A boa notícia de ontem, terça-feira, 3 de dezembro, foi a confirmação da retomada gradual e sustentável do crescimento econômico, prevista por nós ainda em abril deste ano.
Agropecuária, indústria, serviços, consumo das famílias e investimentos privados apresentaram crescimento, ao mesmo tempo em que os gastos do governo caíram.
Ou seja, o crescimento não é artificialmente impulsionado pelo governo, mas sim guiado pelo mercado.
Nestes sete meses de abril até hoje, o Ibovespa subiu 15%. As expectativas indicam que o PIB deve crescer mais de 1% neste ano, e até 2,5% em 2020.
Além de não haver aventuras nos gastos públicos, o atual crescimento também tem alta qualidade porque, ao contrário de antes, os bancos estatais não mais estão patrocinando uma expansão insustentável do crédito e da moeda.
No gráfico abaixo, a linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados. A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais.

Todo o gigantesco crescimento do crédito ofertado pelos bancos estatais observado a partir do final de 2008, com o início da Nova Matriz Econômica, começou a ser revertido, com seu espaço sendo mais que absorvido pelos bancos privados. Sendo assim, a efetiva estatização do crédito, ocorrida a partir de 2013, quando o volume de crédito dos bancos estatais ultrapassou o dos bancos privados, foi recentemente desfeita.
Isso é positivo, pois, ao menos no Brasil, bancos estatais tendem a conceder empréstimos seguindo critérios políticos, ao passo que os bancos privados tendem a se preocupar mais com as reais condições de mercado.
O crédito total está comportado e hoje representa menos de 48% do PIB, após ter atingido exagerados 55% do PIB no topo do ciclo de crédito, em 2016.
Em linha com o histórico de retomadas, o setor privado lidera a expansão.
Onde está o problema
No entanto, pelo lado negativo, há más notícias quanto ao câmbio e ao cenário externo.
Desde o início de novembro, o dólar subiu de R$ 4 para R$ 4,20. Ainda em julho, estava em R$ 3,72.
Houve alguma deterioração das contas externas, mas o mercado tem se assustado mais com uma suposta intenção da área econômica em deliberadamente depreciar o real.
Os ministros de áreas econômicas no mundo esquivam-se de comentar sobre o câmbio, pois o mercado interpreta como sinalização de política. Paulo Guedes, em evento recente, descuidou-se dessa norma ao afirmar que “não estou preocupado com a alta do dólar”, que “acha compreensível a alta do dólar”, e que o dólar “tende a ir para um patamar mais alto”.
Se a máxima autoridade econômica do país deixou explícito que a alta do dólar não será atacada, então o recado enviado ao mercado financeiro foi claro: comprem dólar sem medo, pois o Banco Central nada fará em contrário. O mercado simplesmente aquiesceu e comprou dólares.
Adicionalmente, o Banco Central segue sinalizando mais um corte adicional da SELIC neste mês, que pode chegar a 4,5% ao ano, a menor taxa básica da história do real. Tais reduções tendem a causar alta do dólar, pois taxas de juros menores fazem com que o real perca atratividade no mercado internacional, reduzindo a demanda por ele, e, logo, seu cotação.
Dado o total silêncio da área econômica quanto à intenção de almejar um real forte, o mercado conjectura que há uma política informal de alta do dólar. Ato contínuo, ele faz o ajuste e derruba a cotação do real.
As consequências podem ser dramáticas. O trilema de Mundell-Fleming indica que, em um país com entradas e saídas financeiras amplamente liberadas, como é o caso do Brasil, é impossível simultaneamente ter uma política monetária independente (isto é, o Banco Central estipulando a taxa básica de juros) e um patamar estável de câmbio. Ou seja, ou o BC determina a SELIC (manipulando a base monetária com este intuito) ou ele busca ativamente um patamar de dólar (vendendo/comprando dólares e, com isso, afetando a base monetária e, consequentemente, a SELIC). Uma política ativa desintegra a outra.
O mandato do BC é calibrar a SELIC para alcançar a meta de inflação de preços determinada pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4% em 2020. Inexiste meta de crescimento econômico ou de patamar de câmbio. Porém, se passar a haver uma meta informal de patamar de câmbio, a institucionalização construída por mais de 20 anos poderá ficar prejudicada.
O governo dá sinais de impaciência com o ritmo de reformas no Congresso. Poderá estar mesmo apostando em uma alta do dólar como faísca para induzir crescimento?
No auge da brutal recessão de 1981 a 1983, a dupla Delfim–Galvêas incitou crescimento por meio de exportações decretando uma maxidesvalorização de 30% da moeda nacional, porém sem sustar sua política inflacionista de expansão da quantidade de dinheiro na economia. Houve crescimento do PIB de 5% em 1984, mas em dólares os brasileiros ficaram mais pobres. A inflação dobrou de 100% para 200%, e engatou-se a sequência de planos mirabolantes confeccionados pelos doutores em economia, que causaram a década perdida.
A desvalorização da moeda nunca fica impune. É ilusão pavimentar o caminho para a prosperidade por meio da depreciação deliberada. Caso fosse possível, Venezuela e Zimbábue seriam países ricos.
Atualmente, a desvalorização do real perante o dólar ainda não gerou um sensível aumento generalizado de preços porque os preços da commodities, em dólares, estão próximos das mínimas históricas. Consequentemente, os preços das commodities, em reais, ainda não estão em sua máxima histórica (em outubro, estava no mesmo nível em que estava no fim de 2015).
No entanto, o encarecimento da carne e dos combustíveis, integralmente ligado ao enfraquecimento do real, já começa a incomodar. (Veja a evolução do preço do quilograma da carne negociado na B3). Se isso não for revertido a tempo (pelo fortalecimento da moeda), a coisa pode se complicar.
Para concluir
O mercantilista Trump interpretou a desvalorização do real como truque cambial e retaliou por meio de tarifas ao aço e alumínio brasileiros. O protecionismo e a guerra cambial escalam no mundo.
Nessa seara, certa está uma desprezada filósofa brasileira: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder… vai todo o mundo perder!”.


“Se isso não for revertido a tempo (pelo fortalecimento da moeda), a coisa pode se complicar.”
Compreendo que isso irá acontecer, tanto como já está a acontecer, mas poderiam por favor me explicar mais sobre isso? Quais os efeitos a curto e médio prazo se resultarão das medidas tomadas pelo BC…
Sou recente na Escola Austríaca de Economia, e por mais que eu esteja compreendo os conceito, ainda possuo dificuldades em entender as consequências a curto, médio e longo prazo das medidas.
Minha única esperança no momento era de que o aumento de tarifas que o Trump fez e o encarecimento das carnes fizessem a equipe econômica ter medo do IPCA sofrer pressões inflacionárias, e assim, cuidassem do câmbio. Aparentemente isso foi por água a baixo porque o Guedes rebateu o Trump dizendo que com o câmbio flutuante “agora o Brasil caiu numa posição correta”.
As estimativas de crescimento estão apontando 2,2% pro ano que vem e 2,5% pra 2021 e 2022. Se o governo cuidasse bem do câmbio, as estimativas chegariam facilmente em 3% e Bolsonaro se reelegeria fácil, mas ao invés disso, provavelmente ainda vamos ter que nos assustar com um coronel neoinflacionista concorrendo.
Não vou esperar um Real forte nesse governo atual, a não ser que eles tomem vergonha na cara e deixem o Dólar Americano entrar no país livremente, como é feito no Peru. Pode-se esperar alguma recuperação nesses 4 anos, mas ainda haverão toneladas de coisas para serem feitas, pois a farra depois da CF/88 já acabou. Já estamos na armadilha da renda média e estagnados há tempos. Câmbio atrelado já foi tentado e não funciona, câmbio flutuante não funciona (funcionou no Chile porque o ambiente jurídico não é essa zona que existe aqui; infelizmente lá estão estragando de novo por causa dos comunistas assassinos do Foro de São Paulo, que não aguentam perder).
Curioso é que durante a primeira fase do Plano Real (o Plano Real original, de fato) houve também uma proporção maior de crédito de banco estatal.
Guerra cambial é um nonsense! Sabe quem não faz guerra cambial? O Franco suíço!! Câmbio fixo (Currency Board) em ouro única solução.
Nessa recente entrevista a partir do sétimo minuto, o PG deixa claro a sua visão de que Real valorizado gera desindustrialização e que importações baratas competindo com a sacrossanta indústria nacional não é algo desejável.
Infelizmente não será nesse governo que o brasileiro vai poder aproveitar as bençãos de se ter uma moeda forte.
A queda da selic dos 6% para os 4,5% veio “forçada” por uma queda nos juros futuros, não foi? Qual o erro do Bacen nesse quesito?
Qual o motivo do aumento do preço da carne?
O Real não irá ficar nem forte nem fraco. Desde de 1998 a moeda tem sido artificialmente valorizada por juros. O que não é bom para o país a longo prazo. Pois aumenta deficit, encarece o crédito e para piorar o dólares que não entram não é pra investimento e sim pra comprar títulos do governo, que não produz nada. Felizmente estão acabando com isso, a longo prazo pode fortalecer a moeda pois o governo paga o juros a base de inflação.
Com o real fraco aumenta a exportação, que logo fortalece a moeda. O aumento dos preços da commodities fortalece a moeda, anulando qualquer efeito inflacionário.
O principal motivo da disparada do dólar é a SELIC mais baixa da história?
Desisto de ter esperança de ter uma moeda forte, Paulo Guedes é muito burro, junto com o governo. Vocês acham que teria alguém melhor para por no lugar dele? Sempre esperei que nosso país tivesse moeda forte, impostos baixos, burocracia quase nula e liberdade, é triste isso.
Guedes tá perdidinho, ele ainda não entendeu que o real fraco vai acabar com a popularidade do presidente. Eu achava que o Trump estava falando aquilo pra agradar sua base eleitoral, mas parece que o BC de fato está derretendo o real de propósito. E ao meu ver, que não é “estratégia” nenhuma, é burrice chicaguista mesmo.
A moeda chinesa é fraca ou forte ?
Como explicar a melhora na economia Brasileira diante o real se esfarelando e o dolar subindo??
O PIB (com o governo gastando bem menos) esta demonstrando melhoras, ate a nível de média global.
Resposta de um leigo: será que o governo abaixou a taxa Selic para desse modo diminuir o gasto dos pagamentos de juros da dívida pública. Uma pergunta: caso o Banco Central fosse independente ele teria reduzido a Selic da forma que foi reduzida?
Esse site deixa de dizer o óbvio em seus artigos e faz com que os eleitores acreditem em suas fantasias. Estamos no final da segunda década do século XXI, existem fundos cambiais. Qualquer pessoa preocupada com a desvalorização do real pode abrir uma conta no Banco do Brasil e investir no fundo BB Cambial Dólar LP. Para que a quantidade de dólares que você tenha hoje e daqui 20 anos seja a mesma, basta investir nesse fundo. Espero que agora esses articulistas saiam da idade das trevas e se juntem à civilização. Liberdade econômica é poder abrir uma conta em um banco e poder investir em fundos como este. Não sejam utopistas. É possível comprar e vender livremente no Brasil, estamos num país livre. Viva a Nação Brasileira!!! Se Chicago não representa o real capitalismo e se o Guedes não vai ser o nosso Chicago Boy, não é um economista refugiado da Ucrânia que vai ditar a economia desta grande nação verde e amarela. O Banco do Brasil é a joia da coroa do Brasil, e ele já oferece a solução para os problemas apresentados por este site no que diz respeito a desvalorização do câmbio. Desvalorizações cambiais são boas pois tornam as nossas exportações competitivas no mercado internacional. E NINGUÉM, NENHUM brasileiro livre desta nação, está impedido de abrir uma conta no Banco do Brasil, e investir no fundo BB Cambial Dólar LP. JB38
A meu ver, a equipe economica parece q tá praticando um keynesianismo disfarçado e envergonhado. E começaram a fazer isso pq meio que viram que a fada da confiança é mito, e que diante duma recessão brutal (primeiro momento) e economia quase parando (segundo momento), não tinham outra alternativa senão recorrer a medidas cada vez mais estimulativas para alimentar a demanda. Tão agr até querendo cambio desvalorizado e tabelaram o cheque especial. O problema é q ainda resistem à ideia duma expansão vigorosa do investimento público.
O Brasil é um país todo esculhambado: complexidade tributária altissima, energia cara, precária infraestrutura, mão de obra ruim, e por ai vai. Moeda forte é jogar a pá de cal na industria.
Pessoal, desculpem a ignorância, mas, se o real está desvalorizando, porque o Ibovespa está subindo? Não é com a escalada do Ibovespa que o real valoriza? Hoje está em 110mil, patamar nunca atingido antes, e mesmo assim o dolar está maior. Apensar da valorização do Real, ele não está valorizando tanto quanto o dolar? agora, se ambos são valorizando, porque dizer que estão usando uma estratégia de desvalorizar o real? alguém poderia me explicar?
Pessoal, dado que investimento em títulos do governo é naturalmente destrutivo e improdutivo, por que seria ruim ver uma fuga de pessoas indo aplicar nos títulos do governo americano, ao invés de aplicarem no Brasil? Além da taxa de juros influir nos títulos do governo, em quais outros tipos de aplicações essa taxa influi, tanto a SELIC quanto a taxa americana?
Desculpe em caso de falha de entendimento. Preciso aprender muito ainda.
a moeda não é um produto de mercado e, como tal, não deve ser valorizada pelo mercado? Não me parece correto, ou pelo menos me parece exagerado, dizer que há intenção do governo de desvalorizar a moeda; o governo pode estar simplesmente deixando que o mercado defina o seu real valor, e, nesse sentido, não teria seus méritos? Enquanto isso, está tentando cuidar da segurança, do equilíbrio das contas públicas, da dívida pública, da segurança jurídica e do ambiente de negócios, o que pode em muito contribuir para a valorização da moeda, porém a médio longo prazo.
“Paulo Guedes fala sobre Trump, Coaf e o crescimento econômico brasileiro” > http://www.youtube.com/watch?v=ooars2L7adg
O Brasil está no timing perfeito pra faz um Currency Board. O dólar dificilmente irá se inflacionar nos próximos 5 anos.
Como seria possível, do ponto de vista legal, conseguir pôr em prática? Dependeria apenas do BC?
Boa tarde.
Quais sites/portais os senhores utilizam para acompanhar notícias econômicas e financeiras?
De preferência isentos ou que possuam uma visão mais próxima da Escola Austríaca.
Obg
Uma pergunta: É possível controlar, ao mesmo tempo, o câmbio e a taxa de juros básica da economia? Pergunto pq parecem ser duas coisas antagônicas. Se o banco central quer baixar as taxas de juro, ele injeta liquidez no mercado comprando títulos, o que faz o dólar subir. Agora, se ele resolver deixar o câmbio fixo (usando um currency board, por exemplo), aí os juros ficariam a cargo da oferta e da demanda. Atualmente, parece que o foco está em controlar os juros e deixar o câmbio flutuar livremente. O meu entendimento está correto (ainda que a realidade tenha outros fatores que eu não tenha mencionado aqui)?
Não entendo. Nesse mesmo site li uma matéria em que 1 dólar entre 3,35 e 4,29 reais está dentro da realidade e o artigo é de 2016. ( Qual o valor "correto" do câmbio? Sim, é possível estimar.). Não creio que está ocorrendo uma hiper desvalorização do real.
Leandro, vi um comentário seu sobre o Sachsida ser chicaguista, me fez lembrar de vídeo dele no passado, que ele fazia referência a ser contrário desvalorização da moeda, pois a mesma piora a balança comercial
http://www.youtube.com/watch?v=NK4dXXCVpQI
Guedes fala uma coisa, sua equipe fala outra
valorinveste.globo.com/mercados/moedas-e-juros/noticia/2019/12/05/para-equipe-economica-dolar-deve-ir-abaixo-de-r-4.ghtml
Tô mais perdido que surdo em bingo.
Saber o porquê da ação de um certo indivíduo é uma coisa subjetiva e inexata…agora, saber o porquê da ação de um coletivo já é, com o método correto,uma coisa mais objetiva e exata
O grande erro é achar que o dólar está alto por orientação de política econômica (depreciação artificial). Essa depreciação se deve, unicamente, às expectativas dos investidores em relação a eventos externos (EUA x China) e internos (notícias políticas). O Trump também cometeu esse erro.
A fala do ministro mostra, justamente, que, se depender dele, não haverá intervenção no cambio.
IPCA sobe 0,51% em novembro, maior taxa para o mês desde 2015
valor.globo.com/brasil/noticia/2019/12/06/ipca-sobe-051percent-em-novembro-maior-taxa-para-o-mes-desde-2015.ghtml
http://www.oantagonista.com/economia/guedes-as-despesas-de-juros-vao-cair-r-96-bilhoes/
Ta aí… Essa loucura com a SELIC tem esse objetivo, diminuir os gastos com juros da dívida.
O resto pra ele é puro detalhe!
Sensacional o comentário Leandro. Exatamente como deve ser.
Eu quero só ver se as commodities aumentarem de preço, ai meu amigo quero ver o Guedes e o BACEN estarem cagando e andando pra desvalorização.
Se isso acontecer eu duvido que eles vão manter esse desleixo com real esfarelando, haveria aumento de preços em toda economia e isso levaria a protestos e crises políticas. Os esquerdinha tão se coçando pra começa o quebra quebra aqui, tão só esperando a melhor hora
O dolar hoje caiu pra 4,14 . O que vcs acham ?
Leandro, eu reli parte de seu artigo ontem falando sobre a Petrobras e esse trecho me chamou a atenção:
“O que nos leva, finalmente, à única e derradeira solução factível: o governo terá de jogar pesado para aprovar a Reforma da Previdência. E em sua forma hardcore, que economiza pelo menos R$ 800 bilhões em 10 anos.
A aprovação da reforma dará alguma folga fiscal para o governo (você só precisa ver este gráfico para entender por quê), que então poderá, por exemplo, reduzir o PIS/COFINS dos combustíveis, barateando gasolina e diesel nas refinarias em R$ 0,41 e R$ 0,21, respectivamente.
Além disso, essa folga fiscal, ao trazer maior equilíbrio ao orçamento do governo, irá restabelecer a confiança de investidores e empreendedores (nacionais e estrangeiros), que então poderão voltar a investir aqui (o que também acarreta na entrada capital estrangeiro).
Vale repetir o óbvio: um governo com altos déficits e endividamento crescente significa um muito provável aumento de impostos no futuro. Contas desarranjadas não duram por muito tempo. Se o orçamento do governo está uma bagunça, o empreendedor sabe que o ajuste futuro muito provavelmente será via aumento de impostos. Sempre chega o momento do rearranjo.
Só que empresas planejam a longo prazo. Investimentos produtivos são investimentos de longo prazo. Aumentos de impostos geram custos adicionais no longo prazo e alteram totalmente o cenário no qual as empresas inicialmente basearam seus planos de investimentos. Como investir quando não se sabe nem como serão os impostos no futuro?
Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais. Mudanças abruptas nestes itens alteram todo o planejamento das empresas e inibem seus investimentos.
A reforma da previdência, ao reduzir todas estas incertezas fiscais, tende a estimular investimentos produtivos (nacionais e estrangeiros) de longo prazo. E economia em crescimento sempre é positivo para a moeda, que tende a se valorizar. Se isso for acompanhado de investimentos estrangeiros, mais acentuado ainda será o fenômeno da valorização da moeda.
Em suma, um governo cujo orçamento está em desordem e com a dívida em descontrole tende a afugentar não só os empreendedores nacionais, como também os investidores estrangeiros, o que acentua pontualmente a desvalorização da moeda. A reforma da previdência, se aprovada, tende a reverter esta situação, atraindo capital externo e, consequentemente, fortalecendo a moeda. “
A Reforma já está aprovada. De fato isso vai ajudar, mas será que foi insuficiente? Você mudou de visão?
Gente poderia ser pior. Alguém aqui sabe quem seria o Ministro da Economia se o Fernando Haddad fosse eleito?
Excelente texto! Muito bem escrito e fundamentado. Falta só esfregar na cara e enfiar nos ouvidos do Paulo Guedes até ele entender e deixar de lado essa maluquice de deixar o real derreter.
Pessoas da rede, uma coisa realmente interessante da Argentina é com relação ao mercado de carros. Além disso, vou abordar outras questões nas quais o país pequenino é superior ao Brasil, apesar de muitas décadas de peronismo e desastres seguidos. Alguém que já morou na Argentina e/ou mora, pode acrescentar detalhes se quiser.
Li essas duas colunas de 2008 de um site de carros o qual eu simplesmente amo, e notem que interessante nesses trechos:
“O trânsito da capital (com base em viagens anteriores, pois nesta não dirigimos lá) não é muito diferente do que vemos em nossos grandes centros, mas se nota a ausência de lombadas, mesmo nas estreitas vias de Bariloche. Nem por isso se vê alguém em velocidade incompatível com a condição: seria o brasileiro tão mal-educado ao volante em relação ao argentino? ”
De fato eu nunca entendi esse tesão por lombadas que muitos brasileiros possuem. Alguma besta quadrada decide não respeitar o “PARE”, faz uma cagada, e então esse mesmo idiota vai lá e pede para que coloque semáforo. Ou lombada. O padrão é sempre o mesmo. Na Flórida eu vi algumas, mas são lombadas extremamente bem-sinalizadas e bem suaves. Um único trecho que achei irracional ter colocado lombadas foi em um trecho por onde passa por cima de uma linha férrea. Alguém pode me explicar o motivo de existir esse amor por lombadas por aqui?
Outra surpresa da mesma coluna:
“O mercado argentino consumiu 50 mil carros em agosto e 447 mil nos primeiros oito meses do ano, total que o brasileiro atinge em menos de dois meses. Apesar dessa inferioridade em volume, conta com marcas que não atuam no Brasil, como a espanhola Seat, e com vários modelos não disponíveis aqui por importação oficial, casos de Chevrolet Corvette, Honda Legend, Toyota Avensis, Renault Laguna, o conversível Peugeot 207 CC, a minivan Volkswagen Sharan, o Mini da BMW, uma ampla linha Alfa Romeo (159, Brera, GT, Spider) e os Fords Mondeo e S-Max — eles não têm o Fusion, mas aposto que não faz falta, a julgar pelos Mondeos que a Ford usou para transporte de seus diretores durante o evento. “
Alguns motivos foram expostos posteriormente na própria coluna. Mas deve haver outros. Por que será?
Nesse artigo que traduzi semanas atrás sobre a Argentina, foi dito de que o argentino médio é culto. Me lembrou de quando o Leandro disse de que o francês é culto. Seria essa uma herança dos tempos de ouro da Argentina, lá do fim do século XIX até a segunda metade do século passado?
Até o Gol maquiado (chamado de “G4”) de lá era superior ao vendido aqui.
Surpreendente é que o PIB per capita argentino é maior que o brasileiro (US$11 626,90 contra US$8967,90). Também a taxa de desemprego é menor (9,5% contra 12,5%). Neste último aspecto, até o Paraguai está melhor (apesar de ainda ser bem mais pobre do que o Brasil). Em qualidade de infraestrutura, a Argentina está com pontuação de 3,6 de 7 (e na 92ª posição), enquanto o Brasil está com pontuação de 3 de 7 (e na 116ª posição). Falando de ensino, além do fato da Argentina ter prêmios Nobel (e o Brasil não existir nenhum), a Argentina supera em habilidades de graduados (com 4,2 pontos de 7), estando na 61ª posição; enquanto o Brasil tem 3,2 pontos de 7 e está na 131ª posição.
Em abertura comercial, a Argentina é também superior. Está na 111ª posição, enquanto o Brasil está na 125ª posição. Essas informações podem ser conferidas nesse relatório.
O Leandro, que eu sei que é um austro-entusiasta de carros, pode talvez também nos ajudar nessa. Após o desastre argentino no começo dos anos 2000, o Peso Argentino era um câmbio flutuante já, dos Kirchner até o governo Macri?
Prezados, umas dúvidas, por gentileza.
Saíram algumas notícias destacando a melhoria da trajetória da dívida pública, dizendo que só foi possível por causa da menor taxa de juros. Entendo que estes mesmos juros menores estão afetando o câmbio, depreciando o Real. Como este Instituto sempre defendeu moeda forte e estável, fiquei com uma dúvida: do ponto de vista de melhora econômica, poderia essa melhor trajetória da dívida pública compensar, mesmo que parcialmente, o câmbio pior?
Outra coisa, e me corrijam se eu estiver errado, por gentileza. Vejo alguns sinais de aumento de demanda por algumas commodities produzidas no BR: a China vai adicionar 10% de etanol no combustível, o cacau e o café estão nos maiores preços do ano, as exportações de carne não param de crescer. Sei que exportações não são impulsoras de crescimento per si, e que se as exportações estão ocorrendo porque a moeda está ficando fraca, como é o caso do Real, então ocorrerá carestia em algum grau. Pergunto então o que poderia ser feito para que o BR aproveitasse essa demanda por mais commodities? Ou não há nada que poderíamos/deveríamos fazer?
Obg pela atenção.
“www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/301539-russia-limita-exportacoes-de-fertilizantes-e-agrava-crise-de-oferta-dos-insumos.html”
Isso seria um mercantilismo ao contrário? Como isso beneficiaria os produtores russos e chineses?
Brasil deveria diversificar e comprar mais dos americanos e de outros países orientais. Difícil o MAPA e a Camex fazerem isso?