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Não, o que diferencia o capitalismo não é a competição, mas sim a liberdade de escolha
Em termos de competição, o capitalismo é um sistema como todos os outros

O capitalismo é frequentemente descrito pelos seus detratores como "um sistema darwinista de competição", uma selva na qual apenas os mais fortes sobrevivem, e na qual os mais fracos e os menos capazes definham.

Já os mais comedidos simplesmente descrevem o capitalismo como um sistema "baseado na concorrência".

Curiosamente, vários defensores do capitalismo também parecem assimilar essa ideia de que o capitalismo é um sistema baseado na competição. Eles apenas contra-argumentam que essa concorrência, longe de ser um defeito, é na realidade a grande virtude do sistema, sendo ela a responsável por elevar o padrão de vida da população ao criar bens e serviços de melhor qualidade.

Em minha visão, isso é um erro. Aceitar a pressuposição de que o capitalismo é um sistema baseado na competição — em contraste a outros sistemas que hipoteticamente seriam de cooperação (como socialismo e comunismo) — significa aceitar um debate que já começa inteiramente moldado nos termos criados pelos seus detratores, de modo que, a partir daí, qualquer discussão já está contaminada e enviesada.

No âmbito estatal, a competição é selvagem

Obviamente, não estou criticando a concorrência. Nem poderia. Afinal, não fosse a concorrência entre produtores, com cada um deles se esforçando para ganhar acesso ao dinheiro dos consumidores, não haveria como vivenciarmos um progressivo aumento em nossa qualidade de vida em decorrência da contínua melhora observada nos bens e serviços que usufruímos — os quais, vale ressaltar, apresentaram quedas reais nos preços em decorrência exatamente desta competição.

A concorrência de mercado é o que aumenta a eficiência e reduz o preço real dos bens e serviços, ao mesmo tempo em que gera inovação. Dado que todos nós já estamos familiarizados com este argumento — até porque o vivenciamos diariamente —, é desnecessário ficar reforçando este ponto.

Adicionalmente, a alternativa à concorrência é o planejamento centralizado, no qual há um único fornecedor de bens e serviços, sendo ele quem decide "em nosso nome" como estes serão produzidos e alocados. Todas as sociedades que tentaram este arranjo se afundaram na miséria e no extermínio em massa.

O ponto aqui é outro.

Se os detratores do capitalismo consideram a competição de mercado algo ruim, por que o mesmo não se aplica à esfera política?

Peguemos a tão venerada democracia. Se a competição é um fator deletério e corruptor, então a democracia tem de ser o primeiro sistema a ser abolido. Afinal, o que fazem os políticos senão competirem acirradamente entre si para conseguir um cargo?

Pior: não apenas há essa acirrada competição entre partidos políticos, como também há uma vigorosa competição entre empresas, lobistas e grupos de interesse para ver quem consegue tratamento preferencial (subsídios, patrocínios, reservas de mercado etc.) de políticos e legisladores, tudo com o dinheiro do povo.

Se as pessoas que estão no mercado (a seção livre e voluntária da sociedade) vivem em um sistema de competição, o que dizer então do aparato estatal? O que dizer das pessoas que querem acesso a ele? A democracia é também um sistema de competição. E darwinista. Os políticos estão sempre competindo pelo acesso ao aparato de controle da sociedade. Estão competindo pelo "direito" de aprovar e impingir leis, legislações e políticas que serão aplicadas a todos e que afetarão a todos (queiramos nós ou não). Mais: tudo isso será compulsoriamente pago por nós.

Políticos e todas as pessoas que querem fazer parte do aparato estatal não estão simplesmente competindo por uma fatia de mercado, na qual o vencedor da competição é aquele que melhor satisfaz as demandas dos consumidores. Eles estão afetando diretamente a todos nós, a sem a nossa anuência.

O capitalismo é sobre trocas voluntárias

É óbvio que a competição, por si só, não é um mal. Longe disso. O problema é que definir o capitalismo como um sistema "baseado na competição" — em comparação a outros arranjos que supostamente são baseados na cooperação — é um truque retórico.

Aqueles que acreditam que o capitalismo é baseado na concorrência podem honestamente acreditar nisso, mas não é verdade. O capitalismo é um sistema tão concorrencial e competitivo quanto qualquer outro sistema. Concorrência e competição existem em todos os arranjos. Não é uma exclusividade do capitalismo.

Consequentemente, o correto seria dizer que o capitalismo (ao menos no ideal laissez-faire) é um sistema baseado em transações livres e voluntárias de bens e serviços, transações estas que ocorrem na ausência de coerção física, roubo, compulsão ou fraude, e é baseado no direito fundamental de ter e acumular propriedade.

Ou, em nome da brevidade: o capitalismo é um sistema de trocas voluntárias, baseado no direito de ter propriedade.

Sendo assim, é até possível concluir que o capitalismo é, com efeito, o sistema que mais apresenta as características de cooperação. Afinal, no capitalismo, a competição significa que os produtores têm de se esforçar para agradar seus clientes, e eles terão de agir assim exatamente porque visam ao seu interesse próprio. Em outras palavras, os vendedores cooperam com os consumidores, atendendo às suas necessidades e preferências.

Dado que há escassez, sempre haverá competição — em qualquer sistema

Não é a existência da propriedade privada ou da livre transação de bens que gera a concorrência. O que gera a concorrência é a escassez.

Em qualquer situação em que haja escassez de recursos, haverá alguma forma de competição pela apropriação destes recursos (bem como para decidir a maneira como esses recursos serão alocados).

Se houver um sistema que permita trocas voluntárias, alguma competição surgirá naturalmente neste arranjo. Mas a competição também surgiria em qualquer outro sistema. Mesmo se existisse uma sociedade completamente comunista, que fosse inteiramente planejada por um comitê central, e que não praticasse absolutamente nenhuma transação envolvendo dinheiro, ainda assim haveria competição, e por um motivo incontornável: o tempo das pessoas sempre será limitado.

Se você fosse, por exemplo, um cineasta nesta sociedade comunista utópica, você provavelmente iria querer que o máximo possível de pessoas assistisse ao seu filme. só que todos os outros cineastas iriam querer o mesmo. Isso colocaria você em concorrência direta com eles. Podemos então concluir que o comunismo também é um sistema baseado na competição? É certo que você estaria competindo pelo único cliente: o patrocínio do estado. Corrupção e compadrio certamente seriam o inevitável resultado. Quem terá seu filme financiado? Quem não terá? Quem ganhará o altamente cobiçado emprego de cineasta em vez do nada desejável emprego de varredor de rua ou de recolhedor de lixo? Como conseguir favores das autoridades? A competição será selvagem. Mas, em vez de ser decidida pelas transações livres e voluntárias dos espectadores, dos investidores e dos cineastas, ela será decidida por uma autoridade do comitê central — e de maneira bastante autoritária, eu apostaria.

A competição, em suma, continuaria existindo. Ela apenas seria de outra natureza: em vez de produtores competindo entre si para conseguir clientes, eles irão competir entre si para ver quem obtém mais favores da poderosa e corrupta estrutura do estado.

A competição é simplesmente uma característica inerente ao fato de que vivemos em um mundo de escassez. Ela existiria em qualquer outro sistema econômico. O socialismo não pode abolir a competição. Assim como nenhum outro sistema.

O custo de oportunidade significa que a competição está em todos os lugares

Quando você finalmente constata essa realidade, você percebe que a escassez faz com que a competição esteja muito além da economia.

Por exemplo, imagine que dois amigos distintos me convidem para um jantar em suas respectivas casas na mesma noite. Eu, obviamente, terei de optar por apenas um, o que fará com que o outro fique sem minha companhia. Isso por acaso significa que a amizade é um sistema baseado na competição?

Não podemos nos encontrar com todos os nossos amigos o tempo todo, ou mesmo com todos eles ao mesmo tempo. E, mesmo se conseguíssemos, teríamos de dividir nossa atenção entre eles. Adicionalmente, não somos íntimos de todos eles, de modo que apenas alguns serão realmente amigos. Não dá para ser amigo íntimo de todos. Tudo isso significa que inevitavelmente teremos de fazer escolhas. E, com elas, renúncias. No final, não importa quais critérios você utilizará para escolher quais amizades priorizar: você estará optando e decidindo; escolhendo alguns e isolando outros. Em alguns casos, você pode acabar isolando pessoas que adorariam ter a sua companhia. Mais: ao optar por priorizar amizades, você terá de sacrificar outras atividades que gostaria de fazer, apenas para ficar na companhia deles.

Estes são fatos básicos da vida, pelos quais todos nós já passamos. Mas eles não fazem com que a amizade seja vista como um sistema de competição.

Similarmente, no mercado, nossos recursos e tempo são limitados. Estamos, a todo o momento, fazendo juízos de valor, escolhendo quais produtos e serviços iremos consumir tendo por base a utilidade que imaginamos que eles nos trarão. Ao fazermos isso, sacrificamos algumas opções em prol de outras. Talvez iremos escolher uma cafeteria que tenha o café mais saboroso. Ou então aquela que tem o melhor ambiente. Ou talvez aquela que é mais próxima. Ou aquela outra cujo serviço é o melhor. Ou então aquela que é a mais barata. Ou quem sabe aquela a que sempre fomos e com a qual estamos mais familiarizados. Ou talvez aquela que implantou atitudes mais "socialmente conscientes" — a que sempre privilegiou a contratação de deficientes físicos, por exemplo. O fato é que nós decidimos.

Cada provedor de serviços acredita que irá se beneficiar de nossa clientela e fará diversas tentativas de nos atrair, seja melhorando a qualidade dos serviços, seja reduzindo (os mantendo baixos) os preços, o que corretamente podemos identificar como uma forma de competição. Dado que seres humanos não são infalíveis, em algumas ocasiões alguém irá comprar um café do qual não irão gostar; mas, no longo prazo, a competição tenderá a ser vencida por aqueles que agradarem de maneira melhor e mais consistente seus clientes.

Os benefícios da liberdade de escolha

O fenômeno realmente miraculoso que ignoramos ao concentrarmos nossa atenção na concorrência é a própria capacidade que temos de fazermos escolhas.

Por exemplo, suponha que dois eventos comerciais estejam ocorrendo na mesma tarde. Cada cliente potencial irá escolher aquele evento que mais lhe seja atraente, utilizando para isso uma variedade de critérios subjetivos. Entretanto, simplesmente dizer que esses dois eventos são "concorrentes" seria ignorar completamente o ponto essencial: os frequentadores destes eventos (que são muito mais numerosos que os organizadores destes eventos) podem escolher entre dois eventos. Muito melhor ter a opção de dois (e inclusive optar por nenhum) do que ter apenas a opção de um. Com efeito, pode até ser possível ir aos dois na mesma tarde, sacrificando o tempo que ficam em cada um.

Sendo assim, a realidade é que há muito mais cooperação envolvida no ato fornecer bens e serviços às pessoas do que há competição. Para conseguir fazer qualquer coisa no mercado, você tem de cooperar com compradores, vendedores, administradores, gerentes, empregados, fornecedores, clientes, anunciantes, promotores de eventos, comerciantes, negociantes, compradores coletivos etc.

O clássico ensaio Eu, o Lápis ainda continua sendo o melhor exemplo ilustrativo disso: quando você se dá conta da quantidade de pessoas, nos mais distintos lugares do mundo, trabalhando conjuntamente para fabricar um simples lápis de madeira — e cada um buscando apenas seus próprios interesses financeiros —, é inevitável não se maravilhar ao constatar como realmente funciona todo este arranjo empreendedorial. Essas pessoas, que nem se conhecem, estão atuando em conjunto, em cooperação, e o resultado é que você consegue comprar um lápis — algo que jamais conseguiria fabricar sozinho — por centavos.

A competição no mercado é o que permite a escolha em meio à escassez

Dado que os recursos são escassos e o tempo sempre é limitado, as pessoas têm de fazer escolhas. Consequentemente, a competição sempre será uma parte inerente a todo e qualquer sistema econômico. Enquanto vivermos em um mundo caracterizado pela escassez, haverá competição.

A característica precípua do capitalismo de livre mercado não é a competição, mas a liberdade de escolha. Pessoas que criticam a competição no capitalismo estão, na prática, pedindo para que o estado substitua a competição entre produtores para ver quem obtém mais consumidores voluntários por uma competição entre produtores para ver quem obtém mais favores do governo. Em vez de produtores tentando convencer consumidores a voluntariamente gastar seu dinheiro em uma ampla variedade de bens e serviços, cada vez mais vastos, teremos produtores tentando convencer políticos a coercivamente tomar dinheiro da população para lhes repassar na forma de subsídios e demais protecionismos.

Compare o arranjo capitalista com arranjos corporativistas e socialistas: em todos há competição, mas apenas no primeiro há liberdade de escolha para os indivíduos.

Compare o livre mercado com outros sistemas nos quais a competição é feroz para ver quem consegue obter mais favores de burocratas em cargo de poder: é nestes que realmente há a "lei da selva" e a "sobrevivência do mais forte".



autor

Antony Sammeroff

  • Pobre Paulista  14/02/2019 16:57
    Sensacional.
  • 4lex5andro  18/02/2019 17:04
    Marcando. Sempre vai haver competição, seja da oferta ou demanda, só mudam os lados.
  • Carlos Lima  14/02/2019 16:58
    A única maneira que vejo de aceitar a existência do estado seria se os incompetentes que vivem debaixo das suas asas concorressem em igualdade de condições com a livre iniciativa. Óbvio que existe muita malícia aqui, porque o estado entrando na competição equivaleria à sua auto-extinção, face à total ineficiência dos serviços que costuma prestar.
  • Capital Imoral  14/02/2019 17:00
    O Capitalismo é simplesmente uma máquina de moer carne humana. O sistema aproveita a desigualdade natural que há no ser para criar deuses e escravos medidos unicamente por uma regra moral, onde a liberdade é apenas um complemento propagandístico. A humanidade nunca pediu pela liberdade; queriam apenas paz. Será que o capitalismo é capaz de fornecer paz? Impossível. A paz é algo interior que só pode ser conquistada após o absoluto controle. Como ter paz quando você não sabe como será o dia de amanhã? O funcionário privado é um escravo da instabilidade; o funcionário público, por outro lado, é o único que pode dizer que tem paz.

    Devemos matar a desigualdade natural que há no ser; devemos implementar um sistema biológico que acabe com o egoísmo; devemos implementar um controle mental; devemos criar um homem novo. Todos devem viver da terra, para terra, em plena igualdade e paz. Nunca pedimos pela liberdade e não queremos a liberdade. Isso é uma invenção da Maçonaria.

    Que vá para o inferno você e sua liberdade.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Pensador capaz  14/02/2019 18:43
    Funcionário público tem paz,quê eu saiba boa parte deles vivem nas mãos de agiotas e financeiras da vida,enfim um bando de endividados e deprimidos.
  • Jose Sendra  14/02/2019 23:32
    Funcionário público só tem paz porque quem está na iniciativa privada o sustenta com impostos. Fossem todos funcionários públicos não haveria paz porque viveriam na miséria.
  • DE LUCA  15/02/2019 13:33
    SEGUNDO O CAPITAL IMORAL Devemos matar a desigualdade natural que há no ser; devemos implementar um sistema biológico que acabe com o egoísmo; devemos implementar um controle mental; devemos criar um homem novo. Todos devem viver da terra, para terra, em plena igualdade e paz. Nunca pedimos pela liberdade e não queremos a liberdade. Isso é uma invenção da Maçonaria
    CONSIDERAÇÕES
    Quem queria o homem ideal foi Hitler e Stalim
    controle mental, você seria o primeiro a ter fios enfiados no seu cérebro
    se todos forem iguais todos gostariam das mesmas coisas estudariam a mesma coisa, vida de abelha?
    paz? mesmo discursinho de miss universo? nem as bacterias vivem em paz, paz é para os preguiçosos, nem você acredita nisso pois vem aqui comentar
    nunca pedimos liberdade, parabens os cubanos devem aplaudir sua ideia, alias ditadores também
    se voce não quer a liberdade, problema seu, roube alguem e vá para cadeia. eu quero liberdade
    capital imoral deveria trocar seu nome pela postagem de CAPITAL VEGETAL

  • Marcel Leoni Pacheco  23/09/2019 23:04
    Bem observado Estudioso.
  • Carlos Lima  17/02/2019 17:39
    GOVERNADOR PETISTA PRIVATIZA SUPERMERCADO ESTATAL: a incompetência dos funcionários públicos é tão grande que o único supermercado estatal no brasil estava falido, sobrevivendo com generosas injeções de dinheiro tirado do povo. em 2014, segundo a matéria, recebeu uma ajudazinho de 15 milhões. só que os "subsídios" começaram a escassear, talvez porque a grana extorquida do povo precisa ser transferida PRIMEIRO pros políticos, classe que reúne o que existe de pior neste país. aí faltou pros parasitas do "cesta do povo". rsrsrsrsrs...

    LEIA A MATÉRIA COMPLETA EM: www.mises.org.br/Article.aspx?id=2004



  • Renato  25/09/2019 06:27
    Já fui funcionário público e nunca tive paz no meu serviço. Pelo contrário. Era só problemas, intrigas, conversas jogadas fora. E não ganhava bem não. E via vários funcionários deprimidos também. Acho que não dei sorte ou o lugar era diferente dos outros. Cai fora. Na iniciativa privada posso ganhar mais, aprender mais e até empreender. E seu discurso está igual a de um militante comunista. Quem sabe você não aprende alguma coisa de útil lendo a página do Mises, que é muito boa para nos fazer refletir.
  • Mrv  26/09/2019 18:30
    Agora vc descreve e fala pela humanidade, como se tivessem lhe dado o poder para falar em nome de todos???

    Como haveria paz sem liberdade?!?!
    A partir do momento que o indivíduo é impedido de ser livre, dá início a insatisfação. Que por sua vez gera raiva, ódio, revolta e agressão.

    Estabilidade não existe! E não vai ser no setor privado e muito menos no setor público que irá fornecer estabilidade eterna.
    Se vc quiser viver as custas dos outros sem fazer nada, o setor público irá lhe atender muito bem. Afinal, sempre vendeu a falácia da tal estabilidade. O setor público é um sistema coercitivo imoral que detém a força e o poder concentrado, sobrevivendo as custas de quem produz.
    No setor privado vc tem que se dedicar, se esforçar e melhorar constantemente, senão como irá viver? Mas quem gosta de mamata não gosta de trabalhar, né? Por isso se agarram ao estado para usufruir dos benefícios que só o estado pode oferecer as custas dos outros que se dedicam no setor privado!

    Esse último parágrafo que escreveu de: ''Devemos matar a desigualdade natural que há no ser; devemos implementar...'', mais parece um discurso autoritário e totalitario. E ainda por cima manda pro inferno a liberdade dos outros?!
    Fico abismado em qual seria o mundo vc gostaria de viver, pq seu pensamento me pareceu, no mínimo, um tanto quanto maníaco.
  • Marcos  31/10/2019 15:29
    Feito então, Capita Imoral. Está revogada a partir de agora, a sua liberdade se "querer" e a sua liberdade de "pensar". Se estiver disposto, poderemos sem problema algum, revogar também a sua liberdade de "existir". Por mim tudo bem. Temos um acordo?
    ????????????
  • Cristiano  14/02/2019 17:05
    "O capitalismo é um sistema de trocas voluntárias, baseado no direito de ter propriedade."

    Eu sempre disse que é impossível argumentar contra o capitalismo se a ideologia for corretamente definida. E a definição do autor é excelente. Aliás, toda a argumentação é um excelente ponto de partida para os defensores do capitalismo.

    Parabéns ao autor pelo insight. Muito bom.
  • Eliseu  14/02/2019 17:10
    É só ver a situação da Venezuela, onde as pessoas saem no braço nos supermercados para conseguir algumas migalhas restantes e onde os corruptos e poderosos estão se empanturrando no poder, para constatar qual é o sistema no qual realmente impera a lei da selva e a sobrevivência do mais forte.
  • Vladimir  14/02/2019 17:15
    Sim, o socialismo inverte totalmente a relação entre ofertantes e consumidores. No livre mercado, os ofertantes de bens competem entre si para receber o apoio de milhões de consumidores. No socialismo, milhões de consumidores competem entre si (e se matam) para receber migalhas de um só ofertante.

    E há quem diga que o segundo arranjo é mais humanitário...
  • Revoltado  14/02/2019 17:15
    A cena mais chocante do socialismo venezuelano é ver o ditador MAduro numa churrascaria turca comendo um prato que pode custar até 3.000 dólares, enquanto o povo comum revira lixo por algo comestível.
    O socialismo é o feudalismo da era moderna. Fato!
  • Miguel  14/02/2019 17:20
    Tinha lido esse artigo no Mises original. É simplesmente brilhante. Eu já venho estudando economia autonomamente há um tempo e sempre caía na armadilha de dizer que o mercado é um sistema de competição. É a primeira vez que vejo alguém falar sobre isso. Excelente!
  • Régis  14/02/2019 17:40
    Sim, foi uma das melhores apologéticas que já li sobre o capitalismo recentemente. Honestidade intelectual, profundidade, pensamento lógico e claro e boa escrita. Como dizem os americanos, keep'em coming!
  • William  14/02/2019 17:50
    O autor foi ao cerne da questão. A discussão e as acusações da esquerda nunca foram sobre concorrência e competição, mas sim sobre direitos de propriedade. O que é o que os socialistas e os marxistas estão sempre tentando tomar? Exato, direitos de propriedade. Eles querem que você seja um escravo deles. Concorrência e competição passam longe da preocupação deles.

    Quando você estiver discutindo com um coletivista jamais se esqueça de que o que realmente o aborrece são os direitos individuais. O coletivista sempre irá falar de direitos coletivos e grupais, pois essa é a única maneira de fazer com que você vire um escravo.
  • Wellington  14/02/2019 17:24
    Eu acho a concorrência e a competição sensacional em todas as áreas, e exatamente por isso já passei aperto tentando explicar porque eu detesto a democracia, que nada mais é do que um jogo explícito de concorrência direta. Era uma contradição que eu mesmo não sabia contra-argumentar. Obrigado por (sem querer) me ajudar a entender a big picture.
  • Tulio  14/02/2019 17:35
    Excelente artigo com jeito novo e original de ver o sistema de livre mercado. Ótimos argumentos para ser usado em qualquer discussão.

    Gostaria só de acrescentar que a concorrência real não é estritamente necessária para um livre mercado funcionar. Basta que a concorrência potencial seja possível. Mesmo se houver apenas uma empresa em um determinado setor, a simples possibilidade de que um concorrente possa surgir e oferecer produtos melhores e mais baratos já basta para manter essa empresa ocupada tentando inovar e descobrir novas maneiras de satisfazer os clientes.

    Obviamente, a única entidade que pode bloquear o surgimento de um eventual concorrente e garantir uma reserva de mercado é o estado.
  • Augusto   14/02/2019 17:42
    Isso que você falou foi aprofundado neste artigo, que é antigo mas excelente. Um dos melhores do site:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057
  • ivossauro  14/02/2019 17:48
    "Não, o que diferencia o capitalismo não é a competição, mas sim a liberdade de escolha". Isto pode ser verdade, mas em parte. A questão é, que antes do exercício da liberdade de "opção", você não tem dada as reais condições dessa "igualdade" no exercício dessa opção de escolha. Ou seja, como exemplo, ambos tivemos a igualdade de liberdade na opção de se fazer Inscrição no Vestibular da Fuvest, para concorrer a uma Vaga gratuita no Ensino Público Superior de Qualidade. Até ai, tudo bem! Mas, ai, vem as Provas, o Vestibular, cujas questões, iguais para todos, não levam em conta o fato de que um dos Candidatos, é egresso de Escola Pública da Periferia de Grande Cidade. Já o outro Candidato, egresso de Escola Privada de altíssimo nível, estudando em período integral. Qual dos dois Candidatos, supondo exista uma única Vaga, leva uma Vaga de Medicina? Então, falar apenas em Liberdade de Escolha no Capitalismo, mascara toda uma Relação profunda de Identidade e Injustiças.
  • Juliano  14/02/2019 17:58
    Ou seja, você está preocupado com a igualdade de resultados, algo que você deixa claro ao lamentar que algumas pessoas não passarão no vestibular. Ora, você queria o quê? Que todos fossem aprovados?

    Perceba que mesmo se todos tivessem a mesmíssima educação de qualidade, ainda assim vários não seriam aprovados, pois as vagas são escassas (porque os recursos são escassos).

    E aí você continuaria igualmente gritando que o "sistema é injusto". Em vez de choramingar que os recursos são escassos (são mesmo e nada irá mudar essa realidade), arregace as mangas e vá você fazer alguma diferença no mundo.
  • Pobre Paulista  14/02/2019 17:59
    Taquipariu, nego quer usar o ensino controlado pelo estado como exemplo de falta de liberdade.
  • Theodore Dalrymple  14/02/2019 17:59
    É a velha falácia da igualdade de oportunidade.

    É impressionante como os defensores de determinadas ideias simplesmente não se dão ao trabalho intelectual de analisar as consequências práticas de sua implantação. Se a ideia da igualdade de oportunidades for realmente levada a sério, então seus proponentes terão de alterar toda a estrutura humana do planeta.

    Para começar, as pessoas não nascem iguais. Essa é a premissa mais básica de toda a humanidade. As pessoas são intrinsecamente distintas uma das outras. Algumas pessoas são naturalmente mais inteligentes que outras. Algumas têm mais destrezas do que outras. Algumas têm mais aptidões físicas do que outras.

    Adicionalmente, mesmo que duas crianças nascessem com exatamente o mesmo grau de preparo e inteligência (algo improvável), o próprio ambiente familiar em que cada uma crescer será essencial na sua formação. Algumas crianças nascem em famílias unidas e amorosas; outras nascem em famílias desestruturadas, com pais alcoólatras, drogados ou divorciados. Há crianças que nascem inteligentes e dotadas de várias aptidões naturais, e há crianças que nascem com baixo QI. Toda a diferença já começa no berço e, lamento informar, não há nenhum tipo de engenharia social que possa corrigir isso.

    As influências genética e familiar sobre o destino das pessoas teriam de ser eliminadas à força, pois elas indubitavelmente afetam as oportunidades e fazem com que elas sejam desiguais.

    No cruel mundo atual, pessoas feias não podem ser modelos; deformados não podem ser astros de futebol; retardados mentais não podem ser astrofísicos; baixinhos não podem ser boxeadores pesos-pesados. Não creio ser necessário prolongar a lista; qualquer um é capaz de pensar em milhares de exemplos.

    O mais curioso sobre essa questão da desigualdade de oportunidades é que os arranjos políticos necessários para reduzi-la ao máximo possível já existem na maioria dos países ocidentais. Há saúde gratuita, há educação gratuita, há creches gratuitas, há escolas técnicas gratuitas, e há programas gratuitos de curas de vícios. Ainda assim, todos continuam infelizes ou descontentes.

    Consequentemente, continuamos atribuindo nossa infelicidade à falta de igualdade de oportunidades simplesmente por medo de olharmos para outras direções à procura de explicações verdadeiras, inclusive para nós mesmos.

    Políticos adoram idealizar a ideia de igualdade de oportunidade exatamente porque se trata de algo impossível de ser alcançado plenamente — exceto se forem implantados arranjos que fariam a Coréia do Norte parecer um paraíso libertário.

    E justamente por ser impossível, a igualdade de oportunidades se torna uma permanente garantia de emprego para esses políticos, à medida que eles seguem prometendo a quadratura do círculo ou a criação do moto-perpétuo. Tais promessas garantem a importância deles perante o eleitorado. E conseguir importância é provavelmente a mais poderosa motivação de todo político.
  • Jairdeladomelhorqptras  14/02/2019 18:38
    Caro Theodore Darrymple,
    Gostei muito do seu comentário. Só substituiria a palavra "gratuita" quando se refere a educação, saúde, creches, escolas e programas por "pagos compulsoriamente por toda a sociedade".
    Abraços
  • César  24/09/2019 06:26
    E ainda assim, sai mais barato que a não educação. :-)
  • César  24/09/2019 06:31
    Gostei dessa leitura.
    Pra mim, capitalismo x comunismo sempre se resumiu a tão e simplesmente "propriedade dos meios de produção" e nada mais. Afinal, as trocas voluntárias já existiam nas sociedades de Antes da Era Comum.
  • Tarantino  15/02/2019 01:15
    Mesmo se houvesse a igualdade de oportunidades, não haveria garantia de igualdade de resultados.
  • John Brescia  20/02/2019 23:21
    Me parece que o comentário do ivossauro é acertado. Não percebi pregação de um sistema de oportunidades iguais, apenas a constatação de que no capitalismo as liberdades de escolha não são iguais. Alguns têm mais liberdade, outros têm menos. E a restrição ou não dessa liberdade nem sempre segue o crivo do mérito pessoal, muitas vezes é uma questão de sorte ou acaso (como exemplificado pelo comentarista). E isso soa injusto, ao menos para o homem médio. E isso me parece um problema do capitalismo.

    Não se trata de pregar o socialismo, mas apenas admitir que não há perfeição no sistema. Talvez seja o menos pior, e só.
  • Theodore  21/02/2019 00:52
    "apenas a constatação de que no capitalismo as liberdades de escolha não são iguais. Alguns têm mais liberdade, outros têm menos."

    Frase inócua e auto-adaptável. Ela vale não apenas para qualquer sistema econômico, como também para qualquer ecossistema. Aliás, ela vale para qualquer organização social. Vale para o socialismo, para o comunismo, para o anarquismo, para os amish, para os judeus num kibutz, para jogadores de futebol numa concentração etc. Aliás, carai, vale para jogadores de futebol até mesmo dentro do próprio jogo.

    "E a restrição ou não dessa liberdade nem sempre segue o crivo do mérito pessoal, muitas vezes é uma questão de sorte ou acaso"

    Capitalismo não tem nada a ver com mérito e nem com sorte ou acaso. Mas sim com a criação de valor. Irá se dar bem quem sabe criar valor para terceiros. Não tem nada a ver com "mérito" ou com "trabalho duro". Pare de inventar espantalhos.

    Não é a meritocracia; é o valor que se cria

    Não adianta odiar o mercado. Apenas aprenda a usá-lo

    Não, o "trabalho duro" (sozinho) não garante a prosperidade e não retira ninguém da pobreza

    "E isso soa injusto, ao menos para o homem médio. E isso me parece um problema do capitalismo."

    O que soa injusto? Um espantalho? Sim, de fato, soa injusto.

    "Não se trata de pregar o socialismo, mas apenas admitir que não há perfeição no sistema. Talvez seja o menos pior, e só."

    Isso se chama "falácia do nirvana". Você pega o mundo real e o compara a uma situação completamente utópica, perfeita e ilusória, e então conclui que o mundo real é ruim e tem defeitos.

    É o equivalente a eu dizer que "no arranjo que eu defendo, todo mundo é rico, feliz, bonito e sem problemas pessoais e de saúde. Ah, e a vida é bela. Logo, o arranjo atual é imperfeito e cheio de falhas".

    Validade zero.
  • John Brescia  21/02/2019 19:19
    Exato. O que eu quis dizer é que há restrições a liberdade de escolha mesmo no capitalismo, sem negar que haja restrições em outros sistemas, como o socialista, por exemplo. Acho que esse foi o ponto levantado pelo ivossauro.

    Quanto ao fato do mérito pessoal, apenas quis salientar que o fato de um indivíduo possuir maior liberdade de escolha do que outro porque, por exemplo, nasceu em família abastada, parece soar injusto ao homem médio. Pelo pouco que conheço, sinto que as pessoas aprovam quando alguém enriquece por mérito pessoal, mas desaprovam quando alguém recebe uma riqueza sem suor pessoal. Em nenhum momento, me parece, defendi que o capitalismo se baseia no mérito individual. Mas exatamente esse fato - de o capitalismo não se basear no mérito - talvez seja um de seus problemas.

    Sobre a "falácia do Nirvana", agradeço a contribuição, pois não a conhecia. No entanto, acho que a questão é exatamente oposta a por ti explanada. O meu ponto foi exatamente o de reconhecer o problema, o de não tratar o capitalismo como uma realidade utópica perfeita. Admitir que há falhas no sistema não corresponde a negá-lo, me parece. Ao contrário, não admitir as falhas de um sistema é que corresponde a elevá-lo acima do real, dada a imperfectibilidade humana.



  • Estado o Defensor do Povo  24/09/2019 16:01
    John Brescia, como o amigo falou ali em cima, isso que você tá chamando de "problema do capitalismo" na verdade é algo que existe naturalmente na natureza independente do sistema vigente, seja capitalismo, seja comunismo, paganismo, bundismo,..., todos eles terão esse aspecto em comum, que é o fato dos seres humanos serem diferente, e além do mais esse ponto não é um problema, é uma coisa boa aliás, que ótimo que as pessoas nascem diferentes entre si e que cada uma tem uma desenvolve uma habilidade a mais que os outros. Veja bem, esse "problema" que você tanto fala só seria resolvido se todo mundo nascesse exatamente igual:

    mesma altura(pra sermos menos "injustos" com os baixinhos que querem ser jogadores de basquete).
    mesma aparência(pra não haver injustiça entre quem quer ser modelo).
    mesma riqueza(pra não haver injustiça entre os bens que uma pessoa é capaz de possuir).
    mesma cultura(a seleção americana de futebol não tem chance contra a nossa brasileira muito por causa da cultura dos americanos, que não gostam de futebol, e isso é ruim pros amantes de futebol de lá).
    mesma inteligência(pra não haver injustiça entre os cientistas geniais).
    mesma capacidade emocional(pra não haver injustiça entre as pessoas que lapidam suas habilidades com trabalho duro, e sim, o fato de algumas pessoas serem mais esforçadas e trabalharem mais duro na vida do que outras não é mérito 100% pessoal, isso depende da genética da pessoa, da qualidade de seu lar, da dieta alimentar, do descanso,...).

    E a lista segue infindável, e não é capitalismo que vai "resolver" isso, nem comunismo nem socialismo nem o raio que o parta, isso é natural, E SAUDÁVEL, me responda, você prefere que as pessoas nasçam exatamente iguais ou com as diferenças que já estamos acostumados hoje?

    No socialismo também teria isso, quando socializamos os meios de produção alguém terá que controlar o que será feito com esses meios de produção, como serão alocados etc, e apenas as pessoas mais capazes socialmente, com boa oratória e poder de convencimento dos outros seriam capazes disso, uma pessoa tímida ou um retardado mental não teria essa mesma chance num sistema socialista, pessoas mais pobres também não teriam chance na hora de subornar os fiscais pra fazerem vista grossa pra pegarem mais pão do que deveriam, já que no socialismo tudo é racionalizado, todo mundo tem que ter a mesma quantidade de pães, ovos e quilos de frango, então pra burlar isso alguns mais espertos vão tentar falsificar identidade, roubar ou seilá mais o quê pra ter mais comida que os outros, e um gordinho não teria chance na hora de fugir da polícia :D
  • Leandro C  26/09/2019 19:05
    "John Brescia 20/02/2019 23:21"

    Em tese, aceitando que o capitalismo é a liberdade de escolha (valor "liberdade") e o respeito à propriedade individual (também valor "liberdade", só que visto sob um aspecto um pouquinho diferente), então, grosso modo, sequer seria um sistema (no sentido de não ser necessariamente organizado por uma autoridade central; apenas seria acaso entendido conquanto algo muito simples como uma espécie de acordo entre todos para que cada um respeite a liberdade dos demais, ou seja, como um conjunto livre de relações, ou seja, o melhor capitalismo seria aquele surgido inteiramente livre de qualquer sistema, de modo que o capitalismo seria, portanto, a ausência de sistema).

    Ademais, mencionado sistema (se é que há sistema, mas, por vezes, precisamos dar um nome a isto - ainda que o nome talvez não seja o mais apropriado, como irei ainda mencionar) é facilmente percebido como sendo perfeito e sequer consigo ver razões para o entender como imperfeito.

    Perceba que os problemas que existem não decorrem de tal sistema, ao contrário, tal sistema é que visa resolver os problemas que existem; todos os problemas que existem são oriundas da própria realidade, sempre marcada pela excassez. Tal sistema é perfeito na medida em que cada qual tem a liberdade para decidir, a cada momento, qual é a excassez que lhe atinge, bem como a liberdade para cada qual tentar atender, ou não, a excassez manifestada pelo próximo da melhor forma possível.

    Querer que o "sistema" em vigor resolva o problema da excassez em todos os seus aspectos é idealizar demais o sistema ou a realidade, posto que o sistema não seria nada além do próprio conjunto de relações mantidas pelos indivíduos visando, cada qual, suprir suas necessidades (sua escassez); para um sistema ser bom, basta que não atrapalhe e, justamente por isto, os demais sistemas são ruins; e, piores vão se tornando quanto mais restringem a liberdade de cada um, o que o fazem normalmente sob o argumento de proteger cada qual.

    O sistema não poderá ser aceito apenas quando, e se, conseguir suprir toda a excassez em todos os seus aspectos, pois isto jamais será possível. Contudo, partindo do princípio que a excassez existe e jamais poderá ser suprida em absoluto, perfeito é o sistema que consegue alocar, da melhor forma possível, os ativos que já foram criados.

    Assim, o melhor sistema para você deveria ser aquele em que fosse você quem estaria a dizer qual é a tal alocação ideal, não outros dizendo isto por você. Portanto, o sistema de trocas livres é o melhor sistema (ou seja, o capitalismo é o melhor sistema - ainda que eu não goste do termo capitalismo para definir o sistema de livres trocas, pois o termo capitalismo conduz apenas ao pensamento de acumulação de capital, entretanto, contraditoriamente, percebe-se que é no comunismo, e não no capitalismo, onde temos a maior concentração de capital, seja nas mãos do Estado para alguns idealistas, seja em mãos de poucos como para os mais realistas; enfim, o termo capitalismo parece uma prática de desvirtuar o significado do próprio termo).

  • Estado o Defensor do Povo  24/09/2019 01:46
    Gente que fica fazendo desculpinha que nem você é que não consegue ir pra frente na vida, cara não existe essa igualdade perfeita que tu tanto almeja, uns vão nascer mais altos, outros mais fortes, outros mais rápidos, outros mais ricos e mais pobres, é um fato da realidade e encare as coisas como elas são, e ainda bem que elas são assim, seria terrível se todo mundo nascesse exatamente igual.

    Richard Feynman foi um homem extremamente inteligente e importante para a ciência, ele já nasceu um gênio, mas o fato dele ter sido tão bom não é desculpa pra outros cientistas menos capazes do que ele ficarem choramingando pelo próprio fracasso. Neymar, a mesma coisa, o fato dele já ter nascido mais capaz que os outros não torna as coisas injustas pra outros jogadores de futebol,...

    Não tenha uma mentalidade de derrotista, seja uma pessoa pró-ativa e perseverante, se tu ver que o outro cara mais rico que tu tá estudando nas melhores escolas do Brasil, então se esforce 3x mais do que ele para ultrapassá-lo, não invente desculpa disso ou daquilo, encare a situação de frente e dê tudo de si, eu conheci um rapaz no ensino médio que estudava em escola pública, junto comigo,em Belém do Pará, era bem pobre e morava num bairro bem distante da escola, mas nem por isso ele se acovardava que nem tu tá fazendo agora, pra ele não interessava se tinha gente mais rica que ele pagando os melhores cursinhos, ele dava tudo de si nos estudos, se destacou entre os estudantes e conseguiu uma bolsa, e usava parte do dinheiro pra comprar mais livros e devorá-los, participava de inúmeras olimpíadas estudantis como OBM, OBF, OBA, ...., e ganhou mais de 10 medalhas, estava nítido o quanto ele era capaz e esforçado, e no fim ele fez o vestibular da Fuvest e passou na USP!! Hoje ele vive sozinho em São Paulo com o dinheiro que ele recebe da Bolsa Tim da OBMEP, já que os pais dele não têm condições de sustentá-lo. Seja que nem ele e incentive as pessoas ao seu redor a serem também, não seja derrotista e não jogue a culpa do fracasso de uns nos outros.
  • Leandro C  27/09/2019 13:36
    Estado o Defensor do Povo 24/09/2019 01:46

    O seu exemplo do cara que se esforçou tanto e então agora está vivendo sozinho e de bolsa Tim talvez não seja tão motivador quanto tenha acreditado inicialmente; de todo modo, penso que a mesma história poderá ilustrar de forma muito boa a relação entre trabalho e criação de valor... enfim, a história é boa, mas é melhor quando usada em outro contexto.

    De todo modo, convém também perceber que a comparação entre cada indivíduo, como se devêssemos competir em todas as esferas, é inválida e colocada à força justamente para que caiamos todos na arapuca. No próprio exemplo que você deu, no sentido de que Richard Feynman tenha sido genial em um campo e Neymar em outro campo já indica tudo, pois, certamente Neymar teria dificuldades no campo em que Feynman atuou, e vice-versa já que este possivelmente, apesar de toda genialidade, não seria um excelente jogador de futebol.

    O mesmo pensamento cabe em todas as esferas da vida, desde as complexas até as mais simples; pense em uma festinha americana onde cada convidado leva um pratinho de aperitivos e alguma bebida; imagine que todos acabem levando exatamente a mesma coisa e então pense se cada um levasse algo diferente, ainda que alguns sejam mais gostosos e consequentemente outros pratos sejam menos gostosos.

    É justamente por isto que a liberdade é tão grandiosa e, no final das contas, acaba premiando também a todos; graças à aptidão dos mantenedores deste site, cuja característica eu reconheço não possuir, posso vir recorrentemente aqui me deleitar em conhecimento; por vezes também gosto de ir à sorveteria, onde tenho à disposição um outro tipo de produto; por vezes, tenho que recorrer ao hospital, para suprir outras necessidades ainda... enfim, cada um fazendo o que faz de melhor acaba sempre beneficiando a todos.

    Este é o mal na existência do poder (enquanto coação), pois estaremos mais inclinados a cada vez mais exercer atividades para as quais não há inclinação natural, apenas exercício de proteção; busca de segurança, não de liberdade; o sentimento motor passa a ser o medo, não a alegria; o resultado, portanto, só pode ser vida triste e angustiada.
  • Estudioso  14/02/2019 18:23
    A cooperação voluntária é o que sobrevive na ausência de coerção política. Logo, qualquer discussão sobre alternativas à cooperação voluntária será uma discussão sobre várias formas de coerção política.

    Há duas maneiras de a coerção política abolir a cooperação voluntária.

    1. A coerção política pode abolir as escolhas dos consumidores. Em vez de cada consumidor decidindo qual produtor está sendo o melhor em criar valor para o próprio consumidor, o governo utiliza a coerção para conseguir os resultados que mais beneficiam os próprios membros do governo.

    2. A coerção política pode abolir as escolhas dos produtores. Em vez de cada produtor decidindo como adquirir capital, organizar sua empresa, contratar e demitir empregados, comprar materiais, fabricar produtos, anunciar produtos, vender produtos, e transportar produtos, o governo utiliza a coerção para conseguir os resultados que mais beneficiam os próprios membros do governo

    Independente de qual for a forma de coerção política aplicada, sempre haverá competição por recursos escassos. Mas há uma diferença crucial, que já foi explicada por Hayek: ambientes livres produzem um grande volume de informações, as quais só podem ser apreendidas pelos milhões de agentes atuando no mercado (produzindo, investindo e consumindo), sendo impossível burocratas absorverem todas elas.

    Sendo assim:

    - Onde há cooperação voluntária, consumidores e produtores são livres para fazer suas próprias decisões. E essas decisões geram a maior quantidade possível de informações, conhecimento, habilidade e velocidade.

    - Onde há coerção política, burocratas tomam as decisões recorrendo a poucas informações, conhecimento, habilidade e velocidade.

    Uma melhor utilização de informações gera melhores resultados; uma pior utilização de informações produz piores resultados. Logo, na teoria e na prática, liberdade sempre é melhor que a coerção. Não só em termos morais, mas também em termos de eficiência.
  • Felipe Lange  14/02/2019 20:52
    O fato de, por exemplo, no Brasil, muitas opções de carros estarem sumindo no mercado (por exemplo, na Argentina mesmo o Focus de topo tem câmbio manual, aqui se não me engano é só na versão de entrada), tem relação com um ambiente regulatório absolutamente soviético, então viabilizando somente grandes economias de escala?

    Outra dúvida: o fato da Ford nos EUA pretender encerrar a venda de carros "comuns" teria alguma relação com as tarifas protecionistas que ele elevou? Quais são as tarifas de importação atualmente?
  • V8 Engine  28/09/2019 17:46
    No caso do mercado brasileiro, não nego que há uma pesada carga tributária e outros problemas ligados à corrupção e ineficiência estatais. Mas no que toca aos carros que você citou, o verdadeiro ponto é justamente que as preferências dos consumidores estão mudando. Justamente a essência do capitalismo.

    No Brasil, carros médios como o Focus, o Cruze, Corolla, Jetta e Civic, bem como os grandes tipo Fusion. Accord, Passat e tantos outros, já saem quase que exclusivamente com câmbio AT (automático), posto que os clientes desses segmentos, em sua esmagadora maioria, querem o conforto do câmbio AT. Raríssimos pegam manuais (MT), de modo que nem compensa produzir ou oferecer modelos MT nesses segmentos. Mesmo carros compactos, sejam sedãs como Virtus, Ka Sedan, Cronos, Onix Plus, City e similares, sejam hatches como Polo, Fit, Argo e Novo Onix, têm visto uma preferência crescente dos consumidores pela comodidade e conforto das versões AT. Há versões MT ainda, especialmente as de entrada equipadas com motores mais fracos e de custo geral menor, para quem não pode pagar os preços das versões mais equipadas.

    Os hatches médios como Golf e Focus estão sumindo do mercado pois os consumidores preferem SUVs, cada vez mais. Geralmente os SUVs tendem a ser mais versáteis e agradam a um público mais amplo do que sedãs ou hatches ou mesmo peruas.

    Nos EUA a Ford está matando sedãs e hatches justamente pelas vendas decadentes dessas categorias por lá. Povo prefere picapes e SUVs. É simplesmente o livre mercado agindo.
  • italo guilherme   14/02/2019 22:20
    maravilhoso
  • Dane-se o estado  15/02/2019 00:36
    Não é preciso ser um "detrator do capitalismo" para entendê-lo como um processo de evolução e seleção natural. isto é um fato funcional do processo, aqueles que desenvolvem características que geram mais valor e utilidade no mercado (mais adaptativas) tendem a permanecer e se propagar mais, e incentivar a mimetização de outros membros da espécie que passam a copiar e adaptar aquelas características a fim de se perpetuarem mais também. O que está em jogo aqui é a questão ética, o indivíduo deve ter direito a liberdade de investir e oferecer serviços a quem quiser, sem agredir a propriedade alheia e sem ser vítima de barreiras artificiais onde o mesmo é obrigado a financiar através do estado.
  • Daniel  17/02/2019 15:51
    Vc foi dez suncintamente!!!
    Vladimir 14/02/2019 17:15
    Sim, o socialismo inverte totalmente a relação entre ofertantes e consumidores. No livre mercado, os ofertantes de bens competem entre si para receber o apoio de milhões de consumidores. No socialismo, milhões de consumidores competem entre si (e se matam) para receber migalhas de um só ofertante.
  • Emerson Luis  16/03/2019 12:20

    Os empenhos de reengenharia social apenas pioram a situação socioeconômica.

    * * *
  • Cauê Bleil  24/09/2019 19:06
    Tenho interesse e formar um grupo libertário aqui em SC, tenho noção em desenvolvimento de sites, programação e banco de dados para caso for necessário. Caso alguém tenha interesse entre em contato comigo por esse e-mail: caue.bleil@gmail.com ou por esse contato: (47)99605-8459


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