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A ironia da consciência de classe marxista - no fim, a tese de Marx é comicamente contraditória
Marx acreditava que apenas a classe socioeconômica do indivíduo o permitiria conhecer a verdade

Eis o cenário.

Você e eu estamos em um bar quando repentinamente iniciamos um debate intenso com alguns caras da mesa ao  lado.

O tópico é a situação cruel do mundo. E a discussão é sobre como melhor resolver esses problemas.

De início, começamos argumentando que o livre mercado e a ordem espontânea são a melhor opção. Eles, por outro lado, dizem que o socialismo é o único caminho a seguir.

À medida que nossas garrafas de cerveja vão secando, começamos a perceber que iremos demorar um pouco antes de pedirmos outra rodada. Algumas pessoas que estão sentadas às mesas ao lado começam a direcionar para nós olhares complacentes quando um de nossos interlocutores, espumando pela boca, grita que eu estou agindo de má fé e  afirma que você possui motivos nefastos para tal defesa. 

Por não gostar de levar desaforo para casa, rapidamente eu me levanto e reajo ruidosamente em nossa defesa, batendo na mesa com a mão direita exigindo que ele não tornasse as coisas pessoais. Você vem ao meu auxílio e lhes diz: "Não, não! Não é assim, amigo; estamos apenas mostrando os fatos!" 

Seu companheiro de mesa zomba ao ouvir isso, respondendo com um grunhido afetando superioridade: "Isso é um absurdo! Não existe essa coisa de busca abnegada e altruísta pela verdade." 

"Exatamente", afirma o primeiro, voltando sua atenção para mim. "Você só está dizendo isso porque você é de classe média." 

"Você só pode pensar de acordo com o que você é!"

A maioria das pessoas concordaria que esta é uma maneira tola de encerrar um debate. Em primeiro lugar, "acusar" uma pessoa de pertencer a uma determinada classe não demonstra por que a opinião dela está errada. Em segundo lugar, um indivíduo não tem como alterar suas origens — e muito menos um argumento pode fazer isso. Por isso, se o pedigree de determinadas pessoas de fato as leva a ter preconceitos inexpugnáveis, é melhor não perder seu tempo tentando debater com elas. 

Ademais, se não existe isso de "busca abnegada pela verdade", então por que não simplesmente dizer: "Bem, eu tenho meus vieses e propensões, e você tem os seus. Não há como chegarmos a um ponto em comum. Logo, vamos pedir outra bebida e deixar do jeito que está." 

Para ser bem honesto, eu queria ter essa força de vontade. Pois, qual fundamento nossos adversários utilizariam para saberem se as posições que eles defendem estavam corretas, considerando o pressuposto de que a verdade dos fatos é algo muito distante para a razão humana? 

Seguindo um rumo mais filosófico, é autocontraditório tentar convencer alguém de que não existe uma lógica objetiva. Como raciocinar que não há razão? Os filósofos chamam isso de "contradição performativa" e a reconhecem como uma falácia lógica. 

Outros  exemplos de contradições performativas incluem "A linguagem não faz sentido", que em si usa de modo inconsciente a própria linguagem para transmitir um significado, e "Não há verdade absoluta", que nada mais é do que a afirmação de um absoluto. 

Karl Marx apontou que o filósofo e ideólogo anarquista Pierre-Joseph Proudhon, famoso por declarar que "propriedade é roubo", cometeu uma "contradição performativa" porque "roubo" é a violação forçada da propriedade, o que pressupõe a existência de propriedade para ser roubada! 

Uma das principais críticas de Mises a Marx foi a de que Marx nunca realmente refutou seus opositores contemporâneos ou as ideias dos economistas clássicos. Marx, para fugir do debate, simplesmente os rotulou como "burgueses", preconceituosos e apologistas da classe exploradora – e outros tantos nomes desagradáveis e desprezíveis. 

Se você já se envolveu em um debate online, provavelmente notou que desqualificar os argumentos de alguém com base, por exemplo, em sua identidade, é bastante corriqueiro. Ainda hoje alguém comentou: "Você pode ter ido à universidade e você pode ter escrito alguns livros, mas você realmente não viveu a vida capitalista, na qual você é forçado a assinar um contrato para trabalhar mais de 45 horas por semana, pois se você não o fizer você não comerá." 

As pessoas fazem isso naturalmente quando confrontadas com informações que não querem aceitar. Sua primeira reação é encontrar uma maneira de rejeitar a fonte em vez de refutar as alegações. Lembro-me que, quando eu era criança, tinha um amigo comunista que descartava todos os pensadores de que ele não gostava. Ele dizia que Karl Popper era "reacionário" e que Nietzsche era um "completo direitista". Mas isso não é exclusividade da esquerda. Conservadores são conhecidos por frequentemente descartar seus oponentes como "esquerdosos". 

Hitler rejeitou todas as conclusões de Einstein, Freud e Adler dizendo que eram apenas "ciência judaica". Como resumiu o psicólogo social Thomas Gilovich

Para as conclusões desejadas, nos perguntamos: "Posso acreditar nisso?". Já para as conclusões pouco palatáveis perguntamos: "Tenho de acreditar nisso?"

Marx sistematizou os ataques pessoais

A maioria das pessoas reconhece que, embora possamos recorrer a ataques pessoais no calor do momento, um ad hominem nunca é realmente válido em um debate. O que torna Marx um filósofo distinto é que ele de fato tornou sistemática essa tática em sua filosofia.

De acordo com o marxismo, a posição social de um indivíduo determina suas crenças. Por isso, tal indivíduo não tem a capacidade de enxergar o mundo de outra forma, exceto segundo o interesse de sua própria classe, a qual irá determinar as ideias que ele defende. 

Assim, para Marx e os marxistas, não tem como existir algo como a busca abnegada e desinteressada pela verdade. Em uma sociedade capitalista, os trabalhadores, de maneira irreconciliável, estão em uma luta contra seus empregadores. Sendo assim, cada um dos lados é obrigado a adotar ideologias contaminadas que, embora falsas, têm o propósito de agir por meio deles para servir a seus interesses obscuros. 

A verdade reside apenas na ciência proletária, e assim Marx não precisou de refutar seus oponentes ideológicos — teve apenas de rotulá-los como "burgueses" (algo um tanto irônico, dado que ele próprio era filho de um rico advogado, e sua mulher era de família nobre). Aqueles primeiros economistas que defendiam o liberalismo tinham vieses intencionais ou inconscientes que os levaram a defender o livre mercado. Eles eram "apologistas bajuladores dos interesses injustos da classe dos exploradores burgueses, prontos para vender o povo para grandes empresas e financiar capital". Para Marx, isso era tudo o que realmente precisava ser dito sobre eles.

Mises e a verdadeira economia

Mises, é claro, nunca negou que as pessoas não tivessem propensões e vieses. Ele sempre reconheceu que as pessoas poderiam estar predispostas a convicções políticas que as beneficiassem pessoalmente. Afinal, ele era um grande crítico dos subsídios estatais e das tarifas protecionistas. Ele tinha todas as razões para acreditar que, quando os industriais da Áustria defendiam impostos mais altos sobre as importações, era porque esperavam evitar a concorrência estrangeira. 

O que ele rejeitou é a ideia de que é impossível alcançar crenças verdadeiras por meio da razão. É para isso que o debate existe: para expor os erros de uma lógica imprecisa. 

Mises chamou a razão de "o único instrumento da ciência e da filosofia". Em outras palavras: a nossa capacidade de raciocínio, por mais que seja aplicada equivocadamente às vezes, ainda é nossa única maneira de diferenciar uma ideia verdadeira de uma falsa. 

Segundo ele:

Tudo o que interessa é se uma doutrina é consistente ou não. Isso deve ser estabelecido por meio do raciocínio discursivo. A solidez e a consistência de uma determinada teoria não são em nada diminuídas caso as forças psicológicas que motivaram seu autor sejam conhecidas.[…] 

Se as falhas e os erros de uma determinada doutrina forem desmascarados, historiadores e biógrafos podem tentar explicá-los imputando-as aos eventuais vieses do autor. Mas a referência a esses vieses não substitui a necessidade de refutar suas doutrinas por meio de argumentos sensatos e sustentáveis.

Foi importante para Mises enfatizar que a economia, sendo uma ciência, é livre de juízo de valor (wertfrei). Seu objetivo é descrever como o mundo é e não como deveria ser. Ela é descritiva e não prescritiva. Ela deve nos oferecer as ferramentas para descobrir qual será o resultado das políticas, independentemente do que nós — ou nossos oponentes — possamos desejar, esperar, imaginar, preferir ou alegar.

A única maneira de descobrir se uma afirmação econômica (como, por exemplo, a afirmação de que os controles de preços levam a excessos e desabastecimentos) é verdadeira ou falsa é por meio do raciocínio discursivo. Apelos à raça, religião, "caráter nacionalista" ou "interesses de classe" do autor são completamente inúteis. 

Mises também alerta para as graves consequências de se acreditar que ideias são determinadas por interesses próprios. O que começa com a inocente acusação de preconceito burguês ou de tendência racial só pode se degenerar em perseguição aos dissidentes e seu eventual "extermínio". 

Sucintamente: ou recorremos à razão ou à violência. 

Ideias falsas nunca podem sobrepujar a realidade

Bertrand Russell (talvez o principal filósofo do século XX, até sua morte em 1970) costumava dizer "Eu acho que, se algo é verdadeiro, você deve acreditar nele; mas se não é verdadeiro, não deve acreditar". 

Sempre tive essa tendência, embora um dos meus professores de filosofia tenha declarado que, às vezes, existem bons argumentos contra "acreditar na verdade". 

Por exemplo, se você é atleta olímpico, pode ser benéfico para o seu desempenho ter uma autoconfiança demasiada sobre sua própria habilidade. No entanto, podemos concordar que, como modo de vida geral, é preferível a verdade sobre a ficção. É por isso que colocamos os loucos no manicômio e discutimos com nossos amigos e parentes que afirmam que Roosevelt acabou com a Grande Depressão, por exemplo. 

Entendemos que, ainda que a "verdade suprema" esteja além da apreensão de meros mortais, a veracidade de algo é um padrão ao qual devemos ao menos aspirar. 

Mises afirma que poderíamos ignorar a controvérsia de que a estrutura lógica da mente difere entre os membros de diferentes classes. Poderíamos aceitar — pelo bem da discussão — a afirmação dúbia de que a principal preocupação dos intelectuais é promover seus interesses de classe (mesmo que possam ir contra seus interesses pessoais). Poderíamos até mesmo considerar que não existe uma busca pela verdade. E, ainda assim, mesmo concedendo a Marx todas as sua premissas, a doutrina da ideologia ainda estava totalmente refutada pela lógica.

Sua razão para isso é que não há justificativa para acreditar que ideias falsas seriam mais efetivas para promover o interesse de classe de alguém do que as ideias corretas — uma observação bastante sensata. Voltando ao exemplo de se colocar malucos no manicômio, fazemos isso porque falsas crenças fazem com que as pessoas batam de frente com a realidade. Fundamentalmente, a verdade funciona.

Se você quer construir uma casa, é melhor considerar as leis da gravidade. Se você quer que suas plantas cresçam, é melhor regá-las e colocá-las ao lado da janela, onde elas tomarão sol. As pessoas passaram a estudar mecânica por razoes práticas, escreveu Mises. Elas queriam resolver problemas de engenharia. Até onde eventuais idéias ruins as levariam? Nem um único motor a vapor poderia ter sido inventado sob premissas falsas. "Não importa como alguém olhe para isso", escreve Mises, "é impossível uma teoria falsa servir a um indivíduo, ou a uma classe ou a toda a humanidade melhor do que uma teoria verdadeira".  

Marx nunca tentou explicar por que uma distorção ideológica seria mais efetiva em impulsionar determinados interesses de classe do que a própria verdade. 

Mises vai além e pergunta por que Marx decidiu professar essa doutrina – infinitamente cheia de contradições. E então ele passa a questionar os motivos de Marx. Isso pode nos parecer um tanto irônico, dado o contexto. Mas tenha em mente que Mises já afirmara que, tão logo você já expôs as falácias de uma pessoa, ela se torna uma presa fácil. Criticá-la é justo. Portanto, não se esqueçam: da próxima vez que você se sentir tentado a chamar alguém de "esquerdista idiota" no Facebook ou de "direitista maluco" no Twitter, certifique-se de antes refutar seu argumento. 

O real objetivo de Marx - e o início de suas contradições

Marx disseminou essa filosofia porque sua obsessão era a adoção do socialismo. 

De acordo com Mises, Marx estava "plenamente ciente" de que era impossível refutar as críticas devastadoras feitas ao socialismo feitas pelos economistas da época. Ademais, a teoria do valor-trabalho, sobre a qual ele havia baseado toda a sua filosofia, adaptando-a de J.S. Mill, David Ricardo e Adam Smith, havia sido derrubada pelos economistas Carl Menger e William Stanley Jevons apenas quatro anos após Marx ter publicado o primeiro volume de sua obra O Capital, em 1867. Um tanto constrangedor. 

Marx não havia entendido a nova e mais correta teoria marginal do valor, que explicava que nós valoramos cada unidade adicional de um bem que recebemos menos do que a unidade anterior. Havendo apenas um copo de água, iremos avaliá-lo como algo precioso e certamente iremos bebê-lo. Mas, caso tenhamos água em abundância, logo irmos utilizá-la para tomar banho e até mesmo para molhar a grama. Uma vez que atribuímos a cada unidade adicional de água uma função menos urgente do que a última, passamos a valorizar menos cada unidade adicional. 

Smith e Ricardo não viveram o suficiente para se divertirem desmentindo o pensamento socialista primitivo que surgiu de maneira mais avassaladora apenas nas décadas de 1830 e 1840. Mises observou que Marx, embora não os tenha atacado, ventilou sua "indignação total" sobre aqueles que seguiram os passos destes dois e passaram a defender a economia de mercado. Marx desqualificou estes seguidores e os ridicularizou chamando-os de "economistas baratos" e "tietes da burguesia" – ataques estes que, hoje, já viraram norma contra qualquer um com inclinações pró-livre mercado. 

Mises também observa outra contradição nessa estratégia de Marx: ao mesmo tempo em que ele ridiculariza os economistas clássicos afirmando que eles são guiados por sua formação burguesa e por seu viés pró-mercado, ele utiliza exatamente o mesmo arcabouço desenvolvido por estes economistas para chegar a conclusões anti-mercado. 

O ponto é que, caso Marx houvesse se limitado a usar de calúnia e difamação para desacreditar apenas economistas, ele ainda poderia ter conseguido um passe livre. No entanto, ele elevou esse comportamento a uma espécie de lei geral.  Assim, os marxistas passaram a interpretar todos os sistemas filosóficos à luz da doutrina ideológica – caluniando Mendel, Hertz, Planck, Heisenberg e Einstein por seus "interesses de classe". 

A contradição suprema

Mas eis agora a maior das ironias. 

Em nenhum momento os marxistas aplicaram sua tese às suas próprias doutrinas. Os princípios do marxismo, é claro, não tinham viés. Eram puros. Não eram ideologias. Eram apenas "uma antecipação de como seria o conhecimento da futura sociedade sem classes, na qual, livre dos grilhões dos conflitos sociais decorrentes da sociedade capitalista, estará em posição de conceber o conhecimento puro, imaculado por manchas ideológicas."

Marx ataca os argumentos em prol do capitalismo como sendo ideológicos. No entanto, pergunta Mises, por qual razão os capitalistas sequer precisariam justificar o capitalismo se, de acordo com a própria teoria marxista, cada classe está "impiedosamente em busca de seus próprios e egoísticos interesses de classe"? 

É claro que, se os capitalistas por acaso sentissem vergonha de seu papel de "burgueses, agiotas, ladrões e exploradores", então de fato eles precisariam de uma boa ideologia para fazê-los se sentir bem sobre o que estavam fazendo. No entanto, qual é a necessidade de satisfazer uma consciência que é parcial ou totalmente livre de culpa, segundo o próprio Marx? De acordo com Marx, a burguesia sequer é capaz de entender os trabalhadores, pois eles pensam de maneira distinta. Eles vivem dentro de um sistema que utiliza outra lógica.

Finalmente, segundo o próprio sistema criado por Marx, o capitalismo é um estágio necessário na evolução da humanidade. Dado que nenhuma formação social pode desaparecer antes de todas as forças produtivas terem amadurecido o suficiente para exigir tal mudança, o capitalismo é imprescindível para fazer a ponte entre o sistema feudal e o objetivo final, que é o comunismo internacional. Os capitalistas, predeterminados em suas atitudes por causa de seu lugar na ordem social, são passivamente levados a cumprir as leis da história. Logo, segundo a própria tese de Marx, eles não podem estar fazendo nada de errado! 

No máximo, eles próprios estão desempenhando seu papel necessário na construção de uma ponte para a felicidade de uma sociedade sem classe. Eles são as ferramentas da história, trabalhando de acordo com um plano predeterminado para a evolução da humanidade em conformidade com as leis eternas, independentemente de sua própria vontade ou de qualquer vontade humana. 

Assim, eles não poderiam evitar nada mesmo se quisessem! E certamente não precisariam de uma ideologia ou de uma falsa consciência para lhes dizer que estão corretos em agir como agem. O próprio Marx está dizendo isso para eles.

Mises finaliza tudo com esta:

Se Marx tivesse sido minimamente coerente, teria dito aos trabalhadores: "Não culpem os capitalistas. Ao "explorarem" vocês, eles estão fazendo o que é melhor para vocês próprios; eles estão pavimentando o caminho para o socialismo. 


Para mais sobre o assunto, ver o livro Teoria e História (1957), capítulo 7, seção 4; e capítulo 2, seções 1 e 4.



autor

Antony Sammeroff

  • Gustavo  20/07/2020 20:08
    Muito bom! Acho que nunca tinha visto alguém analisar por esse ângulo. Sobra algo de útil em Marx (pergunta sincera)?
  • Túlio  20/07/2020 20:35
    Marx estava certo quanto à luta de classes. Ele só errou nos membros da luta. Não é trabalhadores versus capitalistas (eles são aliados). É pagadores de impostos versus recebedores de impostos.
  • Estado o Defensor do Povo  21/07/2020 01:00
    Não existe esse negócio de "classe".
  • BadMaluco  24/07/2020 10:52
    A casta de sugadores não para de crescer. É como se o carrapato fosse ( ou melhor , ficasse ) maior do que a vaca , ano após ano.

    governo = ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
  • Jeff  20/07/2020 20:37
    Marxismo sem polilogismo - há algo aproveitável em Marx?

    www.mises.org.br/article/982/marxismo-sem-polilogismo--ha-algo-aproveitavel-em-marx
  • Marcelo  21/07/2020 16:59
    Marx nunca se preocupou com economia, mas sim com o "vestido de ideias" para o seu projeto de poder.
    vitimismo e criticismo é só o que Marx criou.
    Lembrando que ideologia é o discurso de justificação de uma prática.
    O texto mistura tudo e cai na armadilha esquerdopata de sempre: explicar uma teoria que não é teoria: Marx criou apenas uma prax = prática.
  • 4lex5andro  22/07/2020 17:02
    Não.
  • Marques  20/07/2020 20:14
    nymag.com/intelligencer/2020/04/why-americans-dont-vote-their-class-bernie-sanders-marxist-electoral-theory.html
  • Carlos  20/07/2020 20:22
    Ou seja, mais uma outra tese de Marx refutada pelas pessoas do mundo real.
  • Ivanildo  20/07/2020 20:18
    Marx dizia que todas as ideologias e teorias econômicas são definidas pela posição social do criador da teoria. Tal verdade era absoluta, exceto para o marxismo, é claro, que era uma teoria pura, imaculada e criada por ungidos desinteressado e que paravam acima de interesses escusos.

    Marx dizia que a história inevitavelmente caminharia para o comunismo, e que o capitalismo era uma etapa necessária. E afirmou também que os capitalistas eram cruciais para fazer esta transição entre o capitalismo e o comunismo (os capitalistas fariam a exploração que levaria os trabalhadores a se revoltarem). No entanto, estranhamente, em vez de apoiar os capitalistas (pois eles levariam inevitavelmente ao comunismo), ele defendeu que eles fossem exterminados (o que abortaria a revolução). Uma fragorosa contradição.

    Ou seja, se o comunismo era inevitável e seria um desdobramento natural do capitalismo, por que Marx escreveu tratados alertando os capitalistas de que eles estavam esticando a própria corda que iria enforcá-los? Por que ele não simplesmente defendeu que os capitalistas fossem até o fim ("explorassem ao máximo") para assim acelerar a inevitável revolução?
  • Constatação  21/07/2020 13:11
    Fosse esse o caso, aqui também não se fariam alertas - de forma constante e com demonstrações - de que intervenção estatal na economia é um erro. A menos que a ideia fosse deixar que o governo resolvesse todos os problemas econômicos (uma besteira) até que a coisa chegasse a um ponto sem volta.
  • anônimo  20/07/2020 21:08
    Aproveitando o tópico, será que alguém poderia esclarecer o significado da palavra "marginal" nas expressões utilidade marginal, produção marginal decrescente, valor marginal etc?

    Sei que marginal é o que está à margem. Mas onde se fixa a margem? É o enésimo termo dos recursos de que disponho? Ou é o mais importante?
    Quando tenho 5 copos d'água, para matar a sede, onde entra a margem? No quinto copo?

    Agradeço.
  • Leandro  20/07/2020 21:40
    O conceito de margem diz respeito aos incrementos que ocorrem, sem se considerar o todo existente. Marginal significa adicional.

    Por exemplo, a teoria da "produtividade marginal decrescente". Ela significa que a sua produtividade vai aumentando de maneira decrescente.

    Exemplo: você entra com capital e mão-de-obra de 100 e produz 120.

    Aí, se você acrescentar mais uma unidade de capital (mantendo a mão-de-obra), você terá agora, um capital e mão-de-obra de 101 e vai produzir, suponhamos, 122.

    A sua produção aumentou, mas de forma decrescente. Um aumento de 1% no capital (de 100 para 101) aumentou sua produção em menos de 1% (o aumento foi de 120 para 121, o que dá 0,83%).

    Isso se chama aumento na margem. E foi um aumento em um ritmo decrescente. Uma unidade adicional de capital e mão-de-obra gerou um aumento de menos de um no produto.

    Outro exemplo: pense em água e em diamantes e veja o preço de cada. Nós não valoramos a categoria "diamantes" em relação à categoria "água"; não fazemos uma comparação direta entre ambos os produtos, que são distintos não apenas em sua composição, como também em suas finalidades.

    O que realmente fazemos é valorar uma unidade a mais de diamante em relação a uma unidade a mais de água. Este é o conceito de margem. Uma unidade a mais de água, tudo o mais constante, não faz diferença nenhuma para você. Já uma unidade a mais de diamante, um bem extremamente mais escasso que a água, faz muita diferença para você. A água é um bem superabundante. Diamantes não. Eis a margem.

    O conceito de marginalidade é muito importante e muito utilizado na economia. Termos como "custo marginal", "utilidade marginal", "produção marginal" são extremamente utilizado.
  • anônimo  20/07/2020 21:54
    Obrigado! Aproveitando para abusar da sua paciência, tenho algumas dúvidas sobre utilidade marginal decrescente. Por exemplo o dinheiro tem utilidade marginal decrescente? Se eu ganho mais dinheiro eu sinto menos prazer? Ele vale menos pra mim?
  • Leandro  20/07/2020 22:10
    Isso de "diminuir o prazer" não é utilidade marginal, mas sim saciedade ou satisfação, algo que Mises teve muito cuidado em não confundir.

    O mainstream confunde tudo. O mainstream pensa em utilidade marginal em termos de "saciedade" ou "satisfação" (aquele surrado exemplo de o primeiro copo d'água no deserto). Em termos técnicos, o mainstrem diz que utilidade marginal é a quantidade de necessidades que são satisfeitas quando se incrementa em uma unidade o consumo de determinado produto. Ou seja, o mainstream inventa uma soma que não existe e não faz sentido.

    Mas não é assim que funciona. A utilidade marginal não está ligado à saciação, mas sim à valoração de itens homogêneos.

    Permita-me dar alguns exemplos que vão ajudá-lo a entender a definição de utilidade marginal.

    Se um indivíduo possui 5 carros idênticos, os quais satisfazem completamente todos os seus desejos, então o valor de cada carro será determinado pela importância que esse indivíduo atribui ao quinto carro que ele possui (no sentido de que há um ranking de preferências pelos carros, e supondo que o quinto carro é o menos importante para ele). Assim, se ele por exemplo perder esse quinto carro, o valor de um carro aumentaria de acordo com a satisfação que ele agora tira do quarto carro no seu ranking de importância.

    Caso ele perdesse 4 carros, ficando com apenas um, o valor desse único carro restante aumentaria enormemente, e o indivíduo agora passaria a valorizá-lo de acordo com a importância que esse único carro tem para ele na satisfação de todos os seus afazeres diários.

    Por outro lado, caso ele ganhasse num sorteio 100 carros iguais — um número que excede em muito a hipótese inicial de que 5 carros o satisfazem completamente —, então a utilidade marginal e o valor de cada carro agora seria de zero, pois a satisfação de todos os seus desejos automobilísticos não dependeria da posse de um centésimo carro -- aliás, não dependeria nem mesmo de um sexto carro.

    Portanto, o valor que um indivíduo atribui a uma unidade de uma determinada quantidade de bens é igual à importância que ele dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por essa unidade.

    Se você está com fome e tem inúmeras cédulas de 5 reais, perder uma cédula não lhe fará diferença alguma. Por outro lado, se você, estando com a mesma fome de antes, porém tendo agora apenas uma cédula de 5 reais, perder essa cédula, isso pode significar a diferença entre comer e morrer de fome. Logo, sua utilidade marginal para a cédula de 5 reais é nula no primeiro caso e, no segundo caso, possui o valor de sua vida.

    Este é o real conceito de utilidade marginal.

    Resumindo: uma unidade adicional de um bem (oriundo de uma oferta de bens homogêneos) terá para você um valor que equivale à importância que você dá à satisfação da necessidade menos importante propiciada por este bem adicional.

    Um copo d'água a mais para quem já está sem sede alguma não tem valor algum. Já um diamante a mais para um milionário ainda terá muito valor.

    Por outro lado, imagine esta mesma situação para um indivíduo completamente perdido em um deserto inóspito. A valoração será totalmente inversa.

    Deve-se sempre pensar em termos de valor subjetivo.

    Quando você entende isso, percebe que não faz sentido nenhum a ideia de valor-trabalho. E perceberá que a única explicação para o valor das coisas é a subjetividade dos indivíduos.
  • Juliano  20/07/2020 22:10
    No fina, tudo de Marx descambava em polilogismo. E essa continua sendo a tática utilizada até hoje em várias discussões políticas.  É claro que hoje a retórica está em um nível muito mais baixo, porém essa é a maneira normal na qual a discussão política ocorre em nossa sociedade pós-marxista, em que as pressuposições polilogistas conduzem o debate. 

    Por exemplo, é impossível os capitalistas entenderem a lógica do debate ambientalista, pois eles estão fora de sintonia com a natureza e suas necessidades. Os brancos são incapazes de entender as demandas dos negros por mais direitos e redistribuição, pois a experiência negra e sua maneira de pensar são estranhas à experiência branca e sua maneira de pensar. 

    O mesmo é válido para questões relacionadas a sexo, sexualidade, religião e capacidades físicas.

    Um indivíduo não pode sequer se atrever a falar sobre as controvérsias de nossa época caso ele não pertença ao "grupo oprimido" sendo discutido. E se uma mulher, ou um negro ou um gay oferecer um ponto de vista que vai contra a agenda política daqueles grupos poderosos que se pretendem porta-vozes desse coletivo, tal pessoa será desprezada como sendo alguém que, por algum motivo, não possui uma consciência mais elevada e que está irremediavelmente contaminada por uma mentalidade obscurantista. Um traidor da classe.  Ela não é uma mulher genuína, ele não é um negro genuíno, ele não é um gay genuíno, ele não representa a genuína visão do Islã etc.

    Aqui mesmo neste site, sempre que alguém chega pra criticar o argumento é o de que aqui só tem ricos que nunca pegaram ônibus e nunca precisaram do SUS.
  • Jango  20/07/2020 22:34
    E é exatamente nisso que consiste o marxismo cultural. Largar os proletários em segundo, terceiro ou quarto plano e apostar toda a mesma retórica marxista nos grupos minoritários "imutáveis".

    Mas ao contrário do marxismo clássico que tinha um discurso socialista (de coletivização/estatização dos meios de produção), o marxismo cultural muitas vezes (na maioria das vezes) possui um discurso fascista e social-democrata (de programas assistenciais, leis exclusivas, cotas, impostos específicos, censura seletiva, etc).
    Dessa forma, o sistema capitalista continua funcionando, sem nunca atingirem o que supostamente almejam, ou seja, a utopia progressista em que todos os grupos são iguais.

    Mas claro, isso não é nenhuma ingenuidade. Eles sabem que os grupos distintos nunca serão iguais. Portanto, assim como aconteceu nos países comunistas, usam tal discurso apenas para se prender ao poder e nunca mais sair de lá, assim como ter o poder e a justificativa de tomar o dinheiro de quem bem quiser para distribuir pra quem bem determinar. Em outras palavras, querem ser os 'reis' modernos, usando mentiras e um discurso igualitário para conseguir um poder absoluto.
  • Bode  20/07/2020 23:37
    Se o comunismo é uma evolução histórica inexorável, como afirma Marx, por que cargas d'água existe a necessidade de partido comunista?
  • Marxismo em um minuto  21/07/2020 00:23
    Todo o evangelho de Karl Marx pode ser resumido em duas frases: Odeie o indivíduo mais bem-sucedido que você. Odeie qualquer pessoa que esteja em melhor situação do que a sua.

    Jamais, sob qualquer circunstância, admita que o sucesso de alguém pode ser decorrente de seu esforço próprio, de sua capacidade, de seu preparo, de sua superioridade em determinada atividade.

    Jamais aceite que o sucesso de alguém pode advir de sua contribuição produtiva para algum setor da economia, contribuição essa que foi apreciada por pessoas que voluntariamente adquiriram seus serviços.

    Jamais atribua o sucesso de alguém às suas virtudes, mas sim à sua capacidade de explorar, trapacear, ludibriar e espoliar.

    Jamais, sob qualquer circunstância, admita que você pode não ter se tornado aquilo com que sempre sonhou por causa de alguma fraqueza ou incapacidade sua.

    Jamais admita que o fracasso de alguém pode ser devido aos defeitos dessa própria pessoa — preguiça, incompetência, imprudência, incapacidade ou ignorância.

    Acima de tudo, jamais acredite na honestidade, objetividade ou imparcialidade de alguém que discorde de você. Qualquer um que discorde de você certamente é um alienado a serviço da burguesia e do "capital".

    Este ódio básico é o núcleo do marxismo. É a sua força-motriz. É o que impele seus seguidores.

    Se você jogar fora o materialismo dialético, o arcabouço hegeliano, os jargões técnicos, a análise 'científica' e todas as inúmeras palavras presunçosas, você ainda assim ficará com o núcleo do marxismo: o ódio e a inveja doentia do sucesso, que são a razão de ser de toda esta ideologia.
  • Elandir  21/07/2020 00:54
    Sim, o ser humano em sua maioria não suporta o sucesso alheio. É incapaz de aceitar sua condição individual ou buscar modificá-la. Não admite correr o risco de tentar alcançar o sucesso pessoal (e falhar) e não aceita que outros sejam capazes (e consigam). Não se aceita como é, e não aceita os outros.
  • Vinicius  21/07/2020 03:39
    Marx era contra o direito à herança. Mas ele próprio era um rico herdeiro. E vivia bancado por Engels, um capitalista.

    Ou seja, se fosse implantado aquilo que realmente Marx defendia (abolição da herança e espoliação dos ricos), ele seria o primeiro a ir para a sarjeta.
  • cosmic dwarf  21/07/2020 23:00
    É isso... criticar a "teoria econômica" marxista é necessário mas não é nem de longe o mais importante. É preciso bater incessantemente na tecla de que o marxismo é uma ideologia animada por uma escatologia apocalíptica, violenta, abastecida por uma inveja mesquinha que não pode ser saciada.
  • ???  21/07/2020 00:52
    Marx é estudado até hoje nas universidades... e Mises, não.

    Você não vê nenhum site do Marx criticando Mises, mas você vê site do Mises criticando todo mês o Marx rsrs

    Por que esse barbudinho ,que não gostava de trabalhar, é tão popular assim, hein ?
  • Rodrigo  21/07/2020 01:02
    Essa é fácil: porque ele justifica a preguiça, o roubo, a incompetência e a inveja. Assim todos se apegam a ele.
  • Paulo Roberto  21/07/2020 01:02
    Adolf Hitler também é muito estudado nas universidades de História. Madre Tereza e Norman Borlaug (o homem da revolução verde, que livrou milhões da desnutrição), olha só, não.
  • Fernandez  21/07/2020 01:03
    Marx defende o fácil, o "roube dos ricos", "não construa nada e se aposse do que os outros construíram". Isso soa como música para os ouvidos de muitos que não querem trabalhar e se esforçar, e querem viver do esforço alheio. É fácil ser popular assim.
  • r.raphael  21/07/2020 01:37
    "Marx é estudado até hoje nas universidades"

    paulo freire também , o brasil não é um pais retrógrado por acaso
    parabéns por nos relembrar dos "inspiradores" da nossa irrelevância mundial
    já discuti com gente que negava que havia marxismo no ambiente acadêmico mas alguém sempre acaba dedurando, mesmo que esse daí estivesse tentando lacrar
  • Bruno  21/07/2020 03:44
    1. O marxismo tem a grande virtude da clareza: algumas verdades absolutas que explicam tudo.

    2. O marxismo propõe o estado-babá — ninguém é responsável pela sua vida.

    3. O que Mises propõe é que ninguém deve viver à custa dos outros, ninguém deve espoliar os outros e cada um deve se esforçar para agradar terceiros e disso obter sua renda — algo cujo resultado é incerto, por definição.

    Dizer que cada indivíduo deve ser o responsável pelo seu destino de fato não é muito popular.
  • Estado o Defensor do Povo  21/07/2020 00:59
    Como o mundo seria hoje se Karl Marx fosse anarco-capitalista?
  • Fabrício  21/07/2020 01:11
    Pergunta interessante.
  • Imperion  21/07/2020 11:55
    Marques seria ignorado e os socialistas seguiriam outro
  • Estado o Defensor do Povo  22/07/2020 01:06
    Mas não teve outro, toda cambada totalitária que surgiu no século XX como Mao, Stalin, blablabla foram porque eles eram fãs do Marx e queriam deixar a sua "contribuição" para a teoria socialista.
  • Pensador Puritano  22/07/2020 10:50
    O imperion tem razão,se não fosse Karl Marx,surgiria outro espertalhão ou lunático,tanto faz e iria pesquisar o capitalismo e inventar uma teoria semelhante a de Marx e pregar o genocídio dos burgueses ao se inspirar em Robespierre na revolução francesa que mandava guilhotinar nobres resistentes as mudanças dos revolucionários franceses e por fim qualquer um,dai ele(Robespierre)também ter sido julgado e condenado a guilhotina,pois o mesmo virou um ditador sanguinário,enfim sempre tem um ao longo da História(corajoso ou não)para levantar bandeiras contra ou favor de um grupo,e por isto fico com Mises onde a verdadeira batalha feita pacificamente é nós(Pagadores de impostos)contra eles(burocratas,corporativistas e classe política-recebedores implacáveis de impostos).
  • robson santos  22/07/2020 15:53
    embora ache que homicidas, genocidas, assassinos, psicopatas etc e tal essa porcalhada imunda toda.. não precise de muita teoria pra exercer seu "ofício"...

    Ou seja, esses aí citados poderiam ter aprontado das suas tranquilamente de qualquer outro jeito sem dor nem peso algum na consciência..
  • Danielle Bianchi  21/07/2020 01:42
    Que agradável ler este artigo!
    Amei e me envolveu do início ao fim.
    Espero um dia ser eu publicando por aqui.
  • Felipe L.  21/07/2020 03:16
    Falando de Ciências Humanas, o que vocês acham de Lacan?
  • Joao  21/07/2020 03:48
    Podem falar o que for, mas Marx foi um dos maiores pensadores da história humana. Continua sendo estudado no mundo todo, nos mais diversos cursos de ciencias humanas. O barbudinho era o capeta, no bom sentido. kkk
  • Igor Martins  21/07/2020 12:32
    Como Mises veria a Lei de Terras imposta no Brasil em 1850?
    A lei de terras tirou a possibilidade das pessoas se apossarem de terras devolutas (sem uso) e deu a propriedade destas terras desocupadas ao Estado.
    O teorema de Coase diria que isso é positivo pois segundo esse postulado muitos problemas econômicos emergem do fato de os bens não terem uma propriedade definida. Logo, a Lei de Terras seria positiva sob esse ponto de vista, ainda que o dono seja o Estado.
    Mas o que aprendemos no colégio é sempre que essa foi uma lei segregacionista, voltada pra elite e que isso moldou a desigualdade da nossa sociedade é que muitas pessoas herdou esse legado de escassez de terra. Alem disso, sempre diziam nos EUA por exemplo todo escravo ganhava um pedaço ao ser liberto.
    Gostaria de saber a opinião de Mises sobre uma lei como essa
  • Daniel  21/07/2020 14:37
    Meu caro, entregar uma terra devoluta para o estado é o exato oposto de atribuir um dono a essa terra. Propriedade estatal é o oposto de propriedade pública.

    Isso é básico.

    Quando a terra é estatal, na prática, ela não é de ninguém. Vide os rios e o ar. Terão maiores direitos sobre ela aqueles que tiverem maiores conexões com políticos. Vide hoje a poluição do ar e dos rios e a destruição de florestas. Quem o faz são empresas protegidas por políticos, pois são generosas doadoras de campanhas e demais propinas.

    A maneira mais garantida de você depredar algo é entregando a propriedade deste algo para o estado.

    www.mises.org.br/article/3059/por-que-proibir-o-brasil-de-explorar-suas-florestas--e-o-exemplo-sueco-

    www.mises.org.br/article/1361/propriedade-privada-significa-preservacao

    www.mises.org.br/article/89/se-voce-gosta-da-natureza-privatize-a
  • Igor Martins  21/07/2020 15:06
    Daniel vou tentar esclarecer meu ponto que acho que fui confuso mesmo.

    Antes da Lei de Terras, qualquer pedaço de terra que não tivesse um dono registrado podia ser de qualquer um que se apossasse daquela terra, ou seja, entrava nela e registrava no cartório como sua, se não fosse de ninguém.
    O que ocorreu após a Lei de Terras é que para vc ser dono de uma terra voce, dali em diante, deveria pagar por ela ao governo, visto que a terra sem dono agora era propriedade do governo..
    Antes ser dono de terra era "gratuito", bastava entrar na terra e registrar em seu nome. Depois da Lei de Terras, para ser dono vc precisava "comprar" do governo a terra, não bastando vc se apossar da terra.

    Daí que surge minha dúvida. O teorema de Coase diz que é melhor atribuir propriedade de um bem do que deixa-la livre. Ou seja, sob essa ótica era melhor uma Lei de Terras do que nenhuma Lei de Terras.
    Por outro lado, vc restringir a entrada numa terra pode ser visto como anti-libertario
  • Felipe L.  21/07/2020 16:28
    Esse dejeto de Lei de Terras acabou com o país, assim como a Lei dos Entraves.
  • Imperion  21/07/2020 14:49
    Ele seria contra. Essa lei deu ao estado toda terra que nao era propriedade privada.
  • 4lex5andro  22/07/2020 17:15
    Colaborou em manter (e depois aumentar) a concentração fundiária no país, que já era grande naqueles tempos.

    Naqueles longíquos tempos, sem legislações ambientalistas, se podiam prosperar colonizações nas terras devolutas, antes de 1850 (por exemplo, as primeiras colônias suíças e alemãs no país começaram desse modo).

    E claro, não só colonizações estrangeiras mas brasileiras também, já que somente os grandes proprietários de terras (latifundiários da cana no nordeste e do café no sudeste, por ex.) poderiam comprar grandes somas de terras do governo.

    Passados muitos anos assim, depois da lei áurea, em vez da monarquia usar dessas terras para os libertos terem seu pedaço de lavoura, o golpe republicano, as vendeu para companhias de colonização dos estados e da União.

    Que, novamente, privilegiaram imigrações da Europa e expansões de cafezais, em vez de desenvolver o minifúndio no país.

    No fim, novamente foi o Estado quem interveio para deixar um estrago maior do que se não tivesse interferido.

    O Brasil de sempre.
  • 4lex5andro  22/07/2020 17:27
    Isso que o ministério da economia havia proposto pegar parte do fundeb e aloca-lo em um fundo para voucher de creches, mas aí as entidades de classe de sempre, muito abnegadas em prol da ''educassão'', mobilizaram seu lobby no congresso.

    No Brasil, voucher parece palavrão de tanto que é defenestrado.

    Mas merece, as escolas desse país vão continuar caindo ladeira abaixo em qualquer ranking.
  • Felipe L.  22/07/2020 22:11
    Pois é.
  • Julio  21/07/2020 15:23
    O salário mínimo custou meu emprego. Essa bela "burrice" da politicalha.............

    www.youtube.com/watch?v=dPWNJhcxqtw
  • Chat Noir  21/07/2020 20:40
    **Considero esse comentário off-topic**

    Eu recentemente estava lendo sobre empresas grandes de tecnologia, Apple, Sony e Samsung e ficou marcado na história os escândalos em empresas terceirizadas dessas mesmas empresas, como por exemplo problemas em relação ao tratamento dos trabalhadores, possíveis casos de trabalho infantil em minadoras (se não me engano) e por ai vai.
    As pessoas costumam acusar as empresas de omissões, já que se eles supostamente revelassem o que realmente fazem os lucros poderiam cair. E já teve uma acusação anonima de um possível funcionário da apple:

    "Em 2012, um ex-executivo da Apple declarou anonimamente ao The New York Times: "Nós já sabíamos dos abusos de trabalho em algumas fábricas há quatro anos e, mesmo assim, eles ainda estão acontecendo. Por quê? Porque o sistema funciona para nós. Os fornecedores mudariam tudo amanhã se a Apple dissesse não haver outra alternativa".

    Então como faríamos para resolver esse problema, notasse é claro que nessas tais empresas terceirizadas a maioria são em países orientais e em países como Congo e China que não são um bom exemplo de países livres, mas isso não anularia que a empresa realmente não está resolvendo o problema.

    Portanto, qual seria o método que poderíamos resolver esses problemas?

    Desde já agredeço a atenção!
  • Marcos Rocha  21/07/2020 21:26
    Está preparado para uma dose de realidade politicamente incorreta?

    Aquilo que um americano, um coreano e um japonês consideram "condições insalubres de trabalho" nada mais é do que a condição normal de trabalho dos países de terceiro mundo. É simplesmente impossível um país que ainda não enriqueceu e acumulou capital ter as mesmas condições de trabalho de países que já fizerem isso.

    É impossível querer que trabalhadores de Bangladesh trabalhem com o mesmo conforto de trabalhadores suíços. Economia básica.

    De resto, mais especificamente sobre o tema:

    www.mises.org.br/blogpost/630/a-doenca-do-capitalismo--um-vermelho-e-preto-com-denis-russo-burgierman

    www.mises.org.br/blogpost/2785/sobre-as-denuncias-de-trabalho-escravo-o-governo-por-incrivel-que-pareca-esta-certo
  • Felipe L.  21/07/2020 21:46
    Verdade. Quem diz isso é quem morou nos EUA. Entre em qualquer lugarejo de bairro e faz qualquer local de trabalho mais abastado no Brasil parecer uma favela.

    EUA, Escandinávia, Alemanha e outros países desenvolvidos não possuem uma legislação trabalhista rígida como a CLT, mas possuem condições de trabalho melhores. Por quê? Porque além de terem mais capital acumulado, o mercado de trabalho é menos regulado, assim como a abertura, manutenção e fechamento de negócios é mais em conta. Até a China avançou nesse aspecto.
  • Drink Coke  21/07/2020 22:20
    Pior é aquela que ser pobre nos EUA é ruim. Minha Cunhado há uns anos foi trabalhar de babá nos EUA, tem carro próprio, um teto com rede eletrica e saneamento, tem iphone, plano de celular, come fora, sai para beber com as amigas, compra roupa, maquiagem, tem plano de saude basico. Em que país uma babá tem isso?
  • Chat Noir  21/07/2020 23:48
    Obrigado pelas respostas

    Vou ler os artigos pra me aprofundar mais na ideia.

    Minha dúvidas era em relação ao trabalho infantil mesmo, mas tudo bem

    Valeu!
  • Felipe L.  23/07/2020 01:19
    Trabalho infantil é fenômeno de falta de capital acumulado e pobreza. Veja essa relíquia de Londres dos anos 1900. Em maior parte de nossa história, foi assim. As crianças da imensa maioria das famílias também tinham que trabalhar, mas obviamente os pais não iriam deixá-las morrer de exaustão, pois além da questão de amor, os pais também pensam de maneira econômica, dado o fato de que não é nada fácil criar um filho (ou vários, como era décadas atrás) e prepará-lo para a vida adulta. Como o ensino coletivizado naquela época ainda estava se consolidando, as famílias mais abastadas contratavam tutores para os seus filhos, com aulas de línguas, piano, entre outras coisas. Em países desenvolvidos de hoje, pelo menos nos EUA os filhos ganham alguns trocados abrindo barraca de limonada (não sei nem se hoje ainda deixam, pois há cada legislação bizarra lá que lembra o Brasil), outros usando algum carrinho. No Brasil, embora isso seja proibido, tenha certeza que no interior do país ainda deve haver crianças trabalhando em carvoarias, entre outros serviços nada agradáveis. Problema da pobreza e da falta de acúmulo de capital.

    Esse fenômeno foi muito bem falado por Leandro Narloch em seu livro "Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo".
  • cosmic dwarf  21/07/2020 22:33
    O engano de Mises foi achar que o principal público das idéias marxistas eram pessoas preocupadas com considerações utilitárias. Afinal, falavam tanto do bem dos trabalhadores.

    Pois bem, estamos no início da década de 90, e está amplamente demonstrado que o socialismo não é um caminho viável para o progresso econômico. E o que fazem os marxistas? Migram para as narrativas ambientalista e interseccional. O objetivo deles não é construir nada, é destruir a civilização cristã ocidental.

    Criticar a "economia" marxista é dizer a um brutamontes estúpido e rancoroso que quer te espancar até a morte por pura inveja: "mas você viveria melhor se me deixasse vivo!" A social-democracia é o brutamontes marginalmente mais esperto que constatou que, de fato, era melhor deixar o burguês vivo... por enquanto. Mas sua paciência está se esgotando.

    O PRINCIPAL atrativo d'O Capital é justamente os ataques desprezíveis a todos que discordam da visão escatológica de Marx. Os burgueses são o inimigo e qualquer argumento em contrário é enganação do inimigo. É exatamente isso que os esquerdistas querem ouvir. Eles são as pessoas que, em tempos e lugares mais propensos ao misticismo, seriam fanáticos religiosos, acreditando piamente nas palavras do profeta, sem se preocupar com lógica ou consequências.
  • Drink Coke  21/07/2020 23:12
    E quem disse que o Mises não sabia disso? ele escreveu um livro chamado mentalidade anticapitalista que trata disso. Agora o Mises antes de tudo era um economista teórico e não um panfletário, e como tal visava atacar um argumento de maneira imparcial e racional.
  • cosmic dwarf  22/07/2020 12:41
    Meu ponto é justamente que atacar o marxismo e seus inúmeros filhos bastardos de forma racional não é eficaz. A "teoria" marxista (such as it is) já foi refutada de todos os ângulos possíveis e continua fazendo adeptos.

    O apelo do marxismo não é racional. Alguém que se sente atraído pelo marxismo precisa de muito mais que argumentos econômicos, ele precisa no melhor dos casos de pena e ajuda espiritual (no sentido de entender/aceitar o mundo e seu lugar nele), e nos casos mais avançados, de um desdém e raiva expurgadora análogos ao que os próprios marxistas mostram aos seus inimigos.
  • Jairdeladomelhorqptras  22/07/2020 15:42
    Caro Cosmic Dwarf,
    Concordo plenamente com Vc, quando diz que atacar os marxistas pelo lado da racionalidade não funciona. Discordo, entretanto, qdo afirma q nos casos leves precisam de pena e ajuda espiritual. Lembremos que o marxismo é uma seita de assassinos. Quem aceita atal seita não merece pena alguma.
    Abraços
  • Drink Coke  22/07/2020 18:07
    "Meu ponto é justamente que atacar o marxismo e seus inúmeros filhos bastardos de forma racional não é eficaz"

    Eu concordo, mas eu penso que a maioria das pessoas que são marxistas em um momento da vida deixam de ser marxistas naturalmente, normalmente pessoas racionais logo se dão conta da besteira que é o Marxismo. Aqueles que persistem indicam ser um apaixonado e cego a ideologia, nesse caso não há o que fazer.

    Na minha opinião, o liberalismo é uma filosofia racional, há pessoas que não tem predisposição a ser liberal (pessoas mais emotivas) e também há aqueles que são ignorantes e não fazem questão de aprender a filosofia, nesses casos, novamente, não há o que fazer.

    O que eu acho que temos que fazer é atrair pessoas que tenham predisposição a ser liberal, entenda-se pessoas mais racionais, mas que não são liberals por falta de conhecimento correto.

  • Imperion  22/07/2020 05:51
    E eis que no novo fundeb, 70 por cento dos recursos é so pra salários. Pros alunos nem metade.
  • Reginaldo  23/07/2020 04:56
    A maior parte das cidades que recebiam Fundeb tinham há um tempo atrás apenas professores leigos. Ou seja, ministravam aula sem a devida formação.
    Com o Fundeb foi possível pagar salários dignos de modo a atrair pessoas com formação mínima e melhorar o nível educacional nessas cidades miseráveis.
    Mas pra certa turma trata-se apenas de esquerdismo ou corporativismo de professores que se desdobram pra cumprirem seus deveres. Se dependêssemos dessa turma os miseráveis nunca terão acesso a nenhum serviço digno e é isso que incomoda
  • Rossi  23/07/2020 14:12
    Estou de mente aberta. Qual a sua fonte para embasar esta afirmação? Dados concretos, por favor.
  • Lucas Mendes  22/07/2020 17:43
    Sindicatos, o defensor do trabalhador.......
    exame.com/negocios/renault-demite-747-no-parana-e-da-inicio-a-plano-de-reestruturacao-global/

    Esse tipo de pelegagem tupiniquim é sensacional. Não se dão ao trabalho nem de colocar a proposta para a votação dos proprios trabalhadores. É de uma piada só.
  • Austríaco Iniciante  26/07/2020 20:02
    Recentemente tenho acompanhado alguns debates na internet e venho me surpreendendo com alguns argumentos de socialistas e marxistas de rede social.

    Um desses argumentos é que eles dizem que nem Marx e que nenhum teórico comunista ou socialista defenfem um órgão centralizador/planejador.

    Eis o que um deles falou na íntegra:

    "pois é, mas ninguém defende isso e você só está refutando uma tese que você mesmo criou.

    os comunistas e socialistas em geral (gustavo incluso) defendem que as pessoas que produzem os bens e serviços é quem deverão decidir o quanto e o que é produzido, e não o capitalista, que se pauta unicamente pela lógica da acumulação de capital.

    o planejamento econômico é nesse sentido e você pode buscar refutar esse modelo, sem problemas.

    no entanto, você não pode simplesmente afirmar que isso é o mesmo que dizer que o estado, como se fosse um único invidíduo (ou um conjunto de altos burocratas) é quem deverá planejar o que e quando será produzido e afirmar que essa ideia é insensata para dizer que refutou a proposta socialista/comunista."

    Gostaria de entender se ele está sendo honesto ou mentindo descaradamente.
  • Alberto  27/07/2020 19:40
    Hoje é dia 27. Vocês vão fazer um artigo sobre as duas Coreias?


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