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Como o atual capitalismo já está provocando uma grande redistribuição de renda
Todo mundo vê e sente, mas ninguém reconhece

Você já conhece o clichê. Converse com qualquer progressista convencional e você ouvirá sempre os mesmos vaticínios, com quase nenhuma variação: o capitalismo é "cruel", "brutal", "impiedoso", e se baseia inteiramente na especulação. Capitalistas são uma máquina desumana de buscar lucros e se preocupam apenas com os resultados trimestrais. 

Obviamente, não é o objetivo aqui comentar cada um destes clichês. Tampouco é o objetivo elencar todos os benefícios que o capitalismo concorrencial e as culturas amigáveis ao capitalismo nos fornecem (crescimento e enriquecimento econômico, redução da pobreza, maior expectativa de vida). Vamos aqui nos concentrar nas maneiras um tanto mais opacas pelas quais o capitalismo redistribui a riqueza — dos mais ricos para os mais pobres.

Os Unicórnios

Embora muitos economistas compreensivelmente demonstrem grande preocupação com os impactos econômicos e financeiros das extremamente baixas taxas de juros mundiais, o fato é que esta última década de financiamento barato reduziu os custos de oportunidade de se investir em novas ideias.

Os fundos que investem em atividades de risco — popularmente conhecidos como venture capital são fundos de investimento que utilizam o dinheiro de seus investidores para investir em empresas ainda em fase de estruturação, que precisam de um salto de crescimento. Ou seja, empresas com ideias ousadas, mas que ainda não conseguem financiamento bancário tradicional (exatamente por serem arriscadas).

Esse tipo de atividade se expandiu enormemente na última década. Com os juros em níveis historicamente baixos, os fundos de venture capital foram capazes de investir maiores volumes por tempos mais longos em modelos de negócios inovadores que raramente dão lucro. O site Investopedia explica:

Venture capital é um financiamento concedido a startups e pequenas empresas que são vistas como tendo um grande potencial de crescimento e sucesso. Os recursos para este financiamento normalmente vêm de investidores ricos, de bancos de investimento, e de quaisquer outras instituições financeiras. …. A maioria dos fundos de venture capital prefere difundir seu risco investindo em várias empresas diferentes ao mesmo tempo, em vez de se concentrar em apenas uma empresa. Assim, se uma startup fracassa, os recursos do fundo de venture capital não são afetados substantivamente.

O modelo de negócios é simples e claro: levante fundos junto a financiadores ricos, invista o dinheiro em uma dezena ou mais de ideias novas e promissoras, e tenha a esperança de que os retornos de algumas poucas Ubers, Spotify ou WhatsApps compensem os inevitáveis prejuízos que haverá com todas as outras startups.

E mesmo as empresas extremamente bem-sucedidas não terão lucros por muito tempo, pois elas estão mais preocupadas com crescimento em vez de lucratividade. Essas startups são popularmente conhecidas como unicórnios

E elas possuem uma característica única: são valiosas mas quse não têm lucros (na maioria das vezes, operam com prejuízos) e, ainda assim, seguem obtendo seguidas rodadas de financiamento para se expandirem em busca de maiores fatias de mercado.

Agora, reflita um pouco sobre o que tudo isso significa. Quando empresas, em sua busca desesperada por crescimento, expansão e aumento da fatia de mercado, aceitam operar com grandes prejuízos, isso significa, na prática, que elas estão vendendo produtos e serviços por menos do que os custos de se produzi-los. Afinal, é isso o que contadores tentam capturar ao mensurarem os lucros e os prejuízos. Como consumidor, você obtém acesso a bens e serviços a preços abaixo do custo, com a diferença sendo compensada por seguidas rodadas de novos financiamentos que são jubilosamente concedidas por investidores ricos a estes unicórnios queimadores de dinheiro

Eis o ponto: enquanto investidores ricos e fundos de venture capital continuarem se mostrando dispostos a arcar com as contas e a financiar seguidamente essas empresas em busca de crescimento, eles estão transferindo riqueza. O dinheiro está fluindo diretamente dos ricos capitalistas para os menos ricos empregados, fornecedores, e, mais importante, consumidores. Com este arranjo nós conseguimos aplicativos de transporte rápido e barato por meio de alguns cliques em nosso smartphone, aplicativos de entrega sob demanda, acesso a patinetes elétricas que são quase que gratuitas (embora, reconheço, bastante irritantes em algumas cidades), e serviços muito baratos de entrega a domicílio da comida que queremos, dos produtos que desejamos, e dos livros que queremos ler.

Sim, há quem se preocupe com o quão economicamente sustentável seja todo esse arranjo. É uma bolha? Pode ser. Mas o fato indelével é que, enquanto a situação se mantiver, toda essa Grande Redistribuição irá continuar.

O caso da Norwegian Air Shuttle

Essa empresa aérea norueguesa de baixo custo chamou atenção há alguns anos quando começou a ofertar voos transatlânticos por menos de 100 dólares [ela já opera no Brasil]. Por meio de aquisições extremamente alavancadas, a empresa adquiriu uma maciça frota de aeronaves limpas, modernas e de baixo consumo da Boeing, e colocou-os para voar ao redor do globo, lotados de ávidos passageiros que, por causa dos preços bem menores, tinham agora muito mais dinheiro para gastar em seus destinos.

Mantendo um crescimento de dois dígitos na receita ao longo dos últimos cinco anos, ao mesmo tempo em que alternava entre saudáveis lucros e devastadores prejuízos, a saga quase chegou ao fim após os seguidos acidentes com o modelo 737 MAX da Boeing no início deste ano.

Após um verão (no hemisfério norte) tumultuado para a Norwegian, com uma desesperada busca por mais financiamento, a revista Forbes relatou o seguinte:

A contribuição da companhia aérea em termos de competição de preços para voos transatlânticos foi fantasticamente positiva para os consumidores. No entanto, a agressiva expansão da Norwegian veio a um grande custo para ela própria, o qual agora está começando a ficar mais explícito.

Este custo, até o momento, recaiu inteiramente sobre os acionistas da empresa, cujas ações já desabaram 80% em menos de um ano, ao passo que a moeda da Noruega (a coroa norueguesa) se depreciou 10% em relação ao dólar no mesmo período. 

Ao vender sua participação majoritária no banco digital Norwegian Bank (outra startup de baixo custo que continua criando disrupção no pouco competitivo setor bancário norueguês), a companhia aérea conseguiu fundos suficientes para mais alguns meses de operação. Números recentes divulgados em seu balanço do terceiro trimestre sugerem que a empresa ainda pode sobreviver por mais algum tempo.

Embora não seja de propriedade de um fundo de venture capital, o agressivo crescimento de baixo custo da Norwegian enriqueceu os consumidores com todo o custo sendo arcado pelos proprietários e credores da empresa. Um maravilhoso exemplo de redistribuição de riqueza. 

A corretora que está revolucionando o mercado 

No dia 1o de outubro, a corretora online Charles Schwab, a maior dos EUA e uma das maiores do mundo, ganhou o noticiário ao zerar a taxa de corretagem para a compra de ações, ETFs e opções. Após anos de pressões da concorrência, que vinham reduzindo suas taxas, a Charles Schwab cedeu — e seus principais concorrentes rapidamente foram atrás.

Embora esta pioneira corretora não seja de propriedade de um fundo de venture capital e nem possa ser considerada uma especuladora sem sucesso, este seu recente "comportamento predatório" pode ser encaixado naquela típica objeção que fazem ao capitalismo: concorrência selvagem. Essa medida estratégica e sagaz prejudicou suas próprias receitas no curto prazo, além de ter derrubado violentamente as próprias ações da corretora. Mas também afetou os concorrentes ainda mais: chegou a derrubar em até 30% os preços das ações da corretora Ameritrade, que a Charles Schwab queria comprar e que, com efeito, acabou comprando.

Para o ingênuo anti-capitalista, isso seria apenas mais um exemplo típico do poder das grandes corporações: comprar concorrentes para tentar monopolizar o mercado, supostamente em detrimento da sociedade. No entanto, se olharmos o que realmente aconteceu, o verdadeiro beneficiado se torna evidente: o consumidor. 

Embora os donos de ações de corretoras tenham inicialmente visto o valor de mercado de suas ações cair e a Charles Schwab tenha intencionalmente afetado suas próprias receitas, os usuários dos serviços online de corretoras viram os custos de suas operações cairem 100%. Agora podem comprar e vender ações e opções sem pagar nenhuma taxa. 

E vale reconhecer que a Schwab e outras corretos já vinham concorrendo vigorosamente entre si e já haviam derrubado para níveis já historicamente baixos as taxas de corretagem, mas esta última medida ainda enriqueceu ainda mais os consumidores de seus produtos.

Para concluir

A redistribuição feita por estes agressivos modelos de crescimento e de expansões corporativas, exemplificados pelos unicórnios, pela Norwegian e pela Charles Schwab, são de extrema importância educativa. 

Enquanto políticos e populistas progressistas vivem vociferando contra as desigualdades de riqueza — geradas por grandes valorizações da bolsa ou mesmo pela globalização —, os modelos de negócios surgidos na últimas décadas, que aceitam prejuízos iniciais em troca de grandes expansões de mercado, significaram uma maciça transferência de riqueza: de investidores relativamente ricos para consumidores relativamente pobres.

Podemos dizer que tudo isso nada mais é do que uma consequência não-premeditada das políticas de juros baixos. Ou então um "problema de se ter muito dinheiro em busca de algum retorno". Ou, para quem quiser, um exemplo de capitalismo implacável em ação. 

Já eu prefiro chamar de "A Grande Redistribuição": investidores repletos de dinheiro, mas sem onde colocá-lo, acabam financiando empresas que operam no prejuízo, e neste processo enviam os lucros para milhões — se não bilhões — de consumidores.

Ao financiarem e gerirem inúmeras empresas abaixo do custo (e até mesmo dispostas a incorrer em prejuízos) com o objetivo de ganhar escala e preciosa feita de mercado, empresas de venture capital efetivamente canalizam o abundante dinheiro dos ricos para nós consumidores. 

O que dizer? Muito obrigado pelas barganhas! Muito obrigado por oferecer promoções e até mesmo serviços gratuitos! Muito obrigado pelos seus serviços tecnológicos totalmente sub-precificados! Muito obrigado por concorrem tão vigorosamente ao ponto de abrirem mão dos lucros! Muito obrigado por pagarem mais a seus fornecedores e produtores do que recebem de nós consumidores via receitas! 

De novo: isso é sustentável? Para mim, como consumidor, não importa. Não é problema meu. O capitalismo não é um arranjo feito para privilegiar produtores, mas sim para beneficiar os consumidores. Quem souber aproveitar irá se beneficiar.

No mais, tudo isso mostra como os progressistas que hoje vivem agitando em prol de redistribuição de renda e riqueza estão completamente perdidos. A redistribuição que eles exigem já está acontecendo. O capitalismo, a tecnologia, a globalização, e os fundos de venture capital já estão fazendo o serviço. Cabe a nós apenas curtirmos a carona.


autor

Joakim Book
, nascido na Suécia, possui mestrado pela Universidade de Oxford e é visiting scholar do American Institute for Economic Research


  • João Lucas Couto Correia  28/11/2019 19:42
    O capitalismo é de longe a mais humana e justa invenção do homem. Desde os primórdios, quando os homens viviam em cavernas, o capitalismo vêem nos acompanhando e evoluindo junto conosco. Suportando as injustiças e ataques opressivos dos Estados e seus asseclas, que até hoje fazem de tudo para espoliar os que mais trabalham, inovam e produzem. Se têm um legado que a humanidade construiu em conjunto, esse foi o capitalismo. Nenhum filósofo gordo e inútil, no conforto de sua biblioteca, inventou essa maravilha. Foram milhões de seres humanos, que labutam continuamente pelo seu sonho de uma vida melhor. É claro que um filósofo gordo e inútil criou alguma coisa, o socialismo, a doutrina da inveja e do egoísmo. Que clama pela espoliação do produtivo e do justo para encher a barriga dos improdutivos e opressores mamadores do Estado. Eu torço para que um dia o Brasil e o mundo consiga se livrar da chaga do socialismo, do progressismo e qualquer ideologia estapafúrdia que prega qualquer restrição a liberdade humana pelo Estado. Esse, a pior invenção do homem.
  • Renato B.  28/11/2019 19:49
    Muito boa a constatação. Eu já tinha percebido isso sobre a Uber, mas realmente a coisa vale também pra Rappi. Recentemente, fiz TODAS as compras do supermercado via Rappi. Chegou no horário, tudo certinho e ainda ganhei um cash back de 40%. Uma maravilha.

    A empresa só ainda não aprendeu a ter lucros consistentes. Ela se sustenta com o capital que levantou e queima caixa para tentar ganhar market share. Ao fazer isso, criar valor para os consumidores. Disrupção pura, como diz o artigo.

    www.istoedinheiro.com.br/para-onde-vai-a-rappi/

    www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/09/14/internas_economia,705852/empresa-de-entregas-rappi-cresce-e-ja-vale-us-1-bilhao.shtml
  • Carlos  28/11/2019 19:58
    O melhor exemplo ainda é a Uber. Criou um puta valor para nós consumidores, trouxe riqueza para todos (ao reduzir nossos custos de deslocamento e, consequentemente, trazer mais demanda para todos os estabelecimentos comerciais das grandes cidades), mas ainda não conseguiu ter lucros permanentes.

    Adicionalmente, o surgimento disruptivo da Uber pavimentou o caminho para Cabify e Lyft, que, trilhando o caminho desbravado pela Uber, conseguiram ser mais eficientes (pois não tiveram o trabalho de ter de inventar como criar valor; apenas copiaram). E aí os consumidores ganharam triplamente.
  • Victor  28/11/2019 20:06
    A expectativa de vida do pobre é, geralmente, menor que a do rico, então, os mais ricos devem pagar mais impostos para que a maioria dos pobres possa sobreviver...é injusto gozar de hiates e de mansões enquanto os outros morrem famintos...e se um dia a roda da fortuna virar contra o Bill Gates?....não seria bom que todo mundo tivesse uma seguridade?...devemos pensar assim ,pelo menos, até que a dádiva do mercado autorregulador possa resolver todos os problemas
    Até a dádiva chegar, somos keynesianos e devemos dar um jeito keynesiano para que os pobres possam sobreviver, ou seja, colocar a culpa no keynesianismo não vale (por causa do referido tempo...até o mercado se autorregular...)
  • Zacarias  28/11/2019 20:11
    O que seriam "hiates"? Seria o Mussum falando "hiato"?
  • Victor  28/11/2019 20:39
    *iates...cacildes......Mas se houvesse como existir mais de uma rodada? ou se montante a ser redistribuído fosse suficiente para os próximos 20 anos? Podemos implantar a política, não? Nem que o limite seja a sustentabilidade! Antes 15 dias, até que os ricos transfiram os seu dinheiro para as Ilhas Cayman ou 10 anos, até que não haja mais montante de redistribuição, do que nada! A política de redistribuição é excelente, desde que haja sustentabilidade e possibilidade (que podem ser otimizadas de alguma maneira)
  • Deirdre McCloskey  28/11/2019 20:12
    Concentre-se em eliminar a pobreza, e toda a riqueza será automaticamente distribuída.

    O enriquecimento dos pobres importa muito mais no contexto geral da humanidade do que o fato de os mais ricos estarem adquirindo mais Rolexes ou iates.

    O que realmente importa em termos éticos é se os pobres têm um teto sob o qual dormir, o suficiente para comer, a oportunidade de ler, acesso a saneamento básico e um tratamento igual por parte da polícia e dos tribunais (estes três últimos, monopólios estatais). Restringir a violência policial sobre os pobres inocentes é infinitamente mais importante do que querer equalizar a posse de Rolexes.

    Ademais, em termos aritméticos, expropriar os ricos e redistribuir para os pobres não irá elevar os pobres permanentemente. No máximo, irá elevar seu padrão de vida apenas temporariamente, e por pouco tempo. Tão logo essa riqueza distribuída for consumida, os pobres voltarão à estaca zero.

    Consequentemente, novas rodadas de confisco e redistribuição terão de ser efetuadas.

    Mas quem serão os próximos expropriados? Não é de se imaginar que os ricos que estão sendo expropriados ficarão inertes, esperando novas rodadas de expropriação. Em uma sociedade livre, eles podem se mudar para Hong Kong, Cingapura, Suíça, Irlanda ou para as Ilhas Cayman.

    Por isso, a redistribuição funciona apenas na primeira rodada. E por pouco tempo. Se cada centavo dos 20% mais ricos fossem confiscados e redistribuídos aos 80% restantes, os extremamente pobres ficariam apenas 25% mais ricos. E se apenas o super-ricos fossem espoliados, os mais pobres receberiam ainda menos.

    Logo, a redistribuição de renda visando a uma igualdade econômica é uma fantasia adolescente que não sobrevive ao mais básico teste de lógica aritmética.

    Muitos de nós ainda carregamos um pouco de socialismo em nossos sentimentos, nem que seja porque crescemos em um ambiente familiar amoroso, no qual a mãe era a planejadora central. Compartilhar as coisas funciona muito bem dentro de uma casa formada por uma família amorosa. Mas não é assim que adultos conseguem as coisas em uma sociedade desenvolvida. Adultos livres só conseguem o que querem se trabalharem e produzirem bens e serviços para outras pessoas. Em troca dessa produção recebem um salário. E é com esse salário que irão, voluntariamente, adquirir o que querem.

    Alguns ousam chamar esse arranjo de capitalismo.
  • Estado o Defensor do Povo  28/11/2019 20:46
    Acho engraçado que todo mundo fica indignado com a situação dos pobres, dizendo que eles deveriam ser ricos, mas ao mesmo tempo ficam indignados com a situação dos ricos, dizendo que eles não deveriam ser ricos, não entendo isso, o objetivo não é ter menos pessoas pobres? Então por que você fica puto quando tem pessoas ricas? Não deveria ser o contrário? Por que tu não fica feliz pelos ricos? Por que você não agradece pelo fato de que um rico a mais no mundo significa um pobre a menos? O rico de hoje poderia muito bem ser mais um pobre sem ter o que comer, mas como ele não é, fique feliz por ele.

    Eu fui repetitivo pra tentar martelar essa contradição na mente das pessoas.
  • Zuca em Tuga  02/12/2019 10:17
    É porque keynesianos e esquerdistas acreditam que a economia é de soma zero.
  • anônimo  01/12/2019 13:56
    Tomar o dinheiro dos ricos gera pobreza, nao riqueza.
  • anônimo  28/11/2019 23:28
    Eu gosto desse instituto pois ele posta visões divergentes sem se afastar da sua linha ideológica;
    A outra visão dessa moéda, é que, esse dinheiro barato não está disponível para quem quiser, mas apenas para grupos bem posicionados, e com alguma credibilidade na banca;
    Se eu foi lá e disser que tenho uma ideia genial, com probabilidade de falir nos próximos 5 anos, eu ganho um pirulito e um boné
  • Microempreendedor  28/11/2019 23:44
    Se você fizer isso em um bancão tradicional, sim. Com certeza.

    Mas se você fizer um bom — como dizem no jargão da área — pitch para investidores independentes, ou até mesmo para fintechs, você consegue sim financiamento. Venture capital, seed capital, angel investors etc., todos esses estão aí doidinhos para financiar alguma ideia mirabolante que possa trazer grandes retornos no futuro.

    O próprio fenômeno da explosão das startups é uma prova disso. Com o mundo cada vez mais globalizado, a disponibilidade de financiamento se tornou mundial. Se a sua ideia for bem avaliada, e esses investidores enxergarem potencial nele, você consegue seu financiamento.

    Isso não é opinião minha, é empiria.
  • Moeda forte na veia  29/11/2019 04:51
    Pessoal, o Banco Central esta acordando? vejam só isso:

    ''Até o fim de agosto, em momentos de alta da moeda norte-americana, a autoridade monetária leiloava contratos de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Feitas em reais, essas operações não afetam as reservas internacionais, mas têm impacto na posição cambial do BC e aumentam os juros da dívida pública.

    Agora, o BC atua de maneira diferente. Venderá dólares no mercado à vista e, ao mesmo tempo, comprará o mesmo valor em contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de divisa no mercado futuro''

    Ou seja, vender em leilões meio que surpresas? Eles estão preocupados sim com real fraco, pelo menos é o que parece

    moneytimes.com.br/banco-central-vendera-mais-us-75-bilhoes-das-reservas-em-dezembro/
  • Trader  29/11/2019 06:56
    Mas é exatamente isso que ele já vem fazendo desde meados de agosto. Ele fez venda casada: vende dolar à vista e comprou dólar no mercado futuro (para manter o saldo líquido das reservas inalterado). Resultado óbvio: o dólar não foi afetado, e nem a dívida.

    Ou seja, ao mesmo tempo em que vende dólares, o BC está comprando dólar no mercado futuro, com a desculpa de manter as reservas líquidas do Bacen inalteradas.

    Resultado prático: nenhum.

    A oferta de dólares e de reais continua exatamente a mesma de antes da operação. E pior: o BC vende dólares pelo preço do momento. Ou seja, se a cotação está em 4,20, ele vende a 4,20. Aí, obviamente, quem compra a 4,20 só vai aceitar revender por um valor maior (senão é prejuízo).

    Ou seja, não há nada aí que fortaleça o real. É tudo só para "prover liquidez".
  • Milton Friedman Cover's  29/11/2019 06:52
    Off Topic:

    Revoltados no Chile com a política "capitalista destruidora", seguem destruindo, saqueando igreja católicas, pois, na mente imbecil desses black blocks, o Catolicismo é um dos grandes culpados pela "penúria" dos trabalhadores chilenos ( em verdade, nenhum dos manifestantes já trabalhou alguma vez na vida), essa mentira ocorre desde a Revolução Francesa, quando idiotas como tantos outros durante os séculos, comunistas, socialistas, etc., vivem culpando os cristãos, a Igreja Católica em particular, de privilegiar uma classe em detrimento do povo em geral.

    Enquanto isso, o papa argentino ( membro da Teologia da Libertação), não emite uma nota de repúdio aos manifestantes comunistas. Nem o Arcebispo de Aparecida, que em uma homilia semanas atrás criticou a "direita violenta", fala algo a respeito das violentas manifestações dos comunistas chilenos. Claro, a imprensa segue caladinha também.

    Os papas passam e a Igreja permanece.

    Eu lembro que Nossa Senhora, na aparição de Fátima, Portugal, disse que o perigo viria da Rússia, isso foi dito em 1917, ano que os comunistas tomaram o poder na Rússia. Muitos riram disso na época e seguem rindo até hoje.

    Será necessário eu escrever aqui detalhadamente o que o comunismo vindo da Rússia a partir de 1917 provocou de tragédias no mundo? Creio que não.

    Está na hora de parar de rir da profecia de Fátima e começar a agir antes que a sociedade judaica-cristã, que é liberal e defende a família, seja totalmente destruída.

    Em sites anti comunistas foram publicadas várias matérias sobre esses ataques às igrejas católicas no Chile, pois isso acontece desde que começou as revoltas por lá ( revoltas estas defendidas por Lula e derivados). Deixo aqui um link para quem quiser comprovar a veracidade do que descrevo acima:

    www.ofielcatolico.com.br/2019/11/mais-uma-igreja-incendiada-no-chile.html

    Abraços.
  • thiago  29/11/2019 11:40
    Creio haver distribuição de riqueza em inúmeros empreendimentos mal sucedidos: pagam uma série de custos, como aluguel, maquinário, pessoas, etc e depois têm que fechar as portas. Ganharam um pouco de experiência, forneceram serviços e produtos por algum tempo, mas não se sustentaram.
    Há distribuição de riqueza em toda transação comercial que fazemos e podemos sempre premiar, distribuindo riqueza, os produtos e serviços que nos agradam. E podemos fazê-lo não simplesmente comprando esses produtos e serviços, mas, o que se aplica principalmente aos serviços, pagando aquele extra conhecido como gorjeta.
    Uma das coisas que mais me impressionou nos EUA é a cultura da gorjeta que eles têm. É uma delícia sair de um dia de trabalho não apenas com aquilo que estava contratado, mas com aquele extra; além de estimular a prestação de um bom serviço. No Brasil, eu diria que há a cultura contrária, da pechincha: sempre se quer pagar o mínimo possível e levar vantagem em todas as transações; além de haver sempre aquela desconfiança de que o outro está tentando levar vantagem sobre você, o que é uma lástima. E pior, não é incomum você ser mal visto aqui ao dar gorjeta, como se fosse um ato esnobe ou desnecessário.
    Até dar esmola é distribuir riqueza. Estranhamente, dar esmola ou "ajudar os pobres" dificilmente é visto como um ato esnobe ou desnecessário.
    As pessoas distribuem riqueza naturalmente, de acordo com suas visões de mundo e propensões e situações. Mas que isso seja feito voluntariamente.
  • Marcelo  29/11/2019 12:05
    Enquanto o monopólio gera pobreza, o livre mercado gera riqueza.
    Entretanto, o mercado não redistribui renda.
    Gerar renda e pulverizar riqueza basta para festejar o livre mercado.
    Não precisamos dourar a pílula.
  • Thiago  29/11/2019 12:46
    Mas, na verdade, distribui sim. E deixa bem igualitário. Só que, obviamente, a pessoa tem de saber usar toda essa distribuição, o que quase nunca acontece.

    www.mises.org.br/article/3010/apesar-do-que-dizem-os-pessimistas-a-riqueza-nunca-foi-tao-igualitaria
  • Nathan   29/11/2019 17:46
    Acho que um contraponto ao texto seria a questão dos fundos de investimentos e previdenciários. Uma vez que este processo de baixa de juros provavelmente está inflando uma bolha, quando tudo cair, os fundos sofrerão para honrar suas promessas aos investidores, isso se conseguirem. O resultado não será nada agradável para todos. Portanto, esse viés da "distribuição de renda" é bastante questionável.
  • Anderson  29/11/2019 19:16
    Ué, mas essa sua mesmíssima lógica também se aplica aos ricos que investem em ações e que perdem quase tudo quando a bolsa desaba. E aí? O que você depreende disso? Exato, nada.

    Outra coisa: fundos de investimento, para serem rentáveis, têm de investir em coisas que tragam retorno. Várias dessas coisas são atividades como as descritas no texto. Sendo assim, neste seu cenário de estouro de bolha, aconteceria exatamente o fenômeno descrito no artigo: redistribuição de renda de quem investiu para quem usufruiu os serviços criados.

    Ou seja, ao tentar refutar, você confirmou.
  • anônimo  30/11/2019 01:44
    Vamos continuar o raciocinio, meu caro;
    É verdade que em uma bolha eu usufruo dela, mas você está dizendo que a ma alocação de recursos vai melhorar a distribuição de renda;
    Será mesmo? E a queda da produtividade? E o desemprego que isso vai gerar quando colapsar?
    E as politicas governamentais posteriores, para salvar os amigos do rei em contato com os políticos?
    Ainda mais, os juros negativos Europeu, de fato, está provocando uma redistribuição de renda, para o governo;

    Com juros negativos e liquidez excessiva, os governos europeus estão postergando os ajustes fiscais com o dinheiro dos correntistas e dos poupadores, que estão enviando para seus titulos.

    Onde vai parar o quadro fiscal desses governos quando, e se, esse arranjo mudar?

    A Grécia não é os EUA; e está pagando juros negativos aos titulos;

    Essa liquidez é por meio da inflação, até onde eu me lembre, inflação redistribui renda dos mais pobres aos mais ricos (De fato eu terei acesso a emprestimos baratos porque tem liquidez excessiva, esse dinheiro, mesmo que não influencie nos preços gerais, vai retirar renda do trabalhador mais pobre para a Netflix);
  • Anderson  30/11/2019 02:23
    Imaterial. Se o objetivo é redistribuir riqueza -- e este é exatamente o tópico --, então sim, a bolha e seu subsequente estouro redistribuíram riqueza.

    Eventuais políticas que o governo irá adotar após isso já é outro assunto, mesmo porque não é obrigatório o governo adotar tais políticas. E, ainda assim, a realidade continua: houve redistribuição de riqueza.
  • Sandro Paiva  02/12/2019 23:43
    Uma consequência negativa, que a meu ver não foi contemplada neste artigo, é o fato dessas expansões a qualquer custo, tirar do mercado as micros, pequenas e médias empresas e consequentemente os empregos que elas geram.
  • Micro  03/12/2019 00:44
    "Tirar do mercado" como? A única maneira de uma empresa ganhar a fatia do mercado de outra empresa é oferecendo bens e serviços melhores a preços menores. E, ao fazer isso, ganham os consumidores. Com mais renda no bolso (porque os preços estão menores), sobra mais dinheiro para consumo e investimento. Empregos não são perdidos. Eles são apenas transferidos de um setor para outro.

    Já o seu mundo é um mundo estático que premia a ineficiência. Se há empresas que estão empregando mão de obra de maneira ineficiente (como no seu exemplo), então essas empresas estão destruindo recursos escassos. Elas irem à falência e liberar recursos escassos (inclusive mão de obra) seria uma ótima coisa para a economia.

    www.mises.org.br/article/2113/para-realmente-gerarem-valor-para-a-populacao-empresas-tem-de-ter-lucro

    www.mises.org.br/article/2804/o-objetivo-de-uma-economia-nao-e-nem-criar-empregos-e-nem-proteger-empregos


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