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Mais um exemplo prático de que, no capitalismo, quem define o tamanho das empresas é o consumidor
Exceto quando a empresa usufrui um monopólio garantido pelo governo

A petrolífera Exxon Mobil era a maior e mais valiosa empresa do mundo em 2013

Em 2014, seu valor de mercado subiu ainda mais, e chegou a US$ 446 bilhões

Em 2016, a imprensa dizia que, se ela fosse um país, sua economia seria maior que a da Irlanda.

No início de 2020, ainda antes da pandemia de Covid-19, o valor de mercado da empresa já havia desabado para US$ 262 bilhões.

Semana passada, a empresa simplesmente foi retirada do índice Dow Jones, um índice exclusivo do qual a empresa fazia parte há 92 anos. Seu valor de mercado caiu impressionantes US$ 270 bilhões desde o topo e hoje está em exíguos US$ 172 bilhões.

Segundo a reportagem da CNN, a "Exxon é hoje apenas um resquício do que já foi". A empresa já teve, só este ano, um prejuízo de US$ 1,7 bilhão até o fim do primeiro semestre.

A realidade versus a fantasia

Mas como assim? Isso não é possível. A teoria defendida por intervencionistas e seguidores da tese do anti-truste é a de que grandes corporações não apenas dominam o mercado e estabelecem os preços que querem, como também vão continuamente se tornando cada vez maiores. 

Segundo economistas keynesianos, grandes corporações em geral, e empresas petrolíferas em particular são "oligopólios", o que as permite elevar os preços sempre que quiserem e auferir o volume de lucro que desejarem.

Defensores da intervenção estatal na economia passaram toda a sua carreira afirmando que é necessário o governo intervir e fatiar essas "grandes corporações", pois elas detêm muito poder sobre os consumidores, os quais são explorados por elas.

Se o governo nada fizer, prosseguem eles, tais empresas crescerão a tal ponto que irão dominar a economia mundial.

Se isso é verdade, o que está havendo com a Exxon? Não apenas se trata de uma grande corporação, como também era, até bem recentemente, a maior empresa do mundo. Por que ela não continuou crescendo e monopolizando ainda mais?

Um fenômeno corriqueiro

O que está acontecendo com a Exxon (mais sobre as causas abaixo) é apenas mais uma demonstração prática, dentre várias, de que, não importa o tamanho de uma empresa, ela sempre pode perder sua fatia de mercado e até mesmo ser expulsa do mercado e ir à falência.

Em um livre mercado, quem define o destino das empresas é o consumidor. Ele é o soberano. Por meio de suas decisões de consumir ou de se abster de consumir, é ele quem decide quais empresas continuam existindo, quais vão à falência, e quais devem se reestruturar e passar por um redimensionamento (downsizing).

Em 2017, outra grande corporação foi à falência. A até então gigante e toda-poderosa Toys "R" Us, considerada uma das varejistas de brinquedos mais famosas do mundo, se não a mais famosa, pediu concordata e anunciou o fechamento de todas as suas 735 lojas nos EUA

A rede tinha operações em diversos outros países, como Reino Unido, Canadá, França, Áustria, Suíça, Alemanha e em vários países da Ásia. Na Alemanha, na Áustria e na Suíça, a rede foi comprada por outra menor (a Smyths Toys). No Reino Unido e na França ela simplesmente fechou. Na Ásia ela ainda se mantem, mas reestruturada.

Até então vista como uma gigante imbatível, a empresa acabou tendo o mesmo destino de Kodak, Nokia e Blockbuster. Durante décadas, todas essas empresas pareciam imbatíveis e absolutamente dominantes em seus respectivos mercados. Hoje, no entanto, ou elas já foram absorvidas por outras empresas ou simplesmente declararam falência.

Kodak, que por décadas reinou absoluta no mercado fotográfico, sucumbiu perante o surgimento das câmeras fotográficas digitais. Ela não soube adaptar seu modelo de negócios aos novos produtos que seus concorrentes haviam começado a oferecer de forma mais eficiente e com melhor custo-benefício do que a própria Kodak. A popularização dos smartphones e suas câmeras fotográficas cada vez melhores enterrou por vez a empresa, que pediu recuperação judicial em 2012.

Nokia, que era onipresente no mercado de aparelhos celulares no início da década de 2000, sucumbiu ante a chegada dos smartphones. A multinacional finlandesa, que simplesmente dominou o comércio mundial de telefones celulares de primeira geração durante 13 anos, não foi capaz de bater os padrões de qualidade e funcionalidade dos novos aparelhos ofertados por outros fabricantes, como Apple e Samsung. Em 2007, a empresa ainda era a líder mundial na fabricação de celulares e detinha aproximadamente 40% do mercado mundial de telecomunicações. Em 2013, ela era apenas a 274.ª maior empresa mundial.

Blockbuster, que já foi simplesmente a maior rede de locadoras de filmes e videogames do mundo, sucumbiu perante a chegada dos vídeos por streaming. O surgimento destes serviços tornou totalmente absurda e impensável a ideia de ter de sair de casa e ir a uma videolocadora para poder assistir a um filme. Os serviços de streaming concentraram a demanda doméstica por lazer em provedores como Netflix e Amazon Prime. E os próprios canais de TV a Cabo também adotaram esta tecnologia, como HBO Go, Fox Premium e Telecine Play, mostrando que querem saciar a demanda dos consumidores.

(E, para aumentar ainda mais a ironia da situação, a própria Blockbuster teve a oportunidade de comprar, anos atrás, a Netflix pelo módico preço de 50 milhões de dólares. Declinou. Foi à falência em 2010 e fechou todas as lojas que tinha. Eis aí um grande exemplo de incapacidade de antecipar a demanda dos consumidores.)

No caso da Toys 'R' Us, o crescimento da Amazon tornou obsoleta a fórmula de grandes estabelecimentos físicos ultra-especializados, que sempre foi a fórmula adotada pela outrora gigante norte-americana.

Quem manda é o consumidor

Esses exemplos de gigantes que sucumbiram mostra que, ao contrário do que muitos afirmam, o capitalismo não é um sistema econômico que privilegia as grandes empresas: o capitalismo é um sistema econômico que expõe todas as empresas — grandes, médias e pequenas — a um contínuo processo de concorrência, o qual é orientado pela satisfação das necessidades dos consumidores. 

Em uma economia capitalista, quem está no comando são os consumidores. São eles que decidem o que comprar, quando comprar, de quem comprar e em qual quantidade. São suas decisões de comprar ou de se abster de comprar que determinam a viabilidade dos empreendimentos.

E, como consequência, somente aquelas empresas capazes de satisfazer, a todo e qualquer momento, as necessidades dos consumidores da melhor maneira possível conseguirão sobreviver neste processo competitivo, não importa qual seja seu tamanho.

É um grande equívoco imaginar que o capitalismo funciona primordialmente para beneficiar os produtores. Ao contrário: quem está no comando são os consumidores. Consumidores sempre estão interessados apenas em conseguir as melhores barganhas para si próprios. Eles não estão interessados em facilitar a vida dos empreendedores (e nem dos empregados destes empreendimentos).

Consequentemente, quem determina a sobrevivência de empresas, lucros, empregos e salários são os consumidores, e não os capitalistas. Os críticos do capitalismo jamais entenderam isso.

Há vários outros exemplos atuais de grandes produtores sendo impactadas de maneira inclemente. A internet reduziu a demanda dos consumidores pelos grandes jornais tradicionais, que hoje operam no vermelho. A Google alterou completamente a indústria de marketing. Uber, Lyft e Cabify afetaram severamente a demanda pela indústria de táxis, assim como o Airbnb afetou a indústria hoteleira (bem antes da pandemia de Covid-19).

O caso da Exxon

Dizer que a Exxon foi afetada pela pandemia de Covid-19, a qual derrubou os preços do barril de petróleo (o que, por si só, já refuta por completo a tese de que as petrolíferas são monopolistas que colocam os preços que querem no petróleo), seria um reducionismo simplório e errado: afinal, todas as petrolíferas foram igualmente afetadas pela pandemia.  

Além de as preferências dos consumidores terem se manifestado, há também um outro fator envolvido: a possibilidade de uma má administração ou mesmo de decisões econômicas erradas. 

Em específico, a Exxon fez um pesado investimento em gás natural entre 2008 e 2010, apostando que a demanda, e consequentemente o preço do produto, iria explodir com o tempo. Só que, de lá para cá, o preço do gás natural desabou, o que demonstra que a empresa errou na magnitude da demanda dos consumidores. Confira no gráfico.

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Evolução do preço do gás natural, em dólares.

A queda da Exxon, bem como das outras supracitadas, serve para mostrar como as leis anti-truste são ridículas e destrutivas. Em um livre mercado, uma empresa ser grande significa simplesmente que ela soube atender às demandas dos consumidores e tomou boas decisões administrativas. A partir do momento em que ela deixa de agradar aos consumidores ou toma uma má decisão administrativa ou de investimento, ela cai.

Agora, compare a Exxon com um genuíno monopólio, aquele que é amado por todos os esquerdistas e economistas keynesianos: os Correios. Esta empresa usufrui uma posição privilegiada na sociedade, pois uma lei federal a protege contra concorrência na entrega de cartas carta, telegramas, cartões-postais, malote e "correspondência-agrupada". Se uma empresa privada tentar concorrer, um juiz federal imediatamente ordenará seu fechamento, com o empreendedor podendo até mesmo ir para a cadeia. Isso, sim, é monopólio. Isso, sim, é anti-consumidor.

Imagine se a Exxon tivesse pedido ao governo federal para ser beneficiada por um monopólio, como os Correios. Os estatistas iriam vituperar exasperados. E corretamente. E esse é o tipo de "grandeza" que é ruim — pois se trata de um tamanho que foi alcançado em decorrência de um privilégio monopolista garantido pelo governo, e não pela satisfação da demanda dos consumidores e por sólidas e sensatas decisões administrativas e de investimentos.

Para concluir

Se uma empresa se tornou grande atuando em um setor cuja entrada da concorrência é livre, não se preocupe. Ela cresceu porque soube satisfazer a demanda dos consumidores. Enquanto ela mantiver essa eficiência, não há nenhum motivo para preocupação.

E tão logo ela incorrer em más decisões administrativas ou de investimentos, ou tão logo ela deixar de satisfazer os consumidores, sua queda será iminente.

A única garantia de sobrevivência no capitalismo não é o tamanho, mas sim sua superior eficiência em servir os consumidores e sua qualidade administrativa. Aquelas empresas que forem bem-sucedidas em agradar os consumidores com bens e serviços que estes considerem atrativos serão aquelas que irão se manter no mercado e se dar bem.

Não é necessária nenhuma regulação estatal para impor tudo isso.

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Leia também:

Quem realmente cria monopólios, oligopólios e cartéis?

Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados



autor

Jacob Hornberger
é o fundador e presidente da The Future of Freedom Foundation.

Tradução de Leandro Roque

  • Fernando  31/08/2020 19:26
    Em país capitalista a história é outra.

    Aqui, a Petrobras passou por uma merda muito pior (assaltaram a empresa, desviaram dinheiro e ainda congelaram preços), mas como é uma empresa estatal e na prática ainda usufrui um monopólio (a empresa se apropriou das melhores jazidas e reservas do país quando era uma estatal de jure e de fato, de modo que não há concorrência possível), nada aconteceu.

    E nada vai acontecer no próximo escândalo. E nem no próximo.
  • Mauro  31/08/2020 19:33
    Eu discordo que "nada aconteceu" no caso da Petrobras. Aconteceu sim.

    Pedro Parente assumiu com a missão de consertar o caixa da empresa. O que ele fez? Subiu o preço da gasolina e do diesel a um valor muito acima do de mercado.

    Ele próprio admitiu que sua nova política de preços era explicitamente voltada para refazer o caixa da empresa. Disse ele (grifo meu):

    "Quando o presidente Temer me convidou, nós conversamos longamente sobre como eu penso que deveria ser gerida a Petrobras e como ele pensa. Houve uma convergência muito grande sobre a necessidade de a empresa ter liberdade de lidar com uma variável que é fundamental para reduzir a dívida e fazer a virada"

    blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/pedro-parente-faz-o-que-prometeu-nao-fazer/


    Óbvio: dado que o objetivo era refazer o caixa, a solução realmente era cobrar mais caro. Foi exatamente isso que permitiu que ela rapidamente recompusesse seu caixa. E sobre o nosso lombo.

    Como a Petrobras detém 98% das refinarias do país, o preço efetivo é aquele que a estatal determina.

    Ao passo que, nos EUA, se uma petrolífera faz lambança ela sofre as consequências, no Brasil, quando uma estatal faz merda, nós consumidores somos obrigados a corrigir o estrago. Fomos nós, ao pagar a brutal elevação na gasolina a partir de 2017, que corrigimos a desgraça da Petrobras.
  • Geraldo  31/08/2020 19:37
    Por isso que a Petrobrás jamais pode ser privatizada, ela não pode ficar ao sabor do mercado selvagem, ameaçando nossa soberania!
  • Samor  31/08/2020 19:42
    Concordo. As dívidas das estatais são um patrimônio do povo!
  • Cláudio Aparecido da Silva  02/09/2020 15:36
    Exato. Como o patrimônio de alguém ou de alguma empresa pode ser negativo, então esse monstro chamado Petrobras faz realmente parte do nosso patrimônio. Mas, olha só: e no caso das empresas chinesas, você venderia ou não para elas?
  • Humberto  31/08/2020 19:44
    Já pensou que tragédia?! Os brasileiros iriam deixar de comprar gasolina da Petrobras e passariam a comprar gasolina de qualidade das petrolífera gringas que viessem para cá! Isso não pode, porca miséria! E o nosso orgulho nacional? Temos de ser espoliados por quadrilhas locais.

    Aliás, a ignorância econômica é avassaladora: você aparentemente acredita que se a Petrobras quebrar, os ativos irão simplesmente desaparecer no éter! Puf!, sumiu tudo.

    Meu querido, falência é simplesmente um fenômeno contábil: uma empresa ir à falência significa que sua gerência não soube satisfazer os desejos dos consumidores, e que, portanto, seus ativos devem ser repassados para as mãos de administradores mais competentes. No caso de uma petrolífera, a chance de ela sumir do mercado é nula, pois ela comercializa um produto extremamente demandado. E, ainda que isso acontecesse, qual o problema de outras empresas virem para cá, ocuparem esse mercado e, finalmente, começarem a concorrer entre si para nos fornecer gasolina? Isso seria uma benção: ter as melhores empresas do mundo se engalfinhando por aqui para nos fornecer gasolina. Não posso nem pensar nisso pois me emociono. E fico deprimido ao voltar para a realidade.

    Quem dera a Petrobras quebrasse, desocupasse suas jazidas (adquiridas durante seu monopólio legal) e finalmente o mercado fosse liberado para a entrada de concorrentes estrangeiros.
  • Santiago  31/08/2020 19:50
    Calma, o Geraldo estava sendo irônico.
  • anônimo  31/08/2020 22:39
    Nem precisa citar Petrobras. A própria Rede Globo só está de pé por causa do BNDES, dinheiro dos impostos para manter uma empresa com péssima qualidade de telecomunicação. Se o Brasil fosse um país capitalista, essa empresa já estaria totalmente falida!
  • Ulysses  31/08/2020 22:47
    Sorry, mas a sua constatação está errada. A Rede Globo, queira você ou não, tem muita audiência. E a prova disso é que tá cheio de anunciante pagando caro pra fazer propaganda de seus produtos na emissora.

    Se ela não tivesse audiência, ninguém seria otário de pagar para anunciar.

    O consumidor, goste você ou não, já deixou claro que quer continuar consumindo os produtos da Rede Globo. E, enquanto for assim, a empresa de mantém.
  • Guilherme  31/08/2020 22:59
    Quando há poucas emissoras para assistir, por causa do governo, esse fato é inevitável. Não é porque as pessoas assistem que elas realmente gostem, é por falta de opção mesmo.

    Graças à reserva de mercado garantida pelo governo, todas as emissoras são riquíssimas.
  • Heverton Pedro dos Santos   01/09/2020 10:23
    No caso da globo, há uma espécie de "rachadinha" entre ela e as agências de publicidade para que estas veiculem 80% de seus comerciais naquela emissora.
  • Alguem  02/09/2020 16:34
    É isso mesmo Humberto. Penso igualzinho a voce. Independente se sao chineses,americanos,japoneses e etc. Ate por que sera impossivel eles tirarem tudo do Brasil ou querer ditar ordens como politicos,governos e funcionarios publicos.O problema da China é o comunismo e a ideia de tentar controlar o mundo,porem,com certeza nao vao longe. Ha nao ser,é claro,que as teorias da conspiraçao estao correta.
  • Felipe  31/08/2020 19:59
    Infelizmente com estatal é assim. E eu não me iludo em achar que a equipe econômica atual terá empenho em privatizar a estatal. Já saiu do governo uma pessoa de excelência, que foi o Salim Mattar. Isso mostra que o problema é maior do que pensamos.
  • Lucas BS  03/09/2020 12:40
    Um cuidado aos comentaristas criticando a Petrobrás: o combustível que sai da "nossa" refinaria é um dos mais baratos do mundo. Pesquisem.

    E também não há monopólio teórico desde a década passada (irrelevante, conforme dado acima sobre o preço na saída da refinaria).

    Se o preço é alto no posto, culpem os impostos, a mistura com etanol, e os custos operacionais
  • Cláudio Aparecido da Silva  02/09/2020 16:12
    Quem gasta dinheiro dos outros com outros e ainda recebe para fazer isso sem responsabilidade nenhuma tende a gastar muito mal. Essa é a essência das estatais.
  • Bernardo  31/08/2020 19:35
    Eu lembro que quando teve a notícia da Toys 'R' Us, a esquerda até ejaculou: "Tá vendo! Isso é a prova que o capitalismo não funciona!"

    Ué, mas é exatamente o contrário: empresa grande quebrando por causa de uma mudança de preferência dos consumidores é exatamente a prova de que o capitalismo continua funcionando exatamente como deveria.

    Aliás, a esquerda é engraçada: quando uma empresa grande aufere lucros, ela diz que o capitalismo causa monopólios e que essa empresa tem de ser atacada e destruída pelo governo. Aí quando uma empresa grande quebra, a esquerda diz que o capitalismo causa falências (mas não era monopólios?) e que essa empresa tem de ser socorrida e protegida pelo governo para manter empregos.

    Daqui a pouquinho ainda vão dizer que a Exxon foi vítima do capitalismo selvagem...
  • José Sobrinho  31/08/2020 19:46
    Dúvida: como pode o pequeno entrar num mercado dominado pelas grandes? Vocês explicam que o que impede o pequeno é a regulamentação estatal, mas num mercado onde o volume é a diferença, o pequeno não está "de fora" também? Ele pode concorrer apenas com diferenciação? Porque o grande pode ter muita qualidade e já tem o preço. Como funciona nesse caso?
  • Economista  31/08/2020 19:54
    Pra começar, o próprio fato de grandes terem quebrado e perdido sua fatia de mercado para pequenos mostra que não é isso o que acontece. Vide a Blockbuster, que se recusou a comprar a Netflix pela pechincha de R$ 50 milhões e acabou sendo derrubado por ela.

    Ou as gigantes Nokia e Motorola versus uma até então desconhecida Samsung (só entrou no setor de eletrônicos em 1969).

    Ou a própria Kodak, que foi destronada por várias pequenas que começaram, individualmente, a fazer câmeras digitais.

    Em todo caso, nesse seu cenário não há nada de errado. Se há uma empresa já estabelecida no mercado, se não há nenhuma barreira artificial à entrada de novos concorrentes, e se essa empresa se mantém no mercado porque sabe fornece ótimos serviços a preços baixos, então não há nada a ser corrigido. O mercado está funcionando corretamente e o consumidor está voluntariamente premiando a empresa que lhe fornece bons serviços a preços baixos.

    O fato de você não conseguir entrar neste mercado livre — talvez por falta de capital ou por falta de know-how — não denota nenhuma falha de mercado. A realidade é que você simplesmente não descobriu uma forma de vender ainda mais barato e melhor do que a empresa já estabelecida.
  • George  31/08/2020 22:03
    Lembrando que liberdade de entrada não significa capacidade de entrar em um dado setor. Se as pessoas não possuem a capacidade de entrar em uma determinada área da economia (porque, por exemplo, elas não possuem o capital para isso), isso não significa que a liberdade de entrada no mercado foi violada.

    Por exemplo, se for necessário um investimento mínimo de, digamos, $1 bilhão, para se ter uma mínima esperança de poder competir no setor de aparelhos eletrônicos e informática, isso não significa que tal setor não possui liberdade de entrada, ou que a minha liberdade, como indivíduo, de entrar em tal setor foi violada de alguma forma só porque eu pessoalmente não tenho a capacidade de levantar o bilhão necessário.

    O fato de eu não possuir ou não poder levantar o capital necessário não implica uma violação da minha liberdade de entrada, assim como o fato de eu não possuir um canal de televisão ou um jornal, e não gozar do apoio de nenhum deles, não implica uma violação da minha liberdade de expressão ou de imprensa.

    A liberdade de entrada só estaria sendo violada se eu realmente possuísse ou pudesse obter o capital necessário, mas fosse coercivamente impedido de entrar neste setor pelo governo.

    Tal arranjo poderia muito adequadamente ser descrito como monopólio, pois eu estaria agora lidando com um mercado que estaria fechado para mim em decorrência da iniciação de força física do governo.
  • Imperion  31/08/2020 21:57
    Num sistema estatizado, o pequeno tem que fazer o certo em 1.000 por cento. Pois o protecionismo, burocracia, restrições o impedem de "produzir como as grandes". E sem isso não tem como ter concorrência de verdade.

    Já num livre mercado, um MEI, sem restrição de categorias, estudaria como tornar seu produto ou serviço atraente ao consumidor. Se o cliente quer um produto de metal, conjugado com madeira e tecido, tudo pintado, ele produz e vende. Não tem nada o impedindo de produzir e o cliente quer pagar, mas feito na mão.

    No sistema atual, se as características do pedido não batem com o sistema de categorias, o MEI não poderia fabricar (só uma empresa de pequeno porte), não ocorreria a troca e só o grande pegaria a venda.

    O MEI não progrediria em seus negócios. Empresário tem que se adaptar aos desejos dos consumidores, e no sistema atual o MEI tem que se adaptar é a burocracia do governo, que diz: vc não fará isso para o cliente, mas o outro empresário o fará.

    Resumo: o empreendedor no livre mercado seria livre de burocracia pra ofertar ao cliente e seria de sua obrigação buscar satisfazer esse desejo. E em troca, receberia por isso. Recebendo, poupando, ele investe em bens de capital pra produzir mais e é quando começa esse investimento que ele progride de verdade.
    Quanto mais ele for capaz de aumentar sua produção com bens de capital que ele comprar para seu negócio, mais prosperará. Num mercado interno hostil ele nem decola, quanto mais voa.
  • Felipe  31/08/2020 19:58
    Eu não sei por que, mas lembrei desse artigo. O preço do petróleo em reais voltou para os valores de antes (exatamente 2014), e tem subido de maneira bem linear, apesar de o tempo todo a gasolina ficar sempre mais cara (não importa se o preço internacional do petróleo cai ou não, a gente sempre vai pagar mais pela gasolina ruim). Os preços da gasolina acompanham os preços do petróleo em dólares? Ou em reais? Ou os dois?

    Com gasolina cara e ruim assim, era para termos vários brasileiros e estrangeiros abocanhando e brigando para vender gasolina a menos de R$ 3 o litro. Imagina o tanto de emprego que teria para a massa de desempregados que existe no país. Mas não pode, porque temos uma estatal com vários privilégios e o setor é regulado ao extremo. Com esse câmbio medonho, pelo menos a inflação estaria mais contida (assim como a desvalorização) se o governo federal fizesse força para desregular o setor. O máximo que fizeram agora foram empurrar uma gasolina supostamente melhor (mas que continua sendo a única do mundo com tamanho percentual de etanol... nem na Índia, onde o setor de cana-de-açúcar é enorme, é assim).

    O maior erro do FHC foi de não ter privatizado a Petrobras. Mesmo que fosse uma privatização meia-boca como na Vale, hoje estaríamos muito melhor, e com uma estatal a menos na mão de políticos e burocratas. Fosse privada, a Petrobras teria falido, se ela tivesse feito a gestão que ela fez nessas últimas décadas.

    Agora, falando de falência: a Gurgel faliu porque ela não se adaptou à abertura comercial feita pelo Collor? Ou foi por outros fatores?
  • Trader  31/08/2020 20:24
    "Os preços da gasolina acompanham os preços do petróleo em dólares? Ou em reais? Ou os dois?"

    Em reais. A Petrobras ajusta de acordo com o barril de petróleo em dólares e de acordo com o dólar em reais. É exatamente como mostra seu gráfico. O preço está no mesmo nível de maio do ano passado.
  • Leitor Antigo  31/08/2020 20:31
    Sobre a Gurgel, a coisa é interessante.

    No dia 27 de junho de 1990, o governo publicou o decreto 99.349, que reduziu o IPI dos veículos até 1.000 cm³ para 20%.

    Até então, automóveis pagavam de 37% a 42% de IPI, à exceção dos "veículos automotores movidos por motor de dois cilindros no máximo e de cilindrada inferior a 800 cm³, sendo o veículo de comprimento inferior a 320 cm e peso em ordem de marcha inferior a 650 kg", que pagavam 5%, categoria em que apenas o Gurgel BR800 se encaixava, pois havia sido feita sob medida para ele. Na prática, era uma forma de incentivar a Gurgel e seu projeto nacional.

    Pelo citado decreto 99.349, a alíquota do carro com motor de até 1.000 cm³ era reduzida de 37% para 20%, o que acabou prejudicando o BR800: O art 3º dizia "Revogam-se as disposições em contrário".

    Isto significava que a "categoria BR800" de IPI estava extinta. Ou seja, o carro passaria a pagar 20% de IPI, como todo carro até 1.000 cm³.

    Só havia um problema: à exceção do Gurgel BR800, não havia nenhum carro nacional com motor de menos de 1.000 cm³.

    Menos de dois meses depois, a Fiat lançou o Uno Mille, em agosto de 1990. Não há nenhuma prova de que isto tenha acontecido, mas pode-se suspeitar fortemente que o "decreto do carro 1000" tenha sido encomendado pela Fiat a Collor, pois dois meses é um tempo muito curto para se desenvolver uma alteração num carro e colocá-lo no mercado. Mas também é possível que o Mille já estivesse sendo gestado e que por isso a Fiat sugeriu ao governo que desse o incentivo para carros abaixo de 1.000 cm³, uma vez que seus concorrentes levaram mais de um ano e meio para começarem a aparecer. O Chevette Junior, primeiro dos concorrentes a chegar, só seria lançado em março de 1992.
  • 4lex5andro  01/09/2020 19:01
    Não só a Gurgel, mas CBT e JPX não resistiram ao mercado, seja por seus carros obsoletos, e mesmo a última, fabricante do jipe Montez (sob licença da francesa Overland), bem reputado no mercado, pagou pela má administração e fechou.

    Restaram duas fabricantes nacionais (mas diferente de Gurgel e CBT, não mais com projetos/motorizações/câmbio totalmente brasileiros).

    Em Horizonte, no Ceará, a Troller, que monta jipes sobre a base da Ranger (e depois comprada pela própria Ford) e em Caxias do Sul, a Agrale, que monta off-road sob demanda, como o Marruá, que serve o Exército e outras frotistas.
  • 4lex5andro  01/09/2020 19:06
    Um pequeno comentário: a Nokia ainda existe, ressurgiu em parceria com uma fabricante asiática, a HMC, e está inclusive com smartphones vendidos no Brasil.

    Desligou-se da Microsoft (e seu sistema Windows Mobile, encerrado) e aderiu ao Android da G00gle.

    Mas outras grandes dos celulares, como a Blackberry e Ericsson que já foram sonhos de consumo, encerraram suas atividades com o advento dos smartphones.
  • Felipe  31/08/2020 21:25
    Então na prática foi uma quebra de acordo?

    Sinceramente, o Uno Mille era superior ao Gurgel em muitos aspectos. Peço que leiam essa coluna. De fato 2 meses é muito pouco tempo, mas o Uno na Europa também podia vir com o motor menor, então talvez eles já estivessem preparando algum tempo antes dessa redução.

    Hoje o IPI baseado em tamanho de motor continua uma porcaria, embora esteja menor do que antes. Tentei pesquisar se existe na Europa, mas não encontrei nada a não ser uma mistureba, um falando que um país tem tributação baseada na cilindrada, outro falando que outro país tem tributação baseada nas emissões. Nos EUA eu sei que existe a tributação para carros que tenham consumo menor do que 9,56 km/l, só que lá a legislação é mais frouxa para veículos comerciais (tanto é que os V8 dominam as picapes e outros veículos comerciais). Como o setor é competitivo e a moeda ainda presta, então mesmo com essa tributação, os carros europeus são muito eficientes.

    Isso no Brasil é tanto verdade que nenhum carro exportado para os argentinos vem com motor aspirado 1,0-litro, pelo que eu saiba. O Onix Joy, aqui com motor 1,0 aspirado, lá vem com motor 1,4. O atual Onix, da nova geração, que aqui tem essa opção pelo aspirado 1,0, é exportado para lá com motor 1,2 aspirado ou 1,0 turbo. Talvez até a cultura de carros lá seja diferente da existente aqui, apesar de o país estar pior do que aqui. Foi assim também com Gol, Classic e Uno (sim, o Uno lá tinha motor 1,25, enquanto aqui era o Mille 1,0).
  • brubnoalex4  04/09/2020 16:51
    "De fato 2 meses é muito pouco tempo"...

    Não estou defendendo a Fiat em um provável conluio com Governo Collor para editar uma "legislação sob medida", mas pelo que li na época de lançamento do Uno Mille, a motorização original nada mais era que o motor 1050 do Fiat 147. Como esse motor já estava pronto isso poderia explicar a rapidez do lançamento.
  • rraphael  01/09/2020 00:47
    sobre petrossauro e a gasolina duas coisas tem papel fundamental na prática (precos, qualidade, etc)

    a gasolina é "batizada" : não existe gasolina de verdade vendida no brasil , o nosso gas é uma mistura de gasolina alcool e agua - na regiao de curitiba chamam de alcoolina
    isso quer dizer que a) o preco da gasolina tambem é influenciado pelo preço do etanol e b) essa mistura é um veneno para motores legitimamente "PETROL" , nao é só um simples KM/L que eh menor, agua+alcool causa desgaste prematuro dos componentes e vazamentos em carro feito pra gas

    o óleo cru brasileiro é "sujo" : precisa de uma maior quantidade de refino pra ficar do nível "óleo do oriente médio" - ou seja, o brasil apesar de ter reservas, precisa urgentemente de mais investimento em tecnologia e desenvolvimento pra processar o material dessas reservas

    eu sei disso pois tenho um tio que trabalhou a vida inteira na braskem do polo petroquímico da baixada santista , na imprensa isso já foi discutido algumas vezes , sobre o óleo cru brasileiro ser sujo

    "Existe um descasamento entre a tecnologia para refinar e o tipo de petróleo que temos."
    www.bbc.com/portuguese/brasil-50316414

    um gas melhor e mais barato eh impossivel de conquistar sem um mercado aberto , especialmente por causa da etapa de refino - e o pior eh que o gas de valor absurdo nao eh pra amanha ter um refino melhor, eh soh pra cobrir roubalheira e ineficiencia da petrossauro e subsidiarias
  • Juliano  31/08/2020 22:06
    Quando a Amazon anunciou que estava vindo para o Brasil, todo mundo jurou que ela iria dizimar os pequenos e "monopolizar" o mercado.

    O tempo passou e ela nem fez cócegas. A Magazine Luíza segue tratorando, junto com a Via Varejo.
  • anônimo  31/08/2020 22:12
    Ainda é cedo para declarar essa "derrota" da Amazon. A pergunta permanece válida: e se a Amazon realmente conseguir se consolidar no Brasil, de uma forma que arrase a concorrência. Ela não terá o "monopólio", no sentido figurativo do termo? Como evitar que ela "monopolize" todo o varejo?

    Meu argumento parte do princípio de que com a gigante chegando com tudo no Brasil, grandes empresas do ramo não conseguirão acompanhá-la e eventualmente irão quebrar, gerando desemprego e fazendo com que a Amazon fosse a única do setor.

    Então, vocês não acham que é viável a ideia de que uma Amazon da vida tenha porte para simplesmente destruir seus concorrentes, monopolizar o mercado e tornar-se a "empresa que prejudicaria os consumidores"?
  • Vladimir  31/08/2020 22:22
    "Ainda é cedo para declarar essa "derrota" da Amazon. A pergunta permanece válida: e se a Amazon realmente conseguir se consolidar no Brasil, de uma forma que arrase a concorrência. Ela não terá o "monopólio", no sentido figurativo do termo? Como evitar que ela "monopolize" todo o varejo?"

    A Amazon só pode se "consolidar" aqui (ou em qualquer lugar do mundo) se os consumidores quiserem. Parece que as pessoas simplesmente não entendem essa obviedade.

    Empresa só se consolida se estiver atendendo bem aos consumidores. São os consumidores, por meio de suas decisões de comprar e se abster de comprar, que definem se uma empresa irá se consolidar a não.

    Logo, a eventual consolidação da Amazon será uma mera consequência da ação voluntária dos consumidores, que espontaneamente decidiram premiar a empresa gastando seu dinheiro nela.

    Gostaria de ver um argumento explicando exatamente como essa ação voluntária dos consumidores é ruim para eles próprios, sendo que o "bom" seria aquilo imposto por burocratas.

    "Meu argumento parte do princípio de que com a gigante chegando com tudo no Brasil, grandes empresas do ramo não conseguirão acompanhá-la e eventualmente irão quebrar, gerando desemprego e fazendo com que a Amazon fosse a única do setor."

    Caso isso acontecesse (uma impossibilidade prática, mas vamos entretê-la pelo bem do debate), seria simplesmente uma decisão dos consumidores, que não querem as empresas nacionais ruins e preferem a comodidade, a facilidade e os baixos preços da Amazon.

    De novo: o que há de errado nisso?

    "Então, vocês não acham que é viável a ideia de que uma Amazon da vida tenha porte para simplesmente destruir seus concorrentes, monopolizar o mercado e tornar-se a "empresa que prejudicaria os consumidores"?

    Não. Pura questão de escala. Quanto mais uma empresa cresce, mais ineficiente e burocrática ela se torna, o que atrai a entrada de concorrentes menores e mais eficientes.

    Aliás, apenas diga um setor da economia que não seja regulado pelo governo (que não tenha agências reguladoras) e que seja dominado por uma única empresa de grande porte. Só um. Aponte isso, e você ganha o argumento.

    Veja uma dica sobre isso aqui.


    P.S.: já nos setores regulados pelo governo, cuja entrada da concorrência é obstruída, o monopólio de uma grande empresa é exatamente a regra.
  • Jordan  31/08/2020 22:36
    "Não. Pura questão de escala. Quanto mais uma empresa cresce, mais ineficiente e burocrática ela se torna, o que atrai a entrada de concorrentes menores e mais eficientes."

    Na verdade, isso é apenas uma manifestação da Lei de Price: 50% do trabalho é feito pela raiz quadrada do número de pessoas de uma equipe.

    Se uma equipe tem 10 pessoas, então 3 pessoas fazem 50% do trabalho. Se uma equipe tem 100 pessoas, então 10 pessoas fazem 50% do trabalho.

    E se uma empresa tem 10 mil empregados, apenas 100 fazem metade de todo o trabalho. Os outros 9.900 fazem a outra metade.

    Isso, por definição, significa que, quando uma empresa cresce, a incompetência cresce exponencialmente, e a competência cresce linearmente.

    E aí, se a empresa tiver um trimestre ruim e tiver de cortar custos, os 100 empregados excelentes (que faziam metade do trabalho) irão sair e buscar melhores oportunidades. Isso irá piorar ainda mais a eficiência da empresa, pois agora ela ficará apenas com os 9.900 que faziam apenas metade do trabalho. E aí, na próxima rodada de cortes, os próximos 100 mais produtivos irão abandonar em busca de melhores oportunidades. Isso leva a empresa a um círculo vicioso.

    Eis um excelente vídeo do Jordan Peterson sobre isso.



    Empreendedor que não sabe disso jamais irá crescer.
  • Cristiano  31/08/2020 23:36
    Esse vídeo é excelente! Explica muita coisa que a gente percebe na prática mas não consegue formular (dica: seleção brasileira de 1994 e de 2002). Obrigado por terem compartilhado.
  • Renato Moreira  01/09/2020 16:55
    Também testei essa Lei de Price pro Campeonato Brasileiro e o resultado foi surpreendente! (sim, sou fanático por futebol, não por basquete)
    Ano passado o Brasileiro teve 876 gols, com 11 jogadores cada time, com 20 times no campeonato deu bem próximo.
    20*11=220, tirando a raiz quadrada chega bem perto da metade dos gols marcados ~438.

    Excelente vídeo. Nunca tinha ouvido falar, mas vou usar direto.
  • Eduardo  01/09/2020 19:51
    Não entendi muito bem sua conta, mas seu raciocínio está errado. No caso do futebol, o "trabalho" não é o número de gols marcados, mas sim a eficiência e a qualidade com que cada jogador desempenha seu trabalho.

    (Um goleiro, por exemplo, pode ser o melhor jogador do campeonato, mas o número de gols que ele fará é zero. Por isso, o número de gols não é o trabalho a ser analisado.)

    Eis o raciocínio certo:

    O campeonato tem 220 jogadores. A raiz quadrada de 220 é quinze.

    Logo, temos que 15 jogadores se destacaram no campeonato. Juntos, eles "tiveram a mesma produção"* que os outros 205 jogadores.
  • Lucas R.  01/09/2020 16:56
    Esse temor de que a Amazon "monopolize o mercado e prejudique os consumidores" me lembrou de um tópico que li anos atrás em um fórum de tecnologia. Um sujeito abriu um tópico na seção de Hardware do fórum contraindicando a compra de peças de computador na Kabum. Mas não era por ter tido más experiências com a loja. Pelo contrário, era pelo fato da loja ter uma boa reputação, preços competitivos e, por essa razão, haver muitos clientes fiéis à loja!

    Para ele, isso era ruim, pois a loja iria "se aproveitar" da fidelidade dos clientes para aumentar os preços e piorar os serviços(!), enquanto outras lojas menos conhecidas ficariam sem clientes e não conseguiriam crescer! Ele dizia que, para evitar isso, as pessoas não deveriam "se apegar" a uma única loja, mas sim comprar de diferentes lojas que, segundo ele, "basta pesquisar para encontrar outras lojas que são tão boas quanto".

    Enfim, é curioso ver como tem gente que acredita que a preferência do consumidor pode ser nociva ao mercado! É como eu sempre leio por aí o pessoal dizendo: "a culpa do alto preço dos carros é do consumidor, que aceita pagar uma fortuna por uma carroça zero-km!".
  • Ex-microempresario  03/09/2020 20:56
    A Kabum é um bom exemplo do que diz o artigo.

    Eu fui cliente fiel por muitos anos. O atendimento deles era de primeira.

    Mas empresas crescem e são dominadas pela burocracia.

    Recentemente, comprei um negócio deles que não atendia ao que anunciava no site. Reclamei com o atendimento ao consumidor. Foi como falar com uma parede, só recebia frases prontas escritas pelo departamento jurídico fugindo do assunto.

    Moral da história: para mim, Kabum nunca mais. Com o tempo, mais gente vai fazer o mesmo, e do mesmo jeito que a Kabum cresceu, vai diminuir, e será substituída por outra. Lei da vida.
  • Aloísio  04/09/2020 17:36
    Amazon será outro Walmart. Americanos não conseguem operar adequadamente no mercado brasileiro.
  • Pablo  31/08/2020 22:41
    E a GM, porquê não faliu depois de tantos anos?
  • Carlos Brodowski   31/08/2020 22:47
    Porque a GM foi socorrida pelo governo, campeão. Os consumidores já haviam deixado claro – por meio de sua atitude voluntária de parar de comprar carros da GM – que não mais queriam que a empresa existisse. No entanto, o governo não só entrou na jogada e desrespeitou essa soberania dos consumidores, como ainda tomou o dinheiro das pessoas via impostos e repassou para a GM (seus poderosos sindicatos e CEOs).

    E a esquerda toda aplaudiu essa explícita mamata para os grandes empresários (era o governo Obama).
  • Felipe  31/08/2020 23:55
    E isso não evitou o seu colapso. Como expliquei neste artigo, a GM acabou tendo que fazer vários cortes. Apesar do socorro, a marca continua oferecendo alguns carros que fariam os daqui serem considerados verdadeiras porcarias. Isso porque lá, felizmente, os americanos podem comprar bons carros mexicanos, coreanos, japoneses, alemães e afins. Aqui que a coisa é feia e temos umas das maiores tarifas de importação de carros do mundo. Em 2018 foi constatado de que as tarifas (médias) no Brasil sobre (ou mesmo contra) os veículos ficaram em 33,9%. Na "socialista" União Europeia, essas tarifas são de 3,22%. Nos Estados Unidos, 1,57%. Canadá, 3,64%. Coreia do Sul, 5,01%.

    Comparação injusta? Que tal dizer que estamos piores que Bolívia (9,6%), Colômbia (29,7%), China (22,8%), Peru (5,22%), Chile (3,54%), Argentina (19,2%) e México (25%)? O Brasil só ganha dos seguintes países: Afeganistão (38,9%), Egito (49,7%), Paquistão (70,7%), Tailândia (71,1%), Irã (90%) e Índia (106%). Para piorar, em 2017 foi relatado que, entre os 75 países analisados em nível de abertura comercial, o Brasil estava na 69 ª posição, perdendo para países como Ucrânia (57 ª posição), Uganda (65 ª posição), Vietnã (33 ª posição) e Hungria (13 ª posição). Não é surpresa que haja mais opções de carros no México e no Chile do que aqui no Brasil.
  • rraphael  01/09/2020 00:28
    montadoras e mineradoras sao "meninas dos olhos" de burocratas e como tal recebem pesados subsidios / incentivos fiscais
    em 2019 foram 8 bilhoes , o triplo que receberam em 2018
    voce ve sempre a esquerda gritar com "socorro a bancos" mas quando o "socorro" é pras montadoras de SBC voce nao ouve um pio, principalmente dos CUTistas da grande SP

    www.oantagonista.com/brasil/beneficios-fiscais-para-montadoras-vai-triplicar-em-2019/
  • 4lex5andro  01/09/2020 18:52

    GM - Faliu em parte, isso apesar do governo democrata ter intervido.

    Divisões como Geo, Saturn e as históricas Oldsmobile e Pontiac desapareceram.

    Restaram os populares da Chevrolet, os luxuosos Buick e Cadillac e os monstros GMC.


    Chrysler - ficou pesada demais, e o governo democrata intermediou sua transferência de dono da Daimler pra Fiat.

    Ford - foi o grupo que se saiu melhor, sem apelar pra socorro do governo, mas ainda assim encerrou as operações de outra marca histórica, a Mercury, depois de mais de 70 anos no mercado.
  • Estado o Defensor do Povo  03/09/2020 21:34
    Sinceramente, parece que o pessoal tem tara em ver as empresas falirem, qual é o problema dela não ir à falência?
  • Imperion  01/09/2020 13:23
    Rombo chega a 1 trilhão. Na melhor das hipóteses, ele zera o déficit ate o fim do mandato e não faz mais nada. Então, fazendo politica fiscal pra administrar isso, a moeda não deve valorizar mesmo. Não venderam as reservas, mas transferiram a valorização para o tesouro pra gastar.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/08/extensao-de-auxilio-deve-custar-r-100-bi-e-rombo-de-2020-encosta-em-r-1-tri.shtml
  • Analista de Risco  01/09/2020 13:37
  • Auxílio  01/09/2020 14:40
    Fui aprovado para receber o auxílio emergencial, vcs acham que eu devo receber mesmo não precisando? Seria antiético da minha parte?
  • Romulo  01/09/2020 16:33
    Vcs viram o Jornal Hoje?
    Estavam pagando funcionários para impedir denúncias sobre a saúde...
  • weberth mustapha  01/09/2020 16:51
    Ótimo texto. O autor citou Nokia, Kodak, Blockbuster, Exxon, Toys "R" Us, como ótimos exemplos de empresas que não se ajustaram aos consumidores, não se adequaram a realidade, e nós, o povo, paramos de enviar sinais positivos de demandas a elas, logo, faliram.
    Agora permitam-me citar empresas que nós, o povo brasileiro convive a décadas, as quais não podemos enviar sinais negativos de mercado.
    - Petróbras. 3 de outubro de 1953, Brasília- até hoje, prestá um péssimo serviço , gasolina cara de suas refinárias, funcionários caríssimos, e que por monopólio, não podemos comprar de outra (Postos de gasolinas compram dela).
    - SANEAGO, 13 de setembro de 1967 , cada estado tem sua estatal de saneamento, aqui sou obrigado a pagar essa pocilga que deixa o povo na mão todos os anos com racionamento.
    - Correios, 20 de março de 1969 - Nem precisa dizer mais.
    - Claro (mas é privada?). Apesar não ser estatal é mantida no cartel das operadoras graças a ANATEL, muita burocracia e dinheiro no bolso de políticos pra evitar concorrência. Nossos planos são horríveis.
    - Empresas automobilísticas- Cartel do mesmo jeito, se aproveitam de burocracias e mercado fechado para manter monopólio, tudo com ajuda do governo. Temos carros péssimos e caros.
    - DNIT, apesar de nem ser empresa mantém contratos escusos com construtoras e prestam péssimo serviço.
    - CEF e BB, péssimos bancos aos quais não podemos escapar.
    - Autarquias diversas... somos obrigados a financiar essas pocilgas. Só esses dias fui descobrir que uma parte do meu salário CLT paga o INCRA. pqp...

    Enfim, dá pra perceber claramente, TODAS empresas públicas, autarquias, coligadas ao governo, carteis mantidas por Ag. reguladoras... TODAS, seriam aniquiladas facilmente em um ambiente de livre mercado, ao qual poderíamos escolher um concorrente melhor e não ser atendidos por funças públicos carrancudos que te atendem pessimamente.
  • Ferrari  01/09/2020 17:39
    Nossa que viagem esse artigo, não leva em consideração nem um décimo das variantes desse caso, a começar que o preço do barril internacional de petróleo é praticamente monopolizada pela OPEP o que dificulta em muito supor como esse mercado realmente funciona e quais as causas dessa derrocada. Se não fossem as leis anti truste hoje pouquíssimas empresas já dominariam todos os seus setores comprando indiscriminadamente possíveis concorrentes, isso quando não o fazem (Microsoft, Adobe, Coca Cola, etc) toda tese (sim, a maioria dos artigos aqui não passam de teses e teorias já tratam de um mundo que não existe) de que é a livre concorrência que mantém o capitalismo vivo e pulsante viria abaixo pois ela não existiria.
  • Mercedes  01/09/2020 19:42
    "não leva em consideração nem um décimo das variantes desse caso, a começar que o preço do barril internacional de petróleo é praticamente monopolizada pela OPEP o que dificulta em muito supor como esse mercado realmente funciona e quais as causas dessa derrocada."

    Show de contradições.

    1) Se a OPEP é um monopólio, então por que os preços do barril de petróleo caem? Aliás, por que desabaram recentemente? Se é monopólio, então era para o preço só subir. No entanto, o ápice foi alcançado em 2008. Desde então, foi ladeira abaixo: o barril caiu de 150 dólares em 2008 para 25 em abril deste ano. Que monopólio bonzinho…

    2) Se você afirma que algo é um monopólio, mas este monopólio reduz preços, então você está, por definição, dizendo que monopólio é bom para o consumidor.

    3) Dado que os preços do petróleo caíram, por que só a Exxon foi prejudicada? Por que não houve quebradeira geral? Era para ter havido.

    4) O que têm a ver OPEP e petróleo com Kodak, Nokia, Blockbuster, Toa 'R' Us, Yahoo!, MySpace, Xerox entre outras? Não entendi.

    "Se não fossem as leis anti truste hoje pouquíssimas empresas já dominariam todos os seus setores comprando indiscriminadamente possíveis concorrentes, isso quando não o fazem (Microsoft, Adobe, Coca Cola, etc)"

    Cite trabalhos acadêmicos repletos de notas de rodapé que comprovem esse seu contrafatual.

    O que realmente se sabe na prática é que todas as vezes em que o anti-truste foi usado, o objetivo era ajudar o ineficiente e prejudicar o eficiente. Sempre.

    Eis um compilado:

    www.mises.org.br/article/1999/o-sherman-act-e-a-origem-das-leis-antitruste--quem-realmente-se-beneficia-com-elas

    www.mises.org.br/article/1990/como-explicar-os-processos-antitruste-contra-o-google

    www.mises.org.br/article/1319/a-nova-lei-antitruste-brasileira-uma-agressao-a-livre-concorrencia

    www.mises.org.br/article/366/monopolio-e-livre-mercado--uma-antitese

    "Nossa que viagem esse artigo"

    De fato, a julgar pela sua participação, o efeito em você foi o de um alucinógeno.
  • Ex-microempresario  03/09/2020 20:52
    Nos anos 80, todo mundo achava que a IBM iria controlar o mercado de informática para sempre.
    Nos anos 90, todo mundo achava que a Microsoft iria controlar o mercado de informática para sempre.
    Todo mundo achava que ninguém conseguiria desbancar o Orkut.
    Todo mundo achava que ninguém conseguiria desbancar o Yahoo.
    Todo mundo achava que ninguém conseguiria desbancar a Nokia.
    Todo mundo achava que ninguém conseguiria desbancar a Compaq.
    E isso só na área de tecnologia.

    O problema de gente como esse "Ferrari" é que sua visão de mundo é rasa como piscina de criança e curta como coice de porco.
  • Felipe  11/09/2020 02:18
    Petrobras reduz em 5% os preços do diesel e da gasolina

    Provavelmente graças ao preço do petróleo que caiu nas últimas semanas (ao menos em reais). Preço de combustível tinha que parar de ser controlado desse jeito e privatizar a Petrobras pois, apesar do fim do monopólio de jure, ela tomou conta de todas as jazidas e é difícil concorrer com uma estatal cheia de privilégios, ainda mais num setor regulado ao extremo que é aqui no país. Ou o Bolsonaro simplesmente deixar a Petrobras estatal e abolir a ANP e o Ibama.
  • Trader  11/09/2020 03:03
    Sim, o barril caiu forte nas últimas duas semanas. Veja a evolução da cotação do Brent em reais.

    ibb.co/VDnQ4XN
  • Felipe  11/09/2020 03:48
    Preço do etanol deu uma avançada. Como a nossa gasolina é aquela maravilha com 27% de etanol, então somos reféns também da angiosperma. Se o etanol fica mais caro, a gasolixo também fica. E então tem as safras, se dá um probleminha de seca, ou de chuva em excesso...


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