
Você é o sobrevivente de um naufrágio e está sozinho
em uma ilha. Não há nada pronto à sua disposição. Tudo o que você quiser
consumir você terá antes de produzir ou, no mínimo, coletar.
Subitamente jogado nesta situação, você terá de se
virar para encontrar alimentos e outros elementos da natureza que lhe permitam
construir um teto para se abrigar do frio da noite e da insolação do dia. Nada
surgirá pronto para você. Tudo terá de ser trabalhado e produzido.
Este cenário, embora com aspectos cartunescos, ilustra
uma realidade irrevogável: para você consumir algo, este algo tem antes de ser
produzido. Na ilha deserta, você tem de comer. Para comer, você tem antes de
pescar. Para pescar, você tem de aprender a pescar. Se não pescar, não terá
produzido nada. Como resultado, não terá nada para consumir.
Caso você estivesse com uma valise cheia de dólares
ou de ouro, nenhuma diferença faria. Caso você estivesse em companhia de outras
pessoas, e todas elas estivessem apenas pensando em como gastar esse dinheiro,
não haveria nenhuma melhora em termos de bem-estar. Aquela valise com dinheiro,
por si só, não teria absolutamente nenhuma serventia em fazer surgir bens e
serviços. Estes continuariam tendo de ser trabalhados e produzidos.
Eis uma realidade óbvia, mas que insiste em ser
ignorada por vários economistas: só conseguimos satisfazer nossas necessidades
se antes produzirmos algo.
Passemos agora ao outro lado.
No
mundo real
Eis um exemplo cotidiano.
Você vai ao supermercado e compra provisões e
insumos que irá utilizar para cozinhar. Só que, para poder fazer essas compras
no supermercado, você tem de pagar a conta. E, para poder pagar a conta, você tem
de ter uma renda. E, para ter essa renda, você teve de oferecer um produto ou
serviço no mercado.
Não há como escapar desta realidade. A menos que você
viva de doações caritativas (as quais, por sua vez, só foram possíveis porque os
doadores tinham renda), você tem de ter produzido algo para ter uma renda que então
será utilizada para bancar seu consumo.
Não há consumo sem renda. E não há renda se antes
não tiver havido produção.
Consequentemente, e agora expandindo o exemplo acima
para toda a economia, é impossível criar uma política de “estímulos a compras
nos supermercados”, de maneira contínua, se os consumidores não houverem antes produzido algo.
Igualmente, é impossível estimular compras no
supermercado se os produtores de alimentos não houverem antes produzido esses
alimentos que estão sendo vendidos no supermercado.
O que, finalmente, nos leva ao ponto principal:
mesmo se o governo simplesmente criasse dinheiro e repassasse para esses
consumidores, o problema da produção de alimentos continuaria inatacado. Afinal, quem irá produzir alimentos se o
governo está dando dinheiro para as pessoas e essas pessoas nada têm de
produzir em troca?
O eventual produtor de alimentos passaria a ser um escravo:
ele produziria alimentos e, em troca, nada teria para consumir, pois as outras
pessoas não estão produzindo nada. Elas estão apenas consumindo seus alimentos
e não estão oferecendo em troca nenhum bem ou serviço.
Desnecessário também enfatizar que esta política de
estímulo ao consumo irá inevitavelmente impulsionar a carestia: muitas pessoas
querendo consumir, poucas pessoas efetivamente produzindo. No final, termos
apenas preços mais altos e redução da produção total na economia.
Por isso, chega a ser espantoso que políticos,
analistas e até mesmo economistas ainda insistam, com tanta ênfase, na necessidade
de “estimular o consumo” para reativar uma economia estagnada.
A única maneira sensata de estimular o consumo é
aumentando a renda das pessoas. Mas a renda das pessoas só é aumentada se elas
aumentarem sua produção. Ou, no mínimo, se aumentarem o valor agregado desta
produção.
Estimular
o crédito é autoabortivo
Há vários economistas que defendem que o governo
deve estimular o consumo da população facilitando o crédito para as pessoas
(leia-se: aumentando o endividamento das pessoas).
Tal medida é claramente autoabortiva. Afinal, como
essas pessoas — que não estão aumentando sua produção — irão
quitar essa dívida?
Se um indivíduo aumenta seu endividamento, mas não
aumenta sua renda (ou seja, sua produção), ele não tem como quitar essa dívida.
(Até porque, caso as pessoas estivessem aumentando sua produção, então elas,
por definição, não precisariam de crédito artificial para aumentar seu
consumo).
No cômputo final, estimular o endividamento visando
ao consumo não gera aumento da produção.
Redistribuição
de renda é, na melhor das hipóteses, inócua
Há também economistas que defendem a ideia de que o
governo deve fazer uma redistribuição de renda para permitir o consumo dos mais
pobres.
Neste caso, além de o problema da produção seguir
irrevogável, o próprio consumo, por definição, não será estimulado.
Afinal, se o dinheiro é extraído de uma fatia da
população e repassado a outra fatia, isso não gera um aumento líquido do
consumo. João poderá consumir mais graças aos $ 100 que recebeu do governo, mas
Pedro consumirá menos porque agora tem $ 100 a menos por causa do aumento dos
impostos.
O mais irônico de tudo é que mesmo estes economistas
que querem estimular o consumo por meio da redistribuição de renda partem do
princípio de que já houve uma produção prévia (do contrário, nada haveria a ser
consumido). Portanto, eles até entendem a teoria; apenas não conseguem levá-la
adiante até suas conclusões inevitáveis.
Lógica básica
Essa idéia de “demanda insuficiente” é um
conceito que, em si mesmo, não faz sentido.
Por definição, nunca há um “problema de
demanda”. Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco
ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que
você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais
natural do ser humano. É impossível viver sem demandar.
Por isso, a ideia de que é necessário
“estimular a demanda” é completamente ilógica. A demanda é algo que
ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.
O problema não é e nem nunca foi “estimular a
demanda”. O real problema é que a demanda de um indivíduo é restringida
por sua capacidade de produzir bens e serviços.
Para demandar (bens e serviços), um indivíduo tem
antes de produzir (bens ou serviços) para auferir uma renda. Somente após ter
produzido, ele terá a renda necessária para demandar. Quanto mais bens ou
serviços um indivíduo for capaz de produzir, mais bens e serviços ele poderá
demandar, e consequentemente adquirir.
Logo, é a
produção de um indivíduo o que o capacita a pagar pela produção de outro
indivíduo. Quanto mais bens ou serviços um indivíduo produzir, mais bens e
serviços ele pode adquirir para si próprio. Assim, a demanda de um indivíduo é
restringida por sua capacidade de produzir bens ou serviços.
A demanda, portanto, não é algo
independente e autônomo. Não é algo que depende apenas de si próprio, podendo
ser livremente manipulado. A demanda é limitada pela produção.
Sendo limitada pela produção, é logicamente impossível querer “estimular a
demanda”.
Por conseguinte, o que impulsiona a economia não é a
demanda por si só, mas sim a produção de bens e serviços.
Se uma população de cinco indivíduos produz dez
batatas e cinco tomates, isso é tudo o que eles podem demandar e consumir. Não
há nenhum truque do governo ou do banco central que possa aumentar a demanda
efetiva. A única maneira de aumentar a capacidade de consumir é aumentando
a capacidade de produzir.
O fato de que a demanda depende da produção é uma
realidade que não pode ser abolida por meio de gastos governamentais ou de aumento
da quantidade de dinheiro na economia.
Aumentar os gastos do governo ou a quantidade de
dinheiro na economia não só não tem como alterar esta realidade, como ainda,
pelo contrário, irá desviar para o governo boa parte do que foi produzido e
elevar os preços dos produtos remanescentes no mercado. O produtor de batatas,
que precisa se alimentar de tomates para continuar produzindo, terá agora menos
tomates à sua disposição, e os preços serão maiores. O mesmo vale para o
produtor de tomates que se alimenta de batatas.
Consequentemente, com menos bens à venda e preços
maiores, o bem-estar dos produtores/consumidores será menor e eles terão de
arcar com preços de produção maiores, o que irá afetar sua capacidade de
produzir mais bens e serviços. Tudo isso irá enfraquecer a demanda efetiva.
Conclusão
O problema não é e nem nunca foi “estimular a
demanda”. O grande problema sempre foi criar renda. E, para se
criar renda, é necessário antes haver produção.
É exatamente a produção (oferta) o que permite a
demanda.
Para entender este básico nem sequer é necessário
ler tratados de economia. Apenas volte ao exemplo em que você é um náufrago em
uma ilha: há ali um problema de demanda ou de oferta? Como você pode aumentar
seu consumo? Se você tivesse uma valise cheia de dinheiro, haveria aumento de
seu consumo?
Trata-se de uma realidade incontornável: não é
possível aumentar o consumo sem antes haver um aumento da renda. E para haver
renda é necessário haver produção. E para que haja um aumento da produção é
necessário um ambiente que seja propício à produção.
Por isso, o que é necessário para reativar uma
economia estagnada não é estimular a demanda, mas sim dar liberdade para a
produção (criação de oferta). Isso inclui desburocratizar, desregulamentar e
reduzir impostos (o que implica a necessidade de reduzir gastos do governo),
pois apenas isso irá permitir que os verdadeiros criadores de riqueza reativem
a economia em decorrência de terem mais liberdade para empreender, produzir e
gerar riqueza.
Acima de tudo, inclui não fazer uma política
monetária expansionista e não aumentar os gastos do governo — com efeito,
inclui fazer uma política monetária austera e cortar os gastos do governo
(vide, novamente, o exemplo dos produtores de batatas).
Quem defende “estimular a demanda” deve, por definição,
defender que seja facilitada a capacidade da economia de produzir bens e
serviços. Isso, sim, é promover o verdadeiro crescimento econômico.
Eu fui vítima do engodo. O estímulo ao consumo no governo Dilma deixou a minha margem consignável praticamente estourada.
Como é difícil entenderem esse básico…
No meu entender, políticas redistributivas podem aumentar o consumo porque os mais pobres têm maior propensão ao consumo do que os mais ricos, que têm mais propensão à poupança. Vide o sucesso do Programa Bolsa Família no Brazil.
Abraços.
O artigo é quase que um desenho de tão explicado.
A economia só pode crescer com concorrência. Ou seja, produzir mais com menos dinheiro.
Só a concorrência pode aumentar o consumo, porque ao fazer com que ocorra um aumento na quantidade de produtos fabricados, ela aumenta o poder de compra de cada unidade monetária.
A inflação monetária afeta negativamente a quantidade de produtos que podem ser comprados pelos consumidores. Não tem como alguém comprar mais coisas se os preços não param de subir por causa da inflação monetária.
Da mesma forma, querer aumentar gastos para curar uma crise que foi causada por excesso de gastos é como dizer que um carro sem freio precisa acelerar mais em uma ladeira para conseguir fazer a próxima curva.
Por fim, não adianta expandir crédito se o salário das pessoas não acompanha a inflação. No final, a pessoa estará endividada sem capacidade de pagamento.
Um bom exemplo é o programa “Minha Casa Minha Vida”. O governo estimulou o endividamento das pessoas (de baixa renda) para comprar casas (um bem de consumo). O que isso gerou?
O preço dos imóveis simplesmente triplicou, tornando o preço dos lotes ou terrenos praticamente inalcançáveis para os mais pobres, exatamente aqueles que supostamente estavam sendo ajudados. E os que perderam seu emprego ficaram sem renda, endividados e ainda perderam o imóvel, pois não quitaram suas parcelas.
Na faculdade eu aprendi essa bobagem de “deficiência da demanda”. Se você parar para pensar, a coisa desafia o bom senso. O propósito de se ter preços em qualquer coisa é justamente haver um mecanismo de racionamento. Se a demanda fosse um problema então não mais precisaríamos desse mecanismo de racionamento! E a “demanda insuficiente” estaria resolvida!
Preços existem justamente porque nossas demandas são infinitas, mas os recursos para saciá-las são escassos. Isso é o básico do básico.
Por isso, não tem como existir um problema de demanda, mas sim de oferta. Qualquer economista minimamente sensato deveria saber disso.
O mises tem alguma posição sobre a LGPDP que irá causar um certo impacto nos procedimentos internos de quase todas as empresas do país?
Excelente texto. Mais explicado que isso, só lendo duas vezes.
Sobre o assunto:
“How an Economy Grows and Why It Doesn’t” do Irwin Schiff
freedom-school.com/money/how-an-economy-grows.pdf
Ainda que só marginalmente, o artigo toca no ponto principal do capitalismo, que é a produção prejudicada pelo governo.
Se a produção é prejudicada, nossa situação fica como um náufrago em uma ilha. Ao invés de usar um carro, teremos que ir a pé. Ao invés de almoçar em um restaurante, teremos que cozinhar nossa própria comida. Se não tem uma máquina de lavar roupa, teremos que lavar roupa no tanque.
Hoje, o Brasil ainda está colhendo tudo o que plantou no passado. O país fez uma farra extorquindo empresários e privilegiando o consumo. Sempre deram descontos em impostos indiretos em alguns produtos e ao mesmo tempo colocaram até 36% sobre a renda. Enfim, o governo fez um massacre contra o lucro das empresas.
Por tudo isso, vejo com bons olhos a MP da liberdade econômica. Embora longe do ideal (mas nada é ideal), ao menos retira um pouco dos grilhões de quem quer produzir e gerar renda.
É uma coisa tão básica de se entender que poderia ter evitado tantas crises desse século…
“Estimular o crédito”, “aumentar o consumo das famílias”. Perdi a conta de quantas vezes já ouvi isso da bova de bu(r)rocratas.
Excelente esse artigo! De que adianta estimular a demanda oferecendo crédito ou incentivo fiscal se o dinheiro, na verdade, é só um mediador imaginário de uma coisa (e várias) real que é a produção/demanda ? No caso em questão, o que vale é a produção, ou seja, eu não ficaria chocado se alguém me dizer que num país as pessoas ganham apenas 2 dólares por dia, já que dependendo da abundância da produção as coisas por lá podem custar centavos….incentiva a demanda incentivando a produção que incentivará a outra demanda e assim vai…
Off topic:
Uma feira municipal representa muito mais o genuíno capitalismo do que os rincões de Wall Street.
É bizarro como inúmeros economistas heterodoxos do campo da esquerda utilizam como argumento para estimular a demanda, as conclusões do FMI acerca da crise de 2008. Antes a instituição representava um dos tentáculos do imperialismo ianque, agora corporifica um argumento de autoridade por parte da turma da Unicamp, principalmente. Fala sério.
Se os keynesians tivessem conhecimento da lei de Say, e Keynes não a tivesse deturpado, esse artigo em forma de desenho não seria necessário…
Pessoas da Internet, um rapaz fez esse comentário desse rolo ambientalista que está acontecendo no Brasil (em um grupo onde sou moderador), e gostaria de saber a opinião de vocês e se faz sentido:
“Todo esse escândalo, sobre o corte do repasse alemão para um fundo de preservação que ninguém sabia da existência, prova o que estou falando.
O “Fundo Amazônia” foi criado durante o governo Lula, para captação de recursos a serem usados no combate ao desmatamento. O principal doador, com 93,8% dos valores, é a Noruega. A mesma Noruega cujo governo é sócio majoritário da MINERADORA HYDRO, que atua na região amazônica, responde a mais de DOIS MIL PROCESSOS por crimes ambientais (entre eles um vazamento de lama tóxica no estado do Pará) e deve mais de 14 MILHÕES, em multas, ao governo Brasileiro.
Ou seja, é apenas um ‘carnê de prestações’ para a VENDA DAS RIQUEZAS NACIONAIS, camuflado com o manto do preservacionismo progressista.
Primeiro, vale lembrar que a lei de uso do solo, na região amazônica é uma das mais restritivas do planeta. Enquanto no Sul e Sudeste a propriedade deve manter 20% de mata nativa, no Norte a exigência é 80%.
Ou seja, uma propriedade de 100 hectares pode cultivar somente 20. Desmatar estes 20, porém, é ABSOLUTAMENTE LEGAL (além de necessário, afinal, ninguém faz fotossíntese, portanto, precisamos de alimentos).
É EXATAMENTE essa a discussão sobre os dados do INPE. Quando o órgão divulgou aquela prévia, referia-se ao DESMATAMENTO TOTAL, verificado por imagens de satélite.
Faz-se necessária, então, a confirmação de que este desmatamento REALMENTE é ILEGAL. Não, apenas, áreas agricultáveis PREVISTAS NA LEI.
A divulgação prematura foi TOTALMENTE IRRESPONSÁVEL e o presidente está coberto de razão em questioná-los. Um órgão público, mais do que qualquer outro, deve ter COMPROMISSO COM A VERDADE.
O chilique europeu, com a exigência de confirmação do governo, não passa de um teatrinho mambembe.
Tem que ser MUITO INOCENTE para acreditar que a Europa, que devastou quase a totalidade de sua vegetação nativa, está preocupada com o desmatamento da Amazônia, que em 519 anos foi de apenas 8%.
Sim, amiguinho ecochato, 92% da floresta está ABSOLUTAMENTE INTACTA, desde o descobrimento.
O que interessa para os gringos é o que está DEBAIXO DO SOLO. É a exploração dos BILHÕES DE DÓLARES em recursos naturais, dentro do território brasileiro. EXATAMENTE como faz a “benevolente” Noruega, com sua mineradora criminosa.
Se estivessem preocupados com árvores, com todo o dinheiro gasto aqui, já teriam reflorestado metade do velho continente. O que, sabemos, não é o caso.
ECOLOGIA COISA NENHUMA. O problema deles, com Bolsonaro, é ECONOMIA.
O presidente tirou a placa de “vende-se” da nossa floresta tropical e os “donos do mundo”, que há anos leiloavam suas riquezas, ficaram putos da vida.
Só isso. Nada mais! “
Leandro, como o Brasil vai ser atingido com essa nova recessão ao redor do mundo?
A “demanda insuficiente” pode ser entendida no contexto da teoria do desequilíbrio monetário.
Banco Central é planejamento central do dinheiro.
Planejamento central leva a ciclos de desabastecimento e superprodução.
Desabastecimento de dinheiro é algo que pode acontecer. O nível geral de preços não se ajusta instantaneamente. Renegociar salários pra baixo é difícil quando não é ilegal, e as vezes a pessoa só aceita um salário menor depois de passar pelo desemprego. Preços dependem do reajuste de salários. O crédito, quando tem correção monetária, só se ajusta depois dos preços, ou depois de uma liquidação/reestruturação se não tiver a correção monetária embutida.
Você pode ter pessoas desempregadas, capital desempregado e terra desempregada que não se conectam por falta de um papelzinho (mas um papel com uma promessa confiável por trás).
É melhor fornecer o dinheiro a mais que o mercado quer do que ficar esperando uma utopia de reajuste instantâneo de preços. Economia de mercado requer um sistema de preços, mas também requer uma certa estabilidade para as pessoas poderem fazer planos — longo prazo mas também curto e médio prazo.
Mas se for planejado centralmente, sempre vai ter erro na dose.
Sobre medidas do atual governo: o que significa a manchete?
“Governo pretende autorizar concessionárias a pagar tarifas em dólar”
"Quando o câmbio flutua para o investidor estrangeiro que traz seus recursos em dólares, ele busca algum mecanismo de proteção porque as concessões são feitas com tarifas em reais. Como sai todo mundo ganhando, o custo do capital pra financiar esses projetos começa a cair. Esse é o caso de muitas das obras de infraestrutura no interior do país para escoamento de commodities."
Sobre medidas do atual governo: o que significa a manchete?
“Governo pretende autorizar concessionárias a pagar tarifas em dólar”
"Quando o câmbio flutua para o investidor estrangeiro que traz seus recursos em dólares, ele busca algum mecanismo de proteção porque as concessões são feitas com tarifas em reais. Como sai todo mundo ganhando, o custo do capital pra financiar esses projetos começa a cair. Esse é o caso de muitas das obras de infraestrutura no interior do país para escoamento de commodities."
Pronto começou o vitimismo, é o fim do mundo, um país de marmanjos e marmanjas que se comportam financeiramente como crianças mimadas que acabaram de ganhar mesada pra gastar no shopping.
Pegaram dinheiro que não eram de vocês, a juros imorais, agora se virem com suas dívidas.
Mas a economia brasileira apresenta altíssima ociosidade e elevado desemprego. Então como não é falta de demanda? Com a crise fiscal, o setor público passou a conter fortemente gastos, fora que o BNDES saiu de cena, e o setor privado não preencheu o espaço deixado por aquele.
Err, em partes faz sentido.
Mas, quando falam em “redistribuição de renda” falam em dar um mínimo para a pessoa ter com o que se sobreviver.
Não estamos falando de produtos caros, e que já não sejam produzidos em larga escala.
Imagino que devem pensar assim:
Se a renda está na mão de 10 pessoas e 50 não tem nada, jogando um pouquinho na mão dessas outras pessoas, o consumo de itens básicos irá subir, subindo a produção, gerando emprego, mais impostos etc.
Mas na prática, não é assim, pois depende de diversos fatores e riscos para quem produz;
Análisar se a demanda não é temporária, se vale a pena investir em insumos para aumentar a produção, vontade de produzir mais…
Se empresa optar por não investir no momento, e esticar 1 ano para ver se a demanda é constante, governo não pode esperar tudo isso, fazem as medidas para ontem, o que gera a escassez de produtos, gerando inflação.
Tudo depende do ser humano, de diversos fatores e vontades alinhados para querer que algo aconteça.
“O real problema é que a demanda de um indivíduo é restringida por sua capacidade de produzir bens e serviços.” Beleza, então estou na tal ilha hipotética e surge a demanda por abrigo e alimentos. No entanto nessa ilha não há insumos e muito menos materiais para confecção de abrigos e equipamentos de caça, logo minha capacidade de produzir bens e serviços é nula. Mesmo assim a demanda inicial continua existindo independentemente da minha capacidade de produção.
Segundo o autor do artigo: “A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.”
Se a demanda ocorre NATURALMENTE, ocorre independente da minha capacidade ou não de satisfazê-la.
Sendo assim, o real problema é que a SATISFAÇÃO da demanda de um indivíduo é restringida por sua capacidade de produzir bens e serviços.
As consequências de se defender a restrição da demanda pela capacidade de produção será que, ao operário sempre será vedado demandar por mais bens e serviços porque estes tem capacidade muito reduzida e restrita de produção.
Pessoal, o que vocês pensam sobre DAY TRADE? Estou começando a me interessar e vejo que é possível surfar na onda de valorização da Bovespa (esse ano entre as bolsas mais valorizadas do mundo)…
Não penso em ganhos diários, mas sim mensais, sem ansiedade, tiro no escuro e sem milagres.
Quem vocês recomendam pra seguir e estudar? Tem muito falastrão nesse meio, preciso de referência e todo meu conhecimento economico advém do IMB…
Forte Abraço
Leandro, o que é exatamente a formação bruta de capital fixo? Como ela interfere na economia de certo país?
Leandro, vi hoje essa postagem no perfil oficial do Jair Bolsonaro, onde:
“- A Caixa Econômica Federal lança novo plano para compra da casa própria, diminuindo os juros para os compradores;
– No final, teremos uma redução de 30% a 50% nos valores das prestações mensais.”
Vi essa notícia também. O que isso irá causar à economia brasileira? Externalidades positivas?
Os keynesianos desenvolvimentistas precisam entender isso:
“A demanda humana é, por si só, algo infinito. Ela não precisa ser estimulada para passar a existir. Suponha que você queira um carro novo, mas perde seu emprego e decide postergar a compra. Será que o seu desejo (ou demanda) pelo carro diminuiu como resultado de seu desemprego? Se você for como a maioria das pessoas, você continua desejando aquele carro com a mesma intensidade de antes, mas talvez irá decidir não comprá-lo por causa da redução da sua renda. Não é que você não mais queira o carro (se alguém lhe oferecer o carro com um desconto de 90%, você muito certamente irá comprá-lo); a questão é que você perdeu a capacidade de adquirir o carro dado o seu preço e a sua agora reduzida renda.”
Li o artigo e depois fui aos comentários. Gostei de ler como há defensores e detratores de qualquer posição que se tome em termos de ação no mercado. Achar que o consumo assegura a prosperidade sem que para esse consumo haja o suporte de uma renda e para essa renda haja o suporte de uma produção é uma falácia utópica digna do socialismo mais canhestro do mundo. Por outro lado, temos o idiota redistributivista que acha que taxando pesadamente o consumo de bens de luxo por parte dos ricos vai ajudar os de menor renda; não vai! Um amigo meu dizia que se o rico for inibido por uma taxação excessiva ele simplesmente não compra, e quem fica sem emprego é o trabalhador que produzia o que o rico poderia comprar. Se o rico não puder comprar um Mercedes ou Porsche ou Masseratti vai comprar um carro popular, e quem perde o emprego é o montador da Mercedes, o trabalhador da fábrica de componentes usados no Mercedes e assim por diante. Por outro lado, o carro popular vai ficar tão caro quanto um Mercedes. Esse pessoal utopista deveria ler Fred Hirsch, “Limites Sociais do Crescimento”, para entender a diferença entre bem material e bem posicional.
Se um indivíduo aumenta o seu consumo por meio de endividamento, em especial se for continuamente, ele logo terá que reduzir o seu consumo mensal para menos do que era antes.
E se uma nação inteira fazer isso, logo teremos uma recessão.
* * *
Nunca mais esquecerei essa lição espalhada mil vezes por esse artigo” Ao comprar no supermercado(consumir) você precisa pagar, e para pagar você precisa ter uma renda e para ter uma renda você precisa oferecer bens e serviços”(ofertar).
O artigo é bastante lógico, porém descordo parcialmente. Existe sim a possibilidade de aumentar a demanda sem necessariamente elevar a produção; estimulando a demanda reprimida. Pessoas que já produziram, auferiram renda mas não converteram as respectivas rendas em demandas por bens e serviços. Sob esse aspecto existe uma concentração de renda com potencial de gerar demanda. Nesse caso a questão a ser resolvida é de estímulo à conversão de renda retida em demanda. Certamente não é através do crédito.
“Teto de gastos é ‘apenas um símbolo’, afirma Guedes”
Olhando esse trecho abaixo:
“‘A prova é que se fôssemos respeitar o teto, [2020] teria sido uma tragédia econômica e sanitária mais agravada. O teto é um símbolo de um sistema político que ainda não conseguiu assumir a responsabilidade pelo orçamento'”
Dá para concluir que ele não leva tão a sério a responsabilidade fiscal.
E pensar que até o secretário do AMLO (Arturo Herrera; Obrador é abertamente de esquerda) é mais austero. Até o governo do Morales teve superávit orçamentário e redução da dívida. Dá para acreditar nisso?
Alguém me fale o porquê de o Brasil querer ser diferente entre a América Latina. Hoje eu vi uma entrevista (um pedaço) com o Milton Ribeiro (ministro da Educação) e ele disse que aqui há 38 institutos federais e 69 universidades federais. No ano passado, teve cortes em várias coisas, mas no funcionalismo em si, não dá para cortar, mesmo daqueles que não trabalharam (porque teve universidade que nem EAD teve). Segundo a Constituição, é melhor ficar sem energia elétrica na universidade do que cortar 10 % de salários do funcionalismo.
Se o produtor não consegue vender o que produz, ele vai ter que parar de produzir e demitir funcionários. O produtor tem que vender o que produz. Por isso, o governo estimula a demanda.
Vendo esse vídeo do Ancap.SU sobre a reação do mercado à PEC dos Precatórios, o que vocês acham que aconteceria se a PEC não passasse de jeito nenhum? O Peter errou em uma coisa: o dólar se fortaleceu após essa divulgação dos dados de inflação dos EUA, porque isso criou uma expectativa de que o Fed tenha de ser mais falconista do que o previsto. Parece paradoxal, mas é assim que funciona na moeda americana. Aqui não tem essa moleza. A política monetária do Fed está entre as piores hoje do mundo, só perde para a do Banco Central Europeu, que não eleva os juros desde o início de 2011. Uma anomalia inédita essa história de juros negativos.
Como vocês veem isso?
Hoje o DXY quase chegou nos 96 pontos, seguindo a alta de ontem. Juros longos subiram também. Como componentes, os dados do varejo melhores do que o esperado cria a percepção pelos agentes de que o Fed pode antecipar a sua política falconista.
Tinha gente achando que com o Biden, logo o dólar iria afundar que é uma beleza. Mas as coisas não são assim. Claro, aquele DXY de 120 no começo dos anos 2000 é pouco provável de vermos novamente, mas também por que ele cairia para abaixo de 80, como nas aventuras militares do Bush? Entre os burocratas do Fed, eu ainda não vi nenhum falando em defesa de dólar forte. O que vi foi a Yellen falando que eles não estão buscando um dólar fraco como meta, isso no começo de 2021.
Como fatores domésticos, hoje o BCB divulgou o IC-Br de setembro, com uma retração de – 0, 27 %, criando a percepção de que os juros altos podem retardar a retomada econômica, assim como a inflação. Como não conheço muito bem esse índice, não sei se é uma contração muito forte ou não, embora me lembre o ano de 2019.
Deve ser muito fácil a vida do presidente do Fed. Só falar que vai começar a pensar em reduzir estímulo mais cedo do que o planejado, pronto, o DXY sobe, com menos pressão sobre os preços. Se vem uma recessão americana, fogem para o dólar. Se dá um pânico na China, fogem para o dólar…
jura? obrigado pelo pronto atendimento
http://www.istoedinheiro.com.br/ministerio-da-economia-eleva-projecao-para-ipca-de-2021-de-790-para-970/?fbclid=IwAR08OpqbIn31oSzmYf3gCT0opssQnnvmr4hlg3-D7Ry3QFp6tcpFtDfF8Vc