Nota do Editor:
Não interessa se é em Manaus, na Suécia, no Reino Unido ou no Canadá: o fato inquestionável é que o estado, onde quer que seja, é totalmente incapaz de fornecer serviços de saúde decentes. Sempre que ele se envolve, o resultado é carnificina.
E corrupção nem sequer é o principal problema: a explicação é totalmente econômica.
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Tom Kent era o principal burocrata e estrategista
político do Canadá quando o Medical
Care Act [decreto que estatizou e “universalizou” o acesso ao sistema
de saúde canadense] foi aprovado em 1966. Ele descreveu abertamente o objetivo do
governo:
O
objetivo daquela política pública era clara e simplesmente garantir que as
pessoas pudessem receber tratamentos médicos sempre que necessitassem, sem levar
em conta quaisquer outras considerações ou empecilhos.
Já o Ministro da Saúde e do Bem-Estar Social, Allan
J. MacEachen, foi
ainda mais direto:
O
governo do Canadá acredita que todos os canadenses têm o direito de obter
serviços de saúde de alta qualidade de acordo com sua necessidade e
independentemente de sua capacidade de pagar. Acreditamos que a única maneira
prática e efetiva de se fazer isso é por meio de um esquema de atendimento
universal, pré-pago, e bancado pelo governo.
À época, o governo federal se responsabilizava por
bancar 50% dos gastos em saúde das províncias do país.
Já o Canada Health Act (Decreto de Saúde do Canadá),
aprovado em 1984, estabeleceu cinco programas decisivos: administração pública,
abrangência, universalidade, portabilidade e acessibilidade. Este ato, em
efetivo, proibiu os pacientes de serem diretamente cobrados pelos serviços
médicos fornecidos, o que levou, na prática, à socialização da medicina no
país.
Ou seja, atualmente, no Canadá, o financiamento para
a saúde advém dos impostos. Os hospitais são entidades privadas — ou seja, não
são instituições públicas –, porém seus profissionais são pagos pelo governo e
suas receitas também advêm do governo. Na prática, portanto, funcionam como
estatais.
No Canadá, menos de 30% dos serviços de saúde são
financiados particularmente. E quais são esses serviços? Odontologia, cirurgias
cosméticas, medicações e serviços de optometria.
Após meio século do surgimento desta política, o
governo ainda não honrou seu compromisso. Apesar
do contínuo aumento dos gastos estatais com saúde, o desempenho dos
serviços médicos no país cai a cada ano. O que é pior: o governo tornou ilegal
— ou seja, é crime — aos cidadãos pagar a agentes privados para receber
serviços de saúde que o governo fracassou em fornecer.
Esperando
por um atendimento – até morrer
De acordo com uma pesquisa
do canadense Instituto Fraser, o tempo médio de espera para pacientes
canadenses que necessitam de tratamentos médicos — desde a consulta a um
clínico geral, o qual indica um especialista, até a data efetiva do tratamento
— foi de 21,2 semanas em 2017.
Ou seja, quase cinco meses de espera.
Esse tempo de espera observado em 2017 foi 128%
maior que o observado em 1993, quando era de “apenas” 9,3 semanas.
Se um canadense sofrer queimaduras de terceiro grau
em um acidente automobilístico e precisar de uma cirurgia plástica
reconstrutora, o tempo médio de espera pelo tratamento será de 20 semanas. O
tempo de espera para uma cirurgia ortopédica no Canadá também é de quase cinco
meses. Para uma neurocirurgia é necessário esperar três meses completos. E
leva-se mais de um mês para uma cirurgia cardiovascular.
Pense nisso: se o seu médico descobrir que suas
artérias estão entupidas, você terá de esperar na fila por mais de um mês, com
a possibilidade iminente de uma morte por ataque cardíaco. Não é à toa que
tantos
canadenses vão para os EUA em busca de tratamento médico.
Quem é da área médica sabe muito bem que o tempo de
espera para tratamentos médicos necessários não é apenas uma inconveniência
benigna. Tempos de espera podem ter, e têm, severas consequências, dentre elas
aumento das dores excruciantes, do sofrimento e da angústia mental. Em alguns
casos, podem também gerar resultados médicos piores do que seriam caso o
tratamento fosse realizado a tempo — transformando lesões ou doenças
potencialmente reversíveis em situações médicas crônicas e irreversíveis,
podendo até mesmo causar invalidez permanente.
Ou até mesmo a morte.
Um estudo
de 2014 do Fraser Institute declarou:
Ministros
da Suprema Corte do Canadá afirmaram que os pacientes do país estão morrendo em
decorrência das listas de espera utilizados para os serviços de saúde
universalmente acessíveis.
É estimado que entre 25.456 e 63.090 (com um valor
médio de 44.273) mulheres canadenses morreram em decorrência do aumento do
tempo médio de espera entre 1993 e 2009.
Pegando-se o dado mais conservador, pode-se dizer
com certeza que aproximadamente 1.500 mulheres morreram anualmente, entre 1993
e 2009, como resultado do aumento do tempo de espera no Canadá.
O
jornal The Toronto Star publicou uma
carta endereçada ao Cancer Care
Ontario (CCO – Tratamento do Câncer de Ontário), uma agência estatal
responsável pelo financiamento. A carta foi assinada por cinco cirurgiões especialistas
em transplante, claramente frustrados com a escassez de financiamento estatal
(o sublinhado é meu):
Eis
o efeito líquido das crescentes listas de espera: pacientes tendo recidivas e
morrendo enquanto esperam por um transplante; pacientes fazendo sessões extras
de terapia para tentar sobreviver até que se consiga marcar uma data para o
transplante; fadiga, exaustão e depressão das equipes médicas, neste que é um
problema nacional. […]Estimativas
anteriores do CCO quanto às instalações e às equipes médicas necessárias para
transplantes não levaram em consideração todos os fatores operacionais, o que
resultou em instalações deficientes, com baixa capacidade e aquém da demanda, o
que aparentemente surpreendeu a todos do governo, exceto a nós médicos, que
já havíamos antecipado esse problema, pois o vivenciamos nos centros de
transplante há vários anos. […]Os
programas de transplante requerem recursos que permitam um aumento da
capacidade instalada em pelo menos 35%, sendo o ideal talvez 50%, apenas para
reduzir as listas de espera e assim haver tempos de espera mais saudavelmente
apropriados para uma pessoa que necessita de um transplante.
Nada
de novo
A realidade é que a situação canadense não só é
antiga, como também é muito bem documentada. Infelizmente, de uns tempos para
cá, com a intensificação do debate sobre o ObamaCare nos EUA, a
mídia adotou uma ideologia pró-medicina socializada, o que dificultou a
divulgação de informações sobre a falência da medicina estatal canadense.
No entanto, se regredirmos alguns anos, as
informações se tornam bem mais abundantes. Um artigo no The New
York Times de 16 de janeiro de 2000, intitulado Full
Hospitals Make Canadians Wait and Look South [Hospitais Lotados
Fazem os Canadenses Esperar e Olhar Para o Sul], fornece alguns bons exemplos
de como o controle de preços no Canadá criou sérios problemas de escassez.
- Uma
senhora de 58 anos esperava por uma cirurgia cardiovascular no saguão de
um hospital de Montreal junto a outros 66 pacientes. As portas
elétricas abriam e fechavam durante toda a noite, permitindo a entrada de
correntes de ar com temperaturas em torno de -18°C. Ela estava em uma
lista de espera de cinco anos para sua cirurgia.
- Em
Toronto, em um único dia, 23 dos 25 hospitais da cidade deixaram suas
ambulâncias paradas por causa de uma escassez de médicos.
- Em
Vancouver, ambulâncias permaneciam abandonadas por horas enquanto vítimas
de ataques cardíacos aguardavam dentro delas, à espera de serem
adequadamente atendidas.
- Pelo
menos 1.000 médicos canadenses e dezenas de milhares de enfermeiras
canadenses migraram para os EUA em busca de maiores salários e melhores
condições de trabalho.
Concluiu o jornalista: “Poucos canadenses recomendariam
seu sistema como modelo de exportação”.
E isso em 2000. De lá para cá, tudo piorou.
Per capita, os EUA têm oito vezes mais máquinas de
ressonância magnética, sete vezes mais unidades de radioterapia para
tratamentos de câncer, seis vezes mais unidades de litotripsia, e três vezes
mais unidades de cirurgia cardiovascular.
Existem mais scanners de ressonância magnética no
estado de Washington, cuja população é de cinco milhões de pessoas, do que
em todo o Canadá, cuja população é de mais de 30 milhões de indivíduos (Veja
John Goodman e Gerald Musgrave, Patient Power).
Indiferença
política e burocrática
Políticos e burocratas, obviamente, não mostram
nenhuma preocupação em relação às dezenas de milhares de vítimas de seu falido
sistema universal de saúde. O caso da jovem Laura Hillier, de apenas 18 anos de
idade, e que se tornou uma mera estatística
para o governo, é um exemplo clássico.
Laura estava sofrendo de leucemia mieloide aguda, e
necessitava desesperadoramente de um transplante de células-tronco. Vários
doadores compatíveis estavam disponíveis, mas
não
havia nenhum leito hospitalar disponível. O jornal The
Toronto Star noticia:
Em
julho de 2015, Frances (mãe de Laura) enviou cartas para Kathleen Wynne
[primeira-ministra da província de Ontário] e para Eric Hoskins (Ministro da
Saúde da província de Ontário) em nome de Laura e de todos os outros pacientes
submetidos às “cruéis, desumanas, e potencialmente letais” listas de espera
para transplantes. Nem Wynne nem Hoskins responderam, diz Frances.
Em julho de 2015, a Ministra da Saúde federal Rona
Ambrose também se recusou a comentar sobre o assunto quando questionada pela
rede CTV
News.
O silêncio de Ambrose, Wynne e Hoskins é, de certa
forma, compreensível, pois não há como argumentar em prol da eficácia da saúde
estatal. Ademais, em alguns casos, uma resposta é pior do que o silêncio. Em
uma declaração à CTV
News, Shae Greenfield, porta-voz do Ministro Eric Hoskins, disse:
É
nossa expectativa que os hospitais priorizem pacientes com urgência médica. No
entanto, essas decisões são tomadas por cada hospital, individualmente.
Essa declaração insensível foi, obviamente, uma
tentativa de abdicar de suas responsabilidades e transferir a culpa para
terceiros. No entanto, a questão não é de “prioridade”, mas sim de falta de
recursos. Há vários pacientes que são prioridade
porque suas necessidades são urgentes do ponto de vista médico; no entanto,
todos estão presos em uma lista de espera.
A culpa das listas de espera e da baixa capacidade
operacional não está nos hospitais, mas sim no governo: sendo a medicina
estatal e sendo o governo o único financiador, é fato que ele não forneceu aos
hospitais o financiamento necessário para, como havia prometido Tom Kent, “garantir
que as pessoas pudessem receber tratamentos médicos sempre que necessitassem,
sem levar em conta quaisquer outras considerações ou empecilhos.”
Forçada pelo governo a esperar, a situação de Laura
se deteriorou e ela morreu seis meses depois, no dia 20 de janeiro de 2016, ainda esperando por um leito.
Cirurgias de transplante de células-tronco, outras
cirurgias de câncer, cirurgias
de catarata, cirurgias
de joelho e quadril, cirurgias
bariátricas, cirurgias
cardíacas — há uma lista de espera e um atraso de vários meses para todas
essas cirurgias. Com isso, a saúde e o bem-estar de vários canadenses vai se
deteriorando — e muitos vão morrendo — enquanto o governo os obriga a esperar
meses para receber um serviço que o próprio havia prometido entregar
rapidamente.
O
fracasso estatal era previsível
Os gastos do governo com os serviços de saúde estão
subindo continuamente, mas
isso não tem como durar:
Após
anos aumentando
os gastos com saúde a um ritmo insustentável, tudo indica que os governos
provinciais começaram a chegar ao seu limite nos últimos 5 anos: a continuação desta
política levará ou a uma redução em outros gastos, ou a mais impostos, ou a
mais déficits e maior endividamento. Ou uma combinação dos três.
Sobre o sistema de saúde universal no Canadá, sua
insustentabilidade foi prevista ainda em 1970 pelos próprios responsáveis por
sua implantação. Na página 288 do seu livro, o canadense William Gairdner mostra
que:
Em
1970, a Comissão de Saúde de Ontário profeticamente alertou que “a sociedade nunca
considerará como suficiente a quantidade de bens e serviços de saúde que poderão
ser ofertados pelo estado, mesmo que todos os recursos da sociedade sejam
direcionados para a provisão de cuidados médicos”.
Previsão bastante acurada. Não importa quanto
seja aumentada a quantidade de dinheiro jogada no sistema de saúde estatal; no
final, a administração burocratizada e sem concorrência irá simplesmente
desperdiçar este dinheiro.
E este é o grande problema dos sistemas de saúde
estatizados: é impossível fazer uma administração racional dos recursos.
De um lado, dado que o dinheiro advém de impostos e
não da qualidade dos serviços ofertados, não há um sistema de lucros e
prejuízos a ser seguido. Logo, não há racionalidade na administração. Com
efeito, nem sequer é possível saber o que deve ser melhorado, o que está escasso
e o que está em excesso. Não há como inovar ou se tornar mais eficiente.
De outro, quando algo passa a ser ofertado
“gratuitamente”, a quantidade efetivamente demandada sempre será
maior que a ofertada. E aí escassez e racionamento tornam-se uma inevitável
rotina.
Ou seja, a oferta, além de ser limitada, é
ineficiente e irracional, pois não segue um sistema de preços. Já a demanda
tende ao “infinito”, pois o custo é zero.
Tem-se, assim, a tempestade perfeita. Como os
recursos para a saúde são limitados e gerenciados de maneira burocrática, mas a
demanda é crescente e “gratuita”, filas de espera para tratamentos,
cirurgias, remédios e até mesmo consultas de rotina viram a norma. No extremo,
pacientes são abertamente rejeitados, cirurgias são canceladas e pessoas são
deixadas para morrer sem tratamento.
No caso do Canadá, trata-se de um fato inegável que,
quanto mais recursos (impostos) foram
direcionados para gastos em saúde, mais a provisão de serviços de saúde declinou,
como mostram as crescentes listas de espera. Quanto mais o governo (supostamente)
tenta ajudar, mais as coisas pioram.
Efeitos econômicos
Os gastos do governo com o sistema universal de saúde
no Canadá, em 2016, foram
de aproximadamente US$ 4.000 por capita. Mas há os custos não-vistos que recaem
desproporcionalmente sobre os mais pobres.
Por exemplo, se considerarmos as horas de uma semana
de trabalho normal, estima-se que o custo de ‘espera’ por paciente foi
de aproximadamente US$ 1.759 em 2016. Quem sofre mais? É claro que os mais
pobres: quando eles estão impossibilitados de trabalhar por estarem presos em
uma lista de espera do governo para receber tratamento médico, não auferem
renda.
Ou seja, embora o governo canadense tenha decretado
a saúde estatal em nome da “ajuda aos mais pobres”, o fato é que ele não só não
cumpriu sua promessa, como ainda está tornado os pobres e doentes em doentes ainda
mais pobres.
Conclusão
Em um sistema de saúde controlado pelo governo, é o
estado quem determina quem pode receber tratamento, como e quando. Assim como
em uma economia sob controle de preços, a oferta sempre irá se exaurir perante
a demanda.
Os canadenses mais ricos recorrem à medicina
americana. Os mais pobres morrem enquanto aguardam seu nome nas crescentes
listas de espera.
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Leia
também:
Na “invejada” saúde
estatal britânica, os pacientes estão morrendo nos corredores dos hospitais
Como Mises explicaria a realidade do SUS?
Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde
Como o intervencionismo estatal está destruindo o mercado de saúde
privado brasileiro
Um breve manual sobre os sistemas de saúde – e por que é impossível ter
um SUS sem fila de espera
Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco
As diferenças entre os
serviços de saúde da Alemanha e do Canadá
Por sorte, em sua maioria, as cidades grandes do Canadá estão próximas à fronteira com os EUA, o que faz com que fique fácil atravessá-la para buscar tratamento médico.
Vejam aqui o êxodo em massa:
http://www.usnews.com/news/best-countries/articles/2016-08-03/canadians-increasingly-come-to-us-for-health-care
nationalpost.com/news/canada/the-canadian-advantage-border-crossers-give-buffalo-a-1-25b-boost
Agora vejam o número de empresas apenas na cidade de Buffalo que oferecem ressonância magnética para canadenses, pacientes que preferem pagar mais de US$ 400 por um exame desse tipo do que ficar esperando centenas de dias pelo serviço gratuito em seu país:
http://www.google.com/search?q=buffalo+mri+canadians
Vale acrescentar que no Canadá é simplesmente proibido existir hospitais privados em 6 das 10 províncias. Nas outras 4 em que é liberado, vale só para odontologia, optometria e medicamentos sujeitos a receita médica.
en.wikipedia.org/wiki/Healthcare_in_Canada#Private_sector
“In Canada, patients have long been legally prohibited from spending their own money to purchase medical care privately if that care was also provided under the Canadian government’s health care program. Many Canadians who did not want endure the wait for treatment under the government program, or suffer the pain or inconvenience of these restrictions, would often have to travel to the United States to get the care that they wanted or needed.”
http://www.heritage.org/health-care-reform/report/victory-freedom-the-canadian-supreme-courts-ruling-private-health-care
Conheço um caso de um homem que rompeu os ligamentos do joelho no Canadá e, pelo sistema público, o máximo que ele obteve foi uma imobilização do joelho durante um tempo, pois, segundo o médico, para um homem de 45 anos não era “necessário” uma cirurgia, já que para trabalhar e fazer as atividades diárias estava de bom tamanho. Como era a intenção dele continuar praticando esportes, teve que ir atrás de um atendimento privado nos EUA.
A arbitrariedade de um sistema de saúde público é sua pior característica. Na hora do tratamento, não importa o que você quer, mas o que o governo delimitou como satisfatório para cada enfermidade.
O melhor resumo do sistema de saúde estatal canadense foi fornecido (involuntariamente) por Paul Krugman.
O indigitado estava em um painel defendendo a implantação de um regime canadense nos EUA.
Em certa altura, ele perguntou: "Quantos canadenses há na platéia?".
Várias mãos se levantaram.
Aí ele se encheu de confiança e perguntou: "E quantos de vocês acham que seu sistema de saúde é péssimo?".
Todas as mesmas mãos continuaram levantadas!
Visivelmente constrangido, Krugman deu um sorriso amarelo e disse: "Puxa, que mancada que eu dei agora…"
Este site já apresentou ótimos artigos sobre o fracasso do sistema público de saúde, expondo, dentre outros exemplos, os sistemas de Cuba, Brasil, Inglaterra, Canadá e Suécia.
Gostaria de saber se há algum país no mundo em que exista um sistema predominantemente privado e cujos custos sejam acessíveis à maioria da população.
Toda vez que debato com algum conhecido sobre a imprestabilidade do sistema de saúde público recebo como resposta contrária o exemplo americano e seus custos proibitivos.
Sei que, apesar de privado, este sistema é bastante distorcido por regulações estatais, justamente por isso, gostaria de algum exemplo melhor, pois, apesar da qualidade da medicina praticada no país, boa parte da população não tem condições de pagar nem mesmo os tratamentos mais básicos, como o aviamento de um antibiótico.
No texto que compara os sistemas da Alemanha e Canadá, citado ao final deste artigo, há uma lista que coloca os sistemas alemão e holandês como os melhores entre um grupo de 34 países pesquisados, porém, mesmo o sistema Alemão é apontado como misto.
Não há mesmo entre pequenos países algum com sistema predominantemente privado?
Os esquerdistas europeus foram mais inteligentes. Não estatizaram todo o sistema de saúde.
Não foi a mulher do Liam Neeson (Natasha Richardson) que morreu por causa da demora da medicina canadense? Ela bateu a cabeça num resort de ski, foi tratada e dispensada como qualquer outro mortal também seria. Só que a concussão era grave e o hospital canadense não fez um tomografia computadorizada (acho que ele nem tinha o equipamento).
spectator.org/18158_yes-canadian-health-care-helped-kill-natasha-richardson-doctor-says/
O interessante é que aqui no Brasil temos as Santas Casas de Misericórdia, que é uma rede privada e voluntariamente financiada, que oferece tratamento aos pobres. Em Belo Horizonte, as Santas Casas fazem mais cirurgias e recebem mais pacientes em um só dia do que toda a rede da FHEMIG (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) que tem 11 hospitais no estado. E as Santas Casas são mais bem avaliadas.
Ou seja: não só elas são voluntariamente financiadas, tendo um orçamento muito menor do que rede estadual, como também fazem muito mais pelos pobres com menos recursos.
Esses canadenses tem que ir pra Cuba.
Em Cuba todo mundo tem acesso a saúde de graça.
Ter um sistema de saúde gerido pelo Estado requer certas atenções que o privado não tem… como políticas de prevenção.
Amiga de minha esposa emigrou para o Canadá, mas continua pagando plano de saúde no Brasil. Todo ano ela vem ao Brasil fazer o que chamo de turismo médico: fica 20 dias fazendo vários exames, check ups (já teve câncer, por isso este controle). Ano passado ela quebrou o braço numa queda ao escorregar no gelo. Foi mal imobilizado, sentia dores, teve que vir ao Brasil operar, já que não iriam operar lá.
Casal de idosos canadense é obrigado a viver separado após 62 anos
“…Wolfram Gottschalk, 83, e sua esposa Anita, de 81, foram mandados pelo governo para casas de repouso separadas”
A Área médica no Brasil deve ganhar do sistema bancário em cartel. No sistema bancário ao menos a formação de novos profissionais não é tão limitado como o de medicina. Tente virar médico aqui. A quantidade de faculdades é estipulada pelo estado, o que mantem os custos elevados, ou torna praticamente impossível entrar em uma faculdade publica , que é paga pela parte mais pobre da população – sendo uma verdadeira transferência de renda.
O pobre paga o curso de medicina daquela minoria que vai ter uma das maiores médias salárias do país. Ou você é filho de rico, paga um curso que chega facilmente a 9.000 R$ de mensalidade, mantendo uma baixa mobilidade social na área. Então o governo resolve remediar o problema criado por ele mesmo com cotas sociais e raciais. Segregando a sociedade e criando racismo institucional
Ou depender no FIES, onde mais uma vez, existe um subsídio público, e a garantia que o calote vai ser reduzido pois é emprego quase garantido – empregabilidade na área deve chegar a 98% . O que não acontece com outros cursos, Tornando o FIES uma verdadeira Bolha estudantil ; mas que não vai quebrar, pois tem o pagador de impostos para salvar.
Virar médico no Brasil virou o novo concurso publico. Estabilidade devido a escassez de médicos, salários elevados e prestígio social. E nada disso vai mudar facilmente, pois em um país de elevado desemprego, as pessoas desejam fazer parte do clube do bolinha, o pai deseja que seu filho vire médico, e os médicos desejam manter suas reservas de mercado.
Obviamente, isso cria uma cultura de vestibular que destrói a auto-estima individual, pois poucos serão capazes de entrar e o esforço aumenta em proporção a escassez. As vagas estão matematicamente limitadas. Mas a demanda por elas não. Não é raro ver indivíduos tentarem 5 anos de suas vidas.
O sistema educacional também cria, por meio dessas reservas de mercado, a ideia que a riqueza é o resultado exclusivo do esforço individual, e não do valor que você cria a sociedade. Talvez isso seja verdade quando seu salário é uma reserva de mercado que depende da aprovação em uma prova. Mas isso é uma distorção da realidade econômica. E gera uma mentalidade errônea no tecido social.
Um casal de emigrantes brasileiros fala sobre o sistema de saúde no Canadá, neste site: http://www.youtube.com/watch?v=r6EJq7ZHu7g
Aqui no Quebec a emergencia nos hospitais eh pessima, independente do hospital (dos mais renomados aos locais) ou do caso de saude. Se voce ganhar prioridade numero 2, por exemplo, ira esperar umas 5h (media) para ser atendido, se ganhar prioridade numero 4 ira esperar umas 13h (media). Se os seus sintomas forem dor ou febre vc ira ganhar prioridade numero 5, pois eles partem do principio que esses sintomas sao banais, ai meu amigo eh melhor voltar no outro dia…
Em resumo enquanto voce respirar vc nao sera atendido, e olha que estou falando de Montreal, maior cidade dessa provincia, imagina as demais cidades de menor porte. Ou estou com muito azar ou trata-se de uma triste realidade…?
A área de comentários do IMB é um segundo artigo,kkk.
No Canadá por meio das redes provinciais de hospitais públicos e de estabelecimentos autônomos de saúde, todos os canadenses têm acesso aos hospitais e aos médicos que forem necessários, sem ônus para o usuário.
Os residentes em uma província mantêm seu direito de cobertura quando fixam residência em outra província ou se deslocam entre províncias, embora possam existir algumas restrições quanto à cobertura no exterior.
Não existem deduções, co-pagamentos ou limites em dinheiro quanto à cobertura de
serviços segurados.
Os médicos não pertencem aos quadros do funcionalismo público e são remunerados na base fee-for-service diretamente pelo governo.
Veja uma pequena lista de palavras ou frases que são inimigas da produtividade, da liberdade e os direitos individuais:
– social
– estado democrático de direito
– fortalecimento das instituições
– socialização
– democratização
– transparência
– função social
– o seu direito de voto
– administração pública
– bem estar social
– redistribuição
– igualdade
– minorias
– racionalização
– controlado e fiscalizado pelo Estado
– regulamentação
– imposto
– taxa
– obrigação moral
A ineficiência ou o fracasso dos modelos de saúde estatal já são esperados.
Mas sobre aumento de gastos, esse não é um fenômeno esperado, já que aumentos da expectativa de vida se desencadeiam em maiores despesas? Geralmente o público mais idoso é o que tem mais despesas com consultas, exames, remédios, etc. Ou seja, mesmo que a saúde fosse toda um modelo privado, não haveria aumento nesse “pib” da saúde?
Sobre o nosso SUS:
1- Veja um exemplo da “absoluta abundância” de recursos da saúde, para o tratamento de drogados: http://www.youtube.com/watch?v=qJIcv97rnWk&t=52s
2- Veja um exemplo da “absoluta abundância” de recursos da saúde, para tratamento de câncer no SUS: http://www.youtube.com/watch?v=7DLk5Th3agY
3- Veja um exemplo da “absoluta abundância” de recursos da saúde, para tratar crianças doentes: http://www.youtube.com/watch?v=LyFU5YAirKw
4- Veja um exemplo da “absoluta abundância” de recursos da saúde, para atendimento emergencial: http://www.youtube.com/watch?v=ZNb4yZd_Sdo
5- Veja um exemplo da “absoluta abundância” de recursos da saúde, para tratamento de AIDS: http://www.youtube.com/watch?v=gaLsCMwvwH8
6- Veja um exemplo da “absoluta abundância” de recursos da saúde, para conservação de hospitais públicos:
http://www.youtube.com/watch?v=OtqUFHY1P_4
Nem preciso falar da absoluta falta de recursos, para eliminar ou sequer combater a dengue, chikungunha, zika, etc.
O site possui algum artigo sobre o sistema de saúde do Reino Unido e da Europa?
Conheço um canadense que emigrou para os USA porque o sistema de saúde canadense matou a mãe dele…
E pouco depois matou o pai! Essas são exatamente as palavras dele!
Trabalho com assessoria de seguro, em relação a acidentes de transito é normal o SUS não operar pessoas jovens que sofreram fraturas não graves, eles só imobilizam e deixam o osso se calcificar de qualquer jeito, porém essa prática leva sequelas permanentes e quase irreversíveis, e o SUS não opera ninguém que tem essas sequelas causadas pelo não atendimento adequado deles mesmos. fora isso tem pessoas que morrem na fila de espera do Brasil, pq não tem a cirurgia a tempo, não tem cancer diagnosticado ainda no inicio, acidentes em que não procedimentos adequados a vitimas, falta de cuidado hospitalar que leva a perda de membros, o SUS é uma máquina de matar pobre e deixar eles sequelados.
Poderiam falar do sistema de saúde da Suíça que é privado.
Caso queiram saber que tipo de coisa agora se ensina para os médicos e futuros médicos, no Brasil:
1- http://www.youtube.com/watch?v=CV9T6mHJCo4
2- http://www.youtube.com/watch?v=LqyOzsOt2FU
3- http://www.youtube.com/watch?v=h3NSTzhNJoo
4- http://www.youtube.com/watch?v=IEqa_sHO9SA
5- http://www.youtube.com/watch?v=tKYmHhvJ1jU
6- http://www.youtube.com/watch?v=AXXXOFyXZek
7- http://www.youtube.com/watch?v=oHFCL0zZso8
Eu poderia fazer uma lista de quilômetros, sobre o quanto estas placeboterapias são nocivas à saúde pública.
Fico só nestes aí de cima.
Veja um vídeo engraçado, sobre estas placeboterapias no SUS: http://www.youtube.com/watch?v=-iOWVqphJ3Y
Não consigo levar a sério quem defende governo na educação e na saúde e é muito senso comum essa crença besta.
O importante é a igualdade. É preferível todo mundo mal, mas igualmente mal, do que todo mundo bem, mas alguns melhor que outros.
* * *
Fui ao hospital ontem aqui na provincia de New Brunswick onde moro e tive atendimento de hospital particular. Nao concordo com algumas premissas apresentadas do artigo, obvio que da pra melhorar, assim como tudo, mas o sistema particular e longe de ser desejavel conforme desenhado aqui. O unico pais onde a pessoa tem problema de saude e tem que se preocupar em declarar falencia do G7 voces sabem qual pais e? Os Estados Unidos.
Toda vez que leio artigos de cunho politico como esse, me pergunto qual e o objetivo? Aqui nos comentarios so to vendo um echo-chamber ferrado, ou o moderador esta sendo anti etico e so publicando os comentarios que interessa ou
porque bom mesmo deve pagar uma fortuna nos estados unidos, so pode. O MIses Brasil poderia talvez dedicar energia pra falar do maravilhoso sistema de saude do Brasil por exemplo.
Em toda democracia há aqueles que divergen da maioria. É o caso do canadense que escreveu este artigo.
Como um (também) canadense, sou muito feliz em poder ir a um especialista ou de fazer vários exames médicos sem ter que precisar apresentar um seguro-saúde (ou plano de saúde, como chamam no Brasil) para ser atendido.
E os aposentados aqui apreciam o fato de não terem que encontrar uma companhia de seguros que os aceite ou, quando a encontraram, de terem de pagar prêmios exorbitantes para terem acesso à assistência médica de que precisam.
É o Estado dando retorno ao cidadão dos impostos que pagou durante anos.
O sistema é perfeito ? Claro que não !
Que fique claro que esperar 21 semanas por um exame é uma exceção e não a regra. Maneiras de abordá-la: contratar mais médicos.
E, para esclarecer: as várias clínicas e especialistas que existem aqui pertencem à iniciativa privada. O papel do Estado é apenas administrar o sistema de forma de forma a que todo mundo tenha acesso a ele.
Não troco o sistema daqui pelo o dos EUA onde só tem acesso à especialistas quem tem uma apólice de seguro (plano de saúde) em mãos.
E a maioria dos canadenses tem orgulho disso. Tanto que todo governo que pretende alinhar o nosso sistema com dos americanos é deposto.
Ou seja, o que vocês leram nessa matéria é apenas um lado da moeda. O outro é muito positivo, garanto.
Acreditem se quiser, a maioria dos medicos clinicos gerais aqui, não sabem nem fazer uma sutura. São semi analfabetos, não sabem o básico. Hoje, 13/06/19, a nossa amiga está com um gesso no braco sem nem saber se está quebrado. Sofreu uma queda 2 dias atrás, o medico nao soube interpretar uma simples radiografia. O ” medico que a atendeu, enviou ela para um cirugiao plastico
É insano, e como dito no artigo, não ha outra opcao. Tudo que o governo oferece, a iniciativa privada não pode ofertar
Infelizmente tenho que endossar o autor do artigo. Precisei do sistema de saúde e foi uma experiência medieval.
Os que defendem o sistema público daqui me dizem: « ah, mas você acabou sendo operado, teve o tratamento que precisava, ficou num bom quarto e não pagou nada ».
Sim, estou vivo e recuperado, mas por um problema simples colocaram minha vida em risco por burocracia, falta de médicos e « amor a procedimentos ». Eu, no terceiro dia em jejum, numa maca no corredor, com dores horriveis, falava com médicos no Brasil e eles não entendiam como eu ainda não havia sido operado.
Por fim, uma coisa que seria simples teve uma complicação com risco de vida potencial, e acabaram realizando a cirurgia. Muito mais complexa do que se tivessem me tratado logo de cara. Se tivessem olhado os exames que eu havia trazido do Brasil (todos os médicos se recusaram a olhar). Se tivessem acreditado no que eu dizia sobre meu histórico médico. Mas aqui eles acham que todos são idiotas, que são incapazes de citar um resultado de exame (por sinal, somos proibidos de ver os resultados…).
Ainda por cima a anestesista se atrapalhou na entubação e saí da sala necessitando oxigênio porque ela me fez uma lesão pulmonar. Dias com oxigênio por conta desse erro. E ela inventou uma história absurda para justificar, que não vem ao caso aqui.
Conclusão: quero voltar para o Brasil logo. Aí eu pago um convênio e tenho um bom atendimento. Aqui é de graça para todos, mas muito ruim.
Como dizem: se precisar de atendimento, reze. Se te atenderem, reze mais ainda, porque é sinal de que você está morrendo.
Tem algum artigo no site sobre o sistema de saúde da Europa?
Sem ironia, eu pensava que o sistema médico do Canadá era muito bom devido a imagem que passou no documentário Sicko.
É uma boa em investir em fundos imobiliários no Brasil? Ou é arriscado por causa do governo?
Resumo do artigo: O Acesso à saúde deve deixar de ser um direito e passar a ser um luxo. Quem tiver dinheiro para acessar que o acesse, quem não tem, que morra.
Vocês também são contra as vacinas do COVID
Eu estava planejando fazer o Express Entry para imigrar pro Canadá que tem recebido muitos imigrantes do mundo todo. E isto me preocupou porque eu sou uma pessoa que sempre vou ao medico, tenho alterações as vezes e preciso de acompanhamento. Coisa que tenho em plano de saúde aqui no Brasil. Eu vejo alguns brasileiros que moram lá pelo Youtube, e um deles falou que caiu, bateu a cabeça com muita força e foi ao hospital pra tentar fazer um raio x, ficando la por mais de 12 horas e não foi atendido. Muita gente ja morreu de hemorragia internada por quedas assim, inclusive a esposa daquele ator o Liam Neelson.
Isto ate me preocupou na pronvicia que ele morava e vi outro brasileiro que disse que não tem “check up” no Canadá, as pessoas só vão quando estão doentes. Isto é bem complicado, eles não costumam previnir doenças, como cancer. Eu fiz um exame a 2 anos e foi retirado de mim polipos que poderiam virar cancer, coisa que não faria no Canadá pelo visto. Eu faço anualmente um checkup no cardiologista, vejo alterações no sangue e tudo mais, imagina fazer isto apenas de 3 em 3 anos. Vi algumas pessoas que moram na Inglaterra que passam por isto também, la eles não cuidam dos dentes e fazem apenas um hemograma a cada 3 a 5 anos eu acho.
Muita coisa pode ser evitada com exames anuais e esses países não fazem isso. E vendo esse texto, me fez desistir completamente do Canadá. Sempre quis morar em outro país, mas ta bem complicado.
“Os canadenses mais ricos recorrem à medicina americana. Os mais pobres morrem enquanto aguardam seu nome nas crescentes listas de espera.”
meu prezado liberal, nos USA também os mais ricos recorrem ao sistema privado, agora , me diga por quê há tantos mortos por covid nos USA? Por quê a população americana é a que tem mais obesos? A classe média e os pobres americanos estão entulhados de dívidas no sistema de saúde, no sistema educacional superior, enfim, um povo que tem que pagar por tudo. 2/3 dos americanos não ganham mais que $40.000 por ano, trabalham em média 50 horas por semana. Não existe sistema perfeito. Me diga um só país de economia liberal em que todos tem recursos suficientes para se tratar no sistema privado? Até a Inglaterra, berço do capitalismo, tem saúde financiada pelo Estado.
Saude é diferente de compra uma mercadoria, isso e dever do estado, nem todo mundo pode pagar um plano de saúde, e vacina e importante, mas aqui vejo ta cheio de terraplanista seguidor de Olavo de Carvalho .
Alguém aqui tem dados recentes mostrando que a saúde estatal do Canadá é um completo fracasso? Tipo, de 2018 em diante?