clube   |   doar   |   idiomas
As tarifas de importação no Brasil - empatamos com Argentina, Venezuela e Cuba
O objetivo é proteger grandes empresas e grandes sindicatos

Uma crítica comum ao processo de abertura comercial diz que isso é coisa de "neoliberal entreguista", e que todos os países do mundo protegem suas empresas, de forma que não há razão para não fazermos o mesmo. 

Com isso em mente, resolvi dar uma olhada nos dados de tarifas aplicadas à importação de produtos manufaturados que estão disponíveis no Banco Mundial. 

Comecei olhando para América Latina e Caribe. Como de costume, trabalhei com valores médios de cinco anos (2014 a 2018) e países com mais de cinco milhões de habitantes.

Eis os dados:

1.png

Gráfico 1: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média simples). Países da América Latina e Caribe

É isso mesmo: temos a maior tarifa média do grupo. Argentina, Venezuela, Bolívia e mesmo Cuba praticam tarifas menores do que as nossas. 

Será que alguém vai dizer que os irmãos Castro, o kirchnerismo e o bolivarianismo são regimes ultraliberais e entreguistas, ou que nossas empresas enfrentam agruras maiores que as enfrentadas por empresas argentinas ou bolivianas? 

Se considerarmos a média ponderada no lugar da média simples, como na figura abaixo, apenas a Venezuela tem tarifa média maior que a nossa. 

2.png

Gráfico 2: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média ponderada). Países da América Latina e Caribe

Em outro artigo, mostrei que o Peru foi o país da América Latina com o maior crescimento no século XXI. Talvez não seja por acaso que o Peru seja o país da região com menor tarifa média aplicada a produtos manufaturados.

Fiquei inconformado com a ideia de que, com exceção da Venezuela, a depender da medida utilizada, somos o país com maior tarifa média da América Latina e Caribe. Os países da América Latina são todos "neoliberais entreguistas"? Até Cuba? Até Morales? 

Resolvi então olhar outro grupo em que o Brasil se encontra: os países de renda média-alta segundo o Banco Mundial. 

Esses países certamente sabem proteger as indústrias que lá produzem. A figura abaixo mostra o resultado para média simples.

3.png Gráfico 3: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média simples). Países de renda média-alta

De novo, ficamos com a maior tarifa média. Não pode, isso só prova que a média simples não é uma boa medida. 

A figura abaixo mostra a tarifa calculada com médias ponderadas: novamente, só a Venezuela na nossa frente. Seria Maduro o único governante que sabe a importância de proteger a indústria local?

4.pngGráfico 4: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média ponderada). Países de renda média-alta

Não me dei por vencido. 

O leste da Ásia é a região que mais cresce e atrai novas indústrias, logo aqueles países devem ser uma boa referência. A figura abaixo mostra a tarifa média no Brasil e nos países do Leste da Ásia e do Pacífico.

6.png

 Gráfico 5: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média simples). Países do leste da Ásia e Pacífico

Mais uma vez, ficamos em primeiro! Sem países exemplares como Argentina, Venezuela e Bolívia, ficamos sozinhos na lista de países com tarifas médias acima de 10%. 

Outra vez, desconfiei do uso de médias simples e joguei minhas esperanças nas médias ponderadas. Como pode ser visto na figura abaixo, no critério de médias ponderadas também estamos na frente dos países do Leste da Ásia e do Pacífico.

5.png

 Gráfico 6: tarifas de importação aplicadas a produtos manufaturados (média ponderada). Países do leste da Ásia e Pacífico

Portanto, é oficial: somos mais fechados que Camboja, China, Vietnã, Indonésia e Laos.

Seria também essa região um antro de governo neoliberais e entreguistas?

Quase sem ânimo algum e pronto para reconhecer, resolvi olhar para todos os países com dados disponíveis e mais de cinco milhões de habitantes. 

Com o critério de média simples, encontrei apenas três países com tarifa maior que a do Brasil: Camarões, Etiópia e Chade. 

Intolerável.

Decidi, então, dar uma conferida no critério de média ponderada. Finalmente! Foi a primeira lista em que o Brasil não estava em primeiro ou segundo lugar. Como é complicado fazer figuras com cerca de cem países ou regiões, vou listar os doze países onde a tarifa média ponderada aplicada a produtos manufaturados é maior do que a nossa: Chade, Camarões, Etiópia, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Benim, Venezuela, Togo, Senegal, Quênia e a República Democrática do Congo.

Apenas estes países são menos entreguistas que o Brasil.

É muito sério. E grave

O leitor pode estar pensando que abusei da ironia aqui. Talvez eu tenha mesmo, mas foi uma forma de tentar chamar atenção para a necessidade urgente de discutirmos a abertura da economia e o quão fora da realidade é o discurso de que as empresas instaladas no Brasil não resistirão a tarifas mais baixas. 

Temos nossos problemas, é fato, mas outros países também têm os seus e punem menos seus residentes com tarifas para dificultar a compra de produtos mais baratos ou de melhor qualidade produzidos no exterior.

Para você, consumidor, este excelente site tem uma calculadora que permite você calcular, por estado, quanto irá pagar de tributos ao importar um bem. Por exemplo, se você mora no estado de São Paulo e decidir importar, via Courier, um produto que custa US$ 1.000 (R$ 5.500) mais US$ 50 de frete, você pagará R$ 5.900 só de tributos, o que dá mais de 100% do preço do produto. 

O preço final total será de insanos R$ 11.700. Ou seja, as indústrias nacionais estão sem nenhuma concorrência estrangeira.

Clique no site, faça pesquisas por estados, e teste a resistência do seu estômago. 

O objetivo e as consequências

A ideia por trás do protecionismo é que tarifas de importação elevadas irão proteger as empresas nacionais (tanto os grandes empresários quanto os sindicatos destas empresas) e blindá-las contra os reais desejos dos consumidores, que sempre querem produtos baratos e de qualidade.

Logo, com empresas nacionais protegidas da concorrência estrangeira, nós teremos de comprar exclusivamente delas, o que irá garantir lucros para os grandes empresários e empregos para seus funcionários.

Isso é o que se vê. Mas, ainda mais importante, é o que não se vê.

Tarifas de importação altas, além de afetar os mais pobres — que ficam sem poder aquisitivo para comprar produtos bons e baratos feitos no exterior —, afetam também os pequenos e médios empreendedores, que não conseguem adquirir insumos baratos (e cruciais) para seus negócios.

E isso tem de ser enfatizado: tarifas protecionistas não afetam apenas os consumidores; elas também afetam as empresas domésticas que precisam importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar sua produtividade e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos. Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade. 

Isso reduz sua produtividade e aumenta seus custos. Sendo menos produtivas e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente. 

Consequentemente — e essa é uma das consequências não previstas do protecionismo —, as exportações tendem a ser menores do que seriam sem as tarifas. 

Com o protecionismo, o governo cria uma reserva de mercado para grandes empresários e grandes sindicatos, os quais agora, sem a concorrência externa, se sentem mais livres para, do lado empresarial, cobrar preços mais altos, e do lado sindical, exigir salários maiores, e em troca oferecerem produtos de pior qualidade para os consumidores.

Logo, não sobra alternativa para os consumidores e empreendedores senão consumir os produtos destas duas corporações protegidas pelo governo. Nós nos tornamos reféns.

Tendo de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais ficam incapacitados de consumir mais e de investir mais. A capacidade de consumo e de investimento da população fica artificialmente reduzida. 

E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia. 

Consequentemente, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas. 

Assim, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção fica aquém do potencial, os preços médios são maiores do que seriam caso houvesse liberdade, e, como consequência de tudo, os salários reais ficam abaixo do potencial.

E tudo isso não é apenas teoria, mas também empiria. Os fatos comprovam que os países mais abertos ao comércio internacional não apenas não têm problemas de emprego, como também são, em média, 5 vezes mais ricos do que aqueles que decidem impor todos os tipos de travas e barreiras à liberdade de seus cidadãos de importarem bens do exterior.

Para concluir

Temos tarifas de importação, hoje, da ordem de duas vezes a média mundial. Em relação a todos os países comparáveis, somos o mais fechado do mundo.

Isso é inaceitável.

Em tempos de reformas e combates a privilégios, pelo menos nos discursos oficiais, é mais do que necessário discutir o fim do privilégio de não enfrentar a concorrência de produtos vindos de outros países. 

Não faz sentido manter mais de duzentas milhões de pessoas reféns de empresas que alegam não conseguir sobreviver com alíquotas semelhantes às aplicadas na Colômbia, no México ou mesmo em Cuba.

__________________________________________

Leia também:

O livre comércio, mesmo quando adotado unilateralmente, só traz ganhos

Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas

A cabeça confusa de um protecionista

Dez argumentos econômicos - e um ético - em prol do livre comércio

Você trabalha porque quer adquirir bens e aumentar seu padrão de vida. O protecionismo impede isso


autor

Roberto Ellery
é professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), articulista do Instituto Liberal, e participa de debates sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos de longo prazo das políticas de investimento.

  • Humberto  13/10/2020 17:10
    Lembram de quando o Pulinho GogóGuedes dizia que iria zerar as tarifas e integrar o Brasil ao comércio internacional? Parece que foi em outro século...

  • Trader  13/10/2020 17:19
    Na prática, o protecionismo aumentou ainda mais. Não só as tarifas continuaram intactas, como também a asinina política monetária ultra-keynesiana (juros reais negativos menores que os da Suíça) desvalorizou ainda mais a moeda.

    Além da queda, o coice. Antes, éramos fechados apenas por tarifas. Agora, também somos por moeda.

    A FIESP nunca esteve tão protegida.
  • Bernardo  13/10/2020 17:28
    Porém, há um lado bom em tudo isso. Pela lógica protecionista, isso tem de fazer as indústrias nacionais se tornarem as mais poderosas do mundo (sim, protecionista afirma que a melhor maneira de tornar alguém eficiente é proibindo a concorrência).

    Se isso não acontecer, toda a teoria vai inclementemente pro saco.
  • Estado o Defensor do Povo  13/10/2020 17:40
    Não vai não, em toda a história do Brasil o país foi ultra protecionista e ainda assim os caras continuam pensando da mesma forma (o pessoal mais perto do congresso), então não é agora que isso vai mudar, difícil.

    Mas muitas pessoas estão se educando e mudando, eu mesmo sou prova, há uns 10 anos atrás ancap no Brasil era como agulha no palheiro, hoje não mais, e eu vejo a situação melhorando nessa direção.
  • Marcelo  15/10/2020 13:35
    Sinal que o Paulo Guedes não é tão liberal assim e o presidente, também, não é tão conservador quanto pensávamos.
    O Brasil já é um país socialista?
  • Felipe  15/10/2020 14:46
    Sim.
  • Zezao Cianureto  13/10/2020 18:22
    Acho que o problema é a carga tributária brasileira. Se você abaixar o imposto de importação mas manter a carga tributária no nível que está toda indústria nacional vai mudar do Brasil e se tonar uma importadora de seus próprios produtos. A redução tributária tem que ser ampla e em todos os setores de produção e consumo não só nas importações.
  • Amante da Lógica  13/10/2020 18:29
    Ou seja, você está dizendo que:

    1) A indústria nacional não é exatamente ineficiente; ela é apenas vítima do governo que a sobrecarrega de impostos.
    2) Portanto, precisamos de um governo ainda maior, ainda mais intrusivo e com ainda maiores poderes tributários (ou seja, com tarifas de importação altas) para retirar o fardo do governo sobre as indústrias.

    Ou seja, segundo você, dado que o governo tributa muito as empresas, então faz sentido ele tributar também os consumidores que importam produtos. Afinal, para compensar tributos altos, nada mais lógico que do também tributar muito outras pessoas.

    Faz sentido? Você é um protecionista mercantilista. Como todos os protecionistas mercantilistas, você não consegue pensar direito. Você adotou a ideia de que, ao se dar ainda mais poderes para o governo federal (via tarifas de importação), a economia magicamente irá sobrepujar os efeitos de um governo federal muito poderoso. 
  • zezao cianureto  14/10/2020 14:16
    Não disse nada disso. Você está imaginando coisas.
  • Holder  15/10/2020 15:17
    Aí não Amante da lógica, leia direito o que o cara falou, você está com a mania de querer criticar qualquer raciocínio que aparentemente vai contra sua interpretação dos fatos e se esquece da própria lógica. "A redução tributária tem que ser ampla e em todos os setores de produção e consumo não só nas importações." Reveja esse trecho novamente antes de ficar inventando coisa e taxando o cara de uma coisa que ele não é e nem deu brecha pra interpretação disso.
  • Amante da Lógica  15/10/2020 16:12
    O zezão foi explícito: ou reduz a carga tributária geral (concordo) ou nada feito. Ou seja, se não houver redução da carga tributária geral (spoiler: não haverá), então ele é contra a redução das tarifas de importação.

    Pode ler e reler o que foi escrito. Foi exatamente isso o que ele disse.

    Eu não tenho culpa se minha chamada de atenção o ofendeu. É que minha tolerância não é muito alta para quem tem problemas com a lógica e defende intervencionismo.
  • Holder  15/10/2020 18:36
    Em qual trecho ele diz isso?
  • Felipe  15/10/2020 18:57
    Essa resposta do Leandro sobre isso (que é até um clichê) foi perfeita:

    "Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina."
  • Felipe  15/10/2020 19:02
    E outra coisa: se existe esse problema de alta e complexa carga tributária e falta de liberdade econômica como justificativa para não abrir o mercado, por acaso as grandes indústrias fazem lobby para que isso mude?

    Eu fico me perguntando se poderia existir lobby de importadores defendendo moeda forte e baixas ou ausentes tarifas de importação (que é o que defendo).
  • Paulo Rogério Santos de Souza   19/10/2020 23:00
    Concordo com você! Sem as reformas tributária e administrativas não será possível reduzir as tarifas.
  • André  13/10/2020 18:24
    Sem chance de menores tarifas de importação no Brasil, governo vai alegar que o país está sendo vítima do imperialismo chinês (perceba que sempre tem um "imperialista" nos atacando) tentando destruir a indústria nacional, e o povo brasileiro, que na verdade é um rebanho, apoiará todas as altas tarifas para protegerem seus empregos de classe média para comprar aptos de 44m² e a soberania nacional. Tudo com forte apoio da mídia esquerdista.
  • Otimista  14/10/2020 00:46
    Eu sou mais otimista neste quesito.

    Se vc oferecer fatos e comprovar esses fatos (idéias liberais) para as pessoas, possa ser que haja uma mudança de pensamento e de ações.

    Essa propagação é essencial no meio familiar e de amigos próximos para expandir mais e mais.

    A verdade liberta.

    Nunca diga nunca.
  • Gabriel Santos  13/10/2020 18:33
    Lendo este artigo me lembrei de um publicado em 2010 que fazia uma análise da entrevista do tenebroso Benjamin Steinbruch. Para ele, na época, a moeda deveria estar o "máximo desvalorizada" e o país completamente fechado.

    Empresários como Benjamin Steinbruch, que representam fielmente a mentalidade da FIESP, devem estar se perguntando se os seus sonhos não se tornaram realidade. A atual política cambial caiu do céu para essa gente. Tarifas de importação intactas e moeda no chão.

    Enquanto isso, o povo compra bugiganga da FIESP a preço de ouro.
  • LUIZ ANTONIO LORENZONI  14/10/2020 14:15
    Benjamin Streibusch é figurinha tarimbada. Em 2013 ele publicou um artigo na Folha de São Paulo com o mesmo posicionamento e eu, com minha insignificância econômica, repliquei com um artigo publicado no jornal "noticias do Chapadão" da minha cidade - Campo Novo dos Parecis-MT. (segue parte do meu artigo, publicado na época). Benjamin Steinbruch (Presidente da CSN, privatizada no governo Itamar Franco). "Quem lê o artigo, até pensa que é uma crítica à política econômica, ledo engano, ele e a maioria dos "empresários brasileiros" (aqueles acostumados a mamar nas tetas do BNDES), são ferrenhos defensores do "nacional desenvolvimentismo" levado a cabo pelo PT. Onde o estado é o provedor, indutor e determinador dos rumos da economia. Não é à toa que estes mesmos empresários são os que contribuem e/ou financiam as campanhas eleitorais. Estes "empresários" não querem liberalismo e livre mercado, querem apenas "bons negócios". Em sua coluna, o "empresário" não questiona o remédio, pede apenas o aumento da dose. Com "empresários" assim, para que esquerdistas?"
  • Marcelo  13/10/2020 18:52
    Recentemente, o governo reduziu tarifas para videogames. Ok, correto e aprovo.

    Mas confesso não entender a lógica.

    O meu ramo, oftalmologia e optometria, é protegido pelo governo para ninguém, pois não tem fabricantes nacional. Mas as tarifas de importação são violentas.

    Precisei comprar um oftalmoscópio Welch Allyn. Nos EUA, 150 dólares; aqui, 2.500 reais.

    E não existe um mísero fabricante nacional. A proteção se dá para os fornecedores de peças de reposição da indústria de ótica.

    Um autorefrator que custa 2.000 dólares nos EUA chega a 30 mil reais no Brasil. Comprei o meu seminovo por 15 mil reais com um ano de uso de um amigo que fechou o consultório.

    Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso.
  • Neto  13/10/2020 18:57
    "Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso."

    Não, o objetivo é manter a arrecadação alta para garantir os salários e os penduricalhos da alta casta do funcionalismo público. São pessoas especiais, que têm o "direito adquirido" de viver à custa do esbulho do resto de nós, meros mortais. Ganham, com os penduricalhos, em torno de R$ 100 mil por mês. Dinheiro de impostos.

    E não tem um puto com culhões para acabar com isso.

    O único que ao menos falou contra isso, o Collor, foi derrubado (por causa de um Fiat Elba). Os sucessores aprenderam a lição e nunca mais peitaram.
  • Felipe  13/10/2020 21:03
    Na verdade as tarifas de importação não possuem finalidade arrecadatória e sim protecionista, pelo menos não as tarifas norte-coreanas que temos aqui.

    Será que o Collor foi varrido por causa disso? Ele fez ótimas medidas em prol da abertura comercial e ainda privatizou da forma certa, vendendo as estatais e não recorrendo a criar agências reguladoras. Ele simplesmente abriu por decretos, sem recorrer à geringonças e acordos comerciais. Ele foi lá e abriu. E então o mercado de carros brasileiro, como nunca antes na história deste país, se tornou extremamente diversificado. Anos depois, isso foi revertido e hoje estamos cada vez piores, com menos opções de carros e com carros cada vez mais caros, mesmo quando há recessão (como ocorreu em 2015).

    Não sei como que um cara que faz isso vai lá e simplesmente cria na cabeça a ideia de confiscar poupança e imprimir dinheiro. Tivesse ele dolarizado, ele seria reeleito.
  • Imperion  13/10/2020 22:24
    A ministra da cunomia da época era a Zélia Cardoso de Mello. Ideia dela o confisco.
    Um governante é tão bom ou tão ruim quanto os que lhe dão suporte.
  • Guilherme  13/10/2020 19:18
    Não tente encontrar sentido, mas na genial "lógica" de nossos governantes, se algo não é produzido aqui rapidamente passará a ser desde que haja tarifas de importação. Se não existe água no deserto, basta o governo criar uma alíquota de importação sobre a água que imediatamente surgirá água no deserto.

    E, se você acha que estou exagerando, apenas veja o governo Dilma: as estatais simplesmente foram proibidas de importar insumos. A Petrobras, por exemplo, foi obrigada a usar maquinário exclusivamente nacional. Voltamos à década de 1980.

    E aí, pra piorar, vem o "liberal" Guedes e diz que, com câmbio desvalorizado (cujo efeito é o mesmo de uma tarifa de importação), haverá uma reindustrialização do Brasil.

    Duas ideologias supostamente opostas defendem a mesmíssima coisa. E aí você começa a entender por que não saímos do lugar.
  • Imperion  13/10/2020 19:29
    Realmente não há lógica, só politicagem. Nos países desenvolvidos existe impostos de mesma tarifa. Aqui, se alguém acha que algo é mais importante, reduz os impostos (e mesmo assim é alto); e se acham que algo é menos importante, enfiam imposto (como os videogames) até o talo.

    O que está com menos imposto até anda. O que está com imposto proibitivo, não tem indústria devido a este. E fica só na importação.

    Então, não e o caso de só tirar o imposto do videogame. É tirar o excesso de impostos e parar de falar que algo é mais importante que outra coisa. As pessoas produzem e consomem essas coisas. Elas geram empregos.

    Tudo é produzível, e cobrar mais caro só altera a arrecadação, o que faz com que aquilo que vc quer proteger não fique tão barato quanto poderia. Acabe-se com a distinção de impostos.
  • Arthur  13/10/2020 19:36
    Um motivo que também estimula o protecionismo (ou as taxas, mas precisamente) é que o governo não precisa gastar muito pra arrecadar essa parte de contribuição impositiva. Logo, é uma receita quase 100% grátis.
  • Felipe  13/10/2020 19:00
    E em questão de carros, estamos também entre os piores do mundo em tarifas de importação.

    Em 2018 foi constatado de que as tarifas (médias) no Brasil sobre (ou mesmo contra) os veículos ficaram em 33,9%. Acha baixas? Na "socialista" União Europeia, essas tarifas são de 3,22%. Nos Estados Unidos, 1,57%. Canadá, 3,64%. Coreia do Sul, 5,01%.

    Comparação injusta? Que tal dizer que estamos piores que Bolívia (9,6%), Colômbia (29,7%), China (22,8%), Peru (5,22%), Chile (3,54%), Argentina (19,2%) e México (25%)? O Brasil só ganha dos seguintes países: Afeganistão (38,9%), Egito (49,7%), Paquistão (70,7%), Tailândia (71,1%), Irã (90%), Índia (106%) e Ilhas Maldivas (111%).

    Essa frase do Leandro Roque sobre o Brasil é perfeita:

    "Aqui no Brasil, além de o cara não ter poder de compra nenhum, ele não consegue comprar bens estrangeiros porque o governo, para proteger a FIESP, impõe tarifas de importação norte-coreanas. "

    Respondendo ao comentário acima, o Bolsonaro chegou a zerar tarifas de importação para vários bens de capital, isso no ano passado. O problema é que esses benefícios quase sumiram, já que de 2019 para cá, o real desvalorizou absurdamente.
  • Importador = Bandido  13/10/2020 23:36
    De fato é bastante comum ter notícias sobre o governo Bolsonaro ter zerado tarifas de importação para vários bens de capital.
    Mas isso não é obra do presente governo e nem é tão maravilhoso assim.
    Desde 2003 há um mecanismo que permite o executivo federal zerar tarifas de bens de capital.
    O que nunca aparece nas notícias é que o mecanismo já existia, e que o mesmo só permite zerar tarifas por tempo limitado e para bens de capital sem fabricação nacional.
    Quando é feita essa "concessão", eles criam um código tarifário próprio com todos os detalhes técnicos desse bem para deixar bem claro para que só aquele bem de capital sem similar nacional possa ter o benefício.
    Geralmente são as grandes empresas que recorrem a esse mecanismo, porque normalmente são bens mais sofisticados e também porque a burocracia para esse benefício é enorme.
    Quer dizer, esse mecanismo, além de antigo, burocrático e que praticamente beneficia só as grandes empresas, tem impacto limitadíssimo nas importações totais e no setor produtivo.
    Não passa de uma gota no oceano.
  • Greg  13/10/2020 19:30
    O mais triste de tudo isso é que o brasileiro médio, que não tem oportunidade de sair do país, seja por condição financeira ou falta de estudo, ficará refém desse protecionismo a vida toda. É incalculável o prejuízo humano que isso irá trazer. É como negar o direito das pessoas serem melhores. Creio que não é uma questão politica; é uma questão de poder. Os grupos de interesse e o deep state brasileiro são mais forte do qualquer maioria politica. A cada dia creio mais que a solução do Brasil passa, inevitavelmente, pela derrubada de republica. O estado brasileiro tem dono e está perpetuado na republica.
  • Ex-carioca  13/10/2020 23:58
    o dono do Brasil é o funcionalismo público.

    Muitos deles, dando como exemplo os dignissímos militares, se aposentam com seus 49 anos e abrem empresas para prestar serviço à administração pública, começando pelos seus órgãos de origem.

    Vencem a licitação porque:
    - conhecem detalhadamente a burocracia
    - combinam condições técnicas e de habilitação com os órgãos que lhes asseguram uma vantagem absurda sobre os concorrentes.
    - ainda que um concorrente vença por menor preço (raro acontecer), os fiscais de contrato do órgão atuam para rescindir o contrato (normalmente onerando o fornecedor). Tâo logo que o contrato rescindir, eles avançam nos licitantes assim sucessivamente até chegar no "target"

    Vou dar um exemplo: contratação de serviço de jardinagem com 20 postos de trabalho. O ex-funça, agora empresário de governo, e seus amigos de órgão sabem que é necessário somente 10 postos de trabalho, porém os outros concorrentes não sabem.

    Todos os concorrentes elaboram proposta comercial e lances para 20 postos de trabalho, mas o funça empresário elabora para 18 (para garantir vitória pelo menor preço).

    Uma vez celebrado o contrato, o serviço é executado com 10 postos de trabalho, tendo respectivamente este custo, porém o órgão paga o custo de 18 ao funça empresário. O fiscal do contrato (que magicamente ganhou uma função comissionada no órgão) atesta todos os meses que vieram trabalhar 18 funcionários, quando na verdade veio somente 10. Além disso, esse contrato fica sendo executado por 05 anos pelas constantes renovações autorizadas pela lei 8.666

    Se você acha que somente político é ladrão, você não faz nem ideia do iceberg de fraudes que o funcionalismo público faz.
  • Alguem  14/10/2020 15:03
    É exatamente desse jeito ex carioca. Tem muita gente que se diz empresario mais anda de braços dados com o estado e nao é só no Brasil nao. Eu acredito que a situaçao é no mundo inteiro e envolve muitas pequenas e grandes empresas. Eu acredito que é por isso que muitas corporaçoes se declaram equerdista.
  • Pensador Puritano  15/10/2020 10:56
    Essa é a elite do atraso,são tão parasitas quanto os funcionários públicos,Burocracia sanguessuga,são parceiros dos esquerdistas por conveniência,adoram uma boquinha,um conchavo,enfim corrupção é com eles.
    A ex-União Soviética já nasceu errada devido a teoria marxista ser maravilhosa no papel e ao conluio de Stálin com a burocracia czarista asquerosa ter se aliado com ele e ai a carnificina que foi,apesar dos progressos alcançados por ele,enfim burocracia é uma praga.
  • Estudante  13/10/2020 19:32
    Mas e as barreiras não tarifárias ?
    O Brasil tem poucas barreiras não tarifárias.
  • Professor  13/10/2020 19:38
    Ah, sim, bem poucas... É simplesmente proibido importar carros usados. Ah, e roupas também.

    Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama demoram 10 anos para permitir a importação de defensivos agrícolas que já foram liberados nos EUA e na Europa. Neste momento, há nada menos que 36 defensivos aguardando liberação para ser importados, sendo que 28 deles já têm registros em países como EUA, Japão, Canadá, Austrália e Argentina (Fonte).

    E piora: Os produtos que atualmente estão na fila aguardando liberação são, em média, cerca de 30% mais favoráveis ao meio ambiente e a saúde do que os que estão em uso. (Fonte).

    Tudo para proteger as fabricantes nacionais.

    Ademais, as políticas de compras governamentais (para estatais, por exemplo) historicamente deram preferência para empresas nacionais (ápice no governo Dilma). Investimentos estrangeiros em terras e em vários ativos regulados pelo governo são severamente limitados.

    Fora isso, há a infraestrutura em frangalhos, que encarece ainda mais as importações.

    Sim, bem poucas barreiras não-tarifárias...
  • R. Monteiro  13/10/2020 19:57
    O cara tá de zoeira, só pode. Experimente ir ao Paraguai e fazer compras superiores a 300 dólares (que nem é muito). Você vai direto pra PF pagar 50%, fora outras taxas.
  • Fernando  13/10/2020 20:02
    PF não, Receita Federal. Mas, ei, agora são US$ 500 na via terrestre. Tão ficando mais bonzinhos…
    A carga tributária dos importados é alta pra igualar a carga tributária dos produtos nacionais e todo o custo extra que a ação (e omissão) do Estado agrega aos bens produzidos no Brasil.

    É bem aquilo que disseram ali em cima: pra corrigir as distorções causadas pelo estado (voraz carga tributária, a enorme burocracia, as indecifráveis regulações e os poderosos sindicatos), o próprio estado se encarrega de criar outras distorções (tarifas de importação e barreiras não-tarifárias) para "consertar" o estrago das distorções anteriores.

    Coisa de gênio.
  • Contador  13/10/2020 20:09
    Em uma simples importação feita pela internet pagamos 60% do valor da mercadoria + frete e o ICMS (que varia por estado).

    Só que esses 60% de imposto de importação é o regime simplificado de tributação, um bom negócio para padrões brasileiros. Fora dele, itens de consumo podem somar até 102% de tributação total.

    Já sobre máquinas e equipamentos o governo é mais "manso" e a tributação total fica nuns 78%.

    Segundo o próprio site da receita, as importações têm uma alíquota multiplicadora de impostos.

    Ou seja, os impostos sobre importados podem ser multiplicados por até 7,6 vezes.

    É uma pedalada na OMC!

    www4.receita.fazenda.gov.br/simulador/

    Eis o que está escrito (grifo meu):

    "Na quase totalidade das importações, a alíquota aplicável do PIS é de 1,65% e a da Cofins é de 7,6%. A base de cálculo para ambas as contribuições é o valor aduaneiro das mercadorias importadas, acrescido do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), incidente sobre a importação, e do valor das próprias contribuições, pois elas são incluídas no preço final das mercadorias (cálculo "por dentro"). Assim as contribuições devidas são iguais a:

    PIS = Alíquota PIS x (VA + ICMS + PIS + Cofins)

    Cofins = Alíquota Cofins x (VA + ICMS + PIS + Cofins)"


    Ou seja, é um imposto incidindo sobre outro imposto que por sua vez também já incidiu sobre outro imposto. Uma maravilha.
  • Diego  13/10/2020 20:34
    Comprei algo na Ali Express, só que foi de courier em vez de serviço postal. Eu esperava 60% de imposto de importação. Mas juntam com ICMS e tudo calculado COM O FRETE INCLUSO, o imposto chegou a mais de 100%.

  • Frustrante  13/10/2020 20:45
    É assim mesmo. Antes da pandemia, estava procurando uma certa câmera reflex na internet, e deu assim:

    Ebay: U$ 300,00.
    BR: R$ 5.500

    Também já pensei em abrir um negócio focado na fabricação de clones de Arduino e shields em geral, alguns que eu projetei e não existem, embora haja uma demanda enorme, mas graças ao nosso glorioso, mais que soviético e draconiano imposto de importação de 60%+ICMS local, o capital inicial requerido para o meu negócio seria altíssimo, e olha que nem considerei as etapas burocráticas e registros que não tenho a mínima ideia do que precisaria ser feito para a coisa ser "legal".

    Como o negócio estaria iniciando, eu venderia os produtos com preços bem menores. De fato, se fosse possível importar tudo de Shenzhen sem impostos, mesmo com o câmbio no patamar atual, o custo individual ainda seria bom, mas enfim.

    Sem essas amarras, eu poderia complementar a minha renda trabalhando para mim mesmo. O governo se intrometeu e quer ser o meu sócio de qualquer maneira.

    E cobra caro, muito caro por isso.

    Estatistas não fabricam, e se forem importar, pagam as taxas de boa fé "em nome da proteção da indústria nacional", e da destruição da iniciativa de quem queria começar a fazer dinheiro e vender produtos a preços mais realistas.

    Foda-se o Estado, porque desde que comecei a pesquisar sobre liberalismo, estou convicto como rocha de que contrabando é autodefesa.
  • Vladimir  13/10/2020 21:04
    Esse seu relato é de um potencial empreendedor que notou a inviabilidade de um negócio devido ao sócio compulsório governo (sócio só na hora do lucro, onde o ônus da empreitada é somente seu). Quantos empregos você poderia ter gerado, melhorando assim a sua qualidade de vida, bem como a de outras pessoas?

    Mais importante, quantas empresas deixam de investir no Brasil, justamente por constatar a intromissão/extorsão do estado que você constatou?

    Somando-se às outras incertezas que sempre se tem comentado por aqui (regulamentações, burocracia, leis trabalhistas, incerteza do regime e etc) é que podemos concluir que o cara que abre uma empresa neste país tem que ter estômago muito forte.
  • Laerte  13/10/2020 21:10
    Eu tinha encomendado um produto químico, importado da China, para uma aplicação industrial totalizando 2 kg do material em questão. Fornecedor enviou a um custo 0 (zero), pois trata-se de desenvolvimento.

    Quando chegou no brasil (minúsculo mesmo), o mesmo não foi liberado sem antes pagar a quantia de R$ 288,27 referente a taxa de importação; R$ 157,44 de ICMS, R$ 51,26 de desembaraço alfandegário e R$ 4,62 de reembolso da infraero totalizando assim R$ 501,59.

    Essas taxas foram baseadas em um valor arbitrário de R$ 480,45 / kg. Porém na realidade, tal material não chega a custar R$ 15,00/Kg.

    Nestas horas eu percebo que o brasil não tem como dar certo com o tamanho do estado atual. Você é extorquido de todos os lados por funcionários públicos, que viraram atravessadores.
  • Juliano  13/10/2020 21:11
    Meu pai é médico ultrassonografista. Há alguns anos ele e a clínica em que trabalha compraram um aparelho importado novo. Só para resumir: o desembaraço demorou absurdos 2 anos, eles pagaram outros absurdos 300% de impostos e entregaram o aparelho quebrado e já obsoleto. Mas tudo isso é para nos proteger dos capitalistas satânicos!

    Um colega de trabalho ganhou, repito, GANHOU AO CUSTO DE R$ 0,00 (zero reais) 3 CD's de instalação do Linux. A receita, em sua inacreditável criatividade maligna, taxou o coitado em 60% com base no preço do Windows. Qual a lógica disso?
  • Wesley  13/10/2020 21:12
    O problema do protecionismo não é apenas econômico e sim político. Se a economia for aberta de uma hora pra outra muitas empresas vão quebrar e o desemprego que já é alto (por causa da legislação trabalhista) vai disparar mais ainda. Isso têm um custo político enorme para quem comanda o país. Nenhum político vai querer enfrentar esse desafio. É só lembrar do plano real quando começou e as importações foram liberadas e causou desemprego, revoltando os sindicatos e barões da indústria. O Gustavo Franco foi bombardeado pelo baronato brasileiro por manter a âncora cambial. Mas sem dúvidas seria maravilhoso ver a pressão internacional que obrigaria o Brasil a baixar os impostos. Seria maravilhoso ver as empresas brasileiras sendo retaliadas pelo protecionismo como o Brasil faz. Mas a dúvida que fica é que o protecionismo beneficia as empresas americanas já instaladas aqui também. Como a GM e a Coca-Cola.
  • Snipes  13/10/2020 21:23
    Só haverá desemprego naquelas indústrias eficientes que se acostumaram a serem protegidas e a não terem de produzir produtos de qualidade.

    Mas, ora, essas empresas ineficientes irem à falência é uma bênção. Elas travam a economia, consomem recursos escassos, e impedem que mão de obra e maquinário sejam liberados para outros setores.

    Economia rica não é aquela que protege ineficientes, mas sim aquela que cria eficienca por meio da promoção da concorrência com o resto do mundo.
  • Pensador Puritano  15/10/2020 11:12
    Dai por que a faxina tem de começar pelo estado,sim reformas que cortam gastos e mais gastos que só favorecem corruptos,ou seja cortando gastos haverá espaço para corte de impostos e de tarifas de importação,agora ficar apoiando esse conluio da tirania(estado corrupto e indústria ineficiente)é coisa do passado,quando éramos desinformados(Sabíamos que éramos roubados,mas não sabíamos o modus operandi),mas o IMB é um divisor de águas,hoje sabemos como funciona o mecanismo e como denuncia-lo,combate-lo e sermos mais livres e até felizes(Conceito subjetivo,mas que todos queremos alcança-lo).
  • Ex-carioca  13/10/2020 23:26
    Vale lembrar que com um ambiente de negócios sufocado por um Estado intervencionista, regulador e tributador, o empresariado brasileiro desenvolve habilidades para lidar com o sócio compulsório em vez de desenvolver habilidades para entregar produtos melhores e mais baratos.

    No Brasil, se você tem uma empresa, seja qual for o segmento, faz muito mais sentido você contratar advogados e contadores em vez de profissionais de software, engenharia e etc
  • Lucas  14/10/2020 00:52
    Notícia de novembro de 2018. O que foi feito de lá pra cá? Exato, nada.

    Equipe de Bolsonaro quer passar a tesoura nas tarifas de importação e indústria não reage bem

    Ideia é que as tarifas de todos os bens importados sejam reduzidas em quatro anos, com valores proporcionais às taxas atuais; CNI pede que abertura seja feita por acordos comerciais

    Além da decisão de acabar com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pode contrariar o setor industrial em outro ponto: a abertura comercial. A equipe de transição trabalha hoje com três propostas nessa área, que têm como ponto comum a redução, voluntária e unilateral (ou seja, sem exigência de contrapartidas) das tarifas de importação para diversos produtos.

    […]

    A ideia é que as tarifas de todos os bens importados sejam reduzidas em quatro anos. Os produtos que atualmente são taxados de 20% a 35%, como eletrodomésticos, automóveis e confecções, passariam para 15%. Os com tarifa de 15% a 20%, como alguns bens de capital, para 10%. Tarifas de 5% a 15%, que atinge produtos siderúrgicos, por exemplo, cairiam para 5% e, as abaixo de 5%, como matérias-primas, para zero.

    […]

    Outro trabalho, elaborado por professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), propõe iniciar o corte nas tarifas pelos bens de capital e informática, o que poderia ser feito dentro das regras do Mercosul. Prevê também a redução das tarifas sobre produtos siderúrgicos.

    As tarifas seriam cortadas gradualmente até chegar a 4% em 2021, em linha com a média mundial. Hoje, vão de 8% a 35% para bens de capital, de 6% a 25% para informática e de 8% a 14% para o setor siderúrgico. O objetivo, nesse caso, seria melhorar a competitividade.
  • Neymar  14/10/2020 00:58
    Saudades daquilo que ainda não vivemos...
  • Felipe  14/10/2020 19:18
    De quantos mandatos precisamos para isso ser mudado?
  • Imperion  14/10/2020 21:12
    Depende.
    Fazendo o certo, um mandato.
    Nao fazendo nada, nem com mil mandatos se muda isso.
  • L Fernando  16/10/2020 17:00
    Discordo
    Presidente não manda em nada na esfera de Leis
    Se não alinhar uma base do congresso com o mesmo pensamento tu não muda absolutamente nada
    Medida provisória caduca se não for votada pelo congresso
  • Fernando  16/10/2020 10:59
    Se o povo elegesse quem realmente estivesse comprometido com essas reformas em 4 anos o país mudaria. Às empresas se adaptam rapidamente. Acho que, sim, as altas tarifas são absurdas, mas a complexidade é muito pior. A tarifa é 100% vc vai lá e poe no custo. Mas se tem a tarifa x de ICMS pra cada estado, IPI, COFINS, pis, etc. Complica tudo. Mesmo pagando uma tarifa de 60% no caso da importação direta sabemos que vamos pagar aquilo e pronto. Apesar de incidir sobre o frete também.
  • Marcos  14/10/2020 00:57
    É também crucial ressaltar como as importações geram empregos.

    Uma palhinha: os EUA não produzem cacau. 100% do cacau consumido no país é importado. No entanto, é exatamente por causa da importação deste cacau que há fábricas pujantes nos EUA, como Hershey's, Mars, Ghirardelli e Ferrara.

    Essas fábricas (que só existem porque utilizam um insumo importado) empregam milhões de pessoas. Se o governo tributasse ou mesmo proibisse a importação de cacau, simplesmente não existiriam esses empregos.
  • Felipe  14/10/2020 19:22
    E que também geram empregos na Costa do Marfim, Equador, Gana, Peru, República Dominicana, etc.
  • Matheus S  17/10/2020 10:42
    É justamente isso que eu penso sobre a questão náutica.

    Esses absurdos das taxas de importação acabam com qualquer engrandecimento do setor náutico, no Brasil se fosse um mercado aberto, seria um dos maiores do mundo. Temos alguns estaleiros que constroem lanchas e iates, mas a produção é pequena se comparada aos grandes países náuticos como EUA, e que se liberassem o setor, eliminando as taxas de importação, o setor de serviços náuticos iria ver uma explosão de demanda assim como a importação dos ativos náuticos de forma a fazer com que os preços desses ativos caíssem. E mesmo que a produção nacional quebrasse por conta da eliminação dos custos de importações, o setor de serviços náutico iria criar muito mais empregos.
  • Consagrado  14/10/2020 03:33
    O artigo poderia ter comparado com as economias desenvolvidas também.
  • Gustavo  14/10/2020 14:30
    Aí aumentaria a humilhação. Eis a comparação entre Brasil, EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia.

    data.worldbank.org/indicator/TM.TAX.MANF.SM.AR.ZS?end=2018&locations=DE-NZ-BR-AU-US-CA-GB&start=1997

    Enquanto a do Brasil é de 14%, a do Canadá é de 1,65%.
  • iury  14/10/2020 17:23
    O artigo explicitamente não considera valores de 2018-2020, ou seja o novo governo. TUDO que ele trata é da pré eleição de 2018, pois não leva em conta as trocentas vezes qeu o goevrno atual zerou o reduziu IIs.
  • Inácio  14/10/2020 20:28
    Consagrado, isso não é proposital. O banco de dados do Banco Mundial só vai até 2018. Os dados de 2019 ainda não existem.

    Mas, já que você sabe, coloca aí qual foi a tarifa média do Brasil em 2019. Mostre que ela despencou.
  • Ronaldo  16/10/2020 09:43
    Eu comprei um Android tv Box importado da China, que nada mais é do que um celular para plugar na TV, e quando chegou no Brasil ele foi devolvido ao remetente porque o aparelho é proibido no Brasil, a alegação é que ele pode ver canais de TV chegada de graça. Eu fiquei tipo, WTF? Qualquer celular faz isso, para que proibir essa merda?
    Enfim, lobby das operadoras de TV que deu certo.
    O problema principal de um país é que sempre tem I lobby de alguma coisa para influenciar as decisões políticas, a sociedade que page o preço.
  • Felipe  17/10/2020 13:29
    "Governo zera tarifas de importação de milho e soja"

    "Em uma contraofensiva à alta de preços no mercado interno, o governo decidiu reduzir a zero, temporariamente, as alíquotas de importação de milho, soja, farelo de soja e óleo de soja. A decisão foi tomada, nesta sexta-feira, pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).

    A medida deve vigorar até o primeiro trimestre do ano que vem, quando a safra de grãos já terá sido colhida e o mercado estiver, então, plenamente abastecido. Segundo fontes do governo, há duas propostas sobre a mesa para o fim da suspensão temporária das tarifas: fevereiro e março de 2021.

    A diminuição do Imposto de Importação, que varia de 8% a 10%, dependendo do produto, vale para os países que não fazem parte do Mercosul. Isto porque o comércio dentro do bloco — com poucas exceções, como açúcar e automóveis — é isento de tributos. Principais concorrentes do Brasil na venda de produtos agrícolas em terceiros países, os Estados Unidos serão os principais beneficiados com a queda das tarifas."


    Muito bom isso. Pena que vai ser temporário. Deveria ser permanente. Não tem lógica eles colocarem tarifas para commodities, a não ser que eles realmente queiram praticar protecionismo.

    Atualmente as tarifas de importação médias para soja são de 3,83% para o Brasil, ao passo que no milho as tarifas são de 5,11%.
  • Guilherme  17/10/2020 21:50
    Só até o início do ano que vem...

    Ou seja: "Defendemos o livre comércio e vamos aplicá-lo! Mas só temporariamente, para não machucar os grupos de interesse".
  • Humberto  17/10/2020 21:54
    A base eleitoral mais forte do atual governo é o agronegócio. Chance zero de o governo desagradar estas pessoas, acabado com sua reserva de mercado. Confesso até que fiquei surpreso de terem reduzido temporariamente. Se fizeram isso, é porque souberam que a coisa tá realmente feia.
  • Felipe  18/10/2020 01:15
    Verdade.

    E olhe no México: o Obrador simplesmente cortou subsídios (não cortou tudo, mas cortou) do setor agrícola doméstico e estão agora importando commodities, porque ficou mais barato. A parte fiscal do país deve ficar boa nesse ano, creio eu. Já está sendo comparado até ao Ronald Reagan.

    Os caras querem até legalizar a maconha lá. Se for um setor funcionando igual ao álcool, isso vai destruir até parte do poderio dos poderosos cartéis de drogas no país.
  • Imperion  19/10/2020 13:22
    Mas tá certo mesmo. Tem que cortar subsídio. Subsídio é gasto estatal. Estados que subsidiam estouram as contas públicas. No mínimo, esse Obrador vai acabar o governo dele com as contas austeras.

    Pena que é um esquerdista. Vamos ver se ele não cede no assistencialismo e chuta o balde como toda a esquerda.
  • Filipe Araujo Carrilho  18/10/2020 22:19
    Prezados, acredito que antes de diminuir as tarifas de importação, precisamos arrumar a casa, ou seja, fazer nossa reforma tributária para diminuir os impostos para quem produz aqui dentro primeiro. Um segundo passo, seria reduzir os impostos para produtos importados. Outra idéia que defendo e gostaria que fosse comentada em algum artigo seria a criação de imposto de exportação de itens primários que o mundo não vive sem a produção brasileira (minério de ferro, carne, couro, café, algodão e etc) Acredito que isso elevaria o preço mundial, e que os produtores nacionais não seriam afetados em termos de lucro e faria o governo arrecadar mais, o que daria uma folga pra realizar nossa reforma tributária.
  • Eduardo  19/10/2020 01:00
    "acredito que antes de diminuir as tarifas de importação, precisamos arrumar a casa, ou seja, fazer nossa reforma tributária para diminuir os impostos para quem produz aqui dentro primeiro"

    Isso que você falou nunca vai acontecer. Aliás, respeitosamente, é delírio puro.

    A forma mais garantida de haver uma desburocratização e amplas reformas é justamente liberalizando o comércio exterior: com importados baratos e de qualidade chegando, não haverá outra alternativa aos políticos senão liberalizar imediatamente o mercado interno para que este consiga sobreviver e concorrer.

    A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.

    O estado ferra várias empresas? Sem dúvida, mas isso não é justificativa para acabar com as liberdades do indivíduo (e suas decisões de consumo).

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina.

    "Outra idéia que defendo e gostaria que fosse comentada em algum artigo seria a criação de imposto de exportação de itens primários que o mundo não vive sem a produção brasileira (minério de ferro, carne, couro, café, algodão e etc) Acredito que isso elevaria o preço mundial, e que os produtores nacionais não seriam afetados em termos de lucro e faria o governo arrecadar mais, o que daria uma folga pra realizar nossa reforma tributária."

    Como assim?! Os preços atuais estão em recorde absoluto, e a consequência é exatamente a carestia que estamos vivenciando nos alimentos. E você ainda quer ainda mais?!

    Outra coisa: impor imposto sobre exportação terá o efeito de reduzir a produção e os lucros (o contrário do que você quer).

    Imagine que você é um agricultor. Você está produzindo para mandar pra fora, pois, ao exportar, você ganha dólares, que é uma moeda forte. É muito melhor produzir para vender para estrangeiros ricos que pagam em dólar do que vender para o populacho que paga em reais.

    Se as exportações começarem a ser tributadas com o intuito de serem restringidas, você, obviamente, não continuará produzindo o mesmo tanto para agora vender apenas para o populacho em troca de reais. Se você fizer isso, você estará pagando para trabalhar e produzir (você estará produzindo o mesmo tanto, mas ganhando muito menos; na prática, seu custo de produção aumentou).

    Logo, você obviamente irá reduzir sua produção até o ponto em que a redução da oferta aumente os preços e lhe traga uma receita satisfatória.

    Ou seja, trata-se de uma medida que, ao contrário do que se almeja, reduz a produção e aumenta ainda mais a carestia no mercado interno. Não creio que é isso o que você deseja

    Não tem mágica, meu caro. Não tem truques. Não existe soluções simplórias. E muito menos a solução está no autoritarismo (sua media é autoritária, pois advoga a imposição de uma coerção estatal sobre produtores, obrigando-os a fazer algo que voluntariamente não fariam).
  • Ex-microempresario  19/10/2020 14:22
    Os estatistas pró-protecionismo sabem, no fundo, que estão errados. Por isso, sempre disfarçam seus pedidos dizendo que é "temporário": "só até arrumarmos a casa", "só até acabarmos com a corrupção", "só até o governo pagar a dívida e zerar o déficit", "só até a próxima passagem do cometa de Haley"...

  • Felipe  19/10/2020 12:24
    "Família de SP envia R$ 50 bilhões para o exterior"

    Caramba, eu acho que com esse dinheiro eu sumiria do país. Há quem diga que a família tem informação privilegiada, o que é curioso.
  • anônimo  19/10/2020 22:21
    Para mim, isso tem cara e cheiro de "feiquenils"!
  • Rafael  20/10/2020 00:32
    Essa foi uma das maiores barrigadas da história do jornalismo. A família não enviou R$ 50 bilhões para o exterior. Ao contrário: ela repatriou R$ 50 bilhões para cá.

    O bafafá é porque ela não pagou o imposto.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/10/familia-repatria-quase-r-50-bilhoes-e-vai-a-justica-para-nao-pagar-imposto.shtml

    br.financas.yahoo.com/noticias/fam%C3%ADlia-repatria-quase-r-50-232400588.html

    Lauro Jardim, como sempre, só faz merda.
  • Flávio  20/10/2020 00:39
    O Lauro Capim dirá: "Professora, eu fiz a conta certa. Só errei o sinal…"
  • Gabriel M  20/10/2020 01:17
    Hahahah!! Santo Deus! Eu só queria entender como esse cara ainda tem espaço na grande mídia. Não é a primeira nem a segunda confusão homérica que ele faz. Quem não lembra da reportagem dele sobre o Bolsonaro metralhar a rocinha?
  • anônimo  24/10/2020 01:19
    Olhando as tarifas dos EUA, Inglaterra, no passado, todos eles tinham tarifas elevadas (especialmente os EUA em 1800 adiante)..

    Como retrucar quem diz que eles só tiveram industria forte porque protegeram suas industrias?
  • Historiador Honesto  24/10/2020 03:14
    Falando a verdade, ué.

    O crescimento e a industrialização dos EUA começaram na década de 1820 com as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie.

    Tudo isso antes de 1860 (quando realmente houve elevação das tarifas de importação, que foi o estopim da Guerra Civil).

    Os estados americanos que mais se enriqueceram durante esse período anterior a 1860 foram os do nordeste. E o motivo é simples: os grandes industriais europeus aportaram lá, na Nova Inglaterra. Esse é um fenômeno que simplesmente não pode ser ignorado em qualquer análise econômica minimamente séria.

    E aí houve o inevitável: regiões industrializadas sempre viram protecionistas.

    Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial.

    Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter. O sul queria livre comércio porque também era a única maneira de exportar sua produção.

    Isso impulsionou os estados do sul se rebelaram. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    (Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.)

    Com a vitória do norte, tarifas protecionistas foram implantadas (que vigoraram até o ano de 1900, caindo a partir dali).

    Como consequência dessa imposição tarifária e da destruição do livre comércio, o sul empobreceu (e, até hoje, é mais pobre do que o norte).

    Tarifas fizeram exatamente o que prometiam: protegeram (de 1865 a 1900) aquelas indústrias do nordeste americano que já estavam estabelecidas, e empobreceram o resto do país. E, de quebra, mataram 600.000 civis em uma guerra.

    Alguns detalhes:

    1) Até 1913, a única forma de o governo federal americano se financiar (a única forma que era permitida pela Constituição) era por meio de tarifas de importação. Ou seja, toda a carga tributária federal se resumia a tarifas de importação.

    2) A Morrill Tariff elevou progressivamente a tarifa de importação de 15% em 1860 para 44% em 1870. Foi uma década perdida para os EUA.

    A partir de 1870 a tarifa voltou a cair, chegando a 27% em 1880, a 15% em 1910 e a 7,7% em 1917.

    E vale um adendo importante: como os preços só caíam por causa da moeda forte (os EUA viviam o padrão-ouro), os preços nominais dos produtos importados também só caíam. Logo, os custos nominais dessas tarifas — que já eram decrescentes — caíam ainda mais.

    3) É de crucial importância distinguir entre tarifas de importação com intuito protecionista e tarifas de importação com intuito arrecadatório. Uma é o exato oposto da outra.

    Uma tarifa com intuito protecionista é imposta exatamente para impedir que as pessoas importem. Se ela realmente lograr tal objetivo, a receita do governo será zero. Óbvio. Se o intuito do governo é desestimular as pessoas de importar — e se as pessoas realmente não importarem —, então a arrecadação do governo com essa tarifa será zero. E ele não ligará, pois era isso o que ele queria.

    Já uma tarifa com intuito arrecadatório existe, ao contrário, para trazer o máximo possível de receita para o governo. Ela não está ali para impedir as pessoas de importar; ao contrário, o governo está torcendo para que as pessoas importem o máximo possível, pois só assim ele terá muitas receitas. E se o governo exagerar na tarifa, então ela vira meramente protecionista, e a arrecadação do governo tenderá a zero — exatamente o contrário do que ele almejava.

    Por uma questão de lógica simples, sabendo que o governo americano da época sobrevivia exclusivamente com as receitas dessas tarifas, então a conclusão lógica é que, à época (antes de 1860 e pós-1870), elas não tinham caráter protecionista. Se tivessem, o governo não teria receita.

    As tarifas de importação do governo Sarney e do governo Dilma, por exemplo, eram meramente protecionistas. Já as americanas eram arrecadatórias.

    E, ainda assim, eram mais baixas que as nossas atuais.

    4) Os EUA cresceram e se industrializaram porque havia ampla liberdade de empreendimento e o governo federal era mínimo (excetuando o período Lincoln). Não havia regulamentações (ao menos, não como as de hoje), e o governo federal coletava impostos unicamente via tarifas sobre importados, pois esta era a única maneira permitida pela constituição.

    Excetuando-se o período da Guerra Civil, os EUA cresceram de 1820 a 1929. E, até 1913, como não havia um Fed, era um crescimento com queda de preços.

    Livre mercado e moeda-forte. Combinação que jamais deu errado.
  • anônimo  24/10/2020 03:49
    Resposta esclarecedora. Tinha visto um grafico que demonstrava aumento daa tarifas desde 1800 e isso me confundiu bastante. Obrigado
  • Felipe  24/10/2020 13:58
    A década de 1920 foi de forte crescimento porque a crise de 1920 foi domada com aumento nos juros e um brutal corte nos gastos, além da redução no imposto de renda. Isso apesar da Gripe Espanhola, que matou dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo.

    Após os estragos intervencionistas na Crise de 1929, o governo decidiu fazer um enorme corte no orçamento, além de ter revogado as bizarrices interventoras do Roosevelt e Hoover. Por isso as décadas de 50 e 60 foram de prosperidade e fartura para os americanos e isso é uma lembrança para muitos americanos de hoje. A década de 70 foi perdida (e com estagflação), pois decidiu-se revogar os últimos resquícios de padrão-ouro. A moeda americana afundou e levou várias outras junto (até o franco suíço). Volcker acabou com isso com a pancada nos juros nos anos 1980. Carter começou algumas desregulações e Reagan fez mais outras e reduziu impostos. Governo Bill Clinton, de maneira surpreendente, entregou um orçamento positivo (coisa que não ocorria há décadas e nunca se repetiu) e fez mais cortes de gastos e impostos. As décadas de 80 e 90 foram de dólar forte e crescimento econômico (forte em relação até o ouro). Bush filho, além de defender moeda fraca, entrou em uma cara guerra e trouxe uma dívida enorme (e afundou o país), uma herança maldita para os sucessores Obama e Trump. Obama defendia várias pautas estatizantes, mas parte delas não passou no Congresso. Após a postura de seu secretário do Tesouro defendendo um dólar forte e de ele ter retirado as tropas, o dólar voltou a ficar forte e a economia voltou a crescer (depois de 2014). Trump não fez cortes de gastos e fez algumas medidas desastradas como tarifas contra produtos chineses, mas ele fez uma forte redução no imposto de renda sobre as empresas e algumas desregulações. Acho que ele vai acabar sendo reeleito.
  • Trader  25/10/2020 22:28
    Vale lembrar também que Trump foi o primeiro presidente americano desde Calvin Coolidge a não começar nenhuma guerra ou a não invadir/intervir em outro país.

    Isso foi extremamente positivo para a moeda. Nada enfraquece mais o dólar do que uma guerra/intervenção estrangeira.
  • Felipe  25/10/2020 23:02
    É verdade, mas o Obama não tinha retirado as tropas no mandato dele, depois de 2011?
  • Trader  26/10/2020 01:33
    Fez lambança total na Líbia e no Egito. Mas isso no primeiro mandato. No segundo, ele se conteve.

    Tanto é que no primeiro mandato o dólar estava fraquíssimo (chegou a R$ 1,60 em julho de 2011) e, no segundo, disparou (R$ 4,24 em setembro de 2015).
  • Felipe  25/10/2020 23:03
    E interessante: Brasil não faz intervenção militar estrangeira de grande porte desde o Segundo Reinado e mesmo assim a nossa moeda é bastante ruim.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.