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Sobre o "lucro" de R$ 500 bilhões do Banco Central - o problema está nas consequências
Quando a miragem é encarada como realidade

Ao fim de maio, a notícia foi onipresente nas seções de economia dos jornais: nos primeiros cinco meses de 2020, o Banco Central teve um lucro de espantosos R$ 500 bilhões em decorrência de suas operações com o dólar. 

Falando mais diretamente: como o dólar saltou de R$ 4,02 no fim de dezembro de 2019 para R$ 5,35 ao fim de maio de 2020, as reservas internacionais do Banco Central, que se mantiveram em torno de US$ 350 bilhões, apuraram um ganho contábil de quase R$ 500 bilhões neste período, por meio da simples marcação a mercado. 

E isso dá quase 7% do PIB.

Uma parte deste valor seria repassado ao Tesouro. Já há um projeto de lei exigindo que pelo menos 80% seja repassado.

Até aqui, nada fora do lugar. Esse, aliás, é o procedimento padrão. A cada semestre, o BC apura ganhos ou perdas não-realizados das reservas internacionais devido à variação do dólar e acerta as contas com o Tesouro Nacional.

No entanto, como agora os ganhos foram muito acima da média, isso está atiçando o apetite alheio. 

Dado que o déficit primário para este ano, por causa da pandemia da Covid-19, está estimado em inéditos 10% do PIB, o Tesouro já está obrigado a levantar essa mesma quantia no mercado financeiro apenas para pagar suas despesas correntes (excluindo juros). Mas como houve R$ 500 bilhões em ganhos contábeis no Banco Central, quem resiste?

Como funciona

Em tese, o Banco Central não pode financiar o Tesouro. Ele não pode criar moeda e repassar essa moeda para o Tesouro. Isso foi proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, artigos 35 e 39. No entanto, em terras tupiniquins, leis costumam ser apenas teorias, e não necessariamente são observadas na prática. O que se observa é que, usualmente, a política monetária coça as costas da fiscal e vice-versa.

A cada semestre em que o dólar sobe, o Banco Central apura o ganho contábil das reservas, cria o equivalente em reais novos e os credita na conta do Tesouro ("afinal, é um ganho da União"). Em contrapartida, nos semestres em que o dólar cai, e o BC apura prejuízo contábil com as reservas, o Tesouro entrega para o BC um vale, ou seja, um título público ("afinal, o BC não pode ficar descapitalizado").

Portanto, ficamos assim: quando há lucro contábil com as reservas internacionais, o Banco Central cria o equivalente em moeda e repassa ao Tesouro. Quando há prejuízo contábil, o Tesouro cria o equivalente em títulos públicos e os repassa ao Banco Central. 

Em uma conta, entra dinheiro vivo; na outra, um vale. Sob a ótica do Tesouro, "se o dólar subir, eu ganho; se cair, você perde".

Em ambos os cenários, o balanço do Banco Central incha continuamente: quando há prejuízo contábil, entram mais títulos do Tesouro na carteira de ativos. Quando há lucro contábil, mais moeda é criada (toda moeda criada é um passivo do BC) e repassada ao Tesouro — no caso, para a Conta Única que o Tesouro tem junto ao Banco Central e que é um passivo do Banco Central.

O gráfico abaixo mostra a evolução do balanço do banco central: os ativos totais (linha verde), os ativos com governo federal (linha vermelha) e os passivos com o governo federal (linha azul).

graf1.png

Gráfico 1: ativo total do Banco Central (linha verde), ativos com governo federal (linha vermelha) e passivos com o governo federal (linha azul).

Os ativos com o governo federal referem-se basicamente a todos os títulos do Tesouro na carteira do Banco Central. Os passivos com o governo federal incluem principalmente os depósitos do Tesouro no Banco Central (Conta Única). E o ativo total representa todo o balanço do Banco Central (que é igual ao passivo mais o patrimônio líquido). 

Observe como o ativo total (linha verde) disparou: é basicamente a valorização das reservas internacionais, em reais.

E observe como a Conta Única do Tesouro caiu: por causa da recessão econômica causada pelo surto do novo coronavíruis, as receitas tributárias do governo federal desabaram.

Tudo o mais constante, quando o BC repassar o lucro nominal com as reservas internacionais para o Tesouro — ou seja, quando o BC criar reais e repassar à Conta Única do Tesouro —, a linha azul irá disparar.

A revogação e a revogação da revogação

Foi exatamente para evitar essa arma de dilatação em massa que o Congresso aprovou em 2019 a lei 13.820, que determina que o Banco Central acumule eventuais ganhos não-realizados em uma conta de resultados a serem compensados por perdas futuras. 

Com isso, o intuito era extinguir a máquina contábil de inchaço. 

Mas não deu. 

Há uma brecha (contestável) no artigo 5o da referida lei, que diz que em condições de severas restrições de liquidez para a rolagem da dívida pública, o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode autorizar a transferência do lucro cambial para o Tesouro. 

Ou seja, utilizando um artigo da própria lei que foi criada para evitar isso, o Conselho Monetário Nacional poderá determinar que o BC crie reais e os transfira ao Tesouro com respaldo dos ganhos não-realizados. 

Logo, no final, nada saiu do lugar e tudo continua na mesma.

Nem a dívida bruta do setor público nem a dívida líquida se alterariam com a eventual manobra. No entanto, melhoraria o caixa do Tesouro (o "colchão de liquidez") em contrapartida à fragilização do BC (que aumentaria seu passivo, linha azul).

A consequência para nós

Além de criar dinheiro previamente inexistente para o Tesouro — o que, por si só, contém um claro potencial inflacionário —, o principal problema da manobra é que, caso o dólar caia no segundo semestre, será necessária uma recapitalização do BC por meio de emissão de dívida pública. Com efeito, nem precisamos esperar: neste mês, o dólar caiu de R$ 5,33 para cerca de R$ 4,90. 

Portanto, os efêmeros R$ 500 bi já não existem: o ganho não-realizado já pode estar abaixo de R$ 350 bi.

Como explicou o economista Fernando Ulrich, o CMN pode indicar ao mercado duas sinalizações ruins com a medida: a) um piso implícito para o dólar, com BC e Tesouro alinhados em evitar que o dólar caia abaixo do nível de 30 de junho, pois tanto o BC se descapitalizará como o Tesouro terá um prejuízo, e b) um incentivo para futuras jabuticabas monetárias, por meio das quais o Tesouro buscará altas do dólar para extrair ganhos bem reais a partir de ganhos fictícios de reservas que nem vendidas foram.

Em ambos os casos, o brasileiro ficará com seu poder de compra abaixo do que poderia ser.


autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • 'Pedro de' Lara Resende  10/06/2020 18:47
    Alguém chegou a ler o confuso texto do 'Pedro de' Lara Resende?

    webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:AxYwylUIXC0J:www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/05/crise-exige-superar-equivocos-sobre-emissao-de-moeda-e-divida-publica-diz-andre-lara.shtml+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-d

    Ele defende que o Bacen passe a financiar diretamente o Tesouro (invés do Tesouro emitir dividas, e cita alguma mágica contábil que faria a dívida pública cair de 75% para 45% do PIB.

    E que nós poderíamos fazer isso sem problemas (monetizar a dívida), pois foi comprovado que Quantitative Easing não gera inflação.

    Alguém consegue traduzir o que esse cara está sugerindo? Me parece ideias a la Ciro Gomes.
  • Carlos Alberto  10/06/2020 22:25
    Todos os bancos centrais do mundo já estão fazendo uma MMT velada. Lara Resende nem mais precisa ficar agitando por suas ideias. Elas já foram aceitas. Esperemos um ano.

    Quanto ao BC repassar "lucro" das reservas para o Tesouro, isso é uma MMT ao quadrado: o BC expande a oferta monetária, o câmbio aprecia, as reservas internacionais geram lucros contábeis, e então o BC imprime mais moeda pra repassar ao Tesouro.

    E todo o ciclo se reinicia.
  • Imperion  10/06/2020 22:31
    Tudo o que ele fala é uma defesa a TMM. Ele nunca fala em cortar gastos do estado. Ele é da turma do aumento de gastos. Então, ignorando a economia de gastos totalmente, ele só solta as pérolas que defendem o aumento financiado desses gastos com dinheiro de impostos e diz que é a única saída.

    Depois, como os impostos não são infinitos, tem limite, ele ja pula pra impressão de dinheiro. Existem várias maneiras, e a bazófia que quem faz oposição contra a injeção estaria errado.

    Resumindo: ele pega todos os vícios da pós economia moderna e põe tudo junto pra confundir os iniciantes, como se a soma delas anulasse seus efeitos danosos.

    É como naquela piada que o cara tem resfriado, mas a inflamação na garganta impede de virar gripe, que por sua vez impede que sua pneumonia avance e com isso seu câncer não evolui, e este impede sua tuberculose de piorar, que por sua vez freia o resfriado... Então o cara fica curado.

    Leia artigos que explicam como a TMM é a nova roupagem pra o velho truque de intervir na economia. Mais do mesmo que nunca deixou de ser.
  • Vladimir  10/06/2020 22:41
    "Tudo o que ele fala é uma defesa a TMM. Ele nunca fala em cortar gastos do estado. Ele é da turma do aumento de gastos."

    Para a TMM, todos os gastos são financiados pela livre criação de moeda pelo Banco Central. E como não há qualquer restrição à capacidade do BC de criar dígitos eletrônicos, então tem-se que para um adepto da TMM não há qualquer limite aos gastos.

    Por isso, não há nenhum motivo para ele falar de conter gastos. Por que falaria? Ele descobriu o elixir.

    E os impostos servem apenas para "enxugar" esse excesso de moeda da economia caso a impressão monetária comece a pressionar os preços.

    Ou seja: o BC imprime moeda e o governo concede aumento para políticos e funcionários públicos, que saem gastando a rodo. E aí, quando os preços começam a subir, o Tesouro aumenta impostos sobre os trabalhadores do setor privado, para reduzir o poder de compra deles e, com isso, "arrefecer" a inflação.

    Políticos, burocratas e empresários ligados ao governo sempre ganham. O autônomo e todos os trabalhadores das micro, pequenas e médias empresas se estrepam.

    Na mais benéfica das hipóteses, trata-se de uma teoria criminosa.

    Ainda mais bizarro que a teoria é o fato de ela ser levado a sério por alguém.
  • Foxtrote  12/06/2020 11:08
    "Políticos, burocratas e empresários ligados ao governo sempre ganham."

    É por isso que levam muito, mais muito a sério mesmo.
  • Fernando  14/06/2020 15:14
    Eu não consigo entender esse cara não é um dos que elaboraram o plano real, agora ele defende que tudo volte a ser como era no período de hiperinflação?
  • Marcos Rocha  10/06/2020 19:02
    Muito informativo o artigo. Obrigado! Na semana passada, o Fábio Kanczuk, diretor de política econômica do BC, disse que, se o mercado de câmbio ficar "muito animado", o BC pode entrar comprando dólar. Ou seja, de fato já estabeleceram um piso.
  • Imperion  10/06/2020 19:23
    Vivendo e aprendendo. Obrigado pelo otimo artigo.
    Usam e abusam de nossa ignorancia pra oportunismo conveniente.
  • Rodolfo  10/06/2020 19:27
    Alguém já ouviu falar que vai rolar um RESET financeiro que irá retornar ao padrão ouro no mundo todo? De acordo com informações que tive, o sistema de bancos centrais foi criado pela elite justamente para escravizar a população e que, agora, é chegada a hora de dar um basta na exploração. O evento da "pandemia" seria uma última tentativa da elite de frear essa mudança.
  • Vladimir  10/06/2020 19:39
    O reset é inevitável, só que terá como causa a dívida impagável (de governos, pessoas e empresas) e não uma eventual hiperinflação (essa será consequência).

    Ou as dívidas são caloteadas (e mantém-se o atual arranjo) ou imprime-se moeda para pagá-las, o que tenderia a gerar hiperinflação.

    Mas isso ainda vai demorar MUITO.

    Lembrando que o Brasil já fez seu reset em 1994. Os EUA é que estão durando.
  • Felipe L.  10/06/2020 20:53
    Muito improvável uma hiperinflação. Se o governo americano calotear as dívidas, todo o seu vasto império com bases militares se esfacela. Acho isso um grande delírio, pelo menos para as próximas décadas. Fico com esse comentário do Leandro:

    "Não haverá impressora pelos seguintes motivos:

    1) O Fed não pode obrigar o sistema bancário -- que, em última instância, é quem decide se joga ou não o dinheiro na economia -- a hiperinflacionar;

    2) Isso significa que, para haver hiperinflação, o Fed teria de ser nacionalizado, ficando sob o controle do Congresso americano;

    3) No imediato momento em que isso ocorrer, todos fugirão do dólar (já prevendo a hiperinflação), e a economia americana voltará ao estado de escambo.

    Porém, pelo bem do debate, suponhamos que os bancos enlouqueçam e de fato saiam jogando todas as suas reservas na economia. Ainda assim, isso não alteraria nada da dívida. E por um motivo muito simples: nenhuma hiperinflação (no sentido correto do termo: preços subindo mais de 50% ao mês) dura mais do que um ano. E a dívida americana tem prazos de maturação muito maiores do que ano. Há vários títulos com mais de 30 anos de prazo. Teria de haver uma hiperinflação durante 30 anos. Não há a mínima possibilidade de isso acontecer.

    Por exemplo, pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

    Entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria.

    O que ocorrerá será o calote. Mas o calote também não virá de uma vez e não será sobre os títulos públicos. Eles vão começar cortando daqueles grupos sem nenhum poder político e eleitoral, como alguns benefícios previdenciários. E daí vão começar a aprofundar, cortando vários benefícios do Medicare e do Medicaid. Haverá gritaria, mas será feito.

    E não vejo por que isso afetaria o valor do dólar."
  • David  10/06/2020 22:12
    E hoje o Powell disse: "Não estamos pensando em subir os juros. Não estamos nem pensando em pensar em subir os juros."

    www.wsj.com/video/powell-were-not-even-thinking-about-thinking-about-raising-rates/0C020333-947B-411F-912E-6EF76EFE18C0.html

    twitter.com/fernandoulrich/status/1270832396670296065
  • Allan  11/06/2020 14:02
    * Não acho que as coisas sejam tão claras assim... Seguem as minhas opiniões e aguardo mais comentários seus e do Leandro para aprofundarmos o debate.

    "Não haverá impressora pelos seguintes motivos:

    1) O Fed não pode obrigar o sistema bancário -- que, em última instância, é quem decide se joga ou não o dinheiro na economia -- a hiperinflacionar;

    * Mas o Fed pode deturpar seus atributos constitucionais e intervir diretamente na economia. Por exemplo, aproveitaram o subterfúgio do coronavírus para criar vários "veículos" de intervenção, como o Primary Market Corporate Credit Facility (PMCCF), por meio do qual o Fed empresta dinheiro para um "special purpose vehicle" (SPV), que, por sua vez, compra títulos diretamente de empresas. Além disso, não é nada impossível que o Congresso mude a atribuição constitucional do Fed para que este, tal qual o BOJ, passe a comprar diretamente ETFs, por exemplo. Pode, inicialmente, não ser suficiente para gerar hiperinflação, mas sabe-se lá quão frenéticos vão ficar com o passar do tempo.

    2) Isso significa que, para haver hiperinflação, o Fed teria de ser nacionalizado, ficando sob o controle do Congresso americano;

    * Na prática, o Fed não tem controle apenas "privado". Ele não serve apenas interesses de banqueiros, mas também de políticos. Isso é evidente tanto pelas ações do Fed quanto pela maneira de escolha do Presidente da instituição.

    3) No imediato momento em que isso ocorrer, todos fugirão do dólar (já prevendo a hiperinflação), e a economia americana voltará ao estado de escambo.

    * Fugirão para onde no curto prazo se todos os demais países fazem o mesmo, ou pior? Para o rublo russo? Duvido... O dólar tem um privilégio imenso por ser a reserva internacional a tanto tempo, a maior parte dos contratos internacionais é feita em dólar, dívidas são estabelecidas em dólar, em momentos de estresse, o dólar é que fornece uma falsa sensação de segurança, simplesmente porque é assim há décadas. Um paradigma tão forte não é quebrado de uma hora para outra. Só irão compreender o estrago depois que a situação já estiver insustentável. Ninguém irá fugir para o ouro instantaneamente, tanto porque muitos simplesmente não entendem o que, realmente, é moeda quanto porque há diversas complicações logísticas e operacionais para se fazer isso rapidamente, especialmente com todos governos do mundo criando empecilhos legais e regulatórios.

    "Porém, pelo bem do debate, suponhamos que os bancos enlouqueçam e de fato saiam jogando todas as suas reservas na economia. Ainda assim, isso não alteraria nada da dívida. E por um motivo muito simples: nenhuma hiperinflação (no sentido correto do termo: preços subindo mais de 50% ao mês) dura mais do que um ano. E a dívida americana tem prazos de maturação muito maiores do que ano. Há vários títulos com mais de 30 anos de prazo. Teria de haver uma hiperinflação durante 30 anos. Não há a mínima possibilidade de isso acontecer.

    Por exemplo, pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

    Entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria.

    O que ocorrerá será o calote. Mas o calote também não virá de uma vez e não será sobre os títulos públicos. Eles vão começar cortando daqueles grupos sem nenhum poder político e eleitoral, como alguns benefícios previdenciários. E daí vão começar a aprofundar, cortando vários benefícios do Medicare e do Medicaid. Haverá gritaria, mas será feito.

    E não vejo por que isso afetaria o valor do dólar."

    * Acho que é difícil falar que algo não tem a MÍNIMA possibilidade de acontecer. Enquanto o sistema não colapsar, e isso pode demorar, podem ir comprando as dívidas longas também. No fim, é extremamente provável que o dólar perca todo seu valor, mas isso já aconteceria de qualquer maneira, exceto se voltarem a ter políticas fiscais e monetárias responsáveis, o que, a meu ver, é ainda mais improvável. As despesas com juros e com o estado de "bem-estar" social são tão enormes e crescentes e os níveis de endividamento público e privado são tão grandes que fica bem difícil, para não dizer impossível, o país crescer e obter ganhos de produtividade para conseguir arcar com essas despesas por taxação.

    * Uma hiperinflação não destroçaria o poder de compra do pessoal do Fed se eles soubessem antes que vai haver a hiperinflação. Podem simplesmente comprar ativos reais, mandar dinheiro para fora do país e, até mesmo, comicamente, comprar ouro para se protegerem. Como haverá transferência de renda gritante para quem se antecipar a esses movimentos, poderão ficar ainda muito mais ricos em um ambiente de hiperinflação. Além disso, podem orquestrar mudanças legislativas para que as pensões sejam reajustadas por índices inflacionários ou mesmo que sejam marcadas em ouro ou algo similar. Concordo que não desejam uma hiperinflação, mas isso pode vir de qualquer maneira, de forma acelerada e irreversível a partir da ousadia cada vez maior dos bancos centrais mundiais, que atuam sob a bússola de um índice de preços fajuto e fraudado. Como disse no início, não duvido nada que passem a intervir cada vez mais diretamente na economia, sem passar por bancos. Parece absurdo falar isso agora, mas nunca subestime a hipocrisia e o maquiavelismo de burocratas e políticos.

    * Por falar neles, duvido muito que o congresso permita que o Fed simplesmente aumente juros. O país quebraria instantaneamente, a dívida é impagável nos termos atuais, imagina com juros mais altos. Acho muito mais provável intervirem diretamente e destituírem o presidente e a diretoria e instituírem pessoas da "confiança" deles. No final das contas, é a opinião popular que move o estado e os parasitas. É simplesmente assim que os sistemas de incentivos de uma democracia funcionam. O grande problema é que a população não tem a menor noção do que são ou como funcionam os sistemas financeiro, bancário e monetário que governam as suas vidas. Por isso, demandam cada vez MAIS estado. A população não aceitaria restrição de crédito, de programas sociais ou altas acentuadas de juros. Haveria uma revolta generalizada e é isso que faz uma sistema colapsar ou um paradigma ser quebrado. Humildemente, acho que é nesse caminho que estamos seguindo. Não tem mais volta. As fragilidades que estão instituídas no sistema econômico e político não podem mais ser solucionadas. O ciclo de 50 anos do sistema puramente fiat está no fim, pelo menos da maneira que conhecemos. Podem tentar alguma outra experiência keynesiana insana e instituir uma moeda comum, podem tentar uma nova espécie de padrão-ouro, não faço ideia do que vai ocorrer depois...
  • Marcelo  11/06/2020 20:15
    Caramba! Esse tal reset já está sendo abertamente proclamado no site do FMI!

    www.imf.org/en/News/Articles/2020/06/03/sp060320-remarks-to-world-economic-forum-the-great-reset
  • Imperion  11/06/2020 21:58
    O fmi falar ele fala mesmo, mas nao do reset da moeda. Eles falam so intervencionismo nas economias, para aquela pautas de esquerda
  • Juliano  10/06/2020 19:44
    Apenas lembrando que não é interesse nenhum das elites globais acabarem com o papel-moeda fiduciário e totalmente manipulável por bancos centrais. É por meio desse papel-moeda manipulável que elas mantêm o poder.

    Por isso, ao meu ver, farão de tudo para evitar qualquer chance de extinção. No extremo, se o Fed tiver de subir os juros pra 20% pra manter a força do dólar, farão isso sem problemas. É muito melhor ter uma profunda depressão do que perder o instrumento que mantém seu poder.
  • Imperion  10/06/2020 20:17
    Reset? Não. O povo em grande sua maioria apoia o sistema atual, desconhecendo seus efeitos futuros. Se o povo soubesse que é tudo armação, não esperaria pra amanhã para cobrar providências corretas.

    Quando esse povo for pego nessa tempestade perfeita, ele vai cobrar o que cobra hoje com o covidão: mais dinheiro do estado.

    Quando os dependentes do estado de bem estar social não estiverem recebendo o dinheiro que os burrocratas convenceram que era direito deles para garantir seus cargos públicos, vai é ocorrer saques da propriedades menos protegidas. Pois estado de bem-estar social na prática é pagar uma mesada pra quem não quer produzir, e não atacar quem produz.
  • Fabio Evandro  18/06/2020 15:12
    "Se o povo soubesse que é tudo armação, não esperaria pra amanhã para cobrar providências corretas.", gostaria de saber mais sobre essa armação, sei que não é o sistema perfeito mas ainda tenho pouco conhecimento sobre as entranhas economicas.
  • Ninguém Apenas  10/06/2020 20:02
    Leandro,


    Uma dúvida, eu estava pensando sobre os diferentes fenômenos que podem gerar inflação e qual a consequência deles no mercado. Mises separa em seus livros a inflação de duas formas, "Expansão do Crédito" e "Inflação Simples".

    As Operações de Mercado Aberto, o Sistema de Reserva Bancária Frácionária são exemplos do primeiro caso, a Monetização de Dívida e de Gastos do governo são o segundo caso.


    No entanto, me surgiu umas dúvidas, a primeira é referente a Maturidade Descompassada de um Banco que opere a 100% de coeficiente de caixa (compulsório) para depósitos a vista. Ele ainda pode estar praticando uma espécie de "Reserva Fracionária" nos depósitos a prazo se o seu exigível não estiver de acordo com seu realizável, né?

    Eu fico imaginando se um Banco ou uma Financeira resolver emitir ativos de curto prazo para obter crédito e emprestá-los a pessoas ou instituições com resgatável de longo prazo ainda é um processo inflacionário, não? É claro que ele não fará isso com todo seu dinheiro a prazo, mas podemos dizer então que mesmo sem as Operações de Mercado Aberto e a Reserva Fracionária nos depósitos a vista, é possível ter inflação (ou Expansão do Crédito) se tiver um descompasso de maturidade?


    Outra dúvida é, quando um Banco Público resolve por meio das Operações de Mercado Aberto (digamos que os depósitos a vista e as contas poupança do banco em questão continuem intactas) resolve conceder crédito de longo prazo para uma empresa de Saneamento Básico estatal por exemplo, a empresa utilizará desse dinheiro para comprar equipamentos, contratar gente, comprar material e iniciar obras. Neste caso, ainda que em termos técnicos seja enquadrado com uma expansão do crédito, pois utilizou o sistema bancário, se trata de uma inflação simples, não? Em termos cataláticos não podemos determinar que foi uma expansão do crédito pois não está tendo mudança nenhuma no dinheiro reservado a crédito, na minha visão seria um caso do Banco Central financiando os gastos do governo indiretamente (Não sei se envolve o Tesouro em si, mas as Estatais fazem parte do governo). Ou raciocinei errado?


    Desde já agradeço!
  • Leandro  10/06/2020 22:04
    "Uma dúvida, eu estava pensando sobre os diferentes fenômenos que podem gerar inflação e qual a consequência deles no mercado. Mises separa em seus livros a inflação de duas formas, "Expansão do Crédito" e "Inflação Simples".

    Correto. Apenas a segunda gera ciclos econômicos.

    "As Operações de Mercado Aberto, o Sistema de Reserva Bancária Frácionária são exemplos do primeiro caso, a Monetização de Dívida e de Gastos do governo são o segundo caso."

    Correto.

    "No entanto, me surgiu umas dúvidas, a primeira é referente a Maturidade Descompassada de um Banco que opere a 100% de coeficiente de caixa (compulsório) para depósitos a vista. Ele ainda pode estar praticando uma espécie de "Reserva Fracionária" nos depósitos a prazo se o seu exigível não estiver de acordo com seu realizável, né?"

    Sim, mas isso é inevitável. Nenhuma teoria defende 100% de reservas para depósitos a prazo, mesmo porque seria exatamente destes depósitos que sairiam os empréstimos.

    Ademais, um caso individual de maturidade descompassada em um banco não tem problema nenhuma, pois ele pode vender ativos para outro banco e, com isso, conseguir os fundos que estão sendo resgatados.

    Bancos pequenos fazem isso diariamente no Brasil. Todo dia tem um CDB, uma LCI e uma LCA vencendo, e esses bancos precisam conseguir os fundos para efetuar o resgate. Eles conseguem isso vendendo outros ativos.

    Havendo um mercado interbancário liquido, e podendo os bancos venderem ativos, eles sempre conseguirão arcar com os resgates dos depósitos a prazo. Não há nada de errado.

    "Eu fico imaginando se um Banco ou uma Financeira resolver emitir ativos de curto prazo para obter crédito e emprestá-los a pessoas ou instituições com resgatável de longo prazo ainda é um processo inflacionário, não?"

    Por si só, não.

    Um banco emite uma LCI de 90 dias para financiar uma compra de imóvel a ser quitada em 30 anos. Pessoas compram essa LCI do banco, e o banco repassa o dinheiro para o tomador de empréstimo.

    Não houve inflação monetária.

    Enquanto o banco conseguir ir "rolando" o vencimento das LCIs, está tudo certo. Quando estiver chegando a data do vencimento (a cada 90 dias), ele lança outra LCI (de 90 dias) e utiliza esse dinheiro para quitar a que está vencendo.

    Não há inflação monetária.

    "É claro que ele não fará isso com todo seu dinheiro a prazo, mas podemos dizer então que mesmo sem as Operações de Mercado Aberto e a Reserva Fracionária nos depósitos a vista, é possível ter inflação (ou Expansão do Crédito) se tiver um descompasso de maturidade?"

    Como eu disse acima, não há inflação monetária caso aquele procedimento seja adotado.

    "Outra dúvida é, quando um Banco Público resolve por meio das Operações de Mercado Aberto (digamos que os depósitos a vista e as contas poupança do banco em questão continuem intactas) resolve conceder crédito de longo prazo para uma empresa de Saneamento Básico estatal por exemplo, a empresa utilizará desse dinheiro para comprar equipamentos, contratar gente, comprar material e iniciar obras. Neste caso, ainda que em termos técnicos seja enquadrado com uma expansão do crédito, pois utilizou o sistema bancário, se trata de uma inflação simples, não?"

    Aí voltamos ao ponto principal: de onde veio o dinheiro?

    Se o dinheiro foi levantado da poupança de terceiros em um depósito a prazo, tem-se um crédito 100% lastreado por poupança. Não é inflacionário e não gera ciclos econômicos.

    Já se o dinheiro foi criado da expansão do Banco Central, aí tem-se uma expansão de crédito sem lastro em poupança. É inflacionário e gera ciclos econômicos.

    "Em termos cataláticos não podemos determinar que foi uma expansão do crédito pois não está tendo mudança nenhuma no dinheiro reservado a crédito, na minha visão seria um caso do Banco Central financiando os gastos do governo indiretamente (Não sei se envolve o Tesouro em si, mas as Estatais fazem parte do governo). Ou raciocinei errado?"

    Não sei se ajudei a deixar mais claro.
  • Felipe L.  10/06/2020 20:46
    Caramba, pensei agora há pouco de que poderia haver um artigo sobre isso no IMB. E eis que ele é publicado!

    Eu nem me iludo com o Guedes mais. Discursa bonito desde o fim de 2018, mas nenhuma ação prática até agora. Por mais que eu defenda moeda forte, aparece um monte de gente defendendo o burocrata. Vídeo bom sobre esse esquema mirabolante é este.

    Não passaram o Programa Verde e Amarelo porque não quiseram. Sem contar que esse programa é uma porcaria, tem previsão de durar só uns 4 anos. Faz uma reforma boa que o Brasil cresce uns 7% no ano seguinte.

    No começo desse ano, Guedes mostrou todos os projetos para "blindar o Brasil contra a crise". Cadê a ação? Ou o populacho que sustenta tudo isso tem que também trabalhar de graça e "fazer articulação política" com o Congresso?

    Vou migrar para ouro mesmo (ou mesmo BTC). Logo logo o real volta a afundar de novo. Nunca pode ser otimista com o Brasil.

    Olha a preocupação do "nosso" "superministro":

    "Guedes diz que lançará programa Renda Brasil e confirma extensão do auxílio emergencial em 2 meses"

    Para quem viu a parte mencionada de "renda mínima" logo no plano de governo no Bolsonaro, não ficou muito surpreso com o que está sendo proposto.

    Caramba, que déficit primário pornográfico é esse de 10% do PIB? Nem a Argentina chegou a tamanha falta de vergonha. Acho que nem o México com o socialista do Obrador vai fazer tamanha lambança, apesar de suas promessas de obras faraônicas.
  • Felipe L.  10/06/2020 20:56
    Em algum lugar daqui, foi dito de que os chicaguistas tratam a moeda como se fosse um preço, portanto, o preço de uma azeitona por exemplo. Com a moeda nesse funcionamento, teríamos então o câmbio flutuante, com moedas fiduciárias, aquele que nasceu no pós-Bretton Woods e existe no Brasil desde 01/01/1999?

    A moeda não poderia funcionar assim, como se fosse um bem como outro qualquer, ou realmente seria aquilo que existiu no padrão-ouro, funcionando como se fosse uma unidade de medida? Eu imagino que se a moeda fosse tratada como um bem e não um meio de troca, poderia causar grandes distúrbios na economia.

    Se entendi algo errado, corrijam por favor. Agradeço pela atenção!

    PS: Não sei se existe esse artigo já aqui, então se não houver, é uma boa sugestão para publicarem no site.
  • Humberto  10/06/2020 22:51
    "Em algum lugar daqui, foi dito de que os chicaguistas tratam a moeda como se fosse um preço, portanto, o preço de uma azeitona por exemplo."

    Fui eu. Disse que para Chicago, o preço da moeda — ou seja, seu poder de compra — tem a mesma importância que o preço da lata de azeitona. Ou seja, é só detalhe insignificante.

    "Com a moeda nesse funcionamento, teríamos então o câmbio flutuante, com moedas fiduciárias, aquele que nasceu no pós-Bretton Woods e existe no Brasil desde 01/01/1999?"

    Isso.

    "A moeda não poderia funcionar assim, como se fosse um bem como outro qualquer, ou realmente seria aquilo que existiu no padrão-ouro, funcionando como se fosse uma unidade de medida? Eu imagino que se a moeda fosse tratada como um bem e não um meio de troca, poderia causar grandes distúrbios na economia."

    Mas no padrão-ouro a moeda é uma commodity. É uma commodity que também é usada como meio de troca e reserva de valor. Quando essa commodity fica escassa, seu poder de compra sobe. Ato contínuo, torna-se mais rentável produzir mais dessa commodity (cujo custo de produção é alto). E vice-versa.

    Essa é a política monetária de uma sociedade livre, na qual a moeda está livre de ingerências políticas, e cujo aumento da oferta depende inteiramente da demanda do livre mercado, e não de pressão política.
  • Chico  10/06/2020 22:54
    É incrível como brasileiro sempre se ferra, somos uma raça amaldiçoado com puto azar.
  • Felipe L.  11/06/2020 01:46
    Pessoas, por graça de Mises, encontrei um site onde é exibido as tarifas médias de importação de carros ao redor do mundo. Os maiores exportadores hoje são os alemães, e os importadores os americanos. Aqui o endereço.

    Vale lembrar que É TARIFA MÉDIA, então soma um monte de coisa.

    No Brasil a tarifa média é de 33,9%. Equador é a mesma tarifa, mas se for levar em conta o fato de que lá eles usam uma moeda ainda decente (dólar), então o Brasil lidera no continente. Sim, pior que Cuba, Haiti, Argentina e Venezuela.

    Quem ganha do Brasil com as tarifas é Índia (106%), Irã (90%), Egito (49,7%), Paquistão (70,7%), Vietnã (51,5%), Indonésia (35,8%), Afeganistão (38,9%), Maldivas (111%) e Síria (38%).

    Nos EUA, a tarifa é de 1,57%, no Canadá, 3,64%, Alemanha, 3,22% e Coreia do Sul, 5,01%. Na China, 22,8%, Cuba, 22,2% e Rússia, 9,1%.

    Entenderam um dos motivos de os carros brasileiros serem umas porcarias e caros?

    Com a estatização da empresa de óleo de soja na Argentina (que hoje é a maior exportadora do óleo no mundo), a expectativa é que os brasileiros tomem o pódio, já que estão em segundo lugar. Parabéns aos palhaços do governo argentino, por darem mais mercado para os produtores brasileiros.
  • Zuca em Tuga  11/06/2020 19:32
    Temos mais tarifas que Cuba!! omg
  • Imperion  11/06/2020 01:47
    Lá vem:

    veja.abril.com.br/mundo/na-china-atos-dos-cidadaos-valerao-pontos-e-limitarao-seus-projetos/

    Vigilância total.

    Vc recebe seus créditos sociais, mas se não obedecer o estado, ser obediente, perde.

    Cabresto total 
  • Felipe L.  11/06/2020 02:04
    Isso existe na China já faz alguns anos (esse vídeo sobre a China é fantástico). O problema é quando essa merda chegar aqui no Brasil, aí é encrenca. Do jeito que o populacho tem fé na mídia e nos políticos, o negócio vai pegar.
  • Felipe L.  11/06/2020 02:02
    Olhem mais esse presente:

    "Como será o socorro de R$ 40 bilhões do governo à indústria de carros"

    Eu peço que leiam e não caiam apenas na manchete, porque eu até fiquei meio confuso. Não é o programa estilo Bush e Obama, que foram salvar GM e Chrysler, mas prestem atenção nesse trecho:

    "Como forma de contornar a crise, os grandes fabricantes vêm tentando negociar um pacote de créditos com o governo que gira em torno de R$ 4 bilhões por empresa.

    Desse total, o BNDES, um banco público voltado a empresas, deve entrar com um quarto, vindo o restante de instituições financeiras privadas.

    O montante a ser injetado no setor com a medida ficará em torno de R$ 40 bilhões, mas acredite: ainda é menos do que os R$ 60 bilhões a R$ 90 bilhões solicitados pela indústria, perfazendo cerca de R$ 6 bilhões por fabricante.

    De acordo com a jornalista Raquel Landim, da CNN Brasil, há tratativas em andamento para que os créditos tributários sejam revertidos em títulos de dívida emitidos pelo governo federal, que aí então poderiam ser oferecidos aos bancos como garantia."


    Como se não bastassem as tarifas, os subsídios do BNDES para fabricar carro para rico (como foi com a BMW em Santa Catarina), agora mais esse presente. Claro, as indústrias foram injustamente fechadas pelas ordens de lockdowns, mas aí elas teriam que pedir por reduções de impostos e regulações, e não por mais dinheiro. Adivinhe quem vai pagar a conta. Se não existe poupança, de onde vão tirar dinheiro para sair emprestando para elas? No México, aparentemente um outro rumo está sendo tomado, e o AMLO já bateu martelo de que não irá salvar nenhuma empresa no estilo de outros países, então eu não sei qual medida seria pior, essa de empréstimos ou de não fazer nada, apesar de ter forçado esses negócios a fecharem as portas (que é o que suspeito ter sido no México, já que lá foi praticamente a mesma coisa com relação aos lockdowns e quarentenas, com a diferença de que quem fez isso foi o governo federal, enquanto aqui quem fez foram as prefeituras e governos estaduais).

    O que vocês acham? Que fariam no lugar do Guedes e companhia?
  • Wesley   17/06/2020 04:08
    A indústria automotiva é parte do Estado brasileiro. É igual a Zona França de Manaus. Aquela porcaria só dá prejuízo, mas é um direito de quem tem empresa lá ter lucro, mesmo que às custas dos pagadores de impostos. Os barões da ANFAVEA também tem direito ao lucro. Mesmo que os otários dos brasileiros tenham que pagar caro e que isso custe ao erário. É um setor semi-estatizado. Entra governo e sai governo, e todos eles abrem as pernas para esses setores. Politicamente, não há a menor possibilidade que isso mude. Só não entendi ainda que nenhum político idiota não estatizou esses setores e colocou na constituição que eles tem o direito ao lucro. Porque na prática essa é a realidade.
  • Pessoinha  11/06/2020 02:47
    [OFF]
    Gostaria de compartilhar convosco o meu desabafo em relação à este nosso grande país e outras coisa também...

    Fiz o ensino fundamental e médio em escolas estaduais, que geralmente tem estrutura bastante precária e um alto grau de negligência quanto à qualidade do ensino, ainda mais do que nas escolas municipais. O resultado? Um ensino bem "basicão", se é que me entendem.
    Pois bem, terminei o ensino médio e fui logo trabalhar em um indústria têxtil da minha cidade, emprego esse que me ensinou muita coisa de início, mas que logo depois estagnou nesse sentido e me deixou bastante insatisfeito, e somando à isso uma série de problemas na esfera pessoal e familiar que tive nessa época, entrei em depressão, o que fez meu rendimento no trabalho cair ao ponto de eu ser demitido.

    Após isso iniciei o tratamento com remédio e psicoterapia e comecei a melhorar, sobretudo depois de conseguir outro emprego em outra indústria têxtil da minha cidade, emprego esse que não me estagnou em termos de aprendizado como o anterior. Assim sendo, após ~1 ano trabalhando nesta empresa, meu interesse de infância pela área de TI acordou do coma em que estava (provavelmente porque já faziam 4 anos que estava fora da escola, com isso superei a experiência desmotivadora e até mesmo traumática que é o sistema de ensino bananense haha), e decidi ingressar na faculdade de Ciência da Computação numa universidade regional (pública, mas que cobra (uma p*ta duma) mensalidade), não foi necessário muito tempo de curso para eu ver que aquilo era exatamente o que eu queria.

    Mas após 4 semestres, fiquei de saco cheio de entregar quase 90% do meu salário para bancar a faculdade + transporte, isso sem contar outros gastos eventuais (havia meses em que meu salário evaporava e eu ainda tinha que pedir dinheiro emprestado dos meus pais), e decidi trancar essa faculdade e seguir com os estudos em uma universidade privada também da cidade vizinha, onde curso Análise e Desenvolvimento de Sistemas via EAD. Mas na época em que eu estava em vias de abandonar o curso presencial, a empresa em que eu trabalhava enfrentava problemas financeiros devido à crise e acabei sendo demitido, estando desde então desempregado, no momento em que escrevo este comentário já faz quase um ano que estou em casa, sem nenhuma perspectiva de conseguir emprego na área de TI num futuro próximo, e não conseguindo nem mesmo empregos simples como os que tive anteriormente, já que pelo fato de eu estar estudando os empregadores sabem que não ficarei lá por muito tempo, e agora com a peste chinesa à solta minhas esperanças nesse sentido estão próximas de zero.

    Enfim... esse é o primeiro ponto.

    Mas agora vem a cereja do bolo, eu sou um cara muito curioso, adoro explorar conceitos e tecnologias, adoro ver por exemplo uma máquina ou software funcionando e ficar imaginando como funciona por baixo dos panos, e geralmente acabo pesquisando sobre as tecnologias envolvidas. Além disso, estou aprendendo sobre Machine Learning de forma totalmente autodidata, adoro essa forma de estudar e pretendo estudar muita coisa nesse formato futuramente. Mas como já referi anteriormente, o embasamento, principalmente matemático que recebi na escola está muito abaixo do ideal, sendo assim acabo tendo dificuldade com determinados assuntos que tento aprender sozinho, e como o meu curso atual é tecnólogo ao invés de bacharel, e é mais voltado para a parte comercial do que científica, sinto que estou ficando para trás em muitos assuntos em relação à quem estuda nas universidades maiores, há vários assuntos que envolvem por exemplo equações que me causam quase pesadelos, e sinceramente não tenho paciência para voltar e estudar conteúdo do ensino médio de novo. Isso me causa um certo medo de acabar profissionalmente como um mero "digitador de código" que faz no máximo umas telas de cadastro de produtos e coisas básicas desse tipo.

    Somados esses problemas, olho para estudantes das universidades e me comparar com eles é difícil de evitar. Adicionando-se ainda o fato de eu estar desempregado e sem perspectivas, a sensação constante de fracasso é inevitável, e aí a depressão que eu tinha derrotado reaparece querendo revanche. Eu já estou com 23 anos de idade e sinto que já estou um pouco velho para ser um "iniciante", visto que vários dos meus colegas, alguns inclusive com desempenho bem inferior ao meu nos estudos conseguiram emprego na área com razoável facilidade, e logo no começo do curso, e eu, mesmo com 4 semestres de bacharel + 1 ano de tecnólogo + estudo autodidata + cursos online que faço eventualmente, não consigo nem um estágio. Eu tinha planos para no futuro tentar a vida na Alemanha, EUA, Austrália ou algum outro país nesse estilo, mas pelo andar da carruagem o máximo que vou conseguir por lá vai ser esfregar privadas.

    O sistema de ensino brasileiro é extremamente desmotivador, a qualidade é sofrível em termos gerais, isso quando não é também absurdamente caro. O mercado de trabalho é muito engessado e burocrático, isso sem falar da cultura predominante que por vezes valoriza demais o tal do QI (Quem indica) e o diploma em detrimento de conhecimento, habilidade e vontade de trabalhar e aprender.

    Enfim, sei que meu desabafo não tem valor prático nenhum e provavelmente não agrega nada por aqui, mas como sei que este site é "habitado" por pessoas de mente muito aberta, e podendo desfrutar do anonimato (coisa que a maioria dos fóruns e redes sociais não permitem por vias comuns), decidi comentar aqui, numa dessas alguém por aqui passa por algo semelhante e pode pelo menos saber que não está sozinho nessa.

    Obrigado! :)
  • Augusto  11/06/2020 03:50
    Sim, você foi uma vítima do sistema educacional.

    www.mises.org.br/article/2786/sim-a-escola-esta-destruindo-geracoes-e-causando-estragos-profundos

    www.mises.org.br/article/2790/dica-aos-jovens-sejam-ambiciosos-e-parem-de-perder-tempo-com-o-sistema-educacional-convencional

    Mas ficar se lamentando e se vitimizando não vai dar em nada.

    Descubra algo em que você é bom e concentre-se na pergunta: como eu posso criar valor para terceiros? Em que eu sou tão bom ao ponto de fazer as pessoas voluntariamente abrirem mão do seu dinheiro para obterem esse meu produto ou serviço?

    Enquanto você não tiver a resposta para essa pergunta, você não progredirá.

    www.mises.org.br/article/2928/a-maioria-dos-empreendedores-e-composta-de-maus-empreendedores--eis-a-sua-chance-

    www.mises.org.br/article/2738/dica-aos-empreendedores-o-preco-ja-esta-dado-agora-escolham-seus-custos

    www.mises.org.br/article/2925/nao-adianta-odiar-o-mercado-apenas-aprenda-a-usa-lo
  • Maycon José   11/06/2020 05:46
    Pelo seu relato, parece estar querendo fazer tudo ao mesmo tempo, começa e não termina nada, pulando de galho em galho. Eu sou da área de TI também.

    Um conselho: Um passo de cada vez. Tente criar um plano para sair desta espiral que está te empurrando para baixo. Tente achar alternativas. Por exemplo, falta pouco para você concluir a faculdade. Você pode tentar achar emprego em algo que já tenha experiência, mesmo que não goste, para conseguir pagar a faculdade.

    Estando empregado, você pode utilizar o tempo livre para estudar. Existem cursos gratuitos ou com preços ridículos espalhados pela internet, por exemplo na udemy.

    Enfim, como disse o colega acima, tente encontrar alternativas, faça um plano e siga este norte.
  • Anônimo  11/06/2020 10:00
    Não amigo, você não está sozinho. Tenho 20 anos e ingressei em uma faculdade pública também, para cursar Engenharia Elétrica. Sei que sou um pouco mais novo que você, mas entendo perfeitamente como é se sentir estar "um pouco velho para ser um iniciante", porque muito dos meus colegas são oriundos de escolas privadas e ao contrário de mim, todos eles tem uma base de ensino melhor e entraram na faculdade com uma idade mais jovem que a minha (assim que terminaram o ensino médio).

    Também entendo como é olhar um Computador por exemplo por dentro e se fascinar, querer entender as novas tecnologias que os constituem (SSD NVME) e etc., mas minha predominância em relação a esse sentimento é na parte de Hardware, eletrônica, e não Software (motivo pelo qual optei por Engenharia Elétrica ao invés de Ciências da Computação).

    Como vim de escola pública, minha bagagem de ensino também foi bastante deficiente e frequentemente quando vou aprender alguma matéria da faculdade, descubro que preciso estudar outra matéria anterior do Ensino Médio/Ensino Fundamental que era necessária para estudá-la. Essa experiência é bem sacrificante, ter que estudar uma matéria para poder estudar outra... o tempo gasto e o desgaste que isso gera são enormes... infelizmente também me comparo (mesmo sem me dar conta às vezes) com meus colegas oriundos do ensino particular e a diferença de desempenho e dificuldade é muito visível...
  • Rodrigo  11/06/2020 11:51
    Do seu texto ficou claro 3 coisas:

    Você muito não está sabendo se vender na era digital. Como qualquer programador é obrigatório você ter um linkedin atualizado com seus cursos e um repositório no github com seus programas. Se você for regular ou bom, não vai demorar para que alguém lhe ache.

    No Brasil 90% dos empregos em TI é para preencher cadastro e mudar cor de botão, não querer fazer isso vai limitar a suas oportunidades, e no começo tudo é difícil, lembre-se que no começo da carreira você não está lá para ganhar muito dinheiro mas para mostrar pro mundo que você sabe trabalhar.

    Pelo seu texto, você escreve bem e é uma pessoa educada, mas comete o erro de achar que existem fases certas da vida para estudar. Não tenha medo de estudar nem da sua idade, você provavelmente vai viver 100 anos e ainda nem chegou na metade da sua vida. Se suas bases matemáticas são ruins, se matricule num cursinho online pré-vestibular pra medicina. Por que medicina? Porque é o curso mais difícil de se preparar então as aulas de matemática serão boas e serão mais baratas do que assistir qualquer coisa presencial.

    Se não arrumar emprego mesmo fazendo isso, empreenda, crie um MEI, compre algum produto barato da china ou da sua região e venda em algum market place. Aproveite alguma promoção de relogio ou celular e faça o mesmo. Mostre pro mercado wue você não está parado. Crie sua própria empresa de ti se puder ficar sem ganhar dinheiro.

    Boa sorte!
  • Felipe L.  11/06/2020 12:12
    Pensaria em sair do país. Já que a sua área é TI, talvez consiga até oferecer algum serviço disso para pessoas de outros países. Brasil tem futuro não, é só aborrecimento.

    E se você estiver ainda deprimido, procure um psicoterapeuta.
  • Imperion  11/06/2020 15:37
    As matérias difíceis em que vc tem dificuldade é sé vc vc procurar "Introdução a... ." Ou então "Iniciação a …"

    É a mesma matéria que as grandes ensinam. Comece sempre do básico pra ir subindo na matéria, é assim que se aprende no autodidatismo.

    Ótimo pra quem é autodidata, vc pega matéria de primeiro mundo no site do MIT. De graça.
  • Engenheiro e Economista  11/06/2020 18:04
    Pessoinha

    Só podemos inferir os fatos de sua vida conforme sua narrativa. Quero dizer que não temos como avaliar fatos exteriores que devem ter influído em tudo que nos narra.Isso é um limitador para análise de quem é de fora à sua vida.

    No entanto, baseado em que nos conta, em primeiro lugar, me parece que fizeste um bom diagnóstico dos problemas e suas causas que ocorreram em sua vida. Isso já é um excelente começo. Já o diferencia de bastante gente.

    Em segundo lugar, concordo com o comentário do colega anterior, onde ele diz que se vitimizar não ajuda em nada. Sempre gosto de ter em mente a segunda, das três, lei das finanças..... : "O MUNDO É INJUSTO E CRUEL".

    Em terceiro lugar, entendo que sua energia gasta em autodidata está correta e deve ser estimulada e intensificada sempre. Ser autodidata é sim uma vantagem, e jamais a abandone. Só o fato de vc estar nesse site é suficiente para sabermos que você tem elevado raciocínio lógico, o que é condição favorável para ser um autodidata.

    Em quarto lugar, apesar de sua narrativa querer nos expor seu problema, percebi um certo foco excessivo nos pontos negativos, como na depressão. Isso não é vantagem. O melhor é se comportar como esses problemas foram pontuais e vencidos de forma não muito traumática, mesmo que tenha sido o maior dos traumas que tenha passado. Digo, lembrar disso com esse enfoque negativo, tende a atrapalhar muito mais que ajudar.

    Não sou nem um pouco fã de livros de autoajuda, mas nessa quarentena, estou aproveitando para ler diversos livros, que pego grátis na internet, e entre eles, acabei lendo alguns desse tipo. Não costumo fazer isso, porque só gosto de perder tempo com livros que compensem esse tempo com informações úteis que desconhecia. De qualquer maneira, mesmo em um livro que considero ruim, quase sempre tem algo que se pode aproveitar. E lendo seu comentário, me lembrei de algo que achei interessante em um livro que acabei de ler desse tipo "O Poder Sem Limites" (Antony RObins).
    "É importante lembrar que emoções como a depressão não acometem você. Não se "pega" depressão. Você a cria, como qualquer outro resultado em sua vida, através de ações específicas mentais e físicas. Para ficar deprimido tem de olhar sua vida de maneira específica. Tem de dizer certas coisas para si mesmo, nos tons exatos de voz. Tem de adotar uma postura específica e um modo de respirar. Por exemplo, se você quiser ficar deprimido, ajudará muito deixar cair os ombros e olhar muito para baixo. Falar em um tom de voz triste e pensar nos piores momentos de sua vida também ajudarão. Se você provocar distúrbios em sua bioquímica, como conseqüência de uma dieta pobre, excesso de álcool ou uso de drogas, ajudará seu corpo a ficar com baixo teor de açúcar no sangue - e assim garantirá uma depressão."
    Vale registrar que em hipótese alguma o livro tem um enfoque em menosprezar a depressão. Mas, sim uma tentativa de combate-la também levando-se em conta alguns aspectos mais simples e perfeitamente acessíveis a qualquer um. Meu ponto é que seu foco em como lidar a depressão, talvez, possa ser mais alinhado com coisas mais positivas.

    Em quinto lugar, entendo que o desemprego é sim o pior dos males. Já estais a um ano desempregado, e não sei como você está conseguindo sobreviver. Suponho, pelo seu relato, que seja com ajuda dos pais. De qualquer forma, o melhor seria sair dessa situação de desemprego o quanto antes. Você nos contou sua história, e me parece obvio que trata-se de um trabalhador qualificado. No entanto, entendo ser muito importante em primeiro lugar deixar a condição de desempregado. Imagino quanto já estava difícil antes e agora ainda piorou muito mais por conta dessa pandemia. Talvez vc tenha que de fato buscar qualquer emprego, mesmo os que não exija qualificação alguma , como o por você mencionado, limpador de privadas. Quero dizer, ao conseguir qualquer emprego que seja, ainda que muito aquém de sua capacidade, um primeiro passo é dado. Depois desse primeiro passo, você pode, com mais tranquilidade, pensar em arranjar um emprego melhor, mas ja com outras condições que certamente influirão também, se não positivamente, pelo menos já não mais em uma situação desesperadora, em sua mente.

    Em sexto lugar, você diz que não teria mais paciência para voltar a estudar matemática do segundo grau, mesmo que seja pela internet. Eu, no seu lugar, me forçaria a estressar esse ponto. Seria muito, muito importante mesmo, você dominar esse assunto. Será fundamental em sua sequencia de vida, seja lá qual for ela. Mas se realmente não tiver como arranjar essa paciencia para estudar matemática, estude então português. Será também fundamental se expressar e principalmente escrever bem. Pelo seu relato, parece que vc tem facilidade na escrita. Se expressa claramente e isso também já é uma vantagem.

    Um outra dica que te daria, mas que vc ja deve estar fazendo, é utilizar a internet a seu favor. Seja para buscar conhecimento, oportunidades, distração, troca de informações, e até mesmo para vender coisas. A internet é uma ferramenta excelente. Pode ajudar muito e você com certeza sabe disso, baseado no seu relato de ser um profissional de TI. Portanto, estaria aqui eu "ensinando o padre a rezar missa". Mas é apenas para confirmar isso como uma atitude positiva.

    No mais espero que volte para fazer comentários com novidades positivas
  • Vanderlei  12/06/2020 02:44
    Pessoinha,
    Entendo sua angústia. Infelizmente vivemos em mundo que a herança que vc traz de seus pais muda completamente o resultado esperado.
    Vc verá que há muitos "partindo" na frente.
    Aqui em São Paulo há colégios (ensino fundamental e médio) que a mensalidade passa de 10 mil reais, repito, dez mil reais a mensalidade. Aposto que a sua faculdade pode ser cara mas provavelmente não é nem 40% da mensalidade desses colégios de SP. Partimos de bases diferentes e é muito sacrificante ter que correr atrás, trabalhar pra pagar uma faculdade, afazeres domésticos, transporte público etc, enquanto outros tem empregada dia e noite e bastam se concentrar em estudar tendo os melhores tutores à disposição.
    Isso deve ser um foco nas brigas políticas que temos nesse país, acabar com as injustiças daqueles que partem na frente.

    Outra questão importante é que a inflação alija mas o desemprego mata, tomando uma licença poética. Nunca defenda políticas econômicas que negligencie o desemprego. O desemprego deprime e humilha o trabalhador, poucas coisas são piores que ela, portanto, não se iluda, o governo tem que facilitar a criação de emprego.

    Outro ponto relevante é que o país precisa gerar empregos de qualidade. Não adianta termos os melhores engenheiros do mundo se continuamos gerando emprego em negócios pequenos como bares, hotéis e restaurante ou exportando soja. Não adianta ter o melhor engenheiro aeronáutico do mundo se sucatearmos nossa indústria de aviação. Temos que buscar políticas que tragam bons empregos ao país.

    Por fim, vc veio de escola pública e chegar numa faculdade já eh uma vitória, está muito acima da maioria. De novo, como alguns partiram na sua frente, mesmo que vc consiga correr o dobro que eles vc ainda não chegou nem no ponto de partidas de alguns concorrentes. A briga tem que ser por educação de acesso a todos de melhor qualidade, para por fim a essa distorção.

    Least but not last, vc ainda é bem novo
  • Araújo  12/06/2020 19:42
    "Partimos de bases diferentes e é muito sacrificante ter que correr atrás, trabalhar pra pagar uma faculdade, afazeres domésticos, transporte público etc, enquanto outros tem empregada dia e noite e bastam se concentrar em estudar tendo os melhores tutores à disposição."

    Comparativo completamente sem sentido. A educação que um pobre consegue "correndo atrás" independe do fato de haver pessoas mais ricas pagando colégios mais caros para seus filhos.

    Do jeito que você fala, dá a entender que se esses ricos ficarem pobres, a situação de quem está "correndo atrás" irá melhorar. Uma falácia completamente sem sentido econômico e, mais ainda, sem nenhum sentido lógico.

    Na pior das hipóteses, uma pessoa rica tem uma vida mais fácil que um pobre, mas a existência do rico não impede que o pobre consiga uma boa educação caso queira. Muito menos a existência do rico irá impedir que um pobre tenha um emprego.

    "Outra questão importante é que a inflação alija mas o desemprego mata, tomando uma licença poética. Nunca defenda políticas econômicas que negligencie o desemprego. O desemprego deprime e humilha o trabalhador, poucas coisas são piores que ela, portanto, não se iluda, o governo tem que facilitar a criação de emprego."

    Se você estiver realmente a sério, então demonstre sua raiva em relação a todos os prefeitos e governadores que fecharam a economia e, como consequência, geraram dezenas de milhões a mais de desempregados humilhados.

    Enquanto você não fizer isso, será apenas um demagogo com uma agenda própria.

    "Outro ponto relevante é que o país precisa gerar empregos de qualidade. Não adianta termos os melhores engenheiros do mundo se continuamos gerando emprego em negócios pequenos como bares, hotéis e restaurante ou exportando soja. Não adianta ter o melhor engenheiro aeronáutico do mundo se sucatearmos nossa indústria de aviação. Temos que buscar políticas que tragam bons empregos ao país."

    Só que é impossível gerar empregos de qualidade se você tem um estado que estimula o ganho fácil parasitário e ainda pune os bem-sucedidos e praticamente proíbe o empreendedorismo.

    Cadê sua condenação a isso? Não há. Houve simplesmente a defesa de mais tarifas de importação, sendo que as nossas são muito maiores que as dos países ricos.
  • Pessoinha  12/06/2020 20:55
    "Vc verá que há muitos "partindo" na frente."

    Sim, pessoas partiram e partem na minha frente, e daí? Eu não tenho inveja dessas pessoas, vou atrás do meu na medida do possível, farei o que puder para melhorar a minha situação e me qualificar constantemente, de onde essas pessoas partiram não me diz respeito.

    "Aqui em São Paulo há colégios (ensino fundamental e médio) que a mensalidade passa de 10 mil reais, repito, dez mil reais a mensalidade."

    Eita p*rra! Esses colégios tem lousas de ouro? Os alunos sentam em cadeiras de diamante? As escolas tem um jatinho pra buscar os alunos? Eles comem caviar no recreio? Brincadeiras à parte, novamente, não tenho inveja (no mal sentido) de quem estuda em lugares assim.

    "Partimos de bases diferentes e é muito sacrificante ter que correr atrás, trabalhar pra pagar uma faculdade, afazeres domésticos, transporte público etc, enquanto outros tem empregada dia e noite e bastam se concentrar em estudar tendo os melhores tutores à disposição."

    Sim, concordo, mas e aí, essas pessoas são culpadas pelo monumental fracasso da educação estatal? Qual é a solução, confiscar a riqueza e repassar pra burocratas na esperança de que eles invistam isso no sistema de ensino e de que esse investimento vire algo útil?

    "Isso deve ser um foco nas brigas políticas que temos nesse país, acabar com as injustiças daqueles que partem na frente."

    Digamos que os que "partem na frente" de fato sejam a escória que causa todos os males, qual é a solução? Confisco da riqueza deles? Forçá-los a estudar em escola pública? Que tal proibir heranças?

    "Outra questão importante é que a inflação alija mas o desemprego mata, tomando uma licença poética. Nunca defenda políticas econômicas que negligencie o desemprego. O desemprego deprime e humilha o trabalhador, poucas coisas são piores que ela, portanto, não se iluda, o governo tem que facilitar a criação de emprego."

    O governo tem que facilitar a criação de emprego saindo do caminho de quem pode gerá-los. Ponto. Qualquer coisa fora disso todos sabemos como vai acabar.

    "Outro ponto relevante é que o país precisa gerar empregos de qualidade. Não adianta termos os melhores engenheiros do mundo se continuamos gerando emprego em negócios pequenos como bares, hotéis e restaurante ou exportando soja. Não adianta ter o melhor engenheiro aeronáutico do mundo se sucatearmos nossa indústria de aviação. Temos que buscar políticas que tragam bons empregos ao país."

    "bares, hotéis e restaurante ou exportando soja" são talvez as únicas coisas que AINDA são rentáveis em banânia, esse é o problema, ninguém vai ser louco ou masoquista de começar qualquer coisa muito além disso por aqui. Nenhuma grande empresa virá do exterior para fabricar ou até desenvolver aqui, simplesmente porque é economicamente irracional, teriam que lidar com quantidades mastodônticas de burocracia, impostos absurdos e confusos, mão de obra artificialmente cara (com encargos trabalhistas e regulamentações) e de qualidade questionável, fora o enorme custo de ter que pagar processos e indenizações o tempo todo já que a nossa justiça do trabalho é totalmente parcial.
    Enfim, Uber é muito bom mas não leva um país pra frente, concordo que temos que gerar empregos melhores, mas antes de severas reformas em várias áreas isso não vai acontecer, simples assim. O estado simplesmente sufoca milhares de brilhantes ideias e iniciativas todos os anos, se um Elon Musk 2.0 surgisse por aqui, esse realmente seria um fenômeno à ser estudado.

    "De novo, como alguns partiram na sua frente, mesmo que vc consiga correr o dobro que eles vc ainda não chegou nem no ponto de partidas de alguns concorrentes. A briga tem que ser por educação de acesso a todos de melhor qualidade, para por fim a essa distorção."

    Olha, eu não sei, mas acho que dado o histórico do nosso "grande" país, a única chance que temos de chegar perto de conseguir uma educação de qualidade pra todos seria privatizando 100% das escolas, desregulamentar muito o setor, e no máximo ter um sistema de vouchers para pessoas muito pobres, aí quem sabe teremos algo no futuro. Se você quer esperar o estado fazer isso, lhe aconselho que se deite, pois em pé irá cansar e sentado suas nádegas vão doer. Educação pública por aqui nunca foi vista como uma forma de promover mobilidade social e desenvolver o país, e sim sempre foi usada para criar gado de político, e nada mais.

    Enfim, posso até ter problemas com depressão, mas pra chegar ao ponto de defender ideias socialistas ainda falta muito...
  • Vanderlei  13/06/2020 05:57
    Sim, pessoas partiram e partem na minha frente, e daí? Eu não tenho inveja dessas pessoas, vou atrás do meu na medida do possível

    Não falei pra ter inveja. Só endossei o seu ponto de vista que vc mesmo abriu aqui. Pessoas com QI que por serem de um círculo social mais alto consegue as coisas com mais facilidade mesmo que menos competentes. Pessoas de universidade que vc mesmo se compara e as veem na sua frente.
    Só não seja ingênuo: aquela pessoa privilegiada que "partiu" na sua frente está ocupando um lugar, e esse lugar poderia ser seu.

    Eita p*rra! Esses colégios tem lousas de ouro? Os alunos sentam em cadeiras de diamante?

    Pra vc ver o quanto as pessoas saem na sua frente e vc sequer tem noção disso. E de novo, serão essas pessoas que ocuparão os melhores lugares mesmo que com menos esforço que o seu esforço, e que os recursos e as vagas de trabalho são escassas.
    Mais uma vez, não precisa ter inveja só ciência. Assim fica mais fácil de vc entender a sua condição e a condição das "cigarras que não sofrem no inverno" em detrimento da "formiga que mesmo trabalhando no verão sofre no inverno"

    Sim, concordo, mas e aí, essas pessoas são culpadas pelo monumental fracasso da educação estatal? Qual é a solução, confiscar a riqueza e repassar pra burocratas na esperança de que eles invistam isso no sistema de ensino e de que esse investimento vire algo útil?

    Não estou buscando solução por ora, apenas consenso no diagnóstico. Primeiro consensuais no diagnóstico depois partimos para receitar as soluções.
    Mas tudo bem, se vc acha tranquilo pessoas como nosso nobre deputado orleans e braganca, herdeiro da família real que nunca precisou trabalhar para viver em condições que nem dez gerações futuras da sua ou da minha família conseguirão alcançar, beleza, opção sua. Ou quem sabe herdeiros da família Queiroz Galvão, que roubaram muito o país e segue sendo riquíssima (sim, fui em exemplos extremos mas que vale pro que vivemos em maior ou menor grau)

    Digamos que os que "partem na frente" de fato sejam a escória que causa todos os males, qual é a solução? Confisco da riqueza deles?

    Estamos chegando a um consenso de diagnóstico? Isso eh o mais importante.
    Daí podemos pensar na solução. Mas calma, qualquer que seja a solução pensada não imagine que quem está em cima da carne seca vai largar tão fácil ou vai concordar com uma política que tire o privilégio deles.
    Mas já que vc tocou no assunto, o Brasil é um dos países que tem o menor imposto sobre a herança do mundo, dai uma das causas da perpetuação das condições das classes sociais, por exemplo.

    O governo tem que facilitar a criação de emprego saindo do caminho de quem pode gerá-los. Ponto.
    Sem dogmatismos por favor. Nada é "é isso e ponto". Tudo tem uma explicação. Procure a respeito da histórias das multinacionais japonesas, Toyota, Mitsubishi... ou melhor, veja o caso da Hyundai... a China atuando fortemente em áreas tecnológicas e de alto valor agregado não o fez com o governo saindo da frente, definitivamente.
    Aliás, o Brasil tem tomado o caminho oposto desde 1980, já viu como decaímos e como a China decolou?

    Enfim, Uber é muito bom mas não leva um país pra frente, concordo que temos que gerar empregos melhores, mas antes de severas reformas em várias áreas isso não vai acontecer, simples assim. O estado simplesmente sufoca milhares de brilhantes ideias e iniciativas todos os anos, se um Elon Musk 2.0 surgisse por aqui, esse realmente seria um fenômeno à ser estudado.

    Que bom que concordamos que incentivar o subemprego não é bom. E o Elon Musk, esse mesmo recebeu subsídio do governo americano.
    Vc fala em reformas pq tá condicionado ao que eh martelado na tv rotineiramente. Que reformas? Os trabalhadores mais qualificados já atuam num sistema mais voltado ao PJ, em sua maioria. Em geral essas reformas são pra bemeficiar a galera que eh herdeira e vira empresário com 25 anos.
    Quer empregos de qualidade? Faça como a França e Alemanha e adote uma política de defesa das suas empresas de ponta, com subsidios e barreiras a competição predatória.
    Defenda um Bndes que incentive empresas de qualidade.
    www.frontliner.com.br/merkel-aposta-em-campeoes-nacionais-e-capitalismo-de-estado-para-recuperar-a-alemanha/
    portalclubedeengenharia.org.br/2020/04/14/os-respiradores-da-magnamed-o-bndes-e-o-esforco-coletivo-da-inovacao/

    única chance que temos de chegar perto de conseguir uma educação de qualidade pra todos seria privatizando 100% das escolas, desregulamentar muito o setor,

    Só falta explicar como. Tem milhares de escolas privadas por aí. Mais até que nos Eua por exemplo, ou na Europa. Muito mais, eu diria. E cadê o resultado? As escolas privadas aqui são bem piores que as públicas de lá...

    Enfim, posso até ter problemas com depressão, mas pra chegar ao ponto de defender ideias socialistas ainda falta muito...

    Vá em frente, meu caro. Se vc ama mais sua ideologia que vc mesmo, é uma opção sua.
    Pode ter certeza: entendo perfeitamente sua angústia, e posso garantir que, diferente do que a maioria dos que escreveram aqui, sei que o problema não está em vc propriamente e sim no sistema brasileiro social e econômico.
    Vc seguirá batalhando e eu vou te perguntar quanto tempo vc acha que leva pra chegar ao "ponto de partida" de michelzinho? Isso sem contar que o pai de michelzinho só transferiu aos 7 anos uma fração do patrimônio total que ele herdará futuramente

    politica.estadao.com.br/noticias/geral,filho-de-7-anos-de-temer-tem-r-2-milhoes-em-imoveis,10000054086.amp
  • Marionete do Nego Ney  17/06/2020 18:48
    "Mas já que vc tocou no assunto, o Brasil é um dos países que tem o menor imposto sobre a herança do mundo, dai uma das causas da perpetuação das condições das classes sociais, por exemplo."

    Legal, mas e todos os outros impostos que tal pessoa já pagou na vida? Será que esses eram os menores do mundo? Aqui qualquer coisa que se tente fazer tem impostos, e altos impostos. É necessário olhar todo o panorama, o mero fato de o imposto sobre herança aqui ser baixo não indica que a carga tributária geral é baixa, você jamais chegará a uma solução decente olhando para apenas 1/10 do problema. Mas digamos que de fato o que você diz está correto, essa diferença também poderia ser compensada abaixando impostos sobre os mais pobres, que tal? Porque só aumento de impostos é apontado como solução?

    "Procure a respeito da histórias das multinacionais japonesas, Toyota, Mitsubishi... ou melhor, veja o caso da Hyundai... a China atuando fortemente em áreas tecnológicas e de alto valor agregado não o fez com o governo saindo da frente, definitivamente."

    Olha, eu suspeito que o que o amigo quis dizer com "sair da frente" seria o governo parar de atrapalhar, ou seja, parar de criar regulações sem nexo, parar de tributar tanto, e diminuir a burocracia desnecessária. Quanto à o governo ajudar determinadas empresas, isso o Brasil também faz, e não faz pouco...

    "E o Elon Musk, esse mesmo recebeu subsídio do governo americano."

    Realmente, mas veja o que ele fez, transformou isso em algo bom, inovou, criou e está criando coisas espetaculares. Mas ele é exceção, não regra, a grande maioria dos que recebem subsídios não fazem nada de útil com com eles, por vezes empresas que os recebem acabam piorando em termos de produtividade.

    "Vc fala em reformas pq tá condicionado ao que eh martelado na tv rotineiramente. Que reformas? Os trabalhadores mais qualificados já atuam num sistema mais voltado ao PJ, em sua maioria. Em geral essas reformas são pra bemeficiar a galera que eh herdeira e vira empresário com 25 anos."

    Que TV você assiste? Porque no geral a grande maioria dos jornalistas e "formadores de opinião" descem lenha na ideia de reformar algo, não raro comparam quem às defende com um certo ditador bigodudo do século XX cujo nome prefiro não mencionar... Aliás, pois é, que reformas? Isso que foi feito sob esse rótulo por aqui é piada, não mudou nada na prática, a justiça do trabalho totalmente parcial continua aí, as burocracias absurdas continuam aí, os custos artificiais continuam aí, as leis confusas e tributações abusivas continuam aí, só porque é chamado de reforma não significa que é de fato uma reforma, só porque agora o patrão pode dividir as férias do funcionário em três partes, isso não faz nem cócegas em todos os pontos que já elenquei. Pelo jeito quem leva a TV à sério demais é você.

    "Só falta explicar como. Tem milhares de escolas privadas por aí. Mais até que nos Eua por exemplo, ou na Europa. Muito mais, eu diria. E cadê o resultado? As escolas privadas aqui são bem piores que as públicas de lá.."

    Faz muito mais sentido comparar as escolas públicas do Brasil com as privadas do Brasil, e isso deixa o ponto do amigo bem claro, existe um verdadeiro abismo na qualidade entre estes dois setores, isso não sou eu nem ele dizendo, as estatísticas não deixam qualquer dúvida. Não sei quanto à Europa e EUA e no momento não estou com vontade de pesquisar, mas arriscaria dizer que embora a diferença seja menor do que aqui, as privadas ainda ganham. No mais, gostaria de lhe indicar um livro (que eu duvido muito que você vai ler, mas enfim), "The beautiful tree", de James Tooley, vai mudar a sua visão sobre o assunto como mudou a minha, eu garanto.

    "Vc seguirá batalhando e eu vou te perguntar quanto tempo vc acha que leva pra chegar ao "ponto de partida" de michelzinho? Isso sem contar que o pai de michelzinho só transferiu aos 7 anos uma fração do patrimônio total que ele herdará futuramente"

    Fera, ao compartilhar sobre o Michelzinho aqui você simplesmente confirmou tudo o que sempre vem sendo dito neste site, pois caso você tenha esquecido, Michel Temer é político, sendo assim é beneficiado por esse arranjo mega burocrático e tributação absurda, e esse arranjo precisa ser mudado, é isso que o Pessoinha vem dizendo (e este instituto mais ainda). "Ah mas e os empresários...", dos super ricos brasileiros a esmagadora maioria, senão todos, foram e são direta ou indiretamente beneficiados por esse arranjo, geralmente são eles mesmos que brigam para mantê-lo, e isso é inevitável em países onde os poderes do estado não são corretamente delimitados, tal como o nosso, o estado que pode crescer indefinidamente vira uma ferramenta perfeita para alguém manipular o mercado e as leis à seu favor. No atual arranjo realmente o colega tem chances quase nulas de chegar perto do ponto de partida do Michelzinho.
  • Carlos Alberto  17/06/2020 20:57
    É sempre maravilhoso ver gente defendendo a criação de mais um imposto dizendo que "na Europa e nos EUA é assim".

    Só se esquecem de um detalhezinho bobo: no Brasil, há 92 tributos.

    Nos EUA, não há nem 10.

    Ou seja, temos 82 tributos a mais que os EUA.

    Logo, quem quer realmente deixar o Brasil como os EUA terá de defender a revogação de 82 tributos. Aí sim começaremos a chegar lá.

    Quando os defensores de impostos sobre herança e dividendos começarem a agitar para isso, aí sim haverá algum diálogo.


    P.S.: por mim, pode confiscar todo e qualquer provento de funcionários públicos. Vivem do roubo.
  • Imperion  18/06/2020 01:47
    Capitalismo não é uma corrida. Sai na frente? Quem disse que é uma disputa? Uma competição?

    E tomar o patrimônio dos outros primeiro e pensar na solução depois? Solução é para problemas reais. Quem disse que é o patrimônio de alguém que gera a pobreza alheia? Que isso é o problema?

    Sim, é inveja pura de quem tem as coisas. E tomar dos outros não deixa os pobre mais ricos. Não existe o problema de o patrimônio alheio deixar as pessoas pobres, e tomar dos outros não é solução para o problema que não existe.

    Assim sendo, não tem que haver imposto sobre patrimônio, nem sobre herança, nem sobre investimento. Dizer que é pra acabar com a fome, ajudar "os pobre", acabar com a "desigualdade" é puro pretexto. Puro argumentos falho pra não morrer essa ideologia.
  • Laurence  13/06/2020 14:59
    Vale a pena enfatizar que diferenças na propriedade de ativos não significam uma igual diferença no padrão de vida, muito embora várias pessoas tenham esse fetiche.

    Por exemplo, a riqueza de Bill Gates deve ser 100.000 vezes maior do que a minha. Mas será que ele ingere 100.000 vezes mais calorias, proteínas, carboidratos e gordura saturada do que eu? Será que as refeições dele são 100.000 vezes mais saborosas que as minhas? Será que seus filhos são 100.000 vezes mais cultos que os meus? Será que ele pode viajar para a Europa ou para a Ásia 100.000 vezes mais rápido ou mais seguro? Será que ele pode viver 100.000 vezes mais do que eu?

    O capitalismo que gerou essa desigualdade é o mesmo que hoje permite com que boa parte do mundo possa viver com uma qualidade de vida muito melhor que a dos reis de antigamente. Hoje vivemos em condições melhores do que praticamente qualquer pessoa do século XVIII.

    Sempre que você vir ou ouvir uma pessoa parolando sobre desigualdade, faça a si mesmo a seguinte pergunta: será que ela está genuinamente preocupada com os pobres ou está apenas indignada com os ricos? Eis uma maneira de descobrir a diferença: sempre que alguém reclamar sobre a desigualdade de renda, pergunte a ela se aceitaria que os ricos ficassem ainda mais ricos se isso, no entanto, significasse condições de vida melhores para os mais pobres. Se a resposta for "não", então ela está admitindo que está importunada apenas com o que os ricos têm, e não com o que os pobres não têm. Já se a resposta for "sim", então a tal desigualdade de renda é irrelevante.

    Em outras palavras, a preocupação deveria ser com a pobreza absoluta, e não com a pobreza relativa.

    Em quase todas as discussões sobre desigualdade de renda, há uma básica dinâmica emocional atuando. Uma pessoa descobre que possui menos do que a outra, e passa ter a inveja. Já outra descobre que tem mais do que o resto, e passa se sentir culpada. Inveja, culpa e indignação. São realmente essas emoções primitivas que deveriam conduzir as políticas públicas?

    Toda essa ideia de igualdade econômica não representa nenhuma genuína forma de compaixão. Quando é somente uma ideia, é fraca. Quando se torna política pública, torna-se um desastre em larga escala.

    O fato de que pessoas livres não são iguais em termos econômicos não deve ser lamentado. Ao contrário, é motivo de regozijo. A desigualdade econômica, quando oriunda da interação voluntária de indivíduos criativos, e não de conexões políticas, é um testemunho do fato de que as pessoas estão sendo elas mesmas, cada qual colocando seus talentos e aptidões ímpares para funcionar de maneiras que são gratificantes para elas próprias e que geram bens e serviços valiosos para terceiros. Como diriam os franceses em um contexto mais diferenciado, Vive la difference!

  • Chinês  11/06/2020 13:30


    www.youtube.com/watch?v=4IVKynOnRwM

    Viram o que está acontecendo em Seattle? Os caras LITERALMENTE criam uma milícia comunista no meio da cidade. E a mídia AINDA FALA que são apenas manifestações pacíficas.
  • Humberto  11/06/2020 15:34
    A mídia brasileira nem noticia esse tipo de coisa, pois sabe que é indefensável.
  • Gustavo  11/06/2020 19:23
    Vídeo hilário e ao mesmo tempo pavoroso.
  • Entusiasta  12/06/2020 01:34
    Nessas horas, a gente segue firme comprando BTC.
  • Lucas  12/06/2020 06:25
    Continuaremos como o "país do futuro" mais um ano então? rsrs
  • Tudor   12/06/2020 12:16
    Brasil acaba de se tornar um país mais livre.
    Segundo o índice de liberdade do Heritage Foundation se um país tem uma inflação menor, ele ganha mais pontos no subindice atrelado à liberdade monetária.
    Como o Brasil vem registrando seguidamente deflações brutais ele muito provavelmente irá melhorar em termos de liberdade monetária no heritage foundation. Isso mesmo com o país fazendo chover dinheiro novo através do Bacen.

    É ou não é uma belezura esse indicador de Liberdade Econômica?

    Duvida?
    www.heritage.org/index/pdf/2019/book/methodology.pdf
  • Paul Jones  12/06/2020 19:26
    "Segundo o índice de liberdade do Heritage Foundation se um país tem uma inflação menor, ele ganha mais pontos no subindice atrelado à liberdade monetária."

    Isso vale para todos os países. E como todos os países estão, até o momento, vivenciado índices de preços baixos (algo, aliás, totalmente previsto neste artigo do início de março), então todos ficaram na mesma neste subíndice.

    "Como o Brasil vem registrando seguidamente deflações brutais, ele muito provavelmente irá melhorar em termos de liberdade monetária no heritage foundation"

    O Brasil teve míseros dois meses de deflação. -0,31% em abril e - 0,38% em maio.

    No acumulado de 12 meses (que é o que interessa para o ranking da Heritage), o IPCA está em 2%. Isso está longe de ser uma "deflação brutal".

    Neste mesmo período, aliás, o CPI americano foi de 0,1%, o da zona do euro também foi de 0,1% e o da Suíça foi de - 1,3% (deflação de 1,3%).

    Ou seja, ficamos ainda mais longe deles.

    Mais ainda: a posição de nenhum país se alterou (pois, para alterar posições, é necessário melhorar em vários índices, e não apenas em um subíndice no qual todos melhoraram).

    Você tentou melhorar sua situação em decorrência do vexame que deu aqui, mas simplesmente a piorou. Foi flagrado em duas novas mentiras, além da covardia de ter saído da thread original para abrir outra em outro artigo nada a ver com seu comentário original.

    Dica: cut your losses short enquanto ainda dá tempo.
  • Drink Coke  12/06/2020 20:08
    Se seu problema é o Heritage, não tem problema.


    Há o Doing Business realizado pelo Banco Mundial

    www.doingbusiness.org/

    Há o Open Market Index realizado pela camera internacional de comercio (Não se trata de um ranking de liberdade, mas de abertura comercial e financeira)

    iccwbo.org/media-wall/news-speeches/icc-open-markets-index-effort-required-open-economies-global-trade/

    Há o Economic Freedom do Fraser institute.

    www.fraserinstitute.org/studies/economic-freedom


    Be happy.


  • Felipe L.  12/06/2020 12:56
    "Tesla supera a Toyota e se torna a montadora mais valiosa do mundo"

    Caramba! O que vocês acham disso? É resultado da bolha na qual estamos? Acho que sim. Não vejo fundamento para uma empresa no qual o Elon Musk ficou vivendo de subsídios do governo californiano, com uma empresa já consolidada no mercado mundial e com extrema competência. Isso sem contar que a confiabilidade não muito boa dos Teslas.
  • Thiago  12/06/2020 17:17
    Inovação? Tudo que ele faz é extremamente inovador e vem de encontro com o que todos esperam do futuro, além de atender a demanda atual de clientes (e até de governos).

    Nesse site mesmo já se falou muito nisso, o que gera valor é inovação e atender expectativa/demanda de terceiros.

    Uma empresa pode ser líder do mercado por décadas, mas se ela não continuar fazendo aquilo que eu disse acima, num mercado livre, uma hora ou outra ela perde o reinado. Há diversos exemplos disso na história...
  • Felipe L.  12/06/2020 20:49
    Sim, realmente tem inovação. Mas o caso da Tesla e as suas ações chegaram a ser abordadas até por este vídeo do Fernando Ulrich sobre a nova crise financeira mundial. Me parece muito com a bolha das empresas pontocom, onde algumas empresas tiveram uma explosão nas ações e logo depois se mostrou algo insustentável e elas quebraram. Pode parecer argumento de autoridade, mas veja, ele fala à partir de 28:51:

    "Essas empresas [Uber, Lyft e We também], essas startups, sem exagero, todas essas empresas não existiriam se não fosse a era de juros negativos ou juros no zero e crédito farto, abundante, barato que temos desde 2008, 2009. Ou certamente não estariam nessa escala global de alcance, nesse nível de atividade econômica. Não estariam, são todas filhas de afrouxamento quantitativo."

    É óbvio que a Tesla inovou com essas baterias e alguns carros belíssimos (eu vi alguns quando estava na Flórida), mas esse sinal mostra que a empresa não tem fundamentos sólidos. E tem também o caso cômico da fabricante de caminhões Nikola, que está também envolvida na bolha.
  • Drink Coke  12/06/2020 20:10
    O valor de uma empresa não está no seu passado, mas no seu futuro.
  • MAURICIO GOMES   12/06/2020 21:43
    A Tesla recebeu subsídios e isto é condenável,seria na medida em que ela só focasse em receber subsídios e produzisse carroças ambulantes,mas eis a diferença entre o empreendedor nato e o corporativista canalha,Elon Musk tem provado que sabe fazer lóbi ,mas não fica estacionado nisto,pelo contrário tem investido em inovações e sabe que o humor dos políticos não é confiável,portanto o investimento pesado em inovações é que geram retornos no curto,médio e longo prazo.
  • Imperion  12/06/2020 22:12
    Mas ele usou os subsídios pra se capitalizar. E acabou fazendo um sistema de negócios a frente da concorrência.
    Nesse sentido sua empresa sim é a mais valiosa. As concorrentes do seu segmento específico estão um passo atrás.

    O preço de sua empresa vai pelo que entrega e não querem saber na hora se veio através de subsidio. Mas ela não vai se manter na frente, já tem outras inovando na mesma área.
  • Felipe L.  12/06/2020 23:54
    Uma empresa que não dá lucro e que se inflou com juros artificialmente manipulados não é viável. Praticamente está vivendo como se fosse um governo rolando dívidas.

    Tem dois vídeos interessantes sobre:

    Primeiro vídeo;
    Segundo vídeo;

    Como que uma empresa que dá prejuízo vale mais que empresas que já estão consolidadas e são lucrativas? A marca Nikola, pior ainda, nunca fez nada e já vale mais que a Ford.

    Sem contar que, por ora, carros elétricos ainda são inviáveis (se fosse viável então o governo não iria ficar com essa ideia maluca de enfiá-los nos cidadãos, que preferem outras alternativas), embora com importantes avanços. Podem se tornar viáveis um dia, mas por ora não são. Híbrido se mostrou algo, por ora, mais próximo da realidade (tanto é que o Prius continua sendo o híbrido mais vendido do mundo), embora eu prefira carro à combustão. Claro, há conceitos interessantíssimos da Tesla, mas isso não quer dizer que o negócio seja necessariamente viável.

    Depois do estouro dessa bolha (só não sei até quando irão prolongar isso), descobriremos se a Tesla realmente era algo viável ou não.
  • Imperion  13/06/2020 14:54
    Também existe subsídio farto pra acabar com o motor a combustão interna. Ja estão apostando que em oitos anos, na Europa, não vão mais fabricar veículos assim.

    Por isso já sabem que a tendência (mesmo que forçada) é o elétrico. Governos ja estão aumentando aa dificuldades na hora de comprar um carro a gasolina e transferindo pra compra dos elétricos, que são mais caros.

    Isso faz com que, mesmo que o elétrico ainda não tenha bom custo benefício, a empresa principal fabricante tenha se valorizado por antecipação.

    Com certeza, sem esses subsídios, as vendas de elétricos seriam menores e a empresa também não teria tanta valorização aos dias de hoje.
  • Drink Coke  13/06/2020 15:07
    "Como que uma empresa que dá prejuízo vale mais que empresas que já estão consolidadas e são lucrativas? A marca Nikola, pior ainda, nunca fez nada e já vale mais que a Ford."


    Você ainda não entendeu o básico. Eu disse lá em cima, o valor de uma empresa está no seu futuro, pouco importa o que ela gerou de lucro no passado, o que importa é quanto ela pode gerar de lucro no futuro. Se os investidores acreditam que a Tesla e a Nikola vão gerar mais lucro no futuro do que uma Toyota, então elas vão valer mais.

    Bolsa de valores é isso, pessoas apostando no futuro de uma empresa.
  • Pollyana  14/06/2020 22:08
    Em tempos de crise, estava revendo minhas despesas e vi que meu plano de TV/Internet subiu (reajuste anual pelo IGP-M.)

    Se olhei corretamente, desde 2016 (exceto em 2017) o IGP-M vem subindo mais que IPCA. Grande diferença nos últimos 12 meses.

    Leandro, sei que os índices tem diferença de composição, mas porque o IGP-M tem subido mais?

    Para se proteger da alta do IGP-M existe algum investimento indexado a esse índice (tipo um Tesouro IPCA)?
  • Trader  15/06/2020 00:42
    60% do IGP-M são custos ao produtor (IPA-M). E estes sempre variam mais que os custos aos consumidores, pois dependem de câmbio, combustíveis, matérias-primas, eletricidade e demais commodities.

    Ao contrário do que dizem muitos teóricos da economia convencional, produtores não podem repassar 100% de seus custos aos consumidores (por causa da concorrência). Então, com o tempo, os produtores acabam tendo de absorver todo o aumento de custos. Muitos quebram.

    Mais um malefício de uma moeda instável.

    Quanto a títulos, havia o Tesouro IGP-M. Mas este não é mais emitido. Há, no entanto, CDBs de bancos pequenos atrelados ao IGP-M. Estes são ofertados por corretoras.
  • Felipe L.  15/06/2020 00:54
    Pollyana, acho que você já acessava e comentava aqui há algum tempo, pois vi uma pessoa de mesmo nome aqui comentando. Prefiro muito mais o IGP-M do que o IPCA. IGP-M é muito mais influenciado pelo câmbio do que o IPCA. Acho o IPCA uma porcaria. Tanto é que, agora, pelo fato de as commodities ainda estarem baratas e por estarmos em um cenário de restrição de oferta e demanda, o câmbio em disparada não está atingindo a inflação.

    Mas veja o ano passado, como a inflação do IPCA começou a incomodar após julho. Câmbio afundou à partir daquele mês (escrevi aqui). E teve um monte de iludido achando que aquele crescimento broxante no ano passado foi forte... 2017 foi um dos melhores anos do governo Temer. Teve deflação de preços e o câmbio ficou perto de R$ 3. Até 2018, com greve dos caminhoneiros e incerteza eleitoral, cresceu mais que 2019. Temer foi gradualista, mas muito melhor comparado ao Macri. Aliás, até o governo FHC foi melhor que o do Macri.

    Vou dar uma olhada nesse CDB. Às vezes tem no Órama.
  • ASH  22/06/2020 19:47
    Não sei se esse assunto já foi debatido aqui em algum lugar ou se há algum artigo sobre isso.

    Mas o que o pessoal do mises acha sobre a teoria Millk Shake do Dólar.

    É possível que o fortalecimento do Dólar leve o sistema financeiro ao colapso.

    Há um vídeo do Ulrich sobre isso:

    youtu.be/mfOfJXdsQbU
  • Edilson Viana  22/06/2020 21:54
    Seria possível um socialismo derecionado apenas ao indivíduo e não a produção?!


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