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Hoje, a Finlândia. Amanhã, o mundo. As sociais-democracias em seu último suspiro
Elas se tornaram financeiramente insustentáveis

A durabilidade de uma social-democracia depende, majoritariamente, de dois fatores: tanto a tributação quanto a taxa de fecundidade têm de ser crescentes.

A tributação tem de ser crescente porque os gastos sociais são crescentes: como a população está inevitavelmente envelhecendo — e, com isso, utilizando cada vez mais serviços bancados pelo estado social-democrata, como saúde e previdência —, um volume cada vez maior de dinheiro tem de ser arrecadado.

Simultaneamente, para que este maior volume de dinheiro possa ser arrecadado, é imprescindível que a população tributada também esteja em crescimento contínuo. Se a população a ser tributada parar de crescer, a arrecadação tributária irá parar de aumentar. 

Na mais benevolente das hipóteses, isto é, se a população tributada for muito produtiva, a arrecadação até poderá crescer, mas o fará a um ritmo muito mais lento, o que já bastará para afetar todo o sistema.

Afinal, se a população continua envelhecendo e se aposentando a um ritmo crescente (uma inevitabilidade demográfica), mas o dinheiro necessário para manter seu bem-estar social não está sendo arrecadado no mesmo ritmo, então temos uma irreversibilidade matemática: faltará dinheiro para essas pessoas.

A Finlândia já chegou lá

Em 2017, uma reportagem da Bloomberg já relatava que os políticos e economistas do país estavam profundamente preocupados com o fato de que não haverá um número suficiente de pagadores de impostos no futuro para financiar o estado assistencialista do país. A Finlândia estava vivenciando uma "escassez de bebês".

Em 2016, o país teve o menor número de partos em 148 anos — ou desde a grande fome de 1868. A taxa de fecundidade da Finlândia caiu para 1,57 filho por mulher, e o percentual de pessoas com 20 anos de idade ou menos em relação à população em idade de trabalhar é de 40%. Era de 60% em 1970. Ou seja, a base da pirâmide etária encolheu acentuadamente, ao passo que o topo está só aumentando.

Este percentual de 40% é o menor entre todos os países nórdicos.

A situação pegou os economistas do país de surpresa. Eles não só não têm nenhuma solução para isso, como ainda se mostram um tanto desesperados. Para Heidi Schauman, economista-chefe do Aktia Bank, as estatísticas são "assustadoras". Como ele próprio explica:

"Essas estatísticas mostram quão rapidamente nossa sociedade está mudando, e não temos nenhuma solução para evitar esse fenômeno. Temos um setor público grande e o sistema precisa de pagadores de impostos no futuro."

Ou seja, o governo finlandês fez promessas que não tem como serem cumpridas.

E como as coisas evoluíram? Pioraram. As promessas estão agora inviabilizando a própria existência do estado finlandês.

Eis uma reportagem da Reuters, de março do presente ano.

O governo de coalizão da Finlândia renunciou na sexta-feira, um mês antes das eleições gerais, afirmando que não teria condições de aprovar um pacote de reformas no sistema de saúde do país, reforma esta que é tida como crucial para garantir a solvência fiscal do governo.

E o autor da reportagem prossegue falando sobre o inevitável.

Os sistemas de saúde ao redor de boa parte do mundo desenvolvido estão sob crescente pressão financeira: as pessoas estão vivendo mais e os custos dos tratamentos estão disparando, ao mesmo tempo em que há menos trabalhadores para bancar um crescente numero de aposentados e pensionistas.

Por cinco décadas (as sociais-democracias nórdicas começaram efetivamente no final da década de 1960), os progressistas louvaram os estados de bem-estar social nórdicos (convenientemente ignorando outros aspectos). Mas agora a conta chegou.

Os países nórdicos, nos quais um abrangente estado de bem-estar é a base de todo o modelo social, estão entre os mais afetados.

Foi prometida uma reforma. Mas ela não foi aprovada. A carteira está ficando vazia.

Mas a reforma foi tida como controversa e, na Finlândia, planos para cortar custos e aumentar a eficiência estão parados há anos.

"O retrato que eu recebi das forças políticas no parlamento nos últimos dias me forçaram a tirar conclusões. Não há saída. Estou extremamente desapontado", disse aos jornalistas o primeiro-ministro Juha Sipila, do Partido do Centro, em uma entrevista coletiva.

Eis um grito de desespero. Tradução: "Precisamos das reformas já! Não há alternativa para a Finlândia". Estamos esperando. Os eleitores finlandeses também.

O governo tinha como objetivo reduzir dramaticamente o aumento dos gastos com o sistema de saúde na próxima década, reduzindo o orçamento para € 18,3 bilhões em 2029 contra uma estimativa inicial de € 21,3 bilhões.

As reformas iriam gerar uma economia porque criariam 18 novas regiões para organizar os serviços de saúde em vez das 200 entidades que atualmente são as responsáveis.

Críticos disseram que a escala da economia projetada não era realista.

É possível ver para onde tudo isso leva: calote.

Não, o governo não irá calotear sua dívida. Nenhum governo é insano ao ponto de atacar exatamente as pessoas (investidores) lhe mantêm funcionando. "Calote", no caso, significa que o governo irá mudar as regras anteriormente acordadas. Ele irá aumentar a idade mínima tanto para se aposentar quanto para se poder usar os serviços "gratuitos" de saúde. Irá também diminuir repasses e auxílios. Inevitável.

Outros países nórdicos também já tiveram de lidar com a necessidade de cortar custos.

A Suécia está gradualmente aumentando a idade mínima para se aposentar, e abriu várias partes do seu sistema de saúde para o setor privado em uma tentativa de aumentar a eficiência.

A Dinamarca irá gradualmente aumentar a idade de aposentadoria para 73 anos — a maior do mundo — ao mesmo tempo em que está reduzindo impostos, benefícios e o valor do seguro-desemprego, para estimular as pessoas a trabalharem mais.

O problema tem sido particularmente mais grave na Finlândia, onde a crise financeira de 2008-09 amplificou os efeitos das mudanças demográficas, como uma taxa de fecundidade em acelerado declínio.

Vários governos finlandeses já tentaram fazer vários e diferentes tipos de reformas no sistema de saúde nos últimos 12 anos. Todos fracassaram.

Observe que há um padrão.

1. Promessas demagógicas.

2. Taxa de fecundidade em declínio

3. Aumento da expectativa de vida.

4. Déficits orçamentários do governo (gastos maiores que as receitas).

5. Promessas de reformas que nunca se concretizam.

6. Mais promessas.

Dizer o quê? Se eleitores querem promessas, então, como supostamente teria dito Maria Antonieta, "que comam promessas!".

Será generalizado

Leva um tempo para o cenário estatisticamente inevitável se concretize. Mas irá se concretizar. Em todo o mundo ocidental.

Idades mínimas para aposentadoria irão subir continuamente. As prometidas aposentadorias e pensões serão continuamente reduzidas. Gastos com saúde e educação serão cortados. Haverá vários tipos de imposição burocrática (uma forma de racionamento) para se utilizar os serviços estatais de saúde. Remédios deixarão de ser subsidiados. Vários repasses assistenciais serão cortados, o que inclui subsídios agrícolas e empresariais.

Haverá uma busca por culpados quando este calote — sim, é uma forma de calote — ocorrer.

E, em última instância, a menos que haja uma explosão demográfica, nenhuma reforma que não passe pela contínua elevação na idade mínima para se aposentar e nos cortes de benefícios assistenciais será capaz de manter todo o arranjo de seguridade social bancada pelo estado funcionando.

Em nenhum país do mundo.

Esta é uma forma sutil de calote. Mas é um calote. Os países nórdicos já começaram a calotear. Já estava na hora.

A fé pagã

Os modelos de estado de bem-estar foram criados majoritariamente na década de 1960, uma época em que se imaginava que a pirâmide etária sempre seria gorda na base (muitas crianças e jovens) e fina no topo (poucos idosos).

Sob esse arranjo, imaginou-se que sempre haveria relativamente poucos idosos (que recebem dinheiro da Previdência e da Seguridade Social), muitos trabalhadores (também conhecidos como "pagadores de impostos") e várias crianças (futuros pagadores de impostos).

Naquele mundo, um estado de bem-estar, embora não fosse uma boa ideia economicamente, ao menos era matematicamente sustentável.

Hoje, em contraste, esse mesmo arranjo já se tornou problemático, pois estamos vivendo mais e tendo menos filhos. Uma fatia crescente de idosos significa mais gastos governamentais com previdência, saúde e vários outros subsídios (como remédios), ao passo que uma fatia decrescente de crianças significa menos futuros pagadores de impostos para bancar todo esse gasto com a seguridade social.

Consequentemente, todo o arranjo social-democrata está sem sustentação. A tendência mundial é uma crise fiscal de estilo grego.

Milhões de ocidentais irão descobrir, ao envelhecerem, que depositaram sua fé em um deus falso: o moderno estado social-democrata. Esse deus irá calotear.

As promessas dos políticos, em algum momento, irão se revelar desconectadas da realidade fiscal. Haverá calotes universais em vários programas assistenciais. Isso tenderá a solapar a confiança nos governos. Irá também acabar com a legitimidade deles perante os eleitores.

"Mas vocês prometeram!", dirão os eleitores. "Desculpe, calculamos mal", dirão os políticos em resposta.

Na Finlândia, isso já começou. No resto do mundo ocidental, é questão de tempo.

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Leia também:

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autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • JOÃO  13/06/2019 18:11
    Eu acho é bem feito.As pessoas querem que o estado faça tudo por elas, que cuide de tudo, mas uma hora a conta chega.
  • Guilherme  13/06/2019 18:43

    Vão me achar extremamente radical, mas acho que todos os países do mundo deveriam passar a viver em um sistema socialista desses, para que assim, após verem o quão errado eles dão, as pessoas passariam a não mais pedir por ele. Creio que assim, todas as pessoas abririam os olhos a favor do liberalismo, ou até mesmo fim do estado.
  • Marcelo Gurgel  13/06/2019 20:22
    Duvido. Depois elas esquecerão ou os filhos delas esquecerão. Também haverá a mídia de esquerda dizendo para elas não acreditarem nos próprios olhos... rsrs..
  • Jos%C3%83%C2%A9 Francisco  14/06/2019 13:59
    Desculpe, mas seu raciocínio tem uma falha, que pode ser ilustrada por um exemplo real.
    Veja a situação em Cuba.
    Há mais de cinquenta anos a economia cubana está em estagnação.
    No entanto, seu governo se manteve inatacado internamente.
    Soluções de força? sem dúvida; mas se manteve e se mantém.
    Querer que todos passem por um governo socialista para acordarem corresponde a querer que todos sejam escravizados.
    Discordo.
  • Guilherme  19/06/2019 17:56
    Realmente Francisco, você ta completamente certo.
    Não tinha parado pra pensar no caso de Cuba que, realmente, serve muito bem como exemplo.
    Mas quando comentei isso, foi pensando no caso da URSS, que depois de 74 anos caiu após sua crise econômica (típica de países socialistas).
    E, parando pra pensar de novo, a população russa ainda hoje não ta em uma situação muito boa não, já que poucos anos após a queda soviética Putin veio ao poder com seu regime sendo muito semelhante ao de Mussolini.
  • Jaime Melo   29/06/2019 10:27
    Vai em Cuba e faz algum protesto pra ver onde você vai parar ou então abre as portas e verás quantos ficarão.
  • esquerdismo é doença  15/06/2019 23:19
    o problema é que em muitos casos a população é desarmada e fica refem . Como na Venezuela. Acabam escravos e é dificílimo voltar, mesmo que a venezuela se livre de maduro e de seu sistema de governo, vai demorar decadas para o pais se recuperar.
  • Romulo  14/06/2019 01:13
    Bem dito, eu também acho, principalmente pra estes europeus idiotas. Abriram mão das liberdades nos últimos 50 anos, se fartando do papai Estado. Bem feito
  • Imperion  14/06/2019 15:12
    Na verdade " obrigaram outros a abrirem mao da sua liberdade" para que outros se tornassem privilegiados. Quem pagou e quem recebeu sao sempre pessoas diferentes .
  • Rodolfo Andrello  13/06/2019 18:37
    Por aqui, os ilusionistas do congresso acham que é uma boa ideia conceder uma aposentadoria para pessoas de 55 ou 60 anos que tenham contribuído por quinze anos.
  • Insurgente  14/06/2019 13:48
    Essa é a forma de "justiça" que prega um socialista. Trabalhar o mínimo e receber igual àquele que trabalhou por muito mais tempo.

  • Guilherme  13/06/2019 18:40
    Minha professora de redação técnica adora passar mine documentários endeusando os estados nórdicos e seus sistemas "gratuitos" assistencialistas. E diz ainda que é assim que o Brasil também deve ser. Quero ver ela falar isso quando entregar esse artigo pra ela.
  • Rodrigo R  17/06/2019 15:36
    Opa, volte aqui pra nos dizer como foi.
  • Juarez Vargas JV   09/07/2019 14:17
    Olá
    Espero que você não seja expulso da sua escola. Pois é o que está acontecendo com quem discorda dos professores sociais-democratas (mentira, comunistas mesmo)
    Bons tempos a todos.
  • Realista  13/06/2019 18:46
    Esses países avançados ainda tem muito pra afundarem, os argentinos estão afundando há 90 anos, os europeus também conseguem afundar por 1 século, aqui na social democracia de US$3.000 per capita do chiqueiril até caminhões de lixo são "assaltados":

    g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2019/06/11/moradores-de-rua-retiram-de-caminhao-do-lixo-produtos-descartados-por-supermercado-em-olinda-veja-video.ghtml
  • Guilherme  13/06/2019 18:48
    Há várias pesquisas indicando que a expansão da social-democracia e do estado assistencialista coincide com uma acentuada diminuição nas taxas de fecundidade.

    www.nationalreview.com/magazine/2018/03/19/welfare-state-cost-going-broke-population-ages/

    www.nationalreview.com/2015/01/our-mushrooming-welfare-state-george-will/
  • Álvaro  13/06/2019 19:03
    Mas isso é algo bem intuitivo. Quanto maior a social-democracia, maiores os impostos e menores os incentivos para se ter uma família, pois o custo de vida (gerado por uma carga tributária alta) se torna completamente proibitivo.

    Até a década de 1960, a taxa de fecundidade era alta em todos os países, principalmente nos ricos.

    A partir da década de 60, a taxa de fecundidade começa a cair.

    Qual a causa?

    Até a década de 60, a carga tributária média era de 15 a 25% da renda.

    O estado confiscava 25% da renda das pessoas.

    A partir da década de 60, a social-democracia foi se expandindo, e consequentemente a carga tributária foi aumentando, chegando hoje a até 50% da renda das pessoas.

    Se o estado passa a confiscar mais dinheiro, sobre menos dinheiro para bancar gastos correntes, e o incentivo para se ter filhos diminui.

    Ao mesmo tempo, com um custo de vida mais alto (por causa dos impostos maiores), as mulheres foram empurradas para o mercado de trabalho. Não foi o feminismo o que liberou as mulheres para trabalhar, mas sim os altos custos da social-democracia que praticamente forçaram as mulheres a ter de trabalhar para ajudar no sustento da família.

    Mulheres trabalhando mais e custo de vida maior se combinaram para reduzir o desejo por mais filhos. Isso é obvio. Não é nem econômico, é matemático.

    Ou seja, à medida que a social-democracia foi se expandindo, a taxa de fecundidade foi caindo.

    A grande comprovação disso é que nos EUA, onde a social-democracia ainda não chegou com força, a taxa de fecundidade ainda é alta. Ao passo que um europeu lida com uma carga tributária que chega a quase 60%, nos EUA ela ainda não passou de 35% (governo, estados e municípios). Aliás, a carga tributária federal não passa de 18% nos EUA. Logo, se você for a um estado americano com poucos impostos estaduais, como a Flórida, verá que a taxa de fecundidade ainda é bem alta.
  • Yuri  13/06/2019 19:27
    Seria por isso então que países nórdicos abrem suas fronteiras pros islâamicos?
  • danir  13/06/2019 21:28
    Não, é porque eles são burros. Qual outro motivo para uma sociedade estruturada e com um nível alto de escolaridade, abrir espaço para invasores cuja primeira ação que praticarão é multiplicarem-se numa taxa muito maior do que os locais, e tentarem mudar todos os costumes e a cultura. Sem falar dos estupros, da ocultação pela policia dos crimes cometidos pelos recem chegados e da conivência de algumas senhoras que apreciam a fogosidade dos novos hóspedes colonizadores. Só pode ser burrice ou insanidade.
  • Questionador  15/06/2019 13:35
    Necessidade não é burrice. Ou é? O governo do Japão está levando estrangeiros para trabalhar no país há décadas. Não por burrice, mas por necessidade. A alta qualificação da mão de obra japonesa, deixou vago os trabalhos braçais. Falta mão de obra para serviços braçais. Soma-se a isso, a queda da taxa de natalidade japonesa, e o problema é dobrado. Os jovens japoneses passam toda a juventude estudando para ter chance de arrumar uma boa colocação. Quando saem da faculdade, tem o seu primeiro emprego e tem um salário fixo, não querem se casar imediatamente. Filhos então... só lá pelos 40 anos de idade. E cada casal está optando por ter apenas um filho. Mesmo com a longevidade do povo japonês a população está caindo pela metade. O governo declarou que o povo japonês está caminhando para extinção, tamanho o desespero. Lá também os números da previdência não fecham. Há um grande déficit. Se o governo do Japão expulsar os estrangeiros, muitas das fabricas japonesas, terão que fechar as portas, por falta de mão de obra. Com todos os problemas por conflitos culturais e de segurança pública, que a entrada de imigrantes estrangeiros tem causado, a pressão por mão de obra e os ganhos econômicos que isto traz, tem feito com que o governo permita, e até incentive, a entrada de mão de obra estrangeira. As mudanças que as novas tecnologias trarão para o mundo todo também serão fatores para uma outra discussão sobre o equilíbrio e saúde das economias. O desemprego pela automação será o próximo desafio universal. Robôs não recebem salário, mas robôs também não são consumidores. Desempregados não consomem, mas também não se aposentam. Como será o capitalismo do futuro? Sem motoristas de taxi, Uber, etc...Sem frentistas nos postos, sem caixas nos supermercados, drone entregando pizza, etc... Muitas profissões vão desaparecer. Para onde irá migrar estes trabalhadores?
  • Pedro Gonçalves  26/06/2019 16:16
    Excelente argumentação Álvaro.
    Nunca tinha pensado nessa comparação entre crescimento da social democracia com a baixa taxa de fecundidade, mas faz total sentido principalmente se compararmos Europa e EUA.
  • Ticiana  11/07/2019 23:56
    Mais um que sabe mais sobre os anseios das mulheres do que elas mesmas. Queria que você explicasse então a baixa taxa de natalidade de Japão e principalmente da Coréia do Sul....
  • Juliano  13/06/2019 19:29
    Desmontar o estado social democrata com uma população idosa e que viveu a vida toda nesse arranjo é a opção correta, mas é praticamente inviável politicamente.

    Aí sobram 3 opções: falir, imigração controlada e imigração sem controle.

    Dessas, um programa de imigração bem feito, tal como acontece no Canada ou Austrália, pode melhorar o problema atraindo imigrantes bem educados e dispostos a se integrar na sociedade. Mas o que provavelmente vai acontecer é a opção 3: imigração de gente que em vez de se integrar vai querer implantar a sharia no país. Ou então de gente que vai pra lá para parasitar nos sistemas de saúde e previdenciário. O que irá apenas acelerar o colapso.

  • Antonio Jose  14/06/2019 14:42
    É bem mais racional do ponto de vista individual ter poucos filhos num sistema de seguridade social.

    Uma da motivações tradicionais para ter filhos era garantir pessoas que vão cuidar de você na velhice, com o Estado assumindo essa responsabilidade, os filhos de todo mundo passam a ser responsáveis por todos os idosos.

    Então as pessoas passaram a ter menos filhos contando que seriam sustentadas na velhice pelo Estado, o problema é que todo mundo pensou assim ao mesmo tempo e não tendo um nova geração de escravos estatais para explorar o sistema vai desabar.
  • André  13/06/2019 18:54
    Esse é o resultado de décadas de estatismo. O que eu acho engraçado é que as páginas, sites e canais de esquerda louvam os países nórdicos justamente por eles terem um estado grande provedor, alegando que isso que enriquece um país e que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho. Na verdade o Brasil já é uma social democracia, só que com um prazo de validade menor do que os nórdicos, justamente por sermos um país subdesenvolvido ainda enquanto que eles se desenvolverem primeiro através de livre mercado. Eles não entendem que não é uma questão de ideologia, e sim de lógica matemática, esses estados de bem estar social estão fadados à falência em poucos anos, isso se prova por a+b, ai quero ver só a cara daqueles esquerdistas burros que são contra as reformas quando não tiver mais INSS e outros benefícios para bancarem eles.
  • Carlos  13/06/2019 20:07
    Vale ressaltar que na Finlândia o governo está fazendo de tudo pras mulheres terem mais filhos. E, apesar disso (ou exatamente por isso), a taxa de fecundidade desabou.

    Eis o que está escrito no artigo da Bloomberg:

    The fertility rate should equal two per woman, Schauman says. It was projected at 1.57 in 2016, according to Statistics Finland.

    That's a surprisingly low level, given the efforts made by the state to support parenthood.

    Perhaps nothing illustrates those better than Finland's famous baby-boxes. Introduced in 1937, containers full of baby clothes and care products are delivered to expectant mothers, with the cardboard boxes doubling up as a makeshift cot. The idea behind the maternity packages was prompted by concerns over high infant mortality rates in low-income families. The starter kits were eventually extended to all families.

    The baby boxes that are delivered to expectant mothers contain all sorts of goodies. They include bodysuits, leggings, mittens, bra pads, talcum powder, lubricant, a hairbrush and a bath thermometer.

    Offering generous parental leave and one of the best education system in the world doesn't seem to be working either. According to the OECD, Finland already has the lowest ratio of youths to the working-age population in the Nordics.

    E agora vem a melhor parte:

    The government has been working with employers and trade unions to boost gender equality by making parental leave more flexible and the benefits system simpler.

    www.bloomberg.com/news/articles/2017-09-19/finland-s-welfare-state-has-a-massive-baby-problem
  • Rene  13/06/2019 20:50
    Nem teria como ser diferente. Para um político, não existe negócio mais vantajoso do que prometer benefícios previdenciários para a população. Uma vez que ele assina a lei, todos em volta batem palmas e ele tem apoio imediato. Já a contrapartida não ficará a cargo dele. Será um outro político, lá no futuro, que irá arcar com o ônus de pagar a conta, quando provavelmente o político que assinou a lei nem estará mais vivo. E mesmo que ele estiver vivo, ninguém mais vai lembrar que foi ele quem prometeu algo que não poderia cumprir.

    Seria como se eu te falasse: Me pague agora 70 reais, e daqui a quarenta anos uma outra pessoa, que nem sei quem será, vai te devolver 7 mil. Uma vez que você me paga, eu gasto o dinheiro sem o menor pudor. Você vai ficar super feliz, já fazendo planos para os 7 mil reais que você terá direito no futuro. Como que o coitado do futuro vai fazer para desembolsar os 7 mil reais? Isso não é problema meu. A única coisa que me interessa agora é o que vou fazer com estes 70 reais que ganhei agora.
  • Zuca em Tuga  16/06/2019 10:15
    Perfeito!
  • revisor  13/06/2019 21:02
    nessa frase provavelmente faltou a palavra década:

    "O governo tinha como objetivo reduzir dramaticamente o aumento dos gastos com o sistema de saúde na próxima DÉCADA, reduzindo o orçamento para € 18,3 bilhões em 2029"
  • Revisado  13/06/2019 21:32
    Correto. Corrigido. Obrigado!
  • Thiago  13/06/2019 21:55
    A Noruega não vai quebrar. O fundo soberano dela é de $ 1 trilhão de usd e eles usam o retorno do investimento pra pagar deficits fiscais, quando há. O fundo, montado em cima dos lucros com petróleo e superavit fiscal, e tem seus recursos investidos no mundo inteiro e gera em média $ 55 bilhoes de retorno ao ano. Em 2017 o governo pegou apenas $7 bilhões de usd.

    Vocês não mencionaram o sistema de capitalização no artigo. Por que?
  • Humberto  13/06/2019 22:52
    Para começar, o governo da Noruega não tem déficits orçamentários. Ele, aliás, é mais do que austero. Ele pratica superávits constantes. Exatamante o que a esquerda despreza.

    Pode conferir. Nunca houve um mísero ano de déficit.

    tradingeconomics.com/norway/government-budget


    Quanto ao fundo soberano da Noruega, ele funciona exatamente como qualquer fundo de investimento: pega as receitas do petróleo e aplica em ações e papeis ao redor do globo.

    www.marketwatch.com/story/norways-sovereign-wealth-fund-rakes-in-131-billion-return-thanks-to-2017-stock-rally-2018-02-27

    E com um detalhe: o governo não usa os ganhos deste fundo em seu orçamento.

    en.wikipedia.org/wiki/Government_Pension_Fund_of_Norway#Debate

    Ou seja, não entendi nada de você trazer a Noruega para o debate. Trata-se de um país totalmente atípico: boia em petróleo e tem políticos responsáveis. Nenhum outro país no mundo tem essas duas características conjuntamente.

    Quanto ao sistema de capitalização, não entendi. O que tem para ser mencionado?
  • Thiago  14/06/2019 02:31
    Humberto, para começar, não sou de esquerda. Segundo, você pode usar wikipedia como referência, abra o DRE do fundo e veja que o governo noruêgues sacou $7 bilhões de usd do fundo. Se trata de um fundo de pensão com regime de capitalização que gera $55 bilhões ano. Por isso mencionei que a Noruega não irá quebrar e indaguei sobre a não abordagem de regimes previdenciários de capitalização no artigo. A Noruega não é a única social-democracia rica em recursos naturais.
  • Humberto  14/06/2019 03:10
    "abra o DRE do fundo e veja que o governo noruêgues sacou $7 bilhões de usd do fundo."

    E daí?

    "Se trata de um fundo de pensão com regime de capitalização que gera $55 bilhões ano."

    Não, não é fundo de pensão. Lamento quebrar sonhos. Trata-se de um fundo de "estabilização cambial". Ele não tem nada a ver com uma "poupança do governo" (pode até ser que no futuro ele venha a desempenhar esta função, mas, no momento, ele não a tem).

    Mas isso tudo ainda é o de menos.

    O fato é que a Noruega pode se dar a este e a vários outros luxos porque literalmente está boiando sobre petróleo, cujas receitas de exportação garantem ao governo um superávit orçamentário de incríveis 10%.

    Exatamente por causa desta excepcionalidade, a Noruega pode se entregar a vários exotismos estatais e assistencialistas. Retire o petróleo da Noruega e a coisa ficará bastante curiosa.

    Como comparação, a Suécia, que não tem essa sorte geológica, possui uma economia mais livre que a Noruega (menos regulamentações, mais livre comércio). E tem de ser mais livre porque, se não fosse mais livre, não teria como ela produzir a riqueza necessária para sustentar seu estado.

    Se a Noruega perdesse o petróleo, e mantivesse exatamente a mesma estrutura econômica de hoje, a teoria ensina que ela seria pior que a Suécia.

    "Por isso mencionei que a Noruega não irá quebrar"

    Também acho que não. Só que a situação dela é única no mundo, e impossível de ser imitada.

    "e indaguei sobre a não abordagem de regimes previdenciários de capitalização no artigo."

    Isso é outro assunto, completamente diferente. Nada a ver com Noruega.

    Mas é sempre bom ver alguém reclamando que o artigo ficou curto e deveria ser maior (sem ironia); normalmente, reclama-se que o artigo está muito grande. No seu caso, pode ficar com este aqui

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2589

    "A Noruega não é a única social-democracia rica em recursos naturais."

    Sim, é. Não há nenhuma outra social-democracia boiando sobre petróleo e, ao mesmo tempo, tendo poucas pessoas para serem bancadas com as receitas deste petróleo. São apenas 5,2 milhões de pessoas na Noruega. Isso dá uns cinco bairros de São Paulo.

    Se você acha que o Brasil pode imitar a Noruega, você está in for a big surprise.
  • Thiago  14/06/2019 05:37
    Humberto,

    O nome do fundo Norueguês é Government Pension Fund Global. Aqui está o link do Norges Bank que gere o gundo. Você vai ver que o Governo utiliza a rentabilidade do fundo. www.nbim.no/

    Não citei o Brasil hora nenhuma. Estamos falando do evento da falência da Social-Democracia.

    Isso não ocorrerá sobre regimes previdenciários de capitalização. Você citou no artigo que os países quebrariam por causa do regime de repartição. Não mencionou nada sobre regimes de capitalização. Acho que seria oportuno para mostrar a necessidade de reforma do sistema previdenciário.
  • Capital Imoral  13/06/2019 22:16
    Qual a relação entre um padre e a música de shopping?

    No último sábado, dia 8 de junho, eu estava com vontade de ir ao cinema assistir o novo filme com Will Smith, Aladdin. Sim, eu poderia assistir na super tela da minha nova Smart TV paga com dinheiro do contribuinte, mas, por algum motivo, eu estava com vontade de ir ao cinema. Em todo caso, os neoliberais iriam financiar minha diversão de fim de semana - é uma das vantagens de ser agente de justiça social. Pois bem, peguei o carro de mamãe e fui ao shopping Cidade São Paulo; fica bem ali na Avenida Paulista.

    A primeira coisa que fiz quando cheguei ao shopping foi procurar, imediatamente, uma loja da Starbucks. Não sei por que, mas há uma relação fortíssima entre socialistas e cafeterias de alto padrão. É bom demais ser inteligentinho dentro de uma Starbucks; principalmente se você for funcionário público de humanas. Por outro lado, não é fácil ser inteligentinho de Starbucks. Nós temos códigos sabia? É preciso seguir o rito do inteligentinho de humanas: 1) roupas do tipo largadão ou mamãe quero ser viado; 2) Macbook ou Iphone é lei; 3) conversar com um inteligentinho sobre assuntos pós-modernos ou abrir um Macbook para falar mal do capitalismo (meu caso).

    Depois da atendente entregar meu café e pão de queijo vegano, fui para um canto e fiquei no Instagram - rede oficial dos inteligentinhos - acompanhando postagens da elite de intelectuais progressistas no Brasil. Por algum motivo, Pe.Fábio de Melo está entre as pessoas que acompanho; talvez seja pelo fato dele ser o padre que se aproxima mais do religião pós-moderna, ou seja, ele é o representante, mesmo sem saber, da Nova Era dentro da Igreja Católica.

    Um compartilhamento chamou minha atenção.

    Veja o que Pe.Fábio de Melo compartilhou em suas redes sociais: Organize sua vida colocando prioridades que realmente importam no seu dia a dia. Peça perdão, libere perdão, seja leve de espírito... beije na boca a quem você ama, abrace, conforte, chore junto, sorria mais ainda… Não gaste energia com quem não quer o seu bem, não perca tempo abrindo a sua boca para falar o que não edifica, a vida é muito curta para viver aborrecido. Brinque com seus filhos, durma com eles, se lambuze ao cozinhar algo e divirta-se… um Dia a hora chega e quem viver, viveu.

    Só faltou dizer: fique de conchinha com o bermudão que irá te largar na primeira oportunidade. Que porcaria é essa de "libere perdão"? Perdão são tipo cases que a pessoa solta e quem está em volta sai se sentindo mais progressista? Estou louco ou fui o único a perceber que o teor deste texto vai contra a mensagem deixada por Jesus? Não que eu seja um exemplo de católico, mas isso é paganismo. É justamente o materialismo e comodismo de uma sociedade capitalista que nos leva a este pensamento sensorial, imediatista; e não venha dizer que o capitalismo é diferente disso. Ou você acha que o comércio irá pregar retidão econômica diante de uma compra?

    São pouquíssimos católicos que conhecem o verdadeiro sentido da santidade. Uma vida fácil e cômoda é algo que definitivamente não faz parte da vida de um santo. Ser santo é morrer para este mundo - e não ficar soltando pum cheiroso. A narrativa do Pe.Fábio de Melo visa ser uma extensão da constante propaganda pós-moderna. Diga se essa narrativa será diferente de um comercial da Apple? Diga se algum ser humano no mundo atual terá a ousadia de enviar "más energias"?.

    Grosseria e baixeza é algo reservado aos sub-humanos que um dia foram inocentes o bastante para comer do fruto proibido. O tempo passou e a conta da juventude chegou. Vidas destruídas, não pelo poder das armas, mas pelo poder do subconsciente - tudo isso tem fundamento na narrativa viva e deixe viver. Enquanto você tiver posse da própria consciência, o convite sempre estará a espreita.

    Depois de ficar puto com o Pe.Boas Energias, percebi que precisava correr ao cinema para não perder o ingresso comprado antecipadamente via internet. Enquanto corria - modo de dizer, porque inteligentinho não corre, desfila - percebi que uma música cativante tocava durante o percurso, era a música do shopping. Você já prestou atenção nas letras dessas músicas? Ouça, preste atenção, e perceba que as letras falam justamente sobre aquilo que o padre compartilhou: um mundo imediatista, sensorial, onde é preciso viver o aqui e o agora.

    A mão indivisível de fato é uma força que existe e está na cultura, porém, diferente do que afirmam os neoliberais, por onde ela passa há destruição e morte. Há uma relação perversa entre a postagem do padre e a música do shopping: a cultura imediatista e a visão, hoje dominante, de que se deve viver a vida intensamente. O fruto proibido precisa ser consumido ainda na juventude. Esse é o ar que respiramos.

    {1} Leia A Vida na Sarjeta, de Theodore Dalrymple, e veja como é a vida daqueles que "vivem plenamente". Garanto a você: é um filme de terror.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises
  • 4lex5andro  01/07/2019 16:52
    Vaporwave pesado mano, mas aí uma bela hora teve de acordar né...
  • anônimo  13/06/2019 23:04
    Segundo o artigo:
    "Na mais benevolente das hipóteses, isto é, se a população tributada for muito produtiva, a arrecadação até poderá crescer, mas o fará a um ritmo muito mais lento, o que já bastará para afetar todo o sistema."

    Nessa mesma linha, fiquei em dúvida se uma social democracia não poderia "funcionar" perenemente em um país com grande acúmulo de capital.

    Não tenho nenhuma dúvida de que esse sistema é SEMPRE prejudicial à sociedade e, na melhor das hipóteses, é "apenas" uma âncora ao crescimento.

    Mas, mesmo sendo nocivo, ele não seria "viável" nesse segundo caso?

    Um país bastante rico, poderia se dar ao luxo de crescer mais devagar desde que as benesses "oferecidas" à população sejam inferiores à riqueza gerada por este capital acumulado.

    Por analogia, seria como um indivíduo que vive da renda gerada por seu patrimônio. Se ele consumir mais do que essa renda, reduzirá o principal gradualmente, até voltar ao estado de pobreza. Se consumir menos do que essa renda, continuará a enriquecer, ainda que em velocidade menor do que o crescimento experimentado na fase de acumulação.
  • Bernardo  14/06/2019 02:05
    "Nessa mesma linha, fiquei em dúvida se uma social democracia não poderia "funcionar" perenemente em um país com grande acúmulo de capital. [...] Um país bastante rico, poderia se dar ao luxo de crescer mais devagar desde que as benesses "oferecidas" à população sejam inferiores à riqueza gerada por este capital acumulado."

    Pode funcionar por bastante tempo, mas não perenemente.

    A social-democracia é um arranjo paradoxal: embora ela seja vista como a salvação dos pobres, ela só pode funcionar — e ainda assim temporariamente — em países de população rica.

    E o motivo é simples: para que um estado de bem-estar social — no qual o governo cuida de todos por meio de altos gastos sociais e ainda fornece vários serviços "gratuitos" — funcione, o governo tem de tributar pesadamente a população.

    E para que essa alta carga tributária não afete a criação de riqueza da economia, essa população tem de ser extremamente produtiva e possuir uma alta renda per capita. Ela tem de produzir a taxas cada vez maiores, e já ter uma grande riqueza acumulada, para poder ser pesadamente tributada pelo governo e ainda conseguir manter seu padrão de vida. Só assim ela poderá arcar com a alta carga tributária necessária para bancar o estado de bem-estar social.

    Caso contrário, se a produtividade não for crescente, o governo estará confiscando riqueza a uma taxa maior do que ela é criada. E aí a pesada tributação fará a riqueza definhar. E se a renda per capita não for alta o bastante, simplesmente não haverá como o governo continuar tributando para manter o estado de bem-estar social.

    Uma coisa é o governo tributar pesadamente uma população já rica e produtiva; outra, completamente oposta, é o governo querer fazer o mesmo com uma população pobre e pouco produtiva. Para efeitos de comparação, onde você acha que seria mais fácil manter um estado de bem-estar social: na Suíça ou no Haiti?

    Obviamente, tributar apenas os "ricos" para então bancar todo o resto da população "não-rica" é algo numericamente impossível, pois simplesmente não há, em nenhum país do mundo, ricos em quantidade suficiente para serem continuamente tributados e custearem sozinhos os gigantescos gastos efetuados pelos estados assistencialistas ocidentais.

    Portanto, para a social-democracia se manter, toda a população tem de ser rica e muito produtiva.

    Consequentemente, uma social-democracia, para se manter, tem de criar um arcabouço amplamente liberal em termos de economia de mercado: as pessoas têm de ser extremamente livres para investir, produzir e criar riqueza; o ambiente burocrático e regulatório tem de ser leve e pouco intrusivo; a facilidade de empreendimento tem de ser máxima; o respeito à propriedade privada tem de ser total (caso contrário, não haverá investimentos); os investimentos estrangeiros têm de ser liberados.

    Neste cenário, e apenas neste cenário, ela tem chance de durar.

    Esse, portanto, é o paradoxo da social-democracia: apenas populações ricas e produtivas — que em tese não necessitam dela — podem se dar ao luxo de ter uma.

    Social-democracia é luxo de país com população rica. E nenhum país enriqueceu aplicando a social-democracia. A história mostra que, primeiro os países enriqueceram por meio do livre mercado, depois, só depois, implantaram a social-democracia, a qual se consolidou apenas na década de 1970.

    População ainda pobre não tem como aplicar social-democracia. Se o fizer, os custos serão inviáveis no longo prazo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • Felipe Lange  13/06/2019 23:24
    O jeito é se afastar dos políticos e burocratas no maior nível possível. Brasil tentou ser social-democrata, mas quebrou rapidinho. O futuro são as criptomoedas. Bitcoin está aí, e os políticos morrem de medo, e todos não hesitam em querer colocar alguma regulação em cima.

    Aqui nos EUA a Previdência Social está prevista para ficar insolvente daqui alguns anos (assim como o Medicare), inclusive estou com um artigo sobre isso em pauta (agora estou fazendo outras coisas, devo terminar depois da próxima segunda). Tem um tal de fundo do sistema, sempre que a Previdência fica superavitária (embora haja controvérsias sobre a confiabilidade desse fundo; eu cheguei a pesquisar sobre mas não encontrei nada esclarecedor ainda), esse dinheiro restante vai para esse fundo, como se fosse uma poupança.

    Mas eu tendo a ter algum otimismo, porque em país desenvolvido pelo menos há alguma chance de ocorrer uma reforma, mesmo que por um político de esquerda. Agora na América Latina, os esquerdistas sonham com uma ditadura, eles não apenas querem expandir o estado com alguns programinhas a mais.

    O sistema previdenciário estatal de repartição é asqueroso e prejudica principalmente os mais pobres. O sujeito é obrigado a sustentar essa porcaria, depois chega na velhice e, para conseguir as migalhas, é um parto e eles fazem de tudo para que o idoso não receba.

    Se nessa reforma previdenciária no Brasil eles não colocarem pelo menos o sistema de capitalização, eles na prática só estarão empurrando o problema para mais alguns anos. Agora a sanha deles de "arrecadar" para esse sistema de pirâmide é medonha, roubando até de quem é motorista de aplicativo.
  • Milton Friedman Cover's  14/06/2019 09:12
    Aqui, o pessoal da esquerda quer parar hoje as principais cidades do País com uma greve contra todas as reformas, principalmente a da Previdência. E ainda querem que o hóspede de Curitiba seja solto pelos motivos mais vis, baseados numa grande armação contra o Ministro da Justiça. A turma do quanto pior, melhor. A Turma do STF considera homofobia, racismo (fobia, normalmente, é medo, pavor de algo e não ira contra algo, mas enfim...). Parece fora de tópico, mas não é. Tudo isto está ligado com o "bem estar" da social-democracia, na Escandinávia e em todos os lugares onde ela é governo. Enquanto isto, em Marte é encontrado no solo do planeta o emblema da Federação dos Planetas de Star Trek. É muito surrealismo para o meu gosto. Abraços.
  • Márcio F.  14/06/2019 11:43
    Políticos, safados como são, encontrarão a solução mais "logica" para a cilada em que colocaram seus países: GUERRAS.
    Pensem bem: há aumento de idosos, poucos jovens e gastos crescentes com saúde e previdência; uma guera "ampla, geral e irrestrita" acabaria com esses problemas mesmo que gerando outro inicialmente. Gastos com previdência seriam deslocados para a área militar sobre a justificativa do salvamento nacional, idosos morreriam por doenças, vitimas de batalhas, bombardeios, etc; apesar dos jovens morrerem em batalha, a geração sobrevivente normalmente inicia um babyboom como no pós 2ª Guerra Mundial; a geração subsequente se esquece das merdas realizadas pelos políticos da geração anterior e o ciclo se reinicia.
    É uma lógica perversa? Sim, com certeza. Porém é a única saída para os políticos, e se atentem que é isso que irão procurar.
  • Tiago Ribeiro  14/06/2019 12:51
    Eu não consigo entender o motivo da 'explosão demográfica' ser a solução.
    Quando eu imagino isso no Brasil de agora, eu visualizo mais crianças/adolescentes/adultos para serem cuidados pelo estado. Nem dá pra chamar eles de pagadores de impostos, pois muitos não produzem nada nem possuem nada.
    Por favor alguém me explique a parte que não estou entendendo. Obrigado!
  • ed  14/06/2019 14:47
    Em tese, quanto mais pessoas nascendo mais pagadores de impostos, o que permitiria empurrar o problema com a barriga.

    Mas como você ressaltou a coisa não é tão simples assim pois se grande parte desses jovens virarem parasitas a situação pode ficar pior do que já é.
  • thiago  14/06/2019 16:26
    também não gosto da qualificação "pagadores de impostos" no contexto do texto. Acho preferível "produtores de riqueza" ou algo nesse sentido.
  • Felipe Lange  14/06/2019 16:25
    Nesse cenário infernal de falta de liberdade econômica, realmente fica difícil. Se o estado se retirasse, aí sim o Brasil teria prosperidade, de fato.
  • Imperion  14/06/2019 15:08
    Glossario
    Privilégio= lei que fa um beneficio a uma minoria.
    Escravidão = lei que dava um provilegio a uma minoria de subtrari a liberdade de outra mediante ameaca a vida desta.
    Libertários sao contra as duas. E uma pessoa que se diz contr escravidao , mas é favoravel a um privilegio que subtrae de outra, para ela ficar sem trabalhar é hipocrita. Ou a pessoa é contra todas as formas de escravidao, ou ela so faz por conveniencia dela ter privilegio.
  • Cássio Moura   14/06/2019 15:50
    Não tem nada a ver com o artigo, mas o que acham dessa entrevista?

    [link]www.google.com/amp/s/www.jn.pt/artes/interior/amp/roberto-saviano-a-mafia-vai-existir-enquanto-houver-capitalismo-11006524.html[link]

    Por favor, leiam.
  • Corleone  14/06/2019 16:24
    1) Ele nunca ouviu falar na máfia russa, que se formou exatamente durante o comunismo?

    2) Será que ele ignora que a máfia só existe e só atua naqueles setores comerciais que foram proibidos pelo estado?

    3) O que aconteceu com a máfia de Al Capone após o comércio de bebidas ter sido legalizado? Exato, sumiu.

    4) O capitalismo, portanto, e ao contrário do que foi dito, acaba com as máfias. Se o estado legaliza o capitalismo, a máfia perde a razão de existir.


    Texto sobre Saviano.

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=630


    E sobre a máfia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=219
  • Leitor  14/06/2019 16:33
    Sou contra o socialismo. Mas estou impressionado como se quer culpar os velhos pela crise. Dizer que não há solução porque a taxa de nascimento é baixa? Claro que há e é óbvia: Aumentar a taxa de nascimentos. Adotem-se crianças pelo mundo. Se os mais velhos não tiverem recursos o estado será obrigado a cuidar. Se atribuir isso para as famílias o resultado será o mesmo ou pior ainda, terão que utilizar recursos para os cuidad0s e não poderão investir. E o estado terá uma sociedade comprometida diretamente com seus idosos. Continuarão sem poder renovar a população. Existem fórmulas que podem ser dirigidas para sanar a questão ou boa parte delas. E não precisa ser socialista.
  • Thiago  14/06/2019 16:42
    Realmente aqui no Brasil seria um tiro pela culatra. Esse aumento populacional só daria certo em país com capitalismo livre.

    Duplique a população suíça pra ver, costuma o resultado ser um aumento ainda maior da renda per capita.
  • Renato  15/06/2019 00:19
    Só tenho uma dúvida em relação ao livre mercado na área de saúde: como garantir um serviço bom a todos os cidadãos, se consultas médicas privadas, exames ou internações, tem um custo tão alto que o cidadão comum, de classe média, não consegue pagar?
  • Eudes  15/06/2019 02:43
    A saúde privada só é cara porque a oferta é artificialmente restringida pelo estado, que, ao regular pesadamente o setor, define quem pode e quem não pode entrar.

    Adicionalmente, o estado, o esbulhar 40% da renda do cidadão via impostos, obviamente aniquila sua capacidade de consumir serviços de saúde.

    Desregulamente a oferta e corte impostos, e literalmente da noite para o dia serviços de saúde passarão a ser ofertados e consumidos como pão.

    Artigos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=105

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2699

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1866

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2029
  • Thiago Cardoso Ramos  15/06/2019 00:25
    quanta asneira.... colocar em xeque uma das maiores revoluções contra essa porcaria de polarização politica esquerda socialista e direita capitalista porque os cidadãos dos paises nórdicos não querem ter filhos e vivem mais? Não tem nada a ver com o sistema hibrido adotado lá, e sim com a politica de senso do país. faça-me o favor cara...
  • Ricardo  15/06/2019 02:45
    Do que você está falando, cidadão? Você descobriu a mágica de revogar a matemática, a contabilidade e a economia? Conseguiu revogar a escassez?

    Se sim, revele o segredo para o mundo, por favor. Será um benefício estrondoso para a humanidade.
  • Túlio  15/06/2019 02:47
    É só mais um que acredita que os recursos não são escassos e que a economia funciona na base dos sonhos e desejos. "Se eu quero um determinado arranjo assistencialista porque acredito que ele seja belo e moral, então nada impede que ele se mantenha para sempre".

    E o pior é que muita gente que vota realmente pensa assim.
  • Luiz Giannini   15/06/2019 14:09
    Caros colegas, primeiramente parabéns para o altíssimo nível dos comentários, sempre importante debater e se aprofundar nos temas.
    Aumento de idade mínima para aposentadoria + capitalização, resolvem essa questão? Salvo o engano, parece que na Itália, idosos hoje são pessoas com mais de 70 anos, vivendo mais e melhor, não podemos contribuir mais??
    Outro questionamento é se o tema em questão não desconsidera possíveis avanços tecnológicos, que aumentem significativamente a produtividade, podem compensar esse novo arranjo populacional? (Meio neomalthusiano)

    Falando sobre a página, existe previsão de cursos online? Ou de eventos no RJ? Gostaria muito de participar e, principalmente, conhecer mais sobre a escola austríaca e liberalismo.
    Abs
  • Régis   15/06/2019 17:49
    Uma reforma definitiva para a previdência:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2589
  • Itamar COLIMODIO Esteves  15/06/2019 14:28
    Ainda bem que o nosso Brasil não se tornou ainda um estado nórdico e os seus sistemas "de gratuidades" assistenciais só funcionam para os políticos, para o alto funcionalismo, para a cúpula do judiciário e para o alto comando das Forças Armadas. Obrigado Dra. Janaina Paschoal, obrigado Dr. Helio Bicudo (+) e obrigado Dr. Reales Junior, por vocês haverem iniciado a desPTização desse nosso rico, sacaneado e saqueado país do futuro, não permitindo que nos tornássemos uma nação nórdica.
  • Guilherme   15/06/2019 17:31
    É isso aí. O Brasil só não é rico como um nórdico simplesmente por causa de Janaína Pascoal e Miguel Reale. Tão óbvio.

    Afinal, durante o reinado petista, a saúde pública e a educação pública eram supimpas, estávamos já prestes a superar a renda per capita da Suíça, não havia mais pobreza, e hordas de europeu e americanos arriscavam suas vidas para entrar aqui ilegalmente e tentar usufruir um pouquinho do nosso invejável padrão de vida.

    O PT estava prestes a nos transformar na Noruega. Precisavam só de mais uns dois anos...


    É cada imbecil fanatizado por políticos que desaba por aqui...
  • Paulo da Luz  16/06/2019 14:15
    Parabéns pelos pertinentes comentários sobre diferentes assuntos, mas todos com o firme propósito de "engrossar o caldo" da reflexão a respeito do nosso tão maltratado País. Em que pesem alguns comentários jocosos, mesmo esses trazem algum tipo de contribuição Para todos.
  • alerj  17/06/2019 14:06
    um amigo comentou comigo ontem que os países europeus se desenvolveram pós II guerra graças à aplicação de políticas econômicas keynesianas. Isso tem fundamento?
  • Bernardo  17/06/2019 14:41
    Não. O crescimento pós-Segunda Guerra foi via livre iniciativa e redução do estado.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1419

    O keynesianismo só chegou lá em definitivo na década de 1970. Resultou em estagflação. Foi abandonado na década 1980. Mas ressuscitou na década de 2000. Aí deu nisso aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514
  • Sandbrand  17/06/2019 18:49
    Vejo aqui esses liberais demagogos criticando o uso dos impostos para previdência e saúde. Os velhos tem importante peso na economia, suas aposentadorias voltam todas para o consumo (remédios, exames, alimentação, lazer, etc), ou seja, não sobra dinheiro para especulações e gastos no exterior. O problema está nos ricos (empresas/pessoas físicas) que sonegam e desviam o dinheiro para o exterior. Calculem melhor essa economia liberal. Querem todos desamparados?
  • Kelsen  17/06/2019 19:00
    Pode vir com efusões de emotividade e afetações lacrimosas o tanto que quiser. Elas, lamentavelmente, não podem alterar a matemática, a contabilidade e a demografia.

    Tampouco podem alterar a realidade de que "basta tributar mais os ricos que tudo se resolve".

    Aliás, os ricos já não são bem tributados nos países nórdicos? Qual a sua fonte para dizer que os ricos nórdicos "sonegam e desviam o dinheiro para o exterior"? Por favor, coloque aqui. Estou ansioso para vê-las.

    Não vá arregar.
  • Sandbrand  17/06/2019 22:35
    Prezados, liberais ortodoxos! Acordem para os tempos atuais. 5G e IA se aproximando, a economia de Adam Smith, Friedman, Keynes, e Marx, nada dessa econometria fajuta do passado prevalecerá. Veja exemplo nos Bancos: Nem precisam mais ser reais, tudo virtual, relação capital x trabalho, já era. As máquinas farão e já fazem tudo, apenas alguns para ligar e desligá-las. Os velhos são a nova economia, a única população que consome tudo que ganha. Os poucos jovens que temos não querem mais nada, só futilidades e outros economizando pra velhice, entendeu , tudo caminha pra que o dinheiro gire com os mais velho. Precisamos taxar rapidamente nossas riquezas naturais, aumentar os roalties, aprendermos criar tecnologias para gerar riquezas. Tudo será pelo avesso. Vocês discutem coisas do passado. Abrem esses mentes tacanhas. Tudo que até aqui era supostamente certeza econométrica, irá pelo ralo.
  • Fabrício  18/06/2019 01:41
    Você, pelo visto, ficaria um tantinho surpreso ao descobri o que este Instituto – que não é nem liberal e nem ortodoxo – pensa sobre Smith e Friedman, para não dizer de Marx e Keynes. Ah, sim, e ficaria ainda mais surpreso com a posição dele sobre econometria.

    Utilize a ferramenta de busca e surpreenda-se.
  • Sandbrand  18/06/2019 18:29
    Uma recomendação para vocês liberais: Leiam os livros do Sr. Ha Joon Chang. Nossa política econômica nas mãos do Guedes, irá nos afundar ainda mais.
  • Leandro  18/06/2019 19:31
    Lido.

    Chang é apenas (mais um) ideólogo desenvolvimentista em defesa das reservas de mercado para as grandes corporações (e, curiosamente, a esquerda diz que os libertários é que são os defensores das grandes empresas).

    Ele é especialista em fazer propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados. E o faz com credenciais acadêmicas, o que traz mais respeitabilidade ao mercantilismo. Os políticos e os grandes empresários que têm pavor da concorrência adoram.

    Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

    O grande problema do livro (Chutando a Escada) é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

    Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Cingapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

    Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. E em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

    A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

    Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Vale lembrar que a Coréia do Sul no início da década de 1960 era mais pobre do que a Coréia do Norte. E mesmo assim os japoneses investiram lá. E deu no que deu.

    Caso domine o inglês:

    mises.org/daily/2001

    mises.org/daily/2960

    Em suma: o livro é apenas propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados coreanos. A teoria de Chang é a de que reserva de mercado e abolição da concorrência são exatamente o que fazem algo prosperar, se modernizar e se tornar pujante. Economia fechada e reserva de mercado são o que cria pujança e prosperidade. Atentado à lógica.

    Vale lembrar que o Brasil já é assim desde que foi descoberto em 1500. Por favor, cite um único período do país em que tivemos tarifa de importação zero. Aliás, facilito: cite um único período que tivemos baixas tarifas de importação.

    Temos a economia mais fechada entre os países sérios, e nada de a indústria progredir e ficar pujante.

    Logo, o Chang deve explicações. Junto com você.

    A teoria que ele e você defendem -- "economia protecionista gera indústria pujante" -- é aplicada no Brasil desde 1500. E nada de ela finalmente se comprovar.
  • Sandbrand  19/06/2019 12:33
    Os liberais aqui: o que dizer do país (USA) que dita os rumos da economia no mundo, sem proteção social nenhuma, ter uma dívida pública de mais de 100% do PIB? Outro exemplo pior , Japão, mais de 240% do PIB em dívida pública. Aliás, quase todos os países ricos capitalistas, já explodiram sua dívida pública. Pergunta: elevaram essa dívida com quê? Não foi com assistência social, isso já sei. Tudo aqui não passa de uma falácia econômica. Para onde vai o dinheiro da riqueza gerada por milhões de trabalhadores é o que define e escancara esse sistema concentrador de riquezas. Acordem!
  • Amante da Lógica  19/06/2019 14:50
    Vocês da esquerda poderiam, ao menos, entrar em um mínimo de consenso, né? Assim passariam menos ridículo. Vocês chegaram a um ponto em que tudo o que um diz já foi anteriormente contraditado por outro companheiro.

    Outro dia um esquerdista veio aqui e disse que os EUA eram ricos justamente porque seu governo gastava muito com o social, e citou os food stamps, o medicare e o medicaid, além do volumoso gasto com o seguro-desemprego.

    Aí agora vem você e diz que os EUA não têm "gasto social nenhum"?

    Afinal, o país é rico porque "gasta horrores com o social" (como disse o esquerdista anterior) ou ele é rico porque "não gasta absolutamente nada com o social" (como disse você)?

    Posso eu pedir ao menos um mínimo de consenso entre vocês? Fica impossível debater assim.


    P.S.: ah, sim, caso esteja minimamente interessado em aprender, aqui vai uma aula grátis (aproveite, pois não sou disso, e não repetirei tamanha caridade):

    Em termos de gastos governamentais com programas assistencialistas, os EUA estão em linha com vários outros países tipicamente percebidos como "estados de bem-estar social". Na área da saúde, por exemplo, o governo americano gasta mais do que praticamente todos os outros países, ricos e pobres.

    E, quando se olha apenas os "gastos sociais em porcentagem do PIB", os EUA gastam mais que o Canadá, por exemplo. Vide o gráfico 2.

    Ainda assim, em vários aspectos, os EUA ainda são uma economia relativamente livre, principalmente em termos de carga tributária, regulações sobre a propriedade privada e comércio estrangeiro.

    Espero que a aula tenha tido alguma valia. De nada.
  • Sandbrand  19/06/2019 16:07
    Chegou onde eu queria: nada tem a ver com gasto social, até porquê uma sociedade só é avançada quando se tem saúde e educação garantidas minimamente pelo Estado.
  • Régis  19/06/2019 16:33
    "até porquê [sic] uma sociedade só é avançada quando se tem saúde e educação garantidas minimamente pelo Estado."

    Ué, então já estamos feitos.

    No Brasil, saúde e educação são garantidas completamente pelo estado -- e não apenas "minimamente".

    A saúde estatal no Brasil é realmente "gratuita", no sentido de que ninguém tem de pagar separadamente por estes serviços estatais (até mesmo na Europa as pessoas são obrigadas pelo estado a pagar um seguro de saúde).

    Igualmente, no Brasil a educação também é "gratuita": você pode fazer desde o maternal até o pós-doutorado em escolas e universidades públicas, sem pagar mensalidade nenhuma.

    Ou seja, segundo seus próprios critérios, já temos todos os pré-requisitos para sermos "uma sociedade avançada". Não é necessário mais nada.
  • Paulo  19/06/2019 19:38
    Sei que é uma proposta pouco libertária, mas, da para tornar mais liberal um modelo estatal, se o sistema de capitalização fosse usado para todos os serviços do estado? Ou a maior parte?
    Saúde, Educação, Previdência.

    Isso geraria poupança, por sua vez, também tornaria mais sustentável o modelo em uma demografia decrescente.

    Se eu não me engano, é cingapura que capitaliza parte dos serviços de saúde;

    O nosso SUS também é uma piramide, já temos filas e serviços precários hoje, não quero nem ver daqui umas décadas.
    E no Brasil sempre esperam o sistema quase quebrar para fazer algo
  • Askeladen  21/06/2019 15:56
    Vai demorar para afundar, a população é de uns 5 milhões é caindo....
    Normalmente estes países são ricos em recursos naturais.
  • 4lex5andro  01/07/2019 17:09
    Não contrariando o artigo (excelente como de hábito) do IMB, mas exatamente por ter uma base pequena de demanda previdenciária, o prognóstico da Finlândia ainda é bom, pois é uma economia altamente produtiva, desburocratizada (sem CLT, salário-mínimo) e livre (vide heritage ranking).

    O país finlandês tem como bases a indústria de alta tecnologia (Nokia-HMD), maquinário agrícola (Valmet) e de beneficiamento da indústria de papel e celulose (Botnia e Stora-Enzo).

    Em parênteses alguns exemplos de multinacionais daquele país, por setor.
  • Atuarial  01/07/2019 17:44
    "exatamente por ter uma base pequena de demanda previdenciária"

    Como assim? A mediana da idade da Finlândia hoje é de 42 anos.

    E a atual expectativa de vida é de 82 anos (e crescendo).

    E a taxa de fecundidade está em queda livre.

    "o prognóstico da Finlândia ainda é bom"

    Desculpe, mas isso não "prognóstico bom". Sim, é melhor que o Brasil, mas está longe de ser um "prognóstico bom"

    "pois é uma economia altamente produtiva, desburocratizada (sem CLT, salário-mínimo) e livre (vide heritage ranking)."

    Isso é positivo quando a carga tributária total ainda é baixa e, portanto, aguenta aumentos. Não é o caso da Finlândia. E muito menos do Brasil.

    "O país finlandês tem como bases a indústria de alta tecnologia (Nokia-HMD), maquinário agrícola (Valmet) e de beneficiamento da indústria de papel e celulose (Botnia e Stora-Enzo)."

    Isso não garante que o país vá aguentar uma tributação crescente para bancar a previdência.


    P.S.: sim, a Finlândia está bem melhor que o Brasil. Mas não há mágica capaz de revogar matemática, demografia e contabilidade.
  • Diego Arthur  23/06/2019 16:32
    Boa tarde, tenho uma dúvida. Os avanços tecnológicos não poderiam suprir a baixa taxa de fecundidade em uma social democracia? Abraço
  • Marcos  23/06/2019 16:54
    Ao contrário. Irão acabar com ela.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2613
  • canal economia austríaca  27/06/2019 02:56
    Acabei de criar um canal no youtube para ler artigos sobre economia austríaca e decidi começar por esse artigo. Fazer vídeos pro youtube assim é uma coisa totalmente nova pra mim, então fiquem a vontade para tecer críticas/comentários/sugestões

    www.youtube.com/watch?v=BhlGHsFODEM&t=58s

  • Jose Mario Carvalhal de Oliveira  27/06/2019 14:51
    Outro padrão que merece ser acrescentado ao excelente artigo é o efeito das novas tecnologias no mercado de trabalho que, em via de regra, são extremamente excludentes. Ou seja, de que vale o aumento da população se não terão, em uma análise superficial, onde trabalhar.
  • anônimo  02/07/2019 21:38
    O Brasil quebrou! A esquerda e o centrão acabaram com a reforma do Guedes.

    Migrem para Portugal, Hungria, Canadá ou Irlanda.

    g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/02/relator-deixa-estados-e-municipios-fora-da-nova-versao-de-proposta-de-reforma-da-previdencia.ghtml
  • Andre  03/07/2019 14:05
    Os estados e municípios só serão incluídos na reforma da previdência se seus governadores e prefeitos, os mais interessados, amealharem votos na câmara dos deputados. Mas realmente, com uma reforma sem os estados e municípios estes quebrarão e arrastarão a união junto para o colapso.
  • Val  09/07/2019 17:41
    Parabéns pelas dezenas de comentários bem colocados, baseados em dados da literatura em vários casos. Só acho que algo está sendo esquecido nessa inversão da pirâmide demográfica na maioria dos países ocidentais, para ser discutido: a mulher. Vejo que a maioria dos comentários foram feitos por pessoas do sexo masculino.Não esqueçam que a decisão final de procriar nos nossos tempos ainda é determinada pela mulher, principalmente se tem algum nível cultural, um pouco mais do que o basal. A sociedade ainda não se preparou para receber de forma igualitária novos seres humanos. O trabalho de criar, dar uma condição minima mental de equilíbrio social e de educação para esses novos seres que teoricamente , produzirão, e darão continuidade ao crescimento da terra ainda é da mulher. Talvez a minha geraçào, que nasceu nos anos 60, tenha sido a ultima a ter por princípios educativos, algum desejo real de maternidade, mas também já foi incentivada a crescer intelectualmente. A nossa média de filhos foi de 2. Vejo que a geração dos meus filhos já pensa bem diferente. O sofrimento por ter que decidir se eu ia trabalhar , cumprindo minhas obrigações e também fazendo o que gosto, determinado pelo estudo colidia com o sentimento de estar ausente nas apresentações dos meus filhos na escola ou de conseguir chegar apenas nos ultimos minutos para uma reunião com a professora. Até chorava, sem ninguem perceber. Os meus colegas de trabalho do sexo masculino passavam pelo mesmo problema? Certamente não. Isso não lhes cabia. Criei 3 homens. Um irmão 16 anos mais novo que eu, que praticamente adotei, desde os dezessete para trazê-lo para estudar em São Paulo, onde moro, que hoje é casado e já tem 40, mora no vale do silício e não quer ter filhos e dois outros que apesar de nunca ter me separado do meu marido, sei que criei sozinha. Por tudo que lhes passei. A minha sensaçào hoje, com os de 21 e 28 anos é que criei, eduquei, e chegou o momento do livre arbítrio de cada um. Cada um seguirá a vida que escolher. Espero ter passado algo para que dividam as responsabilidades como um todo, ou certamente terão companheiras que possivelmente optarão por ter um ou nenhum filho. Nas salas de aula onde o de 28 passou , vi que os colegas tinham algum irmão. Já o de 21, apenas 3 colegas numa turma de 40 tinham irmão. em 7 anos de diferença, já vi mudanças. Portanto, como existe 50% de chance de se nascer de um sexo, e a decisão final da natalidade pertence no fundo a apenas 50%.Ou temos uma grande mudança social ou a nova população vai realmente diminuir. Não vejo qualquer discussão a respeito. E teremos apenas crescimento de classes sociais bem baixas que infelizmente, não contribuirão para a força de trabalho mais diferenciada do país. So levando a um maior aumento de disparidades sociais e uma carga de benefícios obrigatórios que será mantida enquanto a educação não se aprimorar e essa classe tender a diminuir e também ter conhecimento para escolher. Mulher quer brincar e estudar quando criança, namorar e ter sua profissão e independência quando vai crescendo e ter seu papel na sociedade além de apenas procriar e criar os seres humanos. Quanto mais desenvolvida uma sociedade, menor a taxa de natalidade.Por que, será? Vejam as taxas de natalidade de onde vieram uma Margaret Thatcher ou Angela Merkel. Algo muito importante a se pensar, além de idades de aposentadoria e tipos de benefícios para uma população. Hoje, se ao invés dos meus 57 anos, com uma carreira sólida , às custas de tanto sofrimento, comparando com colegas de profissão, fosse uma jovem de 24 anos, quando acabava a faculdade de medicina e sabia que tinha um longo percurso a percorrer, altas chance de não procriar se o mundo estivesse assim.Iria trabalhar, crescer, estudar. Enfim , fazer o que tanto gosto, sem tanto sacrifício. E saibam que o amor pelos meus filhos é imenso, mas seriam outros tempos. Isso que tem que ser entendido. Vai mudar....??? Então, talvez nào valha tanto a pena, discutir tanto sobre onde encontrar o culpado nesse mundo econômico complexo no qual vivemos. Às vezes, as respostas estão claras, mas não conseguimos vê-las....
  • Érika Aparecida de gouveia Junqueira  11/07/2019 11:33
    Val concordo com você. Sou mulher também e vejo que como a maioria das discussões é feita por homens, eles não colocam esse aspecto na balança. Também crio três homens sozinha. Trabalho fora mas o sacrifício é extremo. Os pais não ajudam e não dividem as responsabilidades por igual, tudo sobra pra eu fazer sozinha. Será que não é por isso que as mulheres não querem mais ter filhos? É pra se pensar.


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