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Trinta anos este ano: o Muro de Berlim não foi um acidente histórico
O socialismo não é apenas pobreza: é pobreza carcerária

O Muro de Berlim foi erguido pela socialista República Democrática da Alemanha no dia 13 de agosto de 1961 e só foi derrubado pelo povo no dia 9 de novembro de 1989.

Foram o equivalente a 28 anos, dois meses e 27 dias dividindo famílias, amigos, companheiros de trabalho e conterrâneos dentro da capital alemã.

Neste ano de 2019, comemoraremos 30 anos de sua derrocada. Isso significa que os berlinenses já estão reunificados por mais tempo do que foram mantidos separados pelo socialismo.

Esta data constitui uma excelente ocasião não apenas para celebrar a restauração das liberdades mais básicas para os berlinenses, como também para denunciar novamente a monstruosidade em que, necessariamente, todos os regimes socialistas acabam se transformando.

O Muro de Berlim não foi um acidente histórico

Como é próprio da história, o passar do tempo tende a suavizar — e até mesmo a ofuscar — as causas dos eventos e a ser mais cordial e tolerante com os responsáveis diretos.

Olhar friamente os relatos históricos dá a entender que o Muro foi apenas um pitoresco acidente histórico, uma frivolidade feita por um regime megalômano — uma frivolidade sem nenhuma conexão com o substrato ideológico desse regime.

No entanto, o muro da vergonha socialista não foi nenhum acidente histórico: foi, isso sim, a consequência natural e inexorável de uma ideologia que institucionalizava a exploração do homem pelo homem, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, dizia estar abolindo essa exploração.

Só que a exploração — a verdadeira exploração, aquela baseada na repressão sistemática da liberdade — é inerente à ditadura do proletariado: não porque a ditadura afirma saber sem ambiguidades qual deve ser o destino dos não-proletários, mas sim porque, inclusive dentre os proletários, existem várias divergências de interesses entre eles, divergências essas que a ditadura socialista só pode resolver por meio da coerção estatal — isto é, chancelando e exercendo o uso da força policial e militar em prol de alguns proletários e em detrimento de outros proletários (na realidade, em prol dos quadros com maior poder dentro da burocracia socialista e em detrimento do coletivo dos proletários).

E todo regime assentado sobre a selvagem escravização do homem pelo homem terá de erigir muros para impedir que os escravos fujam do jugo de seus senhores, especialmente quando existem sociedades muito mais livres ao redor. 

Afinal, sem um celeiro de cobaias não há paraíso socialista. Por isso, os muros de contenção são imprescindíveis: não para evitar que as "massas depauperadas pelo capitalismo" emigrem em debandada para os paraísos socialistas, mas sim para evitar que as "massas enriquecidas pelo socialismo" sejam tentadas a fugir para o inferno da exploração capitalista. 

O socialismo inevitavelmente exige muros

Ao passo que o socialismo promete criar o paraíso na Terra, ele entrega apenas o inferno político, social e econômico do qual a maioria da população ardorosa e desesperadoramente deseja fugir.

Por isso, aos regimes socialistas não resta outra solução senão estabelecer rígidos e violentos controles de fronteiras, bem como construir barreiras mortíferas para evitar a travessia de pessoas. E a intenção não é evitar que as hordas de trabalhadores explorados pelo capitalismo adentrem em massa o Éden socialista, mas sim impedir que os proletários fujam aos milhões desse Éden socialista com destino a essa máquina exploradora e alienadora que supostamente é o capitalismo.

A República Democrática da Alemanha não foi uma exceção a esta regra, não obstante se tratasse de uma das sociedades mais ricas do planeta. Entre 1949 e 1961 — ou seja, antes da construção do Muro —, 3,8 milhões de pessoas abandonaram a Alemanha Oriental para se instalar na Alemanha Ocidental: aproximadamente 20% da população (vide gráfico abaixo).

Para se ter uma perspectiva desta calamidade migratória, vale lembrar que o número de refugiados que escaparam da Síria em decorrência de sua devastadora guerra foi de 5,5 milhões para uma população original de 22 milhões, ou seja, 25% de seus habitantes.

Ou, dito de outra maneira, os efeitos do estabelecimento do socialismo sobre uma população foram análogos aos de uma guerra civil — e o fato é que a ditadura socialista não é outra coisa senão guerra e perseguições permanentes de uma parte da sociedade à outra.

Esta intensa e irrefreável migração da Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental acabou por forçar a nomenclatura socialista a impor, já a partir de meados da década de 1950, estritos controles sobre a fronteira do lado oriental: ali foram sendo progressivamente erguidos alambrados e barreiras de metal, bem como uma zona de acesso restrito, a cinco quilômetros da fronteira, repleta de minas anti-pessoas e valetas anti-veículos para obstaculizar qualquer tentativa de fuga.

guardasmuro.jpgUma vez controlada a fronteira que separava as duas Alemanhas, ainda faltava resolver o problema específico de Berlim: uma cidade submetida a duas jurisdições distintas, onde a abolição da livre circulação de pessoas seria não apenas mais complicado do ponto de vista técnico, como também muito mais desagregador do ponto de vista humano e comunitário.

Para o socialismo real, no entanto, pouca importava este sofrimento: frear a sangria de exilados, a qual ilustrava de maneira prática e viva para o resto do mundo o fracasso do regime, constituía um objetivo prioritário. Esse êxodo em massa representava um enorme constrangimento tanto para o governo soviético quanto para o governo da Alemanha Oriental. Também representava uma enorme perda de mão-de-obra qualificada e de inúmeras ocupações profissionais. Assim, foi feita a opção pela restrição total, ainda que à custa de fraturar Berlim por meio da construção de um muro.

Consequentemente, no dia 13 de agosto de 1961, começou a construção do Muro de Berlim. O muro era constituído de tijolo e concreto, e levou dois anos para ser totalmente finalizado. Quando concluído, ele tinha 45 quilômetros de extensão e 2,74 metros de altura, com arame farpado no topo. Os guardas do lado oriental estavam sempre armados com metralhadoras e atiravam em qualquer um que tentasse cruzar o muro. Havia também uma área de 183 metros, entre o primeiro obstáculo e o muro, coberta de minas terrestres e patrulhada por cães policiais.

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Após o soerguimento de tão anti-humana e anti-natural barreira, o número de emigrantes caiu drasticamente: se, entre 1949 e 1961, 3,8 milhões de pessoas fugiram do socialismo ditatorial para o capitalismo, entre 1961 e 1988 apenas 600.000 conseguiram esta façanha (sendo que metade era formada por aposentados cuja saída foi autorizada pela Alemanha Oriental pelo simples fato de que eles não mais eram úteis como mão-de-obra socialista).

Outros conseguiram escapar sobre, sob e através do Muro. Alguns escaparam através da rede de esgoto que passava debaixo do muro. Outros cavaram túneis — o mais longo deles, o Túnel 57, tinha 153 metros, e 57 pessoas utilizaram-no para fugir para Berlim Ocidental em 1964.

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Figura 1: migração da Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental entre 1950 e 1995 (em milhares)

O Muro de Berlim resumiu perfeitamente a ideia, típica do século XX, do indivíduo como propriedade do estado. Por trás daquele muro, o governo da Alemanha Oriental dizia às pessoas onde elas deveriam morar e trabalhar, quais bens elas poderiam consumir, e quais recreações e entretenimentos elas tinham a permissão de ter. O estado determinava o que elas deveriam ler, ver e dizer. E elas não podiam sair do país — seja para visitar alguém ou para sempre —, a menos que isso servisse aos objetivos e interesses de seus senhores políticos. 

E se alguém tentasse sair sem permissão, ele poderia ser metralhado e abandonado à própria sorte, agonizando sozinho e sem ajuda, com outras pessoas sendo obrigadas a assistir à cena para se horrorizarem e abandonarem eventuais ideias de fuga.

O leste alemão hoje

Mais de 25 anos após a queda do Muro de Berlim, aquelas áreas da Alemanha que estiveram submetidas ao socialismo continuam mais pobres que as outras áreas da Alemanha que não adotaram o socialismo. Em 2014, no aniversário de 25 anos da queda do muro, o jornal The Washington Post fez uma reportagem mostrando como a Alemanha Oriental ainda apresenta níveis menores de renda, taxas de desemprego mais altas e, em geral, é menos próspera que o lado ocidental alemão. Esta situação fez com que a região oriental da Alemanha sofresse um êxodo de jovens, muitos dos quais se deslocaram para o oeste do país à procura de melhores empregos e maiores salários.

O leste alemão até hoje sofre as consequências das décadas que passou destruindo seu capital sob o domínio soviético. Como consequência, o leste está décadas atrasado em relação ao oeste em termos de acumulação de capital e aumento da produtividade do trabalho.

Durante a Guerra Fria, muitos oponentes do socialismo apontaram a Alemanha como o exemplo perfeito de como o socialismo destruía a prosperidade econômica. A piada recorrente era: se o socialismo não funcionou nem na Alemanha, como querer que ele funcione em qualquer outro lugar?

Conclusão

muroderrubado.jpgEmbora não exista mais na Alemanha, o socialismo real continua vivo em outras partes do mundo, e segue devastando sociedades inteiras, cujas pessoas, assim como ocorreu durante 10.316 dias na República Democrática da Alemanha, estão desesperadas para escapar do cárcere vermelho e que, exatamente por isso, são retidas por seus respectivos regimes autocráticos mediante barreiras naturais (o estreito da Flórida, em Cuba) ou artificiais (a "zona desmilitarizada" que fortifica a Coreia do Norte e o fechamento das fronteiras pelo governo da Venezuela).

O socialismo não é apenas pobreza: é pobreza carcerária. Por isso, ele necessariamente tem de construir muros ao seu redor: não para impedir que estrangeiros entrem buscando prosperidade, mas sim para impedir que os nativos fujam da miséria que ele inexoravelmente gera.

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autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Ex-Gestor  20/09/2019 17:31
    Libertário vivendo em Berlim. Faça a sua pergunta que eu respondo aqui.
  • Régis  20/09/2019 17:36
    Onde é melhor (mais barato e mais qualidade de vida): Berlim, Frankfurt ou Munique?
  • Cristiano  21/09/2019 19:07
    Moro em Berlim e ainda é possível ver claramente a antiga distinção entre os lados até o dia de hoje. Os bairros que formavam o antigo setor soviético se apresentam como imóveis pouco sofisticados e com uma arquitetura claramente diferente, além de ruas um pouco menores e menos vigor.

    Um fato histórico importante e esquecido por muita gente, mas relembrado por qualquer alemão tradicional de Berlim: O muro não trazia problemas apenas para quem estava no lado oriental, mas também no lado ocidental. Esta parte de Berlim se situava, basicamente, como uma ilha em torno de toda a região dominada pela URSS da Alemanha.

    A confiança dos investidores e incentivo para indústrias e negócio era mínimo. Muitos imóveis e infra-estruturas eram apenas mantidos à base de incentivos do governo (que queria manter "seu" lado da cidade) ou com o mínimo possível para funcionarem. Havia um receio constante do que os soviéticos poderiam fazer (tentar rolar os tanques e dominar o outro lado da cidade) e o acesso era limitado a via aérea e à algumas estradas (das quais um cidadão da Alemanha ocidental simplesmente sair da estrada por algum momento constituia-se um crime).

    Muita gente da Alemanha ocidental não queria mesmo vir morar aqui, apesar dos incentivos artificiais, considerando todas as outras opções de lugares para morar disponíveis nesta parte da Alemanha.
  • Thiago  20/09/2019 17:50
    Tão dizendo que a Alemanha está entrando em recessão. O dia a dia aí está demonstrando isso?
  • Pensador Puritano  20/09/2019 19:23
    Melhor encarar a recessão na rica Alemanha do que aqui em Pindorama.
  • Vinicius  20/09/2019 17:58
    Quão fácil é conseguir visto de trabalho falando alemão?
  • Pobre Mineiro  24/09/2019 18:31
    É difícil, muito difícil mesmo, o seu patrão terá que enfrentar horrores para conseguir um visto de trabalho para você.

    A Alemanha é um país extremamente burocrático, atolado na herança maldita das guildas e corporações de ofício de séculos atrás. Na Alemanha, até para varrer o chão, você precisa de um certificado de varredor de chão.

    Eu fui ajudante de cozinha numa feira em Munique, tive que fazer um cur$o fuleiro para poder ser chapeiro. E olha que eu estava trabalhando ilegalmente lá, sorte que meus patrões eram da Bulgária e por isso pouco se lixaram para minha situação, mas o curso eu tive que fazer. Um alemão nunca me contrataria naquela situação, pois temeria o todo poderoso e onisciente estado alemão.
  • Yuri  20/09/2019 18:01
    Eu estive em Berlim em 2014 e passei quase o dia todo na Bernauer Strasse, onde eles mantém uma parte do muro, como também algumas instalações que evitavam a fuga dos berlinenses.

    Lá também encontram-se partes de construções que literalmente foram cortados pelo muro. Construções estas que permitiram muitos escaparem do comunismo pelas janelas de seus imóveis.

    E também algumas ruínas que pereceram por conta do muro, no caso o sino da "Igreja da Reconciliação", que apesar do irônico nome, ficava ao lado do muro, e foi demolida para dar visão aos guardas da fronteira.

    Estar naquele local, ver de perto aquele memorial, te faz refletir sobre as pessoas que ficaram presas nesta parte da cidade, e o que elas passaram.

    Espiar pelas frestas das muretas do lado comunista, andar pela parte que antes tinha a "Linha da Morte", no qual qualquer travessia a pé era morte certa, dá uma vaga idéia do como o alemão oriental deve ter se sentido preso, e sem esperanças.

    Na minha opinião, um memorial que deve ser preservado, para que as gerações futuras lutem e preservem a liberdade.
  • Amarildo  20/09/2019 17:39
    Muito bom. É sempre importante não esquecer o que foi o chamado "socialismo": a ditadura mais odiosa e implacável de toda a história humana, deixando o nazismo muitos anos-luz atrás, no segundo lugar das maiores escravidões da Humanidade.

    Parece que o ser humano gosta de ser escravo, pois permitiu que duas chagas ("socialismo" e "nazismo") acontecessem num mesmo século. Lamentável!
  • Luís  20/09/2019 17:48
    Não, não é que o ser humano goste de ser escravo. Ele não gosta. O que acontece é que ele está programado para seguir uma liderança, pois era assim nos primórdios dos tempos, quando a vida somente era possível se um indivíduo pertencesse ao grupo. O socialismo, a meu ver, se utiliza desse expediente para reinar, impondo regras desumanas a todas as pessoas que vivem em determinado território.

    O socialismo procura, enfim, juntar o instinto de alguns para exercer o comando com a passividade de muitos em seguir uma liderança. As pessoas também são culpadas dessa situação, porque, em vez de buscarem soluções para os problemas pessoais por conta própria, esperam que o poder constituído (Estado) lhe traga as soluções. Vemos muito disso aqui no Brasil (não interessa qual seja o governo) e é por isso que o nosso País ainda fica flertando com todos os tipos de estatismos, e continua acreditando em falsos profetas.
  • anônimo  20/09/2019 17:41
    Reparem como os socialistas estão sempre levantando "muros" entre as pessoas:

    - empregadores x empregados

    - homens x mulheres

    - brancos x negros

    - heterossexuais x homossexuais

    - religiosos x não-religiosos

    - pagadores de impostos x recebedores de bolsas

    etc.
  • Dalton C. Rocha  20/09/2019 18:15
    Em resumo: Luta de classes morta; lutas de bichos, florestas, gays, raças e sexos estão todas postas.

    "Continuo detestando a racialização do Brasil, uma criação – eu vi – do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Nossa maior conquista – o conceito de povo brasileiro – desapareceu entre os bem-pensantes. Qualquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso." E concluiu: "Quero que as raças se fodam." > istoe.com.br/racializacao-e-uma-histeria-que-tem-que-parar-diz-secretario-do-rio/
  • Sílvio  20/09/2019 17:44
    Aproveitando o tema e lembrando a atual insurreição do povo de Hong Kong contra o governo chinês, eis uma parte do primeiro episódio da série do Milton Friedman, Free to Choose. O trecho começa a partir dos 22:57 minutos e tomo a liberdade de transcrevê-lo:

    "Essas pessoas estão cruzando duas sociedades muito diferentes. Este é Lo Wu, o posto de fronteira oficial entre a China e Hong Kong. E deste lado da fronteira as pessoas são livres não só no mercado, mas em suas vidas em geral. Elas são livres para dizer o que quiserem, escrever o que quiserem, fazer praticamente tudo o que lhes convém. Não tanto daquele lado. É por isso que as pessoas na China que não conseguem a permissão para sair tomam medidas desesperadas para escapar. Elas arriscam suas vidas no processo. Muitas chegam a perdê-las, mas isso não impede que outras continuem a seguir seu exemplo. Algumas são atraídas pelo padrão de vida material mais alto em Hong Kong. Mas mais (pessoas), pelo desejo humano natural de ser livre.

    As pessoas que conseguem a autorização oficial para deixar a China são afortunadas. Elas serão capazes de se beneficiar da liberdade econômica que encontrarão em Hong Kong. Mas o mais importante é que isso lhes dará uma liberdade muito mais ampla.

    A liberdade humana e política nunca existiram e não podem existir sem uma grande medida de liberdade econômica. Aqueles de nós que foram tão afortunados de nascer em sociedades livres tendem a considerar a liberdade como garantida e pensar que é um estado natural da humanidade. Não é. É algo raro e precioso. A maioria das pessoas ao longo da História e a maioria das pessoas hoje viveu sob condições de tirania e miséria, não de liberdade e prosperidade. A demonstração mais clara de como as pessoas valorizam a liberdade é a forma de como elas votam com seus pés quando não têm outra maneira de votar.

    Hong Kong está muito longe de ser uma utopia. Ela tem favelas, tem crimes e tem pessoas desesperadamente pobres. Mas as pessoas são livres. É por isso que, no fim das contas, muitos vêm para cá. A despeito de terem de viver em barcos-casa que vazam em uma das diversas pequenas baías de Hong Kong, aqui elas têm a liberdade e oportunidade de melhorarem a si mesmas para melhorar suas vidas. E muitas são bem sucedidas.

    Há uma enorme parcela de pobreza no mundo, em qualquer lugar. Não há um sistema que é perfeito. Nenhum sistema irá eliminar a pobreza por completo (seja qual for sua definição). A questão é: qual sistema tem a maior chance, qual é o melhor arranjo que possibilita os pobres melhorarem suas vidas? E a verdade é que as provas históricas falam em uníssono. Não conheço qualquer exceção a esse preceito. Se você comparar os semelhantes, quanto mais livre o sistema, melhor as pessoas pobres comuns estarão."



  • Professor da Unicamp  20/09/2019 17:49
    Ainda hoje, o Muro de Berlim remanesce a mim como um fantasma doloroso: uma sagrada medida emergencial da liderança socialista para defender seu povo contra o capitalismo, que permanecia com suas hordas coloridas de bens e serviços acessíveis a espreitar do outro lado da muralha, munido de tanques de pasta de dente, fuzis de papel higiênico e artilharia de rock n'roll; todas futilidades desnecessárias que quase não existiam entre os proletários honestos e bons da Alemanha Oriental.

    Os bárbaros, porém, venceram. Perderam os artistas de todo mundo, os catedráticos de departamentos das humanidades, perdeu a classe política socialista e justa de todo mundo e principalmente, perderam-se as crianças de Berlim Ocidental: não mais escutarão de seus mestres lendas e fábulas sobre o paraíso socialista por trás de sua muralha defensiva e carregarão o fardo de formar-se com apenas uma abstração do que teria sido o grandioso experimento estatal, apenas sonhando cada dia em recriá-lo sem ao menos poder vê-lo e tocá-lo.

    Torçamos para que mais portões sejam erguidos, mesmo que marítimos.
  • Universitário da Fefeleche, 37 anos  20/09/2019 17:58
    Bravo, companheiro!

    Os néscios até hoje não entenderam que o Muro era, na verdade, um "Muro de contenção antifascista"! Ele foi erguido justamente para impedir a invasão de burgueses (i.e. fascistas) ao Éden socialista. E funcionou maravilhosamente bem: após sua ereção, nenhum burguês (i.e. fascista) se atreveu a invadir nosso paraíso, permitindo assim que mais trabalhadores usufruíssem da abundância permitida pelo socialismo.

    Enviado do meu iPhone X
  • Ciro Gomes  20/09/2019 21:30
    Veja bem, eu não sou socialista, então devo discordar pontualmente de vocês dois, planejamento econômico não funciona, e nem neoliberalismo, precisamos de um meio termo, como diria os orientais, o caminho do meio..Por isso, o cambio deve ir a 6 R$ e os juros a zero(6 esta na metade de 12 e entre zero, e zero dos juros esta entre a metade dos juros negativos e 1 , que seria um juro muito alto e estimularia o rentismo); O importante é estimular a demanda para que o governo possa arrecadar mais, zerando o deficit via consumo do próprio povo e governo, um moto-perpetuo;
    Socialismo nunca funcionou em lugar nenhum do mundo. Mas, eu digo isso respeitosamente. Se não fosse marx, provavelmente as garras do neoliberalismo seriam predominantes em nossas faculdades de economia e não teriamos o nascimento da CEPAL, do qual eu devo muito e meus amigo$ da FIE$P também;


  • Estado o Defensor do Povo  22/09/2019 00:11
    Apenas deixe todos os problemas em minhas mãos, eu irei resolvê-los com minha infinita sabedoria, irei controlar a tudo e a todos para impedir a exploração aos mais necessitados, mais Eu menos Mises.
  • Paulo  20/09/2019 17:53
    Ou seja, a guerra no campo econômico é besteira, os marxistas perderam ela há décadas, a cultura é o mais importante de tudo, as pessoas precisam ser "vacinadas" contra as ideologias marxistas e contra o vírus progressista. Daí a importância de ouvirmos tudo que Olavo de Carvalho tem a ensinar sobre esse tema crucial.

    Aliás, ele recentemente trouxe uma perspectiva TENEBROSA. De volta ao governo, os esquerdistas cairão na jugular dos não-companheiros. A esquerda sacramentará a entrega do poder militar efetivo aos sovietes do CV/PCC/penduricalhos. Os súditos só terão como se defender apelando a outra força militar paralela.

    Por isso, a sua recente exortação à união em torno da pessoa de Jair Bolsonaro toma uma dimensão militar (lato sensu) mais clara.
  • Guilherme  20/09/2019 17:59
    Os marxistas nunca perderam guerra nenhuma, eles usam a própria "economia de mercado" para prosperar. Não há comunista pobre, os que são pobres são idiotas úteis, pois se fossem inteligentes não apoiariam tal loucura. É sempre o mesmo em todo lugar, um grupo/casta assume e usa o "poder do estado" para seus próprios fins, fazendo de todo o resto meros servos.

    "O capitalismo vai enforcar-se com a própria corda" - Karl Marx

    Marx errou: não, não vai. O capitalismo será sempre domado por essa corda.

    Sem dúvidas no mundo das ideias eles são absolutamente dominantes.
  • Brescia  24/09/2019 18:37
    O polilogismo, a possibilidade de existência do socialismo e do comunismo, a passagem do socialismo estatista ao comunismo anarquista, a irracionalidade da alocação de recursos no mercado foram refutados por Ludwig von Mises.
    O valor de uso objetivo, o valor-trabalho e a teoria da exploração/mais-valia foram refutados por Carl Menger, Stanley Jevons, León Walras e Eugen von Böhm-Bawerk.
    A "inaplicabilidade" das leis econômicas para um regime socialista foi refutada por Friedrich von Wieser, Vilfredo Pareto e Enrico Barone.
    O caráter científico do marxismo foi refutado por Karl R. Popper.
    A filosofia da história marxista foi refutada por Peter Kreeft, Francis Fukuyama, Eric Voegelin, Christopher Dawson, Ludwig M. Lachmann (indiretamente) e antecipadamente, por Santo Agostinho.
    O carácter proletário do marxismo foi refutado por Erik von Kuehnelt-Leddihn, refutando assim a "ideologia de classe".
    O polilogismo foi previamente refutado pelo argumento noológico de Santo Agostinho.
    O "primado da práxis sobre a teoria", a "verdade como produto da história" e outros foram refutados por Eric Voegelin usando o argumento etiológico de Aristóteles, antecipadamente por Aristóteles em seu argumento pela filosofia e por Martin Heidegger.
    A possibilidade de igualdade foi refutada pela Lei de Ferro das Oligarquias e pela Lei de Vilfredo Pareto.
    O imanentismo foi refutado por mons. Octavio Derisi, por Edward Feser e antecipadamente por Aristóteles e Santo Tomás de Aquino.
    O materialismo histórico-dialético foi refutado pelos mesmos que refutaram o imanentismo.

    Leia o livro "Sócrates encontra Marx", de Peter Kreeft, é um bom começo e mostra que praticamente nada essencial do marxismo sobrou.
  • Rodolfo Andrello  11/11/2019 13:02
    Preciso agradecer esse comentário que recomendou Sócrates encontra Marx, do Peter Kreeft. Já tinha lido dois livros desse autor e já imediatamente providenciei a mencionada obra com certeza de que a leitura seria útil e agradável.
  • Alfredo  20/09/2019 17:54
    Resumindo: como mostra ninguém menos que a rica Alemanha, não deixem que esquerdizem seu país, pois não tem conserto.
  • Bernardo  20/09/2019 18:00
    Stalin tinha receio de que a cidade, primeiro, fosse financeiramente incorporada ao ocidente. De cara, isso já resultou no Bloqueio de Berlin e, mais tarde, nessa vergonha aí.
  • Andre  20/09/2019 18:13
    será que um dia as Coréias se unirão novamente? A do sul aguenta pagar a conta da reconstrução?
  • Ryan  20/09/2019 18:28
    Segundo a BBC:

    "Os rendimentos na Coreia do Sul são de 10 a 20 vezes mais elevados que na Coreia do Norte — uma diferença muito mais ampla do que aquela entre o leste e o oeste da Alemanha. Isso significa que, se ocorresse uma reunificação, o solavanco econômico seria muito maior.

    Mesmo hoje, os norte-coreanos que conseguiram desertar já descobriam que suas capacidades e qualificações estão muito aquém das exigências típicas na Coreia do Sul. Médicos que desertaram da Coreia do Norte frequentemente são reprovados nos exames médicos básicos da Coreia do Sul. Tudo isso indica que os esforços e dinheiro necessários para a reunificação seriam astronômicos em comparação a tudo o que ocorreu na Alemanha."



    Ou seja, em caso de reunificação, jovens trabalhadores do norte debandariam em multidões para o sul em busca de trabalho e educação. O norte passaria a ser uma terra de pensionistas empobrecidos vivendo exclusivamente de benefícios sociais pagos pelos trabalhadores do sul.

    Somente depois de várias décadas é que o capital começaria a se mover para norte. Na melhor das hipóteses, a Coreia do Norte passaria a ser caracterizada como um estado fronteiriço cuja economia se baseia na extração de recursos naturais, e cuja mão-de-obra tem de ser importada de outras partes do país, ou mesmo do estrangeiro.

    É claro que todo este processo poderia ser acelerado por meio de transferências forçadas de riqueza e capital pagos pelos habitantes do sul, mas isso obviamente implicaria um enorme custo para os sul-coreanos.
  • Dane-se o estado  23/09/2019 23:40
    E não iria adiantar de nada, pois seria destrutivo a economia geral como todo sistema de subsídio e cooptação corporativista característica já muito bem conhecida, exatamente como se faz aqui mesmo no Brasil, infantilizando o nordeste por exemplo. Além do fato que por mais despreparado intelectualmente que a galera do norte fosse, em duas gerações isso já estaria corrigido, pois os pais tendem a acumular recursos para que seus filhos tenham situação melhor, aprender trabalhos braçais para operar máquinas de lavoura e extração de minérios, não requer grande complexidade e qualquer matuto pode aprender, além do fato que, embora seja uma nação pobre e comunista, sabemos que eles tem algum grau de educação, "pois o glorioso e ser supremo ditador Kim" impõe isso, mesmo que seja altamente doutrinativa para exaltação do sistema.
  • Alaor  20/09/2019 18:43
    Onde as disparidades econômicas são mais gritantes? Sudeste x Nordeste do Brasil ou Oeste x Leste da Alemanha?
  • Felipe Lange  21/09/2019 02:58
    Brasil, provavelmente, principalmente em cidades no interior no Nordeste. A CLT fez um estrago gigantesco na região Nordeste, pois tiraram a possibilidade de acumular capital, com encarecimento artificial de mão de obra. A CLT está fazendo estragos desde a década de 30. O estrago comunista soviético se foi em parte da Alemanha, apesar das cicatrizes ainda existirem. Olhe o que era a região Nordeste no período colonial.
  • Artista Estatizado  21/09/2019 17:08
    Seu comentário é ótimo. Gostaria de ver essa questão da migração do capital para regiões com custo de mão de obra mais barata (o que tende a ir progressivamente aumentando esses rendimentos) abordada com mais frequência. As disparidades de renda entre diferentes cidades/estados/países são em grande parte mantidas artificialmente.
  • 4lex5andro  24/09/2019 17:22
    ''Ponto'' do Brasil, a disparidade é maior entre SE x NE.

    Sobretudo depois do governo fascista (de verdade, não o espantalho dos comunas de iphone) varguista que assolou o Brasil com o ''mind-set'' estatólatra que perdura ainda hoje, mesmo que abalado pela depressão econômica recente.
  • 4lex5andro  25/09/2019 13:15
    No Brasil, o desastre estatista redundou no contraste NE x SE, que de fato, parece maior.

    Deve-se isso aos governos desenvolvimentistas a partir do Estado Novo, do governo GV, até JK e o período militar que iniciou/continuou a industrialização do Brasil via endividamento em moeda estrangeira e criação/aparelhamento de estatais (vulgo CSN, Petrobras, por exemplo).

    Como no mesmo (des)governo GV (esse fascista de verdade) tão adorado por cepalinos foi criada a versão brasileira da 'carta del lavoro' (CLT) que além do êxodo rural, dos sertões nordestinos para as metrópoles do centro-sul, excluiu-os, como menos capacitados, letrados, dos empregos mais seguros.
  • Constatação  20/09/2019 19:47
    A abertura provocou uma cena curiosa.

    Centenas de alemães orientais em veículos Trabant aguardando para passar do lado oriental ao ocidental. Quando passavam e começavam a ver a miríade de BMW, Mercedes, Audi, Porsche e afins, era um espanto só. Pessoas descobrindo um mundo que até então lhes tinha sido vedado. O que teve de Trabant abandonado na rua ou vendido a preço simbólico não foi brincadeira. Hoje, é uma raridade, mas na época não valia praticamente nada.
  • Luis de Almeida Nobrega   21/09/2019 05:16
    O Brasil precisa urgentemente acabar com esse retorno das tendências do passado. A sociedade brasileira precisa evoluir, exterminamos milhões de índios, escravizamos milhões de negros e negamos a correção dessa triste parte de nossa história. Na América pelo menos houve uma "política compensatoria", embora diminuta, mas uma correção de rumo. No Brasil, insistimos na perpetuação das tendências do passado.
  • Constatação  23/09/2019 13:16
    Em que medida houve "compensações" para as tribos africanas escravizadas pelos seus próprios (ditos assim) irmãos de sangue?

    Qual foi a "compensação" dada aos escravos brancos dos grandes impérios da Antiguidade?

    Qual é a lógica para alguém da atualidade ser chamando a reparar o mal que NÃO FEZ a outra pessoa? Só se for pela ótica coletivista das responsabilidades, aquela que sutilmente ignora que, antes de existirem grupos, existem indivíduos.
  • Zuca em Tuga  21/09/2019 11:34
    O muro do Trump também corrobora a mesma ideia: o povo quer ir para onde pode ter vida melhor, não para onde o chefe ideológico diz onde é melhor.
  • Wesley  21/09/2019 20:15
    Eu fico pasmo ao ver comentários em redes sociais de alemães e brasileiros que moram na Alemanha falando que estamos numa ditadura, as vezes eu penso que seria legal a Alemanha aumentar seu socialismo, e os "refugiados"(me refiro aos folgados que não vão para produzir nada e mamam no estado) ferrando mais o país, e ele se tornando um país fechado kkkk(não sou mal, só estou pistola com os sociais democratas).
  • Estado o Defensor do Povo  22/09/2019 00:17
    Também penso assim às vezes, podem me chamar de ser desprezível e impiedoso o quanto quiserem, mas tem vezes que eu de fato torço pra que as pessoas se ferrem, principalmente socialistas quando defendem dar o "calote na falsa dívida contra os banqueiros", às vezes eu torço pra que eles façam mesmo isso pra verem o tamanho da merda que isso irá causar. Mas depois eu revejo meus conceitos e peço pra Deus perdoar meus maus pensamentos e manter minha humanidade.
  • Dane-se o estado  23/09/2019 23:41
    Esse tipo de gente quando faz merda, sempre arruma uma desculpa e alguém para jogar essa desculpa. Não adianta torcer para que estes canalhas se ferrem, devemos torcer para eles serem boicotados o máximo possível.
  • Consagrado  22/09/2019 11:05
    É a esquerda caviar. Vive em países capitalistas e rasga elogios ao socialismo. Gente assim só se cura com deportações em massa pra países como Cuba e Zimbábue. A Guerra Fria deveria voltar exclusivamente pra esse tipo de gente.
  • Conservado  22/09/2019 21:51
    Todo o esforço pra se livrar dessa tirania e os esquerdistas querem trazer isso de volta. Hoppe está certo, remoção física é a verdadeira solução.
  • Em busca da verdade  23/09/2019 16:45
    Olá, gente.

    O que vcs tão achando da queda recorde da selic? Será que vai ter bolha de ativos, por ex, no mercado de ações e imobiliário?
  • Andre  24/09/2019 00:54
    Nas palavras do próprio presidente do banco central, os juros estão abaixo dos juros estruturais, seja lá o que isso significa, vai desabar.
  • Tarantino  29/09/2019 22:46
    O conceito de paraíso dos socialistas é por demais semelhante ao conceito de inferno dos capitalistas.


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