É importante ressaltar que o fenômeno da desigualdade sempre será natural e inevitável em uma sociedade livre.
Sempre haverá indivíduos que conseguem gerar muito valor para seus empregadores e sempre haverá indivíduos que geram pouco valor para seus empregadores. E também sempre haverá aqueles que simplesmente não conseguem gerar nenhum valor.
Um executivo bem-sucedido gera muito valor para seus empregadores. Logo, sua remuneração tende a ser alta. Jogadores de futebol e estrelas da música e do cinema também geram muito valor para seus empregadores (e o que você pensa em particular dessas profissões não interessa ao resto da população, que voluntariamente consome os produtos dessas pessoas), e por isso suas remunerações também são altas.
Já empregadas domésticas e faxineiras não só não geram tanto valor para seus empregadores (sua função principal é poupar-lhes dos afazeres domésticos), como também atendem a um número extremamente restrito de clientes. Por isso, sua remuneração é menor.
Não é com esse tipo de desigualdade que devemos nos preocupar, pois ela ocorre de maneira natural e ética. Ninguém está roubando ninguém.
A abordagem, portanto, tem de ser outra. Temos de investigar aquela desigualdade gerada artificialmente por alguma intervenção do estado. Uma coisa é a desigualdade gerada exclusivamente pelo mercado, que premia quem cria valor e pune quem não cria. Outra coisa, totalmente distinta, é a desigualdade gerada pelo estado.
Consequentemente, o ponto de partida para qualquer discussão séria sobre a questão das desigualdades sociais tem necessariamente de começar pela questão do poder de compra de cada indivíduo.
Logo, e mais especificamente, tem de começar pela questão da moeda.
A não-neutralidade da moeda
Quando a quantidade de moeda na economia é aumentada, esta maior oferta de moeda — tudo o mais constante — faz com que o preço desta moeda (seu poder de compra) caia.
Mudanças na oferta e na demanda de moeda — tudo o mais constante — fazem com que todos os preços e salários subam ou caiam. O poder de compra da unidade monetária é alterado.
Ainda mais importante: as relações entre os preços de cada mercadoria também são alteradas.
Mudanças no poder de compra da moeda nunca ocorrem simultaneamente em todo o mercado. Os preços da mercadorias e dos serviços nunca são afetados igualmente.
O poder de compra da unidade monetária, ao ser alterado, faz com que as relações entre os preços de cada mercadoria não permaneçam constantes entre si.
E isso faz toda a diferença.
A desigualdade criada pelo estado e pela não-neutralidade da moeda
No atual sistema monetário e bancário, o dinheiro é criado monopolisticamente pelo Banco Central e é em seguida entregue ao sistema bancário. O sistema bancário, por sua vez, por meio da prática das reservas fracionárias, se encarrega de multiplicar este dinheiro (eletronicamente) por meio da expansão do crédito.
Falando mais diretamente, o dinheiro criado pelo Banco Central é multiplicado pelo sistema bancário e entra na economia sempre que uma pessoa, uma empresa ou o próprio governo recorre ao sistema bancário para pedir empréstimos.
Ou seja, o dinheiro entra na economia por meio do endividamento de pessoas, empresas e governos.
Isso gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia.
Só que, obviamente, este aumento da oferta monetária não acontece de forma uniforme e homogênea. A quantidade de dinheiro não aumenta para todos, na mesma proporção.
O mecanismo de distribuição
O dinheiro sempre entra, primeiramente, na conta bancária de alguém. Esta pessoa agora possui mais dinheiro. E, dado que os preços dos bens e serviços ainda não se alteraram, ela agora possui um poder de compra mais alto.
Vale repetir: a quantia adicional de dinheiro que entra na economia não vai parar diretamente nos bolsos de todos os indivíduos: sempre haverá aqueles que estão recebendo esse dinheiro antes de todo o resto da população.
As pessoas que primeiro receberem esse novo dinheiro estão agora em posição privilegiada: elas podem gastar esse dinheiro comprando bens e serviços a preços ainda inalterados.
Se a quantidade de dinheiro em seu poder aumentou e os preços ainda não se alteraram, então obviamente sua renda aumentou. Essas são as pessoas que ganham com a inflação monetária.
No entanto, à medida que esse dinheiro é gasto e vai perpassando todo o sistema econômico, os preços vão aumentando (afinal, há mais dinheiro na economia). E é aí que começa a haver uma discrepância: os preços vão subindo, mas este novo dinheiro ainda não chegou às mãos de todas as pessoas que compõem a economia.
Estas últimas são as pessoas que perdem com a inflação.
Somente após esse novo dinheiro ter perpassado toda a economia — fazendo com que os preços em geral tenham subido — é que ele vai chegar àqueles que estão em último na hierarquia social.
Assim, quando a renda nominal desse grupo subir, os preços há muito já terão subido.
Logo, houve uma redistribuição de renda: aqueles que receberam primeiro esse novo dinheiro obtiveram ganhos reais. Com uma renda nominal maior, eles puderam comprar bens e serviços a preços ainda inalterados.
Já aqueles que receberam esse novo dinheiro por último tiveram perdas reais. Adquiriram bens e serviços a preços maiores antes de sua renda ter aumentado.
Houve uma redistribuição de renda do mais pobre para o mais rico.
Ganhadores e perdedores
Essa expansão da oferta monetária orquestrada pelo Banco Central e pelo sistema bancário de reservas fracionárias (que opera sob proteção e regulação do Banco Central) é o que realmente pressiona a inflação de preços e, por conseguinte, gera um declínio na renda das pessoas em termos reais.
Quando os preços aumentam em decorrência de uma expansão da oferta monetária, os preços dos vários bens e serviços não aumentam com a mesma intensidade, e também não aumentam ao mesmo tempo.
Como consequência, a expansão do crédito cria ganhadores e perdedores.
Os ganhadores são aqueles que podem utilizar em primeira mão o dinheiro recém-criado, pois, neste momento, os preços de todos os bens e serviços ainda estão inalterados.
Em decorrência desses gastos possibilitados por esse dinheiro recém-criado, os preços e a renda nominal das pessoas vão gradualmente aumentando à medida que esse dinheiro vai perpassando toda a economia.
Um grupo bastante beneficiado por uma expansão monetária é aquele que atua no mercado financeiro e imobiliário. O dinheiro recém-criado, se direcionado para a compra de ativos, como ações e imóveis, irá beneficiar enormemente os participantes deste mercado.
Grandes investidores e especuladores em posse deste novo dinheiro adquirem a capacidade de investir mais em ativos tangíveis como ações, imóveis e metais preciosos.
Quando os preços desses ativos aumentam em decorrência desta expansão da oferta monetária, os detentores destes ativos se beneficiam, uma vez que seus ativos ganham valor. Logo, os detentores destes ativos se tornam mais ricos ao passo que as pessoas que detêm poucos ativos ou nenhum ativo irão, respectivamente, ganhar menos ou absolutamente nada com estes aumentos de preços.
Outros grupos beneficiado são os fornecedores de bens e serviços para o governo: empreiteiras que fazem obras públicas, grandes farmacêuticas que vendem remédios para hospitais públicos, e todas as empresas que fornecem materiais para qualquer repartição do governo são os maiores beneficiados quando o governo se endivida para pagar por seus bens e serviços.
O mesmo vale para todos os empresários agraciados por subsídios estatais.
Finalmente, incorporadas beneficiadas por programas de crédito imobiliário também estão entre os mais explícitos ganhadores.
Já os perdedores desse processo serão aqueles que somente receberão esse dinheiro muito tempo depois de ele ter sido criado e já ter sido gasto pelos seus primeiros usuários. E
ssas pessoas que recebem esse dinheiro por último, embora tenham agora uma renda monetária maior em termos nominais, tiveram de arcar com preços maiores antes de receberem esse novo dinheiro. Todos os preços da economia já haviam subido antes de esse novo dinheiro chegar a elas.
Assalariados da iniciativa privada que atuam no setor de serviços (os que não são beneficiados por compras governamentais ou por repasses estais), aposentados, pensionistas e quaisquer outros assalariados que não têm reajuste — estes são os grandes perdedores.
E, obviamente, há aquele grupo de pessoas a quem esse novo dinheiro nem sequer chega, como os desempregados e os sem-renda.
Objeções
No entanto, alguns economistas não concordam com isso.
O argumento deles é o seguinte: em nosso atual sistema monetário, o dinheiro é, como dito anteriormente, produzido na forma de crédito. O Banco Central e os bancos comerciais criam dinheiro ao criarem crédito, ou seja, ao fazerem empréstimos para pessoas, empresas e governos.
Até aí, tudo certo.
Sendo assim, prosseguem eles, não faz diferença quem recebe esse novo dinheiro primeiro, pois esse beneficiário não estará mais rico do que antes. Afinal, esse novo dinheiro foi emprestado, e não dado. A riqueza bruta do beneficiário aumenta, é verdade, mas sua dívida também aumenta na mesma quantidade.
Por exemplo, se João pega um empréstimo de $ 1 milhão para comprar um imóvel, sua riqueza líquida não aumentou nenhum centavo. Sua riqueza bruta de fato está maior — aumentou em $ 1 milhão —, mas suas dívidas também aumentaram exatamente no mesmo tanto.
Até aí, de novo, tudo certo.
No entanto, mesmo levando-se em conta a diferença entre riqueza líquida e riqueza bruta, a verdade é que faz sim uma grande diferença o fato de que João comprou o imóvel por meio da criação de dinheiro. E a diferença é que agora ele vive em um imóvel bom e elegante, o qual teria sido vendido para outra pessoa, a um preço menor, caso não tivesse havido essa criação de dinheiro.
Mais ainda: caso a expansão de crédito continue, João poderá revender seu imóvel a um preço ainda maior, conseguindo assim um belo lucro.
João foi privilegiado pela criação de dinheiro.
Se analisarmos a questão em termos de financiamento de empresas, o impacto é ainda maior.
Aqui, novamente, é verdade que a criação de dinheiro não necessariamente gera mudanças na riqueza líquida da empresa. No entanto, a criação de dinheiro influencia o tipo de produto que agora entra no mercado.
Um empréstimo para uma empresa que fabrica sapatos masculinos de couro permite que ela realize seus projetos. Por causa desse empréstimo, a empresa agora obtém uma vantagem em relação àquela outra empresa que fabrica, digamos, bolsas femininas de couro. A empresa que fabrica sapatos masculinos de couro poderá agora, por causa do empréstimo, pagar salários mais altos para seus funcionários e preços maiores para seus fornecedores. Consequentemente, ela estará absorvendo mais mão-de-obra e recursos escassos, podendo assim inviabilizar as operações da empresa que fabrica bolsas femininas de couro. Esta terá de pagar preços maiores pelo couro e pela mão-de-obra, mas sem ter o dinheiro adicional para isso.
Consequentemente, a empresa que fabrica sapatos masculinos de couro irá se expandir. Já a empresa que fabrica bolsas femininas de couro irá se estagnar ou até mesmo encolher.
A oferta de sapatos masculinos de couro é melhorada. A oferta de bolsas femininas de couro é degradada.
Portanto, a conclusão anterior se mantém: a criação de dinheiro sempre afeta a distribuição de riqueza e de renda reais. O primeiro usuário do dinheiro recém-criado é o ganhador; o último, o perdedor.
Para concluir
A quantia adicional de dinheiro que entra na economia — via operação conjunta de Banco Central, sistema bancário e governo — não vai parar diretamente nos bolsos de todos os indivíduos. E dentre os beneficiados que recebem primeiramente essa nova quantia, nem todos recebem a mesma quantia e nem todos reagem da mesma forma à mesma quantia que recebem.
Aqueles primeiros beneficiados têm agora um efetivo em caixa maior do que antes, o que os permite ofertar mais dinheiro no mercado em troca dos bens e serviços que desejam adquirir.
Essa quantia adicional de dinheiro que eles ofertam no mercado pressiona os preços e salários para cima. Mas não são todos os preços e salários que sobem; apenas os desses setores que primeiro receberam o novo dinheiro em troca de seus bens e serviços. E mesmo esses preços e salários que subiram, não sobem no mesmo grau. Se o dinheiro adicional for gasto com obras públicas, apenas os preços de algumas mercadorias e apenas os salários de alguns tipos de trabalho irão subir.
Leva-se tempo até que essa quantia adicional de dinheiro perpasse toda a economia. E, mesmo ao final do processo, os vários bens e serviços da economia não são afetados no mesmo grau. Esse processo de progressiva depreciação monetária alterou a renda e a riqueza dos diferentes grupos sociais.
Aqueles que estão vendendo mercadorias ou serviços cujos preços são os primeiros a subir poderão utilizar seus maiores proventos para adquirir o que quiserem a preços que ainda não se alteraram. Esses são os indivíduos que tiveram um ganho de riqueza.
Já aqueles que são os últimos a receber esse novo dinheiro estarão vendendo mercadorias ou serviços a preços ainda inalterados. Esses indivíduos não obtiveram nenhum ganho de renda e agora terão de comprar as outras mercadorias e serviços a preços mais altos. Esses são os indivíduos que perderam riqueza.
Enquanto o processo de inflação se mantiver, estará havendo uma alteração contínua na renda e na riqueza dos indivíduos. Quando todas as alterações de preços em decorrência da inflação estiverem consumadas, pode-se dizer que ocorreu uma transferência de riqueza entre os grupos sociais.
Há agora no sistema econômico uma nova dispersão de riqueza e renda.
Exatamente por tudo isso, a melhor política de redução da desigualdade social é ter uma moeda sólida.
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Leia também:
A tragédia da inflação brasileira – e se tivéssemos ouvido Mises?


Qual o ponto de vista da EA sobre o efeito da inflação (entendida do modo austríaco, não neoclássico. I.e. -> PM expansionista) no longo prazo na economia, além da resdistribuição de renda?
Além dos preços serem subjetivos, cada indivíduo atribui um conjunto diferente de significados e simbolismos (positivos e/ou negativos) ao dinheiro.
O irônico é que os governos intervencionistas praticam a expansão monetária para estimular a economia e financiar programas assistencialistas, mas a inflação e outras consequências nefastas causadas por essa expansão atingem primariamente os mais pobres que eles dizem querer ajudar.
A realidade é mais complexa e funciona de forma diferente do que certas pessoas acreditam.
Quando neokeynesianos e neoclássicos dizem que a moeda é neutra, o que eles querem dizer? E quando os pós-keynesianos dizem que não é neutra?
Tenho algumas dúvidas sobre a Teoria Quantitativa da Moeda e seus erros. Pelo o que eu li, ela enxerga que a oferta de moeda tende a estar em equilíbrio com a procura de moeda. Assim, quando há um aumento artificial na oferta de moeda sem produção de bens, os preços sobem e os indivíduos demandam mais moeda para reagir à alta de preços. Ou seja, primeiro aumenta a quantidade de moeda, os preços sobem e isso força os indivíduos a demandarem mais moeda para comprar os bens que necessitam. Seria isso? Nesse ponto, não seria o contrário? Não seria a queda de procura pela moeda que ocasionaria a alta dos preços, visto que ninguém deseja uma moeda manipulada de maneira irresponsável pelo governo? Existiria ou não essa tendência de oferta e procura de moeda se equilibrarem? Outro ponto interessante é que ela trata da existência de nível de preços, como se todos fossem influenciados da mesma forma pelo aumento da oferta de moeda, algo que Mises refutou. Eu não estou afirmando nada, apenas tenho dúvidas quanto a esses pontos. É importante refutar a Teoria Quantitativa porque os keynesianos utilizam como espantalho para bater em qualquer um que se oponha a eles, quando na verdade desconhecem a teoria austríaca.
O Real começou a esfacelar desde 2003 e agora com esse governo atual a tendência é extinguir o poder de compra. Pergunto a vocês qual dos candidatos poderia reverter a situação?
Se já estamos ferrados com Ciro Guedes, o Mula quer nos presentear com algo “pior”…
o Lula declarou a correligionários que escolherá para o cargo de Ministro de Economia um político e não um especialista no ramo. Segundo o aliado próximo ao ex-presidente, ele mantém essa convicção. E o que Lula pretende com a nomeação de um político e não de um economista para a pasta? Responde o aliado: “Evitar o fiscalismo e o burocratismo. E ter alguém que, acima de tudo, compreenda a política e a concilie com a economia”. Isso significaria que a responsabilidade fiscal não seria uma preocupação de um eventual governo Lula? “Não”, responde o aliado. “Mas os conceitos de controle de gestão e disciplina fiscal não serão os que estão aí.” Lula pretende usar o mês de janeiro para “submergir”…. -noticias.uol.com.br/colunas/thais-oyama/2021/12/21/lula-ja-analisa-governabilidade-impeachment-e-ministro-da-economia.htm?cmpid=copiaecola
Tenho duas questões, se alguém puder me esclarecer:
1 – E se os empréstimos que “criam” dinheiro fossem feitos só para pessoas de baixa renda, ou que essas pessoas fossem as únicas que recebessem repasses diretamente do sistema bancário. Essa seria uma distribuição de renda dos mais ricos para os mais pobres, seria interessante esse arranjo ? Não discuto a parte ética.
2 – A segunda pergunta guarda relação com a primeira. Se a inflação fosse realizada de forma uniforme, quero dizer, se todas as pessoas recebessem quantias adicionais em suas contas criadas do nada, isso quer dizer que os preços se reajustariam de forma uniforme. Sendo assim, pode-se dizer que o grande mal da inflação é na verdade a distorção da contabilidade produtiva, e não o aumento de preços por si apenas ?
Moeda não é neutra:
Supomos que exista um país de três pessoas.
1) o produtor de cerveja ( bem e serviço) com uma cerveja pra vender. Essa cerveja é o único bem ou serviço em circulação nesse tempo.
2) o futuro comprador que, com seu esforço, tem dez reais pra gastar (oferta monetária). Ele tem em sua posse o dinheiro dessa nação (10 reecas), mas ganhou trabalhando. Ignoremos como ele fez pra ter todo a oferta monetária em mãos.
3) o governo. Ele não trabalha, nem produz.
O produtor e o que tem dinheiro vão fazer uma troca, o dinheiro pelo bem ou serviço. Ninguém vai sair no prejuízo. O preço da cerveja é 10 reecas porque é a divisão de toda oferta monetária por toda a oferta de bens ou serviços da nação no momento (10 reecas por 1 unidade). Isso é igual ao preço de 1 cerveja por dez reais.
Lei da oferta e demanda. Produtores e consumidores fazem isso: trocam bens por dinheiro e dinheiro por bens e serviços. É o normal de qualquer economia.
Aí entra em cena o governo. Não produz nada, só gasta e tem em mãos o privilégio de fabricar dinheiro e obrigar os outros dois a aceitar. O governo então imprime mais dez reais e vai ao bar e compra a cerveja. O dono recebe os dez. O governo fica com o bem ou serviço (cerveja).
Como a oferta monetária era 10 e o governo imprimiu mais 10, agora o dinheiro em circulação é 20.
Mas tem apenas uma cerveja como bem ou serviço. Pela lei da oferta e procura agora a cerveja custa 20.
Resultados:
O governo ganhou uma cerveja inteira somente imprimindo 10 reis num papel. E como ele foi o primeiro a gastar esse papel, foi privilegiado em uma cerveja inteira sem fazer nada em troca. Não produziu nada para o produtor e para o outro consumidor. Baita negócio.
O produtor da cerveja tomou prejuízo em meia cerveja, pois vendeu uma cerveja por dez, que agora vale vinte (tem 10 reais em mãos).
O consumidor que tinha os outros dez, pra comprar outra cerveja futuramente, vai ter que desembolsar mais 10 ( visto que a cerveja, bem ou serviço dobrou de preço). Vai ter que trabalhar pra ganhar de novo o dinheiro em circulação pra conseguir comprar. Seu prejuízo é de meia cerveja. Antes com 10 reais ele comprava uma inteira; agora só compra meia.
Nessa economia de agora há o dobro de dinheiro em circulação, com capacidade de produção inalterada. O preço dos bens e serviços só pode dobrar.
Para o governo, os políticos e os outros privilegiados que recebem primeiro o dinheiro que sai das prensas é um bom negócio. É igual a fabricar dinheiro falso, com a diferença que esse dinheiro tem circulação forçada e ele se dilui junto ao dinheiro em circulação, pois todos são obrigados a aceitar.
Então o prejuízo é dividido por todos os outros: produtores normais e consumidores, menos os privilegiados que recebem a primeira leva de dinheiro emitido.
Para manter esse esquema de impressão, para o setor politico ( governo ) ganhar, o setor não politico tem que perder. Consumidores e produtores têm que ficar mais pobres pra acomodar mais dinheiro impresso.
O trabalhador tem que trabalhar o dobro pra ganhar o suficiente pra igualar a expansão que foi de 100 por cento de uma vez. E o produtor de bem ou serviço ( cerveja), para continuar produzindo seu bem ou serviço, vai ter que gastar o dobro.
O governo age assim como parasita: obtém bem ou serviço apenas escrevendo um número num papel e obrigando todos a aceitar.
Não tem como a moeda ser neutra. Ela é a ferramenta de troca dos setores genuínos da economia. Sem o governo imprimindo, o produtor iriaa com o dinheiro comprar mais insumos pra produzir mais cerveja. E aquele que gastou o dinheiro iria se esforçar para ganhar o dinheiro normal (num sistema fechado desse, pra ele ganhar dinheiro ele tem que produzir os tais insumos e depois vender para o produtor de cerveja; e ao vender, ele recupera o dinheiro para no futuro comprar mais cerveja. Isto é, ambos produzem algo e trocam entre si, no caso um produz insumo e o outro produz o serviço de transformar o insumo no produto final, usando o dinheiro como meio de troca para as operações).
Olá. Estive pensando no caso do Minha Casa Minha Vida. O governo não acabou prejudicando as pessoas ao fornecer subsidios à compra da casa própria? Pois os preços dos imóveis se multiplicaram, e o pessoal que entrou no programa acabou pagando juros por trinta anos. No final daria para comprar duas casas se bobear, e quem agora quiser poupar para comprar uma casa não vai conseguir nunca, dados os preços absurdos. De que adianta isso?
Lembro-me que no fim da década de 90 um indivíduo da classe C trabalhava por menos de um ano e podia comprar um terreno, trabalhava mais dois anos e terminava a casa, isso sendo uma casa com ótimo acabamento e bem localizada. Quer dizer, esse programa MCMV só fez inflar os preços, todos acabam pagando muito caro no final, inclusive o pequeno poupador, que para ter a segurança da casa própria acaba tendo que assumir financiamento.
Gostaria de saber a opinião de vocês, se faz sentido este raciocínio.
Seria correto afirmar que:
1 – Quem tem maior flexibilidade para reajustar seus preços seria menos prejudicado por esse efeito, por exemplo, um feirante que tem a possibilidade de reajustar seus preços em tempo real, conforme a demanda, seria menos prejudicado que um trabalhador ou uma empresa de locação de imóveis que reajustam seus preços apenas ao final do ano?
2 – Dado que a pressão nos preços dos imóveis causada pelo dinheiro novo vindo dos empréstimos e a desvalorização da moeda são, no geral, menores que a taxa de juros cobrada nos empréstimos, que mais ganha com a criação de dinheiro são os próprios bancos?
Estou com uma duvida sobre a teoria austríaca dos ciclos econômicos, já compreendi como ela distorce a economia, os investimentos, porem, qual seria o efeito dela na dívida de um governo?Há alguma efeito no calculo utilizado “pib x divida” de forma negativa? Isso é, se a expansão monetária aumenta artificialmente o PIB, e talvez aumente a arrecadação do governo no curto prazo, isso deve alterar a forma como um governo gasta, para pior, estou certo?Não li nada a respeito, só estou tentando ver se meu pensamento tem respaldo
Pessoal, estou com medo, Lula tem chances mesmo? Acima de 50% de chance de ser eleito?
Se isso acontecer, o que vocês irão fazer? Tenho Loja, comércio… Estou louco so de pensar
A algum tempo atras alguém aqui postou um link sobre um ranking de paises com mais milionários / bilionários ligados ao governo.
Alguem se lembra desse ranking e onde posso achá-lo? passei a manha procurando sem sucesso
Obrigado
Elon Musk ri de ter que pagar imposto após governo imprimir dinheiro
Situação complicada e um dilema: porque pagar imposto se o governo imprime dinheiro quando quer? livecoins.com.br/elon-musk-ri-de-ter-que-pagar-imposto-apos-governo-imprimir-dinheiro/
Eu me lembro que foi publicado aqui no Instituto um artigo sobre isso. Os burocratas admitiram que o imposto servia para controle do consumo e como engenharia social. Alguém lembra o nome desse artigo?
Para reflexão do Leandro em seus sábios artigos e demais leitores. Em Itabira, MG, onde moro a prefeitura aprovou uma projeto na câmara onde os funcionários municipais da Secretaria de Fazenda ganharão bônus se cumprirem metas de arrecadação !!!! Sem dúvida nenhuma, isto é, um estímulo a EXTORSÃO ao cidadão que efetivamente trabalha. Por que não uma lei que reduz a carga tributária ? Enquanto mais entra nos cofres públicos , pior serão o uso destes recursos.
Recentemente eu li um artigo sobre teoria da criação de crédito pelos bancos, diferenciando-se da teoria das reservas fracionárias e da teoria da intermediação financeira.. Esse aqui
Apesar de não parecer influenciar muito sobre a teoria da não neutralidade, pode ser que tenha alguma influencia nas analises de ciclos econômicos. (Ao invés do crédito expandir por reservas fracionárias, ele expande simplesmente adicionando digitos nas contas)
O que acham?
Leandro, o Brasil receberá vários turistas vindos do Paraguai nesse fim de ano. Falando nisso, isso pode fortalecer o real ou faz pouca diferença?
Pessoas, comecei a ver o Roda Viva com o Mercadante (de 2003, esse aqui). É bom sempre ver coisas históricas.
O interessante é que logo no começo falaram da tentativa de o governo fazer uma reforma tributária (que pelo jeito não passou), mostrando aqueles mesmos problemas que vemos hoje, com governos preocupados em não perder a sua fatia de coleta de impostos.
O próprio Mercadante falou da gravidade que estava a dívida do governo na época e da importância do superávit primário. Chama a atenção que um jornalista (que foi o Clóvis Rossi, que hoje não está mais vivo) perguntou sobre o que o Mercadante faria ali no lugar do Palocci, e então o Aloizio deu uma longa resposta, falando do problema da crise cambial em 2002 e afins, e falando de que depois houve um aumento nas exportações. Aí o Clóvis falou que isso foi graças ao real desvalorizado, e então o Mercadante disse que esse aumento nas exportações veio junto com a apreciação do real. Não dá nem para não falar de que a entrevista teve muita interrupção…
Foi dito então que no primeiro governo FHC, a taxa de câmbio era artificial e isso descapitalizou a agricultura (queria saber essas estatísticas). E então, tempos depois, ao responder sobre a questão dos juros altos à época, Mercadante falou que a desvalorização abrupta no câmbio é que gera pressões inflacionárias, e os juros refletem os riscos fiscais.
Segundo ele, com a inflação de preços caindo, é possível então reduzir os juros de maneira sustentada.
É impressão minha ou o Mercadante está falando coisas que keynesianos hoje no governo Bolsonaro ainda não entenderam?
A Unicamp sempre foi keynesiana na parte econômica?
Será que um dia será possível encher as universidades brasileiras de professores que sejam realmente da Escola Austríaca?