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Automação versus empregos - como ter uma carreira para a vida inteira
E o segredo para se ter uma alta renda

Em 1800, o setor industrial dos EUA e da Grã-Bretanha era formado por técnicos altamente capacitados. Estas pessoas ganharam muito dinheiro. E então as máquinas começaram a substituí-los, profissão por profissão. Esta tendência continua até hoje.

Pense nos homens que faziam trabalhos de precisão metal-mecânica em 1960, utilizando sofisticados tornos mecânicos. Eles tinham de trabalhar com tolerâncias de um milésimo de polegada, ou menos. Eles eram incríveis. Mas não havia muitos deles.

Gradualmente, este tipo de processo de produção foi sendo substituído por máquinas perfeitamente capazes de trabalhar dentro destas ínfimas tolerâncias. As máquinas de hoje são capazes de apresentar a mesma produção de trabalhadores que, uma geração atrás, eram indispensáveis à indústria. Máquina por máquina, estamos assistindo a uma inexorável substituição da mão-de-obra qualificada. 

A tendência é irreversível

O gráfico abaixo mostra a participação da indústria no PIB dos países mais ricos do mundo. 

Captura de Tela 2020-08-27 a`s 16.48.16.png

Fonte: https://transportgeography.org/?page_id=549

Como se pode ver, o percentual de contribuição da indústria à produção econômica total vem declinando continuamente ao longo dos últimos 40 anos. Em alguns países mais rapidamente que em outros. Mas a tenência é a mesma para todos. Se o gráfico mostrasse mais 40 anos anteriores, o mesmo tipo de declínio seria perceptível.

Trata-se de um fenômeno mundial.  Trata-se de um fenômeno irreversível. 

Há pessoas, majoritariamente economistas de cunho intervencionista e desenvolvimentista, que reclamam desta tendência em seus respectivos países. Seja nos EUA, seja na Europa, seja num país latino-americano, eles acreditam que uma economia robusta e rica só é possível se houver uma indústria cada vez maior. 

Isso apenas mostra o quão ignorante eles são em relação a essa tendência mundial. Eles não entendem que o crescimento econômico sempre gera um declínio na porcentagem da participação da indústria na economia nacional.

O cerne da riqueza moderna

O cerne da riqueza não é o setor industrial; o cerne da riqueza é o conhecimento. Mais especificamente, o conhecimento que é aplicado com o intuito de reduzir o percentual total da indústria na economia e de aumentar a riqueza das massas por meio dos serviços.  

Esses serviços podem ser digitais ou podem ser pessoais. Mas não são baseados na manufatura.

Um amigo sempre utilizava essa frase: "Venda elétrons, e não átomos". É uma excelente frase. Não venda pedaços de coisas; venda ideias, venda eficiência, venda entretenimento e, acima de tudo, venda qualquer coisa que permita reduzir os custos das matérias-primas, o custo do capital, e o custo da produção. Corte custos, corte preços, enriqueça.

É por isso que a indústria será, cada vez mais, equipada por máquinas totalmente controladas por programas computacionais. Utilizar mão-de-obra humana para fazer esforços repetitivos e puramente mecânicos é um completo desperdício de recurso e de dinheiro. O uso de máquinas e de inteligência artificial permite que a humanidade seja libertada do fardo do trabalho maçante e exaustivo. É incrível que economistas, em pleno século XXI, ainda condenem as máquinas e desejem que seres humanos façam um serviço totalmente mecânico, tedioso e, em relação às máquinas, bem menos produtivo.

Ao longo dos últimos 200 anos, em todos os estágios em que as máquinas substituíram a mão-de-obra humana, houve um extraordinário aumento na produção e na produtividade, bem como um igualmente extraordinário aumento na riqueza per capita. Nosso mundo é completamente diferente do mundo de 1800, e o motivo para isso está no fato de que, antes, os trabalhadores eram munidos de poucos e ineficazes bens de capital, ao passo que hoje eles estão munidos de uma quantidade crescente de bens de capital de qualidade.  

Os trabalhadores de hoje têm a sua disposição uma maquinário de muito melhor qualidade. Os maquinários estão cada vez mais eficazes e eficientes, o que faz com sejam necessários cada vez menos pessoa para executar uma determinada função com a mesma qualidade. Esses trabalhadores substituídos por máquinas de maior qualidade vão buscar emprego em novas áreas do setor de serviços.

Essa tem sido a história da transformação do mundo em um lugar melhor ao longo dos últimos 200 anos. Por que, após tudo isso, as pessoas repentinamente passaram a ficar preocupadas com o fato de que máquinas e programas computacionais irão continuar substituindo trabalhadores em várias áreas? Isso é exatamente o que já vem acontecendo há dois séculos. 

Por que repentinamente querem parar com tudo isso?

O trabalho humano é versátil

Sempre estamos à procura de alguém que faça algo por nós. Se uma máquina é capaz de substituir o trabalho humano, então ela deve substituir o trabalho humano. O trabalho humano não deve ser desperdiçado em tarefas repetitivas que podem ser feitas por uma máquina de maneira igualmente eficaz e menos dispendiosa.  

Se algo pode ser feito por uma máquina, por que imobilizar algo tão versátil quanto o trabalho humano? O trabalho humano é o mais versátil de todos.  Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer.

Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada. Seres humanos não são como máquinas.  Eles podem fazer muitas coisas.

Se um indivíduo se especializou em um determinado processo de produção e tal processo é substituído por uma máquina, ele de fato pode vivenciar uma crise de desemprego. Mas alguém com seu nível de qualificação tem capacidade para trabalhar com outros instrumentos de precisão. Ele é versátil, mas somente a um nível de produtividade muito alto. Ele pode até ser momentaneamente reduzido de cargo por causa das máquinas, mas é possível se recuperar. A maioria das pessoas se recupera. Elas encontram outras coisas para fazer.

Se você trabalha no setor industrial, então você deve aspirar a uma posição que esteja entre uma máquina especializada e a resolução de um problema imediato. Existem todos os tipos de problemas imagináveis e inimagináveis nos processos de produção, o que significa que uma máquina não irá solucioná-los. Qualquer tipo de problema tem de ser resolvido pela mente humana, e por um ser humano equipado com uma ferramenta capaz de resolver o problema.

É a criatividade humana, em conjunto com o uso de ferramentas, que é essencial para garantir a produção de uma máquina. Aspire a uma posição em que você tenha constantemente de utilizar sua mente.

Se você tem uma profissão manual que se resume a fazer processos repetitivos, é bom ir adquirindo outras habilidades. Se você pensa que poderá concorrer com uma máquina para fazer processos repetitivos, é bom repensar seu futuro. Em processos repetitivos, a máquina sempre irá vencer. Em algum momento surgirá uma máquina que fará o trabalho melhor do que você. E isso é ótimo para toda a humanidade.  

Adam Smith já havia observado que as habilidades mecânicas e repetitivas que são necessárias em uma divisão do trabalho não são boas para os homens.

No progresso da divisão do trabalho, o emprego da maior parte daqueles que vivem do trabalho manual, ou seja, da grande maioria das pessoas, acaba sendo limitado a umas poucas e muito simples operações — quase sempre uma ou duas. . . . 

O homem que passa a vida inteira executando operações simples e cujos efeitos talvez sejam sempre os mesmos ou bastante parecidos não tem nenhuma oportunidade de utilizar sua mente ou de aproveitar sua capacidade inventiva para descobrir expedientes para vencer dificuldades que nunca ocorrem. Portanto, ele perde, naturalmente, o hábito deste esforço e, geralmente, se torna tão estúpido e ignorante quanto é possível uma criatura humana se tornar.  

O torpor de sua mente o torna não só incapaz de apreciar ou de manter qualquer conversa racional, como também de conceber qualquer sentimento generoso, nobre ou terno, e consequentemente de ter qualquer opinião até mesmo sobre os mais rotineiros aspectos da vida cotidiana. . . . 

Corrompe até mesmo a atividade de seu corpo, tornando-o incapaz de empregar sua força com vigor e perseverança a qualquer outro emprego que não aquele ao qual se habituou.  

Sua destreza em seu ofício particular parece, deste modo, ter sido adquirida à custa de suas virtudes intelectuais e sociais. Mas, em toda sociedade avançada e civilizada, este é o estado ao qual os trabalhadores pobres, ou seja, a grande parte das pessoas, irão necessariamente cair, a menos que o governo faça algo para evitar isso.

Adam Smith, A Riqueza das Nações (1776), livro 5, capítulo 1.

O governo não tem de fazer nada para evitar isso. Tudo o que o governo tem de fazer é sair do caminho. Alguém irá inventar uma máquina que substitua o indivíduo nesta atividade tediosa e repetitiva. Máquinas não se entediam.  Elas não cometem erros desleixados. Elas não divagam durante seu trabalho.

Alexis de Tocqueville, em seu livro Democracia na América, dizia que a solução era se tornar um líder, e não um operário.

Quando um operário se dedica sem cessar e unicamente à fabricação de um só objeto, acaba realizando esse trabalho com uma destreza singular. Mas perde, ao mesmo tempo, a faculdade geral de aplicar sua mente à direção do trabalho. Ele se torna a cada dia mais hábil e menos industrioso; pode-se dizer que o homem se degrada à medida que o operário se aperfeiçoa. 

O que se pode esperar de um homem que passou vinte anos da sua vida fazendo cabeças de alfinetes? A que pode se aplicar, agora, essa poderosa inteligência humana que existe nele e que tantas vezes revolveu o mundo, a não ser para procurar o melhor meio de fazer cabeças de alfinete?  

Quando um operário consumou dessa maneira uma porção considerável de sua existência, seu pensamento deteve-se para sempre perto do objeto cotidiano de seus labores; seu corpo contraiu certos hábitos fixos de que não lhe é mais permitido desfazer-se. Numa palavra, ele não pertence mais a si mesmo, mas sim à profissão que escolheu.

Em uma sociedade em que a divisão do trabalho é altamente desenvolvida, ele pode sair deste emprego e encontrar algo mais de acordo com seus gostos e talentos.

À medida que o princípio da divisão do trabalho recebe uma aplicação mais completa, o operário se torna mais fraco, mais bitolado e mais dependente.  A arte faz progressos, o artesão retrocede.  

Por outro lado, à medida que fica mais manifesto que os produtos de uma indústria são tão mais perfeitos e tão mais baratos quanto mais vasta a manufatura e maior o capital, homens muito ricos e muito esclarecidos se apresentam para explorar indústrias que, até então, tinham sido entregues a artesãos ignorantes ou inábeis. A grandeza dos esforços necessários e a imensidão dos resultados os atraem.  

Assim, portanto, ao mesmo tempo que rebaixa sem cessar a classe dos operários, a ciência industrial eleva a dos patrões.

Enquanto o operário concentra sua inteligência cada vez mais no estudo de um só detalhe, o patrão analisa o todo, e sua mente se expande na mesma proporção que a do outro se estreita. Em breve, o primeiro não precisará de mais do que sua força física sem inteligência; já o segundo necessita da ciência, e quase do gênio, para ser bem-sucedido. Um se parece cada vez mais com o administrador de um vasto império, o outro, com um bruto.

Felizmente, o livre mercado substitui esse tipo de processo de produção rapidamente. Henry Ford adotava esse processo mecanizado em suas linhas de produção, mas a General Motors tomou o lugar de Ford em uma década. Os processos de produção sempre se movem em direção à cooperação no chão de fábrica, onde as pessoas contribuem com suas ideias e trabalham em equipe para implantá-las.  

Este foi um dos grandes segredos da indústria japonesa após a Segunda Guerra Mundial. Equipes de homens lidando com problemas conjuntos.

A coisa mais valiosa que as pessoas podem fazer é resolver problemas. Elas não são máquinas. Da mesma maneira, clientes e consumidores têm vários problemas. Não há um só tipo de problema. Há vários padrões de problemas. Mas cada problema possui aspectos singulares. É por isso que máquinas não podem lidar com eles.  

As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos.  

Ferramentas são máquinas; elas não são criativas. Pessoas são usuárias de ferramentas; elas não são máquinas e, por isso, são criativas.  

Se um determinado processo de produção substitui pessoas por máquinas, então o destino daquela indústria já está selado. Se um determinado processo de produção ainda utiliza indivíduos para efetuar tarefas repetitivas, então ele está criando um mercado para que uma máquina substitua a força de trabalho. Isso é bom para a força de trabalho e é bom para os consumidores.

O segredo para se ter uma alta renda não é possuir uma capacidade de efetuar tarefas repetitivas. O segredo é ter uma mente criativa. O segredo está na mente criativa que é capaz de aplicar princípios gerais a casos específicos, e então encontrar ferramentas especializadas com as quais implantar seu plano.

Se a sua ocupação requer que você apenas efetue coisas repetitivas, coisas que não requerem muito raciocínio, então seria bom você ficar esperto e começar a procurar algum setor que possua algum conjunto de problemas que alguém com suas habilidades possa resolver. É a capacidade de saber resolver problemas, e não a implantação de soluções mecânicas, que gera uma renda alta. É assim que trabalhadores se tornam líderes e patrões.

Se um sistema educacional de um país treina seu povo para solucionar problemas, então o país tem futuro. Se, por outro lado, o sistema educacional treina seu povo para coisas rotineiras, então ele está ludibriando a população. Em termos de renda, ela não sairá do lugar.


autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • anonimo  19/07/2013 19:13
    Sobre o trabalho criativo, acredito que todos aqui sabem que esse eh o grande diferencial... Hoje se tem cameras para filmar, mas so alguns conseguem produzir algo criativo, impressora 3D idem projetos mirabolantes nao se criam do nada..., Blender para para criar jogos ou realidade virtual idem, mas poucos conseguem fazer algo "novo" .
  • Anarcofóbico  19/07/2013 19:42
    Entendo que o governo deveria regular mais essas máquinas para que não suplantem a grandiosidade da o trabalho humano! Não é lícito substituir seremos humanos por máquinas. Estava lendo hoje sobre uma máquina 3d para construção de casas! Que absurdo, para que construir casas em 20 horas, com maior economia de material e mão de obra se podemos empregar o próximo e ajudar muitas famílias?! Lucro não é tudo!

    Ainda bem que em nossa política temos pessoas sóbrias. Como nosso querido Lula afirmou:

    "Na década de 90, existia a dúvida de quem era o serviçal mais importante, Menem (Carlos Menem, presidente da Argentina de 1989 a 1999), FHC, etc. Como o Brasil queria ser grande se não cuidava dos que estavam perto de si? Fizemos um trabalho de reconquistar confiança política. Em dois anos, aconteceram coisas extraordinárias, primeiro o Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela), depois o Lula, o Kirchner (Néstor Kirchner, presidente da Argentina de 2003 a 2007), etc. Aquilo que as pessoas jamais imaginaram que iria acontecer nós vivemos, que foi o período mais progressista, socialista e de esquerda da nossa América do Sul."

    Certo fez o Lula a não se levantar para o presidente americano e seus comparsas, afinal já somos muito superiores aos EUA!

    Fica tb meu elogio à genialidade de Lula ao afirmar: "As pessoas se incomodam com o pobre tendo carro ou andando de avião" e mostrou muita humildade ao dizer:

    "Na hora que um jovem estiver dentro de casa ou no computador, quando vocês estiverem putos da vida, dizendo que não gosta do Lula, da Dilma, ainda assim, não neguem a política. E muito menos neguem os partidos. Podem fazer outros. Quando estiver p* e negar as coisas, em vez de negar a política, entre na política. É dentro de cada um de vocês que está o político perfeito que vocês querem. Fora disso, não existe solução."
  • Marcio L  20/07/2013 00:27
    Não está na reportagem, mas assisti trechos da palestra e o Lula disse algo interessante, que o Estado Brasileiro empresta dinheiro muito facilmente a quem não precisa, mas é praticamente impossível emprestar dinheiro a quem precisa.
  • Dw  21/07/2013 04:02
    Engraçado, as pessoas sempre querem bens mais baratos quanto possíveis, mas muitas vezes repudiam as alternativas que as empresas usam para diminuírem os custos destes..
  • Heisenberg  23/07/2013 20:35
    O Lula é tão malandro e inteligente que fez uma sucessora mais estatizante e teimosa que ele, pois assim sabia que não havia possibilidade de a economia melhorar após sua saída. É perigoso ele voltar à presidência, implantar o anarcocapitalismo, chamar isso de socialismo e a economia decolar.
  • IRCR  19/07/2013 19:45
    Fico imaginando quando as maquinas se tornarem "criativas" digo com inteligencia artificial plena. Será uma revolução sem precedentes muito maior que as revoluções industriais do passado.
    Muitos pensam que apenas o setor agricola e industrial que "sofre" com as maquinas mas o setor de serviços tb está em "perigo" com o tempo. Por exemplo o setor bancário, que já se faz tudo praticamente online ou via caixa eletronico. Prevejo nas proximas decadas esse setor sofrendo um grande downsizing de funcionarios como já vem há um bom tempo.
  • Andre Cavalcante  19/07/2013 20:34
    "Fico imaginando quando as maquinas se tornarem "criativas" digo com inteligencia artificial plena"

    Veja só isso

    Agora, a IA ainda tá muito longe de chegar a qualquer coisa como criatividade, inventividade. Se isso acontecer, só daqui a uns 200 anos. Então, não me preocupo com isso.
  • anônimo  20/07/2013 10:26
    Isso não é inteligência artificial, é só um robô.IA é software
  • Marconi  19/07/2013 22:04
    Sir. Adam Smith escreveu tudo que se precisa saber sobre economia.. o cara foi um gênio. Não apenas o primeiro, mas o maior de todos os economistas. Até hoje, só Ricardo, Hayek e Friedman são personagens que entenderam Adam Smith em sua plenitude e contribuíram com o pensamento econômico de forma relevante.
  • Marck  19/07/2013 23:18
    Por favor, mais artigos sobre automação.
  • Leandro  19/07/2013 23:23
  • Marck  20/07/2013 05:32
    Já havia lido, ótimo artigo.

    Mas quero mais, espero que o Mises continue publicando artigos sobre este assunto.
  • Edmar Ferreira  20/07/2013 22:28
    Fiquei emocionado ao ler o artigo. Penso de forma semelhante.
    Sou arquiteto e me graduei na década passada, quando ainda era possível encontrar colegas trabalhando em pranchetas de desenho. A melhor coisa que pôde nos acontecer foi o computador ter entrado na profissão: surgiram inúmeros desenhistas, mas os arquitetos se viram obrigados a deixar de ser desenhistas para se tornar arquitetos.
  • Carlos Marcelo  21/07/2013 21:42
    Gostaria de entender melhor, se um trabalhador é super-especializado em uma função repetitiva, como ele conseguirá emprego numa função diferente? Ele procurará um curso para uma nova qualificação, por conta própria, ou o patrão deve subsidiar a formação para ele aprender a operar a máquina que o substituiu? Ou ainda, buscar um trabaho de baixo nível de especialização, recebendo um salário menor, até ele arranjar algo melhor? Só quero entender, não me xinguem de ludita.
  • Andre Cavalcante  22/07/2013 14:13
    Conforme. Ele pode simplesmente ir para outra empresa e continuar superespecializado.
    Ou pode ir para uma trabalho que exija menos qualificacao. Ou seu novo patrao pagar para especializa-lo em uma nova area. Ou ele mesmo investir em nova especializacao. Enfim, ha todo tipo de arranjo.
  • Marcel  22/07/2013 02:35
    Esse é um bom tema, sou defensor da economia livre mas tenha sérias dúvidas se o capitalismo que leva automação consegue se reiventar gerando novos empregos, acho que há um limite para isso, e li uma pesquisa do MIT que a internet a partir de determinado momento mais destruiu empregos do que gerou, e não duvido que seja verdade, está acabando com o mercado editorial, acabou com a industria fonográfica, e vai devorando várias coisas de modo automatizado, o instagram uma empresa de 2 bilhões tinha 13 funcionários. Sim, grandes mentes sempre terão espaço,sempre terão emprego, sempre ganharão dinheiro, em qualquer época, mas a sociedade não é feita de gênios e sim de pessoas comuns,e é legal falar que devemos procurar trabalho que utilize raciocínio mas o computador faz isso muito bem e o mais importante, mais barato,vcs sabem que o grosso dos empregos não requerem criatividade nem capacidade de resolver problemas, a automação começou no setor primário, secundário, e já está chegando forte em serviços.Não sei, acho que o futuro ou vai ser muito bom,ou vai ser péssimo, qual vcs acham que vai ser o futuro do mercado de trabalho? Computadores e robôs trabalhando para várias micro empresas?

    www.douradosnews.com.br/tecnologia/tecnologia-mais-destroi-do-que-cria-emprego-diz-estudo-do-mit
  • Gutemberg  22/07/2013 03:13
    O automóvel acabou com vários empregos no setor de carruagens e carroças, a luz elétrica dizimou empregos na indústria de velas e candelabros, o computador aniquilou a indústria de máquinas de escrever e os programas de computador acabaram com a profissão de edição de livros à moda antiga (em que havia um cara que rescrevia o livro todo em uma chapa que seria copiada).

    Isso foi bom ou ruim para o padrão de vida das pessoas?

    A função de uma economia não é gerar empregos, mas sim aumentar o padrão de vida das pessoas. Esse deve ser o seu mensurador.
  • anônimo  17/10/2013 14:20
    Mas há um limite para tudo na vida. Hoje as pessoas ainda encontram emprego no mercado de trabalho, mas a diminuição do número de empregos parece ser um tendência que virá no futuro, por meio da robotização e automatização.
    Sinceramente me parece ser uma questão difícil de ser respondida.
  • Andre Cavalcante  17/10/2013 19:12
    "Mas há um limite para tudo na vida. Hoje as pessoas ainda encontram emprego no mercado de trabalho, mas a diminuição do número de empregos parece ser um tendência que virá no futuro, por meio da robotização e automatização."

    Tendência? Há 7 bilhões de pessoas na Terra. Só no Brasil há 200 milhões. Trabalho é que não falta! Necessidades há hoje, que há 30 anos não existiam. Hoje temos celulares, que fez aumentar e muito o número de pessoas conversando e, para isso, precisa-se da rede. Temos impressoras rápidas, que imprimem com qualidade fotográfica, em cores, em tudo quanto é tipo de papel, o que fez aumentar, e muito, o consumo de papel e, para isso toda a cadeia produtiva de papel teve que aumentar. E tudo isso precisa de gente para trabalhar e fazer acontecer. Você tá focado demais em empregos industriais e repetitivos. Você quer ser um The Tramp (O Vagabundo de Charles Chaplin) operando maquinalmente uma outra máquina, ou você prefere ser o criador das novas tecnologias?


    "Sinceramente me parece ser uma questão difícil de ser respondida."

    Difícil nada, fácil, fácil. Quanto maior a tecnologia, mais produtividade, mais bens e serviços, e, consequentemente, mais necessidades e trabalhos. Esse papo de que tecnologia trás desemprego não tem sentido nem histórico, nem racional, nem na teoria e nem na realidade.

    A Espanha, por exemplo, vive uma "crise de emprego". E por quê? Não tem nada a ver com a tecnologia, mas porque é muito mais vantajoso para as pessoas viverem de seguro desemprego por lá, e quem tem din-din pra investir prefere tirar o dinheiro de lá e investir em outros cantos, com maior rentabilidade e maior certeza de retorno (leia-se Alemanha), evitando-se assim de contratar gente. E isso tudo por culpa das políticas errôneas dos governos europeus.

    O que limita o trabalho e o emprego são justamente as leis trabalhistas e a infinidade de burocracias que o governo impõe e que impedem das pessoas fazerem as coisa. Já pensou em quantos reais são gastos para abrir uma firma no Brasil? Quais as condições que um pequeno empresário tem que vencer para abrir um escritório ou loja e oferecer um serviço ou certos produtos? É isso que empaca o Brasil e o mundo.

    Acorda!!!
  • anônimo  18/10/2013 14:06
    Você está pensando em curto/médio prazo. Hoje estamos no lado ascendente da curva com relação a criação de empregos. Logo é fácil observar esse crescimento.

    A tecnologia tende a substituir o ser humano nas tarefas produtivas. Isto é minha única certeza.

    Você escreveu, escreveu, escreveu, mas sobre a atual situação, o PRESENTE. Pense para daqui uns 100/200 anos.

    Penso que a diminuição da população mundial virá como uma "solução" para o desemprego devido a robotização e automatização dos processos.

    "Quanto maior a tecnologia, mais produtividade, mais bens e serviços, e, consequentemente, mais necessidades e trabalhos."

    É engraçado como você afirma isto de forma categórica. Como diz um amigo meu: algumas certezas somente a ignorância pode proporcionar. O estudo do MIT, que o Marcel citou, parece discordar de você. E tenho a mesma inquietação que o Marcel descreveu, ou seja, o futuro poderá ser muito bom ou poderá ser péssimo. TALVEZ estamos caminhando para um ponto sem nó.





  • Andre Cavalcante  19/10/2013 15:07
    "Você está pensando em curto/médio prazo. Hoje estamos no lado ascendente da curva com relação a criação de empregos. Logo é fácil observar esse crescimento.

    A tecnologia tende a substituir o ser humano nas tarefas produtivas. Isto é minha única certeza.

    Você escreveu, escreveu, escreveu, mas sobre a atual situação, o PRESENTE. Pense para daqui uns 100/200 anos."

    Ora, não sei como o mundo será daqui a 20 anos e você quer fazer uma previsão sobre como estará o mercado de trabalho daqui a 100/200?

    De qualquer forma, a tecnologia tende a substituir os serem humanos nas tarefas repetitivas. A produtividade é outra coisa. Quanto mais tecnologia, maior a produtividade do trabalhador.


    "Penso que a diminuição da população mundial virá como uma "solução" para o desemprego devido a robotização e automatização dos processos."

    Diminuição? A tendência é crescimento, pelo menos até 2100.


    ""Quanto maior a tecnologia, mais produtividade, mais bens e serviços, e, consequentemente, mais necessidades e trabalhos."

    É engraçado como você afirma isto de forma categórica. Como diz um amigo meu: algumas certezas somente a ignorância pode proporcionar. O estudo do MIT, que o Marcel citou, parece discordar de você. E tenho a mesma inquietação que o Marcel descreveu, ou seja, o futuro poderá ser muito bom ou poderá ser péssimo. TALVEZ estamos caminhando para um ponto sem nó."

    Sim, afirmo de forma categórica porque está baseado em duas coisas: uma sólida teoria econômica, a Escola Austríaca, e no fato histórico. Não houve uma única época no passado que mostrasse um aumento da tecnologia com um declínio do bem estar das pessoas, ou declínio populacional. E, considerando que a teoria mostra extamente a mesma tendência que a história vem mostrar, não temos nenhum motivo para acreditar que seja diferente.

    A matéria veiculada pela imprensa não representa o estudo original do MIT. A matéria da Super, no mês passado, está um pouco melhor (ainda que incompleta), O que o estudo mostrou é que há uma perda de empregos no setor de manufatura e que não está sendo compensada, nos EUA, por um aumento nos serviços. Também pudera, com a quantidade de regulamentações que o governo exige, não dá pra ter um aumento proporcional. O pior é que, no final, o autor mostra que os empregos nas áreas criativas tem explodido.

    E, de novo, você está totalmente voltado para um pensamento mauthusiano, o qual já foi demonstrado que é equivocado. Verifique suas crenças. Este site é ótimo para modificar isso.

    Sobre o futuro, ele será sempre bom, de um jeito ou de outro. É uma questão somente de como olhar a coisa. Se houver catástrofes no meio do caminho é simplesmente que o futuro ainda não chegou. Taí o imbrólio de se falar do futuro de forma qualitativa como as ciências sociais costumam fazer. E ninguém é doido de fazer afirmações do tipo: "daqui a 3 anos o Brasil estará crescendo X% a.a., teremos uma população de tanto e teremos o índice de desemprego de tanto. Isso porque tais números vão refletir a vontade de 200 milhões de pessoas, o que, em qualquer análise, é impossível de prever com certeza.


  • Leandro C  10/09/2019 14:18
    Eu não sei se a população vai crescer ou diminuir (até desconfio que diminua), mas acho que tal questão não resolve problema alguma, pois se a população crescer haverá mais gente disputando como atender a necessidade de mais gente, enquanto se a população diminuir haverá menos gente disputando como atender a necessidade de menos gente.
    Enfim, apenas acho que isto é irrelevante; uma questão que talvez possa colaborar é pensar se as pessoas terão suas necessidades atendidas ou não, independentemente do grau de automação, há também o grau de satisfação, explico: antigamente as coisas eram pouco automatizadas, portanto, tudo parecia mais escasso, entretanto, as pessoas não pareciam ter grandes necessidades (ou, ao menos, não tinham as suas necessidades atendidas); atualmente, o que se percebe é que os processos estão mais automatizados e a tecnologia criou uma riqueza sem precedente, contudo, ainda não suficiente para fazer frente às crescentes necessidades surgidas desde então.
    Antigamente, as mulheres de 40 anos de idade eram apenas avózinhas com cabelos brancos e longos; atualmente, estão bombando nos bailes, academias, salões de beleza, peitos novos etc etc... antigamente não existia viagem de turismo, atualmente todos (ou muitos) viajam entre continentes com uma frequência até grande... antes era qualquer cerveja, agora tem que ser gourmet... e por aí vai... novas necessidades vão surgindo com o decorrer do tempo quando as anteriores vão sendo saciadas, percebam que antes se trabalhava muito apenas para comer... atualmente praticamente não temos mais fome no mundo (com exceção de algumas regiões) e se trabalha bem menos e com muito menos esforço para termos o que antes todos considerariam apenas como luxo e atualmente se transformaram em necessidades (TV a cabo, ar condicionado etc e cada um coloca na lista o que quiser).
  • Marcos  22/07/2013 13:38
    "Se um sistema educacional de um país treina seu povo para solucionar problemas, então o país tem futuro. Se, por outro lado, o sistema educacional treina seu povo para coisas rotineiras, então ele está ludibriando a população. Em termos de renda, ela não sairá do lugar."

    O que dizer então de um sistema educacional que treina seu povo para ser comunista?
  • Viva  12/05/2016 15:21
    De fato, profissionais que trabalham com processos repetitivos são substituídos por máquinas, e isso é necessário para que as empresas aumentem sua produção e atendam a necessidade do mercado. Uma simples máquina de salgadinhos consegue produzir em muito maior quantidade e com perfeição, o que muitas pessoas não conseguiriam em um dia, e faz isso em poucas horas!
    Eu acredito que a automação é benéfica sim para a sociedade e que abre espaço para outras formas de trabalho também, aumentando a tecnologia o resultado é aumentar a produtividade!
    Na crise que nos encontramos, para muitos se torna necessário a busca de caminhos diferentes, e por fazer algo diferente, nosso resultados também serão diferentes. Que sejam melhores!
  • Osmar  27/08/2020 20:56
    Eu até entendo que a mão de obra qualificada que for demitida de uma linha de produção por causa dos robôs irá encontrar novos trabalhos, mas e um cara de 45 anos que frita hamburguers em uma rede de fast-food? Se ele for substituído por um robô (e será) como é que ele vai encontrar outro emprego?
  • Sincerão  27/08/2020 21:03
    Se você tem 45 anos e trabalha fritando hambúrgueres em um fast-food, então, sinceramente, você fracassou na vida. Miseravelmente. Se você quer um emprego melhor, então você tem de valer isso. Você tem de se tornar uma pessoa que sabe criar valor para seus consumidores.

    Empregos em fast-food (ou outros empregos que pagam salário mínimo) não são empregos para uma vida inteira. Não são empregos nos quais você deve querer formar uma carreira. Não são empregos com os quais sustentar uma família. Fritar hambúrguer em fast-food é um emprego que é apenas uma porta de entrada no mercado de trabalho. São para iniciantes, adolescentes, estudantes que querem complementar renda ou mesmo para aposentados que ocasionalmente querem ter algo para fazer durante o dia.
  • Estado o Defensor do Povo  05/09/2020 23:48
    Argumento tosco em Sincerão, não é assim que as pessoas vão se convencer, o ponto não é se o cara "fracassou" ou não na vida, ele não é menos do que ninguém por fritar hambúrgueres, mas sim se ele quiser um trabalho melhor ele terá que se especializar um pouco mais, mas nunca é tarde pra começar, eu tiraria o deboche do seu comentário.
  • Fabrício  27/08/2020 21:05
    Qual é a porcentagem de pessoas com mais de 40 anos que realmente ganha a vida fritando hamburguer em lanchonete fast-food (não confundir com hambuergueria gourmet, que paga bem mais)?

    Chega a 2%? Duvido muito. A maioria é tudo jovem, e não está ali para a vida inteira.

    Mesmo em cadeias como Madero e Outback, que fazem hambuergueres mais requintados e exigem mão de obra mais qualificada, duvido que a pessoa trabalha ali pensando em ficar ali para sempre. E nem seria bom para a economia se fosse assim.
  • Renato  27/08/2020 20:58
    Eis o que ninguém tem coragem intelectual de dizer: empregos industriais são insalubres e, por isso mesmo, indesejáveis.

    Eu sempre me delicio ao ver intelectuais defendendo o aumento no emprego industrial como se fosse uma coisa desejável e agradável. Ora, trabalhar na indústria é algo totalmente punitivo do ponto de vista da saúde e da segurança. É um ambiente maçante, monótono e até mesmo emburrecedor. O trabalhador industrial passa oito horas do dia fazendo trabalhados repetitivos e extenuantes. É a perfeita caricatura do homem robotizado, sem emoções e vontade própria.

    Por isso, qualquer redução do emprego industrial deveria ser comemorada como algo humanístico; qualquer substituição de homens por máquinas deve ser aplaudida como algo em prol da humanidade.

    Antigamente, a esquerda criticava os empregos gerados nas fábricas (Revolução Industrial). Hoje, ela diz que a salvação está nos empregos nas fábricas. E, pelo visto, ganhou a companhia de alguns "libertários" nessa.

    Apenas gente que nunca empunhou um instrumento de trabalho mais pesado que um lápis pode defender a ideia de que o progresso está em fazer trabalhos excruciantes e "quebradores de coluna" nas indústrias.

    Eu não entendo gente defendendo enfiar ainda mais humanos dentro de fábricas. Empregar humanos na indústria denota atraso. Avanço é substituí-los por máquinas e robôs. Países ricos fazem o segundo e liberam essas pessoas para se dedicar a empreendimentos mais prazerosos. Países pobres, o primeiro, e com isso permanecem no atraso, sem um setor de serviços vibrante e criativo.
  • Operário  27/08/2020 21:04
    "Eu não entendo gente defendendo enfiar ainda mais humanos dentro de fábricas. Empregar humanos na indústria denota atraso."

    Meu caro, isso não é uma questão de escolha e sim de necessidade.

    Seu argumento dá a entender que se fecharmos todas as fábricas os trabalhadores dessas fabricas vão sair e começar a executar atividades intelectuais. Seu argumento beira a infantilidade, é obvio que é ruim o trabalho em fábrica, assim como era pior o trabalho no campo, mas não há como fugir disso em países pobres, com pouca instrução, educação e baixo capital acumulado.
  • Mr. Citan  27/08/2020 21:08
    Renato, concordo.
    Lembro que quando eu era de menor, minha mãe, que criou sozinha eu e minha irmã, e que já tinha trabalhado na Volkswagen e na antiga GE, falava sempre que, ela faria de tudo para os filhos dela trabalhar em escritório.
    Eu achava muito estranho e até soberbo da parte dela, mas anos depois, quando fui estagiar na area de TI em uma fábrica que era fornecedora de montadoras, aí eu pude entender o que ela queria dizer com aquilo.
  • anônimo  27/08/2020 21:18
    É interessante observar que quanto mais uma pessoa está familiarizada com o trabalho em fábricas mais ávida ela é para proteger seus filhos e netos da necessidade de ter de trabalhar em fábricas.

    Quem trabalha em fábrica, fazendo serviço excruciante e debilitador, sonha em sair daquilo ali, e tem pesadelo ao imaginar seus filhos tendo de fazer o mesmo tipo de serviço. Eu já tive um vizinho que trabalhou na linha de produção da GM. Ele dizia que não podia nem imaginar ver seu filho (que fazia eng. mecânica) trabalhando no mesmo. "Só se for para projetar o carro no computador", dizia ele.
  • Fritz inteligente e educado  29/08/2020 15:37
    Anônimo, concordo 100%, minha mãe foi costureira a vida toda, meu pai sempre trabalhou em metalúrgica, sempre trabalharam em chão de fábrica, e desde muito pequeno sempre ouvia eles dizendo que eu deveria estudar e me esforçar para conseguir algo melhor, era comum eu ouvir frases do tipo "chão de fábrica é pra trabalhar muito e ganhar pouco", "isso não é vida", "você não tem nenhuma estabilidade, qualquer coisa só te demitem e já logo acham outro", etc. Na época achava que estavam exagerando, até que uns anos atrás tive meu primeiro emprego em chão de fábrica e então vi que eles sempre tiveram razão. O emprego em questão não era muito fisicamente exaustivo, mas era extremamente repetitivo (coisa que eu odeio do fundo da minha alma), pagava muito pouco e frequentemente colegas meus eram simplesmente demitidos e no dia seguindo outro já começava no lugar.
  • Rodolpho Alexandre  27/08/2020 21:16
    A tecnologia acaba com os bons empregos e realoca as pessoas em sub-empregos que com toda certeza, por serem muito menos exigentes e executáveis até mesmo por macacos, pagarão muito menos. "As pessoas estão em empregos muito mais confortáveis", claro, como se deixar de arar a própria terra e ir trabalhar em um call-center multinacional que te obriga a trabalhar até aos domingos fosse algo muito bom.
  • Vladimir  27/08/2020 21:22
    Interessante. Coloque aí a sua fonte. Já que você tem "toda a certeza" de que os novos empregos pagam menos que os antigos, então não terá dificuldade nenhuma de provar.

    Por exemplo, eis algumas novas ocupações que surgiram com o aprofundamento da tecnologia: YouTubers, "Instagramers" Profissionais, Consultores de Moda, Fashion Designers, Apresentadores de Programas de Entretenimento Televisivo, Jogadores Profissionais de Videogame, Consultor de Marketing, Experimentador de Hotéis de Luxo, Testador de Camas, Testador de Alimentos e Bebidas, Investidores Profissionais, Professores de Investimento, Guias Turísticos. Tem até Testadores de Tobogã.

    Hoje, nêgo ganha (muito) dinheiro com Instagram e YouTube sem sair de casa.

    Isso sem falar no fato de que a automação, ao reduzir a carga de trabalho muscular necessário para a sobrevivência, permitiu a expansão de profissões como médicos altamente especializados, financistas, instrutores de ioga, artistas, cineastas, chefs, contadores e empreendedores do ramo de tecnologia.

    Mostre que todas essas profissões ganham menos e têm um padrão de vida pior que um operário que ficava 12 horas dentro de uma fábrica insalubre apertando parafuso em linha de montagem de carro.

    No aguardo.


    P.S.: vocês esquerdistas deveriam ser um pouco mais coerentes. Charles Chaplin, em seu filme anti-capitalista "Tempos Modernos", criticava exatamente esse tipo de trabalho maçante e exaustivo feito mecanicamente por operários nas linhas de montagem das indústrias, sem quase nenhum auxílio de tecnologia. E vocês agora não só estão com nostalgia daquele tempo, como ainda querem recriar tudo isso? Bizarro.
  • Emerson  27/08/2020 21:27
    "Charles Chaplin, em seu filme anti-capitalista "Tempos Modernos", criticava exatamente esse tipo de trabalho maçante e exaustivo feito mecanicamente por operários nas linhas de montagem das indústrias, sem quase nenhum auxílio de tecnologia. E vocês agora não só estão com nostalgia daquele tempo, como ainda querem recriar tudo isso? Bizarro."

    Recomendo o filme A Chance. É de 1983 e também aborda isso. O filme é ambientado numa cidade siderúrgica da Pensilvânia. Ele mostra os jovens se esforçando ao máximo para se tornarem atletas de futebol americano e com isso serem admitidos em alguma universidade para assim não terem de trabalhar na indústria siderúrgica, que era vista como um pesadelo.
  • Guilherme  27/08/2020 21:33
    Flashdance. Tá passando no Netflix. A mulher trabalha numa siderúrgica (acho que em Pittsburgh) e sonha em virar dançarina.
  • rraphael  27/08/2020 21:32
    não existe trabalho ruim, ruim é ter que trabalhar né, rodolpho?
    antigamente uma secretária datilografava 500 cartas , agora escreve 1 e as outras 499 são geradas por mala-direta num aplicativo de escritório que manda tudo pra impressora, leva 15 min pra fazer um trabalho que demandava horas

    oooo tecnologia malvadona opressora

    daqui a pouco aparece um pra falar que os vendedores de lampião perderam os empregos pros vendedores de lâmpadas ... que absurdo tanta gente ficou pra trás ... ainda bem !
  • Ex-microempresario  27/08/2020 23:15
    Rodolpho Alexandre: nunca arrumou a própria cama, não sabe distinguir uma enxada de uma picareta, mas fala em "arar a própria terra" como se fosse a coisa mais linda do mundo.
  • Imperion  28/08/2020 01:01
    A esquerda com sua mentalidade anti-produtivista já considera que quem faz o trabalho manualmente deveria receber mais do que quem usa os bens de capital. Já faz parte da ideologia. Ignoram que são os bens de capital que fazem a maior parte do trabalho produtivo. E que a maior parte da renda tem que ir pros dono bens de capital.

    Ela tenta desmerecer a produtividade, pois se especializa em tomar dos outros, precisando enfiar ma cabeça dos trabalhadores que o patrão lhes rouba. Senão não tem seus asseclas pra fazer a militância.

    Mas ao espalhar essas irrealidades, educam o trabalhador a achar que vai receber, e este então não investe em bens de capital pra aumentar sua produtividade e assim oferecer mais e ganhar mais. O preço pago então por sua ganância de querer receber por algo que não fez é manter essa mentalidade, nunca progredir na vida.

    Bens de capital evoluíram de simples ferramentas aos produtos complexo do dia de hoje, chegando a produzir 95 por cento dos valores. O trabalho humanos é cada vez mais fácil. Os bens de capital vão continuar evoluindo e se os trabalhadores continuarem a mentalidade esquerdista de que têm direito a receber pelo que não participaram, vão continuar sendo atropelados. Acham que o empreendedor vai comprar máquina, terreno, imóvel, bens de produção, se endividar por anos, esperar anos pelo retorno e vão dividir com alguém que não participou do empreendimento?

    A evolução dos bens de capital é perfeita para se livrar dos não produtivos. Querem receber pelo emprego e não pela produtividade nesse.

    Então é normal o esquerdista reclamar que a automação tira emprego. Faz parte da mentalidade deles. Não percebem que é a falta de produtividade que lhes roubou o emprego. Quem quer ser produtivo abraça os bens de capital, os compra e oferece os resultados no mercado.

    Quem não quer reclama dos outros e se especializa mais em políticas de tirar dos produtivos. Essa é a realidade.
  • Edson  27/08/2020 21:20
    Com certeza é a tendência da nossa evolução, trabalhos mais inteligentes, mais tecnológicos, mais cerebrais e menos manuais. Lutar contra isso é perda de tempo. E também um baita atraso.

    É dose ver gente falando sobre "desindustrialização" e pedindo providências dos governos sem entender o quanto tal fenômeno é natural no desenvolvimento de um país.

    Agora um problema: se boa parte do povo não acompanhar essa mudança, é provável que uma parte dessa massa ficará desempregada, e a outra parte insegura quanto ao seu emprego. Desse jeito aumentando ainda mais a interferência do sindicato e do governo, e assim atrapalhando essa evolução.
  • anônimo  27/08/2020 21:36
    Paulo Kogos tem um vídeo inteiro falando sobre essas falácias de esquerda de que "a automação vai retirar empregos" na prática nenhuma mudança tecnológica em larga escala surge da noite pro dia, o processo é sempre economicamente e culturalmente gradual em uma sociedade livre, é tempo suficiente inclusive para que as pessoas tenham como se adaptar, o problema é que em uma sociedade avessa ao desenvolvimento, vitimista e educada para ser medíocre sem perspectivas, tende a criar uma barreira mental que leva a intervenções nocivas de governos para atrasar a civilização.

    Estamos no século 21, nenhuma sociedade deve se render a idiotismos ultrapassados ou abdicar da automação porque alguns empregos serão extintos, nossa qualidade de vida aumenta a medida que não necessitamos mais de trabalhos que máquinas podem assumir.

  • Felipe  28/08/2020 01:15
    Paulo Kogos é um dos poucos economistas que eu considero entendedores do Brasil. Ele e o Leandro Roque são os maiores entendedores do assunto.
  • Observador  27/08/2020 21:54
    Pelo gráfico, Japão e Alemanha são os que mais mantiveram (relativamente) a força de suas indústrias (estável e em nível alto para países desenvolvidos). E são também os que tiveram a moeda mais forte e estável neste período (a menor inflação). Diga isso a um desenvolvimentista e ele pira.


    O Brasil foi o que mais afundou tanto por causa da inflação acumulada quanto pelo PIB que passou a crescer mais na década de 90 e 2000 (o PIB está no denominador; quanto maior o PIB, menor a relação).
  • Richard  28/08/2020 11:06
    A lógica de sempre se aplicava até o surgimento de inteligência artificial.
    A partir do momento que você cria um software capaz de criar outro software, é o momento em que os humanos deixam de ter sua utilidade prática. É claro que, no final das contas, a ideia central da humanidade é simplesmente comer, reproduzir e morrer, mas pelo arranjo moderno que se fez (seja lá qual for o sistema econômico e político), a inutilidade do humano só se intensifica, e qualquer um que tenta negar isso é um mero sonhador.
    A google, a título de exemplo, já fez software que aprende qualquer coisa, a jogar xadrez, por exemplo, não existe humano capaz de vencer o tal 'alphazero'.
    Digo isso pois estou na TI, sou desenvolvedor (assim como muitos aqui no Mises) e vejo isso todos os dias, 'facilitando' nosso trabalho e acabando com vários outros que não acharam mais o que fazer.
    Aliás, lembrei agora que a nova fonte de renda dos jovens é 'youtuber', ou seja, produção de 'entretenimento', o que já é um belo começo para o fim da utilidade prática do ser humano - ao menos pra fins de 'evolução tecnológica'.
    A pergunta mesmo, ao meu ver, é como ficará todo o contexto de 'sobrevivência a partir do trabalho'. Talvez vivamos um hedonismo sem fim (a la Brave New World), ou algo muito pior - o que é o mais provável na minha opinião. Experimente ficar alguns dias sem nenhuma preocupação e as piores ideias começam vir na cabeça, coisas doentias mesmo. Não nascemos para ficar parados e nem para puro entretenimento, mas esse dia chegará e eu não quero nem saber o que será de nós.
  • Ex-microempresario  28/08/2020 16:20
    Richard, também já trabalhei em TI, no tempo em que nem tinha esse nome. Existe mesmo a tendência de achar que o computador faz tudo, mas de vez em quando a realidade dá uma cutucada.

    Experimente engatar o pé em um dos cabos do PC e arrancá-lo do lugar, e veja se a inteligência artificial dá jeito. Experimente um simples mau contato na tomada e a inteligência artificial já era. Desligue o ar condicionado do data center e veja quanto tempo a coisa toda dura.

    Existe muita coisa feita por seres humanos que a gente tende a não ver, como se acontecesse por mágica. Não é mágica, é só a boa e velha divisão do trabalho. Lembre disso na próxima greve dos caminhoneiros.
  • Richard  28/08/2020 18:32
    Acontece que algo só sai da tomada se um humano fizer também, computadores não se desligam da tomada.
  • Chat Noir  28/08/2020 17:15
    Tinha uma artigo aqui nesse site, que o tema se não me engano falava do capitalismo e do trabalho infantil e mais algumas falácias sobre trabalhos "insalubres" ou "perigosos", e se não me engano nesse artigo citava um economista (acho que norte-americano) que falava que o capitalismo sem precisar ter intervenção estatal, teve aumentos nos salario durante o período que se desenvolveu e ele aplica e mostra os dados de progressão dos EUA, desde muito tempo que o "livre-mercado" vem ajustando pra maior os salários.

    Eu não o encontrei, mas se alguém puder mandar o link na resposta eu agradeço, acabei esquecendo o nome do artigo e queria ler.

    Se não me engano é Whales, whattles o nome do economista.

    Agradeço desde já!
  • Chat Noir  29/08/2020 15:44
    Kkkkkkkkkk fez todo sentido ser o "leitor antigo" a me responder.

    Muito obrigado!
  • Intelectual  28/08/2020 17:26
    Os liberais vivem dizendo que a inflação no Brasil está voltando por causa do IGP-M de 10% acumulado em 12 meses até junho. Só omitem que esse índice é formado por 3 índices, sendo que o IPC (preços ao consumidor), o qual representa 30% do IGP-M, acumula alta de só 2% em 12 meses, em linha com o IPCA, contra 12% do IPA e 4% do INCC.

    Bom, se há inflação está voltando mesmo, pergunto, por que então não reajustar o teto de gastos e salário mínimo pelo IGM-M em vez de pelo IPCA, ou inflação só existe quando convém?

  • Trabalhador  28/08/2020 17:50
    "Bom, se há inflação está voltando mesmo, pergunto, por que então não reajustar o teto de gastos e salário mínimo pelo IGM-M em vez de pelo IPCA, ou inflação só existe quando convém?"

    Mas, hein?!

    Se liberais defendem gastos menores, por que caralhos eles deveriam defender que os gastos fossem reajustados pela maior inflação possível?!

    A lógica dos haters é tão hilária quanto a imbecilidade dos próprios.
  • anônimo  28/08/2020 18:56
    Caro intelectual da Turma da Mônica. O fato do IGP ter subido 10%, mesmo tendo 30% de composição do IPC, só demonstra que a coisa, para o produtor, está muito mais feia que os 10%.. Como você não percebeu isso, escrevendo você mesmo a informação, eu não sei.
    Se você colocar o gráfico do IGP-M; IPA e IPCA lado a lado, percebe que o IGP-M é um indicador que antecede o aumento do IPCA;
    ibb.co/cF89tXk

    Mas isso apenas demonstra como o ''capetalismo'' é malvadão. Os produtores absorvem os custos maiores e só no limite repassam aos preços... (Depende da concorrência no setor e o quão aberto é o mercado)
  • Junio Oliveira   29/08/2020 06:04
    Penso que vocês do Instituto Mises deveriam ler sobre as metodologias WCM (Pilar AM) e TPM.
  • Intruso  30/08/2020 02:48
    O efeito colateral de toda essa diminuição do emprego industrial que sempre teve como característica uma remuneração maior que outros setores da economia é a menor arrecadação de imposto de renda pelos governos e a intensificação das crises fiscais.
  • Realista  30/08/2020 18:07
    Meu Deus, a preocupação do cara é com a arrecadação do governo (ou seja, a preocupação é com o salário dos burocratas), e não realmente com os salários dos trabalhadores.

    Obrigado por ser tão franco.

    Aliás, aqui está a evolução dos salários na industria do Brasil.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-wages-in-manufacturing.png?s=brazilwaginman&v=202008282300V20200716&d1=19200924

    Gentileza mostrar o declínio que você jurou estar havendo.
  • Intruso  01/09/2020 11:41
    Eu estou falando que em termos da massa salarial houve sim uma redução significativa, apesar do aumento salarial per capitã como vc demonstrou pelo gráfico.
  • Curioso  01/09/2020 13:37
    Qual a estatística que comprova que houve redução da massa salarial dos trabalhadores da indústria?


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