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Fatos e mitos sobre a “Revolução Industrial”

Autores
socialistas e intervencionistas costumam dizer que a história do industrialismo
moderno, e especialmente a história da “Revolução Industrial” na
Inglaterra, constitui uma evidência empírica da procedência da doutrina
denominada “realista” ou “institucional”, e refuta
inteiramente o dogmatismo “abstrato dos economistas”.[1]

Os
economistas negam categoricamente que os sindicatos e a legislação trabalhista
possam e tenham beneficiado a classe dos assalariados e elevado o seu padrão de
vida de forma duradoura.  Porém, dizem os
antieconomistas, os fatos refutaram essas ideias capciosas.

Segundo
eles, os governantes e legisladores que regulamentaram as relações trabalhistas
revelaram possuir uma melhor percepção da realidade do que os economistas.  Enquanto a filosofia do laissez-faire,
sem piedade nem compaixão, pregava que o sofrimento das massas era inevitável,
o bom senso dos leigos em economia conseguia terminar com os piores excessos dos
empresários ávidos de lucro.  A melhoria
da situação dos trabalhadores se deve, pensam eles, inteiramente à intervenção
dos governos e à pressão sindical.

São
essas ideias que impregnam a maior parte dos estudos históricos que tratam da
evolução do industrialismo moderno.  Os
autores começam esboçando uma imagem idílica das condições prevalecentes no
período que antecedeu a “Revolução Industrial”. Naquele tempo, dizem
eles, as coisas eram, de maneira geral, satisfatórias.  Os camponeses eram felizes.  Os artesãos também o eram, com a sua produção
doméstica; trabalhavam nos seus chalés e gozavam de certa independência, uma
vez que possuíam um pedaço de jardim e suas próprias ferramentas.  Mas, aí, “a Revolução Industrial caiu
como uma guerra ou uma praga” sobre essas pessoas.[2] 
O sistema fabril transformou o trabalhador livre em virtual escravo; reduziu o
seu padrão de vida ao mínimo de sobrevivência; abarrotando as fábricas com
mulheres e crianças, destruiu a vida familiar e solapou as fundações da
sociedade, da moralidade e da saúde pública. 
Uma pequena minoria de exploradores impiedosos conseguiu habilmente
subjugar a imensa maioria.

A
verdade é que as condições no período que antecedeu à Revolução Industrial eram
bastante insatisfatórias.  O sistema social
tradicional não era suficientemente elástico para atender às necessidades de
uma população em contínuo crescimento. 
Nem a agricultura nem as guildas conseguiam absorver a mão de obra
adicional.  A vida mercantil estava
impregnada de privilégios e monopólios; seus instrumentos institucionais eram
as licenças e as cartas patentes; sua filosofia era a restrição e a proibição
de competição, tanto interna como externa.

O
número de pessoas à margem do rígido sistema paternalista de tutela
governamental cresceu rapidamente; eram virtualmente párias.  A maior parte delas vivia, apática e
miseravelmente, das migalhas que caíam das mesas das castas privilegiadas.  Na época da colheita, ganhavam uma ninharia
por um trabalho ocasional nas fazendas; no mais, dependiam da caridade privada
e da assistência pública municipal.  Milhares
dos mais vigorosos jovens desse estrato social alistavam-se no exército ou na
marinha de Sua Majestade; muitos deles morriam ou voltavam mutilados dos
combates; muitos mais morriam, sem glória, em virtude da dureza de uma bárbara
disciplina, de doenças tropicais e de sífilis.[3]

Milhares
de outros, os mais audaciosos e mais brutais, infestavam o país vivendo como
vagabundos, mendigos, andarilhos, ladrões e prostitutos.  As autoridades não sabiam o que fazer com
esses indivíduos, a não ser interná-los em asilos ou casas de correção.  O apoio que o governo dava ao preconceito
popular contra a introdução de novas invenções e de dispositivos que
economizassem trabalho dificultava as coisas ainda mais.

O
sistema fabril desenvolveu-se, tendo de lutar incessantemente contra inúmeros
obstáculos.  Teve de combater o
preconceito popular, os velhos costumes tradicionais, as normas e regulamentos
vigentes, a má vontade das autoridades, os interesses estabelecidos dos grupos
privilegiados, a inveja das guildas.  O
capital fixo das firmas individuais era insuficiente, a obtenção de crédito
extremamente difícil e cara.  Faltava
experiência tecnológica e comercial.  A
maior parte dos proprietários de fábricas foi à bancarrota; comparativamente,
foram poucos os bem-sucedidos.  Os
lucros, às vezes, eram consideráveis, mas as perdas também o eram.  Foram necessárias muitas décadas para que se
estabelecesse o costume de reinvestir a maior parte dos lucros e a consequente
acumulação de capital possibilitasse a produção em maior escala.

A
prosperidade das fábricas, apesar de todos esses entraves, pode ser atribuída a
duas razões.  Em primeiro lugar, aos
ensinamentos da nova filosofia social que os economistas começavam a explicar e
que demolia o prestígio do mercantilismo, do paternalismo e do restricionismo.  A crença supersticiosa de que os equipamentos
e processos economizadores de mão de obra causavam desemprego e condenavam as
pessoas ao empobrecimento foi amplamente refutada.  Os economistas do laissez-faire foram
os pioneiros do progresso tecnológico sem precedentes dos últimos duzentos
anos.

Um
segundo fator contribuiu para enfraquecer a oposição às inovações.  As fábricas aliviaram as autoridades e a
aristocracia rural de um embaraçoso problema que estas já não tinham como
resolver.  As novas instalações fabris
proporcionavam trabalho às massas pobres que, dessa maneira, podiam ganhar seu
sustento; esvaziaram os asilos, as casas de correção e as prisões.  Converteram mendigos famintos em pessoas
capazes de ganhar o seu próprio pão.[4]

Os
proprietários das fábricas não tinham poderes para obrigar ninguém a aceitar um
emprego nas suas empresas. Podiam apenas
contratar pessoas que quisessem trabalhar pelos salários que lhes eram
oferecidos.  Mesmo que esses salários
fossem baixos, eram ainda assim muito mais do que aqueles indigentes poderiam
ganhar em qualquer outro lugar.  É uma
distorção dos fatos dizer que as fábricas arrancaram as donas de casa de seus
lares ou as crianças de seus brinquedos.  Essas mulheres não tinham como alimentar os
seus filhos.  Essas crianças estavam
carentes e famintas.  Seu único refúgio
era a fábrica; salvou-as, no estrito senso do termo, de morrer de fome.

É
deplorável que tal situação existisse.  Mas,
se quisermos culpar os responsáveis, não devemos acusar os proprietários das
fábricas, que — certamente movidos pelo egoísmo e não pelo altruísmo —
fizeram todo o possível para erradicá-la.  O que causava esses males era a ordem
econômica do período pré-capitalista, a ordem daquilo que, pelo que se infere
da leitura das obras destes historiadores, eram os “bons velhos
tempos”.

Nas
primeiras décadas da Revolução Industrial, o padrão de vida dos operários das
fábricas era escandalosamente baixo em comparação com as condições de seus
contemporâneos das classes superiores ou com as condições atuais do operariado
industrial.  A jornada de trabalho era
longa, as condições sanitárias dos locais de trabalho eram deploráveis.

A
capacidade de trabalho do indivíduo se esgotava rapidamente.  Mas prevalece o fato de que, para o excedente
populacional — reduzido à mais triste miséria pela apropriação das terras
rurais, e para o qual, literalmente, não havia espaço no contexto do sistema de
produção vigente –, o trabalho nas fábricas representava uma salvação. Representava uma possibilidade de melhorar o
seu padrão de vida, razão pela qual as pessoas afluíram em massa, a fim de
aproveitar a oportunidade que lhes era oferecida pelas novas instalações industriais.

A
ideologia do laissez-faire e sua consequência, a
“Revolução Industrial”, destruíram as barreiras ideológicas e
institucionais que impediam o progresso e o bem-estar.  Demoliram a ordem social na qual um número
cada vez maior de pessoas estava condenado a uma pobreza e a uma penúria
humilhantes.  A produção artesanal das
épocas anteriores abastecia quase que exclusivamente os mais ricos.  Sua expansão estava limitada pelo volume de
produtos de luxo que o estrato mais rico da população pudesse comprar.  Quem não estivesse engajado na produção de
bens primários só poderia ganhar a vida se as classes superiores estivessem
dispostas a utilizar os seus serviços ou o seu talento.  Mas eis que surge um novo princípio: com o
sistema fabril, tinha início um novo modo de comercialização e de produção.

Sua
característica principal consistia no fato de que os artigos produzidos não se
destinavam apenas ao consumo dos mais abastados, mas ao consumo daqueles cujo
papel como consumidores era, até então, insignificante. Coisas baratas, ao alcance do maior número
possível de pessoas, era o objetivo do sistema fabril.  A indústria típica dos primeiros tempos da
Revolução Industrial era a tecelagem de algodão.  Ora, os artigos de algodão não se destinavam
aos mais abastados.  Os ricos preferiam a
seda, o linho, a cambraia.  Sempre que a
fábrica, com os seus métodos de produção mecanizada, invadia um novo setor de
produção, começava fabricando artigos baratos para consumo das massas.  As fábricas só se voltaram para a produção de
artigos mais refinados, e portanto mais caros, em um estágio posterior, quando
a melhoria sem precedentes no padrão de vida das massas tornou viável a
aplicação dos métodos de produção em massa também aos artigos melhores.

Assim,
por exemplo, os sapatos fabricados em série eram comprados apenas pelos
“proletários”, enquanto os consumidores mais ricos continuavam a
encomendar sapatos sob medida.  As tão
malfaladas fábricas que exploravam os trabalhadores, exigindo-lhes trabalho
excessivo e pagando-lhes salário de fome, não produziam roupas para os ricos,
mas para pessoas cujos recursos eram modestos.  Os homens e mulheres elegantes preferiam, e
ainda preferem, ternos e vestidos feitos pelo alfaiate e pela costureira.

O
fato marcante da Revolução Industrial foi o de ela ter iniciado uma era de
produção em massa para atender às necessidades das massas.  Os assalariados já não são mais pessoas trabalhando
exaustivamente para proporcionar o bem-estar de outras pessoas; são eles mesmos
os maiores consumidores dos produtos que as fábricas produzem.  A grande empresa depende do consumo de massa.  Em um livre mercado, não há uma só grande
empresa que não atenda aos desejos das massas.  A própria essência da atividade empresarial
capitalista é a de prover para o homem comum.  Na qualidade de consumidor, o homem comum é o
soberano que, ao comprar ou ao se abster de comprar, decide os rumos da
atividade empresarial.  Na economia de
mercado não há outro meio de adquirir e preservar a riqueza, a não ser
fornecendo às massas o que elas querem, da maneira melhor e mais barata
possível.

Ofuscados
por seus preconceitos, muitos historiadores e escritores não chegam a perceber
esse fato fundamental.  Segundo eles, os
assalariados labutam arduamente em benefício de outras pessoas.  Nunca questionaram quem são essas
“outras” pessoas.

O
Sr. e a Sra. Hammond [citados na nota de
referência número 2
] nos dizem que os trabalhadores eram mais felizes em
1760 do que em 1830.[5]  Trata-se
de um julgamento de valor arbitrário.  Não
há meio de comparar e medir a felicidade de pessoas diferentes, nem da mesma
pessoa em momentos diferentes.

Podemos
admitir, só para argumentar, que um indivíduo nascido em 1740 estivesse mais
feliz em 1760 do que em 1830.  Mas não
nos esqueçamos de que em 1770 (segundo estimativa de Arthur Young) a Inglaterra
tinha 8,5 milhões de habitantes, ao passo que em 1830 (segundo o recenseamento)
a população era de 16 milhões.[6]  Esse aumento notável se deve principalmente à
Revolução Industrial.  Em relação a esses
milhões de ingleses adicionais, as afirmativas dos eminentes historiadores só
podem ser aprovadas por aqueles que endossam os melancólicos versos de
Sófocles: “Não ter nascido é, sem dúvida, o melhor; mas para o homem que
chega a ver a luz do dia, o melhor mesmo é voltar rapidamente ao lugar de onde
veio”.

Os
primeiros industriais foram, em sua maioria, homens oriundos da mesma classe
social que os seus operários. Viviam
muito modestamente, gastavam no consumo familiar apenas uma parte dos seus
ganhos e reinvestiam o resto no seu negócio.  Mas, à medida que os empresários enriqueciam,
seus filhos começaram a frequentar os círculos da classe dominante.  Os cavalheiros de alta linhagem invejavam
riqueza dos novos-ricos e se indignavam com
a simpatia que estes devotavam às reformas que estavam ocorrendo.  Revidaram investigando as condições morais e
materiais de trabalho nas fábricas e editando a legislação trabalhista.

A
história do capitalismo na Inglaterra, assim como em todos os outros países
capitalistas, é o registro de uma tendência incessante de melhoria do padrão de
vida dos assalariados.  Essa evolução
coincidiu, por um lado, com o desenvolvimento da legislação trabalhista e com a
difusão do sindicalismo, e, por outro, com o aumento da produtividade marginal.
 Os economistas afirmam que a melhoria
nas condições materiais dos trabalhadores se deve ao aumento da quota de
capital investido per capita e ao progresso tecnológico
decorrente desse capital adicional.  A
legislação trabalhista e a pressão sindical, na medida em que não impunham a
concessão de vantagens superiores àquelas que os trabalhadores teriam de
qualquer maneira, em virtude de a acumulação de capital se processar em ritmo
maior do que o aumento populacional, eram supérfluas.  Na medida em que ultrapassaram esses limites,
foram danosas aos interesses das massas.  Atrasaram a acumulação de capital, diminuindo
assim o ritmo de crescimento da produtividade marginal e dos salários.  Privilegiaram alguns grupos de assalariados às
custas de outros grupos.  Criaram o
desemprego em grande escala e diminuíram a quantidade de produtos que os
trabalhadores, como consumidores, teriam à sua disposição.

Os
defensores da intervenção do governo na economia e do sindicalismo atribuem
toda melhoria da situação dos trabalhadores às ações dos governos e dos
sindicatos.  Se não fosse por isso, dizem
eles, o padrão de vida atual dos trabalhadores não seria maior do que nos
primeiros anos da Revolução Industrial.

Certamente
essa controvérsia não pode ser resolvida pela simples recorrência à experiência
histórica.  Os dois grupos não têm
divergências quanto a quais tenham sido os fatos ocorridos.  Seu antagonismo diz respeito à interpretação
desses fatos, e essa interpretação depende da teoria escolhida.  As considerações de natureza lógica ou
epistemológica que determinam a correção ou a falsidade de uma teoria são,
lógica e temporalmente, antecedentes à elucidação do problema histórico em questão.  Os fatos históricos, por si
só, não provam nem refutam uma teoria.  Precisam
ser interpretados à luz da compreensão teórica.

A
maioria dos autores que escreveu sobre a história das condições de trabalho no
sistema capitalista era ignorante em economia e disso se vangloriava.  Entretanto, tal desprezo por um raciocínio
econômico bem fundado não significa que esses autores tenham abordado o tema
dos seus estudos sem preconceitos e sem preferência por uma determinada teoria;
na realidade, estavam sendo guiados pelas falácias tão difundidas que atribuem
onipotência ao governo e consideram a atividade sindical como uma bênção.  Ninguém pode negar que os Webbs, assim como
Lujo Brentano e uma legião de outros autores menores, estavam, desde o início
de seus estudos, imbuídos de uma aversão fanática pela economia de mercado e de
uma entusiástica admiração pelas doutrinas socialistas e intervencionistas.  Foram certamente honestos e sinceros nas suas
convicções e deram o melhor de si.  Sua
sinceridade e probidade podem eximi-los como indivíduos; mas não os eximem como
historiadores.  As intenções de um
historiador, por mais puras que sejam, não justificam a adoção de doutrinas
falaciosas.  O primeiro dever de um
historiador é o de examinar com o maior rigor todas as doutrinas a que
recorrerá para elaborar suas interpretações históricas.  Caso ele se furte a fazê-lo e adote
ingenuamente as ideias deformadas e confusas que têm grande aceitação popular,
deixa de ser um historiador e passa a ser um apologista e um propagandista.

O
antagonismo entre esses dois pontos de vista contrários não é apenas um
problema histórico: está intimamente ligado aos problemas mais candentes da
atualidade.  É a razão da controvérsia
naquilo que se denomina hoje de relações industriais.

Salientemos
apenas um aspecto da questão: em vastas regiões — Ásia Oriental, Índias
Orientais, sul e sudeste da Europa, América Latina — a influência do
capitalismo moderno é apenas superficial.  A situação nesses países, de uma maneira
geral, não difere muito da que prevalecia na Inglaterra no início da
“Revolução Industrial”.  Existem
milhões de pessoas que não encontram um lugar seguro no sistema econômico
vigente.  Só a industrialização pode
melhorar a sorte desses desafortunados; para isso, o que mais necessitam é de
empresários e de capitalistas.

Como
políticas insensatas privaram essas nações do benefício que a importação de
capitais estrangeiros até então lhes proporcionava, precisam proceder à
acumulação de capitais domésticos.  Precisam
percorrer todos os estágios pelos quais a industrialização do Ocidente teve de
passar.  Precisam começar com salários
relativamente baixos e com longas jornadas de trabalho.  Mas, iludidos pelas doutrinas prevalecentes
hoje em dia na Europa Ocidental e na América do Norte, seus dirigentes pensam
que poderão consegui-lo de outra maneira.  Encorajam a pressão sindical e promovem uma
legislação pretensamente favorável aos trabalhadores.  Seu radicalismo intervencionista mata no
nascedouro a criação de uma indústria doméstica.  Seu dogmatismo obstinado tem como consequência
a desgraça dos trabalhadores braçais indianos e chineses, dos peões mexicanos e
de milhões de outras pessoas que se debatem desesperadamente para não morrer de
fome.



[1] A atribuição da expressão “Revolução
Industrial” ao período dos reinados dos dois últimos reis da casa de
Hanover — George III e George IV (1760-1830) — resultou do desejo de
dramatizar a história econômica, de maneira a ajustá-la aos esquemas marxistas
procustianos.* A transição dos métodos medievais de produção para o sistema de
livre iniciativa foi um processo longo que começou séculos antes de 1760 e que,
mesmo na Inglaterra, em 1830, ainda não tinha terminado.  Entretanto, é verdade que o desenvolvimento
industrial na Inglaterra acelerou-se bastante na segunda metade do século
XVIII.  Consequentemente, é admissível
usar a expressão “Revolução Industrial” ao se examinarem as
conotações emocionais que lhe foram imputadas pelo fabianismo, pelo marxismo e
pela Escola Historicista.

* Relativo a Procusto, gigante
salteador da Ática que, segundo a mitologia grega, despojava viajantes e
torturava-os deitando-os num leito de ferro: se a vítima fosse maior,
cortava-lhe os pés; se menor, esticava-a por meio de cordas até que atingisse
as dimensões do leito. O termo serve para metaforizar o ato de se tentar
ajustar arbitrariamente a realidade a um sistema ou teoria previamente
concebidos. (N.T.)

[2] J.L. Hammond and Barbara Hammond, The
Skilled Labourer, 1760-1832, 2. ed., Londres, 1920, p. 4.

[3] Na guerra
dos Sete Anos, 1.512 marinheiros ingleses morreram em combate, enquanto 133.708
morreram de doenças ou desapareceram. Ver W.L.Dorn, Competition for Empire
1740-1763, Nova York, 1940, p.114.

[4] No sistema
feudal inglês, a maior parte da área rural constituía-se de campos e florestas.
Grande parte dessas áreas era utilizada para o cultivo de grãos e criação de
gado para consumo próprio. Com o advento da produção agrícola para o mercado e
não para o senhor feudal, essas terras começaram a ser cercadas e apropriadas.  Diversos atos do Parlamento, no século XVIII e
parte do século XIX, endossaram esse movimento, que tinha oposição das classes
inferiores.  Tal situação resultou num
aumento da produção agrícola e na criação de um proletariado rural, que veio a
se tornar a força de trabalho usada pelas fábricas inglesas na “Revolução
Industrial”.

[5] J.L. Hammond
e Barbara Hammond, op. cit.

[6] F.C.
Dietz, An Economic History of England, Nova York, 1942, p. 279 e
392.

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85 comentários em “Fatos e mitos sobre a “Revolução Industrial””

  1. Espetacular publicação!!!! Parabens ao IMB por traze-la a tona

    Como não se encantar com os escritos desmistificadores de Mises.

    Essa parte é uma das que mais me impressionaram entre as minhas (ainda) esparsas leitura do Ação Humana de Mises.

  2. isso me lembra a velha ladainha “o capitalismo é concentrador de riquezas, hoje 1% da população detém 50% da riqueza!”

    equalitário mesmo era o feudalismo, que tinha 100% da riqueza na mão de 0,1% da população, os nobres!

  3. É impressionante como que na escola (pelo menos na que eu estudei) existe uma propaganda bastante contrária a revolução industrial. É a primeira vez que leio algo que represente “o outro lado”, e isso já é motivo suficiente para agradecer.

    Muito Obrigado!!

  4. Será que vai aparecer alguém aqui dizendo para o Mises “estudar mais História”, assim como apareceu um gênio dizendo que o Hayek deveria estudar a mais-valia? hehe

  5. Sempre que eu argumento que as condições de vida dos trabalhadores nas fábricas, por mais precário que era, era superior à época quando eram simples camponeses, os “historiadores” me falam que os trabalhadores foram obrigados (sim, eles não tinham opção) a abandonar o campo, por causa das leis de cercamento, que restringia os camponeses e os matavam de fome. Ou seja, o governo os forçou a migrarem para as cidades.

    #comofas?

  6. Hoje em dia, é quase consenso entre os historiadores econômicos que as condições dos trabalhadores antes da Revolução Industrial eram iguais ou piores às existentes após a R.I. Mas esse tipo de informação simplesmente não chega às aulas de história dos colégios, dominadas pela cartilha esquerdista.

  7. Todos os dias quando entro aqui, vejo serem derrubadas todas as estórias contadas na escola por toda a minha vida.

    Todos aqueles que tem filhos, e que estão sintonizados com Mises, devem fazer pelos filhos aquilo que não foi feito para você: ensinar a verdadeira historia!

    Sou um pai participante na vida escolar do meu filho, e para mim foi presente de Deus encontrar uma escola que não adota livros didáticos. Isso mesmo, na escola do meu filho ele não vai correr o risco de conhecer a história torta que o governo quer contar. (até por que mesmo as escolas particulares não conseguem se livrar deste mal, já que é raro encontrar um livro de história que não faça propaganda do socialismo e pinte o empreendedorismo como gênio do mal).

  8. Sugestão: colocar a data em que o texto foi escrito. Como alguns textos não são recentes, algumas passagens parecem meio deslocadas, embora tenham sido adequadas na época do texto. Por exemplo, a seguinte passagem não é tão verdade quanto já foi:

    ‘Salientemos apenas um aspecto da questão: em vastas regiões – Ásia Oriental, Índias Orientais, sul e sudeste da Europa, América Latina – a influência do capitalismo moderno é apenas superficial.’

  9. É verdade, observei durante a leitura a mesma coisa que o Capitale no trecho que ele cita. Mas acho a sugestão dele boa tb pelo seguinte motivo: alguns textos do Mises(embora esse nem tanto) soam assustadoramente atuais. Para os leitores menos familiarizados com esse site e que não conhecem Mises, Rothbard e Hayek, seria bem legal ter o ano de publicação.\r
    \r
    Eudes: eu sempre observei isso no Brasil e as explicações de “colônia de exploração” ou colônia de povoamento” nunca me convenceram. Talvez fosse mais esclarecedor falar em “colônia de estado” (a corte portuguesa muito mais presente no Brasil) e “colônia de economia livre” (o caso das 13 colônias). O que provoca essas diferenças a meu ver é a maior ou menor presença da metrópole, não a FORMA como ela estava presente. Acredito que a história das Américas de norte a sul é um grande argumento empírico contra o intervencionismo

  10. Fernando Chiocca

    O Hoppe tem uma nova teoria sobre o porquê de a Revolução Industrial ter ocorrido quando ocorreu, e ela difere da de Mises, de Rothbard (que é a mesma de Mises)e de todos os outros autores.
    Ao invés de dizer que foi através de um desenvolvimento institucional de proteção de direitos de propriedade, que permitiu o acumulo de capital, ele diz que foi um avanço na inteligência humana o responsável pelo salto na melhoria das condições de vida pós século XIX.

  11. O tal de Marco Túlio está defendendo um “planejamento estratégico” feito pelo Estado. Mais do mesmo. A liberdade se conquista acabando com qualquer orgão que nos rouba para pretensamente investir melhor nosso dinheiro. Quem melhor gasta meu dinheiro sou eu, e ponto final.

  12. Um belo texto para começar o ano! Mais incrível ainda se pensarmos que esse capitalismo da revolução industrial, que logo teve que enfrentar sindicatos e leis trabalhistas, continua existindo e evoluindo até hoje, mesmo com todos os entraves intervencionistas e socialistas. Apesar de tudo ele continuou evoluindo e por mais que hoje em dia pudéssemos ter uma sociedade muito melhor sem os entraves ainda assim certamente temos uma sociedade que oferece melhor qualidade de vida para todos do que na época da revolução industrial.
    Pena que nosso governo, como Mises explica no texto, crê que as melhorias foram causadas por suas intervenções e legislações e não entende que as melhorias ocorreram apesar dos mesmos.

  13. O que foi dito pode-se constatar se observarmos várias partes do mundo;operários da Alemanha de anteontem,ontem, hoje,operários chineses de ontem e hoje repetem o que já tinha acontecido.Jornadas longas,salários baixíssimos…também os “tigres asiáticos” apresentam E APRESENTARAM as mesmas etapas, e podemos concluir seguramente a evolução do padrão das massas trabalhadoras APESAR DOS SINDICATOS,DAS INTERVENÇÕES E DOS DEMAGOGOS!
    Os produtos que um operário JAMAIS sonharia possuir(ex um celular com tv) hoje é comum, e é fabricado para êle, para as suas necessidades, como dizem CUSTOMIZADO.
    Os produtos tem padrões de qualidade e preço em função dos consumidores,maior parte operários,”funcionários” pertencentes aos varios setores.Graças aqueles que economizaram,gastaram menos do que ganhavam, e reinvestiram seus lucros,arriscaram em novas técnicas,criaram empregos,geraram riquezas.
    Em nenhum pais onde o governo assumiu o papel de “paizão” “gerentão” deu certo.
    Considero liderança e empreendorismo individual uma espécie de dom,não dá para pegar um indio qualquer e transformá-lo em cacique.
    Sempre vai ter mais indio que cacique,náturalmente.Não se trata de o mais hábil escravizando o menos esperto.Graças aos mais capazes naturalmente, os menos capazes tem emprego e podem sustentar suas famílias.

  14. Gostaria que o pessoal do Mises Brasil traduzisse esse artigo do Mises Institute ? Is Secession a Right? di David Gordon (o mesmo que fez a introdução do E´tica da liberdade do Rothbard), no qual fala sobre direitos naturais (individuais) e ao mesmo tempo usa um argumento do Mises em favor da secessão. É algo que corrobora tanto com libertários céticos morais consequencialistas e com libertários a favor de uma ética dos direitos naturais. Vale a pena estar, se você não já estão traduzindo, no acervo do site.

  15. Gostaria de ver no IMB artigo sobre como o welfare state estimula a disgenia, sobre como ele incentiva as pessoas menos inteligentes e mais irresponsáveis a terem mais filhos e, portanto, diminuir a qualidade genética da população!

    Será que um artigo assim vai ferir demais a sensibilidade dos leitores?
    Fica o meu pedido.

    Abraços.

  16. Percebo agora, que tive a sorte de conhecer um pouco do ideal da escola austríaca bem cedo, tenho 16 anos, e muito provável farei faculdade de economia, e é muito bom ver a história sendo contada sob um outro ponto de vista, que me parece bem mais realista, muito dos textos que vejo aqui do instituto, confesso, que chego a entender cerca de uns 60% a 75%, não incluindo os textos que tem certos complicados vocabulários econômicos, mas ainda sim, consigo absorver as mensagens principais.

    Bem, muito obrigado a escola austríaca a ajudar a formular meu senso crítico.

  17. Realmente é muito bom você encontrar textos como esses no Brasil, encontrar intelectuais que pensam fora da ´´bolha de ilusão da esquerda“ que a maioria dos meus professores pensam. Eu tenho 15 anos e quase todos os dias eu sou bombardeado por besteiras como ´´Colonia de Povoamento“, ´´Burguesia que dominava o poder político que só se fazia por seus interesses“, etc… (O Pior é ter que estudar isso pra prova e não poder contar a verdade).
    Eu tenho uma professora que ano passado, no auge da Euforia do ´´crescimento do Brasil“, choveu elogios as medidas do Lula, dizendo entre outras coisas que as restrições no mercado financeiro foi bom para conter a expeculação financeira, e que as medidas de redução de IPI salvaram o Brasil da depressão…. Eu gostaria de encontra-la hoje pra ver o que as ´´brilhantes“ medidas fizeram
    Graças a deus que eu posso encontrar artigos da Escola Austríaca bem cedo, umas
    das coisas que mais me chateam é ver amigos meus com ideias idiotas por causa de professores assim.
    Muito obrigado pelos artigos, eles realmente impulsionam você a formar o seu senso crítico, como disse o amigo do comentario de cima, te fazem ver alem das besteiras da doutrinação da escola….

  18. Uma prova da constante melhoria do padrão de vida na Inglaterra e nos Estados Unidos, durante a Revolução Industrial são os jornais diários. Não existiam jornais diários, na Inglaterra e Estados Unidos, em 1600. Na década de 1880, quando o satanista Karl Marx morreu, milhões de jornais eram publicados nos Estados Unidos e Inglaterra todos os dias. De onde veio o dinheiro para comprar toda esta massa de jornais? Dos salários crescentes do operariado, que ganhava cada vez mais e podia comprar jornais. As ferrovias reduziram não apenas o tempo do transporte terrestre, mas também seu custo. O mesmo aconteceu com o transporte de navios a vapor, que não apenas ficou mais rápido, como também mais barato. E a redução do custo do transporte de todos os bens fez, reduzir os custos de todos os produtos.

  19. Estou muito convencido de quem salvou o proletariado, que não podia nem mesmo prover a propria vida, e morria de fome, foi o Capitalismo. (Capitalism and the Historians: F. A. Hayek) Os senhores feudais deixavam a população morrerem de fome, nem podiam procriar, pois, se muito, podiam sustentar só a si mesmos.

  20. Gostei muito do artigo, mas fico pensando, a realidade da população não mudou – e acredito não mudará -, pois a riqueza gerada pela industrialização permanece concentrada em, sua grande maioria, nas mãos de uma pequena parte da população a, elite dominante. A Revolução Industrial foi o que faltava a burguesia, que mesmo de depois da sua ascensão, não tinham uma posição de dominância, assim como reis, nobres e clerigos, que dominaram a situação por tanto tempo, então todo esse processo de industrialição conferiu a burquesia o status de elite dominante, o que permanece até hoje; mas, é claro a industrializão trouxe muitas coisas boas, isto é inegável: antes a população era totalmente imóvel, hoje já é possível mudar de condição social.

  21. Fiz um resumo desse texto num debate com os idiotas do Anarcomiguxos:

    Ok, mãos à obra. Alguns historiadores têm uma visão de que antes, o dono da pequena manufatura tinha o domínio sobre toda sua técnica de produção e esse conhecimento era passado de pai pra filho. Isso é fato. Porém, eles não costumam contar que eles eram poucos, e que pra manter sua posição, recorriam a privilégios legais dados pelos monarcas e legisladores locais. Restrições de qualidade e monopólios intelectuais chamados de patentes que dificultavam que novos concorrentes entrassem no mercado. Na França, foi assim até Napoleão. Já na Inglaterra, esse sistema foi ruindo a partir do séc XVI(embora tenha havido restrições até o XIX). A produção dos artesãos era voltada para a classe nobre, que gostava de produtos feitos de seda e de linho. Mas então o malvado capitalismo nos trouxe a Revolução Industrial, que “acabou” com os pequenos artesãos e camponeses. Isso, segundo eles. Na verdade, o antigo sistema não consegui atender às demandas de uma população crescente. Era uma maioria que vivia à margem, ou melhor, sobrevivia, das migalhas das castas mais altas. A oportunidade de ascensão social, dentro dos meios legais, era se alistar no exército, e se você não morresse em serviço, talvez, um dia, conseguisse um alto título militar. Centenas de milhares se tornavam mendigos e prostitutas. A produtividade simplesmente não dava pra todo mundo. Após o surgimento do Iluminismo e de toda a filosofia individualista, liderada por escoceses, aos poucos os sistema maquinofatureiro conseguiu superar os privilégios das guildas, a má vontade do poder público e o preconceito contra as fábricas(porque até mesmo alguns liberais achavam-as estéreis, que só o campo era produtivo). A catástrofe social que as autoridades presenciavam ajudou a catalisar as mudanças, pois estava ficando perigoso apoiar uma minoria nobre em detrimento de todos aqueles camponeses e recém-chegados habitantes da cidade. Então, alguns desses cidadãos dos burgos, conseguiram acumular capital o suficiente para abrir manufaturas e fabriquetas. Alguns prosperaram e abriram fábricas com máquinas a vapor. Mas esses donos de fábricas(que contratavam pessoas pelas habilidades e não pelo parentesco) não podiam obrigá-las a vir trabalhar. O salário que eles ganhavam, apesar de baixo, era MAIOR do que quando viviam no campo. Sim, a situação era muito precária, mas os culpados disso nos eram os novos industriais, e sim do antigo sistema pré-capitalista com classes fixas. As fábricas foram uma espécie de salvação da miséria que já existia. Ou se produzia bens primários, ou se dependia da sorte para ser um dos poucos a produzir para a nobreza, como trabalhar de alfaiate ou artista. Mas eis que surge o novo método de produção e comercialização. Fábricas agora produziam para os mais pobres, e para isso, tinha que ser barato, o que, por sua vez, só era possível com a produção em larga escala. E esta surgiu naturalmente, com o processo de tentativa e erros dos progressos técnicos. Claro que a qualidade desses produtos era inferior. Só os ricos tinham sapatos sob medida, enquanto os proletários compravam uns bem vagabundos, tamanho único. Mas veja: até então, a opção era andar descalço. Quanto aos industriais, eles ficaram podres de ricos, mas só mantiveram sua riqueza aqueles que souberam atender às demandas das massas. A história está repleta de casos de falências de “impérios empresariais”. E quanto à maioria, que não ficou rica? Bom, em 1770, a Inglaterra tinha 8,5 milhões de habitantes. Em 1830, 16 mi. Vocês podem ver que os problemas demográficos começaram a cessar. Malthus e esse Senior(que originou o debate) tinham uma visão bem cética quanto à explosão populacional, pois não contavam com as novas técnicas possibilitadas pelo capitalismo industrial. A produtividade marginal e o capital investido per capita cresceram como nunca antes. Socialistas gostam de usar a história para dizer que a teoria econômica está errada. Mas não dá pra analisar a história sem uma teoria de funcionamento do sistema. A Rev. Ind. teve capítulos desagradáveis, mas no todo e no final, trouxe grande aumento da qualidade de vida. Isso, devido à acumulação de capital que aumentou a produtividade. Não por causa da legislação trabalhista ou pela pressão sindical, que só fizeram atrasar o desenvolvimento. Graças ao aumento da qualidade de vida, Marx, um dia, recebeu uma carta de Engels reclamando que os salários, comparativamente altos, afetariam o ímpeto do proletariado em realizar “a revolução”, porque os pobres estavam se tornando o que se poderia chamar de classe média, e assim, se aburguesando. P.S. Um detalhe importante é o de que a oferta de dinheiro dependia da quantia existente de metais, então os governos não podiam ficar inflacionando a moeda ao bel-prazer. Um bom economista sabe que a inflação pode, no máximo causar um aumento do emprego NO CURTO PRAZO. A longo prazo, só faz criar desigualdade(não entrarei nos detalhes, mas quem quiser, pode ler “Desemprego e Política Monetária, de F.A. Hayek). Graças á estabilidade monetária, o nível geral de preços caiu, já que houve aumento da produtividade sem um correspondente aumento de moeda. Com isso, mesmo que os salários nominais não aumentassem, o poder de compra da população aumentou.

  22. Leninmarquisson da Silva

    Aewwww!

    Esse semestre estou tendo aulas de “Cultura e Sociedade” (Comunismo e Sociedade), e vocês podem imaginar a ideologia do professor…
    Típicas baboseiras comunistas à parte, estava discutindo com ele sobre a “exploração capitalista” durante esse período, ele claro apontou toda a situação precária a qual os trabalhadores se sujeitavam, e meu argumento não poderia ser outro a não ser “por pior que eram essas condições, elas deveriam ser a melhor alternativa que eles tinham, já que ninguém os obrigou a trabalharem nas fábricas”.

    E eis então que, surpreendentemente, ele me disse que foi o Estado inglês que forçou os trabalhadores fora do campo para as fábricas na cidade. Isso procede?

    Dei um ctrl+f mas não achei nada no artigo sobre isso.

  23. As consequências sociais da Revolução Industrial são bem conhecidas, mas é útil fixar na memória seus traços de maior relevo. Por um lado, multiplicou enormemente a riqueza e o poderio econômico da burguesia. Por outro, desestruturou o modo tradicional de vida da população, tornando-o permanentemente instável, aprofundando dramaticamente as desigualdades sociais e fazendo tornarem-se familiares duas realidades terríveis: o desemprego e a alienação do trabalhador em relação ao seu produto.

    No antigo sistema de corporações de ofícios da época do feudalismo, os artesãos, como se sabe, eram donos dos seus instrumentos e objetos de trabalho, produziam com habilidade pessoal cada artigo em sua casa-oficina, do começo ao fim, para um mercado pequeno e estável e colhiam os resultados financeiros de sua atividade.

    No sistema manufatureiro, que havia se desenvolvido na Europa durante a fase inicial do capitalismo (mercantilismo, mais ou menos entre os séculos XVI e XVIII), essa independência do trabalhador deu o primeiro passo em direção ao desaparecimento: os artesãos quase sempre ainda eram proprietários de seus instrumentos, mas o crescimento e a instabilidade do mercado forçaram-nos a trabalharem por encomendas de capitalistas-mercadores, de quem passaram, inclusive, a depender para o adiantamento das matérias-primas. Havia casos em que a antiga oficina já tendia a se expandir, agregando mais empregados e começando a introduzir uma divisão de trabalho com especialização de funções entre eles. Os artesãos, embora já estivessem se tornando tarefeiros-assalariados, ainda executavam pessoalmente quase todas as tarefas necessárias à produção de um artigo, mantendo o conhecimento do conjunto de seu processo produtivo.

    Com a Revolução Industrial, tudo se transformou: o empresário capitalista, dono dos novos meios de produção (máquinas, instrumentos, matérias primas e instalações) passou a agrupar no seu estabelecimento grande número de assalariados sob seu comando e a habilidade individual perdeu importância, pois a fábrica mecanizada generalizou e radicalizou a divisão do trabalho, fragmentando a produção de cada artigo em etapas sucessivas e estanques, cada uma delas exigindo quase só movimentos repetitivos do trabalhador. Completava-se, assim, a separação do trabalhador em relação a seu produto: não possuía mais os meios de produção, perdeu o domínio técnico do conjunto do processo produtivo, e deixou de ser senhor dos resultados de seu trabalho. Como a produtividade das fábricas mecanizadas era muito maior do que a das manufaturas, elas não tinham necessidade de absorver toda a imensa força de trabalho “liberada”, seja pela expulsão dos camponeses das áreas rurais, seja pela ruína dos remanescentes urbanos do antigo artesanato individual. Em consequência, milhões de trabalhadores vieram a compor o que viria a ser chamado de “exército industrial de reserva”: multidões de desempregados que, nos momentos de expansão da economia, eram convocados dessa “reserva” e retornavam ao assalariato enquanto o “capitão” da indústria deles necessitasse. Como essa “reserva” humana nunca se esgotasse, ela logo passou a desempenhar a função econômica de manter baixos os salários dos que estivessem empregados.

    http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/direitos/tratado1.htm

  24. Um professor meu já me falou que a politica de cercamentos visava atender a demanda por mão de obra da industria local, ou seja, “foi uma política burguesa”. O que vocês tem a dizer sobre isso?

  25. “Os proprietários das fábricas não tinham poderes para obrigar ninguém a aceitar um emprego nas suas empresas. Podiam apenas contratar pessoas que quisessem trabalhar pelos salários que lhes eram oferecidos. Mesmo que esses salários fossem baixos, eram ainda assim muito mais do que aqueles indigentes poderiam ganhar em qualquer outro lugar. É uma distorção dos fatos dizer que as fábricas arrancaram as donas de casa de seus lares ou as crianças de seus brinquedos. Essas mulheres não tinham como alimentar os seus filhos. Essas crianças estavam carentes e famintas. Seu único refúgio era a fábrica; salvou-as, no estrito senso do termo, de morrer de fome.”

    Não é bem assim. Muitos camponesas foram expulsos de suas terras e onrigados a trabalhar na fábrica.

  26. Afirmar que a Revolução Industrial salvou o homem daquele tempo da morte me parece por demais tendencioso e leviano, tendo o único objetivo de levar ao engano. Eu fico impressionado quando aparece gente defendendo, levantando bandeira de algo do qual nem conhece, dizer que a cidade é um lugar melhor que o campo, não faz sentido algum, principalmente no tempo em que estamos inseridos. Olhar o mundo a partir do nosso umbigo é um erro que tem de ser combatido.

  27. Senhores, gostaria de utilizar esse texto em minha monografia. Para tanto necessito da informação de referência deste texto, se puderem me ajudar, agradeço. Preciso saber quando e como foi publicado tal texto.
    Se puderem me indicar outros autores que tratem do tema “revolução industrial”, voltado a lógica do liberalismo, também agradeço.

  28. Gostaria de saber sobre os dados deste texto, Tenho a intenção de citar em um trabalho alguns trechos e me parece retirado de alguma obra, se for o caso, gostaria de saber qual.

  29. JOAO PEDRO FERNANDES LOPES

    Uma pergunta básica: se as condições melhoraram tanto por que nos próximos anos pós revolução industrial inúmeras revoltas e greves aconteceram e foram violentamente abafadas pelo poder estatal? Estas greves e mortes estão documentadas também. Desculpe a ignorância. Conheço pouco de Mises. Obrigado

  30. Gostaria de obter referencias bibliograficas sobre o tema: “Revolução Indutrsial”. Livros que falam sobre o contexto, pobreza, acensão industrial, o desenvolvimento do IDH, fatores positivos da revolução indutrial, produtividade e melhoria de vida, etc.

  31. Passei a maior parte da minha vida enganado pelo sistema dominante. Os media, as universidades, os políticos, criam cidadãos descontentes, amuados, infelizes, para lhes sacarem os votos, apresentado-lhes o seu “projeto redentor”. Hoje, graças à internet, podemos ver as coisas sob outra luz. O sistema redobra os seus esforços para manter as massas na ignorância, censurando conteúdos na Internet, escarnecendo sites como este, bombardeando as pessoas com mentiras, manipulando eleições (ver a Venezuela, por exemplo), pagando aos jornalistas para desinformarem, etc… A eleição de Trump e o seu rotundo sucesso dão-me alguma esperança, mas a maior parte dos meus concidadãos continuam hipnotizados à frente da TV, culpando Trump por tudo de mal que lhes acontece.

  32. “A capacidade de trabalho do indivíduo se esgotava rapidamente. Mas prevalece o fato de que, para o excedente populacional — reduzido à mais triste miséria pela apropriação das terras rurais, e para o qual, literalmente, não havia espaço no contexto do sistema de produção vigente —, o trabalho nas fábricas representava uma salvação.”

    – Pelo menos neste texto, o Mises não nega o enclosure.

    No modo de produção feudal, a terra era um bem comum para a produção camponesa. A partir do momento em que se processa a transição para o modo de produção capitalista, a terra passou a ser encarada como um bem de produção. Desse modo, uma parte dos senhores feudais ingleses — a “gentry” (nobreza rural mais progressista, aburguesada) e os “yoemen” (camada mais rica dos pequenos e médios proprietários) — passaram a cercar as suas terras (cercamentos), arrendando-as como pastagens para a criação de ovelhas, e delas expulsando os camponeses. O processo intensificou-se no século XVIII. A lã das ovelhas abastecia as indústrias têxteis e os camponeses migravam para as cidades em busca de trabalho nas manufaturas, disponibilizando um grande contingente de mão de obra, o que mantinha os salários baixos.

    Desde o século XII, alguns campos abertos na Grã-Bretanha estavam sendo cercados em campos de propriedade individual. No entanto, houve um aumento significativo no cercamento durante o período Tudor. Esses enclosures resultaram em grande parte na conversão do uso da terra de arável para pasto – geralmente criação de ovinos. Esses cercos eram freqüentemente realizados unilateralmente pelo proprietário da terra. Os cercamentos durante o período Tudor eram frequentemente acompanhados por uma perda de direitos comuns e podiam resultar na destruição de aldeias inteiras.

    O campo inglês (terras extensas e abertas) costumava ser cercado de pastagens para ovelhas do século XIV ao século XVI, com o declínio das populações. A demanda estrangeira por lã inglesa também ajudou a incentivar o aumento da produção, e a indústria da lã costumava ser mais lucrativa para os proprietários de terras que possuíam grandes propriedades agrícolas em decomposição. Algumas terras senhoriais estavam em mau estado devido à falta de inquilinos, o que as tornava indesejáveis ??para possíveis inquilinos e proprietários de terra que podiam ser multados e ordenados a fazer reparos. O cercamento e o rebanho de ovelhas (que exigiam pouca mão-de-obra) foram uma solução para o problema, mas resultaram em desemprego, deslocamento de trabalhadores rurais empobrecidos e diminuição da produção doméstica de grãos, o que tornou a Inglaterra mais suscetível à fome e preços mais altos para grãos domésticos e estrangeiros . Na Grã-Bretanha, o processo acelerou durante os séculos XV e XVI, à medida que a criação de ovinos se tornava mais lucrativa. Nos séculos XVI e XVII, a prática do cercamento, particularmente o despovoamento, foi denunciada pela Igreja e o governo e a legislação foram elaborados contra ela. Mas a opinião da elite começou a se voltar para o apoio ao cercamento, e a taxa de cercamento aumentou no século XVII. Isso levou a uma série de atos governamentais que abordavam regiões individuais, aos quais foi dada uma estrutura comum na Lei de Consolidação de Cercamento de 1801.

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