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Mais do que nunca, é exatamente em épocas de crise que precisamos de liberdade
Determinar o que pode funcionar e o que as pessoas podem fazer é planejamento centralizado

Nos últimos meses, ao redor do mundo, governos mantiveram seus próprios cidadãos como reféns em nome de "proteger o povo". 

O que eles não conseguiram entender — ou ao menos fingem não entender — é que todas as restrições que colocam têm custos. Ao forçarem a quarentena sobre seus cidadãos, os governos retiraram a capacidade de cada indivíduo avaliar por conta própria esses custos. Não aboliram apenas a liberdade individual. Aboliram, acima de tudo, a responsabilidade individual.

As feridas que o coronavírus infligiu à sociedade serão simplesmente aprofundadas por essas inimagináveis intervenções governamentais, que se sucedem em profusão. Os governos conseguiram apenas dar ao povo mais um inimigo a ser vencido nessa guerra contra o coronavírus. Aqueles que argumentam que as medidas tomadas são necessárias para evitar mortes desnecessárias se recusam a ver que essas mesmas medidas, sem dúvida, custarão muitas outras vidas e meios de subsistência no futuro. 

Muitas vezes parece que apenas um lado da equação é levado em consideração durante esta crise. A própria ONU divulgou recentemente um relatório afirmando que, devido à crise econômica causada pelo desligamento compulsório da economia feito pelos governos, centenas de milhares de crianças poderão morrer apenas este ano. Mais especificamente, a Unicef afirma que o lockdown matará muito mais que a Covid, sendo 1,2 milhão de mortes apenas de crianças. Para piorar,  estimam que de 42 a 66 milhões de crianças podem cair em extrema pobreza nos próximos anos. E isso sem contar os inevitáveis casos de suicídio e depressão gerados pelo desemprego artificialmente imposto.

Esses números, embora estimativas, levantam uma questão para as autoridades: qual o valor aceitável? Quanto é o bastante?

Nenhum governo possui um bom histórico de resposta a esta pergunta.  Mesmo ao tentarem responder, já estão propensos a fracassar. E isso é uma questão de história. Já está mais do que comprovado que o planejamento centralizado não funciona. A história nunca se cansa de demonstrar isso. Impor limites como "apenas trinta pessoas para um funeral" ou "máximo de dez pessoas em casamentos" são exemplos de restrições arbitrárias que surgem quando um pequeno número de burocratas tentam planejar centralizadamente uma solução ideal. Um governo que tenta organizar a sociedade dessa maneira em nada se difere da economia controlada da União Soviética, cujos burocratas não sabiam nem quantas batatas deveriam ser produzidas no ano.

Ambos os cenários têm consequências ruinosas, e as ramificações de uma reação errada a esse vírus podem nos assombrar pelas próximas gerações. A solução mais racional seria permitir que indivíduos decidissem livremente suas próprias ações com base em suas próprias preferências de risco. E arcassem com as consequências. Isso é liberdade. Isso é responsabilidade.

Embora a Covid-19 seja classificada como pandemia, ela não é diferente de qualquer outro cenário em que um indivíduo tem de agir. O indivíduo, em qualquer situação, deve decidir tendo por base seu próprio cálculo de custo versus benefício. Apenas o indivíduo é capaz de saber por si próprio qual decisão é ideal de acordo com sua própria preferência de risco e sua situação pessoal, e não burocratas e políticos.

Isso é realmente algo bem básico e lógico, mas, nestes tempos estranhos, enfatizar o básico e o lógico tornou-se sinônimo de "radical".

No início, os burocratas mandaram todo mundo ficar em casa para "nosso próprio bem". Depois, passaram a falar que a quarentena era para "dar tempo" para que o sistema de saúde se preparasse para receber uma sobrecarga de pacientes. Em seguida, disseram que o objetivo era "achatar a curva". Agora, já estão dizendo que é para ficarmos confinados até "acharem uma vacina".

Já está bastante óbvio que esses políticos e burocratas não têm a mais mínima ideia do que estão fazendo. Nunca nem sequer tiveram um objetivo claro.

Sim, a decisão ótima para a sociedade pode muito bem ser a de limitar o risco ao ponto de a curva ser achatada. No entanto, recorrer a isso como uma razão para impor restrições é injustificado. Analisando o retrospecto histórico, o manejo governamental destas "externalidades" sempre foi, na melhor das hipóteses, desastroso — qual foi a última vez que um governo sequer soube coordenar bem uma equipe em uma enchente ou em um terremoto?. 

A explicação dessa incompetência é que esses burocratas em quem confiamos para fazer esses cálculos de "otimizar" os benefícios sociais são, na verdade, apenas seres humanos como nós. Eles estão sujeitos a ideologias, a influências, a politicagens, a serem tendenciosos e, acima de tudo, a erros humanos. Inevitável.

Pouco importa o fato de que, em situações como essas, os interesses dos governos raramente estão alinhados com os do povo. Nossos interesses são muito mais longevos do que os mandatos de políticos e burocratas. Quando chegar o momento de arcar com todos os ônus do desligamento compulsório da economia, os burocratas que nos mantiveram trancados em nossas casas já estarão fora da política e não serão responsabilizados. Os interesses deles dependem de que eles sejam capazes de enganar você e fazê-lo pensar que eles estão mantendo você seguro. Isso envolve o uso maciço de uma linguagem orwelliana em um arranjo social já emocionalmente carregado. O lema da política sempre foi "nunca permita que uma boa crise seja desperdiçada". 

Eles irão insistir em dados que mostrem quantas vidas "foram salvas no curto prazo" [João Dória já está fazendo isso abertamente], sem considerar quaisquer danos a longo prazo causados pela quarentena. Você não verá nem ouvirá nenhum líder na televisão falando sobre o custo econômico da quarentena, pois não é politicamente aceitável "colocar um preço na vida". 

No entanto, os indivíduos fazem isso todos os dias, em todos os aspectos de suas vidas. Um indivíduo sabe do risco em que incorre ao dirigir em uma estrada, mas ainda assim insiste em dirigir porque a recompensa trazida por esse risco mais do que compensa o próprio risco incorrido. É essa liberdade de escolha que deve ser protegida sempre, e ainda mais especialmente em épocas como essa

A Covid-19, sem dúvidas, terá efeitos negativos sobre o bem-estar das pessoas, de modo que abolir essa liberdade de escolha irá paralisar ainda mais uma sociedade já mutilada.

Em um recente artigo publicado no periódico medicinal The Lancet, o clínico sueco de doenças infecciosas Johan Gieseck escreve que as "quarentenas não reduzem o total de mortes", e afirma que, quando tudo acabar, as jurisdições que não fizeram quarentena provavelmente terão taxas de mortalidade semelhantes às das áreas que praticaram a quarentena. Ele acredita ser inevitável que toda a população venha a ser exposta ao novo coronavírus em algum momento no futuro, e, por isso, acredita que a quarentena irá apenas adiar os casos graves por um tempo. 

Se isso é verdade saberemos depois, mas mostra que sacrificar cegamente as liberdades individuais em nome da segurança é ingênuo (normalmente, fica-se sem as duas). 

Mas se é verdade que os governos apenas adiaram o inevitável em troca de criarem um tsunami de estragos econômicos, a pergunta que fica é: eles assumirão a responsabilidade? Improvável. O novo coronavírus, embora seja a causa inicial da dor, será usado como bode expiatório para todas as doenças causadas pelos governos. Estratégias forçadas como "achatar a curva" ou "confinamento até encontrarem a vacina" são justificadas com base em conselhos de especialistas em saúde, que são eles próprios inconsistentes. No final,  a verdadeira estratégia ótima será confirmada pelas ações de indivíduos livres, como sempre.

À luz de tudo isso, parece imprudente entregarmos nosso destino aos governos e confiarmos em políticos e burocratas para calcular quantas pessoas podem utilizar um parque ou quantas podem frequentar um restaurante. Ou mesmo para nos dizerem por quais motivos vale a pena sairmos de casa para arriscar uma exposição. 

Com as novas informações divulgadas pela própria ONU sobre as calamidades futuras em decorrência das políticas de confinamento, ficou ainda mais óbvio que os governos de todo o mundo são incapazes de avaliar o que é melhor para o interesse de uma sociedade. Por mais tentador que seja acreditar que os governos estão nos protegendo com a quarentena, o fato é que eles estão muito mais prejudicando a sociedade do que ajudando, assim como fazem com todas as suas outras regulamentações e todos os seus decretos.

Em uma época em que uma única medida errada do governo pode se revelar mais custosa do que em épocas normais, manter nossas liberdades individuais nunca foi tão crucial.


autor

Edmund Shieh
é atuário em Melbourne, Austrália. Estudante da Escola Austríaca de economia, dedica-se a defender as liberdades individuais em tempo integral.


  • Intruso  19/05/2020 20:09
    Quem morre de Covid-19 têm o CPF cancelado, não irá mais a banco, shopping, não mais vai entrar em férias, etc. De nada adiantará patrimônio acumulado, pois o futuro deixou de existir. Pensem nisso, a vida é nosso maior patrimônio e devemos defende-la com unhas e dentes.
  • Daniel Cláudio  19/05/2020 20:56
    Certo. Mas do que exatamente você está falando?

    Se o barbeiro quiser abrir o salão dele para ganhar seu pão, quem é você para proibi-lo? Você defende que ela vá para a cadeia, como várias governadores estão fazendo?

    Você defende burocratas confiscando as frutas de um feiamente, como estão fazendo no Nordeste?

    Tenha a hombridade de defender abertamente suas posições, em vez de recorrer a falsas afetações de humanismo.
  • Marcelo  20/05/2020 10:25
    A livre concorrência está para a liberdade e a democracia, assim como o monopólio está para o totalitarismo de uma Nova Ordem Mundial "coletivista/socialista".
    Lembrando sempre que:
    Coletivismo em nome do Estado = Fascismo.
    Coletivismo em nome da Raça = Nazismo.
    Coletivismo em nome da classe social = Comunismo.
    Três doutrinas assassinas de uma liberdade sagrada.
    Deus fez o homem uma individualidade e não uma coletividade.
    Um centro único de personalidade, cujo direito de escolha -livre arbítrio- consiste a sua semelhança com o Criador.
  • Felipe L.  19/05/2020 21:00
    De fome também. E morrer de fome é ainda mais humilhante. O auxílio além de ser uma esmola, não chegará a todos. Qual o percentual de jovens que se contaminaram no Carnaval e morreram?
  • Estado o Defensor do Povo  19/05/2020 21:20
    "Sim, a vida é tão importante chega que aceitável até matar inocentes para preservá-la."
    Foi o que eu li, desculpa.
  • G. Fiúza  19/05/2020 22:25
    Quantas cenas você já viu nos últimos dois meses de mulheres (cidadãs) apanhando de homens armados a pretexto do cumprimento de medidas sanitárias? Quantos humanistas você já viu reagindo a esses brutais abusos de autoridade comandados por governadores e prefeitos covardes?
  • Keanu Reeve  19/05/2020 22:37
    Deêm uma olhada no meu site e tirem suas conclusões sobre o assunto!

    marcosgatose.wixsite.com/politicamente/post/bolsonaro-%C3%A9-um-genocida

    Essa matéria quem escreveu foi um amigo meu...
  • Gustavo M.  19/05/2020 23:07
    Este é um fenômeno que será muito estudado no futuro. Eu mesmo já escrevi sobre ele aqui.

    A grande ironia é que a esquerda chama Bolsonaro de tirano e genocida por ele se recusar a trancar as pessoas em casa, por ser contra a prisão dos que estão na rua e por defender que elas devem ter a liberdade de voltar a trabalhar.

    Isso merece até uma análise sócio-política à parte.

    Se fosse Bolsonaro que tivesse aberto a caixa de pandória, se tivesse implementado lockdown, quarentena, monitoramento de celular, exército na rua prendendo mulheres andando na praça, mudado o código penal para criar novos crimes relacionados ao lockdown, "cooperado" com milicianos e traficantes para o lockdown (como o ex-ministro da saúde, herói dos bolchehipsters, absurdamente defendeu) e, ainda, limitado a liberdade de imprensa para impedir fake news sobre a Covid, dentre outras medidas autoritárias que temos visto — é evidente que se ele tivesse implementado algumas dessas medidas, a turma da "morte da democracia" e do "avanço do fascismo" estaria dizendo: estão vendo? Ele é um ditador! Ele se aproveitou da Covid para implementar a ditadura que tanto temíamos, e sobre a qual tanto alertamos.

    Se fizesse, era ditador; como não fez, é genocida. O desenho de vilão vem pronto, e o progressista só escolhe a cor para pintar.

    O progressista perdoará Bolsonaro por tudo, menos por lhe ferir o ego provando-lhe errado; menos por desperdiçar a Covid como uma oportunidade de implementar a sua ditadura (que é a verdadeira utopia da esquerda brasileira). Quem você pensa que é, para negar assim a minha visão de mundo? Quem você pensa que é para dizer, assim na minha cara, que minhas previsões estavam erradas e que não vai implementar a ditadura agora? Quem você pensa que é para ferir de morte a minha auto-estima? Faz logo essa ditadura, nem que eu tenha de bagunçar o jogo até que essa profecia (autorrealizável) aconteça.

    A esquerda e a elite bolchehipster fomentam precisamente o que dizem temer; está aí, às claras, para quem quiser ver.

    Para o progressista narcisista, o importante é que ele esteja certo, e não que as coisas dêem certo. Esse golpe nas suas certezas (e portanto no seu ego) é o que explica muito da raiva do progressismo brasileiro contra todo esse não-fascismo presidencial que temos visto.

    A reação do bolchehipster é de raiva: raiva pela teimosia, raiva pela recalcitrância do ditador em assumir o papel com que sempre sonhamos; ele prometeu isso na audição dos atores! É a raiva da criança diante de uma realidade que lhe frustrou as expectativas.
  • Antoniel Souza Ribeiro da Silva Junior   20/05/2020 15:52
    Perfeitas observações. Bolsonaro é o anti tirano que dribla a raiva esquerdista todos os dias.
  • 4lex5andro  21/05/2020 14:56

    Não é por acaso que o presidente havia citado isso em abril, que 70% da população ia ser exposta ao corona, de tão fatídica que é essa verdade.

    Fontes: www.ufpr.br/portalufpr/noticias/e-verdade-que-todos-vao-pegar-coronavirus-cientistas-da-ufpr-respondem-novas-perguntas-da-sociedade/ e www.dw.com/pt-br/caminho-do-brasil-at%C3%A9-fim-da-quarentena-promete-ser-%C3%A1rduo/a-53081208

    Todos vão ser expostos, por vacina ou ''imunidade do rebanho''.

    O que a mídia, congresso e governadores fazem é, usar dessa crise, pra esconder a responsabilidade de terem desmantelado o serviço de saúde do país, com redução de leitos no sus¹ e redução da oferta de planos² (e operadores) privados pela excessiva regulação³ desde os anos 2000.

    1-agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2018-10/brasil-perdeu-mais-de-40-mil-leitos-do-sus-nos-ultimos-dez-anos e www.politicadistrital.com.br/2016/05/15/r-2424-bilhoes-e-o-valor-do-desvio-de-verbas-da-saude-na-gestao-do-pt/

    2-www.anad.org.br/o-fim-dos-planos-de-saude-individuais-esta-cada-vez-mais-proximo/

    3-agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-07/ans-limita-reajuste-de-planos-de-saude-individuais-e-familiares-73

    Hoje o preço disso está sendo cobrado, com a conta sendo jogada para um presidente que não loteou (partidarizou) ministérios até então.

    Desagradou muitos quando extinguiu cargos comissionados e voltar á agenda a privatização de estatais (começou com uma subsidiária da Petrobras, mas unilateralmente não pode fazer o mesmo com a compania toda nem com BB ou Correios).

    E que no entanto, é tirado pra ''vilão'' nesse enredo, tendo menos poderes que legislativo e judiciário e estando há menos de 1 ano e meio no cargo.
  • Engenheiro e Economista  20/05/2020 03:18
    Rapaz, adorei o artigo do seu colega.
    Muito bom mesmo
  • Jairdeladomelhorqptras  21/05/2020 16:03

    Caro Intruso,
    Vc escreveu: "a vida é nosso maior patrimonio e devemos defende-la com unhas e dentes".
    Se Vc pensa assim, ótimo! Mas, por favor, use a primeira pessoa do sungular. Como está escrito parece-me que vc tenta impor aos outros seu ponto de vista. E também prefere levar vida de passarinho na gaiola.
    Eu, e só me expresso por mim, prefiro também a vida. Mas a verdadeira vida jamais existirá sem liberdade. Ou as duas, ou nada.
    Abraços
  • Constatação  19/05/2020 20:11
    Uma das coisas que ouvi, não apenas uma ou duas vezes (de políticos e de seus asseclas) é a necessidade de uma "governança global" para combater os efeitos dessa pandemia.

    Quem achava que governo mundial era teoria da conspiração já está tendo que reconsiderar.

    "Então, é assim que a liberdade morre: com um estrondoso aplauso" (Padme Amidala, Star Wars Ep. III)
  • G. Fiúza  19/05/2020 22:23
    Ao menos aqui no Brasil já está bastante claro que governadores e prefeitos vão manter o povo em cativeiro indefinidamente, cada um com a sua ciência particular - de rodízios de CPF a espancamento de inocentes. Quem deu todo o poder sobre a sua vida a esses lunáticos foi o STF.
  • São Paulo é meu país  20/05/2020 09:01
    A ideia de um governo mundial já é defendida há muito tempo. Porém, estão defendendo isso cada vez mais e de forma mais aberta.

    A resposta para isso é o localismo e o separatismo.
  • ANcap  19/05/2020 20:21
    Vocês não param de copiar atrasados o Instituto Rothbard! kkkkkkkkkk

    rothbardbrasil.com/em-tempos-de-crise-precisamos-de-liberdade-mais-do-que-nunca/
  • anônimo  19/05/2020 23:23
    Foi publicado originalmente no Mises Institute e então tanto quanto o Instituto Rothbard quanto o Instituto Mises Brasil publicaram suas versões traduzidas em seus respectivos sites. Qual o problema?
  • Estado o Defensor do Povo  20/05/2020 03:13
    kkkkk desculpa eu ri, quero ver como o ANcap vai escapar dessa, pego minha pipoca e espero.
  • Felipe L.  19/05/2020 20:58
    "Coronavírus circula no Brasil pelo menos desde janeiro, aponta Fiocruz"

    Essa porcaria de vírus já estava aqui no Brasil desde antes do Carnaval (pelo menos), ao contrário do que muita gente estava repetindo, ao terem falado que apareceu, do nada, somente depois do evento (como se o vírus esperasse o Ministério da Saúde divulgar os dados de infectados).

    Nenhum burocrata ou político mandou acabar com carnaval ou entrada de estrangeiros por aeroportos, portos e rodovias. Por que não fizeram isso?

    Não conseguem direito combater contrabando de cigarro e acham que iriam conter um vírus de 0,000125 milímetros?

    E assim, isso é ridículo, ficar preocupando com curvas e modelos matemáticos (já repararam que com a conversa furada de mudanças climáticas antropogênicas é a mesma coisa?). Já pensou se para tudo fosse assim? Trancar o carro em casa e esperar achatar curva sobre oficinas mecânicas? Supermercados? Açougues?

    No fundo, isso mostra que: ou eles sabem que o sistema de saúde é uma porcaria por ser regulado (o privado é um pouco melhor, o estatal sempre foi uma latrina) e querem manter a imagem de que isso funciona mesmo ou eles realmente acham que um sistema de saúde soviético irá, um dia, funcionar, como se antes da pandemia, ele estivesse funcionando plenamente.

    Gostaria de que me dessem explicações de por que eles não terem feito esses lockdowns e quarentenas impostos com a gripe suína, Gripe Espanhola... o ruim de tudo isso é que quem perde é a própria Ciência, que fica sendo moldada por planejadores centrais (para depois aparecer gente se queixando de que a Ciência "está sendo atacada"). Não vejo diferença disso para o tal de "mudanças climáticas" serem intensificadas pela ação humana (era "aquecimento global") e pelo que provavelmente foi também o bug do milênio.

    Os responsáveis por esses absurdos ficarão impunes, como sempre. Mudou nada desde o Neolítico.
  • r.raphael  19/05/2020 21:13
    Pagando 250 mil num ventilador mecânico de 25 mil que não funciona; barracões que chamam de "hospital de campanha" que não custa 1 milhão pra erguer saindo por 5 milhas; dívidas de estados e municípios adiados até ano que vem, sem licitação, sem fiscalização.

    O próximo passo é criminalizar quem sai na rua. A área de produtos e serviços médico-hospitalares continua extremamente regulada. Remédios chegam a ter 50% de tributação.

    Se a premissa pra trancafiar indiscriminadamente os indivíduos é porque o sistema público de saude é incapaz de cuidar dos doentes, então nunca mais ninguém vai por o pé na calçada.

    Depois do rodízio maluco em SP que lotou ônibus e metrô, quem ainda não percebeu a tremenda roubada em que enfiaram o país melhor deitar num caixão e se enterrar porque já abriu mão de viver dignamente.

    Mas a turminha do coronga jura que a culpa da tragédia é de quem ainda tenta viver normalmente, quem está salvando o pais são os governantes e o santo SUS. 
  • Ulysses  19/05/2020 21:20
    O rodízio em SP foi absurdamente criminoso. Mas como quem fez foram dois queridíssimos da mídia, ficou totalmente impune. E quando a conta chegar é só jogar no colo do Bolsonaro. Facílimo.

    Quem ainda não entendeu toda a essa politicagem explícita não entende mais nada de Brasil.
  • 4lex5andro  21/05/2020 14:38
    Reduzindo o número de carros particulares (meio mais seguro de transporte e que mantém de fato, maior separação entre usuários) e jogando essa demanda pra cima do transporte público (ônibus, metrô e trens) que teve número de veículos reduzido antes, que medida ''jenial'', e isso que SP é o estado mais estruturado (financeiramente) do país.

    Medidas similares (sem rodízio) já haviam sido implementadas nas regiões metropolitanas de Vitória e Goiânia, com redução do contingente de ônibus urbano... resultado, superlotação nos veículos e longas filas nos terminais.

    Só faltou a mídia dizer que o ''bozo'' é o governador desses estados também...
  • João Victor  19/05/2020 21:17
    Na minha cidade, interior do RN, as pessoas estão jogando bola em quadra sem máscaras, muitas andam nas ruas sem máscaras. Essas atitudes contribuem para a disseminação do vírus, o que por consequência também aumentará o número de pessoas que precisam de atendimento médico.
    O problema disso é que a ocupação dos leitos públicos no meu Estado já chegou a 100%. Aí entra a questão: muitas dessas pessoas que não se cuidam vão disputar vagas de UTI pública com pessoas que se cuidam. Ambos os grupos de pessoas não tem condições de pagar plano de saúde pelo Fato do Estado brasileiro não permitir o desenvolvimento econômico. Nesse cenário, com escassez de leitos de UTI e com a falta de responsabilidade individual, como resolver o problema sem a adoção de um poder coercitivo? Lembrando que estou questionando o hoje e não como será no Ancapistão. É uma dúvida sincera quem aprecia esse site.
  • Fabrício  19/05/2020 21:36
    "Na minha cidade, interior do RN, as pessoas estão jogando bola em quadra sem máscaras, muitas andam nas ruas sem máscaras."

    Qual o crime nisso? É só você não entrar em contato com essas pessoas, não se aproximar delas, não trocar saliva com elas.

    Os adeptos do "fique em casa", justamente por estarem em casa (certo?), estão protegidíssimos desses monstros.

    "Essas atitudes contribuem para a disseminação do vírus, o que por consequência também aumentará o número de pessoas que precisam de atendimento médico."

    Por que andar na rua contribui para a disseminação? O que dissemina é contato pessoal. Quem está andando na rua não está encontrando em ninguém.

    "O problema disso é que a ocupação dos leitos públicos no meu Estado já chegou a 100%."

    Isso que você citou é um problema da saúde estatal. O fato de a saúde estatal ser racionada é uma inevitabilidade. É algo intrínseco a ela.

    Na prática, você está dizendo que liberdades individuais básicas (como andar na rua) devem ser proibidas porque a saúde estatal é uma bosta.

    Nonsense completo.

    "Aí entra a questão: muitas dessas pessoas que não se cuidam vão disputar vagas de UTI pública com pessoas que se cuidam."

    Peraí, qual o seu argumento para afirmar que elas "não se cuidam"?

    Ademais, se aqueles que, segundo você próprio, "se cuidam" também estão indo para a UTI, então, ora, cuidar ou não se cuidar é opcional, certo? É você próprio quem acabou de afirmar isso.

    Por fim, a pessoa que "não se cuida" é igualmente pagadora de impostos. Por que ela não teria direito de usar o SUS? Que higienismo é esse?

    "Ambos os grupos de pessoas não tem condições de pagar plano de saúde pelo Fato do Estado brasileiro não permitir o desenvolvimento econômico. Nesse cenário, com escassez de leitos de UTI e com a falta de responsabilidade individual, como resolver o problema sem a adoção de um poder coercitivo?"

    Eu sou totalmente a favor de as pessoas andarem nas ruas apenas com máscaras e luvas. E defendo que os estabelecimentos, que são propriedade privada, estipulem isso. Eu mesmo só entro em estabelecimentos que exijam máscara. Isso se chama liberdade. Donos de propriedade estabelecem suas próprias regras. E só se submetem a elas aqueles que querem.

    Agora, se você diz que uma pessoa andando na rua está contaminando todo mundo, então é bom você produzir provas.

    O próprio governador do estado de Nova York — que é o estado mais atingido dos EUA, e talvez do mundo inteiro — veio a público se dizer "estupefato" por ter descoberto que 84% dos hospitalizados com covid-19 estavam cumprindo a quarentena horizontal (66% em casa e 18% em asilos), a mesma quarentena que os ignaros juram ser a salvação.

    www.cnbc.com/2020/05/06/ny-gov-cuomo-says-its-shocking-most-new-coronavirus-hospitalizations-are-people-staying-home.html

    Vídeo: twitter.com/RFGlau/status/1258210415353438215

    Frase do governador: "We thought maybe they were taking public transportation, and we've taken special precautions on public transportation, but actually no, because these people were literally at home".

    Ou seja, o contágio se dá em casa, ou no máximo em lugares fechados. Não na rua.
  • João Victor  19/05/2020 22:05
    "Qual o crime nisso? É só você não entrar em contato com essas pessoas, não se aproximar delas, não trocar saliva com elas. "

    Nenhum. Mas essas pessoas vão contaminar os pais/avós e essas pessoas vão precisar de atendimento. Certo?

    "Os adeptos do "fique em casa", justamente por estarem em casa (certo?), estão protegidíssimos desses monstros. "

    Nem todo mundo pode ficar em casa. Tem pessoas que trabalham em mercados etc e podem se contaminar ao terem contato com essas pessoas..

    "Isso que você citou é um problema da saúde estatal. O fato de a saúde estatal ser racionada é uma inevitabilidade. É algo intrínseco a ela. 
    Na prática, você está dizendo que liberdades individuais básicas (como andar na rua) devem ser proibidas porque a saúde estatal é uma bosta. "

    Claro que é um problema de saúde estatal. Mas há um fato que muitas pessoas dependem dela justamente pelo fato do Estado não permitir o desenvolvimento econômico mencionado acima.

    "Peraí, qual o seu argumento para afirmar que elas "não se cuidam"?,"

    Ver várias pessoas nas ruas jogando bola sem máscara não é o suficiente?

    O ponto é que eu tô afirmando é de que o Estado é ineficiente, mas eu enxergo algumas medidas necessárias por parte do Estado para amenizar esses erros. Também acredito que as pessoas deveriam sair dessa pandemia com a convicção de que o Estado é ineficiente.

  • Fabrício  19/05/2020 22:17
    "Nenhum [crime]. Mas essas pessoas vão contaminar os pais/avós e essas pessoas vão precisar de atendimento. Certo?"

    Aí você entrou no perigosíssimo terreno do Minority Report. Você está querendo que a mera possibilidade de um acontecimento futuro seja presentemente punido.

    Isso é mentalidade totalitária. Por essa lógica, todo e qualquer tipo de bebida e de tabaco deveria ser proibido. Assim como esportes radicais. Ah, e sexo também.

    Aliás, aproveitando esse ponto, recorro ao que disse outro leitor aqui: os números de São Paulo, Rio e Nordeste são ruins. Já os números de MG, Centro-Oeste e todos os estados do sul estão muito melhores que a média mundial. Qual a diferença entre esses dois grupos? Exato: carnaval de rua.

    Quando houve o carnaval, a Ásia estava fechada, e Itália e Espanha já agonizavam. Aqui no Brasil, vários turistas da Europa, inclusive da Espanha e da Itália, estavam livremente transmitindo o vírus pelas ruas, e o contato carnal estava no paroxismo. E como hoje já se sabe que o vírus já circulava aqui no brisa desde janeiro, é óbvio que a contaminação maciça ocorreu nesta época.

    Os jovens contaminados no Carnaval não sentiram nada (pois são jovens) e ficaram assintomáticos. Mas transmitiram para seus pais e avós. E aí desencadeou tudo. De quem é a culpa pelo Carnaval de rua? Enquanto isso não for respondido, não há como se atribuir culpados.

    "Nem todo mundo pode ficar em casa. Tem pessoas que trabalham em mercados etc e podem se contaminar ao terem contato com essas pessoas.."

    Isso, por si só, já mostra como quarentena é uma hipocrisia elitista. Rico e classe média alta defendem o "fique em casa", mas exigem que motoqueiros, caminhoneiros e mais pobres em geral se locomovam diariamente para produzir e transportar comida.

    Recorrendo também ao que disse outro comentarista aqui, uma pessoa minimamente lógica defenderia toda a população confinada em casa, com caminhões do exército ou coisa parecida deixando pacotes de comida na porta para a população não morrer de fome. Mas não. Criaram aqui o lockdown da classe média. Os pobres continuam andando de ônibus e metrô para manter funcionando os "serviços essenciais", enquanto a classe média finge que pobre não pega nem transmite vírus.

    "O ponto é que eu tô afirmando é de que o Estado é ineficiente, mas eu enxergo algumas medidas necessárias por parte do Estado para amenizar esses erros. Também acredito que as pessoas deveriam sair dessa pandemia com a convicção de que o Estado é ineficiente."

    Se você não percebeu uma fragorosa contradição neste seu raciocínio, nada mais posso fazer.
  • 4lex5andro  21/05/2020 14:10
    Passando nesse thread pra assinar embaixo, respondeu cada ponto da questão, desanuviando ilusões quarentenistas e chamando atenção para a realidade.

    Lockdown em país pobre - como o Brasil - não é factível.
  • Juliano  20/05/2020 00:14
    O estado de Nova York é hoje o mais confinado do mundo. Consequência: tem o terceiro maior número de mortes per capita do mundo: 28 mil mortes em 20 milhões de habitantes.

    E as mortes são de quem está em casa.
  • Fabrício  20/05/2020 15:20
    Ahahahaha! Notícia mais fascinante de todas!

    Cláudia Raia, que só ficou em casa e mandou todo mundo ficar em casa, pegou coronavírus em casa!

    twitter.com/Rconstantino/status/1263119860017618946

    Osmar Terra sempre disse que isso ocorreria. Foi impiedosamente xingado. A mídia vai se retratar?
  • Humberto  19/05/2020 21:38
    Ou seja, segundo você, dado que governadores são reconhecidamente incompetentes na gestão de seus sistemas de saúde estatais, eles estão escusados e podem perfeitamente ferrar a economia em troca da "tentativa" e da "promessa" de melhorar estes sistemas estatais de saúde em um curtíssimo espaço de tempo. Farão em duas semanas o que não fizeram em décadas…

    Tá serto...
  • Guilherme  19/05/2020 21:41
    O mais legal é que, do nada, começaram a falar do SUS como se apenas agora ele estivesse com sobrelotação. Ora, UTI no SUS sempre foi lotada. Sempre.

    Como disse um comentarista em outro artigo, isso sempre aconteceu, só que não aparecia na TV. É incrível como muita gente argumenta como se antes de março de 2020 o SUS fosse uma beleza. Já se esqueceram dos pacientes pelos corredores, das filas intermináveis e das demoras de meses para marcar um exame. E das UTIs sempre lotadas, claro.
  • Bruno  19/05/2020 21:53
    João Victor, na prática, você está perguntando qual seria a solução exata em um cenário de liberdade.

    A resposta a isso foi dada de maneira completa, detalhada e justificada neste artigo - que ficou quatro dias em destaque no site, e, pelo visto, ainda não foi tempo suficiente.
  • Winston  19/05/2020 21:18
    Trump admite estar tomando a Hidróxicloroquina. Imprensa perde o rumo:


  • Antônio  19/05/2020 21:43
    Enquanto Trump ou Bolsonaro estiverem falando bem do remédio, mais resistência haverá. Espero que eles passem a falar mal e a desaconselhar. Talvez assim consigam resultados.
  • Santiago  19/05/2020 21:47
    Se Bolsonaro defendesse lockdown e isolamento, a Globo estaria transmitindo 24 horas por dia imagens mostrando como "as políticas de Bolsonaro" estão causando desemprego, fome, privações e suicídios. Duvidam?
  • Felipe L.  19/05/2020 22:08
    Não duvido. Agora, fosse o Lula fazendo o que o Bolsonaro está fazendo agora, ele iria ser elogiado pela classe artística e por muitos meios de comunicação.
  • Estado o Defensor do Povo  20/05/2020 03:14
    Tá dando muita moral pro Lula, não acho que ele seja tão unânime na mídia como você tá falando, e quanto à Globo, não, não vejo ela defendendo o Lula se fosse ele no lugar do Bozo falando as mesmas coisas.
  • G. Fiúza  19/05/2020 22:25
    Não é curioso que, com a Lava Jato nos calcanhares de Witzel, os representantes da "ciência" no estado estejam defendendo o governador? E que os "cientistas" e o governador sejam parceiros num plano de lockdown total cuja única eficácia indubitável seria a facilitação do roubo?
  • Fabrício  19/05/2020 21:48
    O remédio sempre foi liberado. Compra-se na farmácia sem receita. Quem viaja para a Amazônia tem de tomar preventivamente.

    É óbvio que não é pra ficar se entupindo, pois, se tomar ao longo de anos, aí sim há efeitos colaterais (como com qualquer remédio).

    Mandetta não adotou o protocolo. Teich também não. Os números só pioraram. Tempo perdido. Tudo por ideologia.
  • Cristiano  19/05/2020 23:16
    Em 2016 a Globo afirmou que a cloroquina não só combatia a Zika como também era inofensiva até mesmo para mulheres grávidas.



    Como as coisas mudaram...

    Já está bastante claro que a mídia, por pura ideologia, se posicionou contra e, por isso, está matando gente. Mas o pior é ver frouxos como Manetta e Teich que, por puro medo da mídia, não querem ir contra nada do que ela diga.
  • Vargão  19/05/2020 23:21
    Exatamente, TUDO POR IDEOLOGIA E LOBBY. Já se sabe desde 2005 a eficácia do protocolo da Cloroquina contra a família Coronavírus, mas os CANALHAS preferem politizar um remédio que existe há 70 anos. - www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1232869/
  • Thyslei  19/05/2020 21:27
    Ficaria assustado, se os políticos estivessem algum plano. Economicamente estamos mortos. O plano de no futuro a população arca com esse custo, teremos ainda mais segregação, entre os funcionários públicos e o restante da população. Professores, profissionais da saúde e demais, ficaram de fora, e o restante vai arca pesado e em dobro.
  • Imperion  19/05/2020 22:06
    Aquele que quer que um deus lhe guie o destino ou que um estado lhe faça tudo tem medo da liberdade e de viver num mundo cujo futuro é desconhecido. Ao mesmo tempo, tem medo de se responsabilizar pelo que faz, pelo seu crescimento, por sua evolução na vida e por sua obtenção de sabedoria, e assim coloca os motivos de suas falhas pessoais nas coisas externas, ja que é mais fácil agir assim que se auto-cultivar. E com a vantagem de arranjar motivos pra ter uma mentalidade parasita.
  • Lusca  20/05/2020 03:49
    Rapaz, mas que filosofada maravilhosa! Até printei, talvez emoldure!
  • Alexandre  19/05/2020 23:00
    Políticos fizeram exatamente aquilo que eles próprios se julgam empoderados para fazer. Enquanto o povo lhes der mandato e carta branca, a tendência é só ir piorando. Ainda mais agora que perceberam que não só não há qualquer resistência organizada ao autoritarismo, como, ao contrário, a mídia e a elite apoiam.
  • Engenheiro e Economista  20/05/2020 01:37
    Artigo perfeito. Aliás, mais um do IMB.
    Vou ser pretensioso e tentar enriquece-lo com algumas observações minhas..
    --------------------------------------------------------------
    1) A macroquestão da adoção do isolamento

    Parece intuitivo que o isolamento social deve, ao menos, retardar a transmissibilidade do coronavírus entre os seres humanos. Se estressarmos essa hipótese, ou seja, leva-la ao extremo, com isolamento social total (ninguém na rua, nem mesmos os médicos) e para sempre, o vírus não conseguirá ser transmitido além dos atuais infectados e, ou morrerá junto com as últimas vítimas fatais, ou será debelado pelo sistema imunológico dos sobreviventes infectados.

    Assim, é garantido que o vírus deixará de existir.

    Porém, também é garantido que com o isolamento total e eterno, não haverá produção de alimentos, energia, e outras condições básicas de sobrevivência, e assim, todos nós morreremos com sua adoção.
    Ou seja, a adoção de um isolamento total e eterno tem como consequência 0% de sobrevivência da população.

    Com certeza, todos morremos. Já dá para desconfiar dessa solução como a melhor alternativa.
    ....................................................................................................
    Por outro lado, suponhamos que nada fosse feito em relação as medidas de proteção contra o vírus. Nenhum isolamento social, e nem mesmo cuidados com os mais vulneráveis são tomados, simplesmente deixando o vírus se espalhar por toda população.
    Então todas as pessoas pegariam o vírus, e digamos que 15% da população morreria (uma taxa de letalidade bastante superestimada, apenas para ilustrar o raciocínio) em consequência de o terem adquirido, e os outros teriam o "vencido", adquirindo imunidade a ele.

    No final dessa hipótese, com toda população já imune, o vírus também estaria eliminado e ainda teríamos 85% da população viva. Aqui, há chances de vida.
    ....................................................................................................
    Nas duas extremidades, adoção total dessa medida de isolamento ou sua total ausência, se o objetivo for a sobrevivência da humanidade, a segunda hipótese tem resultado bastante superior, com chances de vidas salvas.

    Então, como o isolamento total e eterno é inadmissível, apesar de nenhum especialista afirmar categoricamente, o que eles sugerem é uma quarentena parcial e com um período de tempo a ser definido. O problema é que ninguém quer dizer esse período de tempo necessário.

    .................................................................................................
    2) A variável correta a ser medida

    Com essa quarentena parcial se pretende o "achatamento da curva de contaminação". Esse achatamento buscado não impediria que todas as pessoas pegassem o vírus, apenas o período para isso acontecer seria maior e o "pico" de contaminação seria com menos pessoas impactadas, numa tentativa de não sobrecarregar o sistema de saúde.

    Infelizmente existem as pessoas que morrerão condenadas pelo vírus mesmo com todos os cuidados médicos. Ou seja, independentemente do retardo ou não de sua transmissão entre a população, como todos afinal terão contato com o vírus, existem as pessoas que simplesmente não poderão ser salvas pela medicina. É a vida. É a natureza. Não dá para simplesmente impedir que as pessoas morram em todas as adversidades de saúde.

    Sendo assim, se a quarentena tem o objetivo apenas de retardar a contaminação das pessoas, de forma que não se sobrecarregue o sistema de saúde para quando elas necessitarem serem atendidas existam leitos e equipamentos de tratamento, o que se deveria medir é a diferença da taxa de letalidade da doença de quando o sistema não está sobrecarregado e quando ele o está.

    Essa diferença de taxa de letalidade é que será, supostamente, o montante de vidas salvas pela adoção da quarentena.
    Ainda não observei nenhum estudo com foco nessa conta.
    --------------------------------------------------
    3) Efeitos colaterais da quarentena

    Ao ser adotada, a quarentena produz efeitos nefastos na economia e consequentemente na vida das pessoas.
    Paralisar a economia gera a cessão da fonte de renda de bilhões de pessoas. E ao cessar a fonte de renda das pessoas, estaremos, no mínimo, as condenando a fome. A fome, em que pese não ser uma doença, pode levar a morte. E ser ainda mais fatal que a própria doença que se está tentando combater.

    Há inúmeros estudos que já cansaram de serem publicados sobre a letalidade da fome, os quais jamais são mencionados em qualquer estudo de adoção de quarentena, como se a fome não fosse uma consequência desse isolamento.

    A reportagem antiga a seguir é só um exemplo: "perto de 1,4 milhões de crianças podem morrer este ano devido à fome e mal nutrição em apenas quatro países: Iémen, Nigéria e Sudão do Sul, por causa da guerra, e Somália, devido à seca."
    visao.sapo.pt/atualidade/mundo/2017-02-21-fome-em-africa-14-milhoes-de-criancas-podem-morrer-nos-proximos-meses/

    Além disso, a adoção da quarentena com a consequente brutal redução da produção econômica, acarreta na diminuição sem precedentes de geração de recursos os quais poderiam ser direcionados a saúde, educação, saneamento básico. Recursos esses, que quando empregados nessas áreas, salvariam milhões de vidas.
    Esse site inglês comenta essa questão:
    www.telegraph.co.uk/global-health/science-and-disease/economic-shutdown-could-kill-coronavirus-experts-warn/

    Então, paralisar a economia poderá ter como consequência milhões de morte em um breve futuro. Um tanto quanto óbvio isso, e deveria ser levado em consideração.

    Enquanto na adoção da cloroquina, todos os médicos e cientistas são preocupados com os efeitos colaterais, na adoção do isolamento social não se percebe qualquer preocupação por parte deles com esses efeitos colaterais.

    Mas, há uma razão para os eles não levarem esses efeitos desastrosos e fatais em consideração. E a razão é óbvia: NÃO SERÁ PROBLEMA DELES ESSAS MORTES!!!!....

    Enquanto eles recomendam o isolamento social, o que pode dificultar a circulação do vírus e atrasar o contágio da população, todos os benefícios dessa medida são a eles creditados.

    Não se observa qualquer desses cientistas fazerem a conta de quantas pessoas morrerão em decorrência da miséria decorrente da adoção da quarentena.

    O maleficio, ou efeito colateral, que são as mortes em consequência da fome e da retração econômica, só será sentido no futuro e terá como responsáveis outros que não eles. Assim, é uma situação bastante confortável recomendarem o isolamento.

    O correto seria uma comparação dessa estimativa de número de mortes por conta da adoção da quarentena com a variável anteriormente descrita: o diferencial da taxa de letalidade da doença, antes e depois de atingir a capacidade do sistema de saúde.

    Já li diversos estudos sobre adoção de quarentena para "achatar a curva", mas nenhum fez qualquer estimativa de números de mortes futuro em decorrência de sua adoção.

    --------------------------------------------------

    4) Eficiência da quarentena

    Mas, ainda pior de tudo isso, é que também é possível que seja inútil a quarentena, ou ao menos, o seu efeito de retardação da contaminação seja ínfimo, com as pessoas se contaminando mesmo estando de quarentena dentro de casa.

    Ora como a quarentena não é a total descrita anteriormente, as pessoas que estão nos "trabalhos essenciais"
    estão circulando o vírus e são potenciais transmissores.

    As pessoas em quarentena necessitam de insumos para sobreviver e para adquiri-los, precisarão entrar em contatos com potenciais pessoas infectadas. Daí, podem se contaminar também.

    E isso, supondo que simplesmente estando em casa, de quarentena, não há risco de se contaminar. Como se o vírus não pudesse ser transmitido pelo ar. O que parece bastante duvidoso.

    Já há bastante casos de pessoas em quarentena, presas em casa, que acabaram por se contaminar.
    A adoção dessa quarentena me parece "apenas mais tentativa arrogante dos seres humanos para controlar a natureza", como já dizia há tempos o saudoso George Carlin, que aliás, também já dizia que somos muito vulneráveis a vírus!


    5) Conclusão
    Diante de tudo disso, me parece no mínimo precipitado as pessoas repetirem como se fosse a salvação do mundo "FIQUE EM CASA".

    A quarentena, racionalmente falando, pode ter um benefício em relação a fatalidade da doença COVD-19, desde que o diferencial da taxa de letalidade observada antes e depois de atingir a capacidade máxima do sistema de saúde, seja tal que compense o número de mortes ocasionados no futuro justamente por sua adoção.

    Então é compreensível que os governantes tentem aumentar essa capacidade do sistema de saúde com novos hospitais, porém é totalmente incompreensível que ninguém faça essa conta.

    Precisamos deixar de ser arrogantes em relação a natureza e, gostemos ou não, nos adaptar a ela, aliás, como sempre fizemos.

    Não parece fazer sentido trocar a chance de viver pela certeza de morrer.
  • Joao Paulo  20/05/2020 16:49
    Cara, esse seu "comentario" deveria estar em um novo artigo aqui do Mises. Parabens.
  • Engenheiro e Economista  21/05/2020 02:11
    Obrigado pelo elogio.
    Tenho estado muito preocupado com tudo isso que está acontecendo e tenho a pretensão de estender o debate mesmo...
  • AGB  20/05/2020 21:19
    Tenho uma má notícia para o Engenheiro economista. O vírus não vai desaparecer. Ele já está aí há mais de um bilhão de anos. O malvado apenas se abrigará em um portador sadio (humano ou animal) ou sofrerá uma mutação, disposto a voltar dentro de algum tempo. Isso se alguma instituição não o ajudar... Por isso é bom contar com uma vacina. Pelo menos boa parte da humanidade restará protegida.
  • Engenheiro e Economista  21/05/2020 02:35
    "Tenho uma má notícia para o Engenheiro economista. O vírus não vai desaparecer. Ele já está aí há mais de um bilhão de anos. O malvado apenas se abrigará em um portador sadio (humano ou animal) ou sofrerá uma mutação, disposto a voltar dentro de algum tempo. Isso se alguma instituição não o ajudar... Por isso é bom contar com uma vacina. Pelo menos boa parte da humanidade restará protegida.

    Seu comentário agrega pouco a todo raciocínio que expus. Apenas traz o elemento "vacina" como algo novo.

    Mas, por óbvio, caso já existisse a vacine, todo meu raciocínio não faria sentido. Mas também, não estaríamos vivendo tudo isso. Não existiria pandemia, nem isolamento para todo mundo.

    Se seu ponto é acrescentar que a vacina é a solução para tudo, eu concordo. E todos estamos torcendo para que ela fique pronta logo.

    Além disso, se você sabe como a vacina funciona, sabe que ela nada mais é do que o "homem" usando a própria natureza para se defender, infectando-se com o próprio virus em uma dose apenas suficiente para que seu corpo crie os anticorpos para combate-lo.

    Já usar o isolamento social e lock down, impedindo que as pessoas saiam para buscar seu sustento numa tentativa vã de impedir que o virus se propague conforme manda a natureza, é justamente ir contra ela. Não é vantajoso e extremamente improvável de funcionar.
  • AGB  22/05/2020 03:26
    Creio que não fui explícito o suficiente. Eu quis ressaltar que os vírus não desaparecem, eles continuam disseminados pela natureza, sob a mesma forma ou em variedade mutante. É por isso que o confinamento não é eficiente, tão logo haja uma oportunidade o agente volta a infectar a população. Quanto à vacina, supus que todos os leitores desta página estivessem a par do assunto.
  • Engenheiro e Economista  22/05/2020 14:33
    Bem AGB, acho que concordamos em tudo então
  • Felipe L.  20/05/2020 01:41
    Leandro, eu curiosamente encontrei este seu comentário (se for você mesmo), que ainda não havia lido, onde você disse que o câmbio totalmente flutuante seria um exemplo de arranjo liberal, além da Caixa de Conversão.

    Dado o fato de que é impossível existir com Banco Central com câmbio e juros flutuantes, então você afirmou que câmbio flutuante e juros controlados (que seria a SELIC) seria liberal? Se sim, por qual motivo? Acho que nem existe esse câmbio totalmente flutuante no Brasil, sendo chamado "flutuante sujo", o qual eu sei uma breve definição.
  • Leandro  20/05/2020 03:52
    Olhando em retrospecto, embora eu não alterasse nada do que foi escrito (repito 100% do que está ali), eu talvez acrescentasse exatamente isso que você falou: dado que o BC tabela os juros de curto prazo, qualquer valor cambial oriundo desse tabelamento estará viciado.

    No atual arranjo, o real está claramente subvalorizado porque os juros de curto prazo (Selic) estão tabelados em um valor claramente irreal para o Brasil. Só que o principal culpado destes juros artificialmente baixos (para os padrões brasileiros) é o sistema de metas de inflação, que está perseguindo uma inflação de preços obscenamente alta.

    Uma meta de IPCA de 4% já é, por si só, uma valor escandalosamente alto. Mas em meio a uma pandemia que destruiu renda e que gerou uma taxa de desemprego de mais de 20% ao redor do mundo, tal meta é pornograficamente alta. Para alcançá-la já no curto prazo, a Selic tem de ser artificialmente baixa. Se a meta fosse mais realista — por exemplo, IPCA de 2%, como é no primeiro mundo, ou de 3% como é no México, no Chile e na Colômbia (no Peru é de 2%) —, a Selic seria maior, e, como consequência, a moeda não estaria tão destruída.

    Não me entenda mal: eu acho que, no longo prazo, o IPCA ficará bem acima de 4% (estamos com choque de oferta e com os BCs do mundo inteiro imprimindo moeda), mas, no curto prazo, o cenário é desinflacionário (previ isso há mais tempo).

    Por isso, para alcançar 4% de inflação de preços em um cenário que no curto prazo é desinflacionário, o BC tem de jogar a Selic lá pra baixo. Isso não só destrói a moeda no curto prazo, como ainda complica qualquer combate à carestia no longo prazo, quando os preços realmente começarem a subir (o que tenderá a exigir aumentos na Selic ainda maiores).

    Como eu não quero pagar pra ver quão forte será esse aumento de preços no futuro, sigo no ouro — sempre estive, mas aumentei ainda mais minha posição desde novembro passado, quando para mim ficou claro que o BC iria seguir derrubando a Selic sem dó (exatamente porque está olhando só para o IPCA a 4%).
  • Vinicius  20/05/2020 06:17
    Leandro, aproveitando o gancho, gostaria de ler seu comentário, sobre a possibilidade de juros negativos nos EUA e sua aplicabilidade.

    Existem economistas austríacos mundo a fora, que defendem ser impossível colocar essa idéia em prática, dada a estrutura da economia americana, em especial o mercado de Repo, que congelaria(segue o vídeo)


    youtu.be/OU0HjxfbrDw


    Nesse cenário, o real poderia se valorizar perante o colapsado dolar, ou iria junto pro buraco, com o resto da economia?

    Tenho ouro dolárizado há um certo tempo, porém tenho receio de em algum momento o dólar colapsar antes do que o real, compreendo totalmente o fato dolar ser a reserva mundial, a moeda estatal que todos tem mais confiança, onde 75% das dívidas são lastreadas, mas não sei se esse passo em falso do juro negativo, pode derrubar essa premissa



  • Felipe L.  20/05/2020 14:44
    É mais fácil o Alberto Fernández seguir para o liberalismo do que o dólar colapsar. Se o dólar colapsar, todo o Império Americano se esfacela, inclusive suas bases militares mundo afora e seu poder imenso no cenário geopolítico.
  • Leandro  20/05/2020 15:00
    Ao menos na atual administração do Fed, não vejo essa chance.

    Dito isso, nada impede que os juros nominais dos títulos públicos de mais longo prazo possam se tornar negativos, como são na Europa. Mas aí não seria uma política deliberada do Fed, mas sim uma consequência de investidores estarem comprando maciçamente esses títulos como forma de proteção. Isso, sim, pode acontecer. Mas não seria o prenúncio de um colapso.


    P.S.: a chance de o dólar colapsar antes do real é nula.
  • Daniel  20/05/2020 12:17
    Mas então existiria algum país que pratique o câmbio flutuante sem um tabelamento dos juros?
    Até onde sei todos os países controlam as taxas de juros de curto prazo ao bel prazer de seus respectivos bancos centrais.
    Qual a faixa de valores que poderia dizer que a meta de inflação é adequada ou não?
  • Leandro  20/05/2020 15:09
    A Autoridade Monetária de Cingapura (nome do BC de lá) não estipula juros e nem faz metas para evolução da base monetária e dos agregados monetários (como faz o BC brasileiro).

    Sua única missão é manter uma taxa de câmbio estável em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo. A autoridade monetária de Cingapura não controla juros; ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo. Ela faz isso aumentando e reduzindo a base monetária por meio da compra e venda de ativos, respectivamente.

    No site da autoridade monetária tem muita coisa interessante, inclusive a descrição do próprio mecanismo de funcionamento.

    www.mas.gov.sg/monetary-policy

    Veja lá, em destaque:

    "Monetary policy in Singapore is centred on managing the trade-weighted exchange rate with the objective to ensure price stability over the medium term as a basis for sustainable economic growth."

    Ou seja: em vez de controlar juros, a autoridade monetária faz política monetária visando a garantir a estabilidade do poder de compra da moeda no mercado internacional. A taxa básica de juros é totalmente flutuante.

    Agora, um BC que não controle nem juros nem câmbio eu desconheço. Teria de ser um BC que se ocupasse apenas de expandir a base monetária continuamente a uma taxa fixa, independente de todo o resto. Mas esse modelo não existe.
  • Luís Eduardo  20/05/2020 20:25
    Leandro

    Interessante sobre Cingapura segue link

    www.mises.org.br/article/2059/lee-kuan-yew-o-homem-responsavel-pelo-que-cingapura-tem-de-melhor-e-de-pior
  • Errar é humano - persistir no erro é humano também  20/05/2020 12:22
    Reduzir juros é a única alternativa que o Banco Central tem para estimular a economia após a pandemia.

    Posições em juros e bolsa
    Nossa maior posição é a de juros. Acreditamos que o Banco Central não só pode cortar juros, como deve. A inflação desse ano será abaixo do piso da meta, a do ano que vem deve ser abaixo do centro e a atividade econômica desse ano está fraquíssima. Então, a única coisa que o BC tem para fazer é cortar juros. Foi muito bom ver, na ata, que o Copom baseou sua decisão olhando para a inflação. Somos um dos poucos países com gordura nos juros, então tem que cair.

    Parte da entrevista continua

    www.infomoney.com.br/stock-pickers/por-que-este-gestor-acredita-em-selic-a-225-ao-ano-2/



    Obs.:não são erros de principiantes mas de profissionais
  • Felipe L.  21/05/2020 12:36
    ** Não saiu o meu comentário, talvez saia duplicado **

    Leandro, esse longo prazo seria daqui quantos anos? IPCA seria algo de nível Dilma? Ou Collor? Castello Branco? E quanto aos preços das commodities, que você falou que explodiriam em um cenário de crise mundial que atacasse todos os setores agropecuário ao redor do mundo (uma super peste)? De qualquer forma, isso pode refletir na reeleição do Bolsonaro...

    "No atual arranjo, o real está claramente subvalorizado porque os juros de curto prazo (Selic) estão tabelados em um valor claramente irreal para o Brasil. Só que o principal culpado destes juros artificialmente baixos (para os padrões brasileiros) é o sistema de metas de inflação, que está perseguindo uma inflação de preços obscenamente alta.

    Uma meta de IPCA de 4% já é, por si só, uma valor escandalosamente alto. Mas em meio a uma pandemia que destruiu renda e que gerou uma taxa de desemprego de mais de 20% ao redor do mundo, tal meta é pornograficamente alta. Para alcançá-la já no curto prazo, a Selic tem de ser artificialmente baixa. Se a meta fosse mais realista — por exemplo, IPCA de 2%, como é no primeiro mundo, ou de 3% como é no México, no Chile e na Colômbia (no Peru é de 2%) —, a Selic seria maior, e, como consequência, a moeda não estaria tão destruída.

    Não me entenda mal: eu acho que, no longo prazo, o IPCA ficará bem acima de 4% (estamos com choque de oferta e com os BCs do mundo inteiro imprimindo moeda), mas, no curto prazo, o cenário é desinflacionário (previ isso há mais tempo).

    Por isso, para alcançar 4% de inflação de preços em um cenário que no curto prazo é desinflacionário, o BC tem de jogar a Selic lá pra baixo. Isso não só destrói a moeda no curto prazo, como ainda complica qualquer combate à carestia no longo prazo, quando os preços realmente começarem a subir (o que tenderá a exigir aumentos na Selic ainda maiores). "


    Por que a SELIC tem que ser baixa com o IPCA nessa meta? O que aconteceria se a SELIC aumentasse e a meta de inflação permanecesse a mesma?
  • Zuca em Tuga  20/05/2020 10:15
    Por que o governo quer atingir uma meta de 4% de inflação se isso corrói o poder de compra da população??
  • Bernardo  20/05/2020 15:14
    Porque, no Brasil, a política econômica sempre foi historicamente formulado por heterodoxos que acreditam que preços continuamente em alta são propícios para estimular mais gastos em consumo. E esses mesmos heterodoxos acreditam que gastos em consumo é o que aditiva o PIB.

    Tudo errado.

    mises.org.br/article/2717/as-bencaos-de-uma-deflacao-de-precos

    mises.org.br/article/2783/os-cinco-graves-problemas-com-o-pib

    mises.org.br/article/2582/o-erro-central-da-teoria-keynesiana-em-uma-unica-frase
  • Felipe L.  20/05/2020 18:46
    Vale lembrar que na Argentina é ainda pior. Lá eles toleram inflação de preços anual de 10%.
  • López  20/05/2020 20:51
    10% ao ano é raro. E seria praticamente considerado deflação por lá. O normal lá é 40% ao ano.
  • Estado o Defensor do Povo  20/05/2020 16:58
    Várias razões, mas tem muitos economistas que acham que DEFLAÇÃO É RUIM -_-
  • Imperion  21/05/2020 02:28
    Porque provocar inflação traz renda e arrecadação ao governo. Tendo 4 por cento da economia, ele arrecada um belo número.

    Não é intenção dele proteger a população. Entre os burocratas se discute qual é a melhor alíquota de inflação pra se faturar: ela é sempre a inflação que a população tolera, ja que os políticos sempre mentem sobre quem provoca essa inflação.

    O que os burrocratas no governo querem é liberdade pra gastar. Zerar a inflação, com uma meta de 0 por cento, obrigaria o governo a cortar gastos pra diminuir o déficit, e eles sabem disso.

    Eles não querem parar de gastar. Uma ordem de cima, um esforço pra fazer gastos austeros, dentro da arrecadação normal, já obrigaria a fazer auditorias e descobrir as origens dos gastos; muitas são coisas não demandadas pela população, como auxílio moradia pra quem já recebe apartamento funcional de graça, só pra citar uma em mil; ou corrupção mesmo, muitas compras seriam revistas, e se tornariam públicas.

    Quando o governo aumenta muito seus gastos, esse acréscimo é fiscalizado pelo mesmo número de fiscais, que é fixo, logo existe um aumento na deficiência da fiscalização das contas. Oportunidade ótima pra ir às compras agora e só verificar depois.
  • Felipe L.  20/05/2020 13:36
    A meta de inflação seria a "Inflación subyacente", no site? Realmente, não consigo entender esses juros baixos. E pensar que no petismo, os juros estavam maiores e ficaram com grau de investimento até um certo tempo... Por que uma meta de inflação tem que ser alcançada com a SELIC mais baixa?

    Esse longo prazo seria daqui quantos anos? IPCA seria algo de nível Dilma? E quanto aos preços das commodities, que você falou que explodiriam em um cenário de crise mundial que atacasse todos os setores agropecuário ao redor do mundo (uma super peste)? De qualquer forma, isso pode refletir na reeleição do Bolsonaro...
  • Lopez  20/05/2020 14:55
    Logo na primeira pergunta da versão em inglês do site do BC do Peru:

    As established by the Peruvian Political Constitution of Peru, the objective of the BCRP is to preserve monetary stability. To do so, the Central Bank has established an inflation target of 2.0 percent, plus or minus 1 percent. BCRP actions are oriented to maintaining this level of inflation in the Peruvian economy.

    www.bcrp.gob.pe/about-the-bcrp/frequently-asked-questions.html
  • Felipe L.  20/05/2020 20:55
    Eu devo ter confundido. Eu estava falando do Banco Central de México, não o do Peru.
  • Milton Friedman Cover's  20/05/2020 22:03
    Boa noite.

    Excelente artigo aqui, como sempre leio neste site! Mises mantendo o bom senso, a sensatez diante desse quadro caótico que vivemos hoje, provocado pelas esquerdas mundiais, políticos canalhas ( sim, isso é redundante...), principalmente os que são contra presidentes conservadores. Casos dos EUA e Brasil, só para ficar em dois exemplos.

    O triste é ver pessoas em um site libertário, que defende a liberdade individual; como o Mises, defendendo quarentena e entrando na onda de chamar Bolsonaro de "Bozo", como se este tivesse culpa no genocídio praticado por "governantes" que se dizem preocupados com a vida das pessoas.

    Falo isso lendo os comentários aqui de gente que sempre defendeu os ideais libertários neste site!

    Lembrando que ironizar o presidente Bolsonaro ( sim, cada um é livre para fazer o que quiser, só para ficar muito claro isso...), apenas ajuda a turma da esquerda, incluindo a grande mídia nacional.

    O presidente Bolsonaro pode ser irônico, não ter paciência com os ataques da mídia e "celebridades" nacionais, eu faria o mesmo no lugar dele.

    Escrevo isso até baseado no que vi ontem, ao visitar um amigo, em um trecho do jornal da Globo da meia-noite, onde fizeram questão de mostrar uma fala dele, Bolsonaro, afirmando que quem não quiser tomar Cloroquina, que tome tubaína, ou seja, ele foi irônico e com toda a razão. Haja paciência para aguentar tantos ataques diários ao seu governo!

    Antes que alguém diga que eu penso ser Bolsonaro perfeito, já aviso que para mim, perfeito só Deus, porém, Bolsonaro é o melhor presidente dos últimos 40, 50 anos, no mínimo. Tirar ele do poder agora, em termos de Brasil, é voltar à Idade da Pedra.

    Lembrando que quarentena não resolve nada, aliás, só piora, pois não inibe a contaminação pelo coronavírus e ainda levará o Brasil aos níveis econômicos de 1929.

    Abraços.

  • ESCOLÁSTICO  20/05/2020 22:20
    Eu jamais imaginaria que o país que melhor combateu o vírus chinês iria ser a SUÉCIA, um dos lugares mais politicamente corretos do planeta.

    Percebam que o número de mortes por COVID em comparação com o número de mortes anual foi ridiculamente baixo (assim como será em qualquer outro país). Com a diferença que a economia, e consequentemente os mais pobres, não irão sofrer pelos próximos 10 anos por uma variação normal de mortes anual.

    worldpopulationreview.com/countries/death-rate-by-country/

    www.ined.fr/en/everything_about_population/data/europe-developed-countries/population-births-deaths/

    www.macrotrends.net/countries/SWE/sweden/death-rate
  • Sueco  21/05/2020 00:03
    Alguem me salva? Quem foi que disse que isso era bom?

    oglobo.globo.com/sociedade/suecia-se-torna-pais-com-maior-mortalidade-por-covid-19-ve-imunidade-de-rebanho-ainda-distante-24437362
  • Johansson  21/05/2020 02:17
    Essa notícia mostra como a mídia é canalha (o que inclui quem a divulga). Você ao menos leu o corpo da matéria?

    Está escrito lá: pegaram um intervalo de tempo extremamente curto (7 dias), e aí pegaram a mortalidade per capita neste curto intervalo de tempo, e concluíram que ela foi maior do que a de países que já agonizam há 4 meses, como Itália e Espanha. E a própria matéria deixa claro que a Suécia ainda está longe de se igualar a esses países.

    Eis o que está escrito www.terra.com.br/noticias/coronavirus/covid-19-suecia-vira-1-em-taxa-de-mortalidade-per-capita,d509f375a366dc0567ad59878aa38967jj9z2qdt.html" target='_blank'>na reportagem:

    "No entanto, essa maior taxa de mortalidade na Suécia foi verificada apenas na última semana (13-20), com Bélgica, Espanha, Itália, Reino Unido e França ainda à frente em todo o curso da pandemia.[…] Ao longo da pandemia, a Suécia ainda teve menos mortes per capita do que o Reino Unido, Espanha, Itália, Bélgica e França, que optaram por bloqueios rígidos, mas muito acima dos vizinhos nórdicos Dinamarca, Noruega e Finlândia."

    Veja só a canalhice. A própria reportagem refuta o título. O título é só pra lacrar e conseguir likes e compartilhamentos. Mas como não podem mentir, então são obrigados a apresentar os fatos reais na reportagem.

    E tem imbecil que, na ânsia de lacrar, jurando que está numa rede social, solta o título aqui achando que está abafando.

    Não. Aqui o nível é mais alto.
  • Túlio  21/05/2020 02:23
    Caramba, eu já sabia que a mídia estava doente e apodrecendo, mas não sabia que já estava putrefata assim…
  • Vladimir  21/05/2020 02:29
    Na era das redes sociais, o que vale é conseguir likes e compartilhamentos. Isso é lacrar. Conteúdo é o de menos. Empresas de mídia ganham dinheiro com cliques. Por isso essa verdadeira inflação de chamadas espalhafatosas e sensacionalistas. O que vale é conseguir o clique. Uma vez clicado, o dinheiro já está no bolso.

    Mas como não é possível mentir sem ser pêgo, o corpo da reportagem é obrigado a apresentar a verdade. Assim, tem-se o perfeito hedge: o título é o exato oposto do corpo da matéria, de modo que há os que compartilham porque só leram o título e há os que recompartilham porque leram o corpo da matéria (que mostra o exato contrário do título).

    No final, ambos os lados do debate compartilharam a mesma matéria, e o veículo embolsou toda a grana. E ainda pode posar de isento.
  • Engenheiro e Economista  21/05/2020 02:44
    Rapaz, você não tem noção de quantas pessoas foram enganadas com essa notícia!!
    Conheço muitos amigos q a replicaram criticando a Suecia pela falta da adoção do lockdown.
    Mas, ao menos mostra o desespero da mídia com o caso da Suecia. Eles estão torcendo contra deliberadamente!!! Incrível!!
  • Estatístico  21/05/2020 15:00
    E vale também ressaltar que na taxa geral de mortalidade — ou seja, número de mortos por 1.000 habitantes por qualquer causa —, a Suécia está abaixo não só de Dinamarca e Finlândia, como também de todo o resto da Europa, o que mostra que, pelo menos por enquanto, o Corona nem pintou por lá.

    worldpopulationreview.com/countries/death-rate-by-country/
  • ESCOLÁSTICO  21/05/2020 15:17
    Esse episódio do Coronavirus está exatamente igual à um período de eleições. Pouco importa os fatos contextualizados, o que importa é a propaganda política.
    Os humanistas iluminados não querem saber se estão morrendo mais pessoas por outras causas (já que a maioria dos recursos estão indo pro combate do vírus chinês) ou se os pobres terão que trabalhar 10 anos pra pagar as dívidas abaurdas que seus governos contraíram por esses 6 meses. O que importa é quantas pessoas estão morrendo por Covid, não importa se as mortes totais estão dentro de uma variação anual normal. Dane-se a economia pelos próximos 10 anos e as mortes indiretas que isso gerará, o que importa é LACRAR.
    Não atoa, a democracia é incompatível com enriquecimento da população.
  • Carlos  21/05/2020 19:18
    A folha de SP no Tuíter usa a ignorância do presidente ao responder sobre o "sucesso" da Argentina e fracasso do Brasil e da Suécia ao comparar as mortes por milhão.

    Mas...

    According to the latest WHO data published in 2017 Influenza and Pneumonia Deaths in Argentina reached 29,797 or 10.33% of total deaths. The age adjusted Death Rate is 52.66 per 100,000 of population ranks Argentina #71 in the world. Review other causes of death by clicking the links below or choose the full health profile.

    According to the latest WHO data published in 2017 Influenza and Pneumonia Deaths in Sweden reached 3,589 or 4.74% of total deaths. The age adjusted Death Rate is 15.57 per 100,000 of population ranks Sweden #144 in the world. Review other causes of death by clicking the links below or choose the full health profile.

    According to the latest WHO data published in 2017 Influenza and Pneumonia Deaths in Brazil reached 85,933 or 8.12% of total deaths. The age adjusted Death Rate is 42.96 per 100,000 of population ranks Brazil #81 in the world. Review other causes of death by clicking the links below or choose the full health profile.


    Fonte: www.worldlifeexpectancy.com/brazil-influenza-pneumonia


    Logo vão fazer como a rede globo. Alguém aqui comentou sobre o total de mortos no cartório em 2020 ser menor o que 2019 e a globo dias depois soltou uma reportagem com uma narrativa de que os numeros nos cartórios estariam errados, para menos, claro.

  • Rodrigo  21/05/2020 16:20
    Mas a Suécia não tem a pior taxa dentre os escandinavos?
  • Pedro Luk  21/05/2020 18:31
    E essa noticia aqui, qual é a fake news envolvida nela?
    ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2020-05-07/suecia-tem-3-mil-mortes-por-covid-19-e-pior-desempenho-entre-paises-nordicos.html
  • Joao Paulo  21/05/2020 20:02
    Mas eh bem por ae mesmo. O pessoal desses sites sabe que o brasileiro nao gosta de ler e ainda colocam esses titulos tendenciosos. Percebam a jogada. O titulo nao mente, mas contradiz o que esta descrito ao longo do texto. Dai a importancia de consultar varias fontes, ler os textos com calma e, a partir de entao, refletir e ter um opiniao propria.

    A midia vem tentando queimar o filme da Suecia (dados falsos sobre Covid, sobre o PIB etc.). Pouco se fala sobre os motivos do sucesso de Hong Kong, por exemplo.
  • anônimo  21/05/2020 20:46
    Não irão conseguir mentir por muito tempo. O número total de mortos em qualquer lugar (com lockdown ou não) está dentro da variação anual normal. OS ÓBITOS DOS PAÍSES FALARÃO POR SI. Já os dados econômicos...
  • George Orwell  21/05/2020 08:13
    Fora do tópico, mas está relacionado com liberdade:

    Um grupo chamado "Sleeping Giants", que surgiu nos USA durante as eleições de 2016 ( coincidência?), com um objetivo bastante obscuro: lutar contra mídias independentes que segundo esse grupo, faziam ataques sexistas, racistas ou radicas ( leia-se, mídias conservadoras), o objetivo é que membros desse grupo denunciassem artigos, matérias com carácter sexista, racista, radical, às empresas que patrocinassem tais mídias, "alertando-as" que isso prejudicaria a imagem delas. Com isso, muitas empresas cancelaram os patrocínios.

    Esse grupo mantido pela esquerda chegou ao Brasil, está nas redes sociais e já provocou a fuga de empresas patrocinadoras de mídias independentes. Caso do site, Jornal da Cidade Online.

    Quem duvidar dos atos do Grande Irmão, acesse os links abaixo:

    conexaopolitica.com.br/artigo/sleeping-giants-conheca-a-iniciativa-que-visa-censurar-a-midia-alternativa-com-pretexto-de-combater-extremismo/

    www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/20631/empresas-que-estao-apoiando-censura-ao-jornal-da-cidade-online-perdem-clientes-de-maneira-avassaladora

    www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/20619/com-base-em-calunia-de-perfil-anonimo-no-twitter-dell-computadores-rompe-com-a-imprensa-seria

    Isso é muito grave e cabe a todos os liberais/libertários refletirem sobre esse momento.
  • 4lex5andro  21/05/2020 17:13
    Nos Estados Unidos o lobby em favor de determinados segmentos (esq. e direita, democratas e republicanos) é mais claro, tem empresas que financiam os dois lados, mas também algumas mais identificadas historicamente a um lado e outro.

    No Brasil isso é meio que algo novo, explicitamente (também é notório o apoio de grandes grupos, como empreiteiras a partidos, mas isso é muito menos um lobby e mais esquema criminoso de roubo do erário).

    Tal engenho está mascarado sob a égide do ''combate anti-fake-news'', mas que deveria se chamar ''só minhas notícias é que são verdade''.
  • Imperion  21/05/2020 22:56
    É a estratégia de acusar de falso crime. Isso já tem no Brasil. Nenhum grupelho que espalha inverdade no Brasil tem a verdadeira punição. Mesmo que estejam difamando, caluniando e injuriando. Então acusam os outros do que eles mesmo fazem. Forçam a até tornar crime o que não é. Mudam o contexto das falas.

    As empresas são vulneráveis à sua imagem. E aí denigrem a imagem delas. Aqui já se trata empresário como criminoso, então a empresa que processasse um militante sofreria e isso serve como chantagem às empresas para obedecer a agenda progressista 
  • Felipe L.  22/05/2020 00:16
    Exatamente para isso que serve para "crime contra a honra": controle e então só certos segmentos da sociedade podem difamar, injuriar e caluniar e passarem impunes. Na pior das hipóteses, o custo da indenização que eles pagam é bala de troco.
  • Felipe L.  21/05/2020 15:18
    Alguém sabe como funciona a previdência do México?

    Dando uma lida nesse breve artigo, eu vi que:

    "Mexico reformed its pension system in 1997, transforming it from a pay as you go (PAYG), defined benefit (DB) scheme to a fully funded, private and mandatory defined contribution (DC) scheme."

    Os sistemas PAYG e DB seriam iguais aos sistemas de repartição no Brasil, que você depende da sorte e da influência para ganhar alguma aposentadoria e o sistema DC seria de capitalização, cuja aposentadoria depende exatamente do quanto você contribui? Seria um sistema misto como é no Chile?

    O partido do atual presidente AMLO, o MORENA, está interessado em estatizar o sistema, colocando-o sob administração de um banco estatal.
  • Alexandre Patriarca  22/05/2020 13:38
    Estamos testemunhando o maior GOLPE da História!
    Uma enorme Guerra Psicológica, um enorme exercício de controle social e manipulação mental. E há um grande número de pessoas, talvez a maioria, que está simplesmente hipnotizada pelo bombardeio de notícias e imagens concebido exatamente para paralisar o pensamento em um estado de pânico e histeria.
    A destruição de riqueza e liberdades que todos nós temos permitido acontecer devido a um problema de saúde que está longe de ser tão grave quanto falam será muito mais fatal que o tal vírus.
    E os 'donos do mundo' estão coletando um batalhão de dados digitais sobre nossas ações e reações, vão aprender muito com isso, e no futuro usando Inteligência Artificial e modelos computacionais poderão manipular e reprimir ainda mais uma população que não crê mais em Deus, não crê mais no transcendente, esqueceu que ninguém é imortal, mas crê em uma imprensa em líderes políticos autoritários e corruptos.
    A vida comporta riscos, e essa é a grande e apaixonante aventura de viver! Nossos antepassados atravessavam oceanos em navios de madeira, exploravam e conquistavam novas terras, mas hoje em dia as pessoas têm medo de atravessar a rua!
    Lembram de Ayrton Senna, o maior herói de um país sem heróis? Ele poderia ter sido um covarde, um temeroso, mas jamais teria sido nosso herói.
    Conceitos como "confinamento" e "distanciamento social" são antissociais e anti-humanos. Vida é movimento, e o ser humano é por natureza um ser social. Sinto muito pelas crianças e jovens que correm o risco de crescer e se desenvolver em um mundo asfixiante, insípido, inodoro, e incolor de pessoas distantes e bolhas sociais.
    O plano da cabala é controlar para destruir, e a maioria das pessoas acha isso muito bonito, porque se sente "protegida". Todos acabarão vivendo como escravos de regimes totalitários, mesmo que aparentemente "livres".
    Espero que as pessoas saiam desse estado de hipnose em breve. Rogo ao Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que ilumine corações e mentes, antes que seja tarde demais!
  • Engenheiro e Economista  22/05/2020 18:22
    Apesar de eu ser ateu, e portanto discordar do seu comentário em relação a Deus, de resto eu assino em baixo.
    É simplesmente inacreditável isso que está acontecendo. Triste a população não entender que não faz o menor sentido esse isolamento...
  • WDA  22/05/2020 19:59
    Alexandre, você disse verdades.
  • Fernando Veiga  22/05/2020 18:03
    Eu sou um defensor do liberalismo, mas quem garante que em um "ancapistão" caso houvesse um cenário de pandemia muitos donos de ruas ou mesmo de cidades também não proibiram a circulação de veículos pelas ruas exceto para compras no supermercado, na farmácia, serviços de entrega ou "serviços essenciais" como muitos políticos vêm fazendo atualmente? É algo para ser pensado...
  • Alberto Carlos  22/05/2020 20:27
    A autorização para funcionamento e medidas em casos de pandemia poderia ser definida em contrato.
  • WDA  22/05/2020 20:35
    Na verdade, nada garantiria. O ancapistão (ou os "ancapistinhas", caso fossem vários pequenos territórios) poderia degenerar em uma ditadura pura e simples. Ou poderia tornar-se um monte de pequenos feudos, com mandatários abusivos.

    Os que acreditam que um Ancapistão funcionaria muito bem, partem do pressuposto de que os seus habitantes seriam amantes da liberdade e seus respeitadores. Mas um Ancapistão só poderia funcionar se os seus habitantes tivessem de fato tais características. Se todos - ou, em todo caso, um número suficiente - decidissem abusar da sua própria liberdade para perturbar a dignidade e a liberdade alheias a vida no Ancapistão poderia ser um inferno - fosse isto feito em nome da "liberdade" ou de qualquer pretexto.

    Desse modo, o Ancapistão só poderia funcionar se os seus habitantes bem compreendessem o que seja liberdade e a exercessem de modo a que a vida do tecido social fosse digna e positiva.

    Mas é claro que não se pode garantir, in limine, que as pessoas ali teriam essas características ou que as manteriam por muito tempo. Qualquer Ancapistão seria um experimento que poderia ser ou não bem sucedido a depender de muitos fatores, e que poderia revelar-se, ou muito, ou pouco durável também.

    Um Ancapistão, por si só, NÃO GARANTE NADA. Só o poderiam garantir as pessoas que o compõem - e não sem alguma dificuldade, certamente, porque é de seres humanos que estamos falando.
  • Alberto Carlos  22/05/2020 23:30
    WDA,

    Garantido nessa vida, meu caro, só o boi lá do Amazonas. Você já vive num "ancapistao", só não percebeu ainda porque uma coisa que Kant chamou de [i]heteronomia[/]do direito está muito arraigada na sua cultura e pensamento.
    Você "aceitou" o "contrato social" com a empresa que hoje comanda o território que você vive, com todos os seus direitos e obrigações já bem definidos. Porém o sistema de gestão democrática dessa empresa não é muito eficiente. Sua participação no capital social dela não deve ser muito expressiva; sua voz não é ouvida como você gostaria. No fim das contas, a cada dois ou quatro anos, você simplesmente tem que aceitar o que outros propõem. Nas eleições, sua vida, em várias instâncias, é definida por décadas. Depois você volta para casa, tendo que todo dia ver ou interagir com coisas, situações e pessoas de quem não gosta. E infelizmente elas podem até ter mais regalias que você dentro da empresa.

    Mas que tal mudar sua vida? Pode começar com Rothbard, em For a New Liberty. Depois ler uma crítica a ele, por Nozick, em Anarquia, Estado e Utopia. Depois pode prosseguir com David Friedman em Engrenagens da Liberdade e Hans Hoppe, com Democracia - o Deus que falhou. Todos grátis e disponíveis aqui e em outros sites. Que tal viver de acordo com seus valores, negociar com quem você quiser, se associar a quem você gostaria? Junte-se a nós nesta luta!
  • Thomas  23/05/2020 04:45
    Será que você consegue apresentar um argumento minimamente original? O máximo que você consegue é contrato social?

    Quando foi que você e eu assinamos o tal 'contrato social'?

    O contrato social e o consentimento do governado
  • Lucas  23/05/2020 07:06
    Fernando,

    Algo a ser considerado é que, na ausência de estado, não haveria sistema publico de saúde e você provavelmente contrataria um seguro ou plano de saúde para se prevenirde imprevistos e emergências. Nesse cenário, o que poderia acontecer seria essas restrições virem da operadora do seu seguro ou plano de saúde. Ela poderia, por meio de contrato, determinar que se você não poderia sair de casa durante a pandemia e caberia aceitar ou não o acordo. Caso não aceitasse - ou aceitasse e quebrasse o acordo - você ficaria impedido de acionar o seguro caso contraísse a doença.

    A diferença, nesse caso, é que, caso você não concordasse com as restrições, poderia buscar, na concorrente, algum plano menos restritivo.

    Pode-se considerar também que, provavelmente, o seu seguro ou plano de saúde seria o maior interessado em fazer testes em seus segurados, pois, quando tratada no início, a doença é muito menos severa, e o tratamento seria menos custoso. Como seria o plano de saúde que pagaria tudo caso você ficasse doente, seria do interesse dele fazer o possivel para minimizar as despesas com eventuais infectados.

    Dado que os testes seriam mais frequentes nesse cenário, a quantidade de pessoas que transmitem o vírus sem sequer desconfiarem que o portam seriam muito mais baixos e isso evitaria que o vírus se espalhasse rapidamente e descontroladamente.

    A maior quantidade de testes também possibilitaria a adoção de um outro mecanismo: se uma pessoa, sabendo que tem o vírus, transmitir o vírus para outra pessoa, ela seria responsabilizada judicialmente e teria de restituir os danos causados. Verificar se a pessoa sabia ou não se estava infectada seria fácil: bastaria verificar, junto ao seu plano de saúde, se ela fez o teste.

    Quanto ao estabelcimentos abertos ao público, nada impediria aos donos só deixarem entrar aqueles que comprovarem que testaram negativo quanto ao vírus, ou seja, teria liberdade de associação.

    Enfim, essas são apenas algumas das várias hipoteses sobre como essa situação seria tratada na ausência do estado. Pode-se pensar em muito mais.
  • Imperion  22/05/2020 21:41
    Eles fariam sim e os próprios moradores arcariam com as consequências De fechar sua propria rua. E o restante da sociedade nao.
    No sistema atual ,.todo mundo paga pelo que nao usa na pratica. E muitos dos que nao pagam usufruem mais dos que os que pagaram. Isso da poder al alguns grupos pra tornar a vida das pessoas pior.
  • Tasso  23/05/2020 04:50
    Pregar a liberdade individual de decidir como se comportar em situações excepcionais como uma pandemia não é razoável. Pois o direito de cada um vai até o ponto em que compromete o direito do outro. Os recursos são limitados, se todos passarem a ter o direito de agir como quiserem, em uma circunstância excepcional como a que vivemos, pessoas que se comportam de acordo com o bem coletivo passam a ser prejudicadas por aqueles que agem conforme seus próprios interesses egoístas, não importa se revestidos de fundamentação filosófica ou não. A vida é dura, em alguns períodos é trágica, todos temos de fazer sacrifícios. O Estado pode errar? Evidentemente. Mas isso é outra história. Dependendo do erro teremos direito à rebeldia civil? Sim. Mas é preciso pensar se suas ações, se repetidas pelos demais, vão contribuir positivamente ou o oposto. O dilema é livre arbítrio x consciência ética. Em épocas de pandemia é fácil discernir qual deve prevalecer. Aliás, o livre arbítrio deve seguir a consciência ética. Sempre.
  • Ex-microempresario  24/05/2020 00:34
    Toda pessoa que quer impor sua vontade aos outros alega fazer isso em nome da "moral" e da "ética".

    Existe um grande salto entre "o direito de cada um vai até onde compromete o direito do outro" e "o direito de cada um vai até onde o outro alega que seu direito foi violado".

    Para começar, é preciso definir o que é direito. Por exemplo, tem gente que acha que tem o direito de não ouvir o que não gosta, o que implica o direito de exigir que os outros se calem.

    Na crise atual, muita gente acha que tem o direito de não ficar doente, e portanto pode impôr aos outros todas as precauções que quiser (sempre com a desculpa de que é "moral", "ético", "recomendado pela OMS", etc).

    Mas o suposto "direito de não ficar doente" não existe. E achar que supostos direitos coletivos permitem suprimir os direitos individuais fundamentais é o caminho certo para a barbárie.
  • WDA  23/05/2020 16:55
    Caro Alberto Carlos,

    obrigado por confirmar o que foi dito por mim - que a existência de um Ancapistão nada garante - ao reconhecer a obviedade de que nada nessa vida é garantido. Mas dispenso o seu esforço psicanalítico, tão presunçoso quanto infeliz.

    Não vou devolver a você as leituras a mim recomendadas, porque na verdade você ainda precisa ser alimentado com leituras básicas para entender o que os outros escrevem e não achar que está dando aulas aos outros só porque você não entendeu bem o que leu.

    Em vez de extrapolar o que os outros escreveram, procure apreender o que foi escrito. Para isso é necessário o treino com textos simples. O meu foi simples e claro, mas não o bastante para você.

    E nota-se que o problema não é só seu. Porque o leitor Thomas, que também veio defender o anarcocapitalismo (que nem foi atacado) responde ao seu comentário reclamando do seu argumento sobre o contrato social, sem perceber que ataca quem concorda com ele.

    Se os eventuais habitantes do Ancapistão - por mais bem intencionados que sejam - tiverem este nível intelectual, a única coisa que se pode prever são problemas.
  • Alberto Carlos  24/05/2020 01:06
    WDA,

    Eu reli o seu texto. De fato, cometi vários erros de interpretação. Minha resposta a você foi completamente equivocada e, admito, infeliz.

    Peço desculpas.
  • WDA  24/05/2020 22:14
    Bom, eu só posso lhe dar os parabéns pela honestidade intelectual.
    É uma virtude muito necessária; e fico feliz que você a tenha, Carlos Alberto.

    Abraço e muito sucesso.


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