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Por que a tese do "estado empreendedor", bastante em voga, é apenas um mito
Não há como burocratas direcionarem o progresso

Em 2011, uma economista chamada Mariana Mazzucato, formada pela New School, de Nova York, e que atualmente leciona "Economia da Inovação" na Universidade de Sussex, publicou uma breve monografia, que mais tarde viria a se transformar em livro.

O título do livro já se transformou em uma palavra de ordem: O Estado Empreendedor.

Segundo Mazzucato, o estado empreendedor é o responsável por maravilhosas inovações — como o Concorde (uma empreitada anglo-francesa) — que foram recusadas por empresas privadas e também por consumidores.

A essência do argumento dela, porém, não consegue escapar daquela rotineira crença estatista: contrariamente ao que dizem economistas "neoliberais", o papel da economia de mercado na criação de bens e serviços é bastante superestimado, ao menos no que diz respeito a estimular inovações. 

A inovação é descentralizada

A principal premissa de quem acredita em um estado empreendedor é que o investimento público é quem conduz a inovação. 

Mazzucato afirma que o estado tem de impor um tipo de "direcionalidade" às empresas privadas, para assim conduzi-las a um ponto ótimo determinado por especialistas.

Entretanto, não é assim que inovações acontecem. Inovações, por definição, ocorrem de baixo para cima, e não de cima para baixo. São pessoas livres, agindo de modo espontâneo e visando ao próprio interesse, que criam os produtos inovadores de amanhã. A ideia de que burocratas sabem melhor como criar produtos inovadores é uma crença sem nenhuma sustentação prática.

Foram empresas privadas, competindo entre si pela supremacia na comunicação portátil, que nos trouxeram a engenhosidade do smartphone. A Tesla hoje produz alguns dos mais avançados carros elétricos do mundo, disponíveis para consumo em massa. O CEO da Tesla, Elon Musk, é o exato oposto de um burocrata meditativo que Mazzucato acredita ser o condutos das inovações: um homem que oferece quatro modelos de carro chamados S, 3, X, Y, vende lança-chamas, privatizou a corrida espacial, e recentemente lançou uma linha de tequila.

Ou então Travis Kalanick, um bad boy que desafiou leis ao lançar a Uber, que possibilitou que até mesmo os mais pobres tivessem o luxo de um motorista particular (e barato) disponível a apenas um clique de celular. Kalanick transformou um mero conceito em uma marca global que corajosamente desafia monopólios protegidos pelo estado, como o cartel dos taxis.

Se algo, as personalidades de Elon Musk e Travis Kalanick podem ser a representação ideal de como a inovação ocorre: não por decretos estatais ou ideias centralizadas feitas por "especialistas", mas sim por empreendedores excêntricos, atrevidos e livres, que não pedem permissão e nem precisam de carimbos do estado para experimentar suas inovações.

A premissa do estado empreendedor

Para Mazzucato, no entanto, várias estupendas inovações, as quais radicalmente mudaram nossas vidas, foram apenas "apropriadas e comercializadas" por empreendedores privados, tendo sido, na realidade, geradas por intervenções estatais, algumas delas feitas com décadas de antecedência.

Consequentemente, empresas em busca do lucro apenas pegaram uma carona no empreendedorismo estatal, e com isso capturaram várias receitas. Algo vergonhoso para elas, e algo digno de profusos elogios para o governo, conclui Mazzucato.

Apenas pense, diz Mazzucato, no iPhone, no GPS, na Internet. Não seriam todos estes bens o resultado de uma visão de longo prazo do governo americano, especialmente do exército americano? Mazzucato garante que sim.

Só que há um grande problema: em todo o seu livro, ela não apresenta nenhuma evidência e nem nenhuma verdadeira lógica econômica. Em específico, seu relato sobre como inovações surgem é bizarramente falso.

GPS

O GPS, por exemplo, era de fato uma tecnologia militar no começo. Ele foi concebido para servir a um propósito militar: localizar as forças no campo de batalha. Porém, subsequentemente, a tecnologia passou a exigir maciças adaptações e volumosos aperfeiçoamentos. Tudo isso foi feito por contínuos investimentos privados, até que o GPS se tornou item de rotina em automóveis e, hoje, está nas mãos de qualquer pessoa que tenha um smartphone. 

Mas não é só. Inicialmente, o GPS foi uma ideia de uma estrela de Hollywood chamada Hedy Lamarr, nascida em Viena. Hedy criou a tecnologia básica para o GPS durante a II Guerra Mundial. Judaica de origem e aterrorizada com o avanço nazista, queria ajudar os EUA e os aliados. Havia aprendido sobre radiocomunicação graças à convivência, ainda na Áustria, com o ex-marido, Fritz Mandl, um rico fabricante de armas e seus colegas engenheiros. Em 1940, conheceu o compositor George Antheil, também curioso por ciência. Certa noite, quando tocavam piano, ela se deu conta de que cada tecla emitia uma frequência de longo alcance diferente. E, assim como elas se alternavam rapidamente em uma música, talvez algo parecido pudesse ser aplicado aos espectros de comunicação militar. 

Aprimorada por Antheil, a análise de Lamarr originou o sistema "salto de frequência", no qual estações de radiocomunicação eram programadas para mudar de sinal 88 vezes seguidas (o mesmo total de teclas de um piano). Com isso, as forças inimigas teriam dificuldade em detectar esse registro alternado, que poderia ser então usado por navios e aviões, para orientar torpedos.

A dupla chegou a patentear a ideia e a ofereceu à Marinha dos EUA, mas foi rejeitada, sob o argumento de que seria demasiadamente cara.

Internet e aviões

Já um dos argumentos aparentemente mais convincentes feito por Mazzucato (e por outros como ela) é o de que a agência americana de pesquisa militar conhecida como DARPA inventou a internet. 

Se o estado inventou a internet, então é óbvio que ele é capaz de impressionantes feitos de inovação. Basta que ele tenha mais receitas de impostos…

Para começar, a pergunta a ser feita é se o governo americano de fato visualizou algo como a internet. A resposta é óbvia: é claro que não. Não havia nenhum objetivo neste sentido. O investimento feito pelos militares foi semelhante às viagens de Cristóvão Colombo: o estado "empreendedor" descobriu as Índias Ocidentais tendo partido em busca das Índias Orientais.

Na década de 1960, a Força Aérea começou a considerar como uma rede de comunicação descentralizada, fora da tradicional rede telefônica, poderia operar. Mas o Departamento de Defesa suspendeu as pesquisas e não mais tomou nenhuma medida.

A DARPA então criou a ARPANET, que tinha o objetivo exclusivo de interligar as bases militares e os departamentos de pesquisa do governo americano por meio de uma conexão entre duas ou mais redes de computadores.

A DARPA, por si só, jamais teria financiado uma rede de computadores para facilitar a troca de e-mails porque o telefone já servia perfeitamente ao objetivo de efetuar uma comunicação pessoa a pessoa.

Posteriormente, essa ideia se expandiu e virou a internet. Mas essa expansão e difusão ocorreu por meio do desenvolvimento da rede em ambiente livre, não militar — ou seja, privado —, em que não apenas os pesquisadores, mas também seus alunos e os amigos desses alunos, puderam ter acesso aos estudos já empreendidos e usaram sua inteligência e desenvolveram esforços para aperfeiçoá-los.  

Foram jovens da chamada "contracultura" — e não funcionários do estado —, ideologicamente defensores da difusão livre de informações, que realmente contribuíram decisivamente para a formação da Internet como hoje é conhecida.

Vinton Cerf foi o indivíduo que desenvolveu os protocolos TCP/IP, que são a espinha dorsal (a rede de transporte) da internet. Tim Berners-Lee merece os créditos pelos hyperlinks. Mas foi nos laboratórios da Xerox PARC, no Vale do Silício, na década de 1970, que a Ethernet foi desenvolvida para conectar diferentes redes de computadores.  

Isso mostra que a contribuição do governo para a criação de coisas como a internet não só foi não-intencional, como também pode ter sido deletéria. A inovação, por definição, é um esforço caótico, que requer um longo processo de tentativa e erro no mercado, e não a simples aprovação de burocratas e "especialistas". Se a invenção e o progresso dependessem da chancela de Ph.D.s, talvez ainda não teríamos saído da era das carruagens.

Sobre isso, um famoso exemplo é o advento do avião. 

Após um teste fracassado, burocratas do governo compreensivelmente disseram que viagens aéreas seriam algo impossível. Olhando para o passado, estes comentários da época (sobre a impossibilidade de o homem voar) soam cômicos, mas o fato é que se permitirmos que o estado e seu exército de "especialistas" imponham suas criações planejadas, o processo de inovação simplesmente ficaria estagnado.

Com efeito, em 1903, o The New York Times, consultando especialistas do governo, previu que viagens aéreas só ocorreriam dali a, pelo menos, 1 milhão de anos. Apenas alguns meses depois, dois mecânicos de bicicletas, os irmãos Wilbur e Orville Wright construíram o primeiro avião funcional em sua garagem, mudando o mundo para sempre [ou então o primeiro foi Santos Dumont, o debate prossegue até hoje].

Mazzucato e a tese da cadeia quebrada

A inovação, por definição, ocorre na ausência de direcionamentos estatais. Algo não tem como ser inovador se foi completamente planejado.

Essa suposta função de "direcionalidade" dada pelos investimentos do governo — que é o que defende Mazzucato e seus seguidores — não combina com engenhosidade e descobertas. 

O processo do descobrimento de uma ideia e sua subsequente implantação é a total antítese de um processo centralizado. 

Mazzucato relata, como se fosse uma evidência definitiva, que a National Science Foundation concedeu uma pequena bolsa de estudos a um jovem PhD que acabou por inventar a tecnologia do touchscreen. Disto ela conclui que tal invenção se deve ao estado.

No entanto, foi a criatividade deste indivíduo em uma sociedade livre, e não direções coercitivas dadas pelo governo, que geraram a inovação. Pensar o contrário significa pensar que qualquer coisa que tenha algo estatal em sua cadeia de produção é A Causa de sua existência — por exemplo, a estrada que leva ao edifício da Google é a responsável pela existência da empresa.

Este argumento estatista confunde condições benignas — como a bolsa de estudo ou a estrada para a Google — com condições cruciais e poderosos, como uma sociedade livre na qual inovações podem prosperar sem serem punidas e sem terem de pedir permissão para comitês centrais.

Ao pensar assim, Mazzucato incorre na falácia da "cadeia de suprimentos com elos insubstituíveis". Segundo esta tese, todos os elos de uma cadeia de produção são fixos: nenhum elo na cadeia pode ter uma alternativa. Se um elo quebrar, tudo está perdido. É a teoria por trás do bombardeio estratégico: se você bombardear uma junção ferroviária na França de 1944, não haveria alternativa para os invasores alemães; eles não conseguiriam trazer mais suprimentos para as tropas estacionadas na França.

Trata-se da crença de que há "estruturas" fixas de produção.

Se você, assim como Mazzucato, acredita que todos os elos de uma cadeia de suprimentos são imprescindíveis e insubstituíveis, então nenhuma alternativa pode ser criada pela mente humana. Daí se torna fácil concluir que o "empreendedorismo" do governo é crucial, pois os governos modernos são onipresentes. Se você olhar para a cadeia de suprimento de qualquer inovação, e procurar algum exemplo de atuação estatal, sem considerar alternativas privadas, você concluirá que o governo produz tudo. A estrada que leva às instalações da Google em Mountain View é municipal. Logo, pela lógica de Mazzucato, foi a prefeitura local quem possibilitou a Google.

Adulando os mestres

O livro de Mazzucato recebeu copiosos elogios de políticos e acadêmicos, e consequentemente ela passou a ter uma próspera carreira como consultora de governos. Ótimo para ela.

No entanto, falemos a verdade: tudo o que ela fez, no final, foi fornecer uma narrativa lisonjeira para políticos. E economistas adoram virar conselheiros do Príncipe. Eles fornecem uma narrativa que justifique os instintos naturais dos políticos. Assim como empreendedores privados implacavelmente querem produzir bens e serviços que os consumidores querem comprar, políticos também implacavelmente buscam poderes coercitivos sobre estes mesmos consumidores. Quanto mais eles puderem coagir a sociedade, e quanto maior o número de pessoas dependentes deles, mais felizes eles ficam.

E, por trás de tudo, há apenas aquela antiga crença de que economistas devem gerenciar o mundo.

Mazzucato, um filha devota da esquerda, desconfia de empreendedores buscando ganhos privados. Ela quer que o estado, seguindo as consultorias dela, decida por você. 

Conclusão

Criatividade só se converte em inovação quando o papel de descobrir as melhores oportunidades cabe ao empreendedor, e não ao burocrata.

Empreendedores surgem com uma ideia nova; essa é a parte da inovação. O sistema de lucros e prejuízos sinaliza ao mercado se esse empreendedor teve sucesso ou fracasso em criar valor para terceiros. Se ele tiver tido lucro, outros produtores respondem a esses sinais de lucro entrando neste mercado e produzindo um bem similar. Esse é o processo de imitação e aprendizado econômico.

Já Mazzucato defende que governo trate o empreendedorismo como se este fosse algo relacionado a planejamentos estratégicos e burocráticos, quando, na verdade, é um processo de descobertas inovadoras. 

E a competitividade de uma economia depende desse processo de descobertas.

A inovação e a criatividade são características intrínsecas do ser humano. E elas se desenvolvem com maior ímpeto naqueles países em que predomina a liberdade econômica, a qual permite que as pessoas possam se arriscar e usufruir os benefícios de seus empreendimentos. 

A tese de que a intervenção estatal é a chave para que este processo se desenvolva não apenas atenta contra a lógica econômica, como também serve apenas como argumento para intensificar políticas intervencionistas, as quais sempre se comprovam nocivas para o desenvolvimento de longo prazo dos países.

Quem deve escolher os vencedores do mercado não são os burocratas do estado, como que Mazzucato, mas sim os milhões de consumidores.

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Leitura complementar:

O livro de Mazzucato foi refutado em outro livro escrito pela grande historiadora econômica Deirdre McCloskey. Leitura obrigatória para quem se interessa pelo tema:

O Mito do Estado Empreendedor



autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Dollar  04/12/2020 19:01
    O que explica a atual queda do dolar? E o Dollar vai ser fraco igual na era Bush? O que será de 2021 e 22?
  • Flávio  04/12/2020 19:20
    Vitória dos democratas, possibilidade de mais pacotes de gastos, adoção mais intensa da MMT, adoção futura das moedas digitais pelos principais BCs do mundo, o que tirará do dólar a função de moeda internacional de troca.
  • ELCIO ROBERTO FERREIRA MAIOLINI  05/12/2020 17:40
    Bola de cristal não existe, mas queda atual do USD/BRL é devida à queda do DXY cujos ativos, pares de moedas associadas ao dólar, estão retornando para preços próximos ao início da crise, elas estão devolvendo as distorções geradas. Os SWAPS cambiais idem. E o DI testou o topo de um canal de baixa e recuou. Mas nada que não possa ser revertido rapidamente ou estabilizado . Quanto ao fluxo cambial para o Brasil eu não sei informar.
  • TC  04/12/2020 19:24
    Uma dúvida que me atormenta: será que "intelectuais" como a dra. Mazzuccato realmente acreditam nestas concepções que defendem ou será que passam a carreira toda cientes das falácias da ideologia socialista-keynesianista ditada por seus financiadores?
  • Marcos  04/12/2020 19:29
    Acho que ela realmente acredita. Ela quer trilhar o caminho da fama e reconhecimento. Imagina se algum esquerdista acertasse uma receita que fizesse o Estado ser tudo o que prometem? A pessoa que desenvolveu a tal receita estaria elevada a um nível de divindade, pois teria encontrado a solução para o problema que a ciência econômica visa resolver.
  • Daniel  04/12/2020 19:31
    TC, somente pessoas não esclarecidas ou desprovidas de inteligência acreditam em fábulas. A melhor forma de transformar um crente em ateu é pedir a ele que leia a bíblia em sua totalidade. Se ele continuar crente é porque seguramente é desprovido de inteligência, ou então é um profissional do ramo, ganha dinheiro através do embuste, da empulhação, do engodo, mente para os incautos ao afirmar que um tal de deus existe. Traçando um paralelo, essa "doutora" é pessoa esclarecida e provida de inteligência, portanto NÃO acredita em fábulas, restando como única possibilidade o fato de ela ganhar dinheiro através do embuste e da enganação, mentindo para os incautos ao afirmar que existem governos empreendedores. A propósito, foi se utilizando deste expediente que Keynes se tornou multimilionário.
  • TC  04/12/2020 19:48
    Daniel, seu paralelo parte do princípio de que o livro sagrado do cristianismo é composto por "fábulas", seja lá o sentido que queira dar a esta termo (Lições de moral? Literatura? Mitologia?).

    Adiante, escreve que qualquer cristão inteligente que vir a ler a Bíblia e se esclarecer abandonará sua fé, "seguramente".

    A partir dos argumentos que você apresenta, a conclusão que advém é que indivíduos como Santo Tomás de Aquino, Santo Agostinho, G. K. Chesterton, Santa Teresa de Ávila e Joseph Ratzinger seriam "não esclarecidas ou desprovidas de inteligência", isto caso cada um não fosse "...profissional do ramo, que ganha dinheiro através do embuste, da empulhação, do engodo...". É muita pretensão!
  • 4lex5andro  07/12/2020 19:39
    Ficou inusitada essa parte do fórum.

    Então crentes, nas sagradas escrituras seriam, por definição, os ''desprovidos de inteligência'' ... como Kant e Newton... tá ''serto''... é cada aventureiro que passa no Imb...

    E diferente do Estado, a igreja (católica, protestante ou neopentecostal) não coage nem tem poder de polícia sobre ninguém.

    Os anti-teístas deveriam se preocupar com coisas mais urgentes do que 'desconverter' crentes da religião cristã, e partir pra cima dos ''crentes'' estatólatras, estes sim, seguidores de uma doutrina perversa, por ignorância ou interesse.

    Liberais, teístas ou ateus, deveriam atentar pra luta que esse fórum empreende.

    Foco na missão.
  • Guilherme  04/12/2020 20:47
    Piketty, Krugman, Mazzucato e outros, todos conhecem muito bem sobre o arranjo que defendem e sabem que este não promove desenvolvimento, criação de riqueza e liberdade, ao contrário.

    Porém, é exatamente este o objetivo de todos eles, emitir uma narrativa fantasiosa para enganar os incautos, enquanto angariam poder e dinheiro para si mesmos.

    Não há erros ou falhas nas ações destas pessoas, apenas métodos.
  • Jairdeladomelhorqptras  05/12/2020 17:59
    Caro TC.
    Vc pergunta se a a autora do livro em questão realmente acredita no Estado Empreendedor. Sim, ela acredita profundamente. E esta é a razão dos esquerdistas terem uma relativa predominância. Eles estão comprometidos com a sua verdade exatamente como o Cristão está em sua fé.
    Eles não precisam de razões, eles tem fé no Estado. E isto basta para eles. O exemplo mais evidente é o de Hugo chaves. Pergunto para Vc. Onde se trataria se você fosse diagnosticado com um câncer grave? Nos EUA, Alemanha, Françã, Reino Unido, ou... Cuba?
    Este exemplo mostra que nem com a vida em risco eles questionam suas convicções.
    Em tempo. Hugo Chaves não era Burro. Era truculento, mas não burro.
    Abraços
  • Gustavo  04/12/2020 19:29
    Inovações são por definição "permissionless". Ninguém tem de pedir permissão pra inovar. A partir do momento em que você estabelece que para inovar tem de ter subsídio estatal (o qual depende de carimbos e permissões de políticos e burocratas) e diretrizes estatais, acabou qualquer tipo de criatividade. Voltamos às cavernas.

    Que tal ideia seja levada à sério por políticos eu até entendo. Agora, por economistas? Bizarro…
  • anônimo  04/12/2020 19:34
    Apenas por economistas que querem ter um lugar na corte do rei.
  • anônimo  04/12/2020 21:19
    Essa crença no "estado empreendedor" existe também porque falta uma injeção de empreendedorismo na comunidade que trabalha com ciência e tecnologia, etc. Deveriam muito receber esta preparação para vender ideias, apresentar projetos, assumir riscos... Mas não é o que acontece.

    A mentalidade que se cultiva é justamente a de crer que se não for pelo estado (o "único" capaz de fazer vultosos investimentos, com mais resiliência), a pesquisa, a inovação, a tecnologia e a ciência vão paralisar ou vão morrer. É um mito difícil de desmontar, pois falta muito o fator confiança.
  • Rubens  04/12/2020 19:50
    Ok, mas existem N exemplos de parcerias público-privadas que são investimentos úteis e que deram certo.

    O texto cita muitos exemplos de sucesso, mas exemplo não é prova, é contra-prova. Mostra apenas que essas ações foram possíveis sem o Estado.
  • Rafael  04/12/2020 19:57
    "Parcerias público-privadas que são investimentos úteis e que deram certo" é um oximoro.

    Algo que utiliza dinheiro público para garantir lucros privados e que protege os empresários da concorrência não é algo que possa ser chamado de "investimento útil".

    PPP nada mais é do que um mercado cartelizado, em que o estado protege empresários amigos, blindando-os de qualquer concorrência. É a exata definição de um mercado anti-inovação.

    Recomendo:

    www.mises.org.br/article/265/as-parcerias-publico-privadas--a-porta-de-entrada-para-o-socialismo

    www.mises.org.br/article/3217/a-cedae-comprova-ha-muito-governo-na-agua-do-rio-de-janeiro

    www.mises.org.br/article/2958/dica-ao-futuro-governo-nao-faca-concessoes-mas-sim-privatizacoes-e-desestatizacoes
  • Pedro Paulo  04/12/2020 20:10
    Repare que "socialmente útil" é algo intrinsecamente inconsistente. Para se medir a "utilidade social" de algo é necessário que a percepção de utilidade de cada indivíduo que compõe a sociedade seja a mesma. Ora, basta uma pessoa não ter a mesma percepção de utilidade que outra que já se impossibilita definir algo que seja "socialmente útil".

    Portanto "socialmente útil" é algo que só existe em teoria. Na prática existe apenas a intervenção estatal e seus apoiadores que ganham com isso.
  • Jairdeladomelhorqptras  05/12/2020 18:05
    Pedro Paulo,
    Belo e valioso comentário sobre o "socialmente útil". Aguardo mais comentários seus.
    Abraços
  • Juliano  04/12/2020 19:50
    O empreendedorismo estatal é tão bom que eles precisam te ameaçar para financiá-lo.
  • fernando l.  04/12/2020 21:26
    Na verdade, é ainda pior. Conheço inúmeros empreendedores que tiveram seus projetos surrupiados por funcionários públicos analistas, nestas repartições que analisam projetos inovadores. Depois de ficarem por uma temporada analisando os projetos, os devolvem alegando que não são inéditos e por conseguinte, não serão financiados. Pouco tempo depois os projetos surgem com os produtos no mercado, como um passe de mágica. Além de um Estado ineficiente, seus agentes são verdadeiros larápios!
  • Jorge  04/12/2020 20:16
    Pela lógica da Mazzucato, Steve Jobs, Bill Gates, Paul Allen, Jeff Bezos, Jorge Paulo Lehmann, Alexandre Tadeu da Costa, Antônio Alberto Saraiva, Romero Rodrigues, Robinson Chiba, Flavio Augusto da Silva etc. são funcionários públicos
  • Bruno  04/12/2020 20:46
    Eu costumo dar um exemplo que fica muito claro de quem realmente move a humanidade:

    Quem faz mais pelo humanidade, Thomas Edison ou Woodrow Wilson? Ellon Musk ou Barack Obama?
    Bill Gates ou Bush? Steve Jobs ou a família Clinton? Antônio Ermírio de Moraes ou Lula?
  • Estado salvador  04/12/2020 20:20
    O Estado criou Itaipu, outras usinas e toda a rede elétrica do país. Refutem essa.
  • Estevão  04/12/2020 20:31
    Deixa eu tentar lhe trazer para o mundo real.

    Em primeiro lugar, a iniciativa privada não investiu e nem tinha como investir nestes setores simplesmente porque, historicamente, eles sempre foram monopólios estatais. Ou seja, era proibido investir neles. Até hoje, aliás. Se eu quiser construir uma hidrelétrica ou uma ponte por iniciativa própria, irei para a cadeia.

    Em segundo lugar, é impossível a iniciativa privada investir vultosamente nestes setores sendo que ela é impiedosamente tributada e espoliada. É o ápice da ironia: o governo tributa e espolia a iniciativa privada, e depois diz que ela não tem condições de investir.

    Em terceiro lugar, o governo sempre proibiu investimentos estrangeiros nestes setores. Se investimentos estrangeiros fossem liberados, consórcios de empresas estrangeiras não teriam nenhum problema ou dificuldade para investir maciçamente aqui (e lucrar bastante com essa demanda). Porém, como o governo proíbe essa "exploração estrangeira" e exige que o capital seja exclusivamente nacional, fica difícil realmente haver algum investimento maciço.

    Em suma: o governo proíbe investimentos estrangeiros, tributa pesadamente o capital nacional, estipula monopólios, e então sai falando que a iniciativa privada não se interessa. É conclui que, se não fosse o governo, nada seria possível.

    Coisa de gênio.


    P.S.: quando ainda havia algum resquício de liberdade, foi a iniciativa privada quem criou e expandiu o setor elétrico no Brasil. Até o estado confiscar.

    Os primórdios do setor elétrico no Brasil - o mercado fornecia, o governo atrapalhava
  • Bernardo  04/12/2020 20:33
    O tal "Estado salvador" tá um pouquinho desinformado. Ou então simplesmente optou por parar no tempo.

    Desde que o governo federal relaxou um pouquinho as restrições sobre o setor elétrico, no final da década de 1990, empresas privadas já construíram várias hidrelétricas Brasil a fora (ou você acha que até hoje estamos apenas à base de Itaipú?).

    Apenas para adoçar sua curiosidade, sugiro pesquisar sobre a Engie Brasil, sobre a EDP Brasil, e sobre a Energisa Brasil (para ficar nas principais).

    pt.wikipedia.org/wiki/Engie_Brasil

    pt.wikipedia.org/wiki/EDP_Brasil

    pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_Energisa
  • Lopes  04/12/2020 20:34
    Típica mentalidade de gente palerma. O estado "cria" um Fusca, impedindo a construção de uma Ferrari, e diz que a existência do Fusca é a prova cabal de que o estado é eficiente. Já que ninguém está vendo a Ferrari e já ninguém leu Bastiat, a inverdade vence.
  • Trader  04/12/2020 20:48
    Primeiro, confiscam 50% da Renda Privada; depois falam que o setor privado não faz investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento.

    "Malditos escravos que não compram sua própria comida!"
  • Observador  04/12/2020 20:58
    O grande problema é o nacionalismo. Ele começou com Getulio Vargas, foi expandido pelos militares e foi adotado pela esquerda. No fundo isso parece ser inveja dos países desenvolvidos, das empresas de sucesso, etc.

    Essas barreiras protecionistas reduzem o poder de compra dos mais pobres. Com preços mais altos cobrados pelos nacionalistas, os pobres compram menos coisas.

    Esse nacionalismo também destrói a competitividade, porque não reduz a burocracia e nem aumenta a eficiência.

    O nacionalismo também fez o estado gastar mais, fazendo eventos, copas, olimpíadas, etc; sem nenhum acordo ou aceite das pessoas. Lotar um estádio não significa que a população quer um evento.

    O Brasil também é um país de malandros. A lei serve para oferecer privilégios, oferendas, mamatas, tetas, bolsas, etc. Tem malandro demais nesse país.

    Enfim, a única bandeira que interessa é a bandeira da liberdade.
  • Ex-microempresario  04/12/2020 22:23
    Por que não ir um pouco mais longe, "Estado Salvador"?

    O motor a jato foi criado na Alemanha Nazista. Por que você não sai por aí pregando a importância do nazismo, já que sem ele não teríamos aviões a jato?
  • Inácio Rodrigues  04/12/2020 20:41
    Os grandes "barões" americanos do século XIX tipo Rockefeller, Carnegie, Vanderbilt, J.P Morgan, John Gates, Jay Gould, James Hill, Andrew Mellon, Charles Schwab .... precisaram do estado empreendedor como a Mazzucato diz ou fizeram tudo por conta própria mesmo ?
  • Luis  04/12/2020 20:57
    Lembrando que a Westinghouse Electric Corporation financiou Nikola Tesla. JP Morgan financiou Thomas Edison. Há casos de prêmios Nobel em Física que trabalhavam na IBM (ou Bell).
  • João  04/12/2020 21:05
    Faço pesquisa em química, sobre movimentos nas proteínas. Há um fenômeno interessante sobre o desenvolvimento da ciência: a mais importante das contribuições começa nos campos teóricos básicos, pesquisas que fundamentam e nos iluminam com ferramentas matemáticas e explicações determinísticas que nos permitem manipular conceitos até desenvolver novas tecnologias (obs: o desenvolvimento técnico é posterior ao teórico há mais de um século; faz muito tempo que ninguém inventa nada sem base teórica antes).

    Enfim, meu ponto é: a física, a química e a matemática, que são as bases do conhecimento que possibilitaram os avanços da parte desses empreendedores, foram avançadas por gênios que na sua maioria morreram pobres, ou em situação nada glamourosa.

    Era apenas isso, grato pela atenção.
  • Tulio  04/12/2020 21:14
    João, como você bem descreveu, a maioria das descobertas (para não dizer todas elas) foi feita por gênios que morreram pobres. E não por burocratas.

    Ciência financiada pelo livre mercado versus ciência estatal

    Saudações e seja muito bem-vindo.
  • João  04/12/2020 21:25
    Grato Tulio, sim, realmente, burocratas são uma carga irritante na nossa vida. Meu orientador reclama que enquanto professor e pesquisador ( já que no Brasil, não se pode ser puramente pesquisador) ele passa mais tempo com documentos do que pesquisa propriamente, o que atrasa todas as atividades realmente relevantes para a ciência.
  • Estado máximo, cidadão mínimo  05/12/2020 05:03
    "No fundo, nos não sabemos por que o crescimento da produtividade quase parou. Com isso, torna-se difícil responder a outra pergunta: quais medidas tomar para acelerá-lo?

    Os economistas costumam ter uma resposta, só que meio desanimadora. Se o desejado é o maior output -dizem eles- basta aumentar os inputs. Dotando os trabalhadores de mais capital para seu trabalho e de melhor educação, eles se tornarão mais produtivos.

    E como fazê-lo? A resposta é simples: sofrendo. É preciso consumir menos, agora, para ter mais recursos para investimentos. As crianças têm de estudar mais horas e, para isso, novos professores e salas de aula precisam ser pagos. Essas providências, ainda que piorem o padrão de vida no curto prazo, acabam valendo a pena , aumentando-o mais à frente. Daqui dez - ou serão vinte- anos, a produtividade terá aumentado, compensando os atuais sacrifícios." KRUGMAN, PAUL. A era do conformismo, ano 1990, páginas 13 e 14.

    Pegando o gancho dos primeiros comentários do artigo. Sim, eles sabem qual o caminho das pedras (e já há um bom tempo), e sim, eles jogam pra torcida apenas para causar e buscar fama e empatia facilmente.
  • Marcelo M  05/12/2020 09:56
    Concordo com tudo que foi levantado nesta matéria e até achei engraçado o exemplo do avião Concorde que hoje virou peça de museu, pois era inviável economicamente, só o estado para bancar. Mas gostaria de ver a visão de vocês em relação ao reator a fusão nuclear que se for viável, irá mudar radicalmente a matriz energética do mundo, pois será uma fonte inesgotável de energia elétrica. Esta semana partiu de forma experimental tanto na China quanto na Alemanha (em desenvolvimento a mais de 30 anos) os protótipos destes reatores. Além destes dois países, os EUA, Inglaterra, Japão, França estão também com desenvolvimento desta tecnologia a mais de 40 anos. Em outubro começou a construção do maior reator a fusão na França, consórcio de diversos países (investimento de 20 bilhões de Euros). São investimentos do Estado para uma nova tecnologia. Qual a visão de vocês ao uso do dinheiro público para estes investimentos de longo prazo?
  • Guilherme  05/12/2020 16:14
    Um perfeito exemplo disso que foi discutido aqui: trata-se de uma área em que investimentos privados ou são proibidos ou são pesadamente regulados (ao ponto de se tornarem financeiramente proibitivos).

    Ou seja, o estado proíbe (ou regulada pesadamente), e depois nêgo vem dizer que a ausência de investimentos privados neste setor é uma prova de "falha de mercado".
  • mauricio   05/12/2020 21:09
    Sem falar que se fosse um investimento privado(Reator de fusão nuclear)ele seria feito por um custo menor do que U$20 bilhões de dólares.
  • eugenio  05/12/2020 16:14
    O serviço público como objetivo ao "marajanato" desvia gente nova na direção de resolver a vida em serviço publico e não ser empreendedor privado. .

    Salários muitas vezes maiores do que equivalentes serviços privados, sem riscos, sem cobranças de produtividade

    O sonho, o paraíso dos altos salários, da segurança, da saúde diferenciada, das benesses de auxílios moradias, transportes, e quem tem parente bem colocado no serviço público quer também.

    Sem falar que não se demitem os incompetentes.

    Tenho 72 anos e muitas andanças, iniciativa privada e vi excelentes administradores públicos E ADMINISTRAÇÕES BOAS, só que são exceções.

    Eleição para administração pública teria que ser diferente, nenhuma empresa de sucesso no mundo, privada, elege administradores em "ELEIÇÕES DEMOCRÁTICAS',,kkkk

    OBVIEDADES A CONSIDERAR:

    -Os contratantes dos funcionários públicos, empregados da população, são eleitores ignorantes, analfabetos, sem ter conhecimento necessários MÍNIMOS e imprescindíveis para exercer a função de escolha. RESULTA DESPERDÍCIO E DESASTRES .

    - Candidatos honestos, competentes, passado ficha limpa.

    - Candidatos obrigados a provar com currículo e sabatinado, que permita deduzir ser capaz de exercer as funções pretendidas, ter entendimento adequado

    - Hoje por exemplo , STF "interpreta" a constituição conforme interesses dos que os nomearam e dos seus próprios, vergonhosamente, e nada podemos fazer, a não ser aceitar tal infâmia, vergonha indescritível.

    Um mínimo, óbvio, mas que hoje ladrões, processados e condenados têm voz, são eleitos e formam quadrilhas desviando recursos bilionários.

    Fatos como estes nos avisam que um novo sistema se faz necessário e imprescindível.
  • Ex-carioca  05/12/2020 18:03
    Eu concordo com a primeira metade do seu texto e discordo respeitosamente com a segunda metade onde se fala que "basta escolher um administrador melhor".

    Você pode colocar o Peter Drucker para administrar algo do Estado e nenhum efeito positivo vai acontecer porque:

    1. Não há um sistema de incentivos corretos para as pessoas. O salário dos funcionários públicos é o mesmo, produzindo ou não. Além disso, você ganha privilégios com o tempo, sem qualquer lastro com produtividade.

    2. o Brasil está cheio de subpastas temporárias de prefeituras (que agora são permanentes) que já cumpriram a sua finalidade, como por exemplo, a construção, alocação e serviço social para famílias de baixa renda em moradias popular. Como você administra algo que já completou a sua função? Tem que encerrar a pasta e dispensar os funcionários públicos

    3. Uma parcela significativa daquilo que temos de instituições, órgãos e empresas de governo nunca tiveram nenhuma utilidade prática ao cidadão. Trata-se apenas de uma estrutura física montada e de pessoas (políticos e funcionários públicos) escondidas atrás de um estatuto muito bonito, recheado de boas intenções, "prestando um serviço" que o cidadão nunca pediu e nunca pedirá.

    Não é preciso se esforçar muito para encontrar algumas em âmbito federal:
    - apex brasil
    - nav brasil
    - finep
    - ceitec, valec, nuclep, ebc
  • Curioso  07/12/2020 15:27
    Nem sabia da existência das estatais. Fui pesquisar. Descobri que tem até estatal de chip. E que é uma merda:

    Brasileiros devem pagar R$ 21,5 bi este ano para bancar estatais zumbis

    Trechos:

    "Segundo dados do Tesouro, a conta para bancar as estatais que dependem de recursos públicos para sobreviver deve chegar a 21,5 bilhões de reais este ano. Em 2019, essa despesa alcançou cerca de 18,3 bilhões de reais. O Tesouro não explicou o motivo do aumento previsto para este ano.

    Atualmente, 18 estatais dependem dos cofres públicos para pagar suas contas. Há empresas como a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa, (Amazul) criada em 2013 para atuar no setor de energia nuclear, a Imbel, voltada à construção de material bélico, e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

    Os recursos para manter as estatais deficitárias representam quase o triplo do montante direcionado a obras de infraestrutura, estimado em 7,37 bilhões de reais este ano.

    Na Embrapa, uma das estatais que recebe aportes do Tesouro, o salário médio é de 12.728 reais, segundo um levantamento do Ministério da Economia realizado recentemente. Na Nuclep, fabricante de componentes para usinas nucleares que também não se sustenta sozinha, os funcionários recebem em média 13.738 reais por mês.

    O Centro Nacional de Tecnologia Avançada (Ceitec), mais conhecido como a fábrica de chips do governo brasileiro, deve ser liquidado este ano.

    O Ceitec recebeu cerca de 66,8 milhões de reais da União em 2019 para pagar suas despesas. De acordo com o Tesouro, a empresa nunca conseguiu andar pelas próprias pernas e sempre dependeu de recursos públicos."


    Outra reportagem:

    A guerra da liquidação da Ceitec, a "estatal do chip de boi"

    Ministério da Economia enfrenta resistência para extinguir empresa pública que acumula prejuízo e recebeu cerca de 900 milhões de reais dos cofres públicos

    "Criada em 2008, durante o governo Lula, a Ceitec está sediada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e possui 184 funcionários com um salário médio de 8.889 reais. Desde quando abriu as suas portas, a empresa consumiu cerca de 900 milhões de reais dos cofres públicos. Deficitária, acumulou um prejuízo de 124,3 milhões de reais nos últimos cinco anos. Diante desse histórico negativo, a equipe econômica decidiu colocar a empresa à venda. No início, a ideia encontrou resistência no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

    O problema é que o Ministério da Economia sondou o interesse do mercado em adquirir a Ceitec, mas não encontrou nenhum candidato disposto a comprar a estatal."


    Ou seja, tem estatal "tão boa", que ninguém nem sequer se interessa por comprar.
  • Ex-carioca  07/12/2020 17:35
    Prezado Curioso,

    Se você se assustou com isso, então vai ficar chocado em saber que nesses R$21,5bi anuais não estão computados os passivos trabalhistas (funcionário público que entra com ação contra sua própria empresa).

    Veja:
    .
    "Estatais federais de grande porte têm R$ 380 bilhões em discussão em processos judiciais e administrativos. Desse total, R$ 71 bilhões são classificados como "perdas prováveis", segundo reportagem do jornal O Globo

    Os dados incluem perdas potenciais com ações trabalhistas, tributárias e cíveis e se referem ao terceiro trimestre de 2018 da Petrobras, Eletrobras, Correios, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal."
    www.conjur.com.br/2019-jan-28/estatais-federais-discutem-380-bilhoes-processos-jornal

    Com esse volume de passivo trabalhista que nem se sabe ao certo quanto é, ninguém vai querer nem de graça uma estatal.

    Os passivos trabalhistas são assombrosos e, em algumas estatais,conforme notícia acima, são dezenas de vezes maiores que o seu valor.

    Enquanto as estatais não são liquidadas, esses passivos trabalhistas vão crescendo como bola de neve e nós estamos pagando... Já imaginou o correios com os seus 110mil funças????

    A única chance de alguém comprar o correios é o governo assumir esses passivos trabalhistas
  • anônimo  07/12/2020 19:16
    Que negócio absurdo, bicho.
  • 4lex5andro  07/12/2020 16:15
    Esse caso da Valec e sua eterna ferrovia em construção é um descalabro.
    Desde 1987 destruindo bilhões em recursos amealhados via coerção dos contribuintes, desde o plano Bresser até hoje, quase terceira década do séc. 21.

    Em um país civilizado uma aberração dessas - bem como Sudene, Sudam - já teriam sido extintas há tempos. Mas como é Brasil né...
  • Intruso  06/12/2020 01:27
    A Embrapa é uma empresa pública do governo federal no setor de pesquisa agropecuária que possibilitou ao Brasil ser o que é no agronegócio mundial, ou seja, o maior exportador de soja do mundo. Tudo isso graças a pesquisas que possibilitaram a transformação do cerrado, região com solos extremamente ácidos e pobre em nutrientes minerais. A soja, é apenas um exemplo, as conquistas dessa empresa pública estão sendo usufruidas por produtores agrícolas de todas as áreas ( café, milho, algodão, hortaliças, etc). Garantindo desta forma a segurança alimentar do povo brasileiro e quiça de boa parte da população mundial.
  • Gustavo  06/12/2020 16:09
    O mais legal é que, no Brasil, quando o cara tenta dar um exemplo de estatal que funciona, a ÚNICA que ele consegue citar é a Embrapa. Tipo assim, nada mais se salva? Que bom, então. De minha parte, aceito manter a Embrapa, e acabar com todo o resto. Topa?

    P.S.: dizer que o brasileiro só come por causa da existência da Embrapa é o ápice da bajulação ao funcionalismo público. Isso é que é baixa auto-estima.
  • José Ricardo  06/12/2020 16:12
    A Embrapa já teve seu momento, lá na década de 1970. Hoje, o que ela faz monopolisticamente poderia ser feito por qualquer empresa privada em busca do lucro. Como, no entanto, o estado proíbe o surgimento de concorrência para a Embrapa (pois é monopolista), idiotas acreditam que a empresa (de patrimônio líquido negativo) é indispensável.

    É a mesma lógica de dizer que as empresas de Eike Batista com patrimônio líquido negativo também são indispensáveis. Empresa com patrimônio líquido negativo é, por definição, uma destruidora de riqueza.
  • Ex-carioca  06/12/2020 17:06
    Qualquer pessoa mais técnica em agricultura, já sabe que desde o tempo do império que o solo brasileiro (com exceção do sul do país) possui um pH desregulado, pouquíssimo potássio e principalmente fósforo. Nessas condições, qualquer vegetal, inclusive gramíneas, que se tente plantar vai nascer atrofiado e com baixa produtividade.

    Além disso, há um problema da mecânica do solo no Brasil. A estrutura rochosa do solo superior (topsoil) é arenosa e isso faz com que qualquer nutriente despejado no solo, principalmente compostos com nitrogênio- que possui alta taxa de mobilidade em solo arenoso, seja escoado muito rapidamente para as camadas inferiores sem ser muito bem aproveitado.

    Não precisa ser um Eistein para entender que tão logo que:
    - normalizar os níveis de pH no solo para que haja a troca adequada de íons;
    - corrigir os níveis nutricionais do vegetal em relação ao solo
    - recompor a camada de solo superior(humus) ou utilizar adubos de baixa mobilidade - não particulado

    Abre-se caminho para o cultivo produtivo de qualquer vegetal, contato que este seja habilitado para o clima e a altitude.

    Em resumo, o que a EMBRAPA faz ou fez é pegar os estudos JÁ PRONTOS elaborados por outros institutos de outros países que fizeram 99% do trabalho com o vegetal, adaptar ao solo brasileiro e republicar o trabalho como a sua grande inovação e orgulho nacional. (Recentemente nem para isso ela está prestando mais)

    Aqui estão alguns exemplos de vegetais e países que eu já estudei e realizaram 99% do trabalho
    cana de açúcar - índia
    milho e soja - EUA
    pimentão - Chile
    eucalipto - Austrália
    seringueira - Inglaterra


    A EMBRAPA pode bostejar o que ela quiser em seu site e meios de comunicação, mas não existe nenhuma originalidade em seu trabalho. Muito pelo contrário, ela deveria se posicionar corretamente como um instituto que adapta vegetais JÁ ESTUDADOS POR OUTROS INSTITUTOS para o solo brasileiro.

    A adaptação é um trabalho importante e isso eu concordo 100% pois ajuda a diversificar a agricultura, porém como os amigos acima já disseram não há nada que a iniciativa privada possa fazer com um custo MUITOOOOOOOO menor.

    Seria melhor para o cidadão brasileiro fechar o dinossauro da embrapa e encomendar avulso para outros institutos (nacionais ou internacionais) os estudos de adaptação para o solo
  • 4lex5andro  07/12/2020 14:01
    O exemplo (mencionado no segundo parágrafo) de citação do livro ''Estado Empreendedor'' é insustentável.

    É notório que o concorde era altamente deficitário, que só se manteve operando junto a empresas para-estatais, como a British Airways (BOAC quando iniciou as aquisições e operações do supersônico) e a Air France.

    Players privados deram de ombros pra esse (belo, excelente, inovador, sofisticado, bem construído, mas muito caro) jato.
  • Ex-microempresario  07/12/2020 16:10
    Uma curiosidade: a operação do Concorde, ao menos na British, não era deficitária. Acontece que a "exclusividade" do Concorde o transformou em um produto de luxo, o que permitia cobrar tarifas maiores do que a primeira classe dos aviões convencionais. No fim das contas, o mercado se ajusta....

    Já o projeto do Concorde, esse sim deu prejuízo, não necessariamente por deficiências técnicas, mas principalmente pelo aumento dos preços do petróleo após 1973 e pela "dor de corno" dos EUA, que fez de tudo para limitar o acesso do Concorde ao seu mercado.
  • Dario  02/01/2021 10:45
    A única função do Estado nesses últimos anos está sendo a sua principal enriquecimento de famílias e grupos empresariais.
  • Imperion  02/01/2021 22:06
    O estado, ao regulamentar , escolhe quem vai enriquecer e empobrecer, senso que os últimos votam exatamente em políticos que vão fazê-los empobrecer.


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