N. do E.: o artigo abaixo foi originalmente publicado em setembro de 2013. Algumas informações foram acrescentadas para torná-lo ainda mais completo.
Ao contrário do que muitos imaginam, a crise financeira não começou em 2008, mas sim em agosto de 2007, quando correntistas correram ao banco britânico Northern Rock para sacar seu dinheiro, levando o banco à falência. Esta foi a primeira corrida bancária em grande escala ocorrida desde 1930.
No entanto, pela narrativa popular, o ano de 2018 marca o décimo ano da crise, pois foi em 2008 que a crise se manifestou de maneira realmente intensa.
São inúmeros os analistas, comentaristas e, principalmente, acadêmicos que já se aventuraram a dar seus vaticínios sobre a crise financeira americana. No entanto, ausente de todos os comentários está aquele componente indispensável para toda e qualquer análise econômica minimamente séria e sensata: a imparcialidade. E presente em todos os comentários está aquele componente do qual, hoje em dia, ninguém abre mão: a propaganda ideológica.
A melhor maneira de se entender corretamente e de modo fácil todas as nuanças da crise financeira americana é fazendo uma narração cronológica e desideologizada dos eventos. Caberá ao leitor, no final, concluir qual dos dois lados tem razão: se aqueles que dizem que tudo foi causado por uma falta de regulamentação ou se aqueles que dizem que tudo foi causado por excesso de intervenção estatal.
A tempestade perfeita
A crise financeira americana — a qual foi gerada pelo estouro de uma grande bolha imobiliária — teve características grandiosas e espetaculares simplesmente porque ela apresentou uma combinação de elementos até então inédita na história de qualquer economia mundial. Nem mesmo a colossal crise financeira japonesa do início da década de 1990 — que também foi gerada pelo estouro de uma bolha imobiliária — apresentou uma conjunção tão harmoniosa de elementos a ponto de produzir um estrago semelhante.
Comecemos nossa análise com um gráfico que mostra o histórico da evolução dos preços dos imóveis americanos. Mais especificamente, o gráfico mostra a mediana dos preços de venda de imóveis novos.
Gráfico 1: mediana dos preços de venda de imóveis novos
O gráfico traz vários detalhes interessantes. Até o início da década de 1970, quando os EUA ainda viviam sob alguns resquícios de padrão-ouro, os preços dos imóveis permaneceram praticamente constantes. Durante a década de 1970, os preços praticamente duplicaram, mas isso foi efeito da alta inflação monetária ocorrida naquela década (que ficou conhecida como a década perdida dos EUA), e não especificamente de uma bolha.
Já durante a década de 1980 houve um mini-bolha, a qual estourou no início da década de 1990 (aficionados por economia podem pesquisar sobre a retração do mercado imobiliário americano nesta época).
A partir de 1993, início do governo Clinton, os preços voltaram a subir continuamente. E aceleraram vertiginosamente a partir de 2001 até entrarem em colapso em 2008.
Logo, partindo-se deste gráfico, dois eventos devem ser analisados:
1) O que gerou a ascensão de preços a partir de 1993?
2) O que gerou a súbita aceleração a partir de 2003?
A década de 1990
Foi na década de 1990 que duas políticas governamentais voltadas exclusivamente para o setor imobiliário — mais especificamente, para aumentar o número de proprietários de imóveis — foram intensificadas. Digo “intensificadas” porque estas políticas já existiam desde a década de 1970, mas foi somente na década de 1990 que elas ganharam poder total.
Quais foram estas políticas?
Fannie Mae e Freddie Mac
De um lado, havia duas empresas nominalmente privadas, mas que atendiam exclusivamente aos desejos do governo federal. Estas duas empresas se tornaram mundialmente conhecidas em 2008, quando houve a quebradeira: trata-se da Federal National Mortgage Association (popularmente conhecida como Fannie Mae) e a Federal Home Loan Mortgage Corporation (popularmente conhecida como Freddie Mac).
Essas duas empresas foram criadas pelo Congresso americano e são oficialmente conhecidas como “empresas apadrinhadas pelo governo”, pois usufruem vários privilégios concedidos pelo governo. Primeiro, vamos entender o que elas fazem; depois, veremos por que elas são assim conhecidas.
Fannie Mae e Freddie Mac são empresas voltadas exclusivamente para o mercado imobiliário. Mais especificamente, elas são empresas que existem para garantir liquidez ao mercado de hipotecas. Elas não
emprestam dinheiro para compradores de imóveis; elas apenas compram estes empréstimos dos bancos.
Funciona assim: um americano vai a um banco comercial qualquer e pede um empréstimo para comprar um imóvel. Ato contínuo, o banco cria dinheiro eletrônico e acrescenta estes dígitos eletrônicos na conta do tomador de empréstimo, que agora utilizará este dinheiro para comprar um imóvel. Por uma questão de regra contábil, sempre que um banco concede um empréstimo, ele está criando um ativo e um passivo: o ativo é o valor do empréstimo, o passivo é o dinheiro que ele deu ao tomador de empréstimo.
Atenção, pois esta parte é crucial: se um banco concede um empréstimo, o valor do seu ativo aumenta. Quanto mais empréstimos ele concede, maior o valor do seu ativo (e, consequentemente, do seu passivo). Por uma questão de regulamentação bancária (tanto do Banco Central americano quanto do Banco da Basileia), há um limite para o crescimento destes ativos. Em termos técnicos, os ativos têm de manter uma proporção máxima em relação ao patrimônio líquido do banco. Portanto, um banco não pode sair concedendo empréstimos a rodo, pois ele rapidamente atingiria este limite determinado.
E é exatamente nesse ponto que Fannie e Freddie entram em cena. A função destas empresas era comprar dos bancos comerciais exatamente estes empréstimos (títulos hipotecários) que eles concediam para compradores de imóveis.
Ou seja: quando um banco comercial concedia um empréstimo imobiliário, ele colocava em seus ativos o valor total do empréstimo. Mas se ele vendesse esse ativo (título hipotecário) para uma terceira parte, este ativo sairia de seus livros contábeis, ele receberia de volta a quantia que emprestou (na verdade, receberia
um valor mais alto) e, em seguida, estaria livre para voltar a fazer novos empréstimos sem ultrapassar aquele limite entre ativos e patrimônio líquido estabelecido pelo Banco Central e por Basiléia.
Em resumo: Fannie e Freddie, ao comprarem as carteiras de empréstimos imobiliários dos bancos, permitiam que os bancos dessem continuidade aos seus empréstimos. Em outras palavras, após um banco conceder um empréstimo para um comprador de imóveis, ele podia vender este empréstimo para Fannie ou Freddie. Ato contínuo, este empréstimo não mais estaria nos livros contábeis do banco, o qual estaria agora livre para fazer novos empréstimos.
Uma vez em posse dos títulos hipotecários, Fannie e Freddie agora eram as responsáveis pelos empréstimos. A relação agora era entre elas e os tomadores de empréstimos imobiliários. Enquanto estes continuassem pagando suas hipotecas, Fannie e Freddie continuariam tendo um fluxo de caixa. Se os tomadores de empréstimos dessem o calote, Fannie e Freddie teriam enormes prejuízos. Seus títulos hipotecários seriam remarcados para um valor zero e o patrimônio líquido de ambas seria severamente afetado.
Observe que os bancos que fizeram os empréstimos originais estão fora da jogada. Eles não mais são os responsáveis pelo empréstimo e não mais lidam com o tomador do empréstimo. Eles estão livres para voltar ao mercado imobiliário e conceder novos empréstimos. Era uma espécie de moto-perpétuo.
Fannie e Freddie tinham duas opções: elas podiam manter em suas carteiras os empréstimos que compraram dos bancos (e, assim, aufeririam as receitas) ou podiam empacotar esses empréstimos e vender para investidores ao redor do mundo. Esses empréstimos imobiliários vendidos por Fannie e Freddie para os investidores ao redor do mundo ficaram conhecidos como “títulos lastreados em hipotecas” (as famosas mortgage-backed securities).
Tradicionalmente, quando uma pessoa pega um empréstimo para comprar um imóvel, cria-se uma dívida
entre ela e o banco. Se a pessoa irá honrar sua dívida ou não, é problema do banco. No cenário americano, Freddie e Fannie fizeram com que os bancos não mais se preocupassem com nada disso, pois eles sabiam que, tão logo concedessem um empréstimo imobiliário, Fannie e Freddie estavam lá para comprar este empréstimo a um valor acima do montante concedido.
Desnecessário dizer que todo este processo — ao facilitar enormemente a compra de imóveis — gerou muito mais empréstimos imobiliários do que normalmente ocorreria. Este direcionamento artificial de recursos para o mercado imobiliário aditivou os preços dos imóveis.
Freddie e Fannie garantiam todas as hipotecas que empacotavam e vendiam no mercado secundário, pois usufruíam uma linha especial de crédito junto ao Tesouro americano. Isso significa que, em tese, quem comprasse as hipotecas vendidas por Freddie e Fannie estava segurado pelo governo americano.
Esta garantia implícita de proteção conseguiu atrair um contínuo financiamento de investidores — que investiam dinheiro nestas empresas e compravam seus títulos lastreados em hipotecas –, pois estes investidores sabiam que, caso houvesse calotes nas hipotecas, Fannie e Freddie cobririam tudo. E caso a coisa degringolasse e Fannie e Freddie quebrassem, ambas seriam socorridas pelo governo americano.
(Para se ter uma ideia da amplitude destas empresas, em setembro de 2008, quando o governo americano efetivamente nacionalizou ambas as empresas, elas detinham metade das hipotecas do país e praticamente 75% das hipotecas recém-concedidas.)
Por fim, vale ressaltar que Fannie e Freddie estavam profundamente envolvidas em politicagem. A Fannie,
mais especificamente, foi utilizada por políticos democratas que queriam diminuir as exigências que a empresa impunha para conceder empréstimos a pessoas de mais baixa renda. Tudo em nome de estar
ajudando os “necessitados”. Em setembro de 1999, ninguém menos que o próprio The New York Times publicou uma reportagem dizendo que a Fannie Mae estava afrouxando as exigências de crédito para as hipotecas que ela comprava dos bancos. Segundo o próprio Times, a iniciativa era perigosa porque iria
estender hipotecas para indivíduos cujo histórico de crédito não são bons o suficiente para se qualificarem para empréstimos convencionais. […] Fannie Mae tem estado sob intensa pressão do governo Clinton para dar sustentação a hipotecas de pessoas de renda baixa e moderada. […] [Embora] as novas hipotecas sejam estendidas para todos os potenciais tomadores de empréstimos, [um dos objetivos do programa é] aumentar o número de proprietários de imóveis entre as minorias e os indivíduos de baixa renda, os quais tendem a apresentar um histórico de crédito pior que os dos brancos não-hispânicos.
Ao se aventurar, mesmo que temporariamente, nesta nova área de empréstimos, a Fannie Mae está assumindo riscos consideráveis. […] Esta corporação subsidiada pelo governo pode vir a enfrentar problemas caso haja uma recessão econômica, o que levará o governo a socorrê-la.
Ou seja, até mesmo o The New York Times já havia percebido o risco envolvido nessa nova empreitada.
Não é o intuito deste artigo entrar em detalhes sobre o funcionamento de Freddie e Fannie, pois isso tomaria o espaço de um livro. Há uma ampla literatura dedicada exclusivamente ao assunto (neste site há inclusive um artigo dedicado exclusivamente a estas empresas) e nada do que foi dito aqui é controverso. Políticos democratas utilizaram estas agências para garantir que minorias e pessoas de baixa renda, sem nenhum histórico de crédito, conseguissem empréstimos para comprar a casa própria. Estas seriam as mesmas pessoas que, como veremos mais abaixo, começaram a dar calotes nos empréstimos.
CRA e ações afirmativas
Mas apenas Fannie e Freddie não seriam capazes de estimular todo o mercado imobiliário, e muito menos o mercado subprime (subprime se refere a tomadores de empréstimo com histórico de crédito ruim). É aí que entra em cena a segunda política governamental: ação afirmativa para empréstimos.
Fannie e Freddie não eram as únicas entidades utilizadas para reduzir os padrões de empréstimos. Agências governamentais de vários tipos começaram a pressionar os bancos a fazerem empréstimos mais
arriscados, e tudo em nome da “igualdade racial”. Caso se recusassem a assumir este comportamento temerário, os bancos poderiam ser legalmente processados por discriminação e racismo.
Em 1992, um estudo feito pela sucursal do Federal Reserve de Boston afirmou ter encontrado claras evidências de que, mesmo levando-se em conta as diferenças na capacidade creditícia de cada indivíduo, as minorias recebiam menos empréstimos do que os brancos. Tal estudo foi considerado como definitivo por aqueles já dispostos a acreditar em sua conclusão, a saber: que os bancos americanos discriminavam negros e hispânicos — mas, curiosamente, não discriminavam os asiáticos, que recebiam ainda mais empréstimos do que os brancos.
Este estudo ressuscitou uma lei conhecida Community Reinvestment Act. Trata-se de uma lei criada ainda no governo de Jimmy Carter, no final da década de 1970, e que foi plenamente revigorada no governo Clinton. Esta lei deixou os bancos à mercê de processos por discriminação caso eles não emprestassem para minorias em um volume suficientemente alto, que satisfizesse as autoridades.
De acordo com as regras do Community Reinvestment Act (CRA), se um banco quisesse fazer qualquer alteração em suas operações comerciais — fusão, abertura de uma filial, entrada em uma nova linha de negócios –, ele deveria primeiro provar aos reguladores que ele, o banco, já fez uma quantidade “suficiente” de empréstimos aos mutuários preferidos do governo — no caso, minorias e pessoas de baixa renda.
E, a partir de 1995, o governo americano passou a pressionar os bancos para que fizessem empréstimos sem que pudessem verificar critérios minimamente prudentes, como histórico de crédito do tomador de empréstimo, seu histórico de poupança e a magnitude do pagamento da hipoteca em relação à sua renda. Os bancos não podiam nem sequer verificar a renda do mutuário. Adicionalmente, o Banco Central americano (Fed) havia dito aos bancos que a simples participação deste mutuário em programas de aconselhamento de crédito, muitos dos quais são financiados com fundos federais, poderia ser usada como “prova” da capacidade desse mutuário de baixa renda honrar seus pagamentos hipotecários.
Em outras palavras, os reguladores bancários federais exigiram que os bancos fizessem empréstimos ruins
baseando-se em padrões de crédito inexistentes.
Vale novamente enfatizar que nada do que foi escrito até agora é matéria de controvérsia ou de dúvidas. Toda a literatura a respeito do CRA e das políticas de ação afirmativa impostas por este decreto são de conhecimento público. Para detalhes mais profundos sobre o tema, recomendo este artigo, bem como todas as suas referências bibliográficas.
A década de 2000 — a intensificação de tudo
Até aqui, falamos apenas sobre duas políticas governamentais voltadas para estimular a aquisição de imóveis: as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, e o decreto CRA.
Estas duas políticas governamentais ajudam a explicar por que houve uma bolha imobiliária, mas elas por si sós não justificam toda a amplitude da bolha imobiliária. Adicionalmente, como mostrado no gráfico 1, foi só a partir da década de 2000 que os preços dos imóveis realmente dispararam. Por quê?
Incentivos à especulação
Em primeiro lugar, é crucial entender a questão dos incentivos.
A partir do momento em que os critérios exigidos para se conceder empréstimos imobiliários foram artificialmente relaxados por imposição do governo americano, e a partir do momento em que o próprio governo adotou políticas que estimulavam a aquisição de imóveis, foi apenas uma questão de tempo para que o setor imobiliário se tornasse um território propício à especulação.
O aumento na demanda por imóveis — estimulado pelo acesso artificialmente facilitado aos financiamentos — gerou um inevitável e contínuo aumento nos preços dos imóveis. Este aumento contínuo, por sua vez, produziu o “inesperado” efeito de atrair especuladores para o mercado imobiliário.
Tornou-se extremamente comum um indivíduo adquirir um empréstimo, comprar uma casa, fazer alguns aprimoramentos nesta casa e, apenas um ano depois, revendê-la a um preço muito maior, entregando a hipoteca para o novo comprador que, seis meses depois, faria a mesma coisa que seu antecessor. Ou seja, comprar um imóvel havia virado um investimento altamente rentável e de ganho certo.
Aqueles que não compravam com a intenção de revender passaram a utilizar suas casas como um caixa eletrônico: sempre que o imóvel se valorizava, o indivíduo ia ao banco e, utilizando o novo valor da sua casa como colateral, negociava um novo empréstimo para gastar em bens de consumo, como carros e televisores de plasma.
Um arranjo como este perdura enquanto os preços dos imóveis estiverem em ascensão. Se os preços começarem a cair, duas coisas ocorrerão: a revenda do imóvel passará a dar prejuízo e o valor da hipoteca será maior do que o valor do imóvel, o que impedirá qualquer tipo de renegociação com os bancos e deixará o mutuário com um patrimônio negativo. Em suma, todo o esquema especulativo virá abaixo.
E não apenas isso: dar o calote e abandonar o imóvel passará a ser a opção mais racional (e, como veremos mais abaixo, foi isso o que ocorreu no final da década.)
Agências de classificação de risco
Mas o que tornou possível essa contínua especulação? O que fez com que Fannie e Freddie fossem capazes de comprar e revender títulos lastreados em hipotecas ininterruptamente?
Como dito acima, em setembro de 2008, ambas as empresas detinham metade das hipotecas do país e praticamente 75% das hipotecas recém-concedidas. De onde vieram os fundos que permitiram isso? Resposta: de duas fontes.
Em primeiro lugar, não se pode de modo algum ignorar a função deletéria exercida pelas agências de classificação de risco, como Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s. Sem elas, a bolha imobiliária certamente teria sido menor. Qual foi o estrago que elas fizeram?
Para entender, voltemos àquele exemplo prático dado logo no início do artigo. Um americano típico, John Smith, vai a um banco qualquer e consegue um empréstimo para comprar um imóvel. Ato contínuo, este banco irá revender este empréstimo (que é um ativo) para Fannie e Freddie. Ambas terão a opção de ou manter este ativo ou revender este ativo. Na maioria das vezes, como mostram os números do parágrafo acima, elas mantinham este ativo em suas carteiras.
Porém, em vários casos, elas empacotavam estes ativos e revendiam para investidores de todo o mundo, em sua esmagadora maioria grandes conglomerados financeiros e grandes bancos de investimento.
Bear Stearns, Lehman Brothers, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Merril Lynch, Morgan Stanley, Citibank, Bank of America eram os compradores americanos mais famosos, ao passo que Barclays, Royal Bank of Scotland e Northern Rock (Reino Unido), BNP Paribas e Société Générale (França), Credit Suisse e UBS (Suíça), e Deutsche Bank (Alemanha) eram os mais famosos compradores da Europa.
Esta prática de empacotar ativos e revendê-los é chamada de securitização. O principal problema com esta securitização é que ela misturava ativos bons (mutuários com bom histórico de crédito) com ativos ruins (mutuários sem nenhum histórico de crédito) no mesmo pacote. Logo, quem comprava um pacote contendo ativos bons também acabava por tabela adquirindo ativos ruins.
Esse empacotamento de ativos bons com ativos ruins passou a ser chamado de Collaterized Debt Obligation (CDO), algo que pode ser traduzido como Obrigação de Dívida Colateralizada.
Qualquer calote dado nos ativos ruins afetaria sobremaneira os balancetes das instituições em posse destes CDOs.
Portanto, a pergunta inevitável é: como estes grandes bancos foram seduzidos a comprar estes ativos contaminados? Resposta: porque agências de classificação de risco, como Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s, deram classificação máxima (AAA) para estes ativos.
O que nos leva à próxima pergunta: por que estas agências cometeram erros tão crassos? As respostas variam.
Há quem diga que, como durante todo o período os preços dos imóveis só faziam subir e os títulos lastreados em hipotecas estavam gerando grandes retornos, com pouquíssimos calotes, as agências optaram pela decisão superficial de classificá-los de maneira extremamente favorável. Há também quem diga que todos os departamentos do governo federal americano que possuíam ligações com o setor imobiliário e que estavam incentivando políticas de compra de imóveis fizeram pressão neste sentido. Neste caso, as agências de classificação de risco simplesmente não quiseram se opor a iniciativas politicamente populares.
O que realmente se sabe é que estas três agências de classificação de risco são um cartel estritamente regulado pela SEC (a CVM americana). É a SEC quem permite a existência destas três agências, e é ela quem regulamenta e decide quem pode e quem não pode entrar neste mercado.
Na prática, isso significa que não pode surgir concorrência externa, pois o governo não deixa. Quem vai ter cacife para bancar uma agência de classificação de risco que seja genuinamente independente neste cenário altamente regulamentado? Há um longo e extenuante processo burocrático-regulatório, de modo que é impossível surgir uma agência para confrontar as classificações destas três grandes.
Portanto, é perfeitamente plausível imaginar que estas três agências não iriam querer criar turbulência política e se indispor com o governo americano rebaixando a classificação dos títulos hipotecários. Isso poderia colocar em risco seu privilegiado cartel (totalmente protegido pelo governo americano) e, consequentemente, afetar seus portentosos lucros.
O fato é que estas agências merecem toda a culpa que lhes foi atribuída. Elas estavam apenas fazendo o que o governo lhes mandava.
O principal culpado de tudo
No entanto — e este é o tema desta seção — absolutamente nada disso teria sido possível caso não houvesse uma entidade com o poder legal de criar dinheiro do nada e injetar este dinheiro no setor bancário para que os bancos pudessem continuamente criar mais empréstimos.
Sem uma entidade alimentando todo este sistema com dinheiro criado do nada, não teria sido possível que (1) os empréstimos bancários para a aquisição de imóveis aumentassem continuamente por 15 anos; (2) que os preços dos imóveis disparassem, alimentando todos os tipos de atividades especulativas; (3) que Fannie Mae e Freddie Mac fossem capazes de atrair um volume cada vez maior de dinheiro de investidores por contarem com a proteção implícita do governo; (4) que o decreto CRA fosse bem- sucedido em obrigar os bancos a continuamente fazer empréstimos para pessoas com histórico de crédito duvidoso.
Em suma: sem um Banco Central criando dinheiro e dando este dinheiro aos bancos para que estes concedessem empréstimos — e, com isso, fizessem com que a quantidade de dinheiro na economia americana aumentasse continuamente –, não teria como haver uma bolha imobiliária. Certamente, não uma bolha destas proporções.
Todo este novo dinheiro criado pelo Banco Central americano (Fed) e multiplicado pelo sistema bancário por meio do processo de reservas fracionárias foi majoritariamente canalizado para o setor imobiliário. E, para intensificar ainda mais as distorções, os critérios excessivamente frouxos para a concessão de empréstimos — critérios estes gerados por políticas governamentais criadas exatamente com este propósito — fizeram com que especulações e compras imobiliárias excessivas parecessem investimentos geniais.
Portanto, eis o resumo: as medidas governamentais visando à redução dos padrões de empréstimos em conjunto com os privilégios usufruídos pelas para-estatais Fannie Mae e Freddie Mac desviaram para o setor imobiliário uma fatia extremamente volumosa de todo o dinheiro que o Banco Central e o sistema
bancário do EUA estavam criando. Para tornar a tempestade ainda mais perfeita, as agências de classificação de risco contribuíram para a bagunça concedendo classificação máxima para todos os títulos imobiliários oriundos deste arranjo, principalmente aqueles títulos de emprestadores sem nenhum histórico de crédito. Isso fez com que os grandes bancos americanos, e também os grandes bancos estrangeiros, comprassem títulos hipotecários em quantias volumosas, permitindo que Fannie e Freddie continuassem dando liquidez ao mercado imobiliário, perpetuando a bolha.
Mas foi o Fed, em última instância, quem tornou possível todo o boom artificial do setor imobiliário, e foi todo o dinheiro por ele criado quem forneceu o principal estímulo à subida estrondosa dos preços dos imóveis vista na década de 2000.
Anatomia do colapso
Tendo em mente todo este arranjo, e sabendo como tudo funcionava, podemos agora ver como tudo ocorreu.
A bonança
Todo o processo começou a ser desencadeado no final do ano 2000, quando houve o estouro da bolha das empresas de tecnologia. Temendo uma iminente recessão, o Fed aumentou suas injeções de dinheiro no sistema bancário para gerar uma redução nos juros. Estas injeções de dinheiro foram intensificadas logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Durante este período, a taxa básica de juros da economia americana caiu de 6,5% para 1%. E assim ficou até meados de 2004.
O gráfico abaixo ilustra este período. A linha azul, eixo da esquerda, mostra a evolução da taxa básica de juros da economia americana. A linha vermelha, eixo da direita, mostra a evolução da base monetária, que é uma variável sob total controle do Banco Central, e que representa todo o dinheiro criado pelo Banco Central. Observe a aceleração ocorrida a partir de 2001.
Gráfico 2: evolução da taxa básica de juros (linha azul, eixo da esquerda) e evolução da base monetária (linha vermelha, eixo da direita).
Este aumento na base monetária deixou os bancos repletos de dinheiro para ser emprestado. E emprestar foi o que eles fizeram, e majoritariamente para o setor imobiliário.
O gráfico abaixo mostra os empréstimos totais feitos pelo setor bancário (linha azul). E mostra também os empréstimos exclusivamente voltados para a aquisição de imóveis (linha vermelha). Observe a evolução desde 1980, e a grande aceleração ocorrida na década de 2000.
Gráfico 3: evolução do crédito total concedido pelo setor bancário (linha azul) e evolução do crédito total concedido à compra de imóveis (linha vermelha).
Vale observar que, de 2000 a 2008, o crédito total aumenta incríveis 100%, de US$ 3,5 para US$ 7 trilhões. Isso significa que o sistema bancário, estimulado pelo Fed, jogou US$ 3,5 trilhões na economia americana em apenas 8 anos. Para a aquisição de imóveis foram direcionados “módicos” US$ 2 trilhões (de US$ 1,5
trilhão para US$ 3,5 trilhões).
Ou seja, dos US$ 3,5 trilhões jogados na economia, US$ 2 trilhões foram para o setor imobiliário. Acrescente a isso todas as medidas governamentais citadas ao longo deste artigo, e realmente não há
absolutamente nenhum motivo para se estranhar a bolha imobiliária que foi formada.
Isso explica toda aquela elevação de preços observada no gráfico 1. De 1993 a 2006, os preços dos imóveis se apreciaram acentuadamente. Em alguns mercados específicos, até mesmo os preços das moradias mais simples se tornaram astronomicamente altos. Esta subida nos preços estimulava novos investimentos em mais construções de imóveis, o que gerava um aumento na oferta de imóveis. E este aumento na oferta de imóveis viria, mais à frente, a exercer uma pressão baixista nos preços dos imóveis.
O colapso
A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário. Consequentemente, os juros
começaram a subir.
O gráfico abaixo mostra esta correlação entre desaceleração do crescimento da base monetária e aumento da taxa básica de juros.
Gráfico 4: evolução da taxa básica de juros (linha azul, eixo da esquerda) e evolução da base monetária (linha vermelha, eixo da direita).
Este aumento da taxa básica de juros de 1% para 5,25% afetou as taxas de juros dos empréstimos imobiliários.
Os juros das hipotecas com taxas ajustáveis (linha vermelha) saem de uma mínima de 3,5% no início de 2004 e vão para quase 6% (aumento de 71%) em meados de 2006. Já os juros das hipotecas convencionais, de 30 anos (linha azul), vão de 5,5% para quase 7% (aumento de 27%) neste mesmo período.
Gráfico 5: evolução das taxas de juros das hipotecas com taxas ajustáveis (linha vermelha) e evolução das taxas de juros das hipotecas convencionais, de 30 anos (linha azul)
Este aumento dos juros não só esfriou a demanda por imóveis como também elevou o número de calotes nas hipotecas.
Uma redução na demanda por imóveis em conjunto com um acentuado aumento na oferta de imóveis gerou o inevitável: no final de 2006, os preços começaram a cair. A queda nos preços — na realidade, a percepção de que os preços não mais iriam aumentar — arrefeceu toda a atividade especulativa. Pessoas que haviam comprado imóveis para especular viram que a festa havia acabado. O que elas fizeram? Simplesmente pararam de pagar suas hipotecas. Deram o calote. Por quê? Porque elas haviam pegado empréstimos extremamente generosos, que não exigiam absolutamente nenhum pagamento de entrada. Elas simplesmente abandonaram seus imóveis. Não perderam nada.
Já outras pessoas pararam de pagar suas hipotecas simplesmente porque o aumento
dos juros havia tornado impossível continuar honrando suas prestações. Elas se tornaram inadimplentes.
A combinação destes dois fatores fez com que os calotes totais nos empréstimos imobiliários disparassem. Começou timidamente em 2006. Disparou em 2007. Foi para a estratosfera em 2008.
De 2005 até o final de 2008, os calotes pularam de US$ 20 bilhões para US$ 170 bilhões. Um aumento de 750% em 4 anos.
Gráfico 6: Inadimplência total dos empréstimos garantidos por imóveis
A partir daí, o resto é história.
O aumento nos calotes fez com que todos os bancos de investimento que haviam comprados títulos lastreados em hipotecas repentinamente não mais auferissem essa receita. O valor destes ativos caiu
para zero. Uma redução nos ativos sem uma concomitante redução nos passivos fez com que vários destes bancos sofressem uma brutal redução em seu capital (patrimônio líquido).
Com o capital afetado, os bancos simplesmente pararam de conceder novos empréstimos, inclusive entre eles próprios no mercado interbancário. Isso gerou o famoso problema do congelamento do mercado de crédito. (Veja no gráfico 3 como a linha azul se torna plana no primeiro semestre de 2008). Consequentemente, vários bancos começaram a enfrentar sérios problemas de liquidez.
O estopim
Essa crise começou a se tornar mundialmente visível em agosto de 2007. No dia 9 daquele mês, o banco francês BNP Paribas anunciou que estava suspendendo saques em dois dos seus fundos que haviam investido volumosamente em títulos lastreados em hipotecas americanas. Isso afetou o banco britânico Northern Rock, que dependia exatamente destes fundos de investimento para conseguir liquidez.
O caso do Northern Rock é interessante porque ele resume perfeitamente o modus operandi de todos os outros bancos à época: ele tomava empréstimos no mercado financeiro internacional, utilizava esse dinheiro para conceder empréstimos imobiliários (hipotecas), e então revendia essas hipotecas no para todos os bancos de investimento do mundo (esse processo era conhecido como securitização). Em agosto de 2007, quando a demanda dos investidores por hipotecas securitizadas começou a cair forte, as receitas do Northern Rock desabaram. Essa escassez de dinheiro fez com que o banco se tornasse incapaz de quitar os empréstimos que pegou no mercado financeiro internacional.
Logo, sem receitas e sem conseguir um empréstimo de curto prazo no mercado bancário para rolar suas
dívidas, o Northern Rock recorreu ao Banco Central da Inglaterra para pedir um empréstimo de 3 bilhões de libras.
Tudo parecia estar indo bem, exceto por um detalhe: um informante dentro do Banco da Inglaterra alertou a BBC sobre a operação no dia 13 de setembro de 2007.
A notícia de que o banco estava insolvente se espalhou como fogo na pólvora e, na manhã seguinte, houve uma corrida bancária ao Northern Rock, com correntistas ávidos para sacar seu dinheiro. Foi a primeira corrida bancária em larga escala desde 1930. O governo britânico anunciou que iria garantir todos os depósitos do banco. No dia 17 de fevereiro de 2008, após o governo recusar várias ofertas de aquisição pelos outros bancos, o Northern Rock foi nacionalizado.

O banco de investimentos Bear Stearns se tornou insolvente em março de 2008. O Tesouro americano orquestrou sua aquisição pelo JP Morgan.
No dia 7 de setembro, Fannie Mae e Freddie Mac foram nacionalizadas completamente.
Na semana seguinte, o Fed orquestrou a aquisição do Merril Lynch pelo Bank of America.
No dia 15 de setembro, o Lehman Brothers anunciou sua falência. Não houve socorro.
No dia seguinte, a seguradora AIG, de alcance global, também anunciou que estava sem dinheiro. O caso da AIG é interessante. Ela repentinamente se descobriu sem dinheiro não porque havia investido em títulos lastreados em hipotecas, mas sim porque havia emitidos seguros contra o calote de hipotecas (os chamados “credit default swaps”). Sempre que uma instituição era caloteada por algum devedor, ela recorria à AIG, que havia emitido apólices contra esses calotes hipotecários.
Com a súbita disparada nos calotes, a AIG repentinamente foi para o vermelho.
E por que a AIG havia emitido tantas apólices de seguro contra calotes de hipotecas? Porque ela havia sido informada pelo governo de que os preços dos imóveis jamais cairiam, e havia também sido informada pelas três agências de classificação de risco e que os títulos lastreados em hipotecas eram AAA — isto é, extremamente confiáveis e seguros.
Ou seja, em troca desta segurança prometida, a AIG emitiu várias apólices e coletou uma boa soma em prêmios. Até que tudo se reverteu, e todos os bancos foram correndo reclamar suas indenizações.
No total, até o fim do ano de 2008, o Fed viria a emprestar US$ 125 bilhões para a AIG em troca de 80% da empresa. Segundo o The New York Times, esta foi “a mais radical intervenção no setor privado em toda a história do Banco Central”.
A mudança radical do Fed
Após todas estas intervenções, o Fed assumiu uma postura totalmente inaudita em toda a sua história: ele simplesmente passou a comprar todos os títulos hipotecários em posse dos bancos. Ou seja, ele passou a imprimir dinheiro e dar aos bancos em troca dos títulos hipotecários em posse destes bancos.
Isso limpou o balancete dos bancos e fez com que a base monetária explodisse. No entanto, e felizmente, todo este aumento da base monetária não se converteu em expansão do crédito. Ou seja, os bancos não jogaram todo este dinheiro na economia. A oferta monetária continuou crescendo no mesmo ritmo de antes da crise.
A quase totalidade do aumento da base monetária transformou-se em “reservas em excesso”. “Reservas em excesso” são as reservas que os bancos mantêm voluntariamente depositadas junto ao Fed, além do volume determinado pelo compulsório.
E por que os bancos fizeram isso? Por que eles preferiram manter o dinheiro no Fed a emprestá- lo? Porque o Fed passou a pagar juros sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos voluntariamente deixarem parada neste mercado. Ou seja, na prática, o Fed passou a pagar para os bancos não emprestarem esse dinheiro.
Portanto, de um lado o Fed explodiu a base monetária; de outro, ele colocou uma rolha no mecanismo de transmissão, fazendo de tudo para impedir que essa explosão da base monetária se transformasse em uma explosão no M1 e no M2. Isso foi uma prática completamente inédita nos anais da política monetária. Nenhum Banco Central jamais havia feito isso na história do mundo. Nenhum manual ou livro-texto de macroeconomia jamais discutiu essa possibilidade.
O gráfico abaixo mostra a evolução da base monetária (linha azul) e das reservas em excesso (linha vermelha), que representa o dinheiro que os bancos não emprestaram ao público porque preferriam mantê-lo voluntariamente depositado junto ao Fed, que passou a pagar juros sobre este montante.
Gráfico 7: evolução da base monetária (linha azul) e evolução das reservas em excesso (linha vermelha)
Toda esta nova política adotada pelo Fed resultou em um generoso e gratuito subsídio para o sistema bancário. No final, não apenas seus lucros dos tempos da bonança foram mantidos, como os prejuízos
ainda foram socializados. Atualmente, os bancos de Wall Street operam em um regime de risco quase nulo: eles fazem empréstimos hipotecários, revendem os títulos das hipotecas para o Fed, recebem o dinheiro de volta (com um lucro), e ainda deixam boa parte deste dinheiro recebido do Fed depositado no próprio Fed, que paga juros sobre este montante.
Por causa de toda a intervenção governamental, toda a lambança acabou valendo a pena para os bancos.
Conclusão e a diferença para o Brasil
Não é o escopo deste artigo fazer digressões sobre como o governo americano e seu Banco Central deveriam ter atuado durante a crise. Crises bancárias são um assunto vasto e complexo, e merecem um artigo à parte (um esboço pode ser visto aqui e um mais completo aqui). Tampouco houve o intuito de fazer algum juízo de valor. A única intenção foi mostrar, sem ideologias ou partidarismos, como realmente se desenrolou todo o processo que levou à formação de uma bolha imobiliária, como se deu seu estouro e como isso afetou todo o sistema bancário.
De posse de todas as informações aqui contidas, o leitor deve se fazer as três seguintes perguntas:
1) Todo este arranjo apresentado configura um sistema totalmente desregulamentado, um genuíno laissez-faire, ou, ao contrário, representa um sistema fortemente intervencionista, no qual políticos, burocratas e reguladores determinavam regras e agitavam em prol de suas conveniências?
2) Um sistema bancário que goza de uma garantia implícita dada pelo governo — de que haverá socorro caso as coisas deem erradas — tende a apresentar comportamentos mais temerários ou mais prudentes?
3) Sem um Banco Central criando dinheiro e permitindo aos bancos manterem suas expansões creditícias de modo crescente, será que tudo isso teria sido possível?
As respostas a estas perguntas têm de estar claras antes de se iniciar qualquer debate a respeito da crise.
Por último, vale uma digressão: isso teria chance de ocorrer no Brasil?
À época, vários defensores do intervencionismo vieram a público, e com grande júbilo, para dizer que o que havia ocorrido no sistema bancário americano se devia à total falta de regulamentação do setor. E acrescentavam dizendo que, no Brasil, isso jamais aconteceria, pois aqui o sistema bancário é extremamente regulado.
Só que a realidade é bem diferente: no Brasil, ao menos oficialmente, não é o governo quem garante o sistema bancário em caso de quebras, mas sim os recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que é uma instituição privada e mantida pelos próprios bancos. Já nos EUA, quem garante os bancos é o próprio governo federal, por meio da Federal Deposit Insurance Corporation, uma instituição estatal.
Ou seja, no Brasil, os bancos sabem que, se forem imprudentes, é o próprio dinheiro deles que terá de ser usado para socorrê-los (o PROER da década de 1990 nada tinha a ver com o comportamento dos bancos, mas sim com a radical mudança do regime monetário, obra do próprio governo).
Já nos EUA, os bancos sabem que, caso algo dê errado, o governo federal está pronto para socorrê-los, pois esta é exatamente sua auto-declarada função.
Qual arranjo pode ser considerado o mais intervencionista?

Artigo muito bem escrito e claro. Parabéns
“…elas detinham metade das hipotecas do país e praticamente 75% das hipotecas recém-concedidas”””
Qualquer semelhança com a nossa querida CEF é mera coincidência.
Leandro, bom dia,
Este processo brilhantemente explicado por você acabou gerando a bolha imobiliária americana e consequentemente a crise financeira americana.
Eu estaria certo em dizer que as respostas dadas pelas autoridades americanas a tal crise gerou e está gerando bolhas em todo o mundo, inclusive o Brasil.
Já se sabe que na Espanha houve um estouro da bolha imobiliária, no brasil penso que ela ainda não estourou e que só irá de fato estourar após as eleições presidenciais de 2014, visto que, qualquer que seja o vencedor, terá que necessariamente corrigir o desequilíbrio existente no setor da construção civil. Você acha que estou pensando de forma correta?
Na certeza de ser atendido, desde já antecipo meus agradecimentos.
Atenciosamente,
Flávio
Em tempo, parece claro que essa crise ainda não acabou. Falta o último capítulo: Colocar essas toneladas de dólares de “reservas em excesso” de volta na economia.
Excelente artigo. Finalmente entendi a crise de 2008. Deve ser compartilhado em toda e qualquer rede social.
Realmente. A cronologia de uma medida aparentemente isolada, todavia com implicações associativas, amplia a capacidade perceptiva. Carter, Clinton, Alan Greenspan, instituições. Creio que o melhor remédio para a idolatria é o ceticismo.
Parabéns pelo artigo Leandro Roque. Um artigo didático e assimilável.
Atenciosamente,
(a) – Samir Jorge
Não se preocupem. O Super-Estado está aí para salvar. O Grande Estadista, Barack Obama, salvou a economia dos EUA! Graças às internvenções do Estado, os EUA sairam da crise.
“No entanto, e felizmente, todo este aumento da base monetária não se converteu em expansão do crédito. “
Em última análise, o Fed queria expandir a Demanda Agregada. Essa é a característica fundamental de qualquer recessão: Demanda Agregada insuficiente. Isso em princípio não tem nada a ver com ‘bail outs’ do setor bancário, problemas de moral hazard ou socialização de perdas (sim, capitalismo é sobre perdas e ganhos e os taxpayers não devem pagar a conta, ninguém discute isso).
Portanto, não foi “felizmente” que a expansão da base não se convertou em aumento da Demanda Agregada Nominal, e sim infelizmente. Mas o Fed já tinha, sem intenção, adotado as medidas para o próprio fracasso – começou a pagar juros positivos sobre os excess reserves e ainda prometeu que recuaria em sua política de expansão monetária ao primeiro sinal de recuperação ou de maior expectativa de inflação.
O Fed foi sim muito tímido e deixou passivamente a Política Monetária contrair na maior taxa desde os anos 1930. A Grande Recessão de 2008+, assim como a Grande Depressão dos 1930’s, não foi causada por uma crise financeira resultante de estouro de bolhas, e sim causada por uma Política Monetária altamente contracionista por parte do Fed.
A Escola Austríaca é fascinante em muitos aspectos, mas Macro não é o forte dela.
Milton Friedman sobre Austrian Business Cycle:
FRIEDMAN I think the Austrian business-cycle theory has done the world a great deal of harm. If you go back to the 1930s, which is a key point, here you had the Austrians sitting in London, Hayek and Lionel Robbins, and saying you just have to let the bottom drop out of the world. You've just got to let it cure itself. You can't do anything about it. You will only make it worse. You have Rothbard saying it was a great mistake not to let the whole banking system collapse. I think by encouraging that kind of do-nothing policy both in Britain and in the United States, they did harm.
realmente fantastico Leandro… mt bom!
Excesso de intervenção estatal. Interessante observar o efeito econômico/comportamental de medidas aparentemente destituídas de propósito econômico.
É a minha conclusão.
Atenciosamente,
(a) – Samir Jorge.
Tudo bem Leandro? Minha pergunta é meio ”off-topic”… voce saberia ”discriminar” a dívida pública brasileira? Gostaria de saber qtos % é dívida externa e interna, e destes percentuais, quanto são dívidas de empresas, qto são dos governos federais, estaduais e municipais, qto são de empresas estatais… enfim… gostaria de saber estes numeros para saber qual o tamanho da dívida criada ”diretamente” pela UNIÃO… e se possível qto do orçamento federal é gasto com amortizações e qto com juros da dívida por ano… valeu, abraço !!!
No primeiro gráfico, você fala em média. Não seria mediana?
Pelo mesmo gráfico, a “mini-bolha que estourou em 1990”, como está no artigo, refere-se a uma queda nominal de menos de 5% no valor dos imóveis, e a grande bolha de 2008 a uma queda de 20%. Então as quedas não foram tão grandes assim, só causaram tanto problema por causa da alavancagem dos bancos.
Podemos concluir que no Brasil não haverá nenhum problema maior, pois mesmo no caso de uma grande queda de 20%, os bancos não perderão dinheiro (em geral a entrada de um financiamento é maior que 20% do valor do imóvel), nem há securitização destas dívidas. Obrigado, você demonstrou que o Brasil não está correndo riscos.
Para concluir, você prometeu um artigo imparcial, mas citou nominalmente os democratas várias vezes, associando-os a desastrosas políticas sociais, enquanto em nenhum momento falou do governo Bush, que esteve no poder 8 anos antes da última crise. Todos hão de concordar que nenhum artigo publicado no Mises.org pode almejar ser chamado de imparcial.
Tão brilhante quanto seu artigo respectivo à experiência argentina e do real.
Excelente trabalho novamente.
Não mais jargões como “falta de conhecimento hipotecário” repetido por analfabetos de economia poderão ser tolerados pelos novatos nos estudos da EA.
Uma coisa ninguém pode negar: os bancos (banqueiros)são competentes naquilo que fazem. A mercadoria de um banco é o dinheiro (papel moeda), a de uma padaria é o pão. Mesmo com a crise os bancos conseguiram de alguma forma a continuar ter lucro. Eu não acredito que os bancos não sabiam como tudo isso iria acabar, na minha opinião eles só deixaram acontecer em 2008 para alavancar ainda mais seus ganhos, tanto é que depois da crise o lucro dos bancos, por incrível que pareça, aumentaram ainda mais. É uma pena que a indústria, setor que de fato cria riquezas, passou a ver o mercado pela perspectiva dos bancos.
O melhor artigo que li sobre a crise.
Duvido que haja algum artigo melhor escrito em qualquer língua que não seja inglesa.
Parabéns, vou imprimir o artigo e difundir com quem vale a pena.
Esses artigos do Leandro são, simplesmente, os melhores do site e são o motivo de eu continuamente vir aqui. Nem mesmo os artigos dos economistas estrangeiros bem conceituados, ao meu ver, batem o Leandro em termos de qualidade.
No entanto, é uma pena que algumas pessoas simplesmente se recusem a lê-los. Eu colei esse mesmo artigo para um conhecido meu numa discussão sobre bolha imobiliária brasileira (o referido conhecido é um keynesiano convicto adestrado pela le monde diplomatique e sustenta que o aumento de preços dos imóveis no brasil é o simples reflexo de uma política progressista que busca trazer para o mercado a “demanda reprimida” e que a crise americana foi causada pela falta de regulamentação bancária). O cara simplesmente disse: “parei de ler quando o artigo sustentou fazer uma análise imparcial da questão, pois não existe análise isenta de ideologias”. Ou seja, não passou do segundo parágrafo introdutório.
Artigo perfeito!Nunca estudei economia mas até me senti um economista em ler e entender a crise com seu artigo hehe.Minha conclusão final é que ocorreu um verdadeiro parasitismo,sabendo que a bomba uma hora ía extourar e sempre se tentando empurrar para frente!Mais ou menos isso.
Leandro,
Porquê o Bear Stearns e o Merril Lynch foram socorridos e o Lehman não? Algum palpite?
Elogiar artigos do Leandro é chover no molhado. Igualmente bom é ler suas respostas aos comentários, por mais repetidas que sejam as perguntas. Adoraria vê-lo em debates com economistas governistas!
Minha pergunta:
“A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário. Consequentemente, os juros começaram a subir.”
Qual foi o real motivo que fez o FED começar com o processo de redução de ritmo? Medo de inflação? Não dava pra ver que geraria um efeito em cascata?
Nosso modelo é bem diferente, mas não deixa de ter gerado um aumento muito grande de demanda no setor imobiliário. Como quase tudo é centralizado em bancos governamentais, como seria a reversão dessa situação? Mais aportes do tesouro para capitalizar esses bancos e inflação corroendo os valores dos imóveis lentamente (além dos já famosos descontos que vêm acontecendo)?
A impressão que tenho é que somente crises externas desencadeiam crises como corrida aos bancos e queda brusca no valor dos ativos. Eventos internos são sempre gerenciados pelo governo de uma forma mais branda, com socialização de dívidas e mais inflação.
Abraços,
Juliano
Artigo fantástico, Leandro.
Parabéns.
Excelente artigo. Ótimo prato principal pra ser servido após o artigo de ontem (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1695) como entrada. Concordo que os artigos do Leandro não perdem em qualidade para os dos maiores nomes austríacos estrangeiros da atualidade (exceto os do Hoppe, mas aí também já seria demais!). Ganhar eu já acho exagero, mas como boa parte dos artigos conseguem se identificar com a realidade brasileira, eles já são naturalmente mais atraentes que os demais.
Só não concordo com a parte de “ser imparcial” justamente por eu não acreditar em imparcialidade (acho que todas as pessoas defendem a sua ideologia até inconscientemente, mesmo quando tenta não defender). Realmente, o artigo não faz propaganda ideológica, nem defende ou ataca nenhum partido político envolvido, ao contrário do que falaram ali em cima, no entanto, pelo simples fato de se basear nas teorias da EEA, ele já é partidário do libertarianismo por natureza. Claro que isso não se caracteriza como um defeito do artigo.
Enfim, ótimo trabalho. Vou mandar pra alguns colegas lerem. Esse não dá pra espalhar aos 4 ventos pela sua densidade, mas aos mais entendidos e interessados no assunto, vai ser espalhado.
Leandro, você já viu o filme Grande Demais Para Quebrar? O que achou?
O Estado é em essência um grupo escravizador obtendo benefícios da sociedade pagadora de impostos, forçada a aceitar as condições deliberadas na hierarquia estatal a fim de não sofrer danos ainda maiores do que os impostos exigidos sem a necessidade de uma contrapartida aceitavél pelos pagadores dos impostos em benefício dos recebedores, sendo ainda forçados a viver segundo as deliberações e preferências decididas na hieraruia estatal que se arvora, PELO PODER, o direito de iniciar a agressão contra indivíduos inocentes e indefesos.
A mais absoluta covardia!
Abs.
Pergunta:
Quem quem ficou a posse dos imóveis? As agencias Fannie Mae e Freddie Mac que foram nacionalizadas? Ou os bancos que compraram os titulos das hipotécas?
Me desculpem caso a pergunta seja óbvia.
Leandro,
O que vc acha que acontecerá quando o FED finalmente acabar com o QE3?
Excelente artigo novamente, Leandro.
Já pensou em conceder palestras ou dar aulas à pessoas semi-leigas interessadas em economia que não necessariamente trabalhem ou estudem na área? Ou abrir um canal do YouTube? Conheço gente do meio empresarial que adoraria entender o que diabos está acontecendo no mundo e nunca li um artigo sobre a crise financeira internacional tão claro e fácil de entender como este.
Você tem um talento impressionante para esclarecer tópicos econômicos.
“As respostas a estas perguntas têm de estar claras antes de se iniciar qualquer debate a respeito da crise.”
Ou seja, nunca haverá debate a respeito da crise em solo brasileiro, afinal nossos governantes já socializaram a ignorância de tal forma que é impossível encontrar meia dúzia de pessoas capazes de entender as perguntas, quanto mais responde-las.
Todos sabem que a falta de regulamentação prejudicou a América. O governo interviu pouco na economia, causando sua crise.
Leandro.
Essa tonelada de dolares em reserva em excesso que o Pobre Paulista citou, permanecerá até quando nesse estado, visto que é da natureza dos banqueiros auferirem maior rentabilidade se pulverizassem isso na economia? Não existiria um “acordo velado” entre o FED e Bancos para manterem em reserva em excesso, a 0,25%, a fim de não causar o aumento da inflação monetária e juros?
Esse valor de 2.25 bi, no início do texto, parece ser pequeno demais…
Não seria 2.25 tri?
Você se refere ao valor da linha de crédito do Tesouro pra Fannie e Freddie? Calma, é bilhão mesmo. Seria impossível ser US$2 trilhões. O Tesouro não tem esse valor em reserva. Não existe linha de crédito de US$2 trilhões (exceto, é claro, se for o Fed imprimindo). Para você ter uma idéia, o resgate inicial orquestrado pelo Tesouro aos bancos foi de US$700 bilhões.
Excelente artigo, como sempre.
Leandro, parabéns, tu és o cara.
Tenho três perguntas:
1) “E é exatamente nesse ponto que Fannie e Freddie entram em cena. A função destas empresas era comprar dos bancos comerciais exatamente estes empréstimos (títulos hipotecários) que eles concediam para compradores de imóveis.”
Com qual dinheiro o Fannie e o Freddie compravam estes emprestimos?
2) “A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário. Consequentemente, os juros começaram a subir.”
E se o FED não reduzisse as injeções de dinheiro, o que aconteceria? Além disso, a inflação estava muito alta em 2004?
3) “Este aumento da taxa básica de juros de 1% para 5,25% afetou as taxas de juros dos empréstimos imobiliários. Os juros das hipotecas com taxas ajustáveis (linha vermelha) saem de uma mínima de 3,5% no início de 2004 e vão para quase 6% em meados de 2006. Já os juros das hipotecas convencionais, de 30 anos (linha azul), vão de 5,5% para quase 7% neste mesmo período.”
Isso é algo que nunca entendi. As taxas de juros não são acordadas preliminarmente, tipo, ex: 3% ao mês. Como que no meio de um contrato a taxa pode aumentar? Existe contratos que a taxa de juros é indexa em determinado indíce?
Obrigado.
Caro Leandro, mais uma vez parabéns pela clareza e objetividade dos seus artigos.
Aliás, gostaria de agradecer a todos da equipe IMB pela disponibilização de tanta informação e conhecimento relevante, tanto artigos quanto livros digitais.
Considero Ação Humana um dos livros mais importantes que já li, mudou minha forma de ver o mundo e as ciências humanas.Obrigado.
Uma questão…
Li recentemente que algumas empresas americanas (IBM inclusive) estão tomando empréstimos de longo prazo a juros baixos, ampliando artificialmente seu resultado imediato para pagar mais dividendos e valorizar suas ações.
Procede? em caso positivo, poderia comentar?
Grato,
Flavio
” Um gênio criativo não pode ser treinado. Não existem escolas para criatividade. Um gênio é precisamente um homem que desafia todas as escolas e regras, que se desvia dos caminhos tradicionais da rotina e abre novos caminhos através de terras inacessíveis antes. Um gênio é sempre um professor, nunca um aluno; ele é sempre feito por si mesmo.”
Mises
Leandro, vc nao acha um tanto incoerente alguns austriacos dizerem que o FED deveria subir os juros e outros que não deveria existir o FED? Isso porque me parece que extinguir o FED tem mais a ver com o pensamento austriaco, ao passo que ele subir os juros tem um viés rentista, ou seja, de quem quer só viver de juros e nao esta nem ai para aspectos morais. O que acha?
Texto de P.Krugman publicado no Carta Capital:
http://www.cartacapital.com.br/revista/767/japao-nao-estrague-uma-coisa-boa-2470.html
Deu medo de ler já no primeiro paragrafo “….que o (BOJ) não vai esconder a garrafa de saquê exatamente quando a festa está se animando….”
Fear the boom. moçada
Para piorar promovendo mais estimulos fiscais – se já não bastasse +200% de divida sobre o PIB.
Parabéns, Leandro.
Excelente artigo…como sempre!
Uma pergunta: quando sai o seu livro sobre a crise de 2008 e seus desdobramentos?
Abraço,
Foi falado mais acima que a escola austríaca é contra a existência do FED.
Gostaria de entender melhor sobre isso. Para esta escola, no mundo ideal não haveria títulos públicos, nem reuniões para definição de taxa de juros, nem dívida pública?
Nesse sentido, o Chile seria uma espécie de país avançado, por ter uma dívida pública pequena?
obrigado
Leandro parabéns por mais esse artigo. Existem muitas duvidas, mas elas estão aos poucos sendo respondidas indiretamente com seus comentários. Um exemplo de duvida, era a questão da recessão e a expansão da base monetária, você respondeu na resposta ao fernando.
Leandro.
Ótimo artigo, suspeito que Mises ficaria orgulhoso.
Achei esse pequeno erro:
e que representa todo o criado pelo Banco Central.
Suspeito que faltou uma palavra ali.
Abraços.
Leandro,
Espetacular artigo, como de costume.
Gostaria de sugerir uma pequena correção, pois sou do ramo de seguros e há dois termos que não estão corretos, quando você cita o caso da AIG:
“a AIG emitiu várias apólices e coletou uma boa soma em anuidades. Até que tudo se reverteu, e todos os bancos foram correndo resgatar seus prêmios.”
Prêmio é o nome técnico para o montante que a seguradora recebe do segurado para gatantir determonado risco, com a emissão de uma apólice. E indenização é o montante que o segurado recebe da seguradora na ocorrência de um evento segurado, após abrir um sinistro / fazer uma reclamação na apólice. Assim, o correto seria: a AIG emitiu várias apólices e coletou uma boa soma em PRÊMIOS. Até que tudo se reverteu, e todos os bancos foram correndo RECLAMAR SUAS INDENIZAÇÕES.
Grande abraço e continue com o ótimo trabalho.
Obrigado pela correção, Felipe. Tenho de fazer um curso de ciências atuariais. Grande abraço!
O que eu tenho pra perguntar não tem muito a ver com a matéria em si. Mas é uma dúvida que me surgiu e eu resolvi aproveitar que já estava lendo a matéria e perguntar aqui mesmo.
Perdoem minha possível ignorância, talvez esta dúvida até já esteja respondida em algum artigo. Eu sou adepto de muitas filosofias liberais, mas a dúvida é a seguinte: em vários artigos do site fica evidente a posição liberal com relação ao Estado, de que ele é sempre, em qualquer ocasião, maléfico. A dúvida surgiu ao estudar a época do início do Mercantilismo, onde uma das justificativas de terem sido Portugal e Espanha os pioneiros é de que eles possuíam o poder centralizado. Partindo do princípio que o Mercantilismo foi, de maneira geral, benéfico para a humanidade, e, inclusive para o capitalismo; e que sem ele provavelmente estaríamos hoje em um estágio de desenvolvimento com um atraso de talvez alguns séculos, devido à possível diferença de tempo até que o primeiro grupo de mercadores independentes, ao invés do Estado, resolvesse investir tão alto em empreendimento de tamanho risco. Concordo que os recursos usados pelo Estado veio em grande parte destes mercadores, mas a decisão de usá-los desta maneira não. Então não seria esse um cenário onde a presença de um Estado, mesmo que mínimo, tenha sido benéfico?
Obrigado.
Correção: na verdade, o conceito que eu quis usar era de Expansão Marítima, e não de Mercantilismo.
Eu sempre empaco em um ponto.
O tesouro emite títulos para financiar a divida pública, os dealears primários compram estes títulos e o dinheiro dessa compra vai para o governo gastar. Esse primeiro dinheiro é injetado na economia através dos cheques que o governo emite.
Depois o Banco Central entra em cena e compra esses títulos dos bancos e injeta novamente outro dinheiro na economia através dos bancos agora, que aumenta ainda mais através do fator multiplicador.
A questão é: De onde o BC tira esse dinheiro. Da onde veio o primeiro dinheiro do BC, será que ele não tem uma dotação orçamentária para esse fim? Essa prática é reconhecida pelo próprio BC?
Clap Clap Clap… perfeito Leandro, seus artigos são extremamente didáticos, mesmo para um leigo.
Leandro,
Mas antes deles apertarem as teclas o BC precisa comprar titulos da divida no sistema bancario certo ? não que isso desqualifique o fato de o dinheiro ser criado “out of thin air” mas apenas confirma que é um dinheiro criado do nada lastreado em dividas.
Leandro, gostaria de saber a sua opinião sobre a minha observação com relação à Expansão Marítima.
Será que se a gente pedir pro Hélio Beltrão ele consegue persuadir o Leandro a lançar um livro? Eu me contentaria até mesmo com uma coleção de ensaios que ele já postou aqui no IMB.
Enfim, parabéns pelo artigo, Leandro! Excelente trabalho, como todos os outros que você posta aqui.
Tenho uma dúvida que talvez seja mais política do que economica.
Porque em 2008, quando a crise estava estourando, o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, que é de centro-direita, declarou que o laissez-faire estava acabado?
Ele simplesmente não estava enxergando corretamente os fatos? Ou havia algum motivo político por trás daquele famoso discurso?
Ou ainda, seria porque a centro-direita na França, assim como no Brasil, é um apenas socialismo moderado?
Excelente texto, claro e acessível ao entendimento de qualquer um. Continue assim!!!
Deixo a sugestão para você escrever sobre a bolha imobiliária brasileira, que principalmente depois da recente visita e declarações de Robert Shiller sobre o mercado de imóveis brasileiro, tido como profeta da crise das hipotecas nos Estados Unidos, virou assunto da moda.
Virou moda comparar a bolha da crise americana com a brasileira.
Daria outro excelente texto.
Leandro, parabéns pelo artigo, muito esclarecedor.
Fiquei com uma dúvida que gostaria que me esclarecesse, se possível:
Quando um banco concede um empréstimo, eu achava que saía dinheiro do caixa e ia para a conta clientes, ou seja, movimentação apenas no Ativo do banco. Pelo que você disse, é criado um ativo e também um passivo. Em que conta do passivo entra esse valor, ou seja, para quem o banco fica devendo? Você pode explicar melhor?
Grato desde já!
Sugiro a leitura desse artigo, “A Criatura da Ilha Jekyll”
http://www.espada.eti.br/fed.asp
O real motivo para a criação desenfreada de todo esse dinheiro é o poder. Eles sabem muito bem o que estão fazendo.
Leandro,
Existe algum criterio para o governo emitir titulos de divida ? ele pode emitir quantos quiser e o BC comprar todos eles ?
Quanto a titulos privados…??? seria como as reservas dos bancos estarem se esgotando devido a uma alta demanda por credito, ai o BC injetaria dinheiro nos bancos utilizando operações open market, porem no caso do BCE seria utilizado a janela de redesconto que implicaria em emprestimos com os bancos certo ?
Obrigado Leandro,
Eu sei que o BC nao compra direto com o governo, apenas não deixei claro isso.
Então como que funciona esses titulos privados ? como seria seu funcionamento ? desculpe minha ignorancia.
Leandro,
Desculpe, queria dizer divida privada que os BCs compram, o que seriam ? e como seria seu mecanismo ?
No caso de titulos hipotecarios, o proprio QE serve para compra-los dos bancos certo ?
Entao nao seria absurdo algum dizer que o dolar está sendo lastreado em ativos toxicos ?
Leandro obrigado de novo,
No caso como o dinheiro criado pelo FED esta estocado nas reservas dos bancos (por isso que nao ocorreu nenhuma grande inflaçao até o momento) não sendo usado para emprestimos… como que esse dinheiro “estimularia” a economia como acredita o FED para reduzir o desemprego ? ou o QE seria apenas uma desculpa do FED para dar dinheiro para banqueiro ? hehe
No caso da divida americana, qual seria a soluçao ? subir o teto e deixar rolando a divida infinitamente ? imprimir mais dolares ? arrecadar mais imposto da população ? ou simplesmente deixar o governo quebrar ?
Cada vez estudando mais os preceitos da EA dá para entender que o arranjo de governos inchados, bancos centrais, bancos com reservas fracionarias é altamente instável. E que a melhor soluçao seria um minarquismo ou até mesmo um anarco capitalismo, sem bancos centrais e bancos com 100% de caixa. heheh
Eu aqui esperando um artigo do Leandro, que há tempos não estava aparecendo…
Do nada o cara nos traz essa pérola.
Parabéns, cara.
Parabéns pelo artigo, muito bem fundamentado!
obrigado!
att;
Deixa ver se eu entendi: no fim das contas, os que mais se foderam foram os caras da AIG, que tomaram um golpe do governo.
No fim de tudo,o governo acabou por enriquecer os bancos dando-lhes suporte com verbas públicas, para tentar controlar a crise… e ficou por isso mesmo já que os bancos não fizeram e provavelmente não jogarão essa grana no mercado fazendo uma expansão de crédito…
Mas minha pergunta é: esse sistema irá se sustentar desse modo a longo prazo?
o que irá ocorrer se o FED manter esse sistema?
Caro Leandro,
No mercado falta um livro definitivo sobre “história monetária e financeira do Brasil”. Você deveria escrevê-lo, cara! Talvez com a co-autoria de outros aqui, mas com certeza você é o ideal para escrever essa obra.
Abraços
Boa tarde, alguém conseguiria explicar este artigo?
http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/imoveis/noticia/2968246/nao-evidencias-bolha-imobiliaria-brasil-diz-estudo
Muito esclarecedor!
* * *
Caro Leandro
Excelente artigo, como sempre. Acaba de sair a notícia da elevação do teto de financiamento para o SFH, subiu para R$ 750.000,00 ( 650.000,00 em algumas regiões)e aumento do percentual a ser financiado para 90% do valor. Na última vez que isto ocorreu, em 2009, colaborou para mais quatro anos de elevação nos preços dos imóveis no Brasil. As notícias que temos visto nos últimos meses sugere uma acomodação de preços e uma queda na velocidade de venda dos imóveis. Esta medida pode ser suficiente para reativar o mercado residencial? Me parece que a renda da população já está bastante comprometida e os bancos, principalmente públicos, já um pouco alavancados. Isto poderia reinflar a bolha brasileira? Como você vê esta situação?
Um abraço
Luciano
Pergunta ao Leandro Roque: [1] o que são as áreas destacadas em cinza nos gráficos?
Pergunta ao Leandro e ao Hélio Beltrão:[2] Sobre o excesso de reservas dos bancos, depositadas junto ao Fed.: você vê algum cenários de os bancos desaguando este dinheiro, não na economia dos EUA, mas do mundo, iniciando uma(s) nova(s) bolha(s). Percebo que não é plausível façam isto nos EUA porque os próprios banqueiros não querem inflação galopante em casa. Mas, suponho, como eles terão de agir com este dinheiro em algum momento, espraia-lo mundo afora pode ser uma opção? Exportar parte da inflação? Por ex., comprar ativos em bolsas de valores ao redor do mundo; ou iniciar uma bolha na abertura de empreendimentos de longo prazo, como minas, florestas privadas manejadas, industria pesada, etc., aproveitando a sinalização equivocada que a taxa de juros baixa coloca sobre a viabilidade destes empreendimentos?
Bom artigo. Já assisti dois filmes a respeito da crise do sub prime estado unidense. “Too Big to fail” que é um lixo total e “Inside Job” que é praticamente seu artigo em forma de documentário, recomendo.
Leandro, uma pergunta meio tosca. Vi um texto do Rothbard em que ele falava que o foverno é o único capaz de inflacionar a moeda por meio do banco central que falsifica moeda. Tudo bem, entendo essa parte, o que eu não entendo é o seguinte: uma das soluções para a inflação que ele fornece é que o governo pare de reduzir por lei as reservas mínimas exigidas dos bancos. Eu posso estar enganado, mas acho que só existe uma reserva mínima por que o BC autoriza os bancos a criarem dinheiro do nada. Se o banco empresta meu dinheiro a outra pessoa e eu não perco acesso a este dinheiro então houve criação de dinheiro do nada. Então os bancos também criam dinheiro do nada. O que mais me assusta se meu raciocínio estiver certo é o fato de que o que os bancos fazer é uma falsificação tremenda. Se eu não posso imprimir dinheiro para emprestar para meu vizinho e lucrar com isso, por que diabos os bancos podem? Enrolei muito mas o que quero saber é se meu raciocínio está certo, se os bancos realmente criam seu próprio dinheiro e aumentam suas reservas na sacanagem mesmo.
Obrigado por esta explanação Leandro, não havia lido nenhuma que expusesse os fatos sem moldá-los com ideologias.
Parabéns!
Leandro,
surgiu uma dúvida:
Uma auditora fiscal chamada Maria Lucia Fatorelli, responsável por uma organização chamada “auditoria cidadã da divida” afirma que uma das causas da crise de 2008 foi uma desregulamentação do mercado financeiro ocorrida em meados da década de 90, que permitiu aos bancos lançarem desenfreadamente títulos derivativos no mercado, possibilitando o processo de alavancagem ad infinitum.
No seu artigo você cita a questão das agências de classificação de risco como responsáveis por dar classificação máxima aos derivativos, mas segundo ela, o mercado financeiro era mais regulamentado e não permitia tao facilmente o processo de alavancagem.
Gostaria de saber se tem fundamento apontar desregulamentação do setor bancário para que estes comprassem derivativos com mais facilidade, pois no seu texto parece ter ficado claro que foi justamente a regulamentação a principal causa da crise. Ela também não deu maiores esclarecimentos de quando e como ocorreu essa desregulamentação. Fiquei meio confuso.
Agradeço desde ja!
Um dos melhores artigos que já li sobre a crise das subprime.
Você respondeu a um comentário: ” No atual arranjo financeiro e monetário, são os bancos que comandam as oscilações da economia. Economista que não dedica seus estudos à real operação de um sistema bancário estará completamente perdido, falando coisas sem sentido como “Banco Central controla PIB nominal e afins”.
Colocação perfeita e real. Os jovens economistas deveriam passar a conhecer melhor o funcionamento do sistema bancário e as finanças. Infelizmente, tem muito curso de economia que não tem disciplina específica que ensine aos jovens estudantes o mínimo indispensável. Falar a esses economistas sobre Securitização ou “Default Credit Swap” é falar coisas ininteligíveis para eles.
Grande abraço
C.P.Samanez, Ph.D
PUC-Rio e FCE-UERJ
Afinal, essa crise foi financeira ou econômica, pois sempre ouço falar a crise econômica? Estou fazendo um artigo sobre ela, e queria entendê-la melhor.
Leandro, parabéns pelo artigo. Sua didática e linha de raciocínio é formidável. Minha formação é Engenharia Civil e, Depois que conheci o site através do MSM, passei a me informar mais sobre economia; ciência que em mãos erradas pode fazer um belo estrago numa nação. Outrossim, vejo que já corre o cavalo vermelho do apocalipse: vermelho do sangue derramado de milhões por onde ele passou, o qual já vem galopando há 100 anos e empunhando sua bandeira de mesma cor e, eis que agora – há 12 anos – capturou o Brasil.
Minha dúvida é: O congresso americano teve que subir o teto da dívida em 2011, ou então, os EUA entrariam também no hall dos caloteiros.
Lembro que no dia 2 de agosto de 2011 eles subiram o teto em alguns trilhões de dólares (acho que 3 + ou-). Recordo também que foi dito na época que esse anabolizante econômico duraria pelo menos uns 4 anos, entrementes não durou mais que 2 anos e 2 meses.
Pois bem, diante do arranjo em que estamos: FED imprimindo mais dinheiro, inflando o balão mais ainda… é provável que essa subida de teto da dívida dure menos que a vez passada, ou seja, se a outra estava prevendo uma folga de 4 anos e ficou em 2, dessa vez pode ser em apenas um ano e, quando for subir de novo o teto, quem sabe dure só 6 meses e assim vai até que suba teto todo dia (sic).
Ora, essa situação é insustentável, estando quase naquela situação de vender o almoço para comprar a janta.
Minha pergunta é: não estaríamos a beira de um colapso total do sistema financeiro mundial com a falência dos EUA num prazo de aproximadamente 2 anos com base nessa subida de teto da dívida em prazos cada vez menores?
Abraços.
Caro Leandro,
Conheço o site há dois meses, e sou curiosa em economia depois de descobrir Olavo de Carvalho. Levando em conta esta curiosidade repentina, sou grata pela clareza dos teus artigos que, não só para uma iniciante e leiga como eu, assim como para qualquer especialista são muito úteis. Obrigada pelas luzes! Abraços.
Reli o artigo hoje e vários comentários.
Concordo com a maioria aqui: os artigos escrito pelo Leandro são simplesmente fantásticos. São, de longe, os que eu mais gosto de ler nesse site.
Parabéns.
O texto é excelente, a não ser pelo fato de omitir um detalhe: o FED é privado, não estatal.
Um blog alemão mostra como funciona a instituição:
alles-schallundrauch.blogspot.com.br/2011/11/die-fed-ist-eine-privatfirma-die.html
Não. Essa afirmação sobre o Fed ser privado não é totalmente correta.
O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed — embora não tenha, em tese!, poderes sobre a política monetária que este adota.
Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.
É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.
Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.
Agora, o Fed é “privado” em dois sentidos:
1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.
2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.
Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo.
No livro “Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos” Jesus Huerta de Soto fala sobre a constante fraude que os bancos cometem ao violar a obrigação de manter a guarda do valor depositado. Mas eu me pergunto: quando nós abrimos uma conta em um banco, não está escrito em um contrato que o banco irá utilizar o dinheiro para empréstimos?
Então imprimir dinheiro causa bolha e não inflação? não entendo como uma “farra” de impressão de moeda consegue causa uma bolha enquanto o país está sem nenhuma inflação. Porque as outras bolhas não causaram uma crise desse tamanho? Muitos outros países fizeram esse tipo de política em um nível muito maior e nada ocorreu.
Mais do que isso, essas agencias não erraram somente seguiram o modelos matemáticos de calculo de risco para dar essas notas. Onde está os estudos sobre o saneamento do sistema financeiro que dizia que alguns bancos podiam quebrar.
Não adianta tudo estava perfeito. O governo tomou certas atitudes que ajudaram na crise porem sempre com o aval de economista neo-liberais que desenvolviam modelos matemáticos onde tudo estava perfeito. Diziam que o sistema poderia sobreviver a quebra de alguns bancos. Diziam que os ativos eram seguros. Quando tudo veio abaixo eles passaram a culpar o governo e a sua teoria econômica ficou sem ter nada para dizer.
A questão assim não é saber o que causou a bolha e sim porque ela causou a depressão. Bolha ocorre sempre. Crise economica só ocorre quando depois de uma revolução tecnologica!!
Parabéns pelo artigo. Se possível, gostaria de explicações referentes a crise de 29. Vi que vocês são contra o intervencionismo governamental. Tudo que li até hoje sobre a tragédia diz que foi graças a uma ação do governo que situação foi superada. Gostaria de um comentário nesse sentido.
1) As duas coisas. Houve um intervencionismo que desregulamentou o sistema financeiro. Fannie e Freddie foram usadas para contornar a regulamentação de bancos contra aumento excessivo de alavancagem (proporção entre ativo e patrimônio líquido).
Em um primeiro momento, o social ficou acima do econômico (esquerdismo). Todo o dinheiro usado para manter a integridade do sistema financeiro foi desviado para a compra/construção de casas.
Em um segundo momento, o monetário ficou acima do econômico (direitismo). Os bancos foram socorridos pelo Fed, que agora ganham dinheiro diretamente do Banco Central, sem nenhum incentivo à produção.
2) A teoria diria mais temerário, e foi o que aconteceu com Fannie e Freddie. Os bancos, por outro lado, preferiram ficar ganhando 0,25%/ano do Banco Central.
3) Sem o Fed para limpar a sujeira, o estrago teria sido pior. Mas sem a intervenção que desregulamentou tudo, talvez não houvesse sujeira a ser limpada em primeiro lugar.
No fim, surgiram muitas casas para a população e os banqueiros estão ganhando dinheiro. Só ignore quem infartou durante o passeio forçado pela montanha russa da criação e estouro da bolha sub-prime.
Isso se chama Keynesianismo. Cava-se um buraco e depois tampa-se de novo. O buraco em si não serve para nada, mas o simples fato de cavar e tampar de novo provoca um crescimento econômico em volta do buraco.
No Libertarianismo, tenta-se ter o mesmo crescimento econômico, sem a necessidade do buraco (intervenção) em primeiro lugar. Usando-se de mecanismos de mercado que direcionam a economia diretamente para o ponto que necessita de crescimento.
O direcionamento direto é devido ao mercado ser movido diretamente pela população que necessita do crescimento.
Quão bem os mercados funcionam do ponto de vista econômico depende do setor. As vezes funciona, as vezes não.
Funcionando ou não, ainda existe um atrativo de liberdade pois a população atua diretamente no rumo da economia e da sociedade.
Quando não funciona, regulamentação pode remediar. Quanta regulamentação é desejável é onde libertários, liberais e totalitários tem opiniões distintas:
No Libertarianismo, quanto menos regulamentação, melhor. Se os mercados não funcionarem, fica inteiramente a cargo da boa vontade das pessoas para remediar.
No Totalitarismo, liberdade é uma ameaça à quem está no poder, e quanto mais regulamentação e menos liberdade, melhor. Funciona… para quem está no poder.
No Liberalismo, regulamentação pode ser boa se ajudar a proteger os mercados e a liberdade, ruim se não. Se a regulamentação não funcionar, vira mais um Totalitarismo.
“Atualmente, os bancos de Wall Street operam em um regime de risco quase nulo: eles fazem empréstimos hipotecários, revendem os títulos das hipotecas para o Fed, recebem o dinheiro de volta (com um lucro), e ainda deixam boa parte deste dinheiro recebido do Fed depositado no próprio Fed, que está pagando 0,25% ao ano sobre este montante.”
Certo. Mas e qual é a possível previsão daqui pra frente?
O FED vai continuar inchando até dar um calote trilionário?
Estou lendo há três dias e ainda estou na metade. Mas é tão bem explicado que desci a página pra elogiar. Agora vou subir a barra de rolagem e gastar mais uns três dias. Obrigado!
Ao autor do artigo:
Agora (que eu pensava ter entendido), vou ter que começar de novo a leitura de outro artigo (o que levará outra semana). Veja, você mesmo recomendou a leitura de um artigo que diz:
“The recent rise in foreclosures is not related empirically to the distinction between subprime and prime loans since both sustained the same percentage increase of foreclosures and at the same time.
Nor is it consistent with the "nasty subprime lender" hypothesis currently considered to be the cause of the mortgage meltdown. Instead, the important factor is the distinction between adjustable-rate and fixed-rate mortgages. This evidence is consistent with speculators turning and running when housing prices stopped rising.”
Isso não contradiz o que você diz?
Ps: sou leigo.
Com os bancos possuindo tantas reservas em excesso, faz alguma diferença efetiva a manipulação da taxa de juros pelo FED? Não vejo por que os bancos recorreriam ao mercado interbancário com essas reservas no valor de trilhões. Imagino que uma bolha muito maior que a de 2008 esteja se formando nas ações e títulos públicos americanos e que quando esta estourar, teremos um cataclisma financeiro global.
Artigo totalmente excelente. Pra mim, ficou claro que “deu tudo certo para dar errado”. A “divisão de trabalho” é visível: governo, especuladores, agências de classificação, fundos, FED… todos com sua importante contribuição. Agradeço também pela indicação do texto “Anatomy of a Train Wreck: Causes of the Mortgage Meltdown”; ainda estou lendo, mas é uma análise bastante sólida sobre o fenômeno, assim como o trabalho do Leandro.
Faço um desafio de artigo ao autor: há uma desinformação que ainda circula nas rodas de conversa sobre economia que vejo por aí. As pessoas afirmam (na verdade repetem a versão do Governo Tupiniquim) que, no Brasil, a crise foi uma “marola”, pois o Estado foi forte e interferiu, enquanto que nos EUA faltou Estado. Já está claro que nos EUA houve Estado em excesso (respondendo à primeira pergunta). É necessário agora derrubar o mito da solidez brasileira. Caso já exista artigo na mesma linha, peço que desconsidere.
Por fim, deixo minha contribuição sobre o assunto (um impressionante “whistle blow” sobre a crise).
http://www.rollingstone.com/politics/news/the-9-billion-witness-20141106?page=2
Abraço.
Leandro,os empréstimos do banco central concedidos aos bancos privados(considerando altos valores,como no caso do banco central da Inglaterra) são norteados pelas taxas de redesconto,isto é,pela impressão de dinheiro,aumento da base monetária, ou há algum lastro neles,como títulos de divida do governo
Hi Leandro, I did love your article, it is really helpful. Congratulations
Leandro I am from Uk, and I would love to know if you could provide me with the references which you have used in your graphics, i have tried to find it but unfortunately I did not have any success .. Thanks a lot
O FED não é um Banco Central, ele não pertencem ao Governo dos EUA.
Leandro,
Fugindo um pouco da economia para a contabilidade: Com a padronização mundial das normas de contabilidade – IFRS – alguns ativos passaram a ser avaliados pelo valor justo (valor de mercado). A quem atribua a essa mudança a responsável pela crise.
1. Você acha que essa mudança foi responsável ou contribuiu para a crise?
2. Qual a posição da escola austríaca sobre o valor justo (valor de mercado) para a avaliação de ativos?
Esse é um dos artigos mais bem-escritos e com mais base histórica e de dados bem-justificada nesse site. Não bastava explicar a crise do ponto de vista laissez-faire, você explicou cada aspecto dela e não deixou nada de fora: Nem o óbvio, e nem o mais difícil de se inferir.
Parabéns, Leandro Roque.
Leandro,
Fiquei com uma dúvida referente a uma frase do seu artigo:
“Aqueles que não compravam com a intenção de revender passaram a utilizar suas casas como um caixa eletrônico: sempre que o imóvel se valorizava, o indivíduo ia ao banco e, utilizando o novo valor da sua casa como colateral, negociava um novo empréstimo para gastar em bens de consumo, como carros e televisores de plasma.”
Como que essa 2a hipoteca era realizada? O Banco nao exigia nenhuma garantia? Entendo que para a compra do imovel, o governo definiu que as exigencias seriam minimas, como, por exemplo, a nao necessidade de comprovar renda. Porem, para esta 2a hipoteca, onde o valor solicitado ao banco nao era para uso de compra de imovel, mas sim para bens de consumo, mesmo assim nao era solicitado algo que demonstrasse a capacidade de pagamento? Como que o banco esperava que o cliente pagasse esta nova dívida?
Obrigado
Execelente é pouco para adjetivar o conteúdo deste artigo.
Att,
Alexandre Cavalcanti
Segue uma análise totalmente independente dos fatos levantados pelo artigo. A análise acima do artigo diz que a crise começou em agosto/2007. Mas a seguir eu tentarei mostrar que ela começou muito antes, em março/2003.
O que aconteceu em março/2003? A invasão do Iraque. As motivações que levaram à guerra vou deixar de lado e focar apenas nas consequências dessa guerra.
A invasão provocou um atrito nas relações comerciais de importação/exportação de petróleo no Oriente Médio. É possível ver o efeito disso acompanhando a cotação do barril de petróleo desde março/2013 até o estouro da bolha em 2008.
O que a cotação do barril de petróleo tem a ver com o mercado imobiliário? A alta da cotação implica em aumento de custos na indústria. Altas bruscas chegam a provocar períodos de recessão. E recessões levam à alta do desemprego.
Se analisar os gráficos de juros, eles mostram reversão em meados de 2003.
Se analisar os gráficos de cotação do barril de petróleo e de desemprego, verá que a alta do desemprego nos EUA coincide com o pico inédito de 2008 na cotação do barril do petróleo.
Desemprego leva à dificuldades financeiras e uma das medidas dos desempregados é dar calote nos financiamentos. A alta da inadimplência é consequência da alta no desemprego.
Guerra -> alta do barril do petróleo -> ameaça de alta da inflação -> alta dos juros -> alta do desemprego -> alta da inadimplência -> crise financeira
Tudo começou lá atrás em 2003, devido à um intervencionismo estatal/militar no Iraque.
“Sim, o petróleo encareceu, mas o petróleo encareceu não por causa da guerra. O petróleo encareceu porque o dólar enfraqueceu.”
Há uma inversão de causalidade aqui. É a desvalorização da moeda que dita o desequilíbrio da balança comercial ou é o desequilíbrio da balança comercial que dita a desvalorização da moeda? Eu diria que é o segundo caso.
O Banco Central não faz nenhuma commodity se materializar do nada simplesmente por valorizar a moeda, faz? Mas a escassez de commodities leva o Banco Central a desvalorizar a moeda para reequilibrar a balança comercial.
Então: Guerra -> desestabilização das relações comerciais -> alta das commodities (petróleo no caso) -> alta dos juros + desvalorização da moeda -> alta dos custos na indústria -> alta do desemprego -> alta da inadimplência
Em paralelo: desvalorização da moeda + crédito fácil (que tem efeito contrário à alta dos juros) -> alta da inflação dos imóveis
Juntando os 2: alta da inflação dos imóveis + alta da inadimplência -> montanha russa na cotação dos imóveis -> crise financeira
Ainda acredito que a alta do desemprego ocorreu em paralelo ao mercado imobiliário.
A propósito, no gráfico de cotação do barril de petróleo em ouro, também houve alta da cotação de 2003 a 2008. Em 2008 a cotação caiu sim, em dólar e em ouro, mas o estrago já estava feito. E não durou 1 mês na baixa e já disparou de novo.
Embora tardiamente,parabéns,Leandro.A primeira análise técnica irrefutável sobre a crise de 2007/2008, a que tive a oportunidade de ler. E olhe que já pesquisei muito sobre o assunto.Realmente convincente, com apresentações de dados técnicos e gráficos.
Mas sempre existem os descontentes profissionais.
O sucesso alheio torna-se um verdadeiro apedrejamento pessoal para certos indivíduos, que no auge de suas frustrações profissionais, estão sempre obssessivamente procurando chifre na cabeça de cavalo.
Parabéns, Leandro, obrigado pelos esclarecimentos, que para este economista, amante das ciências sociais, porém muito menos competente que você, serão bastante valiosos.
Boa tarde, me confirmem uma coisa por favor.
“Fannie e Freddie tinham duas opções: elas podiam manter em suas carteiras os empréstimos que compraram dos bancos (e, assim, aufeririam as receitas) ou podiam empacotar esses empréstimos e vender para investidores ao redor do mundo. Esses empréstimos imobiliários vendidos por Fannie e Freddie para os investidores ao redor do mundo ficaram conhecidos como “títulos lastreados em hipotecas” (as famosas mortgage-backed securities).”
Quer dizer então que quem fazia a securitização era a Fannie Mae e Freddie Mac e não os bancos de investimentos como diz o documentário Inside Job? Abraços.
Muito bom o artigo, infelizmente o que é estudado no ensino médio- após ler esse artigo é apenas 1% da história real, agora que estou ingressando no curso de economia resolvi aprofundar mais sobre os fatos.
Leandro, muito se falou de ausência de regulamentação dos derivativos. Após a crise houve algum tipo de regulamentação?
Leandro, posso estar sendo repetitivo, mas você claramente deve ter assistido ao filme “Inside Job” que se dedica a fazer o mesmo que você com este artigo. Acho interessante que o filme mostra apenas parte do problema, dando a entender que as agencias reguladores classificaram os investimentos como AAA por pura maldade e ganância e que isso foi permitido por causa do mercado ser desregulado (eles começam sugerindo que a economia ia bem até o fim de uma série de regulamentações). Adorei seu artigo porque mostra a fonte do problema. Enfim, so queria mencionar o filme, pq ao ler seu artigo me ficou claro o corte que o filme faz no papel do Estado como causador central da crise e, ao nao citar pontos chave (como os incentivos para que as agencias classificassem os investimentos como AAA) da a entender que a culpa da crise foi ganância desregulada. Não é atoa que este filme ganhou o Oscar (Hoolywood é bem democrata)…
Li em alguns comentários o receio de que haja no Brasil a mesma bolha imobiliária.
Me corrija se estiver errada;
Primeiro; é realizada uma análise de crédito muito criteriosa antes liberar o mesmo.
Segundo; é necessário o mínimo de 20% de entrada caso o imóvel seja novo, se for usado a entrada é maior, isso independente da renda da pessoa, ela pode ganhar 100 mil por mês e comprar um imóvel de 80 mil que é necessário o mínimo de 20% de entrada.
Terceiro; os juros são bem maiores, ou seja; mesmo que o cliente venha a dar o calote dentro de digamos, 5 anos, a CEF já terá tido um bom lucro haja visto que recebeu entrada, juros e agora irá penhorar um imóvel valorizado e mesmo leiloando-o por um preço na canela irá no mínimo recuperar o prejuízo.
Quarto; Não existe essa modalidade de hipoteca no Brasil de uma quantia que o imóvel tenha valorizado, enquanto o mesmo não estiver quitado vc não poderá fazer outra alienação fiduciária.
Quinto, Não existe títulos com lastro em hipotecas e toda essa parafernália que inventaram nos Estados Unidos, aqui o recurso do financiamento é tomado das Poupanças e do FGTS, inclusive ano passado foi divulgado que os financiamentos pelo SBPE iriam ter sua cota máxima diminuída por conta justamente do aumento dos resgates da poupança;
Enfim, nosso SFH é muito sólido, isso não irá acontecer aqui, fiquem tranquilos.
Os preços dos imóveis podem estagnar, mas diminuir não acredito, as tantas ofertas que existem no nosso mercado hoje, são das construtoras que obtêm empreendimentos remanescentes, não é o mesmo tipo de oferta dos Estados Unidos, de pessoas enforcadas precisando vender os imóveis a qlq custo.
Leandro, onde encontro a fonte dessa info sobre a regulação estatal da SEC sobre as agencias de rating?
Abraço!
Excelente artigo. O mais completo artigo que li relacionado a este assunto.
Leandro,
Você tem o link ou artigo de onde foram tirados os gráficos?
Obrigado!
Graças aos pacotes econômicos do governo, os EUA se recuperaram da crise….
Há uma inversão proposital no papel das Fannie Mae e Freddie Mac no sistema.
A ação destas é semelhante (atenção, semelhante não é igual) as agências de Resseguro, estas últimas quando as seguradoras chegam nos seus limites permitem a venda de seus ativos.
Porém por que o setor de seguros é mais estável do que o de Hipotecas? Simplesmente porque este setor é ALTAMENTE REGULAMENTADO.
Sei que isto vai contra os princípios do instituto, mas é a realidade.
Um seguro para ser concedido passa por uma série de verificações e cálculos atuariais precisos determinando o real risco do segurado, isto é válido para as seguradores e verificado pelas agências de resseguros.
Se os bancos agissem da mesma forma que as seguradoras, não haveria nunca quebra do setor, porém a irresponsabilidade parte daqueles que maquiam os dados de quem faz as hipotecas e mandam a diante a fraude. Porém não se pode simplesmente contar com a “honestidade” dos que concedem os empréstimos, pois quando há ganho e taxas de lucros para os analistas eles vão maximizar a suas carteiras até o máximo, mesmo sabendo que nunca haverá retorno.
Leandro, um conhecido me escreveu o seguinte texto sobre o assunto, gostaria da sua visão sobre os pontos que ele levantou. (Obs: Fiquei meio sem resposta com essa do FED ser privado. Jurava que ele era público…)
Segue:
“Primeiro antes de tudo, saiba que o FED é uma instituição privada. Apenas seus lucros operacionais são divididos com o Tesouro e ele responde sobre algumas questões ao parlamento. Porém taxas de juros, por exemplo, é algo definido estritamente pelos próprios bancos privados juntos ao FED. Acreditar que os bancos irão se submeter à ordens do governo, ainda mais em relação à taxa de juros é muita ingenuidade. Os bancos que controlam os governos amigo, não o contrário.
Sim o FED responde ao parlamento e o lucro para o tesouro, mas isso não muda o fato de que as resoluções e decisões são do conselho, é isso que interessa. Alias, é muita ingenuidade acreditar que as decisões do FED seriam para atender os interesses do estado.
Outra, você esta subvertendo as coisas, não é o estado que solicita coisa alguma aos bancos, são os bancos que apresentam sua agenda, o estado age de acordo com essa agenda. É isso que significa banco central independente e privado, como eu já havia explicado.
De novo, a crise de 2008 teve como uma das consequências a bolha da internet de 2000, como eu havia explicado foi apenas um adiamento da bolha causada unica e exclusivamente pelo mercado. Trocando em miúdo, o mercado gerou uma crise, a intervenção do governo apenas a adiou.
A dificuldade que os liberais tem é de aceitar que simplesmente no capitalismo financeiro nenhuma instituição tem capacidade de calcular riscos com 100% de precisão. O problema do laissez faire já era grave, agora, imagine hoje uma empresa da envergadura do lehman brothers se fosse deixada para atuar livremente, o que aconteceria no caso de uma eventual incompetência e quebra.?
Já que você é liberal eu recomendo que você leia os intelectuais liberais, até mesmo eles preveem crises de mercado, leia Hayek por exemplo. Eu discordo deles, mas pelo menos você terá uma base mais solida para suas conclusões.
Sobre criação de demanda artificial, você parece não entender a lógica por traz do lucro nos bancos. Para instituições financeiras empréstimo é igual a lucro, logo se conclui que quanto mais empréstimos se faz mais lucro se obtêm, é aí que entra o risco. Hora, seria muito simples estabelecer critérios rígidos para empréstimos e reduzir o risco a quase zero, porem o concorrente eventualmente reduzira os critérios para se emprestar mais e lucrar mais, é como dois supermercados tentando vender o máximo possível por um preço mais baixo que o do concorrente. Essa é a logica e ISSO é criação artificial de demanda. Liberais tem uma visão completamente distorcida do que é criação artificial de demanda.
Quando um banco faz um empréstimo ele gera um ativo, esse ativo pode ser usado como moeda de troca, quando outro cliente pega outro empréstimo o banco da o dinheiro para esse cliente mas coloca aquele ativo anterior como cobertura do novo empréstimo, OU, ele vende esse ativo. A mecânica é mais complicada que isso e não se esgota aqui, mas resumindo, nessa competição, FATALMENTE uma instituição financeira ira quebrar.
O problema é que quando um mercado fecha os clientes apenas procuram outro lugar para comprar. Por outro lado, quando um banco fecha pessoas perdem toda a sua poupança, empresas vão a falência, os investimentos param, a desconfiança aumenta e a já frágil liquidez por traz da estrutura que sustenta esse sistema diminui…Crise.?
Segundo o próprio liberal Hayek:
“”As crises ocorrem porque antes há um período de boom econômico. O que causa a crise é a prosperidade da fase anterior. Quando há prosperidade, os agente econômicos se aproveitam do crédito fácil e das baixas taxas de juros para investirem ainda mais. A solução para o mal das crises seria, então, impedir que os ciclos ocorressem. E a forma de fazê-lo era impedindo o crédito fácil e a expansão em demasia nos períodos de ascensão econômica.””
Mas essa visão simplesmente não é realista, ironicamente pela logica do próprio mercado. Como eu expliquei acima.?”
Qual a relação entre o fato de Henry Paulson (ex-secretário do Tesouro), Lawrence Summers(ex-secretário do Tesouro e ex-diretor do Conselho Econômico Nacional) e Alan Greenspan (ex-presidente do FED) estarem ligados diretamente ou indiretamente com os bancos Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Citigroup, Merrill Lynch e Lehman Brothers, principais agentes da especulação financeira, nos anos anteriores e durante a crise financeira; e os mesmos serem dirigentes de orgãos estatais que poderiam evitar a crise que se aproximava????
Leandro, consultando as séries temporais do BC, comparei a variação do PIB brasileiro. Se comparar a variação “real” com a variação “em R$” nota-se que ela é inversa. Ou seja, o PIB medido em quantidade de dinheiro aumenta, mas o “verdadeiro” está caindo.
Você consideraria isso como uma medida correta de que o Brasil enfrenta uma “estagflação”? Mais dinheiro rodando, e menos sendo produzido.
Abraço.
Falta um dado que eu acho de máxima importância, pois acredito que foi esse o despoletar da crise!
A crise dos cereais! Os silos estavam vazios, a produção tinha caído a pique, anos de seca, e o medo à fome, foi só um pequeno passo!
Depois foi uma sucessão de acontecimentos, atacando logo de seguida os Bancos e Construtoras, pois dependiam muito uns dos outros, sabendo que as suas gestões eram ruinosas porque o dinheiro era muito e não se notava os arrombos.
Ninguém fala disso, mas eu lembro-me bem, sei o que perdi, não imaginam os seus efeitos na minha vida, afinal de muitos, mas não se todos, houve muitos bem colocados, especuladores e criminosos que se safaram bem com esta crise, muito bem!!
Boa tarde, Leandro.
Mais um artigo que só faz aumentar meu interesse por economia. Muito obrigado por compartilhar todo esse conhecimento.
Acho que consegui compreender razoavelmente bem a situação, mas fiquei com algumas dúvidas. Se puder me ajudar…
O que ocorreu com o mercado imobiliário após a crise? Quer dizer, toda essa expansão de crédito deve ter gerado uma igual expansão do capital imobiliário. No filme a Grande aposta mostra alguns bairros praticamente desertos, com casas recem construídas abandonadas. Como o mercado absorveu essa oferta após a crise?
O que ocorreu com os imóveis cuja hipoteca ficou em poder do FED?
Mais uma vez, obrigado por se dedicar a esse blog e compartilhar tanto conhecimento.
Leandro, o que exatamente você quis dizer com “revigorada” em relação à CRA? Se ela já existia desde a década de 1970, porque essa expansão creditícia por parte dos bancos não começou naquela época?
Bom dia Leandro! Gostei muito do texto, bastante esclarecedor. Sei que é antigo, mas vi ontem o filme A Grande Aposta e resolvi dar uma lida para entender melhor do assunto.
Sei que você quis fazer uma análise apenas dos fatos, sem ideologia, mas agora gostaria de sua opinião: quais foram os beneficiados pelas políticas adotadas? Acredito que por trás dos “erros” de tanta gente influente na verdade se escondam grandes assaltos aos pagadores de impostos, já que como você disse não houve prejuízo por parte dos bancos. Seriam as tais políticas apenas populismo para garantir votos como temos visto no Brasil, ou haveria algo maior? Houve alguma grande empresa / corporação / banco que ganhou com essa crise?
Desde já agradeço pela atenção ! Abraço
Um dos artigos mais completos a respeito da crise, embora ele já esteja um pouco antigo por ela ter sido em 2013.
Mas conteúdos como este sempre agregam.
Sandra
Excelente artigo Leandro!
Gostei tanto que decidi fazer minha monografia baseada em seu texto. Por isso, gostaria de te pedir sugestões de artigos e livros ou qualquer outra ferramenta que possa me ajudar a explicar como o Estado norte-americano juntamente com as instituições financeiras privadas causaram a crise de 2008.
Desde já agradeço toda sua ajuda.
Boa noite, Leandro.
O analista Alasdair Macleod (presumivelmente adepto da EA) fez o seguinte comentário em seu artigo de hoje no Goldmoney referente ao Fed:
“In conclusion, not only is FMQ (fiat money quantity) continuing to grow above its long-term trend, but it appears to be accelerating because banks are drawing down their excess reserves to increase their lending.”
Tecnicamente, tal afirmação estaria correta ? Considerando que o conjunto das reservas dos bancos só diminui quando estes compram títulos de responsabilidade do tesouro que, ou estavam em poder do banco central ou então foram emitidos nos leilões – sendo que nesta última hipótese as reservas vão sendo recompostas conforme o governo vai empenhando este dinheiro “primário”, acarretando um crescimento nos depósitos à vista dos beneficiários deste gasto público no mesmo montante do que foi movimentado através delas (i.e. saído das reservas e depois retornado, na prática equivalendo a uma rodada de concessão de crédito pelo setor bancário, resultando numa elevação dos saldos das contas correntes de seus clientes, neste caso em volume igual ao “circulado” pelas reservas bancárias) – o aumento do total dos agregados monetários (FMQ) atualmente em curso nos EUA necessariamente teria como contrapartida uma redução nominal absoluta do excesso de reservas dos bancos, como parece sugerir o autor ? Tal diminuição (absoluta) não significaria apenas a aquisição de mais treasuries pelos bancos comerciais (papeis essencialmente da carteira do Fed, única forma de esterilizar alguma parcela das “excess reserves” por tempo mais longo do que a efêmera queda quando da aquisição de títulos pelos bancos nos leilões, sendo revertida conforme o governo vai torrando a grana recebida em contrapartida) ?
Obrigado.
Caro Leandro,
Nesse texto do Zero Hedge: http://www.zerohedge.com/news/2016-12-19/financialism-not-capitalism, o autor acusa os chamados “Repos” que pelo o que entendi são recompras de títulos públicos americanos.
Ele também cita uns tais de “Repo Fails”. O que seriam esses “fails”? E como exatamente essas recompras prejudicam a economia?
Ele fala um pouco disso no texto, mas meu nível de conhecimento não me permitiu acompanhar muito bem o raciocínio.
Que artigo maravilhoso! Parabéns!
Olá, sou estudante de economia e cheguei aqui fugindo dos textos contra a liberdade que meu professor de graduação insiste em passar.
Todavia, não entendi a afirmação: “se um banco concede um empréstimo, o valor do seu ativo aumenta. Quanto mais empréstimos ele concede, maior o valor do seu ativo (e, consequentemente, do seu passivo).”
Ainda há alguém nesse artigo que poderia me explicar esse processo?
Que artigo amigos….
Ta loco!!!!
Parabéns
Assunto muito complexo em um texto muito esclarecedor!
Parabéns…
leandro 2018 ou poderia ser vice do bolsanaro rsrs
Leandro, 4 anos depois e com um maior conhecimento de mercado financeiro do que eu tinha à época, trago à tona algumas questões:
1. O Fannie Mae e Freddie Mac não estão sujeitos às mesmas regulamentações de alavancagem que os bancos? Se sim, porquê eles podiam comprar dívidas livremente? Sem as disponibilidades correspondente, esses 2 estariam fora dos parâmetros de Basiléia tal e qual os bancos estariam, correto?
2. Sobre o Rating: Sem dúvida as 3 agências fizeram um péssimo trabalho em atribuir AAA para esses títulos, mas pela metodologia de escoragem comumente utilizada, essa nota está tecnicamente correta, dado que havia um “garantidor de última instância” (o próprio governo) para lastrear os títulos. A SEC até pode impedir a entrada de agências concorrentes, mas até que ponto ela pode obrigar as agências a utilizar a metodologia X ou Y?
3. Ainda sobre esses títulos empacotados (os CDOs), porquê são considerados “derivativos”? Pela explicação dada no artigo, se assemelha muito aos CRI que temos por aqui. São portanto ativos lastreados. Não entendi o poder “amplificador” que um calote causaria no sistema financeiro.
4. No mesmo período a partir de 2003, tanto o petróleo quanto o ouro subiram de preço, mais ou menos na mesma proporção dos imóveis; no entanto não havia nenhuma política direcionando crédito para esses 2 ativos. Em outras palavras, o crédito direcionado ao setor imobiliário não deveria fazer com que o aumento de preços dos imóveis fosse maior do que o do ouro e do petróleo?
5. E por fim: Isso tudo foi causa ou consequência do enfraquecimento do dólar?
Por essa eu não esperava: Greenspan: Bond bubble about to break because of ‘abnormally low’ interest rates
Uma dúvida a todos os libertários: como saber se um imóvel está sendo vendido a um valor justo? Imaginem vocês em 2006, sendo americanos, estando nos EUA, vão em busca de um cantinho para morar. Como saberiam calcular de modo simples se aqueles preços ofertados na época estavam inflados? E qual alternativa seguir se nesse cálculo vocês descobrissem que todos os imóveis estão com preços inflados, e vocês precisando logo de um lugar para morar?
Ciro Gomes e seus fanáticos seguidores precisam urgentemente ler este artigo (e tentar refutá-lo). Todo o discurso eleitoral de Ciro Gomes, sem nenhum exagero, se resume a evocar a crise de 2008 dizendo que ela representou o auge da desregulamentação, e que todos os outros candidatos (exceto ele) defendem tudo isso. É um charlatão que tem de ser desmascarado.
Artigo de utilidade pública.
Impressão de dinheiro
Reservas fracionárias
Governos socialistas
Agências cartelizadas
Desinformação
Burrice
teve de tudo um pouco
Parabéns por mais um belíssimo artigo, Leandro. Foi escrito há alguns anos, mas ainda guarda o seu poder argumentativo. Apenas algumas observações:
Do texto : "O gráfico abaixo mostra os empréstimos totais feitos pelo setor bancário (linha azul). E mostra também os empréstimos exclusivamente voltados para a aquisição de imóveis (linha vermelha). Observe a evolução desde 1980, e a grande aceleração ocorrida na década de 2000."
A grande aceleração se deu na década de 80, não de 2000 a 2008.
Gráfico empréstimos imobiliários:
1980 a 1990 de algo em torno de 100 para 900 (800%)
1990 a 2000 algo em torno de 900 para 1500 (66%)
2000 a 2008 1500 para 3500 (133%)
Total de empréstimo de 1 trilhão para algo de 2 trilhões (década de 80), isso quer dizer que quase o total de aumento de crédito foi direcionado para o setor imobiliário.
Levando em conta o CPI, o valor de 1 trilhão no final da década de 80 seria equivalente a 2 trilhões de dólares a valores atuais (ttps://data.bls.gov/cgi-bin/cpicalc.pl?cost1=1000&year1=199001&year2=201707). Logo, por qual motivo essa expansão absurdamente acelerada do crédito imobiliário não levou a uma crise tão grave como a de 2007-2008?
Do texto : "Isso explica toda aquela elevação de preços observada no gráfico 1. De 1993 a 2006, os preços dos imóveis se apreciaram acentuadamente. Em alguns mercados específicos, até mesmo os preços das moradias mais simples se tornaram astronomicamente altos. Esta subida nos preços estimulava novos investimentos em mais construções de imóveis, o que gerava um aumento na oferta de imóveis. E este aumento na oferta de imóveis viria, mais à frente, a exercer uma pressão baixista nos preços dos imóveis."
Preço mediano imóveis
1963 a 1973 – de 20k para 40k = 100%
1973 a 1983 – 40k para 80k = 100%
1983 a 1993 – 80k para 120k = 50%
1993 a 2003 – 120k para 180k = 50%
2003 a 2008 180k para pico de 260k = 44%
Logo, o aumento dos preços dos imóveis na primeira década do presente século não foi tão diferente de outras décadas, foi até menor. Se é para descontar a inflação, seria interessante ter usado o índice Schiller que calcula o preço de imóveis desde o final do século 19 em termos reais.
O Gráfico das reservas em excesso vai até 201 (até porque o artigo foi escrito nessa época), que é o momento onde elas atingem o ápice. Desde então, houve um encolhimento dessas reservas em excesso de quase U$700 bilhões (https://fred.stlouisfed.org/series/EXCSRESNS). Não deveria ter sido o contrário, já que o FED está pagando mais pelas reservas em Excesso (com o aumento concomitante da FFR), por qual motivo os bancos tiraram esses excessos sendo que eles seriam melhor remunerados?
Mais uma vez parabéns pela qualidade do artigo.
Abs
blog pensamentos financeiros
Tudo cupa do dedo-duro, Leandro!
Leandro, sobre a situação americana, em vez de pagar juros sobre o dinheiro mantido parado, eles não podem simplesmente abolir essa medida e elevar o compulsório (provavelmente bastante) para que os bancos não emprestem o dinheiro mantido em caixa?
Após isso eles poderiam transformar os ativos tóxicos em dívida pública direta (nacional) e novamente voltar a fazer a política monetária de sempre?
É claro que isso complicaria o orçamento, mas os bancos poderiam voltar a comprar os ativos aos poucos enquanto o compulsório poderia ir reduzindo gradualmente para aumentar o número de empréstimos.
Com essa medida, eles não conseguiriam voltar a fazer as mesmas trapalhadas de sempre?
Posso ter viajado muito, sou ignorante nesse assunto ainda kk.
Boa noite!!!
Primeiramente parabens pelo comentario!!!
Eu gostaria de saber um documentário bom e confiável falando sobre a crise de 2008, de preferencia com uma visao de um liberal. obrigado
Enfim saiu um texto sobre isso.
“A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário. Consequentemente, os juros começaram a subir”
Não ficou claro para mim, afinal o Juros não é uma variável controlada pelo FED? Logo, o FED não poderia apenas (se essa fosse a intenção dele) manter os juros baixos mesmo com o crescimento menos acentuado da base monetária?
Não bastava o governo ter aumentado o compulsório ao invés de pagar juros sobre as reservas em excesso?
Partindo do princípio básico de que quem imprime o papel moeda dólar é um cartel de bancos privados (FED) e empresta ao governo comprando títulos do Tesouro com retorno garantido de pagamento de juros através dos governos cobrando impostos da população aí fica fácil de entender as crises como essa. Criticar governo é fácil quando não se quer culpar os verdadeiros responsáveis por toda essa estrutura financeira fraudulenta que são esses banqueiros privados do FED. Alguém acha que um Presidente dos EUA, assim como todos os demais políticos como senadores e deputados estão comprometidos com o bem da população pagadoras de impostos ou chegaram no poder porque esses banqueiros os financiaram e ajudaram com a mídia controlada por esses mesmos banqueiros? So se governa um país com a orientação implícita da banca, caso contrário leva um balaço na cabeça (John Kennedy, Abraham Lincoln). Por isso os governos (sob orientação da banca) facilitam a expansão de crédito pra depois ocorrer a contração financeira e sua consequente crise econômica onde milhares de pessoas são arruinadas e pouquíssimas pessoas (famílias oligarcas da banca) ganham bilhões com a desgraça alheia. Tem sido assim já faz um bom tempo e as pessoas ainda não aprenderam que crises financeiras são provocadas por má fé desses gananciosos banqueiros do FED.
Boa tarde!
Estou escrevendo a respeito da Crise Financeira e gostaria de saber as referências bibliográficas deste artigo (principalmente no que diz respeito a parte referente as GSEs e as políticas de ações afirmativas), para que eu possa entender melhor as bases que sustentam as opiniões levantadas.
Grato desde já.
Belo texto, mas um tanto irrelevante. O FED foi capaz de socorrer o sistema financeiro ao mesmo tempo que conseguiu controlar a inflação e deixá-la em níveis totalmente aceitáveis.
Se dá pra expandir a base monetária sem problemas que envolvam a inflação, qual o problema nisso? É justamente esse o objetivo de uma política monetaria eficiente. Não fizeram tão bem em 1929, e agora acertaram em 2008. Tudo evolui, inclusive a macroeconomia.
O autor do artigo apenas descreveu o que aconteceu e sem nenhuma conexão lógica quis nos dizer que a solução apresentada foi “ruim”. Melhor foi em 29 quando quebrou tudo porque o FED não fez nada não é mesmo?
“Ao mesmo tempo em que destruiu o mercado de crédito. Hoje, por causa dos juros artificialmente baixos, apenas grandes empresas conseguem empréstimos. Micro e pequenos empresários nada conseguem, pois, para os bancos, não compensa correr tamanho risco (emprestar para mico e pequenos) em troca de juros artificialmente ínfimos.
Ou seja, além de ferrar os pequenos poupadores, o Fed também ferrou os pequenos empreendedores.”
Você teria alguma evidência disso? Confesso que mesmo após pesquisar não encontrei nenhuma fonte que diga que o crédito nos EUA, ou em qualquer outro país que tenha implementado ações similares de política monetária, esteja escasso para pequenos empreendedores.
Pelo contrário, continuam sendo os melhores ambientes no mundo para se fazer negócios.
Meu caro Leandro, como sempre, clareza e objetividade!
Enviei seu artigo para um colega (que não identificarei) que teve a gentileza de opor os argumentos a seguir. Sei que o artigo é antigo, mas a causa é nobre, pois se trata de, quem sabe, oferecer a esse colega pensamento diferente do dele.
Eis o comentário:
Caro Zanforlin,
Não posso concordar com a tese central do artigo do Mises, o qual credita a crise financeira de 2008 como resultante de uma disposição legal, que flexibilizou as regras de concessão de crédito imobiliário "Credit Score", com o objetivo de fomentar o mercado imobiliário de forma irresponsável e conceder-se financiamento para qualquer um "no Income, no job", muito menos que as Securitizadoras Fannie Mae e Freddie Mac ficaram com um passivo superior a US$ 5 trilhões. Na minha avaliação a crise resultou da demanda absurda e gigantesca pelos títulos emitidos pelas Securitizadoras "Backed Mortgage Securities – MBS", com rates superiores aos dos Títulos Públicos do Tesouro Americano, (principalmente Bancos Europeus e Asiáticos ávidos por esses papéis), associado às práticas inescrupulosas de diversas instituições financeiras de grande porte, que diante dessa demanda explosiva indicando ganhos crescentes e permanentes, passaram a conceder crédito imobiliário sem qualquer critério de análise de risco de crédito (para isso, em uma economia de mercado, não precisavam de qualquer lei que flexibilizasse as condições de concessão de crédito), sabendo de antemão que qualquer crédito gerado seria adquirido pelas irmãs F.Mae e F.Mac com emissão dos MBS, ou seja, o risco de crédito é transferido do banco originador do crédito para os investidores (bancos de investimentos, fundos, fundações, seguradoras e aí por diante). A intervenção do Governo Americano e dos demais Países atingidos foi no sentido de salvar os principais bancos de investimentos, de sorte a evitar uma crise sistêmica que poria em risco todo o sistema financeiro desses países. Diante das incertezas sobre a real qualidade dos títulos "MBS" o mercado parou de investir nesses papéis, resultando na quase falência dessas Securitizadoras. Não podemos esquecer que o sistema funcionou perfeitamente durante mais de 70 anos e hoje, com a superação da crise de 2008, o mercado americano voltou a liderar os investimentos em títulos MBS, assim, o modelo de securitização de recebíveis oriundos de crédito imobiliário, desde que a originação dos créditos não seja fraudulenta, é perfeito e une o mercado financeiro ou de capitais, como suporte para o desenvolvimento do mercado imobiliário.
Leandro, corrigindo: o artigo é recente (12 dias), é que estava lendo outro artigo seu, de 2008.
Leandro, grato pela presteza e abrangência da resposta. Enviei-lhe o endereço para que acesse, leia e reflita.
Seria possível disponibilizar os links dos gráficos usados no artigo?
Leandro, td bem?
Hoje eu vi que o recente aumento dos preços internacionais das commodities preocupou o mercado financeiro com o fato de o FED ter que aumentar os juros básicos para conter uma escalada inflacionária.
Minha dúvida: se os preços das commodities subiram no mercado internacional, que o FED teoricamente não controla, e inflação é criação de dinheiro, faz sentido essa preocupação do mercado? ou mesmo para quem gosta de estudar economia, faz sentido subir juros para evitar aumento de preços de commodities cujo controle é do mercado?
Artigo interessante, mas para mim, que não sou economista, tem algumas coisas estranhas:
1- a opinião de que aqueles dois órgãos federais (Fannie e Freddie) criaram um “acesso artificialmente facilitado aos financiamentos”, sendo que o que eles faziam era driblar a regulamentação de % mínimo de ativos que o PRÓPRIO GOVERNO IMPUNHA. Não seria mais fácil, para o mesmo fim, simplesmente afrouxar a regulação? Em outras palavras, o artigo diz que o governo criou demanda artificial driblando a regulação que ele mesmo criou. O autor queria que a regulação do governo valesse de verdade então?
2- O artigo ventila a possibilidade das agências classificadoras de risco terem dado nota AA para os CDOs por pressão do governo. E, mesmo esclarecendo que isto é apenas algo que “alguém diga”, conclui essa parte com “elas estavam apenas fazendo o que o governo lhes mandava.” Rsrsrs, mas sei lá… é uma possibilidade.
3- Fala do aumento da base monetária como se fosse outra causa da demanda artificial, mas acho que isso somente naõ quer dizer absolutamente nada. Teria que comparar com o crescimento da economia, e com o possível consequente crescimento da inflação.
4- Acho que faltou dizer que quem detinha a posse dos CDS eram os próprios bancos que vendiam (aos clientes de crédito) os CDOs. Ou seja, os bancos estavam segurados contra a má-qualidade dos próprios produtos que vendiam, e não tinha regulação que proibisse isto, tampouco os clientes saberiam disto.
Leandro,
Você já fez algum comentário a respeito daquela questão do FED supostamente ser uma instituição privada?
Algo que também me chama a atenção é como os FED’s de diferentes estados americanos fazem declarações divergentes. Por mais que os EUA sejam uma verdadeira federação, como a moeda é única, é de se esperar que o FED seja realmente um Banco *Central*, né?
Abraço!
Leandro,eu estive lendo sobre derivativos financeiros,pelo que eu li a coisa é má,qual a sua opinião sobre a bolha no mercado de derivativos?
quem ganhou dinheiro com esse estouro da bolha. Quero dizer, como alguém que antecipou corretamente o ocorrido pôde fazer dinheiro?
Leandro, você é fera!
Fez um jovem de 17 anos simplesmente amar economia, kkkkk!
Valeu cara!
Se, de uma hora para outra, o governo parasse de subsidiar o credito imobiliário no Brasil (acabasse com minha casa minha vida), o que aconteceria?
Olá! Queria começar me desculpando por falar disso aqui. Este é o artigo mais recente. Sou nova no site (conheci ele a 3 dias) e confesso que estou me interessando muito mais por economia depois de ler os artigos daqui. São ideias que finalmente fazem sentido quando eu as executo na minha mente. Entretanto, ainda tenho dificuldade em alguns pontos.
Recentemente estava conversando com um amigo meu que é de esquerda. Eu comentei que reduzir impostos e burocracia e abrir o mercado para investimentos estrangeiros, incentivando uma livre concorrência poderia resolver parte da situação do nosso país. Ele disse que isso mataria todos de fome e que abrir um mercado que não se sustenta fariam os grandes nomes estrangeiros engolirem tudo o que tem por aqui. Ele também usou o fato de eu ter apenas 16 anos para justificar meu pensamento “equivocado”.
Fiquei em dúvida se essa linha de raciocínio está correta. O que vocês acham?
Leandro, se o FED esta pagando juros para os bancos manterem o dinheiro parado, este pagamento esta vindo de onde? Isso vai gerar um rombo em algum lugar, certo?
Leandro, hoje no mundo existe algo dessa dimensão em andamento? A próxima bomba não seriam as próprias dividas publicas?
Leandro, meses atrás vi um comentário no qual você disse que na China há aeroportos melhores que de alguns países desenvolvidos, nos grandes centros urbanos (e disse sobre infraestrutura também). É algo que me surpreendeu visto que é um país com uma presença (ainda) forte no estado na economia. Por que isso ocorre?
Eu te perguntei sobre uma futura eleição do Alckmin com o Pérsio Arida, você me deu uma resposta muito boa mas não a encontro. Você pretende fazer artigos analisando os candidatos como foi em 2010 (se não me engano você fez isso)? Chegou a ver o plano de governo do Jair Bolsonaro? Se sim o que achou? Eu li tudo e vi algumas coisas liberais mas o fundo ainda é de um planejamento central. A frase “Brasil acima de tudo” me soa bem coisa dos anos 90 no século XIX.
Artigo digno de digno de aplausos… meus parabéns
E por aqui se discute seriamente socializar as dívidas dos maus pagadores pra aquecer a economia…
Leandro, recomenda algum artigo para que eu possa acompanhar a situação atual do Fed? Pelo ponto de vista austríaco, claro. Pode ser em inglês mesmo. Infelizmente, o IMB não posta mais tantos artigos sobre esse tema quanto postava.
Muito obrigado!
Não consigo ler esse artigo no celular, fica travando o navegador. Por que será?
Olá!
Tenho 16 anos, sou estudante do Ensino Médio da rede pública do estado de Santa Catarina e tive interesse em aprender mais sobre o Liberalismo econômico e ético. Despertei esse interesse por conta de toda a doutrinação socialista recorrente na escola, estou farto de debates e mais debates com meus professores, que insistem em defender o Marxismo. Li poucas obras de Mises (“Liberalismo” e “O cálculo econômico sob o Socialismo”), porém, acompanho o fórum há cerca de 5 meses.
Sempre que critico o socialismo economicamente, recebo um argumento ideológico barato (típico de qualquer populista), o problema é que, dificilmente tenho dados ou teorias empiricamente comprovadas pra defender o liberalismo. Sempre recorro ao rank da Heritage de liberdade econômica ou ao aspecto histórico de que nenhum regime comunista/socialista ter dado certo. Gostaria de algumas recomendações de livros e/ou fóruns de debate, cursos on-line ou apostilas.
Se possível, livros que argumentem como o Liberalismo econômico traria igualdade e bem-estar à todos sem a interferência estatal. De preferência com argumentos simples para a compreensão de todos da minha classe.
Agradecido.
Os artigos ficam travados (em celular e tablet) quando tem muitos comentários. Tentei ler este na semana passada, mas não consegui. Tive que esperar para ler no computador. É sempre quando tem muitos comentários.
Leandro, que aula, que artigo. Sensacional! Você faz parecer fácil entender todas essas coisas. Incrível como você conseguiu resgatar do passado todos os acontecimentos que levaram até a crise de 2008, e pelo que eu entendi quando você quiser explicar a próxima crise que acontecer você poderá mostrar esse artigo para entender como se deu a situação atual de o FED injetar dinheiro na economia. Bolhas criadas atrás de bolhas.
Me veio uma questão: a próxima crise que está por vir, há muito tempo já prevista pela EA é uma continuação da de 2008 pela ação do FED de continuar baixando os juros. Isso poderia ser explicado por esse trecho tirado do texto?
''A mudança radical do Fed
Após todas estas intervenções, o Fed assumiu uma postura totalmente inaudita em toda a sua história: ele simplesmente passou a comprar todos os títulos hipotecários em posse dos bancos. Ou seja, ele passou a imprimir dinheiro e dar aos bancos em troca dos títulos hipotecários em posse destes bancos.
Isso limpou o balancete dos bancos e fez com que a base monetária explodisse. No entanto, e felizmente, todo este aumento da base monetária não se converteu em expansão do crédito.''
Esse aumento base monetária se converteu em expansão nos últimos anos, certo? Ou pelo menos ajudou, mas não teve um impacto tão grande como o QE?
''Porque o Fed passou a pagar juros sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos voluntariamente deixarem parada neste mercado. Ou seja, na prática, o Fed passou a pagar para os bancos não emprestarem esse dinheiro. ''
A qual porcentagem o Fed pagou? Pela Selic deles?
Obrigado!
Obrigado pela resposta, Leandro. Sempre muito bom ler o que você escreve.
Embora não se detecte uma grande bolha específica em algum outro setor da economia (como causada pela expansão do crédito que causou a imobiliara e resultou na crise 2008), a expansão de crédito pós crise de 2008 fez com que as dívidas de países e pessoas (estudantes, principalmente nos EUA) chegassem a valores exorbitantes e até então nunca vistos antes (www.zerohedge.com/news/2019-02-10/debt-trifecta-all-time-highs-billionaires-panic) de tal forma que o FED subir um pouco os juros já tem causado uma certa apreensão. O Fed então teria que escolher entre causar uma hiperinflação (e colapsar o dólar. O Peter Schiff fala muito disso) ou subir mais os juros. Supondo que eles voltem a subir os juros, as dívidas vão ficar ainda mais impagáveis e assim um país poderia quebrar. A partir disso não geraria uma crise muito maior e sem precedentes do que vimos até hoje?
Pergunto isso com base no seu paragrafo em que disse que há a possibilidade de que a proxima a correção necessaria em uma crise não seja tão dolorosa. Sempre é bom ler o que você escreve, então se puder seria muito interessante se você aprofundasse um pouco mais nisso que você disse. Transcrevi o paragrafo aqui embaixo.
”É por isso que, quando houver a próxima recessão americana, há uma chance de ela não ser tão profunda, pois não há muito o que ser corrigido. Recessão profunda é aquela que é precedida por um enorme boom econômico, durante o qual vários tipos de investimentos insensatos foram feitos. Se não houve esse boom, então a correção não tende a ser muito dolorosa. ”
Obrigado
Oi Leandro! Primeiramente, parabéns pela sua análise sobre a crise econômica de 2008! Gostaria de saber porque essa bomba explodiu justamente na administração de George W. Bush, que é do Partido Republicano (teoricamente mais liberal e menos intervencionista na economia do que o Partido Democrata)? Será que ele foi omisso ou realmente não deu tempo de fazer alguma coisa para mudar esse cenário? E como era o perfil do Bush na economia: era mais conservador, mais liberal, como? E como o Barack Obama, do Partido Democrata (mais socialista e intervencionista) conseguiu atenuar a crise nos Estados Unidos? Gostaria da sua opinião, até para entender melhor o que aconteceu na época.
Tenho três questões que não estou conseguindo entender:
1) Como foi a atuação dos órgãos reguladores americanos antes, durante e depois da crise imobiliária e o que poderiam ter feito para evitar tal crise?
2) Como agiram os tomadores de crédito (clientes hipotecários)? O que poderiam ter feito para evitar a crise que os atingiu?
3) Como foi a participação dos investidores e operadores do mercado financeiro? Quais as providências que poderiam ser adotadas por eles para evitar a referida crise?
Leandro (ou alguém que possa ajudar).
Não seria esse ciclo de taxas negativas em muitos países uma maneira de dar calote quando os juros passarem a subir de forma estrutural e mais próxima da realidade daqui a anos?
Pois com a marcação a mercado, muita gente que comprou títulos públicos a juros baixos ou negativos vão perder grana com a subida dos juros.
É realmente incrível como esse país copia tudo o que existe de ruim. E se preparem porque algo está vindo por aí, essa aberração não vai surgir sem motivos.
http://www.oantagonista.com/brasil/banco-central-defende-uso-de-fundos-publicos-para-socorro-a-bancos/
Sou leitor do site e pesquisando sobre a história econômica dos EUA, surgiu uma pergunta, por que a economia estadunidense é diversas vezes, ao longo de sua história, atingida por crises? As crises, no mundo capitalismo e nos EUA, em particular, como apontam Karl Marx e várias teorias de esquerda, são mesmo cíclicas? Há necessidade que para que o sistema sobreviva, ele tenha que passar por momentos de estagnação, e outros momentos de expansão? Se cumpridas as ideias de Von Mises, é possível o país apenas viver momentos de expansão econômica, ou seja, crescimento?
Olá, boa noite.
Sou um entusiasta dos estudos sobre a Crise de 2008.
Acho que, como eu vivi e lembro muito bem desse período, isso me traz grande fascínio.
Contudo, por que o FED aumentou a Taxa de Juros em 2004?
Inflação?
Obrigado!
Leandro.
O que teria acontecido caso o fed não tivesse subido os juros em 2004? Inflação na casa dos 2% não me parece alta pra servir de motivo— não que eu esteja correto…
Porque o dólar estava tão baixo em 2011? Seria devido a injeção maciça de dinheiro nos sistema bancário? Se sim, como um dólar desvalorizado não resultou em forte inflação?
Você afirmou num comentário de 2016 que o outo valorizou 30% naquele período e disse em 2018 que o dólar estava forte. Como as duas coisas podem ocorrer ao mesmo tempo?
Como o dólar pode estar valorizado num cenário de bolha de ativos financeiros como o que estamos presenciando nessa década que passou e até agora?
É verdade que quando está para ocorrer um crise —ou no meio dela— o dólar se valoriza por ser considerado um ativo safe haven?
Você é o cara! Volte a escrever mais por aqui e a fazer podcasts.
Não nos abandone!
Abraço
O fed não foi criado só em 1913?
Ótimo artigo, estou começando a me aprofundar na Crise Americana e este artigo abriu muito minha cabeça.
Só restou uma duvida, O que o FED fez com esses titulos hipotecarios que compraram das instituições financeiras? Simplesmente sumiu ?
Obrigado pela atenção desde ja,
Bryan
É impressão minha, ou o Biden está criando uma nova bolha? Ele disse que planeja concender crédito farto para empresas e os americanos durante a pandemia, e disse que vai começar á dar bastante crédito farto para indústrias de carros elétricos, como a Tesla, para poderem elevar á produção, esses vários pacotes de trilhões que ele está tentando aprovar é justamente para isso.
O que eu não entendi é por que os preços dos imóveis subiram tanto sendo que o governo facilitou o aumento de sua oferta? Se existe uma oferta absurda o preço não deveria cair?
NETFLIX lançou um documentário sobre o assunto, chamado Inside Job. Obviamente, a abordagem é a clássica ladainha de sempre, atribuindo a culpa a agentes privados inescrupulosos e mal intencionados agindo livremente num ambiente completamente desregulado.
Ola!
Sei que é um pouco tarde para pedir mas, pode informar as referencias bibliográficas dos artigos e as fontes dos graficos realizados?
Grato!
Olhando os gráficos históricos dos juros longos americanos (10 anos), o que notei é que eles eram bem baixos até o início dos anos 1960. O que explicaria isso? Influência do padrão-ouro?