Voltar

Como funcionaria uma sociedade sem estado

Este
artigo é a segunda e última parte da entrevista concedida por Hans-Hermann Hoppe à revista Wirtschaftswoche,
o principal semanário da Alemanha sobre economia e negócios, e foi conduzida
por Malte Fischer. A primeira parte, que versou sobre economia global e
secessão, pode ser lida
aqui
.


Independentemente do número de territórios
soberanos, ainda resta a questão do tamanho do governo.  Os liberais clássicos sugerem que o estado
seja um mero ‘guarda noturno’, o qual se limita a garantir a liberdade, a
propriedade e a paz.  Mas o senhor não
quer estado nenhum.  Por quê?

Os liberais clássicos subestimam a inerente
tendência de qualquer arranjo estatal ao inchaço.  Essa é uma propensão irreversível.  Quem determina quantos policiais, quantos
juízes e quantos soldados — todos eles financiados por impostos — haverá em
um estado mínimo voltado exclusivamente para a segurança e para os serviços
judiciais?  

No mercado, onde bens e serviços são
demandados e pagos voluntariamente, a resposta é clara: bens e serviços serão produzidos na quantidade e aos preços que os consumidores estiverem dispostos a pagar.  Por outro lado,
no que tange ao governo de qualquer país, a pergunta “quanto?” será
sempre respondida da mesma maneira: quanto mais dinheiro você nos der, mais
poderemos fazer por você.

Dado que o governo pode obrigar seus cidadãos
a pagar impostos, o governo sempre irá exigir cada vez mais dinheiro e, em
troca, ofertará serviços de qualidade cada vez pior, dado que o governo não
opera em ambiente concorrencial.  A ideia
de um estado mínimo, principalmente em uma democracia, é um projeto
conceitualmente falho.  Estados mínimos jamais permanecem mínimos.

Então
não deveria haver estado nem sequer para proteger a propriedade, e para
fornecer serviços de segurança e de justiça?

Se o estado for proteger a propriedade
utilizando uma polícia estatal, então ele terá de coercivamente coletar
impostos.  No entanto, impostos são
expropriação.  Desta maneira, o estado
paradoxalmente se transforma em um expropriador protetor da propriedade.  Não faz sentido.  Ademais, um estado que quer manter a lei e a
ordem, mas que pode ele próprio criar leis, será ao mesmo tempo um transgressor
e um mantenedor da lei.

E isso tem de ficar claro: o estado não
nos defende; ao contrário, o estado nos agride,
confisca nossa propriedade e a utiliza para se defender a si próprio
A definição padrão do estado é essa: o estado é uma agência caracterizada por
duas feições exclusivas e logicamente conectadas entre si.  Primeiro, o
estado é uma agência que exerce o monopólio compulsório da jurisdição de seu
território; o estado é o tomador supremo de decisões.  Ou seja, o estado é
o árbitro e juiz supremo de todos os casos de conflito, incluindo aqueles
conflitos que envolvem ele próprio e seus funcionários.  Não há qualquer
possibilidade de apelação que esteja acima e além do estado.  Segundo, o
estado é uma agência que exerce o monopólio territorial da tributação.  Ou
seja, é uma agência que pode determinar unilateralmente o preço que seus
súditos devem pagar pelos seus serviços de juiz supremo.  Baseando-se
nesse arranjo institucional, você pode seguramente prever quais serão as
consequências:

a) em vez de impedir e solucionar conflitos,
alguém que possua o monopólio da tomada suprema de decisões irá gerar e provocar conflitos
com o intuito de resolvê-los em benefício próprio.  Isto é, o estado não
reconhece e protege as leis existentes, mas as distorce e corrompe por meio da
legislação.  Contradição número um: o estado é, como dito, um transgressor
mantenedor das leis. 

b) em vez de defender e proteger alguém ou
alguma coisa, um monopolista da tributação irá invariavelmente se esforçar
para maximizar seus gastos com proteção e ao mesmo tempo minimizar a
real produção
 de proteção.  Quanto mais dinheiro o estado puder
gastar e quanto menos ele tiver de trabalhar para obter esse dinheiro, melhor
será a sua situação.  Contradição número dois: o estado é, como dito, um
expropriador protetor da propriedade.

Então,
para quem o senhor gostaria de transferir a tarefa de proteger direitos e
propriedade?

Tais tarefas devem ser realizadas por aquelas
empresas privadas que comprovadamente demonstrarem competência em um mercado
livre e concorrencial — exatamente como ocorre com os outros serviços. 

Em uma sociedade de leis privadas, a produção
de lei e ordem — de segurança — seria feita por indivíduos e agências
livremente financiados, concorrendo entre si por uma clientela disposta a pagar
(ou a não pagar) voluntariamente por tais serviços — exatamente como ocorre
com a produção de todos os outros bens e serviços.  Como esse sistema
funcionaria é algo que pode ser mais bem compreendido ao contrastarmos tal
sistema com o funcionamento do nosso atual e totalmente conhecido sistema
estatista. 

Se quisermos resumir em uma única palavra a
diferença (e a vantagem) decisiva entre uma indústria de segurança operando em
ambiente concorrencial e a atual prática estatista, essa palavra seria: contrato.

O estado opera em um vácuo jurídico. 
Não existe nenhum contrato entre o estado e seus cidadãos.  Não está
determinado contratualmente o que de fato pertence a quem; consequentemente,
não está determinado o que deve ser protegido.  Não está determinado qual
serviço o estado deve fornecer, nem o que deve acontecer caso o estado falhe em
cumprir seu dever, e nem qual preço o “consumidor” de tais
“serviços” deve pagar.  Ao contrário: o estado determina
unilateralmente as regras do jogo, podendo mudá-las, por mera legislação,
durante o jogo. 

Obviamente, tal comportamento seria
inconcebível para fornecedores de serviços de segurança financiados
livremente.  Apenas imagine um fornecedor de serviços de segurança — seja
uma polícia, uma seguradora ou um tribunal de arbitragem — cuja oferta
consistisse em algo mais ou menos assim: “Eu não vou contratualmente
garantir nada a você; não irei lhe dizer o que estou obrigado a fazer caso você
não fique satisfeito com meus serviços.  Porém, mesmo assim, eu me reservo
o direito de determinar unilateralmente o preço que você deve me pagar por tais
serviços indefinidos.” 

Qualquer fornecedor de serviços de segurança
desse tipo iria imediatamente desaparecer do mercado em decorrência de uma
total falta de clientes.

Em vez de agir assim, cada produtor de
serviços de segurança, sempre financiado livremente, teria de oferecer um
contrato aos seus clientes em potencial.  E esses contratos — a fim de
serem considerados aceitáveis para consumidores que estão pagando
voluntariamente por eles — devem conter cláusulas e descrições totalmente
claras, bem como serviços e obrigações mútuas claramente definidos.  Cada
uma das partes do contrato, ao longo de sua duração e até o vencimento do
contrato, estaria vinculada a ele de acordo com seus termos e condições; e
qualquer mudança nos termos ou nas condições iria requerer o consentimento
unânime de todos os lados envolvidos.

Mais especificamente, para serem tidos como
aceitáveis por seus potenciais compradores, esses contratos teriam de conter
cláusulas especificando o que será feito no caso de um conflito ou desavença entre
a agência de segurança (ou seguradora) e seus segurados, bem como no caso de um
conflito entre diferentes agências de proteção e seus respectivos
clientes.  E, nesses casos, apenas uma solução mutuamente acordada é
possível: os lados em discórdia concordariam contratualmente em recorrer a um
tribunal de arbitragem comandado por algum agente que seja independente e que
goze da confiança mútua desses dois lados. 

E quanto a esse agente, ele também deve ser
financiado no livre mercado, além de sofrer a concorrência de vários outros
arbitradores e agências de arbitragem.  Seus clientes — isto é, as
seguradoras e os segurados — esperam que ele dê um veredito que seja
reconhecido por todos como sendo justo e imparcial.  Somente arbitradores
capazes de dar vereditos justos e imparciais terão êxito no mercado de
arbitramento.  Arbitradores incapazes disso, e consequentemente vistos
como parciais ou tendenciosos, irão desaparecer do mercado.

E
como seriam definidas as leis e como seria sua aplicação?

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro
que, se não houvesse conflitos entre indivíduos e todos nós vivêssemos em
perfeita harmonia, não haveria nenhuma necessidade de leis ou normas.  O
propósito de leis ou normas é justamente o de ajudar a evitar conflitos que de
outra forma seriam inevitáveis.  Somente as leis que atingem esse objetivo
podem ser chamadas de leis boas.  Uma lei que gera conflitos
em vez de ajudar a evitá-los é contrária ao propósito intrínseco de qualquer
lei –ou seja, trata-se de uma lei ruim, disfuncional e corrupta. 

Em segundo lugar, é preciso entender que toda
e qualquer sociedade tem como característica intrínseca conflitos de
propriedade sobre bens escassos.  Conflitos ocorrem porque vivemos em um mundo
de escassez, onde os bens são escassos.  Afinal, se os bens
são escassos, eles não podem ser de todos. 
É necessário haver propriedade sobre eles.  As pessoas entram em choque porque querem
utilizar exatamente o mesmo bem de maneiras distintas e incompatíveis.  Ou
eu venço a briga e utilizo tal bem do meu jeito, ou você vence e utiliza tal
bem do seu jeito.  É impossível que nós dois saiamos
“ganhadores”.  No caso de bens escassos, portanto, são
necessárias regras ou leis que nos ajudem a solucionar reivindicações rivais e
conflituosas. 

Mas não é necessário que seja o estado quem
irá resolver tais conflitos. 

Logo, todos os conflitos relacionados ao uso
de bens escassos, poderão ser evitados apenas se cada bem for propriedade
privada
, isto é, se cada bem escasso for exclusivamente controlado por um
indivíduo (ou grupo de indivíduos) específico — e não por vários indivíduos
não-especificados –, e sempre for deixado claro qual bem é propriedade de
quem, e qual não é.  E, para que os conflitos fossem evitados desde
o início da humanidade
, por assim dizer, seria necessário ter uma regra
determinando que a primeira apropriação original de algum
recurso escasso e até então sem dono configuraria propriedade privada. 

Sendo assim, existem essencialmente três
“leis boas” que podem garantir uma interação humana sem a ocorrência
de conflitos (ou a “paz eterna”):

a) aquele que se apropria de algo até então
sem dono torna-se o seu proprietário exclusivo (na condição de primeiro
proprietário, ele logicamente não entrou em conflito com ninguém, dado que todas
as outras pessoas apareceram em cena apenas mais tarde);

b) aquele que produz algo utilizando tanto o
seu próprio corpo quanto os bens dos quais se apropriou originalmente torna-se
o proprietário único e legítimo do produto de seu trabalho — desde que ele,
nesse processo, não danifique a integridade física da propriedade de terceiros;
e

c) aquele que adquire um bem de algum
proprietário por meio de uma troca voluntária — isto é, uma troca
considerada a priori como mutuamente benéfica — torna-se o
novo proprietário desse bem.

Portanto, tendo este pano de fundo, imagine
agora uma sociedade sem estado.  Nesta
ordem natural, cada indivíduo que for o primeiro a se apropriar de algo irá se
tornar o proprietário original dos bens que ele controla.  Quem sugerir o contrário terá o ônus da
prova.  Neste arranjo, conflitos serão
resolvidos por uma autoridade natural. 
Em vilarejos, esta autoridade natural são aquelas pessoas que forem respeitadas
por todos; elas atuarão como juízes.  Se
houver alguma contenda envolvendo pessoas pertencentes a comunidades distintas,
e que recorrerem a juízes distintos, o conflito terá de ser arbitrado no nível
superior mais próximo.  O que é
importante é que nenhum juiz detenha o monopólio da aplicação de leis. 

O mesmo raciocínio se aplica a qualquer
cidade, de qualquer tamanho, dado que toda e qualquer cidade está dividida em
bairros, que funcionam como se fossem vilarejos integrados.

Isso
soa muito irrealista…

… mas não é!  Apenas veja como as contendas transnacionais
são resolvidas atualmente.  Em nível
internacional, já existe uma espécie de anarquia jurídica, pois não há um
governo mundial que a tudo regula.  Por
exemplo, pense na cidade da Basileia. 
Ela está localizada em uma tríplice fronteira entre Suíça, França e Alemanha.  O que seus cidadãos fazem quando há uma
contenda entre eles?  Em primeiro lugar,
eles irão contatar suas respectivas jurisdições.  Se não houver nenhum acordo, arbitradores
independentes são convocados para resolver o caso.  Por acaso existem mais contendas entre os
cidadãos desta região do que entre cidadãos de Dusseldorf e Colônia?  Nunca ouvi falar.  Isso mostra que é possível regular disputas
interpessoais pacificamente, sem que haja um estado detentor do monopólio do
justiça.

Um
sistema jurídico sem estado provavelmente está muito além da imaginação das
pessoas.

Por quê? 
Basicamente, são ideias facilmente compreensíveis que, ao longo dos
séculos, foram abolidas e extirpadas de nós por apologistas do poder
estatal.  Foi um grande erro evolucionário
substituir a liberdade de escolha das pessoas em termos legais por um monopólio
estatal da legislação.  Este atual estado
de coisas levou a um arranjo em que, nas eleições, uma horda ignara adquire
cargos governamentais e utiliza seu poder legiferante para se enriquecer
expropriando a propriedade daqueles que possuem mais riquezas do que eles
próprios.  Já o chefe de um clã que seja
voluntariamente escolhido como um arbitrador de disputas normalmente será um
indivíduo já rico que não terá motivos para querer tomar para si a propriedade
de terceiros.  Caso contrário, ele não
seria escolhido voluntariamente como arbitrador.

Como,
em um mundo sem a ordem do estado, poderíamos impedir a violação de direitos
elementares à liberdade, como o direito à integridade física?

Contra-pergunta: por acaso tais violações são
atualmente impedidas pela existência do estado? 
Como está a violência em países que têm um estado grande e onipresente,
como os da América Latina?

Enquanto os humanos forem humanos, sempre
existirão áreas em que haverá homicídios e assaltos.  Os governos conseguiram melhorar esta
situação?  Tenho minhas dúvidas.  Governos também são geridos por humanos.  Porém, ao contrário de uma sociedade sem
estado, os líderes detêm um monopólio sobre sua posição de poder.

Isso por acaso não torna estas pessoas piores
do que já são?  Humanos não são anjos;
frequentemente fazem maldades e causam enormes estragos.  Por este motivo, a melhor defesa da liberdade
e da propriedade é não permitir que ninguém crie um monopólio protegido por
lei.  Tão logo exista um monopólio
protegido por lei, não serão exatamente seres angelicais que surgirão dele.

Suponhamos
que sigamos suas ideias e transfiramos as clássicas funções do estado, como a
proteção da propriedade e da imposição da justiça, para organizações
privadas.  Imediatamente teríamos de
lidar com o problema de que, também nestas organizações, os homens maus podem
assumir o comando e criar cartéis à custa dos cidadãos.

O risco de isso ocorrer é baixo.  Cartéis só conseguem sobreviver no longo
prazo se o estado protegê-los.  Isso
ocorre hoje justamente em todos os setores da economia que são controlados por
agências reguladoras, as quais existem para impedir que novas empresas entrem
no mercado, façam concorrência e perturbem a tranquilidade das empresas já
estabelecidas e que são as preferidas do estado.

Cartéis nunca se sustentaram no livre
mercado.  O que tradicionalmente sempre
ocorreu foi o seguinte: as grandes empresas começaram a se unir para dividir o
mercado exclusivamente entre elas; no entanto, tal arranjo, por elevar os
preços e reduzir a qualidade dos serviços, acaba beneficiando os membros mais
ineficientes deste cartel e prejudicando os mais eficientes.  Estes percebem que podem conquistar uma maior
fatia de mercado fora do cartel.  Tão
logo eles percebem isso, o cartel se esfacela.

Mas
até que isso ocorra, os membros do cartel exploram os cidadãos.

Esse seu raciocínio é o que eu chamo de “se
suicidar por medo de morrer”.  Se você
transfere tal tarefa ao estado, então você está dando a ele logo de partida um
monopólio total.  E ele certamente irá
abusar deste monopólio para restringir a liberdade dos cidadãos.

Em
uma sociedade sem estado e com leis privadas, como lidar com o problema das
externalidades?  Por exemplo, quem iria
fazer com que poluidores ambientais também tivessem de arcar com os custos?

Esse problema é fácil de ser resolvido.  Basta você conferir à parte prejudicada o
direito de tomar medidas judiciais contra o agressor.  Ato contínuo, ela poderá processar o causador
do estrago, fazendo com que esta lhe dê um pagamento indenizatório.  No século XIX, era uma prática comum os
cidadãos processarem empresas que danificassem sua propriedade em decorrência
de poluição.  Com o tempo, o estado
começou a limitar o direito de apelação, tudo com o intuito de proteger
determinadas indústrias.

Por isso, e como expliquei anteriormente, é
crucial que os direitos de propriedade sejam claramente atribuídos.  O princípio básico tem de ser: quem for o
primeiro a se apropriar de um local ainda inutilizado e sem dono, adquire os
direitos de propriedade.

Por exemplo, se uma indústria construir uma
planta que apresente uma intensa emissão de poluentes nas vizinhanças de um
determinado bairro residencial, então estes moradores — que chegaram lá
primeiro — podem processar a empresa e pedir indenização.  Trata-se de um princípio simples que até
mesmo crianças conseguem entender.  Nos
EUA, durante a época da corrida do ouro, vários critérios foram estabelecidos
sem a intromissão o estado.  E várias
pessoas registraram suas queixas contra mineradores.  Isso mostra que questões de transgressão de
propriedade podem ser resolvidas sem o estado.

E
a questão das forças armadas?  Não dá
para organizar a defesa nacional sem o estado, e ninguém pode ser excluído da
segurança fornecida por um exército. 
Logo, você precisa do estado para obrigar todos os cidadãos a pagarem
impostos para financiar as forças armadas.

E quem disse que absolutamente todos os
cidadãos querem ser defendidos por um exército? 
De novo, vivemos em um mundo de escassez.  O dinheiro que for gasto com defesa não mais
estará disponível para ser gasto em outros propósitos.  Algumas pessoas talvez não queiram ser
defendidas e, em vez disso, preferem pagar por férias no Havaí.  No caso de um ataque externo, elas
provavelmente iriam optar por deixar o país e, sendo assim, elas não precisam
de defesa de nenhum exército.

O estado não tem nenhum direito de obrigar
estas pessoas a pagar impostos para financiar forças armadas.  Em uma sociedade sem estado, as pessoas
podem, se assim o desejarem, criar pequenas unidades de segurança, como
vigilâncias comunitárias.  Podem também
se defender por conta própria por meio do uso de armas.  Ou podem ainda contratar segurança
privada.  Elas teriam a liberdade de
decidir livremente como iriam gastar seu próprio dinheiro.

_______________________________________________

Leia também:

O fundamento lógico para a
privatização total
 

A produção privada de
serviços de segurança
 

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

177 comentários em “Como funcionaria uma sociedade sem estado”

  1. anônimo sobre segurança

    Sobre a questão de exércitos:

    Uma vez conversando com um amigo, ele sugeriu que a segurança nacional poderia ser um serviço B2B (business to business), oferecido para empresas de segurança privada como uma forma de “resseguro”.

    Por exemplo, existiriam as diversas empresas ‘policiais’ privadas, as seguradoras, as empresas de vigilância, etc. Elas poderiam contratar um tipo de seguro com uma empresa ‘militar’ privada, que garantiria proteção em caso de guerra, agressão de outro estado contra a população livre, etc. A empresa ‘militar’ seria responsável por fornecer soldados e equipamentos de guerra como armas, tanques, mísseis, etc.

    Esse seria um arranjo viável teoricamente?

  2. Nosense libertário. A “Sociedade Libertária” só existe na cabeça dos libertários. É tão utópico quanto a estatização total comunista.

  3. Ótimo artigo, como de costume.

    Algumas questões que pipocaram em minha mente enquanto percorria o texto:

    1) Em relação às empresas privadas de segurança, me pergunto se não correríamos algum risco de a empresa mais demandada no mercado se agigantar de tal maneira que seus donos/controladores pudessem se tornar tiranos (como o próprio texto cita, seres humanos não são anjos) e, por deterem, provavelmente, o maior arsenal de armas ninguém mais seria capaz de combate-los? Digamos que ladrões de bancos fossem o melhor cliente dessa empresa de segurança de sucesso e, do outro lado, um banco fosse cliente de uma empresa de segurança não tão equipada. Teríamos um problema, não?
    Ok, o banco poderia recorrer a Justiça (privada, claro), mas ladrões preferem resolver “na bala” em vez de “no tribunal”….

    2) Partindo da lei básica “se descobri algo que não tem dono, o dono agora sou eu”, como seria a propriedade de rios? Os rios seriam fatiados e considerados propriedade dos agricultores donos das terras cortadas por eles? Logo, teríamos que comprar água de algum agricultor, certo? E a rede de água não ficaria absurdamente complexa se considerarmos cada agricultor como um potencial fornecedor? (fazendo um paralelo com as empresas de telefonia, por exemplo, que estão replicando cada uma a sua própria infra-estrutura).

    Obrigado e um abraço!

  4. Já mandei essa entrevista completa aos meus amigos conservadores e minarquistas. Eles não vão gostar, pois amam o estado monopolista, mesmo que seja um estado mínimo, pequeno. Espero que um dia eles compreendam que é imoral defender a iniciação da agressão, como eles defendem hoje.

    Obrigado.

  5. O argumento dos liberais clássicos que o estado seja um mero ‘guarda noturno’ é mais realista do que o do Sr. Hoppe. População armada, Forças armadas divididas em comandos militares independentes, ainda é o melhor meio de se evitar Ditaduras, exércitos privados são como mercenários.

  6. Na verdade já estamos utilizando serviços de segurança fora do estado. Basta um olhar mais atento para notarmos. Empresas de monitoramento e que oferecem rondas, ou mesmo moradores do bairro contratando alguém para tal finalidade. Ainda o fato de muitas residências terem uma simples cerca elétrica, já significa a total falta de confiança na segurança publica. Ou seja, pagamos impostos para o estado nos proteger, porem, paga-se empresas particulares para aumentar esta proteção. Isso significa um pagamento duplicado para mesma finalidade. É a clara impotência do estado diante de nossa segurança. Analisem este mundo novo que estamos descobrindo com o advento da internet. O estado não tem capacidade de proteger o computador particular de cada internauta. Necessitamos de antivírus de empresas no livre mercado. Não se pode negar que hoje temos uma vida digital na rede, e que merece a mesma segurança da vida física. No mundo virtual; este mundo que está apenas mostrando sua utilidade e importância, o estado não tem também capacidade alguma de proteger o cidadão. Realmente a ideia no texto merece reflexão. Importante descobrirmos novas maneiras de se viver. O mundo velho gerido pelo estado, já deu mostras do total fracasso.

  7. Eduardo, “De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades” Tem Algum argumento para refutar essa declaração?

  8. Emerson Luis, um Psicologo

    Infelizmente, hoje vivemos um tempo de agigantamento do Estado.

    Tomara que essa tendência seja revertida a tempo, estou preocupado com 2015.

    * * *

  9. O partido nazista tinha 8,5 milhões de filiados e outros milhões de apoiadores, que nunca foram contidos pela moral e ética. Os EUA, China e Russia, espionam, roubam e assassinam milhões todo ano, com amplo apoio de suas populações. Vcs realmente acham que exércitos privados vão fazer frente a Estados centralizados e imperialistas.

  10. Teoricamente, a “garantia” estatal não é de fundamental importância para o fenômeno econômico.
    Também a proteção da propriedade pode ser garantida por um clã, dispensando-se a referida garantia.
    A garantia do pagamento de dívidas foi eventualmente realizada pelas comunidades religiosas – mediante ameaça de excomunhão etc. E isso foi até mais eficaz do que política estatais laicas.

    Também já existiu dinheiro – aceitável – sem a garantia estatal. Mesmo no caso de um dinheiro cartal.
    A moeda como a compreendemos hoje – via imposição estatal – não existia na Babilônia.
    Há indícios históricos da existência de contratos cuja garantida dependia de um “carimbo” de determinada “firma”, sem a proclamação de uma garantia estatal.( mais tarde dão início ao que chamamos de bancos, na atualidade).

    Também a unidade de valor parece não ter sido cunhada pelo Estado, mas sim , em função de condições contratuais.

    Há várias outras premissas que poderiam aqui ser elencadas as quais iriam ao encontro do presente texto.

    Nesse sentido, portanto, é possível extrair pelo menos uma conclusão: a de que numa visão puramente econômica, conceitual, o Estado não seria necessário para a economia.

    Todavia, o funcionamento da economia do tipo moderno( atual), não é possível sem uma ordem jurídica especial que na prática só pode ser uma ordem estatal.

    Isto porque, a economia atual se embasa em oportunidades adquiridas por contratos que, por mais distante que possa ir a “legalidade contratual”, bem como os interesses comuns, recíprocos, dos proprietários na proteção mútua de sua propriedade e por mais que a convenção e o costume estabeleçam sentido idêntico, as ações dos indivíduos, a influência destes poderes, perdeu muito de sua importância em consequência do ABALO da tradição, tanto em suas relações reguladas única e exclusivamente pela tradição, quanto pela descrença no caráter supremo destas, ainda que isso tenha sido consequência única e exclusivamente de indevidas intervenções estatais.

    Lado outro, há interesses de classes separados, mormente, nas transações atuais.
    Tudo isto exige um direito que funcione de maneira rápida e segura e por isso mesmo, precisa ser garantido por um poder COATIVO o mais forte possível. Não basta dirimir conflitos. É preciso aplicar alguma pena para evita-los, efetivamente.
    Mesmo em condições puramente civis, a pena precisa existir.

    E economia moderna, por diversas razões, destruiu, sobretudo, as outras associações que eram portadoras de direito. Portanto, destruiu a garantia, mesmo aquela contida em instrumento particulares.

    Também, por outro lado, o domínio universal da relação mercadológica EXIGE um direito calculável e racional. A expansão do mercado favorece a monopolização e regulamentação de todo o poder coativo LEGÍTIMO, por alguma instituição coativa universal, mediante a DESTRUIÇÃO de todas as estruturas coativas particulares etc.

    Portanto, em que pese a explicação econômica do autor – quanto ao funcionamento econômico independente de um ESTADO, a qual, em tese, é possível pactuar, não há como concordar com a possibilidade, pragmática de trocas, tão somente no mercado, sem qualquer tipo de organização coativa de poder.

    O seres e firmam pactos junto ao mercado são , em sua grande maioria, coletivos e, ao menos intrinsicamente organizados. Consequentemente, são superiores à maioria dos seres individuais, não organizados, dispersos, que são os consumidores.

    Finalizando, ressalta-se que em algum momento, os tribunais arbitrários NÃO SERIAM imparciais, como ocorre no Estado e a desordem tenderia a propagar , fragilizando a própria garantia contratual ( justa e correta) entre os diversos e diferentes seres particulares e/ou coletivos.
    Desta forma, um curto prazo desorganizado certamente propagaria uma desordem no médio e no longo prazos.

    Saudações

  11. Interessante este texto. Apresenta as coisas como de fato são, sem floreios. Porém, existem duas grandes fraquezas nesta argumentação, no que concerne a defesa de território sem o ente “Estado”, ao invés de defender a redução do Estado:

    1. Sobre a existência unicamente de uma “jurisdição voluntária”, sem que exista uma “jurisdição forçada”: caso uma das partes não queira tratar de solucionar o conflito via arbitragem? Como fazer? O exemplo citado foi em Basileia, “capital cultural da Suíça”… Queria ver um troço desse funcionar com uma população com tantas pessoas de um ímpeto tão “complexo” como a nossa. Caso uma das partes diga: não quero conversa! Vai fazer o quê?

    2. Defesa nacional: a formação de um Estado Totalitário ao lado de um território sem Estado (sem unidade, sem defesa unificada) provocaria a inevitável anexação deste território (risco inevitável). Sei que há o exemplo da Suíça, durante a grande guerra, que, com homens armados de rifles, nos Alpes, na copa das árvores, rechaçou o exército alemão, mais bem armado. Este mesmo exército totalitário (o alemão), de um único país, praticamente colocou toda a Europa de joelhos. Poderia ter subjugado a Suíça, se fosse esse o alvo…

    O Estado Mínimo é o suficiente para garantir a segurança nacional numa grande guerra (lembrar da transformação da indústria americana para reverter o quadro da II Guerra) e a imposição da jurisdição. Também não me pergunte como mantê-lo mínimo, isto é algo a ser estudado.

  12. “Como funcionaria uma sociedade sem estado”?

    Perguntinha boboca, ora! Muitos cursinhos preparatórios para concursos iriam fechar, havendo uma onda de desemprego. Equação : + Estado + concurso + empregos públicos estáveis = girar a roda da economia e mais justiça social.

  13. No anarcocapitalismo, supondo que uma empresa de segurança privada bem forte tem vários clientes e resolve aniquilar um de seus clientes e tomar suas posses, por ex. ir morar na mansao do falecido. Ela pode perder todos os demais clientes, mas nao tem problema, as posses desse cliente que foi morto é maior do que o do proprietário da empresa de segurança, entao vale a pena. Daí esse empresario que matou seu cliente pode comprar mais armas e executar o vizinho da mansão e os seguranças dele. Daí ele consegue mais armas e dizima o bairro inteiro. Daí quem aparecer na sua porta exigindo o cumprimento de contrato ou o que foi decidido por camera de arbitragem, ele aponta a arma e BANG, bala na cabeça. Daí ele tem tantas armas que ninguem pode mais com ele, ele montou um exercito particular com todo o armamento possível. Não importa mais moeda, nao importa dinheiro nem nada, ele consegue o que quer pela imposicao da força física. Daí chega um ponto que ele obriga pessoas a trabalhar pra ele e obtém os bens dessas pessoas. Daí ele começa a virar um estado. Em outras palavras, quem tiver a maior força (armas) será o mais poderoso e dominará os demais. Assim, na ausencia do estado, a sociedade retoma seus instintos primitivos de sobrevivencia e dominaçao.

  14. “Algumas pessoas talvez não queiram ser defendidas e, em vez disso, preferem pagar por férias no Havaí. No caso de um ataque externo, elas provavelmente iriam optar por deixar o país e, sendo assim, elas não precisam de defesa de nenhum exército.”

    Este ”…provavelmente iriam optar…” me incomoda bastante.
    Por acaso estes indivíduos desconsideram que, numa guerra, suas propriedades materiais estão na iminência de serem expropriadas?

  15. No anarquismo o poder passa a ser exercido pelo poder físico. Quem tiver o maior arsenal bélico, será o mais poderoso e terá todos os demais a ele subordinado. Ponto final. Todas as teorias econômicas, a eficiência do capitalismo, as moedas, as empresas, os clientes etc etc etc viram pó. Sabe por quê? Do que adianta “riqueza na forma de dígitos eletrônicos em computadores de bancos” quando eu tenho uma arma apontada na minha cabeça depois de todos os meus seguranças privados já terem sido liquidados? Ou mais do que isso, eu e os meus vizinhos estarem armados mas o país que não tem estado está prestes a ser invadido por outro (que tem estado e tem exército) e possui armamento capaz de devastar a minha sociedadezinha anárquica em questão de horas? Será que minha pistola vai ajudar quando minha casa estiver sofrendo um ataque aéreo? A pessoa que está me agredindo nao quer a minha conta bancária, nem Ipad nem nada, ele pode simplesmente dominar o meu território e impor a sua força (“Os homens não são anjos”)e, assim, voltar a ser estado. Trata-se de uma questão humana, não mais uma questão econômica.

  16. Quando a educação for a mesma, quando as pessoas se tornarem honestas, quando os humanos forem moralmente perfeitos, então poderemos sepultar o estado. Ruim com os governos, mas pior sem eles. Melhor seria estabelecer o “recall eleitoral” com o voto distrital. Indispensável obrigar as pessoas a “decorarem” seus deveres, não somente os direitos. Enfim, a maior parte da população ainda precisa ser dirigida.
    A ausência do estado é uma utopia que deve ser perseguida, mas dificilmente será atingida. O mundo animal e vegetal, em tese, encontrou a harmonia sem os governos. O ser humano ainda não pode ter esse grau de liberdade. Há um longo caminho, talvez no ano 15001 …Nos últimos 10 mil anos a história do homem moderno não indica que estamos aptos a viver sem governos, nosso “bom-senso” ainda não evoluiu o necessário. Para a grande maioria da população mundial, “bom senso” é a capacidade dos outros pensarem como nós.

  17. Primeiramente, meus cumprimentos à todos que comentam aqui.

    Encontrei este site faz pouco tempo, e também confesso que as idéias anarco capitalistas são novas à mim, apesar de já ter “confrontado” alguém com estas idéias, porém sem ter conhecimento de que elas já são bem fundamentadas/teorizadas.

    Dito isto, ainda tenho dúvidas à respeito da questão do monopólio: imagine que todas as empresas de telecomunicação resolvam se juntar e virar uma só. Como isto pode ser evitado?

    Se já existir algum artigo que trata mais aprofundadamente da questão, por favor, me apontem. Agradeço antecipadamente.

    Enquanto isto, continuarei lendo os artigos do site. Parabéns.

  18. ‘Dado que o governo pode obrigar seus cidadãos a pagar impostos, o governo sempre irá exigir cada vez mais dinheiro e, em troca, ofertará serviços de qualidade cada vez pior, dado que o governo não opera em ambiente concorrencial. A ideia de um estado mínimo, principalmente em uma democracia, é um projeto conceitualmente falho. Estados mínimos jamais permanecem mínimos.’

    Eu não sei como é que pode o Hoppe afirmar uma coisa dessas quando ele mesmo sabe que não é bem assim, nem dá pra acreditar que é o mesmo Hoppe que defendia o mundo dividido em vários micro estados, justamente pro caso de quando um deles começar a ficar autoritário ou cobrar impostos demais, ser fácil você mudar pra outro.
    E aí como é que ele fala que o governo SEMPRE pode obrigar seus cidadãos a pagar impostos? Claro que não, é só o cara ir embora!
    ‘dado que o governo não opera em ambiente concorrencial’ opera sim, do ponto de vista de quem é rico o suficiente pra poder escolher onde morar.

  19. Alguém sabe de algum artigo ou livro daqui do site ou do Mises americano no estilo “Perguntas a fazer para estatistas”? Acho que já vi algo assim um tempo atrás, mas não estou conseguindo encontrar novamente.

  20. O imperio do Direito

    Por favor, alguem me explique quem garantiria o cumprimento do contrato assinado entre um individuo e uma empresa privada de segurança sem Estado? Você teria que acionar um tribunal arbitral? E quem garantiria o cumprimento dessas decisoes arbitrais? Será que eu nao poderia descumprir uma ordem arbitral que eu considerasse injusta contratando uma ou varias empresas privadas de seguranca que detivessem as empresas contratadas para fazer a decisao ser cumprida? E ampliando a discussao para qualquer outra questao, que estabilidade teria uma economia se nao houvesse seguranca de que os contratos serao cumpridos?

  21. Talvez destoe um pouco do tema do texto, mas surgiu uma dúvida a pouco tempo e gostaria de saber a solução liberalista para tal situação.

    Existem, no nosso e em outros países, leis que “protegem” o mercado de trabalho para brasileiros, exigindo certa porcentagem de emprego destes em empresas internacionais que aqui operam, geralmente em áreas onde a concorrência internacional de mão-de-obra é mais elevada (Ex: Setor marítimo).

    Leis protecionistas tem o mesmo efeito de um monopólio, como mão-de-obra de pior qualidade e cara. Enquanto defendo que elas sejam abolidas, o que fazer quando outros países a usam? A manipulação do mercado de trabalho “lá” não exige uma manipulação “aqui”, caso contrário resultando em desemprego?

    Aproveitando o embalo, como se defender de países que praticam subsídios?

    Gostaria de saber uma solução realista, prática, e não ideal para essa situação.

    Abraços.

  22. A sociedade não funcionaria.
    É da natureza humana mandar e obedecer, como todos vocês estão, ou já foram para a escola, aí vai um exemplo:
    Num grupo de trabalho escolar sempre existe alguém que da as ideias principais e diz o que o resto do grupo deve fazer, e o grupo obedece(há um consenso entre os integrantes).
    É assim na sociedade, quem não manda obedece, QUANTO MAIOR A RIQUEZA INDIVIDUAL, MAIOR O PODER DE PERSUASÃO CONTRA OS INDIVÍDUOS MENOS AVANTAJADOS FINANCEIRAMENTE, concentrando ainda mais a influencia e poder do mais rico, e quanto mais ele tem mais ele quer e mais ele consegue.

  23. Basta assistir ao Mad Max, ou ao seriado Revolution e teremos uma noção do que é uma sociedade sem Estado, indico também o livro o Senhor das Moscas, há em filme também!

  24. O texto é absurdamente verboso, porém não toca de forma precisa na resolução de conflitos que é o objetivo maior do direito. A pessoa que escreveu o texto não leu nem funcionalismo nem contratualismo jurídico. Observe o problema do livre mercado na relação com a lei : tribunal A concorda comigo por tanto o julgamento será feito lá, a outra parte não concorda pois o tribunal b costumeiramente concorda com ela. Se ambas as partes não concordam quem fará o julgamento já que se retirada a autoridade do estado a autoridade recai sobre o indivíduo. Segunda parte você escolhe o estado ao qual deseja permanecer dentro e o estado como qualquer empresa diz quem pode entrar nele ou não. Ciente de que o estado aumenta de tamanho sempre, cabe ao liberal fazer ele diminuir sempre e não menos importante o estado é uma necessidade humana aparece espontaneamente sempre que a sociedade se desenvolve.

  25. caros amigos, venho acompanhando seus textos já a bastante tempo, mas em especial esses e outros que propõem a total derrocada estatal me são mui caros. Fiz direito, não sou advogado, em verdade trabalho no comércio e conheço bem o funcionamento do mercado, contudo, me chamou atenção a questão que não fora levantada nesse texto que são direitos difusos,e coletivos, como por exemplo o direito a um meio ambiente sadio. Nesse caso a poluição atmosférica é um problema atual e contundente, sem solução pacífica estatal, e que todos invariavelmente participamos ativa ou passivamente de forma contínua e alternada. O texto muito bem frisa sob a propriedade material palpável, de modo mais latu senso, contudo gerou-me dúvida de como arbitrar no sentido que ora aduzo. Sim libertarmos dos grilhões gás/óleo seria o ideal, contudo nesse caso me faz crer, que o mea-culpa, ante uma unidade de arbitragem traria muito mais benefícios que a própria arbitragem, por favor me ajudem a melhor esclarecer-me. Grato

  26. Li o texto e todos os comentários. Sempre defendi o “estado mínimo” e o texto abriu meus olhos para os pontos fracos desse formato de governo. Sempre flertei com o anarquismo (mais precisamente o anarcocapitalismo), mas ainda assim existem pontas soltas no artigo que eu gostaria que me esclarecessem.

    1) Com a inexistência de estado existiria uma constituição? Não vejo sentido em existir, uma vez que lutamos pela liberdade e a constituição é exatamente uma limitadora de liberdade. Sendo assim, a “constituição” seria apenas as 3 regras básicas apresentadas no texto sobre “propriedade privada”. Mas no próprio texto o escritor fala sobre uma quarta regra sobre “integridade física”. Se começarmos a analisar todas as possibilidades começariam a surgir diversas regras necessárias como “princípios básicos de interação social”,ou seja, limitadores de liberdade, não?

    2) Partindo do princípio que não há uma legislação, constituição, ou livro de regras qualquer. O texto fala em se contratar agentes arbitradores privados imparciais para julgar casos. Tudo bem, concordo plenamente com isso. A dúvida está em: em que esse árbitro vai se pautar para realizar o julgamento, uma vez que não há livro de regras de certo ou errado? Em casos onde há contrato é simples, vale o contrato, mas em casos que dizem respeito a roubo ou furto de propriedade privada ou em casos de danos morais e físicos, como se julgariam esses casos?

    3) Punições. Sabemos que se alguém estupra outra pessoa, por exemplo, esse estuprador teoricamente é preso. Como funcionaria esse sistema de punição / reabilitação?

    4) Não existindo polícia não se tornaria possível o aumento ou até a banalização de um dos grandes problemas que temos hoje: os justiceiros? Pessoas querendo resolver seus problemas usando a força sem querer recorrer a uma polícia ou equipe de segurança privada, seja por não querer gastar dinheiro ou qualquer outro motivo?

    Abraço, aguardo respostas.

  27. “Ou seja, o estado é o árbitro e juiz supremo de todos os casos de conflito, incluindo aqueles conflitos que envolvem ele próprio e seus funcionários”

    Não adianta colocar a culpa no homem pela sua própria natureza, pessoas matam pessoas não armas é a mesma coisa para o estado/governo que causa inflação e omissão. Isso é uma falácia existencialista. Como podemos dizer “deus ama os homossexuais mas odeia o homossexualismo” não existiria homossexualismo sem homossexuais entendeu ? Como não poderia haver corrupção sem corruptos.

    A única solução para o problema do estado corrupto é mudar seus funcionários e não aboli-lo. Todo poder corrompe poder absoluto corrompe absolutamente. Por isso é bom ter um governo central e não total que não trabalham para eles e sim conosco. podemos correr para um sistema ditatorial, com o os países socialistas, mas esse abolirmos o estado daríamos mais poder a quem ? Aos grandes empresários ?

    Para terminar uma frase de Walter Lipmman: Quando todos estão pensando iguais é que ninguém está pensando.

    Por isso existe DEMOCRACIA !

    Prefiro a democracia em vez da tirania stanilista-anarco-capitalista.

    Se você acabar com estado você acaba com a democracia e a civilização ocidental que está baseada “praticamente” na “moral judaico-cristã” uma pena, não adianta odiar os cristãos por que a putinha cristã do bairro dava para a galera, mas não pra você e depois ia na missa ou culto, um abraço.

  28. Ai ai… Tirania stanilista anarco-capitalista é de doer.

    Não sei quem começou esta maluquice de sempre querer comparar anarco-capitalismo com socialismo. Mas tem gente que realmente consegue se superar…

    Cada coisa…

  29. As grandes corporações não terminariam por se constituir em mini-estados capazes também de tiranizar as pessoas e cometer abusos de poder?

  30. Concordo com grande parte do texto.

    Um dos pontos que me preocupa é que provavelmente todas as reservas naturais seriam extintas. Pois, não existiria uma pessoa diretamente prejudicada pela ação de alguém ou alguma empresa em desmatar uma reserva ambiental na Amazônia.

  31. Mas quem falou em ‘necessidade’ de um estado? O estado não é uma necessidade… É algo inevitável, do qual não se pode fugir… Nós não somos animais individualistas, fôssemos, não haveria sociedade, cada um teria seu território de caça, e iriam disputar território e defender território no mano a mano… Mas o homem é híbrido. Ele preza sua individualidade gosta de ter o seu canto mas é sociável… Homens se juntam em bano para a caçada. É muito mais eficiente caçar em bando. A união faz a força. E a divisão de tarefas leva à especialização da atividade. O que leva à uma maior eficiência do grupo… Não há almoço grátis nem bônus sem ônus… O grupo tem que dividir território, dividir o produto, o trabalho, mas enfim os homens irão se agregar, se agrupar, definir regras, inclusive de partilha de território e de produção e quem discordar do grupo, está fora do território do grupo… É um micro estado. Já é um estado… Tolo o homem que renega o estado porque na realidade ele nem compreendeu ainda que o estado somos nós, nossa união. Se você se reuniu com alguém já instituiu um estado… É a sociedade.

  32. Cara… Sociedade sem estado só se forem nômades, hippies, ou algo assim…
    Você não entende o que seja estado.
    Estado é um domínio.
    Basicamente se você domina um território.
    Você constituiu um estado.
    O estado é você dominando e reinando sobre o seu território privativo.
    Posto isso você pode ser um indivíduo sozinho solitário e mesmo assim ter um estado… Como o indivíduo se livra deste ‘peso’? É só abdicar do domínio sobre o território e ser nômade numa área de vida comum… Como faz qualquer manada de ruminantes…
    Sociedade sem estado..
    Seria uma sociedade sem domínio territorial… Sem domínio de uma propriedade… Uma empresa já é um micro estado porque ela domina uma marca um produto decide quem trabalha nela como empregado..
    Um grupo em sociedade privada que partilha um território um terreno um edifício forma um condomínio… O estado é só um condomínio de uma sociedade nacional…
    Falar em sociedade sem estado…
    Soa a falar em casamento sem casa…
    Já ouviu falar em acasalamento sem casal? Se há um acasalamento de forma um casal.
    Se há uma associação se forma uma sociedade.
    E o que um casal faz? O que é o matrimônio? É usecontrato de partilha de um patrimônio.. Casal que domina um patrimônio é um micro estado. Por isso que se chama família de célula da sociedade. Uma família domina um patrimônio com território recursos regras divisão de tarefas distribuição de recursos.. O núcleo familiar é um estado. Podem até ser nômades mas se dominam recursos e mercadorias enfim um patrimônio não deixa de ser um estado ambulante… O estado é o domínio de um recurso compartilhado por um grupo e não uma conspiração ideológica… Como melhor administrar e organizar o estado vá lá que implique em alguma ideologia… Mas o estado é inevitável a não ser que você abra mão de dominar um patrimônio… E aí?

  33. Você não entendeu a diferença entre necessidade e fenômeno… O estado é um fenômeno resultante do fato de que um indivíduo ou grupo de indivíduos em sociedade acabará dominando um território onde irá impor suas próprias regras de compartilhamento… Um indivíduo não PIDE ditar as regras dentro de sua casa? E coerção e violência mesmo ou você respeita as regras da minha casa ou não será bem vindo e ponha se daqui pra fora… O mesmo vale para as regras do condomínio privado da nossa associação particular… Quanto maior o grupo maior a abrangência territorial… Se não caiu a ficha ainda sugiro se mudar pra marte…

  34. Se uma empresa comprasse uma parte do espaço aéreo não poderia monopoliza-lo?, ou comprasse area de aguas maritimas e monopolizasse a entrada em um porto? Só tenho essa dúvida.

  35. No mundo dos sonhos não existe conflito de interesses né? Tipo ser dono do aeroporto e também de uma empresa de aviação… Atrapalhar meus concorrentes? Se der lucro, é claro….

  36. O problema é que a visão ancap enxerga apenas os aspectos negativos do Estado, qual seja, a violência, o roubo, a falta de liberdade promovida pelos agentes e burocratas do governo. Mas se esquecem do positivo que brota de todo esse processo. Mesmo realizando todos esses expedientes hediondos, o Estado tem proporcionado o surgimento, desde os primórdios da civilização, de instituições que caminham cada vez mais para um maior grau de liberdade. A liberdade, essa danada que tantos consagram (eu inclusive), é vista muitas vezes como uma entidade que sempre pairou na vida dos indivíduos, como se fosse algo dado a priori, como se fosse um valor que defendêssemos simplesmente por conclusão lógica, pelo simples uso da razão. Mas a liberdade, assim como qualquer outro valor, foi sendo construída ao longo da história. Como diria Hegel, ela está na história, ela é a própria história. Toda a trajetória da humanidade pode ser resumida nessas poucas palavras: a realização da liberdade humana.
    E todo esse caminho não teria sido possível se não tivesse surgido a figura tirânica, autoritária, carismática e soberana do Estado. Um civilização com Estado, por mais cruel e intervencionista que seja o governo, é mais livre que uma tribo selvagem anarquista onde reinasse uma aparente “democracia”.
    O Estado tem feito e ainda faz horrores em nossas vidas, mas proporciona também o aparecimento de leis, valores, instituições e conhecimentos que trouxeram progressos a toda a sociedade. Pensem nos valores que hoje defendemos, como o respeito ao indivíduo, à propriedade, à liberdade, a paz, o direito de livre expressão, etc. Imaginem agora se tais valores eram sequer mencionados há 2000 anos atrás, ou mesmo há uns 1000 anos atrás. Na Grécia antiga, ser livre era estar desobrigado das atividades realizadas pelos escravos e consideradas indignas. Na Idade Média, ser livre era ir morar na cidade (mesmo sabendo-se que lá havia pobreza, mendicância, etc.). No início do século XX, ser livre era exercer o sufrágio universal. Em cada época, novos valores. Herdamos do passado e deixamos nossa marca às gerações posteriores. Quem sabe qual será o conceito de liberdade defendido no século XXII?
    O Estado também nos protege, embora nos violente também. Ele toma parte de nossa propriedade, mas defende outra parte. Não precisamos pensar em termos de “oito ou oitenta”. Agora, imagine num ambiente sem Estado. Quem garantiria nossa proteção? A segurança privada? E se os mais fortes se unissem para dominar os mais fracos, e impor escravidão a todo mundo?
    Essa questão sobre a necessidade do Estado já foi respondida por Hobbes há muito tempo.

    Já li todos os artigos sugeridos pelo instituto mises. org sobre essa questão, e nenhum conseguiu responder a questõezinhas tão básicas como essas que apontei.

    A sociedade não é dividia entre tirania x liberdade. Isso é uma visão maniqueísta. Tirania e liberdade nasceram e se desenvolveram juntas, ao longo da história.

  37. Boa tarde.
    Em uma sociedade sem Estado, o que ocorreria no caso a seguir?

    João, padeiro, chega em casa e encontra seu filho Carlos, de 12 anos, morto, aparentemente com um tiro.
    João possui poucos recursos.
    Quem investigaria esse caso? Qual seria sua motivação para fazer isso?

  38. Amigo sobre a segurança armada se houver uma guerra chama o Batman ok ou a mulher maravilha, acho que o estado pode ter sim uma mínima intervenção na economia e na política, creio que o Estado deve cuidar somente da nossa proteção e sim concordo com você de ter leis q n gerem discórdia por que leis que gerem discórdia não são leis boas.

    Mais também acho q as pessoas n podem tomar decisões sozinhas tipo simplesmente matar alguem ou simplesmente tem uma arma de fogo pq quer, por que a lei infelizmente com furos ou n ta ai para “TENTAR” remediar as coisas.

    Achei interessante polícias privados acho uma boa idéia, mas, infelizmente têm coisas q n concordo com você mais gostei de sua matéria

  39. Mudem o nome do site e do Instituto, então, para Instituto Hoppe Brasil. Porque o que Mises sempre defendeu passa muito longe das ideias defendidas aqui… Um dos livros editados pelo Instituto, inclusive, contém a sentença definitiva de Mises sobre a relação entre Liberalismo Clássico e Anarquismo:

    “O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo.” – Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica – Pg. 64.

  40. Pergunta, o que acontece quando o estado entra em colapso? dica já aconteceu e vai acontecer e desta vez vai ser em escala global.

  41. Como agir somente pelo racional considerando o objetivo de realização e portanto o direito total sobre o lucro produzido sobre o trabalho, sem interferencia do estado na economia, recolhimento de impostos, provavelmente tornando hospitais, alimentação , moradia e condições básicas para existência , iniciativas privadas, como pessoas que não possuem capacidade de produzir ( trabalhar ), como deficiência mental ou distúrbios mentais como depressão profunda, bipolaridade, etc… seriam capazes de. Pagar por tais necessidades uma vez que não são capazes de produzir uma moeda de troca ( dinheiro ) ?

  42. O Anarco capitalista vive num sonho : que ele vai morar num apê gourmet no Jardins (bairro de rico em SP) e que ninguém vai querer roubar nada ; que ele não vai precisar acordar cedo pra trabalhar e aguentar chefe mal humorado – haverão outros (que ele vai pagar o mínimo possível) que vão fazer isso COMPORTADAMENTE por ele.

    Ele não percebe que ele não só vai precisar pagar segurança privada pra sua casa, como pra DENTRO E FORA de sua empresa – para AO MENOS manter o que já tem

    Ele não percebe que a existencia ou não de uma segurança privada na região que QUALQUER UM MORA será um fator de sorte, do ACASO,e não de obrigatoriedade – e que poderá ser muito mais custoso pra ele doq paga hoje de impostos .

    O Anarco capitalista vive num sonho de que, sem Estados, o Mundo vai ser como é hoje : ele , com seu mar de dinheiro ,vai sair nas ruas (no nosso exemplo em SP) e o comércio vai estar aquecido e aberto, as calçadas com certos de lixo, o sistema de esgoto funcionando bem e os semáfaros organizando os carros. Ninguém estará planejando sequestros, os miseráveis não estarão fedendo na sarjeta e os Hackers desistirão de querer invadir contas bancárias pra se tornar empregadinhos dos outros e SUAR. Ele vai poder entao desfrutar de um passeio de metrô depois de comer em um restaurante japonês (muito limpo sem nenhuma contaminação e transgênico) e então tirar férias na Europa – onde os Museus estarão lá protegidos e seguros sem que nenhum Muçulmano tenha tentado destruir as pinturas pagãs de Rainha Nefertiti .

    Hoje sexo na rua é atentado ao pudor : Será que, sem Estado, isso não vai acontecer de jeito nenhum ????????

    Como é , também, que um Anarco Capitalista vai confiar no que a Ciência ou jornais dizem- se qualquer um puder usar a informação como bem entender????

    O Anarco Capitalista não entende que , sem segurança / fiscalização, outras empresas poderão ir a ruína – nem todo tipo de serviço será confiável ,e que não será mais certeza o comércio, aviões, estradas ETC ..

    .Produtividade – mas poderão seus funcionários ao menos chegar ao trabalho ??????

    Ou ele pensa que vai poder pagar por tudo o que for conveniente pra eles – e pra si mesmo????

    O Anarco capitalista despreza o Estado – mas ele mesmo se tornaria um Estado – só que sem Terra, sem riquezas, sem exército , sem nada, e então voltaríamos a Barbárie mais rápido do que o pum que eu soltei agora .

  43. Desde que me entendo por gente que defendo uma sociedade sem estado. Li com a maior atenção as duas entrevistas concedidas por Hans-Hermann Hoppe à revista Wirtschapftswoche: A primeira parte, que versou sobre "economia global e secessão" e a segunda sobre "como funcionaria uma sociedade sem estado". Não conheço a obra de Hans-Herman Hoppe (que doravante tratarei por HHH). Compartilho de muitos pontos de vista expressos nesta entrevista. A sociedade não precisa de estado porque:

    o estado não nos defende, ele nos agride

    o estado não nos protege, ele nos deixa vulneráveis para nos impor sua proteção

    o estado é o transgressor mantenedor das leis

    o estado é o expropriador protetor da propriedade

    o estado não evita conflitos, ele os gera para resovê-los em benefício próprio

    o estado exerce seu monopólio governamental sem a mediação de qualquer contrato…

    Enfim, compartilho e defendo a total descentralização de poderes. Acredito que numa fase de transição para uma sociedade sem estado deveríamos promover a existência de estados pequenos e descentralizados, um mercado livre de coerção, agências de defesa e resolução de conflitos até conseguir neutralizar os efeitos do monopólio governamental.

    Porém, as três "leis boas" que o HHH defende como premissas a uma sociedade sem estado, podendo garantir a "paz eterna", parecem-me totalmente inviáveis. São elas:

    o primeiro proprietário é o proprietário exclusivo porque até então não tinha dono e como tal não precisa de entrar em conflito para garantir a sua legitimidade sobre a posse, dado que todos os outros vieram "mais tarde"

    o proprietário único e legítimo do produto de seu trabalho é aquele que produziu o bem

    o proprietário que veio à posse pela troca voluntária torna-se único proprietário desse bem.

    Esta primazia da "prioridade" para legitimar a posse do bem ou da propriedade me parece inviável porque ela não evita o conflito. Antes pelo contrário, ela o provoca. Tanto à luz da análise histórica quanto à luz da experiência individual nada me parece mais gerador de conflitos do que este "eu cheguei primeiro, logo é meu".

    Parece-me totalmente anacrônico, nos tempos que vivemos, dispor de coisas, bens ou propriedades que estejam disponíveis para o indivíduo se "apropriar em primeiro". Via de regra, tudo já tem um dono. Essa é a primeira dificuldade. Mas a dificuldade maior é conseguir legitimar sem conflito a propriedade de uma coisa, de um bem ou de uma propriedade só porque "cheguei primeiro".

    A história mundial mostra-nos que nada tem sido maior gerador de conflitos do que essa premissa do "eu cheguei primeiro". Ouso dar o palpite que a maioria das guerras levadas a cabo através dos tempos tem como motivação derrubar essa pretensão do "cheguei primeiro, logo é meu". Dou apenas 3 exemplos históricos entre os milhares possíveis:

    Exemplos:

    No século XV, os portugueses e os espanhóis foram os "primeiros" a dominar os oceanos e logo assinaram um tratado em Tordesilhas determinando que o mundo seria partilhado ficando metade para cada um dos contratantes. A tal ponto que Francisco I de França, justificando-se porque ele financiava corsários para pilhar as naus portuguesas e espanholas, argumentou perante um tribunal: "eu quero ver o testamento de Adão e Eva que me deixou fora da partilha do mundo".

    Bem mais recentemente, em 1884 reuniram em Berlim as grandes potências mundiais da época para regulamentar a liberdade do comércio, assim como novas ocupações de territórios africanos com base no chamado "direito histórico". Ou seja qualquer país signatário teria direito a ocupar determinado território se comprovasse ter sido "o primeiro" a explorá-lo. Porém, com base neste tratado, Portugal foi humilhado e destratado pela Inglaterra ao afirmar suas pretensões sobre as terras que separavam Angola de Moçambique, já na sua posse, e que incluíam os territórios nos quais hoje se situam a Zâmbia, o Zimbabwe e o Malawi, numa vasta faixa de território que ligava o Oceano Atlântico ao Índico, com base no famoso "mapa cor de rosa". Em 1890, embora tenha assinado o tratado, a Inglaterra recusou-se a reconhecer os "direitos históricos" de Portugal sobre esses territórios e lançou um ultimato a Portugal, portanto país aliado, dizendo que ou ele renunciava às suas pretensões ou seria declarada guerra. Como Portugal não tinha condições de enfrentar a maior potência de então, ficou-se pela humilhação e renunciou ao "mapa cor de rosa" que foi o estopim para a queda da monarquia e a implantação da república em Portugal.

    Jerusalém é o exemplo mais atual. Os líderes de hoje usam dois argumentos principais: seus antepassados chegaram lá primeiro e sua ligação com a cidade é a mais autêntica. E, claro, negam as versões dos outros. Os palestinos não aceitam as evidências arqueológicas do reino judaico fundado por Davi há 3 mil anos. Os israelenses acham absurda a história de que Maomé subiu ao céu a partir de lá – motivo da devoção islâmica à cidade. Há controvérsia até entre os pesquisadores, pois a fonte de muito do que se afirma sobre Jerusalém são textos sagrados, não documentos históricos. Resultado: "Nos últimos 4 mil anos, houve pelo menos 118 conflitos por Jerusalém. Ela foi 2 vezes destruída, 23 vezes sitiada, 52 vezes atacada e 44 vezes capturada e recapturada, por tribos ou exércitos de impérios", diz o historiador Eric Cline, autor de Jerusalém Sitiada.

    Enfim, na esfera individual sugiro uma experiência para ilustrar o quanto a tese do "eu cheguei primeiro" é a maior fonte de conflitos: Lancem uma bola "sem dono" no recreio de uma escola. Uma nuvem de garotos corre para tomar posse da bola. O primeiro que chega à bola, segura a mesma com a maior convicção. Se for enturmado e estiver com vontade de jogar, separam-se duas equipes e jogam. No final ele leva a bola para casa porque compartilhou. Se for solitário e não estiver com vontade de jogar diz: "é minha e vou levar para casa"… O que imaginam que pode acontecer ?

    Defender que a propriedade se legitima pelo "eu cheguei primeiro" é ignorar que através dos tempos a legitimidade do monopólio governamental exercido pelo estado foi quase sempre defendida à volta da resolução de conflitos originados pelo "eu cheguei primeiro". Desculpem mas não funciona. Ache outro argumento doutor HHH. Esse não me convence.

  44. Rogerio D Maestri

    Qual é a diferença de “empresas privadas que comprovadamente demonstrarem competência em um mercado livre e concorrencial” empregadas para manter a segurança de uma milícia?

  45. Entendi, mas tenho umas perguntas básicas:

    1. Supõe que eu me apropriei de um bem X, que antes não tinha dono, alguém vai lá e o toma de mim, eu contrato uma empresa de arbitragem que o julga culpado, ele simplesmente se recusa a pagar indenização, não tinha seguro, e aí?

    Quem vai garantir as 3 leis básicas?

    2. O cara tem uma propriedade, 150 metros quadrados, sai dela pra uma rua (todas as ruas são privadas, né?), encontra outro cara e o mata, não tem seguro, não paga a indenização e ai? Não tem como cercar todas as propriedades do mundo, nem garantir que só pessoas com seguro entrariam numa rua, tem?

  46. Me veio uma terceira dúvida, se tudo funciona com o pagamento de indenizações, supõe que um bilionário resolva sair matando todo mundo, ele não tem seguro, mas tem a grana pra pagar as indenizações, sai pagando e aí?

  47. Professor Universitário Marxista

    Como disse Lênin em o Estado e a Revolução: depois que a sociedade se dividiu em classes o Estado surgiu da mesma pois, as classes sociais se extinguiriam numa guerra sem fim. O objetivo do estado é promover a conciliação e a igualdade do povo. Gostaria de dizer aos Senhores defensores da escola Capitalist(ríac)a que existe vida pós-Mises

  48. Voltaríamos à idade da pedra, morando em cavernas, matando uns aos outros por comida. Mal o bem, foi o Estado que promoveu todo o progresso e riqueza que vivemos, aliás a e sociedade humana em seus primórdios espontaneamente organizou-se como Estado. Quer viver sem Estado: Vá para o deserto do Saara ou para uma Ilha deserta. Não morro de amores pelo Estado, ele tem seus defeitos, mas é imprescindível para a vida humana moderna.

Rolar para cima