clube   |   doar   |   idiomas
Um comentário moral sobre Lula e o FGTS e um fio de esperança
Acho incrível a capacidade do governo brasileiro em criar siglas que não significam nada. São nomes criados ao acaso, mas com um único significado comum: roubo. Uma CPMF e um IPVA cujo "P" deveria significar provisório, obviamente, virou permanente. Hoje, descobri mais um sigla cujo significado não é o que deveria ser. Trata-se do FGTS que, em tese, significa "Fundo de Garantia do Trabalhador Assalariado". Ou seja, o FGTS é um fundo compulsório que deveria servir como reserva para o trabalhador, proprietário daquela conta, caso ele ficasse desempregado. Sem entrar no mérito da validade do FGTS, em resumo e em tese, seria isso. Eu pago certa quantia, a empresa na qual eu trabalho, idem e, caso eu fique desempregada, saco os recursos que foram acumulados junto à Caixa Econômica Federal. Logo, o FGTS deveria ser um fundo de proteção pessoal de cada trabalhador (porque, como sabemos, as pessoas não são capazes de poupar recursos sozinhas e, por isso, o governo deve obrigá-las a fazer o melhor para elas).

Mas, segundo Luís Inácio Lula da Silva, a coisa não é bem assim. O FGTS não tem como prioridade ser um fundo de amparo ao trabalhador. Segundo o nosso presidente, a finalidade primária dessse instrumento seria "o financiamento de projetos de infraestrutura urbana e saneamento básico". Está na Folha de hoje, em matéria sobre a "permissão" governamental (olha como os governantes são bonzinhos) para que os trabalhadores possam usar os "seus" recursos aplicados no fundo para sorteios e quitação de dívidas de consórcios, dispositivo que já tinha sido vetado pelo presidente e pelo Ministério da Fazenda, que temiam que a fuga de recursos do Fundo causasse problemas para o financiamento de tais obras.

De novo, minha crítica não é sobre a obrigatoriedade do FGTS. Também não sou inocente em achar que o governo seria bonzinho e deixaria o dinheiro dos indivíduos aplicado no FGTS em paz. O que me choca e deveria ser motivo de comoção geral é a falta de vergonha e pudor do governo. Afinal, dizer escancaradamente que a proteção ao trabalhador é só uma desculpa para o Estado financiar seus projetos compulsoriamente, projetos que ele (o Estado) considera "bons", é o mesmo que admitir que está roubando a todos para beneficiar uma minoria. Mas, não, além de não ficar enrubescido, o presidente do Brasil acha que está fazendo algo bom, sob os aplausos dos papagaios de pirata de plantão que bradam aos quatro ventos que "nunca antes na história deste país se teve uma política econômica tão boa". 

Nota-se.

Nem tudo está perdido

Ainda na Folha, vejo uma notinha de pé de página dizendo que o Senado aprovou ontem um projeto de lei que elimina a multa de 40% para o empregador doméstico que demite uma empregada sem justa causa. Pena que os senadores não aproveitaram e não acabaram de uma vez com esta cláusula bizarra da CLT para TODOS os empregadores. Afinal, qual a diferença, além da quantidade, entre uma pessoa que possui uma empregada e outra que emprega mil pessoas em uma fábrica? Em tese, não somos todos "iguais" perante a lei?



autor

Nubia Tavares
é jornalista e foi diretora de operações do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

CATEGORIA
  
POST POR DATA
comentários (16)

  • Luciana  15/10/2009 14:58
    Núbia, perdoe-me, mas na frase "(porque, somo sabemos, as pessoas não são capazes de poupar recursos sozinhas e, por isso, o governo deve obrigá-las a fazer o melhor para elas). " não deveria ser "porque, como saemos, ...." e na frase "O FGTS não tem como prioridade sem um fundo de amparo ao trabalhador" não deveria ser " ser um fundo"?
  • Núbia  15/10/2009 15:23
    Luciana, corrigido! Tks!
  • Rafael  20/10/2009 07:20
    Cara Núbia,\nIndependentemente da moralidade da cobrança do FGTS, com A qual não concordo tendo em vista sua atual utilização, esclareço que a diferença entre o empregador doméstico e o industrial, é que aquele não exerce atividade econômica, podendo ser, inclusive, um assalariado. É em função disso que a legislação, para esse tipo de empregador é, em tese, mais branda. Grato.
  • Fernando  20/10/2009 13:48
    Caro Rafael, esclareço que vc não sabe o que é uma atividade economica.
  • Gustavo  20/10/2009 17:59
    Caro Rafael, você também não sabe que um imposto é uma agressão.
  • Bruno  20/10/2009 22:47
    O banco pega seus depósitos e compra parte da infraestrutura de TI.\n\nE aí? Não vai tirar seu dinheiro do banco.
  • Júlio Cézar  21/10/2009 12:38
    Se vc deposita o dinheiro no banco pode ter seu dinheiro de volta a qualquer momento e se, de fato, vc não quiser depositar nada em um banco, vc é livre pra fazer isso. Já o Estado te OBRIGA a contribuir com aquilo que vc não quer. Santa ingenuidade...
  • Bruno  21/10/2009 12:58
    OBRIGA? Se eu não for registrado, então não há FGTS.\n\nAlém do mais, quando se é demitido, tu podes retirar o FGTS.\nSanta ingenuidade sua ao querer forçar as diferenças entre um banco e o FGTS.
  • Christiane Schlaggenwald  21/10/2009 13:35
    Alguém me chicoteia?
  • Núbia  21/10/2009 15:08
    Rafael,

    Como assim, um empregado doméstico não exerce uma atividade ecônomica? Você poderia explicar melhor o que você entende por atividade econômica?
  • Fernando Coutinho  25/10/2009 13:06
    Caros cometaristas quem não exerce atividade econômica é a pessoa que contrata uma empregada doméstica. Explicando melhor: uma empresa ao contratar alguém terá sua receita aumentada. Já o empregador doméstico não terá nenhum benefício financeiro.
  • Roberto Chiocca  25/10/2009 14:21
    Fernando, com o devido respeito, mas , non sense sua ideia de que um individuo ao contratar alguem para fazer suas tarefas domesticas não tenha beneficios financeiros com isso. Ele, ao inves de chegar em casa e ter que fazer a faxina, cozinhar, lavar, passar, e arrumar a csaa, ele chega e descança, e isso faz com que seu rendimento no trabalho melhore, ou seja, mais $$$. Seu raciocinio leva alguem a pensar que a contratação de um faxineiro, a compra de obras de artes e enfeites, entre tantissimas outras coisas que podemos imaginar, não sejam atividades economicas.\nPodemos ter aqui um problema de definição, parece que não temos a mesma de "atividade economica".
  • Luis Almeida  25/10/2009 16:12
    E mais, quem falou que se "uma empresa ao contratar alguém terá sua receita aumentada"? O efeito direto é um diminuição na receita. Se eu, por exemplo, contratar uma faxineira para minha empresa, ou uma decoradora, não terei benefício financeiro, apenas um local de trabalho mais agradável.
  • Mr.Garone  25/10/2009 18:08
    Nossa não sábia que "ignorantes", visitavam sites liberais, pois fiquei até surpreso, com os comentários dos ignorantes.\n\nSe eu fosse o Roberto Chiocca, eu ignorava e depois de 96 horas eu corrigia todo mundo e daria uma aula grátis de economia de mercado!!!\n\nFicaria chato para os ignorantes!
  • Roberto Chiocca  25/10/2009 18:39
    Mr. Garone, Não entendi seu comentário, poderia ser mais claro.
  • João  04/12/2019 10:39
    O IPVA foi criado para ser provisório, vocês podem me explicar melhor sobre isso?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.

Curso Online: Economia para não economistas

Por Equipe IMB - 05/09/2019

A organização do roubo

Por Helio Beltrão - 29/08/2019

/ palavra do presidente

Trump, o câmbio e a volta da guerra fria

Por Helio Beltrão - 24/08/2019

Cavalgaduras keynesianas

Por Helio Beltrão - 21/08/2019