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Livre comércio versus 'Acordos de Livre Comércio'

O Mises Institute tem consistentemente defendido o livre comércio — o verdadeiro —, enquanto sempre criticou os "acordos de livre comércio", por considerá-los uma forma de mercantilismo disfarçado. Esta posição é solitária, exceto pelo fato de que, analisando a história, vemos que os austríacos sempre se posicionaram contra acordos de comércio, chegando até mesmo a combatê-los como sendo uma forma de planejamento keynesiano. Portanto, há no Instituto uma tradição que deveria levar os austríacos modernos a se oporem a certos esforços, como o North American Free Trade Agreement (NAFTA) e todos os outros acordos que se seguiram.

Dito isso, é ótimo que o professor Manuel Ayau, em um livro que, no momento, só se encontra disponível através da Universidad Francisco Marroquin, também escreva contra esses acordos de comércio. Em seu livro, ele fornece uma excepcional explicação sobre a divisão do trabalho. O título é Not a Zero-Sum Game (Um Jogo que Não Soma Zero).

Eis o que ele diz:

O livre comércio não requer tratados. Tudo o que ele necessita é que se removam (unilateral ou multilateralmente) todas as barreiras artificiais ao comércio: a Inglaterra fez isso em meados do século XIX, Hong Kong o fez em meados do século XX. Em 1879, a Constituição dos Estados Unidos usou apenas cinquenta e quatro palavras para estabelecer o livre comércio entre os estados. Já o NAFTA, o acordo de "livre" comércio entre o Canadá, o México e os EUA tem duas mil páginas, novecentas das quais se referem unicamente a tarifas.

O tamanho mastodôntico desses acordos de comércio, com suas miríades de estipulações e controles - tais como regras sobre a origem e a correspondente inspeção de produtos, exigências de verificação, e a interferência em assuntos soberanos, como leis trabalhistas - desvirtuam completamente seu nome.

Acordos de comércio vêm sempre cheios da palavra "exceção". Aqueles que sabem manusear suas influências políticas por meio de grupos de interesses sempre recorrem a "favores" para se protegerem da concorrência externa. Dentre esses grupos de interesse estão tipicamente os produtores de itens essenciais. Assim, é irônico que os principais esforços do governo sejam para permitir que os produtores de itens de consumo básico cobrem preços mais altos, provocando uma distribuição inversa de renda: dos membros mais pobres da sociedade para os poucos privilegiados. Em vez de livre comércio, o que esses acordos criam é um sistema de comércio dirigido e manipulado, além de — como era de se esperar — muitos, caros e inúteis empregos para burocratas, empregos estes que só servem para destruir a riqueza dos países envolvidos.

Supervisionar e controlar o comércio entre dois países faz tanto sentido econômico quanto supervisionar e controlar o comércio entre os estados e províncias de um mesmo país...

Acordos comerciais têm também outras implicações prejudiciais. Eles discriminam importações de baixo custo de países que não fazem parte do tratado. O comércio com estes países é ignorado em prol de fornecedores que, apesar de serem mais caros, gozam de isenções fiscais, pois pertencem a países signatários do acordo. No entanto, os importadores destes bens mais caros precisam de mais moeda estrangeira para poder pagar por eles. E como um bônus, parte da receita tributária que o governo abriu mão por causa do uso de isenções tarifárias acaba se transformando em renda para o bolso do fornecedor privilegiado.

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Para mais sobre o assunto, leia "O Mito do NAFTA", de Murray Rothbard.


2 votos


  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  06/05/2011 18:22
    DEIXAI FAZER, DEIXAI IR, DEIXAI PASSAR E O MERCADO, NATURALMENTE, RESOLVERÁ OS PROBLEMAS.
  • Well Souza  06/05/2011 20:54
    Desculpe, Amarílio, mas não dá para aplicar isso (livre mercado).

    Não é que o mercado livre seja ineficiente, mas é uma situação utópica. Podemos fazer um paralelo com a física, onde se estuda o movimento de objetos no vácuo e com coeficiente de atrito zero, não para tentar aplicar isso ao mundo real, cotidiano, mas sim para aprender o comportamento. Um carro de F-1, no vácuo, poderia atingir uns 1.000 km/h mas não conseguiria fazer uma curva a 100 km/h.

    Da mesma maneira que 3.569 regras não devem gerar um resultado socialmente ótimo, 0 também não. Há de se encontrar, como pensam os budistas, um 'caminho do meio'.

    abraços,
  • mcmoraes  06/05/2011 21:04
    Mas Well Souza, se você não explicar o porquê da sua afirmação, fica parecendo uma questão de fé. Em outras palavras, tudo bem que a sua fé dita isso para você, mas por que outras pessoas deveriam acreditar nisso também?
  • Angelo Viacava  06/05/2011 21:37
    É tão simples o argumento de Amarílio que não pode-se dizer "não dá para aplicar isso" simplesmente. Na tentativa de se comprar um badulaque ou utilidade em Rivera, Assunção ou Nova Iorque, vê-se o peso do Acordo de Livre Comércio mandando contra o consumiros e contra o vendedor, só. Os favorecidos únicos são o governo e seus burocratas. Só a fé cega em um sistema depreciativo de riqueza explica o simples não à permissão de deixar fazer. A caverna de Platão resume o dilema de não se querer a liberdade quando nunca a conhecemos de antemão.
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/08/2013 18:01
    O nome devia ser "acordos de livre-mercantilismos"

    * * *
  • Andre Lima  09/04/2014 21:39
    https://mises.org/books/game.pdf
  • RichardD  21/09/2015 20:04
    Pequeno mas revelador.


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