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Gramsci, Paulo Freire e a batalha da linguagem: nosso declínio começou com a deturpação das palavras

Nota da edição:

O artigo a seguir, do professor Ubiratan Jorge Iorio, foi publicado inicialmente em novembro de 2016. Mais de 10 anos depois, o tema da corrupção da linguagem continua atual para todos aqueles que desejam defender a liberdade.


O famoso escritor francês Victor Hugo (1802-1885) observou: “resistimos à invasão dos exércitos; não resistimos à invasão das ideias”.

Uma das frases mais repetidas por Mises — e atribuída por alguns ao pintor americano William McGregor Paxton (1869 – 1941) — é que as ideias são mais poderosas do que os exércitos. Acredito não apenas que todos estavam cobertos de razão, mas também que, nessas poucas palavras, conseguiram transmitir uma lição formidável de otimismo e, mais do que isso, um convite para que todos acreditemos na inexorabilidade do longo prazo, no tempo bergsoniano como fonte permanente de descobertas e aperfeiçoamento.

Como escreveu Lew Rockwell,

“As ideias ignoram as fronteiras.  Elas não são inibidas por meras questões espaciais. Elas são perfeitamente capazes de atravessar os limites do tempo. Elas crescem e se difundem por meio de ações e decisões individuais sobre as quais absolutamente ninguém possui controle algum.  No final, o fato é que os governos são incapazes de gerir e impor as ideias.  Muitos são, inclusive, emasculados por elas”.

Ora, assim como os armamentos usados pelos exércitos são transportados em caminhões, aviões, helicópteros ou mesmo pelas tropas de infantaria, as ideias são expressas — e isso é uma simples tautologia — por meio da linguagem, que é o meio sistemático de comunicá-las por meio de sinais convencionais sonoros e escritos (linguagem verbal) e gestuais, corporais, geométricos e mímicos (linguagem não verbal).

É a linguagem, portanto, o elemento mediante o qual expressamos nossos pensamentos, ideias, opiniões, expectativas e sentimentos. É o elemento comunicador por excelência: onde há comunicação, há necessariamente linguagem. A linguagem é o sistema de sinais que utilizamos para efeito de nos comunicarmos e a linguística é o estudo dos fenômenos segundo os quais as línguas evolvem.

Você pode ter uma ideia excelente, até mesmo genial, mas, se não souber comunicá-la, essa ideia não se espalhará e você perderá a batalha. Nunca é demais relembrar o velho José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha (1917 — 1988), um comunicador popular fantástico, que tinha como um de seus famosos motes “quem não se comunica se trumbica”. Pura sabedoria popular, sem qualquer pretensão de erudição, mas que, para determinados fins, vale mais do que certos tratados de Filosofia da Linguagem [1].

Pois
bem, o ponto a que desejo chegar é que, fora do âmbito teórico, os liberais, no
Brasil e no mundo, vêm se trumbicando há muitos anos, simplesmente porque,
embora suas ideias sejam as melhores, não têm sabido comunicá-las devidamente
para a sociedade. Ou seja, até o presente momento nós simplesmente ainda estamos
perdendo a batalha da linguagem. E de goleada.

O que devemos, então, fazer, já que, neste bendito ano da graça de 2016, a esquerda — ao que parece — está perdendo rapidamente espaço em todo o mundo e sabendo que, se nada fizermos, ou se adotarmos alguma postura ineficaz, essa esquerda — que é bastante organizada — irá recuperar o terreno, com todas as consequências que isso trará em termos de obstáculos à geração de riqueza e da melhoria do padrão de vida em todo o planeta?

A paródia da “linguagem das doninhas”

Weasel word é uma gíria inglesa para designar palavras evasivas ou ocas. Em português usamos a expressão linguagem das doninhas, essa mesma ouvida incessantemente na TV, em bares e reuniões de intelectuais, na internet e nos jornais, e que cria em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem.

Ai de quem, sabendo pensar por conta própria, recusa-se a falar esse dialeto maldito. É logo tachado de ”elitista”, ”conservador”, “misógino”, “racista”, “machista”, “homofóbico”, “nazista”, “coxinha” e — ignomínia das ignomínias! — ”politicamente incorreto”, além de outros adjetivos “xingativos”.

Em Dilbert and the way of the weasel: A Guide to Outwitting Your Boss, Your Coworkers, and the Other Pants-Wearing Ferrets in Your Life, um livro satírico de bastante sucesso, o economista e cartunista americano Scott Adams (1957) estabelece a proposição de que muitas pessoas — mais exatamente, as que se deixam dominar pela ditadura do ”politicamente correto” — agem como as doninhas ou mustelas, aqueles mamíferos capazes de sugar todo o conteúdo de um ovo, por um minúsculo furo que conseguem fazer, deixando-o aparentemente intacto. A humanidade, segundo essa sátira, não seria formada por pessoas boas ou más, mas sim por doninhas.

Assim, o autor introduz sarcasticamente a Zona da Doninha, uma gigantesca área cinzenta entre o bom comportamento moral e a criminalidade aberta, que é de onde nos ”exploram” sem parar: chefes, empresários, fazendeiros, executivos, países e pessoas ricos, banqueiros, Donald Trump, Angela Merkel, enfim, todos os que são bem sucedidos na vida. Em 27 hilariantes capítulos, Adams revela os segredos desses seres escorregadios, como reconhecê-los e como agem, denominando de weaseleze a língua oficial das doninhas, útil para ninguém entender racionalmente o que é dito e confundir os inimigos, como parte da estratégia gramsciana de implantar o socialismo sem recorrer às armas convencionais.

Passando da sátira ao mundo real, esse comportamento de bois ao som do berrante que domina a sociedade atual é certamente uma das etapas derradeiras do processo de degradação cultural, em que a linguagem se desconecta da experiência inteligente e emite apenas tênues sinais de vida social. Aquilo que quase todos se põem a dizer já se mostra inteiramente desconectado dos acontecimentos, fatos e ações racionais do mundo real, para refletir apenas opiniões conduzidas e sem qualquer embasamento, segundo a clivagem binária rudimentar entre nós e eles.

Imagine uma explanação qualquer feita por um professor e que atenda aos requisitos da lógica e suponha que o raciocínio desse docente o conduza a, por exemplo, defender as privatizações. O homem que é guiado pela linguagem politicamente correta, então, dirá simplesmente que discorda, sem qualquer preocupação quanto a explicar por que discorda. Muito provavelmente, se lhe perguntarem o motivo, ficará em maus lençóis.

Isso acontece porque aquilo de que ele discorda nada tem a ver com a sua vivência dos fatos reais, mas sim com o comando que lhe foi exarado — como que do além –, de que “privatizar é dilapidar o patrimônio público”. Logo, ele instantaneamente colocará o professor do lado deles e, portanto, contra o nós que lhe foi impregnado desde o ensino básico como o time dos bonzinhos.

Para usarmos a nomenclatura do filósofo alemão Eric Voegelin (1901-1985), essas pessoas vivem em umasegunda realidade, aquela que povoa seu imaginário e que é absolutamente alheia ao mundo real, formado pela primeira realidade, aquela que é factual, que de fato existe.

Temos, então, uma grave situação, em que os sons emitidos pelo professor são reconhecidos como característicos de uma linguagem racional, mas compreendidos — e passados adiante — como o de uma comunicação irracional, como a dos animais.

O veneno de Bakhtin, Gramsci, Piaget e Freire

A degradação da linguagem se dá quando essa anomalia se estende aos jornais, à TV, à internet, ao rádio, aos discursos dos políticos e — como é triste escrever isso! — aos intelectuais e professores universitários.

Argumentar para quê?, se esses teleguiados já dispõem dos chavões, das palavras de ordem e de todas as doninhas do mundo para protegê-los. Mostrar racionalmente por que se discorda dessa ou daquela afirmativa para quê?, se é suficiente buscar-se a leniência do grupo nós. Buscar convencer o outro lado para quê?, se é mais fácil intimidá-lo com a demonstração de que esse mesmo grupo é mais barulhento do que o grupo deles

Em suma, não há qualquer necessidade de demonstrar-se que se está com a razão, porque o que importa é amealhar o maior número possível de autômatos que compõem o nós e segregar os demais — mesmos que estes sejam a maioria — no curral utilizado para isolar a influência nociva de todos os mal-intencionados, ou seja, eles.

Mas é evidente que essa verdadeira ditadura das doninhas conhecida como linguagem politicamente correta não está acontecendo por acaso. Tudo isso foi pensado, planejado e executado pacientemente, durante décadas, como um incessante trabalho de formigas, pela esquerda em todo o mundo. Para não retrocedermos em demasia no tempo, vamos nos referir apenas ao filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) e ao também filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937), bem como aos educadores Jean Piaget (1896-1980), e Paulo Freire (1921-1997), todos comunistas.

Bakhtin enxergava a linguagem como um processo permanente de interação por meio do diálogo e não apenas como um sistema autônomo. Assim, a língua só existe mediante o uso que locutores ou escritores e ouvintes ou leitores fazem dela, em situações concretas de comunicação. Definiu noções de análise da linguagem com base em discursos e crônicas artísticos, filosóficos, científicos e políticos. Segundo ele, o ensino, o aprendizado e a linguagem deveriam subordinar-se ao sujeito, aquele agente dos acontecimentos responsável pela criação dos discursos e ideias. E — os negritos são meus — os enunciados sempre são trabalhados pelo sujeito tendo em vista os objetivos ideológicos, sociais, históricos e culturais.

Isso lembra a você alguns dos partidos de esquerda? Pois é.

As relações entre linguagem, ideologia e hegemonia de Gramsci e Bakhtin são bastante semelhantes. Analisando os conceitos bakhtinianos de heteroglossia (a diversidade social de tipos de linguagens) e dialogismo (o processo de interação entre textos, em que estes não são considerados isoladamente, mas concatenados com outras proposições similares) e a definição gramsciana de hegemonia (as relações de domínio de uma classe social sobre o conjunto da sociedade), conclui-se que as visões de linguagem e subjetividade de ambos são convergentes e que, a partir de uma discussão sobre os conceitos de poder, discurso e ideologia, consideram a linguagem e o sujeito como processos capazes de refutar e criticar os poderes e discursos prevalecentes.

O sardo de Ales, Antonio Gramsci, certamente é mais conhecido no Brasil do que Bakhtin como uma das maiores referências do pensamento esquerdista no século XX. Il Gobbo (o corcunda), assim apelidado por conta de um defeito físico, alinhava-se com o projeto político que visa à revolução proletária, mas se distinguia porque acreditava — e, novamente, os negritos são meus — que a chegada ao poder deveria ser antecedida por mudanças de mentalidade e que os agentes dessas mudanças deveriam ser os intelectuais e a ferramenta essencial deveria ser a escola.

Enquanto a maioria dos pensadores marxistas enfatizava as relações entre economia e política, Il Gobbo deu maior importância à ação ideológica nos campos da educação, da cultura e da intelligentsia no processo histórico de transformação. Muitos de seus conceitos permanecem atuais e — o que é pior — são postos em prática por governos e políticos esquerdistas em todo o mundo. Por exemplo, é dele o de cidadania, pois foi Gramsci que levou à pedagogia a “conquista da cidadania” como um dos objetivos das escolas. Estas deveriam ser manipuladas para o que denominou de “elevação cultural das massas”, alegoria que, segundo ele, representaria a libertação das populações da visão de mundo baseada em “preconceitos” e “tabus” (a religião seria um deles), bem como dos usos e costumes tradicionais que impediriam a crítica das “classes dominantes”.

A maior parte da obra de Gramsci foi escrita na prisão, por ordem de Mussolini e só veio a ser divulgada depois da sua morte. Desse período, há duas obras: as Cartas do cárcere, com mensagens a parentes ou amigos e os famosos 32 Cadernos do cárcere, que não eram originalmente destinados à publicação. Para esconder-se da censura fascista, adotou uma linguagem cifrada, repleta de conceitos originais, como bloco histórico, intelectualidade orgânica, sociedade civil e hegemonia, e de expressões novas, como ‘filosofia da práxis’ como sinônimo de marxismo. Sua escrita, a exemplo da de Nietzsche, é fundamentalmente fragmentada, com inúmeras passagens que se limitam a sugerir reflexões.  

Segundo Gramsci, “toda relação de hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica”, isto é, de aprendizado. E obtém-se a hegemonia mediante uma luta de direções contrastantes, primeiramente no campo da ética e depois no da política. Para Il Gobbo, era necessário primeiro conquistar as mentes e só depois o poder. 

No campo da educação, duas influências consentâneas com essas ideias influenciaram a educação de maneira muito forte. A primeira foi a do francês Jean William Fritz Piaget, para quem as crianças só podiam aprender o que estavam preparadas a assimilar. Aos professores  caberia tão somente a tarefa de aperfeiçoar o processo de descoberta dos alunos. Piaget criticou acidamente a modalidade de ensino onde “o professor dita e o aluno copia e repete”.

Crítica endossada pela segunda das influências, o pernambucano Paulo Freire, o pedagogo endeusado pela esquerda de nosso país e autor de A pedagogia do oprimido. Com seu método dialético de alfabetização, Freire denominou jocosamente a então maneira tradicional de educar de “educação bancária”. Freire é — e não posso me furtar de aduzir — infelizmente, o patrono da educação brasileira. O que, certamente, explica as péssimas colocações do Brasil em todos os rankings internacionais divulgados anualmente. Mas trata-se, dizem seus adoradores, de pedagogia crítica, o que para mim não passa de uma antecipação do dialeto weaselese para designar o grande equívoco que é o marxismo.

Sempre que ouço ou vejo o nome de Paulo Freire, lembro-me de Roberto Campos, que não se cansava de se referir a ele como o educador que jamais educara uma criança sequer. Mas vale a pena verificarmos até que ponto suas divagações alucinatórias iam. À educação “bancária” ele contrapunha a educação “libertadora”.

A primeira seria uma relação “vertical” entre educador e educando. Um deteria o conhecimento e a capacidade de pensar, e o outro seria o objeto que recebe o conhecimento e segue o mestre. O educador “bancário”, então, “depositaria” conhecimentos nos alunos e estes passivamente os receberiam. Tal concepção de educação teria como objetivo intencional formar indivíduos acomodados, não-questionadores e que se submeteriam à estrutura de poder vigente, sem objetivos de crescerem na vida, e teria sido idealizada para acobertar os interesses dos “dominadores”.

Trata-se de uma trama muito bem urdida por Freire: ao mesmo tempo em que alerta que educar para pensar é algo perigoso para eles e que mudanças devem ser feitas, ele também propõe uma solução que, ao fim e ao cabo, bestializa os alunos, destruindo sua inteligência e sua própria capacidade de pensar como indivíduos autônomos. E, ao mesmo tempo em que critica a educação “vertical” ou “bancária”, sugere outra verticalidade de viés totalitário, a do estado sobre os indivíduos, transferindo a autoridade de pais e professores para seu exército de ideólogos ocupando as salas de aula.

Segundo sua nomenclatura, uma “educação libertadora ou problematizadora” seria aquela que não separasse professor e aluno, em que ambos seriam concomitantemente educadores e educandos. Em suas palavras:

“Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. A educação libertadora abre espaço para o diálogo, a comunicação, o levantamento de problemas, o questionamento e reflexão sobre o estado atual de coisas e, acima de tudo, busca a transformação”.

Repare no recorrente estratagema dialético que consiste em dividir tudo o que existe no mundo na suposta dicotomia entre nós e eles, sem a qual o socialismo-comunismo não pode existir: nós, os bonzinhos, os socialistas-comunistas de caráter ilibado e ótimas intenções e eles, os malvados defensores do capitalismo, da propriedade privada e da economia de mercado, de péssima índole e intenções escusas.

Bakhtin, Gramsci, Piaget e Freire, os dois primeiros em plano mais filosófico e os dois últimos invadindo (ou ocupando, segundo o dialeto weaselese) as salas de aula, podem ser responsabilizados pelo predomínio — dito cultural — que a esquerda vem exercendo há décadas em todo o mundo. A linguagem das doninhas é fruto, como escrevi no início, de um trabalho árduo, paciente e de longo prazo da esquerda mundial. Mas, como tudo o que é errado não pode funcionar bem durante todo o tempo, as coisas estão começando a mudar.

Alguns exemplos de weaselese

Eis alguns exemplos de palavras e expressões dessa novilíngua tão bem retratada por George Orwell (1903-1950) e que bem ilustram a importância dessa batalha, ao mesmo tempo em que nos exortam a eliminar esse lixo que vem contaminando seguidas gerações, destruindo sua capacidade de pensar, manipulando o idioma e cometendo enormes fraudes semânticas:

Homofobia, machismo, empoderamento, aquecimento global (ou mudanças climáticas), patriarcado, ressignificação da família, misoginia, o uso do x em lugar dos artigos o ou a, afrodescendente, opressão, luta de classes, golpista, democracia, estado democrático de direito, extrema-direita, mídia golpista, neoliberalismo, capitalismo selvagem, identidade de gênero, justiça social, dívida histórica, xenofobia, ocupação (no lugar de invasão), eurocentrismo, islamofobia, heteronormativismo, elite, classista, burguês, pobre de direita, negro de direita, direito social, distribuição de renda, cultura do estupro, apreensão (no lugar de prisão) de menores, função social da terra, desconstrução, poliamor, homoafetivo, medidas sócio-educativas, transexualidade, problematização, opressão do homem branco, medieval (aplicado à Igreja Católica), transfobia, consciência social, função social, desmatamento, ações afirmativas, minorias, elitista, preconceituoso, “pública, gratuita e de qualidade”, polícia cidadã, relativização, cidadãos críticos, neo (aqui basta acrescentar qualquer palavra), globalização (no lugar de globalismo), excluídos, presidenta, dieta balanceada, manifestantes, inclusão, interrupção voluntária da gravidez, espírito republicano, autonomia do corpo, direito da mulher ao próprio corpo, católicas pelo direito de decidir, sociedade justa e igualitária, saúde reprodutiva, questão de gênero, orientação sexual, autoritarismo (como sinônimo de hierarquia), cadeirante, indivíduos em situação de risco social (criminosos), demandas do nosso tempo, bom dia a todos e todas, pessoa em transição entre empregos (desempregado), sustentabilidade, hipossuficiência e muitas, muitas e muitas outras.

Poderia continuar (existem até dicionários com essas palavras), mas creio que isso já seja suficiente.

Combatendo o bom combate da linguagem

Todo esse discurso contaminado ideologicamente tem uma característica indisfarçável, que é a negação da verdade, o que se explica pela orientação marcantemente relativista do socialismo-comunismo e, no plano prático, pelos conhecidos conselhos do nacional-socialista Goebbels, de que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, bem como pelo ensinamento de Lenin de acusar os adversários do que você faz e chamá-los do que você é.

Mas parece que uma nesga de esperança começa a se descortinar neste final de 2016, em que a esquerda brasileira foi batida e humilhada nas eleições municipais, a presidente petista foi destituída, a Inglaterra escolheu o Brexit, Hillary Clinton perdeu para Donald Trump, Hollande está com sérios problemas na França, a bandeira da responsabilidade fiscal está mais visível e as pessoas estão acreditando cada vez menos nas ditas soluções políticas.

A batalha das ideias aí está e o que devemos fazer para vencê-la, aproveitando-nos dessa aparente derrocada do esquerdismo?

Aqui vou apenas dar algumas sugestões genéricas, ao mesmo tempo em que indicarei um curso — Guerra Semântica — criado por Dante Mantovani, especialista em linguística, para estudar metodicamente o tema e mostrar como restabelecer a verdade semântica em dez lições, com abordagem aprofundada e fundamentação sólida.

A primeira coisa que devemos fazer para ganharmos a batalha da linguagem é nos insurgir contra a mentira. E, para combatermos a mentira, temos necessariamente de reconhecer que existe a verdade. Isso não quer dizer, em absoluto, que pretendamos ser seus donos; apenas que devemos mostrar todo o arsenal de embustes que se esconde atrás dessa linguagem politicamente correta da esquerda. A mentira não pode prevalecer durante muito tempo e, em se tratando das ideias socialistas, seu tempo já é mais do que passado.

Assim, reaja sem medo, tão logo você ouvir alguma dessas palavras ou expressões envenenadas, mostrando que você tem cérebro e que ele funciona, mesmo se você foi treinado na escola por professores do método Freire. Mostre que o socialismo-comunismo jamais funcionou em país algum, não funciona e nunca vai funcionar.

Para isso, é preciso que você faça um pequeno esforço, começando pela supressão dos jornais e documentários de TV e dos jornais impressos, que estão impregnados de doninhas. Busque outras fontes de informação. A internet aí está para isso. A lei da demanda funciona sempre e, portanto, caindo a demanda por esse verdadeiro lixo, os proprietários de TVs e de jornais terão que se livrar dos maus jornalistas, que são na verdade militantes. Se não agirem assim, vão quebrar. Mercado neles!

Se você tem filhos na escola, acompanhe tudo o que os professores estão fazendo com eles, porque a responsabilidade é toda sua. Se perceber a existência de professores militantes — e certamente isso vai acontecer — vá à escola e diga que seu filho não está ali para ser doutrinado por ideias de esquerda ou de direita, mas para aprender. Se a coordenação ou direção da escola não se mostrar receptiva, ameace trocar de escola. E se nem assim funcionar, troque. Aqui o mercado também funcionará.

Se você é universitário e está cansado dessa xaropada doutrinadora, desse lerolero esquerdista que domina os cursos de ciências humanas, especialmente nas universidades públicas, comece a contestar respeitosamente seus professores. Use argumentos e não se impressione nem com a idade, nem com a barba e a sandália do seu professor petista ou psolista ou com aquele vestido sempre comprido e os cabelos desalinhados da professora marxista, pois a maioria deles não tem argumentos. Os que eventualmente apresentarem alguns argumentos muito provavelmente irão respeitar também os seus. Se eles não respeitarem você, ficarão mal perante a turma.

E se você, tal como eu, é professor universitário, tenha sempre em mente uma famosa frase de Mises, a de que basta haver um solitário professor que tenha as ideias certas — e que saiba transmitir sua lógica — em um departamento, para que um grande número de alunos se interesse e busque aprofundar-se nelas. A esse respeito posso, por experiência própria, assegurar que o “bom velhinho” estava coberto de razão.

E, para incentivar seus alunos a não abandonarem seus intentos diante das enormes dificuldades representadas pela cultura predominantemente de esquerda, diga para eles que, se eles têm convicção de que suas ideias são corretas, então sigam a máxima: o sentido é mais importante do que a velocidade.

Recomendações de leitura:

Marxismo cultural é um paradoxo

O marxismo cultural e o politicamente correto contra o povo – quem vence?


[1]  Por exemplo, segundo Olavo de Carvalho, o autor do Tractatus Logico-Philosophicus, o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951), um dos membros do famoso círculo de Viena e primo de F. A. Hayek, “se notabilizou pelo seu ódio insano à ciência, que ele considerava a raiz de todos os males modernos, e pela precariedade dos conhecimentos de matemática e linguística com que se meteu a enfrentar os problemas da linguagem filosófica”.

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121 comentários em “Gramsci, Paulo Freire e a batalha da linguagem: nosso declínio começou com a deturpação das palavras”

  1. Um anônimo qualquer

    (…) o grande equívoco que é o marxismo.

    Não consigo evitar o pensamento de que tamanha insistência em atacar Marx seja devida muito mais a uma defesa de ideologia que a questões teóricas. Sobretudo porque as “críticas” não revelam mais que as inépcias pueris da austriacada, cuja dificuldade de compreensão d’O Capital só posso atribuir a uma displicência deliberada.

    Se alguém se lança ao desafio de teorizar a economia, a primeira coisa que deve ser capaz de fazer é apresentar uma interpretação convincente para aquela que é a característica essencial de uma sociedade capitalista: a geração privada de lucros. Vocês não fazem mais que se posicionar ao lado dos seus congêneres ortodoxos nesta questão basilar, mas o austriaquismo de internet se prolifera alardeando por todos os cantos que é A escola que deveria ser ouvida…

    É ridículo acreditar na ideia simplista de que o lucro é nada mais que o fruto da “capacidade do empreendedor de ajustar sua produção à demanda dos consumidores”, como diz Mises; de que o lucro ocorre simplesmente porque o “empreendedor” foi capaz de obter um ganho com a venda de suas mercadorias num montante que excede os gastos, despesas e investimentos incorridos em sua produção, reduzindo uma complexa relação social a uma mera relação entre oferta e demanda… Parece tão simples e óbvio, não? O capitalista simplesmente foi recompensado por seu esforço de atender a uma necessidade dos “consumidores” e conseguiu tornar positiva a relação P.Q – CT. Fim de papo!

    Mas vamos estender esta ideia rasa para todo o conjunto da classe capitalista? Se o lucro é meramente um montante obtido no mercado suficiente para cobrir com margem os custos totais de produção, como é possível que a maioria dos capitalistas – ou mesmo quase a totalidade deles – possa estar lucrando ao mesmo tempo, como ocorre durante a fase ascendente do ciclo econômico? Chega a passar pela cabeça de vocês que isto significa que cada capitalista está realizando o absurdo de tirar do mercado mais do que coloca nele? Ou, por outras palavras, que o volume monetário que cada um dos “empreendedores” toma para si do mercado com a venda das mercadorias que produziu é superior ao montante monetário que coloca nele ao empenhar recursos na produção destes bens (matérias-primas, salários, maquinário, instalações, energia, aluguel, juros, etc.)? Parece perfeitamente possível que isto ocorra a um capitalista individual, que ele possa simplesmente estar recebendo pela venda de suas mercadorias um volume monetário maior que aquele despendido na produção das mesmas, mas, de novo, como estender esta ideia míope para todo o conjunto dos capitalistas? Como poderia este suposto processo de obtenção de lucro funcionar para praticamente todos os capitalistas, como quando a atividade econômica está em constante expansão? Como poderia o total dos lucros exceder o total dos prejuízos? Vocês podem acreditar, mas a mim não parece que o mercado possua a propriedade de viabilizar o milagre da multiplicação…

    A única explicação logicamente plausível para esta concepção é que o mercado funcione como um jogo de soma zero, em que o ganho do conjunto de empreendedores bem sucedidos em sua empreitada significa simplesmente o prejuízo, ou mesmo a falência, dos que não obtiveram êxito em seu negócio. Mas se tudo o que um empreendedor faz para lucrar é atrair para si o dinheiro de demandadores que, de outra forma, iria para os bolsos de outro empreendedor, como explicar que os mercados possam se expandir e ampliar ao longo do tempo? Além disso, parece não ser esta a ideia de Mises: “Os lucros daqueles que produzem bens e serviços disputados pelos compradores não são a causa dos prejuízos daqueles que produzem mercadorias pelas quais o público não está disposto a pagar um preço suficiente para cobrir os custos de sua produção.” Este senhorzinho esperto deve ter para o problema uma solução mágica que eu desconheço.

    Mas a verdade é que pouco importa, porque a origem do lucro não está na esfera da circulação (“mercado”), como imaginam os austríacos e seus parzinhos ortodoxos, e Marx é quem a localiza com precisão: o próprio processo produtivo. E é por isso que Marx foi capaz de demonstrar como o lucro surge aparentemente de maneira “natural” para o capitalista (conquanto produza bens úteis fazendo uso do nível técnico predominante em determinado período), teorizando o capitalismo não como um conjunto de peças de quebra-cabeça destacadas do processo histórico, mas como mais um modo de produção, em que a classe da base da pirâmide social produz para a sociedade como um todo, da mesma forma como operavam todos os outros modos de produção anteriores.

    Que tal justificar a selvageria dos ataques a Marx tentando fazer mais do que apenas arranhar a superfície do problema essencial?

  2. ..e por falar em educação e estabelecimentos educacionais (que são apenas “instrucionais”, já que educação é em casa):

    Isso aqui não é bla bla bla, É VIDEO é PROVA CABAL e tô tentando viralizar:

    https://homemculto.com/2016/11/24/visita-a-uma-invasao-estudantil/

    Esse é o melhor video de todos os tempos.

    Clareza insuperável:

    – os pacíficos e DEMONIOCRÁTICOS esquerdistas fazem assim, TAL e QUAL FIZERAM os NAZISTAS e FASCISTAS!

    – Eles usam a violência para impedir as críticas e até mesmo a verdade do que são.

    – Eles são imbecis que NEM MESMO SABEM O QUE ESTÃO FAZENDO ou SOBRE o QUE ESTÃO ATUANDO: São como CÃES ADESTRADOS que ATACAM ao COMNDO dos ADESTRADORES, MAS NÃO SABEM a RAZÃO de ESTAREM ATACANDO:

    A esquerda ANIMALISA o ser humano, leva o indivíduo à condição de ANIMAL ADESTRADO.

    – São SAFADOS e IMBECIS que, ADESTRADOS, OBEDECEM sem saber o porquê estão obedecendo.

    APENAS OBEDECEM SEUS LÍODERES e são capazes de ATACAR, AGREDIR e certamente ATÉ MATAR, bastando-lhes que o LÍDER MANDE e eles OBEDECERÃO!!!

    O esquerdismo ou Socialismo, traduza-se como DEFESA do PODER TOTALITÁRIO do ESTADO, é um EMBUSTE IDEOLÓGICO que IMBECILIZA e ANIMALISA o ser humano recalcado, sem autoestima (seduzido facilmente por galanteios) e mentalmente instável.

    Uma ideologia de PSICOPATAS que desenvolveram metodologia para ALICIAR IMBECIS e mais imbeciliza-los e torna-los VIOLENTOS como CÂES ADESTRADOS a serviço de seus adestradores e proprietários.

    E ALÈM de COVARDES, atacam em grupos numericamente mais fortes e choram se revidados à altura, além da COVARDIA SÃO FROUXOS e não permitem que seus FOCINHOS SEJAM MOSTRADOS …PORQUE SABEM qaue SÃO LIXO e não querem ser RECONHECIDOS FORA do grupamento “valentão”. PULHAS!!!

  3. Guilherme de Souza

    Os índices da Educação no Brasil são sofríveis, mas questionar o “santíssimo patrono Paulo Freire” é praticamente um pecado por aqui

    Vá entender.

  4. Apoiado. Enquanto não divulgarmos às massas a obra de nomes como Bastiat, HHH, Rothbard, Mises, Milton Friedman, Vargas Llosa e outros, estaremos sujeitos a esse brainwashing a favor da utopia marxista e gramscista.

    “Idéias…somente Idéias podem iluminar a escuridão” – LVM

  5. Marcelo Delormes dos Santos

    Quanta lucidez nesse comentário. Fantástico!!!!

    Esse texto é para até os mais doutrinados pela esquerda despertarem do zumbinismo ao qual foram lançados.

    Parabéns!!!! Nota 10, professor!!!

    Meu sonho é ver essa mudança acontecer. Eu faço uso de todas as ferramentas disponíveis para fazer essa mudança. Tenho certeza que um dia teremos todo esse mau varrido do nosso Brasil.

  6. Discordo em contestar respeitosamente os professores marxistas. Prefiro a estratégia de ignorar ao máximo a aula do sujeito e, fora de aula, discutir com os demais alunos. Será bem mais frutífero.

    Sobre os filhos na escola, concordo em pressionar a diretoria pela não doutrinação. Mas, considerando que a pressão dificilmente surtirá efeito, sobretudo em escolas públicas, sugiro o ensino domiciliar (homeschooling).

  7. Excelente artigo. O Padre Paulo Ricardo ministrou um curso de Filosofia da Linguagem que é fundamental para se entender a profundidade da revolução semântica. O curso está disponível para os assinantes do site do Pe. Paulo.

  8. É bom ver que tem mais gente que está se empenhando nesta batalha contra socialistas e comunistas e não fica só em defesas políticas e querendo afastá-los da mídia.

    A universidade tem um poder velado, o de formar os dirigentes do futuro. Não basta combatermos os inimigos de hoje, é preciso que tenhamos menos adversários amanhã.

  9. lembrei desse especial sobre o Paulo Freire publicado no ano passado

    reaconaria.org/colunas/dacia/especial-paulo-freire/

    reaconaria.org/resenha/pedagogia-do-oprimido/

  10. Conversei recentemente com um amigo, chamado Israel, que antes comemorava a aprovação da filha no vestibular. Agora, já com a filha universitária, lamenta cabisbaixo: a filha só fala em ir para Cuba, pintou o cabelo de vermelho e tornou-se uma filha respondona.

  11. Já dizem os próprios esquerdistas: “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. Eles são parte ativa desse projeto (são as doninhas) e os grandes projetistas são aqueles que eles defendem com unhas e dentes (políticos de esquerda, sua ideologia e as políticas por eles defendidas).

    E Paulo Freire é um dos maiores mentores desse atraso. É impressionante como sua corrente idiotizadora consegue, ainda, seduzir. Na verdade, até sabemos o motivo: suas doninhas (professores doutrinadores) seguem à risca suas ideias, destruindo os cérebros dos incautos. Mas sempre vai ter aquele “intelectual” (na verdade, outra doninha) a afirmar categoricamente que “não há doutrinação nas escolas e universidades”, enquanto a horda de lobotomizados toma conta.

  12. Parabenizo o site e o articulista pela excelente reflexão. No meu entender a batalha não é só pela mente – intelecto, razão, mas também pelo coração – sentimento. Diria que a batalha começa exatamente pelo coração. Quem não se comove com a miséria e o sofrimento de outro ser humano? Ora, se eu ofereço a cura para isso e toco no seu coração, já tenho a abertura para ganhar a sua mente. O processo demanda paciência e tolerância.

    Roberto Freire trabalha com a empatia – tira o professor do pedestal e coloca no mesmo nível do aprendiz. Ora, qualquer adolescente adora rivalizar com o mestre e se o mesmo se mostra receptivo já ganhou seu coração. Por outro lado, por mais que você tenha razão – e intelectualmente seja superior, se isso aparentar arrogância há o fechamento da comunicação.

    Perceba a questão da “justiça social”. É a grande bandeira do socialismo. Ainda que seja inalcançável por esse caminho as pessoas insistirão nele porque tem a aparência da caridade, da salvação pessoal, do ajudar o próximo … (ideias presentes em todas as grandes religiões do mundo)

    Ora, se o liberalismo entende ter a melhor solução deve embalá-la de maneira que as outras pessoas também entendam, não adianta citar a Ação Humana de Mises, quem é Mises para o povão? A esquerda há muito saiu do academicismo e foi para as ruas, onde o liberalismo é totalmente desconhecido. Até o nome” capitalismo” foi dado pela esquerda e tudo que se refere ao liberalismo foi rotulado como selvagem, ruim, desequilibrado ….

    É hora de virar o jogo, mas é preciso pensar e agir estrategicamente.

  13. O que dizer sobre o banco estatal Suiço ”Credit Suisse” que é mundialmente conhecido e renomado?

    Os liberais amam a Suiça como exemplo. O que dizer sobre:

    O sector industrial é uma das marcas mais importantes dos séculos XVIII e XIX pois serviu de impulso para a economia helvética. Mas a grande expansão de empresas criara um efeito de capitalismo sem ordem pelo que foi necessário criar regras para conter esses problemas. Também no século XIX a Suíça faz-se de exemplo ao Mundo ao criar regras laborais tais como em 1815 em Zurique que defendia que as horas diárias não excederiam as 12, nunca começando antes das cinco da manhã. As crianças com menos de dez não deviam trabalhar. Em 1815 o cantão de Turgau afirma que nenhuma criança pode trabalhar. Em 1877 uma lei federal nasce afirmando que as horas diárias passariam a ser 11 e não haveria período laboral à noite e aos Domingos. As crianças com menos de 14 anos estavam proibidas de trabalhar.

    Essa história que os escandinavos enriqueceram em live-mercado não é muito verdade, tanto que no século 19 e 20, eles estavam submetidos a muita regulamentação e assistencialismo…

    E as estatais do Reino Unido?

    E as Sul-coreanas?

    E as japonesas?

    E a coreia do sul que cresceu com protecionismo, assitencialismo e desenvolvimentismo..

    Expliquem essa neoliberais!!!!

  14. O pior são essas estratégias implantadas aos poucos. Eles trabalham com escala de tempo, numa situação onde a maioria não percebe, e assim, pouco a pouco, vão moldando o cotidiano, transformando mentes, colocando na espiral do silêncio os contrários. E fica tudo tão sutil, como é jornalismo hoje. É um modelo de “revolução” perfeita, quase imperceptível, e sem armas.

  15. Janer Cristaldo falava muito de como os conservadores superestimam Gramsci, sendo o sr. Olavo de Carvalho um dos seus maiores propagandistas. Tudo é colocado com ares de teoria conspiratória, extremo planejamento central, exatamente como o olavismo faz com o suporto ultra-poder do Foro de SP, outra coisa que Janer questionava bem.

    Além do exagero, os conservadores, fusionistas e coisas piores também adoram distorcer o marxismo cultural. Tudo que eles não gostam, tudo que vai contra o pensamento religioso e neoconservador dessa direita caricata brasileira é marxismo cultural.

    Libertários são marxistas culturais! Mises queria legalizar as drogas? Marxista cultural! Isso é uma crítica filosófica à minha religião? Marxismo cultural! Está dizendo que o regime militar não foi necessário? Marxismo Cultural! Abolir o estado? Marxismo cultural! Deixar tudo na mão do mercado? Marxismo cultural!

    Ubiratan Iorio não é o professor do Bolsonaro Jr naquela foto?

  16. Cara, vou dizer só um coisa.

    Costumo dizer que eu leio de tudo…

    Basta ver três comentários aqui pra ver a SUPERIORIDADE da discussão em relação aos sites esquerdistas.

    Até os esquerdistas que entram aqui acabam travando uma discussão com base em argumentos e não as baboseiras que se vê em outros sites.

    Os comentários reforçam o sentido do texto: no campo das ideias, da consistência dos argumentos, de sua plausibilidade a esquerda perde é feio… no campo das palavras a história é outra.

  17. É preciso contextualizar a época em que Paulo Freire desenvolveu suas idéias. No país a grande maioria das pessoas eram analfabetas, e viviam de subemprego, quando algum tinham. A educação assume poder libertador aos oprimidos que padecem sua ausência. A semelhança da maiêutica socrática, a verdade e o conhecimento não podem ser impostos, mas como que paridos, banindo a educação bancária impositiva, dando lugar uma educação libertadora e que permite a formação de indivíduos com visão crítica e dialética, o pesdelo dos opressores.

  18. Companheiro Camarada

    Mais um artigo do Ubiratan Iorio para se ler e dizer: “Sim senhor! Como o senhor mandar.”

    É realmente muito visível como os socialistas, marxistas, etc., já há tempos descobriram como utilizar nossa principal ferramenta de comunicação, a linguagem, para propagar e fixar suas ideias. E infelizmente, na maioria das vezes fazem isso deturpando ou vulgarizando o sentido de palavras e expressões que, em um país tão plural como o Brasil, tendem a ser caras à maioria das pessoas. Mas muito do trabalho para reverter isso começa com saber trazer à racionalidade, justamente, muito desse vocabulário.

    E também, com muito cuidado para não cair na armadilha e ser simplesmente a projeção, a oposição e a perpetuação dessa divisão, nós e eles. A direita, nova direita, neoconservadores ou sei lá quem mais, erra muito a mão, e está longe de conseguir construir alguma linguagem com palavras, expressões ou sentidos que se aproximem de fazer parte e serem defendidas como valores da sociedade ou de pessoas comuns. Opressão, por exemplo, é uma palavra que tem sido muito utilizada para caracterizar uma atitude que poderia ser entendida como típica da “direita reacionária”. Não chega a ser nenhuma novilíngua, muitas vezes é apenas uma forma jovial e descontraída de irritar a esquerda ou de fazer um elogio. Mas não tem a menor chance de ser absorvida, constituir e fazer parte da linguagem popular. Jovial e descontraída demais.

    Racionalidade e seriedade são as palavras chaves. E quem está no meio liberal, tem mais chances de saber contra-atacar.

  19. Prezado Ubiratan Jorge Iorio

    Segundo você, uma das fraudes semânticas é o aquecimento global ou mudanças climáticas.

    Em primeiro lugar, deixe me apresenter: sou geólogo a 38 anos, com especialbização em geologia do petróleo.

    Em relação a mudanças climáticas terrestres, elas ocorrem a 4,5 bilhões de anos, ou seja, desde que o planeta Terra foi formado. Este ponto é pacífico entre todos os geólogos contemporâneos. Um estudo muito interessante é a curva de variação do nível do mar, de autoria da Exxon, a maior empresa de petróleo do mundo e que criou esta curva baseado nos milhares de poços de petróleo que furou mundo afora.

    Vejo muitas vezes, neste site que falar sobre mudanças climáticas é coisa de esquerdista. Em primeiro lugar, concordo que nas ciências humanas haja tendências à esquerda e à direita.

    Não vou dizer que nas ciências naturais isto não possa existir. Dois exemplos são famosos: a afirmação que a Terra não era o centro do universo foi violentamente atacado pela igreja, de tal forma que Galileu teve que se retratar ou iria para a fogueira. Hoje ninguém discute que a Terra não é o centro do universo. O segundo foi a Teoria da Origem das Espécies de Charles Darwin o qual a igreja foi violentamente contra e hoje ninguém reprova, principalmente após as descobertas do DNA. Só alguns grupos extremistas americanos que continuam a só acreditar no criaçonismo.

    Mas, na grande maioria dos casos, as ciências naturais são não ideológicas (esquerda ou direita). Afinal, ao contrário das ciências sociais. as ciências naturais seguem as leis da natureza que são indendentes da vontade do homem. Assim, não adianta Mises ou Marx querer elaborar a segunda lei de Newton. Sempre será F = m.g.

    Isto posto, oclima está alterando. Afinal, a pouco de dez mil anos atrás estávamos na idade do gelo.

    Hoje, todos os estudos científicos mostram que o clima está esquentando.

    Agora, o segundo ponto não é se o clima está alterando, o que está, mas qual são os fatores causadores, naturais, antropogênicos ou ambos.

    Ou seja, assim como as teorias de Copérnico e Darwin não eram de esquerda, só porque iam contra a igreja e o establishment, a teoria da mudança climática também não é.

    Outro grande exemplo é a deriva continental que hoje está comprovada cientifcamente pela rede de satélites GPS, mas foi ridicularizada no início do século XX.

  20. Prezado Dissidente Brasileiro.

    Entrei no site Terra Plana. Li e não fiquei “com a pulga atrás da orelha”.

    Para mim, pareceu muito mais um “hoax” (embuste, em português), que está cheio na Internet.

    Ou então os caras acreditam mesmo. O que fazer, há todo tipo de gente no redondo planeta Terra.

  21. Vamos aos fatos:

    1º quem propôs que a Terra era o centro do universo foi Aristóteles e Ptolomeu e retificado pela igreja que era grande admiradora da idade clássica

    2º Quanto a mudança de clima entram outros fatores que não se mencionam que afetam mais que ação do homem como atividade solar, vulcanismo, raios cósmicos, supernovas, alteração do campo magnético que está ocorrendo e ninguém quase fala.

    3º Quanto a Terra plana, um sábio grego fez um calculo da circunferência da Terra usando a posição do sol, e os antigos tinham inclusive conhecimento de outros continentes além da Eurásia e África como o mapa de Piris Reis já mostrou.

    5º Se estivessem preocupados com ação do homem sobre a Terra e meio ambiente incentivariam os empreendedores a buscar inovações que suprissem a demanda energética, transportes mais eficientes, menos ação de governos, uso de usinas desalizadoras para irrigação etc. E o que falam: culpam o capitalismo pelas mudanças de clima, clamam por justiça social etc. E a solução deles: socialismo, volta a uma sociedade primitiva, exterminar um terço da população mundial, governo mundial etc.

  22. Cristiane de Lira Silva

    Olá, mises.org estive lendo alguns textos daqui e gostado deles. Nunca fui a favor do comunismo e sou de convicção social-democrata. No entanto, tenho respeito e até concordo com certos aspectos do liberalismo. Esse foi o primeiro texto do mises do qual discordo . Já li diversos textos da direita falando dessa tal de “doutrinação comunista” e todas as vezes que leio sobre isso imediatamente vem a minha mente lembranças daquelas histórias de Nova Ordem Mundial e Conspiração Illuminati. Meu ponto de vista sobre esse tema é muito parecido com o que se encontra aqui neste site: https://bertonesousa.wordpress.com/2015/05/16/existe-doutrinacao-ideologica-nas-escolas/

    Há inclusive um texto intitulado “O totalitarismo nacionalista na Coréia do Norte” (https://bertonesousa.wordpress.com/2013/09/08/o-totalitarismo-nacionalista-da-coreia-do-norte/). Nesse texto tem um vídeo mostrando como é o regime da Coreia do Norte e fica bem claro que ali realmente existe uma verdadeira doutrinação ideológica com controle total da informação.

    Acredito que seja importante considerar este ponto de vista, principalmente porque é a crença nessa suposta doutrinação marxista que tem levado as pessoas a apoiarem projetos como o escola sem partido. O liberalismo é a favor da diminuição do poder do estado, mas esse projeto parece aumentar o poder do estado sobre os professores determinando o que eles podem ou não fazer, criminalizando certas convições políticas e até a liberdade de opinião do professor. E o professor tem o direito de ser de esquerda ou de direita e expressar suas convicções sem ser criminalizado por isso. Também os alunos devem ter esse direito assegurado. Obviamente os pais não devem ser obrigados a colocar os seus filhos em escolas onde ensinem marx ou teoria da evolução se isso vai contra a convicção moral deles, por isso me coloco a favor do homeschooling. Outra alternativa seria os pais colocarem seus filhos em escolas que se alinhem mais com as convicções ideológicas deles, já que eles acreditam tanto em doutrinação comunista. A única coisa errada é tentar sutilmente eliminar o pensamento esquerdista só porque se discorda dele. Também seria errado fazer o mesmo com o pensamento de direita.

    No mais, vocês estão de parabéns. Embora eu discorde totalmente dessa ideia de doutrinação, há textos excelentes aqui e parece ser um ambiente de tolerância.

  23. Cristiane de Lira Silva

    Mas em uma coisa a direita tem razão: As ideias dos teóricos liberais deveriam ser mais ensinadas nas escolas. Acredito que não sejam ensinadas porque o ensino brasileiro é de péssima qualidade. Na verdade, nem Marx é ensinado bem. Debates sobre teóricos liberais e marxistas seria muito enriquecedor pois se teria acesso a muitos pontos de vista!

  24. Ótimo artigo, professor Ubiratan Jorge Iorio. Comecei a ler o IMB depois de ver um dos seus artigos. Seguem alguns comentários referentes a este.

    “Piaget, para quem as crianças só podiam aprender o que estavam preparadas a assimilar.

    Essa frase está correta em termos neuropsicológicos: crianças só podem aprender o que estão [neurologicamente] preparadas a assimilar [de acordo com seu desenvolvimento atual decorrente da interação do relógio biológico com o ambiente].

    Nenhum liberal ou conservador defenderia ensinar matemática avançada para crianças de cinco anos que mal conseguem dominar o básico das quatro operações fundamentais. Ao contrário, dizer que a biologia contingencia o desenvolvimento humano individual refuta o socialismo.

    Aos professores caberia tão somente a tarefa de aperfeiçoar o processo de descoberta dos alunos.”

    Essa frase pode estar certa ou errada dependendo do contexto. Piaget falava do processo neurológico. Uma criança neurotípica de cinco anos não possui capacidade cerebral para compreender que um quilo de ferro pesa tanto quanto um quilo de algodão; não é uma questão de conhecimento, habilidade ou atitude, mas de capacidade neurológica naquela etapa de seu desenvolvimento.

    Aliás, isso vale até para adultos. Não recomendamos a quem está começando a aprender sobre liberalismo que comece pelas obras mais simples e só depois as mais profundas?

    Piaget não propôs que o professor devia ser passivo, igualitário e não diretivo em relação à criança e aprendiz dela em vez de seu instrutor, como Paulo Freire defendeu; Piaget propôs que se ensinasse de acordo com cada fase de desenvolvimento cognitivo, não adiantando nem postergando indevidamente.

    Mas aproveitando o assunto, seria interessante uma análise das ideias do Vygotsky. O Olavo de Carvalho já o criticou brevemente, mas não explicou. O único erro que percebi é que ele pode ter dado a entender que o ser humano nasce biológico e depois deixa de sê-lo quando passa a ser um ser social – a verdade é que somos biologicamente sociais.

    Sobre Paulo Freire, ele é acusado de plagiar um missionário que elaborou um método de andragogia (ensino para adultos). É uma das várias razões de porque o socioconstrutivismo só causa maus resultados: ensinar crianças é muito diferente de ensinar adultos.

    PS: Em vez de falarmos que “o socialismo/comunismo jamais funcionou” [o que pressupõe que os líderes socialistas/comunistas são sinceros e estão iludidos], parece ser melhor dizer algo do tipo “o socialismo/comunismo sempre deu maus resultados”. O verdadeiro objetivo dos doutrinadores é tornar todos os jovens militantes incapazes de pensamento autônomo válido e neste sentido o socioconstrutivismo funciona muitíssimo bem.

    * * *

  25. Lamentável existirem pessoas que acham que o aquecimento global é coisa de Gramsci.Está provado pela CIÊNCIA que o gás carbônico aumenta a acidez dos oceanos.Isso acontece porque esse gás é um óxido ácido que,combinando-se com a água do mar, forma o fraco ácido carbônico, mediante a reação: CO2 + H2O –> H2CO3(Isso é química,não é conversa de Gramsci ou de chineses).Desde a revolução industrial iniciada na Inglaterra, a acidez do oceano aumentou 30%,e se continuar do jeito que está não é impossível haver uma extinção em massa nos sete mares.Tudo isso é fato científico e eu não costumo brigar com a Ciência.Porém eu também não nego o marxicismo cultural(feminismo,aborto,igualdade de gênero etc) que assola nossas escolas e que devemos combater,eu só acho que é uma irresponsabilidade tratar o aquecimento global como invenção de comunistas para prejudicar o capitalismo.Aquecimento Global não é questão de ideologia,é questão de CIÊNCIA!

  26. Caro Professor

    Aprecio muito seus artigos , mas como estou apenas engatinhando em economia austríaca, gostaria de sua ajuda para compreender uma questão. Dado que para que ocorra um crescimento equilibrado é necessária a poupança prévia, e não a injeção de “dinheiro criado do nada”, a massa monetária permanece a mesma ao final do ciclo de produção, com o acréscimo de produto do novo investimento. Como cresce a moeda para fazer frente ao crescimento do produto?

    grato

    Milton

  27. Clap, clap, clap! Palmas para este excelente artigo. Achei que o IMB não iria conseguir se superar, mas vocês têm aparecido com coisas cada vez melhores e de extrema importância!

  28. Tem outro dessa escola de pensamento que também é idolatrado. Um tal de Zygmunt Bauman. O cara morreu esse ano, na idade de 91 e ainda era marxista, sendo que se ele continuasse vivendo na situação de um país socialista, dificilmente teria chegado até essa idade. Falava contra consumismo e “a face desumana do capital”. Na minha turma de faculdade muitos se obrigaram a citar esse sujeito e sua “teoria da modernidade líquida” pra passar nas avaliações. Já ouviram falar? O que acham?

  29. “Essa esquerda — que é bastante organizada — irá recuperar o terreno, com todas as consequências que isso trará em termos de obstáculos à geração de riqueza e da melhoria do padrão de vida em todo o planeta?”

    Olá, caí de paraquedas aqui e gostei muito do texto, embora eu não me identifique tanto com as ideias defendidas. O que entendi afinal (de forma deliberadamente generalizada) foram duas coisas:

    1- a direita carrega o mesmo recalque dos linguistas formalistas até hoje, que reagem com asco e estranheza a qualquer linguagem poética ou mais metafórica. A linguagem clara, objetiva e tecnicista é a que agrada mais, pois se incomodam com a liberdade de expressão da oposição, igualmente carregada de uma ideologia, porém humanamente mais razoável e por isso tão convincente.

    2-A direita tem como ideologia o capitalismo. Ou não compreendem o perigo da selvageria gananciosa de uma “evolução ” apressada e faminta, ou relativizam os males, ou ignoram as sombras que as luzes capitalistas projetam sobre os povos mais pobres em toda parte do mundo. É mesmo um mau necessário? Parece óbvio que se todos unissem forças para uma ascensão comum da consciência coletiva, o dinheiro seria menos importante do que o super conforto de uma aparente maioria.

    Espero o dia que não haja mais guerra ideológica, mas união entre ideologias, retirando o que uma tem de melhor para agregar à outra ao invés de somente reduzir a um termo, chega a ser infantil o que vemos por aí. Comunista X Capitalista. Extremos e mais extremos se perpetuando, até que venha uma ruptura vexatória para os dois lados. Abs.

  30. ANA LUCIA DE SOUZA NASCIMENTO

    Não tenho o que dizer além de: excelente texto. Tão aprofundado e absurdamente real, este último, infelizmente. Ainda bem que existem pessoas como você que podem gerar uma repercussão maior de conteúdo a fim de eliminar a cegueira e a lavagem cerebral implantadas neste país. Continue, por favor.

  31. Impossível o autor desse texto acreditar que existe possibilidade de ministrar aulas com imparcialidade e sem viés ideológico, quando li isso quase vomitei, e olha que gosto dos artigos do Mises, mas é complicado ler alguns artigos de autores que não tem domínio no que tange à educação. O argumento é tão absurdo que derruba-se de imediato utilizando o próprio site do Mises – sim, senhores, ou aqui não existe ideologia? Eu leio e absorvo os conhecimentos do Mises, porque me identifico com a Escola Austríaca, com o pensamento Libertário. Mas não podemos ser obtusos de achar que é possível imparcialidade nas ciências humanas. O autor desse texto nas suas aulas de economia na UERJ, provavelmente nem passa perto de Marx. Isso por si só já seria um viés ideológico, ou vossa mercê acha que somente o lado da esquerda que tem pensamento ideológico, jamais um Austríaco? É pândego coisas desse tipo. Até os libertários (que pra mim são os mais imparciais, já que respeitam todas as formas de pensamento) não são totalmente imparciais, uma vez que volta e meia pelejam com o pessoal Marxista no que concerne a propriedade privada. Essa proposta Bolsonarista estúpida de querer combater a “ideologia” nas escola, resultará em fracasso, pela impossibilidade total, além de já ser uma forma de autoritarismo. Eu concordo que com o MEC e esses professores esquerdistas? Óbvio que não! O MEC deveria ser extinto se eu fosse o presidente, mas enfim…A melhor forma de combater ideologias é propiciando um ambiente de ideias plurais, com professores marxista, chicaguistas, austríacos e assim por diante. Um escola e universidade tem que ter essa liberdade de pensamento. No entanto, isso só é possível se as pessoas tiverem liberdade de ensinar o que quiserem, ou seja, estado não deve obrigar alunos a se matricularem em escolas, muito menos nacionalizar um vestibular tirando autonomia das instituições de ensino de realizarem seus próprios crivos. O homeschooling deve ser livre pra quem quiser, e o MEC, como já disse, extinto para não coagir ninguém. Isso é combate à ideologia, qualquer outra medida na essência é trocar seis por meia-dúzia.

  32. Excelente artigo!

    Às vezes, me sinto como se estivesse DENTRO do livro 1984 com a “novilingua”. Como combater isso? Pela Escola Sem partido? Privatizando o ensino superior? Taí uma luta que vale a pena.

  33. Paulo Freire, sendo um marxista, admirava os regimes socialistas e seus ditadores.

    Suas obras parecem ter muito mais de crítica ao capitalismo (e adoração ao socialismo) do que de alfabetização. Ele trabalha com as velhas ideias de luta de classes, opressor e oprimido, revolução do proletariado, etc…

    Ok. Pra mim isso é bem claro.

    Mas, analisando especificamente o método de ensino/alfabetização de Paulo Freire ?

    Quais as falhas? Por que não funciona? Quais os pontos negativos do método?

    Obs: A esquerda argumenta ser um mito ideia que toda a educação brasileira é ligada ao método de Paulo Freire. Segundo eles — tanto as escolas públicas quanto as privadas — utilizam uma combinação de diferentes linhas de ensino, e Paulo Freire não é a única referência. Assim, não seria correto afirmar que o fracasso educacional brasileiro é culpa do aplicação de sua teoria.

  34. O final do texto diz para contestarmos respeitosamente os professores, e eu gostaria de fazer um adendo em relação a isso — fiquem atentos, pois professores universitários e pessoas do meio acadêmico já estão mais do que cientes de que a reação ao esquerdismo está vindo e estão renovando suas técnicas retóricas. Tenham sensibilidade para perceber as nuances nas respostas e “argumentos” desses professores e “intelectuais” vocês vão perceber o universo de falácias e deboche sutil, que deve ser educadamente exposto de forma fria/impessoal (sim, você não pode demonstrar indignação, pois qualquer sinal disso já fará com que enxerguem você como um energúmeno doidinho que está errado em afirmar que 1+1=2 enquanto seu professor polido e educado afirma que 1+1=3).

    Dois exemplos de situações com as quais já me deparei:

    1) Existem pessoas de esquerda que propositalmente escolhem termos vagos/ambíguos para sua argumentação de modo que você não saiba sequer com o que tem que argumentar e “fique sem entender”, ou tente contra-argumentar e o professor responda que estava se referindo a outra coisa, inutilizando o seu contra-argumento.

    2) Professores, ao perceber que você é alguém que frequentemente discorda deles, começarão a apelidá-lo de “polêmico”, “incomum” e outros adjetivos no sentido de inferiorizá-lo sutilmente ao convidar você para o debate de um tema que está sendo discutido na aula.

    No caso desses exemplos acima, não percam a oportunidade de expor o comportamento do professor e classificá-lo como alguém desqualificado/imaturo com a mesma sutileza que usam para inferiorizá-lo.

    No caso do primeiro exemplo, exponha a confusão/salada de palavras ambíguas solicitando que o professor utilize termos claros e objetivos, diga que é dever do professor saber se expressar devidamente, explicando seu pensamento de forma intuitiva e clara para que todos os estudantes compreendam o debate, e que não fazê-lo é uma irresponsabilidade do mesmo no exercício de sua função.

    No segundo exemplo, após a enxurrada de adjetivos que o professor tenha lhe imputado, pergunte a razão do deboche mencionando os adjetivos, e se o mesmo retrucar que é apenas uma “brincadeira saudável”, exponha que as “brincadeiras saudáveis” que os professores promovem podem constranger/inibir outros alunos (não necessariamente você), e que esse constrangimento desvirtua/obstrui a livre expressão de ideias em um debate, também inibindo e rebaixando ao ridículo a possível participação de outros estudantes que também discordem do que está sendo dito.

  35. Daniel Alves do Nascimento

    O intelectualismo da novilíngua tem produzido alterações fascinantes no campo linguístico. No campo da educação a troca de matéria, matriz, cadeira e agora ‘Disciplina’ para “Componente Curricular” causou uma significativa contribuição no ensino público, já na saúde ou segurança civil, expressões eufemísticas como: “Pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack e outras drogas” no lugar de ‘drogados’ tem permitido apascentar esses sujeitos, que agora, jamais assaltam sem antes realizarem educada e insistentemente o pedido. São adaptações fascinantes do socialismo humanitário que não cria a solução, mas induz ao problema para beneficiarem-se eles próprios da futura solução, tudo com o seu dinheiro é óbvio!

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