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Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia
Os gastos do governo são a consequência, e não a causa do crescimento econômico

O governo federal americano gastou US$ 4 trilhões em 2017. Já o governo federal da Argentina gastou US$ 161 bilhões no mesmo ano.

Ou seja, os gastos do governo federal argentino equivalem a míseros 4% dos gastos do governo federal americano.

Um desenvolvimentista olharia para esses números e imediatamente concluiria que o motivo de a Argentina ser mais pobre que os EUA está no fato de seu governo gastar menos que o governo americano. Se ao menos o governo argentino gastasse mais e tentasse se aproximar dos gastos do governo americano, todos os argentinos seriam mais ricos.

Em outras palavras, a economia argentina é ínfima comparada à economia americana porque os políticos argentinos são mais parcimoniosos que os políticos americanos.

Embora eu esteja exagerando um pouco (será mesmo?), esta comparação simplória mostra como a estatística, quando despida do domínio da teoria, pode obscurecer a realidade.

Um indivíduo minimamente versado em economia sabe que os gastos do governo federal argentino são uma fração dos gastos do governo federal americano precisamente porque a economia argentina é uma fração da economia americana.

Pelo mesmo raciocínio, os gastos federais americanos são gigantescos quando comparados a todos os outros países do mundo exatamente porque a economia americana é bem maior que a destes outros países.

No mundo real, um governo só pode gastar se o setor privado de seu país produzir riqueza para ele confiscar e gastar. Quanto maior for a riqueza produzida por este setor privado, maiores poderão ser os gastos do governo.

O governo americano pôde gastar US$ 4 trilhões em 2017 porque a produção e a geração de riqueza da economia americana foram várias vezes maiores que U$ 4,1 trilhões (o PIB foi de US$ 19,4 trilhões).

Se a economia americana fosse mais pobre — isto é, se seu setor privado fosse menos eficiente e gerasse menos riqueza —, os gastos do governo federal americano certamente seriam muito menores.

Questão de lógica

Quando se entende esta lógica econômica básica, teorias desenvolvimentistas que dizem que os gastos do governo estimulam a economia não apenas perdem o sentido, como, na verdade, passam a ser vistas como a própria inversão da realidade. Gastos do governo não podem estimular o crescimento econômico; ao contrário, seus gastos só são possíveis porque houve crescimento econômico.

Para o governo poder gastar, é necessário antes haver crescimento econômico. Sem este não há aquele. Sem uma anterior produção de riqueza, não há riqueza para ser confiscada e consumida pelo governo. Básico.

Se, por exemplo, em um passe de mágica, metade do governo americano desaparecesse (com seus gastos caindo de US$ 4 para US$ 2 trilhões), haveria US$ 2 trilhões a mais em posse do setor privado, disponíveis para ser investidos, consumidos ou alocados de acordo com as preferências temporais de cada indivíduo, e não de acordo com as conveniências de políticos, que sempre visam a eleições.

E os efeitos disso não podem ser minimizados.

Quando o governo federal gasta, isso significa que deputados, senadores, ministros, reguladores, secretários, comissionados e todos os tipos de burocratas estão desempenhando um papel substantivo na alocação de trilhões de uma riqueza que foi previamente criada pelo setor privado. Por outro lado, quando menos desta riqueza vai para o governo, isso significa que empreendedores, investidores e consumidores possuem mais recursos em mãos para produzirem e, consequentemente, multiplicar a riqueza à disposição de todos.

Truísmo

Dado que o governo só pode gastar aquilo que ele antes confiscou do setor produtivo, é ilógico dizer esta intervenção do governo na economia tem o poder de "estimular a produção e fazer a economia crescer".

Por isso, Mises nunca se cansava de repetir:

É sempre necessário enfatizar este truísmo: o governo só pode gastar ou investir aquilo que ele toma de seus cidadãos [via impostos ou empréstimos]. E seus gastos e investimentos adicionais restringem, na mesma quantidade, a capacidade destes cidadãos de gastar ou investir.

Os gastos do governo não têm como criar riqueza pelo simples motivo de que algo que só é possível em decorrência da apropriação de riqueza alheia não pode, por definição, criar riqueza nenhuma.

Para efetuar seus gastos, o governo tem necessariamente de: a) coletar impostos (ou seja, confiscar a riqueza de empreendedores, investidores e consumidores); b) pegar recursos emprestados (o que deixa empreendedores, investidores e consumidores sem crédito); ou c) imprimir dinheiro. 

Nenhuma destas três medidas cria riqueza. 

1) Impostos restringem a produção e o consumo. Se uma empresa tem menos dinheiro, ela não pode nem contratar mais mão-de-obra e nem investir mais, o que afeta sua produção e, consequentemente, a disponibilidade de bens e serviços. Se pessoas têm menos dinheiro, elas também não podem nem investir e nem consumir bens e serviços de empresas.

2) O endividamento do governo — ou seja, o governo pegar recursos emprestados para bancar seus gastos — faz com que haja menos recursos para serem emprestados para empreendedores, investidores e consumidores. O crédito está sendo desviado para bancar os gastos correntes do governo e não para sustentar as atividades produtivas. Isso não tem como gerar riqueza.

3) A criação de dinheiro pode apenas fazer com que os preços dos bens e serviços subam, pois imprimir dinheiro não tem o poder de fazer com que surjam mais produtos na economia. A existência de mais dinheiro (seja em papel-moeda ou em dígitos eletrônicos) não tem o poder milagroso de transformar recursos escassos em bens materiais. O dinheiro não é um meio de produção; ele não produz nem bens de consumo e nem bens de capital. Logo, aumentar a quantidade de dinheiro existente não causará uma maior produção de tratores, carros, computadores, máquinas, sapatos, tomates e pães. O dinheiro é simplesmente um meio de troca que facilita as transações.

Nenhuma dessas três medidas, portanto, cria riqueza. Consequentemente, nenhuma dessas três medidas pode "estimular uma economia". 

Você é o governo - e tudo piora

Entretanto, os efeitos dos gastos do governo são ainda piores. Eles não apenas confiscam riqueza, como na verdade destroem riqueza.

Imagine que você seja trilionário e esbanjador. Ou seja, imagine que você é o governo. Ato contínuo, você sai comprando computadores, laptops, carros, motos, jatinhos, imóveis, smartphones, televisões, tratores, caminhões, retroescavadeiras, toneladas de cimento, toneladas de café, inúmeras máquinas de fazer café, papel higiênico, sabonetes, gravatas, ternos e afins

Ao fazer essas compras, você está provocando dois efeitos: impedindo que haja uma maior abundância desses bens para as outras pessoas, e desviando recursos das indústrias, obrigando-as as produzir mais desses bens apenas para suprir a escassez deles.

Agora, imagine que você perdeu sua fonte de renda e repentinamente cortou seu consumo. Quais as consequências? 

1) Haveria mais bens disponíveis para os outros consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. Os mais pobres agradeceriam.

2) As indústrias não precisariam empregar recursos apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior abundância de bens. 

3) Os bens que já foram produzidos e não consumidos (isto é, os bens que foram poupados) poderiam ser empregados em outros processos de produção cujos produtos finais trariam óbvias satisfações para os consumidores.

Quando se entende esses conceitos, fica mais fácil perceber por que os gastos do governo desestimulam a poupança e atrasam o crescimento sustentável do país. 

Mesmo que o governo gastasse exclusivamente com funcionários públicos, o efeito seria mesmo. Afinal, para gastar, o governo precisa tributar ou pegar empréstimos.  Ambas as medidas configuram absorção de poupança e riqueza de toda a população (inclusive empreendedores e investidores), poupança essa que poderia ser utilizada para financiar projetos de expansão.

Conclusão

O raciocínio é realmente tautológico: para o governo gastar, ele tem antes de tomar de alguém (seja via impostos, seja via endividamento) ou imprimir dinheiro. Se ele tomou de alguém, esse alguém está agora impossibilitado de consumir ou de investir. Se ele imprimiu dinheiro, nada foi criado. E, ao gastar, ele depreda riqueza.

Como disseram Leandro Roque e Ubiratan Jorge Iório, "Impossível mensurar os custos econômicos das empresas que deixaram de ser abertas, dos empregos que deixaram de ser gerados e das tecnologias que deixaram de ser criadas simplesmente porque os investimentos não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo federal".  

Por tudo isso, os gastos do governo não podem ser vistos como uma força criadora de riqueza. Todo o gasto do governo ocorre à custa dos outros indivíduos da sociedade. Por definição. 

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Leia também:

A explosiva situação fiscal do governo brasileiro - em dois gráficos

Eis um gráfico que assusta e deprime: a evolução dos gastos do governo federal

 


autor

Thiago Fonseca
é graduado em administração pela FGV-SP e é empreendedor do ramo de eletroeletrônicos


  • Gilson  27/03/2019 19:41
    O keynesianismo é defendido por pessoas que querem ver o governo confiscando o dinheiro dos outros e redistribuindo para elas próprias. Tá cheio de professor universitário assim. É óbvio que essa gente não é burra; eles não acreditam na teoria. Eles defendem a política de tributar e gastar simplesmente porque elas próprias estão do lado beneficiado do esquema.
  • John Maynard Keynes  27/03/2019 20:00
    Pois é, por mais esquerdista que o sujeito seja, ele sabe que se a economia for depredada até a miséria da nação, ele também perderá bastante. O padrão de vida de um funça federal no Brasil é bem melhor que até o alto-escalão dos partidos comunistas mundo a fora. Ser elite em Cuba ou na Coreia do Norte? Pra que? Nâo ter liberdade, não ter acesso a serviços e bens de consumo? Isso explica porque muitos comunistas e socialistas migraram para a social-democracia. Quando algum soça fala "Ain mas o muro de berlim já caiu, não tem mais comunismo". Tem razão, foi substituído por algo mais maquiavélico ainda.
  • Roberto R.  27/03/2019 19:47
    Vale para o governo e para as pessoas também.

    Quando as pessoas consomem, além de elas abrirem mão do capital que têm para adquirirem o bem de consumo, elas dão início ao processo de depreciação do bem adquirido. Assim, perdem de imediato o valor que despenderam e ao longo do tempo parte do valor que adquiriram. Se esse consumo ainda se der através de financiamento, soma-se ao custo de depreciação o valor dos juros sobre o capital tomado emprestado.

    Sendo assim, em hipótese alguma o aumento do consumo de bens resulta no aumento da riqueza. Podemos até nos sentir felizes com o prazer de adquirirmos um bem, porém, ao longo do tempo, a tristeza vem e com ela talvez venha o arrependimento pela depreciação do bem, pela perda do capital que se tinha e do poder aquisitivo.
  • Lucas-00  27/03/2019 20:55
    Mas o que?
    Nunca senti tristeza depois de comer uma comida que eu comprei e ficar pensando que era melhor ter passado fome.
    Criticar a vontade de consumir é querer defender algo como a balança comercial.

    Até se você tirar a teoria de lado e colocar a prática: você trabalha apenas para ganhar dinheiro e não fazer nada com ele?
  • Raul RB  28/03/2019 17:08
    -- Para resumir: Ser rico é diferente de riqueza. Pode parecer confuso, mas um é o aspecto do capital do individuo, e o outro é um aspecto da economia. Em outras palavras ser rico é uma perspectiva subjetiva do tamanho do capital em relação a outros. E riqueza é o poder de produção e consumo de uma economia. Se riqueza é um termo confuso, pode trocar por bens ou produção de bens, vindo do termo "production of good" sendo que o oposto é a produção de males "production of bads".

    Inicie a análise pelo ponto de viste de alguém que está no livre mercado produzindo algum produto/serviço.

    Supondo que esse individuo criou riqueza e acumulou um capital, ao consumir parte dessa riqueza ele não está deixando a economia mais pobre, nem ele está ficando mais pobre. Um exemplo é um carro, todos sabem que ele deprecia ao longo da vida, mas se essa pessoa mora no interior, não tem outra forma de se deslocar. O ganho de produtividade que o veiculo traz para o seu dia a dia é maior que a depreciação.

    Mas ai vc vai perguntar, está bem, mas e para itens subjetivos e de lazer como uma televisão ou uma coleção de cartas pokemon?
    R: Como os recursos foram gerados por ele, apenas o individuo pode alocar de forma a tentar satisfazer suas necessidades, é provável que fique arrependido se assistir 5 horas seguidas de televisão (tempo é um recurso) ou que tenha gasto seu capital em uma coleção que é desnecessária a sua sobrevivência. Nem tudo tem logica, mas as escolhas devem ser feitas, e por isso mesmo que o capitalismo de livre mercado, trocas voluntarias, são a melhor forma, já que cada um tem que alocar o seus próprios recursos.


    Abr
  • Leandro C  06/09/2019 13:06
    "Roberto R. 27/03/2019 19:47"

    Concordo contigo; vale para o governo e vale para as pessoas também; a lógica é, de certa forma, a mesma.
    Contudo, uma coisa é você decidir como, ou com quem, você irá gastar a riqueza que você produziu; outra coisa bem diferente é outras pessoas (a democracia, o governo etc) decidirem como, ou com quem, irão gastar a riqueza que você produziu e eles, de algum modo, confiscaram.

    Perceba que certamente não irão gastar com você e, ainda que fosse, não seria de graça e, ainda que fosse de graça (o governo não cobrasse uma comissão considerável para isto), não seriam tão eficientes quanto você mesmo em como encontrar o ponto de equilíbrio mais próximo da perfeição entre gasto efetuado e satisfação obtida.

    Ora, se você lamenta e fica triste após cada gasto que efetua, então imagino o grau de tristeza que sente quando é o governo quem realiza tal gasto; de fato é triste, mas não perca também a parcela não confiscada; lute contra o confisco do governo, mas, ao menos, seja feliz com o que sobrar.

    Entendo que seu raciocínio está, de certa forma, correto; justamente por isto eu entendo que em uma economia sem o Estado, não haveria porque se buscar tanto o monopólio (inalcançável) em alguma atividade ou de se fazer com que a riqueza vá toda para o bolso de uma só pessoa, situação que parece tanto amedrontar os socialistas (que ironicamente atuam para que toda a riqueza converta para o Estado e, portanto, para os bolsos de quem manda no Estado).

    Perceba que o acúmulo de riqueza é apenas consumo não efetuado, portanto, de certa forma inútil para a pessoa para além de certa medida. De modo que se a pessoa acumula riqueza para além de certa medida apenas para a ver acumulando e acumulando ainda mais e sente prazer nisto, então ótimo, senão até isto acaba sendo inútil a ela; melhor seria se gastasse mesmo; o problema é que os gastos também encontram certo limite de satisfação.

    Bill Gates tem milhares de vezes mais riqueza que eu, entretanto, ainda que ele viva mais, não viverá milhares de vezes mais ou milhares de vezes melhor ou se deslocará em seus possantes veículos milhares de vezes maior em velocidade ou conforto... para além de certa medida, a ser considerada por cada um em sua estrita liberdade individual, o acúmulo de riqueza ou a busca por riqueza ou mesmo o consumo de riqueza acaba por se tornar mesmo inútil...

    E esta é a porção da natureza, da criação ou seja lá que nome queira dar, que nos torna mais iguais que tudo o mais que o próprio homem ou sociedade tente fazer; justamente por isto que tantos buscam propósito (propósito que não apenas o da subsistência) no que fazem, acaso todos não tivessem parte da riqueza que criam confiscada, certamente seria mais fácil que todos alcançassem algum grau de riqueza que permitissem pensar em algo mais que apenas na sobrevivência, portanto, em algo mais que apenas em produzir e então consumir... e na definição de riqueza que cada um possa encontrar, talvez esta possa ser mais uma: ser rico é não precisar se preocupar o tempo todo em apenas sobreviver.

    De todo modo, quando as pessoas consomem riqueza é justamente o momento em que, de fato, exercem a riqueza, antes disso é apenas o acúmulo de potencial de riqueza; não basta ter água e continuar com sede, a plena satisfação vem no momento em que você bebe a água (é apenas um exemplo). É um tanto tautológico, mas você vive a vida vivendo mesmo, não adianta pedir para entrar em uma câmara criogênica para ser congelado de modo que não venha nunca a morrer, pois isto significa também nunca ter vivido; do mesmo modo com sentimentos, não adianta ficar acumulando amor e carinho.. ou você distribui ou você perde... perceba que com relação a tudo o mais também é assim, apenas não é tão perceptível, apenas não nos damos conta tão facilmente... enfim, o que quero dizer é que a riqueza está mais na troca do que no acúmulo.

    Em Provérbios 11:23-26 (escrito por Salomão, descrito como alguém sábio e rico) percebemos que esta já era uma preocupação daquele tempo: "O desejo dos justos é tão somente para o bem, mas a esperança dos ímpios é criar contrariedades. Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda. A alma generosa prosperará e aquele que atende também será atendido. Ao que retém o trigo o povo amaldiçoa, mas bênção haverá sobre a cabeça do que o vende." perceba que o texto menciona, de certa forma, as trocas voluntárias.

    Quanto à tristeza, perceba que esta somente virá futuramente se o consumo de riqueza for muito mal feito (o que é regra, quando o governo gasta por mim); certamente todos já se arrependeram da compra de alguma coisa; entretanto, perceba que a tristeza é a exceção, não a regra, quando é você mesmo quem efetua o gasto; a regra é que nos alegremos com o consumo, não é possível que você erre mais do que acerte ao gastar o seu próprio dinheiro; veja quantos gastos diários você realiza, perceba que é exceção o gasto mal feito; não se culpe tanto, você tem que cair para aprender a andar, você tem que experimentar coisas diferentes para saber do que gosta e do que não gosta (que é quando bate o arrependimento). Várias filosofias ensinam justamente isto, mas já que citei Salomão, então citarei novamente (algumas vezes, ainda por cima), que já em sua velhice (supostamente no auge da sabedoria) aconselhou (inclusive, contrariando a questão do propósito que citei anteriormente), simplificando tudo:

    1. Eclesiastes 2:24-26 "Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus. Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu? Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, para dá-lo ao que é bom perante Deus. Também isto é vaidade e aflição de espírito."

    2. Eclesiastes 3:12-13; 22 "Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus. (...) Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?"

    3. Eclesiastes 5:18-20 "E, na experiência da vida, descobre que o melhor e o que mais vale a pena é: comer, beber, e desfrutar o resultado de todo trabalho realizado debaixo do sol durante os poucos anos que Deus lhe concede, porquanto esta é a sua porção e recompensa; E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus. Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração."

    4. Eclesiastes 8:15 "Portanto aconselho que se desfrute o melhor que a vida pode proporcionar, porquanto debaixo do sol não existe nada mais feliz para o ser humano do que simplesmente: comer, beber e alegrar-se. Essa é a felicidade que nos ajudará a superar os difíceis dias de trabalho durante todo o tempo de vida que Deus nos conceder debaixo do sol!"

    5. Eclesiastes 9:7 "Portanto, vai e come com alegria o teu pão e bebe o teu vinho com o coração contente, pois Deus já se agradou do que fazes."

    De todo modo, para os fins deste site, parece ter ficado claro que é melhor você experimentar e se arrepender do que algum burocrata experimentar e gostar e então tentar impor para toda a população que algo é bom e deve ser consumido por todos, ou seja, alguém decidir por você o que é bom para você.

    Enfim, espero ter contribuído com tais reflexões.

    Grande abraço e mais alegria.
  • Emerson  27/03/2019 19:49
    Cada $1 gasto pelo governo é menos $1 nas mãos da sociedade. O primeiro passo da destruição de riqueza foi feito. As pessoas agora têm menos para gastar ou investir

    Além disso, mesmo que o governo tente produzir algo com esse $1, grande parte dele é desperdiçado com burocracia e má gestão, uma parte é desviada e o que chega à sociedade é mal aplicado.

    Não tem como funcionar.
  • Francisco  27/03/2019 21:55
    E vale acrescentar: se o governo aumenta seus gastos, os incentivos para o empreendimento privado são reduzidos. Por que você vai abrir uma padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública?

    Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários nababescos e estabilidade no emprego?

    Enfim, por que se arriscar no setor privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem ter de apresentar resultados?
  • Leandro C  06/09/2019 13:19
    "Emerson 27/03/2019 19:49"

    Entendo como sendo uma espécie de condomínio; se o condomínio resolver efetuar mais gastos com a estrutura do prédio, isto naturalmente gerará custos com os quais os condôminos terão que arcar; alguns irão usufruir mais dos gastos do que outros (piscina, parquinho, elevador etc) e, portanto, alguns poderão ter um relativo ganho (mas nem quem ganhar, nem quem perder, vai ganhar ou perder, todos vão perder); muitos nem irão concordar, mas serão obrigados a bancar o gasto também; alguns eventualmente moram no térreo e bancam elevadores, outros não possuem crianças, mas arcam com o parquinho, outros não gostam de piscina etc etc; o que deve ficar claro é que o simples fato de se aumentar a taxa de condomínio (para arcar com os novos gastos extras) não faz a mágica de tornar todos os condôminos mais ricos, muito pelo contrário, pois arcar com a piscina sem nunca entrar na água é um gasto inútil.

    Agora, imagine um condomínio no qual você não escolheu que iria morar e do qual você não pode se mudar, cuja taxa é altíssima e da qual você raramente vê algum benefício... a solução seria sistematicamente trocar o síndico? aumentar ainda mais a taxa de condomínio? roubar os vizinhos? vingar-se dos vizinhos em cada mínimo ato? odiar a todos? reclamar para as paredes? parece estranho, mas estas têm sido as "soluções" encontradas pelos brasileiros...
  • Pensador Puritano  27/03/2019 19:51
    Enfim a classe estatal não quer perder seus privilégios e todo argumento falacioso que defenda este leviatã é bem visto por ela.

    Nós os pagadores de impostos é que devemos nos insurgir contra isto.
  • Almir  27/03/2019 20:23
    Os brasileiros continuarão a pagar os impostos escorchantes bovinamente, desde os barões da FIESP até as costureiras MEI, enquanto quem ainda tem alguma renda significativa faz filas no Outback e compram pacotes de turismo de 5 dígitos pra Fernando de Noronha.
  • Pobre Mineiro  05/09/2019 23:51
    Falou e disse.

    Saindo um pouco do assunto; nunca entendi aquelas filas enormes no Outback e no Madero.
    O produto deles é bom, mas nada que justifique o preço (caríssimo) e 2h de fila para entrar.

    Obs: só fui nesses lugares porque o pessoal da antiga empresa que eu trabalhava marcava de ir nesses lugares.
    Eu sozinho, mesmo sem filas, jamais entraria por achar que o custo benefício não é vantajoso, mas eu era voto vencido.
    Menos ruim que várias vezes a empresa pagou a conta de todos.
  • Paulo Guedes  27/03/2019 20:14
    A reforma não vai passar. Até o Kim já admitiu que o congresso não quer. A oposição não quer e o governo não vai poder molhar a mão de ninguém, pois toda a mídia está em cima.

    O país vai quebrar em 2022, bem na mão do Bolsonaro. Se preparem que o seu sucessor será o Ciro Gomes e sua impressora.

    Isso é a tal democracia.
  • Estado o Defensor do Povo  27/03/2019 23:00
    Para com os comentários apocalípticos mano, tô pra me esconder debaixo da cama pra me proteger dessa falência, por sinal, se alguém souber me responder em detalhes o que acontece em uma falência do governo por déficits eu agradeço, quanto tempo dura e como as pessoas reagem e tal, sou meio leigo e só consigo pensar numa inflação catastrófica.
  • Daniel  28/03/2019 00:10
    No extremo, ocorre isso aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2800
  • John Maynard Keynes  28/03/2019 12:52
    Essa de "governos nunca quebram" é falaciosa. Governos quebram sim, mas quando isso acontece, a população já estará comendo ratos. Essa de "ah quero ver o governo quebrar", "quero ver o estado desabar". Sorry to break your bubble, mas isso não rola. Antes de isso acontecer, sua moeda já não vale mais nada, seu acesso a bens e serviços já era.
  • João Marcelo  29/03/2019 18:49
    Se o Ciro ganhar em 2022 eu saio de qualquer jeito desse porcaria
  • anônimo  30/03/2019 04:10
    E se conseguir, ironicamente, quem verá os efeitos dela não será nenhum dos políticos presentes.

    Por isso democracia não tem como dar certo, os efeitos de curto prazo sempre serão melhores vistos do que os de longo prazo.
  • Pobre Mineiro  05/09/2019 23:54
    Cirão da Massa Cangaceiro Gomes ???? Cara, se ele ganhar será o fim do Brasil...
  • Gustavo A.  06/09/2019 14:04
    Passou, parece que o apocalipse vai ficar pra outro momento.
  • Vladimir  27/03/2019 20:28
    Muito bom o artigo, como de praxe. Ótimas ilustrações e excelente desenvolvimento lógico.
  • Capital Imoral  27/03/2019 21:41
    STF e a República dos hipócritas

    O Supremo Tribunal Federal decidiu que todos processos da Lava Jato devem ser movidos para Justiça Eleitoral comum. Na prática, os processos agora estão sob controle dos juízes do STF, e isso abre caminho para soltar criminosos do Partido Novo. Isto gerou uma grande repercussão na opinião pública, mas, como esperado, ninguém apontou as reais causas de nossa crise institucional.

    Para entender o que está acontecendo, precisamos nos aprofundar na natureza do atual sistema republicano. A República é baseada na democracia. A democracia, por sua vez, é uma religião coletiva em que ao mesmo tempo é preciso ter fé, no sistema, e apontar eventuais culpados, que volta e meia chamam de corruptos. Segundo os republicanos, o sistema seria perfeito se não houvesse corrupção; portanto, a culpa jamais, nunca, pode recair para o sistema republicano em si. Funcionários públicos e juízes são seres acima do bem do mal cuja a única função é fazer o sistema dar certo. Políticos são representantes supremos do povo e de um ideal de sociedade que se aperfeiçoa a cada novo-ano. Se der errado, é só votar que tudo volta ao normal. Se houver corrupção, a culpa não é do sistema, mas dos indivíduos que ousaram corromper um sistema tão puro e honesto.

    Essa é a teoria do sistema atual; agora analisemos a realidade.

    Na quinta-feira (14), o presidente do tribunal superior, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura de inquérito para investigar mensagens e ataques a ministros da Suprema Corte. Enquanto o STF planejava soltar políticos corruptos do Partido Novo, o presidente da Suprema Corte preparava terreno para calar e perseguir quem tivesse a ousadia de denunciar o absurdo [1]. Criou-se uma situação onde há uma ditadura de toga, em pleno sistema republicano, mas ninguém pode dizer o que de fato ocorre: Há uma ditadura comandada por burocratas não eleitos.

    A natureza da democracia
    A democracia é uma religião de covardes que não têm coragem o bastante para assumirem a posição de opressores e oprimidos. Todos querem vestir a capa democrata enquanto escondem sua real natureza. É uma religião de hipócritas, onde a direita, a esquerda social-democrata, os neoliberais, todos, absolutamente todos, fazem parte de uma grande liturgia diária. A religião dos homens não pode parar. Você já se perguntou o porquê do Instituto Mises não criticar abertamente os ministros do STF? Por que durante todo o governo Bolsonaro estão quietinhos compartilhando bobagens de site estrangeiro? Ué, onde foi parar a oposição liberal aos privilégios dos militares na Previdência Social? Eu quero saber se Bolsonaro vendeu a alma ao diabo quando negociou com Trump? Por que estão quietos? Por que vocês não defenderam o Golden Shower? Vocês não gostam do padrão-ouro? A resposta para tudo isso se encontra na hipocrisia democrata.

    Conclusão
    Quer culpar alguém? Culpe a hipocrisia dos homens; culpe a falta de apreço pela verdade e retidão, culpe o bom-mocismo da atual República. Prefiro mil vezes uma ditadura do proletariado do que o atual sistema. Foda-se que Stalin matou milhares! Pelo menos ele não era um viado, relativista, prostituta de Gregos e Troianos. Antigamente havia lado, e estava bem claro a natureza das coisas. O liberalismo e a democracia corrompeu o homem moderno e criou o pior dos mundos: O mundo relativista.

    [1] O Ministro do STF Alexandre de Moraes fez a seguinte afirmação: "No direito a gente chama de 'jus esperneandi, direito de espernear. Pode espernear à vontade, pode criticar à vontade. Quem interpreta o regimento do Supremo é o Supremo." Em outras palavras, isso significa que você um gado, bem gado mesmo, que será abatido diariamente, porém, tem total liberdade de espernear. Sua única obrigação é pagar imposto e defender a democracia, gado.

    g1.globo.com/politica/noticia/2019/03/19/moraes-rebate-criticas-a-inquerito-para-investigar-ataques-ao-stf-pode-espernear-a-vontade.ghtml

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Talles  28/03/2019 12:39
    A distribuição da competência, seja em matéria eleitoral, trabalhista, etc, está prevista claramente na Constituição e legislação esparsa .
    Os Procuradores sabiam perfeitamente disso e optaram por fazer um "jogo com a mídia/população" ao darem seguimento às ações na Justiça Federal. Se tivessem feito o certo desde o início, não haveria essa discussão tola em relação a competência da Justiça Eleitoral.
  • anônimo  27/03/2019 21:49
    Keynesianos dizem que gastos do governo gera o efeito multiplicador. Uma forma fácil de notar pq o efeito multiplicador é falacioso é imaginar as consequências caso este efeito fosse real. Basicamente haveria uma prosperidade infinita, toda e qualquer escassez deixaria de existir simplesmente torrando grana, passando cédulas de uma pessoa para outra.
  • Eduardo  27/03/2019 21:51
    O que gera crescimento econômico no longo prazo (leia-se aqui a taxa de crescimento do PIB real) é a soma da (i) taxa de crescimento do capital por unidade efetiva de trabalho, da (ii) taxa de crescimento da população e da (iii) taxa de crescimento devido à ganhos de tecnologia.
  • O grande mal são os economistas  27/03/2019 21:52
    Eis o paradoxo: quando ninguém sabia nada de economia, as economias cresciam por mais tempo seguido e sem crises.
  • PMI  27/03/2019 22:44
    Estado, o escritório de projetos mais caro e ineficiente do planeta.
  • Estado o Defensor do Povo  27/03/2019 22:55
    Eu sinceramente não entendo como algo tão fácil de entender as pessoas simplesmente não entendem, todo mundo no Brasil pede por mais gastos e mais gastos, é triste ver isso.
  • Kaiowá  28/03/2019 00:47
    De onde vem o dinheiro que o governo utiliza para aumentar seus gastos?
    Do povo. O que Keynes acredita é que o governo pode direcionar alguns gastos e melhorar a economia.

    Mas então governo (burocratas) entende mais de economia do que o mercado (milhões de indivíduos)?
    Não, não entende. Provavelmente um país que tivesse só infraestrutura privada seria MUITO mais eficiente financeiramente. Mas a realidade (em todos os países do mundo) já foi "corrompida" por infraestrutura estatal, que sem investimentos do governo degradam e atrasam a economia. Exemplo: se o governo não melhora a estrada, ela se deteriora e a população não vai investir dinheiro pra melhorá-la, pois acredita que isso é responsabilidade pública.
  • Breno  28/03/2019 00:53
    "Exemplo: se o governo não melhora a estrada, ela se deteriora e a população não vai investir dinheiro pra melhorá-la, pois acredita que isso é responsabilidade pública."

    Errado. A população não vai investir dinheiro para melhorá-la porque é proibida de fazer isso. Infraestrutura é monopólio estatal. Se você, por conta própria, decidir recapear uma estrada, você pode ir preso.

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2523

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2735
  • Intruso  29/03/2019 15:45
    Mas o sujeito privado apenas decidiria pelo recapeamento da estrada se houvesse a possibilidade de pedagiala. Ninguém faz nada de graça.
  • Estado o Defensor do Povo  07/09/2019 01:20
    Depende do que você quer dizer com "de graça", sim é fato que o ser humano não faz uma coisas sem receber algo em troca, o problema é que esse "algo em troca" não precisa ser sempre dinheiro, pode ser qualquer coisa que lhe faça sentir bem, se você dar esmola aos pobres você não espera receber dinheiro depois, você simplesmente fica com mais paz de espírito e feliz porque a outra pessoa melhorou um pouquinho sua vida, e esse tipo de atitude pode gerar insituições exclusivamente dedicadas pra isso como o Instituto Neymar, Instituto Ayrton Senna etc.

    E o raciocínio é o mesmo para o caso de ruas e estradas, acontece sim casos em que as pessoas asfaltam a rua só pra poder ter um lugar melhor pra morar, tão nem pensando em dinheiro nem nada, mas ainda assim a prefeitura vai lá e dificulta a vida do sujeito, exigindo um monte de autorização e o escambau.

    www.nsctotal.com.br/noticias/cansados-de-esperar-por-asfalto-moradores-aderem-a-pavimentacao-comunitaria-em-joinville
    www.midiamax.com.br/geral/2015/cansado-de-esperar-morador-asfalta-a-rua-na-frente-da-propria-casa
  • gabriel  28/03/2019 00:57
    se me permitem bancar o advogado do diabo, acho que uma das razoes de o governo usar dinheiro da populacao seria para direcionar gastos onde a produtividade da economia como um todo seria melhorada, ou seja, infra-estrutura, tecnologia, educacao etc. Isso seria melhor para todos do que investimentos ultra conservadores durante uma recessao, como compra de terras, guardar debaixo do colchao etc.
  • Vladimir  28/03/2019 01:13
    "acho que uma das razoes de o governo usar dinheiro da populacao seria para direcionar gastos onde a produtividade da economia como um todo seria melhorada"

    Se há setores onde investimentos adicionais fariam com que "a produtividade da economia como um todo seria melhorada", então os próprios indivíduos atuantes no mercado (empreendedores e investidores em busca do lucro) perceberiam essa oportunidade e fariam isso.

    Na prática, você está dizendo que burocratas têm uma superior capacidade de percepção da realidade de toda a economia do que milhões de indivíduos interagindo entre si. Você está dizendo que burocratas do governo sabem melhor do que milhões de indivíduos onde exatamente deve haver investimentos.

    Se o bairro onde você mora precisa de um restaurante, quem perceberá isso mais rapidamente: consumidores, empreendedores e investidores, ou burocratas?

    Igualmente, se toda uma região precisa de estradas e pontes, quem perceberá isso mais rapidamente: consumidores, empreendedores e investidores, ou burocratas?

    Obviamente, investidores e empreendedores são proibidos pelo governo de sair construindo estradas e pontes porque tal atividade é monopólio estatal (só pode fazer isso quem o estado concede). É por isso que não há estradas e pontes em bom estado no Brasil.

    "ou seja, infra-estrutura, tecnologia, educacao etc"

    Dizer que os burocratas do estado sabem melhor que milhões de indivíduos onde há demanda por tecnologia, infraestrutura e educação é o ápice do humor involuntário.

    O estado não sabe gerir nem um hospital, mas, de alguma maneira, saberá atender às demandas pontuais de milhões de indivíduos por pontes, iPads e aulas de nanotecnologia.

    "Isso seria melhor para todos do que investimentos ultra conservadores durante uma recessao, como compra de terras, guardar debaixo do colchao etc."

    Não existe isso de guardar dinheiro debaixo do colchão. É incrível que ainda haja pessoas que falem isso.

    Pra começar, quem faz isso tem seu dinheiro dizimado pela inflação. É a forma mais estúpida de se queimar capital. Quem guarda dinheiro embaixo do colchão não está nem sequer poupando; está perdendo dinheiro para a inflação.

    No mundo real de hoje, nenhum investidor "deixa o dinheiro parado". O dinheiro está em alguma conta bancária ou em um fundo de investimento ou ações. Dinheiro na conta bancária nunca fica "parado". Ele é emprestado ou para empresas, ou para consumidores, ou para o governo, ou é utilizado -- também pelos bancos -- para comprar debêntures e ações. O dinheiro que você pensa estar paradinho na sua conta já foi repassado para terceiros. Só se os bancos odiarem lucros é que eles deixarão o dinheiro parado.

    Aliás, havendo um governo com um orçamento deficitário, os bancos emprestarão para ele cada centavo sobrante das contas de seus correntistas.

    Não existe "dinheiro parado" no atual arranjo monetário e bancário. Quem fala em "dinheiro parado" parou na economia do século XIX, quando realmente era possível guardar ouro dentro de casa e os governos tinham orçamentos equilibrados.
  • gabriel  28/03/2019 01:23
    Ok, mas dado o arranjo onde o governo possui o monopólio sobre alguns itens de infra-estrutura como estradas, pontes/telecomunicações, etc. E não estou julgando se isso é bom ou ruim é apenas uma constatação de um cenário existente...

    Eventualmente, gastos nessas áreas (se realizadas de forma eficiente), podem ativar a economia... O que quero dizer, é que se o investimento for correto, ele pode ativar a economia sim, tanto quanto um investimento privado o faria, certo?
  • Vladimir  28/03/2019 01:31
    Errado.

    Vivemos em um mundo de recursos escassos. Aquilo que é utilizado em um setor foi necessariamente retirado de outro setor. Se o governo está comprando recursos escassos, insumos e matérias-primas para utilizar em um setor, então outros setores ficarão sem estes mesmos recursos.

    Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil terá agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção -- como imóveis e carros -- ficarão mais caros.

    Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos. Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos. Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos. Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ''poupança'', entenda-se ''bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras'').
  • gabriel  28/03/2019 01:41
    Mas se um empreendedor construir uma ponte... Ele também consome itens escassos... A única diferença, é a eficiência com que ele gasta esse recurso. Se ao consumir este item escasso, ele gerou condições para que outras pessoas, gerassem riqueza através de trabalho... Ele ativa a economia...
  • Hazlitt  28/03/2019 01:50
    1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

    2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

    3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

    Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há prestação de contas (accountability); os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

    Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

    Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?
  • AGB  28/03/2019 13:06
    Desde que me conheço por gente, as obras feitas para o estado são superfaturadas. Sem levar em conta os desvios para suborno, os empreiteiros eram praticamente obrigados a elevar os valores cobrados porque o governo atrasava os pagamentos ou simplesmente não os saldava. E desde os anos 50, quando esse mesmo estado passou a financiar-se com a inflação, nenhuma empresa conseguiria sobreviver sem faturamentos exagerados.
  • Sand Brand  28/03/2019 17:23
    Pelo pouco de conhecimento econômico, nesse caso entendo como as "falhas de mercado", pois qualquer empreendendor não aloorá recursos em algo que o retorno não seja garantido. Exemplo: Brasília existiria em 1960 se dependesse dos investidores? As grandes hidrelétricas? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Não force a barra do pensamento. Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar. Em qualquer país do mundo foi e será assim. Os grandes investimentos são do Estado, depois privatiza e concede para iniciativa privada lucrar. Acordem! Veja o que ocorreu com Vale, CSN, Usinimas, Eletrobrás (até hoje cobram tarifa básica), Aeroportos. Os liberais só tem discurso e hipocrisia.
  • Russell  28/03/2019 17:45
    "Exemplo: Brasília existiria em 1960 se dependesse dos investidores?"

    Meu Deus! E quem é que estava "demandando" a existência de Brasília?! Você conhece algum consumidor que estava clamando para criarem uma nova capital federal no meio do nada?

    É óbvio que, no que dependesse da iniciativa privada, aquela bosta não existiria. Para o bem do Brasil. Aquilo ali deveria virar um bordel cercado de plantação de maconha por todos os lados. O país estaria muito melhor assim.

    A não-construção de Brasília pela iniciativa privada denota uma excelência de mercado, e não uma falha.

    É cada um...

    "As grandes hidrelétricas? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Não force a barra do pensamento. Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar."

    Deixa eu tentar lhe trazer para o mundo real.

    Em primeiro lugar, a iniciativa privada não investe nestes setores porque eles tendem a ser monopólios estatais. Ou seja, é proibido investir neles.

    Em segundo lugar, é impossível a iniciativa privada investir vultosamente nestes setores sendo que ela é impiedosamente tributada e espoliada. É o ápice da ironia: o governo tributa e espolia a iniciativa privada, e depois diz que ela não tem condições de investir.

    Em terceiro lugar, o governo sempre proibiu investimentos estrangeiros nestes setores. Se investimentos estrangeiros fossem liberados, consórcios de empresas estrangeiras não teriam nenhum problema ou dificuldade para investir maciçamente aqui (e lucrar bastante com essa demanda). Porém, como o governo proíbe essa "exploração estrangeira" e exige que o capital seja exclusivamente nacional, fica difícil realmente haver algum investimento maciço.

    Em suma: o governo proíbe investimentos estrangeiros, tributa pesadamente o capital nacional, estipula monopólios, e então sai falando que a iniciativa privada não se interessa. É conclui que, se não fosse o governo, nada seria possível.

    Coisa de gênio.

    "Não force a barra do pensamento."

    Em vez de exigir que os outros parem de pensar, acho que é você quem deveria, pela primeira vez na vida, começar a pensar. Eis a definição da mediocridade: exigir que os outros pensem menos em vez de você próprio fazer um esforço para pensar mais.

    "Os liberais só tem discurso e hipocrisia."

    Já o os amantes do estado, além da paixão pelo atraso e pelo esbulho do dinheiro dos pobres em benefício próprio, têm profunda paixão pela ignorância.
  • Victor Quintao  06/09/2019 21:35
    Mas se nunca existisse Estado, os investidores privados iriam construir pontes ou hospitais em regiões que não são economicamente viáveis?
  • Ricardo  07/09/2019 05:26
    Perfeitamente.

    Em primeiro lugar, a iniciativa privada não investe nestes setores porque eles tendem a ser monopólios estatais. Ou seja, é proibido investir neles. Se você, por conta própria, construir saneamento básico no sertão do nordeste, será preso. Se você, por conta própria, construir uma ponte sem permissão do estado, vai pra cadeia. Tais atividades são monopólio estatal, e só podem ser empreendidas com explícita autoriza$$ão dos burocrata$, se é que você me entende.

    Em segundo lugar, é impossível a iniciativa privada investir vultosamente nestes setores sendo que ela é impiedosamente tributada e espoliada. É o ápice da ironia: o governo tributa e espolia a iniciativa privada, e aí então os defensores do estado afirmam que ela não tem condições de investir.

    Em terceiro lugar, o governo sempre proibiu investimentos estrangeiros nestes setores. Se investimentos estrangeiros fossem liberados e isentados de impotos (exatamente como seria em um anarcocapitalismo), consórcios de empresas estrangeiras não teriam nenhum problema ou dificuldade para investir maciçamente aqui (e lucrar bastante com essa demanda). Porém, como o governo proíbe essa "exploração estrangeira" e exige que o capital seja exclusivamente nacional, fica difícil realmente haver algum investimento maciço.

    Quando se entende que o mercado é global, e não meramente local, vários obstáculos deixam de existir. Problemas como falta de recursos físicos ou de capital financeiro são imediatamente mitigados. Se os empreendedores de uma determinada região não possuem recursos para fazer um investimento vultoso e altamente demandado pelos habitantes locais, certamente há empreendedores no resto do mundo que possuem. E, se estes tiverem a garantia de que poderão manter seus lucros, sem nenhum confisco, eles certamente virão.

    Se um determinado país está sem recursos para construir portos, aeroportos, estradas, sistemas de saneamento etc., certamente há investidores e empreendedores em algum ponto do globo interessados em ganhar dinheiro com este mercado. Basta apenas deixá-los livres para tal.

    Dito tudo isso, sim, é esperado que o saneamento e demais projetos de infraestrutura desses locais ermos (algo que não existe hoje) seriam mais caros. Óbvio. É impossível fazer obras vultosas e amplas em locais ermos (como, por exemplo,ligar tais locais a uma fonte de água) sem incorrer em altos custos. Não existe mágica em economia. Se o sujeito mora no sertã do Piauí e quer infraestrutura e saneamento de primeira, terá de pagar por isso. Até porque, ora, não existe isso de "direito de ter saneamento e infraestrutura baratinhos em locais ermos e totalmente afastados da civilização". Isso atenta contra a lógica econômica mais básica.

    Se você mora no cerne do sertão, e que ter saneamento e infraestrutura de cidade grande, então sim, você vai ter de pagar um pouquinho a mais para isso. Economia básica - e contra a qual você nada pode fazer. Em qualquer país do mundo é assim. Vá à rica Suíça e veja o custo de locomoção para se chegar aos locais mais afastados da civilização.

    Em suma: o governo proíbe investimentos estrangeiros, tributa pesadamente o capital nacional, estipula monopólios, e então as pessoas saem falando que a iniciativa privada não se interessa. É concluem que, se não fosse o governo, nada seria possível.
  • Entreguista.  07/09/2019 21:09
    Nossa,que pergunta infeliz Victor Quintino. Toda semana aparece um esquerdista fazendo exatamente essa pergunta e sempre recebe a resposta e continua aparecendo mais esquerdista repetindo a oergunta. Esse povo nao aprende mesmo. Adora ser escravo estatista ou é medo de perder alguma boquinha estatal e se descobrir uma pessoa inutil ao mundo.
  • Humberto  28/03/2019 17:58
    Acho que essa foi a mais sensacional que eu já vi. "Ei, a iniciativa privada jamais construiria Brasília voluntariamente! Jamais torraria dinheiro naquilo! Viram só? Falha de mercado! Precisamos do estado para satisfazer essa irrefreável demanda do povo por Brasília!"

    Eu teria vergonha até de voltar aqui...
  • Andre Fernandes  28/03/2019 18:45
    "pois qualquer empreendendor não aloorá recursos em algo que o retorno não seja garantido."

    Me diz algum exemplo onde existe garantia de lucro para um empreendedor. Isso não existe em qualquer mercado que não seja regulado.

    A única forma de se garantir lucro para alguém é com ajuda do governo. Caso seja criada alguma obrigatoriedade de se utilizar algum serviço/produto. Fora isso, todo investimento vem acompanhado de risco.

    Se houvesse lucro garantido toda a população seria empreendedora ou você conhece alguém que não gostaria de ganhar dinheiro sem risco?


    "Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar."

    Gostaria muito que você me desse algum exemplo de investimento onde eu lucro primeiro e depois invisto. Aposto que todo mundo viraria investidor hoje mesmo.

    Você achar que algum empreendedor constrói alguma fábrica como? Você investe na bolsa como? Você compra um carro para trabalhar como Uber como? O investimento, por definição, tem que vir antes do lucro da atividade em questão. Não faz nem sentido discutir o contrário.

    Não vou me dar ao trabalho de responder o exemplo bizarro de Brasília, o que já foi muito bem feito pelos colegas acima.
  • Sydney Silva  06/09/2019 14:40
    'O estado não sabe gerir nem um hospital, mas, de alguma maneira, saberá atender às demandas pontuais de milhões de indivíduos por pontes, iPads e aulas de nanotecnologia. '
    Pra contribuir na discussão: E quem vc acha que é o Estado, que não sabe nem gerir um Hospital? Esse Estado vem de Marte, Vênus, Saturno? Ou vem do seio da sociedade? Das famílias? Se concordamos que esse Estado péssimo gestor vem aqui da Terra de determinada família, vamos perceber que o problema está em nós. Todos nós.
  • Régis  06/09/2019 15:31
    "Se concordamos que esse Estado péssimo gestor vem aqui da Terra de determinada família, vamos perceber que o problema está em nós. Todos nós."

    Não, fera, o problema não está no indivíduo. O mesmo cara que é bem-sucedido na iniciativa privada, atendendo satisfatoriamente milhões de consumidores, será um fracasso no setor estatal.

    Sabe por quê? Por causa do arranjo em que o estado está imerso. É simplesmente [u]impossível[/b] o estado realizar bem suas atribuições. Sim, há estados que, para nós brasileiros, parecem ser eficientes. Mas isso é só uma questão de perspectiva, pois estamos acostumados com o que há de pior.

    Não tem como o estado entregar bons serviços (e olha que nem estou falando de corrupção) simplesmente porque ele não segue o sistema de preços e nem o mecanismo de lucros e prejuízos. Mesmo que você colocasse seres competentíssimos, íntegros, probos e de reputação ilibado no comando do estado, ainda assim não teria como ele performar bem suas tarefas.

    Entenda tudo:

    Há várias, mas eis a diferença crucial entre a burocracia estatal e a economia de mercado

    Por que é impossível o governo ser gerenciado "como se fosse uma empresa"
  • Adriano  28/03/2019 14:33
    [OFF]
    Esses tempos eu andei dando uma lida sobre o padrão ouro quando uma dúvida me acometeu: Seria possível lastrear um moeda em diamante? Me refiro á mesma ideia do padrão ouro clássico, mas ao invés de ouro, usando diamantes ou algo similar de alto valor?
    Sou novo por aqui e estou adorando os artigos, parabéns!
  • Pobre Mineiro  06/09/2019 00:03
    Estimar o valor de um diamante não é tão simples quanto fazê-lo com o ouro.

    Ouro vale o quanto pesa, fim.

    Diamante, se você quebrar um diamante em dois pedaços, a soma dos valores dos dois pedaços não chega nem perto do que o diamante inteiro valia. Ou seja, um diamante grande vale mais do que muitos pequenos.

    A técnica de lapidação influi no valor final, o tom cromático do diamante influi no valor, etc... diamantes sujos não valem nada, só servem para uso industrial. Mas aí aparece um diamante com uma sujeira dentro, que colore a luz num padrão incomum, e o diamante passa a valer horrores...

    O que eu sei é que é muito complicado estimar o valor de um diamante.
    Muito diferente do ouro, prata e outros metais preciosos.
  • Dedé  28/03/2019 15:40
    "O governo americano pôde gastar US$ 4 trilhões em 2017 porque a produção e a geração de riqueza da economia americana foram várias vezes maiores que U$ 4,1 trilhões (o PIB foi de US$ 19,4 trilhões)."

    Se esses dados estiverem corretos, então o governo americano gasta pouco mais de 20% do PIB, o que é pouco no mundo moderno, principalmente entre os países ricos.

    Como os EUA se endividam tanto, gastando (relativamente) tão pouco?
  • Humberto  28/03/2019 16:06
    Porque a carga tributária federal é de 16% do PIB.

    fred.stlouisfed.org/series/FYFRGDA188S
  • Dedé  28/03/2019 19:56
    Interessante!

    Olhando o gráfico de endividamento, não parece ter havido uma explosão da dívida americana, ela sempre esteve em tendência de alta. A partir de 2008 a dívida passou a crescer de forma mais acentuada. Mas nada explosivo, como muitas vezes é noticiado na mídia.

    fred.stlouisfed.org/series/GFDEBTN
  • LEONARDO  31/03/2019 14:42
    Não sou da área de economia, apenas às vezes leio para tentar entender o básico a respeito, mas sempre fico com dúvidas...

    Lendo o texto acima, vi que foi colocado que, se o Governo cortasse consumo:


    "1) Haveria mais bens disponíveis para os outros consumidores, que necessitam deles com mais urgência que você. Os mais pobres agradeceriam.

    2) As indústrias não precisariam empregar recursos apenas para suprir a escassez desses bens (escassez provocada por você), o que as permitiria investir em novos processos de produção, que resultariam em maior abundância de bens."

    Ocorre, contudo, que, olhando como se eu estivesse no lugar de um proprietário de uma empresa, tanto faz se eu vendo para um particular ou se eu vendo para o governo, pois meu interesse é vender (não havendo assim interesse em existirem mais bens disponíveis para outros consumidores que não fosse o governo, ao contrário eu teria era interesse em vender o máximo possível).

    Além disso, os recursos utilizados pela empresa em processos produtivos para suprir a escassez advém dos lucros dessas vendas, sejam elas feitas para o setor público ou para o setor privado e vender menos, se o governo não for comprador, a empresa teria menos lucros para aplicar nos seus processos produtivos.

    Então, partindo da posição de um empresário, me parece que não faz diferença para ele quem seria o consumidor, porque seu interesse é vender e lucrar e cada vez mais.

    Refletindo sobre essa situação, me parece que o governo age mais como um intermediário que retira coercitivamente de uns (por meio de tributos) e aloca recursos em outros setores, criando mais distorções do que destruição de riqueza, pois o que foi retirado do tributado acaba sendo disponibilizado para a empresa aonde o governo utilizou esse recurso.

    Na parte do governo consumindo o crédito disponível, fica mais fácil entender como ele destrói riqueza, na medida em que encarece o crédito para o setor produtivo, mas em relação aos tributos, me vem a ideia que coloquei antes de distorção em vez de destruição.

    Em relação à imprimir mais dinheiro, também fica claro como isso gera mais inflação, mas aí me vem outra dúvida.
    No livro Seis lições do Mises, é colocado que o Investimento Estrangeiro é um fator importante para o crescimento de determinado país, o que também me deixou intrigado sem entender como um aporte novo com dinheiro não originado nessa economia, embora empregado no setor produtivo, também não gera mais inflação, isso significa dizer que se o Governo imprimisse dinheiro e empregasse no setor produtivo também não geraria inflação?

    Essas são algumas dúvidas que me recordo agora, que acredito ser pelo fato de não ser da área e assim ficar confuso em meio as teorias econômicas.

    Gostaria que os nobres leitores pudessem esclarecer essas dúvidas.
  • Thomas  31/03/2019 19:08
    "olhando como se eu estivesse no lugar de um proprietário de uma empresa, tanto faz se eu vendo para um particular ou se eu vendo para o governo"

    Correto. Abordado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1465

    "Então, partindo da posição de um empresário, me parece que não faz diferença para ele quem seria o consumidor, porque seu interesse é vender e lucrar e cada vez mais."

    Para um empresário específico não faz. Para a economia como um todo faz, é muito. Você ter empresários produzindo exclusivamente para políticos, e não para consumidores desejosos, é garantia total de economia pobre e ineficiente.

    Aquilo que o pobre demanda não existe; só existe aquilo que políticos demandam. Você gostaria de viver em uma sociedade assim?

    "Refletindo sobre essa situação, me parece que o governo age mais como um intermediário que retira coercitivamente de uns (por meio de tributos) e aloca recursos em outros setores, criando mais distorções do que destruição de riqueza, pois o que foi retirado do tributado acaba sendo disponibilizado para a empresa aonde o governo utilizou esse recurso."

    Espero que, com o que foi dito acima, agora esteja mais claro.

    Ademais, se você realmente ainda acredita no que acabou de dizer, então coloque em prática: transfira todo o seu dinheiro para mim (e faça campanha para todas as outras pessoas fazerem o mesmo), e eu prometo que irei gastar tudo. Ao gastar tudo, estarei "redistribuindo" riqueza e todos voltarão a ficar bem, certo?

    Se você percebeu algum erro no raciocínio acima, então você entendeu o que há de errado no seu cenário.

    "mas em relação aos tributos, me vem a ideia que coloquei antes de distorção em vez de destruição."

    De novo: se você realmente ainda acredita no que acabou de dizer, então coloque em prática: transfira todo o seu dinheiro para mim (e faça campanha para todas as outras pessoas fazerem o mesmo), e eu prometo que irei gastar tudo. Ao gastar tudo, estarei "redistribuindo" riqueza e todos voltarão a ficar bem, certo?

    Se você percebeu algum erro no raciocínio acima, então você entendeu o que há de errado no seu cenário.

    "No livro Seis lições do Mises, é colocado que o Investimento Estrangeiro é um fator importante para o crescimento de determinado país, o que também me deixou intrigado sem entender como um aporte novo com dinheiro não originado nessa economia, embora empregado no setor produtivo, também não gera mais inflação,"

    Dólares não circulam no Brasil. Nem euros. Nem nenhuma outra moeda. Logo, não existe isso de dinheiro estrangeiro "entrar no Brasil". Consequentemente, não tem como dinheiro estrangeiro gerar inflação monetária.

    Dinheiro estrangeiro é trocado por moeda nacional. Na prática, os dólares de investidores estrangeiros são comprados por importadores nacionais, e estes, por sua vez, repassam seus reais aos investidores estrangeiros. Nenhuma moeda é criada.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087
  • Emerson Luis  01/04/2019 11:06

    Ótimo artigo!

    É necessário muito estudo em grandes universidades para não compreender pontos tão simples e óbvios. Se bem que diversos apenas fingem que não compreendem.

    Pergunta: Proporcionalmente qual governo gasta mais: o americano, o argentino ou o brasileiro? Quais os números?

    * * *
  • Jefferson  01/04/2019 15:43
    Brasil: 20% do PIB

    Argentina: 18,2% do PIB

    EUA: 14% do PIB

    data.worldbank.org/indicator/NE.CON.GOVT.ZS?locations=BR-AR-US&year_high_desc=true
  • Leandro C  06/09/2019 17:42
    "Jefferson 01/04/2019 15:43
    Brasil: 20% do PIB
    Argentina: 18,2% do PIB
    EUA: 14% do PIB "

    Colegas,
    não seria um dos melhores indicadores para medir a saúde de um país?
    aliás, não apenas no aspecto econômico, como também outros, tais como a liberdade?
    especialmente quando se agrega um número de anos estatisticamente relevante?
  • Haniel de Souza Lobo  01/04/2019 23:40
    Belo artigo, simples e didático.
    Poucos dias atrás passei por uma situação um tanto engraçada que tem tudo haver com isso. Estava estudando economia para fazer uma prova e me deparei com a seguinte situação: "para haver estimulo na economia o governo deve aumenta seus gastos" e do contrário pra "desestimular". Tive de decorar essa fórmula apenas para passar na prova, mas essa ideia já não me entra na cabeça de forma alguma, porém é incrível ver instituições que até julgamos ser séria se usando dessa mesma fórmula e princípios sem sequer um debate. É mesmo assim tão óbvio ou é só quem estuda um pouco de economia austríaca que consegue entender?
  • Marcos  05/09/2019 18:12
    Vendem "águas barrentas" como "águas profundas".
  • Sadib  05/09/2019 19:26
    Respondendo a pergunta do nosso amigo acima:

    "Brasília existiria em 1960 se dependesse dos investidores? As grandes hidrelétricas? Pontes em regiões de baixo valor econômico? Não force a barra do pensamento. Queria ver investidores construindo tudo e só depois começar a lucrar."

    Um exemplo clássico de investidores privados "construindo tudo para só depois começar a lucrar", foi o desenvolvimento do mainframe pela IBM, onde investiram 5 bilhões de dólares na época (em 1961, imagine quanto dinheiro isso representa hoje!!), apostando um valor 2x o faturamento da empresa na época:

    computerworld.com.br/2014/04/07/o-mainframe-aos-50-como-system-360-da-ibm-revolucionou-a-ti-corporativa/

    E graças a essa "aposta" capitalista foi criado uma das tecnologias que mais revolucionou a história da humanidade.

    Essa é a beleza do capitalismo.

    E enquanto isso, em bananópolis, nós estávamos preocupados em construir a fabulosa Brasilia:

    ultimosegundo.ig.com.br/brasilia50anos/em-dinheiro-de-hoje-brasilia-custaria-us-83-bilhoes/n1237588758783.html
  • Anderson Fernandes  05/09/2019 22:42
    Uma dúvida não sai da minha cabeça: se o Brasil abrisse totalmente sua economia, aquelas indústrias ineficientes iriam à falência. Os consumidores comprariam produtos mais baratos e assim teriam mais dinheiro sobrando para gastar ou investir em outras coisas. Entretanto, boa parte destes consumidores seriam justamente aqueles empregados que foram demitidos. Eles não teriam assim dinheiro para consumir, o consumo seria retraido e talvez a economia entrasse em recessão, impedindo a criação de novos empregos para onde iriam aqueles desempregados alocados da indústria para setores mais demandados, esse raciocínio está correto? Como fugiriamos disso numa abertura geral da economia brasileira?
  • Vladimir  06/09/2019 13:49
    Com preços menores para importados, inclusive maquinários, os custos de produção caem. Com custos menores, sobra mais dinheiro para mais investimentos e, logo, contratação de mão-de-obra.

    Logo, quem trabalhava em indústria ineficiente e que foi à falência será recontratado sem problemas (desde que tal pessoa, evidentemente, seja competente) em decorrência deste maior nível de investimentos possibilitado pela queda nos custos.

    Perceba que, por trás do seu raciocínio, há a seguinte lógica: quanto maiores forem os custos de produção (taxa de importação), mais protegidas serão as empresas (correto) e maior será a eficiência da economia (pois haverá mais empregos e, logo, mais consumo).
    Ou seja, maior custo de produção gera mais consumo! Qual o sentido disso?
    É a mesmíssima lógica de dizer que quanto mais alto for o preço da gasolina e do diesel (que são custos de produção), mais dinâmica e rica será a economia (afinal, há muita gente trabalhando no setor petrolífero, e uma queda nos preços afetaria o salário destas pessoas).
    Ou então, o que dá no mesmo, é o mesmo que dizer que não podemos demitir todo o exército de marajás aboletados na máquina pública (inclusive ascensoristas ganhando 15 mil por mês), pois tais pessoas, agora desempregadas, levariam a economia à recessão.

    Igualmente, jamais poderíamos permitir o computador (que gerou milhões de desempregados na indústria de máquinas de escrever), a luz elétrica (que aniquilou a então pujante indústria de velas) e, claro, o automóvel (que destruiu a indústria de carruagens, o principal meio de transporte da época).

    De resto, o que eu falei acima não é uma mera teoria. É uma empiria comprovada ao redor do mundo. Quanto mais aberta a economia, menores as taxas de desemprego.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2853
  • anônimo  06/09/2019 23:23
    Prezado Vladimir, se você me permite vou complementar.
    É provável que uma queda no nível de emprego pudesse acontecer em um determinado momento, afinal o mercado vai necessitar se adaptar a nova realidade, pois uma faxina iria ser feita nesse desarranjo econômico que vivemos.

    Devido ao fato de empresas ineficientes, que antes somente sobreviviam pelo fato de estarem aliadas ao cartel, começassem a falir, poderíamos enfrentar talvez, e somente talvez, pois no meu entendimento essa troca (digamos assim) de ineficiência por produtividade seria muito rápida, tenho a tendência de acreditar que o nível de desemprego devido à falência de ineficientes seria muito menor que o nível de emprego gerado por uma economia saudável e em plena produção, mas não sou vidente, então vou me limitar a pensar no pior cenário e imaginar que passaríamos por, novamente talvez, um momento de queda no nível de emprego.

    Mas isso seria momentâneo, como o colega Vladimir explicou, é uma questão de lógica, tão logo as empresas percebessem que a economia está favorável para a produção elas iriam começar a se estabelecer aqui e não somente iriam vender pra cá.
    Qual a razão universalmente explicável, em que uma empresa NÃO iria se estabelecer aqui e consequentemente produzir aqui, se aqui se respeita o livre comércio e se aqui se obtém lucro em uma produção?
  • Anderson Fernandes  07/09/2019 00:46
    Faz todo sentido esse raciocínio e realmente a empiria comprova. Mas se é tão autoevidente por que ainda somos uma das economias mais fechadas, com pouca produtividade e mais atrasadas do mundo?
  • Pensando em sair do País  06/09/2019 15:16
    Pessoal, novidades da economia brasileira? Agora vai?
  • Andre  06/09/2019 16:10
    Não, sem novidades. Sim, vai virar Argentina com praias.
  • Wesley  07/09/2019 13:03
    Espera ai, a Argentina vai virar a Venezuela, o Brasil vai virar a Argentina e quem será o próximo Brasil? Eis a questão.
  • Emerson Luis  07/10/2019 19:47

    Mas a Argentina tem praias!

    * * *
  • Matheus Santiago  06/09/2019 22:40
    OFF-TOPIC: Plano de Reforma Habitacional nos EUA - Trump quer privatizar Fannie Mae e Freddie Mac
    home.treasury.gov/news/press-releases/sm769

  • Felipe Lange  08/09/2019 23:44
    Leandro, o que você acha do Future-se, o programa do governo federal para o ensino superior? Vai trazer algum benefício? Alguma mudança?
  • Mikhail  09/09/2019 05:16
    Só keynesianista acha que gasto do governo aumentará algo na economia que não sejam os impostos.
  • Rafael  12/09/2019 21:21
    Este desenvolvimentista aprendeu economia com Dilma e Lula, só pode.!
  • Pérsio  16/09/2019 09:34
    Artigo excelente - e atual! Basta ver a decisão DESASTRADA do ministro Paulo Guedes, que quer "ressuscitar" a CPMF de triste memória.
  • Dirce  24/10/2019 13:42
    Falando em CPMF, alguém sabe dizer de onde vem a "tara" de economistas latinos por esse imposto, apesar de quinhentos estudos/fatos/experiências passadas comprovarem a catástrofe que ele provoca? Há algum artigo sobre isso aqui no site?


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