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O consumismo não cria empregos

Em uma economia capitalista, a riqueza dos indivíduos mais ricos, bem como das empresas que eles controlam, está na forma de capital.  Capital é toda a riqueza acumulada que pertence a empresas ou a indivíduos, e que é utilizada para o propósito de se auferir lucro ou juros.  O capital abrange todas as fábricas, minas e fazendas agrícolas, bem como todos os maquinários e equipamentos, todos os meios de transporte e de comunicação, todos os armazéns, lojas, escritórios, imóveis comerciais e residenciais, e todos os estoques de materiais, componentes, suprimentos, bens semimanufaturados e bens acabados que são propriedades de empresas.

Capital, portanto, é a riqueza empregada na produção, e subsequente venda, de bens e serviços.  Essa riqueza é o alicerce tanto da oferta dos produtos que as pessoas compram quanto da demanda pela mão-de-obra que as pessoas vendem.  Quanto maior a riqueza dos capitalistas, maiores serão os salários reais.  E por dois motivos: haverá uma maior oferta de bens produzidos e uma maior demanda pela mão-de-obra de assalariados. 

Tributar os ricos significa privar-lhes de fundos que eles utilizariam para adquirir bens de capital e pagar salários.  Déficits governamentais também geram o mesmo efeito, pois são majoritariamente financiados com o dinheiro que os ricos emprestam para o governo.  Portanto, tanto a tributação dos ricos quanto os déficits governamentais irão reduzir a demanda por (e a produção de) bens de capital e a demanda por mão-de-obra.  Em outras palavras, déficits governamentais e tributação reduzem o nível da produção, contribuem para a elevação dos preços e impedem o aumento de salários.

Consumidores não são os responsáveis pelo desenvolvimento industrial de nenhum país.  Consumidores possuem uma miríade de necessidades e desejos, os quais permaneceriam totalmente não realizados caso empreendedores e capitalistas não investissem sua riqueza e capital acumulado para encontrar maneiras de suprir essas necessidades e desejos.  Empreendedores e capitalistas, portanto, irão investir sua riqueza e capital na criação e desenvolvimento de novos e aprimorados produtos, bem como de mais eficientes e menos custosos métodos de produção, tudo para satisfazer os desejos dos consumidores.  E quando tais aprimoramentos forem introduzidos, só então os consumidores irão adquiri-los, e frequentemente em ampla escala.  As empresas e indústrias que produzirem os melhores produtos, ou os mais baratos, e com isso conquistarem grandes fatias de mercado, irão se expandir continuamente, tornando-se assim grandes integrantes do sistema econômico.

Isso, no entanto, não significa que haverá um aumento geral no número de empregos.  Por exemplo, ao passo que o desenvolvimento da luz elétrica levou a um grande aumento no número de empregos relacionados à produção de lâmpadas incandescentes e de fiação elétrica, tal fenômeno também levou a uma quase total extinção da produção de velas, lanternas e lâmpadas a gás, com uma correspondente perda no emprego nestas áreas.  Similarmente, quando o automóvel substituiu o cavalo e a charrete, o vasto número de empregos criados na indústria automotiva foi acompanhado de uma maciça perda de empregos nos setores de construção de charretes, ferraria, criação de cavalos, fabricação de selas e cultivo de aveia.

Levados pela crença de que é o consumo o que gera emprego, economistas keynesianos também defendem estimular o consumo por meio da inflação monetária — isto é, da criação de quantias adicionais de dinheiro.  Tal procedimento tem o potencial de aumentar o emprego apenas sob determinadas circunstâncias: somente se aqueles vendedores de bens de consumo que estiverem sendo premiados com esse volume adicional de gastos dos consumidores pouparem e investirem essas suas receitas adicionais.  Nesse caso, eles poderão expandir sua produção e contratar mais mão-de-obra.  Porém, se eles também consumirem essas suas receitas adicionais, ou se o governo tributar essa receita adicional, não haverá aumento nos gastos para mão-de-obra ou bens de capital.  Consequentemente, não haverá aumento no emprego. 

O poder da inflação monetária em promover o emprego também depende de os sindicatos serem fracos ou até mesmo não existentes.  Se existirem sindicatos e eles forem poderosos, então eles irão se aproveitar da inflação para exigir maiores salários nominais — mesmo em meio a um maciço desemprego —, anulando desta forma a capacidade de um maior volume de gastos por mão-de-obra aumentar o emprego.

Ainda dentro do quesito inflação, vale enfatizar que é a inflação monetária, particularmente na forma de expansão do crédito, a responsável pelo aumento nas disparidades de renda.  Quando o sistema bancário, por meio das reservas fracionárias, cria do nada dinheiro para ser emprestado — e sempre com a sanção e proteção do Banco Central —, esse dinheiro cria um imediato aumento na renda das pessoas que o recebem primeiro.  Frequentemente este dinheiro vai primeiramente para as grandes empresas com conexões políticas, para o mercado de ações, e para o mercado imobiliário, gerando desta forma ganhos de capital em volumosa escala.

Essa criação de dinheiro, bem como o maior volume de gastos que ela gera, também serve para aumentar os lucros nominais.  Um maior volume de dinheiro e de gastos faz aumentar as receitas de vendas das empresas imediatamente, ao passo que os custos contabilizados nos balanços das empresas irão aumentar somente mais tarde, após um considerável espaço de tempo.  E se esse processo continuar, todos os aumentos nos custos contabilizados nos balancetes serão precedidos por aumentos ainda maiores nas receitas de venda. 

Consideremos um exemplo bastante simples.  Um empreendedor gasta $100 no dia 1º de janeiro para produzir um produto que ele irá vender no dia 31 de dezembro por $110.  Durante este ano, no entanto, há um aumento de 10% na quantidade de dinheiro e no volume de gastos da economia.  Consequentemente, esse empreendedor poderá vender seu produto por $121 em vez de $110 (aumento de 10%).  Os lucros agora serão de $21 em vez de apenas $10, que era o inicialmente planejado.  Em termos percentuais, em relação aos custos e às receitas de venda, os lucros praticamente dobraram: em relação ao custo de $100, uma receita de $121 equivale a um lucro de 21% dos custos, ao passo que uma receita de $110 equivale a um lucro de 10% dos custos.  Já em relação às receitas, uma receita de $110 gera um lucro de $10 (isto é, 9% da receita), ao passo que uma receita de $121 gera um lucro de $21 (isto é, 17,35% da receita).  Ou seja, percentualmente, o lucro dobra em relação aos custos e em relação às receitas.

Consequentemente, os lucros aumentam em relação aos salários.

No entanto, este cenário não leva em conta os efeitos da tributação.  Se considerarmos a existência de um imposto de renda de pessoa jurídica, esse cenário de lucros aparentemente altos será revertido, e o que ocorrerá será um acentuado declínio nos lucros reais.  Suponhamos uma alíquota única de, por exemplo, 50% sobre o lucro.  O empreendedor que, no cenário sem inflação, tivesse obtido uma receita de $110, teria tido um lucro de $10 e ficaria, após o imposto de 50%, com um lucro de $5 e uma receita líquida de $105.  Esses $5 de lucro poderiam ser utilizados tanto para consumo quanto para novos investimentos em seu empreendimento, pois os $100 restantes seriam suficientes para repor os bens que ele vendeu (os quais continuam custando $100, pois não houve inflação).

Por outro lado, no cenário com inflação, sua receita de $121 gera um lucro bruto de $21.  Como a alíquota de imposto de renda é de 50%, seu lucro líquido será de $10,50, deixando-lhe com uma receita final de $110,50.  Porém, como houve inflação de 10%, os bens que ele produz agora estarão custando $110 para serem produzidos.  Logo, esse lucro de $10,50 será praticamente todo gasto apenas na reposição de estoques.  Ao final, o empreendedor terá apenas $0,50, os quais ele poderá utilizar para consumo próprio ou para novos investimentos.

Espera-se que, com este exemplo, tenha ficado claro que, em um ambiente inflacionário, jamais se pode dizer que os impostos sobre os lucros são baixos.  Eles jamais poderão ser considerados baixos.  No exemplo acima, a alíquota do imposto de renda teria de ser reduzida aproximadamente à metade (25%) apenas para deixar a situação igual ao primeiro cenário não inflacionário.  A inflação de 10% duplicou a fatia da receita sujeita à tributação.

No atual cenário mundial, em que a inflação é contínua e as alíquotas de imposto de renda, na melhor das hipóteses, se mantêm constantes, o que salva as empresas são as "brechas" legais e ilegais que existem nos códigos tributários.  Por exemplo, poucos países possuem uma alíquota do imposto de renda de pessoa jurídica mais alta do que a Suécia — 52% na última vez em que pesquisei.  No entanto, a Suécia também permite que as empresas automaticamente deduzam até 50% de seus lucros para reinvesti-los no futuro, o que torna esses lucros uma reserva isenta de impostos.  Com isso, a alíquota máxima do imposto de renda de pessoa jurídica na Suécia cai para 26%, bem menor que nos EUA, que é de 35%.

[No Brasil, a alíquota máxima do IRPJ é de 15%.  Porém, aqui as coisas são mais avançadas.  Não bastasse o IRPJ, há uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa determinado valor, há também a CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), cuja alíquota pode chegar a 12%, o PIS, cuja alíquota chega a 1,65% e a COFINS, cuja alíquota chega a 7,6%.  PIS e COFINS incidem sobre a receita bruta.  Somando todas essa alíquotas, a alíquota efetiva do IRPJ no Brasil chega a 46,25%.  E ainda estranham os salários serem baixos.]



autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.


  • Arnaldo  14/12/2011 10:18
    Artigo muito bom. Bem didático.
  • Willian  14/12/2011 12:42
    também achei muito bom!!
  • oneide teixeira  14/12/2011 16:38
    Desenho animado bem humorado sobre a crise econômica mundial e o papel do banco central americano em toda a história

    www.youtube.com/watch?v=UzyyUKXE_N4 - O Sonho Americano Parte 1 de 3
    www.youtube.com/watch?v=_AVu78yCNac - O Sonho Americano Parte 2 de 3
    www.youtube.com/watch?v=6uzbP9K0N04 - O Sonho Americano Parte 3 de 3
  • Neves  14/12/2011 21:12
    Nao li o artigo todo, mas discordo já do titulo.\r
    \r
    Minha mae tem uma fabrica de roupas e quanto mais clientes ela consegue, mais gente ela emprega.
  • Leandro  14/12/2011 22:30
    Nao li o artigo todo, mas discordo já do titulo.

    Como se deve responder a isso, mantendo a educação e a temperança?

    Neves, só uma dica: a resposta está incluída na sua frase seguinte. Afinal, quem gerou os empregos: os consumidores ou sua mãe? Quem está fornecendo o capital e os equipamentos para esses empregados: os consumidores ou sua mãe?
  • Paulo Sergio  15/12/2011 02:19
    'Afinal, quem gerou os empregos: os consumidores ou sua mãe?'
    Será que o melhor não seria falar que o que gera é uma combinação dos dois?
    De que adianta um empresário que faz um produto que ninguém quer?
  • Leandro  15/12/2011 03:07
    De que adianta um empresário que faz um produto que ninguém quer?

    Ora, dado que a discussão é ver quem gera empregos, essa sua pergunta já embute a resposta. Para o produto ter sido criado, o empreendedor empregou alguém (pois tinha capital para isso). Se o produto criado vai ser vendido ou não, isso é outra questão. Dificilmente o produto não será vendido, pois é tudo uma questão de preço certo. E mesmo no caso extremo de ele nada vender, ao menos ele certamente empregou gente para produzir este produto -- que é exatamente o ponto da discussão.

    Agora eu devolvo a pergunta: de que adianta você querer um produto se não há empreendedores com capital para criá-lo? Como esse produto vai surgir? O mero fato de você querer algo não faz com que umas pessoas empreguem outras pessoas para satisfazer essa sua vontade. Mesmo que você tenha dinheiro.

    Percebeu a diferença? Sem empreendedor e sem capital, nada feito. O empreendedor sobrevive sem consumidor. Ele pode produzir para si próprio ou ele pode utilizar sua produção como moeda de troca pelos produtos criados por outros empreendedores. Já o consumidor não vive sem o empreendedor.

    Um empreendedor pode demandar outros bens e pode pagar por eles porque produziu. Já um mero consumidor pode demandar o quanto quiser; se ele não tiver produzido nada, ele não terá renda. Logo, ele será inútil para um empreendedor. Como você pode dizer que esse cara vai criar emprego para outros?

    Veja, o que temos aqui é a Lei de Say em sua forma pura. Um empreendedor, ao criar seu produto, pode utilizá-lo como moeda de troca. Consequentemente, ele estará criando demanda pelos produtos de outros empreendedores. É ao produzir que se pode demandar. E, nesse processo, pessoas são empregadas.

    Agora, um consumidor que quer apenas demandar, e nada produz, de onde ele vai tirar a renda para comprar? Ele é totalmente inútil para o empreendedor, e não tem a menor capacidade de criar empregos para terceiros.
  • Paulo Sergio  15/12/2011 03:59
    'Percebeu a diferença? Sem empreendedor e sem capital, nada feito. O empreendedor sobrevive sem consumidor.'
    Se ele não troca ele é um Robinson Crusoé, isso é vida?
    Se ele troca alguém quer consumir o que ele fez, só que esse alguém não é SÓ consumidor

    'É ao produzir que se pode demandar. E, nesse processo, pessoas são empregadas.'
    A mesma coisa que eu disse, uma combinação dos dois.



  • Leandro  15/12/2011 04:15
    Eu disse que ele comercializa com outros produtores, os quais também são produtores. É a produção que possibilita o consumo.

    No mais, qualquer assalariado que hoje é consumidor só possui um salário justamente por causa de um empreendedor. Sem esse empreendedor não existiria assalariado; logo, não existiria o consumidor propriamente dito -- a menos que o assalariado fosse ele próprio um empreendedor.

    Quem concede importância central aos consumidores de uma economia se esquece de que estes consumidores só possuem poder de compra (salário) porque há empreendedores que os contrataram e lhes pagam estes salários. Sem empreendedores, não há consumo e nem consumidores.
  • Tiago Moraes  15/12/2011 06:11
    Meu filho a resposa é simples, os consumidores que consomem as roupas que a fábrica da sua mãe produz, só o fazem porque eles tem renda e essa renda é produto do trabalho deles, logo e por tanto, a relação de causa e efeito não se modifica, para alguém consumir o que você produz, esse alguém precisa estar empregado por outra pessoas, porque só assim ela terá renda para consumir qualquer coisa.
  • Henrique  15/05/2014 15:08
    Mas a solução mirabolante do governo é imprimir dinheiro (inflação) para que os bancos emprestem para as pessoas comprarem sem ter produzido nada.

    Disso, segue um aumento no consumo, mas não há um aumento real na produção, logo, os preços sobem.

    Os preços sobem, você, para manter seu padrão de consumo de antes, precisa se endividar ainda mais, pedindo novo empréstimo, já que seu salário não aumentou.

    O consumo segue em alta, a produção estagnada, os preços subindo e o governo jogando ainda mais dinheiro na economia.

    É tão óbvio, que não sei como os "economistas" do governo não entendem isso. Será que não entendem mesmo ou é apenas cretinice?
  • BSJ  14/12/2011 21:14
    Senhores,
    Admiro e acredito nas ideias da Escola Austríaca.
    Entretanto, com o passar do tempo, criou em mim um problema de ordem moral: como sou funcionário público concursado e pretendo passar para um cargo ainda maior e de melhor salário, ocorreu-me um bloqueio psicológico: como posso seguir meus objetivos se já não acredito mais (devido aos estudos do Mises) no Estado como uma entidade necessária à sociedade?
    Pior: tenho quase 40 anos, casado e sou pai. Quase nunca trabalhei fora do Estado. Não tenho a menor vocação para ser um capitalista, um empreendedor. O que faço com esse meu conflito psíquico?
  • Felix  15/12/2011 03:44
    Não se aflija, aqui você está muito bem acompanhado
    somos uma quantidade sem fim de funcionários e empregados públicos frequentando este site e acreditando nas idéias austríacas. Mas o conflito permanece em mim também...
  • Paulo Sergio  15/12/2011 04:01
    Pra abrir uma franquia vc não precisa ser essas coisas toda de empreendedor não, é fácil, já vem tudo mastigado
  • mcmoraes  15/12/2011 04:18
    Aqui vão boas dicas, BSJ:

    "...Duas maneiras princpais de se lutar pela liberdade são educar a si mesmo ao ponto de tornar-se apto a falar e escrever de maneira articulada em sua defesa, como o fazem os acadêmicos associados a este instituto, ou, na ausência de tempo ou inclinação para dedicar-se a tais atividades, apoiar o instituto em seu trabalho vital da maneira que for possível..." (George Reisman)

    "...Podemos e devemos continuar o magnífico legado de Ludwig von Mises. Devemos expandir a economia austríaca em cada direção e maneira possíveis. Devemos estimular a aplicação de critérios austro-libertários em todas as áreas e em cada tópico imaginável. Devemos engajar outros estudiosos, estrategistas econômicos e formadores de opinião, tanto pessoalmente quanto por via impressa. Devemos instruir o público sempre que houver uma oportunidade. Sabemos que a tarefa não é fácil. Ora, vamos encarar a verdade. Os coletivistas têm seus tentáculos firmemente inseridos em cada orifício obscuro do corpo político. Podemos – devemos! – extirpá-los de lá, expondo-os impiedosamente à luz da razão, da liberdade e da ciência econômica de Menger, Böhm-Bawerk, Mises e Rothbard..." (Larry J. Sechrest)

    Meus cumprimentos e boa sorte!
  • Edik  15/12/2011 07:26
    Uma informação interessante para te consolar é algo que esta acontecendo nos EUA. O candidato Ron Paul apesar de ser propor os mais fortes cortes no orçamento federal, propondo a eliminação de inúmeras secretarias e agências, é o candidato que mais recebe doações provenientes dos funcionários públicos.
  • roberto  15/12/2011 06:10
    A aliquota de irpj no brasil e de 25% + 9 % de contribuicao social sobre o lucro liquido.
  • Leandro  15/12/2011 06:46
    Prezado Roberto, não entendi muito bem o que você quis dizer, mas a alíquota oficial do IRPJ no Brasil é 15%.

    www.receita.fazenda.gov.br/aliquotas/contribpj.htm

    E a CSLL é de 12%.

    www.portaltributario.com.br/tributos/csl.html

    PIS e COFINS são também aquelas mencionadas.

    Grande abraço!
  • Maurício Gonçalves  15/12/2011 08:14
    Olá, Leandro, creio que o Roberto está se referindo à tributação sob a modalidade de lucro real:

    Essa opção deve ser adotada quando o Lucro efetivo (Receitas menos Despesas efetivamente comprovadas) é inferior a 32% do Faturamento do período e pode ser apurado trimestral ou anualmente.

    As alíquotas dos tributos para cálculo do IRPJ e da CSLL nessa modalidade são:

    · IRPJ: 15% para Lucro até R$ 20.000,00/mês;

    · IRPJ: 25% para Lucro acima de R$ 20.000,00/mês;

    · CSLL: 9% sobre qualquer Lucro apurado.

    Abraço!
  • Leandro  15/12/2011 11:49
    Prezado Maurício, achei interessante essa alíquota de 25% (que, segundo o site que você indicou, se aplica tanto para o lucro real quanto para o presumido) porque em nenhum outro lugar ela é mencionada.

    Veja por exemplo esses quatro sites (citam apenas os 15%, nunca mencionam os 25%):

    www.ncnet.com.br/contabil/tabelas/tabsimples.html
    www.portaltributario.com.br/guia/lucro_real.html
    portal.pr.sebrae.com.br/blogs/posts/legislacao?c=542
    www.sebrae-sc.com.br/faq/default.asp?vcdtexto=4864&%5E%5E

    Aliás, nem no site da Receita fala-se dela; citam apenas os 15% (veja o item 25)

    www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2011/capituloxiii-irpj-lucropresumido2011.pdf

    Se algum outro leitor estiver mais informado, por favor se manifeste.

    Abraços!
  • Edik  15/12/2011 12:01
    A confusão aqui refere-se ao adicional de I.R. É cobrada uma taxa extra de 10% sobre o lucro que excede o valor de R$20.000,00. Porém não é correto afirmar que a aliquota passa para 25%, pois depende de cada caso.

    Por exemplo, se o lucro for de R$21.000,00, o IR sera de 3.150,00 e o adicional será de 100,00. Assim o IR total representará 15,47%
    Por essa razão, algumas pessoas dividem suas empresas em várias para assim se livrar desse adicional.
  • Maurício Goncalves  15/12/2011 23:05
    Olá, Leandro, é o que o Edik falou, a alíquota totaliza 25% devido à parcela adicional de 10%, inclusive é citado no link do portal tributário:

    ADICIONAL

    A parcela do lucro real que exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeita-se à incidência de adicional de imposto à alíquota de 10% (dez por cento).

    Ele tb tem razão que não é correto considerar direto 25%, a alíquota estabiliza em 25% qdo os valores vão crescendo.

    Abraços!
  • Leandro  16/12/2011 02:44
    Exato, só que aí ocorre uma situação interessante. Veja o último exemplo dado no seu próprio link (tabela 2 do lucro real). Se você somar todas as alíquotas envolvidas (pegando 25% para o IRPJ) -- que é exatamente o procedimento que todos os institutos do mundo utilizam para definir a carga tributária máxima que incide sobre uma empresa -- o resultado dará 43,25%.

    O portal tributário acaba dando essa de badeja pro governo ao afirmar que "Em resumo, no Lucro Real os dois tributos (IRPJ e CSLL) variam de 24% (9% + 15%) a 34% (9% + 25%), aplicados sobre o Lucro e não sobre o faturamento."

    Isso é correto, mas incompleto. Não se pode deixar de fora do cálculo da carga tributária os outros impostos que incidem sobre a receita das empresas. Por isso, logo em seguida ele complementa: "No caso de opção pelo Lucro Real, a alíquota do PIS muda: passa de 0,65% para 1,65%. Já a alíquota da COFINS passa de 3% para 7,6% da Receita.

    Note que aí a alíquota máxima já vai para 43,25%. Só que aí ele cita alguns casos em que você pode fazer deduções do PIS e da COFINS, o que acaba reduzindo o valor total dessa alíquota.

    Ou seja, creio que estejamos em uma situação idêntica à da Suécia, que foi descrita no final do artigo. A alíquota máxima é alta, mas, como bem explicou o Edik, as empresas acabam se virando para reduzi-la ao máximo.


    P.S.: veja o que diz a Heritage Foundation sobre o IRPJ do Brasil:

    The standard corporate tax rate is 15 percent, but a surtax of 10 percent and a 9 percent social contribution on net profit paid by most industries bring the effective rate to 34 percent.

    Ou seja, eles também desconsideram PIS e COFINS, o que eu particularmente acho um erro, pois alivia a barra do governo. O governo impõe dois tributos diretos sobre a receita e isso sequer é considerado por institutos liberais.

    P.S.2: alterei a parte final do texto para deixá-la mais condizente. De fato, ter deixado essa sobretaxa de 10% de lado foi um alívio desnecessário para o governo.
  • Maurício Goncalves  16/12/2011 09:25
    Leandro, pelo que entendi vc está mais preocupado em achar a alíquota que as empresas pagam sobre tudo o que arrecadam (receita) e não sobre o lucro. Realmente o que pagamos aqui de imposto é escorchante. Acredito que o seu foco é mais completo do que olhar somente o lucro antes do imposto de renda (LAIR).

    Mas vc não pode somar os 9,25% de PIS/COFINS (7,65% + 1,65%) aos 34% de IR/CSLL, cujo total é 43,25%, pois o primeiro imposto incide sobre a receita e o segundo sobre o lucro. Se vc soma os dois percentuais, seria como se a empresa não tivesse despesas até chegar a linha do LAIR.

    Como disse o Edik, algumas empresas usam do artifício de engenharia tributária para fugir do leão. Como o IR é pago pelo CNPJ, algumas empresas consolidam várias empresas sob uma holding, assim conseguem reduzir a aliquota efetiva consolidada. Outro efeito disfarçado do arcabouço tributário no brasil é que as empresas alocam (para não dizer desperdiçam) recursos para um exercito de contadores, advogados etc etc simplesmente para lidar com a burocrácia estatal. Artifício que só empresas grandes podem se dar ao luxo em ter.

    Outra coisa que creio que deixa a análise mais complexa é que o PIS/COFINS de 9,25% que estamos falando, tem o mesmo efeito do ICMS (que entraria na sua análise tb, já que o seu foco é o total de impostos pagos sobre a receita), ou seja, paga-se sobre valor gerado na cadeia produtiva, por isso tem efeito não cumulativo.

    Esta alíquota incide somente sobre a receita das indústrias, nas empresas cuja atividade é de serviços a alíquota de PIS/COFINS é de 3,65%, tendo efeito cumulativo ao longo da cadeia.

    Quanto ao Heritage Foudation, seguindo o escopo da sua análise, deveria ter um "disclaimer" na informação, mencionando que há incidência de outros impostos além do IR, e que tem um peso grande tb. Talvez na cabeça dos analistas de lá, a mão grande do governo aparece apenas no IR, mal sabem eles que aqui somos mais criativos...

    Abraço!
  • Leandro  16/12/2011 10:02
    Exato, Maurício. Do meu ponto de vista, o mais correto seria pegar o resultado LAJIDA (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) e aí então começar a analisar o estrago dos impostos.

    Só que não dá pra você ir direto para o LAJIDA justamente porque o PIS e o COFINS comem parte da sua Receita Operacional Bruta. Logo, da Receita Operacional Bruta as empresas devem deduzir PIS e COFINS para chegarem à Receita Operacional Líquida. Daí deduzem custos e despesas operacionais para chegar ao Lucro Operacional Antes do Resultado Financeiro. Daí, por fim, colocam na equação as despesas e receitas financeiras, e finalmente chegam ao Lucro Antes dos Impostos e Contribuições. Aí o IRPJ e a CSLL metem a faca. (Se eu pulei alguma etapa, por favor me avisem).

    Por isso inclui PIS e COFINS no cálculo.

    Mas e aí? Como padronizar? Nem a CVM sabe...

    dinheiro.br.msn.com/mercado/artigo.aspx?cp-documentid=25991435

    E pra piorar ainda tem, como você bem disse, ICMS e ISS, que nem foram considerados.

    Eu realmente não sei como alguém ainda empreende por aqui...

    Grande abraço!
  • Maurício Goncalves  16/12/2011 09:55
    Outro ponto que acho interessante a discussão do ponto de vista econômico é que as empresas de modo geral interpretam o PIS/COFINS e ICMS como impostos que são repassados ao consumidor, pois quando calculam as margens de lucro unitárias o fazem deduzindo esses três impostos. Estes tres impostos (no caso especifico das indústrias) são encarados como mera antecipação na cadeia produtiva cujo pagador final será o consumidor.

    Talvez isso ajude na interpretação do porquê do foco excessivo no IR.

    Por isso alguns analistas falam que quem paga o imposto efetivamente é ou o consumidor, no caso do PIS/COFINS e ICMS, ou o acionista, no caso do IR/CSLL.

    Abraço!
  • Carlos  16/12/2011 00:25
    Se num shopping aumenta a demanda, as lojas não contratam mais vendedores? Se numa pizzaria aumenta a demanda, não se contrata mais entregadores? Com um restaurante não se contrata mais garçons? Com um hotel não se contrata mais arrumadores e outros funcionários? Com um posto não se contrata mais frentistas? Numa fábrica não é a mesma coisa? Então como consumidores não criam empregos? E caso os empresários sintam que aa demanda continuará crescendo, fazem novos investimentos e geram mais empregos.
  • Leandro  16/12/2011 02:18
    Prezado Carlos, e o que é que vai permitir que esses consumidores demandem tudo isso? Como eles iriam demandar e consumir essas coisas se eles não tivessem empregos e salários fornecidos por empreendedores e capitalistas? Como existiriam consumidores se não houvesse empreendedores e capitalistas que lhes pagassem salários, que é o que realmente permite que as pessoas virem consumidoras e possam demandar e consumir coisas?

    Não existe consumidor sem empreendedores e capitalistas. Logo, sem empreendedores e capitalistas não há empregos.

    No mais, a sua pergunta é idêntica à do Neves, do Paulo Sergio. Veja as respostas que foram dadas a ele por mim e pelo leitor Tiago Moraes.
  • BEN HUR DUTRA  01/11/2016 13:50
    Bom dia!

    se analisarmos bem, eu posso perguntar a origem de como os empreendedores ou capitalistas conseguirão o seu dinheiro, e ai, vai gerar um looping, até chegar no ponto da origem do fato, aonde a pessoa não tinha nada e precisa produzir para conseguir algo, e se ela não tem nada, e precisa produzir, significa que ela precisa vender, então ela precisa de um consumidor!
  • Átila  01/11/2016 14:38
    Você utilizou um raciocínio completamente errado. Por isso você entrou num loop infinito, pois utilizou um ponto de partida sem nexo.

    Dinheiro é meio de troca; dinheiro não é bem de capital. O que gera produção é bem de capital, e não dinheiro. Para que haja produção é necessário haver meios para se produzir bens (uma tautologia) e não pedacinhos de papel pintado (ou dígitos eletrônicos).

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2427
  • Paulo Sergio  16/12/2011 03:36
    É por que esses caras não são SÓ consumidores.
  • Felipe  16/12/2011 07:25
    Meu Deus! Essa é uma discussão que não chega a lugar nenhum. É óbvio que sem empreendedores não há empregos, e também é obvio que sem consumidores não há empregos. Por que desmerecer o consumo, por que dar o mérito somente aos empreendedores da criação de empregos? Para mim isso só demonstra uma disputa de egos entre as escolas econômicas, não? Não seria muito mais proveitoso discutir COMO estimular o consumo (também abordado pelo artigo) que tentar justificar de quem é o mérito? No meu ponto de vista, empreendedores, consumidores e outros fatores devem estar em perfeita simbiose para que haja demanda, crescimento, empregos e tudo mais... O foco da questão, na minha opinião, não leva a lugar nenhum.

    Abraço
  • Leandro  16/12/2011 07:32
    Prezado Felipe, o problema é que somos realistas, e não populistas. Logo, não fazemos concessões que implique afirmações falsas -- daí a insistência em defender posições.

    Aliás, por que você acha que o problema é "estimular o consumo"? Ora, vontade de consumir nunca foi problema em nenhuma economia. Tampouco o consumo cria riqueza. O que realmente cria riqueza e que realmente necessita não ser obstaculizado é a produção.

    Recomendo este texto:

    Produção versus consumo - a confusão que causa miséria

    Grande abraço!
  • Felipe  16/12/2011 08:21
    Não disse que o problema é "estimular o consumo", somente que seria infinitamente mais proveitoso discutir "estímulo ao consumo" (apontando falhas, acertos, consequencias - como o próprio artigo faz). Simplesmente isso... Torna-se até mais fácil de colocar os populistas no exato lugar onde vocês querem! :)
  • mcmoraes  16/12/2011 09:24
    Felipe, porque seria mais proveitoso discutir o estímulo ao consumo se o problema não é estimular o consumo?
  • Paulo Sergio  18/12/2011 02:00
    Fora que, não é estranho essa conversa de que os consumidores tem que consumir pra agradar/ajudar os empresários?
    O certo não seria é o contrário?Não é o empresário que tem que se preocupar em agradar?
  • Carlos Araujo  16/12/2011 19:21
    Muita gente confunde demandar com querer.

    Um mendigo quer muitas coisas (comida, casa, roupas) mas não demanda nada.

    Para demandar é necessário ter produzido algo antes para dar em troca.
  • Marco Aurelio Agarie  17/12/2011 18:58
    Prezado Leandro,\r
    \r
    Como sempre os textos publicados por este renomado Instituto superam as expectativas pedagógicas e ajudam a explicar muitos pontos da economia que aparentam clareza mas que se revelam paradoxais.\r
    \r
    Um deles é o do tema deste artigo, a não geração de empregos com o consumo. No caso brasileiro especificamente, não consigo, contudo, entender as contradições da admininstração econômica pelo governo. Para afastar o risco de baixo crescimento, ele incentiva o consumo através da redução do IPI para automóveis, aumento do volume de crédito para pessoas físicas, programas como Minha Casa, Minha Vida, etc. Quando o aquecimento da economia começa a aumentar as pressões inflacionárias, ele tenta conter o consumo para que a meta da inflação seja alcançada. \r
    \r
    De fato, o apelo consumista no país é vigoroso demais pela irrefreabilidade de compras por grande parte da população diante das inúmeras possibilidades oferecidas pelos templos de vendas como Shopping Centers, ruas comerciais, compras pela Internet, ofertas e mais ofertas. Há um universo imenso de sedução para as compras alimentadas pelas maciças propagandas, pela glamurização das griffes e marcas, pelo desejo incontido por novidades, etc.\r
    \r
    Diante deste quadro, não é de se estranhar que possa ocorre um aumento da inadimplência e um progressivo endividamento da população, pois estou convicto que as ofertas de consumo parecem ultrapassar o poder aquisitivo. \r
    \r
    Então pergunto: - Não seriam irresponsáveis as ações governamentais no campo de consumismo da população? Ou seja, ajudar a promover hábitos que possam causar sérios problemas financeiros para a sua população e dificultando o aumento da poupança interna - não seriam políticas contraproducentes?\r
    \r
    De qualquer modo agradeço a atenção\r
    \r
    Um forte abraço\r
    \r
    Marco Aurélio Agarie
  • Leandro  18/12/2011 19:32
    Prezado Marco Aurélio, muito obrigado pelos elogios ao nosso Instituto.

    Não se preocupe. Não é só você que não entende a cabeça do governo (se é que ele possui tal membro); qualquer ser minimamente dotado de algum dom lógico-dedutivo ficaria à deriva tentando extrair algum razão dessa chusma comanda nossas vidas.

    Como você perfeita e irretocavelmente deduziu, estimular o consumismo é algo totalmente irresponsável. Pior ainda é estimular o consumismo movido pela crença de que é o consumo o que gera enriquecimento e crescimento econômico. Para que a economia cresça sustentavelmente, é necessário que haja mais poupança do que consumo. A proporção da poupança deve ser superior ao consumo. É isso que estimula a acumulação de capital e, consequentemente, mais investimentos sólidos (ao contrário de bolhas, que apenas destroem capital).

    Por causa de sua completa ignorância sobre o papel do capital no sistema econômico, os keynesianos imaginam que uma recessão é gerada meramente por uma insuficiência no consumo (ou "baixa demanda agregada", como gostam de dizer), e que a solução, portanto, seria apenas estimular o aumento do consumo. Esse é o raciocínio por trás de todos os "pacotes de estímulo" que estão sendo criados mundo afora, e que o governo brasileiro está doidinho para emular.

    Keynesianos acreditam que o sistema econômico sempre possui uma quantidade suficiente de capital (aliás, eles acreditam ser perigoso que haja muito capital, pois aí haveria "recursos ociosos"), e que o real problema é simplesmente achar uma maneira de usar esse capital. E essa maneira, acreditam eles, é colocar as pessoas para consumir.

    Só que a única coisa que o consumismo faz é consumir toda a riqueza que havia sido previamente criada. Se não houver incentivo à poupança e à acumulação de capital, (ambos os quais são exauridos pelo consumismo), não há como haver um aumento da produção para satisfazer essa demanda por consumo. Portanto, no longo prazo, o consumismo gera um empobrecimento da economia -- embora no curto prazo ele possa dar a impressão de estar estimulando o PIB.

    Grande abraço!
  • Paulo Sergio  19/12/2011 03:14
    'Para que a economia cresça sustentavelmente, é necessário que haja mais poupança do que consumo. '

    Mas o objetivo da poupança não é o consumo no futuro? Qual a diferença se eu ganho 100, gasto a metade e guardo a metade, e depois de um tempo uso o que eu guardei?
  • Leandro  19/12/2011 03:45
    Sim, o objetivo da poupança é o consumo futuro. E enquanto esse futuro não chega, a poupança é utilizada para investimentos produtivos, os quais dar-se-ão de acordo com essa preferência temporal voluntariamente demonstrada pelos poupadores. Mais sobre isso aqui.
  • bernardo  18/12/2011 09:18
    Que discussão ridícula, é OBVIO que tanto os capitalistas, quantos os consumidores são importantes, os dois dependem de si, o que acontece aqui, é uma disputa de egos SIM. Isso sim, é improdutivo, isso sim, obstrui a produção, essa discussão é completamente tola.
    Voce diz que altos impostos para os ricos limita a produção, o que é verdade, mas altos impostos para a classe baixa, ou seja, os consumidores, limita o poder de compra deles, limitando assim o crescimento da produção. Isso é muito óbvio, ou voce acha que não importa a demanda da população, o que importa é produzir e produzir, e então, ninguém comprar nada? A discussão seria muito mais produtiva se alguns aqui deixassem o ego de lado, o extremismo de algumas opiniões, transformam essas opiniões em completas piadas, simplesmente não dá pra levar a sério.
  • Leandro  18/12/2011 19:09
    Prezado Bernardo, infelizmente parece não ser possível convencê-lo de que o consumo não gera produção. O que gera produção é poupança, acumulação de capital e investimento. Consumo serve apenas para exaurir capital. Consumo não gera riqueza. Consumo não gera produção. Poupança, investimento, acumulação de capital e divisão do trabalho é o que geram produção e riqueza.

    A produção pode perfeitamente ocorrer sem o consumo. Já o consumo não pode ocorrer sem ter havido uma produção anterior. Quem acredita que isso é possível acredita em alquimia.

    Imagine você e um grupo de náufragos perdidos em uma ilha. Você pode ter uma valise com milhões de dólares (ou reais) em dinheiro de papel e uma vontade louca de consumir. Porém, se ninguém naquela ilha se dispuser a produzir, você simplesmente não poderá consumir nada. Tampouco a sua demanda será capaz de gerar produção. A única maneira de você poder consumir é produzindo algo e trocando esse algo com um bem que outra pessoa produziu. Apenas ter pedacinhos de papel não fará com que bens magicamente surjam na sua frente.

    Eis aí uma realidade que poucas pessoas no mundo de hoje conseguem entender. E o estrago que essa ignorância causa é avassalador.
  • Paulo Sergio  19/12/2011 03:10
    'o que importa é produzir e produzir, e então, ninguém comprar nada? '

    Se ninguém compra é porque esse cara ta produzindo um produto inútil.Ele tem mais que fechar a empresa dele e ir fazer outra coisa.
    E mesmo quando tem gente comprando, uma compra é uma troca, esses aí só podem consumir alguma coisa depois de também terem produzido algo e terem algo pra trocar.
  • bernardo  19/12/2011 10:26
    Vamos por assim então, o capital produz, isso é fato. O consumo não produz, ele estimula o capitalista a produzir mais, ou a simplesmente manter essa produção. O consumo permite ao capitalista de acumular mais capital e investir mais, o que gera emprego.
    Voce pode dizer que o capitalista não depende do consumidor pra produzir, isso é verdade, mas ele vai produziar algo totalmente sem valor, o que é simplesmente imbecil, vai levá-lo a falência. Eles dependem um do outro para obter sucesso, o sucesso do capitalista é ganhar dinheiro, e o do consumidor, consumir o que deseja.
  • Leandro  19/12/2011 10:42
    Bernardo, você diz que "O consumo não produz, ele estimula o capitalista a produzir mais, ou a simplesmente manter essa produção."

    Ok, ate aí o raciocínio é válido. No entanto, não confunda "estimula a produzir mais" com "possibilita produzir mais". Adiante.

    "O consumo permite ao capitalista de acumular mais capital e investir mais, o que gera emprego."

    Isso não faz nenhum sentido. Pela enésima vez, consumo não gera acumulação de capital. Consumo exaure capital. Para utilizar um exemplo extremo, mas ainda dentro do raciocínio, seria como se eu dissesse que incendiar carros gera acumulação de metais e maquinários necessários para a fabricação de novos carros, bem como faz surgir novas instalações e montadoras. Não faz sentido.

    Ademais, sem essa acumulação de capital, não é possível gerar empregos duradouros. Apenas temporários.
  • bernardo  19/12/2011 20:25
    Voce ta usando um exemplo que simplesmente não tem nada a ver. Carros não foram feitos para serem queimados e ter o metal reutilizado, já o dinheiro foi criado para ser repassado e sim reaplicado.
    Ao comprar um produto, voce não queima seu dinheiro, ele não some, voce repassa ele para o vendedor, e com esse dinheiro o capital é acumulado e utilizado para investir e produzir mais. Ao comprar, o consumidor em si não esta criando empregos diretamento, ele esta dando a possibilidade do capitalista criar, o consumidor cria empregos indiretamente, mas obviamente, ele não é o único responsável por isso. O capitalista pode criar empregos sem ter consumidores, mas é claro, ele vai ser um imbecil ao fazer isso, portanto consumidores são necessários para se manter ou aumentar a produção de forma inteligente, sem que leve o capitalista a falencia.
    O que eu to entendendo de voce, é que de forma direta, os consumidores não criam empregos, é o capital que cria, ok, verdade, mas o motivo desses empregos serem criados é que existem consumidores para o determinado produto. Eu não entendo a relutância em admitir isso, não entendo o porque dessa necessidade de definir de forma absoluta que somente o capital que cria empregos, necessidade de negar que a criação de empregos de forma indireta, existe.
  • Leandro  19/12/2011 21:01
    Eu não entendo a relutância em admitir isso, não entendo o porque dessa necessidade de definir de forma absoluta que somente o capital que cria empregos,

    Prezado Bernardo, o que você quer é que eu faça concessões apenas para me conformar a uma ideia errada sua. Eu não sou político; logo, eu não preciso agradar a ninguém. Eu não vou chancelar uma afirmação falsa apenas para agradar um leitor. Desculpe-me.

    o dinheiro foi criado para ser repassado e sim reaplicado.
    Ao comprar um produto, voce não queima seu dinheiro, ele não some, voce repassa ele para o vendedor, e com esse dinheiro o capital é acumulado e utilizado para investir e produzir mais.


    A simples movimentação de dinheiro não faz criar capital, não faz criar bens. Voltamos ao exemplo da ilha e dos náufragos que eu já utilizei para você lá em cima, agora com uma nova adaptação. Imagine você e um grupo de náufragos perdidos em uma ilha. Vocês encontram uma valise com milhões de dólares em dinheiro de papel e decidem fazer esse dinheiro "circular". De que isso vai adiantar? Se ninguém naquela ilha se dispuser a produzir, ou se simplesmente não houver nenhum bem de capital (varas, bambus, lenhas, redes) que permita algum tipo de produção, ninguém poderá consumir nada. A única maneira de vocês poderem consumir é alguém produzindo algo e trocando esse algo por um bem que outra pessoa produziu. Apenas ter pedacinhos de papel não fará com que bens magicamente surjam na sua frente.

    Se essa sua ideia realmente procedesse, então, por exemplo, a miséria da África poderia ser facilmente abolida. Bastaria o pessoal de lá entrar em um comum acordo e definir uma moeda em comum a ser utilizada (um papelzinho qualquer). Ato contínuo, bastaria colocar esses papeizinhos para circular e, magicamente, com esse dinheiro o capital "seria acumulado e utilizado para investir e produzir mais". Certo? Mas como?

    Você está confundindo capital com dinheiro. Capital, como explicou o artigo, são as fábricas, as minas e as fazendas agrícolas, bem como todos os maquinários e equipamentos, todos os meios de transporte e de comunicação, todos os armazéns, lojas, escritórios, imóveis comerciais e residenciais, e todos os estoques de materiais, componentes, suprimentos, bens semimanufaturados e bens acabados que são propriedades de empresas.

    E isso não é criado apenas "circulando dinheiro".

    Por fim, é claro que a finalidade de toda a produção é o consumo. Produz-se para consumir (caso contrário, as pessoas estariam trabalhando sem nenhum objetivo em vista, pelo simples "prazer" de trabalhar). Mas não é o consumo que gera a produção. O consumo em nada pode contribuir para a produção. Consumo exaure capital; ele não cria capital.

    Se consumo criasse produção, então a sociedade americana, consumista por natureza, jamais vivenciaria absolutamente nenhum tipo de recessão. Se consumo criasse produção, então bastaria o governo sair criando seguidos pacotes de estímulo ao consumo, e a economia jamais estagnaria.

    Abraço!
  • mcmoraes  19/12/2011 22:41
    @Bernardo: "...Ao comprar, o consumidor em si não esta criando empregos diretamento, ele esta dando a possibilidade do capitalista criar, o consumidor cria empregos indiretamente, mas obviamente, ele não é o único responsável por isso..."

    Bernardo, pelo jeito vc deve também acreditar que, indiretamente:

    - o estudante transmite o conhecimento, pois sem ele não haveria professor;
    - o doente diagnostica e aplica a cura, pois sem ele não haveria médico;
    - a criança sustenta a família, pois sem ela não haveria pais;
    - o bandido aplica a lei, pois sem ele não haveria legisladores/juizes/policiais;
    - a platéia faz arte, pois sem ela não haveria atores;
    - o leitor escreve livros, pois sem ele não haveria escritores;
    - o idiota descobre a Verdade, pois sem ele não haveria sábios;

    E por aí vai. Mas você está enganado, Bernardo.

    Recomendo-lhe o seguinte vídeo para ajudá-lo com suas dúvidas: How an Economy Grows and Why It Doesn't (by Irwin Schiff).
  • Rodrigo  19/12/2011 11:14
    "Consumo exaure capital". Mas, caro Leandro, não há incentivos e incentivos para consumir, desde a publicidade até o crédito oferecido por bancos? Abraços.
  • Leandro  19/12/2011 11:20
    Sim. E daí? O fato de haver incentivos para consumir não significa que o consumo crie capital e riqueza. Não entendi.
  • EUDES  19/12/2011 15:23
    Segundo os austríacos, não é o consumo que gera a prosperidade. Um dos pontos fortes da ESCOLA AUSTRÍACA DE ECONOMIA é que ela não é incoerente quanto à poupança e quanto ao consumo. Se você é assalariado, gaste toda a sua renda; não poupe nada. Faça isso, de preferência, por vários anos. Se você é empresário, consuma toda a receita de sua empresa. Em ambos os casos, é fácil prever o futuro. Como poupar pode ser bom para o indivíduo e ruim para o conjunto de indivíduos ?
  • Carlos Araujo  19/12/2011 18:39
    Hein?
  • Leandro  19/12/2011 19:27
    Carlos, o Eudes foi irônico da metade pro final, é claro, mas o raciocínio dele está perfeito.
  • Carlos Araujo  20/12/2011 16:55
    Provei do meu próprio veneno. KKKK
  • Paulo Sergio  30/12/2011 03:47
    Ah, agora caiu a ficha.
    Uma das coisas que o PT repete várias vezes é que o bolsa esmola, bolsa isso, bolsa aquilo, faz bem pra economia, faz bem pra todo mundo, porque cria consumidores
  • Paulo Leite  12/01/2012 08:46
    Senhores,\r
    Corrijam meu raciocínio se eu estiver errado.\r
    Concordo que o consumo em si não crie empregos e riqueza. \r
    Mas o DESEJO de consumir estimula a NECESSIDADE de produzir. Quanto maior meu desejo de consumo (presente ou futuro), maior a minha necessidade de produção, seja através de uma atividade empreendedora (como empresário) ou de um emprego (como assalariado).\r
    Esse desejo de consumir mais estimula um maior número de transações voluntárias entre indivíduos, o que permite uma maior criação de riqueza (bens e serviços) para todos.\r
    Como exemplo do que quero dizer, considerem a seguinte comparação:\r
    Suponha que existam duas ilhas idênticas dispondo da mesma quantidade de recursos naturais, e absolutamente isoladas entre si e do resto do mundo. Na primeira ilha, sua população é extremamente frugal, se contentando com uma vida simples e um mínimo de conforto. Na segunda ilha, a população é muito mais "consumista", ou seja, tem um desejo muito mais intenso por bens e serviços que permitam um conforto maior.\r
    Seria natural que este desejo maior de consumir da população da segunda ilha, desenvolvesse ao longo do tempo, uma sociedade muito mais rica (em termos de bens e serviços produzidos) do que a da primeira ilha.\r
    Isso, no entanto, não quer dizer que a população da segunda ilha seria mais feliz que a da primeira. Simplesmente, a sociedade emergente na segunda ilha, seria mais apropriada para aquela população, bem como a sociedade emergente na primeira ilha seria mais apropriada para seu próprio povo.\r
    O que não faz sentido é uma entidade (o governo) estimular artificialmente o consumo da população (através de impressão de dinheiro, juros artificialmente baixos, endividamento público, etc) sem que haja uma contrapartida no aumento da produção da mesma população. Esses falsos estímulos só servem para adiar e aumentar o sofrimento do povo e das futuras gerações, que mais cedo ou mais tarde terão de pagar a conta.
  • Leandro  12/01/2012 09:32
    Paulo, desejar, você pode desejar o que quiser. Até uma mansão no Taiti. Mas só vai poder genuinamente demandar algo se tiver previamente acumulado poupança e/ou tiver obtido renda. E isso não é possível sem que tenha havido alguma atividade empreendedorial.

    Por favor, tenha a bondade de ler a minha troca de idéias com o Paulo Sérgio e com o Carlos. Nada tenho a acrescentar árido o que já disse apela.

    Grande abraço!
  • Paulo Leite  12/01/2012 09:58
    Leandro,\r
    \r
    Não sei se você compreendeu meu ponto de vista. Li todos os comentários do tópico, sou libertário de carteirinha, e concordo que só é possível genuinamente demandar após (alguém) ter produzido.\r
    \r
    O que quero dizer é que quanto maior o desejo do indivíduo de consumir - consumo presente ou futuro (poupança) - maior será o esforço que este irá empenhar no seu trabalho, consequentemente produzindo mais, e eventualmente trocando sua produção pelo consumo de outros bens e serviços.\r
    \r
    Você discorda deste ponto de vista?\r
    \r
    Grande abraço.
  • Leandro  12/01/2012 10:21
    Concordo que ele poderá ter esse desejo, mas este só poderá ser cumprido se ele puder utilizar capital e equipamento fornecidos por terceiros -- ou poupança própria, caso ele seja rico.

    Apenas ter o desejo de trabalhar e produzir, mas sem ter o capital adequando para isso, não adianta nada. E é pra suprir este papel que entra em cena o empreendedor/capitalista.

    Abraços!

  • anônimo  12/01/2012 10:36
    Desculpa a intromissão.

    Se entendi bem, o Paulo se refere a um fator psicológico do tipo de poder aumentar o padrão de vida buscando maior produtividade no trabalho. Bem, se entendi bem a explicação do Leandro, e entrando nas analogias futebolísticas do Lula, seria como comparar, por exemplo, um Carlitos Tevez desmotivado num grande time de futebol inglês (com tudo o que tem a disposição), com um muito motivado Dweh Allison(quem?) de um pequeno time da segunda divisão do Brasil, certo?
  • Paulo Leite  12/01/2012 11:15
    Hahaha.\r
    Anônimo, a sua analogia expressou perfeitamente a essência do que eu quis dizer.\r
    Abraços.
  • Leandro  12/01/2012 11:02
    Prezado Paulo Leite, tava relendo agora meu comentário acima e tenho de pedir desculpas por aquilo que saiu escrito na minha última frase! Fui trapaceado pelo corretor automático do senhor Jobs. O que eu quis dizer foi "Nada tenho a acrescentar ao que já disse a eles."

    Desculpe!

    Abraços!
  • Paulo Leite  12/01/2012 11:18
    Beleza Leandro. Não tinha entendido nada daquela frase. Vire e mexe este corretor também me prega uma peça.\r
    Abraços.
  • anônimo  04/03/2013 14:30
    Consumidor não cria empregos. Mas o empresário tem que vender. Se ele não consegue vender o produto, ele terá de demitir operarios, ou para reduzir a produção, ou terá de fechar o negócio dependendo da situação. Porra, isso é Mises, lembram quando ele fala em soberania dos consumidores?
  • Leandro  04/03/2013 15:47
    E qual é exatamente o seu ponto ao dizer a obviedade de que redução na demanda gera redução da oferta?

    Sugiro estudar o mecanismo dos ciclos econômicos para entender que um processo de generalizada redução da demanda tem suas origens exatamente na expansão anterior da demanda, a qual por sua vez foi estimulada pela expansão artificial do crédito. Demanda não cai do nada, como que por mágica. Há sempre uma causa subjacente.

    No que mais, demanda descasada da oferta é sempre uma questão de preços e salários estarem em níveis errados. No caso de uma recessão, preços e salários têm de cair. Assim empregos podem ser mantidos.

    Repito, qual o seu ponto?
  • Cleiton  04/03/2013 18:21
    Off topic: online.wsj.com/article/SB10001424127887324616604578304072420873666.html?mod=wsj_share_tweet

    As consequências do Obamacara já estão aparecendo.
  • Dirce  14/05/2019 14:31
    Durante cursos de graduação e pós graduação só tive aulas sobre Adam Smith e Keynes. Confesso que sempre achei ambas confusas e nunca engoli a tal teoria da "mão invisível", mas bem diz o ditado que "mentira repetida várias vezes vira verdade", assim a escola keynesiana bate na tecla do consumo como motor do desenvolvimento econômico e várias nações também.
    Acredito que as distorções de teorias estão relacionadas com os ciclos recessivos, já que são tratados como "Baixo consumo -> Baixo investimento - >Desemprego -> Baixo consumo". A escola Keynesiana também menciona que poupança superior a investimentos em capital prejudica a demanda.
    Aprendi muito com os comentários riquíssimos de vocês, no entanto, ainda não entendo como seria possível o equilíbrio das forças produtivas (empreendedores e assalariados), pois estudando os ciclos recessivos há claramente desequilíbrios que causam explosões de bolhas ou desemprego e paralisia de mercados. A distorção seria o consumo ou a especulação do crédito desenfreado? Vocês poderiam me indicar artigos ou livros da escola austríaca para leitura?


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