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Apesar do que dizem os pessimistas, a riqueza nunca foi tão igualitária
Mas sempre há os ideólogos que fazem de tudo para atrasar o progresso

Somos diariamente bombardeados por incessantes lamúrias sobre a "crescente desigualdade", além de clamores por aumentos draconianos de impostos para resolver este "problema".

As reclamações ocorrem, religiosamente, há anos, não obstante as altamente suspeitas técnicas de mensuração dos dados.

Para começar, não faz sentido dizer que uma desigualdade crescente — ainda que esta de fato ocorresse — seja um problema, simplesmente porque, em uma economia de mercado, em nada me subtrai o fato de o cara do outro lado da rua ser um bilionário e eu não. As chances são de que ele está criando empregos, doando para instituições de caridade, e fazendo investimentos na estrutura produtiva da economia, o que beneficia a todos nós. (Entenda todos os detalhes aqui).

Uma sociedade igualitária afundada na pobreza é fácil de ser criada: basta dar força suficiente ao governo.

Entretanto, examinemos esta alegação por um ângulo diferente. O que exatamente está sendo mensurado? O coeficiente de Gini, por exemplo, que é o indicador mais utilizado, mensura a renda de vários segmentos da população, o que é bastante de diferente de mensurar o consumo. Isso, por si só, já é uma falha grave, pois, em uma economia em crescimento, uma mesma quantidade de renda compra cada vez mais bens e serviços.

Em termos práticos, os pobres de hoje vivem melhor do que os reis de antigamente. Se o objetivo é melhorar a situação de todos, mensurações de igualdade de renda e de posses materiais apenas desviam a atenção daquele que deveria ser o verdadeiro objetivo: a universalização de vidas dignas.

O material e o conhecimento

Analisemos agora mais profundamente a ideia de que a riqueza material é o que deveria ser a mensuração da igualdade. Faz sentido?

Uma forma de riqueza intangível, porém extremamente crucial, é a informação. Mais especificamente, o acesso à informação, ao conhecimento.

De certa maneira, a informação — a oportunidade de acessá-la e a capacidade de contribuir para o estoque utilizado pela humanidade — é muito mais importante para nossas vidas do que posses materiais.

A informação é o pilar de uma cultura. Ela fornece o caminho para o sucesso. Ela nos ajuda a viver vidas melhores. Ela, no mínimo, facilita a multiplicação de riquezas: informação bem utilizada ajuda as pessoas a investirem melhor e a fazerem bom uso do dinheiro que possuem.

E onde estamos no que diz respeito ao compartilhamento de informações, ou seja, a distribuição da mercadoria mais valiosa? Nunca o acesso foi tão simples e fácil. Acesso ao quê, exatamente? A absolutamente tudo o que a humanidade já aprendeu e conhece.

Neste exato momento, estou sentado em uma cadeira em um aeroporto. Várias pessoas estão esperando o momento de embarcar. Cada uma delas está portando uma ferramenta que é um portal para toda a informação conhecida pelo mundo. E várias destas pessoas provavelmente estão acrescentando informações ao mundo neste exato momento. E isso está acontecendo apesar de disparidades de renda, de gravidezes indesejadas e até mesmo do próprio nível de renda. Os pontos de acesso e os custos deste acesso ao redor do mundo — gratuito na esmagadora maioria dos estabelecimentos comerciais — caíram a um nível em que praticamente ninguém mais é excluído. E irão continuar caindo, graças ao progresso tecnológico.

[N. do E.: no Brasil, 85% das pessoas entre 18 e 25 anos de idade já têm acesso à internet, e 138 milhões de brasileiros já têm celular. Por outro lado, a quantidade de casas com esgoto, um monopólio estatal, chega apenas a 66% das famílias...].

Não se trata apenas de uma maravilha da tecnologia. Não é apenas algo esplêndido de se observar e constatar. Trata-se também de algo que trouxe mais igualdade à sociedade.

Considere o contraste com 30 anos atrás. Tudo o que sabíamos era controlado por apenas um punhado de pessoas que tinham acesso privilegiado. Eles eram os escritores de livros, os jornalistas que escreviam para revistas, e as pessoas que trabalhavam nas poucas redes de televisão. E a comunicação deles conosco era uma via de mão única. Nós não tínhamos como responder ou mesmo rebater esta elite. Eles falavam e nós escutávamos. Nossa capacidade de contribuir com informações para o debate era praticamente nula, e tudo o que podíamos fazer era compartilhar as notícias com as pessoas fisicamente próximas de nós. No máximo, podíamos enviar cartas às pessoas mais distantes, as quais seriam entregues com semanas de atraso por algum funcionário do governo.

Esta realidade ainda está fresca na memória da maioria das pessoas vivas hoje.

Isidoro de Sevilha, no século VI, se auto-incumbiu da tarefa de reunir todo o conhecimento do mundo em um único livro. O resultado foi a enciclopédia Etymologiae. Foi o projeto de uma vida. A obra se tornou o livro essencial para ser utilizado como aprendizado durante toda a Idade Média. Mas apenas alguns pouquíssimos privilegiados tinham acesso. O uso massificado de livros só começou a virar uma realidade no século XIX.

A era do conhecimento

Hoje, todos nós carregamos inúmeras versões expandidas da Etymologiae em nossos bolsos. Esta mesma ferramenta nos oferece o poder da televisão, não apenas como consumidores, mas como transmissores, para todo o mundo. Podemos acessar absolutamente todos os cursos do MIT. Os portais de informações são infindáveis e impressionantes. Podemos jogar jogos e nos comunicar gratuitamente com qualquer outra pessoa que tenha acesso à internet. Mesmo o simples ato de ligar a televisão nos fornece acesso imediato a várias centenas de estações. A explosão da informação em nossas vidas é tão vasta e profunda que é impossível de ser acuradamente descrita.

Mas eis o crucial: hoje, não mais é só para uma elite; é para todos. E isso foi tornado possível por um mercado que está incessantemente em busca de sua próxima base de consumidores.

Em termos de acesso à informação e de oportunidade de aprender e compartilhar conhecimento, nunca fomos tão ricos e iguais. Compartilhamos o que sabemos, aprendemos com terceiros, e somos inundados por uma infindável corrente de dados cruciais para viver uma boa vida. Cabe exclusivamente a cada um de nós saber tirar proveito de tudo isso.

Estamos constantemente bebendo daquela fonte que F.A. Hayek rotulou de "fundo da experiência": trata-se do meio pelo qual todo o planeta e toda a história pode se beneficiar do sucesso de uma única empresa ou de um único inovador, desde que haja  meios através dos quais esse conhecimento possa ser compartilhado.

"A dádiva do conhecimento," — escreveu ele em 1966 — "que tanto custou para ser conseguida por aqueles que estão na vanguarda, permite aos seguidores alcançar o mesmo nível de conhecimento a um custo muito menor".

Hayek então fornece esta extremamente perspicaz observação sobre o valor da informação:

A expansão do conhecimento é de crucial importância porque, embora os recursos materiais irão para sempre permanecer escassos e terão de ser reservados para propósitos limitados, o uso de novos conhecimentos (em que não os tornamos artificialmente escassos por meio de patentes que concedem monopólios) é irrestrito.

O conhecimento, uma vez alcançado, se torna gratuitamente disponível para o benefício de todos. É por meio desta dádiva gratuita do conhecimento adquirido pelos experimentos de alguns membros da sociedade que o progresso generalizado se torna possível; que as conquistas daqueles que estiveram na vanguarda facilitam o avanço daqueles que vêm depois.

difusão da tecnologia e dos aplicativos de celular que transformam a todos em empreendedores, em conjunto com a Lei de Moore (que diz que o poder de processamento da informática em geral dobra a cada 18 meses, e com custos decrescentes), está acelerando a divisão do trabalho ao aumentar o número de empreendedores, ao reduzir o custo da informação e, principalmente, ao difundir o conhecimento a custo praticamente zero.

Estamos de volta àquela outra observação feita por Hayek, ainda em 1945, em seu artigo O uso do conhecimento na sociedade. O conhecimento é descentralizado. O livre mercado cria incentivos para que aquelas pessoas que possuem informação especializada possam colocar esse conhecimento para usos lucrativos. E, ao fazerem isso, todo o resto do mundo é gratuitamente beneficiado. A riqueza se espalha e se torna mais igual.

Infelizmente, nunca há como ganhar

Mas, por acaso vemos os defensores da igualdade celebrando esta notável conquista? De minha parte, nunca vi nenhum. Ao contrário: o fiel da balança foi brutalmente deslocado, e os termos do debate foram inteiramente direcionados para um enfoque exclusivo, obsessivo e maníaco na renda como a única fonte possível de riqueza.

Só que tudo é ainda pior. Nunca tivemos tanto acesso a outras formas de pensamento e de vida, e a novas culturas, idiomas e experiências humanos. A oportunidade de descobrir e adotar nunca foi tão volumosa. E, em meio a este extraordinário fluxo de informações que vêm de fora da nossa estreita experiência, a esquerda progressista afirma que é errado — e até mesmo profundamente imoral — se "apropriar" das experiências de outras pessoas e aprender com elas de uma forma que seja proveitosa para nós. Afinal, fazer isso é considerado uma "apropriação cultural", como se fosse uma forma de roubo.

Trata-se de uma acusação inacreditável, além de ser profundamente anti-intelectual. Você não tem como roubar uma cultura. Cultura não é um bem escasso. Está ali disponível para todos se "apropriarem" dela. Atacar nossa liberdade de aprender e de ser influenciado, e rotular de "antiético" descobrir algo diferente e vivenciar aquela experiência significa aniquilar todas as chances de progresso. Trata-se de um ataque fundamental à maior fonte de riqueza que hoje usufruímos como sociedade.

Com isso, é possível entender que, da maneira como a esquerda manipulou o jogo, simplesmente não há como a liberdade vencer o debate a respeito da igualdade. Se você mostra que a informação é o bem mais valioso que existe e que nunca houve uma oferta tão grande, a esquerda diz que isso não importa. Se você mostra que a cultura geral nunca esteve tão acessível, a esquerda diz que é errado consumir e ser influenciado pela cultura alheia, pois isso configura roubo.

Os críticos da economia de mercado que invocam a igualdade como um ideal não irão sossegar enquanto não conseguirem aniquilar toda e qualquer oportunidade de as pessoas viverem uma boa vida.

Aqui estamos nós, em um era de inaudita abundância do bem mais valioso que existe, o qual está disponível para todos, independentemente da classe social, e, em vez de celebração e apreciação, vemos o exato oposto: reclamações infindáveis sobre mesquinhas preocupações materialistas, as quais têm uma relevância totalmente efêmera para a qualidade de vida que todas as pessoas esperam usufruir.

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autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Imperion  15/04/2019 18:13
    A esquerda não liga, porque não dá pra tomar conhecimento. Mas o conhecimento livre traz liberdade aos desvalidos, e se isso se espalha, não tem como o populacho ser manipulado.
  • Fabrício  15/04/2019 18:23
    O melhor de tudo é a total incoerência da esquerda: de um lado, defendem que todos tenham as mesmas posses materiais e o mesmo padrão de vida dos bilionários; de outro, reclamam que o crescimento econômico, a riqueza e o consumismo está acabando com o planeta.

    Ou seja, defendem que todos vivam como bilionários e afirmam que os bilionários estão causando a extinção da terra.

    E simplesmente não percebem o total paradoxo dessas duas posições!

    Mas mais espantoso ainda é levaram essa gente a sério.
  • André C.  15/04/2019 18:41
    Aproveitando a deixa, é sim perfeitamente possível todos passarem a ter um padrão de vida bilionário. Isso não causaria nenhum dano à terra. Vejam:

    ESPAÇO

    População mundial: 7 bilhões de habitantes.

    Área do Brasil: 8 milhões de quilômetros quadrados

    Se colocássemos toda a população da Terra no Brasil teríamos uma densidade de: 7 bi / 8,5mikm2 ~= 824 habitantes por km2.

    Só lembrando, 1km2 = 1km x 1km = 1000m x 1000m = 1mi m2 = 100ha, onde 1 ha = 100m x 100m = um campo de futebol.

    Em outras palavras, teríamos uma densidade da ordem de 824 habitantes em 100 campos de futebol, o que dá, arredondando bem pra cima, 9 habitantes por campo de futebol, que não dá nem um time de futebol.

    Comentário: se toda a população da Terra vivesse no Brasil, uma família (ou duas), totalizando 9 pessoas poderia morar em um área do tamanho de um campo de futebol. Isto é uma área que dá pra construir uma casa de 200m2, ter uma boa horta, árvores frutíferas e até umas vaquinhas tudo junto.

    Conclusão: área para se viver e produzir é um bem escasso, mas o limite do planeta é muito, mas muito superior ao que conseguimos usar atualmente.

    ENERGIA

    Radiação média solar na Terra: 1KW/m2

    Área de Pernambuco: 98.311 km2 = 98.311 mi m2 = 98,3 bi m2

    Energia solar só em Pernambuco = 98,3,8 bi x 1KW = 98,3 TW (isso mesmo, Tera-Watt).

    Capacidade instalada de geração de energia elétrica (mundo) [segundo anuário estatístico de E.E. 2013] = 5.066,00 GW = 5TW.

    Ou seja, só o que o Sol manda de energia sobre Pernambuco dava pra alimentar quase 20x o consumo diário de energia elétrica do planeta inteiro.

    Conclusão: energia é um bem escasso, mas o limite do planeta é muito, mas muito acima da necessidade atual dos 7 bilhões de habitantes. De fato, para sustentar toda a civilização atual, bastaria coletores solares (desses que já existem no mercado e que tem eficiência não maior que 25%), cobrindo uma área do tamanho de Pernambuco para suprir toda a nossa necessidade e, de quebra, a sombra formada ainda ajudaria a reduzir o tal do aquecimento global.

    ÁGUA

    Consumo de 1 norte-americano por dia: 600 litros [Guia do Estudante - Vestibular]

    1 m3 = 1000 litros, logo, o consumo de um norte-americano é de 0,6m3 por dia. Como o dia tem 86400s, temos uma vazão de 0,000006944 m3/s.

    População da Terra: 7 bi * consumo acima = 48.611 m3/s

    Vazão do Rio Amazonas sozinho: 209.000 m3/s

    Comentário: o rio Amazonas sozinho é capaz de suprir uma demanda 4x maior que o mais louco consumo de água que se pode pensar (todos os 7bi consumindo água como um norte-americano). Isso sem falar nos outros grandes rios do planeta e sem levar em conta nenhum dos aquíferos subterrâneos e água em forma de gelo. Ah! e ainda temos 3/4 do planeta na forma de água salgada que, na pior das hipóteses pode ser dessalinizada e, então, usada normalmente.

    Conclusão: água é um bem escasso, mas o limite do planeta é muito, mas muito superior a qualquer uma das nossas necessidades

    MINÉRIOS

    A crosta da Terra é uma fina película dura flutuando sobre o manto, de 5km a 70km de espessura [Wikipedia]. Ora, não temos tecnologia para chegar nem aos 5km. Então vamos fazer algo mais realista e considerar a extração mineral somente até 2km.

    Área da África do Sul: 1.221 mil km2

    Volume total de terra: 1.221 mil km2 * 2km = 2.442 km3 = 2,4x10^12 m3

    Densidade média da Terra 5,1 g/cm3 = 5100 Kg/m3

    Massa total de terra a minerar: 12,2 trilhões de toneladas. Para se ter uma ideia: produção de minério de ferro em 2008: 2,1 bilhões de toneladas

    Conclusão: o limite da Terra para a exploração de minérios ainda é muito maior que o consumo atual.

    Comentário: A necessidade de tecnologia, a possibilidade de reciclagem, os custos com a extração, os custos ambientais (custos de oportunidade, pois uma floresta em pé pode ser, em alguns casos, mais vantajoso que o minério sob as raízes das árvores) e vários outros fatores fazem com que alternativas a extração comecem a ser interessantes.

    A minha preferida, no entanto, não está na Terra, mas na possibilidade de minerarmos asteroides no espaço - já temos tecnologia para isso e empresas privadas que em alguns anos a poucas décadas devem começar o serviço (Este caso é emblemático - uma parte do custo de extração é artificialmente criada pelos governos, através regulações na atividade e por causa das questões ambientais; a medida que tais custos aumentam torna-se muito mais vantajoso reciclar ou pegar minério no espaço que retirá-lo da terra).


    RESUMO DA PROSA: os recursos físicos da Terra são limitados, portanto, escassos. No entanto, as quantidades que a Terra dispõe são tão grandes que ainda estamos muito aquém do que ela pode nos fornecer. Se usarmos de inteligência e técnicas corretas, nunca chegaremos nem perto desses limites. De fato, o maior limite hoje está justamente no recurso mais necessário para poder explorar os demais recursos naturais: falta gente, principalmente os inteligentes e criativos.

    Abraços.
  • Leninmarquisson da Silva  16/04/2019 03:10
    Existe uma outra contradição ainda maior na esquerda, que é o exemplo mais gritante da hipocrisia/duplipensar deles que é:

    Dizem que o capitalismo está causando miséria e explorando os pobres ao mesmo tempo que dizem que o capitalismo está criando uma sociedade consumista e destruindo o planeta porque o pobre gasta com futilidades como iPhones e "roupas de marca" (iguais as que eles adoram).
  • Vladimir  15/04/2019 18:27
    Se a riqueza hoje é mais igual do que jamais foi é algo totalmente irrelevante. O que realmente interessa é que a média da riqueza individual está crescendo, e a riqueza dos mais pobre é maior do que jamais foi.

    Adolescentes cheios de opiniões nas redes sociais são muito novinhos para se lembrar de como eram comuns as inanições no passado. Hoje, obesidade e diabetes, ou seja, excesso de calorias diárias, já sem tornaram um grande problema de saúde não só nos países ricos, mas também na África sub-saariana, na América Latina e no sudeste asiático.
  • Amante da Lógica  15/04/2019 18:34
    "em uma economia de mercado, em nada me subtrai o fato de o cara do outro lado da rua ser um bilionário e eu não"

    Os invejosos não querem tomar as suas coisas para eles. Eles apenas querem que você não mais tenha as suas coisas.

    A guerra da esquerda contra a "desigualdade" e a "riqueza" não é e nem nunca foi para melhorar a vida dos pobres. Nada do que seria eventualmente confiscado dos ricos iria para os pobres. O que a esquerda quer é simplesmente empobrecer os ricos e tornar todos igualmente pobres, pois assim irá "salvar o planeta" e, de quebra, ampliar seu domínio político via expansão do assistencialismo.
  • anônimo  15/04/2019 18:47
    Sim, o progresso tecnológico permitirá que populações pobres adquiram maior conhecimento, informação e autonomia.

    Porém, a questão mais importante é se haverá ampliação da liberdade econômica e da aplicação de outros princípios liberais e conservadores. Os Estados sempre recusam-se a diminuir e sempre tendem a crescer, obstruindo o desenvolvimento e causando empobrecimento.

    Como já disseram aqui mesmo neste site, quanto mais o keynesianismo [e o marxismo] fracassam, mais eles ressurgem.
  • Daniel  15/04/2019 18:54
    Uma coisa não anula a outra. Aliás, essa própria expansão da tecnologia e da informação ocorreu apesar dos estados, e não por causa deles. Logo, não serão eventuais recaídas ao dirigismo e ao keynesianismo que irão abolir o progresso. Eles podem no máximo retardar, mas não revogar.
  • Capital Imoral  15/04/2019 19:49
    A nova mão invisível é uma farsa

    Vivemos numa época em que tudo, absolutamente tudo, está sendo substituído pela administração, impessoal, das coisas. Desde o nosso tratamento a família até a relação para com o governo, em praticamente tudo, há uma "nova mão invisível", sempre racional, guiada unicamente pelo avanço das ciências e da técnica. Engana-se quem pensa que esta nova mão invisível é aquela apresentada nos termos de Adam Smith. Segundo a nova teoria da mão invisível, a independência de uma unidade coordenadora deixou de ser válida somente à economia de mercado.

    O progresso técnico-científico, inválida a política e a torna supérflua, dispensável, perante a universalização das razão enquanto ocorrem as relações próprias da tecnologia e da ciência. O homem moderno foi diretamente afetado pelo progresso e isso mudou sua relação com o mundo.

    Nesta nova teoria, está contida a fé dos neoliberais modernos, onde a natureza humana perderia sua substância natural em benefício da força racional promovida pela ciência e técnica. Os interesses pessoais, os conflitos de valores e visões de mundo, seriam gradualmente anulados pelas consequências sociais das trocas voluntárias. Esta nova mão invisível estaria influenciando as convicções e valores. Mas engana-se quem pensa que isso irá terminar bem.

    Quando a ciência deixa de cumprir seu papel
    A impessoalidade da técnica sempre estará submetida a pessoalidade da condição humana. O próprio ato de querer impor tal impessoalidade, vide neoliberais e sua grande narrativa da experiência histórica racional, revela uma condição de valor e uma busca por uma pedra de toque em um mundo inconstante e instável. No fundo, neoliberais fazem de tudo para esconder sua natureza tribal - vide objetivistas. Ninguém quer ser macumbeiro ou fanático religioso, todos querem uma capa da Science para chamar de sua.

    Mas será que o método científico está livre do tribalismo?

    Antigamente, quando alguém afirmava crer no método científico, significava acreditar fielmente, que o universo é regido por leis naturais que podem ser descobertas pela observação e lógica. Muitas vezes, fazer tal afirmação tinha como consequência perseguição política e social.

    Hoje em dia, a ciência conquistou tal prestígio, que o imaginário popular pegou a impessoalidade cultural da nova mão invisível e criou uma ciência sob demanda. Tal ciência funciona como sinalizador social. Atualmente, "eu creio na ciência" é apenas uma forma educada de afirmar "veja como minha pauta é boa, a ciência está provando". Eu posso ser um jumento que não sabe nada de matemática, física ou química, mas certamente sei dizer que "creio na ciência". São pouquíssimas pessoas que têm paciência para ciência real. O mundo moderno, com seus usuários de Iphone, prefere uma ciência imaginária à mais prosaica realidade. A ciência é nova Netflix.

    E isto é muito triste porque uma pessoa só pode alcançar a idade adulta, quando consegue discernir, por seus próprios meios, entre aquilo que é verdadeiro e o que é falso, formando um juízo pessoal sobre a realidade objectiva das coisas. A verdadeira ciência é uma observação individual feita por fatos, evidências, teorias e experimentos; crer não faz parte do processo científico.

    A ciência atual é mais um indício que a independência de unidade coordenadora deixou de ser válida somente à economia. As pessoas estão contestando (algo bom), e até mesmo modelando a ciência para caber em suas ideologias e visões de mundo (algo ruim). A certeza do mundo moderno faz de tudo para esconder o tribalismo que há na natureza humana. Perceba: a ciência influencia a nova mão invisível, que por sua vez influencia a ciência; é um ciclo onde o subjetivismo humano ganha e a ciência perde.

    O homem moderno é uma bomba
    Ora, se a ciência pode ser modelada, por que sistema técnico-científico não? A internet é uma maneira de prever a realidade social baseada unicamente no sistema técnico-científico. Embora seja desejo dos neoliberais, a liberdade em um sistema de trocas voluntárias, de forma alguma trouxe o pragmatismo supra-ideológico, caracterizado por um desinteresse a motivação humana; pelo contrário, embates, violência física e psicológica tornaram-se uma realidade constante. As paixões humanas não foram dispensadas com o avanço do livre mercado de ideias. Os grupos extremistas, e suas ideias, não abandonaram seu extremismo por haver uma nova ferramenta no mercado, pelo contrário, intensificaram.

    Os mais atentos perceberam o problema logo no início do artigo: costumes e tradições mudam o contexto das relações mútuas. De fato, o homem moderno poderia viver numa sociedade racional, e até mesmo libertária, mas sempre haveria a liberdade mútua de ensinar os próprios filhos, e isso inclui ensinar que podem ter 72 virgens no paraíso se obedecerem direitinho os mandamentos de Alá; se, eventualmente, houver um ataque a sinagogas, é mera coincidência que a nova mão invisível não irá computar. Este mesmo homem poderá arranjar casamentos para suas filhas de 9 anos; afinal, tudo irá fluir naturalmente, voluntariamente, igual os usuários de Bitcoin diante da Receita Federal. Por um lado, a nova mão invisível promete o paraíso racional das trocas voluntárias sem assumir seus custos. Por outro, os homens, sempre eles, quebram e corrompem os códigos universais de conduta.

    Conclusão
    Não é o poder, ou até mesmo o domínio tecnológico e científico, que faz um homem ser pacífico e agir de determinada maneira. Mas aquilo que ele respeita; e isso vale tanto para ciência como para tradição. Atualmente, ambas são formas distintas de tribalismo. Estamos aprendendo que, em política, no sentido social das relações humanas, ter razão não basta. O capitalismo e sua preferência temporal pela razão está sujeita a condição humana, que sempre irá triunfar. A nova mão invisível é uma farsa.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Jorge  15/04/2019 21:21
    Nah, seu comentário anterior foi melhor.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2866#ac232985

    Mas humor é isso mesmo. Tentativa e erro. Não se pode acertar sempre.
  • Jessé Souza  15/04/2019 21:01
    O problema é a desigualdade. O Brasil até hoje não tem conseguido incluir a maior parte da sua população nas benesses do mundo moderno. Obviamente esse é o grande ponto.

    A escravidão ainda persiste no Brasil. Ela persiste de novas formas. Ela persiste no sentido de que tem aqui uma multidão — mais de 50% da população brasileira — exercendo atividade semiqualificada. É trabalho manual, é trabalho sem grande incorporação de conhecimento, exatamente como o trabalho escravo. Essas classes populares são odiadas e desprezadas, como os escravos eram. A polícia mata os pobres e negros na favela e ninguém se comove porque os pobres e negros são percebidos de modo desumanizado, como os escravos eram. A escravidão perpassa o núcleo da sociedade brasileira. E boa parte da classe média tem preconceitos de senhor de escravo e da elite com relação a esse povo. O que eu tento mostrar é como essa escravidão se torna a base e o centro de tudo que a gente está vivendo hoje. Nós somos filhos da escravidão, isso nunca foi percebido. É como se fosse uma coisa que aconteceu há muito tempo e não tenha mais nada a ver hoje. É o contrário. A escravidão continua. Para mim, essa desigualdade doente de hoje vem da escravidão.

    Há uma grande mentira aí: a que diz que a grande questão que impede que o Brasil seja uma nação desenvolvida e rica, como as nações europeias ou a norte-americana, é a corrupção do Estado. Essa é a principal mentira. Isso foi construído por ideias, por intelectuais em São Paulo, desde a década de 1930, quando a elite local ficou sem o poder político. Essa elite já era a mais forte, era proprietária das indústrias, das fazendas de café — a semente do que hoje é o agronegócio. Sem poder político, essa elite precisava criminalizar e estigmatizar o Estado, sobre o qual havia perdido o controle.

    A corrupção no Estado nunca foi o nosso problema principal. É claro que existe, é claro que se rouba no Estado. Mas se você compara a merreca que a Lava-Jato diz ter recuperado para os cofres públicos com o que realmente se rouba no mercado, é ridículo. Seis anos passando um scanner na corrupção da Petrobras e se recupera menos do que a empresa pagou de multa para os americanos. As isenções fiscais para latifundiários somam dezenas de bilhões todos os anos. Para os bancos ainda mais. Sem contar a dívida pública, Selic etc. A corrupção feita pela elite de proprietários, pelo agronegócio e pelos bancos e grandes empresas é um milhão de vezes maior do que o roubo do aviãozinho do tráfico, que é como eu chamo o roubo do político.

    A Lava Jato é um embuste total. Ela serve exatamente para esse tipo de coisa, para denunciar esse roubo dos políticos e reforçar esta mentira, para tornar invisível o grande assalto do mercado e dos bancos. A corrupção sistêmica esta no mercado financeiro. Isso explica que os bancos tenham os maiores lucros de sua história, com um juro de 6,5% ao ano e o país na maior miséria.


    Jessé Souza é Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e professor da UFABC .
  • Juliano  15/04/2019 21:22
    Fique à vontade para escolher o que quiser. E tente refutar. Há fatos, dados e argumentos, e não meras efusões de coitadismo, como nesse texto do Jessé.

    Cinco medidas do governo que aumentam a concentração de renda

    As quatro causas da desigualdade brasileira

    A tragédia da inflação brasileira - e se tivéssemos ouvido Mises?
  • leitor do Jessé de Souza  15/04/2019 22:06
    Se o Jessé de Souza viesse aqui e lesse este textos que o "refutam", o que ele diria? Eu imagino que ele diria que estes textos fecham os olhos para a história do Brasil, fecham os olhos para a herança da escravidão, como o Jessé descreve no livro e nas entrevistas. Os textos sequer citam a escravidão. E a escravidão existiu e deixou traços. Faça o seguinte: visite uma periferia e observe o perfil dos moradores: 90% são negros e mestiços que praticam trabalho braçal, de baixa qualificação e de baixa remuneração. Por outro lado, vá a um bairro de classe média alta: 90% dos moradores são brancos. Ou seja, os traços da era da escravidão persistem: temos uma elite branca e uma classe subalterna negra e mestiça, como era na escravidão. Este é o principal argumento dele. E esse é um dos argumentos do movimento negro para ações afirmativas como cotas.
  • Humberto  15/04/2019 22:20
    Escravidão e colônia explicam a pobreza e a desigualdade? Legal. O Canadá foi uma colônia. Austrália, Nova Zelândia e Hong Kong também foram colônias. Aliás, o país mais rico do mundo, os Estados Unidos, também foi colônia. E com escravos. Por outro lado, Etiópia, Libéria, Tibete, Nepal e Butão jamais foram colônias, mas hoje abrigam as pessoas mais pobres do mundo.

    É realmente necessário ser um acadêmico brasileiro para falar tanta merda impunemente e ainda ser venerado.
  • Bernardo  15/04/2019 22:26
    A característica precípua de um intelectual acadêmico brasileiro é ostentar orgulhosamente a própria ignorância, e fazer dela o próprio argumento do debate.
  • leitor do Jessé de Souza  15/04/2019 22:42
    Os EUA são ricos. Mas observe que os Estados do Sul, que mantiveram a escravidão por mais tempo, são os mais pobres dos EUA. Por que será?
  • Historiador Honesto  15/04/2019 23:29
    Essa é fácil.

    O crescimento e a industrialização dos EUA começaram na década de 1820 com as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie.

    Tudo isso antes de 1860 (quando realmente houve elevação das tarifas de importação, que foi o estopim da Guerra Civil).

    Os estados americanos que mais se enriqueceram durante esse período anterior a 1860 foram os do nordeste. E o motivo é simples: os grandes industriais europeus aportaram lá, na Nova Inglaterra. Esse é um fenômeno que simplesmente não pode ser ignorado em qualquer análise econômica minimamente séria.

    E aí houve o inevitável: regiões industrializadas sempre viram protecionistas. Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial. Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter. O sul queria livre comércio porque também era a única maneira de exportar sua produção.

    Isso impulsionou os estados do sul se rebelaram. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    (Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.)

    Com a vitória do norte, tarifas protecionistas foram implantadas que vigoraram até o ano de 1900, caindo a partir dali).

    Como consequência dessa imposição tarifária e da destruição do livre comércio, o sul empobreceu (e, até hoje, é mais pobre do que o norte).

    Tarifas fizeram exatamente o que prometiam: protegeram (de 1865 a 1900) aquelas indústrias do nordeste americano que já estavam estabelecidas, e empobreceram o resto do país. E, de quebra, mataram 600.000 civis em uma guerra.

    Alguns detalhes:

    1) Até 1913, a única forma de o governo federal americano se financiar (a única forma que era permitida pela Constituição) era por meio de tarifas de importação. Ou seja,toda a carga tributária federal se resumia a tarifas de importação.

    2) A Morrill Tariff elevou progressivamente a tarifa de importação de 15% em 1860 para 44% em 1870. Foi uma década perdida para os EUA.

    A partir de 1870 a tarifa voltou a cair, chegando a 27% em 1880, a 15% em 1910 e a 7,7% em 1917.
  • historiador  16/04/2019 15:25
    Historiador honesto, sua explicação é convincente. Mas não se pode subestimar o papel da escravidão quanto à história econômica do sul dos EUA e os países subdesenvolvidos. Observe a diferença das elites: o Norte dos EUA tem uma elite industrial, mais voltada à indústria da tecnologia, enquanto o sul tem uma elite mais agrária (isso é característica de país de terceiro mundo, o Brasil também tem uma elite arária, ligada ao agronegócio). O fato é que, os países com histórico de escravidão (e eu incluo o sul dos EUA), são regiões mais atrasadas. E digo mais: se o sul tivesse se separado, eles seriam hoje mexicanos falando inglês (acho que você entende o que quero dizer, né?)

    Eu até concordo que o Jessé Souza viaja na maionese quando ele atribui ao racismo, ao elitismo, o fato da sociedade apoiar quando a polícia mata um bandido. Não concordo com isso. Mas o Jessé Souza está certo ao atribuir à herança escravista, o subdesenvolvimento e o atraso do Brasil e do sul dos EUA.
  • Guilherme  16/04/2019 16:04
    Tenta sacar em outro lugar. O sul dos EUA é, em termos per capita (ajustado pelo poder de compra), mais rico que vários países da Europa. O Tennessee e a Carolina do Sul são mais ricos que a França. Lousiana, Kentucky e Alabama são mais ricos que o Reino Unido. Arkansas é mais rico que Itália (e que o Japão). E o Mississippi, que é o estado americano mais pobre, é mais rico que os colonialistas Espanha e Portugal.

    Estes estados americanos possuem rendas maiores que a maioria dos países europeus

    Pare de ficar exaltando esse coitadismo tosco. Essa ideia de colocar a culpa de nossas falhas em terceiros, e num passado distante, é coisa de derrotado que não tem coragem de enxergar a realidade. Somos pobres por escolhas nossas, por atitudes nossas, e não por causa de um passado distante.

    A Austrália "nasceu" como um mero campo de presidiários, onde os britânicos desovavam seus presos (a "escória do Reino Unido"). Olha o que o país virou.
  • Alexandre  16/04/2019 20:41
    Houve uma época em que a esquerda tupiniquim citava Eric Hobsbawn e Darcy Ribeiro (e, ocasionalmente, até mesmo Gilberto Freyre). Hoje ela cita Jessé de Souza...
  • historiador moderno  16/04/2019 22:46
    Puxa, dizer que Louisiana é mais rica que o Reino Unido é uma piada. Observe New Orleans, é uma cidade subdesenvolvida.

    Não sei daonde provem a fonte de suas informações. Mas o fato é que a decisão da união de abolir a escravidão foi o que desencadeou a declaração de separação dos estados do sul. Então, esse não é um fator que pode ser considerado sem importância. Ninguém que tenha estudado a questão ignora que a guerra da união contra os confederados foi uma guerra contra a secessão. Há quem diga que Lincoln foi um "tirano", um "genocida", que a escravidão no sul dos EUA poderia ter sido abolida pacificamente. Não sei como. Estive pesquisando sobre a escravidão nos estados do sul. Os estados restringiam, outros até mesmo proibiam, a concessão de alforria privada aos escravos. Na Carolina do Sul, por exemplo, o escravo só poderia obter a alforria com a permissão do Legislativo. Então, nem mesmo a opção de arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos escravos (uma das formas de se abolir a escravidão de forma pacífica), os abolicionistas, ou os próprios escravos, tinham. Então, eu não sei como os escravos poderiam obter a liberdade de forma pacífica no sul dos EUA. Se o sul tivesse se separado, a escravidão duraria mais tempo (em vez de ter sido abolida em 1865, teria sido abolida em 1880 ou 1885). A escravidão deixou um legado. Pq 80% dos moradores dos guetos em New Orleans são negros e mulatos?
  • Bernardo  17/04/2019 05:04
    "Observe New Orleans, é uma cidade subdesenvolvida. [...] Pq 80% dos moradores dos guetos em New Orleans são negros e mulatos?"

    Ooops... Ainda bem que a internet permite o anonimato e você não se identificou. Mas é sempre legal ver o peixe morrendo pela boca (ou, no seu caso, pelo dedo).

    Ah, sim, os dados que você pediu estão no hiperlink acima. Em termos de PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra, a população da Louisiana (que não se resume a Nova Orléans) é mais rica que a do Reino Unido (que não se resume à Inglaterra, pois também inclui os bem mais pobres Irlanda do Norte, País de Gales e Escócia, que aliás votaram contra o Brexit e contra a própria secessão do Reino Unido, pois querem continuar recebendo repasses assistencialistas).
  • thiago  01/11/2019 15:09
    A literatura ajuda a entender as relações sociais de uma época. Sugiro a leitura de "As aventuras de Huckleberry Finn", um clássico de Mark Twain.
  • Anti empregadora de vagabundos.  15/04/2019 21:57
    Tinha que ser um funcionario publico de faculdade que vive do dinheiro esbulhado do povo. Para essa cambada vale tudo,ate ser chamado de vagabundo pelo Lula,seu idalo. É muita falta de carater.
  • Isaias Moresco  16/04/2019 01:56
    O problema não é a desigualdade. É a pobreza.
  • L Fernando  16/04/2019 16:10
    Eu não sei até hoje porque a Africa não é uma pujança econômica de primeiro mundo.
  • anônimo  16/04/2019 20:25
    Praticamente todos países africanos são nacionalistas ou socialistas. Só quatro países são mais livres e os que não se encaixam nisso, são civilizações sem nenhuma segurança jurídica. Não há sentido em investir na África, é preferível investir no Brasil.
  • Voltaire  15/04/2019 21:37
    Sobre os livros: estão cada vez mais baratos e mais acessíveis. A Estante Virtual, por exemplo, reúne livreiros de todo o Brasil que podem vender livros novos e usados a preços baixíssimos sem mais a limitação geográfica; obras em outros idiomas, coisa da elite até poucos anos, podem ser comprados por algumas dezenas de reais.

    O livre-mercado vai além: a "internet" disponibiliza milhões — sim, milhões — de livros gratuitos em diversas línguas e você consegue aprender outros idiomas com aplicativos que não lhe custam um centavo e vivem de propaganda pouco intrusiva após cada lição — Duolingo faz isso!

    Se eu tivesse nascido em 1976, vinte anos antes, teria que comprar um curso d'O Globo de inglês e torcer para achar um livrinho em inglês em uma biblioteca municipal. Hoje? Tenho o recém-lançado livro do Shapiro no meu celular e custou mais barato que alguns livros em português.

    Graças ao livre-mercado e à tecnologia meus filhos serão quase todos poliglotas — e os seus também — ler vários livros em vários idiomas serão tão naturais amanhã como ter livros em casa é natural hoje…

  • Don  15/04/2019 23:51
    Sim. Um cidadão comum munido de um smartphone hoje tem acesso instantâneo e muito mais completo a todo o saber do mundo do que um bilionário de 30 anos atrás.

    O bilionário até poderia comprar todos os livros, enciclopédias e jornais científicos da época, bem como todas as revistas semanárias e jornais diários (haveria muita dificuldade para guardar todos eles, mas isso é o de menos), mas o acesso dele à informação, mesmo sendo um bilionário, dificilmente seria maior e melhor que o acesso do cidadão comum de hoje.

    E com um detalhe: o cidadão hoje tem acesso instantâneo às notícias. No caso do bilionário de outrora, elas só chegariam, na melhor das hipóteses, com um dia de atraso. Ademais, o bilionário não tinha nada sob demanda. Já o cidadão comum, hoje, ao simples deslizar um dedo, tem acesso a toda e qualquer informação que queira, bem como a milhares de livros e filmes que podem ser lidos e vistos a qualquer momento. Pode também assistir, gratuitamente, a vários telejornais.

    Isso é de uma riqueza insondável. Aquele que souber utilizá-la irá também enriquecer financeiramente.
  • Intruso  15/04/2019 22:41
    De que me adianta os mercados estarem bem abastecidos se me falta emprego e recursos monetários para satisfazer as minhas necessidades mais básicas? Na democracia capitalista o ser humano desempregado possui uma única liberdade: a de passar fome.
  • Sincero  15/04/2019 23:40
    "De que me adianta os mercados estarem bem abastecidos se me falta emprego e recursos monetários para satisfazer as minhas necessidades mais básicas?"

    Se lhe falta emprego, é necessário ver em qual área você quer atuar. Se você quer atuar em uma área na qual não há demanda dos consumidores, então não há mágica. Você não irá conseguir nada mesmo. Se, por outro lado, há demanda, mas você não consegue emprego, então é porque ou você é ruim e improdutivo (não se ofenda) ou porque as regulações estatais (encargos sociais e trabalhistas, bem como todos os impostos que incidem sobre os empreendedores) tornaram sua contratação proibitiva.

    E se você não tem recursos monetários é porque ou você não poupou e não investiu, ou porque você não soube satisfazer as demandas dos consumidores. Você não soube criar valor.

    No capitalismo, você tem de criar valor para terceiros para poder ganhar dinheiro. O dinheiro é simplesmente um certificado de performance. É a prova de que você criou valor para terceiros. Se você é um indivíduo que sabe criar valor para terceiros, você terá dinheiro e, logo, a liberdade de ter e consumir o que quiser.

    Já se você é um sujeito imprestável, incapaz de criar valor para ninguém, então de fato você não poderá nem ter e nem consumir o que quiser. E nada mais justo e moral do que isso: se você não presta pra nada nem pra ninguém, então você realmente não tem serventia nenhuma. Consequentemente, não há por que ter acesso irrestrito a bens e serviços que outras pessoas labutaram tanto para produzir.

    Querer ter acesso a bens e serviços sem ter desempenhado nada a ninguém significa simplesmente querer escravizar terceiros. Por isso, não houvesse dinheiro, a escravidão estaria generalizada.

    "Na democracia capitalista o ser humano desempregado possui uma única liberdade: a de passar fome."

    Pelo visto, você acabou de chegar ao mundo.

    Se você encontrar alguém voluntariamente disposto a lhe sustentar, você poderá usufruir todas as benesses produzidas pelo capitalismo (que não existem no socialismo) sem ter de trabalhar. E ainda viverá muito bem, fazendo o que quiser.

    E de novo: querer ter acesso a bens e serviços sem ter desempenhado nada a ninguém significa simplesmente querer escravizar terceiros. Por isso, não houvesse dinheiro, a escravidão estaria generalizada.

    De resto, sua descrição cabe perfeitamente, aí sim, ao socialismo (pense na Venezuela). Lá, se até mesmo um empregado assalariado passa fome, imagine um desempregado? As mulheres fazem isso aqui.
  • L Fernando  17/04/2019 14:31
    E na democracia socialista como isso funcionária? Explique?
    Venezuela é logo ali.
  • Estado o Defensor do Povo  16/04/2019 03:30
    Caraca às vezes eu me pergunto porque as abordagens sobre como um país enriquece diferem tanto de autor para autor, não sei se muitas vezes autores que fazem sucesso escrevem seus livros com a intenção de enganar mesmo, ou se são só frutos de erros humanos, estou lendo o "chutando a escada" de Ha-Joon Chang e percebo muito no livro dele que ele faz muita correlação sem provar o ponto dele, sem dizer o porquê daquilo, assim já li 1/3 do livro e até agora o livro é só isso, basicamente o que ele defende é que quanto mais protecionista um país é na sua indústria nascente, mais próspero ele se torna, quanto mais o Estado intervém, melhor, e lança o exemplo de inúmeros países europeus, Tigres Asiáticos e EUA, que eram protecionistas e tinham pesadas cargas tributárias no século XVII, XVIII e XIX, e que como eles enriqueceram, logo um causou o outro, mas não explica em termos econômicos como isso pode ser possível, e é fácil perceber no livro dele que ele peca muito nisso, omite muitas informações, não sei como tem tanta gente que leva aquilo tão a sério, eu sinceramente fico meio desconfortável de teorias completamente opostas coexistirem no campo da economia, desvaloriza muito ela como um campo de estudo, e fica muito mais difícil convencer as pessoas, porque é como se cada escola de economia fosse apenas um emaranhado de opiniões e que não existe certo e errado, aí esses caras que defendem protecionismo e Estado grande conseguem escrever qualquer livrinho que não tem uma forte base lógica e convencer muitos num passe de mágica, e é incrível como eles são muito mais eficientes nisso, enfim, só descontando minha frustração aqui no IMB.
  • Leandro  16/04/2019 05:10
    Sua constatação está certa.

    Chang é apenas (mais um) ideólogo desenvolvimentista em defesa das reservas de mercado para as grandes corporações (e, curiosamente, a esquerda diz que os libertários é que são os defensores das grandes empresas).

    Ele é especialista em fazer propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados. E o faz com credenciais acadêmicas, o que traz mais respeitabilidade ao mercantilismo. Os políticos e os grandes empresários que têm pavor da concorrência adoram.

    Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

    O grande problema do livro (Chutando a Escada) é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

    Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Cingapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

    Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. E em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

    A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

    Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Vale lembrar que a Coréia do Sul no início da década de 1960 era mais pobre do que a Coréia do Norte. E mesmo assim os japoneses investiram lá. E deu no que deu.

    Caso domine o inglês:

    mises.org/daily/2001

    mises.org/daily/2960

    Em suma: o livro é apenas propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados coreanos. A teoria de Chang é a de que reserva de mercado e abolição da concorrência são exatamente o que fazem algo prosperar, se modernizar e se tornar pujante. Economia fechada e reserva de mercado são o que cria pujança e prosperidade. Atentado à lógica.

    Vale lembrar que o Brasil já é assim desde que foi descoberto em 1500. Por favor, cite um único período do país em que tivemos tarifa de importação zero. Aliás, facilito: cite um único período que tivemos baixas tarifas de importação.

    Temos a economia mais fechada entre os países sérios, e nada de a indústria progredir e ficar pujante.

    Logo, o Chang deve explicações.

    A teoria que ele defende -- "economia protecionista gera indústria pujante" -- é aplicada no Brasil desde 1500. E nada de ela finalmente se comprovar.
  • Gustavo A.  16/04/2019 13:15
    As respostas do Leandro são aulas de economia!
  • Matheus  20/04/2019 15:19
    Definitivamente ele tem de lançar um livro dando aulas de economia um dia!


    Explica sem medo, de forma simplificada e de fácil entendimento para todos - mesmo para os leigos, como eu - sobre economia.
  • Emerson Luis  03/06/2019 19:55

    As pessoas comuns que acreditam nas narrativas da esquerda em geral são desinformadas, confusas, imaturas. As médias e altas lideranças da esquerda sabem que essas narrativas são apenas pretexto para abocanhar cada vez mais poder. É por isso que não importa quantas e quais melhorias ocorram, eles sempre reclamam cada vez mais.

    * * *
  • Wesley  31/10/2019 19:53
    O que o governo teria que fazer para o real valorizar e o dólar voltar na faixa dos 3 reis?
  • Leandro  31/10/2019 23:49
    Para jogar o dólar para R$ 3, basta o Banco Central sair fazendo sucessivos leilões-surpresa, com dólar sendo vendido, a cada leilão, a preços menores que o leilão anterior. (Veja neste comentário uma descrição sobre isso).

    Mas tal medida não seria sustentável porque o "preço correto" do dólar, segundo a teoria da paridade do poder de compra, é de aproximadamente entre R$ 3,50 e R$ 3,60 no momento atual. Tão logo o dólar chegasse a R$ 3, ele imediatamente voltaria a subir. Reservas seriam queimadas desnecessariamente – a menos, é claro, que os reais coletados pelo Banco Central com os leilões de dólares fossem utilizados para comprar títulos públicos em posse do mercado.

    Neste caso, a dívida bruta permaneceria inalterada, mas a dívida em posse do mercado cairia acentuadamente, o que sempre é bom.

    Dito isso, por enquanto, o dólar a R$ 4 não incomoda, pois os preços das commodities, em reais, estão bastante contidos. Veja a evolução, em reais, do índice CRB:

    ibb.co/wJpgTH7

    Ainda mais importante do que estabilizar o real em relação ao dólar é estabilizar em relação a uma cesta de commodities. Mais importante do que saber quantos dólares seus reais compram é saber quantas commodities seus reais compram.

    Preço de commodities é tão ou mais determinante do que a simples cotação dólar na determinação da inflação de preços. Afinal, commodities são insumos para a produção de bens e serviços da cesta de consumo. E, além de influir diretamente no custo de produção, os preços das commodities tendem influenciam os termos de troca e, consequentemente, a renda e a demanda domésticas.

    Felizmente, o Banco Central parece saber disso, tanto é que ele abertamente fala sobre isso em seus relatórios trimestrais de inflação.

    Veja, por exemplo, na página 34:

    www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2017/12/ri201712p.pdf

    E a própria alta cúpula do Banco Central reconhece que utiliza o IC-Br (Índice de Commodities - Brasil) como guia para a "inflação importada". Veja a partir do minuto 38:30:



    O IC-Br converte os preços (em dólares para reais) das principais commodities consumidas no Brasil. Como as commodities são precificadas em dólar, se o dólar encarece, as commodities tendem a encarecer em reais. No entanto, se o dólar encarece, mas as commodities barateiam em dólar (que é o que normalmente ocorre), então há estabilidade no preço das commodities em reais. E se o dólar encarece, mas commodities barateiam em dólar com mais intensidade do que o dólar encareceu em reais, então elas ficam mais baratas em reais. (Isso aconteceu em maio, junho, julho e agosto; vide no gráfico abaixo).

    Com efeito, esse Índice se tornou tão proeminente, que ele passou a ser o segundo destacado na lista dos Indicadores Econômicos Selecionados, atrás apenas do IBC-Br, que é a prévia do PIB:

    www.bcb.gov.br/estatisticas/indicadoresselecionados

    Veja a evolução do Índice de Commodities (já convertido para reais):

    ibb.co/1XFmmyR

    E perceba que há correlação com o IPCA

    ibb.co/C0FThSQ

    Portanto, se for para escolher, manter o IC-Br estável (ou, melhor ainda, declinante) já seria ótimo. Para fazer isso, aí sim, basta vender dólar (em troca de reais) e utilizar os reais para comprar títulos públicos em posse dos bancos. Ao fazer isso, a base monetária não se altera (logo, a Selic não é afetada) e o dólar barateia, o que já garante estabilidade no índice de commodities.

    Já que é para haver Banco Central, e já que ele é o "guardião da moeda", então faria muito mais sentido ele atuar para garantir o preço da moeda (seu real poder de compra) do que fixar o preço do crédito (a taxa de juros de curto prazo).

  • Gustavo  01/11/2019 01:44
    Leandro, e como que poderia ser feito uma transição para o padrão ouro no modelo atual?

    Outra pergunta, esses cortes recentes na Selic são bons mesmos ou só são mais um ciclo de novos malivesments?
  • Leandro  01/11/2019 13:37
    Se for para um padrão-ouro clássico, apenas com um Currency Board. No entanto, muito mais prático e igualmente efetivo seria adotar o preço do ouro como meta a ser perseguida pelo BC. Neste caso, o BC compraria e venderia títulos (ou dólares) com o intuito de manter o preço do ouro dentro de um intervalo pré-estabelecido (neste caso, ele abriria mão de controlar juros).

    Embora totalmente simpático a esta idéia, ainda creio que manter a moeda estabilizada em relação a uma cesta de commodities já dá conta do recado.

    Quanto aos juros, não vejo nada de errado com os cortes. O Banco Central está apenas "correndo atrás da curva", pois o próprio mercado já havia reduzido os juros antes dele – normal, pois os preços das commodities estão baixos, a expansão do crédito para empresas segue nula e a inflação de preços segue controlada.

    Aliás, este Instituto passou praticamente a última década dizendo que os juros altos do Brasil eram consequência do descontrole do crédito dos bancos estatais (veja alguns exemplos aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), e que se os bancos estatais fossem controlados, a SELIC poderia tranquilamente desabar. Exatamente como está acontecendo.
  • Estado o Defensor do Povo  01/11/2019 16:24
    Calma lá, tem algum conhecimento muito crucial que eu tô deixando escapar, por que o normal seria os juros diminuírem no Brasil se a poupança é baixa e a inadimplência é alta?

    Você fala da inflação de preços, blz aí eu entendo, mas como expansão de crédito nulo e preços das commodities baixo diminuiria os juros? Na minha cabeça com preço das commodities baixo, as pessoas são incentivadas a consumir e consequentemente a poupança diminui e os juros aumentam, não é lógico isso? E expansão de crédito não é exatamente isso? Juros baixos(não tão baixos) e bancos emprestando? Juros não é meramente oferta e demanda de crédito? Quê que eu tô deixando passar?
  • Leandro  02/11/2019 00:37
    "por que o normal seria os juros diminuírem no Brasil se a poupança é baixa e a inadimplência é alta?"

    Isso necessitaria de um artigo inteiro, mas, de maneira bem grosseira e direta, eis as respostas:

    1) Porque os juros estão em queda no mundo inteiro (negativos na Europa e caindo nos EUA), o que permite reduções aqui sem fuga de capitais.

    2) Por causa da mudança demográfica. Com o envelhecimento da população, aumenta-se a poupança para o futuro: populações menos jovens tendem a poupar mais, pois sabem que precisarão deste dinheiro no futuro, principalmente em um futuro em que sabem que não poderão contar com a previdência social.

    3) Por causa do aprofundamento da tecnologia. Ao aumentar a eficiência da produção, a tecnologia reduz a demanda por empréstimos no mercado de "loanable funds" (fundos emprestáveis). São necessários menos empréstimos para se efetuar os mesmos investimentos.

    4) Porque a inflação de preços está mundialmente baixa. Inflação de preços baixa significa que não há expectativa de elevada perda no poder de compra da moeda. Sem este risco de perda no poder de compra da moeda, os juros demandados nos empréstimos são menores.

    Isso é algo totalmente meu, mas, como já havia dito em palestras deste Instituto, não visualizo SELIC alta, e acho que os juros baixos vieram para ficar -- até porque eu mesmo nunca defendi manipulação de juros como remédio para carestia: manipular juros é ver a economia pelo lado da demanda, e eu sempre analiso pelo lado da oferta.

    A maneira certa de combater carestia não é reduzindo a demanda e a oferta (que é o que faz a elevação dos juros), mas sim fortalecendo a moeda (algo que nada tem a ver com juros) e aumentando a oferta.

    "Você fala da inflação de preços, blz aí eu entendo, mas como expansão de crédito nulo e preços das commodities baixo diminuiria os juros?"

    Exatamente porque não há risco de carestia. Se você empresta dinheiro para alguém e imagina que haverá uma grande inflação de preços (acentuada perda do poder de compra da moeda), você cobra juros altos para se proteger. Mas se, por outro lado, você prevê inflação de preços nula, então você não mais embute nos juros este risco inflacionário. Daí os juros caem. Juros altos é coisa de moeda pouco confiável e com alto risco inflacionário.

    "Na minha cabeça com preço das commodities baixo, as pessoas são incentivadas a consumir e consequentemente a poupança diminui e os juros aumentam, não é lógico isso?"

    Se houver essa explosão do consumo, ok. Mas não visualizo isso (explicação acima). Ademais, como já dito, se os preços se mantiverem continuamente baixos, então você não mais irá embutir nos juros o risco inflacionário. Daí os juros serão naturalmente menores.

    De novo: juros altos é coisa de moeda pouco confiável e com alto risco de desvalorização (perda do poder de compra).

    "E expansão de crédito não é exatamente isso? Juros baixos (não tão baixos) e bancos emprestando?"

    Não está havendo expansão do crédito. E, mesmo se voltar a haver, o que interessa é o poder de compra da moeda. Se houver forte expansão do crédito, mas a moeda mantiver seu poder de compra, os juros irão continuar baixos.

    "Juros não é meramente oferta e demanda de crédito? Quê que eu tô deixando passar?"

    Juros embutem basicamente três coisas:

    1) risco do empréstimo;

    2) expectativas quanto à inflação de preços (perda do poder de compra da moeda) futura;

    3) preferência temporal.

    Se os três forem baixos, os juros serão baixos.

    Como eu disse, seria necessário um artigo inteiro explicando isso. Mas o básico é isso.
  • Estado o Defensor do Povo  02/11/2019 01:39
    Entendi agora, muito obrigado Leandro, outra dúvida posso interpretar a "preferência temporal" que você pôs no final de seu comentário como oferta e demanda de crédito? Parece besta mas é você tá dando a entender que juros não é oferta e demanda de crédito, o que vai contra a tudo que eu acreditava até agora!
    Bom, pelo que eu entendi desse artigo os juros são oferta e demanda de crédito(não tô falando de oferta monetária, eu sei a diferença), só teclar "ctrl+f" e escrever oferta.
    Culpa do Raphael do Ideias Radicais, ele disse que é oferta e demanda de crédito aquele imbecil (apelido carinhoso porque aquele cara é phoda :)
  • Estado o Defensor do Povo  02/11/2019 01:42
    É porque eu sei o que é preferência temporal, quando as pessoas se abstêm de consumir para poupar é porque a preferência temporal é baixa já que as pessoas tão pensando no futuro, se for o contrário ela é alta pois as pessoas tão pensando presente, só que eu não sei se posso encarar isso como sinônimo de oferta e demanda de crédito.
  • Leandro  02/11/2019 02:23
    "posso interpretar a "preferência temporal" que você pôs no final de seu comentário como oferta e demanda de crédito? Parece besta mas é você tá dando a entender que juros não é oferta e demanda de crédito, o que vai contra a tudo que eu acreditava até agora!"

    Preferência temporal: você quer dinheiro para agora, e não para o futuro, pois você precisa dele agora. Sua preferência temporal é alta. Já eu posso lhe emprestar agora, pois não tenho intenção de consumir muito agora, e posso perfeitamente abrir mão de dinheiro agora em troca de mais dinheiro no futuro. Minha preferência temporal é baixa.

    Dessa nossa interação surgirá uma taxa de juros, a qual:

    1) será tanto mais alta quanto maiores forem a minha e a sua preferência temporal,

    2) será tanto mais alta quanto menores forem minha disponibilidade de recursos a serem emprestados(minha poupança),

    3) será tanto mais alta quanto maior for a minha percepção de risco do empréstimo (o que inclui tanto sua possibilidade de calote quanto o risco de perda de poder de compra da moeda).

    Ou seja, sim, no final, tudo gira em torno de oferta e demanda, mas há vários fatores que irão influenciar tanto oferta quanto demanda. Se minha preferência temporal é baixa e eu tenho poupança para emprestar, os juros serão baixos. Mas se a percepção de risco for alta, os juros subirão. E por aí vai.

    Altere cada variável a seu gosto, e você será capaz de entender a lógica dos movimentos de juros.
  • Estado o Defensor do Povo  02/11/2019 02:40
    Entendi perfeitamente agora, muito obrigado.
  • Estado o Defensor do Povo  31/10/2019 20:50
    Olá, podemos dizer que a colônia cecília que aconteceu no paraná é uma prova de que o comunismo não dá certo?
  • Salvem o Ocidente  31/10/2019 21:59
    O Brasil é um país Ocidental? E a America Latina?

    Segundo os gringos - ou melhor, o livro de 1996 chamado '' O choque de civilizações'' a America Latina não é ocidental pois possuem valores,princípios e identidade própria. Alem de serem um mar de ditaduras e hiperinflação.


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