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Mises - um profeta sem honra em sua própria terra

O ano era 1921.  Quase meia-noite.  O economista Ludwig von Mises guiava alguns visitantes pelas áreas pobres e pouco iluminadas de Viena.  A cidade estava adormecida.  Tudo estava quieto, exceto pelo som das vozes desses homens e de seus passos nas ruas pavimentadas com pedras.  Eles haviam acabado de sair de uma conferência econômica, na qual estavam discutindo os desastrosos efeitos da inflação.

Os preços estavam subindo furiosamente na maioria dos países da Europa pós-Primeira Guerra Mundial.  Alemanha e Áustria, em especial, já sofriam com a hiperinflação.  Na Áustria, a economia já estava estagnada.  Várias indústrias estavam paradas por todo o país, ao passo que outras operavam apenas em regime de meio expediente.

Quando os homens se aproximaram do centro da cidade, a calada da noite foi quebrada "pelo ronco contínuo, pesado e monótono das impressoras do Banco Austro-Húngaro".  O anfitrião vienense, Mises, explicou aos visitantes que aquelas impressoras "estavam operando incessantemente dia e noite, produzindo novas cédulas".  Por todo o país, as impressoras que fabricavam cédulas de dinheiro eram as únicas máquinas que operavam em velocidade máxima.  "Apenas torçamos", disse Mises aos seus convidados, "que as indústrias alemãs e austríacas possam, uma vez mais, recuperar o volume de operação que tinham antes da guerra, e que todas as indústrias relacionadas à guerra e à inflação, dedicadas especificamente à impressão de dinheiro, sucumbam e deem vez a atividades mais proveitosas e benéficas".

Mises desde muito jovem já se interessava pela questão da inflação.  Após receber seu doutorado em 1906, ele escreveu vários estudos substanciais sobre moeda e sistema bancário.  Ernst von Plener, um economista proeminente que havia sido Ministro das Finanças da Áustria no período 1867-70, certa vez chamou Mises a seu escritório para discutir uma de suas monografias.  "Não sei por que um jovem como você está tão interessado em inflação", disse Plener.  "Sim, é fato que a inflação foi um problema sério no passado.  Porém," ele prosseguiu, "todos os países civilizados do mundo estão hoje no padrão-ouro.  Você realmente consegue imaginar a Inglaterra, a França ou a Alemanha abandonando o padrão-ouro?"

Ludwig, então com apenas 26 anos, de estatura média, ar sério, comportamento formal e aspecto militar, foi respeitoso.  Porém, pediu licença para discordar.  "Vejo medidas adotadas por esses países", disse Mises, "que não podem ser chamadas de nada menos que 'inflacionistas'.  Os livros publicados por seus economistas expressam entusiasmo incontido pela inflação, até mesmo por uma inflação ilimitada.  Mais cedo ou mais tarde, as ideias desses economistas inflacionistas irão influenciar a opinião pública.  E isso inevitavelmente levará a políticas governamentais inflacionistas."  A previsão de Mises foi confirmada durante a Primeira Guerra Mundial, quando a Inglaterra, a França e a Alemanha saíram do padrão-ouro.

Mises serviu na cavalaria austro-húngara no front oriental (russo) durante a Primeira Guerra Mundial.  Quando ele retornou a Viena, descobriu que a inflação tinha acentuado a pobreza das pessoas.  Homens e mulheres que haviam trabalhado e poupado por décadas descobriram que o valor de suas pensões havia se evaporado; a poupança de toda uma vida repentinamente podia pagar apenas algumas passagens no bonde elétrico.  Os comerciantes não conseguiam repor seus estoques com as receitas de suas vendas.  Um vendedor de sapatos, por exemplo, com um estoque de 10.000 pares de sapatos em 1914, viu seus ativos definharem continuamente à medida que o custo dos sapatos subia com a inflação; finalmente, suas receitas de um ano inteiro eram capazes de pagar apenas um par de cadarços.

Um exilado austríaco, que foi para os EUA antes de 1900 e se tornou milionário, legou em testamento sua fortuna para criar uma instituição educacional para órfãos na Áustria.  Sob as leis austríacas, os dólares tinham de ser aplicados nos títulos do governo austríaco até que os arranjos burocráticos para a instituição estivessem completos.  Mas aí veio a Primeira Guerra.  Quando esta acabou, a inflação já havia tornado inúteis todos os títulos do governo - e nada restou aos órfãos.

Mises percebeu que a inflação era proveitosa para alguns poucos em detrimento de muitos outros.  Aqueles que foram diligentes, laboriosos, conscientes e responsáveis, que haviam trabalhado duro e poupado, eram os "perdedores", pois a inflação erodia toda a sua riqueza.  Já aqueles que haviam se endividado para poder viver muito além de suas posses e que gastaram prodigamente eram os "vencedores", pois a inflação permitia que elas pagassem seus credores com um papel-moeda cada vez mais sem valor.

Em 1922, Ignaz Seipel se tornou Chanceler da Áustria.  O Dr. Seipel, um padre católico romano, honesto e escrupuloso, porém ingênuo em questões financeiras, não era exatamente o que se convencionou chamar de político típico.  Mises, que naquela época era um conselheiro do governo, e Wilhelm Rosenberg, amigo de Mises e advogado especialista em questões financeiras, convenceram Seipel de que, para o bem do povo, a impressão de cédulas monetárias deveria ser interrompida.

Porém, Mises percebeu que Seipel esperava que a interrupção da inflação trouxesse uma imediata prosperidade.  E Mises não queria iludir Seipel.  "Interromper a inflação irá trazer uma melhora econômica com o tempo", Mises lhe disse.  "Porém, não será algo imediato.... O primeiro efeito dessa interrupção será uma 'crise de estabilização', que irá provocar sérias, embora curtas, privações econômicas".  Mises prosseguiu com a explicação:

As pessoas passaram a esperar que os preços subam constantemente.  Elas, na medida do possível, já se ajustaram à inflação.  A interrupção do fluxo de cédulas será um choque.  Aquelas que haviam antecipado mais inflação verão seus planos frustrados.  Assim, o efeito imediato da interrupção da inflação não será benéfico para o senhor e nem para o seu partido político.  Ouso dizer que o senhor terá sérias dificuldades.

Seipel interrompeu.  "Mas você diz que isso é necessário - que essa é a coisa moral e ética a se fazer.  Sendo assim, então não importa.  O partido não deve fazer apenas aquilo que é popular no curto prazo; ele também deve fazer o que é melhor para o país."  Graças a Seipel, a inflação foi finalmente interrompida na Áustria no segundo semestre de 1922, um ano antes da catastrófica hiperinflação alemã chegar ao fim.  E, apesar de toda a oposição dos rivais socialistas, monsenhor Seipel e seu partido venceram a eleição seguinte, em outubro de 1923.

O ataque de Mises ao comunismo

O primeiro ataque substancial de Mises ao comunismo - ou socialismo, como era frequentemente chamada essa doutrina - foi em um artigo de 1920.  Dois anos depois, Mises surpreendeu seus contemporâneos com o livro Socialism, no qual ele explica que, se os comunistas abolissem a propriedade privada, eles seriam incapazes de fazer qualquer cálculo econômico - e consequentemente, seriam incapazes de planejar a produção.  Em uma sociedade comunista, disse ele, na qual toda a propriedade é comunalmente gerida, os planejadores dependeriam totalmente de soldados e executores, a quem recorreriam para fazer a população cumprir seus decretos.

Sem propriedade privada, não haveria proprietários particulares negociando bens e serviços, o que significa que não haveria trocas entre reais proprietários.  E sem proprietários particulares - cada qual guiado pelo desejo de lucros e o temor de prejuízos -, não haveria preços de mercado para indicar o que as pessoas querem e quanto elas estão dispostas a pagar por esses bens.  Sem preços de mercado, não haveria concorrência e nem um sistema de lucros e prejuízos.  E sem um sistema de lucros e prejuízos, não teria como haver uma rede de produtores independentes, interrelacionados e voltados para o consumidor.  Sem propriedade privada, sem concorrência, sem preços de mercado e sem um sistema de lucros e prejuízos, os planejadores não saberiam o que produzir, quanto produzir e como produzir.

Ou, como resumiu brilhantemente David Gordon:

A explicação de Mises pode ser sucintamente condensada da seguinte forma: se os meios de produção pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles.  Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos.  Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços.  E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica - o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

A menos que os planejadores pudessem observar e copiar perfeitamente todo o sistema de produção dos países não socialistas, eles iriam "debater-se desesperadamente no oceano das possíveis e concebíveis combinações econômicas, tudo sem a bússola do cálculo econômico".  Assim, uma sociedade comunista estaria repleta de desperdício econômico, investimentos errôneos, gargalos na produção, excesso de alguns produtos e escassez de vários outros.  Certamente não seria nenhuma utopia.

Quando Socialism apareceu em 1922, a Europa do pós-guerra, então fortemente pró-socialismo, não estava preparada para aceitar a rigorosa crítica misesiana ao comunismo e a todas as variedades de socialismo.  O livro foi severamente criticado, não apenas por socialistas polemistas, mas também por professores eruditos.  Durante décadas, os apologistas do comunismo defenderam enfaticamente a URSS e seu sistema econômico, argumentando que o país, supostamente uma sociedade comunista, obviamente havia se mantido e funcionado muito bem.  Em 1957, o sociólogo sueco (futuro ganhador do Nobel) Gunnar Myrdal ridicularizou Mises, dizendo que exatamente o mesmo tipo de planejamento econômico que Mises havia dito ser "impossível" estava na realidade sendo executado em quase todos os países subdesenvolvidos e "frequentemente com a competente orientação de economistas".

A verdade é que, por décadas, a URSS se manteve tropegamente.  Seus decretos foram cumpridos, como Mises havia previsto, por meio da coerção de soldados e executores, e o sistema só conseguiu manter-se com a assistência de maciços subsídios externos, principalmente dos EUA.  Durante 72 anos, desde a Revolução de 1917, a população da URSS teve de suportar escassezes e gargalos econômicos, tolerar mercadorias fajutas e sofrer todos os tipos de privação.  Por 72 anos os soviéticos se esforçaram para copiar os processos de produção de outros países, bem como seus preços.  E então, finalmente, veio o golpe de misericórdia.  Em 1989, os regimes comunistas do Leste Europeu e da URSS entraram em colapso.  Os abundantes desperdícios econômicos e os contínuos investimentos errôneos praticados durante todos esses 72 anos foram os responsáveis pelo desmanche da URSS e seus países satélites - testemunho eloqüente da veracidade da tese que Mises apresentou em 1920.  Não obstante as milhares de palavras efusivamente utilizadas na tentativa de refutar Mises, os planejadores centrais da URSS de fato não se mostraram capazes da calcular, apesar de todas as promessas em contrário.  Mises estava certo.

Quando, em 1989, a viúva de Mises, então com 98 anos, soube que o Muro de Berlin havia sido derrubado e que os regimes comunistas do Leste Europeu e da URSS haviam ruído, ela desejou ardentemente que seu marido estivesse vivo para testemunhar aqueles eventos. "Mas", disse ela, "ele já sabia que um dia o comunismo inevitavelmente viria abaixo".

A ascensão do nazismo

Mises era um judeu numa sociedade que estava se tornando crescentemente antissemita.  Sendo um economista que entendia os princípios da ação humana, ele já pressagiava, ainda em 1927, o que estava por vir.  Ele já havia percebido que as políticas intervencionistas que vários governos europeus estavam seguindo levariam todo o continente e seus habitantes ao desastre.  Mises anteviu o fim da liberdade na Europa Central.  Mas o mundo não ouviu seus alertas.

Adolf Hitler havia sido um fracasso em sua Áustria natal.  Ele havia lutado com os alemães durante a Primeira Guerra Mundial e, desde então, havia por lá ficado.  Não muito tempo depois da guerra, Hitler ganhou o controle do Partido dos Trabalhadores alemão e o transformou no antissemita Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.  Já nos anos 1930, o movimento hitlerista estava ganhando numerosos adeptos em toda a Alemanha.

Em setembro de 1932, Mises estava em um encontro da Sociedade para Políticas Sociais (Verein für Sozialpolitik), em Bad Kissingen, Alemanha, quando repentinamente perguntou a todos que ali estavam reunidos: "Vocês já se deram conta de que estamos todos aqui reunidos pela última vez?  A ascensão de Hitler ao poder irá colocar um fim em encontros desse tipo."  De início, os ouvintes de Mises se mostraram espantados com sua declaração.  Depois eles riram!  Mises continuou:  "Hitler estará no poder em 12 meses".

Os outros que estavam presente acharam isso improvável.  "Mas mesmo que isso ocorra", eles perguntaram, "mesmo que Hitler de fato venha a assumir o poder, por que nossa Sociedade não se encontraria de novo?"  Hitler, disse Mises, não toleraria encontros de intelectuais que poderiam um dia se tornar seus oponentes.

Hitler subiu ao poder na Alemanha em março de 1933, seis meses após o encontro da Sociedade em setembro.  Como Mises havia antecipado, a Sociedade voltou a se reunir depois do final de Segunda Guerra Mundial.

Mises participou durante muitos anos da Câmara de Comércio do governo austríaco, como conselheiro econômico do parlamento nacional.  Ele também foi professor da Universidade de Viena, trabalhando meio expediente e sem salário, recebendo como pagamento apenas as gratificações pagas pelos estudantes.  Em 1927 ele criou o Instituto Austríaco para a Pesquisa de Ciclos Econômicos.  Por causa de sua prodigiosa produção - livros, artigos e palestras - Mises adquiriu na Europa a reputação de estudioso sério, e ganhou algum reconhecimento internacional. 

Mises também conduzia um seminário particular em Viena voltado para jovens PhDs interessados em economia.  Ele e seus alunos do seminário faziam um trabalho sério, mas também sabiam se divertir, jantavam juntos e cantavam músicas despreocupadas sobre economia, compostas por um dos membros, Felix Kaufmann.  (Você pode ver as letras originais dessas músicas aqui).

Certo dia, contemplando a vista propiciada pela janela de seu escritório, Mises pensou alto com um de seus jovens amigos economistas, Fritz Machlup.  "Talvez nossa civilização acabe, talvez um dia haverá grama na Ringstrasse", referindo-se a uma ampla rua de Viena que havia sido construída no local das fortificações medievais que circundavam as áreas pobres do centro da cidade.  "Talvez nós tenhamos de deixar a Áustria.  Mas para onde iremos?  E o que poderemos fazer?  Para quais empregos estamos qualificados?"

Mises especulou que ele e seus amigos poderiam terminar em algum país da América Latina, e fez considerações sobre o tipo de emprego que cada um poderia ter.  "Você, Fritz", disse ele, "sendo amistoso e sociável, pode se tornar um dançarino em alguma boate, propiciando às moças, jovens e velhas, ótimos momentos."  Mises sugeriu várias funções para seus outros amigos naquela mesma boate, como cantores, garçons, recepcionistas e atendentes de bar.  Quando Mises considerava seus próprios talentos, ele dizia, "Infelizmente, não sou bom nem como dançarino nem como cantor, e não creio que seria um bom garçom.  Terei de ser o porteiro, ficando parado na porta de entrada vestindo um uniforme qualquer".

Os amigos vienenses de Mises ouviram com atenção seus alertas e conseguiram deixar a Áustria antes da Anschluss (anexação da Áustria à Alemanha) em 1938, quando as forças de Hitler marcharam em Viena.  A maioria deles foi para os EUA e encontrou profissões, não como garçons ou atendentes de bar, mas como professores em faculdades e universidades prestigiosas.

Um economista em exílio

O próprio Mises, tendo previsto a ameaça representada pelo regime totalitário de Hitler, saiu de Viena em 1934 e assumiu um cargo no Institut de hautes études internationales (Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais) em Genebra, Suíça.  Ele manteve seu antigo apartamento em Viena e seus laços profissionais com o Instituto Austríaco para a Pesquisa de Ciclos Econômicos e com a Câmara de Comércio.

Ludwig, uma pessoa muito reservada, raramente falava sobre sua vida pessoal.  Seus amigos e colegas em Viena consideravam-no um solteirão convicto.  Entretanto, na década de 1930, ele sorrateiramente estava cortejando uma glamourosa ex-atriz, Grete (ou Margit) Herzfeld Sereny.  Viúva, ela lutava sozinha para criar suas duas crianças.  Mises visitou-a em fevereiro de 1938 para fazer todos os arranjos para o casamento deles.

Quando as forças hitleristas invadiram a Áustria em março daquele ano, a confusão imperou.  Margit, em Viena, conseguiu enviar um telegrama para Ludwig, que naquela data já havia voltado para Genebra: "Não precisa vir".  Ela e sua filha, Gitta (o filho de Margit já estava fora do país, estudando na Inglaterra), finalmente conseguiram obter a papelada necessária, bem como as passagens de trem, deixaram a Áustria e viajaram para a Suíça, onde Margit e Ludwig discretamente se casaram.  O apartamento de Mises em Viena foi saqueado, com seus livros e outras propriedades sendo destruídos pelos nazistas austríacos logo após março de 1938, quando Hitler anexou toda a Áustria.

O professor e a Sra. Mises passaram seus primeiros anos juntos na Suíça, desfrutando a vida intelectual de Genebra.  Entretanto, quando os alemães conquistaram a França e adentraram Paris, ambos decidiram que era hora de deixar a Suíça e ir para os Estados Unidos.  Eles fugiram de ônibus, junto com outros refugiados, através do sul da França.  Foi uma viagem angustiante.  O motorista frequentemente era obrigado a alterar a trajetória para evitar dar de cara com os soldados alemães.  Devolvidos à pequena cidade francesa de Cerbère, na fronteira com a Espanha, porque seus vistos estavam vencidos, Mises conseguiu, pegando o trem das quatro da manhã para Toulouse, adquirir novos vistos.  No dia seguinte, o ônibus cruzou com seus passageiros a fronteira da Espanha.  Os refugiados tomaram então um trem para Barcelona, um avião para Lisboa, e dali finalmente, após uma espera de 13 dias, um navio para os EUA.

Os Mises chegaram em Nova York em agosto de 1940.  Aos 59 anos, Ludwig teve de recomeçar toda a sua vida em uma nova terra, escrevendo, palestrando e lecionando a uma nova platéia em um novo idioma.  Durante seus anos nos EUA, ele lecionou na Escola de Administração da New York University e escreveu vários e importantes livros.  Embora seus livros frequentemente tivessem sido severamente criticados quando apareceram, as análises de Mises sobre o funcionamento do mercado, moeda, inflação, intervenção estatal e comunismo, todas elas firmemente baseadas nos princípios da ação humana, estão atualmente mais vivas do que nunca, e ganhando crescente atenção dos estudiosos da área.  Mises pode muito bem acabar se comprovando, como um admirador certa vez o descreveu, "o maior economista do século - do século XXI".


autor

Bettina Bien Greaves
participou do seminário proferido por Mises na New York University seminar, compilou o livro Mises: An Annotated Bibliography, e também editou várias coleções de artigos de Mises.  Ela é pesquisadora sênior do Ludwig von Mises Institute e trabalha na Foundation for Economic Education.


Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque

  • Núbia  03/09/2009 11:44
    Texto incrível!
  • Uilson de Jesus Carvalho  03/09/2009 19:49
    Parabéns e muito obrigado Leandro Augusto Gomes Roque pela tradução do texto de Bettina Bien Greaves. Tenho buscado chamar a atenção dos professores do Instituto de economia da UFRJ no Rio de Janeiro, sobre o livro Ação Humana - Um tratado de economia do Mises, levando meu própro exemplar e já traduzido pelo Instituto Liberal na figura saudosa e insígne do Dr. Donald Stewart mas os professores fogem dizendo que não conhecem nem querem adotar os princípios enunciados no livro. Como disse Murray Newton Rothbard sobre Mises no título do seu livro sobre o ilustre austríaco : Scholar, Craetor, Hero ! valeu ! UilsonJC.
  • Uilson de Jesus Carvalho  03/09/2009 19:53
    Oooooops, corrigindo o título do livro: Scholar, creator, hero ! UilsonJC.
  • Albert Ling  04/09/2009 13:45
    Muito obrigado pelo texto! ainda me falta ler uma biografia completa do Mises.
  • Paulo  15/11/2010 13:34
    Mas por que o Mises recomendou um padrão ouro-câmbio, e não um padrão ouro puro?

    E sabe-se que na época, a Inglaterra e outros países (como a República Checa) implantaram o mesmo padrão monetário recomendado por Mises na Áustria (padrão ouro-câmbio), mas apresentaram efeitos deflacionários. Então, qual a diferença entre o ouro-câmbio recomendado por Mises na Áustria e o ouro-câmbio implementado na Inglaterra e outros países?
  • Leandro  15/11/2010 16:06
    Prezado Paulo, Mises nunca recomendou um padrão ouro-câmbio em detrimento de um padrão-ouro puro. Simplesmente não haveria qualquer justificativa econômica racional para tal modelo tão instável e insolvente.
  • Paulo  15/11/2010 18:03
    Perdão, caro Leandro. Mas foi o Mises quem disse que este foi o padrão adotado pela Áustria (e outros países) na época:

    "Wherever inflation has thrown the monetary system into confusion, the primary aim of currency policy has been to bring the printing presses to a standstill. Once that is done, once it has at last been learned that even the policy of raising the objective exchange value of money has undesirable consequences, and once it is seen that the chief thing is to stabilize the value of money, then attempts are made to establish a GOLD-EXCHANGE STANDARD as quickly as possible. THIS, for example, IS WHAT OCCURRED IN AUSTRIA at the END OF 1922 and since then, at least for the time being, the dollar rate in that country has been fixed. But in existing circumstances, invariability of the dollar rate means invariability of the price of gold also. Thus AUSTRIA HAS a DOLLAR-EXCHANGE STANDARD and so, indirectly, a GOLD-EXCHANGE STANDARD." (The Theory of Money and Credit, pag. 377)

    A política adotada pela Áustria a partir do final de 1922 e que segundo o Mises é padrão ouro-câmbio não foi a política econômica seguida pelo Seipel que segundo a autora do texto foi conselho do Mises?
  • Leandro  15/11/2010 19:08
    Paulo, você está fazendo confusão. Esse trecho colado em momento algum mostra um apoio de Mises ao padrão ouro-câmbio (embora tal arranjo seja melhor que o padrão de moedas fiduciárias de câmbio flutuante) em detrimento do padrão-ouro puro. Ele apenas está descrevendo o que houve em 1922 na Áustria. Leia de novo.

    Ademais, Mises aconselhou Seipel a interromper a inflação monetária. Apenas isso. Ele não era ministro das finanças.
  • Paulo  15/11/2010 19:54
    Prezado Leandro.

    Isto é questão de análise da História. Veja: a autora do artigo disse que Mises e Rosenberg convenceram Seipel a fazer uma reforma monetária em 1922 para acabar com a inflação. O que foi a reforma? Não foi a implantação do ouro-câmbio (segundo o próprio Mises)? A autora do artigo não diz que "graças ao Seipel

    E segundo Jörg Guido Hülsmann, em Mises: The Last Knight of Liberalism, o ouro-câmbio foi implantado graças aos "esforços" do Mises e que a Áustria liderou o movimento que funcionou na Grã-Bretanha na época (neste país teve efeitos deflacionários):

    "Still Mises did have a significant impact. After 1924, he became a sought-after speaker, and also, after 1925, the official representative of the Austrian chambers of commerce at the International Chamber of Commerce. These meetings and the connections he was building at the London School of Economics provided Mises with the opportunity to disseminate his views throughout Europe. He was a vocal champion of a return to a gold standard. HIS EFFORTS were crowned with the introduction of a GOLD-EXCHANGE STANDARD in AUSTRIA.
    It was only a gold-exchange standard-a fractional-reserve system with a lower reserve ratio than its predecessor, the classical gold standard-but at least notionally, gold was once again the money of the country. The new gold-based currency, the schilling, replaced the krone on January 1, 1925. Little Austria thus spearheaded a movement that came into full swing when Great Britain returned to gold a few months later, on April 25. In many ways this reform paralleled the 1892 reform that had first introduced the krone, itself a gold-based currency. Both reforms enjoyed the decisive support of Austrian economists. Just as the original krone could be called the brainchild of Carl Menger, so the original schilling was the fruit of Mises's labor." (pp. 514-515)

    O que eu não sei é qual a diferença entre o padrão adotado na Áustria e o padrão adotado na Grã Bretanha.
  • Leandro  15/11/2010 20:31
    Paulo, você aparentemente segue tendo divergências irremediáveis com o idioma anglicano. Sua insistência em pontos totalmente desconexos sugerem que você é aquilo que se convencionou chamar de trollador -- isto é, aquele sujeito cuja única intenção é tumultuar os locais de discussão, pegando um trecho de uma fala e desvirtuando o debate para outras paragens que nada têm a ver com a discussão original.

    Sendo assim, vou tentar mais uma vez, mas sem qualquer esperança: em 1922, Mises recomendeu a Seipel que o governo interrompesse a impressão monetária. Seipel o fez. A inflação acabou. Até aí, tudo o que havia sido feito era a simples interrupção da impressão de papel.

    Após isso, Mises seguiu defendendo a implantação de um padrão-ouro puro. Mas o governo implementou um padrão ouro-câmbio, o qual é superior ao atual regime de papel-moeda sem lastro, mas ainda muito inferior ao padrão-ouro puro, pois permite reservas fracionárias e, consequentemente, ciclos econômicos.

    O fato de Mises defender padrão-ouro puro não significa que ele defenda o padrão ouro-câmbio que foi adotado. É como dizer que um sujeito que é radicalmente contra qualquer tipo de controle de preços defenda o tabelamento de juros a 12%...

    Sobre a Grã-Bretanha, basta estudar. Foi adotado um sistema de sobrevalorização artificial (com o perdão da redundância) da libra -- uma medida que, sem reformas trabalhistas e sem plena liberdade de preços, simplesmente não tem como dar certo. E foi exatamente o que aconteceu.

    Agora só falta você vir aqui dizer que Mises defendia o exatamente o que foi feito na Grã-Bretanha...
  • Miguel A. E. Corgosinho  15/11/2010 23:51
    Como pode a ciência econômica de números monetários, portanto, como consecução dum tipo de negação da origem, se dizer humana e liberal, para se eximir de usar instrumento matemático ao objetivo concreto do seu país?\r
    \r
    Ora o problema global é acarretar a repetição de preço do dólar sobre o valor interno que movimenta a produção. O simples fato, com base nessa afirmativa dentro de um esquema lógico, torna falho o sentido de padrão de valor.\r
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    Seria fácil nos contentar com o opinável sobre a inflação, e ficarmos com uma visão não estimulante do espírito especulativo, porém, deixamos a fundação da moeda num campo vago, associado a espoliar a cadeia produttiva, pelo pressuposto insustentável.das imediações iniciais.\r
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    Os ingleses já apelidaram as possibilidades criticas da economia de mercado sentimental, para pessoas sofisticadas (O pulso dos banqueiros). \r
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    Os especuladores do dolár podem dizer: o valor está em poder do preço. Mas. por outro lado, o valor que se poderia honrar, com as características do concreto, é conseguido por abstração. \r
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    Deste último ponto de vista precisamos ter apenas o significado da entidade universal, com a realidade originária (sistema em si sujeito as mudanças da produção), para termos a certeza do valor econômico.\r
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    Acontece que nem todos economistas tem a sensibilidade para provocar uma salutar inversão da abstração científica, a propósito do domínio mais geral quanto a crise que a ciência atravessa, por falsificação de perspectivas do concreto; porque é exatamente da limitação de certezas que o mercado financeiro põe em jogo as sua próprias afirmações.\r
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    O valor pelo qual se tende a fazer a produção pela capacidade de chegar a conclusões validas é o de que a sua certeza se desloque sobre as possibilidades de inferir, servindo unicamente de meio, mas sem ganhar a riqueza da propriedade privada pela medida da moeda, pois numa opção central, o metódo da matemática terá realmente eliminado o recurso da emissão de moeda criada por alienação em divida publica. \r
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    Ai sim, deveríamos não querer suportar a ligação do Estado ao livre mercado.\r
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    O fundamentos do que se segue a uma expansão expressiva, tem influência no destino do homem e sobre onde ele deve situar a própria razão. O valor ligado a divisar a fidelidade dessa reflexão requer um reajustamento crítico com a trajetória da produção. \r
    \r
    Afinal, o mister da moeda é servir de valor ao nível da "realidade originária" e não ser servida ao preço do dinheiro conquistado por emenda do congresso americano.
  • Leandro Coelho  16/11/2010 00:33
    Como todo grande homem, se tornou grande depois de morto! Uma pena, mas somos gratos a estes homens ilustres!
    Obrigado Mises!
  • Caio  16/11/2010 09:17
    Muito bom o Texto... Ainda não conhecia a história de Mises.
  • anônimo  05/12/2010 23:21
    Pode nao ser novidade, mas achei algo que me deixou muito feliz e resolvi postar aqui também pra vocês. Trata-se do Instituto Ludwig von Mises Japonês!

    www.mises.jp/
  • mcmoraes  06/12/2010 09:49
    Para mim é novidade, e me fez lembrar de Bertrand Russel:

    Reason may be a small force, but it is constant, and works always in one direction, while the forces of unreason destroy one another in futile strife. Therefore, every orgy of unreason in the end strengthens the friends of reason, and shows afresh that they are the only true friends of humanity.
  • Helio  06/12/2010 13:27
    Nós conversamos com o fundador do Mises Japan, Marc Abela, há cerca de um ano, e apoiamos sua iniciativa, aportando nossa experiência. É mais um esforço de baixo para cima nesta batalha. Parabéns Mises Japan!
  • Márcio Astrachan  14/12/2012 20:15
    Prezados
    Quando acontecer algum evento no RJ, gostaria de ser informado.
    ps Também nunca me encaixei na equação: jovem comunista( esquerda) - velho( direita)capitalista.
    Existe, como foi falado,espaço para organizações como esta. É salutar!
    Márcio Astrachan
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/08/2014 21:52

    Mises foi um grande pensador e teve que enfrentar muitas provações. Graças à sua perseverança, dispomos de ótimo material escrito por ele e seus seguidores (e antecessores).

    * * *


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