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Assim como o socialismo, o keynesianismo também irá cometer suicídio – mas é preciso paciência

Após mais de sete décadas de vida, eis a pergunta
que sempre me faço: “Qual foi o evento mais significativo da minha
vida?”

Sempre me divido entre dois eventos, mas a realidade
é que eles representam o mesmo evento. 

O primeiro foi a decisão de Deng Xiaoping, em 1979,
de começar a remover
os controles estatais sobre a agricultura na China
.
Essa liberalização levou ao maior e mais longo período de crescimento
econômico, na maior área terrestre do planeta, em toda a história da
humanidade.

O segundo foi o colapso do Partido Comunista da
União Soviética ao final de agosto de 1991. A isso se seguiu a decisão do
governo soviético de abolir a União Soviética na última
semana de 1991

A URSS foi, em termos geográficos, o maior império
da história. Somente o componente russo possuía 11 fusos horários. Por
meio de seus países satélites, a URSS se estendia até a Europa Ocidental. No
ano de seu colapso, este império existia há mais de 70 anos. Ele possuía o
mais amplo e completo sistema de controle sobre atividades, ideias e
pensamentos da história da humanidade. Nenhuma grande sociedade jamais chegou a
ter aparato semelhante. 

No entanto, em apenas uma semana, sem nenhum
derramamento de sangue
, os líderes dz URSS simplesmente
abandonaram este esquema. Nada semelhante a isso jamais havia ocorrido
anteriormente.

Aqueles que vivenciaram aqueles dias de 1991 jamais
apreciaram corretamente a magnitude do evento. Talvez porque não tenha havido
derramamento de sangue. Não houve praticamente nenhum aviso. De 1946
a 1991, o Ocidente foi envolvido em uma grande competição entre os dois
sistemas. E então, sem nenhum alarde, a competição acabou. O fim do
império pegou os russos de surpresa. Também pegou os ocidentais de
surpresa.

Confira um bom resumo daqueles dias:

A China comunista e a Rússia comunista eram vagamente
ligadas pela ideologia. Ambos os sistemas eram muito mais rigorosos do que
qualquer outro existente no Ocidente. O Ocidente estava comprometido com
uma vaga crença na democracia como sistema político, mas tolerando e até mesmo
promovendo todos os tipos de opiniões econômicas e religiosas. Já os comunistas
eram muito diferentes. Eles possuíam uma ideologia consistente. Tal
ideologia apresentava uma visão específica sobre Deus, sobre o homem, sobre as
leis, sobre causalidades, e sobre o futuro. 

Não havia tolerância a uma religião
sobrenatural. Não havia tolerância oficial ao capitalismo, muito embora o
mercado negro sempre tenha podido existir, pois, sem o mercado negro, ambos os
sistemas entrariam em colapso
. Havia um nome
para o mercado negro na URSS: “blat”. Havia também uma frase:
“Blat é mais poderoso do que Stalin”. 

No entanto, não obstante toda a centralização, toda
a tirania, e toda a proibição das liberdades civis, ambos os sistemas
acabaram. E eles não acabaram estrondosamente; eles acabaram ouvindo
apenas as lamúrias de ideólogos e saudosistas.

Não houve nenhum colapso. A economia chinesa
começou a crescer quase que imediatamente, em 1980. Já a economia russa
passou por algumas
crises de abstinência
, e elas duraram aproximadamente 10
anos. 

Mises previu isso

Tudo isso era previsível, em termos gerais. Mais
especificamente, tudo isso foi previsto. 

E foi previsto ainda em 1920 por Ludwig von Mises em
um ensaio: O
cálculo econômico sob o socialismo

Em 1922, ele expandiu esse ensaio e o transformou em
um tratado abrangente, Socialism

Mises havia explicado bem claramente por que não
seria possível uma economia socialista implantar, na prática, a teoria do
socialismo. Se algum governo tentasse isso, a economia se degeneraria no
caos e no colapso econômico.

Eis a teoria, sucintamente: se os meios de produção
pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre
eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de
preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de
custos, lucros e prejuízos. E sem esse cálculo, é impossível haver
qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada
é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

Ou seja, sem um mercado para os bens de capital, e
sem a propriedade privada dos meios de produção, não é possível descobrir
quanto vale ou quanto custa cada bem, nem como fazer qualquer planejamento
empreendedorial básico. Sem um sistema de preços, há apenas cegueira
econômica.

Os socialistas fizeram de tudo para ignorar este
ensaio durante os 70 anos seguintes à sua publicação. Outros, como Oskar Lange,
se limitaram apenas a
ironizar
, sem perceber que estavam concordando com a crítica. Mas, no
fim, tudo já era por demais óbvio: Mises estava certo. 

O economista multimilionário e socialista Robert
Heilbroner admitiu isso em um artigo para a revista The New Yorker em setembro
de 1990. Ele literalmente disse essa frase: “Mises
estava certo
“.

O que houve foi uma combinação de teoria e
prática. Do ponto de vista da teoria econômica, a dissolução da União
Soviética e da China Vermelha era inevitável. No caso da China, não houve
um colapso simplesmente porque a economia estava tão devastada
pela pobreza
em 1979, que a reforma instituída por
Deng Xiaoping nem sequer tinha como fazê-la entrar em colapso. No caso da
União Soviética, cuja economia era mais avançada que a da China, e que vinha copiando todos os
preços ocidentais durante meio século
— exatamente como Mises havia dito
que os planejadores socialistas teriam de fazer –, a transição foi mais dolorosa
em termos econômicos. Mas o que houve foi uma grande recessão, e não um
colapso.

No livro de Ernest Hemmingway, O Sol Também
Se Levanta
 (1926), há o seguinte trecho:

“Como você faliu?”, perguntou Bill.

“De duas maneiras”, respondeu Mike. “Gradualmente,
e depois repentinamente”.

Foi isso o que aconteceu com a União
Soviética. Ela estava falida moral e espiritualmente desde a Revolução de
Outubro de 1917. Mas foram necessários 74 anos para que as implicações
daquela falência se desenrolassem completamente.

Passo a passo

Se alguém se dispuser a escrever a história do
declínio e da queda da União Soviética, terá de começar por Geórgiy Malenkov,
que substituiu Stalin em 1953. Ele era um rebelde, e é hoje praticamente
desconhecido no Ocidente. Ele se opunha ao uso de armas nucleares e queria
que a economia soviética se concentrasse na produção de bens de consumo, e não
na indústria pesada. Ele deteve as rédeas do poder muito brevemente, e foi
substituído por Khrushchev já no início de 1955. 

E então ele desapareceu. Ele não foi
assassinado. Os líderes soviéticos já haviam aprendido a lição durante o
reinado de Stalin. Sendo assim, deixaram Malenkov viver, mas o mandaram
para uma usina hidrelétrica no Cazaquistão. Ficou lá até morrer em 1988. O
enfraquecimento do poder central começou em 1955, com Khrushchev.

O próximo evento foi o discurso supostamente
secreto proferido
por Khrushchev para a liderança soviética
, ocorrido em
1956. Ele atacou o culto à personalidade de Stalin. Todos os
presentes sabiam que Khrushchev havia sido o braço direito de Stalin, e que
havia praticado homicídios em
massa na Ucrânia
. Esse discurso, ao ser traduzido e
distribuído no Ocidente, levou a várias deserções de membros do Partido
Comunista em todo o Ocidente.

Doze anos depois, a invasão
soviética da Tchecoslováquia
geraria outra onda de deserções no
Ocidente. Mas isso pareceu não afetar a estabilidade da União
Soviética. Não havia sinais de enfraquecimento.

Em agosto de 1978, após 33 dias de papado, o papa
João Paulo I morreu. Em outubro, ele foi substituído por João Paulo
II. Esse evento completamente imprevisível rapidamente levou a uma confrontação na Polônia
entre a hierarquia comunista vigente e a inabalável autoridade moral de João
Paulo II. Karol Wojtyla havia atingido a maioridade em uma Polônia sob
domínio nazista e depois se tornou padre em uma Polônia já sob domínio
comunista desde 1945. Ele havia sido treinado pelo cardeal Stefan
Wyszynski
, um inflexível anti-comunista e um mestre em saber
provocar uma burocracia hostil até seus limites.

O papa conhecia as fraquezas do Partido Comunista da
Polônia. Sua visita ao país em junho de 1979 ajudou a criar as bases morais para a
resistência do povo polonês, a qual se intensificou em 1980.

Em 1979, a União
Soviética entrou com seus tanques no Afeganistão
por uma estrada que o
governo americano havia financiado em 1966. Moscou queria um regime
pró-soviético em Cabul, mas os comunistas rapidamente descobriram que haviam se
metido em um atoleiro que se prolongaria por toda a década seguinte. Eles
não conseguiriam recuar, sair dali e ainda manter o orgulho próprio. Mas
eles também não tinham como vencer.

Em 1980, ocorreram dois eventos que solaparam a
legitimidade do socialismo de uma maneira até então inédita. Ambos estavam
relacionados à Olimpíada. Os jogos
olímpicos
foram sediados em Moscou, e foram boicotados
pelos EUA
em represália à invasão soviética do Afeganistão. De todos
os cantos do mundo, os ocidentais desembarcaram em Moscou para assistir aos
eventos esportivos. Eles foram para lá com seus ternos chiques, com seus
relógios caros, com seus sapatos finos e com seu orgulho. Todos os líderes
soviéticos viram essas figuras ocidentais bem vestidas e orgulhosas. E todos os
líderes soviéticos sabiam, sem nenhuma sombra de dúvida, que jamais seriam
capazes de se igualarem àquela riqueza do Ocidente. 

Não obstante todo o seu poder, todos os seus
privilégios especiais, e todo o seu acesso a lojas de departamento exclusivas,
nas quais alguns poucos produtos ocidentais podiam ser comprados, eles
perceberam que, em termos econômicos, eram meramente cidadãos de segunda
classe. A liderança soviética jamais se recuperaria daquele abalo.

Na Polônia, houve um evento peculiar em julho
daquele mesmo ano: a cidade de Lublin (de 300.000 habitantes) foi completamente
paralisada
. O motivo? Trabalhadores de uma ferrovia descobriram
que um trem repleto de latas com o rótulo “peixe” estava na
realidade transportando
carne nobre
, e a caminho da Rússia. A carne
estava sendo enviada para Moscou para alimentar os ocidentais que foram
assistir aos jogos olímpicos. Famintos e indignados, os trabalhadores
fecharam a ferrovia e deixaram os trens parados sobre os trilhos, com os
motores desligados. Uma greve geral ocorreu e, dentro de algumas semanas,
o movimento Solidariedade
estava criado
. Daquele momento em diante, a Polônia começou a se
afastar da órbita soviética.

Em 1980, Ronald Reagan foi eleito. Ele era
anti-comunista. Ele exalava uma certa jovialidade. Logo após sua
eleição, em março de 1981, houve uma
tentativa de assassinato
, mas ele sobreviveu. Sua popularidade aumentou junto com sua moral.

No dia 3 de agosto de 1981, o sindicato dos
controladores de tráfego aéreo decretou
uma greve geral
. Eles queriam aumentos salariais,
uma redução da jornada de trabalho, e o fim da proibição a greves orquestradas
por sindicatos de funcionários públicos. Treze mil controladores cruzaram
os braços, o que afetou severamente o tráfego aéreo nos EUA. Os líderes
soviéticos prestaram muita atenção a este evento, pois queriam ver se Reagan
teria a coragem de peitar o até então poderoso sindicato. E ele
teve. No dia 5 de agosto, 11.345 controladores foram demitidos,
substituídos e banidos para sempre do serviço público. O movimento
grevista foi derrotado e desmoralizado. Os russos perceberam.

Daquele momento em diante, Reagan estava no total controle da situação.

E então a TV americana passou a transmitir com
frequência imagens de Reagan em seu rancho, andando a cavalo sem sela e sem proteção,
e construindo cercados. As cenas não eram ensaiadas; eram realmente
genuínas. Aquilo era o que ele realmente gostava de fazer. Os já
caquéticos burocratas de Moscou eram constantemente relembrados de que não mais
pertenciam àquele mundo.

Depois vieram as mortes, em rápida sucessão, de
Brezhnev (1982), Andropov (1984) e Chernenko (1985). Gorbachev assumiu o
poder. Ele começou a reformar a economia permitindo alguma
descentralização. Ele também começou a liberar discussões públicas na
imprensa. Em outras palavras, ele começou a permitir mais atividades de mercado
e mais liberdade de expressão. No entanto, a economia já estava em ruínas,
e continuava se agravando.

Então veio um temido aniversário: em 1988, a
fundação da Igreja Ortodoxa russa comemorou
mil anos
. Ela estava viva e não havia sido esmagada.

Já àquela época, Gorbachev estava viajando
constantemente pelo Ocidente, implorando aos governos por apoio financeiro. Não
conseguiu nada.

Em 1989, a União Soviética teve
de se retirar do Afeganistão
. Esse evento foi a demonstração prática
da incapacidade do exército soviético de manter o controle em uma nação
vizinha.

Em 1991, o Iraque, outro satélite da URSS, perdeu
a guerra para os EUA
. Seu aparato militar simplesmente não rivalizava
com a rica tecnologia ocidental. Seus aviões eram derrubados antes de eles
próprios detectarem a presença de um caça americano. Seus tanques
explodiam no deserto sem qualquer aviso. Isso foi em fevereiro. Já na
última semana de dezembro, o Partido Comunista e a União Soviética deixavam de
existir.

Individualmente, cada um desses eventos não foi
previsto — e nem tinha como ser. No entanto, a evolução geral desses
acontecimentos já havia sido prevista por Mises em 1920. O Ocidente foi
capaz de evitar um confronto militar direto com a União Soviética, e por isso a
humanidade continuou existindo. O Ocidente ainda não se deu conta de quão
acurada foi a constatação de Mises. Em linhas gerais, os eventos ocorreram
exatamente como ele disse que iriam ocorrer. As economias socialistas da
China Vermelha e da União Soviética nunca foram capazes de competir com a
riqueza do Ocidente. 

A descrição clássica que melhor sintetiza a União
Soviética foi proferida por Richard
Grenier
: “Bangladesh com mísseis”.

Conclusão

Quais as lições de tudo isso?

Em primeiro lugar, as leis da economia têm de ser
respeitadas. Mises entendeu isso.  Seus críticos não. A análise de
Mises feita em 1920, apenas três anos após a Revolução de Outubro, se comprovou
acurada tanto para a China Vermelha quanto para a URSS.

Em
segundo lugar, o inevitável fracasso econômico das sociedades socialistas deu ao
Ocidente um tempo adicional. Não houve uma conflagração nuclear. Ao
se ater à paz, o Ocidente venceu. Por não ter acreditado em Mises, o Ocidente
não tinha confiança em sua tarefa. Havia homens no alto escalão dizendo
que ambos os sistemas — mercado e socialismo — iriam se fundir. Isso não
ocorreu. Um deles simplesmente desapareceu. O outro adotou uma variável keynesiana
que mistura intervencionismo, protecionismo e alguma liberdade
empreendedorial. Mescla bancos centrais em conluio com o sistema bancário
inflacionando a moeda e estimulando o endividamento (e gerando um bizarro arranjo de taxas de juros negativas), governos criando tarifas
de importação e concedendo subsídios para proteger seus empresários favoritos,
e tudo isso gerando bolhas e ciclos econômicos. 

Trata-se de um capitalismo de estado
ou capitalismo de quadrilhas
— em escala maciça. Esse arranjo também vai acabar. Apenas
tenha paciência e esteja preparado.

O socialismo perdeu. Mas o Ocidente deu muito
tempo a esse arranjo. E o tempo mostrou que Mises estava certo.

O keynesianismo ainda não perdeu. Mas
irá. Apenas tenha paciência e lhe dê algum tempo.

Não é necessário ocorrer um colapso social ou
econômico para que haja uma transição para uma economia não-keynesiana. É
possível que o sistema se desmorone lá no topo, sem abolir toda a ordem
social. Já vimos isso duas vezes desde 1979.

Os governos ocidentais irão quebrar em algum
momento. Eles darão o calote em suas dívidas. Eles não mais cumprirão
suas promessas, principalmente as
previdenciárias
. Quando isso ocorrer, os eleitores aprenderão uma
lição sobre economia e sobre civilidade.

Nossa tarefa é preparar os materiais educacionais
necessários para fazer a defesa da liberdade quando os cheques do governo
começarem a ser sustados.

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148 comentários em “Assim como o socialismo, o keynesianismo também irá cometer suicídio – mas é preciso paciência”

  1. Quanto ao comentário final, os governos ocidentais já quebraram há muito tempo. Taxa de fecundidade em queda, demografia estagnada e previdência cujas contas não fecham. Isso não é nem economia e nem muito menos ideologia. É matemática pura.

    No entanto, eles arrumaram uma maneira inquestionavelmente genial de postergar o juízo final: inflacionaram a moeda e criaram o fenômeno dos juros negativos. Enquanto investidores continuarem dispostos a emprestar dinheiro e bancar todo este sistema, o arranjo seguirá. Sim, um dia ele vai acabar e haverá um grande reset, mas pode demorar bastante.

  2. Concordo que o keynesianismo seguirá o mesmo caminho do marxismo.

    Mas as pessoas não aprendem com a História. A cada geração surgem novos megalomaníacos querendo implementar sua versão de socialismo e arrebanhando multidões de seguidores vendendo sua liberdade em troca de promessas que (na melhor das hipóteses) não se cumprirão.

    Porém, sejam forçadas pelas leis econômicas e/ou convencidas pela razão, espero que o liberalismo torne-se dominante na mentalidade das pessoas.

  3. só pra equilibrar;

    convém ler o q schumpeter escreveu sobre o cálculo economico sob socialismo;

    convém ler barone – q sustentou a possibilidade do cálculo economico sob o socialismo.

    e outros economistas.

    esta ñ é uma questão fechada; há controvérsias.

  4. “Havia homens no alto escalão dizendo que ambos os sistemas — mercado e socialismo— iriam se fundir. Isso não ocorreu. Um deles simplesmente desapareceu. O outro adotou uma variável keynesiana que mistura intervencionismo, protecionismo e alguma liberdade empreendedorial”.

    Alguém me explica, por favor, por que podemos dizer que a tal fusão não ocorreu, e por que o keynesianismo não pode ser considerado uma fusão entre capitalismo e socialismo, já que da mesma forma que nunca existiu (nem vai existir) um país 100% socialista, não existe também hoje um país 100% liberal.

  5. O Brasil é tão atrasado que as reformas de modernização da economia só vieram a ocorrer na década de 1990. A China começou as reformas em 1979 e a URSS em 1985.

  6. De uma coisa saibam, keynesianos nunca vão admitir estarem errados. Esses dias vi um no Facebook, e mesmo os que querem aparentar ar de intelectualidade agem como se suas teorias econômicas nunca tivessem falhado. A retorica dos caras se baseia em inverter o ônus da prova em uma discussão, utilizar argumentos de autoridade disfarçados e relativizar o que você disser. É impressionante porque esses caras se dizem científicos e inteligentes, mas ao entrar em uma discussão puramente econômica com eles, agem da maneira mais ardilosa possível como se estivessem defendendo um partido ou uma religião.

  7. Rodolfo Andrello

    Numa coisa o psicopata Marx acertou, essa estrovenga socialista fez duas etapas históricas, primeiro como tragédia, depois como farsa. Hoje estamos assistindo a farsa chavista do socialismo do século XXI tentando reviver a tragédia do socialismo do século XX.

  8. Bolsonaro x Reagan

    Reagan 1981 sobre a greve dos funças controladores de vôo:

    “No dia 5 de agosto, 11.345 controladores foram demitidos, substituídos e banidos para sempre do serviço público.”

    Bolsonaro 2019 após ser chamado de traidor pelos funças da polícia:

    “Vou resolver o caso de vocês viu?”

    Nesse ritmo o keynesianismo brasileiro será o segundo a cometer suicídio.

  9. A China teve a sabedoria de copiar o capitalismo sem copiar a social-democracia.

    A social democracia leva a alguns fatores que geram a sua destruição como:

    1) a baixa taxa de natalidade.

    2) a erosão da cultura do trabalho sendo substituída pela cultura do direito de ser sustentado pelos outros.

    3) o fim do incentivo à poupança já que uma vez que o Estado te garante não precisa se preocupar com o futuro.

    4) Falta de incentivo a mecanismos não-estatais para resolução de problemas já que a gente paga altos impostos para o Estado cuidar de tudo.

  10. Guilherme Amorim

    Alguém pode me indicar leituras sobre a história econômica dos países nórdicos?

    Isso porquê vejo socialistas os defendendo, e liberais os refutando(aparentemente) em todas as suas defesas, e quero poder refutar minha prof assim também.

  11. Pobre Catarinense

    Não sei se concordo com a conclusão (mas espero que esteja correta):

    “Os governos ocidentais irão quebrar em algum momento. Eles darão o calote em suas dívidas. Eles não mais cumprirão suas promessas, principalmente as previdenciárias. Quando isso ocorrer, os eleitores aprenderão uma lição sobre economia e sobre civilidade”.

    No Brasil, ao menos, me parece que os eleitores vão é clamar por um populista que estatize tudo para salva-los.

  12. Milton Friedman Cover's

    Excelente texto, mais um aqui no IM, digno de se ler, reler e divulgar. Marx ruiu, Keynes segue caindo também. Claro, entre Marx e Keynes, o segundo é menos pior, mas levará o sistema ao colapso econômico igualmente ao marxismo., logo, um equivocado a se contestar.

    Os exemplos dados no texto são exatos, precisos. Seguem a mesma linha dos últimos posts aqui, no Instituto Mises. Um vem complementando o outro.

    Milton Friedman, Mises, Hayek, mostraram como deve ser o sistema econômico que não leva a sociedade a sucumbir no futuro e a produzir riquezas e melhores serviços.

    Três líderes: o presidente dos EUA, Ronald Reagan foi, junto com a Primeira Ministra da Grã Bretanha, Margareth Thatcher e o Papa João Paulo II, os grandes incentivadores das revoltas contra o comunismo e socialismo, salvando grande parte do mundo do caos social e econômico, trazidos pelo estado comunista dominante nos países do Leste Europeu, como já foi dito aqui no artigo sobre a Polônia que comentei noutro dia.

    Católico 03/07/2019 22:20: a condenação feita pela Doutrina Social da Igreja Católica é veementemente feroz contra as esquerdas como um todo, e não ao Capitalismo.

    Vários Papas, desde o Século XIX até o atual condena o esquerdismo. Infelizmente, o Papa Francisco é um tanto dúbio nas suas colocações, mas até o Papa Emérito, Bento XVI, as esquerdas foram extremamente criticadas, incluindo aí, a Teologia da Libertação e os que a defende aqui, como o Frei Betto e o Jesuíta, Leonardo Boff, este, impedido pelo Papa Bento XVI de exercer qualquer atividade sacerdotal, ou seja: está proibido de se manifestar como membro da Igreja Católica; e qualquer manifestação de fieis católicos de defenderem agremiações políticas esquerdistas, principalmente de votarem em candidatos de partidos da esquerda, serão passíveis de excomunhão compulsória. Todos os católicos que realmente estão aliados aos ensinamentos da Igreja abominam grupos, movimentos, partidos comunistas/socialistas. Segue um link falando mais minuciosamente a posição da IC através de vários papas sobre o comunismo e socialismo, e com forte defesa do Capitalismo, propriedade privada, livre iniciativa empreendedora, etc.:

    confrariadesaojoaobatista.blogspot.com/2014/05/a-igreja-catolica-condena-o-socialismo.html. Abraços.

  13. Com essa reforma previdenciária sendo estragada, com um monte de concessão para funcionário estatal, eu fico imaginando se não seria melhor simplesmente deixar esse esquema de pirâmide quebrar. O que vocês acham? Como seria um Brasil sem essa reforma?

    A não ser que coloquem um sistema de capitalização (ou desestatizem) qualquer outra coisa será envolvendo fazer remendos, gambiarras através de corte de benefício, ou também aumentando idade de aposentadoria e afins.

  14. O que os senhores daqui do IMB tem achado do Paulo Guedes e o time no Banco Central?

    Gostaria de ver uma avaliação dos senhores sobre esses 7 meses da equipe economica.

  15. Jairdeladomelhorqptras

    Caro Felipe Lange,

    Sem reforma, com meia reforma, ou qualquer reforma, o Brasil sempre será o que sempre foi: um pais aquem do seu potencial. Lembremos que toda a América de colonização ibérica ainda não saiu do subdesenvolvimento.

    O caso do Chile é apenas uma promessa de subir de patamar.

    E já tivemos aqui ao lado um exemplo claro do nosso potencial para baixo: a Argentina. Único exemplo do mundo de um país que estava no primeiro mundo (década de trinta) e caiu para o terceiro.

    Abraços

  16. Meu entendimento é que libertários possuem um entendimento bastante… digamos, ‘inocente’ do socialismo. O socialismo na antiga URSS não colapsou. Somente, mais uma vez, se transformou, como vem se transformando à milênios. O esquerdismo que praticamente hoje domina o mundo, inclusive o que restou da antiga URSS, está aí para provar que essa ideologia é algo sobre-humano.

    Não esperem que um simples aparato econômico como o livre-mercado será capaz de livrar o homem dessa ideologia macabra. Mises podia ser um gênio na economia, mas péssimo como exorcista.

  17. Eu queria utlizar esse espaço, e questionar os seguidores do Mises e da Escola Austríaca em si.

    Eu vejo que a E.A resinificou arbitrariamente (e de forma minimamente desonesta) conceitos como : Capitalismo, Propriedade Privada, e principalmente o termo socialismo. Essa mudança significativa simplesmente descaracterizou o debate, e como resposta os Heterodoxos (parcialmente) Austríacos, Libertários e “anarco”- “capitalistas” usam o argumento que tudo é uma questão semântica, e vou tentar demonstrar que, no minimo, não é uma boa ideia pensar dessas forma.

    Vamos pré-estabelecer algumas coisas, não existe consensos exatos sobre conceitos e que os conceitos mudam, porém existe três tópicos que os libertários parecem não levar em conta :

    1 – Categorização

    2 – Etmologia

    3 – Anacronismo Conceitual

    Os libertários parecem não entender o simples processo da categorização, quando você distorce algo de sua categoria alegando ser uma questão semântica você pode afirmar absolutamente qualquer coisa, eu posso falar algo absurdo como dizer que o Nazismo e Igualitarismo são a mesma coisa “na minha semântica”. O conceito mais distorcido, anacronicamente usado e frequentemente descaracterizado é o socialismo, vejamos o exemplo do Mises, ele simplesmente pega um elemento, tecnicamente correto, do socialismo que é sua planificação da economia, e partir disso caracteriza qualquer tipo de planificação econômica como socialismo, vocês conseguem perceber a distorção absurdamente ridícula que ele faz ? Ele simplesmente desconsidera a nível processual o socialismo, e principalmente não leva em conta o cerne do socialismo que seria o programa político das classes trabalhadores, e que alguns defensores mais radicais vão além e falam que qualquer estado é socialismo (se baseando na resinificação desonesta da E.A e do Mises), isso além de ser anacronismo, é uma inverdade tremenda já que o socialismo não é uniforme e existe variações, como o Socialismo Marxista e claro o Socialismo Libertário ( no qual o conceito Libertário foi usurpado dos anarco-socialistas). Acho válido falar que o Mises chamava a Economia de Guerra ( considerar o contexto da 2 guerra mundial) como socialismo de guerra, sendo que a Economia de Guerra é contextualmente diferente do socialismo, afim é um estado planificando a economia, forçando a população, e todo os bens produzindo em PROL da guerra e não da classe trabalhadora ou bem-estar social.

    Enfim, acho que basicamente é isso, se algum libertário ou Liberal Clássico que tem afinidade com essas premissas da E.A, e até mesmo os contraditórios “anarco”-“capitalistas” quiserem gentilmente responder sintam-se a vontade pois estou aqui para debater.

  18. Dane-se o estado

    “Os libertários parecem não entender o simples processo da categorização, quando você distorce algo de sua categoria alegando ser uma questão semântica você pode afirmar absolutamente qualquer coisa, eu posso falar algo absurdo como dizer que o Nazismo e Igualitarismo são a mesma coisa “na minha semântica”. O conceito mais distorcido, anacronicamente usado e frequentemente descaracterizado é o socialismo, vejamos o exemplo do Mises, ele simplesmente pega um elemento, tecnicamente correto, do socialismo que é sua planificação da economia, e partir disso caracteriza qualquer tipo de planificação econômica como socialismo, vocês conseguem perceber a distorção absurdamente ridícula que ele faz ? Ele simplesmente desconsidera a nível processual o socialismo, e principalmente não leva em conta o cerne do socialismo que seria o programa político das classes trabalhadores, e que alguns defensores mais radicais vão além e falam que qualquer estado é socialismo (se baseando na resinificação desonesta da E.A e do Mises), isso além de ser anacronismo, é uma inverdade tremenda já que o socialismo não é uniforme e existe variações, como o Socialismo Marxista e claro o Socialismo Libertário ( no qual o conceito Libertário foi usurpado dos anarco-socialistas). Acho válido falar que o Mises chamava a Economia de Guerra ( considerar o contexto da 2 guerra mundial) como socialismo de guerra, sendo que a Economia de Guerra é contextualmente diferente do socialismo, afim é um estado planificando a economia, forçando a população, e todo os bens produzindo em PROL da guerra e não da classe trabalhadora ou bem-estar social. ”

    Qualquer estado é socialismo mesmo! Não existe qualquer anacronismo conceitual. É simples investigação lógica, como você mesmo disse, há varias formas de socialismo, um estado mínimo é nada mais que um socialismo quantitativamente menor, porém sua premissa é idêntica a qualquer fundamento socialista e coletivista, confisco da propriedade para satisfazer os “interesses da coletividade” Se isso não é uma premissa socialista/comunista primária e arcáica eu realmente não sei no que o socialismo se fundamenta.

    E não existe qualquer deturpação desonesta da EA, nem mesmo da perspectiva trazida por libertários anarcocapitalistas, a questão que se observa claramente é que a teoria comunista/socialista com suas inúmeras variações inclusive a marxista é tão contraditória e sem nexo de forma geral que não resiste a qualquer questionamento ou avaliação lógica consistente, seja do ponto de vista ético ou econômico matemático. Ou seja, há inúmeras formas do socialismo ser idealizado tendo como princípio suas mesmas ideias fundamentalmente inconsistentes.

    “O conceito mais distorcido, anacronicamente usado e frequentemente descaracterizado é o socialismo, vejamos o exemplo do Mises, ele simplesmente pega um elemento, tecnicamente correto, do socialismo que é sua planificação da economia, e partir disso caracteriza qualquer tipo de planificação econômica como socialismo, vocês conseguem perceber a distorção absurdamente ridícula que ele faz ? Ele simplesmente desconsidera a nível processual o socialismo, e principalmente não leva em conta o cerne do socialismo que seria o programa político das classes trabalhadores, e que alguns defensores mais radicais vão além e falam que qualquer estado é socialismo ”

    Já expliquei porque todo estado é socialista!

    Basicamente qualquer ideologia que tenha como premissa os mesmos fundamentos basilares do coletivismo comunista/socialista é socialismo e derivações. e não há nenhum radicalismo ou deturpação semântica nisso, apenas observação de uma evolução lógica do processo que você mesmo contraditoriamente afirma que ignoramos, mas pelo que vejo desonestos como você é que gostam de ignorar e como sempre atribuir aos outros suas próprias distorções conceituais.

    Não existe nenhum erro ou distorção semântica em constatar que ideologias intervencionistas contém conteúdos qualitativos e quantitativos idênticos em grande parte a metodologia socialista, isto evidentemente não torna o modelo igual ao socialismo pleno ideologizado, mas demonstra que é parcial e quantitativamente menor, ainda sim fundamentado no mesmo modelo primário; não deixa de ser derivado do socialismo e não deixa de ser inspirado no socialismo em si.

    ” e que alguns defensores mais radicais vão além e falam que qualquer estado é socialismo (se baseando na resinificação desonesta da E.A e do Mises)”

    Não é ressignificação desonesta, apenas evolução em analisar o fenômeno, na prática todo estado é nada mais que uma versão mínima em algum grau do socialismo pleno.

    “Ele simplesmente desconsidera a nível processual o socialismo, e principalmente não leva em conta o cerne do socialismo que seria o programa político das classes trabalhadores,”

    O slogan socialista é simplesmente uma mentira propagandística e sua metodologia econômica invariavelmente leva ao exato oposto do que sua propaganda prega. E o efeito dessa mentira propagandística se observa em qualquer nível da aclamada democracia. Onde exatamente governos efetivamente agiram em prol do trabalhador? em qualquer lugar no mundo com variações puramente quantitativas há sempre o poder e governos mentirosos, e a resposta para isso é evidente, a premissa dessa perspectiva é coletivista e baseada no mesmo fundamento socialista, e como tal padece dos mesmos erros fundamentais economicamente e eticamente demonstráveis.

    Você é desonesto sim por confundir conceitos atribuindo a Mises fundamentos que não são do mesmo nem foram emitidos pelo tal, e desonestamente acusa anarcocapitalistas de manipulação semântica que é trabalho exclusivamente de desonestos como você, se contradiz afirmando que há várias formas de socialismo, mas considera extremismo quando indicadores socialistas são apontados em modelos diferentes do seu utópico slogan propagandístico do “governo dos trabalhadores.”

    E para liberais que acreditam em estado mínimo vou deixar bem resumido porque anarcocapitalistas não acreditam nisto:

    O próprio Mises demonstrou a impossibilidade de cálculo econômico no socialismo, mas isto não se aplica somente ao socialismo pleno, isto se aplica a qualquer arranjo estatal onde:

    1) Não existe sistema de preços, ou os preços são atribuídos arbitrariamente sem indicadores reais de oferta e demanda que só podem ser obtidos através de um mercado de ajuste espontâneo.

    2) No instante em que o estado seja mínimo ou máximo, não opera através da lógica de lucros e prejuízos, tornando assim, impossível um ajuste fidedigno de preços baseado nos limites de gastos derivados de oscilações reais da demanda e dos limites de caixa.

    3) No instante em que serviços estatais são financiados por impostos, ou seja, não estão relacionados a qualquer fundamento de oferta e demanda, logo, o estado mínimo ou máximo, é incapaz de alocar corretamente recursos escassos, ou administrar corretamente preços, custos, se não existe uma capacidade real de mensuração de demanda, pois todos são obrigados a financiar, eliminando completamente a percepção utilitária dos serviços e seu reflexo nos lucros.

    4) Os serviços do estado mínimo tendem a crescer, pois seu desperdício inerente leva a dívidas e déficits que exigem mais impostos para serem cobertos, gerando mais crescimento da infraestrutura, dos gastos e por sua vez sufocando cada vez mais a economia gerando mais externalidades incontornáveis por um planejamento central sem mercado, gerando por sua vez um processo de retroalimentação destrutivo econômico onde o estado invariavelmente acaba crescendo e se tornando máximo devido ao aumento dos seus gastos sobre os impostos. Curiosamente esta percepção paradoxal veio do próprio Mises, ora ora, em sua própria teoria sobre cálculo econômico, Mises acaba por comprovar que mesmo o estado mínimo é algo inconsistente.

  19. Era uma vez um indivíduo que olhou para um burguês rico e pensou: “Eu quero as riquezas dele para mim”. Este indivíduo percebeu que o capitalista utilizava os bens de capital para produzir as riquezas, e a consequência lógica foi: “Se eu me apossar dos bens de capital, eu vou utiliza-los para conseguir a riqueza, e ficar tão rico como aquele burguês”. Então ele pegou armas, tomou os bens de produção e implantou o socialismo.

    As coisas pareciam ir bem no início, mas depois de algum tempo, o indivíduo percebeu que administrar bens de produção é muito mais complicado do que parece. O processo de logística de insumos, pagar o salário de proletários, adivinhar o que os consumidores realmente querem (ele nem tinha levado os consumidores em consideração no início), e fazer tudo isso de maneira a conseguir o quanto ele achava que merecia ganhar, parecia uma conta difícil de fechar. Logo ele percebeu que a produtividade foi caindo, os bens começaram a ficar cada vez mais raros na economia, e começava a sobrar cada vez menos para ele.

    Foi então que o indivíduo percebeu o óbvio: Ele queria as riquezas do burguês, mas não queria trabalhar tanto como o burguês para conseguir estas riquezas. Por conta disso, teve a ideia de implantar o Keynesianismo. Primeiro, ele devolveu os bens de produção para o burguês. Assim, ele se livrou tanto do risco do negócio como do trabalho que dava para gerar aquela riqueza. Agora, o indivíduo poderia focar naquilo que ele melhor sabia fazer: tomar a riqueza alheira.

    Uma vez que as riquezas começaram a aparecer novamente na sociedade, o indivíduo foi até o burguês exigir a sua parte do lucro (utilizando os mesmos meios “pacíficos” que foram usados para tomar os meios de produção no início de nossa história). Como o indivíduo não conseguia tomar do burguês a quantidade de dinheiro que ele se achava merecedor, passou a tomar dinheiro também dos proletários que trabalhavam na fábrica. E quando apenas tomar dinheiro se tornou ineficiente, o indivíduo passou também a imprimir dinheiro em uma impressora colorida e a gastar este dinheiro falso (sem deixar, contudo, de tomar dinheiro do burguês e dos proletários).

    O tempo foi passando, e o indivíduo se tornou extremamente rico, de modo que todo o comércio passou a depender dos gastos deste indivíduo para continuar funcionando. Toda uma cadeia de produção começou a surgir com o único intuito de produzir os bens caros capazes de atender a todos os seus caprichos. Não eram raras as vezes em que o indivíduo era o único cliente de alguém. Além disso, o indivíduo também passou a pagar economistas para defender todas as ações que ele fazia e convencer a todos de que isso era o melhor para eles.

    A economia patinava, as pessoas ganhavam cada vez menos, mas a crise parecia nunca afetar o indivíduo. Foi então que surgiram os economistas austríacos. Eles começaram a falar para a população como o indivíduo atrapalhava a vida deles, e aos poucos começaram a ser ouvidos. O indivíduo ainda é muito rico e muito poderoso, mas já existe um grupo bem considerável que olha para ele com desconfiança.

    Como esta história vai terminar? Só o tempo dirá.

  20. Apesar da maior liberdade econômica que temos hoje, advinda da tecnologia, mesmo com tarifas, burocracia e leis que impedam que ela aconteça de forma efetivamente livre, não acho que o comunismo acabou. Eles mudaram a forma de agir ao se autodestruirem por seus proprios erros. Como se trata de uma ideologia, uma forma de ver o mundo, os discursos são manipulados, as ideias das pessoas são manipuladas, atraves de uma engenharia social, que para mim não tem nada de teoria da conspiração. Em países como o Brasil já vivemos um socialismo disfarçado de democracia, com um sistema de Estado gigante, que se autoprotege e beneficia quem a deles faz parte, através de leis, burocracia, troca de favores, corrupção. E a pior de todas as manipulações, a cultural, que degenera a sociedade e dura várias gerações até ocorrer uma mudança, se ocorrer. No Brasil, parece que há um início de uma recuperação dos valores de liberdade econômica e social e de resgate a uma cultura benéfica, mas talves demore décadas para perceber um país diferente na questão social e cultural.

  21. Recentemente tirei minha habilitação de carro aqui nos EUA e, no total, paguei U$60,55 (menos do que um dia de chapeiro no Mc Donald’s). Quando tirei a minha habilitação no Brasil, de carro, em 2016, foi pouco menos de R$2 mil (e ainda tive que ajudar a minha mãe, tirando minha poupança). Por aqui, eles já fazem o cartão na hora para você (que é o documento), no Brasil o pedacinho de papel pode demorar semanas para chegar na sua casa (ou você ir retirar).

    Realmente, eu não consigo entender essas coisas. Diante daquela legislação idiota obrigando o sujeito a fazer prova no Detran para usar patinete, então não é uma surpresa.

    O que vocês fariam para tornar o processo no Brasil mais barato e menos burocrático? O Bolsonaro já tomou algumas boas medidas, como ampliar a validade, aumentar o limite de pontos da CNH e parece que ele vai tirar a porcaria da obrigatoriedade do simulador também.

  22. Antonio Eduardo Monteiro Fernandes

    Não entendi o que imagens de Reagan em seu rancho, andando a cavalo sem sela e sem proteção, e construindo cercados pode ter a ver com o colapso da União Soviética.

  23. Flávio Ferreira

    Gary North parece estar muito otimista ao sugerir que o sistema intervencionista vai acabar:

    “O outro [i.e., o sistema intervencionista] adotou uma variável keynesiana que mistura intervencionismo, protecionismo e alguma liberdade empreendedorial. Mescla bancos centrais em conluio com o sistema bancário inflacionando a moeda e estimulando o endividamento (e gerando um bizarro arranjo de taxas de juros negativas), governos criando tarifas de importação e concedendo subsídios para proteger seus empresários favoritos, e tudo isso gerando bolhas e ciclos econômicos. Trata-se de um capitalismo de estado — ou capitalismo de quadrilhas — em escala maciça. Esse arranjo também vai acabar. Apenas tenha paciência e esteja preparado. O socialismo perdeu. Mas o Ocidente deu muito tempo a esse arranjo. E o tempo mostrou que Mises estava certo. O keynesianismo ainda não perdeu. Mas irá. Apenas tenha paciência e lhe dê algum tempo. Não é necessário ocorrer um colapso social ou econômico para que haja uma transição para uma economia não-keynesiana. É possível que o sistema se desmorone lá no topo, sem abolir toda a ordem social.”

    Não tenho dúvidas de que o sistema intervencionista eventualmente vai entrar em colapso, através de uma série de micro ou macro crises. Mas isso não significa que ele será substituído, no longo prazo, pelo sistema de livre mercado (laissez faire) ou, ao menos, um sistema mais livre. Gary North não é totalmente claro, mas ele parece sugerir que a tendência no longo prazo é de triunfo da liberdade. Eu, por outro lado, sou mais cético. Pode ser que North tenha razão e, em virtude de avanços tecnológicos, a liberdade venha a prevalecer. Mas é bom levar em conta as observações de Sanford Ikeda (Dynamics of the mixed economy: toward a theory of interventionism. London and New York: Routledge, 1997) em livro sobre o assunto, nas páginas 215-222:

    How is it possible to square Mises's characterization of the interventionist mixed economy as inherently unstable with the common observation that it is the most widespread and persistent form of politico-economic system? The key to resolving this paradox is to realize that to claim the mixed economy is unstable is not the same thing as asserting that it is transitory. Recall that in Chapter 2 I defined a mixed economy as any politico-economic system that lies between pure laissez-faire capitalism and complete collectivism, whether the state is expanding or contracting in relation to the catallaxy. By introducing contradictions into the system, interventions generate a process that causes the mixed economy continually to adjust and to evolve into novel and diverse forms over time. And while unchecked state expansion produces excessive complexity and discoordination and depletes the reserve fund to such an extent that systemic breakdown becomes inevitable, there is nothing in proposition (B) that implies the end need come quickly. The roads between the minimal and maximal states can thus be very long and winding, and state expansion very gradual. Indeed, none of the three alternative systems—minimal-state capitalism, interventionism, or maximal-state collectivism—is "stable" in the sense defined in this book. (…) Somewhat paradoxically, therefore, it appears that the product of interventionism, the mixed economy, though unstable, is likely to be more enduring than the pure forms of either collectivism or capitalism, offering as it does a much wider range of (ultimately futile) adaptive forms than either of its rival systems. The inherent instability of interventionism thus drives the mixed economy through a variety of transformations that are denied to the other systems. Thus,

    1. At any given time, nearly all economic systems will be mixed economies.

    2. Nearly all really existing systems will be in flux, cycling somewhere between the extremes of laissez-faire capitalism and complete collectivism. Of these, the majority will tend to move secularly toward collectivism.

    3. A mixed economy that is in the expansionary phase of the interventionist process will be characterized by a series of microand lower-level macro-crises that ultimately culminate in a major system-wide macro-crisis encompassing the entire politico-economic system.

    4. If there is a "turning point" at which public choosers in the mixed economy reject the interventionist ideology and take radical steps toward either pure collectivism or the minimal state, it will take place at the point of a macro-crisis.

    5. Turning points will occur closer on the politico-economic spectrum to the maximal-state than to the minimal-state.

    6. State expansion will tend to take place more continuously than state contraction, which, especially in its initial stages, will display change of a more rapid, radical, and sweeping nature.

    7. The pure welfare state will tend to be less prone to macro-crises and endure longer than the pure regulatory state, although it is still fundamentally unstable.

    8. The more strongly committed public choosers are to the principles of the minimal state and limited government, the less likely it will be that changes in marginal preferences, in response to governmental error, will generate the "critical mass" among the public that is needed to initiate the interventionist process.

    Não dá para passar todas as observações feitas no livro de Ikeda, mas, resumidamente, ele parece acreditar que estamos condenados a passar por processos cíclicos de expansão e contração do intervencionismo. Assim, o mais provável é que o sistema intervencionista não vai acabar, mesmo diante de uma enorme crise. O mais provável é que sempre estaremos em diferentes fases e modelos de economias mistas, em uma situação de mudança permanente. O intervencionismo é instável, mas isso não quer dizer que seja transitório.

  24. Tomara que o fim do sistema social-democrata também ocorra assim, de forma relativamente pacífica. Vale lembrar que os líderes (em maior ou menor grau) têm alguma noção de que o liberalismo é melhor para a população, mas para a maioria deles o Estado de bem-estar social é pretexto para controlar as pessoas.

    * * *

  25. Poderiam falar algo mais, mais profundamente, sobre a Greve dos Controladores Aéreos que ocorreu nos EEUU durante o governo Reagan? Fiquei intrigado sobre como substitui-se mais de 11 mil funcionário estratégicos, da noite para o dia.

  26. Esses que se chamam liberais são iguais aos aos comunistas e todos os outros: mentem dizendo que se preocupam com a economia, mas só querem promover sua ideologia. É óbvio que a economia não é a sua prioridade, então seria melhor se vocês deixassem de humilhar a si mesmos falando tanta idiotice, desabafando neste site há anos. Patético.

  27. Marionete do Nego Ney

    “Esses que se chamam liberais são iguais aos comunistas e todos os outros”

    Ah sim, defendemos o confisco da propriedade e o cerceamento da liberdade de inocentes né? Defendemos que as liberdades individuais devem ser sistematicamente violadas em nome do “coletivo” né? NÉ?

    “mentem dizendo que se preocupam com a economia, mas só querem promover sua ideologia. É óbvio que a economia não é a sua prioridade”

    Este site é um dos únicos, se não o único que em meio à pandemia foi contra o lockdown por que suas consequências econômicas serão piores e mais duradouras do que a própria pandemia, é um dos únicos, se não o único que defende categoricamente que assistencialismo estatal só depreda a economia e não ajuda os pobres, provavelmente o único que defende moeda forte quando não padrão ouro. Com base no que você afirma que aqui o pessoal aqui não se preocupa com a economia? Se aqui os autores “mentem dizendo que se preocupam com a economia, mas só querem promover sua ideologia” o que então dizer da mídia tradicional? No mais, se você acha que aqui se propaga mentiras, lhe convido à apontá-las e apresentar provas. Cuspir acusações ao vento é muito fácil.

    “então seria melhor se vocês deixassem de humilhar a si mesmos falando tanta idiotice”

    Suspeito que “humilhar à si mesmo falando tanta idiotice” é exatamente o que você acabou de fazer. Mais cuidado na próxima 🙂

    “desabafando neste site há anos”

    ??????

    “Patético”

    Adjetivo que descreve perfeitamente o seu comentário.

    No mais, você e a sua turma não vivem criticando o uso de contas e nomes falsos na internet? Não vivem atacando aqueles que “se escondem atrás de uma tela”? Por que não coloca o seu nome real no comentário?

  28. Sim, o keynesianismo irá cometer suicídio um dia, assim como a URSS, e futuramente veremos o mesmo ocorrendo a China.

    O problema é que até ruir, serão décadas e décadas de estragos em todos os campos possíveis (econômico, social, mmilitar, etc), vide URSS que quase causou um apocalipse nuclear, repressões a liberdade e genocídios.

  29. A ferramenta que pode derrubar o keynesianismo se chama bitcoin.

    Porque sem essa ferramenta viveremos ciclos intermináveis de diminuição e volta do intervencionismo.

    Só a mudança do sistema monetário para um modelo onde o estado não controle a emissão da moeda podemos sonhar com o fim definitivo do keynesianismo.

  30. ‘Mas temos que notar que grande parte dos preços do mundo não refletem a real correlação entre oferta e demanda, haja vista as diversas manipulações que agentes econômicos fazem .(governo, magnatas, exterioridades etc). Acho que nunca houve, no capitalismo, um “sistema de preços puríssimo”. O cálculo econômico capitalista também já nasce irracional”

    Ora, seu argumento não faz o sentido, quanto maior á demanda, maior á oferta, e quanto maior á oferta, maior será á concorrência, o que estimula maiores inovações e melhores preços, esse é o pilar principal do capitalismo.

    Se isso não reflete uma real correlação entre oferta e demanda para você, então peço que utilize argumentos melhores, á não ser que por “real” você queira dizer “perfeita”, e que por “puríssimo” você queria também dizer “perfeito”, o que nesse caso é impossível, pois á própria natureza humana já é falha,.

    Á única coisa na qual você acertou foi na parte “haja vista as diversas manipulações que agentes econômicos fazem .(governo, magnatas, exterioridades etc).”.

  31. weberth mustapha

    O mundo é dividido em pessoas que acreditam em controle e as que não acreditam.

    A história nos mostra isso, uma luta constante entre centralização de poder e descentralização. Acontece que antes, não havia material educativo suficiente para entendermos isso.

    Quem, nos anos 80 ouvia falar da escola austríaca de economia????

    A internet, graças justamente a descentralização está criando, em uma velocidade descontrolada, novas ideologias de pensamento e clareando o tema político.

    Isso também leva a uma reação do ”sistema”, ou seja, aqueles que não aceitam descentralização e querem poder para si.

    Acho que a longo prazo a centralização, justamente pelos motivos citados no texto, vai perder. Veremos surgir novas maneiras de convívio social e as pessoas entenderão de uma maneira mais clara e prática que poder do estado é ruim.

    Pergunte para qualquer pessoa média, se ela prefere Uber ou coletivo público. Ela vai responder Uber, mesmo ela não entendendo todo o processo de descentralização e desburocratização que exister por detrás da ideia. E como o Uber revolucionou o transporte.

  32. Alguém pode me responder como um Estado intervencionista, grande, controlador como a China conseguiu se tornar a maior (ou quase) economia do Mundo?

  33. Muita ingenuidade. O keynesianismo e o intervencionismo são maleáveis e se adaptam as circunstâncias. Ou simplesmente se cria um loop eterno entre políticas mais liberais e políticas mais intervencionistas.

    Não se deve tratar Mises como um profeta e a EA como uma religião ou seita.

    E o fim absoluto do intervencionismo pode gerar um totalitarismo muito pior. É o que eu esperaria de países patéticos como o Brasil.

  34. Ronald "Ronnie" McCrea

    Para iniciantes chegando ao site :

    O Decálogo escrito por Lenin em 1913 :

    1. Corromper os jovens e dar-lhes liberdade sexual.

    2. Infiltrar e depois controlar todos os meios de comunicação de massa.

    3. Dividir a população em grupos antagônicos, incitando a discussões sobre questões sociais.

    4. Destruir a confiança do povo em seus líderes.

    5. Sempre falar de Democracia e Estado de Direito, mas, quando a oportunidade surgir, assumir o Poder sem nenhum escrúpulo.

    6. Colaborar com o esvaziamento dos fundos públicos; desacreditar a imagem do país, especialmente no exterior, e provocar pânico e mal-estar na população através da inflação.

    7. Promover greves, mesmo que ilegais, nas indústrias vitais do país.

    8. Promover tumultos e contribuir para que as autoridades constituídas não os reprimam.

    9. Contribuir para a destruição dos valores morais, honestidade e crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não comunistas, forçando-os, sob pena de expô-los ao ridículo, a votar apenas no que for do interesse da causa socialista.

    10. Registrar todos aqueles que possuem armas de fogo, para que elas possam ser confiscadas no momento apropriado, tornando impossível qualquer resistência à causa.

  35. Vez ou outra eu vejo alguém na internet argumentar que a maioria dos economistas serem keynesianos no setor privado é uma prova que o mercado escolheu eles por resultados.. Será verdade ou há algo mentiroso nisso ou algo não percebido?

  36. Brasileiro frustrado

    Vocês Morariam na Argentina? Morar em São Paulo ou em algum lugar bom da Argentina?

    Eu digo o seguinte, eu ganho em dolar, a Argentina é mais europeia e mais bonita que o Brasil (mais bonita digo as mulheres), ir para Argentina esta super barato, é mais ocidental que o Brasil e etc

    Enfim, quais seriam os motivos pra se mudar para a Argentina e quais seriam os motivos para não se mudar para Argentina?

    Eu ganho em dolar, será que conseguiria morar em algum lugar de elite da Argentina? O custo de vida pra quem ganha em dolar é tão mais baixo do que em São Paulo?

  37. De Leonardo Monastério

    bodegamonasterio.substack.com/p/economistas-austriacos-nao-acreditam

    "Se economia austríaca fosse realmente útil para entender o mundo, haveria uma alta demanda por economistas austríacos e eles seriam os mais bem pagos da profissão.

    Austríacos são como médicos homeopatas. Você não encontram homeopatas nos melhores hospitais do mundo."

    Alguém pode rebater esse absurdo?

    É tão óbvio mas importante

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