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Guido Mantega não dá sossego
Sempre que um leitor me manda um link com uma entrevista de Guido Mantega e graciosamente me pede para comentar as opiniões do distinto, confesso sentir uma espécie de eclampsia.  Toda vez que Guido Mantega abre a boca para falar sobre economia, minha coluna vertebral evoca memórias de vidas passadas e começa a empurrar meus membros anteriores para o chão.  A sensação é a mesma de Voltaire, que declarou ter ficado com vontade de voltar a andar de quatro após ler um tratado de Jean-Jacques Rousseau.

Desta vez, o infatigável ministro concedeu uma entrevista à revista IstoÉ Dinheiro (você pode ler toda a reportagem, amplamente favorável ao ministro, aqui).  Destaco a seguir as melhores respostas — 'melhores' na acepção manteguiana, é claro.  As perguntas vão de azul, as respostas vão de vermelho e eu vou de preto.

 

O nível de tributação no Brasil ainda é muito elevado. Não está na hora de uma mudança? O turista brasileiro que vai para Miami paga um décimo do valor cobrado aqui nos produtos que compra.

Não acho que a carga tributária seja elevada. Ela tem caído. O que aconteceu é que as empresas estão pagando mais Imposto de Renda porque tanto a formalização quanto a fiscalização da Receita aumentaram. Quem já pagava, agora paga menos. O investidor e o empresário estão pagando menos. Há menos IPI, menos PIS/Cofins, para alguns setores. Reduzimos o prazo de depreciação dos equipamentos. Também reduzimos a apropriação do prazo do PIS/Cofins. Temos desonerado bastante.

Entendeu, leitor?  Ao mesmo tempo em que a carga tributária "tem caído", as empresas "estão pagando mais Imposto de Renda".  Ou seja, segundo Mantega, ao mesmo tempo em que o governo confisca mais dinheiro do setor privado e a arrecadação sobe, a carga tributária magicamente cai.  Isso, obviamente, só é possível no maravilhoso mundo manteguiano.  Mas o leitor nem precisa confiar em mim, não.  Pode conferir por conta própria as três notícias a seguir, em ordem cronológica:

A carga tributária brasileira ficou em 33,1% do PIB em 2009

Carga tributária subiu para 33,5% do PIB em 2010, informa Receita Federal

Carga tributária de 2011 deve bater recorde, chegando a 36% do PIB

Sobre o tamanho da carga tributária brasileira, de acordo com um ranking do Banco Mundial, o qual pesquisou a carga tributária de 181 países, o Brasil ocupa a 145ª posição.  Em termos de competitividade, estamos em 125º.  Mas, para Mantega, a carga tributária ainda não é elevada.

Ou seja, o digníssimo não precisou de mais do que três frases para se contradizer.  Mas a coisa ainda melhora: após este início triunfal, o cavalheiro diz, sem corar, que "há menos IPI".  Eu não sabia que o aumento de 30 pontos percentuais no IPI dos carros importados havia sido revogado...

No fantástico mundo de Guido, a carga tributária aumentar 9% em 2 anos (de 33% para 36%) significa que "temos desonerado bastante".

Qual é o efeito cambial?

A desvalorização do dólar é de mais de 50%. Então, lá fora tudo fica mais barato. Há um desespero dos produtores. O pavor de Ben Bernanke, presidente do Fed, é a deflação. Além do mais, os Estados Unidos não produzem mais nada, trazem tudo de fora. Por isso fica barato. Foi assim que desestruturaram a indústria. Não queremos isso aqui. O câmbio é a maior arma comercial que nós temos hoje.

Li e reli esta resposta várias vezes e ainda não consegui ver o mínimo sentido nela.  Segundo Mantega, o dólar está desvalorizado em mais de 50%.  Ok, mas desvalorizado em relação a quem ou a o quê?  Em relação a outra moeda qualquer não pode ser, pois, em regimes de câmbio flexível (ou seja, qualquer regime que não seja de âncora cambial), não existe isso de uma moeda ficar sobrevalorizada ou desvalorizada em relação a qualquer outra.  O que determina o câmbio é o poder de compra de cada moeda.  Logo, uma determinada moeda estará ou mais forte ou mais fraca em relação a outra.  Mas não tem nada disso de estar sobrevalorizada ou desvalorizada (Mais detalhes aqui).  Portanto, economicamente esta frase não faz sentido.  Mas a coisa piora.

De acordo com o ministro, "foi assim" que os EUA desestruturaram sua indústria, pois "trazem tudo de fora" porque "fica barato".  Ora, mas se o próprio está dizendo que o dólar está desvalorizado em 50%, como pode este dólar fraco fazer com que as importações americanas sejam baratas e desestruturem sua indústria?  Um dólar desvalorizado em 50% encarece as importações para os americanos em 50%.  É justamente este tipo de desvalorização que Mantega gostaria de impor ao real, para tornar as importações ainda mais proibitivas. 

Afinal, como diz o próprio, "o câmbio é a maior arma comercial que nós temos hoje".  Muito bom.  Nossa maior arma não é a produção de bens de qualidade, não é a competitividade, não é a capacidade intelectual.  "Nossa" maior arma, segundo o próprio ministro da Fazenda, é fazer pretensas manipulações cambiais cujo único intuito é impedir que nós brasileiros compremos produtos estrangeiros.  O ministro nos trata como um gado confinado dentro do curral, e não podemos cobiçar nada que esteja além da cerca.

E o que o governo pode fazer para atacar esse problema?

O governo tem de atuar no câmbio, e estamos fazendo isso. Não dá para fazer milagre. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa estão com a moeda desvalorizada. Vários países têm juro real negativo. Estamos com o câmbio melhor do que antes, porque tomamos medidas eficazes, como o IOF. Tomamos medidas de defesa comercial, como o IPI dos carros. A importação já está caindo.

O que ele fala sobre o câmbio brasileiro não tem nenhuma lógica econômica.  Novamente, o que determina a taxa de câmbio no longo prazo é o poder de compra da moeda, e não IOF sobre transações cambiais ou qualquer outra medida de controle de capital.  Enquanto Bernanke continuar imprimindo dólares, não há como o dólar encarecer em relação ao real (a menos que os burocratas do nosso Banco Central consigam superar a sofreguidão da impressora de Bernanke).

Dito isso, analisemos as duas últimas frases.  Na primeira delas, Mantega contradiz o que ele havia dito lá em cima sobre o IPI.  Mas isso não é surpresa nenhuma. 

Já a última frase é no mínimo repulsiva.  Eis um ministro comemorando o fato de ter dificultado transações comerciais voluntariamente feitas por brasileiros, transações estas que não prejudicam absolutamente a nenhum terceiro.  Para Mantega, o brasileiro comum não tem o direito de ter acesso barato a carros importados e de melhor qualidade que os nacionais.  Agindo como um miliciano de favela, Mantega quer que você compre apenas os produtos fornecidos pelos amigos dele.  Se os carros nacionais são ruins e os consumidores decidem comprar carros de outros países — porque são melhores e possuem mais atributos —, Mantega se acha no perfeito direito de dificultar ao máximo tal transação.  Os brasileiros devem ser penalizados por demonstrar tal preferência.  Quer comprar de fora?  Pode, mas primeiro tem de nos pagar o arrego. 

O aumento de 30 pontos percentuais no IPI fez com que o custo de um importado aumentasse até 75% em relação a um nacional.  Convenhamos: se uma indústria só consegue sobreviver se os preços de seus concorrentes forem 75% maiores (aparentemente, o Imposto de Importação de 35% não estava dando conta), então não é nenhum exagero dizer que os bens que ela produz são, no mínimo, latrinários.  Por que os brasileiros devem ser punidos e ter suas opções de compra tolhidas apenas para garantir a sobrevida de incompetentes?

Pelo visto, na lógica do mundo manteguiano, o fato de os carros nacionais serem ruins e os estrangeiros serem melhores é culpa exclusivamente nossa, dos consumidores.  Pois só isso explica o fato de estarmos sendo punidos pelo simples desejo de querer produtos melhores.  Mantega está nos dizendo: vocês só poderão comprar carros estrangeiros sem pagar o arrego depois que os nossos carros melhorarem.  Portanto, aprumem-se!

Nunca imaginei que teria saudades de Ciro Gomes como ministro da Fazenda (setembro a dezembro de 1994) e seu imposto de importação de 20%.

epoca(19).jpgAs montadoras podem subir o preço? Há acordo para evitar isso?

Quando aumentamos o IPI, fizemos um acordo para não subir os preços. Se subir, a gente reverte. Não permitiremos que o consumidor brasileiro seja prejudicado.

Viu só como ele nunca decepciona?  Aumentar o IPI em 30 pontos percentuais e encarecer em até 75% os veículos importados é, na realidade, uma política de "não permitir que o consumidor brasileiro seja prejudicado".

Só agora é possível entender a capa da revista ÉPOCA ao lado.  Este cidadão realmente vive em um planeta próprio.

Os preços não cairiam mais para o consumidor se o mercado fosse livre?

Se o mercado fosse livre, iria acabar com a indústria nacional. Só haveria produção na China, na Coreia, e o Brasil se tornaria só um grande importador. Voltaríamos ao Brasil da Primeira República. 

De acordo com o preclaro, livre mercado gera produção na Coréia e na China, mas não no Brasil.  Por quê?  Por que a Coréia ganha com um livre mercado e nós perdemos? Sei que existe a desculpa de os salários da China serem baixos e as condições de trabalho serem ruins, e não queremos concorrer nesses termos; mas e a Coréia?  Será que Mantega também acha que os salários coreanos são baixos e as condições de trabalho igualmente insalubres?  Ninguém percebeu, mas o ministro simplesmente nos chamou de incompetentes e frouxos.  Segundo ele, se tivermos de concorrer, trabalhar duro e apresentar produtos bons e eficientes, vamos apanhar feio dos asiáticos, pois não temos capacidade nem intelectual e nem produtiva, e muito menos disposição para o trabalho duro, de modo que eles são muito melhores do que nós em todos estes quesitos.  Logo, a melhor coisa a fazer é nos fecharmos covardemente em relação a eles.  Se formos para o mano a mano, isto "iria acabar com a indústria nacional".

O que acaba com a indústria nacional, ministro, não é a livre concorrência, mas sim:

1) a carga tributária — IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, e mais COFINS de 7,6%;

2) a inflação monetária — que, ao aumentar artificialmente os lucros das empresas, faz com que o volume de impostos que elas têm de pagar aumente na mesma proporção, o que exaure seus recursos.  Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas) e das peças de reposição do maquinário.  Ao final, a empresa, além de ter menos recursos (os quais foram confiscados pelos impostos), tem de adquirir bens de capital e peças de reposição a preços maiores, o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento.  A inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas.

3) a burocracia;

4) as regulamentações restritivas;

5) o movimento ambientalista;

6) os encargos trabalhistas e sociais;

7) os sindicatos.

A livre concorrência, ao contrário, fortalece uma indústria.  Mantega deve ser daqueles que, ao ver um restaurante sendo inaugurado em frente a outro restaurante concorrente, pensa assim: "Puxa, os serviços vão piorar!" 

Mas, que ao menos fique registrado: ninguém menos que Guido Mantega admite não haver livre mercado no Brasil.  Logo, quando a próxima recessão vier, não vale dizer que a culpa é do mercado.

Qual é a sua visão sobre o futuro do capitalismo?

O capitalismo precisa ser sempre reinventado. Onde está dando mais certo? Nos países que adotaram o capitalismo de Estado. Não vamos comparar o Brasil com a China, onde 80% da economia está sob controle do Estado. Mas o Brasil tem bancos públicos também, o Brasil tem financiamento público. O que está em crise é o capitalismo liberal clássico, o capitalismo da desregulamentação financeira, que nos levou a esta crise toda. Modestamente, acho que uma das formas mais eficientes de capitalismo é a do Brasil. É um capitalismo que traz diretamente benefícios à população. Estamos longe do modelo europeu de desenvolvimento, mas estamos a caminho de alcançá-lo.

Vai dizer que não dá preguiça?  É tanto despautério num pensamento só, que é até difícil escolher o ponto de partida.  Mas vamos começar pelo mais fácil.

Sim, o Brasil segue um capitalismo de estado e chega a ser surpreendente que Mantega admita isso.  Porém, quais foram os feitos deste capitalismo de estado brasileiro que, segundo o ministro, é "uma das formas mais eficientes de capitalismo [...] um capitalismo que traz diretamente benefícios à população"? 

A façanha deste nosso capitalismo de estado foi gerar uma economia cujos salários do setor privado são permanentemente baixos e, ainda pior, se mantêm continuamente estagnados.  De novo, não precisa acreditar em mim.  Pode conferir nos dados do próprio IBGE.  Esta tabela de Excel mostra que o rendimento médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada em 2011 foi apenas ligeiramente superior aos valores registrados em 2002!  Em 2002, a média real mensal para o ano todo foi de R$ 1.471, ao passo que, para 2011, foi de R$ 1.509.

E quem analisar com mais calma verá que o rendimento real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada caiu continuamente de 2002 até 2010, e apenas em novembro de 2011 é que o valor superou o melhor mês de 2002 (e por míseros 3 reais).

Ou seja, o capitalismo de estado brasileiro que o senhor Mantega alega ser eficiente e benéfico à população fez com que os assalariados do setor privado ficassem praticamente 10 anos com seus salários estagnados.  E não poderia ser diferente: o capitalismo de estado sem dúvidas é benéfico para aqueles que estão no estado e para aqueles que trabalham em conluio com o estado, que fornecem serviços para o estado e que possuem vultosos contratos com o estado (como aquele empresário brasileiro que é o oitavo homem mais rico do mundo).  Para estes, cujos rendimentos só fazem aumentar, de fato o capitalismo de estado é muito eficiente.  Só que, para sustentar esta farra, é preciso haver gente trabalhando duro, produzindo e, principalmente, sendo tributada.  São estas pessoas, por meio dos tributos que incidem sobre sua renda, que financiam a farra daquelas.  E, tendo de ser tributadas desta forma, é claro que não há como haver aumentos salariais reais. 

Aumento salarial real é algo que só é possível se houver acumulação de capital.  E acumulação de capital — 'capital', em termos físicos, são os ativos físicos das empresas e indústrias; são as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer — só é possível em ambiente de baixa tributação e pouca inflação, como explicado no item anterior.  (Tanto é que os países escandinavos, após optarem pelo estado assistencialista e a alta tributação que este exige, ficaram com suas rendas estagnadas desde então).

Ademais, como brilhantemente explicou João Luiz Mauad, no capitalismo de estado,

o governo é capturado por grupos de interesse que o utilizam para promover a transferência de riqueza e status. Num processo lento, mas ininterrupto, castas influentes e bem articuladas obtêm privilégios especiais, contratos, empregos, benefícios fiscais, créditos baratos, resgates e proteções diversas, sempre às custas do imposto alheio. No fim e ao cabo, haverá mais parasitas que hospedeiros.

Portanto, Mantega, ao elogiar o capitalismo de estado brasileiro (também conhecido como mercantilismo), dizendo que ele "traz diretamente benefícios à população", esqueceu-se de especificar quem são os beneficiados e quem são os beneficentes.  Os beneficiados, de fato, vivem um conto de fadas.  Já os beneficentes, por sua vez, não entram no conto nem no papel de sapo.

Finalmente, vale lembrar: qual é mesmo o modelo de capitalismo que os falidos países europeus — como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, com seus estados inchados e assistencialistas — seguem senão o próprio capitalismo de estado?  Como tal modelo pode ser considerado um que "está dando certo"?

Quanto à frase "o capitalismo precisa ser sempre reinventado", isso apenas demonstra a arrogância e a prepotência do sujeito.  O capitalismo não é uma criação que pode ser constantemente remodelada.  O capitalismo é um arranjo espontâneo que emergiu naturalmente das trocas voluntárias dos indivíduos e da divisão do trabalho.  Não é algo que pode ser reinventado de acordo com os caprichos do momento.  Quem crê nesta possibilidade nada mais é do que um adepto da engenharia social, um pretenso tirano que não apenas jura saber com exatidão o que é melhor para todos, como também, e ainda pior, julga saber como implementar tal modelo de "mundo melhor".

Para terminar, vamos finalmente à derradeira frase: "O que está em crise é o capitalismo liberal clássico, o capitalismo da desregulamentação financeira, que nos levou a esta crise toda".

Em sua entrevista à ÉPOCA, Mantega se gabou de ter lido mais de 1.000 livros para escrever sua tese de doutorado sobre a história da economia política brasileira.  Portanto, não sei se esta sua frase demonstra ignorância ou pura velhacaria, mas ele de fato deveria saber melhor sobre o tema. 

Se, por um lado, é verdade que a desregulamentação financeira ajudou a criar os problemas financeiros (em específico no setor de derivativos), o fato é que toda a lambança só ocorreu de fato porque havia no arranjo bancos centrais expandindo a quantidade de dinheiro na economia (sem cuja expansão as alavancagens e toda a especulação seriam impossíveis) e deixando implícito que entrariam em cena e socorreriam aquelas instituições financeiras consideradas grandes demais para quebrar.

Apenas considere a equação:

Desregulamentação financeira + bancos centrais aumentando a quantidade de dinheiro nas economias + bancos centrais e governos implicitamente prometendo ajuda a grandes instituições + seguro federal para os depósitos de seus correntistas = risco moral e especulações sem preocupação.

Como isso poderia não gerar lambança?  Se você desregulamenta, você permite que as pessoas façam o que quiserem.  Até aí, tudo certo.  Porém, se você dá essa liberdade, tem também de dar a responsabilidade.  Caso contrário, tem-se um cenário de libertinagem: liberdade sem responsabilidades.  O que combinou para gerar a crise financeira foi que, ao mesmo tempo em que os bancos tiveram liberdade para fazer o que queriam, eles também sabiam que o governo estava logo ali com o babador e a mamadeira na mão, e que não iria deixar que nenhuma travessura fosse penalizada pelo mercado.  E é este arranjo tipicamente keynesiano que Guido Mantega diz representar o liberalismo clássico.

O liberalismo clássico, para começar, opera com um padrão-ouro — o que, por si só, impossibilitaria as alavancagens, as especulações e as assunções de risco observadas.  Adicionalmente, o liberalismo não defende a existência de bancos centrais, muito menos bancos centrais que ali estão justamente para garantir a segurança das grandes instituições, amigas do governo.  O liberalismo clássico defende a responsabilidade individual e o genuíno capitalismo, isto é, lucros privados e prejuízos privados.  Quem faz besteira é penalizado pelo mercado, vai à bancarrota e seus ativos são entregues aos seus credores.  Porém, quando se cria uma instituição estatal com plenos poderes para oferecer liquidez a rodo para os agentes financeiros, possibilitando-lhes assumir riscos excessivos com esta liquidez, e garantindo-lhes todo e qualquer tipo de socorro caso a brincadeira dê errado, você não tem liberalismo clássico, mas sim intervencionismo e protecionismo, o exato oposto de liberalismo clássico.

Guido Mantega, mais uma vez, não entendeu nada.  Por que ele insiste em falar sobre o que não sabe?  Seria melhor para toda a humanidade se ele acreditasse na superioridade da divisão do trabalho e se concentrasse exclusivamente na produção daquilo que ele sabe fazer melhor.

 



autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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comentários (40)

  • Thames  22/02/2012 11:11
    De fato, a produção própria do sujeito não é nada desprezível. Eu ia fácil!
  • Vinicius  22/02/2012 12:38
    Leandro, jah pensou na possibilidade de Mestre Guido ser o Libertroll do governo?? rsrsrs
  • Erick  22/02/2012 12:47
    Já percebi que neste cargo as pessoas podem dizer qqer coisa.

    Ótimo artigo Leandro, apenas achei a passagem "o Brasil está na 145ª posição entre os países com maior carga tributária em relação ao PIB" ficou um pouco confusa.
  • Leandro  22/02/2012 13:00
    Vinícius, de fato ele tem uma carinha de troll intolerável. Sobre ele ser um fake libertário, aí já seria um pulo e tanto.

    Erick, fiz um alteração nesta passagem. Espero ter ficado menos confusa agora.

    Abraços!
  • anônimo  23/02/2012 04:12
    Leandro,

    "Sobre o tamanho da carga tributária brasileira, de acordo com um ranking do Banco Mundial, o qual pesquisou a carga tributária de 181 países, o Brasil ocupa a 145ª posição."

    Eu continuo sem entender. Isto quer dizer que de 181 países, o Brasil tem uma das 36 menores cargas tributárias? Ou exatamente o contrário?
  • Leandro  23/02/2012 04:15
    Exatamente o contrário. Quanto mais alta sua posição no ranking -- isto é, quanto mais próximo do primeiro lugar -- menor a sua carga tributária. O Brasil está lá na rabeira. Assim como em termos de competitividade.
  • anônimo  23/02/2012 06:50
    Entendi, Leandro. Obrigado.
  • Sammuel  25/02/2012 12:12
    A questão é, do quê o Brasil não está na rabeira? Hehe, acho que somente em termos de títulos mundiais nos esportes (Futebol, Automobilismo, Iatismo) e no número bruto do PIB (Que para alguns reflete a real situação de um país).
  • Isaias Barbosa  22/02/2012 13:03
    Guido é tão bom para a economia brasileira que não tem coragem o suficiente para voltar ao seu país de origem e salva-lo da crise financeira em que se encontra, se o mundo manteguiano funciona aqui, por que não pode funcionar lá? Afinal, as leis econômicas manteguianas também são universais, ou será que ele reinventará a economia outra vez?
  • Max  22/02/2012 13:16
    Excelente artigo.
  • Wagner Lamounier  22/02/2012 13:35
    Quanta saudade da época que os ministros da Economia eram economistas de verdade como o Mário Henrique Simonsen e o Delfim Neto..... Esse Mantega é o mais idiota de todos os tempos...
  • JC  22/02/2012 14:44
    Esse homem foi um desastre para o nosso país, mesmo dentro dos padrões de incompetência do governo atual. Um verdadeiro pateta, é o guru intelectual da doutrina econômica oficial. Sua entrevista apenas reflete a total falta de lógica dessa doutrina.

    O mais patético é quando eles saem por aí vendendo essa antiguidade reciclada e dando conselhos para países com muito mais história que o Brasil, que ainda estão ou já superaram essa mesma fase.

    De fato é muito fácil atingir níveis brasileiros de riqueza e prosperidade. Basta pegar um país com o dobro da nossa renda, como a Espanha, aplicar o 'modelo brasileiro', que já não é tão longe assim deles.

    Em poucos anos eles terão essa renda pela metade, atingindo assim o invejável progresso econômico brasileiro.
  • Tiago RC  23/02/2012 01:25
    hehehe, como de costume, ótimo texto Leandro. Ironia ácida, argumentos sólidos, exposição mais do que clara e de fácil compreensão sem abandonar o português culto.

    Você deveria considerar a possibilidade de escrever um livro.

    Abraços,
    Tiago.
  • Leandro  23/02/2012 03:11
    Obrigado pelas palavras e pela gentileza, Tiago.

    Quanto a escrever livros, acho que o mundo não merece ser atormentado com tais ameaças

    Grande abraço!
  • Rene  23/02/2012 05:05
    Se ele realmente leu 1000 livros, acredito que foram todos livros derivados do Marxismo. Acredito que ele nem sabe o que é a Escola Austríaca. Seria muito mais honesto da parte dele se ele atacasse o capitalismo e defendesse o comunismo, ao invés de falar tanta besteira.\r
    \r
    O que mais me entristece é que a Dona Dilma fechou o ano com o maior índice de aprovação em um primeiro ano de mandato, mesmo com o nível dos salários caindo, a violência chegando a níveis de guerra civil, com 50.000 homicícios por ano, a educação apresentando os piores índices, mesmo em comparação com países bem menos desenvolvidos, e por aí vai. Para a maior parte dos brasileiros que lerem esta entrevista (o que não é um grande número, visto que a maioria sequer lê alguma coisa), vão pensar: "Caramba, este homem é muito inteligente. Que bom que a nossa presidente escolheu um homem tão sábio para guiar a nossa economia rumo ao primeiro mundo". Lamentável.
  • Andre Cavalcante  23/02/2012 05:33

    Longe de defender a Dilma, mas vou ser advogado do Diabo em relação ao povo.

    A aprovação da Dilma se deu pelo fato de ela ter mandado pastar 5 ministros corruptos e um outro tanto de secretários. Olha só, a ilusão do governo é a de que ele pode ser melhor se as pessoas que lá estão fossem melhores, isto é, não fossem corruptas. De fato isso aconteceria, mas, pelo que li aqui no IMB, a própria estrutura do que chamamos governo está fadada ao fracasso no longo prazo, mesmo com gente bem intencionada (o que nunca é o caso). A gravidade é o povo não perceber isso.

    Abraços.
  • Rene  23/02/2012 06:11
    André, não discordo do que você escreveu, e não estou defendendo o Estado. A "faxina" que a Dilma fez foi equivalente a retirar um rato morto do meio da sala de visitas quando este já estava fedendo. O que eu quis dizer com o meu comentário anterior é: Se as pessoas conseguem se impressionar com uma faxina destas, e com um índice de aprovação histórico, ignorando com isso todos os problemas pelos quais o Brasil passa, qual a chance de estes olharem para o comentário do Mantega com um olhar crítico, tal como o Leandro fez?
  • KiKo  23/02/2012 09:40
    Enquanto o emprego for visto como um fim e a taxa de desemprego se manter em 6%, pode esquecer que a taxa de aprovacao da Dilma vai continuar alta.
  • Bernardo Torres  23/02/2012 05:52
    Vamos pra análise da primeira resposta. Existe uma diferença básica entre arrecadação e carga tributária. Carga tributária é quanto cada empresa paga individualmente. Arrecadação é quanto no conjunto, no total do país é arrecadado das empresas. A arrecadação (que você chama erroneamente de carga tributária) aumentou, mas a carga tributária diminuiu. Como essa mágica? Ele mesmo explica. Devido à diminuição da carga tributária individual de cada empresa, elas preferiram se formalizar. Hoje um empreendedor individual paga R$ 65,00 de imposto por mês. O governo ganhou menos no varejo pra ganhar mais no atacado, numa simplificação grosseira.
    O resto das respostas, se tempo e paciência tiver, continuo. Até.
  • Leandro  23/02/2012 06:06
    Nem precisa se dar ao trabalho de continuar, pois já começou errado.

    Pra começar, arrecadação e carga tributária andam juntas. É impossível haver aumento na arrecadação e diminuição na carga tributária, e por um motivo muito simples: Quanto mais o governo arrecada, maior será sua arrecadação em relação ao PIB -- e esta é a definição exata de carga tributária: arrecadação em relação ao PIB. Não é opinião minha, é apenas uma questão de conceito, que é utilizado por todos os institutos econômicos do mundo. Você parece confundir alíquota de impostos (tax rate) com carga tributária (tax burden)

    A arrecadação do governo aumentar significa simplesmente que o governo está confiscando mais recursos da economia, recursos estes que poderiam ser aplicados na ampliação de investimentos e consequentes aumentos salariais.

    No mais, você diz: "A arrecadação (que você chama erroneamente de carga tributária) aumentou, mas a carga tributária diminuiu. Como essa mágica?"

    De fato, teria de ser uma mágica, pois, como mostrei nos links, a arrecadação em relação ao PIB (a definição correta de carga tributária) aumentou nos últimos três anos. O que é possível acontecer é a arrecadação subir e o PIB subir conjuntamente, o que faria com que a carga tributária total se mantivesse relativamente constante. Mas não é isso que está ocorrendo no Brasil, como mostram os próprios dados do IBGE.

    E você continua: "Devido à diminuição da carga tributária individual de cada empresa, elas preferiram se formalizar. Hoje um empreendedor individual paga R$ 65,00 de imposto por mês."

    Isso, de novo, por definição, configura aumento da carga tributária, pois gera aumento da arrecadação. O governo está confiscando mais recursos da economia privada. Insisto, este conceito não é meu e não fui eu quem o inventou.

    Abraços!
  • Vinicius Aguilar  23/02/2012 06:40
    Leandro, \r
    \r
    Fiquei com uma duvida agora, qual a visão da escola austríaca com relação a curva de Laffer?\r
    \r
    Grato\r
  • Leandro  23/02/2012 06:51
    Em termos práticos, não se discorda que uma redução de determinados impostos pode gerar aumento na arrecadação. Mas, ora, o problema da curva de Laffer é justamente este: seu objetivo é ampliar ao máximo a arrecadação do governo.

    O governo aumentar a quantidade de recursos que ele confisca da economia é algo totalmente deletério e destruidor para o mercado, independentemente de como seja o formato destes impostos, suas alíquotas ou sobre quem eles incidem. Quanto maior o volume arrecadado pelo governo, maiores tende a ser os seus gastos e, consequentemente, menor será a riqueza da sociedade.

    A Curva de Laffer foi apenas um instrumento criado para aumentar o tamanho do estado (que é determinado pelo volume dos seus gastos) e que foi malandramente vendido como sendo uma ideia genuinamente pró-mercado.
  • Maurício Gonçalves  23/02/2012 08:35
    Olá, Leandro,

    Se eu não me engano há uma outra crítica à curva de Laffer, não lembro de qual austríaco. A modelagem não é exequível (as usual) na vida real, não dá para saber em qual ponto se está na curva para promover um aumento ou redução de impostos...

    Abraços!

    Maurício
  • Leandro  23/02/2012 10:21
    Perfeito, Maurício. Tem esse "probleminha" também. Ninguém sabe exatamente em que ponto da curva estão as alíquotas.

    Vale também lembrar que a Curva de Laffer foi concebida exclusivamente para o Imposto de Renda de Pessoa Física, cuja alíquota máxima, no início do governo Reagan, era de 70% (ao final do seu governo estava em 28%).

    Ou seja, foi algo originalmente concebido para ter uma aplicação extremamente restrita e pontual.

    Abraços!
  • Breno  24/02/2012 05:18
    Caro Leandro,\r
    \r
    Tem um blogueiro (Cristiano Costa) que decidiu catalogar as besteiras que Vossa Excelência Mantega diz por aí - que ele dá o nome de "Mantegadas".\r
    \r
    Claro que não são todas as baboseiras, pois isso seria tarefa hércula, mas dá pra se divertir.\r
    \r
    www.cristianomcosta.com/search/label/Mantegada \r
    \r
    Abraços,\r
    Breno
  • Daniel Marchi  24/02/2012 08:08
  • Roberto  25/02/2012 17:20
    Olá Leandro,

    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo por seus artigos elucidativos(quando crescer espero ter essa abrangência de visão!hehe), e agradecer aos idealizadores e aos mantenedores deste site pelo serviço que prestam - conheço o site a apenas 3 semanas,+ já li diversos artigos.

    Depois de ler vários artigos aqui, me surgiram algumas dúvidas em relação ao padrao-ouro.A explicação sobre a questão da alavancagem para mim me parece lógica(sem o padrao-ouro), porém o ouro por ser escasso, nao poderia ser facilmente manipulado a favor de interesses de grandes conglomerados q poderiam de certa forma monopolizá-lo? O ouro em grande parte está em posse de investidores e no fort knox? como se daria a volta do nosso sistema para o padrão-ouro?Não existe momentos em que a expansão de crédito é benéfica ou mesmo necessária?Não se poderia utilizar outra coisa no lugar do ouro, sei lá a prata por exemplo? (pela maior quantidade disponível) por q tem q ser o ouro?Enfim devido a quantidade de dúvidas, acho q precisaria + é de um curso a respeito hehe, entao nem precisa responder tudo, + se puder me indicar livros, artigos ou outras coisas para sanar essas indagações, ficarei imensamente grato.

    Por fim, vou começar o curso de economia na unifesp, e já vi q lá vao dar o curso em cima da teoria do keynes...,acredito q a melhor faculdade de economia seria a gv, + por questões financeiras pra mim nao dá...Enfim por te achar + capacitado do que os professores , gostaria q vc me desse umas dicas de um caminho a seguir(por favor rs).Acredito que continuando lendo aq os artigos + os livros que vcs disponibilizam já deve ser um avanço, + se tiver outras dicas...

    Grato pela atenção e paciência!
  • Leandro  26/02/2012 03:41
    Prezado Roberto, obrigado pelos elogios ao nosso trabalho. Bom, se você conhece o site há apenas 3 semanas, digo-lhe apenas o seguinte: seja bem-vindo e mãos à obra! Há mais de 1.100 artigos lhe esperando. E digo-lhe que eles têm a resposta para todas estas suas perguntas.

    Sendo assim, limitar-me-ei a responder apenas de maneira sucinta a cada uma delas. A busca pela explicação mais aprofundada será sua divertida tarefa de casa.

    "Porém o ouro, por ser escasso, não poderia ser facilmente manipulado a favor de interesses de grandes conglomerados q poderiam de certa forma monopolizá-lo?"

    Em primeiro lugar, o papel-moeda de hoje é totalmente monopolizado pelo estado e totalmente manipulado em prol de interesses de grandes conglomerados, que trabalham em conluio com o estado. Logo, este cenário que você teme, sinto-lhe dizer, já está em pleno vigor atualmente.

    Dito isto, é impossível manipular ouro. Como seria isso? Uma empresa gasta uma fortuna extraindo ouro do solo para apenas guardá-lo? Se ela fizer isso, não afetará ninguém, apenas as finanças dela própria.

    "O ouro em grande parte está em posse de investidores e no Fort Knox?"

    A quantidade de ouro em Fort Knox é nula em relação à quantidade de ouro que há no mundo. Já o ouro em posse de investidores tem a mesma função de dinheiro dentro da sua carteira -- com a diferença que seu dinheiro perde poder de compra, ao passo que o ouro ganha poder de compra.

    "Como se daria a volta do nosso sistema para o padrão-ouro?"

    Isso é bem mais complexo, e certamente não dá pra ser respondido numa simples seção de comentários.

    "Não existem momentos em que a expansão de crédito é benéfica ou mesmo necessária?"

    Ela sempre será benéfica para alguns poucos e maléfica para todo o resto. Uma expansão artificial do crédito não cria riqueza para a sociedade. Ela não cria capital. Aumentar a quantidade de dinheiro na economia e manipular juros não faz com que novos bens de capital surjam magicamente.

    Aumentos na quantidade de dinheiro não fazem a economia crescer, mas eles alteram a estrutura da mesma. Variações na oferta monetária, embora não produzam impacto no crescimento agregado da economia, certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.

    Não se poderia utilizar outra coisa no lugar do ouro, sei lá a prata por exemplo? (pela maior quantidade disponível) por q tem q ser o ouro?

    A prata é indispensável ao arranjo e seria utilizado como complemento ao ouro, isto é, para efetuar as transações de valores mais baixos.

    Seja bem-vindo e mãos à obra!
  • Pipe  27/02/2012 06:51
    Eu me divirto com as respostas de alguns a este artigo.
    Um grande "gênio" chega a responder que o pessoal do Instituto Mises é radical, faz uma leitura cega do que Mises disse. Ele nem leu o que está escrito, é claro, porque pensar dá muito trabalho.

    Aliás, eu fico impressionado com a preguiça mental dessas pessoas. É algo especialmente problemático no Brasil. É o principal motivo pelo qual os brasileiros amam tanto o marxismo, mesmo que elas se escondam atrás do discurso da "doutrina do meio" e digam que não são marxistas, etc. Na "doutrina do meio", o sujeito se imagina como alguém que transcendeu ao radicalismo e alcançou a iluminação intelectual e espiritual. O seguidor da doutrina do meio nem sequer percebe que está "seguindo cegamente" a própria doutrina do meio. É claro que, na verdade, isso é conversa para boi dormir: o sujeito é marxista até o osso, e isso não passa um truque, de fumaça e espelhos.

    Por sinal, o marxismo é o ópio do mentalmente preguiçoso. O marxismo é fácil de ler, de entender, dá ao marxista a sensação de que ele é uma pessoa muito boa e preocupada com o social. Não há a necessidade de argumentações lógicas e consistentes. Basta apelar para lugares comuns, falar a respeito de oprimidos e opressores, e acusar o adversário de ser um opressor ("extrema-direita!"), mesmo que nada disso faça nenhum sentido e haja muito pouco raciocínio lógico envolvido.

    Ao contrário de libertários, de liberais "clássicos", etc, que estão sempre se deparando com questões de ordem moral, o marxista já se considera praticamente um santo, escondendo essa auto-bajulação atrás da tal doutrina do meio. O marxista nunca precisa falar sobre as consequências das ideias que defende, pois, para ele, o que realmente importa é que, se o mundo seguisse suas brilhantes ideias, o futuro será brilhante. Como não poderia deixar de ser, o marxista preguiçoso esconde tudo isso atrás da doutrina do meio. Se houvesse uma revolução marxista, esse bundão seria o primeiro a lamber as botas de quem está no poder para tentar ganhar um cargo.

    E digo porque fui marxista e sei muito bem que isso é muito mais cômodo, rende mais elogios à intelectualidade e tapinhas nas costas. Quando você deixa de ser marxista... aí você precisa ter as melhores explicações do mundo, os melhores argumentos do mundo, tudo na ponta da língua.
  • Eduardo  27/02/2012 07:21
    Excelente comentário Pipe! Vou guardar essa frase: "o marxismo é o ópio do mentalmente preguiçoso".
  • Arion Dias  27/02/2012 08:58
    Realmente, me identifiquei. Pipe, também já fui um preguiçoso destes e apenas após muita pesquisa (e chegar ao IMB) eu pude abrir os olhos de quão errado eu estava.
  • Inacio Neto  28/02/2012 09:51
    "O QUE ESTÁ EM CRISE É O CAPITALISMO LIBERAL CLÁSSICO..."

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK ....
  • anônimo  29/02/2012 08:28
    Esses Mantegóides dominam tudo há um século e sim, claro, é o liberalismo clássico que está em crise. Bando de safado.
  • Carlos Wagner  06/03/2012 13:20
    Leandro

    Como sempre, Impecavel!

    O ministro burrini só continua no cargo porque, no final das contas, Dilma sabe que ele é melhor do que ela, como todos os outros ministros por ela nomeados ou aceitos de presente pelo seu antecessor.

    Simples assim.
  • Kadur  09/03/2012 10:17
    Fato curioso sobre o aumento da arrecadação em relação ao PIB:\r
    \r
    Em 2001 a Fazenda Nacional efetuou um estudo comparativo que determinou que a carga tributária do Brasil era uma das "menores" entre os países desenvolvidos (na época era perto de 28% do PIB) e que havia espaço para aumento dela. Ainda, baseados na idéia de que a sonegação era o grande problema e responsável pelas altas alíquotas (quem cumpria com suas obrigações "pagava" a conta dos sonegadores), iniciaram um processo de aumento da utilização da Substituição Tributária. Com este movimento, a arrecadação de ICMS, por exemplo, aumentou mais de 47% entre 2004 e 2008, enquanto o PIB aumentou 26,5% no mesmo período. O curioso é que, mesmo "vencendo" a sonegação, as alíquotas mantiveram-se altas, somente sendo reduzidas para alguns setores por medidas indutivas para tentar escapar da crise.\r
    Este movimento de redução da sonegação aliado a manutenção das alíquotas que gerou o aumento de arrecadação frente ao PIB. Estou ainda esperando a redução de alíquotas de modo geral, mas pelo jeito é melhor esperar sentado, pois vai demorar, e talvez nem sequer venha.
  • Glorioso Camarada Friedman  12/03/2012 14:09
    "Tomamos medidas de defesa comercial, como o IPI dos carros. A importação já está caindo."

    Vergonha alheia! Viiiiixe.... ahahahahahahahaah
  • Glorioso Camarada Friedman   14/03/2012 10:19
    OFF:

    Anvisa acaba de proibir cigarros com sabor em toda o país.

    Vão fazer um artigo sobre isso ? Cara, que raiva...
  • maria de lourdes  17/03/2012 22:09
    No dia 13/03/2012 Guido Mantega foi ao Senado e o slide 5 da apresentação mostra números do IBGE, elaborados pelo Ministério da Fazenda, para o crescimento contínuo da massa salarial.

    www.senado.gov.br/sf/comissoes/cae/ap/AP20120228_Ministro_Guido_Mantega.pdf

    O deflator do salário é o INPC?
  • Atylla  18/03/2012 22:27
    Leandro, o fracionamento da moeda(lastreada em ativos a preço não especulativo)feito de uma forma conservadora(como o banco Wells Fargo)não e mais eficiente para a economia do que o padrão-ouro ?
  • Leandro  19/03/2012 02:51
    Prezado Attyla, como o fracionamento de moeda poderia ser eficiente? Como a multiplicação de dinheiro do nada (não existe ativos a preços não especulativos, pois nada possui preço absolutamente fixo) pode ajudar uma economia a produzir mais bens? Criar dinheiro do nada não faz com que mais bens passem a existir.

    No entanto, há um bom debate sobre alguns possíveis pontos positivos das reservas fracionárias. Tenha a bondade de ver este artigo.

    Abraços!


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