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Quando Mises destruiu o socialismo: 100 anos do mais importante artigo econômico já escrito
Desde que Mises provou que o socialismo é irracional, todos os fatos o confirmaram

Em 1920, Ludwig von Mises publicou aquele que viria a ser o mais importante artigo de economia já escrito: "O cálculo econômico sob o socialismo". Você pode lê-lo aqui.

Este ano, portanto, é o centenário da publicação. O evento merece reconhecimento. É de se duvidar que terá algum.

O ensaio de Mises foi o primeiro a desafiar a teoria socialista, à época em voga ao redor do mundo. Nesta monografia que viria a se tornar o pilar central da Escola Austríaca de Economia, Mises demonstrou que o planejamento econômico centralizado é inerentemente irracional e, logo, impossível.

Por quê? Porque os planejadores centrais precisam de um sistema de preços para lhes mostrar quanto custa cada recurso escasso. E estes preços só podem surgir por meio da concorrência em uma sociedade em que haja propriedade privada e que permita a livre entrada de concorrentes. O socialismo não permite nenhum dos dois.

A histórica constatação de Mises

O ensaio de Mises chama a atenção não apenas pelo seu rigor, como também por sua honestidade intelectual. 

Em vez de intencionalmente enfraquecer o argumento do oponente para então criticá-lo — tática essa conhecida como a falácia lógica do "espantalho" —, Mises fez questão de apresentar o argumento a favor do socialismo em sua versão mais robusta e convincente possível, para então respondê-lo e apontar os erros.

Assim, quando Mises começou a destrinchar os problemas do socialismo, ele partiu do princípio, para o bem do debate, de que o comitê de planejamento central de um regime socialista era formado por seres não apenas totalmente bem intencionados, como também estes usufruíam todos os conhecimentos técnicos relevantes à sua disposição.

Embora seja humanamente impossível que um comitê central formado por burocratas consiga apreender todos os fatos existentes e dispersos ao longo de toda a economia do país, e absorvê-los em sua mente de modo a tomar decisões boas e racionais, Mises, mesmo levando em conta esta impossibilidade prática, pressupôs, pelo bem do debate, que o comitê central socialista seria formado por homens iluminados, oniscientes e perfeitamente capazes de apreender e reunir todo o conhecimento disperso na sociedade. 

E, ainda assim, afirmou Mises, esses planejadores socialistas estariam perdidos e tateando no escuro. 

Mesmo sendo detentores de todo o conhecimento existente na sociedade, os planejadores socialistas simplesmente não teriam como avaliar se os recursos escassos — recursos naturais, bens de capital e mão-de-obra — à sua disposição estariam sendo empregados da melhor maneira possível. 

Os planejadores socialistas não teriam como mensurar a eficiência econômica de seu plano para os recursos da sociedade.

Eis, resumidamente, o argumento de Mises:

1) Sob o socialismo, os meios de produção (fábricas, instalações industriais, máquinas, ferramentas e mão-de-obra) não possuem proprietários privados. Eles pertencem ao estado.

2) Se os meios de produção pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles.

3) Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos para esses meios de produção (o que inclui os salários da mão-de-obra).

4) Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de custos. 

5) Sem cálculo de custos, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de meios de produção para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

6) Logo, sem preços e sem cálculo de custos, de lucros e de prejuízos, é impossível haver qualquer racionalidade econômica na alocação de recursos escassos, o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

Ou seja: dado que a própria essência do socialismo é a propriedade coletiva dos meios de produção e a ausência de livre concorrência; dado que tal arranjo não permite o surgimento de preços de mercado; e dado que sem preços não há o mecanismo de lucros e prejuízos, que é o que traz racionalidade para qualquer processo produtivo, o comitê de planejamento central não seria capaz nem de planejar nem de tomar qualquer tipo de decisão econômica racional.

Os planejadores centrais, se bem-sucedidos em centralizar a produção e a distruibuição, não teriam preços para guiar seu planejamento. Não saberiam quanto cada ativo, produto ou serviço custa. Logo, suas decisões necessariamente teriam de ser completamente arbitrárias e caóticas. 

Consequentemente, concluiu Mises, a existência de uma economia socialista planejada é literalmente "impossível". E o socialismo é irracional. Trata-se de um ideal que não pode ser alcançado no mundo real. É inerentemente algo utópico, não tendo como funcionar em local nenhum do mundo.

A reação

Por um bom tempo, este ensaio de Mises se tornou o foco dos defensores do socialismo. Mas ninguém conseguiu refutá-lo. 

E então, com o passar dos anos, aqueles economistas que ainda defendiam algum planejamento centralizado de qualquer tipo simplesmente ignoraram o artigo ou diziam que ele já tinha sido refutado (sem mostrar como).

No entanto, a importância do ensaio de Mises foi reconhecida em meados da década de 1930 por um teórico socialista que lecionava na Universidade de Michigan: Oskar Lange.

Naquele que se tornou seu mais famoso ensaio, "On the Economic Theory of Socialism", publicado em 1936, Lange começa suas considerações com esta esperta retórica:

Nós socialistas certamente temos bons motivos para sermos gratos ao Professor Mises, o grande advocatus diaboli [advogado do diabo] da nossa causa. Pois foi seu poderoso desafio que obrigou os socialistas a reconhecerem o problema de um inadequado sistema de contabilidade econômica para guiar a alocação de recursos em uma economia socialista.

Mais ainda: foi principalmente por causa do desafio do Professor Mises que muitos socialistas se tornaram cientes da própria existência deste problema. […]

Tanto como uma expressão de reconhecimento pelo grande serviço prestado por ele, e como lembrança da suprema importância de se ter uma sólida contabilidade econômica, uma estátua em homenagem ao Professor Mises deveria ser erguida em um honroso local no grande hall de entrada do Ministério da Socialização, ou no Comitê Central de Planejamento do estado socialista.

Lange argumentou que um comitê de planejamento central poderia estabelecer um sistema de produção econômica tão eficiente quanto um sistema econômico descentralizado guiado por preços competitivos. Os planejadores socialistas teriam apenas de atribuir preços arbitrários para todo e qualquer item oferecido pelo estado; ato contínuo, se houvesse ou uma escassez ou um excesso de estoques, então o comitê alteraria os preços. E assim sucessivamente, até se alcançar um equilíbrio.

A absurdidade prática deste argumento em um mundo de preços em contínua alteração, e com literalmente bilhões de bens serviços, deveria ser evidente para todos. Mas não foi evidente para nenhum economista acadêmico. O argumento de Lange continuou a ser citado me monografias defendendo o planejamento central até o colapso da União Soviética a 25 de dezembro de 1991.

A vasta maioria dos economistas acadêmicos se lembra de Mises — quando lembram — apenas nos termos desta supressão retórica de Lange.

O departamento de economia da Universidade de Chicago contratou Lange em 1943. Ele saiu do posto em 1945 quando o governo socialista da Polônia o nomeou para Embaixador nos Estados Unidos. Em 1946, ele se tornou o enviado da Polônia para as Nações Unidas. Em 1947, ele retornou à Polônia para assumir um cargo de economista no governo e, depois, como professor na Universidade de Varsóvia.

Em nenhum momento, algum governo socialista adotou seu hipotético programa de testar preços arbitrariamente atribuídos. Não obstante, economistas acadêmicos continuaram citando seu artigo de 1936 como sendo uma refutação do ensaio de Mises.

Durante 50 anos, poucos livros-textos de economia mencionavam Mises. E, quando o faziam, era apenas para dizer que ele havia sido totalmente refutado por Lange. Os acadêmicos do establishment simplesmente jogaram Mises no buraco orwelliano da memória.

Robert Heilbroner, um economista socialista e multimilionário em decorrência dos royalties de sua popular obre sobre a história da teoria econômica, The Worldly Philosophers, a qual vendeu mais de quatro milhões de cópias, afirmou em um artigo à revista The New Yorker, de setembro de 1990, intitulado "Após o Comunismo", que ele havia crescido em um mundo acadêmico no qual ele e seus pares acreditavam que Lange havia refutado Mises. E então ele anunciou: "Mises estava certo".

No entanto, não há nenhuma referência a Mises na sétima edição da obra The Worldly Philosophers, publicada em 1999, um silêncio que ele manteve nas seis edições anteriores, que começaram em 1953.

O acobertamento dos intelectuais

Todos os eventos ocorridos nos países que adotaram o socialismo demonstraram, de forma macabra, quão correta estava a constatação de Mises.

O fracasso universal do socialismo do século XX começou já nos primeiros meses após a tomada da Rússia por Lênin. A produção caiu acentuadamente. Ato contínuo, ele foi forçado a implementar uma reforma marginalmente capitalista em 1920, a Nova Política Econômica (NEP). Ela salvou o regime do colapso. A NEP foi abolida por Stalin.

Durante as décadas seguintes, Stalin se entregou ao corriqueiro hábito de assassinar pessoas. A estimativa mínima é de 20 milhões de mortos. 

O ponto de partida da chacina socialista foi a Ucrânia. Normalmente é dito que o número de ucranianos mortos na fome de 1932-33 foi de cinco milhões. Mas de acordo com o historiador Robert Conquest, se acrescentarmos outras catástrofes ocorridas com camponeses entre 1930 e 1937, incluindo-se aí um enorme número de deportações de supostos "kulaks", o grande total é elevado para entorpecentes 14,5 milhões de mortes.

Tal prática era peremptoriamente negada por quase toda a intelligentsia do Ocidente. Foi somente em 1960 que o próprio Robert Conquest publicou seu monumental livro O Grande Terror — Os Expurgos de Stalin

Sua estimativa atual: algo em torno de 30 milhões. O livro foi escarnecido à época. O verbete da Wikipédia sobre o livro é bem acurado.

Publicado durante a Guerra do Vietnã e durante um surto de marxismo revolucionário nas universidades ocidentais e nos círculos intelectuais, O Grande Terror foi agraciado com uma recepção extremamente hostil.

A hostilidade direcionada a Conquest por causa de seus relatos sobre os expurgos foi intensificada por mais dois fatores. 

O primeiro foi que ele se recusou a aceitar a versão apresentada pelo líder soviético Nikita Khrushchev, e apoiada por vários esquerdistas do Ocidente, de que Stalin e seus expurgos foram apenas uma "aberração", um desvio dos ideais da Revolução, e totalmente contrários aos princípios do leninismo. 

Conquest, por sua vez, argumentou que o stalinismo era uma "consequência natural" do sistema político totalitário criado por Lênin, embora reconhecesse que foram os traços característicos da personalidade de Stalin que haviam causado os horrores específicos do final da década de 1930.  

Sobre isso, Neal Ascherson observou: "Àquela altura, todos nós concordávamos que Stalin era um sujeito muito perverso e extremamente diabólico, mas ainda assim queríamos acreditar em Lênin; e Conquest disse que Lênin era tão mau quanto Stalin, e Stalin estava simplesmente levando adiante o programa de Lênin".

O segundo fator foi a ácida crítica de Conquest aos intelectuais ocidentais, os quais ele dizia sofrerem de cegueira ideológica quanto às realidades da União Soviética tanto durante a década de 1930 quanto, em alguns casos, até mesmo ainda durante a década de 1960. 

Personalidades da intelectualidade e da cultura da esquerda, como Sidney e Beatrice Webb, George Bernard Shaw, Jean-Paul Sartre, Walter Duranty, Sir Bernard Pares, Harold Laski, D.N. Pritt, Theodore Dreiser e Romain Rolland foram acusados de estúpidos a serviço de Stalin e apologistas de seu regime totalitário devido a vários comentários que fizeram negando, desculpando ou justificando vários aspectos dos expurgos.

A esquerda ainda odeia o livro, e continua até hoje tentando dizer que ele exagerou nos números e nos relatos.

E então veio o Livro Negro do Comunismo (1999), que coloca em 85 milhões a estimativa mínima de cidadãos executados pelos comunistas, deixando claro que cifras como 100 milhões ou mais são as mais prováveis.  

O livro foi escrito por esquerdistas franceses e publicado pela Harvard University Press, de modo que ele não pôde simplesmente ser repudiado como sendo apenas mais um panfleto direitista.

Segundo o livro, entre 1949 e 1987, o comunismo da China, liderado por Mao Tsé-Tung e seus sucessores, assassinou ou de alguma maneira foi o responsável pela morte de 76 milhões de chineses. Há historiadores que dizem que o número total pode ser de 100 milhões ou mais. Somente durante o Grande Salto para Frente, de 1959 a 1961, o número de mortos varia entre 20 milhões e 75 milhões. No período anterior foi de 20 milhões. No período posterior, dezenas de milhões a mais.

No Camboja, o Khmer Vermelho, comandado por Pol Pot, exterminou aproximadamente 3 milhões de cambojanos, em uma população de 8 milhõesCrianças eram assassinadas com baionetas.

No total, segundo Conquest, os regimes socialistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Destas, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas pelas políticas de planejamento econômico — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

A esquerda até hoje tenta ignorar tudo isso.

Com efeito, a resposta da academia tem sido a de considerar todo o experimento soviético como algo que foi meramente mal orientado, algo que se desencaminhou, e não como algo inerentemente diabólico. O custo em termos de vidas humanas raramente é mencionado. Antes de 1991, era algo ainda mais raramente mencionado.  

Antes de Arquipélago Gulag (1973), de Solzhenitsyn, era considerado uma imperdoável falta de etiqueta um acadêmico fazer mais do que apenas mencionar muito discretamente e só de passagem toda a carnificina, devendo limitar qualquer crítica apenas aos expurgos do Partido Comunista comandados por Stalin no final da década de 1930, e praticamente quase nunca mencionar que a fome em massa havia sido adotada como uma política pública. "Ucrânia?  Nunca ouvi falar." "Kulaks? O que são kulaks?"

Há um livro sobre estas ingênuas e crédulas almas, que foram totalmente trapaceadas: Political Pilgrims: Travels of Western Intellectuals to the Soviet Union, China, and Cuba, 1928-1978 de Paul Hollander. Foi publicado pela Oxford University Press em 1981. Foi ignorado pela intelligentsia por uma década.

A falência intelectual e moral dos líderes intelectuais do Ocidente, algo que vinha sendo encoberto pela própria durabilidade do regime soviético, foi finalmente exposta em 1991, quando houve o reconhecimento mundial de que os regimes marxistas não apenas haviam falido economicamente, como também eram tiranias que o Ocidente havia aceitado como sendo uma alternativa válida para o capitalismo.

Não há exemplo melhor deste auto-engano intelectual do que o de Paul Samuelson, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o primeiro americano a ganhar o Prêmio Nobel de economia (1970), ex-colunista da revista Newsweek, e autor daquele que é, de longe, o mais influente livro-texto de economia do mundo pós-guerra (1948 — presente): pelo menos 3 milhões de cópias vendidas em 31 idiomas distintos.  

Ele escreveu na edição de 1989 de seu livro-texto: "A economia soviética é a prova cabal de que, contrariamente àquilo em que muitos céticos haviam prematuramente acreditado, uma economia planificada socialista pode não apenas funcionar, como também prosperar."

Mises previu tudo

Tudo o que ocorreu seis décadas após a publicação do ensaio de Mises comprovou a acurácia de sua tese. Regimes construídos sobre bases irracionais se degeneram em ações irracionais.

Em 1979, a China comunista abandonou o planejamento centralizado no setor agrícola. Deng Xiaoping removeu os controles estatais sobre a agricultura na China. Essa liberalização levou ao maior e mais longo período de crescimento econômico, na maior área terrestre do planeta, em toda a história da humanidade.

Em seguida, ao fim da década de 1980, a economia da União Soviética começou a implodir. No dia 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev formalmente dissolveu a URSS. Sem nenhum derramamento de sangue, os líderes da URSS simplesmente abandonaram este esquema. A bandeira vermelha sobre o Kremlin foi abaixada pela última vez. O experimento genocida havia terminado.

Esses dois acontecimentos apenas comprovaram a teoria de Mises, de 1920. O socialismo é realmente irracional.

Dado que o socialismo é inerentemente irracional, ele não tem como produzir crescimento econômico semelhante ao das economias de livre mercado. Este contraste pode ser visto nesta foto de satélite das duas Coreias. Desconheço uma imagem visual que melhor valide a teoria de Mises.

Coreias.png

Para concluir

As leis da economia têm de ser respeitadas. Mises entendeu isso. Seus críticos não. A análise de Mises feita em 1920, apenas três anos após a Revolução de Outubro, se comprovou acurada tanto para a China quanto para a URSS.

Em seu posfácio à edição de 1990 do ensaio de Mises, Joseph Salerno apresentou a seguinte avaliação:

A importância deste ensaio de Mises, de 1920, se estende para muito além de sua devastadora demonstração sobre a impossibilidade de uma economia e de uma sociedade socialista. 

O ensaio apresenta a mais completa justificativa da importância de se ter preços livres, livre concorrência, propriedade privada protegida contra todo e qualquer tipo de ataque, e uma moeda sólida.

Sua tese continuará relevante enquanto economistas e políticos quiserem entender por que até mesmo pequenas intervenções estatais na economia consistentemente fracassam em seu intuito de alcançar resultados socialmente benéficos. 

"O cálculo econômico sob o socialismo" certamente figura entre os mais importantes artigos econômicos escritos neste século.

Eu acrescentaria isto: em qualquer século.

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Leia este ensaio seminal:

O cálculo econômico sob o socialismo


Se quiser ter o livro físico, adquira-o aqui.


autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • H.  25/11/2020 19:06
    Meu Deus, o modelo de Lange é mais ridículo do que eu imaginei. A coisa, pelo que eu entendi, funciona assim:

    1) Uma entidade central toma as decisões a respeito do que precisa ser produzido, quem deve produzir, como deve produzir, por quanto tempo deve produzir e por qual preço deve vender.

    2) O resultado dessa patacoada é óbvio: nada vai funcionar direito, serão produzidas coisas que ninguém quer e não serão produzidas coisas que todos querem, os preços estarão totalmente distorcidos.

    3) A solução é, TCHARAM!, tentativa e erro! O grande governo, sempre preocupado com o social, vai encontrar maneiras de calcular se a produção está atendendo às demandas das pessoas e do próprio estado e fazer adaptações.

    4) Se essas adaptações não funcionarem, o governo vai usar seu setor de estatísticas para determinar o que é preciso fazer na próxima vez.

    5) Quando isso também não funcionar, o governo vai culpar os produtores pelos problemas e reprimir os protestos violentamente. Afinal, o estado é bom, o estado está aí para nos ajudar, o estado é democrático e não devemos ficar questionando o estado. Afinal, não aprendemos que o problema não é pagar muitos impostos, mas sim "não receber serviços de qualidade"?

    6) As pessoas começam a sofrer com a falta de itens básicos. Mas não há problema, porque "ninguém passa fome". Isso porque, como somos cachorros domesticados e não humanos, não precisamos nos preocupar com nada além de comer e dormir. Os intelectuais de esquerda defenderão o país e dirão que tudo está indo bem. Não importa que o país esteja ruindo e ficando cada vez mais pobre enquanto os grandes líderes estejam vivendo muito felizes as benesses do capitalismo.

    7) O governo culpa o imperialismo, o Mickey Mouse e os burgueses pela crise. A coisa só piora a partir daqui.

    Ok, os itens 5,6 e 7 são meus, mas sinceramente, é isso o que chamam de refutação ao problema do cálculo econômico?
  • Henrique  25/11/2020 19:17
    Olha um exemplo de como até hoje a "refutação" do Lange é citada, um trecho de artigo publicado em 2008 (!!!) por um professor socialista da minha faculdade:

    "Lange (1964 [1936-1937]), em resposta a Hayek, propõe a sua própria periodização do debate. Elabora uma resposta explícita às objeções de Mises e à interpretação de Hayek, utilizando a elaboração de Barone e emendando-a com o método de tentativa e erro de Taylor. Barone é citado favoravelmente. O comentário sarcástico de Schumpeter (1986 [1954], p. 986) sobre um não-socialista como autor da "teoria pura da economia socialista" deve ser levado a sério. O espírito do tempo era inteiramente a favor das intervenções de Lange, e o próprio Schumpeter, em seu livro que enfaticamente previa o fim do capitalismo (1942, p. 87) e a viabilidade do socialismo (Ibid., p. 215), é responsável pelo juízo final do debate: "não há nada errado com a lógica pura do socialismo" e "a única autoridade negadora que precisamos mencionar é o Professor L.von Mises" (Ibid., p. 221)."

    Pra quem quiser conferir o artigo por completo, ele trata da retomada dos debates em torno da possibilidade (ou impossibilidade) de uma transição ao socialismo após a bancarrota das burocracias leste-européias:

    www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-41612008000200007&script=sci_arttext
  • brunoalex4  25/11/2020 19:33
    "7) O governo culpa o imperialismo, o Mickey Mouse e os burgueses pela crise. A coisa só piora a partir daqui."

    Na Venezuela culparam o Homem-Aranha...
  • Daniel  25/11/2020 20:09
    A economia, no modelo de Lange, é estática. O conhecimento, os recursos e tudo o mais não são dinâmicos e não sofrem as mudanças altamente complexas que vemos no nosso dia-a-dia. É como se, na sua fábrica, você tivesse uma quantidade fixa de funcionários e de máquinas, que nunca estragam, nunca envelhecem, nunca pedem demissão, e a produção da fábrica atendesse a uma demanda fixa que bastaria a você descobrir.

    Dessa maneira, realmente basta você fazer algumas tentativas e cálculos estatísticos e de pesquisa operacional para chegar a uma alocação mais próxima da ideal e correr para o abraço. O mundo real, é claro, é completamente diferente disso.

    Na época de Lange, talvez isso não estivesse tão claro cristalino, a olhos vistos para quem quiser ver.
  • Tiago  25/11/2020 20:18
    É mais ou menos isso mesmo. Os Socialistas que defendiam o modelo de planejamento central, tinham como ferramenta teórica o modelo de Equilíbrio Geral de Léon Walras. Modelo este posteriormente aperfeiçoado por seus discípulos de Lausanne, Vilfredo Pareto e Enrico Barone.

    O objetivo de Pareto e Barone era provar, com o modelo de Equilíbrio Geral, que um planejador central teria de ser onisciente caso quisesse substituir a coordenação espontânea do sistema de preços de um livre-mercado. O problema é que abestados como o Lange não entenderam a provocação e acreditaram que aquilo fosse uma contribuição ao socialismo.

    A função do modelo de Equilíbrio Geral, é apenas explicar como um livre-mercado funciona e como a flutuação do preços entre bens se afetam mutuamente tendendo sempre a uma situação de equilíbrio econômico geral, porém sem nunca alcançá-lo dado o caráter não estático da realidade (Walras afirma isso categoricamente). Enfim, apenas uma ferramenta para melhor compreensão e não um instrumento para fazer previsões ou mesmo controlar Economias inteiras.

    O Lange é um total desequilibrado ao afirmar que o EG resolveria os problemas de uma economia planejada. Porque neste modelo admite-se a hipótese surreal em que o produtor conhece todas as n alocações de recursos possíveis e seus respectivos custos, os métodos de produção são constantes (representados algebricamente por coeficientes), sabe de antemão o comportamento da demanda a posteriori e trata todos os bens como homogêneos.
  • Dúvida  25/11/2020 20:18
    Sei lá, eu acho que a turma implantou o modelo do Lange sim.

    Não foi desse modelo que surgiram aqueles famosos casos de sapatos e roupas de tamanho único, e pregos e parafusos uniformes que não serviam nem para pregar telhados?
  • Álísson  25/11/2020 20:28
    Não. Isso era apenas consequência direta da abolição da racionalidade econômica. Como não há preços, não há cálculo de custos, de lucros e de prejuízos. Empreendedores (estatais) não têm como incorrer em cálculos econômicos e não têm produzir os bens que estão sendo realmente demandados pelos consumidores. Eles no máximo podem adivinhar. 

    Na URSS, como não tinha o sistema de lucros e prejuízos para guiar a produção, o governo estipulava cotas de desempenho. Quando ele instituía uma cota de produção de parafusos, impondo um número mínimo de parafusos a ser produzido, os trabalhadores dessa linha de produção produziam vários parafusos pequenos e inúteis. A cota estava alcançada.

    E aí então, vendo o fracasso, ele mudava o critério e passava a estipular uma cota de parafusos baseada no peso. Os trabalhadores então produziam parafusos massudos e totalmente inúteis — uma situação que era até satirizada em charges.

    Sem preços para balizar as decisões e com burocratas tendo de decidir todas as alocações, trabalhadores são alocados para trabalhar em áreas nas quais não possuem nenhuma vantagem comparativa. Agricultores são enviados para trabalhar em fábricas, e alfaiates são enviados para trabalhar em minas. Trabalhadores estão em linhas de produção erradas tendo de lidar com máquinas e ferramentas que desconhecem.  A economia se torna uma bagunça. Há escassez generalizada, mas excesso de alguns poucos itens (como foguetes e tanques).
  • WMZ  25/11/2020 23:09
    Lembrando que o setor aeroespacial e o setor militar da URSS eram os setores que sofriam concorrência direita com os EUA.Por isso que foram os setores mais bem-sucedidos.
  • Ivanildo  25/11/2020 19:07
    Sensacional o artigo. Deveria ser distribuído entre todos os alunos dos cursos de humanas desse país.
  • L  03/12/2020 03:10
    Seria bom para dizer que se tentou alguma coisa, mas não espero muito desses amantes de Paulo Freire que não sabem nem interpretar um texto -- como é o esperado.
  • Edson  25/11/2020 19:08
    Vale lembrar que nem Marx nem nenhum socialista jamais ofereceu alguma explicação sobre como o socialismo funcionaria tão logo o capitalismo desaparecesse. Não há um mísero livro demonstrando como seria o funcionamento de uma sociedade socialista. Há vários livros sobre o funcionamento de uma sociedade capitalista, mas nenhum sobre uma sociedade socialista.

    Marx, inclusive, chegou a rotular os socialistas (Saint-Simon e Fourier) que de fato tentaram descrever como seria uma sociedade socialista de "utópicos", de tanta bobagem que eles falaram ("os frangos voariam diretamente para as bocas das pessoas, já assados e quentinhos pela natureza").

    Sem o cálculo econômico para revelar quais atividades acrescentam valor para a sociedade (que dão lucro) e quais retiram valor (que dão prejuízos), torna-se uma ilusão supor que a eficiência iria simplesmente surgir do nada. Quaisquer outros argumentos para a organização da sociedade que não envolvam o cálculo econômico podem até ser feitos, mas o problema de como a eficiência econômica seria alcançada permanece sem resposta.
  • Harrison  25/11/2020 19:13
    Ok, mas com o surgimento dos supercomputadores e do Big Data é sim possível refutar a tese de Mises.
  • Gustavo  25/11/2020 19:24
    Não faria diferença nenhuma. Um "supercomputador" não resolve o problema da alocação de recursos e nem o da produção, pois não resolve o problema da ausência de preços de mercado, que é a característica intrínseca do socialismo.

    Sem preços de mercado livremente formados, simplesmente não há como alocar recursos de maneira racional, sensata e eficiente.

    Dizer que um supercomputador pode substituir a propriedade privada e a livre formação de preços (algo que só é possível no capitalismo) é absolutamente o mesmo que dizer que um comitê centralizado especializado pode substituir a economia de mercado, que era exatamente o argumento dos socialistas.

    Assim, você simplesmente voltou ao problema original do socialismo. Retornou à década de 1930. E o argumento de Mises, de 1920, segue inabalado.
  • Régis  25/11/2020 19:29
    Indo um pouco além do argumento da falta de preços:

    1) Dados são informações passadas e apenas isso. Podem auxiliar um investimento, mas não podem fornecer uma inovação, papel esse do empreendedor.

    2) Robôs são apenas automações. Não confunda com o que você vê em filmes. Robôs e computadores só fazem aquilo para o que são programados. Com o avanço da programação, poderão executar tarefas complexas que exigem a leitura de inúmeras variáveis, como conduzir 100% o seu carro ou limpar a sua casa, mas jamais serão capazes de criar o que não existe. O papel do empreendedor nunca será substituído.

    3) O governo pode fazer o papel empreendedor, mas limitado a poucas mentes, sem incentivos para melhorias e com interesses desconexo do consumidor. A economia de mercado fornece uma sociedade de mentes empreendedoras, com incentivos a melhorias e interesses alinhados ao consumidor.

    Por isso, a sociedade de mercado sempre será melhor do que qualquer outra.

    De resto, um supercomputador não vai a abolir a escassez, nem as externalidades advindas dela, nem a preferência variável dos consumidores, que inclusive indicam uma sociedade livre de coerção.

    É impossível um governo, por mais "onisciente" que seja, ter os burocratas e técnicos que tenham todo o conhecimento da população. Mesmo com supercomputadores e internet, ainda assim o conhecimento estaria disperso e não seria possível ser totalmente absorvido por iluminados do estado.


    Curiosidade: isso de supercomputador já foi feito. No Chile de Allende havia um projeto que tentaria implantar exatamente isso: uma economia centralmente planejada por um computador gigante. E tudo em decorrência da tese de que o problema do socialismo pode ser resolvido com a coleta gigantesca de informações.
  • Professor  25/11/2020 20:53
    Big Data não muda absolutamente nada.

    Aqueles que consideram que o problema do socialismo é meramente um problema de compilação de informação não entenderam nem o básico: o cerne do problema do socialismo está na ausência de preços em uma economia centralmente planejada (será que a Venezuela não ensinou nada?).

    A função dos preços em uma economia de mercado é única e insubstituível, pois são os preços monetários que fornecem a indispensável ferramenta para o cálculo econômico. Como disse Mises: "É impossível somar valores, avaliações e estimativas. É possível somar apenas preços expressados em termos de dinheiro, mas não é possível somar escalas de preferência".

    Tendo preços como um norte, empreendedores podem buscar lucros ao simplesmente examinar as diferenças entre os preços de mercado dos fatores de produção e os preços esperados dos produtos finais. E aí ele pode organizar a produção de acordo.

    Sendo assim, mesmo se ele possuir excelentes dados, sem esse mecanismo de preços de mercado, nem o cálculo econômico e nem a eficiente alocação de recursos são possíveis; a economia planejada, consequentemente, não é factível.

    Na ausência de preços competitivamente determinados para os fatores de produção, mesmo a posse de literalmente todo o conhecimento do mundo não seria capaz de fazer com que um indivíduo alocasse recursos produtivos de maneira economicamente racional dentro da divisão social do trabalho.

    E a simples coletânea de dados, por mais volumosos e completos que sejam, não tem como abolir essa realidade.
  • Imperion  27/11/2020 14:52
    Um supercomputador provaria que Mises esta certo. Ao colocar as ordens sob a tese socialista no sistema, isso geraria um nó congestionado e as informações demorariam muito a passar. Já descentralizado na iniciativa privada, com propriedade privada, o produtor tomaria a decisão mais eficiente pra si e não participaria do nó congestionado.

    O tal gestor central ficaria perdido sem saber da causa do congestionamento do sistema.
  • Ricardo  28/12/2020 09:47
    Que soh foi possivel ser construido gracas ao capitalismo...
  •   25/11/2020 19:48
    Interessante video intitulado "Dr. SHIVA Explains How Economy Really Works and How Lawyer-Lobbyists, Career Politicians Screw You"

    www.youtube.com/watch?v=DNCEaWqWYAU
  • Historiador  25/11/2020 20:42
    O Correspondente do The New Yorl Times, Walter Duranty, ganhou o Pulitzer por ficar relatando as glórias da URSS. Negou categoricamente o extermínio por inanição cometido na Ucrânia na década de 30.

    Depois que seu acobertamento foi descoberto, caiu em desgraça e enfrentou um movimento para revogar seu Pulitzer.

    Obviamente, a patota não revogou.

    Virou tema de um livro chamado "Stalin's Apologist."

    Outros intelectuais tiveram a mesma atitude de negligência durante a "década vermelha", expressão de Eugene Lyons.
  • WMZ  26/11/2020 11:36
    E a taxa câmbio entre o rublo soviético e o dólar?

    Para vangloriar a URSS, os "historiadores" contam que o PIB russo era o segundo maior do planeta e que o PIB per capita cresceu bem mais do que nos países ocidentais entre 17-91 (wiki inglês soviet-type plan).

    Entretanto, podemos fazer perguntas: (mesmo sabendo que o PIB não mede nada)

    1) Como que foi calculado o PIB? Qual método? (cuidado, pode ser que existia um "corretor" nos cálculos que corrigiu as distorções que eu estou querendo evidenciar)

    2) Supondo que foi a mesma metologia usada internacionalmente, qual era a taxa de câmbio nas datas das coletas de dados?

    (na Wikipedia em inglês tem a tabela*)

    3)Quem definia a taxa de câmbio entre os dois países: O governo americano em relação ao rublo
    ou soviético em relação ao dólar?

    (*mas eu não qual país que controlava o câmbio)

    Agora, supondo, que era o governo soviético quem estipulava (mais provável), como saber se o valor dado estava sobrevalorizado ou subvalorizado?

    4) E como esta possível manipulação afetava o "exibicionismo propagandista" do PIB soviético?

  • Vladimir  26/11/2020 15:42
    "E a taxa câmbio entre o rublo soviético e o dólar?"

    Uma ficção estipulada pelo governo soviético. Como a população não tinha acesso a nada importado, não fazia diferença.

    Na prática, a única função do câmbio era converter dólares obtidos com a exportação de petróleo em rublos a uma taxa convenientemente boa para enriquecer (em rublos) a nomenklatura.

    "Para vangloriar a URSS, os "historiadores" contam que o PIB russo era o segundo maior do planeta e que o PIB per capita cresceu bem mais do que nos países ocidentais entre 17-91 (wiki inglês soviet-type plan). […] Como que foi calculado o PIB? Qual método?"

    Idem acima. O PIB soviético era mensurado pelo próprio governo e por ninguém mais. Não havia "auditoria" externa nenhuma. E este PIB era convertido em dólares utilizando a taxa de câmbio estipulada arbitrariamente pelo governo.

    "Supondo que foi a mesma metologia usada internacionalmente, qual era a taxa de câmbio nas datas das coletas de dados?"

    Aquela estipulada livremente pelo governo. É a mesma, aliás, do peso cubano. Alguém consegue comprar peso cubano no mercado de câmbio internacional?

    "Quem definia a taxa de câmbio entre os dois países: O governo americano em relação ao rublo ou soviético em relação ao dólar?"

    Como explicado acima, dentro do país o governo soviético escolhia o preço que quisesse para o dólar (obtido via exportação de petróleo). Como ninguém tinha acesso livre ao dólar (exceto a nomenklatura), então isso não fazia diferença nenhuma para ninguém.

    Se os cidadãos de um país são proibidos de se livrar da moeda nacional, se eles são proibidos de comprar qualquer outra moeda, e se eles são proibidos de adquirir bens estrangeiros, então câmbio se torna uma ficção.

    "como saber se o valor dado estava sobrevalorizado ou subvalorizado?"

    Olhando o valor do dólar no mercado negro e comparando com o oficial.

    "E como esta possível manipulação afetava o "exibicionismo propagandista" do PIB soviético?"

    Na prática, apenas inflava artificialmente o PIB que eles próprios calculavam. E só.
  • Imperion  27/11/2020 14:56
    Você produz 1.000. O gov toma 200 de você, pra gastar. Na contabilidade do PIB, ele diz que o PIB foi 1.200 (o produzido mais os gastos do governo).

    Numa economia soviética, vc produz 1.000. O governo toma os mil e gasta. Contabiliza um PIB de 2.000 (o que vc produziu mais os gastos).

    Essa patacoada é usada por todo estatista pra dizer que com eles o PIB é maior, pois somam os gastos como se tivessem gerado valor. O PIB americano (20 trilhões), se de repente virasse soviético, ficaria assim.

    O povo produz 20 trilhões, o gov toma 20 trilhões, gasta e aí contabilizaria 40 trilhões de PIB. Na época, o PIB americano, com um estado bem menor, não pareceria tão grande, enquanto que a URSS, com estado 100 por cento, contabilizaria um PIB dobrado. Um PIB grande e um povo na miséria. Então, comparar os PIBs da época, só se fizer conversão para os PIBs reais, pois PIBs oficiais de ambos são pura propaganda ideológica.

    Brasil produz 4 trilhões, o governo toma 2 trilhões, gasta e fala que nosso PIB é de 6 trilhões. Aí ele fala que a carga tributária é de somente 33 por cento pra enganar. Ele na verdade toma metade.
  • Austríaco Incompetente  25/11/2020 21:09
    Há 100 anos Mises destruiu o socialismo mas em 2020 todo mundo fala de Karl Marx e ninguém sabe quem é Mises rsrsrs

  • Realista  25/11/2020 21:28
    A sorte do mundo é que a esmagadora maioria apenas fala de Marx. Já aqueles poucos que realmente o levam a sério acabam chacinando a própria população.

    O tenebroso exemplo mais recente é a Venezuela.

    Fim da ilusão: o desastre econômico da Venezuela é reconhecido pelo próprio governo socialista

    A catástrofe humanitária do socialismo venezuelano: 90% da população vive hoje na pobreza

    Com as pessoas forçadas a revirarem lixo, o socialismo venezuelano provoca emagrecimento compulsório

    O fato de você comemorar isso diz bastante sobre seu caráter.
  • anônimo  25/11/2020 22:10
    todo mundo fala de Karl Marx e ninguém sabe quem é Mises rsrsrs

    se fosse desconhecido você não dedicaria seu tempo escrevendo um comentário irrelevante numa page dedicada
    mas vamos fingir que ninguém reparou no seu bumbum doendo hahah
  • Eduardo Jorge Coelho Simões  02/12/2020 18:19
    Caso você não tenha percebido nem a historia do mundo acabou nem o lixo da história está completamente lotado; foi apenas o seu discernimento que acabou !!!
  • L Fernando  25/11/2020 23:54
    Hitler também é muito mais conhecido, citado que os que o combateram
  • Drink Coke  26/11/2020 01:06
    "Há 100 anos Mises destruiu o socialismo mas em 2020 todo mundo fala de Karl Marx e ninguém sabe quem é Mises rsrsrs"

    O que diz muito mais sobre a porcaria que é as academias de ciências humanas. Tomada e guiada por "paixões" e não por razões.

  • Drink Coke  25/11/2020 21:44
    Mises destruiu racionalmente o socialismo, porém o socialismo nunca foi racional, aqueles que tornam-se socialistas não foram por motivos racionais, não após estudar o assunto a fundo e concluir que o socialismo seria superior, tornaram-se socialistas por motivos meramente sentimentais, irracionais. Nesse caso, a publicação do Mises teve efeito prático nulo em destruir o socialismo, pois não se ataca o irracional com o racional, infelizmente, e há pouco a se fazer sobre isso. Ainda assim eu agradeço por essa publicação que nos tira qualquer dúvida possível sofre a eficácia desse sistema empobrecedor e escravista.
  • Cuck  25/11/2020 22:05
    O capitalismo não é bom mas é melhor que o socialismo, olhe a industria de pneus, feitos na Thailandia sob trabalho escravo praticamente, é vendido mundo afora e seu descarte promove problemas ambientais. Industria suja

    Fonte: youtu.be/-fusUxEPwsw

    Sei que tem gente que fará ginastica olimpica pra defender, mas quero é ver solução capitalista pra isso ao invés do ESTADO resolver, como tem resolvido
  • Humberto  25/11/2020 22:30
    Você está estranhando que uma propriedade estatal — o ambiente — seja esculhambada?! É isso mesmo?

    Meu consagrado, entenda o básico: o governo — qualquer governo — sempre protegeu as indústrias com boas influências políticas, e sempre discriminou novos empreendedores ao, por exemplo, legalizar a poluição e desmatamento para as indústrias existentes ao mesmo tempo em que impõe custos proibitivos às novas.
    Vale pro Brasil, vale pros EUA, vale pra Tailândia.

    Os cidadãos prejudicados pela poluição, pelo desmatamento e pelos rios sujos não têm como processar os poluidores, que além de estarem protegidos pelo governo federal, estão atuando sobre uma propriedade estatal, que não é de ninguém.

    Estranho seria, aí sim, se uma propriedade estatal, de ninguém, fosse respeitada e bem cuidada. Você quer que o estado cuide monopolisticamente do ambiente e, ao mesmo tempo, desmaia ao descobrir que o estado é ineficiente no serviço.

    Sua ingenuidade é tão profunda é que é realmente bonita. Quase lírica.

    Por que proibir o Brasil de explorar suas florestas? – E o exemplo sueco

    Propriedade privada significa preservação

    Se você gosta da natureza, privatize-a
  • Guilherme  25/11/2020 22:32
    Praticamente todas as questões relacionadas ao ambiente envolvem conflitos sobre propriedade. 

    Sempre que houver propriedade privada, os proprietários podem resolver estes conflitos por meio da proibição e da punição aos atos de transgressão.  O incentivo para se conservar é uma característica inerente à estrutura de incentivos criada pelo mercado. 

    O mesmo é válido para o incentivo de se preservar todas as coisas de valor.  A responsabilidade pelos danos à propriedade alheia tem de ser arcado pelo indivíduo que causou o estrago. 

    Propriedade comunal do ambiente, como existe hoje, é garantia de ineficiência e de conflitos. 

    Dado que as florestas e os rios, por exemplo, não são propriedade privada, a meta de se conseguir mantê-los limpos e "verdes" sempre será enganosa. Somente quando uma terra tem dono é que este possui vários incentivos para cuidar muito bem dela. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo.  

    Assim, caso ele decida, por exemplo, arrendá-la para uma madeireira, ele vai permitir a derrubada de um número limitado de árvores, pois não apenas terá de replantar todas as que ceifou, como também terá de deixar um número suficiente para a safra do próximo ano. O mesmo vale para um pasto ou para uma área de plantio.

    E o mesmo vale para um rio que abastece milhões de pessoas ao longo de seu curso.

    Mas ninguém aceita isso. Então, nada feito.
  • anônimo  25/11/2020 23:30
  • Janice  27/11/2020 01:36
    A primeira coisa que o senhor do vídeo fala sobre a mulher é que ela é muito bonita. Quanta masculinidade tóxica! Podia pesquisar sobre a cidadã na internet.

    Mas é fácil defender esse tipo de coisa quando alguém resolve fazer por ideologia a proteção da natureza privada.
    Se ela quisesse ganhar dinheiro mesmo desmatava. Que foi o que foi feito nos últimos séculos. Seja em terras públicas ou privadas.

    Ou vcs criam um teorema provando que ganhasse mais dinheiro PARA O DONO DA TERRA coma floresta em pé do que com a floresta derrubada.
    Até porque o contrário já existe. Estudo mostrando que a floresta vale mais de pé PARA TODA SOCIEDADE mas que não vale pro dono da terra!
  • Pensador Puritano  26/11/2020 14:46
    Leia o artigo tragédia dos comuns e reflita e entenderás que sem propriedade privada o meio-ambiente estará condenado a destruição mesmo,mas lendo o artigo entenderás quem é o culpado desta devastação.
  • Daniel  26/11/2020 01:29
    O Brasil é tão atrasado que as reformas de modernização da economia só vieram a ocorrer na década de 1990. A China começou as reformas em 1979 e a URSS em 1985.
  • Gustavo  26/11/2020 01:47
    Em 1988 o Brasil estava aprovando uma Constituição que tem (somente para exemplificar) no seu artigo 7º direitos de férias, FGTS, 13º, relação de emprego protegida contra dispensa sem justa causa, irredutibilidade, etc; sendo, boa parte deles cláusulas pétreas. Sem contar outras baboseiras, como a "função social da propriedade" ou transporte como direito social.

    Ou seja, enquanto começava a derrocada do marxismo no mundo, o Brasil colocava em vigor o seu reservatório de utopias. Pense que o país teve o atraso de no mínimo 10 anos com a turma do PT no poder... E agora tem mais expansão do estado por causa da fraudemia. A situação é crítica.
  • Souza  26/11/2020 03:23
    Boa noite!

    Vou me desculpando por mudar um pouco o tema mas depois de acompanhar este site por alguns anos resolvi aumentar minha área de conhecimento e de negócios.

    Eu sou um vendedor que compra e revende produtos online para comerciantes locais e para pessoas físicas mas estava pesquisando em como vender na internet para fora do Brasil(por causa do câmbio e pelo produto ser mais valorizado) e achei pouca coisa a respeito do tamanho potencial que é a exportação nestas circunstancias.

    Tipo para o comprador existem mecanismos de proteção onde por exemplo vc pode se comunicar com:
    1 - a operadora do cartão de crédito ou paypal e pedir o estorno
    2 - o outro método pode ser entrar em contato com a plataforma onde o lojista anunciou o produto
    3 - A outra é entrar em contato direto com o vendedor
    4 - Se nada adiantar ou se demorar muito tempo pode-se entrar em contato com o consumidor.gov.br, Procon, ação judicial...enfim existem métodos de proteção ao consumidor podem demorar um bom tempo para ser estornado a compra mas geralmente consegue.

    Agora eu vos pergunto se existe proteção ao vendedor tanto aqueles que moram no Brasil e vendem para dentro do território nacional e principalmente para quem vende para fora do território nacional. E se existem poderiam me dizer quais e se tem algum e-commerce que oferece essa proteção?

    obrigado
  • Claudio Taulois   26/11/2020 05:04
    Excelente artigo, claro e abrangente, suculento. Embora sendo um dummy em economia, eu o li com máximo interesse e satisfação.
  • Eslavo  26/11/2020 18:58
    Essa foto de satélite das 2 Coreias deveria estampar todos os cantos das redes sociais.
  • Consagrado  27/11/2020 21:59
    Essa e aquela da queda do Muro de Berlim.
  • Fã do Mises  27/11/2020 15:38
    Existe uma refutação cabal à social-democracia?
  • Investidor cauteloso  27/11/2020 17:07
    Hmmm...
    A moeda soviética era lastreada em ouro na época?
    Que se for verdade pelo menos evita um problema inflacionário...
    Imagino um seguinte governo central...
    O preço do trigo(100g) é 1 rubro...
    O preço fica congelado e ocorre uma escassez...
    Por coerção o governo obriga os trabalhadores do campo produzir mas trigo...
    Até que alcance estabilidade..
    Se mesmo obrigando continua escasso eleva-se o preço do trigo...
    Se por outro lado trigo está estragando coloca um preço baixo...
    Para funcionar minimamente uma economia planificada precisa de nenhuma lei trabalhista, coerção para trabalho, metas obrigatórias e um controle de preço burocrático, ainda que rápido...
    Logicamente deve ser feito isso com centenas de milhares de produtos...
    Um sistema de metas audacioso que com falhas acumuladas sistematicamente pode cair de maduro...
    Lembrando que milhares de recursos escassos foram usados para tanques de guerra nesse sistema de metas...
  • Ninguém Apenas  02/12/2020 17:40
    Moeda soviética atrelada ao ouro só pode ser piada kk

    O rublo era atrelado ao ouro no final da era czarista, mas logo na revolução ele perdeu totalmente o lastro.


    Nunca mais, depois de 1917, a moeda russa teve lastro em ouro.
  • Investidor cauteloso  04/12/2020 16:04
    Entendi. Mas de qualquer forma não tinha inflação, uma vez que os preços eram congelados.
    Era só por coerção que controlava a escassez então.

    Que de qualquer forma se industrializaram e produziram tanques, armas, usinas nucleares(péssimas).


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