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Nos 150 anos da 'Revolução Marginalista', um resumo de suas cruciais constatações
A contribuição de Menger fundou a Escola Austríaca e é o pilar da economia contemporânea

Este ano de 2021 representa o sesquicentenário da chamada "revolução marginalista" na ciência econômica, que suplantou a Escola Clássica e deu origem à escola neoclássica e à Escola Austríaca de Economia.

A efeméride se refere à articulação independente e quase simultânea —por Carl Menger, William Stanley Jevons e Léon Walras— dos princípios da "utilidade marginal decrescente" e da "teoria subjetiva do valor", pilares centrais da atual economia mainstream (a ciência econômica mais ensinada nas universidades ao redor do mundo).

No entanto, mesmo estes conceitos básicos, porém cruciais, seguem sendo mal compreendidos.

Utilidade marginal decrescente 

Durante milênios, pensadores como Platão, Copérnico e Adam Smith fracassaram em explicar o paradoxo do valor: por que uma garrafa d'água vale menos no mercado do que um quilate de diamante, que é menos importante e útil que a água? 

Os pensadores estavam aprisionados à convicção de que o valor de um bem deveria guardar relação umbilical com sua utilidade.

Menger demonstrou que a satisfação propiciada por uma unidade de um bem é avaliada pelo indivíduo, subjetivamente, segundo a utilidade daquela unidade adicional (a unidade "marginal") adquirida.

Pense em água e em diamantes e veja o preço de cada. Nós não valoramos a categoria "diamantes" em relação à categoria "água"; não fazemos uma comparação direta entre ambos os produtos, que são distintos não apenas em sua composição, como também em suas finalidades. 

O que realmente fazemos é valorar uma unidade a mais de diamante em relação a uma unidade a mais de água. Este é o conceito de margem. 

Uma unidade a mais de água, tudo o mais constante, não faz diferença nenhuma para você. Já uma unidade a mais de diamante, um bem extremamente mais escasso que a água, faz muita diferença para você. A água é um bem superabundante. Diamantes não. Eis a margem.

Não está em jogo passar a vida toda sem água ou sem diamante, caso em que a água valeria todo o dinheiro do mundo. Na prática do dia a dia, o indivíduo normalmente já tem acesso a água. Portanto, a utilidade de uma garrafa adicional é pequena, ao passo que a utilidade de um diamante pode lhe parecer alta, em particular se não possuir nenhum.

Este conceito de marginalidade é muito importante na economia. Termos como "custo marginal", "utilidade marginal", "produção marginal" são extremamente utilizados.

Uma confusão ortodoxa

Um grande erro corriqueiramente feito pelo mainstream está em confundir "utilidade marginal decrescente" com "saciedade".

É comum vermos economias convencionais pensando em utilidade marginal em termos de "saciedade" ou "satisfação" (aquele surrado exemplo de o primeiro copo d'água no deserto). 

Em termos técnicos, o mainstrem diz que utilidade marginal é a "quantidade de necessidades que são satisfeitas" quando se incrementa em uma unidade o consumo de determinado produto. Ou seja, o mainstream inventa uma soma que não existe e não faz sentido.

Mas não é assim que funciona. A utilidade marginal não está ligado à saciação, mas sim à valoração de itens homogêneos.

Eis alguns exemplos que ajudam a entender a correta definição de utilidade marginal.

Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). 

Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância.

Caso ele perdesse quatro carros, ficando com apenas um, o valor desse único carro restante aumentaria enormemente, e o indivíduo agora passaria a valorizá-lo de acordo com a importância que esse único carro tem para ele na satisfação de todos os seus afazeres diários.

Por outro lado, caso ele ganhasse em um sorteio 100 carros iguais — um número que excede em muito a hipótese inicial de que 5 carros o satisfazem completamente —, então a utilidade marginal e o valor de cada carro agora seria de zero, pois a satisfação de todos os seus desejos automobilísticos não dependeria da posse de um centésimo carro — aliás, não dependeria nem mesmo de um sexto carro.

Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.

Se você está com fome e tem centenas de cédulas de 10 reais, perder uma cédula não lhe fará diferença alguma. Por outro lado, se você, estando com a mesma fome de antes, porém tendo agora apenas uma cédula de 10 reais, perder essa cédula, isso pode significar a diferença entre comer e morrer de fome. 

Logo, sua utilidade marginal para a cédula de 10 reais é nula no primeiro caso e, no segundo caso, possui o valor de sua vida.

Este é o verdadeiro conceito de utilidade marginal.

Resumindo: uma unidade adicional de um bem (oriundo de uma oferta de bens homogêneos) terá para você um valor que equivale à importância que você dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por este bem adicional.

Um copo d'água a mais para quem já está sem sede nenhuma não tem valor algum. Já um diamante a mais para um milionário ainda terá muito valor.

Por outro lado, imagine esta mesma situação para um indivíduo completamente perdido em um deserto inóspito. A valoração será totalmente inversa.

Deve-se sempre pensar em termos de valor subjetivo.

Quando você entende isso, percebe que não faz sentido nenhum, por exemplo, a ideia de valor-trabalho. E perceberá que a única explicação para o valor das coisas é a subjetividade dos indivíduos.

As consequências

A adoção do subjetivismo e do individualismo metodológicos descritos acima inverteu a seta causal defendida pela Escola Clássica. 

Na visão do clássico David Ricardo, a causalidade no valor dos bens se dava no mesmo sentido que a produção. Recursos naturais (por exemplo minério de ferro e carbono) são usados para produzir bens intermediários (por exemplo, aço e alumínio), que, por sua vez, são transformados em um bem final (por exemplo, smartphone) que atende às necessidades do consumidor.

Para Ricardo, o valor dos recursos naturais determinava o valor dos bens intermediários, que, por sua vez, determinava o valor do bem final que o consumidor comprava. Derivou daí a errada teoria ricardiana de que o valor é atrelado ao custo de produção, a qual Karl Marx adotou para sua teoria do valor-trabalho — um erro que mudou o mundo para sempre.

Ambas as teorias foram refutadas pela revolução marginalista. Em 1871, em seu livro Grundsätze der Volkswirtschaftslehre ("Princípios de Economia Política"), Menger demonstrou que a seta causal era a oposta: a partida do processo é a determinação (inter)subjetiva do valor do bem final pelos consumidores.

Em outras palavras, o valor não tem a ver com o custo, com o trabalho envolvido, ou com as propriedades inerentes do bem, mas é determinado por sua utilidade marginal para o consumidor. 

A partir daí, os preços dos bens intermediários e dos recursos naturais são derivados (ou "imputados"), sucessivamente ao longo da cadeia, de trás para a frente, a partir da avaliação do bem final pelo consumidor.

Esta constatação de que os preços dos bens de consumo dependem da valoração dos consumidores, e não dos custos de produção, possui consequências cruciais para coisas como empreendedorismo, políticas de controle de preços, teoria da exploração do trabalho e mais-valia.

No final, caminhos distintos

No nascimento, em 1871, a Escola Austríaca e a escola neoclássica pareciam dividir a mesma forma de ver o mundo. Com o tempo, ficou aparente que o ramo neoclássico considera a economia uma ciência exata e a Escola Austríaca julga o ser humano, imperfeito e temperamental, como ponto primeiro e central de todo o processo econômico.

São visões irreconciliáveis, refletidas em diferentes métodos para conduzir a ciência. Boa parte das contribuições da Escola Austríaca foi incorporada ao mainstream. Mas a diferença de visões persiste e não foi totalmente resolvida.

Apesar de a Escola Austríaca ser minoritária comparada aos neoclássicos, é a escola econômica mais antiga e a que mais cresce no mundo desde a falência da Curva de Phillips, nos anos 1970, processo acelerado a partir da crise financeira de 2008.

Os conceitos nucleares da economia austríaca contemporânea (ação humana, meios e fins, valor subjetivo, análise marginal, individualismo metodológico e estrutura temporal da produção), junto com a teoria austríaca do valor e dos preços, que formam a alma da análise austríaca — tudo isso advém da obra pioneira de Menger. 

Depois de 150 anos da "Revolução Marginalista", Menger vive, e seu método para as ciências sociais ainda procura uma refutação.


autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Praxeologista  14/04/2021 17:15
    Imagine um indivíduo, João, que tem uma esposa, uma filha, um cachorro e a seguinte escala de valores:

    1. Alimentar sua família com um bolo.
    2. Alimentar sua filha com um ovo
    3. Alimentar sua esposa com um ovo
    4. Alimentar a si próprio com um ovo
    5. Alimentar seu cachorro com um ovo

    Suponha que ele necessite de quatro ovos para fazer um bolo. 

    Com seu primeiro ovo, ele irá alimentar sua filha, pois ele prefere isto a todos os outros conjuntos de desejos que podem ser satisfeitos com apenas um ovo.  Com seu segundo ovo ele irá alimentar sua esposa, e com seu terceiro ovo ele irá alimentar a si próprio.

    Agora, suponha que João compre um quarto ovo. Isso nos leva a um possível falso juízo: "Ahá! Com o quarto ovo, João pode alimentar toda a sua família com o bolo, arranjo este que ele claramente prefere a alimentá-la apenas com ovos mexidos! Portanto, é óbvio que a utilidade marginal do quarto ovo é maior que a utilidade marginal do terceiro ovo. Logo, a utilidade marginal está aumentando!"

    Só que esta linha de raciocínio ignora um ponto crucial: o quarto ovo só pode ser utilizado para fazer um bolo junto com os três primeiros ovos

    Dado que a "utilidade marginal" é um conceito que pode ser aplicado somente a unidades homogêneas de uma dada oferta, "um ovo" deixa de ser a unidade relevante da análise

    A homogeneidade das unidades é determinada pelo conjunto de desejos que podem ser satisfeitos com uma unidade de um bem. Neste caso, a unidade relevante para a análise é "1 unidade = um arranjo de quatro ovos". Assim, a escala de valores de João passa a ser:

    1. Alimentar sua família com um bolo
    2. Alimentar sua família com ovos mexidos

    Ele obviamente irá escolher alimentar sua família com um bolo. E, caso obtenha um segundo conjunto de quatro ovos, fará os ovos mexidos.

    Note que a escala de valores listada acima foi elaborada de acordo com os desejos satisfeitos pela unidade marginal de um determinado bem, e não pelo bem em si. João não preferia intrinsecamente o primeiro ovo ao segundo; ele preferia alimentar sua filha a alimentar sua esposa. Se houvesse apenas um ovo disponível, ele teria de escolher entre fins concorrentes, e o fim que mais o satisfaz é alimentar sua filha.

    Ou seja, a lei da utilidade marginal é merecedora deste exato status epistemológico: uma lei. Este teorema, que pode ser deduzido do axioma da ação, é mais do que apenas empiricamente demonstrável: ele é irrefutavelmente verdadeiro.
  • Vladimir  14/04/2021 19:02
    Excelente complemento, Praxeologista.
  • rick  14/04/2021 17:20
    eu acho que as duas teorias são validas, a do valor-trabalho de Marx ajuda a formar um preço-base e a teoria marginal muda este valor de acordo com a sua satisfação. Mas como sei que aqui não acreditam na teoria do Marx, não vou me alongar.
  • Juan de Mariana  14/04/2021 17:25
    Valor-trabalho e valor subjetivo são coisas mutuamente excludentes. Não dá pra conciliar as duas. Passe um dia inteiro cavando um enorme buraco na sua rua. No dia seguinte, passe novamente todo o dia cobrindo-o. No terceiro, fique sentado ali com um chapéu na mão, esperando a contribuição das pessoas. Segundo a teoria do valor-trabalho, você será muito bem remunerado, pois fez algo extenuante, que exigiu uma enorme quantidade de trabalho.

    Só que todo esse todo trabalho que você teve para cavar um enorme buraco terá um valor enorme apenas para você; para mim e para as outras pessoas, terá um valor zero.

    Por fim, se você sair cavando buracos pelas ruas, Marx dirá que o valor desses buracos é enorme -- e que, logo, você deve exigir um preço muito alto por esse seu "serviço". No entanto, para os consumidores, que são quem em última instância determinam o valor final dos produtos, seu trabalho terá valor zero, e você morrerá de fome.

    A teoria do valor-trabalho é errada simplesmente porque o valor das coisas é totalmente subjetivo. Independe de qual tenha sido o trabalho "embutido" nela.

    Abraços!

    P.S.: o criador original da teoria do valor-trabalho foi Adam Smith, muito provavelmente influenciado por seu calvinismo, religião que dá ênfase no trabalho duro e exaustivo como sendo não apenas algo bom, mas também um grande bem em si mesmo, ao passo que o prazer oriundo do consumo é, na melhor das hipóteses, um mal necessário, um mero requisito para se dar continuidade ao trabalho e à produção.

    Sugestão de artigo:

    As raízes escolásticas da Escola Austríaca e o problema com Adam Smith
  • rick  14/04/2021 17:39
    ok mas acho que na pratica essa teoria não influencia os valores monetários das coisas. Se você tem 5 carros vc não vai vender um deles por um preço menor só pq já está satisfeito, vc vai vender de acordo com o que o mercado paga. Acho a teoria do valor do trabalho falha mesmo, eu diria que ela só serve para casos onde obviamente existe uma utilidade extraida desse trabalho e mesmo assim eu nao diria valor do trabalho e sim custo do trabalho, afinal um produto nao pode valer menos que seu custo portanto o custo do trabalho influencia de alguma maneira no seu valor de mercado.
  • Humberto  14/04/2021 17:45
    "Se você tem 5 carros vc não vai vender um deles por um preço menor só pq já está satisfeito, vc vai vender de acordo com o que o mercado paga"

    Sim, porque esse valor de mercado é o resultado da utilidade marginal do carro para as outras pessoas. Agora, se todos tivessem 5 carros e estivessem satisfeitos, você teria que vender um dos carros por um preço menor se precisasse se livrar de um deles.

    "afinal um produto nao pode valer menos que seu custo portanto o custo do trabalho influencia de alguma maneira no seu valor de mercado"

    Na verdade, é o inverso: o custo não pode ser maior do que o valor, que é subjetivo. Ou seja, para um determinado produto, você não pode gastar mais do que aquilo que as pessoas estão dispostas a pagar por esse mesmo produto. Quanto maior o custo, mais você precisaria cobrar, e menos as pessoas pagarão.
  • Santiago  14/04/2021 18:45
    Humberto, você foi perfeito e breve na explicação.

    O valor do 5º carro para quem o possui é pequeno, mas se o dono vai vendê-lo, não o fará pelo valor que ele dá ao carro, mas pelo valor que acredita que os compradores darão.

    Na verdade quem produz algo para TROCAR (vender recebendo dinheiro para com esse dinheiro comprar outra coisa — já que o dinheiro em si não tem valor algum; só para colecionadores de cédulas) pode avaliar erroneamente o valor de mercado para seu produto.

    Exatamente por isso há empresas que vão à falência ao oferecerem bens ou serviços cuja demanda dá ao produto um valor inferior a seu custo.

    Em alguns casos é o custo que determina a oferta, pois poucas pessoas estão interessadas em adquirir o produto por um preço superior ao seu custo. Então, neste caso, o produtor diminuirá a oferta a fim de conseguir um preço que cubra seus custos e proporcione algum lucro como remuneração por seu trabalho de investir e produzir.

    E uma elevação de custos pode levar a uma redução das quantidades produzidas a fim de que o preço possa ser aumentado. Ou seja, uma inflação de custos produz uma inflação de preços sem aumentar o lucro.

    Não fosse assim, a emissão de moeda sem lastro tenderia a aumentar continuamente a produção. Porém isso não acontece porque os bens e serviços não se trocam por moeda e sim uns pelos outros através da moeda.

    Ou seja: a emissão de moeda não cria riqueza, que é o objetivo, o fim, mas apenas aumenta a oferta dos meios usados para realizar as trocas. A inflação dos meios de troca não proporciona igual aumento nas quantidades de bens e serviços disponíveis. Logo, o "aumento nos lucros" é nominal, sem aumentar a real capacidade de consumo.
  • Flávio  14/04/2021 18:50
    Rick, a teoria do valor-trabalho diz que o valor de um bem seria determinado pelo tempo socialmente necessário para se produzi-lo, ou seja, o tempo médio que uma determinado mercado leva para produzir um dito bem.

    Supondo que o custo da hora/trabalho em uma economia seja de R$ 10.

    Um bem cujo tempo médio de fabricação por todo um mercado é de uma hora terá o valor de R$ 10 dentro deste mesmo mercado, ao passo que um bem que tem um tempo médio de 2 horas para ser fabricado, terminará por custar R$ 20.

    Ou seja, temos aqui uma diferença de tempo de produção de 1:2, por tanto, a diferença de preço também será de 1:2, pois, segundo a teoria do valor-trabalho, se o valor é determinado pelo mesmo, então a diferença de preço deve ser análoga à diferença de tempo em trabalho.

    O problema dessa linha de raciocínio é que não existe correlação entre custo de produção e valor de mercado dos bens transacionados em uma economia de mercado. Além disso, a teoria é obrigada a supor a existência de uma unidade invariável de valor, que serviria de parâmetro comparativo para se definir as diferenças de preços entre os bens.

    No exemplo acima, seria o custo hora/trabalho, porém, mesmo em uma economia real, o valor da hora trabalhada varia de profissão para a profissão, de acordo com a oferta e demanda por profissionais no mercado de trabalho.

    Assim, quando a demanda por uma determinada profissão aumenta no mercado, é tendencioso que o valor da hora/trabalho daqueles que estão aptos a exercer a profissão se eleve em relação a outras profissões.

    No final, concluímos que mesmo o "valor-trabalho" é determinado pela utilidade marginal.

    A teoria do valor-trabalho não passa de um equívoco, em que se tentou atribuir a uma das consequências da utilidade marginal o fator causal do valor.
  • WMZ  14/04/2021 19:10
    "Por fim, se você sair cavando buracos pelas ruas, Marx dirá que o valor desses buracos é enorme -- e que, logo, você deve exigir um preço muito alto por esse seu "serviço". No entanto, para os consumidores, que são quemerr em última instância determinam o valor final dos produtos, seu trabalho terá valor zero, e você morrerá de fome."

    Tá errado!

    Primeiro, para a "cavação aleatória de buracos" entrar na análise do valor trabalho, primeiro, ela deve ser ÚTIL para economia com mercadoria, assim como os notebooks e o ácido sulfúrico são. Aquelas refutações que usam o exemplo do "sorvete de lama" são furadas!. A mercadoria deve ter, previamente e no presente, o seu valor de uso senão não é mercadoria e não terá um valor que possa entrar neste tipo de análise assim como as outras mercadorias.

    Segundo, supondo que seja útil a "cavação aleatória de buracos", não é o tempo que você gasta individualmente para cavar um buraco que é levado em conta. É o tempo médio socialmente necessário que, a grosso modo, a média aritmética do tempo que todos os cavadores de buracos levam para cavar um buraco. Se você leva 10 horas mas a média dos cavadores é 5 horas, o valor estará em função das 5 horas. E quem pode alterar esse tempo médio? O desenvolvimento eficiente das forças produtivas.
  • anônimo  14/04/2021 19:18
    "primeiro, ela deve ser ÚTIL para economia com mercadoria, assim como os notebooks e o ácido sulfúrico são. […] A mercadoria deve ter, previamente e no presente, o seu valor de uso senão não é mercadoria e não terá um valor que possa entrar neste tipo de análise assim como as outras mercadorias."

    Aí você caiu numa cilada; entrou num looping infinito. Várias mercadorias surgem sem nunca terem tido utilidade ou valor de uso prévios. A internet é um grande exemplo. Smartphones e tablets são outros. Por definição, toda invenção surge sem ter tido valor de uso prévio.

    Portanto, se a teoria do valor-trabalho depende dessa pré-condição, então ela já nasceu morta.
    "É o tempo médio socialmente necessário que, a grosso modo, a média aritmética do tempo que todos os cavadores de buracos levam para cavar um buraco. Se você leva 10 horas mas a média dos cavadores é 5 horas, o valor estará em função das 5 horas."

    Ou seja, segundo você próprio, quanto maior a produtividade, menor será o valor e a utilidade do produto criado.

    O mesmo buraco, se for feito por uma só pessoa, terá um "valor social" maior do que se for feita por duas pessoas.

    Bizarro

    "E quem pode alterar esse tempo médio? O desenvolvimento eficiente das forças produtivas."

    E, como dito acima, segundo você, quanto mais eficientes forem as forças produtivas, menor será o valor do empreendimento. Bizarro.
  • WMZ  14/04/2021 19:48
    "Aí você caiu numa cilada; entrou num looping infinito. Várias mercadorias surgem sem nunca terem tido utilidade ou valor de uso prévios. A internet é um grande exemplo. Smartphones e tablets são outros. Por definição, toda invenção surge sem ter tido valor de uso prévio."

    Mas a internet não era uma mercadoria quando ela existia somente nos laboratórios dos cientistas (acho que militares). Era apenas um projeto, uma coisa feita pelas mãos humanas. Quando veio o interesse dos militares, a internet passou a ser uma mercadoria mas num sentido bem estrito. Foi só quando um civil passou a comercializá-la que ela, enfim, virou mercadoria.


    "Ou seja, segundo você próprio, quanto maior a produtividade, menor será o valor e a utilidade do produto criado."

    Bingo! É por aqui que é o caminho da análise marxista (vá pesquisar)

    Quanto maior a produtividade (muitas das vezes puxada pela concorrência), menor é o valor e maior é a taxa de exploração e a intensificação do intervencionismo estatal (para garantir monopólios e outras trapassas), é por isso que o capitalismo, segundo ele, estava condenado.
  • WMZ  14/04/2021 19:27
    "No final, concluímos que mesmo o "valor-trabalho" é determinado pela utilidade marginal."

    Mas Marx deixa claro que toda a mercadoria tem a sua utilidade (que, no caso, ainda não era marginal, afinal, o marginalismo só foi descoberto depois). Não entra na análise "mercadorias" sem nenhuma utilidade, como poeira e cd's do Restart.

    O valor de uma mercadoria já é outra coisa, não é a precificação dela, a qual é ciclicamente alterada pelas preferências individuais. O valor é como um ponto de equilíbrio, no longo prazo, dos preços.
  • anônimo  14/04/2021 18:44
    Aí uma baita coisa que seria bom se ensinassem nas escolas, mas preferem doutrinar os alunos botando professores esquerdistas nas aulas de sociologia para alienar as pessoas de acordo com o que o corriculo do MEC para o ensino diz.
  • Roberto  14/04/2021 18:52
    Entendi, mas gostaria de saber o quê precede o quê. A lei da oferta e procura ou a lei da utilidade marginal decrescente? Ou é a mesma coisa?
  • Lucas  14/04/2021 18:58
    A lei da utilidade marginal vale em toda e qualquer situação, inclusive para um indivíduo vivendo sozinho na mais plena abundância, como Adão sem Eva no Jardim do Éden. Nesta mesma situação, por outro lado, Adão não teria por que se preocupar com a lei da oferta e da demanda, que não existiria ali.

    Fora este caso específico, ambas são complementares, pois a lei da utilidade marginal é quem gera a demanda por qualquer bem ou serviço. Não há demanda por algo que não tem utilidade. Quanto maior a utilidade marginal de um bem ou serviço para qualquer conjunto de indivíduos, maior será a demanda por esse bem ou serviço. E maior tende a ser a oferta. E daí formam-se os preços de mercado.
  • Curioso  14/04/2021 19:04
    A utilidade marginal também varia de acordo com as propriedades intrínsecas do bem econômico homogêneo? Por exemplo: leite condensado vai enjoar muito mais rápido que a mesma quantidade de leite comum. Mas isso se deve à propriedades do leite condensado, não é?
  • Raphael  14/04/2021 19:11
    Enjoar não tem nada a ver com utilidade marginal, mas sim com saciação. Vale para qualquer alimento.

    Você come uma pizza hoje até ficar completamente saciado. Ao estar saciado, não mais quererá pizza (logo, não estará disposto a pagar preço nenhum por ela). No entanto, amanhã já vai querer outra pizza novamente. A utilidade marginal da pizza continua a mesma para você (tudo o mais constante). Tanto é que você aceita pagar o mesmo preço. A única diferença é que, no primeiro cenário, você se saciou. No segundo cenário (dia seguinte), a fome voltou e você volta a estar disposto a pagar o mesmo preço por ela.
  • Carlos Eduardo  14/04/2021 19:40
    Fazia tempo que tentava entender isso. O artigo foi fantástico, mas os comentários e as respostas foram ainda mais esclarecedores. Obrigado aos que comentaram e aqueles que responderam. Me ajudaram muito a entender esses conceitos e perceber que que realmente a utilidade marginal é que faz o preço. Não adianta nada ter um bem ou serviço que você acredita vale muito ( e que pode realmente ter um valor/custo alto) se as demais pessoas não tem interesse/utilidade de possuir este bem ou serviço.

    Assim, ainda que vc coloque o bem/serviço (bom,caro ouchique) com um valor abaixo do seu custo, certamente você ainda perderá se aquilo não tiver uma utilidade marginal para os demais.
  • Ex-microempresario  14/04/2021 20:38
    Se os preços fossem determinados pelo "valor-trabalho", filé mignon e fígado deveriam custar a mesma coisa, já que o trabalho para produzi-los foi o mesmo.

    Mas como as pessoas, na média, atribuem um valor marginal maior para o mignon, sua demanda é maior e consequentemente o preço também.
  • cmr  16/04/2021 03:52
    A oferta do file mignon também é menor.

    Um boi produz muito mais acém do que filé mignon. (por exemplo)
  • Carlos  14/04/2021 21:22
    E como fica o fato de o último biscoito do pacote ser mais gostoso que o penúltimo?
  • Gustavo  14/04/2021 21:26
    Isso é subjetivo. Acho o primeiro biscoito o mais gostoso.
  • Vladimir  14/04/2021 21:28
    Essa sua teoria do "último biscoito ser o mais gostoso" não tem nada a ver com a teoria da utilidade marginal. Se você a interpretou assim, então você a interpretou errado. Você parece estar confundindo teoria da utilidade marginal com a teoria da saciação

    No entanto, ainda assim há uma explicação para o seu caso: como explicado no exemplo dos carros, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.

    No caso do biscoito, quando o pacote está acabando e você tem apenas um único biscoito sobrando, o valor que você atribui a este biscoito segue o mesmo raciocínio do indivíduo que tinha 5 carros e perdeu 4.
  • Emmerson  14/04/2021 21:47
    "Você parece estar confundindo teoria da utilidade marginal com a teoria da saciação"

    Sim, são duas teorias diferentes, uma é psicológica enquanto a outra é econômica. Mas ambas possuem um funcionamento parecido.

    Um sujeito que possui um carro e adquire mais um ficará mais contente por certo tempo, mas depois se habituará e voltará a ser tão satisfeito ou insatisfeito com a vida quanto era antes. O mesmo vale para quem tinha dois carros e deixa de ter um. E uma pessoa que possui dez carros não é necessariamente dez vezes mais feliz do que alguém que possui apenas um.
  • Henrique  14/04/2021 21:31
    Segundo e teoria mainstream, uma diminuição no preço de um produto, ceteris paribus, gera um aumento na demanda do mesmo. Mas isso não acontece quando se instaura o pânico no sistema financeiro. Por exemplo, todos resolvem vender ações, mas ninguém quer comprar, logo, seu valor cai. Entretanto, isso não gera um aumento da demanda por ações, muito pelo contrário, o comportamento das pessoas se torna "bovino", fazem o que todos estão fazendo: tentam vender ações, derrubando ainda mais os preços, até o crash.

    Como explicar esse fato da perspectiva austríaca?
  • Trader  14/04/2021 21:34
    Quando um pânico derruba ações e tamanha queda de preços não eleva a demanda por elas, o que ocorre na prática é que, em situações de elevada incerteza, as pessoas querem segurança e liquidez. Sendo assim, ou elas correm para os títulos do governo, ou para o ouro, ou simplesmente convertem ativos em dinheiro (o que pressiona ainda mais os preços das ações).

    Em um pânico, ações passam a ser um dos ativos menos desejados nessa situação específica.

    Entretanto, tão logo a situação clareia, a demanda por ações explode (os preços baixos se tornam muito atrativos). Consequentemente, os preços rapidamente voltam a subir.

    Vide o comportamento das ações quando começou o pânico da Covid-19 em março de 2020. E veja como elas estão hoje.
  • anônimo  14/04/2021 23:18
    "Segundo e teoria mainstream, uma diminuição no preço de um produto, ceteris paribus, gera um aumento na demanda do mesmo"

    Depende da utilidade marginal do produto, mas geralmente é assim mesmo.

    "Por exemplo, todos resolvem vender ações, mas ninguém quer comprar, logo, seu valor cai"

    Não sou nenhum investidor, mas ultimamente eu venho analisando as movimentações do mercado, e a resposta para isso soa bem óbvia...

    Se o preço de uma ação cai, é porque às expectativas dos investidores sobre aquela ação não são muito boas, e se a ação despenca, é porque grande parte dos investidores concluíram que investir naquela ação não é mais viável, e mesmo os investidores que não chegaram á essa mesma conclusão acabam tendo de vende-lá, pois não querem ter mais prejuízos. A ação só irá voltar á subir quando às expectativas voltarem á subir.

    Não entendi exatamente o que queria dizer com essa pergunta, mas ações e produtos são coisas totalmente diferentes, com seus próprios princípios e leis...
  • Bolsodilma ciroguedes  14/04/2021 23:22
    Lei da demanda e oferta.

    Se vc oferta mais que a demanda, ocorre diminuição do valor do bem oferecido (títulos de ações, no caso).

    No caso das ações tem muita oferta (venda) e pouca compra (demanda). Então o preço tem que cair.

    Por que dá pouca compra? Os compradores acham que "vale "menos e não aceitam o preço atual.

    Lembre-se que o valor do título é o lastro do que ele vale (no caso, um pedaço de uma empresa, que foi dividido em inúmeros pedaços e vendida como ação). O valor da empresa é o que ela gera aos consumidores. Se os compradores acham que essa empresa vale algo, eles compram o título.

    E caso a procura seja alta, ocorre valorização do preço do título. Se for pouca, a desvalorização do preço do título.
  • Batista  14/04/2021 21:41
    Como se aplica o conceito de utilidade marginal ao dinheiro? Tipo assim, quanto mais o cara tem mais ele quer. Isso não vai contra o conceito de utilidade marginal decrescente?
  • Praxeologista  14/04/2021 21:44
    Mesma coisa. Nesse caso, é preciso raciocinar em termos de "quantidades adicionais de unidades monetárias".

    Quanto maior for a renda de um indivíduo, menos importante será uma quantidade adicional unitária de moeda.

    R$ 1,00 adicional tem mais importância para alguém que ganha um salário mínimo do que para alguém que ganha muito mais do que um salário mínimo.
  • LUIZ HENRIQUE AMADOR  19/04/2021 13:16
    Pessoal, gostaria que alguém esclarecesse uma dúvida de leigo minha. Bom... sei que estamos em um período difícil, e muitas pessoas estão falando que estamos em crise, mas sinceramente eu não vejo que estamos em crise AINDA. Sei que várias pessoas perderam empregos, e várias empresas faliram, porem, apesar disso, eu não enxergo que estamos em crise. Vejo várias pessoas construindo casas, comprando carros, motos principalmente. Sei que esse aumento no consumo foi devido ao choque na demanda , devido a expansão monetária, via auxílios do governo à população , e também dos empréstimos bancários com custo baixíssimo às empresas. Trabalho em um escritório de contabilidade, e as empresas nas quais prestamos serviços nunca faturaram tanto como na pandemia. Teve empresa que o faturamento mensal triplicou. Mas o que eu quero dizer é: estamos realmente numa crise, ou estamos em uma pré-crise economica? A verdadeira crise ainda está por vir?
  • Vladimir  19/04/2021 14:37
    Regra básica de Pareto: em qualquer economia, 80% da produção e da criação de riqueza é feita por 20% das pessoas. Esses 20% são os mais produtivos da sociedade.

    O que significa que 80% da mão da obra cria os outros 20% da riqueza. Esses são os menos produtivos da sociedade.

    A crise afetou as pessoas menos produtivas da sociedade (como garçons). São essas que foram demitidas e ficaram sem renda. Quem é produtivo (que está dentre os 20% da mão de obra) não perdeu o emprego e nem perdeu renda.

    Estes estão nadando de braçada (junto com os funcionários públicos, é claro, que continuaram ganhando bem e sem produzir nada). São estes que continuam consumindo (aproveitando os juros historicamente baixos).

    E é daí também que você entende o atual cenário de empresas com valorização histórica na bolsa mesmo frente ao atual cenário econômico: as pequenas empresas (suas concorrentes) quebraram, e aí elas aumentaram ainda mais sua fatia de mercado.
  • L Fernando  19/04/2021 18:44
    Por esta tua teoria 80% da mão de obra quase sem renda é irrelevante para o consumo e manter as grandes empresas em crescimento.
  • Vladimir  19/04/2021 19:03
    Gentileza apontar onde eu disse que 80% da mão de obra está sem renda.

    Vou tentar desenhar:

    a) 20% da população faz 80% da produção. Estes são os indispensáveis. Os que jamais ficam sem emprego e renda. São os que realmente carregam a economia. São os inovadores.

    b) Os outros 80% fazem 20% da produção. Mas mesmo entre estes 80%, há os melhores e os piores. A Lei de Pareto permanece válida: dentre estes 80%, há os 20% que são melhores que o resto. E assim sucessivamente.

    c) Portanto, aqueles 80% do item (a) não são todos demitidos. Mesmo entre eles há os melhores e os piores. Os melhores ficam. Os piores dos piores saem. Achava que isso era um tanto óbvio e não necessitava explicação, mas vejo que não.
  • Bolsodilma ciroguedes  19/04/2021 22:39
    Depende de onde vc está. A crise foi nos produtores de bens e serviços nas cidades (foram obrigados a parar), mas muitos se viraram.

    Mais forte ainda é a iminente falência fiscal do governo federal. Com déficit de 11 por cento do PIB, e sem conseguir reverter, pode ser o fim do governo central.

    A partir daí: pode ser que a população finalmente se revolte e coloque cabresto nos políticos, ou ocorra separatismo.

    A situação já fica insustentável em no máximo dois anos caso não se reverta a gastança.
  • Atento  20/04/2021 01:14
    "Mais forte ainda é a iminente falência fiscal do governo federal. Com déficit de 11 por cento do PIB, e sem conseguir reverter, pode ser o fim do governo central."


    Esse "Bolsodilma ciroguedes" é um caso curioso aqui no Mises BR. Obviamente é um austríaco mas pisa na bola às vezes...

    Que história é essa de falência fiscal do governo federal???? Todos os governos que apresentam déficit nominal já estão contabilmente falidos mas ainda estão aí. Não vou entrar na explicação para essa realidade que envolve o papel moeda de curso forçado mas esse comentário não tem sentido nenhum.
  • Bolsodilma ciroguedes  19/04/2021 23:57
    "Mas o que eu quero dizer é: estamos realmente numa crise, ou estamos em uma pré-crise economica? A verdadeira crise ainda está por vir?"

    Toda expansão monetária infla uma bolha. Você agora tem a impressão que está bom, pois está no topo da bolha. Mas quando essa expansão cessa, pois nunca é eterna mas temporária, a ilusão acaba.
    Como o Brasil não tem condições de manter a expansão monetária por muito tempo, pois seu déficit está pela hora da morte e seu endividamento também, a bolha vai estourar logo. O real vai derreter mais ainda.

    Pra evitar o fim do governo central teria que acabar com os subsídios, com a gastança, com os privilégios, com a super burocracia, com o assistencialismo curral eleitoral, com o manicômio tributário, com a alta carga tributária e usar o dinheiro economizado pra pagar as dívidas, limpando o balanço.

    Mas como não tem nenhuma previsão que os nossos políticos farão isso, espere que o real derreta.

    Fique de olho no Biden Laden também: como ele quer aumentar impostos, pode ser que o dólar derreta e freie o derretimento do real. Aí nosso governo continuará empurrando com a barriga.
  • Introvertido  19/04/2021 20:23
    Isso é o que você vê, como o Vladimir disse logo á cima, as pessoas "menos produtivas" e que recebem salário mínimo foram às mais afetadas pela inflação crescente, e pessoas assim são encontradas nas partes mais pobres da sociedade.

    Moro em uma periferia, e vejo muito trabalhador que tem que sustentar á família passando sufoco, pois às coisas ficaram mais caras, mas o salário deles não subiram no mesmo ritmo.

    Quem recebe de três salários mínimos para cima obviamente não estão passando sufoco, mas ainda sim o poder de compra deles diminuiu.

    Aliás, agora é uma ótima época para pegar empréstimos imobiliários e bancários, conheço um cara esperto que está enriquecendo cada vez mais nesses últimos anos, pois está se aproveitando disso, e ele nem é empresário.

    "Mas o que eu quero dizer é: estamos realmente numa crise, ou estamos em uma pré-crise economica? A verdadeira crise ainda está por vir?"

    Não estamos exatamente em uma crise, mas sim em um momento de grande elevação da inflação devido a enorme desvalorização do real. Acontece que o orçamento do governo está uma lambança, e os juros reais estão historicamente negativos, os investidores estrangeiros estão fugindo do Brasil, obviamente não tem como o real valorizar assim, elevar á selic para ao menos 7% é o mínimo.

    E eu não sei dizer exatamente se alguma bolha foi criada no meio da pandemia, pois não sou economista, e ainda estou estudando sobre às bolhas econômicas, mas no meu ponto de vista, não, pois os bancos estão sendo cautelosos e estão emprestando apenas para pessoas com um excelente histórico.
  • Introvertido  20/04/2021 12:01
    Bolsodilma,

    É uma falácia e tanto dizer que o governo irá falir em tão pouco tempo por causa da situação fiscal, á única coisa na qual os investidores realmente estão preocupados na parte fiscal, é se o governo irá ou não conseguir pagar os juros de sua dívida.

    Diria que á situação só irá se tornar realmente insustentável quando os gastos com juros baterem os 100%, á partir daí o governo irá desabar em efeito dominó caso nada seja feito.

    E está muito, muito longe dos gastos com juros atingirem esse nível, 2 anos não faz nem cócegas.

    "Toda expansão monetária infla uma bolha"

    Correção: Toda expansão monetária que fornece crédito fácil e farto infla uma bolha.
  • Fabio Anderaos de Araujo  23/04/2021 17:21
    Gostaria de perguntar aos defensores da teoria marginalista ou teoria subjetiva do valor, como essa teoria explica o valor do salário pago a um trabalhador braçal, especificamente ao indivíduo que trabalha na limpeza de ruas nas cidades ou para uma empresa ferroviária, preparando a terra para colocar os trilhos por onde passará um trem? Não há como fugir da teoria do valor-trabalho incorporado.
  • Fabio Anderaos de Araujo  24/04/2021 00:45
    Vladimir, o terceiro artigo eu li e fiz meus comentários na oportunidade. O que eu quero é que você ou alguém me responda objetivamente a minha pergunta, sem firulas. A teoria do valor-trabalho não assombra ninguém e nem causa estragos. Quem causa estragos é o ser humano, que tem a infeliz capacidade de distorcer as coisas. Fico no aguardo de uma resposta inteligente e educada.
  • Vladimir  24/04/2021 03:49
    Sua pergunta está respondida por completo nos dois primeiros artigos linkados acima. Aliás, dado que você é avesso a leituras, pode ler só um, o dos lixeiros.

    É engraçado isso: a pessoa chega exigindo respostas completas; aí, quando direcionada para um artigo que faz exatamente isso, ela faz beicinho e diz que não vai ler.

    Qual o problema? Medo de ter suas convicções abaladas?

    Isso aqui é um Instituto voltado para economia. A função dele é exatamente essa: esclarecer questões econômicas. E os artigos servem exatamente para isso. Mas só para quem quer aprender, é claro.
  • Introvertido  24/04/2021 12:42
    Esse Fabio é engraçado, você linkou 3 artigos respondendo exatamente o que ele perguntou, e o sujeito começou á desabafar: "Não quero saber de outros artigos, quero uma responda objetiva vindo de você!!". Provavelmente é pura desonestidade intelectual, mas pelo menos aínda está sendo mais educado que o resto da esquerda.
  • Fabio Anderaos de Araujo  24/04/2021 13:02
    Em primeiro lugar, eu não exijo respostas completas, pois seria presunção de minha parte. Segundo, não li os dois primeiros artigos porque já sei do que se trata: não se pode comparar o salário de um lixeiro ou de um professor com o de artistas em geral, jogadores de futebol etc. Quanto ao segundo artigo, é óbvio que só o "trabalho duro" não garante prosperidade ou elimina a pobreza, porque existe uma outra variável fundamental, o papel da ciência e da tecnologia que aumentam a produtividade e ampliam os horizontes de um país. Basta comparar o PIB per capita da Suíça com o da Costa do Marfim, por exemplo. Um país que fica restrito a exportar matérias primas com reduzido valor-agregado não pode esperar que sua população desfrute de maiores e melhores padrões de consumo e de vida, exceto na Arábia Saudita e países do Golfo Pérsico, nos quais os recursos obtidos com a exportação de petróleo sustentam artificialmente um padrão elevado de consumo de grande parte de sua população. Mas não é disso que estamos tratando aqui. O indivíduo que atende pelo nome de Vladimir (não sabemos de quem se trata realmente, se Vladimir é um apelido etc, pois esse nome não consta da relação de autores do Von Mises Brasil) se utiliza da estratégia da comparabilidade entre rendimentos auferidos por pessoas que exercem diferentes papéis na sociedade para desviar o foco da minha questão: como é determinado objetivamente o salário de um simples trabalhador braçal? É óbvio que existe uma referência objetiva. Por exemplo, como a companhia Vale calcula o custo de produção de uma tonelada de minério de ferro extraída de Carajás, antes de chegar ao porto para exportar essa matéria-prima? Já o preço de venda é determinado exogenamente, por um conjunto de fatores que chamamos genericamente de mercado. Vladimir ainda tem a arrogância de dizer que sou avesso a leituras e que tenho receio de ter minhas convicções abaladas. Ora, se eu tivesse esse receio, não estaria aqui debatendo um tema ou assunto. Vladimir faz essas afirmações em tom professoral, cujo objetivo é subestimar meu conhecimento e como se a teoria marginalista fosse insuperável, que não pode ser questionada. Sugiro a Vladimir ler os trabalhos de Piero Sraffa e o debate entre este último e Friedrich Von Hayek na década de 30. Entendo que o Instituto Ludwig Von Mises Brasil é um forum para debates e com a função de esclarecer questões econômicas sob a ótica da teoria subjetiva do valor. Recorro à famosa frase de Nelson Rodrigues, "toda unanimidade é burra" para lembrar a Vladimir que ninguém é dono da verdade.
  • Flávio  24/04/2021 14:48
    Fábio, eu li todas as suas intervenções. Confesso que não ficou claro o que você quer.

    Se você quer saber o que determina salários de qualquer profissão, então realmente os dois primeiros artigos lindados resolvem a questão. Curiosamente, já passaram quase 24 horas desde que você primeiro escreveu aqui, e até agora você simplesmente se recusa a lê-los.

    Então sim, cabe perfeitamente a acusação de que você é avesso a leituras. Não é vergonha nenhuma; só não vale tentar lutar contra.

    Abraços.

    P.S.: como já disseram acima, volte só após ter lido, pois aí o debate fica no mesmo pé e bem mais produtivo.
  • Fabio Anderaos de Araujo  24/04/2021 17:10
    Vamos por partes. Primeiro, não sou intransigente e refuto a acusação de Flávio (24/04/2021 - 14h48) que segue na mesma toada de Vladimir.
    Li há pouco os dois primeiros artigos citados por Vladimir (23/4). O terceiro artigo, como eu afirmei no início deste debate, li há um bom tempo e fiz algumas considerações em 24/jan/2020 (19h09). Segundo, a leitura dos dois artigos só confirmam minhas impressões e não alteram o que escrevi no início do comentário (13h02). Dizer que 1] as qualificações para exercer as funções de um lixeiro são mais baixas do que para ser um jogador de futebol e por conta disso 2] que a oferta de indivíduos para ser lixeiro é muito maior do que a oferta de pessoas aptas para exercer a atividade de futebolista é um argumento desprovido de lógica, destinada confundir o leitor. São duas atividades diferentes e não comparáveis. Digamos que exista uma gigantesca oferta de pessoas para exercer a atividade de lixeiro. O contratante, por outro lado, tem um número fixo de vagas e não irá contratar todos os candidatos à vaga. Volto à pergunta: como a teoria neoclássica ou marginalista irá estabelecer o salário para os que forem contratados? Há um mínimo ou piso salarial e este é baseado em algum parâmetro. Qual é esse parâmetro?
    Eu não quero uma resposta de Vladimir especificamente, minha pergunta é impessoal, dirigida a qualquer autor ou debatedor do site Von Mises Brasil. Os dois artigos não explicam objetivamente como um salário de uma função específica ou de uma categoria é determinado. Se limitam a fazer um jogo de palavras. Trata-se de um raciocínio circular. Do jeito que este debate está sendo conduzido, não chegaremos a lugar nenhum.
    Percebo que existe um viés no site do Instituto Mises Brasil de rotular as pessoas que questionam os fundamentos da teoria marginalista. Quem discorda ou questiona, invariavelmente será rotulado de "esquerda". Posso afirmar com tranquilidade que 90% das pessoas no Brasil ou em qualquer parte do mundo que rotulam outras de "esquerda" ou de "direita" não sabem exatamente o que é ser de "esquerda" ou de "direita".
    Rotular e acusar é fácil. O difícil é a teoria marginalista explicar objetivamente, isto é, em termos absolutos o valor do salário, seja de um trabalhador braçal, de um maquinista de trem, de um professor, de um operário da construção, etc. Excluindo, claro, a remuneração de artistas, pintores de renome, jogadores de futebol, que é determinada com base em variáveis objetivas e subjetivas, isto é, expectativas de receitas advindas da venda de ingressos e de patrocínios. Tenho a impressão de que Vladimir, Introvertido e Flávio sabem do que estou falando, uma vez que não subestimo a capacidade intelectual e cultural de ninguém até prova em contrário, mas os três têm o receito de admitir que a teoria marginalista é inconsistente em vários aspectos com a lógica da realidade. Para comprovar o que digo, faço aqui uma sugestão: ler dois artigos fundamentais: "On the Relations between Cost and Quantity Produced" (Piero Sraffa, 1925, tradução para o inglês do original em italiano, disponível para download: www.hetwebsite.net/het/texts/sraffa/sraffa25.pdf); e o capítulo VI, de Produção de Mercadorias por meio de Mercadorias (Sraffa, 1960, pag 34 a 40, da edição original).
  • Bluepil  25/04/2021 17:20
    Caro Flávio Anderaos, uma de suas maiores falhas é a forma como você se prolonga em seus comentários, e acaba na maior parte do tempo falando nada com nada, ou um puro blablabla, mas irei refutar os seus argumentos de qualquer forma.

    "São duas atividades diferentes e não comparáveis. Digamos que exista uma gigantesca oferta de pessoas para exercer a atividade de lixeiro. O contratante, por outro lado, tem um número fixo de vagas e não irá contratar todos os candidatos à vaga. Volto à pergunta: como a teoria neoclássica ou marginalista irá estabelecer o salário para os que forem contratados? Há um mínimo ou piso salarial e este é baseado em algum parâmetro. Qual é esse parâmetro?"

    Zzzzzz, se você lesse os artigos desse instituto não iria ter qualquer problema respondendo isso. Pelo jeito vou ter que desenhar.

    Vamos lá: O salário de um empregado é definido de acordo com á margem de licro do patrão, e a margem de lucro do patrão por sua vez é definido de acordo o quanto às pessoa estão dispostas á utilizar os seus serviços. Á utilidade marginal, na maior parte do tempo, não se aplica diretamente sob o empregado, mas sim sob o serviço ofertado, produtos valorizados e bastante demandados já possuem margens de lucro, mas ainda sim á oferta de uma mesma empresa é limitada, e quanto maior á margem de lucro for para um comerciante, maior será á disposição dele de expandir o negócio e aumentar á oferta, e para fazer isso ele terá que contratar mais, primeiro estabelendo um piso salarial de acordo com á margem de lucro dele.

    Essa é a explicação teórica completa para o salário, utilizando por base á utilidade marginal austríaca. Agora vamos para os exemplos.

    Serviços absurdamente valorizados e com oferta disponível praticamente para todas às pessoas, como o futebol ou qualquer outro esporte, logicamente apresentarão uma enorme margem de lucro. Nesse mesmo processo, geralmente á qualidade dos empregados esportivos (Jogadores) serão o maior foco dá empresa, como se fossem o próprio produto. Um serviço tão valorizado e demandado, com uma margem de lucro tão grande ao seu entorno, obviamente demostrará salários astronômicos, porém, como á qualidade é á maior demanda, pouquíssimos são os que conseguem se tornar jogadores profissionais.

    Um serviço simples como atendente, por outro lado, já é algo necessário para um estabelecimento ofertar seus serviços, e o salário seguirá o mesmo modelo de antes, um atendente é demandado por um estabelecimento comercial, e então o contratado é posto para trabalhar, seu salário será definido de acordo com á margem de lucro do estabelecimento, se o atendente por acaso demostrar um excelente serviço, como atrair e formar clientes fiéis para o estabelecimento, á margem de lucro do comerciante subirá, e o salário do atendente também, pois obviamente o comerciante quer manter o atendente satisfeito, para assim continuar mantendo seu lucro alto. Trabalhadores insatisfeitos não possuem motivos para continuarem sendo altamente produtivos, e então começarão á apresentar baixa produtividade, em um cenário de livre mercado, trabalhadores assim são altamente demandados, e os insatisfeitos serão contratados por outros estabelecimentos, com uma oferta de salário mais alta.

    Para completar, é importante notar também que á produtividade não parte apenas do trabalhador, mas também dás maquinas e tecnologias utilizadas, no futuro quase tudo será feito por robôs, e programadores e mecânicos serão serviços altamente demandados pelas empresas, serviços de atendentes serão mais raros (Provavelmente serão utilizados em sua grande parte apenas por estabelecimentos comerciais pequenos e bares).
  • anônimo  25/04/2021 17:37
    Fabio,

    A questão é que você confunde o escopo epistemológico de economia e contabilidade.
    Sobre o custo de produção do período (cpp), as variáveis que o compõem e as metodologias para composição de preços de bens e serviços, qualquer livro de Contabilidade de Custos vai dar a resposta que você procura. No fim das contas, a teoria da utilidade marginal abarca todo esse microcosmo, conforme descrito no artigo acima e naqueles sugeridos pelos outros comentaristas.

  • Introvertido  24/04/2021 15:29
    Já que você quer uma "resposta objetiva", e tem preguiça de ler os artigos desse site, irei dar-lhe o que você tanto quer, de forma resumida, pois sou bondoso:

    Um salário é definido, em grande parte, de acordo com á capacidade de um sujeito de criar valor para outras pessoas, um jogador de futebol habilidoso, por exemplo, é palco de atração e entretenimento para milhões ou até bilhões de pessoas, já um simples faxineiro cria valor para poucos, e suas habilidades não são raras, e pode ser facilmente substituído.

    Claro que isso muda de acordo com o quanto á tecnologia avança, daqui um tempo haverá robôs limpando a rua, e por trás desses robôs haverá os programadores que os controlam, obviamente o salário desses programadores será muito mais alto, pois á capacidade de criação de valor dele (Produtividade) é de longe muito maior do que um faxineiro.

    Outro fator importante é o lucro do empregador, se os lucros da empresa estiverem baixas, o empregador muito provavelmente não conseguirá dar á justa remuneração para o empregado, em um cenário de livre-mercado, empregados produtivos mas infatisfeitos poderiam ser empregados por patrões mais bem-financeirados, e dispostos á dar uma remuneração melhor.

    Agora que você já teve sua "resposta subjetiva", faça o favor de parar com esse mimimi.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  24/04/2021 17:17
    Fábio, não querendo mas já dando opinião, creio que você já respondeu sua própria questão. Por qual razão um pedreiro suíço ganha mais e usufrui de melhor padrão de vida que um pedreiro boliviano? A objetividade aqui recai em que ambos exercem o mesmo ofício, mas em países diferentes. Qual seria a consequência se o presidente do Haiti estipulasse um salário mínimo de dez mil dólares para todos?
  • Fabio Anderaos de Araujo  25/04/2021 16:35
    Respondendo à pergunta de "Estado máximo, cidadão mínimo", aliás, uma excelente questão. Se o presidente do Haiti fixasse em US$ 10 mil o salário para todos os trabalhadores do país, seria o caos. Primeiro, porque precisamos saber a origem dos recursos para pagar os salários, isto é, se existem mesmo recursos suficientes para suportar tal gasto de maneira permanente. Segundo, a quantia de US$ 10 mil atenderia todas as expectativas dos trabalhadores, profissionais liberais , autônomos etc? Os trabalhadores menos qualificados certamente ficariam contentes, enquanto que os mais qualificados poderiam ficar decepcionados ou indignados. Terceiro, o que a economia do Haiti ganharia com isso? Isso traria um bem-estar geral ou criaria conflitos? Imagine um país situado no Oriente Médio, que tem um custo muito baixo de extração de seu petróleo e a receita com a exportação dessa matéria-prima muito acima das necessidades do país. O governante local pode muito bem subsidiar uma série de serviços básicos à população e com alta qualidade, conceder moradias a custo mínimo etc. Isto de certa maneira acontece em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, uma federação de monarquias absolutas. Mas é uma exceção no mundo. Até quando essa situação será sustentável, uma vez que o petróleo poderá perder ou já vem perdendo importância relativa na economia mundial? Com a larga maioria dos países não estão na mesma situação de Dubai, suas economias devem funcionar sincronizadas, com o mínimo de subsídios diretos, indiretos ou cruzados e se possível com um Estado eficiente e minimamente oneroso. Eu pessoalmente não acredito mais na entidade Estado do mundo atual, como ente regulador e a serviço da população. Atualmente o Estado existe para servir a si próprio. A população trabalha, em média 1/3 de seu tempo para sustentar uma máquina administrativa pouco eficiente, corrupta e onerosa. Sou a favor da implementação da estrutura de Estado adotada por Cingapura (República de Cingapura). Não existe funcionário público, o indivíduo é bem pago, mas não trabalhou direito, está despedido. Cingapura se transformou em um atratgivo polo de negócios e sua renda per capita é quarta maior do mundo.
  • Fabio Anderaos de Araujo  25/04/2021 15:52
    Creio que as tentativas de transformar a Economia em uma ciência exata não lograram êxito. No caso da teoria do valor-trabalho, ela consegue explicar a determinação dos preços de produção como um somatório de quantidade direta e indireta de trabalhos datados (Sraffa, 1960, cap VI) de um conjunto de mercadorias na sua forma mais elementar, em que prevalece a comensurabilidade física entre insumos e produtos. Porém, na economia moderna, a comensurabilidade física entre insumo e produto representa uma pequena fração da produção total porque as mercadorias sofrem uma transformação física no processo produtivo (leite como insumo, manteiga ou queijo como produto, por exemplo). À medida que o processo produtivo vai evoluindo com o progresso tecnológico, a participação do trabalho direto vai diminuindo proporcionalmente à quantidade total de trabalho, tendo como contrapartida uma participação crescente da quantidade de trabalho indireto, representado pelos meios de produção (equipamentos, maquinário, insumos e outros bens intermediários). Agradeço à equipe do site do Instituto Von Mises Brasil pela oportunidade do debate neste forum.
  • PESCADOR  26/04/2021 17:59
    Uma pena você não ter aprendido nada com esse "debate".
  • Fabio Anderaos de Araujo  27/04/2021 11:21
    Sempre aprendemos com discussões e debates, ao contrário do que afirma Pescador. A teoria marginalista e a teoria do valor-trabalho incorporado são irreconciliáveis . Paul Anthony Samuelson, prêmio Nobel de Economia e um dos grandes expoentes da moderna teoria neoclássica, reconheceu em um artigo publicado em 1966, que a"intensidade de capital" não tem relação direta com uma taxa de juro maior ou menor, como defende a teoria marginalista. Se Pescador quer aprender algo também com a teoria do valor-trabalho, recomendo ler o artigo de Samuelson ("A summing up", Quarterly Journal of Economics, vol 80, 1966, p 568-583).
  • Bluepil (Ou introvertido, são dois Nicknames que eu utilizo)  27/04/2021 19:28
    Prezado Fábio, eu estava escrevendo um texto que iria refutar todos os seus argumentos, mas eu estou utilizando celular no momento, e acabei clicando na maldita barrinha de "Home" que existe no topo do Chrome, e quê é extremamente fácil de acidentalmente clicar, por causa disso acabei perdendo todo o texto, e fiquei extremamente frustado, se puder facilitar á minha vida, coloque todos os seus argumentos bem organizados aí, baseados nessas minhas perguntas á seguir, pois não estou afim de reescrever tudo...

    1) O que você vê de incorreto na Teoria marginal?

    2) O que você mensura como correto na teoria de valor-trabalho?

    PS: Espero ser mais ativo nesse site no futuro, quando eu arrumar meu PC, escrever argumentos e textos via celular é demorado e também pode ser bem frustante.
  • Fabio Anderaos de Araujo  27/04/2021 20:36
    Bluepil/Introvertido. Vou lhe responder as duas questões até amanhã, dia 28.
    Sugiro que faça o seguinte: acesse sua caixa de email e no corpo da mensagem vc escreve o texto; o endereço do destinatário é vc mesmo. Caso vc cometa algum erro de digitação ou acabe a energia do celular, seu texto não será perdido, pois se seu email for.... @gmail, ele salva automaticamente a mensagem e arquiva na pasta Rascunhos. Você pode acessar a pasta Rascunhos quando quiser e vai completando o texto. Quando o texto ficar pronto, vc copia e cola na página de Comentários do Von Mises.
  • Fabio Anderaos de Araujo  30/04/2021 12:48
    Prezado Introvertido,

    1] O que eu vejo de incorreto na Teoria Marginalista é a inconsistência lógica de suas premissas.

    Essa teoria procura explicar a distribuição de renda entre salários, lucros e renda da terra usando o conceito de capital como uma grandeza homogênea, quando na verdade o capital é um conjunto de meios de produção fisicamente heterogêneos.

    Se a renda ou excedente econômico em um determinado período de tempo é um conjunto de bens fisicamente heterogêneos, cujas quantidades são previamente conhecidas ao final do período de produção, para se determinar o valor global precisamos determinar seus respectivos preços. Os preços, por sua vez não podem ser determinados independentemente da distribuição.

    Um sistema de produção com "n" indústrias e supondo que não há produção conjunta, isto é, cada indústria produz uma única mercadoria, temos "n" equações independentes e (n + 2) incógnitas, isto é, n preços, a taxa de salário (w) e a taxa de lucro ( r).

    Como a teoria neoclássica resolve esse sistema de equações? A taxa de juro poderia ser uma proxy da taxa de lucro, uma vez que, a princípio, estamos supondo a existência de concorrência perfeita entre os diversos capitais.

    Porém, de acordo com a teoria neoclássica, há uma relação inversa entre a quantidade demandada de um fator de produção e seu preço. Dada uma determinada "quantidade de capital", a taxa de lucro resulta do encontro entre a quantidade de capital demandada e a quantidade ofertada. Daí a necessidade de a teoria neoclássica tratar o capital como uma grandeza fisicamente homogênea.

    Em 1962 Paul Anthony Samuelson tentou demonstrar " que a teoria do capital pode ser rigorosamente desenvolvida sem que se recorra a qualquer conceito de "capital" agregado do tipo usado por Clark (John Bates Clark), mas, ao contrário, baseando-se em uma análise completa de uma grande variedade de bens de capital fisicamente heterogêneos, bem como de processos, através do tempo (Parable and realism in capital theory: the surrogate production function", Review of Economic Studies, vol 39, 1962, p.193-206).

    Porém, para que o modelo de Samuelson alcance seu objetivo, ele teve que assumir a hipótese de uma relação fixa entre capital e trabalho (K/L) em todas as indústrias ou ramos de produção. Como sabemos, essa hipótese é altamente improvável de ocorrer, pelo simples fato de que não existe um padrão tecnológico uniforme nas indústrias, mesmo em entre empresas do mesmo ramo.

    Cada indústria, pelas condições específicas do que é produzido, pode ser mais intensiva ou menos intensiva em capital (ou em trabalho). Curiosamente, a premissa de Samuelson foi a mesma usada por K Marx em O Capital para tentar resolver o problema da transformação dos valores-trabalho em preços de produção. Em 1966 Samuelson reconheceu que a premissa irrealista de seu modelo em um artigo que mencionei acima ("A summing up", Quarterly Journal of Economics, vol 80, 1966, p 568-583).

    Para a Escola Austríaca, a taxa de juro é determinada pelas decisões dos indivíduos entre consumo presente e futuro. Na verdade, a taxa de juro é fixada pelas autoridades monetárias e esta é um balizador para a remuneração do capital ou do retorno de investimentos.

    Com relação à taxa de salário, a teoria neoclássica considera o trabalho como um fator de produção homogêneo, ou seja, que os trabalhadores possuem idênticas habilidades e capacidade física de trabalho; então a concorrência dos trabalhadores pelos empregos disponíveis e dos proprietários de terra pelos trabalhadores existentes irá fazer com que os salários sejam iguais à produtividade do último trabalhador empregado.

    Nas palavras de Wicksell: "Nunca será economicamente vantajoso para o proprietário da terra pagar a um trabalhador adicional um salário superior ao produto adicional que obtém ao empregá-lo. Como existe livre concorrência entre os trabalhadores , e como, para simplificar, supomos que um trabalhador é tão eficiente quanto outro, nenhum dos trabalhadores anteriormente contratados poderá reclamar um salário mais alto do que recebe o último admitido, porque nesse caso seria mais vantajoso para o proprietário da terra despedir o primeiro e ficar com o último, que receberia um salário mais baixo (...)

    Sempre que o proprietário da terra, por meio da admissão de mais um trabalhador obtenha um aumento de produção maior do que o aumento no total dos salários, será bom negócio fazê-lo, representando a dispensa de um já empregado um mal negócio. Se aplicarmos isso à totalidade dos produtores, a concorrência que fazem ao contratar operários irá obrigá-los a elevar os salários, até que a diferença existente entre a produção marginal obtida e os salários pagos ao último trabalhador desapareça. Podemos dizer, portanto, (...) que a produção marginal do último operário empregado regulará, via de regra, todos os salários (...) "

    Neste sentido, as indústrias irão contratar trabalhadores até o ponto em que a taxa de salário real seja igual à produtividade marginal do trabalho.

    No que diz respeito aos salários, existe um mínimo, necessário à sobrevivência e reprodução da classe trabalhadora, denominado pelos economistas clássicos, Smith e Ricardo como "subsistence minimum". Esse mínimo é definido exogenamente, fora do sistema de produção. Porém, a teoria neoclássica evita entrar nesta discussão, que não só envolve questões de natureza política, mas também porque poderia colocar em dúvida a premissa de que o salário real é igual à produtividade marginal do trabalho.

    2] Teoria do valor-trabalho incorporado: suas vantagens em relação à teoria marginalista

    Do ponto de vista técnico, o conceito de capital na teoria do valor-trabalho incorporado é definido de maneira clara e cristalina:

    - um somatório de bens heterogêneos, cujo valor depende do comportamento das variáveis distributivas, isto é, da taxa de salário e da taxa de lucro;

    - as duas principais variáveis distributivas, r e w, possuem uma relação entre si bem definida. Existe um valor máximo e um valor mínimo para cada uma delas, de tal maneira que um acréscimo nos lucros é exatamente compensado por um decréscimo dos salários e de igual magnitude. A renda ou excedente econômico é dividido entre três classes: os trabalhadores, os capitalistas e os rentistas, sendo que os rentistas se apropriam de uma fração dessa renda na forma de juros sobre empréstimos ao setor produtivo etc, renda da terra e do aluguel de imóveis e outros ativos.

    - a questão tecnológica, da intensidade de capital ou de diferentes proporções capital-trabalho (K/L) não cria nenhum obstáculo à determinação dos preços de produção e na distribuição da renda entre salários e lucros. Sraffa (1960) demonstrou isto de maneira precisa e transparente no cap VI de seu livro Produção de Mercadorias, através do método "Redução a Quantidades Datadas de Trabalho", um conceito desenvolvido por David Ricardo (1772-1823) e Vladimir K. Dmitriev (1868-1913) a partir das ideias de Adam Smith.

    Com um exemplo simples, Sraffa demonstrou matematicamente que: a) duas mercadorias produzidas com a mesma quantidade de trabalho (trabalho direto + trabalho indireto) podem ter diferentes preços em razão de como a quantidade de trabalho está distribuída no tempo ou nos estágios de produção; b] que a reversão ou mudanças de técnicas a uma taxa de juros baixa só seriam possíveis a taxas de juros muito altas, "não é universalmente válida", nas palavras de Samuelson ("A summing up", 1966).

    Pode-se demonstrar pelo método "Redução...", desde que se tenha informações e dados históricos, que o preço ou valor de uma mercadoria é resultado de uma série ou somatório infinito de quantidades diretas de trabalho.

    Pelo método "Redução..." também é matematicamente possível demonstrar que Adam Smith estava perfeitamente correto quando afirmou que o valor de uma mercadoria é igual ao seu valor-trabalho somente quando a taxa de lucro, r, é nula ou zero. Daí a razão de Marx e seus seguidores não terem conseguido resolver o problema da transformação dos valores-trabalho em preços de produção, pois sua resolução depende de um perfeito postulado de invariância. Este perfeito postulado de invariância só surgiu com Sraffa, através da Mercadoria Padrão (Sraffa, 1960, cap. IV).
  • Bylund  30/04/2021 13:55
    Prezado Fábio, uma pergunta: como as pessoas podem simultaneamente acreditar

    (a) que o valor de algo é determinado pela quantidade de trabalho despendida na produção; e

    (b) em um mundo de soma zero?
  • Fabio Anderaos de Araujo  02/05/2021 13:54
    Prezado Bylund (30/04/2021),

    a) eu acredito que a Economia tem que priorizar o que é relevante nas atividade econômica: explicar racionalmente a formação de preços de bens e serviços daquilo que constitui que representa a quase totalidade das necessidades materiais dos indivíduos, bem como se dá a distribuição da renda ou excedente econômico entre os vários agentes ou classes sociais. Parece-me muito mais factível 1] alguém atribuir os preços desses bens pela quantidade de trabalho necessária à sua produção do que por outro critério; b] se a teoria do valor-trabalho consegue construir um sistema de preços e explicar também a distribuição de renda de maneira racional, objetiva e sem inconsistências lógicas, é de se concluir que esta teoria seja superior às outras. Desta forma, haverá uma convergência de opiniões entre aquilo que os agentes econômicos crêem e aquilo que a teoria explica;

    b] o que você quer dizer por "um mundo de soma zero"?


    Nesse sentido, obras de arte em geral, determinados artigos e bens de luxo que não sejam passíveis de serem replicados ou produzidos em série, terão seus valores ou preços determinados subjetivamente, entre o que o artista ou artesão pretende vender e o que um comprador aceita pagar.
    Portanto, para

    O que você quer dizer por "um mundo de soma zero"? Talvez seja
  • Ex-microempresario  02/05/2021 16:38
    Fábio, é impossível a economia "explicar racionalmente" a formação de preços, porque os preços são determinados pelas preferências individuais dos consumidores, e essas preferências são irracionais. Você pode coletar dados, calcular médias, medianas e desvios-padrão, deduzir fórmulas e explicar matematicamente as preferências do passado, mas o futuro será sempre uma incógnita. Nenhuma teoria econômica pode prever se amanhã as pessoas vão preferir gastar seu dinheiro em camisa do Flamengo, baile funk ou show do Michel Teló.

    Pela teoria do valor-trabalho, ingresso para Barcelona e Liverpool e para Bangú e Olaria deveriam custar o mesmo preço: ambos tem 22 jogadores x 90 minutos = 33 homem-hora de trabalho. Não é assim, né?

    Repetindo: preço é determinado pela preferência individual e pela relação oferta-demanda.
  • Introvertido  02/05/2021 19:14
    Fabio, eu estava esperando por seu argumento, mas pelo jeito não vai vir, então irei fazer meu avanço contra á teoria do valor-trabalho, como complemento utilizarei um argumento escrito pelo Flávio, então créditos para ele.

    "A teoria do valor-trabalho diz que o valor de um bem seria determinado pelo tempo socialmente necessário para se produzi-lo, ou seja, o tempo médio que uma determinado mercado leva para produzir um dito bem.

    Supondo que o custo da hora/trabalho em uma economia seja de R$ 10.

    Um bem cujo tempo médio de fabricação por todo um mercado é de uma hora terá o valor de R$ 10 dentro deste mesmo mercado, ao passo que um bem que tem um tempo médio de 2 horas para ser fabricado, terminará por custar R$ 20.

    Ou seja, temos aqui uma diferença de tempo de produção de 1:2, por tanto, a diferença de preço também será de 1:2, pois, segundo a teoria do valor-trabalho, se o valor é determinado pelo mesmo, então a diferença de preço deve ser análoga à diferença de tempo em trabalho.

    O problema dessa linha de raciocínio é que não existe correlação entre custo de produção e valor de mercado dos bens transacionados em uma economia de mercado. Além disso, a teoria é obrigada a supor a existência de uma unidade invariável de valor, que serviria de parâmetro comparativo para se definir as diferenças de preços entre os bens.

    No exemplo acima, seria o custo hora/trabalho, porém, mesmo em uma economia real, o valor da hora trabalhada varia de profissão para a profissão, de acordo com a oferta e demanda por profissionais no mercado de trabalho.

    Assim, quando a demanda por uma determinada profissão aumenta no mercado, é tendencioso que o valor da hora/trabalho daqueles que estão aptos a exercer a profissão se eleve em relação a outras profissões.

    No final, concluímos que mesmo o "valor-trabalho" é determinado pela utilidade marginal.

    A teoria do valor-trabalho não passa de um equívoco, em que se tentou atribuir a uma das consequências da utilidade marginal o fator causal do valor."

    Ou seja, o valor-trabalho, quando descontando suas partes errôneas que eu irei refutar abaixo, é apenas umas das BASES dá utlidade marginal. Para mim soa esquisito alguém aparentemente inteligente como você negar a utilidade marginal, sendo que á utilidade marginal é algo quê claramente explica de maneira lógica e correta como o valor dos bens e dos salários é determinada.

    Um padeiro, por exemplo, tem seu salário definido de acordo com á quantidade de bens previamente definidas pelo patrão, e que ele criou em um determinado horário preferível e aprovado pelo patrão, mas isso não significa puramente que todas às profissões são calculadas assim.

    Uma das principais falhas dá Teoria do valor-trabalho criada por Marx é que ele erroneamente determina quê para existir lucro, é necessário uma queda nos salários, pois segundo ele, o patrão se apropria do real salário do funcionário, e para ele, essa parte apropriada se chama "Lucro", o problema desse raciocínio é que ele ignora por completo o fato de quê o empregado está usando á capital (a capital são as maquinas e a matéria prima) do patrão para produzir, essa falha crucial nesse raciocínio acabou levando Marx á conclusão de quê o patrão explora o funcionário. O artigo que eu te linkei anteriormente explica isso em detalhes, mas aparentemente você ainda não leu:

    www.mises.org.br/article/3328/o-erro-fatal-de-marx-e-smith-o-lucro-nao-e-deduzido-do-salario-o-salario-e-que-e-deduzido-do-lucro

    PS: copia o link e bota na aba de pesquisa

    Outro erro do valor-trabalho é a errônea classificação de que existe um "ponto de equilíbrio" no longo prazo, também conhecida como "concorrência perfeita", o artigo á seguir explica esse erro (O artigo não se refere especificamente ao valor-trabalho, mas ainda aborda o mesmo assunto):

    www.mises.org.br/article/1727/o-mercado-e-um-processo-dinamico-e-nao-apresenta-equilibrio

    Outro erro é o fato de essa teoria determina quê o valor de um bem é definido de acordo com o trabalho para á qual se demora para cria-lá, em base em um hora/trabalho médio definido pelo mercado. Mas nenhum comerciante define um preço de acordo com isso, mas sim com á oferta/demanda + custo de produção, incluíndo os salários + preço médio ofertado pela concorrência.

    O preço de uma mercadoria cai quando existe uma abundância dessa mesma mercadoria no mercado, ou seja, quando á oferta ultrapassa a demanda, e o preço sobe quando acontece o inverso, já que uma determinada mercadoria se torna mais escassa, e ela só tende á se valorizar em um cenário desses, caso sua utilidade marginal esteja comprovada.
  • Bluepil  30/04/2021 16:19
    Caro Fábio,

    Li seu ponto 1° e notei que você confundiu bastante às teorias austríacas com às neoclássicas, quê se diferem bastante no quesito da utilidade marginal, não é atoa que você crê que nós austríacos seriamente creemos quê Economia é uma ciência exata.

    Você argumentou muito pouco contra á utilidade marginal, e focou quase todos os argumentos diretamente contra os neoclássicos, não sei pra quê, sendo que aqui é um instituto austríaco.

    O único argumento na qual você direcionou contra á escola austríaca foi extremamente distorcido, você disse quê nós autriacos pensamos quê "a taxa de juro é determinada pelas decisões dos indivíduos entre consumo presente e futuro", sendo que nós só dizemos que seria assim em uma sociedade livre, sem á existência de uma taxa neutra.

    Você criou um monte de espantalhos, e jurou que estava refutando á escola austríaca enquanto os espancava.

    Ainda estou no aguardo um argumento sério contra á utilidade marginal.

    Quanto á teoria de valor-trabalho, você repete o mesmo gliche genérico utilizado pelos crentes dessa Teoria, e prontamente refutados por esse site:

    www.mises.org.br/article/3328/o-erro-fatal-de-marx-e-smith-o-lucro-nao-e-deduzido-do-salario-o-salario-e-que-e-deduzido-do-lucro
  • Fabio Anderaos de Araujo  03/05/2021 23:20
    Prezado Introvertido (sobre seu comentário de 02/mai/2021 – 19h14)

    Veja como são as coisas, eu posso ter interpretado erroneamente a teoria austríaca por falta de conhecimento suficiente, mas você e Flávio têm uma visão rudimentar da teoria do valor-trabalho.

    A teoria do valor-trabalho em Marx não é algo passível de ser comprovada na prática, pois esse conceito de "quantidade de trabalho socialmente necessária" para se produzir uma mercadoria é muito vago e filosófico, por assim dizer. Eu pessoalmente tenho muita dificuldade para entender esse conceito. Marx usou esse conceito para subsidiar sua teoria da exploração, isto é, a teoria da mais-valia.

    Há bom tempo atrás eu optei por ser mais realista e usar a teoria do valor-trabalho incorporado de maneira mais concreta, isto é, analisar o sistema de preços com base nas quantidades (físicas) de trabalho quantificáveis ou passíveis de mensuração.

    A abordagem de Marx para se determinar os preços de produção, isto é, partindo dos valores-trabalho para se chegar aos preços de produção está totalmente superada.

    Primeiro, Marx não tinha um conhecimento matemático suficiente para perceber que ao usar nas suas esquemas ou equações grandes agregados (Lucros, Salários, Produto e Capital) e ainda distribuídos em três setores (Bens de salário ou de subsistência, Bens de Capital e Bens de Luxo), ele simplificou o sistema de produção a tal ponto que só existiam três mercadorias.

    Porém, mesmo que Marx tivesse dividido o setor produtivo em n indústrias (n mercadorias), faltou a ele outro parâmetro fundamental: um postulado de invariância, como demonstrou Francis Seton, da Universidade de Oxford, em 1957 (Review of Economic Studies, vol 24, 1957, pp 149-60).

    Como temos n indústrias ou ramos de produção, cada um produzindo uma única mercadoria, temos n equações de produção e (n + 2) incógnitas, ou seja, n preços de produção, a taxa de salário (w) e a taxa de lucro (r ). Mesmo que ele, Marx, lançasse mão de uma proxy para a taxa de lucro, por exemplo, a taxa média de juros de longo prazo praticada na economia, falta mais uma equação independente para igualar o número de incógnitas com o número de equações independentes. Um postulado de invariância seria (n +2)a equação. Também não se pode, como muitos pensam, escolher arbitrariamente o preço de uma das mercadorias como numerário, isto é, definir o preço dessa mercadoria como igual à unidade (p* = 1 ).

    O que eu quero dizer com postulado de invariância?

    Um postulado de invariância teria que ter a propriedade de ser invariável à distribuição da renda ou do excedente entre salários e lucros (estamos supondo uma economia que produz um excedente econômico, isto é, acima das necessidades mínimas de reprodução do sistema econômico). Qualquer aumento dos lucros totais teria que ser exatamente compensado por uma redução de mesma magnitude dos salários totais.

    Marx não conseguiu encontrar ou formular um postulado de invariância. Daí a razão do problema marxiano da transformação dos valores-trabalho em preços de produção ter ficado sem solução.

    Na prática, dois padeiros poderão ter desempenhos diferentes para preparar a mesma massa de um pão ou de um brioche usando os mesmos ingredientes nas mesmas quantidades. O primeiro padeiro, mais habilidoso, pode preparar a massa em menos tempo do que o segundo padeiro. Isto significa que o primeiro padeiro é mais produtivo do que o segundo.

    Se os dois padeiros trabalham na mesma empresa, possivelmente recebem o mesmo salário, mas essa situação não pode durar indefinidamente porque o gerente de produção vai perceber a diferença de produtividade entre os dois padeiros e pode adotar o seguinte procedimento: o padeiro menos produtivo terá que fazer um treinamento para melhorar sua produtividade ou promover o padeiro mais produtivo para justificar um salário maior. O primeiro padeiro poderá também pedir ao gerente de produção um acréscimo de salário pode ser mais produtivo. Na prática as coisas são muito dinâmicas.

    Como a teoria do valor-trabalho lida com essa situação para explicar e determinar os preços de produção?

    Sabemos que em toda modelo teórico há necessidade de se adotar algumas simplificações porque ele não consegue captar a dinâmica do mundo real, senão o modelo seria tão complexo e possivelmente muito difícil de operacionalizar.
    Uma das simplificações é que essas diferenças de produtividade entre os dois padeiros é uma exceção no conjunto das panificadoras ou n indústria de panificação para um determinado período de tempo e não afeta de modo relevante o cálculo econômico.

    Em outras palavras, a teoria do valor-trabalho usa o conceito de produtividade média. A quantidade de massa de pão produzida pelos dois padeiros em determinado período de tempo é dividida pelo número de horas dispendidas pelos dois padeiros em conjunto, de modo que para o modelo não há distinção entre a produtividade de cada um deles.

    Veja que ainda não entramos na questão tecnológica, da substituição de trabalho-direto por trabalho-indireto (o trabalho contido ao se fabricar os equipamentos e máquinas) ou a substituição do trabalho humano por máquinas.

    Ao supor que o custo da hora/trabalho em uma economia seja de R$ 10, você está simplificando a teoria do valor-trabalho e tirando conclusões equivocadas.

    1] Temos que analisar o sistema de preços como um todo, dada a interdependência entre os setores produtivos. Produtos de uns são insumos de outros setores. Um sistema de equações tipo insumo-produto. Não podemos

    2] Os preços das mercadorias diferem por vários motivos: tecnologia & produtividade, valor agregado (leite e queijo, um casaco simples de algodão, um casaco de cashmere ou de couro forrado e assim por diante).

    3] Nem o salário é uma dedução do lucro e nem o contrário. O sistema produtivo cria um excedente econômico que será divido entre salários, lucros e renda. Se não existe excedente econômico para ser distribuído, não existe lucro (r = 0). Podemos pensar, em tese, na existência de um excedente econômico inteiramente apropriado pela classe trabalhadora. Matematicamente isso é possível.

    4] A concorrência perfeita é uma das grandes simplificações das teorias econômicas. Na prática a concorrência perfeita é observada em setores nos quais não existem barreiras à entrada de novas firmas, produtores ou concorrentes. Mas isso não impede de analisar as economias com a presença de oligopólios ou monopólios. É uma questão de adaptar os modelos de sistema de preços com essa característica.

    5] O comerciante não pode mesmo definir o custo ou preço de venda de uma mercadoria com base na quantidade de trabalho ou do tempo de trabalho exigido para produzi-la porque o comerciante cumpre a função de distribuir e vender a mercadoria junto ao público consumidor intermediário ou final. Ele não tem influência direta na produção. O custo da mercadoria para o comerciante é o preço de venda do produtor. O comerciante acrescenta ao custo da mercadoria que adquiriu do produtor os custos de distribuição e sua margem de lucro para formar o preço de venda ao consumidor.

    Define-se excedente econômico como sendo a produção de bens acima das necessidades de reprodução do sistema, ou seja, repor os bens consumidos no processo produtivo, pagar os salários, a renda da terra, aluguel de ativos, os juros sobre empréstimos para capital de giro e investimentos etc. O que sobrar é o excedente econômico, que será dividido entre capitalistas (lucros), eventualmente um salário-extra aos trabalhadores (uma espécie de bonificação, um ganho acima do salário mínimo necessário à reprodução da classe trabalhadora).

    Não vamos por hora entrar na discussão se há ou não exploração dos trabalhadores pelos capitalistas.

    Sem a coordenação do sistema produtivo pelos agentes econômicos eu não acredito que um sistema econômico no qual não exista a propriedade privada dos meios de produção possa funcionar eficiência e na sua plenitude. O ser humano não é desprovido de ambições e nem possui um desprendimento suficiente para trabalhar e viver sem se preocupar com a propriedade privada.

    Marx acreditava em uma sociedade igualitária que na prática não funciona e jamais irá funcionar. Qualquer tentativa nesse sentido redundou em sistemas totalitários em que alguns poucos se beneficiam em detrimento da maioria. A antiga URSS é um dos melhores exemplos.

    O que não pode existir são abusos, cartéis e monopólios não-naturais e latifúndios improdutivos. Daí a necessidade de se ter entidades reguladoras, sem ingerência política (algo também difícil) com a finalidade para coibir abusos de qualquer natureza, protegendo interesses de produtores e consumidores.

  • Ex-microempresario  04/05/2021 19:15
    Fábio, tentando te ajudar:

    Fui empresário por vinte anos. Nunca, ao contratar um funcionário, eu resolvi sistemas de equações ou adotei postulados de invariância.

    O que eu sempre fiz foi acompanhar o mercado e basear minha oferta de salário na média praticada e na minha estratégia particular (eu sempre procurei atingir o segmento mais exigente do mercado, por isso pagava mais para conseguir os melhores funcionários. Concorrentes meus visavam o cliente mais sensível ao preço do que à qualidade, por isso pagavam menos e não se importavam em ter funcionários piores).

    Você está tentando provar que a economia é regida por leis matemáticas como se fosse uma reação química ou um circuito elétrico. Não é. A economia se move pela soma de milhões de desejos e preferências individuais, que são subjetivas e impossíveis de medir.

    Se é possível prever o futuro da economia aplicando dados estatísticos a fórmulas matemáticas, todos os professores de Macroeconomia deveriam ser milionários. Por que não são?
  • Fabio Anderaos de Araujo  05/05/2021 00:54
    Prezado ex-microempresário, grato pelo interesse.

    Eu entendo sua opinião.

    Mas vamos separar a teoria do que ocorre no mundo real.

    A teoria, no caso, a teoria econômica, se ocupa de explicar por algum critério (valor-trabalho, utilidade marginal etc) como os preços das mercadorias, o salário, a taxa de lucro, a taxa de juro se relacionam e se a lógica interna da teoria faz sentido.

    Todas as teorias econômicas em maior ou menor grau têm a pretensão de explicar matematicamente a formação dos preços, a distribuição de renda, mesmo porque estamos falando de quantidades físicas, valores monetários, taxa de crescimento da economia, taxa de juros compostos ou simples etc. A Matemática está sempre presente.

    No dia a dia, sabemos que as coisas são diferentes, pois a economia é dinâmica, está em contínuo movimento.

    Ninguém, de fato, tem condições de avaliar se os preços dos insumos guardam relação com as quantidades de trabalho ou com a utilidade marginal. Porém, de alguma forma a sociedade precisa ter um parâmetro de comparação porque um metro de tecido de seda custa mais do que um metro de linho ou de algodão.

    Daí a existência de debates entre os economistas das diferentes escolas de pensamento. Entre as várias finalidades do cálculo econométrico, uma delas é aferir o grau de correlação entre o que ocorre na prática e o que teoria diz.
  • Ex-microempresario  05/05/2021 16:04
    Fábio, embora eu seja leitor assíduo dos artigos aqui do IMB, eu nunca estudei a fundo as questões mais filosóficas, preferindo as de cunho mais prático.

    Então, do alto de minha ignorância, me parece que a Escola Austríaca explica a economia dizendo "As pessoas são movidas por interesses". Esses interesses não se encaixam em fórmulas ou algoritmos.

    Quando vc diz que "todas as teorias econômicas tem a pretensão de explicar matematicamente...", eu mentalmente traduzo como "todas as teorias econômicas nascem dentro das universidades, e cada vez mais a lógica das universidades é a de criar coisas que pareçam importantes (embora na verdade sejam irrelevantes) para garantir o emprego e o prestígio de seus membros."

    Por exemplo, vc diz "a sociedade precisa ter um parâmetro de comparação porque um metro de tecido de seda custa mais do que um metro de linho ou de algodão". Não, a sociedade não precisa de parâmetro nenhum. Cada pessoa, individualmente, decide se prefere comprar seda, linho, algodão ou nenhum deles, levando em conta suas preferências específicas e o preço disponível. Não é necessário (embora governos muitas vezes o façam) um "conselho superior" tentando prever a preferência de cada pessoa para "planejar" ou "organizar" o mercado. Aliás, a prática mostra que mercados livres (como o de tecidos) funcionam bem, enquanto aqueles que são planejados, organizados e controlados pelo governo sempre acabam mal.

    Sei que estou parecendo arrogante. Mas reitero: essa fixação das faculdades de economia em achar uma matemática por trás do comportamento humano está no mesmo nível dos cursos "de humanas" cuja única atividade é dizer de 4719 formas diferentes que a culpa de todos os nossos problemas é das elites opressoras.

    Na prática, o que estes estudos econométricos fazem é justificar a velha piada "um economista é alguém que vai explicar amanhã, nos mínimos detalhes, porque aquilo que ele previu ontem não aconteceu hoje".
  • Fabio Anderaos de Araujo  06/05/2021 12:21
    Ex-microempresário, é claro que os consumidores são movidos por interesse, de obter o melhor ao menor custo possível.

    Cada um, individualmente, usa o parâmetro que desejar, se é com base no utilitarismo ou em outro critério. Eu nunca defendi em meus comentários no site Mises Brasil que a Matemática ensinada nas universidades tem por finalidade prever o comportamento humano ou que ela substitui o mercado. Isto é até existe, principalmente no mercado financeiro com os algoritmos usados nas gestão de fundos quantitativos e nos modelos comportamentais /cognitivos usados na automação bancária, por exemplo.

    Você não pode esquecer que os países se utilizam da contabilidade nacional, para medir e avaliar o crescimento econômico, o consumo das famílias, a inflação etc . Um pergunta básica : você acha que as economias podem prescindir de uma taxa básica de juro? Se você responder que o mercado por si só cumpriria essa tarefa, como isto seria feito?
  • Bluepil  18/05/2021 00:29
    Fábio Anderaos, estou de volta, porque pelo visto você aparentemente está bem mais desprendido dessas teorias macroeconomicas tradicionais desde á última vez que te vi, porém, vejo que ainda lhe falta entendimento dás teorias austriacas de forma mais profunda.

    Por exemplo, essa sua última pergunta é algo um tanto quanto óbvia para nós libertários, considerando que nós achamos taxas neutras de juros uma mera distorção causada pelo hoverno, que gera crescimentos insustentáveis em decorrer de juros baixos artificiais sem poupança envolvida, que gera recessões quando os juros se elevam novamente, como uma forma de eliminar os mal investimentos, esse processo nós chamamos de ciclcos econômicos.

    Há algo que nós, austriacos, chamamos de "Taxa natural", ou seja, á taxa básica que irá haver no banco sem á existência de um BC. Essa taxa obviamente irá ser decidica individualmente por cada banco.

    Taxas assim irão se mediar dependendo dá situação do consumo presente e futuro, se á poupança estiver alta, às reservas também estarão, o que se traduz em juros baixos, assim como vice-versa.

    Eu não irei explicar toda á teoria austriaca dos ciclos econômicos aqui, então irei te linckar alguns artigos que responderá todas às suas dúvidas quanto á isso:

    www.mises.org.br/article/606/a-taxa-de-juros-natural-e-a-taxa-de-juros-neutra

    www.mises.org.br/article/1105/a-teoria-austriaca-do-capital-e-dos-juros--e-por-que-manipular-juros-altera-toda-a-economia

    Ao invés de criticar às teorias austriacas agora, recomendo primeiramente estudar tudo que á escola austríaca tem á oferecer, ao invés de sair debatendo com libertários sem antes conhecer á teoria que eles defendem. Os erros que você cometeu quando tentou refutar á teoria austriaca da utilidade marginal, por exemplo, foram bem bizarros, já que você confundiu á teoria marginal austriaca com á neoclássica.
  • Giovana  18/05/2021 20:52
    Não li todo o debate, porém vou tentar (humildemente) contribuir:
    - Todo preço é derivado da oferta e demanda;
    - A oferta, sendo algo tangível, depende da quantidade disponível do bem em determinada economia;
    - A demanda, sendo intangível e fugaz, é "derivada" do valor dado a determinado bem, e o valor é derivado da utilidade marginal, que só poder ser "quantificada" individual e subjetivamente. Ninguém sabe o quanto de determinado item irá satisfazer determinado indivíduo.
    - Sendo assim, o preço de um bem e/ou serviço é um reflexo da intersecção entre a capacidade produtiva/quantidade (oferta) e a demanda no mercado.

    É importante não confundir valor com preço, valor é algo subjetivo (explicado pela teoria da utilidade marginal), preço é a intersecção entre oferta e demanda em um determinado mercado.

    Se da noite para o dia nenhum suíço desejasse reformar ou construir uma propriedade, ou seja, não há interesse em mais nenhuma unidade daquele serviço (valor subjetivo zero), o preço consequentemente despencaria e o pedreiro boliviano passaria a ganhar mais que um pedreiro na Suíça.

    Uma pizza queimada teve um custo (preço) para a pizzaria, porém não tem mais valor algum...
  • Bluepil  19/05/2021 00:33
    Tecnicamente isso não é uma contribuição, já que isso já foi dito nesse debate, e o prezado Fabio também aparentemente já foi capaz de compreende-lo, mas talvez os seus exemplos dados esclareçam um pouco á mentalidade que o Fábio possui sobre á utilidade marginal austríaca, porquê ele parece jurar que o valor real de todos os produtos possam ser avaliados por meio da matemática macroeconomia ensinada em universidades, e por meio de uma teoria bizarra que diz que o valor dos bens são decididas de acordo com uma média aritmética de horas que se leva para criar tal produto, e por um valor por hora - E eu não faço idéia de qual contabilização é utilizada para decidir o valor por hora de produção de um determinado produto na Teoria de valor-trabalho -, sem se considerar á teoria marginal.

    Eu tento fundamentar meus argumentos por meio dos artigos desse site, para tentar passar uma facilidade de compreensão dos argumentos que eu uso, mas parece que o prezado Fábio não tem qualquer interesse em lê-los, e sinceramente eu não tenho saco para ficar explicando coisinha por coisinha em debates, já que eu gosto de debater seriamente com pessoas que já possuem uma compreensão geral dá teoria, não leigos.

    Eu tentei resolver esse dilema refutando os argumentos de valor-trabalho que ele utiliza, mas eu não sou versado nessa teoria, além de que eu sinceramente não tenho interesse em aprender teorias que soam errôneas, e que já foram refutadas até pela mainstream, como essa do valor-trabalho. Até porquê quem tá tentando refutar alguma teoria aqui é o Fábio, não eu.

    Então eu dei um tempo para ele se tornar mais versado na teoria austríaca, e agora só estou no aguardo de uma resposta para o argumento que eu dei, vai ver ele resolveu começar á ler os artigos ou até os livros de econômia austriacos, se bem quê isso já é ter muitas expectativas de alguém que até um tempo atrás aparentemente utilizada á teoria do valor-trabalho em todas às suas discussões sobre Econômia, e confundia á teoria marginal austríaca com á neoclássica.
  • Fabio Anderaos de Araujo  23/05/2021 20:11
    Vou voltar ao assunto e responder a Bluepill em breve sobre a taxa de juros.

    Por ora, entendo que existe uma taxa de juro neutra, de equilíbrio, que pode ser dada pela seguinte relação:

    i = [ r* - r (1 - p)]/p,

    sendo: r* = taxa geral de lucro;

    r = taxa de retorno sem risco (riskless rate of return);

    p =proporção média do capital investido com recursos de terceiros (0 0, porque as empresas tomam recursos de terceiros para investir, para capital de giro etc (alavancagem financeira etc). Se p = 0, a taxa geral da economia seria igual à taxa de retorno livre de risco.
  • marcos ribeiro  24/05/2021 18:49
    É uma equação muito simples:


    ESFORÇO ? RESULTADO = RECOMPENSA.

  • Zuca em Tuga  06/06/2021 11:47
    Esta teoria explica bem o ditado "uma pessoa só dá valor a algo que tem quando o perde."
    Seja um bem, um serviço ou um relacionamento saudável, quanto menos destes temos, mais os valorizamos... muitas vezes, só depois de perder o "quinto" carro/curso/pessoa na nossa vida.


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