Em
1945, o último bastião da resistência nazista na Alemanha entrou em colapso, o
III Reich deixou de existir e o país ficou sob o controle militar dos Aliados. Mesmo antes desta rendição final, os Aliados
já haviam se dado conta de que um de seus problemas mais graves seria o que
fazer com a economia alemã.
Durante
a Segunda Conferência de Quebec, em setembro de 1944, tanto Franklin Roosevelt
quanto Winston Churchill concordaram em criar um programa para “eliminar as
indústrias bélicas do vale do Ruhr e do Sarre… visando a converter a Alemanha
em um país primariamente agrícola e de caráter bucólico.” Isso passou a ser conhecido como o Plano
Morgenthau, em homenagem ao Secretário do Tesouro americano Henry Morgenthau, o
mais fervoroso defensor de tal ideia.
A
própria ideia de transformar um país altamente industrializado e densamente
habitado como a Alemanha em uma nação de camponeses rústicos já era em si
absurda. Mais tarde, o próprio Roosevelt
viria a admitir que “ele não tinha ideia de como ele havia levado isso a sério;
que ele evidentemente não havia pensado muito em tudo aquilo.”[1]
Infelizmente,
mesmo após a rejeição do Plano Morgenthau, em decorrência de uma forte reação
crítica do público e da imprensa, a ideia de se desindustrializar a Alemanha
permaneceu fazendo parte da plataforma dos Aliados.
Na
Conferência de Potsdam, em julho de 1945, a questão da economia da Alemanha
surgiu novamente. Ficou decidido que a
capacidade industrial alemã seria limitada a 50-55% do seu nível de 1938, ou a
aproximadamente 65% daquele de 1936.
Algum tempo depois, esse nível foi elevado para 100% do nível de 1936
nas zonas sob ocupação americana e britânica (Bizona); porém, enquanto isso, a capacidade
produtiva alemã era de apenas 60% daquela de 1936, e a produção vigente era de
apenas 39% daquela de 1936.[2]
A inflação reprimida
A
economia alemã continuou definhando ao longo de 1946 e 1947, incapaz de começar
a apresentar qualquer sinal de recuperação.
Pudera: os Aliados haviam mantido intacto praticamente todo o sistema de
controle econômico dos nazistas. Isso
porque eles não chegavam a nenhum acordo sobre o que fazer com a economia e,
por conseguinte, optaram por manter o status
quo até onde pudessem. No final,
provou-se impossível conciliar os objetivos do Ocidente com os da União
Soviética, o que resultou na divisão da Alemanha na Alemanha Ocidental e na
Alemanha Oriental.
Após
esta divisão, a principal razão para manter os controles sobre a economia era a
inflação monetária: a quantidade de dinheiro na economia, no sentido amplo,
havia aumentado seis vezes entre 1936 e 1947, de menos de 50 bilhões de
reichsmark para algo em torno de 300 bilhões (70 bilhões em cédulas, 100
bilhões em conta-corrente e 125 bilhões em contas de poupança).[3] Em decorrência desta contínua inflação
monetária, o marco havia se tornado virtualmente sem valor.
As
autoridades ocidentais esperavam que, se os controles fossem mantidos, com
preços e salários rigidamente congelados, a economia continuaria funcionando.[4]
Este
curioso fenômeno de controle direto sobre todos os preços e salários, em
conjunto com uma rápida inflação monetária, passou a ser conhecido como inflação reprimida. Infelizmente, ao se combinar os efeitos
nocivos tanto da inflação monetária quanto do planejamento estatal, o resultado
final é muito pior do que seria com apenas um deles. Há uma distorção dupla sobre a oferta e a
demanda: além das distorções normais provocadas pelo planejamento estatal e
pela inflação monetária, a estrutura de preços deixa de refletir as mudanças no
valor do dinheiro causadas pela inflação monetária. Isso leva a uma queda acentuada na produção;
a escassez torna-se inevitável. O
resultado final e inevitável é a regressão à economia de escambo. E foi exatamente isso o que ocorreu na
Alemanha.[5]
As
empresas que desejassem continuar operando tinham de contratar especialistas
chamados “compensadores”. A função deles
era conseguir trocar o que a empresa havia fabricado por aquilo de que ela
necessitava. Consequentemente, tal
processo era muito longo e confuso, dado que várias transações intermediárias tinham
de ser feitas com grande frequência. O
resultado era um enorme desperdício em tempo e gastos indiretos para se obter
coisas que, antes, poderiam ser conseguidas quase que imediatamente.
Desnecessário
dizer que isso deixou a já deprimida economia alemã terrivelmente
emperrada.
Não
demorou muito para que os trabalhadores e empregados em geral também
insistissem em ser pagos em mercadorias. Ato
contínuo, eles trocavam as mercadorias que recebiam por aquelas coisas de que
necessitavam. Uma consequência adicional
era que os trabalhadores não mais tinham qualquer incentivo para trabalhar mais
e ganhar mais dinheiro: como havia racionamento, todos trabalhavam apenas o necessário
para comprar os poucos e racionados bens que podiam obter a cada semana a
preços estipulados artificialmente. Por
lei, era necessário ter um emprego para se obter as papeletas de racionamento;
sendo assim, os trabalhadores adquiriram o hábito de ir trabalhar apenas três
ou quatro dias por semana. Seu tempo
livre adicional passou a ser gasto em trabalhos de jardinagem, na confecção de
artigos para escambo ou atuando diretamente no mercado negro, bem mais
lucrativo.
A reforma monetária
Finalmente
este pseudomercado entrou em
colapso. Como notou um
observador, a economia alemã “estava organizada de tal forma que o interesse
próprio dos indivíduos e das empresas era estritamente oposto ao interesse comum. Trabalhar em um emprego regular era a menos
lucrativa das ocupações, e a mera sobrevivência dependia de se saber aproveitar
as brechas da lei. Já em meados de 1948,
a economia havia atingido um estado de total paralisia que resultou na quase
inanição de uma grande fatia da população”.[6]
Mas,
felizmente para a Alemanha, um cavalheiro chamado Ludwig Erhard, que havia sido
discípulo de Wilhelm Roepke — sendo que este havia sido discípulo de Ludwig
von Mises –, foi nomeado Diretor da Administração Econômica Bizonal. Erhard era um inflexível e vigoroso adepto do
livre mercado, e estava disposto a dar a ele uma chance. No auge da crise, em junho de 1948, ele
propôs um ousado e extenso plano para restaurar a economia, um plano que
combinava uma radical reforma monetária em conjunto com uma completa abolição
dos controles econômicos.
A
reforma monetária estava marcada para ocorrer nas zonas britânicas e americanas
no dia 20 de junho de 1948. O cerne
deste programa seria uma redução da oferta monetária em incríveis 90% seguida
da emissão de um novo marco alemão, o deutsche-mark, que manteria seu valor e
que não mais seria inflacionado até perder totalmente seu valor. Os detalhes da reforma monetária são um tanto
intrincados e estão fora do escopo deste artigo. Basta dizer que todos os reichsmark foram
trocados por novos deutsche-marks a uma taxa de 10 para 1, sendo que a quantia
máxima de deutsche-marks a ser impressa foi estipulada em 10 bilhões.
Adicionalmente,
os depósitos bancários em nome de instituições públicas — do governo militar,
dos estados e suas subdivisões, da empresa ferroviária estatizada, e dos
Correios — foram invalidados sumariamente.
Da mesma forma, todas as obrigações assumidas anteriormente pelo Reich,
bem como todos os seus depósitos interbancários, também foram invalidados. Uma reserva em dinheiro e algum estoque de
capital foram concedidos a todas as instituições financeiras, fornecendo desta
forma os ativos necessários para lastrear os novos passivos destas
instituições.
Além
desta reforma monetária, o vasto emaranhado de controles estatais sobre a
economia também tinha de ser abolido para que a reforma monetária pudesse
funcionar. Nos bastidores, isso não era
algo fácil de ser feito, pois a Alemanha ainda estava sob ocupação militar, e
virtualmente tudo o que os alemães quisessem fazer tinha de ter a prévia
aprovação dos Aliados. Uma dificuldade
adicional estava no fato de que, na Grã-Bretanha, o primeiro governo socialista
acabava de ser eleito e, como consequência, os britânicos já estavam tentando
difundir suas políticas socialistas também para a zona de ocupação.[7]
Os
Aliados observaram a reforma econômica com grande ansiedade, dúvida e
apreensão. Com efeito, o general Lucius
D. Clay, nomeado pelos Aliados como diretor de política econômica, enviou um
ríspido memorando para Ludwig Erhard alertando-o de que os controles econômicos
do governo militar não poderiam ser alterados sem uma prévia permissão. A corajosa resposta do professor Erhard
merece ser repetida continuamente até o fim dos tempos: “Eu não alterei seus
controles; eu os aboli”.[8]
Como
o próprio Erhard viria a dizer mais tarde: “Foi estritamente especificado pelas
autoridades britânicas e americanas que seria necessário obter permissão para
que qualquer mudança de preços pudesse ser feita. Parece que os Aliados jamais haviam imaginado
que alguém pudesse ter a ideia não de alterar os controles de preços, mas de
simplesmente removê-los”.[9]
E
foi exatamente isso o que Erhard fez, e de uma só vez ele desatrelou toda a
economia alemã.
O livre mercado em ação
À
medida que a data da implementação destas reformas se aproximava, o país ia se
tornando mais apreensivo, e a crise econômica parecia piorar
continuamente. Ao mesmo tempo, os
críticos socialistas se animavam e elevavam os gritos de condenação ao plano.
No
dia 19 de junho, um sábado, a maioria das lojas estava vazia. No dia 21 de junho, segunda-feira, como num
passe de mágica, as lojas estavam novamente abastecidas. Dois franceses,
Jacques Rueff e Andre Piettre, registraram de forma teatral este milagre ocorrido da noite
para o dia:
O mercado negro de repente desapareceu. As vitrines das
lojas amanheceram cheias de bens, as chaminés das fábricas voltaram a soltar
fumaça intensamente, e as ruas fervilhavam de caminhões de carga. Por todos os cantos, o barulho das construções
substituiu o silêncio sombrio dos escombros. Se a recuperação foi uma surpresa
grande, sua rapidez foi uma surpresa ainda maior. Em todos os setores da economia, a vida foi
retomada assim que os relógios badalaram as primeiras horas do dia da
reforma. Apenas uma testemunha ocular
pode oferecer um relato acurado do súbito efeito que a reforma monetária teve sobre
o tamanho dos estoques e sobre a variedade e riqueza dos bens à mostra. As lojas se encheram de bens da noite para o
dia; as fábricas voltaram a trabalhar a toda.
Na véspera da reforma monetária, os alemães perambulavam sem rumo pelas
cidades à procura de alguns itens comestíveis adicionais. Um dia depois, eles não pensavam em mais nada
a não ser em produzi-los. Num dia, a apatia era
nítida em suas faces; no outro, toda a nação olhava esperançosa para o futuro.[10]
Como
o próprio Erhard viria a observar este fenômeno: “Antes da reforma monetária,
nossa economia era como um campo de prisioneiros de guerra; os reclusos eram
mantidos vivos em parte pelos Aliados…. Imediatamente após a reforma, as
cercas, barreiras e muralhas desabaram com estonteante velocidade tão logo o
campo de prisioneiros ganhou uma nova e confiável moeda”.[11]
Os
resultados rapidamente comprovaram a sagacidade de ambas as reformas, a
monetária e a de liberação geral dos preços e salários. A tabela a seguir, por exemplo, mostra que, entre
junho e dezembro de 1948, houve um
aumento de 53% da produção naquelas áreas contempladas pelas reformas:
Índice de
Produção (1936 = 100)[12]
|
Abril |
53 |
Setembro |
70 |
|
Maio |
47 |
Outubro |
74 |
|
Junho |
51 |
Novembro |
75 |
|
Julho |
61 |
Dezembro |
78 |
|
Agosto |
65 |
|
|
Já
em 1949, o índice de produção encerrou em 143% daquele de 1948. Ao longo das duas décadas seguintes, a
Alemanha continuou a ter uma das maiores taxas de crescimento do mundo.
Economia keynesiana
É
óbvio que, perante estes resultados, vários economistas rapidamente se
apressaram em querer atribuir os créditos do sucesso às suas ideologias
favoritas. Aqueles que não queriam dar
nenhum crédito às políticas de livre mercado de Erhard prontamente começaram a
oferecer suas próprias explicações para a fenomenal recuperação da
Alemanha. Uma explicação que se tornou
bastante popular foi a de que a Alemanha utilizou princípios keynesianos em sua
recuperação.[13] Essa proposição já foi completamente demolida
em outras obras,[14] mas
continua sendo difundida porque economistas keynesianos são invejosos do fato
de que nenhuma das notáveis recuperações ocorridas no pós-guerra realmente
utilizou qualquer tipo de economia keynesiana.
Ao contrário: todas se basearam universalmente nos princípios do livre
mercado. Como observou o professor de
Harvard, Gottfried von
Haberler:
Em todos os países industriais desenvolvidos, as políticas
de recuperação econômica, de estabilização e de crescimento foram muito mais
bem-sucedidas após a Segunda Guerra Mundial do que após a primeira. Porém, é difícil atribuir este fenômeno à
difusão do pensamento keynesiano. Nenhum
dos economistas e nenhum dos estadistas que foram amplamente responsáveis pelos
variados milagres econômicos do pós-guerra pode ser chamado de keynesiano: nem Camille Gutt na Bélgica,
nem Luigi Einaudi na
Itália, nem Ludwig Erhard
na Alemanha, nem Reinhard Kamitz na Áustria, nem Jacques Rueff na França. O maior milagre econômico de todos, o
japonês, parece ter sido realizado sob governantes e estadistas japoneses
bastantes conservadores, com o auxílio de conselheiros americanos
ultraconservadores. Aos numerosos keynesianos
e marxo-keynesianos restou apenas observar o fenômeno, em impotente oposição.[15]
O
que podemos concluir do episódio alemão?
Primeiro,
é necessário entender que qualquer interferência realizada por burocratas e
planejadores estatais sobre o sistema de preços irá inevitavelmente distorcer o
sistema de produção, gerando um arranjo menos satisfatório do que aquele que
existiria caso não houvesse nenhum interferência.
Segundo,
não há na história econômica nenhum exemplo mais pungente de uma “política de
pleno emprego” que tenha funcionado melhor que a alemã — não houve nenhum
planejamento federal, não houve política industrial, não houve modelos
computadorizados para a economia, não havia um exército de burocratas dando
palpites e ditando ordens, não houve inflação monetária com intuito de ‘estimular
a economia’, e não houve políticas keynesianas. Foi justamente a ausência de todos estes
componentes que infestam as economias intervencionistas atuais o que tornou
possível o renascimento econômico alemão.
Terceiro,
o episódio alemão demonstra que uma deflação monetária,
desde que ocorra em um ambiente com total liberdade de preços e salários, pode
ser algo economicamente benéfico, sem necessariamente criar uma depressão —
pelo menos no caso de uma economia que havia sido praticamente destruída pela
imposição de controles de preços e salários.
A deflação restaurou a fé na nova moeda, uma vez que ela foi acompanhada
da volta dos preços flexíveis e da abolição de todos os controles sobre a economia. O processo de trocas indiretas intermediadas
pelo uso do dinheiro pôde avançar firmemente, pondo um fim à economia baseada
no escambo, à sua inerentemente baixa divisão do trabalho e aos seus mercados extremamente
limitados e manietados.
As
reformas de livre mercado de Ludwig Erhard restauraram a liberdade dos mercados
na Alemanha e, com isso, libertaram as inexoráveis leis da ação humana. Foi a livre concorrência baseada na
propriedade privada o que deu novas esperanças e permitiu o surgimento de um
fenômeno econômico que surpreendeu o mundo e se tornou conhecido como “o
milagre da recuperação alemã”.
Infelizmente,
Erhard tinha uma vantagem política que o mundo atual não mais usufrui. Ele teve a liberdade de abolir os controles
que haviam sido impostos pelos Aliados; ao fazer isso, ele ganhou o apoio
político da população alemã. No entanto,
os controles haviam sido criados originalmente pelos nazistas; os Aliados
apenas os estenderam por mais três anos após a Alemanha ter se rendido. É mais fácil abolir controles estatais
criados por um exército de ocupação estrangeiro do que abolir todo um sistema
de regulação que políticos nativos e eleitos democraticamente criaram em nome
do “interesse público”. É politicamente muito
mais difícil efetuar ações econômicas corretas e sensatas quando, nas imortais
palavras de Pogo Possum,
“Conhecemos o inimigo e ele somos nós”.
[1] Henry L. Stimson and McGeorge Bundy, On Active Service in Peace and War (New
York: Harper & Bros., 1948), 581.
[2] Ludwig
Erhard, Prosperity Through Competition (New York: Frederick A. Praeger, 1958),
10?11.
[3]
Karl-Heinrich Hansmeyer und Rolf Caesar, “Kriegswirtschaft und Inflation
(1936?1948),” in Währung und Wirtschaft,
418.
[4] Ver
Nicholas Balabkins, Germany Under Direct
Controls (New Brunswick, NJ: Rutgers University Press, 1964); Henry
Hazlitt, “The German Paralysis,” Newsweek
(21 de abril, 1947), 82; John Davenport, “New Chance in Germany,” Fortune
(Outubro de 1949), 73.
[5] Wilhelm
Roepke, “Repressed Inflation,” Kyklos,
vol. 1 (1974), fasc. 3, 242?53.
[6] F. A.
Lutz, “The German Currency Reform and the Revival of the German Economy,” Economica (Maio, 1949): 122.
[7] Citado
in Erhard, Prosperity, 12
[8] Volkmar
Muthesius, Augenzeuge von drei Inflationen
(Frankfurt am Main), 1973,
111.
[9] Erhard, Prosperity, 14
[10] Citado
in Erhard, Prosperity, 13; ver também
Jacques Rueff, The Age of Inflation
(Chicago: Henry Regnery, Gateway Edition, 1964), 86?105
[11] Ludwig
Erhard, Germany’s Comeback in the World
Market (New York: Macmillan, 1954), 21.
[12] Lutz,
“German Currency Reform,” 132.
[13] Walter
Heller, “The Role of Fiscal-Monetary Policy in German Economic Recovery,” American Economic Review (Maio, 1950):
533?47.
[14] Egon
Sohmen, “Competition and Growth: The Lesson of West Germany,” American Economic Review (Dezembro,
1959): 986?1003.
[15] Robert
Lekachman, ed., Keynes’ General Theory:
Report of Three Decades (New York: St. Martin’s Press, 1964), 295.
Muito interessante esse caso. Fico pasmo em como as demonstrações da aplicação dos ensinamentos da Escola Austríaca são transparentes e inegáveis.\r
E me causa arrepios o apelo midiático das políticas intervencionistas. Cada vez mais todos querem direito a tudo, mas ninguem quer pagar a conta. E nisso, o livre-mercado é sempre impedido de prosperar, ao contrário dessa história. Excelente artigo!
Fantástico,
Esse questionamento final é de pensar… Na Alemanha pós-nazista, havia um clamor para “se fazer alguma coisa”. No caso atual, no Brasil, como mostrar que poderíamos estar melhores do que estamos, principalmente quando de fato o Brasil melhorou um pouco na última década?
Também um exercício de pensamento interessante: como seria uma transição (viável) no Brasil para um verdadeiro livre mercado?
Abraços
excelente artigo
Hoje estava tendo uma aula mainstream de História Econômica e o tema era a Primeira Guerra Mundial e o tratado de Versailles, com consequências gravíssimas (incluindo a própria Segunda Guerra Mundial).
Parece que o welfare state e o keynesianismo foram algumas das consequencias ruins da guerra.
segundo o professor, a grande depressão foi causada por um excesso de produção americano sem o mercado consumidor alemão pra consumir, mas obviamente isto não passa numa análise sob a luz das leis econômicas
fiz uma pesquisa rapida no Mises.org e achei algo legal
Segundo o economista francês Etienne Mantoux, as teorias economicas keynesianas já estavam furadas no seu livro “Economic Consequences of the Peace”, e todas as previsões que ele fez no ambito econômico estavam errado.
O que eu acho que aconteceu é que o poder do Estado foi aumentando juntamente com a abrangencia e sanguinolência das guerras.
O Estado como instituição no ocidente foi o único que saiu ganhando da Primeira Guerra Mundial.
A grande depressão foi uma consequencia logica da intervenção do Estado na economia. Finalmente o keynesianismo agravou a crise pós crash da bolsa, e isto acirrou os ânimos dos extremistas políticos que colocaram a culpa no capitalismo (igualzinho o obama e a crise de 2008 hoje, portanto tomemos cuidado)
Os keynesianos erraram tbm ao afirmar que o fim da 2a guerra traria depressão econômica.
Concluimos que existem algumas coisas que andam juntas
keynesianismo, socialistmo, poder do Estado, guerra, politicagem, sofrimento, escassez e mentiras de um lado
livre mercado, capitalismo, liberdade, paz, empreendedorismo, felicidade, prosperidade e lógica do outro
simples assim
vocês do instituto mises poderiam fazer uma série de artigos sobre a recuperação do pós-guerra.
E também sobre o período da economia brasileira antes de 1930.Acho que seria bem interessante.
Gente, tem um video muito bom que tenta explicar tudo de onde começou a deriva financeira e monetária que levou à atual crise.
É um video que passou estes dias no canal da tv Suiça, a RTS, e se chama : “Noire Finance”
Para quem entende francês… boa visualisação.
Detalhe, o video só estará disponivél no site da RTS durante mais 5 dias, depois sai do ar.
Abraços
É preciso lembrar e relembrar essas histórias. Repetir e levá-las a todos. O libertarianismo tem tantos exemplos de sucesso no pós-guerra (Alemanha, Japão, Hong Kong, Dubai mais recentemente) que fica difícil entender como foi ficar marginalizado dessa maneira.
Também é preciso enfatizar os fracassos intervencionistas. O keynesianismo jogou o mundo na bagunça atual. O poder de criar dinheiro do nada, sem lastro, foi o que jogou o Brasil na hiperinflação da década de 80.
Os objetivos libertários também são nobres e bastante comuns àqueles pregados por esquerdistas. Os esquerdistas querem a melhoria da vida de todos e mais chances para os pobres e necessitados. Os libertários também. Os esquerdistas dizem ter horror ao latifúndio e ao “grande capital concentrado nas mãos de poucos” (algo só possível com proteção estatal). Os libertários também. Os esquerdistas querem igualdade via redistribuição de renda forçada por lei. Os libertários não defendem a igualdade e a distribuição de renda do mesmo modo que os esquerdistas, mas querem impedir que o estado crie mais desigualdade artificial através da inflação, que causa uma distribuição de renda ao contrário, dos mais pobres para os mais ricos.
No entanto, embora os objetivos possam ser condizentes, os métodos são completamente diferentes, assim como os resultados. Políticas esquerdistas, estatizantes, fazem com que haja um decréscimo na capacidade produtiva de seus países. Suas políticas empobrecem e fazem com que o povo tente fugir para algum lugar melhor; já as políticas libertárias, anti-estatizantes, aprimoram as relações de trabalho, dão lugar à inovação e melhoram tanto a qualidade de vida que estrangeiros querem vir e produzir no país que as adota.
É preciso repetir isso sempre.
Artigo muito interessante sobre tema que eu ainda desconhecia, apesar de já ter lido muito sobre a Alemanha, no Século XX, especialmente quanto a 2a Guerra Mundial. As lições se aplicam facilmente ao que vemos aqui, no Brasil, hoje. Parece que muitos se esquecem de que não há riqueza sem que tenha sido produzida pelo trabalho, que foi o que aconteceu naquele país. Simples assim…
Leandro, tenho uma dúvida sobre as bases teóricas do Milagre Alemão: associa-se o Milagre à “escola” do Ordoliberalismo e a figura de Wilhelm Roepke a ela. Você tem alguma opnião sobre o modo como eles tratararam a questão da necessidade de um Banco Central? Não tenho nenhuma intenção de minorar os trabalhos de Ludwig Erhard e a sua grande “condução” (ou liberalização) da economia alemã, mas ao contrário dos Keynesianos, o pessoal ordolibreal tem uma seriedade bem grande e não me parece que eles estivessem querendoo defender o agigantamento do estado.
Bom dia Leandro!
No link abaio está um grafico do ministerio do fazenda, mostrando que a divida publica caiu quase a metada desde 2002. Foi isto mesmo? grato e abracos.
Amauri
Link: http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/acoes-e-programas/comunicacao-publica/em-questao/edicoes-anteriores/setembro-2012/boletim-1624-26.09/divida-publica-cai-0-5-em-agosto/image/image_view_fullscreen
A interferência estatal no controle da economia, através dos tempos não tem nos dados
bons exemplos. a principal intervenção estatal deveria ser nas condições digo, na infraestrutura, gerando boas condições para produção e escoamento.
Poxa, tinha feito um comentário um pouco grande e na hora de enviar deu erro no site. Desisto! Deixa para outra hora, mas queria conversar um pouquinho com Leandro e outros dispostos a me ajudar :(.
Caríssimos!!
O que vcs me dizem sobre o plano Marshall dos americanos pra Europa da 2a. guerra, visto que o gráfico no link anexo, traz um valor razoável de dinheiro que os americanos “doaram” (emprestaram) aos alemães.
pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Marshall
Alem disso, os gregos agora estão querendo o perdão da divida deles, assim como eles perdoaram a divida dos alemães após a segunda guerra.
Essa ajudinha financeira e o perdão das dividas não foi um dos motivos principais da retomada alemã?
Apenas pra complicar um pouco e acalorar a discussão, que por sinal, muito promissora!! kkk
Abraco
Alguem poderia me passar o link do artigo do Mises que trata do “milagre economico do Japão pós-guerra”, procurei algo a respeito no google mas só achei um artigo do Wikipédia com forte pregação ideologica keynesiana e saudosismo estatal. Gostaria de ver a visão e etendimento do Mises BR sore o acontecimento assim como este da Alemaha pós-guerra.
E quanto a expansão monetária da pós-guerra? Temos algum registro/fonte que sirva pra comparações com outros países?
Eu acredito que o país com maior crescimento após a segunda guerra, seja a alemanha, visto que sofreram sanções além de totalmente arrasada, e não os EUA, que pilharam e se aproveitaram da situação pra dar um impulso em sua economia.
Eu pergunto isso, porque somente falar, fica muito vago, mas com referências a coisa fica muito real e fácil de defender.
Um excerto da obra "The Economics of Success", do ex-Chanceler da República Federal da Alemanha, Ludwig Erhard, publicado em 1963. Nesse texto, Erhard pretende fazer uma distinção entre “uma economia de mercado com livre ajustamento de nível de preços e uma economia autoritária com controlos estatais”.
Quais as causas do milagre economico italiano?
No livro “economia em uma única lição” o autor cita, na página 33, o milagre economico alemão. agora eu pergunto: como, se o livro foi publicado em 1946 e não houve modificação para edições posteriores, a não ser no capitulo “controle de aluguéis” e o milágre começou em 1948? O autor previu o feito?
Na Alemanha pós guerra não foi adotado o “Ordoliberalismo”, que seria uma terceira-via?
A Alemanha desta época era mais livre economicamente que a Alemanha atual?
A Alemanha pós-guerra lembra o Brasil de hoje. A inflação brasileira só não é maior por causa dos preços controlados pelo governo, como a gasolina. Mas a inflação real é maior do que a oficial. O Brasil também precisa de uma boa dose de liberalismo econômico.
* * *
Engraçado, mas países como Alemanha, Itália, Finlândia e seus vizinhos do lado de fora da cortina de ferro mesmo estando completamente destruídos se enriqueceram no pós guerra, da mesma maneira que a Coreia do Sul, Japão e Taiwan se recuperam e se desenvolveram após a 2°GM e a guerra da Coreia. Desenvolvimento este que não se repetiu em outros locais do mundo, com alguma exceção.
E Coincidentemente todas essas nações estavam muito próximas da China Comunista e da União Soviética além de estarem alinhados aos EUA. E analisando alguns mapas, notei que os países que citei formam uma espécie de “linha de contenção” envolta da URSS e RPC.
O que me faz pensar que o livre mercado talvez não seja o único responsável pelo enriquecimento de nações como a Alemanha e Japão, e que fatores políticos e principalmente militares tenham contribuído de sobremaneira para que isso ocorresse.
Quais são as explicações pra Alemanha nazista ter sido tão prospera? alguém tem alguma sugestão de literatura?
E agora os alemães irão competir e prosperar também no mercado do funk:
https://www.youtube.com/watch?v=_ZI2i2btO_0
Não estou criando teorias econômicas novas, o sr. é que deveria interpretar melhor o que escrevi. Só acredito que o debate deveria ter um aspecto maior do que aquele meramente econômico, como a discussão a cerca do Plano Marshal que foi deveras interessante.
Estou pensando em como a intervenção do governo aqui causou problemas, principalmente no setor imobiliário. Nosso custo de vida está pesado por causa do populismo econômico do governo e vamos pagar por cada centavo que ele joga fora na intervenção. Se não fosse pelo PT, o mercado imobiliário teria preços reais e não esta especulação. Ainda usam a Caixa para financiar os lucros das construtoras.
Lendo este artigo, creio que se há uma única conclusão que se pode chegar, é essa:
O Brasil tem salvação.
Liberdade significa responsabilidade. É por isso que nossos presidenciáveis tem medo dela.
[OFF-TOPIC]
Tem diferença entre a escola de Friburgo(Ordoliberalismo)com a escola de Chicago?… Me Parecem que as duas são favores do livre mercado, mas exigem do estado algumas intervenções para corrigir a imperfeição dos livre-mercado
Um dos parágrafos mais bonitos que já li sobre economia:
“O mercado negro de repente desapareceu. As vitrines das lojas amanheceram cheias de bens, as chaminés das fábricas voltaram a soltar fumaça intensamente, e as ruas fervilhavam de caminhões de carga. Por todos os cantos, o barulho das construções substituiu o silêncio sombrio dos escombros. Se a recuperação foi uma surpresa grande, sua rapidez foi uma surpresa ainda maior. Em todos os setores da economia, a vida foi retomada assim que os relógios badalaram as primeiras horas do dia da reforma. Apenas uma testemunha ocular pode oferecer um relato acurado do súbito efeito que a reforma monetária teve sobre o tamanho dos estoques e sobre a variedade e riqueza dos bens à mostra. As lojas se encheram de bens da noite para o dia; as fábricas voltaram a trabalhar a toda. Na véspera da reforma monetária, os alemães perambulavam sem rumo pelas cidades à procura de alguns itens comestíveis adicionais. Um dia depois, eles não pensavam em mais nada a não ser em produzi-los. Num dia, a apatia era nítida em suas faces; no outro, toda a nação olhava esperançosa para o futuro.”
Eu sei que a “escola de campinas” é constantemente massacrada pelos articulistas do portal, mas existe algum artigo aqui que trata exclusivamente de derrubar o pensamento cepalista/estruturalista da CEPAL/Campinas/USP?
Caso não haja, sugiro este tema.
Acho fácil entender que controle de preços só prejudica a economia.
O Brasil ainda possui controle de preços de telefone, energia, planos de saúde, água, etc. Quem vai trabalhar e produzir para ganhar migalhas, já que o governo proíbe a concorrência nessas áreas ? Existem algumas situações que é difícil não ter controle de preços, como em uma estrada, pois não dá para colocar concorrência entre as pistas e faixas da estrada. Seria necessário ter outra estrada para ter concorrência.
Algumas medida urgentes para o Brasil seria a redução de impostos para 20% do PIB, retirar qualquer controle de preços, liberar o uso de moedas como dólar e euro, privatizar todas as estradas, portos e aeroportos, reduzir a dívida pública bruta para 30% do PIB, etc.
Esse Alexandre Tombini do banco central está derrubando a economia. O cara sobe juros, fazendo o governo pagar 20 bilhões a mais de juros da dívida por ano. Ou seja, pra que ajuste fiscal se o cara sobe juros e faz a gente pagar 20 bilhões a mais na dívida ?
Além disso, essa carga tributária é para destruir as empresas. ou o empresário é idiota ou vira sonegador. Essa carga de impostos é desumana. Quem trabalha direito e paga os impostos só é prejudicado, pois a concorrência não vai pagar as malditas taxas.
Ninguém pode proibir as pessoas de trabalhar ! Controle de preços e moeda é regime totalitário !
Isso é mais uma prova(como tantas outras) das coisas maravilhosas que ocorrem quando não existem governos interferindo na iniciativa privada. Como seria bom se o brasil seguisse o exemplo da Alemanha, diminuindo o papel do estado na economia e na vida das pessoas, se limitando a oferecer apenas a Segurança e Saúde.
Eu acho que o melhor jeito de ver qual sistema econômico funciona melhor é pegar uma população que tenha a mesma cultura, renda financeira e capacidade de trabalho, dividi-la em duas e implantar um sistema econômico diferente em cada uma delas.
O sistema que se sair melhor é o que tem mais chances de dar certo em qualquer outro lugar do mundo. Pois após fazermos o teste, podemos tirar todas as variáveis que podem atrapalhar na conclusão do que faz um determinado lugar ser desenvolvido.
Leiam…brilhante..wunderbar…
E isso que faz falta no mundo de hoje..especialmente no Brasil…liberdade e eliminacao de burocracia….
Exemplo pessoal……Como ia ficar 2 semanas fora do Brazil fiz uma procuracao simples..demorou uns 10 minutos…um imbecil func de cartorio fez um copy and paste, mudou os nomes das pessoas e pronto..custou 141 reais
Um medico da Unimed recebe 70 reais numa consulta
Vamso aumentar o salrio dos medicos ou eliminar os cartorios????
Pra que isso? Procuracao? Basta escrever um texto de proprio punho e pronto..se alguem duvidar do texto que pague os custos de um exame de grafia, inclusive danos morais por duvidar da palavra do outro,
Relembro as sabias palavras dele
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
“A sociedade desenvolverá um novo tipo de servidão que cobre toda sua
superfície com uma rede de regras complicadas onde as mentes mais
originais e as mais enérgicas pessoas não conseguem penetrar.
Esse Estado não tiraniza, mas comprime, enerva e estupidifica um povo até
que a Nação seja reduzida a um rebanho de animais tímidos e
diligentes, dos quais o governo é o Pastor”
A atual classe politica esta criando esse bando de animais timidos…mas eles nao sao timidos e farao uma guerra civil extremamente sangrenta….
Existe alguma alternativa???
Coitados dos nossos netos ….sorte dos que estao saindo do Pais..
Alguém sabe de alguma obra ou artigo que fale especificamente da reforma monetária alemã no pós-guerra? Porque o artigo disse que pela complexidade não era o caso de aprofundar especificamente nesse ponto, só que eu me interessei bastante e gostaria de entender melhor como isso se deu.
Como explicar a situação da economia americana no pós-segunda guerra?
Afinal de contas, os gastos públicos no período de guerra foram enormes, e praticamente se emendou com a Grande Depressão. De acordo com a teoria austríaca, o final da década de 1940 nos EUA não deveria ter sido de forte recessão?
Até onde eu sei, os americanos foram encontrar crises inflacionárias só da década de 1960 pra frente. Esse hiato entre 1945 e o final da década de 50 não parecem ser explicados claramente.
Aliás, procurei artigos aqui do IMB sobre esse assunto, mas não encontrei nenhum. Se alguém souber de algo que possa responder minha pergunta, favor mandar os links.
Vale a pena de mencionar duas coisas adicionais que estão diversificando um pouco o cenário descrito aqui:
1o Boa parte do dinheiro que entrou na Alemanha durante os anos 50 foi o dibheiro roubado (dos judeus, dos paises ocupados etc) e que foi “estacionado” em países neutros no fim da guerra (Espanha, Portugal, Argentina etc pp.).
2o O plano Morgenthau poderia ter ajudado caso que Alemanha não teria perdido seus territorios no leste (o que é hoje parte de Polonia e Russia; Silesia, Prussia leste e Oeste).
Deem uma olhada no artigo do Milagre Economico Alemão no Wikipedia. Pouco esquerdista ? https://pt.wikipedia.org/wiki/Wirtschaftswunder
Uma questão não levantada na matéria é a respeito do perdão de parte da dívida alemã.
“História alemã mostra que não há milagre econômico sem perdão de dívida.”
http://www.dw.com/pt-br/hist%C3%B3ria-alem%C3%A3-mostra-que-n%C3%A3o-h%C3%A1-milagre-econ%C3%B4mico-sem-perd%C3%A3o-de-d%C3%ADvida/a-16630965
Leandro, o que acha dessas afirmações?
“Outra questão silenciada pelos defensores do livre mercado no desenvolvimento alemão, é quando o seu "herói" Konrad Adenauer (primeiro chanceler da Alemanha Ocidental, um conservador esclarecido), no começo da década de 50, desautoriza Ludwig Erhardt e retoma diversas restrições à importação – em todos os itens considerados "não essenciais" – para conter o déficit comercial. Ou seja, mais uma vez a Alemanha volta a proteger sua indústria com um forte protecionismo.”
“Em 1948 a Alemanha recebeu 540 milhões de dólares em ajuda (mais de 5 bilhões de dólares em valores corrigidos [4]), um ano depois, 440 milhões, e em 1950, mais 500 milhões de dólares. Não apenas para financiar a indústria, mas também para estabilizar sua moeda. Somou-se a isto a ajuda para o fundo de compensação do Programa de Reconstrução, que era gerido em separado do orçamento alemão, e usado em empréstimos de longo prazo com juros subsidiados para médias e pequenas empresas. Em 1949 a Constituição instituiu o "Estado Social" como "princípio inalterável da ordem democrática". Foi assim que finalmente, em 1952, o país passa a ter superávit comercial, ao mesmo tempo que começara com um dos mais altos níveis de gastos sociais do mundo.
Com esse perdão de dois terços da dívida, o PIB do país pôde dobrar em dez anos. Mesmo com o país já tendo iniciado a recuperação econômica como relatamos (mas ao contrário do que os (neo)liberais dizem, as condições de vida ainda eram miseráveis [5]), a dívida vinha se acumulando e lhe estrangulara já neste ponto.”
“Na Alemanha o governo controlava os preços do aço e carvão, transportes e moradia, até que houve uma reforma monetária aberta formulada pelo liberal Ludwig Erhardt, que preconizava a liberalização econômica e a formação dos preços conforme o jogo de oferta e demanda do mercado. Como resultado, os comerciantes começaram a especular a partir do anúncio da reforma, estocando bens e itens para serem vendidos apenas quando a moeda estivesse mais valorizada.
A abolição do controle de preços pelo liberal Erhardt – exceto o de salários, cujo arrocho foi derrotado devido à pressão dos sindicatos – teve mais consequências: disparou a inflação devido à escassez de matérias-primas, assim como fez explodir o desemprego devido às demissões em massa por parte das empresas que quebravam com a abertura econômica. Ironicamente o governo alemão teve que adotar um procedimento antiliberal para salvar o plano econômico liberal da inflação e mercados paralelos: regular novamente a economia, a partir do início de 1948, proibindo estocagem de bens não registrados, sob peso de fortíssimas multas e cadeia.”
Link do artigo:
voyager1.net/economia/alemanha-desenvolvimento-na-base-do-calote-e-de-politicas-intervencionistas/#do
Muito bom o texto, entretanto não estou de acordo com este trecho:
“O maior milagre econômico de todos, o japonês, parece ter sido realizado sob governantes e estadistas japoneses bastantes conservadores, com o auxílio de conselheiros americanos ultraconservadores.”
Desde o fim da Segunda Guerra mundial, o Japão tem sido alvo de inúmeras abordagens Keynesianas em sua economia, desde alta inflação monetária a um rígido controle governamental da oferta de crédito, promovendo subsídios a setores específicos do mercado e inviabilizando importação de diversos bens de consumo. A fixação da relação dólar/iene como 1/360, pelo Bretton Woods, possivelmente auxiliou o crescimento econômico do país, assim como sua intensa troca de bens com os EUA, entretanto relacionar isso a qualquer coisa próxima de um livre mercado é forçar demais a barra…
Obrigado pela resposta, Gustavo.
Li o artigo recomendado e concordo que as características intrínsecas de trabalho duro e poupança tenham sido essenciais para o desenvolvimento econômico do Japão neste período, disso realmente não tenho dúvidas. A intensificação dos gastos do governo recentemente, seguindo a receita keynesiana, de fato não tem ajudado em nada a economia japonesa nas últimas duas décadas.
Entretanto, por mais que não tenha sido estritamente keynesiano, o período de 1950-1980 foi de fato um onde o Estado esteve presente de forma incisiva, seja garantindo subsídios, impedindo a entrada de produtos estrangeiros ou financiando a produção de armamentos para a Guerra Fria.
Um bom artigo sobre o período é este:https://mises.org/library/rise-and-fall-japanese-miracle.
Abraços!
Que artigo excelente! Obrigado por postá-lo, a cada artigo que leio neste site meus olhos se abrem para o universo de possibilidades de progresso que uma economia livre oferece. Oxalá o Brasil encontre o caminho do livre mercado desatrelando nossa economia do histórico patrimonialismo estatista que tanto prejudicou nosso desenvolvimento.
Ao menos os Alemão para se recuperarem de uma crise encontraram soluções, já em nosso país o atual governo ficará até quando culpando um presidente que já deixou de governar a 10 anos, e o pior é saber que os seus eleitores concordam com isso achando que é normal não haver soluções.