O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados
Ao leitor leigo que teve a coragem de clicar neste artigo não obstante seu título nada atraente, prometo meu máximo esforço para tornar esta leitura palatável e perfeitamente compreensível.  O assunto pode parecer árido e desinteressante à primeira vista, porém é o mais importante de toda a economia.  Afinal, é justamente o sistema bancário quem multiplica a quantidade de dinheiro na economia e, consequentemente, afeta a oferta de crédito. 

Qualquer assunto que envolva a criação e a manipulação de dinheiro e da oferta de crédito possui mais impacto sobre a economia do que qualquer pacote de estímulo fiscal, qualquer regulamentação, qualquer parceria público-privada.  A diferença é que o impacto surge mais no longo prazo e quase sempre suas reais causas não são compreendidas.  A manipulação da moeda de um país é algo que afeta a todos, mas em proporções muito distintas.  Alguns ganham e muitos (a maioria) perdem. 

Se você entender este artigo, entenderá como realmente funciona o nosso atual sistema financeiro — e o considerará, no mínimo, muito estranho. 

Estrutura

As relações entre o Banco Central e o sistema bancário já foram exaustiva e detalhadamente cobertas em uma série de artigos deste site (dentre os quais, sugiro este, este e este), de modo que neste artigo vamos nos concentrar mais na mecânica do sistema bancário. 

Mais especificamente, vamos nos ater às seguintes questões: como de fato os bancos criam dinheiro, expandem o crédito e afetam toda a economia?  Seria possível o sistema bancário criar moeda e expandir a oferta de crédito continuamente caso não houvesse um Banco Central?  Como os bancos podem atender ao apelo daquele animador de circo que ocupa o cargo de Ministro da Fazenda e sair concedendo crédito a rodo?  A inflação de preços no Brasil, teimosamente alta, tem a ver com o nosso sistema bancário?

Os três primeiros artigos linkados acima detalham como o Banco Central, por meio de suas compras de títulos públicos que estão em posse do sistema bancário, deposita dinheiro (meros dígitos eletrônicos criados do nada, ao simples apertar de uma tecla de computador) em uma conta que os bancos mantêm junto ao Banco Central.  Estes dígitos recém-adicionados às suas contas são então utilizados pelos bancos para expandir a oferta de crédito em uma quantidade várias vezes maior do que a quantidade de dígitos criada pelo Banco Central.

Isso é apenas o básico.  Os detalhes, no entanto, explicam muita coisa.  Vamos a eles.

Os dez principais bancos brasileiros, elencados pelo valor de seus ativos, são: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Santander, HSBC, Votorantim, Safra e BTG Pactual.  Menção honrosa para o Citibank em 11º e para o Banrisul em 12ª, inflando o orgulho dos gaúchos. 

Olhando esta lista — e excluindo o BNDES pelo fato de ele não ser um banco comercial no sentido estrito do termo, isto é, com correntistas pessoas físicas —, é fácil perceber como o sistema bancário brasileiro é concentrado.  Afinal, quantas pessoas você conhece que são correntistas apenas do Votorantim, do Safra, do BTG Pactual e do HSBC?  Votorantim e BTG sequer trabalham com caderneta de poupança.  E os ativos do Santander, quinto da lista sem o BNDES, são a metade dos do Itaú, o segundo da lista.

Logo, se, por exemplo, o Itaú emprestar dinheiro para alguém, o dinheiro deste empréstimo muito provavelmente acabará sendo depositado ou em uma agência do BB, ou em uma do Bradesco, ou em uma da CEF, ou em uma do próprio Itaú.  Com uma menor probabilidade, este dinheiro pode ir para o Santander.  E com muito menos probabilidade, ele pode ir para qualquer outro banco.

(E se considerarmos a hipótese mais realista de que empréstimos vultosos feitos por uma instituição tendem a ser pulverizados para vários cantos da economia, as chances de que uma fatia deste dinheiro volte para a própria instituição bancária que originou o empréstimo é bem grande.)

Todos estes prolegômenos têm um só objetivo: mostrar que o sistema bancário brasileiro é extremamente concentrado.  Fazendo uma simplificação relativamente realista, não é exagero dizer que temos apenas 5 bancos: BB, Itaú, Bradesco, CEF e Santander.  Com boa vontade, podemos incluir o HSBC, cujos ativos são quase nove vezes menores que os do BB.  Isto significa que, sempre que BB, Itaú, Bradesco ou CEF fizerem um empréstimo, a chance de uma fatia deste dinheiro voltar para eles próprios é bem alta.  Mais especificamente, sempre que o BB, por exemplo, faz um empréstimo vultoso, pode-se dizer que 20% (um quinto) deste dinheiro volta para ele.

Juntos, BB, Itaú, Bradesco, CEF e Santander detêm 74% dos ativos de todo o sistema bancário.

E as consequências disso são muitas.

As características do atual sistema bancário

Em teoria — e é isso o que diz os manuais de economia e até mesmo de direito —, a função de um banco é a de servir de intermediário entre o poupador e o investidor.  Um banco captaria um depósito de um cliente, o poupador, e emprestaria este valor para um empreendedor.  Para fazer isso, o banco emitiria um título prometendo pagar uma determinada taxa de juros Y.  O poupador compraria este título.  Ato contínuo, o banco emprestaria o dinheiro assim obtido para um empreendedor que necessitasse de financiamento.  O banco cobraria deste empreendedor uma taxa de juros X, com X sendo maior do que Y.  Esta diferença entre a taxa de juros que o banco paga para captar recursos e a taxa de juros que ele cobra para emprestar se chama spread, e ela seria a principal fonte de receita dos bancos.

Neste modelo, os bancos atuariam como genuínos intermediadores financeiros.  Mais ainda: eles estariam agindo como empreendedores alertas às oportunidades e atentos a todas as eventuais descoordenações do mercado. Ao coordenarem um equilíbrio entre poupadores e empreendedores, ao verem que em um setor da economia há alguém disposto a emprestar dinheiro a 10% e, em outro setor, há alguém disposto a pegar dinheiro emprestado a 15%, os bancos fariam esta intermediação e lucrariam com ela.  Sua "função social" seria justamente a de reconhecer esta descoordenação, corrigi-la e, neste processo, auferir lucros.  Sua atividade como intermediador financeiro seria a de coletar poupança e direcioná-la para empreendedores. 

Neste caso, como os empréstimos feitos pelos bancos estão vindo de uma poupança real que estaria apenas sendo transferida de um indivíduo para o outro, podemos dizer que está havendo a criação de crédito real.  O crédito real é a base da acumulação de capital e do crescimento econômico.

No entanto, como bem sabem nossos leitores, o sistema bancário atual — tanto no Brasil quanto no mundo — opera de uma maneira um tanto distinta.  Em vez de atuarem como intermediadores da poupança e do investimento, os bancos na realidade possuem o privilégio legal e exclusivo de criar dinheiro do nada, emprestarem este dinheiro e cobrarem juros sobre ele.  Como se trata de algo importante e bizarro demais para ser ignorado, vale a pena enfatizar: bancos possuem o privilégio legal, concedido pelo estado, de criar dinheiro eletrônico, de emprestar estes dígitos eletrônicos para pessoas e empresas, e de cobrar juros sobre eles.  Algo que lhe daria cadeia se você fizesse, os bancos fazem com a autorização e até mesmo com um forte incentivo estatal.

A principal característica do atual sistema bancário é que o seu real modus operandi não permite sequer que digamos que os bancos também fazem uma intermediação financeira.  Não, o sistema bancário atual não atua também direcionando poupança para investimentos.  Os bancos de hoje lidam majoritariamente com dígitos eletrônicos que eles próprios criam.  E, quando você lida com dígitos eletrônicos que podem ser criados do nada, você não se preocupa com a origem daquele dígito.  Se você pode criar dígitos eletrônicos para emprestar para João, você não tem de se preocupar em remover estes dígitos eletrônicos da conta do José.  Você pode criar os dígitos eletrônicos na conta de João ao mesmo tempo em que José segue tendo total e irrestrito acesso aos dígitos eletrônicos dele.

Sendo assim, a realidade é que, para todas as operações de concessão de crédito, os bancos criam dinheiro eletrônico do nada e emprestam este dinheiro para pessoas, empresas e governos (federal, estaduais e municipais), em um processo que veremos mais abaixo.  Dado que tais depósitos bancários assim criados não vieram da poupança, podemos dizer que está havendo a criação de crédito bancário (e não de crédito real).  É importante frisar isso: no atual sistema bancário, todo o crédito é bancário.  Trata-se de dígitos eletrônicos que são criados pelos bancos e acrescidos às contas dos tomadores de empréstimos.  Nenhum dinheiro está sendo removido de uma conta para outra.  Está havendo apenas a criação de dígitos eletrônicos.

E é essa capacidade de criar crédito bancário o que gera o contínuo aumento da quantidade de dinheiro eletrônico na economia, bem como suas inevitáveis consequências: inflação de preços e ciclos econômicos.

Para o leitor ter uma ideia da magnitude desta criação de crédito bancário no Brasil, o total de cédulas de papel e de moedas metálicas (ou seja, dinheiro físico) na economia brasileira foi, em julho, de aproximadamente R$ 153 bilhões.  Deste valor, R$ 124 bilhões estavam nas mãos do público (isto é, na sua carteira, nos caixas dos estabelecimentos comerciais, nos cofres das empresas etc.) e o restante, R$ 29 bilhões, estava em posse da rede bancária (isto é, nos caixas eletrônicos e nos cofres das agências bancárias).  Ao mesmo tempo, o saldo total do crédito bancário na economia, ou seja, a quantidade de dinheiro eletrônico que os bancos criaram e emprestaram, totalizava R$ 2,17 trilhões.  Portanto, o total de dinheiro eletrônico criado é de 74 vezes a quantidade de papel-moeda em posse dos bancos e de 14 vezes a quantidade total de papel-moeda existente.

Todo este dinheiro eletrônico, uma vez criado, é espalhado por diversas contas e aplicações bancárias: contas-correntes, contas-poupança, depósitos a prazo, letras de câmbio, letras hipotecárias, letras de imobiliárias, e fundos de investimento, como fundos cambiais, de curto prazo, renda fixa, multimercado e referenciado.

Portanto, eis aqui a primeira e primordial constatação: todo o dinheiro que está hoje na forma de dígitos eletrônicos em contas e aplicações bancárias entrou na economia de uma única maneira: criação de crédito bancário.  Não há nenhuma outra maneira de o dinheiro entrar na economia geral a não ser pela criação de crédito bancário. 

E agora a segunda constatação, derivada da primeira: a principal fonte de todos os depósitos bancários que hoje existem na economia não são os depositantes, mas sim os empréstimos que os bancos criam do nada.  Os depósitos são a consequência destes empréstimos.  Contas bancárias são produto da criação de crédito, e não o contrário.

Uma pessoa, uma empresa ou um funcionário do governo vai ao banco e pede um empréstimo.  Ato contínuo, o banco cria, do nada, dígitos eletrônicos na conta desta pessoa.  Nenhuma outra conta foi subtraída neste processo.  A quantidade de dinheiro eletrônico na economia simplesmente aumentou.  Ao ser gasto, este dinheiro recém-criado vai parar nas contas de outras pessoas e empresas.  Dali, ele vai para o depósito ou aplicação que este recebedor final escolher.

Os bancos criam dinheiro eletrônico sempre que fazem qualquer tipo de empréstimo ou de investimento.  Sem exceção.  Se você vai ao banco e pede um empréstimo para comprar um imóvel, o banco vai criar dinheiro eletrônico na sua conta.  Se você pedir um empréstimo para comprar um carro, o banco vai criar dinheiro eletrônico na sua conta.  Quando o Tesouro faz um leilão de títulos, os bancos criam dinheiro eletrônico para comprar estes títulos.  Se um empresário quer descontar uma duplicata, o banco compra o papel — a um valor descontado, é claro — criando dinheiro eletrônico na conta deste empresário.  O mesmo ocorre quando uma empresa faz uma operação de vendor (quando a empresa vende um produto a prazo para um cliente, mas quer receber o pagamento à vista, ela leva a nota promissória ao banco, que a comprará a um preço de descontado.  Desta forma, o banco está financiando o comprador).

Capital de giro, conta garantida, aquisição de bens, financiamento imobiliário, adiantamento sobre contratos de câmbio, cheque especial, crédito pessoal etc.  — tudo é feito com a criação de dinheiro eletrônico.  Sempre que um banco adquire um ativo, ele tem de criar um passivo.  O ativo é o papel que ele comprou criando dinheiro eletrônico; o passivo são justamente os dígitos eletrônicos que ele acrescenta na conta da pessoa de quem ele comprou o ativo.  Ao fazer isso, o banco aumenta a oferta monetária e pressiona os preços para cima.

Portanto, bancos não são — como muitos acreditam — mediadores de crédito.  Eles são criadores de crédito.

Como os bancos expandem o crédito muito além do controle do Banco Central

Uma vez entendido que os bancos criam dinheiro do nada, vem a pergunta: o que os restringe?  Como garantir que eles não abusem deste invejável poder? 

A resposta é clara: se os bancos saírem criando crédito bancário em demasia, a inflação de preços subirá.  Com o aumento dos preços, os bancos terão de aumentar os juros que cobram, caso contrário receberão de volta um dinheiro com menos poder de compra do que aquele que emprestaram.  Esta subida dos juros arrefecerá o ímpeto das pessoas e empresas em contraírem empréstimos, o que irá colocar um fim temporário à farra expansionista.

Além desta prudência voluntária dos bancos, há também o controle do Banco Central por meio do depósito compulsório.  O depósito compulsório é, como o nome diz, um depósito que os bancos são obrigados a fazer no Banco Central.  Todos os bancos têm de manter depositado no Banco Central uma determinada porcentagem do valor total de seus depósitos.  Por exemplo, se um banco tem $1.000 em conta-corrente, e o compulsório é de 40%, os bancos têm de manter $400 parados no Banco Central.  Estes $400 são suas reservas bancárias

(Este sistema em que os bancos são legalmente autorizados a manter como reservas apenas uma fração de seus depósitos é chamado de sistema bancário de reservas fracionárias.  Ele difere enormemente daquele sistema descrito no início deste texto, no qual um banco atua como intermediador financeiro.  Naquele esquema, o correntista que quiser auferir juros vai emprestar seu dinheiro, ficando sem ter acesso a ele durante o período do empréstimo.  No esquema atual, várias pessoas são as donas de um mesmo dinheiro físico — no caso, os $400 que estão nas reservas.  Todo o resto é dinheiro eletrônico.  Se houver uma corrida bancária para sacar dinheiro, quem chegar por último ficará sem nada.  Ele finalmente descobrirá que os dígitos eletrônicos em sua conta eram apenas aquilo: dígitos eletrônicos.  Não havia nada físico lastreando aqueles dígitos.)

Neste exemplo numérico dos $1.000 em conta-corrente, se um correntista transferir, digamos, $50 deste banco para um banco de outra marca (do Itaú para o Bradesco, por exemplo), as reservas cairão para $350 e o valor total da conta-corrente será de $950. Neste caso, o banco estará violando a regra de 40% do compulsório.  Tendo $950 de conta-corrente, ele tem de ter $380 de reservas bancárias.  Logo, o banco terá de arranjar mais $30 para cobrir este "rombo". 

No sistema bancário atual, esta "cobertura de rombo" acontece diariamente no final do expediente bancário, que é quando ocorrem as compensações.  Normalmente, o dinheiro que é transferido dos clientes do Itaú para os clientes do BB, da CEF, do Bradesco e do Santander é compensado pelo dinheiro que os clientes destes transferem para o Itaú.  No entanto, caso algum banco chegue ao final do dia tendo de arrecadar dinheiro para cobrir o rombo em seu compulsório, ele irá recorrer ao mercado interbancário, no qual aqueles bancos com reservas em excesso emprestam dinheiro para aqueles com reservas insuficientes.  Os juros que eles cobram nesta operação é exatamente a taxa SELIC.

O funcionamento do mercado interbancário foi explicado detalhadamente neste artigo, de modo que não irei aqui me aprofundar neste assunto novamente.  A intenção de falar sobre o compulsório é mostrar que ele é um mecanismo de controle da expansão monetária.  Quanto menor for a porcentagem do compulsório, maior será a quantidade de dinheiro que os bancos podem criar via empréstimos.  

Mas há dois problemas.  O primeiro, certamente o leitor mais atento já conseguiu visualizar: quanto maior a concentração bancária, mais tranquilamente os bancos podem expandir o crédito.  Se os cinco maiores bancos brasileiros decidem expandir o crédito no mesmo ritmo, o dinheiro que um cria vai parar na conta do outro, e vice-versa.  No final do dia, a necessidade de eles recorrerem ao mercado interbancário para obter quantias volumosas para satisfazer a determinação do compulsório é muito pequena.  Só terá esta necessidade aquele banco que expandir muito mais do que os concorrentes.  Em se tratando de um sistema bancário com poucos bancos e totalmente cartelizado e controlado pelo Banco Central, como o brasileiro, tal coordenação é fácil de ser feita.  Aliás, ela é justamente uma das funções do Banco Central.  Portanto, este é o primeiro detalhe estrutural que arrefece bastante a capacidade do Banco Central de restringir a expansão creditícia feita pelos bancos.

O segundo problema, que é justamente o ponto deste artigo, é um pouco mais complexo: os bancos podem legalmente escapar do compulsório imposto pelo Banco Central, o que significa, mais uma vez, que a capacidade de criação de crédito bancário está muito aquém do controle do Banco Central.

A seguir, recorro a um balancete bem simplificado para ilustrar como os bancos podem expandir o crédito para muito além do permitido pelo compulsório.  O balancete representa o sistema bancário consolidado de uma determinada economia.  De início, o sistema bancário trabalha apenas com depósitos em conta-corrente.  O compulsório é de 40%.  Os bancos criaram um crédito bancário total de $15.000.  Deste valor, $10.000 foram parar nas contas-correntes de todo o sistema bancário, e o restante está disperso pela economia na forma de papel-moeda em posse das pessoas e na forma de passivos de longo prazo do sistema bancário.  Observe que há $4.000 na forma de reservas bancárias, satisfazendo o compulsório de 40%. (Tecnicamente, tais reservas podem ser tanto na forma de dinheiro físico no cofre dos bancos, quanto na forma de dinheiro eletrônico depositado junto ao Banco Central).

Balancete consolidado do sistema bancário

Ativos

Passivos + Patrimônio Líquido

Reservas: $4.000

Crédito: $15.000

Depósitos em conta-corrente: $10.000

Passivos de longo prazo: $3.000

 

Capital: $6.000

Total dos ativos: $19.000

Total dos passivos: $19.000

 

Observe que, neste ponto, os bancos não mais podem expandir o crédito.  Qualquer expansão do crédito levará a um aumento nos depósitos em conta-corrente, o que, consequentemente, imporá a necessidade de se elevar a quantidade de reservas.  E, para aumentar suas reservas, os bancos teriam de induzir algumas pessoas a depositar dinheiro em espécie nos bancos.  Para tal, eles teriam de oferecer incentivos, como emitir papeis que paguem juros altos.  Isso pode afetar seus lucros. 

Outro problema é que mais criação de crédito implica maior probabilidade de saques em espécie, o que reduziria as reservas dos bancos. 

Caso as coisas continuassem assim e — muito importante —, caso o Banco Central não interviesse imprimindo dinheiro e criando mais reservas bancárias, a expansão do crédito estaria estagnada.

No entanto, há outros truques legais que permitem contornar esta situação.  Os bancos podem, por exemplo, convencer seus correntistas a migrarem seus depósitos em conta-corrente para uma nova modalidade criada, os depósitos a prazo.  Estes depósitos, em nosso exemplo, não possuem regras para compulsório.  Quais as consequências?

Suponha que os bancos conseguiram convencer alguns clientes a fazer tal migração de conta, totalizando uma transferência de $5.000 das contas-correntes para os depósitos a prazo.  Imediatamente após a transferência, este seria o balancete do sistema bancário:

Balancete consolidado do sistema bancário

Ativos

Passivos + Patrimônio Líquido

Reservas: $4.000

Crédito: $15.000

Depósitos em conta-corrente: $5.000

Depósitos a prazo: $5.000

Passivos de longo prazo: $3.000

 

Capital: $6.000

Total dos ativos: $19.000

Total dos passivos: $19.000

 

Observe que agora as reservas estão em excesso em relação ao volume das contas-correntes.  A transferência de $5.000 das contas-correntes para depósitos a prazo liberou mais $5.000 para os bancos criarem crédito bancário

Após esta nova expansão do crédito bancário, veja o novo balancete do sistema bancário:

Balancete consolidado do sistema bancário

Ativos

Passivos + Patrimônio Líquido

Reservas: $4.000

Crédito: $20.000

Depósitos em conta-corrente: $10.000

Depósitos a prazo: $5.000

Passivos de longo prazo: $3.000

 

Capital: $6.000

Total dos ativos: $24.000

Total dos passivos: $24.000

 

Observe que está tudo de acordo com as leis estipuladas pelo Banco Central.  O crédito foi expandido em mais $5.000 e este valor foi parar integralmente nas contas-correntes dos bancos.  (Haveria o risco de os correntistas sacarem parte deste dinheiro digital que foi criado, o que faria com que os valores das reservas e das contas-correntes fossem menores.  Mas isso apenas faria com que a nova expansão do crédito fosse menor; tal ato não seria um empecilho para a expansão do crédito.  Pelo bem da brevidade, vamos supor que não houve nenhuma alteração na propensão dos cidadãos a portar um volume maior de dinheiro, o que, aliás, é um argumento bastante realista).  As reservas de $4.000 continuam respeitando o compulsório de 40% para o valor total das contas-correntes.

E se os bancos gostarem e quiserem repetir a dose?  É perfeitamente possível.  Basta eles continuarem incitando os correntistas a migrarem suas contas para depósitos a prazo.  Repetindo idêntico procedimento acima, mais $5.000 são transferidos das contas-correntes para os depósitos a prazo.  Lembre-se: são apenas dígitos eletrônicos.  Não há nenhum obstáculo a esta manipulação.

Eis o balancete do sistema bancário imediatamente após esta nova transferência:

Balancete consolidado do sistema bancário

Ativos

Passivos + Patrimônio Líquido

Reservas: $4.000

Crédito: $20.000

Depósitos em conta-corrente: $5.000

Depósitos a prazo: $10.000

Passivos de longo prazo: $3.000

 

Capital: $6.000

Total dos ativos: $24.000

Total dos passivos: $24.000

 

Com reservas em excesso, os bancos podem novamente expandir o crédito em mais $5.000.  Eis o balancete dos bancos após esta expansão creditícia:

Balancete consolidado do sistema bancário

Ativos

Passivos + Patrimônio Líquido

Reservas: $4.000

Crédito: $25.000

Depósitos em conta-corrente: $10.000

Depósitos a prazo: $10.000

Passivos de longo prazo: $3.000

 

Capital: $6.000

Total dos ativos: $29.000

Total dos passivos: $29.000

 

Com apenas duas rodadas de migração de contas, foi possível ampliar o crédito em $10.000.  Mais importante: não houve injeção de dinheiro do banco central; nenhuma moeda física foi criada para permitir este aumento.  O único fenômeno ocorrido foram bancos migrando contas e criando dígitos eletrônicos do nada. 

Tal prática pode continuar perpetuamente?  Em um ambiente sem um Banco Central, muito difícil, pois, como dito, sempre há o risco de os correntistas decidirem sacar dinheiro.  Porém, normalmente, o dinheiro que é sacado acaba sendo gasto; ao ser gasto, ele volta a ser depositado em outra conta-corrente, de modo que a alteração final tende a ser nula.  Mas vale a pena enfatizar: sacar dinheiro dos bancos e não depositá-lo novamente é um instrumento poderosíssimo para abalar um sistema bancário de reservas fracionárias.  E é exatamente aí que entra o Banco Central, garantindo contínuas injeções de reservas bancárias e impressões de dinheiro (via Casa da Moeda) de modo a não abalar a continuidade deste processo.

Em termos práticos, vale ressaltar que foi exatamente este processo de migração de contas e consequente expansão do crédito que aconteceu durante a década de 1920 nos EUA, quando os bancos expandiram o crédito muito além daquilo que imaginava ser possível o Federal Reserve.  Um excelente livro a respeito, que transcreve vários relatórios emitidos pelo Fed à época mostrando enorme surpresa dos burocratas com a evolução do crédito para muito além do que julgavam ser possível, é este (há versões gratuitas para iPad e iPhone, bem como .pdfs.). 

Esta mesma prática é hoje corriqueira em todo o mundo, inclusive no Brasil, cujos dados ilustrados ao final deste artigo irão comprová-la.  Nos EUA e na Europa, o sistema bancário, com a anuência de seus respectivos bancos centrais e pelo simples truque da migração de contas (tanto nos EUA quanto na Europa, não há regra de compulsório para depósitos a prazo), expandiu enormemente a oferta de crédito durante a década de 2000, gerando a bolha imobiliária e a subsequente crise financeira, com os resultados que estamos vivenciando hoje.

Aqui no Brasil, o compulsório para depósitos em conta-corrente é talvez o maior do mundo, de 43%.  Mas isso é pouco efetivo, pois a migração para contas-poupança, para depósitos a prazo e para fundos de investimento é maciça.  O compulsório sobre depósitos a prazo é de 20%.  O mesmo valor se aplica aos depósitos de poupança.  Qualquer aplicação dos bancos em fundos de investimento está isenta de compulsório.   E há mais detalhes: o compulsório sobre depósitos a prazo vigorou apenas durante um determinado período da primeira fase do Plano Real (1996 a 1998).  Depois, foi abolido (ficando em seu lugar a necessidade de depositar títulos do Tesouro junto ao Banco Central).  Só voltou a vigorar em abril de 2010, e sua taxa é constantemente alterada, variando de 15% a 20%.  Ou seja, durante a maior parte da história recente não havia tal instrumento.  O espaço que tais alterações de compulsório abre para a expansão do crédito bancário é enorme.

Os números do Brasil

Para se ter uma ideia prática do volume deste fenômeno da migração de contas, veja os dois gráficos abaixo.  O primeiro gráfico mostra a evolução nominal da conta-corrente (linha vermelha), dos depósitos em poupança (linha azul) e dos depósitos a prazo (linha verde).  Observe que, com a instituição do compulsório sobre depósitos a prazo a partir de 1996, os depósitos em poupança ganham mais captação.  Óbvio, pois depósitos a prazo normalmente pagam juros maiores do que depósitos em poupança.  Mesmo com a abolição do compulsório ao final de 1998, os depósitos a prazo ainda demoram um pouco para ganhar atratividade, o que só começa a acontecer em definitivo a partir de 2001.

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O volume de depósitos a prazo é 6 vezes (ou 500%) maior do que o de depósitos em conta-corrente.  O volume de depósitos em poupança é 3 vezes maior, ou 200%.

Se construirmos um gráfico mostrando a taxa de crescimento anual das três variáveis, algumas observações se tornam mais óbvias:

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Em 2003, a estagnação do crédito foi geral, de modo que o crescimento das três contas desacelerou fortemente.  Apenas os depósitos a prazo aumentaram em relação a 2002 (5%, como mostra o gráfico ao final de 2003).  Nenhuma surpresa.  Em 2004, o crédito voltou a se expandir, e os depósitos a prazo, também sem surpresa, foram os que mais cresceram.  A partir de 2006, quando o Banco Central começou o ciclo de redução da SELIC, o qual duraria até março de 2008, a taxa de crescimento dos depósitos a prazo começou a desacelerar, ao passo que conta-corrente e conta-poupança passaram a aumentar.  A partir de 2007, a relação inversa entre as variáveis se torna explícita: quando a SELIC sobe (2008, segundo semestre de 2010, primeiro semestre de 2011), há uma migração para os depósitos a prazo; quando a SELIC cai (2009 e segundo semestre de 2011 até hoje), há uma migração para a poupança e para a conta-corrente. 

A forte migração para os depósitos a prazo ocorrida em 2008 pode ser explicada tanto pela elevação da SELIC quanto pelo fato de, ainda àquela época, não haver compulsório para os depósitos a prazo.  Finalmente, a partir de meados de 2011, com o atual ciclo de redução da SELIC, a taxa de crescimento dos depósitos a prazo voltou a cair, embora seu crescimento ainda esteja maior do que o crescimento dos outros dois depósitos.

Vale notar também que os depósitos em conta-corrente são os primeiros a reagirem a uma alteração na SELIC.  Óbvio, pois eles são o primeiro destino de todos os dígitos eletrônicos que foram criados e gastos.  A poupança varia simultaneamente, mas com uma pequena defasagem.  Já os depósitos a prazo variam inversamente.

Por fim, contemple o gráfico da expansão total do crédito.  Ao olhar o gráfico, pense que estes R$2,17 trilhões são meros dígitos eletrônicos criados por bancos.

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Enquanto isso, o valor total da base monetária em julho — aquela variável que está totalmente sob controle do Banco Central — foi de R$192,5 bilhões.  Quem ainda imagina que, em um sistema bancário de reservas fracionárias, o Banco Central pode exercer algum controle benéfico sobre o sistema está seriamente iludido. 

A função do Banco Central em todo este esquema é propiciar seguidas injeções de reservas bancárias para permitir que a expansão do crédito bancário prossiga incólume.  Afinal, sempre que ele pára de injetar reservas, a SELIC sobe e o povo reclama

E um detalhe final: mesmo que o BC pare de injetar reservas com o intuito de restringir a expansão do crédito, é perfeitamente possível os bancos continuarem expandindo o crédito bancário ainda por um bom tempo: basta eles coordenarem uma expansão creditícia simultânea ao mesmo tempo em que fazem migrações de contas bancárias.  Em um sistema bancário extremamente concentrado como o brasileiro, tal coordenação não é nada difícil.

Conclusão

No sistema monetário atual, o processo de criação de crédito é totalmente artificial.  Ao contrário do que imaginam alguns românticos, bancos não são meros intermediadores financeiros entre poupadores e investidores.  Bancos são criadores de crédito artificial na forma de meros dígitos eletrônicos.  Sendo assim, o sistema bancário de reservas fracionárias, em conjunto com o Banco Central, realiza uma tarefa extremamente importante para a popularidade de políticos: ele aumenta artificialmente a renda das pessoas de forma quase imediata. 

Se a expansão do crédito for alta e, por algum motivo estrutural (alta abertura da economia e aumento da produtividade), o aumento de preços demorar a aparecer, o bem-estar das pessoas irá aumentar (temporariamente, até os preços finalmente começarem a subir), e os políticos da situação ganharão com isso.  Tal fenômeno foi evidente na primeira metade da década passada nos EUA e na Europa, quando a expansão do crédito bancário levou a um grande aumento da renda ao mesmo tempo em que a inflação de preços se manteve contida durante algum tempo, exceto no setor imobiliário, o que fez a festa de vários especuladores.

Um país como os EUA, que possui uma economia aberta, consegue manter uma expansão creditícia por um longo período de tempo porque, como sua economia é aberta, as importações ajudam a arrefecer as pressões inflacionistas geradas pela expansão do crédito. Sendo assim, aquele aumento dos juros que põe fim à expansão de crédito (e que dá início à recessão) só irá ocorrer um bom tempo após o ciclo expansionista ter começado. Por exemplo, a última expansão creditícia americana, aquela que gerou a bolha imobiliária, começou em meados de 2001 e só foi acabar em 2006.  Neste ínterim, a inflação de preços ficou relativamente contida.

Em um arranjo democrático, a facilidade da expansão do crédito bancário é um mecanismo extremamente tentador.  Isso explica por que Guido Mantega vem suplicando de joelhos para os bancos brasileiros expandirem o crédito a juros baixos.  Ele sabe que, no curto prazo, tal medida de fato é bastante eficaz politicamente.  O problema vem depois, com a inflação de preços e os ciclos econômicos.  Nenhuma economia é capaz de expandir o crédito bancário indefinidamente.  Toda expansão sempre termina em recessão.  Mas é sim possível postergar recessões com novas rodadas de expansão de crédito, as quais têm de ocorrer em doses cada vez maiores para manter a economia artificialmente aquecida.

Adicionalmente, como no Brasil a economia é bastante fechada, qualquer expansão do crédito bancário rapidamente se transforma em inflação de preços, o que faz com que o Banco Central rapidamente volte a aumentar os juros — leia-se "diminuir as injeções de reservas bancárias".  Ao passo que um ciclo expansionista dura de 4 a 5 anos nos EUA, aqui no Brasil ele mal chega a dois.  

O que nos leva à última pergunta remanescente: é possível os bancos atenderem ao apelo do animador de circo e saírem concedendo crédito a rodo?  Sim, nada os impede.  Exceto o bom senso.  Bancos podem expandir o crédito quando quiserem, especialmente se eles operarem sob os auspícios de um Banco Central indulgente, que injete reservas continuamente no sistema.  Na nossa atual situação, a única coisa que vem impedindo os bancos de saírem expandindo o crédito de maneira orquestrada é o temor de calotes em decorrência de alto endividamento das famílias e da inadimplência em níveis incômodos.

Nossa situação é curiosa, para não dizer desesperadora: temos de ficar na torcida para que os bancos, contra os interesses do governo, se contenham e evitem a expansão de sua carteira de crédito, algo que também vai contra seus imediatos interesses lucrativos.  Ao mesmo tempo, temos um governo que praticamente os obriga a ser mais temerários, a saírem emprestando para qualquer pessoa, sem nenhuma consideração para com risco ou histórico de crédito.  E tudo isso apenas para garantir uns décimos a mais no PIB.

Quando a solidez da economia de um país passa a depender de os bancos terem de se conter para não mais aumentarem seus empréstimos, mesmo sendo incitados a isso por um lunático com amplos poderes, apenas uma deidade infinitamente poderosa pode nos salvar da catástrofe.


2 votos

SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


"No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas."

Errado. Poderiam também ser pagos por qualquer um que se voluntariasse a pagar em nome de terceiros. Seria, tenho certeza, o seu caso em relação ao catador de papelão.

"Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido)."

Isso ocorre diariamente no arranjo estatal em que vivemos. E nunca o atropelador é punido.

Aliás, houve um caso em que uma adolescente e modelo foi atropelada em Belo Horizonte, num bairro chique. Ela ficou aleijada (teve a perna amputada) e a motorista embriagada teve apenas uma multa de R$ 1,5 mil.

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/12/29/interna_gerais,603237/jovem-atingida-por-carro-na-raja-gabaglia-tem-perna-amputada.shtml

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/04/20/interna_gerais,639299/a-superacao-de-paola.shtml

revistaglamour.globo.com/#/noticia/Na-Real/noticia/2015/11/modelo-que-perdeu-perna-posta-foto-de-biquini-e-recebe-elogios-dos-fas.html

Que bela justiça estatal!

Ou seja, o pior cenário que você vislumbra num ambiente anarcocapitalista já ocorre rotineiramente no arranjo de justiça estatal em que vivemos.

Já no caso do catador de papelão, haveria ao menos uma chance: você poderia começar uma campanha nas redes sociais para coletar o dinheiro necessário para processar é punir o motorista. Seria até fácil.Se hoje as pessoas arrecadam dinheiro até para abrir hamburgueria, certamente não faltariam doadores para ajudar nesta causa tão mais nobre.

Solução tem pra tudo; o que é realmente difícil é nêgo conseguir pensar fora da Matrix estatal a qual foi condicionado.
Aos que acompanham Instituto Mises Brasil:
Deixo aqui uma pergunta para reflexão dos que acompanham esta página. Para haver justiça, é necessário investigação.
No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas (e não por um Estado).
Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido).
Suponhamos também que a vítima vivia em uma casa extremamente simples, sozinho (por ter abandonado o contato com a família há muitos anos), e que seus escassos bens fossem insuficientes para cobertura de gastos de investigação e justiça privadas.
Neste caso, para que a investigação descubra a autoria do crime e a sociedade possa vislumbrar a possibilidade de justiça, quem arcaria com os custos? Quem faria a opção pelo tribunal que poderia julgar a causa? Quem acompanharia a causa para que fosse devidamente solucionada?
Lembrando que o motorista irresponsável teria fugido e não deixado vestígios suficientes (à princípio) para ser encontrado e responsabilizado pelo ato.
A sociedade que consistisse em justiça e investigação privadas (com custos 100% privados) não se importaria com a elucidação e punição em casos como o descrito acima? Ficaria o motorista embriagado livre, mesmo tendo atentado contra a vida de outro?
Na suposição, usei como exemplo um catador de papelão, mas a análise serviria para qualquer possível vítima de injustiça que não dispusesse de recursos suficientes para cobrir os custos de investigação e justiça privadas.
O que acham?
É uma dúvida real. Gostaria de verificamos possíveis respostas com educação e respeito.
Grato!
Eu morei 5 anos em Paris. Lá, a educação é gratuíta, obrigatória, e vai de 7 da manhã ás 17:00, De segunda à sexta, menos na quarta-feira. Esse é o dia do "se vire" para os pais, quando eles têm que ficar com os filhos de uma forma ou de outra. Uns levam para o trabalho, outros deixam em creches, outros arrumam uma babá por um dia.

As crianças são obrigadas a decorar poesias. O vestibular é feito no final do segundo grau, pra avaliar o quanto aprenderam, e filosofia é obrigatória. As provas não são de múltipla escolha. São feitas na forma de redações com 4 folhas de papel almaço. Se chama Bacalaureat, ou BAC, como todos chamam.

E por isso os franceses arrumam emprego em qualquer lugar do mundo onde vão, em geral chegam no estrangeiro e criam a próprias empresas. //existe ensino profissionalizante em todos os níveis, os professores, assim como todos, fazem reciclagens e avaliações constantes. é um sistema mais complexo, criado por pessoas com muita cultura. Sem falar que os franceses leem mais de 20 livros por ano. Existe a divisão que existia antigamente no segundo grau, exatas, biomédicas, humanas, artes... Se houvesse mais estudos no Brasil, saberíamos estudar os sistemas de ensino mais adequados para nosso país, na situação que se encontra. Poderíamos copiar as técnicas de sucesso destes países, ou mesmo daqui, de escolas que trazem sucesso aos alunos. Mas quando o povo não tem estudo, e confunde cultura popular com cultura geral, esquizofrênicos delirantes como o Carlos Magno dos pobres fazem um impichement, e ditam regras toscas como suas mentes delirantes, pois acham que ao poder é algo que deve ser conquistado por conchavos de ordens discretas. Me refiro ao presidente em exercício, que é maçom.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Gustavo BNG  20/08/2012 22:05
    Será que 0,1% da população brasileira sabe dessa lama bancária?
  • Pedro Ivo  21/08/2012 04:40
    Claro que sabem. São os 0,1% que comandam o esquema.
  • Carlos  23/08/2012 20:32
    Nem 0,00001% dos brasileiros sabem desta lama bancária.\r
    Política do pão e circo.Conhece?\r
    Ótimo artigo.
  • Abraão Carvalho  19/04/2013 02:57
    Alguém poderia ter a paciência de me explicar como funciona esta injeção de dinheiro eletrônico.
  • Leandro  19/04/2013 06:08
    O Banco Central cria dígitos eletrônicos na tela de um computador e transfere estes dígitos para uma conta-corrente que o sistema bancário tem junto ao Banco Central (conta esta chamada de "reservas bancárias" ou "compulsório").

    Em troca destes dígitos, os bancos dão ao Banco Central títulos do Tesouro que eles compraram do governo. Quanto mais títulos do Tesouro os bancos compram do governo, mais dígitos eles podem ganhar do Banco Central em troca destes títulos (ou seja, a simples existência do Banco Central já é um estímulo aos déficits orçamentários do governo).

    Ato contínuo, tendo mais dígitos eletrônicos em suas reservas, os bancos podem agora criar mais dígitos eletrônicos para emprestas para pessoas e empresas.

    Parece doideira? Parece insanidade? Parece não fazer sentido nenhum? Pois é exatamente esta a intenção; é assim que a mágica funciona.

    Recomendo estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1574
  • Melanie Schwartz  19/04/2013 11:38
    Leandro, aproveitando o embalo, você poderia me explicar como o Banco Central é capaz de injetar dinheiro continuamente nos bancos? Ele injeta dinheiro recomprando os títulos do públicos em posse dos bancos, certo? Mas, por que esses títulos nunca acabam se o Bacen injeta dinheiro de forma continua? Os bancos têm um volume gigantesco ou o Bacen vende barato e recompra caro, deixando sempre atrativa essa operação?

    Obrigada.
  • Leandro  19/04/2013 12:48
    Os títulos nunca acabam porque o governo mensalmente incorre em déficits orçamentários. Logo, mensalmente ele emite títulos para os bancos comprarem. Com a dívida bruta na casa de R$ 2,4 trilhões, acho que não há muito risco de escassez de títulos.
  • gisele  26/04/2016 21:23
    Leandro, perdoe-me pela ignorância, por favor, me explique melhor como acontece o aumento dos preços por conta do sistema de crédito. Apenas isto não entendi no seu artigo, que por sinal está muito bem escrito.
  • Auxiliar  26/04/2016 21:55
  • Rodrigo  12/09/2016 07:11
    Ao emprestar para as pessoas, elas irão usar este empréstimo para comprar algo. Isso gerará uma maior demanda por estes bens, aumentando, assim, seu preço. Ademais, essa demanda só poderá ser mantida via empréstimos, que certo momento irão acabar, causando assim os ciclos econômicos.
    Corrijam-me se eu estiver errado.
  • Miriam Doncel  29/12/2013 12:56
    Não tem dinheiro poriso fazem isso .o que vai acontecer num futuro próximo todas as pessoas que depositaram no sistema vão perder seu dinheiro porque os bancos não tem efetivo.para mim são bancos que não podiam continuar emprestando.
  • amauri  21/08/2012 04:24
    Bom dia Leandro!
    Esta criação é a chamada alavancagem?
    Qual é a alavancagem dos bancos no Brasil? E nos principais países do Mundo?
    O banco Votarantim, e o Panamericano, tambem fazem esta criação?
    O governo brasileiro, depois de mais de 10 anos, autorizou um banco estrangeiro a operar no Brasil. E porque um banco chines? abs
  • Leandro  21/08/2012 06:15
    Correto, Amauri. Em termos mais específicos, alavancagem é a divisão entre os ativos de risco (empréstimos e debêntures, mas não títulos do governo) de um banco e seu capital. No nosso exemplo, a alavancagem foi de 2,5 (15/6) para 4,16 (25/6).

    O inverso da alavancagem -- ou seja, o capital dividido pelos ativos de risco -- é o requerimento de capital (popularmente chamado de Índice de Basileia).

    Para os referidos bancos brasileiros, o índice de Basileia varia de 13 a 24%. Os piores são a CEF, com 12,8% e o BB, com 14,7%.

    Nos EUA, tais valores giram entre 8 e 10%.

    Recomendo este artigo do Fernando Ulrich:

    O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia

    Abraços!
  • Jose Roberto Baschiera Junior  21/08/2012 05:15
    Meus artigos favoritos são os do Leandro.
    Não me contenho com os adjetivos que são sempre dirigidos ao senhor Guido Mantega nesses artigos. Sempre na dose correta.
  • Leandro  21/08/2012 06:15
    O problema do Mantega é que ele não aprendeu nada com a crise mundial. Quer de tudo quanto é jeito implodir o sistema financeiro nacional em troca de alguns décimos de PIB no curto prazo.

    Fosse ele apenas o que é -- um sujeito com cara de burocrata soviético de terceiro escalão --, não teria grande importância. O problema é que ele tem poder e influência para fazer estragos. O dinheiro de ninguém está seguro nos bancos enquanto Guido Mantega tiver voz no governo.
  • Pedro Ivo  22/08/2012 10:17
    O problema do Mantega é que ele existe: ele e todos com esta mentalidade contrafactual
  • romulo augusto  27/03/2013 12:50
    o governo pode aumentar seu credito junto aos bancosdiminuindo o credito para o povoque nao tera como saldar suas dividasaumentando a inadimplencia sendo motivo para que o banco centralse queixe ao governo que com isso recorrerá ao confisco na sua economia politica
  • Pedro Valadares  25/08/2012 10:04
    Leandro, eu acho que Mantega sabe exatamente o que tá fazendo, mas ele sabe que quando a coisa pegar, o máximo que pode acontecer é ele deixar o ministério. Se isso acontecer, ele vai conseguir lá um cargo de consultor financeiro do Instituto Lulla e vai ganhar dinheiro às custas dos seguidores do lulismo.

    Enquanto a lama não chega, ele capitaliza a fama de justiceiro da população contra os juros...
  • Renan Juliano  01/04/2016 08:13
    Leandro,

    Se os bancos privados criam dinheiro para emprestar, além de parecer absurdo, não gera inflação? Eu achava que só o banco central podia criar dinheiro.
  • Leandro  01/04/2016 12:24
    Correto:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854

    E, como sempre, vou recomendar, mais uma vez, esta monografia do Banco Central da Inglaterra:

    www.bankofengland.co.uk/publications/Documents/quarterlybulletin/2014/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf
  • Vitor  27/05/2016 19:29
    Leandro,

    Você disse que o banco só incorpora no patrimônio líquido o juro cobrado, mas o crédito criado também poderá ser realizado como receita bancária no final do ciclo, principalmente depois de realizar os títulos públicos para aumentar as reservas, aumentando a capacidade dos sócios de se apropriarem de parte da base monetária. Pelo menos aconteceu isso na minha simulação.

    Simulei a seguinte situação:
    compulsório de 40%
    taxa de juros bancário 10%
    só existe Conta-Corrente e PL no Passivo
    só existe Reserva e Créditos (empréstimos concedidos) no Ativo
    a base monetária inicial é de 10.000 e está sob a posse de Alberto

    L1: depósito de 10.000 de Alberto
    L2: empréstimo de 6.000 de João (para pagar a Pedro)
    L3: depósito de 6.000 de Pedro
    L4: empréstimo de 1.000 e saque de 6.000 de Pedro (para pagar a João)
    L5: pagamento de 6.600 de João ao banco
    L6: compra e realização de títulos públicos (dinheiro novo) no valor de 7.000 e remunerando 7.400

    O último lançamento com o BC só ocorreu só para que a reserva do banco voltasse a 10.000, cobrindo os 400 que estão na posse de João como lucro de sua operação.

    A situação final ficou:

    Ativo Passivo
    Reservas: 10000 C/C: 10000
    Crédito: 7100 PL: 7100
    Total: 17000 Total: 17000

    Desse total, o banco incorporou em seu capital todo o crédito criado + a receita de juros.

    É assim que ocorre ou tem algo no meio aí que eu não fiz?

    Abraço
  • Andre Cavalcante  21/08/2012 06:23
    Faço coro com outros comentaristas do site:
    +1 artigo para o próximo livro na biblioteca do IMB A História Econômica Recente do Brasil (by Leandro Roque).

    Abraços
  • Leandro  21/08/2012 06:39
    Obrigado pela consideração, caro Andre. Em verdade lhe digo que há um projeto entre mim e o Fernando Ulrich a este respeito. Mas precisamos de um banco sem restrições de compulsório para nos financiar...

    Abração!
  • Sérgio Ricardo  23/08/2012 13:04
    Leandro,

    Que grande notícia saber que você está projetando escrever um livro.
    Serei um dos primeiros a comprá-lo e, se possível, ir ao dia do lançamento.
    Os seus textos são fantásticos e exploram as verdades ocultas em nosso sistema político e econômico, que de democrático só tem a palavra "bonitinha".

    Parabéns!

    Abraço,
    Sérgio Ricardo
  • Leandro  23/08/2012 14:03
    Obrigado pelas palavras, Sérgio. Mas isso ainda é algo para o longuíssimo prazo...

    Grande abraço!
  • amauri  21/08/2012 06:36
    Leandro grato pela explicação.
    será que eu estou errado em não adquirir( e aconselhando meus filhos) nada por meio de "alavancagem"?
    Uma duvida que paira sobre mim:
    já li em vários estabelecimentos comerciais que não aceitam pagamento em cheque, e aceitam cartão de credito. O hipotético emissor de cheque sem fundo pagará corretamente a fatura do cartão de credito? abs
  • Leandro  21/08/2012 06:46
    Amauri, um cheque sem fundo afeta diretamente o comerciante, ao passo que um pagamento via cartão de crédito lhe garante receita imediata. Se o consumidor vai pagar ou não a fatura do cartão de crédito, isso não é problema do comerciante; isso é entre o consumidor e a administradora do seu cartão.

    Sobre alavancagem, você está se referindo a operar alavancado no mercado financeiro? Isso é só para quem é realmente profissional e tem muita certeza dos rumos futuros do mercado.

    De resto, vale a regra: quanto maior a alavancagem (em qualquer empreendimento), maior o seu risco -- a menos que você tenha uma fonte segura e garantida de receita, uma que dure por muito tempo e possa cobrir suas eventuais perdas. Aí, sim, você terá alguma segurança.

    Mas isso não é um tipo de conselho que seja minha especialidade. Por isso, vou afinar e não falar mais nada.

    Abraço!
  • Ricardo  21/08/2012 07:18
    Amauri,

    Nesse caso do cheque x cartão de crédito é simples. No pagamento com cheque, é emissor do cheque (você) quem paga diretamente para o portador (estabelecimento comercial). No caso do cartão, é o seu banco quem vai pagar para o estabelecimento comercial, independente de você ter quitado sua fatura ou não. Se você não quitar sua fatura, o estabelecimento vai receber o seu dinheiro mas você vai ficar devendo para o banco. Ter garantia de pagamento, como tudo no mundo, também tem seu preço. Por isso cada compra do cartão um percentual (que eu não sei quanto é) fica diretamente com o banco.
  • Fabio  21/08/2012 07:24
    Deixe-me ver se entendi: o banco A cria X de moeda (crédito) para um tomador de empréstimo B a uma taxa de juros anual Y%. Ao fim de um ano, B amortizou a dívida de uma vez só, pagando X(1+Y%). O banco criou moeda, lucrou com juros, mas e o que foi feito do principal X criado do além? Ele vira patrimonio do banco ou tem que ser "destruído" contabilmente?
  • Leandro  21/08/2012 07:39
    Fabio, imediatamente após o banco criar o crédito (por exemplo, $1.000), haverá duas entradas em seu balancete: $1.000 no lado dos ativos (crédito concedido) e $1.000 no lado do passivo (conta-corrente aberta).

    Porém, assim que o tomador de empréstimo gastar seu dinheiro, o valor criado na conta-corrente (passivo) cai para zero e o total de reservas (ativo) deste banco será subtraído deste mesmo valor.

    Ou seja, haverá agora apenas uma entrada na coluna de ativos escrita "ativos a receber".

    Quando o empréstimo é quitado, o principal ($1.000) volta para as reservas bancárias e o juro cobrado vai para o capital do banco.

    Abraço!

    P.S.: na prática, a redução das reservas raramente ocorre, pois ao mesmo tempo em que o banco A expande o crédito e perde reservas para o banco B, o banco B expande o crédito e perde reservas para o banco A.
  • Rodrigo  07/03/2013 13:37
    Leandro, fiquei com uma dúvida do que pode acontecer posteriormente com este juro incorporado ao PL. Poderia o PL ser re-investido, como mais reserva, incrementando assim a capacidade de crédito bancário que pode ser concedido?

    Como funciona na teoria este conceito, já que estes juros cobrados não existem na economia para que sejam quitados, ao menos todos juntos, já que alguém com algum emprestimo terá de ficar devendo o principal para que os juros de outro possam ser quitados? Ou a idéia é esta mesmo, que a dívida deve ter de ser sempre aumentada para manter-se o ciclo?
  • Leandro  07/03/2013 14:15
    "Poderia o PL ser re-investido, como mais reserva, incrementando assim a capacidade de crédito bancário que pode ser concedido?"

    Sim. Quando um banco empresta R$1.000 e recebe R$1.300, seus ativos (no caso, reservas) aumentaram em um total de R$300 reais (antes havia R$1.000 agora há R$1.300). Consequentemente, ele pode expandir mais o crédito em cima destes R$300 adicionais.

    Adicionalmente, seu patrimônio líquido entra na conta de "requerimento de capital" dos bancos. Quanto maior o patrimônio líquido em relação a ativos de risco, melhor a situação do banco. (Dois artigos sobre isso: um básico e um mais avançado.)


    "Como funciona na teoria este conceito, já que estes juros cobrados não existem na economia para que sejam quitados, ao menos todos juntos, já que alguém com algum emprestimo terá de ficar devendo o principal para que os juros de outro possam ser quitados? Ou a idéia é esta mesmo, que a dívida deve ter de ser sempre aumentada para manter-se o ciclo?"

    Os juros são coletados com relativa facilidade (e são altos) justamente porque a quantidade de dinheiro na economia está sempre crescendo. É por causa disso que as atuais dívidas podem sim ser quitadas. Se a quantidade de dinheiro fosse fixa, os juros inevitavelmente teriam de ser muito mais baixos (se fossem altos, não haveria como quitá-los).
  • Rodrigo  07/03/2013 21:14
    Primeiramente gostaria de parabenizar pelos excelentes textos explicativos quanto a todo o site. Não imaginava ter uma resposta tão rapidamente. Acabei encontrando por acaso este seu texto, em busca ao google sobre o funcionamento do sistema bancário, e encontrei aqui uma grande fonte de informação, em diversos textos.

    Confesso que desconhecia as ideias de livre mercado, sequer sabia que o portal difundia esta ideia antes de ler os textos, e pesquisar um pouco sobre o IMB (cai de para-quedas neste portal como mencionado). Fiquei muito interessado nas ideias, apesar de não defender nenhuma ideologia e ser um tanto cético, acabei lendo diversos artigos aqui e pretendo me informar mais ainda destes pensamentos.

    Como sou realmente iniciante tanto na filosofia do pensamento austriaco quanto na economia atual, gostaria de entender os princípios básicos dessa economia, muitos deles já elucidados em diversos textos, mas quanto a questão proposta anteriormente quanto a questão dos juros ainda me ficou uma dúvida quanto a este funcionamento num hipotético cenário em que as reservas monetárias não se alterariam. Por ser uma pergunta que imagino básica, poderia alguém me ensinar?

    -Neste cenário hipotético de $ inalterada, feitos empréstimos a juros, por menores que sejam, tornariam impossível a quitação de todos ao mesmo tempo não? Ex.: Num total hipotético de $100, se faz o mesmo empréstimo a 2 pessoas: empresta-se $1 e o retorno deve ser do principal + $0,001. Neste momento, este montante não existe ainda na economia, como ele deve ser pago?

    A única solução que vejo (como não tenho muito noção da economia, peço que me corrijam se estiver falando uma tremenda besteira) seria que para o "montante extra" ser pago, seria através do fluxo do $ no mercado, por consequência o valor de todo o $ existente acabaria por perder valor para os juros poderem ser pagos(causando lenta deflação dos preços de bens e serviços ao longo do tempo), mas na realidade como ocorreria?

    Agradeço desde já este espaço de discussão.
  • Rodrigo  07/03/2013 22:27
    Ainda outro ponto que tenho curiosidade de conhecer, é como funcionam cooperativas de crédito neste caso, sei que são reguladas pelo BC, mas seguem regras especificas, ou podem fazer as operações como bancos comuns?

    Na minha região existe uma grande cooperativa de crédito, é muitos migraram de bancos para lá, tenho minhas dúvidas quanto a este funcionamento, se for possível poderia me explicar (não é preciso ir tão a fundo, mas umas questões básicas, ela opera alavancado por fracionário, ou só pode emprestar o que tem de fato "guardado" por poupadores? pode participar do mercado interbancário?
  • Juan Simon  20/04/2013 20:56
    Leandro,

    Obrigado pela explicacao. Tenho 2 perguntas:

    O que acontece quando alguem nao paga o emprestimo? Nem o principal e os juros? Como o banco tapa esse furo contabilmente?

    Segunda pergunta: Quanto mais pessoas deixam de pagar o emprestimo, mais o governo (em teoria) precisa injetar dinheiro para estimular a economia? Ja que quando 1 na corrente nao paga acaba estagnando o ciclo?

    Desde ja agradeco!
  • Leandro  22/04/2013 13:55
    "O que acontece quando alguem nao paga o emprestimo? Nem o principal e os juros? Como o banco tapa esse furo contabilmente?"

    Nesse caso, o ativo "empréstimos pendentes" (relativo a este empréstimo específico) no balancete do banco cairá para zero. Se o Banco A emprestou, digamos, $100.000, e estes $100.000 caíram na conta do Banco B, então o Banco A teve de transferir $100.000 de suas reservas para o Banco B. E como o Banco A não teve esse empréstimo quitado, a conseqüência final é que ele perdeu ativos no valor de $ 100.000. Seu patrimônio líquido (seu capital) foi reduzido.

    Se isso estiver ocorrendo maciçamente em todo o sistema bancário, os bancos ficarão descapitalizados. Consequentemente, eles não apenas não poderão conceder novos empréstimos, como terão de forçar a quitação rápida de todos os empréstimos pendentes. Ao fazerem isso, a oferta monetária da economia será drasticamente reduzida (empréstimos quitados significam a destruição de dígitos eletrônicos nas contas-correntes).

    "Segunda pergunta: Quanto mais pessoas deixam de pagar o emprestimo, mais o governo (em teoria) precisa injetar dinheiro para estimular a economia? Ja que quando 1 na corrente nao paga acaba estagnando o ciclo?"

    Ocorreria o que de fato ocorreu na Europa e nos EUA: o Banco Central irá comprar ativos destes bancos (mais especificamente, títulos do governo em posse destes bancos). Ao fazer isso, a rubrica "encaixes" ou "reservas bancárias" destes bancos irá aumentar e a rubrica "títulos do governo" irá diminuir. O valor dos ativos permaneceu o mesmo, mas os bancos agora estão com mais reservas do que antes. Porém, se os bancos não concederem novos empréstimos, esse dinheiro não entrará na economia, e ela permanecerá em recessão.

    Veja este artigo que mostra exatamente isso ocorrendo na Europa.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514
  • Gustavo  03/07/2016 17:18
    Quando o BC quer diminuir as reservas, ele literalmente "obriga" os bancos a comprarem os títulos do governo de volta? Os bancos privados não poderiam se "negar" a abrir mão de suas reservas?
  • Fred  04/07/2016 12:15
    Tudo é uma questão de preço.
    "Pagando bem que mal tem"
  • Leandro  04/07/2016 12:52
    O BC se oferece para comprar títulos a preços maiores que os vigentes no mercado. Sendo assim, vendê-los para o BC é extremamente lucrativo.

    Portanto, o BC segue a máxima de Don Corleone: faz uma oferta que os bancos não podem recusar.
  • PESCADOR  21/08/2012 07:46
    Gosto muito desse tipo de artigo, mais prático e com exemplos brasileiros. Fica fácil de entender e dá mais vontade ainda de ler sobre Economia Austríaca. E dá mais raiva também do burrocratas do estado. Esse Mantega só não é uma piada porque as consequências dos atos dele são muito entristecedoras.
  • Tiago RC  21/08/2012 09:23
    Muito interessante esse texto, Leandro.

    Deixa eu ver se entendi direito. Para driblar o compulsório, bancos dão um jeito de converter saldo bancário (M1) em outros ativos sem passar pelo dinheiro primário (M0).
    Isso faz diminuir o M1 do banco, sem tocar suas reservas, que seguem intactas. Essa diminuição do M1 faz com que a porcentagem em reserva seja maior que o compulsório e pronto, eles podem legalmente criar mais saldo bancário.
    É isso?

    O porquê do envio de dinheiro a essas contas especiais não representar um saque de dinheiro primário, ou uma movimentação de conta corrente à conta corrente, já é mais complicado pra mim entender.
    Se eu deposito dinheiro num fundo de ações por ex., o meu saldo bancário será convertido em cotas desse fundo. Mas esse fundo tem que comprar ações com o dinheiro que eu depositei. Esse dinheiro vai então parar no saldo bancário daquele que vender essas ações ao fundo. Independente das contas estarem ou não no mesmo banco, o M1 total continuaria o mesmo - é só dinheiro migrando de uma conta corrente à outra.
    Eu não entendi porque essa transferência de dinheiro da CC para uma conta especial não representa no final das contas uma transferência de uma CC para outra CC, pertencente a outro indivíduo.
    Há alguma particularidade sobre os depósitos à prazo? Admito minha ignorância financeira: não sei que o são depósitos à prazo. São como CDBs? O dinheiro depositado nessa conta será emprestado a alguém? Se for esse o caso, não dá na mesma que o exemplo com o fundo de ações (dinheiro sai da minha CC e entra na CC de outra pessoa, não alterando a proporção M1/M0).

    Abraços!
  • Leandro  21/08/2012 11:06
    Prezado Tiago, permita-me esclarecer alguns termos técnicos que ficaram um tanto confusos no seu raciocínio.

    "Para driblar o compulsório, bancos dão um jeito de converter saldo bancário (M1) em outros ativos sem passar pelo dinheiro primário (M0). Isso faz diminuir o M1 do banco, sem tocar suas reservas, que seguem intactas. Essa diminuição do M1 faz com que a porcentagem em reserva seja maior que o compulsório e pronto, eles podem legalmente criar mais saldo bancário. É isso?"

    Uma correção: M1 é depósito em conta-corrente + papel-moeda em poder do público. Ou seja, saldo bancário é um componente de M1. Já o M0 seriam as cédulas de papel e moedas metálicas. Considerando-se estas definições, este seu parágrafo ficou um tanto sentido.

    Deixe-me tentar esclarecer sua provável dúvida. Bancos lidam com dígitos eletrônicos. Se você é banqueiro, você tem de rearranjar os dígitos em seus balancetes da maneira que mais aumente seus lucros. Ponto. Às vezes seus clientes vão colaborar, às vezes não. (A gerente do meu banco costumava me ligar oferecendo algumas opções de aplicação, dizendo que seriam muito vantajosas para mim. Óbvio que seriam vantajosas para ela e para o banco. Eu sempre declinava, educadamente).

    Quando você retira dígitos de uma determinada conta que tem compulsório alto e transfere estes dígitos para uma conta que tem compulsório menor (no mesmo banco), você está legalmente abrindo espaço para criar ainda mais dígitos na forma de criação de crédito. Mas você não está "diminuindo M1 do banco", nem a quantidade total de dígitos nas contas deste banco. Você está apenas transferindo dígitos de uma rubrica para outra. As reservas bancárias também permanecem inalteradas.

    "O porquê do envio de dinheiro a essas contas especiais não representar um saque de dinheiro primário, ou uma movimentação de conta corrente à conta corrente, já é mais complicado pra mim entender."

    Não há "envio de dinheiro para contas especiais" e nem há por que dizer que a migração de dígitos no lado dos passivos do balancete de um banco irá estimular saques. Tenha em mente que o banco está mexendo com dígitos dentro deste próprio banco. Ele não está enviando estes dígitos para outros bancos.

    É como você estacionar seu carro em uma garagem paga. Enquanto você está fora, os manobristas manobram o carro da maneira que eles quiserem, sempre visando a facilitar o estacionamento dos carros dos outros clientes. O fato de manobristas estarem trocando seu carro de posição não implica um estímulo para você tirar o carro da garagem (sacar dinheiro). Da mesma maneira, o fato de o seu banco estar transferindo dinheiro da rubrica "conta-corrente" para a rubrica "conta-poupança" não irá estimular "saques de dinheiro".

    E, mesmo que estimulasse (coisa que não faz sentido), dinheiro sacado é gasto. Ao ser gasto, é redepositado no sistema bancário. Ou seja, no geral, as reservas bancárias permanecerão inalteradas.

    "Se eu deposito dinheiro num fundo de ações por ex., o meu saldo bancário será convertido em cotas desse fundo."

    Correto, mas aqui é outro cenário, totalmente distinto do que foi discutido até agora. Aqui você está enviando dígitos da sua conta-corrente para a conta de outro banco. O seu banco perdeu reservas. Ponto.

    "Mas esse fundo tem que comprar ações com o dinheiro que eu depositei. Esse dinheiro vai então parar no saldo bancário daquele que vender essas ações ao fundo."

    Corretíssimo. Como dito acima, isso nada tem a ver com um banco manipulando dígitos em seu próprio balancete. Isso que você descreveu foi simplesmente o cliente de um banco (você) transferindo dinheiro para o cliente de outro banco.

    "Independente das contas estarem ou não no mesmo banco, o M1 total continuaria o mesmo - é só dinheiro migrando de uma conta corrente à outra."

    Correto. São dois bancos na equação. O seu banco e o banco que recebeu seus dígitos eletrônicos. A redução havida na sua conta-corrente é compensada pelo aumento da conta-corrente do outro banco.

    "Eu não entendi porque essa transferência de dinheiro da CC para uma conta especial não representa no final das contas uma transferência de uma CC para outra CC, pertencente a outro indivíduo."

    É claro que representa uma transferência de uma CC para outra CC. Há dois bancos neste seu exemplo. Um banco perdeu dígitos; o outro ganhou. No consolidado bancário geral, a quantidade de dinheiro na rubrica "depósitos em conta corrente" segue inalterada. Reduziu no seu banco e aumentou em igual quantidade no outro banco. No saldo final, tudo inalterado.

    "Há alguma particularidade sobre os depósitos à prazo? Admito minha ignorância financeira: não sei que o são depósitos à prazo. São como CDBs?"

    No atual sistema monetário, são depósitos que rendem juros, assim como depósitos em conta-poupança. Sim, são CDBs. Nada de especial ou diferente neles, exceto as regras do compulsório.

    "O dinheiro depositado nessa conta será emprestado a alguém?"

    O dinheiro depositado em qualquer conta é um mero dígito eletrônico. Dígitos eletrônicos em uma conta, por si sós, não permitem e nem impedem a criação de outros dígitos eletrônicos para serem emprestados para alguém. Você, como banqueiro, vai simplesmente rearranjar os dígitos eletrônicos em seu passivo de modo a permitir a maior criação possível de dígitos eletrônicos no seu ativo. Só. Dígitos eletrônicos que estão em uma conta não são "emprestados" para outra pessoa. Você empresta coisa física, como cédulas de papel ou ouro, mas não empresta dígitos eletrônicos.

    Em suma: você entendeu direitinho, mas acho que confundiu o balancete do consolidado bancário com o balancete de um banco isolado.

    Abraços!
  • Tiago  21/08/2012 12:56
    Obrigado Leandro pela enorme paciência!

    De fato, estava erroneamente me referindo a M1 como apenas saldo bancário.

    Quanto aos depósitos a prazo/CDBs. Qual a diferença entre eles, e um fundo de investimento qualquer, onde você é obrigado a "vender" suas cotas/ativos quando quiser resgatar? (pus vender entre aspas pois claro que não é o cliente que vende, mas o banco/fundo o faz por trás dos panos, sem que o cliente tenha que se preocupar com isso)
    Se eu tiver dinheiro em CDBs e fizer um saque, o banco não será obrigado a vender os CDBs em proporção adequada para me fornecer o dinheiro? (se ele simplesmente converter de CDB a CC, ficará com falta de reservas)

    Em outras palavras, esse cenário não depende em nada de reservas fracionárias, correto? Mesmo com 100% de reservas, o banco continuaria podendo emitir quantos CDBs conseguisse. Imagine o mesmo exemplo do balancete do artigo com 100% de reservas. Quando os clientes mandassem 5k para deposito a prazo, o banco teria 5k em reservas excedentes que lhe permitiriam criar mais 5k em saldo. E ele poderia continuar repetindo esse processo indefinidamente, aumentando o volume de crédito o quanto conseguir.

    Estou enganado?

    A propósito, para que tal fenômeno possa alimentar maus investimentos de acordo com a TACE, é correto dizer que é imperativo que os tais depósitos a prazo possam ser usados como dinheiro de fato (ser um substituto efetivo do dinheiro, com o qual você pode facilmente pagar suas contas etc, como o saldo em CC)? Porque só assim eu veria tal fenômeno como inflacionário... caso contrário, me pareceria uma expansão de crédito não inflacionária, já que o volume de dinheiro e seus substitutos permanece inalterado.
    E, nesse ponto, é sem dúvida mais fácil para os bancos fazerem tais CDBs/depósitos a prazo serem usados como dinheiro de fato num cenário de mercado concentrado como o brasileiro. Num cenário mais competitivo, dificilmente os CDBs de um banco qualquer teriam liquidez comparável ao dinheiro primário...

    Grande abraço,
    Tiago.
  • Leandro  21/08/2012 16:30
    "Quanto aos depósitos a prazo/CDBs. Qual a diferença entre eles, e um fundo de investimento qualquer, onde você é obrigado a "vender" suas cotas/ativos quando quiser resgatar?"

    Depósitos a prazo são meio que uma área cinza. Por exemplo, você não pode emitir cheques ou usar cartão de débito contra um depósito a prazo, mas você pode sacar dinheiro vivo desta conta por meio de um caixa eletrônico.

    Os bancos, como dito, mantêm como reservas tanto dinheiro vivo quanto dígitos eletrônicos depositados junto ao BACEN. Se você entrar no site do BACEN, verá que, no que diz respeito às contas-correntes, os bancos mantêm como reserva uma quantia que supera o porcentual exigido pelo BACEN. Em vez de 43%, eles mantêm algo próximo de 50%. Em minha opinião, isso é justamente para cobrir eventuais saques dos outros depósitos, como poupança e prazo.

    "Se eu tiver dinheiro em CDBs e fizer um saque, o banco não será obrigado a vender os CDBs em proporção adequada para me fornecer o dinheiro? (se ele simplesmente converter de CDB a CC, ficará com falta de reservas)"

    Como dito acima, essa venda seria necessário apenas se ocorressem saques maciços e repentinos. No entanto, o fato é que os bancos já sabem quanto as pessoas costumam sacar diariamente (tal comportamento segue um previsível padrão estatístico), de modo que, se você sacar parte de seu depósito a prazo, o banco irá apenas perder algumas reservas (ativo) e reduzir a sua conta (passivo) em igual montante.

    "A propósito, para que tal fenômeno possa alimentar maus investimentos de acordo com a TACE, é correto dizer que é imperativo que os tais depósitos a prazo possam ser usados como dinheiro de fato (ser um substituto efetivo do dinheiro, com o qual você pode facilmente pagar suas contas etc, como o saldo em CC)? Porque só assim eu veria tal fenômeno como inflacionário... caso contrário, me pareceria uma expansão de crédito não inflacionária, já que o volume de dinheiro e seus substitutos permanece inalterado."

    Correto. Caso contrário, caso os depósitos a prazo realmente fizessem jus a esse nome, no sentido de que você realmente teria de abrir mão do seu dinheiro pelo mesmo período de tempo do empréstimo que o banco faz para uma outra pessoa utilizando esse seu dinheiro, aí não seria necessário haver compulsório para depósitos a prazo. O fato de o BACEN estabelecer compulsório para depósito a prazo já é um indicativo de que ele próprio quer que os bancos continuem tratando depósitos a prazo como se fossem conta-corrente.

    Abraços!
  • Marcos Campos  21/08/2012 12:02
    Rs...Por conscidência sua dúvida é a mesma minha também.

    Eu já tinha uma noção artificial sobre o assunto, mas este artigo me deu mais poder de argumentação com os keynesianos( meus professores ) e amigos( estudantes de economia ), apesar de ter empacado um pouco da metade ao final do artigo.

    Algumas vezes eu entendo mais por meio de ilustrações, vídeos e charges. Na forma escrita eu demoro para assimilar.

    Parabéns pelo artigo Leandro. Eu vou atentar o juízo de muitos professores com este conhecimento, estou quase sendo expulso da faculdade....rsrsrs
  • Cláudio  21/08/2012 09:51
    DÍVIDA=ESCRAVIDÃO
    O texto é fantástico, e não poderia ter sido encerrado com outra palavra: 'catástrofe'.
    Quanto mais pessoas dispostas a endividar-se, mais dinheiro é inventado, para ser emprestado novamente a juros. É uma máquina de inventar ENDIVIDADOS. Isso não funcionaria entre sábios, e se está funcionando, é porque a bíblia estava certa sobre aqueles que não seguem seus estatutos: "Ele te emprestará a ti, porém tu não emprestarás a ele; ele será por cabeça, e tu serás por cauda" Deuteronômio 28:44.

  • jose carlos zanforlin  21/08/2012 10:49
    Prezado Leandro:\r
    \r
    Se o depósito compulsório (que não se trata de conceito a priori) abrangesse a totalidade dos recursos de que são depositários os bancos, então a "burla" não ocorreria. Se ocorre, é consentida. "The shadow money lenders" são os que fazem as regras e deixam buracos nas peneiras de propósito.\r
    \r
    Agora, sua capacidade de transformar em "arroz com feijão" o que comentaristas econômicos de televisão e os de 20 linhas de jornais procuram complicar é surpreendentemente benvinda e esclarecedora! \r
    \r
    Grato.
  • Filipe F.  21/08/2012 13:05
    Sempre magistral.

    Abraço.
  • JOSUELITO BRITTO  21/08/2012 13:14
    Leandro: sempre aprendo muito com você. Não sou economista, mas advogado. Nas faculdades de direito ou nos ambientes jurídicos ninguém conhece Von Mises, Hayek e muitos outros austriacos, jamais citados. Vige a ideologia socialista, de vários matizes, inclusive na modalidade brasileira, ganhar salários elevados no estado lato sensu e pregar "socialismo". Mas você poderia nos dar um curso sobre a economia brasileira, à luz da teoria austríaca. Iriamos aprender muito mais e de forma sistematizada.
  • Fellipe  22/08/2012 16:25
    Discordo. Seria um retrocesso se o Leandro se fechasse em uma sala de aula para explicar sobre a economia brasileira enquanto na internet ele fala com o mundo todo de forma livre, sem restrições de instituições de ensinos ou qualquer imposição feita pelo MEC. Enquanto os burocratas usam as falidas instituições de ensino para aplicar seus conhecimentos ultrapassados, nada mais justo que começarmos a mudar e ensinar "novas" ideais em ferramentas mais avançadas e de maior alcance.
  • Davi  21/08/2012 14:19
    Gostaria de agradecer a todos os colaboradores do mises Brasil, sou economista de formação, mas confesso que aprendi mais em poucos meses de estudo dos textos austríacos do que em anos de doutrinação marxista-keynesiana. Faço coro pelo curso de economia austriaca, de preferencia on-line. Por ultimo, gostaria q comentassem o candidato a vice dos republicanos, Paul Ryan, ouvi disser que ele estudou Hayek. Nao seria um Ron Paul, mas seria um avanço.
  • anônimo  21/08/2012 16:07
    Leandro,\r
    você sabe que eu não sei nada de economia, portanto me perdoe desde já se a observação que vou fazer a seguir for estúpida.\r
    Acho que o Brasil tem uma substancial diferença pros EUA que precisa ser levada em conta. O funcionalismo público.\r
    Paralelamente a essa expensão artificial do crédito, o governo aumentou muito o número de funças e o salário dos funças nos últimos anos. Muito mesmo! Além disso, a maioria dos funças usa o BB e a CEF, e as opções de crédito fácil nesses bancos são cada vez maiores e mais generosas para os funças.\r
    Eu sei disso pq, como vc bem sabe, sou um funça... Nos dois lugares onde trabalhei nos últimos 5 anos eu vi todo mundo de carro novo, casa nova, viajando pro exterior todo ano. As mulheres todas meteram silicone nos peitos, haha...\r
    Vc tem algum dado que analise o quanto o gasto dos funças tem crescido e segurado o consumo no Brasil? Pergunto isso pq esse é um gasto seguro, já que o emprego é garantido. Ou isso é irrelevante para as suas sempre lúcidas e didáticas análises da economia brasileira?\r
    Forte abraço.
  • Leandro  21/08/2012 16:59
    Anônimo, aqui está o gasto total com ativos e inativos civis e militares. Ano passado foi de R$206 bilhões.

    Em 2006, o valor era de R$155 bilhões.

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie4-06.xls

    De fato, haja silicone... no lombo do povo. Só assim pra aguentar a dor de carregar essa funçaiada toda.

    Abraços!
  • anônimo  22/08/2012 05:28
    Obrigado, Leandro e Silva.\r
    Realmente, aumentou muito o gasto com os funças. E a rodada de negociações para novos aumentos já se iniciou. Quem mora em bsb já está evitando a Esplanada por causa dos engarrafamentos decorrentes das manifestações.\r
    Já fiz o artigo rodar e tá dando o que falar.\r
    Parabéns, Leandro, mais uma vez.
  • Silva  21/08/2012 16:43
    anönimo,
    desculpa eu me meter, mas vi um vídeo hoje que explica isto que vc esta falando:
    www.youtube.com/watch?v=ANA57VatwsA&feature=player_embedded
    Sei que o pessoal nao gosta muito do friedman, mas eu sou seu fa, ele tem o grande merito de conversa com o povao.
  • Andressa Lima  21/08/2012 18:45
    "Ao leitor leigo que teve a coragem de clicar neste artigo não obstante seu título nada atraente, prometo meu máximo esforço para tornar esta leitura palatável e perfeitamente compreensível."

    Agradeço a consideração e o esforço.

    Não entendo nada de economia(ainda), mas estou me esforçando para entender.
    E são artigos como esses que esclarecem que estamos perdidos se depender do Sr. Guido Mantega.

    Obrigada.
  • Francisco Del Rio  22/08/2012 00:53
    Impressionante como vejo comentários similares aos do Marcos Campos e do Josuelito Britto em conversas, em outros artigos, fóruns, etc.
    Mises, Hayek e demais austríacos foram simplesmente "apagados" do mapa. E no caso do ambiente universitário, como exemplificou o Marcos, qualquer aluno, em especial nas áreas de economia, administração e sociologia, que traga ao debate as ideias da Escola Austríaca, ou é tratado como "excêntrico" (pra não dizer "reaça fdp") ou é até mesmo torna-se figura indesejada pelos professores, que obviamente são completamente míopes e doutrinados na teoria keynesiana ou marxista. Os "mestres" simplesmente não possuem argumentos para sustentar suas teorias. Quando é universidade pública, então...
    Enfim, uma completa tragédia e a mais ultrajante omissão da verdade de nossos tempos. Parabéns ao Leandro pelo texto de extrema utilidade.
  • SergioRR  22/08/2012 06:06
    Eu iniciei meu curso de economia em uma universidade federal no interior do Brasil e conclui em uma universidade particular aqui em São Paulo. Eu somente fui conhecer os austríacos quando o meu professor de Ética me recomendou ler as Seis Lições de Mises para fazer um trabalho sobre sistemas políticos e econômicos. Desde então não parei mais de ler a escola austríaca.

    Mas o impressionante é que foi o professor de Ética, e não os de economia, que recomendaram Mises.
  • Arthur M M  22/08/2012 12:02
    Podemos assumir uma mentira do ilustre presidente cefalópode e familiares. A de que o governo trabalha para quitação da dívida pública. Afinal, se houver quitação o BC (pelas políticas atuais) não teria meios para regular a SELIC ?
  • Dalton C. Rocha  22/08/2012 12:14
    Há três coisas fundamentais a se fazer no sistema financeiro do Brasil:
    1- Privatizar todos os bancos federais, inclusive o BNDES, a CEF e o Banco do Brasil.
    2- Extinguir de uma vez o compulsório dos bancos, o que reduziria os juros.
    3- Proibir que se emprestem a estados, municípios, união e empresas públicas.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  22/08/2012 12:39
    4 - Abrir o mercado para que qualquer pessoa possa emprestar dinheiro sem ser considerada "agiota". Abrindo caminho para novos bancos. Sem falar na total liberdade de atuação para bancos estrangeiros.
    5 - Extinção do Banco Central e do ministério da fazenda.
  • Peterson Mota  22/08/2012 12:40
    Leandro,

    Teus artigos sobre o sistema bancários são excelentes. Tenho utilizado constantemente tuas análises para mostrar aos meus amigos que estamos indo em direção ao buraco! Infelizmente.

    abs,



  • Erik Frederico Alves Cenaqui  22/08/2012 14:27
    Resumindo tudo: Os bancos são uma extenção do estado.
  • Augusto  22/08/2012 17:06
    Leandro,\r
    \r
    Tira uma duvida aqui, por favor. Uma grande parcela (talvez a maioria) dos libertarios apoia o retorno ao padrao ouro (sendo que alguns sugerem que o padrao ouro seja obrigatorio e outros, que o ouro seja uma opcao dentre varias).\r
    \r
    Minha duvida eh em relacao a adocao de um mercado baseado 100% no padrao ouro. Sabendo-se que o ouro eh um elemento finito, eventualmente nao haveria mais aumento no volume de ouro em circulacao no mercado.\r
    \r
    Chegando-se nesse estado, qualquer juro significa necessariamente a subtracao de ouro de outras areas economicas. Tentando simplificar: se existem 100 moedas de ouro no mercado, e eu empresto a outra pessoa 1 moeda esperando receber 2 moedas daqui a 5 anos, entao todas as demais mercadorias em circulacao, no valor de 98 moedas, teriam que ser desvalorizadas (num processo de deflacao), para que sobrasse 2 moeda para eu receber de volta ao fim do periodo.\r
    \r
    Eh isso mesmo, ou algo parecido?
  • Leandro  22/08/2012 18:12
    Augusto, mais ou menos. Por um lado, os juros nominais teriam de ser bem menores. Afinal, se você cobrar, por exemplo, 10% em um ambiente de oferta monetária quase-fixa, é quase certo que ninguém conseguirá pagar.

    No entanto, é importante não confundir fluxo com estoque. Em seu exemplo, você diz -- ou ao menos dá a entender -- que duas moedas seriam "retiradas" da economia, o que faria com que os outros preços tivessem de cair. O erro, neste caso, é que você está pensando em termos de estoque. Mas pagamento de juros é um fluxo. As duas moedas que você vai pagar de juros não serão retiradas da economia. Elas voltarão imediatamente após seu credor recebê-las e gastá-las. Logo, não cabe esse raciocínio de que haverá apenas 98 moedas após você pagar seu empréstimo. Tão logo seu credor receber as duas moedas, ele irá gastá-la. Nenhum setor da economia terá menos dinheiro.

    Isso já acontece hoje, aliás. Pense em termos de arrecadação tributária. Imagine, para facilitar o raciocínio, que toda vez que R$100 trocam de mãos (pense em transações eletrônicas), o governo coleta R$40 de imposto. Após cada coleta de imposto, o governo imediatamente gasta o dinheiro coletado, fazendo com que ele volte para a economia. Se este valor de R$100 trocar de mão 3 vezes por dia, com o governo sempre gastando sua receita total -- de modo que sempre haja R$100 na economia -- a arrecadação total será maior do que a quantidade total de dinheiro. É tudo uma questão de fluxo.

    Não é a toa que, atualmente, a arrecadação total dos três níveis de governo chega a mais de R$1,2 trilhão, mas a quantidade de dinheiro nas contas-correntes é bem menor do que isso. De novo, é uma questão de fluxo.

    Abraços!
  • Augusto  23/08/2012 00:30
    entendido. obrigado!!
  • anônimo  23/08/2012 13:25
    Tenho uma pequena dúvida prática. Como um reles mortal que não é dono de um banco pode fazer paraa faturar com essa lambança?
  • Tiago Moraes  23/08/2012 13:50
    Adquirindo ativos tangíveis e cujo crescimento da oferta é sempre inferior ao da expansão da moeda, com isso, o risco de você tomar um tombo diminui, comprar ouro já seria uma boa.
  • anônimo  28/08/2012 12:08
    Isso eu já faço mas não é válido. Veja, os funça tão faturando e alto! Eu estou tão somente me protegendo! Há uma grande diferença entre faturar com a lambança e se proteger da lama.
  • Pablo Lorenzzoni  24/08/2012 03:51
    Como ficaria um novo banco que operasse no Brasil (considerando o atual sistema bancário que você descreveu) de forma ortodoxa, servindo de intermediário financeiro entre o poupador e o investidor? Eu tenho a tendência a acreditar que tal banco seria rapidamente excluido do sistema, penalizado por querer fazer negócios reais em um ambiente de fantasia... mas gostaria de ouvir a opinião de vcs...
  • Leandro  24/08/2012 04:11
    Correto, ele não teria a mínima chance. Nenhum negócio legítimo tem chances contra esquemas fraudulentos protegidos, sancionados e subsidiados pelo governo. Tais negócios têm lucros extremamente mais elevados do que negócios genuínos de livre mercado.

    O mesmo raciocínio, aliás, se aplica à expansão do crédito e os consequentes ciclos econômicos. Mesmo que você seja um empreendedor totalmente ciente da teoria dos ciclos econômicos, você não poderá se dar ao luxo de ficar de fora da farra permitida pela expansão do crédito. Você sabe que a coisa vai dar errado, mas mesmo assim terá de participar, pois, caso fique de fora, você será demolido pelos seus concorrentes, perderá fatia de mercado, perderá receitas e poderá quebrar antes deles. Ou seja, o governo praticamente obriga que os sensatos tenham de se juntar aos desatinados.
  • Marcio Alcantara  26/08/2012 13:56
    Não sou economista. Sou engenheiro eletrônico, e, talvez isso explique em parte algumas ideias que tenho há algum tempo e que vou compartilhar aqui.

    Não vejo mais nenhum sentido teórico em ainda haver bancos. Em tese, eles só deveriam existir para "guardar" moeda física, mas ainda continuam existindo, e ainda continua existindo também moeda física. Nos dias de hoje, com o nível de informatização existente, é um absurdo ainda haver moeda física.

    O sistema que pensei e que proponho extingue a moeda física e os bancos - e, com eles, o sistema de reservas fracionadas, trazendo o mundo monetário para o mundo real.

    Proponho apenas a moeda eletrônica, onde cada cidadão disporia de uma carteira eletrônica que seria a porta para suas movimentações financeiras (compra/venda) que seriam registradas numa base de dados mantida pelo estado. Seria a única moeda circulante no país. Cada débito seria relacionado a um crédito de igual valor. Numa transação de compra/venda, por exemplo, o vendedor solicitaria um crédito do comprador (no valor do produto vendido/comprado), e este autorizaria o débito em sua conta corrente.

    Nesse sistema, não haveria a necessidade de bancos para se guardar dinheiro, pois este já estaria "armazenado" num sistema central de modo seguro. E por que digo seguro?

    Porque uma das condições de minha proposta é que o dinheiro deixaria de ser um título ao portador e passaria a ser um título nominal. Ou seja, na base de dados central, toda movimentação financeira teria vínculo entre o titular do débito e o referente titular do crédito. Qualquer contestação (seja por fraude, roubo ou outro meio ilícito qualquer) seria facilmente investigável, já que seria plenamente rastreável. Isso praticamente eliminaria o risco de crimes de motivação financeira. Seria uma consequência de enorme importância do sistema aqui proposto.

    Mas tem mais. Na ausência de bancos, qualquer pessoa (física ou jurídica) poderia conceder empréstimos (lastreados em dinheiro realmente existente, diga-se de passagem) a outras. Para isso, o credor associaria uma saída de sua conta para a conta do tomador do crédito com saídas futuras da conta do devedor para a sua própria (do credor) – obviamente com a autorização de ambos os envolvidos –, já contabilizados os juros. Nas datas acordadas haveria automaticamente o pagamento das parcelas. Ao devedor não haveria a possibilidade de sustar tais pagamentos. E se não houvesse saldo suficiente para honrar alguma parcela?

    Aí haveria a transferência do saldo do devedor para o credor, e a dívida ficaria registrada em sua conta agora contando os encargos previamente acordados em caso de saldo insuficiente. Como não haveria outro modo de uma pessoa receber dinheiro senão por sua carteira eletrônica vinculada a sua conta, assim que o devedor recebesse um novo crédito, este seria automaticamente transferido para o credor até que houvesse o pleno pagamento da obrigação acordada.

    Está aí outra tremenda vantagem desse sistema: o risco quase zero de calote.

    Obviamente que, numa concessão de crédito, o credor – para a análise de risco da transação – poderia exigir do tomador uma consulta oficial a seus compromissos futuros para decidir se concede ou não o emprétimo.

    Outra vantagem: este sistema ajudaria as pessoas a não se tornarem insolventes, pois aos primeiros sinais de insolvência, o devedor teria muita dificuldade em conseguir crédito e aumentar ainda mais suas dívidas. Todas as suas remunerações seriam direcionadas ao pagamento de suas dívidas até que não houvesse compromisso em atraso.

    Imagine o efeito disso sobre as taxas de juros... Iriam despencar!

    E como ficariam as transações internacionais, já que os outros países não teriam tal sistema?

    Simples. Para cada entrada de dinheiro em moeda estrangeira, o governo lançaria um crédito convertido para a moeda eletrônica na conta do recebedor e reteria em seus cofres (ou depositado de alguma outra forma) o valor original da transação na moeda estrangeira. Para cada fluxo de dinheiro para o exterior, o processo ocorreria de forma inversa.

    Utopias à parte, está lançada a ideia – se é que alguém não o fez antes – para as devidas críticas e comentários.
  • Andre Cavalcante  26/08/2012 18:41
    Caro Márcio,

    Sou engenheiro também. Que fiques um bom tempo conosco e vais perceber várias absurdidades que escreveste. Mas nada grave essa mudança, vais ver.

    Sobre a existência de uma moeda em um servidor central é o pior dos cenários: quem controla o(s) servidor(es), controlaria tudo. E mais, uma das funções primordiais do dinheiro (da moeda) é justamente permitir a anonimidade dos que transacionam com ela. Com esse seu cenário, você acaba com isso.

    Já a mesma ideia tua, mas distribuída (e anônima) seria o paraíso, certo? Opa, mas isso jé existe: clique aqui
  • Marcio Alcantara  29/08/2012 14:48
    Prezado Andre,

    Adiciono algumas informações que sempre estiverem presentes em minha mente mas que esqueci de externar no comentário anterior.

    Em minha proposta, a quantidade de moeda seria imutável: não seria criada nem destruída. Apenas mudaria de mãos. O total de dinheiro existente no país poderia ser consultado e confirmado por qualquer usuário a qualquer tempo. O servidor também seria passível de auditoria - como também foi proposto no caso dos bitcoin's do artigo que você me indicou - realizável a qualquer tempo por um poder independente ao Executivo (por exemplo, o Judiciário).

    Sendo assim, qualquer "criação" de moeda seria quase instantaneamente percebida e desfeita, além de haver punição a seus autores. Qualquer débito indevido obviamente seria contestado pela pessoa prejudicada, sendo investigado e desfeito.

    Além disso, não concordo com essa função primordial da moeda: a anonimidade dos que transacionam com ela. Entendo que deve haver sigilo em toda transação. Este só deveria ser quebrado com ordem judicial para uma investigação, uma contestação de débito, etc. E mesmo assim, essa informação seria revelada apenas às partes interessadas. Ou seja, haveria, de fato, a anonimidade, exceto quando ela incorresse na ocultação de algum crime.

    Atenciosamente,
    Márcio Alcântara
  • Diógenes  03/09/2012 16:36
    Essa sua idéia me faz remeter a um recente filme "In Time, 2011". Inevitavelmente esse dinheiro iria se concentrar em poucos.
  • Marcio Alcantara  03/09/2012 19:17
    Por que?
  • Andre Cavalcante  03/09/2012 17:35
    Quando se fala que o dinheiro permite anonimidade entre as partes que transacionam, isto é uma característica básica da moeda.

    Quando você vai comprar o seu pão na padaria, não necessita se identificar. Eu quero pão, você quer vender o pão, acordamos o preço e realizamos a transação. Qualquer coisa fora disso é totalitarismo.

    Repense os seus conceitos lendo os artigos do site.

    Sugestão: antes de postar novos comentários com dúvidas verifique se a mesma já não foi fartamente elucidada no site. Como é o caso da moeda.
  • Marcio Alcantara  03/09/2012 19:32
    Talvez você não tenha me entendido. Em minha sugestão, a anonimidade seria a regra, não a exceção. Logo, atenderia a seu exemplo: "Quando você vai comprar o seu pão na padaria, não necessita se identificar."

    Discordo quando você diz: "Qualquer coisa fora disso é totalitarismo." Essa posição me parece meio totalitária ao acusar de totalitarismo uma proposta divergente do que você acredita.

    A bem do contraditório, também sugiro que você "repense os seus conceitos lendo os artigos" de outros sites.

    Se você quiser discutir com argumentos fundamentados na razão, estou aqui para debater. Mas sem fundamentar sua palavras, fica um pouco difícil de interagir.

    Atenciosamente,
    Márcio Alcântara
  • Andre Cavalcante  04/09/2012 08:15
    Márcio,

    Será a última postagem minha sobre um comentário seu.
    Por favor tome-a com boas intenções, que é o guardo para com todos aqui do site.

    1. Totalitarismo é o regime político em que o estado, sob o domínio de uma única pessoa, um grupo político, uma facção ou classe, não reconhece limites à sua autoridade, a qual se sobrepuja a todas as demais, e se esforça por regular todas os aspectos da vida pública e privada. Reconhecer que uma coisa é totalitária em detrimento de outra não faz esse pensamento ser totalitário. Defender a posição de submeter a todos à uma vontade é que é totalitário.

    2. Você disse: "Proponho apenas a moeda eletrônica, onde cada cidadão disporia de uma carteira eletrônica que seria a porta para suas movimentações financeiras (compra/venda) que seriam registradas numa base de dados mantida pelo estado. Seria a única moeda circulante no país. Cada débito seria relacionado a um crédito de igual valor. Numa transação de compra/venda, por exemplo, o vendedor solicitaria um crédito do comprador (no valor do produto vendido/comprado), e este autorizaria o débito em sua conta corrente."

    Ora, é impossível a existência de uma conta eletrônica, em UM SERVIDOR central, na qual o dono da conta não tenha que ser identificado de alguma forma. E mais: para que cada crédito seja "relacionado" a um débito em outra conta de mesmo valor, isso somente pode acontecer se ambos sejam identificados na ocorrência da transação. Isso é informática básica. Pior de tudo, na mão do estado.

    3. Você disse: "Talvez você não tenha me entendido. Em minha sugestão, a anonimidade seria a regra, não a exceção." - Isso é impossível dado o que coloquei no 2.

    4. Assumindo que um servidor central controle todas as transações e as torne transparentes, isso é, qualquer pessoa pode ir lá verificar as transações. Isso é totalitário do mesmo jeito (independente da transparência do ato), no sentido que não permite a existência de qualquer outra situação em que duas pessoas não queiram participar desse arranjo. O único arranjo não totalitário é ter a identificação das pessoas e a não transparência das transações em absoluto acordo mútuo e absolutamente opcional.

    5. Você disse: "Se você quiser discutir com argumentos fundamentados na razão, estou aqui para debater. Mas sem fundamentar sua palavras, fica um pouco difícil de interagir."

    Sobre o fundamentar as minhas palavras, mostra que você não fez o que sugeri desde o primeiro comentário: leia os artigos. Depois liguei alguns exatamente sobre a questão da moeda e da moeda eletrônica. Se você acha que não fundamentei, devia ter clicado nas ligações. Sobre o uso da razão, os parágrafos 2 e 3 mostram acima que eu não saí da pura lógica. Já você, a cada comentário diz uma coisa diferente.
    Conclusão minha: você não está querendo debater, mas apenas criar polêmica. Por isso esse é meu último comentário sobre o seu neste artigo.
  • anônimo  31/08/2012 06:58
    Prezado Leandro:

    Trago à discussão tema de certa forma ligado a esse com que vc nos brindou. Obtive-o no endereço futurefastforward.com/images/stories/financial/TheGoldProblemRevisited2.pdf , de autoria de ANTAL E. FEKETE, intitulado THE GOLD PROBLEM REVISITED*, publicado ontem (30/08/12) no endereço acima referido. O interesse pela matéria é o fato de seu autor fazer alguns contrapontos a Ludwig Mises, como se vê logo ao início do texto:
    " The article The Gold Problem of Ludwig von Mises published 47 years ago in 1965, just six years before he died (the gold standard died with him in the same year) has some breath-taking thoughts, for example, "the gold standard alone can make the determination of money's purchasing power independent of the ambitions and machinations of governments, of dictators, of political parties, and of pressure groups", or: "the gold standard did not fail: governments deliberately sabotaged it, and still go on sabotaging it." But for all our admiration we would be amiss if we did not point out certain errors in his article. These are all errors of omission, and correcting them would hopefully make the Mises article even more helpful to the discriminating reader.
    Mises fails to answer his own question why gold is the best choice to serve as money.
    Indeed, why not another commodity, or a basket of commodities? The reason is that the marginal utility of gold is unique in that it declines at a rate slower than that of any other substance on Earth."

    Confesso que meu conhecimento do idioma inglês é "feijão com arroz", razão pela qual devo haver "flutuado" aqui e ali. De qualquer forma, se vc tiver tempo, prezaria saber sua opinião sobre esse artigo.
    Grato.
  • Leandro  31/08/2012 09:37
    Eu nunca tive interesse em acompanhar os escritos de Antal Fekete, mas já li algumas críticas a seu respeito (críticas sempre contendo várias citações de trechos de sua obra). O senhor Fekete defende uma teoria chamada de "Real Bills Doctrine".

    Tal teoria diz, de maneira resumida, que duplicatas emitidas pelo comércio (as "bills of exchange") podem ser monetizadas por bancos e isso não seria inflacionário. E não seria inflacionário porque haveria um aumento na quantidade de duplicatas e isso permitiria a criação de mais riqueza.

    Como esse sistema já existe hoje -- todos os bancos descontam duplicatas, e fazem isso criando dinheiro eletrônico (exatamente como descrito nesse presente artigo) --, Fekete diz ser necessário criar um novo sistema de compensação bancária, o qual passaria a aceitar duplicatas junto com moeda eletrônica como forma de controlar as reservas bancárias.

    Por que ele acha que tal sistema não seria inflacionário não faz o mínimo sentido. Afinal, os bancos estão criando dinheiro. Sua explicação é totalmente convoluta. Exatamente por isso, por não ser capaz de convencer em relação aos pontos mais básicos de sua teoria, nunca dei atenção a ele. Se ele resolveu também criticar Mises, bem, boa sorte. Ele vai precisar.

    Porém, caso se interesse, aqui vai uma troca de emails entre Fekete e um defensor de Mises exatamente sobre esse assunto que você mencionou. Fekete parece confundir conceitos básicos de utilidade marginal.

    archive.mises.org/3869/marginal-utility-of-gold-and-dr-fekete/

    Abraços!
  • Daniel  03/09/2012 21:15
    Venho lendo o conteúdo do site e acompanhando as explicações da crise de 2008 há um tempo. Nos EUA e mais recentemente na Europa a quantidade de dinheiro na economia foi multiplicada várias vezes, pelo menos no EUA, já há 4 anos. Agora no Brasil também percebemos um grande aumento no dinheiro em circulação e na quantidade de crédito concedido.
    Segundo a teoria Austríaca a inflação depende principalmente da quantidade de dinheiro colocada em circulação. Então como até hoje os EUA não enfrentam uma inflação, nem ao menos uma pequena inflação, mesmo o Brasil não percebeu uma inflação preocupante apesar do aumento da quantidade de dinheiro.
    Talvez seja um campo para nossos atuais economistas Austríacos acrescentarem a teoria já existente.
  • Leandro  03/09/2012 21:26
    Mas isso já foi exaustivamente explicado aqui. Quase todo o dinheiro criado pelo Fed está sendo voluntariamente mantido pelos bancos depositados junto ao próprio Fed, que está pagando juros de 0,25% sobre estas "reservas em excesso". O fato de essas reservas não terem vazado para a economia explica a não ocorrência de uma hiperinflação.

    Detalhes completos neste artigo. (Leia também o quarto comentário da seção de comentários).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1182

    Quanto ao Brasil, não sei bem de onde você tirou que a inflação de preços está contida. De 2006 até hoje -- ou seja, em meros 6 anos -- a inflação de preços, utilizando a extremamente branda metodologia do IBGE, está acumulada em quase 40%. Ou seja, seu dinheiro perdeu -- na mais branda das hipóteses -- 40% do seu poder de compra em apenas seis anos. você não acha isso um tanto assustador?
  • Andre Cavalcante  04/09/2012 08:20
    "Quase todo o dinheiro criado pelo Fed está sendo voluntariamente mantido pelos bancos depositados junto ao próprio Fed, que está pagando juros de 0,25% sobre estas "reservas em excesso"."

    E isso, sem falar nos trilhões de dólares de reserva que estão na China e Japão e os bilhões no Brasil e Índia. Basicamente tudo criado depois de 2007/2008.

    Abraços
  • Daniel  05/09/2012 17:54
    André, até onde sei a maior parte das reservas que estão na China e Japão são em títulos que foram comprados em contra partida de mais dinheiro depositados para os EUA.
  • Daniel  05/09/2012 17:50
    A inflação no Brasil nesse passado recente é bem alta sim, mas para os padrões brasileiros não é tão assustador (ao contrário do que seria em qualquer país desenvolvido).
    De qualquer forma o meu argumento é que a inflação não é proporcional a expansão monetária e creditícia. Seu artigo cita uma expansão de crédito de mais de 3,5 vezes e um aumento de depósitos a prazo de mais de 3 vezes enquanto a inflação foi de 40%.
    Creio que possam existir explicações adicionais para isso, por isso aproveito a oportunidade que o mises.br dá para os leitores para discussão.
  • Leandro  05/09/2012 18:12
    Mas é claro que a inflação de preços não é proporcional à expansão monetária e creditícia. Nem poderia ser. Quem afirma isso é a Escola de Chicago, defensora da Teoria Quantitativa da Moeda.

    Seria realmente muito estranho se o nível de preços aumentasse exatamente na mesma razão da expansão da oferta monetária.

    Explico.

    Quem afirma que os preços sobem de acordo com a expansão monetária e creditícia está partindo da premissa Chicago-keynesiana de que a consequência da inflação monetária é apenas o aumento dos preços, quando o certo seria analisar como os preços seriam na ausência da inflação monetária.

    Por exemplo, se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair -- e é essa queda em potencial que é completamente ignorada por todos os índices de preços divulgados. Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária e creditícia sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não tivesse ocorrido.

    E esse raciocínio tem de ficar claro. Em uma economia de mercado, todos os indivíduos trabalham de modo a produzir bens e serviços de maneira cada vez mais eficiente. Nesse cenário, em que a oferta de bens e serviços aumenta constantemente, se a oferta monetária fosse fixa, o preço de cada bem e serviço inevitavelmente cairia com o passar do tempo. Qualquer comportamento diferente desse seria incompreensível.

    Assim, se você considera a inflação como sendo apenas o aumento ocorrido nos preços, então a estatística que você utiliza está necessária e sistematicamente ignorando a queda natural de preços que também é parte da inflação.

    Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano. Agora, suponha que um banco central tenha sido criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior. Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%. Mas isso estaria errado. A inflação não foi de meros 5%. Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não houvesse ocorrido uma expansão monetária -- isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

    Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária. O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos). No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes -- isto é, com oferta monetária fixa -- haveria uma queda de 5% nos preços. Logo, o nível de preços seria de 95. Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

    Qual a inflação real do período? Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%. Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

    Portanto, sempre que você vir um IPCA indicando 6,5%, pense em como ele seria caso não houvesse ocorrido expansão na quantidade de dinheiro e de crédito na economia. Se a economia tiver produzido 5% a mais de bens e serviços, então o IPCA teria de ser de, por exemplo, -5%. A diferença entre -5% e 6,5% (106,5/95 = 12,1%) foi a real inflação de preços ocorrida.

    Traduzindo: jamais se deve ignorar os efeitos insidiosos da inflação. Analisar apenas índices de preços é algo um tanto afastado da realidade. Caso tenha ocorrido expansão monetária, mesmo que uma economia apresente 0% em algum índice de inflação, ainda assim houve inflação de preços -- haveria deflação na ausência dessa expansão.

    Grande abraço!

    P.S.: ademais, como eu havia dito -- repetidamente -- o IPCA é o índice mais brando de todos. Se você utilizar o deflator do PIB (também calculado pelo IBGE), a inflação acumulada pula para 51% -- aumento de 27,5%.
  • cristiano  05/09/2012 21:06
    minha duvida é qual o limite para esta criação de dinheiro e se esse dinheiro criado se torna um dinheiro devido e se sim a quem?
  • Leandro  06/09/2012 05:50
    O limite é justamente aquele que foi explicado no texto: a propensão das pessoas a sacar dinheiro dos bancos e não redepositá-lo.

    Fora isso, enquanto os bancos estiverem expandindo o crédito e o Banco Central se mostrar disposto a fazer operações de mercado aberto com o intuito de manter os compulsórios dos bancos dentro do limite estabelecido, a criação de dinheiro não sofre limitações técnicas.
  • Osvaldo  06/09/2012 06:49
    Leandro, excelente artigo. Tenho uma dúvida que ainda não achei resposta. Qual a explicação para que permaneça a cotação do dólar na casa dos dois reais há dez anos, apesar de nos últimos 10 anos a moeda Real já ter sofrido 120,11 % de inflação pelo indice do IGP-M, e o dólar americano no mesmo período 27,21% pelo índice oficial CPI? Pelas minhas projeções, considerando esta defasagem, o dolar já teria ultrapassado os cinco reais. Desculpe fugir um pouco do tópico.
  • Leandro  06/09/2012 07:11
    Caro Osvaldo, porque a oferta monetária não é a única determinante da taxa de câmbio. Tão importante quanto a oferta monetária é a demanda por dinheiro. E esta depende diretamente do crescimento econômico. Quanto maior o crescimento econômico de um país, mais a sua moeda é demandada. Quanto maior o crescimento econômico de um país em relação a outro, mais a sua moeda tende a se valorizar em relação à moeda deste outro.

    Foi isso que ocorreu em relação ao Brasil (que é um país em desenvolvimento) e aos EUA (que já é desenvolvido). Mas atenção para o fato de que a moeda se valorizar não implica ser mais forte. São coisas distintas.

    Todos os detalhes desta teoria foram especificados neste artigo.

    Abraços e obrigado pelo bondoso elogio!
  • Leandro  21/09/2012 08:44
    Os bacanas não param!

    MP destina crédito adicional para Caixa e BB

    O governo editou nesta sexta-feira a Medida Provisória (MP) 581 que, entre outras providências, constitui fonte adicional de recursos para ampliação de limites operacionais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. A medida autoriza a União a conceder crédito à Caixa de até R$ 13 bilhões e ao BB, de até R$ 8,1 bilhões, "em condições financeiras e contratuais definidas pelo ministro de Estado da Fazenda que permitam o enquadramento como instrumento híbrido de capital e dívida apto a integrar o patrimônio de referência, conforme definido pelo Conselho Monetário Nacional".

    A MP diz que, para a cobertura desse crédito, a União emitirá títulos da dívida pública mobiliária federal, sob a forma de colocação direta, em favor da Caixa e do BB. As características desses papeis ainda serão definidas pelo Ministério da Fazenda.


    Ou seja, aumenta-se o endividamento de toda a população apenas para que os bancos estatais sigam expandindo o crédito artificial, pressionando a inflação de preços, destruindo o poder de compra das pessoas e estimulando o endividamento dos otários. O resultado é esse aqui:

    Renda comprometida das famílias com dívidas bate recorde de 22,38%

    Para um gráfico mostrando que, no quesito endividamento, estamos duas vezes piores do que os americanos, veja este artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1320
  • Julio  21/09/2012 09:14
    Então, o governo está incentivando o consumo. Ok!
    A inadimplência de financiamento de carros estava altíssima, no entanto, as vendas de carros bateram recorde em agosto graças aos incentivos do governo.
    As minhas dúvidas são: Isso vai prestar? O que vai acontecer? As montadoras estão na expectativa de continuar vendendo carros nesse ritmo? Elas vão continuar vendendo carros nesse ritmo? Se não continuarem, qual o próximo "empurrãozinho" do governo?

    Alguém poderia ter a bondade de me responder?
  • Leandro  21/09/2012 09:55
    Você próprio já respondeu. Basta utilizar a lógica pra entender que um modelo econômico baseado no consumismo e no endividamento perpétuo não tem como durar. Uma hora tudo entra em colapso. A base de uma economia é a produção e a poupança, não o consumismo e o endividamento.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1179
  • Felipe  09/10/2012 16:31
    Leandro, boa noite. Estou elaborando um trabalho de pós-graduação, onde irei abordar, dentre outros aspectos, como a regulação, principalmente, a Lei Sarbanes-Oxley, não resolveu os problemas posteriormente criados após a sua edição. Você teria algum artigo/texto para sugerir para a minha leitura? Caso eu precise de alguns dados poderia me ajudar como obtê-los mais rapidamente? Obrigado.
  • Fernando Chiocca  10/10/2012 07:11
    Prezado Felipe, o Leandro tirou uns dias para descansar. Quando retornar, ele lhe responde.
  • Felipe  10/10/2012 15:26
    Beleza, Fernando. Obrigado.
  • Rene  10/10/2012 07:51
    Seria muito interessante se os bancos fossem obrigados a explicar todos estes detalhes quase nunca mencionados a todo cliente que for abrir uma conta em banco, a entregar panfletos com explicações a prova de idiotas, e fossem obrigados a divulgar, tanto em seus sites como nas agências, qual o nível de reservas de moedas que eles possuem no momento.
  • Erick V.  10/10/2012 09:51
    Seria muito interessante mesmo... pena que tal "obrigação" representaria (mais) uma intervenção estatal violenta em seu funcionamento.

    Agora, se um banco qualquer resolvesse espontaneamente tomar tais atitudes, com certeza ganharia minha simpatia e possivelmente minha conta.
  • Rene  10/10/2012 12:12
    Erick os bancos já fazem parte hoje de um dos setores mais regulamentados da economia. E a regulamentação bancária acaba mais ajudando os bancos do que atrapalhando (ainda que terrível para nós, consumidores): Permite a eles praticarem reservas fracionárias com muito menos risco do que aconteceria em um livre mercado, dificulta a entrada de concorrentes, a inflação gerada pelo dinheiro extra na economia torna a todos dependentes do banco para armazenar poupança. O meu comentário foi irônico, porque se estes detalhes fossem amplamente divulgados, gerariam uma desconfiança muito grande por parte da população. O governo nunca obrigaria os bancos a fazer isso, visto que correria o risco de perder seu maior financiador, que é o sistema bancário amparado pelo Banco Central.
  • Erick V.  10/10/2012 12:33
    Sim, conheço o sistema e os problemas da regulamentação - os artigos daqui do site sobre o assunto têm sido minha leitura preferida nos últimos dias. Só não tinha captado a ironia no seu comentário =P
  • jotinha(zeca)  14/10/2012 17:47
    Belo artigo. Simplesmente interessante. Agora sei de onde vem o dinheiro que nossos clientes vem enlouquecidos tomar emprestados e pagar juros por eles hehehhehe. Mundo sinistro não acham?
  • Augusto  12/11/2012 12:47
    Leandro,

    Apesar de eu ser formado em economia, estou ainda em uma saga pessoal para entendê-la.

    Estou evoluindo rapidamente em vários pontos e esse seu artigo fechou algumas peças do meu quebra-cabeça. Obrigado!

    No entanto, ainda estou confuso sobre algumas coisas.

    Uma parte eu não entendi, foi essa:

    "A função do Banco Central em todo este esquema é propiciar seguidas injeções de reservas bancárias para permitir que a expansão do crédito bancário prossiga incólume. Afinal, sempre que ele pára de injetar reservas, a SELIC sobe e o povo reclama"

    A primeira frase, ok. A função do banco central é imprimir dinheiro dando a garantia de que o banco pode tomar mais risco do que normalmente tomaria. Mas como essa emissão de moeda ocorre na prática? O BC faz um empréstimo ao banco e entrega-lhe um bolo de papel moeda?

    A segunda frase me deixou um pouco confuso também. Entendo que se o BC prover menos papel moeda, o mercado interbancário ficará com menos recursos, e a taxa de empréstimo interbancária tende a subir. No entanto a SELIC não é fixada pelo BC? Como o governo consegue fixar o preço da SELIC, e impedir que os bancos negociem no mercado interbancário a outra taxa?

    Funcionaria como um controle de preços, no qual o BC teria de prover a oferta ilimitada de papel moeda caso os bancos demandem no mercado interbancário? (a não ser que os bancos estejam dispostos a emprestar a uma taxa mais baixa que o BC, que eu imagino ser algo raro).

    Na verdade quando o Copom decide a SELIC ele implicitamente está decidindo quanto de papel moeda ele vai emprestar para os bancos injetarem na economia? Ou a SELIC pode variar além do desejo do BC?

    Se puder me responder se estou correto e/ou me indicar artigos que expliquem como funcionam ou detalhes dessas operações, agradeço.

    Abraços e obrigado!
  • Leandro  12/11/2012 13:30
    Prezado Augusto,

    "Mas como essa emissão de moeda ocorre na prática?"

    O BC compra títulos públicos que estão em posse do sistema bancário. Para comprar esses títulos, ele cria dinheiro eletrônico e o injeta nas reservas do sistema bancário. Todo este processo foi explicado em extremos detalhes neste artigo sobre a SELIC:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344


    "Entendo que se o BC prover menos papel moeda, o mercado interbancário ficará com menos recursos, e a taxa de empréstimo interbancária tende a subir. No entanto a SELIC não é fixada pelo BC? Como o governo consegue fixar o preço da SELIC, e impedir que os bancos negociem no mercado interbancário a outra taxa?"

    A SELIC não é fixada. O BC apenas estipula um valor (que é a meta a ser alcançada), e então começa a comprar e vender títulos (respectivamente, expandir e enxugar as reservas bancárias) de modo a tentar alcançar esta meta. De novo, isso está explicado no artigo linkado acima.

    Uma vez alcançada esta taxa, por que os bancos negociariam fora dela? Se você é o Itaú e quer empréstimos para cobrir suas reservas, não tem como o Bradesco cobrar mais caro de você, pois você poderia simplesmente vender títulos para o BC à taxa por ele estipulada. Pelo mesmo raciocínio, você não vai conseguir emprestar mais caro para o Bradesco, pois ele também pode vender títulos ao BC.

    A mecânica, aliás, funciona exatamente igual a quando o BC estipula um câmbio fixo. Se o BC estipula que 1 dólar vale 2 reais, você não venderia 1 dólar a, por exemplo, R$1,80, pois o BC garante que irá comprá-lo de você por R$2. Da mesma forma, você não consegue comprar 1 dólar a, por exemplo, R$1,95, pois o vendedor irá preferir vendê-lo ao BC. A coisa funciona como um controle de preços, em que ofertantes e demandantes tendem a transacionar utilizando um só valor, que é aquele estipulado pela autoridade.


    "quando o Copom decide a SELIC ele implicitamente está decidindo quanto de papel moeda ele vai emprestar para os bancos injetarem na economia?"

    Não, o BC não tem controle nenhum sobre a quantidade de dinheiro que ele vai criar. A partir do momento que o BC decide trabalhar apenas com uma meta para a SELIC, ele fez injeções no mercado interbancário de modo a manter a SELIC dentro da meta. Ele perde totalmente o controle sobre a quantidade de dinheiro a ser criada. Quando você estipula uma determinada taxa de juros como alvo, você perde totalmente o controle do crescimento da base monetária e dos agregados monetários, os quais passam a se comportar de forma totalmente errática.

    "Ou a SELIC pode variar além do desejo do BC?"

    Poder, pode. Mas ele sempre pode manipulá-la por meio de injeções monetárias.


    Abraços!
  • Vinícius  21/11/2012 06:22
    Leandro,

    Primeiro, parabéns pelo artigo. Venho acompanhando o site há um tempo e estou gostando bastante dos textos publicados.
    Não entendi a criação de $5.000 na sua terceira tabela. De acordo com o Cosif, o valor deveria permancer o mesmo, pois foi subtraído $5.000 de depósitos a vista para depósitos a prazo, e esses $5.000 não entrariam na conta 1-disponibilidades.
    Caso possa clarear um pouco essa situação ajudará um bocado. Enquanto isso vou ver se consigo encontrar essa possibilidade no Cosif.

    Abraços
  • Leandro  21/11/2012 06:40
    Obrigado, Vinícius. Acho que você pulou a explicação entre a segunda e a terceira tabela.

    Após a migração de depósitos da conta-corrente para depósitos a prazo, havia $4.000 de reservas lastreando depósitos em conta-corrente de $5.000. Pela regra do compulsório utilizada no exemplo, as reservas têm de ser 40% das contas-correntes. Isso significa que as contas-correntes poderiam subir para até $10.000 e ainda assim o sistema bancário estaria operando dentro das regras.

    Ato contínuo, os bancos simplesmente criaram mais $5.000 para conceder empréstimos (veja no lado esquerdo da tabela que o item crédito subiu de $15.000 para $20.000). Esse dinheiro criado ($5.000), após ter sido emprestado e gasto, foi depositado na conta-corrente de alguma pessoa ou empresa. Por isso o item "depósitos em conta-corrente" subiu de $5.000 para $10.000.

    Não houve, ao contrário do que você parece ter entendido, subtração de uma conta seguida de sua imediata adição. Isso realmente não faria sentido, pois estar-se-ia criando um passivo sem uma correspondente criação de ativo. O que houve foi, portanto, nessa sequência: 1) remanejamento de contas (corrente para a prazo), 2) liberação de reservas, 3) criação de dinheiro para empréstimos em um total que fizesse com que as reservas (inalteradas durante todo o tempo) voltassem a ser de 40% as contas-correntes, 4) dinheiro emprestado, e finalmente 5) dinheiro sendo depositado nas contas-correntes.

    Espero que tenha esclarecido agora.

    Abraços!
  • Ramirez   24/12/2012 10:08
    Leandro, fui introduzido hoje aos seus artigos, li vários e gostaria de te parabenizar pelo ótimo trabalho. Todos os artigos que li achei muito didáticos e informativos. Porem senti as vezes a falta de um pouco mais de imparcialidade e estilo acadêmico no direcionamento da informação. A maioria das pessoas provavelmente discordem de mim por verem nesse tipo de artigo uma forma de chocar as outras pessoas (e chamar atenção) ao compartilhar o teu pensamento, e por isso provavelmente você não deva me ouvir.
    No caso desde artigo em particular, eu gostaria de ter visto você salientar que sem a monitorização da economia (criação de dinheiro "do nada" nas suas palavras) o dinheiro se tornaria escaco com o crescimento da economia, forcando as taxas de juros para cima e desacelerando o desenvolvimento. Essa foi uma das razoes para a abolicao do golden standard. Alem disso, uma economia operando num ponto de equilíbrio (AS/AD) abaixo do full-employment operaria com recursos disponiveis inutilizados requerendo uma ação do governo para empurrar tal equilíbrio para mais perto do full-employment. O jeito mais rápido de se fazer isso eh através de politica de expansão monetária. Todos os paises do MUNDO fazem isso. Outro ponto que eu achei um pouco desvirtuado foi sobre os bancos serem capazes de "inventar dinheiro". Não ficou claro que esse dinheiro não se torna parte do capital do banco. Essa quantidade de dinheiro criada "do nada" entra no balanço do banco como "divida" que tem que ser eventualmente quitada. Sendo que os Bancos só podem "criar" esse dinheiro para emprestar, essa quantidade eh limitada pelo risco de não receber, ja que o lucro do banco eh o juro proveniente do emprestimo e nao o dinheiro "criado" em si. Se a porcentagem de calote for muito alta o banco não vai ter dinheiro para cobrir seus gastos e suas reservas, aumentando a razão passivo/ativo se tornando uma instituição inconfiável e eventualmente indo a falência. Nao?
    Por favor me corrija se estiver falando alguma besteira pois você muito melhor do que eu sabe como tudo isso funciona.
    Abraco
  • Leandro  24/12/2012 11:09
    Prezado Ramirez, estarei com com acesso remotíssimo à internet até quarta-feira, e estou escrevendo por meio de celular. No momento, não posso dar uma resposta completa, mas afirmo que todo o seu raciocínio está errado, desde o real motivo para a abolição do padrão-ouro (o governo queria ter plena liberdade para se financiar sem impostos) até a sua afirmação sobre taxas de juros aumentarem com oferta monetária constante (uma impossibilidade econômica; afinal, como pagar juros nominais altos se a oferta monetária não aumenta?), passando pela afirmação de que uma economia só pode crescer se houver aumento contínuo da oferta monetária -- este último aspecto, aliás, recorrentemente abordado em vários outros artigos do site, inclusive meus também.

    Por fim, ressalto que a última parte da sua mensagem, sobre a limitação natural dos bancos em criarem dinheiro, foi explicitamente abordada no artigo, e foi deixado claro que, a partir do momento em que se estabelece um Banco Central e este deixa implícito que irá sempre socorrer os bancos, tal limitação é abolida. Releia o texto com mais atenção, por gentileza.

    Conto com a caridade de alguns leitores aqui para lhe dar as informações corretas, bem como sugestões de artigos (escrever esta resposta via celular já me foi extenuante o suficiente para um Natal em família).

    Abraços e seja bem-vindo.

    P.S.: não sou, nem nunca fui e nem tenho a menor intenção de ser "acadêmico". Minha intenção sempre foi a de passar informações da maneira mais cristalina possível. Tente encontrar artigos acadêmicos sobre o referido assunto e veja se você logrará êxito, tanto em termos de informação quanto em termos de clareza. Acho que você está superestimando demais a Academia.
  • Ramirez  22/01/2013 20:44
    Ola Leandro, obrigado por responder. Gostaria de fazer mais algumas perguntas para entender melhor. Fico granto se puder responder:

    "o governo queria ter plena liberdade para se financiar sem impostos"

    Quem decide quanto dinheiro vai ser criado? O que limita isso? Somente o medo da inflacao? Quem decide se vai ser criado 10 reais ou 11 reais? Baseado em que e a cada quanto tempo?

    "até a sua afirmação sobre taxas de juros aumentarem com oferta monetária constante (uma impossibilidade econômica; afinal, como pagar juros nominais altos se a oferta monetária não aumenta?"

    o dinheiro nao eh um bem como os outros que respeita a lei da oferta e da procura? Se a economia cresce e a oferta monetaria eh constante, o dinheiro se tornara escasso, seu "preco" nao aumentara? Se amanha tiver na porta do banco o dobro de gente requerendo emprestimos, o que o deteria de subir os juros?


    "passando pela afirmação de que uma economia só pode crescer se houver aumento contínuo da oferta monetária"

    eu nao disse isso. eu disse que no mundo INTEIRO expansao monetaria eh usada pra combater economias em recessao (below full employment) aumentando a demanda agregada. Isso esta nos livros, eu nao estou inventado.


    Conto com a caridade de alguns leitores aqui para lhe dar as informações corretas, bem como sugestões de artigos (escrever esta resposta via celular já me foi extenuante o suficiente para um Natal em família).

    Muito grato pelo seu tempo!


    "P.S.: não sou, nem nunca fui e nem tenho a menor intenção de ser "acadêmico". Minha intenção sempre foi a de passar informações da maneira mais cristalina possível."

    Com "academico" eu quis me referir a mostrar um pouco mais dos dois lados da moeda, sem TANTA opniao. Por exemplo; Existe algum beneficio para a expansao monetaria? Existe algum beneficio a existencia de bancos centrais? Quais? Ou eh tudo uma grande conspiracao contra o povo? Todos os paises do mundo estao errados por ter um banco central e fazer expansao monetaria? Eh isso que eu quis dizer....

    Obrigado mais uma vez, estou aprendendo muito com as suas analises.


    PS: me desculpe pela falta de pontuacao no meu teclado.
  • Leandro  23/01/2013 00:39
    "Quem decide quanto dinheiro vai ser criado? O que limita isso? Somente o medo da inflacao? Quem decide se vai ser criado 10 reais ou 11 reais? Baseado em que e a cada quanto tempo?"

    Quem decide é o Banco Central, mas ele fica à mercê do sistema bancário de reservas fracionárias.

    Ler:

    A taxa SELIC - o que é, como funciona e outras considerações

    Fazenda ou Banco Central - quem é o responsável pela atual disparada de preços no Brasil?

    Por que o Banco Central é a raiz de todos os males

    "o dinheiro nao eh um bem como os outros que respeita a lei da oferta e da procura?"

    Sim.

    "Se a economia cresce e a oferta monetaria eh constante, o dinheiro se tornara escasso, seu "preco" nao aumentara?"

    Sim. Preço do dinheiro aumentar significa que seu poder de compra aumentou. Ou seja, os preços dos bens e serviços caíram.

    "Se amanha tiver na porta do banco o dobro de gente requerendo emprestimos, o que o deteria de subir os juros?"

    Neste cenário, os juros subirão. Mas ele é completamente irreal. O que fará com que de um dia para o outro, do nada, duplique o número de pessoas correndo atrás de empréstimos?

    Sobre a impossibilidade de juros nominais altos se a oferta monetária for constante, você provavelmente se assustou com essa afirmação porque acha que juros é o preço do dinheiro, e que, sendo assim, quanto maior a oferta de dinheiro, menores serão os juros e vice versa. Mas isto é errado. Embora seja verdade que, no curto prazo, um aumento na quantidade de dinheiro gere uma redução de juros, o fato é que, no longo prazo, quanto maior for a taxa de aumento da quantidade de dinheiro, maiores serão os juros. E vice-versa.

    Pense nos juros como a diferença entre a quantidade de dinheiro que você pega emprestado e a quantidade de dinheiro com o qual você paga o empréstimo. Quanto menor estiver sendo a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro, menores terão de ser os juros. Afinal, em uma economia com quantidade de dinheiro fixa, seria irrealista você exigir, por exemplo, juros de 50% ao ano. Sem que tenha havido crescimento na quantidade de dinheiro, o devedor simplesmente não terá como pagar essa quantia. Por outro lado, se a quantidade de dinheiro crescer, por exemplo, 200% em um ano, pagar uma taxa de juros de 50% acaba sendo moleza.

    "eu disse que no mundo INTEIRO expansao monetaria eh usada pra combater economias em recessao (below full employment) aumentando a demanda agregada. Isso esta nos livros, eu nao estou inventado."

    Sei disso. E nunca deu certo. Essa é a questão.

    "Existe algum beneficio para a expansao monetaria?"

    Sim. Aqueles que primeiro recebem o dinheiro recém-criado se dão otimamente bem. Seu poder de compra aumentou. Eles têm mais dinheiro mas os preços ainda não subiram. Aí, à medida que elas vão gastando esse dinheiro, os preços vão subindo. Até que, quando este dinheiro termina de circular por toda a economia, as últimas pessoas que recebem este dinheiro, quando elas recebem, os preços já subiram. Ou seja, enquanto os primeiros recebedores foram privilegiados, porque tiveram seu poder de compra elevado, os últimos recebedores foram prejudicados, pois os preços subiram antes que sua renda fosse elevada. Ou seja, houve uma redistribuição de riqueza dos mais pobres pros mais ricos.

    "Existe algum beneficio a existencia de bancos centrais? Quais?"

    Para o governo e para suas empresas favoritas, exatamente por causa do mecanismo citado acima. Veja também os artigos linkados.

    "Ou eh tudo uma grande conspiracao contra o povo? Todos os paises do mundo estao errados por ter um banco central e fazer expansao monetaria? Eh isso que eu quis dizer...."

    É do interesse de todos os governos terem um Banco Central fabricando sua própria moeda para financiar seus gastos. É também do interesse do sistema bancário existir um emprestador de última instância, com capacidade de criar dinheiro do nada, para socorrê-los sempre que fizerem besteira. Tudo questão de conveniência. De novo, tenha a bondade de ler os artigos linkados.

    Grande abraço!
  • ANA LEIDE ALMEIDA DE ARAUJO  29/10/2014 19:57
    MUITO BOM SEU ARTIGO,é de mera importância para o contador,pois nos mostra como procede os
    movimentos bancários quando fazem difusão entre se.Gostaria de saber de onde você tirou o valor de R$3.000,00 ,no apassivo mais o patrimônio líquido,pois no meu calculo não achei o valor exato.Mesmo tirando os 40%,depois fui no calculo de reserva bancaria mas não-o conseguir,sou formada em Bacharelado em ciências há dois anos.
  • Ricardo  24/12/2012 11:32
    Meus dois centavos:

    Como Mises explicou, embora aumentos na quantidade de dinheiro não façam a economia crescer, eles alteram a estrutura da mesma; embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos.  Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção.  Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1015
  • evandro  22/01/2013 18:21
    Caro Leandro, tenho uma duvida: o que aconteceria na economia do brasil (eu sei que vc questiona o pib como indicador, mas na falta de outro) no curt, médio e longo prazo, caso o Brasil, e só o Brasil, parasse imediatamente de aumentar a oferta de dinheiro na economia (ou pelo menos parasse de emitir dinheiro não lastreado)... eu sei que isso provavelmente nunca irá ocorrer, mas quais seriam as consequencias prováveis (positivas e negativas) caso isso acontecesse?
  • Leandro  22/01/2013 18:34
    No curto prazo, recessão. E forte. Algumas quebradeiras das empresas que estivessem muito alavancadas. Bancos também sofreriam. Para evitar forte alta no desemprego, encargos sociais e trabalhistas teriam de ser repelidos, bem como a política salarial dos sindicatos. Preços teriam de ser reajustados para baixo.

    No longo prazo, a moeda se valorizaria continuamente, garantindo crescente poder de compra à população. A população de baixa renda seria a mais beneficiada.

    A indústria nacional sofreria com as importações? Muito certamente. O que poderia ser feito para amenizar isso? Acabar com a burocracia, reduzir impostos e regulamentações e flexibilizar ao máximo as leis trabalhistas, reduzindo encargos sociais e trabalhistas. Como a moeda estaria adquirindo crescente poder de compra, a situação de todos os trabalhadores estaria melhorando.

    Porém, como tal política não agrada a nenhum setor organizado específico, não agrada a nenhum grupo lobista poderoso -- ela agrada apenas a população, e em especial a de baixa renda --, não há a mínima ideia de tal coisa ser implantada em país nenhum. Não em uma democracia.

    Sugiro este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1441
  • evandro  22/01/2013 18:48
    Só complementando minha pergunta, qual indicador seria mais interessante que o PIB para ''aferir'' o andamento da economia... ?
  • Leandro  22/01/2013 19:10
    Comportamento da inflação de preços, evolução do poder de compra da moeda, evolução da taxa de câmbio, produtividade da mão-de-obra, avanço do padrão de vida, eficiência do setor de serviços, qualidade e variedade dos bens ofertados, facilidade de acesso a esses bens -- essas devem ser as variáveis para se mensurar a saúde de uma economia, e não meros números perfeitamente manipuláveis, como os do PIB e do desemprego.
  • Renato Souza  23/01/2013 02:15
    Leandro

    É interessante notar que a expansão monetária é principalmente um fenômeno contemporâneo. Antes da invenção do papel-moeda, era complicado excessivamente visível o truque de aumentar a quantidade de dinheiro na economia. Governantes eventualmente recolhiam o dinheiro e o cunhavam com um peso menor. Ocorre que não podiam fazer isso o tempo todo, e até o mais pascácio dos cidadãos percebia a mutreta. Então o truque de inflacionar a moeda era bastante limitado.

    O que os fanáticos pela expansão monetária não conseguem explicar é como a economia dos países crescia sem que houvesse grande expansão monetária. Com o desenvolvimento de novas técnicas, surgiam cada vez mais bens de consumo, a qualidade dos produtos melhorava, os preços se tornavam cada vez mais acessíveis ao povão. E não existiam crises surgidas do nada, "medos irracionais" que levavam a economia a parar, como supõem os keynesianos que inevitavelmente ocorrerá se o governo não criar inflação. Crises normalmente tinham causas reais, e findavam logo. Olhar o desenvolvimeno de inúmeros países durante os séculos XVIII e XIX, simplesmente alicerçados no acúmulo de capital (isto é na poupança) e na inovação técnica, é um exercício fascinante. A população aumentou rapidamente, porque pela primeira vez na história a produção agrícola e de todo tipo de bens crescia rapidamente.

    Será que os keynesianos não percebem isso, que eles não criaram o desenvolvimento econômico, criaram a inflação galopante e o endividamento irracional de virtualmente todos os governos? Porque eles se atribuem a descoberta da chave para o desenvolvimento, se são eles os maiores criadores de crises e recessões? eles não percebem que antes deles o desenvolvimento era mais contínuo? Porque eles se atribuem a garantia da estabilidade monetária, se o aumento de preços era um fenômeno passageiro até o final do século XIX, e a lenta diminuição dos preços era a regra? Será que eles se julgam os descobridores da roda e do fogo também?
  • Marcelo Moreira  24/01/2013 23:21
    Uma pergunta intrigante: os bancos podem ter perda financeira? Dividindo a pergunta em duas partes:

    1) Dado que o dinheiro emprestado é literalmente criado, qual o risco que o banco corre na concessão de um empréstimo? Exceto pelo fato de que o banco vai deixar de ganhar os juros, se o tomador do empréstimo não pagar a dívida, o banco não perde nada, pelo que entendo. Isso provavelmente geraria redução na reserva bancária, mas bastaria o Banco Central injetar mais recursos que o problema estaria sanado, correto? De toda forma, não consigo imaginar um cenário de perda financeira para o banco.

    2) Quando o tomador do empréstimo paga a dívida, o dinheiro virtual criado no momento do empréstimo desaparece. Sendo assim, o que impede o banco de cancelar um empréstimo, como se ele nunca tivesse existido, mas com o dinheiro criado permanecendo com o tomador do empréstimo? A explicação que encontro é que dessa forma o banco vai estar injetando dinheiro na economia, causando inflação e, consequentemente, gerando menos lucro para ele no futuro. Mas, mais uma vez, o banco não teria perda e sim menos lucro, correto?
  • Leandro  25/01/2013 05:58
    "Dado que o dinheiro emprestado é literalmente criado, qual o risco que o banco corre na concessão de um empréstimo? Exceto pelo fato de que o banco vai deixar de ganhar os juros, se o tomador do empréstimo não pagar a dívida, o banco não perde nada, pelo que entendo."

    Quando o banco cria dinheiro para conceder um empréstimo, e quando este dinheiro criado é utilizado pelo tomador do empréstimo, o banco perde reservas bancárias. O dinheiro vai para o banco da pessoa que recebeu o cheque do pessoa que pegou o empréstimo.

    Se o sujeito der o calote, o banco fica descapitalizado. Suas reservas são um ativo. Uma redução no ativo gera um balancete vermelho.

    "Isso provavelmente geraria redução na reserva bancária, mas bastaria o Banco Central injetar mais recursos que o problema estaria sanado, correto? De toda forma, não consigo imaginar um cenário de perda financeira para o banco."

    Correto quanto à redução das reservas bancárias. Quanto ao BC injetar recursos, nenhum BC faz isso de graça. Um BC injeta dinheiro no sistema bancário em troca de algum ativo dos bancos -- normalmente títulos públicos que estavam em posse dos bancos.

    No seu exemplo, o banco, além de ter perdido reservas, ficará também sem títulos públicos, que são uma fonte de renda (títulos públicos coletam juros pagos pelo Tesouro). No final da operação, o banco está com menos ativos. Se, por um lado, ele recuperou o dinheiro que perdeu com o empréstimo, por outro ele perdeu títulos do governo. No saldo final, seus ativos foram reduzidos e seu patrimônio líquido (capital) caiu. O banco ficou com sua solidez abalada e, por causa disso, pode ser vítima de uma corrida bancária.

    "Quando o tomador do empréstimo paga a dívida, o dinheiro virtual criado no momento do empréstimo desaparece."

    O dinheiro sai da economia, mas vai para a reserva do banco. Adicionalmente, o patrimônio líquido (capital) do banco aumentou. Sua solidez está maior, suas ações tendem a subir e ele pode atrair ainda mais clientes.

    "Sendo assim, o que impede o banco de cancelar um empréstimo, como se ele nunca tivesse existido, mas com o dinheiro criado permanecendo com o tomador do empréstimo?"

    Isso seria uma insanidade. Como expliquei acima, o banco teria perdido reservas, e seu patrimônio líquido estaria menor, o que acarretaria todos os problemas explicados acima.

    "A explicação que encontro é que dessa forma o banco vai estar injetando dinheiro na economia, causando inflação e, consequentemente, gerando menos lucro para ele no futuro. Mas, mais uma vez, o banco não teria perda e sim menos lucro, correto?"

    Errado. Seu capital teria decrescido, gerando todos os problemas acima.
  • Marcelo Moreira  25/01/2013 12:23
    Oi Leandro,

    Agradeço muito pelas respostas rápidas, claras e objetivas! Você me ajudou bastante.

    Eu sou engenheiro, não economista, mas achei o assunto do seu artigo altamente relevante e estou realmente interessado em me aprofundar. As suas respostas me geraram outras dúvidas que apresento abaixo. Agradeço se você puder fazer a gentileza de respondê-las e apontar referências de livros/artigos para que eu possa me aprofundar melhor.

    1) Existe alguma situação em que o BC "inventa" dinheiro para alguém, seja o destino um banco, o próprio governo, etc?

    2) Qual seria o impacto na economia de o governo literalmente inventar dinheiro para investir em educação, saúde e habitação básicas para a população? É óbvio que geraria inflação, mas seria diferente da inflação gerada pela expansão de crédito que é feita hoje?

    3) Você concorda com a afirmação abaixo?
    "Se todos fossem pagar as suas dívidas, se isso fosse possível, não restaria dinheiro nenhum. Na verdade, existe mais dívida do que dinheiro disponível. [...] Uma vez que todo o dinheiro tem juros associados, nunca haverá dinheiro suficiente para pagar toda a dívida aos bancos. Por conseguinte, há sempre quem tenha de ir à falência ou perder sua propriedade para o banco"
    Fonte: Documentário "The Money Fix", vimeo.com/36606084, nos minutos 23' a 28'

    4) Eu particularmente acho péssima a premissa de que os bancos privados detêm o monopólio da criação de moeda, ainda mais considerando que a injeção de dinheiro na economia se dá através de empréstimos, criando dívidas e levando à escassez de dinheiro, conforme a afirmação 3. Você recomenda a leitura de algum livro/artigo que trate do tema ou de alguma proposta de solução (e.g. sistemas monetários alternativos) relevante feita na academia?
  • Leandro  25/01/2013 18:23
    1) "Inventar" dinheiro ele inventa o tempo todo, pois ele cria dinheiro literalmente do nada (ele simplesmente aperta um botão no teclado de um computador e cria dígitos em um conta). Só que ele sempre faz isso em troca de algum ativo. Portanto, criar dinheiro e dar para alguém em troca da nada, isso não ocorre.

    2) Década de 1980 e primeira metade da década de 1990 no Brasil. Era exatamente isso o que o governo fazia. A diferença? Não havia ciclo econômico porque a economia já ia direto para hiperinflação. Um ciclo econômico caracteriza-se por uma etapa em que há um surto nos investimentos. Neste fenômeno que você citou (que, em termos técnicos, chama-se "inflação simples"), não há surto de investimentos. A estrutura de produção da economia é encolhida porque todo o dinheiro criado vai direto para incentivar o consumismo e não o investimento.

    3) No atual sistema monetário, todo o dinheiro que existe na economia foi injetado nela por meio da criação de uma dívida. O Banco Central injeta dinheiro no sistema bancário comprando títulos da dívida, e o sistema bancário injeta dinheiro na economia por meio da concessão de empréstimos para pessoas e empresas, que é uma dívida. Nem o BC e nem os bancos dão dinheiro de graça. Eles criam dinheiro em troca de uma dívida. É assim que a quantidade de dinheiro na economia aumenta.

    Portanto, se toda a dívida (pública e privada) fosse quitada e tanto o BC quanto o sistema bancário não criassem mais moeda, toda a oferta monetária, inclusive cédulas e moedas metálicas, seria extinta. Esse é o problema de se ter um sistema monetário cuja criação de dinheiro é feita por um BC, e não pela escavação de metal.

    4) A academia não discute isso. Lamento. Na academia só existem pessoas interessadas em galgar novas posições e ser bem aceita pelo establishment. Falar a verdade e ter respeito na academia são coisas mutuamente excludentes.
  • Renato Souza  25/01/2013 13:17
    Leandro

    Pelo que entendi, o dinheiro criado pelo banco, no momento em que concede empréstimo, desaparece quando o empréstimo é pago.

    Se não vejamos: Cem clientes depositam cada um $100 em conta corrente no banco, totalizando $10.000. O banco, cinete da probabilidades de saque, julga seguro emprestar $2.000 ao fulano X, que veio em busca de empréstimo, que deverão ser devolvidos em 6 prestações de $350, perfazendo $2.100. Tecnicamente o banco está insolvente, visto que se todos os cem clientes vierem sacar todo o seu dinheiro, faltarão 3.000. Desta forma, existem contabilmente $2.000 reais a mais na economia, o que caracteriza inflação monetária. X exercer suas atividades de agente econômico e consegue pagar normalmente o empréstimo, inclusive os juros, que vieram de seus lucros em sua atividade comercial ou de seu salário. Se ninguém mais tomasse empréstimos, o banco estaria novamente solvente, e toda a inflação monetária gerada nessa operação teria sido esterilizada.

    Então é lícito supor que a diminuição do nível de endividamento da sociedade elimina parte da inflação monetária? Também seria correto supor que o pagamento de todos os empréstimos bancários, por parte de todos os agentes, sem que mais ninguém tomasse empréstimos, eliminaria totalmente a inflação?

    Se estou correto, num sistema de reservas fracionárias, o governo depende do endividamento da população para gerar inflação. Logo, uma população mais prudente quanto aos financiamentos (que prefira, sempre que possivel, acumular reservas para comprar os bens, em vez de tomar empréstimos, e que seja culdadosa em não se endividar de mais, e que calcule cudadosamente qual é a taxa de juros real dos empréstimos, para evitar pagar juros altos) tal pupulação destruirá os planos do governo de criar grande inflação monetária. Está correto o meu raciocínio?
  • Leandro  25/01/2013 18:39
    "Pelo que entendi, o dinheiro criado pelo banco, no momento em que concede empréstimo, desaparece quando o empréstimo é pago."

    Vamos por partes. Se o Bradesco cria dinheiro para emprestar para um cliente, e tal dinheiro vai acabar nas contas de um cliente do Itaú, o Itaú vai exigir que o Bradesco lhe envie dinheiro em espécie. Neste momento, as reservas do Bradesco caíram.

    No final, quando o primeiro cliente quitar seu empréstimo com o Bradesco, a conta-corrente desse sujeito será reduzida, mas as reservas bancárias do Bradesco aumentarão a um nível maior do que o de antes do empréstimo (pois o Bradesco auferiu juros e principal). Isso possibilita ao Bradesco fazer novos empréstimos, de modo que, na prática, a quantidade de dinheiro na economia não é reduzida.

    Prossigamos

    (O parágrafo do exemplo numérico de sua postagem apenas mostra o problema das reservas fracionárias, portanto vou pulá-la).

    "Então é lícito supor que a diminuição do nível de endividamento da sociedade elimina parte da inflação monetária?"

    Sim, mas dado que imediatamente novos empréstimos serão concedidos, então não ocorre tal deflação. O que realmente gera deflação é quando os bancos fazem vários empréstimos ruins que não são quitados. Neste caso, o balancete dos bancos vai para o vermelho (o valor dos empréstimos, que é um ativo, cai, mas o passivo continua constante). Aí, dado que os bancos agora têm de restaurar seu patrimônio líquido (capital), eles deixam de conceder novos empréstimos. Eles continuam obviamente cobrando a quitação de todos os seus empréstimos pendentes, mas deixam de conceder novos empréstimos. Aí de fato ocorre uma deflação monetária.

    "Também seria correto supor que o pagamento de todos os empréstimos bancários, por parte de todos os agentes, sem que mais ninguém tomasse empréstimos, eliminaria totalmente a inflação?"

    Não somente eliminaria a inflação, como acabaria com todo o estoque de dinheiro da economia. (Ver minha resposta acima ao leitor Marcelo Moreira)

    "Se estou correto, num sistema de reservas fracionárias, o governo depende do endividamento da população para gerar inflação. Logo, uma população mais prudente quanto aos financiamentos (que prefira, sempre que possivel, acumular reservas para comprar os bens, em vez de tomar empréstimos, e que seja culdadosa em não se endividar de mais, e que calcule cudadosamente qual é a taxa de juros real dos empréstimos, para evitar pagar juros altos) tal pupulação destruirá os planos do governo de criar grande inflação monetária. Está correto o meu raciocínio?"

    Sim.
  • Renato Souza  26/01/2013 01:34
    Leandro

    Grato, e desculpe pelo texto cheio de erros de português.
  • Julio dos Santos  31/01/2013 14:24
    Leandro, citaste que uma das causas do aumento dos depósitos a prazo ocorrido em 2008 "pode ser explicada tanto pela elevação da SELIC quanto pelo fato de, ainda àquela época, não haver compulsório para os depósitos a prazo". Mas imagino que a disparada deste número, neste período, assim como em 2011, tenha impacto mais direto do resultado do mercado de ações. Analisando o Ibovespa, estes dois períodos (2008 e 2011) foram os seus momentos de queda, tempos de grande incerteza nos mercados e então os investidores buscaram fortemente a "segurança" da renda fixa. Tal tua opinião sobre esta hipótese?
  • Leandro  31/01/2013 14:30
    É um ponto interessante. Pode sim haver essa correlação, muito embora tenha sido em maio de 2008 que o Ibovespa atingiu o maior valor de sua história.
  • Eduardo França  31/01/2013 16:12
    Leando, mandei esse artigo para o meu ex-professor de Economia e ele respondeu o seguinte: "Discordo do argumento central: bancos não criam dinheiro do nada... ao realizar operações de crédito, um banco TRAZ riqueza do futuro... o recurso emprestado vai ser aplicado em capital, gerar lucro e o banco recebe uma parte desse lucro... Mas acho que o artigo todo precisaria ser discutido em uma aula de Economia Monetária." - Como assim o banco TRAZ riqueza do futuro?
  • Leandro  31/01/2013 16:34
    É realmente desesperador saber que este é o nível dos nossos acadêmicos. Já estão apelando para o misticismo.
  • Pobre Paulista  10/02/2013 16:43
    É verdade, ele traz dinheiro do futuro sim. Ele vem no porta-malas de um DeLorean.
  • anônimo  10/02/2013 20:17
    O que ele estaria querendo dizer não seria que o dinheiro do nada que o banco cria estaria sendo compensado pela riqueza que a empresa do cara vai criar, sendo que pra essa empresa começar ela precisa desse dinheiro?
  • anônimo  10/02/2013 23:05
    Mas ainda assim a alegoria com o de volta pro futuro é perfeita, porque ninguém tem como saber se o empreendimento que o cara pediu dinheiro emprestado vai dar certo
  • Neto  11/02/2013 12:58
    Eu fico pensando em duas situações:
    1 O governo tem uma bola de cristal, e sabe quem são os empreendedores que vão 'dar certo'. Daí ele cria dinheiro do nada, dá pros caras do google, eles criam o google, ficam ricos e tal. Só que o cara que economizava que não tem nada a ver com isso ficou mais pobre, o mundo tem um ganho de produtividade por causa do google mas o dinheiro dele agora vale menos, desde a hora que o governo criou dinheiro do nada

    2 Um investidor dá dinheiro pros caras do google.Eles criam o google, ficam ricos, o investidor recebe muito mais de volta, todo mundo fica feliz. Só que o cara que economizava não perdeu nada, pelo contrário, o dinheiro dele agora vale MAIS, já que o google aumenta a produtividade das outras empresas.

    Então, comparando o resultado final dessas duas situações essa conversa de 'tirar dinheiro do futuro' é mais mentirosa ainda, MESMO SE TIVESSE UMA BOLA DE CRISTAL o governo não estaria usando um delorean e arrancando esse dinheiro do sucesso futuro do google, ele ta arrancando de quem não tem nada a ver com a história, do cara que ingênuamente tenta economizar seu suado dinheirinho.

    Faz sentido?
  • Renato Souza  13/02/2013 15:35
    Imagino que seja isso que ele quis dizer, mas é bobagem.

    Ao criar dinheiro do nada, a inflação monetária já ocorre. O aumento da oferta de dinheiro produz aumento de preços (ou impede sua natural diminuição, o que dá no mesmo) provocando perda de riqueza para os outros agentes econômicos. Então, esse dinheiro não veio do futuro, a não ser "futuro" seja o nome do bolso das outras pessoas.
  • Marcelo Moreira  07/02/2013 12:04
    Leandro, qual a sua avaliação do ponto de vista econômico da proposta de economia baseada em recursos do projeto Venus (www.thevenusproject.com)?
  • Leandro  07/02/2013 12:19
    Idiotas completamente ignorantes sobre conceitos básicos de economia, como sistema de preços e sistema de lucros e prejuízos, os quais permitem o cálculo econômico e consequentemente evitam ao máximo o desperdício de recursos.

    Os bobalhões ali dizem querer otimizar as coisas e viver em paz com a natureza, mas defendem um sistema que, paradoxalmente, levaria à malversações e, no limite, à aniquilação dos recursos. São apenas socialistas envergonhados.
  • Marcelo Moreira  07/02/2013 18:21
    Desculpe, mas meus conhecimentos limitados de economia não me permitiram entender a sua argumentação.
    Poderia deixar mais claro o seu argumento?

    1) Que premissas da economia baseada em recursos levariam à "malversações e, no limite, à aniquilação dos recursos"?

    2) Como o "sistema de preços e sistema de lucros e sistema de lucros e prejuízos, os quais permitem o cálculo econômico e consequentemente evitam ao máximo o desperdício de recursos"? Isso não me parece valer nos dias de hoje, visto que desperdiçamos muitos recursos (obsolescência programada, profissões desnecessárias, deslocamentos desnecessários, uso de recursos naturais de forma desnecessária, etc.).
    2.1) Se você concorda comigo que desperdiçamos recursos, a causa seria alheia ao sistema econômico?
    2.2) Se você discorda do desperdício de recursos, como justifica os exemplos de desperdício que mencionei?
  • Leandro  07/02/2013 18:42
    Imaginei que conhecesse o básico do básico de economia. Dado que confessadamente não, então você terá de ler alguns artigos aqui (linkados abaixo) para entender por que é o sistema de preços e o sistema de lucros e prejuízos que permitem uma alocação racional de recursos por toda a economia. Revogue estes dois sistemas, e a economia simplesmente pára de funcionar. Empreendedores ficariam tateando no escuro, sem saber onde investir. Seria impossível saber qual recurso existe em excesso em determinada área e qual recurso está em escassez em outra área.

    Se as coisas não têm preços formados livremente, é impossível fazer qualquer cálculo de custos. E sem esse cálculo, é impossível haver qualquer racionalidade econômica. Sem preços livres, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível. Por outro lado, quando há livre formação de preços, estes refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes, ao mesmo tempo em que o julgamento empreendedorial vai lidando com as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores. Este é o sistema que reduz ao máximo os desperdícios (e eu nunca disse que ele abole por completo os desperdícios, mas é o que mais restringe, simplesmente porque desperdiçar não é nada lucrativo).

    "visto que desperdiçamos muitos recursos (obsolescência programada, profissões desnecessárias, deslocamentos desnecessários, uso de recursos naturais de forma desnecessária, etc.)."

    Nunca entendi o que realmente é "obsolescência programada". Já ouvi várias versões, muitas delas contraditórias.

    Sobre profissões desnecessárias, estas surgem justamente quando há intervencionismo na economia. Por exemplo, há hoje várias profissões no setor industrial que nem deveriam existir, mas só existem por que o estado encarece e artificialmente e dificulta as importações. Da mesma forma, há várias profissões desnecessárias no setor imobiliário, profissões essas que foram criadas pela bolha gerada no setor em decorrência da expansão monetária e do crédito estimulada pelo governo. Tão logo essa expansão acabar e a bolha estourar, essas profissões irão desaparecer.

    É justamente a falsificação do cálculo econômico gerada pela expansão monetária e creditícia (estimulada pelo estado) que levam ao surgimento destas profissões desnecessárias.

    Sobre o uso de recursos naturais de forma desnecessária, parte é verdade (veja aqui), parte é arrogância sua de sair opinando exclusivamente de acordo com sua ideologia e com sua posição ambientalista. Como você sabe que tal uso é desnecessário? O que diz o sistema de preços sobre usos alternativos?

    Artigos para você:

    A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos

    Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade

    O cálculo econômico sob o socialismo

    Empreendedorismo, eficiência dinâmica e ética
  • Marcelo Moreira  09/02/2013 19:21
    Oi Leandro,

    1) Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo novamente pelos seus artigos e respostas claras e racionais. Acredito que seja muito profícua a discussão de ideias desta forma. Estou aprendendo bastante com você e sou muito grato por isso!
    Li os artigos que você referenciou e agora tenho uma visão mais precisa das definições dos conceitos que você usa. Por exemplo, agora entendo a sua definição de "desperdício" e concordo com o seu argumento.

    2) Antes que eu seja rotulado incorretamente como defensor de alguma ideologia específica, quero deixar claro que:
    - não tenho nenhuma ideologia, filosofia, religião, posição ambientalista, ou qualquer coisa do gênero; e
    - não sou socialista, nem capitalista, nem facista, nem comunista, nem nenhum "...ista".
    Pela minha experiência pessoal, percebo que nem toda ideia é necessariamente 100% correta, nem 100% errada. Geralmente as ideias têm vantagens e desvantagens. É isso que quero analisar. Quero ter um entendimento mais profundo da situação sócio-econômica global e analisar a causa-raiz de problemas como: pobreza, guerras, falta de liberdade e tempo para trabalhar no que cada pessoa acredita ser mais relevante, falta de acesso à educação e tecnologia por grande parte da população mundial, grande acúmulo de lixo, elevada poluição ambiental, etc.
    A busca desse entendimento mais profundo é que me levou a ler os seus artigos e escrever esses comentários.

    3) Além de não defender nenhuma ideologia específica, eu:
    - não tenho nada contra pessoas muito ricas pelo fato de elas serem muito ricas; e
    - não tenha nada contra o lucro empreendedorial em si. Pelo contrário, sou a favor dele.

    4) Concordo com você que a eliminação do sistema de preços e o sistema de lucros e prejuízos geraria um problema de como fazer uma alocação racional de recursos por toda a economia. Mas você acredita que essa é a única maneira de fazer uma alocação racional de recursos? Por exemplo, o projeto Venus propõe a criação de um inventário global de recursos para realizar essa alocação racional de recursos através da coordenação da produção e distribuição dos recursos:

    "What else would a resource-based economy mean? Technology intelligently and efficiently applied, conserves energy, reduces waste, and provides more leisure time. With automated inventory on a global scale, we can maintain a balance between production and distribution."
    FONTE: www.thevenusproject.com/en/the-venus-project/resource-based-economy

    5) Não vou questionar a sua lógica de argumentação em defesa do livre mercado, até porque ela está correta no meu entender. Porém, gostaria de questionar algumas premissas. São elas:

    5.1) Premissa: todos os empreendedores têm iguais condições e oportunidades
    No meu entender, esta premissa é necessária para garantir a livre concorrência. Sem iguais condições e oportunidades, os empreendedores com melhores condições (tais como: maior aporte de capital, melhor informação sobre o mercado, maior conhecimento tecnológico, etc.) podem facilmente usá-las como vantagens competitivas e dominar o mercado. Dominando o mercado, podem exercer o monopólio e passar a ditar as regras do mercado.
    Dada a formação de grandes monopólios e a concentração de capital/informação/tecnologia nas mãos de poucos empreendedores, essa premissa não me parece valer nos dias de hoje. Você concorda comigo?

    5.2) Premissa: consumidores têm opção de escolha de todos os produtos oferecidos no mercado
    No meu entender, esta premissa é necessária para que os consumidores de fato possam ditar a demanda de produtos no mercado. Se o consumidor não tem a opção de negar a compra de determinado produto, então o livre mercado fica comprometido, e quem passa a ditar as regras é o empreendedor que oferece tal produto.
    Essa premissa não me parece valer nos dias de hoje para produtos de necessidade básica (como alimentação, moradia e saúde), pois por definição estes não são produtos que alguém decide consumir. Todos precisam consumir esse tipo de produto por questão de sobrevivência.
    Nos dias de hoje, me parece que funciona da seguinte forma:
    - quem nasceu em família que tem dinheiro pode pagar e ter acesso a esses produtos de necessidade básica; e
    - quem nasceu em família que não tem dinheiro suficiente tem que aceitar qualquer emprego disponível. Se o salário não for suficiente ou tiver alguma despesa maior, a pessoa tem que pedir empréstimo ao banco e viver a vida toda lutando para sobreviver e pagar as dívidas, sem ter tempo para fazer outras atividades ou desenvolver suas capacidades.
    Você discorda dessa visão que eu tenho do mundo hoje?

    5.3) Premissa: consumidores optam pelos melhores produtos
    No meu entender, esta premissa é necessária para que os empreendedores possam produzir os melhores produtos. Pelo menos no Brasil, a maior parte da população não tem dinheiro nem sequer para as suas necessidades básicas. O pequeno percentual da população que tem dinheiro para comprar algo além do básico, também tem somente uma quantia limitada para adquirir os demais produtos. Dessa forma, devido ao baixo poder de compra, os consumidores acabam considerando como menos importantes métricas como durabilidade, qualidade, prejuízo à saúde, prejuízo ao meio ambiente, condições de trabalho dos trabalhadores, localização da fábrica, etc. Repare que essa decisão do consumidor não é a que ele gostaria de fazer, mas é a que ele se vê obrigado a fazer devido às restrições impostas pelo sistema econômico. A consequência disso é que os consumidores demandam por produtos piores, mas com preço mais barato a fim de que eles possam ter acesso aos produtos desejados.
    Você acha que deveria ser assim mesmo e não tem opção melhor para o sistema econômico?

    5.4) Premissa: trabalhadores têm opção de escolha ao aceitar salário proposto pelos empreendedores
    No meu entender, esta premissa é necessária para evitar que o lucro empreendedorial seja resultante da exploração da mão-de-obra e não por méritos do empreendedor (inteligência do empreendedor de identificar discrepâncias entre os preços atuais dos fatores de produção e os preços futuros dos bens e produtos por ele produzidos; eficiência na alocação de recursos e gestão da produção; inteligência de usar os métodos que melhor atendem a demanda dos consumidores, etc).
    O que me parece acontecer nos dias de hoje é que os trabalhadores aceitam salários baixos por falta de opção, seja porque eles precisam de dinheiro para garantir suas necessidades básicas, seja porque eles não têm educação e qualificação suficiente para barganhar um salário melhor, seja porque eles não têm capital para realizar uma atividade empreendedora.
    Você acha que, tendo outra opção razoável, alguém aceitaria os salários e condições de trabalho a que hoje grande parte dos trabalhadores se submete?

    5.5) Premissa: consumidores têm educação suficiente para discernir o melhor produto
    No meu entender, esta premissa é necessária para evitar que os consumidores optem incorretamente por produtos que não são os melhores. Devido ao baixo poder de compra, hoje grande parte da população não tem acesso à educação de qualidade, o que a torna altamente vulnerável a ser influenciada por publicidade, pela mídia e pelo governo. Daí resulta que os consumidores optam por produtos que não seriam necessários ou adequados a eles.
    Você concorda que um nível de educação elevado é necessário para que os consumidores possam optar bem pelos produtos?

    Desde já agradeço o seu tempo em ler e responder os meus comentários.

    Abraços,
    Marcelo.
  • anônimo  10/02/2013 20:22
    'Concordo com você que a eliminação do sistema de preços e o sistema de lucros e prejuízos geraria um problema de como fazer uma alocação racional de recursos por toda a economia. Mas você acredita que essa é a única maneira de fazer uma alocação racional de recursos? Por exemplo, o projeto Venus propõe a criação de um inventário global de recursos para realizar essa alocação racional de recursos através da coordenação da produção e distribuição dos recursos:'

    Isso se chama comunismo.Nenhum gênio pode fazer isso.
    Projeto Vênus = cruzamento de karl marx com skynet
  • Marcelo Moreira  10/02/2013 21:17
    "Isso se chama comunismo. Nenhum gênio pode fazer isso.
    Projeto Vênus = cruzamento de karl marx com skynet"

    Amigo, acho que você interpretou incorretamente a proposta de economia baseada em recursos, que é bem diferente da definição de comunismo:

    "How does The Venus Project Compare with Communism?
    Communism being similar to a resource-based economy or The Venus Project is an erroneous concept. Communism has money, banks, armies, police, prisons, charismatic personalities, social stratification, and is managed by appointed leaders. The Venus Project's aim is to surpass the need for the use of money. Police, prisons and the military would no longer be necessary when goods, services, healthcare, and education are available to all people. [...]"

    "How does this differ from Communism?
    [...] The Venus Project offers science and technology in the service of humankind on a global scale and eventually helps to eliminate all the artificial boundaries that separate people. The system uses no money and makes goods and services available without a price tag, debt, barter, or servitude of any kind. If we use our technology intelligently, we can create an abundance of goods and services for the entire planet. We use machines and automation to produce and distribute all manufactured products, which will be available at distribution centers to everyone. The purpose of this high technology is to free people so they can pursue their own interests and fulfillments.
    We would surpass the need for human participation in the production of goods and services. There is no taxation or obligation of any kind. We advocate no government by human systems. [...]"

    FONTE: www.thevenusproject.com/en/the-venus-project/faq - Perguntas 56 e 58

    Além disso, a analogia que você fez com skynet não procede, pois o uso de computadores para a tomada de decisões é uma proposta independente da ideia de economia baseada em recursos. O uso de computadores e robôs é fundamental para a automação de tarefas, mas não é necessário para a tomada de decisão.

    A questão fundamental é que a alocação de recursos e a produção de bens hoje é limitada pelo sistema monetário. A proposta de economia baseada em recursos advoga que tal limitação não é necessária e propõe a automação como solução. Boa ou não, essa proposta é totalmente factível com a tecnologia que temos hoje.
  • anônimo  13/02/2013 22:42
    Marcelo, A SEMELHANÇA do TZM com o comunismo é que nenhum dos dois tem como saber qual a melhor forma de alocar os recursos.O único jeito de saber é com um sistema de preços, que só existe no livre mercado.
  • Gustavo BNG  10/02/2013 22:08
    5.4) Premissa: trabalhadores têm opção de escolha ao aceitar salário proposto pelos empreendedores
    No meu entender, esta premissa é necessária para evitar que o lucro empreendedorial seja resultante da exploração da mão-de-obra


    A teoria do valor-trabalho já foi refutada: valor é subjetivo, e isto (junto com a inexistência de Cálculo Econômico numa economia centralizada) faz toda a diferença pra entender por que o marxismo é 100% irracional. Este artigo explica: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1386
  • Marcelo Moreira  10/02/2013 23:23
    Caro amigo Gustavo BNG,

    Muito obrigado pela resposta.
    Deixe-me deixar mais clara a minha argumentação:

    1)Eu não disse que o valor é objetivo, ou que é determinado pela quantidade de trabalho empregada na produção do produto. Eu disse que uma quantidade significativa de trabalhadores não tem opção de negar um salário que o trabalhador considere baixo.
    A consequência disso é que, se os trabalhadores pudessem negar determinados salários, alguns negócios poderiam não ser economicamente viáveis ou o lucro empreendedorial seria menor que o atual. Em outras palavras, o que torna alguns negócios economicamente viáveis ou muito lucrativos é o menor custo de produção (devido aos baixos salários aceitos pelos trabalhadores). Não faltam exemplos de multinacionais que se instalam em países subdesenvolvidos com mão-de-obra barata.
    Esta minha argumentação nada tem a ver com o fato de o valor do produto ser objetivo ou subjetivo, apenas indica que o custo de produção estaria virtualmente menor em consequência da situação sócio-econômica. Foi isso que eu chamei de "exploração de mão-de-obra", sem nenhuma referência a ideias marxistas. Infelizmente, usei um termo que já tem uma conotação associada ao marxismo, mas não foi isso que quis dizer.

    2) Eu não sou marxista e não defendo o marxismo, nem nenhuma ideologia específica. Não me importam as ideologias, o que me importam são os argumentos. Se você refutar a minha argumentação, mostrando racionalmente o erro, eu ficarei muito agradecido, independentemente se isso derrubar alguma ideologia.

    Abraços,
    Marcelo.
  • saoPaulo  10/02/2013 22:48
    Nem meteorologistas - com conhecimento mais que satisfatório das leis de interação entre partículas - conseguem prever acuradamente o clima. Mesmo que tivessem TODOS os dados inicias de seus sitemas, duvido que tivessem poder computacional para tanto (em uma escala global).

    E você vem me dizer que estes caras conseguem modelar as vontades e desejos - o que deve ser bem mais complexo que o clima - de TODAS as pessoas do mundo, melhor do que elas mesmas? Sério, beira o ridículo.

    Muitos já tentaram, todos fracassaram, e fatalmente acabaram atendendo apenas às suas próprias vontades. Você quer analisar seus modelos de acordo com as intenções de quem os desenvolveu ou de acordo com os efeitos que proporcionam? De boas intenções, o inferno está cheio... Mao que o diga.

    O conhecimento é distribuído entre todas as pessoas. Umas sabem mais, outras menos. Ninguém sabe tudo, nem um computador e muito menos um time de burocratas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=810

    Quando inventarem os computadores quânticos, daí voltamos a este debate. (=
  • Marcelo Moreira  11/02/2013 23:29
    Caro amigo "saoPaulo",

    Excelente comentário. Você tocou em um ponto bem interessante, a saber: sem um sistema de preços, como modelar as vontades e desejos de todas as pessoas do mundo e alocar os recursos de maneira apropriada?

    De fato, esse ponto não está muito claro para mim na proposta do projeto Vênus, pois nela se fala de disponibilizar gratuitamente TODOS os bens e serviços:

    "It is a holistic socio-economic system in which all goods and services are available without the use of money, credits, barter or any other system of debt or servitude. [...] Modern society has access to highly advanced technology and can make available food, clothing, housing and medical care; update our educational system; and develop a limitless supply of renewable, non-contaminating energy. By supplying an efficiently designed economy, everyone can enjoy a very high standard of living with all of the amenities of a high technological society."
    FONTE: www.thevenusproject.com/en/the-venus-project/resource-based-economy

    Os exemplos são só de necessidades básicas (alimentação, vestuário, moradia, etc.), mas a todo momento se fala em TODOS os bens e serviços.
    Vou analisar por partes:

    - Em relação às necessidades básicas, não é muito difícil descobrir quais são e proporcioná-las à população. Neste caso, é um problema estritamente técnico: levantamento dos recursos disponíveis, produção e logística de distribuição.

    - Em relação a vontades e desejos, eu concordo com você que seria um problema bem mais complexo. Para esse tipo de produto, talvez uma boa solução seja manter o sistema econômico atual e deixar o livre mercado agir. Por outro lado, se não houver dinheiro, as pessoas ficarão infinitamente mais livres para expressar suas opiniões, vontades e desejos em relação a novos produtos, pois estas opiniões não levarão mais em conta a restrição monetária. Dessa forma, seria muito mais simples fazer uma pesquisa de mercado ou um teste de produto, por exemplo. Além disso, produtos inferiores não serão aceitos de forma alguma, modelando de forma muito mais precisa as vontades e desejos das pessoas do que no sistema econômico atual.

    É importante ressaltar também que a inexistência de dinheiro iria fomentar a cooperação entre as "empresas" (entre aspas pois não seriam mais empresas como conhecemos hoje), gerando produtos muito melhores e com menor custo do que temos hoje.

    Considerando o exposto acima, na minha visão, apesar de ter alguns pontos que precisam ser melhor definidos, eu só vejo vantagens em adotar uma economia baseada em recursos. Estou errando algo no meu raciocínio? Ficarei muito agradecido se alguém refutar minha argumentação, pois estará me ajudando a chegar em um entendimento mais próximo da verdade.

    Abraços,
    Marcelo.
  • TL  12/02/2013 01:56
    Prezado Marcelo Moreira.

    Eu iria comentar todos os pontos abordados por você, entretanto uma única afirmação sua já fez esse comentário exceder um tamanho aceitável.

    Em relação às necessidades básicas, não é muito difícil descobrir quais são e proporcioná-las à população. Neste caso, é um problema estritamente técnico: levantamento dos recursos disponíveis, produção e logística de distribuição

    Esse não é um problema técnico, é um problema de alocação econômica extremamente complexo. Tenha em mente que tudo que tem preço, somente o tem porque é escasso, caso contrário não teria preço. Conforme os comentários anteriores, observei que muitas conclusões partem do princípio de que fatores de produção são infinitamente abundantes e somente precisam ser alocados eficientemente. Nada mais longe da realidade. Inclusive muitos economistas caem nessa falácia, a de que nós vivemos num mundo de plena abundância, onde não existe escassez. Sempre tenha em mente, se tem preço é escasso, portanto processos industriais competem por esses fatores de produção.

    Para exemplificar, vamos analisar a produção de soja. O agricultor necessita de bens de capitais que são escassos, portanto ele precisa competir com todos os outros investidores por esses bens de capitais (sementes, maquinário, método de transporte, fertilizantes, agrotóxicos, financiamento, mão de obra, silos para estocagem, terra, combustível, conhecimento técnico [agrônomos], assistência técnica, água [se tiver irrigação], . . .).

    Você acha que alocação desses bens de capital é simples? Nós estamos comentando de um único tipo de produção. Todos os fatores de produção, necessários para a produção de soja, têm sua própria estrutura de produção, que eu não consigo nem sequer imaginar. Então, o simples fato da energia elétrica ser utilizada na produção de tratores, significa que essa energia está proibida de ser utilizada por qualquer outra atividade (por exemplo, produção de cerâmica). Esse raciocínio é válido para todos os fatores de produção (tinta, ferro, solda, mão de obra, petróleo, cobre, tijolos, cimento, ferro, aço, . . .). Entendeu o tamanho da encrenca?

    Ao extinguir o sistema de preços, o agricultor não sabe se está tendo lucro ou prejuízo. Ao utilizar os bens de capital na produção de soja, esses fatores de produção são negados a todos os outros tipos de produção. Por exemplo, ao invés de produzir soja ele poderia produzir milho.

    Um exemplo interessante é observado no Rio Grande do Sul. No inverno muitos agricultores plantam um cultura (acredito que é pasto), com o mínimo de custos, somente para fazer cobertura do solo para a safra de verão. Veja, é melhor utilizar a cultura de inverno para aumentar a produtividade da cultura de verão do que cultivar trigo, por exemplo. Isso somente é possível porque existe um mercado de preços que permite ao agricultor alocar racionalmente seus fatores de produção.

    Exatamente por esse motivo que o projeto Vênus não funcionaria, pois não existe um mercado de preços para mensurar se o trabalho e o capital utilizado agregam valor. O que é agregar valor? Agregar valor é utilizar bens de capitais escassos para atender as necessidades humanas mais urgentes.

    Isso é exatamente o que ocorre na safra atual de soja. A escassez de soja, devido à questões climáticas no EUA, diminuiu a oferta de soja no mercado internacional. A diminuição da oferta aumentou a competição por essa commoditie e consequentemente elevou o seu preço.

    A elevação do preço sinalizou ao mercado que somente as atividades mais urgentes às necessidades humanas deveriam utilizar a soja. Os demais processo industriais deveriam parar/diminuir a utilização de soja, pois existem demandas mais urgentes dos consumidores (a elevação do preço da soja pode ter tornado alguns tipos de produção economicamente inviável).

    A elevação do preço da soja, a níveis recordes, sinaliza aos agricultores à investirem na maior produção desse grão, pois existe grande demanda por essa commoditie (oportunidade de lucros). Outros tipos de produção, que não atendem preferencialmente as necessidades humanas mais urgentes, deixarão de ser produzidas.

    Numa economia sem dinheiro e sem propriedade privada, ocorreria essa sinalização?

    O projeto Vênus preconiza que a utilidade dos fatores de produção são objetivos e podem ser mensurados quantitativamente. Isso é exatamente o que o socialismo preconiza, que alocação de fatores de produção podem ser feito de forma objetiva.

    Entretanto na realidade não existe como quantificar esse valor, pois ele depende da vontade subjetiva de milhões (talvez, bilhões) de seres humanos. As vontades dos seres humanos são extremamente voláteis, difíceis de serem mensuradas e essa mensuração teria caráter qualitativo (e não objetivo).

    O que aconteceria na prática? A produção seria alocada conforme os desígnios dos burocratas (no caso do projeto Vênus, o computador) e não conforme a valoração subjetiva dos consumidores. Dessa forma, aos poucos, os bens escassos seriam alocados em atividades que não são as mais demandadas pelos consumidores. E o uso errôneo desses fatores de produção empobrecerá a população aos poucos, conforme o desgaste e falta de fatores de produção mais urgentes (entenda isso como diminuição de oferta de bens de consumo).

    E como esses valores seriam mensurados no livre mercado? Através dos mercados, que expressam as vontades subjetivas dos consumidores.

    Saudações. Espero ter elucidado suas dúvidas!
  • Típico Zeitgeitista  12/02/2013 09:41
    'Ao extinguir o sistema de preços, o agricultor não sabe se está tendo lucro ou prejuízo'

    Ninguém trabalharia por lucro, ninguém precisaria trabalhar por lucro porque tudo já seria abundante pra todo mundo.Essa é uma questão cultural, as pessoas trabalhariam por amor, pra ajudar a humanidade como um todo, somos todos irmãos na grande espaçonave terra.

    'A elevação do preço da soja, a níveis recordes, sinaliza aos agricultores à investirem na maior produção desse grão, pois existe grande demanda por essa commoditie (oportunidade de lucros). Outros tipos de produção, que não atendem preferencialmente as necessidades humanas mais urgentes, deixarão de ser produzidas.
    Numa economia sem dinheiro e sem propriedade privada, ocorreria essa sinalização? '

    Haveria um grande computador central onde as pessoas colocariam as informações sobre o que desejam e o que está falando pra elas, esse computador iria direcionar os recursos na produção de soja quando um número suficiente de pessoas comunicasse que está faltando soja
  • Andre Cavalcante  14/07/2014 17:05

    Eu rio-me dessas frases:

    "Haveria um grande computador central onde as pessoas colocariam as informações sobre o que desejam e o que está falando pra elas, esse computador iria direcionar os recursos na produção de soja quando um número suficiente de pessoas comunicasse que está faltando soja "

    Por que mostra que a pessoa não entende nada nem de economia e nem de computação... :D

    Para programar qualquer coisas neste sentido, você teria que criar um otimizador multivariável, multiobjetivo. Esse é um problema com complexidade computacional exponencial. Ok, tecnicamente não é impossível, mas para qualquer número razoável de variáveis e objetivos, claramente você estará lidando, devido à exponencialidade com algo basicamente irreal, pois teria que rodar um algoritmo que levaria dias, mas ele, necessariamente teria que rodar em tempo real, isto é, a medida que alguém entrasse uma nova informação ela teria que ser considerada naquele momento. Imagina isso vezes 7 bilhões de indivíduos gerando não sei quantas transações.

    Ainda do ponto de vista computacional, qualquer algoritmo de otimização, para funcionar, necessita otimizar algo que possa ser mensurável. Assim, qual a melhor forma de usar o ferro, ou no caso do exemplo, a soja? Para isso é preciso medir o quanto de soja há, o quanto estará sendo demandado e o quanto de recurso estará alocada em toda a cadeia de produção da soja (incluindo aí as possíveis alternativas), sendo que, boa parte dessas alternativas tem, por si, uma cadeia igualmente grande de recursos que igualmente deverão se alocados. Além de ser praticamente impossível juntar todas essas informações, elas deverão ser transformadas em uma informação única (literalmente tem-se transformar bananas e laranjas em um único número, para fins de comparação), que possa ser otimizada.

    Pois bem, na economia, esse número ou informação única é exatamente o preço, que já agrega toda a informação espalhada na sociedade do quanto tal bem é demandado em relação ao recursos utilizados, considerando toda a variabilidade possível de outros produtos que podem ser usados como substitutos e já inclui aí todas as informações também sobre o custo dos recursos.

    Ora, preço significa uma unidade monetária qualquer, independente se serão dígitos no computador, cartão de crédito com uma certa quantidade de crédito a serem gastos, ou papéis pintados na mão das pessoas. Não importa, será dinheiro do mesmo jeito. Portanto, a premissa da abundância de recursos sem dinheiro é simplesmente irreal.

    Acreditar nisso é pior que acreditar em Papai Noel ou fadinhas. Ao menos essas histórias tem um fundo e motivo cultural, enquanto a outra simplesmente é uma falha de pensamento mais básico.

    Aliás, nem eles mesmos acreditam. Uma das premissas é acabar com o dinheiro, mas o método preferido que mostram é simplesmente uma técnica de programação linear baseada, justamente, no custo (quantidade de dinheiro) que cada parâmetro da dita programação tem. Vários links no youtube mostram isso.

    PS.: contra toda a minha indignação, vi os vídeos do Zeitgeist e li várias coisas no site. Realmente só quem não tem a mínima noção do que seja complexidade computacional pode acreditar no que eles dizem que é possível.
  • anônimo  12/07/2014 07:32
    Caros, achei esse artigo para conhecer como funciona a criação de dinheiro no Brasil. Então quis saber se havia algum comentário sobre Zeitgeist e percebi que as pessoas estão comentando sobre o Projeto Venus, mas parece que não assistiram os três filmes do Zeitgeist do Peter Joseph e portanto não entenderam alguns princípios básicos que eles querem transmitir. Vivemos em um mundo de desigualdade gerado pela existência de dinheiro a partir do momento que as instituições financeiras o criam do nada e o dinheiro determina a aquisição de bens e recursos, mas não esta disponível para todas as pessoas e considerando que ele eh criado a partir de uma divida e com acréscimo de juros, mesmo que todo dinheiro fosse usado para pagar a divida na sua criação, não haveria dinheiro suficiente para liquidar essa divida. Portanto, esse modelo eh falho. Considerando que a terra foi fatiada e que existe a exploração dos recursos de forma descontrolada e pelas corporações que buscam maximizar seus lucros, novamente, o dinheiro acaba por gerar miséria na terra, que eh uma contradição, pois como pode haver miséria se ha alimentos que caem das arvores em qualquer floresta por ai, se ha tantas terras para plantar, como pode pessoas não terem moradia com tanta espaço no planeta? Portanto, o Zeitgeist e o Projeto Venus, que me parece ser de origem do projetista industrial Jacques Fresco e não exatamente do Zeitgeist, prega uma mudança de paradigma, em que as pessoas num nível muito mais elevado de consciência e inteligência, poderiam criam uma civilização capaz de viver de forma harmoniosa com o meio ambiente, sem desigualdade social, sem sistema monetário e financeiro, com cidades projetadas de forma mais inteligente para diminuir a necessidade de deslocamento, uso de energia e recursos e a tecnologia como meio para se construir essa cidade. Na verdade eles são visionários, ou seja, pessoas que estão a frente de outros, pensando longe. Infelizmente eu penso que isso esta mais para uma utopia, pois com uma sociedade tão atrasada mentalmente, que acredita nos valores atuais e não consegue entender que a exploração descontrolada dos recursos do planeta vai levar a sua própria destruição, seja por degradação do solo, poluição do ar, das aguas, dos mares, contaminação e geração de doenças e etc, etc. Sugestão, assistam no youtube Zeitgeist Addendum m.youtube.com/watch?v=Z71lo_OeD34 para entender melhor sobre a ideia deles.
  • Pobre paulista  08/02/2013 17:29
    Leandro, fiquei com uma dúvida.

    Entendo que o dinheiro virtual criado pelo crédito bancário seja simplesmente uma geração de inflação, o fato do governo imprimir dinheiro seria somente uma contrapartida para ajustar esta conta, correto? Afinal a moeda já foi desvalorizada quando o dinheiro foi criado do nada.

    Mas, se o pensamento acima for correto, me parece que mesmo com o crédito real poderia sofrer disso, não? Afinal o banco também criou esses juros do nada... só foi em escala menor.
  • Leandro  08/02/2013 17:48
    Crédito real é quando você deposita dinheiro no banco, o banco empresta exatamente este seu dinheiro e, durante todo este tempo, você não tem acesso a este dinheiro.

    O crédito é real porque se trata de uma poupança genuína. Enquanto você está sem consumir, outra pessoa está utilizando este seu dinheiro. Ou seja, enquanto você é obrigado a se abster do consumo, outra pessoa está investindo. Não dá para vocês dois utilizarem o mesmo dinheiro ao mesmo tempo.

    Já no sistema atual, tanto você quanto o tomador de empréstimo estão gastando o mesmo dinheiro simultaneamente. Você não precisa poupar para que outro possa investir. É justamente dessa "mágica", dessa expansão monetária virtual, que surgem as descoordenações.

    Quanto a "o governo imprimir dinheiro seria somente uma contrapartida para ajustar esta conta", não entendi muito bem o que você quis dizer. Em todo caso, recomendo a leitura destes dois artigos, justamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=961
  • Pobre Paulista  10/02/2013 16:49
    Entendi, foram esclarecedores os artigos também.

    Eu imaginei que a qualquer momento o BC poderia transformar a "modea fiduciária" em moeda real. Na minha visão isso não seria um problema inflacionário, a raiz seria somente na criação da moeda fiduciária.
  • Bruno  10/02/2013 23:16
    Só pode ser uma piada:

    www.youtube.com/watch?v=qY3bc1mkNeQ

    Sapoia garante!

    (A galera do Mises não poderia fazer uns vídeos assim tabém no Youtube?)

  • Gustavo BNG  11/02/2013 00:39
    Acho mais eficiente o pessoal do IMB se dedicar aos artigos e traduções (como é atualmente), e os outros apreciadores da Escola Austríaca fazerem os vídeos. "Divisão do trabalho", coisa de livre-mercadista ;)
  • evandro  19/04/2013 12:29
    Vi uma frase em um artigo ''avaranda.blogspot.com.br/2013/04/mudando-de-assunto-luiz-carlos-mendonca.html '' que me deixou em duvida, vou colar o trecho aqui, se o Leandro puder me explicar:

    ''O modelo de um ajuste fiscal violento, sem a ajuda de uma expansão monetária agressiva como a perseguida pelo Fed nos Estados Unidos, está por trás do atraso europeu.''

    O que o autor quis dizer com ''expansão monetaria agressiva como a perseguida pelo FED'' ? Como está se dando (se é que esta se dando) esta expansão, e ela é benéfica ou ruinosa, na sua opinião? Quem esta mais no caminho certo, na sua opinião?
  • Leandro  19/04/2013 12:51
    Ele escolheu as palavras erradas. O problema dos PIIGS é que eles estão passando por uma intensa deflação monetária. Pior ainda: estão elevando impostos em um cenário de deflação monetária, algo fatal.

    Explicado com detalhes e com gráficos neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514
  • Ricardo Mota  19/04/2013 13:28
    Olá Leandro,

    Recentemente tive acesso ao conteúdo desse maravilho site e também deste seu artigo. Mto bom, parabéns!

    Se possível, gostaria de saber como nós (pessoas comuns) podemos nos proteger dos efeitos deletérios (inflação, basicamente) dessa política expansionista de crédito bancário. Eu particularmente já tinha uma convicção pessoal de que poupar a cada dia que passa fica cada vez mais difícil por conta dos efeitos da inflação. E se nao poupamos hoje teremos sérios problemas em mantermos nosso próprio sustento no futuro. A cada dia que passa, trabalhamos cada vez mais e nossa poupança parece cada fez menor. Essa é uma preocupação que tenho, pois não teremos a mesma força de trabalho depois que envelhecemos.
    O podemos fazer para nos proteger desse tributo maligno chamado inflação?
    Grato!
  • Mauro Lúcio   19/04/2013 13:44
    Na minha opinião, na atual situação de juros baixos e inflação em alta, não há muito pra onde correr. Estamos sendo dizimados.

    Vou copiar o que foi escrito em outro tópico pelo Leandro:

    Pelo que entendi, você quer um investimento tradicional e conservador, sem pirotecnias.

    Normalmente, CDBs, Renda Fixa e DIs sempre foram interessantes. Porém, com a recente queda dos juros, e considerando o fato de que incide imposto de renda sobre estas aplicações, elas perderam muita atratividade. Todas perdem, por exemplo, para a poupança antiga (aplicações em poupança feita até o dia 3 de maio de 2012).

    O CDB tem liquidez diária, mas, como dito, incide IR. Renda Fixa e DI não têm liquidez diária. Já a poupança não apenas tem liquidez diária, como também não está sujeita a imposto de renda.

    Minha sugestão: coloque dinheiro na poupança e realmente poupe. Isso é, abstenha-se o máximo possível do consumo. Faça depósitos frequentes, e em períodos não maiores do que 30 dias. Um fenômeno matemático do qual pouca gente se dá conta, mas que é absolutamente essencial, é a questão do funcionamento da taxa de juros composta.

    Esse artigo espetacular, escrito por uma sumidade do mundo dos investimentos (Richard Russell), mostra como você pode usar uma renda fixa (como o rendimento da poupança) para ganhar dinheiro. A dica é começar cedo.

    Se uma pessoa começa a poupar aos 19 anos, depositando uma quantia fixa durante apenas 7 anos (isso é, até os 25 anos), e a partir daí parar de fazer depósitos e ficar apenas coletando juros, quando ele chegar aos 65 anos ele terá mais dinheiro do que um cara que fez o mesmo, só que a partir dos 26 anos, e que depositou dinheiro anualmente até os 65 anos!

    Ou seja, o 1ª cara, que depositou dinheiro durante apenas 7 anos, estará mais rico do que o outro cara que ficou depositando dinheiro durante 39 anos.

    Veja a tabela que você entenderá.

    ww1.dowtheoryletters.com/dtlol.nsf/htmlmedia/body_rich_man__poor_man.html


    P.S.: Sim, há sempre o risco, principalmente com o governo atual, de a inflação bater a poupança durante algum período. Mas, atualmente, a inflação está batendo quase tudo, exceto os investimentos mais arriscados.
  • RICARDO  24/04/2013 19:05
    Olá Mauro,

    Mto grato pela sua explicação.
    Abraços.
  • Pillon  24/04/2013 08:35
    Ainda não li todos os artigos, conheci o instituto somente hoje.

    Gostaria de um esclarecimento sobre o interbancário de CDI que se processa no âmbito da Cetip S/A, de que forma ele pode suprir recursos para expansão do crédito e, na sua visão, como esse mercado pode influir na formação da Selic?

    Já há algum artigo escrito sobre isso?

    Grato e parabéns pelo site.

    PS Venho fazendo posts em outro blog nessa mesma visão do mercado financeiro e já me fascinei pelos artigos deste site, aos quais fiz uma rápida visita.
  • Leandro  24/04/2013 16:11
    É justamente o mercado interbancário que forma a SELIC e que dá sustentação a todo o processo de expansão do crédito. O mercado interbancário opera tanto com títulos do governo (o que forma a SELIC) quanto com títulos emitidos pelos próprios bancos (o que forma o CDI). Veja este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1574
  • Atila Rodrigues  25/04/2013 23:08
    Esta situação é mundial. Para quem quiser saber mais sobre esta loucura no mundo é só visitar as seguintes páginas:

    www.resistir.info/financas/secrets_of_money_p.html

    www.resistir.info/europa/moeda_de_estado.html

    Este sistema é o que levou o mundo desenvolvido ao colapso atual. Pelo lado bom, tudo está em vias de mudar...
  • anônimo  08/05/2013 21:42
    É correto dizer que, "se" a CEF comece a receber calote generalizado dos tomadores de empréstimo, uma crise bancária nacional será desencadeada? Seria irreal supor que, com o anúncio esta semana do "bail-in" como método para resgatar bancos em caso de uma crise, os correntistas com alguma quantia considerável em depósitos estão na mira para serem financiadores de um eventual resgate? Só imagino como ficaria, nesta situação, o FGC, que anunciou hoje que aumentou a cobertura de R$70k para R$250k, talvez já estejam preparando terreno para uma solução como a executada no Chipre.

    De qualquer maneira, vou abrir uma conta no exterior, só pra garantir.
  • Leandro  08/05/2013 22:23
    A resposta à primeira pergunta é um inequívoco sim. Quanto à segunda pergunta, não quero fazer sensacionalismo, mas o índice de Basiléia da CEF não apenas é, de longe, o pior dentre os bancos brasileiros, como ele vem se deteriorando a uma velocidade sonora.

    Em setembro de 2007, o índice era de 29,5. Atualmente está em 13 (chegou a 12,6 em setembro passado). Todos os outros bancos melhoraram neste período. Apenas a CEF despencou.
  • Emanuel  20/05/2013 07:33
    Pessoal, como uma pessoa sem conhecimentos de economia, eu gostaria de fazer algumas peguntas para vocês (desculpem se minhas perguntas são muito bobas, de resposta óbvia ou se já foram respondidas anteriormente):

    Já que os bancos podem criar dinheiro do nada e isso gera inflação e tende a gerar uma recessão na economia, seria o caso de abolir esse sistema de reservas fracionadas?

    Em caso afirmativo, como poderia ser feita essa transição para que os bancos fossem apenas intermediadores entre poupadores e empreendedores, sem causar um desequilíbrio à economia?

    Vi que na seção biblioteca desse site existe muito material, mas quias são indicados para quem ainda não tem conhecimentos econômicos como eu? Pelo título, me interessou muito o livro "Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos", mas acho que ainda é uma leitura muito pesada pra mim.

    Agradeço se puderem me responder.
  • Malthus  20/05/2013 07:41
  • Emanuel  23/05/2013 01:43
    Obrigado pelas respostas, Malthus.
  • Bianca Rodrigues  18/07/2013 20:36
    Olá, estou fazendo minha monografia sobre o Sistema de Reserva Fracionária e gostaria se saber de onde retirou os dados para fazer os gráficos.

    Desde já agradeço.
  • Leandro  18/07/2013 21:15
    Site do Banco Central. Todos os dados estão publicamente disponibilizados pelo Banco Central em seu site, mas infelizmente não há nenhum link direto para o gráfico de nenhuma variável. Você tem de ir ao link abaixo e então clicar em todas as variáveis desejadas. Feito isso, o próprio site do BACEN irá lhe fornecer o gráfico.

    https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

    Caso o link acima não abra, certifique-se de colocar os dois pontos ( : ) após o https.
  • Carlos  18/08/2013 23:12
    Além do compulsório não existe outra limitação da alavancagem dos bancos? O comitê da Basiléia recomenda uma alavancagem máxima de quantas vezes o valor do patrimônio líquido dos bancos? O Bacen adota alguma limitação desse tipo?
  • Leandro  19/08/2013 12:44
    No que diz respeito a alavancagens, o Banco Central trabalha apenas com compulsório. As regulações de capital/ativos ficam por conta de Basileia. Basileia II impôs uma razão capital/ativos de 8%. Basileia III pretende elevar esta razão para acima de 12%.

    Este artigo especifica todos os detalhes:

    O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia
  • anônimo  20/08/2013 15:37
    Leandro ótimo texto - sou economista de primeira viagem e me projeto a área bancaria pública. logo quero fazer uma analogia ao texto e duas perguntas.


    Primeiro, pelo que intendi vivemos quase num sistema de "mercantilismo bancário" onde eles tenta manter suas reservas inalteradas mas investindo em propensões de lucro. Não se assemelha ao sistema que o Império Inglês fez com suas colonias? ou viajei na maionese? rsrs

    pronto perguntas na sua opinião:

    Esse processo de ciclo de expansão no nosso pais é curto, logo o remédio seria uma solvência maior dos numero de bancos no mercado ou um regime de controle maior de compulsório?

    E a meta de inflação projetadas usando como mecanismo (por alto) apenas a selic como o controle da geração de credito é fraca, deveria haver uma regulamentação maior acerca câmbio interbancário? se sim qual seria a imposição que poderia forçar os bancos a diminuir os juros e beneficiar setores da economia? setores como os pequenos banco e bancos cooperativas.
  • Sergio-SP  11/09/2013 15:34
    Boa tarde, excelente artigo e muito claro. Porém, estou fazendo um trabalho voltado à controladoria e contabilidade bancária. Poderia me informar como é o real funcionamento do que dizem ser a dedutibilidade? Onde o BACEN controla os créditos podres e restitui os valores em forma de dedução? No caso para créditos pessoais, contratos acima de 180 dias e financiamento de bens para contratos inadimplentes acima de 720 dias sem a busca ou apreensão do bem. Fico no aguardo. Muito obrigado e parabéns.
  • Daniel  11/09/2013 22:21
    Olá, mais um excelente e explicativo artigo, porém alguém poderia me ajudar a solucionar uma questão vital que não consigo compreender?

    Como a economia vai crescer e as pessoas enriquecerem se não for criado dinheiro do nada pelos bancos?

    O que adianta eu montar uma empresa e produzir um produto gerando riqueza para a sociedade se ninguém poder comprar este meu produto?

    Se todas as pessoas estiverem com o orçamento todo comprometido, como vão poder adquirir novas riquezas geradas?

    Ou seja, pelo que penso, assim não seria criado dinheiro, só transferido, então para alguém ganhar mais outro sempre teria que ganhar menos.

    Grandes intelectuais autores e leitores do Misses, podem me explicar e me ensinar por favor?
  • Leandro  11/09/2013 23:07
    Prezado Daniel, a riqueza real não pode ser aumentada por meio da simples criação de dinheiro e de crédito. Aumentar a quantidade de pedaços de papel na economia (ou de dígitos eletrônicos) não torna uma sociedade mais rica; não aumenta a quantidade de recursos escassos disponíveis, não aumenta a quantidade de materiais para a construção de bens de capital e bens de serviços.

    A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Criar dinheiro e sair concedendo crédito é uma medida que estimula o consumismo imediato e que gera investimentos que, embora pareçam rentáveis, assim que eles ficam prontos revelar-se-ão insustentáveis. Com o tempo, os preços sobem generalizadamente, a expansão do crédito é reduzida, e todos esses investimentos que foram estimulados pela expansão artificial do crédito entram em colapso, pois nunca houve uma demanda genuína por eles. Como os consumidores estão mais endividados e o nível geral de preços da economia aumentou, a demanda irá cair. Aí começa a recessão.

    No final, houve apenas desperdício de recursos escassos e destruição de capital.

    Embora aumentos na quantidade de dinheiro não façam a economia crescer, eles de fato alteram a estrutura da mesma; embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.
  • Renato Souza  11/09/2013 23:51
    André

    Essa é uma falácia antiga, Adam Smith explicou isso. Dinheiro não é riqueza em si. Mesmo que fosse ouro, seria uma parte mínima da riqueza de um país.

    O que acontece quando se aumenta a produção de riqueza mas não se aumenta (ou se aumenta pouco) a quantidade de dinheiro em circulação? Simples, o dinheiro se torna mais escasso em relação à demanda por ele, e portanto seu valor sobe, ou dizendo de outra forma, os preços em geral caem. Assim, não existe uma quantidade "ideal" de dinheiro para uma determinada economia. O valor do dinheiro se adapta para se tornar adequado ao tamanho da economia.
  • Andre Cavalcante  11/09/2013 23:53
    Tentando responder (além do que o Leandro postou pela centésima milionésima vez aqui no site):

    "Como a economia vai crescer e as pessoas enriquecerem se não for criado dinheiro do nada pelos bancos?"

    R. Você está confundindo riqueza com dinheiro. Ter dinheiro não é ter riqueza. A riqueza está no conjuntos dos bens e serviços criados, vendidos, trocados etc. Dinheiro é só uma forma de medir a quantidade de riqueza, assim como o metro é só uma forma de medir um comprimento. Ter R$100,00 era bastante no início do Plano Real. Hoje não compra muita coisa.

    "O que adianta eu montar uma empresa e produzir um produto gerando riqueza para a sociedade se ninguém poder comprar este meu produto?"

    R. O que faz as pessoas comprarem coisas? Necessidade, desejo, vontade, etc. Se eu crio algo e coloco a venda eu posso ou não vender, dependendo se as pessoas quiserem ou não aquele produto. Se não quiserem, tomo prejuízo, se quiserem, tenho lucro. Só haverá uma genuína quebra no poder de compra quando todo mundo se transformar em zumbi (ou o governo nos transformar em zumbis por causa de um hiperinflação). Até lá, ao menos o básico: alimentação, vestuário, moradia, transporte etc. as pessoas irão consumir, então haverá mercado e produtores e consumidores.

    "Se todas as pessoas estiverem com o orçamento todo comprometido, como vão poder adquirir novas riquezas geradas?"

    R. Já parou para pensar que este é exatamente o ponto em que nós estamos, justamente por causa da criação de dinheiro (e não riquezas) do nada? Não parece exatamente que tá todo mundo com o "orçamento comprometido"? Não, não é só sensação: a inadimplência, por exemplo, segundo o Serasa, apesar da diminuição em junho e agosto, registra um aumento em 2013, de 2,2% (o aumento já foi de 4%).
  • Leonardo Couto  12/09/2013 01:03
  • Daniel  26/11/2013 14:39
    Olá Leandro, Renato e André, muito obrigado pelas elucidatórias respostas.

    Consegui ampliar a minha compreenção desta dinâmica complexa do capitalismo.

    Embora eu frequentemente acesse o Misses, au ainda não havia lido os artigos que voccê me indicou Leandro, agora com a leitura dos mesmos e com suas respostas consegui compreender melhor a situação do dinheiro na econômia.

    Só para deixar claro, eu sempre soube que o dinehiro só representa uma riqueza, mas o valor verdadeiro está nos serviços, produtos, conhecimentos e etc gerados, eu só não consegui compreender como poderia se transformar esta riqueza verdadeira gerada em dinheiro sem mais dinheiro no mercado.

    Forte abraço a todos.
  • anônimo  04/12/2013 14:07
    Leandro, bom dia.
    Não sei se você tem acompanhado o debate entre o Bob Murphy e autores de uma escola chamada MMT – Modern Monetary Theory – principalmente um chamado Warren Mosler (o debate está no youtube). Um desses autores, chamado Randall Wray, argumenta que esse sistema bancário de reservas fracionárias e moeda estatal existe desde sempre, que o dinheiro não é commodity e nunca surgiu do escambo, mas é e sempre foi um título de dívida, sendo uma criação do estado como unidade de conta – a visão chartalista da moeda, embasada em Innes-Mitchel, David Graeber etc. Eles dizem que o estado se financia criando moeda e o público vende seus bens e serviços pro estado porque precisa da moeda pra pagar impostos, por isso a moeda estatal tem poder de compra (quando o estado recebe de volta a moeda ela "morre" como uma quitação de dívida). Disso, argumentam que o estado não se financia pela coleta de impostos e nem do endividamento, estes dois servem apenas para drenar excesso de moeda da economia real e evitar inflação de preços. Desta forma, os déficits governamentais não seriam preocupação e nem um fardo para futuras gerações, já que o governo pode se financiar por ser o emissor de moeda; moeda e dívida são os dois lados da mesma moeda, como dizem eles. E como moeda é dívida, ela é criada de forma endógena, pelos agentes nos mercados, ou seja, qualquer um é emissor de moeda. O problema é que dívidas privadas só podem, em última instância, ser quitadas em dívidas públicas (a moeda estatal).
    Eles também afirmam que a inflação de preços e os malinvestments não decorrem do aumento da moeda, mas ao contrário, são as causas para o aumento da quantidade de moeda estatal, seu efeito.
    Outro ponto que eles levantam é que o governo não pode ser comparado a qualquer outra instituição privada pelo fato de ser o emissor de moeda, assim, afirmam que o governo precisa estar sempre em déficit para que o público tenha dinheiro suficiente para pagar os impostos e poder aumentar a poupança privada. Eles sempre apresentam essa fórmula: G – T = S – I. Se os governos incorrerem em superávits, estarão apenas aumentando o fardo de impostos sobre a população e no final das contas não haverá mais moeda pra transações quando o governo quitar a dívida pública.
    Ah! E os investimentos não vêm da poupança, mas é a poupança que é criada pelos investimentos, já que moeda é um título de dívida e não uma commodity. E até o mercado é invenção do estado pra eles.
    E como tudo isso é assim mesmo, eles propõem uma política de estoque regulador de trabalho não especializado com um valor pré-definido pra evitar ciclos econômicos, inflação de preços e gerar automaticamente pleno-emprego.
    Como você vê esses argumentos todos? Desculpa te incomodar com isso, mas não acho que o Murphy tem respondido à altura e não vi mais nenhum austríaco interessado neste debate, apesar de achá-lo de suma importância pelos resultados que esse intervencionismo todo pode levar (e eu nã