Dez objeções típicas ao anarquismo libertário
por , terça-feira, 26 de março de 2013

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Obs: O texto a seguir é a transcrição de um discurso improvisado.  Daí seu tom mais coloquial.

 

tumblr_m1cikwvjBs1qmoxx7.gifGostaria de abordar aqui algumas das principais objeções apresentadas ao anarquismo libertário.  Tentarei responder a cada uma delas.  Porém, antes de começar, não faria muito sentido eu tentar retrucar objeções a uma determinada visão de mundo sem antes oferecer alguma razão positiva para defender esta visão de mundo.  Sendo assim, gostaria de explicitar rapidamente aquilo que creio ser um argumento positivo em prol do anarquismo libertário para, logo em seguido, fazer sua defesa contra suas principais objeções.

O argumento em defesa do anarquismo libertário

Problemas com o monopólio forçado

Pense desta forma: o que haveria de errado em se ter um monopólio da produção de sapatos?  Suponha que eu e minha gangue sejamos as únicas pessoas que podem legalmente fabricar e vender sapatos.  Ninguém mais pode, a menos que eu autorize.  O que há de errado neste arranjo?

Para começar, de um ponto de vista puramente moral, a pergunta é: por que nós?  O que há de tão especial em relação a nós para desfrutarmos deste monopólio?  De onde foi que minha gangue e eu tiramos esse direito de que somente nós podemos fabricar e vender algo e que ninguém mais tem o direito de fazer o mesmo?  Por que somente nós podemos ofertar um bem ou serviço que ninguém mais tem o direito de ofertar? 

Até onde se sabe, sou apenas um ser humano tão mortal quanto qualquer outro.  Logo, de um ponto de vista moral, qualquer outra pessoa deve ter o mesmo 'direito' a este privilégio.

Logo, de um ponto de vista pragmático, qual é a consequência mais provável de minha gangue e eu termos o monopólio da produção de sapatos?  Em primeiro lugar, há o problema dos incentivos.  Se eu sou a única pessoa que tem o direito de fabricar e vender sapatos, você provavelmente não irá conseguir de mim sapatos muito baratos.  Posso cobrar de você o tanto que eu quiser.  Só não irei cobrar caro demais porque você pode acabar decidindo que é melhor não me dar dinheiro e ficar sem os sapatos.  Porém, desde que você esteja disposto a comprar sapatos e tenha o dinheiro para tal, irei cobrar de você o maior preço que puder — como não há concorrência, você não tem outra opção. 

Da mesma maneira, e pelos mesmos motivos, você também não deve esperar que meus sapatos sejam de alta qualidade, pois, desde que eles sejam minimamente úteis, você irá preferir calçá-los a andar descalço — e, sendo assim, irá comprá-los de mim. 

Além dessa probabilidade de que os sapatos serão caros e de baixa qualidade, há também o fato de que eu ser a única pessoa que pode fabricar e vender sapatos me concede um grande poder de chantagem sobre você.  Suponha que eu não goste de você.  Suponha que você tenha me ofendido em outra ocasião.  Eu simplesmente não irei vender sapatos para você — pelo menos por algum tempo, enquanto meu humor não melhorar.  Logo, tal privilégio monopolista também me concede a capacidade do 'abuso de poder'.

No entanto, os problemas não se resumem apenas à questão dos incentivos.  Suponha que eu seja um genuíno e perfeito santo, e esteja verdadeiramente disposto a fabricar os melhores sapatos possíveis para você, e a cobrar o menor preço que eu puder.  Eu realmente não irei, em momento algum, abusar do meu poder, pois sou uma pessoa totalmente confiável; sou um príncipe entre os homens (não no sentido maquiavélico).  Ainda assim haverá um problema incontornável: como saberei se realmente estou fazendo o melhor trabalho possível com estes sapatos?  Afinal, não há concorrência. 

Sim, eu poderia fazer uma pesquisa junto aos consumidores para tentar descobrir que tipo de sapato eles querem.  Mas o problema é que há várias maneiras distintas de se fabricar sapatos.  Há métodos mais caros e há métodos mais baratos.  Se não há um mercado na área de fabricação de sapatos, não há formação de preços para os métodos de produção empregados na fabricação de sapatos.  Sem formação de preços, não há como eu calcular os métodos mais eficientes para se produzir sapatos.  E, igualmente, por não haver um livre mercado na venda de sapatos, não há também formação de preços nesta área.  Sem saber ao certo o preço de venda, e sem ter como calcular os métodos mais eficientes para se produzir sapatos, não terei como calcular custos, e minha contabilidade de lucros e prejuízos estará impossibilitada.  Terei simplesmente de recorrer ao método da adivinhação. 

Portanto, mesmo que eu realmente esteja fazendo o meu melhor, a quantidade de sapatos que irei fabricar e a qualidade que empregarei podem não ser as mais bem indicadas para satisfazer as preferências das pessoas, e terei enormes dificuldades para descobrir o melhor procedimento.

O governo é um monopólio forçado

Portanto, estas são todas as razões para não se ter um monopólio na fabricação e na venda de sapatos.  E, ao menos à primeira vista, estas também são boas razões para que absolutamente ninguém detenha um monopólio da oferta de serviços judiciários, de adjudicação de contendas, de proteção de direitos, e de todas as coisas relacionadas àquilo que pode ser mais amplamente chamado de exercício das leis.

Em primeiro lugar, há a questão moral: por que um pequeno agrupamento de pessoas deveria deter o direito de ser a única organização dentro de um dado território autorizada a oferecer certos tipos de serviços legais ou a poder impingir certos tipos de leis?

E há também as questões econômicas: quais serão os incentivos?  Repetindo, trata-se de um monopólio.  Parece bastante provável supor que, tendo consumidores cativos, essa organização monopolista irá cobrar preços maiores e ofertar serviços piores do que os que seriam praticados em um ambiente concorrencial.  Pode até mesmo ocorrer eventuais abusos de poder. 

E, mesmo que fosse possível evitar todos estes problemas — colocando exclusivamente anjos e santos no governo —, ainda haveria o problema do cálculo econômico, tornando impossível saber se a maneira específica como esse grupo está ofertando seus serviços legais é realmente a melhor maneira.  Dado que não há concorrência, este grupo de pessoas não tem como saber se o que está fazendo é realmente a melhor e mais bem-sucedida atividade que ele pode empreender.  A única maneira de descobrir sua aptidão será tentando descobrir na prática o que e o que não irá funcionar.  Quem gostaria de ser a cobaia?

Logo, o propósito destas considerações é justamente o de jogar o ônus da prova para o defensor do monopólio estatal.  Sempre que um defensor do monopólio estatal de serviços jurídicos e de defesa levantar algumas objeções à livre concorrência nesta área, ele deve ser questionado sobre como é possível o monopólio destes serviços funcionar de maneira sequer razoável.

Dez objeções ao anarquismo libertário

(1) O governo não é um monopólio coercivo

Uma objeção que frequentemente é lançada não é exatamente uma objeção ao anarquismo, mas sim uma objeção ao argumento moral em prol do anarquismo: dizer que o governo, na realidade, não é um monopólio coercivo.

Segundo este argumento, os cidadãos, ao aceitarem viver dentro das fronteiras de um determinado território e ao aceitarem os benefícios que o governo oferece — por exemplo, serviços policiais, jurídicos, educacionais, de saúde etc. —, estão na prática consentindo com este arranjo.  Eles estão consentindo com o sistema vigente. 

A ideia é a mesma de quando você vai a um restaurante e pede uma carne.  Ao fazer isso, você não tem de dizer explicitamente que você está concordando em pagar por aquele carne; há simplesmente um entendimento tácito de que é isso que você fará.  Ao se sentar à mesa do restaurante e pedir a carne, você está automaticamente concordando em pagar por ela.

O argumento seria o mesmo para a não-coercividade do estado.  Se você reside dentro de um determinado território e aceita, por exemplo, os benefícios da proteção policial fornecida pelo estado local, então você implicitamente aceitou obedecer a todas as ordens desta organização. 

Logo de cara, observe que, mesmo que este argumento fosse válido, ele ainda não resolve a questão pragmática sobre a funcionalidade deste sistema; ele não explica por que este é o melhor arranjo possível.

Mas há outros problemas com este argumento.  É realmente verdade que, se eu for à propriedade de alguém, então há um consenso tácito de que, enquanto eu estiver nessa propriedade, eu tenho de seguir as regras locais.  Se eu não quiser seguir as regras locais, então eu tenho de ir embora. 

Ou seja, eu convido você para vir à minha casa.  Quando você chega, eu abro a porta e lhe digo: para ficar aqui em casa, você tem de usar este nariz de palhaço.  Isto certamente vai lhe parecer bastante estranho, mas ainda assim eu posso dizer: "Ei, é a minha casa e estas são minhas regras.  Se quiser entrar, tem de ser assim".  Neste caso, sendo eu o proprietário, você não pode simplesmente dizer: "Olha, eu vou entrar na sua casa, sim, e não vou usar o nariz de palhaço."  Se fizesse isso, você estaria invadindo a minha propriedade e desrespeitando as leis vigentes dentro dela, as quais foram estipuladas antes da sua entrada.  Isso, portanto, é algo que você não tem o direito de fazer.

Agora, imaginemos o cenário contrário.  Suponha que eu vá à sua casa e lhe diga: "Você tem de usar um nariz de palhaço".  Além do espanto total, sua outra provável reação será a de perguntar quando foi que você disse que concordava em ser obrigado a utilizar um nariz de palhaço dentro da sua casa.  Ao que irei responder: "Ora, você se mudou para perto de mim.  E eu uso nariz de palhaço na minha casa.  Portanto, o simples fato de você estar morando perto de mim significa que você, de uma maneira um tanto mística e tácita, consente em também utilizar nariz de palhaço dentro da sua casa, mesmo que você não goste da ideia."

As pessoas que defendem o monopólio estatal simplesmente pegam este cenário que é evidentemente absurdo em nível local e o expandem para um nível nacional: se você está aqui, então você deu seu consentimento tácito com tudo o que se passa nele.  Tais pessoas já partem da pressuposição de que o governo possui uma jurisdição legítima sobre um determinado território, de modo que quem está nele está automaticamente concordando com todas as regras vigentes.

O problema de tal raciocínio é que ele pressupõe exatamente aquilo que ele está tentando provar — no caso, que esta jurisdição sobre o território é legítima.  No entanto, caso não se consiga provar que tal jurisdição é legítima, então se conclui que o governo é simplesmente apenas mais um grupo de pessoas que vive neste amplo território geográfico. 

O que nos leva a outro ponto.  Eu vivo em minha propriedade.  Não sei bem quais são as determinações do governo em relação ao resto do país, mas sei que vivo em minha propriedade e ela pertence a mim, e não ao governo.  Logo, o fato de que estou vivendo "neste país" significa que estou vivendo em uma determinada região geográfica sobre a qual o governo possui certas pretensões.  Logo, a questão é: estas pretensões são legítimas?  Se o objetivo é justamente provar que elas são legítimas então não é válido já partir do pressuposto de que elas são legítimas.  Pressupor algo não significa comprovar sua legitimidade.

Outro problema com este argumento do contrato social implícito é que ele não deixa claro qual exatamente é o contrato.  Quando vou a um restaurante e peço comida, todos sabem perfeitamente qual é o contrato.  Sendo assim, neste arranjo é válido apresentar o argumento do consentimento implícito.  Porém, ninguém jamais diria que você pode comprar um imóvel desta mesma maneira.  Para a compra de imóveis, as regras são outras.  Ninguém diz que "Você meio que concordou com a compra ao ter balançado positivamente sua cabeça quando lhe mostrei o tamanho do banheiro".  Você tem de ver o que realmente está escrito no contrato.  Com o que exatamente você está concordando?  Um contrato não é claro se ninguém sabe exatamente quais são seus detalhes.    

(2) Hobbes: o governo é necessário para a cooperação

Provavelmente, o mais famoso argumento contra a anarquia é o de Thomas Hobbes.  O argumento de Hobbes é o de que a cooperação humana — a cooperação social — requer a existência de uma estrutura legal.  O motivo de podermos confiar uns nos outros é que sabemos que existem forças legais que irão nos punir caso violemos os direitos de terceiros.  Eu sei que eles irão me punir se eu violar seus direitos, e você sabe que eles irão lhe punir caso você viole meus direitos.  Sendo assim, posso confiar em você sem conhecer seu caráter pessoal.  Tenho apenas de confiar no fato de que você estará intimidado pela lei. 

Portanto, a cooperação social requer este arcabouço legal impingido à força pelo estado.

O problema é que, neste raciocínio, Hobbes está pressupondo várias coisas de uma só vez.  Primeiro, ele está pressupondo que não é possível haver cooperação social sem leis.  Segundo, ele está pressupondo que nenhuma lei realmente existe se ela não for impingida pela força física.  E terceiro, ele está pressupondo que só é possível haver leis impingidas pela força física se tal força física for monopólio do estado.

Mas todas estas pressuposições são falsas. 

Em primeiro lugar, a cooperação pode surgir, e de fato surge, em um ambiente sem leis específicas.  Ela pode não ser tão eficiente quanto seria em um ambiente com leis, mas ela ocorre.  Há o livro de Robert Ellickson, Order Without Law, no qual ele fala sobre como vizinhos são capazes de resolver voluntariamente suas pendências.  Ele também mostra um exemplo de o que acontece quando a vaca de um fazendeiro sai de suas delimitações e vai pastar na grama de outro fazendeiro, e de como eles resolvem o problema por meio de acordos consuetudinários, pois não há nenhum arcabouço legal voltado para esta situação específica.  Talvez estes exemplos não sejam suficientes para economias complexas, mas certamente mostram que é possível haver algum tipo de cooperação sem a existência de um arcabouço jurídico específico.

Ademais, é possível existir um arcabouço legal que não seja impingido pela força.  Um exemplo seria a Lex mercatoria do final da Idade Média: um sistema de leis comerciais que era mantido por ameaças de boicote.  O boicote não é um ato de força.  Os mercadores faziam seus contratos e, se algum deles desobedecesse as cláusulas, os tribunais simplesmente tornariam público que "esta pessoa não cumpriu o contrato pré-estabelecido; levem isso em consideração caso venham a firmar algum contrato com ela no futuro".

Por fim, é possível existir sistemas jurídicos formais que façam uso da força e que não sejam monopolistas.  Dado que Hobbes nem sequer considerou esta possibilidade, ele não forneceu nenhum argumento contra ela.  Mas é possível encontrar vários exemplos ao longo da história.  Na Islândia medieval, por exemplo, não havia uma agência centralizada de imposição de leis.  Embora houvesse algo que, com algumas concessões, pudesse ser chamado de governo, este não possuía absolutamente nenhum braço executivo.  Não havia polícia, não havia soldados, não havia nada.  Havia uma espécie de sistema judiciário que funcionava em bases concorrenciais.  A aplicação de sanções ficava a cargo de quem quisesse.  E vários sistemas se desenvolveram para cuidar disso.

(3) Locke: três "inconveniências" da anarquia

Os argumentos mais interessantes são de John Locke.  Locke argumenta que a anarquia possui três características que ele considera serem "inconveniências".  "Inconveniência", vale ressaltar, é um termo que soava mais grave no inglês do século XVII do que no inglês moderno.   Seja como for, Locke referia-se meramente a "inconveniências" porque, ao contrário de Hobbes, ele acreditava que a cooperação social poderia sim existir de algum modo na anarquia.  Ele era mais otimista do que Hobbes.  Ele imaginava que, por causa de uma mescla entre afinidades morais e interesse próprio, a cooperação podia surgir.

Mas ele temia três problemas.  Um problema, segundo ele, era que não haveria um conjunto de leis gerais que fosse conhecido, entendido e acordado por todos.  As pessoas poderiam aceitar certos princípios básicos das leis da natureza, mas suas aplicações e seus detalhes exatos sempre seriam controversos.  Afinal, nem mesmo libertários concordam plenamente entre si.  Eles podem concordar em aspectos gerais, mas sempre estão discutindo acerca de vários pontos específicos.  Logo, mesmo em uma sociedade composta exclusivamente por libertários pacíficos e cooperativos, haverá desavenças acerca de detalhes.  E, sendo assim, a menos que haja um conjunto de leis gerais, o qual todo mundo conheça e com o qual todo mundo concorde, de modo que cada indivíduo sabe exatamente o que pode e o que não pode fazer, o arranjo não irá funcionar.  Esse era o primeiro argumento de Locke.  É necessário haver um conjunto universal de leis, amplamente conhecido, que seja aplicável a todos e que todos conheçam antecipadamente.

Um segundo problema seria a questão do poder de aplicação e imposição das leis.  Locke imaginava que, sem um governo, não haveria um poder suficientemente unificado capaz de impingir o cumprimento das leis.  Sem um governo, haveria apenas indivíduos impingindo coisas por conta própria.  Mas dado que indivíduos são fracos e não são suficientemente organizados, eles poderiam facilmente ser sobrepujados por uma quadrilha de bandidos ou algo do tipo.

O terceiro problema é o fato de que, segundo Locke, não se pode deixar que indivíduos sejam os juízes de seus próprios processos.  Se duas pessoas têm uma desavença, uma delas não pode simplesmente dizer "Eu sei qual é a lei natural e irei aplicá-la a você".  As pessoas são tendenciosas e irão obviamente utilizar aquela interpretação da lei natural que favoreça de modo mais plausível a sua própria causa.  Logo, Locke acreditava que não se podia deixar que as pessoas fossem os juízes de seus próprios processos.  Consequentemente, seria moralmente necessário que elas aceitassem se submeter a um arbitrador, a um terceiro — e este teria de ser o estado.

Estes são os três problemas que Locke imaginava serem prementes em uma anarquia, e os quais não existiriam sob um governo — ou pelo menos não sob o tipo certo de governo. 

Porém, ouso dizer que o problema é justamente o oposto.  É justamente a anarquia que pode resolver todos estes três problemas, ao passo que o estado, por sua própria natureza, está totalmente impossibilitado de resolvê-los.

Comecemos com um exemplo em que haja universalidade, isto é, em que haja um conjunto de leis universalmente conhecidas e aplicáveis a todos.  Pode este arranjo surgir em um sistema sem estado?  Ora, a Lex mercatoria surgiu exatamente porque os estados não estavam fornecendo este tipo de lei.  Um dos fatores que contribuiu para o surgimento da Lex mercatoria foi a ausência de uma lei comum entre as nações da Europa.  Cada país possuía diferentes conjuntos de leis para reger os comerciantes.  Todas as leis eram diferentes.  E um tribunal da França não iria endossar um contrato feito na Inglaterra sob as leis da Inglaterra, e vice versa. 

Sendo assim, a capacidade dos comerciantes de incorrerem no comércio internacional foi dificultada pelo fato de que não havia um sistema uniforme de leis comerciais para toda a Europa.  Consequentemente, os comerciantes se juntaram e disseram: "Bom, vamos simplesmente fazer alguma lei por nossa conta.  Os tribunais estão criando regras malucas e nenhum respeita as decisões dos outros — portanto nós iremos simplesmente ignorá-los e estabeleceremos nosso próprio sistema."

Portanto, este foi um caso em que uniformidade e previsibilidade foram produzidas pelo mercado e não pelo estado.  E é possível entender por que isso não é nada surpreendente: afinal, é do total interesse daqueles que ofertam um sistema privado torná-lo o mais uniforme e previsível possível, se for isso que seus cliente querem.

É por esse mesmo motivo que não encontramos cartões de débito ou de crédito triangulares.  Até onde se sabe, não existe nenhuma lei proibindo que tais cartões sejam triangulares.  Mas se alguém tentasse comercializá-los, eles simplesmente não se tornariam muito populares, pois não se encaixariam em nenhum dos terminais existentes. Quando as pessoas querem diversidade, quando elas querem diferentes sistemas para diferentes pessoas, o mercado proporciona exatamente isso.  Mas há algumas coisas para as quais a uniformidade é a melhor solução.  Seu cartão de débito será mais útil para você se todas as outras pessoas também estiverem utilizando o mesmo tipo ou pelo menos algum tipo compatível com o seu, de tal modo que todos vocês possam utilizar as mesmas máquinas onde quer que estejam.  Consequentemente, se os comerciantes desejam ter lucro, eles proporcionarão uniformidade.  

Portanto, ao contrário dos governos, o mercado possui todos os incentivos para oferecer uniformidade.

Quanto à questão da necessidade de se ter poder suficiente para organizar serviços de proteção e defesa, não há absolutamente nenhum argumento que diga que não é possível haver tal organização sem um estado.  A ausência de estado não significa que cada pessoa tem de fabricar seus próprios sapatos.  A alternativa a um arranjo em que o governo fornece todos os sapatos não é cada indivíduo tendo de fabricar os seus próprios sapatos.  Analogamente, a alternativa a um arranjo em que o governo fornece todos os serviços legais não é cada pessoa tendo de se transformar em agente policial independente.  Não há por que supor que elas não poderão se organizar e criar maneiras de suprir esta demanda.  Com efeito, se a preocupação é a de não haver força suficiente para resistir a um agressor, então não há nada mais preocupante do que um monopólio estatal.  Um monopólio estatal da violência é um agressor muito mais perigoso do que uma gangue de bandidos qualquer porque o monopólio estatal unifica todo este poder de agressão em apenas um ponto de toda a sociedade.

Mas, acima de tudo, eu creio que — e isso é muito interessante — o argumento de Locke sobre você não poder ser o juiz de seu próprio processo é um tiro que realmente sai pela culatra.  Em primeiro lugar, tal raciocínio não é um bom argumento a favor de um monopólio porque se trata de uma construção falaciosa.  Da alegação de que todo mundo deveria submeter suas contendas a uma entidade externa, Locke falaciosamente infere que deveria haver uma entidade externa para quem todo mundo submeteria suas contendas. Isso é semelhante a dizer que da afirmação todo mundo gosta de pelo menos um programa de TV pode-se inferir que existe apenas um programa de TV do qual todo mundo gosta.  Uma coisa simplesmente não decorre da outra.  É possível que todo mundo submeta suas contendas a terceiros sem que haja apenas um terceiro a quem todo mundo obrigatoriamente submete suas contendas.

Suponhamos que haja três pessoas em uma ilha. A e B podem submeter suas contendas a C; A e C podem submeter suas contendas a B; e B e C podem submeter suas contendas a A.  Logo, não há nenhuma necessidade de haver um monopólio ao qual todas as pessoas deveriam submeter suas contendas.

No que mais, não somente não é necessário um governo, como na verdade um governo é exatamente o arranjo que não satisfaz esse princípio.  Pois se você tiver uma contenda com o governo, o governo não irá submeter esta contenda a uma entidade externa.  Se você tiver uma contenda com o governo, ela será resolvida em um tribunal do governo (isso se você tiver sorte — caso o governo seja do tipo mais "indelicado", você sequer conseguirá chegar a um tribunal).

Agora, é óbvio que é preferível que o governo seja dividido em três poderes, que haja todo um sistema de pesos e contrapesos e tudo mais.  Isso faz com que haja algo um pouco mais parecido com entidades externas.  Mas ainda assim tais entidades externas fazem parte do mesmo sistema; os juízes são funcionários do estado e são pagos com dinheiro dos pagadores de impostos.  Portanto, existem aproximações melhores e aproximações piores em relação a esse princípio.  Ainda assim, dado que se trata de um sistema monopolista, o que temos na prática é algo que, por sua própria natureza, opera sem lei.  Em última instância, um sistema monopolista jamais submeterá suas contendas a uma entidade externa.

(4) Ayn Rand: agências de proteção privada irão guerrear entre si

Provavelmente, o argumento mais popular contra a anarquia libertária foi aquele apresentado por Ayn Rand.  Suponha que eu creia que você violou meus direitos.  Você nega.  Eu então decido acionar minha agência de proteção privada para fazer valer meus direitos.  Você, para se defender, aciona a sua agência de proteção privada.  O que ocorrerá?  As duas irão entrar em guerra?  Quem garante que não?

A resposta, obviamente, é que ninguém pode garantir que elas não irão guerrear entre si.  Seres humanos possuem livre arbítrio.  Eles podem fazer todos os tipos de maluquices.  Eles podem iniciar guerras sem motivo aparente.  O presidente americano, por exemplo, pode apertar o botão nuclear amanhã se ele quiser. 

A questão é: o que é mais provável?  Qual dos dois é mais propenso a resolver suas pendengas por meio da violência: governos ou agências de proteção privadas?

A diferença mais óbvia é que agências de proteção privada têm de arcar com todos os custos de sua eventual decisão de fazer uma guerra.  Fazer guerra é algo extremamente caro.  É péssimo para os lucros.  Suponha que você pode escolher entre duas agências de proteção, uma que tende a resolver suas contendas por meio da violência e outra que tende a resolver suas contendas por meio do arbitramento.  Se você for um indivíduo belicista, fanático por guerras, você pode até achar legal optar pela agência violenta — até o momento em que você receber sua fatura mensal.

Ainda assim, por mais que você realmente seja um sujeito tão fanático por guerra a ponto de continuar disposto a pagar valores exorbitantes, é certo que a imensa maioria dos outros clientes irá preferir agências que não cobrem toda esta quantia extra apenas para brincar de guerra. 

Por outro lado, tal opção nem sequer existe quando se trata de governo.  Para começar, um governo possui clientes cativos, que não podem optar por não pagar, estejam eles de acordo ou não com a violência do governo.  Ademais, dado que o governo tributa seus clientes, e dado que seus clientes não podem se recusar a repassar o dinheiro, os governos não apenas não precisam se preocupar com custos, como eles também podem simplesmente externalizar os custos de suas guerras de uma maneira extremamente eficaz: mandando a conta para seus cidadãos pagadores de impostos.  Tal eficácia nenhuma agência privada jamais sonharia ser capaz de conseguir.

(5) Robert Bidinotto: não existe um arbitrador supremo para as contendas

Outra objeção comum — esta você encontra, por exemplo, nos escritos de Robert Bidinotto, que é um randiano que já escreveu vários artigos contra a anarquia — é que, em um arranjo sem governo, não há um arbitrador supremo para as contendas.  Em um arranjo com governo, em algum momento um arbitrador supremo será chamado e irá resolver a disputa de um jeito ou de outro.  Já em um arranjo sem governo, dado que não há nenhuma agência que detém o direito de resolver as contendes de uma vez por todas — ou seja, não há um arbitrador supremo —, tem-se que as contendas de certa forma nunca acabam, podendo nunca ser resolvidas, permanecendo em aberto para sempre.

Qual a resposta a isso?

Creio que nesse caso há uma ambiguidade quanto ao conceito de arbitrador supremo.  Normalmente, pensa-se em no termo "arbitrador supremo" de uma forma muito platônica — isto é, alguém ou alguma instituição que, de alguma forma, consegue garantir de maneira absoluta que a contenda está resolvida para sempre; que garanta de maneira absolutamente incontestável a resolução de todas as pendengas.  

Por outro lado, "arbitrador supremo" também pode ser simplesmente alguma pessoa ou algum processo ou alguma instituição que, de uma maneira relativamente confiável e autêntica, garanta na maior parte das vezes que os problemas sejam resolvidos. 

É verdade que, no sentido platônico — no sentido de uma garantia absoluta dada por um arbitrador final —, um arranjo sem governo não pode propiciar tal solução.  E nem nenhum outro sistema.  Imaginemos uma república constitucional minarquista, do tipo defendido por Bidinotto.  Será que haveria um arbitrador supremo neste sistema, algo que garantiria de modo absoluto o fim definitivo de um processo de contenda judiciária?  

Imaginemos: eu sou processado por você.  Perco.  Apelo.  Perco de novo.  Apelo para o Supremo Tribunal.  Eles ficam contra mim.  Faço lobby no Congresso para mudarem as leis para que elas agora me favoreçam.  Eles não mudam.  Tento então criar um movimento para conseguir fazer uma emenda à Constituição.  Não dá certo.  Tento então convencer as pessoas a elegerem novos membros para o Congresso que irão votar a favor da emenda.  Não consigo.  Tento de novo dali a alguns anos.  E assim por diante.  Observem que, de certa forma, posso continuar para sempre.  A contenda não está resolvida.

Na prática, porém, a maioria das contendas judiciais sempre chega a um fim.  Chega-se a um ponto que se torna caro demais continuar brigando.  Do mesmo modo, em um arranjo sem governo, não há nenhuma garantia de que o conflito não irá se arrastar para sempre.  Aliás, existem poucas garantias férreas sobre qualquer assunto.  Mas isso não é motivo para esperar que as coisas não funcionem.

(6) Leis sobre propriedade não podem surgir no mercado

Outro argumento popular, também muito usado pelos randianos, é que as transações de mercado pressupõem um histórico de leis de propriedade.  Você e eu só podemos trocar bens por serviços, ou dinheiro por serviços, ou fazer qualquer outra transação, se já existir leis de propriedade estáveis que assegurem a veracidade dos títulos de propriedade que temos.  E dado que o mercado, para funcionar bem, pressupõe a existência de todo um arcabouço de leis de propriedade, tais leis não podem ser elas próprias um produto do mercado.  

Segundo este raciocínio, as leis de propriedade têm de surgir de algum lugar — provavelmente será criada por algum robô infalível ou algo do gênero.  Não sei bem de onde exatamente ela surge, mas sei que, por algum motivo, ela não pode surgir do mercado.

Ironias à parte, um raciocínio deste tipo é o equivalente a dizer que, primeiro, as leis sobre propriedade foram surgindo do nada e tudo foi sendo estabelecido sem nenhuma transação de mercado acontecendo — todo mundo ficou quieto, apenas esperando que toda a estrutura legal ficasse pronta.  E então, após algum tempo, com a estrutura finalmente já completada, as pessoas enfim começaram a fazer negócios umas com as outras.  

É verdade que não é possível haver mercados funcionando corretamente se não houver um sistema legal operante.  Mas não faz sentido imaginar que primeiro criaram todo um sistema legal para então, só então, começarem a fazer transações econômicas.  Ambos nasceram e evoluíram juntos.  Instituições jurídicas e transações econômicas surgem conjuntamente em um mesmo local e ao mesmo tempo.  O sistema legal não é algo totalmente independente das atividades que ele restringe.  Afinal, um sistema legal não é um robô ou um deus ou algo externo completamente separado de nós.  A existência de um sistema legal consiste em pessoas obedecendo a suas regras.  Se todos ignorassem o sistema legal, ele não teria poder nenhum.  Logo, é justamente porque as pessoas geralmente apóiam e concordam com o sistema legal, que ele sobrevive.  O sistema legal também depende de um respaldo voluntário das pessoas.

Creio que um dos motivos por que várias pessoas temem um arranjo sem governo é que elas imaginam que, sob um governo, ao menos existe algum tipo de garantia que não mais irá existir sem o governo; que de algum modo existe este firme arcabouço ao qual podemos recorrer, e o qual, sem governo, simplesmente desapareceria.  Mas este firme arcabouço é apenas o produto de pessoas interagindo de acordo com os incentivos que possuem. 

Do mesmo modo, quando anarquistas dizem que as pessoas, em um arranjo sem governo, provavelmente teriam incentivos para fazer isto ou aquilo, as pessoas respondem exasperadas "Bem, isso não é suficiente! Eu não quero que apenas seja provável que elas terão incentivos para fazer isso.  Quero que o governo garanta de maneira absoluta que elas farão isso!"  Mas o governo nada mais é do que um conjunto de pessoas.  E, dependendo da estrutura constitucional do governo, é provável que elas façam isso ou aquilo.  É impossível elaborar uma constituição que garanta que as pessoas no governo irão se comportar de uma determinada maneira.  É possível estruturar uma constituição de modo a tornar mais provável que as pessoas façam uma coisa e menos provável que elas façam outra coisa.  E a anarquia pode ser considerada como sendo uma ampliação dos sistemas de pesos e contrapesos para um nível mais amplo.

(7) O crime organizado controlará tudo

Outra objeção é que, em um arranjo sem estado, o crime organizado tomará conta de tudo.  Bom, é possível.  Mas é improvável.  O crime organizado surge justamente naquelas áreas que foram tornadas ilegais pelo estado.  O crime organizado adquire seu poder ao se especializar em atividades que foram proibidas pelo estado — coisas como drogas, prostituição, jogos, agiotagem e assim por diante.

Durante os anos em que o álcool era proibido, o crime organizado especializou-se no comércio de álcool.  Hoje, após o fim da proibição, praticamente não se ouve falar de crime organizado no comércio de álcool.   O poder do crime organizado, em grande parte, depende do poder do governo.  Ele é uma espécie de parasita das atividades do governo.  Os governos, ao proibirem certas atividades, criam mercados negros.  Os mercados negros são atividades perigosas de desempenhar porque seus membros têm de se preocupar tanto com o governo quanto com outras pessoas nada simpáticas que estão interessadas na sua fatia de mercado.  Adicionalmente, como os tribunais não fazem valer aqueles contratos que o estado considera ilegais, todas as pelejas contraídas no mundo do crime organizado têm de ser cumpridas na base da violência.  Todos estes fatores explicam por que uma indústria que é perseguida por agentes armados do governo acaba se tornando fortemente militarizada também.

Se a análise acima está correta, e o crime organizado (e gangues violentas em geral) prospera apenas naquelas áreas infestadas de intervenção estatal, então parece óbvio que uma anarquia de mercado iria emascular esses grupos criminosos.  Colocando em outras palavras, à medida que o governo legalizasse mais e mais setores, o crime organizado teria de concentrar suas atividades em negócios cada vez mais restritos.  No limite, se tudo fosse legalizado (do ponto de vista de legislação estatal), o crime organizado não teria como obter nenhuma vantagem especial.  Da mesma forma que a máfia não aguenta concorrer diretamente com uma fabricante de cervejas como a Budweiser, ela também perderia sua fatia de mercado para empreendedores honestos dos setores judiciário e policial caso o estado cancelasse seu monopólio sobre esses serviços.

(8) Os ricos irão dominar

Outra preocupação é que os ricos irão dominar.  Afinal, se os serviços legais forem transformados em um bem econômico, a justiça não estará a serviço daquele que pagar mais?  Trata-se de uma objeção comum.  O interessante é que tal objeção é particularmente comum entre os randianos, que repentina e curiosamente se transformam em seres extremamente preocupados com os desvalidos. 

Mas sob qual sistema os ricos são mais poderosos?  Sob o atual sistema ou sob um sistema sem estado? 

Certamente, você sempre terá algum tipo de vantagem se for rico.  É bom ser rico.  Sendo rico, você sempre estará em uma posição privilegiada para subornar pessoas.  Porém, no atual sistema, o poder dos ricos é amplificado.

Suponha que eu seja um rico malvado e queira que o governo faça algo que custará $5 milhões.  Teria eu de subornar algum burocrata em $5 milhões para conseguir que a coisa fosse feita?  Não, pelo simples motivo de que, se a coisa for feita, o político não estará utilizando nenhum centavo de seu próprio bolso.  Pelo mesmo motivo, se eu estivesse pedindo que ele fizesse o trabalho com seu próprio dinheiro, então obviamente eu não conseguiria convencê-lo a gastar $5 milhões dando a ele uma propina menor que $5 milhões.  Eu teria de dar pelo menos cinco milhões e um centavo.

Pessoas que controlam o dinheiro de impostos de terceiros, dinheiro este que não pertence a elas — o que significa que elas não podem fazer com ele o que quiserem —, não podem simplesmente embolsar os $5 milhões e ir pra casa (muito embora elas façam coisas que cheguem muito perto disso).  Tudo o que eu tenho de fazer é subornar o burocrata em alguns milhares, e ele, por sua vez, irá desviar estes $5 milhões em dinheiro de impostos para aquele projeto que eu defendo. 

Ou seja, no atual sistema, meu poder de propina é multiplicado.

Por outro lado, se você fosse o presidente de uma agência de proteção privada e eu estivesse tentando fazer você gastar em algo que custasse $5 milhões, eu teria de lhe pagar uma propina de valor (muito) superior a $5 milhões.  Logo, o poder do rico é na realidade menor em um sistema sem governo. 

Ademais, obviamente, qualquer tribunal que adquirisse a má reputação de favorecer milionários contra os pobres também, presumivelmente, teria a reputação de favorecer bilionários contra milionários.  Por conseguinte, os milionários não iriam querer lidar com esse tribunal.  Eles só iriam querer lidar com ele quando estivessem em uma contenda contra pessoas mais pobres, e não contra pessoas mais ricas.  Mas a questão é que as repercussões de uma má reputação não fariam nada bem para a imagem deste tribunal no mercado.

Há também preocupações quanto ao fato de vítimas pobres não serem capazes de arcar com serviços jurídicos, ou com vítimas que morrem sem deixar herdeiros (de novo, os randianos são muito preocupados com vítimas que morrem sem herdeiros).  No caso de vítimas pobres, é possível fazer o que se fazia na Islândia medieval.  Se você é pobre demais para pagar por serviços jurídicos e alguém prejudicou você, você tem o direito de requerer indenização daquela pessoa.  Você pode vender esse direito à indenização — toda ela ou apenas uma parte dela — para outra pessoa.  Na realidade, funciona como se você contratasse um advogado na condição de só pagar honorários se houver ganho de causa.  Você poderá vender sua indenização para alguém que tenha condições de impingir suas reivindicações.  Ou, se você morrer e não deixar herdeiros, em certo sentido os bens que você deixar passam a ser a reivindicação de indenização, e poderão ser objetos de apropriação.

(9) Robert Bidinotto: as massas irão demandar leis ruins

Outra preocupação que aflige Bidinotto — e esta é praticamente oposta à preocupação de que os ricos irão dominar — tem a ver com a questão de o mercado ser, como Mises havia dito, uma grande democracia na qual a soberania do consumidor decide quem prospera e quem vai à falência.  Segundo Bidinotto, esse tipo de democracia é ótimo quando se trata de geladeiras, celulares, automóveis, computadores etc.  Mas certamente não é uma coisa boa quando se trata de leis.  Porque, afinal, as massas nada mais são do que um bando de ignaros intolerantes que, se puderem criar as leis que quiserem, certamente inventarão as coisas mais pavorosas imagináveis.

A diferença entre a democracia econômica do tipo misesiano e a democracia política é óbvia: na democracia econômica, você consegue o que quer, mas tem de pagar por isso.  Por outro lado, é verdade que, em um arranjo sem governo, se houver pessoas suficientemente fanáticas que desejam impor algo ignóbil a outras pessoas, e tal grupo de pessoas for grande o suficiente, então de fato a anarquia poderá levar a resultados nada libertários.

Se você vive em um estado povoado por pessoas de mentalidade mais progressista, você certamente estará rodeado de fanáticos que querem banir o cigarro de tudo quanto é lugar.  Se você vive em um estado mais conservador, a tendência é que, em vez do cigarro, as pessoas queiram banir a homossexualidade — neste caso, pode ser que tais pessoas sejam tão fanáticas, que elas irão conseguir a proibição.  Mas vale lembrar que elas terão de pagar por isso. 

Logo, quando elas receberem suas apólices mensais de suas agências de segurança privada, lá vai constar o preço do serviço básico — proteção contra agressões — e depois uma taxa adicional pelo serviço extra de posicionar agentes de tocaia para espiar os vizinhos pelas janelas e se certificar de que eles não estavam fumando ou praticando atos homossexuais.

Agora, as pessoas realmente fanáticas dirão "Sim, vou desembolsar mais dinheiro para pagar por isso." (Obviamente, se elas forem fanáticas a esse ponto, serão um problema em um arranjo minarquista também).  Mas se elas não forem tão fanáticas assim, dirão: "Bem, se tudo o que eu preciso fazer é apoiar e votar em candidatos que defendem leis que restrinjam a liberdade das outras pessoas, então é claro que farei isso, é muito fácil ir e votar."  Porém, se elas tiverem efetivamente de pagar um preço para impor seus desejos, então são enormes as chances de que elas se resignem e desistam de suas tentações totalitárias.

(10) Robert Nozick e Tyler Cowen: agências de proteção privada irão se transformar em um genuíno governo

Meu último ponto.  Essa é uma questão que foi originalmente levantada por Robert Nozick e, desde então, vem sendo desenvolvida por Tyler Cowen.  Nozick disse: se não houver governo, um destes três fenômenos ocorrerá.  As agências de proteção brigarão entre si — e isso, segundo Nozick, levará a dois cenários distintos.  Porém, como já falei acima sobre o que aconteceria se elas brigassem, não irei me concentrar nestes dois cenários e vou pular logo para a terceira opção.  

E se elas não brigarem?  Então, segundo ele, se elas concordarem com todos esses contratos de arbitramento mútuo, então basicamente todo o arranjo de agências de proteção iria simplesmente se transformar em um governo.

Tyler Cowen desenvolveu ainda mais essa argumentação.  Ele disse que, basicamente, todo esse arranjo viraria um cartel, e seria do total interesse desse cartel se transformar em um governo.  Qualquer nova agência privada que porventura quisesse entrar no mercado seria imediatamente boicotada pelo o cartel.

E o argumento prossegue: assim como é do seu interesse, caso você invente um novo cartão de débito, que ele seja compatível com as máquinas de todos os estabelecimentos, se você criar uma nova agência de proteção também será de seu interesse conseguir fazer parte do mesmo sistema de contratos e arbitramento do qual as agências existentes já fazem parte.  Você não conseguirá clientes caso as pessoas descubram que sua agência não possui nenhum acordo com as outras agências especificando o que ocorrerá caso um cliente de sua agência entre em uma contenda com um cliente de outra agência.  Sendo assim, agindo desta forma, esse cartel seria capaz de boicotar a entrada de novas agências no mercado.

E então, isso poderia ocorrer?  Sim, é claro que poderia.  Qualquer tipo de coisa pode ocorrer.  Metade da população do país pode se suicidar amanhã.  Mas isso é provável?  Seria provável que esse cartel conseguisse abusar de seu poder dessa maneira?  O problema é que cartéis são arranjos inerentemente instáveis, pois, por sua própria organização, as possibilidades de ganhos para quem furar o cartel, ofertar preços menores e com isso atrair mais clientes são enormes.  Isso não significa que é impossível um cartel ser bem-sucedido; afinal, as pessoas têm livre arbítrio.  No entanto, tal sucesso é algo improvável, pois os mesmos incentivos que levam você a formar um cartel também levam você a querer romper o acordo — pois é sempre do interesse econômico de alguém fazer acordos fora do cartel quando se está dentro dele.

Bryan Caplan faz uma distinção entre boicotes que se mantêm automaticamente e boicotes que não se mantêm automaticamente.  Os boicotes que se mantêm automaticamente são bastante estáveis porque são boicotes contra, por exemplo, pessoas que trapaceiam seus parceiros comerciais.  Você não precisa ser uma pessoa dotada de extrema rigidez moral para não querer fazer negócios com pessoas conhecidas por trapacear seus parceiros comerciais.  Você tem um total interesse próprio em não querer fazer negócio com este tipo de pessoa.

Por outro lado, pense no que ocorreria caso você não quisesse fazer negócios com um determinado indivíduo porque você não gosta da religião dele, ou da opção sexual dele, ou da cor dele ou simplesmente porque ele é cliente de uma agência de proteção com a qual a sua agência recomenda não fazer negócio — sim, o boicote poderá funcionar.  Transpondo este raciocínio para um cartel, talvez uma quantidade suficiente de pessoas (talvez todo mundo) no cartel esteja tão decidida a manter esse cartel, que elas simplesmente não se relacionarão com este indivíduo.  Isso seria possível?  Sim.  Mas a que custo de oportunidade?  Esse é um boicote que não se mantém automaticamente.

Se essas pessoas formaram um cartel motivadas por um interesse econômico próprio, então esse interesse próprio é exatamente o que levará à quebra do cartel, pois é do interesse econômico delas lidar com o indivíduo em questão, assim como é sempre do seu interesse incorrer em transações econômicas mutuamente benéficas.


Roderick T. Long é membro sênior do Ludwig von Mises Institute, professor de filosofia na Universidade de Auburn, Alabama, e autor do livro Reason and Value: Aristotle Versus Rand.  Ele preside o Molinari Institute e a Molinari Society.  Seu website: Praxeology.net.




239 comentários
239 comentários
Marcio 26/03/2013 13:15:34

Morro de rir desse GIF.

Responder
Johnny Jonathan 26/03/2013 16:40:07

mt engraçado

Responder
anônimo 29/03/2013 22:09:02

Acredito que esse GIF é um trecho do filme Gran Torino. Muito bom o filme.

Responder
Filipe Celeti 26/03/2013 13:57:54

lúcido e didático.

Responder
Julio dos Santos 26/03/2013 14:48:13

Nas discussões que eu tenho com estatistas, eles não chegam nem perto de argumentos para que eu possa utilizar os contra-argumentos deste artigo. Eles apenas surram os manjados: Adam Smith embasou a mais-valia! Hayek era a favor do assistencialismo! Friedman trabalhou com Pinochet!
IMB levando os seus leitores a várias jogadas a frente do mainstream!

Responder
Henrique 26/03/2013 15:12:55

Mas quem construiria as ruas?!

Responder
Leandro 26/03/2013 15:20:07

Seria assim: em um determinado local, haveria um prédio com várias pessoas ricas. A uns 200 metros desse prédio, haveria um Carrefour. E a 100 metros do Carrefour, haveria um McDonald's. E no meio dessas três construções haveria apenas barro e terra, pois absolutamente ninguém teria a ideia de fazer um asfalto ali para ligar essas três coisas.

Responder
Rodrigo D. 26/03/2013 15:46:43

Afinal, nenhum ser humano jamais pensaria em algo tão complexo, difícil, caro e essencial para a vida como uma estrada.

E por isso que nenhuma fazenda grande possui estradas, nenhum condomínio fechado e etc.

Responder
Julio dos Santos 26/03/2013 16:34:57

Quem faria as estradas seria o DPEU (Departamento Público de Estradas Urbanas), após a devida autorização do DPMA (Departamento Público do Meio Ambiente) e a fiscalização do TCP (Tribunal de Contas Públicas). Neste meio tempo a SPSP (Secretaria Publica de Socialização dos Pobres) faria a realocação das pessoas que estariam neste espaço "vazio", após todos os casos serem tratados no TJL (Tribunal de Justiça), terem recursados no TJR (Tribunal de Justiça Regional) e finalmente finalizados no SDTJ (Supremo e Divino Tribunal de Justiça). Além de analisar o caso das pessoas realocadas, esta divina corte compostas por onze lordes da linhagem direta de Abraão deverá também analisar o caso dos trabalhadores da obra, da fauna prejudicada e de julgar, com aclamação midiática, os casos de superfaturamento da obra pelos funcionários do DPEU, DPMA, TCP e SPSP.
Neste meio tempo haverá uma eleição, as obras licitadas não serão suficientes para construir a estrada, então os partidos alinharão com as construtoras esta obra em troca de contribuição partidária. Terminada as eleições, os novos políticos assumem e as obras são retomadas com novas licitações, com inauguração 3 anos depois, para o povo ter a memória fresca na hora do voto de quem realmente fez a estrada.
Pronto, aí está a tua resposta de quem construirá as estradas! Estes libertários são uns sonhadores...

Responder
Marcus Benites 26/03/2013 17:55:13

E quem construiria as pontes? E se marcianos invadissem a Terra? E por que os países nórdicos conseguem ter um estado grande e qualidade de vida?

Responder
Juliano 26/03/2013 18:32:40

Depois de 3 anos e bilhões gastos, as estradas estão horríveis e ninguém consegue reaproveitar o que fizeram, daí precisam começar denovo.

O político da vez usa o caso como exemplo de como o livre mercado não funciona e é justamente por isso que precisamos de mais regulamentação.

Responder
Raffaell Garone 27/03/2013 00:52:13

VENDA AS RUAS

O slogan "venda as ruas" é muito usado como exemplo do princípio libertário levado a um ridículo extremo. Que isso poderia ser também uma proposta prática me foi sugerido pela primeira vez pelo falecido Roberto Schuchman, 28 anos atrás. Na época, eu não estava convencido.

É claro existem dificuldades práticas em transferir o presente sistema de propriedade governamental das ruas para mãos privadas (embora as dificuldades sejam muito menores para comunidades recém-criadas, algumas das quais já estão configuradas com um sistema de ruas privadas). O custo de negociar contratos privados para garantir cada morador acesso à sua casa e definir seus direitos e responsabilidades legais em relação às vias de acesso seria considerável. O mesmo vale para os custos do sistema atual de propriedade governamental.

O problema da hora do rush é um bom exemplo. O tamanho das vias expressas da cidade é determinado quase exclusivamente pelo tráfego de pico. O custo extra de um motorista a mais às três da manhã é essencialmente zero: as vias estão lá de qualquer forma e ninguém está dirigindo. Pelo que me informam, o custo marginal de um motorista extra na hora do rush é de cinco dólares por viagem. Hoje, ambos os motoristas pagam basicamente o mesmo preço, na forma do alto preço da gasolina devido aos impostos. Se as vias fossem privadas, os proprietários seriam motivados a encorajar o tráfego fora do horário de pico com preços menores e a desencorajar pessoas a dirigir na hora do rush, cobrando todo o preço da viagem.

Esse custo, cinco dólares por viagem, representa cerca de dois mil dólares por ano, uma soma considerável para o suburbano médio. Uma forma de diminuir o valor seria trocar as horas de trabalho. A prática atual de ter quase todo mundo trabalhando das nove as dezessete tem algumas vantagens (um empresário sabe que se ele está no seu escritório, o cliente provavelmente também está), mas a prática também tem custos graves, especialmente em uma cidade superlotada. Recursos fixos, como parques, praias, restaurantes e vias, são usados de forma bastante irregular, engarrafados em alguns momentos e vazios em outros. Uma economia de dois mil dólares por ano em custos de transporte, quando somada a estacionamento mais barato e certos benefícios não-monetários, como uma viagem mais rápida e restaurantes menos lotados, certamente seriam incentivo suficiente para algumas firmas mudarem suas horas de operação, ou as horas de alguns empregados, das nove às cinco para (digamos) das onze às sete ou até mesmo das três às onze. O custo da hora do rush poderia ser evitado de outras formas. Os motoristas poderiam usar formas mais baratas de transporte: ônibus, trem ou rodízio. Eles poderiam se mudar de volta para a cidade ou as empresas poderiam se mudar para os subúrbios. Seja como for, todos responderiam ao verdadeiro custo de suas ações, algo que hoje não são forçados a fazer.

Como uma empresa privada cobraria preços variáveis? Ela poderia usar cabines de pedágio e variar a tarifa de acordo com a hora do dia e as condições do tráfico. Poderia cobrar uma tarifa mensal pelo direito de usar a via em horário de pico e uma tarifa mais barata pelo direito de usá-la em outros horários; aqueles que pagam uma tarifa ou outra poderiam ser identificados pelas suas placas; outros esquemas poderiam ser montados para clientes que não usam as vias regularmente. Diferentes empresas rodoviárias poderiam fazer acordos de intercâmbio, permitindo que os clientes de uma usassem as ruas da outra sem custos adicionais. Com a tecnologia moderna, seria possível, e relativamente barato, configurar um sistema muito mais detalhado de preços, variando de acordo quando e onde você dirige. Cada carro seria equipado com um transponder, um pequeno rádio projetado para receber a pergunta "quem é você?" e responder com o equivalente eletrônico a "Sou o carro número 97341". A tecnologia para fazer isso já existe; ela é usada há anos para automatizar a cobrança de passagens em ônibus. A informação sobre que carro dirigiu onde e quando seria coletada por um computador central e os motoristas seriam cobrados mensalmente.
Se os clientes estivessem preocupados que as informações detalhadas sobre seus movimentos caíssem nas mãos de uma esposa ciumenta ou empregador paranoico, o sistema poderia ser configurado para controlar quantas unidades de via cada carro usou cada dia, mas não quando e onde; o número de unidades de via cobradas por quilômetro poderia continuar variando com a hora e data. A imposição de encargos variáveis não é a única melhoria que uma empresa com fins lucrativos poderia fazer. Engarrafamentos são problemas menores para um departamento governamental; para uma empresa privada, eles significam a perda de uma pequena fortuna em consumidores potencias. Engarrafamentos não é o resultado inevitável de várias pessoas tentando dirigir ao mesmo tempo. A velocidade do trânsito em uma autoestrada engarrafada, com cada carro ocupando seis metros e se movendo a oito quilômetros por hora, é bem menor do que em uma via expressa com trânsito a 80 quilômetros e cada carro ocupando 18 ou 24 metros. Uma autoestrada bem operada, com controles eletrônicos na entrada para manter pessoas fora quando a densidade do trânsito estiver muito alta ou com 'estacionamentos temporários' para os quais o excesso de trânsito poderia ser desviado para acelerar o fluxo, faria todos chegarem ao seu destino mais cedo. Dispositivos de gravação eletrônica, controlados por entradas eletrônicas, e dias de trabalho das três as onze, soam como ficção científica. Rodovias privadas também poderiam trazer melhorias mais óbvias, algumas delas muito aguardadas. Para uma empresa privada, não valeria a pena entupir as estradas com equipes de manutenção na hora do rush e depois mandá-los para casa, deixando a estrada sem carros ou trabalhadores à noite. Em princípio, qualquer uma dessas melhorias poderia ser implementada pelas instituições socialistas que operam nossas rodovias. Nenhuma, até onde sei, foi. Enquanto isso, nossas cidades continuam a obstruir as estradas com tráfego altamente subsidiados, pedindo dinheiro a Washington, e culpando a iniciativa privada por toda essa bagunça. Este artigo foi primeiro escrito em 1969. Uma economia de dois mil dólares em 1969 representa cerca de seis mil dólares em 1989.

Responder
Cleiton 28/03/2013 00:47:11

Sensacional!

Responder
Daniel Marchi 27/03/2013 00:51:51

O homem, por meio da livre concorrência, é capaz de fazer aviões, equipamentos médicos avançadíssimos, smartphones, tablets etc etc. Agora, construir e gerir ruas?!?!? Ah não... isso é muito complexo. Isso tem que ficar para os "jênios" que trabalham no governo.

Responder
Rafael 27/03/2013 01:16:20

Responder
Renato Souza 31/03/2013 01:17:56

Não creio que haja alguém que argumente que a iniciativa privada não é capaz de construir e gerir ruas. Nenhum argumento contra a tese ancap, pelo menos até onde eu tenha visto, se baseou nisso (a não ser talvez os trolls humorísticos, não li tudo o que eles escreveram).

A questão é que a cidade funciona atualmente como um grande condomínio. Os cidadãos são por natureza donos das ruas (quem mais seria?) e outros espaços públicos. Pode-se imaginar a cidade sendo dividuca em dezenas de milhares de condomínios, e que os moradores de cada um deles resolvessem vender as ruas a agentes privados. Mas será esse cenário realista? Já há um grande número de concomínios. Você vê em algum lugar os moradores se reunindo e votando vender seu próprio condomínio a um particular, e passando a pagar taxa a esse particular? Na prática as pessoas tem preferido as dificuldades da propriedade comum. Terceirizam a administração, mas não vendem a propriedade comum. Isso não significa que jamais isso possa acontecer, mas não parece ser a tendência da maioria das pessoas.

Responder
Anarcofóbico 26/03/2013 15:26:10

Anarquia é permitir uma desordem social sem medidas!! O capitalismo já se mostrou destrutivo e opressor. O que seria dos pobres sem Estado??? Vejam como o país prosperou nos últimos anos, bwm diferente da época do FHC. Hoje o PIG e as elites do capitalismo estão querendo minar essa prosperidade!!!

Responder
Wagner 26/03/2013 17:36:58

Me da pena quando vejo pessoas que acreditam que o Brasil prosperou nos últimos anos.

Responder
anônimo 26/03/2013 23:54:26

O que seria dos pobres sem o estado? Provavelmente ricos.

Responder
Julio dos Santos 03/04/2013 03:56:09

Bah anonimo, demais essa frase, sabe o autor? "O que seria dos pobres sem o estado? Provavelmente ricos."

Responder
Andre Oliva 26/03/2013 16:11:04

A grande questão que pega não é "quem vai construir as estradas?", mas sim quem irá atrás de assassinos, abortistas etc (visto que obviamente a vítima não poderá contratar nenhuma agência de segurança devido ao seu estado, digamos, morto).
Vcs realmente acreditam que haveria prisões e até pena de morte aplicada pelas agências de segurança?

Responder
Mauro 26/03/2013 16:29:20

Quem vai atrás deles hoje? Você conhece algum assassino rico que esteja preso? Já viu o estado prendendo algum abortista? Aliás, até onde sei, em vários países é o estado quem financia operações de aborto.

Responder
Wagner 26/03/2013 16:31:08

Assassinos/abortos seriam perseguidos pelas pessoas que tem interesse em punir quem agrediu seu familiar/amigo.
O que não pode é o João querer pegar o meu dinheiro pra pagar um exército para perseguir o cara que matou o tio dele ou o Zé roubar o meu dinheiro pra por uma mulher, que nem conheço e nem sei a história dela, na cadeia por causa de um aborto.
Isso que esquerdistas precisam entender, vocês podem fazer o que quiserem com o SEU dinheiro, o meu é meu e ninguém tem o direito de meter a mão.

Responder
Luiz Rodrigo 26/03/2013 16:48:11

Claro que sim. Na verdade, funcionaria de forma mais eficiente do que é feita hoje. Se uma agência de segurança não busca os assassinos de seus clientes (que até então estao os pagando), porque raios algum cliente as contrataria, sabendo que caso alguém atente contra sua vida sairá ileso? Existe um estímulo econômico para a punição. Diferente do nosso estado atual, em que o máximo que podemos fazer é esperar pela boa vontade da segurança pública.

Responder
Marcus Benites 26/03/2013 18:04:55

O caríssimo debatedor sugere que o estado cuida melhor da questão a respeito do aborto. De fato, especialistas no assunto não faltam ao estado. Temos, hoje, uma presidente abortista e uma ministra declaradamente abortista e que já fez vários abortos em outras mulheres (depoimento dela), e que só não legalizam a prática por medo de perder votos de religiosos... São entidades religiosas VOLUNTÁRIAS que impedem a legalização. Não fosse por isso, o estado legalizaria. Segundo o debatedor, no entanto, devemos ao estado a eficácia na punição a esse tipo de crime. Lógica é tudo.

Responder
Neto 27/03/2013 14:05:08

Quem cuidaria dos abortistas? Bom, tem um barco de uma ong feminista que vai passeando por aí em países pobres da áfrica, oriente médio, fazendo abortos.Num mundo ancap eu jogaria uma bomba na cabeças dessas assassinas sem remorso nenhum.

Responder
anônimo 03/04/2013 11:31:57

Não defendo o aborto e nunca defenderia um aborto de um filho meu. Entretanto não me interessa que a vizinha vá abortar e não tenho a mínima intenção de financiar nem o aborto ou a proibição deste. Tampouco tenho intenção de financiar a punição ou os custos de criação e educação de uma criança que "escapou".

O livro A Ética da Liberdade tem um capítulo interessante sobre o assunto: 14. As crianças e seus direitos




Responder
Dw 26/03/2013 16:22:53

Prezados, muito interessante o artigo. No entanto, me ocorreu uma dúvida: Em um sistema anarcocaptalista, onde suponhamos não haver um governo, presindente ou afins.
Neste cenário, quem representaria o país em uma relação exterior eventual? Quem visitaria o papa e se hospedaria em hotéis de 5 estrelas na Itália?

Responder
Wagner 26/03/2013 16:40:26

O empresário ou pessoa que tem interesse nesse negócio poderia ir com o seu próprio dinheiro.

Responder
anônimo 26/03/2013 23:57:03

Verdade, esta é uma dúvida que me deixa bastante angustiado: quem, afinal, seria responsável por excursionar com o dinheiro alheio?

Responder
Nem libertário nem esquerdista 26/03/2013 16:24:26

Uma das objeções que tenho ao anarquismo libertário é a mesma que tenho à utopias da esquerda:
Se a sociedade anárquica libertária funcionaria tão bem, então onde está ela? De todos os inúmeros arranjos humanos, por que o anarquismo libertário nunca triunfou em grande escala? O princípio básico defendido para uma sociedade anárquica funcionar é bem simples: Não se pode ameaçar, agredir ou invadir as pessoas e suas propriedades. Toda sociedade aceita pelo menos parcialmente esses princípios. Mas onde estão as sociedades que os levaram a sério e à plena potência? Se o estado é tão indesejável então como que ele surgiu em todas as sociedades minimamente grandes? Será que as pessoas não desejam liberdade? E se de fato desejam máxima liberdade, por que o estado acaba surgindo e se fortalecendo mesmo assim? Por que uma sociedade livre não consegue impedir o surgimento e crescimento de um estado?

Responder
Anarcofóbico 26/03/2013 17:05:05

O senhor é de direita??! Ainda quer colocar aqueles pilantras tucanos no governo?? E quanto a sua pergunta, é claro que o anarcocapitalismo é uma utopia, nenhum povo sensato vai desamparar seus pobres e minorias, deixando-os a mercê de elites capitalistas, que roubam de seus empregados!! Essas elites querem se ver livres de impostos e abandonar o restante do país... é mto injusto isso!

Responder
Renato Souza 31/03/2013 00:53:36

As elites donas dos grandes capitais são esquerdistas, pelo menos na sua grande emaioria. Com o atual estado socialista, estamos todos a mercê delas.

Responder
anônimo 03/04/2013 11:38:09

Um cara que chama tucanos de direita ou é muito estúpido ou tá de sacanagem. Tenho certeza que vc é a opção # 2.

Outra coisa, sou parte desse "povo" e não tenho o mínimo interesse em amparar ou desamparar qualquer minoria. Ademais, se alguém quer fazer isso, que o faça tirando do próprio bolso.

Responder
Rhyan 26/03/2013 17:19:30

Por que nunca surgiu nenhuma país minarquista no modelo de Mises? Ou se já existiu por que não durou?

Responder
Marcus Benites 26/03/2013 18:33:30

O socialismo é utópico por dois motivos. Primeiro: dependeria, pra funcionar mais ou menos, de um ser humano ideal, puro, honesto... O ser humano não é assim; Segundo: a prática de sua aplicação já mostrou que qualquer resultado positivo é inatingível, logo, por experimentação empírica, o socialismo é uma utopia, fato.

Diferentemente do socialismo, o anarcocapitalismo não depende de homens ideais, por isso pode funcionar. Seria melhor se tivessem uma moral elevada, mas não é condição. Há, simplesmente, a garantia de punição a quem desrespeitar outra pessoa, e isso basta para um funcionamento adequado. O homem não precisa ser bom para a sociedade ancap funcionar. É suficiente o fato de que ele pagará integralmente por qualquer dano que cause.

Quanto ao segundo ponto, diferentemente dos socialismos, em que houve tentativas de aplicação e elas se mostraram a pior coisa já existente na história do mundo, o anarcocapitalismo nunca foi "tentado e não deu certo". Por isso não pode ser colocado no mesmo balaio, não se usando uma mesma lógica... Se o ancap precisaria "existir em um país" para não ser utópico, como pode o socialismo, que existiu em vários deles já, ser também? Claro que o socialismo é, pois seus resultados são impossíveis. Mas os resultados do anarcocapitalismo não (se são, exponha isso logicamente, faria um bom serviço a todos aqui).

Todos os povos ao longo dos milênios de civilização tiveram escravos. Segundo essa sua lógica, os primeiros que propuseram o fim da escravidão (e ela quase não há atualmente), também estariam sendo utópicos ("como ele pode propor essa utopia, se nunca existiu em lugar nenhum do mundo?"). Não é preciso muito esforço pra se constatar como o mundo melhorou com o fim da escravidão. Se a lógica já o tinha provado, a prática também depois. Ausência de "prática" é tão somente um "momento histórico específico", não uma condição para que algo seja ou não utópico.

Responder
anônimo 27/03/2013 14:08:14

'O socialismo é utópico por dois motivos. Primeiro: dependeria, pra funcionar mais ou menos, de um ser humano ideal, puro, honesto... '

Ah, e a sua anarquia não? Os minarquistas pelo menos só dependem de santos no governo, os ancap dependem de santos em tudo, principalmente nas justiças e polícias privadas, pro caso de uma dessas aí resolver virar governo.

Responder
Emiliano 26/03/2013 18:42:21

Principalmente por que as pessoas ainda julgam o estado ser necessário. Fica evidente, por exemplo, quando comenta-se sobre anarquismo com alguém que não sabe o significado e etimilogia da palavra: "anarquia é desordem generalizada! anarquia é um estado de caos!" e assim vai...

Acredito que mudanças só virão com uma diminuição gradual, lenta e permanente das restrições à liberdade a medida que as pessoas se derem conta que o governo não está do lado delas. Pelo menos é o que vem acontecendo...

Responder
anônimo 27/03/2013 14:27:58

Fica evidente, por exemplo, quando comenta-se sobre anarquismo com alguém que não sabe o significado e etimilogia da palavra: "anarquia é desordem generalizada! anarquia é um estado de caos!" e assim vai...

Na verdade eles estão certos, na raiz da palavra a=sem arquia=poder, os ancaps usam essa palavra pra descrever um sistema onde vai ter sim, leis e poder, então os ancaps que estão errados.

Responder
Bruno 29/03/2013 20:03:19

"Anarquismo (do grego ??a????, transl. anarkhos, que significa "sem governantes", a partir do prefixo ??-, an-, "sem" + ????, arkhê, "soberania, reino, magistratura" ..."

pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo

Responder
Juliano 26/03/2013 18:51:35

Simplesmente porque as relações sociais não são assim tão racionais. Não é o melhor modelo, ou o mais moralmente justificável que se estabelece. A realidade é sempre mais complicada que a teoria.

Houve uma época que quase todos os países tinham escravos, principalmente os mais desenvolvidos. Isso significa que a escravidão era o melhor modelo? Em sociedades tribais, era comum usar sacrifícios humanos e invasões entre tribos vizinhas. Isso provava alguma coisa em relação à moralidade do esquema?

Com o tempo, alguns grupos começam a ganhar força fora do poder político e, por conseqüência, passaram a fazer exigências e demandar por mudanças. O poder político centralizado já não era mais possível. Nunca foi uma competição de qual era o melhor modelo, mas qual é o modelo válido em um determinado momento que consegue acomodar as exigências dos grupos de pressão. Quem está com o osso nunca larga por vontade própria.

O modelo de estados atual é bem recente e foi uma forma mais estável de manter os privilégios das elites políticas sem ter revoluções toda hora. A população acredita que é ela quem dita as regras, forma-se um circo, mas ninguém toca nos princípios. Podem discutir o quanto quiserem, mas continua existingo um modelo de coleta de dinheiro à força e as elites políticas continuam com acesso privilegiado aos recursos.

O estado moderno não é o modelo mais eficiente, é simplesmente a "última moda" em termos de exploração do trabalho alheio.

Responder
Joao Marcos Theodoro 28/03/2013 22:40:01

Se a sociedade anárquica libertária funcionaria tão bem, então onde está ela?

Ainda não existe. Há, na mente dos povos, uma necessidade de se submeter a um Estado, como se este fosse um Deus ou um Pai Comum Todo-Poderoso e justo. Há necessidade psicológica de Estado. O anarcocapitalismo só se alcançaria mediante uma lenta e gradual diminuição do Estado, até essa necessidade psicológica deixar de existir.


De todos os inúmeros arranjos humanos, por que o anarquismo libertário nunca triunfou em grande escala?[i/]

Porque nunca foi posto em prática.

[i]Mas onde estão as sociedades que os levaram a sério e à plena potência?


Já expliquei.

Se o estado é tão indesejável então como que ele surgiu em todas as sociedades minimamente grandes? Será que as pessoas não desejam liberdade? E se de fato desejam máxima liberdade, por que o estado acaba surgindo e se fortalecendo mesmo assim? Por que uma sociedade livre não consegue impedir o surgimento e crescimento de um estado?

Há muito tempo atrás, as elites dominantes, por meio do discurso, convenceram as massas ignorantes de que um Estado é necessário à ordem e à prosperidade. Os discursos a favor do Estado continuam sendo proferidos, e hoje as populações já estão acometidas por uma síndrome de Estocolmo.

Responder
Renato Souza 31/03/2013 01:44:40

João

Muito antes da existência do estado moderno, já existiam governos. Os governos tribais são os mais simples, e ninguém pode afirmar que são resultado do discurso de uma elite dominante, mesmo porque um chefe tribal não ganha nada, não cobra impostos, e não forma uma elite. O fenômeno "governo" não é resultado de uma suposta tomada de poder no passado por alguma gang, como supõem os ancaps.

Responder
Felipe 31/03/2013 03:43:37

O problema não chega a ser a existência de um tipo de governo e sim a democracia de massas moderna. Você vota para pessoas que nunca conheceu na vida para prefeitos, governadores, deputados, etc. O correto seria pequenos bairros independentes com representantes indicados perante a população. Assim é impossível a existência de carreiristas na política e todas suas (limitadas) ações estão ao olho da comunidade. Algo parecido com as cidades repúblicas e cidades livres medievais. A democracia moderna nada mais é que do que um arranjo para o agigantamento do estado e uma porta para o socialismo. Isso é reconhecido mesmo por Marx em uma de suas poucas corretas conclusões.

Responder
Rafael 31/03/2013 07:15:35

O problema desse argumento historicista é que ele não leva em consideração a parte oculta da história, além de que o que conhecemos é contado pelo vencedor - geralmente o mais forte. Assim, não se sabe quantos povos viviam de forma anárquica e o que aconteceu com eles...

Responder
anônimo 03/04/2013 11:58:53

'Assim, não se sabe quantos povos viviam de forma anárquica e o que aconteceu com eles...'

Sabemos que eles não duraram.Do contrário existiriam até hoje.duhhhhhhh

Responder
Renato Souza 08/04/2013 00:57:57

Rafael

Interessantíssimo esse vídeo que você colocou.

Quanto ao seu argumento, de que haveriam povos anarquistas no passado cuja história teria sido escondida, me parece impossível. Entenda bem, muitos povos desapareceram, dos quais temos pouca ou nenhuma notícia, e até é imaginavel que algum deles tivesse desenvolvido soluções privadas para o fornecimento de justiça, por exemplo.

Agora é inimaginável que isso fosse comum, e que nós não saibamos. Vou dizer porque: Governos extremamente controladores e intrusivos, como o governo soviético, o governo chinés, o governo norte-coreano, são incapazes de fazer cessar toda notícia sobre os seus crimes e a desgraça de seu sistema, embora tenham todo interesse em faze-le, e embora empenhem nessa tarefa de censuro, um esforço héculeo. Milhares de notícias daqueles crimes e daquela desgraça econômica chegaram até nós. Isso apesar de uma imensa parte dos próprios jornalistas e intelectuais ocidentais quererem colaborar com esse esforço de censura, desqualificando, difamando e ostracizando aqueles que traziam tais notícias. A Igreja Católica (e muitas outras igrejas e religiões) teriam todo interesse em ocultar certos fatos do passado. Mas noticias desses fatos chegam até nós. Nem o império Romano, nem os Faraós Egípcios, nem império nenhum conseguiu bloquear toda informação, de forma que hoje sabemos coisas sobre eles que eles não achariam muito lisonjeiras. Aqui na América latina, embora virtualmente toda a imprensa quisesse ocultar as maquinações do Forum de São Paulo, um único jornalista fez que fossem sabidas por quem quer que queira saber a verdade. Não podendo apostar no segredo total, as elites socialistas do mundo todo apostam na imbecilização, nas meias verdades, na mistura de verdade com teorias bizarras, para desmoralizar a verdade.

Resumo da Ópera: Segredo entre três, só se um morrer.

Agora a impossibilidade do que você está propondo mostra-se totalmente. Os ocidentais modernos, num período de cinco ou seis séculos, descreveram milhares de povos nos mais diversos estágios de desenvolvimento, através da pena de talvez milhões de navegadores, comerciantes, colonos, missionários, naturalistas, cientístas, burocratas, viajantes. Estes que contam a história, tinham as mais diversas nacionalidades, línguas, interesses, visóes de mundo. Livros para serem publicados, comunicações oficiais, correspondência pessoal, informes comerciais, informes militares, diários pessoais, etc. As coisas mais bizarras, estranhas, vergonhosas, improváveis, comprometedoras, são contadas. Coisas que aos narradores pareceram inomináveis são contadas. Dessa verdadeira anarquia de escritos e relatos, desde tantos séculos até as modernas filmagens, temos um tesouro de registros da história. A isso soma-se uma imensa quantidade de relatos orais e escritos, e evidências arqueológicas dos próprios povos. Você quererá crer que essa gente toda, diversa em tudo, através também de comunicações que muitos supunham que não seriam públicas, manteve segredo sobrea existência de sistemas anárquicos? Você acha isso crível?

Responder
João Marcos T. Theodoro 07/04/2013 22:07:00

Renato,

Governos, de fato, sempre existiram e continuariam a existir mesmo numa sociedade anarcocapitalista.

Os Estados primitivos não surgiram através de discursos. Na verdade, algumas tribos nômades, tendo conseguido dominar a agricultura, puderam assim estagnar-se e criar rica morada fixa. Naturalmente, não foram todos os povos que obtiveram a mesma conquista: ainda havia nômades. Estes, nalgum momento, encontravam as tribos fixas e, impressionando-se com seu desenvolvimento, queriam permanecer lá, com aquele povo que viam como superiores. O Estado começou assim: havia os filhos dos deuses, que faziam comida emergir da terra, e os pobres-coitados que, para viver naquela tribo, tinham de se fazer servos. Observa-se, portanto, que não houve uma tomada de poder, mas uma submissão por parte de quem se via inferior aos que haviam descoberto a agricultura e desenvolveram sua forma de vida. Daí para frente, o sistema de dominados e dominadores apenas foi se modelando para continuar vigente. Hoje existe o Estado e os pagadores de impostos.

Responder
Renato Souza 08/04/2013 01:29:08

João Marcos

Eu falei em governos, não em estados, no sentido de uma instituição complicada. Mesmo tribos nomades tem governos. Isso fica evidenciado pelo menos em dois aspectos: o jurídico e o militar.
A tribo está sujeita ao mesmo sistema legal e aos mesmos juizes, quer sejam estes o chefe, um xamã, um conselho dos mais velhos ou dos mais sábios, ou simplesmente a opinião da maioria. Logo, a jusltiça é monopolística.
E a tribo toda está sujeita aos mesmo chefes na guerra.

A tribo não é assim porque alguém impôs. Eles decidiram ter governo ao decidirem ter algo em comum. Se cada família vivesse separada da outra, se encontrando apenas para contatos comerciais e sociais, eles não precisariam de governo. Se alguém tendo nascido e cresido na tribo, disser: eu não aceito ser julgado como os outros, nem aceito seguir o líder escolhido para a guerra, os outros responderão: Você é lire para ir embora.

Governos são anteriores à época em que alguns povos dominaram outros. Cada povo tinha governo.

Responder
Renato Souza 08/04/2013 01:47:27

Agora estranhei o fato de que governos continuariam a existir numa sociedade anarcocapitalista. Isso é muito estranho, porque todos os ancaps dizem que o governo é o problema, que ele é desnecessário e que é mal por natureza. Um governo, por exemplo, julga todos os que estiverem no seu território. Sempre foi assim com uma única exceção conhecida na história (que eu saiba). É evidente que os ancaps se opoem a isso.

O governno não precisa nem mesmo ser unitário para que seja monopolístico. Há cidades e condados nos EUA onde o povo elege o prefeito, o juiz, o promotor, e o sherif. Nenhum deles é subordinado ao outro, tanto assim que nenhum deles pode ser demitido por simples decisão do outro. Eles não precisam pertencer a partido político nenhum. Mas cada um deles, em suas atribuições, é governo, porque é monopolista de sua função dentro daquele território. É monopolista porque os cidadãos quiseram, no passado, ter algo em comum. Se uma parte da cidade (ou condado) se separasse do restante do território, eles de certa forma deixariam de ter algo em comum. Os cidadãos do territorio separado seriam responsáveis apenas pela área comum dessa parte separada. Nessa parte, valeriam as regras deles, eles seriam responsáveis pela manutenção das ruas, eles seriam responsáveis por prender criminosos (para o que contratariam um sherif) etc.

Responder
João Marcos T. Theodoro 08/04/2013 02:38:08

Renato,

Perdoe-me se me expressei de forma a gerar desentendimentos na discussão. Devo dizer que eu falei de governo (com g minúsculo) no sentido de administração, de vez que certamente escolas, igrejas, hospitais e outras instituições o possuem e continuarão possuindo independentemente de haver um governo central que abranja todos os indivíduos.

Se o seu problema quanto à aceitação do anarcocapitalismo concentra-se em dúvidas sobre como seria, nesse ambiente, o sistema legal e de policiamento, recomendo muito a palestra de David Friedman O liver mercado de leis e sua eficiência superior.

Responder
Luciano 04/02/2014 23:09:33

Ninguém era obrigado a participar desse arranjo.

Responder
Fabiano 03/04/2013 12:02:27

Uma das objeções que tenho ao anarquismo libertário é a mesma que tenho à utopias da esquerda:
"Utopias da esquerda". Já começou mal. Depois de todas as análises e refutações que foram feitas, melhor trocar a palavra "utopia" por "distopia".


Se a sociedade anárquica libertária funcionaria tão bem, então onde está ela? De todos os inúmeros arranjos humanos, por que o anarquismo libertário nunca triunfou em grande escala?

A mudança do status quo não ocorre do dia para a noite. Analisando um pouco a história é possível perceber sua lenta evolução, com queda de regimes, crenças, paradigmas... Tem se ganhado liberdade aos poucos, com perdas em alguns momentos, mas isto é mais por ignorância do que por simples "aceitação". Obviamente os governantes ajudam muito nisso, trabalhando noite e dia a seu próprio favor. O exemplo disso é a quantidade de gente "escolada" que chega aqui sem nunca ter vislumbrado ideais libertários, muito menos os ancaps. Imagine o cidadão normal que acha bonito um presidente se gabar de que não lê livros.

Muitos estão aqui lutando para que estes ideais triunfem um dia, sendo de fato a mudança que desejam.

Responder
pessoa, carlos alberto 26/03/2013 16:46:39

No penúltimo parágrafo antes do item 6 há sério erro;
ao contrário do q o A afirma,
a causa ACABA com a decisão do Supremo!
Ah! Podemos mudar a lei?
Mas esta é outra história, não?
abs

Responder
Rhyan 26/03/2013 17:22:10

Veja o caso do mensalão, queriam (ou querem?) levar o caso para uma corte internacional. Corte interamericana pra ser mais específico.

Responder
Johnny Jonathan 26/03/2013 18:46:05

"Ah! Podemos mudar a lei? Mas esta é outra história, não?"

Nopes, é a mesma história. Neste caso, o legislativo seria uma "arbitrador supremo" maior que o próprio judiciário. Eu poderia dominar o executivo e fazer um golpe de estado, como outro exemplo (esse que frequentemente acontece, inclusive)

Responder
Mercado de Milhas 26/03/2013 16:54:10

Esses artigos beiram o ridículo.. vivemos em um mundo cuja a lei é a do mais forte (ou dos que se adaptam melhor, como preferem alguns).

Se eu tenho uma arma e você não, você fará tudo que eu quiser ou eu te mato. Vire e mexe eu mato um pra provar que falo a verdade. Pronto, este é o mundo real, quer você queira ou não. Outras possibilidades existem apenas no mundo da imaginação.

Portanto, o monopólio da força é um mal necessário. É tão óbvio.. o problema é alguns se ligam tão fortemente a idéia de liberdade (no sentido de livre-arbítrio) que querem desfazer as leis da natureza. Infelizmente, não dá.

"A ambição universal do homem é colher o que nunca plantou" - Sir. Adam Smith

Ou seja, sempre existirá pessoas querendo viver as custas de outras.

Sem estado, são várias as questões sem resposta. Várias estão nesse artigo e, para qualquer pessoa normal, que saiba qual é a lei da natureza e entende quem é o homem, entende logo a impossibilidade de um arranjo legal privado.

O estado é um mal necessário. Por isso o ideal é o estado mínimo. E, na minha opinião, estado mínimo + renda mínima é o melhor arranjo possível para aumentar o bem estar geral do povo. A questão é calibrar o renda mínima para que seja tão alto para atender as necessidades das pessoas e baixo o suficiente para que ninguém (ou quase ninguém) queira viver só com ele.



Responder
Wagner 26/03/2013 20:20:09

Pegue a sua arma e invada uma cidade livre onde quase todos os cidadãos andam armados, boa sorte!

A questão da violência é resolvida pelo fato de existir mais cidadãos de bem do que meliantes na sociedade, se todos estivessem armados nenhum bandido se arriscaria a cometer um crime.
O problema da sua linha de pensamento é que você coloca um meliante armado contra um cidadão de bem desarmado, e este cenário já acontece hoje em dia... o fato do estado possuir o monopólio da violência só serve pro cidadão de bem não poder se defender.

Responder
Marcus Benites 26/03/2013 22:31:47

Esquenta não, Wagner... Capacidade de raciocínio lógico não é pra todos. O sujeito diz que o problema é X. Você vai lá e prova, argumentando, que X é muito maior havendo estado que não havendo. Ele não consegue apontar uma falha sequer na sua argumentação, mas continua pedindo um estado para resolver X, sendo que você acabou de provar (sem refutação decente) que um estado potencializa X... Na verdade, o que aconteceu? O sujeito não conseguiu seguir o raciocínio lógico plenamente. Seguiu até certo ponto, achou que entendeu, mas produz um discurso, depois, tão lotado de contradições que você logo percebe como seu raciocínio atua de forma incompleta. Deixa pra lá porque não há o que fazer no caso.

Responder
Diego Quixabeira e Souza 05/04/2013 19:27:59

Acho que é você quem tem incapacidade de raciocínio lógico, já que o "sujeito" disse sobre um Estado mínimo e não o Estado atual em que vivemos.

Responder
anônimo 27/03/2013 01:28:42

'Pegue a sua arma e invada uma cidade livre onde quase todos os cidadãos andam armados, boa sorte!'

Porque essa tal cidade nunca surgiu? Principalmente no tempo que o estado não era forte como é hoje?
A única coisa que os ancaps acabam provando é que tem muita fé e imaginação fértil.

Responder
Wagner 27/03/2013 11:23:00

Não em apenas uma cidade, mas em um país todo!
Como o porte irrestrito de armas garantiu a liberdade dos suíços:
www.mises.org.br/Article.aspx?id=975

Responder
anônimo 27/03/2013 14:14:20

De novo, essa cidade nunca surgiu.O que eu falei nesse mesmo artigo e ninguém respondeu, foi que Hitler NUNCA invadiu a Suíça, então essa história de que A, B ou C iria garantir a liberdade deles caso ele invadisse é somente um exercício de imaginação.
Vocês acusam os minarcos de falta de lógica mas a 'lógica' de vocês não passa disso, de especulações no lindo mundo da imaginação.

Responder
YBS 01/04/2013 22:23:27

E os enforcamentos protagonizados por cidadãos livres a estupradores sem a ajuda de ninguém (nem mesmo de agência de segurança alguma)? Pois isso ocorreu à larga nos Estados Unidos da América. Exemplo forte, mas a condição é uma cidade que fez isso e isso existiu sim e não foram uma ou duas.

Responder
anônimo 03/04/2013 10:20:49

'E os enforcamentos protagonizados por cidadãos livres a estupradores sem a ajuda de ninguém (nem mesmo de agência de segurança alguma)? '

Mas isso é muito diferente de uma gangue super poderosa invadindo um lugar onde as pessoas podem até ter armas, mas elas não se comparam às da gangue.
Nesse situação é a cidade toda contra uma pessoa sozinha, se isso funciona não podemos condenar a democracia porque isso funciona pelo mesmo princípio da democracia: a vontade da maioria.Só que nesse caso, a maioria (de pessoas que acham que estuprador tem que morrer)está certa.

Responder
Leonardo Faccioni 05/04/2013 19:58:13

"'E os enforcamentos protagonizados por cidadãos livres a estupradores sem a ajuda de ninguém (nem mesmo de agência de segurança alguma)? '

Mas isso é muito diferente de uma gangue super poderosa invadindo um lugar onde as pessoas podem até ter armas, mas elas não se comparam às da gangue.
Nesse situação é a cidade toda contra uma pessoa sozinha, se isso funciona não podemos condenar a democracia porque isso funciona pelo mesmo princípio da democracia: a vontade da maioria.Só que nesse caso, a maioria (de pessoas que acham que estuprador tem que morrer)está certa."

Respondamos aos anônimos.

1. Que o armamento massivo dos cidadãos suíços tenha sido um elemento dissuasório [mesmo que não necessariamente o único, tampouco o fator determinante] contra a violaçâo de outras nações à sua reiterada neutralidade não é especulação, mas constatação. Foi cálculo estratégico semelhante ao que desencorajou a liderança americana a promover uma invasão convencional mar-terra às ilhas japonesas na segunda guerra, onde um conflito urbano contra uma população fanatizada, disciplinada e militarizada foi considerado custo proibitivo, contando a favor da opção atômica. Especulações se fazem sobre o resultado final de uma efetiva invasão, não quanto ao favor dissuasivo, que é certo e notório;

2. "Mas isso é muito diferente de uma gangue super poderosa invadindo um lugar onde as pessoas podem até ter armas, mas elas não se comparam às da gangue."

Ora, mas é exatamente esse o ponto do controle de armas: impedir que a população civil tenha acesso a armamento equivalente ao de seus potenciais adversários! Até fins do século XIX, o armamento acessível aos civis ordeiros, aos criminosos e ao Estado era fundamentalmente idêntico, e a experiência majoritária era bem mais pacífica que a do século seguinte, quando o "gap" entre civis e militares foi expandido por coação do Estado.

Não há nada de utópico em uma população civil bem armada dissuadindo, ou mesmo combatendo diretamente a ação de criminosos igualmente bem armados. A esse respeito, recomendo vivamente as publicações linkadas ao final deste artigo, igualmente notável: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1028

Responder
anônimo 07/04/2013 17:15:53

'contra a violaçâo de outras nações à sua reiterada neutralidade não é especulação, mas constatação.'

Não, é especulação mesmo.Seria constatação apenas se alguém realmente a invadisse e a defesa feita por civis com armas realmente vencesse o exército invasor

Responder
Renato Souza 08/04/2013 23:25:32

Leonardo

Concordo plenamente que a capacidade individual de defesa de um povo seja um forte elemente de dissuasão contra atacantes externos, e um forte reforça na defesa de um país.

Mas isso é realmente diferente de afirmar que os cidadãos podem se defender sem um exército regular.

Responder
Tory 26/03/2013 23:02:15

Mercado, seu raciocínio é confuso. Você argumenta que, como vivemos em um mundo onde (A), o mais forte, dá as ordens, (B), o estado, é um mal necessário, como se esse "estado" nos protegesse desse tal "mais forte". Só que A e B são a mesma coisa. Não faz sentido dizer que algo inevitável (na sua linha de pensamento) é um "mal necessário". Você provavelmente tentava ser amigo do valentão do recreio para não apanhar.

O que argumentamos é que o estado só existe porque existem pessoas amedrontadas que aquiescem bovinamente às suas extorsões e imposições. As repetidas menções ao período da história onde a escravidão era notoriamente comum não são por acaso. Aqui no Brasil, hoje, quando o equilíbrio entre os serviços prestados pelo estado e o preço cobrado por eles apresenta precariedade ímpar, chega a ser risível alguém defender o estado como promotor de segurança e bem-estar.

Responder
Mercado de Milhas 27/03/2013 00:33:42

Não precisamos do estado pra nos proteger do mais forte. O estado é o mais forte. Numa sociedade sem estado, enquanto UMA força não for estabelecida, milícias vão brigar pelo poder. O estado é a milícia que sagrou-se vencedora.

O que dá pra fazer é, tendo um estado estabelecido, tirar quase todas as atribuições dele, deixando só o mínimo (exército, polícia e judiciário).

Anarcocapitalismo é tão idiota quanto anarcocomunismo ou anarcoqualquer coisa.

Seria o ideal, mas não tem como.

Responder
Wagner 27/03/2013 11:57:21

Uma sociedade ancap não é uma zona de ninguém, é apenas uma situação em que você tem o direito de escolher como quer viver. Se você gosta de um governo central eu tenho certeza que existiriam cidades com um gerenciamento central pra você morar. O problema do governo atual não é o fato dele existir, é o fato dele ser forçado sobre todas as pessoas, ele ataca a sua liberdade de escolher como você quer viver.

Responder
Marcus Benites 27/03/2013 13:30:48

Agora entendi. Então precisamos manter a milícia mais forte e vencedora (estado) para que, após uma disputa entre milícias, uma milícia forte e vencedora não nos comande. Mantemos a milícia nos comandando para que uma milícia não faça isso. Agora está claro. Obrigado.

Responder
anônimo 27/03/2013 13:58:00

'Agora entendi. Então precisamos manter a milícia mais forte e vencedora (estado) para que, após uma disputa entre milícias, uma milícia forte e vencedora não nos comande.'

Não é para que a milícia 'não nos comanda', é para que não haja conflitos o tempo todo entre as várias gangues.

Responder
Marcus Benites 27/03/2013 23:39:23

Isso no seu conto de fadas. Na realidade a milícia não só comanda, como faz o que quer, afinal tem direito de monopólio inquestionável. As outras milícias entrariam em constante conflito? E perderiam rios de dinheiro com isso, sendo que, com o "conflito" da concorrência (esse sim logicamente óbvio como consequência), todo mundo se daria bem e ganharia muito?

Responder
anônimo 03/04/2013 10:35:48

'Isso no seu conto de fadas. Na realidade a milícia não só comanda, como faz o que quer, afinal tem direito de monopólio inquestionável.'

Não necessariamente, e nada disso é conto de fadas, basta estudar um pouco de história.
No tempo que os homens tinham honra e vergonha na cara, quando um governo ficava muito autoritário eles lutavam e tiravam esse governo do poder.E esse princípio inclusive está imortalizado na constituição americana.

No conto de fadas de vocês, que não aconteceu nunca na história da humanidade, é onde todo mundo só vai se revoltar pra defender o mundo ancap.

Responder
anônimo 03/04/2013 10:51:55

'As outras milícias entrariam em constante conflito? E perderiam rios de dinheiro com isso, sendo que, com o "conflito" da concorrência (esse sim logicamente óbvio como consequência), todo mundo se daria bem e ganharia muito?'

Que romântico.Só falta explicar porque é que guerras sempre existiram em toda a história da humanidade, em outras palavras, porque é que nem sempre o 'conflito' da concorrência é o mais lucrativo pras gangues.

obs:Já to até vendo, alguém vai falar 'é o estado que faz guerras e blablabla'.Ou seja, realmente a falta de leitura é um problema, qualquer um sabe que pessoas, grupos, gangues entram em conflito por N motivos.E o estado, como todo mundo sabe, é só mais uma gangue.

Responder
Neto 03/04/2013 11:23:46

Marcus, agora você está delirando. 'Lucrativo' conflito da concorrência? Só falta falar que empresário gosta de concorrência.

Responder
anônimo 03/04/2013 12:24:14

Eu tb defendia renda mínima, até que entendi que por ignorância estava sendo cúmplice de roubo. Pior, ainda estava apoiando que me roubassem!

Seu caso já é diferente, pois vc é cúmplice, não mais por ignorância, mas por sua própria escolha. Refutar algo simplesmente como ridículo mostra o quão ridículo vc é.

Responder
anônimo 03/04/2013 12:35:53

'Seu caso já é diferente, pois vc é cúmplice, não mais por ignorância, mas por sua própria escolha. Refutar algo simplesmente como ridículo mostra o quão ridículo vc é.'

Nope, mostra a falta de argumentos e a arrogância de quem quer vender um sistema que nunca existiu, que não faz sentido e que é baseado somente no mundo da imaginação.

Responder
Juliano 03/04/2013 13:41:31

Esse tipo de conversa me lembra a palestra da autora de um livro sobre sexo no mundo árabe (reason.com/reasontv/2013/03/30/sex-in-the-arab-world).

As pessoas de algumas comunidades simplesmente não conseguem conceber uma sociedade onde homens e mulheres possam ser vistos como indivíduos. É algo completamente absurdo e lhes falta referenciais. As mulheres nem são registradas isoladamente, mas como filhas ou mulheres de um homem.

Perguntada se não gostaria que mulheres pudessem se relacionar com homens antes de casar, que isso poderia inclusive melhorar os casamentos uma vez que o casal teria a chance de se conhecer melhor, uma moça disse que a idéia é sem sentido, que era só ver como é a vida da Madonna (um dos poucos referenciais que eles conhecem).

Pra essa moça, a revolução que eles gostariam de ver em seus relacionamentos é a de que os homens lhes dessem pelo menos um pouco de atenção, de carinho. Está simplesmente fora de sua capacidade imaginar um mundo onde elas teriam opções, onde poderiam escolher outros maridos ou simplesmente escolher não ter nenhum relacionamento.

Por aqui, as pessoas pedem que pelo menos os impostos sejam menores e os serviços prestados sejam razoáveis. As pessoas se acostumaram a discutir quantos taxis seria o número ideal para a cidade, já pararam de discutir a autoridade que alguém tem para definir isso.

Quando vc está condicionado a obedecer, quando todas as suas referências apontam para a prisão, seus parâmetros mudam. A liberdade vira apenas um exercício de imaginação, algo que não pode ser concretizado, algo cheio de riscos. Provavelmente, para quem vive em uma sociedade onde relacionamentos fora do casamento são criminalizados, a idéia de que o estado não deve se meter nisso gera medo e incertezas. Imagine só... se não fosse proibido, todo mundo sairia transando com todo mundo. É claro que o governo deve regular essas relações!

Responder
anônimo 03/04/2013 14:30:19

Não caia nessa armadilha e vá achando que as feministas querem que as pessoas sejam vistas como indivíduos.

Responder
Leonardo Couto 07/04/2013 20:15:59


Mercado de Milhas, você tem todo o direito de viver sob esse arranjo, contanto que não obrigue outros a fazer o mesmo. O problema do minarquismo que você advoga é a filiação forçada. Se esse é o melhor arranjo, não será necessário, como não é legítimo, usar da força para o impor.

Você está há bastante tempo aqui, até hoje não deixou de emitir opiniões sésseis. Acho que você pegou isso do Friedman.

Responder
mauricio barbosa 26/03/2013 17:36:35

Que festival de objeções desses comentaristas,o interessante é a falta de percepção deles de que uma sociedade libertária não existe é porque exatamente eles consentem com o estado de coisas atuais pois cadê as passeatas condenando a volta da inflação,os mensaleiros continuam soltos,o clientelismo dos políticos cada vez mais sendo praticado,quer dizer que nós libertários é que estamos sonhando e vocês estatistas estão no paraíso.

Responder
Wagner 26/03/2013 20:29:11

Eu recomendo a desobediência civil como forma de derrubar o estado atual.
A força do estado emana do povo, se simplesmente ignorarmos o estado ele deixa de existir... evite pagar impostos, utilize dinheiro vivo (já machuca os bancos) ou ouro em transações, ignore os "funças", não declare impostos, não aposte na loteria, não vote... simplesmente finja que o estado não existe.

Responder
Jonas 28/03/2013 07:02:09

Mas é um romântico mesmo. Fala como se fosse Thoreau, que realmente teve culhões pra não pagar impostos e encarou a prisão. Se fosse tão "ignorador do Estado" como diz, sequer estaria confortável atrás do computador digitando essas bobagens, porque estaria na cadeia.

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Anarcofobico 26/03/2013 20:51:21

O pt é o partido mais honesto desse país!! o PIG e seus comparsas querem manchar a imagem daqueles que tem construído um país mais justo! Vc empresário não pode se sentir no direito de levar toda uma bolada sozinho sem ajudar seus conterrâneos! Por isso, Che Guevara é um exemplo de justiça e moralidade, abandonando tudo por seus ideais! Um verdadeiro companheiro e construtor de uma nação que tem um dos melhores índices do mundo!

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Renato Souza 26/03/2013 23:18:57

Bom, os artigos ancaps contra a existência de governo recorrentemente citam a suposta tomada do poder por uma gang, que se torna o governo, e monopoliza certos serviços, como justiça e coordenação da defesa contra inimigos externos. Antes disso, o paraíso ancap ancap ancestral? Teria de ser assim, porque essa suposta tomada do poder pela gang tem de ter ocorrido num certo momento determinado do passado.

Ocorre que a história não mostra isso. Na esmagadora maioria dos casos, povos tribais livres, livremente estabeleciam lideranças monopolísticas, para resolver pendências judiciais e para organizar a defesa da aldeia. E livremente estabeleciam áreas de uso comum, propriedade de todos. Tais lideranças monopolísticas tribais evoluem para as lideranças monopolísticas das cidades, e tais propriedades comuns evoluem para as propriedades comuns nas cidades, incluindo calçamento de ruas e muros de proteção.

Logo, a existência dos governos claramente são resultado da dinâmica da sociedade, desde o seu primórdio, e não o resultado de um assalto bem sucedido por um grupo de meliantes.

Ciente da inexistência de um suposto Éden ancap ancestral, não busco "recupera-lo", mas compreender os mecanismos pelos quais os governos se tornam cada vez mais abusivos, para, ciente desses mecanísmos, buscar combate-los.

Finalmente, vou colocar novamente um argumento que já citei muitas vezes, e que nunca foi contraditado. Em sociedades antigas, todos os bens são produzidos por particulares, ou por associações voluntárias de particulares. Mesmo nas tribos onde sempre se realizam caçadas em grupo ou se planta comunitariamente, ninguém é impedido violentamente de ir caçar sozinho, ou desmatar e plantar sozinho um trecho de mata. Logo, essa associação é voluntária. Todos os bens são produzidos então ou por individuos ou por associações voluntárias de indivíduos. Com isso quero estabelecer que desde as tribos mais primitivas, há uma fortíssima tendência para produzir todos os bens e serviços de forma não coercitiva.

As únicas exceções são a produção de justiça e de organização da defesa, que são serviços monopolísticos. Ora, se a tendência universal é a produção de bens e serviços de forma não coercitiva, a única explicação para tais exceções é que tais tribos (virtualmente todas as tribos) não conseguiram produzir esses dois serviços de forma não coercitiva. Visto que tais sociedades são virtualmente todas, deve-se concluir que é no mínimo bastante difícil criar um sistema estável em que tais serviços não sejam monopolísticos.

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Rafael 27/03/2013 01:01:24

"Bom, os artigos ancaps contra a existência de governo recorrentemente citam a suposta tomada do poder por uma gang, que se torna o governo, e monopoliza certos serviços, como justiça e coordenação da defesa contra inimigos externos. Antes disso, o paraíso ancap ancap ancestral? Teria de ser assim, porque essa suposta tomada do poder pela gang tem de ter ocorrido num certo momento determinado do passado."

Não necessariamente. A própria "tribo" poderia ter estabelecido uma liderança monopolística voluntariamente, mas tão logo essa liderança comece a agir coercivamente - e isso pode levar gerações - contra o seu povo - seja através de impostos, guerras, etc - tem-se o surgimento de um governo.


Finalmente, vou colocar novamente um argumento que já citei muitas vezes, e que nunca foi contraditado. Em sociedades antigas, todos os bens são produzidos por particulares, ou por associações voluntárias de particulares. Mesmo nas tribos onde sempre se realizam caçadas em grupo ou se planta comunitariamente, ninguém é impedido violentamente de ir caçar sozinho, ou desmatar e plantar sozinho um trecho de mata. Logo, essa associação é voluntária. Todos os bens são produzidos então ou por indivíduos ou por associações voluntárias de indivíduos. Com isso quero estabelecer que desde as tribos mais primitivas, há uma fortíssima tendência para produzir todos os bens e serviços de forma não coercitiva.

As únicas exceções são a produção de justiça e de organização da defesa, que são serviços monopolísticos. Ora, se a tendência universal é a produção de bens e serviços de forma não coercitiva, a única explicação para tais exceções é que tais tribos (virtualmente todas as tribos) não conseguiram produzir esses dois serviços de forma não coercitiva. Visto que tais sociedades são virtualmente todas, deve-se concluir que é no mínimo bastante difícil criar um sistema estável em que tais serviços não sejam monopolísticos.


A escravidão só não foi padrão em tribos que viviam da caça e coleta, sendo que a maioria dos povos na fase Neolítica já possuíam escravos. A partir de então a escravidão foi o padrão nas sociedades avançadas.

Seguindo seu argumento historicista, há dois séculos atrás você seria contra a abolição da escravatura, certo?

Se eu não estiver enganado, acredito que você defende um estado mínimo. Visto que tais sociedades são virtualmente nenhumas, deve-se concluir que é no mínimo bastante difícil criar um sistema estável em que tais governos não se tornem tiranias, você não acha?

Responder
Renato Souza 27/03/2013 22:47:59

Rafael

A maioria das pessoas na histíra do mundo não foram escravos nem senhores de escravos. Desta forma a escravidão é exceção, não regra.

Uma coisa que causa certa confusão é que tomamos como exemplo do passado as sociedades como a grega e a romana, que eram escravagistas numa escala maior que muitos outras sociedades.

Outra coisa que causa confusão é o uso da palavra "servo" que muitos tomam como sinônimo de "escravo" em qualquer caso.

Na sociedade medieval européia era simplesmente o nome de uma casta. O servo da terra podia virar as costas e abandonar o senhor da terra no momento em que quisesse. A restrição injusta é que ele não podia mudar de casta, como é até hoje na India.
Nas sociedades do oriente médio e romana, muitas pessoas "se vendiam" como escravos, geralmente para sair de algum enrosco econômico, e depois "se resgatavam".
Na sociedade hebraica, normalmente o servo era uma pessoa que se endividou e precisou aceitar uma espécie de "contrato de prestação de serviços" que por lei podia durar no máximo sete anos. Na China, Japão, e muitos países do oriente, escravidão era uma coisa incomum durante boa parte de sua história. Nos impérios assirio, babilônico e persa se fala em povos cativos, que na verdade não eram sujeitos a trabalhos forçados, tinham suas próprias terras, comércio, empresas, muitos de seus cidadãos eram ricos, e tinham representantes nos conselhos da corte. "Cativos" significava apenas que foram proibidos de morar nos seus países de origem. Eu diria que eram muito mais livres do que são atualmente os dhimis (cristãos, judeus e outras minorias) nos páises mulçumanos.

Creio que a impressão de que nos séculos passados, a grande maioria das pessoas eram escravas, é uma ilusão causada pelo conhecimento apenas de exemplos extremos (como a Grécia), má interpretação de palavras, e desconhecimento de culturas onde a escravidão era inaceitável ou rara.

Mas de qualquer forma isso em nada muda o meu argumento. Mesmo que fosse verdade que só nas sociedades de caçadores-coletores a maioria das pessoas não fosse escrava (e não é verdade), só essas sociedades já provam o meu ponto: Sociedades onde a produção de bens e serviços não é monopolística, tinham a produção da justiça e da defesa monopolística.

Responder
Rafael 29/03/2013 06:26:43

"Creio que a impressão de que nos séculos passados, a grande maioria das pessoas eram escravas, é uma ilusão causada pelo conhecimento apenas de exemplos extremos (como a Grécia), má interpretação de palavras, e desconhecimento de culturas onde a escravidão era inaceitável ou rara.

Mas de qualquer forma isso em nada muda o meu argumento. Mesmo que fosse verdade que só nas sociedades de caçadores-coletores a maioria das pessoas não fosse escrava (e não é verdade), só essas sociedades já provam o meu ponto: Sociedades onde a produção de bens e serviços não é monopolística, tinham a produção da justiça e da defesa monopolística."



Como não sou historiador, penso que você possa estar certo. Porém, mesmo se for verdade que a escravidão foi exceção na história, em nada isso muda o meu questionamento a sua conclusão: se sociedades pouco desenvolvidas - comparadas a hoje, onde milhões de pessoas podem se dar ao luxo de viver apenas do conhecimento - não conseguiram viabilizar um sistema não coercitivo de proteção e justiça, logo isso é impossível de ser obtido.

Responder
Renato Souza 31/03/2013 00:57:21

Quanto à escravidão, não afirmei que era rara no geral (embora fosse rara ou inexistente entre muitos povos). Afirmei que uma leitura ligeira e menos informada de certos textos pode levar a um erro na avaliação do sua amplitude.

Responder
Juliano 27/03/2013 13:04:58

Antes disso, o paraíso ancap ancap ancestral?
Não. A violência, infelizmente, sempre fez parte da nossa história.

Ocorre que a história não mostra isso. Na esmagadora maioria dos casos, povos tribais livres, livremente estabeleciam lideranças monopolísticas, para resolver pendências judiciais e para organizar a defesa da aldeia.
Na história que eu conheço, os "povos tribais" eram livremente forçados a obedecer quem estivesse no comando. Guerras entre tribos nunca foi algo raro e práticas como genocídios, escravidão e mesmo canibalismo era destino comum dos "estrangeiros". Aos membros da tribo, também não era raro crenças que exigiam sacrifícios humanos.

Logo, a existência dos governos claramente são resultado da dinâmica da sociedade, desde o seu primórdio, e não o resultado de um assalto bem sucedido por um grupo de meliantes.
Por aqui também foi o resultado da "dinâmica da sociedade". Basicamente os caras desembarcaram aqui, desenharam um mapa e traçaram uma linha no meio dizendo: pra cá mando eu. Quem já morava aqui foi livremente convidado a participar, sendo escravizado e tratado como animal. Quem resistia tinha um destino bem democrático, sendo enforcado, esquartejado e pedaços do corpo deixados para apodrecer em público pra servir de símbolo.

A República também sempre foi um exemplo de colaboração voluntária. Canudos, Guerra do Contestado e mais um monte de movimentos demonstram como a população realmente queria o governo, como foi resultado natural de sua dinâmica social.

Os exemplos não são só nossos. Os Estados são sim o resultado da guerra do mais forte, é a gangue que conseguiu se manter no poder. A democracia é só a forma mais barata de manter os privilégios, dando a impressão de que o poder não é de cima pra baixo.

Aqui em Curitiba está acontecendo uma discussão interessante. Faz décadas que o número de licenças de taxi permanece o mesmo. Assim, toda hora tem gente discutindo se devemos ou não aumentar o número de licenças. É exatamente isso que o governo quer: que se discuta o número de licenças, não o fato de que tem uma gangue que mantém capangas armados garantindo um cartél. É muito melhor que o povo fique horas discutindo qual seria o "número ideal" de taxis na cidade.

Responder
Jonas 28/03/2013 07:13:31

Juliano, por acaso você sabe que esse cartel (ótimo termo para o caso, por sinal) dos táxis em Curitiba é formado por empresas privadas? Ou você acredita que, só por que as licenças são concedidas pelo governo, o negócio é gerido pelo Estado? Será que os honestos e poderosos empresários do cartel do táxi aqui de Curitiba estão sendo devidamente "punidos pelo mercado", tendo sua imagem pública manchada por sua conduta antiética, ou estão, ao contrário, cada vez mais ricos e protegidos? Com ou sem Estado, poder e cartel andam juntos. Somos seres humanos, egoístas e competitivos, não seres ideais. Um Estado democrático, e não uma anarquia utópica, é que pode ao menos garantir uma via de acesso mais justa ao poder - por mais difícil que seja, já que somos bilhões de pessoas querendo poder. Essa estrutura do Estado pode se corromper, mas também podemos minimizar a corrupção. Em uma anarquia, corrupta (visão realista) ou não (visão idealizada), as vias de acesso ao poder serão SEMPRE injustas. Não há como um arranjo anárquico de 7 bilhões de pessoas gananciosas ser viável na prática.

Responder
Eleno 28/03/2013 09:44:23

"por acaso você sabe que esse cartel (ótimo termo para o caso, por sinal) dos táxis em Curitiba é formado por empresas privadas? Ou você acredita que, só por que as licenças são concedidas pelo governo, o negócio é gerido pelo Estado?"

Duh! É exatamente este o problema de um cartel regulado pelo estado: é o estado quem define quem entra no mercado.

Se o estado não tivesse esse poder de definir quem entra no mercado, você e eu poderíamos amanhã ofertar nossos serviços. No entanto, experimento fazer isso e veja o que irá acontecer com você. O estado manda você para a cadeia!

Ademais, é claro que taxistas estão contentíssimos em ter o estado protegendo suas atividades. Ninguém gosta de concorrência, meu caro. Todo mundo quer ganhar o máximo possível com o menor esforço necessário. Um cartel regulado pelo governo faz justamente isso: impede a concorrência.

Por outro lado, um cartel formado voluntariamente, sem o dedo do estado, sofre de todas as vulnerabilidades explicitadas pelo artigo. Você pelo visto é incapaz de diferenciar cartel voluntário de cartel formado pelo estado.

Não há na história registro de um cartel voluntário que tenha durado. E não há na história registro de cartéis regulados pelo estado que não tenham auferido altos lucros fornecendo serviços ruins. Por que empresários iriam querer furar o cartel neste arranjo controlado pelo estado?

Por fim, não sei de onde você tirou que este site defende a santidade de empresários. Muito pelo contrário. Os artigos daqui criticam fervorosamente os grandes empresários brasileiros, todos eles adeptos de um subsidio e de um protecionismo estatal. A redução (ou, melhor ainda, a extinção) do estado é a única coisa que deixaria essa turma mais esperta e apta a fornecer bons serviços.

Não confunda livre mercado com ideologia pró-empresário. O livre mercado, na realidade, é a ideologia que mais fustiga empresários, pois em um livre mercado só ganha dinheiro quem trabalha muito e oferta bons serviços.

Domine melhor seus conceitos antes de sair agredindo os outros.

Abraços!

Responder
Jonas 29/03/2013 06:41:01

"Se o estado não tivesse esse poder de definir quem entra no mercado, você e eu poderíamos amanhã ofertar nossos serviços. No entanto, experimento fazer isso e veja o que irá acontecer com você. O estado manda você para a cadeia!"

Você fala como se não existissem máfias ou milícias fora de um Estado. Novamente, o conto de fadas imaginário ancap. Você e eu ainda NÃO poderíamos amanhã ofertar nossos serviços se, por exemplo, fossemos ameaçados de morte por concorrentes que sequer saberíamos quem seriam. E um abraço pra quem não tivesse uma "agência privada de proteção" poderosa o suficiente. Porque, sem nosso belo negócio, não teríamos como pagar por ela. O anarcocapitalismo acaba na primeira conta acima do previsto...


"Ademais, é claro que taxistas estão contentíssimos em ter o estado protegendo suas atividades. Ninguém gosta de concorrência, meu caro. Todo mundo quer ganhar o máximo possível com o menor esforço necessário. Um cartel regulado pelo governo faz justamente isso: impede a concorrência."

Quem os protege é um Estado CORRUPTO, não simplesmente um Estado. Cartel é crime, não é regra. Sua crítica vale, e muito, em relação a Estados corruptos somente


"Não há na história registro de um cartel voluntário que tenha durado."

Haha, não duraram... Justamente por causa de intervenção estatal? Quando corruptos são presos, não é a fada mágica do conto de fadas que vai lá fazer isso, é a polícia do Estado.


"Não confunda livre mercado com ideologia pró-empresário. O livre mercado, na realidade, é a ideologia que mais fustiga empresários, pois em um livre mercado só ganha dinheiro quem trabalha muito e oferta bons serviços."

Aham, da mesma forma, EM TEORIA, no socialismo todos são economicamente iguais. Nem nos países comunistas mais extremos você vai deixar de ver classes criadas dentro da própria estrutura daqueles Estados. Ou seja, na prática a teoria é outra. Se o conto de fadas socialista deu muito errado, não quero nem pensar como seria o outro extremo, esse conto de fadas ancap...

Domine melhor sua imaginação antes de sair dando lição de moral pretensamente racionalista nos outros.

Responder
Eleno 29/03/2013 11:54:24

"Você e eu ainda NÃO poderíamos amanhã ofertar nossos serviços se, por exemplo, fossemos ameaçados de morte por concorrentes que sequer saberíamos quem seriam."

Caramba! Este cenário que você teme ocorrer -- muito embora não forneça absolutamente nenhuma explicação sobre como ele poderia ocorrer em escala sequer estadual (máfias sempre foram um fenômeno localizado) -- já está ocorrendo hoje por obra e graça da máfia chamada estado!

Ou você é cego e se recusa a ver a realidade à sua frente, ou é apenas mais um apologista da máfia (locupleta-se com ela?).

"Quem os protege é um Estado CORRUPTO, não simplesmente um Estado. Cartel é crime, não é regra. Sua crítica vale, e muito, em relação a Estados corruptos somente"

Parabéns. Acabou de concluir que absolutamente todos os estados existentes na face da terra são corruptos. Afinal, não há um único estado que não pratique e proteja algum tipo de cartel.

Agora, quem aqui vive em um conto de fadas? Você defende estado, mas defende um que não seja corrupto e que não pratique cartéis. Só que tal estado nunca existiu na história (nem na Suíça). Como é o mundo aí em Oz?

"Haha, não duraram... Justamente por causa de intervenção estatal?"

Não, não houve intervenção estatal. Viu como você não domina história? Leia aqui os exemplos mais famosos cartéis e "monopólios" que se esfacelaram por causa do livre mercado.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=366

Nessa sua toada, com esse grau de conhecimento, daqui a pouco você vai dizer que o oligopólio da telefonia e da aviação brasileira é fruto total do mercado livre e desimpedido...

Responder
anônimo 29/03/2013 12:23:06

'Agora, quem aqui vive em um conto de fadas? Você defende estado, mas defende um que não seja corrupto e que não pratique cartéis. Só que tal estado nunca existiu'

Existiu sim, os EUA dos fouding fathers, o único experimento minarquista da história.

Responder
Mauro 29/03/2013 12:32:26

E o que houve com esse estado americano? Continua minarquista e sem praticar cartéis?!

Meu amigo, o estado americano é um continuum. Ele não se rompeu no século XIX e deu lugar a outro, não. É mesmo estado. Ele simplesmente cresceu, que é o que todos os estados fazem.

Responder
anônimo 29/03/2013 12:46:45

Foi por isso que eu respondi, os EUA dos fouding fathers.
Eu discordo quanto ao governo ser o mesmo. Do mesmo jeito que não existe nação, apenas indivíduos, 'governo' também é uma generalização. Os pais fundadores não tem nada a ver com o companheiro Obama, se eles estivessem vivos estariam lutando pela independência do Texas, como o Ron Paul.

Mas também existem outros países que poderíam servir de exemplo, a Suíça (apesar de alguns defeitos), Listenstaine, onde inclusive o rei de lá convidou o Hoppe...e aprendi isso aqui mesmo.

Responder
Renato Souza 01/04/2013 21:33:56

Mauro

Sociedades miniarquistas não são essencialmente instáveis. Foi a formação dos impérios que matou o sistema miniarquista (ou aproximadamente) de muitas sociedades.

Quanto aos EUA, foi a imensa e centenária guerra cultural que matou a cultura miniarquista naquele país. Há uma campanha permanente, para a qual virtualmente todas as universidades e grandes veículos de mídia foram cooptados, no sentido de destruir totalmente a Constituição americana, miniarquista por natureza. Eles realmente estão ganhando a guerra por um estado hipercontrolador, mas não foi de forma alguma uma situação natural. Foi planejado e executado com maestria, paciência e muito, muito dinheiro. Se um grande número de professores ou jornalista caíssem em sí, estudassem e procurassem entender o projeto dos pais fundadores, o plano de criar o estado totalitário iria pro água abaixo de uma vez.

Responder
Leonardo Couto 03/04/2013 15:26:00


O perigo de uma posição minarquista - a qual durante um tempo defendi - é que ela implica no consentimento com a ideia de que é lícito coagir. A existência de qualquer tipo de estado atual depende da aceitação da ideia de adesão forçada.

Ser contra os estados atuais não significa ser contra a existência de uma instituição organizadora de juízo, defesa e regras de convivência; significa ser contra o uso da força na filiação.

Não se pode violar a Soberania Individual inata a cada ser humano, provinda de sua natureza como tal. Cada indivíduo é, em si, um estado. Ele tem a soberania de decidir sobre seu caminho. Ele é livre para defender-se de agressão. Ele é livre para firmar acordos voluntários. E é livre para, se assim desejar, criar uma instituição com seus vizinhos, voluntariamente, para exercer as funções de defesa, de juízo e elaboração de regras de convivência.

Percebam que a existência voluntária desse "estado" não é algo ruim, é apenas uma manifestação de escolhas individuais livres. O poder dele literalmente decorreu da delegação dos poderes individuais de seus membros, ele existe e opera, portanto, por procuração. Ele não tem poderes em si, senão aqueles cuja posse, não a propriedade, foi a ele cedida por cada membro. Ele é um Estado Procuratório, legítimo e voluntário.

Notem que a experiência de um estado "minarquista" poderia ocorrer nesse contexto, a diferença seria que cada um seria livre para decidir a quem delega seus poderes, se ele quiser delegar.

As palavras-chave são Filiação Voluntária, Soberania Individual e a legitimidade de um estado somente na qualidade de Estado Procuratório. A ausência de coerção (cracia) na definição de qualquer ordem (arquia) está presente na Acracia, que acredito ser a situação de plenitude do livre-arbítrio de cada indivíduo.

Vale acrescentar que o direito de autodefesa ou defesa altruísta a uma agressão ou a sua iminência diz respeito à vontade da vítima, não do agressor; não depende do consentimento do agressor.

Para terminar, digo que não é preciso concordar com a ética de Rothbard para ser contra os estados coercitivos, os estados atuais. Falo isso porque a minha teimosia em permanecer na posição minarquista era muito mais uma rejeição a ética rothbardiana do que uma aceitação dessa "cleptoapologética".

Responder
Anarcofobico 03/04/2013 15:48:40

O problema eu creio é achar que temos escolha. Nós não escolhemos onde nascer, não escolhemos nossos pais e, ainda assim, temos que nos submeter a eles. Isso é uma lei natural e não podemos ir contra essa lei. Imagine varios individuos vivendo com regras diferentes e microsistemas distintos, seria uma confusão! Um dos grandes problemas é que vcs querem dar o conceito de vcs sobre liberdade! Quem vai ditar o que é liberdade? Se alguém atentar contra a vida, quem poderá alegar que ele não poderia fazer isso pq é livre? Vcs responderão que ele interferiu na esfera da liberdade de outrem, mas não é exatamente isso que fazem os capitalistas? Oprimem e exploram empregados, que não têm escolha!

Responder
anônimo 03/04/2013 20:55:48

'O perigo de uma posição minarquista - a qual durante um tempo defendi - é que ela implica no consentimento com a ideia de que é lícito coagir. A existência de qualquer tipo de estado atual depende da aceitação da ideia de adesão forçada.'

Não necessariamente.Um estado minarquista pode ter poder apenas pra quem quiser ser cidadão dele, e não atrapalhar na hora que algum grupo resolver se separar.Esse era o estado mínimo que Mises defendia.

Responder
Leonardo Couto 03/04/2013 22:32:31


Anônimo, estava me referindo ao modelo atual de estado, que está vinculado à ideia de adesão forçada, e estava criticando a proposta de somente abrandar a atuação de uma entidade vil, até mesmo porque esse abrandamento não coloca a própria ideia de coerção na lixeira e tem problemas tanto de ordem moral e utilitária.

Mas o modelo que você citou, no qual há a possibilidade de secessão ( não só de grupos, mas individual, espero ) é voluntário, legítimo. Não há cracia (coerção), contudo há arquia (organização, manifestada voluntariamente na entidade estado).

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Vale dizer também que o uso de força defensiva é lícito mesmo para com não-membros, ou seja, independentemente de consentimento prévio. A explicação para isso está no fato de seus membros poderem se utilizar dela nessas circunstâncias - contra o consentimento do agressor (obviamente) -, e como o estado possui apenas aqueles direitos voluntariamente delegados por seus filiados (pois em si não têm direito algum), e este provavelmente seria um desses direitos delegados, então seria legítimo o uso de força defensiva contra uso ou iminência de uso de força agressora vinda de não-filiados.

Responder
Tiago Ramos da Silva 06/12/2013 18:49:00

Eleno,

podemos vislumbrar a ausência de Estado justamente no chamado "crime organizado".

Vamos à ideia do "Breaking Bad". Você decidiu "livremente" vender fabricar e vender drogas, de forma oculta e clandestina, obviamente. Resolveu ofertar isso nas ruas. Como não há Estado para lhe defender, não há polícia, nem judiciário. É a verdadeira anarquia. O que se espera? Livre concorrência? Hahaha... Os "donos" de cada ponto, os traficantes, são geralmente MONOPÓLIOS ou OLIGOPÓLIOS. Eles se impõem na força mesmo. Eles não querem competição.

No mundo imaginário dos anarquistas, qual seria a solução? Como um micro empreendedor entraria num mercado sem qualquer condição de contratar uma empresa de segurança para se defender?

Simplesmente o anarco-capitalismo é surreal e infactível. Já a minarquia é factível, tanto é que já existiu. Infelizmente, a tendência de quem está no poder é sempre querer mais poder! Ausência de poder, porém, nunca existiu e dificilmente existirá sem uma intervenção sobrenatural.

Responder
Renato Souza 31/03/2013 01:01:42

Juliano

Em parte concordo com a sua descrição, em parte discordo. Mas mesmo naquilo que concordo, não vejo algo que possa contraditar minha argumentação.

Responder
Angelo Viacava 26/03/2013 23:33:51

Um código de leis seria anti-ancap? De onde viriam as leis? Haveria leis pré-estabelecidas? Quem as faria? Leis pré-estabelecidas seriam anti-ancap, tendo em vista contratos privados?

Responder
Rafael 27/03/2013 01:08:28

A Ética da Liberdade

Responder
Claudio 26/03/2013 23:36:53

Tenho uma duvida. Em uma sociedade sem governo, o que impediria algumas industriais de atentarem contra o patrimonio "publico"? por exemplo: o que impediria uma usina nuclear de enterrar dejetos radioativos, contaminando o solo? Ou uma industria quimica de despejar residuos industriais em corpos da agua? Uma vez que os produtos das empresas tem precos e qualidade competitiva, qual seria o incentivo para as industrias em cuidar do meio ambiente?
Nao pensem que sou um desses fanaticos ambientais.
Gosto muito da ideia de extinguir o sistema de governo, mas infelizmente ha casos que nao consigo imaginar o funcionamento sem a presença de uma "forca" maior. Alguem sugere um artigo esclarecedor sobre o assunto?
Abracos

Responder
Mauro 26/03/2013 23:51:59

Item 8, que acabou de ser postado.

Leia-o e você concluirá que este seu temor não apenas é muito mais fácil de ocorrer no atual sistema, como seria quase que impossível de ocorrer no sistema ancap. Afinal, os custos para você subornar o proprietário da terra em que você quer despejar resíduos seriam altíssimos.

Responder
Carlos 28/03/2013 07:19:36

Meu caro, você por acaso tem noção do que seria um "valor altíssimo" para um suborno em uma situação como essa? Ou está apenas imaginando, imaginando, IMAGINANDO, como todo ancap adora fazer? Não parou pra pensar que um vizinho pobre vai aceitar subornos por valores muito baixos de vizinho rico?

"O anarcocapitalismo acaba na primeira treta que o anarcocapitalista tem com outro anarcocapitalista mais forte." - anônimo

Responder
Mauro 29/03/2013 12:00:03

Ué, e daí? Quer dizer então que se eu aceitar que joguem lixo no meu quintal, vossa excelência vai me proibir? Vai ditar agora o que eu posso ou não posso fazer com minha propriedade?

Vai querer ditar também o que posso fazer na minha cama? Cai fora, totalitário.

Responder
anônimo 29/03/2013 12:18:37

Mauro, ou seja,você acabou de falar que o terreno é seu e você faz o que quiser com ele, inclusive enterrar lixo radiativo.
Então a pergunta do Claudio está respondida.

Responder
Mauro 29/03/2013 12:31:34

Claro! Eu vou querer sim que enterrem lixo radioativo no meu quintal! Aliás, não só eu como qualquer pessoa pobre, né?

Lixo radioativo sempre foi despejado hoje em terrenos baldios e com a total proteção do estado. Acorda.

(Eu estava me referindo a outros dejetos. E estava respondendo ao Carlos, que em momento algum falou de lixo radioativo).

Responder
anônimo 29/03/2013 12:49:47

Você estava respondendo ao Carlos, que estava se referindo à pergunta do Claudio, que era sobre lixo radiativo, entre outras coisas.
E sim, aqui no mundo real tem gente pobre e ignorante que vai aceitar enterrar lixo radiativo no seu terreno por qualquer merreca.

'isso também acontece com o governo' E daí? Um erro não justifica outro.

Responder
Wagner 04/04/2013 12:38:45

"'isso também acontece com o governo' E daí? Um erro não justifica outro."

Eu acho engraçado, quando totalitários vão comparar o estatismo com o anarco-capitalismo eles teimam em comparar um estado utópico que de alguma forma fascinante supre todas as necessidades da população, coisa que nunca existiu, com uma sociedade ancap em um caos pós-apocalíptico, com gangues e guerrilhas assassinando pessoas livremente pelas ruas, parem de se iludir.


Se uma empresa quiser enterrar lixo radioativo no chão cabe a parte interessada em não ter lixo radioativo naquele local lutar contra essa empresa. O que vocês não podem é ficar com essa ideia de que o estado é necessário para teoricamente resolver problemas que na prática ele não resolve.
Vocês apoiam roubo e agressão pra proteger uma utopia, um estado que nunca existiu... vocês são manipulados e nem percebem, o político promete proteger o meio ambiente, rouba o seu dinheiro pra isso, compra um jatinho novo com o seu trabalho e ainda recebe propina da empresa que quer enterrar lixo tóxico no chão, no fim vocês ficam aplaudindo e idealizando um futuro em que esse sistema vai ser perfeito... é muita idiotice.

Responder
anônimo 27/03/2013 00:07:48

Eu ainda tenho um pé atrás com essa idéia de anarquismo. Por exemplo, o pessoal fala em "desestatização das ruas". Inclusive Rothbard diz em seu texto:

"No primeiro tipo, todos os moradores de um determinado quarteirão podem se tornar os proprietários conjuntos daquele quarteirão, formando por exemplo a "Companhia do Quarteirão A".

E cada quarteirão vai ter sua própria companhia de água e esgoto e energia elétrica né?

E a infraestrutura só vai chegar na "companhia do quarteirão A" se tiver autorização expressa das companhias dos quarteirões ao lado, que podem muito bem não querer passar por transtornos para adiantar a infraestrutura pros vizinhos, eles que se fodam.

E o aconteceria se estes proprietários das ruas proibissem o livre transito de pessoas? E se eles impedissem a passagem de bombeiros e ambulâncias?

Definitivamente nao tem como isso dar certo. Ao menos que privatizassem cidades como queriam fazer em Honduras..

Responder
Marcus Benites 27/03/2013 00:37:11

Vocês têm que se decidir: ou capitalistas são monstros malvados que querem ganhar dinheiro a qualquer custo, ou são imbecis que rasgam dinheiro. Por que alguém deixaria de lucrar permitindo serviços em seu quarteirão, VENDENDO isso para o quarteirão vizinho? A prática me fez perceber que o dono de uma empresa não sai por aí jogando fora sua produção, nem um dono de carro pega um martelo e destrói seu veículo, tampouco o dono de uma casa a desvaloriza porque quer... Também nunca vi alguém achar uma mina de ouro embaixo do seu solo e não explorá-la. Mas tá bom: indo contra a lógica, o quarteirão vizinho deixaria de ganhar dinheiro e prejudicaria o outro. Depois mostraria a língua e faria caretas. Eu também, se achar um diamente no meu quintal, jogarei a pedra, naturalmente, no lixo. Serei um adepto desse tipo de "lógica" também. O que me impede de jogar o diamante no lixo? Nada. Queimar dinheiro sempre foi uma característica do homem.

Responder
anônimo 27/03/2013 14:00:27

'Por que alguém deixaria de lucrar permitindo serviços em seu quarteirão, VENDENDO isso para o quarteirão vizinho? '

Porque os vizinhos não tem dinheiro pra comprar

Responder
Marcus Benites 27/03/2013 23:33:12

Alguém empresta e cobra juros. Eles trabalham bastante (ou há algum mal nisso? Hoje, no mundo, parece que há), poupam, fazem um esforço pra consumir só o necessário e pagam. Uma vez que eles não terão 40% do salário roubado por alguém, que a moeda poupada não irá se desvalorizar absurdamente em menos de dez anos, que não terão que enfrentar inflação e que os preços estarão mais baratos pela não regulamentação e consequente concorrência real de livre mercado. Terão melhor serviço do que aquele que o estado hoje lhes oferece e pagarão menos por isso. É simples questão de lógica, não de romantismo.

Responder
Carlos 28/03/2013 07:25:34

Não é simples questão de lógica, apenas pra quem tem pouca capacidade lógica. Todo esse teu cenário imaginativo (cita porcentagens de roubo do Estado, mas apenas comenta ligeiramente os meros "juros" de quem emprestaria dinheiro) resume-se em uma sentença: troca de senhor. O indivíduo deixa de ser um servo do Estado para ser um servo de um sem-número de empresas privadas, com poder descentralizado mais igualmente opressor sobre o indivíduo em questão. A "liberdade" ancap é pura e simplesmente a liberdade do servo trocar de senhor, não uma liberdade real. Boa sorte com essa espécie de multi-estatismo que vocês estão lutando pra conquistar...

Responder
Renato Souza 02/04/2013 20:48:38

Carlos

Então você concorda que o estado é um ente opressor, e a população seus servos (eu diria realmente escravos). Imagine que não deixe de existir governo, mas que seu escopo seja diminuido. No passado, já se fez muito em associações voluntárias de pessoas. Se estas reassumissem parte do que agora é feito pelo governo, este perderia parte de de suas funções. Quanto mais se experimentasse nesse sentido, mais seria feito. Um caminho inverso ao que se tem trilhado. Esse não seria um mundo mais livre que o atual?

Responder
anônimo 28/03/2013 22:00:59

Ótimo. Só faltou vc responder se eles tem condições de pagar o emprestimo.

Responder
anônimo 29/03/2013 12:36:09

Então se o problema for 'eles não vão ter dinheiro' a solução é achar um jeito de falar que eles vão ter dinheiro.É como perguntar 'o que acontece se o seu carro bater no meu?' 'ah mas ele não vai bater' 'Mas não foi isso que eu perguntei...'

Responder
João 27/03/2013 12:02:26

Este era o tipo de artigo que eu precisava, primeiro pra fundamentar minha convicção, e segundo para ter um "roteiro" de explicações a quem não está familiarizado com o ancap.

Parabéns!

ps: o maior medo das pessoas é o medo da plena responsabilidade.

Responder
agricultor 27/03/2013 13:03:13

Pensem na Dona Rosinalva do sertaozinho com seus 17 filhos que recebe seu Bolsa Família. No anarcocapitalismo nem bolsa família ela teria mais. Claro que a situação da Dona Rosinalva melhoraria se, em vez de bolsa familia, o governador do seu Estado e o prefeito de sua cidade investissem em projetos de irrigação para amenizar o problema da seca, de forma que estas pessoas tenham condições de viver com o suor do próprio trabalho sem precisar de bolsa familia. Com obras de irrigação, os nordestinos do sertaozinho não precisariam de bolsa família, pois teriam condições de plantar para a subsistência, ou seja, poderia sobreviver com o suor do próprio trabalho... E depois dizem que obras públicas não são necessárias...

Responder
Andre Canine 27/03/2013 14:17:08

Perfeito! Faltou apenas citar de onde virá o dinheiro

Responder
Wagner 27/03/2013 14:23:03

Justamente, ninguém tem o direito de roubar de uma pessoa pra dar pra outra.
"É fácil ser socialista com o dinheiro dos outros".

Responder
Anarcofobico 27/03/2013 14:45:04

O governo está ajudando essas pessoas pobres! Onde está o coração de vcs? Não querem ver os pobres sair da pobreza? Todos tem o dever legal de financiar a sociedade, não se trata de roubo. Roubo é o que fazem os patrões aos nos obrigarem a trabalhar por um salário injusto, enquanto voam na primeira classe. Somos nós, os empregados, que produzimos! Aliás, fica aqui o elogio pela nova lei das empregadas domésticas que, embora tenha causado uma demissão em massa, com certeza foi mto melhor para elas! Vejam: g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/03/sindicato-das-domesticas-preve-mais-demissoes-em-pernambuco.html

Responder
Renato Souza 31/03/2013 01:32:06

Gostei do humor.

Responder
anônimo 28/03/2013 21:58:44

O dinheiro viria do próprio cidadão nordestino que paga seus impostos, já que quem faria tais obras de irrigação seriam os governadoras, as prefeituras e as sub-prefeituras...

Responder
Luciano 05/02/2014 01:36:27

No anarcocapitalismo os próprios interessados encontrariam uma forma de realizar tais obras. Se o estado é tão bom, por que não as fez?

Responder
Daniel J. 27/03/2013 14:20:55

Achei muito pobres os argumentos do texto. Citar uma epoca na Islandia (uma comunidade minuscula e isolada)como exemplo de fazer a justiça sem Estado e uma lei mercantil na idade media como exemplo de fazer a Lei sem Estado são exemplos irrisórios e pífios, totalmente fora da curva normal.

Não vi ninguem rebater convincentemente Locke, Ayn Randt e o Renato Souza.

Responder
Fellipe 28/03/2013 11:10:05

Você pode achar o que quiser, isso nao refuta os argumentos do artigo.

Responder
anônimo 27/03/2013 14:22:35

Alguns ancaps tem o seguinte argumento: o que impediria uma polícia privada superpoderosa de virar um governo, se quiser? O que impediria é que as pessoas não iam jamais aceitar isso, iriam boicotar esse governo de todas as formas, tanto com a resistência pacífica estilo Maatma Ghandi como pegando em armas e derramando sangue.
Ou seja, em última instância é a consciência e a coragem dos homens que impediria que essa gangue virasse um governo.
Agora, o que os ancaps não explicam é porque é que exatamente essa consciência e essa coragem não iriam funcionar como ferramenta para manter um governo mínimo. Sim, um gov mínimo vai querer crescer, mas e daí? Querer não é poder. Principalmente com as pessoas dispostas a ter exatamente o mesmo nível de resistência.

Responder
Rovison 27/03/2013 15:37:48

Exatamente. Como os anarcocapitalistas respondem à essa questão?

Responder
Ricardo 27/03/2013 15:45:51

Caramba, esse é exatamente o item 10 do artigo!

Ao menos se deem ao trabalho de ler as coisas antes de criticar. Pela madrugada...

Responder
rodrigo 27/03/2013 22:53:18

Sinto muito mas o item 10 do artigo não aborda esse ponto. O item 10 diz o que poderia ocorrer se fosse formado um cartel com varias empresas que concorreriam entre si em algum momento e que essa concorrência por si só desestabilizaria o cartel. O item 10 não diz nada sobre uma unica empresa ao longo de um determinado tempo e devido a sua competência conseguir se torna incrivelmente grande ao ponto ter poder para eliminar qualquer especie de concorrência e dessa forma impor as suas leis a todos.

Responder
Ricardo 28/03/2013 02:01:14

Ah, entendi. A sua preocupação é que, após algumas décadas, a coisa volte a ser um pouquinho parecida com o que já é hoje!

É, faz sentido....

Esse seu raciocínio nada mais é do que aquele antiqüíssimo mito do monopólio mundial, algo que nunca existiu na prática. E por um motivo óbvio: economias de escala. Isso foi explicado em detalhes neste artigo. À medida que uma empresa vai crescendo, ela vai inevitavelmente se tornando mais ineficiente, pois seus custos vão crescendo. Isso abre espaço para o surgimento de uma concorrência mais eficiente, que opere com custos menores. É impossível uma empresa fazer uma dominação mundial.

No que mais, não se esqueça que este arranjo anárquico não é de modo algum uma "imposição" a todo um país. Ele sempre começa em nível municipal. Aliás, em nível de bairros. Se, por um acaso, uma empresa assumisse estas características em Alphaville, você poderia perfeitamente se mudar para Santo André.

Responder
anônimo 28/03/2013 10:59:34

Não, ninguém entendeu minha pergunta.
Imaginem o seguinte: num lugar ancap aparece um invasor, cada morador, consciente e educado, pega seu rifle e todo mundo junto expulsa o invasor.
A pergunta era: porque é que essa mesma resistência não poderia funcionar pra garantir o governo mínimo?

Responder
Wagner 28/03/2013 11:27:38

Porque uma invasão é algo chocante e rápido; Um governo mínimo vai crescendo devagar, o povo vai trocando uma pequena liberdade por uma grande promessa e de pouco em pouco está todo mundo escravizado.

Veja os EUA, se fosse dar um salto de como era o governo na fundação do país para agora eles sentiriam que realmente são escravos, mas como a mudança de minarquismo para escravidão foi lenta e gradual ninguém reclamou.

Responder
anônimo 29/03/2013 12:54:53

Wagner, sendo a população inteligente e educada ela vai saber identificar qualquer tentativa de crescimento, grande ou pequena. E não foi isso que aconteceu na guerra da secessão? O sul tentou se separar de um estado que tentava crescer gradualmente e que estava virando algo opressor, para eles.

Responder
YBS 01/04/2013 22:28:17

Até porque a mudança a que o Sul seria submetido era BEM PEQUENININHA, né? Quase nada...

Era uma mudança gigante e por isso que com garra esforçaram-se para que fosse evitada. Agora imagine transportar um yankee daquela época para os dias de hoje! Claustrofobia é o nome.

Responder
anônimo 03/04/2013 11:03:16

'Até porque a mudança a que o Sul seria submetido era BEM PEQUENININHA, né? Quase nada...'

Sim foi uma mudança grande, mas isso não significa que uma população rica e educada não fosse capaz de identificar uma mudança pequena, ou identificar a intenção por trás dela.
Vale lembrar que os EUA morreram pela guerra cultural, e não apenas pela ganância do governo em crescer.

Responder
João Marcos Theodoro 28/03/2013 22:15:19

Há uma relevante diferença entre um governo mínimo e a força de uma superpolícia. O governo tem o consentimento da maioria de seus súditos, constituída de tolos, enquanto a superpolícia, se quisesse crescer e dominar tudo, seria vista como uma organização autoritária maléfica. Isso faria com que outras forças a combatessem. Além disso, empreender a conquista de uma nação demandaria muitos recursos, já que se teria de lutar contra as ditas forças contrárias. Assim, para essa superpolícia, seria mais benéfico continuar oferecendo seu bom serviço e enriquecendo-se. Ainda há um outro empecilho para o crescimento de tal organização: o problema do cálculo econômico, o qual Murray Rothbard mostrou poder se aplicar também a empresas que cresçam de modo a dominar o mercado.

Responder
anônimo 01/04/2013 20:57:55

'enquanto a superpolícia, se quisesse crescer e dominar tudo, seria vista como uma organização autoritária maléfica.'

Não se a maioria já for cliente dela antes.

Responder
Renato Souza 03/04/2013 22:32:42

Esta é uma questão que não deveria sucitar dúvidas, porque é respondida pela história.

Governos estrangeiros dominadores não são vistos como legítimos por ninguém fora de seu próprio local de origem (e muitas vezes contestados até alí). Entretanto, isso não impediu que governantes, muitas vezes de países relativamente pequenos, expandissem impérios. Pessoas se juntam com a finalidade de obter ganhos ou por medo. O utilitarísmo leva as pessoas a apostarem (e apoirem) nos mais fortes, e muitas vezes nos mais brutais, fortalecendo-os ainda mais. Isso não aconteceu só com governos de sociedades sedentárias, mas também com tribos nómades, que acabaram formando vastos impérios. Milícias privadas facilmente podem se tornar exércitos mercenários ou "tribos" belicistas. Alguém dirá que nesse ponto será expulsa do mercado como vendedora confiável de serviços de segurança. Será mesmo, mas e daí? Se eles podem se tornar mais ricos como dominadores ou piratas, talvez prefiram isso a serem comerciantes honestos. Grupos muito fortes serão tentados a isso. Alguns cairão na tentação, e podem obter uma vantagem a mais sendo mais brutais.

Responder
João Marcos T. Theodoro 07/04/2013 22:47:11

Deve-se considerar que a população (no ancap) poderá estar muito bem armada, ao contrário das populações dominadas no passado. Além disso, acho muito difícil que uma milícia tenha dinheiro suficiente para sustentar sua megalomania napoleônica.

Responder
anônimo 07/04/2013 23:30:17

Uma hora vocês falam que grandes armas como caças, tanques, etc, só existem por causa do governo (e consequentemente, são coisas não acessível pros civis), depois falam que qualquer um vai ter um troço desses pra peitar a invasão, pô, se decidam.

Responder
João Marcos Theodoro 09/04/2013 03:50:48

Esqueci-me de dizer que os governantes invasores do passado, além de terem lutado contra populações desarmadas, eram financiados por seus súditos pagadores de impostos, e não por seu próprio dinheiro de trabalho.

Anônimo, pelo que me diz minha memória, não anuí que ninguém me presentasse, de vez que não concordo necessariamente sempre com o que dizem outros anarcocapitalistas. Eu não acho que alguém investirá em jatos e tanques de guerra, mas certamente metralhadoras e armas mais leves existirão. Possivelmente isso já bastaria para parar uma supermilícia conquistadora.

Responder
Renato Souza 20/06/2013 19:03:37

Exércitos invasores do passado geralmente eram financiados pelos próprios butins de suas conquistas anteriores, muito mais do que por impostos das populações de seus países de origem. Haviam casos em que não cobravam imposto nenhum em seu local de origem. Pelo menos era assim antes da idade moderna...

Responder
anônimo 27/03/2013 14:31:26

'eu sou processado por você. Perco. Apelo. Perco de novo. Apelo para o Supremo Tribunal. Eles ficam contra mim. Faço lobby no Congresso para mudarem as leis para que elas agora me favoreçam. Eles não mudam. Tento então criar um movimento para conseguir fazer uma emenda à Constituição. Não dá certo. Tento então convencer as pessoas a elegerem novos membros para o Congresso que irão votar a favor da emenda. Não consigo. Tento de novo dali a alguns anos. E assim por diante. Observem que, de certa forma, posso continuar para sempre. A contenda não está resolvida.'

O que parece é justamente o contrário, está resolvida e você que não entendeu, fica gastando dinheiro e tempo a toa.

Responder
Renato Souza 27/03/2013 21:06:28

Rafael

Você disse: "Não necessariamente. A própria "tribo" poderia ter estabelecido uma liderança monopolística voluntariamente, mas tão logo essa liderança comece a agir coercivamente - e isso pode levar gerações - contra o seu povo - seja através de impostos, guerras, etc - tem-se o surgimento de um governo."

Penso que a própria existência das lideranças monopolísticas é uma coerção. Veja bem, se a tribo escolhe um juiz, e você discorda da escolha desse juiz, se você for julgado por ele, esse julgamento é uma coerção. O próprio monopolio é uma coerção. Mas eles não escolheram líderes monopolísticos porque odeiam a criação privada de produtos e serviços. Eles escolheram líderes monopolísticos porque não viram viabilidade de ser de outra forma.

Responder
Rafael 27/03/2013 22:16:37

Vou completar o que eu disse: "A própria tribo poderia ter estabelecido uma liderança monopolística VOLUNTARIAMENTE", ou seja, TODAS as pessoas poderiam ter aceitado obedecer as ordens e julgamentos dessa liderança. Porém, tão logo a liberdade de quem não consentiu a ser subjugado for atacada, tem-se uma liderança monopolística coercitiva e, portanto, um governo.


"Veja bem, se a tribo escolhe um juiz, e você discorda da escolha desse juiz, se você for julgado por ele, esse julgamento é uma coerção. O próprio monopolio é uma coerção. Mas eles não escolheram líderes monopolísticos porque odeiam a criação privada de produtos e serviços. Eles escolheram líderes monopolísticos porque não viram viabilidade de ser de outra forma."

Concordo. Só não entendo como você chega na sua conclusão: se sociedades tribais não conseguiram viabilizar um sistema não coercitivo de proteção e justiça, logo isso é impossível de ser obtido.

O fato de um sistema voluntário de proteção e justiça nunca ter existido ocorre, na minha opinião, porque só a pouco tempo surgiu uma teoria moral e econômica sólida - como a libertária e a economia austríaca - a ponto de rejeitar todas as soluções simples e mágicas do estado para os diversos problemas das sociedades. Pelo mesmo motivo, a escravidão só acabou a alguns séculos atrás.

Talvez eu tenha deixado alguma coisa em aberto de novo, peço desculpas, pois tenho pouco tempo para responder.

Agradeço pela resposta e pelo debate.

Responder
anônimo 29/03/2013 12:25:15

Acho que não é só uma questão moral, a dureza das condições de vida nas sociedades primitivas meio que forçam o embrutecimento do homem

Responder
Renato Souza 31/03/2013 00:49:56

Rafael

Não existiam teorias complicadas (ou mesmo teoria nenhuma) sobre muitos aspectos da sociedade. Entretanto, em muitos casos, a produção de todos os outros produtos e serviços era deixada a cargo de particulares. Eles não precisavam de alguma teoria para "deixar a cargo de particulares", simplesmente isso acontecia. As pessoas não aceitavam que houvesse um monopolista na produção de flexas, ou um grupo monopolista nas caçadas, ou um monopolista na produção de tijolos ou de blocos de pedras, ou educação ou dinheiro ou saúde. Outros monopólios só surgiram numa época posterior, quando surgiram os impérios. Então não acredito que foi a falta de uma teoria que evitou o monopólio apenas para aqueles dois serviços.

Você tem razão em afirmar que o simples fato de ninguém, por milênios, conseguiu uma solução não monopolística para para a produção de defesa ou justiça, não prova que é de todo impossível que essa solução exista. Tanto assim que os islandeses aparentemente encontraram uma solução (e voluntariamente a abandonaram). Mas notemos que essa solução será viável dentro da estrutura social dos islandeses daquela época. Não temos como saber se seria viável em alguma outra estrutura social, a não ser se e quando for tentada.

Noto que os islandeses vivem numa ilha um tanto isolada, que tinha valor estratégico nulo, e sem muitos atrativos econômicos. Ataques militares do mar contra a terra são particularmente complicados, se a defesa for razoável. Provavelmente não muitos possíveis inimigos se sentiam tentados a arriscar um ataque difícil contra uma nação fundada por piratas, por tão pouco. Pode-se dizer que encontraram um solução não monopolística (depois rejeitada por eles mesmos) para a prestação de serviços judiciais. Agora, imagine esses mesmos islandeses vivendo todos numa cidade (e vilas e ricos campos ao redor dessa cidade) no meio da Europa ou da China daquele tempo, e que se proponha a eles a seguinte questão: Protejam a cidade do ataque dos inimigos, sem jamais recorrer a uma chefia monopolística.

Responder
Fernando Soares 27/03/2013 23:54:39

O conceito de lei policêntrica é incompatível com a ética da liberdade, pelo menos como muitas pessoas o estão defendendo. Do jeito que falam, seria justo haver leis antidrogas etc, qualquer tipo de lei, apenas porque há uma demanda por leis antidrogas. Qual é o sentido disso? Isso não seria um desrespeito à propriedade de quem quer usar drogas?

Em minha opinião, a lei seria simplesmente descoberta através da razão: não é necessário nem justo um mercado de leis, com agências espionando as casas das pessoas.

Responder
anônimo 28/03/2013 07:33:21

A grande maioria dos comentários aqui recorrem num falácia típica: dois errados [não] fazem um certo.

Se a defesa do anarcocapitalismo fica o tempo todo recorrendo a argumentos do tipo "com um Estado, problema X é ainda maior", "não há garantias de que o ancap funcione, mas já é garantido que o Estado não funciona", então isso significa que tanto estatismo quanto anarcocapitalismo NÃO SÃO recomendáveis. Não quero um sistema "menos pior", quero um que me dê garantia de funcionamento. Se esse sistema ainda não existe, vou continuar procurando e não simplesmente aceitar uma solução insuficiente, por mais que seja a melhor conhecida até hoje.

E que bom que não existem só essas duas opções (estatismo e anarcocapitalismo), como se a sociedade só vivesse de extremos...

Responder
Eduardo Bellani 02/04/2013 02:54:03

Qual a outra opção?

Responder
Fellipe 02/04/2013 10:36:43

Apesar de meus parcos conhecimentos na EA e no libertarianimso, vou me arriscar a dar meu palpite.

Ninguém disse que o anarcocapitalismo é o "menos pior". É só o logicamente melhor. Você quem está distorcendo o argumento. Só porque não existe a comprovação teorica na prática não quer dizer que não vai funcionar. Apesar de não existir sociedade anarcocapitalista na prática existe dados reais que mostram que quanto mais livre é a economia e a sociedade (ou mesmo intrusivo é o estado na economia e na sociedade) mais próspera e pacífica é esta sociedade. No limite a situação de maior liberdade possível é o anarcocapitalismo (ausencia de coerção estatal). No site da Heritage Foundation você pode ver a comparação entre os países.

Já para o estatismo e socialismo existe comprovação na teorica e prática de que o estado NÃO FUNCIONA como protetor das liberdades e da propriedade privada, e quanto maior a presença do estado na economia e na sociedade pior é a situação.

Eu prefiro me arriscar e buscar um modelo que aprioristicamente faz todo o sentido como o único modelo que pode defender as liberdadees individuais e a propriedade privade de forma plena do que insistir em um modelo que já se mostrou ineficaz. Alguns leitores dão o exemplo da minarquia dos EUA dos founding fathers como exemplo de sucesso do estado, mas ignoram o fato de que no longo prazo este modelo não se sustenta.

Acredito que sua confusão e a de vários leitores e debatedores está no apriorismo metodológico. A EA (escola de ECONOMIA Austríaca) tem a solidez que tem por conta do apriorismo metodológico de Mises, e o anarcocapitalismo é a vertente do libertarianismo (filosofia política) que leva as conclusões da EA à sua lógica plena.

Segue algumas sugestões de leitura que podem ajudar a esclarecer:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1508
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1042
www.mises.org.br/Article.aspx?id=644
www.mises.org.br/Article.aspx?id=48

Espero ter ajudado.

Abs

Responder
anônimo 02/04/2013 11:49:39

'existe dados reais que mostram que quanto mais livre é a economia e a sociedade (ou mesmo intrusivo é o estado na economia e na sociedade) mais próspera e pacífica é esta sociedade. '

Nada disso serve pra concluir que o anarco capitalismo funcionaria, todos esses exemplos comparam países com governo, em que o governo ainda tem as funções de polícia e justiça, sendo que a única diferença é o grau de intervenção em outros setores da economia

Responder
Fellipe 02/04/2013 13:10:44

Anonimo,

Se você está tão certo que o anarcocapitalismo não funcionaria, qual modelo funcionaria então?

Responder
anônimo 02/04/2013 15:10:54

Eu não disse que não funcionaria, disse que esses exemplos não servem pra concluir isso.

Responder
Fellipe 02/04/2013 15:53:01

Anonimo,

"Nada disso serve pra concluir que o anarco capitalismo funcionaria, todos esses exemplos comparam países com governo, em que o governo ainda tem as funções de polícia e justiça, sendo que a única diferença é o grau de intervenção em outros setores da economia."

Sim, você está afirmando que na sua opiniao nao funcionaria. E já deixou explicito no seu primeiro post que na sua opinião o anarcocapitalismo é "menos pior".

Então devolvo novamente a pergunta, qual modelo funcionaria? Nao precisa ser nenhum modelo conhecido, pode formula-lo agora se quiser.

Abs

Responder
anônimo 02/04/2013 16:25:26

'Sim, você está afirmando que na sua opiniao nao funcionaria. '

OMG... será que eu vou precisar desenhar? Se a característica principal do anarco capitalismo é polícia e justiça serem privadas, e nenhum desses exemplos tem isso, então é claro que não dá pra concluir isso [/b]a partir desses exemplos[b].

E o fato de não ser possível concluir a partir disso NÃO significa que seja impossível.

Se você tem um carro e não sabe se ele funciona ou não, você não descobre se ele funciona analisando outros carros que não tem nada a ver com ele. E nada disso significa que ele NÃO vai funcionar, significa apenas que não dá pra concluir nada desse jeito.
Que coisa difícil...

Responder
Fellipe 02/04/2013 19:34:33

Anonimo,

Vamos parar de perder tempo com discussão infrutífera, se vc disse ou não disse algo.

Sendo bem claro, perguntei qual sua alternativa e você não respondeu. O debate está então encerrado.

Você disse sobre modelos políticos: "quero um que me dê garantia de funcionamento", e isso não existe, então boa sorte na sua busca por algo "garantido".

Abs,

Responder
Renato Souza 02/04/2013 19:24:35

Bom, vou me intrometer nessa discussão, se eu não estiver atrapalhando.

Não creio que haja algum modelo que "funcione" no sentido de ser perfeito. Segundo me parece, o máximo que podemos fazer é buscar as soluções melhores e evitar as piores. Coletivismos, com um estado totalitário, que controla tudo, são sistemas desgraçados. Então a primeira regra para vivermos melhor parece ser ficar longe desse tipo de sistema. Há um longo histórico de sucesso de sistemas mais leves, então a "solução" parece ser ir tentando resolver os problemas sempre através de soluções leves, aplicando sempre o princípio da subsidiaridade, e estando sempre atento às lições da história.

Creio que muito mais do que trabalhar por um sistema ideal (que pode nunca se concretizar, ou nem existir) o melhor é buscar convencer as pessoas a mudar a situação atual, aspecto por aspecto, principalmente naquilo em que temos experiências históricas mostrando o que funciona melhor e o que é ruim. Há coisas a respeito das quais existe já uma base legal sobre a qual trabalhar. Por exemplo, há um acordo da OEA, assinado pelo Brasil, que determina que a educação das crianças deve respeitar as crenças e valores dos pais. Acordos internacionais ratificados pelo legislativo, segundo a doutrina, são superiores às leis ordinárias (mais não superiores à constituição). Ora isso é um gancho imenso para confrontar na justiça as normas do MEC e mesmo as leis ordinárias, para conquistar passo a passo mais liberdade no campo da educação. Os coletivistas sempre usam ganchos legais (mesmo fictícios) para alargar seu espaço de manobra, e constantemente obtém vantagens com essa estratégia, mas não vejo os inimigos do coletivismo agindo dessa forma prática e inteligente.

Outro exemplo é a nossa constituição, que consagra em tese o federalismo. Ora, isso daria um campo de manobra maravilhoso para os inimigos do coletivismo, para confrontar item a item todas as agressões do governo federal contra os entes federados, mas não vejo ninguém fazendo isso.

Coletivistas estão falando e trabalhando. Liberais estão apenas falando. É evidente quem vencerá se isso continuar assim. Advogados, grupos de pressão, "qualificação" do debate, ocupação da mídia e da academia, são armas usadas quase que só pelos coletivistas.

Responder
Fellipe 02/04/2013 20:05:13

Renato,

Seja bem-vindo à discussão.

Concordo plenamente com seu comentário, acredito que nós que acreditamos na causa da liberdade temos que buscar um meio de agir unidos contra o domínio cultural da esquerda independentemente de qual vertente acreditamos. É a única maneira de melhorarmos nossa situação. Eu ainda estou tentando entender qual(is) seria(m) o(s) melhor(es) front(s) para atuar mas confesso que ainda não consegui achar uma forma de ser ouvido, parece que sempre estamos falando com portas quando tentamos passar conceitos da EA ou libertarianismo.

Infelizmente a discussão anterior tomou uma proporção incrível. Como nosso colega anonimo parecia que veio aqui somente tumultuar e sair sem apresentar argumentos, pedi a ele que já que acreditava que o anarcocapitalismo e também o estatismo não "funcionavam" (seja lá o que isso quer dizer pra ele) pedi que que ele propusesse um modelo que "funcione", mas não obtive resposta lamentavelmente.

Abraços,

Responder
Eduardo Bellani 02/04/2013 20:09:11

Renato,

O anônimo estava criticando o modelo do anarco capitalismo. Foi lhe perguntado qual a alternativa que ele sugere que é 'superior', em termos de modelo, e ele não apresentou nada. Você até apresentou várias coisas, mas nenhuma em termos de *modelo*, e sim em termos de implementação, que é uma discussão completamente diferente. Logo, sua contribuição pra esse debate específico é nula.

Abraços.

Responder
anônimo 02/04/2013 20:29:27

O debate está encerrado? Pra mim ele nem começou.
Não apresentei nenhuma alternativa porque eu sou sincero o suficiente pra dizer que não sei.O que eu sei é que não tem muito sentido esse negócio de 'uma opção não resolve, a outra também não, LOGO,vamos ficar com a primeira'.

Responder
Fellipe 03/04/2013 00:24:05

Anônimo,

Ja que você insiste, vamos lá...

Primeiramente parabéns. Assumir a ignorância, no sentido de ignorar, desconhecer, é o primeiro passo. Eu tb passei por isso. O próximo passo é baixar a bola e parar de agredir gratuitamente os outros. Já que vc voluntariamente assume que desconhece então fale menos e escute mais. Estude, no site do IMB há vários artigos que podem abrir seus olhos. De novo, eu tb passei por isso e demorei mais de um ano para realmente entender os conceitos e a lógica contida nos vastos conhecimentos transmitidos por estas bandas tamanha é a doutrinação estatal. A prisão está na sua mente, é vc quem tem que abri-la. Eu por exemplo ainda me considero um iniciante, mas enxergo avanços.

Boa sorte anônimo, a caminhada rumo ao conhecimento é longa mas prazerosa. Se vc está sendo sincero em dizer que quer buscar conhecimento, o tempo vai passar rápido.

Abs

Responder
anônimo 03/04/2013 11:09:36

Felipe
Já estou há uns três anos lendo de tudo por aqui.De fato, esse site abriu meus olhos pra muita coisa, principalmente quando o assunto é dinheiro, padrão ouro, etc.Mas tem umas partes que não dá pra engolir.

Responder
anônimo 04/04/2013 11:41:12

Pra não ficar em cima do muro, minha opinião atual sobre qual sistema seria o ideal: com as pessoas certas, qualquer um, com as pessoas erradas, nenhum.
Agora tem libertário aqui que defende escancarar as portas pra todo tipo de gente do mundo inteiro, claro que isso não vai dar certo.Mesmo sem welfare state, sem democracia, se você mora cercado de gente estúpida vai dar merda de um jeito ou de outro.Uma hora eles resolvem se juntar e dar uma de les miserables.
Vocês que são meio românticos de achar que um idiota que não é capaz de muita coisa além de trabalho braçal vai defender a liberdade e o capitalismo.

Responder
João Marcos Theodoro 20/04/2013 04:14:45

Anarcocapitalistas não são, em princípio, românticos. Não existe sistema socioeconômico que funcione perfeitamente, mas não é isso que os homens sensatos procuram. Estes procuram o sistema mais próspero e pacífico; este é o anarcocapitalismo. Romantismo é contar com a presença das "pessoas certas" na gestão da sociedade. Portanto, todos os estatistas são necessariamente românticos – ou burros.

Caso alguém tenha problemas quanto ao sistema de leis no anarcocapitalismo, recomendo estes vídeos de Hans-Hermann Hoppe e David Friedman.



Responder
anônimo 20/04/2013 11:12:51

'Romantismo é contar com a presença das "pessoas certas" na gestão da sociedade.'

E contar com as 'pessoas certas' nas justiça e polícia privada, isso não é romantismo né? Ou achar que todas as justiças privadas vão fazer um acordo pra evitar o 'se A rouba de B e cada um tem uma justiça diferente'...tb não é romantismo achar que exército de civis, amadores, vai conseguir vencer um exército profissional com soldados treinados e armas caríssimas, não é? E também não conta como romantismo achar que uma polícia privada superpoderosa não vai abusar do seu poder, sabendo que ninguém pode com ela.

Responder
anônimo 20/04/2013 13:08:30

Vocês condenam a minarquia falando que pessoas ruins vão estar em posições chave do sistema que a sustenta, como se a mesma coisa não pudesse acontecer numa anarquia.

Responder
João Marcos Theodoro 20/04/2013 21:44:02

A desinformação é tamanha que não é possível responder-lhes senão com um texto de dezenas de parágrafos e recheado de links para artigos.

Senhores, aconselho a vocês que vejam as palestras que postei e leiam mais obras do IMB. Façam-no com atenção.

Responder
Renato Souza 02/04/2013 20:40:02

Eduardo

Estou ciente disso. Busquei mudar o foco da discussão, porque realmente não acredito muito em modelos ideais.

Sou miniarquista, mas também não acredito num ideal de estado miniarquista. Acredito apenas na luta constante para limitação do escopo do estado. Uma luta sem tréguas com os coletivistas. Eles não vão desaparecer. O fracasso lhes sobe à cabeça.

Abraços

Responder
João Marcos Theodoro 28/03/2013 22:48:43

Li todos os comentários e percebi que a maioria dos comentaristas tem pouca leitura do conteúdo deste site ou insistem em não compreender o que leem. Todos os questionamentos, ou quase todos, desses comentaristas têm suas respostas nos artigos do Mises.org.br ou em livros disponíveis no mesmo site.

Responder
Fellipe 01/04/2013 20:29:58

Exatamente João, a maioria dos comentários neste artigo (e em todos que o tema é anarcocapitalismo) só evidencia a síndrome de Estocolmo coletiva em que vivemos... e ainda tem gente que diz que anarcocapitalista é que tem falta de inteligência. As pessoas deveriam ler e entender os argumentos antes de tentar refutar.

Abs,

Responder
ZUNEIDO 29/03/2013 21:20:01

Apenas um adendo na argumentação (para o bem e para o mal): Houve uma experiência muito interessante de anarquismo relativo que é comumente ignorada, relativizada e até espezinhada como má, sem se analisar origem, causas e consequências. Chama-se primórdios da colonização israelita, relatada no livro de Juízes, na Bíblia. Depois da conquista (parcial), as 12 tribos se instalam sem governo central ou autoridades nacionais, além da religiosa (e essa sem toda coerção miliciana). Pode-se tirar desse fato algumas considerações, tanto positivas quanto negativas (ok, a maioria dos analistas costuma ver apenas o aspecto negativo, se esquecendo que segundo a própria Bíblia, Deus instituiu assim).
Considerações sobre isso?

Responder
Anônimo 29/03/2013 21:58:17

Já foi várias vezes discutido no IMB. Quando feito, debatemos a legitimidade da bíblia como uma obra histórica em detrimento de sua face religiosa. Desnecessário dizer que o debate encerrou como uma discussão religiosa improdutiva que não acrescentou em nada ao artigo além de hostilidade entre usuários do instituto.

Recomendo que envie uma mensagem sobre o André Cavalcante(Acho), pois ele aprofundou alguns estudos no tópico e pode mostrá-lo alguma visão moderada sobre isso.

Responder
anônimo 29/03/2013 22:12:32

Acho que tá errada a sua análise. Em Israel no tempo dos Juízes havia sim dirigentes. E neste caso, os dirigentes eram os juizes. Nao havia Reis, mas os dirigentes eram os juizes.

Responder
Renato Souza 30/03/2013 14:16:13

Tanto o comentário como a réplica estão errados.

Os Juizes e os sumo sacerdotes serviam normalmente como cortes superiores, para resolverem casos dificeis. Os juizes eram também líderes militares, mas não tinham exército, a não os próprios cidadãos das tribos. Eles não tinham nenhum poder como chefes do executivo.

As cidades eram governadas pelos anciãos, isto está explicito. Eu já disse isso mais de uma vez. Não havia impostos, anciãos não escreviam leis, não eram autocratas, mas nada disso importa. Eram os monopolistas da justiça e da organização da defesa, mesmo porque um cidade tinha uma muralha, que era um sistema irredutível a partes menores. Isso significa que só inteiramente construida e fortificada, a muralha tinha bom valor militar. Se você em associação com vizinhos resolvesse fortificar a parte da muralha mais perto da sua casa, e do outro lado da cidade a muralha estivesse em ruinas, o inimigo simplesmente atacaria o ponto mais fraco e tomaria a cidade toda. Por esse motivo a defesa da cidade tinha de funcionar como um condomínio, tinha uma liderança única sem concorrentes, e isto significa que era um governo também neste aspecto.

Então temos dois pontos a respeito dos quais existia governo: justiça e defesa. Estamente como a quase totalidade dos povos desde sempre.

Responder
anônimo 30/03/2013 15:26:49

Obrigado pela explicação, Renato Souza. Na verdade eu já sabia. Mas vc acredita q eu já ví padres e pastores dizendo o absurdo q eu disse acima? A coisa é realmente feia. Os não sabem interpretar a Bíblia, ou vai ver, fazem na má fé.

Responder
mauricio barbosa 30/03/2013 18:35:02

Só uma observação em uma sociedade anarcocapitalista os conflitos seriam resolvidos entre as partes da maneira que convier e não sei porque esse fetiche por polícia e poder judiciário estatal até parece que esses órgãos ESTATAIS são campeões em eficiência,e numca vi um rico preso exemplarmente e olha os mensaleiros soltos e 2 deles estão na ccj da câmara fazendo o quê e anarcocapitalismo não é bobagem é uma alternativa mais barata e eficiente de organizar a sociedade ao invés deste estado bufão e gastador atual,e desafio os petistas e estatistas a provarem o contrário com argumentos sólidos e sem ironias e chacotas sem sentido e estéril ao debate.

Responder
Alexandre 01/04/2013 23:37:34

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www.urantia.org/pt/o-livro-de-urantia/documento-72-o-governo-num-planeta-vizinho
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O link acima revela, com muitos detalhes, como é um governo de um país em outro planeta. Tudo bem que muitos aqui não acreditam ou não conheçam O Livro de Urântia, nem se interessam por religião, mas vale a pena ler esse pequeno trecho para reflexão sobre os temas aqui discutidos.

Em minha opinião esse tipo de governo daria muito certo aqui na Terra, em nossa atual conjuntura.

Responder
Neto 02/04/2013 11:50:36

Esse livro está errado, cheguei de lá ontem e não é nada disso.

Responder
Francisco 03/04/2013 21:13:06

Todo mundo que já morou em condomínio sabe que o anarco-capitalismo funciona perfeitamente... Oh, espere... Lá tem a droga do síndico!

Responder
anônimo 03/04/2013 21:43:53

Mas o síndico é voluntário, afinal você só mora ali se quiser

Responder
Rafael 04/04/2013 05:17:53

Uma coisa é um governo não ser visto como legítimo - como muitos vêem o governo venezuelano, cubano, etc -, outra é não aceitar ser governado. Como a história nos mostra, diversos povos desapareceram por não aceitarem o domínio de outrem, porém isso está longe de acontecer no mundo de hoje, onde dificilmente se sabe quem são os dominadores e os dominados - a maioria cega da população.

Responder
Diego Quixabeira e Souza 05/04/2013 19:11:06

A liberdade de escolha encerra, inúmeros e incontáveis riscos de fracasso; muitas pessoas considerariam esses riscos insuportáveis, temendo que pudessem exceder sua capacidade pessoal de enfrentá-los. Para a maioria, a ideia liberal de liberdade de escolha continuará a ser uma ilusão fugidia e um sonho inútil, a menos que o medo da derrota seja atenuado por uma política de seguro implantada em nome da comunidade, uma política em que possam confiar e da qual possam depender no caso de derrota pessoal ou de golpe do destino.
Se os direitos democráticos, e as liberdades que os acompanham, são garantidos na teoria, porém inatingíveis na prática, a dor da desesperança sem dúvida será coroada pela humilhação da infelicidade, a capacidade de lidar com os desafios da vida, testada todos os dias, é, afinal, a própria oficina em que a autoconfiança dos indivíduos (e também sua autoestima) é forjada ou dissolvida. Pouca ou nenhuma expectativa de socorro no que se refere à indolência ou impotência individuais pode advir de um Estado político que não seja (e se recuse a ser) um Estado social. Sem direitos sociais para todos, um número amplo e provavelmente crescente de pessoas irá considerar seus direitos políticos de pouca utilidade e indignos de atenção. Se os direitos políticos são necessários para que se estabeleçam os direitos sociais, estes são indispensáveis para que os direitos políticos se tornem "reais" e se mantenham em operação. Os dois tipos de direitos precisam um do outro para sobreviver, sua sobrevivência só pode ser uma realização conjunta.

Responder
Renato Souza 05/04/2013 22:01:09

Diego

Concordo plenamente que as pessoas sentem falta de segurança, estabilidade e bem-estar (dizendo de outra forma, há demanda por essas coisas).

Entretanto, será um estado hipertrofiado e intrusivo a solução mais adequada para essas demandas?

Pense bem, os estados modernos, para satisfazer suas promessas de bem-estar (e geralmente as satisfazem muito mal) na maioria dos casos usam o imposto inflacionário (estimulando a criação de dinheiro), a formação de bolhas, o endividamento público. Além disso, o estado moderno (ou melhor, os defensores da ampliação do estado), para se proteger, se perpetuar e ampliar seu escopo, solapa os direitos individuais, impõe um rígido controle da educação, transformada em catequismo ideológico, estimula controntos e discórdias dentro da população, promove engenharia social, usando meios ocultos e imorais para transformar o pensamento do público, e destrói constantemente riquezas.

Ora, mas essas estratégias do estado e dos defensores de sua ampliação, são causadoras de insegurança, instabilidade e mal-estar. Veja bem, os países onde a população goza de mais segurança, riqueza, bem-estar e estabilidade são países onde há mais limites para a intervenção do estado na sociedade. Países onde a intromissão do estado é total (o melhor exemplo é a Coréia do Norte) são os piores para se viver, um inferno para grande parte da população.

Responder
anônimo 12/04/2013 11:06:08

O rei não precisa ser um santo.Mesmo que ele favoreça os amigos, que ele seja escroto em muitas coisas, alguma estabilidade é melhor do que nenhuma.

Responder
anônimo 12/04/2013 13:01:29

"Those Who Sacrifice Liberty For Security Deserve Neither." B. Franklin.

Responder
anônimo 12/04/2013 11:27:45

'Part of the patent protection now obtained by an inventor could be achieved on the free market by a type of "copyright" protection. Thus, inventors must now mark their machines as being patented. The mark puts the buyers on notice that the in­vention is patented and that they cannot sell that article. But the same could be done to extend the copyright system, and without patent. In the purely free market, the inventor could mark his machine copyright, and then anyone who buys the machine buys it on the condition that he will not reproduce and sell such a machine for profit. Any violation of this contract would consti­tute implicit theft and be prosecuted accordingly on the free market.'
Rothbard.

mises.org/rothbard/mes/chap10e.asp#7._Patents_Copyrights

obs: Esse comentário deveria ir pra outro post onde todo mundo já falava sobre PI, etc.Mas como isso aqui não é um fórum de verdade, e sim uma seção de comentários tentando imitar as funções de um fórum, fica difícil de achar.

Responder
anônimo 13/04/2013 17:24:36

'Ser contra o comunismo não é mérito, é obrigação. Nem isso, portanto, pode-se alegar em favor do libertarianismo, uma ideologia simplista que deduz tudo de um só conceito -- a propriedade -- e que deriva todo o seu encanto de uma confusão pueril entre propriedade no sentido lógico e no sentido econômico.'

Olavo de Carvalho escreveu isso hoje no face.

Responder
Conservador Reacionário 13/04/2013 18:23:41

Ontem ele deu vários pitis em sua página do Facebook. E por quê? Porque o Bernardo Santoro educadamente mostrou na própria página do filósofo que ele estava entendendo os conceitos erroneamente. O que o Bernardo escreveu? Isso:

"Os fundamentos do libertarianismo econômico, a escola austríaca, na verdade não é austríaca, é espanhola, vinda dos escolásticos tardios, como Juan de Mariana. Então, se alguém se escandaliza com esse capitalismo, está se escandalizando com a própria doutrina da igreja. É como se um cristão se escandalizasse com a igreja defendendo a criminalização do aborto. A igreja tem que defender seus dogmas, não importa o quanto o mundo esteja "moderno". A parábola dos talentos do Senhor Jesus Cristo é a síntese econômica do libertarianismo. A parábola dos talentos é essencial para se entender a necessidade a razão econômica do cristianismo (Mateus 25: 14-29). A parábola da viúva pobre é a síntese da Teoria do Valor Subjetivo, base da teoria econômica da escola austríaca (Marcos 12:41-44).

Sobre programas culturais de esquerda, prof. Olavo sempre fala sobre casamento gay, aborto e drogas. Vamos por partes:

Libertarianismo não apoia o casamento gay. Ele apoia a liberdade contratual. Portanto o libertário puro vai defender a desestatização do casamento e a exclusividade do casamento como instituto pela igreja. O que o libertário apoia é o contrato de união civil e patrimonial, e isso sim pode ser feito por qualquer ser humano adulto com qualquer ser humano adulto e com suas capacidades racionais plenas, sem restrições de sexo ou de quantidades.

Libertarianismo não apoia aborto, apenas se recusa a dar uma posição definitiva. A base moral do libertarianismo é a não-iniciação de violência contra pessoas pacíficas. Se você entender que um feto é pessoa de fato ou em potência, então você é contra o aborto. Se você entende que só nascendo vivo é pessoa, então você é a favor. Como eu entendo que há vida autônoma potencial na concepção, sou contra o aborto. Sou um libertário anti-abortista, sem problema nenhum.

Libertarianismo não apoia o consumo de drogas. Libertários apoiam liberdade de escolha. Se o cara é burro o bastante para se drogar, eu não tenho que ter o meu dinheiro roubado via impostos para pagar o tratamento dele ou impedí-lo de fazer merda com a vida dele. É meu dinheiro. Ele que escolha seus atos e arque com as consequências das escolhas dele.

A esquerda não apoia o direito de escolha. Ela estimula escolhas erradas. Estimula o comportamento gay, o uso de drogas e o aborto como forma de afronta ao modelo cultural burguês judaico-cristão. E isso é um completo absurdo. Essas condutas não devem ser estimuladas pelo Estado em hipótese nenhuma.

Mesmo discordando do seu ponto de vista, prof. Olavo, continuarei sendo seu fã. Abraço!"


E qual foi a reação do filósofo ao se ver sem encurralado e sem argumentos em sua própria página? Xingou o Bernardo de cretino e estúpido e o bloqueou. Por causa disso que ele escreveu acima, de maneira totalmente educada e cordial!

Olavo é social-democrata progressista, já cansei de alertar isso. Ele defende que o estado proteja os cidadãos de si mesmos. Ele defende o monopólio da violência pelo estado e defende que o estado imponha uma agenda cultural.

Ele já teve seus bons momentos e sem dúvida me influenciou bastante. Mas desde que virou líder de seita -- basta ver como seus seguidores o endeusam no Facebook --, deixou a vaidade subir à cabeça e não mais aceita sequer ser questionado em público. Ainda dá tempo de reverter o curso atual e voltar a ser o que era antes. Mas seria necessário algum fã alertá-lo.

Responder
Leandro 13/04/2013 18:30:20

Esta contenda não será trazida aqui para o IMB. Nem adianta tentar jogar iscas.

Eu pessoalmente gosto do Olavo e sempre o leio; considero-o um filósofo brilhante. Mas, como todo ser humano, tem seus momentos de desequilíbrio, algo perfeitamente compreensível. Entretanto, realmente foi feio a maneira como ele fugiu da argumentação do Bernardo, que o tratou civilizadamente e até mesmo se confessou fã. Deu a impressão de que ficou desesperado perante argumentos que ele não tinha como responder de pronto e partiu direto para o bloqueio. Talvez tenha sido algo do "calor do momento" e talvez ele venha a se desculpar mais tarde.

Esperemos.

P.S.: esta será a última postagem sobre este assunto. Ao menos por ora. Gentileza não insistirem.

Responder
Mauricio. 14/04/2013 01:14:24

Pessoal, achei interessante mostrar pra vocês esta artigo sobre o bitcoin no Washington Post. Vejam quanta besteira se pode dizer impunemente.

www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2013/04/12/bitcoin-is-ludicrous-but-it-tells-us-something-important-about-the-nature-of-money/?hpid=z4

Responder
Neto 14/04/2013 10:25:34

Quanto ao bitcon 'esta' artigo não disse besteira nenhuma.Só disse algumas verdades inconvenientes pros mineradores de bitcoin, que querem que o mundo aceite a tralha deles.
' If a currency can lose 75 percent of its buying power in two days, it may not be the best store of value. '
Não me diga!!

Responder
Renato Souza 17/04/2013 22:03:43

Um argumento freqüente contra o miniarquismo é que ele tenderia NATURALMENTE para o socialismo.

Vejamos se isso é verdade. Será que a tendência socializante das diversas sociedades aconteceu de modo natural? Ou forma produto da engenharia social?

Vejam este artigo interessante, que aborda apenas uma das estrategias de engenharia social:

www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14049-espirito-de-epoca.html

Responder
Eduardo Bellani 19/04/2013 12:26:37

O argumento contra o minarquismo e que todo monopólio gera incentivos perversos que, a longo prazo, levam ao crescimento do monopólio.

Minarquismo é o mesmo que dizer "Monopólios são ruins em tudo, exceto na resolução de conflitos interpessoais, e não é preciso justificar essa exceção."

É uma posição intelectualmente indefensável.

Responder
anônimo 19/04/2013 17:07:48

Monopólio é? E Mises não apoiava a secessão por acaso?

Responder
Eduardo Bellani 19/04/2013 20:17:52

Isso foi uma tentativa de argumento?

Responder
Leonardo Couto 19/04/2013 21:34:18


O anarcocapitalismo prega a ausência de coerção. Esse tipo de minarquismo também. Eles só diferem quanto à melhor escolha em um mundo acrático.

Na verdade, quanto à matéria de liberdade, ambos são iguais. Quanto à eficiência, bem... eu ainda não me posicionei sobre isto, mas na medida em que a adoção de determinado modo de se prover legislação, juízo e segurança for não-coerciva, a resposta aparecerá.

Responder
João Marcos Theodoro 19/04/2013 20:28:01

Bellani, de fato o minarquismo encontra esse obstáculo intelectual apontado por você. Inevitavelmente, o anarcocapitalismo é o que resulta da máxima fidelidade aos princípios de liberdade e propriedade. Entretanto, imagino que o minarquismo seja uma fase imprescindível pela qual deveria passar a sociedade antes de se estabelecer o anarquismo. Isso porque o povo tem o Estado como um Pai Comum, sem o qual não saberia o que fazer. Sem ele, poderiam surgir conflitos, quem sabe? Num minarquismo em que fosse legal a abertura de agências privadas de arbitragem e de segurança, o povo se acostumaria à sua orfandade rapidamente; a partir daí, o Estado mínimo poderia se tornar Estado morto.

Responder
anônimo 19/04/2013 20:57:01

@Eduardo Bellani, é muito chato ter que falar o óbvio, é como ter que explicar uma piada pro pessoal que não é capaz de entender, mas lá vai
NENHUM minarquista defende esse monopólio do jeito que vocês querem dar a entender.É óbvio que se existe a possibilidade de secessão, como vocês sabem muito bem, qualquer um vai poder escolher de qual governo ou nação quer fazer parte.A única forma de uma minarquia ser isso que vocês falam é um governo único pro mundo inteiro, e minarquista nenhum nunca defendeu isso, muito pelo contrário.
Pra alguns poucos sortudos o mundo já é assim.Como aquele ator francês que cansou de ser explorado e se mudou pra Rússia.

Responder
anônimo 19/04/2013 21:28:09

Eu ainda não consegui entender como é que pode existir gente que acha que um sujeito mal intencionado vai querer pagar voluntariamente uma empresa que depois vai poder prender esse mesmo sujeito.

Responder
João Marcos Theodoro 19/04/2013 21:32:26

Perdoem-me. Eu dei a entender, ao concordar com o Bellani, que no minarquismo haveria monopólio. Expressei-me mal, pois não acredito nisso. Quanto à secessão, isto não só seria esperado como benéfico.

Ainda defendo que o minarquismo deveria ser apenas o caminho para o anarcocapitalismo.

Responder
Eduardo Bellani 19/04/2013 21:43:23

A definição mínima de estado é o monopólio da resolução de conflitos interpessoais em uma região geográfica (jurisdição).

A definição de monopólio é o impedimento da entrada de competidores num determinado mercado.

O minarquismo defende um estado que se limite a sua definição mínima.

Agora, senhor comediante anônimo, você poderia versar sobre o que 'nós' defendemos?

Responder
Renato Souza 30/05/2013 04:30:34

Eduardo

O melhor lugar para responder essa questão não é aqui, mas em algum artigo mais específico. Mas, como a discussão acabou derivando para esse assunto, vou colocar minha posição:

Governos, históricamente, não são resultado da busca da solução mais econômica. São resultado de um comportamento humano (ou talvez fosse melhor dizer, uma demanda humana). Os governos primitivos surgem da existencia de bens comuns, simplesmente porque as pessoas decidiram ter bens comuns. É uma decisão legítima, independentemente do que você pense dela. Vou apontar vários exemplos até chegar aos primeiros governos civis. O objetivo é entender os mecanismos de formação dos governos.

O primeiro exemplo é um condomínio. Ninguém é obrigado a morar num condomínios, mora quem quer. Sua característica principal é a existência de uma área física de propriedade comum, resultante da decisão dos proprietários de criarem esse arranjo. Há pessoas que preferem morar de aluguel, a pessoas que são proprietários de edifícios e alugam ou vendem espaços dentro deles. Nesses casos, as as instalações e espaços de circulação comuns tem um proprietário, e as regras são as do contrato. Mas há uma demanda real por imóveis em condomínio, e o fato de serem condomínio (bens comuns) resultam na existência de governos (síndicos eleitos e normas concomíniais).
Da mesma forma há empresas com propriedade em comum, o que resulta em votos entre sócios ou assembléias de acionistas. Há clubes que são propriedade comuns, o que resulta em assembléias de sócios. Há igrejas que tem governos congregacionais (o presbiterianos, o que é quase a mesma coisa), ou colegiado e os bens em comum (inclusive a defesa da doutrina) são tutelados por esse governo comum. O que quero mostrar é que esse é um comportamento normal humano, que resulta num ente monopolistico, independentemente do que a ciência econômica possa dizer sobre ser eficiente ou não.
Como surgiram os primeiros governos civis? Surgiram da propriedade comum de território, que implicava em normas sobre esse território. Em tribos nômades, seria economicamente complicado a propriedade particular da terra. Não é que os membros da tribo não tivessem a noção de propriedade privada. Ai de quem tomasse a rede de outra pessoa. Mas a terra era comum.
No caso de tribos sedentárias, era comum que a terra fosse dividida em propriedades de tamanho igual entre todos os membros. Mas note que a garantia da propriedade particular de cada um vem do fato de estar no território da tribo. Há acordos com povos vizinhos sobre até onde vai o território de cada povo. Desobediência a esses acordos resultam em guerras.
Há casos de famílias isoladas, com território proprio, principalmente em áreas de acesso mais difícil, mas isso é a exceção. Normalmente as requisitos de segurança fazem as pessoas preferirem o arranjo tribal. É uma demanda legítima. Se a propriedade privada é antes de tudo uma parte do território da tribo, é normal que a lei da tribo se aplique ali. Além disso, mesmo sendo a maior parte do território, propriedade privada, se mantém parte pequena mais importantíssima do território como área comum, no mínimo as ruas, praças e caminhos. A vila nasce da tribo, e a cidade nasce da vila. É continuidade do mesmo arranjo.
Estude a fundação da maioria das vilas e cidade do Brasil, e verá que possivelmente a maior parte foram fundadas por particulares, mas que cederam as áreas comuns como propriedades públicas. Da mesma forma os bairros: Muitos deles poderiam ter sido criados como condomínios, mas preferiram seus criadores que fossem loteamentos, isto é, com vias de propriedade pública. Mais recentemente houve demando por lotes em condomínio, e os loteadores ofereceram o que o mercado pedia.
Dizendo de outra forma, o fato de nossas cidades serem "publicas" e não privadas, não foi resultado de nenhuma violência ou fraude, mas do proprio mercado, da ação livre das pessoas, ao formarem tribos, vilas e cidades. Logo, a existência de governos nas cidade não é, em princípio, uma violência, mas sim legítima. Já no caso dos governos nacionais, a história prova que geralmente surgiram da violência, fraude, quebra de acordos e ameaças, e não de decisões livres. Se alguém quiser criar cidade privadas, nada contra. Se houver demanda, que o façam. Mas as cidades públicas são legítimas. Logo, seus governos são legítimos, e nada oponho às sua existência. Se eles são legítimos, não proponho a sua abolição, mas a sua limitação, porque sendo cidadão de uma cidade, desejo para ela o melhor govero, e o melhor governo tem de ser fortemente limitado. Só há dois caiminhos legítimos para a criação de regiões sem governo público: Cessessão e criação de novas cidades privadas, onde a lei o permitir. E para mudar a lei, tem de ter força política.

Visto que muitos aqui são cristãos, acrescentarei um argumento de ordem teológica. Quando os anciãos de Israel resolveram instituir um rei (governo nacional) Deus, através de seu profeta, deplorou o fato como desastroso, e apontou as inúmeras desgraças que disso adviriam (impostos pesados, desapropriações, trabalhos forçados, opressão, etc). Deplorou mas não impediu, e afirmou que no futuro, quando os malefícios da decisão se mostrassem, e as pessoas clamassem a Deus contra a monarquia, Ele não as ajudaria, mas deixaria que elas arcassem com os resultados de sua ação. Porque? Embora a decisão fosse desastrosa, foi legítima. Os anciãos, governantes de cada cidade, atendendo às demandas do povo, resolveram instituir a monarquia. Ora, tendo sido instituida por governantes legítimos das cidades, a pedido de seus cidadãos, tal decisão não poderia ser ilegítima. O estado nacional, que em muitos países surgiu da violência, lá surgiu da tolice. O rei sempre poderia argumentar corretamente: "estou aqui porque vocês decidiram assim".

Responder
Eduardo Bellani 05/06/2013 15:46:08

Olá Renato, vou colocar minhas observações em fonte normal, e seu
texto em itálico.

Governos, históricamente, não são resultado da busca da solução mais
econômica. São resultado de um comportamento humano (ou talvez fosse
melhor dizer, uma demanda humana). Os governos primitivos surgem da
existencia de bens comuns, simplesmente porque as pessoas decidiram
ter bens comuns. É uma decisão legítima, independentemente do que você
pense dela.


Você está usando a palavra econômica num sentido de eficácia, certo?
Eu nunca critico o estado baseado em sua eficácia (apesar de ser uma
critica legítima, eu sei que se você entrega a ética, você entrega o
jogo inteiro sem perceber).

Sobre a legitimidade do estado, suspeito que o que você chama de
estado e o que eu defini são coisas bem diferentes. Vejamos:


O primeiro exemplo é um condomínio ... Há clubes que são
propriedade comuns ... Há igrejas que tem governos
congregacionais


Esses exemplos são instâncias da classe de contratos coletivos. São
justos enquanto voluntários. Esse voluntarismo é que mantém a justiça
desses governos. E é nisso que esses governos diferem da minha
definição de estado.

Surgiram da propriedade comum de território, que implicava em
normas sobre esse território.


As normas pra propriedade comum são as mesmas da propriedade
privada. O que muda no caso da propriedade comum é o dono (que no caso
é um coletivo cujos membros misturaram seu trabalho com o recurso
escasso). Esse tipo de arranjo é fundamentalmente diferente da minha
definição de estado(Um bom
artigo sobre
propriedade comum)

Em suma, eu não discordo do que você escreveu, mas não vejo como que
isso se aplica ao que eu escrevi.

Abraços.

Responder
Renato Souza 05/06/2013 17:58:03

Eduardo

Obrigado pela sua resposta.

Aparentemente você não leu o meu comentário inteiro (não o culpo, escrevi demais). Os exemplos iniciais são citados apenas com finalidade introdutória. O objetivo foi analisar a gênese histórica dos principais entes governamentais atuais: governos de cidades, e governos de países. A minha conclusão foi que, embora os governos nacionais geralmente tenham nascido da violência e fraude, os governos das cidades surgiram geralmente como evolução de uma arranjo livre: os governos tribais. Mais do que isso, a apropriação da terra pelas tribos normalmente (mas há muitas exceções) precedeu a apropriação da terra pelos particulares.

Se tiver tempo, leia o texto inteiro, e você se inteirará da minha argumentação.

Abraços

Renato

Responder
Eduardo Bellani 05/06/2013 18:53:41

Eu li seu texto inteiro. E repito o que eu digo, falho em ver a relevância do que você escreveu com o que eu tinha escrito. Poderia me iluminar?

Responder
Renato Souza 09/06/2013 15:17:09

Eduardo

Você disse:
"O argumento contra o minarquismo e que todo monopólio gera incentivos perversos que, a longo prazo, levam ao crescimento do monopólio.

Minarquismo é o mesmo que dizer "Monopólios são ruins em tudo, exceto na resolução de conflitos interpessoais, e não é preciso justificar essa exceção."

É uma posição intelectualmente indefensável."

O meu texto foi uma resposta a isso. O que procurei mostrar, e não fui contraditado, é que o miniarquismo surgiu da propriedade comum de certos bens. As vilas e aldeias, de onde as cidades evoluíram, surgiram já com governos, por causa da propriedade comum das áreas de circulação, e dos bens comum "segurança" e "justiça". As pessoas seriam livres para buscar outro arranjo que não envolvesse bens comuns. Elas livremente criaram as aldeias, vilas e cidades assim, foi por preferência das pessoas que esses bens foram considerados comuns.

Então, respondendo a você, eu diria o seguinte: Não interessa se monopólios são bons ou ruins. Quando as pessoas decidem ter bens em comum, isso gera inevitavelmente um governo (um árbitro monopolístico). Mas essa decisão original (e quase universal) e ter bens cumuns foi legítima. Dizendo de outra forma, a criação dos primeiros governos foi um processo de mercado.

Nada obsto a que alguém crie cidades privadas, e quem quiser que vá morar lá. Será um arranjo legítimo, tanto quanto o arranjo de cidades públicas.

Responder
Eduardo Bellani 10/06/2013 13:03:16

Olá Renato

"O meu texto foi uma resposta a isso. O que procurei mostrar, e não
fui contraditado, é que o miniarquismo surgiu da propriedade comum de
certos bens. As vilas e aldeias, de onde as cidades evoluíram,
surgiram já com governos, por causa da propriedade comum das áreas de
circulação, e dos bens comum "segurança" e "justiça". As pessoas
seriam livres para buscar outro arranjo que não envolvesse bens
comuns. Elas livremente criaram as aldeias, vilas e cidades assim, foi
por preferência das pessoas que esses bens foram considerados comuns."

Acho que encontrei o ponto de confusão. Você, pelo que deixa claro no
parágrafo anterior, usa o termo minarquismo para designar gerencia
comum voluntária de bens. Não é o uso comum dessa palavra.

O uso comum da palavra minarquismo é aquele que eu transcrevi no
comentário acima:

A definição mínima de estado é o monopólio da resolução de
conflitos interpessoais em uma região geográfica (jurisdição).

A definição de monopólio é o impedimento da entrada de competidores
num determinado mercado.

O minarquismo defende um estado que se limite a sua definição
mínima.


Suspeito que a tensão entre nós é fundada no fato de que o minarquismo
que você defende é meramente a questão de propriedade comum. Isso é
completamente diferente do uso que eu faço do termo no quesito da
voluntariedade do arranjo.

Tenha um bom dia.

Responder
Andre Cavalcante 10/06/2013 14:13:03

Renato,

Agora gerou uma dúvida: a formação das primeiras cidades-estados, organizações que apropriadamente podem ser considerados os primeiros governos (no sentido mais moderno, de monopólio da força em um território e, dentre outras coisas, tem o poder de tributar), nasceram pela necessidade de se "fechar" algumas vilas próximas por meio de fortificações, ou seja, nasceu por necessidade de segurança e as "cidades" assim construídas o foram por líderes militares que cobravam pela sua proteção, daí o nascimento dos primeiros impostos.

Esse foi o mecanismo, ao que me parece, tanto no oriente médio, extremo oriente e Américas.

Antes disso não podemos dizer que havia um governo - a gestão do bem comum podia ser até feito por um conselho de anciãos, caciques etc. mas raramente eles tinham o poder de coerção (em geral a pena máxima era o exílio, principalmente ao descrédito da sociedade remanescente) com base em armas e com poder de tributação.

Está coerente essa visão?

Responder
Renato Souza 20/06/2013 18:42:37

André

A maioria das sociedades, na maior parte da história teve como pena máxima a pena capital, para crimes muito graves (particularmente o homicídio doloso).

Não respondi logo porque estava mais ocupado. Agora estou de molho, com bastante tempo livre, e pretendo continuar a discussão. Estou focando esse mesmo assunto nos comentários de artigos mais recentes.

Responder
Renato Souza 20/06/2013 19:42:48

Eduardo

É a existência de bens comuns que causa a existência de uma lei comum (pelo menos no que concerne àqueles bens comuns). Se entre os bens comuns estiver um sistema de segurança, disso resultará uma liderança comum da defesa.

Responder
Joaob 09/05/2013 15:05:05

Caros...
Aproveitei esse artigo sobre as objecoes aos libertarios....considero me tambem um e faço constantespregaçoes contra os regulamentos que tiram a lberdade de criar ...mas confesso que sou "cristao novo" nesse tema e tenho dificuldades para explicar algumas coisas

Mas a morte de muita gente numa " sweatshop" em Bangladesh precisa de uma explicacao..afinal a fabrica desabou por falta de "fiscais"?

Como o setor privado sozinho terao evitado isso? Sera que os donos teriam mesmo reduzido seu lucro para dar melhor seguranca ao edificio?

Penso que resposabilizar criminalmente o empresario pelas mortes vem muito tarde..afinal as mortes ja teriam acontecido..
E o incendio mais recente, onde morreu tambem o dono?
Nao estou discutindo eventuais condicoes do ambiente de trabalho, se era limpo ou nao e nem o salario..afinal os empregados foram trabalhar la livremente..se nao tinham outro emprego,poderiam mudar de cidade...

Peço ajuda...como nos libertarios vamos evitar essas mortes..?? ...afinal defendemos a vida, a liberdade e a propriedade privada e nesse caso a vida das pessoas esta em risco por que o dono nao esta " nem ai" com o assunto

Obrigado

Responder
Mauro 09/05/2013 15:12:09

"Sweatshop" em Bangladesh? Orra... pro camarada aceitar entrar em uma dessa, ele tem de estar muito desesperado. E tem de ser aquele tipo de desespero que só existe em um país em que o estado já fechou o acesso a qualquer forma de empreendedorismo legal, restando apenas o recurso à ilegalidade.

Nesta situação em que o único recurso é trabalhar em um sweatshop bengali, vale parodiar Kennedy: não pergunte o que a iniciativa privada pode fazer nessa situação; pergunte o que estado tem de deixar de fazer.

Sim, antes de cobrar posições de empreendedores, você tem de analisar o que empurrou empreendedores e trabalhadores para essa situação. Cobrar dos oprimidos ao mesmo tempo em que se dá passe livre ao opressor não é uma posição defensável.

Responder
Juliano 09/05/2013 15:31:54

Olá João,

Infelizmente, o mundo não é como gostaríamos que fosse. As pessoas vão assumir mais riscos do que gostaríamos e isso tem conseqüências. É muito tentador simplesmente poder forçar as pessoas a viver como gostaríamos, e essas nossas tendências autoritárias, mesmo que bem intencionada, é o que alimenta a burocracia.

No caso específico, nada substitui a conscientização. Dá pra se organizar e fazer campanhas pedindo pra que as pessoas prestem mais atenção na sua própria segurança, que evitem lugares perigosos, que invistam em métodos menos arriscados. Também dá pra tentar persuadir os empresários a adotarem posturas mais responsáveis e denunciar aqueles que abusam. O problema é cultural e nada como a informação pra melhorar a situação de todos.

Tentar ir para o caminho mais fácil e pedir mais tutela estatal é simplesmente inútil. A Índia é um país com um estado muito interventor, assim como o Brasil. Há algumas semanas, um jornal denunciava a situação absurda de matadouros no interior do Brasil. Em vários casos, os estabelecimentos eram propriedade das prefeituras. Em outros, o fiscal já tinha tudo acertado e nem passava no lugar. Aprovava tudo por telefone.

O Estado só passa a ilusão que existe um controle, onde o que realmente faz diferença é a cultura local. Na verdade, acaba piorando. Em primeiro lugar, as pessoas são enganadas, achando que o lugar é seguro por ter alvará. Além disso, a fiscalização vira uma fábrica de corrupção, que tira recursos dos agentes, recursos esses que poderiam ser utilizados para melhorar suas condições. Em vários casos, os empresários, por estarem desrespeitando alguma regra (contratando trabalhadores sem visto, por exemplo), tudo deve ser mantido escondido e longe dos olhos do público, o que piora muito as condições de todos os envolvidos.

Nada substitui um ambiente onde as pessoas realmente fiquem preocupadas com segurança e tenha acesso a recursos para se previnir. A intervenção política faz exatamente o contrário: torna os recursos mais caros e, portanto, inacessíveis, além de iludir as pessoas passando a impressão que existe um controle e que dá pra ficar despreocupado.

Em um exemplo bem simples, o governo usa o nosso dinheiro pra fazer campanha para que as pessoas usem protetor solar e taxa o produto em 42% (isso em impostos diretos). (www.fiepr.org.br/sombradoimposto/FreeComponent14466content115735.shtml)

Responder
Arthur M M 09/05/2013 17:51:23

E ainda tem gente martelando sobre obsolescência programada e venda casada.

Responder
Wagner 28/06/2013 11:49:02

Se existisse um mercado livre existiriam várias empresas pro empregado correr. Eu trabalhava em uma empresa que me oferecia um ambiente que não me agradava, eu sai e fui pra outra onde a situação é melhor. Quem me proporcionou essa opção de mudar de local de trabalho foi o mercado e a concorrência entre as empresas.

No momento que existem vários competidores disputando um funcionário eles irão oferecer condições de trabalho cada vez melhores para atrair os melhores profissionais (veja as condições de trabalho oferecidas pelas grandes empresas de TI).

Vocês precisam tirar a cabeça do buraco e parar de pensar que caso não exista o estado o dono da empresa vai pegar um chicote e fazer o empregado trabalhar 18 horas por dia; Se a empresa não da condições de trabalho adequadas (em um ambiente de livre mercado) um concorrente dará e irá tomar os melhores funcionários da sua concorrente.

Responder
Dúvida 27/05/2013 07:09:10

Gostaria de saber como funcionaria os crimes que são praticados em família. Pois uma criança não tem condições de buscar um tribunal e pagar para dizer que o pai abusa sexualmente dela. E as pessoas que soubessem dificilmente gastaria dinheiro para processar alguém. Sem contar que também poderiam ocorrer vinganças através desses tribunais. Por exemplo: Eu brigo com meu marido e ele arma alguma farsa para entrar na justiça contra mim e suborna o tal tribunal. Eu ficaria indefesa pois ele esta disposto a gastar muito dinheiro com isso e pode conseguir. Sem contar que esse tipo de crime não tem como prevenir. Querendo ou não, uma justiça monopolizada favoreceria bem menos pessoas do que várias justiças. A lei seria mais justa para a maioria das pessoas. Queria saber o que pensam disso e como solucionaríamos isso.

Responder
João Marcos Theodoro 27/05/2013 10:08:39

Eu acredito que teríamos de contar com a atuação de instituições voluntárias contra a violência familiar, bem como as existentes hoje contra violência a animais. Alguém teria que perceber os abusos e denunciá-los.

Aceitar subornos apenas será ruim, no longo prazo, para o tribunal privado, pois isso fará decrescer sua credibilidade. Ademais, hoje em dia é muito mais fácil subornar burocratas.

Obviamente, num anarcocapitalismo, o mundo continuaria sendo perverso, mas menos injusto – e mais rico.

Responder
Pantaneiro 28/06/2013 01:36:42

O libertarianismo é totalmente inviável, aliás gostaria de saber qual seria eventual solução utópica para casos que existem até hoje no mato grosso de escravidão e domínio do mais forte, locais em que nem a polícia federal consegue entrar para livrar escravos e prender bandidos! Lugares que só os melhores armados sobrevivem! Imaginem isso em escala nacional... totalmente inviável!

Responder
anônimo 28/06/2013 10:07:39

Simples, é só o escravo pagar uma polícia privada.

Responder
Thames 28/06/2013 10:27:22

Qual é o caso de "escravidão" no Mato Grosso? Há pessoas sendo chicoteadas e trabalhando de graça, contra a sua vontade? Há pessoas sendo forçadas a trabalhar e sem a opção de saírem dali e irem procurar emprego em outro lugar?

Se isso está ocorrendo, então estamos testemunhando a total inapetência do estado, pois tal entidade não apenas existe, como também suga 40% da nossa renda com a desculpa de que é para o nosso bem e não está efetuando sequer sua função mais básica, que é a de proteger a vida, a liberdade e a propriedade (do indivíduo sobre seu próprio corpo).

É inacreditável que após um exemplo tão explícito de ineficiência estatal ainda exista gente que não apenas defende a existência deste ente, como ainda afirma que ele é imprescindível para evitar a escravidão!

Responder
Wagner 28/06/2013 11:39:35

Isso que eu pensei, a pessoa fala:
"Libertarianismo é inviável pois aqui no meu estado existem problemas que o estado (Polícia Federal) não consegue resolver"

Genial esse lógica.

Responder
anônimo 28/06/2013 12:47:40

Como se o problema tivesse sido criado pelo estado.

Responder
Renato Souza 28/06/2013 13:56:41

Bom, na verdade foi, porque o estado tem sistematicamente posto impecilhos à legítima defesa. Para começar com sua absurda ideia de que só os governos e os bandidos podem ter armas. E depois através da infantilização da população, tornando-a o máximo possível dependente do estado.

Imagine que realmente existam pessoas presas sob a mira de capangas no interior do Mato Grosso, obrigadas a trabalhar como escravos (difícil de acreditar). Vamos supor que um dos prisioneiros ataque um dos capangas, mate-o, e consiga fugir. No final das contas, o que acontecerá? Com certeza algum promotor público quererá processar o escravo fugitivo coNo assassino!

Duvida? Pois aconteceu no Rio Grande do Sul que um assaltante invadiu a casa de uma velha senhora (a qual tinha uma dolorosa doença nas articulações) e a manteve prisioneira lá. Essa senhora, com muita dificuldade conseguiu pegar uma velha arma, e com ela matou o assaltante, recuperando a liberdade. Que fez um promotor? Queria processa-la por "assassinato". E estava realmente bem de acordo com a mentalidade estatólatra, que advoga que as pessoas nada façam por si mesmas, mesmo em risco de vida, mas dependam totalmente do estado para tudo. Do estado ou dos "movimentos sociais" aprovados pelos esquerdistas, estados paralelos, coercitivos e violentos.

Responder
Roberto Aguiar Lima 31/10/2013 18:34:31

Muito legal, muito bonito, lindo! Só me expliquem como milhões de recebedores de bolsa miséria, vão concordar a viver sem PTralhas.

Responder
Andre Cavalcante 01/11/2013 14:45:44

Não vão, e é por isso que o PT, PSDB, PMDB etc. se mantém no poder. Ora eles arrumam os votos necessários exatamente desse pessoal.

De novo, para mudar o estado de coisas, as pessoas tem que acabar com essa mentalidade coitadista e estatista e passar a fazer as coisas por si mesmas e para si mesmas (o que pode significar se unirem em torno de alguns objetivos para alcançá-los com menos dificuldades, que certamente o governo vai colocar; por exemplo: as pessoas podiam se unir e criar escolas com um viés libertário)

Responder
Roberto Aguiar Lima 01/11/2013 15:02:22

É o que procuro fazer. Mas a tarefa é hercúlea. Atualmente estou fazendo mestrado, mas paralelamente estou começando a desenvolver um projeto, que no futuro poderá ser uma pedra no sapado do Ministério da Saúde. Por enquanto não é adequado falar o que é exatamente. Mas certamente isso vai ser um entrave no formidável aparato de controle social que este Ministério está criando nesse momento.

Responder
Roberto Aguiar Lima 01/11/2013 17:18:29

Outra lembrança que acho pertinente a sua resposta. Trabalhei com TI por quase 20 anos. É comum nessa área, devido aos altos salários, você abrir uma empresa de consultoria e prestar serviços para outras empresas por longos períodos de tempo. Só que brasileiro é tão sem caráter, que acaba entrando na justiça a procura de "direitos trabalhistas". Veja só, o canalha assina um contrato, recebe mais por isso, é só comparar como trabalhadores no regime da CLT e ainda processa a empresa, que resolveu lhe pagar mais. A justiça que é clientelista, assim como o executivo, sempre dá ganho de causa para os vagabundos que de livre e expontânea vontade preferiram prestar consultoria. Olha já prestei esse tipo de serviço em quase 10 empresas e nunca usei de tal artimanha. Moral da história, as empresas baixaram os salários dos consultores, por que sabe que a maioria vai entrar na justiça mesmo. Eu preferi sair da área. Vou tentando, mas é difícil viver entorno de tanta gente inescrupulosa. A vigarice não tem mais classe social, até a empregada da minha casa não queria assinar a carteira, porque ela recebia um bolsa miséria lá do Piauí, e para não perdê-la achava que não poderia assiná-la. Honra, honestidade, caráter, são coisas completamente relativas para os brasileiros. Outra coisa que desanima é a crescente onda marxista no governo. Quem garante que o governo não estatize meu empreendimento no futuro.

Responder
Juliano 01/11/2013 17:57:57

O problema fica super complicado justamente em função dessa zona que a justiça do trabalho cria.

Como o cara tem a chance, ele entra na justiça mesmo. Com o tempo, os próprios contratantes já colocam os custos do futuro acerto trabalhista no salário do cara, que, obviamente, fica menor. Assim, se vc é o honesto que não entra na justiça, fica só com o salário menor, já que está pagando um tipo de seguro para um acerto que vc não vai fazer.

O Estado te empurra para o conflito.

Responder
Caio 03/09/2015 20:40:45

Ótimo texto, Roderick manda muito bem, um dos anarquistas que mais gosto.

Responder

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