A taxa de câmbio, ao lado da taxa de juros, é um dos
principais preços de toda a economia. A
taxa de câmbio é o preço da moeda de um país em termos de todas as outras
moedas do mundo.
Grosso modo, a taxa de câmbio representa, em tempo
real, a razão entre os preços gerais vigentes em dois países
distintos.
Sendo assim, se um país, por exemplo, tem uma taxa
de câmbio que se mantém inalterada em relação ao franco suíço, isso significa
que sua moeda se mantém tão forte quanto o franco suíço. Significa que sua
moeda mantém o mesmo poder de compra do franco suíço. Por definição, é
impossível este país vivenciar uma hiperinflação (a menos, é claro, que o
franco suíço entre em processo de hiperinflação).
É exatamente por isso que todos os planos de
estabilização econômica — países que estão vivenciando um processo de
hiperinflação e querem retornar à normalidade — necessariamente passam por
alterações no regime cambial adotado.
Ainda mais importante: no atual mundo globalizado em
que vivemos, a taxa de câmbio é muito mais efetiva em determinar a inflação de
preços do que as taxas de juros. A taxa
de câmbio afeta
praticamente todos os preços da economia, desde alimentos e remédios até
móveis (que são fabricados com commodities transacionadas em dólar), utensílios
domésticos (desde panelas de aço a aparelhos eletroeletrônicos), gasolina (o
petróleo é cotado em dólar) e eletroeletrônicos, passando por pequenas empresas
que utilizam produtos importados (uma simples firma que utiliza computadores e
precisa continuamente comprar peças de reposição) até grandes indústrias que
necessitam de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo.
Igualmente, a taxa de câmbio é crucial para o
crescimento de uma economia. Uma taxa de
câmbio estável pode
gerar um prolongado período de crescimento econômico, ao passo que uma taxa
de câmbio instável é capaz de reverter qualquer processo de crescimento.
Existem três tipos de regimes cambiais: taxa de
câmbio flutuante, taxa de câmbio fixa e taxa de câmbio atrelada. Cada uma dessas taxas possui características
diferentes e gera resultados distintos.
Taxa
de câmbio flutuante
A taxa de câmbio flutuante é a taxa vigente na maioria dos países do mundo (majoritariamente
em sua versão de “flutuação suja”).
Mesmo os países que utilizam o euro possuem uma taxa de câmbio flutuante
em relação a todos os outros países que não utilizam o euro.
Nesse regime cambial, o Banco Central estipula apenas a política monetária,
ou seja, ele controla a taxa básica de juros e a base monetária. O Banco Central não possui nenhuma política
cambial explícita.
A taxa de câmbio varia diariamente ao sabor da oferta de moeda estrangeira,
da demanda de estrangeiros pela moeda nacional e, principalmente, da percepção
dos investidores estrangeiros e dos especuladores quanto à situação econômica e
política do país.
Nesse arranjo, a taxa de câmbio é um preço formado instantaneamente pela
interação voluntária de bilhões de agentes econômicos ao redor do mundo.
Se esses bilhões de agentes econômicos acreditam que a inflação de preços em um
determinado país será baixa ou que sua situação política e economia é boa, sua
moeda irá se valorizar em relação às outras. Se eles acreditam que a inflação
está alta ou que ela será alta, ou que a situação política e econômica do país
está ruim, sua moeda irá se desvalorizar em relação às outras.
Sob um arranjo de taxa de câmbio flutuante, não há crises no balanço de
pagamentos e, em tese, um país não
precisa deter reservas internacionais.
Caso haja uma fuga de capitais estrangeiros — causada, por exemplo, por
uma deterioração da economia ou da situação política do país –, a taxa de
câmbio imediatamente se desvaloriza e isso, em
teoria, tende a estancar importações, estimular exportações e baratear
investimentos em portfólio (por exemplo, compra de ações, de debêntures e
títulos do governo) para estrangeiros, fazendo com que o capital estrangeiro
retorne.
Isso tudo apenas na teoria.
A prática, no entanto, mostra que taxas de câmbio flutuante não funcionam
bem para países ainda em desenvolvimento que possuem um longo histórico de
instabilidade monetária ou política, e cujo Banco Central não é visto como
confiável. Nestes países, a qualquer
sinal de novas instabilidades, a taxa de câmbio não flutua; ela afunda.
E junto com a taxa de câmbio vão a inflação de preços e a queda no padrão de
vida dos cidadãos.
Nem
mesmo exportações são estimuladas, pois a inflação de preços resultante da
disparada cambial afeta severamente os custos do setor industrial, que tem
também de importar vários insumos e maquinários de qualidade (ver todos os
detalhes sobre isso neste
artigo). Consequentemente, não
apenas os preços dos produtos fabricados sobem (pois os custos de produção
subiram), como também a qualidade se deteriora (por agora utilizarem menos
insumos importados), o que não ajuda a aumentar as exportações.
E, além de nem sempre estimular exportações, a desvalorização da taxa de
câmbio também não traz nenhuma garantia de que os investidores estrangeiros
trarão de volta seus capitais para o país com o intuito de adquirir ações e
papeis agora mais baratos em moeda estrangeira.
Caso a instabilidade política e econômica seja grande, simplesmente não
haverá motivos para eles se arriscarem tanto e investir dinheiro no país.
Consequentemente, a taxa de câmbio irá se desvalorizar ainda mais.
Essa nova desvalorização deixará investidores estrangeiros ainda mais
arredios, pois ela afeta
totalmente qualquer chance de algum retorno positivo em suas eventuais
aplicações no país.
Essa perspectiva de perda real de dinheiro para os investidores estrangeiros
tende a reforçar ainda mais o ritmo da desvalorização da taxa de câmbio. No extremo, um país pode entrar em hiperinflação
em decorrência das contínuas desvalorizações cambiais geradas por instabilidades
políticas e econômicas, como aconteceu
com a Indonésia
em 1998.
Em um regime de câmbio flutuante, instabilidades políticas e econômicas são
imediatamente transferidas para a taxa de câmbio, intensificando ainda mais os
desarranjos da economia.
Para piorar, nesse cenário de desvalorização cambial, a única maneira de o
Banco Central manter a inflação de preços relativamente tolerável é gerando uma
brutal recessão (por meio de juros crescentes) que eleve acentuadamente o
desemprego, reduza salários e acabe com a demanda.
Apenas com recessão, desemprego e queda na renda podem os preços se manter
relativamente estáveis em um cenário de rápida desvalorização cambial.
Apenas essa conjunção de fatores pode impedir um grande repasse cambial aos
preços.
Obviamente, nesse cenário, as empresas e os empreendedores ficam
asfixiados. Eles pagam cada vez mais caro pelas importações, mas não
podem repassar esses custos para os preços. Consequentemente, eles vão se
tornando cada vez mais descapitalizados, o que afeta sua capacidade de
investimento e de contratação de mão-de-obra.
Em suma, uma taxa de câmbio flutuante funciona bem para economias já
desenvolvidas e estáveis, e pode também funcionar bem para países ainda em
desenvolvimento que usufruem grande estabilidade política.
Mas seu histórico para países em desenvolvimento e que não usufruem
estabilidades políticas e econômicas não é dos melhores.
Taxa
de câmbio fixa
Sob um arranjo de taxa de câmbio fixa, a taxa de câmbio, obviamente, tem de
ser estritamente imutável ao longo do
tempo.
É comum confundir taxa de câmbio fixa com taxa de câmbio atrelada. Na taxa de câmbio atrelada, que foi a que
vigorou no Brasil durante os anos de 1995 a 1998, a taxa de câmbio varia diariamente, só que dentro de
bandas estritamente determinadas pelo Banco Central. Tal arranjo, que será estudado mais abaixo, é
inerentemente instável, ao contrário da taxa de câmbio fixa.
Um arranjo de taxa de câmbio fixa dificilmente pode ser implantado por um
Banco Central, pois a função clássica de um Banco Central é estipular juros e manipular
a base monetária.
Um arranjo de câmbio fixo só pode funcionar bem por meio de um Currency Board.
O que é um Currency Board
Um Currency Board — que pode ser traduzido como Agência de Conversão ou
Caixa de Conversão — já vigorou no Brasil no período de 1906 a 1920 (mais
detalhes sobre isso abaixo). Trata-se de
um dos arranjos monetários mais antigos e tradicionais do mundo, perdendo
apenas para o padrão-ouro. Aliás, era comum que o país que adotasse o
padrão-ouro o fizesse por meio de um Currency Board (como ocorreu com o Brasil
no período supracitado).
O Currency Board nada mais é do que, como o próprio nome em português deixa
claro, uma agência de conversão de moeda, cuja única função é converter a moeda nacional em uma moeda estrangeira
específica (chamada de moeda-âncora), e vice-versa, a uma taxa de câmbio fixa e imutável.
O Currency Board é meramente uma agência de conversão, e funciona
literalmente como se fosse uma casa de câmbio.
Ele não faz política monetária, ele não regula bancos, ele não controla
juros, ele não cria moeda para comprar títulos do governo ou papeis de empresas
nacionais. Ele só cria cédulas e moedas
metálicas quando recebe em contrapartida a moeda-âncora.
Nesse arranjo, juros, base monetária e crédito variam estritamente ao sabor
do mercado. Não há nenhuma política
monetária. A política monetária fica no
piloto automático.
O princípio de operação de um Currency Board é bastante simples e, quando
obedecido ortodoxamente, muito eficaz. O Currency Board é o arranjo que
se implanta quando se quer adotar uma genuína “âncora cambial”, o que
faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda
estrangeira. A única função de um Currency Board é trocar moeda nacional
(que ele próprio emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma taxa fixa.
Caso um país adote o dólar como moeda-âncora, o Currency Board tem a função
de trocar, sem custo e sem demora, a moeda nacional pelo dólar à taxa de câmbio
fixada.
Para funcionar assim, o Currency Board, por definição, tem de manter
reservas internacionais em um volume que seja igual ou maior do que a base
monetária da moeda nacional.
Sob este arranjo, quando um empreendedor exporta produtos, ele recebe como
pagamento uma moeda estrangeira — no caso, o dólar. Ato contínuo, o
Currency Board emite moeda nacional a uma taxa de câmbio fixa em relação ao
dólar (aumentando a base monetária) e envia o montante para o banco deste
exportador (e o banco, obviamente, acrescentará os dígitos eletrônicos na conta
desse exportador). Os dólares ficam com o Currency Board.
Inversamente, quando um empreendedor importa produtos, a moeda nacional é
trocada por dólares a uma taxa fixa no Currency Board: o Currency Board fica
com a moeda nacional (o banco envia as cédulas para o Currency Board,
contraindo a base monetária) e o Currency Board envia os dólares (na forma de dígitos
eletrônicos) para a conta do exportador estrangeiro.
Note que, sob um Currency Board, a variação da base monetária é
completamente passiva. Ela aumenta e diminui estritamente de acordo com a
entrada e saída de moeda estrangeira. O Currency Board não faz política
monetária. Ele não pode criar moeda nacional e injetá-la na economia em
troca de um ativo qualquer. Ele só pode emitir moeda nacional se receber um
valor equivalente em moeda estrangeira.
Sob este regime de câmbio estritamente fixo e de política monetária
totalmente passiva, quando há um superávit no balanço de pagamentos, a base
monetária se expande e os bancos ficam com mais reservas. Isso gera uma
redução nos juros e, consequentemente, uma expansão no crédito e uma elevação
nos preços. Ato contínuo, as importações aumentam e tende a haver uma
saída de capital especulativo do país (por causa da redução dos juros), o que
gera uma saída de reservas do país. Essa saída de reservas reduz a base
monetária (mas não necessariamente a oferta monetária, pois os bancos continuam
operando normalmente com reservas fracionárias). Os juros sobem, isso
atrai capital estrangeiro (e a economia se desacelera) e o balanço de
pagamentos volta ao equilíbrio.
Esse arranjo funciona exatamente como funcionaria um padrão-ouro, com uma
moeda estrangeira fazendo o papel do ouro. (Com o tempo, o balanço de
pagamentos tende ao equilíbrio, de forma que tais flutuações econômicas sejam
mínimas.)
Ou seja, em vez de haver um Banco Central manipulando juros e base monetária
com o intuito (impossível) de fazer uma “sintonia fina” na economia, em um arranjo
de Currency Board juros, base monetária e crédito são determinados pelas forças
de mercado.
A estrutura de um Currency Board
O Currency Board é um empreendimento de baixíssimo custo, o qual pode
(aliás, deve) ser feito pela iniciativa privada, sem nenhuma participação do
estado.
Por definição, um Currency Board investe apenas em ativos de alta liquidez
no país da moeda-âncora. Ele não adquire
nenhum ativo do país em que opera — pois, para fazer isso, ele teria de criar
reais para comprar ativos, mas ele só pode criar reais se receber em
contra-partida a moeda-âncora.
No balancete do Currency Board, os passivos são as cédulas e moedas metálicas que
ele emite, e os ativos são aplicações de alta liquidez feitas na moeda-âncora.
Por exemplo, um Currency Board que utiliza o dólar como moeda-âncora, teria em
seus ativos aplicações em título do governo americano ou empréstimos no mercado
interbancário americano ou mesmo no mercado interbancário de Londres. Um
Currency Board que utiliza o ouro como moeda-âncora teria em seus ativos empréstimos
no mercado de ouro de Londres e Zurique.
E os passivos seriam exclusivamente os reais que ele emitiria a cada
recebimento de dólar ou ouro. Seu custo real seria apenas o de trocar cédulas
gastas e rasgadas por cédulas novas.
Ou seja, é um empreendimento de baixíssimo custo e não retira um único
centavo dos pagadores de impostos.
Para garantir que o Currency Board seja imune aos governos dos países em
desenvolvimento, recomenda-se que ele tenha sua sede
na Suíça, estando sujeito às leis suíças e a uma auditoria suíça (com
filiais nas principais capitais do Brasil, é claro). O governo do país em
desenvolvimento nada poderia fazer contra ele (como, por exemplo, obrigá-lo a
criar moeda para financiar seus déficits). Caso fizesse algo, seria uma
agressão internacional, pois estaria atacando uma instituição suíça.
Implantando um Currency Board
Por si só, o processo de implantação de um Currency Board é extremamente
simples e rápido, podendo ser feito em um dia.
O único desafio é estipular qual será a taxa de câmbio. Para isso, deve-se adotar o seguinte
procedimento:
a) Anuncia-se para o mundo todo que na data X — por exemplo, dia 1 de dezembro
daqui a dois meses — o país adotará um Currency Board estritamente ortodoxo,
com suas leis estabelecidas na Suíça, e à taxa de câmbio vigente no dia último
dia útil anterior. (Foi exatamente assim que foi feito com o
Plano Real).
b) Após o anúncio, libera-se absolutamente todo o mercado de câmbio. Não deve
haver nenhuma restrição à entrada e à saída de capitais. Nenhum imposto, nenhum
IOF, nenhum tipo de controle de capital. O objetivo é ter um mercado cambial
plenamente livre, justamente para que ele informe o real valor da sua moeda.
c) Dois meses é tempo mais do que suficiente (na verdade, não precisa de
mais do que um) para se estabelecer uma “verdade cambial”.
d) Caso o plano seja crível, e os investidores e especuladores estrangeiros
realmente acreditem na seriedade da proposta, a tendência é que o câmbio se
aprecie até a data da adoção do câmbio fixo (medida essa essencial para a atual
situação brasileira). Vale ressaltar que investidores e especuladores
estrangeiros ganham com
uma moeda que está se apreciando, de modo que eles próprios irão se
encarregar de fazer essa apreciação.
e) Ou seja, paradoxalmente, para se adotar um câmbio fixo, é necessário
deixá-lo flutuar livremente por algum tempo.
f) A taxa de câmbio é muito influenciada pela confiança no governo e nas
políticas futuras, e o simples anúncio da implantação de Currency Board sério e
ortodoxo já faria o câmbio se valorizar fortemente. Em meados de 1998, quando a Indonésia
vivenciava uma grande turbulência em decorrência de uma crise econômica e das
tentativas do governo americano de depor o ditador Suharto — o que fez com que a
taxa
de câmbio disparasse, colocando o país à
beira de uma hiperinflação –, um simples boato de que o país estava
estudando implantar um Currency Board fez com
que a rúpia se valorizasse 16% em um único dia.
g) Detalhes sobre o processo de dissolução do Banco Central, bem como o
cancelamento dos títulos do Tesouro que estão em sua posse (o que reduziria a
dívida pública em aproximadamente R$ 1 trilhão) estão fora do escopo deste
artigo. Basta dizer que os atuais prédios
do Banco Central (sede em Brasília e suas sucursais nas outras nove capitais)
podem ser integralmente transferidos à empresa que gerenciará o Currency Board,
bem como a totalidade de suas reservas internacionais (as quais também podem ser convertidas gradualmente em ouro). As cédulas e moedas metálicas de reais
existentes se tornam um passivo do Currency Board. Pode-se também colocar na cláusula de contrato que os lucros do Currency Board obtidos com esse excesso de reservas internacionais — que superam em muito a base monetária — podem ser revertidos para o Tesouro com a condição de que este utilize o dinheiro para amortizar a dívida.
As liberdades permitidas por um
Currency Board
Imagine que a moeda-âncora seja o dólar.
Como funcionaria o Currency Board?
a) Um exportador vende soja e recebe US$ 1.000 — na prática, ele se torna
proprietário de uma conta no exterior no valor de US$ 1.000;
b) Ele agora tem três opções: 1) ele pode manter os US$ 1.000 nessa conta estrangeira
durante o período de tempo que ele quiser; 2) ele pode vender esses US$ 1.000
para qualquer banco; 3) ele pode entregar esses US$ 1.000 para o Currency Board
e receber reais em troca (o CB irá enviar as cédulas para o banco desse
exportador).
c) Caso opte pela opção 2, o banco ficará com os US$ 1.000, e criará reais
na conta do exportador. Ato contínuo, o
banco pode optar por ficar com os US$ 1.000 aplicados lá fora ou trocá-los por reais
no Currency Board, ganhando cédulas de reais.
d) Caso opte pela opção 3, o Currency Board simplesmente enviará as cédulas
de reais para o banco do exportador e este acrescentará dígitos eletrônicos na
conta bancária do exportador.
Agora imagine que a moeda-âncora seja o ouro. Nesse caso, vale enfatizar que a taxa de
câmbio fixa é aquela entre reais e ouro.
A taxa de câmbio entre real e dólar é flutuante e varia de acordo com o
câmbio entre dólar e ouro. Como
funcionaria? Da mesma maneira:
a’) Um exportador vende soja e recebe US$ 1.000 (na prática, ele se torna proprietário
de uma conta no exterior no valor de US$ 1.000);
b’) Ele agora tem três opções: 1) ele pode manter os US$ 1.000 nessa conta
durante o período de tempo que ele quiser; 2) ele pode vendê-los para qualquer
banco no Brasil em troca de reais à cotação do dia; 3) ele pode vendê-los por
ouro e então trocar por reais no Currency Board.
c’) Caso opte pela opção 2, o banco ficará com os US$ 1.000, e criará reais
na conta do exportador à taxa de câmbio do dia.
Ato contínuo, o banco pode optar por ficar com os US$ 1.000 aplicados lá
fora ou trocá-los por ouro, revender o ouro ao Currency Board e ganhar reservas
em reais (a taxa de câmbio entre ouro e reais é fixa).
d’) Caso opte pela opção 3, o Currency Board simplesmente enviará as cédulas
de reais para o banco do exportador e este acrescentará dígitos eletrônicos na
conta bancária do exportador.
Mas é no processo de importação que o Currency Board se revela
essencial. Com um Currency Board, nunca
há risco de não se poder importar.
No processo de importação tradicional, o importador tem de conseguir alguém
disposto a vender moeda estrangeira em troca da moeda nacional. Caso ninguém esteja disposto a isso (como está acontecendo na
Venezuela neste momento; e em menor grau na
Argentina), simplesmente não há importação.
Já com um Currency Board, a moeda nacional se torna automaticamente
conversível. Não há risco de ela não ser
aceita e de ela não conseguir comprar bens estrangeiros.
Com um Currency Board, basta o importador vender seus reais para o CB. Ele
conseguirá dólares (ou ouro) em troca e então poderá trocar esses dólares (ou
ouro) por qualquer moeda estrangeira que queira, podendo então fazer sua
importação.
As vantagens de um Currency Board
1) Uma das grandes atratividades de um Currency Board é que, como dito logo
acima, ele gera conversibilidade imediata para a moeda nacional.
Conversibilidade, em termos bem práticos, é quando um pipoqueiro tem
liberdade para trocar reais por dólares (ou outra moeda estrangeira) em
qualquer banco. Conversibilidade é
quando você tem liberdade para converter reais em libras e aplicar no mercado
interbancário de Londres. Atualmente,
apenas fundos de investimento que operam volumosas quantias têm essa autorização.
Aqui no Brasil, você não pode chegar a um banco ou a uma casa de câmbio e
trocar reais por moeda estrangeira na quantia que quiser. No máximo, você consegue trocar uns R$ 3.000
por alguns dólares em uma casa de câmbio, mas pagando o valor do dólar turismo,
IOF e outras taxas. Acima de determinado
valor, o governo exige que você se justifique, mostrando uma passagem
aérea. Isso não é conversibilidade.
Já sob um Currency Board, uma moeda estraçalhada se transforma em uma moeda
confiável, conversível e demandada. Do
dia para a noite. Por isso que os países da ex-URSS que adotaram esse sistema
(Estônia, Letônia, Lituânia e, em menor escala, Bulgária) prosperaram.
2) Um Currency Board gera estabilidade de longo prazo para os investimentos
(os investidores sabem exatamente qual será o valor da moeda nos anos
vindouros), acaba com as especulações e retira completamente das autoridades
políticas do país a capacidade de fazer política monetária — e,
consequentemente, de desvalorizar a moeda, o que afeta sensivelmente a taxa de
retorno dos investidores estrangeiros.
O Currency Board gera confiança imediata na moeda doméstica justamente
porque ele mantém reservas internacionais em um volume igual ou maior que a
base monetária da moeda nacional (no caso do Brasil, que tem US$ 370 bilhões em
reservas, há dólares de sobra). Em teoria, quando a operação do Currency
Board é obedecida ortodoxamente, ataques especulativos não geram resultados —
afinal, seria impossível exaurir as reservas internacionais (a base monetária
teria de ser toda mandada pra fora, algo por definição impossível).
Essa é a principal atratividade do sistema: ele gera segurança aos
investidores estrangeiros, que deixam de temer uma súbita desvalorização da
moeda nacional, o que causaria enorme prejuízo para eles quando fossem
repatriar seus lucros.
3) Além de estabilizar a moeda, um Currency Board impõe forçosamente uma
disciplina às políticas fiscais do governo.
Por exemplo, mesmo sendo um país notoriamente formado por políticos
corruptos, o governo da Bulgária, cujo Banco Central opera de acordo com
princípios de Currency Board, reduziu
sua dívida de 80% do PIB para apenas 30% do PIB. O governo da Bulgária é um dos menos
endividados da Europa.
Já o governo da Estônia, outro país que adotou um Currency Board (ancorado
ao marco alemão), é um dos menos endividados do mundo. Antes da crise financeira mundial, a dívida do
governo era de meros 4% do PIB.
E o motivo é óbvio: dado que um Currency Board não pode manipular juros e
base monetária, todo e qualquer déficit orçamentário do governo gera aumento de
juros: afinal, o governo tem de tomar empréstimos para se financiar, e dado que
não há um Banco Central para dar dinheiro ao bancos e aumentar as reservas bancárias,
os empréstimos contraídos pelo governo reduzem a oferta de crédito para o setor
privado, gerando um imediato aumento dos juros.
Consequentemente, o governo tem de manter seu orçamento equilibrado,
caso contrário asfixiará a economia.
4) Um Currency Board também impõe forçosamente uma disciplina ao sistema
bancário.
Havendo um Banco Central, que sempre atuou como o “emprestador de última
instância”, este sempre estará pronto para socorrer todo e qualquer banco que
apresente dificuldades. A função
precípua de um Banco Central é, ao contrário do que dizem os manuais de
macroeconomia, proteger
o cartel dos bancos, evitando que eles passem por qualquer tipo de
dificuldade.
Já em um arranjo de Currency Board, se um banco emprestar muito e se tornar
muito alavancado, ele precisará de mais reservas bancárias. Como o Currency Board não pode simplesmente imprimir
dinheiro para capitalizar este banco, nem emprestar dinheiro para ele, e nem
comprar ativos dele (como faz o Banco Central), tal banco tem três opções:
a) Recorre ao mercado interbancário — onde os juros agora são livres e não são
manipulados por um Banco Central — para pedir reservas emprestadas para outro
banco;
b) Eleva os juros que ele paga para seus correntistas (como forma de atrair
novos depósitos, e também de dissuadir que seus correntistas saquem dinheiro);
c) Atrai dólares de investidores estrangeiros (os quais, estes sim, podem ser
levados ao Currency Board e convertidos em moeda nacional).
Agora, caso todos os bancos estejam alavancados — o que seria
raro em um cenário no qual não há um emprestador de última instância, mas que
pode acontecer –, sobram apenas as opções b e c.
Ou seja, em um cenário de Currency Board, os bancos têm necessariamente de ser
mais prudentes, e podem inclusive remunerar melhor seus correntistas, pois não
há tabelamento de juros (como há em um cenário com Banco Central).
O Currency Board, a hiperinflação e
os juros
Um Currency Board não apenas é o arranjo mais eficiente para se aniquilar
rapidamente uma hiperinflação e uma instabilidade cambial, como também é o
arranjo que realiza tal feito com o mínimo de efeitos colaterais: ele aniquila
uma hiperinflação e uma instabilidade sem deixar de herança juros
estratosféricos, como
ocorreu no Brasil (que adotou um sistema de câmbio atrelado, como será visto
mais abaixo). Um país que adota um Currency Board passa a operar com
juros semelhantes aos juros vigentes no país emissor da moeda utilizada como
âncora.
O melhor exemplo histórico deste fenômeno é fornecido pela Bulgária.
Em 1996, sucessivas trapalhadas econômicas fizeram com que o país decretasse
moratória em sua dívida externa. Em 1997, o país entrou em hiperinflação
e vários protestos nas ruas quase levaram o país a uma revolução social.
Em março de 1997, o país apresentava uma inflação anual de 2.019%. A
legislação para a transformação do Banco Central em um Currency Board foi então
apresentada. No dia 1º de julho de 1997,
o “Currency Board” búlgaro, que teria marcos alemães como reserva, foi criado.
Em um ano e meio, a inflação de preços acumulada em 12 meses caiu de 2.000%
para 1,4%.

Bulgária, janeiro de 1997 a dezembro de 1998
Ainda mais espantosa foi a queda dos juros do mercado interbancário
(equivalente à nossa SELIC): de 555% no auge da hiperinflação para apenas 3,56%
no mesmo mês em que o Currency Board passou a operar.
Gráfico 2: taxa de juros do mercado interbancário na Bulgária, janeiro de
1997 a janeiro de 1998.
A Bulgária foi apenas o mais extremo dos exemplos. Mas todos os outros
países que também adotaram versões próprias de Currency Board — Hong Kong (ancorado
ao dólar americano), Estônia, Letônia e Lituânia (ancorados ao marco alemão), e
a Argentina —
vivenciaram este mesmo fenômeno: queda abrupta na inflação de preços e,
principalmente, drástica redução nas taxas de juros, que caíram para apenas um
dígito.
E isso vale ser ressaltado: com a exceção de Hong Kong, todos os países
acima citados estavam na mais completa baderna. Não obstante, a transformação
de seu Banco Central em um “Currency Board” (coloco entre aspas porque Currency
Board genuíno não pode ser um Banco Central) logrou fazer com que suas
economias — até então completamente bagunçadas — se tornassem repentinamente
civilizadas, com inflação de preços e taxas de juros iguais às de países
desenvolvidos.
Alguns mitos sobre a Argentina
É comum os críticos atribuírem o colapso econômico argentino em 2002
(narrado em detalhes cronológicos neste artigo) ao pseudo-Currency
Board adotado pelo país no período de 1991 a 2001. Nada mais falso e mentiroso.
Em primeiro lugar, nunca houve um Currency Board genuíno na Argentina; o
Banco Central argentino, por estar com muitas reservas em dólares, passou a
operar como se fosse um Currency Board, mas
apenas no quesito câmbio fixo.
De início, os resultados foram impressionantes. A inflação de preços, que havia sido de
1.344% em 1990, caiu para 84%
em 1991, para 17,5%
em 1992, para 7,4%
em 1993, para 3,9%
em 1994, para 1,6%
em 1995 e, de 1996 até o final de 2001, a média
foi de praticamente 0%.
Para um país que havia se acostumado a ter uma inflação de preços média maior do que 250% de 1970
até 1990, e que havia vivenciado valores
de até 20.000% em 1990, a queda de preços foi extremamente rápida.
Já o governo conseguiu baixar o
gasto público de 35,6% do PIB em 1989 para 27% do PIB em 1995.
Igualmente, o déficit fiscal saiu de 7,6% do PIB em 1989 para 2,3% em 1990 e,
de 1991 até o final de 1994, ficou próximo de 0%.
As taxas de juros, que chegaram
a 1.500% em 1990, caíram para um intervalo
entre 5% e 9%.
O principal efeito desta política de abolição da inflação e de redução do
estado foi a perceptível queda nos
índices de pobreza. Em outubro de 1989, o percentual de pessoas
abaixo da linha de pobreza em Buenos Aires e adjacências era de 47,3%. Em
maio de 1994, tal valor já havia caído para 16,1%.
Porém, com o passar do tempo, sendo a Argentina a Argentina, o governo foi
adulterando o funcionamento do Currency Board — que nada mais era do que seu
próprio Banco Central atuando como Currency Board –, e isso realmente foi
fatal em termos de confiança dos investidores estrangeiros.
Por exemplo, o governo determinou, contrariamente a como seria um Currency
Board tradicional, que o Banco Central poderia comprar títulos do governo e
poderia fazer injeções de dinheiro no mercado interbancário. Isso vai
totalmente contra ao funcionamento de um Currency Board, que não apenas não
cria dinheiro para intervir no mercado interbancário, como também só pode ter
como ativos títulos denominados na moeda-âncora, e nunca na moeda nacional.
Depois — tudo isso está narrado em detalhes aqui
–, o governo alterou a âncora. Em vez
de apenas em dólar, a âncora passou a ser em relação a uma cesta formada por
dólar e euro, na proporção de 50% para cada. Neste arranjo, o peso
flutuaria dentro de uma banda definida pelo valor do dólar e do euro. Se
o euro estivesse valendo menos que o dólar (como estava na época), o peso se
desvalorizaria até ficar em paridade com o euro. Se o euro passasse a
valer mais que o dólar, o peso voltaria a ficar em paridade com o dólar.
A intenção deste arranjo era a de sempre: estimular as exportações.
Posteriormente, o governo adotou um regime de câmbio preferencial para as
exportações — o que na prática significava que agora o câmbio teria duas taxas
paralelas.
Todas essas medidas eram totalmente contrárias ao funcionamento de um regime
de conversibilidade e à ortodoxia de um Currency Board. As medidas
deixaram óbvio que o governo estava totalmente propenso a alterar o regime de
conversibilidade, algo que poderia ocorrer a qualquer momento.
A consequência foi uma feroz fuga de capitais e ataques especulativos, o que
levou o governo a abandonar de vez o regime de câmbio fixo e adotar o câmbio
flutuante.
Aí, sim, a tragédia se consumou. Ao
adotar o câmbio flutuante, o dólar
saltou de 1 para 4 pesos e a taxa de inflação de preços, que havia sido de
0% nos últimos 6 anos, disparou
para 40%. E, para completar, o
governo não só instituiu um corralito
que simplesmente proibiu as pessoas de utilizar o dinheiro que tinham nos bancos,
como ainda converteu compulsoriamente em pesos os dólares que os argentinos
tinham nos bancos a uma taxa de 1,40 peso por dólar, sendo que o dólar havia
ido para quase 4 pesos.
Não bastasse o dinheiro confiscado, a desvalorização cambial fez com que
tudo encarecesse, gerando a inflação de 40%. Todos os importados se
tornaram virtualmente inacessíveis. Pouco dinheiro e moeda sem nenhum
poder de compra.
Ainda mais impressionante foi a evolução — ou, mais apropriadamente, a
involução — da porcentagem
de pessoas abaixo da linha de pobreza na grande Buenos Aires. Uma
cifra que chegou a ser de 16,1% em maio de 1994 saltou para 54,3% em outubro de
2002, um valor ainda maior do que o do ano de 1989 (47,3%), quando o país vivia
sob hiperinflação. Em nível nacional, a pobreza chegou a 57,5% da
população, a indigência a 27,5% e o desemprego a 21,5%, todos níveis recordes
para o país.
Ou seja, não foi o regime de câmbio fixo o culpado pelo colapso econômico
argentino; foi o governo que destruiu o regime de conversibilidade e,
consequentemente, levou o país para o buraco.
O regime cambial argentino funcionou perfeitamente — até que o governo
argentino resolveu destruí-lo, o que, aí sim, gerou os problemas.
O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava,
disciplinando seus gastos e sua expansão. Como consequência, imediatamente após
a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e
na depressão.
Ou seja, um sistema foi implantado, funcionou como o esperado, o governo não
gostou (porque o sistema lhe amarrava), destruiu o sistema, o país mergulhou no
caos como consequência disso, e aí algumas pessoas dizem que a culpa de tudo é
do sistema que foi destruído. Beira o surreal.
O Currency Board no Brasil
O Brasil operou um
Currency Board no início de 1906 a 1920, durante um de nossos efêmeros
experimentos com o padrão-ouro.
As fotos abaixo mostram duas cédulas emitidas pela Caixa de Conversão que
operava no Brasil à época:
Na parte inferior da cédulo está escrito que “A Caixa de Conversão pagará ao
portador, à vista, no Rio de Janeiro, a importância deste bilhete em ouro.”
Eis outra cédula:
Segundo Gustavo Franco,
que não é muito fã nem de
Currency Boards nem de
padrão-ouro:
De uma maneira geral, de 1906 até as
vésperas da Primeira Guerra, o país viveu em ritmo de abundância cambial e de
crédito. O programa de valorização e a Caixa de Conversão resultaram em maior
disponibilidade de divisas, inclusive para a importação de equipamentos pela
indústria, e os embarques de café aumentavam sem prejudicar os preços.De 1911 a 1913, o valor dos embarques
de café foi o dobro do observado nos três anos anteriores e o triplo do valor
dos anos desfavoráveis, de 1902 e 1904. Até 1908, os preços do café
efetivamente não recuam, e a partir de 1909 aumentam significativamente.[…]
A trajetória da economia nos anos que
se seguem é de vigorosa expansão.
Já uma fonte de esquerda também admite que foi justamente durante esse
período que o país vivenciou um grande
período de prosperidade:
No terreno econômico pode-se observar a
eclosão de um espírito que se não era novo, se mantivera na sombra ou em plano
secundário no Império: a ânsia de enriquecimento, de prosperidade material que
na Monarquia não era tido como um ideal legítimo e plenamente
reconhecido.O novo regime fez despontar o homem de negócios, isto é, o indivíduo inteiramente
voltado para o objetivo de enriquecer. A transformação foi tão brusca que
classes e indivíduos dos mais representativos da Monarquia, antes ocupados
unicamente com política e funções similares, que no máximo se preocupavam com
suas propriedades rurais, se tornaram ativos especuladores e negocistas, com o
total consentimento de todos.As atividades brasileiras foram estimuladas por finanças internacionais mais
multiformes e ativas que as inversões esporádicas de capital que antes se
fazia, mas que passaram a ter participação efetiva, constante e crescente em
diversos setores que ofereciam oportunidades de bons negócios. A produção
cafeeira, a grande atividade econômica do país, foi naturalmente atingida e em
torno dela se travou uma luta internacional, boa parte dos fundos necessários
ao estabelecimento das plantações e custeio da produção foi proveniente dos
bancos ingleses e franceses, ou então de casas exportadoras estrangeiras ou
financiadas com capitais estrangeiros.O Brasil tornou-se neste momento um dos grandes produtores mundiais de
matérias-primas e gêneros tropicais e ao café foi acrescentada na lista dos
grandes produtos exportáveis, a borracha, que chegou quase a emparelhar-se a
ele, o cacau, o mate, o fumo. A produção de gêneros de consumo interno, no
entanto, diminuiu e se tornou cada vez mais insuficiente para as necessidades
do país obrigando a importar do estrangeiro a maior parte até dos mais vulgares
artigos de alimentação. As exportações maciças compensavam estas grandes e
indispensáveis importações levando os saldos comerciais a patamares
apreciáveis.
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e a abolição da Caixa de Conversão,
houve vários desarranjos, e a inflação de preços, até então imperceptível,
passou a crescer 8% ao ano. E então a
coisa degringolou.
Taxa
de câmbio atrelada
Uma taxa de câmbio atrelada é aquela que tenta ser fixa e flutuante ao mesmo
tempo — e obviamente não consegue ser nenhuma das duas.
Na prática, uma taxa de câmbio atrelada ocorre quando o Banco Central faz intervenções
diárias no mercado cambial para manter a moeda nacional flutuando dentre de
bandas arbitrariamente determinadas pelo próprio Banco Central.
Ao contrário do que é dito até hoje com muita frequência, o Plano Real nunca
se baseou um uma “âncora cambial” ou em um “câmbio
fixo”. Desde que o real foi introduzido no dia 1º de julho de 1994,
o câmbio nunca foi fixo, nem sequer por um dia. O Brasil adotou o regime
de “câmbio atrelado ao dólar”. Neste sistema, o Banco Central
faz intervenções diárias no mercado de câmbio (comprando ou vendendo dólares)
com o intuito de manter a cotação do dólar próxima a um valor por ele
estipulado.
Veja a evolução da taxa de câmbio de julho de 1994 até dezembro de 1998,
último mês antes da alteração do regime cambial.
Gráfico
3: evolução da taxa de câmbio durante a primeira fase do real, julho de 1994 a
dezembro de 1998
O principal problema em se utilizar um câmbio atrelado é que há uma
contradição entre a política monetária e a política cambial. Com uma taxa
de câmbio fixa — no caso, um Currency Board –, não há política monetária; as
variações no balanço de pagamento determinam as variações da base monetária da
economia. Com uma taxa de câmbio flutuante, não há política cambial; o
Banco Central se preocupa apenas em fazer política monetária.
Já com um câmbio atrelado, o Banco Central tenta fazer as duas coisas ao
mesmo tempo: determinar uma política monetária e uma política cambial, sendo
que ambas são mutuamente excludentes, impossíveis de serem efetuadas
simultaneamente.
Inevitavelmente, a política cambial acaba entrando em choque com a política
monetária, e os ataques especulativos são a consequência inevitável.
Quando se trabalha com um câmbio atrelado, o Banco Central tem de, diariamente,
fazer intervenções no mercado de câmbio para fazer com que o dólar fique
próximo à cotação determinada pelo Banco Central. Sendo assim, quando
ocorre uma entrada “excessiva” de dólares no país, há uma tendência
de apreciação do câmbio. Para evitar isso, o Banco Central compra estes
dólares criando reais, o que gera um aumento da base monetária. Ato
contínuo, para evitar este súbito aumento da base monetária, o Banco Central
vende títulos públicos para retirar da economia os reais que ele próprio acabou
de criar quando fez a conversão de dólares para real (esse processo é
tecnicamente chamado de “esterilização”).
Já quando ocorre uma saída de dólares, o fenômeno inverso é observado: há
uma tendência de depreciação do câmbio devido à maior procura por
dólares. Para evitar isso, o Banco Central vende dólares para satisfazer
esse aumento da demanda por dólares. Essa venda de dólares pelo Banco
Central gera uma redução da base monetária. Para evitar essa redução,
algo que tende a gerar uma recessão, o Banco Central cria reais e compra
títulos públicos em posse dos bancos.
Ou seja, neste arranjo, ao contrário de um Currency Board, há um total
descasamento entre a variação da base monetária e a variação das reservas
internacionais. Quando há uma saída de
capitais, as reservas tendem a cair — pois o Banco Central faz de tudo para
segurar o câmbio — ao passo que a base monetária tende a subir (pois o Banco
Central também faz política monetária).
Sendo assim, para evitar que as reservas caiam muito além da base monetária,
o Banco Central tem de manter juros bastante altos para continuamente atrair
dólares
Observe que este comportamento ativo do Banco Central é totalmente distinto
do comportamento de um Currency Board, que permite que a base monetária varie
automaticamente de acordo com o saldo do balanço de pagamentos.
E é exatamente por isso que a opção por um regime de câmbio atrelado custa
caro: como o regime não inspira confiança nos investidores internacionais —
pois uma desvalorização pode ocorrer a qualquer momento — e dada a contínua
necessidade de estar sempre atraindo dólares para manter as reservas
internacionais em níveis minimamente confortáveis para manter o câmbio dentro
do intervalo especificado pelo Banco Central, as taxas de juros têm de
ser bastante elevadas.
Esse foi o modelo escolhido pelo Brasil, e esses foram os juros colhidos. O
gráfico abaixo mostra a evolução da SELIC de agosto de 1994 até o março de 1999.
Compare com os juros da Bulgária no gráfico 2, e com os da Argentina
aqui.
Gráfico 4: evolução dos juros do mercado interbancário brasileiro (taxa
SELIC), de agosto de 1994 a março de 1999.
O que vale ser ressaltado é que esta postura do Banco Central — de ficar
vendendo e comprando dólares para manter o câmbio dentro de um intervalo
especificado e de ficar arbitrando juros para atrair dólares para fechar o
balanço de pagamentos — gera um descasamento entre a quantidade de dólares nas
reservas internacionais e a base monetária do país: haverá um momento em que a
quantidade de dólares nas reservas internacionais será bem menor do que a base
monetária.
Quando isto ocorre, é apenas uma questão de tempo para que os especuladores
descubram esta contradição entre política cambial e política monetária e forcem
uma desvalorização da moeda — ou a imposição de controle de capitais.
Este tipo de ataque especulativo varreu a América Latina e o sudeste
asiático ao longo da década de 1990. A crise do México em 1994, a crise
asiática em 1997 e 1998 (Tailândia, Taiwan, Indonésia, Malásia, Filipinas —
apenas Hong Kong e seu Currency Board escaparam), o colapso do
rublo em 1998, a
crise do real em janeiro de 1999 e a crise da Argentina em dezembro de
2001 (cujo pseudo-Currency Board havia sido praticamente abolido em junho daquele ano) —
todas ocorreram de acordo com este mecanismo.
Com efeito, até mesmo o ataque perpetrado
por George Soros à libra esterlina em 1992 se deu por causa deste arranjo,
uma vez que o Banco Central da Inglaterra vinha mantendo a libra atrelada ao
marco alemão.
Por outro lado, no caso do arranjo brasileiro, houve um fator positivo: o
comportamento da inflação de preços. Com uma taxa de câmbio estável (em
uma época em que o dólar era mundialmente forte) e com o Banco Central tendo de
manter a expansão monetária contida e a taxa de juros alta para evitar uma
súbita desvalorização do real perante o dólar, a inflação de preços apresentou
um continuado declínio. Não tão súbito quanto o da Bulgária e da
Argentina, mas ainda assim substancial.
Gráfico 6: evolução da inflação de
preços acumulada em 12 meses durante a primeira fase do real, junho de 1995 a
dezembro de 1998
Conclusão
Um câmbio flutuante funciona muito bem para países
de economia desenvolvida e com grande estabilidade política. Mas seu histórico para países que têm de
lidar com governos bagunçados e imprevisíveis não é animador. Nesse arranjo, o câmbio não flutua; ele
afunda.
Um câmbio atrelado é utilizado quando o Banco
Central quer controlar a inflação majoritariamente por meio do câmbio, mas sem
abrir mão de fazer política monetária.
Tal arranjo é totalmente instável e sujeito a ataques
especulativos. Todos os países em
desenvolvimento que adotaram esse arranjo — embora tenham sido bem sucedidos
em controlar a inflação de preços — quedaram vítimas de ataques especulativos,
e o arranjo se esfacelou.
Já um câmbio fixo não funciona quando há um Banco
Central no comando e este está sujeito a pressões políticas, como ilustra bem o
caso argentino.
A opção mais vantajosa — e de longe — para um país
em desenvolvimento e com um governo bagunçado seria a adoção de um Currency
Board privado com sede na Suíça, seguindo os passos delineados no artigo. No mínimo, a moeda voltaria a inspirar
confiança, e a inflação de preços e as taxas de juros cairiam a níveis próximos
dos vigentes no país da moeda-âncora.
No caso específico do Brasil, a opção pelo Currency
Board é ainda mais premente.
Na nossa atual situação — de descontrole fiscal,
taxa de câmbio instável e inflação de preços perto de 10% –, novas elevações graduais
na taxa básica de juros não apenas não gerarão efeitos sobre a inflação de preços
(majoritariamente causada pela forte desvalorização cambial e pelos reajustes
de preços administrados pelo governo), como também podem até acabar estimulando
ainda mais a carestia.
O grande problema é que um aumento de juros tende a
gerar um ciclo vicioso: a subida dos juros encarece o serviço da dívida (como há
emissões quase que diárias de títulos, quanto maiores os juros, maior o serviço
da dívida a ser paga sobre esses novos títulos emitidos); consequentemente, o
Tesouro tem de se endividar (lançar mais títulos) apenas para pagar o serviço
da dívida; consequentemente, a dívida do governo aumenta; consequentemente, a
relação dívida/PIB, já alta, se deteriora ainda mais; consequentemente, o
risco-país aumenta e o grau de investimento da Moody’s e da Fitch ficam ainda mais em
risco. E tudo isso gera ainda mais desvalorização cambial, o que
pressiona ainda mais inflação de preços.
Conclusão: elevar juros tendo uma política fiscal
frouxa e trabalhando com câmbio flutuante é quase um suicídio. Daí a premência
de um Currency Board. Um Currency Board
resolve três problemas de uma só vez: câmbio, juros e inflação de preços. E, de quebra, ainda pode aumentar a confiança
dos investidores estrangeiros, estimulando-os a trazer para cá o seu capital
produtivo, algo de que o país tão desesperadoramente precisa.
Liberar a circulação de
moedas estrangeiras em paralelo à moeda nacional — que agora estaria
ancorada ao dólar ou ao ouro por meio do Currency Board — melhoraria ainda
mais a situação. Essa liberação de
moedas estrangeiras facilitaria enormemente os investimentos estrangeiros.
Não há recuperação e crescimento econômico sem
investimentos. E como no Brasil o investimento
está em queda livre e as empresas estão ou arredias ou descapitalizadas,
por causa do cenário de destruição criado pelo governo, a salvação terá de vir
do investimento estrangeiro. E isso
passa pelo regime cambial.






Algum abençoado, por favor, encontra o email do Joaquim Levy e faz ele ler esse texto 10x, até ele entender e implantar o CB aqui!!
porem, o unico CB que está mais facil de ocorrer aqui é o Circuit Break no IBOV…
Sou bem ignorante no assunto, mas tenho duas dúvidas:
1) Digamos que tenhamos um Currency Board e o Real seja convertido em Dólar na taxa fixa definida. Caso o Dólar comece a se depreciar perante, por exemplo, o Euro (digamos que os EUA entram numa guerra no Oriente Médio e a UE fica de fora), o Real vai junto? O Real continuaria tendo uma “conversão flutuante” com as outras moedas?
2) O valor de conversão é fixado no início do Currency Board, e não pode ser alterado nunca? Não existe uma “revisão” a cada X tempo para analisar?
Leandro,
pensei em outra alternativa, gostaria da sua opinião:
o Governo criaria uma nova Moeda – o Veras (V$) – e manteria o Real, teríamos assim duas moedas oficiais: o Real e o Veras.
O Real seria usado para pagar a dívida pública a vencer e o Veras poderia utilizar o câmbio fixo sugerido por você.
Aos poucos, com a arrumação da casa através da emissão de mais Reais, o Governo poderia ir abandonando o Real, conforme a dívida fosse paga.
Muito bom artigo.
Fica claro as vantagens indiscutíveis de um arranjo com Currency Board.
Parabenizo o Leandro pelo esforço contínuo em querer propagar esta idéia. Quem sabe ela comece a entrar no mainstream.
Vejo que o Currency Board é o caminho mais rápido e efetivo para sairmos desta crise.
Vamos sonhar um pouco com o Currency Board,
quem sabe um dia após uma bagunça colossal esta seja a última opção
Leandro, na sua opinião, qual seria o efeito da adoção de um CB nas contas do governo brasileiro, no momento atual?
Mais um excepcional artigo do Von Mises. Parabéns Leandro e Steve!
Leandro,
Artigo muito útil e que eu precisava pra entender melhor as opções possíveis!
Uma dúvida que tive lendo um artigo no spotniks e comentário de um leitor do mesmo artigo.
Ele afirmou, categoricamente, que é impossível qualquer país zerar a sua dívida interna ou ficaria sem moeda disponível para circulação. Isso faz sentido?
Se não me engano nossa dívida interna gira em torno de R$ 2,5 tri, certo? Nosso M1 gira em torno de R$ 2,1 tri de acordo com o link abaixo. Me corrija se estiver viajando, por favor.
pt.tradingeconomics.com/brazil/money-supply-m2
Analisando superficialmente até poderia fazer algum sentido caso o governo fosse pagar toda a dívida utilizando o dinheiro disponível internamente sem incorrer em novas emissões de títulos. Mas não podemos imaginar que o governo faria captação de capital estrangeiro (pode ser via venda de ativos públicos por exemplo) e com isso pagar os portadores de títulos? E mais, com essa injeção de grana nosso M1 subiria e teríamos mais inflação?
Isso sem considerar que os títulos em poder de outras instituições públicas (cerca de R$ 1 tri eu acho) seriam ignorados, reduzindo o valor a pagar da nossa dívida ficando inferior ao M1…
Abraços
Acho que um Currency Board nunca será implantado aqui se depender dos nossos políticos.
Leandro, tenho uma pergunta: a questão de não adotar um currency board, em um país em desenvolvimento e sem disciplina fiscal, como o Brasil, é mais política, tendo em vista a relativa perda de soberania do país; ou econômica, tendo a vista a perda de receitas governamentais decorrentes da política monetária pelo banco central, como a seigniorage e o imposto inflacionário? Ou são ambos os motivos que contam?
Caso o nosso Gran Haiti aqui adotasse o currency board privado suiço auditado, esse aumento de juros por causa do déficit nominal. como o mercado precificaria esta tragedia?
“O resultado nominal, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$57 bilhões em agosto. No ano, o deficit nominal totalizou R$339,4 bilhões, comparativamente a deficit de R$155,1 bilhões no mesmo período de 2014. No acumulado em doze meses, o resultado nominal registrou deficit de R$528,3 bilhões (9,21% do PIB), elevando-se 0,40 p.p. do PIB em relação ao valor registrado no mês anterior.”
Como foi nos países bálticos e na Bulgária?
Se o governo brasileiro perder a habilidade de imprimir dinheiro para honrar os pagamentos de seus títulos, vão valer menos que pó, pressionará ainda mais os juros?
É mais fácil ocorrer alguma guerra civil antes dos esquerdistas perdulários no poder aceitarem tal arranjo
Leandro caso o Currency Board fosse implantado aqui, qual moeda seria mais segura de se atrelar? Pensei no Dólar mas como os EUA tão desandando rumo ao inchaço talvez não seja a melhor opção, teria outra moeda melhor? Como o Franco Suíço por exemplo?
Valeu, Leandro. Senti que esse artigo foi escolhido após as várias perguntas que fiz sobre o assunto.
Bom dia!
Excelente artigo e muito obrigado por expor esses conhecimentos. Quem me dera eu tivesse conhecido o Mises a alguns anos atrás (cabeça de moleque que estudou no ensino público/marxista é triste… :P).
Tenho duas perguntas:
1 )existe alguma desvantagem no Currency Board? Algum ponto fraco na visão do próprio escritor ou algum ataque concreto sobre o sistema?
Eu também acredito no Currency Board, mas não tenho conhecimentos técnicos na área e ainda tenho essa curiosidade.
2) Existe alguma faculdade de economia brasileira que tenha escola austríaca em seu curriculum?
Não tenho dinheiro pra começar o curso, então iria estudar durante os próximos dois anos para tentar uma bolsa em uma faculdade. Bem, USP eu já sei que não quero. hahahaha
Muito obrigado mesmo pelos artigos, traduções e pelo trabalho.
O Currency Board seria então uma espécie de bala de prata? Um almoço grátis (exceto para o Estado)? Não haveria consequências não previstas pelo artigo em um primeiro momento?
Se só o Estado “perde”, existe algum vislumbre de que um CB autêntico venha a ser implantado no Brasil, tendo o Estado como o temos agora?
Se o Estado perde, o que fez com que o próprio Estado o tenha adotado em alguns países da ex-URSS? Qual foi a condição que levou tais estados a adotar uma medida anti Estado?
Dá para recriarmos tais condições? Estamos caminhando para elas? Há algo mais que possamos fazer?
Excelente artigo, uma verdadeira aula.
Me bateu uma curiosidade, por acaso em Cuba utiliza Currency Board? Afinal qual o Regime Cambial utilizado em Cuba?
Pela minha pesquisa, eles utilizam Uma moeda fixada a uma taxa quase equivalente ao dólar.
Se isso for Currency Board, porque eles não são prósperos?
Fonte: economia.estadao.com.br/noticias/geral,cuba-anuncia-que-reforma-no-sistema-cambial-do-pais,168122e
Muito bom Leandro, valeu apena gastar quase uma hora do meu horário de almoço rs.
Até gostei da ideia de implantar um currency Board com sede na Suiça, mas nós sabemos o escarcéu que seria por parte da mídia e dos tais movimentos sociais.
Leandro, que espetacular artigo, é um verdadeiro paper que deve ser usado como a tábua de salvação econômica para esse país.
É disso que eu estava falando no outro artigo. Sobre como podemos sair dessa, e como as coisas podem ser melhores sob a ótica liberal para todos- povo, exportadores, importadores etc.
Sabia que vocês do IMB iam começar com chave de ouro.
Agora uma pergunta: pelo o que eu entendi, sob o arranjo de CB, as casas de câmbio perderiam suas funções, pois ninguém mais iria querer trocar moeda perdendo dinheiro, nem na compra nem na venda certo? Como que essas empresas poderiam lucrar em um arranjo desses? Não que eu me preocupe com isso, mas é mais curiosidade econômica.
“Um país que adota um Currency Board passa a operar com juros semelhantes aos juros vigentes no país emissor da moeda utilizada como âncora.”
Minha dúvida: o país emissor da moeda forte, consequentemente terá algum benefício em sua economia?
Leandro o que vc acha da opinião dessa economista?
Brasil deve abandonar metas de inflação e adotar banda cambial flutuante, diz analista
O Brasil deveria abandonar temporariamente o sistema de metas de inflação e adotar um regime de banda cambial flutuante (crawling band), segundo a pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional Monica Baumgarten de Bolle.
Em artigo divulgado no blog do instituto, ela afirma que o País vive uma situação de dominância fiscal e que nesse contexto é preciso abandonar temporariamente o sistema de metas de inflação e reinstituir um regime cambial de bandas flutuantes, que serviria por um período como uma âncora nominal, já que a política monetária se tornou ineficaz para combater a inflação.
“Com as grandes reservas internacionais do Brasil, essa estratégia pode comprar ao governo o tempo suficiente para formular um plano fiscal adequado, que aborde e elimine a dominância fiscal nos próximos dois anos”, afirma Monica.
Segundo a economista, se o Brasil mantiver as políticas atuais, os modelos econômicos sugerem que o Banco Central precisaria elevar a Selic, já que as expectativas de inflação não se estabilizaram e estão longe do centro da meta, de 4,5%. “Entretanto, se o BC elevar os juros em 200 ou 300 pontos-base, a conta de juros e o déficit nominal sairiam de controle”. Para ela, isso destruiria a sustentabilidade fiscal, produzindo novas turbulências nos mercados de câmbio.
Essa fragilidade do câmbio, por sua vez, mais do que ofuscaria os efeitos deflacionários da recessão, deixando o País na pior situação possível: uma forte contração da atividade com alta inflação. “O PIB brasileiro encolheu 3% no segundo trimestre de 2015, enquanto a inflação está rodando a 9,5%. Por todos os parâmetros, o País já está nessa situação”, alega.
Ao mesmo tempo, tentar reduzir os juros no contexto atual só aumentaria a turbulência entre os investidores, levando a um retorno da estrutura macroeconômica disfuncional da década de 1980 e início dos anos 1990. “Um governo que criou a dominância fiscal não pode ser encarregado de resolvê-la com a adoção de políticas que prejudicariam ainda mais a reputação do BC”, diz Monica.
Em último caso, se o abandono do sistema de metas de inflação e a adoção do regime cambial de bandas flutuantes falhar, a pesquisadora afirma que o Brasil poderia ser obrigado a recorrer a controles de capital. Para ela, o País ainda tem condições de evitar se transformar em uma Argentina, com uma combinação perversa de dominância fiscal, inflação elevada, fuga de investidores e controles de capital. “Esta janela, no entanto, está se fechando rapidamente”.
Leandro-futuro-ministro-do-bacen,
considerando o pouco espaço que restaria aos bancos para aumentar a quantidade de dinheiro na economia (mesmo mantido o sistema de rf), seria possível estimar uma taxa de inflação caso adotássemos tal arranjo no Br?
No caso do Currency Board, quando as reservas estrangeiras caírem, como retirar moeda de circulação? e como controlar para que os bancos não gerem mais moedas através de empréstimos?
Elejamos o Leandro presidente vitalício do Currency Board brasileiro com sede na suiça!
“Imposto ninguém quer, ninguém gosta. Todo mundo prefere não pagar imposto. Mas vai ser necessário. A dificuldade agora é que as pessoas não estão acreditando que mesmo dando imposto vai dar certo.”
A frase acima é de Fernando Henrique Cardoso, e não é diferente de nenhum político no Brasil e no mundo.
Se nós queremos acabar com essa classe teremos que agir com aqueles que mais são prejudicados por essa classe nojenta e cínica que é a classe política.
Quem são aqueles a quem me refiro?
A classe empreendedora, a classe empresarial .
Por isso pergunto outra vez:
Quem está disposto a formar um grupo para começar a mostrar para os empresários, comerciantes, empreendedores,…a pagar menos impostos até com o tempo deixar de pagar todo e qualquer tipo de imposto?
Agiremos de comum acordo com os empresários que solicitarem o nosso serviço por um preço razoável para aos poucos passarmos para as pessoas de que a classe política é a maior responsável pelo atraso econômico, intelectual, criativo, etc etc etc do Brasil.
Quem topa começar a colocar em pratica essa ideia?
Outra excelente conseqüencia do Currency Board é que, com a inflação controlada, políticos não teriam desculpas para anualmente aprovar altíssimos aumentos para sí próprios e funcionários públicos. Se bem que eles sempre arrumam uma ou outra desculpa esfarrapada.
Desculpem a ignorância, pois sou apenas um entusiasta de economia, mas como funcionaria um Currency Board com três moedas? Para exemplo, usem por favor o Brasil com CB que opere com Real, Dólar e Euro. Como seria definida a paridade entre as três moedas?
Leandro, ótimo artigo, como sempre.
Uma ideia alternativa que eu tenho — e que talvez eu coloque na minha monografia que é sobre um modelo de currency board ao Brasil — quanto à escolha do câmbio nominal, é fixá-lo através do câmbio real, caso o dólar fosse usado como âncora.
A cotação do câmbio real teórico entre o Brasil e os Estados Unidos, levando em conta o índice de preços ao consumidor de ambos os países desde a implantação do real, é atualmente cerca de R$ 3,15. Mas como o Brasil em junho de 1994 (imediatamente antes de implantar o real) vivia em hiperinflação, infere-se que, devido à baixa demanda internacional pela moeda brasileira, o câmbio real estivesse claramente depreciado no momento em que o real foi implantado.
Nesse caso, ao invés de deixar o câmbio flutuar por um certo período de tempo, também poderia fixá-lo por lei a uma taxa que colocasse diretamente o câmbio real e, consequentemente, nas taxas de juros e de inflação dos Estados Unidos. Caso seja comprovado ou inferido que a simples existência de uma hiperinflação é capaz de depreciar em, por exemplo, 20% o câmbio real de uma moeda, a cotação escolhida teria de ser cerca de R$ 2,60 por dólar.
Isso, em minha opinião, poderia evitar inconvenientes períodos de alta inflação ou deflação durante o ajuste do câmbio real mais adequado, caso a taxa de câmbio que o mercado escolhesse em dois meses – conforme você mencionou — ainda estivesse altamente valorizada ou desvalorizada.
Você também consideraria essa metodologia viável?
Obrigado e abraço!
A proposta é muito interessante.
No entretanto acho que no Brasil o buraco é muito mas muito mais embaixo.
1 – Como seria calculado o preço da moeda ancora?
Média do período deixado para que o mercado defina?
Pergunto por que se for em uma data específica (última data/negócio – por exemplo) pode se ter ação de players poderosos distorcendo tudo a seu favor. Caso seja um preço médio do período, deveria-se levar em conta o volume de negócios? Uma média ponderada? Excluiria-se pontos fora da curva?
2 – Sou a favor de uma moeda forte, e por moeda forte entendo uma que seja estável ao longo do tempo, não necessariamente uma moeda forte frente a outra/outras apenas. Na situação ideal, um valor que reflita a situação do país. Mas creio q seja impossível. Falo isso por que como ficaria um CB sem levarmos em conta a situação tributária/trabalhista do Brasil e toda dificuldade pra se tocar um negócios com uma “penca” de regulamentações, leis, e de quebra um Judiciário prá lá de parcial e praticamente falido se não já não o estiver? Os peqnos empresários seriam as primeiras vítimas dependendo do valor definido.
Resumindo, sou cético em relação às verdadeiras alternativas. Aquelas que de fato possam deixar para o contribuinte um pouco de seu suor.
Por outro lado, adoraria ver a moeda longe das mãos de tecnocratas/políticos e exportadores de todo tipo. Ou seja, longe das mãos da meia dúzia de sempre.
Mas não julgo necessário abrir mão da soberania do CB, seria perfeitamente possível dentro de nossas próprias leis. Até por que, essa de transferir pra Suíça toda jurisdição, não passaria nem em sonho. Desculpe a franqueza mas é o q acho.
O Conto de Réis no período do Império do Brasil (mais precisamente no 2º Reinaldo) também não funcionava nos moldes do Currrency Board?
Pois as notas emitidas eram conversíveis em ouro.
Não sei se entra na questão do Currency Board, mas vale lembrar também dos títulos no começo do Encilhamento, feito no mesmo período do Império, que eram bilhetes conversíveis em ouro.
O Visconde de Ouro Preto pretendia criar um Banco Central privado, nos moldes europeus, que seria o regulador da liquidez destes bilhetes. Infelizmente houve o golpe da república de 1889, que brecou esta iniciativa.
Após o golpe da república de 1889, através de um decreto de 17/01/1890, Rui Barbosa mudou o lastro destes bilhetes para Apólices da Dívida Pública, com a justificativa de impulsionar a indústria, agricultura e comércio.
Isto causou uma explosão destes bilhetes, ocasionando uma demasia monetária, e a primeira bolha do Brasil. Por fim houve uma desvalorização no qual estes bilhetes foram transformados em moeda podre.
Auxiliar,
O meu maior receio não é em relação aos grandes. Pra esses regulamentações, leis trabalhistas e tudo mais é muito bom, dificulta entrada/formação de concorrentes. O meu receio é de fato em relação aos pequenos/médios. Uma moeda forte facilitaria entrada de concorrentes importados (eu aprovo) mas com condições muito desiguais no que se refere a carga tributária e trabalhista. Não considero leal, já vi esse filme antes, peqnos não suportando concorrência externa devido fatores exclusivamente internos contra os quais nada podiam fazer. Não sou contra concorrência, de forma alguma, mas pense no caso de um médio fabricante de quadros de bicicletas que de uma hora pra outra vê o dolar a 2,50 e a concorrência chegando nos portos com uma carga tributária/trabalhista infinitamente menor.
Os exemplos citados tratam-se de países que estavam literalmente no sal, ex repúblicas soviéticas de peqno porte, muito diferente de nós que tinham muito pouco ou nada a perder.Na primeira e única experiência brasileira de CB/padrão ouro citado no texto, o país era essencialmente agrícola, portanto não fazia diferença pra pior, muito pelo contrário – como se observou depois. Atualmente, por mais que nossa situação seja horrível, há de se ponderar como fazer, pois pode haver sim muito a perder.
Leandro, aproveitando o tópico sobre câmbio – meu favorito disparado: existiria uma opção de implantação da CB, onde ao invés da taxa ser determinada pelo mercado, ser fixada baseando-se na propoção de PIB com o país de moeda-âncora?
Por exemplo, fôssemos ancorar o real ao dólar, o PIB americano é 10x maior que o brasileiro (acho que atualmente é até 11x). Implanta-se a CB com todas as regras supracitadas, e uma vez por ano, a resultante do PIB desses dois países seria a taxa para aquele ano.
Isso seria efetivo? Já ocorreu algo assim na história? Estou ficando louco?
Completamdo,
Auxiliar,
Meu receio não é em relação a uma moeda estável, e sim a uma moeda estável mas muito valorizada perante o dolar. Aí é que o bicho pega, eu acho. Moeda estável é desejo de todos. Entendo que extremos seriam danosos, tanto subvalorizada como supervalorizada.
Nesse arranjo de CB o Banco Central não tem como financiar os gastos do governo imprimindo moeda (que gera inflação). Apenas quem se beneficia disso é o BC que emite a moeda-âncora. No meu entendimento, um país adotar um CB seria o mesmo que continuar com a moeda nacional em câmbio flutuante e manter a base monetária sempre constante. No primeiro caso, somos prejudicados com a inflação do país emissor da moeda-âncora, que afeta o país que adotou o CB e todos seus cidadãos. No segundo caso, a moeda ganha valor com o tempo (deflação), por ter base monetária constante e haver produção. Considerando isso, é muito mais simples, eficiente e vantajoso manter a base monetária constante em vez de adotar um CB.
Eu prefiro varias moedas privadas concorrendo no livre mercado
Obrigado pela resposta e me desculpe pelas generalizações, eu acabo fazendo isso pra resumir. No caso do estado de São Paulo vender mais para a Bahia a base monetária do primeiro aumentaria, e a do segundo diminuiria, mas a base monetária do país ficaria constante.
No caso de um país em padrão-ouro a base monetária realmente tem que aumentar porque uma nota de dinheiro com certo valor de face equivale a uma quantidade fixa de ouro. Porém, para um câmbio flutuante, um país vender mais que compra iria valorizar a moeda deste em relação à moeda dos importadores. Mesmo que esse país venda mais que compre pra sempre, sua moeda nunca vai sair toda do país, porque ela fica cada vez mais valorizada.
Meu ponto principal é que com um CB não existe a possibilidade de o governo se financiar por meio da inflação, ou quem usa esse dinheiro novo primeiro. Por isso, o governo teria que ser mais eficiente nos seus gastos. Com uma moeda com base monetária fixa a situação é parecida, com a vantagem do país não estar submetido a inflação do país da moeda âncora.
Toda moeda precisa de confiança pra ter valor, afinal alguém tem que demandar por ela. Se com essa moeda se pode comprar qualquer coisa dentro deste país, que está bem politicamente, as pessoas produzindo, e o governo com as contas ajustadas, a confiança é consequência.
Em relação a última pergunta, eu estava pensando mais no nosso atual arranjo (uso apenas do Real para compras e vendas em território brasileiro), não que eu concorde que deva ser assim, mas isso já é outra discussão. No caso a moeda estrangeira que entrasse teria que ser convertida em Real, que tende a valorizá-la. O aumento da base monetária seria em valor, em vez de um aumento nominal.
Em relação à última pergunta, teria que haver uma instituição para substituir essas cédulas já gastas e alguma autoridade poderia se aproveitar disso para financiar o governo. Mas mesmo que um país adote um CB, o que garante que alguma autoridade também não vá mudar esse arranjo para financiar o governo, como fez a Argentina?
Gostaria de parabenizá-los pelo site, tenho lido bastantes artigos e comentários e aprendido muito. Abraço!
Excelente artigo.
Ninguém come dólar. O Brasil precisa se livrar dos rentistas e entesouradores. Ninguém come câmbio, não faz sentido fazer política cambial só pra coxinha ir comer little coxinity em Miami e produtor rural comprar insumo barato do exterior ao invés de comprar dos trabalhadores honrados da indústria paulista que desprezam a competição predatória e dumping violento; e por isso mesmo apelam para que os vendedores estrangeiros sejam expulsos do mercado.
Toda essa crise cambial e fiscal é herança maldita da lei de responsabilidade fiscal e do PSDB.
Solução para o Brasil:
Juro baixo, atividade compromissada, inflação em 100% ao ano, poupança vazia, almoço de papel, dólar desvalorizado e coxinha assando.
Coxinha: E o câmbio?
Ministro da Fazenda redistribuída pelo INCRA: Já ouviu falar do bambu?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk’
É possível fazer qualquer política cambial se a política monetária for completamente passiva? Por exemplo, um sistema de câmbio atrelado onde as variações dos juros ocorrem a todo momento, para que o dólar(ou qualquer outra moeda) se mantenha numa banda de variação pré-definida, dispensando assim a intervenção direta no mercado de câmbio através da venda/compra da moeda. Neste sistema o controle da taxa de câmbio se daria exclusivamente através dos juros(SELIC), mas o valor da SELIC não seria estipulado, pois a variável a ser controlada é o câmbio. Isto é possível?
Ah, queria deixar duas sugestoes para o site:
1) Seção para iniciantes, com seleção de artigos cruciais para entender o cerne da EA.
2) Fórum, para debate sobre os temas.
Se quiserem eu ajudo dizendo quais artigos eu contumo indicar para os faixas brancas.
De fato, a política de Levy, do câmbio flutuante está afundando o Brasil, servindo apenas para dar lucro ao seu patrão, Bradesco; vide o lucro que teve este primeiro semestre, superior ao ano passado. Concordo com os autores que o caminho mais adequado é o Currency Board, ancorado numa moeda como o dólar, utilizando suas reservas internacionais para lastreá-lo. Parabéns aos autores!!
Não, não, não! O dinheiro precisa ser flexível porque nós somos inflexíveis.
O brasileiro prefere queimar o país do que sofrer a humilhação de uma redução nominal em salários / pensões, e ainda tem a cultura do “reajuste” para complicar. Por exemplo, FHC é odiado até hoje por não ter aumentado os salários dos marajás o suficiente.
Tentar impôr liberalismo e moeda forte em uma cultura despreparada é o erro clássico dos anos 90. Isso GARANTE a falência do Estado (se for democrático, ao menos) e um exército de funcionários públicos ressentidos jurando ódio ao “neoliberalismo”.
O Instituto Mises está agindo com eficiência na luta cultural. Quem muda a cultura muda as regras do jogo.
Mas no terreno da práxis aqui e agora, o melhor para o liberalismo seria um pseudo-“desenvolvimentismo” (com administradores competentes) para dar a todo mundo a sensação de estar ganhando, mas cultivando a economia de livre mercado por debaixo do pano. Como um Lula, só que ao contrário.
O Brasil só tem uma alternativa diante dessa situação fiscal. Só uma.
É preciso vender todos ativos da União (que inclui privatizar todas estatais). Tudo.
Isso quita parte da dívida e a recoloca em novos termos. Passo seguinte é cortar a administração direta pela metade, reduzindo drasticamente ministérios e cargos em comissão. Ato contínuo, implante-se o amado CB, numa taxa fixa de 3,00 (não precisa ser os atuais 4,00. temos reservas em quantidade suficiente pra cobrir inclusive o M1). Feito isso, proceda-se com as reformas estruturais do Estado (previdenciária e tributária).
Sendo isso apenas um sonho, o que teremos é um governo acelerando rumo ao socialismo bolivariano (não haverá impeachment, anota aí). O governo emitirá ainda mais dívida pra pagar o rombo fiscal impagável. Os juros subirão, a despeito do idiota do Tombaço. Isso resultará em uma mega estagflação, a despeito dos altos juros. O câmbio despencará, a indústria será coisa do passado, e o brasil voltará aos tempos da colônia (exportando pau-brasil e açucar).
Boa tarde.
No final do texto fala-se em permitir a circulação de outras moedas, mas no caso do CB lastreado em ouro, isso não faria com que a moeda sumisse e fosse substituída pelas outras moedas?
Quero dizer, suponho que a moeda lastreada em ouro seja melhor quando comparada ao dolar, não entraria naquele caso em que a moeda ruim substitui a boa?
Obrigado.
Aos colegas com conhecimento tecnico, seguem 2 dúvidas:
1. pronto! o Brasil adotou o padrão-ouro. A economia cresce de maneira saudável, porém, a produção de ouro mundial cresce em ritmo inferior à nosso crescimento econômico. Isto geraria uma valorização do ouro no mercado internacional e por consequencia da moeda brasileira? Em paralelo, levaria a uma queda no valor nos preços dos produtos localmente?
2. Seria possível estabelecer um padrão ouro vinculado a uma cesta de commodities (e/ou outros ativos)? Exemplo, R$ 100,00 = 01 grama de ouro = 1 tonelada de soja (no dia X). O banco comercial receberia o depósito, na paridade R$ 100,00 = 01 grama de ouro e o transformaria em um ativo a ser selecionado (dentre vários) cujo os valores são flutuantes no mercado nacional e internacional. Ao final do dia/semana/mês o banco faria o fechamento para certificar que os depósitos x ativos estão equilibrados. Desta maneira, teríamos uma vinculação ao padrão ouro mas não restringido à produção física do mesmo?
Agradeço as análise e comentários.
Qual as consequências da taxa selic mais baixa do que a prevista pelo mercado?
Leandro,
Qual é a sua visão sobre essa proposta ?
economia.estadao.com.br/noticias/geral,a-gente-pode-ir-rapido-para-inflacao-de-20,1774000
Acho que micro desvalorizações como foi em 95-98 algo bem bizarro.
Leandro,
Como já escrevi (inclusive nessa seção de comentários), ficaria imensamente satisfeito com um CB ancorado em dólar americano. Independentemente do que pensemos sobre o dólar, isso seria muitas vezes melhor do que a política que temos hoje. Então é aquela coisa de escolher uma mau menor.
Você deve ter visto nessa seção de comentários (e em virtualmente todos os seus artigos em que propõe um CB com dólar) uma preocupação geral do tipo “mas isso não é mais do mesmo”. Me parece que “moeda fiduciária” é algo em que as pessoas não acreditam mais como uma categoria… Nem todas as moedas fiduciárias são iguais, como sabemos, mas as pessoas (me parece) têm uma tendência a preferir a própria moeda à uma âncora com outra moeda… talvez um nacionalismo ou outro sentimento semelhante explique esse fenômeno contraditório.
Pensando nisso e, como assíduo leitor do ZeroHedge, gostaria dos seus comentários acerca desse artigo: http://www.zerohedge.com/news/2015-10-04/how-bad-can-get-and-how-fast
O Real implode antes do Dólar implodir, mas não é o caso de pensar que a crise é muito mais profunda e nenhuma moeda fiduciária está livre do que está por vir? Fico pensando se não é isso que está por trás de fenômenos como o Bitcoin… Será que, como um todo, a humanidade não está perdendo a fé em moedas fiduciárias?
Leandro,tenho 3 perguntas.
1- Esse atual quadro seria um quadro de dominância fiscal?
2- As reservas elevadas hj deixam o brasil de certa forma meio que imune à ataques especulativos. Mas até que ponto isso será sustentável (há um consenso teórico de um mínimo de reservas necessário para fugir de um ataque?).
3- E a última pergunta: digamos,em um caso hipotético, que todos países do mundo adontem um regime de currency board com ancoragem em mais de um moeda estrangeira dentro do território nacional. Esse tipo de arranjo econômico não seria mais estável em termos de comércio internacional do que a adoção de um bitcoin? Estava pensando nisso, pq,se os mecanismos de funcionamento do bitcoin visa imitar as variações do ouro, tenho receio de que no futuro o bitcoin possa variar bruscamente como o ouro variou esse ano.
Dá no mesmo currency board ou dolarizada a economia.
A Mônica Baumgarten falou sobre isso em uma entrevista no Estadão. Basicamente, ela defendeu que a única saída agora, para o processo de dominância fiscal, é recomeçar da estaca zero. Adotando o mesmo sistema de âncora cambial do plano Real original, aproveitando o bom saldo em reservas internacionais que temos. Nesse período, o governo promove o ajuste fiscal o mais rápido possível, conduz as reformas desindexadoras (principalmente na previdência) e retornamos ao sistema de metas de inflação. Quando o jornalista a perguntou sobre quanto tempo seria necessário para manter esse processo, ele respondeu com uma síntese do que diz esse artigo. O sistema de âncora cambial é instável e tende ao colapso no médio e longo-prazo. Então o governo teria que agir rápido.
Caro Leandro,
Voce esta sempre se superando. As criticas que tenho lido sobre o CB eh que ele soseria eficaz para pequenas economias (tipo Letonia, Estonia etc.) Eh sempre observado que nao ha registro de uma grande economia adotar um CB. Ha meu ver, o Sistema Ouro nao passa de um CB, o que rebateria o argumento. Como inegavelmente voce eh um estudioso e entusista do tema (para mim, explicou bem, em memoravel artigo, as causas do fracasso do CB argentine) o que voce acha desse argumento? Ja houve uma grande economia sujeita ao Sistema? Em caso negativo, nao seria pouco cautelar adotar um CB numa eonomia grande como a do Brasil?
Leandro,na minha modesta opinião,há um grande problema com currency board,você fica acumulando dólares,reais e outras moedas-papel,logo aí isso é um grande problema,nós austro-libetários sabemos que uma grande crise financeira está vindo aí.
Leandro,eu sei que você sonha COM UM CURRENCY BORRD,mas o padrão ouro na minha modesta opinião,tem mais utilidade.Tem grandes vantagens a nível da inflação ou mesmo deflação,sem contar com as facilidades de comércio mundial,e o facto de ser um activo físico.
Eu sei que já fiz esta pergunta,mas vou insistir maias uma vez,previdência privada não estimularia a poupança,necessária para investimentos.
Desde já obrigado Leandro pela atenção,abraço.
leandro, ate hoje ñ estava totalmente claro p/ mim pq o BC ñ pode ao mesmo tempo manter a estabilidade da moeda e fazer politica monetaria. eu entendia en termos gerais, mas ñ era capaz de raciocinar, de jeito + passo a passo, o pq. valew pelo texto
Leandro a minha questão tem a ver,com ouro porque é um activo físico.
Quanto a previdência seria como no Chile,mas algo diferente,totalmemte livre de qualquer restrição ou regulamentação.
Artigos como este são um antídoto à burrice e ao proselitismo reinantes nos cadernos de economia dos jornais brasileiros.
Obra prima. Parabéns.
Boa tarde,
Gostaria de parabenizá-los pelo excelente artigo.
Sou leitor do IMB e aprendo muito sobre o funcionamento da economia de livre mercado aqui.
Porém sobre o CB eu tenho uma pergunta. A elevação da Base Monetária dependeria exclusivamente das exportações ?
Economias que geram valor baseado no mercado inteiro, produzindo bens que são vendidos dentro do próprio país sem exportá-los não poderiam aumentar sua base monetária ?
Isso porque teoricamente o lastro da moeda hoje é sua própria economia e quando mais riqueza é gerada, mas a base monetária aumento (na teoria).
Se eu gero muito riqueza interna, aumento drasticamente as importações mandando dólares para o exterior em troca de matéria prima e maquinário , a Base monetária não iria cair demais? Não haveria ultra valorização da moeda fazendo com que a mesma, se tornado muito escassa, prejudicasse investimentos e o comércio ?
É uma pergunta bem básica, mas realmente é uma parte que tenho dificuldades para entender..
Obrigado.
Entendi uma coisa esses dias: se o FHC tivesse alternado o cambio para um CB ortodoxo antes de as reservas se esvairem, aquele solavanco durante a eleicao do Lula nao teria ocorrido, mas também o Brasil não surfaria na onda da baixa do dólar na década passada.
Bem, a sugestão do Leandro foi bem marota, de converter o cambio para CB quando ele estava em uns 2,40, já sob a Dilma; evitaria esta atual depreciação cambial.
Mas ainda dá tempo, né? Só não tem é disposicao política; aliás, nem há tanto entendimento nem aceitação da populacao a esse respeito…
Leandro, fico com receio de perguntar por parecer por demais idiota, e ainda mais por que não consegui a resposta por eu mesmo …rsrs:
em um CB, como ficariam as emissões de títulos pelo governo? Elas deixariam de existir?
Desculpem, a pergunta sobre emissão de títulos foi minha. Não posto como anônimo, é q esqueci de colocar nome e e-mail.
Deixe eu “ver” se entendi: o CB traria o fortalecimento/estabilidade da moeda e tiraria do governo o poder de emití-la, ou colocaria regras rígidas que não permitiriam que se criasse dinheiro do nada. Até aí ok.
Mas esse mesmo governo ainda tem uma janela pra usar e fazer a expansão da moeda além do CB, não? Basta endividar sempre que o CB não permitir que tome atitudes que gostaria de tomar, e só os juros poderia frear essa prática, é isso?
Pergunto por que se em dado momento o governo resolve “incentivar” determinado setor – como tem sido corriqueiro, e não tem reservas suficientes, lança títulos e pronto. Depois empresta pra esse setor a juros subsidiados via BNDES. Esse mecanismo não seria alcançado pelo CB, é isso? Não seria uma forma de criar dinheiro disfarçada? Também através de dívida?
Obs: é mineiro? “uai” …rsrs.
Leandro, quando vc disse “uma LTN com vencimento em janeiro de 2018 está pagando 15,72%.”
Esses 15% são líquidos reais ??? , ou seja, já descontado impostos, taxas e inflação ?
“Começou a entender por que um arranjo de CB não é amigo dos governos?”
Essa é a característica do mecanismo q mais me atrai…rsrsr
Obrigado pela paciência, Leandro.
Olá Leandro,
Excelente texto!
as minhas dúvidas são as seguintes:
1ª) caso um país como o Brasil adotasse o CB e apresentasse continuamente deficit nas transações corrente, o que ocorreria com a taxa de juros?
2ª) caso a taxa de juros subisse, essa precisaria manter-se continuamente elevada para equilibrar a base monetária ao estimular a entrada de capital externo?
3ª) No caso chines no período citado (1995 a 2005) teria ocorrido o oposto? um aumento no saldo da Balança de Pagamentos chines levando a uma queda na taxa de juros?
Grato pela atenção.
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e a abolição da Caixa de Conversão, houve vários desarranjos, e a inflação de preços, até então imperceptível, passou a crescer 8% ao ano. E então a coisa degringolou.
O que houve com a caixa de conversão? Algum motivo alegado para ela ter acabado ou podemos inferir que o governo simplesmente queria liberdade para monetizar a dívida e a aboliu?
Texto excelente. Leandro por favor me tire uma pequena dúvida. No exemplo citado o Currency Board negociaria a moeda com valor de venda e compra semelhante? Ou na prática haveria diferença entre o valor de venda e de compra como ocorre como câmbio de qualquer moeda? É que no texto o exemplo foi de um valor único. Seria assim na prática? Grato pela atenção.
Sem querer ser chato mas já sendo… Mises ensina que não existe tal coisa como nível de preços, pois preços num mercado não são como água numa piscina, portanto não atingem o mesmo nível ao mesmo tempo.
A frase do início do artigo: “A taxa de câmbio entre dois países é igual à razão de seus níveis de preços relativos.” poderia (deveria) ser melhorada pois não quer dizer nada. Seria melhor citar indíces relativos como o big mac, por exemplo.
Não invalida o conteúdo do artigo, mas alguém mais chato que eu pararia de ler por aí…
Leandro,
Nesse aritigo, http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087, voce diz que a alta inflação resulta em um cambio desfavorável, porem o cambio desfavoravel nao é uma das causas da inflacao?
Ambos.
Em algumas ocasiões, a expansão inflacionária do crédito leva à desvalorização cambial. Em outras, a desvalorização cambial (gerada por instabilidades políticas) gera a inflação de preços. E em outras, acontecem as duas ao mesmo tempo.
Só não entendi bem por quê o currency board teria que ter sede noutro país. Sendo privado, já não seria suficiente para garantir a independência e sua imunidade quanto à políticas monetárias?
Longe do país, não haveria o risco de o país estrangeiro ou mesmo a instituição privada (currency board) confiscar os dólares brasileiros? O artigo diz que a instituição privada currency board deveria aplicar as reservas em dólar em investimentos. Primeiro: quem daria autorização para que o CB realizasse esses investimentos. Segundo: todo investimento traz riscos, se num desses, o CB escolhesse um investimento ruim e perdesse quantidade significativa da moeda-âncora, quem responderia? Não seria muito poder dado a um grupo privado, o de controlar todo o valor da moeda nacional?
Será que num Estado realmente federalista, onde os governos estaduais tivessem total autonomia em relação à Brasília, não seria a solução fazer um rodízio de sedes entre os estados?
Leandro,
Excelente artigo, muito esclarecedor.
Eu só fiquei com uma dúvida, que para mim é fundamental. Procurei pela resposta nos comentários mas também não encontrei, então segue:
Afirmou-se que o ideal é que o CB seja um ente privado (claro, para não sofrer influência política, vide Argentina).
Mas da onde vem o lucro dessa empresa?
Todas as transações teriam uma taxa de pagamento ao CB?
E mais… como se daria o investimento nessa empresa?
Pode parecer uma pergunta esdrúxula para os mais “letrados”, mas eu não consegui visualizar como seria a operação “mercantil” do CB.
Se a função dele é dispor de ativos equivalentes à base monetária, como que ele pagaria os lucros aos acionistas sem desestabilizar o arranjo.
Aguardo ansioso por esclarecimentos!
Muito obrigado,
Abraço!
Excelente artigo!
Leandro como os bancos determinam o nível de reservas bancárias adequado num arranjo de currency board ortodoxo,já que neste arranjo não há regulação de depósitos compulsórios por parte de um BACEN?
Parece que a galera de Mato Grosso concorda com esse artigo, pelo menos no que tange ao ouro: a corrida ao ouro lá está a pleno vapor.
Tem nêgo que já arrumou 80 kg de ouro em 20 dias. Isso dá mais de R$ 11 milhões.
g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2015/10/garimpo-da-nova-serra-pelada-tem-comercio-de-ferramentas-e-comida.html
Ótimo artigo como sempre, só os artigos de economia do IMB já valem mais que a grande maioria dos cursos de economia ofertados no pais.
Mas quanto ao currency board, qual o objetivo de se manter a taxa de câmbio fixa? Fazer com que ao invés do cambio desvalorizar a taxa de juros aumente?
Valeu pelas respostas, Leandro!
Sobre tua proposta de reforma bancária, eu realmente tinha entendido mal, achei que voce defendi que fosse declarada a falencia dos bancos que operam com reservas fracionarias (ou seja, todos!), separado conta-corrente e papeis de investimentos. Mas você disse que era o que se de ia fazer DEPOIS da quebra. Foi mal.
Já em relação aos títulos da dívida, entendi direito, você não defende calote. O único “calote” que não faria a menor diferença seria seria o cancelamento dos títulos do Tesouro em posse do BACEN.
Sobre o currency board ancorado no ouro, 100%, só é possível se as reservas de ouro crescerem mais rapido que a expansao da base monetaria, ou, melhor ainda, se a base monetaria retrair e a reserva de ouro aumentar. Algum país conseguiria fazer isso hoje?
Ah, e no item 1), eu quis me referir mesmo ao modelo ideal austriaco, descentralizado, privado, sem moeda fiduciaria.
Viajando um pouquinho, as lições que eu tiro do Bitcoin são que o que uma moeda precisa é: efeito de rede, expansão monetária previsível e finita (o que promove confiabilidade). Isso infelizmente o ouro perdeu um pouco. E felizmente podemos notar que as moedas fiduciárias podem utilizar dos mesmos princípios e se perpetuar; afinal, há ouro suficiente que cubra a estúpida expansão monetária que houve no século XX? (O Ulrich é que gosta mais dessa parte, né, sei que vocé um pouco mais cético em relacao à derrocada do ouro)
Sobre o cenario de vários países convergindo pro modelo do de Soto, de fato desprezei o potencial de os políticos causarem oscilacoes no humor dos investidores, a tendencia de fixação “voluntária” do cambio não tem como se concretizar (o potencial dos políticos não é desprezível…)
Sobre a “taxa de cambio efetiva do dólar”, foi a melhor tradução para portugues que encontrei daquele parametro que voce usou no grafico; em ingles é “wheigtened alguma coisa”
Gabriel, olhe a situação dos europeus… Especialmente Portugal e Irlanda; de algum modo, tambem a Alemanha; estão com moeda forte e a economia vai bem, obrigado. Descobriram só agora o german way of currency, implantado por Adenauer e Erhard na década de 50 na Alemanha Ocidental… (Discípulos de Eucken, que conviveu com Mises na Mont Pelerin Society, e inspirou-se nele para considercaoes sobre controle inflacionario)
Uma coisa não ficou muito clara: Como um Banco Central consegue reservas internacionais? Criando moeda nacional e comprando moeda estrangeira no mercado de câmbio? Criando reservas bancárias e comprando moeda estrangeira dos bancos?
De qualquer forma, o ato de adquirir reservas internacionais eleva artificialmente a cotação da moeda estrangeira e deprecia a moeda nacional?
CB realmente é uma otima saída para segurar a inflacao e criar um ambiente economico positivo para investidores.
O proximo passo de adotar um CB seria substituir a moeda? Como faz Montenegro.
Qual é o ponto negativo de adotar uma moeda forte de outro pais no lugar de uma moeda nacional? Somente a questao de ter trocados e moedas por exemplo?
Olá
Hoje saiu a notícia que o COPOM resolveu mandar a taxa de juros em 14,25%.
Ouvi um comentário no rádio, sobre como o BC “pretende”, a partir de agora, admitir que a inflação já ultrapassou a meta (chegando a mais de 10% em algumas cidades) e que não tentará intervir tanto de maneira a tentar controlá-la no chamado “plano de horizonte econômico” (transcrevo da maneira como entendi a notícia).
Minha pergunta: Do ponto de vista do liberalismo, essa suposta “liberação” do BC quanto à tentativa de controle da inflação, ou seja, reconhecendo que a mesma já ultrapassou o teto e “deixando rolar” seria benéfico?
Tenho uma dúvida : Qual o provável comportamento da inflação e do desemprego Se o governo
brasileiro usasse o Euro
para moeda âncora depositado no Banco Central Europeu e, colocasse em circulação no Brasil para
cada Euro dois reais em circulação (forçado a manter déficit orçamentário zero). Qual o prováve comportamento da inflação e do desemprego ?
Leandro,
Quando possível, para fazer o contraponto, poderia ler e comentar o que segue? obrigado.
gustibuseconomia.com/2015/10/18/concorrencia-de-moedas-hayekiana-funciona/
Leandro, algumas dúvidas:
“2) Um Currency Board gera estabilidade de longo prazo para os investimentos (os investidores sabem exatamente qual será o valor da moeda nos anos vindouros), acaba com as especulações e retira completamente das autoridades políticas do país a capacidade de fazer política monetária”
No caso de um currency board fixando o preço em relação ao ouro isso possivelmente não continuaria valendo.
Suponhamos que o Brasil seja o único país do mundo a fixar sua moeda em relação ao ouro. Entretanto, o ouro já não é mais o ativo mais líquido do mundo, ele perde nesse quesito para o dólar, para o euro, talvez até para a libra esterlina.
Nesse contexto, como o preço do ouro flutua livremente perante o dólar, isso não geraria um problema parecido (embora em menor proporção) com o que estamos vivendo hoje, visto que desde 2011 o ouro vale cada vez menos em dólar?
Ou seja, talvez a melhor escolha para âncora da moeda sob um currency board não seja uma commodity, e sim o ativo mais líquido disponível.
É claro que se pegarmos um horizonte maior, de 20 ou 30 anos, o ouro se valorizou perante a todas as moedas, mas se tivéssemos adotado o padrão ouro em 2011, o real teria perdido 19% do seu valor em relação ao dólar desde então.
Vamos ignorar o fato de que o real de fato de desvalorizou muito mais que isso desde então, visto que se nem todos os economistas nacionais leram Bastiat e não conseguiriam enxergar “o que não se vê” caso o currency board áureo tivesse sido instaurado. Essa desvalorzação não serviria de argumento aos detratores do câmbio fixo: “olhem só, vocês disseram que o currency board iria estabilizar o câmbio, mas desde que criaram essa porcaria, a moeda perdeu 19% do valor”.
Claro que seria um argumento contraditório, visto que essa galera costuma defender um câmbio desvalorizado e deveriam ficar felizes, mas já conhecida a baixeza no debate econômico brasileiro, eu já não duvidaria de mais nada.
A questão permanece: é melhor se fixar à moeda mais líquida ou à mais estável?
——–
“O Currency Board gera confiança imediata na moeda doméstica justamente porque ele mantém reservas internacionais em um volume igual ou maior que a base monetária da moeda nacional (no caso do Brasil, que tem US$ 370 bilhões em reservas[…]”
Qual é o custo de se manter essas reservas? Em quanto isso onera o orçamento?
Grato.
Só sei de uma coisa. Leandro Roque deveria ser Ministro da Fazenda, não o Levy. Já até vejo a meta de inflação do BC sob os ditames do Leandro, que seria 0% claro, 0,01% de inflação seria algo inaceitável.
Ainda não consegui entender muito bem uma questão.
Quando Hong Kong fixou seu Currency Board em HKD 7,75 não seria melhor trocar de moeda para estabelecer uma paridade de 1 pra 1(como fez a Argentina)? Não consigo ver isso apenas como uma questão de simplificação, até porque um cidadão de Hong Kong teria que ”juntar mais unidades de cédula” que um argentino para trocar por um dólar.
Se o Brasil estabelecesse hoje um Currency Board com o dólar como indexador, não haveria nenhuma diferença entre criar uma nova moeda e estabelecer paridade de 1 pra 1 ou fixar o câmbio em R$ 3,86(cotação de hoje).
Meu sonho seria um CB ancorado em bitcoin! (=
“O Currency Board gera confiança imediata na moeda doméstica justamente porque ele mantém reservas internacionais em um volume igual ou maior que a base monetária da moeda nacional (no caso do Brasil, que tem US$ 370 bilhões em reservas, há dólares de sobra)“.
Leandro,
A quais das inúmeras séries disponíveis no SGS devemos comparar as reservas externas a fim de avaliarmos a condição de lastreamento do real pelo dólar (situação que influenciaria a implantação de um CB no Brasil) ?
Temos de somar os R$ 243 bi da base monetária restrita (códido “1788”) aos R$ 328 bi dos recolhimentos compulsórios em espécie (código “1828”, que inclui os depósitos a prazo) existentes em Nov/2015 ?
E quanto ao saldo de swaps cambiais em aberto (atualmente em torno de uns R$100 bi) ? Concorda c/ o Edmar Bacha de que eles devem ser subtraídos das reservas a fim de se estimar adequadamente o montante líquido efetivo de dólares de que dispõe o Bacen ?
Também já tinha a mesma opinião tua estranhando esse argumento do Bacha (reiterado neste outro artigo dele).
Quanto à quantidade de reais a ser lastreada em dólares, se os percentuais dos compulsórios retornassem aos níveis de 2010 (permitindo ao BC esterilizar aquele acréscimo dos depósitos revendendo os títulos que pelo visto havia comprado dos bancos naquela ocasião a fim de provê-los c/ a liquidez extra então necessária c/ o aumento das alíquotas), talvez fosse possível estabelecer uma paridade de 1:1 entre ambas as moedas e de quebra acabar c/ a moleza do Tesouro em se endividar de forma quase ilimitada, um verdadeiro sonho se considerada a atual situação…
Abs.
“Além de estabilizar a moeda, um Currency Board impõe forçosamente uma disciplina às políticas fiscais do governo.“
Está explicado porque os governos brasileiros não implementam um Currency Board!
* * *
Leandro me desculpe se já foi esclarecido esta minha dúvida básica, mas são centenas de comentários para verificar.
No caso do câmbio fixo fiquei confuso em relação a, por exemplo, 3 reais valerem 1 dólar. Ok. Mas e se a economia brasileira retrair, sei lá, 6% num ano desastroso, a cotação continuaria a mesma?? Não deveria haver uma depreciação ou apreciação relativa à diferença entre as economias?
Grato desde já.
Entendi. Eu via o CB e o câmbio fixo como um meio de troca que dependia do poder de compra entre as moedas, não via ele como um mero trocador de duplicatas como você descreveu. No caso da comparação entre estados, não me pareceria a mesma lógica sendo que os estados tem a mesma moeda(nominalmente). No caso das medidas, a medida de espaço real entre os pontos que definem um centímetro, por exemplo, é imutável. Já uma economia não.
Com essa definição que você deu, mudei o entendimento sobre o processo. Mas enfim, não vou mais aborrecê-lo.
Muito obrigado pelas respostas. Abs.
“Como sair de um "currency board"?“, por Gustavo H. B. Franco.
Gustavo Franco (1h23min07): “Padrão-ouro é um anacronismo absoluto, é uma tolice completa (…)”
http://www.youtube.com/watch?v=PE6JmxWuww8
Leandro, em 2015, o PMDB publicou um plano de governo com algumas medidas, que seria algo como um “plano de governo do Michel Temer”. Se o Temer aplicar o que está no plano, resolve a carestia?
O controle da inflação vai continuar sendo feito com juros e carestia. Duvido que haja alguma mudança no câmbio.
É impossível ter inflação baixa no Brasil. Os salários são reajustados em acordos coletivos,o salário mínimo é indexado, o real se pre está desvalorizado, a concorrência é destruída pelo controle do governo, o crédito é despejado mesmo para inadimplentes, etc.
A cultura dos políticos e sindicatos não permitem controle da inflação.
Ao mesmo tempo que há reajuste de salários, a inflação destrói o poder de compra. Estamos remando contra a maré. O sentimento é de que, mesmo com reajuste real de salários, o poder de compra vai diminuindo.
As pessoas não entendem que deflação é comprar mais coisas, com a mesma quantidade de dinheiro. Isso não é um problema.
Excelente
Leandro, sobre o Currency Board, não sei se a pergunta seria “boba” demais, mas fiquei com uma dúvida:
Se o “BC” nesse caso só teria a unica função de trocar a moeda âncora pela moeda local e vice versa, como seria o controle da expansão do PIB?
No modo tradicional, a expansão monetária que não ultrapasse o limite do crescimento do PIB não é inflacionaria, pois o PIB crescendo é criação de riqueza real.
Mas se o novo “BC” não faz mais isso, como se daria esse crescimento do PIB de forma real na economia?
Apenas uma contribuição ao artigo: a Caixa de Conversão no Brasil foi uma tática dos cafeicultores para barrar a subida do câmbio após a austeridade dos ministros Joaquim Murtinho (1898-1902) e Leopoldo Bulhões (1902-1906), quando o padrão monetário mil-réis se valorizou perante a libra. Para os cafeicultores, a valorização da moeda não interessava, visto que os ministros brasileiros planejavam colocar o padrão mil-réis por 27 pences. Assim, colocou-se um valor de 15 pences por mil-réis, travando o projeto de valorização progressiva da moeda brasileira. Para o ministro David Campista (1906-1909), a valorização da moeda era ruim para a economia e por isso ele aceitou o projeto da Caixa de Conversão, que travava em 15 pences por mil-réis. Contudo, os cafeicultores defendiam um limite para a valorização da moeda mas deixariam ocorrer uma desvalorização abaixo dos 15 pences por mil-réis caso ela acontecesse.
Nos meus comentários, eu apenas quis argumentar que o projeto da Caixa de Conversão do David Campista foi um projeto pior comparado à Caixa de Conversão planejada pelos dois ministros anteriores, Leopoldo Bulhões e Joaquim Murtinho. Nunca argumentei contra os benefícios do Currency Board em momento algum. Bulhões e Murtinho queriam um Curremcy Board clássico, enquanto David Campista implantou um modelo que só existiu no Brasil.
Leandro poderia me dizer como foi a economia na época da monarquia?
Algum artigo sobre?
Leandro
Poderia me explicar o porque dessa queda e alta do dólar tão rapidamente?
“Dólar sobe 1,62%, maior alta em três semanas, e fecha a R$ 3,487”
Não lembro onde vi o presidente acho que do BACEN falando que não iriam mais intervir na taxa de câmbio e iam deixar ela flutuar e ai dólar foi caindo e agora voltou a alta
Leandro, seus artigos sempre excelentes e bem escrito.. apenas na seção Beneficio de uma Currency Bord.. na parte que diz ” No máximo, você consegue trocar uns R$ 3.000 por alguns dólares..” na verdade indo em uma casa de Câmbio você consegue comprar 3.000 USD.. por dia e não R$ 3.000 reais em dólares por dia..
Abraços
Leandro, ótimo artigo!
Alguem poderia me indicar algum artigo que mencione, como valorizar a taxa de câmbio?
Obrigado
Leandro, eu estava lendo o artigo do Gustavo Franco sobre a Caixa de Conversão brasileira e tenho algumas dúvidas a respeito desse processo. Segundo ele, a Caixa de Conversão no Brasil era um dos órgãos emissores junto com o Tesouro. Dessa forma, parte das notas em circulação pertenciam ao Tesouro e parte das notas pertenciam à Caixa de Conversão. Portanto, ela não era o único órgão emissor.
1) Gustavo Franco disse que a Caixa de Conversão tinha um limite de emissão de 320 mil contos de réis e funcionava como um “Currency Board à margem” e livre escape para o câmbio flutuante. Ao meu ver funcionaria assim: o governo estipulava uma taxa de câmbio fixa em relação à Libra Esterlina. Quando houvesse um excesso de libras dentro do Brasil, a Caixa de Conversão enxugaria esse excesso e emitiria notas lastreadas por ela, mantendo a taxa de câmbio fixa. Quando houvesse um falta de libras, a Caixa de Conversão recolheria as notas excedentes de réis emitidas por ela e recolocaria as libras, o que deixaria a taxa de câmbio fixa. Caso houvesse um excesso ou falta de libras muito grande (superando o limite de 320 mil contos de réis), o câmbio fixo deixaria de existir e voltaria o câmbio flutuante. Se o governo quisesse manter o câmbio fixo por mais tempo, teria de aumentar o limite de emissões da caixa de conversão.
Meu raciocínio está correto? Eu não consigo achar informações sobre esse processo, portanto não consigo entendê-lo perfeitamente.
Leandro, algumas dúvidas:
Existe algum país sem Banco Central na atualidade? Quais países adotam um Currency Board ou possuem um Banco Central emulando um CB? A maioria dos países não tiveram um BC até o século passado?
Leandro, tenho uma dúvida boba, na verdade mais uma curiosidade, que creio não ter sido respondida ainda.
Ao privatizar o “controle” da moeda a uma empresa, mesmo que sediada na Suíça, isso traria um enorme “poder” a ela, já que os donos desta empresa teriam centenas de bilhões de dólares (neste exemplo) em ativos. Entendi o ponto do artigo: “Pode-se também colocar na cláusula de contrato que os lucros do Currency Board obtidos com esse excesso de reservas internacionais — que superam em muito a base monetária — podem ser revertidos para o Tesouro com a condição de que este utilize o dinheiro para amortizar a dívida”, mas ainda tenho duvidas quanto ao lucro após a amortização descrita na cláusula (se é que ela seria feita):
1- Iria todo para a empresa?
2- E porque apenas o excesso das reservas teria lucro, o CB não pode investir toda a reserva internacional?
3- Na sua opinião, como seria a escolha dessa empresa (ou dos seus proprietários)? Afinal, seria praticamente um rio de dinheiro “grátis” para os donos da Caixa de Conversão, não?
Abraços
Leandro,
Você comentou que “g) Detalhes sobre o processo de dissolução do Banco Central, bem como o cancelamento dos títulos do Tesouro que estão em sua posse (o que reduziria a dívida pública em aproximadamente R$ 1 trilhão) estão fora do escopo deste artigo.”
A pergunta é a dívida pública simplesmente deixaria de existir? Isso não configuraria um calote?
Seus artigos são um pouco de sanidade e clareza neste mundo insano pós crise 2008. Keep up!
Bom dia!
Pensa que podemos esperar que tenham coragem de adotar esse arranjo de CB?
Se adotarem, a economia pode se recuperar com mais rapidez, mesmo em face do fraco crescimento da economia mundial?
Obrigado!
Leandro, o que explica essas pequenas variações no câmbio do HKD, sendo que em Hong Kong opera um Currency Board?
cdn.tradingeconomics.com/charts/hong-kong-currency.png?s=usdhkd&v=201610142100o&d1=20110101&d2=20161231&area
Leandro, eu estava em discussão com meu professor keynesiano que utiliza o livro “Formação Econômica do Brasil” na disciplina de Formação Econômica do Brasil (óbvio). Segundo ele, Celso Furtado estava certo em dizer que o padrão-ouro só funciona nas economias em que as importações significam uma reduzida parcela do dispêndio nacional, onde o desequilíbrio ocasional da balança de pagamentos pode ser financiado com numerário de circulação interna sem provocar grande redução no grau de liquidez na economia. Contudo, uma economia de alto coeficiente de importações não conseguiria adotar o padrão-ouro porque um desequilíbrio na balança de pagamentos exigiria uma redução de grande proporções no meio circulante e ocasionaria traumas no sistema por causa das flutuações muito elevadas. Segundo Celso Furtado, na economia escravista esse arranjo até funcionaria nos países periféricos como o Brasil, mas com a introdução do trabalho assalariado a partir dos anos 1880 não funcionaria mais. Outro detalhe é que a vinda de dinheiro estrangeiro para o Brasil devido ao aumento das taxas de juros por causa da falta de meio circulante estaria em descompasso com os déficits e, portanto, não aconteceria conforme pensam os economistas defensores do padrão-ouro. Os juros poderiam se manter altos que ainda levaria tempo para recursos estrangeiros entrarem no país, se entrassem.
Na minha visão, o baixo grau de liquidez da economia brasileira não se devia ao déficits da balança comercial que diminuía o nível dos meios de pagamento no padrão-ouro, mas principalmente ao déficit das contas do governo, que era alto na época e enxugava a poupança interna privada para custear a máquina por meio da venda dos títulos da dívida. O excedente produzido pelos cafeicultores era destinado à compra de títulos públicos em vez de ser investido em outras atividades. Os juros, portanto, ficavam elevados por culpa do governo e não do padrão-ouro. Se o governo não tomasse pra si a poupança interna, certamente sobrariam recursos que amenizariam as consequências da diminuição dos meios de pagamentos devido à balança comercial deficitária, pois as atividades econômicas em crescimento encontrariam crédito.
Não sei se você já ouviu sobre essa argumentação do Celso Furtado sobre o padrão-ouro nos países periféricos e nos países centrais. Eu precisava da sua ajuda pra desmistificar isso.
Outra dúvida que eu tenho é a diferença entre oferta monetária e base monetária.
Leandro, nessa dissertação há uma tabela (página 202, tabela 8) que mostra que alguns países vivenciaram sob um Currency Board taxas de inflação maiores do que aquelas observadas durante o funcionamento de um Banco Central. Por que isso ocorreu?
krieger.jhu.edu/iae/books/Currency_Board_Dissertation_Schuler.pdf
Opá, interessantíssimo esse post e os demais artigos postados no site.
No entanto, lendo o texto me surgiu uma dúvida:
Bem no começo, na explicação da taxa de câmbio flutuante, foi posto que “a única maneira de o Banco Central manter a inflação de preços relativamente tolerável é gerando uma brutal recessão (por meio de juros crescentes) que eleve acentuadamente o desemprego, reduza salários e acabe com a demanda.”
Eu acabei não entendendo essa ideia dos juros crescentes. Juros crescentes nos títulos públicos para manter o capital estrangeiro aqui ou seriam os juros de mercado mesmo, para as empresas demandarem menos moeda e assim diminuir investimento que gerariam o desemprego, redução de salários e baixa demanda?
Obrigado.
Uma dúvida que pode ser boba mas está me incomodando: O fato de num Currency Board o real estar atrelado, digamos, ao dólar tem algum reflexo no preço do real para o comprador estrangeiro?
O que quero dizer é, se o real está atrelado ao dólar a 1:1 e um determinado produto é produzido no Brasil por um custo maior do que nos EUA, é evidente que um americano jamais importaria esse bem, uma vez que isso só faria sentido se este determinado bem ou fosse suficientemente barato para tornar vantajosa a operação ou caso a moeda deles fosse muito mais valiosa que a nossa. Se esta análise estiver correta, isso implicaria, num primeiro momento, uma redução drástica na exportação de muitos bens caso o real fosse atrelado ao dólar em um valor muito próximo, certo?
o que seria melhor para o Brasil, ancorar a moeda ao dólar ou ao ouro?
Leandro, um padrão-ouro seria um Currency Board ancorado ao ouro?
Já leu o livro “carregando o elefante “? Tem muitas idéias parecidas com seus artigos
Se o Real adotasse um cambio fixo em relação ao dólar e o FED despejasse muito crédito na economia desvalorizando a moeda, o Real teria uma valorização perante a moeda estrangeira. Dessa maneira teria política monetária, não? Pois o BC
do Brasil teria de despejar também crédito na economia para manter o cambio fixado.
“O Currency Board nada mais é do que, como o próprio nome em português deixa claro, uma agência de conversão de moeda, cuja única função é converter a moeda nacional em uma moeda estrangeira específica (chamada de moeda-âncora), e vice-versa, a uma taxa de câmbio fixa e imutável.”
Leandro, uma coisa que ainda me deixa com muitas dúvidas é essa questão do câmbio fixo, o que na minha cabeça já vem a ideia de tabelamento de preços. Por exemplo, caso o real passasse a operar hoje sob uma agência de conversão e tivesse o dólar americano como moeda-âncora, como ficaria exatamente? Hoje sob o câmbio flutuante e com um banco central, o um dólar vale por volta de R$3,20. Com o currency board então o real se transformaria em uma cédula conversível em uma cédula de dólar americano? Como seria determinado o valor?
Como pretendo fazer um vídeo explicando sobre essa maravilha, então eu ficaria muito grato se pudesse esclarecer as minhas dúvidas confusas.
Fiquei ainda com duas dúvidas a respeito do Currency Board:
– Já que com Currency Board a Base Monetária varia de acordo com a balança de pagamentos, e supondo que um país tenha constantes déficits na balança comercial, então a economia terá constantes aumentos no juros? Se sim, isso não seria prejudicial?
– Supondo que o Real seja atrelado ao dólar. E supondo que o FED faça uma lambança e acaba por inflar fortemente sua Base Monetária, obviamente o dólar perderá seu valor e com isso o Real se valorizará, mas para manter o valor estipulado, o BACEN terá de aumentar também sua BM para atrelar ao valor que foi decidido (semelhante ao mecanismo Franco suiço ao Euro a pouco tempo). Isso seria um regime cambial atrelado.
Já no Currency Board não existe política monetária, mas supondo que novamente o FED faça tal lambança e acaba desvalorizando o dólar. Mesmo após isso o Real deve manter seu valor inicialmente estipulado? Se sim, isso não seria desvantajoso para o Brasil? Pois supondo que o cambio esteja valendo 2 dólares a cada Real, e como o FED fez tal lambança, 2 dólares acaba por na valer nada la, mas aqui ele acaba valendo a mesma coisa…ja que não mudou o seu valor, por ser um cambio fixo.
O Currency Board no Brasil teve um papel fundamental para conter a inflação causada pelo encilhamento?
Lendo esse artigo, surgiu uma ideia. O país ideal para um currency board não seria o panamá, devido sua ausência de um banco central?
O franco suíço parece ser uma boa moeda. Porem, existe um risco, mesmo que mínimo, de o banco central da suíça enlouquecer; embora ele seja um dos que surpreendentemente valoriza sua própria moeda em relação as outras;
Digo isto pois tento convencer alguns em debates que para o Brasil o currency board seria a melhor alternativa, dado nosso histórico fiscal, monetário e político; Mas como sempre, os brios nacionalistas – ”soberania nacional” – ficam feridos, e o medo que o outro país controle sua moeda fala mais alto
Com o real derretendo perante o dólar por questões políticas, vale a pena ressuscitar este artigo.
Leandro, o Ilan Goldfajn disse que “política monetária é diferente de política cambial. Não há relação mecânica entre as duas”.
Eu não concordo. Se o BC daqui não emitir moeda via reserva fracionária para financiar déficits, com o tempo o dólar se enfraquece frente ao real. Estou errado? Desbanquei o Ilan, o grande mestre do BC?
Aumentar Juros não funciona pra controlar inflação, correto?
única saída seria contração da oferta monetária, ou teria algo a mais pra ser feito?
O que seria melhor? Um currency board ancorado ao dólar, ao franco suíço, ou a um pacote de minerais, como ouro, diamante, nióbio, grafeno, prata ???
e quanto a isso, tem como dar um resposta? fiquei confuso… mises.org/library/case-against-currency-boards-0
Qual a diferenca entre um padrao-ouro puro e um currency board atrelado ao ouro? E por que seria utopia sem reservas fracionarias? Nem em paises como Singapura e HK isso seria possivel?
Esse artigo e sua sessão de comentários é transcendental.
Foram-se o que!? 3 anos!?
Eu nem sabia que o Mises existia, assim como muitos leitores leigos. Dá pra ver, inclusive, pelo nível dos comentários, que o site era frequentado principalmente por profissionais e estudiosos das ciência econômicas.
Será possível estimar quanto a economia brasileira perdeu em comparação a uma ucronia onde nosso país ousasse implementar medidas liberalizantes como o CB desde a publicação desse artigo!?
Essa atual desvalorização do real simplesmente teria sido revertida em valorização!!!!!!!!!!!!!
Impressionante como é possível ver toda a situação se desabrochando e o quanto a liberdade econômica haveria tido poder de mudar o presente. Naquela época, o medo era inflação, agora alta do dólar.
Imaginem o quanto o estado já teria sido suplantado pela iniciativa privada. Bem, nunca é tarde.
ps: desculpem por baixar o nível dos comentários desde que comecei a seguir o IMB. Esse é o custo da expansão do ideal. Atrai leigos, mas essa é a ideia, não?
Nao há ninguém na equipe que o Paulo Guedes esta montando que seja favorável a um currency board?
Ja vi ele falando que a moeda tem que ter poder de compra, mas nao pode ser valorizada demais, citando a incorreta ideia de que atrapalharia as exportacoes.
Os chicaguistas como ele nao levam a estabilização da moeda como prioridade?
Leandro pq as reservas internacionais estavam tão baixas em 90 91 ? e como começou a crescer a partir de 92
Leandro, qual é a sua visão em relação ao Franco CFA das ex-colônias francesas do leste da África? Defensores afirmam que exteriorizar o controle monetário para o Tesouro francês, permitiu um semblante de estabilidade macroeconômica, já que governos extremamente pródigos não poderiam destruir a sua moeda para se financiar, por outro lado detratores apontam (corroborados por dados) de que os ganhos em crescimento econômico foram marginais comparados com outros países que adotaram moedas próprias, e mais, afirmam que isso é um mecanismo de perpetuação da exploração colonial já que além destes países não poderem fazer sua política monetária de maneira independente, eles precisam destinar 50% de suas reservas internacionais à França para manutenção do arranjo.
Não seriam quatro sistemas de regime cambial?
(1) Fixo; (2) Flutuante; (3) Atrelado; (4) Currency Board?
* * *
Quando o governo adota uma taxa cambial abaixo da taxa de câmbio de equilíbrio?
Vi esse vídeo do Kogos falando sobre a Doença Holandesa e no geral está um espetáculo, uma verdadeira aula. Essa expressão “Doença Holandesa” é algo tão clássico e é mencionado pelos keynesianos brasileiros também, com frequência.
Só que, dentro da Escola Austríaca, há pontos que sempre divergem entre os economistas e estudiosos da Ciência Econômica.
Diante desse fato, ele disse que o Currency Board seria um controle de preços, defendendo que o câmbio seja flutuante, já que um controle cambial interfere no balanço de pagamentos e nas exportações/importações, podendo gerar uma exportação artificial, ou importação artificial.
Num vídeo anterior, ele mencionou sobre o Hayek defender câmbio fixo e que isso é contraditório dentro da EA. Como ainda não li nenhum livro dele, eu não sei.
Diante disso, fico com alguns questionamentos:
– O câmbio fixo era o padrão-ouro. Seria isso um controle de preços? Faz sentido isso? Há um artigo do Rothbard justamente abordando os papéis flutuantes. É claro que ouro não tem valor intrínseco, mas a sua massa, sempre será a mesma. Faz sentido falar que no Brasil um quilo de ouro seja o equivalente a 1000 gramas e, no Paraguai, esse quilo seja o equivalente a 800 gramas? Câmbio flutuante é coisa de chicaguista (ao menos o papel fiduciário).
– Nesse regime de papéis flutuantes, haveria controle de juros? Porque com banco central com moeda própria, não há papel flutuante e juro flutuante em simultâneo. El Salvador é realmente um câmbio flutuante (e juros também), mas como é dolarizado, então é como se houvesse um câmbio fixo entre ele e todos os países que usam o dólar como moeda corrente. O Fed não tem filial em El Salvador. O mercado de criptomoedas pode ser considerado como algo de várias moedas flutuantes.
– Ao defender o câmbio flutuante (isso foi num outro vídeo), ele disse que a solução para o Brasil seria demitir o Paulo Guedes, com a alta da desvalorização cambial. É óbvio que isso seria ótimo, mas precisa escolher um melhor e, ainda assim, o real continuará sujeito a distúrbios políticos e institucionais. Se a gente copiasse o Peru (com adoção do dólar como concorrente, que é o que acredito que ele defenda), obviamente seria muito bom.
– Papéis flutuantes já causam instabilidades em países desenvolvidos, imagina no Brasil? Estamos nisso há 50 anos e nunca o sistema monetário ficou tão instável.
O que pensam sobre?
Leandro, esse defeito que você apontou sobre os regimes atrelados, estaria dentro dessa teoria, denominada de “Trindade da impossibilidade”?
O fato de um regime atrelado ter controle de juros (como Costa do Marfim) ou não (como em Singapura) muda alguma coisa na sustentabilidade do arranjo?
“A prática, no entanto, mostra que taxas de câmbio flutuante não funcionam bem para países ainda em desenvolvimento que possuem um longo histórico de instabilidade monetária ou política, e cujo Banco Central não é visto como confiável. Nestes países, a qualquer sinal de novas instabilidades, a taxa de câmbio não flutua; ela afunda.
E junto com a taxa de câmbio vão a inflação de preços e a queda no padrão de vida dos cidadãos.
Nem mesmo exportações são estimuladas, pois a inflação de preços resultante da disparada cambial afeta severamente os custos do setor industrial, que tem também de importar vários insumos e maquinários de qualidade (ver todos os detalhes sobre isso neste artigo). Consequentemente, não apenas os preços dos produtos fabricados sobem (pois os custos de produção subiram), como também a qualidade se deteriora (por agora utilizarem menos insumos importados), o que não ajuda a aumentar as exportações.”
Por que esses problemas não acontecem nos países desenvolvidos? O regime flutuante deveria funcionar para qualquer país, ao menos em tese.
Supondo-se que o Brasil de novo nomeie uma equipe econômica aos modos de Afonso Beviláqua (não vai acontecer, mas vamos sonhar), é concebível que o Brasil se dê bem com esse regime de papel flutuante, pelo menos mais parecido ao Banxico?
Leandro, aquilo que você disse sobre o Bundesbank é interessante. Tem fontes e referências sobre isso?
“O Brasil operou um Currency Board no início de 1906 a 1920, durante um de nossos efêmeros experimentos com o padrão-ouro.”
O link sumiu, mas ele foi arquivado no Internet Archive.
Já a fonte de esquerda que você mencionou desapareceu, não sei o que aconteceu com o arquivo.
Estou tentando escrever um artigo só sobre a Caixa de Conversão e está um pouco difícil. Mas se o Leandro quiser ver, tem algumas fontes nos seguintes artigos/livros: um artigo acadêmico sobre (ainda não li tudo), o livro “A história da riqueza do Brasil” do Jorge Caldeira, “A política monetária do Brasil” de Calógeras, “Repertório estatístico do Brasil, quadros restropectivos nº 1, separata do anuário estatístico do Brasil – ano V – 1939/1940 – IBGE” (esse mostra as taxas de câmbio praticadas à época, coisa histórica, até da época do Império). Tem que filtrar bem, porque é cheio de coisa que parece estar criticando o arranjo.
Vale notar o seguinte: o projeto da Caixa de Conversão teve oposição, mas por motivos diferentes: por exemplo vemos o deputado Paulino de Souza. Paulino era defensor aberto de uma moeda forte pois, segundo ele, uma moeda em fortalecimento diminui os custos de produção das indústrias e melhora o padrão de vida dos operários. Assim, ele se opunha por defender que a moeda possa se fortalecer e não tendo uma taxa cambial fixa. Pela lei, a taxa cambial seria desvalorizada, e assim tendo um valor fixo (ao menos pelo que entendi). O nível de discussão da época era infinitamente maior do que hoje, onde vemos políticos falando “créptomoeda” e “bitcóio”.
Não sei se alguém já leu sobre, mas eu li em alguma fonte na Internet de que, durante o período de Caixa de Conversão, muitas empresas brasileiras passaram a ser listadas na Bolsa, em um ritmo maior do que em tempos mais recentes. Nesse período, aliás, surgiram algumas das empresas que estão até hoje no Brasil.
Foi em uma entrevista de uma revista (não sei se foi na Exame, Veja, Época ou IstoÉ). Alguém sabe de algum material que detalhe sobre isso?
Leandro, você certamente disse que algumas das grandes empresas americanas surgiram (ou prosperaram) justamente no período onde o dólar era forte, citando a década de 1980, falando da Microsoft e da Apple.
Poderíamos dizer isso também do Brasil? Negócios como Hering e Granado surgiram na década de 1870. A Brahma veio em 1888. Interessante o fato de que muitas empresas tiveram europeus imigrantes como fundadores ou pelo menos como co-fundadores. A Droga Raia surgiu em 1905. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré teve seu início de construção em 1905, por Percival Farquhar. Esse mesmo empreendedor americano fundou a Brazil Railway Company em 1906. Triste é ver que os republicanos enterraram a chance dos recém-libertos da escravidão de começarem a sua vida com os lotes de terras, estes prometidos em uma carta da Princesa Isabel. Muitos deles então acabaram tendo de ir à informalidade, atuando como vendedores de frutas e bugigangas pelas ruas.
Eu tinha até uma matéria guardada (e perdi nas abas do Chrome… não sei se era matéria da Veja, da Época ou da IstoÉ), onde na entrevista o entrevistado disse que durante a Caixa de Conversão, o número de empresas listadas nas bolsas de valores explodiu e esse feito nunca mais foi repetido.
Falando em regimes cambiais…
A rúpia do Sri Lanka já entrou em crise cambial. Como é clássico, eles aumentaram a base monetária e não respeitaram a paridade com o dólar americano. Recentemente deixaram a rúpia flutuar, além de terem aumentado os juros.
O país está com escassez de dólares e assim tendo dificuldade para importar, o que é bastante grave para uma ilha.
Em artigo na Wikipedia, eles acertaram em falar da impressão de dinheiro, mas erraram em falar que o corte de impostos foi ruim, por causa dos déficits. Aboliram até o esquema de imposto retido na fonte. Ora, aumentar impostos não é austeridade alguma. Seria austeridade se fosse corte de gastos.
Vendo o M1 do país, como podem visualizar, ficou parado entre meados de 2017 e fim de 2019. E então no início de 2020, subiu a ritmo acelerado, com um crescimento percentual anual parecido ao do Brasil. Só que o problema é que de 2021 em diante isso continuou.
As reservas internacionais começaram a cair com força justamente depois do início de 2020. Provavelmente o banco central deve ter queimado essas reservas para manter a taxa cambial, enquanto imprimia dinheiro. Não sei se lá houve ataque especulativo, mas de todo modo eles deixaram a rúpia flutuar.
E para piorar, o governo do Sri Lanka ainda baniu fertilizantes químicos em 2021 (embora agora eles tenham revertido grande parte do desastre).
Leandro, como você visualiza o “twin deficits”, ou seja, o duplo déficit, tanto nas contas governamentais quanto na conta corrente? É algo que está dentro da Escola Austríaca na teoria de taxas cambiais?
Esse artigo precisa ser repostado imediatamente!! Precisamos de currency board o quanto antes.
Suponhamos a seguinte situação:
1) O Brasil tem oferta monetária de 4 trilhões de reais;
2) O Brasil tem 350 bilhões de dólares de reservas internacionais;
3) O Brasil quer adotar o câmbio fixo.
Considerando a taxa de câmbio mínima (aquela necessária para que o Banco Central não corra nenhum risco de ficar sem reservas), veríamos que ela seria algo do tipo 1 dólar > 11,42 reais (porque 11,42 * 350 bilhões dá mais ou menos 4 trilhões, ou seja, a oferta monetária). Só que essa taxa de câmbio estaria muito maior do que a atual (1 dólar = 5,43 reais). Isso não faria com que o real ficasse subvalorizado? Se a taxa de câmbio é a relação do poder de compra entre duas moedas, o governo pode definir a taxa de câmbio como sendo diferente da do mercado? Isso não faria com que a moeda ficasse subvalorizada ou sobrevalorizada?
Falando de reservas internacionais, a Bolívia teve uma leve subida nas reservas, algo que não ocorria há algum tempo. O governo está preocupado (com razão) e o que está ajudando é o fato de as exportações terem crescido em dólares.
Ocorreu por lá a chamada bolivianización (tem essa matéria, mas ela parece muito mais um panfleto pró-governo do que algo mais isento), um fenômeno bastante interessante e que mostra como os governos esquerdistas são distintos dentro da América Latina. Até hoje o país é muito dolarizado, mas a demanda pelo boliviano só se fez aumentar desde meados de 2006.
Neste artigo, eles mostram que os envolvidos no banco central boliviano não queriam um regime flutuante com metas de inflação, pois traria grande instabilidade cambial. Não sei se haverá um texto sobre, mas um artigo falando sobre a história do boliviano me parece interessante.
No caso cingalês (Sri Lanka), o turismo poderia fazer subir as reservas internacionais ou não? Afinal, os turistas irão trocar os dólares pela rúpia cingalesa. Esses dólares nas casas de câmbio irão pagar em algum lugar.
“No caso cingalês (Sri Lanka)…….”
Sri Lanka tá uma confusão que políticos bois de piranha estão é fugindo pra outros lugares.