clube   |   doar   |   idiomas
A luta de classes

Qualquer filosofia da história deve demonstrar qual é o mecanismo por meio do qual aquela agência suprema que determina o curso de todas as relações humanas irá induzir os indivíduos a trilhar exatamente os caminhos destinados a levar a humanidade até o objetivo determinado.  No sistema de Marx, a doutrina da luta de classes foi criada para responder a essa questão.

A fragilidade inerente a essa doutrina é que ela lida com classes e não com indivíduos.  O que tem de ser mostrado é como os indivíduos são induzidos a agir de tal modo que fará a humanidade finalmente atingir o ponto que as forças produtivas querem que ela atinja.  A resposta de Marx é que o que determina a conduta dos indivíduos é a consciência dos interesses de sua classe.  Ainda falta ser explicado por que os indivíduos dão aos interesses de sua classe preferência em relação aos seus próprios interesses.  Podemos, por enquanto, nos abster de perguntar como o indivíduo aprende quais são os genuínos interesses de sua classe.  Porém, mesmo Marx não pôde deixar de admitir que existe um conflito entre os interesses de um indivíduo e os interesses da classe a que ele pertence.[1] Ele faz um distinção entre aqueles proletários que possuem consciência de classe — isto é, que colocam as preocupações de sua classe acima de suas preocupações individuais — e aqueles que não possuem.  Ele considera ser um dos objetivos de um partido socialista despertar a consciência de classe daqueles proletários que não possuem espontaneamente uma consciência de classe.

Marx obscureceu o problema ao confundir as noções de casta e classe.  Onde prevalecem diferenças de status e casta, todos os membros de cada casta — exceto a mais privilegiada — possuem um interesse em comum, a saber: acabar com as limitações legais de sua própria casta.  Todos os escravos, por exemplo, estão unidos em seu interesse de abolir a escravidão.  Porém, conflitos desse tipo não estão presentes em uma sociedade na qual os cidadãos são iguais perante a lei.  Nenhuma objeção lógica pode ser feita contra o ato de se distinguir várias classes entre os membros de tal sociedade.  Qualquer classificação é logicamente permissível, por mais arbitrária que seja a marca de distinção escolhida.  Porém, seria algo despropositado classificar os membros de uma sociedade capitalista de acordo com a posição que cada um ocupa no arranjo da divisão social do trabalho e, em seguida, identificar essas classes com as castas de uma sociedade de status.

Em uma sociedade de status, o indivíduo herda de seus pais sua afiliação em uma determinada casta.  Ele permanece toda a sua vida em sua casta, e seus filhos já nascem membros dela.  Somente em casos excepcionais pode a sorte elevar um homem para uma casta superior.  Para a imensa maioria da população, o nascimento determina inalteravelmente a posição social de toda uma vida. 

As classes que Marx distingue em uma sociedade capitalista são diferentes.  A condição de membro de uma dada classe é volátil.  A afiliação a uma classe não é hereditária.  Ela é designada a cada indivíduo por meio de um plebiscito diariamente repetido — plebiscito esse, de certo modo, feito por todas as pessoas.  Ao gastar e comprar, o público determina quem deve ser o proprietário e o administrador das indústrias, quem deve atuar nas peças de teatro, quem deve trabalhar nas fábricas e nas minas.  Os ricos se tornam pobres, e os pobres se tornam ricos.  Os herdeiros, bem como aqueles que adquiriram riqueza, devem tentar mantê-la defendendo seus ativos contra a concorrência de empresas já estabelecidas e de ambiciosos recém-chegados.  Em uma economia de mercado livre e desobstruído não existem privilégios, não há proteção de interesses especiais, não há barreiras impedindo qualquer pessoa de se esforçar para obter algum prêmio.  O acesso a qualquer uma das classes marxistas é livre para todos.  Os membros de cada classe concorrem entre si; eles não estão unidos por um interesse de classe comum e eles não se opõem aos membros de outras classes aliando-se à defesa de um privilégio comum que aqueles vitimados por ele querem ver abolido ou na tentativa de abolir uma deficiência institucional que aqueles que obtêm vantagens dela querem preservar.

Os liberais laissez-faire afirmaram: se as antigas leis estabelecendo privilégios e desvantagens de casta forem repelidas e nenhuma nova prática do mesmo tipo — tais como tarifas, subsídios, tributação discriminatória, indulgências concedidas a agências não-governamentais, como igrejas, sindicatos e afins, para que elas utilizem coerção e intimidação — for introduzida, haverá igualdade de todos os cidadãos perante a lei.  Ninguém terá suas aspirações e ambições tolhidas por quaisquer obstáculos legais.  Qualquer indivíduo estará livre para concorrer para a função ou posição social para as quais suas habilidades pessoais o qualifiquem.

Os comunistas negam que é dessa maneira que opera uma sociedade capitalista organizada de acordo com o sistema liberal de igualdade perante a lei.  Ao seu modo de ver, a propriedade privada dos meios de produção confere aos seus proprietários — a burguesia ou os capitalistas, na terminologia de Marx — um privilégio que, virtualmente, em nada se difere daqueles concedidos aos senhores feudais.  A "revolução burguesa" não aboliu o privilégio e a discriminação das massas; o que ela fez, diz o marxista, foi meramente derrubar a velha e exploradora classe de nobres e substituí-la por uma nova classe exploradora, a burguesia.  A classe explorada, os proletários, não lucrou com essa reforma.  Eles mudaram de mestres, mas permaneceram oprimidos e explorados.  O que se faz necessário é uma nova e definitiva revolução, a qual, ao abolir a propriedade privada dos meios de produção, irá estabelecer uma sociedade sem classes.

A doutrina socialista ou comunista é totalmente incapaz de levar em consideração a diferença essencial entre as condições de uma sociedade de status ou casta e as condições de uma sociedade capitalista.  A propriedade feudal surgia pela conquista ou pela doação feita por seu conquistador.  E acabava por revogação da doação ou pela conquista feita por um conquistador mais poderoso.  Era propriedade pela "graça de Deus" porque sua conquista derivava, em última instância, da vitória militar — algo que a humildade ou a arrogância dos governantes atribuíam à intervenção especial do Senhor. 

Os proprietários da propriedade feudal não dependiam do mercado; eles não serviam aos consumidores.  Dentro dos limites de seus direitos de propriedade eles eram verdadeiros senhores.  Porém, as coisas são bastante diferentes para os capitalistas e empreendedores de uma economia de mercado.  Eles adquirem e aumentam sua propriedade por meio dos serviços que prestam aos consumidores, e somente podem conservá-la caso sirvam esses consumidores diariamente da melhor maneira possível.  Essa diferença não é erradicada ao se chamar metaforicamente um bem sucedido fabricante de spaghetti de "O Rei do Spaghetti".

Marx nunca embarcou na impossível tarefa de refutar a descrição feita pelos economistas do funcionamento da economia de mercado.  Ao invés disso, sua ânsia era mostrar que o capitalismo iria, no futuro, levar a condições bastante desagradáveis.  Ele tentou demonstrar que a operação do capitalismo inevitavelmente iria resultar, de um lado, na concentração de riqueza nas mãos de um número cada vez menor de capitalistas, e, de outro, no progressivo empobrecimento de uma imensa maioria. 

Na execução dessa tarefa, ele iniciou seu raciocínio pela espúria 'lei de ferro dos salários' — de acordo com a qual o salário médio é aquela quantidade específica dos meios de subsistência absolutamente necessários para permitir, de maneira escassa, que o trabalhador possa sobreviver e criar sua prole.[2] Essa suposta lei já foi, desde então, inteiramente desacreditada, e até mesmo os mais fanáticos marxistas já a abandonaram.  Porém, mesmo que alguém estivesse disposto, pelo bem da argumentação, a dizer que tal lei é correta, é óbvio que ela não poderia de maneira alguma servir como base para uma demonstração de que a evolução do capitalismo leva ao empobrecimento progressivo dos assalariados.

Se, sob o capitalismo, os salários são sempre tão baixos a ponto de, por razões psicológicas, não poderem cair ainda mais sem que isso extermine toda a classe de assalariados, é impossível manter a tese apresentada pelo Manifesto Comunista de que o trabalhador "se afunda mais e mais" com o progresso da indústria.  Como todos os outros argumentos de Marx, essa demonstração é contraditória e autodestrutiva.  Marx jactava-se de ter descoberto as leis imanentes da evolução capitalista.  A mais importante dessas leis, segundo ele próprio, era a lei do empobrecimento progressivo das massas assalariadas.  É o funcionamento dessa lei que ocasionaria o colapso final do capitalismo e a emergência do socialismo.[3] Quando essa lei for entendida como totalmente espúria, as bases tanto do sistema econômico de Marx quanto de sua teoria da evolução capitalista estarão acabadas.

Incidentalmente, temos de compreender o fato de que, desde a publicação do Manifesto Comunista e do primeiro volume de O Capital, o padrão de vida dos assalariados, nos países capitalistas, aumentou de uma forma sem precedentes e até mesmo inimaginável.  Marx deturpou a operação do sistema capitalista em todos os aspectos possíveis.

O corolário do suposto empobrecimento progressivo dos assalariados é a concentração de todas as riquezas nas mãos de uma classe de exploradores capitalistas que existem em números continuamente decrescentes.  Ao lidar com essa questão, Marx foi incapaz de levar em consideração o fato de que a evolução das grandes empresas e suas unidades comerciais não necessariamente envolve a concentração de riqueza em poucas mãos.  As grandes empresas são, quase que sem exceção, corporações — precisamente porque elas são grandes demais para que poucos indivíduos sejam inteiramente os proprietários delas.  O crescimento das unidades comerciais ultrapassou em muito o crescimento das fortunas individuais.  Os ativos de uma corporação não são idênticos à riqueza de seus acionistas.  Uma parte considerável desses ativos, o equivalente a ações preferenciais, títulos corporativos emitidos e empréstimos levantados, pertence virtualmente, senão no sentido do conceito legal de propriedade, a outras pessoas — a saber, os donos dos títulos, das ações preferenciais e os credores das dívidas.  Onde essas ações e obrigações são mantidas por bancos e companhias de seguro, e esses empréstimos foram concedidos por esses bancos e companhias, os virtuais proprietários são as pessoas clientes dessas instituições.  Da mesma forma, as ações ordinárias de uma corporação não estão, via de regra, concentradas nas mãos de um homem.  Quanto maior a corporação, mais amplamente distribuídas estão suas ações.

O capitalismo é essencialmente produção em massa para satisfazer as necessidades das massas.  Mas Marx sempre trabalhou com o conceito enganoso de que os trabalhadores labutam arduamente apenas para o benefício da uma classe superior de parasitas ociosos.  Ele não percebeu que os próprios trabalhadores consomem, de longe, a maior parte de todos os bens de consumo produzidos.  Os milionários consomem uma porção quase que insignificante daquilo que é chamado de produto nacional.  Todas as sucursais das grandes empresas provêem direta ou indiretamente às necessidades do cidadão comum.  As indústrias de luxo nunca se desenvolvem além das unidades de pequena ou média escala.  A evolução das grandes empresas é, por si só, prova do fato de que as massas, e não os ricaços nababos, são os principais consumidores.  Aqueles que lidam com o fenômeno das grandes empresas classificando-o de "concentração do poder econômico" não percebem que o poder econômico pertence ao público consumidor, de cujo consumo depende a prosperidade das fábricas.  Na sua capacidade de consumidor, o assalariado é o cliente que "sempre tem razão".  Mas Marx declara que a burguesia "é incompetente em garantir uma existência para seu escravo dentro de sua escravidão".

Marx deduziu a excelência do socialismo do fato de que a força motora da evolução histórica — as forças materiais produtivas — certamente ocasionará o socialismo.  Como ele estava absorto naquele tipo hegeliano de otimismo, não havia qualquer necessidade em sua mente de demonstrar os méritos do socialismo.  Era óbvio para ele que o socialismo, sendo a última etapa da história após o fim do capitalismo, era também uma etapa superior. Era uma blasfêmia absoluta duvidar de seus méritos.

O que ainda faltava ser demonstrado era o mecanismo por meio do qual a natureza produziria a transição do capitalismo para o socialismo.  O instrumento da natureza é a luta de classes.  À medida que os trabalhadores vão se afundando cada vez mais em decorrência do progresso do capitalismo, à medida que sua miséria, opressão, escravidão e degradação aumentam, eles são induzidos à revolta, e sua rebelião estabelece o socialismo.

Toda a cadeia desse raciocínio é despedaçada pela observação do fato de que o progresso do capitalismo não empobrece os assalariados de modo crescente; ao contrário, melhora seu padrão de vida.  Por que as massas seriam inevitavelmente induzidas a se revoltarem quando se sabe que elas estão tendo acesso a mais e melhores alimentos, habitações e vestuários, carros e geladeiras, rádios e aparelhos de televisão, nylon e outros produtos sintéticos? 

Mesmo se, em prol da argumentação, admitíssemos que os trabalhadores são induzidos à rebelião, por que seu motim revolucionário almejaria apenas o estabelecimento do socialismo?  O único motivo que poderia induzi-los a pedir a implementação do socialismo seria a convicção de que eles próprios estariam melhores sob o socialismo do que sob o capitalismo.  Porém os marxistas, ansiosos para evitar lidar com os problemas econômicos inerentes a uma economia socialista, nada fizeram para demonstrar a superioridade do socialismo em relação ao capitalismo, exceto apresentar este raciocínio circular: o socialismo está destinado a surgir como a próxima etapa da evolução histórica.  Sendo uma etapa histórica posterior ao capitalismo, ele é necessariamente melhor que o capitalismo.  Por que ele está destinado a surgir?  Porque os trabalhadores, condenados ao empobrecimento progressivo sob o capitalismo, irão se rebelar e estabelecer o socialismo.  Porém, qual outro motivo poderia impeli-los a almejar o estabelecimento do socialismo, além da convicção de que o socialismo é melhor do que o capitalismo?  Essa superioridade do socialismo é deduzida por Marx do fato de que a vinda do socialismo é inevitável.  E assim o círculo se fecha.

No contexto da doutrina marxista, a superioridade do socialismo é comprovada pelo fato de que os proletários estão visando ao socialismo.  O que os filósofos, os utópicos, pensam não interessa.  O que interessa são as ideias do proletariado, a classe a quem a história confiou a tarefa de moldar o futuro.

A verdade é que o conceito de socialismo não se originou da "mente proletária".  Nenhum proletário ou filho de proletário contribuiu com qualquer ideia substancial para a ideologia socialista.  Os pais intelectuais do socialismo eram membros da intelligentsia, descendentes da "burguesia".  O próprio Marx era filho de um advogado abastado.  Ele estudou no Gymnasium alemão, a escola que todos os marxistas e outros socialistas denunciavam como sendo o principal braço do sistema burguês de educação, e sua família o sustentou ao longo de todos os anos de seus estudos; ele não teve de trabalhar para chegar à universidade.  Ele se casou com a filha de um membro da nobreza alemã; seu cunhado era Ministro do Interior prussiano e, como tal, líder da polícia da Prússia.  Em sua casa trabalhava uma governanta, Helene Demuth, que nunca se casou e que seguia a família Marx em todas as suas trocas de residência, o modelo perfeito da empregada doméstica explorada cuja frustração e atrofiada vida sexual já foram repetidamente retratadas nas ficções realistas "sociais" da Alemanha.  Friedrich Engels era filho de um industrial rico, e ele próprio era um industrial; ele se recusou a se casar com sua amante Mary porque ela era inculta e de origem "baixa"[4] ele apreciava as diversões propiciadas pela alta classe britânica, como, por exemplo, caçar a cavalo junto com cães de caça.

Os trabalhadores nunca foram entusiastas do socialismo.  Eles apoiavam o movimento sindical cuja luta por maiores salários Marx desprezava como inútil.[5] Eles pediam por todas aquelas medidas de interferência do governo nas empresas, medidas essas que Marx rotulava como tolices pequeno-burguesas.  Eles se opunham ao progresso tecnológico — nos primórdios, destruindo as novas máquinas; mais tarde, utilizando os sindicatos para, por meio da coerção, forçar o empregador a contratar mais operários do que o necessário.

O sindicalismo — apropriação das empresas pelos trabalhadores que nela trabalham — é um programa que os trabalhadores desenvolveram espontaneamente.  Porém o socialismo foi trazido para as massas por intelectuais de procedência burguesa.  Jantando e tomando vinhos conjuntamente nas luxuosas mansões londrinas e nas mansões rurais da "sociedade" vitoriana, damas e cavalheiros com trajes elegantes planejavam esquemas para converter o proletariado britânico ao credo socialista.

__________________________________________

Notas

[1] E assim lemos no Manifesto Comunista: "A organização do proletariado em uma classe e, consequentemente, em um partido político, é a todo instante rompido e demolido pela competição entre os próprios trabalhadores."

[2] Obviamente, Marx não gostava do termo alemão "das eherne Lohngesetz", pois havia sido criado por seu rival Ferdinand Lassalle.

[3] Marx, Das Kapital, 1, 728.

[4] Após a morte de Mary, Engels pegou a irmã dela, Lizzy, para ser sua amante.  Ele s casou com ela em seu leito de morte "para poder lhe propiciar seu último prazer".  Gustav Mayer, Frederick Engels (The Hague, Martinus Nijhoff, 1934), 2, 329.

[5] Marx, Value, Price and Profit, ed. E. Marx Aveling (Chicago, Charles H. Kerr & Co. Cooperative), pp. 125-6.

 


autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • Angelo  12/08/2010 21:42
    Mostre este texto a um marxista. Ele verá a verdade em cada linha, porém a negará peremptoriamente logo a seguir. O marxismo é religião na cabeça de seus seguidores. Religião às avessas, mas religião. Os dogmas serão mantidos mesmo diante da mais irrefutável verdade que os destrua.
  • cesar roberto scheffler  03/07/2013 02:00
    Sinceramente, "Em uma economia de mercado livre e desobstruído não existem privilégios, não há proteção de interesses especiais, não há barreiras impedindo qualquer pessoa de se esforçar para obter algum prêmio"... pode-se acreditar de boa fé numa afirmação como essa?
    Supõe-se que seja tão fácil enriquecer para um cidadão que vive em condições de extrema pobreza, tendo que sustentar irmãos mais novos e sem nunca ter estudado por dificuldades de acesso à escola, como seria para um rapaz de classe média que estudou em colégios bem estruturados e com acesso a todas os confortos da infra estrutura de um bairro central de uma metrópole; que sempre teve todo tempo do mundo para se preparar, bem como condições de manter todos os dentes na boca. Quem, pergunto, lhes parece ter mais facilidades para obter um cargo de gerência em uma empresa, por pequenina que seja: um rapaz bem apessoado de fala polida, embora tolo, ou um cidadão desdentado de linguajar truncado que demonstre acuidade de raciocínio superior? É provável que a maioria de vocês voltasse seus rostos torcendo o nariz diante do "banguela" caso ele ousasse dirigir-lhes a palavra. Há trabalhos científicos demonstrando a invisibilidade virtual dos que desempenham funções ditas inferiores.
    Vocês alguma vez puseram seus pés bem calçados numa escola de aldeia indígena numa noite de chuva? Sim, crianças lá, vão às aulas noturnas pois a escola não oferece vagas suficientes em turmas diurnas;se há dez livros numa biblioteca deve-se admirar. Ou numa escola das regiões "mais pobres" do país? Conhecem o esforço necessário para manter abertas suas pálpebras diante de um quadro negro, depois de 13 horas divididas entre transporte coletivo e a faina de um servente da construção civil?
    A citação acima é de uma cegueira tragicômica caso não seja proposital. Vocês olham ao redor? Onde é que vocês vivem?
    "O acesso a qualquer uma das classes marxistas é livre para todos". É claro, não existe nenhuma lei proibindo...
  • Thames  03/07/2013 10:22
    Prezado Cesar, por gentileza, cite uma "economia de mercado livre e desobstruído" em que as criancas tenham de estudar em uma "escola de aldeia indígena numa noite de chuva" porque suas escolas não oferecem "vagas suficientes em turmas diurnas".

    Da mesma forma, cite uma "economia de mercado livre e desobstruído" em que as escolas não possuem mais de 10 livros em sua biblioteca.

    E cite também uma "economia de mercado livre e desobstruído" em que a criança tem de fazer um esforço sobre-humano para "manter abertas suas pálpebras diante de um quadro negro, depois de 13 horas divididas entre transporte coletivo e a faina de um servente da construção civil".

    Você cita tribulações que existem apenas em economias estatizadas e sai maliciosamente dizendo que estas tribulações só ocorrem em economias de livre mercado.

    Domine o básico do básico antes de vir aqui cuspir chavões de oitava série.
  • anônimo  05/07/2013 17:11
    Calma meu amigo. Não estou cuspindo nada. Aponte-me uma verdadeira economia de mercado livre. Pode ter certeza de que eu estou interessado em aprender a respeito. Não tenho credos econômicos.
    Apenas me parece que Mises, no texto, transmite a ideia de que as distinções entre as classes sociais, na época em que O Capital foi escrito eram falaciosas e não poderiam ser aplicadas razoavelmente a uma sociedade capitalista. Tal como estas se mostravam naquela época. Logo, quando ele fala de "uma economia de mercado livre e desobstruído", subentende-se que esteja falando das sociedades capitalistas de sua época. Caso contrário ele teria dito que não existiriam privilégios nem proteção de interesses especiais numa "hipotética" economia de mercado livre... Veja o texto e avalie o contexto em que aparece a frase que empreguei:
    "As classes que Marx distingue em uma sociedade capitalista são diferentes (diferentes da castas em uma sociedade de status). A condição de membro de uma dada classe é volátil. A afiliação a uma classe não é hereditária. Ela é designada a cada indivíduo por meio de um plebiscito diariamente repetido — plebiscito esse, de certo modo, feito por todas as pessoas. Ao gastar e comprar, o público determina quem deve ser o proprietário e o administrador das indústrias, quem deve atuar nas peças de teatro, quem deve trabalhar nas fábricas e nas minas. Os ricos se tornam pobres, e os pobres se tornam ricos. Os herdeiros, bem como aqueles que adquiriram riqueza, devem tentar mantê-la defendendo seus ativos contra a concorrência de empresas já estabelecidas e de ambiciosos recém-chegados. Em uma economia de mercado livre e desobstruído não existem privilégios, não há proteção de interesses especiais, não há barreiras impedindo qualquer pessoa de se esforçar para obter algum prêmio. O acesso a qualquer uma das classes marxistas é livre para todos. Os membros de cada classe concorrem entre si; eles não estão unidos por um interesse de classe comum e eles não se opõem aos membros de outras classes aliando-se à defesa de um privilégio comum que aqueles vitimados por ele querem ver abolido ou na tentativa de abolir uma deficiência institucional que aqueles que obtêm vantagens dela querem preservar".
    Quando ele fala de uma economia de mercado livre está, sim, se referindo ao capitalismo daquela época e não a um capitalismo ideal, imaginado postulado por ele.Então você, conhecendo a história, deve concordar que as situações reais eram ainda piores do que as que eu enumerei no meu comentário anterior.
    A última frase do parágrafo parece afirmar que não é possível a solidariedade entre membros de uma mesma categoria trabalhista, visto que são competidores...parece que as pessoas não têm alternativa, devem digladiar-se. E dentro de um panorama como estes certamente só podem vigorar a desconfiança e a solidão, uma vez que está subentendido ser uma tolice associar-se com indivíduos que possuem os mesmos interesses, disputando os mesmos recursos.
    De toda forma, cite uma sociedade que corresponda à sua ideia de uma economia de mercado livre, pois tenho sede de informação.




  • cesar roberto scheffler  03/07/2013 02:23
    "Toda a cadeia desse raciocínio é despedaçada pela observação do fato de que o progresso do capitalismo não empobrece os assalariados de modo crescente; ao contrário, melhora seu padrão de vida. Por que as massas seriam inevitavelmente induzidas a se revoltarem quando se sabe que elas estão tendo acesso a mais e melhores alimentos, habitações e vestuários, carros e geladeiras, rádios e aparelhos de televisão, nylon e outros produtos sintéticos?"
    Se as condições de vida dos trabalhadores da indústria tem melhorado, devo deduzir que isso ocorreu de forma espontânea? Que é da natureza do capitalismo melhorar as condições de vida dos trabalhadores da indústria?
    Dou um doce a quem encontrar um nome mais adequado ao processo pelo qual isso ocorreu, visto que luta de classes não parece agradar.
    Nem tão Marx, nem tão Mises...
  • Thames  03/07/2013 10:30
    "Se as condições de vida dos trabalhadores da indústria tem melhorado, devo deduzir que isso ocorreu de forma espontânea?"

    Não. Ocorreu pela acumulação de capital, pela poupança e pelos investimentos feitos pelos capitalistas.

    "Que é da natureza do capitalismo melhorar as condições de vida dos trabalhadores da indústria?"

    Certamente.

    Artigos explicando tudo isso:

    Todo o seu conforto você deve ao capitalismo e aos ricos

    Sindicatos não podem beneficiar os trabalhadores em geral

    O mercado, e não os sindicatos, nos propiciou o lazer e o descanso

    É verdade que os capitalistas possuem maior poder de barganha que os trabalhadores?

    É imoral e anti-humano ser contra o lucro e a livre iniciativa

    Fatos e mitos sobre a "Revolução Industrial"

    A ascensão do capitalismo
  • Caio  01/08/2013 03:51
    Amigos,

    Não sou marxista, mas o objetivo de fazer o indivíduo entender que deve ter consciência de classe já se sobrepõe a qualquer argumento contrário usado no artigo. Não considerar esse estímulo algo grande importância é, no mínimo, uma grande demonstração de falta de empatia pelo ser humano próximo.

    Esse é um sintoma comum em defensores do modelo econômico atual, especialmente os mais ricos. Aliás, existem artigos científicos na área da psicanálise bastante interessantes sobre o tema.

    Para os amigos recomendo o documentário "zeitgeist moving forward", livre o youtube, google videos, etc.

    Cordialmente,

    Caio.
  • Lucas  20/02/2015 17:44
    Prezado Caio,

    ou eu não te entendi, ou você não entendeu perfeitamente o texto de Mises. Você afirma:

    "Não sou marxista, mas o objetivo de fazer o indivíduo entender que deve ter consciência de classe já se sobrepõe a qualquer argumento contrário usado no artigo. Não considerar esse estímulo algo grande importância é, no mínimo, uma grande demonstração de falta de empatia pelo ser humano próximo."

    Se você quis dizer que Mises ignorou que o indivíduo tenha consciência de classe, e que por isso não possui empatia pelo próximo, então não entendeu perfeitamente o texto. Mises disse que o indivíduo tem mais do que isso, que é a consciência individual dele. Aliás, é disso que parte toda a teoria econômica de Mises, da ação humana individual, através do uso da praxeologia.

    Se não foi isso que você disse, então eu é que que não entendi você.

    Abraços.
  • Wagner  16/04/2013 14:12
    O problema dos socialistas é a forma como eles medem riqueza. Se todo mundo ter apenas 1 pão velho pra comer eles ficam felizes, pois todos são iguais e "ricos"... agora se em um sistema capitalista o "proletário" ter alcatra e o "burguês" ter picanha é terrível pois o rico está explorando o pobre pra comer uma carne melhor.

    O ideal socialista não é melhorar a qualidade de vida das pessoas, é nivelar por baixo... é um sistema escroto baseado em inveja, onde não importa a qualidade de vida dos indivíduos, o que importa é que não exista ninguém mais rico que eu.
  • anônimo  16/04/2013 15:15
  • Anarcofóbico  16/04/2013 15:26
    É verdade que o capitalismo me propiciou algumas coisas como o ipad que uso agora, a picanha que como no fds (já acessível pra todo mundo), o carro que dirijo, etc. Mas será que isso é certo? Será que os capitalistas não estão explorando os trabalhadores ao pagarem salários, mas, ao mesmo tempo, oferecerem produtos surpéfluos, puro luxo? Além disso, temos que analisar que as pessoas, sob o capitalismo, devem trabalhar muito para consquistar algo e isso cansa! Enquantos mtos trabalham em casa e ganham mto dinheiro com ações, outros passam o dia todo numa indústria! Não é só pq o nível de toda humanidade melhorou que podemos aceitar o capitalismo. Esses dias virei para meu vizinho proletariado, ele estava indo para o curso de tiro e me comovi com a situação dele, pois ele reclamou não ter condições de comprar uma arma melhor, então juntos nos reunimos no fim de semana, pra comer churrasco e assistir uns filmes com a família na nova TV 3D de 75 polegadas que ele acabou de comprar ( enqto mtos capitalistas tem um cinema em casa), momento em que pudemos discutir e sonhar com as maravilhas de um socialismo que não explora o trabalhador!
  • Adorno  16/04/2013 17:22
    É mister ressaltar que o luxo é produto da engenharia social burguesa. Durante a adoção do fordismo, por exemplo, a diminuição das horas de trabalho e o aumento dos míseros salários foram um mero produto do conhecimento burguês de que nada adiantaria super-explorar os trabalhadores sem que esses pudessem consumir os produtos da própria corporação.

    Os salários nada dependem de seu próprio rendimento produtivo e da escassez da venda de seus próprios serviços, esses são mera criação da "generosidade" ou ganância dos capitalistas. Ou seja, caso não houvesse qualquer tipo de legislação trabalhista criada para "matar" o vigor revolucionário, salários seriam mínimos e uma revolução do proletariado seria eminente.

    Não compartilho da paciência oportunista dos seguidores de Ferdinand La Salle. A social-democracia é uma ferramente moderna da dominação capitalista e nada mais. A revolução deve ser posta em ação assim que possível. O mercado não é fundado sobre bases racionais, apoiando-se meramente pela arbitrariedade de seus agentes que inevitavelmente apenas levam à crises de superprodução e exploração excessiva(Consequências óbvias da administração da produção pelos próprios agentes dessa ao invés de por um comitê distante e verdadeiramente racional).

    Está pleno em razão, Anarcofóbico; a liberdade é obsoleta, intangível e inalcançável.
  • Renan Fernandez  12/05/2013 17:15
    Socialismo que não explora o trabalhador.

    O que dizer dos cubanos que tem 2 empregos, dos norte-coreanos que estão em campos de concentração fazendo trabalhos escravos.
  • Lucas  20/02/2015 17:52
    Nem vou entrar no mérito de todo o resto que foi dito porque existem diversos artigos explicando tudo isso de forma incrivelmente detalhada nesse site. Só vou pegar o seguinte trecho afirmado pelo amigo:

    "Enquantos mtos trabalham em casa e ganham mto dinheiro com ações, outros passam o dia todo numa indústria!"

    Se o governo, que controla o nosso conteúdo passado nas escolas, tivesse o mínimo interesse em nos educar de verdade, você (e todo mundo) já teria aprendido o que vou lhe dizer agora, ainda no Ensino Médio: Quando uma empresa abre seu capital na Bolsa de Valores, ela faz isso porque está crescendo e precisa de mais dinheiro para seus investimentos. Essa empresa pode ser uma indústria, e muitas são, mas o setor não importa. Então qualquer um de nós pode ir lá e comprar suas ações. Quando mais ações os ricos comprarem, isso significa que mais dinheiro essas empresas terão para investir, gerar empregos, e devolver em forma de lucro para seus acionistas. Quando mais elas investirem, mais salário no bolso dos trabalhadores, e consequentemente aumentam as chances de eles também guardarem um pouco de dinheiro e depois comprarem ações de empresas, para ampliar ainda mais seu próprio lucro. Além disso, tudo isso tende a baratear os produtos. Essa é a "magia" da criação de riqueza da economia.

    Portanto, não tem nada errado nos ricos ficarem comprando ações. Indiretamente eles estão nos ajudando ao fazer isso. Mas não é sua culpa não ter aprendido isso, pois o governo evita que a gente aprenda mesmo.

    Abraços.
  • evandro  16/04/2013 17:20
    OFF TOPIC- Leandro, gostaria que vc comentasse , se tiver tempo, o artigo que vou colocar o link abaixo... caso não tenha tempo de ler o artigo todo, vou ''colar'' aqui um trecho para que vc comente, se possível:

    ''O Banco Central da Suíça criou dinheiro equivalente ao PIB do País inteiro. O Banco Central do Japão criou dinheiro equivalente a duas vezes o PIB nacional. O Banco da Inglaterra comprou todos os Títulos de Estado emitidos pelo governo da Rainha ao longo dos últimos três anos (e devolvendo a seguir os juros ao governo, confirmando que num sistema normal governo e banco central devem trabalhar em conjunto com os mesmos objectivos. Mas vais explicar certas coisas em Bruxelas...).

    Este dinheiro impresso é utilizado para adquirir Títulos de Estado e outras actividades financeiras. É dinheiro com o qual a máquina pública pode funcionar, fazer investimentos, comprar mútuos. Não é dinheiro com o qual são adquiridos televisões ou carros, por isso não há inflação no mercado real, apenas no mercado financeiro.

    Nós não. A Zona Euro, fiel ao lema "tanto pior, quanto melhor", continua alegremente com a politica da austeridade, coleccionando unicamente péssimos resultados e continuando a afirmar que está tudo bem, que esta é a estrada justa.

    Ninguém se lembra, ou quer saber, que imprimir dinheiro era absolutamente normal em toda Europa até o final da década dos anos '70. Sempre foi criado dinheiro para compensar os deficit públicos e ainda esta é a técnica nos Países normais. Mas, como afirmado, os Países da Zona Euro perderam a soberania monetária e já não podem imprimir dinheiro.''

    O Link : www.world-revolution.com/o-problema-da-divida-publica-as-solucoes-2/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+World-revolutioncom+%28World-Revolution.com%29
  • Leandro  16/04/2013 18:09
    Apenas um sujeito saudoso de como funcionava o sistema monetário da década de 1970 e 80.

    Naquela época, os bancos centrais europeus (e o brasileiro também) podiam comprar títulos diretamente dos respectivos Tesouros, algo que hoje não pode mais.

    O BC imprimia dinheiro, dava para o Tesouro e dali o dinheiro já entrava na economia. Hoje, o arranjo é diferente. Os BCs não podem mais financiar diretamente o Tesouro. Eles podem apenas comprar títulos do Tesouro que estão em posse dos bancos. Isso significa que o dinheiro só entra na economia se os bancos concederem empréstimo.

    Qual a consequência daquele arranjo antigo? Na Europa, a inflação de preços ficava frequentemente acima dos 10%. Em Portugal, o resultado foi particularmente maravilhoso. A inflação de preços chegava a quase 60%.

    www.tradingeconomics.com/charts/portugal-inflation-cpi.png?s=plcpyoy&d1=19610101&d2=20130430

    Mais ainda: até hoje, todos os fenômenos de hiperinflação que o mundo vivenciou ocorreram neste arranjo em que o Banco Central imprimia dinheiro e o injetava diretamente na economia, sem depender do sistema bancário. Alemanha na década de 1920, Hungria no pós-guerra, Brasil, Peru, Bolívia e Argentina na década de 1980, Zimbábue recentemente -- tudo obra de um Banco Central que podia monetizar diretamente a dívida do governo.

    É verdade que o atual arranjo financeiro e monetário produz inflação contínua, porém não creio que ele possa levar à hiperinflação, e por um motivo muito simples: não é do interesse dos bancos gerarem hiperinflação.

    Imagine que você seja um banqueiro. Você fez vários empréstimos. Você espera que todos esses empréstimos sejam quitados. Mais ainda: você espera que esses empréstimos sejam quitados com uma moeda que tenha poder de compra. Sendo assim, torna-se óbvio que, se você produzir uma hiperinflação, o maior prejudicado será você próprio: todos os seus empréstimos serão quitados com uma moeda cujo poder de compra não vale mais nada. Quando você concedeu o empréstimo, a moeda valia alguma coisa; quando você recebeu o pagamento do empréstimo, a moeda não valia mais nada. Consequentemente, seus ativos (empréstimos pendentes) perderão a maior parte do seu valor, seu balancete irá para o vermelho e você quebrará.

    Adicionalmente, há também o fato de que banqueiros também querem se aposentar. Logo, eles também possuem investimentos em planos de previdência. Se gerarem uma hiperinflação, eles também serão duramente afetados. Sua poupança não mais valerá nada.

    Portanto, ficamos assim: o antigo arranjo financeiro, em que o BC podia jogar dinheiro diretamente na economia, tendia a gerar hiperinflações recorrentes. Já o atual arranjo financeiro, em que o BC depende do sistema bancário para que o dinheiro entre na economia, não tende a produzir hiperinflação, mas produz uma contínua e "moderada" inflação de preços (no Brasil, entre 4 e 10% ao ano). Produz também os ciclos econômicos, algo que o primeiro arranjo não gerava (ele já ia diretamente para a hiperinflação, destruindo a divisão do trabalho).


    Pra finalizar, toda essa dinheirama que ele citou que os BCs da Suíça, do Japão e do Reino Unido imprimiram não entrou na economia. O dinheiro foi utilizado majoritariamente para melhor o balancete dos bancos.
  • Anônimo  16/04/2013 18:34
    Leandro, perdão, Uma dúvida sobre sua resposta:

    "Imagine que você seja um banqueiro. Você fez vários empréstimos. Você espera que todos esses empréstimos sejam quitados. Mais ainda: você espera que esses empréstimos sejam quitados com uma moeda que tenha poder de compra. Sendo assim, torna-se óbvio que, se você produzir uma hiperinflação, o maior prejudicado será você próprio: todos os seus empréstimos serão quitados com uma moeda cujo poder de compra não vale mais nada. Quando você concedeu o empréstimo, a moeda valia alguma coisa; quando você recebeu o pagamento do empréstimo, a moeda não valia mais nada. Consequentemente, seus ativos (empréstimos pendentes) perderão a maior parte do seu valor, seu balancete irá para o vermelho e você quebrará."

    Mas e se tais empréstimos tivessem sido ajustados com o tomador para terem seu valor atualizado de acordo com algum índice de inflação?

    Ótima réplica ao romântico nostálgico acima.
  • Leandro  16/04/2013 19:00
    Este tipo de acordo só é viável em economias estáveis ou relativamente estáveis. Ele é totalmente inviável para uma economia em hiperinflação ou em vias de entrar em hiperinflação (que é justamente o que derrubaria os bancos: a súbita entrada em uma hiperinflação).

    Imagine o Brasil de hoje. Você vai ao banco e pede um empréstimo de R$100.000. Os juros são de 25% ao ano. Aí o banqueiro lhe informa: "Estes juros são aplicáveis somente se a taxa atual de inflação de preços se mantiver. Caso haja um descontrole inflacionário, os juros mudarão de acordo com este cálculo (mostra um cálculo gigantesco e incompreensível). Se a inflação sair dos atuais 6,5% e ir para 50%, seus juros subirão de 25% para 75% mais um adicional de risco de 15%".

    Quem vai fechar esse acordo? Nem mesmo o banqueiro vai querer entrar nessa, pois ele sabe que as chances de tomar um calote são enormes. É impossível fazer esse tipo de acordo sob hiperinflação, simplesmente porque é impossível imaginar como será a inflação daqui a um ano.

    Em uma economia sob hiperinflação, os empréstimos bancários são de curtíssimo prazo. No Brasil, quando vivíamos sob hiperinflação, as empresas se financiavam diariamente aplicando no overnight, que nada mais era do que aplicação em títulos do governo com liquidez diária. Você punha dinheiro hoje, e amanhã ele já estava acrescido de juros e corrigido pela inflação esperada do mês, pronto para ser sacado. Era assim que funcionavam as coisas (o que significa que os ricos, que tinham este acesso ao sistema bancário, eram subsidiados pelos pobres, que arcavam com toda a inflação que esse processo gerava).

    Nenhum banco era louco de emprestar dinheiro a longo prazo. Banqueiros são muito mais ricos sob uma economia com inflação controlada do que sob hiperinflação.
  • evandro  16/04/2013 19:34
    Voce disse: ''Os BCs não podem mais financiar diretamente o Tesouro. Eles podem apenas comprar títulos do Tesouro que estão em posse dos bancos. Isso significa que o dinheiro só entra na economia se os bancos concederem empréstimo.''

    Pergunto:

    Os bancos centrais podem alem deste arranjo imprimir dinheiro, correto? Se eles fazem isso, é num percentual muito pequeno em comparação a qtde de dinheiro que entra na economia via empréstimos bancários, ou estou equivocado?

    E em relação ao artigo que eu citei, o argumento utilizado pelo autor me causou estranheza, qdo ele disse: ''É dinheiro com o qual a máquina pública pode funcionar, fazer investimentos, comprar mútuos. Não é dinheiro com o qual são adquiridos televisões ou carros, por isso não há inflação no mercado real, apenas no mercado financeiro.''... pelo que eu entendi da sua resposta, ao contrario do autor do artigo, este arranjo tambem gera inflação, correto?
  • Leandro  16/04/2013 19:44
    "Os bancos centrais podem alem deste arranjo imprimir dinheiro, correto? Se eles fazem isso, é num percentual muito pequeno em comparação a qtde de dinheiro que entra na economia via empréstimos bancários, ou estou equivocado?"

    O Banco Central faz duas coisas: cria dígitos eletrônicos nas reservas bancários e estipula o valor do compulsório. Isso é tudo o que um Banco Central faz. Quando destituído de toda a pompa e magnificência que o cercam, toda a atividade do BC se resume a isso: acrescentar dígitos nas reservas bancárias e estipular o valor do compulsório. Só.

    Quem imprime as cédulas bancárias é a Casa da Moeda. Sempre que um banco avisa ao Banco Central que terá de transformar parte de suas reservas em dinheiro -- para manter seus caixas eletrônicos abastecidos e para satisfazer a demanda por saques de seus clientes --, o BC autoriza a Casa da Moeda a imprimir essa quantidade de cédulas. É assim que o sistema funciona.

    "E em relação ao artigo que eu citei, o argumento utilizado pelo autor me causou estranheza, qdo ele disse: ''É dinheiro com o qual a máquina pública pode funcionar, fazer investimentos, comprar mútuos. Não é dinheiro com o qual são adquiridos televisões ou carros, por isso não há inflação no mercado real, apenas no mercado financeiro.''... pelo que eu entendi da sua resposta, ao contrario do autor do artigo, este arranjo tambem gera inflação, correto?"

    Isso é nonsense total. Ele está dizendo que se o BC imprimir dinheiro e der para o Tesouro gastar, os gastos do Tesouro magicamente ficarão compartimentalizados e isolados, sem afetar em nada os preços da economia como um todo.

    Esse sujeito é um forte candidato a ser o próximo presidente do BACEN.
  • Guilherme  19/04/2013 20:21
    Leandro,
    seguindo essa linha de raciocínio de que dificilmente teremos hiperinflação, você poderia comentar o caso argentino? O que tem gerado os cerca de 30% de inflação por lá?

    Abs
  • Leandro  19/04/2013 20:38
    O Banco Central da Argentina pode comprar títulos diretamente do Tesouro. Este é justamente o arranjo que eu falei que é condizente com a hiperinflação. Arranjo que não é condizente com a hiperinflação é quando o dinheiro só entra na economia por meio do sistema bancário.
  • Bernardo F  25/04/2013 05:26
    Oi, Leandro! Não entendi uma coisa.

    Nos países em que o Banco Central pode dar dinheiro diretamente ao Tesouro (citaste como exemplo a Argentina), esse repasse de dinheiro é feito em troca de títulos da dívida emitidos pelo Tesouro, certo? Ou seja, o Tesouro emite títulos da dívida e os entrega ao Banco Central, ao passo que este (em contrapartida) cria dinheiro do nada e o entrega ao Tesouro. A hiperinflação, se eu entendi bem, decorreria do fato de o governo utilizar a dinheirama arrecadada pelo Tesouro para contratar obras ou serviços ou pagar remuneração a funcionários públicos ou aposentados - enfim, injetando a dinheirama no mercado e disputando recursos escassos com pessoas e empresas.

    Todos aqui comentam que a situação é diferente quando o Tesouro não pode vender os títulos diretamente ao Banco Central. No Brasil, por exemplo, o Tesouro só pode vender os títulos aos dealers primários (que são 12 instituições financeiras, segundo o site https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/mercado-interno/dealers)).
    Mas, na hipótese de o Tesouro "ser refém" dos dealers primários, o Tesouro também recebe uma bolada de dinheiro destes quando lhes vende os títulos da dívida pública. Ou não?

    Qual é a diferença entre os dois sistemas? Afinal, o Tesouro ora recebe dinheiro diretamente do Banco Central, ora recebe dinheiro dos dealers primários - sempre alienando-lhes os tais títulos da dívida. E, independentemente da origem do dinheiro (se do Banco Central ou dos dealers primários), o Governo poderia gastá-lo ao seu bel-prazer.
    Sinto que não estou pescando algo, por isso recorro a ti!
    Por acaso a diferença residiria apenas na quantidade de dinheiro arrecadada pelo Tesouro (que seria bem menor quando proveniente dos dealers primários, em comparação com a manirrota varinha de condão do Banco Central)?
    Grande abraço!!! Admiro cada vez mais o IMB; a cada dia me torno mais libertário.
  • Leandro  25/04/2013 07:30
    São alguns os detalhes que você não está conseguindo pescar.

    1) Quando o Tesouro depende de os bancos criarem dinheiro para comprar seus títulos, isso afeta os juros do mercado interbancário (a SELIC). Afinal, se os bancos têm de criar dinheiro, eles terão de recorrer ao interbancário para recompor suas reservas.

    2) Quando o Tesouro depende dos bancos, isso afeta enormemente o preço dos títulos. Quanto mais títulos o Tesouro tiver de vender para o sistema bancário, menores serão os preços de cada um, e maiores serão os juros pagos. E quanto mais altos forem os juros, mais afetado será o orçamento do governo.

    3) Já quando o Tesouro emite títulos diretamente para o Banco Central comprar, isso não afeta a taxa de juros do mercado interbancário e nem os juros pagos sobre os títulos do Tesouro. Em vários casos, aliás, sequer há cobrança de juros sobre os títulos (afinal, o BC é estatal).

    4) Quando o Tesouro depende dos bancos, a dívida pública torna-se crucial. Não apenas porque os juros da dívida tenderão a ser maiores (explicado no item 2), como também porque, dado que a maior parte dos títulos estarão em posse dos bancos, eles terão de ser quitados.

    5) Quando o Tesouro pode vender diretamente para o Banco Central, a dívida pública não é problema (em última instância, se ela está em posse do Banco Central e se este for um órgão estatal, ela pode ser cancelada). Vide a dívida interna brasileira na década de 1980: mal chegava a 15% do PIB (hoje é de 65% do PIB).
  • Bernardo F  25/04/2013 13:10
    Grande Leandro! Obrigado pela pronta e esclarecedora resposta. Abs!
  • evandro  16/04/2013 20:08
    Uma ultima duvida, voce poderia me explicar um pouco melhor esta frase sua:

    ''Pra finalizar, toda essa dinheirama que ele citou que os BCs da Suíça, do Japão e do Reino Unido imprimiram não entrou na economia. O dinheiro foi utilizado majoritariamente para melhor o balancete dos bancos.''

    Isso foi uma espécie de ''socorro'' aos bancos, que assim se tornaram devedores dos governos citados destes valores ''imprimidos'' ?

  • Leandro  16/04/2013 20:59
    Bancos expandiram o crédito, fizeram vários empréstimos ruins, tomaram calote e ficaram no vermelho, com vários ativos (majoritariamente empréstimos imobiliários) desvalorizados. Os bancos centrais compraram estas carteiras de empréstimos caloteados para aliviar o balancete dos bancos.

    Esse artigo explica isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514
  • Dalton C. Rocha  16/04/2013 23:07
    O site karlmarxgritandomaldicoescolossais.blogspot.com.br/ tem artigo falando sobre o charlatão Karl Marx.
  • Vejam isso  17/04/2013 01:26
    April 16, 2013
    Bombing Suspects
    Posted by Thomas DiLorenzo on April 16, 2013 11:39 AM

    CNN, MSNBC, Esquire magazine, and others immediately began speculating wildly that "right wing extremists" or even "libertarians" might be behind the murderous bombing in Boston yesterday. Since the media elite think it is ok to speculate on such things, here's another speculative hypothesis: The murderer could have been someone upset over the recent news reports a couple of days earlier that Obama only paid 18.4% of his income in taxes last year. After all, Obama has used his presidential pulpit as a socialistic megaphone to advocate that "the rich" pay more of a "fair share" in taxes. How disappointed his supporters must be to learn that he paid less than half the top income tax rate, not much different from Romney's tax rate.

    www.lewrockwell.com/blog/lewrw/archives/135715.html
  • Camarada Friedman  17/04/2013 05:07
    Eu não duvido que o estado tenha feito isso só pra culpar nossos camaradas por la.
  • Bruno Faria  17/04/2013 03:49
    Um discurso fácil para desconstruir. No entanto, me limito a postar; o pessoal é muito preconceituoso e comete muitos estereótipos. Um exemplo foi minhas últimas postagens.

    De qualquer forma, parabéns pelas narrativas do Mises e revisada pelos editores, sempre muito boa.

    Abraço.
  • IRCR  17/04/2013 05:11
    Existe alguma outra forma hj em dia dos BCs jogarem dinheiro sem ser atraves dos bancos ?
  • Leandro  17/04/2013 14:04
    Sempre lembrando que em vários países, principalmente nos mais avacalhados aqui da América Latina, o BC tem total liberdade de financiar diretamente o Tesouro. É apenas nos países mais sérios que tal prática foi proibida.

    Nestes, não conheço nenhuma maneira de os BCs driblarem os bancos.
  • edison  17/04/2013 20:30
    Nos USA o Banco Central é uma entidade de capital privado, e todos pensam que é um órgão estatal. O Banco Central Americano não dribla os bancos porquê é o maestro da emissão da reserva fracionada, e os bancos dançam conforme a música tocada pelo maestro. O govêrno americano paga a particulares pelo dinheiro que poderia êle próprio emitir. O mantra "é preciso um banco central independente" originou-se a partir da necessidade desses credores manterem-se no anonimato por trás da palavra "federal",cuidadosamente mantido através de subôrno de políticos corruptos. As mortes de Abrahn Lincoln e Kennedy deixam muuitas dúvidas até hoje, e há indícios de que ambos tentaram desarmar essa ratoeira chamada FED.
  • Leandro  17/04/2013 23:37
    Prezado Edison, essa afirmação sobre o Fed ser privado não é totalmente correta.

    O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha, em tese!, poderes sobre a política monetária que este adota.

    Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

    É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

    Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.

    Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

    1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

    2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

    Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo. Mas seu controle acionário se dá através de instituições privadas.

    E é daí que surgem as teorias de que grandes famílias como os Rothschild e os Rockefeller estariam no controle do sistema bancário mundial (e quem controla a moeda, controla o mundo), pois seriam eles que genuinamente mandam no Fed.

    Abraços.
  • edison  18/04/2013 00:35
    Leandro, o FED não sofre auditoria política exatamente pelo que comentei. As teorias de conspiração tem sentido quando mostram como foi instituído a lei de 1913, "na moita", e a partir daí o Congresso americano foi subjugado. A nomeação recíproca de altos dirigentes financeiros (revolving door)interessados no "status quo" é evidente. Ao ser indagado pelo Congresso sôbre o nome dos destinatários de vultosos "empréstimos" concedidos, um dos últimos responsáveis por aquela instituição, Barnank (ou coisa parecida), simplesmente respondeu: "não sei os nomes dos destinatários", e nenhuma investigação foi oficializada. Quanto ao contrôle do sistema bancário mundial pelas famílias apontadas,mais Morgan,e umas poucas mais também há indicios através da leitura do sistema de pirâmide (emprêsa que controla emprêsa em última instância,no tôpo). Quanto à alavancagem de emissões monetárias via reserva fracionada, não há dúvida que isso beneficia poucos interessados que criam dinheiro do nada. É uma aberração, e é mais ou menos como se eu(govêrno) tivesse capacidade de produzir algo sem custo algum, porém resolvesse pagar a terceiros (FED) pelo mesmo serviço com a intenção de me endividar. Abraços.
  • Jack  22/04/2013 04:24
    Como início, penso que, para se tentar rejeitar uma hipótese, deve-se de fato exaurir essa hipótese ao limite da sua verdade.

    Essa premissa não foi tentada com muitas das hipoteses que Marx contruiu para tentar explicar o capitalismo, e no Das Kapital ele teve o cuidado de não mencionar o socialismo como saída, justamente por saber(imaginar dedutivamente) que essa saída seria uma superação material e histórica, essa não-afirmação sempre é colocada em alguns argumentos contra a obra do barbudo.

    Mas o pior mesmo é a confusão que foi feita com o cenceito de classe de Marx e a ação do indivíduo na sociedade. Partindo do pressuposto que o indivíduo procura seu bem estar e sua felicidade, por sí, não vejo forma de excluir o fato que ele para conseguir tanto, necessita perceber-se como alguém inserido numa sociedade com outras pessoas como ele, e que ele não é uma ilha - alias Robinson Crusoé deixa seu legado em algumas mentes- logo para mim é necessária a refutação, precisamente, dessa tendência do ser humano a se associar( consciência de classe que Marx afirma existir) com as pessoas que ele percebe estar nas mesmas condições materiais, históricas e sociais que a dele. A luta de classe vem daí, mesmo tomando como hipótese central a individualidade, ela não se sustenta na comprovação empírica; monopólis, revoltas, confrarias, revoluções, ninguém faz isso sozinho, o individuo não se reproduz socialmente sozinho e nem consegue sua superação individual sem ajuda.

    Mas isso poderia ser apenas um choque ontológio ( e na verdade é) de duas linhas de pensamento completamente distintas , mas me deparo com isso;

    "O capitalismo é essencialmente produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. Mas Marx sempre trabalhou com o conceito enganoso de que os trabalhadores labutam arduamente apenas para o benefício da uma classe superior de parasitas ociosos. Ele não percebeu que os próprios trabalhadores consomem, de longe, a maior parte de todos os bens de consumo produzidos. Os milionários consomem uma porção quase que insignificante daquilo que é chamado de produto nacional. Todas as sucursais das grandes empresas provêem direta ou indiretamente às necessidades do cidadão comum. As indústrias de luxo nunca se desenvolvem além das unidades de pequena ou média escala. A evolução das grandes empresas é, por si só, prova do fato de que as massas, e não os ricaços nababos, são os principais consumidores. Aqueles que lidam com o fenômeno das grandes empresas classificando-o de "concentração do poder econômico" não percebem que o poder econômico pertence ao público consumidor, de cujo consumo depende a prosperidade das fábricas. Na sua capacidade de consumidor, o assalariado é o cliente que "sempre tem razão". Mas Marx declara que a burguesia "é incompetente em garantir uma existência para seu escravo dentro de sua escravidão".

    Bom, erro econômico. Em termos vulgares, os assalariados consomem mercadorias com "pouco valor agregado", em termos marxista mercadorias com baixa taxa de mais-valia relativa, o fato de o trabalhodor absorver a grande quantidade de mercadorias é óbvia, elas são de preço reduzido( baixo refinamento tecnológico), para fins específicos e com a finalidade de manter essa grande quantidade de pessoas na condição de mão de obra, isso inclui tanto o básico de alimentação quanto pequenas mercadorias mais elaboradas. Do outro lado a classe que atende interesses dominantes e exploradores( categoria Marxianas) existe em número reduzido e acumulando maior quantia monetária, ela capta esse excedente que corresponde ao lucro- na teoria marxista há extração de horas trabalhadas uma vez que se houvesse a renumeração exata a produção do trabalhador o lucro não existiria-, gasta menos em termos agregados e em taxa, já que o que transpassa necessidade essencial, gastos com capital fixo e variável( no caso de uma empresa), é poupança. Tendo em mente isso ,observa-se que um grupo de pessoas reduzido não vai consumir tanto quanto a imensa maioria, nem se comprar uma quantidade absurda de bens de luxo, e mesmo assim eles detêm maior quantidade de moeda que um trabalhor já que sua riqueza é convertida em moeda e fica em bancos não tendo necessidade de consumir tudo que recebe. Ao meu ver não se chega ao núcleo da teoria Marxista, que é a exploração, o texto não refuta nada em Marx.

    Quanto ao poder de econômico ser do consumidor, nesse quadro apresentado eu concordo, mas com 2 ressalvas; 1) Irá o trabalhador passar fome? Necessidade? Como ele pode ser o "grande poderoso" se ele não tem o poder sobre o que produz? 2) O ponto central de não ter o poder reside no fato de as máquinas, insumos que ajudam na produção de mercadorias serem de outrem, daí o embricamento que a classe dominante tem com o estado explica o porque o poder se esvai , pois ao menor movimento de revolta, questionamento ou simples associação crítica de setor "poderoso" , o estado usa as armas que têm; monopólio da força e opressão, aniquilando qualquer insurgência.

    Bom, vou me arrepender profundamente de ter entrado nesse debate, já que os que vão me questionar, farão de forma a atacar a minha pessoa ou usando falácias das mais absurdas, sem ir no ponto econômico da questão, e mesmo eu afirmando que Marx não é deus e nem o capital a bíblia, muitos ignorantes me tratarão como religioso, pois também defendem um ponto de vista com fevor pastoral.

    Dos demais espero um debate centrando no que é refutável da teoria de Marx, no que não se comprova empiricamente, diferentemente disso é pura apologia e a ciência se perde na fé cega.


  • Leandro  22/04/2013 13:43
    "Em termos vulgares, os assalariados consomem mercadorias com "pouco valor agregado", em termos marxista mercadorias com baixa taxa de mais-valia relativa, o fato de o trabalhodor absorver a grande quantidade de mercadorias é óbvia, elas são de preço reduzido( baixo refinamento tecnológico), para fins específicos e com a finalidade de manter essa grande quantidade de pessoas na condição de mão de obra, isso inclui tanto o básico de alimentação quanto pequenas mercadorias mais elaboradas."

    Pelo que entendi dessa sua lógica, todos os assalariados do mundo devem consumir apenas minério de ferro e bauxita, que são mercadorias com "pouco valor agregado". Pelo visto, nenhum assalariado adquire automóveis, celulares, tablets, notebooks ou DVDs. Eles adquirem apenas "o básico da alimentação" (o que significa que não pode existir nenhum assalariado obeso, pois isso configura estar se alimentando além do básico) e alguns trapos para cobrir seu corpo ("pequenas mercadorias mais elaboradas").

    "Do outro lado a classe que atende interesses dominantes e exploradores( categoria Marxianas) existe em número reduzido e acumulando maior quantia monetária, ela capta esse excedente que corresponde ao lucro- na teoria marxista há extração de horas trabalhadas uma vez que se houvesse a renumeração exata a produção do trabalhador o lucro não existiria-, gasta menos em termos agregados e em taxa, já que o que transpassa necessidade essencial, gastos com capital fixo e variável( no caso de uma empresa), é poupança."

    Embora não tenha entendido nada da construção do raciocínio acima, deixo a pergunta: se não houvesse lucro, como haveria produção? Mais especificamente: sem o lucro, o que seria reinvestido para aprimorar o processo produtivo, de modo a aumentar a oferta e a qualidade dos bens, o que por sua vez tende a reduzir seus preços reais? Não seria isso de interesse de qualquer assalariado: ter acesso a mais e melhores bens a preços reais declinantes?

    Acabe com o lucro, e todo esse arranjo se esfacela.

    "Tendo em mente isso ,observa-se que um grupo de pessoas reduzido não vai consumir tanto quanto a imensa maioria, nem se comprar uma quantidade absurda de bens de luxo, e mesmo assim eles detêm maior quantidade de moeda que um trabalhor já que sua riqueza é convertida em moeda e fica em bancos não tendo necessidade de consumir tudo que recebe. Ao meu ver não se chega ao núcleo da teoria Marxista, que é a exploração, o texto não refuta nada em Marx."

    Pelo que consegui entender, a crítica agora é porque os "exploradores" gastam pouco, pois deixam seu dinheiro em bancos. Pelo visto, você não tem a mínima ideia de como funciona o sistema bancário. Dinheiro não fica parado em banco. Dinheiro está sempre sendo emprestado. Se os "capitalistas exploradores" não deixarem seu dinheiro nos bancos, não haverá crédito para que os explorados possam adquirir bens de consumo.

    Até aqui, quem não refutou nada foi você, que nem sequer parece saber do que está falando.

    "Irá o trabalhador passar fome? Necessidade? Como ele pode ser o "grande poderoso" se ele não tem o poder sobre o que produz?"

    Ao decidir o que comprar e o que não comprar, os indivíduos decidem quem fica no mercado e quem sai do mercado. A única coisa que pode impedir este arranjo de funcionar é a intervenção do governo, que, por meio de políticas protecionistas e de agências reguladoras, irá decidir quem será socorrido da falência e quem poderá falir. Se o consumidor hoje não é o "grande poderoso", aponte seu dedo para o governo, que é quem realmente impede que poderosos vão à falência.

    "O ponto central de não ter o poder reside no fato de as máquinas, insumos que ajudam na produção de mercadorias serem de outrem, daí o embricamento que a classe dominante tem com o estado explica o porque o poder se esvai , pois ao menor movimento de revolta, questionamento ou simples associação crítica de setor "poderoso" , o estado usa as armas que têm; monopólio da força e opressão, aniquilando qualquer insurgência."

    Se a questão toda se resume a possui máquinas e insumos, então o que impede os assalariados de adquirirem máquinas e insumos? Por exemplo, por que os trabalhadores que não querem ser "explorados" e que querem assumir o controle dos meios de produção não criam cooperativas? Absolutamente nada os impede de fazer isso.

    Se uma enorme quantidade de trabalhadores se juntasse, eles sequer precisariam de financiamento. Poderiam utilizar a própria poupança. O que houve com o "trabalhadores do mundo, uni-vos!"? Qualquer grupo de 100 operários do ABC poderia se juntar e criar suas próprias cooperativas. Eles não são pobres. O que os impede?

    "Bom, vou me arrepender profundamente de ter entrado nesse debate, já que os que vão me questionar, farão de forma a atacar a minha pessoa ou usando falácias das mais absurdas, [...]"

    Nenhuma falácia e nenhum ataque pessoal. Apenas argumentos econômicos. Você recorreu apenas a fatores emocionais, completamente desconectados de qualquer lógica ou conhecimento econômico. Não apresentou nenhuma lógica econômica. Fez apenas afirmações emotivas deslocadas e sem nenhuma substância. Terá de se esforçar mais.

    Sugestão de artigo:

    A teoria marxista da exploração e a realidade
  • Blah  22/04/2013 14:32
    Bom, vou me arrepender profundamente de ter entrado nesse debate, já que os que vão me questionar, farão de forma a atacar a minha pessoa ou usando falácias das mais absurdas, sem ir no ponto econômico da questão, e mesmo eu afirmando que Marx não é deus e nem o capital a bíblia, muitos ignorantes me tratarão como religioso, pois também defendem um ponto de vista com fevor pastoral.

    Sabe o que é mais engraçado? Os marxistas que conheço são, de muito longe, os que mais fazem exatamente o que você está acusando os críticos do marxismo de fazerem. Assim que os argumentos econômicos do marxismo são demolidos e não sobra pedra sobre pedra deles, o marxista começa a apelar para:

    1) Questões sociais: "Ah, mas veja como há pobreza no mundo! De nada adianta o capitalismo se há pessoas passando fome!". Pior mesmo é quando vem um cubanófilo torrando o saco. "Ah, mas em Cuba não há crianças passando fome! Eu sei disso porque eu morei em Cuba, em uma região cheia de amiguinhos do regime cubano como eu, e agora eu faço de conta que conheci Cuba de cabo a rabo!". É quase impossível conhecer alguém que diga isso e que realmente tenha conhecido Cuba. Como conheço os militantes marxistas, e sei que eles não têm nenhum compromisso com a coerência e a lógica, reservo-me o direito de suspeitar do que eles dizem. Não é ad hominem, não. Eu já ouvi tantas baboseiras deles que não dá pra levá-los a sério. Muita gente costuma se deixar levar por esses discursos, pois ir contra ele requer uma dose cavalar de força de vontade. Afinal, você estará deixando o mundo mágico dos preocupados com os pobres e oprimidos, não ganhará tapinhas nas costas e não poderá discursar com propriedade sobre política internacional sem conhecer patavina nenhuma sobre o assunto. Você será desafiado a conhecer os assuntos sobre o qual discursa, porque um discurso progressista/socialista/esquerdista é tomado como verdade absoluta, mas qualquer coisa diferente só pode estar vindo da direita golpista.

    2) Discursos tão absurdos que parecem ter vindo de alguma sátira aos marxistas. Já ouvi até mesmo uma defesa existencial do socialismo! A ideia é essa: o libertário quer condenar as pessoas a serem livres! Já no socialismo todo mundo já sabe que não é livre mesmo e precisa beijar o anel de algum grande líder, então tá tudo beleza pura. Isso não costuma funcionar quando o sujeito não se rende às "questões sociais". Alguns ficam no meio do caminho, preferindo não desagradar aos maravilhosos e bem-intencionados progressistas. Esses estão sempre tentando mostrar que não são radicais, são pessoas de mente aberta. Quase sempre acabam concordando com a esquerda. Tudo para não ficarem com fama de pessoas más e despreocupadas com o social.

    3) Mentiras puras e simples: Se você lê Carta Capital, blog de Emir Sader, ou mesmo sites como "Pragmatismo Político" (que ao menos é um pouco honesto no nome, é pragmático, está pouco se lixando para a lógica ou o bom uso das faculdades mentais), em pouco tempo encontra um sem-número de mentiras e manipulações grosseiras. É comum que uma pesquisa no Google encontre, em menos de um minuto, mentiras escabrosas. Já houve até mesmo "intelectuais" denunciando ligações do Instituto Millenium com o nazismo através de análise do... logotipo. Não poderíamos deixar de falar também sobre as ligações entre o IMB e a TFP. Há vários outros exemplos. Hoje em dia, sou considerado o tiozão esquisito que tem umas ideias estranhas com uns sites da extrema-direita. Esse não é o último recurso dos progressistas. Eles costumam já partir para esse expediente, a fim de tentarem fazer com que os não-progressistas ajoelhem diante deles e jurem que não são gente da "extrema-direita" a serviço da CIA.

    Quando vejo que o sujeito é um progressista/socialista/etc bastante radical, no máximo tento ter um debate racional. Quando percebo que ser racional não é o forte da pessoa, não perco meu tempo.
  • Roberval  22/04/2013 14:50
    Concordo Blah.
    Também cheguei a essa incrível conclusão.
    Você tentano ir pelo lado racional e pratico da coisa,demolindo pedra sobre pedra do argumento esquerdista,os seguintes ataques começam.

    1)Apelam para o emocional
    2)Apelam para o grito.
    3)Apelam para acusações sem sentido.

    Por isso hoje,tenho passado bem longe desse tipo de gente,e quando cruzo com um desses,prefiro concordar em silencio.
    O pior tipo de gente são esses esquerdistas,e o legal é que,quando o problema se abate sobre eles,como por exemplo,o caso da Pec das empregadas domesticas,esses lixos querem dar uma de liberais querendo diferenciar uma empregada domestica de um trabalhador comum registrado,mostrando assim seu grau de ........e de total falta de logica.
    Normal,no dos outros é refresco.
  • Melanie Schwartz  02/05/2013 12:14
    Vim compartilhar um texto interessante do Mario Fortes. Não é exatamente libertário, mas como critica o sociolismo, achei que pudesse interessá-los.

    -----
    A esquerda caviar.

    "Não vi um negro", escreveu o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues – talvez a única mente lúcida do Brasil na época – sobre a famosa "passeata dos cem mil" no Rio de Janeiro contra o regime militar, em 1968. O que mais lhe chamou a atenção na maior marcha de protesto daquele ano seminal da esquerda moderna (ou pós-moderna) foi a ausência quase completa de pobres, ou de gente com cara de pobre, em um movimento que se dizia a favor dos pobres e contra os ricos etc. "Não havia ali um único negro, um desdentado, um mísero torcedor do Flamengo", observou, intrigado. Nenhum operário, nenhum favelado, nem mesmo um morador de subúrbio. Apenas gente bonita e com todos os dentes no lugar, garotões e gatinhas da juventude dourada da zona sul carioca, bem-nascidos, bem-nutridos, de pele alva ou "bronzeados como um havaiano de cinema", desfilando seus slogans contra a ditadura, no que poderia muito bem, comentou Nelson, ser um comercial de dentifrício.

    Ele sabia do que falava. "Como é marxista a nossa burguesia!", exclamava, com ponto e tudo, o jornalista e dramaturgo, que tinha o costume, talvez para colher material para suas peças e romances, de frequentar saraus de grã-finos, uma moda na época. Em um deles, escreveu em uma de suas crônicas, chegou a conhecer uma auto-proclamada "amante espiritual de Guevara" (!). Esta iria fazer companhia, no universo rodrigueano, a outras figuras icônicas da sociedade e especialmente da esquerda brasileira, como o "padre de passeata", a "freira de minissaia" etc. Nessas ocasiões, o autor de O Casamento pôde constatar a ilimitada admiração, que beirava o fanatismo ("só faltavam abanar o rabo como cadelinhas amestradas"), dos habitantes do grand monde pela figura de Marx, a qual somente rivalizava com a total ignorância que demonstravam pelas ideias do "Velho" (era assim que chamavam o fundador do soi-disant "socialismo científico", com a intimidade de alguém da família).

    Nelson Rodrigues era um dramaturgo, um homem de teatro, mas suas crônicas, reunidas em livros como O Reacionário e A Cabra Vadia, estão longe de ser obra de ficção. Suas observações, escritas em estilo suculento, foram argutas e precisas, valem mais do que muita obra de sociológo que existe por aí. Assim como assistiu bestializado à Proclamação da República em 1889, o povo passou longe da passeata dos cem mil, e passou mais longe ainda da luta armada contra a ditadura militar. O historiador Marcelo Ridenti, em seu livro O Fantasma da Revolução Brasileira (publicado em 1993), apontou esse fenômeno: em um levantamento, ele constatou que entre os membros processados dos grupos terroristas de esquerda nos anos 60 e 70 (ALN, VPR, MR-8, VAR-Palmares etc.), 57,78% eram estudantes de classe média ou alta. Pouquíssimos podem ser considerados "operários" ou "trabalhadores". Enquanto isso, o povão, entusiasmado com o "milagre" econômico e com os dribles de Pelé e Rivelino na seleção tricampeã mundial de futebol no México, assistia indiferente, ou mesmo com franca hostilidade, às aventuras da esquerda armada (da qual, aliás, frequentemente era vítima). A conclusão de Ridenti, corretíssima, é que os grupos guerrilheiros não eram o oposto da elite, mas uma fração desta, uma espécie de "contra-elite". Um dos membros dessa elite guerrilheira que pegou em armas contra a ditadura foi Nelsinho, filho de Nelson Rodrigues. Outra foi uma tal de Dilma Vana Rousseff.

    Não se trata de um fenômeno restrito ao Brasil. Sempre houve, em todos os países, um divórcio radical entre a esquerda e as massas populares. Apesar de nomes pomposos escolhidos para batizar os movimentos e partidos esquerdistas ao longo da História – "dos trabalhadores", "operário", "popular" etc. –, o povão, ou, para usar o jargão marxista, o "proletariado", sempre deu as costas à propaganda revolucionária e socialista, brandida quase sempre por membros desgarrados da elite. Basta ver a biografia dos principais líderes revolucionários. Lênin vinha da aristocracia rural russa (seu pai tinha inclusive um título de nobreza). Mao Tsé-tung era filho de proprietários de terras. Fidel Castro também. Sem falar no próprio Karl Marx, de origem burguesíssima, assim como seu amigo Friedrich Engels, rico herdeiro de fábricas de tecidos na Inglaterra. Todos vieram da classe dominante. (Não que ser do povo traga, em si, alguma virtude moral intrínseca: Stálin, por exemplo, era de origem proletária, assim como Lula – aliás, uma invenção da elite.) Mesmo assim, sempre se apresentaram como a "vanguarda" da "classe operária"... E isso em TODOS os movimentos e partidos de esquerda e de extrema-esquerda no mundo nos últimos cento e tantos anos. (Antes mesmo de Lênin e da Revolução Russa de 1917, tornou-se célebre o caso dos jovens anarquistas russos que, abandonando uma vida de luxo e conforto nas cidades, embrenharam-se no campo, tentando sublevar as massas. Foram expulsos a pontapés pelos camponeses. O mesmo aconteceu com Che Guevara na Bolívia, melancolicamente delatado pelos mesmos que dizia querer "libertar"...)

    Por que estou dizendo tudo isso? Porque historicamente a esquerda, no Brasil e alhures, sempre insistiu em falar em nome do "povo". Desde os antigos comunistas, até os que se apresentam atualmente sob as mais diversas bandeiras, como "direitos humanos", indigenistas, feministas, ambientalistas, desarmamentistas, maconhistas, cotistas, gayzistas etc., os representantes desses movimentos alegam defender as camadas sociais mais desfavorecidas. Se os pobres concordam ou não com sua agenda política, é outro assunto.

    Nada mais falso do que a ideia da esquerda como "representante do povo". Um exemplo recente: há alguns dias, em São Paulo, um jovem, Victor Hugo Deppman, foi assassinado a sangue-frio, quando chegava em casa, por um menor de idade, que roubou seu celular. A morte brutal e estúpida foi filmada pelas câmeras do condomínio, que deixaram claro que foi um homicídio covarde e sem sentido, pois a vítima estava rendida e não esboçou qualquer reação, e mesmo assim levou uma bala na cabeça. Imediatamente, elevou-se um clamor nacional em defesa da redução da maioridade penal e de repúdio à lei vigente, que garante a impunidade - o assassino, que completou 18 anos três dias após o crime, só poderá ficar no máximo três anos em uma instituição de amparo ao menor, de onde sairá com a ficha limpa. Quem ficou contra, inclusive com o "argumento" de que toda a comoção com o caso só ocorrera porque o jovem assassinado era "de classe média" etc.? O governo e a esquerda, claro. Já o povo – 93% dos paulistanos, que não moram todos no Morumbi ou em Higienópolis – quer a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente. Rejeita a ideia do tiro na cabeça como forma de justiça social...

    Eis o fato incontestável, que muitos "intelequituais" uspianos não querem encarar: a esquerda não representa o povo coisa nenhuma. Aliás, não representa ninguém, a não ser a si própria. Ela é, acima de tudo, um fenômeno da ELITE. O povo – e falo aqui dos mais pobres dentre os pobres – está simplesmente se lixando para o que dizem os esquerdistas. Mais: na quase totalidade dos casos, o povo é radicalmente contra as propostas da esquerda.

    Façam um teste, se duvidam de mim. Experimentem fazer um plebiscisto sobre a maioridade penal aos 16 anos (ou aos 15, 14 etc.). Ou sobre pena de morte. Ou sobre legalização da maconha. Ou sobre casamento gay. Ou sobre aborto. Aposto o quanto quiserem que a grande maioria da população, sobretudo os mais pobres e que mais sofrem com a criminalidade e outros problemas, daria uma resposta diametralmente oposta ao que defendem o PT ou o PSOL.

    Para ser mais preciso, imaginem uma consulta com a seguinte pergunta: "Você é a favor do casamento gay e da legalização da maconha?". Ou: "Você é a favor da liberação do aborto?". Preciso dizer que a resposta seria um NÃO bem redondo? Agora, troquem a pergunta para "Você é a favor da redução da maioridade penal?" Quem duvida que a resposta, nesse caso, seria um retumbante SIM? E quem pode negar que a resposta-padrão da esquerda diante desse fato ("é porque o povo é ignorante" etc.) trai, na verdade, um inegável ranço elitista, no pior sentido da palavra? (A opinião do povo só deve ser ouvida se coincidir com a da esquerda.) Afinal, de que "povo" falam os esquerdistas?

    (A propósito: observem quem participa das marchas feitas pela esquerda, como a "marcha das vadias", a "marcha da maconha" etc. Notaram algum trabalhador em uma delas?)

    A maioria da população brasileira, que trabalha, anda de ônibus e paga imposto, não tem tempo nem paciência para os delírios e platitudes esquerdistas. E, quanto mais é assim, mais a esquerda se diz a única e legítima representante das causas populares... Trata-se de uma falácia, de um óbvio embuste. Os esquerdistas sabem que o povo não tem nada de "progressista"; pelo contrário, é instintivamente conservador e "de direita". Por isso, nem falam mais em plebiscitos (como o do desarmamento em 2005, em que sofreram uma derrota humilhante). Em vez disso, resolveram mudar de tática, tentando enfiar suas propostas liberticidas de contrabando, via Congresso ou STF. Para os moradores das favelas e da periferia, rapagões e moçoilas criados na base de sucrilhos e toddyinho falando em seu nome e lhes dizendo o que é melhor para eles só pode ser piada. Para eles, os "oprimidos", os esquerdistas não passam de playboyzinhos entediados em busca de alguma "causa" para se entreterem e despejarem sua revolta juvenil. A esquerda não os representa.

    Assim como não havia negros na "passeata dos cem mil", não há nada de "popular" nos slogans "progressistas" dos militantes politicamente corretos de hoje. Desconfio que, se fosse vivo, Nelson Rodrigues ficaria admirado ao ver o espetáculo surrealista da beautiful people do Leblon e de Ipanema falando em nome das massas. O carnavalesco Joãosinho Trinta tinha razão: "Pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual". De miséria e de socialismo.
    -----
  • Lopes  02/05/2013 12:56
    Interessantíssima observação a respeito do caráter peculiar tomado pelos movimentos esquerdistas nacionalmente e, principalmente, no Rio de Janeiro. Por precaução, alertar-vos-ei que tal artigo não visa denegrir qualquer "tese" marxista, tendo como foco uma observação cínica dos próprios defensores da mesma. Logo, deduz-se que não consiste em um "ad hominem".

    Compartilho dos sentimentos do autor sendo eu habitante do RJ. Cidade onde toda a parcela pobre elegera um político semi-populista e a parcela rica(Zona Sul) tentara eleger um socialista que não poupava críticas à região. Apesar de ambos os políticos apresentarem propostas medíocres naquilo que tange economia(Um almejava seguir o que já havia sendo feito, outro visava fortalecer o IPTU resultante de valor patrimonial, que fora artificialmente aumentado pela expansão de crédito), educação(Um almejava seguir o miserável projeto municipal, o outro, sendo professor, visava o mesmo juntamente com um "aumento da independência metodológica do magistrado") e transporte(Um defendia o "status quo" e o outro defendia o "status ante" - estatização), fora impressionante o tamanho entusiasmo dos segundos em favorecer o socialista e seu acesso de ira cínica ao tomar horas das redes sociais a xingar o povo e seu eleito através do uso de todo jargão marxista imaginável. Não aprovaria ambos os candidatos, visto que os mesmos nada tinham de dedicação ao direito à propriedade e liberdade e, em suma, eram estatistas ad absurdum, entretanto, fora irônica a eleição quanto aos seus agregados.

    Costumo observar que considerável massa da zona rica(Zona Sul) sobre a qual Nelson Rodrigues elaborara seu texto é composta por uma rara elite brasileira que não consiste em grandes empresários, porém em classes A e B+ de funcionários públicos ou parentes dos mesmos. Em meus estudos municipais, tivera o desprazer de conhecer o sobrinho-neto do ditador Figueiredo, que como o tio avô, apressava-se a buscar um lugar nas fileiras do estado. Ele não está sozinho: Aproximadamente 50% dos universitários cariocas visam carreiras em estatais(Petrobrás, a empregadora universal) ou no próprio estado.

    Como uma praga que se alastrara por toda o mundo durante a guerra fria, o socialismo de fato triunfara onde ainda resta dinheiro dos outros a ser pilhado(Thatcher).
    Cabe a nós, meros mortais, presos à nossa humildade como mortais de defensores da liberdade, contentar-nos com a terrível limitação de que mal conhecemos nossos vizinhos e suas motivações, quão melhores seremos ao manipular os interesses de 190 milhões desses?

    É uma arrogância fatal "domesticar" o mercado, sendo ele o produto das ações de 7 bilhões de agentes agindo cada qual de acordo com sua própria valorização. Como diria Hayek, é imprescindível reconhecer que o mercado não é produto do design humano, porém da pura e simples ação humana.
  • Pedro Ivo  02/05/2013 14:08
    ou nas palavras de HHH

    O intelectualismo anti-intelectual
  • Rodrigo Sampaio  12/11/2013 01:10
    Acredito em partes dos ideais de Marx, e também acho que a teoria de luta de classes, não está perfeita, mas sim bem direcionada. E usar esse resto "incompleto" da teoria de Marx para justificar ou dar razão as práticas capitalistas é osso! A luta de classes não se dá mais pelo proletário contra o burguês, no ringue está inserida toda a sociedade, a competição desenfreada de estudantes a corporações, traficantes, empregados e desempregados, causa essa desordem que podemos ver diariamente, o homem inimigo do homem. Mas quem seria o 1%? O que mantém os escravos dos 5 dias seguindo á essa ditadura silenciosa, que incita a reação ao invés do perdão, que incita a competição ao invés do compartilhamento, que troca valores da essência do humano, e acima de tudo, dá o poder sob o outro apenas por ter ou possuir mais que outro, que em essência é igual a ele. E assim se faz, não é presciso fazer estudos infinitos para isso, é só sair de casa e ver, a indiferença entre pessoas, o aglomerado de gente em pequenos espaços que são movidos a dinheiro, saem de casa apenas por um salário em troca do seu precioso e único na vida, o tempo. Então deu para entender quem é o 1% né? Se fosse atribuir a algo material viria logo a minha mente o dinheiro, e se fosse atribuir a algo abstrato, pra mim viria a mentalidade capitalista, que infelizmente étão bem colocada por vocês, mas por outro lado é o fruto da luta de classes que Marx teve a coragem de trazer a tona, que bem dito por ele, é o que faz prosseguir a história do homem, só que talvez o homem capitalista esteja indo rápido demais, produzindo demais, querendo demais, não é a toa que já chegamos a duas grandes guerras e crises mundiais.
  • Lucas  20/02/2015 18:17
    Caro Rodrigo Sampaio,

    Vou escolher somente três pontos seus para abordar, de forma a resumir as coisas.

    (1) Você afirma: "Acredito em partes dos ideais de Marx, e também acho que a teoria de luta de classes, não está perfeita, mas sim bem direcionada. E usar esse resto "incompleto" da teoria de Marx para justificar ou dar razão as práticas capitalistas é osso!"

    Primeiro, isso é uma questão de lógica formal. Alguém afirma A, e depois afirma B, e sugere que C é uma consequência, dado A e B. Se alguém refutar A ou B, automaticamente pode refutar C. Foi isso que Mises fez com Marx.

    Além disso, Mises não "usou o resto incompleto para justificar o capitalismo". Mises demonstrou por A e B, chegando a C, para demonstrar como o capitalismo puro leva à prosperidade. O que você vê hoje não é capitalismo puro. E ninguém refutou Mises até hoje.

    (2) Quando existia mais exploração, há 200 anos atrás ou hoje? E quando havia menos chances de mobilidade social, há 200 anos atrás ou hoje? Muitas pessoas culpam o capitalismo por isso, mas esse problema já existia muito antes. O capitalismo ajudou justamente a reduzir esse problema. Portanto, se você quiser reduzir ao máximo, é melhor apoiar o capitalismo puro, sem burocratas interferindo na economia.

    (3) Guerras são criadas por interesses econômicos dos governantes. Sem governantes com poder econômico, no capitalismo puro, uma guerra não interessaria a ninguém. Muito pelo contrário, não faz sentido nenhum e ninguém "investiria" em guerras.

    E do mesmo modo, crises também são criadas pelos Bancos Centrais. Existem inúmeros artigos aqui mostrando isso. Recomendo pesquisar sobre a TACE - Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos. Todas as crises que já existiram foram previstas pela Escola Austríaca. Você acha que é coincidência?

    Abraços.
  • Igor  25/04/2015 19:20
    Leandro,

    Só pra fechar o entendimento: o governo pode criar dinheiro do nada através dos BCs, o que ele não pode é jogar esse dinheiro na economia, uma vez que é apenas pelo sistema bancário que ele pode correr. É isso?
  • Um apressado demais para desenvolver  25/04/2015 19:43
    Não sou o Leandro, mas vejamos se posso ajudar.

    Do gasto estatal até o crédito bancário:

    Em primeiro lugar, o Tesouro emite títulos de dívida que são comprados pelos bancos "Dealers" do Banco Central. (o BACEN não pode simplesmente comprar os títulos de dívida do tesouro; o que significaria inventar dinheiro a ser utilizado pelo governo federal)

    Imediatamente, o Banco Central compra os títulos de dívida em posse do sistema bancário com dinheiro inventado e o deposita em uma conta que eles possuem junto ao Banco Central, transformando-se em Compulsório e capitalizando-os em uma fração superior a 1:1 entre o que podem criar e efetivamente têm como reservas; afinal, é o que se chama de um sistema de reservas fracionárias.

    Os bancos, agora capitalizados, sofrem o efeito que ocorreria como se houvesse um excesso de poupança: muita gente querendo poupar para pouca gente querendo crédito - logo, os juros (preço do crédito) da poupança cai por pura demanda e oferta. Mas como não houve poupança real, trata-se de uma redução artificial das taxas de juros; e como não houve abstenção alguma de consumo e só criação de dinheiro, é um processo inerentemente inflacionário.

    Graças às taxas de juros mais brandas, os bancos podem conceder crédito farto e barato, sendo que eles próprios controlam o fluxo. Caso a inflação fique muito alta (o que significa que ao eu conceder o empréstimo e recebê-lo com os juros, o dinheiro já valerá tão menos que torna o investimento inviável), eles restringem a oferta de crédito.

    Mas tá certo, Igor.
  • Enrico  25/04/2015 22:04
    Há diversos artigos no site acerca do assunto:
    mises.org.br/Article.aspx?id=344
    mises.org.br/Article.aspx?id=355
    mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Aluno Aplicado  01/10/2017 18:27
    Defendendo a evolução histórica a partir da luta de classes
    Muito embora eu concorde com as ideias da escola austríaca em diversos pontos (a maior parte, eu diria) preciso afirmar o meu compromisso com a verdade e defender algumas coisas quando assim for necessário. Na minha visão, Karl Marx foi um tipo de gênio intuitivo. Conseguiu, a partir da sua sensibilidade, perceber a exploração e se fazer notar no campo das ideias, conquistando diversos seguidores. No entanto, foi incapaz de compreender as causas da mesma e disso se seguiram inúmeras interpretações equivocadas dele próprio a respeito da sociedade e por conseguinte o engano dos seus seguidores em relação às suas ideias principais, culminando em alguns erros trágicos no decorrer da história.
    Ao observar a mesma, Karl Marx percebeu que a sua mecânica básica se dava a partir de conflitos. É intuitivo e até mesmo óbvio perceber que entender a história é o mesmo que entender a origem dos conflitos que ocorreram, sendo eles o ponto de partida para a compreensão do restante no tocante a organização social de um povo. Buscamos nos dados a respeito das sociedades a origem dos conflitos e assim se dá o estudo da história, percebe-se a relevância dos mesmos ainda na periodização histórica: Os marcos dos quais nos utilizamos como pontos de partida para sua compreensão são conflitos, eles são os nós que atam o tecido dos acontecimentos históricos. Toda a evolução do pensamento pode ser observada a partir deles, quando houve a transição da monarquia para a república na França a partir da revolução francesa ocorrera antes disso uma profunda mudança no campo das ideias, ou seja, os conflitos são meramente a manifestação da evolução do pensamento materializada (ou plasmada) no campo físico da ação humana.
    Embora Marx tenha se equivocado quanto a origem dos conflitos, culpando a propriedade privada, no estrito sentido do termo, acertou ao afirmar que a evolução histórica se materializa a partir deles. Acertou também quando afirmou que a exploração era o motivo dos conflitos, por isso os explorados se organizam em revoltas para reconquistar a sua autonomia e assim se livrar da coerção imposta pelas classes exploradoras. Mas errou novamente quanto a causa do problema da exploração, atribuindo a culpa ao capitalismo, que nada mais é, em essência, do que a troca voluntária de indivíduos interagindo livremente no mercado. Das origens da exploração, que são de ordem econômica, os austríacos realizaram um excelente trabalho ao demonstrar que o Estado era o cerne da questão, atuando como principal ferramenta das classes exploradoras e o que permite o distorcimento do mercado em prol dos seus interesses e ânsia por poder. É certo que o trabalho de Marx no campo da economia foi um grande desastre, mas no que tange a sua visão social é incrível e até mesmo genial a sua interpretação dos fatos, sendo necessário um olhar um pouco mais aprofundado para a devida compreensão de suas ideias.
    A partir de agora irei me basear no artigo intitulado "A luta de classes" do instituto mises para ponderar a questão, tendo em vista a defesa da teoria marxista da evolução histórica e da luta de classes estritamente no campo social:
    "Qualquer filosofia da história deve demonstrar qual é o mecanismo por meio do qual aquela agência suprema que determina o curso de todas as relações humanas irá induzir os indivíduos a trilhar exatamente os caminhos destinados a levar a humanidade até o objetivo determinado."

    Aqui há o apontamento de uma falha do sistema de ideias marxistas quanto a atribuição de funções ao Estado, proferida em tom jocoso ("agência suprema"). Tudo bem, esse é um erro grave da teoria marxista.

    "No sistema de Marx, a doutrina da luta de classes foi criada para responder a essa questão."

    Na verdade, a questão posta é decorrente da constatação da existência da luta de classes e não o contrário. Mas entendo que aqui o autor deve ter se valido das artimanhas esquerdistas para justificar as suas falcatruas e ânsia por poder, transformando o conceito de luta de classes em ferramenta ideológica, ponto para o redator. Na verdade, a tomada do poder pelo proletariado constitui mero efeito da luta de classes.

    "A fragilidade inerente a essa doutrina é que ela lida com classes e não com indivíduos."

    Indivíduos estão inseridos em classes, das quais só podem existir duas: exploradores ou explorados. O conceito de classe serve meramente para reduzir a teoria e torná-la mais simples. Mas é verdade que isso a fragiliza, criando ambiguidades que promovem erros de interpretação, os quais são muito utilizados em doutrinações ideológicas esquerdistas a seu favor.

    "O que tem de ser mostrado é como os indivíduos são induzidos a agir de tal modo que fará a humanidade finalmente atingir o ponto que as forças produtivas querem que ela atinja. A resposta de Marx é que o que determina a conduta dos indivíduos é a consciência dos interesses de sua classe. Ainda falta ser explicado por que os indivíduos dão aos interesses de sua classe preferência em relação aos seus próprios interesses."

    Solução simples: A consciência advém da experiência social que o indivíduo tem, leve em conta que o conhecimento é assimétrico e está espalhado pela sociedade para entender este conceito. Intuitivamente se percebe a diferença de classes quando você vive aquilo que a sua classe te proporciona. Tanto o trabalhador que pega o seu ônibus para ir ao serviço quanto o patrão que usa um sedan de luxo tem consciência de que são diferentes entre si. A consciência surge do conhecimento que o indivíduo possui da impossibilidade de ascensão social ou possibilidade restringida (restrições estas impostas coercitivamente mediante a máquina estatal), então ele percebe que não é meramente um indivíduo isolado de um contexto, mas sim pertencente de uma classe, seja ela a exploradora ou a explorada. A classe do explorado, por exemplo, tem o interesse de deixar de ser explorada e ele coloca isso à frente dos seus interesses próprios simplesmente porque entende que os seus interesses não serão atingidos enquanto não for satisfeito o interesse de sua classe, que é se livrar da exploração, apenas com a força da união daqueles que compartilham com ele a mesma condição é capaz de causar uma efetiva mudança, nesse contexto surgem problemas quanto a que meios se utilizar, temos os proletários socialistas, conservadores, libertários, liberais… O corpo de ideias não é homogêneo, a única igualdade está no fim: A libertação do sistema que os explora (capitalismo de estado). O que induz os indivíduos a agirem em prol do ponto posto é o desejo da libertação da coercitividade imposta sobre os mesmos.

    "Podemos, por enquanto, nos abster de perguntar como o indivíduo aprende quais são os genuínos interesses de sua classe. Porém, mesmo Marx não pôde deixar de admitir que existe um conflito entre os interesses de um indivíduo e os interesses da classe a que ele pertence. Ele faz uma distinção entre aqueles proletários que possuem consciência de classe — isto é, que colocam as preocupações de sua classe acima de suas preocupações individuais — e aqueles que não possuem. Ele considera ser um dos objetivos de um partido socialista despertar a consciência de classe daqueles proletários que não possuem espontaneamente uma consciência de classe."

    O indivíduo se vale da experiência empírica que ele mesmo vive, se vendo forçado a trabalhar com o que não gosta, por um salário que não está de acordo com as suas necessidades e sem expectativas quanto a melhora em relação a este quadro. E a partir da observação toma consciência da reprodução sistemática de sua condição, observando amigos e familiares, pessoas do seu círculo vivenciando exatamente as mesmas condições impostas, é intuitivo perceber que há algo de errado. O proletário que possui consciência de classe compreende a si mesmo como parte da classe explorada ao perceber que está restringido àquele campo, todos os demais proletários que ainda possuem a possibilidade de migrar para a classe exploradora (a depender do nível de coercitividade) se enxergam meramente enquanto indivíduos deslocados e não pertencentes à sua classe, sequer tomam conhecimento disso, foi vítima da alienação sofrida na sua educação, onde são impostas as ideologias estipuladas pela classe dominante. No nosso caso, o MEC impõe o esquerdismo progressista vendendo a ilusão de que a partir da legitimação do sistema de exploração (capitalismo de estado) é possível atingir os seus fins.
    Exemplo típico de proletário alienado que coloca seus interesses à frente dos interesses de classe: Aluno de universidade pública federal que pretende se tornar um funcionário público estatal. Quanto ao objetivo do partido socialista, este é um erro de cunho metodológico Marxista que pode ser facilmente substituído pela visão austríaca no que tange a solução de problemas sociais, é só mais um equívoco de Marx.

    "Marx obscureceu o problema ao confundir as noções de casta e classe. Onde prevalecem diferenças de status e casta, todos os membros de cada casta — exceto a mais privilegiada — possuem um interesse em comum, a saber: acabar com as limitações legais de sua própria casta. Todos os escravos, por exemplo, estão unidos em seu interesse de abolir a escravidão. Porém, conflitos desse tipo não estão presentes em uma sociedade na qual os cidadãos são iguais perante a lei. Nenhuma objeção lógica pode ser feita contra o ato de se distinguir várias classes entre os membros de tal sociedade. Qualquer classificação é logicamente permissível, por mais arbitrária que seja a marca de distinção escolhida. Porém, seria algo despropositado classificar os membros de uma sociedade capitalista de acordo com a posição que cada um ocupa no arranjo da divisão social do trabalho e, em seguida, identificar essas classes com as castas de uma sociedade de status."
    De fato, concordo plenamente, mas por razões metodológicas ainda utilizo "classe" no lugar de "casta" para me referir a este significante do qual estamos tratando. Há um erro em pensar que há igualdade perante a lei, o processo de abertura de empresas ou qualquer outro empreendimento por parte do proletário é impossibilitado por razões puramente legais, o próprio instituto já salientou isso aqui. Na prática apenas aqueles que já possuem algum capital, seja ele proveniente de tradição familiar ou algo assim, consegue montar um negócio de sucesso. Sejamos razoáveis, todos os empreendimentos dos proletários funcionam sob o medo do Estado, um bom exemplo são aqueles vendedores de rua que vemos em muitas cidades, eles não possuem alvará, pois este é de exclusiva obtenção de uns poucos privilegiados que conseguem bancar toda aquela burocracia. Há ainda os impostos abusivos que só tornam as atividades empreendedoras compensatórias quando há produção de maior escala, já excluindo novamente o proletário, uma vez que este não consegue arcar com tais custos logo no início da sua carreira empreendedora, o Estado o transforma em um contrabandista automaticamente, impossibilitando ainda que se regularize e expanda a sua atuação no mercado. Deixemos de hipocrisia, as pessoas não deixam de empreender por mera falta de virtudes, tais como coragem, iniciativa e etc, em sua maioria são estranguladas por esse capitalismo de estado corrupto, em uma sociedade assim a igualdade perante a lei gera a real desigualdade de direitos, sendo os verdadeiros direitos aqueles pautados em propriedade privada, qualquer austríaco deveria compreender isso, esse juspositivismo do qual são feitas as nossas leis não passa de um instrumento de exploração manuseado por poucos. Nesse post, parte-se do pressuposto que vivemos em uma sociedade capitalista de fato, daí decorrem esses erros genéricos. Não há igualdade de direitos, apenas igualdade em relação a obrigações e normatizações. Pode-se argumentar dizendo que o texto não trata de uma sociedade específica, mas sim de uma abstração baseada nas ideias marxistas explorando-as a partir de uma lógica austríaca apropriada a um contexto de capitalismo de livre mercado, mas se esquece que as conclusões a respeito da luta de classes vieram de um homem que viveu a realidade de um capitalismo de estado, uma vez que nunca houve um real capitalismo de livre mercado, logo as afirmações a respeito da luta de classes são válidas nos dias atuais assim como eram antes e não são aplicáveis a uma abstração genérica da realidade levando-se em conta uma sociedade onde haja livre comércio. Repito, Marx teve equívocos terríveis no campo econômico, mas há validade nas suas constatações a respeito da sociedade, que podemos nos utilizar.
    "Em uma sociedade de status, o indivíduo herda de seus pais sua afiliação em uma determinada casta. Ele permanece toda a sua vida em sua casta, e seus filhos já nascem membros dela. Somente em casos excepcionais pode a sorte elevar um homem para uma casta superior. Para a imensa maioria da população, o nascimento determina inalteravelmente a posição social de toda uma vida."
    Ótimo, descreveu perfeitamente todas as sociedades do mundo até então, esse absolutismo dicotômico em dizer: "se é possível a ascensão, então não existem classes" não passa de uma negação falaciosa. A possibilidade de ascensão varia conforme o nível de liberdade o qual uma sociedade vive, assumindo diversos gradientes de possibilidade de ascensão por assim dizer, mas não exclui a existência de classes (ou castas, como preferir) que a depender do nível de liberdade são mais ou menos desiguais no que diz respeito aos direitos de exercer a sua liberdade sobre a sua propriedade. Sendo assim, quanto mais próximo de um capitalismo de livre mercado maior é a liberdade e possibilidade de ascensão, o que reduz a quantidade de indivíduos inseridos estritamente em suas respectivas classes, e quanto mais próximo de um capitalismo de estado menor é essa possibilidade e mais aparente se torna a divisão de classes, pois maior se torna a quantidade dos seus membros oprimidos. A realidade para muitos, a respeito da inalterabilidade de suas condições por conta do seu nascimento, é justamente essa e pode ser observada no nosso dia-a-dia, sendo mais comum e facilmente identificável em Estados mais interventores e o oposto em Estados menos interventores.
    "As classes que Marx distingue em uma sociedade capitalista são diferentes. A condição de membro de uma dada classe é volátil. A afiliação a uma classe não é hereditária. Ela é designada a cada indivíduo por meio de um plebiscito diariamente repetido — plebiscito esse, de certo modo, feito por todas as pessoas. Ao gastar e comprar, o público determina quem deve ser o proprietário e o administrador das indústrias, quem deve atuar nas peças de teatro, quem deve trabalhar nas fábricas e nas minas. Os ricos se tornam pobres, e os pobres se tornam ricos. Os herdeiros, bem como aqueles que adquiriram riqueza, devem tentar mantê-la defendendo seus ativos contra a concorrência de empresas já estabelecidas e de ambiciosos recém-chegados. Em uma economia de mercado livre e desobstruído não existem privilégios, não há proteção de interesses especiais, não há barreiras impedindo qualquer pessoa de se esforçar para obter algum prêmio. O acesso a qualquer uma das classes marxistas é livre para todos. Os membros de cada classe concorrem entre si; eles não estão unidos por um interesse de classe comum e eles não se opõem aos membros de outras classes aliando-se à defesa de um privilégio comum que aqueles vitimados por ele querem ver abolido ou na tentativa de abolir uma deficiência institucional que aqueles que obtêm vantagens dela querem preservar."
    De fato, isso se trata de mais um erro Marxista no campo econômico das ideias, as quais, como mencionado por mim anteriormente, podem e devem ser substituídas pelas teorias econômicas austríacas. Mas, novamente, não exclui a existência de classes e varia conforme o grau de liberdade econômica.
    "Os liberais laissez-faire afirmaram: se as antigas leis estabelecendo privilégios e desvantagens de casta forem repelidas e nenhuma nova prática do mesmo tipo — tais como tarifas, subsídios, tributação discriminatória, indulgências concedidas a agências não-governamentais, como igrejas, sindicatos e afins, para que elas utilizem coerção e intimidação — for introduzida, haverá igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Ninguém terá suas aspirações e ambições tolhidas por quaisquer obstáculos legais. Qualquer indivíduo estará livre para concorrer para a função ou posição social para as quais suas habilidades pessoais o qualifiquem."
    Veja, se os liberais clássicos laissez-faire afirmam que quando implementadas tais medidas haveria então verdadeira igualdade de direitos isso significa que, como mencionei anteriormente, não há igualdade de direitos. confirmando o que eu disse. Concordo plenamente com os liberais e volto a afirmar aqui: a luta de classes existe, uma vez que há os exploradores lutando pelo seu domínio e manutenção desses meios e o explorado lutando por se livrar dessas amarras.
    "Os comunistas negam que é dessa maneira que opera uma sociedade capitalista organizada de acordo com o sistema liberal de igualdade perante a lei. Ao seu modo de ver, a propriedade privada dos meios de produção confere aos seus proprietários — a burguesia ou os capitalistas, na terminologia de Marx — um privilégio que, virtualmente, em nada se difere daqueles concedidos aos senhores feudais. A "revolução burguesa" não aboliu o privilégio e a discriminação das massas; o que ela fez, diz o marxista, foi meramente derrubar a velha e exploradora classe de nobres e substituí-la por uma nova classe exploradora, a burguesia. A classe explorada, os proletários, não lucrou com essa reforma. Eles mudaram de mestres, mas permaneceram oprimidos e explorados. O que se faz necessário é uma nova e definitiva revolução, a qual, ao abolir a propriedade privada dos meios de produção, irá estabelecer uma sociedade sem classes."
    Os comunistas não sabem nada de economia, assim como Marx não sabia. Mas é verdade que substituiu por uma nova classe exploradora, veja a loucura dos bancos centrais ou mesmo os monopólios das commodities e coisas do tipo. De fato não aboliu o privilégio e a discriminação, eles ainda existem, mas em níveis variados a depender da quantidade de livre mercado, vale salientar, menos liberdade, maior exploração. O proletário teve sim melhoras inquestionáveis na qualidade de vida, dizer que não houve não passa de argumentação persuasiva esquerdista. Sim, permanecem oprimidos e trocaram de mestres, temos George Soros aí para provar e diversos empresários e banqueiros corruptos que utilizam o Estado como ferramenta de poder ilimitado para as suas falcatruas e manutenção do sistema de exploração escravagista do capitalismo de estado. Novo erro econômico da teoria Marxista, o que se faz necessário é uma grande redução do Estado e uma transição natural e gradual para um sistema anarcocapitalista.
    "A doutrina socialista ou comunista é totalmente incapaz de levar em consideração a diferença essencial entre as condições de uma sociedade de status ou casta e as condições de uma sociedade capitalista. A propriedade feudal surgia pela conquista ou pela doação feita por seu conquistador. E acabava por revogação da doação ou pela conquista feita por um conquistador mais poderoso. Era propriedade pela "graça de Deus" porque sua conquista derivava, em última instância, da vitória militar — algo que a humildade ou a arrogância dos governantes atribuíam à intervenção especial do Senhor."
    Concordo, mas o fato é que as análises sociológicas comunistas e socialistas sobre a exploração surgiram de observações de um capitalismo de estado e não de um capitalismo puro de livre mercado, não confunda as coisas. Há semelhanças berrantes entre um sistema feudal e um sistema capitalista de estado, sendo possível notar a diferença apenas em alguns aspectos da melhora considerável no padrão de vida e o resultado disso na vida proletária, onde mesmo as esmolas dos mais ricos para os mais pobres são superiores ao requinte luxuoso de um senhor feudal. Mas a exploração é ainda mais acentuada do que no sistema feudal, uma vez que a distância entre a vida de um explorador de hoje em dia e a de um explorado é astronomicamente maior dadas as incríveis proporções alcançadas pelos novos processos industriais e demais tecnologias desenvolvidas a partir do capitalismo, não houvesse o Estado a interferir sobremaneira criando toda essa desigualdade todos poderiam ser livres para ascender socialmente e gerarem ainda mais riqueza, tornando a qualidade de vida ainda maior e mais satisfatória para todos. Nos dias de hoje o capitalismo de estado realiza privatizações no lugar de concessões de terras, tem países inteiros como seu feudo e explora um número muito maior de indivíduos que vivem sem direito a defesa sobre a coercitividade cada vez mais acentuada graças a novos sistemas de vigilância, tecnologias de guerra e controle, etc…
    "Os proprietários da propriedade feudal não dependiam do mercado; eles não serviam aos consumidores. Dentro dos limites de seus direitos de propriedade eles eram verdadeiros senhores. Porém, as coisas são bastante diferentes para os capitalistas e empreendedores de uma economia de mercado. Eles adquirem e aumentam sua propriedade por meio dos serviços que prestam aos consumidores, e somente podem conservá-la caso sirvam esses consumidores diariamente da melhor maneira possível. Essa diferença não é erradicada ao se chamar metaforicamente um bem sucedido fabricante de spaghetti de "O Rei do Spaghetti"."
    A maior parte das empresas já não tem mais tanta dependência do consumidor, isso se vê em produtos e serviços de péssima qualidade que são consumidos meramente por não existir algo melhor e por normalmente serem essenciais, tais como alimentos transgênicos e coisas do tipo. Novamente se vê o uso dessa dicotomia extremada, veja, não há pleno estatismo nem mesmo pleno capitalismo de livre mercado. Existindo diversos gradientes de liberdade ocasionam-se diversos gradientes de concorrência e consequentemente diversos níveis de dependência do consumidor, logo o "absolutismo senhorial", por assim dizer, continua existindo e em graus diferentes a depender do país em questão, no Brasil se vê isso muito presente, por exemplo. Volto a dizer, as conclusões SOCIOLÓGICAS de Marx condizem sim com a realidade e a associação do capitalismo de estado por ele observado, erroneamente interpretado como livre mercado, ao feudalismo é válida de diversos pontos de vista.
    "Marx nunca embarcou na impossível tarefa de refutar a descrição feita pelos economistas do funcionamento da economia de mercado. Ao invés disso, sua ânsia era mostrar que o capitalismo iria, no futuro, levar a condições bastante desagradáveis. Ele tentou demonstrar que a operação do capitalismo inevitavelmente iria resultar, de um lado, na concentração de riqueza nas mãos de um número cada vez menor de capitalistas, e, de outro, no progressivo empobrecimento de uma imensa maioria."
    Marx não sabia nada de economia, infelizmente, mas acertou que aquilo que ele chamava de capitalismo (capitalismo de estado) levaria a consequências extremamente desagradáveis. E essa conclusão sociológica é verdadeira, a cada dia observamos a desigualdade aumentar esplendorosamente, não que a igualdade seja um fim, mas francamente ter pessoas em iates e crianças passando fome simplesmente porque o Estado manipulado pela classe exploradora impede os seus conterrâneos a realizar qualquer empreendimento é mesmo algo deplorável de se ver, esse capitalismo de estado é virulento e repulsivo. Não me espanta que Marx tenha cometido os equívocos que cometeu, na ânsia de propagar as suas pesquisas sociológicas deixou escapar o campo econômico e acabou criando uma teoria repleta de contradições das quais uns poucos se utilizam para manipular pessoas (todas no campo econômico).
    "Na execução dessa tarefa, ele iniciou seu raciocínio pela espúria 'lei de ferro dos salários' — de acordo com a qual o salário médio é aquela quantidade específica dos meios de subsistência absolutamente necessários para permitir, de maneira escassa, que o trabalhador possa sobreviver e criar sua prole.[2] Essa suposta lei já foi, desde então, inteiramente desacreditada, e até mesmo os mais fanáticos marxistas já a abandonaram. Porém, mesmo que alguém estivesse disposto, pelo bem da argumentação, a dizer que tal lei é correta, é óbvio que ela não poderia de maneira alguma servir como base para uma demonstração de que a evolução do capitalismo leva ao empobrecimento progressivo dos assalariados."
    Novos erros de Marx no campo econômico. Sobre isso só digo que Marx muito provavelmente não aliou suas pesquisas no campo sociológico a algum economista laissez-faire por conta de convicções pessoais quanto a desonestidade dos mesmos, o que culminou no aumento no encargo próprio de desenvolver sua teoria econômica e acabou criando ideias absurdas. Lastimavelmente, uma pena mesmo. E sobre o "bem da argumentação", ninguém que se preze por uma boa argumentação tentará validar uma ideia absurda apenas para não abrir novos contestamentos contra a totalidade da teoria.
    "Se, sob o capitalismo, os salários são sempre tão baixos a ponto de, por razões psicológicas, não poderem cair ainda mais sem que isso extermine toda a classe de assalariados, é impossível manter a tese apresentada pelo Manifesto Comunista de que o trabalhador "se afunda mais e mais" com o progresso da indústria. Como todos os outros argumentos de Marx, essa demonstração é contraditória e autodestrutiva. Marx jactava-se de ter descoberto as leis imanentes da evolução capitalista. A mais importante dessas leis, segundo ele próprio, era a lei do empobrecimento progressivo das massas assalariadas. É o funcionamento dessa lei que ocasionaria o colapso final do capitalismo e a emergência do socialismo.Quando essa lei for entendida como totalmente espúria, as bases tanto do sistema econômico de Marx quanto de sua teoria da evolução capitalista estarão acabadas.''
    A teoria econômica Marxista já nasce acabada, quanto a isso não há nenhuma surpresa. Não discordo de nada deste trecho.
    "Incidentalmente, temos de compreender o fato de que, desde a publicação do Manifesto Comunista e do primeiro volume de O Capital, o padrão de vida dos assalariados, nos países capitalistas, aumentou de uma forma sem precedentes e até mesmo inimaginável. Marx deturpou a operação do sistema capitalista em todos os aspectos possíveis."
    Marx deturpou ao máximo conceitos econômicos para encaixá-los nas constatações dos seus estudos sociológicos( que estavam corretos), eliminando quase que completamente a realidade do Estado interventor e o desenvolvimento do capitalismo de estado, o real cerne da exploração. Quanto a isso também está correto, Marx é uma grande decepção naquilo que se refere à economia.
    "O corolário do suposto empobrecimento progressivo dos assalariados é a concentração de todas as riquezas nas mãos de uma classe de exploradores capitalistas que existem em números continuamente decrescentes. Ao lidar com essa questão, Marx foi incapaz de levar em consideração o fato de que a evolução das grandes empresas e suas unidades comerciais não necessariamente envolve a concentração de riqueza em poucas mãos. As grandes empresas são, quase que sem exceção, corporações — precisamente porque elas são grandes demais para que poucos indivíduos sejam inteiramente os proprietários delas. O crescimento das unidades comerciais ultrapassou em muito o crescimento das fortunas individuais. Os ativos de uma corporação não são idênticos à riqueza de seus acionistas. Uma parte considerável desses ativos, o equivalente a ações preferenciais, títulos corporativos emitidos e empréstimos levantados, pertence virtualmente, senão no sentido do conceito legal de propriedade, a outras pessoas — a saber, os donos dos títulos, das ações preferenciais e os credores das dívidas. Onde essas ações e obrigações são mantidas por bancos e companhias de seguro, e esses empréstimos foram concedidos por esses bancos e companhias, os virtuais proprietários são as pessoas clientes dessas instituições. Da mesma forma, as ações ordinárias de uma corporação não estão, via de regra, concentradas nas mãos de um homem. Quanto maior a corporação, mais amplamente distribuídas estão suas ações."
    Sem mais, corretíssimo.
    "O capitalismo é essencialmente produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. Mas Marx sempre trabalhou com o conceito enganoso de que os trabalhadores labutam arduamente apenas para o benefício da uma classe superior de parasitas ociosos. Ele não percebeu que os próprios trabalhadores consomem, de longe, a maior parte de todos os bens de consumo produzidos. Os milionários consomem uma porção quase que insignificante daquilo que é chamado de produto nacional. Todas as sucursais das grandes empresas provêem direta ou indiretamente às necessidades do cidadão comum. As indústrias de luxo nunca se desenvolvem além das unidades de pequena ou média escala. A evolução das grandes empresas é, por si só, prova do fato de que as massas, e não os ricaços nababos, são os principais consumidores. Aqueles que lidam com o fenômeno das grandes empresas classificando-o de "concentração do poder econômico" não percebem que o poder econômico pertence ao público consumidor, de cujo consumo depende a prosperidade das fábricas. Na sua capacidade de consumidor, o assalariado é o cliente que "sempre tem razão". Mas Marx declara que a burguesia "é incompetente em garantir uma existência para seu escravo dentro de sua escravidão"."
    Sim, não fosse o capitalismo de estado seria ainda melhor. No entanto, volto a repetir que a exploração existe, só é menos perceptível em casos bem específicos de boa liberdade econômica, como em países mais livres: Nova Zelândia, Canadá, Suiça… Onde a vontade do consumidor se faz valer e a concorrência permite mais a ascensão e queda de pessoas no mercado, mas ainda há exploradores, não há Estado que não seja corrupto e não oferte privilégios aos exploradores, nesses países isso existe, mas os privilégios ofertados são muito menores graças ao Estado reduzido deles.
    Marx deduziu a excelência do socialismo do fato de que a força motora da evolução histórica — as forças materiais produtivas — certamente ocasionará o socialismo. Como ele estava absorto naquele tipo hegeliano de otimismo, não havia qualquer necessidade em sua mente de demonstrar os méritos do socialismo. Era óbvio para ele que o socialismo, sendo a última etapa da história após o fim do capitalismo, era também uma etapa superior. Era uma blasfêmia absoluta duvidar de seus méritos.
    O socialismo advém da interpretação econômica marxista puramente equivocada, de fato; Marx errou MUITO feio nessa aí. Sua intuição poderia estar certa quanto aos méritos de uma sociedade que não se utiliza daquilo que ele chamou de capitalismo (capitalismo de estado) e sobre ser a última etapa da história, pelo menos a última etapa do conflito de classes sim. Concordo, a teoria econômica marxista é um erro de proporções inimagináveis.
    "O que ainda faltava ser demonstrado era o mecanismo por meio do qual a natureza produziria a transição do capitalismo para o socialismo. O instrumento da natureza é a luta de classes. À medida que os trabalhadores vão se afundando cada vez mais em decorrência do progresso do capitalismo, à medida que sua miséria, opressão, escravidão e degradação aumentam, eles são induzidos à revolta, e sua rebelião estabelece o socialismo."
    Bom, veja por si só, a história das revoluções prova que tal revolta possa sim substituir um sistema por outro diferente, mas o socialismo é inadequado, utópico e parte de pressupostos errados. Na realidade, continuaremos nessa série de teses e antíteses até que cheguemos a um sistema puro de livre mercado, algo que Marx conseguiu compreender socialmente, mas não fazia ideia do que significava no campo econômico e portanto atribuiu as características sociais deste fenômeno ao que chamou de socialismo científico (baseado na sua falha teoria econômica).
    "Toda a cadeia desse raciocínio é despedaçada pela observação do fato de que o progresso do capitalismo não empobrece os assalariados de modo crescente; ao contrário, melhora seu padrão de vida. Por que as massas seriam inevitavelmente induzidas a se revoltarem quando se sabe que elas estão tendo acesso a mais e melhores alimentos, habitações e vestuários, carros e geladeiras, rádios e aparelhos de televisão, nylon e outros produtos sintéticos?"
    Oras, a revolução ocorre quando o capitalismo (capitalismo de estado) atinge o seu ápice e a revolta dos explorados também, Marx acertou a respeito disso também. As pessoas são muito tolerantes graças a propagação da ideologia da classe dominante (progressismo hoje em dia), aí ocorre que apenas com um altíssimo grau de desenvolvimento do capitalismo (de estado) que elas se revoltam.
    "Mesmo se, em prol da argumentação, admitíssemos que os trabalhadores são induzidos à rebelião, por que seu motim revolucionário almejaria apenas o estabelecimento do socialismo? O único motivo que poderia induzi-los a pedir a implementação do socialismo seria a convicção de que eles próprios estariam melhores sob o socialismo do que sob o capitalismo. Porém os marxistas, ansiosos para evitar lidar com os problemas econômicos inerentes a uma economia socialista, nada fizeram para demonstrar a superioridade do socialismo em relação ao capitalismo, exceto apresentar este raciocínio circular: o socialismo está destinado a surgir como a próxima etapa da evolução histórica. Sendo uma etapa histórica posterior ao capitalismo, ele é necessariamente melhor que o capitalismo. Por que ele está destinado a surgir? Porque os trabalhadores, condenados ao empobrecimento progressivo sob o capitalismo, irão se rebelar e estabelecer o socialismo. Porém, qual outro motivo poderia impeli-los a almejar o estabelecimento do socialismo, além da convicção de que o socialismo é melhor do que o capitalismo? Essa superioridade do socialismo é deduzida por Marx do fato de que a vinda do socialismo é inevitável. E assim o círculo se fecha."
    Isso já se trata de uma loucura da deliberação econômica socialista, essa é a contradição intrínseca do Marxismo, acabar com os efeitos fomentando a causa (capitalismo de estado), claramente todos esses erros remontam a um desleixo desmedido em relação a economia e estudos sérios mais aprofundados. Eles entendiam o problema socialmente, seus efeitos e até mesmo a solução vindoura do fim do sistema, mas não compreendiam o sistema e atribuíram a culpa ao capitalismo (livre, no sentido clássico) quando queriam culpar o capitalismo de estado (este sim nocivo), os fins eram os mesmos que os nossos, mas não compreendiam a natureza das causas econômicas e, portanto, seus meios foram não apenas contraditórios, mas também equivocados e portanto causavam o efeito contrário do pretendido, o socialismo leva o capitalismo de estado ao limite e cria o problema marxista da "lógica da intervenção", precisamos intervir para sanar o problema, quanto mais intervimos mais o problema se agrava, logo precisamos intervir mais. Isso sendo fruto do engano de fomentar a causa (equivocadamente tratada como meio)-capitalismo de estado- para acabar com o efeito (adequadamente tratado como problema)-me refiro aqui aos efeitos sociais de um capitalismo de estado. A má dissociação entre capitalismo e capitalismo de estado, oriunda de uma porca análise econômica perverte a teoria sociológica marxista.
    "No contexto da doutrina marxista, a superioridade do socialismo é comprovada pelo fato de que os proletários estão visando ao socialismo. O que os filósofos, os utópicos, pensam não interessa. O que interessa são as ideias do proletariado, a classe a quem a história confiou a tarefa de moldar o futuro."
    Os proletários desejam intrinsecamente a liberdade, mas o equívoco marxista no campo econômico os leva a supostamente querer o socialismo. Isso vem do fato de as teorias sociais estarem corretas e serem de fácil compreensão pelo grosso da população, mas as ideias econômicas serem enganosas, extremamente complexas e não possuírem qualquer fundamento, aceita-se a tese marxista e o socialismo (visão econômica) puramente por extensão à aceitação da crítica e teoria social marxista, que por sua vez está correta e as pessoas conseguem entender. Assim se deram diversas revoluções socialistas em diversos países, ideais corretos, pessoas honestas, mas com uma grande falha na teoria que resultou em desastres econômicos de proporções inimagináveis. fomentar a causa para curar o efeito.
    Aqui, percebemos que estão todos almejando os mesmos fins, mas a realidade é que a ignorância não permite que se observe o que há de real em cada ideia ou teoria, levando as pessoas a ponderarem pouco e a descartarem de vez algo que contém uma boa ideia ou a abraçarem com toda paixão outra que possui diversas falhas, mas por conseguir compreendê-la em parte.
    "A verdade é que o conceito de socialismo não se originou da "mente proletária". Nenhum proletário ou filho de proletário contribuiu com qualquer ideia substancial para a ideologia socialista. Os pais intelectuais do socialismo eram membros daintelligentsia, descendentes da "burguesia". O próprio Marx era filho de um advogado abastado. Ele estudou no Gymnasium alemão, a escola que todos os marxistas e outros socialistas denunciavam como sendo o principal braço do sistema burguês de educação, e sua família o sustentou ao longo de todos os anos de seus estudos; ele não teve de trabalhar para chegar à universidade. Ele se casou com a filha de um membro da nobreza alemã; seu cunhado era Ministro do Interior prussiano e, como tal, líder da polícia da Prússia. Em sua casa trabalhava uma governanta, Helene Demuth, que nunca se casou e que seguia a família Marx em todas as suas trocas de residência, o modelo perfeito da empregada doméstica explorada cuja frustração e atrofiada vida sexual já foram repetidamente retratadas nas ficções realistas "sociais" da Alemanha. Friedrich Engels era filho de um industrial rico, e ele próprio era um industrial; ele se recusou a se casar com sua amante Mary porque ela era inculta e de origem "baixa" ele apreciava as diversões propiciadas pela alta classe britânica, como, por exemplo, caçar a cavalo junto com cães de caça."
    Bom, sobre isso nada tenho a dizer, afinal de contas não diz respeito diretamente às ideias.
    "Os trabalhadores nunca foram entusiastas do socialismo. Eles apoiavam o movimento sindical cuja luta por maiores salários Marx desprezava como inútil.Eles pediam por todas aquelas medidas de interferência do governo nas empresas, medidas essas que Marx rotulava como tolices pequeno-burguesas. Eles se opunham ao progresso tecnológico — nos primórdios, destruindo as novas máquinas; mais tarde, utilizando os sindicatos para, por meio da coerção, forçar o empregador a contratar mais operários do que o necessário."
    Pressupostos errados, resultados ruins, problema real de exploração…E de fato, lutar por mais interferência governamental constitui um ato inútil, pois não resolve a exploração, apenas atenua e deixa as pessoas mais conformadas para com a sua situação, não buscando a liberdade de que necessitam.
    "O sindicalismo — apropriação das empresas pelos trabalhadores que nela trabalham — é um programa que os trabalhadores desenvolveram espontaneamente. Porém o socialismo foi trazido para as massas por intelectuais de procedência burguesa. Jantando e tomando vinhos conjuntamente nas luxuosas mansões londrinas e nas mansões rurais da "sociedade" vitoriana, damas e cavalheiros com trajes elegantes planejavam esquemas para converter o proletariado britânico ao credo socialista."
    Isso prova a natureza aristocrática do capitalismo de estado, concordo plenamente.

    Então pessoal, me desculpe o tamanho, eu só queria mostrar a minha visão sobre a confusão marxista e propor que sejamos mais tolerantes com aqueles que ainda não compreenderam a visão austríaca, até um tempo atrás eu ainda era um Comunista, mas depois de conhecer o instituto aprendi muito e por fim venho trazer aqui para vocês essa reflexão de um ex-comunista que leu tanto Marx quanto Mises e volto a salientar que a nossa luta é contra a ignorância e não contra pessoas, agradeço imensamente ao redator deste artigo por proporcionar este objeto de reflexão que constitui uma tese e cujo sem ele eu não conseguiria expôr o meu ponto de vista (antítese) espero que haja uma excelente síntese nos comentários, abraços!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.