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É só quando se entende o sistema de preços que se percebe a importância de uma moeda sólida

A melhor maneira de se começar a entender a função dos preços no livre mercado é entendendo um princípio muito simples, porém fundamental: há uma tendência, no livre mercado, de se chegar a uma taxa de lucro uniforme em relação ao capital investido em todos os diferentes setores da economia.

Em outras palavras, há uma tendência de que o capital investido acabe gerando a mesma porcentagem de taxa de lucro, seja na siderurgia, no setor petrolífero, no setor calçadista, no setor automotivo ou qualquer outro.

E o motivo é que investidores naturalmente preferem obter uma taxa de lucro maior a uma menor. 

Consequentemente, qualquer que seja o setor em que a taxa de lucro esteja maior, investidores irão investir capital adicional naquele setor para participar destes lucros maiores. E qualquer que seja o setor em que a taxa de lucro esteja menor, investidores irão retirar o capital que havia sido previamente investido neste setor. 

Entretanto, este influxo de capital adicional em uma indústria mais lucrativa tende a reduzir a taxa de lucro nesta indústria. O efeito deste investimento adicional é aumentar a produção da indústria e, consequentemente, reduzir os preços de venda de seus produtos. Maior oferta de produtos, menor o preço unitário de cada um.

À medida que os preços de venda dos produtos vão diminuindo, se aproximando de seus custos de produção, a taxa de lucro obtida naquela indústria necessariamente irá cair.

Inversamente, a retirada de capital de uma indústria menos lucrativa tende a elevar a taxa de lucro daquela indústria, pois menos capital significa menos produção, o que leva a um maior preço de venda para esta reduzida oferta de bens, e consequentemente uma maior taxa de lucro sobre o capital investido remanescente.

Para ilustrar este processo, suponhamos que, inicialmente, a indústria de computadores esteja apresentando lucratividade atipicamente alta, ao passo que a indústria de calçados esteja vivenciando uma taxa de lucro muito baixa, ou até mesmo esteja dando prejuízos.

Sob estas condições, empreendedores irão obviamente querer investir na indústria de computação e reduzir seus investimentos na indústria de calçados. À medida que os investimentos na indústria de computação aumenta, a produção de computadores é expandida. Para conseguir encontrar compradores para esta maior oferta de computadores, seus preços terão de ser reduzidos. Assim, os preços dos computadores cairão e, como resultado, a taxa de lucro obtida com sua produção irá cair.

Por outro lado, à medida que o capital está sendo retirado da indústria de calçados, a produção desta indústria será diminuída, e a reduzida oferta de calçados poderá ser vendida a preços maiores, desta maneira aumentando a taxa de lucro sobre os investimentos que remanescerem nesta indústria.

Desta maneira, taxas de lucro inicialmente altas são reduzidas, e taxas de lucro inicialmente baixas são elevadas.

O ponto de chegada lógico é uma taxa de lucro uniforme para todos os setores da economia.

Não é anarquia; é racionalidade

Este princípio de que a taxa de lucro tende à uniformidade em um arranjo de preços livres e de livre entrada de concorrentes é o que explica a impressionante ordem e a maravilhosa harmonia que existem na produção observada em um livre mercado. Era o funcionamento deste principio que Adam Smith tinha em mente quando utilizou a infeliz metáfora de que uma economia livre funciona como se fosse guiada por uma mão invisível.

Em qualquer economia de mercado, a produção é conduzida por milhões de empreendedores e empresas independentes, cada uma delas preocupada apenas como o próprio lucro. Sabendo disso, e não sabendo nada sobre economia básica, qualquer pessoa pode facilmente ser levada a acreditar que tais condições representam uma “anarquia da produção”, que é como Karl Marx descreveu a economia de mercado. 

Qualquer indivíduo pode facilmente ser levado a acreditar que, dado que a produção está nas mãos de uma massa de produtos independentes e que visam apenas ao lucro, o mercado seria aleatoriamente inundado por alguns produtos ao mesmo tempo em que as pessoas pereceriam pela total escassez de outros produtos, como resultado da descoordenação entre os produtores.

Esta, obviamente, é a imagem criada por aqueles que defendem um planejamento centralizado pelo governo.

O “princípio da uniformidade dos lucros” explica como as atividades de todas as empresas distintas são harmoniosamente coordenadas pelo sistema de preços livres, de modo que o capital não é excessivamente investido na produção de alguns itens ao mesmo tempo em que a produção de outros itens fica completamente descapitalizada.

O funcionamento deste “princípio da uniformidade dos lucros” é o que mantém a produção de todos os mais diferentes produtos direta ou indiretamente necessários à nossa sobrevivência no equilíbrio adequado. Ele contrabalança e impede erros que levem a uma relativa superprodução de alguns bens e a uma relativa sub-produção de outros.

Para entender este ponto, suponha que um empreendedor cometa um erro. Ele investe capital excessivo na produção de geladeiras e não investe o suficiente na produção de televisores. Por causa do “princípio da uniformidade dos lucros”, este erro necessariamente terá uma auto-correção e será auto-limitante. O motivo é que o efeito do investimento excessivo na produção de geladeiras é o de deprimir os lucros na indústria de geladeiras, pois a quantidade excessiva de geladeiras que serão produzidas só poderá ser vendida a preços que são baixos em relação aos custos.

Da mesma maneira, o efeito de um investimento escasso no setor de televisores é o de aumentar os lucros desta indústria, pois a quantidade deficiente de televisores produzidos poderá ser vendida a preços que são altos em relação aos custos.

Sendo assim, a própria consequência deste erro será a de criar  incentivos para sua correção: os baixos lucros — ou prejuízos, caso o investimento excessivo tenha sido muito sério — da indústria de geladeiras atua como um incentivo para a retirada de capital deste setor, ao passo que os altos lucros da indústria de televisores atua como um incentivo para o investimento de capital adicional nela.

Adicionalmente, a consequência do erro não é apenas criar incentivos para sua correção, mas, simultaneamente, fornecer meios para sua correção: os altos lucros da indústria de televisores não apenas representam um incentivo para se investir nela, como também eles próprios são a fonte de investimentos, pois os altos lucros obtidos podem ser reinvestidos na própria indústria.

Igualmente, à medida que a indústria de geladeiras sofre prejuízos ou aufere lucros que são muito baixos para bancar os dividendos de que seus investidores precisam para viver, seu capital irá encolher, de modo que a indústria será incapaz de continuar produzindo na mesma escala.

Desta forma, em um livre mercado, em que os preços são livres e há livre entrada para a concorrência, os eventuais erros cometidos na produção relativa de vários bens são automaticamente corrigidos.

Consumidores no comando

E, é claro, no comando de tudo está o consumidor.

São os consumidores, em um livre mercado, que têm o poder da iniciativa de alterar os rumos da produção. Tudo o que os consumidores precisam fazer para gerar uma mudança na estrutura de produção é alterar seus padrões de gastos.

Se os consumidores decidirem comprar mais do produto A e menos do produto B, a produção de A automaticamente se torna mais lucrativa, e a produção de B, menos lucrativa.

Consequentemente, capital passa a fluir para A, e a sair de B. A produção de A é, desta forma, expandida, e a de B é contraída, até o ponto em que, de novo, tanto A quanto B passam a ter a mesma taxa média de lucro geral.

A importância de uma moeda sólida

É apenas quando se realmente entende o funcionamento do sistema de preços no livre mercado, como ele possibilita o cálculo de lucros e prejuízos, e, por conseguinte, como ele leva a toda esta alteração na estrutura de produção da economia, que se entende quão crucial é ter uma moeda sólida. 

Todo o cálculo de lucros e prejuízos se baseia nos preços de mercado. Empreendedores planejam seus investimentos e sua produção tendo por base os cálculos de lucros e prejuízos; os trabalhadores planejam suas especializações tendo por base os salários; e os consumidores planejam seu padrão de consumo tendo por base os preços dos bens e serviços.

Ou seja, todas as atividades econômicas são um cálculo monetário. Trata-se de um cálculo que depende direta e crucialmente da qualidade da moeda.

Tomando emprestado um jargão socialista, um planejamento econômico racional — o qual envolve a alocação de capital e toda a divisão do trabalho — só é possível quando a moeda utilizada para fazer todo este cálculo é sólida.

Uma moeda sólida é aquela que não gera uma falsificação de todo o processo de cálculo econômico. Segundo o próprio Ludwig von Mises, para que o cálculo econômico ocorra de maneira acurada, tudo o que é necessário é evitar grandes e abruptas flutuações na oferta monetária.

Se a oferta monetária — a quantidade de dinheiro na economia — é profunda e abruptamente alterada, todo o processo acima descrito de cálculo econômico é falsificado.

Quando a quantidade de dinheiro na economia aumenta, o volume de gastos aumenta, os preços sobem. Neste cenário, um empreendedor não tem como saber se é o seu produto que está sendo mais demandado — e, logo, ele deve produzir mais —, ou se a economia está começando a vivenciar um processo de aumento generalizado de todos os preços, o que significa que, não apenas os preços de venda mas também seus custos de produção irão aumentar, de modo que, no final, não haverá aumento nos lucros. 

Ele só saberá o que realmente houve vários meses após iniciar o aumento da produção.

Na economia, o que realmente interessa — como descrito ao longo do artigo acima — são os preços relativos. E estes são determinados pela demanda relativa

Sob uma moeda sólida, se os consumidores passam a demandar mais computadores e menos automóveis, isso é imediatamente refletido nos preços relativos. Os preços dos computadores sobem, os preços dos automóveis caem. Os produtores de computadores têm um incentivo para produzir mais computadores, e o produtores de automóveis têm um incentivo para produzir menos automóveis.

É assim que o sistema de preços funciona, e é para permitir esta racionalidade na produção que ele serve.

Porém, se a quantidade de dinheiro na economia é continuamente alterada, isso faz com que o sistema de preços seja falsificado. Os preços relativos são adulterados. Há uma perda de referencial. Utilizando uma metáfora sonora, começa a haver estática no seu rádio. Você não consegue ouvir as coisas claramente. Surge um caos no sistema de cálculo monetário.

As avaliações e estimativas de preços, bem como os cálculos de lucros e prejuízos feitos pelos empreendedores se tornam distorcidos, o que causa uma sistemática alocação errônea de capital nos investimentos.

O aumento na quantidade de dinheiro na economia — que ocorre quando o Banco Central, em conjunto com o sistema bancário, atua para reduzir artificialmente os juros — gera um aumento nominal da renda e do volume de gastos, o que faz com que investimentos, atividades e ocupações que até então não eram atraentes (por não serem lucrativas) repentinamente se tornem (aparentemente) rentáveis. 

O que antes não era lucrativo, agora— por causa do maior volume de dinheiro disponível, o que gera maior volume de gastos e mais demanda — parece bem mais promissor.

Capital passa a ser direcionado para os setores que fabricam bens que agora estão sendo mais demandados.

E isso vai acontecendo generalizadamente em toda a economia.

No entanto, a realidade é que não houve nenhum aumento na poupança para permitir este maior consumo. Tampouco pode-se dizer que houve uma real alteração nos preços relativos. A preferência dos consumidores por um produto em relação a outro não foi necessariamente alterada. Houve apenas criação de moeda (e a consequente redução nos juros que tal expansão monetária gera).

Em algum momento, inevitavelmente, preços e custos de tudo começarão a subir, e consequentemente os juros bancários também subirão — se os bancos não subirem os juros, receberão de volta uma moeda valendo muito menos do que quando emprestaram.

Neste ponto, com a subida dos juros, a expansão do crédito é interrompida (ou fortemente reduzida), os juros de longo prazo sobem, a expansão monetária é desacelerada, a renda nominal e a demanda param de crescer, e os empreendedores descobrem que seus investimentos não têm a demanda que imaginavam que teria — tudo porque o aumento do consumo e dos preços se deveu à expansão da quantidade de dinheiro na economia, e não a uma genuína mudança na preferência dos consumidores, causada por mais poupança.

Vários investimentos voltados para o longo prazo feitos durante o período da expansão monetária se tornam ociosos, revelando que sua produção foi um erro: os empreendedores foram guiados por um sistema de preços que havia sido adulterado pela expansão monetária — a qual, por sua vez, também adulterou preços cruciais, como a taxa de juros para empréstimos de longo prazo.

A expansão monetária, vale ressaltar, desvirtua a produção. Ela torna atraente investir em setores que até então não eram lucrativos. Consequentemente, ela retira recursos escassos (matéria-prima e mão-de-obra) de outros setores setores e os redireciona para estes setores que agora se tornaram lucrativos. 

Porém, tão logo se descobre que não havia demanda genuína para estes investimentos — foi apenas uma ilusão gerada pela expansão monetária —, eles têm de ser liquidados. Este processo de liquidação é a recessão. 

No final, estes investimentos imobilizaram capital e recursos escassos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia. No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis, pois boa parte foi imobilizada em empreendimentos insustentáveis no longo prazo.

Para concluir

O sistema de preços, e toda a racionalidade que ele gera, é a grande maravilha de uma economia de mercado. Mas ele precisa de uma moeda sólida para funcionar corretamente.

A intervenção estatal sobre o sistema monetária cria distorções em todo o sistema de produção, criando preços que deixam de ser baseados no conhecimento individual e nas valorações feitas por cada indivíduo. 

Uma moeda sólida fornece um ambiente financeiro em que crises econômicas associadas à má alocação de recursos e a investimentos insensatos podem ser evitadas, e em que o cálculo monetário se torna o mais eficiente possível.

Não foi à toa que Ludwig von Mises disse que uma moeda sólida representa uma liberdade civil básica, a qual deveria estar na mesma classe das constituições políticas e dos direitos humanos.

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288 comentários em “É só quando se entende o sistema de preços que se percebe a importância de uma moeda sólida”

  1. Sou orçamentista e comprador de construtora, e entendo bem o que é isso. Complicado ter que orçar os mesmos materiais semana após semana, devido a variações de preços. E não são poucas.

  2. Já li vários artigos do site (não posso dizer que já li todos, mas já li a esmagadora maioria). Meu tópico favorito é moeda, sistema de preços e ciclos econômicos.

    Este artigo é sem dúvidas top 3 no tema.

    Abordou todo o essencial e ainda desenhou.

  3. Quando a oferta monetária é estável e o preço da carne aumenta, então você sabe com toda a certeza que ou houve uma alteração nas preferências dos consumidores (o que fez com que a demanda por carne aumentasse em relação aos outros produtos) ou houve um problema com a oferta.

    Em ambos os casos, você pode tranquilamente aumentar “produção” de carne, pois sabe que o preço final de venda é aquele que está sendo praticado agora, e os custos de produção continuarão sendo aqueles que você está vendo. Os outros preços da economia não subiram. Apenas o da carne subiu, pois houve uma alteração na preferência dos consumidores.

    (Com efeito, se a carne encareceu, então provavelmente outros itens tiveram seu consumo reduzido, e seus preços caíram).

    Por outro lado, se a carne encarece por pura inflação monetária, então aumentar a produção de carne não será necessariamente algo racional. As preferências dos consumidores não se alteraram. Todos os produtos da economia estão igualmente mais caros, inclusive os preços dos insumos para a produção de mais carne.

    Pior ainda: se você aumentar a produção, pode ser que o preço da carne caia (ou seja, volte a ser como era antes; afinal, a preferência dos consumidores não tinha mudado, o que mudou foi a oferta monetária), mas os custos de produção subam (com inflação monetária, tudo se torna um jogo de adivinhação e não há motivo para seus insumos caírem).

    Sendo assim, aumentar a produção pode simplesmente representar sua falência.

  4. Boa noite, prezados.

    Estou me familiarizando com liberalismo (através de Hoppe, no momento) e surgem questões constantemente, sempre busco aqui as respostas, mas às vezes essas não ficam claras.

    Não sabia por onde me comunicar aqui e, por isso, lanço aqui mesmo uma dúvida não relacionada ao tema do artigo:

    1. Compreendo que o lucro permite que sejam empregadas novas tecnologias que propiciarão ao trabalhador maior produtividade e, por conseguinte, é possível que o empregador ofereça salários maiores. Minha questão é: por que os empregadores assim fariam, se eles podem manter o lucro para si mesmos ou aplicar nas indústrias?

    Me pergunto se a resposta vai ser: “bom, em um livre mercado, os patrões brigariam pelos empregados, para que aumentem sua própria produção”. Mas e o desemprego? Além do que, o que impede que as empresas estabeleçam entre si acordos para que o trabalho seja abusivo? Talvez nem mesmo acordos, simplesmente um ideal produtivo insano tal qual o japonês?

    Agradeço se puderem indicar leituras.

    Abçs

  5. g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/02/15/carteiros-comunitarios-tentam-amenizar-desigualdade-social-no-rio-agente-entrega-ate-500-cartas-por-dia.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&fbclid=IwAR0-Vn12N2WQYnS-amzHb6WqOdEjy0OqLdD1rH19bACMauASLT0in2S91FQ

  6. silvio lopes de moraes

    Isso não é uma regra,vamos ao exemplo; a industria tem clientes para consumir 1 milhão de itens por mês, porém sua capacidade de produção é 300 mil unidade.Logo sobre 300 tem lucro 15%, ao produzir 1 milhão ,desde que não exceda esse valor,não há motivos para reduzir preços,e portanto lucros.NO final qual lucro será melhor ,csobre 1 milhão de itens,ou sobre 300 mil, mesmo que passe de 15 para 10% a margem de lucros?

  7. Vou resumir e ver se entendi:

    O estimulo monetário aumenta o investimento e consumo(se for com juros ele sinaliza que existe mais poupança onde não tem); As pessoas passam a consumir esses recursos, e a poupança real reduz(Mas não a nominal, os juros aparentam estar mostrando disponibilidade). Porem, muitos investimentos foram feitos na crença que existia aqueles recursos(poupanças). Chegara um ponto onde vai ocorrer uma batalha por esses recursos/poupança e os preços vão começar a subir. Chegamos no ponto da inflação de preços. Então, os bancos começam a cobrar mais juros, porque se não receberão um pagamento com um dinheiro com um poder de compra menor do que o do emprestimo;

    Setores alavancados, endividados com aqueles juros, crédito sem lastro, podem começar a dar calotes, porque agora, a redução do crédito derruba o consumo e encarece novos emprestimos; (Ou mesmo a rolagem de dívidas que aparentavam serem liquidas, mas que na verdade eram apenas papeis ruins que dependiam dessa ilusão); Uma vez eu li a diferença de vendabilidade e liquidez. O papel ser vendável em uma bolha não significa que ele é realmente liquido, essa falta de liquidez real se revela no estouro

    Se esses papeis estavam em setores sensíveis, pode contamina-los e gerar um efeito cadeia de calotes e falências. Como as bancárias. Gerando ainda mais retração do crédito.

    Algo errado ou incompleto?

  8. Muito certo. Dinheiro imprimido gera malinvstment.

    É um investimento erroneo, que só se sustenta pelo dinheiro farto( foi recebido porque foi tomado e repassado por via política, subsidio).

    Essa empresa começa a gastar e se individa. Solta papéis e as pessoas compram porque pensam que essa empresa tá crescendo.

    Só que mais pra frente essa empresa ou vai encolher ou falência. E esse papel não valerá nada. Nesse caso quem comprou o papel foi enganado. Se foi via empréstimo, vira calote. Assim se fabrica papéis podres.

    E tudo começou no dinheiro imprimido, sem lastro, que segue a lógica do dinheiro falso, mas com a diferença que o gov obriga todo mundo a usar e com isso o prejuízo é ” socializado “entre todos, menos entre os primeiros a pegar o dinheiro. Eles tem a vantagem de gastar primeiro antes disso preços subirem.

    Então os ciclos são sucessões de injeção de cocaína na veia da economia seguida de fases de abstinência , quando o giv não consegue manter as injeção. ( fase da enganação e depois fase de colher os frutos da destruição econômica.

  9. Uma dúvida,

    Como que um empreendedor fica sabendo que em outra área está tendo lucros ou prejuízos?

    Eu entendo que ele tem essas informações na área que ele atua, mas como ele conseguiria essas informações de áreas em que ele não está atualmente atuando?

  10. E essa notícia? Quando nem o helicopter money consegue fazer o japones parar de poupar

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/02/estimulo-economico-japones-esbarra-em-habito-de-poupanca.shtml

    Que inveja desse povo

  11. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço: nos Estados Unidos, centro difusor do pensamento neoliberal e da defesa do laissez-faire, a privatização do sistema elétrico não é sequer cogitada.

    Os Estados Unidos são o 3º maior gerador de energia hidrelétrica do mundo, atrás apenas da China e do Brasil. As hidrelétricas estadunidenses tem um potencial instalado de 102,8 GW e contribuem com 6,6% de toda a energia consumida nos Estados Unidos.

    Há usinas hidrelétricas em 36 dos 50 estados do país. A maioria, entretanto, está concentradas na bacia hidrográfica do Rio Columbia (44%). O sistema hidrelétrico estadunidense é administrado diretamente pelo governo dos Estados Unidos.

    A maioria das usinas de grande porte e reservatórios pertencem às Forças Armadas ou outros órgãos públicos do governo dos EUA. Somente o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos administra 356 usinas e 75 represas.

    A estatal Tennessee Valley Authority (TVA), criada durante o New Deal, também opera outras dezenas hidrelétricas e mantém uma rede de transmissão com mais 26 mil quilômetros de linhas.

    A participação privada na produção hidrelétrica é absolutamente minoritária, relegada às usinas de porte secundário e fortemente regulamentada pelas autoridades públicas.

    A produção de energia hidrelétrica é vista como um serviço estratégico pelas Forças Armadas dos EUA, não apenas pela necessidade de provisão da demanda energética, mas também para assegurar o controle sobre a vazão dos rios e dos reservatórios…

    …onde se concentra parte substancial da água potável armazenada no país. A água é vista como um recurso vital que se tornará escasso nas próximas décadas.

    Em um discurso aos correligionários proferido em 2021, a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, assegurou que as guerras do futuro próximo não serão mais travadas por petróleo, mas sim pelo controle da água, que Harris chamou de “uma commodity muito preciosa”.

    Epicentro do pensamento neoliberal, os EUA exportam há décadas para todo o planeta o receituário do Estado mínimo, da desregulação dos mercados e da privatização, impostos por determinação dos órgãos de crédito sob seu controle…

    por cooptação ou pressão sobre os governos estrangeiros e, sobretudo, pela difusão do pensamento liberal através da indústria cultural, dos aparelhos ideológicos, da academia, da imprensa, das ONGs e dos think tanks.

    Basta uma observação mais atenta, entretanto, para perceber que o receituário liberal exportado pelos Estados Unidos segue à risca o velho adágio “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

    Mesmo após décadas ventilando o discurso liberal, os EUA jamais aventaram a hipótese de privatizar suas usinas e reservatórios. O “canto da sereia” é propalado para além das suas fronteiras, ressoando nos ouvidos de burocratas da periferia do capitalismo.

    O Brasil, vítima frequente da artimanha, mordeu novamente a isca, dessa vez concordando em privatizar a maior empresa de produção de energia da América Latina — a Eletrobras. A empresa possui 176 usinas e responde por mais de um terço de toda a energia gerada no país.

    Mais do que isso, os novos proprietários da Eletrobras irão administrar 52% de toda a água armazenada nas represas do Brasil e se tornarão donos da vazão dos maiores rios brasileiros — o país mais rico em recursos hídricos, que concentra 12% de toda a água potável do mundo

    Se depender do Brasil, os Estados Unidos não precisarão disparar um tiro para se apoderar de nossa água. Os nossos governantes e militares a entregarão de bom grado quando a plutocracia requisitar.

    twitter.com/historia_pensar/status/1494094960211206146

  12. Sobre moeda sólida, não custa lembrar que em áreas mais rurais, o preço de itens mais valiosos é calculado pelo produto produzido na região. Uma colheitadeira custa tantas centenas de sacas de soja, um caminhão custa tantas dezenas de cabeças de gado. Afinal uma saca de soja é uma saca de soja e um boi é um boi, eles não se alteram com o tempo.

    Na hora de fechar negócio, simplesmente se converte o produto em reais na taxa do dia e usa-se o dinheiro estatal para concretizar a venda, mas na vida destas pessoas o dinheiro de verdade é o que elas produzem, pois a moeda estatal muda de valor conforme o vento, e não se pode confiar que amanhã será trocada pelo mesmo item de hoje.

    Me pergunto se logo as pessoas vão perceber que Bitcoin é a alternativa mais sensata de moeda e começar a usar em massa.

  13. Olhem só mais essa dos liberais de Taubaté do governo. O Ciro Guedes e Roberto Campos Neto querem taxar os produtos da Shopee, Wish e Aliexpress a pedido dos barões da Havan, Americanas e Magazine Luiza.

    Aqui no DF, o Inganês (governador daqui) colocou alíquota de acima de 18% de ICMS para produtos da China:

    VEJA: Paulo Guedes e Campos Neto miram comércio ilegal da China.

    veja.abril.com.br/coluna/radar/paulo-guedes-e-campos-neto-miram-comercio-ilegal-da-china/

    Você pobre consumidor que se lasque com tributos e dólar caro.

  14. Nesse instante, Real a 4,67; Bela valorização em pouco espaço de tempo.

    Será que as eleições tem potencial de provocar alguma desvalorização? (Mesmo que não volte ao patamar anterior de 5,70)

  15. E a Guerra? Ninguém previu isso heim, afinal o que vai acontecer? O exército russo é esse lixo mesmo ou é blefe?

    E economicamente, o mundo vai continuar bancando isso?

    Quero ler comentários e opiniões fora da midia mainstream, agradeço a contribuição.

  16. Por que a grande imprensa protege tanto Paulo Guedes?

    Inflação recorde

    Pobreza e fome se alastrando

    Brasil terá um dos menores PIB no mundo em 2022

    Mercado de trabalho caótico

    Nada da grande imprensa sobre o Guedes.

    Essas frases do Guedes expressam o que ele acha do momento..

    O motivo da proteção da grande imprensa ao Guedes é simples:

    Ele representa a agenda econômica da grande imprensa, do mercado e da classe dominante do país.

    Guedes é uma síntese perfeita dos ricos:

    Odeia o Brasil, mas usa o país para enriquecimento e depois morar no exterior.

    twitter.com/moreira_uallace/status/1522898236453064704

  17. Olá pessoal, eu concordo com o artigo e com outros artigos do site sobre a inflação. Porém, eu penso que existe um ponto, talvez um único, que a inflação traz um benefício. Se o BC realizasse as expansões monetárias no exato momento e na quantidade exata em que ofertas de bens ficam disponíveis/ociosas/em excesso. Ou seja, é o momento em que as pessoas conseguiram produzir mais do que a quantidade de dinheiro circulando. Se não houver expansão monetária nesses momentos teremos deflação, que tem seus benefícios, mas também malefícios. Agora, se o BC conseguisse essa façanha que mencionei teríamos uma inflação sempre próxima de zero. A vantagem disso é a previsibilidade dos investimentos de longo prazo e a facilidade das negociações/trocas de curto prazo feitas pela sociedade.

  18. Fabíola Junqueira

    Leandro, estive vendo os dados do Reino Unido na última década e vi que estiveram praticando juros negativos.

    Daí me veio a seguinte dúvida: por quê não sofreram uma crise inflacionária com juros baixos igual ocorre quando o Brasil tenta baixar a SELIC para mínimas históricas? ** sem contar injeções monetárias da COVID, algo inédito.

    Uma outra conclusão a que cheguei: me parece que vários países conseguiram manter um índice de emprego alto mantendo os juros baixos apesar da deterioração da poupança individual com juros reais negativos. Isso não seria bom, manter-se empregado, vivendo bem? Por que isso não funciona no Brasil? Estou aberta a críticas dos demais!

  19. Sem querer fugir do tema do artigo, por que a tercerização das atividades-fins fracassou,pois não foram gerados os empregos projetados e a terceirização das atividades-fins diminui custos independentemente da inflação…Enfim o que deu errado?

  20. No começo desse ano, o peso chileno se valorizou consideravelmente ante dólar americano. Depois, deu uma certa desvalorizada (apesar que não está em uma situação tão ruim, sob um governo abertamente esquerdista).

    Semana passada, o Banco Central de Chile aumentou os juros com intensidade maior do que o do Brasil, com 125 pontos base de subida. Podemos explicar a desvalorização da moeda chilena por causa apenas da fuga para o dólar, ou há demais fatores?

    O sol peruano também seguiu trajetória parecida, embora esteja em situação melhor que a moeda chilena. Só apoiaria uma união monetária se o banco central fosse sediado no Peru e tivéssemos o dólar americano como moeda concorrente.

  21. Os EUA tem mais pobreza que o Brasil? Segundo o Wikipidia, os EUA tem 11% da sua população abaixo da linha da pobreza enquanto o Brasil tem 9%

    Alem da divida dos EUA passar de 100% do pib e a nossa meros 81%.

    É verdade esses dados?

    Outra coisa, a economia em 2022 não vai entrar em recessão? Cade a correção que vocês disseram que viria, porque o desemprego esta caindo e a economia esta recuperando mesmo sobre pancada de juros

    en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_the_United_States

    en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_Brazil

  22. Na Internet as coisas são atemporais.

    Vejam este tuíte mostrando uma fala do Roberto Campos Neto, no início de 2020, da possibilidade de juros negativos. Será que ele previu que estaríamos em juros negativos reais, ou ele queria mesmo juros negativos nominais, igualzinho ao Japão?

    Procurei a fonte e não achei nada. Quem encontrar a fonte dessa tira de jornal, agradecerei.

  23. Já li nesse site que enriquecer não tem nenhuma relação com méritos ou grande esforço físico e sim pelo grande valor que as pessoas agregam ao que eu produzo.Agora o que não entendo é como conseguir essa façanha:fazer com que aquilo que eu produzo tenha grande valor agregado.

  24. Vai ser interessante e triste uma possível queda de braço entre o banco central e os bancos estatais em um futuro governo Lula.. Roberto Campos tentando segurar, bndes, caixa e bb no crédito direcionado..

    Seria possível, mesmo nesse cenário, termos inflação alta? Lembro do govenro dilma como exemplo ou a situação era mais complexa?

  25. Curiosidade: 54,7 % das reservas internacionais do banco central boliviano estão em ouro.

    Todavia, as reservas internacionais do país estão em risco, porque estão baixas e em queda desde a valorização mundial do dólar após 2014, assim como na queda dos preços do gás natural desde então.

    De fato, a carestia lá tem influência também dos subsídios a alimentos e derivados de petróleo, uma pressão fiscal adicional contra o governo. Olha a bomba que sobrou para Luis Arce. O banco central quer vender ouro e se ofereceu para comprar ouro disponível no país.

    Esse negócio de repatriar divisas de empresas estatais me é algo estranho. Ora, a estatal exporta e aí ela escolhe manter uma conta em dólar ou em boliviano. As reservas internacionais estão em contas americanas, porque o dólar não é moeda corrente no país. Então, com exportação, já é possível aumentar as reservas internacionais. Ou eu estou errando em algo?

  26. O mercado de petroleo é um oligopolio?

    Segundo o Ciro, como la fora a maioria do setor é estatal, logo não existe um mercado. Logo o Brasil não pode ficar exposto aos oligopolios e politca estrangeira.

    youtu.be/85l5WuSR0c8

  27. Leandro, como uma taxa de juros de 13% a.a como a nossa não diminuiu o empreendedorismo?

    Veja, se abrir um negocio da em média 2 a 6% de lucro, porque que eu vou empreender sendo que posso usar o dinheiro do negocio e deixar no banco rendendo 13% a.a?

    Renda fixa esta muito acima em lucro do que os ativos, portanto nosso crescimento esse ano tem algo errado, não?

    Obrigado

  28. Ué… o governo que defende liberdade de expressão CENSURANDO?

    noticias.uol.com.br/eleicoes/2022/09/23/justica-censura-uol-e-manda-apagar-reportagens-sobre-imoveis-dos-bolsonaro.htm?utm_source=twitter&utm_medium=social-media&utm_campaign=noticias&utm_content=geral

    Enfim, a hipocrisia

  29. Vcs acompanham o twitter do Nathaniel Rothschild?

    Ele disse hoje: “Logo ouviremos as pessoas gritando: Onde está o dinheiro da minha aposentadoria?” Em todos os lugares…

    As coisas tão apontando pra tamanho colapso ?

    Indicador VIX disparou hoje, bolsas desabando, dólar ganhando de todas as moedas do DXY (inclusive em relação ao ouro)… ta tudo muito estranho no mundo…

  30. Vejam que notícia boa: pela primeira vez desde 2019, o índice de preços ao produtor foi para valores negativos: – 3,11 % (valores mensais).

    Já a variação anual foi de 12,16 %, contra 18,04 % do mês anterior.

  31. Estamos chegando a tal situação que o DXY em algum momento próximo irá cair forte (graficamente já está apontando pra isso) mas com os juros americanos subindo e inflação alta (e vai ficar mais alta ainda com o dolar perdendo força).

    Desculpem o palavriado, mas que diaxos ocorrerá com as moedas FIAT? Não consigo visualizar outra coisa a não ser um colapso total de TODAS elas no máximo até o ano que vem…

  32. Depois de ter ficado com inflação de preços menor do que no Reino Unido, agora estamos com inflação de preços menor do que nos Estados Unidos, nesse mês de setembro (acumulado dos últimos doze meses).

    Não vemos isso desde novembro de 2007, quando o IPCA brasileiro registrou 4,19 %, contra 4,3 % dos EUA.

    Caso o Bolsonaro mencionar isso no debate, será que o Lula vai lembrar do IPCA de novembro de 2007?

    Roberto Campos Neto fez muita besteira, mas ele receber o Nobel de Economia seria muito melhor do que o Paul Krugman, porque pelo menos ele está consertando o erro e está sendo mais falconista do que o Paul Volcker.

  33. Sabendo já do resultado eleitoral, por que ainda não tivemos uma disparada do dólar americano, como em 2002?

    O real brasileiro até que está indo bem.

  34. Como comprar títulos do tesouro americano ou me expor a eles? Sou brasileiro e residente no Brasil.

    A intenção é aproveitar a subida dos juros americanos, bem como dolarizar parte do patrimônio, como forma de proteção à provável mudança no condução econômica no nosso país. Minha expectativa é de, no longo prazo, retornamos com inflação de preços e desvalorização da nossa moeda.

    Obrigado.

  35. Leonardo Lamboia Correa

    No início do artigo, é falado sobre a tendência dos investidores de irem um negócio com taxas de lucro maiores, e que isso faz os setores terem uma tendência a ter uma taxa de retorno igual, pela oferta e demanda… enfim.

    Porém, essa argumentação talvez não considerou o fato de exposição ao risco dos setores e a relação risco/retorno, que é quando setores com mais risco tendem a terem retorno maior, caso contrário, não compensam serem investidos, que é o mesmo fato que explica o porquê da bolsa de valores cair quando os juros aumentam, se os investidores tem um retorno tão alto, garantido pelo governo, em renda fixa, não tem porque se expor aos riscos da bolsa. No meu entendimento, apesar de eu não ser um economista formado ou ao menos um professor de mercado, a taxa de retorno entre os setores tendem a variar de acordo com seu risco, já as empresas desse setor tendem a igualar suas taxas de retorno, desde que em mesmo nível de maturação. Outros fatores que também moveriam essa tendência de igualdade das taxas de retorno pra análise de risco/retorno, como governança, marketshare, dívida/EBITDA, constância de resultados, etc… já não podem ser tão considerados, pelo fato do mercado de capitais brasileiro ainda ser muito imaturo, com apenas 4,4 milhões de cpfs na bolsa, e ainda é muito comum a mentalidade de análise técnica das ações em gestora de recursos, que também não considera esses outros fatores.

    O que acham sobre?

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