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Em junho de 1989, a Polônia se libertava do socialismo

Já faz um bom tempo que a Polônia não frequenta os noticiários internacionais, e isso é sinal de que as coisas estão calmas nesta nação da Europa Central (eles não gostam de ser chamados de Leste Europeu). 

No entanto, durante toda a década de 1980, a Polônia foi uma fábrica contínua de notícias. Foi o país mais expressivo e agitado por trás da Cortina de Ferro.

Hoje, a Polônia é uma vibrante economia de mercado, cujas condições de vida não estão distantes daquelas da Europa Ocidental. Os supermercados e as lojas de departamentos, que estão em todos os cantos, são repletos de bens variados e oriundos de todos os cantos do mundo. As cidades ostentam grandiosas e modernas edificações. Há até mesmo novas igrejas sendo construídas — algo proibido sob o regime comunista. 

Todas as fachadas antigas e decrépitas da era comunista foram renovadas, e aquele antigo e lúgubre cinza foi substituído por cores mais vibrantes. Os problemas de transporte estão praticamente resolvidos. As rodovias são novas e modernas, e suplementam um excelente sistema ferroviário.

Restaurantes sofisticados, cafés badalados, e restaurantes para almoços prosaicos estão por todas as partes. 

Se, há 35 anos, turistas estrangeiros eram algo raro até mesmo na bela Cracóvia e seus locais tombados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, hoje você os vê rotineiramente nas principais cidades do país.

Os poloneses já se acostumaram a viver com todos os luxos que o capitalismo pode oferecer, como apartamentos e imóveis prontamente disponíveis. Bens como automóveis, televisores de plasma, smartphones, notebooks etc. estão disponíveis para todas as classes sociais.

Porém, as coisas eram totalmente distintas na década de 1980. Pronta disponibilidade de bens era algo inimaginável. Fartura era algo fictício. Penúria era a regra. 

No aniversário de 35 anos do fim do socialismo, vale a pena fazermos uma breve viagem no tempo e voltarmos à Polônia da década de 80. A história não deve ser esquecida.

O cenário de fundo

Ao final da década de 1970, a economia polonesa estava em convulsão. O governo estava completamente endividado em decorrência de vários empréstimos externos, e, tendo de arrecadar os fundos necessários para pagar os encargos de sua dívida, ele optou por aumentar os preços de vários produtos. Isso foi o estopim para uma série de greves de trabalhadores. 

Um pouco antes, em 1978, um papa polonês foi eleito em Roma. Seria o primeiro papa não-italiano desde Adriano VI, que morreu em 1523. Em junho de 1979, João Paulo II (Karol Józef Wojtyla) fez sua primeira visita à Polônia já como sumo pontífice. Celebrou uma missa na Praça da Vitória perante uma multidão de 3 milhões de poloneses. 

Ali estava um homem que havia sido criado sob um regime nazista e que havia sobrevivido ao comunismo. Já não era segredo para ninguém que aquele papa desprezava o comunismo e iria fazer de tudo para solapar este regime na Polônia. 

Esta viagem à sua Polônia natal — um franco desafio ao regime comunista — elevou o espírito da nação, algo que culminaria, no ano seguinte, na formação de um movimento abertamente anticomunista formado por trabalhadores e operários.  

Tudo começou com uma greve geral em Lublin, em julho de 1980. Mas foi em meados de agosto que manifestações no estaleiro de Gdansk deram origem a uma série de greves que praticamente paralisaram toda a costa báltica. Pela primeira vez na história, quase todas as minas de carvão da região da Silésia foram fechadas. 

Os representantes dos grevistas no estaleiro de Gdansk, liderados por um eletricista chamado Lech Walesa, assinaram o Acordo de Gdansk, prometendo ao governo que acabariam com as greves se o governo socialista garantisse o direito dos trabalhadores de formar sindicatos independentes e também chancelasse o direito à greve. 

Após um bem-sucedido acordo — nesta que havia sido a maior confrontação trabalhista da história da Polônia –, movimentos sindicais organizados começaram a ser formar ao longo de todo o país.

No dia 17 de setembro de 1980, todos os sindicatos se reuniram em Gdansk e decidiram formar uma única organização sindical nacional chamada de Solidariedade.

Tal liberdade, obviamente, desagradou Moscou, que, em fevereiro de 1981, elevou o general Wojciech Jaruzelski, então Ministro da Defesa, ao cargo de primeiro-ministro. Veterano da Segunda Guerra, sua prioridade era recorrer à força bruta para arrefecer as manifestações que irrompiam por todos os cantos do país.

Já em março de 1981, na cidade de Bydgoszcz, três ativistas foram espancados pela polícia secreta. Como consequência, uma “greve de advertência” comandada pelo Solidariedade — que a esta altura já era formado por 9,5 milhões de poloneses — voltou a paralisar todo o país, e com o apoio maciço da população. Os soviéticos já estavam perdendo a paciência.

Em setembro de 1981, em Gdansk, o Solidariedade fez o seu primeiro congresso nacional, e Walesa foi eleito líder nacional do movimento e imediatamente fez um apelo a todos os outros países do Leste Europeu para que seguissem os mesmos passos do Solidariedade. 

Para Moscou, o congresso havia sido uma “uma orgia anti-socialista e anti-soviética“. Os líderes comunistas da Polônia, comandados por Jaruzelski, estavam prontos para utilizar de violência para conter o movimento.

Em outubro, Jaruzelski foi nomeado Primeiro-Secretário do Partido Comunista, uma ascensão atípica para um militar no mundo comunista. Jaruzelski exigiu que o parlamento proibisse as greves e o concedesse poderes extraordinários. 

Em dezembro, o regime declarou lei marcial, e as tropas paramilitares ZOMO foram utilizadas para esmagar o Solidariedade. Praticamente todos os líderes locais e vários intelectuais afiliados ao movimento foram detidos e encarcerados. Nove foram assassinados na mina de Wujek. Após este ataque do governo, os agitos no país diminuíram. Embora reduzido a apenas alguns poucos milhares, o Solidariedade continuou na ativa, só que agora clandestinamente.

A rotina dos poloneses

O controle do Partido Comunista parecia inquebrantável. Tudo indicava que a Polônia ainda teria de viver sob este regime por vários anos vindouros. 

Mas como era a vida sob este regime? Quais eram as características desta rotina que fizeram com que a população polonesa ansiasse tanto por uma mudança?

O padrão de vida geral da população era desolador, assim como nos outros países sob a esfera soviética. A combinação entre escassez geral de produtos e métodos de distribuição totalmente ineficientes fazia com que o simples ato de ir às compras em busca de produtos básicos fosse uma experiência agonizante — mesmo quando havia produtos nas prateleiras.

Os bens de consumo se limitavam quase que exclusivamente a produtos de baixa qualidade fabricados no Leste Europeu. Simplesmente não havia produtos ocidentais, exceto nas lojas especiais da Pewex, que aceitavam apenas dólar ou marco alemão, e a preços muito acima das posses de um polonês médio.

Com a imposição da Lei Marcial, as coisas pioraram bastante. Longas filas se formavam quando produtos essenciais — como papel higiênico, xampu, lâmpadas, chá, café, utensílios domésticos, queijo, guardanapos, sapatos e roupas íntimas — apareciam nas lojas. O simples ato de fazer compras era um exercício diário que envolvia perambular pela cidade à procura de alguma loja que tivesse estoques e, caso a procura fosse bem-sucedida, entrar em uma longa fila de espera. 

E, dado que a maioria das mulheres polonesas tinha um emprego, o fardo extra de ter de fazer compras em tais condições era enorme, gerando uma grande taxa de absenteísmo e significativas dificuldades em cuidar dos filhos e em dar conta das tarefas domiciliares.

Um polonês jamais saía de casa sem estar carregando uma sacola de compras. Vai que inesperadamente ele encontrasse uma lojinha com produtos à venda e ele tivesse a rara oportunidade de poder comprar alguma coisa…

Em Varsóvia, a situação era menos desesperadora. Como o Partido Comunista tinha suas bases na capital, ele conseguia manipular as coisas de modo a garantir um suprimento mais generoso para a cidade. No entanto, em uma cidade mais afastada — como Breslávia (ou Wroclaw), que é grande e está localizada no sudoeste da Polônia –, a situação era igual à do resto do país. Uma ida ao Centrum, que então era a maior loja de departamentos da cidade, era algo que hoje parece um pesadelo. 

Havia pouquíssimos produtos disponíveis e, mesmo assim, uma multidão de pessoas se aglomerava nos corredores. Filas de centenas de pessoas se formavam em frente aos poucos balcões que ainda tinham produtos disponíveis. Aquilo que em outras épocas foi a seção de tecidos da loja havia se transformado em um mar de vazias e inúteis mesas de medidas. Seis ou sete ternos amarfanhados estavam disponíveis na seção masculina em meio a filas de cabides vazios. A seção de esportes tinha apenas dois itens: pneus de bicicleta e botas de ski.

Cartazes escritos à mão ao longo dos corredores da loja ilustravam a triste situação. Na seção de sapatos masculinos, onde em outras épocas havia centenas de diferentes pares e agora estava sempre vazia, um cartaz dizia que “149 pares serão vendidos hoje”. Outro cartaz anunciava que “Nenhum tapete será vendido hoje”. 

Em frente aos poucos aspiradores de pó ainda disponíveis na seção de eletrodomésticos, um cartaz dizia “Somente para Agricultores”. O governo vinha tentando motivar os agricultores a produzir mais comida, e imaginou que poderia criar tal estímulo reservando somente para eles os bens de consumo mais desejáveis.

Em determinadas ocasiões, as pessoas eram obrigadas a efetuar grandes façanhas para obter itens totalmente simples. Quando alguma loja anunciava que estava vendendo máquinas de costura, pessoas de todos os cantos da Breslávia corriam para lá. De início, era necessário ficar um dia e meio em pé na fila apenas para colocar seu nome em uma lista de compradores interessados. Depois, durante três ou quatro dias consecutivos, você tinha de ir à loja três vezes por dia apenas para estar presente à chamada que os burocratas faziam para verificar os nomes da lista. Cumprida esta tarefa, todos eram instruídos a voltar dali a duas semanas, que seria quando as máquinas estariam disponíveis — e ainda assim não havia nenhuma garantia de que as pessoas na lista realmente conseguiriam uma máquina de costurar. 

Era comum alguns produtos irem parar nas mãos de amigos do burocrata encarregado de administrar a loja. Ou nas mãos de alguns membros do Partido.

Porém, dentre todos os martírios e provações que o consumidor polonês tinha de enfrentar, a busca por comida certamente era o mais humilhante e deprimente de todos. Um popular supermercado da Breslávia, que gozava a reputação de estar sempre bem suprido, tinha em suas prateleiras pão, biscoito-de-água-e-sal, dois tipos de pimenta, sal, farinha, macarrão, picles, açúcar, latas de ervilha, e água mineral. A seção de hortifruti tinha batatas, cebolas, beterrabas, cenouras, alho e alface estragada. A seção de laticínios tinha queijo branco e ovos. Carne era disponibilizada apenas para quem apresentasse todos os devidos cartões de racionamento. Este era todo o estoque do supermercado. 

Quando chegava algum carregamento de coisas mais saborosas, como geléia, iogurte ou pudim, tudo se esgotava em menos de uma hora. Em determinadas ocasiões, se você madrugasse em frente à porta do supermercado e estivesse com sorte, conseguiria comprar um pouco de leite.

Quem tinha mais tempo disponível podia perambular pela cidade à procura de lojas menores que porventura vendessem alguns itens adicionais. Havia pequenas feiras ao ar livre que vendiam alguns vegetais. O difícil era conseguir criar uma dieta mais apetitosa e variada tendo pouquíssimas opções. Frutas, em especial, eram um problema. As únicas que estavam sempre à venda eram as maçãs. De vez em quando, surgiam alguns limões. Laranjas e bananas eram importadas somente em feriados.

Comprar gasolina era outra dor de cabeça. Os consumidores iam ao posto, passavam o dia todo dentro do carro esperando na fila, deixavam o carro lá durante a noite, voltavam no dia seguinte e continuavam na fila, até o momento em que conseguissem um pouco de gasolina. E isso se o posto de gasolina ainda estivesse operante no dia seguinte — era comum eles simplesmente fecharem da noite para o dia e não mais abrirem.

A opressão diária não terminava aí. A escassez de apartamentos levava os jovens à beira do desespero, pois tinham de esperar 10 anos ou mais até o governo disponibilizar um mísero espaço em um apartamento apertado. Casais de meia idade e com filhos ainda moravam com os pais enquanto aguardavam seus nomes serem chamados na lista de espera dos apartamentos. Por outro lado, quem se filiava ao Partido rapidamente conseguia um alojamento.

As construções eram uniformemente funcionais, cinzas, sombrias, monótonas e repulsivas. Vários prédios começavam a se esfacelar tão logo ficavam prontos. O uso do carvão como fonte de energia jogava uma película escura sobre as cidades, tornando-as ainda mais melancólicas

O transporte público era apenas utilizável, e isso já bastava para que ônibus, bondes e trens estivessem sempre entupidos de gente. A lista de espera para comprar um carro demorava anos e o automóvel quase sempre era um exíguo e fraco Fiat polonês. Os limpadores de pára-brisa tinham de ser trancados dentro do carro, pois eram o alvo preferencial dos ladrões. Acessórios automotivos, por serem muito raros, eram muito valiosos na Polônia.

Uma coisa, no entanto, era verdade: os países do bloco soviético usufruíam pleno emprego. Bom, “usufruíam” é um termo incorreto. Quando você trabalha muito e não pode comprar nada, ou não tem a liberdade de usar os proventos do seu trabalho, você vive sob um regime de semi-escravidão. Na Polônia, o pleno emprego produzia apenas um crônico excesso de mão-de-obra mal paga e pessimamente utilizada. Praticamente todos os empregos eram enfadonhos e frustrantes. 

Os gerentes das lojas e as pessoas que trabalhavam em restaurantes e no sistema de transporte simplesmente não tinham nenhum incentivo para serem solícitos ou mesmo gentis com os clientes. O cliente era apenas um estorvo, e eles não ganhavam nada nesta interação. O serviço prestado era ou ríspido ou apático. 

Profissionais de todas as áreas tinham de lidar com a escassez de equipamentos. Professores da prestigiosa universidade técnica da Breslávia zombavam da ideia de que conseguiriam fazer alguma pesquisa séria na Polônia. Eles passavam todo o seu tempo livre escrevendo propostas para serem aceitos em universidades ocidentais, onde havia ampla disponibilidade de materiais e equipamentos sofisticados.  

A burocracia paralisava todas as transações, e impossibilitava até os mais simples pedidos. Viajar para o exterior era algo extremamente restringido. Televisão, rádio e mídia impressa eram, obviamente, atividades efetuadas exclusivamente por pessoas sob o controle do Partido, dentro da Polônia ou em algum outro lugar dentro da esfera soviética.

A lei marcial impôs restrições ainda maiores. Os passaportes foram universalmente cancelados, de modo que nenhum polonês podia viajar ao exterior. Durante os primeiros meses da lei marcial, os poloneses não podiam nem sequer viajar entre cidades da Polônia sem a devida autorização do governo. Cartas sempre eram entregues abertas, amassadas dentro de sacos plásticos e com um carimbo escrito “Censurado”. Quando você discava um número no telefone, a primeira coisa que você ouvia era uma gravação repetindo “conversa monitorada, conversa monitorada”.

O exército assumiu o controle de toda a radiodifusão, e a programação da TV se resumia majoritariamente a filmes russos sobre a Segunda Guerra Mundial. Âncoras de jornais foram substituídos por soldados uniformizados que mecanicamente liam as notícias diárias. E as notícias eram sempre as mesmas: o Solidariedade havia destruído a economia; o exército estava se esforçando para recolocar o país no lugar; as coisas estavam visivelmente melhorando. 

Obviamente, e ao contrário dos ocidentais de hoje, ninguém acreditava em nada do que dizia a mídia.

A sucessão de eventos

Após a imposição da lei marcial em dezembro de 1981 e a maciça utilização do exército e das tropas paramilitares ZOMO para esmagar o Solidariedade, o número de afiliados ao movimento caiu de 9,5 milhões para apenas alguns poucos milhares. Os agitos no país diminuíram sobremaneira, mas continuaram. O Solidariedade continuou na ativa, só que agora clandestinamente.

Após ter conseguido impor ao menos uma aparência de estabilidade, o regime polonês começou a relaxar a lei marcial. Ao longo do tempo, a lei foi sendo revogada em várias etapas. 

Em dezembro de 1982, a lei marcial foi suspensa e um pequeno número de prisioneiros políticos, dentre eles Walesa, foi libertado. Embora a lei marcial só tenha sido formalmente abolida em julho de 1983, e uma anistia parcial tenha sido promulgada, várias centenas de prisioneiros políticos continuaram encarcerados. 

Tornou-se mundialmente famoso o caso de Jerzy Popieluszko, um popular padre defensor do Solidariedade, que foi sequestrado e assassinado pelo serviço de segurança do governo — o Sluzba Bezpieczenstwa — em outubro de 1984.

A partir daí, os fenômenos de resistência na Polônia começaram a ser influenciados pela postura reformista de Mikhail Gorbachev na União Soviética. Em setembro de 1986, uma anistia geral foi declarada e o governo libertou quase todos os prisioneiros políticos. 

No entanto, as autoridades continuaram perseguindo os dissidentes e todos os ativistas do Solidariedade.

Já estava mais do que óbvio que os esforços do regime para organizar a sociedade de cima para baixo haviam fracassado completamente. Com a crise econômica agravada e todas as instituições sem funcionar, a clandestina resistência anti-comunista foi ganhando um número crescente de adeptos.

A Resistência

Testemunhei ao vivo estes acontecimentos. Em novembro de 1986, passei 10 dias vivendo entre os clandestinos do Solidariedade e do Liberdade e Paz, um grupo formado por jovens.

Durante esta minha visita, aprendi que, cinco anos após o início dos violentos ataques desfechados pelo governo contra os movimentos de resistência, os poloneses haviam aprendido fabulosos truques para ludibriar e se esquivar do regime de Jaruzelski, tudo de uma maneira que chega a desafiar a imaginação. A escassez total dos mais básicos produtos alimentares, a inflação de preços em dois dígitos, e uma poderosa polícia secreta não os impediram de criar formidáveis mercados negros e vigorosas instituições privadas, desde rádios e editoras de livros a até mesmo teatros e escolas. Tudo clandestinamente.

Wiktor Kulerski, um dos lideres do Solidariedade, já havia esboçado, alguns anos antes, um esquema sobre como seria a resistência polonesa. Escreveu ele:

Este movimento irá criar uma situação em que as autoridades irão controlar as lojas estatais, mas não o mercado; o emprego de trabalhadores, mas não seu meio de vida; a imprensa oficial, mas não a circulação de informações; as editoras, mas não as publicações; os correios e os telefones, mas não as comunicações; e o sistema escolar, mas não a educação.

Trinta e oito milhões de poloneses estavam menosprezando e ridicularizando o estado.  Eles já haviam aprendido por experiência própria e dolorosa que, como bem havia dito o escritor e compositor dissidente Stefan Kisielewski (que havia sido preso e espancado por causa disso), “Socialismo é estupidez”. 

Eles já estavam fartos daquilo tudo.

Em um jantar organizado secretamente, em minha homenagem, por uma organização clandestina de editores em Cracóvia, fiquei mesmerizado com a amplitude daquilo que meus anfitriões chamavam de “empreendimentos editoriais independentes”. Eles haviam traduzido, imprimido e editado várias obras “subversivas” de Alexander Solzhenitsyn, George Orwell, e até mesmo de Murray Rothbard e Ayn Rand.

“Onde vocês conseguem os papeis para imprimir tudo isso?”, perguntei. Um jovem polonês chamado Pawel respondeu: “De dois lugares: contrabandeamos do Ocidente e roubamos dos comunistas”.

Pawel explicou que havia vários empregados das casas editoriais do governo que eram simpáticos ao movimento de resistência. Eles frequentemente forneciam papeis para os movimentos clandestinos. E quando a barra estava realmente limpa — ou seja, sem nenhum agente estatal nas redondezas –, eles chegavam até mesmo a imprimir o material ilegal nas próprias impressoras do governo. 

Todo este material era distribuído e circulava amplamente nos subterrâneos de Varsóvia.

Quando o governo soube, decidiu contra-atacar criando uma operação para confiscar os carros dos distribuidores deste material proibido. Para se proteger, os editores clandestinos criaram sua própria companhia de seguros (a qual eles chamaram de “Lloyd’s de Varsóvia”) para cobrir os custos do confisco de seus carros, papeis e materiais.

Perguntei àqueles editores como eu poderia ajudar. Curiosamente, eles já haviam planejado um pedido específico para mim. Eles me perguntaram se eu conseguiria arrecadar US$5.000 e enviar esse dinheiro para seus aliados exilados em Paris, os quais iriam utilizar esse dinheiro para financiar a tradução para o polonês e a impressão de várias cópias do clássico Liberdade para Escolher, de Milton Friedman. Dentre as minhas mais estimadas possessões está uma edição deste livro com uma dedicatória do ativista Wojciech Modelski com estas palavras: “Obrigado, Larry!  Sem sua ajuda, não seria possível publicarmos este livro.”

Mas a minha história favorita desta minha visita à Polônia envolve um casal muito corajoso e intrépido, Zbigniew e Sofia Romaszewski. Eles haviam sido soltos da prisão fazia muito pouco tempo. O crime? Comandar uma popular estação de rádio clandestina. 

Não aguentei e tive de perguntar: “Quando vocês estavam transmitindo, como sabiam se as pessoas estavam ouvindo?” 

Sofia respondeu: “Tínhamos de estar constantemente mudando de lugar para que a polícia não nos capturasse. Por isso, só conseguíamos transmitir de oito a dez minutos de cada vez. Uma certa noite, fiz o seguinte pedido: se há alguém nos ouvindo, pisquem suas luzes para mostrar que acreditam na liberdade. E então fomos para a janela. Durante horas, toda Varsóvia ficou piscando”. 

Poucos dias depois, fui preso, revistado nu e deportado.

O fim da tirania

Em fevereiro de 1988, já desesperado com a situação de suas finanças, o governo implementou um aumento generalizado de 110% nos preços de todos os bens da economia. Os protestos estudantis retornaram. O colapso econômico gerou uma série de greves ao redor do país em abril, maio e agosto. O governo se sentiu obrigado a negociar. 

Com a indispensável mediação da Igreja Católica, contatos preliminares foram feitos entre o governo e membros do Solidariedade. Em setembro, o governo recorre a Lech Walesa para tentar negociar o fim das greves. No dia 18 de dezembro de 1988, o Solidariedade sai da ilegalidade.

No início de 1989, o general Wojciech Jaruzelski chegou a um acordo com Lech Walesa: os grupos políticos suprimidos seriam legalizados e eleições gerais seriam marcadas para o dia 4 de junho. O general não tinha alternativas. A Polônia, declarou ele, havia se tornado “ingovernável”.

E foi exatamente no dia 4 de junho de 1989 que a Polônia eletrizou o mundo ao fazer as primeiras eleições livres na Europa comunista. Ativistas anticomunistas (e, em vários casos, também anti-socialistas) surpreenderam seus conterrâneos: eles conquistaram 99 das 100 cadeiras no Senado e absolutamente todas as 161 cadeiras do Parlamento que o regime permitiu serem disputadas na eleição. 

Tais resultados asseguraram que a guinada para a liberdade em todo o império soviético era definitiva e iria se intensificar até derrubar todos os ditadores e partidos comunistas, desde Berlim Oriental até Ulan Bator.   

Em 1989, alguns dias após a queda do Muro de Berlim, a Revolução de Veludo estava em andamento na vizinha Tchecoslováquia. A Hungria havia aberto suas fronteiras para o Ocidente algumas semanas antes. O megalomaníaco Nicolai Ceausescu, da Romênia, seria fuzilado no Natal

Mas foi a Polônia quem havia aberto o caminho.

Conclusão

A história da Polônia desde a imposição da lei marcial e do esmagamento do Solidariedade em dezembro de 1981 até as gloriosas eleições de 1989 não é a saga de um povo pessimista, derrotista ou submisso. Ao contrário: trata-se de uma notável evidência do desejo humano de ser livre. 

Embora os três poderosos líderes do Reino Unido, dos EUA e do Vaticano (Thatcher, Reagan e João Paulo II) tenham ajudado imensamente no processo da desintegração comunista, estes mesmos líderes correta e repetidamente aplaudiram e elogiaram o espírito desafiador dos poloneses. “O povo da Polônia”, declarou Reagan, “está nos dando um imperecível exemplo de coragem e devoção aos valores da liberdade contra uma violenta e implacável oposição. . . . A tocha da liberdade é quente. Ela aquece aqueles que a mantêm lá no alto e queima aqueles que tentam apagá-la.”

Um dos gigantes intelectuais da liberdade polonesa, o filósofo e historiador Leszek Kolakowski, que morreu em julho de 2009 aos 81 anos de idade, rotulou o marxismo de “a maior fantasia do nosso século”. Segundo ele, a brutalidade totalitária é uma inevitável consequência de uma concentração de poder. 

Em uma entrevista concedida ao The New York Times em 2004, ele disse que “Supostamente, essa ideologia deveria moldar o pensamento das pessoas; no entanto, a partir de certo momento, ela se tornou tão fraca e tão ridícula, que ninguém mais acreditava nela. Nem os governados, nem os governantes.”

A todos aqueles milhões de poloneses que bravamente lutaram pela liberdade e que atiraram o socialismo na lata de lixo da história há 35 anos, muito obrigado por sua coragem, sua perseverança, sua visão e seu exemplo.

 

Mateusz Machaj e Jakub Bozydar Wisniewski colaboraram com este artigo

 

*Este artigo foi originalmente publicado em 3 de junho de 2021.

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107 comentários em “Em junho de 1989, a Polônia se libertava do socialismo”

  1. Como esse pessoal sofreu. Fico triste quando leio sobre a vida que eles levavam.

    Não entendo como ainda pode ter gente que defende este arranjo e anseia por isso.

  2. Existe uma cartilha entre a esquerda de como destruir uma nação? Porque a história se repete em todos os países que vivem sobre esse regime.

    A falta de leitura dos brasileiros, de conhecimento histórico, de absorver essa cultura, faz que a foice e o martelo sejam símbolos de revolução, quando na verdade são símbolos de opressão.

  3. Sensacional relato, elucidativo e joga luz às atrocidades e descaminhos do comunismo. Que esta desgraça jamais se abata sobre nós (sendo que está logo ali no país vizinho).

    Obrigado ao IMB por compartilhar a história.

  4. “Em determinadas ocasiões, se você madrugasse em frente à porta do supermercado e estivesse com sorte, conseguiria comprar um pouco de leite. […] Comprar gasolina era outra dor de cabeça. Os consumidores iam ao posto, passavam o dia todo dentro do carro esperando na fila, deixavam o carro lá durante a noite, voltavam no dia seguinte e continuavam na fila, até o momento em que conseguissem um pouco de gasolina”

    Isso é a Polônia de ontem ou a Venezuela de hoje? Sim, na Venezuela também acabou a gasolina. Na Venezuela!

    E tem gente que ainda sonha em trazer esse inferno pra cá.

  5. Eu tive o prazer e o privilégio de conhecer este maravilhoso país alguns anos atrás. As pessoas odeiam o maldito comunismo. São alegres e hoje vivem felizes. As mulheres são umas bonecas, as mais bonitas da Europa. E o melhor, conseguem conciliar a liberdade econômica com uma sociedade conservadora, lá movimento gayzista, feminismo e outros lixos que enfraquecem a sociedade nem pensar. Espero que a socialista U.E não estrague a Polônia.

  6. Texto fantástico.

    Ressalvo apenas que, ao contrário do que afirma o primeiro parágrafo, a Polônia tem sim voltado aos noticiários por causa do totalitarismo do partido Lei e Justiça.

    Economicamente realmente o país está infinitamente melhor do que era (o que não é difícil ao se comparar qualquer sistema econômico ao comunismo), mas, sob o aspecto das liberdades individuais, as conquistas das últimas décadas estão regredindo.

    Esse texto da Anne Applebaum (crítica do socialismo e autora de “Gulag: Uma história”, livro já citado algumas vezes neste site) é um bom exemplo:

    piaui.folha.uol.com.br/materia/o-pior-esta-por-vir/

  7. Para provocar: Gorbachev não era reformista. O que ocorreu na URSS foi uma “glasnost”, e o sentido dessa frase precisa ser mais bem entendido pelo ocidente.

    Se o comunismo caiu, como então se explica o fato de que a mídia e a academia do ocidente estejam totalmente dominadas por ideologias coletivistas?

    Recomendo a leitura do livro “Desinformation” do General Pacepa, desertor e ex-chefe do serviço de inteligência de Ceausescu. Ceausescu foi o piloto de teste da ação de desinformação chamada glasnost. E Pacepa foi um ator central nessa operação de influência dos serviços secretos do bloco comunista. O que é narrado ali vem de uma fonte primária. Alguém que conheceu Brezhnev, Antropov e fazia parte do núcleo duro dos regimes comunistas.

  8. Carlos Brodowski

    “Uma certa noite, fiz o seguinte pedido: se há alguém nos ouvindo, pisquem suas luzes para mostrar que acreditam na liberdade. E então fomos para a janela. Durante horas, toda Varsóvia ficou piscando.”

    Como descendente de poloneses, isso bombardeou meu coração de orgulho =)

  9. Mas a Polônia era manipulada por uma superpotência gigantesca. Já o Brasil e a Venezuela foram manipulados por uma pequena ilha falida.

    Que vergonha!

  10. Este trecho foi uma direta:

    “Obviamente, e ao contrário dos ocidentais de hoje, ninguém acreditava em nada do que dizia a mídia.” 🙂

  11. “Supostamente, essa ideologia deveria moldar o pensamento das pessoas; no entanto, a partir de certo momento, ela se tornou tão fraca e tão ridícula, que ninguém mais acreditava nela. Nem os governados, nem os governantes.”

    Acho que esse é o ponto chave.

    Perguntem-se: qual a porcentagem de funcionários públicos que acreditam nas justificativas para o que fazem? E quantos acreditavam há 20 anos?

    Percebo cada vez mais uma descrença tanto da classe privilegiada (funças) quanto da classe explorada (pagadores de impostos) sobre as justificativas ideológicas para a existência dos privilégios.

    E isso é fundamental pro sistema ruir.

  12. Se você ler o artigo suprimindo as referências às Polônia vai jurar que está lendo sobre a Veneziela de hoje.

    O tempo passa mas os efeitos do socialismo continuam os mesmos.

  13. Que relato comovente!

    Por alguns momentos pensei estar lendo 1984 de George Orwel.

    Eu realmente espero que este sentimento anti-comunista/socialista permaneça na Polônia nas próximas gerações. Ah, como eu gostaria de ver esse mesmo sentimento no Brasil…

  14. Boa noite sei que não tem haver com o artigo mas tenho uma pergunta. É uma pergunta absurda e psicopata eu sei. Imagine que eu sou um bilionário dono de vários prédios na Times Square. Dinheiro pra mim é mato e estou afim de fazer o caos. Instalarei telões gigantes em todos os meus prédios e colocarei vídeos de um homem estuprando um bebê em todos os meus prédios. Os prédios são meus e eu faço o que eu quiser. Nesse caso ninguém poderia me impedir legalmente correto? (Lembrando: Não estou nem aí pras consequências econômicas desse ato doentio e minha identidade como dono dos prédios também estaria protegida de algum modo.)

  15. Atualmente moro na Polônia em Wroclaw, capital da Baixa Silesia. Não tenho a mínima dúvida que a Polônia dos anos 80 descrita no texto, não se parece com nada com a atual Polônia em que vivo. Acredito que todos os brasileiros que vivem aqui irá exaltar os mesmos pontos, custo de vida, segurança, educação, saúde, infraestrutura, transporte público e cultura.

  16. Milton Friedman Cover's

    Maravilhoso texto! Sempre admirei a Polônia e a sua resistência e luta contra os nazistas durante a horrível ocupação na Segunda Guerra. E admiro muito o Papa, Santo Papa, João Paulo II. Ele sofreu nas mãos do nazismo e do comunismo o que fez dele um grande adversário dos dois sistemas que se encontram até nas cores vermelhas. Tem um ótimo filme sobre a vida dele, basta buscar no YouTube. Está completo lá. Como está no texto, o Papa, Reagan, Thatcher, foram fundamentais para a derrubada do comunismo na Europa. Claro que no caso polonês a resiliência e força do povo foi crucial para a vitória. Sobre a imprensa mundial, hoje quase toda vermelha, afirmando que o atual governo de lá é de extrema direita, como cita um leitor acima; é comum hoje em dia. Fazem isto aqui, contra o governo Bolsonaro, e o excelente ministro, Paulo Guedes, etc. É duro ver pessoas que se guiam pelo que escrevem, falam, jornalistas das grandes mídias! Hoje, por exemplo, afirmam que a popularidade do presidente Bolsonaro caiu, por causa das denúncias, etc. Tudo mentira para fazer a cabeça dos menos interessados em buscar a verdade. Como seria bom poder multiplicar o artigo de hoje em milhões espalhados em todos os lares! É preciso implantar as reformas socioeconômicas do ministro Paulo Guedes, isto, agora, para aprofundá-las mais adiante. Que a Polônia seja exemplo a ser seguido sempre. Essa agenda das esquerdas ( feminismo, aborto, ideologia do gênero, etc….), tem que ser contestada com rigor e persistência. A Igreja Católica é referência na luta contra o comunismo, socialismo. Claro que falo na IC sem teologia da libertação e outros grupos internos que vão contra as tradições iniciadas com Cristo e mantidas pelos seus apóstolos e líderes cristãos como o Papa João Paulo II. Esquerdismo, nunca mais! Abraços.

  17. Jairdeladomelhorqptras

    Pessoal,

    A história da Polônia é bastante trágica.

    Durante todo o século XIX a Polônia como unidade política autônoma não existiu. Fora dividida entre o Império Russo, a Prússia, (depois Império Alemão unificado) e o Império Austro-Húngaro ainda no final do século XVIII. E só recuperou sua identidade política ao final da II Guerra, em 1918.

    Foi a população que mais sofreu na II Guerra. E acabou nas garras da União Soviética. A grosso modo, podemos dizer que por 200 anos, os Poloneses só encontraram paz e tranquilidade nestes últimos trinta anos que o texto descreve.

    Abraços

  18. Jose Antonio Mariano

    A II Guerra Mundial, para a Polônia, durou 30 anos. Ao longo da guerra, os poloneses tiveram de lutar contra nazistas, stalinistas, ucranianos, lituanos e, as vezes, “contra” as potências ocidentais. Aguardem o livro “Enquanto formos vivos, a Polônia não perecerá – A Polônia nos campos de batalha da II Guerra”, apenas um vislumbre do que esse país sofreu nas mãos de alemães e soviéticos…!

  19. Fábio dos Santos

    Tenho algumas dúvidas:

    1 – Um anarcocapitalista pode defender que o estado combata crimes como o homicídio por exemplo?

    2 – Eu poderia vender bebidas alcoólicas para uma criança no ancapistão?

    3 – Negociar, fazer trocas voluntárias com um bandido seria antiético?

    4 – Como impedir (ou quais são os meios de impedir) que o estado ressurja em um ancapistão?

    5 – Como ficariam os setores da música e dos esportes em um ancapistão, sabendo que não estão representando o estado?

    6 – O ancapistão poderia revidar com a mesma força do poderio estatal em caso de invasão?

    7 – E a questão da imigração, deixaríamos os muçulmanos (por exemplo) entrarem, sabendo que há cidades que o acolheriam?

    8 – Como evitar a relativização da propriedade, ou seja, evitar que um pisão na grama seja equivalente a um estupro?

    9 – Haveria um “controle” de armas no ancapistão? Por exemplo, muçulmanos e satanistas poderiam obter armas? Alguém moraria ao lado de um vizinho que possui uma granada com mil foguetes?

    São apenas dúvidas que eu tenho, agradeço se alguém responder.

  20. Desde o início da humanidade temos a existência de um estado. Mesmo nos tempos tribais, ansiamos por uma organização social. O libertarianismo me parece uma bagunça, e com vários pontos bem questionáveis. Como a “propriedade intelectual” para mim. Se uma pessoa tem uma ideia, o produto desenvolvido é dela e ela tem exclusivamente os direitos sobre a ideia. O libertarianismo diz que “ideia” não tem propriedade. Ex: se uma empresa farmacêutica cria um remédio, os direitos sobre a fórmula são da empresa. Mas o libertarianismo diz que a ideia é de todos.

    Foquei nesse ponto. Mas tem vários outros que não concordo. Sou “Conservador em temas sociais e liberal na economia” sei que isso pode ser contraditório até mesmo na semântica. Mas “essa é a minha ideia e acabou porra”….kkkkkk. Mas eu respeito todas a ideias.

    Ps: acho que vai demorar algumas várias décadas para o libertarianismo começa a ser levado a3 sério

  21. Descobri o IM a menos de um mês. Seus artigos são simples para leigos como eu, e bem escritos. Desconstroem muitas falácias que ouvi a minha vida toda!

  22. Eu ja acredito que nunca vamos nos livrar do estado 100% assim como tambem nao acredito no comunismo 100% porque o povo pode sim passar fome,mais os donos do regime sempre vivem acima do povo. Nao existe igualdade em lugarvnenhum,isso é mentira comunista. Por isso sou a favor de estado minimo,combater burocracia e existencia de novas estatais,nunca deixar o estado crescer. Esse é o caminho. O estado nao precisa de controle de armas,drogas,combustiveis,alimentos e etc. Sou favoravel a um estado minimo so na justica,seguranca e protecao a deficientes. De resto o mercado resolve. Simples assim.

  23. Valdir Marques de Souza

    Vida longa à Polônia, a nação mais sóbria do decadente continente europeu, o PiS está fazendo um magnífico trabalho no combate ao globalismo e em defesa do povo polonês.

  24. Apenas “soldados rasos” da esquerda realmente acreditam que o socialismo visa mesmo tudo o que o discurso diz que ele busca (e nem todos). Quando mais alto na hierarquia “igualitária”, mais consciente os socialistas são de que a narrativa é apenas pretexto para obter poder total e que vai gerar apenas escravidão e miséria.

    * * *

  25. Esqueceram de um fato que colocou a Polônia frontalmente de encontro a ideologia comunista. Refere-se ao massacre de Katyn, perpetrado por ordem de Stalin onde 5.700 soldados e oficiais poloneses, rendidos, desarmados foram assassinados nessa região. Outros 5.300 foram enviados para a Sibéria e nunca mais se soube deles. Um crime monstruoso sem paralelo na história da 2ª Guerra. Existe um filme que relata toda a brutalidade e mostra as mortes. Não sem razão pois que os poloneses detestam o comunismo e lá qualquer símbolo é proibido. O partido também é proibido. A Polônia bem como os outros países que foram dominados pela União Soviética, é um exemplo vivo do fracasso econômico e desmesurada tirania e opressão desse regime.

  26. Parabéns pela matéria.

    Sinceramente, é difícil conceber e absorver a realidade que, em plena atualidade, ainda haja pessoas que acreditem nesse câncer chamado socialismo. Algo claramente comprovado por tudo que é país que tentou que isso é uma ilusão que leva uma nação a pobreza, faz parar no tempo, destrói uma economia e gera miséria. A história fala por si, só olhar para a realidade de países que vivem esse regime e para aqueles que já viveram e se liberaram, como a Polônia. Mesmo assim, o que impressiona é haver pessoas que defendem piamente essa loucura, principalmente no Brasil.

  27. E, pensar que hoje temos um papa ignorante, que parece achar o comunismo e todas essas asneiras belo. PQP, dá até vontade de chorar lendo o artigo. Devia ser distribuído e lido por todo mundo, principalmente os mais jovens.

  28. Z%C3%83%C2%A9zinho

    “Os gerentes das lojas e as pessoas que trabalhavam em restaurantes e no sistema de transporte simplesmente não tinham nenhum incentivo para serem solícitos ou mesmo gentis com os clientes. O cliente era apenas um estorvo, e eles não ganhavam nada nesta interação. O serviço prestado era ou ríspido ou apático.”

    Tem um filme polonês dos anos 80, chamado “MIS” (Urso) que retrata bem essa situação.

    Nos restaurantes os pratos e talheres eram parafusados na mesa para evitar o roubo. Numa cena um senhor foi a uma loja compar algo e a funcionária com cara de poucos amigos disse rudemente. “Estou comendo!”

  29. Parabéns pelo artigo, Instituto Mises!

    Os poloneses dos anos 80 foram HERÓIS. Espero que o Brasil tenha aprendido a lição, e não caia na armadilha do “Paraíso Socialista”.

  30. Vocês andam acompanhando a situação política na Europa? Na Alemanha o AfD, partido de extrema direita que é abertamente antidemocrático e tem vários membros filiados à movimentos neonazistas ganha cada vez mais apoio, mesmo apesar das intensas campanhas de mídia contra o ódio e o extremismo. Cenário similar se observa na Escandinávia, onde partidos de extrema direita só sobem nas eleições, e isso tudo ocorre no meio de uma pandemia, onde inclusive já foi comprovado que governos de esquerda e de centro performaram muito melhor no combate ao vírus do que governos de direita e liberais. Nos EUA a situação é similar, o Biden até agora mostrou muito mais serviço do que o Trump, e mesmo assim o segundo ainda retém um número assustador de seguidores, o Brasil dispensa comentários.

    Pois bem, esse crescimento assustador de movimentos violentos e extremistas coincide exatamente com a expansão da internet e a proliferação de fake news e desinformação em massa, as redes sociais, por meio de um fenômeno chamado de “echo chambering” faz com que os usuários não tenham contato com pontos de vista contrários, o que causa a formação de bolhas e a cada vez maior extremização de todos os pontos de vista. Devido à sua natureza descentralizada, a internet permite que pessoas sem o mínimo preparo saiam escrevendo e espalhando matérias, muitas vezes com fatos distorcidos ou mal interpretados, antes da internet, jornalismo era profissão para pessoas formadas, com formação não só jornalística mas também humana, hoje qualquer um sai por aí escrevendo baboseiras e influenciando milhares de pessoas.

    Pois bem, gostaria de deixar aqui alguns pontos para os senhores refletirem:

    1: Será que não caberia talvez algum tipo de regulação? Vejam bem, eu não sou apoiador da ditadura chinesa, mas o modelo deles de “soberania da informação” me parece bastante interessante, lá somente artigos escritos por pessoas formadas em jornalismo são permitidos, além disso, os artigos são formalmente verificados e devem atender à uma série de critérios antes que possam ser publicados . Além disso, a privacidade online não é um direito absoluto, os dados são muito bem protegidos de empresas abusivas mas colocados à disposição da polícia, sendo assim autores de fake news podem ser rastreados e lavados à justiça. Será que um modelo inspirado nisso porém adaptado ao contexto democrático não seria interessante para o Brasil?

    2: É de conhecimento público que as redes sociais hoje já capturaram a maior parte das interações humanas, sendo assim, vocês acham justo que as mesmas sejas administradas de forma privada e sem qualquer controle? Para mim, isso parece desumanizador no mínimo. Pra mim, à partir de um determinado número de usuários as redes sociais deveriam ser tratados como espaços públicos e administradas de acordo com a legislação. O que vocês acham?

    É isso, deixo aí estes questionamentos.

  31. A internet nos dá a possibilidade de pesquisar pontos de vista diversos a respeito de um assunto, sim. Mas, os formadores de opinião a quem os mais preguiçosos(e não são poucos) recorrem, adoram polarizar para manter seus canais e manter esse público cativo infelizmente. Na minha opinião é a frequência altamente religiosa que mantém as pessoas nessa polarização. Então…os nossos “problemas” com a tecnologia só desaparecerão quando deixarmos de ser religiosos(adoradores de dogmas). Até lá faremos mau uso dela.

  32. O Empreendedorismo e a Educação Financeira nas Escolas Públicas e Escolas Privadas

    Discordo plenamente de quem descreve as massas como medíocres e incapazes de aprender e aplicar em suas vidas práticas matérias como o empreendedorismo, a educação financeira, a educação política, a educação constitucional e a educação judicial.

    Medíocres são as palavras de algum ser humano que pensa ser diferente de uma multidão de seres humanos (milhões), que são exatamente iguais a ele, pois são verdadeiramente todos da mesma espécie, a humana.

    O conhecimento e a educação de qualidade para a vida prática fazem certamente a diferença na sociedade e abrem os olhos da gigantesca parte das massas, isto é, os cidadãos que passam a ter o conhecimento das técnicas financeiras e a conhecer a produtividade e a excelência do empreendedorismo, dos investimentos e do efeito de alavancagem das ajudas sociais, ao aplicar tais aprendizados e esses novos conhecimentos práticos, ou ao compartilhá-los, estão a partir dali em diante contribuindo muitíssimo mais com a sociedade, o desenvolvimento, o mercado, a economia e a estabilidade financeira e social da gigantesca parte da sociedade humana.

    Deus conhece a situação de cada ser humano; e juntamente com a sociedade honesta e de bem, ele sabe recompensar cada ato generoso feito por alguém.

    O Estado e os mais abastados devem procurar formas de ajudar socialmente os mais necessitados dentro das suas respectivas possibilidades, pois isso é nobre; mas o Empreendedorismo e a Educação Financeira são duas matérias essenciais, necessárias e indispensáveis a serem adicionadas urgentemente nas escolas públicas e nas escolas privadas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, para se alcançar o desenvolvimento prático da sociedade em suas diversas áreas de atuação, inclusive a profissional, a religiosa, a cultural e a estatal.

    O Estado, portanto, tem o dever de ensinar também o Empreendedorismo e a Educação Financeira.

    Todos os seres humanos têm o mesmo direito de aprender todas as coisas que lhes são necessárias para produzir, fazer evoluir o mercado e a economia, e viver bem.

    Muitíssimos milionários e alguns bilionários já foram pobres; mas com o Empreendedorismo e a Educação Finaceira a situação deles foi mudada.

    Eliel Simão – Escritor

  33. Nos regimes comunistas eles desviam todo aparato para industria belica,  no planejame to central, a fim de dominar o povo e escravizalo. Eles priduzem industria aeroespacial, mas nao produzem geladeiras , cebolas, roupas, carros e tudo o queo povo precisa. 

    O povo polones tentou se livrar dos comunistas, mas o outro lado estava bem armado, com os recursos tirados do povo.

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