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A Lei de Say é irrefutável e, sozinha, destrói todo o arcabouço keynesiano
Apenas quem desvirtua seu significado pode alegar que ela é errada

Poucos conceitos são tão distorcidos e mal compreendidos quanto a chamada Lei de Say. Em parte, isso foi obra de John Maynard Keynes, que precisava acabar com ela para abrir espaço para suas políticas intervencionistas. Keynes precisava mostrar que a Lei de Say era falsa porque todo o seu tratado econômico foi construído tendo por base este pilar (o de que Say estava errado).

E como você refuta uma "lei" que sempre havia sido central para os economistas entenderem e explicarem a economia de mercado nos últimos 150 anos? Simples. Você a distorce, cria um espantalho e então bate com gosto neste espantalho. Afinal, bater em espantalhos é muito mais fácil do que refutar a tese verdadeira.

Consequentemente, a "Lei da Say" passou a ser conhecida, segundo os próprios termos criados por Keynes, como uma teoria que diz que "a oferta cria sua própria demanda", o que obviamente é uma descaracterização.

A verdadeira Lei de Say

Originalmente, o significado era outro. Até mesmo o nome era outro. Economistas anteriores a Keynes se referiam a ela como a 'Lei dos Mercados', pois ela descrevia em termos muito simples os fundamentos de como um mercado funciona. Jean-Baptiste Say foi aquele que expressou e explicou a lei da maneira mais simples e direta, o que pode explicar por que ela passou a ter o seu nome.

Say observou que o valor dos bens e serviços que qualquer indivíduo pode comprar é igual ao valor de mercado daquilo que esse indivíduo pode ofertar. Segundo o próprio: "Dado que cada um de nós só pode comprar a produção de terceiros com nossa própria produção, e dado que o valor do que podemos comprar é igual ao valor do que podemos produzir, então quanto mais o homem pode produzir mais ele pode comprar".

Em outras palavras, a produção precede o consumo, e a demanda de um indivíduo só pode ser satisfeita se este indivíduo também ofertar algo a alguém.

A Lei dos Mercados, portanto, diz que o valor dos bens e serviços que qualquer indivíduo pode comprar é igual ao valor de mercado daquilo que ele pode ofertar. Ou, em um sentido macroeconômico agregado, o valor dos bens e serviços que qualquer grupo de pessoas pode comprar no agregado é igual ao valor de mercado daquilo que eles podem ofertar no agregado.

Say, em suma, simplesmente expressou a realidade de que nós produzimos (trabalhamos) para poder consumir.

Como o mercado gera a abundância

Desta maneira, a Lei dos Mercados sintetiza a natureza das ações de mercado, em que a divisão do trabalho faz com que a produção se torne mais especializada. Especificamente, nós produzimos para vender, com a intenção de então usar as receitas da venda para comprar aquilo que realmente queremos.

Isso significa que a produção que ocorre no mercado é indireta, e não é incorrida de modo a satisfazer diretamente as necessidades de cada produtor. Nós produzimos para satisfazer os desejos de outras pessoas. Como consequência, isso nos fornece os meios para comprar a produção de terceiros e, assim, satisfazermos nossos próprios desejos.

O benefício deste arranjo é que há uma separação entre aquilo que quero consumir e aquilo que quero produzir, o que significa que cada um de nós pode se especializar na produção daquilo em que somos comparativamente competentes, e não daquilo que queremos consumir mas não sabemos como produzir. Também significa que podemos nos especializar em produzir apenas um bem ou serviço, e não uma variedade deles, desta maneira cortando custos desnecessários, desenvolvendo habilidades e especialidades, e consequentemente aumentando nossa produção.

Se eu quero um smartphone, posso obtê-lo por meio da minha produção de aulas e trabalhos acadêmicos (que é aquilo que faço melhor), não sendo necessário que eu próprio tenha de um montar um smartphone do nada (o que seria uma tragédia).

Porém, se, de um lado, a especialização universal sob este arranjo de divisão do trabalho significa que a produção geral será significativamente aumentada, de outro também significa que nos tornamos dependentes uns dos outros. Não somente temos de vender aquilo que produzimos para obter os meios necessário para consumirmos, como também temos de transacionar com aqueles que produzem aquilo que desejamos para satisfazer nossas necessidades.

Assim, nós nos tornamos interdependentes. Foi por isso que Mises disse que "Sociedade é divisão de trabalho e combinação de esforços. Por meio da colaboração e da divisão do trabalho, o homem substitui uma existência isolada — ainda que apenas imaginável — pela existência conjunta. Por ser um animal que age, o homem torna-se um animal social."

Este "animal social" se beneficia da (inter)ação do mercado, pratica essa interação e ascende por meio dela. Dado que só podemos nos beneficiar se soubermos como corretamente direcionar nossos esforços produtivos para satisfazer os desejos de outras pessoas, temos de entender essas outras pessoas. Ao fazermos isso, podemos antecipar melhor quais são seus desejos e necessidades, e então nos ocuparmos em tentar satisfazer esses desejos e necessidades.

E dado que a produção é algo que leva tempo, a produção tem necessariamente de preceder a demanda.

O que gera o crescimento econômico

Pelo fato de a demanda ser incerta, toda produção é necessariamente especulativa e empreendedorial. A demanda real só será descoberta quando os bens forem apresentados aos compradores em potencial. Consequentemente, empreendedores são prognosticadores, avaliadores de projetos, tomadores de risco. Em uma economia avançada, eles direcionam fundos para a mão-de-obra, para os proprietários de terra, e para os fabricantes de bens de capital, e só conseguirão recuperar este investimento se forem bem-sucedidos nesta antecipação das demandas dos consumidores e, consequentemente, conseguirem vender seus produtos a preços que viabilizem todo o seu investimento.

Ao mesmo tempo, os consumidores só poderão comprar esses bens e serviços se tiverem eles próprios praticado uma produção que tenha atendido aos desejos e demandas de terceiros — caso contrário, eles terão apenas o desejo de comprar, mas não a capacidade (e isso não é demanda).

Isso não é um argumento circular, mas sim a própria explicação de como ocorre o crescimento econômico. A capacidade de vender bens no mercado, e consequentemente de incorrer em uma produção especializada, requer investimentos anteriores. Por isso, para se especializar em algo, foi necessário que esta pessoa produzisse bens e vendesse em uma quantidade que excedesse a própria necessidade de consumo (para assim acumular poupança). Esta poupança será utilizada para financiar o desenvolvimento de um novo bem. Isso caracteriza um investimento. E esse investimento será especulativo porque a verdadeira demanda só será conhecida quando o produto chegar ao mercado.

A implicação deste raciocínio é que nunca é possível haver uma "superprodução" ou um "excesso de oferta" na economia. Consequentemente, não é possível haver uma "deficiência na demanda agregada", sendo este o cerne de toda a teoria keynesiana. É certamente possível haver um excesso de oferta ou uma escassez de uma mercadoria específica, algo que ocorre regularmente em decorrência de empreendedores não terem sido bem-sucedidos em antecipar corretamente a demanda de mercado por seu produto.

Mas isso só pode ocorrer no curto prazo.

Quando os erros ocorrem

Dado que toda produção é feita com o intuito de vender os bens produzidos para então comprar os bens e serviços que irão satisfazer os desejos do produtor, sua eventual incapacidade de vender irá se tornar sua incapacidade de consumir. Não é possível demandar sem antes ter produzido.

Consequentemente, quando uma pessoa não consegue vender o que produziu, isso não caracteriza uma "deficiência da demanda". Ao contrário, caracteriza uma falha na produção. É uma falha na produção o que causa uma redução na demanda efetiva — uma falha empreendedorial.

Para tornar seus bens atrativos ao consumidor e, assim, conseguir vendê-los, este produtor terá de reduzir seus preços. Houve um erro empreendedorial de sua parte. Ou ele estimou erroneamente seus custos de produção ou ele estimou erroneamente seu preço de venda. Um dos dois, ou ambos, terá de ser corrigido. Caso contrário, ele não conseguirá vender. E consequentemente não conseguirá demandar.

O que houve, portanto, foi um erro na precificação, o qual deve ser corrigido. Empreendedores — por vários motivos — imaginaram que os consumidores atribuiriam a seus bens e serviços valores maiores do que aquele que de fato foi atribuído. Não houve um 'excesso de produção'; houve, isso sim, um erro de cálculo quanto ao futuro valor de mercado dessa produção.

Esse tipo de erro empreendedorial coletivo ocorre tipicamente quando o governo embarca em uma política de crédito farto e barato, o qual gera um aumento temporário da renda disponível das pessoas, que então passam a consumir mais. Ludibriados por esse consumo maior — o qual foi causado pelo mero endividamento barato e não por um aumento genuíno da produção e da renda —, empreendedores passam a crer que haverá maior renda disponível no futuro, de modo que seus bens e serviços serão mais demandados, o que significa que poderão cobrar preços maiores. Mas tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores.

Logo, se empreendedores erraram em sua estimativa e em sua produção — por qualquer motivo —, então a correção deve necessariamente passar pelo rearranjo dos esforços produtivos, de modo a estimar mais corretamente os desejos dos consumidores e a mais bem servi-los.

Esse diagnóstico da recessão é bastante diferente do diagnóstico keynesiano, que enfatiza que houve uma redução da demanda em decorrência de misteriosas flutuações no "espírito animal" dos empresários, o qual deve ser retificado por meio de mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos governamentais.

No diagnóstico de Say, o governo deve remover ao máximo os obstáculos burocráticos e regulatórios para que os empreendedores possam rapidamente corrigir seus erros e descobrir quais bens e serviços os consumidores realmente querem (e podem comprar). Dado que o mecanismo de preços é a principal fonte de informação dos empreendedores, uma flexibilidade nos preços de mercado é essencial para uma rápida recuperação.

Se o governo, no entanto, impedir essa correção por meio de política que estimulem a demanda, isso irá apenas subsidiar estes bens que foram produzidos a um custo muito alto. Consequentemente, os erros empresariais serão protegidos e blindados das preferências do consumidor. Os consumidores perderão e os empreendedores ineficientes são premiados. E a economia continuará desalinhada, com a oferta não sendo aquela demandada pelos consumidores.

Ao final, a produção estará em descompasso com a demanda, os empreendedores ruins continuarão no mercado consumindo recursos escassos (e, com isso, prejudicando os mais competentes), os consumidores terão menos poder, e a economia será menos eficiente.

Conclusão

Por isso, é fácil entender por que os defensores do intervencionismo querem abolir a Lei dos Mercados. Se a demanda for separada da oferta e passar a operar independentemente desta, então os mercados jamais serão eficientes, jamais tenderão ao equilíbrio e o governo sempre terá de intervir para nos salvar de nós mesmos.

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Leia também:

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O consumismo não gera crescimento econômico - e sua defesa é o cerne da teoria keynesiana

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autor

Per Bylund

foi consultor de negócios na Suécia, é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e é professor de Empreendedorismo e Livre Iniciativa na Escola de Empreendedorismo da Oklahoma State University.




  • Noé  11/07/2017 15:33
    A lei de Say representa simplesmente a realidade que produzimos para poder consumir.

    A oferta vem primeiro. A demanda é decorrente dela (o exato oposto do pensamento keynesiano).

    Exatamente como seria possível eu demandar algo sem antes ter produzido algo ou ofertado minha mão-de-obra? Somente sendo o beneficiário dos ganhos/poupança de outros, que já auferiram renda em decorrência de terem ofertado sua própria produção.

    A intervenção estatal sobre a moeda e o mercado de crédito complica a questão, pois a expansão monetária feita pelo estado (via Banco Central) passa ser vista como substituta da produção genuína que ocorre no mercado. Só que algo que representa uma produção futura -- o endividamento -- não é o mesmo que a própria produção. Quando o crédito passa a ser utilizado para representar "demanda", ele é apenas uma promessa de uma produção futura. Na prática, ele traz a demanda do futuro para o presente.

    A noção de que o governo pode "criar" demanda é falsa, uma vez que a demanda -- em virtude da Lei de Say -- não pode existir independentemente da oferta. Quer aumentar a demanda? Aumente a produção desejada pelos consumidores, e coloque à venda. No momento em que vender, será criada nova capacidade de demanda para o produtor/vendedor, permitindo que ele se torne um comprador/consumidor.

    Ao tributar e ao manter os preços artificialmente ou arbitrariamente elevados por meio de regulações -- especialmente encargos sociais e trabalhistas, e também tarifas de importações ou agências reguladoras que cartelizam o mercado --, o governo está restringindo a liberdade das pessoas de produzir, desta forma restringindo os indivíduos de gerar sua própria capacidade de demanda. Ao fazer uma expansão monetária e do crédito, o governo piora ainda mais a situação, pois está também diluindo o poder de compra daqueles que trabalham, produzem, vendem e ofertam.
  • Felipe  11/09/2018 02:22
    puta comentário lúcdio, o melhor que vi aqui. Parabéns, não acrescentaria nada.
  • Lula, o Pai do Brasil  11/07/2017 15:36
    Na verdade Mises e que estava errado, pois ele tem uma visão muito primitiva e inocente do capitalismo. Keynes genialmente compreendeu que o capitalismo é acima de tudo um esquema ponzi, então ele não precisa estar certo, basta que seja eterno enquanto durar.
  • Anthony Igor Pessoa da Silva  04/09/2018 15:39
    Esse sistema ponzi está durando mesmo , hein?
  • Gordo Rugby  23/10/2018 21:44
    Eu nao tentaria explicar nada a alguem com o nome 'lula, o pai do Brasil' pq se ele nao conseguir roubar seu comentario, vai distorce-lo e usar contra vc mesmo.
  • matheus  11/07/2017 15:44
    e a crise de super produção fordista? e como os preços vão abaixar quando inventaram o "just time" , a incomeda de carros?
  • Leandro  11/07/2017 15:49
    Superprodução? Isso não existe. Trata-se de uma teoria completamente sem sentido, que desafia a lógica e o senso de realidade.

    Como ocorre uma superprodução do nada? É até possível entender que haja excesso de consumo (basta congelar preços e expandir a oferta monetária), mas excesso de produção de forma generalizada? Produção é uma atividade extremamente complexa e cara. Gerar uma superprodução -- e de maneira generalizada -- seria, acima de tudo, fisicamente impossível. Não haveria recursos para isso. E seria extremamente caro.

    (Mas seria uma bênção para a população. Haveria bens fartos e baratos para todos.)


    E, se há fartura de tudo e todos os preços baixaram, então os custos também baixaram. Inclusive salários. Se está havendo deflação geral de preços, então uma redução nominal de salários também irá ocorrer.

    No mais, recessões não são causadas por "superprodução", mas sim por investimentos errôneos e insustentáveis -- pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima. Não se trata de um problema de superprodução, mas sim de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

    A causa de uma recessão não é uma abundância de bens (consequência de uma superprodução), mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.


    Artigo sobre isso aplicado ao Brasil:


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466



    No mais, passo a palavra a Ludwig von Mises:


    Enquanto um determinado objeto for um bem econômico, e não um "bem não-escasso", obviamente sua oferta não será irrestritamente abundante. Ainda há necessidades não satisfeitas que uma oferta maior desse bem poderia satisfazer. Ainda há pessoas que ficariam contentes se pudessem ter mais desse bem além da quantidade que elas atualmente têm.

    Assim, em termos de bens econômicos, nunca poderá haver uma superprodução absoluta. (E a economia lida apenas com bens econômicos, não com bens não-escassos como o ar. Esses não são a finalidade da ação humana e por isso não são produzidos. Ademais, o uso de termos como superprodução ou subprodução, para esses bens, seria algo totalmente sem sentido).

    Em relação a bens econômicos, pode haver somente superprodução relativa. Se os consumidores estiverem demandando quantidades definidas de camisas e sapatos, mas os empresários acabarem produzindo uma quantidade maior de sapatos e uma quantidade menor de camisas, isso não caracteriza uma superprodução generalizada de todas as mercadorias. À superprodução de sapatos corresponde uma subprodução de camisas. Consequentemente, o resultado não tem como ser uma depressão geral em todos os setores da economia.

    A conseqüência será uma mudança na relação de troca entre sapatos e camisas. Se antes, por exemplo, um par de sapatos podia comprar quatro camisas, agora ele só compra três camisas. Se os negócios estão ruins para os sapateiros, estão bons para aqueles que trabalham no ramo de tecidos. Assim, qualquer tentativa de se explicar depressões econômicas referindo-se a uma suposta superprodução generalizada é falaciosa.

    As mercadorias, disse Say, são em última instância pagas não com dinheiro, mas com outras mercadorias. O dinheiro é simplesmente o meio de troca mais comumente utilizado; sua função é apenas intermediar a transação. No final, o que o vendedor quer receber em troca das suas mercadorias vendidas são outras mercadorias.
  • Alexandre Alamino  08/01/2019 00:58
    Uma distorção causada por pedidos de produtos indevidos, como explicitado no Jogo da Cerveja (descrito em V Disciplina de Peter Senge), não pode ser considerado uma superprodução? (Ainda que restrito a uma supply chain específica)
  • Consumidor  20/07/2017 22:14
    Se houvesse uma superprodução, seria bom para os consumidores, não?
  • Trader  11/07/2017 15:50
    A origem da deturpação da Lei de Say e o motivo de ela persistir até hoje são fáceis de serem compreendidas: tudo vem do desejo humano de querer conseguir algo em troca de nada.

    E ninguém mais do que o próprio governo -- qualquer governo -- estimula isso.
  • Rodrigo  11/07/2017 18:01
    Achei muito interessante a abordagem do autor do texto. De todo modo, me parece que as teorias econômicas, todas elas, se esquecem do componente realidade. Explico: a utopia comunista de Marx e a utopia liberal de Smith, partem de um mesmo ponto, qual seja, a crítica ao Estado. Para o primeiro o Estado foi conformado e urdido pelo Capital, para proteção do próprio e da classe detentora do capital. Para o segundo o Estado foi engendrado pelos ricos para dominação da riqueza. A própria lei de Say me trás uma dúvida: se por um motivo qualquer (a realidade nos mostra isso), uma pessoa que nasceu extremamente pobre, sem condições de acesso a educação ou serviços de saúde, sem moradia e que nunca conseguiu um emprego formal, amargando períodos de "zero" renda, como essa pessoa então poderá comer, se para consumir o alimento ela precisa produzir? Outra dúvida: imaginando que um operário qualquer, em qualquer lugar do mundo, ganha X dinheiros para trabalhar 10 horas por dia, isso significa que ele produz certa quantidade de trabalho nestas 10 horas para fazer jus ao salário. No caso deste operário produzir mais nestas mesmas 10 horas e continuar a ganhar os mesmos X dinheiros, esse aumento de produção dele não se refletiu em maior capacidade de consumo. Portanto, na minha modesta opinião, não há modelo ou teorias a seguir, é preciso compreender o que acontece de verdade com as pessoas e em sociedade buscar a construção de um sistema que se adeque à realidade da vida.
  • Garcia  11/07/2017 18:40
    "Para o segundo [Smith] o Estado foi engendrado pelos ricos para dominação da riqueza."

    Smith nunca disse isso, mas tudo bem, este não é o ponto.

    "A própria lei de Say me trás [sic] uma dúvida: se por um motivo qualquer (a realidade nos mostra isso), uma pessoa que nasceu extremamente pobre, sem condições de acesso a educação ou serviços de saúde, sem moradia e que nunca conseguiu um emprego formal, amargando períodos de "zero" renda, como essa pessoa então poderá comer, se para consumir o alimento ela precisa produzir?"

    Se essa pessoa "nasceu" assim, então seus pais são os responsáveis por provê-la.

    Se os pais não conseguirem, então você tem a responsabilidade moral de ajudá-la. E, caso você não consiga, você pode agitar -- por meio das redes sociais e de campanhas de conscientização -- para que terceiros voluntariamente ajudem.

    Mas você não tem o direito -- e eu sei que é este o seu ponto -- de roubar a riqueza de terceiros para ajudar este necessitado. Você pode pedir para que terceiros ajudem. Mas você não pode acionar o governo para mandar homens armados para confiscar a propriedade privada de terceiros para então fazer esta "caridade".

    Caridade com a propriedade confiscada de terceiros não é caridade, mas assalto.

    "Outra dúvida: imaginando que um operário qualquer, em qualquer lugar do mundo, ganha X dinheiros para trabalhar 10 horas por dia, isso significa que ele produz certa quantidade de trabalho nestas 10 horas para fazer jus ao salário."

    Nem precisa completar. Teoria completamente errada. Você está recorrendo à teoria do valor-trabalho, que já foi completamente refutada.

    A riqueza nada tem a ver com esforço, com as horas trabalhadas, com o trabalho duro, com nada disso. Por exemplo, um homem pode gastar centenas de horas fazendo sorvetes de lama ou cavando buracos, mas se ninguém atribuir qualquer serventia a estes sorvetes de lama ou a estes buracos — e, portanto, não os valorizar o suficiente para pagar alguma coisa por eles —, então tais produtos não têm nenhum valor, não obstante as centenas de horas gastas em sua fabricação.

    O que determina a remuneração no mercado não é o mérito, não é a virtude, não é o esforço ou a dedicação.

    O que realmente determina a remuneração no mercado é apenas e simplesmente a criação de valor. Se você consegue criar algo de valor para terceiros, você será bem remunerado. Ninguém está nem aí para as suas horas trabalhadas ou para o seu esforço. As pessoas só querem saber de serviço bem feito. E pagarão bem por isso.

    De novo: o que interessa é a criação de valor; o valor que você consegue adicionar à vida dos demais. Não importa se é por esforço, inteligência, sorte, talento natural, herança; quanto mais imprescindível você for aos outros, mais os outros estarão dispostos a servir você.

    O esforço por si só não garante nada. É verdade que, tudo o mais constante, se a pessoa encontra um campo em que ela gera valor, o esperado é que mais esforço gere mais valor. Com o passar das gerações, a ascensão social se acumula: a filha da retirante nordestina que trabalha de empregada tem computador, aula de inglês e provavelmente não será doméstica quando crescer.

    É assim que as sociedades enriquecem. Não é de uma hora para outra, e não tem nada a ver com a crença ingênua de que a renda é ou deveria ser proporcional ao mérito.

    Nada é garantido. Às vezes o setor em que o sujeito trabalha fica obsoleto, e o valor produzido pela dedicação de uma vida cai abruptamente. Havia gente muito dedicada entre os técnicos de vitrola de meados dos anos 1990; e mesmo assim…

    Satisfaça as necessidades dos outros, e as suas serão satisfeitas. Não importa se é por mérito, por sorte ou por talento. O cara mais esforçado e bem-intencionado do mundo, se não criar valor, ficará de mãos vazias.

    Achou injusto? Então aqui vai um segredo: é você quem perpetua esse sistema. Se sua geladeira quebra, você vai querer um técnico esforçado e que dê tudo de si, ou vai querer um que faça um ótimo serviço, com pouco esforço e a um baixo custo? Quer um restaurante ruim mas com funcionários esforçados ou quer comer bem? O mundo reflete o seu código de valores e, veja só, ele não é meritocrático.

    O sistema de mercado não premia a virtude; ele premia, e portanto incentiva, o valor. É feio dizê-lo? Pode ser, mas ele tem um lado bom: é o sistema que permite que a vida de todos melhore ao mesmo tempo. Que todo mundo que quer subir tenha que ajudar os outros a subir também. Ele não iguala o patamar de todo mundo, mas garante que a direção de mudança seja para cima.

    Leia mais em:

    Não é a meritocracia; é o valor que se cria

    A teoria do valor-trabalho ainda assombra a humanidade e segue causando estragos

    "Portanto, na minha modesta opinião, não há modelo ou teorias a seguir, é preciso compreender o que acontece de verdade com as pessoas [...]"

    Dado que você está munido de teorias completamente erradas, nao é de se espantar que você pense assim.

    Apenas entenda isso: não há mágica em economia. Questões puramente econômicas não podem ser resolvidas com coitadismos, vitimismos e afetações de indignação. Nada disso altera a realidade do mundo.
  • Gabriel  11/07/2017 19:44
    Sempre que eu leio comentários de gente que põe Marx e Smith no mesmo balaio, querendo passar uma imagem de parcialidade, eu tenho a sensação que vou ler besteiras imensuráveis. Dito e feito mais uma vez.
  • Gabriel  11/07/2017 19:57
    *Imparcialidade*
  • Diego Maciel  19/05/2018 19:21
    Mas nesse caso isso foi muito bom, pois a explicação do colega acima foi fantástica!
  • André Lazaro  03/01/2019 20:26
    De fato, o comentário do Garcia é um excelente complemento ao artigo. hehe
  • André Lazaro  03/01/2019 21:22
    De fato, o comentário do Garcia é um excelente complemento ao artigo. hehe
  • Marcelo  11/07/2017 19:18
    Leandro, uma dúvida. Se o crédito criado do nada for emprestado para consumo, isso irá gerar um ciclo econômico ao estilo "Boom and Bust"? Ou tal ciclo econômico só ocorreria se o dinheiro criado do nada fosse emprestado para ser investido na produção e não em consumo?
  • Leandro  11/07/2017 19:28
    Sim e não.

    De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

    Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

    Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

    Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

    Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

    É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

    E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

    Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

    O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

    Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


    Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

    A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

    Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

  • Skeptic  11/07/2017 19:31
    "Say observou que o valor dos bens e serviços que qualquer indivíduo pode comprar é igual ao valor de mercado daquilo que esse indivíduo pode ofertar. Segundo o próprio: "Dado que cada um de nós só pode comprar a produção de terceiros com nossa própria produção, e dado que o valor do que podemos comprar é igual ao valor do que podemos produzir, então quanto mais o homem pode produzir mais ele pode comprar"."

    A Lei de Say não cai no erro da igualdade de valores?
  • Realistic  11/07/2017 19:44
    Nada a ver. Se eu quero comprar um carro que custa R$ 50 mil, então eu tenho de produzir coisas que, ao serem vendidas em determinadas quantidades, irão me fornecer pelo menos R$ 50 mil.

    Não tem nada de "igualdade de valores" aí.
  • Skeptic  11/07/2017 20:01
    Então, não seria melhor substituir "valor" por "preço".
  • Russo  11/07/2017 19:45
    A Lei de Say sempre será verdadeira e para sempre permanecerá irrefutável porque ela se refere ao conceito subjetivo de valoração. A oferta colocada no mercado sempre fornecerá o meio com o qual o ofertante poderá comprar outros bens e serviços, mas somente na mesma extensão do valor subjetivo atribuído pelos consumidores a essa oferta.

    De nada adianta você produzir e ofertar bens e serviços que ninguém quer; bens e serviços cujo valor subjetivo atribuído a eles pelos consumidores seja nulo ou extremamente baixo. Isso não lhe dará poder de compra para satisfazer suas demandas.

    No entanto, e este é o ponto, mesmo que esta oferta fracassasse em criar qualquer poder de compra para seu ofertante — por ter sido considerada completamente sem valor de mercado, como cavar buracos no meio do nada —, isso não revogaria em nada a Lei de Say; ao contrário: seria mais uma manifestação dela própria.

    Tal fenômeno também distingue a Lei de Say da teoria do valor-trabalho de Marx: Say reconhece o fato crucial de que o ato de produção, por si só, é insuficiente para criar poder de compra; só cria poder de compra o ato de produzir algo que é valorado por terceiros, os quais também produziram algo de valor no mercado e que, por isso, têm poder de compra e podem adquirir o que você produziu.

    Em suma, não é a produção ou o trabalho que importam, mas sim o que é produzido e para quem.
  • Skeptic  11/07/2017 20:02
    Excelente resposta, obrigado!
  • Luiz  11/07/2017 23:27
    As leis econômicas são imutáveis, economistas e burocratas podem fazer de tudo para tentar ignora-las, mas uma hora a "conta" chega.
  • Luiz  11/07/2017 23:30
    O pior é que essa ideia de que estimular a demanda aumenta a produção fosse verdadeira não existiria pais pobre, pois se fosse assim teríamos um moto perpétuo da economia.

    Mas como quase tudo a grande questão ai não é econômica, mas sim politica.
  • Marcio  11/07/2017 20:46
    O IMB poderia publicar um artigo sobre a Zona Franca de Manaus.
  • Repetindo  11/07/2017 21:13
    Normalmente se critica a Zona Franca de Manaus dizendo que ela é uma mamata e que o certo é o governo acabar com a isenção fiscal (algo que eles chamam de "subsídio") e tributar as empresas.

    Isso é errado. Trata-se do clássico erro de confundir isenção com subsídio. Subsídio é o governo tomar dinheiro de Paulo e repassar a Pedro. Já isenção é o governo não tributar Paulo.

    Subsídio é errado, imoral e economicamente ineficiente. Já isenção é o governo retirar uma barreira que ele próprio erigiu e que nem sequer deveria existir. Isenção é exatamente a política a ser adotada (o ideal seria o governo expandir a isenção para todos, e simplesmente desaparecer).

    O governo tem de acabar com os subsídios, e não com as isenções. Quem defende o fim das isenções e o retorno da tributação está fazendo o jogo da esquerda.

    Isenções tributárias não são subsídios; por isso, devem ser mantidas e até mesmo expandidas

    A sociedade voluntária, os impostos, e os subsídios
  • Libertarian  12/07/2017 11:08
    A zona franca de Manaus deveria ser extendida territorialmente para englobar o país inteiro.
  • Joao  11/07/2017 20:57
    Excelente artigo, pena que coloca unicamente o preço como sendo fator do produtor não conseguir vender. Preço não é tudo. De nada adianta produzir algo que não é demandado, ou com qualidade extremamente ruim, que torne a demanda inexistente. Um produto que seja uma bela porcaria, pode não ser consumido nem por R$0,01. O mesmo vale para algo que ninguém quer. Então, não adianta alterar o preço. Nesses casos o erro do empreendedor não foi no ajuste do preço.
  • Medeiros  11/07/2017 21:09
    "Preço não é tudo. De nada adianta produzir algo que não é demandado, ou com qualidade extremamente ruim, que torne a demanda inexistente."

    Mas isso é tão óbvio, que qualquer pessoa inteligente é capaz de inferir. E este site é feito para pessoas inteligentes. Tanto é que é mais selecionado.

    Ademais, os últimos seis parágrafos falam claramente sobre a necessidade de se reestruturar a linha de produção da economia. Alterar preços é apenas uma das coisas que podem ser feitas.

    "Um produto que seja uma bela porcaria, pode não ser consumido nem por R$0,01."

    Até concordo, mas sempre há consumo de tudo. Aquilo que é uma "bela porcaria" para você tem grande demanda para outro público. Vide o funk. Eu não ouço aquilo nem que me paguem. No entanto, há gente que paga caríssimo para ir a um show daquilo.

    Outra coisa em que eu jamais gasto dinheiro é com refrigerante, bala, pirulito e chiclete. No entanto, há bilhões de pessoas no mundo dispostas a gastar dinheiro com isso.

    Sugiro mais humildade. Jamais pense que o seu bom gosto subjetivo é idêntico ao do resto da humanidade.

    "O mesmo vale para algo que ninguém quer."

    Só injeção na testa.

    "Nesses casos o erro do empreendedor não foi no ajuste do preço."

    De novo: é o que o artigo diz claramente nos últimos 6 parágrafos.
  • Joao  12/07/2017 20:34
    Entendo, mas vejo o texto com olhos diferentes do seu. Não estou discordando do artigo, ou falando que ele esta errado, estou apenas dando um feedback, exercendo minha liberdade de comentar o artigo. Em momento algum deixei a humildade de lado, se você entendeu assim, desculpa, mas entendeu completamente errado. Sugiro mais humildade ao ler e responder meu comentário. Aliás, leia como eu abro o comentário, com um elogio "excelente artigo".

    Com relação a coisas que ninguém quer, é tão óbvio que isso pode existir que não vou comentar. É justamente aí que muitas empresas fecham, por querer produzir bens e serviços para os quais não há demanda. Nesses casos, não adianta baixar o preço. Existem inúmeros tipos de clientes, e para qualquer um que conhece um pouco de economia sabe que a produção antes de tudo deve ser dedicada a um determinado público alvo, seja ele sensível a preço, qualidade, etc. Então meu amigo, preço definitivamente não é tudo. Isso serve tanto para aqueles que buscam preços baixos, como aqueles que buscam preços altos (sim, eles existem, tem gente que busca preço alto, por puro status. Já vi empresa quebrar por baratear de mais seu preço, o que afeta diretamente a perspectiva de valor do cliente).

    "Este site é feito para pessoas inteligentes". ??? (não entendi, isso foi arrogância ou humildade?) Achei que o site era para todos. Quem é inteligente não precisa do site, já tem tudo nos livros. Aliás, eu indico muito o site para quem é burro, ignorante, que não entende nada de economia de verdade, para ver se a pessoa acorda para a realidade. Mas infelizmente o site do Mises é muito conhecido por ter pessoas intransigentes, arrogantes, "donos da verdade", intolerantes, atacando os outros nos comentários. Não vejo sinal de inteligência nisso.
  • Silva  13/07/2017 19:46
    Pode crer. Mas argumentar a sensibilidade dos clientes esta mais para área da administração do que de economia. Então, eu mudaria sua frase para "qualquer administrador de empresas sabe que existem diversos tipos de clientes, aqueles sensíveis a preço, qualidade, etc". As pessoas confundem muito os economistas com administradores com contadores, etc, colocando todos no mesmo balaio, embora as áreas sejam extremamente correlatas e interdependentes; é o que me parece.
    E sobre os "comentaristas" do site, eu tbm fico com pé atrás na hora de comentar, pois sei que sempre vem patada.
  • Guilherme  13/07/2017 21:10
    Frequento o site há uns 4 anos e nunca vi nenhuma "patada" sendo direcionada a alguém que veio aqui fazer perguntas humildes e com genuíno interesse de aprendizado. A estes, as respostas são educadas e completas.

    Já aqueles que chegam arrogantemente fazendo afirmações irônicas e caluniosas, bem, esses de fato recebem o merecido tratamento. Por que tais pessoas deveriam ser bem tratadas? Isso inclusive seria sinal de covardia.

    Ah, e vale ressaltar: mesmo as patadas são devidamente acompanhadas de refutações e respostas técnicas. Nenhum xingamento é gratuito. Mesmo as agressões ocorrem em altíssimo nível. Este é o site mais completo em termos de interação entre os leitores. Por isso ele é viciante.
  • Carlos  17/07/2017 16:03
    hmm, eu sempre vejo respostas arrogantes e algumas patadas. Não é questão de "ser bem tratado", tampouco ser educado seria sinal de "covardia". Respeitar ideias contrárias não significa aceitá-las, e é muito fácil refutá-las sem agredi. Da mesma forma, não precisaria usar "salto alto" para fazer isso.
  • Taxidermista  11/07/2017 21:19

    Sobre Lei de Say, vale conferir William H. Hutt (A Rehabilitation of Say's Law):


    mises.org/library/rehabilitation-says-law
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  11/07/2017 22:57
    Os governos devem interferir o mínimo possível na economia. A função principal deles é a segurança.
  • Joaquim Saad  12/07/2017 15:54
    É, eles deveriam se segurar e não interferir em nada.
  • 1337  19/07/2017 08:36
    A função "ideal" do governo não é a segurança, a única função ideal dele é fornecer proteção aos cidadãos dentro do território por entidades externas.
  • guilherme  29/03/2018 04:55
    não se engane pelas "eleições democráticas", a principal função do governo é usar a coerção pra manter o stablishment a salvo do livre mercado. É exatamente por isso q a lei de say foi abandonada e o keynesianismo reina.

    De fato, após uma ou duas décadas de expansão do crédito beneficiando os campeões nacionais, eles ficaram milionários e emprestaram tudo ao governo para novas rodadas de expansão do crédito. Os amigos do governo foram beneficiados e se aposentaram ricos. Enqto isso os libertários estão lambendo as feridas há meio século esperando q "Sua palavra" cheque a todos os Homens.

    Seria cômico se não fosse trágico.
  • Nordestino Arretado  11/07/2017 23:24
    Caros amigos, há algum artigo aqui que fale sobre a economia brasileira durante o regime militar (ou seria ditadura?)? É por que sempre vejo supostos direitistas e conservadores defender o plano econômico durante o regime e gostaria que alguém me desse explanações.
  • Leandro  11/07/2017 23:44
    As políticas econômicas dos militares foram péssimas.

    Eles foram os maiores estatizadores que este país já teve a infelicidade de conhecer. À exceção de um breve período no governo Castelo Branco -- quando de fato foram feitas algumas reformas --, nada se salva no regime militar.

    Resumidamente, todo o período se resumiu a endividamento do governo em dólares para fazer obras faraônicas (ótimo negócio para as empreiteiras nacionais), inflacionismo da oferta monetária, e câmbio controlado para tentar mitigar os efeitos da inflação monetária sobre a carestia.

    Como a inflação monetária era excessiva, o câmbio controlado passava por várias e sucessivas "desvalorizações controladas", as quais faziam a carestia explodir.

    Porém, como havia o mecanismo da indexação (principalmente salarial) -- algo que o resto do mundo desconhecia --, a coisa foi sendo levada.

    Geisel foi o pior de todos. Pior até do que Dilma. Ninguém expandiu mais o estado do que ele; ninguém criou mais estatais do que ele. Ninguém fechou a economia mais do que ele. Ninguém foi economicamente mais socialista do que ele.

    Já no início da década de 1980, a economia brasileira estava sovieticamente fechada. Importar algo era praticamente proibido. Carestia nas nuvens, moeda sem nenhum poder de compra, e população proibida de comprar produtos estrangeiros. O exemplo mais explícito de reservas de mercado e de povo sendo tratado como gado.

    Vale, adicionalmente, dizer que todas essas empreiteiras atuais cresceram justamente no período militar -- daí a afinidade com o governo petista, igualmente estatizante.
  • Nordestino Arretado  12/07/2017 04:40
    Obrigado Leandro, bom saber que os militares que "salvaram o Brasil do comunismo" quase transformaram isso aqui na União Soviética, pelo menos na economia. O tanto de gente que hoje quer o retorno do regime militar não está no gibi.
  • Tacuary  12/07/2017 23:39
    Os milicos perto de 1964 foram economicamente sensatos. Mas durante a década 70, quanto mais tinham que justificar sua permanência no poder perante o público, cada vez mais adotaram o Desenvolvimentismo para "crescer o país".

    É o clássico exemplo do que o Keynesianismo faz quando é adotado. É uma droga que precisa ser consumida em uma quantidade cada vez maior para o indivíduo não pensar em suicídio. Mas quanto mais tempo é usada, mais cedo ele vai ir pras cucuias.

    Eles não foram machos igual o Pinochet que tomou o poder, mandou uma banana pra todo mundo e adotou o sistema econômico que ele próprio achava que daria bons frutos aos chilenos no futuro.
  • Ninguem Apenas  12/07/2017 15:38
    Leandro, poderia explicar esse cambio controlado? como eles inflacionavam e controlavam carestia?
  • Leandro  12/07/2017 15:46
    De maneira bem básica, era assim:

    1) O governo gastava o que tinha, e pedia empréstimos (a bancos nacionais e estrangeiros) e também imprimia dinheiro para gastar o que não tinha.

    2) Tal política, totalmente inflacionária, era contrabalanceada por uma taxa de câmbio fixa, a qual ajudava a contar os preços.

    3) Só que não há truques em economia. Se o governo gasta os tubos e aumenta continuamente a oferta monetária, essa taxa de câmbio não pode ficar fixa por muito tempo. Afinal, a moeda nacional está se desvalorizando muito mais que o dólar.

    4) Ato contínuo, o governo frequentemente tinha de fazer o inevitável: com a moeda desvalorizada, mas o câmbio artificialmente fixado, sua única alternativa era fazer mini ou maxi-desvalorizações. Caso contrários, as reservas internacionais iriam acabar.

    5) Só que a cada desvalorização do câmbio, a inflação de preços galopava, e cada vez mais rápido.

    6) E assim foi, até o Plano Verão, em janeiro de 1989 (última vez em que tal artifício foi tentado).

    Apenas neste período, nada menos que 4 moedas foram hiperinflacionadas e destruídas.
  • Ninguem Apenas  12/07/2017 16:31
    Nossa, ao meu ver a ultima vez que tivemos uma moeda estável antes do plano real foi no período antes da primeira guerra mundial quando o Brasil por pouco tempo adotou o padrão-ouro. Foram mais de 80 anos de moeda podre.

    Agora quando sai seu artigo sobre o regime militar Leandro? kk seria interessante um semelhante ao da Argentina.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562
  • Felipe Lange  28/12/2018 20:50
    Leandro, o que seria exatamente se endividar em dólares? E o que é indexação?
  • Auxiliar  28/12/2018 22:38
    Se endividar em dólares é quando os investidores estrangeiros não mais confiam na moeda nacional -- pois esta já foi seguidamente destruída por políticas inflacionistas -- e exigem títulos que pagam em dólar.

    A Argentina é o caso clássico. Como nenhum investidor estrangeiro confia no peso, o Tesouro tem de emitir títulos que pagam em dólares. Na prática, é um Tesouro Direto que restitui em dólares.

    Indexação é a correção de preços por um índice previamente determinado.
  • Fabiano  12/07/2017 00:32
    Publiquem amanhã algo sobre a reforma trabalhista. Todo o establishment esquerdista tá desesperado.
  • Luis  12/07/2017 02:13
    Ja que podemos sugerir pautas: Cospaia, uma historia para deliciar os anarco-capitalistas, e tambem, como esta a Somalia hoje. Digo isso proque entre 1991 e 2011 foi uma experiencia anarco-capitalista no interiror do pais. Perdoem a falta de acentos, meu teclado e' americano.
  • Eduardo  13/07/2017 02:37
    Estive pensando em diversas formas de como poderíamos retornar ao padrão ouro e eis que me surgiu uma ideia.
    Vou utilizar os Estados Unidos como exemplo, pois no Brasil nossas reservas de ouro são desprezíveis.Os Estados Unidos possuem algo em torno de 8 mil toneladas em ouro o que equivale a quase 400 bilhões de dólares, entretanto possuem cerca de 1,5 trilhões de dólares em circulação, dessa forma não da para lastrear toda a moeda. Então para solucionar o problema os americanos poderiam emitir uma nova moeda(digamos dólar II), só que essa nova moeda seria emitida com lastro nas reservas de ouro, em que cada dólar II seria o equivalente a 1 grama de ouro.Com isso teria-se 400 bilhões lastreados em ouro,que irão substituir a moeda anterior sem lastro, no valor de 3,5 dólar para cada 1 dólar II .Essa seria uma alternativa viável ?

  • Andre Fernandes  13/07/2017 14:18
    Uma dúvida que me surgiu (se estiver interpretando errado, favor me corrijam):

    Talvez seja confusão minha com relação as palavras demanda e consumo.

    Concordo plenamente que só podemos consumir algo após termos ofertado nossa produção e recebido algo em troca dela. Em compensação, não entendo dizer que só existe a demanda se existir a produção antes. Segue o exemplo que me causa confusão.

    Se pegarmos alguém que desempregado e sem nenhuma poupança, ainda assim não podemos dizer que a DEMANDA por comida existe mesmo que ele não tenha produzido nada? O que não se efetiva é o CONSUMO dela.

    Entendo a demanda como a necessidade/desejo por algum bem/serviço. E quando esta necessidade/desejo se efetiva passaríamos a chamar de consumo.

    Agradeço a ajuda!
    André
  • Aurélio  13/07/2017 15:17
    Isso é totalmente imaterial. Eu tenho uma "demanda" por uma mansão, por um helicóptero, por uma Ferrari, por um Porsche, e por um iate atracado em Monte Carlo.

    E daí? Se eu não tenho os meios para converter esses desejos psicológicos em uma compra efetiva, então eles de nada adiantam. Estão apenas em meu interior. Não há como eu materializá-los. A única forma de eu materializá-los seria produzindo coisas ao valor equivalente.

    Se eu conseguir, aí sim minha "demanda psicológica" vira demanda efetiva.
  • Leandro A. Nacif  14/07/2017 17:07
    Olá! Parabéns pelo artigo. Só fiquei com uma dúvida. Vc comentar, por favor com maiores ilustrações, o final do artigo que diz: "Se a demanda for separada da oferta e passar a operar independentemente desta, então os mercados jamais serão eficientes, jamais tenderão ao equilíbrio e o governo sempre terá de intervir para nos salvar de nós mesmos". Tenho razões para acreditar que o Setor Elétrico Brasileiro funciona assim.
  • Humberto Ramos  14/07/2017 17:44
    Sim, ele funcionou exatamente assim durante o governo Dilma, quando o governo congelou os preços de venda, mas não fez nada para baratear a criação de oferta. Como consequência, isso acabou levando o setor à insolvência.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2694
  • Emerson Luis  05/08/2017 10:29

    É impossível enriquecimento sustentável via endividamento sistemático.

    * * *
  • Luciano Andrade  09/08/2017 21:53
    É fácil defender a Lei dos Mercados de Say quando tratamos de empresas como a Apple e Microsoft! Quero ver é um produtor de arroz produzindo mais arroz do que é consumido para ver se não tem superoferta e subconsumo! Produtores de alimentos chegam a qualidade toneladas de grãos para manter o preço de mercado! Estou mentindo?
  • Pedro  10/08/2017 00:14
    "Quero ver é um produtor de arroz produzindo mais arroz do que é consumido para ver se não tem superoferta e subconsumo!"

    Ué, não entendi o que tem demais nisso.

    A Lei dos Mercados diz que é impossível toda a economia entrar em superprodução e subconsumo. Isso não existe. E foi explicado por quê.

    Agora, como o próprio texto enfatizou, é perfeitamente possível (aliás, totalmente normal e corriqueiro) que um determinado empreendedor cometa um erro de cálculo e produza além da conta. Isso acontece diariamente e nos mais variados setores.

    Quem erra na produção paga por isso. Vai ter de reduzir os preços ou então engolir o prejuízo.

    O que há de tão excepcional nisso?

    Aliás, um simples dono de loja, que não vê mais demanda pelo seu produto, tem de queimar seu estoque e fechar seu empreendimento. De novo, o que há de especial nisso?

    "Produtores de alimentos chegam a qualidade toneladas de grãos para manter o preço de mercado!"

    Sim, porque cometeram um erro de cálculo, erraram na produção e produziram mais que o consumidor queria. Ou reduzem o preço ou engolem o prejuízo e queimam sacas.

    De novo, o que há de especial nisso?

    Agora, no dia em que isso ocorrer simultaneamente em toda a economia, aí sim você terá um ponto.

    "Estou mentindo?"

    Tecnicamente, não. Apenas falou algo que não tem absolutamente nada a ver com o tema tratado. Aliás, 100% das pessoas que vêm aqui com alguma crítica fazem exatamente o mesmo. Mas continuem tentando.
  • Leonardo Otoni  22/09/2017 02:02
    Ótimo artigo, parabéns!
  • Alexandre Schmitt  10/12/2017 09:47
    1 - O artigo quis dizer então que a teoria levantada por Keynes de injetar dinheiro na economia para agregar demanda está errada e que tais teorias poderiam trazer ciclos econômicos? Que o certo seria estimular a produção, que com isso gera venda e posteriormente demanda?

    2 - Dúvida básica com um exemplo tosco:

    O artigo diz que antes de um consumo, deve haver produção, ou seja, deve-se ofertar bens no mercado para que esses bens sejam comprados, e com isso o ofertante vira um "consumidor em potencial". Mas e no caso de um cidadão que não seja produtor de nada? Digo, professores, bombeiros e policiais? Pois o trabalho realizado por eles não ofertam nada que possa ser vendido no mercado.

    Obs.: isso não é um desmerecimento de suas profissões.

  • João  07/01/2019 19:00
    Eles ofertam serviços, eles são "consumidos", um professor é demandado e tem oferta limitada por tempo, ele oferta seu tempo e experiência, e assim como todo produto, tem que ter qualidade (de ensino, eficiência, os alunos gostarem dele por ser companheiro -de nada adianta gostar sem aprender, mas tudo está balanceado-), logo, eles tem preço. Um jogador por exemplo, oferece lazer, diversão, tudo que alguém precisa pra se distrair e muitas pessoas estão dispostas a pagar bastante por isso, e isso torna quem recebe um consumidor em potencial
  • Anônimo  08/01/2018 20:28
    Ué, mas certas profissões que estão no setor de serviços não produz nada. Como eles poderiam se encaixar nessa teoria de produção leva ao consumo? Um atleta profissional, por exemplo, produz o que?
  • Leonardo  08/01/2018 20:52
    Oi?! Essa pergunta é séria?! Atletas profissionais produzem um serviço altamente demandado pelo povo -- lazer, distração, divertimento e emoção --, e, com isso, geram milhões (para não dizer bilhões) em renda para seus empregadores. As pessoas pagam caro para ver um Messi ou um Cristiano Ronaldo jogando (ao vivo ou na televisão, via patrocinadores), e esse dinheiro vai para seus empregadores.

    Bons jogadores de futebol têm alcance nacional (alguns, mundial). Milhões de pessoas consomem voluntariamente seus serviços, e eles geram retornos — goste você ou não deles — para seus empregadores e patrocinadores semanalmente, que estão satisfeitos em lhes pagar salários milionários. Se não gerassem valor, seria simplesmente impossível terem esses salários.

    Sempre lembrando que o que você pensa a respeito de determinadas profissões é totalmente irrelevante perante o que o resto do mundo (mais de 7 bilhões de pessoas), que voluntariamente consome os bens e serviços destas profissões, também pensa sobre ela.

    Artigo inteiro sobre isso:

    Por que lixeiros e professores ganham menos que artistas e jogadores de futebol
  • Alerson Molotievschi  31/12/2018 18:18
    Rsrs..."essa pergunta é séria?" --> foi ótimo.

    Um Feliz e BOM Ano Novo!

    Não importa o que os outros 7 bilhões de seres humanos pensem a respeito do que é "bom" ou "ruim"; façamos os nossos dias paulatinamente melhores e, assim, os dias de todos serão melhores, coletivamente!
  • Thiago Leal  03/01/2019 22:05
    Basta apenas você conceber um campeonato ou liga esportiva como produto, produto este que se desdobra em outros tantos... E é isso que atletas comissão técnica, mkt esportivo e jornalismo esportivo produzem e promovem, um produto! Este irá vender tanto quanto seja demandado...
  • Thiago  25/04/2018 22:23
    Faltou um ponto muito básico em toda essa discussão, o papel da moeda! Produção, renda e depois consumo - a lei dos mercados - perpassam pela moeda e não se trata de uma relação simétrica.
  • Lacerda  25/04/2018 22:29
    Abordada inteiramente no artigo:

    "Esse tipo de erro empreendedorial coletivo ocorre tipicamente quando o governo embarca em uma política de crédito farto e barato, o qual gera um aumento temporário da renda disponível das pessoas, que então passam a consumir mais.

    Ludibriados por esse consumo maior — o qual foi causado pelo mero endividamento barato e não por um aumento genuíno da produção e da renda —, empreendedores passam a crer que haverá maior renda disponível no futuro, de modo que seus bens e serviços serão mais demandados, o que significa que poderão cobrar preços maiores.

    Mas tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores.

    Logo, se empreendedores erraram em sua estimativa e em sua produção — por qualquer motivo —, então a correção deve necessariamente passar pelo rearranjo dos esforços produtivos, de modo a estimar mais corretamente os desejos dos consumidores e a mais bem servi-los.

    Esse diagnóstico da recessão é bastante diferente do diagnóstico keynesiano, que enfatiza que houve uma redução da demanda em decorrência de misteriosas flutuações no "espírito animal" dos empresários, o qual deve ser retificado por meio de mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos governamentais."

    Mais atenção na próxima.
  • Trader  25/04/2018 22:35
    E vale acrescentar Mises:

    "As mercadorias, disse Say, são em última instância pagas não com dinheiro, mas com outras mercadorias. O dinheiro é simplesmente o meio de troca mais comumente utilizado; sua função é apenas intermediar a transação. No final, o que o vendedor quer receber em troca das suas mercadorias vendidas são outras mercadorias."
  • Willian Haxwell  22/08/2018 15:38
    Resumindo Say: O consumo é igual a demanda, para mim é uma visão simplória e muito semelhante ao pensamento de Smith: "A implicação deste raciocínio é que nunca é possível haver uma "superprodução" ou um "excesso de oferta" na economia. Consequentemente, não é possível haver uma "deficiência na demanda agregada"...Isto de fato, não procede, caso assim fosse não haveria inflação....Por outro lado, em uma visão Keynesiana mostra que o governo pode exercer uma influencia que pode gerar externalidades positivas ou negativas.
  • Alexandre  23/08/2018 13:27
    "Resumindo Say: O consumo é igual a demanda, para mim é uma visão simplória e muito semelhante ao pensamento de Smith"

    Se foi isso o que você entendeu da Lei de Say, então, meu caro, tenho péssimas notícias quanto à sua inteligência e capacidade de interpretação de texto.
  • raphael  28/12/2018 22:09
    o governo pode ... que pode gerar ...

    esse levou o trofeu guido mantega...

    eu tb posso ganhar na megasena se jogar... agora vou ganhar?

    nao eh atoa que enfiaram o pais onde enfiaram... nao eh somente incompetencia... eh pura ma-fe
  • Dane-se o estado  29/12/2018 22:37
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Então nos diga como empresários são tão burros a ponto de excederem a produção e não buscarem correr atrás do prejuízo! Se houver uma certa produção maior que a demanda surgem promoções para estimular o consumo e resgatar uma parte do lucro reduzindo o deficit e baseado nisso o próximo investimento na nova leva de estoque vai ser repensado baseado no sucesso atual de vendagem. Ninguém melhor que as próprias empresas para equalizar isso o tempo todo, as que forem incompetentes vão acumular deficits e vão falir, isso é o mercado e é isso que se espera, não há nada de errado nisso! Governo não pode exercer influência positiva alguma, existe uma coisa chamada ajuste de mercado, contabilidade custo logístico e estoque que Keynesianos parecem desconhecer, empresas privadas não necessitam do estado lhes ensinando a alocar recursos. Dês de quando superprodução gera inflação? você entende o que é inflação? você jura que empresas tem dinheiro infinito para ter superprodução a ponto de desconsiderar qualquer indicador de mercado e vendagem? contabilidade e logística é ajuste o tempo todo, quem acerta mais se mantém, quem erra mais, sai do mercado. Qual a solução? injetar dinheiro pra gerar mais inflação e dificultar ainda mais a compra de serviços? Só falta vir me falar que "inflação leve é positivo." positivo em que? se o efeito em qualquer grau é retração do consumo?
  • Lucas-00  30/12/2018 16:21
    "é que nunca é possível haver uma "superprodução"
    Realmente não é possível, enquanto não vivermos no Jardim do Éden não há como haver "superprodução" geral. Afinal, o que seria isso, os bens deixariam de ser escassos?
    "Isto de fato, não procede, caso assim fosse não haveria inflação"
    Mesmo se fosse possível haver uma "superprodução", como isso daria inflação? Aumento na oferta aumenta os preços agora? Além de que uma inflação geral dos preços se dá por aumento da base monetária.
  • Lucas-00  30/12/2018 16:27
    Leandro, poderia me ajudar numa coisa?
    Como que a nossa Bolsa está subindo tanto enquanto as do mundo todo estão caindo?
    O Ibov teve um crescimento de quase 13% em 2018 enquanto bolsas no mundo se muito conseguiram não cair.
    Isso teria haver com o aumenta da base monetária e a taxa SELIC com mínimas históricas (quer dizer, claro que tem haver, mas elas conseguem segurar tanto à ponto de continuar com um boom)?
    Obrigado e perdão caso cometi um erro crasso!
  • Leandro  31/12/2018 11:43
    Vários fatores.

    1) O Ibovespa continua maciçamente depreciado. Em maio de 2008 ele chegou a 75 mil pontos. Hoje, quase 11 anos depois, está em apenas 85 mil.

    2) De 2011 até fevereiro de 2016, durante a destruição do governo Dilma, o Ibovespa desabou, caindo até por volta de 35 mil pontos.

    3) A atual subida é só uma tímida (e inevitável) reação, mas também denota um certo otimismo com o futuro econômico do país.

    4) Há também o importante fato de que os gringos ainda não vieram para a bolsa brasileira. Em termos líquidos, praticamente ainda não houve aporte de estrangeiros (a situação das bolsas americana, europeias e asiáticas feriu severamente os ganhos deles, de modo que eles ainda estão se recuperando, e por isso estão sem muita liquidez).

    Como é dado como certo que os gringos virão, os nativos já estão se posicionando para beneficiar do enorme aumento que ocorrerá caso os estrangeiros de fato venham. Eu mesmo estou comprado em BOVA11 esperando essa chegada.
  • Lucas-00  31/12/2018 21:58
    Muito obrigado pela resposta!
    Consegui um bom lucro mas já estava querendo vender por causa da crise que tá vindo, mas acho que vou ter que ficar mais um pouco como já estava considerando. Até porque a SELIC ainda tem muito mais há subir, mas ainda tem o novo presidente do BC, e até o novo presidente que sei lá o que quer fazer.
    Enfim, vamos ver onde vai. Parece que a crise aqui pelo jeito pode demorar mais para chegar.
  • Felipe  02/01/2019 23:33
    Small11 também tá sendo bem falado. Porque captura junto o ciclo de crescimento interno, não só a entrada do gringo.
  • Imperion  30/12/2018 21:18
    Leandro, é recomendada a leitura do jornal " the economist"
  • Leandro  31/12/2018 11:42
    É bem informativa e sempre traz notícias interessantes, mas é ideologicamente intervencionista. Eu leio apenas para me informar do básico que está acontecendo.
  • Denilson  04/01/2019 17:53
    Muito bom o texto. É pena que essas teorias são meio defasadas frente à realidade da produção, do comércio e do atual cenário de capitalismo financeiro tecnológico. Hoje, principalmente nas indústrias de vestuário, bebidas, fármacos, combustíveis, alimentos e até veículos se aplicam as modernas ferramentas de just in time e a produção só é feita pela indústria a partir de uma certeza de demanda. No comércio de vestuário existem os famosos show rooms que as marcas famosas realizam de modo a vender as coleções de temporada. Na fabricação de caminhões, só vai para montagem os veículos com possibilidade de venda garantida, caso contrário não. A tal lei de Say poderia ser válida em períodos de produção mais artesanal, onde havia a figura do estoque a curto e a longo prazo. Hoje, estoque é prejuízo e vale mais a pena destruir estoques em alguns casos do que vender a preço reduzido. De certo e correto da Lei de Say é que quem não produz não pode demandar consumo.
  • Carlos  04/01/2019 20:13
    A julgar pelo seu comentário, você não entendeu absolutamente nada do que diz o artigo, pois falou de algo que nada tem a ver com a tese que foi exposta (não confirma nem refuta).
  • Denilson  05/01/2019 23:56
    Acho que você é que não entendeu o que eu disse pois não tento refutar. Tal lei não se aplica no modelo atual de capitalismo.
  • Alex  17/01/2019 18:43
    Denilson, creio que realmente não refuta. A tal "demanda garantida" é uma parcela ínfima das negociações de bens e serviços. Veja, mesmo no mercado futuro de commodities, onde se acerta um preço para o produto a ser comercializado no próximo ano, não há plena garantia de troca integral do acordado. O mesmo vale para outros bens. Mercado de sapatos é algo extremamente variável, as preferências são muito diversificadas, as tendências e estações mudam com rapidez, seu estoque tem alto risco de ficar parado, ou se tornar irrelevante; você solicita um lote de tais calçados femininos, o que leva um tempo a ser feito, aí no casamento da princesa ou no clipe da fulana aquele calçado "arrasou" e a preferência coletiva muda completamente. Mesmo no mercado de serviços há flutuações da demanda, e não dá para prever nem garantir tudo. Principalmente quando há intervenção, haja visto nossos exemplos de desenvolvimentismo do setor de construção civil, hoje há uma oferta de engenheiros civis maior que o necessário, justamente pelas causas apontadas no artigo. Houve redução do IPI para veículos em geral, estímulo à indústria, caminhões a rodo, o que foram UMA das causas da crise dos fretes de 2018. Há diversas externalidades e nenhuma grande mente pode ter a CERTEZA de demanda, visto que há concorrência, externalidades. Concorrência é outro ponto importante. Mesmo que eu saiba que no próximo ano serão comprados x milhões de Smartphones, não tenho como saber se uma nova loja vai abrir com grandes ofertas, ou se supermercados inventam de vender smartphones nas suas prateleiras, ou se a Huawei vai fechar um grande acordo e na China ou Coréia eles conseguiram isenção do imposto por um tempo, assim se tornando barata e reduzindo minhas vendas de Sawsung, Morotola, etc...
  • Denilson  31/01/2019 21:07
    Agradeço pela explanação de seu ponto de visto. Bom, minha família atua no comércio e serviços a anos e hoje só temos visto que a indústria, principalmente a grande indústria, aquela que não quer falhar e que nunca vai falir trabalha num cenário em que a movimentação das máquinas só se dá em função da certeza de demanda. Estoques são considerados prejuízo e principalmente não se faz estoque de insumos e materiais de montagem. Porém, também encontrei outras interpretações da lei de Say que abordam outros aspectos interessantes.
  • Marcos  31/01/2019 23:01
    "A grande indústria, aquela que não quer falhar e que nunca vai falir trabalha num cenário em que a movimentação das máquinas só se dá em função da certeza de demanda"

    Impraticável. Por definição.

    Um ciclo de produção leva meses (às vezes anos). Se o empreendedor for esperar surgir a demanda para só então começar a produzir, quando a produção ficar pronta a demanda já terá acabado.

    Não existe isso de "esperar a demanda surgir para só então ligar as máquinas das indústrias". Empreender é exatamente isso: estar alerta e saber antecipar as demandas.
  • Denilson  14/11/2019 20:39
    Visitando fábricas como Scania e Volvo tudo que pude ver é que só se coloca para produção o que se tem de demanda certa. A produção ali é muito veloz. Com a Levi's também entre outras de vestuário. Nada dessas empresas é fabricado sem uma certeza de demanda. Se você fosse lojista, poderia visualizar melhor como há limites de tempo para atendimento e peças de vestuário que se esgotam rapidamente impulsionando preços e gerando demanda reprimida. Teorias podem ser bem bacanas, mas na prática hoje é bem diferente. Se uma empresa for produzindo, produzindo, produzindo, aumenta o estoque e o preço de suas mercadorias despenca gerando prejuízo, o que não é nada bom.
  • Say  15/11/2019 02:17
    Não entendi o seu comentário. O que ele tem a ver com o artigo? Você está falando que empreendedores estão produzindo de acordo com as estimativas de venda deles. Correto? Mas qual é o ponto?

    O artigo fala que, para alguém demandar algo (no caso, comprar os produtos da Scania), esse alguém tem de ter renda. Para ele ter renda, ele tem de ter produzido algo (é impossível você ter renda sem ter produzido algo). E, para ele ter produzido algo, é necessário que alguém antes tenha investido (fazendo uso da poupança alheia).

    É impossível alguém demandar produtos da Scania sem antes ter produzido algo. É desta produção anterior que a pessoa obteve sua renda para demandar produtos da Scania.

    De novo, onde o seu relato refuta o ponto acima? Se você acha que é possível eu comprar caminhões da Scania sem jamais ter produzido algo na vida, e sem ter nenhuma renda, por favor, me ensine a mágica. Será de grande valia.

    Recomendo este artigo sobre o assunto, que é ainda mais claro:

    www.mises.org.br/article/3046/dizer-que-a-solucao-para-uma-economia-estagnada-e-estimular-a-demanda-e-um-atentado-a-logica
  • Jairdeladomelhorqptras  19/01/2019 02:26
    Parabens Leandro
    Sou velho o suficiente e vivi todo o regime militar já capaz de compreender os fatos. (Exceção, talvez, do menos pior de todos que foi o Castelo). Seu comentário é exato. Eles perderam uma grande chance de enriquecer o país. Tinham o poder de mudar as coisas. Creio que sob o regime Geisel ( e vc enfatizou isto) a estatização da economia pode ter alcançado 60%. Vale vc escrever um artigo sobre este período, se jã não o fez.
    Parece que o Brasil (e a America Latina) tem a habilidade incrível de jogar no lixo as oportunidades de desenvolvimento.
    Abraços
  • Lucas Serafim  14/08/2019 22:04
    Certo,

    Entretanto Keynes demonstra que a capacidade de demandar nem sempre se reflete na realidade, os indivíduos não gastam o dinheiro que acumularam, de forma que na época dele apenas os empresários, banqueiros, etc. tinham dinheiro remanescente e poupavam, seja para especular por deflação, seja por reserva de segurança, etc. como Keynes delimitou.
    Haveria então uma crescente demanda por moeda conforme o capitalismo continuasse, e assim uma escassez de liquidez. Dessa forma apenas com a flexibilidade total de preços é que a economia não desaceleraria. Os salários se reduzindo junto aos preços faria com que os trabalhadores mantivessem o mesmo nível de renda intermitentemente fadados à uma vida de subsistência.
  • Amante da Lógica  14/08/2019 22:34
    "Entretanto Keynes demonstra que a capacidade de demandar nem sempre se reflete na realidade, os indivíduos não gastam o dinheiro que acumularam, de forma que na época dele apenas os empresários, banqueiros, etc. tinham dinheiro remanescente e poupavam, seja para especular por deflação, seja por reserva de segurança, etc. como Keynes delimitou."

    Não altera nada. No atual arranjo monetário e financeiro, quem tem "muito dinheiro guardado" está com esse dinheiro ou investido no mercado financeiro (o que inclui títulos públicos) ou aplicado em depósitos bancários. Não há terceira alternativa. E, em ambos os casos, este dinheiro está "circulando na economia", emprestado para alguém gastar (pessoas, empresas ou governo) ou investir na economia.

    Logo, não há isso de "dinheiro entesourado esperando uma deflação".

    "Haveria então uma crescente demanda por moeda conforme o capitalismo continuasse, e assim uma escassez de liquidez."

    Como explicado acima, não há escassez de liquidez. Isso ocorreria apenas se o dinheiro fosse exclusivamente físico (em vez de dígitos eletrônicos) e ficasse entesourado sob o colchão. Tal fenômeno é impossível hoje, dado que mais de 90% da moeda é eletrônica.

    "Dessa forma apenas com a flexibilidade total de preços é que a economia não desaceleraria."

    No seu cenário fictício, sim. Como ele não existe, é perda de tempo fazer elucubrações a respeito.

    "Os salários se reduzindo junto aos preços faria com que os trabalhadores mantivessem o mesmo nível de renda intermitentemente fadados à uma vida de subsistência."

    Totalmente incoerente.

    Mesmo adotando o seu cenário fictício, se os "mega-ricos" guardassem dinheiro embaixo do colchão, tal deflação monetária faria com que todos os preços da economia diminuíssem. Se os preços estão caindo, não há por que falar em subsistência. Subsistência só ocorre, por definição, quando preços sobem e não há meios de pagamento para se obter as coisas. No seu cenário fictício, os preços estão caindo, o que garante poder de compra real aos salários dos trabalhadores.

    Use mais a lógica na próxima.


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