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A Teoria Monetária Moderna já está sendo aplicada - e explica a inflação do ouro e dos "day traders"
No fundo, a crença dessa teoria é que a distorção de preços cruciais gera crescimento

Não seria exagero dizer que a Teoria Monetária Moderna (TMM) ganhou a disputa — pelo menos temporariamente.

Sem muito alarde, e sem que tivesse havido qualquer debate, os governos e bancos centrais ao redor do mundo simplesmente adotaram seus pressupostos.

Parodiando a frase supostamente atribuída ao general romano Júlio César, a TMM surgiu (ou melhor, ressurgiu), dominou e venceu.

O básico da TMM

Um dos pilares básicos da TMM é a tese de que um governo que tem a liberdade de imprimir a própria moeda não sofre de nenhuma restrição fiscal. 

Sempre que quiser incorrer em qualquer gasto (ou em qualquer aumento de gasto), basta o Banco Central imprimir a quantidade de moeda necessária. 

É realmente simples assim. (Mas jamais mencione que o governo brasileiro fez exatamente isso na década de 1980, pois aí você estraga a narrativa).

Se os fatores de produção (mão-de-obra e todos os maquinários industriais) não estiverem 100% ocupados — ou seja, se a economia não estiver a pleno emprego, com o PIB crescendo aceleradamente —, não há por que se preocupar com qualquer pressão nos preços. O Banco Central pode imprimir sem medo.

No entanto, caso a inflação de preços porventura comece a incomodar, basta o governo aumentar impostos. Isso irá "enxugar" todo esse excesso de moeda da economia.

Sim, para os adeptos da TMM, a função da tributação não é "obter receitas" para o governo (ele não precisa de receitas, pois pode simplesmente imprimir moeda). 

A tributação, ao contrário, tem duas funções: a) retirar moeda da economia quando esta se torna excessiva e começa a pressionar os preços; e b) motivar o uso da moeda nacional e obter sua aceitação geral, pois é essa unidade de conta que o estado reconhece como meio de pagar impostos.

Sim, você leu corretamente: uma das funções da tributação é obrigar o público a usar a moeda, pois, segundo a teoria, a aceitação da moeda decorre do fato de que ela pode ser usada para quitar impostos.

A tributação, portanto, tem uma função reguladora: ela reduz o excesso de demanda e modifica o comportamento individual.

Como consequência de tudo isso, todos os gastos do governo podem ser financiados ou pela criação direta de moeda pelo Banco Central ou pelo endividamento do governo. O endividamento seria apenas uma espécie de "alternativa de luxo", a qual não geraria nenhuma consequência negativa, pois o estado pode emitir dívida e, depois, imprimir moeda para quitar esta dívida.

E como os gastos públicos levam à criação de moeda, os próprios gastos criam a poupança necessária para financiar o déficit orçamentário (as pessoas recebem a moeda criada pelo governo e, em seguida, podem utilizar essa moeda para comprar novos títulos do governo). Consequentemente, o governo pode definir a taxa de juros em qualquer nível que desejar, de preferência em zero (André Lara Resende propõe a manutenção da taxa básica de juros sempre abaixo da taxa de crescimento da economia.)

Confira com seus próprios olhos

Em decorrência da pandemia de Covid-19, os governos fecharam suas economias ao redor do mundo. Como consequência desta violenta intervenção estatal, a atividade econômica entrou em colapso. PIBs desabaram, o desemprego disparou, as receitas tributárias caíram e os gastos governamentais voltados para o "combate" da pandemia — o que majoritariamente inclui o repasse de auxílios financeiros a desempregados e autônomos — aumentaram substantivamente

Como houve uma queda nas receitas e um aumento nas despesas, uma parte desse buraco foi coberta por endividamento do governo (a juros reais negativos ao redor do mundo) e outra parte foi coberta via impressão monetária.

Os mecanismos e as leis que permitiram essa impressão monetária já foram detalhados nestes artigos (aqui para o Brasil e aqui para os EUA), de modo que, no presente artigo, estamos interessados apenas nas consequências.

Por uma questão de brevidade, vamos abordar apenas EUA e Brasil. Mas creia-me: os efeitos abaixo são similares para todos os principais países do mundo, da zona do euro ao Japão, passando por Reino Unido, Suíça, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

m1brasil.png

Gráfico 1: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) no Brasil.

Observe a disparada ocorrida a partir de março, um movimento completamente atípico e inaudito. Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento foi de 40%.

O mesmo fenômeno pode ser observado nos EUA.

O gráfico a seguir mostra a evolução do M1 nos EUA.

m1usa.png

Gráfico 2: evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais saldos em conta-corrente) nos EUA.

Nos últimos 12 meses (de junho de 2019 a junho de 2020), o aumento também foi de 40%.

Vale ressaltar que, em um cenário normal, a oferta monetária aumenta quando pessoas e empresas pegam empréstimos bancários. No arranjo monetário e bancário do mundo moderno, a oferta monetária aumenta quando há endividamento de pessoas e empresas. 

Em momentos de normalidade, o Banco Central não injeta moeda diretamente na economia; ele injeta moeda apenas nos bancos (aumentando a base monetária), e os bancos é que decidem se irão despejar esta moeda na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não expandirem o crédito, o dinheiro simplesmente não entra na economia. Não há outra maneira de o dinheiro entrar na economia que não seja pelo sistema bancário.

Agora, porém, os Bancos Centrais deram um jeito de contornar esse arranjo e, em vez de depender de emprestamos concedidos pelo sistema bancário, passaram a jogar moeda diretamente na economia (de novo: ver aqui e aqui).

Essa mudança de comportamento é o que explica a explosão do M1 nos gráficos 1 e 2 após anos de "crescimento normal".

Como consequência dessa acelerada inflação monetária e do fato de os juros reais estarem negativos, o preço do ouro está batendo seguidos recordes — afinal, é para o ouro que sempre correm os investidores experientes quando estes prenunciam uma futura desvalorização da moeda e os juros reais estão baixos. É no ouro que eles protegem seu patrimônio.

O gráfico a seguir mostra a evolução do preço do ouro em dólares:

ourodolar.png

Gráfico 3: evolução do preço do ouro em dólares

Máxima histórica.

E agora, a evolução do preço do ouro em reais:

ouroreais.png

Gráfico 4: evolução do preço do ouro em reais

Também na máxima histórica.

O que podemos comprovar, por ora, é que toda essa criação de moeda perpetrada pelos Bancos Centrais está pressionando o preço do ouro, o que indica que os investidores estão em busca de proteção. 

(Uma boa parte dessa moeda também está indo para os mercados acionários, sendo a Nasdaq a bolha mais explícita de todas. Quem souber a hora certa de sair colherá formidáveis lucros. Mas isso é só para especulador experiente.)

Como ainda não está havendo uma explícita inflação de preços (devido às enormes incertezas econômicas, as pessoas estão preferindo poupar os valores recebidos do governo, em vez de gastar), os governos ainda não estão preocupados em interromper toda essa inflação monetária. E enquanto ela perdurar, haverá gás para o preço do ouro.

Esta prática de injetar moeda diretamente na economia para bancar os gastos do governo (dando um drible no sistema bancário) foi retirada diretamente do manual da Teoria Monetária Moderna. Assim, pode-se dizer que metade de TMM já foi implantada (criação de moeda para financiar gastos do governo, o que gera juros reais zero). A outra metade — aumentar impostos para enxugar o excesso de moeda da economia — ainda não precisou ser implantada porque, em tese, a inflação de preços ainda não incomoda.

A conferir o futuro.

Falsificando preços para reativar a economia — e a inflação do day traders

Além de todos os outros problemas, essa política de criação livre de moeda é nefasta porque ela destrói aquele que é o mais importante recurso de uma sociedade livre: preços corretos gerados pela oferta e pela demanda.

Estes preços são a baliza que os empreendedores utilizam para decidir quanto pagar por bens de capital, fatores de produção (como mão-de-obra) e serviços, na expectativa de obter uma maior renda no futuro com a venda do serviço e do bem de consumo final. 

Mas o sistema de preços está sendo destruído pelas políticas de déficits e criação de moeda. A ausência de poupança foi mascarada pela criação de moeda. A forte queda observada nas taxas de juros de longo prazo precifica isso: a moeda criada pelo Banco Central está fazendo parecer que há uma abundância de poupança disponível para bancar novos projetos.

Logo, aqueles que preveem uma recuperação rápida em decorrência dessa manipulação monetária estão realmente dizendo o seguinte: "Informações erradas são essenciais para a recuperação econômica. Sem a completa distorção do sistema de preços por meio de aumento de gastos, déficits orçamentários e criação de moeda, estaríamos em depressão." 

Em outras palavras, as atuais condições de oferta e demanda gerariam uma depressão; e a única maneira de a depressão ser evitada, e a plena prosperidade ser recuperada em um ano, é essa: sinais de preço falsificados pela intervenção governamental. 

Ou seja, falando no popular, fake news é a base necessária para uma recuperação econômica real.

É óbvio que não tem como dar certo. Tais políticas, repetindo, apenas fazem com que os preços (principalmente o mais crucial deles, que são os juros) na economia não mais reflitam as condições de oferta e demanda. Isso significa que os empreendedores passam a receber informações erradas. E eles tomarão suas decisões baseando-se nessas informações erradas. Isso irá gerar perdas. Empreendedores que acreditam em informações erradas e que investem segundo estas informações erradas terão perdas no futuro.

Se não sabemos quanto algo custa em termos das atuais condições de oferta e demanda, não sabemos qual é o seu real valor na economia.

Consequentemente, não é possível estimar qual será o seu valor daqui a um ano. Criação de moeda pelo Banco Central e um maciço aumento de gastos governamentais não geram alocação racional de capital. Ao contrário: geram alocação irracional de capital.

E é isso o que explica essa verdadeira inflação de day traders — normalmente amadores que nunca operaram ações, mas que, vendo os contínuos aumentos da bolsa de valores, acreditam ser fácil enriquecer comprando e vendendo ações no mesmo dia. 

Recentemente, uma famosa influencer de Instagram — que ganhou fama dando dicas de alimentação e atividades físicas — anunciou que agora iria se dedicar a ganhar dinheiro fazendo day trade na bolsa, pois era ganho garantido. Após alguns ganhos, ela disse ter constatado que "nasceu para isso".

Assim como ela, várias outras pessoas físicas estão fazendo o mesmo. (Eu mesmo conheço um cirurgião que deixou a medicina para virar day trader. Segundo ele: "Estudei dois anos. Já consigo fazer".)

Nos EUA, esse fenômeno é muito mais intenso. A injeção monetária está sendo tão intensa, que todas as ações estão subindo e, com isso, vários investidores pessoas físicas que recém-entraram na bolsa estão tendo retornos maiores que muitos fundos de investimento famosos.

Um destes, que se tornou famoso, chegou a dizer que day trade é o jogo mais fácil que já jogou na vida, e que Warren Buffet é um idiota.

E já há casos de suicídio em decorrência das perdas vivenciadas.

Todo esse fenômeno é apenas um exemplo de toda a distorção de preços e de incentivos gerada pela impressão de moeda.

No final, é disso que se tratam os pacotes de socorro, principalmente a impressão de moeda feita pelo Banco Central: a crença de que preços falsificados, bolhas e alocação irracional geram retomada econômica.

Para concluir

Se você é especulador profissional e experiente, esse é um ótimo momento para você aumentar seu patrimônio. Sabendo a hora certa de entrar e de sair, você pode se aposentar. A Teoria Monetária Moderna foi feita para você.

Já se você é apenas um amador (popularmente conhecido como "sardinha"), resista ao impulso, contenha-se e concentre-se apenas em proteger o seu patrimônio — o que já é um grande desafio neste cenário dominado pela TMM, a qual é contra indivíduos frugais e poupadores.

O que é realmente certo é que tal arranjo não é propício para a racionalidade econômica. E muito menos para um progresso econômico saudável.

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autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Lucas  29/07/2020 19:05
    E hoje o Banco Central anunciou que vai começar a imprimir a nota de R$ 200.
    Exemplo mais explícito de inflação não há.
  • Fernando  29/07/2020 19:14
    Esse é o sinal da inflação acumulada nas últimas décadas.

    O real perdeu mais de 80% de seu poder de compra desde 1994.

    Nossa maior nota (R$100) vale menos de US$20.

    US$ 100 seriam uma "nota de R$500".

    "Guardião da moeda", dizem eles.
  • Thyslei  29/07/2020 19:40
    Com selic baixando ainda mais, tem como haver inflação ano que vem?
  • Carlos Alberto  29/07/2020 19:51
    Já está havendo inflação de preços. Ano que vem será apenas (bem) maior.
  • Trader  29/07/2020 19:14
    Got gold?
  • anônimo  29/07/2020 19:48
    O mesmo fenômeno que fez sumir as cédulas de um real está fazendo surgir a cédula de 200 reais.
  • Felipe L.  29/07/2020 20:12
    Ciro Guedes é um animador de circo e os palhaços são as pessoas que ainda acreditam nesse senhor para supostamente salvar o Brasil do buraco.
  • Daniel Cláudio  29/07/2020 20:33
    Eu também pensava assim. Mas depois que vi uma live do Meirelles dizendo "e daí?" para o dólar a R$ 5,75 (na época) e dizendo que era para o BC imprimir dinheiro a rodo, constatei que tudo poderia ser ainda pior.

    Aí eu aprendi a aceitar o que aí está.
  • Meirelles  29/07/2020 20:39
    Vou repetir o que vivo dizendo em outros comentários aqui: não faz sentido austríacos reclamando do preço de uma moeda fiduciária (dólar) em termos de outra moeda fiduciária (real). Austríaco raiz tem de estar todo em ouro ou Bitcoin. Hoje, isso nunca foi tão fácil. Fundo Órama Ouro, XP Ouro Dólar, BTG Ouro USD, ou a própria compra de OZ1D, OZ2D e OZ3D na B3. Ou então comprar ouro físico em um DTVM, como a Parmetal.

    Eu mesmo utilizo Órama Ouro como reserva de emergência (tinha CDI até meados de 2019, mas aí tirei tudo quando vi que o atual Banco Central é keynesiano roxo). Na prática, vivo num padrão-ouro. Minha moeda é genuinamente forte. Quando tem conta pra pagar, resgato do fundo (converto ouro para reais) e pago.
    Ademais, o arranjo atual é excelente para quem tem ouro. Sua moeda se aprecia diariamente, mas a inflação de preços em reais (ainda) está relativamente controlada. É como se você vivesse em um CDI que paga mais de 3% ao mês, e com inflação quase nula.

    No mundo pós-Covid, quem poupa em reais vai se estrepar, mas quem manda confiar em moeda estatal? O mundo não recompensa quem fica parado e não se informa.
  • Santiago Staviski  30/07/2020 10:53
    Tava pensando em deixar a reserva de emergencia em ouro também, OZ1D
  • Trader  30/07/2020 13:54
    Só faça isso se você for comprando aos poucos, mês a mês. Se você colocar tudo de uma vez, pode ter de enfrentar uma desvalorização (sempre acontece).

    Para reserva de emergência, sugiro abrir conta no Banco Sofisa. O CDB de liquidez diária deles paga 110% do CDI. É o melhor que há.
  • 4lex5andro  30/07/2020 14:09
    Sério. É possível fazer retiradas de um fundo de investimento, como se fosse um saque, converter em R$ e creditar em conta corrente?

    Não é ironia, é pergunta mesmo.
  • Alessandro  30/07/2020 14:21
    Ué, mas é claro que sim. TODOS os fundos de investimento são assim. Você deposita e resgata quando quer. Só varia o tempo de liquidação: tem fundo que você resgata hoje e o dinheiro cai na conta hoje mesmo; tem outros que você regata hoje e o dinheiro só cai na conta em 30 dias).

    Fundos de ouro, normalmente, têm liquidação em três dias úteis.

    P.S.: não entendi o que você quis dizer com "converter para reais". Estamos no Brasil. Só trabalhamos com reais. Você vai depositar reais no fundo e, quando resgatar, ele vai te devolver reais. Não tem como ele te devolver dólares ou gramas de ouro. Se você investir em um fundo de ouro, você ganhará a valorização do ouro em reais. Ao resgatar, você receberá reais corrigidos por essa valorização.
  • 4lex5andro  30/07/2020 15:23
    Pois é.
    Valeu por explicar, noções de economia doméstica, de empreendedorismo e investimentos, realmente deveriam ser ensinados desde o ensino médio.
  • reinaldo  30/07/2020 14:16
    A Mercado Bitcoin está oferecendo tokens lastreados em ouro, a PAX Gold.
    Será um bom negócio?
  • Auzom  30/07/2020 14:33
    Exatamente o que faço a anos. Austríaco não praticante é o pior, por isso que muito liberal em crise vira keynesiano, não fez proteção quando teve chance e depois pede pro estado ajudar ele.
  • Juliano  29/07/2020 19:20
    Nos EUA, o Fed comprou ações até da Hertz, depois que ela pediu concordata!

    Isso é MMT com esteroides.

    www.zerohedge.com/markets/fed-now-proud-owner-bankrupt-hertz-bonds
  • Carlos Alberto  29/07/2020 19:32
    Artigo excelente. Eu só discordo da afirmação de que a inflação de preços ainda não incomoda. Sim, gasolina caiu (porque o barril de petróleo desabou) e isso trouxe um grande impacto desinflacionário no IPCA, mas a inflação de alimentos está a todo vapor.

    ibb.co/gWQsVrY

    E o índice de preços no atacado já começou a ir embora:

    ibb.co/gDCSyM1

    O preço do Boi Gordo na B3 já superou as máximas de novembro do ano passado, e o preço dos suínos nas granjas também está na máxima histórica.

    Por enquanto, os "malvados" supermercados estão segurando os repasses. Resta saber até quando.
  • Imperion  29/07/2020 21:55
    A inflação ja tá coçando as portinhas. É só as commodities subirem, que ela volta em grande estilo, pois todas as outras características inflacionárias estão presentes.
  • 4lex5andro  30/07/2020 17:28
    No mercado internacional.

    Mas exatamente pela crise nos países do Norte ainda não ter passado, a demanda segue arrefecida, porém não por muito tempo.

    O certo era o Brasil buscar valorizar o real, e parcimônia no gasto público sinalizaria isso pra o mercado.

    Mas vem ocorrendo o inverso, e não é nem pelo aporte bilionário (inevitável) do auxílio emergencial.

    Primeiro, tem havido rumores de que esse auxílio se estenderia até o fim do ano, além de setembro, contrariando algo que já estaria definido.

    Depois, cabe relembrar que o STF rasgou a LRF mês passado invocando o princípio da irredutibilidade dos vencimentos para o governo não repassar a menos duodécimo aos outros poderes (mp, legislativo e ele próprio, judiciário).

    E também pelo aumento dos percentuais que cabem a União dentro do Fundeb, que agora virou lei (ser regulamentado como lei nem era o quest, mas a instransigência do congresso em aumentar o gasto da União foi na contramão do momento).

    Com os jornais aplaudindo por que se estava ''investindo em educação'', embora a maior parte (>70%) termine como salário de funcionários da educação (nem todos professores).

    Por fim, pautas de privatização estão paradas esperando governo e legislativo se acordarem em relação as suas propostas de reforma fiscal, que não deve sair pra votação antes de fev/2021.

    Enfim, esse é o quadro, e diante disso, cabe analisar o que se pode fazer para proteger seus investimentos, em não se podendo sair do Brasil.
  • Trader  30/07/2020 13:40
    Saiu o IGP-M de julho. Impressionantes 2,23%. No ano já acumula alta de 6,71%. E no acumulado de 12 meses já são 9,3%.

    E tudo isso com depressão.

    Nos países desenvolvidos, a depressão está gerando deflação, como era de se esperar, pois estes países possuem moedas demandadas mundialmente. Aqui no Brasil estão achando que somos igualmente importantes. Acham que podem imprimir moeda à vontade e ainda assim passar incólumes. Vai vendo…
  • Imperion  30/07/2020 16:39
    Impressionante, quase 10 por cento ao ano e eles falam que não tá tendo inflação ou que vão seguir as metas de inflação.
    A meta já era.

    O certo era voltar a subir os juros.
  • Bernardo  30/07/2020 16:42
    Quem está absorvendo toda essa alta de custos e segurando os repasses são os "malvados" empresários do varejo. Verdadeiros heróis.

    Se a economia der uma respirada, se a demanda der uma aumentada (ou seja, se as pessoas começarem a gastar todo esse dinheiro recém-criado e que está entesourado), eles vão começar a a repassar. E aí vai ser engraçado…
  • Felipe L.  29/07/2020 20:13
    A civilização brasileira poderá respirar melhor quando pudermos trocar todos os funcionários do Ministério da Economia por macacos.
  • André de Lima  07/08/2020 05:06
    kkkkkkkkk, caramba, gargalhei aqui mano! kkkkkkkk
  • Humberto  29/07/2020 20:21
    Alguém aqui conhece pessoas que regularmente ganham dinheiro fazendo daytrading?
  • Trader  29/07/2020 20:27
    Eu conheço gente que diz que ganha, mas nunca mostra os DARFs
  • Pedro  29/07/2020 21:21
    Eu já fiz backtests de alguns setups de daytrade e de fato alguns são rentáveis. Porém o problema é que você precisa fazer umas 40-50 operações para tirar uns 2-3% no final do mês. Muito trampo para um retorno pequeno. Sem falar o que é corroído em taxas. Sua corretora e a B3 agradecem.

    E agora com o risco de uma nova CPMF logo ali, coitados dos PFs na bolsa brasileira.
  • Felipe L.  30/07/2020 15:57
    Acho que vender bichos da laranja para pescadores dá mais lucro que isso.
  • Alexandre  30/07/2020 00:16
    Excelente artigo. Porém, discordo que a atual explosão de PFs no day trade seja consequência unicamente dos juros baixos e da criação de moeda, embora eles tenham sim peso importante nisso, pois afugentam os investidores da renda fixa, onde a maioria dos produtos não remunera mais sequer a inflação. Mas no caso do day trade, o buraco é bem mais embaixo. Primeiro, é preciso entender que o day trader não precisa que a bolsa suba para ganhar dinheiro. Como ele pode vender a descoberto, ganha tanto na alta quanto na queda, dependendo apenas de entrar e sair no tempo certo e na operação certa. O que remunera de verdade o day trader não é a valorização da bolsa, e sim a volatilidade do ativo negociado. Day trader ganha na oscilação de preços, independente para onde vão, cada pernada longa para cima ou para baixo e ele leva um bom naco para o bolso dependendo do ativo (índice e dólar são os maiores exemplos disso, e é nos minicontratos futuros deles que a coisa tá pegando fogo hoje). Enquanto o preço oscilar violentamente, day trader que é competente vai fazer muita grana. O que quebra esse sujeito é se o mercado se estabilizar e entrar numa consolidação. Nesse tipo de dia, ou ele fica no zero a zero ou perde muito.

    Dada essa explicação, agora vamos aos fatores que estão levando uma enxurrada de PFs para o day trade. Primeiro, é preciso considerar que, devido a pandemia, muita gente ficou desempregada. E essa pandemia foi bem "democrática", atingiu tanto o pobrerio sem escolaridade quanto profissionais bem pagos de nível superior. Os autônomos (eu me incluo), foram destroçados pelo lockdown imposto por governadores, prefeitos e magistrados irresponsáveis. Aí você pega o sujeito que tem um bom nível de escolaridade (nível superior), desempregado ou sem demanda, com família para sustentar, contas para pagar, etc. , nenhum prognóstico de retorno do fluxo de caixa, via emprego ou trabalho autônomo, a curto e médio prazo e tendo uma gordurinha para tentar um ato de emergência e sair dessa sinuca de bico. E do outro lado, corretoras ávidas exigindo margens cada vez menores (hoje com menos de 20 reais dá pra operar minicontrato) e até "corretagem zero" (sem explicar que vai meter uma naba na sardinhada se forem estopados na zeragem compulsória, que ocorre se o cara quebrar a banca), em um tipo de negócio onde se ganha dinheiro em cima da "burrice" alheia. O cara está desesperado para ver dinheiro logo, pagar as contas e comprar comida para os filhos, e no desespero sequer estuda alguma coisa sobre o assunto, faz backtests em contas demonstrativas, etc. E aí está uma razão porque 90% quebra a cara nessa história. E é aí que a corretora que promete "corretagem zero" enche as burras.

    Por outro lado, quem antes dormia posicionado foi empurrado para o intraday devido a outro fator importantíssimo: noticiário extremamente ruidoso.

    Noticiário ruidoso é um pesadelo para quem faz swing, position e buy and hold. Imagina você comprar uma ação de uma empresa tal, fechar o pregão, e sair aquela decisão de um ministrinho do STF, segunda onda de covid-19, uma MP que o Congresso deixou caducar, onda de antifas ameaçando eleição de fulano não sei aonde, alguma caca na China, etc. e abrir o pregão no dia seguinte com aquele gap astronômico furando teu stop feito bala de fuzil e o ativo caindo feito jaca podre. A não ser que o cara seja insider (o que é crime), é difícil se encorajar a operar nesses prazos na situação atual.

    Por outro lado, esse tipo de noticiário maluco que todos os dias parece um show de horrores é a alegria do intraday. Como o sujeito ganha na oscilação, quanto mais ruído, mais volatilidade, e quanto mais volatilidade, mais oportunidades de grana "mole" para quem sabe como operar nesse tipo de negócio.

    Por fim, temos o que este artigo se refere, a destruição da moeda, e nada melhor que um trecho deste outro artigo deste mesmo site, www.mises.org.br/article/2175/tres-consequencias-da-desvalorizacao-da-moeda--que-muitos-economistas-se-recusam-a-aceitar, que explica direitinho porque é que muitos médicos, engenheiros, etc. estão migrando para o mercado financeiro e metendo o pé de suas atividades:

    "O máximo a que um país de moeda fraca pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem. Adicionalmente, os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge. "

    Tem algo que é mais o espírito do hedge que o mercado futuro? Misture no caldeirão da bruxa moeda fraca, desemprego e ociosidade elevados em profissões de ensino superior, nenhuma expectativa de retomada da demanda real a curto prazo, juros baixos, noticiário extremamente ruidoso e corretoras se estapeando para pegar esse butim e o resultado é essa explosão de day traders que estamos vivenciando.
  • Trader  30/07/2020 01:07
    Entendi o seu ponto, mas aí acho que você exagerou bonito. Day trader amador não faz short e muito menos sabe mexer com opções. O sujeito tá ali só pra comprar e vender.

    Ademais, é inegável que uma inflação monetária leva a uma inflação dos preços das ações. E essa inflação das ações torna toda a bolsa mais reluzente e irresistível para quem está de fora ganhando 2% bruto na renda fixa. É o famoso FOMO (Fear of Missing Out), o medo de ficar de fora e perder a bolada.

    Ademais, você realmente acha que, se não fosse essa inflação monetária, o Ibovespa iria de 60 mil para 105 mil pontos em três meses, em um cenário de total devastação econômica? Vale lembrar que 105 pontos mil era o valor do Ibovespa em outubro do ano passado, quando as perspectivas econômicas eram incomparavelmente melhores. Vai dizer que as perspectivas econômicas hoje são as mesmas de outubro do ano passado?
  • Alexandre  30/07/2020 06:20
    A inflação pode até explicar a alta da bolsa. Mas não explica por si só a migração massiva para o intraday. Até porque, se a expectativa fosse apenas da bolsa subir, prazos maiores também deveriam receber uma enxurrada de investidores, talvez até mais que o intraday, pois a possibilidade de ganho é maior nos prazos maiores se a tendência de alta se mantiver como está.

    O que explica de verdade essa febre do intraday, na minha opinião, é esse zaralho que virou o noticiário desde que a pandemia começou. É guerra do Executivo contra o Judiciário e Legislativo. É OMS falando besteira todo dia. É "especialista" dizendo que vai morrer x milhões de pessoas se "nada for feito". É troca de farpas entre China e EUA. É segunda onda. É antifas. É juizeco de comarca do interior decretando lockdown em estados inteiros mesmo depois do governador decidir que a palhaçada foi longe demais e que é hora de retomar. Como o sujeito vai dormir posicionado se não tem nenhuma ideia de qual será a nova loucura que estampará os jornais no dia seguinte?

    Sem fundamentos de longo prazo, não dá para investir no longo prazo. É uma loucura se posicionar para algo além de um dia ante a instabilidade jurídica e política que tomou conta do noticiário. Já no intraday, esse mesmo noticiário é lucro garantido, dado o efeito que tem na volatilidade.

    Os investimentos de prazos maiores só se tornarão atraentes quando a estabilidade voltar. Até lá, o sujeito tem que tirar mesmo uma casquinha nessa bagunça toda.
  • Osvaldo  31/07/2020 15:55
    Irretocável seu comentário. Concordo plenamente com sua análise a respeito dos Day Traders.
  • Bruno Souza  29/07/2020 20:42
    Existe alguma sustentação nessa alta da bolsa?
  • Trader  29/07/2020 21:01
    Sim, a impressão monetária. Enquanto ela durar e enquanto esse dinheiro for para bolsa, as altas serão mantidas.

    Agora, fundamento econômico não há nenhum. É só você olhar a economia à sua volta. Tirando o setor de alimentação e o setor voltado para o e-commerce, tá tudo quebrado e fechado.

    Se tá tudo quebrado e fechado, não há produção. Sem produção, não há renda. Sem renda, não há como a economia ser forte. Logo, não há fundamento para bolsa em contínua alta.

    A única coisa que sustenta a bolsa é a impressão monetária. Já estamos em uma economia fake. Mas tal fenômeno é mundial.
  • Edgard  02/08/2020 16:56
    Ótimo comentário . 2+2 continua sendo 4 , mas os BCs acham que da 20.
  • Pedro  29/07/2020 21:10
    Não é a bolsa que tá subindo, é a moeda que tá derretendo. E existe sustentação no derretimento da moeda: a impressão desenfreada de dinheiro.
  • anônimo  29/07/2020 21:00
    Recomendam apostar em ações ou se garantir no ouro?
  • anônimo  29/07/2020 21:08
    Ações só se você souber exatamente o que está fazendo, no que está investindo, quando entrar e quando sair.

    Fora isso, fique no ouro, mas atenção: ouro NÃO é para especulação. Ouro é para longo prazo. Ouro você compra hoje e mantém para o resto da sua vida; para sua aposentadoria. Ouro você compra hoje com a certeza de que daqui a 20, 30, 50 anos ele valerá muito mais que a moeda corrente.

    Ouro não é para especular. Se a sua intenção é comprar hoje para vender mês que vem ou mesmo daqui a dois anos, faça um favor a si próprio e fique longe. Até porque, se o objetivo é ter um ganho nominal no curto prazo, então é melhor ficar no CDI.

    Ouro é pra quem realmente quer enriquecer e ter uma aposentadoria tranquila daqui a 20, 40, 60 anos, e ficar imune a eventuais insolvências, quebradeiras e até mesmo calotes do governo (improvável, mas possível). Não é pra especulação de curto prazo e muito menos para day trade.
  • Nordeatino arretado  01/08/2020 22:59
    Como faz para comprar ouro? Dá para comprar fracionado, tipo 300 reais por mês, ou só compra a onça?
  • Felipe L.  02/08/2020 01:25
    Pelo Órama, dá para comprar em qualquer quantia (os títulos). Eu comprei R$ 20 para testar. Aporte menor do que hoje para comprar BTC em corretora.
  • Imperion  29/07/2020 22:29
    Ações é pra quando o governo não intervém, não aumenta impostos, não descontrola a inflação, não burocratiza, não fica fazendo redistribuição de renda, não perde o controle da dívida.

    Quando o governo faz essas coisas, fuja para o ouro.
  • Felipe L.  29/07/2020 21:14
    Eis alguns dados e gráficos interessantes:

    - Inflação dos alimentos nos EUA disparou: 4,5% para um americano já é pornografia.

    - No Brasil não foi diferente, mas foi pior: a inflação começou no segundo semestre passado, graças às besteiras cambiais faladas pelo sr. Guedes, assim como a desastrada política de buscar juros baixos na marra. Gráfico dos últimos 25 anos.

    - Bulgária, com Currency Board: a inflação de preços havia disparado meses antes, mas arrefeceu nos últimos meses. Sabem o que descobri também? Na Bulgária eles não impuseram lockdown na economia.

    Em suma, sorte a dos equatorianos, mais espertos que nós e que usam dólares. Aqui, em nome do nacionalismo, da vaidade e do poder maior de financiar obras estatais pornográficas, ainda tem quem confie no BCB. Vejam como o M1 se comportou de maneira mais civilizada no Equador.

    Eis o índice de commodities em real.

    Vale lembrar que, há quase 10 anos (em 23/07/2010):

    - Um dólar americano custava R$ 1,76;
    - Uma onça de ouro custava R$ 2,08 mil;
    - Um euro custava R$ 2,23;
    - Um bitcoin custava por volta de R$ 0,21; [1]
    - Um peso argentino custava R$ 0,44 (sim, o peso argentino era mais forte que o bitcoin); [2]
    - Um bolívar fuerte custava R$ 0,01; [3]

    [1] www.bitcointoyou.com/criptomoedas/mercado-bitcoin/valor-do-bitcoin-em-2009/
    [2] Sim, cotação baseada no dólar paralelo
    [3] vef.currencyrate.today/usd/2010
  • Arthur  30/07/2020 01:15
    Muito bons os seus links. Obrigado pelo trabalho.
  • Felipe L.  31/07/2020 19:31
    Eu é que agradeço.
  • Felipe L.  29/07/2020 21:34
    Interessante que nem na China existe notas de 200 Renminbis, apesar da moeda chinesa ter valor nominal maior. Esse é o M1 de lá.
  • anônimo  29/07/2020 22:19
    Pergunta, com esse M1 subindo alucinadamente, devemos esperar aumento de preços logo?
    O que segurava o IPCA no Brasil, um pouco, era as commodities, mas como o dolar também está sendo criado a velocidades altas e o ouro esta subindo, devemos esperar aumento de preços dos insumos, junto do cambio alto. Acho que nosso IPCA vai subir futuramente além do que gostariam
  • Carlos Alberto  29/07/2020 22:34
    Sim, o segredo está nas commodities. Por enquanto, elas ainda estão em níveis razoáveis. Subiram bastante desde abril, mas ainda estão deprimidas. Se começarem a subir mais (como, aliás, já está acontecendo), um abraço.

    Mas vale ressaltar que as commodities agrícolas já estão em disparada:

    ibb.co/gWQsVrY

    E os preços no atacado já estão indo embora:

    ibb.co/gDCSyM1
  • Gabriel  29/07/2020 23:09
    Sem sacanagem nenhuma, alguém consegue explicar qual é a estratégia do Guedes? No caso o por que de ele estar tomando as medidas que vem tomando (Ex: A baixa na SELIC).

    Ele só está fazendo besteira ou tem algum objetivo por trás? Por exemplo, baixar a SELIC para pagar menos juros da dívida e desvalorizar o câmbio para as reservas de dolar valerem mais.
  • Trader  29/07/2020 23:40
    Essas duas coisas. Já está bastante claro que o BC não mais está preocupado nem com inflação e nem muito menos com câmbio. Ele deixou de fazer política monetária (já não fazia cambial há muito tempo) e agora se concentra exclusivamente em fazer política fiscal.

    Sim, o BC hoje faz política fiscal. Ele estipula juros visando exclusivamente a reduzir o custo do serviço da dívida. Ele virou auxiliar do Tesouro.

    Como bem dito neste artigo, o BC sofreu captura regulatória e perdeu sua autonomia. Hoje quem manda no BC é a Fazenda (seria o equivalente a Meirelles aceitando ordens de Guido Mantega).

    Por isso, a preocupação atual do BC é exclusivamente com política fiscal.
  • Felipe L.  30/07/2020 00:24
    Acho isso estranho pois, meses atrás, o próprio Leandro disse que o BCB estaria mirando nas commodities. O BCB sempre aceitou ordem do Ministério da Fazenda, agora é que ficou uma promiscuidade maior. Normalmente aqui o BCB não tem tanta importância quanto em países como os EUA. Depois de o Meirelles ter saído, em 2011, a maluquice veio com ainda mais intensidade.

    O interessante é que até o Banco Central do México tem mais autonomia que o daqui.
  • Leandro  30/07/2020 01:30
    Em seus relatórios trimestrais de inflação, o BC sempre deixa claro que está de olho nos preços das commodities. Enquanto estas não estiverem incomodando, ele seguirá reduzindo os juros.

    Por enquanto, este é o caso.

    Eu concordo com o Trader: no momento, como as commodities ainda estão relativamente paradas, o BC está se ocupando apenas de fazer política fiscal (não é segredo nenhum que quem manda no BC é o Guedes, e ele sempre deixou clara sua crença no poder milagroso dos juros baixos).

    E agora, para piorar ainda mais, veio o Alexandre Schwartsman e escreveu um artigo reclamando que o atual BC está -- atenção -- excessivamente rigoroso, austero e inflexível (é sério).

    E ainda disse que os juros reais estão altíssimos (detalhe: estão negativos) e que a inflação está intoleravelmente baixa (perfeito exemplo da elite financeira descolada da realidade; duvido que sequer vá a um supermercado).

    www.infomoney.com.br/colunistas/alexandre-schwartsman/sem-surpresa/

    Ou seja, dado que o IPCA ainda está abaixo de 4%, Schwartsman quer que a Selic siga caindo. Sem piso. Segundo ele, o BC só deve interromper as quedas quando o IPCA voltar para 4%.

    Observe o lunatismo: economia em depressão, pessoas sem emprego e renda, e o cidadão dizendo que o preços devem subir ainda mais, pois isso será bom para a economia. Chicaguistas, neo-keynesianos e pós-keynesianos nunca decepcionam.
  • Gabriel M  30/07/2020 01:56
    Aproveitando que o Leandro falou do Schwartsman (em tom de crítica), eu ficaria grato de ter uma opinião dele sobre um outro artigo do careca, no qual ele fala que a desvalorização cambial melhora os balanços das empresas brasileiras e que, portanto, é algo bom (por incentivar a atividade econômica).

    www.infomoney.com.br/colunistas/alexandre-schwartsman/a-selic-no-pais-das-maravilhas/
  • Leandro  30/07/2020 02:28
    O raciocínio dele mostra perfeitamente o tenebroso erro de se agregar dados, em vez de se fazer uma análise causal-realista, partindo do individualismo metodológico.

    O cenário descrito vale para grandes empresas multinacionais. A pequena empresa está excluída. E é exatamente a pequena empresa quem mais sofre com desvalorizações cambiais. É o pequeno empresário (que vende aqui para dentro) que depende de vários insumos importados para continuar funcionando. É ele que depende de peças de reposição, de novos computadores, de novos maquinários. É o próprio varejo que depende de produtos importados para fazer suas vendas.

    Como já discutido repetidamente aqui, o problema da volatilidade cambial nem é a inflação de preços ao consumidor. O problema é a inflação de custos ao produtor.

    Quando há desvalorização cambial, o custo de produção das empresas sobe (insumos mais caros por causa do câmbio). No entanto, não há como repassar esse aumento de custo para os preços, pois os consumidores não irão aceitar pagar mais só porque o dólar subiu (a renda nominal deles não se alterou). E não como haver explosão inflacionária se a população está sem renda.

    Ou seja, os custos de produção sobem (vide o IPA), mas não há repasse para o consumidor (que não tem renda). Logo, a única solução é a empresa absorver os custos. Converse com qualquer pequeno empresário que depende de importações para tocar seu negócios e pergunte a ele se desvalorização cambial é positiva (na minha própria família há três lojistas; eles me relatam que os preços de seus materiais sobem, mas não há como repassarem para os consumidores).

    Com isso, receitas paradas e custos maiores, as margens de lucro ficam menores. Consequentemente, há menos investimentos, menos contratações e nenhum aumento de salários. Economia fica parada e renda segue estagnada. E aí, obviamente, só surge emprego mal remunerado e informal.

    Isso ocorre por toda economia dominada por micro, pequenas e médias empresas. E estas são as mais afetadas.

    Olhar apenas para o balancete de multinacionais (que têm fortes receitas de exportação), dizer que elas vão bem neste cenário, e então concluir que, consequentemente, toda a economia também vai bem é apenas mais uma comprovação do descolamento da realidade e do elitismo de determinados financistas. Nunca empreenderam na economia real, mas juram que suas planilhas explicam o mundo.
  • Felipe L.  30/07/2020 16:46
    Leandro, só um detalhe que a desvalorização cambial afetou até as grandes indústrias no Brasil, como a Chevrolet.
  • Vladimir  30/07/2020 16:57
    Pois é. Qualquer pessoa com noções básicas de economia e administração consegue entender isso. Se você depende de insumos importados, e o dólar sobe, você se estrepa. É realmente simples e direto assim. Não importa o tamanho da sua empresa. Seu custo de produção aumentou. Não tem perhaps.

    Aparentemente, é preciso ser um financista com Ph.D. para não conseguir entender isso.
  • Matheus S  01/08/2020 17:26
    Simplificando, para as grandes empresas, as receitas são contabilizadas em dólar, mas os passivos em reais. O lucro(em reais) após impostos e despesas aumenta em decorrência da desvalorização do real, pois as vendas são em dólar.

    Para as pequenas empresas, os passivos em reais e também suas receitas em moeda nacional. O encarecimento do dólar gera consequentemente um encarecimento nos passivos.

    O problema é que não há como repassar esse aumento dos preços ao consumidor em se tratando de pequenas empresas, pois os lucros já são bem pequenos, a grande maioria se estiver nesse cenário, irão fechar.
  • ASH  30/07/2020 23:43
    As commoditties são cotadas em dólar. Com a desvalorização do dólar, não corre o risco das commoditties dispararem?

  • Trader  31/07/2020 00:35
    Sim, mas a queda do dólar teria de ser fragorosa e, ao mesmo tempo, a demanda mundial teria de explodir.
  • anônimo  29/07/2020 23:42
    Eu realmente não acho que haja sacanagem, ele está, isso sim, seguindo o feijão com arroz mainstream.
    A meta de inflação é 3,5%, a pandemia com as quarentenas levaram a uma crise que reduziu as expectativas de aumento do IPCA, ato continuo, o BC fez o que sabe fazer de melhor, olhar apenas o IPCA e dedar juros pra baixo na tentativa de aumenta-lo.
    E é bem provável que ele ainda não alcance a meta nesse ano. Se o cambio foi a 5 R$, é preocupante, mas na pior das hipóteses contribui pra alcançar a meta soviética de 3,5%.. Até ai, não há o que acusar ele ou o presidente do BC, o homem está fazendo o que foi ensinado a fazer em chicago
  • Imperion  30/07/2020 01:00
    O ponto inicial do Guedes é o déficit publico. 11 por cento do PIB é pra destruir o país em poucos anos.

    Passou o primeiro ano, e mesmo com a sabotagem esquerdista, o déficit caiu pra 7 por cento. Péssimo ainda, mas dava pra respirar. O estado encolheu um tico, e a participação privada subiu proporcionalmente a essa queda. Até o fim do governo Bolsonaro já dava pra ter esse déficit nas mínimas. Mesmo com a sabotagem.

    Com a moeda ele tá sendo chicaguista. É o que eles pregam mesmo. Desvaloriza a moeda mesmo. Mas a prioridade é o déficit. Reformas e enxugamento do estado. Porque a situação fiscal continua péssima. Se abandonar isso, o governo Bolsonaro acaba.
  • Felipe L.  29/07/2020 23:28
    Acalmem-se pessoas, ainda falta o Banco Central lançar as notas de 500 e 1000 reais, e então a nossa moeda ficará igual ao peso argentino.
  • Lucas R.  30/07/2020 09:48
    Felipe L.,

    Pois é, parte da sua "profecia" feita em comentário publicado no dia 07/06/2020 já se realizou:

    "Daqui a pouco vai virar padrão de peso argentino, com notas de 200, 500 e 1000 reais."
  • Felipe L.  31/07/2020 19:31
    É... parcialmente, mas obrigado por lembrar.
  • r.raphael  30/07/2020 00:19
    o zimbabwe teve a proeza de chegar a notas de 100 trilhoes de dolares no passado

    en.wikipedia.org/wiki/Zimbabwean_dollar
  • Felipe L.  30/07/2020 02:22
    Pessoal, alguém sabe aquele ditado que fala algo que se tem gente trabalhadora falando de ações na Bolsa, é sinal de problema? Se não me engano, esse ditado está relacionado à crise de 1929.
  • Historiador  30/07/2020 02:36
  • Felipe L.  30/07/2020 03:36
    Obrigado. Você realmente é um historiador.

    PS: Quem será que está por trás de cada apelido aqui no Mises Brasil?
  • Leandro Rock'n'Roll  30/07/2020 15:12
    Você sabe quem eu sou.
  • Thiago  30/07/2020 11:24
    Acho que isso não se aplica ao momento... Hoje em dia tem o home broker que faz com que qualquer um consiga facilmente investir em ações. Temos um QE incontrolável (em 1929 ainda tinha algum resquício de padrão ouro nos EUA).

    Momentos são outros e as crises daquela época não dá pra ser comparado com as crises atuais, apesar da origem ser a mesma...
  • Leitor  30/07/2020 02:29
    Não creio, profundamente, que a nova nota de R$ 200,00 seja puramente por conta da desvalorização acumulada desde 1994. Tampouco por causa, apenas, da demanda alta por liquidez (o entesouramento). Acredito que o IPCA suba significativamente nos próximos meses. E iremos voltar em círculos a 1989! Concordam?
  • Menezes  30/07/2020 02:58
  • Lucas  30/07/2020 08:26
    Na coletiva de lançamento da nova cédula, a diretora de administração do BC negou que tenha sido por desvalorização:

    "Não há a relação da colocação desta nova cédula no mercado e a desvalorização do real. Nós estamos em um país que se vale do sistema de metas para o combate à inflação, nesse momento a inflação é baixa e estável, as nossas expectativas estão ancoradas... Então aqui o que a gente tem é tão somente o Banco Central agindo preventivamente, pois a população pode vir a demandar por mais numerário".

    O chefe de departamento de estatísticas do BC também se pronunciou:

    "A questão sobre expansão monetária vem exatamente da linha da maior demanda do público por papel-moeda, que a gente tem observado desde março, abril. A gente já vê um crescimento, tanto pelo papel-moeda em poder do público, ou seja, o papel-moeda emitido na condição específica da economia brasileira atual, entre outras, pelo impacto do auxílio emergencial. Então a expansão da base monetária já vem ocorrendo nos últimos meses e essa medida do Banco Central vai ao encontro dessa demanda maior da população brasileira com o objetivo de sancionar essa demanda, não ter nenhuma escassez de meio circulante. Repetindo o comentário da diretora, não há nenhuma relação mecânica entre essa expansão de base monetária que já vem ocorrendo nos últimos meses, entre a medida que a diretora está anunciando hoje e a inflação, que continua baixa, estável e sem perspectiva de elevação".

    Sobre os motivos do lançamento da nova cédula, segundo a diretora:

    "O Banco Central precisa estar atento à demanda da população por mais meio circulante. Se essa demanda existe, o Banco Central precisa atender. Nós não sabemos por quanto tempo os efeitos do entesouramento podem perdurar e nós temos uma população que utiliza bastante o dinheiro e nós entendemos que o momento é oportuno para lançamento da nova cédula".

    "A gente aqui está falando de estar atento a uma possível demanda que ocorrerá no curto prazo. Nós entendemos que, diante dessa possível demanda, diante da relação muito forte que o brasileiro tem com o dinheiro, o momento era muito oportuno para lançar um projeto pré-existente".

    Vale a pena ver a coletiva completa:

  • Daniel  30/07/2020 13:49
    Sinceramente, você esperava que falassem o quê?

    "Sim, estamos aumentando o valor nominal das cédulas porque estamos imprimindo a rodo".

    Era isso? Que ingenuidade...
  • Leitor  30/07/2020 15:48
    Pois é! Esquece que no Brasil todos tem o discurso bonitinho, o coração puro e cheios de boas intenções.

    No mais, creio que isto, realmente, seja um sinal preocupante!
  • Lucas  30/07/2020 18:34
    Sinceramente, você esperava que falassem o quê?

    "Sim, estamos aumentando o valor nominal das cédulas porque estamos imprimindo a rodo".

    Era isso? Que ingenuidade...


    Em momento algum eu disse que concordava ou endossava o discurso do BC. Limitei-me a apenas e tão somente trazer a justificativa oficial, a título de informação, sem fazer qualquer juízo de valor. Cada um que faça suas próprias análises e tire suas próprias conclusões.
  • Antônio Carlos Ribeiro de Andrada  30/07/2020 19:47
    De que entesouramento eles estão se referindo?
  • Lucas  30/07/2020 22:14
    De que entesouramento eles estão se referindo?

    Veja aos 7:27 do vídeo da coletiva de lançamento postado anteriormente.
  • 4lex5andro  30/07/2020 14:16
    Em parte.

    Do lado do aumento exponencial da demanda para que o sistema bancário (CEF) libere o auxilio emergencial (que seria de três meses mas vai até setembro).

    Tem uma parte (e grande) do Brasil que não existe no sistema, que usa dinheiro vivo e seu crédito é a folha do caderno do mercadinho de bairro. Em pleno 2020, mas é isso.

    De outro lado, há realmente uma substituição de cédulas de R$ 50 e R$ 100, como simplificação do sistema e até por segurança, por ser uma cédula nova e com tecnologia atual, com relação a falsificações.

    Mas o governo claro, vai enfatizar esse lado e não o do aumento expressivo da demanda provocado pela concessão do auxílio emergencial até setembro.
  • Felipe L.  30/07/2020 03:37
    Em países sem Banco Central ou com Currency Board, a expansão monetária está sendo muito mais contida. Esses países sofrerão menos com inflação (monetária e de preços).

    Equador, Bulgária, Hong Kong e Panamá são exemplos.

    Sem Banco Central, fica politicamente mais caro financiar as dívidas e a gastança governamental. Com o BC e os títulos de dívida emitidos pelo Tesouro, esses custos ficam dispersos e ocultos.
  • Felipe L.  30/07/2020 13:11
    Na década de 80, no Brasil, era comum que grandes empresas já repassassem seus lucros todos para dólar imediatamente, para se proteger da destruição do poder de compra. Então, quando tinham de usar o dinheiro para pagar as contas e outras coisas, reconvertiam esse dinheiro (no caso o cruzeiro, o cruzado e o cruzado novo). Hoje isso é possível para uma pessoa física? Por exemplo, todo o salário que ela ganha já repassa diretamente para título de ouro e, na hora de fazer os pagamentos, ela reconverter para reais?
  • Trader  30/07/2020 13:51
    Sim, é só comprar fundos cambiais ou fundos atrelados ao ouro.

    Mas eu não recomendo fazer isso para reserva de emergência. Abra conta no Banco Sofisa e deposite no CDB de liquidez diária que rende 110% do CDI.

    Não há melhor para reserva de emergência.
  • Felipe L.  30/07/2020 21:16
    Ah, meu Nubank faz quase isso. Realmente não sei por que os bancões não entram nessa também, de trazer rendimento de CDI para a conta-corrente. Seria legal demais se houvesse agências físicas do Nubank, com caixas eletrônicos que trocam cédulas de reais por ouro. Aí seria um sonho.
  • Fábio  30/07/2020 13:13
    É verdade que, na prática, o surto de moeda reflete uma faceta da TMM. Mas, daí a concluir que a TMM entrou em jogo - mesmo que "na prática" - é forçar a barra. Usando o mesmo argumento podemos afirmar que "na prática" o keynesianismo voltou. Não é assim, né?

    No meio de toda taxonomia filosófica, é uma péssima notícia de qualquer forma. :-(
  • Assunção  30/07/2020 13:52
    Ué, mas o keynesianismo nunca saiu de cena. Ele ocorre em ondas com intensidades distintas. Chegou ao ápice com Dilma e ao mínimo sob Temer. A atual política monetária é muito mais keynesiana que a do governo anterior.

    E o artigo ressaltou na parte final que pelo menos metade da TMM já foi (e isso é empírico; não é questão de opinião). Falta a agora a outra metade (usar impostos como ferramenta para combater inflação, uma total bizarrice). E, olha, fosse eu um pouquinho mais cínico, diria que essa tara do Guedes com CPMF seria exatamente a metade que falta…
  • Imperion  30/07/2020 16:52
    Só que a política que a esquerda está querendo enfiar pra resolver o "problema" do covid há tempos é a TMM. Impressão de dinheiro a rodo e aumento de impostos. Então parcialmente já foi adotada. Poucos baixaram os impostos. O Brasil sequer mexeu nos mega-salários.

    Na verdade estão indo pelo caminho oposto. Projetos oportunistas de aumento de impostos ja estão em projetos de lei e o Guedes deu sua contribuição ao inserir impostos sobre dividendos e sobre comercio eletrônico.

    A esquerda quer taxar fortunas, quer que todo recurso pertencente à população acima de um certo valor esteja agora a disposição de projetos sociais. Imóvel extra idem.

    Nunca depois dessa lambança do covid se tornou tão propício esses projetos passarem, com a sociedade dormindo. O Brasil em épocas de reforma tributária discutindo aumento de impostos.
  • Ninguém Apenas  30/07/2020 17:52
    Parou com o Blog de B.I Fábio?

    Não imaginava vc frequentando aqui, mas me lembro de uma palestra sua na faculdade. Até me lembro de ter te recomendado o livro "Teoria do Caos" do Murphy, mas isso já é passado.

    Infelizmente a situação tá crítica, a TMM foi recusada no campo teórico mas foi aceita no campo prático. Inicialmente apenas alguns de seus pontos, mas tudo pode acontecer. Essa teoria nunca fez sentido em primeiro lugar.
  • Erick  30/07/2020 15:51
    Ola Leandro,

    Faz sentido comprar fundos de ouro atrelados aos dolar (como da Orama) mesmo sabendo que o dolar esta enfraquecendo a cada dia? (Por conta da impressao de dolares pelo FED). O Real vai conseguir essa proeza de cair perante o dolar?
  • Leandro  30/07/2020 16:37
    Como sua pergunta ficou um tanto dúbia, vou apenas esclarecer: o fundo de ouro da Órama NÃO é em dólar, mas em real. Você ganha a valorização do ouro em reais, e não em dólar.

    Dito isso, não vejo como o dólar possa se enfraquecer mais que o real. Dizendo de outra maneira, não vejo como o real possa se fortalecer muito perante o dólar. Se estivéssemos com a Selic acima de 6%, até haveria essa chance. Mas com a Selic precificada a menos de 2% até o fim do ano, sem chance.

    Pessoas que eu conheço que trabalham com mesa de câmbio de grandes bancos, e que estão nessa área há décadas, dizem que, dados a atual Selic, o risco-país e o preço das commodities, o dólar a R$ 5,10 seria atualmente um "valor correto".

    Ainda que caia abaixo disso, dificilmente cai abaixo de R$ 4,80. Não na atual conjuntura pandêmica. (Lembre-se: o Brasil tem hoje juros reais negativos, e que estão menores que os da Suíça! Uma bizarrice total.)

    De resto, a demanda por dólares segue mundialmente robusta. E o motivo foi explicado em detalhes aqui:

    Por que há uma escassez de dólares no mundo apesar das maciças injeções do Fed?
  • Vladimir  30/07/2020 19:55
    Vale ressaltar também que, no dia 8 de junho de 2020, quando o dólar estava em R$ 4,85, o índice DXY estava em 96,70.

    Hoje, o DXY caiu para 93 (menor valor em 2 anos), mas o dólar subiu para R$ 5,16.

    Ou seja, o dólar enfraqueceu mundialmente, mas, ainda assim, se valorizou perante o real.

    Logo, apostar que o enfraquecimento do dólar (que já está ocorrendo) irá barateá-lo em relação ao real não procede. Constatação empírica.

    E realmente não há por que o real se fortalecer perante o dólar, dado que estamos com juros reais negativos (e menores que os da Suíça), e o BC está imprimindo como a Argentina.
  • Trader  30/07/2020 20:01
    A julgar pelo DI de janeiro de 2021, o BC irá novamente cortar a Selic em mais 0,25 ponto percentual.
  • Lucas  30/07/2020 22:56
    Aproveitando o assunto, alguém saberia explicar o motivo da "lateralização" que a cotação do dólar vem apresentando desde o início do mês? Observem as marcações em azul no gráfico a seguir:

    www.tradingview.com/x/TW1Uik3m/

    Entre os dias 2 e 20 de julho, a cotação do dólar ficou oscilando entre R$ 5,3172 e R$ 5,4085. Durante esses período, esses valores formaram uma espécie de "suporte" e "resistência", respectivamente.

    Essa lateralização foi interrompida por uma queda mais intensa no dia 21 de julho, que coincide com uma queda brusca apresentada pelo Índice DXY nessa data. Curioso notar que, no dia 27 de julho, ocorreu uma outra queda expressiva no DXY, mas o reflexo dessa queda na cotação do dólar não pareceu ter sido tão forte quanto o do dia 21 de julho.

    Do dia 22 de julho até o presente o momento, a cotação voltou a ficar "lateralizada", oscilando entre R$ 5,1189 e R$ 5,2521.

    Se antes a cotação do dólar apresentava ou tendência de alta ou tendência de queda, agora "anda de lado".
  • Daniel Cláudio  31/07/2020 00:37
    Era para o dólar ter caído bem mais, dada a queda ocorrida no DXY. Essa lateralização, na verdade, demonstra a fraqueza do real. Era para a moeda ter se valorizado em relação ao dólar. E não ocorreu.

    Mais uma prova de que os juros estão fora do lugar.
  • Imperion  30/07/2020 18:58
    Com os erros do atual governo brasileiro, o dólar só cairia mais que o real a essa altura "se" o governo americano errar mais que o brasileiro. Conhece a piada dois dois loucos que queriam atravessar por um facho de lanterna?

    O Trump mostrou que baixar impostos e fortalecer a moeda é a melhor pedida. Se cometeu erros foram poucos e bem menores que os brazucas

    "Mas" vem eleição aí, quem sabe o candidato democrata que tá prometendo mais impressão com base na TMM não ganha e o dólar derrete mais que o real?
  • Supply-sider  30/07/2020 19:04
    Trump adotou várias medidas supply-siders (corte de impostos e de regulamentações, e moeda forte) e, com isso, a economia americana começou a girar forte. Empregos e produção dispararam, com inflação em níveis historicamente baixos. Pleno emprego com inflação baixa foi algo inédito desde 1971.

    Suas medidas mais asininas, como elevação de tarifas, felizmente foram inócuas.

    Mas aí veio o corona e arregaçou tudo. Eleitores dos swing states que votaram nele em 2016 não terão muita motivação para votar nele de novo com a atual economia.
  • Felipe L.  30/07/2020 21:08
    Quais foram esses cortes nas regulações que o Trump fez?

    Esse corte que ele fez no IRPJ foi excelente, algo maravilhoso.

    Acho que ele sim pode ser reeleito, porque os democratas estão péssimos de candidatos. O Joe Biden ainda não deve estar bem de saúde (ele teve problemas sérios meses atrás). O Trump teve parcela de culpa pela lambança que o CDC e o FDA fizeram com relação ao combate no coronavírus, já que eles atrapalharam a testagem privada.

    Não sei o que o americano médio pensa dos lockdowns, aqui no Brasil ainda tem muita gente que acredita na Rede Globo.
  • Supply-Sider  31/07/2020 00:32
    Aqui tem uma boa lista (ainda no primeiro ano de mandato e nem tinha havido ainda o corte de impostos):

    fee.org/articles/trump-is-quietly-deregulating-all-the-things/
  • cmr  31/07/2020 05:10
    Trump é só mais um bezerro de ouro.
  • MateusAlv  30/07/2020 16:15
    Para os sardinhas protegerem seu patrimônio apenas, o ideal seria alocar recursos para o Ouro?
  • Imperion  30/07/2020 16:28
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/07/sob-pandemia-contas-publicas-tem-rombo-recorde-de-r-417-bilhoes-no-semestre.shtml?origin=uol

    Olha o rombo!!!! Quase 500 bilhões
  • Vladimir  30/07/2020 16:55
    Isso também é TMM na veia. O governo gasta $200 e arrecada $100. Para cobrir a diferença, uma parte ele imprime e a outra ele vende títulos para a população (segundo a teoria, é isso o que estimula a "poupança", risos).

    A dívida aumenta continuamente, mas não tem problema, pois, para a TMM, dívida pública nunca é problema enquanto o governo puder imprimir a moeda nacional para quitar essa dívida.

    Em última instância, o BC imprime moeda para comprar esses títulos em posse do público e, com isso, "reduz" a dívida.

    Ou seja, em resumo: houve déficit, houve impressão de moeda e houve aumento do endividamento. Falta agora apenas o BC imprimir para comprar títulos públicos em posse do povo. Mas, oops, isso é exatamente o que prevê o Orçamento de Guerra.
  • Felipe L.  30/07/2020 18:23
    Por que o Milton Friedman e os demais monetaristas defendem câmbio flutuante? Qual a preocupação deles com o padrão-ouro? Eles também defendem controle da taxa de juros, como é hoje feito nos EUA e Brasil?

    Como era o mercado financeiro quando ainda existia o padrão-ouro? No Brasil houve padrão-ouro puro durante o período colonial e no imperial?
  • Ninguém Apenas  30/07/2020 19:18
    A informação que eu tenho é que houve sim desvalorização cambial no período do primeiro reinado. Mas não encontrei registros de câmbio anteriores a isso.

    Mas padrão-ouro mesmo com câmbio fixo, conversibilidade incondicional e talz nunca teve, mas houve uma certa estabilidade cambial (baixas flutuações) no segundo reinado até 1888 e houveram os breves períodos da Caixa de Conversão 1906-1913 e Caixa de Estabilização 1926-1930, que foram Gambiarra-Boards mas ainda assim conseguiram fixar o câmbio durante o perído destacado.

    Durante o Funding Loan 1898-1905 teve valorização cambial por causa da deflação forçada.

    De resto foi só inflação a todo vapor.
  • Vladimir  30/07/2020 19:31
    "Por que o Milton Friedman e os demais monetaristas defendem câmbio flutuante?"

    Porque eles acham que um papelzinho estatal flutuando em relação a outro papelzinho estatal representa "livre mercado".

    Paradoxalmente, eles também juram que nove burocratas em um comitê central (chamado apropriadamente de Banco Central) são capazes de entregar uma moeda melhor e "mais elástica" do que o mercado concorrencial.

    Entretanto, justiça seja feita, tudo indica, pelos seus escritos, que ele mudou de ideia ao fim de sua vida.

    "Qual a preocupação deles com o padrão-ouro?"

    Não é elástico para ser manipulado por burocratas. Chicaguistas acham que manipular moeda (oferta monetária e juros) cura recessões e gera crescimento.

    Ou seja, não é a produção e o empreendedorismo que gera crescimento, mas sim adulterações da moeda e dos juros (que nada mais são do que um preço).

    "Eles também defendem controle da taxa de juros, como é hoje feito nos EUA e Brasil?"
    É o princípio básico do chicaguismo: manipular juros para estimular e arrefecer a economia.

    O keynesianismo tradicional defende que o governo faça a "sintonia fina" (sim, eles usam essa expressão) da economia por meio dos gastos públicos (política fiscal). Keynes defendia juros baixos, mas não era de ficar teorizando sobre a manipulação dos juros. Seu "forte" era defender gastos do governo.

    Já o chicaguismo defende que o governo faça a "sintonia fina" da economia por meio de manipulações da moeda e do crédito (política monetária). Defendem orçamento equilibrado e se concentram apenas em manipular a moeda.

    A equipe econômica da Dilma foi keynesiana. A atual é chicaguista.
  • Felipe L.  30/07/2020 20:07
    Olhem que beleza, a "nossa" moeda hoje só não está afundando mais que o peso argentino.
  • Imperion  31/07/2020 00:34
    A maior crise e o franco, o iene e o dólar de Hong Kong valorizando. Kk
  • Yuri - São Carlense  31/07/2020 04:05
    Leandro,

    Alguns dizem que o dólar Index nas mínimas é sinal da desvalorização que o dólar irá sofrer perante as moedas mundiais e que esse movimento irá continuar?

    Outros economistas (exemplo o Tavi Costa), me parece que creêm que não. O dólar Index está nas mínimas mas voltará a subir, e o dólar irá ganhar força novamente (principalmente sobre as moedas dos emergentes).

    Sei que você não tem bola de cristal....rsrss...mas se fosse pra arriscar um palpite, seria em qual das duas teses?

  • Leandro  31/07/2020 14:33
    É como eu disse lá em cima: não vejo como o dólar possa se enfraquecer mais que o real. Dizendo de outra maneira, não vejo como o real possa se fortalecer muito perante o dólar.

    Se estivéssemos com a Selic acima de 6%, até haveria essa chance. Mas com a Selic precificada a menos de 2% até o fim do ano, sem chance.

    Pessoas que eu conheço que trabalham com mesa de câmbio de grandes bancos, e que estão nessa área há décadas, dizem que, dados a atual Selic, o risco-país e o preço das commodities, o dólar a R$ 5,10 seria atualmente um "valor correto".

    E como bem pontuou o leitor Vladimir, no dia 8 de junho de 2020, quando o dólar estava em R$ 4,85, o índice DXY estava em 96,70. Hoje, o DXY caiu para 93 (menor valor em 2 anos), mas o dólar subiu para R$ 5,20.

    Ou seja, o dólar enfraqueceu mundialmente, mas, ainda assim, se valorizou perante o real.

    Logo, apostar que o enfraquecimento do dólar irá barateá-lo em relação ao real não procede. Constatação empírica.

    Ademais, ainda que o dólar porventura caia abaixo de R$ 5, dificilmente cai abaixo de R$ 4,80. Eu cheguei a acreditar, no início de junho, que dava pra cair até R$ 4,60, mas não. Não na atual conjuntura pandêmica.

    (Lembre-se: o Brasil tem hoje juros reais negativos, e que estão menores que os da Suíça! Uma bizarrice total.)

    De resto, a demanda por dólares segue mundialmente robusta, principalmente entre os emergentes. E o motivo foi explicado em detalhes aqui:

    Por que há uma escassez de dólares no mundo apesar das maciças injeções do Fed?
  • Felipe L.  31/07/2020 15:24
    Não tem como o dólar se enfraquecer mais que o real. Isso é ridículo. Hoje o real está desvalorizando mais que todas as moedas ao redor do mundo, só perdendo nesse quesito para o bolívar e o peso argentino. De resto, é campeão.

    Só aconteceria isso se o Guedes fosse trocado por um supply-sider, o que não acho impossível, dado o fato de que o Bolsonaro já despachou vários ministros.
  • Yuri - São Carlense  31/07/2020 04:22
    Minha mãe tem uma pequena mercearia de bairro na garagem de casa. Em tempos de pandemia, orientei ela a vender o seu carro popular (que ela estava usando pouco e conseguia viver sem).

    Ela vendeu e eu apliquei o dinheiro para ela num Fundo Multimercado Ouro, no Banco do Brasil onde ela tem conta. ("O fundo tem como objetivo a valorização de seu patrimônio pela exposição ao Ouro. Os recursos investidos pelo fundo não possuem exposição à variação cambial")

    Apliquei R$ 15.000,00 mais ou menos na metade de junho e o saldo atual já está em R$ 16.030,00.

    Sem contar as despesas com seguro e IPVA que serão evitadas.

    É o único jeito de nos protegermos das trapalhadas dos políticos.
  • Trader  31/07/2020 14:19
    Em reais, está batendo a máxima histórica neste momento. Não recomendo comprar mais agora. Espere haver uma correção. Sempre compre apenas nos dias de queda (do ouro e do dólar). São raros, mas ocorrem.
  • JwE  31/07/2020 15:45
    Desvalorizações ocorrem, mas longo prazo o ouro manda. No momento: é entrar o quanto antes mesmo.

    Esse ano está, à lá atípico. Estamos na máxima, mas ainda no começo das lambanças, desde que o ouro começou a subir de valor. E a perspectiva de futuro não são tão otimistas.
  • Vinicius  02/08/2020 05:01
    o preço do ouro em dólares corrigidos pela inflação ainda não superou seu valor de 2011 e de 1980. no mínimo ainda chega lá.
  • Felipe L.  31/07/2020 15:25
    Legal, não sabia que havia fundo de ouro também no BB. Parabéns pela atitude, você foi sábio e ainda ajudou a sua própria mãe.
  • Constatação  31/07/2020 13:19
    Teoria do Massacre da Moeda?
  • Santiago  31/07/2020 14:21
    Boa!
  • Carlos Alberto  31/07/2020 14:26
    Vale ressaltar também que o BC está fazendo uma desavergonhada "operação twist". Ele está comprando títulos públicos de longo prazo com o claro intuito de derrubar os juros longos.

    Os juros dos prefixados 2026 e dos IPCAs 2035 e 2045 estão ridículos e irreais. Quem já tinha esses papeis, como eu, obteve expressivos ganhos de capital. Está sendo uma belíssima redistribuição de renda às avessas.
    Mas como todo mundo apoia qualquer tipo de redução de juros, então tá tudo de boa.
  • Sadib  31/07/2020 15:07
    Realmente o BC virou trader, bizarro.
    Até quando essas taxas irreais serão sustentáveis eu não sei (quando exatamente o IPCA vai voltar a subir). Mas eu não vou arriscar ficar com esses títulos na carteira mais, e ando liquidando todos os papéis de Tesouro IPCA que comprei em 2016/17.
    Deveríamos criar um grupo no Telegram só pra trocar ideias sobre investimentos, o que aprendi com comentários e artigos desse site é impagável!
  • Carlos Alberto  31/07/2020 15:48
    Eu mantenho os meus e não pretendo vender. Tenho pra mim que essa operação twist vai continuar por muito tempo. Não será surpresa ver um título IPCA 2045 negociando a 2,90% ou até menos (chegou a 2,89% no início de novembro do ano passado). Ainda tem muito ganho de capital a ser feito.
  • Sadib  31/07/2020 17:05
    Faz sentido Carlos, deve se manter (ou valorizar) por um tempo mais.
    No meu caso não acho que vale mais o risco-benefício de manter, estou bem satisfeito com meu ganho em 3-4 anos :) e prefiro dormir mais tranquilo com algo menos volátil. Mas isso vai de acordo com o objetivo de cada.
    De qualquer forma vou pensar em manter uma pequena parte em carteira, e manter líquidez esperando alguma correção em ações/ouro/dólar.

    Obrigado, abs
  • Felipe L.  31/07/2020 15:02
    O Ranking dos Políticos expôs a inflação absurda acumulada na nossa moeda no Instagram. Eu então falei que o real brasileiro só não desvalorizou mais que o peso argentino e o bolívar, e que câmbio flutuante "era isso aí". Por causa disso, fui atacado por algumas pessoas (eu bloqueei porque rede social não é lugar de discussão séria). A Escola Austríaca é detestada pela economia mainstream. Expus o fato e fui acusado de arrogante...
  • ed  31/07/2020 18:55
    "É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que elas foram enganadas."

    Mark Twain
  • Btc and nano is the way   31/07/2020 16:44
    Sinceramente, se o indivíduo não comecar como sardinha nunca vai se profissionalizar, a teoria da análise técnica descrita por Martin J Spring e Al Brooks estudada corretamente é o caminho, mas se a pessoa nunca aplicar seus conhecimentos ela vai ficar só com a teoria e todo mundo tem um plano perfeito pra luta até levar um soco no queixo. Day trade não é brincadeira e se não tiver gerenciamento de risco por que mesmo com a teoria sendo correta ainda existem fatores externos que podem intervir. Day trade é difícil e se o indivíduo não tem planos reservas é burrice, day trade tem que ser acompanhado de hold de ações, ouro e bitcoin, comprar terrenos e fazer casas ou kitnets de aluguel. Day trade não é apenas uma forma de ordem ou profissão, é ofício, é empreendedorismo.
  • Alexandre  02/08/2020 03:38
    Exatamente. Day trade é negócio, e não investimento. É profissão para ter fonte de renda, não aplicação para ter rentabilidade. Por esse motivo, o cara tem que tirar a parte dos lucros que precisa para gastos pessoais e o restante aplicar em fundos mais estáveis para proteger o patrimônio, como os que você falou. Quem entra no day trade, pensando em multiplicar a grana ou ter rentabilidade, e só contar com isso, já entrou errado.

    E, como toda profissão, tem que estudar muito, passar bastante tempo no simulador e depois ter as próprias experiências na conta real, inclusive tendo perdas, as vezes grandes, para se aperfeiçoar e ser um profissional melhor e mais lucrativo a cada dia. E isso exige muita dedicação, paciência e persistência. É por isso que mais de 90% que entram achando que é grana fácil quebram a cara e só terminam engordando o caixa das corretoras.
  • Felipe L.  31/07/2020 21:30
    Vocês concordam com este tuíte?

    Acho que esses juros artificialmente manipulados não vão durar para sempre. Não tem como durar. Os políticos eleitos possuem realmente visão de curto prazo, mas o deep state não. Eles ficam lá por décadas e décadas.

    Em um artigo daqui (não este, obviamente), já disseram que os juros negativos nos EUA serão sustentáveis enquanto houver gente para financiar a dívida americana.

    O que acham? Faz sentido?

    PS: Leandro, por favor, volte a participar dos podcasts, você é o melhor economista deste país.
  • Carlos Alberto  01/08/2020 14:53
    Concordo. E isso já está sendo aplicado em vários países. Quando a dívida pública alcança níveis insustentáveis, não há outra solução que não suprimir juros. Se os juros subirem, tudo explode. Por isso, vão segurar juros na marra.

    Já fazem isso no Japão desde a década de 1990. Já fazem isso na Europa desde 2008. E já estão fazendo isso nos EUA e, agora, no Brasil.

    Por isso o BACEN vai manter a atual operação twist indefinidamente.
  • Felipe L.  01/08/2020 17:12
    O Paulo Kogos já disse que em algum momento o governo americano terá que subir os juros e isso então poderia resultar em calotes, já que essa crise atual (antes mesmo do lockdown) seria envolvendo os títulos.
  • Vinicius  02/08/2020 04:55
    Bacen não é Boj e Fed. Os juros aqui no Br vão estourar em breve e não sou eu que digo, é o próprio presidente do Bacen:

    www.youtube.com/watch?v=5PNIo1sK9dg&t=2378s
  • Nicolau  31/07/2020 22:26
    Gente, eu estive pensando e acho um questionamento meio bobo: vocês acham que pode ter algo que explica melhor a economia do que a praxeologia? Por exemplo, a praxeologia pode estar certa pois é a melhor em explicar os fenômenos de mercado, ou seja, que se aproxima da verdade, mas não é necessariamente a verdade. Pode existir outras verdades que fundamentam a ação humana. O que vocês acham?
  • Imperion  02/08/2020 00:46
    O ser humano não tem inteligência suficiente pra entender toda a realidade. Sua percepção é insuficiente. A praxeologia é uma das ferramentas usadas pelo ser humano pra entendê-la. Mas não é completa.
    Nenhum método é completo para dar respostas 100 por cento livres de falhas.
  • Nycolas  03/08/2020 13:30
    Obrigado por expor seu pensamento! Penso igual a você!
  • Felipe L.  01/08/2020 03:43
    O fato de o peso colombiano usar cédulas de alto valor de face pode ser explicado pelo fato de a moeda no país ser bastante antiga e em ter um histórico de instabilidade política e econômica?

    Se for pegar o histórico deles de inflação dos últimos 40 anos, perto de Brasil e Argentina, estavam mais civilizados até.
  • Pablo  02/08/2020 00:51
    Sim, a moeda colombiana é a mesma desde 1810

    es.wikipedia.org/wiki/Peso_colombiano

    Curiosidade: a Colômbia foi um dos poucos países da América do Sul que não teve hiperinflação na década de 1980.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/colombia-inflation-cpi.png?s=cocpiyoy&v=202007312300V20200716&d1=19200827

  • Yuri - São Carlense  01/08/2020 05:58
    Leandro,

    Veja a afirmaçao dessa economista:

    "O Brasil não foi o único, vários outros países experimentaram um processo de hiperinflação ou inflação alta nos 1980s e 1990s."

    Se isso é verdade, a causa seria o fim do padrão ouro?

    Ela ainda afirma:

    "A tendência agora é seguir o movimento mundial de inflação baixa.

    A previsão do Outlook do FMI (de junho) é de inflação próxima a zero em 2020 e 2021, na média, para o grupo de economias emergentes e em desenvolvimento."

    twitter.com/juliambraga/status/1289034933869191168
  • Historiador  01/08/2020 14:51
    O fim do padrão-ouro, em 1971, gerou a estagflação americana e europeia na década de 1970. Dólares foram impressos sem dó. Esses dólares foram para os países de terceiro mundo e turbinaram obras de infraestrutura por lá. A década de 1970 foi aparentemente boa para os países de terceiro mundo.

    Mas aí a conta veio na década de 1980. Com a subida dos juros nos EUA, a dívida externa dos países de terceiro mundo ficou impagável. Sem mais financiamento externo, recorreram à impressora de moeda para manter todos os gastos anteriores. Daí a hiperinflação.
  • Paulo  01/08/2020 20:28
    Encontrei um artigo interessante na Forbes
    www.forbes.com/sites/nathanlewis/2020/07/29/the-federal-reserve-works-best-when-it-sticks-with-gold/#4e3876e78142

    Basicamente, existe forte correlação nos EUA entre o dólar estar estável em relação ao preço do ouro e crescimento econômico;
    É quase um padrão ouro não-oficial..

    E ainda temos de ouvir que é pra ajudar a economia depreciar a moeda.. Com base nisso também não da pra esperar economia forte daqui pra frente já que o dólar descolou totalmente do Ouro.. (Não para de subir, assim como as criptomoedas)
  • Felipe L.  02/08/2020 01:38
    Isso acontece no Brasil também. A correlação é praticamente perfeita.
  • Felipe L.  02/08/2020 14:10
    Alguém sabe como que o Líbano afundou em hiperinflação? No momento, é o primeiro país do Oriente Médio a entrar em hiperinflação.

    A libra libanesa opera atualmente em câmbio atrelado ao dólar americano (ou fixo?). Notem que antes a inflação de preços estava em níveis civilizados, com anos de deflação até.

    O que eu encontrei:

    - No começo desse ano o Líbano deu calote na dívida externa.

    - O M1 explodiu quase no mundo inteiro, mas no Líbano foi algo espetacular.

    - Querem colocar câmbio flutuante. Outro fato interessante: o dólar no mercado paralelo está bem mais caro do que na taxa de câmbio oficial. Há algo errado. Me cheira a espécie de cepo cambial. Ficaram furiosos também porque teve ministro sugerindo cobrar imposto no WhatsApp. Aqui o Guedes quer voltar com a porcaria da CPMF, parece que pouca gente se revoltou.

    - Os déficits deles fazem os do Brasil parecerem civilizados. Dívida deles está em níveis pornográficos.

    - Eis o comportamento do PIB deles.

    Foi alegado de que as reservas internacionais do país despencaram, mas eu não encontrei nada sobre. Não existe esses dados no Trading Economics e não encontrei nem no site do Banco Central deles.

    PS: Alguém chame o Steve Hanke para substituir o Paulo Guedes.
  • Felipe L.  05/08/2020 16:20
    E agora o porto do Líbano sofreu aquela explosão imensa... O que acham?
  • Imperion  05/08/2020 17:43
    Deixar tanto nitrato de amônia num lugar só… Eu desconfio que tinha combustível também perto. Pra explodir como bomba é necessário misturar os dois. Aí tem.

    Combustível não explode fácil. Tem que ter muito oxigênio. Senão apenas pega fogo. A função dos nitratos misturados aos explosivos é fornecer todo oxigênio necessário a uma rápida combustão e assim virar uma explosão.

    Acidente? É de conhecimento geral as maneiras erradas de armazenamento. Tem que ser uma grande negligencia.
  • Trader  05/08/2020 17:54
    O câmbio no Líbano é bem argentinizado. O câmbio oficial é inacessível ao cidadão comum, que só consegue comprar dólares no paralelo. Portanto, a cotação "oficial" do dólar no país não serve de nada. No paralelo, o dólar explodiu.

    Para uma análise profunda sobre o Líbano, recomendo esta monografia do James Rickards.

    www.fdd.org/wp-content/uploads/2020/08/fdd-monograph-crisis-in-lebanon.pdf
  • Evair Lopes  02/08/2020 23:11
    Hong Kong que foi referência de combate ao novo coronga agora chega a sua terceira onda
    www.bbc.com/portuguese/internacional-53609113
    E ainda obrigavam as pessoas a usarem pulseiras para que o governo rastreasse os movimentos de ir e vir da pessoa.
    Mas acabaram cedendo às pressões e deixaram executivos de empresas listradas em bolsa circularem sem necessidade de quarentena ...
  • Felipe L.  02/08/2020 23:43
    Horas atrás, eu dei uma pesquisada sobre o chamado West African Economic and Monetary Union (o WAEMU), que é uma união de vários países do oeste africano que compartilham a mesma moeda, o franco CFA do oeste africano. Assim sendo, eles possuem um banco central para oito países. Esse nome é porque esses países em grande parte foram colônias francesas, da época onde a França ainda tinha a sua própria moeda. Atualmente, metade das reservas internacionais precisa ficar retida no Tesouro Francês. Antes era fixada em relação ao franco francês, hoje a moeda é atrelada ao euro. Entre os membros está a Costa do Marfim, maior exportadora de cacau do mundo.

    Nesse ano a moeda se chamará "eco", pretendendo retirar essa obrigatoriedade de mandar as reservas para a França, assim como qualquer influência de representantes franceses acerca das políticas da união monetária.

    Espero que, caso eles vão para câmbio flutuante, eles façam uma transição civilizada, como fez a Coreia do Sul (onde o won sul-coreano se valorizou e se manteve estável desde a disparada cambial em 1997).

    Agora vejam as taxas de inflação nos membros originais: Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau (a queda foi espetacular), Mali, Níger, Senegal e Togo. São todos países mais pobres que o Brasil e principalmente agrários. Compare essa inflação agora com outros países do continente, como o Egito (com forte setor turístico), Líbia, Sudão, Quênia e Etiópia. A África do Sul fica mais próxima.

    Quase todos eles possuem mais liberdade econômica que o Brasil, mas ainda estão atrasados. Guiné-Bissau é o único deles que está pior que o Brasil nesse quesito.

    Vocês se lembram da ideia maluca do "peso-real" do ano passado? Imagina só, juntar Fernández e Guedes, dois defensores da desvalorização cambial. Aí teremos cédulas de 5000, 10 000 pesos-reais.

    Desvalorizar moeda deveria ser crime.
  • Trader  04/08/2020 17:25
    Ouro acabou de furar os dois mil dólares a onça.

    O que realmente impressiona é a velocidade com que ele foi de 1.899 para 2.000 dólares. Ele ficou apenas 6 dias úteis no intervalo dos 1.900 dólares. Absolutamente espantoso.

    A TMM está com o acelerador a fundo.

    Obviamente, em reais, o ouro também está nas máximas históricas, mas isso não é surpresa…
  • Meirelles  05/08/2020 14:11
    Já se aproxima agora de 2.050 dólares. Se bobear vai ficar ainda menos tempo na faixa dos 2 mil do que ficou na dos 1.900.

    2.100 tá logo ali.
  • Felipe L.  04/08/2020 21:46
    Chile é o único país da América Latina que está na categoria "Majoritariamente livre", próxima dos Estados Unidos e do Canadá. Comunistas vagabundos querem destruir isso lá a todo custo.

    Brasil está entre os piores, perdendo nesse quesito vergonhoso para os seguintes países, na ordem: Argentina, Haiti, Equador, Suriname, Bolívia, Cuba e Venezuela.
  • Drink Coke  05/08/2020 12:55
    Chile é o país mais próximo de ser desenvolvido de toda a América Latina. Melhor IDH da região em 2018, maior pib per capita da região e 2° menor índice de pobreza (atrás do Uruguai).

    E o mais interessante é que até os anos 70 Chile era mais pobre que Brasil e Argentina, porém enquanto Brasil, Argentina e demais países da AL continuavam com experimentos Keynesianos a todo vapor, o então pobre Chile seguiu na contramão, o único país da AL a adotar um liberalismo econômico.

    Claro exemplo empírico da eficiência do liberalismo econômico, porém claramente ignorado em pró da narrativa esquerdista.
  • Felipe L.  05/08/2020 02:16
    Em 2014, foi constatado de que o Brasil tem o maior percentual populacional de pessoas com acesso a serviços financeiros ou contas na América do Sul, com taxa de 68,12%.

    Hoje essa taxa deve estar maior, já que a chegada de fintechs como a Nubank acabou popularizando isso.

    É um fenômeno bastante interessante, apesar do setor informal brasileiro ser grande.

    No México essa taxa é de 38,7%.
  • anônimo  06/08/2020 18:27
    Não entendí o porque que uma taxa básica de juros seria algo intrinsicamente ruim. Alguém teria como me explicar?
  • Daniel Cláudio  06/08/2020 18:39
    Se os juros são definidos pela livre interação entre poupadores, investidores e consumidores, então qualquer eventual valor é o certo.

    Já se os juros são artificialmente definidos por um comitê central de 9 burocratas, os quais manipulam os juros por meio da impressão de moeda, então não há absolutamente nenhuma chance de eles acertarem o valor correto dos juros.

    Quem acredita em Banco Central acredita em economia planejada. Pelo visto, não entendeu nada das experiências socialistas do mundo.


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