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Se você defende os trabalhadores, então você tem de defender os ricos

Se você é um trabalhador, você é um importador. Nada
pode ser mais básico e direto do que isso. Suas “importações” podem vir do
outro lado da rua ou do outro lado do planeta. O fato é que o seu trabalho é
uma expressão do seu desejo de obter bens e serviços — ou seja, de importar.

Você trabalha em troca de dinheiro para poder
consumir.

Igualmente, se você é um consumidor, você tem
necessariamente de ser um trabalhador. Ou isso, ou você é um privilegiado que
foi presenteado com os frutos de outro trabalhador.

O trabalho é o que possibilita nossa demanda por
bens e serviços. Sem antes ofertarmos um bem ou serviço, não temos como comprar
coisas. Produzimos para demandar. O trabalho é apenas uma demanda disfarçada.

Logo, a única maneira de entendermos “demanda” no mercado
é entendendo a oferta que precede essa demanda. A oferta é a expressão da
demanda e sem ela não há meios de se comprar nada. Nas regiões mais pobres [pense
no interior do Maranhão], os trabalhadores não estão ofertando muito (ao menos,
não para consumidores interessados) e, como consequência, poucos estão ofertando
para eles. Nas regiões mais ricas (pense em Nova York), seus trabalhadores estão
ofertando em grande abundância, e isso explica por que eles são inundados com
todas as farturas produzidas ao redor do mundo.

Onde há muita produção há muita “importação” para
atender as demandas dos produtivos. Sim, a Lei de Say é bem básica.

Nós ofertamos com o intuito de conseguir bens e serviços.
E as pessoas nos ofertam porque ofertamos para elas.

Tudo isso nos leva à pergunta: já que precisamos
ofertar antes para consumir depois, e considerando que nem todo indivíduo é um
empreendedor, o que permitirá às pessoas não-empreendedoras produzir?

Empregos
e salários

Em outras palavras, o que gera os empregos e os
salários das pessoas não-empreendedoras?

A resposta é simples e direta, embora o fenômeno seja
complexo: investimentos.

Todos os empregos são consequência de investimentos.
Não há empregos sem investimentos.

Para que vagas de trabalho sejam criadas, é necessário
que um indivíduo empreendedor — munido de capital próprio ou de capital
emprestado por um capitalista — vislumbre uma oportunidade de lucro em uma
determinada área (uma demanda ainda não atendida) e então direcione capital e
recursos para começar a produzir naquela área.

Investimentos, portanto, são, acima de tudo,
atraídos pela perspectiva de lucros.

Empresas e empreendimentos, obviamente, não existem
para criar empregos. Empregos são apenas a consequência de empreendimentos. O desejo
por retornos da parte do investidor e do empreendedor é o que irá indiretamente
levar à contratação de mão-de-obra. É exatamente essa possibilidade de retorno
(lucro) o que irá estimular aqueles que possuem meios para postergar seu
consumo (capitalistas) a investir esses meios em atividades produtivas. A mão-de-obra
de trabalhadores é contratada para ajudar neste retorno.

Não haveria tal contratação se não houvesse
investimentos e se não houvesse perspectiva de retornos (lucros). Acima de tudo,
não haveria nada disso sem o capital disponibilizado para esses investimentos.

Consequentemente, não haveria empresas, empregos,
salários e progresso. Por
definição.

O que nos leva aos ricos.

O
papel dos ricos

Se você defende os trabalhadores, então você tem de
defender ainda mais os investidores que tornam possíveis a criação de empregos
e salários. E estes investidores, por definição, são aqueles que têm capital
(dinheiro) poupado e disponível para ser investido.

Tais investidores, quase sempre, são aquelas pessoas
rotuladas de “ricos”.

Sim, os ricos são essenciais para os salários dos
trabalhadores.

Em termos bem diretos e coloquiais, investimento é
aquilo que é feito com o dinheiro que sobrou após as necessidades básicas da
vida já terem sido compradas. Por isso, os ricos são particularmente cruciais no
que diz respeitos a salários mais altos.

Os ricos, precisamente por serem ricos, são aqueles
que possuem a maior reserva de capital disponível após já terem saciado seus
desejos e necessidades. A menos que enfiem todo o seu dinheiro físico debaixo
do colchão — algo que ninguém mais faz no atual sistema financeiro e monetário
–, os ricos irão necessariamente investi-lo: ou eles irão empreender
diretamente ou irão financiar empreendimentos.

Em ambos os casos, os efeitos são os mesmos em
termos de empregos e salários.

Ao investirem, os ricos possibilitam maior
capacidade produtiva. Com seu capital, eles adquirem (ou permitem que o
empreendedor financie) máquinas, ferramentas, edificações e meios de transporte
(tudo isso bens de capital) que irão tornar o trabalho dos empregados mais
eficiente e produtivo.

Há uma regra econômica básica e direta: quanto
maior a quantidade de bens de capital utilizados por um trabalhador, maior será
sua produtividade.

Um operário americano chega a ganhar até cem vezes
mais que um indiano não porque ele é mais trabalhador ou mesmo mais capacitado,
mas sim porque o americano utiliza cem vezes mais capital físico (máquinas,
ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega
indiano.

Esse capital físico é o que aumenta a produtividade,
os salários e, consequentemente, o padrão de vida de uma sociedade. Isso merece
ser enfatizado: a acumulação de capital, ao tornar o trabalho humano mais
eficiente e produtivo, é o que permite aumentos salariais para todos.

E o que possibilita esse investimento em capital físico
é o capital financeiro que foi poupado e acumulado. E nisso os mais ricos têm
maior vantagem comparativa que os mais pobres. Por definição.

Eis um exemplo prático: fábricas que produzem chips de
computador em volume suficiente para fazer seus preços caírem para centavos por
gigabyte requerem um custo bilionário. Eu não teria como construí-las. E eu
valho muito menos sem um computador, o qual tornou as coisas
incomensuravelmente mais eficientes. Por isso, minha eterna gratidão àqueles
que utilizaram sua poupança para financiar e construir as fábricas e fabricar
os chips e os computadores que tornam meu trabalho muito mais
eficiente e produtivo do que seria sem estes chips e
monitores.

E os exemplos são infinitos, e valem para todas as
classes sociais. Por exemplo, quanto vale um garçom sem um restaurante? Quanto
vale um operário sem as instalações e as máquinas da fábrica em que trabalha? O
que seria do funcionário de uma loja sem a loja, sem um computador, e sem
um scanner de preços? Quanto vale um caminhoneiro sem um caminhão
ou um tratorista sem um trator? Quanto vale um jogador de futebol, âncoras de
jornal e artistas sem a TV?

A loja em que o vendedor trabalha, bem como o caixa
e os scanners que ele usa; os escritórios e os estúdios de televisão onde o
eletricista, os atores e os jornalistas trabalham; os restaurantes e as
indústrias de caminhão e tratores que criam os bens que cada trabalhador usa
diariamente em seu trabalho; as fábricas de televisores e de cabos que colocam
jogadores, atores e âncoras de notícias na televisão — tudo só existe em decorrência
do investimento de pessoas ricas. Ou, no mínimo, certamente mais ricas do que você.

De minha parte, eu gostaria de facilitar as
coisas para os ricos — pois isso me tornaria ainda mais valioso para os
consumidores dos meus serviços, aumentando meus rendimentos.

O que nos leva a outro ponto crucial: os ricos
deveriam poder ficar com uma fatia muito maior de seus ganhos. Com efeito, eles
deveriam ficar com 100% dos seus ganhos.

O
problema em tributar os ricos

Para ser bem direto, não é possível ter salários altos
e crescentes sem antes reduzir o fardo imposto sobre aqueles que são mais
capazes de poupar e investir: os ricos.

Os efeitos da tributação sobre um rico empreendedor
são diretos. Com uma fatia maior de seus ganhos confiscada pelo governo, ele
terá menos capacidade para investir e ampliar sua capacidade produtiva. O
processo de formação de capital será diretamente afetado.

Menos capacidade de investimento significa menor
produção, menos contratação de mão-de-obra e, consequentemente, menor oferta de
bens e serviços no futuro. Significa também menos compras de ferramentas,
equipamentos e, principalmente, do treinamento contínuo necessário para
aumentar a produtividade — diminuindo assim a oferta de bens e serviços que de
outra forma seriam disponibilizados a terceiros.

Quando o governo tributa a renda e os lucros, ele
apenas faz com que o dinheiro que seria utilizado para ampliar e aprimorar os
processos produtivos seja agora direcionado para o mero consumismo do governo,
ficando sob os caprichos de seus burocratas, obstruindo a formação de capital.
 

Ao contrário do que muitos imaginam, o dinheiro dos
ricos não fica parado dentro de uma gaveta. Em nosso atual
sistema monetário e financeiro, todo o dinheiro está inevitavelmente ou em
algum depósito bancário (de onde será emprestado) ou em algum fundo de
investimento (de onde será investido). Se o governo tributar esse
dinheiro, fará apenas que o dinheiro que antes era direcionado para
determinados setores (garantindo emprego e renda) ou investido diretamente em
coisas produtivas seja direcionado para burocratas e para toda a máquina
estatal. Isso é uma simples e direta destruição de capital.  

Por tudo isso, impostos sobre os mais ricos são um
grande obstáculo aos investimentos produtivos, à formação de capital e ao
simples bem-estar de terceiros. É deste dinheiro que vem a poupança necessária
para os investimentos produtivos.

A
caça aos ricos é uma caça ao seu padrão de vida

Vale ressaltar algo óbvio: toda e qualquer pessoa em
posse de muito dinheiro investe. Tais pessoas, por definição, vivem muito
abaixo das suas condições (afinal, elas não gastaram todo o seu dinheiro), o
que significa que elas investem “as sobras”.

Sendo assim, será que são realmente apenas elas que
se beneficiam de seu capital? É claro que não. São as pessoas comuns que se
beneficiam com os bilhões que acabam sendo investidos em fábricas de microchip,
em fábricas que produzem carros, em meios de transporte, em instalações
hoteleiras, em parques temáticos, em hospitais, em siderúrgicas, em companhias
aéreas, em pecuaristas e no agronegócio, em fabricantes de alimentos, em
empacotadoras de alimentos, em cervejarias, em todas as fábricas e indústrias,
em todo o setor atacadista, varejista e provedor de serviços.

Quando empreendedores e investidores podem manter
seus ganhos e reinvesti-los, todos nós ficamos mais ricos — incluindo aqueles
de nós que ganhamos a vida usando caminhões e computadores.

Por isso, qualquer redução de impostos que de fato diminua
a quantidade de dinheiro que os ricos devem entregar a políticos tem de ser
defendida. O fato de que os ricos não têm como gastar todo o dinheiro que ficar
com eles é o que irá estimular o progresso. Os ricos são os que mais possuem a
capacidade de investir vultosamente, e os trabalhadores irão se beneficiar
disso.

No final, empregos, salários e bem-estar estão relacionados
a um aumento da produtividade. Mas não há aumento da produtividade sem
investimentos. E os ricos são aqueles que mais possuem meios para investir.

Conclusão

Baixas alíquotas de impostos sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos — sob a forma de capital.

_________________________________________

Leia
também:

Quatro consequências
inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos

Em economias capitalistas,
assalariados são disputados e têm aumentos salariais constantes

Como a desigualdade de
riqueza acaba reduzindo a pobreza

Como espoliar os ricos

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93 comentários em “Se você defende os trabalhadores, então você tem de defender os ricos”

  1. Há quem diga que a proposta de Paulo Guedes para as novas alíquotas do imposto de renda irá na prática aumentar os impostos para os mais ricos. O que acham?

  2. Socialista de Iphone

    Essa “caça aos ricos” faria sentido no conto de fadas comunista. A realidade no Brasil é alguns milionários querendo impedir que mais milionários surjam, e para isso usam o povo. Os ricos no Brasil “curtem” a esquerda, pois já são ricos. Já estão na ciranda, já fazem parte do jogo e não querem competir, melhorar… Estão na zona de conforto. Quem é pobre, ou “classe média baixa” e quer prosperar depende da esperança de viver em um país mais próspero, aberto, menos regulado.

  3. Outra babaquice inominável é tributar herança.

    Eu trabalho duro a vida inteira, junto dinheiro, poupo e me esforço para dar uma vida digna para meus filhos apenas para que um vagabundo chegue, tome meu dinheiro e o repasse para Sarney, Renan Calheiros, Lula, Dilma, Collor, Temer, FHC, Moreira Franco, Rodrigo Maia, Gilmar Mendes, Lewandowski e canalhas afins. E, segundo a esquerda, isso é “justiça social”.

    Durante todo o meu processo de acúmulo de riqueza por meio de trabalho duro e honesto já pago vários impostos. E aí eu morro e vem um burocrata estipular que devo pagar ainda mais além de tudo o que já paguei?

    Você paga impostos diretamente e indiretamente durante toda sua vida e realiza um planejamento no qual beneficiará seus herdeiros. E então vem o governo dá mais uma mordida. Seus filhos pagarão impostos durante toda a vida até que passem o patrimônio aos seus netos, e mais uma vez, a herança é tributada.

    Siga este ciclo por algumas gerações e seus descendentes precisarão de bolsa-família.

    Nós acumulamos riqueza com o objetivo de não corrermos atrás delas. Quando poupamos e investimos, temos o objetivo de algum dia (talvez apenas na velhice) vivermos dos lucros desse dinheiro. Essa é a meta. A outra opção seria não economizar nada e confiar no INSS para sustentá-lo na velhice (e isto não seria nada prudente).

    Aí, após uma vida inteira juntando patrimônio, você é “recompensado” com mais um imposto sobre sua fortuna, pois você foi muito egoísta ao tentar se precaver na velhice.

    Negar o direito de herdar o seu patrimônio é o mesmo que proibir a caridade. As pessoas são livres para presentear e doar o que quiserem de seus bens (o governo já faz o contrário, toma tudo por meio de achaque).

    Alguém defender isto, sendo pobre ou rico é uma estupidez incalculável. Por coerência, tal pessoa tem de estar desde já fazendo um testamento legando tudo para Michel Temer, Sarney, FHC, Lula e Dilma.

  4. A minha dúvida é um tanto amadora mas vou arriscar.

    Como os salários aumentam? Tipo assim, a partir do momento que você está inserido em uma empresa, e essa empresa apresenta desenvolvimento, o salário ainda não dependeria da sanção do meu chefe? Eu não teria que solicitar o aumento mediante aquela lei da oferta e demanda de mão de obra, algo como “Eu sou bom no que faço, aumente meu salario, ou trabalharei pra outra pessoa” ?

    O núcleo da duvida é: “O salário aumentaria necessariamente?”

  5. OFF. Olha só que legal:

    olhardigital.com.br/noticia/lei-obriga-google-maps-a-alertar-sobre-areas-de-risco-no-rio-de-janeiro/81120

    o Estado se arvora o direito de tomar conta de tudo. Como não consegue e acaba falhando, joga a responsabilidade nas costas dos outros.

  6. Jonathas Pereira de Souza

    Ser Rico é uma coisa, Ser Rico e Investidor é outra coisa. Se existe um sistema aonde eu lucre apenas deixando o meu “dinheirinho” no banco parado, o que irá me motivar de investir e me arriscar? Eis a incógnita.

  7. Mito.

    Sabemos que os rentistas aplicam em investimentos improdutivos, no caso títulos públicos. Pensava que os austríacos abominassem esse ciclo de investimento onde se empresta para o governo e ele o gasta em coisas desnecessárias, mas vejo que a política que vocês defendem é a imoralidade dos rentistas para com a população, ou seja, a população é quem banca os rentistas.

    E mais, se vocês defendem esse arranjo, como acabar com a dívida pública que é tão criticada por vossos senhorios? Não me parece contraditório?

  8. “Baixas alíquotas de impostos sobre aqueles de rendimento elevado são desejáveis não porque eles precisam do dinheiro, mas sim porque nós precisamos — sob a forma de capital.”

    Brilhantemente colocado. Uma ótima maneira de se resumir o assunto. E ótimo artigo, como de praxe.

  9. Em nenhum país ocidental os ricos arcam exclusivamente com os impostos; quem realmente fica com o grande fardo é a classe média. Não há, em nenhuma sociedade, um número grande o bastante de ricos que possam custear sozinhos os gigantescos gastos efetuados pelos estados assistencialistas ocidentais. E é ingenuidade crer que as pessoas mais ricas irão simplesmente quedar inertes e aceitar pagar alíquotas mais altas.

    Exatamente por isso, a social-democracia é uma tese auto-refutável.

  10. Seguidor da Lógica

    Tributar os ricos vai melhorar? Eis algumas pistas:

    – lei seca diminuiu os acidentes?;

    – desarmamento reduziu homicídios?;

    – estabelecer salário mínimo aumentou empregos?;

    – exigir 1000 laudos para empreender criou as melhores empresas mundiais?;

    – obrigar a se defender com alguém da guilda chamada OAB evitou condenações erradas?;

    – obrigar a fazer contabilidade com alguém da guilda CRC ocasionou aumento de produtividade nas empresas?;

    – proibir importações de remédios não liberados pela ANVISA salvou mais vidas?;

    – aumentar o estado nos deu mais liberdade?

    E aí,

    – taxar mais os ricos vai enriquecer a população?

  11. Nem precisa dar nenhuma explicação econômica. Confiscar a propriedade alheia — não importa a fatia confiscada — é errado e imoral. É assalto. É violência. Logo, tributar a renda de qualquer pessoa é antiético e imoral. Defensores deste crime devem ser removidos fisicamente de qualquer sociedade que se queira civilizada.

  12. O seu patrão é mais rico ou mais pobre que você? Se o governo aumentar o confisco do dinheiro dele, seu emprego ficará mais garantido ou menos garantido? Suas chances de aumentos salariais serão maiores ou menores?

    Você estará melhor em uma economia com vários ou com poucos ricos?

  13. Socialista de Iphone

    Para a maioria dos esquerdistas, riqueza é algo que simplesmente existe! Não é algo construído com suor. Portanto, na cabeça deles existe uma teoria que diz que por causa de algumas injustiças do mundo o dinheiro fica com poucas pessoas. Eles não querem prosperar, enriquecer e ser igual a essas pessoas. Querem apenas um mundo em que todos tem dinheiro sem fazer nada.

    Resumidamente, em termos nada técnicos, é isso.

  14. Essa semana recebi esse vídeo de um amigo que acha a social-democracia o máximo.

    http://www.youtube.com/watch?v=-I5wcQghlwM

    O que dizer né, dei boas gargalhadas com as loucuras que ele fala no vídeo(pra ele o br é um ‘paraíso fiscal’, riquezas são finitas e rico gosta de pagar escola cara pra deixar pobre nas escolas ruins) mas concordei com o fato de que se as pessoas soubessem como as coisas funcionam estariam revoltadas. Mas quando refutadas as ideias do rapaz e seus argumentos falaciosos, só ouvi que não entendi bem o que ele queria dizer e que o moço se referia a algo que não consta no vídeo, além do apelo ao suposto título do rapaz.

    Mas fazer o que, tem gente que cresce e continua acreditando em contos de fadas.

  15. Jo%C3%83%C2%A3o Netto

    Ótimo texto! A propósito, vale o complemento, as pessoas não tendem a achar que o dinheiro dos ricos fica numa gaveta. Eles basicamente acham que ricos vivem torrando grana futilmente. Afinal, é mais interessante noticiar uma extravagância de um milionário do que dizer que ele investiu tantos milhões num negócio.

  16. Doutrina Social da Igreja

    O que é capitalismo?

    Muito frequentemente esta palavra não é muito bem definida, e cada pessoa lhe dá um significado, bom ou mau, conforme as suas próprias convicções, mas nunca a definindo claramente. Então, o que é o capitalismo?

    O capitalismo não é a posse privada de propriedade, mesmo que se trate de propriedade produtiva, pois tal tipo de propriedade existe na maior parte do mundo desde tempos muito remotos, enquanto que o aparecimento do capitalismo é normalmente situado na Europa do final da Idade Média.

    Talvez a melhor maneira de proceder seja escolher a definição de uma autoridade, e depois analisaremos como é que se enquadra com os fatos históricos. Voltemos à encíclica Quadragesimo Anno (1931), do Papa Pio XI, em que o capitalismo é definido, ou caracterizado, como "o sistema econômico em que o trabalho e o capital necessários para a produção são fornecidos por pessoas diferentes". Por outras palavras, no sistema capitalista normalmente trabalha-se para outra pessoa. Alguém, o capitalista, paga a outros, os trabalhadores, para que trabalhem para si, e recebe os lucros do seu empreendimento, isto é, o que sobra depois de pagar o trabalho, as matérias-primas, amortizações, débitos, etc.

    Há alguma coisa de errado com o capitalismo, com a separação da posse e do trabalho? Não há nada de errado em ter uma fábrica ou uma quinta e pagar a outros para as trabalharem, desde que lhes pague um salário justo. No entanto, o sistema capitalista é perigoso e insensato. Os seus frutos foram nocivos para a humanidade, e o Sumo Pontífice fez o apelo por mudanças que iriam eliminar, ou pelo menos diminuir, o cerne e o poder do capitalismo.

    Deixem-me explicar as afirmações que acabei de fazer. E para o fazer tenho de fazer primeiro um breve desvio para discutir o propósito da atividade econômica. Por que é que Deus deu ao homem a necessidade e a possibilidade de criar e utilizar-se de bens econômicos? A resposta é óbvia: necessitamos desses bens e serviços para levarmos uma vida humana.

    A atividade econômica produz bens e serviços para servir toda a humanidade, e qualquer ordenamento econômico deve ser avaliado pela capacidade de preencher este objetivo.

    Quando a posse e o trabalho estão separados, tem necessariamente de existir uma classe de homens, os capitalistas, que estão afastados do processo de produção. Os acionistas, por exemplo, não querem saber o que é que a empresa, da qual eles são formalmente os donos, faz ou produz, mas só lhes interessa saber se as ações estão a subir ou quais os dividendos que daí vão tirar. De fato, na bolsa, as ações mudam de mãos milhares de vezes por dia, ou seja, diferentes indivíduos ou entidades, como fundos de pensões, são em parte donos de uma empresa durante alguns minutos ou horas ou dias, e depois vendem-na tornando-se donos de outra entidade qualquer. Naturalmente esta classe de capitalistas passa a encarar o sistema econômico como um mecanismo pelo qual dinheiro, ações, títulos e outros equivalentes podem ser manipulados para enriquecimento pessoal, ao invés de servir a sociedade produzindo bens e serviços. Em resultado disto, têm-se feito fortunas através de takeovers hostis, fusões, encerramento de fábricas, etc., por outras palavras, aproveitam o direito de propriedade privada, não para se envolverem na atividade econômica produtiva, mas para se enriquecerem independentemente dos efeitos nos consumidores e trabalhadores.

    Os Papas justificaram a propriedade privada, mas se analisarmos os motivos e os argumentos por que o fizeram constataremos que a sua lógica está muito longe da capitalista. Examinemos, por exemplo, a famosa passagem da encíclica Rerum Novarum (1891), do Papa Leão XIII.

    Os homens trabalham mais e com mais prontidão quando trabalham naquilo que é seu; mais, aprendem a amar o solo que trabalham com as suas mãos, e lhes provê, não apenas comida para comer, mas uma abundância para ele e para os que lhe são queridos (no. 35).

    Mas, o que acontece sob o capitalismo? Os homens aprendem a amar os certificados das ações que lhes renderão dinheiro, em resultado do trabalho de outra pessoa?

    A justificação que os Papas sempre fizeram da propriedade privada está ligada, pelo menos idealmente, à unidade entre a propriedade e o trabalho.

    Acrescenta Leão XIII:

    "A lei, portanto, deve favorecer a propriedade privada, e o seu objectivo deve ser tornar o maior número possível em proprietários". (Rerum Novarum)

    E este ensinamento é repetido por Pio XI na Quadragesimo Anno:

    "quanto mais frequentemente vemos votadas ao esquecimento as recomendações daquele grande Pontífice, ou porque intencionalmente se não falava, delas, ou porque as julgavam impossíveis de actuar, sendo que não só podem, mas devem realizar-se. Nem elas no nosso tempo perderam nada da aia, força e oportunidade, apesar de hoje não ser tão geral e horrendo o pauperismo, como era ao tempo de Leão XIII. Sem dúvida que a condição dos operários melhorou e se tornou mais tolerável, sobretudo nas cidades mais progredidas e populosas, onde os operários já não podem todos sem excepção ser considerados como indigentes e miseráveis. Mas desde que as artes mecânicas e a indústria moderna em pouquíssimo tempo invadiram completamente e dominaram regiões inumeráveis, tanto as terras chamadas novas, como os reinos do remoto Oriente cultivados já na antiguidade, cresceu desmesuradamente o número dos proletários pobres, cujos gemidos bradam ao céu. Acresce o ingente exército dos jornaleiros relegados à ínfima condição e sem a mínima esperança de se verem jamais senhores de um pedaço de terra; (43) se não se empregam remédios oportunos e eficazes, ficarão perpetuamente na condição de proletários.

    É verdade, que a condição proletária não se deve confundir com o pauperismo; contudo basta o facto de a multidão dos proletários ser imensa, enquanto as grandes fortunas se acumulam nas mãos de poucos ricos, para provar à evidência que as riquezas, produzidas em tanta abundância neste nosso século de industrialismo, não estão bem distribuídas pelas diversas classes da sociedade.

    É pois necessário envidar energicamente todos os esforços, para que ao menos de futuro as riquezas grangeadas se acumulem em justa proporção nas mãos dos ricos, e com suficiente largueza se distribuam pelos operários; não para que estes se dêem ao ócio, — já que o homem nasceu para trabalhar como a ave para voar, — mas para que, vivendo com parcimônia, aumentem os seus haveres, aumentados e bem administrados provejam aos encargos da família; e livres assim de uma condição precária e incerta qual é a dos proletários, não só possam fazer frente a todas as eventualidades durante a vida, mas deixem ainda por morte alguma coisa, aos que lhes sobrevivem."

    Se "o maior número possível… se tornar proprietário", então a separação fatal entre trabalho e posse, será, se não removida, pelo menos o seu âmbito e influência será diminuída. Já não será a característica fundamental do nosso sistema econômico, mesmo que continue a existir.

    É isso que a Doutrina Social da Igreja defende: um sistema econômico em que a propriedade privada está bem distribuída, no qual "o maior número possível" é, de fato, proprietário.

    "Capitalismo demais não significa capitalistas demais, mas capitalistas de menos."

    A Doutrina Social da Igreja visa aumentar o número de proprietários, estimulando os indivíduos e as famílias a adquirir ou criar seus próprios meios de produção, em vez de depender de salários. Isso, na prática, pode significar muito bem os "três alqueires e uma vaca" de Chesterton, assim como, na economia moderna, "três computadores e um escritório em casa".

    O sistema econômico defendido pela Doutrina Social da Igreja consiste em empresas familiares de qualquer espécie (não só chácaras – como insinuam ser nossa opinião alguns críticos zombeteiros), ou firmas cuja propriedade pertence aos empregados (chamadas cooperativas), ou ainda pequenas empresas e empresas de médio porte que atuam local ou regionalmente. Também pequenos negócios e trabalhos independentes, em geral, correspondem ao distributismo na prática.

    Qualquer pessoa que pense que "livre iniciativa" quer dizer Wal-Mart, com suas legiões de chineses pagos com salários escravos a labutar em benefício de acionistas americanos, sob a canga de um governo comunista que sequer lhes permite ter filhos, precisa consultar depressa a Doutrina Social Católica. Algo muito errado se passa na ordem moral, quando os fundadores do Wal-Mart repousam sobre uma carteira de ações de 84 bilhões de dólares, construída em grande parte com trabalho quase escravo, enquanto os "assistentes de venda" da rede varejista não conseguem sustentar as próprias famílias ou dar conta de seus gastos médicos, embora uma pequena fração dos bilhões da família Walton fosse suficiente para pagar, por uma vida inteira, um plano de saúde para todos os funcionários do Wal-Mart. Não estou sugerindo que o governo confisque a riqueza da família Walton. Claramente a questão é que os Walton deveriam fazer justiça aos seus esforçados funcionários sem a necessidade de uma ordem governamental, isto é, eles deveriam aplicar a lei do Evangelho na condução dos seus negócios.

    O fundador e diretor executivo da Costco, um católico imerso na Doutrina Social da Igreja, paga a seus empregados o salário-família e 92% dos seus gastos médicos.

  17. A maioria dos ricos não prestam. Os ricos são os que mais patrocinam causas progressistas. Basta ver os Rothschilds, os Rockefeller, Soros e outros.

    O Zuckerberg falou que a maioria dos empresários do Vale do Silício são de esquerda (aos 2:36):

  18. Mas quem garante que não haverá exploração? Claro que o empreendedor deve ter sua margem de lucro em virtude do risco do seu negócio dar errado e perder tudo que poupou. Mas como se define qual é a margem de lucro justa? Se o operário produz 100 e o empresário o paga com 10, quando deveria pagar com 90?

  19. Em um países de capitalismo de Estado como o Brasil, que parece estar evoluindo para um Estado comunistas de fato, tributar os ricos quer dizer tributar os que não fazem parte do Partido ou não estão alinhados com a ideologia do regime. Em países controlado por um Estado com ideologia controladora e repressora, os monopólios crescem, mas o discurso não muda para outros. Ninguém em são consciência percebe que saímos de um Regime Militar, do qual não compactuo sua ideologia, e entramos em outro que de começo pareceu ser benefíco para o povo. Mas faz tudo parte do plano. Jogar o sapo na panela com água fria e depois ligar o fogo! A estratégia das tesouras deu muito certo nessa terra de pessoas despreparadas, e eu sou uma delas, estou acordando aos poucos também!

  20. Tenho uma pergunta, por exemplo as reservas naturais, se criarmos mais capital tudo melhora, mas quem liga para o meio ambiente por exemplo, as empresas q desmatam ganham com isso, pq parariam?

  21. Ok.

    Mas essa afirmação requer antítese: “Não haveria tal contratação se não houvesse investimentos e se não houvesse perspectiva de retornos (lucros). Acima de tudo, não haveria nada disso sem o capital disponibilizado para esses investimentos.”

    Antítese: No sistema econômico atual, a afirmação citada pode se tornar verdadeira. Todavia, ela é verdadeira em qualquer sistema econômico??? Numa Economia de Subsistência, por exemplo, onde a coisa a ser investida vem gratuitamente da natureza e o retorno (lucro) são os próprios frutos da natureza??

  22. Diego Nogueira Rocco

    Uma pessoa disse que o imposto sobre grandes fortunas não mudaria muito a situação, já que quem mais emprega é o pequeno e o médio empreendedor. O que a tropa acha a respeito?

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