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Trump e a censura das redes sociais: uma péssima notícia para a civilização - e para a esquerda
A medida irá apenas fragmentar as ideologias das redes sociais

Permita-me começar com uma proposição controversa: o Twitter possui o direito de suspender permanentemente a conta de Donald Trump.

Quem mantém uma conta nesta rede social não emite opiniões no vazio, mas sim dentro de uma plataforma que é propriedade privada. Tal propriedade é fornecida ao público, mas é gerenciada internamente pelo Twitter. Na sua casa, suas regras.

Ninguém tem o "direito" de ter uma conta no Twitter à margem das condições e dos critérios fixados pela empresa que é proprietária, fornecedora e gestora da rede social.

A propriedade privada e a livre iniciativa, em suma, amparam a auto-regulação que visa a bloquear aqueles perfis que, por diversas razões subjetivas, são considerados incompatíveis com a missão da plataforma.

Tendo tudo isso em mente, afirmo: foi uma péssima notícia — para o mundo e principalmente para a própria esquerda — que o Twitter tenha optado por suspender a conta de Trump.

E foi uma péssima notícia não porque Trump seja o presidente dos Estados Unidos (algo que é absolutamente irrelevante para se julgar a decisão do Twitter). E não porque creio que as ideias políticas, sociais ou econômicas de Trump merecem ser ouvidas por todos os confins do mundo. E não porque creio que a atitude do Twitter nos aproxime de uma espécie de comunismo censor chinês administrado por uma Big Tech privada. 

Foi uma péssima notícia porque a medida inaugura uma tendência muito perigosa nas redes sociais: a compartimentalização ideológica.

Câmara de ressonância

Uma das maiores críticas feitas até o momento contra as redes sociais é que elas criam um efeito do tipo "câmara de eco": as pessoas somente seguem, leem e escutam aquelas outras pessoas que seguem sua mesma linha ideológica, e, consequentemente, não se expõem a ideias distintas que contrariem seus conceitos. 

Ou seja, as pessoas apenas buscam reforçar aquilo que já pensam, mesmo que seja por meio de "fake news", as quais raramente são desmentidas dentro dessa câmara de ressonância de pensamentos homogêneos e acríticos.

Este sectarismo explicaria, segundo a própria esquerda, a ascensão da chamada "extrema-direita", ao permitir que os cidadãos predispostos à sua mensagem somente recebam informações de seus congêneres ideológicos e midiáticos.

No entanto, embora esta seja uma crítica corriqueira às redes sociais, isso não significa que seja uma crítica correta. As evidências mostram que o efeito "câmara de ressonância" é sensivelmente menor nas redes sociais do que em outros formatos de trocas de informações políticas, como a mídia tradicional ou mesmo as meras conversas entre amigos ideologicamente próximos. Nestas, o efeito ressonância é muito maior, pois as dissidências permitidas são muito menores.

Com efeito, as redes sociais podem acabar por expor os usuários a opiniões contrárias às suas, e de maneira involuntária: os retuítes, as publicações sugeridas, os compartilhamentos ou os debates abertos constituem uma janela que conecta pessoas de ideologias muito diversas. 

No entanto, para que isso ocorra, todos os usuários têm de integrar uma mesma rede social.

Quanto mais isolamento, menor a difusão

A expulsão de Trump pelo Twitter ameaça fragmentar as redes sociais de acordo com as ideologias. 

Muitos seguidores de Trump anunciaram que deixarão de utilizar o Twitter e passarão a usar o Parler ou o Gab — uma reação perfeitamente lícita perante a decisão igualmente lícita do Twitter de fechar a conta de Trump.

(Parêntese: Amazon, Apple e Google suspenderam o acesso ao Parler, o que mostra que realmente estão desesperados. Mas isso é reversível judicialmente, pois houve uma explícita quebra de contrato. Na "pior" das hipóteses, novas plataformas podem ser criadas por empreendedores. Se uma pessoa como Elon Musk anunciar uma nova plataforma, certamente metade do mundo migraria para ela).

O fato é que o efeito desta possível migração em massa será o de que, no Twitter, haverá cada vez menos pessoas "de direita", ao passo que Parler, Gab e futuras outras redes estarão repletas de direitistas. Ou seja, o Twitter irá se tornar cada vez menos interessante para pessoas de direita, e Parler, Gab e outras plataformas não serão nada atrativos para pessoas de esquerda.

Consequentemente, se cada tribo ideológica se isolar em sua própria rede social, a comunicação (e o debate) entre tribos irá se extinguir. O debate estará terminado.

Neste arranjo, aí sim todos de fato estariam em câmaras de eco perfeitas, as quais apenas reforçariam a ideologia própria sem contestação por parte de outros ideologias (uma espécie de "espaço seguro" virtual).

Logo, se a intenção da esquerda era evitar que as pessoas se convertessem a ideologias que ela considera "radicais", o banimento de perfis do Twitter irá gerar o efeito exatamente oposto: ao irem para outras plataformas, e ao não mais estarem expostas a ideias contraditórias, as pessoas poderão ainda mais facilmente ser "doutrinadas" por essas ideologias "radicais".

Se o Twitter estivesse realmente preocupado com as "implicações violentas" que os tuítes de Trump supostamente estavam estimulando, bastava apenas submetê-los a um sistema de supervisão e aprovação prévia em vez de abolir uma conta com mais de 80 milhões de seguidores. Havendo outras opções, a suspensão deveria ser algo totalmente de última instância.

No final, a atitude do Twitter — cujo CEO declarou abertamente se tratar de uma plataforma de esquerda — foi simplesmente uma admissão de derrota no debate ideológico. "Se não podemos vencer com argumentos, venceremos pela remoção física."

Ainda que a suspensão de Trump acabe não gerando uma migração maciça de usuários de direita para outras plataformas, o fato é que o Twitter se institucionaliza como uma "plataforma esquerdista" (o que, vale repetir, vai ao encontro das ideias de seus proprietários e funcionários) e censuradora, que suspende cada vez mais contas direitistas por temer o debate aberto.

Consequentemente, e por necessidade, acabaremos por presenciar o divórcio, e cada vez mais pessoas migrarão para redes alternativas. E então o debate franco e aberto, tão defendido pela esquerda em nome da "liberdade de expressão", terá sido exterminado exatamente por ela.

É o debate que faz a civilização

Para que uma sociedade progrida intelectualmente, o choque de ideias é fundamental em todos os níveis, principalmente entre as massas. Expressar-se livremente é o mecanismo por meio do qual o ser humano mantém a sociedade funcionando.

É em decorrência da liberdade de expressão e da capacidade de articular idéias que as pessoas conseguem apontar problemas, explicá-los, solucioná-los e tentar chegar a um consenso.

O debate aberto e sem censura é exatamente o que evita a predominância do "pensamento de manada", garantindo uma voz para os grupos mais marginalizados e excluídos — os quais, em tese, são o alvo da preocupação da esquerda.

Assim, a batalha e a competição intelectual nos proporcionam ao menos a opção de que as boas ideias derrotem as más. A esquerda, no entanto, parece ter admitido derrota neste aspecto.

Já a compartimentalização ideológica serve apenas para consolidar as ideias ruins em amplos setores da população (ainda que certamente também possa proteger terceiros de serem intoxicados por más ideias).

E para que essa batalha de ideias e essa competição intelectual possam ocorrer, é necessário diminuir (e não aumentar) os custos de comunicação entre ideias heterogêneas. Expulsar Trump — e outros possíveis "direitistas" do Twitter não só não facilita, como, na realidade, dificulta o diálogo entre ideologias.

Isso é uma péssima notícia para a civilização.

E o fato de a esquerda ter em peso comemorado essa decisão significa apenas uma admissão explícita de derrota na seara do debate público.


autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Estado o Defensor do Povo  13/01/2021 18:27
    [OFF-TOPIC]
    Alguém já conheceu algum desses caras que vendem curso fazendo propaganda no youtube? Tá cheio, por que?
  • rraphael  13/01/2021 21:46
    nao sei exatamente de qual turma voce se refere mas conhecer , nunca
    pelos YT da vida tem muita gente divulgando um curso / tecnica / macete / grande segredo que vai ser distribuido de forma especifica / fechada ao inves de apenas jogar a aula na rede pra aumentar o engajamento / media de visualizacao por um unico usuario , pois isso afeta as metricas que remuneram essas plataformas
    entao se a pessoa do video ta enrolando pra dizer o que é , fala de forma vaga pode ser consequencia dessa estrategia de audiencia

    outra coisa que ta em alta é intermediario de intermediario de venda de hotmart e afins , uma mistura de ponzi com hinode mas com material audiovisual , boa parte dos anuncios malucos que envolvem trading e dinheiro facil é comissao pra alguem de outra forma por isso se replica igual praga , em muitas situacoes as proprias plataformas sao em parte remuneradas entao elas nao coibem , a justiça nao se importa que a plataforma ganhe ate com praticas lesivas
    voce vai sempre encontrar um anuncio pra la de falso (uma tv de 50 polegadas por 600 reais, exemplo mais obvio) , ela ganha pra exibir isso , voce é lesado e a plataforma se isenta de responsabilidade , pois voce deveria reconhecer um anuncio falso e se caiu no golpe problema teu - e quanto mais gente distribuindo mais dificil é alguem ser responsabilizado

    hoje em dia ate as avaliacoes em sites como a amazon ou da play store sao pagos, entao nao da pra confiar muito , uma forma de contornar isso é procurar as reclamaçoes pois esses costumam ser de clientes mesmo , pelo menos quando a reclamacao tem fundamento - reclame aqui acaba sendo uma fonte mais precisa sobre um produto ou empresa do que qualquer outro canto

    espero ter ajudado
  • Estado o Defensor do Povo  14/01/2021 00:52
    Valeu rraphael, achei interessante quando você mencionou que as plataformas se isentam, e assim, eu não acho que seja correto responsabilizá-las também, afinal a decisão final de comprar ou não esses cursos é da pessoa que assiste, e intermediários propagando anúncio enganoso não têm nada a ver com o anúncio em si, mas isso tira a credibilidade dos caras.

    E também existem reclamações falsas, eu já vi na internet um cidadão reclamando de um restaurante quando na verdade ele nunca foi lá, só quis fazer esse adendo.

    Não sabia das comissões e tal, valeu pela resposta.
  • gilson  13/01/2021 19:09
    Ok "minha casa, minhas regras". Só 2 perguntas. Quais são as regras ? E porque elas só se aplicam a quem não é de esquerda ? E não foi "só" suspensão do acesso ao Parler, baniram o app das lojas e pressionaram que a empresa que abriga os servidores(computadores) do programa descontinuassem o serviço ou seja mesmo quem já tinha o app teve o funcionamento bloqueado. Sério ? "bastava apenas submetê-los a um sistema de supervisão e aprovação prévia" quem será o "SUPERVISOR" que concederá essa aprovação e quais critérios ?
  • David  13/01/2021 19:22
    "Só 2 perguntas. Quais são as regras ?"

    O proprietário decide.

    "E porque elas só se aplicam a quem não é de esquerda ?"

    Releia a resposta acima.

    "E não foi "só" suspensão do acesso ao Parler, baniram o app das lojas e pressionaram que a empresa que abriga os servidores(computadores) do programa descontinuassem o serviço ou seja mesmo quem já tinha o app teve o funcionamento bloqueado. Sério ? "bastava apenas submetê-los a um sistema de supervisão e aprovação prévia" quem será o "SUPERVISOR" que concederá essa aprovação e quais critérios ?"

    Aí vai depender do que estava no contrato. Ao que tudo indica, neste caso do banimento do aplicativo de uma plataforma houve quebra de contrato. Aí é pra ser resolvido na justiça. Os tribunais existem exatamente para isso: arbitrar quebras de contrato.
  • EUGENIO  14/01/2021 12:01
    ARGUMENTO DA FORÇA NA FALTA DA FORÇA DE ARGUMENTO!
    =================================================
    Que competição é essa que retira o competidor porque não pode enfrentá-lo?

    Algo como "NEYMAR NÃO JOGA EM TAL CAMPEONATO" .Não tendo alguem a altura do craque os "donos" da competição impedem de jogar.

    NO GRANDE JOGO DA VIDA, o menos capaz retira competidor que poderia vencer. kkkk

    INCOMPETENTE CONFESSO, quadrilhas(agora a máscara caiu) dos donos das redes DITATORIAIS não possuindo capacidade de argumentação retiram da competição quem não for submisso , quem demonstrar capacidade de vencer na argumentação.

    Podem ter direito de impedir alguem sem dar satisfação, mas o ato é violento e denota explicitamente FRAQUEZA DE PERDEDOR INCOMPETENTE!

    Os donos destas redes DITATORIAIS se inferiorizaram, abriram espaços para surgirem REDES SOCIAIS DEMOCRATICAS, cuja cereja do bolo será DEMOCRACIA, LIBERDADE DE IDÉIAS!

    Logo logo alguem vai perceber o VÁCUO DE REDES DEMOCRÁTICAS, é óbvio ululante, e os incompetentes ditadores que pensam que são donos do jogo da vida serão punidos pelos usuários , verdadeiros donos das redes; SEM USUÁRIOS AS REDES NADA SÃO . Levarão o troco compativel com seu ato, a menos que reconsiderem.

    Uma espécie de LUDISMO CIBERNÉTICO, ( na época quem era contra máquinas industriais quebrava as maquinas e as fabricas... ) , inacreditável a debilidade mental de tal ato, um acidente ou revela o pensamento dos ditadores censores das REDES CASTRATORAS? Na ERA QUÂNTICA entraram na arena de arco,flecha e machadinha...kkkkkkkk....

    "um grupo de funcionários emitiu um boletim interno a alta direção para punir tais e tais usuários....." foi o divulgado.

    REDES PRECONCEITUOSAS terão PUNIÇÃO DOS USUÁRIOS, em velocidade diretamente proporcional ao surgimento de OPÇÕES DE REDES SOCIAIS DEMOCRÁTICAS, DE LIVRE PENSAMENTO, NÃO PRECONCEITUOSAS, onde os pensadores "jogarão" livremente!

    QUE VENÇA O MELHOR!
  • Humberto  13/01/2021 19:22
    Essas empresas são donas de suas propriedades privadas. Elas não têm o poder de censurar ninguém, apenas o de escolher quem elas irão permitir que usem sua propriedade privada.

    A resposta não é mais intervenções estatais. A resposta é mais propriedade privada.

    Propriedade privada nas mãos de grupos anti-estado é uma coisa poderosa. Apenas tenha paciência e dê tempo ao tempo. Novos empreendimentos surgirão. Não será da noite para o dia, mas surgirão.
  • Vinícius  13/01/2021 19:40
    Sim, esses donos de propriedade privada estão sujeitos a acordos contratuais. A Amazon Web Services furou o contrato com o Parler. Se o sistema judicial ainda funcionar, a causa está ganha.
  • Giuseppe  14/01/2021 16:38
    Sim, está ganha... a AWS paga ao Parler a multa prevista em contrato e segue a vida.

    Isso se não houver cláusula no contrato permitindo a AWS fazer o que fez sem precisar pagar multa.
  • Duda  14/01/2021 17:58
    Então, o mesmo vale pro Trump.
  • Leonardo Cambraia  13/01/2021 19:13
    Eu me considero um social democrata moderado (aqui eu serei visto como extrema-esquerda radical rsrsrs) e achei péssima essa expulsão do Trump. Serve apenas para sustentar a narrativa de que a esquerda censura, não aguenta debate, quer calar divergências e quer consenso total.

    Glen Greenwald, um esquerdista que eu admiro, foi um dos poucos que se posicionou radicalmente contra a medida. Ele entende o que se passa.
  • Flávio  13/01/2021 19:18
    Mas é isso mesmo. O que realmente aconteceu é que a esquerda sabe que perdeu o controle da narrativa, e sabe que é trucidada nos argumentos se partir para o debate aberto.

    As redes sociais, na prática, serviram para quebrar a hegemonia e o monopólio que a esquerda detinha sobre as ideias. É óbvio que seus idealizadores não pensaram nisso. Quando se deram conta, já era tarde demais. Aí partiram para a suspensão pura e dura dos direitistas.
  • BAD MALUCO  17/01/2021 16:45
    Cara nós já estamos no século 21, e você é social democrata ?
    Acorda para a vida, saia da Matrix.
  • BAD MALUCO  17/01/2021 16:50
    A guerra já está perdida para a esquerda e afins. .................kkkkkkkkkkkkkkkkk
    Eu quero é mais, mais radicalização, mais intransigência , mais violência , etc, etc, etc.
  • Reinaldo Augusto  13/01/2021 19:25
    E o PCO? Partido extreminsta comunista que acabou defendendo o Trump?

    www.causaoperaria.org.br/bloqueio-das-contas-de-trump-uma-acao-ditatorial-dos-monopolios/

    Sério gente, são os únicos esquerdistas que merecem respeito.
  • Neto  13/01/2021 19:43
    PCO é esquerda raiz. Lá não tem florzinha. São pró-armas (como era a velha esquerda) e anti-politicamente correto (como era a velha esquerda, que mandava pro paredão gays, lésbicas e qualquer tipo de afeminado, comportamento este que era visto como "vícios burgueses").
  • Kennedy  13/01/2021 21:21
    O PCO pelo menos parece acreditar naquilo que defende, ao contrário do que aparenta ser a maioria esquerdista que diz ter o monopólio de todas as virtudes e defender o debate, liberdade de expressão, democracia... tenho minhas dúvidas se acreditam naquilo que eles mesmos dizem.
  • EUGENIO  14/01/2021 12:03
    E você acredita que eles acreditam no que dizem?
  • Felipe  15/01/2021 01:16
    O AMLO comparou o banimento do Trump do Twitter à Inquisição.
  • JOAO LUCENA NETO  16/01/2021 05:22
    Um raro momento dede lucidez
  • Ignacio Constancio  13/01/2021 19:43
    Não é bem assim, a plataforma pertence às big techs, mas os dados produzidos: fotos, contatos etc, pertencem ao indivíduo. Isso é o mesmo que dizer que dentro de um shopping você pode ter subtraída sua carteira, se o proprietário do empreendimento assim o decidir. Este é um precedente perigoso sim para a liberdade, uma coisa que me afastou dos escritos desse site é justamente essa visão purista de empresas, como se essas não pudessem estar alinhadas a objetivos antagônicos às liberdades individuais pelo único fato de serem privadas. Essa linha simplista de argumentação legitima do banimento e censura de Trump pelo Twitter, Facebook e Youtube, à colaboração mais estreita da Huawei com o governo chinês. No ritmo em que estamos, tal miopia levará a todos, inclusive "austríacos", a uma distópica tecnocrática muito em breve.
  • Carlos Alberto  13/01/2021 19:50
    Ou seja, na prática você defende que políticos gerenciem essas empresas. Se forem políticos de direita, ótimo, você aprova. Mas aí quando houver uma mudança de governo (e sempre há), todo o poder que você concedeu aos políticos de direita cairá de presente para os políticos de esquerda.

    E aí você ficará ainda mais perdido.

    É nisso que dá a pessoa não ter consistência filosófica.
  • Leitor Antigo  13/01/2021 19:52
    "Este é um precedente perigoso sim para a liberdade, uma coisa que me afastou dos escritos desse site é justamente essa visão purista de empresas, como se essas não pudessem estar alinhadas a objetivos antagônicos às liberdades individuais pelo único fato de serem privadas."

    Essa frase mostra que você é um rematado mentiroso, pois se há uma característica deste site é exatamente a de criticar grandes empresas.

    Amostras:

    Questão de lógica: defender o livre mercado é ser contra os interesses de vários megaempresários

    Em uma economia regulada pelo estado, o foco de atuação do empresariado é desvirtuado

    As diferenças econômicas e morais entre ser pró-empresas e pró-mercado

    Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados

    Se quer criticar, ao menos antes certifique-se de não estar incorrendo em contradição.
  • Ignacio Constancio  13/01/2021 20:21
    Quanto reducionismo!

    "Leitor Antigo" (acompanho aqui desde 2008 se vale a carteirada), os próprios artigos que você PESCOU contradizem este artigo AQUI. Uma big tech, num ambiente regulado através de lobbies de grupos anti-liberdade não produz virtude ao censurar indivíduos. Não seja tão petulante, pois enquanto pescou meia dúzia de artigos que contradizem este mesmo artigo (a que critico), há tantos outros nesse mesmo site que endossam o argumento de alguns escritores da EA de que se a empresa é privada, então ela pode fazer tudo, inclusive privar o individuo do que ele produz, e lhe pertence (sim, dados privados), se este não seguir cartilha ideológica x ou y.

    Ignoram o significado de "corporacracia", justamente quando esta é o resultado final de sucessivas transas adúlteras entre estado e grandes empresas.

    E quando os argumentos são escassos, se recorrem ao ad hominem, tal qual os dois "ilustres": Carlos Alberto e Bernardo.

    "Ah, ele defende poderes plenos para o estado; ah, ele defende que políticos gerenciem empresas."

    Não sejam tão desonestos! Onde eu disse defender poderes plenos para estados, e que empresas gerenciadas pelo estado?

    Sempre tratei sob os termos da soberania do indivíduo, se não sabem manter um debate respeitoso, apresentem-se suas armas, não tenho medo de vociferações.
  • Carlos Alberto  13/01/2021 20:39
    "Uma big tech, num ambiente regulado através de lobbies de grupos anti-liberdade não produz virtude ao censurar indivíduos."

    Já começou se contradizendo (e ainda diz que os outros é que se contradizem).

    Indivíduos se organizarem livremente para pressionar — na condição de consumidores — empresas privadas a adotarem uma determinada posição não configura "ambiente regulado". A empresa decide se quer ou não ceder a essas demandas. Se ela ceder, paciência. Você, como consumidor, é livre para deixar de consumir os serviços dela.

    Ao menos por enquanto, não há nenhuma regulação estatal das redes sociais. Ainda bem. Foi exatamente por isso que elas cresceram e a direita passou a ter voz.

    Na prática, você está puto (compreensivelmente) porque empresas atenderam às demandas de consumidores de esquerda. Se elas tivessem atendido às demandas de consumidores de direita (e expulsado perfis de esquerda), você provavelmente estaria aplaudindo.

    "Não seja tão petulante, pois enquanto pescou meia dúzia de artigos que contradizem este mesmo artigo (a que critico)"

    Os artigos linkados em absolutamente nada contradizem o artigo acima. Os artigos linkados falam sobre empresas que recorrem ao estado para se proteger e que recebem subsídios e todas as formas de protecionismo. Absolutamente nada a ver com o tema do artigo acima (que fala de empresas que atenderam às demandas de consumidores de esquerda).

    Agora, se você jura que é tudo a mesma coisa, então isso apenas mostra que, após 13 anos aqui, você nem sequer conseguiu dominar o básico da teoria (você não precisa concordar com ela, mas distorcê-la e atribuir a ela coisas que ela não defende mostra que você é, no mínimo, ruim de leitura).

    "há tantos outros nesse mesmo site que endossam o argumento de alguns escritores da EA de que se a empresa é privada, então ela pode fazer tudo, inclusive privar o individuo do que ele produz, e lhe pertence (sim, dados privados), se este não seguir cartilha ideológica x ou y."

    What the fuck?!

    Gentileza apresentar um artigo que diga que "se a empresa é privada, então ela pode fazer tudo, inclusive privar o individuo do que ele produz".

    Isso já está beirando a calúnia. Sugiro você se acalmar e respirar.
  • Cristian  15/01/2021 18:46


    Antes que alguém me venha de ladainha furada, eu sou libertário. Portanto, em hipótese alguma defendo estado ou alguma forma de estado.

    Apenas emitindo uma opinião sobre o pouco que eu entendi, ao menos até aqui, a respeito do caso do banimento do presidente americano no twitter e também facebook, que já tinha sido expulso em um episódio anterior se eu não estiver enganado.

    Qualquer perfil (como bem dito no artigo) está empregado e subordinado às regras da sua plataforma de serviços. Seja essa plataforma privada ou não.

    Portanto, a decisão do twitter de expulsar o trump de seus domínios não há nada de errado. Decisão deles, fim de papo. No máximo, a única discussão que pode haver é se houve "quebra de contrato por parte do trump" ou não. E mesmo assim é um discussão tola, pois o dono da plataforma pode colocar as regras que bem quer e muda-las a qualquer momento. Enfim, é o dono da casa quem tem a última palavra e usando um jargão bem brasileiro, o choro é livre.

    Na minha opinião, o grande cerne da discussão e que o artigo não quis se aprofundar, foi o fato de que outras empresas, tais como: facebook, google e amazon (até onde eu sei) "reuniram-se" para de certa forma obrigar uma outra empresa, no caso o Parler, a adotar as regras delas. Isso tudo em ambiente privado, apenas pela força da "concorrência".

    Eu considero isso uma forma de censura. Pois pelo fato do Parler a principio se negar a acatar tais medidas, sofreu consequências, como por exemplo ter sido retirado da Google Play Store. Aqui já não se trata de quebra de contrato de um perfil ou uma empresa. Se trata de uma espécie de perseguição sim. O Parler tem suas regras internas e nenhuma outra empresa tem algo a ver com isso. Assim como ele não tem nada a ver com a regra das outras. Fato que ele foi pressionado e temporariamente ao menos já foi punido.

    O artigo informa, e eu concordo, que a expulsão de perfis contraditórios ao debate ou ideias em que a plataforma da sinais claros em defender, vai causar por fim o banimento definitivo do debate. E sugere, que com isso, teremos redes sociais com perfis que propagam e se alimentam somente de ideias "tipo A"e outras redes sociais concorrentes com perfis que fazem o mesmo, só que com ideias do "tipo B." E isso na prática não é debate, se não há o elemento contraditório.

    Só que, com o fato de empresas pressionarem para que outras empresas sejam também de certa forma "canceladas", aqui nós temos um fato novo: a tentativa de não apenas acabar com o debate dentro de uma mesma rede, mas também, de exterminar o contraditório a qualquer custo, seja dentro ou fora dessa rede. E detalhe, tudo em ambiente privado, em tese, sem participação do estado.

    Talvez o outro rapaz não soube expressar exatamente isso no comentário dele. Mas esse é o grande perigo para a sociedade no futuro próximo. Essa tentativa, agora explicita de eliminar o outro lado sem qualquer pudor. Antes a ameaça se dava exclusivamente via estado e seus tentáculos. Agora, temos uma iniciativa privada tentando criar uma aberração de "estado privado tecnocrático" ou dê outro nome idiota que quiser. E claro, tudo sobre o mantra do politicamente correto, politicas verdes, bem estar social, conscientização e etc.

    O livre mercado pode permitir, mediante a demanda do consumidor, criar dezenas de outras redes sociais com diferentes ideologias e com isso derrubar, por exemplo as atuais redes sociais "consolidadas" até aqui.

    Porém, não podemos negar, que foi iniciado uma ideia de controle social em berço privado. Vai funcionar? Acredito que não. Mas, meu maior receio, é que até a liberdade vencer (e ela sempre vence no final), os novos estragos feitos por esses grupos prejudiquem ainda mais a evolução das sociedades e assim todos nós percamos um tempo precioso com novas bobagens pautadas em velhas ideias.
  • Bernardo  13/01/2021 19:53
    O Ignacio defende poderes plenos para o estado e ainda diz que quem não concorda com ele está fazendo um "precedente perigoso".
  • Ronaldo de Paula  13/01/2021 20:21
    Putz, deixa de ser frouxo.

    Pense nos dissidentes da época da tirania soviética. Os caras não tinham absolutamente nada. Não tinham internet. Não tinham redes sociais. Não podiam nem sequer escrever panfletos, pois iam presos. Não tinham nenhuma capacidade de se comunicar com milhões de outras pessoas que pensavam igual. E, ainda assim, eles usaram de enorme criatividade perante as incríveis adversidades para continuar propagando suas ideias.

    A partir do momento em que você parte do princípio de que a direita precisa de uma plataforma esquerdista para se expressar, você já entrou derrotado no debate.
  • Rdz  13/01/2021 20:45
    Infelizmente você está enganado, no contrato de toda rede social você aceitou que a empresa tem pleno direito de bloquear todo e qualquer conteúdo publicado pelos seus usuários.
    A analogia com shopping também não faz sentido, conteúdo pessoal virtual é duplicável, você não "perde" as fotos postadas. A carteira é um bem material.
  • Estado o Defensor do Povo  13/01/2021 21:23
    Não entendi como a propriedade privada do Trump foi afetada com esse banimento de sua conta, afinal, as fotos dele, contatos dele, tudo tá com ele ainda, o twitter não roubou nada, ele só foi impedido de continuar usando a rede e os dados do twitter, mas nada que é dele foi tocado.

    Se discorda, elabore mais como a propriedade privada dele foi afetada, prometo que não vou xingar nem nada, de verdade, nem gosto desse tipo de atitude improdutiva.
  • carlos  15/01/2021 20:07
    Não é bem assim, a plataforma pertence às big techs, mas os dados produzidos: fotos, contatos etc, pertencem ao indivíduo.

    E para todos esses dados de propriedade privada que não é da plataforma, há disposições nos famosos EULA (Acordo de Licença para o Usuário Final) em que o usuário cede, plena e irrevogavelmente, muitos direitos - podendo incluir aí a cessão, em caráter irrevogável, do uso desses dados. Você não está errado quando afirma que os dados são de propriedade dos indivíduos. Esses mesmos indivíduos, contudo, pelo mero uso da plataforma, concordaram, na imensa maioria dos casos, em cedê-la.

    Também nesses EULA há disposições bem claras a respeito do desligamento dos usuários da plataforma, por qualquer razão que seja, desde aquelas que todos concordariam: "Você está usando a plataforma para espalhar pedofilia, logo está banido e todos os seus dados foram encaminhados às autoridades" até aqueles que uma boa parcela acha arbitrário, mas que são perfeitamente lícitos: "não quero mais você aqui na minha plataforma, tchau."

    Isso é o mesmo que dizer que dentro de um shopping você pode ter subtraída sua carteira, se o proprietário do empreendimento assim o decidir.

    Não, não é. Aliás, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não confunda alhos com bugalhos.

    Este é um precedente perigoso sim para a liberdade, uma coisa que me afastou dos escritos desse site é justamente essa visão purista de empresas, como se essas não pudessem estar alinhadas a objetivos antagônicos às liberdades individuais pelo único fato de serem privadas.

    Não, não é. Trata-se apenas de uma empresa aplicando seus critérios, talvez não de maneira que muitos apreciem, para excluir um usuário. Um ambiente privado não tem que tolerar absolutamente nada. Na minha casa, minhas regras. O twitter, YT, e outros, por mais que uma grande parcela da população mundial padeça desse defeito lógico, não são espaços públicos. E, portanto, eles "desligam" quem eles quiserem e fim de papo. Quer um exemplo: Stephan Molyneaux, filósofo anarco-capitalista teve seu canal "deletado" pelo YT. Uma dia estava lá... no outro não. As razões para a remoção do canal foram risíveis: diziam que ele incitava ao ódio. Em contraste, a totalidade dos vídeos dele tinha um único propósito final: a verdade sem as cores ideológicas que teimam em distorcê-la.

    Era melhor não terem dado razão nenhuma ou, talvez, terem sido mais crus e diretos: deletei teu canal porque você me ocupa petabytes de armazenamento e não monetiza nenhum mísero vídeo. Só tenho prejuízo com você! Cai fora!

    E não, esse site, como os pensadores que motivaram sua criação, não nasceram ontem para fazer filosofia de grêmio estudantil: rasa, falaciosa, idiota. Mises, especialmente, foi um crítico acérbico dos grandes empresários, ou dos grandes detentores de capital, que usavam da sua fortuna em prol de ideologias que destroem as bases da civilização que permitiu que fossem ricos em primeiro lugar. Não cansou de criticar Engels (industrial inglês que adorava criticar a burguesia a que pertencia, por um lado, e, do outro, não perdia um caçada de raposa - hobby de ricos ingleses no séc. 19). Também não poupou críticas aos Webb, Sidney e Beatrice, vagabundos ricaços que despejaram incontáveis libras esterlinas fustigando a estupidez comunista. Empresários são humanos e não escapam de serem idiotas úteis, demagogos, imorais, etc. Isso nunca passou despercebido por Mises, nem por seus seguidores.
  • Felipe  13/01/2021 20:10
    Esse artigo vai dar bastante polêmica. Certamente vai ter neoconservador que não irá gostar.

    Agora uma pergunta: a exclusão da conta do Trump teria sido uma quebra de contrato?

    De qualquer forma, é óbvio que isso que estão fazendo é por pressão política. São dezenas e dezenas de milhões de usuários que não compactuam com ideias progressistas. O progressismo é uma ideologia extremamente elitizada.

    Penso que a "compartimentalização" é um fenômeno perfeitamente normal entre os seres humanos. Eu particularmente gosto do nível dos debates nos comentários do Mises Brasil. Está aberto até para esquerdistas e estatistas debaterem sobre.
  • Rogério  13/01/2021 20:26
    "Agora uma pergunta: a exclusão da conta do Trump teria sido uma quebra de contrato?"

    Quando as pessoas abrem conta no Twitter, há esse contrato? Se sim, então sim, houve quebra. Se não, então não, não houve quebra.

    De resto, não vejo polêmica nenhuma no artigo. Polêmica seria, aí sim, se este Instituto passasse a defender a regulação estatal (o que inevitavelmente acabaria em confisco) das redes sociais, que são propriedade privada.
  • Chat Noir  13/01/2021 20:12
    Excelente artigo! Os escritos ponderados e sucintos, sábias palavras!

    Isso me lembra sempre a referencia, das consequências que as pessoas não veem no longo prazo.



  • Cristiano  13/01/2021 20:15
    Essa medida do Twitter foi uma presente dos céus para a direita (assim como o Corona foi um presente para a esquerda, segundo Jane Fonda).

    Deixou claro que a esquerda é censora e se borra de medo do debate aberto, pois sabe que, quando todos têm voz, a esquerda apanha, pois seus argumentos não têm lógica.

    Perante os mais leigos isentos, ficou claro que a esquerda é totalitária. E ninguém quer viver ao lado de totalitários. Se a direita souber capitalizar em cima disso, repetindo o tempo todo o mantra de que a esquerda é totalitária e não permite dissidências, várias vitórias eleitorais virão.
  • BLM  13/01/2021 20:37
    "O Twitter é uma empresa privada, faz o que quer"

    Diz o esquerdista que pediu e apoiou o Estado fechar diretamente milhões de comércios em 2020.
  • Vladimir  13/01/2021 20:44
    Exato, a contradição é toda da esquerda. Conservadores e libertários não podem cair nessa mesma contradição, de criticar intervenção estatal em alguns casos e pedir em outros, sempre de acordo com a conveniência.

    Evitem ser homens de geleia.
  • Judeu  13/01/2021 20:43
    Quando eu tiver um avião, irei começar a jogar as pessoas do meu avião. Afinal, "é minha propriedade".
  • Victor  13/01/2021 20:51
    Claro, claro. Pois a pessoa "invadiu" seu avião sem seu consentimento, né? Invadiu seu avião e mesmo assim você decolou com ela…

    Dizer que você pode matar um inocente que você voluntariamente convidou para adentrar sua propriedade mostra total desconhecimento de lógica básica. Não é nem de teoria, mas de lógica mesmo.

    Aliás, você sabe que o movimento está se perdendo quando direitistas não só passam a defender as mesmas coisas da esquerda, como ainda recorrem a argumentos no mesmo nível intelectual dela. Triste.
  • Joel  13/01/2021 20:52
    ?????
  • anônimo  13/01/2021 20:52
    Sem querer fazer o papel de advogado do diabo, mas é fato que há tempos o Congresso americano, principalmente democratas como Bernie Sanders, Elizabeth Warren e outros, vêm ameaçando as big tech com mudanças radicais da legislação, que podem incluir a proibição de aquisições e obrigação de fatiar a empresa em unidades menores, uma destruição trilionária.

    Como agora, em 2021, os democratas passaram a controlar o Poder Executivo e as duas Casas do Congresso, as big tech parecem estar agindo para minimizar prejuízos ao acatar os anseios dos novos donos no poder.

    A conferir.
  • anônimo  13/01/2021 21:24
    E os "liberéis" seguem defendendo o sagrado direito do oligopólio da Big Tech fazer o que quiser. Se a opressão é privada, pode !11!11!

    Os republicanos, especialmente Trump e seu círculo mais próximo, vão sendo humilhados pela Big Tech, e bem feito, não fizeram NADA contra elas. Muito gogó e nenhuma ação, terminaram sendo montados por elas.

    De certo também acreditam nessa idiotice de que são empresas privadas e podem fazer o que quiser, pra satisfazer liberal de almanaque.

    Por mim a partir de certo número de usuários, redes sociais e outros serviços de internet devem ser tratados como espaços públicos, onde regulamentações do poder público passam por cima dos termos de serviço da empresa. Simples assim, sem nenhum grande malabares pra justificar alguma intervenção com medo de não ser liberal ou justo o bastante. Esse poder que essas empresas tem nenhuma empresa deveria ter, e essas empresas sequer deveriam existir desse tamanho. Essa situação é inadmissível.

    Quer controlar o que é dito, transmitido ou vendido? Fica com uma rede pequena, um fórum fechado, um serviço de streaming/marketplace de nicho. Agora, quer ser algo gigante, genérico, que se vende pra todo mundo e tem alcance nacional/global? Regrinhas e mais regrinhas garantindo certos direitos e liberdades aos usuários.

    No fim das contas, quem diria, a China faz o certo, melhor para o chinês ser censurado pelo próprio governo chinês do que por um monte de retardado da costa oeste americana.

    Aqui no Brasil o Bolsonaro é outro que vai acabar deletado das redes sociais em 2022 e não vai fazer nada até lá. Ele ainda tem a desculpa que não tem 5% do amparo político e institucional que o Trump tinha quando assumiu, mas ainda assim pelo menos deveria agir de alguma forma, pelo menos pra falar que agiu. Acredito que o Marco Civil dê a brecha pra um decreto bem razoável nesse sentido.

    Vou passar a usar o termo que o Rodrigo Constantino usou, "liberotários", pra me referir à turma defensora da censura de mercado.
  • Sinônimo  13/01/2021 21:43
    "Por mim a partir de certo número de usuários, redes sociais e outros serviços de internet devem ser tratados como espaços públicos, onde regulamentações do poder público passam por cima dos termos de serviço da empresa. Simples assim, sem nenhum grande malabares pra justificar alguma intervenção com medo de não ser liberal ou justo o bastante."

    Concordo com você, companheiro. E digo mais: se a gente regular o Twitter, e entregá-lo sob os auspícios de Joe Biden, Kamala Harris, Bernie Sander e Elisabeth Warren, que é o que você quer, aí sim nós direitistas teremos muita voz. Dominaremos tudo.

    E quem for contra esse nosso plano, é só a gente chamar de "liberotário". Resolve tudo, e ainda saímos nos sentindo intelectual e moralmente superiores.


    P.S.: gentileza apontar que Bolsonaro foi eleito por causa do Twitter. Eu mesmo conheço dezenas de pessoas que votaram nele, e absolutamente nenhuma tem Twitter. E nem Instagram.
  • Ex-microempresario  14/01/2021 16:39
    Resumo rápido do que o anônimo disse:

    "Eu quero o governo mandando em mim!"
  • Gustavo Henrique  14/01/2021 18:28
    Chegou o reaça...
  • L Fernando  14/01/2021 22:16
    Trump e Bolsonaro tinham que aprender com Puttin, que primeiro quebra as pernas dos bilionários lá, e agora assinou uma Lei que permite tirar do ar os serviços do Face, Twiteer e Youtube se censurarem usuários.
  • JDM  15/01/2021 00:30
    Concordo totalmente com o anônimo.

    O fato de ser privado não lhe dá o direito de fazer o que quiser. Seu restaurante não pode por uma placa falando que aceita somente pessoas brancas! Você não pode vender suas roupas apenas para quem for descendente europeu, muito menos uma empresa de telefonia pode cortar a internet da pessoa só porque viu um post falando que ela é petista.

    Há muito tempo essas grandes empresas de tecnologia deixaram de ser "sites" e se tornaram conglomerados mundiais de telecomunicação! Tratar Instagram e Facebook como simples sites de contatos é quase como a pessoa ter estado em coma nos últimos 20 anos e acordado agora achando que ainda mexem no Orkut.

    Essas empresas se tornaram players mundiais. Elas detém pra si boa parte do fluxo de informação atual! Lideres mundiais se expressam nessas redes! Notícias são divulgados por ela! Denuncias são feitas através de seus posts! Toda a informação que corre pelo mundo hoje passa de alguma forma por esses grandes players da internet.

    E não dá pra usar o argumento de que então é só não usar e usar outra rede, outra empresa, porque as grandes simplesmente compram todas que ameaçam crescer. Não adianta trocar o Facebook, pelo Instagram, ou pelo WhatsApp. É tudo do mesmo dono. Google tomou pra si praticamente 90% das buscas feitas na internet. Ele decide o que é relevante ou não, o que mostrar nos resultados e o que esconder.

    Ou seja, essas empresas se tornaram maiores que qualquer um poderia imaginar. Não à toa o desespero de muitos governos em tentar controlá-los. A maioria já percebeu o poder enorme que meia dúzia de CEOs fundadores tem nas mãos. Temo até que seja tarde pra tentar algum controle. Vai restar a tais lideres políticos deixarem de se expressar nesses redes e se aliarem a essa pauta, ou se verem fadados ao cancelamento.

    E para quem diz que basta os insatisfeitos mudarem para outra rede, olha o que acontece:

    Google suspends 'free speech' app Parler
    Rede social Parler é removida da Play Store e corre o mesmo risco na App Store
    Apple e Amazon anunciam suspensão do aplicativo Parler
    Depois do Google, Apple e Amazon também suspendem aplicativo Parler
    Extremistas usam rede social parler para programar novos ataques nos EUA, diz jornal

    Para quem ainda não entendeu:

    Você está proibido de postar nas redes sociais mainstream;
    Se você tentar criar uma nova rede social terá o aplicativo banido das lojas, uma por uma;
    Se você tentar montar um site independente para as pessoas acessarem, seu acesso será impedido pelos serviços de hospedagem!

    E, se mesmo assim você tentar algo, farão campanha ininterrupta para convencer a opinião pública sobre o quão criminoso é isso que você está fazendo, para fazer com que ninguém queira nem chegar perto!
  • Ex-microempresario  15/01/2021 18:40
    Ai que dó do JDM.

    Chama o papai governo para tomar conta dele, coitadinho.

    Deixa o papai governo ver o dodói. Pronto, pronto, já passou.

    Pode dormir tranquilo, JDM. O papai governo vai te proteger do Google, da Apple e do bicho-papão.
  • Imperion  13/01/2021 21:34
    Eis que você descobre que o dono da rede que você usa é um financiador de ideias esquerdistas, e não apenas isso, vc se tornou financiador de ideias com as quais você não concorda junto com ele.
  • AF  13/01/2021 21:36
    Uma coisa a esquerda pode ter certeza: um assunto que ninguém imaginou que ia voltar a população vai voltar e já está voltando com força total: o nazismo, graças a toda essa censura, pois ações extremistas geram ações extremistas.

    Nos Estados Unidos há pesquisas que mostram que o antissemitismo tem crescido de forma até alarmante e aqui no Brasil já vi esquerdistas atônitos com a simples existência de sites que pregam isso de maneira aberta como "O Sentinela" e o "Inacreditável", que estão ficando famosos e meio mainstream, fora alguns outros blogs que cada vez mais vêm surgindo.

    Tem muita gente de direita que fica pensando: por que será que eles podem continuar desejando morte aos brancos, aos republicanos, aos conservadores e podem pregar o comunismo abertamente, sem que nada aconteça? Será que tem alguma coisa nisso? Além de moverem para outras redes como o Gab e o Parler onde eles se expressam sem problema algum e até se aproveitam toda essa onda migratória para se auto-divulgar.

    Vi um artigo em um desses sites nacionalistas branco em que eles disseram que mesmo com toda essa censura, o tráfico só tem aumentado e aqui no Brasil esse assunto está chegando com força e já até tentaram emplacar um candidato deles já, e vai continuar chegando!

    Duvida?

    Então que a esquerda continue censurando o que eles chamam de "extrema-direita", isto é, os libertários, o MBL, o Olavo de Carvalho, pessoas contra o aborto, a favor da redução da maioridade penal, etc., que aí eles vão ver o que é extrema-direita!
  • Cristiano  13/01/2021 21:46
    Isso é a coisa mais óbvia do mundo. Quanto mais você censura algo (ideias de direita), mais você desperta o interesse por aquilo. E quanto mais você tenta promover algo, mais você cria repulsa por aquilo (pense em ideias progressistas, gayzistas etc.)

    O comunismo e o socialismo só caíram em descrédito porque, felizmente, nunca ninguém tentou proibir acesso a este material. A leitura estava amplamente disponível para todos. Se algum dia proibirem leituras sobre comunismo, pode ter certeza de que a ideia vai voltar a prosperar.

    A esquerda, ao querer banir ideias de direita, vai simplesmente empurrar ainda mais pessoas para essa ideologia. É tão cristalino que até espanta que eles não estejam vendo isso. E espanta ainda mais ver alguns direitistas aqui nesta seção de comentários que ainda não tenham entendido isso.
  • Gustavo  13/01/2021 22:14
    Nem conhecia esse tal Sentinela. Fui conferir. Bizarro e caricato.

    Agora, por que ele é desconhecido? Exato, porque nunca se preocuparam em censurá-lo. Se algum dia alguém tiver a brilhante ideia de censurá-lo, aí sim pode ter a certeza de que aquelas ideias irão se espalhar.
  • Francisco Mancilha  13/01/2021 21:44
    Acho compreensível a debandada de usuários do Twitter para outras plataformas, mas não sei se é a melhor solução.

    O objetivo de um debate é, em última instância, convencer os indecisos (ou neutros, isentos, como queiram). Aqueles que já têm opiniões formadas dificilmente mudarão de ideia.

    Se os que congregam o mesmo pensamento conservador migrarem para outras plataformas, deixarão no Twitter espaços vazios, que serão ocupados por partidários do pensamento de esquerda.

    Se considerarmos grande massa de indecisos vai permanecer, por inércia, no Twitter, ficarão totalmente à mercê de opiniões com viés da esquerda, sem o necessário contraponto.
  • WMZ  13/01/2021 22:04
    Artigo ingênuo. É óbvio que esse papinho de "propriedade privada" não vale se for contra a esquerda.

    Enquanto os capitalistas só se importavam com dinheiro e com ganhos fáceis, os esquerdopatas se preocupavam com poder. Foram conquistando as instituições moldadoras (educação, igreja, mídia etc) do senso comum e, agora, estão colhendo os frutos...inclusive, com grandes capitalistas apoiando ela. Agora, que aguentem as consequências e aprendam a lição de que estão numa guerra assimétrica.
  • Douglas  13/01/2021 22:13
    Qual a ingenuidade? Gentileza apontar trechos específicos e explicar.

    Qual a solução contra tal ingenuidade? Gentileza explicar como e por que tal solução funcionaria.

    Peço, novamente, ser específico. Dispenso frases de efeito e palavras ao vento (com as suas acima).


    P.S.: você queria que um site que defende a propriedade privada saísse em defesa de um ataque estatal à propriedade privada? Começo seriamente a desconfiar da capacidade de interpretação de texto e de absorvição de ideias de alguns brasileiros.
  • AGB  14/01/2021 11:26
    Absorção
  • anônimo  13/01/2021 22:13
    Comentário bizarro. Na prática, o direitista acima quer que Joe Biden, Kamala Harris, Bernie Sanders, Elizabeth Warren e
    Alexandria Ocasio-Cortez regulem o Twitter.

    Pior: ele garante que isso seria melhor para a liberdade da direita.
  • George  13/01/2021 22:19
    A direita tá perdendo uma excelente oportunidade de usar uma arma da esquerda contra ela própria. Se Apple, Amazon, Facebook, Google e Twitter se uniram para expulsar outra empresa (Parler) do mercado, então estamos claramente diante de uma "conspiracy in restraint of trade", que é exatamente o que fundamentou o Sherman Act (a lei anti-truste).

    Ou seja, de acordo com o próprio Sherman Act, tal medida é ilegal.

    Logo, basta invocar o Sherman Act e tudo volta a ser como antes. Seria no mínimo engraçado.
  • Judeu  13/01/2021 23:15
    Estado Democrático de Direito é uma farsa total, só ver nas próprias eleições de 2020.

    3 estados (Geórgia, Pensilvânia e Wisconsin) literalmente rasgaram a própria constituição ao permitir voto massivo por correios. Isso deveria anular ou as eleições do estado ou os votos por correios. O que aconteceu? Não só as cortes estaduais não fizeram isso, como a Suprema Corte também não fez nada.

    Palavrinhas num papel não asseguram direito algum, tudo depende do que o establishment quer.
  • cmr  14/01/2021 08:22
    Voto pelo correio sempre foi permitido nos EUA.

    Vai dizer que dessa vez foi "gópi"?.
  • Akime  15/01/2021 15:01
    Votos pelos correios sempre foi algo extremamente pequeno apenas em casos muito específicos nos EUA, como quando um milítar está em batalha mas quer votar com diversos procedimentos para validar o voto por exemplo.

    Quando aprovam voto pelos correios desse tipo em larga escala não existe qualquer rastreabilidade sobre os votos, depois que tiram a cédula da carta é impossível validar se aquele voto é fraudado ou não, junte isso as "anomalias estatísticas" a favor do Biden e já da pra ver da onde tiraram isso de fraude, no final é impossível saber se houve ou não por causa dos votos pelos correios.

    Só que mesmo se houvesse fraude e desse para provar demoraria no mínimo 1 a 2 anos então não faria sentido politicamente, pensando nisso Trump contestou a constitucionalidade desses votos já que nesse caso seria matéria constitucional então seria muito mais rápido (Sinceramente não faço a mínima ideia sobre constituição americana então não posso dizer se faria sentido).

    No final o que essa situação escancara é a mesma: o que vale no final não é "lei", "estado direito" ou pior ainda "império da lei" e sim puramente politicagem, os dois lados simplesmente estavam brigando descaradamente para ver quem usa o estado para ter mais poder e passar por cima um do outro.
  • ASDFG  13/01/2021 22:34
    Acredito que submeter as postagens do Trump - ou de qualquer outro usuário do Twiter - a "um sistema de supervisão e aprovação prévia" não seja a solução para o problema, pois permitir apenas o compartilhamento de ideias com as quais a empresa concorda, além de desconfigurar o posicionamento político-ideológico do usuário, não permitiria que ideias contrárias fossem expostas(pois seriam desaprovadas) e, por conseguinte, o debate seria prejudicado já que só haveria pensamento único.
  • Daniel Cláudio  13/01/2021 22:49
    Isso já estava sendo feito. Sempre que ele postava algo criticando o resultado das eleições, dizendo que houve fraude, logo embaixo vinha uma faixa dizendo que "tal alegação é contestada por fatos".

    Por mim, problema nenhum com isso. Era tão eficaz quanto o letreiro que dizia "O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde".

    Você não acha que era melhor do que o banimento total?
  • ASDFG  14/01/2021 15:46
    Concordo com o amigo que essa situação anterior de checagem (ainda que de forma duvidosa) da veracidade do post seria menos pior que a atual - em que se proíbe alguém de se expressar -, pois as pessoas estão cada vez mais "desconfiadas" do que lhes é imputado por "verdade" e têm buscado fontes variadas de informação.

    O que eu não concordo é com a aprovação prévia de alguma postagem, ou seja, de ir a público apenas aquilo que estiver em conformidade com a linha ideológica da rede social. Não acredito ser essa a solução, pois, como disse Nelson Rodrigues, "Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar."

  • Mateus  13/01/2021 22:54
    Parabéns pela matéria. Sensacional
  • Álesson Vaz  14/01/2021 11:08
    Li vários comentários do tipo: Sua casa, suas regras. E para ser muito sincero ainda prefiro a legislação brasileira para regular isso. Penso que é muito injusto dar o poder de banimento eterno (o que é vedado pela legislação brasileira) em qualquer plataforma. Imagine um comerciante em que o WhatsApp é a ferramenta central de venda, daí por um motivo de 'politicamente correto' é banido sua loja desse app. Seria justo? Claro que não! Assim como não é nada justo que a Visa, Mastercard, Bancos e fintechs façam juízo de valor sobre algo ou alguém para impedir o recebimento de valores, isso cabe a Justiça. É uma grande palhaçada o que a Visa e Mastacard fizeram o RedTube, não deram margem para a defesa.
    Assim como é uma grande palhaçada que uma loja venha impedir a entrada de determinado seguimento da sociedade, porque o dono é contra tais ideologias. Nesse sentido, prefiro muito mais o direito público para regular tais relações, do que um monte de 'justiça privada' esparsas e supercontraditórias.
  • Ex-microempresario  14/01/2021 16:46
    Claro, claro.

    Um congresso formado por gente do nível de Alexandre Frota, Jorge Kajurú e Tiririca e presidido por sumidades como Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, junto com um ministério público comandado por Augusto Aras e um judiciário liderado por gênios como Gilmar Mendes, Kassio Marques, Luiz Roberto Barroso et caterva: é tudo o que nós precisamos.

    Vamos colocar nossas vidas na mão deles. Eles sabem o que é melhor para nós. Eles devem regular tudo, nos mais ínfimos detalhes. Abaixo o mercado. Liberdade é escravidão, já dizia o Grande Irmão.

    (caso Sheldon Cooper esteja lendo: contém sarcasmo)
  • Ex-microempresario  14/01/2021 17:01
    Triste ver como a visão do mundo do brasileiro médio se limita a alguns meses para trás e para a frente. Falam de Facebook e Google como se fossem instituições mais duradouras do que as pirâmides.

    Nos anos 80, todos concordavam que o mundo da informática era dominado pela IBM, e isso duraria para sempre.

    Nos anos 90, todos concordavam que a Microsoft era a empresa ultra-poderosa e ninguém conseguiria desafiar seu poder, jamais.

    No início dos anos 2000, uma rede social se espalhou pelo mundo e não faltou quem dissesse que nenhuma outra poderia enfrentá-la. Chamava-se Orkut.

    Na mesma época, o Yahoo era o todo-poderoso dos sistemas de busca e muitos o consideravam imbatível.

    No restante do mundo, é só lembrar de quantas empresas "eternas", "donas do mercado" e "tão grandes que jamais alguém conseguirá enfrentar" já existiram: Kodak, Xerox, PanAm, GM, GE...

    A única coisa que garante vida longa a grandes corporações é justamente aquilo que os bocós estão pedindo: intervenção do governo.
  • Hélio  14/01/2021 11:50
    Apenas não acho justo, cadastros de pessoas de esquerda, que mentem e denigre a imagem dos de direita, permaneçam intactos. Isto mostra que não são as regras mas, o verdadeiro cunho comunista de ser.
  • Bruno  14/01/2021 13:28
    Eu ainda não me decidir se essa questão se trata realmente de Censura (poder público tomando o direito de expressão por controlar o meio) ou apenas pirraça da Direita.

    Se partirmos da premissa do texto (resumindo, vc assinou um contrato e descumpriu as regras) ainda assim não consigo esquecer o fato de que a existência dessas corporações só é possível por diversas distorções promovidas pelo Estado. Não é possível ignorar coisas como QE, juros artificialmente baixos, efeito Cantillon...

    Não deixo de pensar nessas redes sociais como braços do Estado, como um tipo de concessionária ... ao mesmo tempo não há uma relação clara entre o Estado e esses prestadores de serviço, mas sim indireta.

    Sempre considerei um dos poderes malígnos da democracia o fato de não haver um culpado claro, mas sim uma nuvem de culpados (o que enfraquece a busca por Justiça). Explico, por exemplo, de quem seria a culpa de haver aquele buraco na rua? Do prefeito atual? da empresa contratada que fez um péssimo serviço? Do prefeito anterior? Desculpem-me a preguiça, mais a culpa é de todos os envolvidos. Sendo assim, nenhum deles é culpado na prática.

    Nessa questão das redes sociais vejo o mesmo.

    Acho que enquanto houver a possibilidade de uma empresa competir com esses monstros, tendo a concordar com o artigo. Mas se houver esse tipo de regulação velada (acesso a crédito facilitado para essas empresas, QEs e consequente efeito Cantillon), tendo a discordar.

    O que vcs acham?
  • Ex-microempresario  14/01/2021 17:10
    Não consigo ver o que Twitter, Google e Facebook têm a ver com taxa de juros e QE.

    O que acesso a crédito tem a ver com uma pessoa usar o Google e não o Bing?
  • Bruno  14/01/2021 21:04
    Digamos que vc é um programador idealista e quer criar uma rede social. Bom, vc terá vários custos além de seus dons, como servidores etc. Vc terá que contrair dívidas para tal.

    Google ou Twitter conseguem captar dividas a juros baixíssimos. Entenda que ora eles é assim, pq estão mais próximos do topo... a vc só sobram juros exorbitantes
  • Ex-microempresario  15/01/2021 18:25
    Na teoria, parece fazer sentido.

    Na prática:
    - Quando começaram, nem twitter, nem google, nem facebook eram conhecidos nem tinham acesso a empréstimos privilegiados.

    - Hoje, com faturamento de bilhões, é pouco provável que algum deles precise de dinheiro emprestado para comprar hd´s ou servidores. Aliás, quem compra em grandes quantidades como eles negocia direto com o presidente da empresa fornecedora...

    Mas para não ficar uma conversa sem pé nem cabeça: tem fonte? tem notícia falando que algum deles pegou empréstimo em banco para investir em infra-estrutura? tem balanço ou relatório aos acionistas?

  • Bruno  17/01/2021 04:26
    Essas empresas tech comumente levantam capital via debêntures (corporate bonds)

    Google a 0,45%aa
    www.reuters.com/article/us-alphabet-bonds/google-owner-alphabet-issues-record-10-billion-bond-at-lowest-ever-price-idUSKCN24Z2PC


    Twitter a 3.875%aa (esse pareceu alto)
    www.wsj.com/articles/twitter-poised-to-sell-bonds-at-low-interest-rate-11575573848

  • BLM  14/01/2021 17:29
    Censura. Pois Trump não infringiu nenhuma regra alegada.
  • Jairdeladomelhorqptras  14/01/2021 17:08
    Não sei não! Creio ser difícil surgir uma "Big Tech" de direita, competindo com as atuais! Toda mega empresa sempre será parceira da esquerda. Afinal, políticos esquerdistas e bilionários se adoram. Os primeiros usando o poder político a favor dos bilionários. Estes, retribuindo os favores com "generosidades". Casamento perfeito. Ficam de fora, claro, os pequenos e médios empresários que realmente competem num mercado livre.
    Abraços
  • ELCIO ROBERTO FERREIRA MAIOLINI  14/01/2021 19:36
    O debate deve ser monopólios e oligopólios da informação o que inclui as redes de TV e jornais. Interessante que alguém que puxava 80 milhões de seguidores e que gerava propaganda em cima disso foi suspenso. O motivo? Dizer o que pensa. Quem lacra não lucra?
  • Victor  14/01/2021 21:51
    Por mim está ótimo ver aprofundar as divisões entre esquerda e direita, a esquerda afunda sozinha por serem incapazes de construírem algo de valor, tou só vendo aqui de camarote o feministo do Nego do Borel se ferrando em várias falsas acusações de sua própria esposa feminista.
  • Liberal Inocente  14/01/2021 22:27
    Um choque de realidade também para os liberaloides Nutella que acham que as empresas privadas, só por serem privadas, automaticamente estarão sujeitas a critérios meramente econômicos em suas decisões. Uma mentira evidente.
    Os bilionários do mundo adoram brincar de ditadores à sua maneira. Defender o indivíduo sim. Abolir o Estado? Sim, porque não. Agora imaginar que essas mega-empresas não tentarão angariar algum poder político além do mero poder econômico, é de uma inocência ímpar.

    Vai lá liberal, vá ser livre na internet sem servidor, sem provedor... boa sorte.
  • Thiago  15/01/2021 12:29
    "Agora imaginar que essas mega-empresas não tentarão angariar algum poder político além do mero poder econômico, é de uma inocência ímpar."


    E quem aqui no instituto nega isso? Mas se não houvesse Estado, elas não teriam aonde tentar conseguir poder político.

    Essa é toda a questão. Os libertários cansam de dizer: O Estado é a fonte de quase todos os problemas da humanidade e vc acabou de constatar isso e nem percebeu.
  • Ex-microempresario  15/01/2021 18:35
    "vá ser livre na internet sem servidor, sem provedor"

    Ué, e qual a dificuldade de comprar um servidor (pela internet mesmo) e ser o seu próprio provedor?

    O único problema é quando o estado garante um monopólio de quatro empresas ("quadripólio"?) e te impede de acessar a rede se não for através de uma delas.
  • Lucas  15/01/2021 20:02
    Vai lá liberal, vá ser livre na internet sem servidor, sem provedor... boa sorte.

    Com o advento do IPFS e do DAT protocol, é questão de tempo para que ninguém mais dependa de serviços centralizados de hospedagem para poder publicar conteúdo na internet. Internet descentralizada é o futuro - cada vez mais próximo e palpável - e serviços como AWS e CloudFlare se tornarão inúteis, quando todo o conteúdo dos sites estiver hospedado no próprio computador de quem os publica e de quem os acessa.

    Quanto ao provedor de internet, boa sorte parra eles tentarem impedir. Protocolo BitTorrent está aí firme e forte há anos e até agora não conseguiram fazer nada contra ele. E não foi por falta de tentar.
  • Estado o Defensor do Povo  14/01/2021 23:20
    Pessoa gritar "FOGO!" num ambiente cheio de pessoas de forma a causar um rebuliço é agressão? Por que sim ou por que não?
  • Ex-microempresario  15/01/2021 18:29
    Se você conseguir provar que a pessoa sabia que não havia fogo nenhum e tinha apenas a intenção de causar tumulto, sim, você pode processá-la por causar dano a terceiros.

    Mas no direito prevalece a presunção de inocência, então é uma questão que dificilmente chegará a um tribunal.
  • Estado o Defensor do Povo  16/01/2021 00:27
    Mas isso não viola a liberdade de expressão? Veja bem, o cara não violou a propriedade de ninguém diretamente, apenas usou a comunicação pra espalhar a desgraça, se eu falar pra alguém "você é feio" e essa pessoa se matar, eu não acho que tenho culpa. Beleza, esse exemplo é um ad absurdum certo? Um exemplo real então, na internet problemas de cyberbullying causam até suicídio, e são apenas comentários de rede social, isso não se enquadra na liberdade de expressão? (Suponhamos que esses comentários estejam de acordo com os "termos da rede" também, não tenho como provar isso pois não vi o conteúdo propriamente dito dos ditos cujos, mas pelo bem do debate) Eu sinceramente não acho justo responsabilizar legalmente essas pessoas pelo suicídio de outras.

    Então por que o caso do "FOGO!" é diferente?
  • Corporativismo  15/01/2021 04:28
    Acordem.
    Essas Big Tech não tem nada de "livre-mercado". São corporações que se beneficiam de leis monopolistas de patentes, subsídios e regulações como a seção 230, que lhes dá isenção em serem processadas pelo conteúdo.
    Estão injetando bilhões de dólares no partido Democrata e alguém acredita que o fazem por caridade ou idealismo?

    Essas empresas viraram braços dos Democratas. Não me espantará se Biden passar alguma lei contra o "terrorismo interno" que persiga e criminalize plataformas que permitam conservadores e libertários (como Parler e Gab).

    O que elas querem é manter a sua posição de mercado. E estão recorrendo a simbiose com o governo.
  • Rene Kultz  15/01/2021 12:13
    Não esqueça que, finalzinho de Dezembro do ano passado (não faz nem um mês), o Facebook estava enfrentando problemas com um processo Antitrust. O processo é sem pé nem cabeça, mas poderia tranquilamente ser um recado para essas empresas, do tipo: "Tem uma galera falando mal de nós. Deem um jeito nisso senão, sacumé, né...".

    Coloca isso junto na balança com o fato de que boa parte do povo que trabalha lá foram educados nas escolas estatais aparelhadas pela esquerda e almejam usar o estado para aumentar o poder de suas empresas e esmagar concorrentes, e temos uma situação em que não é simplesmente "uma empresa definindo as regras de sua propriedade privada", mas o estado interferindo indiretamente nas decisões deles.

    Lógico que não estou defendendo mais poder ao estado para regulamentar essas coisas. Na real, a única coisa que poderia ser feita mesmo é desregulamentar o mercado para que as Big Techs sofram sozinhas as consequências de ações como banir o Trump e permitir discurso de ódio explícito de esquerdistas.
  • Gabriel Carvalho  15/01/2021 12:03
    Talvez a única coisa de fato que possa ser questionado é se houve alguma quebra de contrato por parte do Twitter, mas como é muito subjetivo, eles afirmarão que o Trump violou sim seus termos e por isso o banimento foi juto.

    Outro ponto importante é que o autor está descartando um elemento importante: não é todo mundo que quer debate(de ideologias diferentes) e arrisco a dizer que a maioria prefere exatamente isso, monopolizar um espaço para discutir entre suas próprias tribos(como o autor se refere) .
    A esquerda já demonstrou que não quer debate e excluir quem pensa diferente é o melhor caminho para se perpetuarem no poder (utopia, quem tem poder enfrentará sempre oposição).
    O boicote é sempre a melhor opção, não está satisfeito com algo, muda.
  • Joel  15/01/2021 13:09
    Lendo vários dos comentários aqui da pra perceber que a maioria das pessoas ainda não entende a diferença entre ética e moral...
  • An%C3%83%C6%92%C3%82%C2%B4nimo  15/01/2021 14:56
    O 4chan é o último bastião da liberdade de expressão na internet. Comprem Bitcoin e Monero!
  • Pepeu Pereira  15/01/2021 16:03
    Questão de sobrevivência política, social, econômica e, num futuro, física. Os nazistas primeiro excluíram os judeus politicamente, depois socialmente e, por último, fisicamente.

    Uai?! E o que nós podemos fazer se nos boicotam? Senão reagir e criarmos o nosso próprio banco, nossa própria rede social, nossas próprias empresas com as quais POSSAMOS negociar. Não é mais nem uma questão ideológica, mas de sobrevivência. Há notícias até de seguradoras suspendendo apólices porque o indivíduo emite opiniões de Direita!

    Acho que é por aí mesmo. Os conservadores endinheirados deveriam entrar ideologicamente no mercado, tal quais, sempre fizeram os "progressistas".
  • Cirão  16/01/2021 04:19
    Você acha mesmo que esses bilionários são progressistas? Eles simplesmente perceberam que apoiar a esquerda moderna é a melhor forma deles próprios permanecerem no topo da maneira mais fácil possível.

    olavodecarvalho.org/historia-de-quinze-seculos/
  • Ronaldo  15/01/2021 23:31
    Artigo muito bonito, mas na prática não existe debate, simplesmente um quer "ganhar" do outro, ninguém se importa com a lógica da argumentação, tirando uns poucos interessados no assunto.
  • André Azevedo  16/01/2021 13:59
    Muito interessante a abordagem da matéria. A sobrevivência da democracia está exatamente na dialética. A democracia é briguenta e isso é sinal de viço e não de doença.

    Meu contraponto vai no sentido de haver limites, sob pena de reproduzirmos o paradoxo da tolerância (Popper) e desaparecerem os pilares do Estado de Direito.

    O maior problema foi o capitalismo, via globalização, ter transferido poder demais às grandes corporações privadas. Em busca da mineração dos dados, novo petróleo, o Estado, especialmente nas democracias ocidentais perdeu o controle sobre o exercício da liberdade de expressão dos cidadãos. Todos viraram cifras e presas preferenciais dos algoritmos que escaneiam preferências e oferecem produtos sob medida.

    O second life ganhou força e se tornou o espaço preferencial de todos, a "first or only possible life". Quem está fora das redes está fora do mundo. A substituição das verdades científicas por narrativas turbinaram a pós-verdade, no enredo das redes. Com essa força plataformas comerciais tornaram-se um terreno fértil para o aprofundamento da manipulação e polarização.

    A Primavera Árabe foi um excelente teste sobre esse potencial. As liberdades individuais sempre motivaram o crescimento das "big techs" no melhor estilo norteamericano, aquele bem descrito por Fukuyama. Por razões distintas, lideranças republicanas e democratas querem reduzir o poderio dessas grandes corporações.

    Se a ausência de concorrência fragiliza o mercado, a ausência de Estado fragiliza a democracia. Seja a diversidade do mercado, que impacta preços e qualidade, seja a vigilância do Leviatã, será inexorável o confronto com a regulação, nesse caso um verdadeiro duelo de titãs.
  • NélsonX  17/01/2021 17:10
    A artista Jane Fonda, disse na rede que " foi Deus quem enviou esse vírus chinês, para que a esquerda consiga voltar ao poder e derrubar o Trump",
  • weberth Pereira   18/01/2021 17:44
    Acredito que alguns aqui já perceberam que irá muito em breve haver um expurgo de conservadores, liberais, anarcocapitalistas, etc. Basicamente, qualquer um que questione o status quo.
    A culpa é nossa que utiliza 100% o google para pesquisa, ignorando outros buscadores ou que gasta horas do dia em redes sociais. Literalmente, criamos um monstro.
    O google pode fazer vc desaparecer do dia para noite.

    Agora com os democratas sendo uma ditadura nos EUA, eles podem passar o que quiserem. Até mesmo uma nova constituição, e não vai haver modo de reagir pois as redes sociais estão bloqueadas.
    Resta uma solução: Deep Web. TOR, forúns lá nos porões da internet. Esse vai ser o modo da gente se comunicar.

    No final, é impossível nos calar.
  • anônimo  18/01/2021 22:39
    Trump deveria investir parte de sua fortuna pra investigar a fraude eleitoral. Isso desmoralizaria completamente os democratas no futuro. Mostraria que ele estava certo e foi um erro tirá-lo.

    O governo Biden tem tudo pra começar morto. 38% dos dólares existentes foram imprimidos em 2020. Biden já anunciou que 1.9 trilhões de dólares serão inpresssos no 1° semestre de 2021 (isso é mais que o PIB brasileiro). Tudo pioraria se logo no 2° ano ele fosse afastado do cargo e a Harris assumisse, o mercado não perdoaria. Esse governo democrata só consegue se reeleger por fraude.
  • Elias  19/01/2021 20:55
    Recebi uma informação que Joe Biden vai permitir que bancos americanos proíbam a abertura ou a manutenção de correntistas que são conservadores. Se isso for verdade, é uma loucura! Isso vai totalmente contra as leis do mercado.

    Já prevejo que nas fichas cadastrais, as empresas irão perguntar a orientação política-partidária do usuário antes de abrir a conta bancária. Se for conservador, rejeitam o cadastro (ou descobrem vasculhando as redes sociais). Sinceramente, eu não sei onde este mundo vai parar.
  • Duda  20/01/2021 00:46
    Temos que ir pro Ouro e Bitcoin.


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