Voltar

A origem da propriedade privada e da família

O artigo a seguir é um excerto do livro A Short History of Man: Progress and Decline

É razoável começar uma análise da história humana 5 milhões de anos atrás, quando a linhagem humana evolucionária se separou da linhagem de nosso parente não-humano mais próximo, o chimpanzé.  Também é razoável começar 2,5 milhões de anos atrás, com a primeira aparição do homo habilis; ou 200.000 anos atrás, quando surgiu o primeiro representante do “homem anatomicamente moderno”; ou 100.000 atrás, quando o homem anatomicamente moderno adquiriu a forma humana padrão.  Entretanto, quero começar apenas 50.000 anos atrás.

Esta é uma data eminentemente razoável também. Nessa época, os humanos já haviam desenvolvido uma linguagem completa, o que permitiu um radical aperfeiçoamento em sua capacidade de aprender e inovar, fazendo com que o “homem anatomicamente moderno” evoluísse e se transformasse no “homem de comportamento moderno”. Isto é, o homem havia adotado o estilo de vida do caçador-coletor, estilo esse que ainda existe até hoje em alguns pontos do mundo.

Há aproximadamente 50.000 anos, o número de “humanos modernos” provavelmente não era superior a 5.000, todos confinados ao nordeste da África. Eles viviam em sociedades formadas por um pequeno número de pessoas (de 10 a 30), as quais ocasionalmente se encontravam e formavam um ajuntamento genético comum de aproximadamente 150 a 500 pessoas (tamanho esse que os geneticistas descobriram ser o necessário para se evitar efeitos disgênicos). A divisão do trabalho era limitada, com a principal separação sendo aquela entre mulheres, que atuavam principalmente como coletoras, e homens, que atuavam principalmente como caçadores.  

Apesar de tudo, a vida a princípio parecia ter sido boa para nossos ancestrais. Apenas algumas horas de trabalho regular permitiam uma vida confortável, com boa nutrição (alta proteína) e tempo de lazer abundante.

Entretanto, a vida dos caçadores e coletores teve de enfrentar um desafio excepcional. Sociedades baseadas na caça e na coleta viviam de maneira essencialmente parasítica. Isto é, eles nada acrescentavam à oferta de bens fornecida pela natureza.  Eles apenas exauriam a oferta de bens. Eles não produziam (exceto algumas poucas ferramentas); apenas consumiam. Eles não cultivavam e nem criavam; simplesmente esperavam que a natureza regenerasse e repusesse o estoque de bens consumidos. 

O que essa forma de parasitismo gerava, portanto, era o inescapável problema do crescimento populacional. Para manter uma vida confortável, a densidade populacional tinha de permanecer extremamente baixa.  Estima-se que 2,6 quilômetros quadrados de território era o mínimo necessário para sustentar confortavelmente uma ou duas pessoas; e em regiões menos férteis, eram necessários territórios ainda maiores.

As pessoas podiam, é claro, tentar impedir que tal pressão populacional surgisse, e de fato as sociedades de caça e coleta fizeram o possível nesse sentido. As pessoas praticavam abortos, recorriam a infanticídios — principalmente infanticídio feminino –, e reduziam o número de gravidezes ao incorrerem em longos períodos de amamentação (o que, em combinação com a baixa gordura corporal típica de mulheres que estavam sempre em contínuo movimento, reduz a fertilidade feminina). Entretanto, embora isso aliviasse o problema, não o resolvia. E a população continuou aumentando.

Dado que o tamanho da população não podia ser mantido em um nível estacionário, restavam apenas três alternativas para o crescente problema do “excesso” populacional. Podia-se abrir mão da vida de caça e coleta e encontrar uma nova forma de organização social; podia-se entrar em conflito mortal para se apossar da oferta limitada de alimentos; ou podia-se migrar.  

Embora a migração de modo algum fosse algo sem custos — afinal, tinha-se que trocar um território conhecido por territórios completamente desconhecidos –, ela se transformou na opção menos custosa. E foi assim que, partindo da África Oriental, sua terra natal, todo o globo foi sendo sucessivamente conquistado por grupos de pessoas que se separaram de seus familiares e foram formar novas sociedades em áreas até então nunca ocupadas por humanos.

Essencialmente, esse processo era sempre o mesmo: um grupo invadia um território qualquer, a pressão populacional começava a incomodar, algumas pessoas permaneciam ali, e outras se mudavam para outros lugares — geração após geração. Uma vez separadas, praticamente não mais havia contato entre as várias sociedades de caça e coleta. Consequentemente, embora de início estivessem intimamente relacionadas umas às outras através de relações de parentesco direto, essas sociedades formaram concentrações genéticas separadas, e, ao longo de tempo, confrontadas com ambientes naturais diferentes e como resultado de mutações e derivações genéticas interagindo com a seleção natural, elas assumiram aparências claramente distintas.

Tudo indica que esse processo também começou há aproximadamente 50.000 anos, pouco tempo depois do surgimento do “homem de comportamento moderno” e sua aquisição da habilidade de construir barcos.  Dessa época até por volta de 12.000 a 11.000 anos atrás, as temperaturas globais caíram gradualmente (desde então estamos em um período de aquecimento interglacial) e os níveis dos oceanos também caíram correspondentemente.[*]

As pessoas cruzaram o Mar Vermelho no Portão das Lágrimas — que, na época, era apenas um curto espaço de água salpicada de ilhas –, e chegaram à ponta sul da península Arábica (que apresentava um período comparativamente úmido àquela época). Dali em diante, preferindo se manter em climas tropicais, para os quais o organismo havia sido adaptado, a migração continuou voltada para o leste. As viagens eram feitas na maioria das vezes em barcos, pois, até há aproximadamente 6.000 anos, quando o homem aprendeu a domar os cavalos, essa forma de transporte era muito mais rápida e mais conveniente do que viajar à pé.

Assim, primeiramente a migração ocorreu ao longo do litoral — e prosseguia dali até o interior por meio de vales fluviais — até a Índia. Na Índia, aparentemente o movimento populacional se dividiu em duas direções. De um lado, ele prosseguiu contornando a península índica até o sudeste asiático e a Indonésia (que, na época, era conectada ao continente asiático), finalmente chegando ao hoje “alagado” continente de Sahul (Austrália, Nova Guiné e Tasmânia, países esses que, até 8.000 anos atrás, eram interligados por terra). Esse continente, na época, era separado do continente asiático apenas por um largo canal de água salpicado de ilhas que permitiam jornadas curtas entre si. Outra parte desse mesmo movimento contornou a Índia e tomou o rumo norte até a costa da China e, finalmente, até o Japão.

O segundo movimento populacional, assim como o relatado acima, também se subdividiu. Uma corrente saiu da Índia e tomou a direção noroeste, passando por Afeganistão, Irã e Turquia, até finalmente chegar à Europa.  A outra corrente seguiu a direção nordeste até o sul da Sibéria. 

Migrações posteriores, muito provavelmente ocorridas em três ondas, com a primeira ocorrendo entre 14.000 e 12.000 anos atrás, saíram da Sibéria, passaram pelo Estreito de Bering — na época (aproximadamente 11.000 anos atrás) uma ponte de terra — e chegaram ao continente americano. Apenas 1.000 anos depois, aparentemente chegaram à Patagônia. A última rota de migração partiu de Taiwan, que 5.000 anos atrás já estava ocupada, navegou pelo Pacífico e chegou às ilhas da Polinésia. E, finalmente, apenas 800 anos atrás, chegaram à Nova Zelândia.

Independentemente de todos os detalhes complicados, o fato é que, a partir de um determinado momento, a massa de terra disponível para ajudar a satisfazer as necessidades humanas não mais podia ser aumentada. Para utilizar um jargão econômico, a oferta do fator de produção “terra” se tornou fixa, o que significa que todo e qualquer aumento no tamanho da população humana tinha de ser sustentado pela mesma e imutável quantidade de terra.  

Baseando-se na lei econômica dos retornos, sabemos que esta situação tem de resultar em um problema malthusiano. A lei dos retornos declara que, para qualquer combinação dos fatores de produção — no caso específico: terra e trabalho –, existe uma combinação ótima. Se esta combinação ótima não for seguida, isto é, se apenas um fator de produção for aumentado — no caso, o trabalho — enquanto o outro — a terra — for mantido constante, então a quantidade de bens físicos produzida não aumentará absolutamente nada ou, na melhor das hipóteses, aumentará em uma proporção muito menor do que o aumento do fator trabalho.

Ou seja, tudo o mais constante, um aumento no tamanho da população para além de um determinado ponto não é acompanhado de um aumento proporcional da riqueza. Se esse ponto for ultrapassado, a quantidade per capita de bens físicos produzidos diminui. E o padrão de vida, na média, irá cair. Atinge-se um ponto de superpopulação absoluta.

O que fazer quando confrontado com esse desafio? Das três opções previamente disponíveis como resposta a um aumento na pressão populacional — migrar, guerrear ou encontrar um novo modo de organização social –, somente as duas últimas continuavam disponíveis. Aqui irei abordar a última resposta, que é a solução pacífica.

O desafio foi respondido com uma reação dupla: de um lado, por meio da economização da terra; de outro, por meio da “privatização” da produção de rebentos — em suma: por meio da instituição da família e da propriedade privada.

Para entender essas reações, é preciso antes olharmos o tratamento dado ao fator de produção “terra” pelas sociedades de caça e coleta.

Pode-se seguramente assumir que a propriedade privada existia dentro da estrutura de uma família tribal. A propriedade privada existia para coisas como vestimentas pessoais, ferramentas, utensílios e ornamentos. Quando tais itens eram produzidos por indivíduos específicos e identificáveis (durante seus momentos de lazer), ou eram adquiridos de seus fabricantes originais por meio de trocas ou mesmo como presentes, eles eram considerados propriedade individual. 

Por outro lado, quando os bens eram o resultado de algum esforço conjunto, eles eram considerados bens coletivos. Isso se aplicava de maneira mais definitiva para os meios de subsistência: aos alimentos coletados e aos animais selvagens caçados em decorrência de alguma divisão intra-tribal do trabalho. (Sem dúvida, a propriedade coletiva, desta forma, teve um papel muito proeminente nas sociedades de caça e coleta, e é por causa disso que o termo “comunismo primitivo” tem sido frequentemente empregado para descrever as economias tribais primitivas: cada indivíduo contribuía para a “renda” familiar de acordo com suas capacidades, e cada indivíduo recebia sua fatia de renda de acordo com suas necessidades.)

E o que dizer sobre a terra em que todas as atividades tribais ocorriam? Pode-se seguramente descartar a hipótese de que a terra era considerada propriedade privada. Porém, seria ela propriedade coletiva? Tipicamente, isso tem sido assumido como verdade. Entretanto, o fato é que a terra não era nem propriedade coletiva nem propriedade privada, mas sim apenas parte do ambiente — ou, mais
especificamente, a terra possibilitava as condições gerais da ação humana.

O mundo externo em que as ações do homem ocorriam pode ser dividido em duas partes categoricamente distintas. De um lado, havia aqueles elementos que eram considerados meios — ou bens econômicos; de outro lado, havia aqueles elementos que eram considerados o ambiente. São três os requisitos para que um elemento do mundo externo seja classificado como um meio ou como um bem econômico. Primeiro, para que um elemento se torne um bem econômico, deve haver uma necessidade humana. Segundo, deve haver a percepção humana de que tal elemento é dotado de propriedades que satisfaçam essa necessidade. Terceiro, e mais importante no presente contexto, um elemento do mundo externo assim percebido deve estar sob o controle humano, de modo que ele possa ser empregado para satisfazer essa necessidade. 

Ou seja, somente se um elemento apresentar uma conexão causal com uma necessidade humana, e esse elemento estiver sob o controle humano, pode-se então dizer que essa entidade foi apropriada — tornou-se um bem — e, assim, virou propriedade de alguém. 

Por outro lado, se um elemento do mundo externo apresentar uma conexão causal com uma necessidade humana, porém ninguém o controla ou interfere nele, então tal elemento deve ser considerado parte de um ambiente não apropriado por ninguém — logo, não é propriedade de ninguém.

Com o auxílio dessas considerações, é possível agora responder à questão a respeito do status da terra em uma sociedade de caça e coleta. 

Certamente, os frutos colhidos em um arbusto são propriedade privada; entretanto, o que dizer do arbusto de onde os frutos foram colhidos? Ele sem dúvida apresenta uma conexão causal com esses frutos. Porém, o arbusto só deixará seu status original de possibilitador das condições gerais da ação humana, e de mero fator contribuinte para a satisfação das necessidades humanas, e ascenderá ao status de propriedade e de genuíno fator de produção quando ele tiver sido apropriado — isto é, quando o homem tiver propositadamente interferido no processo causal e natural que interliga o arbusto aos frutos por ele produzidos. 

O homem pode fazer isso ao, por exemplo, regar o arbusto ou aparar seus galhos com o intuito de produzir um resultado específico: no caso, um aumento da colheita de frutos acima daquele nível que, em outros contextos, seria o obtido naturalmente.

Similarmente, não há dúvidas de que o animal caçado é propriedade privada; porém, o que dizer de toda a manada da qual esse animal fazia parte? A manada deve ser considerada sem proprietário enquanto o homem ainda não houver feito nada que possa ser interpretado (e isso está em sua própria mente) como sendo algo que crie uma conexão causal com a satisfação de uma dada necessidade. A manada se torna propriedade somente quando o pré-requisito da interferência sobre a cadeia natural de eventos (com o intuito de produzir algum resultado desejado) tiver sido satisfeito. Isso ocorreria, por exemplo, assim que o homem incorresse na prática de arrebanhar e pastorear os animais — isto é, tão logo ele efetivamente tentasse controlar os movimentos do rebanho.

E o que dizer, entretanto, da terra sobre a qual o movimento controlado do rebanho ocorre? De acordo com nossas definições, esse pastor não pode ser considerado o proprietário dessa terra. Condutores de rebanho meramente seguem os movimentos naturais da manada, e sua interferência sobre a natureza restringe-se a manter o rebanho unido de modo a ter um acesso fácil a qualquer um dos animais caso haja a necessidade de uma maior oferta de carne animal. Condutores de rebanho não interferem na terra para controlar os movimentos da manada; eles interferem apenas nos movimentos dos membros da manada. A terra só irá se tornar propriedade quando os condutores de rebanho deixarem de ser condutores e se dedicarem à pecuária — isto é, assim que eles começarem a tratar a terra como um meio (escasso) com o intuito de controlar o movimento dos animais.  

Para isso, eles têm de controlar a terra.  Isso requer que a terra seja de certa forma delineada, seja por meio de cercas ou pela construção de alguns outros obstáculos que restrinjam o livre fluxo natural de animais. Em vez de ser meramente um fator que contribui para a produção de rebanhos, a terra passa assim a ser um genuíno fator de produção.

Os que essas considerações demonstram é que se trata de um erro imaginar que a terra era propriedade coletiva nas sociedades de caça e coleta. Caçadores não são condutores de rebanho e muito menos praticam a pecuária ou a criação de gado; e coletores não são jardineiros ou agricultores. Eles não exercem controle sobre a fauna e flora naturalmente ofertadas pelo ambiente, pois eles não as cultivam nem administram. Eles simplesmente se apossam das partes da natureza que estão facilmente disponíveis. Para eles, a terra nada mais é do que uma condição para suas atividades; a terra não é sua propriedade.

Portanto, o que pode ser considerado o primeiro passo rumo a uma solução da armadilha malthusiana enfrentada pelo crescente número de sociedades baseadas na caça e na coleta foi precisamente o estabelecimento da propriedade sobre a terra. Pressionados pela queda no padrão de vida — resultante da superpopulação absoluta –, membros das tribos (separadamente ou coletivamente) sucessivamente se apropriaram de um número cada vez maior de terras (natureza) até então desapropriadas. 

Essa apropriação da terra teve um imediato efeito duplo. Primeiro, mais bens foram produzidos e, correspondentemente, mais necessidades puderam ser satisfeitas. De fato, esse efeito foi o exato motivo por trás da apropriação da terra: a constatação de que a terra possui uma conexão causal com a satisfação das necessidades humanas e que, mais ainda, ela pode ser controlada.

Foi ao controlar a terra que o homem de fato começou a produzir bens ao invés de meramente consumi-los. (Importante observar que essa produção de bens também envolvia poupar e estocar bens para o consumo posterior). Segundo, e como consequência do primeiro, a maior produtividade obtida por meio da economização (racionalidade no uso) da terra possibilitou que um maior número de pessoas pudesse sobreviver com uma mesma quantidade de terra. 

Com efeito, foi estimado que a apropriação de terra e a correspondente mudança de uma existência baseada na caça e na coleta para uma existência baseada na agricultura e na criação de animais possibilitou que uma população de dez a cem vezes maior do que a população anterior pudesse ser sustentada com a mesma quantidade de terra.

Entretanto, a economização da terra era apenas parte da solução para o problema criado pela crescente pressão populacional. Por meio da apropriação da terra, fez-se um uso mais eficaz da mesma, permitindo que uma população amplamente maior pudesse ser sustentada. Porém, a instituição da propriedade da terra, por si só, não afetou o outro lado do problema: a contínua proliferação de novos rebentos. Esse aspecto do problema também requeria uma solução. Era necessária a criação de uma instituição social que deixasse essa proliferação sob controle. E a instituição criada para consumar esse objetivo foi a instituição da família.  

Como explicou Thomas Malthus, para solucionar o problema da superpopulação, junto com a instituição da propriedade, o “as relações sexuais entre os gêneros” também teve de passar por mudanças fundamentais.

Qual era a relação sexual entre os gêneros antes e qual foi a inovação institucional produzida nesse sentido pela família? Em termos de teoria econômica, pode-se descrever que a mudança se deu de uma
situação em que tanto os benefícios de se criar descendentes — a criação de mais um produtor em potencial — quanto especialmente os custos dessa criação — a criação de um consumidor (comedor) adicional — eram socializados, isto é, pagos por toda a sociedade e não apenas pelos “produtores” desses rebentos, para uma situação em que tanto os benefícios quanto os custos envolvidos na procriação passaram a ser internalizados pelos indivíduos diretamente responsáveis pela produção dos rebentos.

Quaisquer que tenham sido os detalhes mais exatos, tudo indica que a instituição de um relacionamento monógamo estável — bem como a de um relacionamento polígamo estável — entre homens e mulheres, o que atualmente é associada ao termo família, é algo relativamente recente na história da humanidade, e foi precedido por uma instituição que pode ser amplamente definida como sendo de relações sexuais “irrestritas” ou “não reguladas”, ou mesmo de “matrimônio grupal” ou “poliamor” (algumas vezes também rotulado de “amor livre“). As relações sexuais entre os gêneros durante esse estágio da história humana não excluíam a existência de relacionamentos temporários a dois entre um homem e uma mulher.  

Entretanto, em princípio, toda mulher era considerada uma potencial parceira sexual para todo homem, e vice versa. Nas palavras de Friedrich Engels: “Os homens viviam em poligamia e suas mulheres simultaneamente em poliandria, e seus filhos eram considerados como sendo de todos eles. … Cada mulher pertencia a todos os homens, e cada homem pertencia a todas as mulheres.”

Porém, o que Engels e vários outros socialistas posteriores não perceberam em relação à glorificação do amor livre — tanto a que ocorrera no passado quanto a que supostamente viria no futuro — é o fato de que tal instituição possui um efeito direto na produção de rebentos. Como Ludwig von Mises comentou: “O fato é que, mesmo que uma comunidade socialista possa implementar o ‘amor livre’, ela não pode de maneira alguma ficar livre de procriações”. O que Mises quis subentender com esse comentário é que o amor livre tem consequências: gravidezes e descendentes. E uma prole gera benefícios e também custos. 

Esse dilema não seria um problema enquanto os benefícios excedessem os custos, isto é, enquanto um membro adicional da sociedade agregasse mais a ela como produtor de bens do que subtraísse dela como consumidor — e isso pode perfeitamente vir a ser o caso por algum tempo.

No entanto, como ensina a lei dos retornos, essa situação não pode durar para sempre. Inevitavelmente, chegará um ponto em que os custos de rebentos adicionais irão exceder os benefícios. A partir daí, portanto, qualquer procriação adicional deve ser interrompida — contenções morais devem ser exercidas –, a menos que se queira vivenciar uma queda progressiva nos padrões de vida. Contudo, se as crianças são consideradas como sendo de todo mundo e, ao mesmo tempo, de ninguém, pois todo mundo mantém relações sexuais com todo mundo, então os incentivos para conter a procriação desaparecem ou são significativamente diminuídos. 

Instintivamente, em virtude da natureza biológica do ser humano, todo homem e toda mulher são impulsionados a difundir e espalhar seus genes para a próxima geração da espécie. Quanto mais rebentos um indivíduo gerar, melhor, pois mais de seus genes sobreviverão. É claro que esse instinto humano natural pode ser controlado por uma deliberação racional. Porém, se pouco ou nenhum sacrifício econômico tivesse de ser feito em decorrência dos instintos animais de cada indivíduo — porque todas as crianças seriam sustentadas pela sociedade como um todo –, então pouco ou nenhum incentivo existiria para se empregar a razão em questões sexuais, isto é, para se exercer a contenção moral.

De um ponto de vista puramente econômico, portanto, a solução para o problema da superpopulação deveria ser imediatamente aparente. A administração das crianças — ou, mais corretamente, a curadoria das crianças — tinha de ser privatizada. Em vez de considerar as crianças como sendo propriedade coletiva da “sociedade”, ou responsabilidade da “sociedade”, ou mesmo ver o nascimento de crianças como um evento natural incontrolado e incontrolável — e, como consequência, encarar as crianças como propriedade de ninguém e não estando aos cuidados de ninguém –, as crianças tiveram de passar a ser consideradas entidades que foram produzidas privadamente e, por isso, confiadas aos cuidados privados de quem as produziu.

Além do mais e finalmente: com a formação de famílias monógamas ou polígamas surgiu outra decisiva inovação. Antes, todos os membros de uma tribo formavam uma família única e uniforme, e a divisão do trabalho intra-tribal era essencialmente uma divisão do trabalho intra-família. Com o advento da formação de famílias veio a fragmentação de uma grande família uniforme em várias famílias independentes, e com isso veio também a formação de várias propriedades privadas sobre a terra. 

Ou seja, a apropriação de terras anteriormente descrita não foi simplesmente uma transição de uma situação em que uma terra que antes era sem dono passou a ser propriedade, mas sim, mais precisamente, uma transição de uma situação em que uma terra até então sem dono foi transformado em propriedade de famílias separadas (permitindo assim também o surgimento da divisão do trabalho inter-famílias).

Consequentemente, portanto, a maior renda social possibilitada pela propriedade da terra não mais era distribuída como era anteriormente: para cada membro da sociedade “de acordo com suas necessidades”. A fatia de cada família no total da renda passou a depender do produto que cada uma imputava à economia — isto é, passou a depender do seu trabalho e da sua propriedade investidos na produção. 

Em outras palavras: o antes difuso “comunismo” pode até ter continuado existindo dentro de cada família, porém o comunismo desapareceu da relação entre os membros de famílias diferentes.  s rendas das diferentes famílias eram distintas, dependentes da quantidade e da qualidade do trabalho e da propriedade investidos, e ninguém tinha o direito de reivindicar a renda produzida pelos membros de outra família. Com isso, a “carona” sobre os esforços alheios tornou-se amplamente — ou totalmente — impossível. Aquele que não trabalhasse não mais poderia esperar comer gratuitamente.

Deste modo, em resposta à crescente pressão populacional, um novo modo de organização social passou a existir, substituindo aquele estilo de vida “caça e coleta” que havia caracterizado a maior parte da história. Como resumiu Ludwig von Mises:

A propriedade privada dos meios de produção é o princípio regulador que, dentro de uma sociedade, equilibra os limitados meios de subsistência à disposição da sociedade com a bem menos limitada capacidade de aumento na quantidade de consumidores.  Ao fazer com que a fatia do produto social de cada membro da sociedade seja dependente do produto economicamente imputado a ele, isto é, dependente de seu trabalho e de sua propriedade, a matança de seres humanos em decorrência da luta pela sobrevivência, como ocorre nos reinos animal e vegetal, é substituída por uma redução na taxa de natalidade em decorrência das forças sociais. A ‘contenção moral’ — as limitações sobre a produção de rebentos impostas pelas posições sociais — substitui a batalha pela existência.

___________________________________________

Nota

[*] Na realidade, o último grande período de aquecimento já havia terminado há aproximadamente 120.000 anos.  Durante este período — isto é, mais de 120.000 anos atrás — hipopótamos viviam nos rios Reno e Tâmisa, e a Europa tinha uma espécie de “aparência africana”. Dali em diante, quando as temperaturas começaram a cair, as geleiras se moveram continuamente na direção sul, e o nível do mar na Europa diminuiu em mais de 100 metros. Os rios Tâmisa e Elba se tornaram afluentes do Reno, antes de este passar a correr até o Mar do Norte e dali para o Atlântico.  Quando este período terminou, muito abruptamente, há aproximadamente 12.000 anos, as geleiras rapidamente retornaram e o nível do mar subiu, não apenas milímetros por ano, mas sim muito rapidamente, quase que como um dilúvio.  Em um curto espaço de tempo, a Inglaterra e a Irlanda, que até então eram ligadas ao continente europeu, se tornaram ilhas.  Foi assim que o Mar Báltico e grande parte do atual Mar do Norte surgiram.  Do mesmo modo, grande parte do que hoje é o Golfo Pérsico passou a existir apenas naquela época.

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

136 comentários em “A origem da propriedade privada e da família”

  1. Muito interessante esse texto. Nunca havia visto uma explicação econômica para o nomadismo e o sedentarismo, menos ainda para o conceito de família.

  2. Raphael Moras de Vasconcellos

    Fazia tempo eu buscava entender melhor a questão da formação da propriedade sobre a terra e a concepção de família. Venho discutindo com relativistas sobre propriedade privada, e geralmente dizem que o libertarianismo crê em “propriedade privada absoluta”. Claro que é uma redundância chamar propriedade privada de absoluta, mas é importante conhecer não somente o caminho dedutivo sobre a origem da propriedade sobre a terra quanto dados antropológicos.

    Tinha começado a ler o artigo sem prestar atenção no autor. Já no meio dele, pensei que tinha cara de Hoppe, e corri para me certificar. Grata surpresa, ainda existem grandes pensadores racionais defensores da liberdade e da busca pela verdade.

    Na minha opinião, apesar de ser apenas um curto artigo, esse texto é o elo perdido da explicação do conceito de propriedade privada, divisão de trabalho e criação do conceito de família. E o melhor, no estilo certeiro, extremamente contemporâneo e sem firulas do Hoppe.

  3. Pela texto do HHH se deduz que a propriedade privada não é absoluta, mas sim relativa à sua utilização no suprimento de alguma necessidade humana. Daí, dá-se, que, sob o mesmo princípio, a propriedade privada atende, primeiramente, a fins sociais; não é moral a sua posse, portanto – pegando um exemplo extremo -, em períodos de escassez tão acentuada que o resultado do seu mau aproveitamento leva alguns indivíduos à inanição.

    Os libertários podem concordar com isso?

  4. Esqueçamos por alguns momentos os tais ”há 50.000 anos…”.
    Tentemos apenas nos concentrar em quem são nossos contemporâneos e suas propriedades.
    Esqueçamos ainda, as riquezas advindas de PI, já que o libertarismo não as reconhece como legítima e defensável.
    Tentemos então manter o foco em quem são e como conseguiram acumular riqueza, os atuais detentores de imensas áreas de terra e outros tipos de riqueza material.
    Assim delimitada a abordagem, segue-se o questionamento, vislumbrando-se como meta a solução para questões reais, ultrapassando o campo do mundo fictício e utópico.
    De maneira concreta, como fazer coadunar ideais libertários e a não perpetuação de injustiças sócio-econômicas seculares, baseando-se somente nos acordos voluntários?
    Ou mais, pontualmente, como tratar e não apenas convenientemente ignorar, a propriedade conseguida na base da grilagem, ou nas indenizações milionárias fraudulentas?
    Enfim, como convencer mega latifundiários que, o ”conselho libertário”, por meio de acordos voluntários e e em nome da verdadeira economia de mercado, concluiu que tais propriedades não são legítimas, a despeito de gerações e gerações beneficiadas por processos sucessórios?
    Lembrar ainda da descaracterização da origem fraudulenta, afinal muitos podem nem ser mais latifundiários, mas donos de shoppings, redes hoteleiras, ou mesmo inseridos na atividade industrial, nas mais variadas formas de empreendedorismo.
    A questão é direta, pontual e concreta, dispensa portanto divagações e ataques gratuitos.
    Quero acreditar que ideais divergem de dogmas porque não devem obediência, senão à liberdade da razão, daí a não confusão com seitas religiosas e afins.

  5. Um bom começo poderia ser reduzindo drasticamente a taxação e a regulamentação sobre a sociedade. Isto estimularia a concorrência, e seria um bom ponto de partida para, se não desfazer algumas injustiças históricas, pelo menos colaboraria para a redução das mesmas. Diminua o tamanho do estado, e a sociedade só tem a se beneficiar. Qualquer tentativa de intervenção para supostamente corrigir injustiças do passado somente criaria novas injustiças.

  6. Hum… interessante, nunca concordei com o amor livre justamente conseqüências econômicas, mas não reconheço a instituição da familia, nenhum tipo, de nenhuma cultura, o que existe é a responsabilidade de formar uma pessoa, seja ele gerada ou adotada, de responsabilidade privada ou coletiva, ambas são modos de regular o individuo numa de terminada sociedade. Logo, não há amor livre no coletivo de Engels, pois o amor vira meio social. Concluindo antes de se falar em familia, no aspecto social ou econômico, deve se falar de liberdade de amar, se associar com quem ou quantos forem ou ninguém, no entanto,a liberdade individual se associar dente a casais heterossexuais monogâmicos(homossexuais podem adotar, mas os só heterossexuais geram), isso mostra que não é preciso questões e econômicas ou sociais, ela é da natureza humana.

  7. A origem da propriedade privada e da família

    É uma questão cultural que envolve o Tabu, o Mito, Religião, Agricultura, Universo demoníaco e a fidelidade dos integrantes do grupo.

  8. "Embora a sociedade primitiva tenha sido virtualmente comunitária, o homem primitivo não aderiu às doutrinas atuais de comunismo. O comunismo desses tempos primitivos não era uma mera teoria social, nem uma doutrina social; era um ajuste automático simples e prático. Esse comunismo impediu a indigência e a miséria; a mendicância e a prostituição eram quase desconhecidas entre essas tribos antigas.

    O comunismo primitivo não nivelou o homem especialmente por baixo, nem exaltou a mediocridade, mas premiou a inatividade e a ociosidade, sufocou a indústria e destruiu a ambição. O comunismo foi um patamar indispensável ao crescimento da sociedade primitiva, no entanto cedeu lugar à evolução de uma ordem social mais elevada, porque foi contrário a quatro fortes tendências humanas:

    1. A família. O homem não apenas almeja acumular bens; ele deseja legar o seu capital e bens à sua progênie. Na sociedade comunitária primitiva, porém, o capital de um homem, ou era imediatamente consumido, ou distribuído ao grupo, quando da sua morte. Não havia herança de propriedade – o imposto sobre a herança era de cem por cento. Os costumes posteriores, que regeram a acumulação de capital e a herança de propriedades, foram avanços sociais distintos. E isso é verdade, não obstante os abusos grosseiros subseqüentes que acompanharam o mau emprego do capital.

    2. As tendências religiosas. O homem primitivo também queria constituir uma propriedade como um núcleo para começar a vida na próxima existência. Esse motivo explica porque prevaleceu, durante tanto tempo, o costume de enterrar-se os pertences pessoais de um homem com ele. Os antigos acreditavam que apenas os ricos sobreviviam à morte com alguma dignidade e prazer imediatos. Aqueles que ensinaram a religião revelada, mais especialmente os instrutores cristãos, foram os primeiros a proclamar que os pobres poderiam ter a salvação nos mesmos termos que os ricos.

    3. O desejo de liberdade e de lazer. Nos primeiros tempos da evolução social, a divisão dos ganhos individuais, com o grupo, era virtualmente uma forma de escravidão; o trabalhador tornava-se escravo do mais ocioso. Essa foi a fraqueza suicida do comunismo: os imprevidentes habitualmente vivendo dos que economizavam. Mesmo nos tempos modernos, os imprevidentes dependem do estado (os contribuintes que economizam) para cuidar deles. Aqueles que são desprovidos de capital ainda esperam que os que o têm os alimentem.

    4. A necessidade de segurança e de poder. O comunismo foi finalmente destruído pelas fraudes dos indivíduos progressistas e prósperos, que recorreram a subterfúgios diversos no esforço de escapar da escravidão aos preguiçosos incapazes das suas tribos. No princípio, porém, todo o amealhamento era secreto; a insegurança primitiva impedia a acumulação visível de capital. E, mesmo em uma época posterior, ainda era muito perigoso acumular muita riqueza: o rei certamente forjaria alguma acusação para confiscar a propriedade de um homem de fortuna e, quando um homem rico morria, os funerais eram retardados até que a família doasse uma grande soma a uma instituição pública ou para o rei, como um imposto sobre a herança.

    Nos primeiros tempos, as mulheres eram uma propriedade da comunidade, e a mãe dominava a família. Os chefes primitivos possuíam toda a terra e eram proprietários de todas as mulheres; o casamento não se realizava sem o consentimento do governante tribal. Com o desaparecimento do comunismo, as mulheres passaram a ser propriedades individuais, e o pai gradualmente assumiu o controle doméstico. Assim, o lar teve o seu início, e os costumes polígamos, que prevaleciam, foram gradualmente dando lugar à monogamia. (A poligamia é a sobrevivência do elemento de escravidão da mulher no casamento. A monogamia é o ideal, livre de escravidão, da associação incomparável entre um homem e uma mulher, no empreendimento admirável da edificação de um lar, da criação de uma progênie, do cultivo mútuo e do auto-aperfeiçoamento.)

    Inicialmente, toda a propriedade, inclusive as ferramentas e as armas, eram uma posse comum da tribo. A propriedade privada inicialmente consistia de todas as coisas que eram tocadas de um modo pessoal. Se um estranho bebia em uma xícara, essa xícara pertencia-lhe, a partir desse momento. Em seguida, qualquer lugar em que o sangue fosse derramado tornava-se propriedade da pessoa ou do grupo ferido.

    A propriedade privada era originalmente respeitada porque se supunha que estivesse carregada, assim, com alguma parte da personalidade do proprietário. A honestidade em relação à propriedade permanecia a salvo sob esse tipo de superstição; nenhuma polícia era necessária para guardar os pertences pessoais. Não havia furtos dentro do grupo, embora os homens não hesitassem em apropriar-se dos bens de outras tribos. As relações de propriedade não terminavam com a morte; inicialmente, os objetos pessoais eram queimados, depois, enterrados com os mortos e, posteriormente, herdados pela família sobrevivente, ou pela tribo.

    Os objetos pessoais do tipo ornamental tiveram a sua origem no uso de amuletos. A vaidade e, mais, o medo dos fantasmas, levaram o homem primitivo a resistir a todas as tentativas de despojá-lo dos seus amuletos favoritos, e tal propriedade era mais valorizada do que as necessidades reais.

    O espaço onde se dormia foi uma das primeiras propriedades do homem. Ulteriormente, os locais dos lares eram designados pelos chefes tribais, que detinham consigo a custódia de todos os bens imóveis em nome do grupo. Em breve, a colocação de uma lareira conferia a propriedade; e, mais tarde ainda, um poço constituía o título à terra adjacente a ele.

    As nascentes e os poços estavam entre as primeiras propriedades privadas. Toda a prática do fetiche era utilizada para guardar os olhos-d'água, os poços, as árvores, a colheita e o mel. Com a perda da fé nos fetiches, as leis foram desenvolvidas para proteger os pertences privados, mas as leis da caça e o direito a caçar, em muito, precederam às leis da terra. O homem vermelho americano nunca compreendeu a propriedade privada de terras; ele não podia compreender a visão do homem branco.

    A propriedade privada foi, muito cedo, marcada pelas insígnias da família, e essa é a origem longínqua da heráldica familiar. O bem imóvel podia também ser colocado sob a guarda dos espíritos. Os sacerdotes "consagrariam" um pedaço de terra, e este então ficaria sob a proteção dos tabus mágicos erigidos nele. Os proprietários dessas terras eram conhecidos como possuidores de uma "escritura sacerdotal de propriedade". Os hebreus tinham um grande respeito por esses marcos de família: "Maldito seja aquele que retirar o marco da terra do seu vizinho".

    Esses marcos de pedra tinham as iniciais do sacerdote. Mesmo as árvores, quando marcadas com as iniciais, tornavam-se propriedade privada.

    Primitivamente, apenas as colheitas eram propriedade particular; e as colheitas sucessivas conferiam títulos de propriedade; a agricultura assim foi a origem da propriedade privada de terras. Era dado, inicialmente, o direito de posse apenas vital aos indivíduos; com a morte, a propriedade da terra revertia para a tribo. Os primeiríssimos títulos de propriedade de terras concedidos pelas tribos a indivíduos foram os das sepulturas – a tumba familiar. Posteriormente, as terras pertenceram àqueles que as cercavam, mas as cidades sempre reservaram algumas terras para as pastagens públicas e para o uso em caso de sitiamento; essas "terras comuns" representam a sobrevivência da forma primitiva de propriedade coletiva.

    Finalmente, o estado destinava propriedades ao indivíduo, reservando-se o direito de taxação.

    Tendo assegurado os seus títulos, os donos de terras poderiam receber aluguéis, e a terra tornou-se uma fonte de renda – de capital. Finalmente, a terra tornou-se verdadeiramente negociável: permitindo vendas, transferências, hipotecas e execuções de hipotecas.

    A propriedade privada trouxe maior liberdade e mais estabilidade; contudo, somente depois que o controle e a direção da comunidade falharam, uma posse particular da terra passou a ter a sanção social: e isso foi imediatamente seguido por uma sucessão de escravos, de servos e classes de despossuídos de terra. Contudo a maquinaria aperfeiçoada gradualmente foi libertando o homem do trabalho escravo.

    O direito à propriedade não é absoluto; é puramente social. Mas do modo como são desfrutados pelos povos modernos, todo o governo, a lei, a ordem, os direitos civis, as liberdades sociais, as convenções, a paz e a felicidade têm crescido em torno da certidão de propriedade privada.

    A ordem social atual não é necessariamente certa – não sendo divina, nem sagrada –; todavia, a humanidade procederá bem, caso se mobilize lentamente para fazer modificações. Aquilo que vós tendes é muito melhor do que qualquer sistema conhecido pelos vossos ancestrais. Assegurai-vos, quando fordes fazer alterações na ordem social, de que elas sejam para melhor. Não vos deixeis persuadir a experimentar as fórmulas já descartadas pelos vossos antepassados. Ide, avançai, não retrocedais! Que a evolução prossiga! Que não seja dado um passo para trás."

    Fonte: O Livro de Urântia

  9. O texto comete um grave erro. Em virtualmente todas as sociedades, ocorre às vezes que mulheres tem filhos sem assistencia do pai da criança. O que se nota, na imensa maioria das vezes, é que tais mães cuidam de seus filhos. Não sei de nenhuma sociedade primitiva em que as mães considerem que seus filhos são “da tribo”. Se houver alguma exceção, certamente não pode contrapor a regra geral. Portanto, podem haver filhos sem pai, mas não filhos sem mãe. O que é regra também entre os animais superiores: há espécies em que o pai ajuda na criação dos filhotes, e outras espécies onde isso não acontece, mas a mãe esta sempre (ou quase sempre) presente. Eventuais exceções não invalidam essa regra. Não há nenhum motivo para imaginar que na sociedade humana isso já foi diferente.

  10. O que os adeptos do libertarianismo pensam a respeito do usucapião? Quando uma pessoa invade um terreno alheio e ocupa-o por um tempo razoável sem oposição manifesta do dono, isso não implica que o CONTROLE sobre o terreno (controle que é um dos elementos constitutivos da propriedade) se transfere do dono para o invasor?

    Um dado que acredito que confirma a relação entre amor livre, procriação de muitos (e custosos) rebentos e a necessidade de internalização de tais custos consiste em que os métodos anticoncepcionais contemporâneos, por cortarem o elo entre amor livre e procriação de muitos rebentos, acabaram redundando num afrouxamento da contenção moral de que falou von Mises.

  11. Entretanto, o que Engels e vários outros socialistas posteriores não perceberam em relação à glorificação do amor livre — tanto a que ocorrera no passado quanto a que supostamente viria no futuro — é o fato de que tal instituição possui um efeito direto na produção de rebentos. Como Ludwig von Mises comentou: “O fato é que, mesmo que uma comunidade socialista possa implementar o ‘amor livre’, ela não pode de maneira alguma ficar livre de procriações”. O que Mises quis subentender com esse comentário é que o amor livre tem consequências: gravidezes e descendentes. E uma prole gera benefícios e também custos. Esse dilema não seria um problema enquanto os benefícios excedessem os custos, isto é, enquanto um membro adicional da sociedade agregasse mais a ela como produtor de bens do que subtraísse dela como consumidor — e isso pode perfeitamente vir a ser o caso por algum tempo.

    Isso explica porque antigamente era tão fácil e compensador ter mais de 10 filhos por família. Trabalhava-se muito e consumia-se pouco. Meu avô teve 11 filhos e isso era considerado riqueza. pois todos trabalhavam muito e consumiam pouco (chegavam à comer carne de gambá). Cheguei a ler em livros escolares da dos anos 60, os autores incentivando a procriação de filhos nas famílias brasileiras. Ao contrário do que ocorre hoje. Por isso o Pe. Paulo Ricardo diz que um dos motivos de se ter poucos filhos hj é o estilo de vida moderno. Ninguém quer abrir mão do consumismo. Hoje, para ter 1 filho, não basta prover casa, alimentos e roupas limpas. Tem que prover video-game, computador atualizado, internet, e mais entretenimentos como cinemas, passeios no shopping e coisas que nem mesmo o pai e a mãe (principalmente) querem abrir mão.

  12. O texto é muito interessante.

    Sugiro o livro “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade” para mais informações.

    Sobre a privatização das crianças – ou curadoria -, acredito que nos tempos atuais isso não exista mais.

    Para a classe média, os custos de se criar um filho são privados e as receitas são socializadas, haja vista não haver praticamente nenhuma responsabilidade dos filhos com os pais. Esse é um dos motivos da queda na taxa de natalidade da população rica. As pessoas hoje têm filhos por uma questão puramente afetiva, não tem nada a ver com a própria sobrevivência no longo prazo. Isso gera, em média, uma redução da riqueza do núcleo familiar.

    Para a classe mais pobre, os custos são socializados e a receita é privada (Bolsa Família). Isso fomenta o aumento de indivíduos pobres, gerando um ciclo vicioso de pobreza, reduzindo a riqueza da Sociedade ao longo do tempo.

    Uma possível solução para o quadro atual seria a curadoria de crianças pobres pela classe média, possibilitando que parte do investimento alocado nestas crianças, através de educação e subsistência, retornasse ao curador. Seria um sistema semelhante ao que ocorre (ou ocorria) em clubes de futebol, que custeavam o desenvolvimento de crianças, profissionalizando-os como jogadores de futebol e, posteriormente, vendiam o “passe” dos profissionais, obtendo lucro que era usado para investir na preparação de mais crianças. Quantas pessoas puderam sair da pobreza através deste sistema?

    Não sei se alguém já pensou em algo nesse sentido. Não sei se é viável, do ponto de vista legal.

  13. Texto bacana, mas…

    Independentemente de todos os detalhes complicados, o fato é que, a partir de um determinado momento, a massa de terra disponível para ajudar a satisfazer as necessidades humanas não mais podia ser aumentada.

    O planeta tinha e tem terra disponível adoidado. Dizer que “faltou” terra pra continuar as mudanças sociais é muito forçado.

    Pode “faltar” terra se houver um poder (estado) protegendo a propriedade de terras improdutivas (com capacidade produtiva, claro).

    Mas o que não falta nesse mundo, especialmente aqui no Brasil, é terra.

  14. Excelente texto do Hoppe. Belo arcabouço evolucionista.

    Propriedade privada e família são os alvos do socialismo (em suas diversas formas). Lutar contra estas questões básicas da vida humana (conquistada com muitos sacrifícios) é um absurdo.

    Alguém no fórum complementou com outras questões, entre elas a religiosa, e também achei bem coerente.

  15. Emissário do Regime

    O Brasil só irá para frente quando for extinta a propriedade privada de todos os meios de produção. Essa propriedade tem que ser colocada na mão do partido que atualmente governa o país.

  16. É um texto antropológico riquíssimo, com muitos aspectos que podem ser ainda bastante desenvolvidos, por exemplo, uma das razões do comunismo ser origem de violência e morte, dado que sem o fator de repressão moral exercido pela família com efeito sobre o crescimento populacional, e a inviabilidade da solução de migração pelo esgotamento da terra, restaria “entrar em conflito mortal para se apossar da oferta limitada de alimentos” a fim de restaber do equilíbrio natural (ou, como diria Quincas Borba de Machado de Assis, ao vencedor as batatas).

  17. Leandro, mais um texto muito bem traduzido por ti e/ou pela equipe. Mas tem um ponto que está escrito “requerimentos” que eu acredito que ficaria melhor a palavra “requisitos”. Favor verificar.

  18. Ter filhos só é caro atualmente pois vivemos em um gigantesco Corporativismo.

    Seria o mesmo que dizer que ter carro no Brasil não compensa porque é muito caro (em comparação com o exterior) e o transporte público te leva para qualquer lugar.

  19. Amarilio Adolfo da Silva de Souza

    Isso é tão claro que deveria dispensar comentários. A propriedade privada é o único modo de organização social que pode sobreviver e prosperar.

  20. Aprecio os pensamentos de Hoppe, porém faço ressalvas ponderadas:

    (1) Não importa o quanto a pessoa tenha estudado a respeito da pré-história e o quão sofisticados e verossímeis sejam suas assertivas, ainda assim trata-se de mera especulação.

    A pré-história chama-se “pré-história” justamente porque não há registros históricos confiáveis a seu respeito. Por isso os livros de História Geral começam – ou começavam até o PT reescreve-la – com os egípcios, babilônios e outros da época, mas nunca antes.

    Quando não há registros confiáveis do que aconteceu (e às vezes mesmo quando há) o passado pode ser tão insondável e “imprevisível” quanto o futuro.

    O máximo que podemos fazer é estudar as tribos atuais mais isoladas e tecnologicamente primitivas e a partir daí fazer hipóteses de como teriam sido os povos de poucos milênios atrás – mas mesmo isso é especulação, ainda que científica e verossímil.

    Agora, discursar como teria sido o desenvolvimento sociocultural do ser humano no decorrer de dezenas, centenas e até milhares de milênios é ficção científica.

    (2) Em vez de fazer especulações de ficção científica, podemos partir daquilo que sabemos com certeza, seja por registros confiáveis, seja por axiomas – de fato, principalmente através destes.

    Sabemos que a constituição genética do homo sapiens é a mesma há milênios, desde antes do início do período histórico. Ou seja, o ser humano do mais remoto início da Antiguidade era constitucionalmente igual a nós, apenas não dispunha de nossa tecnologia – e nós, iguais a eles, apenas adoramos deuses diferentes (como Fidel Castro).

    O que podemos dizer com certeza do ser humano daquela época? O mesmo que sobre o de hoje: trata-se de um ser biológico, que processa informações e age para satisfazer suas necessidades e desejos, buscando meios mais eficazes (econômicos) para fazê-lo.

    (3) Hoppe parte do pressuposto de que o ser humano primitivo era naturalmente socialista e que o capitalismo é artificial, uma invenção sociocultural. Deixou-se levar pelas invenções de Rousseau, Marx e outros.

    As tribos primitivas supracitadas praticavam a divisão de trabalho, a vantagem comparativa e as trocas muito antes de conhecer, tanto em nível individual quanto em intertribal. Na Austrália, a tribo X, próxima do mar, especializou-se em produtos feitos de conchas e outros materiais marítimos, enquanto a tribo Z, próxima das montanhas, em machados feitos com as pedras locais e as tribos intermediárias entre X e Z produziam diversos artefatos e usavam conchas e machados de ambas como moedas.

    Mais informações, vejam o livro “As Origens da Virtude”.

    Assim, a especialização, a poupança e a troca voluntária com benefício mútuo não foi uma invenção do ser humano histórico e sim um sistema que surge naturalmente quando as pessoas têm liberdade, propriedade privada e paz.

    * * *

  21. O que tem de bonito na propriedade privada dos meios de produção sendo que no comunismo primitivo (que podemos ver até hoje nas tribos indígenas) não há fome, desemprego, inveja e angústia por viver em um mundo cão como é o ocidente capitalista?

  22. Nossos primos genéticos, os chimpanzés, fazem guerra para anexar territórios de outras “tribos”, o que nos faz concluir que nós humanos também somos animais territoriais. E o que é um território senão a propriedade particular de um grande grupo? Assim, a propriedade coletiva de territórios, ao que tudo indica, existe!

  23. No passar dos anos, com menos terra e mais população, as famílias, ao invés de “nomandear” e formar sua propriedade, decidiram que seria mais fácil invadir, saquear e matar outras famílias. Em determinado momento, um iluminado percebeu que era melhor deixá-los vivos e explora-los, incutindo a ideia que foi feito um magnânimo favor. Pronto, temos o estado!

  24. Esse texto é retirado do livro Eine Kurze Geschichte der Menschheit com tradução em inglês para A Short History of Man. Quem souber qualquer um dos idiomas DEU / ENG não deixe de lê-lo, já o fiz e é de fato muito bom.

  25. Bom dia senhores,

    Estou estudando e quero entender melhor certas questões sociais acontecidas no passado.

    Neste sentido, o século XIX está marcado por importantes fatos.

    Sob a perspectiva miseneana, como analisan os acontecimentos da “Comuna de Paris”?

    pt.wikipedia.org/wiki/Comuna_de_Paris

    en.wikipedia.org/wiki/Paris_Commune

    Obrigado.-

  26. Alguém sabe se Hoppe eventualmente já respondeu à algum crítico sobre a relação do amor livre com a produção de rebentos? Cogito que o conceito que ele traz de Mises que correlaciona as duas coisas poderia ser interpelada com a existência de métodos contraceptivos modernos, e que não estariam presentes quando Mises formulou a seguinte afirmação:

    “O fato é que, mesmo que uma comunidade socialista possa implementar o ‘amor livre’, ela não pode de maneira alguma ficar livre de procriações”.

    Sabendo que na prática essa correlação pode ser afastada por uma vasectomia, por exemplo, seria justo concluir que esta parte da conclusão de Mises e Hoppe ficou datada?

  27. claudio brasil dos santos

    Eu acho a pecuária, agricultura, aparecimento e queda de impérios e o reinado como sistema de governo melhores para explicar essa questão. Primeiro o que proporcionou o crescimento populacional e o aparecimento de grandes impérios foi a criação e adoção da pecuária e da agricultura como sistemas de produção alimentares, assim a produção de alimentos aumentou e o homem pode tornar-se sedentário, além disso sobrou mais tempo e assim pode desenvolver outras coisas como ciências e artes resumindo, a agricultura e a pecuária foram uma das maiores invenções do homem, essas por si só explicariam melhor a questão da propriedade privada, do seu surgimento, mas tem outras duas coisas. Primeiro o aparecimento, crescimento e declínio de impérios e o surgimento dos reinos, assim o rei ou soberano dava uns pedaços de terras para alguns membros do reino, sei lá qual o merecimento se era por ser um bom guerreiro, um bom artesão, participante do ciclo da nobreza, dos sacerdotes sei lá, mas esse é outro fator junto com o aparecimento e declínio dos países ou impérios, pois nesses ciclos apareciam novos reis ou soberanos e então a partilha de terra acontecia novamente, nessa partilha já vemos a propriedade privada ou o embrião do que ela seria e acreditem, isto já acontecia lá na antiguidade mais remota.

  28. No início do texto indica que é um excerto do livro de HOPPE, mas não tem nenhuma nota com indicação bibliográfica do livro, edição, páginas etc. Depois, nos comentários, alguém escreveu que é um “resumo”; ora, um “resumo” é diferente de um “excerto”. Como podemos ter certeza de que o que está escrito neste artigo são realmente as palavras de HOPPE? É importante citar a fonte de maneira transparente. Isso é relavante porque cheguei a este texto por ter sido o mesmo citado num artigo que estava lendo. Ora, observo que as pessoas escrevem artigos pretensamente científicos baseados em textos onde não há indicações de fontes, onde não se sabe nem mesmo se realmente foi escrito pelo autor citado.

    Outra observação: há que se distinguir “teorias” de fatos documentados historicamente. Muitas vezes autores desenvolvem uma teoria sobre determinado assunto e as divulgam como sendo fatos históricos. Mais uma vez, não há quaisquer notas neste texto, nem mesmo as supostamente indicadas por HOPPE no texto original, para sustentar o que está aqui escrito.

  29. Se no lassado a carência e os frutos do trabalho familiar implicavam na regulacão da taxa se natalidade que por sua vez possibilitavam uma adequação às condições de vida daquela família à níveis de maior conforto, não podemos dizer q isso se impera hoje, onde, famílias pobres se reproduzem como coelhos, talvez, baseado numa outra lógica biológica onde, em cenários de escassez há alta taxa reprodutiva como forma de compensar a alta taxa de mortalidade, taxa essa que já não existe em grande escala já que a instituição estado estou na história, sem contudo possibilitar q o incremento de rebentos às famílias se traduzam em aumento da força de trabalho, ao contrário, parece q socialmente houve um retrocesso, na medida em que, parte dos custos com tais rebentos são socializados para todos – inclusive pra classe média q se abstém de ter muitos filhos justamente buscando manter os meios de manutenção e conforto e preparação deste filho para a vida. Ou seja, se por uma lados os pobres conseguiram involuir, o governo continua a atrapalhar a evolução normal e saudável da sociedade.

  30. O Instituto Mises nos presenteia com outro artigo excelente de Hoppe. Como sempre, bem escrito e que nos dá esperança (hope) na luta contra o socialismo.



  31. Excelente artigo, aliás, muito mais que um artigo!

    Apenas para resumir: seja um palácio, uma casa ou um casebre, todos tem em comum na sua ORIGEM, a BASE, o ALICERCE, etc…

    É fácil para determinadas minorias barulhentas demonizaram a FAMÍLIA e a PROPRIEDADE PRIVADA, obviamente estando, ainda que subliminarmente, protegidas ou alicerçadas em ambas!

    Também é fácil ser SOCIALISTA, ESQUERDISTA ou COMUNISTA, às custas do erário e/ou bens e valores ALHEIOS.

    Monte.David

  32. Pensando no conceito de sharing, tão em voga atualmente, não estaríamos rumando para um modo de vida onde a propriedade privada seria abolida por substituição a um novo modelo em que tudo o quanto necessitamos será alugado de alguma superestrutura e não seremos mais donos de nada? É só um pensamento apocalíptico? Um socialismo consentido via mudança de cultura?

  33. Muito bem elaborada a tese de Hans-Hermann Hope.

    Percebe-se, todavia, que nesta teoria do surgimento do homem “moderno” e as migrações do nordeste da África para o oriente (já desenvolvida em outros estudos, como o de Bill Cooper), o autor contempla nada mais que a descendência de Cam, cujas migrações coincidem em grau e número, apenas situando-as num passado longínquo de 50 mil anos, dando o caráter evolucionista que fundamenta o estudo. A par disso, temos também a teoria da origem mesopotâmica do homem, que traça outras migrações além das alinhadas aqui, a partir da descendência jafética e semítica. Neste contexto, a origem da família e da propriedade não é produto do acaso.

  34. livecoins.com.br/restaurante-nft-dos-eua-para-de-aceitar-criptomoedas/amp/?utm_source=coingecko&utm_content=coingecko&utm_campaign=coingecko&utm_medium=coingecko&utm_term=coingecko

    Saudades daquilo que as criptos sequer viveram (e nem vão viver)

  35. Valter de Oliveira

    Em princípio pode haver uma conciliação entre criacionismo e evolucionismo. Tal é o ensinamento de Pio XII na Humani Generis. Nesta é mantido o ensinamento clássico: Deus criou o mundo a partir do nada e criou, mais tarde o ser humano. Por outro lado nada impede que haja uma evolução da matéria. Seria uma lei também criada por Deus. O cristão, diz o Papa, é livre para admitir o criacionismo no sentido clássico ou o evolucionismo. A questão aí não seria mais teológica mas simplesmente da ciência da biologia. Completo dizendo que o cristão, ainda que admita o evolucionismo, precisa manter a crença no monogenismo (um só casal inicial do qual todos descendemos) porque negá-lo seria negar o pecado original e, por consequência, a Redenção. Não conheço eventuais novos desdobramentos teológicos sobre o assunto. Grato a todos pela atenção.

  36. Cara, muito interessante mesmo esse papo sobre propriedade privada e família, porque no fundo é sobre ter ordem na vida, né. Eu tava vivendo fragmentado – treinava um tempo, depois parava pra orar, perdia a consistência nos dois lados – até que comecei a usar o CavePill pra organizar tudo em um lugar só, com body, mind e spirit junto. Tem me ajudado a manter os três pilares em pé sem deixar nenhum cair, e isso reflete direto em como eu lido com as outras coisas da vida também.

Rolar para cima