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Eis o responsável pela disparada dos combustíveis: o Banco Central e sua política ultra-keynesiana
Discutir ICMS e Pis/Cofins é totalmente positivo, mas é desvio de foco

Nota do Editor

O artigo abaixo foi originalmente publicado no dia 19 de fevereiro de 2021. Desde então, o problema se intensificou. A seguir, uma explicação completa e atualizada dos fenômenos que causaram tudo isso.

_____________________________________

Não há nenhuma escassez de petróleo no mundo. E isso é fácil de provar. 

Se houvesse escassez de petróleo, o preço do barril em dólares ou mesmo em franco suíço (a moeda mais estável do mundo) estaria na máxima histórica.

No entanto, eis a evolução do preço do barril do tipo Brent em dólares:

USDBRO.png

Gráfico 1: evolução do preço, em dólares, do barril de petróleo do tipo Brent

Para a comparação ficar completa, eis a evolução do preço do barril do tipo Brent em francos suíços:

USSDBROxUSDCHF.png

Gráfico 2: evolução do preço, em francos suíços, do barril de petróleo do tipo Brent

Repare que, tanto em dólar quanto em franco suíços, o preço do barril de petróleo está muito longe das máximas. Com efeito, em dólar, o barril custa o mesmo que custava em 2005. Já em francos suíços, moeda mais estável que o dólar, o barril custa hoje pouco acima do que chegou a custar em 2000.

Ou seja, não há o mais mínimo sinal de escassez de petróleo. Portanto, qualquer eventual carestia desta commodity em uma determinada moeda denota um problema da moeda, e não da commodity.

Com efeito, vejamos agora a evolução do preço do barril de petróleo do tipo Brent em reais. O gráfico abaixo simplesmente pega a cotação em dólares (gráfico 1) e converte pela taxa de câmbio vigente em cada data:

USDBROxUSDBRL.png

Gráfico 3: evolução do preço, em reais, do barril de petróleo do tipo Brent

E aí agora você começa a entender por que os combustíveis no Brasil estão batendo recordes de preço.

O problema não está no preço internacional do petróleo. O problema está inteiramente em nossa moeda. Afinal, se o preço do barril de petróleo em dólar e franco suíço está no mesmo valor de mais de 15 anos atrás, porém, em reais, está na máxima histórica, então o problema não está com o petróleo, mas sim com o real.

O encarecimento dos combustíveis no Brasil, portanto, não se deve nem a alguma escassez de petróleo no mercado, ou a algum conluio entre russos e árabes, ou a alguma restrição da OPEP. Tampouco se deve a ICMS ou mesmo a impostos federais. É tudo uma questão de moeda.

O real está fraco. Ponto. Todo o resto é tergiversação.

Como a Petrobras é exportadora e importadora de petróleo, ela obviamente tem de seguir a cotação determinada pelo mercado internacional. Pelos seguintes motivos:

a) ela importa petróleo pelo valor da cotação internacional; logo, ela não pode revender gasolina abaixo da cotação internacional (senão teria prejuízo);

b) dado que ela exporta petróleo, ela não pode vender aqui dentro a preços menores que o da cotação internacional, pois, além de ser uma medida economicamente insensata, há o risco de gerar desabastecimento: dado que a Petrobras não abastece inteiramente o mercado interno, o qual também é suprido por importadores privados, se a Petrobras passar a vender abaixo dos preços de mercado, os importadores privados irão à falência e, consequentemente, faltará gasolina no mercado interno.

Ademais, há a crucial questão das refinarias. A Petrobrás é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil, respondendo por 98% do petróleo refinado (isto é, transformado em gasolina, diesel etc.) no país. Vender estas refinarias é crucial para aumentar a concorrência no mercado. Sendo assim, qualquer medida de controle de preços teria consequências desastrosas para o mercado de refinarias. 

Se o governo controlar os preços da Petrobras, quem irá se arriscar a comprar uma refinaria para concorrer com a estatal? Quem irá comprar refinarias sabendo que o governo pode, a seu bel-prazer, simplesmente sair praticando controle de preços (reduzir artificialmente os preços cobrados pela Petrobras)? Isso inviabilizaria todo o empreendimento privado, trazendo enormes prejuízos e deixando este mercado ainda mais ineficiente.

Essas são as consequências de se ter todo um setor controlado diretamente pelo estado: total insegurança jurídica.

Contratos de gasolina, ICMS, Pis/Cofins

Para a análise ficar mais completa, peguemos agora a evolução do preços dos contratos de um galão de gasolina negociados no mercado internacional de commodities. 

Este é o valor que a Petrobras utiliza para precificar a gasolina que vende em suas refinarias.

Eis a evolução em dólares: 

RB1!.png

Gráfico 4: evolução do preço, em dólares, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Surpresa nenhuma.

Agora, em francos suíços.

RB1xUSDCHF.png

Gráfico 5: evolução do preço, em fracos suíços, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Mesma coisa. Os preços do galão de gasolina no mercado internacional de commodities estão no mesmo valor de 2006 (em dólares) e de 2005 (em franco suíço). E muito longe da máxima histórica.

Ou seja, não há qualquer sinal de escassez.

Agora, vejamos a evolução deste mesmo galão de gasolina no mercado internacional de commodities cotado em reais.

RB1xUSDBRL.png

Gráfico 6: evolução do preço, em reais, de um galão de gasolina no mercado internacional de commodities

Máxima histórica absoluta e irrefragável.

E, para piorar tudo, o preço do etanol disparou. A disparada se deveu à estiagem e ao aumento do açúcar no mercado internacional. 

Se o açúcar aumenta lá fora, os produtores de cana-de-açúcar no Brasil destinam um maior volume de cana para atender a esse mercado internacional de açúcar (que paga em dólares) em detrimento do mercado de álcool nacional (que paga em reais). 

Acrescente a esse redirecionamento toda a estiagem, e tem-se uma escassez acentuada.

Eis a evolução do preço do etanol negociado no B3 (a série começa em 2010):

etanol.png

Gráfico 7: evolução do preço, em reais, do metro cúbico de etanol 

No Brasil, um decreto do governo impõe a mistura de álcool anidro à gasolina. Até antes de 2015, cada litro de gasolina continha 25% de álcool. A partir de 2015, por determinação do governo, esse percentual foi elevado para 27%

Ou seja, hoje, em um litro, 730 ml são de fato gasolina e 270 ml são álcool anidro. O Brasil é o único país do mundo que faz uma mistura nesta proporção de 27%. Nos EUA, o máximo permitido é de 15%. Na vizinha Argentina, 12%. México, 5,8%. Chile e Canadá, 5%.

Uma disparada no preço do etanol — causada, por sua vez, por fatores meteorológicos e pelo preço do açúcar (que aumenta as exportações e reduz a oferta interna) — faz aumentar o preço da gasolina. 

Para resumir: a atual disparada dos combustíveis não se deve, portanto, a ICMS ou PIS/Cofins. Mesmo que estes impostos nunca houvessem existido, ainda assim petróleo e gasolina, em reais, estariam na máxima histórica. Sim, o valor nominal nas bombas seria muito menor, mas o preço estaria na máxima histórica.

O motivo? A moeda.

Um Banco Central ultra-keynesiano

Quem acompanha este Instituto não está surpreso com o comportamento dos preços dos combustíveis. O mesmo já ocorreu com os alimentos. A causa é idêntica.

Em resposta à pandemia de Covid-19 e às medidas de fechamento da economia efetuadas pelos governadores, o Banco Central, por meio do Orçamento de Guerra, adotou uma política monetária extremamente expansionista. 

Na prática, o BC adotou os preceitos da ultra-keynesiana Teoria Monetária Moderna: taxa básica de juros (Selic) ínfima (o que gerou juros reais negativos e menores que os da Suíça) e forte expansão monetária para financiar o aumento de gastos, na crença de que isso não geraria aumento de preços (pois, afinal, estávamos em uma forte recessão e com alto desemprego).

O resultado foi uma profunda desvalorização cambial.

Para deixar bem claro: a carestia atual dos alimentos e dos combustíveis é resultado direto do aumento da moeda injetada na economia pelo Banco Central. A política monetária frouxa do Banco Central é a responsável direta pelo fenômeno.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1):

selicxm1.png

Gráfico 8: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, a expansão da oferta monetária acelera.

O real foi fortemente depreciado em decorrência desta combinação de acentuada expansão monetária com juros reais profundamente negativos: em 2020, a Selic caiu para 2%, valor muito menor que o IPCA, que fechou 2020 em 4,52%; no acumulado dos últimos 12 meses, a Selic acumulada 2,62% ao passo que o IPCA acumula 9%, o que nos deixa com juros reais negativos de inacreditáveis 5,85%). 

A consequência desta desvalorização do real é que o dólar encareceu.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio:

Selicxcambio.png

Gráfico 9: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

A consequência é que o real foi a sexta moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2020, tendo sido melhor apenas que potências como Zâmbia, Angola, Venezuela, Seychelles e Argentina.

É exatamente essa desvalorização cambial (linha azul do gráfico 9) que explica a disparada, em reais, dos preços do petróleo, da gasolina e do diesel.

O que fazer

O presidente Jair Bolsonaro, visando a reduzir o preço histórico dos combustíveis, zerou os impostos federais sobre o diesel e sobre o gás de cozinha. Excelente medida, pois reduz o peso do estado sobre a economia. Ele também está pressionando os governadores a reduzir o ICMS dos combustíveis. Ótimo. Toda e qualquer redução de impostos é ótima, bem-vinda e deve ser apoiada. Quanto menos o estado confiscar do setor produtivo, melhor para os produtivos. Ponto.

Dito isso, é crucial o presidente entender que ele está apenas fazendo um paliativo. Ele não está atacando a causa do problema. O problema da disparada dos preços não está nos impostos federais ou estaduais (que sempre existiram). E suas críticas ao Confaz, embora válidas e corretas, passam longe de explicar os reajustes de preços nas refinarias.

Apenas para deixar bem claro: toda essa discussão sobre redução de impostos sobre os combustíveis é excelente e bem-vinda. Tomara que todos os impostos sejam zerados. Todo apoio a essa medida. Mas ela passa longe de ser a causa dos preços altos.

Toda a causa está na temerária gestão monetária feita pelo Banco Central. Sem que esta causa seja atacada, não há como os preços dos combustíveis voltarem a níveis civilizados.

Reduzir a expansão do M1 e elevar a Selic (para pelos menos 7,5%, pois só a partir deste valor voltaremos a ter juros reais positivos) seriam as medidas mais diretas e com mais garantia de resultados. É uma completa bizarrice um país como o Brasil, que não tem grau de investimento e cujas contas públicas estão em total descalabro, ter juros reais amplamente negativos e muito menores que os da Suíça. Na prática, o investidor paga muito mais caro pelo "privilégio" de emprestar seu dinheiro para o governo brasileiro do que para o governo suíço.

Qualquer outra medida que não passe pela gestão da moeda será inócua no longo prazo. 

"Ah, mas é politicamente inviável defender aumento de juros e redução da expansão monetária!", grita o leitor.

Pode ser. Mas este é o momento de o presidente mostrar que é durão e que realmente, como ele próprio diz, não está preocupado com popularidade.

Com efeito, pode algo ser mais impopular para um político do que alimentos e combustíveis em preços recordes?


autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Trader  19/02/2021 17:15
    Como eu disse em outro comentário, nesse imbróglio do preço dos combustíveis, é impressionante como absolutamente ninguém fala do Banco Central e da Selic. Ninguém!

    Nem a oposição, nem a imprensa, nem a diretoria da Petrobras e nem os próprios governadores, que estão sendo acusados de maneira um tanto injusta (ao que se sabe, nenhum estado aumentou o ICMS; e críticas ao Confaz também não explicam os reajustes nas refinarias).

    Não me lembro de ter visto na história um BC tão blindado quanto este. Aliás, nem é blindado; é incensado mesmo. Todos os anteriores sofreram críticas (alguns, por muito menos), exceto este.

    Na minha próxima encarnação, quero ser um Campos Neto: faço lambança à vontade, absolutamente ninguém me culpa por nada e todos ficam apontando dedo entre eles.
  • Observador  19/02/2021 17:23
    E vale observar como as presidências de Banco Central são cíclicas:

    Gustavo Franco: bom
    Armínio Fraga: péssimo
    Henrique Meirelles: bom
    Alexandre Tombini: pésimo
    Ilan Goldfajn: bom
    Roberto Campos Neto: péssimo

    Boa notícia: o próximo presidente do BC tende a ser melhor

    Péssima notícia: só ocorrerá em 2028
  • anônimo  19/02/2021 17:31
    É cíclico porque vem um e estimula artificialmente a economia (suja). Acaba a farra (preços sobem), o próximo tem quem fazer a faxina por causa dos excessivos gastos do governos anterior. Quando tá limpo, muda o governo e este vem de novo com expansão suja outra vez.

    Por isso os ciclos.

    A terceira via seria cortar estado e impostos e acabar com a burocracia pra parar com o desestímulo à produção. Mas essa opção não entrou em prática no brasil nos últimos 50 anos.
  • Lucius  24/08/2021 09:59
    Nada disso! BC independente!
  • Humberto  20/02/2021 00:58
    Tô acompanhado aqui a repercussão na mídia e nas redes sociais da demissão de Castello Branco da Petrobras. Impressionante: absolutamente ninguém fala de Banco Central. Absolutamente ninguém atribui ao BC a responsabilidade pelo descalabro…
  • Carlos Alberto  20/02/2021 01:08
    Robertinho (Campos Neto) é, disparado, o cara mais blindado na história da República. Nunca ninguém teve um passe tão livre quanto ele. Muito menos um presidente de BC (a esmagadora maioria muito melhor do que ele; e todos criticados).

    Sério, qual o segredo? Seria o charme? Seria sua educação? Por que absolutamente ninguém o critica? Pergunta sincera. Alguma explicação tem de ter.
  • Vladimir  20/02/2021 01:14
    Para mim, a oposição não o critica por pura estratégia: não se critica o cara que está destruindo o inimigo. Eu, se fosse oposição, também faria o mesmo: ficaria quieto e o deixaria destruir o governo. É a estratégia mais inteligente. Jamais interrompa o inimigo quando ele está se autodestruindo.

    Já a mídia não fala nada porque é proibido criticar um BC que está reduzindo juros. É politicamente incorreto defender aumento de juros. Eu mesmo nunca vi um jornalista criticando o BC por não aumentar juros.

    Dito isso, o que eu realmente acho bizarro é que a oposição nem sequer critica o câmbio. Nem aponta as consequências maléficas. Isso realmente impressiona.
  • Robson Santos  20/02/2021 21:32
    O circo pegando fogo é muito melhor. Quem num papo furado vai ficar criticando câmbio se não for o automatizado da Ford?? O aumento decorrente no custo de vida é que vão discutir e fazer trolagem em qualquer blog. Oposição se esbalda com razão. E de brinde eles apoiam os setores beneficiados pelo câmbio tresloucado. É uma festa só. Com mídia se esbaldando e rindo. Esquerdista nunca foi tão feliz nesse país.
  • Vitor   20/02/2021 14:34
    Ngm critica pq essa ideia de juros negativos em épocas difíceis virou unanimidade. O cara está imitando Japão, Europa, EUA. É um mainstream populista, apelo duplo de "seguir o rigor técnico neoclássico" com o de realizar um sonho populista de juros super baixos.
  • Neymarape  20/02/2021 11:58
    Enquanto a petrobras for estatal, va ser usada por ingerência politica pra tampar buracos criados por incompetente
  • Ex-carioca  20/02/2021 12:35
    Campos Neto disse há algum tempo atrás que aumentaria o juros se os deputados soltassem mais auxílios sem contrapartida fiscal. Eu acredito que dessa vez vai, mas...

    Bolsonaro
    23:59 meu governo não vai fazer intervenção política
    00:00 general chimpanzé será o novo presidente do banco central

    Paulo Guedes deveria ter abandonado essa pocilga de governo junto com Mansueto, Salim Matar, Ueber etc seria o momento certo para sair. Agora, não apenas destruiu sua própria reputação como também fechou as portas para qualquer penetração liberal. Se provou tecnicamente fraco e submisso.
  • Marcos Rocha  20/02/2021 16:55
    Ué, mas toda a parte ruim se deve exatamente à implantação de suas ideias keynesianas-chicaguistas. Juros baixos (negativos) e moeda fraca é exatamente a sua cartilha. Ele sempre defendeu isso. Passou a vida xingando de "rentista" todo e qualquer poupador que colocava suas míseras economias na caderneta de poupança.

    Logo, não entendi você dizer que ele "deveria abandonar o barco", como se fosse vítima das suas circunstâncias. Ao contrário: tudo de ruim foi exatamente consequência das ideias keynesianas-chicaguistas dele, que foram implantadas pelo BC exatamente como ele sempre defendeu. Lembrando que foi Guedes quem escolheu toda a equipe do atual BC.
  • Vladimir  20/02/2021 17:01
    "Campos Neto disse há algum tempo atrás que aumentaria o juros se os deputados soltassem mais auxílios sem contrapartida fiscal. Eu acredito que dessa vez vai, mas…"

    Pode continuar acreditando…

    Todos os auxílios vieram sem nenhuma contrapartida fiscal. Daí a explosão do M1. Tudo foi pago com impressão monetária.

    Não subiu os juros quando a economia estava mais forte (outubro e novembro de 2020), não subirá agora que enfraqueceu.

    Esse atual BC já deixou claro que está olhando apenas o setor de serviços (que é o que mais emprega a população). Enquanto a inflação do setor de serviços estiver baixa, não subirão os juros. Combustíveis e alimentos que se explodam. Não são importantes. Enquanto o cabeleireiro e a manicure não estiverem aumentando preços, tudo ficará como está. Pouco importa se a gasolina for para 8 reais e a carne de segunda para 60 reais o kilo. O único preço que estão olhando é o do setor de serviços.

    Este Instituto está há mais de dois anos alertando que esta política cambial e de juros ultra-keynesiana iria dar merda. Agora já era.
  • Gabriel  20/02/2021 19:40
    "Paulo Guedes deveria ter abandonado essa pocilga de governo junto com Mansueto, Salim Matar, Ueber etc seria o momento certo para sair."

    Não entendi. Por que ele abandonaria um governo que deu total carta-branca para ele? Estamos nessa situação exatamente porque Guedes está colocando tudo que acredita em prática. Ele só não consegue aprovar projetos no congresso, mas aí são outros quinhentos. Aquilo ali só funciona na base do mensalão mesmo...

    No Banco Central, que é o culpado pela lambança toda, quem manda é ele. Roberto Campos Neto é um peão, quem apita é Guedes.

    "Agora, não apenas destruiu sua própria reputação como também fechou as portas para qualquer penetração liberal. Se provou tecnicamente fraco e submisso."

    Que reputação? Guedes sempre defendeu moeda fraca e juros negativos. Se esqueceu da fala da empregada indo para Disney?

    Conclusão: quem está acabando com o governo Bolsonaro é Guedes! Irônico, não? O "posto Ipiranga" e sua política no Banco Central estão afundando o governo Bolsonaro. O que elege e reelege presidente na América Latina não é o "apreço pela democracia", mas sim a economia.

    Pergunte ao FHC (não conseguiu fazer sucessor), Collor (impeachment) e Dilma (impeachment) como funciona.

    P.S.: Bolsonaro é nosso Macri, em todos os aspectos. O cara é um frouxo (igual Macri) e a economia está um lixo (igual Macri). Os hermanos já viveram esse filme e todo mundo sabe como termina.
  • Felipe  20/02/2021 20:27
    Concordo com quase tudo, entretanto ainda é cedo para comparar ao Macri, pelo menos na totalidade. Governo Macri foi péssimo, fez pouca coisa boa. Ele foi tão ruim que até o governo Temer foi melhor. Macri impôs controle de preços e controle de câmbio. No que parece, de fato, foi a subida do M1 em 2020 do governo Bolsonaro com relação ao Macri.

    Não houve a Lei de Liberdade Econômica (entre outras pequeninas reformas supply-side no governo Bolsonaro) no governo Macri. Aquilo realmente foi o buraco mesmo.

    De qualquer forma, eu realmente queria saber se alguém do governo Bolsonaro lê os artigos e os comentários, pois deveriam.
  • Osmani Pontes  22/02/2021 18:28
    Sim. Deve ser mto bom ser o Campos Neto. Responsável por todo esse caos, mas não ser tachado de culpado e ainda receber os louros de melhor do mundo e por "ter evitado queda pior do PIB" pelo juro baixo (sic).

    Tudo que tá acontecendo começa na taxa de juros fora do lugar desde abril do ano passado, quando insistiu em levar a Selic pra terreno negativo mesmo com grau de estímulo 3 p.p. abaixo da taxa neutra.

    Comprou a ponta vendida do carry pra moeda sob as bençãos de Guedes, que sempre defendeu política de real fraco. Meteu um Forward Guidance, tirou, mas continua sinalizando como uma pomba. Submisso ao Guedes, participa de bolão pra eleger presidente da Câmara e seus diretores falam demais em lives fechadas.

    Mas não para por aí. Em 2019, no fetiche trader de fazer preço médio, tentou baixar o cupom com a combinação de venda Spot e troca de swap por swap reverso. Entrou num mercado que funcionaria normalmente, baixou demais o cupom e afastou os bancos do mercado futuro, trouxe apostas de mais especulações no spot e perdeu no conceito original de reservas, já que assentava tudo na "posição cambial líquida".

    Quando reverteu o combo já era tarde. O real já tinha lambido e já antes da pandemia tava com preço descolado dos fundamentos, não acompanhando o movimento de liquidez global e juros baixos.

    Na pandemia, intervenções erradas, mal planejadas, imprevisíveis e a política monetária gerando todo tipo de pass-through. Quando os preços em dólar subiram lá fora, o câmbio não devolveu caindo e seguindo termos de troca. Não só subiu, como subiu mais. Inflação vista como temporária se alastrou e incomodou o governo, que agora começa a intervir.

    Aí vêm expectativas de novas altas de juros, agentes põe na inflação implícita, antecipam prêmios e o Tesouro arca.

    Lembrando que expectativa é canal de transmissão e só isso já aumenta ainda mais a inflação ou faz os agentes saírem do país caso BC não haja. Mais depreciação.

    Àqueles que clamam que a culpa é do fiscal não devem saber que isso é variável do juro neutro que o BC estima; e outros países com fundamentos piores não têm moeda tão ruim porque os BCs respectivos estão com o juros compatíveis com o quadro conjuntural.

    Já o que chamam os críticos da atual política monetária de "viúvas da CDI" são cínicos porque na verdade defendem isso desde junho, quando, segundo eles, havia só o "risco" de dominância fiscal (o que deveria, ao contrário, levar o BC a se antecipar a tal cenário e agir a tempo). São culpados também.

    Mas a culpa principal é da gestão desastrosa do Sr. Campos Neto. Péssimo na política cambial de 2019, que trouxe toda a pressão cambial; caótico nas comunicações da gestão cambial em 2020; e pavoroso, errado e irresponsável na monetária desse ano.

    Agora, os economistas que defenderam essa desgraça (todos os keynesianos e também os ortodoxos chicaguistas) precisam ser responsabilizados. Mais cedo ou mais tarde serão. Que o circo pegue fogo. Falta de aviso não foi.
  • Raul  27/09/2021 01:10
    Roberto Campos foi considerado o melhor presidente do BC no mundo ano passado! Seu negócio com certeza, não é Economia! De achista o Brasil esteve cheio nos ultimos 40 anos!
  • Mauricio Campos  21/02/2021 16:08
    Acho o artigo brilhante. Informações precisas, fundamentação consistente e senso comum gritante. Contudo, a pergunta que fica em minha mente eh a seguinte: o Fed e o BCE foram ainda mais Keynesianos ... dessa forma, pq là tb o preço real dos combustìveis não alterou? Em que pese sejam moedas mais fortes pq o preço real não moveu pra cima tb ?
  • Marcos  21/02/2021 16:52
    É claro que aumentou. Vide a extremidade da direita dos gráficos 1 e 4. Aumentou bastante. Só não está no ápice histórico.

    Por que não? Porque tais moedas, ao contrário do real, têm demanda mundial.

    Pergunta já feita e já respondida aqui:

    www.mises.org.br/article/3331/eis-o-responsavel-pela-disparada-dos-combustiveis-o-bc-e-sua-politica-monetaria-ultra-keynesiana#ac268802
  • José Neto  01/09/2021 21:55
    Uma alternativa seria aumentar o plantio de cana e milho para produção de etanol em larga escala... Temos terras agricultáveis em grandes extensões... Outra alternativa seria criar subsídios para veículos elétricos com fábricas e montadoras no Brasil. Aliás os veículos elétricos já era para ser a principal mobilidade urbana. Deixar os sheik e magnatas do petróleo com o cool na mão.
  • Samor  01/09/2021 22:02
    Ou seja, você defende exatamente aquilo que foi feito durante o pró-álcool, de triste memória. O brasileiro realmente não aprende.

    www.mises.org.br/article/2907/o-pro-alcool-os-carros-flex-e-as-tragicas-consequencias-da-intervencao-estatal-na-nossa-gasolina
  • Felipe  01/09/2021 23:34
    Tentamos isso por volta da década de 1970. Veja aqui.
  • Globolista  19/02/2021 17:32
    Bahhh, Chafurdeg e Somy Engana sempre falam isso em rede nacional..
  • David  19/02/2021 17:39
    Sardenberg e Samy Dana criticam o BC em rede nacional e pedem elevação de juros? Duvido muito. Mande um link, por favor.
  • Memória boa  19/02/2021 17:35
    Como disse um leitor aqui, é incrível como o Brasil sempre repete a mesma história.

    Uma moeda doenteuma estatal de petróleo e um estado controlando o setor de combustíveis entram no bar...
  • Felipe  19/02/2021 20:03
    Obrigado pela homenagem.
  • 4lex5andro  31/08/2021 13:37
    É quase setembro e esse post segue atual, diferente do Brasil, o eterno ''país do futuro'' que nunca vem.
  • João Victor Vellasco Jacomelli  01/09/2021 00:43

    "Uma moeda doente, uma estatal de petróleo e um estado controlando o setor de combustíveis entram no bar..."
    Gostei do dito. Tem alguma terminação em falas ou o final é a nossa própria realidade?
  • Rafael  19/02/2021 17:38
    Esses preços na foto do artigo ainda tão uma pechincha. Aqui no interior de MG (zona da mata), a gasosa tá R$ 5,57 e o diesel tá R$ 4,26
  • Régis  19/02/2021 17:41
    O lado positivo de tudo isso é que a Teoria Monetária Moderna será definitivamente desacreditada. Assim como Dilma enterrou o keynesianismo clássico (que defende gastança e créditos de bancos estatais), o atual BC está enterrando a tese de que impressão monetária, mesmo em uma forte recessão, não gera aumento de preços.

    Algum dia, daqui a algumas décadas, o pessoal descobre a Escola Austríaca…
  • Vladimir  19/02/2021 17:48
    A Teoria Monetária Moderna é ainda pior do que isso: ela afirma que imprimir dinheiro não gera aumento de preços nem mesmo se a economia estiver bombando.

    Agora pense: se, em uma forte recessão e com alto desemprego, os preços dispararam, imagine então se a economia estivesse normal?
  • robson santos  19/02/2021 18:51
    O caminho aberto para uma nova narrativa: o atual governo deturpou a teoria monetária moderna.
  • WMZ  19/02/2021 19:14
    Ela diz que imprimir dinheiro não aumenta a inflação se a capacidade ociosa estiver alta.

    É claro que não faz nenhum sentido: Quais são produtos inflacionados ? Quais são os produtos que terão a produção reativada? Os produtos da "produção reativada" coincidem com os produtos inflacionados? Ao menos, eles podem ser exportados para que a aquisição dos produtos que estão inflacionados seja pela importação? Como que fica o câmbio?

    Eles falam que a capacidade brasileira está ociosa mas qual é a qualidade dela ?
  • Trader  19/02/2021 18:43
    O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,56% (de fevereiro de 2020 a janeiro de 2021). O próprio Banco Central reconhece que em maio agora o IPCA acumulado em 12 meses estará acima de 6%, muito acima do teto da meta (que é de 5,25%).

    Lembro-me de vários keynesianos e defensores da Teoria Monetária Moderna vindo aqui dizer, ainda em meados de 2020, que as impressões de moeda feitas pelo Banco Central não trariam carestia nenhuma e que o IPCA de 2020 ficaria abaixo de 2%.

    Eles sumiram.
  • Gabriel M  19/02/2021 23:15
    Falando nisso, que fique registrada essa previsão super certeira:

    youtu.be/aLsyo1xGT9g

  • Leitor Antigo  19/02/2021 23:26
    Haha, esse é um vídeo a ser guardado para toda a posteridade. Aliás, o conteúdo dele foi analisado (e destroçado) aqui.
  • weberth pereira  19/02/2021 17:49
    O que derruba presidentes no Brasil se chama inflação... Já li essa frase antes e faz todo sentido olhando a história, a única coisa que deixa brasileiro descontente é tudo estar caro.
    Bolsonaro está brincando com fogo, ele acha que sua popularidade histórica pode salva-lo de um chute na bunda. Talvez ele realmente não entenda nada sobre economia, mas duvido.
    O estado já coaptou bolsonaro, ele não vai entregar as grandes privatizações prometidas.
    No começo eu cai no papo de que a culpa era do congresso, que ele queria mas outros não o deixavam.
    Mas depois ficou claro que ele não tinha mais interesse em privatizar, diminuir o estado. Era cargo por voto na cara dura mesmo.
    Ele faz parte do estado e não vai diminuí-lo.
    O covid fez os políticos (Bolsonaro ainda tentou não fechar o Brasil) fazerem as medidas mais burras da história. Fechar a economia e imprimir dinheiro a rodo.

    Agora somem isso tudo ( Crise econômica da Dilma + desvalorização da nossa moeda + fechamento dos comércios + demissões + dinheiro sendo impresso sem parar.....)
    A tempestade perfeita está formada.
  • Vladimir  19/02/2021 17:57
    Sim, o que derruba presidente e o que define eleição no Brasil é e sempre foi inflação. Escolha qualquer eleição de qualquer ano. O sujeito foi reeleito ou seu partido foi enxotado por causa da inflação.

    Desemprego está em um distante segundo lugar.

    Ademais, com a Lei da Liberdade Econômica, e com cada vez mais desempregados virando autônomos, inflação será cada vez mais o definidor. Se Bolsonaro entregar inflação baixa e moeda forte (ainda dá), é reeleição garantida. Porém, o tempo está se esgotando e tal cenário está ficando cada vez mais distante.

    Se continuar com esse keynesianismo destrambelhado, e dependendo do que ocorrer com alimentos e combustíveis, Ciro vai dar trabalho.
  • Bernardo  19/02/2021 18:02
    E Lula? Haddad?
  • Vladimir  19/02/2021 18:10
    Lula até tem chance, mas será difícil pela lei da Ficha Limpa. Já Haddad não tem chance nenhuma.

    Brasileiro já deixou claríssimo que não vota em mauricinho e nem em almofadinha.

    Collor não era nem mauricinho e nem almofadinha. Vide seus vídeos da época. Ele vivia aparecendo todo suado e desgrenhado no meio do povão, cumprimentando, abraçando e beijando (e sem fazer cara de nojo). Tanto é que os pobres votaram maciçamente nele.

    FHC em 1994, ao contrário de hoje, tinha enorme apelo popular. Fazia pose de mulato e dizia que tinha "um pé na cozinha". Andava com desenvoltura no meio do povão.

    Em 1998 já estava bem mais elitizado, mas com um IPCA de 1,65% ao ano, jamais perderia aquela eleição.

    Em 2002, Serra era o almofadinha. Tomou vareio. Em 2006, foi Alckmin. Um passeio total. Teve menos votos no segundo turno do que no primeiro. Em 2010, Serra leva outro vareio, e de Dilma, uma candidata completamente esculhambada.

    Em 2014, Aécio perdeu por pouco. Ele jamais venceria a eleição (pois é almofadinha), mas a inflação em ascensão quase custou a reeleição de Dilma. Pouco mais de um ano depois, com a inflação fechando o ano em 11%, ela caiu. Surpresa nenhuma.

    Temer assumiu e, mesmo sendo a mais perfeito definição do almofadinha elitista, entregou moeda forte e inflação baixa, que é o que interessa. Ninguém conseguiu mobilizar um mísero ato de rua contra ele, por mais que os institutos de pesquisa jurassem que ela era o "presidente mais impopular da história" (se fosse verdade, PT e Ciro, que eram oposição, iriam para o segundo turno).

    Em 2018, mesmo com toda a mídia jogando contra, o demonizado Bolsonaro passeou em cima dos mauricinhos e almofadinhas Haddad, Amoedo, Alckmin e Meirelles.

    Por tudo isso, quem tem chances reais contra Bolsonaro em 2022 são Ciro e Lula. Esqueçam Huck, Dória e Haddad. Chance abaixo de zero.
  • anônimo  19/02/2021 18:30
    Temer era bem impopular na verdade, tanto é quê até hoje ainda tem um monte de "Fora Temer" escrito nas paredes das grandes cidades, na primeira metade do mandato dele á popularidade dele tava boa, mas só foi acontecer aquele famoso escandalo um tanto quanto ridículo quê a midia começou á apredejar ele, mesmo assim ele ainda conseguiu se safar do impeachment.
  • Saudoso Libanês  19/02/2021 18:43
    O governo Temer foi quase que uma miragem. É aquele tipo de governo que só abençoa um país uma vez a cada geração.

    O primeiro ano de governo, de maio de 2016 a maio de 2017, foi espetacular. A economia estava lisa. Tudo arrumadinho. Tudo se encaminhando perfeitamente.

    O dólar, após bater em R$ 4,24 no fim do governo Dilma, estava a R$ 3,05 e caindo. O IPCA estava desabando (seria negativo em junho de 2017, coisa de Suíça).

    Os investimentos estavam voltando e o desemprego começava a cair. As taxas de juros de longo prazo estavam em queda livre. A reforma trabalhista e a terceirização estavam a pleno vapor.

    E, para completar, o teto de gastos — a mais espetacular medida econômica da história recente — já tinha sido aprovado.

    Pela primeira vez desde meados da década de 1990, a economia brasileira dava inequívocos sinais de que "agora, sim, finalmente vai".

    Mas aí veio aquele filha da puta do Janot, que claramente era contra a reforma da Previdência (tanto é que o indigitado correu e se aposentou pelo teto, e recebe hoje módicos R$ 37 mil), e, em conluio com Marcello Miller (outro escroque confesso) e toda a imprensa (insatisfeita por não ter o que criticar), saiu atirando suas "flechas de bambu", com a explícita intenção de derrubar Temer (utilizando o ridículo "escândalo" do Joesley Day).

    Hoje, aliás, já se sabe que todo esse golpe foi planejado à sorrelfa, em obscuros botecos de Brasília, com os covardes se escondendo sob ridículos óculos escuros. (Como se esquecer daquela cena patética?)

    Foram três tentativas de impeachment sem nenhum fundamento.

    Desde então, todos os indicadores econômicos pioraram e tudo se perdeu. Em 2020, então, com o Corona, absolutamente tudo foi pro vinagre.

    Esses dois (Janot e Miller) são os principais responsáveis pela derrocada da economia, e tudo porque eram abertamente contra a Reforma da Previdência, pois pensavam apenas em suas faustosas e nababescas aposentadorias. Não fosse por eles, Temer seria tranquilamente reeleito.

    Ainda irei urinar em suas covas.
  • Gustavo  19/02/2021 18:45
    "tanto é quê até hoje ainda tem um monte de "Fora Temer" escrito nas paredes das grandes cidades"

    Os "Fora Temer" eram escritos por militantes pagos pelo PT (que, à época, ainda estava cheio da grana roubada das estatais). Nenhum trabalhador ou pobre saiu às ruas para fazer essas pichações.

    Não confunda militância paga com genuíno desejo da população. Tanto é que hoje você dificilmente encontra alguém que diga que o governo Temer foi "muito ruim".
  • Felipe  19/02/2021 20:13
    Temer era um governo impopular, mas com ele que tivemos um real relativamente forte e estável. Foi só em 2018, quando eles exageraram na redução da SELIC (enquanto nos EUA estavam elevando os Fed Fund Rates), que houve protesto contra ele, por causa da forte desvalorização do real (e que refletiu nos preços dos combustíveis).
  • Felipe  19/02/2021 20:22
    Collor também era muito carismático. Olhando os candidatos em 1989, realmente era difícil alguém vencê-lo. O Lula ainda estava preso na URSS. Se ele tivesse dolarizado a economia, certamente seria reeleito. A hiperinflação e os confiscos de poupança acabaram com o mandato dele.

    O FHC entregou sem igual uma estabilidade monetária. Em 1998 ele seria reeleito no primeiro turno, recebendo muitos votos inclusive da região Nordeste. Morreu o câmbio atrelado, morreu o PSDB nas eleições. O Serra era contra aquilo de bom que o FHC fez.

    E, de fato: candidato à presidência não pode ser frouxo, ainda mais com a polarização de hoje e com tanta gente envolvida com política. O Ciro é um caso bastante interessante: apesar de seus discursos heterodoxos, a sua família no governo do Ceará implantou medidas de austeridade.
  • Diogo  19/02/2021 21:46
    Pode até ser. Mas esse cangaceiro eu dispenso.
  • Felipe  19/02/2021 22:53
    "FHC em 1994, ao contrário de hoje, tinha enorme apelo popular. Fazia pose de mulato e dizia que tinha "um pé na cozinha". Andava com desenvoltura no meio do povão."

    E não é que encontrei mesmo? Vejam essa notícia de 1994, onde ele falou que era um mulato com pé na cozinha.
  • Livre  22/02/2021 12:18
    PT só volta se houver fraude. Há uma variável que não havia no passado... a internet e informação descentralizada. Duvide ou não, o ipitchman da Dilma, e todas as mudanças que surgiram hoje e até a eleição do Bolsonaro se deu graças a internet e o contraste de opiniões que era impossível antes. O próprio instituto Mises não tinha chance alguma antes da internet e qualquer coisa sobre livre mercado jamais teria atingido o governo, mesmo que de forma falsa e populista, se chegou lá é porque políticos estão explorando uma demanda que realmente foi suficiente para pô-los lá, ainda que sabemos, eles não vai cumprir. Não importa o que políticos fazem sobre, o ponto é, isto é um retrato de como o pensamento do povo está se modificando. Não duvido que hajam recaídas socialistas no meio do caminho, mas acho que por hora é mais provável que isso ocorra por fraude eleitoral.
  • anônimo  19/02/2021 18:08
    Mas ele não entende muito de economia mesmo, parece quê quem ensinou ele alguma coisa foi o Guedes.

    Acho praticamente impossível ele do nada começar á criticar essa política keynesiana do BC, ele provavelmente acha quê á culpa é dá Petrobrás e dos governadores, e diminuiu impostos para melhorar á situação no curto prazo.

    Mas vamos pelo lado positivo: Pelo menos ele está reduzindo impostos e burocracias (O mercado espera quê pelo menos á reforma tributária seja aprovada até no fim do mandato dele), só falta as privatizações quê ele tanto prometeu mas ainda não vieram, quando esse BC for finalmente trocado e entrar um mais sensato no lugar pra corrigir todas as lambança, á economia vai poder crescer mais livremente.

    Só espero quê não surja algum político sem vergonha pra substituir ele e cagar tudo, se figuras como Ciro, Boulos ou haddad subissem no poder seria um desastre.
  • 4lex5andro  31/08/2021 14:23
    O governo presente tem seus defeitos e claro, deve ser criticado.
    Por outro lado, há de se reconhecer que empreendeu algumas medidas que apontam para a redução do Estado brasileiro, que só aumentou desde o início dos anos 2000.

    - Eliminação de milhares de cargos comissionados em 2019.
    - Reformas previdenciária (feita há 2 anos) e administrativa, uma já foi e essa última só depende do congresso votar.
    - Vendas de vários imóveis não-utilizados da União, postos a leilão.
    - Vendas de companhias Docas de alguns estados como a Codema do Maranhão.
    - Privatização de subsidiárias da Petrobras (essa só pelo congresso), a saber: BRDistribuidora e Liquigas.

    Considerando que nunca esteve perto de ter uma base aliada que fosse maioria no congresso e muito menos no senado.

    Sem esquecer: eleições presidenciais são (muito) importantes, mas as do legislativo são tanto quanto.

    E é por aí que se explica muito do por quê do Brasil não melhorar como se deveria, são votos que fazem muita diferença e definem cargos sobre os quais não se cobra com o mesmo critério.
  • WMZ  19/02/2021 18:56
    Mas as exportações estão bombando, ou seja, era para a fraqueza do dólar (ou fortaleza, depende), que nos obriga a gastar mais moeda americana para comprar produtos importados, ser compensada pelo aumento das exportações.

    Porém, as divisas arrecadadas pelo setor exportador não estão sendo "internalizadas", ou seja, os produtores estão deixando os dólares no exterior fazendo com que os importadores não tenham acesso às moeda moeda americana para importar. Mas por qual motivo? Porque os exportadores não querem trocar os seus dólares pelo real inflacionário e pelos títulos de curto prazo que não estão rendendo nada.

    Então, qual seria a solução?

    Estatizar todo setor agroexportador para que a alocação das divisas conseguidas em prol da importação não passe pelo entrave de "ter que atender os interesses dos exportadores em primeiro lugar"

    O Brasil vai produzir soja, vender e os dólares obtidos ficarão prontamente à disposição dos importadores de petróleo, de medicamentos e de insumos agrícolas.

    Seria socialismo se não tivesse nenhum fundamento racional ou prático, se fosse apenas mais uma daquelas ideias fofinhas, sem sentido e prejudiciais (ao contrário das aparências) que só serve para arrebanhar eleitores para políticos esquerdistas.
  • Vladimir  19/02/2021 19:09
    Cuidados com as ironias… vai ter gente achando que é sério.

    Sim, as exportações, principalmente as do agronegócio, seguem batendo recordes.

    Só que os exportadores não estão "internalizando" os dólares recebidos — ou seja, estão preferindo manter os dólares lá fora do que convertê-los em reais.

    Isso é notável pela diferença entre o volume físico exportado e o volume de dólares internalizado. Na prática, apenas 50% dos dólares foram internalizados.

    Em minha opinião, a grande responsável por isso é a Selic. Com juros reais negativos, exportador não tem motivo nenhum para converter dólar para real e perder para a inflação.

    Lambanças do Banco Central.

    No entanto, a boa notícia é que isso é facilmente corrigível: uma elevação na Selic para acima do IPCA já imediatamente reverteria todo esse estrago.

    E, antes que gritem que isso irá "dilapidar as contas públicas", duas considerações:

    1) Boa parte da dívida está em títulos atrelados ao IPCA. Quanto mais alto o IPCA, maior a despesa com a dívida. Logo, juros reais negativos são muito mais caros do que parecem;

    2) Selic mais alta imediatamente manda o sinal de menor tolerância com a inflação. Consequentemente, taxas de juros de longo prazo caem. Governo gasta menos com a dívida.

    Atualmente, mesmo com a Selic nas mínimas, os juros de longo prazo estão muito maiores do que estavam em 2019, quando a Selic era de 6,50% e a inflação estava controlada.

    Keynesianismo custa caro.
  • Felipe  19/02/2021 20:11
    O Trader disse semanas atrás de que a redução dos juros influencia por volta de 40 % da dívida, já que ela está atrelada em títulos indexados à SELIC, reduzindo alguma despesa, se não me engano. Eu não encontrei o comentário, então eu me desculpo em caso de qualquer erro.

    De qualquer forma, a redução nas despesas com juros foi ínfima: o gasto com juros foi de R$ 312,427 bilhões em 2020, enquanto em 2019 foi de R$ 367,282 bilhões. Isso não paga nem o Ministério da Saúde.

    E qual foi o ganho? Nenhum. A moeda afundou, o déficit do governo explodiu de qualquer jeito, assim como a dívida bruta. Comparem com o México, que ainda tem grau de investimento. Obrador está dando uma aula de austeridade para a equipe econômica do Brasil.
  • Vladimir  19/02/2021 21:54
    Exato. Até hoje tem inocente que acredita que redução da Selic reduz a dívida pública.

    Fatos:

    1) Grande parte da dívida pública está em títulos atrelados ao IPCA, que pagam inflação mais uma parte prefixada. Se a Selic baixa elevar a inflação, a dívida aumenta. Se a Selic baixa elevar as expectativas de inflação, as taxas prefixadas aumentam, e as despesas com a dívida aumentam.

    2) Igualmente, há também títulos prefixados. Estes também variam de acordo com a expectativa futura de inflação. Reler o item 1.

    3) Há também títulos que pagam juros semestrais, tanto prefixados quanto atrelados à inflação. Os prefixados pagam 5% por semestre. Sempre. Os atrelados à inflação pagam o IPCA do período (semestre) mais 2,95%. Ou seja, também não podem ser reduzidos por uma redução na Selic.

    4) No final, apenas os títulos realmente atrelados à Selic são influenciados. No caso, não é que eles passam a pagar menos. O que ocorre é que as despesas com eles passam a aumentar a uma taxa menor. E só. E mesmo assim, é necessário sopesar os efeitos acima para ver se compensa. Na situação atual, claramente não compensou.
  • anônimo  19/02/2021 21:45
    O que impede de entrar o dólar exportado é que o governo tem subsídios nas exportações, o que desvaloriza ainda mais o real e aumenta ainda mais as exportações.

    Exportação tem que ser nas bases do livre mercado, não com subsídio, pois pagar o subsídio é inflacionário. Em situações assim o dólar foge do pais, e não o contrário.
  • Vladimir  19/02/2021 19:11
    Mas eu confesso que seria divertido um setor exportador estatizado. Iriam exportar só capim e alfafa (não teriam competência para produzir mais nada) e não haveria divisa externa nenhuma. Vide Cuba.
  • WMZ  19/02/2021 19:51
    É óbvio que eu fui irrealista, já que tal medida teria elevados custos políticos, mas veja:

    1)Seria o fim dos baderneiros do MST
    2)Seria o fim do lobby ambientalista
    (ambos só ganham por estarem dentro daquela retórica de "lutar contra empresários gananciosos")

    3) O Estad0 não iria produzir alfafa (leguminosa de luxo, caso não saiba) pois deve-se levar em conta que os importadores estrangeiros são extremamente exigentes (ao ponto de serem insensatos). Se os produtos não estiverem dentro do rigoroso padrão que eles adotam, eles simplesmente mandam de volta todo o carregamento. Para se ter uma noção, por causa de qualquer suspeita de doença, os europeus já mandaram descartar um carregamento inteiro de carne e os muçulmanos exigem que o abate seja realizado por abatedores islâmicos e seguindo os dogmas do islã.

    O único risco que eu imagino é o típico risco do Estado estatizar...se acomodar...parar de produzir...funcionário público ganhando muito...se exporta ou não exporta, não interessa pois não há riscos de prejuízo...terra parada...politicagem e mais politicagem para mudar qualquer coisa (desde o nome das vacas)...enfim, parece que foi uma ideia tola, ainda mais numa democracia.

    Talvez a criação de um "título especial" com uma "rentabilidade especial" só para os exportadores solucionaria as coisas.
  • ninguém  19/02/2021 22:53
    Seguindo o prezado Vladimir...

    1 - Pelo contrário, seriam em numero maior, agora contra o governo exportador capitalista, que pra acalmar provavelmente iria criar o bolsa sem terra, pago por quem? Essa vou deixar pra você responder.

    2 - Pelo contrário, seria em maior número, agora contra o governo exportador capitalista, acalmados a base de propina, pago como? Isso mesmo, por nós.

    3 - O estado não iria produzir capim, quem iria produzir capim seriam os empresários do cartel do capim.
    Esses empresários pagariam a campanha dos seus políticos, que além de receberem propinas regulares, ainda estariam comprados em ações do agro CAPIM-BOV-101. Olha a dica pra investimento ai. kkk.

    Seria criado o ministério do capim, a ANCAPIN, pra regular o mercado eh claro, secretarias no âmbito federal, estadual e municipal. Muitos empregos seriam gerados. kkk.

    Como o cartel não iria conseguir exportar nada, pois ninguém quer capim, iria ficar estocando capim nos portos até apodrecer. Na calada da noite, o capim então seria jogado no mar. Haveria desequilíbrio no bioma marítimo, mais ambientalistas iriam aderir à causa contra o estado exportador capitalista e seriam acalmados, eh claro, com mais propina. Tudo isso à custa de quem? É, nós mesmos.

    Conclusão
    - As safras, sem dúvida, seriam recordes.
    - Donos de armazéns portuários ficariam bilionários.
    - Provavelmente os peixes que comem capim, iriam gostar. Existem peixes que comem capim?

    Iria funcionar, até o dia em que a conta por toda essa farra, iria chegar.
  • Felipe  19/02/2021 20:12
    Acho que nem capim teria. Na Venezuela, que nada em petróleo, eles precisam do Irã para conseguir gasolina...
  • Ex-microempresario  19/02/2021 20:44
    Quer saber como é uma exportadora estatal? É só ver a Vale antes do FHC.

    Conheci um engenheiro que trabalhou lá naquela época. Segundo ele, um caminhão pesado (que custa uns dois ou três milhões de dólares) era usado por um ano e depois sucateado, mesmo que estivesse em bom estado. E o tal engenheiro, claro, achava o máximo: "isso que é planejamento".
  • Gredson  19/02/2021 19:11
    E sabe por que não vão parar de desvalorizar o Real? Porque o funcionalismo público vive dessa desvalorização. Se não houver impressão louca o salário privilegiado deles não chega.
  • Carlos Brodowski   19/02/2021 19:15
    É um bom ponto. Salários do funcionalismo causam déficits. Em um cenário de queda na arrecadação, como em 2020, se não há redução dos salários dos funças, ao menos uma parte virá da impressão monetária. Outra virá do endividamento. O Orçamento de Guerra foi exatamente para acomodar esse descalabro.
  • anônimo  19/02/2021 19:37
    A questão é, os EUA também injetou insanamente moeda na economia. Por que não vemos lá o mesmo descalabro?
  • Marcos  19/02/2021 19:51
    Porque a moeda deles é mundialmente demandada, um pouquinho diferente do real…

    Por que há uma escassez de dólares no mundo apesar das maciças injeções do Fed?
  • Felipe  19/02/2021 20:00
    - Porque o dólar é a moeda internacional de troca e de reserva;
    - Nem todo o dinheiro criado foi diretamente para a economia;
    - O lastro do dólar americano está em seu histórico de padrão-ouro e num país que nunca teve hiperinflação (nunca mesmo, pode ver a história) e em sua população extremamente produtiva e altamente capaz de criar riquezas;

    No Brasil, apenas veja o nosso histórico de trocas de moedas.
  • Otário  20/02/2021 01:01
    Não será por muito tempo. Mas ainda é uma moeda forte, numa economia enorme.

    Francos suíços são mais fortes, mas o país é pequeno.
  • Pensador Libert%C3%83%C2%A1rio  19/02/2021 19:46
    Autonomia do Banco Central foi uma medida boa ou será mais uma furada tupiniquim? E a lei do câmbio que prevê pessoas físicas investirem e possuírem contas em dólar,mesmo residindo no Brasil guaranil.
  • Trader