer sanidade fiscal e o governo, na prática, já adotou a MMT. Não tem mais volta.

    Na melhor das hipóteses — repito: na melhor! —, teremos uma economia zumbi. Será ritmo de crescimento japonês, com inflação africana (na casa dos 10%) e padrão de vida em contínuo declínio.

    Agora, se realmente quiserem fazer algo, teria de começar (começar!) nestas linhas:

    www.mises.org.br/article/3190/economistas-do-lado-da-oferta-vs-economistas-do-lado-da-demanda--entenda-esta-distincao-crucial

    www.mises.org.br/article/3108/o-segredo-do-enriquecimento-economico--e-por-que-os-paises-em-desenvolvimento-continuam-atrasados

    www.mises.org.br/article/2892/como-a-estonia--sim-a-estonia--se-tornou-um-dos-mais-ricos-paises-do-leste-europeu
  • Felipe L.  20/06/2020 02:28
    Ainda tenho um leve otimismo de que o Bolsonaro não seria burro de deixar a inflação chegar a esse ponto (porque no fundo é ele que manda). Se isso ocorrer, aí a popularidade dele vai para o saco. Se o BC estiver mirando as commodities (que é o que tem ocorrido até agora), aí irão subir a SELIC de novo com a meta estourada.

    Já que tantos ministros já caíram, seria uma ótima oportunidade para ele demitir o Guedes e o Campos e colocar gente supply-sider.

    E o pior é que se virar uma economia zumbificada, não terá as coisas que o Japão ainda tem de bom: infraestrutura boa, alta produtividade, alguma segurança jurídica e moeda forte.

    Ruim é que os assessores dele são péssimos. Não tem nenhum que saiba o mínimo de economia do lado da oferta ali. Guedes é terrível, apesar de alguns adoradores dele acharem que ele ainda pode fazer algo bom. A militância bolsonarista também não sabe o mínimo de Economia.

    Um pandemônio e que me faz ter saudades de 2015.
  • Imperion  20/06/2020 15:55
    Educar a maior parte da população sobre economia e apresentar para eles que isso tudo é trapaça. Depois não eleger políticos que seguem essa linha.

    Só assim vc tem chance de mudar a lei e não permitir mais essa pasmaceira.

    O governo tem que baixar esse déficit a zero, sem aumentar os impostos. 10 por cento do PIB é pra hora da morte do governo central. É o mesmo que dizer que os saques ao patrimônio estão liberados, em alguns anos já não teria como impedir a falência do governo central.

    E estado falido não segura território.
  • Matheus S.  20/06/2020 02:22
    Caro amigo!

    Geralmente me considero um homem otimista, e certamente temos motivos para sermos otimistas. Por exemplo, conheci a EA através de um artigo aqui do IMB explicando o exemplo irlandês, se eu não me engano é um artigo de 2015 ou 2016, foi no mesmo ano da matéria que eu conheci a EA.

    Desde esse ano até hoje, sempre acompanho os artigos e os comentários sempre carregando otimismo, pois visualizei que o campo das ideias no Brasil economicamente evoluiu, quem não conhecia Mises e cia, agora conhecem. Hoje há mais questionamentos por parte dos planos econômicos e a própria mídia por mais que sejam um bando de desonestos, hoje sabem que os leitores são mais perceptíveis ao que está sendo falado, eu mesmo sou um exemplo vivo disso, pois quase não lia artigos de economia, por ser um assunto que eu não dominava e nem me interessava. Mas isso mudou.

    Certamente, acredito que a política econômica de Dilma e cia transformou mais liberais do que os próprios livros de autores liberais, pois ninguém sabia o que estava acontecendo e de repente tínhamos na internet artigos esplêndidos explicando todo esse fenômeno, algo que jornalistas nunca em sua toda arrogância explicaram para a grande massa do povo. Me lembro bem quando li o artigo do crescimento econômico do governo Lula escrito se eu não me engano pelo Leandro, aquele artigo quanto o da crise sub-prime de 2008, me deu uma nova visão de mundo, uma que não entendia, mas que fazia parte da minha vida e de todos nós, mas era confuso demais entender isso do establishment, pois não fazia sentido algum.

    O conhecimento desse novo mundo me deu mais confiança e otimismo, pois a cada ano, o número de comentários e comentaristas aumentavam constantemente, e muitos deles com perguntas simples que qualquer leitor já assíduo poderia responder, muitos deles procurando respostas para as suas dúvidas e certamente assim como eu estavam entrando em um novo mundo desconhecido para a grande massa, pois isso não foi ensinado na escola, mas sim ensinado por conta das circunstâncias da vida, independentemente da idade - o que certamente deveria ser um otimismo para muitas pessoas e o movimento liberal, eu mesmo queria ter conhecido a EA antes dos meus 20 anos, hoje tenho 25 e vendo um adolescente hoje lendo livros e artigos da EA me motiva e isso é um progresso, acontece devagar e é demorado, mas certamente o final vale a pena.

    O conhecimento arduamente conquistado, jamais será esquecido.

    Onde eu quero chegar?

    O progresso está acontecendo no Brasil lentamente, mas está acontecendo. Não falo economicamente, mas sim no campo das ideias, que é o que realmente muda o caráter sociológico de uma nação e cria a raiz cultural para mudanças práticas e visíveis na sociedade e consequentemente nas instituições.

    Eu certamente compartilho da frustração dos amigos aqui do IMB, mas essa frustração não pode ser aplicado no campo das ideias, no momento em que estamos em constante evolução e o próprio pensamento econômico está sendo moldado, mas novamente reitero que é um progresso lento e demorado.

    Eu vejo mais como um modelo suíço a ser seguido em que grande parte da sociedade detém essa raiz cultural, foram moldados por séculos até atingirem o progresso atual e se tornando de fato os mais liberais do mundo, inclusive influenciando os pais fundadores dos EUA. Pode-se argumentar que os EUA detém essa cultura, mas está sendo constantemente atacado tanto externamente quanto internamente, esses valores estão sendo alterados e repercute na sociedade americana, o exemplo da crise americana atual é o maior exemplo disso sobre a questão do racismo e policial. A diferença entre nós e eles, é que ainda estamos construindo esses valores, enquanto eles como sociedade já detém, mas que estão sendo hoje alterados devido a questões ideológicas, econômicas, filosóficas, culturais e geopolíticas.

    Nesse quesito, acredito que os suíços estão bem a frente de todos e certamente é o modelo a ser seguido e perseguido por nós brasileiros, onde teremos finalmente quebrado as correntes de negatividade da nossa nação e iremos atingir um novo patamar por mérito próprio.

    Creio também que esse caminho é o mais duradouro e efetivo do que um governante tomar o poder e centralizar para si todas as decisões nacionais e aplicar políticas liberais, se tornando um ditador "liberal" como Lee Kuan Yew ou Pinochet - por mais contraditório que isso seja. Esse ditador não terá a base de apoio necessário para garantir a longo prazo as medidas liberais, o que invariavelmente acontecerá no futuro reversões do que foi aplicado, em alguns casos se torna uma reversão constante como acontece hoje no Chile mesmo ou nos EUA desde a década de 2000 até os dias de hoje.

    Isso é o que faremos até chegarmos ao liberalismo "almejado".
  • Felipe L.  20/06/2020 04:33
    Geórgia embarcou em reformas profundas e sem pena alguma. Hoje está entre as 15 economias mais livres do mundo. É mais pobre que o Brasil mas logo passam a gente.

    Talvez por questão também cultural, aquele paiseco que foi invadido pela Rússia e passou por décadas de comunismo da URSS, descartou a porcaria do gradualismo que muitos aqui no Brasil ainda apreciam, e foi rumo a grandes reformas econômicas.

    O mundo lá fora está mudando, enquanto aqui fica discutindo lucro do Banco Central, se congela aumento do funça, gradualismo e esmolas.
  • Imperion  21/06/2020 02:41
    A Geórgia de hoje só é pobre ainda porque nunca se recuperou do domínio da União Soviética, que exauriu seu território e seu capital na era comunista.

    Mas desde que ela fez suas reformas ela cresce e recupera. Mas vive dentro da esfera da Rússia que quer o domínio de novo. Torná-la satélite de novo.

    Felizmente os georgianos estão espertos e se blindaram com a União Europeia. Assim ela se equilibra no cabo de guerra pra não cair, o que seria pior.

    Mais algumas décadas, se ela não abrandar sua determinação de crescer, ela vai ser uma Austrália.

    E mais um país que deixou o Brasil para trás.
  • cmr  20/06/2020 13:31
    "Nascer no Brasil é algo que ninguém deveria fazer, ficar nele menos ainda" - Olavo de Carvalho.
  • Felipe L.  20/06/2020 15:37
    Pessoal, o que vocês acham da MP 984, anunciada pelo Bolsonaro?

    O Bonner até apareceu no JN dando uma resposta toda formal, falando que isso não iria interferir nos contratos da Globo, e que os contratos são invioláveis. É verdade que o Bolsonaro parou de dar verbas para a Globo e é por isso que o governo dele é constantemente atacado pela emissora?
  • Gustavo  20/06/2020 16:17
    Muito boa. Aliás, incriticável.
  • Marcos  20/06/2020 16:19
    Sim, cortou-se praticamente a zero os repasses de publicidade. Por isso estão espumando. Mas tal medida começou ainda com Temer. Por isso ele também foi destruído.
  • Felipe L.  20/06/2020 17:46
    Desanima é que o STF reverte muitas boas decisões dele. O que fazer com isso, sabendo que por ora não teremos uma justiça privada?

    Só consigo visualizar a criação de uma outra CF e/ou secessão dos estados.
  • Junior  22/06/2020 12:56
    Quais foram as boas decisões que o STF reverteu do Bolsonaro.
    Sei que tiveram muitas sim, mas a quais exatamente vc se refere?
  • Carlos  21/06/2020 15:23
    Como assim Cortou a zero os repasses de publicidade?
    Não entendi ainda muito as mudanças que essa MP propões e como afetam os clubes e a transmissão de jogos
  • Régis  21/06/2020 22:06
  • Ivan  22/06/2020 13:57
    Prezados,
    O que não podemos é dar guarida às mesmas ações nefastas do PT pro que o Bolsonaro está fazendo.
    Se a globo recebia muito dinheiro e está cortando agora, isso é certo. Mas é errado aumentar a propaganda e o faturamente do SBT e da Record que todos sabem que são pro governo por estar recebendo mais grana do nosso bolso. Alias, não nos esqueçamos que o Queiroz deu entrevista exclusiva ao SBT se explicando faz um tempinho.
    Se o PT enchia de boquinha nos ministerios sindicalistas pelegos, agora o Bolsonaro enche de milicos. O Ministerio da Saude é uma vergonha. Os milicos querem os cargos, e os estão ganhando, aumentando seus salários, mas ao mesmo tempo não querem ser os responsáveis pelo problema. Chegamos a um cenário absurdo de estarmos sem ministro no meio de uma pandemia, mas os milicos já estão mamando bastante.
    Temos que elogiar o Bolsonaro por coisas elogiaveis, e criticar pela criticáveis
  • Ninguem Apenas  23/06/2020 22:37
    Até onde eu entendi, vai diminuir o repasse de todas, mas a Globo vai ter uma redução de verba maior que as outras, de forma que em termos percentuais do repasse feito o das outras emissoras vai aumentar.
  • 4lex5andro  02/07/2020 13:16
    Nem se compara o governo atual com o anterior, de 2003-2016.

    Por escrito o período de tempo que os vermelhos ficaram no governo, pra dar um início de noção do quão infeliz é esta comparação.

    De resto, que quando erra, qualquer governo deve ser criticado - se bem que o atual acertou muito mais até hoje.
  • Felipe L.  20/06/2020 18:07
    Alguém sabe onde eu poderia encontrar o diário do Douglass North no Brasil, o "Notes on my Brazilian trip."?
  • Quebec  21/06/2020 13:57
    É possível ter uma economia cujos juros são manipulados pelo banco central, em conjunto com o setor bancário operando com reservas fracionárias, ter um crescimento sustentável - sem a fase de 'bust' do ciclo econômico, ou com um 'bust' mais brando?
    Como todos os países operam desse modo seu sistema financeiro por que alguns atravessam crises clássicas de livro-texto austríaco (como o Brasil) enquanto outros são mais estáveis , (Áustria, Alemanha e Suíca)? O que torna alguns países mais robustos mesmo operando com alguma dose de intervencionismo?

    Eu estou estudando a TACE porém tenho algumas dúvidas, então ficaria extremamente grato se alguém pudesse responder.

    Muito obrigado.
  • Supply-sider  21/06/2020 15:15
    Anular o bust jamais. Mas é sim perfeitamente possível atenuar o bust com medidas supply-siders.

    Corte de impostos, desregulamentações e facilitações contínuas ao empreendedorismo (retiradas de obstáculos à atividade empreendedorial) sempre ajudam.

    Ademais, nem todos os bancos centrais são igualmente ruins. Se um banqueiro central estiver "manipulando" os juros de modo a manter sua moeda estável em relação a uma cesta de commodities, por exemplo, então ele estará fazendo exatamente o certo.

    Os BCs de Austrália e Suíça conseguiram manter suas moedas relativamente estáveis em relação ao principal índice de commodities do mundo.

    Austrália: ibb.co/CzwnT6s

    Suíça: ibb.co/GFs5HBY

    Em adição, seus governos estão continuamente cortando impostos, desregulamentando a economia e facilitando a atividade empreendedorial (vide as evoluções destes países nos rankings de liberdade econômica).

    Receita simples, porém garantida.

    www.mises.org.br/article/3108/o-segredo-do-enriquecimento-economico--e-por-que-os-paises-em-desenvolvimento-continuam-atrasados

    www.mises.org.br/article/3190/economistas-do-lado-da-oferta-vs-economistas-do-lado-da-demanda--entenda-esta-distincao-crucial
  • Felipe L.  22/06/2020 14:46
    Vocês têm saudades de quando um real valia praticamente um dólar e era possível comprar um Galant V6 por R$ 46 mil? E isso que nessa época eles tinham voltado com as nojentas tarifas protecionistas (e piorou, para 70%, ante 50% anteriormente aos 20% com a redução).

    Esqueçam o Brasil.
  • Bernardo  22/06/2020 16:19
    Ok, mas não se esqueça de que R$ 46 mil em julho de 1995 não são a mesma coisa que R$ 46 mil hoje. Não incorra neste erro.

    R$ 46 mil em julho de 1995 equivalem a R$ 214.250 hoje, corrigidos pelo IPCA.

    E pelo IGP-M são R$ 307 mil.

    www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&aba=1

    Quanto custa modelo semelhante hoje? É essa a comparação.
  • Bob  22/06/2020 16:33
    Hoje, esse carro usado está entre R$ 14.500 e R$ 39.000.

    www.webmotors.com.br/carros/estoque/mitsubishi/galant

    Se estiver em boas condições, uma puta deflação.

    É por isso que, no Brasil, só compra carro zero quem é muito rico ou quem é otário. Simplesmente não compensa.

    E quem é realmente esperto, compra carro usado (e japonês) a diesel. Esse terá um carro bom, confiável e ainda rodará com combustível subsidiado pelos desdentados.
  • Felipe L.  22/06/2020 17:06
    Mas a nossa moeda
    afundou bonito
    . Isso que estou criticando. Fosse o real uma moeda forte ainda, um carro desse custaria uma mixaria hoje. E um fenômeno no Brasil também é o fato de vários produtos terem sofrido redução de peso.

    Vale lembrar que os salários brasileiros ficaram estagnados depois de 2011. No México houve um aumento real ínfimo, mas houve. Aqui não. Pode-se dizer que o aumento no padrão de vida nos últimos 25 anos foi em 1994-1998 e 2004-2010 (e que mesmo assim foi mediano). Depois foi só estagnação.

    Diesel só te em utilitário nessa porcaria de país. Combustível é mais barato e rende mais mas a manutenção é muito mais cara do que em um carro usado mais simples. Pneu, suspensão e afins. Seguro idem.
  • Felipe L.  23/06/2020 00:41
    Pessoal, onde eu consigo essas taxas de juros de longo prazo, para eu comparar com a SELIC? Vi algumas pessoas dizendo que, apesar de a SELIC ter caído, os juros de longo prazo subiram.
  • Trader  23/06/2020 15:34
    Vá ao TradingView e digite:

    DI1FXXXX

    Sendo que o XXXX deve ser preenchido com o ano desejado.

    Exemplo: se você quiser saber quais são os juros precificados para janeiro de 2026, coloque: DI1F2026
  • Felipe L.  23/06/2020 20:47
    Obrigado. Verei.
  • Jonh Galt  23/06/2020 11:42
    Excelente apanhado!

    Recentemente, resolvi conferir o comportamento do preço do ouro em dólar após a quebra do acordo de Bretton Woods em 1971. Esperava ver uma valorização constante e crescente do preço do metal devido à expansão da base monetária do dólar mundial, mas não foi isso que notei.

    Apesar de uma alta acelerada que durou até aproximadamente 1980, o dólar passou a ganhar força contra o ouro, desvalorizando o metal até meados dos anos 2000, portanto 20 anos de queda contínua de preços.

    O que explica este comportamento tão prolongado de aumento de poder de compra do dólar? Devido ao período prolongado, achei difícil encontrar explicações ligadas à questões fiscais ou até mesmo monetárias relacionadas à governos da época.

    Obrigado pela atenção!
  • Leandro  23/06/2020 14:56
    Foram vários fatores:

    1) De 1971 a 1980, o ouro explodiu em dólares. O preço da onça foi de US$ 35 para US$ 850, aumento de incríveis 2.328% em apenas nove anos.

    Nada mais natural que houvesse uma correção.

    2) A partir de 1980, o Fed, sob o comando de Paul Volcker, mudou sua abordagem. A ordem era matar a inflação de preços a qualquer custo. Com isso, o agregados monetários passaram a ser rigorosamente controlados e a taxa básica de juros foi elevada para 21,50%. Aí, obviamente, com o governo americano prometendo pagar 21,50% ao ano, o ouro perdeu atratividade. Os juros permaneceram altos até 1992.

    3) Também durante as décadas de 1980 e 1990, Paul Volcker e Alan Greenspan deixaram explícito (o Greenspan ainda mais que o Volcker; leia seu livro The Age of Turbulence) que eles se guiavam pelo preço do ouro. Ambos eram supply-siders e, como ainda não havia sistema de metas de inflação, eles se guiavam por commodities e principalmente ouro. Ora, se você tem dois presidentes do Fed deixando claro que se guiam pelo preço do ouro, então é óbvio que o preço do ouro será relativamente estável (em dólares; na moeda brasileira ele explodiu). Don't fight the Fed.

    4) Não à toa foi a época de crescimento mais robusto dos EUA (de 1983 a 2000).

    5) Depois que entrou o Bernanke, a baliza do ouro foi inteiramente abolida. E o resultado está aí.
  • Felipe L.  23/06/2020 15:51
    Pena que isso nunca mais foi visto na história americana. Aqui no Brasil é ainda pior, com juros nominais iguais aos americanos do ano passado. O Kogos disse que em algum momento os juros americanos terão que subir e, acontecendo isso, haverá calote na dívida (não sei se ele se referia à interna e externa, ou só à externa, ou só à interna). Acho isso pouco provável, pelo menos agora.

    BC virou um órgão frouxo. A SELIC de 6,5% a.a. até julho do ano passado poderia ter se mantido tranquilamente e, nesse ano, ter aumentado para sinalizar que é hora de poupar e se proteger. É arbitrário, eu sei, mas teria sido melhor do que agora. Ninguém vai comprar título de tesouro porcaria com esse rendimento negativo. Nem com a Dilma eu vi tamanha pornografia com redução dos juros.
  • Túlio  23/06/2020 20:20
    O BC aparentemente mudou sua abordagem. Antes, ele usava juros visando a inflação. Agora, parece que ele usa juros visando a ajudar o Tesouro a gastar menos com o serviço da dívida.
  • Jonh Galt  23/06/2020 19:28
    Obrigado pela sucinta e eficaz explicação Leandro Roque.

    Realmente faz sentido o preço se manter estável ou até em declínio se o FED deixa explícito para o mercado que este é seu objetivo. Adicionei o livro The Age of Turbulence à minha lista de leitura e pretendo ler em breve.

    Parabéns aos membros do Mises Brasil, e você em especial, pelo excepcional trabalho de educação econômica que prestam ao País.

    Eu sou apenas um de uma nova geração de defensores da liberdade que só existe hoje no Brasil graças à vocês.
  • Felipe L.  23/06/2020 20:53
    Leandro, eu peguei o gráfico histórico do M2 no Brasil, dos últimos 25 anos. O gráfico vai até abril desse ano.

    É impressão minha ou essa explosão do M2 nesse começo de ano está sendo maior do que entre 2009 e 2010?

    Quem são os principais beneficiados por essa SELIC artificialmente baixa? Eu vejo que daqui alguns meses (ou anos) o IPCA estoura a meta de 4%, e aí o BCB terá de aumentar de novo a SELIC. As commodities agropecuárias já atingiram alta histórica.

    O governo não vai diminuir a sua dívida diminuindo os juros na marra. Mesmo porque nesse ano, já pode considerar perdido em questão de endividamento. E ninguém vai querer comprar títulos dessa porcaria, sabendo que no México os juros estão atraentes e ainda existe grau de investimento.

    Bolsonaro precisa de assessores econômicos melhores.
  • Leandro  24/06/2020 01:08
    "É impressão minha ou essa explosão do M2 nesse começo de ano está sendo maior do que entre 2009 e 2010?"

    Muito maior. Mas isso está acontecendo no mundo todo. Aliás, hoje o ouro bateu recorde em dólar.

    "Quem são os principais beneficiados por essa SELIC artificialmente baixa?"

    Devedores e qualquer pessoa que seja a primeira a receber a moeda recém-criada pelo Banco Central. Principalmente os charlatães.

    valor.globo.com/brasil/noticia/2020/06/23/apos-corrida-cpfs-superam-populacao-em-125-milhoes.ghtml

    A matéria acima mostra que o Brasil agora tem 223 milhões de CPFs contra uma população, incluindo crianças, de 211 milhões. As fraudes para receber os R$ 600 do auxílio emergencial estão comendo soltas. Esperado.

    "Eu vejo que daqui alguns meses (ou anos) o IPCA estoura a meta de 4%, e aí o BCB terá de aumentar de novo a SELIC. As commodities agropecuárias já atingiram alta histórica."

    De fato, os preços dos alimentos estão em ascensão (como previsto aqui ainda no início de abril). Mas como o BC se preocupa apenas com a toda a cesta do IPCA, e dado que esta ainda está sofrendo a pressão baixista (no acumulado em 12 meses) de combustíveis, energia elétrica, serviços, eletrodomésticos e demais itens de residência, ele segue sem se preocupar.

    Só quando todos estes itens estiverem subindo forte, é que ele vai começar a demonstrar alguma inquietação.

    "O governo não vai diminuir a sua dívida diminuindo os juros na marra."

    A dívida, não. Mas o serviço dela fica mais em conta. Paulo Guedes, que vive vituperando "os rentistas", tem essa como um de suas principais metas.

    "Mesmo porque nesse ano, já pode considerar perdido em questão de endividamento. E ninguém vai querer comprar títulos dessa porcaria, sabendo que no México os juros estão atraentes e ainda existe grau de investimento."

    Sempre há demanda para renda fixa. Ademais, os títulos de longo prazo do Tesouro, especialmente os atrelados ao IPCA, estão pagando hoje juros maiores do que pagaram durante todo o segundo semestre do ano passado.

    "Bolsonaro precisa de assessores econômicos melhores."

    É o que temos pra hoje.
  • Felipe L.  24/06/2020 03:21
    Então na prática os poupadores estão tendo a sua moeda derretida para sustentar os devedores? Seria então toda a categoria de devedor, desde o do cheque especial até o que tomou empréstimo para investir em um empreendimento?

    Em quanto que essa redução na SELIC reduziria o serviço da dívida? Dado que nesse ano a dívida explodirá, o custo para mantê-la também aumentará. E o problema é que também a economia inteira sofre. Com a moeda afundando, a economia vai junto.

    A notícia não consegui ler pois eles querem assinaturas... mas de qualquer forma, que porcaria. Fosse caridade privada, seria diferente...
  • Imperion  24/06/2020 17:38
    O governo é o maior devedor, então ele dá um jeito de deixar os devedores em vantagem, mas prejudica os poupadores. Os que tem algum patrimônio podem ter tudo tomado.

    Já os devedores "coitados" podem receber algum perdão ou mais crédito pra rolar dívidas.
  • Trader  25/06/2020 01:11
    "Em quanto que essa redução na SELIC reduziria o serviço da dívida?"

    No atual nível de 2,25%, dá tranquilamente mais de R$ 100 bilhões. A notícia abaixo era de quando a Selic estava em 4,50%.

    g1.globo.com/economia/noticia/2019/12/06/com-selic-menor-brasil-vai-economizar-r-96-bilhoes-em-juros-da-divida-publica-em-2020-diz-guedes.ghtml
  • Felipe L.  25/06/2020 02:53
    De fato, o problema são os custos ocultos disso. Todas as distorções que ainda serão causadas isso.

    Dito isso, com juros negativos o que aconteceria com a dívida governamental?
  • ALUNO  24/06/2020 04:13
    Leandro,
    Vc disse que o M2 está subindo em todo mundo.
    Até o momento, qual país está "imprimindo" mais?
    Onde o M2 está subindo mais acentuadamente (no Brasil, nos EUA, União Europeia ou Japão)?

  • Felipe L.  24/06/2020 16:52
    Acho que o meu comentário não apareceu para o Leandro.

    Mesmo o México embarcou nessa (notem como ele oscilou bastante de meados de 2000 até pouco antes de 2016, não sei o motivo).

    Em Hong Kong a expansão está mais contida (talvez por ser Currency Board). Na Bulgária.
  • Trader  25/06/2020 01:07
    Em Hong Kong está praticamente inalterada. No mesmíssimo ritmo de outras épocas. Óbvio. Lá é Currency Board.
  • vitor  24/06/2020 22:24
    Fala Leandro,

    Li seu artigo antigo que foi indicado e fiquei com uma duvida.

    No final voce diz que a Escola Austriaca 'e a favor de inflacao monetaria zero. Sei que o instittuto defende o retorno ao padrao ouro.

    Minha duvida 'e se com o padrao ouro seria um arranjo ideal ou apenas melhor do que o atual?

    Seria possivel inflacao monetaria zero em um padrao ouro, uma vez que a quantidade de ouro em circulacao, mesmo que lentamente, segue aumentando?

    Obrigado pela atencao
  • Leandro  25/06/2020 01:05
    Olhando em retrospecto, acho que eu deveria ter sido mais claro. Era para ter deixado claro que, no atual arranjo em que vivemos, ou seja, com papel-moeda fiduciário, de curso forçado e sob total controle do Banco Central, o melhor seria que não houvesse inflação da base monetária, pelo óbvio motivo de que, a partir do momento em que o BC tem liberdade para criar moeda, tal liberdade sempre será abusada (algo explicitado agora na pandemia do novo coronavírus).

    No entanto, você está correto: em um arranjo de liberdade econômica, no qual a moeda é definida pelo mercado, não há como impor crescimento zero nem da base monetária e nem da oferta monetária, e pelo exato motivo que você colocou. Não só a oferta de ouro aumentaria continuamente, como também, se houvesse livre circulação de moedas, a entrada de moedas externas seria livre.

    Logo, não, não seria possível inflação monetária zero sob um padrão-ouro. No entanto, neste arranjo, a "criação monetária" é um fenômeno inteiramente de mercado. A extração de ouro depende da demanda e do custo de produção, e a oferta também depende do balanço de pagamentos (que também é uma força de mercado) — ao contrário do arranjo atual, em que o custo de produção de dígitos eletrônicos é nulo, e a oferta monetária é adulterada de modo a manipular juros. Isso gera ciclos econômicos e, consequentemente, destruição de capital e empobrecimento.
  • Felipe L.  23/06/2020 16:24
  • Bruno Souza  23/06/2020 17:48
    Faz sentido. Apesar de tudo, o Brasil continua sendo a melhor aposta da América Latina. Chile e Colômbia passaram por badernas ano passado e estão sob permanente risco de infiltração de agitadores venezuelanos que facilmente se passam por locais (no Brasil, não há esse risco por motivos óbvios).

    Ademais, o Chile vai alterar sua constituição para agradar a esquerda. Péssimo sinal. A Colômbia, outrora sólida, tem afrouxado para a esquerda. E o país está caro para o investidor estrangeiro.

    Já o Brasil tem engatilhada várias reformas, que a mídia e a esquerda estão doidinhas para melar, pois não ganham nada com o país dando certo (vide a virulência e o terrorismo da mídia para cobrir os efeitos de um resfriado: sim, a Covid é um resfriado, e não uma gripe).

    Argentina é uma piada. Venezuela nem se fala. O Uruguai, que estava mal sob a esquerda, trocou de governo recentemente, mas ainda é cedo. Bolívia e Equador também estão em transição, mas não têm economias realmente atrativas.

    Só me surpreendeu não falarem do Peru. Até mesmo o Paraguai também merecia. Mas, obviamente, quando se analisa o mercado interno, é óbvio que nenhum país é páreo para o Brasil, que além do enorme mercado interno está engatilhando várias reformas.
  • Felipe L.  23/06/2020 19:53
    Acho que o fator está no tamanho do mercado interno. É por isso que os EUA lideram.

    Por que no Brasil não haveria risco de infiltração de agitadores venezuelanos?
  • Sem nome  25/06/2020 11:23
    Discordo. A india e a China tem um mercado interno maior e nao é pareo para o Eua. O que manda é a economia e o mercado mais livre do eua que facilita o comercio e consumo,coisa que esses 2 paises nao tem.
  • Sem nome  25/06/2020 16:11
    Discordo. A india e a China tem um mercado interno maior e nao é pareo para o Eua. O que manda é a economia e o mercado mais livre do eua que facilita o comercio e consumo,coisa que esses 2 paises nao tem.
  • Sem nome  26/06/2020 10:26
    Discordo. A india e a China tem um mercado interno maior e nao é pareo para o Eua. O que manda é a economia e o mercado mais livre do eua que facilita o comercio e consumo,coisa que esses 2 paises nao tem.
  • anônimo  23/06/2020 20:28
    Será que o Chile vai virar um antigo Brasil? Colômbia acho que não, junto com o Peru é o país que a esquerda menos é popular.
  • Imperion  24/06/2020 00:51
    O Brasil realmente sinalizou um processo de abertura, e isto o torna atrativo ao investidor, mesmo que essa abertura ainda não tenha ocorrido. Já os outros países do continente não anunciaram mudanças, exceto o Chile, que regrediu.
  • Felipe L.  25/06/2020 02:29
    Uma notícia boa... além daquela gradual abertura no saneamento básico, o projeto de algumas mudanças na CNH foi aprovado na Câmara . Mas sabem o meu medo? O projeto virar lei, o Senador DPVAT ressurgir, reclamar para o STF e a lei ser revogada.

    O pessoal da Globo pelo jeito já ficou histérico.
  • Felipe L.  25/06/2020 04:51
    No Brasil de hoje, poderia existir governos estaduais supply-siders ou não? Pensei em alguém que simplesmente assumisse e reduzisse o próprio salário, de seus assessores e burocratas, reduzisse o ICMS e IPVA, entre outras coisas. Ou essas reduções seriam inviáveis por alguma restrição da CF/88 ou LC 101 (Lei de Responsabilidade Fiscal)? Os estados hoje quebram, aumentam gastos e impostos e querem dinheiro da União de mão beijada, o que é uma pornografia. Nesse ano será a mesma coisa, na verdade algo ainda pior. Talvez algo que copiasse os EUA, com condados também como divisão política.

    Não consigo imaginar como era o estado de São Paulo na época do Banespa. Depois da entrada do Mário Covas, o risco de o estado quebrar diminuiu bastante.
  • Supply-sider  25/06/2020 15:36
    Fiscalmente seria difícil. O governador teria de cortar impostos e provar que tais cortes não só não afetariam a arrecadação, como ainda poderia fazê-la subir (só que é impossível saber em que ponto ele está na curva de Laffer).

    E como ele não tem como cortar gastos (lobbies e grupos de interesse não deixam), então ele não tem como cortar impostos.

    A única coisa que ele de fato pode fazer é desregulamentar e desburocratizar, o que já seria muito. E aí, com sorte, o aumento da atividade econômica geraria um aumento da arrecadação, e aí sim ele poderia cortar alguns impostos.

    Mas aí seria sonhar demais.

    Se a arrecadação aumentar, a primeira coisa a ser feita seria dar aumento pros funças.
  • Felipe L.  25/06/2020 22:27
    De fato a "arrecadação" poderia subir, já que haveria incentivo para a atividade econômica. O difícil é saber isso e também tem que tomar cuidado com isso, em não virar também um "fiscalista" que é capaz de defender até aumento dos impostos "para equilibrar as contas" (como o Meirelles fez com as alíquotas nos combustíveis).
  • Lucas  25/06/2020 21:13
    Além de tudo o que foi comentado, corte de gastos ainda aparenta ser uma medida impopular. Parte da população não faz a mínima ideia do que é um déficit orçamentário e acredita que as contas do governo estão sempre "no azul", que os políticos podem gastar à vontade. Aí quando se propõe corte de gastos, já surge alguém para dizer que "os políticos querem economizar dinheiro público para sobrar mais para eles!". É complicado.
  • Imperion  26/06/2020 00:23
    Faz parte da cultura brasileira ser parasita. Desde a colônia. Portugueses fincaram aqui uma colônia de exploração. Não é a toa que parasitaram os escravos. E com a independência se trocou apenas o governo. Mas manteve todo tipo de parasitismo.

    Atualmente almejam o parasitismo da social democracia. Mesmo que ela nunca cumpra nem metade das promessas, continuam votando em políticos que a prometem.
  • Wesley  25/06/2020 19:19
    O STF decidiu que os funças não podem ter corte de salário:

    politica.estadao.com.br/noticias/geral,decisao-do-stf-que-impede-corte-de-salario-de-servidor-publico-e-alvo-de-criticas,70003343955?utm_campaign=redes-sociais:062020:e&utm_medium=social-organic&utm_source=facebook:newsfeed&utm_content=

    É uma piada o fato de funcionários públicos decidirem sobre os privilégios deles mesmos. Até surpreende a mídia e alguns políticos criticarem essa decisão. Mas ainda assim o lobby dos funças é o mais poderoso do país. Você vai ter que trabalhar até morrer para pagar as lagostas do STF, e nada poder fazer a respeito.
  • Gustavo  25/06/2020 19:36
  • Felipe L.  25/06/2020 21:12
    Funcionalismo no Brasil é algo patológico. Praticamente soviético.
  • 4lex5andro  02/07/2020 16:23
    Não só isso.
    Teve nesse junho.

    - Primeiro o que foi citado, a votação para ''jurisprudenciar'' uma súmula do próprio stf de 2002, barrando parte da LRF na prática, e expondo o Brasil a calote da dívida e surto inflacionário.
    - Depois a nomeação para a secom de uma deputada envolvida em ''fake news'' (mas como ela é oposição ao governo é ''fake news do bem''), ao passo que antes interveio pra barrar uma nomeação do presidente para a chefia da PF, apesar disso ser atribuição do mesmo.
    - O inquérito absurdo sobre ''supostas fake news'' onde o denunciante, o investigador, o processador e o juiz será... o próprio stf, ignorando o rito processual - constituição nessas horas é um detalhe.
    - Inquérito sobre manifestações ''anti-democráticas'' por causa de faixas a favor de um ai-5, algo que não é tipificado na legislação como proibido. Ou foi por quê também se pedia criminalização do comunismo???
    - E no senado, aprovação da PL 2630.

    Mas segundo a grande mídia o malvado é o chefe de governo, por ir prestigiar manifestações patriotas e pacíficas.

    - Que só emplacou no senado, o marco nacional de saneamento para ''facilitar'' que cidades e estados, senão privatizarem, ao menos, reduzam as cias. estatais de águas para viabilização de PPP e concessões.

    Por outro lado manifestações ''democráticas'' são a dos antifa defensores de super-Estado - em outras palavras defendendo legislativo e judiciário em seus ativismos anti-liberdades individuais, como a de trabalho e expressão.

    - Que não propuseram nada a não ser tentar repetir em SP, a baderna em Santiago no início do ano e ameaçar manifestações pacíficas.

    Se o atual governo encerrar o mandato, com outra reforma (tanto adm. ou fiscal) além da previdenciária, e privatizar mais alguma estatal, vai ter saído no lucro.

    O chamado ''estado democrático de direito'' no Brasil, e seu aparato direto e indireto, é totalmente avesso a qualquer iniciativa ortodoxa e liberal na gestão do país.
  • Felipe L.  26/06/2020 15:43
    Real afundando com velocidade implacável (de novo).

    Essa é uma das razões de o câmbio flutuante ser um lixo para países instáveis, uma moeda de papel que simplesmente afunda por causa do humor dos políticos e burocratas.

    E câmbio flutuante nunca foi livre mercado, mesmo porque os juros são controlados e a moeda fiduciária é controlada por políticos e burocratas. É como se a nossa moeda fosse emitida pelos Correios.
  • Trader  26/06/2020 17:01
    E eu que estava torcendo para o preço do grama de ouro cair para R$ 250 pra poder comprar mais… Me estrepei. Já está em R$ 312.

    Nunca aposte em uma moeda fiduciária. Nunca aposte contra o ouro.
  • Imperion  26/06/2020 18:33
    Ouro indo pra 320 facinho
  • Felipe L.  18/08/2020 13:24
    Leandro, esse congelamento feito no governo Collor nos depósitos de overnight foi em absolutamente todos os ativos, indo desde poupança até "investimentos" de títulos do governo brasileiro? O que eram esses depósitos overnight? Existe algum texto ou artigo detalhando o que foi esse congelamento? Porque eu até ia pesquisar por edições passadas da Veja, mas agora eles estão com paywall.
  • Trader  18/08/2020 18:31
  • Imperion  18/08/2020 18:33
    São operações bancárias diárias à noite pra conseguir recurso. Vencendo diariamente era possível corrigir no mesmo dia a taxa de inflação diária do valor colocado. Enquanto que com o dinheiro normal, vc recebia e horas depois ele ja estava valendo menos.

    www.google.com.br/amp/s/www.sunoresearch.com.br/artigos/overnight/amp/?espv=1

    medium.com/@aalprim/pequena-hist%C3%B3ria-da-hiperinfla%C3%A7%C3%A3o-brasileira-ser%C3%A1-que-volta-8cd78703fb0e

    Deste algoz, só escapavam aqueles que possuíam dinheiro suficiente para adentrar no seleto grupo de aplicadores do "overnight", uma modalidade de investimento que trazia dividendos de um dia para o outro "reproduzindo" o dinheiro aplicado durante a noite e o devolvendo, no dia seguinte, livre da corrosão causada pela inflação galopante.
  • Felipe L.  18/08/2020 20:53
    Obrigado. Vou colocar em meu artigo também.


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