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Como evitar outra Ucrânia

Atualmente, todas as nações tratam as pessoas, as empresas e os recursos naturais dentro de suas fronteiras como se fossem propriedades do estado. Alguns recursos, como petróleo e minerais, são de fato propriedade de vários governos nacionais.

Mesmo naqueles países em que há vários recursos naturais em mãos privadas, como nos EUA, o governo controla todos os importantes aspectos das indústrias destes setores, com uma apertada regulação.  Como resultado, quando ocorrem contendas internacionais, esses governos utilizam seus cidadãos inocentes como ativos de guerra para proteger os interesses dessas empresas reguladas.  

Simultaneamente, os governos belicistas proíbem todas as empresas privadas nacionais de praticarem transações comerciais com os cidadãos do outro país que está sendo atacado. O intuito destas sanções é punir o governo inimigo, mas, na prática, os maiores punidos são os cidadãos inocentes. 

Ademais, nenhuma compensação é oferecida pelos prejuízos e pelas perdas comerciais sofridas pelas empresas inocentes.

Essas sanções jamais conseguiram atingir o objetivo de deixar os governos estrangeiros de joelhos; elas lograram apenas agravar a questão que está sob disputa. 

Por exemplo, após a ocupação russa da Criméia, a Rússia ridicularizou a reação instintiva e automática dos EUA e da Europa de congelar algumas contas bancárias russas e de negar a determinados russos o direito de viajar até o Ocidente. Duvido muito que alguém realmente acreditou que essas penalizações econômicas iriam funcionar como almejado; tudo não passou de jogo de cena apenas para mostrar ao mundo — e ao governo russo — que o Ocidente estava "fazendo alguma coisa". 

Tais ações, aliás, serviram apenas para agravar a situação. A Rússia agora ameaça retaliar cortando o fornecimento de gás natural aos seus consumidores da Europa Ocidental. Ao contrário das simplórias ações dos EUA e da Europa, essa ameaça russa tem sua eficácia, pois, como bem disse recentemente o Ministro de Energia da Alemanha, Sigmar Gabriel, "não há alternativa sensata" à importação de gás da Rússia.

Não sabemos se essa crise na Ucrânia poderia ter sido evitada.  Porém, analisemos algumas políticas que podem evitar, ou ao menos atenuar, outras possíveis crises semelhantes.

Livre comércio

A centelha que inflamou a anexação russa da Criméia tem suas raízes no livre comércio — ou melhor, na ausência dele. A oposição ucraniana era contra a participação do país em um mercado comum, porém restrito, com a Rússia. Ela defendia que, em vez de um mercado comum com a Rússia, o país se juntasse à União Europeia. 

O presidente da Ucrânia, Victor Yanukovych, vinha há meses dando a entender que estava negociando um acordo com a União Europeia. E então, repentinamente, ele deu uma guinada radical e anunciou que o país iria aderir a uma união aduaneira com a Rússia.

A subsequente fúria da maioria dos ucranianos acabou levando à derrubada do governo de Yanukovych, à determinação dos revolucionários de se juntar à União Europeia, e à tomada russa da Criméia. Será que tudo isso poderia ter sido evitado?

A União Europeia de fato promete livre comércio, mas apenas dentro de suas fronteiras. A União impõe cotas e tarifas de importação para produtos de fora da UE. Sendo assim, o impacto sobre a Rússia de a Ucrânia se tornar membro da União Europeia seria similar ao impacto que ocorreria sobre os EUA caso o Canadá se juntasse à UE e saísse do NAFTA (ignoremos aqui o fato de que o NAFTA é um falso acordo de livre-comércio entre EUA, Canadá e México). 

O importante comércio americano com o Canadá seria substancialmente reduzido e isso geraria desastrosas consequências para ambos os países.

Infelizmente, há um perigoso adendo militar à questão da Ucrânia se juntar à UE: quase todos os membros da UE também são membros da OTAN. 

Muitos países do Leste Europeu que faziam parte do Pacto de Varsóvia se juntaram à OTAN logo depois de terem se juntado à UE. Sem dúvidas, a Rússia concluiu que a Ucrânia seguiria os mesmos passos, e isso faria com que a Rússia tivesse um membro da OTAN em seu quintal. Nada bom.  

A situação seria semelhante à da Crise dos Mísseis em Cuba, quando os EUA quase entraram em guerra nuclear com a Rússia para impedir que Cuba se juntasse ao Pacto de Varsóvia e, com isso, mantivesse forças nucleares russas no quintal americano.

Foi a suposição de que a Ucrânia se juntaria a uma dessas duas uniões aduaneiras o que gerou a crise. A população da Ucrânia é dividida em dois lados: o leste da Ucrânia e a Criméia são pró-Rússia, e o resto da Ucrânia é pró-Ocidente. A opinião pública e as lealdades na Ucrânia são igualmente divididas e parecem intratáveis. Qualquer movimento de união a uma ou a outra união aduaneira iria inevitavelmente gerar indignação do outro lado.    

Mas o povo ucraniano não precisa ser confrontado com apenas estas duas alternativas perigosas. A Ucrânia deveria permanecer livre de todos esses emaranhados econômicos e não se juntar a nenhuma união aduaneira. Ela deveria unilateralmente se declarar uma nação livre para comercializar com quem quiser, e aceitar importações e investimentos estrangeiros oriundos de qualquer lugar.

Uma economia de mercado desobstruída e o estado de direito

A reação da Rússia às sanções econômicas do Ocidente contra alguns de seus principais cidadãos foi a de ameaçar cortar o vital fornecimento de gás natural para a Europa. 

No entanto, em situações normais, mesmo com o gás sendo propriedade do estado russo, essa recusa em honrar contratos resultaria em severas penalidades econômicas sendo impostas a empresas russas por quebra de contrato de seu governo. Dado que o suprimento de gás é controlado pelo estado russo, clientes estrangeiros poderiam requerer na justiça a aprovação para arrestar ativos nacionais russos completamente não-relacionados ao setor de gás, como por exemplo navios e aviões. 

Isso ocorreu com ativos de empresas brasileiras na década de 1980 — majoritariamente aviões e navios — em consequências de seu governo ter dado o calote em sua dívida externa. E isso ainda está ocorrendo com os argentinos desde meados da década de 2000. A presidente da Argentina, sempre que voa para o estrangeiro, voa em aviões comerciais, e não em aviões militares argentinos, pois um avião da Força Aérea argentina seria arrestado pelos credores internacionais da Argentina em praticamente qualquer lugar do mundo. 

Mas o problema atual é que os países europeus não têm alternativa a não ser ceder à chantagem russa. Estes países regularam de tal modo seus próprios mercados de energia, que se tornaram completamente dependentes da produção de energia de semi-ditaduras excêntricas, como a Rússia. 

Se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos (majoritariamente influenciados por pressões ambientalistas) e fossem livres para explorar todas as possibilidades de fontes domésticas de energia, elas iriam adorar todas as vezes que um de seus principais concorrentes desse um tiro no próprio pé ao se recusar a honrar seus contratos. Elas iriam expandir a produção e recapturar rapidamente uma fatia do mercado europeu hoje dominado pela Rússia. 

Da mesma maneira, se os EUA tivessem um livre mercado no setor energético, suas empresas rapidamente passariam a vender gás natural para a Europa.  No entanto, há leis americanas que proíbem a exportação de gás natural, outro insulto ao bom senso econômico.

A Europa e os EUA foram rápidos em congelar as contas bancárias e outros ativos de propriedade russa. Mas que direito têm esses países de obrigar essas empresas privadas (no caso, bancos e algumas imobiliárias) a desonrar seus contratos?

Os bancos de investimento de Nova York, Londres e Frankfurt sofrerão várias perdas no futuro, à medida que empresários russos e de outras nações em contenda com os EUA e a Europa começarem a levar seu dinheiro e seus negócios para países mais neutros. 

Como sempre explicou Ludwig von Mises, é o consumidor quem direciona a estrutura da economia por meio de suas decisões de comprar e de se abster de comprar. Portanto, no final, serão os cidadãos comuns de ambos os lados da contenda os que mais irão sofrer com as ações arbitrárias de seus governos, os quais querem utilizar os empreendimentos privados destes cidadãos como armas nessa disputa.

O pleno respeito ao estado de direito, aos direitos de propriedade e à santidade dos contratos forçaria os países em contenda a solucionar suas divergências pacificamente. Um saudável respeito pelas leis e a não-interferência em questões econômicas evitariam o surgimento de várias crises.

Tivesse a Ucrânia se declarado uma nação adepta de um genuíno livre comércio, sem querer fazer parte de artificiais uniões alfandegárias regionais, certamente não haveria protestos, não haveria revolução e não haveria anexação russa da Criméia.


autor

Patrick Barron
é consultor privado da indústria bancária.  Ele leciona na pós-graduação da Universidade de Winsconsin, Madison, na área de sistema bancário, além de ensinar economia austríaca na Universidade de Iowa, onde vive com sua esposa.

  • Rafael Bastos  09/04/2014 14:19
    Na prática as sanções impostas pelos Estados Unidos e EU aparentemente não tem qualquer efeito a não ser dar a impressão para a oposição americana de que Obama é um covarde e ser motivo de piadas. Porém elas podem ser mais amargas do que o imaginado pois parecem estar gerando um pânico sobre os investidores que podem ainda neste ano retirar do país 150 bilhões de dólares em capitais tornando assim a expectativa de crescimento do PIB russo negativa. Sem contar a possibilidade de guerra que poderia ser uma catástrofe para todos os envolvidos, economicamente e socialmente falando

    www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/03/26/interna_internacional,511944/crise-na-ucrania-pode-provocar-queda-de-1-8-do-pib-da-russia.shtml

    www.diariodarussia.com.br/economia/noticias/2014/03/27/fuga-de-capitais-da-russia-pode-atingir-us-100-bilhoes-em-2014/

    Porém de igual maneira, como bem escreveu o autor do artigo, o Ocidente perde e muito, primeiro pela dependência europeia do gás russo, imaginem a Alemanha no inverno sem gás! Seria o caos que o Kremlin estaria disposta a pagar pra ver, mas o pior é que nesta tentativa de isolação da Federação Russa o Ocidente poderia estar na verdade aproximando ela ainda mais da China.Algo politicamente falando, catastrófico para os EUA.
  • Gabriel  27/02/2022 11:24
    Moço, Cantaste a pedra! Exatamente o que disses a 8 anos atrás aconteceu. Mas a UE pagou pra ver com a suspensão do gás e a retirada de alguns bancos do SWIFT. Eu ainda acredito nas sanções, mas há que saber-se fazer, por trás de Putin existem oligarcas o bancando no poder, se os sancionar como fizeram com o dono do Chelsea e com sanções mais pesadas, o Putin desiste da Ucrânia.
  • Emerson Luis, um Psicologo  09/04/2014 15:01

    Em resumo: os líderes políticos interferem na liberdade econômica para retaliar os líderes de outros países e suas próprias populações pagam o preço.

    * * *
  • Mr. Magoo  09/04/2014 16:07
    Ou seja, Émerson; nacional-socialismo
  • Pedro Ferreira  09/04/2014 15:34
    Considerações económicas à parte, cada pais tem o direito de seguir o seu futuro, e como este artigo fala não só sobre considerações económicas mas também politicas, tenho de deixar a minha contribuição.
    E a Ucrânia à muito tempo que é tratada como um estado escravo pelo vizinho Russo, que o queria agora tornar numa ditadura à Russa. Assim sendo com alguma ajuda ou não da UE e EUA, a população revoltou-se contra este estado de coisas, e como o exercito e a policia Ucranianas não os quiseram matar, a revolução vingou (apenas os snipers RUSSOS da base RUSSA na cidade de Sevastopol não foram suficientes para conter a revolta, mesmo matando 100 manifestantes).
    A Ucrânia é um pais independente, não deveria precisar do seu antigo Paizinho Russo para decidir o que deve ou não fazer com a sua vida... para mais quando o seu antigo paizinho, agora é uma ditadura cada vez mais autocratica, que não gosta minimamente de nada que seja democrático, e já provocou tantas desgraças ao longo da história neste pais.
    Se o Ocidente não fizer frente a este menino Putin que já invadiu a 6 anos parte do territorio da Geórgia não sei onde este mundo cão vai parar...
    É verdade que os Estados Unidos já causaram muitas guerras e não são inocentes, mas os Russos também já causaram muitas, e o Putin justificar-se com os erros passados dos outros não serve de nada.
    Todos os estados da europa de Leste quiseram entrar na UE e na NATO de livrem vontade, não foram invadidos para terem de escolher então, a Ucrânia foi invadida para não puder entrar.
  • Carlos  09/04/2014 19:20
    Um país não é um ser para ter direitos. Quem tem direitos são as pessoas que neles residem, e esses não estão sendo respeitados nesse jogo de xadrez.
  • Andre Cavalcante  09/04/2014 15:37
    Sinceramente não entendi qual o grande problema na Ucrânia. Se a maioria russa quer fazer parte da Rússia, que deixem os russos na Rússia, ora bolas. Se a maioria ucraniana quer fazer parte da Europa, que seja Europa.

    E sobre a possível guerra: bem, os ativos militares da Europa não estão assim tão bons. As últimas investidas em territórios muito menos competente no negócio da guerra mostrou que mesmo europeus e americanos podem sim ser peitados (e isso em uma guerra convencional). Imagina tentar algo com a mãe Rússia (e que forçosamente traria uma conotação nuclear ao conflito).

    Mas o principal motivo que vejo que não haverá guerra aberta nesta contenta é simplesmente o capitalismo: se a Rússia realmente fechar as torneira do gás, a Europa morre de frio no próximo inverno. A Rússia não precisaria nem mesmo lutar. Mas os Russo, obviamente, recebem um grana legal dos Europeus pelo gás, dinheiro esse que é necessário à Rússia. Os Europeus sabem disso e também não tem interesse algum em um conflito aberto com os Russos, porque os Russos também são grandes consumidores das máquinas, carros e bugigangas feitas na Europa.

  • Pedro Ferreira  09/04/2014 16:16
    O grande problema da Ucrânia é que estão demasiado perto da Rússia para os deixarem ser independentes, todos os antigos paises ocupados pela União Soviética já estão na UE. Eu sinceramente até acho que seria mais interessante para o mundo a Rússia também fazer parte da UE e NATO, porque a maioria da população da Rússia até reside na área europeia, mas a Rússia seria um pais demasiado grande para não ficar com o controle da UE, por isso nunca vai acontecer uma adesão da Rússia, e os Russos jamais queriam ficar dependentes de terem de tratar os outros paises por iguais, e de não terem uma politica externa independente à dos paises mais pequenos da UE.
    O mais que se poderia desejar é que os Russos alguma vez consigam viver numa democracia plena, e não nesta ditadura Putin.
    Por isso acho fulcral tornar a Ucrânia uma democracia funcional e próspera, inserida na UE para pelo menos no futuro servia de inspiração para a Rússia ditaturial.
    Agora isto vai ter de ser um trabalho a muito longo prazo para o Ocidente, com grandes custos, e com grandes riscos de destabilização da Rússia. Vamos a ver...
  • José R.C.Monteiro  09/04/2014 16:30
    Saudações, prezado colega virtual, assim como São Tomás quando definia a amizade como querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas, então, gostamos do IMB, somos libertários e rejeitamos ser subjugados ao Estado/b], sinto-me no dever de indicar a radiovox.org para completar tua curiosidade sobre à UCRÂNIA, procure a entrevista com Anatoli Oliynik, dará a ti alguns elementos faltantes, coisa pouca tenho certeza, mas que tem peso, elementos históricos e sociais, na real nós sabemos que basta ver o lado econômico ou [b]rastrear o dinheiro.
    Abraços e sorte.
  • Aron  09/04/2014 15:57
    OFF\ Por favor me respondam uma coisa, porque o esquerdismo e as medidas intervencionistas são tão populares entre os artistas e profissionais do setor criativo? sou designer gráfico e a maioria dos meus colegas é simpática à essat patifaria que é o governo do pt, pelo menos em outros ramos profissionais a influência do esquerdismo não parece ser tão grande.
  • Malthus  09/04/2014 16:40
  • Luciano  09/04/2014 17:37
    O tom do artigo esta correto, a Ucrânia faria melhor em declarar-se livre das pressões de tender para um ou para outro lado, mas não e totalmente garantido afirmar que o fator econômico tenha sido o único decisivo para a anexação da Crimeia. Bastaria a meu ver o próprio ato de agir independentemente. A politica russa atual ela deve avançar ainda mais sobre seus vizinhos. O caso da Georgia em 2008 foi semelhante, o afastamento dela da Russia e a sua aproximação ao ocidente foi motivo para o conflito na Ossétia e na Abkhazia. A Russia ela age como um império monopolista...
  • Celso  09/04/2014 18:52
    Quanta falta de pragmatismo. Por essas e outras que às vezes me sinto mais próximo de conservadores que de libertários, embora não seja conservador.
    A Rússia tem planos imperialistas para com a Ucrânia. E a Ucrânia quer fazer parte da UE para entrar na OTAN, não por acreditar que uma união aduaneira seja melhor à economia que o livre mercado.

    Uma não aproximação ao ocidente seria aceitar ficar à mercê da Rússia.

    É verdade que, se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos, a Europa hoje não estaria refém da Rússia na questão energética. Mas os governos vêem isso agora e podem correr atrás do prejuízo que causaram.
    "[...]O pleno respeito ao estado de direito, aos direitos de propriedade e à santidade dos contratos forçaria os países em contenda a solucionar suas divergências pacificamente. Um saudável respeito pelas leis e a não-interferência em questões econômicas evitariam o surgimento de várias crises.[...]
    Pois é, se o ditador da Rússia seguisse isso, certamente não haveriam crises. Algum libertário vai lá na Rússia dizer isso pro Putin?

    "[...]Tivesse a Ucrânia se declarado uma nação adepta de um genuíno livre comércio, sem querer fazer parte de artificiais uniões alfandegárias regionais, certamente não haveria protestos, não haveria revolução e não haveria anexação russa da Criméia.[...]"
    Mas, de acordo com o próprio autor do artigo, essa era a situação da Ucrânia antes da crise começar: a Ucrânia não tinha acordos aduaneiros restritos nem com a UE nem com a Rússia. E como vemos isso não evitou a crise.
  • Seagal  09/04/2014 19:27
    Quanta falta de pragmatismo. Por essas e outras que às vezes me sinto mais próximo de conservadores que de libertários, embora não seja conservador.

    Vejamos a "falta de pragmatismo".

    "A Rússia tem planos imperialistas para com a Ucrânia."

    Cole aqui o trecho do artigo que nega isso.

    "E a Ucrânia quer fazer parte da UE para entrar na OTAN, não por acreditar que uma união aduaneira seja melhor à economia que o livre mercado."

    Cole aqui o trecho do artigo que diz que a população da Ucrânia quer entrar na UE por motivos aduaneiros.

    "Uma não aproximação ao ocidente seria aceitar ficar à mercê da Rússia."

    Exatamente o que diz o artigo.

    "É verdade que, se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos, a Europa hoje não estaria refém da Rússia na questão energética. Mas os governos vêem isso agora e podem correr atrás do prejuízo que causaram."

    Espere deitado.

    "Pois é, se o ditador da Rússia seguisse isso, certamente não haveriam crises. Algum libertário vai lá na Rússia dizer isso pro Putin?"

    Algum conservador ou esquerdista irá? Aliás, o que você defende que seja feito? Mandar bombas no Kremlin?

    "Mas, de acordo com o próprio autor do artigo, essa era a situação da Ucrânia antes da crise começar: a Ucrânia não tinha acordos aduaneiros restritos nem com a UE nem com a Rússia. E como vemos isso não evitou a crise."

    Acho que você não percebeu sua contradição. Quando a Ucrânia não tinha acordos aduaneiros com ninguém, tudo estava pacífico. Bastou querer fazer um, e tudo degringolou. Exatamente como diz o artigo.

    Na próxima vez, gentileza ter mais atenção e conter um pouco a ânsia de vituperar. Você ficou a descoberto.
  • Anônimo  09/04/2014 20:14
    Excelente 'puxão de tapete' do Seagal.
  • Celso  09/04/2014 22:58
    Alguns ditos "libertários" parecem esquerdistas. Vocês não vêem a contradição do que vocês estão dizendo!?!?

    Antes da crise a Ucrânia fazia exatamente o que vocês sugerem: não ter acordo aduaneiro nem com a UE nem com a Rússia. E quando seu ex-presidente quis fazer um acordo com a Rússia, a população fez exatamente o que vocês sugerem: protestou contra o acordo. De acordo com vocês, então, tudo deveria estar certo.

    A questão é que o mundo não é esse conto de fadas que alguns ditos "libertários" acham. O Putin quer submeter o povo ucraniano, e não vai ser dizendo pra ele que livre comércio é melhor que conflito que se resolverá o problema.

    Se vocês não querem sanções econômicas contra a Rússia e não querem mandar bombas no Kremlin, querem o que então: colocar uma roupa de hippie e sair cantando "give a peace a chance"? Ah... fiquem aí com seus discursos utópicos entanto os adultos lidam com o problema!
  • Seagal  10/04/2014 14:30
    "Alguns ditos "libertários" parecem esquerdistas. Vocês não vêem a contradição do que vocês estão dizendo!?!?"

    Vejamos seus valiosos ensinamentos.

    "Antes da crise a Ucrânia fazia exatamente o que vocês sugerem: não ter acordo aduaneiro nem com a UE nem com a Rússia."

    Parcialmente correto. No entanto, não havia um genuíno livre comércio, pois havia tarifas de importação de todos os lados. Portanto, logo nesse sua primeira "acusação", a coisa já foi pro saco.

    "E quando seu ex-presidente quis fazer um acordo com a Rússia, a população fez exatamente o que vocês sugerem: protestou contra o acordo. De acordo com vocês, então, tudo deveria estar certo."

    Êpa! Qual libertário diz que protestar contra o governo fará com que tudo dê certo?!

    Segunda acusação completamente descabida. Você está fazendo um papel ridículo aqui.

    "A questão é que o mundo não é esse conto de fadas que alguns ditos "libertários" acham. O Putin quer submeter o povo ucraniano, e não vai ser dizendo pra ele que livre comércio é melhor que conflito que se resolverá o problema."

    Foi você quem criou o cenário de conto de fadas. Você criou um espantalho, bateu nele, e saiu gostosamente cantando vitória por ter xingado algo em que ninguém acredita. Muito valente...

    "Se vocês não querem sanções econômicas contra a Rússia e não querem mandar bombas no Kremlin, querem o que então: colocar uma roupa de hippie e sair cantando "give a peace a chance"? Ah... fiquem aí com seus discursos utópicos entanto os adultos lidam com o problema!"

    Então você defende bombas e sanções? Beleza. Agora, diz aí como essas duas medidas funcionaram maravilhosamente bem para trazer paz às relações com Cuba, com o Irã e com o mundo árabe.

    Quem afinal vive em um mundo de fantasias?
  • anônimo  10/04/2014 16:08
    'diz aí como essas duas medidas funcionaram maravilhosamente bem para trazer paz às relações com Cuba, com o Irã e com o mundo árabe.'

    NADA vai ser capaz de trazer paz pras relações com esse pessoal.Vocês, hippies da direita, (como bem falou a Ayn Rand) parece que não tem os pés no chão.
  • Seagal  10/04/2014 17:57
    Ou seja, você defende sanções e bombas -- duas coisas que só ferram inocentes, pois os governos ficam intactos -- sem ter nenhum argumento minimamente razoável, e ainda se pretende superior e com os "pés no chão".

    Abjeção moral sem fim.
  • Mais beijos, menos bombas!  25/02/2022 16:04
    Ainda bem que a Ucrânia não apostou nas bombas! Já pensou! Agora ela pode viver em paz, sem risco algum!
  • Warhawk  25/02/2022 17:19
    Ela deveria mandar ogivas na Praça Vermelha? Eu sou a favor, mas quero ouvir de você.
  • Mais beijos, menos bombas  26/02/2022 14:19
    Quais ogivas? As que ela entregou? Acho que não vão devolver.
  • Paul Kersey  26/02/2022 16:11
    País que se desarma merece apanhar. Assim como um desarmamentista que defende entregar as armas para o governo e em seguida tem sua casa invadida e a família violentada, um país que se desarma perante um agressor merece passar por todos os tipos de humilhação para aprender the hard way que o único caminho para a paz e a civilidade é manter-se fortemente armado.

    Veja que todo mundo se borra de medo da Rússia e não se mete com ela, exatamente por saber que o país é armado (mesmo sendo relativamente pobre).

    Que os desarmamentistas de todos os tipos finalmente aprendam esta lição básica.
  • Jailma Viana  28/02/2022 21:08
    Caro Celso,
    Venho do futuro , fevereiro de 2022, e ele te deu toda a razão!
  • Ricardo  09/04/2014 19:32
    Como dito no artigo...


    Tensão na Ucrânia vai parar na OMC

    Moscou atacou na entidade os EUA e Europa por terem implementado embargos contra empresas e cidadãos russos depois da invasão da Criméia

    A tensão na Ucrânia se transfere para a Organização Mundial do Comércio (OMC) e Ocidente e Rússia trocam acusações de estarem usando medidas comerciais como instrumento político na região. Moscou atacou na entidade os Estados Unidos e Europa por terem implementado embargos contra empresas e cidadãos russos depois da invasão da Crimeia.

    O presidente Barack Obama publicou uma lista de pessoas na Rússia que passaram a ter suas contas bloqueadas no EUA e estão proibidas de manter negócios no país. Segundo o Kremlin, diplomatas russos estão estudando se a medida é uma violação às regras da OMC.

    Os russos ainda apontaram que as preferências comerciais dadas pela Europa para a Ucrânia depois da queda do governo pró-russo seriam ilegais, afetando produtos fabricados na Rússia. Bruxelas reduziu tarifas para bens ucranianos, como forma de incentivar a economia local. Os europeus responderam ao ataque russo alegando que o acordo não viola as regras da OMC.

    A troca de farpas dominou a reunião. Japão, Europa, Austrália, Suíça, Coreia do Sul e EUA ainda se uniram para questionar as barreiras comerciais da Rússia, em setores como eletrodomésticos e carros. Bruxelas já abriu duas disputas contra Moscou e alertou que os russos estão criando medidas protecionistas contra mais de 150 produtos, entre eles papel, batata, leite e carne de porco.

    Já o novo governo ucraniano aproveitou a reunião para acusar a Rússia de impor barreiras comerciais contra seus produtos e por ter "invadido" parte de seu território. Kiev ganhou o apoio da Europa, do Japão, que concedeu US$ 1,5 bilhão em ajuda para a Ucrânia, e dos EUA, que saudou o novo governo de Kiev e suas reformas econômicas.

    O governo russo rebateu, alertando que é "transparente" e rejeitou o ataque ucraniano, lembrando que 95% dos eleitores na Crimeia votaram por fazer parte da Rússia.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,tensao-na-ucrania-vai-parar-na-omc,181598,0.htm
  • Pedro Ferreira  10/04/2014 10:09
    Votaram para fazer parte da Rússia, sobre a ocupação de forças invasoras Russas e sem direito a observadores da OSCE para verificar se a votação foi justa.
    E não respeitando os regulamentos da Ucrânia em que não se podem realizar referendos sem ser com aceitação a nível nacional.
    Por exemplo o Brasil invade o Uruguai, faz um referendo de farsa em que pergunta apenas se o Uruguai quer fazer parte do Brasil, diz que a votação foi de 95% e pronto, o Brasil já ganhou mais território.
    Mas uma coisa é verdade se o exercito Ucraniano não tivesse ouvido os apelos e tivesse reagido à invasão, tinha havido um banho de sangue, e queria ver como o Putin ficava, até podia ganhar a Crimeia mas ia custar-lhe caro. Ou se os americanos tivessem enviado os porta-aviões para o Mar Negro o Putin tinha piado mais fininho.
    Enfim os Americanos lá sabem o que andaram a negociar com o Putin.
  • Lucas  09/04/2014 19:39
    Eu acho que o pessoal aqui do site supervaloriza o intelecto humano. Muitas disputas e, inclusive guerras, começam apenas para "medir quem tem o pau maior".

    Mas fico com uma dúvida: se o texto estivesse correto e a Ucrânia tivesse simplesmente dito "fodam-se, vou me virar sozinha" e não inclinado para nenhum tratado, a Rússia não teria assim mesmo tido os mesmos motivos para se meter? Digo, se fosse medo russo da Ucrânia fazer parte da UE e depois da OTAN, não seria válido um medo de se ter um maldito vizinho independente?
  • Nilo BP  10/04/2014 04:19
    Boa pergunta. Claro que existiria pressão tanto por parte do governo russo quanto dos EUA/OTAN/UE. Resistir a essa pressão requereria uma certa dose de espinha por parte dos envolvidos. Algo a se ponderar para uma eventual sociedade libertária que se proponha a existir num mundo de Estados.

    Mas na Ucrânia... a própria idéia de o povo lá (que dizer dos políticos) ter uma epifania e abrir os portões para o todo e qualquer comércio internacional já é um conto de fadas pra começar. Especular se eles teriam a força de vontade para manter essa situação é o equivalente político de se perguntar se a Voyager poderia ter retornado ao quadrante Alfa se não tivessem explodido o complexo do Caretaker (no sentido de que nada disso sequer existe).
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  09/04/2014 21:51
    Já disse uma vez, já disse duas vezes, já disse...O governo, seja lá quem estiver no poder(pode ser até eu mesmo se tiver oportunidade) fará tudo para o seu próprio interesse econômico e perpetuação. Se os cidadãos querem ser LIVRES de verdade, deverão aprender a parar de depender do governo e se tornarem, de fato, independentes. Comprovadamente, isso só será possível numa comunidade capitalista HONESTA, colaborativa e VERDE. Claro, isso não acontecerá do dia para noite. Porém, é preciso um passo corajoso e decidido pela extinção de todas as regalias governamentais(impostos) e parar com o mito do "governo salvador". O Único Salvador é Jesus Cristo e Ele nunca exigiu impostos de ninguém. Assim, se unidos, os cidadãos poderiam dar um chute mortal na bunda dos seus governantes e mandá-los para a "lata do lixo da História", como já disse um bandido bolchevique "Trotski". Chega de burocracia que só impede o desenvolvimento econômico sustentável, a criação de empregos permanente e etc.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  09/04/2014 22:00
    "Atualmente, todas as nações tratam as pessoas, as empresas e os recursos naturais dentro de suas fronteiras como se fossem propriedades do estado. Alguns recursos, como petróleo e minerais, são de fato propriedade de vários governos nacionais..."

    Uma pergunta: Se essa afirmação é verdade, como foi que os "governos nacionais" se tornaram "proprietários" desses recursos? Como foi que o governo comprou esses recursos? Quem os vendeu e por que? Essas e outras perguntas têm que ser respondidas através de documentos autênticos de compra e venda. Do contrário, os "governos nacionais" são apenas empregados dos verdadeiros donos: os pagadores de impostos. Outras perguntas: por que os "governos nacionais" cobram impostos, enquanto que eu preciso trabalhar para ganhar dinheiro? Por que existem tantas leis e quais os benefícios para mim disso? Preciso de respostas certas.
  • Henrique  09/04/2014 23:51
    Pessoal, o que esperar de um manifesto escrito por mais de 120 professores da Unicamp???

    www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Economistas-da-Unicamp-lancam-Manifesto-em-Defesa-da-Civilizacao/7/26254
  • Mauricio.  10/04/2014 05:21
    Onde estavam os "intelequituais" da Unicamp quando o Estado acabou com a eficiência e a competitividade da economia europeia? Onde eles estavam quando os governos da UE criaram milhões de Estado-dependentes de bolsas e afins? Onde eles estavam quando criaram esta farsa que è o Euro? Agora é o preço a se pagar, oras.
  • Dom Comerciante  10/04/2014 00:07
    Sendo um libertário minarquista, eu digo que fiquei muito feliz com o encolhimento da Ucrânia, pois com um território menor o país só tende a se recuperar mais rápido econômicamente. Claro que o roubo da Criméia pelo impetuoso Papai Russo é imoral, mas se pararmos para pensar bem, os ucranianos só tem a ganhar com essa perda de território. A Rússia que se enrole com aquele leviatã horroroso de 14 000 km.
  • Pedro Ferreira  10/04/2014 13:00
    Bem sem a Crimeia que tinha uma população de maioria Russa, a Ucrânia fica praticamente só povoada por Ucranianos (em que uns falam Russo e outro Ucraniano), mas são todos de origem Ucraniana e entendem-se razoavelmente. Além de já não terem os problemas de terem bases Russas no seu território. Pelo que assim ficam livres de um dia escolherem o seu futuro mesmo que um dia queiram aderir à Nato, e à UE.
  • Diogo  10/04/2014 13:55
    Ou você é libertário ou minarquista os dois não dá...
  • anônimo  10/04/2014 16:15
    Ou você é libertário ou minarquista os dois não dá...
    Claro que dá, então Mises não era libertário? Ou Ron Paul? afff
    Falando mentiras desse tipo, o que parece mesmo é que vc pode ser ancap ou honesto, os dois não dá...
  • Diogo  11/04/2014 11:44
    A minarquia viola a PNA, principio básico da teoria libertária.
  • Bernardo F  10/04/2014 12:15
    Melhor artigo sobre a crisa na Ucrânia que eu li.
  • Marcos  11/04/2014 15:11
    Achei o texto um tanto ingênuo. A Ucrânia não pode simplesmente se declarar um "país livre" com os mísseis russos apontados para ela. A Rússia já deu várias provas de ser um país que não pensa duas vezes antes de fazer valer seus interesses em suas áreas de influência através da força militar.

    O ingresso na União Europeia é uma forma de mitigar aos poucos essa influência. Não é uma boa ideia depender da política econômica dos burocratas da UE? Não. Mas na vida real não existe lá muita alternativa. Envolver a Europa pode ajudar a frear o controle russo do país.

    A Ucrânia foi o país que sofreu o Holodomor. A situação atual daquela região equivale a Alemanha mandar e desmandar no estado de Israel, cujos habitantes um dia sofreram genocídio por atos desse mesmo país. Não é de se estranhar que os ucranianos embarquem em qualquer canoa furada, apenas para terem força o suficiente para se afastar dos russos.
  • Jairdeladomelhorqptras  04/05/2019 22:52
    Estou lendo este artigo cinco anos depos de publicado. A Ucrânia saiu das manchetes. Entrou a Venezuela. Pasmem! Quem está envolvido no conflito, aqui no outro lado do planeta, com a Venezuela e o Maduro? Sim, o Czar do Kremlin.
    Não consigo acreditar que a Ucrânia possa sair das garras do Putin sem o o apoio da OTAN. Que por sinal, me parece um apoio bem fraquinho.
    Abraços
  • Felipe  13/10/2021 04:26
    Com a situação agora dos preços do gás natural e do petróleo, o governo russo pode se dar bem de novo. O rublo russo está sendo uma das poucas moedas do mundo que está se valorizando ante o dólar nesse ano de 2021.

    Como a Rússia conseguiu grau de investimento, tendo em seu histórico recente um calote em 1998? Algum milagre?
  • Augusto  26/02/2022 00:37
    Se ele fizesse isso sempre era pra economia russa explodir de eficiência, mas foi pra fazer guerra .

    "O presidente da Rússia, Vladmir Putin, não começou uma guerra com a Ucrânia despreparado. Muito pelo contrário. As reservas internacionais da Rússia estão estimadas em cerca de 700 bilhões de dólares. Boa parte, cerca de 20%, está em ouro e é uma das maiores do mundo. As reservas estão ainda em euro, dólares e ienes. A dívida interna da Rússia equivale a 18% do PIB, segundo a consultoria Markestrat. Na prática, isso significa que as sanções bancárias contra o país não têm efeito significativo já que ela não depende de capital externo. Além disso, quanto mais subir o petróleo, mais a Rússia se beneficia, já que é grande produtora. Outra grande vantagem russa é o apoio da China, que já se posicionou contra sanções ao país. Se o mundo impuser sanções comerciais de qualquer tipo, mas a China continuar comprando, o país terá capacidade financeira para segurar uma guerra por um bom tempo, na avaliação de especialistas ouvidos pela coluna.".
  • 4lex5andro  25/02/2022 17:48
    Sobre esperar algum apoio militar ocidental direto no conflito esquece.
    G5 não enfrenta g5 diretamente.
    Simples assim, é um procedimento de não-agressão mútuo entre os grandes players do conselho de segurança, tanto que é assim desde 1945... e não é agora que vai mudar.

    Conflitos no máximo, serão como na guerra fria, de dois modos, ou guerras por ''procuração'' (como nas coreias) ou intervenções unilaterais (como no vietnam onde a usaf estava de um lado contra o exército local suportado por apoio de Pequim e Moscou... ou como na síria onde a VVS apoia diretamente, mas usaf e otan usam as facções rebeldes como 'fachadas' anti regime).

    Sobre o que o ocidente pode fazer.
    Sanções econômicas. E suporte militar / logística / warfare / financeiro pra Kiev, enquanto este ainda se manter operacional.
    E depois... mais sanções, torcendo pra Moscou capitular antes de reintegrar a Ucrânia sob seu governo, como era até 1991.

    E só.

    P.s. : No aguardo de algum comentário do IMB sobre a opção de excluir a Rússia do sistema Swift do mercado financeiro internacional.

    P.s. ll : Que o Brasil siga como está, neutro e focado em seus negócios.
  • Leandro  26/02/2022 01:20
    Sim, o certo seria retirar a Rússia do SWIFT. Só que, se fizessem isso, ninguém conseguiria comprar nada do país. A Europa ficaria sem gás natural, e todo o mundo ficaria sem petróleo, sem trigo, sem fertilizantes e sem metais (entre outras coisas).

    Tanto é que o governo Biden especificou explicitamente que as transações envolvendo o comércio de energia com a Rússia devem se manter liberadas:

    home.treasury.gov/system/files/126/russia_gl8.pdf

    Por isso, optaram apenas pelo teatro: impuseram algumas sanções que apenas aparentam severidade (como o congelamento de ativos bancários na Europa e nos EUA de membros do alto escalão do governo russo). Eles já dão a Ucrânia por perdida. Mas seguem comprando commodities da Rússia, pois, caso contrário, a Europa congela e suas indústrias param.

    No final, Putin se valeu das consequências das políticas ambientalistas sobre a Europa.
  • Leandro  26/02/2022 01:37
    Ah, e um detalhe crucial do qual eu me esqueci: retirar a Rússia do SWIFT não apenas irá empurrá-la para o colo da China (que tem desenvolvido um sistema próprio e semelhante ao Swift, só que imune ao escrutínio do Ocidente, o que significa que todas as transações são anônimas), como também irá afetar a supremacia do dólar (que é a moeda corrente do SWIFT).
  • Felipe  26/02/2022 10:26
    Transações anônimas? O governo chinês conseguiu desenvolver essa proeza?
  • Leandro  26/02/2022 16:34
    Este sistema existe de outubro de 2015 e transaciona na moeda chinesa. Chama-se Cips (Cross-Border Interbank Payment System, também conhecido como China Interbank Payments System).

    Obviamente, ainda é pequeno comparado ao Swift, mas vem crescendo, impulsionado pela Rota da Seda.
    Se a Rússia for empurrada para ele, outros países seguirão. E isso tende a abalar o dólar.

    P.S.: eu realmente dei a entender que as transações são anônimas, mas isso obviamente não é verdade (não para o CIPS). Mas nada impede que uma eventual união China-Rússia possa criar um arranjo semelhante, mas totalmente imune aos escrutínios do Ocidente (obviamente, os governos de China e Rússia veriam todas as transações, mas não o Ocidente).

    E isso já é falado abertamente:

    www.bloomberg.com/news/articles/2022-02-25/wall-street-counsels-washington-against-kicking-russia-off-swift
  • Leandro  27/02/2022 00:14
    De maneira um tanto surpreendente, acabaram de anunciar a retirada da Rússia do SWIFT. No entanto, ao que consta, e como já era previsível, deram um "jeito técnico" de não afetar o pagamento das transações energéticas. A própria Casa Branca anunciou isso. E irão retirar do SWIFT apenas alguns bancos russos. Já aqueles que fazem a maioria das transações energéticas (a Casa Branca diz saber quais são) serão poupados.

    twitter.com/JavierBlas/status/1497722169756987393
  • Curioso  27/02/2022 00:27
    www.theguardian.com/world/live/2022/feb/26/russia-ukraine-latest-news-fighting-kyiv-zelenskiy-assault-putin-capital?page=with:block-621ab5b28f08219c41a73aaa#block-621ab5b28f08219c41a73aaa

    Leandro poderia comentar este trecho? Quais serão os efeitos?

    ""You heard about fortress Russia, the war chest of $630bn of foreign reserves," they said.

    "It's impressive, but it's only impressive if Russia can use those reserves. And that means Russia has to be able to sell those reserves and buy rubles to support its currency. And so what we're committing to do here is to disarm the central bank. And the way we can do that, for example, is by banning US, EU UK, persons from selling rubles to the Central Bank of Russia. That means very simply, the Russian Central Bank can't support the ruble, full stop, and that means our sanctions will have much greater force.""
  • Leandro  27/02/2022 00:43
    União Europeia e EUA congelaram (segundo as notícias) as reservas internacionais do Banco Central da Rússia.

    Quem nos acompanha aqui sabe que dólares estão sempre depositados em bancos americanos; e euros, em bancos europeus. Não existe isso de "dólares entrando no Brasil ou na Rússia" ou "dólares saindo do Brasil e da Rússia". Eles nunca entraram. Logo, se os BCs de Brasil ou de Rússia quiserem utilizar os dólares de suas reservas, eles inevitavelmente têm de recorrer a bancos americanos.

    Expliquei isso em detalhes aqui.

    Sendo assim, com o BC russo sem acesso às suas reservas, eles perdem a capacidade de vender dólares e euros para estabilizar o rublo. A tendência é que haja uma forte especulação baixista contra o rublo, o que obrigará o BC russo a disparar a taxa básica de juros e contrair fortemente a base monetária.

    O BC russo pode vender ouro, mas só para portadores de rublo. Já ajuda bastante, inclusive para secar a base monetária, mas o efeito sobre o câmbio demorará mais que a venda direta de dólares.

    O objetivo de EUA e UE é exatamente este: derreter o rublo.

    Foi isso o que aconteceu em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e o país sofreu sanções da União Europeia. Naquela ocasião, o rublo se esfacelou. O dólar saltou de 33 rublos para quase 80 rublos em um ano e meio. A inflação de preços bateu 18%. A Selic deles subiu de 5% para 15% em poucos meses. E o PIB caiu 4% (em momento de expansão mundial).

    Vai ser difícil o Putin bancar essa agora.
  • Felipe  27/02/2022 14:31
    Sem contar que, além disso, o esforço de guerra vai acabar com o rublo russo. Eles podem até ganhar dos ucranianos (que é o mais provável), mas vai ser um desgaste.
  • Felipe  27/02/2022 16:01
    E se a Rússia passasse a fazer como o Peru e Equador, liberando o dólar como moeda corrente?
  • Continuação  28/02/2022 01:00
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/02/em-ato-de-guerra-financeira-ocidente-vai-tomar-reservas-da-russia-e-causar-panico.shtml
  • anônimo  28/02/2022 02:16
    Seria muito bom pra eles, mas pra ter moeda corrente tem que comprar.
  • anônimo  28/02/2022 05:01
    Ja começou

    [Link]m.extra.globo.com/economia-e-financas/apos-sancoes-russos-fazem-fila-para-comprar-dolar-rublo-atinge-minima-historica-25413436.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=EXTRA&fbclid=IwAR3OvPeeaBLgdBLJo35sRvdw12m-dpVlYUBa94RKrQX5N_SIFTegzzJG5p0[/link]
  • Felipe  28/02/2022 14:27
    Elvira (presidente do banco central russo) subiu os juros de 9,5 para 20 % ao ano, em reunião emergencial de hoje.

    Agindo como um Paul Volcker. Juros longos no país dispararam e já estão piores do que no Brasil.
  • Trader  28/02/2022 14:31
    O bizarro é que os estrangeiros em posse de ativos russos não mais podem vender estes ativos em troca de rublos para então utilizar os rublos para comprar dólares. E isso está ajudando a manter o rublo. O rublo estaria muito pior não fosse isso.
  • Pensador Ancap  07/03/2022 13:24
    E outro detalhe as reservas oficiais(Em nome de Bancos Centrais estrangeiros)ficam depositadas no FED, ou seja ficam ociosas e o que está aplicado em Títulos do Tesouro, seus juros e/ou ao serem resgatados vão parar no FED, enfim não irão inflacionar a zona monetária do Dólar.
  • Pensador Ancap  07/03/2022 14:23
    OBS: As reservas oficiais de Banco Centrais estrangeiros ficam depositadas no FED e ficam ociosas, pois viraram reservas em excesso e serão remuneradas pelo FED, elas ficarão ociosas devido não irem parar na economia real, ficaram retidas lá enquanto as sanções vigorarem e só voltaram a ser mexidas pelo Banco Central da Rússia quando acabar as sanções contra ela.
  • rraphael  25/02/2022 21:12
    vi militante da impresa dizendo que os EUA e a Ucrania apoiam o nazismo (e pondo na capa citaçao do putin justificando a açao militar pois la so tem "drogado e neonazista")

    mas nao era o trump que era nazista ? o biroliro tambem ? e nao era o jao bide quem ia salvar a esquerda mundial ?
    como jao bide critica o putin transformaram o velho babao em nazista tambem ?
    mas o biroliro ta sendo criticado porque visitou a russia , ele é nazista e é a favor do putin que diz que ta perseguindo nazista ?
    entao o jao bide é nazista e o biroliro, nao ? sim ? todas as alternativas anteriores ?

    que ideologia sem pé nem cabeça, a coerencia ja entrou no campo negativo, eu sempre dou uma olhada pra ver a decadencia do pseudo-jornalismo e nunca deixo de me supreender , sempre se rebaixam mais

    tenho dó de quem acompanha eventos do leste europeu pela imprensa marrom querendo apenas se informar
    nunca vai conseguir nada alem da papagaiada sobre EUA , biroliro e nacional-socialismo
  • anônimo  26/02/2022 06:08
    O problema que aberturas unilaterais são menos politicamente viável que acordo comerciais. É mais fácil ter aprovação interna quando o outro país também se abre para importar seus produtos do que apenas você
  • anônimo  03/03/2022 17:54
    podemos complementar:

    "Se as empresas de energia da Europa não tivessem sido tolhidas pelas regulamentações de seus governos
    (majoritariamente influenciados por pressões ambientalistas INFLUENCIADAS POR AGENTES RUSSOS"
  • Carlo  03/03/2022 22:19
    Achei o texto um pouco ingênuo. Faltou comentar sobre os mercenários contratados pelo governo russo, para incentivar separatistas e criar a narrativa de áreas da Ucrânia pró Rússia.
    Faltou comentar que os governo russo não reconhece a independência da Ucrânia.
    E estamos esquecendo que no leste, há fanáticos que não são barrados por falta de dinheiro. Que só respeitam o poder de armas. Que não estão nem aí para livre comércio ou respeito de contratos.
    Nosso pensamento ocidental não entende como pode haver pessoas tão interessadas em conflitos, mas existem.
  • Leitor Atento  03/03/2022 22:39
    Companheiro, o texto é de 2014. Se quiser algo atual, clique aqui.
  • Luís Eduardo Mangini  07/03/2022 16:05
    A evolução socioeconômica causada pelo ingresso dos países do Leste Europeu na OTAN e na UE é um dos grandes feitos recentes na história da humanidade.
    A Estônia, por exemplo, foi de um PIB per capta de US$ 5,345 (2002) para US$ 23,718 (2019) depois que ingressou na OTAN e UE. O país ainda realizou uma série de reformas institucionais, demitindo funcionários públicos corruptos, simplificando regras e alíquotas tributárias, além de desburocratizar e digitalizar o acesso aos serviços públicos.
    As regras da UE oferecem uma saída consistente da pobreza e ainda garantem a população do bloco liberdade de expressão, acesso à informação, livre locomoção e trabalho em todo o território do mercado comum.
    Em 2014, na revolução conhecida como Euromaidan, a população da Ucrânia derrubou seu presidente alinhado com o regime ditatorial de Putin após meses de manifestações violentas. Yanukovych era suspeito de ter sido eleito por meio de fraudes eleitorais e se recusava a assinar o tratado de livre comércio com a EU, desejado pela esmagadora maioria da população ucraniana.
    Putin tinha razões para acreditar que seria o próximo a ser derrubado. Afinal, a Ucrânia é vizinha e possui fortes ligações históricas e culturais com o povo russo.
    Logo após este episódio, Putin iniciou uma série de agressões militares a Ucrânia, com a invasão da região de Crimeia e o fomento de supostos movimentos separatistas na região de Donbas, acreditando que os conflitos impediriam que a Ucrânia aderisse a OTAN.
    Por mais que Putin mantenha o controle da mídia e da internet com mão de ferro e seu país, hoje em dia qualquer caminhoneiro russo pode filmar no seu celular a diferença de qualidade de vida entre a Rússia e os demais países do leste europeu.
    Essa perspectiva é completamente disruptiva com o que o Putin pretende para si e para a oligarquia Russa. Esta visão é bem mais plausível do que a suposição que a OTAN colocaria mísseis de interceptação na Ucrânia. Afinal, já existem outras bases no báltico, com distâncias até menores de Moscou.
    Putin é apenas mais um ditador sanguinário, que não se importa com as vidas perdidas nas suas lutas para se manter no poder.
    A OTAN foi justamente criada para garantir a segurança contra o expansionismo Russo, não há nada de errado no fato da Ucrânia querer fazer parte desta aliança, pelo contrário, a sua adesão é o único meio de conseguir paz e liberdade.


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