Quem realmente está causando a carestia no Brasil - números atualizados para junho

novaes2.jpgA percepção da carestia na rotina dos brasileiros é real. Nas filas de supermercados, nos restaurantes a quilo, no comércio em geral e nos serviços contratados, as reclamações já não se restringem a apenas um ou outro bem ou serviço.  A realidade é que a palavra inflação voltou com tudo para o léxico dos consumidores.

De fato, os números da carestia são bastante preocupantes.  No setor de serviços, por exemplo, a inflação de preços acumulada em 12 meses foi de 9,20% em junho.  Esse foi o maior valor desde 1999 — ano em que foram adotados o sistema de metas de inflação e o uso da SELIC como ferramenta básica para a política monetária.

Já a inflação acumulada em 12 meses para os bens não-comercializáveis — ou seja, todos os produtos e serviços que não sofrem concorrência de importados — fechou junho em 7,63%, após chegar ao pico de 9,70% em maio de 2013.

Em todo o governo Dilma, a média da inflação de preços do setor de serviços está, no momento, em 8,48% ao ano.  E a média da inflação de preços dos bens não-comercializáveis está em 8,28%.  Para ambos os casos, trata-se da maior média já observada desde 1999

Ou seja, esses dois lamentáveis recordes de carestia pertencem ao governo Dilma e à atual equipe do Banco Central, que já se consolidou como a pior da era do real.  Tal incompetência, no mínimo, ajuda a explicar por que as pessoas repentinamente se tornaram preocupadas com a carestia e por que a popularidade da presidente segue em queda.

No entanto, um fenômeno inusitado vem chamando a atenção: no início de abril de 2013, a taxa SELIC estava em 7,25%.  Um ano depois, ela já está em 11%.  A inflação de preços, no entanto, segue impávida.

Esse fenômeno açulou uma controvérsia que até então estava razoavelmente adormecida: afinal, o Banco Central elevar a taxa básica de juros funciona ou não para combater a inflação? 

Até mesmo alguns colunistas mais experientes se mostram particularmente atordoados.  Segundo eles, após todo esse "aperto monetário" promovido pelo Banco Central, era para a inflação de preços ter arrefecido.  Mas isso não ocorreu.  Pior ainda: a carestia não apresenta o mais mínimo sinal de folga.  Por quê?

A pergunta que várias pessoas estão fazendo é: se a economia está crescendo pouco — a média do crescimento econômico do governo Dilma só será melhor que a média obtida nos 3 anos do governo Collor — e a criação de empregos está estagnada há um ano, de onde está vindo a pressão para essa carestia?  Por que os preços seguem subindo e não dão sinais de arrefecimento?

Há duas causas.

A primeira causa

A primeira causa — que não é a principal — está ligada às expectativas ruins dos agentes econômicos. 

Segundo alguns analistas, a falta de uma política fiscal mais austera e transparente seria o principal motivo de as expectativas de inflação ainda se mostrarem resistentes.  Essas expectativas negativas dos agentes econômicos, que pioram continuamente, estariam estimulando remarcações preventivas nos preços.

Já outros analistas afirmam que o governo errou ao permitir que a inflação se mantivesse longe do centro da meta — de 4,5% ao ano — por tanto tempo.  Isso enviou aos agentes econômicos a mensagem de que o governo é tolerante com a inflação, o que ampliou a onda de pessimismo e desconfiança.

Para piorar, a evidente submissão da atual equipe do Banco Central às pretensões políticas de Dilma — que, junto com Guido Mantega e Arno Augustin, implantou uma malfadada "Nova Matriz Econômica" — jogou a credibilidade do BACEN ao chão. 

Empenhada em ter a menor SELIC da história, Dilma pressionou para que o BACEN atuasse nesse sentido. Obediente, o BACEN reduziu a taxa básica de juros para 7,25% em outubro de 2012, o menor nível de sua história.  E nesse valor ela permaneceu por seis meses, mesmo com a carestia já em ascensão.  Ao mostrar essa submissão ao Palácio do Planalto, o Banco Central perdeu toda aquela confiança que usufruía junto ao mercado durante a gestão Henrique Meirelles.

Portanto, para esses analistas, o maior problema da economia brasileira é a desconfiança gerada pelo governo.  Ela estaria inibindo os investimentos produtivos que poderiam aditivar a economia, gerar um aumento da oferta e, com isso, arrefecer um pouco a pressão sobre os preços. 

Aquelas distorções que sempre oprimiram a economia brasileira, e com as quais fomos forçados a conviver passivamente — como infraestrutura precária, carga tributária sufocante, burocracia asfixiante e baixa qualidade da mão-de-obra —, não estão, no momento, no topo da lista de reclamações.  Por ora, não são esses os problemas que estão inibindo empresários a aumentar seus investimentos.  O problema realmente é a falta de credibilidade do governo.

Ao colocar em risco os fundamentos mais básicos da economia, ao aceitar a inflação de preços no teto na meta por tanto tempo, ao gastar mais do que arrecada, e ao fazer intervencionismos pontuais — como intervir em contratos no setor de energia, alterar o marco do setor petrolífero, segurar os preços dos combustíveis, e adotar políticas de impostos e de tarifas de importação com o intuito de incentivar alguns setores escolhidos segundo critérios políticos e eleitoreiros —, o governo criou insegurança e se transformou no maior inibidor dos investimentos, cuja ausência restringe a oferta e pressiona os preços para o alto.

Muito bem.

Todos esses argumentos apresentados pelos analistas estão corretos.  Os fatos são verdadeiros e a lógica é impecável.  Com efeito, a questão das expectativas é essencial para o bom funcionamento de uma economia.  O economista americano Robert Higgs, seguidor da Escola Austríaca, cunhou o termo "Incerteza Gerada pelo Regime", e sua obra explica cristalinamente tudo isso que estamos vivenciando na prática aqui no Brasil.

Havendo previsibilidade, regras claras, inflação sob controle e um governo comprometido com um orçamento equilibrado, até mesmo deficiências graves como infraestrutura precária, impostos altos, burocracia soviética e mão-de-obra cara e pouco produtiva não se tornam obstáculos intransponíveis.  Os investimentos ainda ocorrem.  Porém, quando o governo intervém, passa a fazer microgerenciamentos, e deixa claro que questões básicas como inflação de preços e responsabilidade fiscal não mais são importantes, a coisa degringola.  As questões objetivas, como os problemas estruturais do país, deixam de pesar nas decisões empresariais.  Um fator subjacente — a desconfiança — ganha proeminência e se torna o mais influente.

No entanto, ainda há um problema: embora todos esses fatos e argumentos sejam verdadeiros, eles, por si sós, não explicam completamente a carestia.  Há algo mais poderoso por trás de tudo isso, e que está dando sustento a esses contínuos e inabalados aumentos de preços.

A segunda e principal causa da carestia

Poucos sabem, mas, no Brasil, por determinação do governo federal, praticamente metade dos empréstimos feitos pelos bancos cobram juros menores do que a SELIC. 

Em outras palavras, isso significa que metade dos empréstimos feitos pelos bancos praticamente não são afetados por aumentos da taxa básica de juros da economia, a qual, supostamente, deveria servir de baliza para todas as outras taxas de juros da economia. 

Ou, falando ainda mais claramente, isso significa que o Banco Central pode subir a SELIC o quanto quiser — as taxas de juros destes empréstimos praticamente não serão afetadas.

Esta modalidade de crédito é chamada de "crédito direcionado" ou também de "crédito com recursos direcionados".  Consiste na obrigatoriedade do fornecimento de empréstimos subsidiados para o setor rural, para o setor imobiliário (aquisição de imóveis), para o setor exportador e para grandes barões do setor industrial. 

E quem são os bancos que fazem esses empréstimos cujos juros praticamente não são afetados pela SELIC?  Os bancos estatais, majoritariamente Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES. 

Veja aqui nesta tabela alguns valores.  Observe na coluna "taxa de juros" os valores cobrados das pessoas físicas e das pessoas jurídicas.  De abril de 2013 a junho de 2014, a SELIC subiu de 7,25% para 11%, quase quatro pontos percentuais.  No entanto, neste mesmo período, a média das taxas de juros do crédito direcionado moveu-se pouco mais de 1 ponto percentual: para as pessoas jurídicas, a média dos juros subiu de 7,2% para 8,7%; e para as pessoas físicas, subiu de 6,7% para 7,9%.  Ambas estão bem abaixo da SELIC.

Quer um exemplo prático do que isso significa?  Um conhecido meu (eu sei, também odeio esse clichê de "conhecido meu", mas juro que o caso é verídico), que é produtor rural, comprou uma Strada de R$40.000 por meio de um programa do governo federal chamado Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).  Esse programa obriga o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a fazerem empréstimos a juros subsidiados para produtores rurais.  A taxa de juros cobrada?  Meros 3% ao ano.  É sério, pode conferir aqui, no item 9.  Essa taxa de juros é simplesmente metade da taxa de inflação anual.  Aliás, como mostra o link, dependendo do preço do maquinário adquirido, a taxa de juros pode ser de mísero 1,5% ao ano.

Outro exemplo: o Banco do Brasil está oferecendo empréstimos para a aquisição de imóveis a juros de 6,22% ao ano, uma taxa que também é menor do que a inflação de preços.  Um banquete para os especuladores imobiliários.  E há também o inefável BNDES, cujos empréstimos para o grande baronato industrial cobram juros de ínfimos 5% ao ano.

E então, você sabia que, para a metade do seu crédito, o Brasil tem um dos menores juros reais do mundo?

A taxa SELIC influencia apenas o chamado "crédito livre" ou "crédito com recursos livres".  Como o próprio nome diz, trata-se dos empréstimos que os bancos podem fazer para quem quiser, cobrando juros de mercado.  Eis aqui a tabela com os juros desta modalidade.  Bem mais altos e variando de acordo com a SELIC.

E qual a consequência de tudo isso?  O gráfico abaixo mostra de maneira translúcida.

A linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos).  A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste e demais bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banco da Amazônia, Banestes )

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Antes de fazermos algumas constatações, tenha em mente que, no nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  (Mesmo o BNDES, que antigamente utilizava apenas recursos do FAT, teve sua operação alterada, e agora também se tornou uma máquina de criar dinheiro, ainda que de maneira indireta

O gráfico acima, portanto, mostra quanto dinheiro foi criado pelos bancos privados (linha azul) e pelos bancos estatais (linha vermelha) em operações de concessão de empréstimo.

Eis algumas constatações óbvias:

1) O crédito no Brasil já se encontra efetivamente estatizado, pois o volume de crédito fornecido pelos bancos estatais ultrapassou o volume de crédito fornecido pelos bancos privados.

2) A partir de 2008, o crescimento do crédito fornecido pelos bancos estatais assumiu um formato exponencial, e, até a presente data, vem se mostrando totalmente indiferente a alterações na SELIC.  Isso ocorre porque o crédito fornecido pelos bancos estatais é majoritariamente do tipo 'crédito direcionado'.

3) O comportamento dos bancos privados ocorre estritamente de acordo com as expectativas para a economia.  Foi comedido em 2003, eufórico de 2004 a 2008, comedido em 2009, eufórico em 2010, razoavelmente cauteloso em 2011 e desanimado a partir de 2012.

4) Os bancos estatais estão completamente fora de controle, criando dinheiro e jogando esse dinheiro na economia de forma exponencial. De 2008 até hoje, eles sozinhos jogaram mais de R$1 trilhão na economia brasileira.  Estão claramente seguindo ordens políticas.

5) São os bancos estatais os principais causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil.  Quanto mais dinheiro eles jogam na economia, maior é a pressão sobre os preços.

6) Os bancos privados, ao reduzirem substancialmente o ritmo de seus empréstimos, aliviaram um pouco da pressão altista nos preços.

7) As causas desse ritmo mais brando na concessão de crédito pelos bancos privados são várias, mas as duas principais são o alto endividamento da população (o que reduz a demanda por crédito e piora o histórico de crédito dos tomadores) e a deterioração das expectativas quanto ao futuro da economia.

8) Caso os bancos privados estivessem tão descontrolados quanto os estatais, a inflação de preços provavelmente já estaria nos dois dígitos.

Conclusão

Atualmente, a política de juros do Banco Central não afeta aquela linha vermelha.  Ela afeta apenas a linha azul.  Ou seja, a política monetária atua apenas sobre o crédito livre, que é quase todo fornecido pelos bancos privados.  Na prática, os bancos estatais estão fora do âmbito da política monetária do BC.  Isso significa que o combate à carestia via simples aumento da SELIC exigirá um esforço dobrado. 

E isso gerou uma sinuca do bico: se o próximo governo quiser realmente atacar a carestia, a SELIC terá de ser elevada a níveis mais fabulosos (em 2003, ela teve de ir a 26,5%).  Só que isso irá asfixiar o crédito dos bancos privados, e consequentemente elevar ainda mais o grau de estatização do crédito.

Portanto, a solução mais óbvia e prática é acabar com esse descontrole dos bancos estatais e enquadrá-los nas mesmas regras vigentes para os bancos privados.  Como disse Edmar Bacha, "Em Brasília, os presidentes dessas instituições dão tchauzinho para o pessoal do BC".   

Em última instância, são os bancos estatais os responsáveis pelos juros e pela inflação de preços serem altos no Brasil.  Dado que eles são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis pela metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC tem de estar em um nível duplamente mais alto apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

Caso os bancos estatais operassem sob as mesmas leis que valem para os bancos privados, a SELIC seria menor e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos privados também seriam menores do que são hoje; por outro lado, os juros cobrados pelos bancos estatais seriam maiores do que são hoje.  No geral, teríamos taxas de juros (do crédito livre) e de inflação de preços um pouco mais civilizadas.

Essa situação anômala que estamos vivenciando é apenas mais um exemplo prático das nefastas consequências do intervencionismo estatal, dessa vez no crucial setor bancário.  Da próxima vez que você vir algo cujo preço aumentou substancialmente nos últimos meses, pense nos logotipos da CEF, do BB e do BNDES.  E lembre-se dos políticos que dão ordens a essas instituições.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • IRCR  05/05/2014 06:53
    Leandro,

    É verdade que os banco publicos não seguem a regra do compulsorio ? e tambem não segue o acordo de basileia ?

    Qual é a probabilidade de estarmos imersos em uma bolha de credito geral (tipo China) no Brasil ?

    Um ponto que vc esqueceu de tocar é como o crédito direcionado para o setor publico desde 2012 cresceu de forma vertiginosa e assustadora.
  • Leandro  05/05/2014 14:18
    "É verdade que os banco publicos não seguem a regra do compulsorio ? e tambem não segue o acordo de basileia ?"

    Seguem ambos. No entanto, o compulsório é um instrumento que, na prática, já se revelou pra lá de inócuo. Tanto é que as principais economias do mundo ou já o aboliram ou o reduziram a valores ínfimos. Na Austrália, na Nova Zelândia, no Canadá, no Reino Unido e na Suécia, ele foi abolido. Na zona do euro, ele é de 1%. Na Suíça, ele é de 2,50%. Veja a lista aqui.

    Explicar por que o compulsório tornou-se inócuo exigiria um artigo à parte, mas é suficiente dizer que eles foram anulados pela própria existência dos Bancos Centrais. A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas compulsórias perde a importância. Afinal, a função do compulsório é justamente restringir os bancos. Porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulavam a efetividade do compulsório.

    Se você for fluente em inglês, essa monografia do Banco da Inglaterra explica bem por que o compulsório se tornou inócuo.

    Sobre Basileia, os bancos estatais brasileiros também têm de seguir. Mas os requerimentos de Basiléia são muito brandos, de modo que ainda não representam grandes ameaças.

    "Qual é a probabilidade de estarmos imersos em uma bolha de credito geral (tipo China) no Brasil ?"

    Forte. Mas as consequências não serão devastadoras, pois a carteira de crédito -- principalmente a imobiliária -- ainda é considerada pequena. A bolha existe, mas seu estouro não será catastrófico.

    "Um ponto que vc esqueceu de tocar é como o crédito direcionado para o setor publico desde 2012 cresceu de forma vertiginosa e assustadora."

    Por incrível que pareça, esses valores ainda empalidecem perto do saldo total. Foram de R$80 bilhões para R$160 bilhões.
  • Dw  05/05/2014 16:18
    Prezado Leandro, uma dúvida: mesmo tendo uma cateira pequena, mas levando em conta que o setor imobiliário é um dos que mais emprega, um possível estouro da bolha imobiliária não seria catastrófico no sentido de geração de empregos? Ato contínuo, com mais pessoas desempregadas, não existiria um efeito cascata (negativo) nos diversos setores da economia, ocasionando uma crise séria para o país?
  • Jeferson  06/05/2014 14:47
    Acho que você está certo, mas o que ele quer dizer é que a magnitude dos efeitos não vai ser comparável à que houve nos EUA ou na Espanha, por exemplo. Vai ser um estrago, o desemprego vai dar uma disparada, vai ter uma crise, mas ela não vai ter efeitos tão grandes sobre a economia quanto as supracitadas. E possivelmente nem o valor dos imóveis vai cair tanto quanto nos EUA em 2008.
  • Maycon  05/05/2014 10:36
    Caro Leandro,, tenho aprendido muito com seus artigos. Meus parabéns!
  • Leandro  05/05/2014 14:40
    Obrigado pelas palavras, Maycon. Abraço!
  • Mr. Magoo  05/05/2014 10:36
    Gostei da solução "thauzinho ao pessoal do BC!" Chega de mantega, todos eles na margarina!
  • Roberto  05/05/2014 11:52
    Excelente artigo, Leandro.
    Estava pensando sobre isso mesmo esses dias, e não compreendia porque a Selic não estava ajudando a frear a inflação.
    Se puder me tirar uma dúvida, por favor, sobre a questão da tal "portabilidade de crédito", que segundo os analistas vai pressionar os juros pra baixo, como isso se encaixa no cenário que você descreveu neste artigo?
    Essa portabilidade não parece uma tentativa de se adiantar a uma situação semelhante ao que ocorreu no setor imobiliário dos EUA com o Subprime?
  • Daniel  07/06/2014 17:20
    A portabilidade só aumentaria a geração de volume monetário, porque empréstimos feitos a juros dos direcionados seriam aplicados em outros setores a critério dos bancos privados. A vantagem é dos bancos por isso a idéia existe em primeiro lugar. Os bancos estão sentindo o aumento da SELIC e querem expandir seus ativos do mesmo modo explosivo de antes. Mas na verdade eles não terão o poder politíco para isso. Quando a inflação criar mobilização popular, o governo vai culpar os bancos junto com as grandes empresas. Os bancos estatais vão dar completo apoio técnico e moral para completar a estatização. Os movimentos sociais (pela Política Nacional de Participação Social) pode então começar a desapropiação e estatização de fazendas, fazendas, industrias e comércios de bens de primeira necessidade. Tudo que o governo precisa fazer pra ser dono de tudo é continuar criando crédito para aumentar a inflação sem falir a moeda. Se a inflação for tão alta quanto 1992, a classe média volta a usar dolares e então o governo bate a cara no chão, porque fica óbvio que o aumento de preços não é ganância de capitaliste burguês rico, mas que é robalheira do governo.
  • Angelo T.  05/05/2014 11:56
    Bom texto, Leandro!

    Só uma dúvida: no gráfico, a linha vermelha é todo o crédito concedido pelos bancos públicos (livre + direcionado), ou apenas o crédito direcionado? Me parece que é o crédito total. Nesse caso o argumento não ficaria um pouco prejudicado? Não seria melhor uma comparação do total de crédito livre versus total de crédito direcionado?
  • Leandro  05/05/2014 13:55
    Prezado Ângelo, ambas as linhas são o crédito total.

    Porém, como explicado no artigo, o crédito direcionado é prerrogativa dos bancos públicos. (Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto ao BC: www.bcb.gov.br/pec/wps/port/td258.pdf)

    Tendo isso em mente, o atual saldo dos recursos direcionados é de R$1,256 trilhão. E a totalidade do crédito dos bancos públicos é, como mostrado no gráfico, de R$1,425.

    Ou seja, quase todos os empréstimos dos bancos públicos estão na modalidade crédito direcionado. Apenas uma ínfima quantia não está.

    Logo, e infelizmente, a análise do artigo está correta.

    Abraço!
  • Angelo T.  05/05/2014 15:32
    Obrigado pelos esclarecimentos, Leandro.

    Como o texto vinha falando de crédito livre e direcionado, e de repente mostra um gráfico com o total de empréstimo público versus privado, ficou meio estranho, na minha opinião. Mas vendo que no momento praticamente todos empréstimos de banco públicos são direcionados, então ficou mais claro que fazer um paralelo, hoje em dia, entre crédito livre x crédito direcionado é quase a mesma coisa que fazer o paralelo entre empréstimo de bancos públicos x privados.
  • Carlos Garcia  05/05/2014 12:00
    Notícia do MESMO dia:

    g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2014/05/entram-em-vigor-novas-regras-para-levar-emprestimo-para-outro-banco.html

    "O objetivo da medida é incentivar a concorrência entre os bancos e possibilitar uma redução na taxa de juros cobrada nas operações."

    Parece até piada.
  • Andre   05/05/2014 14:51
    Texto razoável. Só achei a segunda parte válida. Não acho que os "agentes econômicos" tenham agora tanto poder como antes, já que eles desfrutam agora uma igualmente má reputação.
  • Leandro  05/05/2014 14:53
    "Não acho que os "agentes econômicos" tenham agora tanto poder como antes, já que eles desfrutam agora uma igualmente má reputação."

    Isso poderá lhe levar a uma profunda depressão, mas o que você "acha" deles não tem a mais mínima importância. São estes "agentes econômicos" que definem investimentos e condições de empréstimos.

    Você chamá-los de bobinhos pode ser algo que faça bem para a sua virilidade, mas não irá fazê-los desembolsar mais dinheiro (no caso de empresários e investidores) ou emprestar mais dinheiro (no caso de bancos privados).

    Um erro grave em que você está incorrendo é o de achar que "agentes econômicos" é um termo que se resume a corretores da bolsa de valores.
  • andre  07/05/2014 16:35
    Bem, não disse o que é "agente economico" na minha visão. Esclarecendo, classifico agências de rating. O que é para vc "agente economico"?
  • Leandro  07/05/2014 16:51
    Piorou. Agências de rating são apenas um cartel de três empresas estrangeiras protegidas pela SEC e compostas por burocratas blindados contra qualquer tipo de concorrência. Se para você isso sintetiza "agentes econômicos", então você ainda não entendeu nada.

    Repetindo: agentes econômicos são absolutamente todos os indivíduos que incorrem em transações voluntárias no mercado. Empresários, investidores, especuladores, consumidores, banqueiros, corretores, comerciantes etc. São esses que definem os verdadeiros rumos da economia nacional, e não burocratas de agências de rating. O artigo em momento algum faz qualquer referência a essa gente.
  • David  11/07/2014 00:37
    Eu era filiado ao PT. Já vesti camisa da CUT, já participei de oficinas com militantes do MST, já considerei Lula um gênio. Depois que comecei a estudar Direito Administrativo Econômico, que é uma disciplina jurídica que trata da intervenção do Estado sobre o domínio econômico, acabei encontrando, já não me lembro como e quando, o site do Mises Brasil. Isso aconteceu há uns dois anos, não lembro ao certo. Baixei os livros da biblioteca virtual, estudei uns artigos, li o livro A Virtude do Egoísmo, de Ayn Rand, e, desde então, mudei radicalmente a minha forma de pensar e vislumbrar o mundo. Livrei-me do véu da ignorância que encobria a verdade. No Mises encontrei honestidade intelectual, coisa rara. No início dessa semana, fui até o diretório municipal do PT e apresentei a minha carta de desfiliamento. Demorei, mas, antes tarde do que nunca. Agora sou um homem livre, ao menos intelectualmente. Obrigado, Mises!
  • aspone  12/07/2014 03:51
    Pô, amigo! Volta lá e convence a Dilma a me dar um aumento!!
  • Luiz Otávio  05/05/2014 12:21
    Leandro, primeiro, parabéns pelo belo texto.

    Segundo,você escreveu: "Portanto, a solução mais óbvia e prática é acabar com esse descontrole dos bancos estatais e enquadrá-los nas mesmas regras vigentes para os bancos privados".

    Quais seriam essas regras vigentes que tem para os bancos privados e não tem para os bancos estatais? Sabes a legislação que trata disso?

    Obrigado.

  • Lucas S  07/05/2014 21:44
    [off-topic]Leandro, uma amiga minha começou economia agora em 2014 e veio me explicar o que é inflação.disse que é variação dos preços e que inflação subindo é algo relativamente bom para o país". Após voltar da minha morte súbita, disse à ela que estava tudo errado. Expliquei o blá blá blá todo...o estado gasta mais do que arrecada e etc. Ela ficou chocada! Aproveitei e indiquei As 6 Lições e aqueles 10 artigos do Professor Ubiratan sobre economia Austríaca. Pois bem, então ela veio com a seguinte pergunta: Como a grande depressão ajudou a expandir o capitalismo monopolista? Por incrível que pareça, essa é uma questão da próxima prova!!! Expliquei certinho que um dos pilares do capitalismo é o risco. Sem risco, não há capitalismo. Ela estuda na PUC de SP. Por que o ensino de economia no Brasil é tão ruim?
  • Lopes  08/05/2014 00:08
    A grande depressão, ironicamente, ajudou a expandir o capitalismo monopolista.
    Porém não da forma que sua amiga pensa.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=376
  • Andre  08/05/2014 12:10
    É inaceitável como estudantes de econômica sabem MENOS de economia do que pessoas comuns.

    "inflação subindo é algo relativamente bom para o país", Pfff.

    Então a Venezuela está muito bem! Do ponto de vista de muitos estudantes de economia.
    É patético como eles ouvem afirmações desconexas da realidade, e mais patético é que acreditem.
  • Hugo  12/05/2014 20:21
    Pois é,André,os cursos de economia estão terrivelmente desfigurados,tenho professores q criaram noções completamente ilógicas sobre a economia q quase toda a sala absorveu,como por exemplo q a causa da inflação dos últimos tempos no BR foi o aumento do preço do tomate,assim como tmbm estão defendendo agências reguladoras pra tudo, defendendo gastos públicos fora de controle e protecionismo! E sem contar q o povo não nota que a inflação é causada pela multiplicação de moeda...
  • Paulo  05/05/2014 12:25
    Era uma vez, um programa chamado "Minha Casa Minha Vida"...
  • Daniel  07/06/2014 17:30
    tão verdade, mas só começando como se fosse conto de fadas que o povo ouve.
  • Reflexão  05/05/2014 12:40
    Sou novo, tenho apenas 27 anos, sempre fui muito realista/pessimista nas minhas coisas. Dae fico me perguntando, este pessimismo que sinto a respeito do Brasil é só reflexo do meu jeito de ser, pois o Brasil sempre foi uma merda e mesmo assim foram levando estes 500 e poucos anos ? ou realmente o Brasil esta indo para um buraco sem precedente ?
    Relativamente, nunca fomos o melhor país da América Latina, mas até tempos atrás, eu realmente acreditava que isso seria possível, atualmente me parece que realmente seremos uma nova Venezuela ....
    Outra coisa que fico me perguntando é se a população em geral consegue colocar a cara a cara do PT na Inflação e demais mazelas econômicas (causa/consequência)?. Pois, utilizam desculpas toscas para "culpar" a inflação e pouco é contestado a respeito destas desculpas, não sei se é a mídia que não abre espaço para economistas contrários ao governo, ou se eles são a pequena minoria. Parece que vivemos numa matrix e só aqui (no mises) temos um mundo real.
    Com relação à eleição, mesmo que o Aécio ganhe, não vejo perspectivas de melhoras, acredito apenas que será menos pior.
    Leandro, teus artigos são os melhores! Tu tem algum site/blog próprio? ou indicação de outros portais ?
  • anônimo  05/05/2014 14:31
    Bom dia, tenho a mesma idade que você. Basicamente, a história brasileira pode ser medida em altos e baixos. Mais recentemente, no final da década de 80 e início de 90, estava um lixo, com hiperinflação, controle de preços e escassez de mercadorias. Com Sarney e FHC a coisa começou a ir para o caminho certo, mas aí veio o Lula. Foi na onda dos dois anteriores, e no seu segundo mandato começou a descambar. Aí veio a Dilma, que escolheu o pior caminho a ser tomado. Vamos ver agora em outubro, se for mais 4 anos de PT, os avanços da época do FHC vão para o ralo.

    No final dos anos 90, o Brasil começou a se transformar num país de verdade, com respeito às instituições e perspectivas de melhorias/avanços em todas áreas. Lula e Dilma estão acabando com isto e transformando o país de emergente/promissor para republiqueta de bananas.
  • anonimo de cima  05/05/2014 14:56
    Desculpe, preciso fazer uma pequena correção: onde escrevi Sarney, troque por Itamar.
  • anonimo  05/05/2014 17:17
    Tenho conversado com amigos sobre isso, acho que vai piorar e muito, mas sou uma voz isolada, eles acham que o país é desse jeito há 500 anos (ou mais...) e vai continuar aos trancos e barrancos, mas como sempre foi assim, não é tão ruim.

    Meu medo é que talvez isso tenha sido dito na Venezuela e Argentina, países diferentes, histórias diferentes, mas de certa forma todos com a mentalidade latinoamericana e a Argentina, já foi bem melhor do que o Brasil.

    Sempre que penso no assunto, fico com um pouco de medo do que acho que está por vir.

    Obrigado.
  • Andre  05/05/2014 19:01
    "Parece que vivemos numa matrix e só aqui (no mises) temos um mundo real.".

    Excelente definição.
    Desde que eu descobri esse site eu também percebo isso.
  • anônimo  05/05/2014 22:03
    Só em alguns temas, em outros a matrix é forte. Muitos miseanos acreditam em multiculturalismo, feminismo, gayzismo, etc etc etc...
  • Cristian  06/05/2014 20:56
    Rsrsrs. Nossa, verdade mesmo. Atacam os liberais conservadores como pitbul fora de controle. Confundem anarquismo filosófico, econômico, etc. com anarquismo a la Woodstock. Estes também estão com um pézinho na Matrix, hehe. Sobre o texto, está esclarecedor. Parabéns!
  • Andre  07/05/2014 12:13
    "Só em alguns temas, em outros a matrix é forte. Muitos miseanos acreditam em multiculturalismo, feminismo, gayzismo, etc etc etc..."

    Nunca vi libertários defenderem essas coisas. Só vejo defenderem a liberdades dos indivíduos de fazerem o que quiser com suas vidas e arcarem com as consequências.

    Multiculturalismo, feminismo, gayzismo, etc são todos estimulados pelo estado.

    Quem pede ao estado por casamento gay é estatista.
    Quem pede ao estado por leis de proteção à mulher é estatista.
    Quem pede ao estado por leis que estimulem a imigração de pessoas de culturas diferentes é estatista.

    Qualquer um que pede algo pro estado é estatista.
    Quem não é estatista é quem quer apenas que o estado saia do caminho.
  • Daniel  07/06/2014 17:51
    Olha eu vivi no matrix por um poucos mais que a maioria, sigo o moses americano há 13 anos ou mais, quanto li Human Action no computador em inglês. O Brasil de Itamar e FHC era um lixo, hoje nós vivemos no que vem depois do lixo, tipo um mar de churume (se não sabe o que é churume, deveria buscar saber pra entender o que eu quero dizer).

    Na verdade as coisas são cada vez mais niveladas por baixo, e todo o Brasil vai ser do nível da Ilha das Flores ou talvez de Heliópolis. Tipo Haiti sabe. Quem é inteligente vai pra Portugal ou até Argentina. Os que não forem pobres vão pro Paraguai, e quem sobrar por aqui vai viver igual cubano.

    Se a gente soubesse de verdade como a vida é fora do matrix, não aguentava nem mais um minuto dentro da cápsula de controle da mente. Eu não me conformei, mas sofro muito, porque como brasileiro não pude simplesmente abandonar tudo e ir embora. Tem uma parte muito boa do filme Guerra Mundial Z, o cara é especialista em genocidio e guerra civil, ele diz pro amigo: "Movimento é vida. Eu vi muita tragédia e guerra. Quem fica onde mora morre, quem sai do lugar vive." Esse filme é como que uma figura do socialismo, coletivismo e estatismo que esta transformando os países em hordas de canibais descontrolados, atacando qualquer inocente que ousa ter um coração que pulsa por liberdade e o direito ao que cria do seu esforço.
  • Andre  09/06/2014 12:58
    "Quem é inteligente vai pra Portugal ou até Argentina.".

    Pelo que sei a Argentina atualmente está pior que o Brasil.
    Pois lá tem um forte controle de entrada e saída de dólares e controle de preços.
    Tem forte controle da imprensa.
    Já teve vários saques em massa também.
    Etc...

    Porque a Argentina seria melhor que o Brasil então?

    OBS: Quanto à Portugal, concordo que mesmo sendo um país dos mais "ruizinhos" da Europa (pelas notícias que leio por aí) é muito melhor que o Brasil.
  • Maycon  10/07/2014 14:05
    Cara, isso que tu falou é fantástico.
  • Paulo  05/05/2014 12:57
    E a produtividade do trabalhador brasileiro? Tem alguma relação importante com a carestia?
  • Tannhauser  05/05/2014 12:59
    Mais uma novidade pra mim. Bela curva exponencial.

    Então é possível haver hiperinflação novamente no Brasil?

  • Marcelo Almeida  05/05/2014 13:20
    Acompanhando vários debates aqui, percebi como tem gente que defende o liberalismo igual um marxista defende o socialismo. A mesma raiva quando são questionados. Tem a mesma ira da ala esquerdista quando alguém diverge de um ponto ou não compreende com exatidão um pensamento liberal. Será que o funil por onde passam é o mesmo? Psicologicamente esses dois polos tem ligação psicológica? Não fica difícil de analisar. O ranço que fazem questão de manter. A falta de gentileza para não dizer arrogância. Discurso decorado e repetitivo. Tudo visto claramente em indivíduos alienados pela falação marxista é notado com clareza em gente cheia de razão no discurso liberal. É impossível não pensar com ceticismo de que fazem isso sem ainda terem o poder politico. Os autores dos textos, talvez nem saibam que tipo de compreensão e atitude esse pessoal tem daquilo que foi escrito. Levam como se fosse um manual de instruções. Pensam que tudo que é liberal não carece de debate, da duvida. É só colocar em prática o que acabaram de ler e tudo estará resolvido. Ou nem na prática pensam. O que é mais ainda assustador. Outra questão preocupante, toda vez que alguém, como disse anteriormente, discorda de um assunto, automaticamente é taxado de petista, lulista, dilmista, e afins. Calma, não é por esse caminho. Gente possuidora só de discurso é perigosa. Igualmente àqueles que detêm o poder e se fecham do diálogo. Em muitas ocasiões quando se levanta uma questão, as respostas misturadas com decoreba acadêmica, são lançadas com tom de deboche e desafiadoras. Parece-me prudente para a semente liberal no Brasil germinar, explicações amigável e acolhedora. Demonstrar polidez nunca é demais. Não posso generalizar, reconheço que passam no site pessoas liberais com muita cortesia e solícitas. Os artigos postados são ótimos. Vários são excelentes. Agradeço ao responsável pelo site em dividir sabedoria com os mais novos aqui. Para com quer aprender outas ideias. Pensar diferente daquilo que se apresenta há anos. Assim como eu, muitos descobriram essa porta aberta e sentem o vento da novidade no meio de tanto hipocrisia socialista. Contudo, infelizmente muitos comentaristas (debatedores) aqui são chatos. Igual os marxistas capengas. Se não tomarem cuidado, está porta continuará aberta, entretanto, entrará apenas a turminha liberal de peitinho estufado e com o livro do Ludwig von Mises Institute em punho. Uma pena! A mesma cena é vista com frequência entre pessoas aguerridas carregando um livro de um cara chamado Marx.
  • Adalberto  05/05/2014 14:54
    Marcelo, talvez os extremados liberais estejam apenas desabafando um pouco, depois de tanto tempo sem existir um canal digno e próprio que os aglutinassem. Depois de tanto tempo de uma hegemonia do discurso de esquerda, inclusive a esquerda agressiva, raivosa e assassina. Acredito que os mais jovens liberais (suposição) acabam se exaltando mais, pelo próprio ímpeto juvenil de querer mudar o status da hegemonia marxista que toma conta dos discursos em todos os campos, não só econômico mas cultural, educacional, jurídico e até religioso.

    Mantenha a calma, a razão sempre prevalece.

    Abraços
  • Felipe  05/05/2014 15:16
    Marcelo, achei sensacional o seu comentário! Eu também noto e repudio essa proximidade de comportamento entre liberais extremistas e marxistas... Exatamente como você falou.

    Mas, pelo menos nesta seção de comentários sobre este excelente artigo do Leandro, felizmente não encontrei nenhum caso assim!
  • Cassim  05/05/2014 16:05
    Se o repúdio pelo estatismo, seus apoiadores e relacionados não se justificasse tão bem, é claro... Pelos que já viram o estado sendo desmistificado por um covil de criminosos, principalmente aqueles recorrentemente abusados pelo leviatã, peço perdão por nós não tratarmos a gangue acima da lei de forma diferente da gangue abaixo da lei.
  • Rodrigo Amado  05/05/2014 19:47
    "Acompanhando vários debates aqui, percebi como tem gente que defende o liberalismo igual um marxista defende o socialismo.".

    Não vejo essa semelhança, quem defende o Marxismo não tem argumentos lógicos e ignora os fatos históricos que mostram que o socialismo fracassou em todos os países onde foi implementado.
    Por exemplo, eles elogiam Cuba, mas quando mandamos eles pra lá eles falam que não estamos argumentando.
    Já o contrário, que jamais ocorre, diga-se de passagem, se um esquerdista me mandasse, por exemplo, ir para a Suíça eu não diria que ele ficou sem argumentos, e nem ficaria irritado com tal resposta, eu lhe diria que esse é um dos países que eu aprecio por ter grande liberdade econômica e que só não fui pra lá ainda porque eles não me deixam ir, infelizmente.

    "A mesma raiva quando são questionados."

    A raiva é diferente:
    Quem defende o liberalismo ou libertarianismo tem raiva pois sabe que está sendo roubado pelo estado e tendo sua liberdade restringida pelo estado.
    Quem defende o Marxismo só quer que o estado roube mais de todos para que ele possa ter tudo "de graça".
    Ter raiva de um ladrão é o oposto de ter raiva de quem está sendo roubado e tentando resistir ao roubo.
    Resumindo, após um assalto, em que a vítima xingou o criminoso de "verme asqueroso" e o criminoso xingou a vitima de "capitalista egoísta" a raiva da vítima é justa, não se pode dizer o mesmo da raiva do criminoso.

    "Pensam que tudo que é liberal não carece de debate, da duvida."

    Que eu saiba quem não gosta de debater são os esquerdistas, que apenas saem xingando os oponentes de fascistas.
    Um defensor do liberalismo/libertarianismo pode até agir de forma grosseira ao responder à um esquerdista, pode até xingar ele de ladrão, mas essa agressividade sempre vem acompanhada de argumentos.
  • anônimo  05/05/2014 21:16
    A semelhança entre libertários e marxistas é tal qual a relação entre policiais e malfeitores. Ambos são extremistas, mas o policial o é na defesa da lei, enquanto que o malfeitor o é na falta de consideração pelas mesmas. O libertario é extremista na defesa da propriedade privada, da liberdade e da paz, enquanto o marxista é extremista na busca por aquilo que acredita ( os fins justificam os meios ).
  • Marcelo Almeida  06/05/2014 12:53
    ''Não vejo essa semelhança, quem defende o Marxismo não tem argumentos lógicos e ignora os fatos históricos que mostram que o socialismo fracassou em todos os países onde foi implementado.''


    Realmente também não vejo argumentos históricos que o marxismo prosperou um povo. Porem, a ideia marxista (socialista) está ramificada em muitos círculos da sociedade. O povo brasileiro pensa e espera um Estado assistencialista. Nosso modelo de pensamento foi moldado por décadas com ensinamento socialista. Tanto no ensino médio quanto na vida universitária. O que eu disse, é que os defensores liberais não podem agir assim raivosamente. Não porque não seja justo. E sim, porque aos olhos das pessoas que não conhecem a teoria liberal não entenderam absolutamente nada. Os liberais precisam dos votos dos eleitores para começar a fazer a roda andar. Colocar a carroça na frente dos bois não da certo.


    '' Ter raiva de um ladrão é o oposto de ter raiva de quem está sendo roubado e tentando resistir ao roubo.´´


    É relativo o conceito de ladrão. O exemplo mais conhecido. O da rua, o batedor de carteira, o ladrão que pula o muro, o de galinha. Ou o de colarinho branco, cada vez mais sendo exposto na mídia. Porem, o ladrão que eu também combato, é aquele que se escondem na pele de ovelha, quando na verdade é o lobo. Metáfora que já foi usada aqui num belíssimo texto: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1571.
    A maioria da população, como já disse, devido nossa cultura, principalmente educacional, não consegue enxergar esse tipo de ladrão. Justamente pelo método usado de camuflagem assistencialista. Se quiser bater nesse tipo aí em cima de ladrão para fazer justiça, acabará preso. Ainda estamos no sistema imposto e comandado por eles, não esqueça. Esse ladrão será abatido com ricos esclarecimentos às pessoas que tem miopia politica.


    '' Um defensor do liberalismo/libertarianismo pode até agir de forma grosseira ao responder à um esquerdista, pode até xingar ele de ladrão, mas essa agressividade sempre vem acompanhada de argumentos.''


    Se a ideia liberal quiser prosperar no Brasil, acho muito difícil esse tipo de argumento agressivo vir a dar certo. Nem todos que tem dúvidas ou levantam uma questão num debate são necessariamente esquerdistas. Analise que alguns estão tentando entender melhor a ideia liberal. Não será uma mudança tão rápida assim. As coisas começarão a mudar na medida em que mais pessoas influentes na formação do sujeito, começarem a desconstruir o pensamento socialista enraizado no brasileiro. Exemplos: os pais, os professores, os amigos numa conversa, internautas num blog, etc. Impondo grosseira, mais afastará um possível futuro liberal, do que o trará para o seu lado. Se algum liberal carregado de ótimos argumentos, chegar ao palácio do planalto e xingar a esmo a presidenta (ela bem que merece), é bem possível que ficará detido por desacato a autoridade. Provavelmente perderá credibilidade por agir com desrespeito. Entendo perfeitamente o sentimento de raiva. Eu mesmo me senti assim na ultima declaração de imposto de renda que fui obrigado a declarar e pagar. Porem, vamos agir com inteligência para abater esses larápios.
  • Andre  07/05/2014 11:36
    Certo, quanto à isso eu concordo.
    Sempre que argumento com alguém que, apesar de não ser um esquerdista, acha, pois foi ensinado assim desde criança, que o estado deve prover o bem estar da sociedade eu procuro argumentar com essas pessoas sem ser agressivo.
  • Alex  28/05/2014 18:29
    Eu posso gritar com muita raiva, com muita raiva mesmo, até de forma agressiva com os interlocutores: Energia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado!!!!!
    E ainda assim eu terei razão e quem disser o contrário estará errado.

    Argumentos são falsos ou verdadeiros independente do caráter ou da emoção de quem os declara.
  • gabriel  09/06/2014 14:35
    De fato concordo completamente com o comentario, quando iniciei as leituras do mises fiz muitas perguntas e tive a sorte de encontrar pessoas bem intencionadas pra explicar, embora tenha encontrado tambem aqueles q me acusavam de esquerdista mal intencionado atacando sem razao (no caso minhas duvidas eram legitimas, e as vezes a explicacao vindo de formas diferentes me fizeram entender). O caso eh que qualquer leigo que vier aqui pelas primeiras vezes, por mais bem intencionado em aprender que seja, aparecera aqui como um esquerdista...

    Nossa doutrina foi assim e qualquer pessoa brasileira nao conhecedora de autores/ideias liberais aparecerá como um esquerdista ativista pra quem ja acompanha as ideias a algum tempo.

    Se pretendemos acordar a grande populacao nao se pode ganhar apenas com ideias corretas ou melhores, é preciso sim chegar a elas com afeto porque o mundo é assim, a importancia de conquistar o sentimento é tao grande que a esquerda consegue mesmo com ideias ridiculas ter sucesso apelando a esse lado no discurso apesar de nao na pratica. O discurso é essencial, chegando ao mesmo nivel do discurso as ideias mais sensatas se tornam claras para todos.

    Vejo isso pelas pessoas que comento sobre as ideias q aprendi aqui, as que mais me surpreenderam na mudança das ideias demorei bons meses com discursos leves. Os que comentei no inicio, de forma mais apaixonada e agressiva ja fazem alguns anos, converso hj e mantiveram a mesma mentalidade. É um processo lento e com a abordagem errada se perde uma mente mesmo com potencial de entender, talvez seja um reflexo humano de se defender mais contundentemente quando o discurso é avressivo, bloqueando a ideia que se passa.

    Sei que muitos pensam aqui, foda-se se a pessoa nao quer usar a razao que fique no escuro, mas infelizmente quanto mais gente no escuro melhor aobsocialismo
  • Andre  09/06/2014 17:01
    "Se pretendemos acordar a grande populacao nao se pode ganhar apenas com ideias corretas ou melhores, é preciso sim chegar a elas com afeto porque o mundo é assim, a importancia de conquistar o sentimento é tao grande que a esquerda consegue mesmo com ideias ridiculas ter sucesso apelando a esse lado no discurso apesar de nao na pratica."

    Acho que é preciso usar todas as estratégias possíveis.
    Algumas pessoas só ouvem quando usamos a estratégia "porta na cara".
    Outras só ouvem se for usada uma estratégia mais calma e branda.
    Outras não se importam se a estratégia é brutal ou mansa, estes só se importam com a lógica e consistência dos argumentos.
    Outros se importam mais com a moralidade das ideias propostas.
    E por aí vai...

    Cada pessoa é única, e portanto para cada pessoa existe uma estratégia que funciona melhor.

    Quanto à esquerda ter mais adesão no Brasil, não se pode presumir que isso seja apenas devido ao fato deles apelarem ao sentimento. Existem múltiplos fatores. Citarei apenas alguns que me vêm à cabeça nesse instante.

    1) A cultura da sociedade brasileira já é estatista há muitas décadas, portanto parentes das crianças já lhes embutem como principio que o estado existe para cuidar da sociedade. E que qualquer problema social deve ser resolvido pelo estado. Em resumo, é a "inércia cultural". Afinal de contas nenhuma cultura muda de uma hora pra outra.

    2) O fato do governo dizer o que deve ser ensinado nas escolas públicas e privada lhes permite distribuir propaganda às crianças desde pequenas.

    3) O fato do brasileiro em geral ser averso ao estudo. Tornando-os assim alvo fácil de argumentos que são obviamente mentirosos e/ou impossíveis como, por exemplo, quando um político diz ser possível oferecer saúde "de graça". Sendo que ter nível superior não possui correlação com capacidade intelectual, já que existem muitas pessoas com nível superior que realmente acreditam que o governo pode prover saúde "de graça".
    Quando digo "aversão ao estudo" falo da capacidade real de usar o cérebro. Não da capacidade de usar apenas a memória para decorar algumas coisas e conseguir se tornar PhD em uma universidade brasileira. Isso qualquer idiota com uma memória normal consegue, basta decorar bastante, que é bem diferente de estudar.

    Acredito que graças a internet o processo de evolução está acelerando, já que agora muitos brasileiros podem ver pela internet que muitos países são incrivelmente melhores que o Brasil. As pessoas tendem à acreditar muito mais em um vídeo que mostra as maravilhas dos outros países do que em histórias faladas ou escritas.
    Daí alguns deles tentando entender porque isso ocorre, podem chegar à conclusões lógicas e coerentes.
  • anonimo  09/06/2014 17:23
    Antes achava que o brasileiro passou a considerar o governo como o grande pai em 1932, quando o Getúlio entrou. Mas depois que eu li o livro Mauá (Empresário do Império), percebi que isso vem lá de trás... Recomendo esse livro para quem quer entender melhor a mentalidade do brasil.

    Obrigado.
  • gabriel  09/06/2014 21:31
    Verdade, dou o braço a torcer que cada um pode ser convencido com técnicas diferentes. Talvez até pela região que vivo ou pessoas a que convivo esta técnica tem sido mais eficaz mas não que seja uma regra...

    Quanto a tática que comentei estava mais diretamente a apropriação da educação mesmo, o brasil não possui veia liberal nenhuma e essa cultura é passada de geração em geração, por isso a premissa que qualquer um que venha falar comigo, mesmo com as melhores intenções em aprender normalmente é um defensor das ideias estatais, até por ser as únicas que se processa praticamente a vida inteira se não for buscar novas ideias em outros caminhos.

    É incrível que até algumas pessoas das mais prejudicadas o defendam, trabalhei em uma empresa em que o dono chegava a elogiar a clt...
  • Julio Heitor  05/05/2014 13:22
    "Só que isso irá asfixiar o crédito dos bancos privados, e consequentemente elevar ainda mais o grau de estatização do crédito."

    Essa elevação seria inevitável? Se assumirmos que o raciocinio do governo é Keynesianista acredito que sim. Para manter a economia "aquecida", os bancos estatais teriam que aumentar ainda mais a oferta monetária para compensar o esfriamento do crédito dos bancos estatais.

    Mas isso seria uma regra? Será que a coisa acontece de forma automática assim, considerando que o percentual da população extremamente individada já é bem alto?

    Abraços!
  • Djalma  05/05/2014 13:41
    Por volta e 1 ano atrás um professor de Economia da Universidade de Havard disse: que a economia brasileira sofria de esquizofrenia pois não adiantava nada o Banco Central elevar a taxa de juros se ao mesmo tempo o governo aumentava a oferta de moeda através dos bancos estatais e aumento dos gastos públicos.
  • Felipe  06/05/2014 16:44
    Belo comentário meu caro.

    É bem isso mesmo!
  • Rosemberg Argolo  05/05/2014 13:57
    Já estava sentindo falta dos artigos do Leandro sobre a situação econômica brasileira.
    Também fui afetado diretamente por uma dessas medidas protecionistas do governo Dilma; trabalho com personalização de canecas de cerâmica que, obviamente vem da China, conseguia comprar no fornecedor a R$ 3 ou 4,00; De uns tempos pra cá o governo foi taxando com uma tal de substituição tributária entre os estados que jogou o preço pra mais de R$ 7,00. Em agosto do ano passado encontrei um fornecedor no meu estado e consegui comprar 480 unidades por R$ 4,10. Conclusão, 2 semanas depois ligo para o fornecedor e ele me diz que o preço da unidade agora está em R$ 10,00 devido a uma resolução do governo federal de taxar todos os materiais de cerâmica provenientes da China. Isso restringiu brutalmente a venda e reduziu meu faturamento entre 5 a 10%/mês.

    Excelente artigo, vou compartilhar! Parabéns!
  • cesar  05/05/2014 14:05
    com essa inflação so quem se prejudica são os proletários porque isso e causa da grande corrupçao que aflige nosso país, o bolso deles ta cheio de dinheiro ai vem com todos essas especulaçoes de inflaçao, isso so culpa de uma politica desorganiza e corrupta e nada mais.
  • Rômullo  05/05/2014 14:06
    Leandro,

    Parabéns pelo seus artigos, sempre elucidativos.

    Não perco um!

  • Leandro  05/05/2014 15:28
    Obrigado pela generosidade, Rômullo. Grande abraço!
  • Nivaldo  05/05/2014 14:25
    A clareza estonteante nesse texto me fez perceber com dados e fatos o desencontro entre o dito e o praticado.

    Parabéns!
  • Leandro  05/05/2014 15:29
    Obrigado pelo reconhecimento, Nivaldo. Saudações!
  • Juliano  05/05/2014 14:25
    Os artigos do site são sempre bons, mas os do Leandro exigem uma categoria à parte. Só pra variar, um ótimo artigo.

    Uma dúvida:
    Apesar de todo o sentimento de descontrole, os índices de inflação agora não são piores que nos anos anteriores, mesmo se levarmos em conta apenas o periodo pós Real:

    g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/desde-1999-inflacao-anual-superou-centro-da-meta-do-governo-dez-vezes.html

    ANO - INFLAÇÃO PELO IPCA (em %) - CENTRO DA META (EM %)
    1999 8,94 8
    2000 5,97 6
    2001 7,67 4
    2002 12,53 3,5
    2003 9,30 3,25
    2004 7,60 3,75
    2005 5,69 4,5
    2006 3,14 4,5
    2007 4,46 4,5
    2008 5,90 4,5
    2009 4,31 4,5
    2010 5,91 4,5
    2011 6,50 4,5
    2012 5,84 4,5

    Sendo mais específico, nossa inflação de 2012 foi superada em 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2008, 2010 e 2011. Ou seja, dos últimos 15 anos, tivemos 9 anos com inflação superior a 2012. Se olharmos os quatro anos anteriores ao PT, a inflação foi superior ao de 2012 em todos os anos (seguindo a tabela acima), batendo mais de 12% em 2002.

    Por que todos os olhos estão tão voltados à inflação se não estamos assim em um momento histórico tão crítico (pelo menos em relação a esse índice)? O que explica números tão ruins na era FHC se a disciplina fiscal parecia tão mais responsável que a atual?

    Abraços,
    Juliano
  • Leandro  05/05/2014 14:35
    Prezado Juliano, essa aparente "dissonância" foi explicada graficamente neste artigo, mais especificamente nos gráficos 2 e 4.

    Atualmente, o que está segurando o IPCA é o quase-congelamento dos preços daqueles serviços que são monitorados (leia-se tabelados) pelo governo, como taxa de água e esgoto, energia elétrica, gás de bujão, transporte público, combustíveis, plano de saúde, pedágio, licenciamento, IPTU, IPVA.

    Nos anos que você citou, esses preços eram mais livres para flutuar, e, frequentemente, suas taxas de crescimento eram altas, o que puxava o IPCA para cima. Por outro lado, a inflação de preços dos bens e serviços não tabelados pelo governo era mais baixa.

    Hoje, a inflação de preços dos bens e serviços que não são tabelados pelo governo está crescendo à maior taxa desde 1997. Daí a percepção real de que estamos sob uma carestia acentuada.

    Insisto de novo: veja os gráficos 2 e 4 deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767

    Grande abraço e obrigado pelos elogios!
  • Primo  05/05/2014 14:55
    Uma bela análise, concordo com as constatações feitas pelo artigo, mas tenho minhas ressalvas na sugestão da solução:

    "E isso gerou uma sinuca do bico: se o próximo governo quiser realmente atacar a carestia, a SELIC terá de ser elevada a níveis mais fabulosos (em 2003, ela teve de ir a 26,5%)."

    Sou um amador em analise econômica, mas no caso da SELIC chegar a níveis fabulosos, o pessoal que investe em títulos do governo não iria ganhar uma renda fabulosa também? Uma renda muito acima do equilíbrio natural? Acho que a inflação iria continuar. Apesar que, pensando bem, a carestia poderia ser minimizada. O pessoal que precisa de crédito iria ser subsidiado pelos bancos públicos a juros baixos e o pessoal que poupa seria compensado da inflação pela renda dos títulos públicos. A longo prazo estaríamos polarizando a sociedade entre pessoas/empresas que vivem de empréstimos públicos e pessoas/empresas que vivem de renda de titulo do governo. Agora, de que forma isso afeta a produção, já fica além da minha imaginação.
  • Carvalho  05/05/2014 16:56
    Acho que a "solução" proposta foi mais teórica que prática. O aumento da Selic não irá frear a inflação enquanto a torneira dos empréstimos públicos não for fechada. E nenhum dos candidatos esquerdistas fará isso de bom grado. Tenho a impressão que isso só vai parar quando o país chegar num ponto insustentável como o do pré-real. E mesmo assim não sei se teremos espaço político para as mudanças necessárias. O estrago feito pelos esquerdistas no bate econômico é considerável.
  • Bancario  05/05/2014 17:08
    Respondendo ao caro amigo Primo.

    Se a Selic sobe, você ganha ou perde dependendo do título comprado.

    LFT é o mais fácil de analisar, o efeito é direto. Se comprar LFT (letra financeira do tesouro), ela rende Selic durante o tempo que o título for seu. Nesse caso, quanto maior a Selic, melhor.

    Se comprar LTN (letra do tesouro nacional), ela rende prefixado. Quanto maior a taxa do Selic menor fica o preço de compra/venda (na verdade não é o Selic, e sim a expectativa da taxa de juro. Mas a Selic afeta essa expectativa). Se você compra LTN e a Selic sobe mais do que o esperado, você perdeu dinheiro em custo de oportunidade. Se carregar até a data de vencimento, vai ter o rendimento esperado na data em que comprou. Esse rendimento será menor do que o rendimento de alguém que comprou após a subida maior que o esperado da Selic, portanto perdeu em custo de oportunidade. Se a taxa Selic explode, essa diferença de custo de oportunidade fica mais evidente.

    Se comprar NTN-B (Nota do Tesouro Nacional, série B), ela rende IPCA + pré. Aí o efeito depende de Selic e IPCA. Selic sobe mas IPCA também sobe (inflação resistente), o pedaço que rende IPCA ganha e o pedaço prefixado perde. Se Selic sobe e IPCA cai, perde duplamente. Se o selic cai e o IPCA sobe, ganha duplamente.

    Ah, então basta comprar LFT quando a Selic sobe e LTN quando a Selic cai e ficarei milionário, certo? Quem dera o mundo fosse fácil assim :) Os preços são afetados pelas expectativas. Se o mercado tem expectativa de subida de Selic, isso vai contar no preço. O preço só muda se a EXPECTATIVA for alterada. Por ex., o mercado espera que a Selic atinja 12% no final de 2014. Se durante o caminho até o final de 2014 a expectativa da Selic mudar para 12,5%, isso vai afetar os preços.

    Por isso, se a expectativa em relação a taxa de juros mudar e o mercado começar a esperar taxas da Selic cada vez mais altas, quem tiver LFT vai ganhar e quem tiver LTN vai perder. NTNB é mais difícil de prever.

    Qual é a expectativa de juros?
    BMF Bovespa
    Coloque a data com um dia útil de defasagem, selecione a mercadoria DI1 e veja o que o mercado previa de juros.



    Abraços.

  • Primo  05/05/2014 21:36
    Bancário, obrigado pelas informações. Pelo que eu entendi é que mesmo com SELIC alta não há garantia de que investir em títulos públicos terá um rendimento satisfatório. Como as pessoas compram e vendem títulos de acordo com a expectativa, as pessoas não sabem se a SELIC vai subir. Desse forma não necessariamente haverá uma migração massiva de investimento em títulos públicos, mesmo com a taxa da SELIC sendo constantemente incrementada. Realmente isso faz um pouco de sentido e desqualifica minha ressalva anterior.
  • Bancario  06/05/2014 14:27
    Prezado Primo,

    Ter rendimento satisfatório é diferente de ter rendimento maior que o esperado.

    Vamos pegar a LTN como exemplo. A LTN rende juros prefixados. Vamos supor que a expectativa do mercado é de que, para um determinado prazo, vamos supor 3 anos, o juros anual seja de 13%.

    Quando alguém for comprar uma LTN, encontrará um preço que irá render bem próximo de 13% ao ano. Depois de feita a compra, não importa o que aconteça, se o governo pagar em dia a rentabilidade da aplicação será de 13%. Se o Selic for pra 8% ou pra 20%, os 13% do investimento estão garantidos.

    Agora como uma pessoa pode ganhar MAIS DO QUE 13%? Se ela comprar a LTN a 13%, e por exemplo no dia seguinte acontecer uma mágica e a expectativa de mercado mudar, digamos para juros de 10% para o mesmo vencimento. O preço da LTN vai se ajustar para CIMA. Ou seja, o que foi comprado em um dia agora vale mais dinheiro no dia seguinte. Se (e somente SE) esse investidor vender a LTN por 10% e conseguir reaplicar o dinheiro a uma taxa de juros maior que os novos 10%, ele conseguiu um lucro acima do esperado. Se ele reaplicar a 10%, tudo o que ele fez foi antecipar uma fatia dos 13% (grosso modo, antecipou 3% de juros). Se reaplicar abaixo de 10%, ele perdeu dinheiro no longo prazo.

    Espero que você retorne nessa resposta para ler.

    Grande abraço.
  • Primo  08/05/2014 10:03
    Bancário, quando digo rendimento satisfatório penso em levar em conta a inflação. Eu não sei como é o perfil do pessoal que investe em títulos públicos e quanto esse títulos fica sendo renegociado, mas pelo jeito de ser intenso. Penso que queriam ganhar mais que " 13% " quando a inflação ficar próxima disso. Então, acredito que, além da expectativa da SELIC temos a expectativa da inflação. No caso de pensarmos numa SELIC alta, e financiamento subsidiado por a juros baixo por bancos públicos, apesar de teoricamente ser possível a inflação ainda fica uma incógnita. Dessa formar mantemos a mesma insegurança dos dias de hoje.

  • Primo  08/05/2014 14:19
    Bancario, me compliquei com as palavras no meu ultimo comentário, refiz com mais calma, segue abaixo:

    Bancario, quando digo rendimento satisfatório penso em levar em conta a inflação. Eu não sei como é o perfil do pessoal que investe em títulos públicos e quanto esses títulos ficam sendo renegociado, mas pelo jeito deve ser intenso. Penso que, os investidores querem ganhar mais que " 13% " quando a inflação fica próxima disso. Então, acredito que, além da expectativa da SELIC temos a expectativa da inflação. No caso de termos uma economia com SELIC alta e financiamento subsidiado a juros baixo por bancos públicos, apesar de teoricamente ser possível ter uma inflação controlada, acredito que na prática a inflação ainda fica uma incógnita. Dessa forma manteríamos a mesma insegurança dos dias de hoje. Obrigado pela atenção.
  • Willian  05/05/2014 14:57
    Assim como disse nosso querido economista John Maynard Keynes, "No longo prazo estamos todos mortos", e acho que ele tem razão, da forma que as coisas estão hoje logologo, estaremos condenados ou mortos.
  • Emerson Luis, um Psicologo  05/05/2014 14:58

    O pior é que as pessoas já estão se acostumando com a inflação e esperando-a. Onde eu trabalho se fala de trocar a cesta básica por vale-alimentação, mas questiona-se o valor e de quanto em quanto tempo seria reajustado: "Daqui a um ano, R$100 não vai valer mais nada".

    O estatização do crédito foi uma recomendação de Marx, não foi? Bons discípulos!

    * * *
  • Lucas Mendes  05/05/2014 14:59
    Bom dia Leandro. Excelente artigo, que esclarece de verdade.

    Sei por declarações do setor industrial que recursos do BNDES para crédito agrícola, ligados aos investimentos em maquinas e equipamentos, vem sendo cortados drasticamente desde inicio de 2013.

    BNDES não estaria começando a pisar no freio?

    Abs!
    Lucas
  • Leandro  05/05/2014 15:07
    Apenas para a indústria extrativa, cuja carteira já era ínfima. De resto, os desembolsos seguem crescendo a 34% ao ano. Não acho que pisarão no freio em ano eleitoral.

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie1-42.xls

    Grande abraço!
  • Nathan  05/05/2014 15:07
    Lendo este artigo, me pus a pensar que, talvez, haja uma relação perversa entre a concessão de crédito direcionado pelos bancos estatais, e o texto constitucional. Porque a Constituição de 1998, muito prolixa por sinal, prevê política de crédito para produtores rurais e também o direito a moradia, fatores que podem influenciar o crédito para esses setores. Isso me faz pensar nas consequências ruins de se ter uma norma fundamental tão "social", aliada a um governo de esquerda. Ou seja, de certa forma, as políticas estatizantes podem, muitas vezes, ser realizadas com base na magna carta da República, dando legitimidade a políticas creditícias desastrosas.
  • Pobre Paulista  05/05/2014 15:17
    Leandro,

    Essa disparidade de taxas de juros não deveriam estar abrindo uma janela enorme de oportunidade de arbitragem, que por sua vez deveria aproximar as taxas de juros "reais" (selic) e subsidiadas?
  • Leandro  05/05/2014 15:26
    Não consegui visualizar. A SELIC (que não é real, mas nominal) é fixada pelo BACEN, e as taxas subsidiadas, pelo governo federal.

    A única arbitragem que está acontecendo é de gente pegando empréstimo a 1,5% ao ano e aplicando em renda fixa a 10% ao ano ou até mesmo na poupança a 6,8% ao ano.

    Tal despautério, desnecessário enfatizar, só é possível de ocorrer em mercados totalmente controlados pelo governo.
  • Carvalho  05/05/2014 16:59
    E já tem vårios fazendo isso...
  • Lucas  05/05/2014 17:17
    Peraí, isso aqui me interessou, quer dizer que é posível pegar empréstimos subsidiados á 1.5% ao ano e depois lucrar reinvestindo eles na poupança e em outros lugares com maiores rendimentos anuais?? Se sim qual seriam eles?? Isso é ilegal ??
  • Marcos  05/05/2014 17:38
    Se você comprovar que é produtor rural e cumprir os requisitos impostos, sim. Eu também já ouvi casos de gente graúda fazendo isso (não, não é qualquer pé-rapado que poderá fazer isso).

    Aliás, nem sei por que isso causa espanto. Nos EUA, os bancos pegam dinheiro junto ao Fed por 0,25% ao ano e investem em títulos do Tesouro de longo prazo (de 10 a 30 anos) a 3% ao ano.
  • Zé Ruela  05/05/2014 21:52
    O espanto é pq nós queremos fazer!! Ou melhor, fazer também, queremos entrar na dança e não só embalar a festa dos outros! Eu preciso dessa luz no fim do túnel, quem vai me dizer como meter a mão num crédito a juros baixos? É retorno líquido e certo, quem não quer??? Só ainda não fiz pq não sei como, me diga que já faço amanhã! Vamos nos ajudar galera.
  • Jeferson  07/05/2014 17:46
    Você acha que é fácil conseguir um dindin do BNDES, ô Zé Ruela? Tem que ter boas conexões! Hehehehe... aliás, até pra conseguir dinheiro pequeno do BNDES que é repassado por outros bancos (BB, CEF, Itaú, dentre outros) é um suplício.
  • Marcelo Almeida  05/05/2014 15:41
    Adalberto, obrigado pela resposta;
    Aguardemos, portanto, se essa ala mais radical liberal irá adquirir com tempo a importante: temperança. No Brasil uma grande da população, mesmo os pretensos intelectuais, tem um jeito estranho de raciocinar assuntos complexos. Raciocinam por um prisma simplista de torcedor. Em detrimento a nossa cultura futebolística, analisam inconscientemente com olhar de guerrinha de torcida. Você é uma grande pessoa. Abraços.
  • Marcelo Almeida  05/05/2014 15:51
    Olá Felipe, tem razão, nesse artigo, realmente como você disse, não tem nenhuma ira liberal entre os comentaristas. Escrevi aquilo em relação ao muitos outros assuntos e comentários que acompanhei aqui. Bom saber que você também fica incomodado com atitudes extremistas neste espaço. Um abraço, boa semana.
  • Lopes  05/05/2014 16:00
    Fantástico artigo, como sempre. Mal considerei perguntá-lo a respeito e 'cá está.

    Perdoe-me a pergunta, caso tenha sido originada por carência de atenção em algum momento da leitura pois estou com pressa, porém de que modo, por exemplo, o fornecimento de empréstimos para o setor rural é subsidiado? Opera tal qual os subsídios do 'Minha Casa, Minha Vida' (ou seja, incorrem diretamente sobre o valor a ser pago pelo financiamento?) ou são produto de alguma capitalização ao compulsório dos bancos públicos cobrando uma taxa de juros (muito) inferior à da Selic?
  • Leandro  05/05/2014 16:09
    É "subsidiado" no sentido de cobrar taxas de juros reais negativas, menores que a inflação de preços. Como linkado no artigo, veja os valores dos juros no item 9:

    www.bcb.gov.br/?PRONAFFAQ

    A consequência disso é que o BB se descapitalizou substancialmente, tendo o menor índice de Basiléia entre os grandes bancos. Se um banco estatal se descapitaliza, os pagadores de impostos -- via Tesouro -- são chamados para recapitalizá-lo. Ou seja, nós subsidiamos esse pessoal.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras!
  • Moraes  05/05/2014 16:08
    Leandro,

    fico muito contente em ter a oportunidade de ler seus artigos.

    Somos, a todo momento, forçados a fechar os olhos sobre a realidade que nos cerca. E você tem agido e ajudado muito a combater essa prática, com explicações cristalinas e fortemente embasadas.

    Um grande abraço!
  • macaco  05/05/2014 16:27
    Leandro, boa tarde.

    Primeiramente parabéns pelo excelente artigo, já circulei na minha rede social.

    Tenho uma dúvida: como essas estripulias com bancos estatais são semelhantes ou diferentes da famosa "conta movimento"? Onde é muito parecido e no que difere? Como que conseguiram dobrar os controles?

    Obrigado.
  • Leandro  05/05/2014 17:45
    Na conta-movimento, o governo sacava dinheiro diretamente do Banco do Brasil (para cobrir absolutamente qualquer gasto que quisesse) e o Banco do Brasil sacava esse dinheiro livremente do Banco Central. Ou seja, na prática, o BACEN monetizava o Tesouro.

    Isso foi abolido em 1987.

    O que vemos hoje não é uma monetização do Tesouro, mas sim empréstimos subsidiados pelos acionistas destes bancos estatais (nós). Por exemplo, o BB se descapitalizou substancialmente, tendo o menor índice de Basiléia entre os grandes bancos. Se um banco estatal se descapitaliza, os pagadores de impostos -- via Tesouro -- são chamados para recapitalizá-lo. Ou seja, nós subsidiamos esse pessoal.
  • José Márcio  05/05/2014 16:34
    Leandro, fiquei com uma dúvida:
    Você informa que o aumento de preços está em ritmo superior ao detectado em 1999.
    E antes de 1999, qual foi o motivo da carestia, já que a SELIC estava em um patamar monstro?
    A causa da "elevada" inflação entre 1995 e 1999 deve ser atribuída a que? Certamente não foi ao crédito, que na época estava em patamares ínfimos.
    Como podemos afirmar que desta vez a "culpa" da carestia deve recair sobre o crédito?

    Mal comparando, eu posso montar um gráfico informando que de 1999 até 2010 eu lia 1 livro por mês e a inflação não estava tão alta. Como de 2010 para cá eu parei de ler, mostro que o gráfico da inflação subiu.
    Mas quem consegue provar a relação causa x efeito do meu gráfico e do seu?

    De qualquer forma, parabéns pelo artigo. Bom saber que há alguém sério estudando estes assuntos no país.
  • Leandro  05/05/2014 17:31
    "Você informa que o aumento de preços está em ritmo superior ao detectado em 1999."

    Duas retificações em sua frase: eu disse que o aumento de preços no setor de serviços está em suas maiores taxas desde 1999.

    "E antes de 1999, qual foi o motivo da carestia, já que a SELIC estava em um patamar monstro? A causa da "elevada" inflação entre 1995 e 1999 deve ser atribuída a que? Certamente não foi ao crédito, que na época estava em patamares ínfimos."

    1995 e 1996 foram anos de transição. A moeda havia sido recém-trocada, o país ainda tinha em sua memória 15 anos de hiperinflação, e algumas remarcações ainda ocorriam. Aumento de preços nesse período era quase que inevitável.

    Em 1997, a situação se normalizou. Em 1998, o IPCA foi o menor da história, de 1,65%. Em 1999, houve a desvalorização cambial, quando o dólar pulou de R$1,20 para quase R$2,50, o que encareceu toda a cadeia de produção que depende de bens importados.

    Mas o que realmente pesou a partir de 1999 foram os serviços cujos preços são tabelados pelo governo, que dispararam, mas que hoje estão quase congelados.

    Repito o que sugeri ao leitor Juliano acima: veja os gráficos 2 e 4 deste artigo, que fala exatamente sobre isso. Sem ter esses dois gráficos em mente, fica difícil compreender essa dicotomia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767


    "Como podemos afirmar que desta vez a "culpa" da carestia deve recair sobre o crédito?"

    Por vários motivos, sendo dois os principais:

    1) Não houve grandes choques externos, como os ocorridos no final da década de 1990. Por exemplo, em 2011, o real estava se valorizando em relação ao dólar, com o dólar chegando a valer R$1,56. E o IPCA foi 6,5%.

    2) Desvalorização cambial não necessariamente gera aumento de preços dos produtos não-comercializáveis, e o gráfico 2 do link acima mostra isso para o ano de 1999. Portanto, não podemos culpar apenas o câmbio por qualquer aumento de preços.

    3) Nos anos que você menciona, tanto o setor de serviços quanto o setor de bens não-comercializáveis não vivenciaram uma carestia tão pronunciada como estão vivenciando agra. E carestia nestes dois setores (que não são diretamente dependentes de câmbio) é consequência direta do aumento da oferta monetária, que gera aumento de demanda e de custos.

    "Mal comparando, eu posso montar um gráfico informando que de 1999 até 2010 eu lia 1 livro por mês e a inflação não estava tão alta. Como de 2010 para cá eu parei de ler, mostro que o gráfico da inflação subiu. Mas quem consegue provar a relação causa x efeito do meu gráfico e do seu?"

    Não entendi.
  • rawk  20/08/2014 19:18
    E carestia nestes dois setores (que não são diretamente dependentes de câmbio) é consequência direta do aumento da oferta monetária, que gera aumento de demanda e de custos.


    Errado. Confusão entre choques de demanda e choques de oferta.

    José Márcio thumbs up
  • anonimo  05/05/2014 17:12
    Minha conclusão é um pouco diferente.

    Acho que em última instância o culpado pela inflação é o governo, os bancos públicos seriam a penúltima instância (algo como culpar a casa da moeda pela inflação, de certa forma é verdade, mas o grande culpado é aquele que manda imprimir).

    Obrigado.
  • Carvalho  05/05/2014 17:48
    Oi Leandro, parabéns pelo artigo. Bem conciso e completo, campeão !!

    Lembro de ter visto uma palestra no MBA sobre o peso dos bancos estaduais sobre a inflação pré-Real. Era algo parecido, bancos públicos concedendo empréstimos ou bancando gastos dos governos e inundando de dinheiro a economia. Como parte do processo para implantação do Real os bancos foram extintos ( não conheço detalhes) e as dívidas federalizadas. O governo federal assumiu as dívidas e criou mecanismos para evitar problemas futuros com a LRF.

    Com isso fechavam-se as muitas torneiras estaduais que impediam qualquer tentativa de conter a inflação. Se agora tem um lado bom que é o problema não estar espalhado, ele parece muito maior - não sei os números mas com certeza cresceu muito. A questão também é que o seu ótimo artigo me remete a problemas muito maiores. Talvez esse enorme desafio que você coloca seja somente parte da bomba que nos aguarda.

    Vale lembrar que o Real só foi viável por uma conjunção de fatores, entre os principais o fato de que os brasileiros estavam fartos da inflação. O momento histórico era outro, vínhamos de um período de governo militar onde a educação era melhor, a obediência civil mais firme e os valores éticos mais sólidos.

    Não estou fazendo juízo de valor, apenas lembrando fatos. O Real foi um pequeno milagre de nossa história que talvez não se repita. Hoje somos uma nação de chorões onde todos se acham no direito ( garantido pela constituição) de exigir tudo do governo. Eticamente estamos em um patamar baixíssimo onde a corrupção virou regra. A educação está ruim, desvalorizada e ideologizada. A segurança pública é um desastre de proporções épicas.

    Os protestos por qualquer motivo são a cereja do bolo. Fomos aos poucos nos acostumando a ônibus queimados, invasões de prédios e fazendas, vandalismo. Como seria hoje em dia um governo com o PT na oposição tentando implantar mudanças? Imagine um retorno da aliança PT/PSTU/PSOL para se opor a privatizações?

    Tudo isso torna muito difícil arrumar a casa com medidas austeras e impopulares. Pouco importando quem as implemente.

    Novamente parabéns pelo texto.
  • Leandro  05/05/2014 18:02
    Precisa e correta a observação sobre os bancos estaduais, prezado Carvalho. Caso eles não tivessem sido privatizados e pacificados, o real não teria absolutamente nenhuma chance de dar certo.

    Os melhores exemplos são o Banespa e o BANERJ. A dupla Quércia-Brizola punha fogo nessas instituições, fazendo-as conceder empréstimos para apaniguados políticos, para estatais deficitárias e, principalmente, para seus vorazes governos estaduais, ao mesmo tempo em que esses próprios bancos incorriam em prejuízos vultosos.

    Os bancos estaduais não tinham de prestar contas a ninguém. Eles criavam meios de pagamento a rodo apenas para financiar os descalabros de seus governantes. Os desvalidos pagavam a conta por meio da hiperinflação.

    Não à toa, a inflação só passou a ser menor após esses bancos terem sido privatizados.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • ericksom  05/05/2014 17:55
    leandro eu vou dar uma sugestão se você concordar por favor responda, e se fizéssemos 3 manobras ?

    1)O próximo presidente precisa reduzir drasticamente o financiamento do BNDES que esta sendo usado como bolsa empresa e acabando com nossa economia com tanto subsídios vindos de diferentes fundos públicos

    2)reduzir ministérios, demitir cargos comissionados, enxugar o estado, reduzir a burocratização,reforma tributária urgente para abrir o mercado, e fazer o crédito em geral pertencer aos bancos privados, pelo fatos dos bancos privados saber do alto endividamento populacional e da especulação existente por causa das estatais.

    3) criar novas categorias de crimes,ao mascarar a política monetária e a matriz econômica com direito a impeachment, perda de direitos políticos e até cadeia, porque mesmo eles criando resultados macroeconômicos, eles estão cometendo um sério crime de lesa a pátria que é a inflação, você não concorda comigo? Mas mesmo que você concorde, você acha que alguém vai fazer realmente isso?
  • mauricio barbosa  05/05/2014 18:12
    Leandro Roque os oligopólios também são culpados pela geração da inflação,e de acordo com Adolfo Sachsida a taxa de juros norte-americana será aumentada em 2015 e suponhamos que ela chegue a dois dígitos igual na era Volcker, então não estaremos correndo o risco de ter uma década perdida igual a dos anos 80 em que me lembro a pobreza era enorme e o nosso padrão de vida era inferior ao de hoje,não tenho saudades daqueles anos e nem gostaria de vivencia-los novamente.
  • Andre  05/05/2014 18:51
    "E quem são os bancos que fazem esses empréstimos cujos juros praticamente não são afetados pela SELIC? Os bancos estatais, majoritariamente Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES."

    Foi o que imaginei, só não tinha os dados para confirmar isso.
    Mas aqui estão eles, totalmente à claras para que não haja dúvidas.

    Excelente artigo!
  • carlucio  05/05/2014 19:48
    Leandro sempre excelente.
  • Daniel Costa  05/05/2014 20:18

    A exposição clara dos argumentos, faz até um principiante como eu em economia entender melhor sobre os efeitos danosos desse incessante intervencionismo. Obrigado caro Leandro por mais este.
  • IRCR  05/05/2014 20:20
    Leandro,

    O indice oficial do governo, só não chegou na casa dos dois digitos, pq além de ser pouco confiavel as metodologias, exatamente como acontece nos USA, e além tb de vários preços admnistrados estarem congelados pelo governo o BC está controlando a inflação VIA CAMBIO, o Tombini já assumiu que está fazendo isso.

    Mas no indice bolso do consumidor já está muito além de 6,5%, só nesse mês, a conta de luz, pão-de-queijo na padaria, pão, entre outras coisas subiram 8%-9% ou quando não subiram 30%/40% para mim.
  • Tiago  05/05/2014 20:22
    Excelente artigo, vindo de Leandro Roque é o mínimo que se espera !

    Leandro;

    Já se fala no mercado que, se Dilma ganhar a eleição, ela continuará com as mesmas politicas econômicas equivocadas. Você acredita que o governo ainda tem ''pano para as mangas'' em continuar dando crédito a torta e a direita sem fazer um ajuste em suas contas ?

    E se as políticas econômicas continuarem as mesmas. Acredita em uma selic a quantos % no final de 2015 ?

    Abraços.



  • Leandro  06/05/2014 00:13
    Concordo quanto à continuidade das políticas equivocadas. Não há nenhum motivo para que um presidente já em segundo mandato tome medidas impopulares que só trarão benefícios no longo prazo. O sujeito faria isso apenas por abnegação. Mais uma distorção gerada pela democracia.

    De resto, como não sou dado a adivinhações, nada falarei sobre SELIC.

    Abraço!
  • Hugo  05/05/2014 21:06
    Olá Leandro!

    No gráfico do crédito no período 1998-2001 houve tanto uma redução de volume de crédito dos bancos públicos e aumento relativamente grande do crédito dos bancos privado,isso seria explicado pelo fato de nessa época ter havido muitas privatizações dos bancos estaduais e os bancos privados terem absorvido a carteira de crédito dos estaduais?


    Obrigado!
  • Leandro  05/05/2014 23:59
    Correto!
  • Francisco Caetano Bernardes  05/05/2014 21:31
    Muito bom o texto.

    Mas fiquei com uma dúvida, você afirma:

    "Atualmente, a política de juros do Banco Central não afeta aquela linha vermelha. Ela afeta apenas a linha azul. Ou seja, a política monetária atua apenas sobre o crédito livre, que é quase todo fornecido pelos bancos privados. Na prática, os bancos estatais estão fora do âmbito da política monetária do BC. Isso significa que o combate à carestia via simples aumento da SELIC exigirá um esforço dobrado.

    E isso gerou uma sinuca do bico: se o próximo governo quiser realmente atacar a carestia, a SELIC terá de ser elevada a níveis mais fabulosos (em 2003, ela teve de ir a 26,5%). Só que isso irá asfixiar o crédito dos bancos privados, e consequentemente elevar ainda mais o grau de estatização do crédito."

    Eu trabalho em um banco estatal, e pelo que verifico na prática, se mantendo nas linhas subsidiadas de crédito (com juros abaixo da SELIC) que você usa como exemplo (Pronaf, Minha Casa Minha Vida, Crédito Rural Empresarial, PRONAMP, FINAME PSI, PROCAMINHONEIRO, etc.), os bancos privados TAMBÉM trabalham exatamente com as mesmas linhas, mesmas taxas. O crédito, digamos, "particular" JÁ é inviável aos olhos dos tomadores há décadas, e correm para os bancos estatais, ou seja, já está internalizado na LINHA VERMELHA. Logo, acredito o buraco ser mais pra baixo ainda!

    Perdão se compreendi algo errado.
  • Leandro  05/05/2014 23:58
    Essa é a famosa diferença entre teoria e prática. Na teoria, os bancos privados são obrigados a direcionar uma fatia de seus depósitos em poupança para o crédito rural e para o crédito imobiliário. Na prática, as restrições que eles impõem são tantas -- eles não são bobos, e devem resultados aos seus acionistas --, que a quantidade desse crédito é ínfima.

    Por exemplo, o saldo total do crédito rural dos bancos privados totalizou R$75 bilhões em março, e a maior parte é de recursos livres. Já o saldo total do crédito rural dos bancos estatais totalizou R$153 bilhões (100% maior) em março, e a maior parte é de recursos direcionados.

    Para o setor imobiliário, a discrepância é ainda mais acentuada: o saldo dos bancos privados foi de R$106 bilhões em março ao passo que dos bancos estatais foi de R$315 bilhões (206% maior).

    Se você for a um banco privado querendo crédito direcionado, você pode até conseguir (e quase sempre para o setor imobiliário), mas terá de ter muito cacife. As palavras mágicas que você irá ouvir são "Operação sujeita (1) à disponibilidade de recursos, (2) a enquadramento técnico e (3) a análise e aprovação de crédito."

    Além disso, e como dito, as exigências dos bancos privados são mais rigorosas. Ao contrário dos bancos estatais, eles exigem entrada, pois financiam somente até 60% da renda ou até 80% do orçamento, o que for menor. Consequentemente, todos correm para os bancos estatais, que são mais "desprendidos", e os privados financiam exclusivamente a nata do setor rural -- e ainda assim em uma fatia muito menor em relação aos bancos estatais.
  • Leonardo  06/05/2014 10:58
    Leandro, acredito que o Francisco esteja se referindo ao fato dos bancos privados também operaram linhas do BNDES, como o FINAME.
    Quando o Bradesco empresta recursos do FINAME, o valor deste empréstimo vai para a linha azul ou vermelha?
  • Leandro  06/05/2014 13:54
    Vermelha. Mas vale enfatizar que se trata de um mero repasse. Os recursos são do BNDES, e não do Bradesco. O Bradesco apenas faz a intermediação (e tira uns trocados no processo).
  • Justiceiro  05/05/2014 21:41
    Brilhante o artigo.
    Parabéns, Leandro.
    De fato o crédito direcionado, ou simplesmente crédito subsidiado, cresce a passos visivelmente menores do que a taxa Selic. Entretanto, crescem.
    Mas o ponto em questão é: não poderão subsidiar para sempre. Aguentam até quando?
    Eu tenho uma suspeita, e ela encontra-se fora do Brasil: FED. Os QEs estão progressivamente diminuindo, e lá eles terão de voltar a aumentar os juros, o que ocasionará fuga de capitais nos mercado internacional, e os países emergentes, como e principalmente o Brasil, serão um dos mais afetados, na minha opinião, é claro.
    Vc saberia projetar até quando o Brasil aguenta fazer tais subsídios ao ponto de ter que dar uma quebra em tal política e fazer com que o chamado crédito direcionado fique mais perto da realidade?
    Um dos ingredientes é a inadimplência, dívidas "no talo"... visualiza outros ingredientes?
    Minha aposta é na progressiva diminuição dos subsídios, acelerando-se mais fortemente a partir de 2015, podendo ainda progredir por alguns ou vários anos conforme desenrolar do enxugamento do crédito mundial a depender dos futuros juros do Fed.
    Outro ponto a saber: o quanto de "gordura temporal" o Brasil possui após a finalização de aumento de juros do Fed?

    Mais uma vez, seus artigos são didáticos e brilhantes, em sua esmagadora maioria.
    Grato.
  • mauricio barbosa  05/05/2014 22:22
    Leandro Roque corremos o risco de ter outra década perdida com hiperinflação igual nos anos 80,caso o FED aumente a taxa de juros para dois dígitos em 2015?
  • Leandro  06/05/2014 14:08
    Acho que não. O sistema bancário daquela época era outro, com o BC podendo monetizar diretamente os Títulos do Tesouro. Isso foi proibido em 2000, com a Lei de Rsponsabilidade Fiscal.
  • Eduardo  05/05/2014 22:48
    Olá, Leandro,

    Parabéns pelo brilhante artigo, obrigado pelo prazer da leitura.
    Você tem opinião formada sobre o bitcoin dentro desse contexto inflacionário? Você próprio possui bitcoins?
    Abraço,
  • Décio  05/05/2014 22:59
    Leandro, quero ainda complementar as suas revelações sobre as baixíssimas taxas de juros dos bancos estatais. Sou funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), e há casos, como o PRONAF B (isso mesmo, o PRONAF segue um critério de classificação dos produtores rurais, que varia conforme o porte do produtor, seu faturamento, o valor que ele quer financiar, etc), em que a taxa de juros é de 0,5% ao ano!
  • Leandro  06/05/2014 00:19
    Vale também uma menção honrosa ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que financia até 100% do valor do curso universitário em universidades particulares.

    Como diz essa matéria:

    "Pelas regras do Fies, só podem recorrer aos empréstimos estudantes de famílias com renda mensal de até 20 salários mínimos (R$ 14.480). É possível financiar até 100% do valor das mensalidades, a juros de 3,4% ao ano. Os créditos são concedidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. O pagamento pode ser feito por um prazo de até três vezes o tempo de curso, em média, de quatro anos, acrescido de mais 12 meses."

    Outro trecho interessante:

    "As instituições de ensino superior credenciadas pelo Ministério da Educação para receber recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) vêm reajustando as mensalidades bem acima dos aumentos promovidos pelas universidades que não contam com essa linha de crédito. Em média, essa diferença tem girado em torno de 2,5% ao ano. Mas há cursos, como os de medicina, em que o aumento adicional chega a 9,3%. Ou seja, os alunos estão se endividando para pagar cursos cada vez mais caros."

    Que coisa inesperada....
  • Trabalho na Caixa  05/05/2014 23:34
    Bom artigo, realmente uma perspicaz olhar sobre o que realmente significa a SELIC - o quanto ela abrange. Já têm havido uma série de aumentos de juros nos produtos com crédito direcionado empresarial (um dos mais importantes subiu 5 pontos percentuais/ano), além de um foco maior ao combate à inadimplência (não que já esteja dramática).
    Não vou vender a ideia de que o governo vai parar o favoritismo aos bancos públicos, claro, mas acredito que a linha vermelha deve começar a arrefecer este ano.
    Só não achei muito bom o destaque à inflação dos serviços - isso basicamente se trata de aumento de salários, parte por aumento da demanda devido ao crescimento da economia (mesmo estando lento como está) e também pelo aumento do salário mínimo. Acho que a inflação geral, ou então de produtos consumíveis são dados melhores para a sua argumentação. Afinal, como os nossos salários no Brasil ainda são baixos, os serviços vão continuar subindo acima da média da inflação nas próximas décadas, conforme a desigualdade social for combatida. (Seja pelo mercado, ou pelo governo)
  • Leandro  06/05/2014 00:08
    "Só não achei muito bom o destaque à inflação dos serviços - isso basicamente se trata de aumento de salários, parte por aumento da demanda devido ao crescimento da economia (mesmo estando lento como está) e também pelo aumento do salário mínimo."

    Aumento de salários e aumento da demanda ocorrem devido ao aumento da oferta monetária. E a oferta monetária aumenta justamente por causa da concessão de crédito pelos bancos. Essa é a ligação.

    Mais crédito = mais dinheiro criado e jogado na economia

    Um aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito bancário, aumenta a demanda por consumo de bens e serviços e por mão-de-obra. No primeiro momento, a renda nominal aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

    Por isso, a inflação do setor de serviços está, mais do que os outros setores que você citou (produtos consumíveis, os quais estão sujeitos a choques de produção e a restrições de importações), ligada à expansão do crédito.
  • Marcelo Almeida  05/05/2014 23:40
    Parabéns pela explicação. Perfeita síntese. Fácil de entender. Em poucas linhas você deixou claro um tema tão complexo para a maioria das pessoas. Parafraseando você Leandro, ''um conhecido meu'', está aguardando a resposta do Banco do Brasil sobre um empréstimo imobiliário. O funcionário do banco no ultimo contato disse que em decorrência agora da portabilidade de financiamento, irá demorar um pouco mais a resposta do banco. Eu te pergunto: essa tal portabilidade, prejudicaria ainda mais a atual situação econômica? Um abraço, mais vez, parabéns. Sugiro para Ministro da Fazenda: Leandro Roque!
  • Gustavo Coelho  05/05/2014 23:47
    Leandro, gostei muito do texto, mas você tem um grande problema: não escreve mais.
  • Ivan  06/05/2014 00:53
    Muito bom artigo! Aquela linha vermelha só mostra como a desvalorização do Real vai acelerar cada vez mais... Hedge contra inflação ainda é ouro e prata?
  • Ali  06/05/2014 00:55
    Excelentemente esclarecedor esse artigo, parabéns!!!!
  • JBALL  06/05/2014 04:26
    A estratégia então é realizar empréstimos dos bancos estatais e investir a grana em ativos tabelados pela SELIC ou inflação
  • Hugo  06/05/2014 04:31
    Mais um comentário idiota do bur(r)ocrata Guido Mantega sobre crédito:

    www.valor.com.br/opiniao/3535878/governo-insiste-no-diagnostico-errado?fb_action_ids=566671853431022&fb_action_types=og.recommends
  • luiz  06/05/2014 05:26
    Garela,

    nas tabelas referentes aos creditos livre e direcionado há uma coluna "spread". Alguem sabe do que se trata?
  • Magalhães  06/05/2014 14:16
    É a diferença entre os juros que os bancos pagam para seus correntistas e os juros que eles cobram para seus empréstimos
  • Luiz  06/05/2014 15:41
    Valeu Magalhães,

    O spread dos recursos direcionados não teriam que ser negativos nesse caso?

    abraço
  • Magalhães  06/05/2014 15:51
    Sim, é que eu inverti a ordem da escrita. O certo é:

    Spread = juros que os bancos cobram para seus empréstimos - juros que os bancos pagam para seus correntistas
  • Carvalho  06/05/2014 12:11
    Leandro, parabéns pelo texto. E também pela dedicação em responder os comentários de todos, especialmente os que questionam sua visão.

    Interessante que muita gente ainda não enxerga os riscos inflacionários do governo injetar dinheiro novo na economia, seja via crédito ou emissão direta de moeda. Keynesianismo forte esse...

    Dinheiro a mais sem aumento de produtividade = inflação

    Outro tema é o do aumento de salários que supostamente reduz a desigualdade. Subir salários sem aumento de produtividade é um dos piores problemas que um país pode querer. É um investimento de péssima qualidade e com a CLT vira um erro difícil de consertar.

    Os salários no Brasil são baixos em grande parte porque nossa produtividade é MUITO baixa. Um operário americano produz 5 x mais que um brasileiro. Ele pode trabalhar somente na segunda que já empata com o que o brasileiro fará até a sexta.

    Enxergo seus gráficos e análises como evidência do problema conceitual que é o governo tentar fomentar crescimento injetando dinheiro. Sem esse entendimento conceitual, as pessoas insistem em achar furos na sua análise, como se eventuais falhas fossem mudar o conceito. O fato é que os governos de vários países seguem estimulando bolhas de crescimento. O nosso não está sozinho portanto, só o faz de um jeito pior...

    Os desgovernos populistas do PT criou tantas torneiras que será um enorme desafio fechá-las. Todos os beneficiados pelos pingos vão chiar. E os que vão pagar o preço em alguns casos ainda nem nasceram. É uma disputa difícil...

    Parabéns !!!


  • Ricardo  06/05/2014 13:14
    Olá, Leandro.

    Ótimo artigo. Se puder me tirar um dúvida que não consegui resolver nos artigos que lí.

    Quem precifica a moeda, por exemplo, quem diz que R$ 100,00 valem hoje R$ 20,00.

    Obrigado.
  • Malthus  06/05/2014 14:02
    A moeda é "fiduciária", o que significa que seu valor é um "fidúcia", ou seja, depende da confiança e da segurança de quem a emite.

    A moeda perde valor diariamente. O que você comprava com R$100 há dez anos, você não compra nem com R$50 hoje.
  • Diones Reis  06/05/2014 14:08
    Malthus,

    E como é possível definir esta segurança?

    Políticas econômicas entram nesta conta?

  • Ricardo  06/05/2014 17:36
    Exato! Esta é a pergunta. Quem define este valor.
    Eu achava que o lastro da moeda era por exemplo o PIB do país.
  • Bruno  06/05/2014 18:21
    Sou um mero advogado, mas creio que a comparação é com o valor do dia que o real entrou em circulação. Decotando a inflação presente do valor histórico obtêm-se o valor atual da moeda. Achismo puro meu.
  • Juliano  06/05/2014 19:12
    O que define a confiança e, por conseqüência, o valor da moeda, é a disciplina do emissor. Se o governo for responsável e não emitir moeda para se capitalizar, a tendência é que as pessoas passem a confiar mais nela e seu poder de compra aumente.

    Se, por outro lado, o governo for irresponsável e quiser imprimir dinheiro para financiar seus gastos, o poder de compra da moeda vai naturalmente sendo depreciado e a confiança nela reduzida. A segunda alternativa é sempre mais tentadora para o governo, já que imprimir dinheiro é mais popular do que aumentar impostos ou emprestar. Quando os preços começam a subir sempre dá pra jogar a culpa em alguém.
  • Leandro  06/05/2014 19:23
    Complementando tudo o que o Juliano disse, o governo emite papeis pintados com um valor numérico impresso neles. Mas é a população -- por meio de suas trocas voluntárias -- quem atribui um poder de compra a esses papeis.

    São os indivíduos, em suas transações diárias, que irão definir o que cada pedaço de papel pode comprar. Quanto maior for a quantidade desses papeis (ou dígitos eletrônicos), menor será o poder de compra de cada um deles.

    Por exemplo, 15 anos atrás, 130 mil cédulas de 1 real compravam um excelente apartamento em um bairro nobre de uma capital brasileira. Hoje, esse mesmo valor não compra nem um muquifo na periferia de São Paulo.

    Ou seja, embora seja o criador da moeda, não é o governo quem de fato atribui valor a ela, mas sim a população. O governo pode apenas reduzir o ritmo da depreciação da moeda.
  • Ricardo  07/05/2014 01:04
    Bem se entendi, quanto maior a oferta de moeda menor a noção das pessoas. O que afeta todas as camadas produtivas.
  • Eduardo  06/05/2014 14:16
    Parabéns, Leandro.
    Eu sou um fã!

    Sempre espero abrir o site do IMB e encontrar um artigo seu!!!




  • Leandro  06/05/2014 15:53
    Obrigado pela galhardia, caro Eduardo. Forte abraço!
  • Rodrigo Ramos  06/05/2014 19:36
    Leandro, em um cenário real, qual nome você consideraria satisfatório para ser o próximo presidente do BC em um eventual governo que não seja do PT?
  • Leandro  06/05/2014 19:58
    A escolha mais cômoda e de mais fácil aceitação seria Henrique Meirelles. Dificilmente alguém se posicionaria contra, e ele goza de prestígio junto a todos.

    Mas ele não tem interesse.

    Outra opção muito interessante seria Gustavo Franco, mas este enfrentaria uma pesada artilharia da esquerda. E também não creio que ele tenha interesse.

    Particularmente, eu escolheria Afonso Beviláqua, o durão que foi diretor de Política Econômica do BACEN entre maio de 2003 e março de 2007. Foi ele quem realmente comandou a instituição nesse período. Sob seu comando, o IPCA caiu de 17% para 2,96%. É exatamente disso que estamos precisando.

    Aliás, se você olhar no gráfico, verá que sua saída coincidiu exatamente com a degringolada das linhas azul e vermelha.
  • Tiago  06/05/2014 19:42
    Faço das minhas palavras a de Eduardo...

    Abro o mises esperando ver um artigo de Leandro, e o mais admirável, é que o mesmo se compromete em responder as perguntas da galera aqui presente.

    Ainda vou ler Leandro Roque em alguma revista de grande circulação. Só não sei se ele terá liberdade para escrever o que pensa como aqui no mises.org

    Leandro, sobre a pergunta do Justiceiro...

    Você saberia dizer por quanto tempo a farra do Credito direcionado pode durar ?

    Abraço !
  • Leandro  06/05/2014 19:57
    Prezado Tiago, em teoria, pode durar enquanto o governo quiser e enquanto a população se mantiver ignorante sobre seus efeitos. O limite prático é a descapitalização dos bancos estatais. Só que isso já ocorreu e ninguém protestou

    Em 2012, a CEF e o BB foram recapitalizados pelo Tesouro. Não se ouviu um pio das esquerdas tupiniquins, as mesmas que criticaram -- e muito corretamente -- os pacotes de socorro do governo americano aos seus bancos. O governo brasileiro fez a mesmíssima coisa, e ninguém falou nada.

    Outro limite teórico é o estouro do teto da meta de inflação, mas isso pode ser evitado dando um arrocho nos bancos privados.

    Vale enfatizar que toda essa política de crédito direcionado, embora sempre tenha existido, só ganhou musculatura a partir de 2009. Ou seja, é uma experiência ainda bem recente.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras!
  • Cristiano Hordones  06/05/2014 20:15
    Olá Leandro,

    O que acha da teoria abaixo, de que o aumento da taxa de juros como instrumento de política monetária para controle da inflação não funciona, pelo contrário, causa inflação?

    A teoria leva em consideração que o aumento da Selic faz aumentar as despesas financeiras das empresas, que faz com o que este aumento seja repassado no preço dos produtos, gerando uma inflação de custo.

    Foi encontrada, estatisticamente, correlação positiva de 0,475 entre as variáveis Selic e IGP-DI da FGV. Pela teoria clássica, a correlação esperada seria de -1. O que explica essa correlação no Brasil?

    Por fim, o artigo conclui que as altas taxas de juros servem para dar estabilidade financeira ao sistema bancário brasileiro. Com o plano real, os bancos perderam receita com floating e ganharam receita com os altos juros.

    www.usp.br/jorusp/arquivo/2004/jusp688/pag02.htm

    Abraços
  • Leandro  07/05/2014 01:20
    Essa ideia de inflação de custos é nonsense e já foi abordada inúmeras vezes neste site. Recomendo este artigo.

    Dizer que empresas aumentam seus preços porque seus custos financeiros aumentaram não faz nenhum sentido. Afinal, por que elas esperariam um aumento dos custos financeiros para aumentar seus preços?

    Os preços, em todo e qualquer momento, tendem a já estar estipulados em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada vendedor. Se os vendedores pudessem simplesmente repassar o aumento de seus custos para os consumidores, então por que já não haviam feito isso antes? Eles não são gananciosos? Por que tiveram de esperar que o governo lhes estipulasse um aumento de custos sobre para que então elevassem seus preços?

    Preços já estão em um valor que traga o máximo possível de receita líquida para cada empresa. Qualquer aumento nos custos, portanto, terá de ser absorvido pela empresa; tal aumento não pode ser repassado integralmente para os consumidores. A imposição de um custo adicional pelo governo não alterou o estoque de bens que já haviam sido produzidos e que estavam à disposição dos consumidores. E a demanda dos consumidores não foi alterada só porque o governo impôs um novo custo às empresas.

    Qualquer empresa está, a todo e qualquer momento, vendendo seus produtos ao maior preço possível. Não é necessário um aumento dos juros para que elas aumentem seus preços.

    Os preços sobem simplesmente porque, como mostrado no gráfico do artigo, a oferta monetária jamais parou de crescer. No máximo, há momentos em que ela cresce de forma mais contida, como ocorreu em 2003.

    Sobre as correlações do artigo, só posso comentá-las quando tiver acesso à monografia. Não consegui encontrá-la em seu link.

    Abraço!
  • Jose  06/05/2014 20:41
    Excelente analise, assim podemos concluir que: Por enquanto a bolha imobiliaria não estoura; os bancos publicos estão sendo subsidiados pelo governo; os bancos publicos devem repassar seus financiamentos subsidiados para os bancos privados, onde os juros são reais, aliviando o caixa do governo.
  • Rogério Santos  06/05/2014 22:44
    Sempre desconfiei da pureza dos ensinamentos da Escola Austríaca, pois assim como qualquer outra escola econômica, defende os interesses dos grupos que a patrocina. Confesso: tive certa dificuldade em identificar os patrocinadores da Escola Austríaca, mas ao ler esse artigo tive um "insight".

    Os bancos privados e o mercado financeiro são os patrocinadores!

    O Leandro entregou o jogo, mais especificamente no trecho:

    "Portanto, a solução mais óbvia e prática é acabar com esse descontrole dos bancos estatais e enquadrá-los nas mesmas regras vigentes para os bancos privados."

    Seria ótimo para os bancos privados isso, afinal quem quer concorrentes privilegiados? Bancos estatais, e seus privilégios, são extremamente importantes porque em momentos de crises/incertezas econômicas só eles se dispõe em conceber os empréstimos imprescindíveis para que uma depressão seja evitada!

    Obviamente o mercado financeiro se deliciaria no liberalismo econômico absoluto. E o resto da sociedade, coitada... Cada um por si e o mercado por todos!



  • Leandro  07/05/2014 01:11
    Rogério, você descobriu nosso elixir! Agora, por favor, mantenha o segredo. Não quero perder minha mesada do Itaú e do Bradesco, que inclusive patrocinaram fervorosamente este outro artigo aqui.

    Agora, algumas observações de interesse dos mais leigos (e que não perceberam que você está fazendo ironia):

    "Bancos estatais, e seus privilégios, são extremamente importantes porque em momentos de crises/incertezas econômicas só eles se dispõe em conceber os empréstimos imprescindíveis para que uma depressão seja evitada!"

    Genial. Quer dizer que uma depressão que ocorreu por causa de um excesso de crédito (bolhas são formadas por excesso de crédito) e de um endividamento excessivo (a consequência do excesso de crédito) pode ser evitada aumentando-se o crédito, o endividamento das pessoas e, de quebra, a carestia?

    Você, com efeito, está gabaritadíssimo para ser o próximo ministro da Fazenda.

    "Obviamente o mercado financeiro se deliciaria no liberalismo econômico absoluto. E o resto da sociedade, coitada... Cada um por si e o mercado por todos!"

    Gostaria muito de saber como o mercado financeiro se sairia em um ambiente de contenção monetária. Como explicado nesse artigo, foi justamente o fenômeno da desvalorização contínua da moeda que gerou um agigantamento do setor financeiro -- pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança --, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.

    Pessoas como você fariam bem caso realmente entendessem que aquilo que estão criticando foi gerado justamente por aquele ente a quem eles acorrem clamando por mais intervenções: o governo.
  • Henrique Figueiredo Simoes  06/05/2014 23:23
    Leandro, clareza fantástica, como sempre.

    Obrigado por mais esse e um grande abraço!
  • Leandro  07/05/2014 01:12
    Eu é que agradeço as gentis palavras, Henrique. Grande abraço!
  • Vito Fontenelle  07/05/2014 02:59
    Excelente artigo! Muito bem escrito, parabéns!

    Leandro,

    Se o próximo governo resolver vender o BB e a CEF, quais seriam as conseqüências de curto prazo na nossa economia, principalmente no que diz respeito ao créditos subsidiados?

    Esse dois bancos, do jeito que estão, são uma boa compra?

    Abraço.
  • Leandro  07/05/2014 11:34
    Não dá para saber. Em primeiro lugar, tais bancos jamais serão privatizados, pois são instrumentos com os quais o governo pode fazer populismo e ser calorosamente aplaudido. Quase ninguém faz essa relação de causa e efeito. Quase ninguém relaciona o aumento nos preços dos serviços com o crédito concedido para um produtor rural comprar carro, para um cidadão comprar um apartamento, para uma empresa exportadora adiantar seus contratos de câmbio, ou para um adolescente estudar numa universidade particular (FIES). O governo prospera nessa ignorância e não há motivo nenhum para ele voluntariamente abrir mão dela.

    No entanto, em um exercício de imaginação, caso BB e CEF fossem privatizados e deixassem de conceder esses créditos subsidiados, haveria, no curto prazo, uma forte redução da expansão do crédito. Consequentemente, a taxa de crescimento da oferta monetária seria acentuadamente reduzida, o que levaria a uma (necessária) recessão. E então, após isso, toda a estrutura de juros da economia brasileira estaria acertada, como explicado no final do artigo.

    Mas não há a mais remota chance de isso ocorrer.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras!
  • oneide teixeira  07/05/2014 03:52
    Leandro qual o grau de alavancagem dos bancos privados e estatais?
    Passa se possível um link de fonte primária.
  • Leandro  07/05/2014 11:23
    Ver aqui:

    www4.bcb.gov.br/top50/port/top50.asp

    Selecione "Resumo" e veja o "Índice de Basileia".

    Outra maneira também válida é dividir o "ativo total" pelo "patrimônio líquido".
  • Diego JC  07/05/2014 04:09
    Prezado Leandro, em primeiro lugar, parabéns pelo esclarecedor artigo. Minha pergunta é a seguinte... muita gente fala dos lucros absurdos dos bancos privados brasileiros frente aos bancos de outros países, argumentando que eles, diante disso, teriam espaço para baixar os juros, ao mesmo tempo garantindo um lucro "razoável" ou "justo". Essa ideia parece um tanto ingênua, até porque nossos bancos não são mais gananciosos que os bancos dos outros. De qualquer modo, você saberia indicar os principais motivos pelos quais ela não se sustenta? Obrigado!
  • Leandro  07/05/2014 11:20
    Bancos sempre apresentaram maiores crescimentos em seus lucros anuais em períodos de redução da taxa de juros (atenção: estou me referindo a "taxas de crescimento do lucro" e não a "lucros nominais"; estes últimos serão cada vez maiores simplesmente porque há cada vez mais dinheiro na economia).

    Basta ver como os lucros cresceram acentuadamente no período 2005-2008, que foi de redução da SELIC.

    A lógica por trás disso é óbvia: bancos lucram com o volume de empréstimos que concedem. Quanto menores os juros, mais gente pega empréstimo. Quanto mais gente endividada, mais lucro para os bancos. Por outro lado, com juros altos, menos pessoas se endividam. E maiores são os juros que os bancos têm de pagar para seus correntistas.

    De resto, bancos sempre terão lucros altos por todos os motivos explicitados neste artigo. Eles detêm o monopólio da criação de dinheiro e atuam no mercado protegido pelo governo e altamente cartelizado. É preciso ser muito artista para não ganhar dinheiro com banco.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras!
  • Diego JC  07/05/2014 17:38
    Prezado Leandro, obrigado pela resposta. Fiz essa pergunta porque alguns bancos brasileiros tiveram grandes Retornos sobre Patrimônio Líquido se comparados a bancos operando em outros países. Também os lucros absolutos foram muio grandes. Realmente há muita restrição à competição bancária no Brasil, como mencionou o leitor André? Quero dizer, isso realmente tem impacto grande sobre suas taxas de lucros? Se não estou enganado, no passado houve uma política governamental deliberada estimulando M&A de bancos no Brasil, concentrando o setor bancário, certo? Obrigado.
  • Andre  07/05/2014 11:26
    "até porque nossos bancos não são mais gananciosos que os bancos dos outros".
    Não, os nosso Bancos provavelmente não são mais "gananciosos" que os bancos dos outros países.
    E ainda que fossem, não seria possível comprovar isso. Não é possível "aferir" a ganância das pessoas ou das empresas por elas controladas.

    O que ocorre é que o nosso mercado é MENOS LIVRE, e isso permite aos amigos do rei, os bancos, lucros estupendos.

    Lembrando, que em nenhum país do mundo existe um genuíno mercado bancário livre. Apenas ocorre que no Brasil a liberdade é menor do que no resto do mundo, portanto os lucros são maiores.

    Se eu quiser, emprestar dinheiro para o meu vizinho, à juros de 10% ao ano, que são ASSUSTADORAMENTE menores que os juros bancários que os amigos do rei cobram, eu não posso. Pois o cartel não gosta de concorrência.
  • IRCR  07/05/2014 11:51
    Leandro,

    Quando vc cita nos comentarios sobre o processo de "financeirização" devido a perda do poder de compra pela inflação.
    Relacionei isso com o shadow banking chinês, pelo oq eu entendi o governo de lá estabeleceu que todos o bancos paguem 3% de juros nos depositos, oq é bem abaixo da inflação de preços, desse modo, surgiu um "black market" onde empresas não financeiras ou fora do sistema controlado pelo BC fazem emprestimos company-to-company loans, onde elas pagam juros maiores para os depositantes. Assim, o aparente aperto monetario do BC nao faz tanto efeito pq boa parte dos emprestimos está nesse shadow banking.

    Leandro, vc tem algum conhecimento sobre o shadow banking chinês ?
  • Leandro  07/05/2014 14:27
    Não. E creio que ninguém tenha. Se as estatísticas oficiais chinesas já são dúbias, imagine então as de um shadow banking
  • Andre  07/05/2014 19:51
    Leandro, primeiramente devo parabeniza-lo pelo ótimo artigo!

    Eu sou novato na área econômica e estou realmente assustado com a situação econômica do pais. Portanto, gostaria de perguntar o que nós, meros fantoches desse regime populista, podemos fazer para não sermos derrubados por crises, inflação e bolhas?
    E quais são suas previsões para os próximos meses(pós copa)?
  • James Yared  07/05/2014 20:20
    Caro Leandro, acompanho sempre seus excelentes artigos.
    Claros, objetivos e extremamente proveitosos especialmente para mim que não sou da área econômica.
    Sei que vc nem ninguém aqui é vidente e também sei que não é local para conselhos econômicos, mas desde os primeiros discursos mirabolantes de Guido Mantega sobre a redução dos juros em 2012 e posterior manutenção de juros estatais subsidiados baixos tenho sérias preocupações com o rumo do plano real e com nossas economias. No cenário que se desenha à frente tenho a impressão que o PT priorizará o populismo e sua manutenção no poder em detrimento de uma moeda forte como fez a argentina que compartinha da mesma ideologia. Não seria talvez mais seguro se deixar levar pela farra e contrair dívidas com os menores juros reais do mundo como vc mencionou em vez de pouparmos algo que talvez sofra uma grande desvalorização em um futuro próximo?
    Grato
  • Leandro  08/05/2014 10:39
    Eu realmente não recomendo absolutamente nenhum tipo de dívida, por mais "barata" que ela seja. Dívida é escravidão, e nunca se sabe a que tipo de medida o credor poderá recorrer para obrigar você a quitá-la. Quando o credor é um órgão do governo, a incerteza passa a ser ainda maior, principalmente quando tal governo não tem muito apreço pelas instituições. Dando um exemplo mais extremo, eu não gostaria jamais de ser devedor de um órgão bolivariano, por menores que fossem os juros. Vai que eles resolvem tomar meu apartamento e meu carro...
  • Thalita  10/05/2014 23:27
    Excelente artigo, de excelente leitura, parabéns por mais esse belíssimo artigo !

    Leandro;

    Sobre que o James Yared comentou e sobre sua resposta.

    Não acha mais fácil tomarem a sua casa e carro, em um banco privado ?

    Sei que aqui por onde moro, interior do RN, o MCMV esta virando febre, estão comprando casa como se estivessem comprando roupa, família com 2 filhos e apenas 2 salários em casa financiando casa com decore de contador.

    È difícil imaginar que o PT com seu populismo vai tomar a casa dos inadimplentes, que por sinal conheço um que tem 7 meses e prestação atrasada e nada da caixa tomar ( comprovou renda com decore de 1700), com toda certeza existem mais inadimplentes, e nada de tomarem e leiloarem, que na teoria era para acontecer.

    Ai fico imaginando, eu aqui trabalhando duro, poupando o pouco que sobre no mês, o juros da poupança dando menos que a inflação, e eu vendo esse pessoal financiando casa, pegando o credito do minha casa melhor e comprando moto para andar.

    Será mesmo que não vale a pena ?! Pois no final quem sempre paga a conta dos irresponsáveis são os responsáveis.
  • Paulo  07/05/2014 22:34
    E os ovos de páscoa ter sido mais caro, tem relação com a carestia?
  • Guilherme  07/05/2014 23:05
    Perfeitamente. Vários ovos, inclusive, estavam com o peso reduzido para manter o mesmo preço.

    Este artigo explica o fenômeno:

    "A inflação perene tende a deteriorar a qualidade dos produtos.  Todo vendedor sabe que é difícil vender o mesmo produto físico a um preço maior do que aquele vigente nos anos anteriores.  Porém, aumentos nos preços são inevitáveis quando a oferta monetária está em crescimento contínuo.  Sendo assim, o que os vendedores fazem? 

    Eles fabricam um produto de qualidade inferior e o vendem com o mesmo nome, junto com os eufemismos que se tornaram costumeiros no marketing comercial.  Por exemplo, eles podem ofertar aos seus consumidores café "light" e vegetais "não condimentados" — o que pode ser traduzido como café ralo e vegetais que já perderam todos os resquícios de sabor.  Podem também oferecer os mesmos produtos em menores quantidade e tamanho. 

    Deteriorações similares podem ser observadas na indústria de construção civil.  Países flagelados pela inflação parecem ter sempre uma maior proporção de casas e ruas em constante necessidade de reparos.

    Em ambientes assim, as pessoas desenvolvem uma atitude mais desleixada em relação às palavras que utilizam.  Se tudo realmente for aquilo de que passou a ser chamado, então é difícil explicar a diferença entre verdade e mentira.  A inflação incita as pessoas a mentirem sobre seus produtos, e a inflação perene estimula o hábito de mentir rotineiramente.  A inflação monetária parece difundir esse hábito como um câncer para todo o resto da economia."
  • Marcelo Almeida  08/05/2014 12:47
    Prezado Leandro, não consigo encontrar, nem com tradução para o português, o livro: Entendendo o Processo de Mudança Econômica, de Douglass C. North.
    Se souber, por gentileza, pode me informar onde posso encontra-lo. Abraços
  • Leandro  08/05/2014 14:12
    Não acho que ele tenha sido traduzido. Mas há um bom sumário disponibilizado pelo Instituto Liberal:

    pt.scribd.com/doc/13135543/Sumario-Entendendo-o-processo-de-mudanca-economica-Douglass-C-North-Banco-de-Ideias-n-46
  • Leandro  08/05/2014 14:30
    Grevistas depredaram 325 (!!!) ônibus no Rio. Eles querem reposição salarial.

    Na raiz de toda essa inquietação social está a carestia. Enquanto os reais culpados pela carestia estão se safando, trabalhadores inocentes arcam com a dupla fatura: ficam sem transporte e sem poder de compra.
  • Zé Luis  08/05/2014 15:49
    É, a situação tá feia. O gatilho salarial, esquecido em meados da década de 90, já está voltando.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,o-gatilho-esta-voltando,184123,0.htm

    Parece que inflação baixa na Brasil foi apenas um período efêmero.
  • Marcos  08/05/2014 16:47
    O pior é que quando o governo aumenta os juros ainda por cima amplia um desequilíbrio: aumenta o crédito para os excluídos das benesses governamentais enquanto o dinheiro para os amigos do poder continua farto. A distorção fica cada vez mais pronunciada. afinal, para que você vai investir em um negócio pagando juros altíssimos quando pode colocar seu dinheiro em uma atividade com crédito farto? Se isso não é estimular maus investimentos em um nível escandaloso, eu não sei mais o que é.
  • Lucas Amaro  09/05/2014 21:53
    Leandro, você conhece algum bom livro que trate da história da economia brasileira, e que não tenha abordagem nacional-desenvolvimentista tupiniquim?

    Se bem que não ser nacional-desenvolvimentista é condição sine qua non para ser um bom livro de economia...
  • Andre  14/05/2014 12:41
    E como esperado, o governo resolve mascaras os índices de inflação.

    www1.folha.uol.com.br/poder/2014/05/1453855-mercadante-admite-que-governo-segura-precos-da-gasolina-e-da-energia.shtml



  • IRCR  15/05/2014 07:49
    Leandro,

    Oq vc acha dessa medida keynesiana na Europa ?

    Savings Confiscation To Force Spending Now
    "Negative deposit rates" means that the banks will charge the customer for saving money and placing it in the bank.
    www.zerohedge.com/news/2014-05-14/endgame-keynesianism-savings-confiscation-force-spending-now

    Lamentavel.
  • Rodrigo Amado  15/05/2014 12:24
    Que medida bizarra!!!

    Se implementarem isso vai ser uma confusão dos diabos, muita gente vai tirar o dinheiro do banco, mas não necessariamente para consumir, mas para investir em outra coisa, talvez ouro, prata, ações... qualquer coisa!

    Quando, e se, eles fizerem isso, estarei preparado:

    stephen-colbert

  • Eduardo Maal  15/05/2014 12:09
    Oi Leandro,

    Primeiro de tudo, parabéns pelo artigo!

    Pensando sobre o que você escreveu, o mundo vive uma situação de bolha, pois os bancos - e como conseqüência disso, os "amigos" dos bancos e dos governos - conseguem pagar juros ínfimos, como resultado do sistema de reserva fracionaria. Por um lado, porque (para usar um exemplo do Brasil) eles pagam 0.6% ao mês ao depositor, mas como eles multiplicam esse dinheiro conservadoramente 10 vezes, na realidade é como se estivessem pagando 0.06% ao mês, menos de 1% ao ano. E segundo, se eles precisarem dinheiro do Banco Central, pagam 11% ao ano, que vira também 1.1% ao mês, de novo multiplicando 10 vezes. Este dinheiro certamente chega neste nível de custo as pessoas influentes o suficiente. E se esse é o caso no Brasil, é desprezível nos EUA e Europa. Não é a toa que é impossível competir com os grandes capitalistas "crony", como dizem em inglês.

    Claro, os Bancos Centrais então controlam a qual custo esse dinheiro chega aos consumidores, e portanto aquecem ou esfriam a economia, com a taxa de juros dos Bancos Centrais, e quanto eles favorecem os "bem conectados".

    Tudo isto para dizer que eu tinha a impressão que as taxas dos Bancos Centrais só podiam esfriar a economia, pois pensava que era um adendo aos juros que um banco precisa cobrar, e portanto o seu nível ideal seria zero. Mas atrelada ao sistema de reservas fracionárias, tudo muda.

    Bom, só queria deixar o comentário! Se eu viajei em alguma coisa, agradeço a correção.

    Um abraço!
  • Diego  15/05/2014 22:18
    Leandro, me diga se meu raciocínio está certo:

    Devido a copa, surge uma demanda por real. Com isso o dólar tende a cair. Isso tira reais de circulação, de certa forma segura a inflação.
    A copa vai passar, as pessoas vão ter utilizado os reais que compraram e todo esse dinheiro vai voltar para a economia.
    A inflação dispara. O dólar sobe. A bolsa provavelmente cai.

    A dinâmica da economia tende a ser esta com um evento do tamanho da copa?

    Obrigado
  • Leandro  15/05/2014 23:02
    Esse "tira reais de circulação" não faz muito sentido. Turistas e profissionais estrangeiros irão trocar dólares por reais e irão gastar esses reais. Ao passo que é verdade que a demanda por reais tende a aumentar, não é verdade que reais são retirados de circulação.
  • Diego  16/05/2014 00:53
    Entendi.
    O que eu imaginava é que, até certo ponto, antes de a copa realmente acontecer, antes de os turistas e profissionais estrangeiros chegarem, eles iriam comprar os reais (O que estaria contribuindo inclusive, pela atual queda do dólar - ou não há qualquer relação?). Ao longo da copa e após, estes reais voltariam em grande quantidade, produzindo um aumento de preços (não sei se relativamente significativo ou não) que antes não era percebido.

    Obrigado, Leandro, e parabéns pelo excelente artigo. Sempre muito elucidativo.
  • IRCR  16/05/2014 13:16
    Meu amigo,

    Os turistas estão comprando reais para gastar dentro do Brasil, não lá fora.
    Não há reais saindo da economia brasileira em hora alguma.
  • Maurício Vieira   16/05/2014 02:45
    Prezado Leandro, poderíamos vislumbrar, no longo prazo, o mesmo futuro de Banespa, Barnej para BB, Caixa e BNDES?
  • Leandro  16/05/2014 13:03
    É um bom paralelo, mas a situação ainda não se aproxima. Banespa e Banerj existiam majoritariamente para financiar seus respectivas governos estaduais e eram altamente deficitários. Eles simplesmente criavam dinheiro a fundo perdido. Seus empréstimos não eram quitados.

    Já CEF e BB ainda conseguem lucro e seus empréstimos costumam ser quitados. E ambos financiam majoritariamente o setor privado, o que significa que eles podem confiscar ativos valiosos caso haja calote nos empréstimos.

    Já o BNDES opera em outra dimensão. Ele não é um banco no sentido estrito: ele não é criador de moeda (embora suas atividades, como formuladas hoje, gerem criação de moeda de maneira indireta) e recebe continuamente repasses do Tesouro. Ou seja, m´na prática, é quase que uma entidade que opera a fundo perdido.
  • patricio  19/05/2014 01:53
    Leandro,
    me explique o fato se o BNDES opera a fundo perdido como dá lucro? 8 bi em 2013.
    Isto cheira a um banco comercial, não?



  • Leandro  19/05/2014 12:29
    O custo de captação é quase zero (o dinheiro é simplesmente dado pelo Tesouro e recolhido via FAT). Sendo assim, o BNDES pode emprestar aos juros que quiser, e ainda terá lucro.

    Aliás, o próprio site do BNDES admite que faz várias operações a fundo perdido.

    www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Navegacao_Suplementar/FAQ/bloco1.html#24


    E eis aqui exemplos práticos:

    www.jb.com.br/economia/noticias/2013/07/24/calote-a-vista-bndes-tem-a-receber-r-117-bi-de-ebx/

    economia.terra.com.br/bndes-deve-perder-r-190-milhoes-repassados-a-eike-diz-jornal,18df38532fd02410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html
  • Diogo  29/05/2014 20:40
    Pessoal, desculpem se é off-topic minha dúvida, mas alguém sabe se essas supostas diretrizes aprovadas pelo PT são reais (não estou conseguindo acreditar nisso)?

    www.administradores.com.br/noticias/cotidiano/7-diretrizes-aprovadas-pelo-pt-que-vao-deixar-liberais-de-cabelo-em-pe/88457/
  • Andre  29/05/2014 22:34
    Claro que são reais.
    Esses são os objetivos deles desde SEMPRE.
    Afinal de contas eles são esquerdistas, nada mais natural do que quererem o poder totalitário.

    Alguns vídeos explicativos:

    https://www.youtube.com/results?search_query=True+Outspeak+%22Foro+de+S%C3%A3o+Paulo%22&page=2
  • Pobre Paulista  30/05/2014 01:53
    "um projeto de socialismo radicalmente democrático para o Brasil"

    Sem mais.
  • Deilton  04/06/2014 17:52
    11 de 15 cidades têm queda real no preço do m² em maio, diz Fipe – G1

    www.bolhaimobiliaria.com/2014/06/04/11-de-15-cidades-tem-queda-real-no-preco-do-m%C2%B2-em-maio-diz-fipe-g1/

    A alta nos preços dos imóveis perdeu força pelo sexto mês seguido em maio, segundo pesquisa divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), perdendo para a inflação no acumulado de 2014, segundo o índice FipeZap, que cobre 16 cidades brasileiras.

    No mês passado, o preço médio do metro quadrado de apartamentos nas 16 cidades analisadas subiu 0,49% em relação a abril – variação igual a registrada na passagem de março para abril.

    No ano, a alta do preço dos imoveis é de 2,98%. Considerando a variação esperada para o IPCA de maio (de 0,45%, segundo o boletim Focus do Banco Central), a inflação no país em 2014 chega a 3,32%. Ou seja, a alta do preço médio do m² nas 16 cidades monitoradas está abaixo da inflação acumulada de 2014, caracterizando queda real no valor dos imóveis, destaca a pesquisa.

    Das 16 cidades, 11 tiveram queda real no preço dos imóveis em maio, sendo que 4 delas registraram queda nominal: Curitiba (-0,68%), Brasília (-0,23%), Santo André (-0,16%) e São Bernardo do Campo (-0,12%) – a queda nestas duas últimas é um fato inédito desde que os preços no ABC passaram a ser monitorados pelo Índice FipeZap em 2012.

    Na análise do acumulado do ano, a queda em termos reais nos preços ocorreu em 8 cidades.

    Fortaleza e do Rio de Janeiro lideram com a maior alta de preços no ano, de 5,20% e 4,74%), respectivamente. Na sequência, aparecem Vitória (4,23%) e Niterói (3,9%). Em São Paulo, a alta no ano é de 3,59%, com elevação de 0,71% em maio.

    Maiores quedas
    Porto Alegre e Brasília registram as maiores quedas de preços no acumulado no ano, de -1,33% e -0,42%, respectivamente.

    No acumulado dos últimos 12 meses, o aumento médio, entretanto, ainda é de 11,7%.

    Segundo a Fipe, os valores médios do m² em maio ficaram entre R$ 10.609 (Rio de Janeiro) e R$ 3.942 (Vila Velha). Em São Paulo foi de R$ 8.060 e a média das 16 cidades foi de R$ 7.494.

    No Rio de Janeiro, o m² mais caro é o do Leblon, a R$ 22.436. Em São Paulo, o maior preço é o dos imóveis da Vila Nova Conceição, R$ 13.871 o m².

    O Índice FipeZap foi desenvolvido e é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em parceria com o portal ZAP Imóveis. O indicador acompanha o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos em 16 municípios brasileiros com base em anúncios da internet. Os municípios abrangidos são: Rio de Janeiro, São Paulo, Niterói, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, São Caetano do Sul, Florianópolis, Porto Alegre, Santo André, Salvador, São Bernardo do Campo, Vitória, Curitiba e Vila Velha.
  • Andre Cavalcante  10/07/2014 13:36
    UAU, 180 comentários, e somente a partir do mês 05 (maio). Só o Leandro para conseguir isso. Parabéns!!!

  • Leandro Rousselet  10/07/2014 14:13
    Sou novo nesses assuntos, mas me parece que (considerando que não exista reservas voluntárias dos bancos junto ao BC) caso o Banco Central tivesse uma Selic alta o suficiente que fizesse com que os ativos do BC em títulos ficasse inalterado (apenas rolando as dívidas que já existem) não teria como os bancos públicos continuarem a aumentar sistematicamente o volume de crédito concedido, uma vez que suas reservas se manteriam constantes. A única forma seria receber constantes aportes do tesouro, mas esse teria que tirar que tirar dinheiro de algum lugar e não sendo inflacionário
  • Leandro  10/07/2014 15:00
    Na prática, duas coisas determinam o volume do crédito concedido pelo sistema bancário: a propensão das pessoas e empresas a se endividarem (no que influi os juros cobrados nos empréstimos), e a propensão dos bancos a concederem empréstimos para pessoas com histórico de crédito ruim.

    Reservas bancárias em nada influenciam o processo, simplesmente porque o Banco Central existe justamente para conceder reservas para os bancos.

    A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas (compulsórias ou não) perde a importância. A função do compulsório é restringir os bancos, porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulam a efetividade do compulsório e das reservas bancárias.

    Repito: a partir do momento em que existe um BC pronto para atender às demandas dos bancos por reservas -- e ele atenderá, caso contrário os juros sobem --, reservas deixam de ser eficazes em termos de restrição do crédito.

    Se você for fluente em inglês, essa monografia do Banco da Inglaterra explica bem por que o compulsório e o volume de reservas se tornaram inócuos.
  • Andre Cavalcante  10/07/2014 15:18
    Leandro,

    Fiquei com uma dúvida:

    "A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas (compulsórias ou não) perde a importância. A função do compulsório é restringir os bancos, porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulam a efetividade do compulsório e das reservas bancárias."

    É possível o BB (ou outro banco público) comprar títulos públicos? Neste caso, o que impede dele comprar tantos títulos quanto o governo queira e o BACEN mantém as reservas do BB de tal forma que os empréstimos sejam possíveis? Neste caso, ainda, isso poderia levar a uma hiper, uma vez que o governo certamente gastaria o dinheiro todo?

    Aliás, o que impede uma empresa pegar dinheiro do BNDS, investir em um banco qualquer que remunere aquele dinheiro acima do que o BNDS cobra de juros, esse banco usar esse dinheiro para bancar o governo, via compra de títulos públicos e reservas fracionadas (o que multiplica aquele dinheiro várias vezes), e o governo gastar esse dinheiro, inclusive uma parte dele que vai parar no BNDS, fechando o ciclo e, novamente, isso gerar uma hiper?

    Abraços
  • Leandro  10/07/2014 16:12
    Caríssimo André, você foi ao cerne da questão. No atual arranjo monetário e bancário, déficits orçamentários financiados pelos bancos são a única maneira factível de haver uma hiperinflação. Não visualizo outra hipótese.

    Ainda assim, devo enfatizar que não é do interesse dos bancos gerar hiperinflação. Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

    "É possível o BB (ou outro banco público) comprar títulos públicos?"

    Não só é possível, como é isso o que eles fazem rotineiramente.

    "Neste caso, o que impede dele comprar tantos títulos quanto o governo queira e o BACEN mantém as reservas do BB de tal forma que os empréstimos sejam possíveis?"

    Na prática, só o bom senso.

    "Neste caso, ainda, isso poderia levar a uma hiper, uma vez que o governo certamente gastaria o dinheiro todo?"

    É bem possível.

    "Aliás, o que impede uma empresa pegar dinheiro do BNDS, investir em um banco qualquer que remunere aquele dinheiro acima do que o BNDS cobra de juros, esse banco usar esse dinheiro para bancar o governo, via compra de títulos públicos e reservas fracionadas (o que multiplica aquele dinheiro várias vezes), e o governo gastar esse dinheiro, inclusive uma parte dele que vai parar no BNDS, fechando o ciclo e, novamente, isso gerar uma hiper?"

    Em tese, quando uma empresa pega um financiamento no BNDES, ela tem de explicar o que fará com esse dinheiro. Ela, em teoria, não tem uma carta branca.

    Daí a diferença semântica entre empréstimo e financiamento. Em um empréstimo, você faz o que quer com o dinheiro, e não tem de dar satisfação a ninguém; em um financiamento, o crédito liberado está vinculado à compra de um bem específico ou a um investimento pré-determinado.

    Dito isso, confesso não sabber detalhes das particularidades contidas em um financiamento do BNDES, mas não me surpreenderia em descobrir que há espertos pegando dinheiro lá a 3% ao ano, dando drible nos burocratas, e aplicando esse dinheiro em papeis que rendem acima de 10% ao ano. Esse tipo de gente sempre existe, e prospera ainda mais quando lida com burocratas.

    Grande abraço!
  • Allan  10/07/2014 14:14
    Mais um excelente artigo pra coleção Leandro, parabéns!

    Uma questão: você vê alguma chance de algum dos presidenciáveis subir a Selic a esses níveis, e se sim qual seria o prazo pra isso acontecer? Qual será a consequência caso não o faça? Qual seria uma outra saída com mais apelo popular que provavelmente será tomada, na sua opinião?

    Valeu!
    Abraço
  • Leandro  10/07/2014 16:00
    Prezado Allan, a questão principal, como dito, nem é o atual valor da SELIC, mas sim o fato de 50% do crédito estar completamente desatrelado da SELIC.

    Enquanto os bancos estatais continuarem operando nesta dimensão paralela, não há nenhuma perspectiva de inflação de preços civilizada. Ou os bancos estatais fecham as torneiras, ou os serviços (e os alimentos) continuarão subindo neste ritmo intenso.

    No entanto, se for para manter os bancos estatais operando exatamente como operam hoje, e tentar controlar a carestia apenas pela SELIC, aí sem dúvida esta terá de ir para acima de 15%. Não tenho a mínima ideia de qual seria o valor exato; aliás, ninguém tem.

    Grande abraço!
  • Arthur  10/07/2014 17:33
    veja.abril.com.br/noticia/economia/estimulos-a-industria-voltarao-a-ser-negociados-apos-a-copa
    Os empresários brasileiros são um lixo mesmo, inacreditável.
  • patricio  10/07/2014 19:16
    Eu não sei qual o problema de um empresario fazer um emprestimo lá fora a juros de 4 a 6% aa, fazer um hedge cambial e empreender aqui. Sempre vão com o pires na mão para o governo.
  • Neto  10/07/2014 18:10
    Só tenho uma coisa para dizer: Leandro Roque para presidente, já!
  • Leonardo  10/07/2014 19:12
    Leandro,

    Achei essa segunda razão bem interessante. Contudo restaram dúvidas quanto ao real impacto das expectativas para a inflação. De fato expectativas inflacionárias podem levar alguns setores com menor nível de concorrência a elevar preços preventivamente, porém se não for acompanhada por um aumento dos meios de pagamento, o máximo que entendo que poderia ocorrer seria uma mudança dos preços relativos, elevando-se os preços desses setores, mas reduzindo-se o preço de outros. Caso este raciocínio esteja correto, resta a questão: como e porque essa pressão inflacionária originada por alguns setores levaria a uma expansão dos meios de pagamento para que se configurasse de fato uma inflação de preços?
  • Leandro  10/07/2014 19:29
    "De fato expectativas inflacionárias podem levar alguns setores com menor nível de concorrência a elevar preços preventivamente, porém se não for acompanhada por um aumento dos meios de pagamento, o máximo que entendo que poderia ocorrer seria uma mudança dos preços relativos, elevando-se os preços desses setores, mas reduzindo-se o preço de outros."

    Correto. Porém, dado que os meios de pagamento estão em contínua expansão (vide o gráfico da expansão do crédito), este cenário que você imaginou (meios de pagamento estáveis) é apenas teórico. Ele nunca ocorre na prática.

    "Caso este raciocínio esteja correto, resta a questão: como e porque essa pressão inflacionária originada por alguns setores levaria a uma expansão dos meios de pagamento para que se configurasse de fato uma inflação de preços?"

    Isso é semelhante à história do ovo e da galinha.

    Por exemplo, se as lojas reajustarem seus preços, pode ser que isso faça com que consumidores tenham de pegar mais empréstimos para poder consumir mais e com que as empresas peguem mais empréstimos para produzir mais. Logo, estaria havendo expansão dos meios de pagamento e, consequentemente, mais pressão sobre os preços.

    Por outro lado, a história pode ser invertida: empresas e consumidores pegam mais empréstimos para, respectivamente, consumir e investir mais, e essa expansão do crédito gera uma pressão sobre os preços.

    A ordem dos fatores não importa muito. O que realmente tem de ser feito é reduzir a expansão dos meios de pagamento. E, dado o atual arranjo monetário e bancário no qual vivemos, isso só pode ser feito por meio do aumento dos juros (o que reduz a demanda por empréstimos) e da redução do déficit nominal do governo (o que reduz a criação de dinheiro pelos bancos para comprar títulos do Tesouro).
  • Leonardo  11/07/2014 18:49
    Agradeço a atenção
  • Rhyan  10/07/2014 22:54
    Boa, Leandro!

    Quando esse artigo foi publicado pela primeira vez?

    O link do "da maior média já observada desde 1999" não está funcionando.

    Obrigado, abraço!
  • IRCR  10/07/2014 22:57
    Leandro,

    Se hipoteticamente, algum banco central fixasse 100% de caixa para os bancos, para ele manter uma taxa x de juros estipulado por ele mesmo, o BC teria que "criar" mais dinheiro para compesar o dinheiro que não está mais sendo multiplicado pelas reservas fracionárias certo ?
    Ao menos nesse cenário não teria a vantagem de acabar com o esquema de piramidação de crédito feito pelos bancos ? e não mitigaria uma possivel corrida bancaria em caso de crise ?
  • Daniel  11/07/2014 15:32
    "5) São os bancos estatais os principais causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil."

    Na minha opinião, em última instância, quem realmente é responsável pela carestia que estamos vivendo são os políticos, ignorantes em economia, incompetentes e arrogantes, que utilizam o poder que detém para controlar, mandar e intervir em toda a economia: Dilma, Guido e companhia. Acho que a frase acima, para um leigo, isentaria de culpa os verdadeiros culpados pela inflação.
  • CHARLES  11/07/2014 20:44
    Prezados

    Tenho 47. Vivi o que eu vim a saber muito tempo depois ser chamado de ditadura que de "dura" para mim, familia e amigos não tinha nada. Nos anos 80's, quando estudava economia na faculdade, aprendi o que era inflação. NÃO EU NÃO APRENDI ISSO NA FACULDADE. Eu aprendi com o falecido Henry Maksoud num programa chamado "Henry Maksoud e vc". Na faculdade nos era ensinado que "inflação é o aumento generalizado de preços". Trocavam consequência por causa. E eu tinha que digerir isso para progredir pois meus trabalhos sobre o tema levavam nota baixa. Nas matérias de economia John Mainard Keynes era absoluto. Um pulha que escrevia quando indagado sobre o futuro do contínuo endividamento com a resposta: "no futuro todos estaremos mortos". Este é o pensamento irresponsável que estatistas, esquerdistas e socialistas tanto adoram. A primeira regra da economia é a escassez? Não com essa turma. De lá pra cá conheci Olavo de Carvalho, Mises, Hazlit e outros grandes. E com eles aprendi o marxismo cultural, o gramcismo, etc. O que eu vejo é um futuro negro num país totalitário. Sofrimento e angústia nos aguardam. E o pior: não há retorno fácil dessa direção. Deus nos ajude.
  • Mauricio.  12/07/2014 23:14
    Enquanto isso, no Palácio do Planalto temos uma fiel seguidora de Misnky veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/isso-e-minsky.

    Se não conseguirmos tirar este bando do governo em novembro, que Deus nos proteja!
  • Fernando  13/07/2014 02:35
    Medidas utópicas a serem tomadas:
    a)Privatizar o Banco do Brasil, CEF, bancos estaduais e Petrobrás. Isto estabeleceria o fim dos subsídios e privilégios nos empréstimos. É utópico porque o sistema político no brasil é baseado todo no toma lá da ca, um voto por um cargo numa estatal, ou seja, sem cargo sem voto. Isto não vale apenas para o PT, nos governos do PSDB tem o mesmo problema(Sarney, Renan Calheiros e outros mais apoiaram o FHC);
    b)Fim de parte dos privílégios dos funcionários públicos, o pior e mais pesado deles e o sistema de aposentadoria dos militares, cuja idade média de aposentadoria é 46 anos de idade. Na maioria dos paises desenvolvidos(inclusive EUA), o militar trabalha 20 anos, recebi um indenização e passa a ter direito a aposentadoria aos 65 anos de idade apenas. Existem projeções afirmando que em 2025 metade da folha de pagamento de funcionários públicos federais será gasta com os militares(devido ao aumento da expectativa de vida). Quanto aos demais servidores deve-se proceder um processo de enxugamento, diminuindo a quantidade e privilégios. Colocar o pessoal para produzir e reduzir mordomias como carros particulares com motorista para autoridades do judiciário e executivo. Utópicas pois são duras e inviáveis politicamente;
    c) Aumentar a LRF e estabelecer regras mais rígidas de controle do gasto público(metas reais para diminuição da dívida pública, só após a dívida atingir valores abaixo de 30% poderemos fazer uma reforma tributária);
    d) Acabar com o tratamento especial dado a certos grupos empresariais com tarifas de importação exorbitantes, por exemplo, o Brasil possui a Agricultura é a mais competitiva do mundo só que a tarifa de importação do alho é 35%. Será que o pais realmente precisa tanto produzir alho? E o aumento disfarçado do Imposto de Importação em 2011 para carros, através de um elevação de IPI que só atinge carros importados. A ideia de competir com coreanos e chineses em condições próximas deixou os empresários de cabelo em pé.
    Muito bom texto. Parabéns.
  • aspone  14/07/2014 15:40
    Fernando, por favor, me dê seus dados completos que eu e meus colegas vamos fazer uma varredura nos seus registros, arquivos etc.
  • anônimo  13/07/2014 04:36
    Leandro, a Grécia de acordo com o Wikipédia é o país que tem a menor taxa de inflação. Mas eu lembro que uns tempos no passado saíram várias notícias a respeito da crise da Grécia, então eles mudaram o sistema monetário?
  • Leandro  14/07/2014 15:09
    A Grécia está em profunda deflação monetária, como explicado neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514
  • Deilton  17/07/2014 17:27
    Prezado Leandro, o que achas dessa análise feita pelo Ricardo Amorim:

    ricamconsultoria.com.br/news/artigos/palestra_razoes_de_otimismo_com_economia_brasileira

    "Doze razões de otimismo com a economia brasileira"

    O por que pra onde olho só vejo razões para ser pessimista.

    Eu não vejo como a economia brasileira não passar por sérios problemas nos próximos anos.

    1° Com o fim do programa de compra de títulos do governo americano e a subida dos juros que deve acontecer no ano que vem, não há o risco de haver fuga de dólares? Isso não seria catastrófico, já que pressionaria a inflação e prejudicaria as empresas com dívidas em dólar?
    2° Mesmo com as recentes expansões do crédito pelos bancos públicos, a economia não está reagindo. As vendas de imóveis despencaram e os preços estão caindo e o setor automobilístico também está tendo problema para desovar sua produção. Uma correção na política monetária tende a aprofundar a crise desses setores e, o pior, disseminar a crise por outros setores da economia. Esou errado?
    3° O governo adiou aumento nas contas de energia elétrica, transporte público e combustível para o ano que vem. É bem possível que tenhamos inflação de 2 dígitos. Isso não agravaria ainda mais os problemas, já que reduz o poder de compra da população.

    Será que estou sendo muito pessimista?
  • Leandro  17/07/2014 18:16
    Muitos chavões surrados ("o Brasil é o celeiro do mundo"), muitas frases típicas de um compêndio de auto-ajuda ("A mãe das oportunidades são os problemas. A lagarta não escolhe virar borboleta. Ela se transforma porque não tem escolha.") e quase nenhuma análise. Não há nem o que comentar. Foi apenas uma wishlist.

    Só umas pinceladas:

    O item 2 é bastante contraditório. Primeiro ele diz que "O consumo de petróleo nos países desenvolvidos cai há décadas. A demanda global tem sido sustentada pelos emergentes, mas isto não vai durar para sempre". Ou seja, não há pressão de demanda. Mas aí em seguida ele diz que "O preço da gasolina vai subir", sem aparentemente se dar conta de que isso vai contra sua primeira premissa.

    No item 3 ele não explicou como o comércio pode voltar a crescer forte se o endividamento só faz subir.

    Os itens 6, 7, 8 e 9 poderiam ter sido escritos ipsis litteris há uns dez anos. Não mudou nada.

    O item 10 é de uma lógica cômica: quanto maior a pobreza e o assistencialismo, maior o consumo e o crescimento econômico. Vamos todos então para Bangladesh.

    No item 11, ele não explica por que tal fenômeno voltaria a acontecer agora que os bancos estão bem mais prudentes e seus balancetes estão com menos espaço para aventuras.

    O mesmo para o item 12.

    Mas concordo com o item 4.
  • Hay  17/07/2014 19:11
    Eu gostaria de comentar os itens 10, 11 e 12, pois foram os que mais me chamaram a atenção:

    10) Nordeste – Em todos os Estados nordestinos mais de 50% famílias recebem o Bolsa-Família, expandindo o consumo e o crescimento econômico na região;

    Não pode ser. Isso aí é um economista? O cara estudou anos a fio para escrever isso? O cara realmente acha que metade das famílias da região receberem o Bolsa-Família é um motivo para estarmos otimistas? Essa estatística é assustadora. Indica que, uma década depois da implantação do programa, metade das famílias na região continuam dependendo de dinheiro dado pelo governo.

    Ora, isso é uma prova cabal de que o programa não está servindo para o desenvolvimento da região. Se fosse esse o caso, o número de beneficiários diminuiria em razão da melhoria das condições econômicas da região. E pensar que isso se passa por análise econômica. É de chorar...

    11) Setor imobiliário – Desaceleração econômica, boatos de estouro de bolha após a Copa e incertezas geradas pelas eleições derrubaram as vendas recentemente. Ainda assim, os preços continuaram em alta, na maioria dos casos. O volume de vendas deve se recuperar assim que a expansão do crédito volte a se acelerar.

    Claro, porque a alta nos valores dos imóveis é algo sempre maravilhoso. É incrível o que se passa por economia hoje em dia. Pergunte a uma pessoa que quer comprar um imóvel hoje em dia o que ela acha de imóveis de 3 a 4 vezes mais caros do que há uma década, por exemplo. Ela dirá "que legal cara, antes eu conseguia comprar uma casinha por 70 mil, agora qualquer barraco custa 250 mil, eu adoro isso!"? Acho que não...

    Ora, esses programas de crédito imobiliário fizeram com que só pessoas muito ricas conseguissem pagar por um imóvel sem recorrerem a financiamentos. Sei disso porque eu tive que fazer um financiamento, já que não tenho como juntar centenas de milhares de reais para a compra de um imóvel.

    12) Setor automotivo – Contração do crédito por conta de aumento de inadimplência freou as vendas no primeiro semestre. Hoje, só 35% das vendas de automóveis no país são financiadas contra 70% no mundo. Quando o crescimento do crédito retomar seu vigor, as vendas de veículos também retomarão.

    Que máximo! É só injetar ainda mais crédito em uma economia já bastante endividada para que voltemos a crescer! Que maravilhoso motivo para ser otimista!

    Agora, galera, pensem que isso veio de um economista considerado por governistas como muitos da mídia golpista ou algo semelhante, alguém da extrema-direita neoliberal. Pensem nisso e chorem em posição fetal, como eu acabei de fazer. Aliás, perdoem-me, preciso voltar à posição fetal para continuar chorando, pois acabei de me lembrar de que o Ricardo Amorim acha motivo de otimismo 50% das famílias receberem Bolsa-Família.
  • Guilherme  17/07/2014 19:43
    Por que o espanto? Ele já fez pior:

    "Com tudo isso, acredito que veremos, ainda ao longo de 2010, o índice Bovespa se aproximar, ou até ultrapassar, o patamar de 100 mil pontos. Aliás, por ora, continuo mantendo a previsão que fiz em outubro de 2008 – quando o índice Bovespa estava em 33 mil pontos – que até 2015, ele deve chegar ao patamar dos 200 mil pontos."

    ricamconsultoria.com.br/news/artigos/bovespa-alta-de-2009-e-a-ponta-do-iceberg
  • Marconi  17/07/2014 21:22
    É só você fazer previsões contraditórias que uma você acaba acertando. Aí depois você diz: "Eu avisei!"
  • Dioner Segala  28/07/2014 19:17
    E o pior de tudo é ver a maior parte dos comentadores nesse artigo do Ricardo Amorim elogiando o ótimo embasamento teórico dele.

    Não sei se as pessoas não se dão conta porque foram ensinadas a não entenderem as coisas, ou se é por preguiça de pensar um pouquinho, ou ainda, por burrice mesmo.
  • Ronaldo  18/07/2014 03:26
    Leandro, Moderadores e comentadores

    www.empiricus.com.br/o-fim-do-brasil/

    O que me falam deste artigo?
  • Leandro  25/07/2014 14:53
    Mistura coisas interessantes com previsões catastrofistas. A explicação dele para a hiperinflação é contraditória.
  • Diego  25/07/2014 13:38
    Leandro, você poderia fazer um comentário com relação a esta notícia e o impacto no atual cenário econômico brasileiro?
    Isso tende a fazer com que o crédito se expanda mais? Me parece que isso vai contra as tentativas de se trazer a inflação para pelo menos ficar no centro da meta...
    veja.abril.com.br/noticia/economia/bc-muda-compulsorio-para-injetar-r-30-bi-na-economia

    economia.ig.com.br/2014-07-25/banco-central-anuncia-medidas-para-injetar-r-30-bilhoes-na-economia.html

    Obrigado!
  • Malthus  25/07/2014 14:53
    Isso é mais espuma do que medida de efeito prático. Ainda bem.

    Como já explicado aqui várias vezes, duas coisas determinam a expansão do crédito: demanda por crédito e disposição dos bancos a correr risco.

    A demanda por crédito depende dos juros, do endividamento das pessoas e da disposição das empresas a investir. Já a disposição dos bancos a correr risco depende do atual estado da economia e da situação de seus balancetes.

    Por si só, minúcias técnicas -- como alteração de valor de compulsório -- não afetam sobremaneira os dois itens acima. Pode haver uma pequena diminuição nos juros para um outro tipo de empréstimo. Mas não altera muita coisa em termos globais.

    Sigo repetindo a mesma partitura descrita no artigo: enquanto os bancos estatais não forem controlados, a economia continuará desarranjada, com inflação alta e crescimento baixo. E agora sem geração de empregos, como já vinha sendo dito aqui há um bom tempo.
  • Alexandre M. R. Filho  25/07/2014 15:56
    Meus amigos,

    um bróder meu tem um tabelionato de protestos.

    Segundo ele, está aumentando exponencialmente o número de pedidos de execução extrajudicial.

    Ele traduziu isso como o início de uma grande crise. Ele nao é austríaco.

    Alguém aí sabe como bolar aqueles gráficos do Leandro sobre a taxa de crescimento da base monetária, com base nos dados do BACEN, pra gente poder comparar??
  • Leandro  25/07/2014 16:48
    Bom, base monetária não serve para indicador de nada.

    O melhor indicador é realmente a expansão do crédito. E, mais especificamente, o crédito feito pelos bancos privados.

    Afinal, se considerarmos que os bancos privados são aqueles que realmente têm mais cuidado em conceder seus empréstimos (em oposição aos bancos estatais), e normalmente direcionam o crédito para atividades realmente produtivas (que geram retornos para o tomador do empréstimo), o gráfico do artigo mostra que as concessões para atividades realmente produtivas estão praticamente estagnadas.

    Daí o fechamento de empresas e a fraqueza do mercado de trabalho.

    Já os bancos estatais servem para fazer a festa apenas de quem está coligado ao governo (industriais voltados para a exportação) ou de quem o governo elegeu para ser beneficiado (imobiliárias, indústria automotiva e alguns produtores rurais).
  • Alexandre M. R. Filho  25/07/2014 17:26
    Isso, Leandro, falei base monetária, mas pensei no crédito! Obrigado!!
  • Gustavo Sauer  25/07/2014 14:02
    BC altera regras para facilitar mais crédito e "impulsionar" a economia: g1.globo.com/economia/noticia/2014/07/bc-altera-regras-risco-de-credito-e-libera-mais-recursos-para-os-bancos.html

    Ou seja, esperem menos crescimento, mais concentração de renda e mais aumento de preços por ai.
  • Pobre Paulista  25/07/2014 18:09
    Agora vai!
  • Renato  25/07/2014 17:33
    Leandro,
    aproveitando que o artigo mostra como o estado interfere na vida das pesssoas (para pior), existe um meme esquerdista famoso que é o seguinte: ''Ei, reaça, venha morar na favela! Aqui tem intervenção militar e o estado é mínimo!''
    Qual resposta você daria a esse meme específico com a afirmação imbecil de que o estado é minimo na vida dos pobres? (gostaria daquelas respostas ácidas, que só você sabe fazer)
    Abraços !
  • Leandro  25/07/2014 18:20
    Essa é fácil. Mostrar que os pobres são os que mais sofrem com o estado demanda apenas um pouco de lógica.

    Quem é que, ao estimular o setor bancário a expandir o crédito -- e, com isso, fazer com que a inflação de preços se mantenha continuamente alta --, aniquila o poder de compra dos mais pobres?

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para os barracões?

    Quem é que, ao desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, impede os pobres de utilizarem seu já escasso poder de compra para adquirir produtos importados?

    Quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impede duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, impede que os salários sejam maiores?

    Quem é que, por meio destes encargos sociais e trabalhistas, empurra os pobres para a informalidade, e dali para a cadeia?


    Após responder às perguntas acima (dica: a resposta é a mesma para todas elas), pergunte aos "adoradores dos pobres" por que a solução que eles advogam é dar ainda mais poderes legiferantes à entidade que criou essa calamidade.

    Abraços!
  • Hugo  25/07/2014 19:11
    Como dizem por aí: esquerdistas não querem melhora de vida para os pobres,eles só querem empobrecer os ricos.
  • Um observador  25/07/2014 23:31
    Sei que a pergunta foi feita especificamente para o Leandro, mas vou dar a minha opinião:

    Se alguém falasse uma frase dessas para mim, eu responderia:

    - Se a favela realmente tivesse um estado mínimo, eu me mudaria para lá amanhã. O problema é que depois que os "reaças" fossem morar e empreender na favela e tudo começasse a melhorar, logo o Estado voltaria para buscar a sua "parte".

    Mas enfim, que faz esse tipo de pergunta não está interessado em debate lógico ou no fato de que a pergunta não tem sentido. Ele quer só falar uma frase de efeito e pronto.
  • Vive la Liberté  25/07/2014 18:54
    Como se todos os opositores às ideias esquerdistas fossem de direita e como se, por conseguinte, defendessem ditaduras militares, opressão, materialismo, individualismo, etc. Esses sites se limitam a criar um espantalho e atacá-lo. Eu não perderia tempo com tais infantilidades.
  • Típico Filósofo  25/07/2014 21:38
    Credito ao IMB o motivo de não mais debater: quem defende as causas sociais não precisa de justificativa, estrutura lógica ou empírica, 'ética', revisão de premissas e outras cismas reacionárias.
    Nossa causa já se justifica e se estrutura como o melhor por sua natureza polilógica. Quem discorda só é, independente dos argumentos, fatos e axiomas irrefutáveis; servidor da classe dominante e exploradora; não devem receber atenção.
    A luta de classes não é com debate, é com o poder e o holocausto revolucionário pelo bem do povo. A 'razão' é pura sabotagem.
  • Renato  25/07/2014 23:07
    Caro Típico Filósofo, belas palavras! Irretocável seus discurso.
    Faltou só dizer que fora todo o constrangimento sofrido pelo proletariado aplicado pela classe dominante, as classes baixas têm de arcar com o pesado fardos das invenções capitalistas, como por exemplo o inverno, criado pela burguesia para vender cobertores ao proletariado, e a noite, criada igualmente pela burguesia para vender lâmpadas aos pobres, dentre outras futilidades supérfluas típicas do capitalismo.
  • Jean  28/07/2014 16:17
    Leandro, te mandei uma mensagem elogiosa e seguida de uma dúvida minha no facebook, mas tenho a impressão de que você não mais usa o facebook. Ainda terei a honra de obter uma reposta sua lá ou minha desconfiança se confirma ?
    Grande abraço!
  • Leandro  28/07/2014 16:54
    Prezado Jean, acho que eu nem lembro mais qual é o meu login, muito menos a senha...

    Quando entro, faço pelo aplicativo do iPhone, mas isso é muito raro. Tem de ser por aqui.

    Abraços!
  • Renato  29/07/2014 23:40
    Leandro, uma dúvida:
    em seus artigos, você sempre demonstra como o estado atrapalha o surgimento de novas empresas, seja por meio de regulamentações, impostos altos e burocracia, e que isso só ajudaria as grandes empresas já consolidadas no mercado. Entretanto, saiu recentemente a notícia de que só no primeiro semestre desse ano, 944 mil empresas (um número que me parece bastante alto) foram criadas. O que dizer sobre isso? O número, que parece alto, na verdade é baixo se comparado com o tamanho da população? Você teria dados de quantas empresas foram criadas nos EUA por exemplo ou de outros países? O argumento de que o estado atrapalha o surgimento de novas empresas seria um pouco ''exagerado''? (é claro que todos esse empreendedores tiveram enormes dores de cabeça até abrirem as empresas, mas o fato é que as empresas foram abertas).
    Segue abaixo o link da notícia:

    noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/economia/2014/07/29/serasa-944-mil-empresas-foram-criadas-no-1-semestre-numero-e-recorde.htm
  • Leandro  30/07/2014 00:32
    "em seus artigos, você sempre demonstra como o estado atrapalha o surgimento de novas empresas, seja por meio de regulamentações, impostos altos e burocracia, e que isso só ajudaria as grandes empresas já consolidadas no mercado."

    Isso é apenas parcialmente correto. Você omitiu um fato extremamente importante: o contexto.

    Sempre que eu falo, em um artigo, sobre regulamentações, burocracia e impostos altos, estou abordando setores da economia em que tais empecilhos de fato são grandes. Ou seja, estou abordando aqueles setores grandes e importantes, os quais o governo regula mais estritamente.

    Você abrir uma borracharia em uma viela de uma cidadezinha do interior ou uma padaria em uma cidade de 15 mil habitantes é muito menos burocrático do que abrir um hospital, abrir um hotel (embora tenham dado vários estímulos para a Copa), abrir um posto de gasolina, criar uma companhia de telefone, criar uma empresa aérea ou até mesmo uma churrascaria rodízio em uma grande capital. O governo não regula o setor de vidraçaria ou de mercearias com o mesmo vigor com que regula postos de gasolina e empresas de TV a cabo. E é exatamente por isso que os setores menos regulados apresentam a maior variedade de serviços e os preços relativamente mais baratos.

    Portanto, eu não estou me referindo àqueles setores em que a entrada é mais livre e há (as ótimas) isenções tributárias. Não há escassez de concorrência no setor de padarias ou de papelarias. Estou me referindo justamente aos setores que mais necessitam de concorrência, que são justamente aqueles que o governo regula -- como, por exemplo, o de serviços de táxi.

    "saiu recentemente a notícia de que só no primeiro semestre desse ano, 944 mil empresas (um número que me parece bastante alto) foram criadas. O que dizer sobre isso?"

    Você deveria colocar os dois lados da notícia.

    1) Quantas empresas fecharam neste mesmo período por causa de impostos, burocracia e regulamentações?

    2) Qual foi o saldo líquido da criação de empresas?

    Abrir 10 empresas é interessante, mas saber que ao mesmo tempo 8 fecharam as portas faz o resultado parecer bem menos impressionante.

    Por exemplo, há essa notícia:

    "Segundo dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo, de 1990 a 2008 foram abertas no estado 2.603.233 empresas - uma média de 137.012 empresas iniciadas a cada ano. Nesses 18 anos, por outro lado, foram fechadas 1.650.953 empresas com até cinco anos de mercado, o que representa uma média anual de fechamento de 86.892 empresas de um a cinco anos de funcionamento."

    Ou seja, a criação de 2,6 milhões de empresas representou na realidade um saldo líquido de apenas 952 mil empresas em 18 anos. Bem menos impressionante do que o número inicial faz parecer.

    O que se sabe é que, de acordo com o próprio SEBRAE, 48% das empresas brasileiras fecham as portas depois de três anos.

    E mais:

    "As empresas maiores, com maior capital imobilizado, tendem a permanecer mais tempo no mercado, pois os custos de saída costumam ser elevados, dentre outros fatores. Já nas empresas sem pessoal assalariado cerca de 45% não existiam mais no segundo ano após a entrada no mercado", informou o IBGE, que comparou as estatísticas de 2010 com as de 2007 para calcular a taxa de sobrevivência das empresas. O mercado, em 2010, era formado por 3,53 milhões de sobreviventes (77,9% do total) e 999,12 mil entrantes (22,1%)."

    Ou seja, como você corretamente disse que eu havia dito, "isso só ajudaria as grandes empresas já consolidadas no mercado".

    Dica: sempre olhe todos os ângulos de uma mesma notícia, não se deixe cegar pela ideologia e, como ensinou Bastiat, analise aquilo que se vê e aquilo que não se vê. Você viu as empresas criadas, mas ignorou as empresas destruídas.

    Abraços!
  • Marcelo Ramos  30/07/2014 00:38
    Aproveitando a deixa, chamo a atenção para esse número desalentador:

    Em 2011, Brasil tinha 4,5 milhões de empresas ativas, das quais apenas 2,2 milhões contavam com pessoal assalariado

    Ou seja: há apenas 2,2 milhões de empresas com folha de pagamento. O resto das empresas são todas formadas por uma única pessoa física que trabalha como autônomo, mas que tem um CNPJ.

    Portanto, há ínfimos 2,2 milhões de empreendedores oferecendo empregos para 200 milhões de pessoas. Nesse cenário, com tão poucos empreendedores sustentando o governo e a Previdência, não há nenhuma chance de a esquerda sair do poder. Preparem-se.
  • Renato  30/07/2014 01:02
    Prezado Leandro, como sempre, sua explicação foi majestosa. Não me resta mais nada a perguntar, foi tudo 100% esclarecido. Como você tocou em ''ideologia'', lhe informo: compartilho da mesma que a sua (apesar de você já ter comentado que rótulos são besteira, mas enfim).
    Muito obrigado pela atenção e um grande abraço!
  • Thiago RV  30/07/2014 06:07
    Renato, na linha do que você informou (os dados), imagine um ambiente com um estatismo reduzido ou mesmo sem o monopólio, quantas empresas seriam abertas no país, disputando o mercado, reduzindo o preço dos produtos, promovendo a concorrência, realizando especialização de mão de obra?

    O Estado é apenas um centro de decisões alheio aos problemas sociais, a visão que ele tem de tudo é como se estivesse nas nuvens, querendo entender o que se passa aqui, na terra, no dia a dia.

    A sociedade, de forma descentralizada (sem monopólio para decisões), sempre estará mais protegida e tudo sempre será mais acessível.
  • Julio  30/07/2014 05:13
    Querem uma análise realmente linda? Aqui o petistíssimo Bob Fernandes define o que é o "mercado". Um primor.

    https://www.youtube.com/watch?v=l9aG7k3JqnU&feature=youtu.be
  • Renato  31/07/2014 14:45
    Leandro, o que você tem a dizer sobre isso?
    economia.ig.com.br/empresas/industria/2014-05-13/retomada-do-credito-para-venda-de-veiculos-e-prioridade-do-setor-diz-anfavea.html

    É correto dizer que o Luiz Moan (aquele japonês presidente da anfavea) é um dos maiores canalhas do Brasil na atualidade?
  • Leandro  31/07/2014 15:43
    O grande empresariado brasileiro é assim mesmo: mercantilista, cartorialista, protecionista, avesso às leis de mercado, e de mentalidade coitadista. Eles se juram dignos de privilégios.

    Aliás, é por isso que eu só compro carro usado.
  • Pobre Paulista  31/07/2014 16:29
    Eu me achava diferente de todos meus conhecidos. Desde que conheci o Mises eu me sinto cada dia mais só mais um.

    Também só uso carro usado, eles depreciam proporcionalmente menos.
  • Alexandre M. R. Filho  31/07/2014 16:13
    Cara, acho ele um babaca, mas o governo podia dizer "não".

    Assim como a FIFA é babaca e o governo poderia dizer "nao".

    Nesse concurso de feiura, a FIFA e a Anfavea tão puxando o braço de quem estende a mão. E por isso estão erradas.

    Mas quem estende o braço está mais errado ainda.
  • Renato  31/07/2014 16:23
    Acredito que a maior lobista das 4 grandes seja a FIAT, já que a maior parte das suas vendas são de carros que sequer podem ser cogitados de serem vendidos nos EUA ou na Europa (palio, uno, siena). São todos fabricados no Brasil a um preço alto para o que oferecem. Agora, é estranho pensar como uma montadora (VW por exemplo) pode se beneficiar desse privilégio de fabricar carros no Brasil que não sofrem concorrência dos importados quando ela mesma comercializa carros importados no Brasil (Golf, Passat, Fusca, Touareg). Ou seja, ao mesmo tempo que ela se beneficia das restrições ao importados, ela também perde com isso (é claro que no final das contas, o saldo compensa).
  • Leandro  31/07/2014 16:35
    Nenhum carro "popular" brasileiro teria sua venda cogitada nos EUA ou na Europa. Isso não se restringe apenas à FIAT. Os populares da VW, da GM, da Ford e da Renault são igualmente péssimos.

    No Brasil, os carros só podem realmente ser classificados como "carros" -- e não como meros meios de transporte -- quando atingem um valor mínimo de R$ 65.000. Abaixo disso só tem carroça motorizada.

    É por isso que eu só compro carro usado. Pesquisando bem, e com paciência, você encontra Bravo T-Jet (um genuíno europeu) completo e pouco rodado por R$45.000 (sendo que esse mesmo modelo zero, e pelado, não sai por menos de R$75.000).

    Enquanto isso, a VW tá cobrando quase R$60.000 em golzinho pelado. E tem otário comprando!

    É por isso que eu digo que, no Brasil, só dois tipos de pessoas compram carro zero: os extremamente ricos, que não se importam em torrar dinheiro, e os imbecis.
  • Renato  31/07/2014 17:39
    Leandro, aproveitando que você entende do assunto, dá uma olhada nisso: os modelos e as marcas mais vendidas na Alemanha no mês de junho:
    carplace.virgula.uol.com.br/alemanha-golf-e-lider-isolado-corsa-no-top-10-e-mercedes-despenca-nas-vendas/
    Dá vontade de sentar e chorar!
  • Leandro  31/07/2014 20:48
    Carro popular na Alemanha: Audi A3, Golf, BMW Série 3, Passat 6, Polo e Corsa (e esses dois últimos nada têm a ver com os daqui).
  • Renato  01/08/2014 22:44
    Leandro, você sabe se a Alemanha taxa os carros importados?
  • Leandro  01/08/2014 23:19
    Carros produzidos na União Européia não pagam tarifas. Carros produzidos nos EUA e na Ásia pagam 10%.

    Enquanto isso, no Brasil, os impostos encarecem um importado em até 340%. Sério.

    infomoney.com.br/minhas-financas/carros/noticia/2597209/montadoras-alertam-sobre-alto-imposto-importacao-brasileiro-diz
  • Diego  05/08/2014 12:35
    Leandro,
    nos últimos tempos tem se ouvido bastante na mídia que deixar o "dólar valorizar" faria a "inflação aumentar". Mas me parece, de acordo com a teoria austríaca, que a atitude realmente inflacionária é a insistência de o BC segurar o dólar. Para segurar o dólar o BC deve criar reais. Além do mais, empresas em geral utilizam o recurso de hedge cambial, o que as protege das variações.
    Então faz sentido a mídia bater nessa tecla do "se soltar o dólar, a inflação dispara, mimimi"?

    Abraços.
  • Leandro  05/08/2014 12:47
    Faz sentido, sim, Diego.

    Para segurar o dólar, o BC de fato cria reais e compra dólares dos bancos. Mas esses reais não necessariamente entram na economia; eles vão compor as reservas dos bancos.

    É claro que os bancos terão agora mais reais para emprestar; no entanto, por si só, a compra de dólares pelo BC não é inerentemente inflacionária. Os reais criados para comprar dólares não caem direto na economia. É perfeitamente possível que eles sejam utilizados apenas para compor as reservas dos bancos (que são ativos).

    Portanto, sim: segurar o dólar é uma medida anti-carestia, embora muito pouco eficaz caso não seja combinada com uma política fiscal e monetária mais austera (dois anátemas para este governo).
  • Gabriel da Silva Merlin  06/08/2014 16:57
    Todos os artigos do IMB sobre economia são muito bons.

    Agora eu acho que seria ótimo se fizessem um artigo analisando esta crise que se instaurou no setor elétrico, onde alguns dizem que o governo armou uma bomba relógio no setor. Estou procurando informações mais além de ser meio complexo entender a lógica do sistema desde o início os materiais que eu acho não chegam nem perto das ótimas análises do IMB.

    Não sei se aqui no site fica restrito mais às análises financeiras em si, mas acho que um artigo sobre o setor elétrico seria ótimo, fica aqui a sugestão e parabéns de novo pelo artigo.
  • Renato  11/08/2014 14:23
    Leandro, meu pai é um tanto nacionalista, desconfiado e adepto de teorias da conspiração dos mais variados tipos, principalmente de que o mundo desenvolvido conspira contra o Brasil para prejudicá-lo em tudo (pra se ter uma idéia, ele afirma categoricamente que a morte de Ayrton Senna foi fruto de sabotagem no carro dele, pois o desempenho dele ''incomodava'' quem mandava na F1, pois não admitam que um brasileiro fosse capaz daquilo). Pois bem. Sempre que discutimos economia, ele vem com 2 argumentos: Primeiro: Grandes empresas multinacionais, para prejudicarem o brasil (como ele adora dizer), costumam comprar pequenas empresas brasileiras principalmente do ramo alimentício para ''não deixarem'' que elas cresçam e para que nós sejamos a consumir apenas produtos estrangeiros (exemplo: água são lourenço, comprada pela Nestlé, etc). Segundo argumento: para novamente prejudicar as empresas brasileiras, ele alega que em shoppings e grandes supermercados você não encontra por exemplo a marca de refrigerante Mineirinho, porque segundo ele, a Coca Cola ''neogocia'' com os donos desses estabelecimentos o seguinte: ''Se você vender essas marcas brasileiras, eu não vendo meu produto pra você!'', e aí obviamente o mercado e o shopping opta pela grande marca. Essas ''teorias'' dele de fato se confirmam ou são pura falácia?
  • Leandro  11/08/2014 15:03
    Coitadismo, vitimismo e inveja: sentimentos que ainda grassam na América Latina e que servem como justificativa para todas as nossas falhas. Estamos mal porque "os outros" nos oprimem.

    Enquanto esta mentalidade atrasada seguir vigorando por aqui, não espere nenhuma mudança para melhor.


    P.S.: por essa lógica do seu pai, Hong Kong tinha de ser uma pocilga. O número de conglomerados internacionais que lá operam -- em detrimento das "empresas nacionais", se é que tal coisa existe em HK -- é quase impossível de ser computado.
  • Rodrigo D.  11/08/2014 16:10
    Meu pai fala essas mesmas bobagens. Deve ser alguma falha na educação primária. Muito "veias abertas da américa latina", combinado com pouca lógica básica. Para se ter uma idéia, ele acha que riqueza existe per si, não tendo relação com a produção. Kkkkk
  • Lopes  11/08/2014 16:39
    Tento praticar alteridade e compreender que estas pessoas não sabem o mínimo de economia ou simplesmente foram desenformadas ao extremo em seus tempos acadêmicos. São pessoas que, por exemplo, estudaram a história do Brasil à lá Caio Prado Júnior em seu tempo e não tiveram tanto contato com o meio acadêmico desde então à exceção daqueles que o frequentam (leia-se estatistas). Além de terem vivido 40 ou 50 anos de décadas onde no Brasil, quase não havia discussão sobre a ética do carrasco estatal e se discutia mais se ele deveria cortar a perna ou o braço primeiro; em um samba de positivistas contra esquerdistas que armaria o estágio de superioridade moral para que o segundo dominasse e monopolizasse a política das próximas décadas.

    A grande solução talvez esteja em ajustar premissas básicas e tentar atingir as contradições das conclusões psicóticas por método socrático. Em primeiro lugar, demonstrar a existência da escassez como um obstáculo que nenhuma retórica nacionalista é capaz de superar e apenas a ação humana pode suspendê-la por empreendedorismo e inovação.
  • Lopes  04/03/2015 21:32
    Desinformadas*

    O celular é uma terrível máquina de escrever...
  • anônimo  11/08/2014 16:46
    Que coisa doida é essa, então uma empresa grande compra uma pequena pra não deixar ela crescer? Então a grande quer perder dinheiro? Que idiotice.
  • Renato  11/08/2014 15:30
    Pois é. Eu tento argumentar perguntando por que então Cuba não é uma potência tecnológica, já que lá não existem empresas estrangeiras para ''atrapalhar'' a vida das empresas nacionais. Ele responde dizendo que ''se você compra um produto estrangeiro em vez de um brasileiro, você tá gerando emprego lá fora e desempregando um brasileiro''. Como manter a compostura e responder a isso?
  • Hermes  11/08/2014 16:37
    Mas por que focar apenas em termos de países? Por que não pensar em termos de estados? Se você mora em Santa Catarina e compra um produto fabricado na Bahia, você gera desemprego em SC e cria na BA.

    Aliás, por que focar apenas em termos de estado e não de cidades? Se você mora em Belo Horizonte e compra um produto fabricado em Governador Valadares, você destrói empregos em BH e criada em GV.

    Aliás, por que focar em termos de cidade e não de bairros? Se você comprar pão na padaria de outro bairro, você gera desemprego no seu próprio quintal.

    O certo seria proibir qualquer tipo de comércio, de modo que todo mundo fosse autônomo. Cada pessoa deveria inclusive fabricar seus próprios carro.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1332
  • anônimo  12/08/2014 17:24
    'se você compra um produto estrangeiro em vez de um brasileiro, você tá gerando emprego lá fora e desempregando um brasileiro'

    Se o estrangeiro faz um produto melhor, que resolve meu problema, ele merece cada centavo. O brasileiro que faz um troço porco é o verdadeiro sacana da história, se ele quer que eu seja obrigado a pagar pelo serviço/produto inútil dele, só porque ele é brasileiro.
  • Lopes  12/08/2014 18:03
    Primeiro lugar, por que você compraria o produto estrangeiro? Pois é melhor: talvez seja mais barato, talvez seja o único que realmente satisfaça sua necessidade, talvez seja mais produtivo ou quaisquer outros atributos possíveis. Ele gera maior utilidade que um produto brasileiro ou quaisquer outros geraria. A satisfação advinda dele é maior.

    Ao comprar um produto estrangeiro que no fim lhe faz economizar dinheiro e lhe traz mais utilidade, resta mais dinheiro no seu bolso para gastar com quaisquer outros serviços e assim tornar a economia mais complexa, aumentar as oportunidades de geração de utilidade e é claro, aumentar a própria utilidade existente: a demanda é infinita, mas o dinheiro em nossa carteira e nosso tempo não são. Seu pai, por exemplo, seria contra o Papai Noel: ele entregaria presentes de graça às crianças e 'retiraria empregos do Brasil para a colônia da Dinamarca'. O que ele não vê é que caso os pais não precisassem gastar com presentes aos filhos, teriam mais dinheiro para satisfazer todas as suas outras necessidades; que poderiam ser facilmente atendidas em arranjos que legitimamente levariam satisfação a todos.

    Seu pai, por exemplo, não gostou quando no início do ano passado, perdeu 1/5 do poder de compra no supermercado do dinheiro mantido na conta corrente com a passada de um mês. O que o governo fez foi simplesmente dificultar a importação de insumos mais eficientes do estrangeiro em prol da indústria nacional. O resultado foi que as pessoas estavam todas mais pobres ao fim do mês - embora tal fenômeno tenha criado empregos em um setor específico, retirou clientela de todos os outros setores e empobreceu a todos.

    Como manter a compostura?

    Basta reconhecer que tudo que temos precisa ser produzido. Se destruíssemos todas as máquinas, por exemplo, o emprego seria absoluto e também seria a fome. Ninguém ficaria mais rico por causa disso, muito pelo contrário. Quando uma pessoa produz comida muito bem neste cenário, suficiente para produzir por 3 pessoas, por exemplo; isto permite que 3 outros indivíduos produzam algo alternativo que seja do interesse do bom produtor, como vestimentas, por exemplo; e isto torna a economia mais complexa (agora temos alimentos E vestimentas no mercado) e cria maior satisfação.

    Quando fazemos o contrário e forçamos outros a comprar da fonte mais improdutiva para beneficiá-la, não só estamos estimulando a improdutividade perpétua (por que gastar fundos em produtividade quando não há competição livre?) como estamos tornando toda a sociedade mais pobre.

    Esta filosofia nada mais é que um evangelho dos grandes oligarcas pela miséria coletiva e da violência moralmente justificada. É a pura demonstração do que a falta de uma só premissa axiomática (escassez) pode fazer de estrago.
  • Hugo  13/10/2014 20:44
    Leandro,ultimamente na campanha eleitoral com a subida do Aécio nas pesquisas o mercado financeiro vem agindo com ânimo,com o dólar frequentemente caindo e a Bovespa subindo. Com uma vitória do Aécio,haveria uma tendência de barateamento do câmbio que chegasse a amenizar a nossa carestia inflacionária?
  • Felipe  15/10/2014 23:18
    Leandro,
    Quando o governo emite títulos para servir de crédito para os bancos públicos, ele recompra esses títulos pelo BC para manter a taxa selic ?

    Isso é veridico?
  • Leandro  15/10/2014 23:27
    "Quando o governo emite títulos para servir de crédito para os bancos públicos,"

    O governo de fato está se endividando e repassando esse dinheiro para o BNDES. Mas, por enquanto, ele faz isso apenas para o BNDES, e não para todos os bancos públicos.

    Funciona assim: como o BNDES não tinha todo o dinheiro que o governo queria destinar a seus empresários favoritos — como o multifacetado Senhor X —, o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para complementar os empréstimos.

    E quem compra esses títulos? O sistema bancário. Como ele compra? Criando dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionárias.

    Mas essa não é e nem nunca foi uma operação rotineira.

    "ele recompra esses títulos pelo BC para manter a taxa selic?"

    Sim. Mas isso é totalmente corriqueiro. O BC está diariamente comprando e vendendo títulos em posse dos bancos. Nada de diferente nisso.

    O que é diferente é apenas a venda de títulos para repassar o dinheiro arrecadado para o BNDES, que então o repassa para seus empresários favoritos.
  • anônimo  16/10/2014 00:38
    entendi, mas só mais uma coisa, da onde ta vindo o dinheiro da caixa e do bb, reservas fracionarias?

    obrigado!
  • EUDES  22/10/2014 00:53
    Leandro, mais um excelente artigo seu. Seus textos são de leitura obrigatória. Gostaria de algumas explicações. Em que consiste o Acordo de Basileia? O que é o Índice de Basileia?
  • Leandro  22/10/2014 11:56
    Para entender Basileia, é necessário ter conhecimentos básicos sobre contabilidade.

    Em termos bem resumidos, as regras de Basileia especificam a 'alavancagem máxima' e os 'requerimentos de capital' mínimos que as instituições bancárias podem ter.

    Alavancagem é simplesmente a divisão entre os ativos de risco (empréstimos e debêntures, mas não títulos do governo) de um banco e o seu capital (patrimônio líquido).

    Já o inverso da alavancagem -- ou seja, o capital (patrimônio líquido) dividido pelos ativos de risco -- é tecnicamente chamado de "requerimento de capital".

    O Índice de Basileia nada mais é do que o valor desse requerimento de capital.

    Recomendo este artigo do Fernando Ulrich:

    O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia

    Abraços e obrigado pelas palavras.
  • EUDES  21/11/2014 01:41
    Obrigado pela resposta. Abraços.
  • anônimo  27/10/2014 02:44
    Leandro,

    Uma coisa que não consigo entender é essa questão do multiplicador bancário, ao menos no Banco do Brasil onde trabalho.
    Tenho os números de todas as operações de credito do banco e a captação. O saldo de operações de crédito do banco não chega nem a 70% do volume de captação, por essa lógica deveria ter 10 vezes mais crédito do que captação.

    De fato o banco empresta por linhas de credito que não trás lucro algum para o banco e só toma nosso tempo e dificulta focar em linhas mais lucrativas. Agora, o governo faz isso pra empresas, que tendo acesso a linha de credito barata, consegue investir e melhorar a produção que vai resultar numa resposta melhor ao mercado. Tudo bem que é via expansão monetária, mas isso não acaba trazendo um resultado positivo em infraestrutura, modernização emprego, consumo e arrecadação de impostos?

    Com uma taxa de juros alta, como a empresa conseguirá crédito para, modernizar, expandir e oferecer produtos bons e baratos?

  • Leandro  27/10/2014 20:40
    "Tenho os números de todas as operações de credito do banco e a captação. O saldo de operações de crédito do banco não chega nem a 70% do volume de captação, por essa lógica deveria ter 10 vezes mais crédito do que captação."

    Acabei de verificar no site do Banco Central.

    Total de depósitos (à vista, poupança, interfinanceiros, a prazo, outros): R$ 480 bilhões

    Total das reservas: R$ 11,5 bilhões.

    Total de crédito concedido (a pessoas físicas e jurídicas, e ao governo): R$ 890 bilhões.

    "Tudo bem que é via expansão monetária, mas isso não acaba trazendo um resultado positivo em infraestrutura, modernização emprego, consumo e arrecadação de impostos?"

    No curto prazo, sim. Mas cobra a fatura no longo prazo. Explicado em detalhes neste artigo.

    "Com uma taxa de juros alta, como a empresa conseguirá crédito para, modernizar, expandir e oferecer produtos bons e baratos?"

    Nenhum economista sensato defende "taxa de juros alta" só por diversão. Nenhum economista diz que "é bom" para a economia os juros serem elevados. Economistas defendem uma temporária elevação de juros apenas para evitar um mal ainda maior, que é a desmedida elevação de preços.

    Igualmente, esses mesmos economistas sensatos sabem que manter taxas de juros a 1,5% (como no Pronaf) em um cenário em que a carestia já está em quase 7% é jogar gasolina no fogo da carestia. E por isso têm a obrig