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sexta-feira, 13 set 2013
89º Podcast Mises Brasil - Leandro Roque

logo_baixa.jpgENTREVISTA 89 – LEANDRO ROQUE

Em seu mais recente texto, O esfacelamento do real e as perspectivas da economia brasileira, o editor e tradutor do site do Instituto Mises Brasil, Leandro Roque, fez uma defesa fundamentada da moeda forte e estável e mostrou os seus benefícios para a economia de um país. Usando o exemplo histórico da Alemanha e o compromisso dos alemães com a robustez do marco, Leandro procurava expor e esclarecer os problemas atuais da economia brasileira criados por decisões equivocadas do governo brasileiro e que culminaram no enfraquecimento do real. 

Neste Podcast do IMB, Leandro fala sobre hiperinflações e sobre como uma moeda fraca afeta negativamente a economia, mostra o que é necessário para se conseguir uma moeda forte, aprofunda os pontos acerca das suas vantagens, cita quem é que se beneficia com o real enfraquecido e afirma que não há risco de uma hiperinflação no Brasil. “O arranjo atual, em que são os bancos, e não o Banco Central, que decidem se o dinheiro entra na economia ou não, não é propenso a gerar hiperinflação, mas ele é sim propenso a gerar inflação de preços continuamente alta, como esta que estamos vivenciando agora. E isso já é suficiente para desarrumar a economia e gerar incertezas empresariais. (...) A estabilidade monetária não é tudo, mas sem essa estabilidade monetária, essas coisas básicas, como os investimentos de longo prazo, que, aliás, são os reais geradores de riqueza de uma economia, são afetadas”. 

O editor do site do IMB, nesta segunda entrevista ao Podcast (a primeira pode ser ouvida aqui), também explicou de que forma as intervenções do governo federal adotadas em 2007 até o final de 2011, período de forte expansão do crédito, resultaram no cenário atual caracterizado por uma população mais endividada, indicadores de inadimplência em alta e restrição de crédito pelos bancos; e faz uma apaixonada crítica ao protecionismo e a seus defensores, mostrando como ele empobrece o cidadão comum e enriquece uma elite politicamente bem conectada.






  • Guilherme  13/09/2013 16:01
    Excelente condução como sempre, prezado Bruno. E essenciais as informações fornecidas pelo Leandro. Obrigado!
  • Mauro  13/09/2013 18:40
    Eu nunca entendi o que houve com o Ciro Gomes. O cara era bastante sensato em meados da década de 1990, e foi um grande Ministro da Fazenda (por apenas 3 meses). Depois que brigou com FHC, a coisa desandou geral e ele virou socialista. Uma pena. É um cara inteligente.
  • Rodrigo Moura  14/09/2013 12:49
    Ciro é inteligente e extremamente articulado. Nada me tira a cabeça que sua guinada à esquerda foi um mero oportunismo político. Assim que a maré pró-estatismo virar, ele volta às suas origens.
  • Occam's Razor  13/09/2013 19:46
    Precisamos enviar o link desse vídeo para os empresários da FIESP, pois pelo jeito eles não aprenderam nada.

    A Fiesp realizou no dia 26 passado o seminário "Reindustrialização do Brasil", cujo objetivo foi debater estratégias para dobrar a renda per capita brasileira num prazo de 15 ou 20 anos, fazendo o país entrar no rol das nações desenvolvidas.

    ...

    Entretanto, como esperado, há grande divergência em termos de receitas. Edmar Bacha, por exemplo, deseja que a proteção tarifária seja substituída por um câmbio mais desvalorizado, de forma que uma nova rodada de abertura comercial represente um choque de competitividade para a indústria. O ajuste fiscal deveria garantir as condições para reduzir a carga tributária.

    ...

    Yoshiaki Nakano ressaltou os riscos dessa estratégia sem um faseamento. Antes de abertura comercial, é preciso controlar os fluxos de capitais para ter uma política monetária mais
    flexível capaz de impedir novas revalorizações do real. Para tanto, Nakano concorda com Bacha que é preciso controlar o gasto público como forma de garantir que a inflação se mantenha sob controle.


    Ambas as abordagens centram as soluções para a indústria na macroeconomia. Bresser-Pereira -ainda que destacando que os instrumentos mais protecionistas de política industrial, como subsídios e tarifas elevadas, foram eficazes no passado- concorda que hoje a exigência de integração exige abordagem macro, com juro baixo e câmbio depreciado.

    ...


    As empresas nacionais precisam produzir coisas novas. Para tanto, é fundamental a participação do Estado, via participações acionárias, compras públicas ou por investimentos em firmas iniciantes de base tecnológica. Há riscos. Porém, sem corrê-los, ficaremos presos a uma armadilha, que não é a da renda média, mas a de ser apenas fornecedor global de recursos naturais.

    www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelomiterhof/2013/09/1340758-reindustrializacao.shtml




  • Leandro  13/09/2013 19:56
    Que a FIESP esteja defendendo seu feudo é algo perfeitamente compreensível. A verdadeira desgraça está na participação destes economistas tidos como "liberais".

    Yoshiaki Nakano é um conhecido desenvolvimentista da FGV-SP, é ligado umbilicalmente ao PSDB de São Paulo e a José Serra, e tem como única missão de vida propagar políticas econômicas que sejam do agrado de Paulo Skaf.

    Edmar Bacha, que é da Casa das Garças e do Instituto Millenium, deveria saber melhor. A impressão que eu tenho é que ele até está bem intencionado, e está realmente querendo dizer as coisas certas; mas, por medo da patrulha, acaba fazendo estas concessões insensatas, como trocar tarifa por câmbio mais desvalorizado. Certamente não está dialogando como deveria com Gustavo Franco.

    Bresser-Pereira dispensa comentários.
  • Dâniel Fraga  13/09/2013 20:33
    14:40 -- inclusive o Brasil é o país que MENOS importa no mundo e ainda assim o governo quer restringir ainda mais importação. Vejam a matéria "Brasil é o país que menos importa no mundo".

    16:30 -- é o que acontece com o bitcoin, a moeda mais forte do mundo ;)

    17:40 -- além da Suíça ser a 5ª economia mais livre do mundo.

    Excelente podcast. Parabéns ao Leandro Roque e ao Bruno Garschagen.
  • anônimo  15/09/2013 04:23
    Leandro Roque sempre facilitando o entendimento das questões econômicas!

    Eu, que há pouco tempo comecei a me interessar por economia, já venho aprendendo muito aqui no IMB.

    Valeu!
  • anônimo  15/09/2013 19:22
    Só um detalhe:

    A argumentação sobre a impossibilidade de inflação galopante baseada meramente na lei de responsabilidade fiscal é um pouco temerária, dado que esta pode ser revogada a qualquer momento, ainda mais por governos que seguem o lema inscrito no pavilhão nacional e o proposto nos planos quinquenais da finada URSS.
    Digo isso pois sou servidor em um estado pobre do Nordeste e há grande saudosismo da época das poucas amarras ao endividamento e à farra fiscal desta unidade da federação.
    Conversando com outros colegas servidores, percebo, pelos seus discursos e experiências que tal comportamento é semelhante em outras localidades.

    Veja o que a equipe deste governo fez com a suposta independência do banco central...

    Afinal, vale a máxima para essa gente: "Um passo para trás, dois passos para frente." Mas só se caminha para trás.
  • Leandro  16/09/2013 10:58
    "A argumentação sobre a impossibilidade de inflação galopante baseada meramente na lei de responsabilidade fiscal é um pouco temerária, dado que esta pode ser revogada a qualquer momento, [...]. Digo isso pois sou servidor em um estado pobre do Nordeste e há grande saudosismo da época das poucas amarras ao endividamento e à farra fiscal desta unidade da federação. Conversando com outros colegas servidores, percebo, pelos seus discursos e experiências que tal comportamento é semelhante em outras localidades."

    Apenas para esclarecer, em momento algum eu disse que uma hiperinflação é implausível porque os estados da federação estão seguindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Disse, isso sim, que a Lei de Responsabilidade Fiscal instituiu um novo estatuto para o Banco Central (que o proíbe de financiar diretamente o Tesouro), estatuto este que de fato vem sendo obedecido.

    A LRF criou um estatuto vinculante para o Banco Central, e tal estatuto tem de ser seguido. O raciocínio nada tem a ver com a maneira como os estados irão se comportar em termos orçamentários.

    Por fim, é claro que se o estatuto imposto ao BACEN (o da proibição de financiar diretamente o Tesouro) for revogado, as chances de hiperinflação voltarão totalmente. Porém, tal cenário ainda não está sendo contemplado.
  • anônimo  16/09/2013 14:02
    Então, aguarde por este cenário. Com políticas fiscais na contramão da política monetária e com endividamento público crescente, não descartaria a possibilidade de que os próximos presidentes possam vir a escolher tal via para "permitir o desenvolvimento da nação".

    Afinal, se até fizeram ginástica interpretativa para negar o óbvio sobre os embargos infringentes, espere o argumento para liberar a impressora do Bacen. Tudo isso com apoio, lógico, dos dinossauros Delfim Netto e Bresser Pereira.

    Serão mais 14 anos (1980-1994) de efeitos e de "remendos" nefastos na economia.

    E, como vocês mesmo colocam aí no IMB: do governo pode-se esperar as ideias mais estapafúrdias do planeta, apesar de exemplos históricos repetidos muitas vezes nos ensinarem que tais pensamentos possuem consequências nefastas.
  • Guilherme  19/09/2013 19:11
    Leandro,
    os bancos públicos não poderia neste atual arranjo funcionar como o BC funcionava na década de 80? Ou seja, o BC não compra do tesouro, mas caixa e BB compram?

    Obrigado e parabéns pela entrevista!
  • Leandro  19/09/2013 21:17
    Apenas para deixar claro, todos os bancos -- públicos e privados -- compram títulos do Tesouro. E eles fazem isso criando dinheiro do nada. É por isso que, também no atual arranjo monetário, déficits orçamentários são inflacionários. Portanto, isso não é algo que apenas BB e CEF fazem, não.

    Adicionalmente, toda a atual expansão do crédito no Brasil de fato está sendo efetuada pelos bancos públicos. Mas mesmo esses bancos estão sujeitos a restrições como compulsório e regras da Basileia. Eles são apenas mais imprudentes que os bancos privados, pois sabem que serão tranquilamente socorridos pelo governo em caso de lambança.

    Ou seja, não há risco de hiperinflação, mas tais bancos de fato garantem que a inflação seja maior do que poderia ser.
  • Malthus  02/10/2013 22:21
    Os FDPs simplesmente não param.

    Abimaq pede maior rigidez tarifária para importações

    SÃO PAULO - A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) entregou nesta quarta-feira, 02, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, uma pauta com propostas para a restrição da importação de bens de capital, com especial atenção a uma maior rigidez tarifária. Além de coibir a importação de máquinas usadas, a chamada agenda setorial de bens de capital do setor pede ao governo que amplie a alíquota do imposto e as licenças não automáticas de importação, bem como restrinja o mecanismo ex-tarifário que garante a redução temporária da alíquota da tarifa quando não houver a produção nacional.

    Segundo o documento, a alíquota do Imposto de Importação, em 14% atualmente, é insuficiente para que as empresas nacionais tenham competitividade, já que o custo Brasil, considerando o dólar a R$ 2,35, "acrescenta cerca de 16 pontos porcentuais aos custos (das empresas), anulando completamente a presumida proteção alfandegária", informa a Abimaq. "É urgente, portanto, a necessidade de revisão das alíquotas do imposto para impedir a apropriação integral da desvalorização do real pelos produtores de insumos básicos, como ocorre", completa.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,abimaq-pede-maior-rigidez-tarifaria-para-importacoes,166317,0.htm


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