clube   |   doar   |   idiomas
Nosso pesadelo fiscal e monetário não tem fim - e agora em forma de bomba-relógio
Três gráficos para trazer você de volta ao mundo

O governo, por definição, não produz nada. Ele não tem recursos próprios para gastar. O governo só pode gastar aquilo que ele antes confiscou via tributação ou tomou emprestado via emissão de títulos do Tesouro. Ou então ele pode simplesmente criar moeda.

Todas essas três medidas geram consequências negativas para a economia.

A criação de moeda pode apenas fazer com que os preços dos bens e serviços subam no longo prazo, pois imprimir moeda não tem o poder de fazer com que surjam mais produtos na economia. A existência de mais papel-moeda ou dígitos eletrônicos não tem o poder milagroso de transformar recursos escassos em bens materiais. A moeda não é um meio de produção; ela não produz nem bens de consumo e nem bens de capital. Logo, aumentar a quantidade de moeda existente não causará uma maior produção de tratores, carros, computadores, máquinas, sapatos, tomates e pães. A moeda é simplesmente um meio de troca que facilita as transações.

Ao tributar, o governo toma aquele dinheiro que poderia ser usado para investimentos das empresas ou para o consumo das famílias, e desperdiça esse dinheiro na manutenção da sua burocracia. A tributação nada mais é do que uma destruição direta de riquezas. Parte daquilo que o setor privado produz é confiscado pelo governo e desperdiçado em burocracias improdutivas (ministérios, agências reguladoras, secretarias e estatais), maracutaias, salários de políticos, agrados a lobistas, subsídios para grandes empresários amigos do regime, propagandas e em péssimos serviços públicos. 

Esse dinheiro confiscado não é alocado em termos de mercado, o que significa que está havendo uma destruição da riqueza gerada.

Pior: ao tributar, o governo faz com que a capacidade futura de investimento das empresas seja seriamente afetada, o que significa menor produção, menor oferta de bens e serviços no futuro, e menos contratação de mão-de-obra.

Já ao tomar empréstimos — ou seja, emitir títulos —, o governo se apropria de dinheiro que poderia ser emprestado para empresas investirem ou para as famílias consumirem.

Não há mágica ou truques capazes de alterar essa realidade: quando o governo se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. Isso significa que o governo está dificultando e encarecendo o acesso das famílias e das empresas ao crédito. 

E isso é fatal, sobretudo, para as micro, pequenas e médias empresas.

E piora: a emissão de títulos gera o aumento da dívida do governo, cujos juros serão pagos ou por meio de mais impostos ou por meio de mais lançamento de títulos.

E isso leva ao reinício do ciclo vicioso.

Na atual pandemia de Covid-19, os governos ao redor do mundo estão recorrendo majoritariamente à impressão de moeda e ao endividamento. O governo brasileiro não é exceção.

Os números

O governo brasileiro, que já era uma insana e insaciável máquina de destruição de riqueza, se tornou ainda pior durante a atual pandemia. E isso não é uma frase ideológica ou meramente demagógica. Uma simples olhada em seus números fiscais nos permite constatar isso.

O estado brasileiro sempre gastou muito mais do que arrecada via impostos, pois tem um grande estado de bem-estar social para sustentar. Agora, porém, sob a pandemia, pode-se dizer que a coisa degringolou completamente. 

Como as receitas tributárias caíram e os gastos governamentais voltados para o "combate" à pandemia — o que majoritariamente inclui o repasse de auxílios financeiros a desempregados e autônomos — aumentaram substantivamente, o déficit orçamentário explodiu. Logo, o governo tem de se endividar (pedir empréstimos) ainda mais para poder financiar esses maiores déficits.

O gráfico abaixo mostra a evolução do déficit nominal do governo (tudo o que o governo gasta, inclusive com juros, além do que arrecada) a cada ano.

1.png Gráfico 1: evolução do déficit nominal do governo federal (Fonte e gráfico: Banco Central)

O descalabro, que começou realmente ao final de 2011, e que se intensificou a partir de meados de 2014, estava dando sinais de arrefecimento em 2019. No entanto, com a Covid-19, o déficit alcançou níveis inauditos.

Nos últimos 12 meses, o governo gasta R$ 750 bilhões a mais do que arrecadou via impostos. Ou seja, o governo federal se endividou em um montante de R$ 750 bilhões nesse período. São R$ 750 bilhões que ele absorveu do setor privado. São R$ 750 bilhões que deixam de financiar investimentos produtivos apenas para fechar as contas do governo.

Mas agora vem a parte realmente assustadora: pegue esses R$ 750 bilhões que o governo federal absorve via empréstimos em 12 meses e some aos R$ 2,512 trilhões que as três esferas de governo arrecadaram em 2018 via impostos. São R$ 3,26 trilhões que o estado retirou do setor privado e destruiu no financiamento de sua própria máquina.

Isso equivale a 45% do PIB, uma vez que o PIB foi de R$ 7,3 trilhões em 2019.

E aí você começará a entender por que será difícil para um país ainda em desenvolvimento enriquecer e prosperar sob esse atual arranjo. Não há mágica capaz de subverter essa realidade.

As consequências desses déficits seguidos? A óbvia explosão da dívida pública. O gráfico abaixo mostra a evolução da dívida bruta do governo federal desde julho de 1994. A dívida nada mais é do que um acumulado de déficits. Assim, o gráfico abaixo mostra o volume de dinheiro que foi absorvido pelo governo federal para financiar seus déficits — dinheiro este que, caso não houvesse déficits, poderia ter sido direcionado para o financiamento de investimentos produtivos:

2.png

Gráfico 2: evolução da dívida total do governo federal (Fonte e gráfico: Banco Central)

O gráfico acima mostra que nada menos que R$ 6 trilhões já foram absorvidos pelo governo federal para sustentar sua máquina e sua burocracia. São R$ 6 trilhões que deixaram de financiar empreendimentos produtivos.

Impossível mensurar os custos econômicos das empresas que deixaram de ser abertas, dos empregos que deixaram de ser gerados e das tecnologias que deixaram de ser criadas simplesmente porque os investimentos não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo federal.  

Ressaltando que uma dívida bruta de R$ 6 trilhões para um PIB que foi de R$ 7,3 trilhões representa uma porcentagem de 82% do PIB. Segundo o Banco Central, considerando os números parciais da economia em 2020, a dívida bruta já está em 85,5% do PIB.

No grupo dos países em desenvolvimento, apenas Angola possui uma dívida maior.

A velha conhecida

E, para completar o cenário trágico, estamos vivenciando uma expansão monetária (inflação) sem precedentes na era do real.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

3.png Gráfico 3: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil. (Fonte e gráfico: Banco Central)

Observe a disparada ocorrida a partir de março, um movimento completamente atípico e inaudito. Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento foi de 40%.

Eis o cenário: de um lado, o governo financia seus déficits vendendo títulos públicos para investidores. A dívida aumenta. De outro, o Banco Central — por meio do Orçamento de Guerra — passou a imprimir moeda para comprar ativos em posse dos investidores (os mecanismos e as leis que permitiram essa impressão monetária já foram detalhados aqui).

Ou seja: houve déficit, houve impressão de moeda e houve aumento do endividamento.

Estamos hoje vivenciando políticas fiscal e monetária ultra-expansionistas e heterodoxas. A política fiscal é um keynesianismo turbinado. E a política monetária é claramente inspirada na Teoria Monetária Moderna, que está à esquerda de Keynes e que já foi considerada radical até mesmo por Paul Krugman. A inflação de preços, como inevitável consequência, já começa a se manifestar.

E agora, para completar, o Senado resolveu jogar dimetil mercúrio na floresta em chamas: derrubou o veto presidencial ao reajuste salarial dos funcionários públicos, o que pode representar um rombo adicional de até R$ 120 bilhões naquele déficit que já está em R$ 750 bilhões.

Bomba-relógio

Enfrentar essa crise fiscal não é um tema ideológico; as cifras de déficit e endividamento, que teimam em ser inflexíveis, são de natureza contábil. Não há ideologia que refute ou altere a realidade demonstrada pelos gráficos 1, 2 e 3.

Há 240 anos, Adam Smith dizia que "quando a dívida pública alcança certo nível, não é mais paga integralmente; a falência do governo é disfarçada por pagamentos de faz de conta." Smith se referia aos meios que o governo utiliza para levantar recursos: impostos, endividamento e inflação.

Aumentos de impostos são evitados pelos governantes sob pena de perda de popularidade, vide o recente episódio da CPMF. O endividamento é o método favorito, só que, para além de um determinado nível de dívida, a deterioração do risco de crédito pode inviabilizar tudo, e, no extremo, o mercado não emprestará mais ao governo. Para evitar o calote, a consequência final é a inflação por monetização de dívida. Pagará a conta, portanto, aquele grupo de interesses que não vota nem é organizado: o das futuras gerações.

No tic-tac da bomba, o STF já proibiu a redução de salários de funcionários públicos prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal, políticos defendem a implosão do teto de gastos, o Congresso autorizou o governo a descumprir a regra de ouro e agora há a ameaça de reajustes para o funcionalismo público.

Como detalhado neste artigoneste, manter sua poupança majoritariamente em reais é algo cada vez mais arriscado.


autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Cássio Barbosa  20/08/2020 16:32
    O gráfico 1 é reconfortante e tranquilizador...
  • Investor   20/08/2020 16:57
    Saldo Brasil 2020:

    - Rombo de aproximadamente 1 trilhão nas contas públicas;
    - 40 milhões de trabalhadores sem ocupação;
    - 522 mil empresas fechadas por conta da pandemia.

    E o Senado resolve ajudar o país dando reajuste de salários para os servidores públicos.
  • Kennedy  20/08/2020 17:11
    Bom dia pessoal. Essa provável inflação que virá, vocês acham que em Outubro ela já estará estourando? e se estourar, vai ser geral (Alimentos, roupas, componentes eletrônicos, etc.), ou ficará comportada em um grupo de produtos enquanto estoura apenas nos alimentos?
  • Marcelo R.  20/08/2020 17:36
    A única coisa que eu sei é que tá tudo subindo. E não é só alimentos não. Estou mexendo com obras e os preços de cimento, tijolo, encanamento, materiais elétricos estão bem maiores do que estavam ainda no início do ano.

    E o IPCA não parece estar captando isso.
  • Humberto  20/08/2020 17:43
    Sim, ela já está estourando em alimentos e materiais de construção. Só que o índice do IPCA é uma mistura de tudo. Combustíveis, energia elétrica e mensalidade escolar, por exemplo, têm peso significativo.

    Os combustíveis, apesar dos recentes aumentos, ainda estão em baixa no acumulado de 12 meses. Energia elétrica também (houve redução do consumo das empresas e governos estaduais estão dando desnerações). Mensalidade escolar, então, desabou. Assim como passagens aéreas.

    Vestuário está parado.

    Tudo isso está segurando o IPCA. Só que essa atual cesta do IPCA não mais reflete os hábitos de consumo da população. Coisas que não mais estão sendo demandadas (passagens aéreas, roupas e mensalidades) estão ocultando o forte aumento de alimentos e materiais. É perfeitamente possível chegarmos a um ponto em que alimentos encarecem 20% em 12 meses, mas o IPCA continua baixo por causa de petróleo, roupas, mensalidade escolar, passagem aérea e energia elétrica.

    Nos EUA, já tem economista reclamando que o modo tradicional de mensurar a inflação perdeu o sentido na atual pandemia, pois inclui um monte de coisa que ninguém está consumindo.
  • anônimo  20/08/2020 17:49
    O IPCA decomposto mostra alimentos subindo 8% e transportes caindo 3%. O IPCA baixo de hoje é o "índice dos economistas que não se alimentam e que viajam de avião na pandemia".
  • Carlos Brodowski   20/08/2020 17:46
    Aquele tal Fábio Kanczuk, do BC, deixou claro numa entrevista de dois meses atrás que o BC irá se concentrar apenas nos preços dos serviços nessa pandemia.

    Ou seja, enquanto o barbeiro, a manicure, o dentista e o professor de inglês não explodirem os preços de seus serviços, tudo estará perfeito para o BC.
  • L Fernando  21/08/2020 22:06
    Na realidade a capacidade inventiva de trapacear que existe no Brasil não tem igual no mundo.
    Para manter a inflação "mascarada" as indústrias transformaram o quilo em 900 gr e agora em 800 gr, o Litro em 900 ml e baixando.
    Qualquer produto nos ultimos nos no Brasil teve redução nas embalagens, sendo o chocolate imbatível nisso.
    Pior que o povo vai adequando e normatizando isso, teremos uma nova geração de consumidores sem noção de valores.
  • anônimo  23/08/2020 04:15
    Daqui a pouco os chocolates vão ficar parecidos com "chicletes de 10 cents" seja em tamanho ou em qualidade e o preço o mesmo. Acho que por um tempo isso vai virar o novo "normal" preços iguais com tamanho e qualidade baixos ou preços mais altos com tamanho e qualidade iguais.

    Eu acho que é um "drible" para evitar prejuízos que podem levar a falência.

    Já eu estou abrindo mais minha mente e comprando direto da fazenda alguns produtos (ex.leite, queijo, mel, cacau) e de algumas fábricas (ex:carnes, plásticos) com CPF mesmo. Numa crise para uns é lágrimas para outros é uma oportunidade.

  • Felipe  25/08/2020 18:47
    O brasileiro não faz conta, a classe média e baixa principalmente, compram sem analisar o que está comprando, as vezes nem perguntam( não sei se por vergonha ou por falta de atenção) o preço chegam e pegam o mais caro sem analisar a relação custo bebeficio, já vi produtos na prateleira que 400g custam 12,00 e 800g custam 26,00 e se esta lá é pq tem gente q compra sem fazer conta.
  • Imperion  20/08/2020 17:48
    Ela pode vir progressivamente. Nem precisa estourar. O que importa é o tamanho dela, seu peso. Normalmente o que se exporta já está encarecendo e o que se importa, com as tarifas de importação altas e a moeda desvalorizada, já estão caras. Equipamentos de informática já estão custando cinco vezes o que é vendido lá fora.

    Coisas que dependem de matéria-prima importada estão mais caras.
  • Vinicius  24/08/2020 19:26
    Banco central tem meta do IPCA de 4% no ano, não fará absolutamente nada antes disso mesmo que o subitem alimentos chegue a 20%, esses picaretas estão achando é bom os efeitos deflacionários parciais da pandemia para resgatar a precária situação fiscal do governo com juros reais negativos.
  • Erick Skrabe  24/09/2020 02:25
    Kennedy,

    É um pergunta importante. Mas a questão é: vc está preocupado com o aumento de preços de alguns produtos específicos ou com o índice de inflação ?

    Parece tudo a mesma coisa, mas o fato é que os preços não sobem todos ao mesmo tempo. Como os discípulos de São Tomás de Aquino já tinham percebido, o dinheiro novo vai deixando um rastro de destruição dos preços conforme vai andando pela sociedade. Ou seja: qdo o governo coloca o dinheiro novo via empréstimos para seus amigos as ações de algumas empresas valorizam e isso parece muito bom, ou pelos créditos imobiliários e as casas tb valorizam-se. Todo mundo fica feliz. Depois os carros vão se valorizando e, bem, já não é tão bacana. Quando o arroz se valoriza, bem, aí todo mundo fica bravo e, então chamamos isso de inflação.

    Ou seja, o governo tenta medir o crescimento sempre próximo de onde o dinheiro entra e a inflação sempre próximo do fim da linha.

    Isso não quer dizer q sempre que uma ação uma casa valorizam-se vamos ter a tal "inflação" oficial. Mas se as empresas não estão tendo ganhos de produtividade, não estão criando mais valor e se todas as casas se valorizam ao mesmo tempo, certamente são sinais preocupantes. Pode ser uma oportunidade para alguns que souberem surfar na onda, mas a maioria da população terá perdas.

    Ou seja: esses aumentos vão depender de para onde você estiver olhando. Meu palpite é que os índices de inflação oficiais subirão em outubro mas não muito. Eu acho que o grosso do aumento deve vir a partir de dezembro.
  • Thiago  20/08/2020 17:24
    De duas, uma. Ou virá o ancapistão no Brasil ou voltaremos à década de 80.

    Façam suas apostas (no bitcoin ou no ouro, é claro)!
  • Refutando o artigo em 3...2...1.... valendô  20/08/2020 18:21


  • Leandro  20/08/2020 19:19
    Assisti ao vídeo todo. Não tem absolutamente nada. Infelizmente.

    Até o minuto 5:40 ele apenas explica, exatamente como este Instituto vive repetindo, como funciona o mecanismo de expansão da base monetária via compra de títulos públicos pelo Banco Central. Nada de errado com o que ele disse, e nada de novo.

    Depois, até o minuto 7:10, ele afirma que o Tesouro, ao gastar o dinheiro que arrecadou vendendo títulos, faz com que o dinheiro volte para as reservas bancárias, o que obriga o BC a enxugar uma parte para manter a Selic na meta. Nada de errado, e nada de novo.

    Depois, ele fala das compromissadas, e como elas aumentam a dívida pública em poder do público. Nada de errado, nada de novo.

    Depois, ele fala que tem de derrubar a Selic para impedir o aumento da dívida pública. E que Selic baixa é tranquilo (mas não explica por quê).

    Depois, ele afirma que inflação de preços não é causada por aumento da oferta monetária. Também não explica por quê. Eu expliquei por quê, com teoria e empiria. É só tentar refutar. Aqui está.

    Ele prossegue afirmando que toda a moeda fiduciária que existe na economia é 100% demandada, que não existe moeda em excesso, e que, por isso, não tem como haver aumento de preços gerado por inflação monetária — o que obviamente ignora preceitos básicos de economia.

    Apenas para ficar no trivial, sem me alongar muito, moeda criada via déficits do governo para pagar funcionalismo público não surge da demanda de consumidores, empreendedores e investidores. A própria hiperinflação monetária da década de 1980 no Brasil não foi um fenômeno de moeda sendo demandada por consumidores e empreendedores. Isso é tão básico e óbvio que é até constrangedor.

    E aí ele arremata dizendo que a inflação de preços é causada exclusivamente pelo desemprego. Ele teria dificuldades em explicar a baixa inflação com pleno emprego nos EUA de 2019, na Suíça em qualquer ano, bem como a alta inflação com alto desemprego no Brasil de 2003, 2015 e 2016.

    E aí, para comprovar a "veracidade" dessa sua tese, ele cita apenas dois meses deste ano (abril e maio). E só! Se pedirem para ele explicar além disso, acaba a teoria.

    E aí, como arremate, ele diz que teremos deflação em 2020 e que a Selic já deveria estar em zero há muito tempo ("pois EUA e Europa já fazem isso").

    Vi o vídeo com interesse, esperando ver algum contraditório, mas nada. Não há refutação nenhuma a nada.

    Há apenas duas opiniões bizarras: inflação monetária não afeta nada, e inflação de preços é totalmente causada por desemprego — o que, por definição, significa que houve zero desemprego no Brasil na década de 1980 (apenas um desemprego zero explica a nossa hiperinflação), e significa também que a Suíça, o Japão, a Alemanha e os próprios EUA sempre operaram com números alarmantes de desemprego, pois apenas isso pode explicar suas inflações de preço continuamente baixas.

    Finalmente, para nunca perder o hábito de passar vergonha, no fim de tudo, ele diz que a hiperinflação da Venezuela é causada por um déficit no balanço de pagamento!

    Bizarrice maior eu nunca tinha ouvido. Comparado a isso, quem diz que o problema foi causado por sanções americanas se passa até por gênio.

    O Oreiro, realmente, é o perfeito representante da classe acadêmica econômica.
  • Refutando o artigo em 3...2...1.... valendô  20/08/2020 19:51
    "Apenas para ficar no trivial, sem me alongar muito, moeda criada via déficits do governo para pagar funcionalismo público não surge da demanda de consumidores, empreendedores e investidores."


    Eu não posso falar pelo Oreiro com relação a tudo que você expôs,MAS com relação ao pagar funcionalismo ja tem uma resposta no blog dele :

    Qualquer pessoa com mais de dois neurônios e não comprometido ideologicamente com a tese do "Estado Mínimo" sabe que os serviços públicos de saúde, educação, segurança e defesa são prestados por médicos, enfermeiros, professores, policiais, bombeiros e militares. Não tem como prestar esses serviços sem "gastar" com salários de servidores públicos.

    Fonte: jlcoreiro.wordpress.com/2020/08/11/o-terraplanismo-economico-do-instituto-millenium/
  • Leandro  20/08/2020 20:08
    Ué, mas a questão é justamente de onde vem esse dinheiro para pagar os salários dessas pessoas.

    Quando uma empresa paga salários para seus funcionários, o dinheiro vem do seu caixa (receita da empresa). Ou seja, o dinheiro já estava na economia.

    Quando você paga o salário da sua faxineira, o dinheiro vem da sua renda. Ou seja, o dinheiro já estava na economia.

    Quando o governo incorre em déficit para pagar funcionários públicos, o dinheiro é criado do nada (pelo próprio processo que o Oreiro descreveu). Ou seja, o dinheiro não existia; foi criado e injetado na economia.

    Se para o Oreiro as três situações acima são idênticas, então realmente não há nada mais que eu possa fazer por ele. Se ele realmente acredita que o último exemplo não é inflacionário, então ele é um caso perdido.

    E se ele acha que inflação de preços é causada exclusivamente pelo nível de desemprego, então ele tem de explicar como os preços no Brasil subiram mais de 450% desde a criação do real. Pela lógica dela, tamanha inflação só pode ter ocorrido porque o desemprego desabou de lá para cá, certo?

    Faça um favor a si mesmo e preserve sua inteligência.

    Saudações.
  • Vladimir  20/08/2020 21:40
    Nem precisava se dar a todo esse trabalho. É só você olhar o physique du rôle do cidadão na foto acima para entender que ele é a própria zoeira em pessoa. Nem ele próprio se leva a sério. Acho que você caiu em um trote. ;)
  • Imperion  20/08/2020 20:47
    Sao servicos que podem ser prestados pela iniciativa privada por um parcela do que é pago ao funcionarismo.
    Esse papo de que so podem é de quem tem dois neuronios
  • Pedro Souza  20/08/2020 20:33
    Exato. E o que se poderia esperar de um keynesiano?
    Ele apenas cumpriu a cartilha da escola dele, da qual a UFRJ, a sua Alma mater é signatária.
  • Estado o Defensor do Povo  21/08/2020 02:59
    Peguei esse comentário do Leandro e postei no vídeo do cidadão lá já que por quê não?
    Só tirei as partes que zombam do cidadão pra ficar mais "respeitoso" pro cidadão do vídeo.
  • Estado o Defensor do Povo  31/08/2020 20:24
    O dono do canal respondeu o comentário do Leandro (adaptado por mim mas meh eu tirei pouquíssima coisa) que eu copiei e colei lá, vou transcrever aqui :

    "O Tesouro não arrecada dinheiro vendendo títulos. Ele emite e pronto. Enxugar excesso de reservas no interbancário é um procedimento posterior que, aí sim, envolve diferentes tipos de títulos. É por isso que não só não é igual ao que o Mises diz, é o oposto.
    Logo, o Tesouro gasta, introduz a moeda via reservas, cria demanda, e o que exceda, enxuga. Nem sei como pensa que seria "voltar para as reservas". O Estado já o criou assim creditando aos bancos que, por sua vez, dão crédito bancário aos destinatários finais.
    Enxergar a vantagem da Selic baixa é auto-explicativa: é a taxa que remunera a dívida pública. Há que se explicar a conveniência disso?
    Sobre inflação de moeda, pelo menos do fim dos anos 80 no mundo desenvolvido, e desde a virada do século em todo o mundo, os Bancos Centrais testemunham o abandono da ideia de controle de agregado monetário para controle de inflação. Preferi citar pela empiría do que pela teoria, que ninguém mais segue a TQM de Friedman e companhia.
    Você diz contrariar todos os BCs do mundo, empírica (?) e teoricamente, mas não juntou a tal prova.
    Aí volta tautologico, falando de moeda exógena, negando sem dizer porque a totalidade dos BCs mundiais.
    Não dá para em pleno ano 2020 desconhecer as origens da inflação dos anos 80, os reflexos cambiais, coisa que já naquela época era apontada por Lara Resende e outros, que nos anos 90 foi atacada e desde então pacificada que longe das ideias ultrapassadas (e repito, abandonadas em todo o mundo) de quantitativo de moeda.
    A inflação deste ano segue ridiculamente baixa, com históricos dois meses deflacionários, graças a implementação do auxílio emergencial (gasto público via emissão sem "lastro" tributário) que supre parte considerável da renda do trabalho perdido.
    Sei que é difícil entender o fenômeno da inflação quando se pensa que é decorrente da quantidade de moeda. E não fica mais fácil após aprender um pouco e abandonar essa tese refutada há décadas. Só fica menos nublado por cloroquina econômica. Bem, se a realidade já demonstrou que não é por agregado monetário, por que é? Lara Resende diz que é primordialmente (mas não unicamente) por expectativas, e que há ancoragem. Pós keynesianos dão mais ênfase ao nível de emprego das forças produtivas e concordam com a ancoragem. Questão de ênfase, não de conteúdo.
    Os exemplos do Japão e dos EUA (Alemanha nem tem moeda própria, pfv) nos oportunizam o debate da ancoragem. São países que não lançam mão de juros altos para o controle da inflação, muito menos se constrangem na emissão de moeda (o QE desde 2008 está aí pra provar). Multiplicar suas bases monetárias (como os EUA fizeram dezenas de vezes) não trouxe inchação, mais que constrangendo, humilhando a ideia de inflação monetária. É possível mesmo afirmar que os EUA conseguiram equilíbrio tido como impossível pelo liberalismo econômico: inflação baixa, juro baixo através de emissão monetária acelerada, com altíssimo endividamento não gerando qualquer constrangimento macroeconômico.

    Aguardo ansioso o texto ou vídeo onde diz refutar toda a economia global."
  • Vladimir  31/08/2020 20:52
    "O Tesouro não arrecada dinheiro vendendo títulos. Ele emite e pronto. Enxugar excesso de reservas no interbancário é um procedimento posterior que, aí sim, envolve diferentes tipos de títulos. É por isso que não só não é igual ao que o Mises diz, é o oposto. Logo, o Tesouro gasta, introduz a moeda via reservas, cria demanda, e o que exceda, enxuga."

    Olha, sinceramente, se ele realmente acredita nisso — que o Tesouro emite dinheiro, injeta nas reservas bancárias e ainda faz o enxugamento dessas reservas do interbancário —, então realmente nada é possível fazer para salvar o cidadão.

    Todas essas três funções são atribuições do Banco Central, e não do Tesouro. Mesmo os radicais proponentes da Teoria Monetária Moderna admitem que a função do Banco Central é imprimir para bancar o Tesouro. O Tesouro não comanda o mercado interbancário. O Tesouro não emite moeda. O Tesouro não enxuga moeda do interbancário. Tudo isso é atribuição do Banco Central.

    Se ele acredita que é o Tesouro que faz isso tudo, então nem mesmo a caridade privada de um ensino gratuito via internet pode salvá-lo.

    Eu até tentei ler o resto, mas está tão convoluto, desconexo e confuso (característica típica de economistas keynesianos), que desisti.

    Mas depois daquele início triunfal, dificilmente terei perdido algo.

    P.S.: vi que ele critica a teoria quantitativa da moeda e a teoria de que a moeda é exógena. Austríacos não acreditam que a moeda é exógena. Já a TQM ajuda a explicar aumentos de preços no longo prazo (como, por exemplo, o aumento de preços de 1994 até hoje), mas não movimentações de curto prazo. Movimentações de curto prazo são causadas pelo preços das commodities.

    P.P.S: vi também que ele recorre à surrada mentira de que houve forte expansão monetária após 2008, o que é uma mentira fragorosa, a qual já foi seguidas vezes refutadas aqui. Houve expansão da base monetária, mas esse dinheiro ficou parado nas reservas bancárias. O M2, que realmente mensura o dinheiro que entrou na economia, não vivenciou explosão nenhuma.

    M2 EUA:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=202008312000V20200716&d1=19990831&d2=20200831

    M2 na zona do euro (aqui a inflação monetária foi ainda menor pós-2008 do que antes):

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/euro-area-money-supply-m2.png?s=emuevolvmonsupm2&v=202008312000V20200716&d1=19990831&d2=20200831

    M2 do Japão:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/japan-money-supply-m2.png?s=japanmonsupm2&v=202008312000V20200716&d1=19990831&d2=20200831


    Mas é claro que ele não conta isso, pois aí ele perda a única coisa que lhe restou da narrativa.
  • Estado o Defensor do Povo  31/08/2020 21:07
    Obrigado, vou dar uma lida breve sobre o assunto e aí eu respondo ele me baseando no seu comentário, mas tá lá no canal nos comentários do youtube, só tá o meu e mais um lá.
  • Maciel_Economista liberal  20/08/2020 22:56
    Como colocar doce na boca de um político.

    Com estas teses econômicas, baseadas da MMT, que economistas mainstream, como o Prof Oreiro, ganham espaço e prestígio no meio de políticos sedentos por poder e controle. Favoráveis ao dirigismo estatal, que ao longo da história econômica já se mostrou ineficaz, estes políticos demagogos e populistas, vão aderindo a esta estapafúrdia teoria econômica da MMT.

    Live com presença de políticos e pautas que lhes agradam.

    Leandro, já fez os contrapontos necessários.

    As consequências econômicas poderão ser nefastas. Esta conta vai chegar mais tarde. E será muito cara.

    Sem mais.
  • JwE  21/08/2020 03:24
    Desculpe-me, mas vocês são animados em perder 17:03 minutos de vida assistindo asneiras, coisa que já foi muito bem explanada e vaticinado desde 1912 em The Theory of Money and Credit do Ludwig von Mises.

    E o ouro, vai bem? :D
  • Heron  20/08/2020 18:23
    Nao adianta diminuir gastos com servidores publicos e encher as repartições de comissionados e apadrinhados de politicos como muitos tem feito. Tem que cortar gastos publicos como regalias e mais regalias de politicos e parentes de politicos. Nao adianta manter a casta que se tornou hoje a vida dos parlamentares e do judicirio com lagostas e vinhos do STF.
  • anônimo  20/08/2020 18:32
    Concordo com Heron, o problema é que ficará só na teoria. É muito mais fácil brincar de faz de conta: cortar concursados, limitar salários, acabar com estabilidade e 'por trás do véu' continuar com comissionados com salários nababescos.......

    Não adianta cortar aposentadorias e salários da maioria se a cúpula continuar com vinho e lagosta, Chile está aí para provar.
  • Alberto  20/08/2020 19:52
    Ué, mas absolutamente ninguém aqui é contra cortar mamata de toda a cúpula, não. Ao contrário, aliás: os cortes têm de começar exatamente daí.

    O oásis do funcionalismo público brasileiro na crise

    O que não dá é fazer o que vocês dois querem: cortar só em cima (o que é totalmente correto), e manter a farra dos concursos e dos salários iniciais alto. No final, o que todos querem é concurso público com salário inicial de R$ 30 mil para um cara de 22 anos que nunca trabalhou na vida. Né?
  • Imperion  20/08/2020 18:33
    Maravilha! Com esse adicional de 120, o déficit volta a 11 por cento do PIB.
    Falência do governo central à vista.
  • Trader  20/08/2020 18:36
    Só hoje, dois leilões à vista do Banco Central. E contando.
  • Guilherme  20/08/2020 18:48
    Dois leilões à vista no mesmo dia já é um sinal de desespero do próprio BC. Natural. Basta ver os preços das commodities em reais. Eu também estaria desesperado.
  • Felipe L.  20/08/2020 19:07
    Legal ter um americano escrevendo sobre a economia brasileira. Foi ele quem escreveu aquele artigo que eternizou o apelido "Ciro Guedes".

    Equador atualmente está sendo um dos poucos países latino-americanos a viver deflação de preços (recentemente lá os juros subiram, provavelmente lá os juros flutuam, caso eu estiver errado podem me corrigir que eu agradeço). Claro, sem banco central e com uma moeda ainda forte, realmente não tem motivo para tal. E isso em um país com maior instabilidade institucional e política que o Brasil. Queria saber por que lá eles conseguiram dolarizar a economia e aqui isso nunca foi cogitado.

    Grécia teve que fazer austeridade depois de 2014 (e foi dura mesmo, com superávit total, não primário), ainda com o partido Syriza e com funcionalismo de mentalidade parecida à daqui do Brasil. Aparentemente lá eles tiraram os lockdowns. Claro, o país depende muito de turismo e do setor de velas. O primeiro-ministro atual parece ser alguém mais pró-mercado. Segundo muitas pessoas daqui, seria melhor se a Grécia tivesse o seu banco central e então assim teriam autonomia para gerar hiperinflação, aos moldes argentinos.

    Vou ler esse artigo agora mesmo.
  • Aquele que tudo sabe  20/08/2020 19:31
    Quem disse que ele é americano? ...
  • Felipe L.  20/08/2020 20:01
    Pelo nome e pelo currículo de ter passado em universidade americana eu deduzi, já que é incomum (apesar de não impossível) ver brasileiro com ensino superior americano. Realmente eu pesquisei no Google e não achei nada. Quem souber de algo e puder falar eu agradeço.

    Curioso que o nome dele apareceu até em uma coluna da Folha. Bom saber que até a mídia mainstream está dando atenção aos austríacos.
  • Felipe L.  20/08/2020 19:09
    Esqueci de perguntar uma coisa e mudando de assunto: aquele negócio de Rota 2030, supostamente substituindo o Inovar-Auto, já está em vigor? Mudou algo para melhor? Parece que no ano passado constataram de que o comércio do Brasil com o México piorou no setor automotivo, incluindo de autopeças.
  • anônimo  20/08/2020 19:44
    Olhando esse gráfico do M1, me da medo, ainda mais se toda essa emissão de dinheiro estiver circulando na economia..
    A ultima coisa que precisamos agora é inflação.. Na verdade toda essa crise fiscal é suportável se ao menos o poder de compra do dinheiro for preservado. É melhor estar em uma grecia quebrada do que em uma argentina
  • Túlio  20/08/2020 20:24
    O Brasil é uma Índia que quer gastar como uma França.

    Os social-democratas deveriam olhar para o Brasil e finalmente perceber que não é aumento gastos e nem aumento de intervenção do Estado que qualquer país irá se tornar desenvolvido. Um país precisa ser de economicamente livre para isso ser possível.
  • Junior  20/08/2020 20:33
    Prezados,

    Faço as colocações a seguir apenas a título de dúvida e com intuito de aprender um pouco sobre o tema.

    O artigo diz que: "uma dívida bruta de R$ 6 trilhões para um PIB que foi de R$ 7,3 trilhões representa uma porcentagem de 82% do PIB.", e que "quando a dívida pública alcança certo nível, não é mais paga integralmente; a falência do governo é disfarçada".

    Minha dúvida gira em torno de 3 países específicos que, também, posssuem níveis elevados de dívida, mas não tem aparência de "falidos".

    Pergunto aos senhores porque a dívida desses 3 países é diferente da dívida brasileira?


    1) Japão: dívida pública de 238% do PIB em 2018; déficit fiscal de -8,3% do PIB em 2011

    2) Bélgica: dívida pública de 107% do PIB em 2014; déficit fiscal de -4,3% do PIB em 2012

    3) EUA: dívida pública de 106,9% do PIB em 2019; déficit fiscal de -8,7% do PIB em 2010


    Esses três países estão falidos?

    Destaco que a Bélgica faz parte do BENELUX, grupo de países que está na origem do livre mercado europeu.

    Obrigado pela oportunidade de interagir aqui.

    Abçs
  • Leandro  20/08/2020 21:25
    Porque a população japonesa é rica e produtiva (o que significa que ela pode ser muito tributada para garantir o serviço da dívida do governo japonês), seu governo é confiável (chance nula de um japonês dar calote), e a moeda é forte (o que significa que não há grandes chances de você perder dinheiro com desvalorizações cambiais ao emprestar para o governo japonês).

    E o déficit do Japão é menor que o brasileiro.

    Todo o resto do mundo está disposto a financiar o Japão. E os EUA. E qualquer país da zona do euro (que podem ser socorridos pela Alemanha).

    Os investidores preferem bancar o Japão, os EUA e a zona do euro (socorridos pela Alemanha) do que o Brasil, a Argentina e vários outros países menos produtivos, sem governo confiável e com moeda instável. Se você tem gente disposta a pagar a sua conta, você pode fazer dívidas e os juros dessa dívida (o prêmio que os investidores cobram por te emprestar dinheiro) são menores. Esse não é o caso do Brasil, mas é o caso do Japão.

    É mais seguro investir em um Japão com dívida de 240% do PIB do que em uma Argentina com dívida de 70% do PIB. É mais seguro investir nos EUA com dívida de 110% do PIB do que na Nicarágua, com dívida de 52% do PIB. É mais seguro investir na Bélgica (bancada pela Alemanha) com dívida de 107% do PIB do que no México, com dívida de 45% do PIB.


    Isso já seria o suficiente. Mas há muitos outros fatores que contribuem. Talvez o mais importante deles seja o estoque de poupança da população (que é um indicador de capacidade de investimento — e a capacidade de investimento é o que define o crescimento da economia). O do Japão, por exemplo, é um dos maiores do mundo, ao passo que o do Brasil é um dos menores do mundo.
  • Felipe L.  20/08/2020 22:10
    Leandro, quando fala de poupança, estaria falando da taxa de poupança bruta? Eis os dados do Japão (Brasil é a metade do percentual deles).

    Por esse parâmetro, uma das populações mais poupadoras do mundo está em Cingapura. Cingapura nada mais é que uma China com mais liberdade econômica, já que grande parte da população é composta por chineses.

    Chineses também poupam muito na China (estou usando esses dados da poupança bruta). Foi falado que é por causa da falta de previdência estatal, mas lá também existe (sugiro verem também isso). Deve ser por outros fatores, talvez algo milenar. As taxas de poupança japonesa, coreana e chinesa são altas, mas a chinesa ainda é campeã.

    Agora aqui no Brasil é uma vergonha. Os indianos, mais pobres, poupam mais que a gente.
  • Felipe L.  21/08/2020 00:04
    Outra coisa crucial é que o iene japonês é uma moeda forte e que está se apreciando ao longo das décadas. Nesse ano e com o pânico do coronavírus, quase todas as moedas se desvalorizaram em relação ao dólar. O iene japonês não, ele se valorizou.
  • Imperion  20/08/2020 21:51
    A diferença é que esses três países são altamente produtivos. O PIB deles também é aplicado em bens de capital pra rodar a economia. Sua dívida em relação ao aplicado é pouca. Já o Brasil tem 20 por cento da produtividade americana e tem pouca aplicação do PIB em bens de capital. Nisso, toda essa dívida é muito mais difícil de pagar.

    Países que nem o Brasil, pouco produtivos, com 50% do PIB em dívida já são motivo pra pisar no freio. Já com 85% tá muito acima. Devido ao fato de ele ter tanta dívida e pouca capacidade investida, ele acaba pagando caro pra rolar a dívida e isso consome muito do orçamento.

    Os EUA têm 21 trilhões de dívida, mas pasmem, tem 100 trilhões aplicado. Por isso não estão preocupados com a dívida ainda. Também tem elevado índice de ocupação dos trabalhadores em idade de trabalhar.

    Já o Brasil também tem elevado número de despesas com assistencialismo com pessoas em idade de trabalhar, mas que não trabalham. A porcentagem de dependentes do estado é bem maior que nos EUA. Isso gera despesas astronômicas e pouca arrecadação.

    E por fim, o déficit do governo é 11% do PIB, os outros três não passam de 6%. É a pior nota do Brasil.

    O governo não se endivida. Ele endivida você. Mas quem vai pagar são seus filhos e netos. Esse déficit todo é a pior nota do Brasil em economia e pode falir o governo, pois todo esse déficit trocado em mais dívida pode rapidamente elevar a dívida para mais de 150% em alguns anos. Os outros três têm dívida alta, mas nem chegam aos pés do descontrole fiscal do governo brasileiro. Com 11% do PIB em déficit, a nota do país é 2.2 em 10.

    Quando o país nos anos 80 tinha uma dívida externa elevada e impagável, pra rolar a dívida ele imprimir tanto dinheiro para comprar dólares que os gastos, títulos e inflação estavam totalmente descontrolados (Era Sarney). Com o déficit atual, se o governo central não tomar jeito, ou irá falir de uma vez , ou volta todas as condições da era da hiperinflação em alguns anos.
  • Felipe L.  20/08/2020 22:24
    "Os EUA têm 21 trilhões de dívida, mas pasmem, tem 100 trilhões aplicado. Por isso não estão preocupados com a dívida ainda. Também tem elevado índice de ocupação dos trabalhadores em idade de trabalhar.

    Já o Brasil também tem elevado número de despesas com assistencialismo com pessoas em idade de trabalhar, mas que não trabalham. A porcentagem de dependentes do estado é bem maior que nos EUA. Isso gera despesas astronômicas e pouca arrecadação."


    Você tem esses dados? Fiquei curioso.
  • Matheus S  22/08/2020 23:58
    Aqui: fred.stlouisfed.org/series/TNWBSHNO

    E são quase US$120 tri.
  • Estado o Defensor do Povo  21/08/2020 18:10
    O que significa isso dos EUA ter 100 trilhões aplicado? O que é esse dinheiro aplicado? Por favor alguém pode me explicar?
  • Imperion  22/08/2020 02:04
    Não é dinheiro aplicado. Essa quantidade de dinheiro todo nem existe. São bens de capital. Não é dinheiro palpável.

    Mesmo o Brasil, por comparação, calcula-se que só a Amazônia vale 30 trilhões de dólares. Mas o governo não vai vender, mesmo porque não é dele, nem nenhum país tem trinta trilhões para comprar a Amazônia do Brasil à vista. No entanto esse valor tido da Amazônia é um valor parado. Não quer dizer que esteja sendo usado para produção.

    O PIB americano é de 21 trilhões, que é a soma das riquezas produzidas num ano. Mas os bens de capital são os bens que produzem os bens de consumo. O PIB é o que as pessoas produzem e podem usar.

    Os bens de capital são as terras, as máquinas, os equipamentos e a infra-estrutura localizada no país. Mas não é dinheiro palpável. Tente vender todos os bens de produção ao mesmo tempo, e eles valeriam pouco. O valor deles é produzindo e alavancando as atividades produtivas do país.

    Os bens de capital aplicados dos EUA são muito maiores que o PIB. Os do Brasil não.

    As pessoas pensam que rico enriquece porque tem dinheiro. Na verdade, eles investem em bens de capital, produzem pros consumidores e daí ganham muito dinheiro.

    Empresas como a Apple, que tá valendo dois trilhões: isso tudo não é dinheiro. É uma valorização derivada da sua capacidade de produzir, dos seus bens de capital.

    É difícil mensurar bem isso dos bens de capital e o quanto eles valem.

    E a Noruega que tem um fundo de petróleo de 100 trilhões?
  • Estado o Defensor do Povo  22/08/2020 02:36
    Ah sim, pô eu já vi um vídeo educativo estilo Discovery falando sobre quanto vale a Terra, e é MUITA GRANA, muito interessante vê os caras calculando tudo, se eu não me engano o documentário chegou a conclusão de algumas centenas de milhões de trilhões de dólares, dá pra fazer uns 2 churrascos sem problema.
  • Matheus S  23/08/2020 00:05
    Essa riqueza de US$100 tri que você está dizendo não são apenas bens de capital, existem muitas outras riquezas como ativos financeiros e não-financeiros e também terras não estão inclusos nessa avaliação da riqueza nacional.
  • Imperion  24/08/2020 13:53
    Sim, também há os ativos financeiros. Mas os bens de capital determinam a força produtiva do pais. E a relação bens de capital e dívida deles é menor que o brasil. O país tem pouca base instalada e bastante ativos financeiros. 
  • Matheus S  22/08/2020 23:56
    Não são bens de capital "aplicado" e sim riqueza acumulada. É a riqueza acumulada até determinado período, essa riqueza é determinado pelo patrimônio líquido do país, até Jan/2020 era algo em torno de US$120 tri nos EUA.
  • Imperion  25/08/2020 18:57
    A nota de 2.2 em 10 na situação fiscal, com um déficit de 11 por cento do PIB, indica que ele está assustadoramente perto da bancarrota. Em alguns anos, caso mantiver esse déficit, é falência total do banco central.

    2.2 de nota não precisa chegar a zero para falir o governo central.

    Possibilidades futuras: novas rupturas democráticas (resta saber quem vai se adiantar, a esquerda ou a direita), ou então fim da federação (estado central falido não segura territórios).
  • Júlio  20/08/2020 21:59
    O Gustavo Franco afirma que não se deve analisar friamente a relação dívida/PIB pois os países desenvolvidos como os EUA possuem "estimativas para a riqueza equivalentes a quatro vezes o PIB".

    Assim, a dívida americana equivale a "apenas" 1/4 de sua riqueza, ao passo que em países subdesenvolvidos como o Brasil, esta estimativa cai para 1 PIB e, portanto, a nossa dívida equivale realmente a 85% (mais de 3/4) da nossa riqueza.

    Lembro também de já ter lido sobre a relação "dívida bruta/riqueza nacional líquida". É uma referência diferente para mostrar o quanto o endividamento brasileiro está alto para os padrões internacionais, principalmente quando comparado a países ricos. É mais interessante porque mostra exatamente quanto do capital privado está sendo consumido pelo endividamento do governo. Pelo menos 25,2% da riqueza nacional do Brasil está alocada em títulos da dívida pública, enquanto no Reino Unido este número é de 17,64% e na França é de 15,93%. Isso bem antes do Corona, é claro.
  • MAURICIO GOMES  22/08/2020 01:42
    Com todo respeito,essa riqueza que tu e o Gustavo Franco cita pertence ao setor privado,ou seja o setor público norte-americano está em pré-falência e terá de fazer reformas profundas,cortar gastos igual qualquer país se quiserem continuar a ser os líder do mundo(China e Rússia estão em seu calcanhar)e esse complexo de vira-latas do brasileiro me irrita,somos tão capazes quanto qualquer povo na face da terra,precisamos nos livrar destes estigmas e doutrinações esquerdistas que nos aprisionam neste modo de pensar a vida e o mundo, Olavo de Carvalho tem razão em dizer que sem mudança cultural estaremos condenados a pobreza permanente e Jessé de Souza(Apesar de esquerdista)chama nossa elite dirigente(Os corporativistas e seus políticos de estimação) de elite do atraso e concordo com esta ideia.
  • Matheus S  23/08/2020 00:41
    Respeito o Gustavo Franco, mas nesse caso ele está errado.

    A primeira coisa a se avaliar é que a dívida pública americana não equivale a 1/4 da sua riqueza. Eu tenho dados de 2014, onde o total de ativos nos EUA era algo em torno de US$270 tri, e a dívida pública era algo em torno de US$18 tri. Ou seja, no ano de 2014, o total de ativos eram algo em torno de 14 vezes mais do que a dívida pública assim como o total da riqueza pelo PIB, em torno de 14 vezes mais.

    O que ele chama de riqueza já é o patrimônio líquido do país, ou seja, já está descontado a dívida pública e privada. É do ponto de vista comparativo, errado usar a riqueza acumulada para fins de verificação dos níveis de dívida de um país, pois a riqueza acumulada já é todos os ativos subtraindo todos os passivos, e os EUA atualmente está em torno de US$120 tri de riqueza acumulada. Não faz sentido duplicar a dívida pública vs riqueza acumulada, pois na riqueza já está descontado a dívida pública nos passivos. Isso não faz o menor sentido.

    Mesmo que seja errado tal comparação, não há como tributar tal riqueza, pois a riqueza são bens de capital, ações e outros ativos não-conversíveis. Por acaso como vai ser tributar os bens de capital de uma indústria? Vai tributar uma escavadeira de uma construtora? Os tratores de uma mineradora? E assim sucessivamente. Alguns bens certamente são tributados, mas outros não tem como se tributar, até mesmo porque a própria riqueza é difícil de se mensurar.

    O mais correto é comparar o que já usamos, dívida/PIB. Até mesmo para averiguar a tributação é mais fácil por ser um conceito anual de produção e bens e serviços, e muito mais fácil de aplicar a tributação do que a riqueza acumulada. Apenas para te dar um exemplo, nos EUA na Segunda Guerra Mundial tributaram sobre o PIB e não a riqueza acumulada, pois essa é de difícil mensuração. Os níveis de tributação chegou a 45% do PIB para se pagar o esforço da guerra, e ainda acumularam dívida sobre o PIB de mais de 100% em 1945.
  • Estado o Defensor do Povo  21/08/2020 02:27
    A dívida japonesa é até imensa mas os juros também são baixíssimos, aí fica mais fácil pagar o serviço da dívida, se aumentar um pouquinho os juros o país quebra, eu diria que é uma economia frágil sim.
  • Beto  20/08/2020 21:03
    Uma dúvida sincera: o que BC vai fazer quando a inflação começar a se refletir no IPCA? Considerando que, em teoria, temos um governo chicaguista, seria de se esperar que somente aí que aumentariam a SELIC para tentar conter a inflação. Mas isso seria possível, considerando que a dívida explodiria mais ainda? O que é mais provável, o governo deixar a inflação comer solta ou aumentar a SELIC?
  • Leandro  20/08/2020 21:32
    Ainda não estou convencido de que irão subir a SELIC tão cedo. A economia que ela gera com o serviço da dívida é significativa, e vão fazer de tudo para mantê-la como está. É mais factível queimarem reservas para controlar o câmbio (e, com isso, arrefecer pressões inflacionárias) do que mexerem na SELIC.

    (Aliás, só hoje o BC já fez dois leilões à vista.)

    Mas posso estar errado.
  • Trader  20/08/2020 21:36
    Já está bastante claro que o BC deixou de fazer política monetária e agora se concentra exclusivamente em fazer política fiscal.

    Sim, o BC hoje faz política fiscal. Ele estipula juros visando exclusivamente a reduzir o custo do serviço da dívida. Ele virou auxiliar do Tesouro.

    Como bem dito neste artigo, o BC sofreu captura regulatória e perdeu sua autonomia. Hoje quem manda no BC é a Fazenda (seria o equivalente a Meirelles aceitando ordens de Guido Mantega).

    Por isso, a preocupação atual do BC é exclusivamente com política fiscal. Não vão mexer na Selic.
  • Imperion  21/08/2020 00:46
    O certo era mesmo cortar os gastos público e zerar o déficit. Mas não foi feito. Agora vai ter que escolher inflação ou juros baixos. Se a inflação estourar, aumenta-se os juros. Senão permanece baixo
  • Intelectual  21/08/2020 02:56
    Nao se preocupe. Inflação nao virá tao cedo, nao com milhões de desempregados e alta ociosidade. A questão é que a economia não voltou nem ao nível pre pandemia, que dirá ao patamar da época da Dilma. Só depois disso que poderíamos começar a pensar em inflação. Mas até lá serão anos de baixo crescimento e inflação moribunda.

    Quanto aos gráficos assombrosos da expansão monetária e da dívida, houve coisa muito pior nos países ricos nos últimos anos e a inflação mal deu sinais de vida. Nossa grande ameaça é na verdade deflação.
  • Realista  21/08/2020 14:30
    "Só depois disso que poderíamos começar a pensar em inflação. Mas até lá serão anos de baixo crescimento e inflação moribunda."

    Anotado. Se sua previsão não se concretizar, você se retrata?

    "Quanto aos gráficos assombrosos da expansão monetária e da dívida, houve coisa muito pior nos países ricos nos últimos anos e a inflação mal deu sinais de vida. Nossa grande ameaça é na verdade deflação."

    Isso é uma baita de uma mentira. Nem de longe houve "coisa muito pior nos países ricos nos últimos anos". Informe-se melhor.

    Eis o M1 americano:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m1.png?s=unitedstamonsupm1&v=202008202300V20200716&d1=20070121&d2=20200821

    Eis o M1 da zona do euro:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/euro-area-money-supply-m1.png?s=emuevolvmonsupm1&v=202008202300V20200716&d1=20070121&d2=20200821
    Aponte-me, por gentileza, quando foi que houve "coisa muito pior nos países ricos nos últimos anos".

    É nisso que dá ficar repetindo coisa que ouviu de ideólogos. Acaba sendo pego na mentira.
  • Trader  21/08/2020 16:09
    BC acabou de fazer mais um leilão à vista. É o terceiro em dois dias. Estão completamente perdidos e desesperados.
    A moeda está gritando, berrando, implorando para alguém entender que a Selic está totalmente fora do lugar. Mas não adianta. Enquanto esses lacradores estiverem no BC, pode esquecer.

    Nossos juros reais estão muito menores que os da Suíça. As commodities em reais estão nas máximas históricas. Produtos agropecuários subiram 30% em 12 meses. E os caras insistem que a Selic tem de continuar a 1,90%.

    Vão tentar conter a inflação só na base de venda de reservas (o que não irá adiantar, pois já passou do ponto). A Selic se tornou intocável. O BC agora só faz política fiscal.
  • Oswaldo  21/08/2020 16:26
    Meu vizinho é dono de um coffee shop. Ele falou que os insumos aumentaram 30% só esse ano. E a clientela, é claro, sumiu por causa do covid.

    Obviamente, ele não tem como repassar aumento de custos para os preços. Os clientes não irão aceitar pagar 30% a mais só porque o câmbio encareceu insumos.

    Portanto, essa é a realidade atual: pequenos empreendedores pagando muito mais caro por insumos, e preços ao consumidores relativamente contidos por total ausência de demanda. Receita garantida para falências em massa.

    Pergunta séria e sincera: de que adianta jogar a Selic lá pra quase zero se isso efetivamente se traduz apenas em aumento de custos de produção para o pequeno?
  • anônimo  21/08/2020 16:47
    Você pode gritar isso no ouvido do Guedes que ele se recusa a escutar.
  • Imperion  21/08/2020 19:29
    Não adianta mesmo. Quem serve a população são os pequenos e os custos ficam com eles. Mas o governo é macro, ignora a microeconomia e nem sequer sabe como a tecnicidade burocrática destrói a eficiência da economia quando se soma os micro.

    As matérias-primas subiram, mas seu vizinho não conseguirá repassar os preços. Parece que o preço final ao consumidor está estável e o governo adora isso. Pra ele não tem inflação.

    Mas ele tá matando quem abastece. E se estes falirem, a falta de oferta fará aumentar os preços ao consumidor final.

    Mas o governo não se preocupa também pois isso favorece os grandes que fazem lobby junto a ele.
  • Estado o Defensor do Povo  21/08/2020 20:58
    Não foram só os pequenos não, olha a Ricardo Eletro:
    atarde.uol.com.br/bahia/noticias/2136499-apos-acao-judicial-exfuncionarios-da-ricardo-eletro-cobram-direitos-trabalhistas
    Todo mundo honesto (blz um dos ex-acionistas da Ricardo Eletro foi preso, mas não sabemos dos outros :D) nesse país, seja rico seja pobre, tomou no cu.
  • Felipe L.  21/08/2020 19:32
    Eu vou até abordar sobre esse fenômeno de repassar custos no setor automotivo, em um artigo meu que está em rascunho. Mas eu vou adiantar um caso ocorrido interessante: quando o Passat de atual geração chegou aqui no fim de 2015, seu preço na versão mais em conta era de R$ 144,5 mil (a versão mais cara, R$ 151,3 mil). Como o Passat começou a ser vendido somente no começo do próximo ano, então levemos em conta que o euro começou 2016 por R$ 4,30, chegando a R$ 4,42 em 7 de janeiro daquele mesmo ano.

    O carro vinha da Alemanha, passava por todas as exigências burocráticas alfandegárias, tarifárias e ainda havia o custo de adequar o carro ao piso brasileiro, como em aumentar a altura do carro com relação ao solo (o que também é culpa da poderosa infecção ocasionada por lombadas e valetas, além de muitas rampas de garagem irregulares) e por milagre o carro chega na Terra de Santa Cruz. Se feita uma conta grosseira à uma taxa de 4,30 reais por euro, o carro custaria por volta de 33.604 euros, na versão mais barata Comfortline.

    Sabemos também que, entre as datas de 2 de dezembro de 2019 e de 12 de agosto de 2020, o real desvalorizou 29,47%. Agora, calculando a desvalorização cambial entre as datas de 01/01/2016 e 12 de agosto de 2020 (ou seja, em um tempo mais amplo), chegamos à uma desvalorização de 32,81%.

    Agora, medindo agora na valorização do euro, temos de que o euro, nesse mesmo período, encareceu 48,83% em relação ao real. Se a taxa de inflação fosse medida unicamente em euros, seria com esse percentual.

    Vamos então calcular o preço do Passat com esse aumento. No Passat Comfortline - o mais barato -, seria de R$ 144,5 mil para exatos R$ 215.059,35. Na versão mais cara Highline, o preço seria de R$ 151,3 mil para exatos R$ 225.179,79.

    Pelo IPCA acumulado, entretanto, temos uma inflação acumulada de 18,94%. Pelo IGP-M (utilizando a mesma calculadora), de 31,32%. Como o carro saiu até do site da marca no Brasil (pois ele saiu de linha nesse ano de 2020), vamos pegar o preço último: R$ 164.620. Ou seja, o carro nesse tempo aumentou apenas 8,8%.

    Eu coloquei 12 de agosto, mas já dá para atualizar porque o euro agora já passou de R$ 6,60.
  • Quebec  21/08/2020 23:34
    Felipe, onde você publica seus artigos?
  • Felipe L.  22/08/2020 03:17
  • Augusto César  21/08/2020 19:35
    Campos Neto, antes de virar presidente do BC, era trader de juros e câmbio. Difícil encontrar alguém mais afastado da realidade produtiva do país do que um trader de juros e câmbio.

    O engraçado é que as pessoas xingavam quando banqueiros assumiam a presidência do BC, como Meirelles e Ilan, mas o fato é que banqueiro tem muito mais entendimento das economia real do que trader.

    Banqueiro, quando uma empresa quebra, perde o capital que emprestou para ela. Já um trader fica vendido na ação e ainda ganha dinheiro.

    Um banqueiro no BC tem muito mais compreensão da economia real do que um trader. Um banqueiro no BC sabe muito melhor as consequências da volatilidade cambial para a economia real do que um trader.
  • Felipe L.  21/08/2020 21:21
    Acho que o Meirelles no BC seria o melhor atualmente (não dando para fechar o BCB). No Ministério da Economia, basta colocar qualquer pessoa que não vá propôr aumento de gastos e impostos e desvalorização do câmbio, que já estamos no lucro. Na dúvida, coloque um gato como Ministro da Economia.
  • Liberal Inteligente e Educado  20/08/2020 22:41
    Ou nós, como espécie, seremos extintos pelo Estado ou ele, como predador, terá que ser extinto. Prepare o seu Bitcoin.
  • Tiago Torres   21/08/2020 00:30
    Excelente artigo! Parabens pelo detalhamento do mesmo. Entendi coisa que nunca tinha entendido antes e não conhecia. É desanimador ao mesmo tempo ver TANTO GOVERNO, tanta parlamentar incompetente, tanta robalheira com nosso dinheiro que poderia ser muito melhor aproveitado e investido. Cada dia eu acredito mais em MENOS GOVERNO (pra mim nao deveria existir, mas vá lá. Se diminuir já fica menor ruim.) Parabens pelo artigo.
  • WMZ  21/08/2020 03:58
    Vocês que gostam de fazer pesquisas

    Vejam a minha tese que eu observei: quanto maior o negócio, menor é a margem de lucro

    Eu vi que no comércio da minha cidade os ambulantes conseguem lucrar muito mais do que 100%

    Agora, se pegarmos as grandes corporações, a média estará entre 10% e 20%. A Toyota tem um média de 35% mas existem grandes que ultrapassam os 100%

    Claro, os 100% dos pequenos garantem à eles uns 30-50 mil por ano. Os 10% dos grandes garantem bilhões
  • Felipe L.  21/08/2020 14:56
    Porque atuam no setor informal, então eles não arcam com todo aquele aparato burocrático.

    Mesmo o setor automotivo brasileiro, apesar de ser bastante regulado e protegido, tem margem de lucro que não passa de 11% sobre cada carro vendido.
  • Imperion  21/08/2020 16:25
    Sim, as grandes lucram menos e giram mais pra entregar mais. Os pequenos tentam pegar o serviço e cobrar uma taxa de lucro maior. Daí trabalham menos, têm menos clientes, faturam menos.

    O lucro é maior, mas como tem menos serviço, com faturamento menor o total é inferior ao de uma grande, então eles não crescem.

    O grande lance do capitalismo é produzir mais, cortar os custos e tentar ganhar em escala. Tem que se lucrar, mas eles calculam sempre a melhor taxa de lucro pra girar mais.

    Sempre vale mais vender um milhão a 5 por cento que vinte a 50 por cento.

    Os pequenos, como têm menos bens de capital, também têm menos produtividade. Se baixam os lucros, vão ter mais serviço, mas continuam com menos capacidade de escala.

    No capitalismo, os bens de capital servem de alavanca. São eles que enriquecem e promovem a produtividade.
  • LZSS  23/08/2020 16:10
    Os ambulantes estão tirando 50mil/ano na sua cidade?! Onde fica? O que ocorre por aí?
  • Imperion  21/08/2020 14:34
    Partidos querem direito a eles mesmos fiscalizarem o dinheiro público que recebem via fundo eleitoral.

    www1.folha.uol.com.br/poder/2020/08/stf-julga-acao-que-pode-afrouxar-controle-do-uso-de-verbas-publicas-pelos-partidos.shtml

    Partidos de esquerda e direita. Estatistas
  • L Fernando  21/08/2020 22:00
    Não existe nenhum partido de direita ainda.
  • Imperion  21/08/2020 14:36
    Um país em que você faz lei para dar crédito para alguns. Uma lei.

    www.ovale.com.br/_conteudo/brasil/2020/08/111911-bolsonaro-sanciona-lei-que-cria-linha-de-credito-para-autonomos.html?fbclid=IwAR0QNKVPUoY2gAxFCnJWpKuvhAKeMdhAXK_oN-OlGQtzZGL_jc-6IJtuFmQ

    Ficar dando crédito pra alguns faz com que se aumente a carga tributária pra outros.

    Mas fazem via lei pra obrigar a dar a bolsa-mordomia.

    Esse pais é um manicômio.
  • Estado o Defensor do Povo  21/08/2020 17:57
    E depois falam que o Bolsonaro é liberal, é de cair o cu da bunda viu.

    Já tô até vendo, pode acontecer o mesmo do que aconteceu na Argentina, eles tinham o Macri que era vendido na mídia como liberal reformista quando na verdade não fez poha nenhuma, veio inflação galopante e eleição do poste da Cretina Kirchner, aí o país afundou de vez. Pode acontecer o mesmo no Brasil e o PT voltar ao poder, aumentando ainda mais a intervenção estatal e aí um abraço, o povo acaba ficando mais algumas décadas vivendo na sarjeta.
  • Um certo liberal  21/08/2020 21:51
    E esse é um problema pelo qual podemos passar.

    Como a mídia vende o Bolsonaro e o Guedes como dois ultra liberais (rsrs), qualquer situação na qual o governo não faça ou alcance aquilo que se comprometeu a fazer será alardeada como um exemplo da "falácia do liberalismo" ou da "incapacidade do liberalismo em produzir reformas, bem estar, etc" e esta retórica espúria será usada por esses grupos para tentar ganhar votos entre o povo.
  • Chico  22/08/2020 01:33
    Bolsonaro nem sabe o que é liberal kkk por ele, tudo seria do estado
  • rraphael  22/08/2020 02:00
    biroliro mal chegou no meio do mandato e soh quer saber de reeleicao , o corongavoucher e a impressora que nao param mais
    depois que viu que isso melhorou sua visibilidade no norte e nordeste vai eh fazer tudo que o PT fazia pra ganhar o voto dos mortos-de-fome pelo estomago eir se garantindo como pode
    soh que pra isso ele vai ter que lascar justamente com quem bancou a primeira eleicao dele , quem apoia a lava-jato, quem trabalha, quem queria ter o seu negocio sem ser tungado pelo estado
    fica sempre a liçao de que estatista eh estatista . 30 anos na politica e nao seria agora que teria uma guinada
    e pior eh que ele tem a sua legiao de acolitos tal qual o luladrao tem ... da muita vergonha de ver como o brasileiro nao abre mao de se curvar a politicos ... contanto que seja o que ele apoia tudo vale
  • Imperion  22/08/2020 02:05
    Contabilmente a Dilma enfiou o país num buraco. O Temer aos poucos foi consertando (bem medíocre). A bolsa parecia que aos poucos também ia. Mas tá flertando com o diabo. Dilma foi por esse caminho. Se perder o controle fiscal e quiser fazer de tudo pra se salvar aí ele iguala a Dilma. Esperemos que não 
  • Carlos  21/08/2020 21:31
    O mercado privado brasileiro é desanimador, salários que de tão baixos parecem trabalho escravo, a única solução seja você liberal ou não é estudar para concurso público e ter um pouco de dignidade.
  • MAURICIO  22/08/2020 02:34
    Menos por favor,menos,gozação tem hora e aqui não é lugar para gozadores iguais a tu.
  • Estado o Defensor do Povo  22/08/2020 02:43
    Aí Carlos tem salários bons na iniciativa privada também, é só se esforçar bastante, mas se o senhor quiser fazer concurso então vá em frente né, já que pode então por que não? Fica na mamata mas não vai reclamar se ficar sem os ajustes, e se receber corte de salário comemore.
  • rraphael  22/08/2020 12:04
    eu esto muito bem fazendo serviço privado para uma empresa estrangeira que tem negocios no pais, ganho em dolar e tem anos que eu faço remoto - se nao fosse pandemia o povao nem imaginaria que muitos setores hoje trabalham assim e tem liberdade de conseguir mao-de-obra fora de sua sede
    me diga um unico cargo publico em tecnologia que pague melhor que as empresas que dependem do meu know-how
    o maximo que voce vai encontrar sao terceirizadas com contratos com o governo, mas concursinho ?
    por essa mentalidade que o brasileiro esta condenado a ter subempregos e pagar caro por serviços ruins e produtos de baixa qualidade
    pior ainda eh um libertario que abre mao de seus principios pra se vender aquilo que deveria combater
  • Lucas Mendes  22/08/2020 13:11
    Realmente é desanimador. Mas faço um desafio a vc. Compare o custo de um trabalhador brasileiro e um trabalhador norte-americano. Pra começo de conversa lá nos States, o empregador não tem que pagar multa de 40% sobre depósito de FGTS tampouco Férias e outras benesses. Produtividade então nem se fala. Mas posso te dar outro exemplo, vá a qualquer farmácia, supermercado, lanchonete na Alemanha (estive em Berlin) e veja por si só se o empregado pega no celular pra ficar de conversa no whats, fica olhando jogo de futebol na tv. Aqui no Bananistão, se vc for empreendedor de um pequeno negócio, duvido que vc vá sobreviver se não estiver a frente deste. Vai ser roubado e ainda processado por seus funcionários na Justiça do Trabalho ( os juristas e a tese da hipossuficiência do trabalhador). Enfim só fala que mercado privado brasileiro é desanimador pois os salários são baixos é pra quem está de um lado do balcão, vá fazer parte do outro lado, vai mudar de opinião rapidinho......
  • MAURICIO GOMES  22/08/2020 19:55
    Culpa de quem Lucas Mendes?Do empresário é que não é,faça concurso,mas não defenda privilégios,pois o estado além de nos roubar com impostos,cria privilégios e mais privilégios e ai até o jardineiro(Se for concursado)do Palácio do Planalto.o garçom (Se for concursado)do Congresso Nacional,duas profissões de baixa qualificação também ficam berrando por privilégios,por mínimo que seja,enquanto isto o empreendedor se mata de trabalhar e acumular dívidas e mais dívidas,correndo riscos e mais riscos de falir e sustentar com seus impostos esses parasitas do setor público e para alguns desinformados ele paga baixos salários por pura malvadeza e safadeza e ai" é mole ou quer mais",portanto o setor privado não consegue pagar melhor por causa de sangria dos impostos.
  • andre  21/08/2020 21:56
    Voces estao esquecendo o novo minha casa minha vida que vem por aí! Aguardem para ver o que é rombo nas contas publicas de verdade!
  • J K  22/08/2020 02:39
    Não há inflação no horizonte brasileiro. Talvez a inflação inercial quando todos que produzem reajustam os preços com expectativa futura (aumenta salário, custo de energia, etc) vá incomodar um pouco por 1 ou 2 meses. Aconteceu que quando o isolamento foi iniciado, desorganizou a cadeia produtiva e de distribuição. Num primeiro movimento desequilibrou oferta e demanda, quando alguns setores seguiram em atividade, especialmente o setor supermercadista, com a produção sendo adaptada em níveis mais para baixo. O país manteve a atividade econômica por conta dos estoques, o que se confirma com os índices de atividade econômica registrados em julho e crescimento na indústria. Estoques baixos, e Natal em 120 dias, é hora de pôr as prensas para estamparem. Uma vez os estoques estejam repostos, vai-se cair na real de que não há dinheiro para consumo desenfreado e os preços estabilizarão.
  • Imperion  24/08/2020 13:47
    "é hora pra colocar as prensas pra estanparem"

    Se a renda não advém de produção e sim de dinheiro falso, não ocorre crescimento, nem se controla inflação.

    Nem com covid, nem sem covid é certo se imprimir dinheiro.

    Papel só vale o que compra. Se o que se compra ainda é o mesma quantidade, então o dinheiro extra vai fazer este se desvalorizar. Vai só destruir riqueza.

    Mas os que receberem esse dinheiro falso primeiro vão estar no céu. Vão comprar tudo antes de inflacionar.
  • Felipe L.  22/08/2020 04:06
    Inflação de alimentos no Brasil foi de quase 8% em julho em acumulado de 12 meses.

    No Equador a inflação de alimentos foi de 1,2% no último mês. Equador tem mais instabilidade política e institucional e teve 10 anos de chavismo (que faz o governo Lula ser liberal). Quem disse que lá tem estabilidade suíça?

    Então como conseguiram? Eles usam dólar como moeda corrente.

    O banco central de lá é só serve para emitir cédula e moeda conversível em dólar.

    Aceitemos a realidade: real forte com Bolsonaro só com intervenção divina.
  • Austríaco Iniciante  22/08/2020 21:34
    A privatização e a venda de imóveis da união não resolveria esse problema fiscal (ao menos a curto prazo)?
  • Vladimir  23/08/2020 00:05
    É válida, mas não resolve o problema estrutural do aumento dos gastos com funcionalismo e previdência. É a velha questão da diferença entre estoque e fluxo: usar receitas de vendas e privatizações para abater dívida ajuda apenas em um problema de estoque (a dívida), mas não ataca o problema do fluxo, que é a necessidade de receitas crescentes para bancar gastos crescentes.

    O aumento dos gastos é um problema de fluxo, e necessita de receitas cada vez maiores para bancar esse aumento de gastos. Apenas privatizar estatais não irá resolver, no longo prazo, o problema do descontrole dos gastos.
  • anônimo  23/08/2020 12:25
    Privatizar ou desregulamentar? Um dos dois? Eu prefiro o segundo visto que de nada adianta privatizar se as futuras empresas privadas serão como são os postos de gasolina, as operadoras de celular e afins por causa das regulamentações.Imagine os Correios, como estatal, concorrendo com o FedEx de igual para igual no sentido do governo não interferir (como interfere)? Sem essa do Estado regular para prejudicar a FedEx? O governo, sem esse artifício, terá duas opções: ou melhorar o serviço dos Correios ou desistir. Portanto, eu fico com a segunda...mas é até ingênuo:

    Eu creio nesse triplé do progresso: não faz diferença se é pública ou privada, a empresa deve, para cumprir a sua função social, ter:

    1)Um sistema de concorrenciabilidade (tem empresa que não tem concorrente existente ou à altura mas a empresa deve temer a chegada de um, como acontece com o Google, que não tem nenhum concorrente digno....Mas o governo vai querer inventar regulações para se autobeneficiar e prejudicar a concorrência)

    2)Um sistema de alocação racional livre de recursos, ou seja, um sistema de preços (o governo vai querer perturbar o sistema para se autobeneficiar e prejudicar a concorrência..daí já dá para ver o porquê que os Correios nunca dão preju, segundo os seus defensores)

    3)Um sistema de lucros e prejuízos, ou seja, um sistema com capital limitado (com o governo isso é difícil, visto que existe a impressora, e é óbvio que o governo não vai querer desagradar os seus empregados públicos...sem falar da corrupção e da politicagem)

    No fim, ou o governo deve colocar um limite nele próprio, não incorrendo aos artifícios citados para "se autobeneficiar" ou se deve privatizar e desregulamentar tudo que é público
  • Imperion  27/08/2020 20:46
    O governo deve privatizar as estatais e desestatizar as empresas privadas. E a única obrigação social de uma empresa é colaborar oferecendo produtos e serviços de qualidade, com a garantia de que a concorrência vai fazer baixar os preços sem afetar a qualidade, garantindo aos consumidores maior prosperidade.

    E nada mais além disso.
  • Juan  27/08/2020 07:38
    Vladmir. No caso, considerando que o governo melhorasse tanto quanto possível a economia na canetada – cortando gastos desnecessários para obter superávit primário, estabilizando o câmbio, reduzindo burocracia e etc –, o que é possível, o crescimento econômico poderia reduzir os juros da dívida, sendo isso potencializado por uma SELIC baixa e pela venda de imóveis da União para amortização da dívida. Com menos juros para pagar, sobraria dinheiro para amortizar a dívida ainda mais, o que reduziria ainda mais o juros e assim sucessivamente. Isso poderia funcionar desde que a economia com juros da dívida cada vez menores fosse superior ao aumento dos gastos, não acha? Para isso, com o déficit atual seria preciso vender as reservas internacionais, o que exigiria atrelar o real ao ouro para não descapitalizar o Banco Central.
  • Imperion  24/08/2020 13:51
    Não, a privatização é somente livrar o governo de gastos com funcionários e de ter que cobrir operações de estatais ineficientes que prestam serviço ruim e não lucram.

    Mas nem essa economia é suficiente.

    Contabilmente estão querendo que o governo tome todo o dinheiro de todas pessoas em um ano pra bancar todo tipo de mordomia dos improdutivos, parasitas, rombos. E o previdenciário. Somando tudo o que todo mundo quer dá mais que PIB. Quem vai produzir pra bancar os outros?

    Mas não é possível tomar tanto dinheiro das pessoas. A falência delas iria nos anos subsequentes acabar com a arrecadação em definitivo.

    Por isso, esses rombos de 11 por cento do PIB já estão impagáveis. Não há venda que cubra isso.

    Pra poder equilibrar, tem que se ser realista. Só é possível pagar na previdência o que se guardar a mais do que se produzir.
  • Felipe L.  23/08/2020 02:12
    Pessoal, olhem que legal, encontrei o histórico de todas as moedas utilizadas no Brasil...

    Quem quiser ver, está aqui. No Brasil Colônia, quase não houve alteração no padrão monetário, isso em mais de 300 anos. Depois da queda da Monarquia (excluindo as tentativas de adulterar a moeda pelo BB no século XIX, quando saíram emitindo papéis sem lastro), foi só essa zona e estamos assim até hoje, só que um pouco melhores do que na época dos cruzeiros, cruzados, cruzeiros-reais, cruzeiros novos, cruzados novos...

    Também achei essa tabela com todas as reuniões do COPOM e as taxas SELIC praticadas de 26/06/1996 até a última reunião, deste dia 5 de agosto de 2020.
  • Cristiano  23/08/2020 03:20
    Se for fazer um recorte só em economia eu entendo que tudo que o artigo mostra de fatos e analises está certo, mas o grande problema é como se manter governando e tomar as atitudes recomendadas pela teoria . Imagina que um homem casado fizesse nas devidas proporções o que governo fez , gastou mais que recebeu por causa da diminuição de renda na pandemia. A mulher e os filhos tem um padrão de vida superior ao que o homem passou a receber , o homem sabe que tem que diminuir o padrão de vida da família , mas a mulher e o filhos como grande parte do povo e dos políticos nao vão entender tão simples diminuir o padrão de vida e podem se separar do homem como povo pode tirar o governo . O problema é esse ,como diminuir o padrão de vida sem perder o casamento ou o governo
  • Gamaliel  23/08/2020 22:57
    "Como detalhado neste artigo e neste neste, manter sua poupança majoritariamente em reais é algo cada vez mais arriscado."

    Nesse caso poderiam informar qual seria uma melhor opção para se manter uma poupança em dólar a longo prazo? Já ouvi falar de ações americanas ou bitcoin mas ambos ativos aparentam possuir alto risco volátil para se utilizar como reserva. Estou errado em enxergar dessa maneira?
  • Guilherme  24/08/2020 14:04
    Para dólar é fundo cambial. Mas também não se recomenda dólar (basta ler os artigos indicados), e sim ouro.
  • Felipe  24/08/2020 00:34
    Pessoal, olhem que beleza. Peguei este trecho da reunião do FOMC (o "COPOM americano"). Peço que prestem atenção:

    "The staff's broad dollar index declined slightly, on net, with moderate depreciation against AFE currencies. The EU Recovery Fund agreement supported the euro, which appreciated about 3 percent against the dollar over the intermeeting period. In contrast, the Brazilian real depreciated about 5 percent against the dollar, amid continued policy rate cuts by the Central Bank of Brazil, escalating coronavirus cases, and political turmoil in Brazil."

    A interpretação fica por conta de vocês.
  • Imperion  24/08/2020 18:49
    "O índice geral do dólar da equipe caiu ligeiramente, na rede, com depreciação moderada em relação às moedas da AFE. O acordo do Fundo de Recuperação da UE apoiou o euro, que valorizou cerca de 3 por cento em relação ao dólar durante o período de interconexão. Em contraste, o real brasileiro desvalorizou cerca de 5 por cento em relação ao dólar, em meio a contínuos cortes das taxas de juros pelo Banco Central do Brasil, aumento dos casos de coronavírus e turbulência política no Brasil. "

    Eles sabem. Mas cinquinho de desvalorização é pouco.
  • Felipe  24/08/2020 19:25
    Será que o "on net" não seria relacionado à desvalorização líquida da moeda, algo como descontada a inflação e afins? O termo "net" também é usado para algo que ocorreu de maneira líquida.
  • AGB  25/08/2020 03:34
    Correto. É um leve declínio sob o ponto de vista líquido. E o acordo do do fundo de recuperação europeu sustentou o valor euro (não é suportou).
  • Trader  24/08/2020 18:50
    Até o Fed tá assustado com o ultra-keynesianismo do Banco Central brasileiro e seu completo desleixo para com a moeda.
  • JwE  24/08/2020 01:48
    Esse tipo de postagem que me assusta, em um grupo de economia do Facebook. Gente achando que o BCB pode, ao mesmo tempo, reduzir a dívida e ainda ajudar os pagadores de impostos, por meio das Operações de Twist. Sem sentido e insensato demais esse tipo de postagem.

    Deem uma olhada, vale a pena ser compartilhado.

    ibb.co/LNg2vZQ

  • Felipe   24/08/2020 13:55
    Muitos que são graduados ou graduandos na economia mainstream pensam assim. Eles acham que o Banco Central é uma entidade celestial e portanto consegue fazer tudo na economia.
  • anônimo  24/08/2020 15:37
    Acabei de ler o artigo além de alguns dos artigos citados e gostaria de ter esse conhecimento básico ao intermediário sobre economia, adentrando com a visão liberal/libertária. Poderiam me sugerir livros/autores ou sites que possuam o conteúdo?
  • Felipe  24/08/2020 19:37
    Minhas indicações:

    - Artigos do Leandro Roque. (os blogs são também muito bons)
    - Podcasts do Leandro Roque (estão aqui no Instituto também ou basta pesquisar no Google algo como "podcast leandro roque" ou no Spotify);
    - Palestras do Leandro Roque (no YouTube... aquela de 2018 falando de economia brasileira como águia ou galinha, eu puxo orelha do pessoal porque um pedaço do vídeo simplesmente ficou sem som); eu editei uma parte do podcast dele onde ele fala sobre o que é e quais são os benefícios de uma moeda forte;
    - Comentários do Leandro Roque antigos e novos (basta ver o nome "Leandro" que certamente é ele, porque ele é um programa de computador infalsificável, ao contrário da moeda fiduciária, tem desde comentário falando sobre drogas com os Chiocca até os mais novos falando de investimentos);

    Brincadeiras à parte mas ele de fato é uma pessoa que pode ser chamada de economista.

    Ele é o cara que mais entende de economia brasileira, juntamente com o Paulo Kogos. Os artigos do Ubiratan e do Mueller são também muito bons. Livro é bom também, aqui há vários.
  • Felipe  24/08/2020 18:05
    "BNDES homologou escolha de consórcio para estudos de privatização dos Correios"

    Alguém pode me explicar qual o fundamento de se usar um banco estatal para vender uma estatal? O que seria essa parceria?

    Uma coisa interessante é que é possível que a privatização dos Correios acabe resultando em apreciação cambial, embora isso vá ser certamente por apenas um tempo.

    Eu realmente fico me perguntando como que o governo federal conseguiu privatizar o Banespa (isso que o governo estadual e federal eram do mesmo partido). Aquilo lá demorou anos para se concretizar.

    Para fechar o BNDES teria que aprovar um projeto de lei no Congresso?
  • Vinicius  25/08/2020 04:23
    Vou tentar resumir pois está tarde, o BNDES detém o monopólio da venda de estatais e ativos governamentais brasileiros. Só ele pode fazer o valuation. É isso.
  • Felipe  24/08/2020 20:18
    > Brasil, governo "de direita": funcionalismo continua intacto, sem cortes e nada, ministério recriado. Ninguém teve coragem de cortar o próprio salário. Para privatizar o formigueiro, pede desculpas.

    > México, governo de esquerda e que abertamente defende o socialismo: o presidente cortou o próprio salário já em 2019, fechou dez ministérios (isso mesmo, fechou na canetada), corte de 25% nos salários do funcionalismo, congelou contratações e tirou bônus natalino para os burocratas do governo federal e com presidente do BC que defende política monetária rígida (que era do governo anterior mais pró-mercado do Peña Nieto). Além disso o próprio Obrador defende moeda forte. Mídia esquerdista está achando ele "muito austero" e comparando ele com Reagan e Thatcher, assim como os petistas mais radicais criticavam o Meirelles.

    O que está estragando essa austeridade é que o AMLO quer continuar com obras estatais magnânimas como a ferrovia Tren Maya e um aeroporto no meio do nada. Ele poderia também reverter as seguidas quebras de contratos que ele fez nesse ano e no ano passado envolvendo os projetos do setor de petróleo.

    Realmente, políticos são muito contraditórios.
  • anônimo  25/08/2020 07:30
    Já tem um tempo que notei que políticas austeras têm mais facilidade de serem postas em prática por governantes de esquerda.

    A esquerda tem muitos militantes e simpatizantes, que acabam não se opondo às medidas por puro compromisso ideológico.

    O problema é que as medidas de austeridade praticadas por esses governo são tomadas ou com objetivo de abrir espaço para poder gastar mais no futuro ou então para tentar cobrir o rombo causado pela gastança do presente/passado.
  • Apertem os cintos!  24/08/2020 22:57
    O piloto sumiu...

    "Neste momento o BC é passageiro, o piloto é o fiscal", afirma Campos Neto

    valor.globo.com/financas/noticia/2020/08/24/neste-momento-o-bc-e-passageiro-o-piloto-e-o-fiscal-afirma-campos-neto.ghtml


  • Vinicius  25/08/2020 04:27
    O.o Heeein? agora ferrou, o presidente do BC perdeu até a vergonha?
  • Yuri - São Carlense  25/08/2020 00:57
    Sou bancário - gerente de contas de PJ. Um dono de uma empresa de reciclagem (plastico, aluminio, papelão) me relatou algo triste hoje:

    Com a renda garantida do auxílio de R$ 600,00 quase todos os catadores de sucata praticamente pararam de trabalhar. Geralmente eles viviam do Bolsa Familia e da coleta de papelão, latinhas, etc... Mas como o valor do auxílio aumentou, eles estão em casa recebendo sem precisar trabalhar.
    Resultado: a empresa está quase paralisada por falta de matéria prima e provavelmente terá que demitir quase todos os funcionários, pois está sem faturamento.

    Além disso, (obviamente) o preço do Kg sucata que era R$ 1,90 já está mais de R$ 3,00. Contribuindo mais ainda para inflação na cadeia dos produtos.

    Vejam que, além do deficit público, os R$ 600,00 geram outros problemas.
  • Thiago  25/08/2020 11:31
    To numa dúvida cruel...

    Os casos de COvid estão diminuindo aqui e nos EUA, a Dow Jones parece que começou a alçar vôo (e se Trump ganhar, o vôo será de cruzeiro).

    Então estou pensando em comprar ações na Dow Jones. Mas a questão é o Dólar.. Ele já estaria espichado demais e seria um momento ruim de ir pro Dólar ou ainda é válido?

    Sabemos que com essa SELIC o real não tem muita margem de valorização, mas nesse país nada é certo, nem o desastre...
  • anônimo  25/08/2020 14:10
    Eu não entraria em bolsa americana agora. Está extremamente esticada, e ocorrerá uma correção pós-eleições, não importa quem vença.

    E sim, o dólar está caro, mas como estamos com juros reais negativos e menores que os da Suíça, não há espaço nenhum para uma valorização do real. Na melhor das hipóteses, ele dá uma caidinha para R$ 5,10. Mas logo depois volta a subir.
  • Thiago  26/08/2020 11:35
    Acredito que essa correção só ocorrerá quando essas duas coisas acontecerem:

    Aumento de juros americano
    Inversão da oferta monetária

    Ambas as coisas não acontecem abruptamente, dando tempo de sobra pra desmontar posição.

    E a área que quero entrar (empresa que aluga imoveis comerciais) ainda está com as ações em baixa, ela não esticou igual as empresas modinhas do momento.

    O ouro começou a ter queda em relação ao dólar, talvez a margem pro ouro subir em relação ao Dolar esteja acabando, daí minha intenção de ir pro dolar e ações da Dow jones.

    Quando o dólar começar a ganhar força, a economia americana irá ganhar força junto. EA purinha.
  • Trader  25/08/2020 14:38
    Dado que não há mais nenhuma independência entre política monetária e política fiscal, é irracional apostar no real.

    Eis os fatos:

    * 40% da dívida do Tesouro é indexada na SELIC. Logo, quanto menor a Selic, menor o serviço da dívida

    * O câmbio impacta o resultado do Banco Central. Quanto maior a desvalorização cambial, maior o ganho contábil do BC (reservas internacionais passam a valer mais)

    * Esse ganho contábil pode ser transferido ao Tesouro. Ou seja, o Tesouro também ganha com a desvalorização cambial.

    * 32% da dívida pública está no balanço do BC, que já se tornou o principal financiador dos déficits do Tesouro.

    Não é à toa que o câmbio empoleirou acima de R$ 5,50 e de lá não sai, mesmo com bons números macro e com excelentes números do balanço de pagamentos.
  • Felipe  25/08/2020 15:30
    Brasil está com bons números macroeconômicos?
  • Marcos Rocha  25/08/2020 15:35
    Curiosidade matemática: se o câmbio eventualmente voltasse para R$ 4,50, isso significaria cerca de R$300 bilhões de prejuízo contábil para o Banco Central (em relação ao balanço de maio).

    Ou seja, o BC tem agora um interesse FISCAL em não permitir a valorização do real.

    Eu me lembro que, no início de junho, quando o câmbio tinha caído para R$ 4,90, aquele tal Fábio Kanczuk veio a público e disse que se o mercado de câmbio ficasse "muito animado", o BC iria entrar comprando dólar. Ou seja, estabeleceram um piso. E funcionou. Desde então, o dólar foi só pra cima.
  • Felipe  25/08/2020 17:39
    Trader, tempos atrás você não disse que a valorização das reservas internacionais em reais não faria diferença para abater a dívida, já que o BCB não faz esse tipo de mágica? Ou eu estou confundindo as coisas?
  • Imperion  25/08/2020 18:52
    O dólar já subiu demais. Não acredite que uma coisa sobe forte pra sempre. Quanto mais caro, mais a chance de cair, não de subir.

    Outra coisa que aumenta a probabilidade de derrubar o dólar: a excessiva oferta monetária represada. Mas ninguém sabe quando a represa vai estourar ou se vão continuar reforçando as paredes dela.

    O dólar é fiduciário e sofre inflação. Foi menor com o Trump, mas sofre. A tendência é ele cair. Mesmo que tenha tido um valorização temporária por causada pela crise.
  • Felipe  25/08/2020 19:12
    Pessoal, o que foi exatamente a Crise do México de 1994? Só para ajudar a formular a questão, vou misturar as dúvidas com o que já sei.

    - A crise foi parecida com a Crise Asiática em causa principal, já que envolveu o arranjo de câmbio atrelado e aquela chamada contradição entre o M1 e as reservas internacionais, ou seja, entre a política monetária e a política cambial. A diferença é que o peso mexicano originalmente é mais antigo que o real brasileiro. O won sul-coreano surgiu depois da Segunda Grande Guerra, mas o arranjo atrelado surgiu em 1980. Foram quase 20 anos assim.

    - O que diferenciou na resposta em relação às crises cambiais? Porque, por exemplo, na Coreia do Sul o won sul-coreano ora se manteve estável ora se valorizou desde 1997, se mantendo uma moeda forte e estável. No Brasil a gente já sabe que a moeda foi só para o buraco e com breves hiatos. Só tivemos inflação civilizada no governo Temer (não acham isso incrível? Em 2019 a inflação fechou passando de 4%, com um suposto governo novo e "de direita"). O México foi um pouco melhor mas as coisas começaram a piorar após a saída do Vicente Fox.

    - A intensidade da crise de 1994 no México foi pior do que a ocorrida no Brasil? Por uma rápida pesquisa, houve assassinato de candidato a eleição presidencial e uma onda de violência em Chiapas. Lembrei da série Narcos: Mexico, porque ela mostra que o candidato Carlos Salinas (o que adotou o arranjo atrelado e as reformas envolvendo privatizações) foi apoiado pelo narcotraficante Miguel Ángel Félix Gallardo (não sei se esse apoio realmente aconteceu, mas as controvérsias das eleições de 1988 realmente ocorreram). Parece-me que a corrupção e instabilidade política e institucional lá são piores do que o Brasil. A Crise do México afetou o Brasil?


    Reencontrei esse comentário do Leandro, falando sobre o caso brasileiro:

    "O Brasil não sofreu uma crise nas contas externas em 1999 simplesmente porque preferiu joga[r] o real na latrina em relação ao dólar, o que aniquilou o poder de compra da população brasileira e a fez conviver com uma inflação de preços acima de 6% entre 1999 e 2003. No meu conceito, isso está longe de ser uma política bem-sucedida."

    Então o que o Brasil poderia ter feito diante disso? Se eu estivesse no lugar deles, seria um Currency Board ortodoxo (como na Hungria) ou uma dolarização, no Equador. Seria isso mesmo a solução para aquela situação? E se lá em 1999 o FHC tivesse colocado uma equipe econômica que defendesse moeda forte e estável? Seria diferente? Essas contas externas seriam a dívida externa, ou seja, dívida do governo brasileiro majoritariamente em títulos do governo americano, em moeda estrangeira?

    Ah, de curiosidade, decidi comparar a inflação acumulada entre Brasil, Coreia do Sul e México (de julho de 1994 até dezembro de 2019):

    - Na Coreia esse percentual foi de [link=d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/south-korea-consumer-price-index-cpi.png?s=southkoreconpriindcp&v=202008251800V20200716&d1=19940701&d2=20191231]98,71%[link];
    - No Brasil, 520,6%;
    - No México, obtivemos 637,16%. Só que quando mudamos o período de tempo (agora iniciando em 01/01/1999 e não em 07/1994), o México fica com acumulado de 161,74%, ao passo que no Brasil o acumulado no período flutuante ficou maior, com 411,9%. Será que essa mudança de comparação faz sentido? Essa diferença se deu por causa da crise do peso mexicano em 1994?

    Com os novos esquemas da atual equipe do BCB, em querer fazer junto política fiscal e monetária (e cambial também?), esse arranjo não poderia colapsar e provocar ataques especulativos, como na Crise Asiática de 1997? Eu não confio na atual equipe.

    De qualquer forma, obrigado pela atenção e desculpem pela mistureba!

    PS: O atual arranjo de câmbio atrelado é bastante popular em países mais pobres (mais de 30 países ao redor do mundo ainda usam o arranjo). Entre eles, a Bolívia. Acho que eles fazem isso pois são países que precisam ganhar confiança dos investidores, já que normalmente moedas como dólar americano e euro são escolhidas como lastro e ninguém vai levar a sério um papel flutuante de um país desconhecido.
  • Leandro  27/08/2020 16:21
    A crise mexicana foi uma coise cambial clássica gerada por câmbio atrelado (crawling peg). Ao mesmo tempo em que o BC tentava manter o câmbio atrelado ao dólar, ele continuava expandindo a base monetária e a oferta monetária.

    Veja a evolução do M1 no período. Aumentou 8 vezes:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/mexico-money-supply-m1.png?s=mexicomonsupm1&v=202008262300V20200716&d1=19880827&d2=19950827

    Isso é propício a ataques especulativos.

    Adicione a isso o fato de que a economia mexicana era completamente amarrada, sem facilidades ao empreendedorismo, e totalmente movida por corrupção (só empreende quem tem conexões com o governo), e acrescente mais uma forte pitada de baderna política (com assassinato de candidato presidencial e o levante Zapatista em Chiapas), e o caldo estava propício para uma fuga de capitais.

    Surpreendentemente, este verbete da Wikipedia em português sobre o assunto está muito bom. Conciso, mas abordou todo o essencial.


    Sim, um Currency Board ortodoxo resolveria tudo, mas não é politicamente bem visto — na prática, representa a abolição da moeda nacional e uma admissão de incompetência monetária dos políticos.


    Abolida a alternativa do Currency Board, então realmente não há nada a fazer a não ser soltar o câmbio e subir juros. Haverá uma forte explosão na taxa de câmbio e uma subsequente recessão inflacionária. Foi assim no México, na Malásia, nas Filipinas, na Rússia, no Brasil e na Argentina.

    A lição é que não se manipula a moeda impunemente.


    P.S.: o Currency Board que você mencionou é o da Bulgária, e não o da Hungria.

  • Felipe  27/08/2020 20:51
    Ah é, eu frequentemente confundo. E você viu que parece que a Bulgária quer abandonar o CB e adotar o euro? Eu até te perguntei isso umas semanas atrás. Sigo uma pessoa que viajou recente para lá e trocou dólar canadense pelo lev búlgaro. Certamente o CB atrai turistas, já que a moeda deles é conversível ao euro à uma taxa fixa, embora o euro flutue em relação ao dólar canadense. Mas são moedas fortes, flutuam, não afundam...

    Por que será que a taxa de desemprego no México é bem menor que aqui no Brasil? Veja que na segunda metade da década de 90, atingiu níveis bastante baixos. Será que é por causa do setor informal maior que no Brasil, portanto com menor pressão sobre as estatísticas de emprego, já que a pessoa não está procurando emprego? O governo atual do México até que está fazendo umas coisas boas e até inesperadas de um governo de esquerda (meses atrás ele até defendeu abertamente um "peso forte"). Em alguns aspectos o México já está na nossa frente: são mais abertos ao comércio, mais produtivos e o PIB per capita deles já está maior que o daqui.

    Tempos atrás você falou que colocar o Campos Neto no lugar do Guedes do Ministério da Economia traria menos turbulências cambiais (eu não duvido que em algum momento o Paulo Guedes irá sair, dado o fato de que a política brasileira é imprevisível). Por que, já que você disse que ele é keynesiano?
  • Felipe  27/08/2020 21:36
    Eu acabei de ver esse interessante gráfico sobre a tendência de desindustrialização ao redor do mundo. Interessante mencionar que no Japão essa desindustrialização está sendo bastante, mas bastante lenta, em um ritmo menor do que nos EUA. Acho que é porque ainda há (muita) demanda mundial por bens industrializados japoneses. Para um país que está com economia estagnada desde a década de 90, é bastante incrível ver que a indústria deles é bastante competente, principalmente a automotiva. A moeda deles (que foi uma das poucas ao redor do mundo que se valorizaram nesse ano nesse pânico) explica (muita) coisa.

    No Brasil a queda foi brutal no começo da década (será que foi só por causa da abertura às importações?) e, mesmo com novas exigências protecionistas no meio da década (no setor automotivo, por exemplo, eles passaram leis taxando quem não abrir uma indústria no país e exportar), a industrialização pouco mudou. De 2004 até meados de 2011, cresceu de novo. E depois retraiu graças à inflação. Ano passado a indústria também retraiu feio, por causa da desvalorização cambial.

    O que estou falando faz sentido?
  • Felipe  28/08/2020 01:16
    Pois é, eu tinha visto o seu comentário antes e achei até que fosse uma resposta direta à minha (ou foi?).
  • Felipe  28/08/2020 04:04
    O interessante sobre o que você disse é que, apesar desses problemas do câmbio atrelado (não sei se você conhece os outros termos envolvidos com o "peg" como o "conventional peg", "hard peg" e "soft peg") esses países se tornaram mais arrumados só depois disso, ou seja, ou esses países se tornaram desenvolvidos com o padrão-ouro (EUA, Canadá, Japão, etc.) ou com câmbio atrelado (Coreia do Sul, Cingapura), portanto nenhum país enriqueceu com papel flutuante. Ainda hoje muitos países operam assim. O Haiti atrela o gourde haitiano ao dólar. Os países do oeste africano como Costa do Marfim atrelam a moeda ao euro (antes eram fixados com relação ao franco francês com Bretton Woods) através de uma união monetária e aduaneira.

    O câmbio atrelado foi instável pelo fato de o governo ter ficado faminto e então explodido o M1? Haveria uma situação onde o crescimento do M1 fosse mais controlado, como está sendo hoje nos Currencys Boards restantes no mundo? Isso que foi feito no México teria sido uma sobrevalorização como na Argentina, ou foi "natural", onde eles manipulavam o câmbio com venda e compra de ativos?

    Li o artigo da Wikipédia. Bom até, apesar de ter ficado com algumas dúvidas. Acho que o sistema deles de contato e edição meio ruim. Senão eu pensaria em editar artigos sobre Economia e colocar lá. Ou mesmo em Inglês.
  • Skeptic  26/08/2020 14:03
    Muito bem, excelente diagnostico!

    Agora vamos ver o remédio/tratamento planejado pela equipe econômica:

    Little Guedes
    Economia 25.08.20 08:24

    O pacote "que será apresentado pelo ministro Paulo Guedes tem a pretensão de ser um 'big bang', uma explosão criadora", diz O Globo, em editorial.

    "Pelo que veio a público nos últimos dias, ficará longe disso. A ideia é reunir sob um mesmo slogan, Pró-Brasil, um emaranhado de propostas capazes de dar ao presidente Jair Bolsonaro uma nova bandeira eleitoral, de olho na reeleição. Antes de programa para a economia, portanto, o que vem aí é mais uma peça de propaganda (…).

    Só a lógica eleitoral explica reunir num mesmo balaio propostas tão díspares quanto a desoneração de impostos para eletrodomésticos, a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda, a recriação da CPMF, um programa de obras de infraestrutura, a revisão do pacto federativo e a ampliação do Bolsa Família, rebatizado Renda Brasil."

    www.oantagonista.com/economia/little-guedes/
    oglobo.globo.com/opiniao/pacote-peca-de-propaganda-de-olho-na-reeleicao-24603517

    O Brasil virou a Argentina.
  • anônimo  26/08/2020 14:30
    Lindo. Bolsonaro está fazendo de tudo pra Banânia virar o Ancapistão. Que tipo de idiota vai seguir as leis para trabalhar e pagar impostos com o dinheiro oficial do governo? A receita do governo vai cair drasticamente a partir do momento que aprovarem essa maravilha progressista. Comprem armas e propriedades, porque suas contas bancárias não vão valer nada daqui pouco tempo.
  • Felipe  26/08/2020 14:51
    Esse país não tem como dar certo.
  • rraphael  26/08/2020 23:47
    "Não há condição moral de suporte de algum programa social dentro do Brasil", disse hoje o ministro Walton Alencar, do TCU. "A fraude é inerente ao sistema. Se não houver adequado processamento de informações, tudo está fadado ao fracasso", comentou, sobre as irregularidades no pagamento do coronavoucher.

    Hoje, o TCU mandou o Ministério da Cidadania apertar o controle sobre os pagamentos do auxílio emergencial. Como noticiamos, auditoria da área técnica do TCU viu indícios de fraudes no pagamento de R$ 42,1 bilhões.


    uau , viu "indicios" de irregularidades em (!!!) 42 bilhoes

    quem sabe em 2021 consiga confirmar pqp
  • Felipe  27/08/2020 15:07
    "Conheça os programas que devem acabar após a criação do Renda Brasil"

    O que vocês acham?

    Sobre o seguro-defeso, lembrei-me deste clássico artigo do Klauber, o qual é muito bom: Quem nos defenderá do defeso?

    Realmente, muitas espécies de peixes dependem de um período para reprodução. Mas isso é por acaso motivo para o governo criar uma espécie de seguro estatal para pescadores? Algo que poderia tirar esse problema seria buscar reproduzir esses animais em cativeiro, se possível fecharem o Ibama e deixar ocorrer uma regulação privada, já que o órgão é um dos principais obstáculos para o crescimento desse setor no país. Alguns peixes ornamentais no Brasil até hoje são coletados de maneira artesanal, como Paracheirodon axelrodi (o tetra cardinal), ao passo que, se não me engano, fora do Brasil ele já é reproduzido em cativeiro (já que ele existe nos mercados americano, europeu e asiático). Detalhe que esse peixe é nativo da região dos grandes rios no norte da América do Sul. Não tem em outro local.
  • Thiago  27/08/2020 17:20
    Se alguém falar, somente falar que está pensando em fechar o IBAMA, o rebuliço não seria nem nacional, seria mundial. Até países estrangeiros (europa principalmente) apareceria com a choradeira característica.

    Não há a menor chance de mudança nessas regulações ambientais com o STF e o congresso que temos. A turma do atraso não vai deixar haver nenhum tipo de mudança que nos traga prosperidade.

    Todo brasileiro nasce fadado à pobreza, quem consegue sair dela luta contra o Estado e contra a mentalidade da sociedade imposta pelo próprio Estado.

    Chega a ser desesperador perceber que não há a menor chance de mudança e a grande maioria das pessoas nem percebem (e se tentar avisar elas ainda te xingam) o tamanho do buraco em que elas estão indo...
  • Felipe  27/08/2020 20:38
    Então talvez a melhor saída seja todo mundo abandonar o Brasil e deixar só o funcionalismo.
  • Felipe  29/08/2020 17:11
    Por que no Equador eles conseguiram dolarizar a economia após a crise do sucre, e essa dolarização nunca foi tentada, por exemplo, no Brasil e na Argentina? A Crise Financeira de 1998-1999 do país foi culpa da explosão do M1 (não achei dados da década de 90), sob arranjo flutuante e das crises cambiais externas? Essa dolarização poderia ter tido origem cultural, como foi no Peru?

    Um dos meus chutes é que, dada a natureza geográfica do país e de seu território pequenino (e de ser uma economia majoritariamente formada por commodities), então um BC misturado com tarifas protecionistas poderia causar inanição em massa, um risco bem menor do que em países de grande extensão territorial. Muitos equatorianos moram fora do país e acabam enviando o dinheiro para a família na terra natal. Isso é bastante facilitado pelo fato de o dólar ser usado lá, sem custos de conversão.
  • Felipe  29/08/2020 18:43
    Lembram-se de quando o STF exigiu explicações ao BCB sobre a nota de R$ 200? Eis a manchete:

    "Banco Central deixa claro ao STF que o real é uma péssima reserva de valor"

    "Ainda de acordo com o Bacen, seria 'no mínimo duvidoso o argumento de que a nova cédula, por si só, [iria] facilitar os crimes de lavagem de dinheiro e de ocultação de valores, haja vista o baixo valor de reserva que a nova cédula de duzentos reais representará em comparação com as moedas [internacionais]'."

    Vale lembrar que uma nota de R$ 100 no começo de 2018 tinha quase o valor que uma nota de R$ 200 terá nesse ano.
  • anônimo  30/08/2020 23:12
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/08/pandemia-distorce-custos-da-industria-e-cria-ambiente-para-alta-da-inflacao.shtml

    A mídia maestream começou a falar de inflação represada.

    Até chegaram a citar a moeda fraca no artigo, mas não atribuem a ela o principal problema.

    E já falam que as empresas estão segurando repasses de custos por falta de demanda atualmente, mas que cedo ou tarde não conseguirão segurar mais os repasses.

    Tudo que esse instituto já vem falando há meses. A pancada inflacionaria será feia e bastante impopular, como não poderia deixar de ser.

    E isso minha gente, é um perigo por poder trazer a esquerda do atraso mais uma vez a esse país.

    Nossos vizinhos do norte e do sul estão gritando tentando avisar o tamanho do problema.
  • Trader  31/08/2020 14:47
    Tarde demais. Agora já era. Este Instituto começou a falar sobre isso em agosto de 2019, quando o câmbio começou a degringolar em decorrência de uma política monetária destrambelhada do Banco Central. Apenas agora, um ano depois, a imprensa acordou para isso.

    Se a imprensa tivesse batido antes (este, sim, um tópico digno de críticas), em vez de ter se perdido no raso proselitismo político, a situação da moeda poderia ser melhor. Só que a imprensa majoritariamente apoiou a política monetária heterodoxa. Agora tá tentando tirar o corpo fora.
  • Bernardo  31/08/2020 15:04
    Essa é a desgraça de se ter uma imprensa incompetente. Em vez de criticarem o essencial (condução da moeda), perderam-se no trivial (Queiroz e lojas de chocolates) e com isso se desmoralizaram por completo.

    Se tivessem batido na política monetária ultra-heterodoxa lá atrás, a situação hoje estaria melhor. (Creio que a imprensa quer o "bem do país", certo?).

    Agora, até mesmo eventuais críticas corretas a este assunto serão compreensivelmente percebidas como mera perseguição política.
  • Thiago  31/08/2020 14:47
    Essa mensagem com o link acima é minha, não percebi que estava sem nome ao escrever pelo celular.

    Mais notícias:

    www.oantagonista.com/economia/contas-publicas-tem-pior-julho-em-19-anos/

    Alguém acha que tem perspectiva de melhora sem queda nenhuma nas despesas?

    Vamos ao efeito dominó que se avizinha:

    1 - Inflação começa a incomodar.
    2- BC será obrigado a começar a subir a SELIC (mas a diferença SELIC - INFLAÇÃO continuará pornográfico)
    3- O serviço da dívida começará a subir, o que fará com que os défitics mensais se mantenha, pressionando ainda mais o Real.
    4- Com o Real pressionado, a inflação não irá ceder, começando a afetar a popularidade do Bolsonaro.
    5- Guedes cai?Bolsonaro cai? Meireles retorna?
    6- Nova argentina ou novo 2017 ?
  • Minerius  31/08/2020 15:36
    Bolsonaro tem que mandar o Guedes e o Campos embora. Já chega. Coisa fácil de se fazer. No BCB, coloca o Meirelles e na Economia coloque qualquer um que defenda economia supply-side. É questão de tempo para ele sair. O pior seria se colocassem um pior no lugar dele. Já que o Bolsonaro segue o Mises Brasil no Twitter, então que leia sobre tudo que foi falado.

    Nova Argentina eu acho que não vai, porque lá o problema é muito mais grave do que aqui e o eleitorado brasileiro é diferente do argentino (inclusive menos tolerante com inflação).

    Eu também avisei a alguns colegas lá em janeiro em grupo de Facebook. Pergunta se alguém ouviu. Não, muitos preferiram debochar e falar que eu sou rentista safado que faz intercâmbio.

    Acho que a melhor coisa nesse momento seria dolarizar o Brasil e fechar o BCB. Mas ninguém vai ter coragem. Solução individual já existe. Para o "país" é algo mais difícil e que poucos estão dispostos a mudar.
  • Thiago  31/08/2020 20:02
    A história quase inteira do Brasil foi de inflação descontrolada, falar que brasileiro é intolerante a inflação não condiz com o histórico do próprio.

    E na economia as coisas acontecem gradualmente, a Venezuela e a Argentina não chegaram onde estão do dia pra noite, levou mais de década.

    Mas se quer visualizar o destino para onde estamos indo, é só fazer um paralelo de como se deu o desenrolar do país alvo.

    Moeda fraca, servidores públicos marajás, contas públicas totalmente descontroladas, combate ao problema totalmente equivocado.

    A mentalidade daqui, como lá, é de que aumentar o gasto público vai nos tirar do problema que esse mesmo método nos trouxe. O senado está aí pra nos mostrar que isso é verdade.

    Em fevereiro acaba a presidência do Maia (aquele que está segurando a ânsia keynesiana do congresso), e se o próximo presidente da Câmara for mais um desenvolvimentista?

    Não me lembro de cabeça como estava exatamente, mas pegue dados da Argentina no decorrer da década de 2000 (há artigo aqui no site) que vc verá semelhanças com o Brasil atual.

    Se percorremos o mesmo caminho de lá, pq o destino aqui seria diferente?

    A bala de prata bem no meio do peito será em outubro de 2022.
  • Felipe  01/09/2020 00:18
    Há semelhanças e o histórico é vergonhoso, mas não ainda não é igual na totalidade. América Latina tem semelhanças mas cada região tem suas particularidades.

    Hiperinflação derrubou Sarney e Collor. Inflação alta acabou com a popularidade do FHC por causa do segundo mandato. Inflação de 10% na Argentina é considerada deflação. Aqui derrubou a Dilma. A inflação baixa e o câmbio apreciado garantiram a reeleição no primeiro turno com o FHC e a do Lula, com algum aperto. Saiu o Meirelles, governo petista foi para o buraco.

    Na Venezuela foi tudo aparelhado, chavismo faz o lulismo parecer um jardim de rosas. E o caso argentino ainda é bem pior.

    Brasil para mim vai ser o eterno país da mediocridade: nem um padrão de vida venezuelano e nem um padrão de vida espanhol. Vai ficar sempre na média. Tem gente aqui que fala isso faz tempo.

    Bolsonaro por incrível que pareça tem bastante bom senso em economia, pelo menos aparentemente.
  • Thiago  01/09/2020 13:53
    Sim, essa era a realidade até alguns anos atrás.

    Antes não tínhamos 100% do PIB em dívidas, não tínhamos défictis primários de 2 dígitos, não tínhamos uma tentação de populismo tão alto como atualmente. E além disso, não tínhamos tanta tara em moeda fraca.

    Nosso congresso não tem nenhum pudor em falar de quebra da lei de limite de gastos, da quebra da regra de ouro e de aumentar os gastos em infraestrutura e populismo (só basta um executivo com a mesma ideia pra descambar, daí a minha citação pra 2022).

    Quanto mais o desastre vai aparecendo, mais o que disse acima fica mais forte e mais tentador.

    Vc consegue visualizar ainda um meio termo entre Espanha e Argentina pra breve?
  • Felipe  01/09/2020 17:23
    Espanha está até melhor, porque eles têm moeda forte. O mesmo da Grécia. São países quebrados, mas são economicamente mais livres e ainda têm moeda. Aqui não tem nada.

    O Bolsonaro há poucas horas falou "em respeitar a lei do teto". Só o fato de ter diminuído o auxílio pela metade já mostra até coragem. Agora, só o tempo dirá com relação aos outros aspectos. Na dúvida, não confiem na moeda brasileira.
  • anônimo  31/08/2020 15:13
    O instituto deveria falar com o Guedes. Manipular juros nunca trouxe desenvolvimento em lugar nenhum do mundo.
  • Felipe  01/09/2020 00:11
    O Banco Central do Brasil quer tentar ser o Federal Reserve, tendo em seu currículo, desde a sua criação no regime militar, coisas como:

    - Uma hiperinflação que durou 15 anos (1979 a 1994): 13.342.346.717.617,70%, ou seja, treze trilhões, trezentos e quarenta e dois bilhões, trezentos e quarenta e seis milhões, setecentos e dezessete mil seiscentos e dezessete inteiros vírgula setenta por cento;
    - Inflação acumulada em 26 anos de 520,60% (julho/1994 - dezembro/2019);
    - Uma moeda menos transacionada que o rand sul-africano e o rublo russo;
    - Sem moeda de reserva mundial;
    - Sem moeda internacional de troca;
    - Pelo menos dois calotes na dívida externa;
    - Seis trocas de moedas;
  • Felipe  01/09/2020 12:23
    Quando o peso argentino desvaloriza, a aquisição de trigo do país por um brasileiro fica mais barata, ou não?

    Como funciona exatamente quando um brasileiro vai comprar trigo da Argentina? Ele vende reais por dólares, então ele manda esses dólares para alguma conta estrangeira do argentino, e então o argentino escolhe manter esses dólares ou trocar por pesos?
  • Trader  01/09/2020 13:40
    "Quando o peso argentino desvaloriza, a aquisição de trigo do país por um brasileiro fica mais barata, ou não?"

    O trigo é cotado em dólar no mercado internacional. Logo, depende do valor do dólar.

    "Como funciona exatamente quando um brasileiro vai comprar trigo da Argentina? Ele vende reais por dólares, então ele manda esses dólares para alguma conta estrangeira do argentino, e então o argentino escolhe manter esses dólares ou trocar por pesos?"

    Correto.
  • Felipe  01/09/2020 15:34
    Sou a favor de fechar o Banco Central do Brasil por esse motivo:

    [link=www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/08/extensao-de-auxilio-deve-custar-r-100-bi-e-rombo-de-2020-encosta-em-r-1-tri.shtml]Extensão de auxílio deve custar R$ 100 bi e rombo de 2020 encosta em R$ 1 tri

    Bolsonaro decidiu anunciar prorrogação da assistência com mais 4 parcelas de R$ 300[/link]

    Acabou a máquina de financiar e se endividar, ou corta ou fica todo mundo sem salário ou com salário atrasado. Coisa parecida acontece com as prefeituras. Já pensaram se as prefeituras tivessem bancos centrais municipais emitindo moeda e um tesouro emissor de dívidas?
  • 4lex5andro  01/09/2020 19:11
    Todo o cenário concorre para isso, o Brasil vai quebrar.
    Não é ''se'', mas ''quando''.
  • Felipe  02/09/2020 04:18
    Interessante mencionar que, apesar da crise financeira na Tailândia e que afundou a moeda, se pegarmos os últimos 25 anos, o baht tailandês
    se valorizou
    , embora seja flutuante. Eles devem ter tomado um caminho diferente do tomado no Brasil.

    Algo que poderia fortalecer o real seria passar reformas agressivas supply-side. Quem sabe com a Lei do Gás não melhore um pouco, assim como a mini-reforma administrativa (ano que vem vai ter greve). É um absurdo a Petrobras ter monopólio de facto até no gás. Com o gás natural em baixas históricas, era para o botijão ser bem mais em conta.
  • Erick Skrabe  24/09/2020 02:24
    Um caso tragicômico foi quando o Armínio Fraga assumiu o BC. Ele tinha trabalhado no Quantum, o fundo do Soros, e muita gente diz q eles seriam os culpados pela crise na Tailândia pq teriam sido os primeiros a sair e todo o resto do mercado teria vindo atrás. Polêmicas à parte, eu lembro da manchete em um dos jornais deles:

    "Homem que quebrou o Baht vai salvar o Real"
  • Felipe  24/09/2020 14:34
    Você ainda tem essa manchete? É verdade, eu tinha visto isso na abertura do Roda Viva com ele, de que ele trabalhou em um fundo do Soros.

    Eu realmente não sei por que o FHC colocou ele no lugar.
  • Felipe  05/09/2020 01:07
    Pessoal, alguém sabe onde poderia achar um bom artigo sobre o que foi e como ocorreu o processo de dolarização no Equador?
  • Erick Skrabe   24/09/2020 02:22
    Felipe,

    Esse artigo do FEE é bem recente e comenta a situação, apesar de ser mais um ponto de vista do que uma história de como ocorreu: fee.org/articles/celebrating-ecuador-s-dollarization/

    Lembrando q vc tem vários austríacos no FEE, incluindo Jeffrey Tucker.
  • Felip  24/09/2020 14:32
    Obrigado. Esse eu vi. Logo eu termino o meu texto sobre os vinte anos da dolarização do Equador. Se não tivessem imposto dólar, acho que o Equador seria a Venezuela do Oeste.
  • Skeptic  11/09/2020 05:13
    Geanluca Lorenzon apoiando o otimismo desenfreado do Paulo Guedes com a economia brasileira é uma prova que libertários dentro do governo não é uma tática tão eficiente assim. Sou grato pela lei da liberdade econômica, mas vejo uma equipe econômica cheia de desculpas para agradar o ditador em chefe da economia brasileira. Guedes não tornou o Bolsonaro mais liberal, ele que ficou mais bolsonarista, e é horrível ver o mesmo acontecendo com libertários. Sei também que qualquer discordância mínima é motivo pra ir pra rua e ser considerado "traidor e nova esquerda" como no caso do Sergio Moro e tantos outros, mesmo assim, isso não justifica esse otimismo todo.
  • Felipe  11/09/2020 21:09
    O Geanluca apoiou essa redução desenfreada dos juros. Eu o respondi no Twitter e expus artigos daqui mesmo, falando sobre o desastre que seria isso. Não sei se alguém me respondeu.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.